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LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof.

Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009

9.

INDICIAMENTO 9.1. Conceito – “Indiciar é atribuir a alguém a autoria de uma infração penal.”

9.2. Pressupostos para o Indiciamento – O simples indiciamento já traz prejuízo. Por esse motivo, quais os pressupostos para o indiciamento?   Provas da materialidade Indícios de autoria

9.3. Atribuição para o indiciamento – É privativa da autoridade policial. Há quem diga que o MP não pode requisitar o indiciamento de alguém porque este é um ato privativo do delegado. Ele, se quiser, que denuncie essa pessoa. 9.4. Indiciamento direto X Indiciamento indireto – O indiciamento direto ocorre quando o indiciado está presente. É feito na presença do indiciado, enquanto que o indiciamento indireto ocorre quando o indiciado está ausente. 9.5. Sujeito passivo do indiciamento – O ponto mais importante de ser cobrado no concurso é esse último ponto: Sujeito passivo. Quem é que pode ser indiciado? Qualquer um pode ser? Ou tem alguém que pode não ser indiciado? Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada. Mas há exceções (e é isso que pode ser cobrado): α) Membros do Ministério Público – essa prerrogativa está no art. 41, II, da Lei nº 8625/93. Se vc está investigando um delito e percebe que há envolvimento de um membro do MP, automaticamente vc interrompe e remete os autos ao PGJ. Geralmente, o procurador designa uma comissão de procuradores para acompanhar o caso. “Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica: II - não ser indiciado em inquérito policial, observado o disposto no parágrafo único deste artigo; Parágrafo único. Quando no curso de investigação, houver indício da prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público, a autoridade policial, civil ou militar remeterá, imediatamente, sob pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador-Geral de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração.” β) Juízes – também não podem ser indiciados. A regra é a mesma do Ministério Público. Remessa dos autos ao Presidente do Tribunal respectivo. χ) Deputado Federal, Senador da República – para os membros do MP, existe lei, para os membros da magistratura existe lei (LOMAN). E titulares de foro por prerrogativa de função tem lei prevista? A Constituição diz que deputados 19

Sepúlveda Pertence entendeu o seguinte: uma coisa é vc ser julgado no STF e outra coisa é ser indiciado. Não haveria problema algum ele ser indiciado. § 3º. 10.” “Art. “Art. Qual seria a justificativa para esse posicionamento? A CF diz que no Estado de Defesa (art. essa incomunicabilidade é proibida. 136). Lembrar que é da década de 40 e tem inspiração fascista. extremamente autoritário. em qualquer hipótese. prevista no art. “Se no estado de exceção não é possível a incomunicabilidade do preso.” Quando uma investigação se dá em relação a MP.Na vigência do estado de defesa: IV . A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. Acham que a exceção só vale para o estado de defesa e não para o estado normal.” Damásio e Vicente Greco Filho entendem que ainda é possível essa incomunicabilidade. será designado no órgão competente um ministro ou desembargador para acompanhar o caso concreto. que não excederá de três dias. do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil” Esta incomunicabilidade.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. será decretada por despacho fundamentado do Juiz. do CPP. respeitado. Juízes. mesmo tendo sido modificado ao longo dos anos. Em questão de ordem levantada por Gilmar Mendes. Que Ministro do STF acompanhou isso? Joaquim Barbosa. está de acordo com a CF? Não. INCOMUNICABILIDADE DO INDICIADO PRESO Ele pode ser privado de comunicação com o meio exterior? O Código diz que sim. Esta incomunicabilidade não foi recepcionada pela Constituição de 1988. 21. IV: § 3º . ou do órgão do Ministério Público.” Da mesma forma que o indiciamento. a instauração de IPL contra essas pessoas também precisam de autorização do ministro ou desembargador relator (Inquérito 2411 – acabou sendo a posição definitiva do STF que acabou anulando o indiciamento). o que prevaleceu foi o seguinte: “titulares de foro por prerrogativa de função não poderão ser indiciados sem prévia autorização do Ministro ou desembargador relator. o disposto no artigo 89. Tem alguma lei que diga isso? Não. inciso III. A incomunicabilidade. deputados federais e senadores. Parágrafo único. 20 . Aí vale o bom-senso. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 serão julgados pelo STF e que não poderão ser indiciados. É fácil vc pensar isso quando se lembra do caso “Mensalão”. Mas não foi o que prevaleceu. o que dizer em um estado de normalidade.136.é vedada a incomunicabilidade do preso. 21. a requerimento da autoridade policial. Um Senador foi indiciado por um delegado da PF e foi ao Supremo questionar isso. Outro detalhe importante: “Esta mesma autorização é indispensável para a instauração de inquérito.

mas não é hipótese de incomunicabilidade.792.792.” RDD não é hipótese de incomunicabilidade.2003) § 1o O regime disciplinar diferenciado também poderá abrigar presos provisórios ou condenados.2003) II . até o limite de um sexto da pena aplicada.792. (Incluído pela Lei nº 10. um monitoramento mais rígido.792. PRAZO PARA A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL Quanto a esse tema é importante que se tenha em mente que uma coisa é o prazo do CPP e uma coisa é quando o acusado está preso e outra coisa.2003) I . • • Investigado preso – prazo de 10 dias. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 11.visitas semanais de duas pessoas. (Incluído pela Lei nº 10. RDD: REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO Foi introduzido na LEP.2003) IV . com as seguintes características: (Redação dada pela Lei nº 10.12.o preso terá direito à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol. de 1º.792.12.” “Agendamento e organização de visitas não significam incomunicabilidade. de 1º. (Incluído pela Lei nº 10.duração máxima de trezentos e sessenta dias. 52. que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. sujeita o preso provisório.12. em organizações criminosas. (Incluído pela Lei nº 10. 21 . em seu art.recolhimento em cela individual. com duração de duas horas. de 1º. (Incluído pela Lei nº 10. sem contar as crianças. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e. nacionais ou estrangeiros. sem prejuízo da sanção penal.12. de 1º. ou condenado. 52. quadrilha ou bando. 12.12.2003) III .LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. quando está solto. Existe uma certa restrição.2003) § 2o Estará igualmente sujeito ao regime disciplinar diferenciado o preso provisório ou o condenado sob o qual recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação. sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie. de 1º. a qualquer título.792. de 1º. RDD é hipótese de incomunicabilidade? “Art. quando ocasione subversão da ordem ou disciplina internas. Investigado solto – prazo de 30 dias.12. ao regime disciplinar diferenciado.

réu solto: 40 dias.521/51)– 10 dias para as duas hipóteses. Mas há doutrinadores que entendem que seria prazo de direito penal. JUSTIÇA FEDERAL (foi pergunta de prova oral . O dia do início não é computado. esse prazo pode ser prorrogado. duas correntes.343/06) – réu preso: 30 dias e réu solto: 90 dias. pois. O prazo de 30 dias (réu solto) não há dúvida de que é um prazo processual penal. À 0 hora de terça (17) pra quarta (18). Com um detalhe: esses prazos podem ser duplicados. ele terá que ser colocado em liberdade porque é um prazo penal.” Se ele está preso há 90 dias e o inquérito não foi concluído. estando o investigado preso ou solto. Cidadão foi preso temporariamente no dia 09 às 11 horas da noite. Que dia ele tem que ser solto? Prisão é prazo penal! Independentemente do horário que vc foi preso. • • • • • Prazos de conclusão do IPL CPP CPM JUSTIÇA FEDERAL LEI DE DROGAS LEI DA ECONOMIA POPULAR RÉU PRESO 10 dias 20 dias 15 dias (até 2 x) 30 dias (até 2 x) 10 dias RÉU SOLTO 30 dias 40 dias 30 dias 90 dias (até 2 x) 10 dias 13. Tudo porque o prazo pode ser prorrogado. Esse prazo varia conforme legislação especial: • • • • • CPP – 30 dias e 10 dias CPM – Código de Processo Penal Militar – réu preso: 20 dias. há abuso e a prisão deve ser relaxada.TRF 5ª) – Prazo de 15 dias para réu preso e réu solto de 30 dias. CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL 22 . sem prejuízo da continuidade do processo. Ás vezes fica anos sem que nenhuma diligência seja feita pelo delegado e nem pedida pelo promotor.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. Neste caso. Outro ponto importante: Este prazo é penal ou processual penal? • • Prazo processual penal – o dia do início não é levado em consideração Prazo penal – o dia do início já é levado em consideração. é caso de relaxamento da prisão. É lei mais recente que traz um prazo mais coerente. São. a lei 5010 permite que o prazo para réu preso seja duplicado. LEI DA ECONOMIA POPULAR (1. “Se restar caracterizado um excesso abusivo. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 Alguns detalhes importantes: esses prazos podem ser prorrogados? Em se tratando de investigado solto. isso já conta como dia. LEI DE DROGAS (11. E no caso do réu preso? Aqui não.

contado o prazo. Tramita no Congresso Nacional um projeto que torna obrigatória a remessa ao MP. Findos os prazos a que se refere o art. Concluído o inquérito com o relatório. opino pelo arquivamento). 10. nesta hipótese. 23 . a conduta. ocorre a remessa ao MP. Ou seja. Quem ouviu. ou no prazo de 30 dias. Não é o procedimento ideal num sistema em que o juiz deve permanecer fora. que perícias foram realizadas. para onde o inquérito é remetido? Art. Chegando os autos do inquérito ao juiz. ou estiver preso preventivamente. mediante fiança ou sem ela. § 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente. Delegado tem que dar opinião? Há relatórios em que o delegado opina e fundamenta (“é caso de aplicação do princípio da insignificância. Mas. 51 desta Lei. na Bahia e no Rio de Janeiro.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. É traficante ou usuário? Na hora de o delegado relatar o inquérito de tráfico terá que fazer um juízo de valor. o relatório da autoridade policial não é uma peça obrigatória.” Há alguma exceção? Alguma hipótese em que o delegado faz juízo de valor? SIM. “Art. Porque acha que é tráfico e porque acha que não é tráfico. o que acontece? Depende da ação penal. O que o delegado faz no relatório? O relatório é uma peça de caráter essencialmente descritivo. Tem que dizer o que fez ao longo do inquérito. que é o MP. no Paraná.” Por meio de resolução. uma vez concluído. a autoridade de polícia judiciária. É óbvio que dentro das atribuições do delegado está a sua confecção. ou O relatório é peça indispensável? O relatório do delegado é necessário para o oferecimento da denúncia? Tecnicamente. a remessa é ao juiz.relatará sumariamente as circunstâncias do fato. quando estiver solto. a qualificação e os antecedentes do agente. Na lei de drogas há uma exceção interessante que é a do art. são as chamadas de “Centrais de Inquérito. a partir do dia em que se executar a ordem de prisão.” “O inquérito policial.” É isso que acontece em todos os Estados da Federação? Não. remetendo os autos do inquérito ao juízo: I . indicando a quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido. Mas não tem que fazer isso. ao invés de remeter ao Judiciário. por meio de um relatório. por meio de portaria. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 O inquérito policial e concluído como? Em regra. de acordo com o código. Quem é o titular da ação penal é o MP. de acordo com o Código. deverá ser remetido ao Poder Judiciário. o delegado tem que dizer o que ele vê ao longo das investigações. “No relatório policial não deve ser feito um juízo de valor porque esse juízo de valor é próprio do titular da ação penal. se o indiciado tiver sido preso em flagrante. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias. Exemplo: artista da Globo em hotel com muitos gramas de cocaína. Assim. remete-se ao MP. mas sua ausência não prejudica o início da ação penal. justificando as razões que a levaram à classificação do delito. CPP: ”Art.10. o local e as condições em que se desenvolveu a ação criminosa. as circunstâncias da prisão. 52. 52. por exemplo. § 1º. em vez de remeter ao juiz.

VISTA AO MINISTÉRIO PÚBLICO Chegando o inquérito ao MP. corretamente é isso. imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. Na prática. Isso está correto? Não. 3ª Possibilidade: Arquivamento do inquérito policial (veremos adiante). 15. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial. Esse conflito pode ser positivo e negativo. “Art. 16. Neste caso. o Judiciário vai abrir vista ao MP. Ele requer ao juiz a remessa dos autos à Justiça Militar. 4ª Possibilidade: Alegação de incompetência. Não cabe ao juiz entrar nessa análise porque ele não é o titular da ação penal. neste caso. O juiz entende a diligência desnecessária por fornecerem os autos indícios mais do que suficientes ao oferecimento da denúncia. Se o crime for de ação penal privada. o que se faz? Isso acontece. neste momento. Cuidado com isso. Mas se o juiz indeferir. senão para novas diligências. 16. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 “Se o crime for um crime de ação penal pública. quais são as possibilidades de manobra? 1ª Possibilidade: Oferecer denúncia (estudaremos isso adiante).LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. do CPP: essa diligência deve ser indispensável ao oferecimento da denúncia. CONFLITO DE COMPETÊNCIA É um conflito que se dá entre magistrados ou órgãos do Poder Judiciário. ao invés de ingressar com a correição parcial. que é espécie de recurso. os autos ficam em cartório aguardando a iniciativa do ofendido. vai tudo para o MP. o que o promotor pode fazer? o a) Correição Parcial – pode interpor uma correição parcial. 24 . tema ótimo para ser cobrado em prova (caiu no MPF). 5ª Possibilidade: Pode o MP. o b) Requisitar diretamente (sem passar pelo juiz) à autoridade policial. por exemplo.” Isso é na técnica.” E diante do indeferimento pelo juiz. Chegou para o MP estadual um crime militar. 2ª Possibilidade: Requerer diligências nos termos do art. com a remessa dos autos ao juízo competente. o procedimento é diferente por depender da vontade da vítima. 3ª VF de SP e a 2ª VF de Belo Horizonte. suscitar conflito de competência ou um conflito de atribuição. 14.

• 3ª Vara Federal de Campo Grande contra a 3ª Vara Federal de Porto Alegre. é o STF que julga. do STJ: “Súmula 348. quem decide? Na Justiça Federal. sujeitos ao mesmo tribunal: TJ/SP. quem decide? Na Justiça Federal. Exemplos: • 3ª Vara Criminal de São Paulo contra a 2ª Vara Criminal de Guarulhos. Não vai cair para diferenciar um conflito do outro. julga? O STJ. o órgão de 2ª instância é o TRF. mas a Justiça Federal é dividida em 5 Regiões. Quem decide? Na hierarquia recursal. do STJ: “Compete ao STJ decidir os conflitos de competência entre os Juizados Especiais Federais e os Juízes Federais. E Mato Grosso do Sul e São Paulo estão na mesma região. 25 . o órgão de 2ª instância é o TRF. Súmula 348. CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO “Conflito de atribuição é a divergência estabelecida entre órgãos do Ministério Público acerca da responsabilidade para a persecução penal.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. contra um juiz federal de Recife. Portanto. esses dois juízes estão sujeitos ao mesmo tribunal. • Superior Tribunal Militar contra a 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Basta lembrar que sempre que houver um conflito envolvendo tribunal superior. mas neste caso são TRF’s diferentes. Quem. então. o Juizado Especial Federal está sujeito à Turma Recursal e quem decide esse conflito de competência é o STJ e não o TRF. 15. Conflito POSITIVO de competência – dois ou mais órgãos do Poder Judiciário se dão por competentes para apreciar o caso concreto. quem decide é o PGJ.” Estabelecido o conflito de atribuição. quem decide? • Se o conflito se dá entre promotores de um mesmo Estado (MP de Jundiaí x MP de Valinhos). Conflito NEGATIVO de competência – dois ou mais órgãos do Poder Judiciário se dão por incompetentes para apreciar o caso concreto. que é o TFR-3ª Região. Dica: na hora de julgar o conflito de competência vc tem que sempre pensar num órgão que seja superior hierárquico dos dois juízes. Acontece em casos de repercussão nacional.1. Isso é simples. • Conflito entre um juiz do Juizado Especial Federal (de Campos) e 1ª Vara Federal de Campos. • Juiz Federal (sujeito ao TRF) e juiz estadual (sujeito ao TJ) – o STJ decide. Quem julga? STJ ou STF? Neste caso. O examinador vai querer confundir: um juiz da vara criminal de Teresina. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 15. quem decide? Dois juízes estaduais do mesmo Estado. • 3ª Vara Federal de Campo Grande contra a 3ª Vara Federal de São Paulo.” 16.2. é o STF. ainda que da mesma Seção Judiciária.

Com base no art.a decisão que julgar extinta a punibilidade. Se há um conflito entre um promotor de SP e um do RJ. 67. f (cuidado com isso que já caiu em prova do MPF que seria o PGR. III . I. mas essa é posição minoritária): “Art. é conflito de atribuição.1. Mas. cabendo-lhe: I processar e julgar. ou entre uns e outros. inclusive as respectivas entidades da administração indireta. precipuamente. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil: I . Sem dúvida alguma.o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação. II . se esses dois promotores resolverem provocar os respectivos juízes perante os quais atuam. lembrando sempre que é decisão judicial após o pedido do promotor. 18. O MP faz um pedido e o juiz determina o arquivamento do inquérito policial. deixa de ser um conflito de atribuição e passa a ser um conflito virtual de jurisdição ou competência. O que é conflito virtual de jurisdição ou de competência? É um possível conflito entre os juízes perante os quais oficia os membros do MP em conflitos de atribuições. Tem prevalecido no âmbito do STF (PET 73528 e 3631) que a competência é do Supremo Tribunal Federal. a guarda da Constituição. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 • Se o conflito se estabelece entre procuradores da República (MPF/AM x MPF/SC). 102. 26 . na prática.” (fim da 1ª parte da aula) • 17. Essa é a hipótese que cai: Quem julga conflito de atribuição entre um Promotor de Justiça do Estado de SP e um Procurador da República no Rio de Janeiro? Tema polêmico. Isso é muito simples. quem decide conflito de atribuição no âmbito do MPF (procuradores da república) é a Câmara de Coordenação e Revisão com recurso para o PGR. cuidado.” Mas seria mesmo o despacho? Não. O promotor não pode arquivar e nem o juiz pode arquivar de ofício. 102. a União e o Distrito Federal. Compete ao Supremo Tribunal Federal. originariamente: f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados. o arquivamento do IPL é decisão judicial. CONFLITO VIRTUAL DE JURISDIÇÃO OU DE COMPETÊNCIA Conflito de competência e conflito de jurisdição é a mesma coisa.a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime. Natureza jurídica do arquivamento O CPP. ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL 18.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. ao se referir ao arquivamento diz que seria mero despacho: “Art.

Exemplo de tipicidade material: princípio da insignificância. estado de necessidade. da culpabilidade e causa extintiva da culpabilidade). Excludente da culpabilidade – há uma excludente de culpabilidade que não pode ser objeto de arquivamento que é a inimputabilidade. pede o arquivamento.” 27 . Neste caso. “Nessas quatro primeiras hipóteses (atipicidade. Fundamentos que autorizam o arquivamento do IPL a) Atipicidade formal ou material da conduta. Exemplo: caso da cola eletrônica que foi tida pelo STF como atípica. que a pretensão punitiva está prescrita. essa decisão só faz coisa julgada formal. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 E se o juiz arquivar de ofício. naquele processo ela é imutável. qual é o recurso cabível? É a Correição Parcial.3. ao final do processo. excludente da ilicitude. o arquivamento faz coisa julgada formal e coisa julgada material. Atipicidade material da conduta. Acabou? Depende.2. A decisão tornou-se imutável dentro e fora. mas o recurso não foi conhecido por falta de pressuposto de admissibilidade ou porque foi conhecido e lhe foi negado provimento. acabou? Já foi questão de 2ª fase do MPF. Foi arquivado o inquérito. b) c) d) e) 18. Excludente de ilicitude – legítima defesa. Ausência de elementos de informação quanto à autoria ou materialidade da infração – é a causa de arquivamento mais comum. Jamais poderá ser processado por essa mesma conduta. Quando se diz que a coisa julgada é formal e material. 18. A atipicidade formal é a conduta que não configura crime. não é crime. ele seja submetido a medida de segurança. Aí é preciso lembrar que a coisa julgada pode se formar em duas hipóteses: porque vc não interpôs recurso ou interpôs recurso. mas nada impede que novo processo seja instaurado. Coisa julgada material – pressupõe a formal e consiste na imutabilidade da decisão fora do processo no qual foi proferida a decisão. aí acabou. Quando se dá por falta de elementos de informação. Causas extintivas da punibilidade – se vc perceber que houve a morte do agente. É essa pergunta que o examinador fará: o arquivamento faz coisa julgada formal ou faz coisa julgada formal material? A resposta é: depende do fundamento do arquivamento.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. Se a decisão foi proferida com coisa julgada formal. No caso do inimputável é preciso oferecer denúncia a fim de que. haverá a coisa julgada. A definitividade do arquivamento Arquivou o inquérito. Essa coisa julgada aí colocada subdivide-se em: • • Coisa julgada formal – é a imutabilidade da decisão no processo em que foi proferida.

mas que ganhou uma nova versão. nada impede o desarquivamento do inquérito policial. não pode a ação penal ser iniciada. Essa testemunha é prova nova? Depende do que tenha a dizer. o que é preciso? Novas provas? Se o inquérito está arquivado. As duas servem como indício para o oferecimento da ação penal.” Uma coisa é a ação penal. Aparece uma décimaprimeira testemunha depois que ele estava arquivado. 28 . O desarquivamento é da competência do juiz. a requerimento do Promotor de Justiça. compareceu a esta delegacia em tal data. do STF: Arquivado o inquérito policial.4. Prova substancialmente nova – é a prova inédita. Prova formalmente nova – é aquela que já era conhecida e até mesmo foi utilizada pelo Estado. como é possível obter provas novas? “Súmula 524.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. As testemunhas são muito usadas. Melhor exemplo: a arma do crime que estava desaparecida e com o arquivamento. não é prova nova. a decisão de arquivamento por ausência de elementos informativos é uma decisão que se dá com base na chamada cláusula rebus sic stantibus. eu preciso da noticia de nova prova. A decisão do juiz só faz coisa julgada formal. Isso autoriza o desarquivamento do IPL e o início da ação penal. ou seja. ela depõe novamente.” O que vem a ser uma prova nova? O inquérito que foi arquivado e foram ouvidas dez testemunhas. aquela que era inexistente ou estava oculta quando do arquivamento. que pressupõe essa notícia de provas novas. A testemunha vai depor e dá versão que não condiz com a verdade porque estava ameaçada. Para denunciar é preciso novas provas. mediante pedido da autoridade policial ou do MP. Para que ocorra o desarquivamento é necessário que haja notícia de provas novas. peço o desarquivamento do inquérito. Para que esse desarquivamento seja possível. Arquivamento por ausência de elementos informativos Melhor falar em elemento informativo do que em prova (típica do processo). “Prova nova é aquela capaz de produzir uma alteração no contexto probatório dentro do qual foi proferido o arquivamento. Se ela vai repetir o que as outras disseram. apareceu. uma testemunha informando que saberia dizer quem foi o autor do disparo. É a melhor posição. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 18. por despacho do juiz. Para desarquivar. eu não preciso de novas provas. Desarquivamento é tema polêmico no que tange à pessoa que desarquiva. sem novas provas. Em SP isso acontece. Quem faz isso? Se o arquivamento é decisão judicial. Exemplo: Delegado oficia o Juízo: “Juiz.” Cuidado porque alguns doutrinadores falam em prova substancialmente nova e provas formalmente novas. ou seja. com o início da aça penal porque se eu quiser oferecer denúncia não basta notícia. dentro do qual foi proferida a decisão de arquivamento. Não confundir o desarquivamento. eu preciso de provas novas. Essa cláusula diz que modificado o panorama probatório. Cessada a ameaça. não pode o delegado desarquivar. Mesmo exemplo da testemunha.

28. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 18. requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação. o juiz exerce uma função anômala de fiscal do princípio da obrigatoriedade”. O juiz é simples observador. 28? É o chamado princípio da devolução. ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. do CPP. e manda os autos ao PGJ (Procurador Geral de Justiça). designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la. ele também está exercendo o fiscal de um princípio: o da Obrigatoriedade do MP. Se o juiz determinar diligência. 2. o juiz está obrigado a arquivar o inquérito. O juiz discorda do pedido – o juiz vai aplicar o art.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. Pode requerer diligências. pode determinar a realização de diligência? NÃO. Este é o procedimento na justiça estadual. por delegação. Na prática: isso é resolvido pelo chamado “promotor do 28” que é um promotor é convidado a trabalhar com o PGJ (sempre que ele quiser designar o promotor para oferecer a denúncia. Insistir no pedido de arquivamento – se o PGJ insiste no arquivamento. tem quatro possibilidades: 1. Se ele discordar. designa esse). O outro promotor fica obrigado a oferecer a denúncia? A maioria da doutrina entende que ele atua como longa manus do PGJ. 28. recebendo os autos. Se o órgão do Ministério Público. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. Procedimento do arquivamento É importante que se saiba que o procedimento acaba variando de uma Justiça para outra. Não tem mais para onde recorrer.5. 28. do CPP. Princípio da Devolução – o juiz devolve a apreciação do caso ao Chefe do MP ao qual compete a decisão final. o MP tem o recurso da correição parcial. O PGJ. Como se chama o princípio embutido na aplicação do art. b) Na Justiça Federal (também na Justiça do Distrito Federal e Territórios) 29 . fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral. 3. Ele mesmo oferecer denúncia. ou insistirá no pedido de arquivamento. e este oferecerá a denúncia. ao invés de apresentar a denúncia. ele estaria obrigado a oferecer denúncia. “Neste momento. Daí o nome “princípio da devolução” Neste momento em que o juiz aplica o art.” a) Na Justiça Estadual O MP vai fazer o pedido de arquivamento ao juiz. Neste caso. “Art. Não pode o juiz realizar novas diligências ao invés de aplicar o art. 4. Designar outro órgão do MP para oferecer denúncia – não pode ser o mesmo promotor que pediu o arquivamento (sob pena de ferir a independência). São duas as hipóteses: • • O juiz concorda com o pedido – o inquérito está arquivado. o juiz. 28.

O promotor (no exercício de funções eleitorais) faz o pedido de arquivamento ao juiz estadual. 30 . E se ele discordar? O juiz tem que remeter os autos ao Procurador Regional Eleitoral que é um membro do MPF que atua perante o Tribunal Regional Eleitoral. O Procurador da República pede o arquivamento: 1) 2) O Juiz concorda – IML é arquivado. dá um palpite. Juiz auditor corregedor concorda – está arquivado o IMP. Não existe esse cargo. é parecido com o MPF. 2. que pode adotar qualquer um dos procedimentos que vimos para a Justiça Estadual. o que acontece? O recurso vai ser julgado e quais são as possibilidades? a) b) STM nega provimento – está arquivado. O juiz concorda – Concordando com o arquivamento. a decisão final. na verdade. Chegando lá.1. 1. neste caso. o juiz auditor tem que mandar os autos ao juiz auditor corregedor. O juiz discorda – Se discordar. * A pouca doutrina de processo penal militar entende que essa interposição de correição parcial pelo juiz auditor corregedor viola o princípio da inércia da jurisdição e também o princípio da imparcialidade. Sua manifestação é meramente opinativa porque. Cuidado para não errar: MP estadual de SP. Aqui é semelhante à Federal: 1. O juiz discorda – O juiz aplica o art. neste caso. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 É muito semelhante ao procedimento na Justiça Estadual. Neste caso. continua sendo do PGR.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. é o promotor de justiça. o que o juiz auditor faz? Pode interpor uma correição parcial* ao STM. mas remete os autos à Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. E quais são as possibilidades que o juiz auditor corregedor? 1. Juiz auditor corregedor discorda – neste caso. 28. com um apeculiaridade. que é o Superior Tribunal Militar. remete à Câmara de Coordenação e Revisão do MPM que vai dar uma opinião porque a decisão final é do Procurador Geral da Justiça Militar. a Câmara manda para o Procurador Geral de Justiça Militar a quem competirá a decisão final. STM dá provimento à correição parcial interposta pelo juiz auditor corregedor – os autos serão encaminhados à Câmara de Coordenação e Revisão do MPM. O juiz na Justiça Militar da União é chamado de juiz auditor. d) Na Justiça Militar da União Pedido de arquivamento. Na Justiça Eleitoral c) Tem promotor de justiça eleitoral? Não. quem exerce as funções do MP eleitoral. Se ele concordar bem. que vai opinar mais uma vez. A doutrina diz que a Câmara.2. Quem exerce as funções do MP eleitoral é do MP federal. Cuidado! Então a Câmara é quem decide? Cuidado. mas em algumas comarcas do interior.

não é necessário que a decisão de arquivamento seja submetida ao Poder Judiciário. não ofereceu denúncia e nem pediu o arquivamento. Então não é nem uma decisão judicial. nessas hipóteses. Se o juiz não faz nada. O arquivamento implícito se consuma quando o juiz não se pronuncia na forma do art. Arquivamento implícito Doutrina de Afrânio Silva Jardim – Ocorre quando o titular da ação penal deixa de incluir na denúncia algum fato investigado (arquivamento implícito objetivo) ou algum dos indiciados (arquivamento implícito subjetivo). seja quando vai para o procurador do 28. com relação ao que foi omitido na peça acusatória. só para concluir. teria havido o arquivamento com relação ao Névio. É preciso mandar para o STF? Não. Afrânio diz que poderia o juiz fazer o seguinte: “Diga o MP sobre Névio.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. Pergunta-se: esse arquivamento é admitido? Não. pra que ele vai pedir se o Supremo não pode fazer nada? Ele mandaria pra quem se a decisão final já é dele? Não faria sentido. “Em regra. O promotor só ofereceu denúncia em relação a Tício. a decisão de arquivamento é uma decisão judicial.054 e STJ: HC 64. Não falou nada sobre Névio.564)” Detalhe importante: “Nesse caso. implicitamente.” 18.6. 28.028 e Inquérito 2. 28.” Nessas duas hipóteses. seja nas atribuições originárias dele (deputado. como deveria fazer. senador). Deputado Federal são processados onde? Quem oferece denúncia contra um deputado federal? É o PGR. Ele precisa fazer um pedido de arquivamento ao STF ou essa decisão se dá dentro do MP? Se vc disser que ele precisa pedir ao Supremo. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 e) Procedimento do arquivamento nas hipóteses de atribuição do Procurador Geral de Justiça ou do Procurador Geral da República Senador da República. Se o PGR. (STF: Inquérito 2. O arquivamento implícito não é admitido pela doutrina e nem pela jurisprudência sob um fundamento muito simples: toda manifestação do MP tem que ser fundamentada. quando se tratar de hipótese de sua atribuição originária ou quando se tratar de insistência de arquivamento com base no art. É uma decisão de caráter administrativo. quem decide é o PGR. sem expressa manifestação ou justificação desse procedimento. será uma decisão administrativa do PGJ ou do PGR. entender que é caso de arquivamento. 31 . ao invés de fazer isso. “Portanto. 28”. Porém. Como funciona: O IPL chega ao MP. Não dá para presumir que houve um arquivamento. sob pena de aplicação do art. se a decisão de arquivamento é do Procurador-Geral de Justiça. cabe pedido de revisão ao Colégio de Procuradores mediante pedido da vítima.

28. 18. Trancamento de Inquérito Policial Cuidado para não confundir: o trancamento se dá por meio de habeas corpus. somente sendo possível em hipóteses de manifesta atipicidade da conduta. 28. Por que? Porque vc está sendo investigado e vai dizer que há um constrangimento ilegal à liberdade de locomoção e aí. aplicando-se o art. Quando é possível o trancamento? “O trancamento é medida de natureza excepcional. 32 . este poderá determinar o trancamento do inquérito se constatar a ilegalidade. ao invés de oferecer a denúncia.7. • • 1ª Exceção – crimes contra a economia popular ou contra a saúde pública – nestes casos. desafia impetração de habeas corpus pleiteando o trancamento. a decisão de arquivamento é irrecorrível. esse crime é militar. acabou. deve esta manifestação ser recebida como um pedido de arquivamento. então.” MP vira pro juiz e fala: juiz. Renato Brasileiro – Intensivo I – 09/02/2009 18. presença de causa extintiva da punibilidade ou ausência de elementos demonstrativos de autoria e materialidade. 2ª Exceção – contravenções de jogo do bicho e corrida de cavalo fora do hipódromo – recurso em sentido estrito.8. manda para o PGJ a quem compete dar a última palavra. O juiz estadual não concorda. tem previsão de recurso de ofício pelo juiz. mas o juiz não concorde. Recursos cabíveis no arquivamento Em regra. o trancamento. A competÊnica é da Justiça Militar. por exemplo. O juiz estadual não pode obrigar o promotor a oferecer a denúncia. Se o juiz arquivou a pedido do MP. Como é apreciado pelo juiz.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 02 – Prof. O que o juiz pode fazer? Recebe como se fosse um arquivamento (indireto) e aplica o art. Arquivamento indireto “Caso o MP. exatamente.” A instauração do inquérito por parte do delegado diante de uma conduta atípica. requeira a remessa dos autos ao Juízo competente. Não cabe nem mesmo ação penal privada subsidiária da pública (essa só é cabível na inércia e pedido de arquivamento não é inércia). vc vai pedir ao órgão jurisdicional competente (juiz ou tribunal). 18.9.