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A Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna ocorreu entre 13 e 18 de


fevereiro de 1992, no Teatro Municipal de São Paulo, com a
participação de artistas do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Durante toda semana o saguão do teatro esteve aberto ao
público. Nele se encontrava uma exposição de artes
plásticas com obras de Anita Malfatti, Vicente do Rego
Monteiro, Zina Aita, Di Cavalcante, Harberg, Brecheret,
Ferrignac e Antonio Moya.
Nas noites de 13, 15 e 17 realizaram-se saraus com
apresentação de conferências, leituras de poemas, dança e
música.
A primeira noite foi aberta com uma conferência de Graça
Aranha intitulada ‘A emoção estética na arte moderna’, na
qual o escritor pré-modernista, em linguagem tradicional e
acadêmica, manifesta seu apoio à arte moderna.Seguiram-
se à conferência declamação de poemas, por Guilherme de
Almeida e Ronald de Carvalho, e execução de músicas de
Ernani Braga e Villa-Lobos.
Contrastando com o comportamento da platéia na primeira
noite, a segunda foi a mais importante e a mais tumultuada
das três noites da Semana. Foi aberta por Menotti del
Picchia, com uma conferência em que era negada a filiação
do grupo modernista ao futurismo deMarinetti, mas
defendia a integração da poesia com os tempos modernos,
a liberdade de criação e, ao mesmo tempo, a criação de
uma arte genuinamente brasileira.

A importância da Semana

A Semana de Arte Moderna, vista isoladamente, não


deveria merecer tanta atenção.
Os jornais da época, por exemplo, não lhe dedicaram mais
do que algumas poucas colunas, e a opinião pública ficou
distante. Seus participantes não tinham sequer um projeto
artístico comum; unia-os apenas o sentimento de liberdade
de criação e o desejo de romper com a cultura tradicional.
Foi, portanto, um acontecimento bastante restrito aos
meios artísticos, principalmente de São Paulo.
Apesar disso, a Semana foi ganhando uma enorme
importância histórica. Primeiramente porque representou a
confluência das várias tendências de renovação que
vinham ocorrendo na arte e na cultura brasileira antes de
1922, cujo objetivo era combater a arte tradicional. Em
segundo lugar, a Semana conseguiu chamar a atenção dos
meios artísticos de todo o país e, ao mesmo tempo,
aproximar os artistas com idéias modernistas, que até
então se encontravam dispersos. A partir daí, formaram-se
grupos de artistas e intelectuais, que fundaram revistas de
arte e literatura, publicaram manifestos, enfim levaram
adiante e aprofundaram o debate acerca da arte moderna.
Além disso, ao aproximar artistas de diferentes campos-
escritores, poetas, pintores, escultores, arquitetos, músicos
e bailarinos-, permitiu a troca de idéias e de técnicas, o que
ampliaria os diversos ramos artísticos e os atualizaria em
relação ao que se fazia na Europa.
Os reflexos da Semana fizeram-se sentir em todo decorrer
dos anos 20, atravessaram os anos 30 e, de alguma forma,
estão relacionados com a arte que se faz hoje.

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