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Universidade do Sul de Santa Catarina

Ciência e Pesquisa
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2011

Créditos
Universidade do Sul de Santa Catarina | Campus UnisulVirtual | Educação Superior a Distância
Reitor Ailton Nazareno Soares Vice-Reitor Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Willian Corrêa Máximo Pró-Reitor de Ensino e Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Mauri Luiz Heerdt Pró-Reitora de Administração Acadêmica Miriam de Fátima Bora Rosa Pró-Reitor de Desenvolvimento e Inovação Institucional Valter Alves Schmitz Neto Diretora do Campus Universitário de Tubarão Milene Pacheco Kindermann Diretor do Campus Universitário da Grande Florianópolis Hércules Nunes de Araújo Secretária-Geral de Ensino Solange Antunes de Souza Diretora do Campus Universitário UnisulVirtual Jucimara Roesler Equipe UnisulVirtual Diretor Adjunto
Moacir Heerdt Avenida dos Lagos, 41 – Cidade Universitária Pedra Branca | Palhoça – SC | 88137-900 | Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.br | Site: www.unisul.br/unisulvirtual

Coordenadores Graduação

Aloísio José Rodrigues Ana Luísa Mülbert Ana Paula R.Pacheco Artur Beck Neto Bernardino José da Silva Charles Odair Cesconetto da Silva Dilsa Mondardo Diva Marília Flemming Horácio Dutra Mello Itamar Pedro Bevilaqua Jairo Afonso Henkes Janaína Baeta Neves Jorge Alexandre Nogared Cardoso José Carlos da Silva Junior José Gabriel da Silva José Humberto Dias de Toledo Joseane Borges de Miranda Luiz G. Buchmann Figueiredo Marciel Evangelista Catâneo Maria Cristina Schweitzer Veit Maria da Graça Poyer Mauro Faccioni Filho Moacir Fogaça Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Fontanella Roberto Iunskovski Rose Clér Estivalete Beche

Marilene de Fátima Capeleto Patricia A. Pereira de Carvalho Paulo Lisboa Cordeiro Paulo Mauricio Silveira Bubalo Rosângela Mara Siegel Simone Torres de Oliveira Vanessa Pereira Santos Metzker Vanilda Liordina Heerdt

Patrícia de Souza Amorim Poliana Simao Schenon Souza Preto

Gerência de Desenho e Desenvolvimento de Materiais Didáticos
Márcia Loch (Gerente)

Karine Augusta Zanoni Marcia Luz de Oliveira Mayara Pereira Rosa Luciana Tomadão Borguetti

Assuntos Jurídicos

Bruno Lucion Roso Sheila Cristina Martins

Gestão Documental

Lamuniê Souza (Coord.) Clair Maria Cardoso Daniel Lucas de Medeiros Jaliza Thizon de Bona Guilherme Henrique Koerich Josiane Leal Marília Locks Fernandes

Desenho Educacional

Marketing Estratégico Portal e Comunicação

Gerência Administrativa e Financeira
Renato André Luz (Gerente) Ana Luise Wehrle Anderson Zandré Prudêncio Daniel Contessa Lisboa Naiara Jeremias da Rocha Rafael Bourdot Back Thais Helena Bonetti Valmir Venício Inácio

Vice-Coordenadores Graduação
Adriana Santos Rammê Bernardino José da Silva Catia Melissa Silveira Rodrigues Horácio Dutra Mello Jardel Mendes Vieira Joel Irineu Lohn José Carlos Noronha de Oliveira José Gabriel da Silva José Humberto Dias de Toledo Luciana Manfroi Rogério Santos da Costa Rosa Beatriz Madruga Pinheiro Sergio Sell Tatiana Lee Marques Valnei Carlos Denardin Sâmia Mônica Fortunato (Adjunta)

Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão
Janaína Baeta Neves (Gerente) Aracelli Araldi

Elaboração de Projeto

Carolina Hoeller da Silva Boing Vanderlei Brasil Francielle Arruda Rampelotte

Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD) Roseli A. Rocha Moterle (Coord. Pós/Ext.) Aline Cassol Daga Aline Pimentel Carmelita Schulze Daniela Siqueira de Menezes Delma Cristiane Morari Eliete de Oliveira Costa Eloísa Machado Seemann Flavia Lumi Matuzawa Geovania Japiassu Martins Isabel Zoldan da Veiga Rambo João Marcos de Souza Alves Leandro Romanó Bamberg Lygia Pereira Lis Airê Fogolari Luiz Henrique Milani Queriquelli Marcelo Tavares de Souza Campos Mariana Aparecida dos Santos Marina Melhado Gomes da Silva Marina Cabeda Egger Moellwald Mirian Elizabet Hahmeyer Collares Elpo Pâmella Rocha Flores da Silva Rafael da Cunha Lara Roberta de Fátima Martins Roseli Aparecida Rocha Moterle Sabrina Bleicher Verônica Ribas Cúrcio Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Letícia Regiane Da Silva Tobal Mariella Gloria Rodrigues Vanesa Montagna

Rafael Bavaresco Bongiolo Catia Melissa Silveira Rodrigues Andreia Drewes Luiz Felipe Buchmann Figueiredo Rafael Pessi

Gerência de Produção Design Visual

Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Francini Ferreira Dias Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.) Alberto Regis Elias Alex Sandro Xavier Anne Cristyne Pereira Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Daiana Ferreira Cassanego Davi Pieper Diogo Rafael da Silva Edison Rodrigo Valim Fernanda Fernandes Frederico Trilha Jordana Paula Schulka Marcelo Neri da Silva Nelson Rosa Noemia Souza Mesquita Oberdan Porto Leal Piantino

Reconhecimento de Curso
Maria de Fátima Martins

Acessibilidade

Multimídia

Secretaria Executiva e Cerimonial
Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Marcelo Fraiberg Machado Tenille Catarina

Extensão Pesquisa

Maria Cristina Veit (Coord.) Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC) Mauro Faccioni Filho (Coord. Nuvem)

Avaliação da aprendizagem

Sérgio Giron (Coord.) Dandara Lemos Reynaldo Cleber Magri Fernando Gustav Soares Lima Josué Lange

Assessoria de Assuntos Internacionais
Murilo Matos Mendonça

Coordenadores Pós-Graduação

Pós-Graduação Biblioteca

Assessoria de Relação com Poder Público e Forças Armadas
Adenir Siqueira Viana Walter Félix Cardoso Junior

Assessoria DAD - Disciplinas a Distância

Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Carlos Alberto Areias Cláudia Berh V. da Silva Conceição Aparecida Kindermann Luiz Fernando Meneghel Renata Souza de A. Subtil

Aloísio José Rodrigues Anelise Leal Vieira Cubas Bernardino José da Silva Carmen Maria Cipriani Pandini Daniela Ernani Monteiro Will Giovani de Paula Karla Leonora Dayse Nunes Letícia Cristina Bizarro Barbosa Luiz Otávio Botelho Lento Roberto Iunskovski Rodrigo Nunes Lunardelli Rogério Santos da Costa Thiago Coelho Soares Vera Rejane Niedersberg Schuhmacher Acadêmica Angelita Marçal Flores (Gerente) Fernanda Farias

Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.) Salete Cecília e Souza (Coord.) Paula Sanhudo da Silva Marília Ignacio de Espíndola Renan Felipe Cascaes

Claudia Gabriela Dreher Jaqueline Cardozo Polla Nágila Cristina Hinckel Sabrina Paula Soares Scaranto Thayanny Aparecida B. da Conceição

Conferência (e-OLA)

Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.) Bruno Augusto Zunino Gabriel Barbosa

Gerência de Logística Logísitca de Materiais

Produção Industrial

Marcelo Bittencourt (Coord.)

Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente) Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.) Abraao do Nascimento Germano Bruna Maciel Fernando Sardão da Silva Fylippy Margino dos Santos Guilherme Lentz Marlon Eliseu Pereira Pablo Varela da Silveira Rubens Amorim Yslann David Melo Cordeiro

Gerência Serviço de Atenção Integral ao Acadêmico
Maria Isabel Aragon (Gerente) Ana Paula Batista Detóni André Luiz Portes Carolina Dias Damasceno Cleide Inácio Goulart Seeman Denise Fernandes Francielle Fernandes Holdrin Milet Brandão Jenniffer Camargo Jessica da Silva Bruchado Jonatas Collaço de Souza Juliana Cardoso da Silva Juliana Elen Tizian Kamilla Rosa Mariana Souza Marilene Fátima Capeleto Maurício dos Santos Augusto Maycon de Sousa Candido Monique Napoli Ribeiro Priscilla Geovana Pagani Sabrina Mari Kawano Gonçalves Scheila Cristina Martins Taize Muller Tatiane Crestani Trentin

Gestão Docente e Discente

Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)

Capacitação e Assessoria ao Docente

Assessoria de Inovação e Qualidade de EAD

Gerência Administração

Denia Falcão de Bittencourt (Coord.) Andrea Ouriques Balbinot Carmen Maria Cipriani Pandini

Assessoria de Tecnologia

Secretaria de Ensino a Distância
Samara Josten Flores (Secretária de Ensino) Giane dos Passos (Secretária Acadêmica) Adenir Soares Júnior Alessandro Alves da Silva Andréa Luci Mandira Cristina Mara Schauffert Djeime Sammer Bortolotti Douglas Silveira Evilym Melo Livramento Fabiano Silva Michels Fabricio Botelho Espíndola Felipe Wronski Henrique Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Indyanara Ramos Janaina Conceição Jorge Luiz Vilhar Malaquias Juliana Broering Martins Luana Borges da Silva Luana Tarsila Hellmann Luíza Koing  Zumblick Maria José Rossetti

Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Felipe Fernandes Felipe Jacson de Freitas Jefferson Amorin Oliveira Phelipe Luiz Winter da Silva Priscila da Silva Rodrigo Battistotti Pimpão Tamara Bruna Ferreira da Silva

Alessandra de Oliveira (Assessoria) Adriana Silveira Alexandre Wagner da Rocha Elaine Cristiane Surian (Capacitação) Elizete De Marco Fabiana Pereira Iris de Souza Barros Juliana Cardoso Esmeraldino Maria Lina Moratelli Prado Simone Zigunovas Anderson da Silveira (Núcleo Comunicação) Claudia N. Nascimento (Núcleo NorteMaria Eugênia F. Celeghin (Núcleo Pólos) Andreza Talles Cascais Daniela Cassol Peres Débora Cristina Silveira Ednéia Araujo Alberto (Núcleo Sudeste) Francine Cardoso da Silva Janaina Conceição (Núcleo Sul) Joice de Castro Peres Karla F. Wisniewski Desengrini Kelin Buss Liana Ferreira Luiz Antônio Pires Maria Aparecida Teixeira Mayara de Oliveira Bastos Michael Mattar

Avaliações Presenciais

Tutoria e Suporte

Nordeste)

Coordenação Cursos Coordenadores de UNA
Diva Marília Flemming Marciel Evangelista Catâneo Roberto Iunskovski

Graciele M. Lindenmayr (Coord.) Ana Paula de Andrade Angelica Cristina Gollo Cristilaine Medeiros Daiana Cristina Bortolotti Delano Pinheiro Gomes Edson Martins Rosa Junior Fernando Steimbach Fernando Oliveira Santos Lisdeise Nunes Felipe Marcelo Ramos Marcio Ventura Osni Jose Seidler Junior Thais Bortolotti

Gerência de Marketing

Eliza B. Dallanhol Locks (Gerente)

Auxiliares de Coordenação

Ana Denise Goularte de Souza Camile Martinelli Silveira Fabiana Lange Patricio Tânia Regina Goularte Waltemann

Relacionamento com o Mercado Alvaro José Souto Relacionamento com Polos Presenciais
Alex Fabiano Wehrle (Coord.) Jeferson Pandolfo

Alexandre de Medeiros Motta Vilson Leonel

Ciência e Pesquisa
Livro didático

Revisão e atualização de conteúdo Vilson Leonel Design instrucional Viviane Bastos João Marcos de Souza Alves

3ª edição

Palhoça UnisulVirtual 2011

Copyright © UnisulVirtual 2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Edição – Livro Didático
Professor Conteudista Vilson Leonel Alexandre de Medeiros Motta Revisão e atualização de conteúdo Vilson Leonel (3ª edição) Designer Instrucional Viviane Bastos João Marcos de Souza Alves (3ª edição) Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Pedro Teixeira Edison Valim (3ª edição) Revisão Jaqueline Tartari

001.42 L61 Leonel, Vilson Ciência e pesquisa: livro didático / Vilson Leonel, Alexandre de Medeiros Motta ; revisão e atualização de conteúdo Vilson Leonel ; design instrucional Viviane Bastos, João Marcos de Souza Alves. – Palhoça : UnisulVirtual, 2011. 224 p. : il. ; 28 cm. Inclui bibliografia. 1. Ciência – Metodologia. 2. Pesquisa – Metodologia. I. Motta, Alexandre de Medeiros. II. Bastos, Viviane. III. Alves, João Marcos de Souza. IV. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 UNIDADE 4 . . . . . . . . . . . . . . . 205 Referências . . . . . . . . . . . . . . . 217 Biblioteca Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189 Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . 223 . . . . . . . . . . . . . . . .7 Palavras dos professores . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Produção acadêmica: tipos de trabalhos científicos . . . .9 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207 Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . .Redação científica . . . . . . . . . 149 UNIDADE 6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 . . . 93 UNIDADE 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 Respostas e comentários das atividades de autoavaliação . . . . . . . . . . . . . .Ciência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Método científico . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 . . . . . . . . . .Conhecimento . . 37 UNIDADE 3 . . .

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pois na relação de aprendizagem professores e instituição estarão sempre conectados com você. sempre que sentir necessidade entre em contato. e-mail e o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem. objetivamos facilitar seu estudo a distância. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe atender. proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a um aprendizado contextualizado e eficaz. nesta disciplina. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual. pois tudo o que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade. 7 . tais como: telefone. por isso a “distância” fica caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou para sua formação. Então. será acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática e dialógica. Lembre-se de que sua caminhada. porque sua aprendizagem é o nosso principal objetivo. Você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso. que é o canal mais recomendado.Apresentação Este livro didático corresponde à disciplina Ciência e Pesquisa.

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é importante lembrar que nas disciplinas a distância. os fatores autonomia e disciplina são condições fundamentais para a compreensão dos conteúdos que são propostos. Esses conteúdos são considerados essenciais à sua vida acadêmica e também profissional. Nesse sentido. Assim. uma vez que a universidade se define como um lugar de pesquisa e construção do conhecimento. entendemos que o presente roteiro foi escrito para proporcionar a você conhecimentos suficientes que estimulem o debate científico no Espaço Virtual de Aprendizagem (EVA). a natureza do conhecimento científico e os processos que envolvem a pesquisa científica e a produção acadêmica.Palavras dos professores É imprescindível que entendamos a educação universitária como um lugar de excelência do saber. a disciplina Ciência e Pesquisa disponibiliza conteúdos para que você tenha condições de refletir sobre as teorias que envolvem a ciência e a prática da pesquisa. Você estudará. Para tanto. Bom estudo! Vilson Leonel Alexandre de Medeiros Motta . essencialmente. capaz de permitir ao aluno a compreensão dos fundamentos da ciência e desenvolver uma postura crítica diante da sociedade em que vive.

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São elementos desse processo: „ o livro didático. portanto. . „ „ „ Ementa Conhecimento. Ciência. presenciais e de autoavaliação). o Sistema Tutorial. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.Plano de estudo O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da disciplina. Pesquisa e método científico. Redação científica. Produção acadêmica. as atividades de avaliação (a distância. o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA).

Identificar os principais tipos de trabalhos realizados no meio acadêmico. filosófico e científico. Identificar as principais características do conhecimento do senso comum. Classificar as pesquisas quanto ao nível. religioso. Definir método e identificar os principais métodos de abordagem e de procedimento. Conhecer a história da ciência e do método científico e relacionar ciência e técnica.Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivos Geral Conhecer o método de produção científica e distingui-lo de outros métodos de conhecimento a partir dos fundamentos da teoria da ciência e de exemplos práticos de pesquisa. artístico. Identificar os elementos que enfatizam o estilo na redação de um texto científico e identificar os principais tipos de citações textuais. Específicos „ Conceituar e distinguir conhecimento. „ „ „ „ „ „ „ Carga Horária A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula. Definir ciência e identificar as principais características do conhecimento científico. 12 . à abordagem e ao procedimento utilizado para coleta de dados.

Aprenderá sobre a história da ciência e identificará os principais métodos de pesquisa científica. a relação entre método e técnica e os principais métodos de abordagem e procedimento. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. a seguir. artístico. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Unidade 3 – Método científico Nesta unidade você estudará a definição de método científico. 13 . Unidade 2 – Ciência As principais características da ciência serão estudadas nessa unidade e você conhecerá a relação entre ciência e técnica. religioso. à abordagem e ao procedimento utilizado na coleta de dados serão os temas tratados nesta unidade. Unidade 4 – Pesquisa O conceito de pesquisa e a classificação das pesquisas quanto ao nível. as unidades que compõem o livro didático desta disciplina e os seus respectivos objetivos. filosófico e científico. Unidades de estudo: 6 Unidade 1 – Conhecimento Nela você estudará o conceito de conhecimento e as principais características do conhecimento do senso comum.Ciência e Pesquisa Conteúdo programático Veja.

os elementos que enfatizam o estilo na redação de um texto científico. as regras para a apresentação gráfica de um trabalho acadêmico. a resenha crítica. o artigo científico e a monografia. dentre eles o resumo. identificará os elementos que compõem o roteiro de um projeto de pesquisa e os principais tipos de trabalhos realizados no meio acadêmico.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 5 – Produção acadêmica: tipos de trabalhos científicos Aqui você compreenderá a importância do projeto no contexto da pesquisa científica. 14 . as regras para ordenar referências e apresentação das citações no texto. Unidade 6 – Redação científica Nesta unidade você estudará os componentes que integram a estrutura lógica do relatório de pesquisa.

„ „ Atividades obrigatórias Demais atividades (registro pessoal) 15 .Ciência e Pesquisa Agenda de atividades/Cronograma „ Verifique com atenção o EVA. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e professor. organize-se para acessar periodicamente a sala da disciplina. Não perca os prazos das atividades.

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religioso. filosófico e científico.UNIDADE 1 Conhecimento Objetivos de aprendizagem „ „ „ Compreender o conceito de conhecimento. artístico. Identificar as principais características do conhecimento do senso comum. Distinguir as formas de conhecimento. 1 Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Seção 4 Seção 5 Seção 6 O conhecimento O conhecimento popular ou do senso comum O conhecimento religioso ou teológico O conhecimento artístico O conhecimento filosófico O conhecimento científico .

o mundo é o que torna possível o conhecimento ao se oferecer a um sujeito apto a conhecê-lo. 18 . 1999. filosófico e científico. você está convidado a iniciar o estudo da disciplina de Ciência e Pesquisa. p. Na relação sujeito-objeto. o processo pelo qual o sujeito se coloca no mundo e. Figura 1. capacidade de conhecer. artístico. Assim. com ele. Por outro lado. necessariamente. MARTINS. começando pela discussão sobre o conceito de conhecimento.1 – Relação sujeito-objeto Fonte: Elaboração dos autores.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você estudará o conceito de conhecimento. que é apreendido e transformado em conceito. No decorrer do estudo você irá perceber que não há uma explicação única ou exclusiva para a compreensão dos problemas ou situações que você enfrenta no seu dia a dia. teológico.48). (ARANHA. o sujeito é aquele que possui capacidade cognitiva. estabelece uma ligação. Bom estudo! Seção 1 . Isso equivale a dizer que o conhecimento é o ato. isto é. a existência de uma relação entre dois polos: de um lado o sujeito e de outro o objeto. as formas direta e indireta de conhecer e os tipos de conhecimento: senso comum.O conhecimento A palavra conhecimento tem sua origem no latim cognitio e pressupõe. O objeto é aquilo que se manifesta à consciência do sujeito.

Tipos de conhecimento O conhecimento pode ocorrer de diversas formas. na qual a compreensão se dá por intermédio de um conhecimento já produzido por outra pessoa ou através de símbolos orais.2 – Tipos de conhecimento Fonte: Elaboração dos autores. Você conhece quais são as formas de conhecimento? Acompanhe a seguir. Você já imaginou de quantas formas é possível compreender este fenômeno tão antigo na história da humanidade? Esse problema pode ser “entendido” à luz do senso comum. da Arte. isso significa dizer que um único objeto pode ser entendido à luz de diversos ângulos e aspectos. A segunda ocorre de forma indireta. o problema da justiça. considere. da Filosofia e da Ciência. mímicos. artístico e científico. religioso. filosófico. Nesse caso. da Religião. Você já imaginou as soluções que os referidos tipos de conhecimento apresentariam para esse problema? Figura 1. Para facilitar a compreensão deste assunto.Ciência e Pesquisa Para Luckesi e outros (2003. p. 137-138). Estamos nos referindo aos tipos de conhecimento: senso comum. Unidade 1 19 . como exemplo. gráficos. pictóricos etc. A primeira consiste na apropriação direta da realidade sem a mediação de outra pessoa ou de algum outro meio. o sujeito opera “com” e “sobre” a realidade. existem duas maneiras de o sujeito se apropriar do conhecimento.

p. Por isso. Consiste na ação pela ação. 186). Esse conjunto de crenças e opiniões. o seu conteúdo se forma a partir da experiência que se vivencia no dia a dia. as verdades apresentam certa durabilidade e estabilidade (crença). uma vez que procura resolver problemas cotidianos. essencialmente de caráter prático. não se constituindo em uma teoria.] aquele que não surge do estudo sistemático da realidade a partir de um método específico. é possível afirmar também que o conhecimento do senso comum é sensitivo. senso comum. 20 . não conseguimos explicar adequadamente um fenômeno. sabem a época certa de plantar e de colher. sem ideias comprovadas que não permitem o estudo ou a investigação sobre um determinado fenômeno. 1999. Além das características mencionadas.. O assunto da próxima seção refere-se ao conhecimento popular ou como comumente se fala. 8). p. Seção 2 .. impossibilita a realização de experimentos controlados. Então. Köche (1997. forma o que se costuma chamar de conhecimento comum ou senso comum. 23-27) apresenta as seguintes características para o senso comum: “resolve problemas imediatos (vivencial). da experiência de vida” (RAUEN. (GEWANDSZNAJDER. Nas zonas rurais. você conheceu um pouco sobre conceito de conhecimento e os tipos de conhecimento. por meio desse tipo de conhecimento. mesmo sem nunca ter frequentado uma escola. mas provém do ‘viver e aprender’. elaborado de forma espontânea e instintiva (ametódico). 1989. não apresenta limites de validade”. subjetivo (fragmentado) e inseguro. p. Todos nós sabemos muitas coisas que nos ajudam em nosso dia a dia e que funcionam bem na prática.Universidade do Sul de Santa Catarina — Na primeira seção desta unidade. linguagem vaga e baixo poder de crítica. dogmático (crenças arbitrárias). muitas pessoas.O conhecimento popular ou do senso comum O conhecimento popular ou do senso comum é “[.

uma vez reconhecida a pertinência de um saber. A intuição é a percepção imediata que dispensa o uso da razão. paladar e tato. não se pode dizer de maneira alguma que o conhecimento do senso comum possa ser considerado como de qualidade inferior aos demais conhecimentos. observamos o abandono da razão e um apego àquilo que é captado apenas pelos órgãos sensoriais: visão. representa um conhecimento sensitivo e aparente. 2002. organizam-se meios sociais de manutenção e de difusão desse conhecimento. próprias desse tipo de conhecimento. precisamos do uso da razão. Unidade 1 21 . 23). as fontes do conhecimento popular ou do senso comum são a intuição e a tradição. pois em muitas ocasiões de nossas vidas ele funciona socialmente. O senso comum. porque se apega à aparência dos fatos e não à sua essência. tem a sensação de que a Terra está parada e não em movimento? Você vê que o céu é azul? Pois bem. Para Laville e Dionne (apud RAUEN. para entender que a Terra não está parada e que o azul do céu é apenas uma ilusão de ótica é necessário muito mais do que os órgãos sensoriais (visão. Você. audição). está ligada à figura do ancião pelo fato de ele ter vivido muito tempo e ter acumulado muito conhecimento. como no caso do manuseio do chá caseiro ou das ervas medicinais. p. Nesse caso. a partir do conhecimento adquirido por certas pessoas de seus pais ou avós.Ciência e Pesquisa Em muitas situações. e a tradição ocorre quando. olfato. Contudo. tornando-se uma marca visível na formação da identidade cultural de uma comunidade. A ideia de sabedoria. audição. em muitas culturas. por exemplo. passando a se tornar uma sabedoria proveniente da cultura popular. portanto.

LEHFELD. Portanto. Para Chaui (2005.] princípio de que as verdades nas quais [se] acredita são infalíveis ou indiscutíveis. podemos classificar sob este título os conhecimentos ditos místicos ou espirituais”. 3). E então? Você já pensou nas respostas para o nosso questionamento? Pois bem. p. “a percepção da realidade exterior como algo independente da ação humana nos conduz à crença em poderes superiores ao humano e à busca de meios para nos comunicar com eles. 52). 5).. primeiramente. Sua “matéria de estudo é Deus. partilhando uma indagação com a reflexão que você está fazendo neste momento. p.] reflexão sobre a essência e a existência naquilo que elas têm como causa primeira e última de toda a vida”. (MÁTTAR NETO. Nasce assim.. 2005. sem questionamentos. p. 1986. alguns fundamentos desse tipo de conhecimento. Acompanhe a seguir. mas a ação do perfeito”. a crença na(s) divindade(s)”. Nesse sentido. neste tipo de conhecimento há a necessidade da “[. tendo a visão do mundo interpretada como resultante da criação divina. pois se tratam de revelações da divindade”. e não permitem revisão mediante a reflexão ou a experiência. O conhecimento religioso fundamenta-se na fé das pessoas. (OLIVEIRA NETTO. não seria a realização do projeto de Deus? 22 . “essas verdades são em geral tidas como definitivas. Assim. 138). pensada nessa perspectiva.. como ser que existe independente e o qual detém não as potencialidades. a verdadeira justiça é produzida pelos homens ou pela divindade? A justiça. partindo do “[..Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 3 . podemos ainda perguntar: para o conhecimento religioso. (BARROS.O conhecimento religioso ou teológico Como você imagina que o problema da justiça pode ser tratado pelo conhecimento religioso? Mas para responder a esse questionamento é necessário que você conheça. 2002. p.

Para Heerdt e Leonel (2006. p.O conhecimento artístico O conhecimento artístico é baseado na intuição. que produz emoções. Sendo assim. 30): Unidade 1 23 . “a preocupação do artista não é com o tema. 5). Será importante para compreender melhor o assunto tratado nesta unidade. — Você refletiu sobre a situação anterior? Observe ao seu redor. Utilize o espaço a seguir para registro. p.Ciência e Pesquisa Reflita sobre essa questão e descubra situações as quais você conhece ou que estejam presentes na sua comunidade e que expressem a forma do conhecimento religioso definir ou se posicionar frente à questão da justiça. passando a conhecer sobre o conhecimento artístico. configurando-se necessariamente em uma interpretação marcada pela sensibilidade. mas com o modo de tratá-lo”. O conhecimento artístico baseia-se na interpretação subjetiva produzida pelo artista e pelo intérprete. tendo por objetivo maior manifestar o sentimento e não o pensamento. para Oliveira Netto (2005. Continue seu estudo. Vamos lá? Seção 4 .

Portanto. as publicações dos seus colegas. Retome o problema apresentado no início desta seção: qual é a visão artística ou estética sobre a questão da justiça? Você acha que a poesia. sabedoria. cada obra de arte é sempre perceptível com identidade própria. Nesse período houve uma grande modificação na forma de expressar a linguagem escrita.. dando-lhe também componentes de manifestação dos sentimentos humanos. Compartilhe sua reflexão no espaço virtual de aprendizagem e acompanhe..Universidade do Sul de Santa Catarina [. narrativas e pelos relatos de Homero e Hesíodo. alegria. Seção 5 .] a arte combina habilidade desenvolvida no trabalho (prática) com a imaginação (criação).C. a música. pelas experiências. no chamado milagre grego. na história do pensamento humano. produzido. principalmente. O verso representava o período anterior ao século VI a. A origem da Filosofia. tais como: emoção. e era a forma de transmitir o conhecimento mítico.C. que passou do verso para a prosa. é do século VI a. houve a passagem da consciência mítica para a consciência racional ou 24 . em sua etimologia. as obras de arte podem apresentar expressões de justiça ou de injustiça vividas pelo homem? Reflita sobre essa questão e descubra situações as quais você conhece ou que expressem a forma do conhecimento artístico definir ou se posicionar frente à questão da justiça. filosofia significa. o qual foi marcado por uma grande ruptura histórica: a passagem do mito para a razão.O conhecimento filosófico A palavra filosofia vem do grego e é formada pelas palavras philo que significa amigo e sophia. Qualquer que seja sua forma de expressão. Com a origem da Filosofia. esperança. revolta.. também. amigo da sabedoria.

[. rigorosa porque é sistemática. juntar. Por isso. MARTINS. 59. Radical porque vai às raízes do problema. é possível afirmar que “o conhecimento filosófico constrói uma forma especulativa de ver o mundo. separar. êxtase místico (rompimento do estado consciente). ratio ou razão significam pensar e falar ordenadamente. Ambas apresentam o mesmo significado: contar. razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimirse correta e claramente. A origem da palavra razão está em duas fontes: ratio (latim) e logos (grego).Ciência e Pesquisa filosófica e a linguagem escrita passou a representar a forma de manifestação da razão. 59-60). rigorosa e de conjunto sobre os problemas que a realidade apresenta. p. 1999). metódica e planejada. sem o uso de qualquer objeto que não o próprio pensamento”. crença religiosa (supremacia da crença em relação à inteligência humana). Refletir ou conceber o mundo à luz do conhecimento filosófico significa. (ARANHA. usar o poder da razão para pensar e falar ordenadamente sobre as coisas. p.. 2002. emoções (sentimentos e paixões cegas e desordenadas). (CHAUÍ. 2002. um dos papéis mais significativos desse tipo de conhecimento para o homem é o de desestabilizar o que está posto. e de conjunto porque analisa o problema em todos os seus ângulos e aspectos. Especulação.. de especulum que significa espelho. a partir do exercício do pensamento. a reflexão filosófica é radical. Assim. p. no sentido de demonstrar que as coisas não estão prontas e acabadas. Assim. (RAUEN. calcular. Do mesmo modo. 1999.] logos. com clareza e de modo compreensível para outros. com medida e proporção. (CHAUÍ. é um saber elaborado. para pensar e dizer as coisas tais como são. na origem. Esse tipo de conhecimento surgiu em nossa sociedade para superar ou se opor a quatro atitudes mentais: conhecimento ilusório (conhecimento das aparências das coisas). 23). tornando o nosso pensamento falível e Unidade 1 25 . antes de tudo. grifo nosso).

Sendo assim. para encerrar esta unidade de estudo. ou qualquer pessoa que se propõe a pensar sobre o assunto. E agora.Universidade do Sul de Santa Catarina superável à medida que vamos conhecendo novos horizontes. filosoficamente. o problema da justiça? — Reflita sobre esta questão. fará especulações racionais procurando apontar os seguintes questionamentos: a justiça é justa? A quem serve a justiça? Por que a justiça é mais severa para uns e mais branda para outros? E você? Como pensa. O conhecimento filosófico não é verificável. O filósofo. daí não se pautar na experiência sensorial e por isso a utilização da razão é uma forma de bloquear a interferência dos sentimentos no ato de conhecer determinada coisa. rigorosa e de conjunto sobre os problemas da realidade fará também a mesma reflexão (radical. rigorosa e de conjunto) sobre o problema da justiça. a sociedade e o mundo em que vivemos. Será um bom exercício para que você compreenda melhor sobre o conhecimento filosófico. 26 . Retome o problema apontado no início desta seção e analise: como a Filosofia aborda a questão da justiça? Não é difícil pressupor que se a Filosofia faz uma reflexão radical. conheça mais detalhes sobre o conhecimento científico. tão enfatizado em nossa realidade acadêmica. a prática do conhecimento filosófico torna-se cada vez mais necessária em nosso cotidiano e meio acadêmico. pois nos estimula e motiva à reflexão mais crítica sobre a nossa vida.

Ciência e Pesquisa Seção 6 . mas do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e criticadas através de provas empíricas que é o conhecimento que advém dos sentidos ou da experiência sensível. Com o conhecimento científico também não é diferente.. Para Köche (1997. Descartes. ele se verifica na prática. p. cada tipo de conhecimento tem características próprias e um modo bem particular de compreender os fatos. característica esta do conhecimento ordinário. além da racionalidade. o conhecimento científico é considerado o mais recente. as situações ou as coisas. Unidade 1 27 . 2002. é uma invenção do mundo moderno. entre outros foram os grandes expoentes que. (RAUEN. Observe que. pela experiência e pela verificabilidade [das coisas]”. Bacon. pela demonstração ou pela experimentação. Galileu. A ciência. no final da Idade Média e durante a Idade Moderna criaram as bases do conhecimento científico. dependendo da área de estudo em que esteja inserido: seja nas áreas sociais e humanas ou nas “exatas” e biológicas. Dos apresentados até o momento. Copérnico. 17): o conhecimento científico surge não apenas da necessidade de encontrar soluções para os problemas de ordem prática da vida diária.O conhecimento científico Como você já estudou nas seções anteriores. Geralmente. Newton. Kepler.. os fenômenos. da forma como é entendida hoje. “[. p. 22).] o conhecimento científico é real – no sentido que se prende aos fatos – e contingente – porque se pauta. por exemplo.

como você analisa o problema da justiça? Quais são as bases conceituais. — Agora que você já estudou sobre o tema tratado. é chegado o momento da autoavaliação. 28 . de resgatar elementos históricos da ciência e de definir e classificar o método científico. com base nas informações apresentadas sobre o conhecimento científico. no âmbito do conhecimento científico para fundamentar de forma metódica. racional e sistemática essa questão? Se você ainda não formalizou uma ideia consistente ou convincente sobre a visão da justiça sob o prisma do conhecimento científico. é necessário que você desenvolva com autonomia as atividades. Você terá a oportunidade de desenvolver reflexões sobre os principais aspectos apresentados a respeito do conhecimento. Sendo assim. você está lembrado do problema apresentado no início desta unidade de estudo para exemplificar os tipos de conhecimento? Pois bem. Aproveite ao máximo esse momento.Universidade do Sul de Santa Catarina E então. além de estabelecer uma relação entre ciência e tecnologia. não seja impaciente. pois no decorrer da próxima unidade serão apresentadas de forma detalhada outras características desse tipo de conhecimento.

por meio da manifestação dos sentimentos. possibilitando uma reflexão rigorosa. por sua vez. orais. O filosófico utiliza o poder da razão para pensar e falar ordenadamente sobre as coisas. O religioso ou teológico se funda na fé. pode ser concebido ou interpretado à luz dos diversos tipos de conhecimento. Assim. Unidade 1 29 . O artístico preocupa-se em produzir emoções. que são: senso comum ou popular. O senso comum é aquele que provém do viver e aprender. mímicos etc. podemos destacar a direta e a indireta. O conhecimento científico. ou qualquer outro problema. acreditando que as verdades são infalíveis ou indiscutíveis. Como formas de apropriação do conhecimento. filosófico e científico. da experiência de vida. A palavra conhecimento vem do latim (cognitio) e resulta da relação entre o sujeito e o objeto. vinculadas às revelações divinas. como você acabou de observar. O problema da justiça. caracterizando-se como real e contingente. que foi o exemplo utilizado no decorrer de toda a unidade. fornece explicações sistemáticas que podem ser testadas e criticadas por meio de provas empíricas. cada tipo de conhecimento apresenta uma forma bem peculiar de interpretar os fenômenos produzidos pela natureza ou pelo homem. radical e de conjunto sobre os problemas que a realidade apresenta. Este conhecimento constrói uma forma especulativa de ver o mundo. sem apresentar uma preocupação com o estudo sistemático da realidade. religioso. Na indireta o conhecimento é obtido por intermédio de símbolos gráficos. artístico.Ciência e Pesquisa Síntese Nesta unidade você estudou o conhecimento. Você também estudou nessa unidade os tipos de conhecimento. A forma direta ocorre quando o sujeito enfrenta a realidade e opera “com” e “sobre” a mesma. marcadas pela sensibilidade do artista ou do intérprete.

Por isso. religioso. através de procedimentos tecnicamente planejados e testados. a existência de uma relação entre dois polos: de um lado o sujeito e de outro o objeto. 1) A palavra conhecimento pressupõe.Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados e realize. como forma de superação da mera intuição e do argumento de autoridade. a partir de um método específico. quem é sujeito e quem é o objeto? Depois de responder a esta questão. se é popular. constitui o campo de atuação deste tipo de conhecimento. identifique e escreva no espaço reservado o tipo de conhecimento correspondente (no caso. 30 . b) Este conhecimento surge do estudo sistemático da realidade. a utilização da razão tenta bloquear a interferência dos sentimentos. Nessa relação. necessariamente. 2) De acordo com as situações apresentadas a seguir. a) O uso sistemático da razão. artístico. científico ou filosófico). a seguir. destaque um exemplo no campo de atuação profissional de seu curso para cada um dos polos apontados. as atividades.

que se revelam como os únicos capazes de conduzir o destino das pessoas comuns. científico. preocupando-se comumente com problemas mais imediatos e rotineiros. e) O conteúdo deste conhecimento se forma a partir da experiência que se vive no dia a dia. f) A base deste conhecimento está situada na crença em seres divinos. em nossa sociedade não existe um único tipo de conhecimento. sendo necessário recorrermos comumente aos conhecimentos popular. visto que as explicações deste tipo de conhecimento são sempre resultantes da experiência individual. d) Este conhecimento se constitui em forma especulativa de ver o mundo.Ciência e Pesquisa c) A experiência do sujeito – “eu vi” – ou o relato da experiência de outrem – “me disseram” – é condição suficiente para garanti-los como o critério de verdade. na sua opinião. filosófico. artístico ou religioso para resolvermos certos problemas que afligem o nosso cotidiano? Unidade 1 31 . a partir do exercício do pensamento. 3) Por que.

desde o popular até o artístico. ( ) Correto ( ) Incorreto c) Entre os tipos de conhecimento não existe um grau de hierarquia. ( ) Correto ( ) Incorreto 32 . ele se classifica em vários tipos. por isso.Universidade do Sul de Santa Catarina 4) Assinale correto ou incorreto de acordo com o sentido de cada afirmativa relacionada a seguir: a) O conhecimento para ser conhecimento precisa nos levar ao entendimento da realidade. no conhecimento coexistem dois polos: o sujeito que conhece e o objeto que é conhecido. Assim. Por isso. funcionam socialmente. pois todos eles são formas de se entender a realidade e. ( ) Correto ( ) Incorreto b) O conhecimento é a tomada de consciência de um mundo vivido pelo homem.

presumo eu. A ideia de ciência como conhecimento crítico Interessa-nos.Ciência e Pesquisa Saiba mais Para aprofundar os assuntos tratados nesta unidade. acompanhar Sócrates. parece concluir que esse conhecimento novo sobre o mundo. portanto. leia o texto a seguir. Mas a resposta desta questão somente será obtida com o nascimento dos métodos experimentais do século XVII. conforme é anunciado por Sócrates em sua alegoria da caverna. de um lado. de outro lado. no entanto. intitulado Filosofia: iniciação à investigação filosófica (São Paulo: Atual. consiste em interpretações conceituais. finalmente. Sócrates – Mas. ciência. Cabe. quando se aplica à investigação das causas eficientes dos acontecimentos. de um livro ao qual você poderá recorrer para complementar seu estudo. em outro diálogo de Platão. intitulado Teeteto. extraído do livro de José A. e a apropriação da realidade por ele realizada se chama. como é que poderíamos definir ciência? Não vamos desistir da investigação. no trecho selecionado para leitura. para ver como ele aplica a atitude crítica e problematizadora visando definir que conhecimento novo é este que procura. Esse conhecimento novo é operado pelo logos. e. voltando ao início da discussão. Sócrates. considerar em que consiste esse conhecimento novo. filosofia. que constitui a ciência. quando examina as bases de todo o conhecimento. Trata-se. Unidade 1 33 . Cunha. Ainda não é o momento de analisar com maior precisão a relação entre a filosofia e a ciência. criado a partir de atitudes críticas e problematizadoras. as quais os intérpretes têm boas razões para considerar como verdadeiras. 1992). O que não fica claro neste diálogo é em que condições uma interpretação pode ser considerada “verdadeira”.

para ti. produzem a convicção. diz o chefe de fila na passagem do rio. Se pararmos por aqui. Da minha parte. é que não descobriremos nada. é infalível e tudo o que dela resulta é belo e bom.Universidade do Sul de Santa Catarina Teeteto – De modo nenhum. Teeteto – É exatamente a que procuramos dar. não vejo outra. parece. Sócrates – Diz-me então qual a melhor definição que poderíamos dar da ciência. pois existe toda uma profissão que mostra bem que a opinião verdadeira não é a ciência. a não ser que tu mesmo desistas. Sócrates – Qual é ela? Teeteto – Que opinião verdadeira é a ciência? A opinião verdadeira. a ouvintes que não foram testemunhas do fato? Teeteto – Não creio. Tais indivíduos. Ou julgas tu que há mestres tão habilidosos que. Teeteto. Aqui dá-se o mesmo: o que temos a fazer é avançar na investigação. Teeteto – Como é possível? Que profissão é essa? Sócrates – A desses modelos de sabedoria a que se dá o nome de oradores e advogados. Sócrates – Mas. no pouco tempo concebido pela clepsidra. Eles não fazem senão persuadi-los. Teeteto – Tens razão. de forma nenhuma. para não entrarmos em contradição conosco mesmos. com a sua arte. Sócrates – Não há como experimentar para ver. Talvez venhamos a esbarrar nalguma coisa que nos revele o que procuramos. Sócrates. mas sugerindo as opiniões que lhes aprazem. persuadir alguém não será levá-lo a ter uma opinião? 34 . sejam capazes de ensinar devidamente a verdade acerca dum roubo ou de qualquer outro crime. não entusiasmo. Vamos em frente e examinemos! Sócrates – O problema não exige um estudo prolongado.

Teeteto – Eu mesmo já ouvi alguém fazer essa distinção. mas voltei a lembrar-me. tinha-me esquecido dela. pode saber. porém. desprovida de razão. não é verdade que. a opinião está fora da ciência e que as coisas que não é possível explicar são incogniscíveis (é a extensão que empregava) e as que é possível explicar são cogniscíveis. deram uma sentença correta? Teeteto – Com certeza. A verdade. é que se trata de duas coisas diferentes. Dizia essa pessoa que a opinião verdadeira acompanhada de razão (logos) é ciência. meu amigo. ao julgarem esses fatos por ouvir dizer. Sócrates – Mas. quando há juízes que se acham justamente persuadidos de fatos que só uma testemunha ocular. e mais ninguém. Sócrates.Ciência e Pesquisa Teeteto – Sem dúvida. Sócrates – Então. e que. nunca o melhor dos juízes teria uma opinião correta sem ciência. Unidade 1 35 . pronunciam um juízo desprovido de ciência. se a opinião verdadeira dos juízes e a ciência fossem a mesma coisa. depois de terem deles uma opinião verdadeira. embora tendo uma convicção justa.

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Compreender a evolução histórica da ciência. Identificar as características do conhecimento científico. Relacionar ciência e tecnologia. 2 „ „ Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 A definição de ciência Classificação das ciências A perspectiva histórica da ciência .UNIDADE 2 Ciência Objetivos de aprendizagem „ „ Compreender o conceito de ciência.

Nesta unidade. 38 . tornou-se um bem cultural. perspectiva histórica e ligação com a tecnologia. Aproveite bem este conteúdo. transporte entre outros. na época em que vivemos. Está preparado? Bom estudo! Seção 1 . pois será de grande utilidade para o entendimento da próxima unidade. moradia. na qual você acompanhará uma análise mais detida do método científico.A definição de ciência A ciência está relacionada diretamente às necessidades humanas do nosso cotidiano. Por isso é muito difícil imaginarmos nossa vida sem a presença dela.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Você estudou que toda a realidade é complexa. saúde. habilidade. você terá a oportunidade de aprofundar seus estudos sobre o conhecimento científico. A ciência. da roupa que vestimos. uma das características fundamentais do conhecimento científico. O significado etimológico da palavra ciência vem do latim (scientia) e significa saber. vestuário. desde o conhecimento popular até o científico. Apesar de a palavra ciência remontar à Antiguidade. sistemático. pois para entendêla é necessário recorrer a uma série de formas de conhecimento. é somente no século XVII que surge como um conhecimento racional. da orientação médica que recebemos. características. exato e verificável. O conhecimento científico está por trás do remédio que tomamos. experimental. através de sua definição. como alimentação. arte. conhecer.

Unidade 2 39 . c) aproveitamento espiritual. preditivo. metódico. características que são unânimes em praticamente todas as tentativas de definição desse tipo de conhecimento. Verificável – corresponde à ideia de prova ou de constatação da experiência pela ação e demonstração de um fenômeno. você deve estar se perguntando: quais são. a seguir. comunicável. que são: a) aumento e melhoria do conhecimento. por outro lado. racional. 3) destaca cinco funções básicas das ciências. históricos. paradigmas. O método adotado em uma pesquisa científica deve permitir a outro pesquisador atingir os mesmos resultados alcançados desde que adote os mesmos critérios e procedimentos. uma sucinta descrição de cada uma delas. com a preocupação básica de testar a consistência da validade deste fenômeno. objetivo. e intersubjetivo.Ciência e Pesquisa Trujillo Ferrari (1973. Com base nisso é possível afirmar que o conhecimento científico é: „ „ „ „ „ „ „ „ „ „ verificável. então. e) estabelecimento de certo tipo de controle sobre a natureza. factual. A partir das características apresentadas. os significados dessas características? Acompanhe. por conta de fatores culturais. d) aproveitamento material do conhecimento. p. Se não há unanimidade na definição de ciência. filosóficos ou ideológicos há. b) descoberta de novos fatos e fenômenos. descritivo-explicativo.

Objetivo – refere-se ao propósito de querer encontrar a verdade contida na realidade. em qualquer época e lugar e por qualquer sujeito [reconhecido pela comunidade científica]”.. alheio às crenças pessoais. Köche (1997) chama isso de verdade semântica 2 . e puder ser intersubjetivamente submetido a teste”. p. (POPPER.. 1977 apud KÖCHE. puder ser apresentado à crítica. permitindo inclusive a manipulação dos fatos e o desenvolvimento de uma linguagem específica inerente aos conceitos próprios de cada área do conhecimento científico. ou melhor. Assim... “[. é possível prever como os fenômenos podem ocorrer. significa a correspondência da teoria com os fatos. As teorias científicas não podem apresentar ambiguidade ou incoerência entre seus enunciados.. O conhecimento científico estuda fenômenos naturais e humanos que ocorrem ou acontecem na natureza ou vida humana. com o conhecimento científico. dispensando as impressões imediatas que acobertam essa mesma realidade.] um enunciado científico é objetivo quando. perceber as possíveis inconsistências e corrigi-las”.. portanto. procura uni-las estabelecendo relações entre um e outro enunciado.]. 31) comenta sobre o assunto: “O conhecimento das diferentes teorias e leis se expressa formalizado em enunciados que.. no momento em que sistematiza as diferentes teorias. devem apresentar elevado nível de consistência lógica entre suas afirmações [. Köche (1997) chama isso de verdade sintática1. por isso. de forma tal que se possa. sejam construções conceituais que representem com fidelidade o mundo real [. à discussão. Intersubjetivo – de nada adianta uma teoria ser coerente na sua construção lógica (ideal de racionalidade ou verdade sintática).. o que se quer na verdade é “[.Universidade do Sul de Santa Catarina Factual – diz respeito aos fatos que acontecem na realidade. Köche (1997) chama isso de verdade pragmática 3.” 3 – O ideal de intersubjetividade é a possibilidade dos enunciados científicos serem “[. p.] atingir uma sistematização coerente do conhecimento presente em todas as suas leis e teorias” (KÖCHE. entre uma e outra lei. Racional – relaciona-se com a construção de conceitos e juízos a partir do uso sistemático do raciocínio. Quando se fala em objetividade científica quer se dizer que os enunciados. conceitos ou teorias científicas devem corresponder aos fatos. 31) afirma que “o ideal da objetividade [. entre uma e outra teoria. como modelos teóricos representativos da realidade. 1 – Veja o que Köche (1997.. Objetividade. 32). através dessa visão global.] submetidos a testes.] A ciência. entre um e outro campo da ciência. a necessidade de um conhecimento racional e lógico. 1997. Preditivo – esta característica remete ao entendimento de que. de nada adianta uma teoria apresentar correlação entre seus enunciados e conceitos e os fatos (ideal de objetividade ou verdade semântica) se esta teoria não for submetida à apreciação e/ou validação e/ou crítica da comunidade científica.. p. 1997.. p. p. Não se trata de uma questão de simples vidência ou premunição. 2 – Köche (1997. 33). confrontados uns com os outros. (KÖCHE..] pretende que as teorias científicas. 40 . que está à disposição da nossa observação numa dada realidade. 31). mas de previsão baseada na repetição contínua dos fatos. 1997.

. Por exemplo: sempre que um objeto é jogado para o alto. (KÖCHE. da Psicologia em descrever e explicar os fenômenos Unidade 2 41 . Esses fenômenos são conhecidos pelas suas manifestações. As leis e teorias surgem da necessidade de se ter de encontrar explicações para os fenômenos da realidade. enunciando-as na forma de leis gerais e utilizando estas leis para explicar e prever novos fatos. p. Objetos soltos caem com aceleração constante. Fazer uma pesquisa e guardar os resultados para si não é uma postura de quem deseja contribuir para o desenvolvimento do conhecimento científico. 90). se for desprezada a resistência do ar. vem o verão. Como se pode ver. você não concorda? Descritivo-explicativo – significa dizer que o conhecimento científico é expresso por meio de enunciados que explicam as condições que determinam a ocorrência dos fatos e dos fenômenos relacionados a um problema. Comunicável – implica dizer que os resultados das investigações científicas devem ser comunicados à sociedade em geral e não ficarem restritos ao meio acadêmico. Após a primavera. O estudo dessas manifestações pode conduzir à descoberta da uniformidade ou regularidade do comportamento desse fenômeno conjeturando sobre a estrutura dos fatores que interferem ou produzem essa regularidade. cai. 9. p. assim como se percebe pela cor e pelo perfume quando um fruto está maduro. A função da Física consiste em descrever e explicar os fenômenos físicos. pelas suas aparências. há uma ordem na natureza e [. Gatos dão sempre à luz gatinhos [sic]. Uma descoberta científica só é reconhecida pela comunidade científica se for publicada em uma revista de circulação internacional. (GEWANDSZNAYDER. Pode-se descobrir nos fenômenos da mesma natureza a manifestação de alguns aspectos que são comuns e invariáveis.. Qualquer estudo ou pesquisa que você desenvolver só será considerado verdadeiramente um trabalho científico se for publicado ou submetido à apreciação da comunidade acadêmica. 1997. da Sociologia em descrever e explicar os fenômenos sociais. pois somente por meio das leis e teorias é possível explicar os fenômenos. 1989.Ciência e Pesquisa O sol nasce todos os dias. grifo nosso).] o cientista tenta descobrir e estudar estas regularidades.

A definição se deu a partir de dois polos: de um lado o sujeito e. p. durante algum tempo. 13). ordenadamente dispostas. 42 . Não há ciência sem método. psicologia comportamentalista. física newtoniana. psicanálise. a Sociologia e a Psicologia também ocorre com as demais ciências. técnicas e processos que permitem a elucidação mais precisa do objeto de estudo. física quântica. Thomas Kuhn (2003.Universidade do Sul de Santa Catarina psíquicos. em sua obra “A estrutura das revoluções científicas”. enquanto exigência do conhecimento científico coloca-se entre essa relação. regras. Figura 2. Movido por paradigmas – todo conhecimento científico baseiase em modelos ou representações formadas por pressupostos teórico-filosóficos. assim se expressa sobre os paradigmas: Considero ‘paradigmas’ as realizações científicas universalmente reconhecidas que. fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência. Retome a definição de conhecimento apresentada na unidade anterior.Relação sujeito-objeto mediada pelo método Fonte: Elaboração dos autores. marcada por concepções ou formas de interpretar o mundo. Metódico – significa um conjunto de etapas. de outro. Isso que ocorre com a Física. estabelecidas pelo pesquisador a fim de investigar um determinado tema/questão/problema. O método. Um exemplo disso é a física aristotélica. Entre o sujeito que conhece (cientista) e o objeto que é conhecido há um conjunto de procedimentos. dogmática jurídica ou qualquer outro modelo filosófico-científico. a vida e a sociedade. instrumentos. Afirmar que a ciência é movida por paradigmas significa dizer que a ciência é movida por modelos.1 . o objeto.

Unidade 2 43 . p. melhorar a produção. 71). p. p. 16). mas há um encadeamento.. a ciência é o meio mais adequado para o controle prático da natureza. Assim. medicamentos. os quais utilizados com sabedoria contribuem para uma vida humana mais satisfatória enquanto efetivação instrumental do fazer e do agir”. a técnica é o manejo do conceito. “além de aumentar nosso conhecimento. Do mesmo modo. p.. que significa arte ou habilidade) pode utilizar tanto o conhecimento comum quanto os conhecimentos obtidos na pesquisa básica ou na ciência aplicada para criar novos artefatos ou produtos (aparelhos elétricos.] matriz de recursos técnicos e/ou tecnológicos. Como você pode observar. (GEWANDSZNAJDER. Köche (1997.] satisfazer às necessidades humanas como instrumento para estabelecer um controle prático sobre a natureza”. LEHFELD. Sendo assim. 1989. (GEWANDSZNAJDER.). modificar o ambiente ou amenizar as atividades humanas. é o exercício da investigação e o da intervenção sobre o objeto.Ciência e Pesquisa Ciência e tecnologia Um dos desafios da Ciência tem sido marcado pela vontade de dominar a natureza. (BARROS. 16). Para Barros e Lehfeld (1986. p. 43) afirma que a ciência pode “[. para atingir resultados práticos compatíveis com as exigências situacionais de mudanças”. “genericamente.. corantes etc. 1986.. 1989. 70). “há técnica para o conhecer e há técnica para o agir”. através do desenvolvimento tecnológico. transformando-a em “[. Segundo Barros e Lehfeld (1986. p.. computadores. não há ruptura epistemológica entre a ciência e a técnica. a Ciência também pode ser utilizada como fonte de poder sobre a natureza”.] das orientações fornecidas pela ciência sobre a realidade. 71). e transforma-as em programas e planos de execução”.. A técnica ou tecnologia (do grego téchne. de modo que esta (técnica) se utiliza “[.

procuram agrupar as ciências pelas semelhanças ou diferenças que há entre elas. a tal ponto que dificilmente se desvincula a produção do conhecimento do seu benefício tecnológico e pragmático. a aviação. na qual o poder se constitui pelo domínio do próprio conhecimento. p. Aos poucos. o uso da genética na agricultura e na agropecuária e tantos outros relacionados à psicologia. com certeza. a televisão. você encontrará muitas formas de agrupar ou de separar as ciências. o rádio. configurando uma sociedade do conhecimento. o conhecimento científico toma conta das nossas decisões e ações cotidianas. enquanto as ciências que estudam os fenômenos produzidos pela ação da natureza fazem parte de outro grupo. 43) afirma que: a eletricidade. isto é. as aplicações tecnológicas no campo da medicina. a telefonia. das engenharias e das viagens espaciais.Universidade do Sul de Santa Catarina Nesse sentido. Qual a classificação das ciências? 44 . as ciências que estudam fenômenos produzidos pela ação humana fazem parte de um grupo. e aos mais diferentes campos do conhecimento mostram a evolução crescente do uso do conhecimento científico na vida diária do homem. a informática. Se você fizer um estudo na literatura sobre o assunto. Köche (1997.Classificação das ciências A classificação das ciências é outra tarefa um tanto difícil de estabelecer. O que há de comum entre elas é que. Seção 2 . Assim. em todas as classificações. os autores procuram levar em conta o critério do objeto de estudo.

2 – Classificação das ciências Fonte: Bunge apud Gewandsznayder (1989. Os positivistas lógicos no século XX afirmavam que um enunciado para ser verdadeiro deveria passar pelo crivo da lógica. A lógica e a matemática são ciências do pensamento. pois lidam com fenômenos ideais e abstratos. é uma convenção humana. mas ambas não possuem realidade física. que tudo pode ser representado numericamente. Você já imaginou a realidade física do zero ou a realidade física do pensamento? Toda ideia é uma abstração. Pitágoras. que por meio de um símbolo representa ausência de alguma coisa. p. Unidade 2 45 . 12): Figura 2. A lógica e a matemática são importantes tanto para o homem comum que necessita pensar de forma ordenada e operar com números no seu dia a dia. dizia que a essência de todas as coisas é o número. o zero. As operações lógicas e matemáticas se dão exclusivamente no campo do pensamento. na Antiguidade Clássica.Ciência e Pesquisa Observe a classificação de Bunge apud Gewandsznayder (1989. como para a ciência. 12). a lógica opera com ideias. ou qualquer outro número. Enquanto a matemática opera com números. principalmente no que diz respeito a sua aplicação como contribuinte ou instrumento para testar a validade de suas teorias. p.

mas método. alguns autores acrescentam um outro agrupamento: o das Ciências aplicadas. Antropologia. As Ciências factuais referem-se aos fatos ou fenômenos concretos que correspondem a alguma coisa real e podem ser observados ou testados. Arquitetura. 46 . As Ciências naturais lidam com fenômenos produzidos pela ação da natureza (Química. Biologia. Ambas não estão preocupadas com o conteúdo de suas operações. conhecimento religioso. o científico pode ser considerado o mais recente. proposições etc. Alguns autores chegam a afirmar que a lógica ou a matemática não seriam propriamente ciência. As Ciências culturais. História). ideias.Universidade do Sul de Santa Catarina Ambas são consideradas Ciências formais porque são instrumentais e lidam com operações que se encadeiam por meio dos números.A perspectiva histórica da ciência Dos conhecimentos que você estudou na unidade anterior (conhecimento do senso comum. da forma como é entendida hoje. Além da classificação apresentada (Ciências formais e factuais). sociais ou humanas lidam com os fenômenos produzidos pela ação do homem nas relações socioculturais (Sociologia. A ciência. Psicologia. entre outras. é uma invenção do mundo moderno decorrente da Revolução Científica do século XVII. funções. mas com a implicação dos elementos que compõem essas operações. Engenharia. Física. conhecimento artístico e conhecimento filosófico). Seção 3 . Ecologia). Nesse grupo encontram-se todas as ciências que se propõem a criar artefatos ou tecnologias para a intervenção na vida humana ou na natureza: Medicina. Ciências da Computação.

primeiramente. 1999. foram os primeiros a desenvolver um tipo de conhecimento racional desligado do mito. p.. até o final da Idade Média. entre outros foram os grandes expoentes que.C. acompanhe a seguir. Visão Grega Século VI a.. Os filósofos “[. não religioso.C. (KÖCHE. a descrição de cada um. MARTINS. Visão Moderna Século XVII ao Século XIX. 93). Agora o universo passava a ser a ordem ou o cosmos.C. p. a compreensão da natureza das coisas e do homem. Copérnico. Unidade 2 47 . a história da ciência começa muito antes desse período. Uma das preocupações mais evidentes nesse período era a da busca do saber. Visão Contemporânea Século XIX até os nossos dias.C. Todavia.” (ARANHA. Newton.Ciência e Pesquisa Kepler. determinar os principais períodos históricos pelos quais se desenvolveu o conhecimento científico. nos remetendo para a Grécia Antiga do século VI a. Nesse sentido. se contrapondo à concepção mitológica de que os fenômenos aconteciam no mundo de forma caótica.] pré-socráticos substituíram a concepção de mundo caótico concebido pela mitologia pela ideia de cosmos”. A visão grega de ciência Os gregos dos séculos VI a IV a. Bacon. Galileu. “O pensamento laico. logo se tornava rigoroso e conceitual fazendo nascer a filosofia no século VI a. 1997. no final da Idade Média e durante a Idade Moderna criaram as bases do conhecimento científico. para que você possa iniciar o estudo da história das ciências com mais segurança e clareza é importante. Buscava-se uma nova forma de compreensão do universo em contraposição à visão mitológica. 44). como se fossem movidos por forças espirituais e sobrenaturais comandadas pelas forças dos deuses. — Conhecidos os períodos históricos pelos quais se desenvolveu o conhecimento científico. Descartes.

p.). pois “numa sociedade escravista. na visão grega de ciência. MARTINS. posteriormente confirmado por Ptolomeu (um helênico do século II d. MARTINS.. As ciências como a matemática. 1997. para quem o mundo físico é constituído de quatro elementos: terra. “As respostas eram as mais variadas. a técnica era vista como uma forma menor de conhecimento”. por estar sustentado no observável e pelo seu caráter de necessidade e universalidade”. 93). 48 . Assim.C.. Nesse sentido. 1999. cuja unidade resumiria a extrema multiplicidade da natureza. determinada por sua matéria e forma. Segundo essa concepção. de forma esférica. p. Para Aristóteles (384-322 a.C. (ARANHA. água. p.). até atingir as culminâncias da reflexão filosófica. com princípios organizadores próprios. 1999. limitado às estrelas visíveis e fechado. a ciência (episteme) “[. A Physis era o princípio ativo. 255). era preciso buscar a ciência (episteme) que consistia no conhecimento racional das essências. a noção de ciência na Grécia voltava-se para a especulação racional e se desligava da técnica e das preocupações práticas. a concepção estática do mundo se mantém definida. a ciência física era uma ciência da natureza (KÖCHE. 47). caracterizada pela ausência de movimento. Portanto.Universidade do Sul de Santa Catarina Os primeiros filósofos buscavam o princípio explicativo de todas as coisas (a arché). MARTINS. finito. objetivas e universais. que deixava tarefas.] produz um conhecimento que pretende ser um fiel espelho da realidade. a geometria e a astronomia são passos necessários a serem percorridos pelo pensamento. das ideias imutáveis. na qual os gregos costumavam associar a perfeição ao repouso. 94). (ARANHA. mas a teoria que permaneceu por mais tempo foi a de Empédocles. predominou esse modelo cosmológico aristotélico. que defendia a ideia de um mundo “geocêntrico. discípulo de Platão. (ARANHA. a fonte intrínseca natural do comportamento de cada coisa. p. ar e fogo”. trabalhos e serviços aos escravos. Os fenômenos estavam relacionados a causas e forças naturais que podiam ser conhecidas e previstas. Assim. 1999.

ou seja. 95). Unidade 2 49 . (ARANHA. p. de natureza superior. cinco características marcantes. p. pois. grifo dos autores). Outra característica marcante dessa astronomia (de Aristóteles) foi a hierarquização do cosmos. considerado inferior. o universo se achava dividido em dois mundos. (KÖCHE. 1999. d) a ciência é contemplativa. 95). “Apesar das diferenças evidentes. chegamos ao mundo medieval (que se estende aproximadamente dos séculos V ao XV).. c) a ciência não é experimental. 48. 1997.] e o mundo supralunar. é possível compreender essa continuidade. que são: a) a ciência encontra-se ligada à filosofia. MARTINS.] se vincula aos interesses religiosos e se subordina aos critérios da revelação. dotado de inteligência própria”. (ARANHA. podemos atribuir à Ciência grega.. correspondia à região da Terra [.. na Idade Média. 1999. no que se refere à manutenção da mesma concepção de ciência. segundo Aranha e Arruda (1999. O período medieval e a cristianização da concepção grega de ciência Continuando o estudo. correspondia aos Céus. e) a ciência baseia-se em uma concepção estática do mundo. Agora a ciência “[. MARTINS.. b) a ciência é qualitativa. sendo que um era considerado superior ao outro: o mundo sublunar. p. devido ao fato de o sistema de servidão também se caracterizar pelo desprezo à técnica e a qualquer atividade manual”.Ciência e Pesquisa tal qual um organismo vivo. p. 94). no qual observamos que continua a vigorar a influência da herança grecolatina. A partir desse breve esboço.

fazendo com que a lógica aristotélica passasse a ser amplamente utilizada para justificar as verdades da fé.Universidade do Sul de Santa Catarina a razão humana devia se submeter ao testemunho da fé” (ARANHA. p. grifo nosso). passou a ser a visão de mundo que marcou o imaginário da maioria das pessoas que viveram neste momento. O que valia eram as verdades reveladas pelos “velhos livros”. p. 95). p. a própria Ciência”. no século XVI. não houve desenvolvimento das ciências particulares. o período medieval se constituiu. A visão moderna de ciência A visão moderna de ciência surge no final da Idade Média. sobretudo. Figura 2. que em oposição ao modelo geocêntrico de astronomia de Ptolomeu. fossem eles a Bíblia. (ARANHA. 1994. 50 . 96. “Eles eram o próprio conhecimento. Aristóteles ou Ptolomeu. perpassa o período renascentista e culmina no século XVII com a chamada Revolução Científica.Sistema Solar Heliocêntrico Fonte: Souza. propõe o modelo da teoria heliocêntrica. tendo na figura de Deus o centro de todas as atenções humanas. 30). (ALFONSO-GOLDFARB. Nesse sentido você pode perceber que o Teocentrismo. na primazia da fé sobre a razão. 1999. MARTINS. 1999. Portanto. nessa fase histórica. 2008.3 . ARRUDA. Nicolau Copérnico (1473-1543). Por isso.

A proposição física se tornava uma lei. a ciência é definida como um conhecimento racional dedutivo e demonstrativo. que se consolida até o final do século XVII. seja pela concepção racionalista ou empirista. Assim. criado matematicamente.. Paralelamente à concepção racionalista. em princípio. 1997. estendendo-se até o final do século XIX. [como se fosse] um decalque fiel e objetivo da realidade”. as humanas e sociais inclusive. (KÖCHE. passam a negar tacitamente o saber aristotélico incorporado à teologia católica do período medieval europeu. de modo a valorizar-se apenas o uso de métodos experimentais rigorosos que. 57).Ciência e Pesquisa No período renascentista inicia-se uma concepção de ciência. eram capazes de proporcionar respostas consideradas cientificamente verdadeiras. em que as culturas fundamentadas no conhecimento racional das essências (da Antiguidade clássica) ou nas verdades reveladas pelos parâmetros bíblicos (do medieval) deveriam ser apagadas do imaginário e da mentalidade dos europeus ocidentais. a ciência experimental newtoniana se transformava no modelo de conhecimento. obtida pela observação e generalização indutiva. No campo da Física e da Astronomia. temos a concepção empirista de ciência. Neste tipo de concepção. Nessa concepção. que se baseava no modelo de objetividade da medicina grega e da história natural do século XVII. Agora. Unidade 2 51 .] proposições confiáveis e destituídas de dúvida ou de arbitrariedade. se defendia a posição de que não existiam ideias inatas. transformando-se em “[. os pensadores modernos. tendo na experiência o parâmetro de aprendizado. aos poucos. temos a concepção racionalista de ciência. Assim. A partir deste momento. amparados no conhecimento matemático. p.. estava instituída a Física Mecânica (de Newton) como paradigma para todas as ciências. os estudos realizados por Galileu possibilitaram a Isaac Newton (1642-1727) elaborar a teoria da gravitação universal.

2006. Dizia que a mente era uma página em branco a qual a experiência viria a preencher. 42). experimentação e matematização – deveria ser estendido a todos os campos do conhecimento e a todas as atividades humanas.4 . 52 .Universidade do Sul de Santa Catarina René Descartes (1596-1650) é considerado o pai do racionalismo. 2010. inicialmente tiveram que adotar o modelo experimental proposto pela Física. certamente. o primeiro a formular o problema crítico do conhecimento. a Economia. A Física era considerada a Ciência perfeita. John Locke (1632-1704) é considerado um dos grandes responsáveis por esta concepção de Ciência. nos séculos XVIII e XIX. pois defendia a idéia de que a verdade dos conceitos e demonstrações matemáticos era inquestionável.Pensadores modernos Fonte: Portal Sofia. dentre outras Ciências Sociais e Humanas. Galileu Galilei (1564-1642) foi. Assim. como você percebeu. a Sociologia. pois. todo o modelo de cientificidade. A ciência virou praticamente um mito. um dos grandes expoentes da Ciência moderna sendo o primeiro a formular o método quantitativo-experimental. a Psicologia. estava vinculado às Ciências Naturais. A exaltação à ciência e ao método experimental deu origem ao chamado cientificismo: visão reducionista segundo a qual a ciência seria o único conhecimento válido. para atingirem o status de conhecimento científico. LEONEL. p. o método das Ciências da natureza – baseado na observação. As Ciências Humanas e Sociais tiveram enorme dificuldade em estabelecer um estatuto próprio ou uma autonomia. Figura 2. necessariamente. A Sociologia chegou a ser chamada de Física Social e a Psicologia de Psicofísica. (HEERDT. Dessa forma.

pois “as teorias da relatividade restrita e da relatividade geral foram importantes não apenas pelo conteúdo que apresentaram. desde que submetidas continuamente a um processo de revisão crítica. Acompanhe agora. (KÖCHE. Então. 60). Ruptura epistemológica significa revisão crítica do conhecimento e Unidade 2 53 . MARTINS. a ciência procura demonstrar que é capaz de fornecer respostas dignas de confiança. consciente de sua falibilidade. p. em sua compreensão atual.Ciência e Pesquisa — Até aqui você conheceu as visões grega e moderna de ciência. p. “a objetividade da ciência resulta do julgamento feito pelos membros da comunidade científica que avaliam criticamente os procedimentos utilizados e as conclusões. “a principal contribuição para uma nova concepção de ciência foi dada (pelo físico) Einstein. p. 1999. mas. “A ciência. busca saber sempre mais”. A cientificidade passa a ser pensada nesse momento como uma ideia reguladora de alta abstração e não mais como sinônimo de modelos e normas a serem seguidos. divulgadas em revistas especializadas e congressos”. A visão contemporânea de ciência é marcada pelas rupturas epistemológicas. 79). Dessa maneira. (KÖCHE. mas pela forma como foram alcançadas”. Agora a teoria não será mais aceita como definitivamente confirmada. 1997. (ARANHA. deixa de lado a pretensão de taxar seus resultados de verdadeiros. a visão contemporânea. 1997. A visão contemporânea de ciência Este período é marcado pela crise do modelo de ciência da Idade Moderna. Nesse sentido. sistemática e fundamentada nas teorias vigentes. para finalizar esse tema. O conhecimento científico pode ser definido como provisório e construído. 89). não havendo um modelo exclusivo que caracterize o conhecimento científico nessa época. até que outro venha a superá-lo.

Biologia. movido por paradigmas. As ciências factuais estudam fenômenos naturais (Física. Alimentação. dentre outros. Direito etc. históricos. racional. transporte. por sua vez. a definição de ciência. objetivo. saúde. descritivo-explicativo. a relação entre ciência e tecnologia. Química. As ciências formais ocupam-se de elementos ideais e abstratos e estudam as implicações lógicas e matemáticas do pensamento. Para isso. Ecologia etc. Síntese Você estudou. produção industrial dependem das inovações tecnológicas. Agora você está preparado para refletir sobre o que aprendeu nesse estudo. filosóficos ou ideológicos. Sobre a relação entre ciência e tecnologia você percebeu que a ciência é o meio mais adequado para o controle prático da natureza.). factual. Antropologia. marcada pelas verdades dogmáticas e imutáveis. comunicável.). mesmo existindo essa dificuldade. 54 . — Que bom. Esta dificuldade resulta de fatores culturais. Você percebeu que não há uma única forma de definir ciência. humanos e sociais (Sociologia. Psicologia. você chegou no final de mais uma unidade. Entretanto. metódico. Dessa maneira torna-se difícil separar a ciência da técnica. você responderá as questões apresentadas a seguir. História.Universidade do Sul de Santa Catarina tentativas de superar aquela visão estática. tão característico em toda a história do conhecimento científico. Economia. nesta unidade. As ciências se dividem em dois grupos: as formais e as factuais. preditivo. dependem dos avanços na ciência. que. Nesse sentido podemos dizer que o conhecimento científico é verificável. intersubjetivo. a classificação das ciências e a perspectiva histórica da ciência. especialmente preparadas para promover reflexões voltadas às preocupações mais comuns do nosso cotidiano. é possível identificar algumas características que são próprias do conhecimento científico.

entre outros foram os grandes expoentes que. Bacon. dedutivo e demonstrativo e seu maior expoente é René Descartes (1596-1650). você estudou que se desenvolveu um tipo de conhecimento racional desligado do mito. A concepção racionalista preconiza um conhecimento racional. moderna e contemporânea. A concepção empirista defendia a posição de que não existem ideias inatas e a experiência é o parâmetro para todo aprendizado. Na Idade Média. as concepções míticas do universo dão lugar às concepções baseadas na racionalidade. Este modelo perdurou até o final da Idade Média quando foi questionado pelos principais protagonistas da ciência moderna que propuseram o modelo heliocêntrico (sol como centro do universo) em substituição ao modelo geocêntrico. Você estudou também sobre as três grandes concepções históricas de ciência: a visão grega. Na Idade Moderna a concepção de ciência se desvincula da visão grega por meio da chamada Revolução científica. O grande expoente da concepção empirista é John Locke (1632-1704) que dizia que a mente era uma página em branco a qual a experiência viria preencher. Nessa época. fazendo surgir a Filosofia. Galileu. Descartes. e durante a Idade Moderna criaram as bases do conhecimento científico. das particularidades. Assim. Unidade 2 55 . as ciências que estudam os fenômenos da natureza estão reunidas em um grupo e as que estudam os fenômenos sociais e humanos em outro grupo. Na visão grega. podemos dizer que todo cientista é um especialista em determinada área do conhecimento. Estudando a divisão da ciência também podemos entender o conhecimento científico como sendo o conhecimento das especialidades. apesar de ambas pertencerem ao grupo das Ciências factuais. Copérnico. Kepler. Na visão grega de ciência predominou o modelo cosmológico de universo chamado geocentrismo (a Terra como centro do universo). no final da Idade Média.Ciência e Pesquisa As ciências se agrupam conforme a familiaridade com o objeto de estudo. o modelo de ciência grega vincula-se aos interesses religiosos e se subordina aos critérios da revelação. Newton. Duas concepções marcaram a Ciência no mundo moderno: a racionalista e a empirista. Nesse sentido.

Arquitetura. Informática etc. A física era a Ciência perfeita e considerada modelo de cientificidade. Engenharia. A visão contemporânea de ciência é marcada pelas rupturas epistemológicas não havendo um modelo exclusivo que caracterize o conhecimento científico. ruptura epistemológica significa revisão crítica do conhecimento. nesta unidade. que entre os séculos XVIII e XIX defendiase a ideia de que a ciência era o único meio de se chegar à verdade e à certeza das respostas. II. 56 . Como você estudou. as atividades: 1) Você estudou. Medicina. A concepção atual de ciência é marcada pela ideia de que não há verdades eternas. a seguir. pois as teorias são transitórias e podem ser renovadas ou até substituídas. 2) Analise as afirmações sobre a classificação das ciências e depois assinale a resposta certa: I. qual é a visão contemporânea de ciência que se apresenta em nosso meio. no entanto. A Ecologia está situada no grupo das Ciências humanas ou sociais. III. Hoje. As Ciências aplicadas são ciências que conduzem à invenção de tecnologias para intervir na natureza. essa visão está sendo aos poucos superada. na vida humana e nas sociedades (Direito.Universidade do Sul de Santa Catarina O modelo de cientificidade estava vinculado às Ciências naturais e era baseado na matematização e na experimentação.). Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados e realize. sucintamente. A Biologia está situada no grupo das Ciências naturais. Descreva.

algumas características são unânimes em praticamente todas as tentativas de defini-la. são exemplos de Ciências matemáticas ou lógicomatemáticas. Trigonometria. O conhecimento científico é: b) Estuda fenômenos naturais e humanos que ocorrem ou acontecem na natureza ou vida humana. O conhecimento científico é: e) Um enunciado científico precisa. arte. necessariamente. exato e verificável. Isso só é possível por conta da repetição contínua dos fatos. Para que isso ocorra é necessário desenvolver uma linguagem específica inerente aos conceitos próprios de cada área do conhecimento científico. Física pura. experimental. porém. habilidade. a necessidade de um conhecimento lógico. presente em todas as suas leis e teorias. Geometria. O conhecimento científico é: d) Os enunciados. Apesar de a palavra ciência remontar à Antiguidade é somente no século XVII que surge como um conhecimento racional. Astronomia pura etc. por isso. conceitos ou teorias científicas devem corresponder aos fatos. ser submetido a teste e revisão da comunidade científica. conhecer. Vincula-se à ideia de reprodutibilidade do conhecimento. a) Corresponde à ideia de prova ou de constatação da experiência pela ação e demonstração de um fenômeno. O conhecimento científico é: Unidade 2 57 . O conhecimento científico é: f) Com o conhecimento científico é possível antecipar a maneira de como os fenômenos podem ocorrer. O conhecimento científico é: c) Procura atingir uma sistematização coerente do conhecimento. Não é possível afirmar que há unanimidade na definição de ciência. Complete as palavras cruzadas indicando as principais características do conhecimento científico. Lógica.Ciência e Pesquisa IV. Álgebra. sistemático. As teorias científicas não podem apresentar ambiguidade ou incoerência entre seus enunciados. III e IV estão corretas 3) O significado etimológico da palavra ciência vem do latim (scientia) e significa saber. a) ( ) As assertivas I e II estão corretas b) ( ) As assertivas II e III estão corretas c) ( ) Somente a assertiva II está correta d) ( ) As assertivas I. Aritmética.

instrumentos. regras. Uma descoberta científica só é reconhecida pela comunidade científica se for publicada numa revista de circulação internacional. Entre o sujeito que conhece (cientista) e o objeto que é conhecido há um conjunto de procedimentos. estabelecidas pelo pesquisador a fim de investigar um determinado tema/ questão/problema. pois somente por meio das leis e teorias é possível descrever e explicar os fenômenos. O conhecimento científico é: 58 . O conhecimento científico é: h) Baseia-se em modelos ou representações formadas por pressupostos teórico-filosóficos que fornecem soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência. ordenadamente dispostas.Universidade do Sul de Santa Catarina g) Conjunto de etapas. Umas das principais características é a transitoriedade. O conhecimento científico é: j) Os resultados das investigações científicas devem ser comunicados à comunidade acadêmica e à sociedade em geral. técnicas e processos que permitem a elucidação mais precisa do objeto de estudo. O conhecimento científico é: i) O conhecimento científico é expresso por meio de enunciados que explicam as condições que determinam a ocorrência dos fatos e dos fenômenos relacionados a um problema.

sem nunca subir à superfície. Mas tudo eram suposições. muitos haviam morrido em suas águas misteriosas. dragões. nunca vistos. sendo que alguns suspeitavam mesmo que o rio fosse morada de deuses. ora furiosas. deles só se viam os dorsos que se mostravam na superfície das águas. O que é científico? “Era uma vez uma aldeia às margens de um rio. rio que fascinava e dava medo. São Paulo: Loyola. e por medo e fascínio os aldeões haviam construído altares à suas margens. intitulado: Entre a ciência e a sapiência: o dilema da educação (14ª ed. rio imenso cujo lado de lá não se via. Os moradores da aldeia viam de longe e suspeitavam – mas nunca haviam conseguido capturar uma única criatura das que habitavam o rio: todas as suas magias. Outros. E todos se perguntavam sobre os outros seres. nas conversas à roda do fogo. as águas passavam sem parar. Contava-se. de formas impensadas. neles o fogo estava sempre aceso. sereias e iaras naquelas águas. ora mansas. E. para logo depois mergulhar e desaparecer. que morariam nas profundezasescuras do rio. filosofias e religiões haviam sido inúteis: haviam produzido muitos livros mas não haviam conseguido capturar nenhuma das criaturas do rio. encantações. O rio era morada de muitos seres misteriosos. de movimentos desconhecidos. e ao redor deles se ouviam as canções e os poemas que artistas haviam composto sob o encantamento do rio sem fim. 2005). leia o texto a seguir extraído do livro de Rubem Alves. Alguns repentinamente saltavam de suas águas. de número indefinido. havia as sombras que podiam ser vistas deslizando das profundezas. que havia monstros.Ciência e Pesquisa Saiba mais Para aprofundar o assunto tratado nesta unidade. Unidade 2 59 .

Havia peixes que se prestavam para ser comidos. ao puxar a rede. Até que um dos aldeões pensou um objeto jamais pensado. compridas. viu que nela se encontrava. umas para ser lançadas. Tinham estado tentando pegar as criaturas do rio com fórmulas sagradas. Armou a rede como pôde e foi dormir. de malhas grandes. para fertilizar os campos e até mesmo para matar. Os buracos eram para deixar passar o que não se desejava pegar: a água. Aí ele nasce. e. Porque os peixes que eles pescavam tinham poderes maravilhosos para diminuir o sofrimento e aumentar o prazer. Forma-se um feto: pensamento. A imaginação a fecunda.. Os barbantes eram necessários para se pegar o que se deseja pegar: os peixes. sem sucesso. Sua arte de pescar lhes deu grande poder e prestígio. A mente é útero. para curar doenças. Uns ficaram com raiva.Universidade do Sul de Santa Catarina Assim foi. outras para ser arrastadas. um peixe pescado com as redes que ele mesmo tecera. Ele imaginou um objeto para pegar as criaturas do rio. Ele nem ligou. Disseram que a rede era objeto de feitiçaria.). enroscada. de malhas pequenas. uma criatura do rio: um peixe dourado. No dia seguinte. Riram-se dos buracos dela. outras para ficar à espera. Objeto estranho: uma porção de buracos amarrados por barbantes. eles fecharam os olhos e o ameaçaram com a fogueira. Pensou e fez. por gerações sem conta. Os tipos mais variados de redes foram inventados. Quando o homem lhes mostrou o peixe dourado que sua rede apanhara. Redondas. eles passaram a ser muito respeitados e invejados. Os pescadores-fabricantes de redes ficaram muito importantes. Foi aquele alvoroço. para fazer voar. era necessário que o postulante soubesse tecer redes e que apresentasse. como prova de sua competência. Para pertencer à confraria. Cada rede pegava um tipo diferente de peixe. Ele teceu uma rede. Outros ficaram alegres e trataram de aprender a arte de fazer redes.. presa. (O pensamento é uma coisa existindo na imaginação antes de ela se tornar real. 60 . para tirar a dor. Os pescadoresfabricantes de redes se organizaram numa confraria. Todos se riram quando ele caminhou na direção do rio com a rede que tecera.

amor. que as redes dos membros da confraria não conseguem pegar. os membros da confraria acabaram por esquecer a linguagem que os habitantes da aldeia haviam falado sempre e ainda falavam. De tanto tecer redes. passaram a pensar que só era real aquilo sobre que eles sabiam falar. sob pena de expulsão. felicidade. Meu mundo é aquilo sobre o que posso falar. Os peixes pescados pelos membros da confraria eram bons? Muito bons. Puseram. pescar peixes e falar sobre redes e peixes. As redes usadas pelos membros da confraria eram boas? Muito boas. mais delicadas. São criaturas mais leves. no entanto. que exigem redes de outro tipo. Unidade 2 61 . poesia. “os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. A nova linguagem recebeu o nome de ictiolalês (do grego ichthys = “peixe” + “fala”). aquilo que era pescado com redes e falado em ictiolalês. que tinha de ser falada por todos os seus membros. Essas coisas. Quando as pessoas lhes falavam de nuvens. Mas. mais sutis. Só que não nadam no rio. são absolutamente reais. O mesmo acontecia se as pessoas lhes falavam de cores. por força de seus hábitos de linguagem. A fala era rejeitada com o julgamento final: “Se não foi pescado no rio com rede aprovada não é real”. Qualquer coisa que não fosse peixe. em seu lugar. isto é. que não fosse apanhado com suas redes. não há redes de barbante que as peguem. Os membros da confraria. A linguagem estabelece uma ontologia. As redes usadas pelos membros da confraria se prestavam para pescar tudo o que existia no mundo? Não. música. sentimentos. eles recusavam e diziam: “Não é real”. cheiros. não é peixe”. Há muita coisa no mundo.Ciência e Pesquisa Mas uma coisa estranha aconteceu. como bem disse Wittgenstein alguns séculos depois. uma linguagem apropriada a suas redes e a seus peixes. eles diziam: “Com que rede esse peixe foi pescado?” A pessoa respondia: “Não foi pescado. que não pudesse ser falado em ictiolalês. muita coisa mesmo. E. Eles punham logo fim à conversa: “Não é real”.

Cientistas são aqueles que pescam no grande rio. com todas as credenciais e titulações. Fez o sabiá cantar para eles. Mas há também os céus e as matas que se enchem de cantos de sabiás. mostrou para os colegas um sabiá que ele mesmo criara. 62 .Universidade do Sul de Santa Catarina Meu colega aposentado. não é real. e eles disseram: “Não foi pego com as redes regulamentares.... Lá as redes dos cientistas ficam sempre vazias. não sabemos o que é um sabiá....” Sua pergunta está respondida. não sabemos o que é o canto de um sabiá. meu amigo: o que é científico? Resposta: é aquilo que caiu nas redes reconhecidas pela confraria dos cientistas.

UNIDADE 3

Método científico
Objetivos de aprendizagem
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Compreender o conceito de método científico. Relacionar método e técnica. Diferenciar o método de abordagem do método de procedimento. Descrever os principais tipos de métodos de abordagem e de procedimento. Identificar os principais tipos de técnicas de pesquisa.

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Seções de estudo
Seção 1 Seção 2 Seção 3 Seção 4 O que é método científico? Métodos de abordagem Métodos de procedimento Técnicas de pesquisa

Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo
Você estudou que o conhecimento científico apresenta muitas características e uma delas reporta-se ao fato de ser um conhecimento metódico. Estudou que não há condições de haver ciência sem a presença do método. Nesta unidade, objetivando aprofundar o entendimento sobre a ideia de ciência, você estudará o conceito, a importância e os principais tipos de método científico. Bom estudo!

Seção 1 - O que é método científico?
A palavra método vem do grego methodos e é composta de metá (através de, por meio de) e de hodós (via, caminho). Para que você possa entender o significado da palavra em seu sentido etimológico, imagine a escalada de uma montanha que oferece muitas dificuldades na subida. Antes de subir, certamente, será necessário estudar a montanha para ter a certeza do melhor caminho a ser seguido, providenciar as ferramentas necessárias e conhecer as regras e técnicas da escalada.
A palavra método foi utilizada neste sentido, querendo designar via, caminho, meio ou linha de raciocínio.

Para todas as atividades da vida humana é necessário escolher a melhor via, o melhor caminho, isto é, o melhor método. Na ciência também não é diferente. Se o pesquisador lança um problema de pesquisa, se deseja investigar um determinado fenômeno, precisa, antes de tudo, determinar o caminho a ser seguido para encontrar respostas para o seu problema. Assim, o método consiste no ponto de ligação entre a dúvida e o conhecimento.

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Ciência e Pesquisa

[...] A própria significação da palavra ‘método’ indica que sua função é instrumental, ligando dois polos, a saber, um polo de origem ou ponto de partida (estado de ignorância), outro polo de destinação ou ponto de chegada (estado de conhecimento) [...]. O método corresponde ao grande empreendimento de construção do saber científico, da fase investigativa à fase expositiva [...]. O método se confunde com o processo por meio do qual se realiza a pesquisa científica. (BITTAR, 2003, p. 9-10).

Cardoso (1982, p. 57) afirma que o método diz respeito aos meios de que dispõe a ciência para propor problemas verificáveis e para submeter à prova ou verificação as soluções que forem propostas a tais problemas. Assim, a primeira pergunta que deve ser feita para saber se um dado conhecimento é científico é: como foi obtido? Ou, em outras palavras, como chegou-se a considerar que tal conhecimento é verdadeiro (no sentido das verdades parciais e falíveis da ciência)? Você percebeu que o método é um aliado da ciência sendo, por isso, indispensável na produção do conhecimento científico. Todo pesquisador que se propõe a fazer pesquisa coloca-se, por analogia, na posição do alpinista que se pergunta qual o melhor caminho para escalar a montanha. Neste caso o pesquisador se pergunta: qual o melhor método para investigar um determinado problema de pesquisa? Não há método pronto, fixo e definitivo que possa ser adquirido num balcão de supermercado. O estabelecimento do método da pesquisa depende de fatores relacionados à natureza do objeto de estudo, de aspectos relacionados à natureza da ciência em que o objeto se situa e, fundamentalmente, da criatividade do pesquisador. Neste sentido, entenda o método como sendo a expressão formal do pensamento, a linha de raciocínio que o pesquisador estabelece para abordar o seu problema de pesquisa. Por mais que o método seja uma consequência da criatividade do pesquisador, é possível encontrar na literatura da área de Metodologia (disciplina que estuda o método) alguns métodos já consagrados que expressam a forma do raciocínio se organizar. Esses métodos são classificados em dois tipos: de abordagem e de procedimento.
Unidade 3

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Universidade do Sul de Santa Catarina

— Essa classificação será o assunto das próximas seções. Mas, primeiramente, você conhecerá mais detalhes sobre o método de abordagem. Vamos lá?

Seção 2 - Métodos de abordagem
Os métodos de abordagem estão vinculados ao plano geral do trabalho, ao raciocínio que se estabelece como fio condutor na investigação do problema de pesquisa. Cervo e Bervian (1983, p. 23) afirmam que “é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado ou um resultado desejado”. — Mas você sabe quais são os tipos desses métodos utilizados como base de raciocínio em pesquisas científicas? Veja a seguir.

Os tipos de métodos de abordagem
Os tipos mais frequentes de métodos utilizados como base de raciocínio nas investigações científicas são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e o fenomenológico. Método dedutivo – parte de uma proposição universal ou geral para atingir uma conclusão específica ou particular. Observe os exemplos:
Todo homem é mortal.

Sócrates é homem. Então Sócrates é mortal. Nenhum mamífero é peixe. A baleia é mamífero. Então a baleia não é peixe.

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A partir da análise da literatura e dos dados Unidade 3 67 . focado no município de Uberlândia. O autor partiu de um conhecimento geral sobre o mercado de trabalho. que levaram o mercado a uma saturação. artigos e livros. partindo de argumentos amplos e genéricos. que seleciona mão de obra para várias empresas da região. políticas e econômicas. grifo nosso). observe que a primeira premissa é geral ou universal: “todo homem é mortal” ou “nenhum mamífero é peixe”. uma análise junto aos dados fornecidos por uma agência de recursos humanos. É o que acontece com a pesquisa realizada por Jareño (2008. para. na qual muitos profissionais disputam poucas vagas. em seguida. Esse estudo traz aspectos específicos de quatro carreiras: a do bacharel em Administração. A importância de se estudar o mercado de trabalho e o mercado de recursos humanos. a do bacharel em Direito e a do Engenheiro. Depois. iniciou-se a pesquisa com uma revisão bibliográfica do tema. Em uma pesquisa científica. em seguida. posteriormente. Em ambos os casos você observou que a primeira premissa (premissa é aquilo que vem antes) é universal (todos ou nenhum) e também observou que a conclusão é particular: “Sócrates é mortal” ou “a baleia não é peixe”. com foco no município de Uberlândia. a do bacharel em Ciências Econômicas. extrair conclusões particulares sobre o mercado de trabalho no município de Uberlândia. Leia: O mercado de trabalho e o mercado de recursos humanos em Uberlândia O objetivo deste estudo é analisar o mercado de trabalho e o mercado de recursos humanos. Para alcançar o propósito do trabalho utilizou-se do método dedutivo. analisar o problema de forma específica ou particular. Observe a presença do método dedutivo na parte destacada do resumo. Assim. muitas vezes o pesquisador estabelece seu raciocínio de forma com que as primeiras considerações acerca do problema sejam consideradas universais ou gerais para. A expressão “todo” refere-se a uma proposição universal afirmativa e a expressão “nenhum” refere-se a uma proposição universal negativa. foi feita uma consulta aos bancos de dados de institutos brasileiros de pesquisa e. para argumentos específicos e particulares. justificou-se pela constatação de uma série de mudanças sociais. através da consulta de diversos textos.Ciência e Pesquisa Nos exemplos citados.

o cobre e o ferro conduzem eletricidade) e se encaminham para conclusões universais (todos os cisnes são brancos ou todos os metais conduzem eletricidade). o ferro e o cobre são metais. Observe os exemplos: O cisne 1 é branco. O cobre conduz eletricidade. especificamente sobre o litisconsórcio ativo necessário. O ferro conduz eletricidade. O cisne 3 é branco. O cisne 2 é branco. Logo. Um exemplo prático da aplicação do método indutivo pode ser observado no resumo da pesquisa realizada por Ribeiro (2007. Observe que a parte destacada demonstra claramente a utilização do raciocínio que a autora utilizou no curso da pesquisa. todos os metais conduzem eletricidade. O ouro conduz eletricidade. os cisnes 1. Ora. o ouro.Universidade do Sul de Santa Catarina obtidos na pesquisa. 2 e 3 são brancos. expondo e comparando dados e informações. todos os cisnes são brancos. passou-se a refletir sobre questões significativas do mercado de trabalho e do mercado de recursos humanos. Os exemplos apresentados indicam nas primeiras premissas dados ou fatos particulares (os cisnes 1. tendo como característica básica um elevado índice de concorrência e escassez de vagas. 68 . Logo. Litisconsórcio ativo necessário O presente trabalho trata-se de litisconsórcio no direito processual civil. ou o ouro. Assim. 2 e 3 são brancos. Método indutivo – parte de uma ou mais proposições particulares para atingir uma conclusão geral ou universal. grifo nosso). Ora. concluiu-se que a situação do mercado de trabalho e do mercado de recursos humanos uberlandense não se difere do contexto geral. objetivando apontar o momento da formação do litisconsórcio ativo necessário.

a metodologia a ser desenvolvida nesta pesquisa será através de pesquisas bibliográficas e eletrônicas. utilizar-se-á o método indutivo. Afirmar que todos os cisnes são brancos. que se relaciona à experimentação. Este procedimento pode marcar a falibilidade do conhecimento. também. considera-se um método lógico por excelência. é dizer. pois nem sempre o todo é igual às partes. Há registros de cisnes pretos. portanto. motivo pelo qual é amplamente utilizado nas pesquisas das ciências naturais. Método hipotético-dedutivo – não se limita à generalização empírica das observações. investigação de artigos e críticas elaboradas por juristas. ao lado de uma cumulação subjetiva. é um erro. visto que este será o meio mais apropriado para se alcançar o que objetiva a presente pesquisa. visando chegar a conclusão desdobrada ou ampliada em enunciado mais geral. se as duas primeiras premissas estiverem corretas. uma cumulação objetiva. doutrinárias e jurisprudenciais. mas isto não ocorre com o raciocínio indutivo.Ciência e Pesquisa identificar como se dá a obrigatoriedade na formação do litisconsórcio e verificar quem possui legitimidade para figurar como parte no processo. No raciocínio dedutivo. Serão observadas as atualizações legislativas. No método indutivo. a presença de várias ações em um único processo. partindo da análise do registro de fatos singulares ou menos gerais. independentemente da apreciação do observador. A pesquisadora partiu de uma proposição particular (registro de fatos singulares ou menos gerais) para chegar num conhecimento mais geral ou universal (visando chegar à conclusão desdobrada ou ampliada em enunciado mais geral). Unidade 3 69 . No entanto. Diante do tema a ser abordado. vendo o mundo como existindo. ficou clara a utilização do método indutivo. diz-se que o todo é igual às partes que foram analisadas. Como você observou. a conclusão necessariamente será correta. A presença de litisconsórcio no processo representa. Por isso. A obtenção de dados será feita no sentido de proporcionar consistência ao trabalho de modo que consiga alcançar os objetivos anteriormente traçados e proporcione essencialmente esclarecimento e conhecimento do tema em exame. exame de livros.

As hipóteses precisam ser testadas empiricamente e podem ser corroboradas ou refutadas. Enquanto o método dedutivo é consequência de uma implicação de ideias que são encadeadas pelo raciocínio. necessariamente. Nenhuma hipótese. Isto quer dizer que a dedução transforma-se em hipótese e precisa ser testada. no contexto das decisões diagnósticas e terapêuticas. muitas vezes distante dos fatos.Universidade do Sul de Santa Catarina É um método que consiste em testar as hipóteses. A decisão diagnóstica é realizada quando uma hipótese atinge um certo grau de verossimilhança. as quais são avaliadas e refutadas ou corroboradas. Confira: Raciocínio clínico: o processo de decisão diagnóstica e terapêutica O objetivo desta revisão é expor as fases e os principais constituintes do processo cognitivo que os médicos empregam no raciocínio clínico das decisões diagnósticas e terapêuticas. O médico. no estudo realizado por Réa-Neto (1988). 70 . A solução provisória apresentada ao problema da pesquisa deve ser submetida ao teste de falseamento. O processo de solução dos problemas clínicos utiliza-se do método científico hipotéticodedutivo de resolver problemas. precisa testá-las por intermédio dos exames clínicos e laboratoriais. Você pode perceber a aplicação do método hipotético-detutivo nas ciências médicas. publicado na Revista da Associação Médica Brasileira. Na ciência não é diferente. poderá ficar somente no âmbito das ideias. várias hipóteses diagnósticas surgem-lhe na mente. por meio da observação e da experimentação. Se corroboradas sua validade é aceita e se refutadas sua validade é rejeitada. o método hipotético-dedutivo exige a verificabilidade objetiva dos fatos. A decisão terapêutica depende dos objetivos pretendidos e da efetividade esperada entre as diversas alternativas disponíveis. Tão logo um médico encontra um paciente.

Unidade 3 71 . Observe a figura a seguir. a antítese a negação e a síntese a negação da negação (negação da tese e negação da antítese). A negação é o seu motor. é necessário provar. conforme Heerdt e Leonel Fonte: Heerdt e Leonel (2005. do movimento e da mudança. numa dada realidade. p. 47). a contradição é o ponto central de todas as coisas. como você pode observar. portanto. Neste método. que a baleia não é peixe.Metodologia da dialética de Hegel. Ter uma compreensão dialética do mundo significa. Figura 3. No método hipotéticodedutivo só é possível aceitar que a baleia não é peixe se houver um procedimento que permita a sua verificabilidade. ou seja.Ciência e Pesquisa Você percebeu que no método dedutivo foi apresentado o seguinte exemplo: “nenhum mamífero é peixe. antítese e síntese. a baleia é mamífero. implicando no clássico raciocínio da tese. Método dialético – a dialética é uma abordagem que tem como objetivo a obtenção da verdade a partir da observação e superação das contradições dos argumentos. A tese representa a afirmação.1 . pela observação ou pela experimentação. então a baleia não é peixe”. entender esse mesmo mundo como essencialmente contraditório. culminando na lógica do conflito.

significa “estabelecer ou encontrar uma tese. A luta entre essas duas classes fez surgir uma nova sociedade: a capitalista. a sociedade era formada.composta pelo clero . no âmbito da pesquisa científica. No período Moderno. No trabalho escrito. contrapondo a ela uma antítese encontrada ou responsavelmente criada e. O embate entre as duas fez com que surgisse a sociedade socialista ou comunista. 86) afirma que o método dialético. Um exemplo da aplicação do método dialético na pesquisa científica pode ser encontrado no estudo realizado por Loureiro (2006). por exemplo. buscar identificar ou estabelecer uma síntese fundamentada quanto ao fenômeno investigado”. À luz de um referencial teórico inserido na tradição dialética emancipatória. basicamente. linguagem-trabalho. apesar de por vezes relacionais. por duas classes sociais: a nobreza . problematizamos os limites e as implicações pedagógicas de tais categorias no fazer educativo ambiental. imagine a organização da sociedade da época medieval e moderna. sinalizamos para a necessidade de maior reflexão e debates acerca do que representa a incorporação de certos posicionamentos a-históricos e não dialéticos. No presente artigo estabelecemos a crítica a duas categorias recorrentes em Educação Ambiental. Na pesquisa científica. diante dos desafios e finalidades 72 .e senhores feudais e servos composta pelos camponeses. o segundo a antítese e o terceiro a síntese. Com isso. a sociedade capitalista foi formada por duas classes: a burguesia e o proletariado. p. estas contradições podem ser apresentadas em capítulos diferentes em que o primeiro caracterizaria a tese. Pasold (2000. em seguida. e também é a forma de entender como as sociedades se transformam na concepção da dialética. tanto em termos práticos quanto discursivos: o fetichismo da individualidade e os dualismos escola-sociedade. Assim é o movimento da História. o método dialético fica evidenciado quando se discute as contradições próprias do objeto de estudo. Na Idade Média. no artigo intitulado Crítica ao fetichismo da individualidade e aos dualismos na educação ambiental.Universidade do Sul de Santa Catarina Para você entender esse movimento.

como caminho para a concretização de um novo patamar societário na natureza. pode ser evidenciado. Método fenomenológico . esse método trata daqueles aspectos mais essenciais do fenômeno (redução fenomenológica). Por isso. 1973. e se propõe a superação desse modelo a partir de uma nova praxis relacionada à educação ambiental. no âmbito da pesquisa científica. Ao serem interrogadas sobre sua experiência com o câncer. sentir e. aquilo que se mostra a si mesmo. instalado na sociedade capitalista. viver com a doença. a partir da linguagem de quem o vivencia. ou seja.a fenomenologia toma como base a ideia de que é possível chegar à essência do objeto da pesquisa (do ser pesquisado) a partir da observação e do exame do fenômeno como algo que aparece à consciência. nas pesquisas de abordagem qualitativa. o fenômeno serve para caracterizar processos que se podem observar sensivelmente (FERRARI.Ciência e Pesquisa que os educadores ambientais historicamente se colocam. aspirando apreendê-los por meio da intuição (que se opõe ao conhecimento discursivo). A presença do método dialético ficou evidenciada a partir do momento quem que se faz uma crítica ao modelo de educação ambiental (fetichista e dualista). Acompanhe o exemplo encontrado no estudo realizado por Sales e Molina (2004): O significado do câncer no cotidiano de mulheres em tratamento quimioterápico A proposta deste estudo foi desvelar os sentimentos de mulheres com neoplasia em seu ambiente familiar. Por fim. sem esgotá-los. A estratégia metodológica que o conduziu está fundamentada na abordagem fenomenológica. reafirmamos a pertinência do método dialético marxiano. p. Dos discursos analisados emergiram dois momentos distintos: a sua vivência Unidade 3 73 . Assim. método que procura desvelar o fenômeno. as mulheres expressaram o seu ver. quando se tem por objetivo a construção de uma Educação Ambiental baseada na compreensão complexa e contextualizada da realidade e focalizada na superação das relações sociais estabelecidas no capitalismo. O método fenomenológico. principalmente. 47).

às fases de desenvolvimento de uma pesquisa. selecionados para o estudo nesta disciplina: o comparativo. desvelando quanto são dolorosos ou prazerosos os acontecimentos da vida. ou seja. que em sua existencialidade cada pessoa reage de forma diferente perante suas vicissitudes. 74 . acompanhe uma breve descrição dos principais tipos. Enquanto o método de abordagem está relacionado ao pensar. o cotidiano. — Mas você sabe quais são os tipos de métodos de procedimento mais comuns nas pesquisas científicas? Veja a seguir. o histórico e o monográfico. — Nesta seção. os métodos de procedimento estão vinculados muito mais à etapa de aplicação das técnicas em uma investigação ou. Caracterizam-se por apresentar um conjunto de procedimentos relacionados ao momento da coleta e registro dos dados.Métodos de procedimento Ao contrário dos métodos de abordagem. e a vivência com seus familiares após o diagnóstico de câncer. mais especificamente. cujo pano de fundo é o dia a dia. o mundo. No caso da pesquisa. Os tipos de métodos de procedimento Para que você tenha uma visão mais concreta dos métodos de procedimento. o estatístico. você estudou sobre um tipo dos métodos que expressam a forma do raciocínio se organizar: os métodos de abordagem. Seção 3 . Os elementos presentes neste resumo evidenciam que o método fenomenológico é aquele que busca compreender o ser humano e se volta para as “experiências vividas”. o etnográfico. procurou-se compreender os sentimentos das mulheres com câncer em seu ambiente familiar.Universidade do Sul de Santa Catarina com o câncer. Estude na próxima seção os métodos de procedimento. O estudo fez-nos perceber. os métodos de procedimento estão ligados ao fazer.

Fica evidente. O grupo I foi constituído por 35 crianças. Ou melhor. O objetivo do estudo foi comparar o desempenho perceptualmotor na idade escolar de crianças nascidas pré-termo e a termo. com idade. Unidade 3 75 . (MAGALHÃES et al.Ciência e Pesquisa Método comparativo – tem como preocupação básica a verificação de semelhança entre pessoas. Participaram do estudo 2 grupos de crianças. Observe o resumo da pesquisa intitulada “Estudo comparativo sobre o desempenho perceptual e motor na idade escolar em crianças nascidas pré-termo e a termo”. 2002. Foram aplicados os testes de Bender. provas de equilíbrio e tônus postural. 2003). mesmo naquelas crianças que não apresentam sequelas neurológicas evidentes. de famílias de baixa renda. que o objetivo principal da pesquisa é discutir o problema da prematuridade comparando o desempenho perceptual-motor de crianças em idade escolar. (RAUEN. O Grupo II foi constituído por 35 crianças nascidas a termo. consiste “na redução de fenômenos sociais à representação quantitativa e aplicação de instrumentos estatísticos de análise”. para poder explicar as divergências constatadas nessa comparação. com idades entre 5 e 7 anos. sem sinais de sequela neuromotora. 45). Método estatístico – fundamenta-se na utilização da teoria estatística das probabilidades para a interpretação de dados analisados. p. acuidade motora. padrões de comportamento ou fenômenos. sexo e nível socioeconômico equivalentes às crianças do Grupo I. publicada na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria. na leitura do resumo. nascidas até a 34ª semana de gestação e/ou peso abaixo de 1500g. As crianças pré-termo obtiveram escores significativamente inferiores na maioria dos testes. Tais resultados reafirmam a importância do acompanhamento da criança pré-termo até a idade escolar e indicam a necessidade de se estimular o controle postural e a coordenação motora fina.

Concluiu-se que considerável parcela dos indivíduos estudados residia sem os familiares e apresentava. O resumo a seguir apresenta um estudo monográfico que se caracteriza por ser um estudo exaustivo e profundo sobre a atuação do Juizado Especial Cível de São Carlos.3%). 2002). Em torno de 72. relacionando algumas atitudes comportamentais (alimentação inadequada.0% e 25.0% fumavam. profissões. consumia bebida alcoólica (73. As variáveis comportamentais foram obtidas por meio de questionário. inatividade física) como fatores de risco à saúde. o método estatístico foi utilizado para traçar o perfil sociodemográfico de estudantes. 76 . Como você pode perceber no exemplo. Os eutróficos predominavam. cartorários e observação das audiências. (VIEIRA et al.0% não realizavam atividade física e 7. como o consumo de álcool e a inatividade física. condições. omitia alguma refeição principal (57. mas 58.8%). grupos ou comunidades. Cerca de 57. Método monográfico – consiste no estudo minucioso e contextualizado de determinados sujeitos. consumiam hortaliça e fruta cinco ou mais vezes na semana. nutricional e de saúde de adolescentes recém-ingressos em uma universidade pública brasileira. A maioria dos adolescentes era do sexo feminino (57. no Rio de Janeiro. instituições. juízes.5%).3%) e rejeitava um ou mais alimentos do grupo das hortaliças (79. tabagismo. com a finalidade de obter generalizações.0%. A pesquisa faz um levantamento da natureza dos processos.7% destes apresentavam %GC elevado. outros fatores de risco à saúde.Universidade do Sul de Santa Catarina Acompanhe o exemplo a seguir: Objetivou-se delinear o perfil socioeconômico. entrevista usuários. advogados. não residia com familiares (89. respectivamente. consumo de álcool.5%). o percentual de gordura corporal (%GC) pelo somatório das dobras cutâneas e o estado nutricional pelo Índice de Massa Corporal. além de inadequação da composição corporal e do comportamento alimentar.

Outras questões sob investigação são as consequências desses procedimentos para o acesso à justiça. 2) entrevistas em profundidade realizadas com juízes. o resultado final dos processos. neste método. raça. cartorários e alguns usuários selecionados. o tempo de duração e a representação ou não de advogados. uma etnia etc. para a imagem que os usuários desse Juizado informal fazem deste modelo e para o campo profissional em si. Por isso. através das relações entre juízes. Para compreender as consequências do processo de ‘dupla institucionalização’ tanto para a imagem da justiça perante seus usuários quanto para os profissionais com ela envolvidos. com o empenho destes últimos em constituir uma carreira institucional para o grupo. a natureza dos litígios. 54) afirmam que o método etnográfico estuda a forma de ser de um povo. elegeu-se como unidade de estudo o Juizado Especial de Pequenas Causas de São Carlos. (FAISTING. exigindo que o pesquisador entre em contato direto e prolongado com o seu objeto de estudo. p. Unidade 3 77 . [200-]). e 3) observação das audiências tanto no Juizado informal quanto na justiça formal.Ciência e Pesquisa Este estudo tem como objetivo a análise da tensão entre duas pautas distintas de justiça contemporânea: a justiça formal (de decisão) e a justiça informal (de mediação). advogados e conciliadores. cultura. conciliadores. religião. Heerdt e Leonel (2005. é predominante a prática da observação do participante. Método etnográfico – refere-se ao confronto contínuo da teoria com a prática.. faz-se uma descrição e análise de sua língua. O estudo se baseia em diferentes tipos de dados e de técnicas utilizadas para sua coleta: 1) levantamento do número de processos deste Juizado. O problema sociológico analisado na pesquisa busca compreender como os profissionais formados e socializados dentro de uma lógica formal (de decisão) podem atuar dentro de outra lógica informal (de mediação). estabelecendo o perfil ocupacional das partes.

demonstra insegurança frente a isso. destacando suas vantagens e desvantagens. A adaptação do seu papel caracteriza-se pelo atendimento às necessidades de sobrevivência dos filhos. 1999). Por fim. KOLLER. em diferentes áreas. (NEIVASILVA. Os métodos de procedimento não se excluem mutuamente. este recurso ainda é pouco utilizado no Brasil. O objetivo deste trabalho é realizar. Método histórico – consiste na investigação dos acontecimentos. Observe o seguinte exemplo: A fotografia vem sendo amplamente utilizada na pesquisa em Psicologia. grifo nosso). feedback e autofotografia. Contudo.Universidade do Sul de Santa Catarina A pesquisa representada no resumo a seguir apresenta um bom exemplo de estudo etnográfico. para investigação das mais diversas questões. Em cada uma destas funções. entretanto com o crescimento das crianças. Foram identificadas quatro funções principais da fotografia nos diferentes métodos adotados: registro. Acompanhe: Este estudo teve como objetivos compreender a percepção que mães de uma comunidade de baixa renda da cidade de São Paulo têm sobre o significado do seu papel na estrutura familiar. com base na literatura científica. procurouse levantar os temas abordados nas variadas áreas da Psicologia. em relação ao cuidado dos filhos e as estratégias utilizadas para desempenhar esse cuidado. Isto significa dizer que em uma pesquisa pode-se ter ou utilizar mais de um método ao mesmo tempo. modelo. Paralelamente. no qual são destacadas especificidades e possíveis contribuições obtidas pela sua utilização. (MARTIN. um levantamento histórico-metodológico do uso da fotografia na ciência psicológica. criação e socialização dos filhos. enfatizou-se a descrição do método autofotográfico. processos e instituições do passado a fim de verificar sua influência na sociedade atual. A análise etnográfica nos possibilitou reconhecer 6 domínios culturais e resultados reveladores de que a mãe ocupa lugar central na família e é responsável pela educação. 2002. através do recurso fotográfico. 78 . ANGELO. são apresentados diversos estudos realizados.

Provavelmente teria que construir um instrumento para colher os dados. numa pesquisa com documentos (pesquisa documental) jamais você poderia adotar a técnica do questionário ou da entrevista. O pesquisador. a serem vencidas na investigação da verdade. dos procedimentos. 6). se você realizar uma pesquisa com pessoas deverá decidir qual a melhor técnica para colher os dados: a entrevista. especificamente. enquanto o alpinista estuda as estratégias para escalar a montanha. Como você leu nesta unidade. no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim”. pois está diretamente relacionada à fase da recolha de dados e informações no processo de pesquisa. o método diz respeito ao conjunto das etapas. p. 6) afirma que a “técnica é o modo de fazer de forma mais hábil. arte ou ofício”. Galliano (1986. a técnica faz parte do método. diferentemente do método. você percebeu a comparação que foi feita entre o pesquisador e o alpinista. guardá-los na memória seria impossível. Para estabelecer os caminhos da investigação.Técnicas de pesquisa Na definição de método. Portanto. A técnica. Por analogia (raciocínio por comparação). tem uma preocupação instrumental. o pesquisador precisa determinar as técnicas de pesquisa. nesse caso. E o que são técnicas? Qual a sua relação com o método? Para Galliano (1986. Por outro lado. mais segura. ordenadamente dispostas. o questionário ou o formulário. deveria construir um instrumento que lhe permitisse catalogar os documentos. o pesquisador estuda as estratégias para estudar o problema de pesquisa. até porque. diz respeito ao modo de fazer de cada etapa ou procedimento. p.Ciência e Pesquisa Seção 4 . A técnica. “método é um conjunto de etapas. Quais as técnicas de pesquisa existentes? Unidade 3 79 . Por exemplo. mais perfeita algum tipo de atividade. das regras e das técnicas que se adotam na pesquisa.

para serem eficazes. e quantificação do número de entrevistados (representatividade). destacam-se: a) entrevista padronizada ou estruturada – apresenta um roteiro previamente estabelecido. por serem consideradas as mais frequentemente utilizadas nas pesquisas que envolvem pessoas. incentivá-lo a falar abertamente. para não interromper continuamente o entrevistado em seu raciocínio. local. 80 . d) além de ser elaboradas de acordo com os objetivos específicos do projeto. planejamento operacional (agenda. Além desses cuidados. foram selecionadas apenas as técnicas da entrevista. ou seja. sempre é bom lembrar que: a) devem ser claras. é interessante lembrar. Conforme Silva e Menezes (2001). a fim de que as informações sejam as mais completas possíveis. em relação aos tipos de entrevistas a que se pode recorrer. A entrevista consiste em uma forma de interação verbal não convencional. como também. c) cada uma delas referir-se a apenas um único objeto ou fato. podendo ser um formulário. que o pesquisador deve ouvir mais do que falar. Seu planejamento deve seguir os seguintes passos: organizar previamente as perguntas de acordo com os objetivos específicos traçados no projeto de pesquisa. diretas e concisas. que deve ser aplicado da mesma forma a todos os informantes. também. contato prévio com o entrevistado.Universidade do Sul de Santa Catarina Das muitas técnicas de pesquisa existentes. ambiente adequado). é um diálogo estruturado em que o entrevistador deve registrar as informações para posterior análise. Quanto às perguntas. b) estar situadas contextualmente. do questionário e do formulário.

as perguntas do questionário podem ser de três tipos: a) abertas (qual é a sua opinião?). E. limitado em extensão e estar acompanhado de instruções. questões de caracterização dos informantes [dados de identificação] e corpo das questões. sexo. em termos gerais. [dados de identificação] tais como. — Você observou que a entrevista é uma das técnicas de pesquisa mais usadas para coleta de dados. em que o respondente pode assinalar mais de uma resposta). conforme Rauen (2002. será apresentada outra técnica também muito utilizada: o questionário. a fim de esclarecer o propósito de sua aplicação. indicando. pois trata-se de uma conversação informal. o investigador se lança às perguntas relevantes da pesquisa”. um questionário é constituído por três partes: cabeçalho. Unidade 3 81 . seu objetivo e o que se espera do informante”. c) de múltiplas escolhas (fechadas com uma série de respostas possíveis. por meio de um processo de interação com o pesquisador. “são apresentadas questões de caracterização dos informantes. Deve ser objetivo.Ciência e Pesquisa b) entrevista despadronizada ou não estruturada – não exige rigidez de roteiro. “no corpo de questões. O questionário consiste em uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito pelo informante. A seguir. estado civil. por fim. Em seguida. entre outras”. “O cabeçalho é a parte que encima um questionário. p. De modo mais específico. idade (ou faixa etária). ressaltar a importância da colaboração do informante e facilitar o preenchimento. Para Silva e Menezes (2001). permitindo explorar mais amplamente alguns aspectos das informações proporcionadas pelo entrevistado. relacionadas diretamente ao objeto da pesquisa. 127-128). b) fechadas (escolhas pré-definidas).

as perguntas não devem sugerir ou induzir as respostas nem ser redigidas nas formas afirmativas ou negativas. 82 . Pergunta fechada: Como você avalia a sua aprendizagem nesta disciplina de educação a distância? ( ( ( ( ( ) Ótima ) Boa ) Satisfatória ) Regular ) Insuficiente Pergunta de múltipla escolha: Quais os motivos que fizeram com que você viesse morar neste condomínio? ( ( ( ( ( ( ) Conforto ) Segurança ) Baixo preço ) Localização ) Privacidade ) Outro(s). a linguagem empregada deve ser a mais clara possível. Por isso. que levem à concordância. Qual? Segundo Rauen (2002). além de que cada pergunta deve enfocar apenas uma questão para ser analisada pelo informante.Universidade do Sul de Santa Catarina Observe os exemplos a seguir: Pergunta aberta: Descreva sua percepção sobre os fatores “disciplina” e “autoaprendizagem” nas disciplinas de educação a distância. com vocabulário adequado ao nível da escolaridade dos informantes. até pela lei do menor esforço.

quando se elaborar um questionário. entrevista e formulário. O formulário pode ser definido como uma técnica de pesquisa em que o pesquisador formula as questões e ele mesmo faz o registro das respostas. Quando vamos ao médico a parte inicial da consulta é constituída por um conjunto de perguntas. como também. O informante escreve. Com esse procedimento é possível conhecer as nossas intenções da consulta e iniciar o processo de diagnóstico da doença. O informante fala. Unidade 3 83 . o universo a ser investigado. Um bom exemplo de aplicação do formulário seria a anamnese. Observe que é muito fácil perceber a principal diferença entre questionário. No questionário o sujeito pesquisado apresenta suas respostas por escrito. pode-se indagar o seguinte: os aspectos a que se referem às perguntas são realmente importantes e pertinentes aos objetivos traçados na pesquisa? Assim. as perguntas devem ser muito claras e objetivas. Na entrevista o sujeito pesquisado apresenta suas respostas verbalmente. E no formulário o sujeito pesquisado fala e o pesquisador escreve. É uma das técnicas mais utilizadas nas pesquisas de opinião pública e de mercado. cujo conteúdo das respostas é cuidadosamente registrado pelo profissional que nos atende.Ciência e Pesquisa Em relação ao conteúdo de uma pergunta. — Como você estudou no decorrer desta unidade. o método científico é um conceito não muito fácil de ser definido. pois existem vários tipos aplicáveis em uma investigação. Por esse motivo. devem ser observados fundamentalmente os objetivos específicos que se pretende alcançar com a pesquisa. Quando da elaboração das perguntas de um questionário é indispensável levar em conta que o informante não poderá contar com explicações adicionais do pesquisador. Tenha isso em mente ao realizar as atividades a seguir.

o monográfico. o estatístico. Os métodos de abordagem preocupam-se com o fio condutor do raciocínio que se estabelece na pesquisa e estão sempre vinculados a uma concepção teórico-metodológica ou a algum paradigma. caminho. essa tentativa de refutação ocorre por meio de testes empíricos (observação ou experimentação). Os métodos de procedimento preocupam-se com as ações instrumentais da pesquisa. ao contrário. nesta unidade. a relação entre método e técnica e os principais tipos de métodos de abordagem e de procedimento. o dedutivo é aquele que parte de um raciocínio geral e conclui uma proposição particular. a definição de método científico. o indutivo. O hipotéticodedutivo é aquele que estabelece meios de refutação das hipóteses que são lançadas para resolver um determinado problema. instrumentos ou ferramentas mais adequadas para a aplicação ou o seguimento de cada etapa do método. o dialético e o fenomenológico. ordenadamente dispostas. o etnográfico e o histórico. A técnica é uma aliada do método e está relacionada ao “fazer”. com o “fazer” da pesquisa. Dentro dos métodos de abordagem. O método científico é classificado em dois tipos: de abordagem e de procedimento. parte de vários raciocínios particulares para concluir uma proposição geral ou universal. Método é um conjunto de etapas. Os principais métodos de procedimento estudados foram: o comparativo.Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Você estudou. para atingir um determinado fim. Em cada momento da pesquisa o pesquisador pode lançar mão de diferentes técnicas. A etimologia da palavra remete para o significado de via. Na pesquisa científica. o hipotético-dedutivo. à escolha dos procedimentos. Os principais métodos de abordagem estudados foram: o dedutivo. O indutivo. O método dialético é aquele 84 . essas etapas devem ser percorridas pelo pesquisador no processo de investigação de um determinado problema.

que por sua vez nega a tese e a antítese. O método fenomenológico. Unidade 3 85 . Na entrevista padronizada o pesquisador segue um roteiro pré-estabelecido e na entrevista despadronizada o pesquisador estabelece uma conversação informal com o entrevistado.Ciência e Pesquisa que busca estabelecer as contradições inerentes aos fenômenos estudados: essas contradições se dão por meio da tese e da antítese. geradoras de uma síntese. um determinado temaquestão. cultura. de maneira ampla. O estatístico é aquele que emprega os recursos da matemática (mais especificamente a Estatística) para estudar os fenômenos humanos e naturais. diferentemente da entrevista. Dentre esses cuidados é necessário evitar questões de duplo sentido e verificar se as questões atendem aos objetivos da pesquisa. O método monográfico é aquele que analisa. A entrevista consiste numa interação verbal entre o pesquisador e o pesquisado. tratamentos. o pesquisador pergunta e anota as respostas do informante. por fim.problema. o método histórico analisa os processos e instituições do passado a fim de estudar sua influência na atualidade. o comparativo tem como preocupação essencial a verificação de semelhanças e diferenças entre duas ou mais pessoas. O etnográfico analisa a forma de ser de um povo. diferentemente da entrevista e do questionário. Os principais tipos de entrevista são a entrevista padronizada ou estruturada e a entrevista despadronizada ou não estruturada. que na entrevista o respondente fala. de uma etnia. empresas. No questionário. procura estudar qualitativamente a essência que envolve as coisas (a essência do fenômeno pesquisado). religião etc. o questionário e o formulário. o respondente escreve. então. Dentro dos métodos de procedimento. profunda e exaustiva. As técnicas de pesquisa que você estudou nesta unidade foram a entrevista. Alguns cuidados são essenciais no momento de sua elaboração e aplicação. procurando a descrição da linguagem. Esse movimento é histórico e contínuo. No formulário. técnicas etc. Para fechar. Pode-se dizer.

sendo 66.28% dos óbitos foi menor que 2. Das mortes ocorridas no período infantil tardio. cujos dados originais foram corrigidos por meio de pesquisa nos prontuários dos pacientes atendidos nos serviços de saúde.23% foram consideradas não evitáveis. causas múltiplas e distribuição geográfica. As causas básicas de óbito foram estudadas segundo a possibilidade de serem prevenidas (método desenvolvido por Erica Taucher) por grupos de causas reduzidas utilizadas no “International Collaborative Effort” (ICE).Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados e realize. Brasil. SP (Brasil). Material e Método: Foram utilizadas declarações de óbito colhidas no cartório. sensibilidade. Resultado: A sensibilidade global para a causa básica de óbito foi 78. a seguir. 12. 58. as atividades: 1) Que diferença essencial pode ser apontada entre o método de abordagem e o de procedimento? 2) Leia o resumo e classifique o estudo quanto ao método de procedimento. a partir de aplicação de métodos para obtenção de diagnóstico coletivo que orientassem a identificação e escolha de estratégias de controle de problemas locais.23% poderiam ser evitados por adequada atenção ao parto. Justifique sua resposta com base nas informações estudadas no texto e nos elementos presentes no resumo da pesquisa. foi estudada no período de 1990 a 1992. Observou-se que nos óbitos ocorridos até 27 dias.500g. 1990 a 1992 Introdução: A mortalidade infantil em Presidente Prudente. 20. especificidade e valor de Kappa.32 para o total de causas. 22.28% durante o primeiro dia de vida) e 33.74% faleceram por 86 . Para estudar variáveis como idade materna e peso ao nascer foram utilizados os dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC).75% por bom controle da gravidez e apenas 7.64% seriam redutíveis por diagnóstico e tratamento precoce.94% não evitáveis.85% no infantil tardio.15% no período neonatal (41. Mortalidade infantil em município da região Centro-Oeste Paulista. A qualidade dos dados originais das declarações de óbitos foi inicialmente analisada pela quantidade de informações. 13.17% foram classificadas como outras preveníveis e 4.84% e Kappa igual a 71. Segundo os grupos do ICE. O peso ao nascer de 58. Ocorreram 189 óbitos.

precisa. 2 . Conclui-se haver vantagem no uso associado das quatro técnicas que são complementares. fixo. Revista de Saúde Pública.Ciência e Pesquisa imaturidade ou asfixias. Se o pesquisador lança um problema de pesquisa. 31. por anomalias congênitas. ao raciocínio que se estabelece como fio condutor na investigação do problema de pesquisa.Não há método pronto. 12. Unidade 3 87 . Conclusão: Os resultados sugerem prioridade para assistência obstétrica no trabalho de parto e atenção pediátrica por baixo peso ao nascer. 3) Complete as palavras cruzadas sobre métodos e técnicas de pesquisa. Brasil. ago. SANTO. Identificaram-se grandes diferenças no coeficiente de mortalidade infantil entre as áreas da zona urbana não somente restritas aos valores. Vinculam-se às concepções teórico-metodológicas ou à corrente de pensamento em que o pesquisador se filia. As complicações maternas também relacionaram-se com o baixo peso. 1997.Estão vinculados ao plano geral do trabalho. 4. definitivo que possa ser adquirido num balcão de supermercado.58% por infecções e.05% dos óbitos têm as causas básicas relacionadas a causas perinatais e confirma a relação entre as deficiências de peso e as complicações respiratórias do recém-nascido. v. n.17%. Augusto H. como também ao tipo de doenças responsáveis pela ocorrência do óbito. entre outras. antes de tudo. Referência: GOMES.Para a realização de todas as atividades da vida humana é necessário escolher o melhor caminho. 1 . Na ciência também não é diferente. Mortalidade infantil em município da região Centro-Oeste Paulista. 330-341. fundamentalmente. de uma competência do pesquisador relacionada à habilidade de construir o próprio caminho a ser seguido no processo de pesquisa.. como para planejamento de ações dirigidas à prevenção da mortalidade infantil. São Paulo. A análise por causas múltiplas mostra que 76. de aspectos relacionados à natureza da ciência em que o objeto se situa e. tanto para estudo. p. O estabelecimento do método da pesquisa depende de fatores relacionados à natureza do objeto de estudo. Jaime de O. 1990 a 1992. se deseja investigar um determinado fenômeno. 3 . 19. determinar o caminho a ser seguido para encontrar respostas para o seu problema.

Técnica de coleta de dados utilizada na pesquisa documental. Busca compreender o ser humano e se volta para as “experiências vividas”.Toma como base a ideia de que é possível chegar à essência do objeto da pesquisa (do ser pesquisado) a partir da observação e do exame do fenômeno como algo que aparece à consciência.A negação é o seu motor. o mundo. a conclusão necessariamente será correta. mais perfeita algum tipo de atividade. 7 . 9 . cujo pano de fundo é o dia a dia. arte ou ofício. o cotidiano. consiste numa interação verbal entre o pesquisador e o pesquisado. ou seja. 8 . 88 .É o modo de fazer de forma mais hábil. 5 .Enquanto técnica de pesquisa. Está diretamente relacionada à fase da recolha de dados e informações no processo de pesquisa. 6 .Se as duas primeiras premissas estiverem corretas. mais segura.Universidade do Sul de Santa Catarina 4 .Método de abordagem que parte de observações particulares com o objetivo de buscar generalizações. 10 .

(WEATHERALL. Quem decide. 87-88).] O jogo da ciência é um princípio interminável.Ciência e Pesquisa Saiba mais Para aprofundar um pouco mais sobre Método Científico. “As regras metodológicas são aqui vistas como convenções. retira-se do jogo”. conforme a matéria que estudam. “Método científico implica. 1975. indefinidamente. 55-56). não metódica. (POPPER. p. (WEATHERALL. tal como a comunicação mais eficaz ou a poesia tocante. O conhecimento se amplia e o ciclo prossegue. mas sempre conseguindo generalidade maior e possibilitando crescente controle do ambiente”. sem que nunca se alcance a certeza absoluta. O cientista elabora ideias ou hipóteses definidas.. os meios de que dispõem e seus traços pessoais. um dia. que os enunciados científicos não mais exigem prova. 1970. p. [. é com frequência. Uma descrição do método científico relacionase com a pesquisa original como a gramática se relaciona com a linguagem cotidiana ou com a poesia. p. “Os cientistas realizam descobertas de várias maneiras. à luz do conhecimento disponível. e. Unidade 3 89 . e podem ser vistos como definitivamente verificados. 1970. dito ou escrito. portanto. 5). p. leia os recortes selecionados extraídos de Köche (1997. concebe e realiza experimentos para verificar essas hipóteses. Método científico é versão bem simplificada daquilo que acontece ou que pode acontecer no processo de realização de descobertas. 3-4).. Uma estrutura formal qualquer está por trás do que é feito. chega a violar tantas regras quantas observa”. mas a pesquisa mais frutífera. em suceder alternativo de reflexão e experimento. aparentemente.

(BACHELARD. dos ensinamentos tranquilos da experiência vulgar. (PEIRCE. p. não há método de pesquisa que não acabe por perder sua fecundidade inicial. Em outras palavras. um método científico é aquele que procura o perigo. 1977. um estratagema novo. 70). não hesitou em negar a perenidade dos melhores métodos. “Um dos químicos contemporâneos que desenvolveu os métodos científicos mais minuciosos e mais sistemáticos. “Como dar nascimento a essas ideias vitais e férteis que se multiplicam em milhares de formas e se difundem por toda a parte. mas cujo segredo a história da ciência permite entrever”.por vezes em oposições . Chega sempre uma hora em que não se tem mais interesse em procurar o novo sobre os traços do antigo. p. como na vida cartesiana”.26). “Os métodos científicos se desenvolvem à margem . p. útil na fronteira do saber. 245). (POPPER. 122). O método é verdadeiramente uma astúcia de aquisição. Urbain. “O método da ciência consiste na escolha dos problemas interessantes e na crítica de nossas permanentes tentativas experimentais e provisórias para solucioná-los”. A dúvida está na frente. Não são resumo dos hábitos adquiridos na longa prática de uma ciência. em 90 . 1978. fazendo a civilização avançar e construindo a dignidade do homem. NAGEL. Seguro de seu acerto. sejam quais forem estes”. 1972. Todos os métodos científicos atuantes são em forma de ponta. Para ele. 1971. p.dos preceitos senso comum. Não se trata de uma sabedoria intelectual adquirida. ele se aventura numa aquisição.Universidade do Sul de Santa Catarina “Pode-se dizer que a segurança da ciência depende de que haja homens mais preocupados pela correção de seus métodos que pelos resultados obtidos mediante seu uso. e não atrás. é arte ainda não reduzida a regras. (COHEN.

não descreverá uma constituição definitiva do espírito científico”. 1977. fenomenológico ou dialético. 103). vista sob esse ângulo.. 289). deixará se ser ciência para se transformar em ideologia”. seja ele quantitativo. “O método experimental não pode transformar uma hipótese física em uma verdade incontestável. 1993. A verdade de uma teoria física não se decide num jogo de cara ou coroa”. p. Os próprios conceitos científicos podem perder sua universalidade. O experimentum crucis é impossível.. “A ciência.] Os conceitos e os métodos. 121). pois jamais se está seguro de haver esgotado todas as hipóteses imagináveis referentes a um grupo de fenômenos. tudo é função do domínio da experiência. o pesquisador deverá ter em mente um critério fundamental: expor suas teorias à crítica severa. (BACHELARD. p. Em qualquer método que se adote. todo o pensamento científico será sempre um discurso de circunstâncias. Unidade 3 91 . (DUHEM. é um processo e não um produto. p. (BRUYNE.Ciência e Pesquisa que o espírito científico não pode progredir senão criando novos métodos. 1968. Se trabalhar na sua autojustificação. [.

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Classificar a pesquisa quanto ao nível ou aos objetivos. 4 Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Seção 4 Seção 5 Variáveis: o que são e como classificá-las A pesquisa Como classificar as pesquisas quanto ao nível de profundidade ou objetivos do estudo? Como classificar as pesquisas quanto à abordagem? Como classificar as pesquisas quanto ao procedimento utilizado para a coleta de dados? .UNIDADE 4 Pesquisa Objetivos de aprendizagem „ „ „ Conceituar e classificar variáveis. quanto à abordagem e quanto ao procedimento utilizado para coleta de dados. Conceituar pesquisa.

Elas o ajudarão a estudar o conteúdo desta disciplina de maneira estruturada. classificado neste livro didático em bibliográfico. após a leitura das cinco seções que compõem esta unidade. quanto à abordagem – quantitativa e qualitativa. documental. Veja como isso se aplica. aspecto ou propriedade passível de mensuração. não é mesmo? E é isso mesmo. conhecer e classificar as variáveis. por exemplo. e quanto ao procedimento utilizado na coleta de dados. primeiramente. pesquisa-ação e pesquisa participante. Lembre-se de. Porém. para que você possa compreender o conceito e os tipos pesquisa é necessário. estudo de caso. Você estudará o conceito e a classificação dos tipos de pesquisa que podem ser classificadas quanto a nível – exploratória.Variáveis: o que são e como classificá-las Você sabe de onde vem o termo variável? Talvez você já tenha estudado muito sobre isto nas aulas de matemática. estudo de caso controle. 94 . Variável é um termo que vem da matemática e significa fator. na Física e nas Ciências Sociais.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade. descritiva e explicativa. você vai estudar a pesquisa propriamente dita. não deixar de resolver as atividades de autoavaliação sugeridas. Seção 1 . levantamento. experimental. estudo de campo.

renda.] medida. velocidade. Como resultado 73.. escolaridade etc. Esses fatores assumiram valores e variabilidades diferentes nos achados da pesquisa. são exemplos de variáveis. Como classificar as variáveis? Unidade 4 95 .6 por cento acima. 137) variável pode ser classificada como “[.Ciência e Pesquisa Na Física .. raça. que as variáveis presentes neste estudo são: o peso do recém-nascido. uma quantidade que varia. Por outro lado 5. idade e sexo como sendo ignorados. massa.8 por cento nasceram de parto normal e 25. no período de 1994 a 1996..4 por cento abaixo e 6. extensão..4 por cento dos partos foram por adolescentes na faixa etária de 10-14 anos. faixa etária da mãe e tipo de parto. pois. são variáveis.5 por cento por cesariana.Brasil. assumem determinado valor e podem ser mensuráveis. seguindo o mesmo raciocínio. um conceito operacional. leia com atenção o resumo da pesquisa realizada por Santos e outros (2001) intitulada “Estudo do peso do recém-nascido. também podem ser mensurados. Nas Ciências Sociais .6 por cento estavam dentro do normal..” Que tal verificar isso mais de perto? Então. (Grifo nosso). faixa etária da mãe e tipo de parto” e identifique as variáveis que estão presentes no texto: Este artigo tem por objetivo estudar o peso do recémnascido. força etc. p. [. discernível em um objeto de estudo e passível de mensuração.] ou fator. dilatação. Para Marconi e Lakatos (2003. além de maior empenho por parte da Direção das Maternidades e das Chefias de Enfermagem na produção e análise dos dados. Você deve ter percebido. sob certas circunstâncias. 84. Vale ressaltar o registro de peso. Com relação ao peso. a faixa etária da mãe e o tipo de parto ocorrido em Maternidades de Rio Branco . Concluindo destacamos a importância da assistência no período pré-natal. pois.os fatores temperatura. que contém ou apresenta valores. aspecto. o que demonstram falhas nos registros. com esta atividade. proporcionando atenção ao binômio mãefilho.Acre .classe social. 7.

Vamos supor que um pesquisador na área de fisioterapia queira investigar a eficácia da crioterapia (tratamento com gelo) no tratamento de entorse de tornozelo. Classe social seria a variável independente (causa) e sentença. tomou um conjunto de ratos similares e os manteve em condições idênticas durante algum tempo. propositalmente. A variável de controle é aquele fator. 49. O primeiro recebeu a substância adicionada à ração. 113) em: independente. O investigador quer saber se há relação significativa entre a classe social do réu e a sentença que é proferida pelo juiz. moderadora e interveniente. HOSSNE. ao contrário. A variável independente é aquela que é fator. 96 . embora mantido nas mesmas condições. de controle. Observe a citação a seguir. é aquela que é consequência ou efeito de algo que foi estimulado. 36-51 apud KÖCHE. p. propriedade ou aspecto que o pesquisador neutraliza. Primeiro. Decorrido determinado período. não recebeu a substância. dividiu o conjunto de ratos em dois grupos.Universidade do Sul de Santa Catarina As variáveis podem ser classificadas conforme a nomenclatura proposta por Tuckmam (1972. a variável dependente (efeito). (VIEIRA. 2002. um pesquisador fez um experimento. Depois. Para saber se determinado tratamento (uma substância) tem efeito sobre o peso de ratos. a variável dependente (consequência). dependente. p. Crioterapia seria a variável independente (causa). para não interferir na relação entre a variável independente e dependente. e as respostas ao tratamento de entorse. propriedade ou aspecto que produz um efeito ou consequência e a dependente. mas o segundo grupo. o pesquisador pesou todos os ratos e comparou o peso do grupo que recebeu o tratamento com o peso do grupo que não recebeu o tratamento. p. 1997. grifo nosso).

porém. o pesquisador manteve os dois grupos nas mesmas condições. (KÖCHE. portanto. neste exemplo. condições do espaço físico e luminosidade no ambiente. aspecto ou propriedade que é causa. paracetamol e clonixinato de lisina. o desempenho de habilidades está diretamente relacionado com o número de treinos práticos. “idade” e “inteligência” variáveis de controle e “meninos” e “meninas” (sexo) a variável moderadora. situa-se num plano secundário. 13). 1997. sexo. quantidade e qualidade da alimentação. pois a substância adicionada à ração pode alterar o peso. Ocorre que muitos fatores podem ser contribuintes para o aumento do peso dos ratos tais como idade. Neste exemplo. Leia com atenção o resumo da monografia de especialização apresentada por Gurgel e Noronha (2004) intitulada “Avaliação da ação analgésica do clonixinato de lisina em comparação com o paracetamol e dipirona em cirurgia de dentes inclusos: estudo clínico duplo cego randomizado”. Pode-se dizer. particularmente entre os meninos. A cirurgia de terceiros molares é um dos mais frequentes procedimentos em odontologia e não raro provoca temor devido a possibilidade de dor no pós-operatório.Ciência e Pesquisa A variável independente. Entre estudantes da mesma idade e inteligência. p. na realização do experimento. é o tratamento com a substância e a variável dependente é o peso dos ratos. que as condições idênticas criadas pelo pesquisador entre os dois grupos. dipirona. A variável moderadora é aquele fator. dentre outros. estímulo para que ocorra determinado efeito ou consequência. no controle da dor pós-operatória Unidade 4 97 . Este trabalho testou três drogas. mas menos diretamente entres as meninas. “desempenho de habilidades” a variável dependente. “treinos práticos” seria a variável independente. neutralizando os possíveis fatores que poderiam interferir no peso dos ratos. caracterizam as variáveis de controle. No exemplo citado. pois poderá modificar a relação entre a variável independente e dependente.

operatória de cirurgias de inclusões de terceiros molares. os tipos de analgésico (dipirona. A avaliação de dor pós-operatório foi realizada através de questionários entregues aos pacientes que relataram em uma escala de intensidade de dor percebida. Os pacientes selecionados submetidos à cirurgia utilizaram o medicamento fornecido pelo cirurgião responsável. Observe que. neste exemplo apresentado. dentro dos critérios relatados na literatura. Concluímos então que todos os medicamentos usados no trabalho são efetivos no controle da dor pós. mesmo tempo de duração da cirurgia. (Grifos nossos). A variável moderadora aparece no momento em que os resultados são distribuídos por sexo. Sessenta e quatro pacientes de ambos os sexos.Universidade do Sul de Santa Catarina de terceiro[s] molares inferiores inclusos. O ato cirúrgico deveria transcorrer em no máximo 60 minutos. Não havia tipo de identificação do medicamento estes frascos.8 minutos).50 por cento) e 40 mulheres (62. sendo 24 homens (37. sendo o tempo médio das mesmas de 33. Os resultados obtidos não revelam diferenças estatísticas entre os grupos da dipirona. A variável de controle aparece no momento em que o pesquisador estabelece as mesmas condições para os três grupos de pacientes que se submeteram à cirurgia de terceiros molares: mesmo anestésico. A média de idade dos pacientes submetidos à cirurgia foi de 22. mesma média de idade dos pacientes e mesmos cirurgiões. Estes questionários foram devolvidos no momento da remoção de sutura. paracetamol e clonixinato de lisina) representam as variáveis independentes.9 minutos (DP± 9. Todos os casos foram operados pelos dois cirurgiões responsáveis pela pesquisa. lidocaína com felipressina (Novocol). Os dados foram analisados. pois podem agir no controle da dor pósoperatória. Neste caso. paracetamol e clonixinato de lisina no controle da dor pós-operatória de terceiros molares e também não há diferença estatística entre os grupos de homens e mulheres no relato da dor pós-operatório. usando o programa STATA. a variável “sexo” poderia modificar a relação entre a variável independente (analgésico) e a variável dependente (dor). mas não se constituiu 98 .5 por cento).3 anos (DP± 2. que é a variável dependente. foram submetidos a remoção de terceiros molares inferiores utilizando-se o mesmo anestésico.5 anos).

Variável dependente (y): controle da dor no pósoperatório. — Você pôde perceber com essa seção a importância das variáveis para a qualidade da pesquisa a ser realizada. Unidade 4 99 . o objetivo principal era estudar o efeito dos analgésicos no controle da dor. p. você estudará que o tipo de variável acaba definindo a própria pesquisa.Ciência e Pesquisa na variável principal do estudo. Nas próximas seções. pois o pesquisador não queria realizar um estudo para saber quem é mais ou menos resistente à dor (se os homens ou mulheres). 114). 1997. A variável independente é “bloqueio”. Variável moderadora (m): sexo. 1997. C2 = tempo de duração da cirurgia. no plano teórico afeta a variável que está sendo observada. colocou-se numa posição secundária. paracetamol e clonixinato de lisina). (KÖCHE. A variável “sexo”. “[.. C4 = mesmos cirurgiões.] crianças que foram bloqueadas na consecução de seus objetivos mostram-se mais agressivas do que as que não foram”.] o bloqueio conduz à frustração e esta à agressividade”. “[.. A variável interveniente é aquele fator que. na condição de variável moderadora.. mas não pode ser medida. Resumindo: Variável independente (x): analgésicos (dipirona. C3 = média de idade dos pacientes. a dependente é “agressividade” e a interveniente é a “frustração”. 114). p. (TUCKMAN apud KÖCHE.. Variável de controle (c): C1 = anestésico.

p. p. pelas técnicas. situações ou coisas. 155) é um “procedimento reflexivo sistemático. Para Ander-Egg (apud MARCONI. Rudio (1999. p. relações ou leis. pesquisa descritiva e pesquisa explicativa. p. 9). Para que a pesquisa seja definida como científica. proporcionando a quem pesquisa a aquisição de um novo conhecimento. Toda pesquisa nasce do desejo de encontrar resposta para uma questão. que permite descobrir novos fatos ou dados. as pesquisas que se valem de fontes de papel . 43). por estar voltada para a realidade empírica. 2003. em qualquer campo do conhecimento”. levantamento e estudo de caso e estudo de campo. 100 . Se for classificada de acordo com o nível de profundidade do estudo ou objetivos. estudo de caso controle. 2002. LAKATOS. (GIL. Levando em conta os procedimentos utilizados para coleta de dados. A classificação dos tipos de pesquisa só é possível mediante o estabelecimento de um critério. uma vez que o problema (da pesquisa) está articulado a conhecimentos anteriores. e pela forma de comunicar o conhecimento obtido”. teremos três grandes grupos: pesquisa exploratória. Conforme Rúdio (1999. no segundo. serão dois grandes grupos. 9) afirma que “a pesquisa científica se distingue de qualquer outra modalidade de pesquisa pelo método.A pesquisa Pesquisa é um processo de investigação que se interessa em descobrir as relações existentes entre os aspectos que envolvem os fatos. controlado e crítico.pesquisa bibliográfica e documental . fenômenos. construídos por outros estudiosos. No primeiro.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 2 . “é um conjunto de atividades orientadas para a busca de um determinado conhecimento”.e. seguindo um planejamento previamente estabelecido pelo pesquisador. fontes de dados fornecidos por pessoas experimental. É no planejamento da pesquisa que se determina o caminho a ser percorrido na investigação do objeto de estudo. é necessário que se desenvolva de maneira organizada e sistemática.

você conhecerá os detalhes de cada um desses tipos de pesquisa. O pesquisador apenas constata e estuda a frequência de uma variável. 1997. “qual o perfil motor das crianças matriculadas na escola x?”. seus objetivos e características principais. p. „ „ A seguir. teremos dois grupos: quantitativa e qualitativa. Os problemas de pesquisa exploratória geralmente não apresentam relações entre variáveis. segundo esse critério. Nesse caso. Nas seguintes. e.Ciência e Pesquisa Por fim. pesquisa explicativa. Muitas vezes. — Nesta seção você conheceu os tipos de pesquisa.Como classificar as pesquisas quanto ao nível de profundidade ou objetivos do estudo? Como você já estudou na seção anterior. pesquisa descritiva. você estudará como cada uma dessas classificações se configura. No exemplo. Siga em frente e bom estudo! Seção 3 . podem ser classificados em: „ pesquisa exploratória. os tipos de pesquisa. é necessário “desencadear um processo de investigação que identifique a natureza do fenômeno e aponte as características essenciais das variáveis que se quer estudar” (KÖCHE. se classificarmos as pesquisas levando em conta a abordagem. Pesquisa exploratória O principal objetivo da pesquisa exploratória é proporcionar maior familiaridade com o objeto de estudo. o pesquisador não dispõe de conhecimento suficiente para formular adequadamente um problema ou elaborar de forma mais precisa uma hipótese. identificaUnidade 4 101 . 126).

levantamentos etc. As técnicas de pesquisa que podem ser utilizadas na pesquisa exploratória são: formulários.0%). A coleta de dados foi realizada mediante a aplicação de um questionário autopreenchível composto de questões sobre modalidades esportivas e atividades de lazer praticadas no tempo livre. de uma amostra de 356 alunos de 7 escolas do Ensino Médio da Rede Pública. ilustra as principais características de uma pesquisa exploratória. 102 . Observe: Atividades de esporte e lazer. pelos estudantes do Ensino Médio das escolas públicas do Município de Tubarão. O resumo da pesquisa realizada por Leonel. questionários. Souza e Gonçalves (2006). dos estudantes do ensino médio das escolas públicas do Município de Tubarão. No campo da Geografia. fichas para registro de avaliações clínicas. no tempo livre. leitura e documentação quando se tratar de pesquisa bibliográfica. Método: Estudo seccional. Neste caso. por exemplo. entrevistas. “perfil motor”. estudos de caso.7%). Quanto às atividades de lazer.2%) e ficar na internet (51. namorar (64.Universidade do Sul de Santa Catarina se apenas uma variável.1%) e ficar na internet (50. no tempo livre. no caso. praticar esporte (61. SC Objetivo: conhecer as atividades de esporte e lazer desenvolvidas. Conclusão: os resultados encontrados indicam índices positivos para a prática de esporte entre os alunos do sexo masculino e despertam um estado de alerta para os alunos do sexo feminino. SC. poderíamos fazer um levantamento do perfil etário de uma determinada população. os índices indicam valores significativos para atividades consideradas passivas (internet e televisão) para ambos os sexos.3%). apresentado no XVIII Encontro Nacional de Recreação e Lazer.6%). em Curitiba. A modalidade esportiva mais praticada pelos alunos do sexo masculino é o futebol (81%) e pelos alunos do sexo feminino o vôlei (64. Entre os alunos do sexo feminino as atividades mais frequentes são: assistir TV (87. com análise univariada. Resultados: as atividades de lazer mais frequentes entre os alunos do sexo masculino são: assistir TV (80%). pesquisa documental. “idade” seria a variável em estudo. O planejamento da pesquisa exploratória é bastante flexível e pode assumir caráter de pesquisa bibliográfica.

Os fenômenos humanos ou naturais são investigados sem a interferência do pesquisador que apenas “procura descobrir. você pôde perceber que não houve uma preocupação em fazer um estudo de correlação entre prática de esporte e lazer com as variáveis renda. O estudo da relação entre essas variáveis. 55). sua natureza e características”. (CERVO. Unidade 4 103 . 1983. registra e correlaciona aspectos (variáveis) que envolvem fatos ou fenômenos. a frequência com que um fenômeno ocorre. Assim. observa. no caso. cor. dentre outras tantas. Leia com atenção a matéria que foi publicada na revista Época e que exemplifica uma pesquisa descritiva. profissão. Certamente. um pesquisador que atua como agente prisional não teria necessidade de fazer um estudo exploratório para conhecer as condições de vida do preso no cárcere. pois esse conhecimento já seria pré-existente. nível socioeconômico. caracterizaria uma pesquisa descritiva e não exploratória.Ciência e Pesquisa Se você observar atentamente o exemplo. as atividades de esporte e lazer praticadas no tempo livre. Por exemplo. com a [máxima] precisão possível. sua relação e conexão com outros. se os pesquisadores já possuíssem um conhecimento prévio dessa realidade não precisariam fazer o estudo. Pesquisa descritiva Esta pesquisa é aquela que analisa. BERVIAN. sem manipulá-los. pela sua complexidade. p. pode-se entender que a pesquisa exploratória só se justifica quando os pesquisadores desconhecem a realidade que querem investigar. Voltando ao exemplo da pesquisa com os estudantes do ensino médio em Tubarão. vai perceber que nesse estudo procurou-se conhecer a frequência de apenas uma variável.

que prevê penas brandas. explica o pesquisador. estudos de campo. Conheça algumas das características da pesquisa descritiva: „ espontaneidade – o pesquisador não interfere na realidade. a maioria dos condenados foi enquadrada por uso de drogas. interfere na natureza da sentença? „ Na pesquisa. (UM CRIME. “Vou investigar agora se a justiça é racista ou se a classe social dos réus é que interfere nas penas”.. e a variável dependente é a sentença. é possível levantar as seguintes questões: „ Será que a raça e a classe social do acusado podem interferir no tipo de sentença proferida pelos juízes? Será que a defesa de advogados pagos ou a de defensores públicos. Entre os réus de pele branca. desde que se estude a correlação de.. apenas observa as variáveis que. estudando 364 processos (documentos) em 15 Varas.].. no mesmo tipo de crime. Concluiu que a raça do acusado interfere na sentença aplicada pelos juízes. estão vinculadas ao fenômeno. Negros e pardos entraram na categoria de traficantes. classe social. Você pode observar nesse exemplo que as principais variáveis são: delito (consumo e tráfico de drogas).. Se você considerar a maneira como as variáveis estão correlacionadas. no mínimo. o autor quis saber como essas variáveis estão relacionadas e procurou associá-las. 104 . sentença e defensoria. raça. que é negro e trabalha como professor do Colégio Pedro II [. levantamentos etc. raça.Universidade do Sul de Santa Catarina Um Crime. debruçou-se sobre 364 processos judiciais envolvendo consumo e tráfico de drogas no Rio de Janeiro. 41 anos. duas variáveis. classe social. espontaneamente. recolhidos em 15 varas criminais da cidade. 1999). avisa Nascimento.. enquanto ‘os de cor’ recorreram a defensores públicos”. As variáveis independentes são delito. A pesquisa descritiva pode aparecer sob diversos tipos: documental. duas Sentenças O pesquisador carioca Jorge Luiz de Carvalho Nascimento. “A maioria dos brancos pagou advogado.

aos porquês [. entrevistas. É o tipo de pesquisa que explica as razões ou os porquês das coisas. Há. 2002). o que as aproxima das pesquisas exploratórias. e permitem determinar a natureza dessa relação.. suas relações internas e suas relações com outros fatos. questionários. tem-se uma pesquisa descritiva que se aproxima da explicativa. “os cientistas não se limitam a descrever detalhadamente os fatos. Seu objetivo é oferecer respostas às indagações. Nesse caso.. tratam de encontrar as suas causas. 2002. (GALLIANO. A pesquisa explicativa pode aparecer sob a forma de pesquisa experimental e estudo de caso controle (GIL. porém.Ciência e Pesquisa „ naturalidade – os fatos são estudados no seu habitat natural. amplo grau de generalização – as conclusões levam em conta o conjunto de variáveis que podem estar correlacionadas com o objeto da investigação. acabam servindo mais para proporcionar uma nova visão do problema. 1986. embora definidas como descritivas com base em seus objetivos. (GIL. No estudo realizado por Silva e outros (1996) observa-se a realização de um estudo de caso controle no qual são estudados 115 casos (crianças que nasceram prematuras) e 118 controles (crianças que nasceram no tempo normal). fichas de registro para observação e coleta de dados em documentos. Pesquisa explicativa A pesquisa explicativa tem como preocupação fundamental identificar fatores que contribuem ou agem como causa para a ocorrência de determinados fenômenos. 29). p. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis. p. pesquisas que. Em ambos os grupos Unidade 4 105 . 42). Assim.]”. „ As principais técnicas de coleta de dados geralmente utilizadas na pesquisa descritiva são: formulários.

altura. permitindo que fosse calculada a probabilidade de cada fator na ocorrência do evento. Foram estudados os fatores: idade. Os resultados permitem concluir que os fatores: cor não branca. assim como ocorre nas pesquisas experimentais. as pesquisas também podem ser classificadas quanto à abordagem. Os resultados apontam que cor não branca. conforme exposição materna a fatores de risco. pois procuram investigar fatores causais ou fatores contribuintes para a ocorrência de certos fenômenos. baixa estatura. ausência de companheiro e prematuridade prévia apresentam relação com a ocorrência do parto prematuro. Os estudos de caso controle são exemplos de pesquisas explicativas.26). cor e condições de trabalho maternas. Após seleção inicial dos fatores. Observe a seguir: Fatores de risco associados à prematuridade: análise multivariada O presente trabalho teve por objetivo correlacionar partos pré-termo com partos a termo.69) e menção de companheiro (OR 2.40). ausência de companheiro e prematuridade prévia apresentam relação com a ocorrência do parto prematuro.Universidade do Sul de Santa Catarina estudaram-se fatores associados à prematuridade.Como classificar as pesquisas quanto à abordagem? Como você estudou nas seções anteriores. baixa estatura. quando os outros fatores são controlados. peso.32). Seção 4 . estabelecendo um controle rigoroso das variáveis. Sob esse aspecto. menção de companheiro. história de parto pré-termo (OR 9. tabagismo. Foi realizado estudo caso-controle. altura (OR 4. tabagismo. foi realizada análise multivariada baseada na regressão múltipla logística. 118 no grupo controle) assistidas na Maternidade Escola (UFRJ) durante o ano de 1992. tabagismo (OR 2. 106 . Os seguintes fatores revelaram significância estatística: cor (OR 2.02). — Vamos conhecer cada uma delas? Acompanhe a seguir. elas podem ser quantitativas ou qualitativas. tabagismo e história prévia de abortamento e prematuridade. com 233 pacientes (115 no grupo de estudo.

desvio-padrão. Foram incluídas 100 mulheres atendidas no Ambulatório de Menopausa da Universidade Estadual de Campinas. a fim de facilitar a análise e interpretação dos dados. precisão e objetividade (BICUDO. multivariada. moda. Avaliou-se a prevalência de constipação intestinal. Existem poucos estudos que estimaram sua prevalência em mulheres na pós-menopausa. Pacientes e Métodos: Estudo de corte transversal com mulheres na pós-menopausa e idade superior a 45 anos. teste qui quadrado. mediana. SP. Objetivo: Investigar a prevalência e os fatores associados à constipação intestinal em mulheres na pós-menopausa. que contenham questões fechadas. por exemplo. Em outras palavras. entre março de 2003 e janeiro de 2004. Por isso. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal em mulheres na pós-menopausa Racional: A constipação intestinal é mais frequente na população feminina. apresentando aumento da prevalência com o passar dos anos. As variáveis na pesquisa quantitativa são analisadas com base nos recursos da Estatística. 104). média. p. quadros e gráficos. Leia com atenção o resumo da pesquisa realizada por Oliveira e outros (2005) e procure identificar elementos que caracterizam uma pesquisa quantitativa. bivariada. 2004. nessa abordagem. teste t de student. regressão logística. relacionada com o aspecto da objetividade passível de ser mensurável.Ciência e Pesquisa Abordagem quantitativa A abordagem quantitativa está mais preocupada com a generalização. Campinas. Percentagem. são algumas das linguagens adotadas pelo pesquisador quantitativista. na forma de tabelas. teste z. segundo os Unidade 4 107 . este tipo de abordagem se define pela ideia de rigor. análise univariada. a partir da aplicação de instrumentos como questionários. como sinônimo de quantificação. permitindo uma ideia de racionalidade. é necessário utilizar sempre o recurso das representações gráficas. principalmente.

com certeza você já tem condições de identificar uma pesquisa quantitativa. (Grifo dos autores). o tônus do esfíncter anal diminuído e o antecedente de cirurgia perianal. Após análise de regressão múltipla. O antecedente de cirurgia perianal associou-se significativamente à constipação intestinal. Se você destacou em sua leitura os termos média.11).5 ± 5. A análise estatística foi realizada por meio de média. O principal objetivo da pesquisa qualitativa é o de conhecer as percepções dos sujeitos pesquisados acerca da situação-problema. fezes endurecidas ou fragmentadas (81.1%).] trabalha com o universo de significados.68. 21). A análise bivariada mostrou como fatores associados à constipação. menos que três evacuações por semana (62. dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis”. A prevalência de constipação intestinal foi de 37%. motivos. frequências relativas e absolutas e através da razão de prevalência com intervalo de confiança de 95% e regressão logística múltipla. frequências relativas e absolutas. seguido da sensação de evacuação incompleta (83.9 ± 5. desvio-padrão.4 anos. Conclusões: A prevalência de constipação intestinal em mulheres na pós-menopausa foi alta.2%) e manobras digitais para facilitar a evacuação (45. valores e atitudes.9%). 108 . intervalo de confiança 95%: 1. mesmo quando se considerou a influência de outras variáveis. mediana.. Abordagem qualitativa A pesquisa qualitativa. mediana. intervalo de confiança e regressão logística múltipla.. sensação de obstrução à evacuação (62. realizou-se exame físico para avaliação de distopias genitais e do tônus do esfíncter anal. o antecedente de cirurgia perianal associou-se significativamente à constipação intestinal (razão de prevalência: 2.2%).9%).8%). “[.Universidade do Sul de Santa Catarina critérios de Roma II. conforme Minayo (1996.18-6. o que corresponde a um espaço mais profundo das relações. crenças. desvio-padrão. com média de idade à menopausa de 47. p.9 anos. objeto da investigação. quais são as suas características? Estude a seguir. Foram estudadas as características sociodemográficas e clínicas. Resultados A média etária das participantes foi de 58. sendo o sintoma mais freqüente o esforço ao evacuar (91. A seguir. aspirações. — E a pesquisa qualitativa.

ser incapaz de recusar uma mulher. 11). 2004. São Paulo. perda de sensibilidade no homem e na mulher. às doenças sexualmente transmissíveis e à Aids. imune a doenças. à infidelidade. É importante conhecer e intervir sobre as concepções de masculinidade. Métodos: Pesquisa qualitativa realizada com homens motoristas de ônibus e integrantes de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) em uma empresa de transportes coletivos na cidade de São Paulo. Masculinidade e vulnerabilidade ao HIV de homens heterossexuais. Seu conteúdo foi disposto e discutido em blocos temáticos relacionados à sexualidade. tendo como foco entender e interpretar dados e discursos. A decisão por usar ou não camisinha é feita pelo homem. mesmo quando envolve grupos de participantes e ficando claro que ela (a pesquisa qualitativa) depende da relação entre o observador e o observado. SP Objetivo: Identificar aspectos da masculinidade relacionados à vulnerabilidade dos homens à infecção pelo HIV. Os entrevistados não se consideram vulneráveis ao HIV nem a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e confundem suas formas de transmissão. Unidade 4 109 . (D’AMBROSIO. já que pode levá-los a usar camisinha como contraceptivo e para não trazer doenças para casa. p. Foram gravadas e transcritas dez entrevistas individuais e quatro oficinas de sexo seguro. alto custo. ser impetuoso. Ayres e Hearst (2002) e identifique os elementos que caracterizam uma pesquisa qualitativa. SP. não só porque elas podem contribuir para aumento da vulnerabilidade ao HIV. a mulher só pode solicitá-la para evitar gravidez. medo de perder a ereção. considerar que o homem tem mais necessidade de sexo do que a mulher e de que esse desejo é incontrolável. A não utilização da camisinha é atribuída a: estética. Resultados: São aspectos que tornam os homens mais vulneráveis: sentir-se forte. ao preservativo.Ciência e Pesquisa A pesquisa qualitativa requer do pesquisador uma atenção muito maior às pessoas e às suas ideias. procurando fazer sentido de discursos e narrativas que estariam silenciosas. correr riscos. a feminina é atribuída a deficiências do parceiro. mas também porque podem apontar caminhos mais efetivos para a prevenção. Conclusões: A ideia de que ser homem é ser um bom provedor para a família e ter responsabilidade pode constituir um aspecto que favoreça a prevenção. A infidelidade masculina é considerada natural. Leia com atenção o resumo da pesquisa realizada por Guerriero.

110 . mediana. discursos. de doenças sexualmente transmissíveis. percepções). mas de pesquisar um grupo de poucos sujeitos relacionados com à problemática da masculinidade como fator de risco ao HIV. você pode comparar as principais características de uma e de outra pesquisa. Neste quadro. os pesquisadores não tiveram a preocupação de pesquisar todos os motoristas de ônibus de São Paulo (preocupação com o universo populacional) e nem com uma amostra representativa desses motoristas. Abordagem Quantitativa Analisa números Análise dedutiva Análise objetiva O pesquisador distancia-se do processo Testa hipótese e mensura variáveis Abordagem Qualitativa Analisa palavras Análise indutiva Análise subjetiva O pesquisador envolve-se com o processo Gera ideias e categorias para a pesquisa Quadro 4. desvio padrão etc. da Aids. observe o quadro a seguir. com certeza você já tem condições de identificar uma pesquisa qualitativa: „ houve utilização de entrevista gravada para captar a percepção dos motoristas de ônibus sobre os aspectos da sexualidade. da infidelidade.). que mostra um comparativo entre as principais características da pesquisa quantitativa e qualitativa. os pesquisadores interviram na realidade promovendo oficinas (encontros para discussão sobre os temas). a pesquisa qualitativa analisa palavras (narrativas.Universidade do Sul de Santa Catarina Se você destacou em sua leitura os elementos abaixo.1 – Características das pesquisas quantitativa e qualitativa Fonte: Elaboração dos autores. „ „ Para finalizar esta seção. média. Observe que enquanto a pesquisa quantitativa analisa números (moda. do uso de preservativo.

porque trabalha com totalidades. muitas vezes até capacitando pessoas para aplicar os instrumentos de pesquisa. assim. pois “quando se determina um problema. p.Ciência e Pesquisa Enquanto que na pesquisa quantitativa a análise é dedutiva. ainda. qualitativo ou misto. Muitos trabalhos podem ter as duas abordagens simultâneas configurando uma pesquisa qualiquantitativa ou quantiqualitativa. construir suas categorias de análise. E. na pesquisa qualitativa. no âmbito da pesquisa exploratória para poder sistematizar as ideias e. Em suma. o pesquisador envolve-se diretamente com as situações vivenciadas pelos pesquisados. seja quantitativo. com um universo populacional ou com um subconjunto representativo da população (amostra). Uma abordagem qualitativa ou quantitativa será necessária de acordo com a exigência do problema proposto na pesquisa. Na pesquisa quantitativa o pesquisador mantém distância da realidade pesquisada. é em função dele que o pesquisador escolhe o procedimento mais adequado. a pesquisa qualitativa analisa as percepções de poucos sujeitos envolvidos no processo sem a preocupação com a totalidade dos sujeitos envolvidos naquela situação ou realidade pesquisada. As pesquisas quantitativas e qualitativas não são mutuamente excludentes. na pesquisa quantitativa o pesquisador está preocupado em encontrar o melhor teste estatístico para validar sua hipótese. (RAUEN. o problema dita o método e não o inverso”. enquanto que. Já na qualitativa. procura estabelecer estratégias. ele apresenta as questões de pesquisa. 2002. Unidade 4 111 . 191).

estudo de campo. levantamento. Pesquisa bibliográfica É aquela que se desenvolve tentando explicar um problema a partir das teorias publicadas em diversos tipos de fontes: livros. estudo de caso controle. A realização da pesquisa bibliográfica é fundamental para conhecer e analisar as principais contribuições teóricas sobre um determinado tema ou assunto. a pesquisa pode ser classificada em: „ bibliográfica. e pesquisa-ação e pesquisa participante. documental. artigos. „ „ „ „ „ „ „ Mas. estudo de caso. enciclopédias. anais. meios eletrônicos etc.Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 5 . manuais. 112 . você conhecerá as respostas para estas e outras dúvidas.Como se classificam as pesquisas quanto ao procedimento utilizado na coleta de dados? Nesta seção você estudará que. experimental. como cada uma dessas pesquisas se configura? Quais suas principais características? A seguir. dependendo do tipo de procedimento utilizado para a coleta de dados.

f) tomada de apontamentos. mas pode auxiliá-lo no momento de planejar sua pesquisa. 122) afirma que a pesquisa bibliográfica pode ser realizada com diferentes fins: a) para ampliar o grau de conhecimento em uma determinada área. Tanto é que os modelos apresentados pelos diversos autores diferem significativamente entre si”. 60) afirma que “qualquer tentativa de apresentar um modelo para o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica deverá ser entendida como arbitrária.Ciência e Pesquisa Koche (1997. Conheça. você encontra um roteiro de pesquisa bibliográfica. localização das fontes e obtenção do material. c) para descrever ou sistematizar o estado da arte. g) redação do trabalho. Ele não deve ser entendido como um modelo rigoroso e inflexível. d) identificação. b) para dominar o conhecimento disponível e utilizá-lo como base ou fundamentação na construção de um modelo teórico explicativo de um problema. então. A seguir. A pesquisa bibliográfica pode ser desenvolvida em diferentes etapas. isto é. Gil (2002. p. daquele momento. como instrumento auxiliar para a construção e fundamentação de hipóteses. p. pertinente a um determinado tema ou problema. Unidade 4 113 . b) delimitação do tema e formulação do problema. c) elaboração do plano de desenvolvimento da pesquisa. e) leitura do material. as etapas da pesquisa bibliográfica: a) escolha do tema. capacitando o investigador a compreender ou delimitar melhor um problema de pesquisa.

p. (GIL. (COTRIN. inversamente. é conveniente que se mude o tema. 60). aquelas que despertam o interesse e a curiosidade para a pesquisa. 196).]”. 1997. o próximo passo é a delimitação e problematização. Para Salomon (1994. “a escolha do assunto exige frequentemente orientação de caráter pessoal (análise das próprias possibilidades e limitações) [. A existência de bibliografia especializada pode ser constatada pela realização de um levantamento bibliográfico preliminar. É importante observar. existência de bibliografia especializada e familiaridade com o assunto.. b) Delimitação do tema e formulação do problema – depois da escolha do tema. menor a sua compreensão. entre outros. para iniciantes em pesquisa. O interesse pelo assunto pode motivar a superação dos obstáculos que são inerentes ao processo de pesquisa. que pode auxiliar na identificação de documentos importantes a serem lidos e analisados no decorrer da pesquisa. a investigação ser abandonada. 28). na primeira dificuldade ou percalço. 128). p.] pesquisar a respeito de um assunto pelo qual se tenha pouco ou nenhum interesse pode tornar-se uma tarefa altamente frustrante”. compatibilizando familiaridade com o assunto e existência de bibliografia especializada. “[. considerar os seguintes fatores: interesse pelo assunto. E. corre-se o risco de. portanto. p. 2002. Delimitar significa indicar a abrangência do estudo. Sem interesse. é estabelecer a extensão e compreensão do assunto. maior a compreensão do conceito”. Neste caso. Não se recomenda. na realização de uma pesquisa bibliográfica deve. quanto menor a extensão. Na disciplina de Lógica aprende-se que “quanto maior a extensão de um conceito [extensão do tema ou assunto]. dentre as diversas áreas de conhecimento.. 114 . 1990.. a realização de pesquisa bibliográfica sobre temas em que as publicações sejam muito escassas.. “O pesquisador deve propor temas que estejam ao alcance da sua capacidade ou de seu nível de conhecimento” (KÖCHE. p. a escolha de um tema dentro da área a qual se domina. Aconselha-se.Universidade do Sul de Santa Catarina Veja mais detalhes sobre os elementos que compõem cada uma dessas etapas: a) Escolha do tema – a escolha do tema.

suscetível de solução. (FERREIRA. p. propriamente. o tema problematizado indica a especificidade do objeto e marca. Por isso o tema deveria ser delimitado a uma dimensão viável e exequível. A ciência progride porque o homem de ciência. Uma lógica da investigação tem que tomar em consideração esse fato.] questão não resolvida e que é objeto de discussão em qualquer domínio do conhecimento [. Gil (2002. 26). Na área do Direito. e Unidade 4 „ „ „ 115 .. o pesquisador primeiro suscita e propõe questões num determinado território do saber. por exemplo.. O problema deve ser: „ formulado como pergunta. aponta 5 regras para a sua adequada formulação. Não há consenso na literatura de metodologia científica e da pesquisa sobre a forma de como se deve apresentar a problematização de um tema de pesquisa. lança-se a procura de novas verdades. pois seriam muitos os aspectos relacionados a esse assunto que deveriam ser pesquisados. Toda investigação começa com um problema. por exemplo.. 1986).]”. depois elabora um projeto ou um plano de trabalho destinado a dar resposta a seu problema [. (LARROYO apud SALOMON. Delimitado o tema.. a que mais se identifica com a atividade científica é aquela que afirma que problema é uma “[. 197). A tarefa de formular um problema de pesquisa exige certo cuidado.. Poderíamos pesquisar apenas um dos aspectos relacionado a este tema: “a mediação na divisão de bens”.. empírico. claro e preciso. o início da investigação. 1994.].Ciência e Pesquisa Temas amplos dificultam a análise com profundidade e exaustão e podem fazer com que o pesquisador se perca ou se embarace no emaranhado das proposições relacionadas ao assunto. insatisfeito. seria impossível realizar uma pesquisa bibliográfica sobre o tema geral “direito de família”. p. procede-se à problematização. Assim empenhado. Das diversas acepções sobre a palavra. De qualquer forma.

3 A implantação do Programa 3. São apresentados os desdobramentos temáticos vinculados entre si e naturalmente integrados ao tema central. de sorte que o todo resulte equilibrado e proporcionado.3 O SUS e as condições de saúde da população brasileira 3 O PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA 3. fazendo salientar o fundamental e o essencial.2..2 Atribuições dos membros das equipes 3.1 Implementação do SUS 2.Universidade do Sul de Santa Catarina „ delimitado a uma dimensão viável.1 Período de 1900 a 1960 1.2. O plano de desenvolvimento é apresentado na forma de divisões e subdivisões formando aquilo que se considera um sumário provisório da pesquisa.3 De 1988 aos dias de hoje 2 SUS – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE 2.2.2. 1983. 2004) que tem como título “O Programa Saúde da Família na visão dos membros da equipe e dos usuários de dois postos de saúde do Município de Araranguá.2 Período de 1960 a 1988 1. (CERVO. 97). SC”. Observe como as partes estão harmoniosamente distribuídas e vinculadas ao tema central: 1 SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL: UM BREVE HISTÓRICO 1.2 Os objetivos do SUS 2. BERVIAN. c) Elaboração do plano de desenvolvimento da pesquisa – elaborar o plano significa apresentar a estrutura lógica das partes que compõem o assunto. a ideia principal da secundária.4 A percepção do programa na visão dos membros da equipe 3. O exemplo a seguir foi adaptado de um trabalho elaborado pelos alunos da 1ª fase do Curso de Medicina da Unisul (SOUZA et al. p.5 A percepção do programa na visão dos usuários 116 .1 A criação do Programa 3.2. A construção do plano supõe a capacidade de distinguir o fundamental do acessório.1 Princípios básicos 3. além de requerer a inteligência necessária para distribuir equitativamente as partes desproporcionais. o mais importante do menos importante.2 O funcionamento do Programa 3.

sites especializados. apresenta a seguinte classificação das obras: „ 000 Obras gerais. Assim como alguns itens são acrescentados outros poderão ser retirados. obras de referência: dicionários da língua portuguesa ou especializados. a seguir. Nunca é demais consultar uma pessoa especializada no assunto para sugerir referências que possam ser pesquisadas. Cada biblioteca possui um sistema de classificação e catalogação das obras.Ciência e Pesquisa O plano de assunto é provisório. Isto decorre naturalmente do amadurecimento intelectual que se tem sobre o tema. periódicos científicos: os que são disponíveis em formato impresso e pelas bases de dados on-line. periódicos de indexação e resumos. adotado pela maioria dessas bibliotecas. anais. Unidade 4 „ 117 . d) Identificação. teses e dissertações. Veja. O plano de assunto só deixa de ser plano no momento em que se transforma em sumário do trabalho. enciclopédias gerais ou especializadas. O sistema de Classificação Decimal Dewey. 100 Filosofia e Psicologia. manuais. algumas fontes de pesquisa: „ livros. localização das fontes e obtenção do material – com o plano de assunto em mãos. „ „ „ „ „ „ „ As fontes de pesquisa podem ser localizadas em bibliotecas e em base de dados. No decorrer da pesquisa outros itens considerados importantes poderão ser acrescentados. o próximo passo consiste em localizar as fontes que poderão fornecer respostas adequadas ao que se propõe pesquisar.

272 p. rev. 600 Tecnologia (Ciências Aplicadas). Outras. São Paulo: Pioneira. Algumas bases apenas oferecem referências bibliográficas ou resumos. 245 p. 900 Geografia e História. „ „ „ „ „ „ „ Se você procurar na Biblioteca Universitária da Unisul por um livro de Metodologia Científica. palavras-chave ou pelo título do periódico. 118 .00722 D85 As bases de dados armazenam informações em CD-ROM ou on-line. 20. 400 Linguagem. 50 casos reais de administração. oferecem o texto completo pelo suporte eletrônico (GIL. não se diferenciando dos periódicos de indexação. via internet. São Paulo: Cortez. por pertencerem à área de Tecnologia (Ciências Aplicadas) terão o número de chamada iniciando em 650. Metodologia do trabalho científico. Peter Ferdinand. 1998. no entanto. Antônio Joaquim. perceberá que os livros desta área. Veja o exemplo: DRUCKER.42 S52 Os livros de Administração. Número de Chamada: 001. Veja o exemplo: SEVERINO. 500 Ciências Naturais e Matemática. ed. ampl. por serem classificadas como Obras Gerais.Universidade do Sul de Santa Catarina „ 200 Religião. e as pesquisas podem ser feitas por assunto. 1983. Número de Chamada: 658. vão ter o número de chamada 001. 300 Ciências Sociais. 700 Artes. 800 Literatura e Retórica.

o registro das informações provenientes da leitura: esquematização de ideias. tem os seguintes objetivos: a) identificar as informações e os dados constantes do material impresso. aquisição e impressão de textos baixados da internet. como funciona a Biblioteca Virtual da Unisul Virtual. infelizmente. A obtenção do material poderá ser feita por empréstimo nas bibliotecas. o próximo passo é a sua leitura que. [. As bibliotecas virtuais podem oferecer links para sites especializados e bases de dados. fotocópia. não conseguimos armazenar na memória tudo aquilo que lemos. p. f) Tomada de apontamentos – esta etapa da pesquisa bibliográfica supõe que se faça o registro das informações provenientes da leitura. 77). Isto é necessário porque. e c) texto. No cabeçalho deve-se indicar o título. comentário. (GIL 2002. para fins de realização da pesquisa bibliográfica. 2000. Os apontamentos podem ser feitos em fichas de leitura ou diretamente no computador obedecendo à seguinte estrutura: a) cabeçalho. e) Leitura do material – obtido o material para a pesquisa. b) estabelecer relações entre as informações e os dados obtidos com o problema proposto. Veja. p. b) referência. acessando as bases de dados assinadas pela Unisul. as bases de dados em texto completo e as bases de dados de acesso temporário. “Trata-se de tomar nota de todos os elementos que serão utilizados na elaboração do trabalho científico. resumo. pelas nossas limitações. apreciação crítica etc.. na referência indicam-se os elementos de identificação da obra e no texto. 80).. e c) analisar a consistência das informações e os dados apresentados pelos autores. Unidade 4 119 . por exemplo.] Esses apontamentos servem de matéria-prima para o trabalho e funcionam como um primeiro estágio de rascunho”. Os textos que não são encontrados nas bibliotecas locais e que não estão disponíveis gratuitamente on-line podem ser obtidos por meio dos programas COMUT on-line e BIREME/SCAD.Ciência e Pesquisa 2002). (SEVERINO. Os pedidos poderão ser feitos mediante preenchimento de formulário on-line disponível no site da Biblioteca Universitária (BU).

no seu conjunto. A diferença está. a bibliográfica utiliza fontes secundárias. tratamento dos dados coletados. p. formando três partes logicamente relacionadas: introdução. „ „ „ „ „ A pesquisa documental pode apresentar algumas vantagens e limitações. As etapas utilizadas para a realização de uma pesquisa documental seguem as mesmas da bibliográfica: „ escolha do tema. b) baixo custo. Ambas adotam o mesmo procedimento na coleta de dados. desenvolvimento e conclusão. formulação do problema. redação do trabalho. no tipo de fonte que cada uma utiliza. localização das fontes e obtenção do material. 46) aponta as seguintes vantagens: a) os documentos consistem em fonte rica e estável de dados.Universidade do Sul de Santa Catarina g) Redação do trabalho – a redação é a última etapa da pesquisa bibliográfica. b) textuais e c) pós-textuais. Gil (2002. Os elementos textuais compõem a estrutura do trabalho. 120 . Enquanto a pesquisa documental utiliza fontes primárias. De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002). essencialmente. tomada de apontamentos. ajudam na identificação e utilização do trabalho.Os elementos póstextuais apresentam informações que complementam o trabalho. e c) não exige contato com os sujeitos da pesquisa. As críticas mais frequentes referem-se à subjetividade no conteúdo registrado e a não representatividade. deverão ser considerados os seguintes elementos: a) pré-textuais. identificação. Os elementos pré-textuais são apresentados antes da introdução e. Pesquisa documental A pesquisa documental assemelha-se muito com a pesquisa bibliográfica.

referindo que toda criança tem o direito de ser criada no seio de uma família. É nesse último tipo de crítica que se insere a hermenêutica (ou crítica de interpretação). apesar das críticas aos aspectos da não representatividade e da subjetividade destes. pois há uma riqueza documental a ser explorada.Ciência e Pesquisa Muitos documentos podem ser forjados para favorecer os interesses de alguns grupos sociais. para julgar sua veracidade. busca-se analisar as diferentes interfaces do processo de adoção. requerendo por parte destes uma criatividade especial. Daí a necessidade do investigador utilizar o recurso da crítica interna e externa para avaliar a autenticidade e veracidade dos documentos. as limitações apontadas não devem se constituir em razões para a não realização desse tipo de pesquisa. os documentos constituem fonte rica e estável de dados. A crítica externa se faz sobre os aspectos externos do documento. Esta é vista hoje como um dos recursos para proteger a criança privada da convivência familiar. como um meio de domínio sobre as opiniões das massas. quase nunca é levada em consideração pelos pesquisadores. parceria entre o Juizado Regional da Infância e Juventude/Comarca de Santa Cruz do Sul Unidade 4 121 . Afinal. tornando-se informações imprescindíveis nas pesquisas de natureza histórica. o seu significado e valor histórico. que está “adormecida” e. No entanto. além de subsistirem ao longo do tempo. conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. a fim de julgar sua autenticidade e proveniência. Os dados mencionados são resultados de uma pesquisa efetivada no ano 2001 pelo Programa da Infância e Juventude. por isso. enquanto a crítica interna que aprecia o sentido e o valor do conteúdo processa-se sobre o testemunho e o conteúdo. Leia com atenção o resumo da pesquisa realizada por Petry e outros (2002) e identifique elementos que caracterizam uma pesquisa qualitativa: As interfaces da adoção No presente artigo.

isto é. Para isso. A manipulação da variável independente poderia ser caracterizada na forma como as terapias poderiam ser aplicadas. A investigação foi realizada a partir de laudos periciais dos últimos cinco anos.. tomou um conjunto de mulheres em condições idênticas e logo em seguida dividiu-as em dois grupos. totalizando quarenta e cinco adoções nacionais. 122 . Observe no resumo apresentado que a investigação foi realizada a partir de laudos periciais dos últimos cinco anos colhidos na Comarca de Santa Cruz do Sul (RS). o pesquisador comparou o grupo que recebeu o tratamento A com o grupo que recebeu o tratamento B. em saber se a variável X (independente) determina a variável Y (dependente)”. O objetivo desse estudo foi conhecer o perfil dos adotantes habilitados pelo Juizado da região. Esses documentos podem ser considerados documentos de fontes primárias. Decorrido determinado período. a variável independente é a terapia (A e B). Pesquisa experimental A pesquisa experimental. Neste caso. número de gestações. p.] está interessada em verificar a relação de causalidade que se estabelece entre as variáveis. Exemplo O pesquisador quer investigar duas terapias no tratamento da dor das fissuras mamárias durante o período de amamentação em um grupo de mulheres. embora mantido nas mesmas condições. Primeiro.. típicos da pesquisa documental. O primeiro recebeu o tratamento A e o segundo. “[. variável que está sendo manipulada. dor em ambos os lados. segundo Rudio (1999. 72). amamentação sem restrição etc. recebeu o tratamento B.Universidade do Sul de Santa Catarina e a Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). a variável dependente é a dor. cria-se uma situação de controle rigoroso neutralizando todas as influências alheias que Y pode sofrer. e as possíveis variáveis de controle (similaridade entre os grupos) são: idade das pacientes.

] as situações experimentais são flexíveis no sentido de que muitos e variados aspectos da teoria podem ser testados [. 59) afirmam que “nos estudos comparativos. Nesse sentido é possível constatar muitas formas de realização da pesquisa experimental – são os casos dos estudos comparativos e dos delineamentos fatoriais. p. a saber: Unidade 4 123 .. grifo dos autores). no mínimo.. o grupo de controle dá lugar a um outro grupo experimental. e o efeito combinado das duas drogas.. composição aleatória dos grupos experimental e controle. Com base em Vieira e Hossne (2002).. No delineamento fatorial o pesquisador trabalha com mais de duas variáveis independentes para observar seus efeitos. 2002. separadamente. Os experimentos em que diferentes drogas aparecem em diferentes níveis são conhecidos [. p. controle de variáveis estranhas ao fenômeno observado.]”. 127) afirma que “[. selecionamos alguns. especialmente nas ciências biomédicas. podem ser observados os efeitos de cada droga. por meio de análise estatística. em tese. exige o domínio de alguns termos. p. de forma associada ou separadamente.Ciência e Pesquisa Para que a pesquisa experimental possa ser desenvolvida. Conceitos básicos da pesquisa experimental A operacionalidade da pesquisa experimental.. „ „ Kerlinger (1980.] como experimento em esquema fatorial. (VIEIRA. 58. é necessário que se tenha. por exemplo.. No estudo comparativo. testam-se dois ou mais tratamentos”. sobre a variável dependente. Vieira e Hossne (2002. HOSSNE. Nesses experimentos. três elementos: „ manipulação de uma ou mais variáveis.

p.] é aquele em que nem os participantes nem os pesquisadores sabem quais são os participantes que estão recebendo o tratamento em teste e quais os que estão recebendo o tratamento padrão ou o placebo”. 67). com atenção. 63)..Universidade do Sul de Santa Catarina „ Unidade experimental – “[. HOSSNE. intitulado “Etodolac versus diclofenaco em traumatismos esportivos agudos” e identifique as 124 . p. 2002. 2002... HOSSNE. 62).]” (VIEIRA. HOSSNE. Quando não se pode submeter pacientes a placebo. o controle positivo serve como base de comparação para o grupo que recebe o tratamento em teste”. 2002. p. Para se determinar o efeito do tratamento compara-se o resultado nos dois grupos (VIEIRA. HOSSNE. Wash-out – suspensão temporária de medicação para a remoção dos efeitos residuais da droga em uso pelo paciente. Espirandelli e Peloso (1992). 2002. Grupo experimental – é o grupo que recebe o tratamento em teste. 57). 66). 2002). o resumo do artigo escrito por Ferreira. HOSSNE. (VIEIRA. p. (VIERA. mensal. Follow-up – período de acompanhamento ou período de seguimento do tratamento. 51).] é o grupo que recebe a terapia convencional. (VIEIRA. p. Grupo controle – é o grupo que não recebe o tratamento. (VIEIRA. Controle negativo – é o grupo que recebe placebo. Controle positivo – “[.] é a menor unidade em que o tratamento é aplicado e cuja resposta não é afetada pelas demais unidades [.. Por exemplo. se ao grupo experimental ou ao grupo controle. 2002. semanal. HOSSNE. quinzenal.. Experimento duplamente cego – “[. „ „ „ „ „ „ „ „ Leia. Experimento cego – é aquele em que o pesquisador não sabe em qual grupo o participante se encontra. HOSSNE. (VIEIRA. p.. 2002...

um novo antiinflamatório não hormonal. dor à movimentação ativa e passiva. com maior alívio para o primeiro. conforme o seu interesse ou o interesse da pesquisa. Os grupos eram homogêneos no pré-tratamento. A tolerabilidade foi considerada boa para ambas as drogas. dor à palpação. realizou-se estudo duplo-cego. a variável manipulada foi o tipo de medicamento (Etodolac e diclofenaco). que caracterizam a variável dependente (y). As avaliações clínicas foram realizadas no pré-tratamento e nos 1º. O teste de igualdade de probabilidades evidenciou diferença significante entre os grupos etodolac e diclofenaco. rubor e calor local. controle de variáveis estranhas ao fenômeno observado e composição aleatória dos grupos experimental e controle. que são: manipulação de uma ou mais variáveis. que representa a variável independente (x) e as variáveis observadas são: dor em repouso. citadas nesta seção. A análise estatística mostrou melhora de todos os sinais e sintomas nos dois grupos de tratamento. não foi evidenciada nenhuma diferença significante. sendo avaliados os seguintes sinais e sintomas: dor em repouso. com relação a dor à palpação e rubor local no 3º dia de tratamento e nos intervalos pré-3º dia e 1º . No exemplo citado. A manipulação de uma variável na pesquisa experimental ocorre quando o pesquisador.05). pode aumentar ou diminuir a intensidade de uma variável para observar a modificação que ela produzirá em outra(s). dor à palpação.3º dia (p < 0. com diclofenaco no alívio dos sinais e sintomas de pacientes com traumatismos esportivos agudos ocorridos há menos de 48 horas. de grupos paralelos. 3º e 7º dias de tratamento. edema. randomizado. Para os demais sintomas. edema. Sempre que se faz uma pesquisa experimental procurase avaliar a medida que x (variável independente) afeta y (variável dependente). O pesquisador quis saber qual o efeito dos medicamentos nas variáveis já mencionadas. dor à movimentação ativa e passiva. prejuízo funcional.Ciência e Pesquisa três principais características da pesquisa experimental. Unidade 4 125 . Um grupo (41 pacientes) recebeu etodolac 200 mg via oral a cada oito horas por sete dias e outro (41 pacientes) recebeu diclofenaco 50 mg via oral nas mesmas condições. Etodolac versus diclofenaco em traumatismos esportivos agudos Objetivando comparar a eficácia do etodolac. rubor e calor local. prejuízo funcional.

Na prática. Estudo de caso controle Nos estudos de caso controle investigam-se os fatos após a sua ocorrência. sem manipulação da variável independente. Se o grupo fosse muito heterogêneo e o pesquisador não mantivesse o controle de fatores estranhos ao estudo. Outra característica presente neste resumo é o fato de o estudo ser duplo-cego. pois impedem que as expectativas do participante da pesquisa e do pesquisador. Nos estudos duplo-cego. Os estudos duplo-cego são importantes.Universidade do Sul de Santa Catarina O controle de variáveis estranhas. Esse controle é importante para que o pesquisador tenha a certeza de que as modificações existentes nas variáveis dependentes ocorreram por causa da manipulação da variável independente. procedeu-se a um sorteio para a composição do Grupo 1 (etodolac) e do Grupo 2 (diclofenaco). outra característica da pesquisa experimental. na distribuição de gênero. Com certeza. quando fez a avaliação. O que isso significa? Que o pesquisador não pode escolher os participantes que comporão o grupo experimental ou controle conforme um critério pessoal. o paciente não sabia que tipo de medicamento estava tomando e o médico. Neste caso. se deu pela homogeneidade entre os grupos que participaram do experimento. de alguma forma. Acompanhe o exemplo a seguir. nem o pesquisador e nem o participante da pesquisa sabem a que grupo pertencem. no exemplo citado. no estudo realizado. isso quer dizer que os pacientes de ambos os grupos são homogêneos na idade. interfiram nos resultados. no nível de acometimento da patologia e em outras variáveis que garantiram a semelhança entre os grupos. os resultados e conclusões estariam confundidos com esses fatores. 126 . não sabia a qual grupo o paciente pertencia. A casualização significa que o indivíduo que faz parte da pesquisa tem a mesma chance de participar tanto de um como de outro grupo. A terceira característica da pesquisa experimental apresentada e que você pode observar no resumo é a da randomização ou casualização.

Ciência e Pesquisa Imagine que duas cidades tenham sido colonizadas no mesmo período histórico e que tenham as mesmas características demográficas em termos de número de habitantes e origem etnográfica. as duas são semelhantes em muitos aspectos. Foram utilizados dados de um inquérito epidemiológico feito pelo serviço de saúde da Polícia Militar de Minas Gerais. manipular a variável independente. Cruz realizou um estudo de caso controle. o pesquisador poderia se interessar em estudar as mudanças ocorridas decorrentes do processo de industrialização e comparar com a cidade que não recebeu a instalação da indústria. sintetizado da seguinte maneira por Vieira e Hossne (2002. conforme o seu desejo. enfim. O (não) processo de industrialização seria a variável independente. Porém. procedeu-se um estudo de caso controle. tradição religiosa. um com a doença – os casos – e outro sem a doença – os controles. origem etnográfica. 112) apresentam a seguinte definição: “no estudo de caso controle. formação agrícola etc. foram amostrados 95 homens com doença periodontal. no período de junho a outubro de 1998. Nesse caso. Dos militares avaliados nesse inquérito. a proporção de indivíduos expostos à possível causa da doença e comparam-se os resultados”. para cada grupo. Esses Unidade 4 127 . p. são observados dois grupos de pessoas. mas sim localizar grupos em que os indivíduos sejam bastante semelhantes entre si e verificar as consequências naturais que o acréscimo de uma variável poderia produzir em um grupo e comparar com o outro que se manteve em condições normais. então.) seria a variável de controle. as consequências geradas pela industrialização seriam a variável dependente e a semelhança entre as cidades (demografia. p. Vieira e Hossne (2002. em uma delas instala-se uma grande indústria. que tenham o mesmo desenvolvimento econômico (formação agrícola). 111): Para verificar se as doenças periodontais estão associadas ao hábito de fumar. Neste tipo de pesquisa o investigador não pode. Calcula-se. a mesma tradição religiosa. número de habitantes. Nas ciências biomédicas.

O pesquisador fez um estudo pareado de um caso para um controle e... Para ficar claro o seu entendimento. Nas Ciências Biomédicas essa modalidade de pesquisa também pode ser chamada de estudos de prevalência. quantitativamente. Para Gil (2002. p.] caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. mediante análise quantitativa. e de mesma graduação. e outro controle. Para chegar a essa conclusão. nos dois grupos. que tem a doença periodontal. foi possível concluir que o fumo é um fator de risco para as doenças periodontais. Levantamento As pesquisas do tipo levantamento procuram analisar. posteriormente. características de determinada população. as pesquisas do tipo levantamento: [. Na epidemiologia é comum encontrarmos a expressão inquérito epidemiológico ou estudo de levantamento de doenças. Com base nos dados coletados. sem a doença. procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para. Basicamente. 50). Neste exemplo você pode observar que o pesquisador separou dois grupos: um caso. doenças periodontais são doenças do tecido em torno dos dentes. em seguida. calculou o número de fumantes a fim de testar sua hipótese de que o fumo pode representar um fator de risco para as doenças periodontais. pareados com 95. Os levantamentos podem abranger o universo dos indivíduos que compõem a população. o número maior de fumantes foi encontrado no grupo caso (grupo que tem a doença). estudo transversal ou estudo seccional. de mesma faixa etária. um censo. no caso. ou apenas uma 128 . obterem-se as conclusões correspondentes aos dados pesquisados. com certeza.Universidade do Sul de Santa Catarina militares foram. que não tem a doença periodontal. Os pares eram do sexo masculino.

uma empresa. Nas ciências. durante muito tempo. Estudo de caso Estudo de caso pode ser definido com um estudo exaustivo. pouco se aproximam de estudos explicativos. de maneira que permita seu conhecimento amplo e detalhado. Para a determinação do tamanho da amostra devem-se indicar critérios rigorosos que permitam que os resultados obtidos possam ser generalizados para o conjunto dos indivíduos que compõem a população. é preciso fazer a configuração da população. uma doença etc. Entre as vantagens estão o conhecimento direto da realidade. As principais técnicas de coleta de dados utilizadas nos estudos de levantamentos são o questionário. profundo e extenso de uma ou de poucas unidades. um regime político. uma família. empiricamente verificáveis. o estudo de caso foi encarado como procedimento pouco rigoroso. porém. Unidade 4 129 . um subconjunto da população. de pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais e de limitada apreensão do processo de mudança (GIL. uma comunidade. é encarado como o delineamento mais adequado para a investigação de um fenômeno Por unidade-caso podemos entender uma pessoa. Entre as limitações estão a possibilidade de não fidedignidade nas respostas. 2002). rapidez e quantificação dos dados. por serem de natureza descritivo quantitativa. podem estar muito mais próximos de estudos exploratórios e descritivos. Os estudos por levantamentos. ou seja. que serviria apenas para estudos de maneira exploratória. a entrevista e o formulário. Os censos geralmente são desenvolvidos por instituições governamentais em decorrência do grande investimento financeiro necessário para a sua realização. pelo contrário.Ciência e Pesquisa amostra. é necessário definir exatamente a população de onde essa amostra será retirada. Hoje. Antes de obter a amostra. economia. As pesquisas por amostragem apresentam vantagens e limitações.

2002. (YIN. pois a experiência acumulada demonstra a realização de estudos de caso. sendo seus resultados pouco consistentes. Difusão de conhecimentos sobre o meio ambiente na indústria Para análise da difusão de conhecimentos sobre o meio ambiente na gestão ambiental da indústria esta tese toma em vista três modelos mentais de meio ambiente – o modelo acadêmico. essa posição não está pacificada entre os pesquisadores. sendo a entrevista a principal delas. dificuldades de generalização dos resultados em decorrência da análise de um único ou de poucos casos e demandar muito tempo para serem realizados. e nas Ciências Sociais para a investigação das particularidades que envolvem a formação de determinados fenômenos sociais. pode ser utilizado tanto nas Ciências Biomédicas como nas Ciências Sociais. qualitativamente. Para a coleta de dados no estudo de caso geralmente utilizam-se as técnicas da pesquisa qualitativa. onde os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente percebidos. 2001 apud GIL. desenvolvidos em períodos curtos e com resultados confirmados por outros estudos e com extremo rigor metodológico. o empresarial e o modelo do senso comum. Gil (2002) aponta as principais objeções de alguns pesquisadores ao estudo de caso afirmando que poderá haver falta de rigor metodológico. Todavia. como modalidade de pesquisa. p. 54). Nas Ciências Biomédicas é utilizado para a investigação das peculiaridades que envolvem determinados casos clínicos. Após conceituar estas representações 130 . O estudo de caso. nas diversas ciências. as condições para a investigação particular e exaustiva do objeto.Universidade do Sul de Santa Catarina contemporâneo dentro de seu contexto real. Há situações em que somente o estudo de caso pode oferecer. Leia com atenção o resumo da tese doutoral apresentada por Zolcsak (2002) à Universidade de São Paulo e identifique as características do estudo de caso discutidas neste texto.

212). exaustiva e profunda o problema da difusão de conhecimentos sobre o meio ambiente na indústria. ressaltando os pontos de culminância. 2002. São Paulo. O estudo de caso pode ser classificado. tomando como unidade de estudo (unidade-caso) a Divisão Elida Gibbs da empresa Unilever. Você observou. f) estudos de casos microetnográficos – focalizam os aspectos muito específicos de uma realidade maior. em Vinhedo.Ciência e Pesquisa mentais de meio ambiente e expor especificidades da proteção ambiental em empresas. São Paulo. em que o objeto de análise são componentes organizacionais. A autora procurou estudar de forma ampla. conforme Bogdan e Biklen (apud RAUEN. p. e) estudos de casos situacionais – relaciona-se a fenômenos específicos que podem ocorrer numa situação social. Analisa o diálogo entre os modelos empresarial e do senso comum face ao conhecimento ecológico e discute que a educação ambiental. b) estudos de casos observacionais – é a observação participante. que o estudo foi realizado em uma organização empresarial. neste resumo. sem perder a visão integral do foco de análise. apresenta um estudo de caso efetuado na empresa Unilever – Divisão Elida Gibbs. g) estudo comparativo de casos – são comparações entre Unidade 4 131 . c) história de vida – consiste na aplicação de entrevistas semi-estruturadas com pessoa de relevo social. de Vinhedo. deve se pautar em história natural e se desdobrar em uma educação para o planejamento ambiental visando incrementar a percepção judicativa e a capacidade de participação dos cidadãos na construção do espaço. d) estudo de caso comunitário – é realizada por equipe multidisciplinar de investigadores que setorizam a unidade em exame. dos trabalhadores de uma empresa e de modo geral. nos seguintes tipos: a) estudos de casos histórico-organizacionais – o investigador se interessa pela vida de uma instituição.

necessariamente. principalmente. utilizando-se. nela se define o campo da pesquisa. das técnicas da entrevista ou da observação direta. Segundo Gil (2002.Universidade do Sul de Santa Catarina dois ou mais enfoques específicos. as formas de acesso a esse campo e os participantes (ou sujeitos). É muito importante não confundir o estudo de campo com pesquisas de levantamento de dados realizadas em locais abertos ou públicos. É basicamente realizada por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações do que ocorre naquela realidade. observação participante. ou melhor. pesquisa-ação. 149). 2002. É comum encontrar uma variedade de pesquisas de campo. 53). 82): é um tipo de pesquisa que procura o aprofundamento de uma realidade específica. de finalidade interventiva ou descritiva. O estudo de campo exige. Esta pesquisa parte sempre da construção de um modelo de realidade. Em geral. Estudo de Campo O estudo de campo é uma modalidade de pesquisa na qual o pesquisador “acampa” no local da pesquisa. pois é enfatizada 132 . por meio da qual se determina a forma de observação. o envolvimento qualitativo do pesquisador no contexto da realidade pesquisada. envolvendo-se diretamente com a realidade por meio da observação direta. entre outros. o pesquisador realiza a maior parte do trabalho pessoalmente. para então ser possível determinar os meios de recolha e análise dos dados. p. (MÁTTAR NETO. p. h) multicasos – estudo de dois ou mais sujeitos. Para Heerdt e Leonel (2006. explica e compara os fenômenos. “no estudo de campo. testes. organizações. aplicação de questionários. p. entre outros. esse tipo de pesquisa descreve.

A análise descreveu sentidos acerca das noções que vêm embasando as novas propostas em saúde.Ciência e Pesquisa a importância de o pesquisador ter tido ele mesmo uma experiência direta com a situação de estudo”. Promover e recuperar saúde: sentidos produzidos em grupos comunitários no contexto do Programa de Saúde da Família A Saúde Pública no Brasil tem acompanhado grandes movimentos de mudança do modelo assistencial em saúde. coordenados pela primeira autora. Leia com atenção o resumo do artigo escrito por Borges e Japur (2005) sobre um estudo de campo realizado em grupos comunitários no contexto do Programa de Saúde da Família (PSF). com os participantes do PSF. um discurso coletivo (construcionismo social) sobre a importância de uma prática em saúde baseada nos processos de conversação e negociação constantes nos quais todos os integrantes sejam envolvidos. Você deve ter observado que nesse estudo os pesquisadores envolveram-se diretamente com as pessoas da comunidade que participam do PSF. Os grupos foram transcritos e junto às notas de campo. O presente estudo teve por objetivo descrever os sentidos de saúde/doença produzidos em grupos comunitários no contexto de um PSF. entre todos os atores sociais envolvidos. desnaturalizando discursos fixos sobre saúde/doença. O resumo não deixa claro. As considerações finais. mas podemos deduzir que os pesquisadores tiveram uma participação ativa na comunidade para construir. constituíram a base de dados. apontam para a fertilidade de uma prática em saúde baseada nos processos de conversação e negociação constantes. Novas tendências apontam para a importância de ações construídas a partir de seu contexto. Foram audiogravados cinco grupos de sessão única. Unidade 4 133 . baseadas na perspectiva do construcionismo social. voltadas a comunidades específicas. dando visibilidade à multiplicidade de sentidos.

p. como tal. a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. e reavaliada recentemente. o pesquisador tem que necessariamente propor meios para a alteração da realidade observada.Universidade do Sul de Santa Catarina Pesquisa-ação e Pesquisa participante A pesquisa-ação e a pesquisa participante constituem as últimas modalidades de pesquisa que vamos estudar nesta unidade. MG. “Eu? Eu estou aí. e não apenas constatar o problema. disposta a financiá-la (GIL. Ambas são caracterizadas pela condição de horizontalidade no processo de conhecimento e ação e participação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados.” Uma experiência de controle de endemia. O planejamento da pesquisa-ação e da pesquisa participante difere significativamente de outros tipos de pesquisa. Brasil Este artigo relata uma experiência de controle da doença de Chagas. Nesse sentido. 2002. tendo como base o empenho de uma instituição governamental ou privada interessada nos resultados da investigação e. compondo o mundo. Leia com atenção o resumo do artigo publicado por Dias (1998) na Revista Cadernos de Saúde Pública. Minas Gerais. 149). vivida na década de 80 em um povoado rural do Vale do Jequitinhonha. Segundo Thiollent (2003). no qual se ilustra um exemplo de pesquisa-ação. pesquisa e participação popular vivida em Cansanção. não sendo possível estabelecer uma rigidez nas etapas que constituem seu desenvolvimento. Trata-se de um projeto de pesquisa-ação 134 . A pesquisa participante é uma modalidade de pesquisa qualitativa voltada para a ação político-social de emancipação das comunidades carentes ou de parcos recursos.

sintetiza uma tomada de consciência por parte de um dos moradores no sentido de sentir-se parte integrante do mundo (da comunidade) e. compondo o mundo”. o significado da doença de Chagas na vida de uma comunidade endêmica. a reciprocidade do envolvimento. a organização da população. a visão integrada dos problemas e na mobilização em torno de interesses concretos. do ponto de vista dos sujeitos. aliado ao seu conhecimento técnico-científico. sugestivamente incluída no título do trabalho. Esta é a essência da pesquisa-ação ou da pesquisa participante.Ciência e Pesquisa participativa. todos se envolvem na proposição de estratégias para solucionar os problemas presentes na comunidade. Além disso. o autodiagnóstico. com isso. que vivia em situação de carências múltiplas e de luta pela sobrevivência. pois há interação constante entre o pesquisador e os sujeitos que estão envolvidos na realidade na qual a pesquisa se desenvolve. a partir do conhecimento popular dos moradores. O controle da doença deu-se de forma integrada com outras necessidades. Destacam-se como necessários: a mudança nas relações entre o agente externo e a comunidade. sentir-se integrado aos problemas vivenciados pela comunidade. No processo de pesquisa. Unidade 4 135 . a doença não chegava a ser prioridade sentida pela população. O resumo da pesquisa de Dias (1998) exemplifica de forma clara uma pesquisa-ação. com aplicação na área de educação popular em saúde. a postura de ‘escuta’ e de solidariedade. alternativas de controle da doença de Chagas. Levantamse pistas para trabalhos de participação no controle de endemias. Teve como objetivo conhecer. A expressão “Eu? Eu estou aí. Apesar da altíssima prevalência. sugerindo que a comunidade (coletividade) sinta-se responsável pelo enfrentamento e pela solução do problema. o pesquisador propõe. levando-se em conta a sabedoria popular. procurando com eles alternativas de controle.

a classificação dos tipos de pesquisa que leva em conta os objetivos gerais. moderadora e interveniente. bivariada. dependente. A variável independente é aquele fator que age como causa. quanto à abordagem. desvio-padrão. multivariada. e a variável interveniente é aquele fator que age teoricamente como causa. moda. mas em um plano secundário. mediana.Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Nesta unidade você estudou o conceito e a classificação das variáveis e. a variável de controle é aquele fator que o pesquisador neutraliza ou isola para não agir como causa no fenômeno observado. descritivas e explicativas. teste z. regressão logística. Outra classificação de pesquisa que você estudou foi quanto à abordagem. Elas são classificadas em cinco tipos: independente. teste t de student são alguns dos recursos 136 . também. Média. Você viu que quando classificamos as pesquisas levando em conta os objetivos gerais. podem ser quantitativas ou qualitativas. temos 3 grupos: exploratórias. As pesquisas. a variável moderadora é aquele fator que age como causa. As pesquisas descritivas têm por objetivo a descrição de características de determinada população ou fenômeno e trabalham com a relação entre variáveis sem manipulá-las. As pesquisas exploratórias visam a uma familiaridade maior com o tema ou assunto da pesquisa e podem ser elaboradas tendo em vista a busca de subsídios para a formulação mais precisa de problemas ou hipóteses. As pesquisas explicativas estudam as relações causais entre os fenômenos na tentativa de estabelecer os porquês ou os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência das coisas. análise univariada. a variável dependente é o fator que é efeito ou consequência de algo que foi estimulado. de controle. a abordagem e os procedimentos utilizados para a coleta de dados. A quantitativa analisa os fenômenos com base nos princípios da matemática. Variáveis são aspectos ou fatores que podem ser mensurados. mas não pode ser medido.

Quando classificamos as pesquisas com base nesse critério podemos ter: pesquisa bibliográfica. pesquisa experimental.Ciência e Pesquisa utilizados para analisar os problemas e as hipóteses científicas. pesquisa-ação e pesquisa participante. Outra questão que você estudou nesta unidade foi a classificação das pesquisas levando em conta o procedimento utilizado para a coleta de dados. o estudo de caso controle estuda o fenômeno em seu habitat natural. análise objetiva. jornais. A pesquisa qualitativa. levantamento. o pesquisador distancia-se do processo e o teste de hipótese e mensuração de variáveis. pela presença de três elementos: manipulação de variáveis. parlamentares. monografias. pesquisa estudo de caso controle. por outro lado. jurídicos. autobiografias etc. A pesquisa documental utiliza fontes primárias: documentos oficiais. A pesquisa bibliográfica se desenvolve com base em fontes secundárias: livros. revistas. teses. estudo de caso. As principais características da pesquisa qualitativa estudadas foram: análise de palavras (narrativas). pesquisa documental. basicamente. Enquanto a pesquisa experimental cria uma condição especial para estudar o fenômeno. arquivos particulares. Unidade 4 137 . procura analisar as percepções presentes no olhar dos sujeitos pesquisados sobre o mundo que os rodeia. pois eles já vivem naturalmente neles. controle de variáveis estranhas ao fator que está sendo investigado e randomização (composição aleatória dos indivíduos que integram o grupo experimental e o grupo controle). A pesquisa experimental é definida. o pesquisador envolve-se com o processo e geração de categorias para analisar os fenômenos. As principais características da pesquisa quantitativa estudadas foram: análise de números. análise subjetiva. relatórios de pesquisa etc. não constituindo grupos com base na composição aleatória dos indivíduos. dissertações. análise indutiva (sem preocupação com as totalidades). O estudo de caso controle assemelha-se à pesquisa experimental. análise dedutiva.

1) Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira: a) Variável independente b) Variável dependente c) Variável de controle d) Variável moderadora e) Variável interveniente ( ) Fator que se neutraliza ou se isola para não interferir no fenômeno observado. Nele as pessoas são interrogadas diretamente por meio de questionários. ( ) Afeta a variável que está sendo observada. entrevistas ou formulários. O estudo de caso estuda com profundidade e exaustão uma unidade-caso que pode ser um indivíduo. nas quais o pesquisador tem que. uma família. e não apenas constatar o problema. ( ) Fator que age como causa. comumente desenvolvidas nas Ciências Sociais. trabalha-se com amostras estatísticas (subconjunto da população) e as conclusões são projetadas para o universo dos indivíduos que compõem aquela população. mas não pode ser medida.Universidade do Sul de Santa Catarina O levantamento é um exemplo clássico de pesquisa quantitativa. a seguir. A pesquisa-ação e a pesquisa participante caracterizam-se pela condição de interação que se estabelece entre o pesquisador e os sujeitos que estão envolvidos na realidade na qual a pesquisa se desenvolve. as atividades. Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados e realize. propor meios para a alteração da realidade observada. necessariamente. uma empresa. Tratam-se de dois tipos de pesquisa qualitativa. mas em um plano secundário. uma situação etc. o estudo de campo é um tipo de pesquisa que procura o aprofundamento de uma realidade específica. Por fim. É basicamente realizada por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas. Na maioria dos levantamentos. 138 .

a) ( ) Pesquisa é um processo de investigação que se interessa em descobrir as relações existentes entre os aspectos que envolvem os fatos. Se classificarmos as pesquisas levando em conta os níveis ou objetivos.Ciência e Pesquisa ( ) Efeito ou consequência de algo que foi estimulado. registra e correlaciona aspectos (variáveis) que envolvem fatos ou fenômenos. 2) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas sentenças a seguir e justifique sua opção caso a alternativa escolhida seja falsa. Justifique aqui sua resposta: Unidade 4 139 . os fenômenos. Justifique aqui sua resposta: c) ( ) O principal objetivo da pesquisa exploratória é proporcionar maior familiaridade com o objeto de estudo. ( ) Aspecto que produz um efeito ou consequência. Os fenômenos humanos ou naturais são investigados sem a interferência do pesquisador. Justifique aqui sua resposta: d) ( ) Pesquisa explicativa é aquela que analisa. as situações ou coisas. pesquisa descritiva e pesquisa experimental. Justifique aqui sua resposta: b) ( ) A classificação dos tipos de pesquisa só é possível mediante o estabelecimento de um critério. teremos três grandes grupos: pesquisa exploratória. observa. sem manipulá-los.

dois elementos: manipulação de uma ou mais variáveis e controle de variáveis estranhas ao fenômeno 140 . significa apresentar a estrutura lógica das partes que compõem o assunto. São apresentados os desdobramentos temáticos vinculados entre si e naturalmente integrados ao tema central. É o tipo de pesquisa que explica as razões ou os porquês das coisas.Universidade do Sul de Santa Catarina e) ( ) A pesquisa descritiva tem como preocupação fundamental identificar fatores que contribuem ou agem como causa para a ocorrência de determinados fenômenos. Justifique aqui sua resposta: i) ( ) Para que a pesquisa experimental possa ser desenvolvida é necessário ter. meios eletrônicos etc. no mínimo. anais. enciclopédias. é estabelecer a extensão e compreensão do assunto. manuais. A delimitação da extensão do assunto deverá ser a mais ampla possível para permitir que se pesquisem todos os aspectos relacionados ao tema. artigos. no contexto da pesquisa bibliográfica. Justifique aqui sua resposta: g) ( ) Delimitar significa indicar a abrangência do estudo. Justifique aqui sua resposta: f) ( ) Pesquisa bibliográfica é aquela que se desenvolve tentando explicar um problema a partir das teorias publicadas em diversos tipos de fontes: livros. Justifique aqui sua resposta: h) ( ) Elaborar o plano de assunto.

Composição aleatória dos grupos. Justifique aqui sua resposta: l) ( ) As pesquisas do tipo levantamento procuram analisar. sobre a variável dependente. Justifique aqui sua resposta: Unidade 4 141 . Neste tipo de pesquisa não é possível trabalhar com amostragem. Justifique aqui sua resposta: k) ( ) Nos estudos de caso controle. profundo e extenso de uma ou de poucas unidades. empiricamente verificáveis. Justifique aqui sua resposta: m) ( ) Estudo de caso pode ser definido com um estudo exaustivo.Ciência e Pesquisa observado. de maneira que permita seu conhecimento amplo e detalhado. experimental e controle não caracterizam um requisito. o pesquisador trabalha com mais de duas variáveis independentes para observar seus efeitos. quantitativamente. Justifique aqui sua resposta: j) ( ) No estudo comparativo. características de determinada população. de forma associada ou separadamente. investigam-se os fatos após a sua ocorrência manipulando a variável independente.

452 adolescentes de 10-12 anos de idade [por meio da aplicação de um questionário autopreenchível].] Resultados: A prevalência de sedentarismo foi de 58. seja por uma influência mediada pelo nível de atividade física na idade adulta Objetivo/método: Avaliou-se a prevalência de sedentarismo e fatores associados em 4.2% (IC95%: 56. Conclusão: Estratégias efetivas de combate ao sedentarismo na adolescência são necessárias devido à sua alta prevalência e sua associação com inatividade física na idade adulta. seja por uma influência direta sobre a morbidade na própria adolescência. Sedentarismo foi definido como < 300 minutos por semana de atividade física. Adolescentes de nível econômico baixo apresentaram maior frequência de deslocamento ativo para a escola. a) Quais são as variáveis presentes nos resultados da pesquisa? Classifique-as.7-59. 142 . adaptado para esta atividade de avaliação e depois responda: Prevalência de sedentarismo e fatores associados em adolescentes de 10-12 anos de idade Justificativa: A atividade física na adolescência acarreta vários benefícios à saúde. a ter mãe inativa e ao tempo diário assistindo à televisão. Justifique aqui sua resposta: 3) Leia atentamente o resumo da pesquisa efetuada por Hallal e outros (2006). [. o sedentarismo se associou positivamente ao sexo feminino.Universidade do Sul de Santa Catarina n) ( ) O estudo de campo é basicamente realizado por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações do que ocorre naquela realidade... O sedentarismo se associou negativamente com o tempo diário de uso de vídeo-game. Na análise multivariável. ao nível socioeconômico.7).

Depois. Justifique sua resposta com base no conceito do tipo de pesquisa e nas informações contidas no texto. embora mantido nas mesmas condições. Primeiro. p. o pesquisador pesou todos os ratos e comparou o peso do grupo que recebeu o tratamento com o peso do grupo que não recebeu o tratamento. um pesquisador fez um experimento.Ciência e Pesquisa b) Classifique a pesquisa quanto ao nível ou objetivos. 2002. Para saber se determinado tratamento (uma substância) tem efeito sobre o peso de ratos. grifo nosso). tomou um conjunto de ratos similares e os manteve em condições idênticas durante algum tempo. dividiu o conjunto de ratos em dois grupos. Decorrido determinado período. não recebeu a substância. 49. HOSSNE. à abordagem e ao procedimento utilizado na coleta de dados. O primeiro recebeu a substância adicionada à ração. 4) Identifique no texto a seguir os três elementos que definem uma pesquisa experimental. (VIEIRA. mas o segundo grupo. a) Manipulação de variáveis: b) Controle de variáveis: c) Randomização (composição aleatória dos grupos experimental e controle): Unidade 4 143 .

1993). 1993. O autor argumenta que essas duas modalidades de pesquisa não são antagônicas e que podem se combinar. Por exemplo: queremos saber quantas pessoas de uma comunidade conhecem as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). 1979. indicadores e tendências observáveis. hábitos. crenças. trata-se de duas perspectivas aparentemente incompatíveis para aproximar-se da realidade observada. muitos cientistas sociais e pesquisadores (Lazarsfeld e Barton. 1967. Wallace. atitudes e opiniões (MINAYO e SANCHES. precisa-se utilizar métodos qualitativos e quantitativos. Minayo e Sanches. representações. Boudon. 144 . assim como não há continuidade entre investigação quantitativa e qualitativa. ou o que a população desta comunidade sabe sobre as DST? Para responder às preocupações formuladas neste exemplo. De fato. entre outros) têm trabalhado para superar esta contraposição. sugerem que da combinação das duas abordagens (cada uma no seu uso apropriado) é possível obter ótimos resultados. leia parte do artigo escrito por Serapioni (2000). A investigação quantitativa atua em níveis de realidade e tem como objetivo trazer à luz dados. Reichardt e Cook. As experiências das pesquisas de campo. 1971. ao contrário. A partir do final da década de 1960. 1979. sem renunciar a evidenciar as características e as contribuições de cada abordagem. não há contradição.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar um pouco mais os conceitos de pesquisa qualitativa e quantitativa. baseadas em uma perspectiva mais pragmática e menos orientada para um sectarismo epistemológico. mas ambas estão relacionadas às mesmas questões: Quais as condições que permitem ao pesquisador ter acesso à realidade social? Quais critérios possibilitam estabelecer se os procedimentos e as regras interpretativas são adequados para representar os processos de construção do sentido dos atores? Do ponto de vista metodológico. publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva. A investigação qualitativa. trabalha com valores. Ambas são de natureza diferente. como observam Cipolla e De Lillo (1996).

De outra forma. mas suficientemente abertas. diante dos métodos a serem utilizados em nossas pesquisas. os métodos qualitativos têm muita validade interna (focalizam as particularidades e as especificidades dos grupos sociais estudados). como explicitam Downey & Ireland (apud Delli Zotti. a fim de aprofundar o conhecimento de um problema. Ao contrário. não é se. 1996). CASTRO e BRONFMAN. Por isso. 1977. 1997). simplesmente. na medida em que não considera as seguintes categorias de análise: a orientação ao problema e as finalidades da pesquisa. entretanto são fortes em termos de validade externa: os resultados adquiridos são generalizáveis para o conjunto da comunidade. Segundo Cannavó (1989). A pergunta fundamental sobre um método. Unidade 4 145 . e quanto ele é útil para arar o terreno empírico que temos em frente. pelo menos. Por isso. os métodos quantitativos são débeis em termos de validade interna (nem sempre sabemos se medem o que pretendem medir). é bom sermos mais pragmáticos e perguntarmos: Qual é o objeto de nosso interesse? Qual é a natureza do problema que queremos investigar? Pode-se assumir. mas se. ideológica. que permitem garantir um razoável grau de validez externa e interna. nosso juízo sobre o valor do método deve ser relacionado à sua fertilidade para nos aproximar da realidade estudada. a pesquisa empírica se reduz. como aponta Cannavó (1989). Niero. à complementaridade entre métodos qualitativos e quantitativos não são fechadas.Ciência e Pesquisa De fato. 1987. Em outras palavras. mas são débeis em termos de sua possibilidade de generalizar os resultados para toda a comunidade (Perrone. a contraposição metodológica entre as abordagens qualitativa e quantitativa é abstrata. Dessa forma. portanto. é possível também formular políticas e programas de intervenção concretos e adequados às particularidades de todos os setores sociais que se pretende atingir (CASTRO e BRONFMAN. a partir destas colocações. que as estradas que conduzem à integração ou. Essas colocações são muito úteis para se evitar assumir uma postura epistemológica reducionista ou. Em outras palavras. não são nem apropriadas e nem inapropriadas. as metodologias. 1997). e quanto ele é verdadeiro. ao começarmos uma pesquisa. é muito importante poder contar com achados obtidos com métodos qualitativos e quantitativos. até que sejam aplicadas a um problema específico de pesquisa. afirma Perrone (1977).

146 . baseados em investigações quantitativas. Ao mesmo tempo. figuras e gráficos considerados autoevidentes e sem uma adequada interpretação do contexto problematizador e o aprofundamento de aspectos importantes e elucidadores da realidade pesquisada. de fato. Na experiência de campo conduzida por estes autores em uma comunidade rural do México. alimentando. enquanto outras fracassam reiteradamente e têm que suportar a morte de vários deles (CASTRO e BRONFMAN. é o caso das investigações sobre a mortalidade infantil. técnicas de análises estatísticas muito sofisticadas (análises de regressão). junto a técnicas qualitativas complexas (entrevistas familiares em profundidade). as pesquisas tradicionais sobre esse assunto têm chegado a um beco sem saída. ou na apresentação de índices. a pesquisa qualitativa facilita a identificação dos contextos específicos em que se produzem os óbitos. que demonstram uma estreita relação entre variáveis socioeconômicas e sociodemográficas e o risco de mortalidade infantil. sempre atentos ao respeito do princípio da generabilidade dos resultados. evidenciando uma inegável riqueza de análises dos problemas estudados. ou na apresentação de estudos de casos e biografias recolhidas sem critérios de representatividade. das características familiares e da existência de redes sociais de apoio. 1997). Entretanto. Por essa razão. uma grande abundância de trabalhos. 1997). permitiram aprofundar o problema e construir os dados para comprovar as hipóteses. algumas famílias alcancem a sobrevivência de seus filhos. é importante encaminhar estratégias de pesquisa qualitativa que podem dar conta das diferenças detectadas. Segundo Castro e Bronfman (1997). Existe. deixam os gestores dos serviços de saúde sem informações específicas acerca dos processos que conduzem a que. Outro exemplo em que a combinação dos dois métodos de pesquisa se revela estratégica. assim. em situações similares.Universidade do Sul de Santa Catarina alternativamente. que podem determinar a sobrevivência de crianças menores de um ano. o desenho de políticas baseadas em dados que permitem encaminhar ações de saúde específicas e não gerais (CASTRO e BRONFMAN. esses achados.

Ciência e Pesquisa Conheça os setores que compõem o acervo da biblioteca da Unisul conforme as informações disponíveis na home page da própria biblioteca. carta geográfica. Acervo composto por revista. resumo. Acervo composto por dicionário. Setor Acervo Acervo composto por tese. enciclopédia. jornal. Conjunto de dados on-line. bibliografia. dissertação e monografia de pósgraduação. globo. anais. manual técnico. atlas geográfico. índice. informativo. almanaque. publicação seriada. glossário. guia. 2011. texto-completo ou misto. planta. calendário de eventos. anuário. Está organizado separadamente do acervo geral. organizados de forma a permitir a recuperação da informação. disquetes. catálogo de universidade e de produção científica. CD-ROM. inter-relacionados. versados sobre determinada área. norma técnica. Acesse e confira.2 – Acervo da Biblioteca da Unisul Fonte: Biblioteca da Unisul. boletim. diretamente da fonte onde foi produzida. material tridimensional. mapa. fitas cassete e DVD. artigo de periódico das publicações da Editora Unisul. separata. Este acervo é composto por fitas de vídeo. relatório. cartaz. recorte de jornal. slides. Acervo composto por livro e atlas (exceto geográfico). Podem ser apresentados de forma referencial (dados bibliográficos. resumos). Especial Obras gerais Periódicos Referência Multimeios Base de dados Quadro 4. Unidade 4 147 .

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Conhecer a estrutura do projeto de pesquisa. Conhecer os tipos e a estrutura do artigo científico. Conceituar relatório técnico-científico e monografia. Distinguir os tipos de paper. Identificar os tipos e a estrutura da ficha de leitura. 5 „ „ „ „ „ „ Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Seção 4 Seção 5 Seção 6 Seção 7 Seção 8 Resumo Resenha crítica Fichamento Paper Artigo científico Projeto de pesquisa Relatório técnico-científico Monografia .UNIDADE 5 Produção acadêmica: tipos de trabalhos científicos Objetivos de aprendizagem „ Distinguir os tipos de resumo e conhecer os principais procedimentos para resumir. Conceituar e identificar a estrutura da resenha crítica.

recordar o essencial do que se estudou e [apresentar] a conclusão a que se chegou”. projeto de pesquisa. maior será a capacidade de síntese e de apresentação de forma breve. artigo científico. Quanto mais se tem domínio e compreensão do texto.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Um trabalho acadêmico. devendo expressar conhecimento do assunto escolhido.. O acréscimo da crítica no resumo caracteriza um outro tipo de trabalho. bem como conceitos. por que permite “[. p. o aluno deve evitar a manifestação de opinião sobre o tema ou analisá-lo criticamente. Resulta da capacidade analítica e compreensiva que o leitor adquire no momento em que faz sua leitura. programa e outros ministrados. — Após o estudo dessa unidade. consiste em um “documento que representa o resultado de estudo. Elas ajudarão você a estudar o conteúdo desta disciplina de maneira estruturada. 1986. tipos e principais procedimentos para resumir. Nesta unidade você conhecerá os principais tipos de trabalhos acadêmicos solicitados no cotidiano da vida universitária. No meio acadêmico. curso. 150 . Na apresentação do resumo. módulo. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. relatório técnico-científico e monografia.] em rápida leitura. papers. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador”. para fazer fichamentos. (GALLIANO. 2005). denominado resumo crítico ou resenha crítica. 89). segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT. o desenvolvimento de um resumo é importante. realize as atividades de autoavaliação sugeridas no final. Seção 1 – Resumo O resumo é a apresentação concisa das principais ideias de um texto. estudo independente..

Cada unidade de leitura possui um sentido completo e é composta por: ideia central ou diretriz. Quais procedimentos devem ser seguidos na elaboração de um resumo? Para elaborar um resumo. inclusive. metodologia. Alguns alunos preferem não fazer a leitura integral do texto achando que vão perder tempo e partem logo para a elaboração do resumo. não dispensa a consulta ao original. Também chamado de resenha. existem três tipos de resumos. b) Delimitação das unidades de leitura do texto. de tal forma que este possa. Você aprendeu em linguagem e produção textual que a função do parágrafo é apresentar uma ideia nova com uma totalidade de 151 Unidade 5 . resultados e conclusões do documento. para favorecer ao leitor a possibilidade de escolha ou consulta do texto no original. Resumo indicativo: indica apenas os pontos principais do documento. não apresentando dados qualitativos. „ „ O resumo é útil para difundir as ideias contidas em obras de diversos tipos. você deve seguir os seguintes procedimentos. mas. a) Leitura integral para adquirir uma visão de conjunto da unidade (capítulo). a leitura integral do capítulo permitirá uma visão ampla da estrutura do texto. dispensar a consulta ao original. Resumo informativo: informa ao leitor finalidades. Delimitar significa decompor as partes constitutivas do texto. De modo geral. explicitação da ideia e conclusão. como também. que são: „ Resumo crítico: resumo redigido por especialistas com análise crítica de um documento. quantitativos etc. ao contrário do que se pensa. possibilitando diferenciar o que é essencial e o que é secundário.Ciência e Pesquisa Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003b).

que devemos mudar de parágrafo quando mudamos a ideia no texto. sem embargo etc. entretanto. marcadores ou divisão numérica das ideias. por conseguinte. 152 . em decorrência disso etc. curtos e. h) digressão (desenvolvimento de ideias até certo ponto alheias ao tema central do trabalho). d) Redação do resumo com frases breves e objetivas. p. Por isso. 69). O esquema pode ser elaborado por meio de chaves. decompondo-o analiticamente. por outra parte.Universidade do Sul de Santa Catarina sentido. Observe as sugestões apresentadas por Marconi e Lakatos (2003. Assim.). c) Esquematização (na forma de tópicos) ou preparação das anotações da leitura. e) complementação do raciocínio. é importante separar as unidades de leitura do texto. é possível que encontremos textos onde os autores utilizam mais de um parágrafo para expor uma ideia. hoje. os autores preferem escrever textos com parágrafos breves. Consiste na estruturação gráfica e visual do texto com divisões e subdivisões. Entretanto.). Este procedimento fez com que por um período muito longo da história os autores escrevessem parágrafos longos. f) repetição ou reforço de ideias ou argumentos. g) justaposição de proposições (por intermédio de um exemplo. b) justaposição ou adição (identificada com expressões de tipo: e. da mesma forma. d) incorporação de novas ideias. para a redação conforme a ordem em que aparecem as ideias no texto: a) consequências (quando se empregam palavras tais como: em consequência. comprovação etc. portanto. A esquematização do texto servirá de base para a redação do resumo. muitas vezes. antes de iniciar o resumo. da mesma maneira etc. c) oposição (com a utilização das palavras: porém.). por isso. um parágrafo não dá conta de apresentar o sentido completo da informação.).

O leitor no ato de estudar a palavra escrita. o enfrentamento pode ocorrer pelo contato indireto. São Paulo: Cortez. Fazer universidade: uma proposta metodológica. O leitor que assume uma postura de objeto frente ao texto de leitura é verbalista. p. o sujeito recebe o conhecimento por intermédio de outra pessoa ou por símbolos orais. O enfrentamento da realidade pode ocorrer pelo contato direto ou indireto do sujeito que conhece com o objeto que é conhecido. exemplos de resumo indicativo e informativo. O ato de estudar diretamente crítico equivale à objetividade na elucidação. a seguir.Ciência e Pesquisa Acompanhe. São Paulo: Cortez. pelo contato direto do sujeito com o objeto. Observe que as palavras grifadas indicam que o resumo indicativo está dentro do resumo informativo: Resumo indicativo: LUCKESI. ed. à alienação e à retenção mnemônica. 136-143. A atitude a-crítica corresponde à abdicação da capacidade de investigar. In:______. elaborados com base nos procedimentos citados nesta seção. 136-143. Estudar significa enfrentar a realidade para compreendê-la e elucidá-la. de um lado. Resumo informativo: LUCKESI. Fazer universidade: uma proposta metodológica. cap. Isso se dá quando o sujeito opera “com” e “sobre” a realidade. Unidade 5 153 . 1985. por outro lado. ou seja. ed. compreende e não memoriza. 3. O leitor no ato de estudar a palavra escrita. sem magnetização pela comunicação em si. 2. 3. O leitor sujeito. Estudar significa o ato de enfrentar a realidade. As duas formas de estudar (direta ou indireta) podem ser classificadas como críticas ou acríticas. p. 2. In:______. etc. dependendo da postura que assume frente ao texto. Cipriano Carlos et al. De outro lado. Este enfrentamento pode ocorrer. Neste caso. a aprendizagem não se dá pela compreensão. gráficos. mímicos. mas pela reprodução intacta e mnemônica das informações. Cipriano Carlos et al. O leitor poderá ser sujeito ou objeto. 1985. O ato de estudar indiretamente crítico equivale à descrição da realidade como ela é. avalia o que lê e tem uma atitude constante de questionamento. cap.

Universidade do Sul de Santa Catarina Os resumos que precedem trabalhos científicos assumem características diferentes dos resumos de textos didáticos.53). aplicado em uma amostra aleatória de alunos da primeira série do ensino fundamental. „ „ O resumo do artigo escrito por Guimarães e outros (2006). como casos. Brasil.65. os resultados e as conclusões do trabalho. Métodos: Foi feito um estudo de caso-controle a partir de um inquérito antropométrico.91) e com história de apenas uma união conjugal (OR=2. conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003. 316 crianças sorteadas entre as que apresentaram índice de massa muscular <P85. Fatores associados ao sobrepeso em escolares Objetivo: Identificar variáveis associadas ao sobrepeso em escolares de Cuiabá. Foram tomadas medidas de peso e altura da criança e dos pais por antropometristas treinados. de forma clara a estrutura de um resumo que precede trabalhos científicos. MT. também foi maior nos escolares. são normatizados pela NBR 6028 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003) e devem ressaltar o objetivo. indica. brincavam <10h por semana (OR=2. tinham mães e pais com índice de massa muscular >30 (OR= 7.75). com idades entre 6 e 11 anos.94). como controles.27 e 2. que possuíam no máximo um irmão (OR=1. o método. p. dissertações e outros) e relatórios técnico científicos. da família e de atividade física dos escolares foram obtidas por meio de entrevistas. Conclusão: Os resultados apontam que variáveis de diferentes níveis hierárquicos se associam na configuração de contextos favoráveis ao aumento do sobrepeso em escolares e fornecem subsídios para o desenvolvimento de intervenções que considerem os grupos mais vulneráveis à presença de sobrepeso. os resumos científicos. respectivamente) e nasceram com peso >3500g (OR= 2. do domicílio. Resultados: O sobrepeso foi maior em escolares com renda familiar per capita >3 salários mínimos (OR= 3. Informações socioeconômicas. os 158 escolares que apresentaram sobrepeso (índice de massa muscular >P85) e. publicado pela Revista de Nutrição. 154 .58).15). de 100 a 250 palavras para artigos de periódicos.74) e com nível mais alto de escolaridade (OR=1. Os dados foram submetidos à análise de regressão logística múltipla hierarquizada. de 50 a 100 palavras para indicações breves. 2) devem ter: „ de 150 a 500 palavras para trabalhos acadêmicos (teses. Quanto à extensão. Foram incluídos. de sexo feminino (OR=2.27). que tinham mães de idade entre 25 e 29 anos (OR=1.

ao método de investigação e à forma de exposição das ideias. a resenha é desenvolvida por especialistas. conhecimento completo da obra. 2003. Para proceder a essa avaliação. no sentido de expressar um juízo de valor acerca do assunto abordado. Unidade 5 155 . por parte do resenhista. é necessário recorrer ao posicionamento de outros autores da comunidade científica em relação às posturas defendidas pelo autor da obra criticada. Segundo Oliveira Netto (2005. b) competência na matéria. LAKATOS.Resenha crítica A resenha crítica é uma modalidade de trabalho científico que consiste no desenvolvimento de uma síntese sobre uma obra. e) correção e urbanidade. p. d) independência de juízo. c) capacidade de juízo de valor. Normalmente. pois exige. Salvador (1979 apud MARCONI. estabelecendo uma espécie de comparação principalmente no que se refere ao enfoque. a resenha pode ser definida como “a apresentação do conteúdo de uma obra. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003). capacidade crítica e maturidade intelectual.Ciência e Pesquisa Seção 2 . Corresponde à apreciação crítica de um texto com o objetivo de discussão das ideias nele contidas. f) fidelidade ao pensamento do autor. 264) apresenta os seguintes requisitos básicos para a elaboração de uma resenha crítica: a) conhecimento completo da obra. 73). Este resumo deve apresentar as ideias da obra. denomina a resenha de resumo crítico. p. por meio da NBR 6028. a avaliação das informações e a forma como foram expostas. acompanhada de uma avaliação crítica ou indicativa”. bem como a justificativa da avaliação desenvolvida no resumo.

264) apresentado a seguir: a) Obra – apresentação dos dados de identificação da referência bibliográfica. — Nessa seção você conheceu mais uma modalidade de trabalho científico: a resenha crítica. Bom estudo! 156 . Em geral. originalidade. que em outras palavras. Dos diversos modelos encontrados na literatura de metodologia científica adotamos aqui o roteiro descrito por Marconi e Lakatos (2003. d) Digesto – resumo das principais ideias dos capítulos ou da obra como um todo. p. c) Conclusões da autoria – síntese das principais conclusões da obra apresentada no final de cada capítulo ou no final da obra. É importante salientar que a crítica deve ser bem fundamentada e o resenhista deve confrontar as ideias da obra com ideias de outras obras e autores. A próxima seção convida você a estudar sobre o fichamento. formação acadêmica. é uma síntese na qual você expressa um juízo de valor. especialistas) e para qual curso ou área do conhecimento é destinado. g) Indicação do resenhista – indicação da obra para qual público (estudantes. contribuição para o desenvolvimento da ciência e estilo empregado.Universidade do Sul de Santa Catarina A apresentação da estrutura da resenha crítica pode variar de autor para autor. e) Metodologia da autoria – descrição do tipo de método e das técnicas utilizadas pelo autor da obra. dois elementos são essenciais: o resumo e a crítica. b) Credenciais da autoria – nacionalidade. outras obras escritas pelo autor. f) Crítica do resenhista – julgamento da obra do ponto de vista da coerência e consistência na argumentação. emprego adequado de métodos e técnicas.

p. (SEVERINO.]. seja pelo interesse ou pela necessidade. a base de sua formação.Fichamento A leitura é uma atividade constante na vida acadêmica e se torna. 35). Achar que a memória vai dar conta de armazenar tudo é um grande engano. como: a) instrumento de coleta de dados na realização de uma pesquisa bibliográfica. A leitura é um instrumento de aprendizagem que permite a você ter o conhecimento e a compreensão do mundo. A iniciativa de aprender sempre deverá ser sua. Na memória. Você pode perceber que estamos diante de uma cultura que se torna mais complexa a cada dia que passa e nem sempre consegue assimilar o conjunto das informações que nos rodeia. você deve ser especialista nela. por isso.Ciência e Pesquisa Seção 3 . no decorrer do curso. Você é sujeito ativo de sua aprendizagem e não pode esperar que tudo seja transmitido pelos professores. A maneira mais adequada para reter essas informações é o registro em algum suporte físico. mas um limiar a partir da qual constitui toda uma atividade de estudo e de pesquisa [. algumas anotações precisam ser feitas. E. b) trabalho acadêmico em disciplinas de graduação e pósgraduação. A ficha de leitura pode se tornar um instrumento útil no momento da recuperação de uma informação e pode ser realizada com diferentes fins. não podemos confiar. 2000.. infelizmente.. tem de se transformar num estudioso que encontra no ensino escolar não um ponto de chegada. Unidade 5 157 . dependendo da leitura que estamos fazendo. O estudante tem de se convencer de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal.

um livro. em várias obras. Se o objetivo é fazer a leitura e os apontamentos da obra “A semente da vitória”. e a temática. Para fazer a ficha de leitura. e. de Nuno Cobra. 158 . de um tema pesquisado em várias obras. Unidade de leitura pode ser compreendida com sendo um setor do texto que possui um sentido completo. é necessário delimitar a unidade de leitura do texto. um artigo científico. ou seja. teríamos um fichamento bibliográfico. primeiramente. com os recursos disponibilizados pela tecnologia. as fichas podem ser classificadas em 2 tipos: bibliográfica e temática. d) um instrumento auxiliar na leitura e registro das ideias de um texto. Classificação das fichas De maneira geral. Entretanto. uma matéria de jornal ou revista. ocupa-se de uma obra.5 x 15. como o próprio nome diz. é possível fazer os registros diretamente no computador e depois imprimi-los em papel A4. teríamos um fichamento temático. um capítulo de um livro. Mas se o objetivo é a leitura e a tomada de apontamentos sobre o tema “sono”.Universidade do Sul de Santa Catarina c) preparação de textos na apresentação oral de trabalhos em sala de aula. A bibliográfica.5cm. Quando se fala em ficha de leitura. automaticamente pensamos naquele papel de cartolina que é vendido em livrarias e que possui em média 10. ou qualquer outro texto que precise ser estudado.

Acompanhe a seguir.nesse tipo de ficha copia-se. tanto maior será nossa capacidade resumir. O resumo deve ser elaborado na fase da leitura analítica. a) ficha-resumo . p. fragmentos considerados relevantes para o estudo do texto. na forma de transcrição textual (cópia fiel). Veja os procedimentos para a elaboração do resumo na seção 1 desta unidade. No momento da leitura podemos resumir. pois simplesmente não podemos discordar por discordar. 233). literalmente. a ficha de citação e a ficha de comentário analítico. A parte a ser transcrita não deverá ser muito extensa. transcrever fragmentos considerados importantes ou simplesmente comentar analiticamente o texto. no exato momento em que conseguimos assimilar e compreender as ideias do texto. Quanto maior a compreensão das ideias. MONTEIRO.Ciência e Pesquisa As atividades desenvolvidas na leitura também podem servir para classificar os tipos de ficha. c) ficha de comentário analítico – nessas fichas podem ser registradas as nossas reflexões sobre o material que está sendo lido (MEZZAROBA.quando a análise manifesta nossa concordância e aceitação das ideias do texto. pois não faz sentido copiar por copiar. e conexões com outras ideias – neste caso. As fichas desse tipo podem dar origem às citações no texto quando se está elaborando um trabalho acadêmico. antagonismo – quando manifestamos discordância e. b) ficha de citação . As reflexões podem resultar em: „ afinidade . „ „ Unidade 5 159 . 2003. assim. é importante fundamentar bem nossas ideias com argumentos lógicos e convincentes. Dessas atividades podem resultar a ficha-resumo.resumir significa apresentar de forma concisa as principais ideias de um texto. possuir uma visão mais ampla sobre o tema. podemos comparar as ideias do autor com as ideias de outros autores e. neste caso.

para a composição do paper é necessário seguir cinco passos: “1) escolher o assunto. O paper geralmente trata do particular ou da essência do problema. Assim. o conteúdo da ficha (resumo. 1996.Universidade do Sul de Santa Catarina A estrutura da ficha de leitura é constituída de três partes: cabeçalho.Paper O paper é um trabalho científico que tem como objetivo principal analisar um tema/questão/problema por meio do desenvolvimento de um ponto de vista de quem o escreve. e 5) redigir o paper”. Se o autor apenas compilou informações sem fazer avaliações ou interpretações sobre elas. Segundo Heerdt e Leonel (2006. 141). 186). Veja o exemplo: TÍTULO DA FICHA Referência Espaço livre para você inserir o texto (resumo. No cabeçalho deve aparecer o título ou assunto da ficha. e no texto.. neste tipo de trabalho “[.] as reflexões devem ser mesmo do autor do paper” caracterizando-o principalmente pela originalidade. p. referência e texto. 160 . Conforme Roth (apud MEDEIROS. Seção 4 . trata-se simplesmente de um relato e não de um paper. 4) organizar as ideias. p. 2) reunir informações.. transcrição ou comentário analítico). a composição de um paper decorre do estudo e do posicionamento de quem o escreve. transcrição ou comentário). na referência. os elementos de identificação da obra pesquisada. 3) avaliar o material.

Ciência e Pesquisa

Quanto à estrutura do paper, assim se organiza: folha de rosto; sinopse, introdução (objetivo e delimitação do tema); desenvolvimento; conclusão e referências.

Position paper
Segundo Heerdt e Leonel (2006, p. 143), o position paper consiste no desenvolvimento da:
capacidade de reflexão e criatividade [do aluno] diante do que está escrito (livro, artigo, revista, jornal, etc.), diante do que é apresentado (palestra, congresso, seminário, curso, etc.) e também diante do que pode ser observado numa determinada realidade (empresa, projeto, entidade, viagem de estudos, etc.).

Sua composição decorre do posicionamento de quem o escreve, exigindo, também, revisão de literatura para conhecer e sistematizar o posicionamento de outros autores sobre o tema/ questão/problema. Para Heerdt e Leonel (2006, p. 144), a estrutura do position paper é assim organizada: capa; folha de rosto; sumário; introdução (objetivo, delimitação do tema, metodologia); revisão bibliográfica sobre o assunto (no mínimo dois outros autores); reflexão e posicionamento do autor sobre o assunto; conclusão; referências.

Paper – comunicação científica
É a informação concisa que se apresenta em congressos, simpósios, reuniões, academias, sociedades científicas, expostos em tempo reduzido. “Sua finalidade é fazer conhecida a descoberta e os resultados alcançados com a pesquisa, podendo por fim fazer parte de anais [ou revistas]”. (HEERDT; LEONEL, 2006, p. 142). A comunicação não necessita de abrangência de aspectos analíticos, compondo-se, basicamente da introdução, do desenvolvimento e da conclusão.
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Seção 5 - Artigo científico
Na vida acadêmica, são várias as atividades de pesquisa realizadas, tanto pelo corpo docente como pelo discente. Essas atividades resultam de trabalhos didáticos e científicos elaborados frequentemente nas disciplinas, nos cursos ou em grupos de pesquisa. As atividades que se caracterizam como trabalhos didáticos resultam da interação cultural, permitem que o conhecimento seja reconstruído, na medida em que se tem acesso ao mundo culturalmente instituído. Os trabalhos científicos, por sua vez, resultam do esforço de criação e elaboração de novos saberes, possuem uma natureza mais complexa e permitem que o conhecimento se renove. Outra diferença significativa entre os dois tipos de trabalho é o tratamento que se dá ao objeto de estudo no processo de sua assimilação, compreensão e construção. Os trabalhos didáticos e científicos, muitas vezes, pelo nível de excelência que apresentam, são merecedores de publicação. As instituições de ensino, de maneira geral, e os cursos que a elas pertencem, em particular, dispõem de revistas especializadas para a publicação desses trabalhos produzidos por alunos e professores na forma de artigo científico. O artigo científico pode ser entendido como um trabalho completo em si mesmo, mas possui dimensão reduzida. Köche (1997, p. 149) afirma que “o artigo é a apresentação sintética, em forma de relatório escrito, dos resultados de investigações ou estudos realizados a respeito de uma questão”. Salvador (1977, p. 24) apresenta cinco razões para escrever artigos científicos. São elas:
a) Expor aspectos novos por nós descobertos, mediante o estudo e a pesquisa, a respeito de uma questão, ou de aspectos que julgamos terem sido tratados apenas superficialmente, ou soluções novas para questões conhecidas; b) expor de uma maneira nova uma questão já antiga; c) anunciar resultados de uma pesquisa, que será exposta futuramente em livro; d) desenvolver

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Ciência e Pesquisa

aspectos secundários de uma questão que não tiveram o devido tratamento em livro que foi editado ou que será editado; e) abordar assuntos controvertidos para os quais não houve tempo de preparar um livro.

O artigo é um meio de atualização de informações e, por isso, enquanto fonte de pesquisa, jamais pode ser ignorado por alunos e professores no processo de busca e aquisição de conhecimentos. Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003), os artigos são classificados em dois tipos: original e revisão. O artigo original “parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais [...] (relatos de experiência de pesquisa, estudo de caso etc.)”. O artigo de revisão “parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas”. O resumo do artigo escrito por Dalgalarrondo e outros (2004), publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, exemplifica um artigo original. Acompanhe a seguir.

Religião e uso de drogas por adolescentes
Introdução: Estudos internacionais e nacionais mostram que a religiosidade é um modulador importante no consumo de álcool e drogas entre estudantes adolescentes. Objetivos: verificar se diferentes variáveis da religiosidade influenciam o uso frequente e/ou pesado de álcool e drogas entre estudantes de 1º e 2º graus. Métodos: Estudo transversal com uma técnica de amostragem do tipo intencional. Foi utilizado um questionário anônimo de autopreenchimento. A amostra foi constituída por 2.287 estudantes de escolas públicas periféricas e centrais e escolas particulares da cidade de Campinas, SP, entrevistados no ano de 1998. As drogas estudadas foram: álcool, tabaco, solventes, medicamentos, maconha, cocaína e ecstasy. As variáveis independentes incluídas na análise de regressão logística foram: filiação religiosa, frequência de ida ao culto/missa por mês, considerar-se pessoa religiosa e educação religiosa na infância. Para identificar como as variáveis de religiosidade influenciam o uso de álcool e drogas utilizaram-se análises bivariadas e a análise de regressão logística para resposta dicotômica. Resultados: O uso pesado de pelo menos uma droga foi maior entre os estudantes que tiveram educação na infância sem religião. O uso no mês de cocaína e de “medicamentos para dar barato” foi maior nos estudantes que não tinham religião. O uso no mês de ecstasy e de “medicamentos para dar barato” foi maior nos estudantes que não tiveram educação religiosa na infância. Conclusões: Várias dimensões da religiosidade relacionam-se com o uso de drogas por adolescentes, com possível efeito inibidor. Particularmente interessante foi que uma maior educação religiosa na infância mostrou-se marcadamente importante em tal possível inibição.
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Trata-se de um artigo original, pois os autores fizeram um estudo com uma amostra 2.287 estudantes para coletar dados sobre a relação entre religiosidade e uso de drogas. Nos artigos originais, diferentemente dos artigos de revisão, os resultados apresentados são totalmente novos. O resumo do artigo escrito por Pedroso e outros (2006) publicado pela Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, exemplifica um artigo de revisão. Leia o texto a seguir.

Expectativas de resultados frente ao uso de álcool, maconha e tabaco
Este artigo teve como objetivo realizar uma revisão teórica acerca do construto expectativas de resultados frente ao uso de álcool, maconha e tabaco. As expectativas de resultados são determinadas a partir do que as pessoas acreditam acerca dos efeitos de determinada droga, sendo uma variável importante no tratamento de dependentes químicos. Foram realizadas buscas de artigos publicados nas bases de dados MEDLINE, PsycINFO, ProQuest, Ovid, LILACS e Cork, usando os descritores belief, expectancy, expectation, drugs, psychoactive e effect. Os resultados demonstraram que as expectativas de resultados frente ao uso dessas substâncias podem surgir de fontes como: exposição a estímulos condicionados, dependência física, crenças pessoais e culturais e fatores situacionais e ambientais. Conclui-se que ainda há necessidade de novas pesquisas quanto às expectativas relacionadas às diferentes substâncias psicoativas e faixas etárias para uma melhor compreensão deste construto. (Grifo nosso).

Trata-se de um artigo de revisão, pois os dados apresentados na pesquisa já haviam sido publicados em base de dados que armazenam literatura científica: MEDLINE, PsycINFO, ProQuest, Ovid, LILACS e Cork Para a publicação de um artigo científico é necessário que se observem as recomendações estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003), que estruturam, de maneira geral, os seguintes elementos: pré-textuais, textuais, póstextuais. Os elementos pré-textuais apresentam, na página de abertura, as informações que identificam o artigo; os elementos textuais apresentam os resultados do estudo em três partes logicamente encadeadas: introdução, desenvolvimento e conclusão; e os elementos pós-textuais apresentam as informações que identificam o artigo, traduzidos para uma língua estrangeira,
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expõe os objetivos e descreve a metodologia que foi adotada na realização da pesquisa. metodologia.apresenta fundamentação teórica e os resultados do estudo. b) autoria . porém escrito em língua estrangeira.apresenta o tema-questão-problema. Elementos pré-textuais . d) palavras-chave .nome do autor ou autores.apresenta objetivos.escrito em língua estrangeira. b) desenvolvimento .termos indicativos do conteúdo do artigo. Deve ser elaborado de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003). Elementos pós-textuais . c) resumo . resultados e conclusões alcançadas.analisa criticamente os resultados do estudo e abre perspectivas para novas investigações.Ciência e Pesquisa conforme indicação da própria revista. as referências.contém o termo ou expressão que indica o conteúdo do artigo. c) palavras-chave .escritas em língua estrangeira. Unidade 5 165 .são os seguintes: a) título e subtítulo (se houver) .são constituídos das seguintes partes: a) introdução . acompanhado de um breve currículo em nota de rodapé. c) conclusão . apêndices e anexos. Elementos textuais . Conheça os itens que compõem cada um dos elementos da estrutura de um artigo.são os seguintes: a) título . justifica-os. como também. b) resumo .o mesmo resumo que aparece como elemento pré-textual.

portanto. Seção 6 . g) apêndice .. Pesquisa não é pura coleta de dados.Universidade do Sul de Santa Catarina d) notas explicativas . que fundamenta. Alguns itens podem variar de acordo com as necessidades e/ou exigência de cada conselho editorial. 166 .apresenta as obras que foram citadas no corpo do artigo conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002).texto escrito pelo autor. h) anexo . é importante que professores e alunos sintam-se motivados para publicar os resultados de suas atividades científicas ou didáticas. projeto de pesquisa “[.. Trata-se. Independentemente disto. do documento que nos permite planejar todas as ações inerentes à pesquisa. p.Projeto de pesquisa Para Gil (2002. É importante salientar que nem todas as revistas científicas seguem rigorosamente a ordem dos elementos apresentados nesta seção. mas um conjunto de ações orientadas por metas e estratégias a serem atingidas na tentativa de buscar respostas para um determinado problema. de termos que assumem significado específico no artigo.definição.texto não escrito pelo autor. 19). comprova ou ilustra aspectos contidos no desenvolvimento. em ordem alfabética.citadas para evitar notas de rodapé. f) glossário . e) referências .] é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao longo do processo de pesquisa”. que complementa as ideias contidas no desenvolvimento.

ao contrário.4 Justificativa 1. É comum encontrar na literatura de Metodologia Científica e da Pesquisa vários modelos de roteiro de projeto de pesquisa.1 – Projeto de pesquisa: perguntas e indicações de resposta Fonte: Elaboração do autor. O modelo apresentado a seguir não deve ser entendido como único e absoluto. principalmente. deve ser entendido apenas como um roteiro que nos permite entender quais são as etapas que se sucedem na elaboração de um projeto. um projeto de pesquisa deve oferecer respostas às seguintes indagações: Pergunta O que pesquisar? Indicação Determinação do objeto da pesquisa por meio da apresentação.Ciência e Pesquisa De modo geral.1 Tema 1. delimitação do tema e da problematização Referencial teórico e/ou marco teórico e/ou revisão de literatura Justificativa Objetivos Sujeitos Unidade ou local de observação e/ou coleta de dados Cronograma Determinação dos métodos e técnicas Orçamento Com que base teórica pesquisar? Por que pesquisar? Que ações serão desenvolvidas na pesquisa? Quem pesquisar? Onde pesquisar? Quando pesquisar? Como pesquisar? Com quanto pesquisar? Quadro 5.6 Definição dos conceitos operacionais Unidade 5 167 .2 Delimitação do tema 1.3 Problematização 1.5 Objetivos 1. 1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA 1. do tema.

1 Tipo de pesquisa 3. Tema Para escolher o tema da pesquisa. a pesquisa poderá sofrer solução de continuidade (ser interrompida).Universidade do Sul de Santa Catarina 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3 DELINEAMENTO METODOLÓGICO 3. a delimitação do tema.3 Instrumentos utilizados para a coleta de dados 3. a problematização. b) qualificação intelectual. c) existência de bibliografia especializada.2 População/amostra 3. acompanhe. você deve levar em conta alguns fatores: a) interesse pelo assunto. 168 . os objetivos e os conceitos operacionais. d) disponibilidade de um orientador que possa acompanhar a pesquisa. você deve apresentar as informações relacionadas ao objeto da pesquisa especificando o tema.5 Tratamento dos dados 4 CRONOGRAMA 5 ORÇAMENTO REFERÊNCIAS De acordo com o modelo exemplificado. Considerações sobre a delimitação do tema e formulação do problema No primeiro capítulo. A não observação de um ou mais fatores pode comprometer o curso da investigação e.4 Procedimentos utilizados para a coleta de dados 3. Acompanhe a seguir. a seguir. f) recursos financeiros. a justificativa. o significado e as ações a serem desenvolvidas em cada uma dessas etapas do projeto de pesquisa. e) tempo disponível para a realização da coleta de dados. em alguns casos. quando for o caso. g) disponibilidade de material necessário para a coleta de dados.

“Representações contra advogados na OAB-SC. o assunto da pesquisa. Por isso. b) a população a ser estudada. Enquanto princípio de logicidade. para poder alcançar maior compreensão e domínio sobre as propriedades do assunto. menor a compreensão conceitual e. em alguns casos. Observe os exemplos em algumas áreas do conhecimento: “Sigilo bancário” “Ética na advocacia” “Assédio moral” “Avaliação da idade óssea” “Traumatismo na dentição decídua” “Gestão no esporte” “Eutanásia” “Criminalidade” “Cidadania e movimentos sociais” “Empreendedorismo” “Empresa familiar” Delimitação do tema Delimitar é indicar a abrangência do estudo. deve delimitá-lo em uma dimensão viável. No exemplo. maior a compreensão conceitual. é importante salientar que quanto maior a extensão conceitual. a população seria os advogados da OAB-SC. a variável a ser estudada seria “tipo de representação”. Em outras palavras. O enunciado da delimitação do tema. quanto menor a extensão conceitual. deve incluir os seguintes elementos: a) variáveis principais. Unidade 5 169 . de modo geral. é estabelecer os limites extensionais e conceituais do tema. isto significa dizer que quando você escolhe um tema muito abrangente. c) o local e o período da pesquisa. corre-se o risco de se ter pouco domínio ou profundidade.Ciência e Pesquisa A indicação do tema deve expressar. no período de 2007 a 2011”. o local seria a própria OAB-SC e o período seria de 2007 a 2011. não muito abrangente. em dimensão abstrata. inversamente.

A legislação brasileira e a efetividade das sanções impostas aos transgressores do meio ambiente. 2006). Cabe salientar que se a pesquisa for puramente bibliográfica devem-se destacar apenas as variáveis principais. Progressão de regimes nos crimes hediondos. 170 . 2006). (NORY. 2006). 2006). 2006). Acompanhe alguns exemplos: A Responsabilidade civil dos pais pelo abandono moral dos filhos. Traumatismo dentário em crianças de 0 a 5 anos vacinadas em 2007 em Tubarão. Avaliação da idade óssea em crianças infectadas pelo HIV atendidas no setor de Infectologia do Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG) de Florianópolis. durante o treinamento físico. QUARESMA. (PIRES. Efeitos do tratamento fisioterapêutico em lesões. 2006). SC. (TEODORO. (SILVA. (CAMPOS. que acometem militares de um Batalhão de Infantaria do Sul do Brasil. A efetividade do direito a educação em escolas de educação infantil da Rede municipal de ensino do Município de Tubarão. JUNKES. SC (GONÇALVES.Universidade do Sul de Santa Catarina Observe outros exemplos de temas delimitados em algumas áreas do conhecimento. SC. 2006). (ZEFFERINO.

É importante salientar que todo o processo de pesquisa será desenvolvido para que se encontrem respostas para essa pergunta. lembrar que cada orientador possui uma forma própria de problematizar as questões de pesquisa. É importante.Ciência e Pesquisa Problematização Delimitado o tema. d) o problema deve ser preciso. e) o problema deve apresentar referências empíricas. a pergunta de pesquisa deve ser precedida da descrição da situação problema. Mas. SC? Qual o grau da extensão da lesão nos tecidos dentários? Unidade 5 171 . 57-58) aponta cinco “regras” para a adequada formulação do problema: a) o problema deve ser formulado como uma pergunta. Acompanhe o exemplo: Qual a prevalência de traumatismo dentário em crianças de 0 a 5 anos vacinadas em 2007 em Tubarão. o passo seguinte é a problematização. O texto da problematização deve enfatizar a pergunta de pesquisa. possibilitando. que seja visualizada a especificidade do objeto no contexto de sua área temática. assim. No projeto de pesquisa. c) o problema deve ter clareza. é importante situá-lo em sua respectiva área de conhecimento. o que é afinal uma pergunta de pesquisa? Um pergunta de pesquisa é o polo de partida de um processo de estudo onde o pesquisador expõe sua dúvida sobre o que vai pesquisa. também. p. As regras não são absolutamente rígidas e devem ser moldadas de acordo com a especificidade do problema. Gil (2002. b) o problema deve ser delimitado a uma dimensão viável. Para que fique clara e precisa a extensão conceitual do assunto.

social e científica do assunto. classificar. determinar. demonstrar. sintetizar. dentre outros. O objetivo geral é apresentado na forma de um enunciado que reúne. O texto da justificativa. selecionar. organizar. todos os objetivos específicos. aplicar. analisar. deve apresentar os motivos que levaram à investigação do problema e endereçar a discussão à relevância teórica e prática. praticadas no tempo livre. definir. Os objetivos devem ser iniciados com o verbo no infinitivo. por estudantes de ensino médio das escolas públicas e particulares do Município de Tubarão.Universidade do Sul de Santa Catarina Justificativa A justificativa situa a importância do estudo e os porquês da realização da pesquisa. indicar. ao mesmo tempo. SC. comparar. Objetivos Os objetivos indicam as ações que serão desenvolvidas para a resolução do problema de pesquisa. criticar. reconhecer. sumarizar. Numa pesquisa para saber as principais atividades de esportes. os objetivos geral e específicos poderiam ser enunciados da seguinte maneira: Objetivo geral: Conhecer as atividades esportivas. identificar. Os objetivos específicos informam sobre as ações particulares que dizem respeito à análise teórica e aos meios técnicos da investigação do problema. avaliar. discutir. repetir. Ex. em geral. 172 . julgar. explicar. diferenciar. combinar. praticadas por estudantes. relacionar.

„ „ „ Como você pode perceber o objetivo geral é mais amplo. por sua vez. Levantar com os alunos. por semana. 2001). Unidade 5 173 . funcionando como uma espécie de “aposta” do pesquisador de que a resposta a que o desenvolvimento da pesquisa levará será a mesma ou estará muito perto da resposta enunciada na hipótese. Identificar a frequência. abarca todos os objetivos específicos e só será atingido quando todos os objetivos específicos forem alcançados. Hipótese(s) Consiste em apresentar um ou mais enunciados sob forma de sentença declarativa e que resolve(em) provisoriamente o problema. Para isso. de prática de esportes entre os estudantes. poderão ser alcançados. Os objetivos específicos. (SANTAELLA. Dessa maneira. na medida em que a pesquisa avança em suas etapas. separadamente. sua elaboração está ligada diretamente ao problema da pesquisa. sugestões sobre construção de espaços comunitários para a prática de esportes.Ciência e Pesquisa Objetivos específicos „ Comparar as principais modalidades esportivas praticadas pelos alunos do ensino médio das escolas públicas e particulares. o seu conteúdo deve ter conceitos claros. A pesquisa tratará de buscar respostas que refutam ou corroboram as suposições que forem apresentadas. no momento da devolutiva da pesquisa. Identificar o local onde são desenvolvidas as atividades esportivas. ser de natureza específica e não se basear em valores morais.

se os indicadores das variáveis não estiverem previamente definidos. É importante salientar que não será possível estabelecer instrumentos e procedimentos para coleta de dados. ser interpretados à luz das teorias existentes. 41). ainda. diz Köche (1997. — Até aqui. o próximo passo é estruturar a pesquisa quanto aos instrumentos para a coleta de dados. na perspectiva de fundamentá-lo nas teorias existentes. — Após definidos o tema. a seguir. As ideias apresentadas no texto de revisão devem ser organicamente ligadas aos objetivos. necessariamente. Os dados apresentados precisam. [. p. “quando nós estabelecemos ou propomos uma definição para uma palavra ou expressão. 174 . A fundamentação teórica apresentada deve. você conheceu os itens que compõem a primeira parte do roteiro de pesquisa. às hipóteses.” Segundo Pasold (2010. à definição conceitual e operacional das variáveis e a outros elementos do projeto.. sobre o segundo elemento do roteiro: revisão bibliográfica. Estude. estamos ficando um conceito operacional”. o problema da pesquisa e realizada a discussão teórica. 117). com o desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das ideias que expomos. Revisão bibliográfica A revisão bibliográfica apresenta uma breve discussão teórica do problema.. p.] “é possível estabelecer os indicadores que podem ser utilizados para categorizar as variáveis. Confira a seguir.Universidade do Sul de Santa Catarina Definição dos conceitos operacionais Este item consiste em apresentar o significado que os termos do problema assumem na pesquisa. Através das definições. servir de base para a análise e a interpretação dos dados coletados na fase de elaboração do relatório final.

Ciência e Pesquisa Delineamento da Pesquisa O delineamento da pesquisa. População/amostra Neste item. Instrumentos utilizados para coleta de dados Este item consiste em indicar o tipo de instrumento utilizado para registro dos dados que serão coletados. é necessário informar os procedimentos e/ou critérios adotados para a sua execução. o investigador estabelece os meios técnicos da investigação. bairro). p. neste momento. também. as características gerais da população a ser investigada (cidade. ou seja. à abordagem (qualitativa. quantitativa) e ao procedimento utilizado na coleta de dados (bibliográfico. fichas de avaliação ou de registro documental. Neste item. descritiva ou explicativa). município. quando você elaborou o próprio instrumento. estudo de campo. 70). segundo Gil (1995. dentre outros). “referese ao planejamento da mesma em sua dimensão mais ampla”. A primeira atividade consiste na determinação e justificativa do tipo de pesquisa ou estudo. No caso de se optar por uma ou por outra. Unidade 5 175 . estudo de caso controle. você indica se a pesquisa vai abranger o universo populacional ou se apenas uma amostra dos indivíduos pesquisados. O anexo deve ser utilizado quando você adotar um instrumento de coleta de dados proveniente da literatura. você informa. No caso de questionários ou entrevistas. documental. estudo de caso. você deve apresentar o modelo em anexo ou em apêndice. prevendo os instrumentos e os procedimentos utilizados para a coleta de dados. experimental. A determinação do tipo de estudo deve levar em conta três critérios de classificação: quanto ao nível (exploratória. e o apêndice. levantamento.

você informa a previsão das atividades e. 176 . Orçamento Este é o item no qual você informa a previsão e o detalhamento de todos os recursos financeiros necessários para a realização da pesquisa. a forma de aplicação dos instrumentos de coleta de dados.Universidade do Sul de Santa Catarina Procedimentos utilizados na coleta de dados Informam-se as operações e/ou atividades desenvolvidas. respectivamente. encontrada em qualquer biblioteca da Unisul). Referências Aqui você informa a relação dos documentos utilizados para a fundamentação do problema de pesquisa (ver NBR 6023 vigente. o período de execução. Tratamento dos dados Indicam-se os recursos que serão utilizados para a análise dos dados. — Os itens a seguir compõem a parte final do modelo de roteiro de pesquisa apresentado. Cronograma Neste item.

a análise/interpretação dos dados e as conclusões estabelecidas”.. o relatório é um tipo de trabalho que tem como finalidade descrever as etapas das investigações realizadas diretamente na realidade (“in loco”).. o relatório é definido como uma “[. o relatório técnicocientífico “[. de descrever as atividades realizadas e de apreciar os resultados – parciais ou finais – obtidos”. no qual se podem identificar: os passos da pesquisa. O relatório é capaz de apresentar. sistematicamente. o relatório constitui-se em uma “[.] visa pura e simplesmente historiar seu desenvolvimento.Relatório técnico-científico O relatório técnico-científico é um documento que relata formalmente os resultados ou progressos obtidos em uma investigação..Ciência e Pesquisa Seção 7 . objetividade e exatidão de relato. p. muito mais no sentido de apresentar os caminhos percorridos. Descreve minuciosamente a situação de uma questão técnica ou científica. a revisão bibliográfica.] comunicação por escrito dos resultados de uma pesquisa. Unidade 5 177 . p.. caracterizando-se pela fidelidade. O relatório técnicocientífico geralmente é desenvolvido na fase dos estágios supervisionados em diversos cursos.. acontecimentos ou atividades.. 101). Para Oliveira (2003. informação suficiente para que se possam traçar conclusões e fazer recomendações à resolução de determinada situação-problema. Segundo Rauen (2002.] descrição objetiva [e pormenorizada] de fatos. De acordo com Severino (2000. 174). p. Como você pode observar. que incorpora uma análise metódica para a obtenção de conclusões que se constituam em parâmetros para a escolha de alternativas”. 235).

235).Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 8 . p.Monografia Você sabe de onde surgiu a palavra monografia? Etimologicamente. c) estudo pormenorizado e exaustivo. 1). etc. a monografia apresenta as seguintes características: a) trabalho escrito. p. solitude). (BITTAR. p. Com base na etimologia da palavra. monolítico. essa palavra vem do prefixo grego mono (de onde derivam palavras como monge. Conforme Bebber e Martinello (1996. monossílabo. sistemático e completo. mosteiro. e da palavra graphein. que significa um só. abordando vários aspectos e ângulos do caso.) e do prefixo latino solus (solteiro. é limitado). principalmente nas licenciaturas. respectivamente. d) tratamento extenso em profundidade. que significa escrever. 71). você pode perceber que monografia resulta de um trabalho intelectual baseado em apenas um assunto. que se identifica com a tese e a dissertação dos cursos de doutorado e mestrado. e) metodologia específica. 178 . Este tipo de trabalho científico abrange dois sentidos: o stritu. Segundo Marconi e Lakatos (2003. e o latu. f) contribuição importante. como contributo à ciência respectiva”. original e pessoal para a ciência. 2003. b) tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela. a monografia é “um estudo realizado com profundidade e seguindo métodos científicos de pesquisa e de apresentação de um assunto em todos os seus detalhes. que se relaciona àquelas monografias desenvolvidas nos cursos de graduação. mas não em alcance (nesse caso. solitário.

Quanto mais se tem domínio e compreensão do texto. Para desenvolver essa avaliação. Unidade 5 179 . fichamento. paper. artigo científico. no sentido de expressar um juízo de valor acerca do assunto abordado. você estudou os vários tipos de trabalhos científicos que podem ser desenvolvidos na universidade: resumo. A resenha crítica consiste no desenvolvimento de uma síntese sobre uma obra. não se pode confiar. basicamente. Existem.Ciência e Pesquisa Ambos os sentidos não dispensam a rigorosa metodologia na pesquisa de um tema específico. pois. infelizmente. Na memória. Síntese Nesta unidade. É o registro em algum suporte físico. d) como um instrumento auxiliar na leitura e registro das ideias de um texto. qualificando-as como de natureza científica. relatório técnico-científico e monografia. O resumo é a apresentação concisa das principais ideias de um texto. c) como preparação de textos na apresentação oral de trabalhos em sala de aula. e. é necessário que o resenhista recorra ao posicionamento de outros autores da comunidade científica. A ficha pode ser realizada com diferentes fins: a) como instrumento de coleta de dados na realização de uma pesquisa bibliográfica. a partir de um só problema. A ficha de leitura é um instrumento adequado para reter as informações resultantes de uma leitura. maior será a capacidade de síntese e de apresentação de forma breve. b) como trabalho acadêmico em disciplinas de graduação e pós-graduação. dois tipos de resumos: o indicativo e o informativo. do contrário. não passarão de um simples estudo. resenha crítica. Corresponde à apreciação crítica de um texto com o objetivo de discussão das ideias nele contidas. Achar que a memória vai dar conta de armazenar tudo é um grande engano. Resulta da capacidade analítica e compreensiva que o leitor adquire no momento em que faz sua leitura.

exposta em tempo reduzido. a composição de um paper decorre do estudo e do posicionamento de quem o escreve. academias. decorrente de um estudo que é realizado com profundidade e seguindo métodos científicos de pesquisa. O position paper é o posicionamento sobre um tema ou assunto acompanhado de uma breve revisão de literatura para conhecer. Descreve minuciosamente a situação de uma questão técnica ou científica. Existem dois tipos de artigos: o original e o de revisão. jamais pode ser ignorado por alunos e professores no processo de busca e aquisição de conhecimentos. Assim. comunicação científica é a informação concisa que se apresenta em congressos. Este tipo de trabalho pode assumir dois sentidos: o stritu e o latu. informação suficiente para que se possam traçar conclusões e fazer recomendações à resolução de determinada situação-problema. O relatório técnico-científico é um documento que relata formalmente os resultados ou progressos obtidos em uma investigação. objetividade e exatidão de relato. enquanto fonte de pesquisa. reuniões.Universidade do Sul de Santa Catarina O paper tem como objetivo principal analisar um tema/questão/ problema. 180 . o posicionamento de outros autores. O paper. geralmente. É capaz de apresentar. sociedades científicas. por meio do desenvolvimento de um ponto de vista de quem o escreve. Trata-se de um tipo de trabalho que tem como finalidade descrever as etapas das investigações realizadas diretamente na realidade (in loco). O artigo científico pode ser entendido como um trabalho completo em si mesmo. mas possui dimensão reduzida. O paper. Trata-se de um meio de atualização de informações e por isso. A monografia se define como um trabalho intelectual concentrado sobre um único assunto. sistematicamente. simpósios. também. trata do particular ou da essência do problema. caracterizando-se pela fidelidade.

Ciência e Pesquisa Atividades de autoavaliação 1 Leia o resumo da pesquisa realizada por Batista. Primeiro. quando avaliado por meio de redações. informações colhidas nas mais diversas fontes de pesquisa sem incorrer no crime de plágio? Unidade 5 181 . com base em critérios pessoais. A análise dos dados indica que a agressividade expressa nas redações pelas meninas e pelos meninos aumentou após eles terem assistido ao filme. e finalmente elas redigiram uma outra estória. Estes resultados indicam que assistir filmes com cenas de violência afeta o comportamento de crianças de ambos os sexos. Os efeitos de um filme com cenas de violência sobre o comportamento agressivo de crianças foi investigado por meio da diferença no grau de agressividade expresso em redações feitas antes e após o filme. elas assistiram ao filme Mortal Kombat exibido em sala de aula. Após 24 horas. Vinte e cinco meninas e trinta e um meninos de quarta série do Ensino Fundamental de uma escola pública participaram de um experimento com um delineamento intra-grupo. as crianças redigiram uma redação. Eles atribuíram notas de 0 a 10 para o grau de agressividade dos personagens das estórias. a partir de um enredo que iniciava uma estória. Filme com cenas de violência: efeito sobre o comportamento agressivo de crianças expresso no enredo de uma redação A violência na mídia e seus efeitos sobre o comportamento agressivo têm recebido grande atenção de diversos segmentos da sociedade. em nosso trabalho acadêmico. a partir de um enredo diferente. As redações foram julgadas por três estudantes universitários que não conheciam o objetivo do estudo. 2) Como podemos inserir. Fukahori e Haydu (2004) e apresente o problema de pesquisa subjecente ao estudo.

a) ( ) A resenha crítica é a apreciação de uma obra.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Assinale a alternativa incorreta e depois justifique o erro identificado. e) ( ) Resumo é a condensação de um texto. f) ( ) O artigo científico é um trabalho completo em si mesmo. a fim de identificar as principais ideias do texto. b) ( ) O Position paper consiste em um resumo. que apresenta suas principais ideias de maneira abreviada. permitindo ao leitor decidir sobre a consulta ou não do texto original. 182 . que resulta de uma pesquisa ou de uma revisão bibliográfica. d) ( ) A monografia é um estudo realizado com profundidade que segue métodos científicos de pesquisa. c) ( ) O relatório técnico-científico consiste no relato formal dos resultados de uma investigação ou a descrição minuciosa e criteriosa de uma determinada situação-problema vivenciada na fase do estágio supervisionado. tendo que apresentar o resenhista conhecimento completo da obra. elaborado pelo leitor.

Unesp. anfetaminas 1 % (0-1%). e destes. Embora a pesquisa tenha focalizado o uso (não abuso ou dependência). Também as mulheres já faziam uso de maconha antes de entrar para a faculdade (30% mulheres X 10% homens). b) perder aulas sem razão e referir ou ter muito tempo livre nos finais de semana. comparada com outras oito escolas médicas paulistas (uso na vida. o contrário ocorrendo com solventes (50% homens X 2% mulheres). benzodiazepínicos (BZD) 3% (2-9%). classifique o artigo quanto ao tipo e Justifique sua resposta. a prevalência do uso de drogas para os estudantes de Botucatu foi a seguinte. incluindo mudanças curriculares e programas de prevenção. anônimo. os estudantes não aprovam este uso. tabaco 7% (7-13%). e c) ter uma atitude favorável em relação ao uso de álcool e drogas. sendo essas diferenças estatisticamente significantes. com 5. e em especial os BZD. Diferentemente de outras escolas. Foi usado um questionário de auto-respostas. Embora tenha se encontrado um uso crescente de todas as drogas do 1º ao 6º ano. solventes 8% (7-12%). 421 eram de Botucatu. na Unesp não houve diferenças estatisticamente significantes de gênero em relação ao uso de tranquilizantes.227 estudantes do 1º ao 6º ano de graduação.5% (0. Não houve diferenças estatisticamente significantes entre escolas e.725) dos alunos responderam ao mesmo. nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias). Uso de álcool e drogas por estudantes de medicina da Unesp (1) Objetivo: o objetivo deste trabalho foi analisar a prevalência do uso de drogas por estudantes da Faculdade de Medicina de Botucatu . cocaína 0. A pesquisa foi realizada entre 1994 e 1995. os resultados sugerem a necessidade de as universidades estabelecerem uma política clara de orientação sobre uso de drogas e álcool para os estudantes. Setenta e um por cento (3. maconha 6% (6-16%). No entanto. com a variação entre outras escolas mostrada entre parênteses: álcool 50% (42-50%).2-4%). A análise de regressão logística indicou que o uso de álcool e drogas foi favorecido por: a) ser homem. Unidade 5 183 . nos 30 dias anteriores ao preenchimento do questionário. incluindo o questionário da Organização Mundial da Saúde para levantamento de uso de drogas e álcool.Ciência e Pesquisa 4) Leia o resumo do artigo escrito por Kerr-Correa e outros (1999). as mulheres iniciam uso mais precocemente e o fazem mais frequentemente.

responda às questões: O estudo do perfil empreendedor em empresas familiares O objetivo do presente trabalho é identificar os fatores responsáveis pela sobrevivência de empresas familiares através da análise do perfil de seus empreendedores. Em seguida. percepção.Objetivo específico (1) . Pantanal. cuja média obtida ficou abaixo da média do teste. face às mudanças ocorridas nas organizações em função do desenvolvimento tecnológico e às mudanças político econômicas ocorridas no ambiente empresarial atual. atitude. a) Qual o tema da pesquisa? b) Qual o problema subjacente ao assunto pesquisado. as características do empreendedor. com o objetivo de traçar um perfil para os proprietários ou empreendedores dessas empresas. Os resultados obtidos foram os seguintes: os empreendedores possuem muitas das características da tendência impulso e determinação. o que o autor quis saber ou pesquisar? c) Cite o objetivo geral da pesquisa d) Cite dois objetivos específicos referentes à pesquisa. em Florianópolis.Objetivo específico (2) e) Que justificativa você apresentaria para a realização dessa pesquisa? f) Quais foram os instrumentos utilizados para a coleta de dados? 184 . é realizada uma pesquisa de campo nas empresas familiares dos bairros da Trindade. independentemente de ramo ou porte. . Córrego Grande e Carvoeira. Na pesquisa. alguns dos principais determinantes do comportamento empreendedor como sendo a personalidade. Para isso é feito um levantamento bibliográfico acerca de alguns aspectos que envolvem o tema empreendedorismo. isto é. em seguida. aprendizagem e motivação. é enfatizada a importância do estudo dos fatores comportamentais dos empreendedores em empresas familiares.Universidade do Sul de Santa Catarina 5) Leia o resumo da pesquisa de dissertação de mestrado realizada por Macedo (2003) e. subdividindo-se a dissertação em três temas principais: o empreendedorismo em empresas familiares. como sendo as necessidades. conhecimentos. habilidades e valores. o que já não aconteceu com a tendência riscos calculados/moderados. E a maioria das tendências empreendedoras tem maior média nas empresas com até um ano de vida e dirigidas por três ou mais pessoas.

Ciência e Pesquisa Saiba mais Escrever um artigo vale a pena? Conta-se que um colunista social. o editor da revista Dr. obter financiamento para pesquisas. escreveu o artigo ‘Vale a pena publicar artigo cientifico?’. Pereira. Número ½. ao ler um elogio de um famoso artista de televisão e querendo tirar uma casquinha. Unidade 5 185 . então você não tem nada a acrescentar’. então não é isso mesmo.’ Um atento crítico de outro jornal ao ver sua preciosidade. ter algo a dizer para a comunidade acadêmica ou para o público. Maurício G. certa vez. em que ele enumerou cinco razões pelas quais todos deveriam escrever: 1. 2. melhorar o próprio currículo. mas se você acha que é isso mesmo. retrucou: ‘se você tem algo a acrescentar. da Brasília Médica. 3. No volume 37. escreveu: ‘gostaria de dizer que é isso mesmo.

como a humildade ou descrição [sic]. por escrever. Às vezes. julgar que tipo de impressão pode causar a quem o lê. Caso isso viesse a acontecer. é possível que surgissem algumas boas surpresas.Universidade do Sul de Santa Catarina 4. não basta apenas escrever. mesmo que seja apenas uma única especialidade. é uma razão sem razão. mas também pode ser má ou de total indiferença. por exemplo. infelizmente. para se melhorar o currículo. Maurício também não deixa de ser consequência da primeira. pois se o médico. amigos políticos ou livre trânsito nos corredores palacianos. mas. Acho essa razão presunçosa. a priori. É necessário. nada a discutir. Essa sim. Se a pessoa tem facilidade para escrever. se inúteis. Essa impressão pode ser boa. escreva. força interior. Já a obtenção de financiamento para pesquisas.’. uma vez que os assuntos com conteúdo passam a interessar ao meio médico. seja profícuo. que sejam pelo menos elegantes. O Dr. deverá dizê-lo. o que não deixa de ser lamentável. também deveria ser uma consequência da qualidade do trabalho. em Brasília. Somos cerca de 8 mil médicos. tiver algo a dizer. serão 80 artigos a cada 30 dias. Se apenas 1% dessa população resolver escrever um artigo todos os meses. em total desacordo com certos princípios inerentes à formação médica. Aí. 5. em contrapartida. espirituosas. teríamos muita porcaria também. A quarta razão aventada pelo Dr. Escrever. com propósito único de manter a revista viva. Finalmente. Isto. que impele o articulista a escrever. sendo que é muito difícil. a quinta razão está relacionada a quem gosta e sente prazer em escrever. seja ele um pesquisador ou não. nem sempre se dá. antes de mais nada. mencionada no terceiro item. Quanto ao primeiro item. impressionar os outros. escreva coisas proveitosas ou. Maurício ainda chega a sugerir uma sexta razão: ‘manter as revistas em circulação. mais vale ter boas amizades. é inevitável. que o artigo apresentado tenha qualidade. porém. Mas por favor. O segundo item é consequência do primeiro. 186 .

por favor escreva. diria que se você tem algo a acrescentar. José Navarrete. 3. DF. Escrever um artigo vale a pena? BrasíliaMédica. 37. Brasília. 2000. Unidade 5 187 . v. então não escreva. p. Referência: RETAMERA. 123.Ciência e Pesquisa Para finalizar. n. porque nada tem a acrescentar. Mas se você acha que é isso mesmo.

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6 „ Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Redação científica Estrutura lógica do trabalho acadêmico O estilo na redação de um texto científico . Identificar os elementos que enfatizam o estilo na redação científica.UNIDADE 6 Redação científica Objetivos de aprendizagem „ „ Definir redação científica. Conhecer a estrutura lógica que compõe a redação do trabalho acadêmico.

resenha crítica. apesar de ainda não estar totalmente extinto. que a capacidade de redação escrita se aperfeiçoa com o exercício constante da prática da redação.Preparado para a tarefa? Então. É importante salientar. do avaliador ou até mesmo de outros leitores. A partir do momento em que o texto era localizado. Em outros níveis de ensino. .Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você estudará os principais fatores que devem ser observados na redação científica. infelizmente. fichamento. Assim. Todos esses trabalhos necessitam de alguns elementos vinculados à qualidade redacional que devem atender às exigências do professor. narrativos e descritivos. Bastava apenas confeccionar a capa. artigo científico. principalmente no fundamental e médio. Você vai identificar as principais diferenças entre os textos dissertativos. incluindo o nome no espaço reservado à autoria e adequá-lo às exigências de formatação solicitadas pelo professor ou curso. dava-se como encerrada essa tarefa. relatório técnico-científico e monografia. paper. a estrutura lógica do trabalho acadêmico e os elementos que enfatizam o estilo na redação científica. não é adequado à postura que se exige 190 . Esse procedimento. era comum que os alunos tivessem apenas o “trabalho” ou a preocupação de localizar o texto escrito ou a fonte onde encontraria o assunto da pesquisa. neste início de unidade. os elementos apresentados nesta unidade são úteis a você desde que desenvolva um exercício contínuo de produção escrita do conhecimento. vamos lá e bom estudo! Seção 1 – Redação científica Você estudou os principais tipos de trabalhos acadêmicos: resumo.

plágio é crime. Então. elaborados por seus autores. desenvolvendo o processo de comunicação efetivo entre ambos. a natureza dos textos narrativos e dissertativos. nas próximas seções. com certeza não será um bom escritor. Se você não é um bom leitor. é plágio. Os textos técnico-científicos e mesmos os filosóficos apresentam estrutura dissertativa. talvez. os elementos da redação científica diferenciando. Ler. Você estudará. Por isso. no sentido de ser isenta por parte de quem se proponha a fazer críticas ao comunicado. pois o objetivo maior dessa produção é fazer com que as suas ideias sejam compreensíveis. O aprendizado da escrita depende de muitos fatores. escritos. esforçando-se em pensar nas suas qualidades e expectativas. Transcrever em parte. construídos. p. no próprio texto. Os trabalhos acadêmicos devem ser planejados. dos sons. “Nem tudo que se escreve e está escrito comunica conhecimento.Ciência e Pesquisa no meio universitário. 2003. primeiramente. das palavras vazias” (LUCKESI. 165). ao mesmo tempo. Permanece ao nível das regras. Mas antes de você começar a estudar esses elementos é bom conscientizar-se de que ninguém nasceu escrevendo. como fazer uma redação científica? Na produção textual de um trabalho científico é necessário. justamente porque não comunica realidade e não comunica mundo. Unidade 6 191 . A comunicação escrita está mais preocupada com o aspecto da racionalidade (do que propriamente com o da emotividade). seja o principal deles. com esta unidade. que o autor se coloque na condição de leitor. sem mencionar a fonte. primeiramente. E lembre-se. ou na íntegra. informações ou ideias produzidas por outros autores. trocando informações e. pretendendo sempre se tornar mais objetiva e lógica possível em sua manifestação. você conhecerá alguns elementos que envolvem a redação científica.

. A leitura implica em envolvimento emocional. Estrutura Dissertativa O texto é construído por meio de ideias que se encadeiam umas às outras. Há relações de coerência e consequência lógica. etc. os textos ainda podem apresentar outra estrutura. afinidade entre os valores do leitor e do texto.Diferenças entre a estrutura narrativa e a estrutura dissertativa Fonte: Cunha.Universidade do Sul de Santa Catarina Observe as principais diferenças entre a estrutura narrativa e a estrutura dissertativa. Os textos descritivos indicam características e detalhes dos personagens. criam personagens ou apresentam exemplos ilustrativos em seus argumentos. 192 . os autores contam histórias.1 . A mensagem estará completa desde que sejam projetados os sentimentos do leitor. utiliza elementos que são próprios da estrutura narrativa. Além da estrutura narrativa e dissertativa. cenas. preparado para conhecer as estruturas de construção de uma redação científica? Este será o assunto das próximas seções. nem personagens. 1992. Quadro 6. identificação afetiva. das imagens.Então. personagens. p. para tornar seu raciocínio acessível à compreensão do leitor. segundo a reflexão de Cunha (1992. das ações e do ambiente que compõem um determinado objeto e tanto podem inserir-se nos textos narrativos como dissertativos. Não há ações. 11): Estrutura Narrativa Construído com utilização de imagens. ações. a descritiva. de contradição ou de afirmação entre uma ideia e outra. ou seja. muitas vezes. A estrutura dissertativa. nem tempo de ocorrência de fatos.

A estrutura lógica do trabalho acadêmico compreende três partes organicamente relacionadas: introdução. 82): Todo trabalho científico. Para Severino (2000. Esta estrutura reproduz as fases características do pensamento reflexivo: “do sincrético. pelo analítico. p. desenvolvimento e conclusão. a seguir. as partes que compõe o todo não estão nitidamente identificadas. um texto didático. Você sabe quais são os elementos textuais? Os elementos textuais correspondem à estrutura lógica do trabalho. textuais e pós-textuais. seja ele uma tese. Assim: a) a introdução representaria o momento da síncrese. deve formar uma unidade com sentido intrínseco e autônomo [. c) a conclusão representaria a síntese. estruturalmente orgânica. pois articula de forma breve as principais ideias contidas em cada parte do desenvolvimento do trabalho. b) o desenvolvimento representaria a análise. Na síncrese. pois o seu conteúdo está analiticamente dividido em partes. ao sintético”. vQuais elementos a estrutura lógica de trabalho acadêmico deve apresentar? Síncrese significa visão de totalidade sem diferenciação das partes que a compõe. pois apenas apresenta uma visão geral do trabalho.Ciência e Pesquisa Seção 2 .Estrutura lógica do trabalho acadêmico A estrutura geral do trabalho acadêmico compreende três elementos: pré-textuais... Unidade 6 193 . Nesta unidade você estudará somente os elementos textuais. Acompanhe. um artigo ou uma simples resenha deve constituir uma totalidade de inteligibilidade. o conceito e os requisitos presentes em cada parte dessa estrutura. e.].

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Introdução
O objetivo principal da introdução é apresentar o assunto de maneira clara e precisa e, também, a maneira como a pesquisa foi desenvolvida. Os principais requisitos para a redação da introdução são: a) definição do assunto – consiste em anunciar a ideia geral e precisa sobre o tema. Primeiramente, é contextualizada a área de conhecimento em que o tema se situa e, depois, é apresentada de maneira bem específica a questão ou as questões que o trabalho se propõe a responder. Trata-se da problematização da pesquisa. b) objetivos – apresentam as ações que deverão ser desenvolvidas na pesquisa. O verbo no infinitivo (analisar, demonstrar, identificar, descrever, etc.) ajuda na redação do enunciado, apresentando de maneira mais clara o que deverá ser abordado no trabalho. É necessário tomar cuidado para não apresentar objetivos na introdução que não sejam “cumpridos” no desenvolvimento do trabalho. c) justificativa – consiste em apresentar a relevância teórica, científica, prática e social da pesquisa. Deve-se esclarecer os motivos que levaram à escolha do tema e chamar a atenção do leitor para a atualidade do assunto. Uma justificativa bem feita desperta o interesse para a leitura do trabalho. d) metodologia – informa sobre os procedimentos metodológicos da pesquisa, ou seja, os recursos que foram utilizados para a coleta de informações na tentativa de buscar respostas para o problema. Se a pesquisa for puramente bibliográfica convém informar, já de início, as principais fontes e os principais autores que foram utilizados para fundamentar o assunto. Dependendo da natureza da pesquisa, este item pode merecer um capítulo especial no desenvolvimento do trabalho. e) plano de desenvolvimento do trabalho – finaliza a introdução e deve conter os tópicos principais, as ideias-mestras que serão apresentadas no desenvolvimento. Se as divisões do trabalho forem muito extensas (capítulos grandes) é possível antecipar uma ideia geral para cada capítulo.

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A introdução deve ser a última parte do trabalho a ser elaborada. A redação deverá ser iniciada pelo desenvolvimento do trabalho.

Desenvolvimento
O desenvolvimento é dividido em partes e é a fração mais extensa do trabalho, pois nele são apresentados os resultados de tudo aquilo que se pesquisou.
A decomposição do assunto em suas partes constitutivas é condição indispensável para a compreensão do mesmo. É bem mais fácil compreender o assunto quando este estiver dividido, pois sem divisão não se pode identificar claramente o tema central, nem tampouco distinguir o que se quer atribuir ao todo ou somente a uma ou outra de suas partes. (CERVO; BERVIAN, 1983, p. 97).

O desenvolvimento corresponde ao corpo do trabalho. Salomom (apud SEVERINO, 2000) afirma que esta é a fase de fundamentação lógica do trabalho e tem por objetivo explicar, discutir e demonstrar. Explicar é tornar evidente ou compreensível o que estava obscuro ou complexo; é descrever, classificar, definir. Discutir é aproximar, comparativamente, questões antagônicas ou convergentes. Demonstrar é argumentar, provar, apresentar ideias que se sustentam em premissas admitidas como verdadeiras. O desenvolvimento do trabalho começa a se materializar no momento em que o pesquisador estabelece os objetivos e o plano de assunto da pesquisa. Os objetivos específicos devem servir de base para a composição dos capítulos. A elaboração do plano de assunto, por sua vez, permite que se visualize a estruturação do trabalho em suas divisões e subdivisões. Enquanto o desenvolvimento representa a parte analítica do trabalho, a conclusão representa a parte sintética. Analisar é decompor em partes, e sintetizar é recompor as partes que foram decompostas na análise.

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Conclusão
A conclusão é a parte que finaliza a construção lógica do trabalho e deve fazer um balanço geral dos principais resultados alcançados. Não é conveniente detalhar ideias que não tenham sido tratadas no desenvolvimento e nem se deve apresentar um mero resumo do trabalho. Entretanto, na parte inicial, podemos relembrar, de maneira breve, as principais ideias que foram expostas no decorrer dos capítulos. A conclusão deve apresentar um posicionamento reflexivo na forma de interpretação crítica das principais ideias apresentadas no texto. Deve definir o ponto de vista do autor e trazer sua marca pessoal. O trabalho também deve ser avaliado quanto ao seu alcance e limitações. Quanto ao alcance, é importante realçar ou valorizar os resultados, afinal foram despendidos esforços para se chegar aonde se chegou. Quanto às limitações, é importante que se reconheçam as fraquezas ou qualquer dificuldade que tenha ameaçado a qualidade ou o caráter de cientificidade do trabalho. Ao final da conclusão você pode vislumbrar (apenas apontar sem desenvolver) outros temas, que mantenham relação com o tema pesquisado e que possam ser investigados em novas pesquisas.

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Seção 3 - O estilo na redação de um texto científico
Os elementos que enfatizam o estilo na redação de um texto científico, em geral, são: objetividade, clareza e concisão, simplicidade e coerência. a) Objetividade - linguagem direta, sem considerações irrelevantes, com as ideias apresentadas sem ambiguidade e utilizando frases curtas e simples, com vocabulário adequado ao tema proposto na redação. b) Clareza e concisão - expressar as ideias em poucas palavras, evitando a argumentação muito abstrata e a repetição desnecessária de detalhes que não sejam relevantes à fundamentação do tema abordado na redação. c) Simplicidade - utilizar apenas as palavras necessárias para o entendimento do tema da redação, evitando o abuso do uso de jargões técnicos e de sinônimos pelo simples prazer da variedade de palavras. d) Coerência - as ideias devem ser apresentadas segundo uma sequência lógica e ordenada, permitindo ao leitor acompanhar o raciocínio do autor da redação do começo ao fim. Luckesi (2003, p. 164) ressalta que estas qualidades são “[...] puramente instrumentais, simples meios para que melhor se comunique a visão de mundo a que se chegou através do processo de conhecer”, não isentando, porém, da preocupação em buscar uma expressão mais clara possível neste tipo de comunicação, como também, não desvalorizar o conhecimento da própria língua. Segundo Rudio (1999, p. 32-33), “não existem regras padronizadas para alguém saber com certeza, quais os termos que devem ser selecionados para definição. Isto depende do discernimento do pesquisador”. Além disso, durante o processo de redação, deve-se escolher adequadamente as palavras que farão parte do repertório teórico do texto. “Algumas palavras ‘caem’ melhor do que
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. 2002. A seguir. 198 . da situação abordada. a cada ideia nova ou de reforço abre-se parágrafo.Universidade do Sul de Santa Catarina outras. c) posicione-se. e) evite iniciar ou terminar a redação dos capítulos com citação (seja direta ou indireta).Agora que você conheceu a estrutura e os elementos que compõem um trabalho científico. Por isto. d) seja coerente do começo ao fim do texto. realize as atividades propostas a seguir. nem muito curto. pois esta tem a função de endossar ou de ajudar na argumentação das ideias do autor da redação. p. pois o texto científico é por excelência uma redação dissertativa. como também as repetições e detalhes supérfluos na exposição dos resultados. b) não misture as pessoas verbais. não misturando planos de ideias e argumentos. Como suporte para essa atividade de escolha das palavras podem ser utilizados tantos os dicionários comuns como os especializados”. que está constituída de uma introdução. permitindo ao leitor acompanhá-lo do começo ao fim da produção textual. na qual seu ponto de vista deve estar salientado. amparando-se nos autores consultados e destacados ao longo da redação produzida. lembramos também outros aspectos importantes para bem escrever uma redação. g) a construção da redação deve reproduzir a estrutura lógica do próprio trabalho. evitando-se as “armadilhas” semânticas da ambiguidade. (MÁTTAR NETO. do problema discutido etc. 231). do que se conclui que seu tamanho não pode ser muito longo. de um corpo (e/ou desenvolvimento) e de uma conclusão. tais como: a) o sentido do texto deve ser preciso. f) o parágrafo é uma parte importante do texto que tem por finalidade expressar as etapas de raciocínio do autor. dependendo da frase. escolhendo apenas uma pessoa para compor o seu texto.

tendo como objetivo último apresentar os resultados de tudo aquilo o que foi pesquisado. afinidade entre os valores do leitor e do texto. em geral. procede-se à análise. Para isto. Na redação científica. pois o seu conteúdo está dividido em partes. uma visão geral do trabalho. No desenvolvimento. temos: objetividade (linguagem direta. Os textos científicos e filosóficos. Na estrutura dissertativa. sem considerações irrelevantes). identificação afetiva. narrativos e descritivos. Unidade 6 199 . evitando a argumentação muito abstrata). permitindo a este trocar informações com o autor. Na estrutura descritiva indicam-se com detalhes as características dos personagens e objetos que compõem as cenas que formam o texto. Na introdução se apresenta. é fundamental que o autor sempre se coloque na condição de leitor. de forma clara e precisa. desenvolve-se o balanço geral dos principais resultados alcançados. é necessário desenvolver ideias que sejam compreensíveis ao leitor. Quanto aos elementos que enfatizam o estilo na redação de um texto científico. simplicidade (utilizar apenas as palavras necessárias para o entendimento do tema da redação) e coerência (as ideias devem ser apresentadas segundo uma sequência lógica e ordenada).Ciência e Pesquisa Síntese Nesta unidade você estudou os principais fatores que devem ser considerados na redação científica. a leitura implica em envolvimento emocional. clareza e concisão (expressar as ideias em poucas palavras. pois articula de forma breve as principais ideias que estão contidas nas partes do desenvolvimento do trabalho. quais sejam: as principais diferenças entre os textos dissertativos. há relações de coerência e consequência lógica entre as ideias do texto. narrativa e descritiva. a estrutura lógica do trabalho acadêmico e os elementos que enfatizam o estilo na redação. É o momento de avaliação crítica dos resultados apresentados no desenvolvimento. desenvolvimento e conclusão. A estrutura lógica do trabalho científico é formada por três elementos: introdução. Na conclusão. ressaltando a maneira como a pesquisa foi realizada. Na estrutura narrativa. são escritos a partir da estrutura dissertativa. como também. apresenta-se a síntese.

2) Leia os textos e classifique-os quanto à estrutura (narrativa ou dissertativa) e justifique sua resposta. sem considerações irrelevantes. vindo ninguém sabia de onde. montava num alazão. trazia bombachas claras. 1) Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira em relação aos elementos que enfatizam o estilo na redação de um texto científico. a bela cabeça de macho altivamente erguida e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. evitando a argumentação muito abstrata e a repetição desnecessária de detalhes que não sejam relevantes à fundamentação do tema abordado na redação. com as ideias apresentadas sem ambiguidade e utilizando frases curtas e simples. as atividades. botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul. 200 . ( ) Utilizar apenas as palavras necessárias para o entendimento do tema da redação. a) Coerência b) Simplicidade c) Clareza e concisão d) Objetividade ( ) Linguagem direta.Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação Leia com atenção os enunciados e realize. evitando o abuso do uso de jargões técnicos e de sinônimos pelo simples prazer da variedade de palavras. permitindo ao leitor acompanhar o raciocínio do autor da redação do começo ao fim. a seguir. Texto A Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo. ( ) As ideias devem ser apresentadas segundo uma sequência lógica e ordenada. ( ) Expressar as ideias em poucas palavras. com vocabulário adequado ao tema proposto na redação. com gola vermelha e botões de metal. (Um certo capitão Rodrigo – Érico Veríssimo (2004). Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta. com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca.

nós mesmos. os valores. Unidade 6 201 . os comportamentos. É permitido transcrever em parte. e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. uma interrogação sobre o que são as coisas. p. um dizer não ao senso comum. ao que “todo mundo diz e pensa”. A segunda característica da atitude filosófica é positiva.Ciência e Pesquisa Texto B A atitude crítica A primeira característica da atitude filosófica é negativa. 3) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) e justifique sua opção caso a alternativa escolhida seja falsa. escritos. aos fatos e às ideias da experiência cotidiana. isto é. os fatos. É também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós. isto é. as ideias. elaborados por seus autores. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica. construídos. (CHAUÍ. 9). as situações. aos pré-juízos. a) ( ) Os trabalhos acadêmicos devem ser planejados. 2002. ou na íntegra. ao estabelecido. aos pré-conceitos. sem mencionar a fonte. informações ou ideias produzidas por outros autores.

demonstrar.) ajuda na redação do enunciado. 202 . identificar. O verbo no infinitivo (analisar. apresentando de maneira mais clara o que deverá ser abordado no trabalho. etc. f) () Deve-se iniciar ou terminar a redação dos capítulos apresentando uma citação textual.Universidade do Sul de Santa Catarina b) ( ) Na estrutura do texto narrativo há relações de coerência e consequência lógica. textuais e póstextuais. c) ( ) A estrutura lógica do trabalho acadêmico compreende três partes organicamente relacionadas: elementos pré-textuais. na introdução do trabalho apresentam as ações que deverão ser desenvolvidas na pesquisa. de contradição ou de afirmação entre uma ideia e outra. É necessário tomar cuidado para não apresentar objetivos na introdução que não sejam “cumpridos” no desenvolvimento do trabalho. descrever. d) ( ) Os objetivos.

. A essa captura chamaremos interpretação. auditivos. no caso dos textos orais. letras. de textos. mas a composição de significados por meio de entrelaçamento físico de sinais apropriados. formas sobre o mármore ou o bronze ou outro material. formando nomes. Quando joga. A esse entrelaçamento de sinais físicos sobre um suporte apropriado chamaremos de suporte material de um texto. Por isso é que se fala em indústria têxtil para referir-se à indústria de tecidos. qualquer outro suporte de escrita ou de inscrições. No caso. você pode ter inventado códigos para se comunicar com seu parceiro. Interpretações só existem por causa dos intérpretes. p. artigos. etc. as letras do alfabeto. traços fisicamente construídos sobre o papel ou sobre a rocha. porém. no sentido dos objetos especiais que transmitem pensamentos e documentam tradições. verbos. de pessoas que as operam. por exemplo. as notas musicais etc. que relacionam os sinais físicos com um certo código. significa não composição de fios. isto é. a acepção de tecido dá-se em outro contexto. ou quando opera um Unidade 6 203 . visuais. Já a composição dos significados é aquilo que a consciência pode capturar a partir dos sinais. pois há composição de significados.Ciência e Pesquisa Saiba mais Leia. sons e vozes. Texto. o mármore. constitui um texto. a seguir. Esse suporte. cores e figuras. Um conjunto de palavras formando uma frase escrita. Assim existem os textos orais. pode consistir de traços sobre o papel. Também os sinais em que se inscrevem essas mensagens podem ser os mais variados: os gestos do nosso corpo. e assim por diante. um texto de José Auri Cunha (1992. Você certamente já tem experiência no uso de códigos. 7-8). neste caso. Mas também consideraremos texto todo objeto portador de mensagem. e entrelaçamento de sinais. no caso dos textos pictóricos. O conceito de texto A palavra texto significa tecido. enfim. como foi dito.

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caixa eletrônico de um banco, você digita o seu código para o computador liberar as informações sobre a sua conta. Ou seja: código é uma senha combinada, uma regra para operar uma interpretação. Operar uma interpretação de um texto é a mesma coisa que decodificar esse texto, isto é, utilizando códigos, capturar na consciência os significados transmitidos através dos sinais convencionados.

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Para concluir o estudo
Ciência e pesquisa é uma disciplina institucional que tem como preocupação básica oferecer ao estudante os meios necessários para desenvolver conhecimentos voltados ao processo de produção científica. Trata-se de conhecimentos que permitem a interdisciplinaridade, pois a disciplina dispõe de unidades de estudo de interesse de várias áreas do conhecimento. Este é o grande diferencial da disciplina que atende, principalmente, às novas exigências da educação superior, preocupada em estimular o aluno a pensar dialeticamente, uma vez que podemos observar, hoje, a multiplicação de informações decorrentes das mudanças impulsionadas pela mundialização da economia. Os conteúdos apresentados no livro não pretenderam esgotar todas as informações referentes à disciplina, mas, sem sombra de dúvida, permitiram o acesso, com consistência, às informações iniciais para quem tem a pretensão de iniciar-se no mundo da pesquisa. Agradecemos sua companhia e mais uma vez enfatizamos o desejo de que este livro tenha contribuído no sentido de oferecer informações necessárias para fazer ciência e pesquisa. Um grande abraço! Prof. Vilson Leonel e Prof. Alexandre de Medeiros Motta

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é professor da Unisul. e leciona as seguintes disciplinas: Estágio Supervisionado em História III e Orientação de monografias no curso de História. Organizador do livro Diretrizes para a elaboração e apresentação da monografia no curso de Direito. Alexandre de Medeiros Motta é graduado em Estudos Sociais e História pela extinta Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (FESSC). coordenou o ensino fundamental na Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Tubarão. Atualmente é docente da Universidade do Sul de Santa Catarina nas disciplinas Ciência e Pesquisa. Atualmente.Sobre os professores conteudistas Vilson Leonel é graduado em Filosofia pela Universidade do Sul de Santa Catarina (1985) e. Campus Tubarão e professor de Metodologia Científica. Técnicas de Pesquisa em Comunicação no curso de Comunicação Social. desde 1987. Atuou como professor de História no ensino fundamental e médio nas redes de ensino pública e privada e. mestre em Ciências da Linguagem pela Unisul. É professor conteudista e tutor das disciplinas de Metodologia Científica e Metodologia da Pesquisa. direito e Educação. . Metodologia da Pesquisa Jurídica e Monografia. mestrando em Educação na mesma Instituição (UNISUL). também. além de lecionar a disciplina Metodologia da Pesquisa em vários cursos de Pós-Graduação da Unisul. especialista em Metodologia do Ensino Superior também pela extinta FESSC. coordenador de Estágio II no curso de Ciências Contábeis. atuando principalmente nos seguintes temas: Produção científica. Metodologia da Pesquisa nos cursos de Administração e Ciências Contábeis. Coordenador do Núcleo de Monografia no curso de Direito.

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desenvolvido de modo sistemático e planejado. de modo a se revelar como um conhecimento que transcende ao âmbito humano e se vincula às forças divinas. como resultante da vivência das pessoas. estamos diante do conhecimento popular que se relaciona diretamente aos problemas vividos no dia a dia. sem comprovações de causa ou dos fatores que interferem nos problemas diários. que é apreendido e transformado em conceito. a fim de desestabilizar o que está posto na realidade. f) Esta afirmativa se refere ao conhecimento religioso que se ampara na fé das pessoas. Ou seja. cada tipo de conhecimento tem o seu jeito de conhecer a realidade. de modos diferentes para entendê-las. e) Mais uma vez. 2) a) Trata-se do conhecimento filosófico. b) Este é o conhecimento científico. que se constitui em um estudo racional sobre um determinado objeto. . d) A afirmativa proposta relaciona-se ao conhecimento filosófico que se pauta no desenvolvimento do exercício do pensamento. o seu trabalho. 3) Porque cada problema apresenta peculiaridades que não se resolvem de uma única maneira.Respostas e comentários das atividades de autoavaliação Unidade 1 1) Na relação sujeito-objeto. que se vincula à vivência das pessoas no dia a dia. que utiliza o pensamento racional para refletir sobre os problemas do cotidiano. precisando. capacidade de conhecer. o sujeito é aquele que possui capacidade cognitiva. Há muitos exemplos que representam essa relação. O objeto é aquilo que se manifesta à consciência do sujeito. No campo de atuação profissional. isto é. o sujeito é o próprio profissional que pensa e planeja suas ações e o objeto é o que resulta da ação. c) Esta afirmativa se refere ao conhecimento popular. para isso.

a ciência é o meio mais adequado para o controle prático da natureza. Unidade 2 1) A visão contemporânea de ciência é marcada pelas rupturas epistemológicas. 2) A alternativa correta é a letra “d”.Universidade do Sul de Santa Catarina 4) a) É correto afirmar que o conhecimento. não havendo um modelo exclusivo que caracterize o conhecimento científico nessa época. para ser conhecimento. c) É correto afirmar que entre os tipos de conhecimento não existe um grau de hierarquia. Por isso. Assim. marcada pelas verdades dogmáticas e imutáveis. 3) Para Barros e Lehfeld (1986. funcionam socialmente. pois a ecologia está situada no grupo das ciências naturais e não nas ciências sociais ou humanas. III e IV estão corretas. 70). As afirmações I. A resposta correta é: a) Verificável b) Factual c) Racional d) Objetivo e) Intersubjetivo f) Preditivo g) Metódico h) Movido por paradigmas i) Descritivo-explicativo j) Comunicável 218 . p. b) É correto afirmar que o conhecimento é a tomada de consciência de um mundo vivido pelo homem. neste conhecimento coexistem dois pólos: o sujeito que conhece e o objeto que é conhecido. precisa nos levar ao entendimento da realidade. EXCETO a afirmação II. desde o popular até o artístico.] matriz de recursos técnicos e/ou tecnológicos. pois todos eles são formas de entender a realidade e. Ruptura epistemológica significa revisão crítica do conhecimento e tentativas de superar aquela visão estática. os quais utilizados com sabedoria contribuem para uma vida humana mais satisfatória enquanto efetivação instrumental do fazer e do agir”. por isso.. ele se classifica em vários tipos. tão característico em toda a história do conhecimento científico.. transformando-a em “[.

b. c. observa. pesquisa descritiva e pesquisa explicativa. 2) Utilizou-se nesta pesquisa o método estatístico. e) É a pesquisa explicativa que tem como preocupação fundamental identificar fatores que contribuem ou agem como causa para a ocorrência de determinados fenômenos. Neste sentido. teremos três grandes grupos: pesquisa exploratória. 219 . geralmente. d. d) É a pesquisa descritiva que analisa. a.Ciência e Pesquisa Unidade 3 1) A principal diferença entre o método de abordagem e o procedimento é que o método de abordagem tem uma preocupação maior com a linha de raciocínio. h. Já o método de procedimento tem uma preocupação maior com o “fazer” da pesquisa. Na pesquisa descritiva. O método de abordagem. está vinculado a uma concepção teóricometodológica. 2) As alternativas a. e. 3) Respostas da palavra cruzada 1 Método científico 2 Criatividade 3 Métodos de abordagem 4 Método dedutivo 5 Método dialético 6 Método fenomenológico 7 Técnica de pesquisa 8 Catalogação de documentos 9 Método indutivo 10 Entrevista Unidade 4 1) A sequência correta é a seguinte: c. b) Se classificarmos as pesquisas levando em conta os objetivos. com o fio condutor da pesquisa. f. sem manipulálos. Esta evidência se dá a partir dos resultados representados por meio de percentuais. m e n são verdadeiras. os fenômenos humanos ou naturais são investigados sem a interferência do pesquisador. Veja o comentário das que estão incorretas. o pesquisador precisa estabelecer ações relacionadas à aplicação das técnicas de investigação. registra e correlaciona os aspectos (variáveis) que envolvem fatos ou fenômenos.

sexo. nível socioeconômico.a variável independente é o tratamento (substância adicionada à ração). três elementos: manipulação de uma ou mais variáveis. a pesquisa é classificada como quantitativa. 220 . a pesquisa é classificada de estudo de levantamento. A maioria das pesquisas do tipo levantamento ocorre por amostragens. O estudo comparativo compara dois tratamentos. no caso da pesquisa fora estudados por meio de um questionário autopreenchível. 4) a) Manipulação de variáveis . no mínimo. j) No esquema fatorial.Universidade do Sul de Santa Catarina g) A delimitação da extensão do assunto deverá ser a mais específica e focada. tempo diário assistindo à televisão. Variável dependente: sedentarismo b) A pesquisa quanto ao nível é classificada como descritiva. tempo diário assistindo à televisão. nível socioeconômico. possível para permitir que se pesquise com maior profundidade os aspectos relacionados ao tema. pois os resultados são analisados em percentuais. Quanto à abordagem. 3) a) As variáveis presentes são: sedentarismo. tempo diário de uso de videogame e deslocamento ativo para a escola. tempo diário de uso de videogame e deslocamento ativo para a escola. controle de variáveis estranhas ao fenômeno observado e composição aleatória dos grupos experimental e controle. o investigador não modifica a realidade. o pesquisador trabalha com mais de duas variáveis independentes para observar seus efeitos. tempo diário de uso de videogame e deslocamento ativo para a escola). O estudo de levantamento procura analisar características de determinada população. tempo diário assistindo à televisão. ter mãe inativa. mediante análise multivariada. ter mãe inativa. nível socioeconômico. sobre a variável dependente. quantitativamente. pois associa a variável sedentarismo com um conjunto de outras variáveis denominadas no estudo de fatores associados (sexo. A pesquisa descritiva associa variáveis sem manipulá-las. Variável independente: sexo. i) Para que a pesquisa experimental possa ser desenvolvida é necessário ter. de forma associada ou separadamente. características de determinada população. Quanto ao procedimento utilizado na coleta de dados. l) As pesquisas do tipo levantamento procuram analisar. ter mãe inativa. k) Nos estudos de caso controle investigam-se os fatos após a sua ocorrência sem a manipulação da variável independente. Nesse tipo de estudo. 4.452 adolescentes de 10-12 anos de idade. A variável está sendo manipulada na medida em que um grupo recebe a substância e o outro não.

o pesquisador dividiu o conjunto de ratos em dois grupos. também. 4) a) É um artigo original porque os resultados da pesquisa foram produzidos pelos próprios autores. isto é. mesma distribuição por sexo. com 5. Fukahori e Haydu (2004) e: “Os filmes com cenas de violência aumentam a agressividade nas crianças?” 2) É preciso ser honesto no momento em que se elabora um trabalho acadêmico. isto quer dizer que. Não é correto copiar fragmentos ou trabalhos na íntegra de outros autores sem citar a fonte. mesma iluminação etc. Foi usado um questionário de autorrespostas. mesma linhagem e colocou-os em ambientes com mesma temperatura. ele pegou ratos de mesma idade.227 estudantes do 1º ao 6º ano de graduação. O grupo que recebeu o tratamento é considerado o grupo experimental e o grupo que não recebeu o tratamento é considerado o grupo controle. isoladas para não interferir no fator que está sendo analisado. mesmo espaço físico. o que o autor quis saber ou pesquisar? Qual o perfil dos proprietários de empresas familiares? Os proprietários das empresas familiares estão acompanhando as modificações decorrentes do desenvolvimento tecnológicos e das mudanças políticas e econômicas? 221 . pois o position paper é o posicionamento sobre um tema ou assunto acompanhado de uma breve revisão de literatura para conhecer. pois permite ao pesquisador saber com mais precisão a influência do tratamento com a substância sobre o peso dos ratos. A neutralização dessas variáveis é importante. 3) A alternativa incorreta é a “b”. A pesquisa foi realizada entre 1994 e 1995. c) Randomização (composição aleatória dos grupos experimental e controle) .o pesquisador tomou um conjunto de ratos similares e os manteve em condições idênticas durante algum tempo. anônimo. portanto. o posicionamento de outros autores. Essas variáveis são.Ciência e Pesquisa b) Controle de variáveis . incluindo o questionário da Organização Mundial da Saúde para levantamento de uso de drogas e álcool. 5) a) Empreendedorismo b) Qual o problema subjacente ao assunto pesquisado. A pesquisa experimental exige que a composição dos grupos seja por sorteio (randomizado). Os resultados produzidos no artigo são inéditos e originalmente produzidos pelos seus autores. no caso o peso dos ratos. Unidade 5 1) O problema de pesquisa subjacente ao estudo se Batista.

preferencialmente. as situações e objetos que envolvem a cena (porte físico do capitão. 222 . f) É falso.Universidade do Sul de Santa Catarina c) Como objetivo geral da pesquisa. seguem duas alternativas: Objetivo específico (1) Identificar os fatores responsáveis pela sobrevivência de empresas familiares Objetivo específico (2) Analisar o perfil de seus empreendedores e) Na justificativa. 2) a) A estrutura do texto é descritiva porque apresenta. você pode apresentar os seguintes argumentos: na pesquisa é enfatizada a importância do estudo dos fatores comportamentais dos empreendedores em empresas familiares. d) Como objetivos específicos referentes à pesquisa. de contradição ou de afirmação entre uma ideia e outra. b) Falso. b) A estrutura do texto é dissertativa porque há relações de coerência e consequência lógica entre uma ideia e outra. 3) a) É falso porque transcrever sem mencionar a fonte é plágio e plágio é crime. a. b. iniciados e concluídos com ideias próprias. face às mudanças ocorridas nas organizações em função do desenvolvimento tecnológico e as mudanças políticas e econômicas ocorridas no ambiente empresarial atual. com detalhes. pode ser: Identificar os fatores responsáveis pela sobrevivência de empresas familiares por meio da análise do perfil de seus empreendedores. pois os textos devem ser. porque é na estrutura do texto dissertativo que há relações de coerência e consequência lógica. botas. f) A pesquisa foi realizada por meio da aplicação de questionários e entrevistas. Unidade 6 1) A sequência correta é a seguinte: d. chapéu e outros elementos). c. d) Verdadeiro. c) Verdadeiro.

unisul.br/bdassinadas Acesso a bases de dados gratuitas selecionadas www.br/bdgratuitas Acesso a jornais e revistas on-line www.unisul. será lhe enviado o sumário da obra para que você possa escolher quais capítulos deseja solicitar a reprodução. Qualquer dúvida escreva para bv@unisul. . unisul. unisul.br * Se você optar por escaneamento de parte do livro.Biblioteca Virtual Veja a seguir os serviços oferecidos pela Biblioteca Virtual aos alunos a distância: „ Pesquisa a publicações online www.br/emprestimosEscaneamento de parte de obra* „ „ „ „ Acesse a página da Biblioteca Virtual da Unisul. disponível no EVA e explore seus recursos digitais.br/periodicos Empréstimo de livros www. Lembrando que para não ferir a Lei dos direitos autorais (Lei 9610/98) pode-se reproduzir até 10% do total de páginas do livro.unisul.br/textocompleto Acesso a bases de dados assinadas www.