You are on page 1of 72

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO DIRETORIA DE ENSINO E CULTURA ESCOLA SUPERIOR DE SARGENTOS

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE SARGENTOS

MATÉRIA 06: DIREITO PENAL

Divisão de Ensino e Administração Seção Técnica Setor de Planejamento

APOSTILA ELABORADA EM 01MAR04, PELO CAP PM FLÁVIO TADEU, DA ESSGT. ATUALIZADA EM 15DEZ11, PELO CAP PM RENÓ, DA CORREGEDORIA; E 1º TEN PM AKAMINE DA ESSGT. APOSTILA EDITADA PARA O CAS - I / 2011

ÍNDICE:
DESCRIÇÃO
DO CRIME: CONCEITO, TIPICIDADE E ANTIJURIDICIDADE EXCLUSÃO DA ILICITUDE OU DA ANTIJURIDICIDADE OU DA CRIMINALIDADE DA IMPUTABILIDADE PENAL, SEMI-IMPUTABILIDADE E INIMPUTABILIDADE PARTE ESPECIAL - DOS CRIMES CONTRA A PESSOA HOMICÍDIO INDUZIMENTO, AUXÍLIO OU INSTIGAÇÃO AO SUICÍDIO INFANTICÍDIO ABORTO LESÃO CORPORAL DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO FURTO ROUBO EXTORSÃO e EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO RECEPTAÇÃO CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL ESTUPRO ESTUPRO DE VULNERÁVEL
MEDIAÇÃO PARA SATISFAZER A LASCÍVIA DE OUTREM COM PESSOA MENOR DE QUATORZE ANOS

PÁG
3 5 9 10 11 15 16 17 19 26 26 31 35 40 43 43 45
46

SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO DE VULNERÁVEL DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PECULATO CONCUSSÃO CORRUPÇÃO PASSIVA PREVARICAÇÃO DESOBEDIÊNCIA DESACATO RESISTÊNCIA CORRUPÇÃO ATIVA FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA ESTELIONATO BIBLIOGRAFIA

47 48 50 50 53 55 56 57 58 60 61 63 64 65 72

Nota Esta apostila é um material de apoio. O seu conteúdo não esgota o assunto e desde que previsto curricularmente, poderá ser objeto de avaliação. Com isso, é essencial que você pesquise profundamente os assuntos, tomando por base as referências bibliográficas dispostas, bem como outras que achar por bem utilizar.

2

Teoria do crime. Tipicidade e Ilicitude; dolo e culpa. Excludentes de antijuridicidade: estado de necessidade; legítima defesa; estrito cumprimento do dever legal; exercício regular de direito. DO CRIME: CONCEITO, TIPICIDADE E ANTIJURIDICIDADE Conceito de Crime

03 h/a

Crime é um fato típico e antijurídico (Teoria Finalista da Ação). A culpabilidade constitui pressuposto da pena (Recai sob o agente e não sob o fato). Ação, Tipicidade e antijuridicidade Conceituamos o crime como sendo toda ação (positiva = fazer; ou negativa= omissão) típica (escrita, prevista, codificada no Código Penal ou em Leis Especiais) e antijurídica (significa contrariedade às normas). Para que haja crime, é preciso uma conduta humana positiva (um fazer) ou negativa (uma omissão). Nem todo comportamento do homem, porém, constitui delito, em face do princípio da reserva legal. Logo, somente aqueles previstos na lei penal (Código Penal ou leis especiais) é que podem configurar o delito (crime). Vale dizer, no Direito Penal, a pessoa só poderá ser punida se praticar uma conduta dolosa ou culposa, tendo esta última de haver previsibilidade legal. Logo, a conduta humana passível de reprimenda estatal diante da violação da norma é a conduta voluntária, pois, atos involuntários, como por exemplo, tossir e bater com a mão em alguém, não são protegidas pelo Direito Penal. O primeiro requisito do crime é o fato típico, composto pela conduta humana voluntária, resultado, nexo causal e tipicidade. Não basta que o fato seja típico, pois é preciso que seja contrário ao direito: antijurídico. Isto porque, embora o fato seja típico, algumas vezes é considerado lícito (legítima defesa etc.). Logo, caracterizada a legalidade da conduta, esta passa a ser jurídica, portanto, deixa de ser antijurídica, fulminando assim os elementos básicos do crime, ocasionando a descaracterização do mesmo. Diante da existência de uma conduta típica é importante registrar que o Iter criminis, comumente conhecido como as fases ou os caminhos do crime, permite ao intérprete da norma penal aferir, por estudo de caso, de que forma ocorreu o delito, se ele se enquadra dentre os parâmetros de uma modalidade tentada ou consumada, ou se é um crime impossível.

- Será que isso pode ser considerado crime consumado?

- Claro, é só verificar as 4 fases: cogitação, preparação (duas fases via de regra não puníveis), execução (aqui começa o ataque ao bem jurídico tutelado) e consumação (quando o agente pratica todas as condutas descritas no tipo penal).

- Segundo os ensinamentos das aulas de Direito Penal, ministradas no Curso Superior de Tecnólogo de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública, há de se verificar as fases do Iter criminis. Sargento o senhor se recorda disso?

3

Desse modo. um crime pode ser consumado. Cumpre observar que. 2) CRIME TENTADO Conceito: Quando iniciada execução não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente Art. I CP. etc. II CP. 4 . denominadas interna e externa: 1) Fase interna: Cogitação – Refere-se ao plano intelectual acerca da prática criminosa. Elementos: a) início de execução. 291 do CP (Petrechos para a falsificação de moeda). tais como a compra da arma no crime de homicídio. ou seja. o agente leva o fato às conseqüências mais lesivas. consuma-se o crime quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal. iniciada a execução. Neste caso. 2) Fase externa: Atos Preparatórios . Há delitos cuja consumação se verifica já nesta fase. Ex. como por exemplo. tais como: engrenagens. Art. o delito do art. por circunstâncias alheias à sua vontade. agente é impedido por Policial Militar.: Recebimento do resgate no crime de extorsão mediante seqüestro. que se consumam pelo fato do indivíduo ser surpreendido de posse desses petrechos. 121 – homicídio – matar alguém . como diz Fernando Capez. a execução é interrompida. Consumação – O iter criminis se encerra com a consumação. que ocorre quando. A cogitação não é punida. é a partir dessa etapa que. 14. que o desarma e prende em flagrante delito. via de regra. O delito está no pensamento do indivíduo. a conduta do agente começa a romper o lastro que o aprisiona. Formas: a) Tentativa Imperfeita ou Inacabada: Há interrupção do processo executório. a confecção do mapa por onde vai passar o desafeto. permite descrever etapas por onde o crime geralmente deve passar desde o momento em que surgiu a idéia do delito até a sua consumação. Ex: Art. Execução – Esta fase é caracterizada quando o agente começa a dar início à realização do delito.Nesta fase os preparativos do crime são realizados. o crime é o mesmo e o juiz deve levar em conta essa circunstância na aplicação da pena. trata-se de uma fase irrelevante para o Direito Penal. etc. o agente não chega a praticar todos os atos de execução do crime. molas. Ex: Ao sacar sua arma para atirar contra desafeto. embora as conseqüências sejam mais graves. tentado ou impossível. senão vejamos: 1) CRIME CONSUMADO Conceito: Quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal. logo. o Direito Penal se preocupa. 14. Observação: Consumação não se confunde com exaurimento.O Iter criminis significa o caminho do delito. c) circunstâncias alheias à vontade do agente.consuma-se com a morte da vítima. depois de consumado o crime.. A noção da consumação expressa total conformidade do fato praticado pelo agente com a hipótese abstrata descrita pela norma penal incriminadora. o agente responderá por crime tentado ou por crime consumado. O Iter criminis pode ser dividido em duas fases. b) não consumação.

EXCLUSÃO DA ILICITUDE OU DA ANTIJURIDICIDADE Art. Crime formal é aquele em que não há necessidade de realização daquilo que é pretendido pelo agente e o resultado jurídico previsto no tipo ocorre em concomitância com o desenrolar da conduta (Ex: Concussão . Culposo – Ocorre quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. mas o crime não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade. gravíssima ou até mesmo tentativa de homicídio. Quanto ao resultado o crime pode ser assim classificado: 1. Preterdoloso – Ocorre quando o resultado vai além da intenção do agente. 2. mas o juiz leva em conta essas espécies no momento de dosar a pena da tentativa. e 5 . 3. Crime material é aquele em que há necessidade de um resultado externo à ação.a consumação se dá com a exigência do funcionário público e independe do recebimento da vantagem indevida). ou acontecerá. Ex: Matar um cadáver. 150 do C.P. a) Pela ineficácia absoluta do meio: o meio empregado para a prática do crime jamais o levará à consumação. (Ex: violação de domicílio.b) Tentativa Perfeita ou Acabada (“Crime Falho”): Não há interrupção do processo executório. o agente pratica todos os atos de execução. logo. cuidado. ato obsceno). 2. o agente aqui não praticará crime algum. Há dolo no crime antecedente e culpa no conseqüente. 3. sem obter o resultado desejado. Crime de mera conduta a lei não exige e nem prevê qualquer resultado naturalístico. c) Estrito Cumprimento do Dever legal.As causas legais gerais são: a) Estado de Necessidade. ingerir substância abortiva imaginando-se grávida etc. b) Contravenções Penais. tentar matar uma pessoa sadia ministrando-lhe açúcar. Violação de Domicílio. nem mesmo na modalidade tentada. Ex. se a vítima tiver diabete elevada. o agente inicia e termina a execução do crime.: Art. cuja ação se inicia dolosamente e termina culposamente. 3) CRIME IMPOSSÍVEL Conceito: é aquele que jamais se verificará. porém Pedro é socorrido imediatamente por um vizinho e sobrevive. Ex: Após descarregar seu revólver contra Pedro a fim de matá-lo. Ex: uma arma de fogo inapta a efetuar disparos. nesta modalidade. contudo. Observações: Para o CP não há diferença de tratamento entre as duas modalidades. ocorre por duas modalidades: pela ineficácia absoluta do meio empregado ou pela impropriedade absoluta do objeto material. também pode ser classificada quanto ao elemento subjetivo. e que se destaca lógica e cronologicamente da conduta (Ex: homicídio-resultado: morte). Infrações penais que não admitem tentativas: a) Culposas. b) Legítima Defesa. negligência ou imperícia. Importante registrar que uma conduta delituosa. João retira-se calmamente do local. desde que tal circunstância seja de conhecimento do agente. 23 do CP . descrito na lei. poderá caracterizar lesões corporais grave. c) Crimes de Mera Conduta. b) Pela impropriedade absoluta do objeto: a pessoa ou coisa sobre as quais recai a conduta são absolutamente inidôneas à produção de algum resultado lesivo. no seguinte aspecto: 1. Doloso – Ocorre quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo. contentando-se com a ação ou omissão do agente.

II DO CÓDIGO PENAL Art. d) inexistência do dever legal de enfrentar o perigo: . mas nunca posso abrir mão de uma vida em prol de um patrimônio. Se o ataque é realizado por animais irracionais. ameaçado por situação de perigo atual (ou iminente. Admite. Há que se observar que o Princípio da Proporcionalidade e o da Razoabilidade deve(m) sempre estar presente. atual ou iminente. não autorizada pelo direito. a lei fala em “correr riscos”. trazido pela doutrina e aplicado pela jurisprudência) não provocado dolosamente pelo agente. pois.Conceito: Causa de exclusão da ilicitude consistente em repelir injusta agressão. observa-se que o perigo pode até ser praticado pelo agente a título de culpa. REQUISITOS: Agressão: é todo ataque praticado por pessoa humana. sendo que de outra forma não poderia ter sido evitado. 6 . neste caso a pessoa se defende de uma situação e não agressão. . . LEGÍTIMA DEFESA . Ex.é imprescindível que o bem a ser salvo esteja protegido pelo ordenamento jurídico.: Condenado à morte não pode alegar estado de necessidade contra o carrasco. a liberdade. 23.ART. . ao alegar esta excludente. ESTADO DE NECESSIDADE . 24 do CP . nem tampouco prévia autorização deste para que o primeiro aja. a direito próprio ou alheio. não legal. caso mate o carrasco (que tem a conduta legal). para tentar salvar vítima de afogamento. não há legítima defesa e sim estado de necessidade. deve ele tentar salvar o bem ameaçado sem destruir qualquer outro. o perigo será futuro. b) o perigo deve ameaçar direito próprio ou alheio .entende que somente o perigo causado dolosamente impede que seu autor alegue o estado de necessidade. REQUISITOS: a) o perigo deve ser atual ou iminente. usando moderadamente dos meios necessários. pois. lago. c) o perigo não pode ter sido causado dolosamente pelo agente: . portanto. mesmo que para isso tenha de correr os riscos inerentes à sua função. como a vida.: Bombeiro que não souber nadar não deverá pular na piscina. represa. cujo sacrifício não era razoável exigir-se. ou seja. que ainda sim estará presente este requisito. 23. Injusta: no sentido de não ser devida. .Conceito: causa de exclusão da ilicitude da conduta de quem. não tendo o dever legal de enfrentar o perigo.d) Exercício Regular de Direito. próprio ou alheio. posso abdicar de um patrimônio em prol de uma vida. pois.ART.se a lei impuser ao agente o dever de enfrentar o perigo. sacrifica um bem jurídico para salvar outro. 25 do CP . não amparado pela mencionada conduta). se chegar a minutos. responderá por homicídio. logo. em milésimos de segundos. o patrimônio. estado de necessidade quando o perigo for iminente. I DO CÓDIGO PENAL Art. desde que não tenham sido atiçados.perigo atual: é o que está ocorrendo. Ex. perdeu o direito a vida.não se exige a existência de qualquer relação jurídica entre o sujeito e o terceiro. no momento da execução. logo.direito: a expressão abrange qualquer bem jurídico. ou seja. rio e etc. que é diferente de suicidar-se. O agente não precisa aguardar o perigo surgir efetivamente para só então agir.(perigo iminente: é o que está para acontecer.

Atual ou iminente: atual é a agressão que está acontecendo e iminente é a que está prestes a acontecer. O dever deve constar da lei. assim como o culposo. que o meio também deve ser o disponível no momento. cerca elétrica etc. evitar fuga e m presídio. Ofendículos e defesa mecânica predisposta. pode-se agredir o terceiro para salválo). devendo ser detectados por qualquer pessoa (ex. podendo ou tendo tempo de utilizar outro de menor potencialidade ou quando se utiliza meio necessário sem moderação. Se o excesso for doloso.: lança no portão da casa. Ex: O policial que cumpre um mandado de prisão. Defesa mecânica predisposta: é aparato destinado à defesa da propriedade ou de qualquer outro bem jurídico. desde que não descaracterize a legítima defesa. não poderá alegar Legítima Defesa. pois o revide do PM é justo. no entanto estão ocultos. na hora da agressão injusta. Em regra.: O agente pode utilizar uma metralhadora contra a agressão injusta advinda do uso de (um) revólver. Ex. decreto. Exercício regular do direito – pois se constitui numa faculdade do agente. vale dizer. Legítima Defesa Putativa: A injusta agressão só está na cabeça de quem vai praticar a conduta. Somente quando ficar evidente a intenção de agredir e não a de se defender. o policial militar quando usa moderadamente dos meios necessários vem a repelir a agressão injusta do marginal. o fiscal sanitário que viola um domicílio. ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL (Regra excludente do exercício da função pública. Ofendículos são aparatos visíveis destinados à defesa da propriedade ou de qualquer outro bem jurídico.: em caso de suicídio. Moderação: é o emprego do meio necessário dentro dos limites para conter a agressão injusta. Esta modalidade de legítima defesa existe e é válida normalmente no ordenamento jurídico. uma vez que a lei não contém contradições. decorrente do cumprimento de disposições legais e regulamentares) Art. visto que só atuará no momento em que ocorre a efetiva agressão. O que os caracteriza é a visibilidade. 7 . é de difícil comprovação na prática. Quem cumpre estritamente um dever legal não pode ao mesmo tempo praticar ilícito penal. quando se utiliza um meio que não é necessário. 23. caracterizar-se-á o excesso. regulamento ou qualquer ato administrativo. não existe no caso em análise. A direito próprio ou de terceiro: há legítima defesa própria quando o sujeito está se defendendo e legítima defesa alheia quando defende terceiro. desde que de caráter geral. impedir a ação de pessoa armada. Pode-se alegar legítima defesa alheia mesmo agredindo o próprio terceiro (ex. Existem duas posições sobre o uso de ofendículos: Legítima defesa preordenada. no entanto. o sujeito que se utiliza de defesa mecânica preordenada responde pelo crime. na realidade. III primeira parte). logo.). pois. desde que prove que. o marginal que lesionar o PM. dependendo do caso. Meio necessário: é o meio eficaz e menos lesivo colocado à disposição do agente no momento da agressão. Não cabe Legítima Defesa Real de Legítima Defesa Real. Excepcionalmente caracterizará exercício regular do direito. o soldado que executa por fuzilamento o condenado ou elimina o inimigo no campo de batalha. Excesso é uma intensificação desnecessária. Não cabe legítima defesa contra agressão passada ou futura nem quando há promessa de agressão. nestes dois últimos. era o que tinha às mãos para se defender. o agente responderá por estes. caco de vidro no muro. a injusta agressão é uma “presunção”. ou seja.

abrangendo todas as formas de direito.: Estão excluídas da proteção as obrigações meramente morais. não. 136 do CP”). Além de resistirem à prisão.exigibilidade de conduta diversa. semi-imputabilidade e inimputabilidade. Da Culpabilidade: imputabilidade. sua ausência não exclui o crime. Então. se o policial forçar um passageiro de um coletivo a ceder seu lugar a uma pessoa idosa. como na correção moderada dos filhos pelos pais (se não for moderada.imputabilidade. dos idosos. não integra o conceito de crime (Teoria Finalista da Ação).Obs. III. A culpabilidade é pressuposto de aplicação da pena. intervenções médicas e cirúrgicas. em face de estar ligado o homem ao fato típico e antijurídico. pode caracterizar o crime de “Maus Tratos. desde que o assento seja reservado por lei ou decreto a determinada pessoa. desde que realizadas por médicos. ou seja. caso contrário. II. afasta somente a punibilidade do autor da infração. não responderá por constrangimento ilegal. também chamada de juízo de reprovação. previsto no art. se há discussão sobre a culpabilidade é porque já se verificou a existência do fato típico e sua ilicitude. III. exigibilidade de conduta diversa e consciência potencial da ilicitude. ao prendermos em flagrante delito por tráfico de entorpecente. obedecidas às regras do esporte). A culpabilidade.consciência potencial da ilicitude. 23. lesões corporais advindas das práticas desportivas (desde que se verifiquem durante a prática do esporte. segunda parte) A expressão direito é empregada em sentido amplo. Não se trata de requisito de crime. A culpabilidade não é elemento do crime. se estiver presente o agente será punido. funciona como condição de imposição da pena. Ex: sacerdote forçar a entrada em um domicílio para ministrar a extrema-unção (Violação de Domicílio). é a possibilidade de se declarar culpado o autor de um fato típico e ilícito. por exemplo. sociais ou religiosas. e a montagem dos ofendículos. a prisão em flagrante por particular. CULPABILIDADE E REQUISITOS CULPABILIDADE É a reprovação da ordem jurídica. agimos dentro do estrito cumprimento do dever legal. EXERCÍCIO REGULAR DIREITO (Art. é a responsabilização de alguém pela prática de uma infração penal. como é o caso. 8 02 h/a . Os requisitos para a culpabilidade são: I.

Tanto uma quanto a outra pode ser completa (perda total da capacidade de avaliação) ou incompleta (perda parcial da capacidade de avaliação). 65. INIMPUTABILIDADE – O agente não tem capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. calcado na Teoria do Sistema Vicariante. aplicada aos crimes punidos com reclusão. é considerada agravante genérica (art. A embriaguez completa exclui a imputabilidade e a incompleta reduz a pena de 1/3 a 2/3.Preordenada: o agente se embriaga para cometer o crime. EMBRIAGUEZ: É uma intoxicação aguda e transitória. § 1º. responderá pelas conseqüências. -volitivo (capacidade de querer).IMPUTABILIDADE É a capacidade de compreender o caráter criminoso do fato e de orientar-se de acordo com esse entendimento. Pode ser completa ou incompleta. Não se aplica a Teoria “Actio Libera in Causa” porque o agente não tinha a intenção de ingerir a substância. N esta hipótese. 129 § 4º). A paixão é duradoura. passageiro e intenso. . ou aplicar tão somente a Medida de Segurança. Patológica: é a embriaguez do alcoólatra. cumprida em ambulatório. do CP). Emoção e Paixão: A emoção é um sentimento súbito. o juiz poderá optar. Somente a emoção pode funcionar como redutor de pena (art. III. ou ainda. c). uma sanção restritiva aplicada aos agentes que praticaram crimes apenados com detenção. Acidental: é a que deriva de caso fortuito ou força maior. onde o agente fica internado em Hospital ou Manicômio apropriado. lhe dará uma Medida de Segurança (é a chamada Semi-imputabilidade. em aplicar uma pena ao agente. A embriaguez divide-se em: Não-acidental: decorre da própria conduta humana voluntária. o agente não será imputável. diminuída de um a 2/3. “l”. A embriaguez não-acidental não exclui a imputabilidade em razão da Teoria da “Actio Libera in Causa” (ações livres na causa). II. A embriaguez preordenada. ou Responsabilidade Restringida. Nem a emoção nem a paixão excluem a imputabilidade. SEMI-IMPUTABILIDADE Quando o indivíduo pratica a conduta não sendo considerado imputável e nem inimputável. desde que provado por perícia médica. caso o juiz entenda ser a medida mais viável ao agente. Faltando um desses elementos. repentino.culposa: o agente quer ingerir a substância. A imputabilidade possui dois elementos: -intelectivo (capacidade de entender). a qual poderá ser detentiva. ou ainda como circunstância atenuante (art.voluntária ou dolosa: o agente quer se embriagar (o agente responde normalmente pelo crime). perene. e art. o agente tinha plena liberdade para decidir se deveria ou não agir (ingerir a substância). aqui perdeu parcialmente a capacidade de entender e querer. portanto. no entanto. 9 . 61. onde o agente apenas comparece para se tratar e vai embora. ou seja. .I . provocada pelo álcool ou por substância de efeitos análogos. se entender que o tratamento é medida mais conveniente. se em razão de sua ação perdeu a capacidade de avaliação. além de não excluir a imputabilidade. 121. subdivide-se em: . do dependente de substância química. Mitigada ou ainda Diminuída). mas não quer entrar em situação de embriaguez (o agente responde normalmente pelo crime). O agente é equiparado ao doente mental (exclui a imputabilidade).

ter a consciência de que se faz algo contrário ao sentimento de justiça da sociedade. A ausência da censurabilidade acarreta a falta de culpabilidade e. A consciência da ilicitude não se confunde com o desconhecimento da lei. o que constitui requisito da culpabilidade é a potencial consciência da ilicitude. uma conduta diversa. aborto. infanticídio. ou por motivo torpe ou fútil. Outra corrente afirma que a vida começa após o parto. 22 do CP). a partir daí. É saber que o fato é anti-normativo. Crimes contra a Pessoa: homicídio. Essa é uma presunção que não admite prova em contrário. o crime cometido. é o homicídio. III-EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA É a expectativa social de que o agente tenha outro comportamento e não aquele que se efetivou. na situação em que se encontrava. causada por uma pessoa em relação à outra. desta forma isenta-o de pena (art. e possibilidade de evitar o erro.II-CONSCIÊNCIA POTENCIAL DA ILICITUDE A ninguém é dado descumprir a lei alegando que a desconhece. lesão corporal. julgados pelo Tribunal do Júri. é preciso que se possa exigir dessa pessoa. 10 . sem a possibilidade de defesa da vítima e mediante emboscada ou traição? PARTE ESPECIAL DO CÓDIGO PENAL DOS CRIMES CONTRA A VIDA Excluindo o homicídio culposo. Consciência potencial da ilicitude é o conhecimento profano do injusto. Assim. induzimento ao suicídio. HOMICÍDIO Conceito: É a exterminação da vida humana extra-uterina. portanto. todos os crimes contra a vida são dolosos e. ou seja. A corrente majoritária entende que a vida humana começa com o início do trabalho de parto e. com a criança já fora do útero materno. Para dizer que alguém praticou uma conduta reprovável. Trata-se de no mínimo. com exceção da Justiça Militar (militar da ativa x militar da ativa). A simples consciência da ilicitude não pode ser requisito da culpabilidade. porque o que se investiga é se o agente tinha ou não condições de saber o que era errado. indesculpável. 07 h/a Mais uma morte a esclarecer? Como você classifica esse crime colega? Ah! Sgt Stuart. O desconhecimento da lei é inescusável. de um homicídio triplamente qualificado. em caso de morte.

se reconhecido o privilégio. Sob domínio de violenta emoção. Matar alguém: Pena .). lei nº 934/97. Tipo ou preceito primário da norma penal: matar alguém. logo em seguida à injusta provocação da vítima. surpreender uma situação de adultério da esposa com outro homem e matá-lo. pois do contrário estaria sendo ferido o princípio da soberania dos veredictos. É um crime simples. Requisitos: Existência de uma injusta provocação (não é injusta agressão. do CP. que devem atestar a ocorrência da morte e se possível as suas causas.reclusão. Sujeito ativo Qualquer pessoa (crime comum). O privilégio é votado pelos jurados e.São três os tipos (espécies): homicídio simples. Consumação Dá-se no momento da morte (crime material). § 1º. xingamento. Objeto jurídico (bem jurídico tutelado) Preservação da vida humana. Sujeito passivo Qualquer ser humano após seu nascimento e desde que esteja vivo. HOMICÍDIO SIMPLES Art. pois tem apenas um bem jurídico tutelado (protegido). ou sob o domínio de violenta emoção. As hipóteses são de natureza subjetiva porque estão ligadas aos motivos do crime: Motivo de relevante valor moral (nobre): diz respeito a sentimentos do agente que demonstre que houve uma motivação ligada a uma compaixão ou algum outro sentimento nobre. a redução da pena é obrigatória. Diz respeito à própria pessoa. É o caso da eutanásia. logo em seguida a injusta provocação da vítima. traição. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço (embora a Lei fale em “pode”. estando presentes os motivos que autorizem a concessão do privilégio. Os crimes próprios só podem ser praticados por determinadas pessoas (ex: auto-aborto. Exemplo: matar o traidor da Pátria. art. Pena ou preceito secundário da norma penal: reclusão de seis (seis) a 20 (vinte) anos. § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO ART. A morte ocorre quando cessa a atividade encefálica (Lei da Doação de Órgãos. Ex: latrocínio (patrimônio e vida).P. 121 do C. peculato etc. Diz respeito à coletividade. senão seria legítima defesa).: adultério. Ex. o juiz estará obrigado a conceder. Ex.: Matar o estuprador da filha de dois anos de idade. 3º). privilegiado e qualificado. Motivo de relevante valor social: diz respeito ao sentimento da coletividade. Crimes complexos são aqueles em que a lei protege mais de um bem jurídico. de 06 (seis) a 20 (vinte) anos. A prova da materialidade se faz por meio do laudo de exame necroscópico assinado por dois legistas. por tratar-se de um direito público subjetivo do réu). Natureza Jurídica Causa de diminuição de pena. 121. Não é necessário que a vítima tenha tido a 11 .

caso contrário. precedente ao crime. Motivo torpe: demonstra a maldade do sujeito em relação ao motivo do delito. existirá a qualificadora para os dois. arame. em razão da provocação. não incidirá a qualificadora. ou que possa representar perigo comum. Inciso II . É o motivo vil. bastando que o agente se sinta potencialmente provocado (se for mera provocação poderá caracterizar homicídio qualificado por motivo fútil). poderão ser consideradas como veneno em razão de condições de saúde peculiares da vítima. ainda que a discussão tenha se iniciada por motivo de pequena importância. A existência de uma discussão “forte”. etc. Leva-se em conta o momento em que o sujeito ficou sabendo da provocação. b) Emprego de fogo c) Emprego de explosivo Exemplo de bombas caseiras em torcidas de futebol. ou não. É a própria força do agente atuando. Asfixia mecânica: Esganadura: apertar o pescoço da vítima. d) Emprego de asfixia Causa o impedimento da função respiratória. será aplicada a qualificadora do meio cruel. exemplo: matar o viciado porque ele não pagou a droga. Na promessa de recompensa. O ciúme não é considerado motivo torpe. ou. Eventual dano ao patrimônio alheio ficará absorvido pelo homicídio qualificado pelo fogo ou explosivo. Ciúme não caracteriza motivo fútil. Se o veneno for introduzido com violência ou grave ameaça.intenção específica de provocar. a) Emprego de veneno É necessário que seja inoculado de forma que a vítima não perceba. 12 . aquele que ofende ao sentimento médio da sociedade Ex. § 2. explosivo.º. matar a esposa porque ela não quer manter relação sexual.: matar o pai para ficar com herança. No entanto.. e desde que o agente saiba que a vítima está em estágio avançado de diabetes. exemplo: matar o estuprador da filha. conforme o artigo 30 do CP.mediante paga ou promessa de recompensa. pois não é elementar do tipo e sim uma circunstância. Inciso III . no pescoço da vítima causando a morte. 121. Exemplo: matar por causa de uma fechada no trânsito.): não pode ficar evidenciado um lapso temporal entre a provocação e a morte. repugnante. pois existem autores que entendem que ao partícipe não se estende à qualificadora. asfixia. matar a pessoa por não ter pagado uma cerveja em razão de ter perdido uma partida de sinuca. mas não com as mãos. DO CP – Se o homicídio é cometido: Inciso I . afasta o motivo fútil. motivo torpe ou fútil dependendo do que a tenha originado. Reação imediata (logo em seguida. o agente fique dominado por uma emoção extremamente forte. Ambos respondem pela forma qualificada. HOMICÍDIO QUALIFICADO ART.emprego de veneno. qualificadora. o pagamento é posterior à execução. Estrangulamento: passar fio. Também chamado de homicídio mercenário. pois poderá caracterizar privilégio.motivo fútil Matar por motivo de pequena importância. A paga é prévia em relação à execução. insignificante. há divergência. fogo.. pois se entende que a causa do homicídio foi à discussão e não o motivo anterior que a havia originado. A vingança será considerada. Que. como no caso do açúcar para o diabético. Mesmo se o executante não a cumprir integralmente. Certas substâncias que são inofensivas para a população em geral. ou por outro motivo torpe Na paga ou promessa de recompensa. há a figura do mandante e do executor. tortura ou outro meio insidioso ou cruel.

Crime de tortura com resultado morte (pena: de 8 a 16 anos). 1. Afogamento: imersão em água. será surpresa. Sufocação: é a utilização de algum objeto que impeça a entrada de ar nos pulmões da vítima (ex. Trata-se neste caso de crime preterdoloso (dolo no antecedente e culpa no conseqüente. sendo que este resultado é agravador do primeiro – art. por exemplo. Eventual mutilação praticada após a morte caracteriza crime autônomo de destruição de cadáver (art. a ocultação. d) Qualquer outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima Qualquer meio que torna a defesa da vítima mais difícil ou impossível. a impunidade ou vantagem de outro crime O inciso se refere às qualificadoras por conexão.: amizade. etc. pode ou não caracterizar a qualificadora de meio cruel (ex.º. da Lei n. e no crime tortura. Trata-se de meios que causam na vítima intenso sofrimento físico ou mental. por exemplo. de emboscada ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido Refere-se à maneira que o sujeito usou para executar o homicídio. Asfixia tóxica: Uso de gás asfixiante: monóxido de carbono. Exemplo: Um agente que mata o marido para estuprar a esposa. 9.455/97). um peso sobre o tórax da vítima. armadilha. dependendo da forma como ela é utilizada.). 211. que podem ser: Teleológica: quando o homicídio é praticado para assegurar a execução de outro crime. parecendo não ter havido infração penal. há dolo de torturar e a morte ocorre culposamente. que é recurso que impossibilitou ou tornou impossível a defesa da vítima.: introduzir algodão na garganta da vítima). Soterramento: enterrar vivo. Aguardar escondido a passagem da vítima por um determinado local para matá-la. f) Emprego de qualquer meio do qual possa resultar perigo comum Meio que possa provocar perigo comum que extrapola o resultado lesivo pretendido pelo autor (morte da vítima) e coloca em risco a integridade física e a vida de pessoas indeterminadas (por exemplo. e sim um acidente. ao passo que se matar o inimigo pelas costas. c) Dissimulação É a simulação de uma situação inexistente com o fim de induzir a vítima a erro (por ex. relação amorosa etc.: fingir-se de funcionário de companhia elétrica para ingressar na residência da vítima e matá-la). como no caso de sabotagem nos freios do automóvel. espancamento. Matar um segurança para conseguir 13 .Enforcamento: há emprego de fio também. pois se matar o amigo pelas costas. Inciso V – para assegurar a execução. há dolo na morte praticado através de tortura. A reiteração de golpes.: prender alguém vivo dentro de caixão).). § 3. é traição. Meio insidioso: uso de fraude.º. e) Emprego de tortura ou qualquer meio insidioso ou cruel Deve ser a causa direta da morte. Não confundir com a traição. No homicídio qualificado. A diferença entre homicídio qualificado e homicídio por tortura está no elemento subjetivo (dolo). Confinamento: trancar alguém em lugar fechado de forma a impedir a troca de ar (ex. do CP). a)Traição Aproveitar-se da prévia confiança que a vítima deposita no agente para alvejá-la ou pegá-la desprevenida (ex. Inciso IV – à traição.: apedrejamento. Imprensamento ou Sufocação Indireta: impedir o movimento respiratório colocando. colocar fogo no veículo para matar seu motorista em via movimentada). b)Emboscada (vem de aguardar no bosque) é a tocaia. porém é a força da gravidade que faz com que o peso da vítima cause sua morte. paulada.

criação de um perigo desnecessário (fazer para mais). ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima. Médico que adota um procedimento que ele pensa ser certo. não procura diminuir as conseqüências do seu ato. Consequencial: visa assegurar a ocultação. estava realmente se dirigindo à presença da autoridade policial ou ao socorro da (s) vítima (s). caso não estivesse no local. desleixo. DO CP . vindo a causar lesão na vítima. se a vítima for menor de 14 anos ou maior de 60 (sessenta) anos. Imperícia: ocorre quando uma pessoa técnica no assunto pensa que está fazendo certo. 121. porém a ignora). No Homicídio Doloso É aquele em que o agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo. 3) quando o socorro não era possível por questões materiais. Não se aplica o aumento: 1) se a vítima está evidentemente morta.Na hipótese de homicídio culposo. ou foge para evitar prisão em flagrante. está errado ou ultrapassado. Como diferenciá-la da imperícia? A diferença é que na imperícia o profissional não possui aptidão técnica para a conduta. etc. negligência ou imperícia. responderá por crime culposo na modalidade “imperícia”. É o caso do profissional ignorante. A morte decorre de imprudência. § 4º. que deveria conhecer. Nesses casos. o agente primeiro comete o outro crime e depois pratica o homicídio. Sendo doloso o homicídio. impunidade ou vantagem indevida de outro crime.seqüestrar o empresário. Se o agente não procurar diminuir as conseqüências de seu ato. se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão. do CP . profissão ou ofício. HOMICÍDIO CULPOSO ART. não a observa. 121. Se o agente foge para evitar a prisão em flagrante Neste caso tem que haver provas de que o agente. AUMENTO DE PENA ART. Negligência: é uma omissão quando se deveria ter tomado certo cuidado (fazer para menos). Pena: reclusão de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. PERDÃO JUDICIAL ART. ameaça de agressão. quando na realidade está adotando o procedimento errado ou ultrapassado. quando na realidade. 2) se a vítima foi socorrida de imediato por terceiro.No homicídio culposo. provocando assim a morte da vítima. arte ou ofício (conhece a regra. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. Ex. A pena será aumentada de 1/3. DO CP – Se o homicídio é culposo: Pena: Detenção de 01 (um) a 03 (três) anos. Homicídio Culposo A pena será aumentada de 1/3 (um terço): Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima Só se aplica a quem agiu com culpa e não socorreu. podendo socorrer. se as conseqüências da infração atingir o próprio agente de forma tão grave que a sanção 14 . a pena é aumentada de 1/3 (um terço). por força do Estatuto do Idoso. enquanto na causa de aumento em questão. o agente conhece a técnica. mas por descaso. Imprudência: consiste numa ação. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. § 5º. 121. excesso. § 3º. Se o crime resulta da inobservância de regra técnica de arte.

122 do CP . além de extinguir a punibilidade do agente. este também interessado na esposa de “A” o induz a praticar suicídio.: No caso acima. todos os efeitos secundários da pena desaparecem. (TAMBÉM Art. também apaga o crime. se o suicídio se consuma. como causa extintiva da punibilidade. conta para um amigo o que viu. ou reclusão.penal se torne desnecessária. arma. Pode ser concedido tanto a crimes dolosos quanto aos culposos. desde que haja previsibilidade. ou seja. Só na sentença é que poderá ser concedido o perdão judicial. INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO CONHECIDO POR CRIME DE PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO). Instigar: reforçar a idéia suicida preexistente. o entendimento jurisprudencial tende a considerá-lo no sentido de que. Ex. 107. não gera reincidência. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. INDUZIMENTO. tais como: não inclusão do nome do réu no livro de rol dos culpados. no entanto.Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena . no caso do homicídio e das lesões corporais. IX. O Juiz poderá conceder o perdão judicial. já que o agente colabora com a própria prática do suicídio. logo. Embora considerado pelo art. haja vista seu interesse na mulher. 15 . além de contar para o amigo o que viu “A” também manifesta a intenção de praticar suicídio.: emprestar corda. Ex. O auxílio deve ser acessório. veneno. etc. Núcleos do Tipo Induzir: dar a idéia a alguém que ainda não tinha pensado em suicídio. não poderá ser a causa direta da morte (execução).: “A” após surpreender sua esposa na cama com outro homem. criar a idéia de suicídio na cabeça da vítima.reclusão. do CP. Ex. deixando de aplicar a pena. quando as conseqüências do crime atingir o próprio agente de forma tão grave que a imposição da mesma se torne desnecessária. Auxiliar: participação material. de dois a seis anos. ou seja. e o amigo reforça a idéia. de um a três anos. só poderá ser aplicado aos crimes culposos.

o próprio filho. mata o filho de outra. Concluiu-se que o legislador não quis punir as outras hipóteses. como a lesão leve e a forma culposa. mas. do Código Penal. logo este número tem que ser determinado. Estado puerperal: alteração psíquica que acontece em grande número de mulheres em razão de alterações orgânicas decorrentes do fenômeno do parto. Consideram-se a lesão grave ou a morte elementar do crime (estas geralmente se encontram no tipo. por exemplo. Próprio filho: é o sujeito passivo. não irá responder pelo crime. § 3º. assim. logo. durante o parto ou logo após. gerando uma situação de suicídio em massa. Quem não pode ser vítima: criança e pessoas com desenvolvimento mental retardado. se uma pessoa publicar um livro “Como se matar em cinco dias”. por qualquer causa. não se utiliza o art. no crime do art. nascente ou recém-nascido. instigar e prestar auxílio à mesma vítima: o crime será único quando o agente realizar mais de uma conduta. sob a influência do estado puerperal. aplicando-se o “in dubio pro reo” responsabilizando a mãe pelo crime de infanticídio e não homicídio. No entanto. para a caracterização do delito. Pena No caso de morte. enquanto o auxílio é forma de participação material. Se a mulher. Consuma-se quando a vítima morre ou sofre pelo menos lesões corporais de natureza grave. se a vítima sofrer lesão grave. com causa de diminuição de pena. as quais não caracterizam o crime em estudo.O induzimento e a instigação são formas de participação moral. pois aqui o estado puerperal é circunstância. diminui-se a pena do agente. se conscientemente mata o filho de outra mulher. pena será de um a três anos de reclusão. Pena: detenção de dois a seis anos. Porque a lei fala em “algué m”. Sujeito Passivo Qualquer pessoa que tenha alguma capacidade de discernimento e resistência. durante ou logo após o parto. A pena será duplicada: quando praticado o crime por motivo egoístico. a capacidade de resistência. supondo ser o dela. o fato será atípico. 122. Em caso de grupo. pois se trata de crime de ação múltipla ou de conteúdo variado. do Código Penal – erro quanto à pessoa). constam no quantum da pena). mas. inc. tentativa etc. 14. se os médicos ficarem em dúvida sobre sua existência e o laudo for inconclusivo. do Código Penal (tentativa). INFANTICÍDIO ART. tipo misto alternativo. 123 DO CP – Matar. Esses casos caracterizarão homicídio. Elementares do Crime: Matar: aplicam-se as regras do homicídio quanto a esse verbo (consumação. na hipótese em que a vítima sofre lesão grave. Induzir. o crime se considera consumado. 20. Não ocorrendo qualquer tipo de lesão. se a vítima é menor ou tem diminuída.). como há pena autônoma na parte especial. Aumento de Pena – Art. responderá por infanticídio putativo (art. este deverá ser determinado. uma vez que. Não caracterizará o crime se os sujeitos passivos forem indeterminados. II. será presumido o estado puerperal. ou ainda. 16 . Pergunta: Deve ser provado o estado puerperal ou ele se presume? R: Tem de ser provado por perícia médica. embora estando sob influência do estado puerperal. por erro. É o único crime material do Código Penal que não admite a tentativa. responderá por homicídio doloso. parágrafo único. pois. ou ocorrendo lesão leve. a pena será de dois a seis anos de reclusão. 122 do Código Penal.

ou seja. por imprudência. receberá o benefício do “Perdão Judicial”. Tentativa: é possível. nas outras modalidades.Durante ou logo após o parto: este é o elemento temporal. acidental ou provocado (que se subdivide em criminoso ou legal). mesmo que esta esteja sob a influência do estado puerperal. 124 do CP – Provocar aborto em si mesmo (AUTO-ABORTO) ou consentir que outrem lhe provoque (ABORTO CONSENTIDO). responderá por infanticídio. no entanto. sendo vítima a mulher (gestante). Art. Manobras abortivas em quem não está grávida constituem crime impossível por absoluta impropriedade do objeto. só a mãe. 17 . pois o estado puerperal é variável quanto a sua duração. ou seja. O Aborto criminoso se divide em: Art. caso contrário. Na modalidade autoria. independentemente do tempo decorrido. dá causa a um aborto responde por crime de lesão corporal culposa. em caso de condenação em homicídio culposo. é a corrente que predomina na jurisprudência. Elemento subjetivo: só existe na forma dolosa. 126 do CP – Provocar aborto com o consentimento da gestante (ABORTO CONSENTIDO): Pena: Reclusão de 01 (um) a 04 (quatro) anos. durante o estado puerperal. o crime será de homicídio culposo (HUNGRIA e MIRABETE). 125 do CP – Provocar aborto sem o consentimento da gestante: Pena: Reclusão de 03 (três) a 10 (dez) anos. Art. o crime só poderá ser praticado em um determinado momento. Porém. se a mãe praticar a conduta. Consumação: o aborto consuma-se com a morte do feto. Não existe crime de aborto culposo. O aborto é um crime de ação livre (pode ser praticado por qualquer meio). mas desde que seja um meio apto a provocar a morte do feto. Pena: Detenção de 01 (um) a 03 (três) anos. admite-se o envolvimento de pessoas de ambos os sexos. já que a lei não pune a autolesão. Considera-se início do parto a dilatação do colo do útero (rompimento do saco amniótico) e fim do parto. extinguindo-se todos os efeitos do crime e da pena. o nascimento. O infanticídio não possui forma culposa. se a morte da criança resulta de culpa da mãe. Quem. o fato será atípico. ABORTO É a interrupção da gravidez com a conseqüente morte do feto. por imprudência. Sujeito Ativo É a mãe que esteja sob estado puerperal (crime próprio). se foi a própria gestante que. haverá crime impossível. co-autoria e participação. ou seja. deu causa ao aborto. Assim. O aborto pode ser natural.

de seu representante legal. ABORTO LEGAL Art. Na prática. a pena é aumentada em um terço. Só vale para o aborto praticado por terceiro. Havendo perigo atual. o médico estará acobertado pelo Exercício Regular de Direito. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Não se exige a autorização judicial. consentido ou não pela gestante (artigos 125 e 126). Inciso I: ABORTO NECESSÁRIO OU TERAPÊUTICO Requisitos: 1) Que seja feito por médico. Se a gestante morre. o aborto pode ser praticado por médico. Esta modalidade não existe em regra no nosso país. se incapaz. Ex. poderá o aborto ser realizado desde logo. somente pela exceção. sem coração. Natureza jurídica: causa de exclusão de ilicitude. Inciso II: ABORTO SENTIMENTAL OU HUMANITÁRIO Requisitos: 1) Que seja feito por médico.: feto sem cérebro.ABORTO QUALIFICADO Art. 2) Que a gravidez tenha resultado de estupro. etc. Ante a simples constatação de que no futuro haverá perigo. 127 do CP Se a gestante sofre lesão grave. 2) Que não haja outro meio para salvar a vida da gestante. a pena é aumentada em dobro. 128 do CP . Não se exige risco atual. testemunhas ou qualquer outro meio de prova que auxilie na formação do convencimento dos médicos.Prevê duas hipóteses em que a provocação do aborto é permitida. LESÃO CORPORAL 18 . Aborto Eugênico ou Eugenésico – É aquele em que o feto tem uma deformidade tal que inviabilize o seu nascimento pelo fato de não ter a mínima condição de sobreviver. 3) Que haja o consentimento da gestante ou. sendo imprescindível nestes casos a devida autorização judicial. caso o perigo seja futuro. como no estado de necessidade. aplicando-se nesse caso o estado de necessidade. a lei diz que o médico tem que ter elementos de convicção para a realização do aborto tais como apresentação do boletim de ocorrência.

sentido ou função.DAS LESÕES CORPORAIS Art. Atividade habitual é qualquer ocupação rotineira. praticar esportes. mas não consegue. não basta que o médico legista faça no dia do crime uma previsão de que a recuperação demorará mais de trinta dias. III . mas lesiona. etc. § 2. por mais de trinta dias. Lesão decorrente de esporte . LESÃO COPORAL LEVE Por exclusão.Incapacidade para as ocupações habituais.: Se o agente agride sem a intenção de lesionar. Sujeito Passivo = Qualquer pessoa. Se o médico vislumbra essa possibilidade.Não há crime. 184 do CPM). O Código de Processo Penal exige.Aceleração do parto: Pena . 9. LESÃO CORPORAL GRAVE § 1º Se resulta: I . caput.reclusão. 21 da LCP). ao passo que as vias de fato se caracterizam por ser uma agressão na qual não resulta lesão. Consumação: No momento em que a vítima é atingida. é toda lesão que não for grave e nem gravíssima. IV . LESÃO CORPORAL GRAVE § 1º Se resulta: I . no novo exame poderá verificar se a vítima continua 19 . 168.Debilidade permanente de membro. ou criação de incapacidade para frustrar a incorporação militar (art. constituir crime de outra natureza – autolesão para receber seguro (art. pois na tentativa o agente quer lesionar a vítima. entretanto. do CPP). condicionada à representação. para a comprovação dessa espécie de lesão grave. Exemplo: corte.Incapacidade para as ocupações habituais. Exemplo: transmitir intencionalmente uma doença. já que a figura típica é ofender a outrem. OBS. Tentativa: É possível. etc. Ação penal: O art. deve marcar data de retorno para a vítima para depois do trigésimo dia do crime. por isso. 171. salvo no caso de autolesão – que a lei não pune. mutilações. que afasta as vias de fato que é dolosa. crianças e aposentados também podem ser sujeito passivo. queimadura. conclui-se que a lei não se refere apenas à incapacidade para o trabalho e. do CP: Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. desde que tenha havido respeito às regras do jogo (exercício regular de direito). Dessa forma. inc. a ser realizado após o trigésimo dia. Ofensa à saúde é a provocação de perturbações de caráter psicológico e/ou fisiológico. § 2º. A provocação de mais de uma lesão em um mesmo contexto caracteriza crime único.099/95 transformou a lesão corporal dolosa leve em crime de ação penal pública. Pena: detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano. paralisia momentânea etc. ocorre a lesão corporal culposa. trabalhar. A autolesão pode. 129.Perigo de vida. II . Difere da contravenção de vias de fato (art. Sujeito Ativo = Qualquer pessoa. Assim. por mais de trinta dias. de um a cinco anos.º. do CP). para constatar se a vítima continua impossibilitada (art. 88 da Lei n. pois o agente não tinha essa intenção. Assim. como andar. V. a realização de um exame de corpo delito complementar. do dia a dia da vítima. Ofensa à integridade corporal consiste no dano anatômico prejudicial ao corpo humano.

Deformidade permanente. A perda de parte dos movimentos do braço é um exemplo. por exemplo. Deve ser um perigo efetivo. IV . de dois a oito anos. Tato. onde os médicos devem especificar qual o perigo de vida sofrido pela vítima. quando ocorre aborto. paladar. quando se constata que um dedo foi extirpado e não foi reimplantado. Debilidade consiste na redução ou enfraquecimento da capacidade funcional.Perda ou inutilização de membro. O que se exige é uma antecipação do parto. II . quando uma agressão causa alterações permanentes na função respiratória. O perigo de vida a que a lei se refere é aquele decorrente da gravidade das lesões e não do fato em si.Perigo de vida.incapacitada. V . sentido ou função. comprovado por perícia médica. Membros são os apêndices do corpo: braços e pernas. Trata-se de hipótese preterdolosa. em que o agente quer apenas lesionar a mulher e acaba causando culposamente a aceleração do parto.Aceleração do parto. pois. portanto. Se o agente queria provocar o aborto e causou apenas antecipação do parto. porque sua caracterização depende do transcorrer de determinado lapso temporal. mas o impacto faz com que ela dê um passo para trás.Debilidade permanente de membro. Ex. 20 . O laudo deve dizer em que ele consistiu. de necessidade de cirurgia de emergência. III . que houve perigo de vida decorrente de grande perda de sangue. se um soco causa um pequeno corte na boca da vítima (lesão leve). É também necessário que o agente saiba que a mulher está grávida. Pena – reclusão. Não basta. visão e audição. Só é aplicável quando o feto nasce com vida. É o que ocorre. Sentidos são os mecanismos sensoriais através dos quais percebemos o mundo exterior. tendo a criança sobrevivido. concreto. A incapacitação pode ser física ou mental. sentido ou função. olfato. Para que se caracterize essa hipótese de lesão grave é necessária a existência de prognóstico médico no sentido de que a debilidade é irreversível. Perigo de vida é a possibilidade grave e imediata de morte. A atividade que a vítima ficou impossibilitada de realizar deve ser lícita. hipóteses preterdolosas. Abrange. Essa espécie de crime classifica-se como crime a prazo. por exemplo. circulatória e reprodutora. quase sendo atropelada por um ônibus que passa pelo local. ferimento em órgão vital. Não é necessário para sua caracterização que o agente queira criar tal incapacitação. o crime é o de tentativa de aborto. Caracteriza-se. um nascimento prematuro.Incapacidade permanente para o trabalho. ou seja.Enfermidade incurável. pouco importando se é ou não moral. II . Função é a atividade de um órgão ou aparelho do corpo humano. etc. Por isso. o agente responde por lesão gravíssima. como. pois.Aborto. IV . por exemplo. etc. LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA § 2º Se resulta: I .: uma lesão que provoque diminuição na capacidade auditiva ou visual da vítima. a lesão não é considerada grave pelo perigo de vida. dizer que houve tal situação de perigo. III . e somente se a resposta for positiva é que poderá considerar grave a lesão.

II . e é provocada diretamente pelo agente que. entendimento de que se trata de tentativa de homicídio. não mais havendo certeza de que a morte seja uma decorrência inevitável.Enfermidade incurável. a lesão não será tida como gravíssima porque a vítima continua podendo exercer qualquer outra profissão.Perda ou inutilização de membro. A transmissão intencional de AIDS enquadra-se na hipótese de lesão gravíssima. de modo que ele não possa mais tocar piano no mesmo nível. III . se utiliza de serra elétrica. por ficar a vítima impossibilitada de pegar e segurar objetos. corrente que. vem sofrendo críticas pelo fato de atualmente existirem medicamentos que têm evitado a instalação das doenças oportunistas que são as responsáveis pela morte da vítima acometida pela AIDS. ou seja. Deve haver nos autos perícia médica declarando a inexistência de cura. para extirpar parte do corpo da vítima. a perda de todo o braço constitui lesão gravíssima pela perda de membro. pela deformidade permanente. A perda de uma mão é igualmente considerada lesão gravíssima por inutilização do membro. uma vez que a lei se refere à palavra "trabalho" sem fazer ressalvas. todavia. O autor do golpe responde pela perda do membro. OBSERVAÇÕES: 1) A perda de parte do movimento do braço é lesão grave pela debilidade do membro. embora exista entendimento em sentido contrário. pela transmissão de moléstia incurável. a transmissão intencional de uma doença para a qual não existe cura no atual estágio da medicina.LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA § 2º Se resulta: I . exceto se for o polegar. A perda de todo movimento é lesão gravíssima pela inutilização. prevalece a interpretação no sentido de que. Na inutilização. o membro continua ligado ao corpo da vítima. desde que haja nexo causal entre a ação e a perda do membro. para qualquer tipo de labor. mas incapacitado de realizar suas atividades próprias. Ocorre a mutilação no próprio momento da ação delituosa. machado. Em ambos os casos haverá a lesão gravíssima. A perda de um dedo caracteriza lesão grave. 2) A extirpação do pênis é lesão gravíssima em face da perda da função reprodutora e. porém. A amputação apresenta-se na intervenção cirúrgica imposta pela necessidade de salvar a vida da vítima ou impedir consequências mais graves. por exemplo. Prevalece o entendimento de que deve ser uma incapacidade genérica para o trabalho. A perda pode se dar por mutilação ou por amputação. por exemplo. se uma agressão causar rompimento definitivo no tendão do dedo mínimo de um pianista profissional. É a alteração permanente da saúde por processo patológico. hipótese em que a lesão é considerada inutilização de membro (lesão gravíssima). também. sentido ou função. No exemplo do pianista a lesão é considerada grave pela incapacitação para atividades habituais (tocar piano) por mais de trinta dias. 21 . Ocorre essa hipótese. Existe. Por fim. Assim. quando a vítima passa a ter paralisia total de um braço ou perna.Incapacidade permanente para o trabalho.

4) A provocação de cegueira em um só olho ou surdez em um só ouvido caracteriza mera debilidade do sentido. A vasectomia. Esse posicionamento é questionável porque deixa nas mãos da vítima a decisão acerca da forma de punição do réu. nos braços etc. pois. porém.Deformidade permanente. pelas pessoas em geral. a deformidade deve causar impressão vexatória. Trata-se. arrancamento de orelha ou parte dela. como já estudado. de certa monta. antiestética. As mais comuns são queimaduras com fogo ou com ácido. Basta. O dano estético pode ter sido causado por qualquer forma. uma vez que ela não está obrigada a se submeter à intervenção cirúrgica. uma vez que a matéria está regulamentada pela Lei nº 9. requisito atualmente interpretado com grande elasticidade para excluir apenas situações em que a lesão atinge parte do corpo rara ou praticamente nunca vista por outras pessoas. O agente deve saber que a vítima está grávida.263/96. caracteriza-se nas hipóteses em que o agente quer agredir a vítima e não quer causar o aborto. permanente. mas o provoca de maneira culposa. mas também nas pernas.Aborto. Conclui-se. em outras palavras. desde que tal comportamento não importe em diminuição permanente da integridade física ou contrarie os bons costumes (art. pelo passar do tempo. salienta que a correção por cirurgia plástica afasta a aplicação da qualificadora. não sendo necessário que a vítima tenha se tornado uma monstruosidade. a ligadura de trompas ou qualquer outra forma de esterilização não caracterizam crime de lesão gravíssima (perda da função reprodutora) por parte do médico que as realiza. portanto. etc. não o configurando. É que. que seja uma marca considerada feia. que o dispositivo é exclusivamente preterdoloso ou. pois só assim a vítima se torna efetivamente surda ou cega. por se tratar de sentido que se opera através de dois órgãos. para que não ocorra punição decorrente de responsabilidade objetiva. pequenas cicatrizes ou outros danos mínimos. A deformidade deve ser visível. 22 . A correção através de prótese não afasta a aplicação do instituto. em sua maioria. pois. Somente terá aplicação o dispositivo em estudo se ele for capaz de causar má impressão nas pessoas que olham para a vítima. Não abrange apenas deformidades no rosto. de exercício regular de direito.3) o consentimento válido demonstrado pela vítima tem o condão de tornar atípicas as lesões corporais nela provocada. É o dano estético. nesse caso haveria crime de aborto sem o consentimento da gestante. haverá a lesão gravíssima. a lesão gravíssima pela sua perda somente ocorrerá quando ambos forem atingidos. Em outras palavras. V . irreparável pela própria força da natureza. IV . se sinta incomodada com deformidade. ou seja. e esta. mas. assim. desde que haja consentimento da pessoa. visível e capaz de provocar impressão vexatória. Exige-se que o dano seja de certa monta. que ocorra perda razoável de estética. provocação de cicatrizes através de cortes profundos. 13 do Código Civil). A doutrina. Deve também ser permanente. que tem pena maior. isto é. O aborto não pode ter sido provocado intencionalmente. se a cirurgia for possível e a vítima se recusar a realizá-la. portanto.

OBSERVAÇÃO: Nas lesões graves (§ 1º) e gravíssimas (§ 2º) admite-se que o resultado agravador tenha sido causado dolosa ou culposamente, exceto no caso das lesões graves pelo perigo de vida ou aceleração do parto e nas lesões gravíssimas por provocação de aborto, que são preterdolosas. LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE (CRIME PRETERDOLOSO) § 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo. Pena – reclusão, de quatro a doze anos. Trata-se de crime exclusivamente preterdoloso, em que o agente quer lesionar a vítima e acaba provocando sua morte de forma não intencional, mas culposa. Se o agente comete vias de fato (sem intenção de lesionar) e provoca culposamente a morte da vítima, responde por homicídio culposo, que absorve a contravenção penal. Se a forma de agressão demonstra que o agente assumiu o risco de provocar a morte, deve ser reconhecido o homicídio (com dolo eventual) e não as lesões corporais seguidas de morte. É o que ocorre, por exemplo, quando várias pessoas atiram litros de gasolina sobre alguém que se encontra dormindo em local público e nele ateiam fogo, provocando sua morte. No caso, houve homicídio doloso, no mínimo pelo dolo eventual. As lesões corporais seguidas de morte constituem delito exclusivamente preterdoloso e, por esse motivo, não admitem a tentativa. Diminuição da Pena § 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social (diz respeito à coletividade) ou moral (respeito à própria pessoa) ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Embora a lei fale em pode, presentes todos os requisitos o juiz deverá conceder o privilégio por constituir direito público subjetivo do réu. Aplicam-se aqui todos os comentários feitos em relação ao homicídio privilegiado. O privilégio, nas lesões corporais, aplica-se apenas às lesões dolosas, sendo, portanto, incabível nas lesões culposas. Nas lesões dolosas, por outro lado, a aplicação pode ser feita qualquer que seja sua natureza – leve, grave, gravíssima ou seguida de morte. Substituição da Pena § 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa: I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; II - se as lesões são recíprocas. I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; Assim, em se tratando de lesões leves, o juiz tem duas opções nas hipóteses de relevante valor social, moral ou de violenta emoção. Pode reduzir a pena de um sexto a um terço (§ 4º) ou substituí-la por multa (§ 5º). II - se as lesões são recíprocas. Quando uma pessoa apenas se defende de uma agressão injusta anterior e provoca também lesões no agressor, há crime apenas por parte de quem iniciou a agressão, já que o outro agiu em legitima defesa. Não se aplica, na hipótese, o instituto em análise. Assim, o dispositivo somente será aplicado quando uma pessoa agride outra e, cessada a agressão, ocorre a retorsão. 23

LESÃO CORPORAL CULPOSA § 6º Se a lesão é culposa: Pena – detenção, de dois meses a um ano. Lesão culposa é aquela que resulta de imprudência, negligência ou imperícia. Se for cometida na direção de veículo automotor constitui crime do artigo 303 do CTB. § 7º Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º. O art. 129, § 7º, combinado com o art. 121, § 4º, do Código Penal, estabelece que a pena da lesão corporal dolosa, de qualquer espécie, sofrerá acréscimo de um terço se a vítima é menor de 14 anos ou maior de 60 anos de idade. § 8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do Art. 121. Exemplos: autor da lesão culposa que fica gravemente ferido. Trata-se de causa extintiva da punibilidade e, de acordo com a Súmula nº 18 do STJ, a sentença em que o perdão é concedido é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer outro efeito. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (Incluído pela Lei nº. 10.886, 17de junho de 2004) § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006) § 10. Nos casos previstos nos § 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). § 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência.

24

Os parágrafos 9º, 10, 11 foram criados pela Lei n. 10.886/04, e não constituem tipos penais autônomos, já que não possuem núcleo, isto é, não têm nenhum verbo descrevendo uma conduta típica própria. Para criar um tipo penal autônomo não basta lhe dar um nome -"violência doméstica", por exemplo. Pela redação dos §§ 9º e 10, resta claro que o legislador quis acrescentar algumas circunstâncias com o intuito de agravar o crime de lesão corporal. Tanto é assim que, como já mencionado, não descreveu uma conduta típica própria, mas sim fez remissão ao crime de lesão corporal, iniciando o § 9º com a expressão "se a lesão ...", deixando evidente que ao acrescentar circunstâncias (crime contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge etc.) e prever novos limites de pena, acabou criando no § 9º o crime de lesão corporal dolosa leve qualificada pela violência doméstica. A pena que, originariamente, era de seis meses a um ano, foi alterada pela Lei nº 11.340/2006, passando a ser de três meses a três anos de detenção, pena esta que deverá sofrer acréscimo de um terço se a vítima da violência doméstica for portadora de deficiência, nos termos do art. 129, § 11, do Código Penal. OBSERVAÇÃO Na hipótese de lesão leve qualificada prevista no § 9º, como a nova pena máxima é de três anos, deixou o crime de ser de competência do Juizado Especial Criminal, estando, assim, afastadas as regras da Lei nº 9.099/95, que só se aplicam aos crimes cuja pena máxima não excede dois anos. De qualquer modo, o art. 16 da Lei nº. 11.340/2006 continua exigindo a representação do ofendido. No § 10 o legislador estabeleceu causas de aumento de pena de um terço para os crimes de lesão corporal grave, gravíssima ou seguida de morte, se cometidos contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge etc. Com efeito, o § 10 faz expressa menção aos §§ 1º a 3º do art. 129, deixando claro que se refere a essas modalidades de lesão corporal, ficando evidenciado, por exclusão, que o § 9º se refere à lesão leve. O § 10 ajuda a demonstrar que não foram criados tipos autônomos, mas sim circunstâncias que agravam a pena do delito de lesão corporal dolosa, porque, expressamente, diz que as penas aumentam de um terço, "se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo". É sabido que circunstâncias são elementos agregados que aumentam a pena e não elementares de um delito. Em suma, não existe um crime chamado "violência doméstica", mas crimes de lesão corporal agravados pela violência doméstica, mesmo porque o capítulo em estudo se chama "das lesões corporais". É possível, ainda, notar, pela leitura de tais parágrafos, que sequer é necessário que o fato ocorra no âmbito doméstico para que a pena seja agravada. Com efeito, não consta do texto legal que a pena só será exacerbada se o crime contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge, companheiro, ou contra quem o agente conviva ou tenha convivido, tiver sido praticado dentro de casa. É indiferente, portanto, o local em que a agressão ocorra. Haverá sempre a agravação. Apenas nas últimas figuras, ou seja, quando o agente cometer o crime prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, é que se pressupõe que o fato ocorra no ambiente doméstico. A conclusão não pode ser outra, na medida em que as primeiras figuras estão separadas destas no texto legal pela conjunção alternativa "ou", de modo que não é necessário, para agravar a pena, que a agressão seja feita pelo agente contra um ascendente, prevalecendo-se de relação doméstica, já que a lei diz "contra ascendente, ... , ou prevalecendo-se de relação doméstica". Em suma, a rubrica "violência doméstica" não condiz totalmente com o texto legal aprovado.

25

responderá por apropriação de coisa achada. por exemplo.Crimes contra o Patrimônio: furto. como aviões. Coisa de uso comum: água dos mares. b) Ânimo de assenhoreamento definitivo do bem. dentro de casa. dessa forma. Coisa perdida. por exemplo. 155 . ou seja. o que para fins penais é irrelevante. roubo. 07 h/a CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO FURTO Art. 169. se pegar dinheiro praticará furto. mas não pode ser objeto de furto porque falta o requisito da subtração. que nunca teve dono) e a ”res derelicta” (coisa abandonada). par. extorsão mediante seqüestro.Subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel: Pena – reclusão de 01 (um) a 04 (quatro) anos. do Código Penal. II. A coisa deve ser alheia (elemento normativo do furto). se achada e não restituída ao proprietário. retirando-o da esfera de vigilância da vítima. etc. Para a sua caracterização é necessário que o agente tenha intenção de uso momentâneo e que restitua a coisa imediata e integralmente à vítima. 26 . extorsão. A coisa perdida (res desperdicta) tem dono. terra (retirados sem autorização) e árvores (quando arrancadas do solo) podem ser objeto de furto.:caixa de supermercado. Único. não constituem objeto de furto a”res nullius” (coisa de ninguém. na legislação penal comum. Elementos a) Subtrair: tirar algo de alguém. estelionato e receptação. de forma definitiva. para si ou para outrem . o furto de gado. A coisa só é considerada perdida quando está em local público ou aberto ao público. Ex. como. o abigeato. o fato será atípico porque a coisa não é alheia. quem a encontra e não a devolve não está subtraindo . c) Coisa alheia móvel (objeto material do tipo) Coisa móvel: aquela que pode ser transportada de um local para outro. Areia. não pode ser objeto de furto. desde que não configure crime contra o meio ambiente. para si ou para outrem. dentro do carro. Os semoventes também podem ser objeto de furto. Não basta apenas a vontade de subtrair (dolo geral): a norma exige a intenção específica de ter a coisa. Pode ocorrer em dois casos: 1) tirar algo de alguém.. Trata-se do elemento subjetivo específico do tipo. Essa modalidade difere da apropriação indébita porque nesta a posse é desvigiada. embarcações. Coisa alheia é aquela que tem dono. É esse elemento que distingue o crime de furto e o furto de uso (fato atípico). O Código Civil considera como imóvel alguns bens móveis. exceto se estiver destacada de seu meio natural e for explorada por alguém. e multa. 2) receber uma posse vigiada e sem autorização levar o bem. tem a posse vigiada. Nessas hipóteses. ar atmosférico. inc. O furto é um tipo anormal porque contém elemento normativo que exige juízo de valor.: água da SABESP. caso não restitua a coisa num prazo de 15 dias à autoridade policial. desapossar. tipificada no art. caracterizará crime de furto. Ex.

que não venha a ser recuperado pela vítima. § 3o. Se na fuga o agente se desfaz ou perde o objeto. para se auto-ressarcir de dívida já vencida e não paga. eventualmente. para fins de transplante. Sujeito passivo É sempre o dono e. mas o dono da coisa. A TV a cabo está sendo equiparada. Consumação O furto consuma-se mediante dois requisitos: retirada do bem da esfera de vigilância da vítima. 346 do Código Penal (tirar. define como objeto material do furto. 9. Ser humano não pode ser objeto de furto. na hipótese. O agente que furta um bem que já fora anteriormente furtado responde pelo delito. não responderá por furto em razão da incidência do erro de tipo.: dois ladrões furtam uma carteira. Pessoas jurídicas podem ser vítimas de furto. pegar um objeto alheio pensando que lhe pertence. A subtração de órgão de pessoa viva ou de cadáver. Se alguém. 211 do Código Penal (destruição. acarreta o crime do art. que terá como vítima não o primeiro furtador. bem como qualquer outra forma de energia com valor econômico. Esse dispositivo é uma norma penal explicativa ou complementar (esclarece outras normas. a energia). O corte de cabelo pode ser objeto de lesões corporais. suprimir. Subtrair coisa própria. que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção). o possuidor ou detentor que sofre algum prejuízo. Quando há concurso de agentes. 345 do CP). caracteriza crime da Lei n. porque o tipo exige que a coisa seja alheia. 27 . pratica o crime de exercício arbitrário das próprias razões (art. Sujeito ativo Pode ser qualquer pessoa. ainda que por pouco tempo (entendimento pacífico na doutrina e jurisprudência). O credor que subtrair bem do devedor. por erro. Não responde por furto porque não agiu com intenção de causar prejuízo. O cadáver só pode ser objeto de furto quando pertence a uma instituição e está sendo utilizado para uma finalidade específica. É exceção à exigência de que o agente tenha a posse tranqüila do bem. se a finalidade for causar dano à integridade física da vítima ou ainda caracterizar o crime de injúria real quando a finalidade for a de ridicularizar a vítima. fugindo a regra geral de crime instantâneo de conduta e resultado. Crime permanente nesta hipótese. um foge com o bem e o outro é preso no local.434/97. exceto o dono. institutos de pesquisas.O art.: faculdade de medicina. Este crime não tem nome. Ex. O sêmen é considerado energia genética e sua subtração caracteriza o delito de furto. posse tranqüila do bem. pois a vítima sofreu efetivo prejuízo. destruir ou danificar coisa própria. A subtração de cadáver ou parte dele tipifica o delito específico do art. subtração ou ocultação de cadáver). consuma-se o delito. porque o seu patrimônio é autônomo do patrimônio dos sócios. é um subtipo do exercício arbitrário das próprias razões. se o crime está consumado para um. Ex. 155. está também consumado para todos – adoção da teoria unitária. que se encontra em poder de terceiro. pois não é coisa. Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica. o crime está consumado para ambos. do Código Penal trata do furto de energia. em razão de contrato (mútuo pignoratício) ou de ordem judicial (objeto penhorado).

algum tempo depois da prática do crime com papéis. do CPP). o agente pode estar respondendo por dez crimes. 155 do CP. instrumentos.o : “A pena aumenta-se de 1/3. ou seja. não se aplica o aumento no caso de furto praticado na rua ou em comércio. o § 1º só vale para o que vem antes. e depois o aliena a um terceiro de boa-fé. 155. § 2. 302. desde que haja morador dormindo. uma vez que neste período há menor vigilância de seus pertences. Se o agente. se o crime é praticado durante o repouso noturno. necessariamente. não há que se falar em violação do princípio da presunção de inocência. entretanto. o agente não tem a intenção de se locupletar. O fato de ter havido prisão em flagrante não implica. pois nestes casos desde que comprovado o estado de necessidade.Art. até mesmo na forma qualificada. por exemplo. Se a pessoa furta um bem. fará jus ao privilégio. danifica o bem subtraído. do CP . Se o réu for primário e tiver maus antecedentes. após a subtração.” Trata-se de causa de aumento de pena que tem por finalidade garantir a proteção em relação ao patrimônio durante o repouso do proprietário. porque a lei não exige bons antecedentes. caracteriza crime militar. a conduta humana não encontrará a antijuridicidade. O aumento não se aplica se a casa estiver desabitada ou se os moradores estiverem viajando. no furto qualificado já há previsão de pena maior. onde alguém exerce profissão ou atividade) ou em qualquer de seus compartimentos. que permite a prisão do agente encontrado. etc. o caso do flagrante ficto (art.Tentativa É possível. logo em seguida. ex. Concurso de delitos A violação de domicílio fica absorvida pelo furto praticado em residência por ser crime meio (princípio da consunção). pois. elemento indispensável para o conceito de crime. logo. ou o aposento de habitação coletiva. quando o furto for praticado em lugares de grande frequentação. Que a coisa subtraída seja de pequeno valor. como. Furto Famélico – É aquele em que a pessoa subtrai alimentos única e exclusivamente para a manutenção própria ou de sua família. no entanto. § 1. armas ou objetos que façam presumir ser ele o autor do crime. Furto de Uso – É aquele em que a pessoa pratica tal conduta com o intuito única e exclusivamente para utilizar a coisa momentaneamente. bem como. não constitui crime pela legislação penal comum por falta de tipicidade. pois a segunda conduta delituosa não traz novo prejuízo à vítima. A jurisprudência. O furto noturno não se aplica ao furto qualificado. 150.Ex: furtar um pão para se alimentar. Art. § 4o. ou compartimento não aberto ao público. IV. diz que é um “post factum” impunível. ou seja. do Código Penal como sendo qualquer compartimento habitado. a reincidência se verificará quando do julgamento do próximo crime. FURTO NOTURNO . devolvendo-a.o. 155. sendo o dano um “Post Factum” impunível. A jurisprudência dominante traça algumas considerações: Só se aplica quando o fato ocorre em residência (definida pelo art.FURTO PRIVILEGIADO Requisitos: Que o agente seja primário (todo aquele que não é reincidente). que o furto seja tentado.: festas. A jurisprudência adotou o critério objetivo 28 . com exceção do § 5o do art. responde apenas pelo furto. casas noturnas quando estiverem tendo shows. deve responder por furto e por disposição de coisa alheia como própria. se enriquecer com tal conduta. de quanto não transitar em julgado o primeiro. Só vale para o furto simples: pela posição geográfica do parágrafo.

por ser uma qualificadora específica. antigamente era simples. ao contrário. Art. relação de emprego de anos etc. Ex. A simples remoção do obstáculo não caracteriza a qualificadora. não incidirá a qualificadora. do Código Penal A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos. § 4º. escalada ou destreza Com abuso de confiança: que a vítima. Como conseqüência dessa conduta poderá o juiz substituir a pena de reclusão pela de detenção. considerando aquilo que não excede a um salário mínimo. implicará em causa de diminuição da pena de um a 2/3. que exige o rompimento ou destruição. §§ 4º e 5º. contra o objeto. janela.: arrombar o portão para furtar o carro – aplica-se a qualificadora. o fato é considerado crime. diminuí-la de um terço a dois terços. e multa. b) Com abuso de confiança. em razão do privilégio. 155. do Código Penal Quando o juiz reconhecer mais de uma qualificadora. corrente.para conceituar pequeno valor. quebrar o vidro do carro para subtrair uma bolsa que está dentro é furto qualificado. pela jurisprudência. A qualificadora não é somente aplicada quando o obstáculo atingido é parte integrante do bem a ser subtraído. 29 . armadilha). pelo princípio da insignificância. neste caso. 155. irrisória. para a comprovação da violência que é. Na tentativa leva-se em conta o valor do bem que se pretendia subtrair. o prejuízo pode ter sido pequeno. como também se a violência for praticada contra o próprio bem.: no furto de um carro. Não confundir privilégio com furto de bagatela. namoro. embora pequena. por algum motivo. mas será levado em conta o valor do objeto furtado. FURTO QUALIFICADO Art. ou aplicar somente a pena de multa. porque existe uma perda patrimonial da vítima. Ex. se o crime é cometido: a) Com rompimento ou destruição de obstáculo Pressupõe uma agressão que danifique o objeto. No furto privilegiado. Deve ser examinado o valor do bem no momento da subtração e não o prejuízo suportado pela vítima. cadeado etc. deposite uma especial confiança em alguém: amizade. 171 do Código de Processo Penal exige perícia. mediante fraude. logo. utilizará a segunda como circunstância judicial na primeira fase da fixação da pena. destruindo-o (destruição total) ou rompendo-o (destruição parcial). que é recuperado depois. O obstáculo pode ser passivo (porta. o crime de furto de bagatela é atípico porque a lesão ao bem jurídico tutelado é ínfima. caso contrário.) ou ativo (alarme. Saliente-se que a jurisprudência exige a demonstração da confiança. quebrar o vidro do carro para subtrair o automóvel – furto qualificado. O crime de dano fica absorvido pelo furto qualificado quando é meio para a subtração. O art.

por exemplo. no entanto.). saltar um muro baixo. a fraude é qualificadora. não distinguindo co-autoria de participação. ou seja. d) Mediante o concurso de duas ou mais pessoas A aplicação da qualificadora dispensa a identificação de todos os indivíduos e é cabível ainda que um dos envolvidos seja menor. pela janela.: entrada pelo telhado. o juiz não poderá aplicar a qualificadora do furto mediante concurso de duas ou mais pessoas porque constituiria “bis in idem”. que cobre apenas furto e não estelionato. Reconhecida a existência do crime de quadrilha ou bando (art. sendo que neste caso. citando como exemplo o art. chave mixa. No furto. gazua. escavação de um túnel e outros. ou seja. porque a lei exige o “concurso de duas ou mais pessoas”. não qualificam o furto. será chave falsa. O furto mediante fraude distingue-se do estelionato porque neste a fraude é utilizada para convencer a vítima a entregar o bem ao agente e naquele. sendo responsabilizado o menor por ato infracional e o inimputável receberá medida de segurança. Ex.: grampo. um colar etc. mas for vista por terceiro. 30 . A utilização da chave verdadeira encontrada ou subtraída pelo agente não configura a qualificadora. A chave verdadeira só poderá ser considerada chave falsa se for utilizada para abrir outro bem sem ser aquele para o qual ela foi criada. se expressa nesse sentido. elemento constitutivo do crime. caracteriza o crime de furto qualificado pela fraude (para possibilitar a indenização por parte do seguro. se eu for abrir a porta de um outro carro com ela. O art. Se a vítima está dormindo ou em avançado estado de embriaguez não se aplica a qualificadora. qualquer objeto capaz de abrir uma fechadura. crime que realmente ocorreu porque houve entrega). Destreza: habilidade do agente que permite a prática do furto sem que a vítima perceba. c) Com emprego de chave falsa Considera-se chave falsa: cópia feita sem autorização. Ex. etc. pois não há necessidade de habilidade para tal subtração. Ex. 288 do CPP). Escalada: é o acesso por via anormal ao local da subtração. no estelionato é elementar do tipo. a fraude serve para distrair a vítima para que o bem seja subtraído. 146 do Código Penal que impõe “para execução do crime” a reunião de mais de três pessoas. P. possibilitando a execução do furto. demonstrando interesse na sua compra. 171 do Código de Processo Penal exige a perícia do local.: a chave do meu carro é verdadeira para mim. Para configuração da escalada tem-se exigido que o agente dispense um esforço considerável para ter acesso ao local: entrar por uma janela que se encontra no andar térreo. não se aplica a qualificadora.Emprego de fraude: significa usar de artifícios para enganar alguém. A chave falsa deve ser submetida à perícia para constatação de sua eficácia. A vítima deve estar ao lado ou com o objeto para que a destreza tenha relevância (uma bolsa.: Exige-se que as duas pessoas pratiquem os atos de execução do furto? Para Damásio de Jesus e Heleno Fragoso a qualificadora existirá ainda que uma só pessoa tenha praticado os atos executórios. subsiste a qualificadora. o furto será simples. pela tubulação do ar-condicionado. requisito do crime. Demonstram ainda que a lei. Se subtraída mediante fraude. A jurisprudência entende que a entrega do veículo a alguém que pede para testá-lo. só o imputável irá responder pelo “crime” de furto. sendo que nesta o agente não pratica atos executórios. haverá furto qualificado mediante fraude. Se a vítima percebe a conduta do agente. ou tenha problemas mentais. quando exige a execução por todos os envolvidos. Se a vítima não perceber a conduta do agente.

O § 5º absorve as qualificadoras do § 4º. por qualquer meio. que é a mesma coisa. . responde por roubo próprio. antes ou durante a subtração. 155 do CP). 9. haverá o crime de furto simples consumado e a qualificadora não será aplicada. Enquanto o furto é a subtração pura e simples de coisa alheia móvel. 157 do CP – Subtrair coisa alheia móvel para si ou para outrem mediante o emprego de violência ou grave ameaça ou depois de havê-la. e multa. 31 . ou comumente conhecido como circunstanciado. trancando-o em um cômodo da sua residência até consumar o crime. de quatro (quatro) a 10 (dez) anos. ROUBO . responde por roubo impróprio. e. já que as penas previstas em abstrato são diversas. mediante violência. 155. do Código Penal – Inserido pela Lei n. deve ocorrer o efetivo transpasse da fronteira ou divisa para incidência da qualificadora. grave ameaça ou qualquer outro recurso que reduza a possibilidade de resistência da vítima. pratica inicialmente um furto. o roubo é a subtração de coisa móvel alheia. Pena: Reclusão de 04 (quatro) a 10 (dez) anos e multa. Quando o agente pratica a violência ou grave ameaça. que só poderão ser utilizadas como circunstâncias judiciais. .Se precisar vou restringir a sua liberdade.Nossa ação criminosa será desencadeada com duas ou mais pessoas. ou seja. se a subtração é de veículo automotor “que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior”. e o seu § 1º descreve o que a doutrina chama roubo impróprio. A tentativa dessa modalidade de furto qualificado será possível quando o agente tentar transpor a barreira da divisa e for detido. para assegurar a impunidade do crime ou a detenção do objeto material. para si ou para outrem (art. Esses malucos do Muppet Show vão rodar em um roubo com causas de aumento de pena.426/96 A pena passa a ser de reclusão de 3 a 8 anos. § 5º. para si ou para outrem.Quer saber! Nada haver! Estou fora. Não basta a intenção do agente de transportar o veículo para outro Estado ou para o exterior.Nós vamos roubar você e a nossa violência será com emprego de armas! . Art. não adianta resistir! . A pena para ambos (violência e/ou grave ameaça) é de reclusão.Art. Se o agente for detido antes de cruzar a divisa. quando pratica esses recursos depois de apanhada a coisa. reduzido à impossibilidade de resistência. A diferença reside no preciso instante em que a violência ou a grave ameaça contra a pessoa são empregadas. passa a empregar a violência ou grave ameaça depois.Então. O “caput” do artigo citado trata do roubo próprio.

lesão. Quando o agente é preso em flagrante com o objeto do roubo. como quem sofre a violência ou grave ameaça. O entendimento do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça é que o roubo se consuma com a simples retirada do bem da vítima. Sujeito Ativo Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. após o emprego da violência ou grave ameaça. Objetividade Jurídica A lei pretende assegurar o patrimônio e a integridade física ou liberdade individual. Ex. se preenchidos os requisitos do art. Tentativa A tentativa é possível e será verificada quando. ai será furto qualificado pela fraude. Ex. porém.Elementos do Tipo Subtrair coisa alheia móvel já foi objeto de análise no módulo relativo ao crime de furto. ainda que não consiga a posse tranqüila. logo. e sim da prática da violência (Damásio de Jesus). pode ser revelado. iniciada a execução do tipo. por exemplo). evitandose a responsabilidade penal objetiva. configuram o crime de roubo.: indivíduo rouba uma pessoa em um ônibus. dá-se da seguinte maneira: se o agente não sabe que está lesando dois patrimônios. Violência: considera-se apenas a violência real. É possível a existência de crime continuado. Agora. Grave ameaça: é a promessa de um mal grave e iminente (ex.: emprestar o carro a alguém que venha a ser assaltado (tanto o proprietário quanto o possuidor são vítimas). ou que seja atingida pela violência ou grave ameaça. sai dele. por exemplo. havendo grave ameaça contra duas pessoas. Empregada grave ameaça contra cinco pessoas e lesado o patrimônio de três. pois a vítima do roubo é tanto quem sofre a lesão patrimonial. 32 . exceto o proprietário. uma conduta com dois ou mais resultados (crimes). Da mesma forma. A simulação de arma e o uso de arma de brinquedo configuram a grave ameaça. que dispensam o requisito da posse tranqüila da coisa para consumação do roubo). 71 do Código Penal. há três crimes de roubo em concurso formal ou seja. Qualquer outro meio: chamado violência imprópria. desde que a vítima tenha se sentido ameaçada. A “trombada” será considerada como violência se for meio utilizado pelo agente para reduzir a vítima à impossibilidade de resistência.: anúncio de morte. com duas vítimas. seqüestro). mas lesado o patrimônio de apenas uma. A solução. pelo uso de sonífero. após perseguição. há dois crimes de roubo em concurso formal. É possível que um só roubo tenha duas vítimas. o agente não consegue efetivar a subtração. atualmente. no entanto. entra em outro e rouba outra pessoa. se o agente apenas utilizou-se da trombada para distrair a vítima facilitando sua subtração. não se exige o início da execução do núcleo “subtrair”. por exemplo. há crime único. que o agente sabia estar realizando no caso concreto. na hipótese de grave ameaça contra uma pessoa lesando bens de duas. mediante violência ou grave ameaça. Concurso de Crimes O número de vítimas não guarda equivalência com o número de delitos. da hipnose etc. se o agente sabe que está lesando dois patrimônios (pega o relógio do cobrador e o dinheiro do caixa. o posicionamento pacífico. responde por crime tentado (para aqueles que exigem a posse tranqüila da coisa para consumação) e por crime consumado (Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. pelos Tribunais Superiores é que não incidirá a qualificadora. caracterizando o roubo e não o furto. Consumação do ROUBO Há certa divergência quanto ao momento consumativo do roubo próprio. Este último será relacionado com base no número de resultados (lesão patrimonial). Sujeito Passivo Sujeito passivo pode ser qualquer pessoa que sofra diminuição (perda) patrimonial (proprietário ou possuidor). haverá crime único.

do CP .: o agente está tentando arrombar a porta de uma casa. 157. Alguns autores (minoria) admitem a tentativa quando o agente quer empregar a violência. nem de tentativa. Requisitos do ROUBO IMPRÓPRIO 1) Que o agente tenha se apoderado do bem que pretendia furtar. roubo impróprio consumado. enquanto no roubo impróprio. que são a violência. a violência ou grave ameaça constituem meio para a subtração. mas que não possui esta finalidade específica. basta que o agente esteja armado e utilize a mesma. inicialmente. porém. a lei menciona apenas dois. depois de já se haver apoderado de bens da vítima. Para a jurisprudência. A simples simulação de arma não faz incidir o aumento da pena. até mesmo um policial. Causas de Aumento da Pena (Roubo Circunstanciado) Art.Se o juiz reconhecer a existência de duas ou mais causas de aumento da pena poderá aplicar somente uma. nem que seja em uma ameaça indireta. OBS: Se o agente ainda não tinha a posse do bem. o correto é nomear de causa de aumento do roubo (de 1/3 até 1/2). espeto etc. porque seria bis in idem. que é a grave ameaça e a violência. não se pode cogitar de roubo impróprio.ROUBO IMPRÓPRIO Art. incabível o emprego de sonífero ou hipnose (violência imprópria). Diferenças entre ROUBO PRÓPRIO e ROUBO IMPRÓPRIO No roubo próprio a violência ou grave ameaça ocorre antes ou durante a subtração. só ocorre depois da subtração. Tentativa . como. 68 do Código Penal. I – Se a violência é exercida com emprego de arma É chamado de roubo agravado pelo emprego de arma. portanto. Não é necessário que a arma seja apontada para a vítima. a grave ameaça ou qualquer outro recurso que dificulte a defesa da vítima. OBS: O golpe desferido que não atinge a vítima é considerada violência empregada. 3) Que a violência ou grave ameaça tenham por finalidade garantir a detenção do bem ou assegurar a impunidade do agente. Consumação . ou não as emprega e o crime é o de furto. Arma é qualquer instrumento que tenha poder vulnerante. de acordo com o parágrafo único do art. 2) Que a violência ou grave ameaça tenham sido empregadas logo após o apoderamento do objeto material. se a violência contra policial serviu para transformar o furto em roubo impróprio.O roubo impróprio consuma-se no exato momento em que é empregada a violência ou grave ameaça. no roubo impróprio. quer apenas furtar e. Ex. faca. emprega violência ou grave ameaça para garantir a sua impunidade ou a detenção do bem.Na mesma pena incorre quem. § 2º do CP . Haverá tentativa de furto qualificado em concurso material com o crime de lesões corporais. As causa de aumento da pena incidem apenas para o roubo simples (próprio ou impróprio).A tentativa não é admissível. tesoura.). o agente. a lei menciona três meios de execução. No roubo próprio. No roubo próprio. § 1º. após a consumação do delito de furto ainda que o agente não atinja sua finalidade (que é garantir a impunidade ou evitar a detenção). e não se aplicam ao roubo qualificado (lesão grave ou morte). por exemplo. quando alguém chega ao local e é agredido pelo agente. OBS: A violência ou grave ameaça pode ser contra o próprio dono do bem ou contra um terceiro qualquer. pois ou o agente emprega a violência ou a grave ameaça e o crime está consumado. No roubo impróprio. 157. não se pode aplicar em concurso o crime de resistência. A jurisprudência entende que não se aplica o aumento da pena: primeiro porque não é 33 . logo depois de subtraída a coisa. mas é impedido. que visa garantir sua impunidade e fugir sem nada levar. emprega violência contra a pessoa ou grave ameaça. pode ser própria ou imprópria (qualquer objeto que possa matar ou ferir. a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.

pois o condutor não está em serviço de terceiro. não havendo impedimento a que juízes e tribunais ainda continuem adotando a primeira orientação. logo. levando somente o seu relógio. Caso a arma esteja quebrada ou desmuniciada. São Paulo: IBCCrim. 155 do CP) aplicam-se ao roubo. deve ser apreciada na sentença final como critério diretivo de dosagem da pena (circunstância judicial do art.9. esta fica absorvida.Se o agente mantém a vítima em seu poder. não incidirá a majorante. não há qualificadora. Exige-se que o agente conheça a circunstância do transporte de valor (dolo direto). Houve alteração da pena mínima. há duas posições: uma dizendo que sim e outra que não. 27. configura bis in idem.br>. além de multa”.: assalto de office-boy. o potencial lesivo da conduta do agente é menor. Ficou assentado que a incidência da referida circunstância de exasperação da pena fere o princípio constitucional da reserva legal (princípio da tipicidade). IV – Se a subtração for de veículo automotor que.2001. etc. por isso não se aplica o aumento. uma vez que não apresenta real potencial ofensivo. depois porque se a arma é de brinquedo. embora não descaracterize o crime. 157. 34 . De acordo com a primeira parte do dispositivo: “se da violência resulta lesão corporal de natureza grave. V . 59 do CP) e lesa o princípio da proporcionalidade 1. 1 GOMES. III – Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância Aplicável apenas se a vítima está trabalhando (“em serviço”) com o transporte de valores (ex. a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza o aumento da pena. de carro-forte. venha a ser transportado para outro estado ou país Ver anotações sobre furto (idem ao furto). restringindo sua liberdade Aplica-se às hipóteses em que a vítima é mantida pelos assaltantes por pouco tempo.direitocriminal. O Superior Tribunal de Justiça decidiu cancelar a Súmula n. Se o ladrão rouba um fusca e percebe que o seu condutor está levando alta quantidade de dinheiro para o banco. prevalece esta. aplicáveis tanto ao roubo próprio quanto ao impróprio. Se o ladrão assaltar o motorista do carro-forte. a majorante não.arma. dinheiro este que ele juntou a vida toda. Luiz Flávio. STJ cancela Súmula 174: arma de brinquedo não agrava o roubo. Parágrafo 3º do CP . Disponível em: <www. e sim realizando um transporte particular. a distinção é quanto à natureza jurídica: naquele é qualificadora. ROUBO QUALIFICADO Art. o que tem prevalecido é que o crime estará caracterizado. O autor alinha outras conclusões do acórdão. não agrava o roubo.”). de sete (sete) a 15 (quinze) anos. porém. para tornar pacífico o entendimento de que as causas de aumento da pena do § 2º não se aplicam às qualificadoras do § 3º. no entanto. 174 (“No crime de roubo. pois não tem potencial ofensivo. necessariamente. neste é causa de aumento.com. De notar-se que a decisão apenas cancelou a referida Súmula. considerando que o emprego de arma de brinquedo.Há duas formas de roubo qualificado. que determina o agravamento da pena. a pena é de reclusão. não se admitindo dolo eventual.). Se a lesão é leve. II – Se há o concurso de duas ou mais pessoas As anotações feitas a respeito do concurso de pessoas no furto (art. ou tempo suficiente para a consumação do roubo.

Responderá por roubo em concurso material com homicídio. que a morte ou lesão corporal grave. Nos termos do art.2: ladrão mata desafeto que passava pelo local durante o roubo. (Súmula n. a reclusão é de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos. A exceção encontra-se na morte ou lesão corporal grave de co-autor ou partícipe. via de regra. Consumação e tentativa Por se tratar de crime complexo tem-se o seguinte: Subtração consumada + morte tentada = latrocínio tentado. Logo. deixar de fazer ou tolerar que se faça algo. ou seja. ou para obrigar a vítima a fazer. O nexo causal estará presente quando a violência constituir meio para a subtração (ex. para garantir a impunidade. aí será latrocínio. Ex. 35 . Tem-se. a morte pode decorrer de culpa ou dolo. erro na execução.A extorsão consiste em empregar violência ou grave ameaça com a intenção de obter indevida vantagem econômica.1: João rouba alguém hoje. exemplo: o ladrão atira em alguém dentro do estabelecimento e erra vindo a acertar o seu comparsa. Se a vítima morre em razão da grave ameaça tem-se concurso formal de roubo simples e homicídio culposo (ex. 610 do STF: “Há crime de latrocínio. 158 do CP .: roubo impróprio). É o denominado latrocínio (crime hediondo). pode ser de qualquer pessoa. pois ambos são autores do fato ilícito. No crime de latrocínio. Faltando um desses requisitos. por haver latrocínio (crime contra o patrimônio). Só será considerado latrocínio no caso de Aberractio ictus. haverá roubo em concurso material com homicídio doloso ou delito de lesão corporal dolosa. excepcionalmente. sem prejuízo da multa”. temos dois crimes distintos: um roubo e um homicídio. EXTORSÃO Art.: a vítima ao ver a arma sofre ataque cardíaco e morre). Subtração tentada + morte tentada = latrocínio tentado. Pena: Reclusão de 04 (quatro) a 10 (dez) anos e multa (idêntico ao crime de roubo). como regra. Caracteriza-se a violência quando empregada em razão do roubo (nexo causal) e durante o cometimento do delito (no mesmo contexto fático).: roubo próprio qualificado pela morte) ou quando for empregada para garantir a detenção do bem ou a impunidade do agente (ex. Ex. O roubo será qualificado se a morte ou a lesão corporal grave resultarem da “violência”. Não confundir tentativa de latrocínio com roubo qualificado pela lesão grave. mas não em razão dele.A parte final dispõe que “se resulta morte. Foi durante o roubo. Se um dos ladrões matar por dolo ou culpa um comparsa no local dos fatos não será latrocínio. quando o homicídio se consuma. Subtração tentada + morte consumada = latrocínio consumado. 19 do Código Penal. o tipo não menciona a grave ameaça. mata a vítima. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”). a competência é do juízo singular". 603 do STF: "ainda que a morte seja dolosa. resultando de violência. semanas depois. Subtração consumada + morte consumada = latrocínio consumado. Súmula n. o crime qualificado pelo resultado é preterdoloso (há dolo na conduta antecedente e culpa na conseqüente). neste caso. O que distingue é o dolo (vontade de matar ou vontade de lesar).

uma vez que ele pode. Causas de Aumento da Pena § 1º dispõe que a pena é aumentada de um terço a metade (1/3 a 1/2) se o crime é cometido por duas ou mais pessoas ou com o emprego de arma. enquanto no exercício arbitrário das próprias razões a vantagem é devida (art. do CP). Ex. 158 do CP) e não de roubo (art. o crime será o de roubo. Enquanto no roubo a ação e o resultado são concomitantes. a solução será diversa quando “a vítima é coagida a retirar o dinheiro do banco mediante a emissão de cheque. Para a jurisprudência.157. a vítima tenha alguma opção de escolha. Diferença entre Extorsão e Exercício Arbitrário das Próprias Razões Na extorsão o agente visa a uma vantagem patrimonial indevida. § 2º. ou quando o autor tenta coagir. 345 do CP). E exemplifica: “Quando o autor constrange a vítima a lhe entregar o cartão magnético. cuida-se de extorsão”. o delito estará consumado (Posição do saudoso Professor Nelson Hungria). § 2º. Para o Professor Damásio de Jesus.: a carta foi interceptada pela polícia. A tentativa é possível quando o constrangido não realiza a conduta. V) e não de extorsão. 36 . na extorsão o mal prometido e a vantagem são futuros. dispensar a ação da vítima”. O entendimento que prevalece é o de que. ROUBO E EXTORSÃO Quando a vítima é obrigada a entregar o objeto sem ter qualquer opção (ex. basta o agente coagir. A secundária é a proteção à vida. sendo formal o crime. sendo sua colaboração imprescindível para que o agente obtenha a vantagem visada. quando vai fazer a coação pela forma escrita e é impedido por circunstâncias alheias à sua vontade. como por exemplo. liberdade pessoal e tranqüilidade do espírito. É. mas é impedido. Para que o crime seja de extorsão é necessário. EXTORSÃO QUALIFICADA Segundo o § 2º do mesmo dispositivo deve-se aplicar à extorsão as regras e penas do roubo qualificado pela lesão grave ou morte. portanto. V. a hipótese é de roubo agravado (art. com fundamento no princípio da dispensabilidade ou indispensabilidade da conduta da vítima. portanto. após o emprego da violência ou grave ameaça. Questão polêmica é a que diz respeito ao constrangimento da vítima para sacar dinheiro em caixa eletrônico. inc. trata-se de roubo. Consumação e Tentativa Súmula nº 96 do STJ: “O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida”. quando o autor pode obter o objeto material dispensando a sua conduta. o delito é de extorsão (art. um crime formal. para obter o dinheiro. entretanto. o escopo do agente depende necessariamente de ação do ofendido.157. as condutas devem ser analisadas no caso concreto: “D e acordo com o princípio da prescindibilidade do comportamento da vítima.: arma de fogo apontada para ela). independentemente da vítima se sentir ou não coagida. por circunstâncias alheias à vontade do autor.Objetividade Jurídica A principal é a inviolabilidade do patrimônio. quando. integridade física. que. caso em que o autor não pode prescindir de seu comportamento”.

se resulta lesão corporal grave ou morte. qualquer vantagem. diante da previsão das formas qualificadas pelo resultado lesão corporal grave ou morte. ainda que por breve espaço de tempo. no nosso ordenamento jurídico penal. O entendimento mais correto era no Art. formado pela fusão de dois crimes sequestro ou cárcere privado e extorsão. de oito a quinze anos. Com a nova lei a pena foi reduzida. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. OBJETO JURÍDICO Por se tratar de crime complexo. 157 § 2º inc. § 3º Se o crime é cometido mediante restrição da liberdade da vítima. além da integridade física. entretanto.ALTERAÇÃO LEGISLATIVA DE 17/04/09 – SEQUESTRO RELÂMPAGO Por força da Lei 11. aplicam-se as penas previstas no Art. como condição ou preço do resgate. receberá o benefício. caso ele tenha sido condenado no Art. 159 CP. ao contrário do art. esta lei retroagirá em benefício do réu.923/09.Seqüestrar pessoa com o fim de obter. Em que pese haver ofensa à liberdade pessoal. A lei não se refere ao cárcere privado.reclusão. COMENTÁRIOS Antes da lei 11. 159 (Extorsão mediante seqüestro). 159. CONCEITO É a privação da liberdade da vítima tendo por fim a obtenção de vantagem. como condição ou preço do resgate: Pena . respectivamente. ELEMENTOS DO TIPO Ação nuclear Consubstancia-se no verbo sequestrar. para si ou para outrem. ou seja. o crime é simples porque não está previsto como hediondo. V. a pena é de reclusão.923/09 o sequestro relâmpago era tipificado ora no Art. o chamado sequestro relâmpago. 159 CP. compreendendo também o cárcere privado. o termo "sequestro" tem acepção ampla. tutela-se a inviolabilidade patrimonial e a liberdade de locomoção. a segregação da vítima em recinto fechado. além da multa. 158 CP. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO Art. segundo a doutrina. e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica. que significa privar a vítima de sua liberdade de locomoção. 37 . ora no Art. cuida-se de crime patrimonial. §§ 2º e 3º. passou a ser tipificado no § 3º do Art. 148 do CP. 159 . pois o sequestro é crime-meio para obtenção de vantagem patrimonial.

ou seja. art. Se não estiver presente essa finalidade especial. 158). 38 . de doze a vinte anos. para si ou para outrem. qualquer vantagem. Sujeito ativo do crime não é apenas aquele que realiza o sequestro da pessoa. quanto às condições ou preço do resgate. ao contrário do crime de extorsão (CP. 12. Basta comprovar-se a intenção do agente de obter a vantagem como condição ou preço do resgate. necessariamente.072/90. Qualificadas Estão previstas nos §§ 1º. jóia. ser de natureza econômica. títulos de crédito ou outro documento que tenha algum valor econômico etc. Qualquer pessoa pode praticá-lo. § 1º Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas. Se o sequestro visa à obtenção de vantagem devida. MOMENTO CONSUMATIVO Trata-se de crime formal ou de consumação antecipada. 148 do CP da extorsão mediante sequestro é que neste último há uma finalidade especial do agente. 2º e 3º. pois se trata de um crime contra o patrimônio. com a privação da liberdade da vítima. via telefone. Dessa forma. é irrelevante a obtenção de vantagem indevida. consubstanciada na vontade de obter. vantagem como condição ou preço do resgate. o crime será o de “exercício arbitrário das próprias razões (CP. FORMAS Simples Está prevista no caput. Embora o tipo fale em "qualquer vantagem". nos termos do art. independentemente da obtenção da vantagem econômica.072/90. Hungria afirma ser supérflua essa menção "desde que a sua ilegitimidade resulta de ser exigida como preço da cessação de um crime”. pois estamos diante de um delito patrimonial. Trata-se também de crimes hediondos. para si ou para outrem. IV. SUJEITO PASSIVO São sujeitos passivos tanto a pessoa que sofre a lesão patrimonial como a que é sequestrada.O que difere o sequestro previsto no art. Em que pese a lei se referir a qualquer vantagem. nos termos do art.). o crime passa a ser outro: sequestro ou cárcere privado (ex: a intenção for a de se vingar da vítima). da Lei n. A lei também não diz expressamente se a vantagem almejada é devida ou indevida. Trata-se de crime hediondo. art.reclusão. ou então por meio de mensagens escritas enviadas pelos sequestradores. o crime se consuma com o sequestro. IV. 8. 8. Pena . em concurso formal com o de sequestro (art. e não material. ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. SUJEITO ATIVO Trata-se de crime comum. o que se faz por intermédio das negociações entre o sequestrador e os parentes da vítima. se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos. esta deve. ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo. da Lei n. somente a vantagem econômica pode ser objeto desse crime (dinheiro. consistente na vontade livre e consciente de sequestrar a vítima. 148). acrescido da finalidade especial de obter. mas também o que vigia a vítima no local do crime para que ela não fuja e também aquele que leva a mensagem aos parentes da vítima. como condição ou preço do resgate. Por exemplo: credor que sequestra o seu devedor como forma de constranger os filhos deste a lhe pagarem a dívida. Por ser crime formal. 345)”. 1º.

Se a morte ou a lesão grave forem causadas por caso fortuito ou culpa de terceiros.Se resulta a morte: Pena . facilitando a libertação do sequestrado. Isso se dá em virtude da maior gravosidade do crime de extorsão mediante sequestro. b) cometido em concurso. c) delação feita por um dos co-autores ou partícipes à autoridade. DELAÇÃO EFICAZ OU PREMIADA Cuida-se da chamada delação eficaz ou premiada. b) Sequestro de menor de 18 ou maior de 60 anos. todavia. por exemplo. Para a aplicação da delação eficaz são necessários os seguintes pressupostos: a) prática de um crime de extorsão mediante sequestro. Trata-se do crime a que se refere o art. Para que as qualificadoras sejam aplicadas.a) Sequestro por mais de 24 horas. de dezesseis a vinte e quatro anos. Por exemplo. O reconhecimento de uma qualificadora mais grave automaticamente afasta a aplicação das menos graves. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA. d) eficácia da delação. § 2º . o concorrente que o denunciar à autoridade. Assim. III (se a privação de liberdade no crime de sequestro dura mais de 15 dias). com um prazo menor. Contenta-se a lei. o crime é punido de maneira mais severa se o sequestro dura mais de 24 horas. § lº. um segurança da vítima ou a pessoa que estava efetuando o pagamento do resgate. somente se aplica a qualificadora do § 3º.reclusão. 288 do CP. não se configurando. quanto da própria natureza ou modo do sequestro. 39 . Pode resultar tanto dos maus-tratos acaso infligidos ao seqüestrado. pois. não se aplicam as qualificadoras (art. Em decorrência da qualidade especial da vítima. Em ambas as hipóteses o resultado agravador deve ter recaído sobre a pessoa sequestrada. O evento posterior agravador tanto pode ter sido ocasionado de forma dolosa quanto culposa.especificamente para cometer o crime de extorsão mediante sequestro. afastando-se a do § 1º. terá a sua pena reduzida de um a dois terços. 148. 159 do CP a seguinte redação: § 4º.269/96 deu ao § 4º do art. haverá crime de extorsão mediante sequestro (sem as qualificadoras dos §§ 2º e 3º) em concurso material com o homicídio qualificado. se é sequestrada e depois morta uma pessoa de quinze anos.reclusão. se os sequestradores matam. 19 do CP).Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . Exemplo: um raio atinge a casa em que a vítima está sendo mantida ou ela é atropelada por terceiros após sua libertação. A pena da extorsão mediante sequestro qualificada pela morte é a maior prevista no Código Penal. Trata-se de crime qualificado pelo resultado. o juiz deve levar em conta a conduta intencional na fixação da pena base. portanto. 9. de vinte e quatro a trinta anos. Requisitos para a delação eficaz. uma vez que as penas são distintas e o crime é um só. é indiferente que o resultado tenha sido provocado dolosa ou culposamente. ou seja. a reunião de mais de três pessoas para o fim de cometer crimes. § 3º . A Lei n. No primeiro caso.Se o crime é cometido em concurso. c) Sequestro praticado por bando ou quadrilha. Ao contrário do previsto no art. essa majorante se a reunião for ocasional .

porém. Objeto Material: A coisa deve ser produto de crime ainda que tenha sido modificado. tal como faz em alguns delitos (ex: art. para Damásio de Jesus. aquele que tem sua conduta ligada a uma contravenção anterior não comete Receptação. O tipo não exige que a coisa seja alheia. independente da espécie de ação do crime anterior. 40 . Mesmo havendo quebra da sequencia. pois não é produto de crime. conduzir ou ocultar. A Receptação é crime de ação pública incondicionada. o crime antecedente não precisa estar previsto no título dos crimes contra o patrimônio. desde que não seja o autor. “A” (receptador) vende o objeto para “B” (boa-fé – desconhece origem ilícita). chave falsa etc. cuja existência exige a prática de um delito antecedente. de boafé. a palavra receptação pressupõe o deslocamento do objeto. e multa. 155 do CP). 180 . no entanto o proprietário do objeto não comete receptação quando adquire o bem que lhe havia sido subtraído – porque não se pode ser sujeito ativo e passivo de um mesmo crime.: receber coisa produto de peculato).Adquirir. É a posição do STF. poderá haver receptação. O instrumento do crime (arma. mas é necessário que cause prejuízo a alguém (ex. Nelson Hungria e Magalhães Noronha. Receptação de receptação: nessa hipótese respondem pelo crime de receptação todos aqueles que.RECEPTAÇÃO DA RECEPTAÇÃO Art. excluem a possibilidade de um imóvel ser objeto de receptação. ou influir para que terceiro. dessa forma.reclusão. receba ou oculte: Pena . Sujeito Ativo: Pode ser praticado por qualquer pessoa. co-autor ou partícipe do delito antecedente. tenham ciência da origem criminosa do bem. tornando prescindível que o tipo especifique “coisa móvel”. A receptação é crime contra o patrimônio. Mirabete e Fragoso entendem que pode ser objeto de receptação. O advogado não se exime do crime com o argumento de que está recebendo honorários advocatícios. Trata-se de crime acessório. portanto. receber. “A” e “C” respondem pela receptação. nas sucessivas negociações envolvendo o objeto. Sujeito Passivo: É a mesma vítima do crime antecedente. de um a quatro anos. transportar. coisa que sabe ser produto de crime. ex: furto de automóvel – há receptação mesmo que sejam adquiridas apenas algumas peças. Importante salientar que no caso de “Receptação” de “Receptação” a vítima é a pessoa que teve a perda patrimonial do delito inicial. “B” vende a “C” (conhecedor da origem criminosa do objeto). O tipo menciona “produto de crime” para a caracterização da receptação.) não constitui objeto do crime de receptação. a adquira. Bens imóveis: Como a lei não exige que a coisa seja móvel. em proveito próprio ou alheio.

coisa que deve saber ser produto de crime: Pena reclusão. para efeito do parágrafo anterior. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA (art. pois explica o que se deve entender por “atividade comercial”. Influir significa persuadir. de 3 (três) a 8 (oito) anos. § 2º . sendo que os três últimos núcleos tratam de crime permanente. não pode ser o autor do delito antecedente e necessariamente tem de conhecer a origem espúria do bem. expor à venda. receba ou oculte objeto produto de crime. permitindo o flagrante a qualquer momento. 180 do CP. remontar. montar. já que só pode ser cometido por comerciante ou industrial.RECEPTAÇÃO DOLOSA SIMPLES (art. Tentativa .180. São 5 as condutas típicas: 1) Adquirir: obter a propriedade a título oneroso ou gratuito. A pessoa que influi chama-se intermediário. que deve saber da origem criminosa do bem. no exercício de atividade comercial ou industrial. 41 . 1ª parte. de boa-fé. Na receptação dolosa aplica-se o privilégio previsto no § 2º do art. 2) Receber: obter a posse (emprestar). de três a oito anos. oculta. 180. no comando do veículo. caput) I) RECEPTAÇÃO PRÓPRIA: art. em proveito próprio ou alheio. considera-se comerciante aquele que exerce sua atividade de forma irregular ou clandestina. Elemento subjetivo . e multa. enquanto o terceiro (adquirente) deve desconhecer o fato. § 1º) Receptação qualificada § 1º . inclusive o exercício em residência. desmontar. como no caso de o agente vir a descobrir posteriormente que a coisa por ele adquirida é produto de crime. não basta a dúvida (o dolo eventual). É uma norma de extensão. qualquer forma de comércio irregular ou clandestino. consuma-se quando o agente adquire. 4) Conduzir: estar na direção. cuja consumação se protrai no tempo. caput. Equiparação: para fins penais.É delito material.Adquirir. ou de qualquer forma utilizar.É possível. A pena é de reclusão. transportar. o agente deve ter efetivo conhecimento da origem ilícita do objeto. receber. Quem convence um terceiro de má-fé é partícipe desta receptação.É o dolo direto. conduzir. 155 do CP. e multa se o crime é praticado por comerciante ou industrial no exercício de suas atividades. caput.Equipara-se à atividade comercial. convencer. como dispõe a 2ª parte do § 5º do art. pois trata-se de um tipo autônomo e próprio. recebe. 3) Ocultar: esconder. Consumação . 180.180. conduz ou transporta. mesmo que em residência. II) RECEPTAÇÃO IMPRÓPRIA: art. adquira. ocultar. O dolo subseqüente não configura o delito. A receptação imprópria consiste em influir para que terceiro. 2ª parte. 5) Transportar: levar de um lugar para outro. etc. vender. Segundo alguns autores o nomem juris do delito (“receptação qualificada”) está incorreto. ter em depósito.

Tentativa. ou pela condição de quem a oferece. a extinção da punibilidade do crime anterior não atinge o delito que dele dependa. em geral.: inimputabilidade). ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. mesmo tratando-se de modalidade culposa. cabendo ao juiz a análise do caso concreto. pois a lei descreve os parâmetros ensejadores da culpa: Desproporção entre o valor de mercado e o preço pago: deve haver uma desproporção considerável. Trata-se de norma penal explicativa que impõe a autonomia da receptação. tendo em consideração as circunstâncias. De acordo com o disposto no art.A receptação é punível. 42 . § 4º . São causas de isenção de pena que não atingem o delito de receptação: excludentes de culpabilidade (ex. que faça surgir no homem médio uma desconfiança. porque não se admite tentativa de crime culposo. Comete crime de receptação quem adquire objeto furtado por alienado mental. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. b) o juiz considere as circunstâncias. Art. abolitio criminis e anistia. 155. A receptação culposa é exceção. Ex. do C. se o criminoso é primário. pode o juiz. 180 do CP. a lei não descreve as condutas. Consumação: quando a compra ou o recebimento se efetivam.Adquirir ou receber coisa que. 180.RECEPTAÇÃO QUALIFICADA (art. O tipo abrange o dolo eventual. O perdão judicial somente é aplicado à receptação culposa.detenção.Na hipótese do § 3º. salvo duas exceções. § 4º. ou por alguém que subtraiu do ascendente. 180. escusas absolutórias (art. Natureza do objeto: certos objetos exigem maiores cuidados quando de sua aquisição. Trata-se de direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz em aplicá-lo – não obstante a expressão pode. ou ambas as penas. ou multa. Condição do ofertante: quando é pessoa desconhecida ou que não tem condições de possuir o objeto. por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço. que excluiu a conduta “ocultar” por se tratar de hipótese reveladora de dolo. Os crimes culposos. 181 do CP). deixar de aplicar a pena. § 5º) § 5º . ou isento o mesmo de pena. não se admite. de um mês a um ano. têm o tipo aberto.P. que pune apenas o dolo direto. § 3º) § 3º . exigindo que: a) o agente seja primário. 108 do CP. Entende a doutrina e a jurisprudência que o dolo eventual não se adapta à hipótese do caput do art. O parágrafo prevê o perdão judicial na 1a parte e a aplicação do § 2º do art. 155 (privilégio) na 2ª parte.: armas de fogo – deve-se exigir o registro. enquadrando-se na receptação culposa prevista no § 3º do referido artigo. 180. traçando duas regras: a receptação é punível ainda que desconhecido o autor do crime antecedente. deve presumir-se obtida por meio criminoso: Pena . Adquirir ou receber são os verbos do tipo. RECEPTAÇÃO PRIVILEGIADA (art. como no caso do mendigo que oferece um relógio de ouro.

A partir de agora.LEI 12. empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista. Se o objeto é produto de crime contra a União. §1º “Se resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 ou maior de 14 anos” Pena – reclusão de 8 a 12 anos. mediação para satisfazer a lascívia de outrem com pessoa menor de quatorze anos. 180. Dos crimes contra a dignidade sexual: estupro. Pena . o homem pode ser vítima do crime de estupro. Município. estupro de vulnerável. O agente deve saber que o produto do crime atingiu uma das entidades mencionadas. mediante violência ou grave ameaça. Assim para a configuração do estupro basta que uma pessoa (homem ou mulher) obrigue 43 . Note que o tipo não distingue o gênero da vítima. qualquer ato libidinoso diverso era considerado atentado violento ao pudor (exemplos: coito anal. haveria responsabilidade objetiva.015/09 TÍTULO VI .015/09 ART. passa a ser estupro tanto a conjunção carnal quanto os atos libidinosos diversos.DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL CAPÍTULO I . a pena aplica-se em dobro. Pena .Constranger alguém. Estado. §2º Se resulta morte: Pena – reclusão de 12 a 30 anos. REFORMA PENAL .CAUSA DE AUMENTO: art. mediante violência ou grave ameaça.reclusão de 06 a 10 anos. a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.reclusão de 06 a 10 anos Como ficou: Art. à conjunção carnal (cópula vagínica). De acordo com a redação antiga. a pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro. A figura do § 6º só se aplica à receptação dolosa do caput. satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente e favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração de vulnerável. § 6º § 6º . mediante violência ou grave ameaça. somente cometia estupro aquele que sujeitava a mulher.DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12. 213 .Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União. sexo oral etc.). portanto. Concessionária de Serviço Público ou Sociedade de Economia Mista. Município. Se assim não fosse. 213 CP – ESTUPRO 03 h/a Como era: Constranger mulher à conjunção carnal. Estado.

Na hipótese de uma mulher obrigar o homem a manter conjunção carnal. utilizam-se agora da expressão “se da conduta” resultar lesão grave ou morte. O que era proibido continua proibido na nova lei. Logo. devemos lembrar que a lesão grave é conduta preterdolosa. doravante a menoridade da vítima passa a integrar o tipo penal. O legislador sanou problema anterior quando mencionava expressões “se da violência” e “se do fato”. o posicionamento era de que haveria constrangimento ilegal. Conforme orientações anteriores.015/09. Nas modalidades qualificadas do art. O legislador passou a disciplinar que aquele que pratica ato libidinoso e conjunção carnal em um único contexto.). aplica-se o artigo 217-A. Ainda devemos lembrar que tanto o § 1º como o § 2º. a mulher também pode praticar estupro contra o marido. Outra questão que pode surgir é que se houve a abolitio criminis do artigo 214. Hoje. O novo artigo 213 CP é aplicável tão somente nas condutas contra maiores de 14 anos.outra (homem ou mulher) a com ela praticar qualquer ato libidinoso (conjunção carnal. felação. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR – NÃO MAIS EXISTE Com a nova lei nº 12. 217-A. Como o Art. deve responder por um só crime (estupro). 224 CP que previa as hipóteses de presunção de violência. Logo. cometeu o crime de estupro previsto no artigo 213 (crime único). 213 (§§ 1º e 2º). Os condenados por atentado violento ao pudor podem alegar a abolitio criminis? Não ocorre a abolitio criminis. se a vítima for menor de 14 anos. o Art. que pode ser praticado tanto por homem como por mulher. Esse tipo penal é conseqüência da revogação do art. No §1º. 213 CP. pratica ato libidinoso e depois a conjunção carnal. 213). deslocou-se parte do antigo artigo 223 para os parágrafos do art. 217-A não contém em sua descrição típica o emprego de violência. integralmente. trazendo dúvidas a respeito de sua aplicação nos casos de violência e grave ameaça. revogado e seu texto passou a integrar o Art. haverá o aumento de pena. 213 e 214) em concurso material? Deve-se aplicar a regra da retroatividade da lei penal mais benéfica? Sim. Encerrarem-se os debates sobre a dúvida da incidência de concurso material entre atentado violento ao pudor e estupro. Não há que se falar em abolitio criminis nessa hipótese. Trata-se de crime comum. agora transformadas em elementos do crime de estupro de vulnerável. 213. que prevê o crime de estupro de vulnerável. Sujeito passivo pode ser qualquer pessoa (homem ou mulher) com 14 anos ou mais. “se da conduta”. E os que já foram condenados pela prática dos dois crimes (arts. independentemente se for da violência ou da grave ameaça”. Verifica-se que o crime de atentado violento ao pudor foi absorvido pelo artigo 213. o marido podia estuprar a mulher. 44 . originar as causas ali previstas. a mulher agora pode ser autora de crime de estupro. “Assim. Inovador é o fato de a vítima ser menor de 18 anos e maior de 14. não cabendo qualquer discussão sobre sua inocência em assuntos sexuais. pois. aquele que já foi condenado pela regra do concurso material deve ter sua pena abrandada. Essa conduta agora é chamada de Estupro. etc. O sujeito ativo é qualquer pessoa (homem ou mulher). Se menor de 14 anos o crime será o do art. 214 do Código Penal que tratava do Atentado Violento ao Pudor foi. O tipo penal do atentado violento ao pudor foi incorporado a outro artigo (art. Se for menor de 14 anos teremos o crime de Estupro de Vulnerável. Objeto jurídico no tipo penal é a liberdade sexual. Se o sujeito. Tivemos o que Luiz Flávio Gomes chama de continuidade normativa-típica. previsto no artigo 217-A. em um mesmo momento. Com a nova redação temos que a mulher será autora de estupro contra o homem. de acordo com a nova redação.

forçar.015/09 Art. oposição. por enfermidade ou deficiência mental. Sujeito passivo: pessoa menor de 14 anos. Consumação: no momento da conjunção carnal ou da prática de qualquer outro ato de libidinagem. § 2º (VETADO) § 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. Figuras qualificadas: se resulta lesão corporal grave ou morte. consistente na vontade de obter a conjunção carnal ou praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Conjunção carnal: A conjunção carnal consiste na introdução completa ou incompleta do pênis na vagina. ESTUPRO DE VULNERÁVEL . não tem o necessário discernimento para a prática do ato.CRIME DE ESTUPRO Constranger alguém: “constranger” significa obrigar. enferma ou doente mental que não tenha discernimento para o ato sexual. ainda que mínima. interfêmur. não pode oferecer resistência. por qualquer outra causa.reclusão. Objetividade Jurídica: A dignidade sexual das pessoas vulneráveis. Elementos objetivos do tipo – manter relação sexual com uma das pessoas vulneráveis elencadas no tipo penal.: Estupro admite desistência voluntária? R. § 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que. Causas de aumento de pena estão previstas nos artigos 226 e 234. de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. por qualquer outra causa. Tentativa: é possível. deve haver resistência. Praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Ex: Coito anal. configura o delito de estupro. ou que.INCLUÍDO PELA LEI Nº 12.: Sim. Mediante violência ou grave ameaça (promessa de um mal considerável). § 4o Se da conduta resulta morte: Pena . felação. 217-A. coagir. P. Elemento Subjetivo do Tipo: O elemento subjetivo do tipo é o dolo.ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO .reclusão. respondendo o agente pelos atos anteriormente praticados. ou que. • • • • • • • Sujeito ativo: qualquer pessoa. essas qualificadoras são exclusivamente preterdolosas. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena . a saber: 45 .reclusão. não pode oferecer resistência.

Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem: Pena . II – de metade.Praticar. descendente. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem: Pena . MEDIAÇÃO PARA SATISFAZER A LASCÍVIA DE OUTREM COM PESSOA MENOR DE QUATORZE ANOS Art. irmão. Trata-se de crime comum. e IV . § 1º do Código Penal. De acordo com a nova redação. O agente visa com a conduta satisfazer a lascívia de terceiro e não a própria.reclusão. ou induzi-lo a presenciar. SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE Art. • • • • Art. conjunção carnal ou outro ato libidinoso.de um sexto até a metade. 218 – A . tutor. ou se o agente é seu ascendente. para que satisfaça os desejos sexuais de outra pessoa. 226. Exige-se que a terceira pessoa seja determinada. de um a três anos. E se o sujeito convencer maior de 14 anos a satisfazer a lascívia de outrem? Deve responder pelo crime previsto no artigo 227. Sujeito passivo: Crianças e adolescentes menores de 14 anos.reclusão. com ou sem a promessa de alguma vantagem. Objetividade jurídica: A dignidade sexual da pessoa menor de 14 anos. 234-B do CP. Observe a redação do caput do artigo 227 e seu § 1º: Mediação para servir a lascívia de outrem Art. II . companheiro. de tratamento ou de guarda: Pena . a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Pena – reclusão. A pena é aumentada: I – de quarta parte. se do crime resultar gravidez. curador. 227 .de metade. 234-A.(VETADO).(VETADO). Sujeito ativo: Pode ser qualquer pessoa. Segredo de justiça: Nos termos do art. § 1º Se a vítima é maior de 14 (catorze) e menor de 18 (dezoito) anos. se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas. padrasto ou madrasta. III . irmão. cônjuge. Trata-se de um novo tipo penal. Consumação: No momento em que o ato é realizado pelo menor. na presença de alguém menor de quatorze anos. 218. cônjuge ou companheiro. de dois a quatro anos. tio. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Ação penal: Pública incondicionada.reclusão. se o agente transmite à vitima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador. Tentativa: É possível. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada: I .Art. de dois a cinco anos. comete o crime de 46 . tutor ou curador ou pessoa a quem esteja confiada para fins de educação. se o agente é ascendente. Tipo objetivo: Induzir significa convencer persuadir o menor. os processos que apuram essa modalidade de infração penal correm em segredo de justiça. preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela.

234-B do CP. Após a reforma.mediante representação -. desde que seja para satisfazer a lascívia própria ou de outrem. mediante ação penal pública incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. 225. Sujeito passivo: Criança ou adolescente. a manter sexo oral com terceiro. Tipo objetivo: Fazer com que a pessoa menor de quatorze anos assista o ato sexual envolvendo o próprio agente ou outras pessoas. 47 . Tentativa: É possível. salvo quando a vítima for menor de 18 (dezoito) anos. conjunção carnal ou outro ato libidinoso. menores de 14 anos. nessas hipóteses.). Ex. Objetividade jurídica: A dignidade e a formação sexual da pessoa menor de quatorze anos. O legislador utilizou neste artigo 218 a redação final do antigo artigo 218 do Código Penal. homem ou mulher. Se o ato sexual for praticado por duas pessoas na presença de menor. AÇÃO PENAL Os crimes contra a liberdade sexual deixam de ser ajuizados mediante queixa. etc. menor é convencido a presenciar o ato sexual. ou vulnerável. Segredo de justiça: Nos termos do art. Ação penal: Pública incondicionada. Parágrafo único. Nos crimes definidos nos Capítulos I (Dos crimes contra a liberdade sexual) e II (Dos crimes sexuais contra vulnerável) deste Título. trazendo como vítima o menor de 14 anos. já que estamos no capítulo de crimes sexuais contra vulnerável. a regra é a ação penal pública condicionada .Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente quem pratica. entretanto. procede-se mediante ação penal pública condicionada à representação. Consumação: No instante em que é realizado o ato sexual na presença do menor. O ato sexual pode ser a penetração do pênis na vagina (conjunção carnal) ou qualquer outro ato de conotação sexual (presenciar o agente se masturbar. Deveria o legislador ter utilizado como nome do tipo penal “Corrupção de Vulnerável”. mas quando o agente começa a tirar a roupa o menor sai correndo e não presencia concretamente qualquer ato libidinoso. do sexo masculino ou feminino. serão objetos de ação penal pública incondicionada. na presença de menor de 14 (catorze) anos. ou o induz a presenciar. os dois respondem pelo crime. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. os processos que apuram essa modalidade de infração penal correm em segredo de justiça. entretanto. Art. a fim de satisfazer a lascívia de ambos. Procede-se.

em caráter habitual. A prostituição a que se refere a lei pode ser a masculina ou feminina. bem como evitar danos à sua saúde e outros riscos ligados ao exercício da prostituição. 48 . o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. constitui crime introduzir alguém no mundo da prostituição. Em suma. Objetividade jurídica: A dignidade e a moralidade sexual do vulnerável. constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que. 228 do Código Penal. de algum modo. 8. 218-B.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo. Pune-se também nesse tipo penal quem submete o menor ou o enfermo mental a qualquer outra forma de exploração sexual. Se a vítima for pessoa maior de idade e sã. § 2 Incorre nas mesmas penas: I .FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO DE VULNERÁVEL Art. Ex: induzir uma menor a ser dançarina de striptease. (Incluído pela Lei nº 12. impedir ou dificultar que a abandone: Pena . colaborar para que alguém exerça a prostituição. Prostituição é o comércio do próprio corpo. apoiá-lo materialmente enquanto a exerce ou de qualquer modo impedir ou dificultar o abandono das atividades por parte de quem deseja fazê-lo. ou.reclusão. ou com deficiência mental que lhe retire parcialmente a capacidade de entender o caráter do ato. 244-A da Lei n.069/90. a vítima deve ser pessoa com idade entre quatorze e dezoito anos. de 2009) § 1 Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. etc. o induzimento à prostituição configura o crime do art. por tratar do mesmo tema. com palavras ou promessas de boa vida.o proprietário. aplica-se também multa. O art. 218-B. por enfermidade ou deficiência mental. visando a satisfação sexual de qualquer pessoa que se disponha a pagar para tanto. II . a dedicar-se a fazer sexo por telefone ou via internet por meio de webcams (sem que haja efetivo contato físico com o cliente). de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. revogou tacitamente o crime do art. que tem pena menor. Tipo objetivo: O crime consiste em convencer alguém. ou. § 3 Na hipótese do inciso II do § 2º.015. Submeter. ou para que se submeta a outras formas de exploração sexual. facilitá-la. não tem o necessário discernimento para a prática do ato. ainda. para que se prostitua. Na figura em análise. impedir ou dificultar que a vítima abandone as referidas atividades.

218-B. o dono. desde que tenha mais de quatorze anos.quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo (de prostituição ou exploração sexual). incorre no crime em análise. estabelece que constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento penal. O legislador criou uma espécie de figura qualificada do crime de casa de prostituição. o crime será o de estupro de vulnerável. Sujeito passivo: Homem ou mulher menor de idade (entre 14 e 18 anos). consuma-se quando o agente cria o óbice. existe a previsão de dois outros crimes para os quais é prevista a mesma pena do caput. 218-B. Na modalidade de impedimento. II .o proprietário. colocando-se à disposição para o comércio carnal. os processos que apuram esta modalidade de infração penal correm em segredo de justiça. O § 3º do art. em razão de enfermidade mental. O dispositivo pune quem faz programa com prostituta menor de idade. Figuras equiparadas. Na modalidade dificultar. ou que. para o qual a pena é maior em relação àqueles que mantêm lupanar apenas com prostitutas maiores de idade. 218-B. Tentativa: É possível. contudo. ou com enfermidade mental. Tal dispositivo pune: I . que tem pena muito maior. o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. 234-B do Código Penal. homem ou mulher. Nesta última figura o crime é permanente.Sujeito ativo: Pode ser qualquer pessoa. pois. aplica-se também multa. No § 2º do art. Segredo de Justiça: Nos termos do art. 49 . A intenção de lucro a que o texto se refere como condição para a incidência cumulativa de multa é por parte do agente e não da vítima. § 1º. Intenção de lucro: Nos termos do art. não tenha discernimento necessário para compreender a prostituição ou a exploração sexual. se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica. se tiver menos. ou quando passa a ser explorada sexualmente. ou responsável pelo local onde haja prostituição ou exploração sexual de pessoa com idade entre quatorze ou dezoito anos. que o agente tenha conhecimento de que há prostitutas menores de idade trabalhando no local. Consumação: Quando a vítima assume uma vida de prostituição. consuma-se no momento em que a vítima não abandona as atividades. Assim. Pressupõe. Ação Penal: É pública incondicionada.

de dois a doze anos e multa. Sujeito passivo Sujeito passivo é o Estado. também conhecido como peculato-estelionato: art. Se o funcionário fosse o responsável pelo bem. 313.dinheiro. Concussão. a posse é anterior. 312. O fundamento é a posse lícita anterior.apropriar-se. bem móvel. visto como Administração Pública. 312. 312 – Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. a posse está com a Administração. 313 – A Peculato eletrônico . Pode existir um sujeito passivo secundário (particular). Exemplo: um automóvel apreendido na rua. Desobediência. a diferença está no erro de outrem. em proveito próprio ou alheio: Pena – reclusão. fazer sua a coisa de outra pessoa. 1ª Parte do caput do artigo 312 do CP.Crimes contra a Administração Pública: Peculato. Um policial militar subtrai o toca-fitas. PECULATO-APROPRIAÇÃO. ou desviá-lo.funcionário público.B Considerações Gerais Sobre Todos os Tipos de Peculato Objetividade jurídica Visa-se proteger a probidade administrativa (patrimônio público). O funcionário tem a posse do bem. de 2 (dois) a 12 (doze) anos.“hacker”: art. Pena – reclusão. Peculato-furto: art.posse em razão do cargo. pois não tinha a posse do bem. valor ou qualquer outro bem móvel. invertendo o ânimo de dono sobre o objeto.proveito próprio ou alheio. seria furto. § 1. 313 . . ou seja.“pirata de dados”: art. Exemplo: em uma repartição pública. Ele praticou peculato-furto. público ou privado. é crime de peculato-furto. Peculato eletrônico . primeira parte. . caput. O agente altera a sua intenção em relação à coisa.º. valor. caput. 50 . Falso Testemunho e Condescendência Criminosa. Corrupção Ativa. Se um funcionário de uma repartição entra em outra repartição e dali subtrai um bem. segunda parte. PECULATO Art. . Elementos objetivos do tipo O núcleo é apropriar-se. Peculato mediante erro de outrem. mas passa a atuar como se fosse dono. público ou particular. seria caso de peculato-apropriação. e multa. de que tem a posse em razão do cargo. Desacato. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 03 h/a PECULATO DOLOSO Peculato-apropriação: art. . 312. Peculato-desvio: art. um funcionário furta a carteira de outro – é crime de furto. Se o carro estivesse na rua. Sujeito ativo Sujeito ativo é o funcionário público. No peculato-apropriação e no peculato mediante erro de outrem há apropriação. ou seja. O bem tem de estar sob custódia da Administração. Resistência. . Corrupção Passiva. Prevaricação. No caso de posse em razão do cargo: na verdade. vai para o pátio da Delegacia.

§ 1º. O funcionário público emprega o objeto de que tem posse em um fim diverso de sua destinação original. Funcionário não é valor. Consumação e tentativa O crime consuma-se com a efetiva retirada da coisa da esfera de vigilância da vítima. no Direito Penal. Uma outra conduta possível é a de concorrer dolosamente. Consumação A consumação do peculato-apropriação se dá no momento em que ocorreu a apropriação: Quando o agente inverteu o “animus”. Por facilidade.. Bem móvel. Tentativa: é possível. PECULATO-DESVIO Art. depois disso. em proveito próprio ou alheio. o desvie. dinheiro. Valor é qualquer coisa que tenha valor econômico. mas na prática é difícil comprovar. pois ele não é funcionário público.: Não. Desviar é alterar o destino. ou seja. segredo de cofre. 315 do CP (Emprego irregular de verbas ou rendas públicas). entende-se crachá. o subtrai ou concorre para que seja subtraído. ou não. em proveito próprio ou alheio: pena – reclusão. embora não tendo a posse do dinheiro. O crime que admite imóvel é o estelionato. quando passou a agir como se fosse dono. porque se for em proveito da própria administração haverá o crime do art. O mesmo se diz em relação ao inventariante e ao depositário judicial. Tudo que for imóvel não é admitido no peculato. valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. nem bem móvel. Tentativa Teoricamente é possível. A conduta é subtrair.. A tentativa é possível. ou desviá-lo. 312. possui um conceito mais amplo do que no Direito Civil. de dois a doze anos. É também pressuposto que o funcionário público tenha a posse lícita do bem e que. valor ou bem móvel. etc. com o intuito de beneficiar-se ou beneficiar terceiro. Um funcionário público pode praticar furto ou peculato-furto. dependendo se houve. P: O síndico pratica crime de peculato-apropriação? R. Nesse caso é aplicada à mesma pena.Aplica-se a mesma pena. 51 . P. a facilidade. tirar da esfera de proteção da vítima. do Código Penal.: Um funcionário público usar outros funcionários subordinados para prestação de serviço particular configura peculato? R. se o funcionário público. 2ª parte .. ele precisa se valer da facilidade que essa qualidade lhe proporciona (a execução do crime é mais fácil para ele). Está fora do objeto material. § 1º .Objeto material Dinheiro. Não basta ser funcionário público. seu crime é o de apropriação indébita. Consumação: no momento do desvio. pois é tudo aquilo que se pode transportar. PECULATO-FURTO Artigo 312. caput. de sua disponibilidade. e multa. valor ou bem.: Não. O desvio deve ser em proveito próprio ou de terceiros. Pode ser improbidade administrativa (enriquecimento ilícito).

ocorre a diminuição da pena. de boa-fé. ao perceber o erro. 65. Não é um estelionato.Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que.: Qual o efeito da reparação do dano no peculato doloso? R. Não há tentativa de peculato culposo. é um peculato-apropriação. é atenuante inominada do art. do Código Penal. PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM Art. e multa.Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena – detenção. 66. Atenção: no peculato doloso não se aplicam essas regras. O núcleo do tipo é apropriar-se (para tanto. apropria-se do excedente – trata52 .: Para qualquer crime doloso os efeitos são os seguintes: Arrependimento posterior (art.: Se a conduta culposa do funcionário causou dano à Administração Pública. recebeu por erro de outrem”. São requisitos do crime de peculato culposo: a conduta culposa do funcionário público e que terceiro pratique um crime doloso. § 2º. É a devolução do objeto ou o ressarcimento do dano. Não há fraude. Pena – reclusão. Na verdade. Não basta haver dano. III.: Não. no exercício do cargo. por parte do funcionário. Exemplo: pessoa deve dinheiro para a Prefeitura. § 2º . 16 do CP) – se for anterior ao recebimento da denúncia. O peculato mediante erro de outrem é erroneamente chamado peculato-estelionato. do Código Penal. Se a reparação do dano for posterior à sentença irrecorrível (depois do trânsito em julgado). deve existir crime de outrem. é atenuante genérica do art. “b”. é preciso posse lícita anterior). inc. Reparação de danos no peculato culposo Artigo 312. do Código Penal. “313 . O funcionário recebe o dinheiro sem perceber o erro. O núcleo do estelionato é obter. pela metade. O acórdão pode reconhecer atenuante que a sentença não reconheceu. aproveitando-se da facilidade provocada por aquela conduta. Se depois da sentença. redução da pena de 1/3 a 2/3. extingue a punibilidade. P.PECULATO CULPOSO Artigo 312. pode-se falar em peculato culposo? R. Se ocorrer depois do recebimento da denúncia. e o recebimento. P. erra a conta e paga a mais. pois não existe tentativa de crime culposo. É preciso ficar atento para as seguintes regras: Se a reparação do dano for anterior à sentença irrecorrível (antes do trânsito em julgado – primeira ou segunda instância). Consumação e tentativa Peculato culposo é crime independente do crime de outrem. mas estará consumado quando se consumar o crime de outrem. A jurisprudência majoritária diz que a expressão crime de outrem abrange todos os crimes patrimoniais cuja vítima seja a Administração Pública. Depois. O erro de outrem tem de ser espontâneo. pois o erro da vítima não é provocado pelo agente. pois não há crime de outrem. de um a quatro anos. § 3º. de três meses a um ano.

P. vantagem indevida: Pena – reclusão. Elemento subjetivo O elemento subjetivo é o dolo de se apropriar. necessariamente. direta ou indiretamente. ainda que implícita.: Sim. exige-se que o agente tenha ciência de que o bem lhe foi entregue por erro.Exigir. Elementos Objetivos do Tipo Exigir em razão da função: deve existir nexo causal entre a exigência e a função. A concussão tem por conduta exigir. para si ou para outrem. A diferença está no núcleo do tipo. Exigir significa coagir. será concussão. O funcionário recebe de boa-fé. O funcionário se apropriou de algo que já estava com a Administração Pública. Sujeitos passivos são o Estado e a pessoa lesada pela conduta. obrigar. Sujeito Ativo: O sujeito ativo é o funcionário público. por exemplo.000.: É possível concurso de agentes no peculato mediante erro de outrem? R. O particular pode ser sujeito passivo secundário. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. 316 . é um “querer imperativo”. Objetividade Jurídica: Proteger a probidade administrativa. Sujeito Passivo O sujeito passivo é o Estado (a Administração Pública).00 a mais e procura o chefe para informá-lo. como. ainda assim. Exemplo: funcionário descobre que “A” pagou R$ 10. Consumação O crime consuma-se no momento da apropriação. no momento em que o agente passa a agir como se fosse dono. Depois percebe o erro e.se de peculato mediante erro de outrem. esse lhe diz para cada um ficar com R$ 5. aceitar promessa. Observação: particular pode ser partícipe. ainda que fora da função. e não receber. A ameaça pode ser implícita ou explícita e. CONCUSSÃO Art. A corrupção passiva tem por conduta solicitar.00. o funcionário público. O núcleo é apropriar-se.000. Tentativa: A tentativa é possível. em vez de devolver o dinheiro ou encaminhar a questão para que a falha seja sanada. ou por outro meio qualquer. Trata-se de crime cuja objetividade jurídica (bem jurídico tutelado) é a Administração Pública e o sujeito ativo. que traz consigo uma ameaça. ou antes de assumi-la. Além disso. 53 . O elemento subjetivo do tipo é o dolo. ou seja. O crime de concussão é diferente do crime de corrupção passiva. receber. ameaça velada. mas em razão dela. O agente pode exigir direta ou indiretamente – por meio de terceiro. apropria-se da importância. Exemplo: pessoa paga duas vezes ou em lugar errado. e multa. O particular pode praticar o crime em concurso com o funcionário.

de folga. mas não é caso de concussão. Exemplo: quando a exigência for por escrito. etc. pois se prolonga no tempo.: A vantagem da concussão tem de ser patrimonial ou também pode ser moral? R. mas de efeitos permanentes. P. Não é possível a tentativa na conduta verbal. São coisas diferentes.: Neste caso é flagrante? R.: Se alguém se faz passar por fiscal ou policial e exige dinheiro. que crime comete? R. Atenção: se o crime for praticado por policial militar estará configurado o crime do artigo 305 do CPM. Exemplos: ameaçar e pedir o relógio. Exigência é uma conduta instantânea. que é igualmente chamado de concussão. o crime já estava consumado desde o momento da exigência. A posição majoritária sinaliza no sentido de que há flagrante.: Pode ser o crime de extorsão. hora e local em que vai entregar o dinheiro exigido. pois o crime é instantâneo.: Há duas posições a respeito: Não há flagrante porque o crime se consumou no momento da exigência. pois o crime de concussão é formal. Há um segundo argumento ainda. podendo ser enquadrado no “logo após”. 54 .). porque ele não tem função.898/65. exigir dinheiro para não mostrar fotos comprometedoras.P. P. Há quem diga que pode ser moral (prestígio. da Lei nº 4. posição de destaque. Se a vítima avisar a polícia do dia. A concussão não depende da obtenção da vantagem para a sua consumação. alínea h. de que a exigência pode ser vista como uma conduta permanente. basta a exigência. ou ainda não ter assumido a função. O funcionário pode exercer a função e o crime não ser concussão. A vantagem deve ser indevida. Se o funcionário obtiver a vantagem será mero exaurimento. sexual.: Prevalece o entendimento de que deve ser patrimonial. A pessoa pode estar em férias. pois se a vantagem for devida configura o crime de abuso de autoridade. em razão da ameaça feita. A tentativa é possível. conforme disposição do artigo 4º. Em razão da função não significa no exercício da função. Consumação e Tentativa A consumação ocorre no momento em que a exigência chega ao conhecimento da vítima.

de forma ilegal ou irregular. Na modalidade solicitar. pedir. Quem pede não constrange. só ocorre corrupção passiva. § 1º . A atitude de solicitar é iniciativa do funcionário público. 55 . Exemplo: Agente público que recebe dinheiro para não multar alguém que cometeu uma infração de trânsito. vantagem indevida. oferecer. antes de assumila. direta ou indiretamente. pois a iniciativa foi de terceiro. A iniciativa é de um terceiro que faz a proposta. não há crime de corrupção ativa. em conseqüência da vantagem ou promessa. A lei se refere à “vantagem indevida em razão do cargo”. onde a iniciativa é do funcionário público. gesto. Assim. Receber. Alguém propõe e o funcionário aceita. simplesmente pede. concordar com a proposta. por exemplo. para si ou para outrem. e multa. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. Pode ser por silêncio. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão. Observação: se o funcionário pede e a pessoa coloca a mão dentro do bolso e entrega. ainda que fora da função. Só há corrupção passiva nesse caso. o funcionário pede e o particular não dá. Solicitar ou receber. só para prometer. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. na corrupção passiva a vantagem deve ser indevida porque tem a finalidade de fazer com que o funcionário público beneficie alguém em seu trabalho por meio de ações ou omissões. deixe de fazer. Na conduta de solicitar. 317. Na corrupção passiva não há ameaça. entrar na posse. Nas modalidades de receber e aceitar promessa ocorre corrupção ativa na outra ponta. É preciso o indício de que a pessoa entrou na posse efetivamente. mas em razão dela. ato que deveria praticar de ofício. nem constrangimento.: Sempre que houver corrupção passiva irá existir o crime de corrupção ativa? R. Aceitar promessa. Normalmente a vantagem indevida tem a finalidade de fazer com que o funcionário público pratique ato ilegal ou deixe de praticar. ou.CORRUPÇÃO PASSIVA Art. pois não existe tipificação para entregar. Vantagem indevida na corrupção passiva é para que o funcionário faça alguma coisa. não é caso de corrupção ativa. Ocorre uma espécie de troca entre a vantagem indevida visada pelo agente público e a ação ou omissão funcional que beneficiará o terceiro. não ameaça. ou então retarde.: Não. P. Elementos Objetivos do Tipo Solicitar.A pena é aumentada de um terço. quando. se. palavra. somente de corrupção passiva.

na corrupção privilegiada o sujeito aceita o pedido. há corrupção passiva? R. Nesta hipótese. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. O exaurimento é causa de aumento de pena (+ 1/3). deixa de praticar ou retarda ato de ofício. O recebimento da vantagem só é importante para a modalidade receber.detenção. pois não tem nenhum resultado naturalístico. A tentativa é possível na solicitação por escrito.: Se a vantagem indevida for para o funcionário praticar um ato de ofício. Corrupção privilegiada é um crime material – praticar. ou em época festiva. Tanto faz se o ato é de ofício ou não. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. ainda que o agente não obtenha sucesso. de três meses a um ano. A corrupção passiva privilegiada ocorre com pedido ou influência de outrem.Retardar ou deixar de praticar. c) Se o crime for praticado por policial militar. com infração de dever funcional. O que importa é a vantagem indevida como motivo.: seguradora oferece dinheiro para os policiais que encontrarem determinados carros. Se for caso de vantagem indevida. importa é que a vantagem seja indevida. o crime é o de concussão ou corrupção passiva. Na corrupção passiva o móvel todo é a vantagem indevida. e o costume afasta o dolo de corrupção. Trata-se de um elemento subjetivo do tipo.737/65 (Código Eleitoral) prevê crimes idênticos à corrupção passiva e ativa. ato de ofício. estará configurado o crime de corrupção passiva militar. É crime formal. do CP (Falso testemunho ou falsa perícia). ele pratica. Consumação e Tentativa A consumação ocorre quando houver a solicitação. Aquele que deu o dinheiro responde pelo crime do artigo 343 (Corrupção ativa de testemunha ou perito). há corrupção ativa e passiva. se for de pequeno valor ou genérica.Se o funcionário pratica. descrito no artigo 308 do CPM. Distinção a) Dar dinheiro para testemunha ou perito mentir em processo: a testemunha e o perito respondem pelo delito do artigo 342. A consumação não depende da prática ou da omissão de ato por parte do funcionário. retarda ou deixa de praticar ato com infração de dever funcional cedendo a pedido ou influência de terceiro. Porém. porque traz elementos muito diferentes da corrupção. deixar de praticar.P. Esse parágrafo deveria ser crime autônomo. CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA § 2º . A gratificação em agradecimento. 319 . Aqui o funcionário público não visa vantagem indevida. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena – detenção. cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena . mas praticados com a intenção de conseguir voto. É um costume. Ex.: Sim. não configura crime. pois eles já ganham para fazer isso. PREVARICAÇÃO Art. Se for 56 . Observação: recompensa genérica não é crime. indevidamente. o recebimento ou a aceitação da vantagem. A satisfação do interesse ou sentimento pessoal é o que diferencia a prevaricação da concussão e da corrupção. b) O artigo 299 da Lei nº 4. ou multa. e multa. Há crime de corrupção passiva. se o perito é oficial (funcionário público). § 2º.

ódio. Aqui deve se entender sentimento pessoal como sentimentos de amor. DESOBEDIÊNCIA Art. Observações: 1) Na corrupção passiva. b) sentimento pessoal. O benefício.: Sim. Consumação e Tentativa Consumação: nas condutas omissivas. de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses. Praticar é conduta comissiva. Pena – detenção. seu prestígio. 330 do CP . vingança. é do agente. Na prevaricação isso não ocorre. Nos crimes omissivos próprios não é possível a tentativa. que diz respeito à afetividade do agente em relação a pessoas ou fatos. pode ser de terceira pessoa. P.: Interesse ou sentimento: pode ser beneficiada terceira pessoa? R. Na conduta de praticar. etc. retardar ou deixar de praticar indevidamente. amizade.caso de sentimento pessoal. P. aqui. Ato de ofício é aquele ato que está inserido na esfera de atribuições ou de compromissos do agente. visando uma vantagem indevida. quando o agente retarda ou deixa de praticar o que deveria. o funcionário público viola sua função para atender a objetivos pessoais. Pode ser um interesse pessoal e ajudar terceiro. deixar de praticar. Aqui. e praticar. A diferença entre retardar e deixar de praticar é que esse último tem um tom de definitividade. sua autoridade. 57 . praticar. Exemplo: Permitir que amigos pesquem em local público proibido. inimizade. Demorar para expedir documento solicitado por um inimigo. O sentimento. mas o benefício pode ser do terceiro. quando atua. Elementos Normativos Os elementos normativos dependem de juízo de valor. hipótese em que haveria corrupção passiva) ou moral. Na conduta de praticar.Desobedecer a ordem legal de funcionário público. Elementos Objetivos do Tipo São elementos objetivos do tipo: retardar.: A preguiça ou o desleixo podem ser enquadrados na prevaricação? R. a tentativa é admissível. na prevaricação.: A mera preguiça não configura prevaricação. 2) O agente deve atuar para satisfazer: a) interesse patrimonial (desde que não haja recebimento de vantagem indevida. ou seja. raiva. contra disposição expressa de lei. demorar. A prevaricação é crime subsidiário – a vantagem indevida pode caber na prevaricação. Retardar é protelar. e multa Objetividade Jurídica A Administração Pública. o crime é o de prevaricação. As condutas retardar e deixar de praticar são condutas omissivas (omissão própria). o funcionário público negocia seus atos.

e não um pedido ou uma solicitação. ou multa. que pode ser omissiva ou comissiva. DESACATO Art. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. é necessário que o destinatário tenha o dever jurídico de cumprir a ordem. uma determinação. Objetividade Jurídica Resguardar a Administração Pública. o funcionário público que emitiu a ordem desobedecida. a tentativa é admitida apenas quando a conduta é comissiva. Ex.Sujeito Ativo Qualquer pessoa. não atender.: não há crime se a recusa ocorre por motivo de força maior. Ordem legal: ordem é um mandamento. sua autoridade. Para que o crime se configure. pratica o crime de desobediência ao não atender a ordem de outro funcionário público. 331 do CP . Deve ser legal . Sujeito Ativo Qualquer pessoa.: Há duas posições: A majoritária afirma que o funcionário público no exercício da função pratica prevaricação e não desobediência. no exercício da função. pois. Elementos Objetivos do Tipo Desobedecer: não cumprir. há crime próprio. no exercício da função. b) que seja feita contra funcionário público que está de folga. ou seja. P. que esteja trabalhando (dentro ou fora da repartição) no momento em que é ofendido. nesse caso.: juiz dá ordem ao escrivão e este não a cumpre pratica o crime de prevaricação. pratica desobediência? R. de forma secundária.: recusar-se ao teste do bafômetro não configura crime. Obs.material e formalmente (pode até não ser justa).: Funcionário público. Tentativa Em regra.Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção. Sujeito Passivo O Estado e. A jurisprudência tem entendido que quando um fato que poderia caracterizar crime de desobediência tem sanção civil ou administrativa – e essa não estabelece cumulação com pena criminal – ele não é considerado crime. A minoritária sustenta que o funcionário público. 58 . desde que a ofensa se refira às suas funções. Consumação O crime de desobediência consuma-se com a realização da conduta. Obs. seu prestígio. a lei prevê duas hipóteses: a) que a ofensa seja feita contra funcionário público que esteja no exercício de suas funções. Para a existência do crime de desacato. Funcionário público: deve ser competente para proferir a ordem.

pois a ofensa decorrente é em razão das suas funções. atirar seu quepe no chão. pode praticar o crime de desacato? R. Obs. O sujeito passivo é a Administração. a ofensa não faz parte do exercício funcional.O desacato pressupõe que a ofensa seja feita na presença do funcionário. Se três funcionários forem desacatados no mesmo contexto há apenas um crime (segundo a doutrina majoritária. humilhar. A ofensa feita contra funcionário público em razão de suas funções. O desacato pode ser praticado de qualquer forma (palavras. rasgar mandado de intimação entregue pelo oficial de justiça e atirá-lo ao chão. desprestigiar. pois nenhuma função pública autoriza ofender. caracteriza crime de injúria “qualificada” (artigo 140 c/c artigo 141. fazer sinais ofensivos. mas feita em sua ausência. seriam três crimes). não há desacato se a ofensa é feita. 133 da CF). Elementos Objetivos do Tipo Desacatar: ofender. por exemplo. II.: O advogado. exceto por carta. Se o funcionário não se sentir ofendido. Exemplos de condutas típicas: Xingar o policial que está multando. guspir em sua farda. no exercício da função. mas o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional essa ampliação. por carta. pois somente assim ficará tipificada a intenção de desprestigiar a função. Por isso. secundariamente. A carta pressupõe ausência. mas sim que o funcionário tem que perceber a conduta. passar a mão no rosto do policial. P. mas sim como um particular. 59 . O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil ampliou essa imunidade incluindo o desacato. pois é exigida a presença do funcionário. da conduta. Nesse caso existe o crime. do CP). Diferença entre desacato e injúria qualificada: Funcionário presente: desacato. por exemplo. P.: O funcionário pode ser desacatado estando de férias? Ou no fim de semana? R. P. Quando o funcionário público ofende.: Sim. O tipo refere-se a funcionário público no exercício funcional ou em razão da função.: dizer que todo funcionário público é vagabundo não é desacato por ser uma afirmação genérica. juiz ofender escrivão. O crime deve atingir a função que ele exerce e não sua pessoa. pode praticar desacato? Como.: Segundo a doutrina dominante sim. Sujeito Passivo O sujeito passivo é o Estado e. A Constituição Federal confere imunidade ao advogado nos crimes contra a honra (art. Consumação O crime consuma-se no momento da ofensa. que é um crime contra a Administração Pública. Funcionário ausente: injúria qualificada. Estar presente não significa estar cara a cara. ainda assim haverá crime. etc. no exercício funcional.: O funcionário público. o funcionário público ofendido. Por carta pode existir crime contra a honra. não age como funcionário público. tratando-se de crime contra a honra.: Sim. R. gestos).

e um amigo deste investe contra o policial para tentar impedir a prisão. ou seja. servir de oposição. quantos crimes de resistência foram praticados? R. contemporânea ao ato. Elemento Subjetivo do Tipo Intenção de ofender. ele deixa de ser funcionário público. P. fugir correndo. de obstáculo. Resistência passiva não é crime de resistência.Tentativa Não é possível. a promessa de mal. ter entre suas atribuições a atribuição de praticar o ato.: Sim.: Se dois policiais vão prender alguém e são recebidos a tiro. pois a oposição à execução do ato é um crime só. RESISTÊNCIA Art.Opor-se à execução de ato legal. uma vez que nenhuma função é exercida com violência ou grave ameaça. A jurisprudência majoritária exige o ânimo calmo e refletido para que ocorra o desacato. Objetividade Jurídica A autoridade e o prestígio da Administração Pública. O tipo não exige grave ameaça. até mesmo funcionário público. O funcionário tem de ser competente. A oposição tem de ser com violência ou com ameaça. A resistência deve servir para impedir o ato. ou seja. P. Elementos Objetivos do Tipo Conduta: opor-se. basta a ameaça. pois o tipo não exige que aquele que vai sofrer o ato é que pratique a resistência. segurar-se em um poste. no máximo. podendo esta ocorrer.: Apenas um crime. porque não há violência e nem grave ameaça. Ato legal: o ato a ser cumprido deve ser legal quanto ao conteúdo e à forma. não importando o número de funcionários. pois. Se o mesmo já foi praticado. Se o ato for ilegal não se pode falar em crime de resistência. no momento em que resiste. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. 329 . mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena – detenção. atingir a função. Exemplos: deitar-se no chão para não ser preso. não se pode falar em resistência. Sujeito Passivo O Estado é o sujeito passivo primário e o funcionário competente ou quem lhe esteja prestando auxílio é o sujeito passivo secundário. Sujeito Ativo O sujeito ativo é qualquer pessoa.: Um policial prende alguém. Esse terceiro pratica crime de resistência? R. pois para que o delito se configure é necessária a presença da vítima. 60 .

do CP). Concurso de Crimes A lei determina o concurso da resistência com a violência (art. deve haver a intenção de impedir o ato – finalidade especial.Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público. 333 . intenção de opor-se à execução do ato.P. Não é possível discutir se é justo ou injusto. Além do dolo. pois esta fica absorvida. Se o agente consegue impedir o ato. O concurso é material. ocorre exaurimento. neste caso. configurase o crime de corrupção passiva. para determiná-lo a praticar. com violência ou ameaça. de 2 (dois) a 12 (doze) anos. Na verdade somente a embriaguez completa. CORRUPÇÃO ATIVA Art. omitir ou retardar ato de ofício: Pena – reclusão. o funcionário retarda ou omite ato de ofício. 329. se. que no crime em questão configura uma qualificadora. É pacífico que a resistência absorve as vias de fato. Trata-se. com violência ou ameaça. No caso de resistência e desacato. e multa. acidental. porque o bêbado não tem noção dessa finalidade especial.: Sim. § 2º. de crime formal – caput.: Se o ato for injusto. Parágrafo único: A pena é aumentada de um terço. apenas é preciso observar se o ato é legal ou não. segundo a qual todos os que contribuírem para um crime responderão por esse mesmo crime. constante do § 1º (como este parágrafo exige o resultado. proveniente de caso fortuito ou de força maior pode excluir a culpabilidade do agente em relação a sua conduta típica. Esse crime configura um caso de exceção à teoria monista. portanto. o crime é material). No caso de resistência e desobediência. Alguns autores sustentam que a embriaguez afasta a intenção de impedir o ato.: A embriaguez não afasta o dolo. mas essa embriaguez com tais características deve ser comprovada por perícia. P. Elemento Subjetivo do Tipo Dolo. Consumação O crime de resistência consuma-se no momento em que a pessoa opõe-se. em razão da vantagem ou promessa. há resistência? R. a resistência absorve o desacato.: A embriaguez afasta o crime de resistência? R. Não há concurso com a ameaça. Ainda que o particular entregue o que foi solicitado pelo 61 . a resistência absorve a desobediência. ou o pratica infringindo o dever funcional. Se o funcionário público solicita vantagem indevida e o particular não a entrega.

para não sofrer o ato. escrito. mas. só há crime de corrupção ativa. Ato de ofício: Alguém pode oferecer dinheiro para que o funcionário realize suas funções. etc. Se o particular oferecer vantagem indevida e o funcionário não aceitar. prometer. ela não teve iniciativa. Vantagem: pode ser qualquer uma. omitir ou retardar o ato de ofício. P. o exaurimento aumenta a pena em um terço (parágrafo único do art. há corrupção ativa e corrupção passiva. Elemento Subjetivo do Tipo Dolo genérico: é a intenção de corromper.funcionário público. não há o crime. Sujeito Passivo: O sujeito passivo é o Estado e a Administração Pública. 333 do CP). não precisa do resultado para consumar-se.: O funcionário vai praticar um ato ilegal contra a pessoa e esta. A conduta do agente deve ser anterior à conduta do funcionário. não haverá o crime em estudo. da promessa. Objetividade Jurídica: Proteger o prestígio da Administração Pública. No crime de corrupção ativa o particular tem a iniciativa de corromper o funcionário público. Consumação Ocorre no momento do oferecimento. Se o funcionário já praticou o ato. Um funcionário público pode corromper outro funcionário público. nesse caso. pois o tipo do artigo 333 refere-se apenas a oferecer ou prometer vantagem indevida. intermediário).: Não há crime. mesmo assim.: Não. A pessoa está se defendendo da ilegalidade. propor alguma coisa para ser aceita. O crime é formal. Dolo específico: determinar o funcionário público a praticar. Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.  Vantagem indevida: Se a vantagem for devida.: Pedir para o funcionário “dar um jeitinho” configura o crime em questão? R. Nos casos de “o particular oferecer e o funcionário receber” ou “o particular prometer e o funcionário aceitar promessa”. A oferta deve ser feita à pessoa determinada ou pessoas determinadas (mais de um funcionário). apenas se defendeu. P. gesto. Não importa se o funcionário irá fazer ou não. oferece dinheiro para o funcionário. haverá crime. haverá outro crime. sexual. econômica. Ela pratica crime? R. pois não há oferecimento nem promessa de vantagem indevida. Elementos Objetivos do Tipo Oferecer ou prometer: Oferecer: é apresentar. As condutas podem ser praticadas por qualquer modo (palavra. Caso o funcionário efetivamente pratique o ato. é mero exaurimento. Oferta genérica não constitui crime. Prometer: é obrigar-se a fazer ou não fazer alguma coisa. a pessoa não sabe e oferece dinheiro. oferecer. 62 .

há duas teorias: Objetiva: há crime quando o depoimento simplesmente não corresponde ao que aconteceu. perito.As penas aumentam-se de um sexto a um terço. secundariamente. Para que o falso caracterize crime. inquérito policial. a é da Justiça Federal (Súmula 165 do STJ). b) Inquérito policial: refere-se a inquérito policial comum ou militar. § 1º . tradutor ou intérprete em processo judicial. Condutas típicas: a) fazer afirmação falsa (conduta comissiva): significa afirmar inverdade. não responde pelo falso testemunho. 342. Assim. de um a três anos. deve referir ao assunto discutido nos autos e que possa influir no resultado. Observações: 1) Se a testemunha mente por estar sendo ameaça de morte ou de algum mal grave. só há crime quando o depoente tem consciência da divergência entre a sua versão e o fato presenciado. Não existe forma culposa. b) negar a verdade (conduta comissiva): o sujeito nega o que sabe. portanto. Trata-se de crime formal.reclusão. O autor da ameaça é que responde por crime de coação no curso do processo (art. Sujeitos passivos: O Estado e. o agente se retrata ou declara a verdade. deve ser cometido em: a) Processo judicial: abrange o processo civil. § 2º . 344 do CP). ou seja. sentiu ou ouviu.O fato deixa de ser punível se. com plena consciência de que está faltando com a verdade. aquele a quem o falso possa prejudicar. não sendo. Subjetiva: só há falso testemunho quando não há correspondência entre o depoimento e aquilo que a testemunha ou o perito percebeu. ou seja. Essa é a posição adotada pela doutrina e pela jurisprudência. se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal. penal etc. e multa. 3) Com relação ao falso. 2) Para que ocorra o crime de falso testemunho a falsidade deve ser relativa a fato juridicamente relevante. portanto. ou em juízo arbitral: Pena . necessário que o depoimento falso tenha influído na decisão. ou negar ou calar a verdade como testemunha.: carta que se extravia antes de chegar ao conhecimento do funcionário) FALSO TESTEMUNHO OU FALSA PERÍCIA Art. ou administrativo. Elemento subjetivo: O dolo. tradutor ou interprete. a vontade de deliberada de mentir. Sujeito ativo: Trata-se de crime próprio.Tentativa A tentativa é possível apenas na forma escrita (ex. pois só pode ser cometido por testemunha. 63 . Em se tratando de depoimento falso em processo trabalhista. trabalhista. perito. c) calar a verdade (conduta omissiva): silenciar a respeito do que sabe. contador. O engano e o esquecimento. Fazer afirmação falsa. antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. não tipificam o crime.

pois a lei diz que o “o fato deixa de ser punível”. a regularidade da Administração da Justiça. tradutor ou intérprete) prejudiquem a busca da verdade no processo judicial ou administrativo. do Código Penal. Assim. Ex. do Código Penal – o fato deixa de ser punível se. ser de difícil ocorrência. Conceito: A condescendência criminosa nada mais é do que uma forma mais branda do crime de prevaricação. Retratação: Art. 1. apesar de. Daí o porquê do tratamento penal dispensado para o delito ser menos severo.c) Processo administrativo: falso cometido em procedimento que visa apurar faltas ou transgressões disciplinares ou administrativas. CONDESCENDÊCIA CRIMINOSA Art. em três hipóteses. inquérito policial ou em juízo arbitral.579/52. assim. 4) Refere-se à sentença de primeira instância. 2) Para que gere efeitos. de forma a prejudicar a realização da justiça. Consumação: Quando se encerra o depoimento. a) Se o crime for praticado mediante suborno.: audiência interrompida. § 2º. Causas de aumento de pena: O § lº do art. da Lei n. antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. A falsa perícia se consuma quando o laudo é entregue. c) Se o crime for praticado com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta. 3) A palavra "sentença" refere-se à sentença do processo em que foi feito o falso testemunho (processo originário) e não ao processo em que se apura tal crime. na prática. não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena . complacência. prometeu ou ofereceu o dinheiro à testemunha ou perito incide no art. Tutela-se. 5) No Tribunal do Júri a retratação é possível.Deixar o funcionário. de quinze dias a um mês. 320 . ou multa. Tentativa: Há divergência a respeito. Damásio E. perito. Há. a retratação deve ser completa. 6) De acordo com a posição majoritária a retratação se comunica às demais pessoas que tenham concorrido para o crime. omitindo ou falseando-a. opinião no sentido de que seria possível até o trânsito em julgado. o agente se retrata ou declara a verdade. 342 estabelece um aumento de pena de um sexto a um terço. 64 . a pena será maior. trata-se de causa extintiva da punibilidade. 343 do Código Penal. contador. 4º.307/96. até a sentença do Juiz Presidente e não somente até a pronúncia. b) Se o delito for cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal. por indulgência. Nesse caso. quando lhe falte competência. 342. d) Em juízo arbitral: referido na Lei nº 9. II. de Jesus entende que é possível. VI. contudo. de acordo com a posição majoritária. nos termos do art. Observações: 1) Quanto à natureza jurídica. 107. em razão de seu espírito de tolerância. Objeto jurídico: Busca-se por meio da tutela penal impedir que aquelas pessoas (testemunha. se o falso for cometido em inquérito policial ou em ação penal. a pessoa que deu.detenção. e) O crime de falso testemunho também existirá se o depoimento for prestado em inquérito parlamentar (CPI). de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou. nos termos do art. O funcionário deixa de responsabilizar seu subordinado pelas faltas praticadas ou não comunica o fato à autoridade competente.

Nas mesmas penas incorre quem: Disposição de coisa alheia como própria I . Se a intenção de não agir for outra. Tentativa É inadmissível. ciente da infração do subordinado e por indulgência (clemência. para si ou para outrem. que o crime de condescendência criminosa pressupõe que o agente. mais uma vez. 171 . § 2º . ou qualquer outro meio fraudulento: Pena . Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria 65 . b) deixar o superior hierárquico de levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. não respondendo pelo crime o funcionário beneficiado.Trata-se de infração penal que visa preservar as normas e princípios que regem a Administração Pública. vantagem ilícita. em ambos os casos. quando lhe falte autoridade para punir. dá em pagamento. o sujeito ativo é o superior hierárquico. e multa. Elemento subjetivo Deve-se ressaltar.vende. tolerância). 155. e é de pequeno valor o prejuízo.Obter. Sujeito ativo e passivo Percebe-se que. o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. Elementos do tipo A lei incrimina duas condutas. em locação ou em garantia coisa alheia como própria. ambas de caráter omissivo: a) deixar o superior hierárquico de responsabilizar o funcionário autor da infração.reclusão. Consumação O crime se consuma quando o superior toma conhecimento da infração e não promove de imediato a responsabilização do infrator ou não comunica o fato à autoridade competente. pois se trata de crime omissivo puro. em prejuízo alheio. mediante artifício. haverá crime de prevaricação ou corrupção passiva. deixe de atuar. de um a cinco anos. permuta. Sujeito passivo é o Estado. ardil.Se o criminoso é primário. induzindo ou mantendo alguém em erro. § 2º. ESTELIONATO Art. § 1º .

ELEMENTOS DO TIPO Ação nuclear Consiste em induzir ou manter alguém em erro. utilizando-se de manobras para impedir que ela perceba o equívoco em que labora. se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular." b) Ardil: é fraude no sentido imaterial. CONCEITO O estelionato é um crime que se caracteriza pelo emprego de fraude. ou agrava as conseqüências da lesão ou doença.II .defrauda. OBJETO JURÍDICO Tutela-se a inviolabilidade do patrimônio. total ou parcialmente. mediante pagamento em prestações. gravada de ônus ou litigiosa. sem nenhum outro disfarce ou aparato. ou imóvel que prometeu vender a terceiro.defrauda substância. dirigindo-se à inteligência da vítima e objetivando excitar nela uma paixão. locupleta-se ilicitamente com tal objeto. permuta. O dispositivo penal visa reprimir a fraude causadora de dano ao patrimônio do indivíduo. em vez da violência ou grave ameaça. 66 . levando-a a ter uma errônea percepção dos fatos. o aspecto material da coisa. a modificação por aparelhos mecânicos ou elétricos. o disfarce. para si ou para outrem.A pena aumenta-se de um terço. efeitos de luz etc. intelectualizada. Trata-se de crime em que. filmes. Os meios empregados para tanto são: a) Artifício: significa fraude no sentido material. vantagem ilícita em prejuízo alheio. Seja qual for o meio empregado. Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V . alcança todos os outros comportamentos a elas equiparados. mediante o emprego de artifício. dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável. a garantia pignoratícia. ou para mantê-la em erro. "o artifício existe quando o agente se utilizar de um aparato que modifica. assistência social ou beneficência. Defraudação de penhor III . sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado. ou lhe frustra o pagamento. de modo que. ou qualquer meio fraudulento.vende. Segundo Mirabete. a qual deve ser interpretada de acordo com os casos expressamente enumerados (interpretação analógica). Fraude no pagamento por meio de cheque VI . valendo-se de alguma artimanha. na sequência. qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém. só há estelionato quando existir aptidão para iludir o ofendido.emite cheque. Idoneidade do meio fraudulento empregado. Uma boa conversa. uma vez que o agente. com o intuito de haver indenização ou valor de seguro. emoção ou convicção pela criação de uma motivação ilusória. o agente emprega um estratagema para induzir em erro a vítima. silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias. ardil. mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo. § 3º . a fim de obter. c) Qualquer outro meio fraudulento: embora compreenda o artifício e o ardil (o que toma a distinção sem importância prática). constitui expressão genérica. Fraude na entrega de coisa IV . ou lesa o próprio corpo ou a saúde. quando tem a posse do objeto empenhado. consegue enganar a vítima e convencê-la a entregar-lhe algum pertence. ao menos aparentemente. além das duas formas anteriores. uma simulação de doença. e. ou oculta coisa própria. figurando entre esses meios o documento falso ou outra falsificação qualquer.destrói.

No entanto. responderá por receptação dolosa. assim. aquela que sofre o prejuízo. Nada impede a coautoria ou participação. porém pode o sujeito passivo. responderá como partícipe do crime de estelionato. mesmo o mais ingênuo dos mortais. Concomitantemente à obtenção da vantagem ilícita pelo agente. e recebendo troco. ou seja. 4º) o do prejuízo sofrido pela vítima. O número indeterminado de pessoas caracteriza. que. provoca ou mantém a vítima no erro (nesta última hipótese. não corresponder a qualquer direito. 173) ou no crime de furto (art. e emprega manobras fraudulentas para manter esse estado e assim obter a vantagem ilícita). mediante o emprego de fraude. Tal questionamento somente é cabível na tentativa. Ambos são coautores do crime de estelionato. Por exemplo: balança viciada de um açougue. A situação na qual a vítima acredita não existe. SUJEITO ATIVO Trata-se de crime comum. A pessoa deve ser determinada. quando totalmente inapta a iludir.A aferição dessa potencialidade deve ser realizada segundo as características pessoais da vítima (sua maior ou menor experiência e capacidade de percepção) e as circunstâncias específicas do caso concreto. 2ª) O agente induz ou mantém a vítima em erro. apodera-se do bem. ou seja. haverá o crime de exercício arbitrário das próprias razões. Houvesse o conhecimento verdadeiro dos fatos. não tinha qualquer conhecimento da origem criminosa do bem. adquirindo mercadorias. 155). para obtê-la. 67 . o fato será atípico. pois. pois se trata de crime patrimonial. contudo. O enganado terá de ter capacidade para ser iludido. Temos. pois o mundo do estelionatário comporta gente de variada densidade intelectual. de comum acordo. Deve também ser ilícita. que sofre a lesão patrimonial. O outro. com a intenção de obter vantagem ilícita que beneficiará terceiro. ou seja. em coautoria. Se for lícita. 3º) o da vantagem ilícita obtida pelo agente. quatro momentos no crime de estelionato: 1º) o do emprego da fraude pelo agente. pratica estelionato não só aquele que preenche e assina cheque pertencente a outro titular da conta. Se esse beneficiário induziu ou instigou o agente a praticar o crime. o autor aproveita uma situação preexistente. que vêm a sofrer prejuízos. se for louco ou menor. O agente emprega meio fraudulento capaz de iludir a vítima com a finalidade de obter vantagem ilícita em prejuízo alheio. ser diverso da pessoa enganada. Prejuízo alheio. em erro os fornecedores. uma perda patrimonial. Erro. provocando uma manifestação de vontade viciada. que pode ser praticado por qualquer pessoa. Se ele tomou conhecimento da origem criminosa do bem no momento em que recebeu o objeto. mantendo. produto do estelionato. jamais teria ocorrido a vantagem patrimonial ao agente. Desde que o meio fraudulento empregado pelo agente seja apto a burlar a boa-fé da vítima. além do estelionato contra as vítimas específicas. usufruindo-as. mediante esse meio fraudulento. É o objeto material do crime em tela. Da mesma forma. Deve a vantagem ser econômica. afasta-se qualquer indagação relativa à idoneidade do meio fraudulento empregado. Vantagem ilícita. crime contra a economia popular em concurso formal. não responderá por qualquer crime. deve ocorrer prejuízo para a vítima. um erro espontâneo anterior por ele não provocado. Se. Vejamos duas hipóteses: 1ª) Um dos agentes induz ou mantém a vítima em erro mediante o emprego de fraude. incorrerá o agente no crime de abuso de incapazes (art. pouco importa que a fraude seja grosseira ou inteligente. ou seja. obtêm vantagens ilícitas. mas todos os que. É o dano de natureza patrimonial. portanto. Consiste na falsa percepção da realidade. Cumpre ressalvar que se o agente obtém a vantagem ilícita em prejuízo alheio. SUJEITO PASSIVO É a pessoa enganada. 2º) o do erro em que incidiu a vítima. obtém a vantagem ilícita.

É o caso da hipoteca. No caso da locação. quando o agente aufere o proveito econômico. contudo. e multa). que a alienação ou a oneração dos bens. Ressalte-se que deve o agente ter consciência de que a vantagem almejada é ilícita. Nesse dispositivo do inciso I. Saliente-se.MOMENTO CONSUMATIVO Trata-se de crime material. ou seja. Coisa gravada de ônus é aquela sobre a qual pesa um direito real em decorrência de cláusula contratual ou disposição legal (art. assim. o agente passa por dono de um certo bem (móvel ou imóvel) e o negocia com terceiro de boa-fé. por fim. O crime consuma-se com o recebimento do preço. ainda. no caso dos bens móveis. 1. nessa hipótese. em si. dá em pagamento. causando. Privilegiada: Está prevista no § 1º. Coisa inalienável é aquela que não pode ser vendida em razão de determinação legal. ELEMENTO SUBJETIVO É o dolo. e é de pequeno valor o prejuízo. por sua vez. FORMAS Simples: Está prevista no caput (pena reclusão. Se o criminoso é primário. todos do CP. de 1 a 5 anos. em prejuízo alheio. gravada de ônus ou litigiosa. mediante pagamento em prestações. 68 . um fim especial de agir. ex. ao mesmo tempo. Via de regra. ou a transcrição dos imóveis.) ou testamento. permuta. I a VI. do contrário. esses resultados ocorrem simultaneamente. consistente na vontade de obter a vantagem ilícita para si ou para outrem. silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias. O ilícito penal consiste em silenciar a respeito das circunstâncias a que a lei se refere. Veja-se que.vende. assim. A tentativa é possível. DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA § 2º . o objeto material tem que ser coisa imóvel ao contrário das anteriores.vende. reivindicação. convenção (doação com cláusula de inalienabilidade. crime na alienação ou oneração de imóvel que o agente prometeu vender a terceiro mediante pagamento de prestações. 155. sem possuir autorização para tanto. A pena é a mesma da figura penal prevista no caput. consubstanciado na vontade livre e consciente de realizar a conduta fraudulenta em prejuízo alheio. não constituem crime.) Há. é aquela objeto de discussão judicial (usucapião contestado. Há. a obtenção de proveito pelo estelionatário e o prejuízo da vítima. etc. p. § 2º. É necessário. prejuízo para essa pessoa. Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria II . Consuma-se com a obtenção da vantagem ilícita indevida. em locação ou em garantia coisa alheia como própria. em que pode ser bem móvel ou imóvel. mesmo que não tenha havido a tradição.225 do novo Código Civil). § 2º. ou imóvel que prometeu vender a terceiro. a consumação ocorre com o recebimento do valor do aluguel. dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável.Nas mesmas penas incorre quem: Disposição de coisa alheia como própria I . poderá ele responder pelo crime de exercício arbitrário das próprias razões. Equiparadas: Estão previstas no artigo 171. permuta. o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. Coisa litigiosa. causando dano à vítima. por exemplo.

ou oculta coisa própria. Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V . ou agrava as conseqüências da lesão ou doença. Sujeito ativo desse crime é o devedor. a garantia pignoratícia. ou lhe frustra o pagamento. O bem jurídico tutelado nessa infração é o patrimônio do segurador. estava na posse do bem e o alienou em prejuízo do credor. ou lesa o próprio corpo ou a saúde. o objeto pode ficar em poder do devedor. Fraude na entrega de coisa IV . Essa alteração pode recair sobre a própria substância (entregar objeto de vidro no lugar de cristal. Tipo objetivo Esse dispositivo prevê duas condutas típicas autônomas: a) Emitir cheque sem fundos: Nessa hipótese. A consumação ocorre quando o aliena. total ou parcialmente. sem o qual haveria crime impossível. c) agravar as consequências da lesão ou doença. O objeto material deve ser coisa móvel.defrauda. quando tem a posse do objeto empenhado.). Fraude no pagamento por meio de cheque VI . qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém. b) lesionar o próprio corpo ou saúde. com a alienação. Sujeito passivo é o credor. como. por exemplo. mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo. Além disso. Requisito indispensável desse crime é a prévia existência de um contrato de seguro em vigor.destrói. se ele o alienar sem autorização do credor ou de alguma outra forma inviabilizar o objeto como garantia de dívida (destruindo-o. destrói o objeto. sendo a coisa ou o corpo do agente meros instrumentos do delito.Defraudação de penhor III . Excepcionalmente. percebe a fraude e rejeita o objeto). Com a celebração do contrato de penhor o bem normalmente é entregue ao credor. de modo que possa prejudicar a outra parte. A lei pune alternativamente três condutas: a) destruir ou ocultar. à outra.defrauda substância. e. etc. objeto usado como novo) ou sobre a quantidade (dimensão.emite cheque. neste caso. a seguradora. entretanto. A presente infração penal pressupõe uma situação jurídica envolvendo duas pessoas na qual uma tem o dever de entregar objeto. ocultando-o. O sujeito ativo é o segurado e o passivo. apesar do contrato de penhor. A tentativa é possível. cometerá o delito em tela. sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado. ainda que o agente não consiga receber o que pretendia. cobre no lugar de ouro). para que exista o crime é necessário que o tenha atuado com intenção de receber o valor do seguro.). autolesionar etc. pois somente esta pode ser empenhada. móvel ou imóvel. sobre a qualidade (entregar mercadoria de segunda no lugar de primeira. com o intuito de haver indenização ou valor de seguro. que. porém. A tentativa é possível. no caso de quem tenta empurrar seu veículo morro abaixo e é impedido por terceiros. ficou sem a garantia de sua dívida. o agente preenche e põe o cheque em circulação (entrega-o a alguém) sem possuir a quantia respectiva em sua conta bancária. entretanto. ocultar. O crime somente se consuma com a efetiva entrega do objeto. O delito. 69 . de alguma forma o modifica fraudulentamente. que. por exemplo. 1. e a tentativa é admissível (se a vítima. é formal e consuma-se no momento da conduta (destruir. inutilizando-o. no todo ou em parte coisa própra. peso).

Por isso. por exemplo. com o recebimento do cheque. h) Existe divergência na hipótese em que alguém recebe um cheque nominal e. entende-se que não há crime na emissão de cheque sem fundos para pagamento de dívida anterior e não paga. nessa hipótese. também. portanto. por exemplo. pois.VI. executála. estando em poder do cheque. o prejuízo da vítima é anterior ao cheque e não decorrência deste. responde pelo estelionato comum (CP. em que o banco garante o pagamento até um determinado valor. Consumação Apenas quando o banco sacado formalmente recusa o pagamento. mas. Ao contrário. não há crime. emite um cheque sem fundos. 2. poderá executá-lo diretamente. endosso e emissão são institutos distintos. ou seja. Nesse sentido a Súmula 246 do Supremo Tribunal Federal: "Comprovado não ter havido fraude. Nada impede. 171. Nesse sentido. pois. sendo. e. e. ainda. f) Para a configuração do delito exige-se que a emissão do cheque tenha gerado algum prejuízo patrimonial para a vítima. existe o crime em análise na medida em que foi o uso do cheque que induziu a vítima a entregar a mercadoria. § 2º . Argumentam alguns que o endosso equivale à emissão porque recoloca o título em circulação. antes de o beneficiário conseguir recebe-la. b) O cheque tem natureza jurídica de ordem de pagamento à vista e. Não incide no crime do art. aquele saca o dinheiro ou susta o cheque. antes de sua emissão. foi a colisão entre os veículos que causou o prejuízo e não a emissão do cheque. portanto. o agente possui a quantia no banco por ocasião da emissão do cheque. o dono do carro abalroado passa a ter uma situação jurídica mais vantajosa. qualquer atitude que lhe retire esta característica afasta a incidência do crime. Nessa modalidade. decorrente do descumprimento de obrigação contratual entre as partes. se o banco honra o cheque por estar dentro do limite garantido e o cliente não efetua a recomposição da importância. § 2º. que. assim. a razão de seu prejuízo e do locupletamento do agente. Há. Assim. quer em razão da ausência de fundos. d) Também não há crime na emissão de cheque sem fundos em substituição de outro título de crédito não honrado. se ele quisesse receber o valor em juízo teria de ingressar primeiro com uma de conhecimento e. não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos". não responde pelo delito quem imaginou possuir a quantia no banco ou quem não conseguiu ou se esqueceu de "cobrir" a conta-corrente após a emissão do cheque. e. 3. c) É necessário que a emissão do cheque tenha sido a causa direta do convencimento da vítima e. Trata-se. quer em razão da contra ordem de pagamento. porque o cheque não foi emitido em favor do banco. porém. entende-se não configurar ilícito penal a emissão de cheque sem fundo para pagamento de dívida de jogo proibido ou de programa com prostituta.VI. de forma que o endossante responde por estelionato comum. Veja-se. Observações a) Para que exista o crime é necessário que o sujeito tenha agido de má-fé quando da emissão do cheque. endossa a cártula. mero ilícito civil. Para outros. quando uma pessoa causa um acidente. a causa de seu prejuízo. usa o cheque para fazer uma compra perante terceiro.b) Frustar o pagamento do cheque. nesse caso. dessa forma. e) Quando o agente susta o cheque ou encerra a conta-corrente antes de emitir a cártula. do Código Penal. Por outro lado. fica sabendo da inexistência de fundos mas resolve não ficar com o prejuízo. como pagamento pelos prejuízos por ela causados. posteriormente. É o caso. Por outro lado. a responsabilização por estelionato comum se comprovado o dolo de obter vantagem ilícita no momento da emissão. para tanto. por isso. quando alguém faz uma compra e efetua o pagamento com um cheque sem fundos. art. configura o crime do art. já que se trata de título executivo. da emissão de cheque pré-datado ou do cheque dado como garantia de dívida. 171. 171. somente haverá crime se este for ultrapassado. Assim. porque a fraude empregada foi anterior à emissão do cheque. ao tentar sacá-lo no banco. É o que ocorre. g) Nas hipóteses de cheque especial. a Súmula 521 do Supremo 70 . de hipótese de prejuízo anterior. provocando danos materiais em outro automóvel. (caput). Não há crime porque o prejuízo era anterior.

sob a modalidade de emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos. tal estelionato consumou-se no exato instante em que o agente fez a aquisição. haverá arrependimento eficaz e o fato tornar-se-á atípico. ainda que o banco não tenha percebido a existência da falsificação e o tenha devolvido por insuficiência de fundos. b. ainda que a emissão do cheque sem fundos tenha sido dolosa. se o agente se arrepende e deposita o valor no banco antes da apresentação da cártula. pela reforma da Parte Geral do Código Penal em 1984. o pagamento do cheque emitido sem provisão de fundos. será aplicável aumento quando o delito atingir instituto de economia popular. uma vez que a consumação do estelionato comum ocorre no momento da obtenção da vantagem ilícita. 65. não é suficiente a simples emissão do cheque para que o crime esteja consumado. Se uma pessoa se apodera de cheque de outrem. Municípios e Distrito Federal. Tentativa é possível. A Súmula 24 do Superior Tribunal de Justiça estabelece. art. a Súmula 48 do Superior Tribunal de Justiça: "Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque”. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA § 3º . a qualificadora do §3º do art.A pena aumenta-se de um terço. Nesse sentido. bem como suas autarquias e entidades paraestatais. Essa súmula não se aplica. III. por isso. comete crime de estelionato comum (CP. 6. Assim. implica o reconhecimento da atenuante genérica prevista no art. É a pessoa que sofre o prejuízo em decorrência da recusa de pagamento pelo banco sacado. Mesmo após a criação do instituto do arrependimento posterior (art.Tribunal federal: "O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato. do Código Penal. por razões de política criminal. que "aplica-se ao crime de estelionato. dos Estados. 171. Sujeito ativo. Aliás. e. Recentemente o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 244 no mesmo sentido. a jurisprudência contínua aplicando a súmula. antes do início da ação penal. quando a infração penal atinge o patrimônio da União. ainda. uma única apresentação do cheque. 16 do CP). assistência social ou beneficência. uma vez que o prejuízo causado a tais instituições reflete em todos os seus beneficiários. todavia. entretanto. O titular da conta-corrente do cheque emitido. mas antes da sentença de primeiro grau. portanto. Basta. o pagamento do valor do cheque antes do recebimento da denúncia funciona como causa extintiva da punibilidade. é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado". O aumento aplica-se. Sujeito passivo. E se o agente somente se arrepender depois da consumação (após a recusa por parte do banco) e ressarcir a vítima? De acordo com a Súmula 554 do Supremo Tribunal Federal. 4. preenche-o sem autorização do correntista e faz aquisições com referida cártula. se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular. Além disso. retira a justa causa para sua propositura. Já o pagamento do cheque efetuado após o recebimento da denúncia. 171 do Código Penal". em que figure como vítima entidade autárquica da Previdência Social. 71 . a outras espécies de estelionato. 5. entidades de assistência social ou beneficência. Por essa súmula. caput).

Editora Atlas. de 07 de dezembro de 1940 .Damásio Evangelista de Jesus . Curso de Direito Penal – Parte Especial – Volume 3 – 8ª Edição.Dos crimes contra a propriedade imaterial a Dos crimes contra paz pública. há subtração.planalto.  CAPEZ. agente que se faz passar por eletricista e se aproveita para subtrair objetos da casa. por exemplo. site www. Volume 4 Parte Especial: Dos crimes contra a fé pública a Dos crimes contra a Administração Pública. há também o emprego de fraude.Código Penal e suas alterações. 2010 – Editora Saraiva.DISTINÇÕES Estelionato e extorsão.  72 .Saraiva -1999 .  GONÇALVES. há o emprego de fraude. No estelionato. com o consentimento da vítima.Editora Saraiva. haverá estelionato.  GONÇALVES. entrega a coisa livremente. a pretexto de consertá-lo.Editora Saraiva.Dos crimes contra a pessoa e dos crimes contra o patrimônio. Victor Eduardo Rios – Sinopses Jurídicas.Editora Saraiva. que. se este for alterado pelo consumidor de energia elétrica.  CAPEZ. e a vítima.14ª Edição reformulada. Victor Eduardo Rios – Sinopses Jurídicas. Estelionato e furto mediante fraude. Neste último.gov. Estelionato e furto de energia. Dos Crimes contra a Dignidade Sexual aos Crimes contra a Administração – Volume 10 . 2010 . Victor Eduardo Rios – Sinopses Jurídicas. iludida. Fernando. enganada.  Direito Penal . na realidade. Dos Crimes contra a Pessoa – Volume 8 . Em ambos os delitos. BIBLIOGRAFIA: Decreto-lei n. por exemplo.Volume 1: Parte Geral. Julio Fabrine. 2010 – Editora Saraiva.São Paulo . sem que a vítima perceba. Volume 3 Parte Especial . A diferença reside no seguinte: na extorsão a coisa é entregue mediante o emprego de violência ou grave ameaça pelo agente. tem a sua vigilância sobre a res amortecida pela fraude empregada pelo agente. Dos Crimes contra o Patrimônio – Volume 9 . não há qualquer subtração.  GONÇALVES. 6ª Edição. 2010 .848. Volume 2 Parte Especial . a subtração de energia elétrica ocorrerá se o agente captar a energia antes que ela passe pelo relógio medidor.  MIRABETE. Conforme já oportunamente estudado no capítulo referente ao crime de furto.13ª Edição reformulada. Código Penal Interpretado. já no estelionato. a entrega da coisa é feita pela vítima. Fernando.13ª Edição reformulada. 2010 . Curso de Direito Penal – Parte Especial – Volume 2 – 10ª Edição. mas aqui a própria vítima. agente que se faz passar por técnico em informática e leva o computador consigo.º 2. pois a coisa é retirada sem o consentimento da vítima. entrega espontaneamente a coisa para o agente. No entanto. 2007.br .