You are on page 1of 155

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 1 de 155

Partilhar

0

Mais

Blogue seguinte»

Criar blogue

Iniciar sessão

TERÇA-FEIRA, 26 DE JULHO DE 2011
Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico
Postado por ♥ Profº Daniela ♥

♥ Profº Daniela ♥ Pedagoga e Psicopedagoga Visualizar meu perfil completo
PROVAS OPERATÓRIAS

Texto retirado do Manual Prático do Psicopedagogo Clínico Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Provas operatórias Por meio da aplicação das provas operatórias, teremos condições de conhecer o funcionamento e o desenvolvimento das funções lógicas do sujeito. Sua aplicação nos permite investigar o nível cognitivo em que a criança se encontra e se há defasagem em relação à sua idade cronológica, ou seja, um obstáculo epistêmico. A aplicação das provas operatórias tem como objetivo determinar o nível de pensamento do
Share
View stats

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 2 de 155

sujeito realizando uma análise quantitativa, e reconhecer as diferenças funcionais realizando um estudo predominantemente qualitativo. (VISCA, p. 11, 1 995) Uma criança com dificuldades de aprendizagem poderá ter uma idade cognitiva diferente da idade cronológica. Esta criança encontra-se com uma defasagem cognitiva e que pode ser a causa de suas dificulda- des de aprendizagem, pois será difícil para a criança entender um conteúdo que está acima da sua capacidade cognitiva. Como observa Sampaio, algumas crianças chegam com a queixa de déficit de atenção e, quando aplicamos as provas operatórias, observamos defasagem cognitiva, mas não observamos o défícit de atenção como transtorno. Isto significa que, se o conteúdo estiver acima da sua idade cognitiva, a criança poderá desviar seu olhar para outros interesses que não os da sala de aula, (2009, p. 47) Visca (1995, p. 11) nos alerta que as provas nem sempre são adequadamente entendidas e utilizadas de acordo com todas as possibilidades que as mesmas possuem. Isto se deve, talvez, a uma certa dificuldade de sua correta aplicação, evolução e extração das conclusões úteis para entender a aprendizagem. Desta forma, é preciso entender que, em qualquer pergunta errada, pode haver alteração no resultado das provas. O psicopedagogo precisa estar bastante seguro na hora de sua aplicação. É claro que todo psicopedagogo iniciante pode sentir-se inseguro inicialmente. Sugiro, portanto, que leve as instruções e as perguntas digitadas para não cometer nenhum erro. Ao aplicar as provas, deve-se evitar aplicar várias provas de conservação em uma mesma sessão, para que não haja uma possível contaminação das respostas do sujeito. É interessante que se alterne entre provas de conservação, classificação e seriação. Os resultados serão mais bem compreendidos se anotarmos detalhadamente todas as respostas do cliente, inclusive suas reações, postura, fala, inquietações, reação diante do desconhecido, seus argumentos, sua organização, de que maneira manipula e organiza o material. Para a avaliação, as respostas são divididas em três níveis: • Nível 1: Não há conservação, o sujeito não atinge o nível operatório nesse domínio. • Nível 2 ou intermediário: As respostas apresentam oscilações, instabilidade ou não são completas. Em um momento, conservam, em outro não. • Nível 3: As respostas demonstram aquisição da noção, sem vacilação. Algumas crianças não obtêm êxito em apenas uma prova e apresentam acerto operatório nas demais. Isto não significa que ela esteja em defasagem. É preciso analisar o resultado geral das provas. Pode-se verificar se há um significado particular para a ação dessa prova que sofra uma interíerência emocional. Encontramos crianças, filhos de pais separados e com novos casamentos dos pais, que só não obtinham êxito na prova de intersecção de classes. Podemos ainda citar crianças muito dependentes dos adultos que ficam intimidadas com a contra-argumentação do terapeuta, e passam a concordar com o que ele fala, deixando de lado a operação que já são capazes de fazer. (WEISS, 2003, p. 111) PROVAS OPERATÓRIAS Para criança com pais separados, a prova de dicotomia poderá ser uma prova difícil de ser realizada, se ela não estiver lidando bem com a situação, porque envolve o processo de separar e, depois, colocar junto, separar novamente e tentar juntar de novo os semelhantes e, depois, separar mais uma vez para tentar novamente colocar juntos os semelhantes. Para ilustrar como o emocional pode interferir no resultado da prova, citarei o caso de uma criança que atendi. Já estávamos na terceira sessão e iria aplicar as demais provas operatórias que havia selecionado. Nesta terceira sessão, ele se mostrou tenso e preocupado. Depois de conversarmos, ele revelou que sua mãe, naquele momento, estava fazendo uma cirurgia e que estava preocupado querendo estar ao seu lado. A mãe esqueceu de me avisar da cirurgia. Repeti as provas em uma outra sessão, e seu desempenho foi melhor. É possível observar o nível intelectual alcançado pelo sujeito por meio dos resultados das provas. Em relação a crianças com alguma deficiência mental, Weiss nos diz que, no caso de suspeita de deficiência mental, os estudos de B. Inhelder (1944) em El diagnóstico deirazonamiento en los débiles mentales mostram que os oligofrênicos (QI 0-50) não chegam a nenhuma noção de conservação; os débeis mentais (QI 50-70) chegam a ter êxito na prova de conservação de substância; os fronteiriços (QI 70-80) podem chegar a ter sucesso na prova de conservação de peso; os chamados de inteligência normal “obtusa” ou “baixa”, podem obter êxito em provas de conservação de volume, e às vezes, quando bem trabalhados, podem atingir o início do pensamento formal. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS OPERATÓRIAS Provas de conservação de: — Pequenos conjuntos discretos de elementos — Superfície — Líquido — Matéria — Peso — Volume — Comprimento
Já é um membro?Fazer login Get This!
<br><a href="htt p://psico

Link-Me

Recent Visitors
Join / Sign in

Participar deste site
Google Friend Connect

Membros (26) Mais »

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 3 de 155

Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Provas de classificação: — Mudança de critério — Quantificação da inclusão de classes — Interseção de classes Prova de seriação: — Seriação de palitos Provas de espaço: — Espaço unidimensional — Espaço bidimensional — Espaço tridimensional Provas de pensamento formal: — Combinação de fichas — Permutação de fichas — Predição SELEÇÃO DAS PROVAS PÁRA PENSAMENTO OPERATÓRIO CONCRETO DE ACORDO COM A IDADE Sete anos — Seriação — Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos — Conservação de massa — Conservação de comprimento — Conservação de superfície — Conservação de líquido — Espaço unidimensional CAPÍTULO 3 - 3 E 4 SESSÃO - PROVAS OPERATÓRIAS Oito a nove anos — Conservação de massa — Conservação de comprimento — Conservação de superfície — Conservação de líquido — Conservação de peso — Mudança de critério — Quantificação de inclusão de classes — Interseção de classes — Espaço unidimensional — Espaço bidimensional Dez a onze anos — As de oito anos mais a de Conservação de volume. SELEÇÃO DAS PROVAS PÁRA PENSAMENTO FORMAL Acima de 12 anos — Inicie com a conservação de volume. Se conseguir, deverão ser aplicadas as provas de pensa mento formal, se não conseguir, aplicam-se as provas anteriores. — Combinação de fichas — Permutação de fichas — Predição — Espaço tridimensional QUADRO DE RESUMO DAS PROVAS OPERATÚRIAS BASEADO EM UMA PROPOSTA DE VISCA Seis anos: seriação; Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos. Sete anos: seriação; conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos; conservação de matéria; conservação de superfície; conservação de líquido; mudança de critério, inclusão de classes, espaço unidimensional. Oito a nove anos: conservação de peso (se não conseguir, aplique a de matéria); conservação de comprimento; conservação de superfície; conservação de líquido; mudança de critério; quantificação da inclu são de classes; interseção de classes, espaço bidimensional. Espaço unidimensional; espaço bidimensional (9 anos). Dez a onze anos: conservação de volume, peso, interseção.
<br><a href="htt p://psico

2 online

► 2012 (21) ▼ 2011 (32) ► Novembro (2) ► Outubro (3) ► Setembro (5) ► Agosto (3) ▼ Julho (3) Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clín... Brinquedos & Jogos Pedagógicos Atividades Educação Infantil ► Junho (2) ► Maio (2) ► Abril (7) ► Março (5)

ARGUMENTOS QUE PODERÃO SER UTILIZADOS PELO SUJEITO AVALIADO É muito importante que o psicopedagogo sempre pergunte, após cada resposta dada: Como sabe? Pode me explicar? Para observar o pensamento do entrevistado, que argumentos utiliza. Se você deixar de perguntar, perderá a oportunidade de observar como ele está pensando, bem como sua capacidade de argumentação e expressão verbal.

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

por exemplo: pesar. ela ficará com a mesma quantidade que esta outra bola.” A criança poderá conservar. Esta é uma pessoa que provavelmente apresenta dificuldades em explicar sobre o que leu. 08:49 Mr Ts: Blogwalking ke sini. Mudah je. na salsicha. tapa-se com as mãos uma das coleções de fichas e pergunta-se: “Conte as fichas. como são as superfícies. dificuldade com síntese textual. ele poderá responder apenas que tem mais. elas possuem o mesmo tamanho ou uma é menor ou maior do que a outra? Ou então. mas está oscilando na opinião. beijos 7 Nov 12. Pode me dizer quantas fichas há embaixo de minhas mãos?” “Como sabe?” Proposta de verificação empírica: Podemos sugerir a comprovação de uma hipótese do entrevistado de maneira concreta. Então fazemos a pergunta provocadora para que ele argumente: Como sabe? Pode me explicar? Por que você acha que tem mais? Realizar a pergunta sobre o retorno empírico: Antes de realizar o retorno empírico. terá a mesma quantidade de massa que esta outra bola. no conjunto de fichas. você havia me dito que tinham a mesma quantidade?” Se ela responder que tem a mesma quantidade. Por exemplo: logo depois que o entrevistado fizer as bolas (conservação de massa). Fazer contra-argumentações com terceiros: “Uma vez um menino me disse que. porém este é mais baixo. menos ou a mesma quantidade.blogspot. não continue a prova.” • Argumento de compensação: “Este vaso é mais alto. 06:45 Honeyz: Usna nk share cara nk cantikkan kulit di blog usna. do contrário. porém não explica por quê. Estas contra-argumentações valem para todas as provas de conservação. 08:58 Fazer as contra-argumentações: Se a criança conservar. Meh Klik blog Neyda <3 18 Nov 12. Fazer a pergunta de reasseguramento: Antes de dar continuidade à prova. por exemplo: “Se você voltar a fazer uma bola com esta salsicha. introduzir dois volumes iguais em recipientes iguais que contenham igual quantidade de fabricia : que lindo!!! parabens 8 Nov 12. adoreii. perguntamos: E então. ESTRATÉGIAS DO ENTREVISTADOR Visca propõe que o psicopedagogo coloque em prática algumas estratégias no momento da aplicação das provas para que não fique nenhuma dúvida sobre o nível cognitivo identificado. ou após ter descrito sobre as diferenças das correntes (conservação de comprimento). encontrando-se no nível de transição entre o préoperatório e o operatório concreto. * Pesquisar Mural de recados 21 Nov 12. havia menos do que na bola. 8 Nov 12.” Ou: “As fichas só estão mais separadas. 02:14 helena: oi amei o novo visual do blog [Get a Cbox] Actualizar Nome Mensagem E-mail / url Enviar  Ajuda · Sorrisos · Cbox http://psicodaniinglith. Fazer a pergunta provocadora de argumentação: Fazemos a pergunta quando o entrevistado responde sem argumentar.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. menos ou há a mesma quantidade que neste outro? Ou como são então as correntes.” • Argumento de reversibilidade: “Porque se voltar a fazer uma bola. 21 Nov 12.. “Mas veja. não será possível dar continuidade à prova. será que ela não tem menos quantidade de massa que na bola?” A criança que já possui a noção de conservação não mudará sua opinião. Cantik blog ni.html 09-12-2012 . A criança poderá dizer que tem a mesma quantidade depois da contraargumentação. 02:19 Neyda: Nak belajar cara Neyda buat duit x? Klik trus dpt duit. faça-a lembrar da situação anterior em que a bola se encontrava: “Você se lembra de que. quando era bola. Wat sambil2 main FB je. Nk tawu dtg la jenguk blog sy ye 12 Nov 12. 05:39 Dayane : Ta muito 10 seu blogger 6 Nov 12. ou reconhecer a diferença inicial no caso da prova de comprimento. 11:48 tania: incrivel ficou o seu blog. Se a criança não conservar. 11:25  Muniera: Girlzz yg minat bola sepak meh like page ni jom kite kumpul2 geng kite kat page tu. Depois. sempre entro. será que neste há mais. peça-lhe que explique por que agora mudou de opinião. você acha que ele estava certo ou errado?” Faça esta contra-argumentação em todas as provas de conservação. das quantidades de líquido nos dois copos. na superfície verde.. pergunta-se ao entrevistado.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 4 de 155 Exemplos: • Argumento de identidade: “Tem a mesma quantidade porque não tirou nem colocou nada. é importante confirmar se o sujeito estabeleceu mesmo a igual dade inicial ou a diferença inicial. como temos em quantidade de massa ou de líquido. mas este é mais fino. Pergunta de coticidade: É realizada na prova de conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos. ou sobre a igualda de das superfícies (conservação de superfície). elas possuem o mesmo tamanho ou uma é menor ou maior que a outra? Caso a criança não perceba a igualdade ou diferença inicial. por exemplo.” “este é mais alto. deveremos inverter a pergunta para observar se ela mantém a argumentação.. Ao final da prova. Realizar sempre o retorno empírico antes da próxima modificação: Aqui se realiza concretamente o retorno ao estado inicial. se perguntarmos se ele acha que tem mais. bem como na conservação de peso e volume. Fazer o pedido de estabelecimento da igualdade inicial: O entrevistado deverá reconhecer a igualdade inicial das bolinhas de massa. depois dos líquidos serem colocados nos dois vasinhos iniciais iguais (conservação de líquido). mas poderá também apresentar dificuldade nas argumentações. passa-se para a próxima modificação. ficará com mais ou com menos?” Espere o entrevistado responder antes de retornar à forma inicial. esta salsicha está fininha.

S: ______________________________________________________________________ _________________ Coloque sete fichas em frente ao entrevistado e deixe três de lado.blogspot. Arrume as fichas termo a termo.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 5 de 155 líquido. Nosso objetivo aqui é mostrar como aplicar as provas. P — Ponha as suas fichas na mesma quantidade que eu coloquei as minhas. isto é preciso. S: ______________________________________________________________________ _________________ P — Então. Distancie suas fichas. Será que ele estava certo ou não? 5 (Se não for conservador) P — Um menino da sua idade me disse que as duas iriam ter a mesma quantidade. temos a mesma quantidade de fichas azuis e vermelhas ou não? S_____________________________________________________________________ ___ Não continue até que a criança perceba que tem a mesma quantidade. caso o psicopedagogo esteja inseguro As perguntas aqui apresentadas foram baseadas no livro de Jorge VisCa. Nem sempre. Provas Operatórias. menos ou a mesma quantidade de fichas que você? 5 P — Como sabe? Pode me explicar? (Pedido de argumentação) S__________________________ Contra-argumentação: (Se for conservador) P — Essa linha está mais comprida. Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos Materiais: . Estabelecimento da igualdade inicial. será que não tem mais fichas? s (Se não for conservador) P — Você se lembra de que antes as duas fileiras tinham a mesma quantidade? O que você acha agora? S Retorno empírico: O psicopedagogo coloca as fichas termo a termo. P — E agora? Temos igual quantidade ou uma tem mais e outra menos? S Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico P — Como sabe? (Pedido de argumentação) 5 Contra-argumentações com terceiros: (Se for conservador) P — Um menino da sua idade me disse que aqui (curta) havia menos. Para tanto o leitor poderá recorrer aos livros citados nas referências.html 09-12-2012 . P — E agora? Eu tenho mais. xerocadas e levadas para a sessão para anotar as respostas da Criança. separando-as de forma que fiquem mais largas. Brinque Book APLICAÇÃO DAS PROVAS OPERATÓRIAS Estas perguntas poderão ser digitadas. se necessário. 0 http://psicodaniinglith. viva o maternal Ensinando com carinho Sala de Aula Pro Dany Blog da Bety Revista Guia Infantil Blog da Profa Carol revista novaescola P — O que você pode me dizer sobre estas fichas? S: ______________________________________________________________________ _________________ P — Escolha uma cor de que você goste mais. Será que ele estava certo ou não? Retorno empírico: Termo a termo. Isto deverá ser feito.dez fichas vermelhas .dez fichas azuis Cada um deve ter 2cm de diâmetro Coloca na mesa dez fichas vermelhas e dez azuis. Não iremos nos aprofundar na teoria como mencionamos anteriormente.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.

s____________________________________________________________________ P — Como sabe? (Pedido de argumentação) S____________________________________________________________________ Coloco as sete fichas em círculo. cujo tamanho possa fazer duas bolas de aproximadamente 4cm de diâmetro. estabelecimento normal da dominância hemisférica para a linguagem. s P — E agora? Minhas fichas têm mais. a interpretação da avaliação.blogspot. DISLEXIA .S. O objetivo deste estudo é divulgar a necessidade de identificar com clareza casos como desta P — Como sabe? Pode me mostrar? (Pedido de argumentação) Brinquedos & criança na educação pública e a possibilidade de tratar com atenção adequada buscando a parceria entre a clínica psicopedagógica e a escola. Outro pesquisador. de oportunidades socioculturais suficientes. Texto para leitura P — que você fizesse duas bolas de massa com a mesma quantidade (dê as massas para a criança Ocorreu um erro neste gadget * Dia da árvore Ciências Feira de Atividades Educação Infantil Festa Junina Dia nacional do livro infantil 18 de abril Tiradentes & Descobrimento do Brasil . de uma instrução escolar adequada. a dislexia é o resultado de um distúrbio do desenvolvimento que altera a Enquanto criança não perceber a igualdade inicial. Além do estudo de caso. ora não conserva. Orton (1940).UM ESTUDO DE CASO CLÍNICO COM PARCERIA DA ESCOLA s do Diagnóstico Marta Carolina dos Santos Procura-se estabelecer a igualdade inicial. a dislexia é uma dificuldade duradoura na aprendizagem da leitura e a aquisição de seu automatismo em s crianças normalmente inteligentes. menos ou aapesar mesma quantidade de massa que nesta bola? de problemas sensoriais e neurológicas. Quantas eu tenho na mão? Responda sem contar. seria uma alteração da lateralidade hemisférica com Faça a salsicha com a bola experimental. comeríamos a mesma quantidade ou um comeria mais e outro menos? S (Se for conservador) P — Você não acha que estas fichas de dentro possuem menos quantidade que estas de fora? Explique-me. da ausência P— Esta salsicha tem mais. Mac Donald Critchley (1968). P — Você pode contar suas fichas? Quantas fichas você acha que eu tenho debaixo da minha mão? 5 P — Como sabe? (Pedido de argumentação) s______________________________________________ Retorno empírico: Coloco frente a frente. P — Como sabe? Pode me explicar? (Pedido de argumentação) De acordo com Debray & Bursztein.html 09-12-2012 .21 e 22 de abril Professores Dia dos PRIMAVERA fazer as bolas de massa). muitas vezes de origem constitucional. P — O que você pode me dizer sobre este material? s Mostre as duas massas de cores diferentes. o processo reeducativo e os resultados do trabalho s multidisciplinar. não prossega com a prova.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. e intervenção. implicações na orientação direcional e na memória visual. Descreve a aplicação da avaliação psicopedagógica e Psicopedagógico Clínico P — As bolas têm a mesma de massa ou uma tem mais e outra menos? Manual prático as técnicas de intervenção psicopedagógicas e pedagógicas. P — O que você pode fazer para que fiquem as bolas com tratamento a mesma quantidade de massa? Jogos Pedagógicos 5 Segundo oa neuropsiquiatra americano Samuel T. para Orton. Nível 3 — conservador — conserva em todas as modificações (desde cinco anos) Nível em que cada criança se encontra: ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 Conservação de matéria (massa) Material: Duas massas de modelar de cores diferentes cada uma. s Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico (Se não for conservador) P — Você não acha que estas fichas de dentro e as de fora possuem a mesma quantidade? Explique-me. saúde. (Se conservador) P — Mas a salsicha é mais larga. menos ou a mesma quantidade que as suas? 5 P — Como sabe? (Pedido de argumentação) 5 P — Se as fichas fossem caramelos e você comesse todas as suas balas e eu comesse todas as minhas. s Caso a criança diga que não tem a mesma quantidade: Palavras-chaves: educação. Resumo: O presente artigoquantidade relata o estudo de caso de uma criança com queixa escolar. dislexia. P — Como temos agora? s P — Conte quantas fichas sobraram com você (escondo as minhas na mão). apresenta-se uma análise introdutória do conceito de Dislexia descrita por pesquisadores desde suas primeiras abordagens sobre o tema. depende de uma perturbação de aptidões cognitivas S fundamentais. define dislexia como transtorno da aprendizagem da leitura que ocorre de uma inteligência normal.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 6 de 155 P — E agora? Temos igual quantidade ou uma tem mais e outra menos? 5 Cubro com as mãos as minhas fichas. Estima-se sua freqüência entre 5% a 10% dos escolares Contra-argumentação: nos for U. escolarizadas e isentas de distúrbios sensoriais. além disso. s Argumentos utilizados na conservação: argumento de identidade argumento de compensação argumento de reversibilidade nenhum Avaliação: Nível 1 — não conservador — não conserva em nenhuma das modificações (até quatro/cinco anos) Nível 2 — transiçào — ora conserva.A. diagnóstico. você não acha que tem mais quantidade http://psicodaniinglith. P — Coloque as suas ao redor das minhas com a mesma quantidade.

atendimento psicopedagógico noSeus início de junho daquele e mesmo muito ano. fala direção. seu irmão.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 7 de 155 de massa que na bola? S (Se não for conservador) P — Você se lembra de que antes as duas bolas tinham a mesma quantidade? O que você acha agora? s Retorno empírico: P — E se eu voltar a fazer uma bola com esta salsicha. confusão e pode ser corrigida. histórico da criança encaminhada.L. A família observou queapós Y. Diante das definições e procedimentos específicos de avaliação diagnóstica da dislexia. buscando a visão de especialistas da saúde histórico da criança depois a queixa escolar. as avaliações. realizado exame oftalmológico e foi constatada aobservou necessidade óculos. realizado exame oftalmológico e foi constatada a necessidade de utilizar óculos. que se Diante das definições e procedimentos específicos de avaliação diagnóstica da dislexia. Foi letivo. tio de Y.L. invertida. a interpretação dos resultados e finalmente os 1. contrariando os conceitos relacionados a dislexia no começo e metade do século XX. Foi muito apoio e orientação da família e muito interesse nas atividades escolares. apresentando de letras ou Durante distorções. tios e primos. A família observou que Y. desenvolvimento a partir de Avaliações relatos médicos e pessoas na família que apresentaram alguma epistemológico. avaliação descritiva a dificuldade constatada durante o ano continuaram principalmente ter se esforçado para de escrever na tentativa de ler. Avaliações Específicas para Diagnóstico de Problemas de Leitura. tem sete anos e seis meses de idade. pais são separados não tem fevereiro de 2005. psicopedagógica.html 09-12-2012 . tem sete anos e seis meses apresentavam de idade. Pulam-se palavras ou linhas na leitura ou na escrita. provas que de competência fonológica. Aspecto Epistemofílico: aplicou-se anamnese assistida. depois a queixa escolar. de provas projetivas Jorge Visca. psicomotoras.L. A Epistemologia Convergente é uma linha de estudos utilizada no campo da psicopedagogia. sidoSeus atendido por separados psicólogose enão tem Y. Para Davis e Braun. A criança: Y.R. afirmam que a dislexia é produto do pensamento uma forma especial de reagir ao sensoriais normais por conceituações. pais são psicopedagogo. fala e direção. epistêmico. desenvolvimento a partiraplicou-se de relatos as médicos pessoas na família apresentaram alguma avaliação de nas habilidades perceptivas. seu irmão. Linha de Investigação aparecem letras de tamanhos muito diferentes. é filhode único e mora com sua mãe. 1. fundamental numa escola pública municipal. Ao na série do ensino observou que os sintomas de dores de cabeça Foiingressar informado à1ª família através defundamental. apresentava dores cabeçaou e tonturas. observou que suas habilidades e desempenho apresentavam abaixo do esperado para sua idade. avaliação de habilidades perceptivas. Mesmo usando Foi encaminhado ao atendimento psicopedagógico depoisde dedores ter tido pedagógico desde óculos há dois meses continuou a apresentar os sintomas dereforço cabeça e tonturas. escrita freqüentemente 2. tiostendo e primos. educação através da avaliação psicopedagógica convergente. tendo sido atendido por psicólogos e 2. freqüenta a primeira série do ensino encaminhamentos. Queixa Escolar psicopedagogo. para escrever não acompanhando os conteúdos propostos na 1ª série. avaliação descritiva a dificuldade constatada durante o ano fundamental numa escola pública Freqüentou a pré-escola e desde aquele ano letivo. A Epistemologiaepistêmico. a aula em sua produção escrita leitura e escrita. a interpretação dos resultados e finalmente os Descreve-se o relato apresentando as partes envolvidas na abordagem. apresentava dores de cabeça e tonturas. contato com o pai. sensoriais normais por conceituações. Específicas para Diagnóstico de Problemas de Leitura. a dislexia éeum tipo de originam de desorientações desencadeadas por confusões com relação aos símbolos. optouoriginam de desorientações desencadeadas por confusões com relação aos símbolos. De acordo desorientação causada por uma habilidade cognitiva natural que pode substituir percepções com DAVIS (1994).L.R. Reversal test Piaget Read. avós.aplicou-se as provas piagetianas. Teve continuaram principalmente após ter se esforçado para escrever ou na tentativa de ler.L. A queixa escolar relatada pela professora e família foram: grandes dificuldades no domínio da leitura e escrita. Lentidão para escrever não acompanhando os conteúdos propostos na 1ª série. Linha de epistemológico.L.L. afirmam que a dislexia é produto do pensamento e uma forma especial de reagir ao sentimento de (1994). primeiramente o encaminhamentos. escrita freqüentemente aparecem Lentidão letras de tamanhos muito diferentes. provas de competência fonológica. Freqüentou a pré-escola e desde aquele ano observou que suas habilidades e desempenho abaixo do esperado para idade. apresentando omissões de letras ou distorções. psicomotoras. Reversal test e Piaget Read. as avaliações. 3. teremos a mesma quantidade ou uma terá mais e outra menos? (Espere ele responder antes de retornar a fazer as duas bolas) s Postado por Mônica às 10:00 Reações: 3 comentários Links para esta postagem Davis e Braun (1994). que busca aInvestigação convergência dos diferentes aspectos que constituem o sujeito: epistemofilico. vocabulário verbal e IDT. Queixa Escolar invertida.R.R. apresentou grandes dificuldades de aprendizagem escolar na infância. semelhança nas dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento. Operativa Centrada no Brinquedo. que se sentimento de confusão e pode ser corrigida. tio de Y. avaliação psicopedagógica convergente. infância. Aspecto Epistemofílico: aplicou-se anamnese assistida. escrita. dificuldades com leitura. A criança: Y. ano. quede osutilizar sintomas de dores de cabeça óculos há dois meses continuou a apresentar os sintomas de dores de cabeça e tonturas. muito contato com o pai. optouDescreve-se o relato apresentando as partes envolvidas na abordagem. observando seu Aspecto Epistemológico: provasepiagetianas. a dislexia multidisciplinar. buscando analisar as relações vinculares comChamat. a linha de investigação psicopedagógica. De acordo se em realizar uma avaliação buscando a visão de especialistas da saúde e com DAVIS (1994). apresentou grandes dificuldades aprendizagem escolar na avós.R. Para Davis e Braun. escrita.R. anamneseo descritiva.R. o meio Aspecto Epistêmico: aplicou-se provas projetivas Coleção papel de carta de Leila http://psicodaniinglith.R. Segundo relato da mãe. observando seu que busca a convergência dos diferentes aspectos que constituem sujeito: epistemofilico. a dislexia é um tipo de Davis e Braun contrariando os conceitos relacionados a dislexia no começo e metade do desorientação causada por uma habilidade cognitiva natural e que pode substituir percepções século XX. Mesmo usando Ao ingressar na 1ª série do ensino fundamental. primeiramente o e se em realizar uma avaliação multidisciplinar. Segundo relato da mãe..pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Teve fevereiro de e 2005. Convergente é uma linha de estudos utilizada no campo da psicopedagogia. anamnese descritiva. Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem e Entrevista vocabulário verbal e IDT. Foi encaminhado ao atendimento psicopedagógico depois de ter tido reforço pedagógico desde Y. é filho únicoIniciou e morao com sua mãe.L. freqüenta a primeira série do sua ensino Foi informado à família através demunicipal. Aspecto Epistemológico: Aspecto Epistêmico: aplicou-se provas projetivas Coleção papel deecarta de Leila Teste Chamat.blogspot. da A queixa escolar relatada pela professora e família foram: grandes dificuldades no domínio Pulam-se palavras ou linhas naomissões leitura ou na escrita.. a dislexia se origina por um talento perceptivo. a linha de investigação educação através da encaminhada. Durante a aula em sua produção escrita 3. dificuldades com leitura. Iniciou o atendimento psicopedagógico no início de junho daquele mesmo muito apoio orientação da família e muito interesse nas atividades escolares. Teste de semelhança dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento. se origina por um talento perceptivo.

utilizar um mento inanimista para justificar uma afirmação ou não ser capaz de planejar uma tarefa com independência de acordo com a Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA). apresenta facilidade para estabelecer critérios para a classificar e inclusão de classes demonstrando estar em fase intermediária entre préória e operatório concreto. gestão mental e abordagem metacognitiva. CHAMAT) apresentou grandes dificuldades em memória e cia de palavras. Porém. rtir do 2° semestre a abordagem com a criança esteve centrada nas habilidades perceptivas. sons. dificuldades com rimas. emonstrando certa hipoatividade para executar tarefas de documentação. Grandes dificuldades em memorizar letras e números. es aplicadas . dominou o reconhecimento de dezesseis letras do alfabeto. Y. Lentidão no planejamento motor de letras e números. além de oportunizar ter um mapeamento de u cérebro. Observou nas avaliações perceptivas leve tremor e tonturas. conservar e quantificar.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. o que merece maior atenção para seu itmo de aprendizagem e aquisição de habilidades. relatam as inibições intelectuais e o retraimento de crianças disléxicas causadas pelos sintomas nos primeiros contatos com a escolarização. A comunicação verbal foi manifestada com mais ênfase expressando com clareza desejos e necessidades. Segundo a Associação Nacional de de Dislexia.S. Apresentou velocidade para escrever abaixo da média. ço de reeducação pode-se observar que ao longo das sessões. no entanto. s mas. relata a mãe que nas últimas horas que deram o parto teve muitas dores de cabeça e tonturas. atraso na aquisição da fala. Durante as sessões foi estabelecido como objetivo o resgate da auto-estima. Embora tenha evoluído durante a reeducação psicopedagógica. A professora ofereceu a leitura labial outro recurso valioso para a a criança.blogspot. o diagnóstico poderia ser o diagnóstico poderia ser a ser descrito como Atraso Global de Desenvolvimento (AGD). melhorando conseqüentemente a relação olar. a dificuldade de equilíbrio que possivelmente velmente influenciou a habilidade para andar. auditiva e gestual foram cados durante a aula. utilizando a escrita e o desenho espontâneo para expressar desejos e e necessidades que devido ao retraimento eram difíceis de serem manifestadas. responde http://psicodaniinglith. ções aplicadas e o conteúdo manifesto nas tarefas executadas. pode-se pensar numa possível inibição intelectual causada pela falta de omínio na percepção visual e orientação espacial. Idade mental de de acordo com idade cronológica conforme produções de seus desenhos e linguagem verbal ntando com lógica suas respostas. ar de planejá-las com desenvoltura. conforme sua idade cronológica. símbolos. bem como copiar símbolos e perceber r posições opostas nos símbolos. houve es de instabilidade emocional decorrentes da frustração em relação ao desempenho escolar e obrança da família. fonemas. mas segundo os estágios de desenvolvimento do ressou certo retraimento. Estes detalhes da avaliação descartaram a hipótese de ser Atraso Global de Desenvolvimento. mas segundo os estágios de desenvolvimento do raimento. linguagem (IDT/PCFF/CPC L. bem como atraso no desenvolvimento motor desde a fase de engatinhar. No consultório. mas segund xpressou certo retraimento. Na linguagem oral apresentou centralização do pensamento.L. melhorando conseqüentemente a relação vincular com a aprendizagem. Segundo informações apresentadas no site da e da Associação Nacional de Dislexia. Todos participaram das atividades com entusiasmo tornando possível para todos para todos independente de suas aptidões pessoais. a conquista de vínculos com pessoas fora do contexto familiar e o vínculo afetivo com o contexto escolar. paralelamente aos avanços na linguagem verbal. sentar e andar. Observou melhoras no reconhecimento de palavras em gos lúdicos. melhorando consideravelmente sua compreensão no que se e refere às letras. a criança poderá apresentar grandes dificuldades no conhecimento matemático. Ela o observava e ao seu lado um colega o ajudava a manter a escrita na posição e ção e linha corretamente. s. Além da avaliação psicopedagó aliação psicopedagógica. ora regente. pouco o domínio das unidades numéricas e em estabelecer correspondência termo a termo.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 8 de 155 ue no desenvolvimento cognitivo apresentou déficit nos aspectos lógico-matemáticos. Muitos jogos de memorização visual. nstatou-se que aprendeu a falar e a andar tardiamente. até té mesmo na pré-escola. porém neste caso a expressão al para responder a questionamentos deveria apresentar déficits. passou a receber orientações para melhorar sua sua habilidade perceptual. através dos exames neurológicos. Na idade. ncipalmente no que se refere a aritmética.R. ou seja. utro ponto avaliado foi o desenho que expressou certo retraimento.html 09-12-2012 . o entusiasmo e o interesse em participar par destes momentos que contribuíram para o aprimoramento ou desenvolvimento destas abilidades a cada aluno. mas segundo os estágios de desenvolvimento do domínio da expressão gráfica está de cordo com sua idade. conservar rmo. perdia facilmente a linha de pensamento. se fez necessário adquirir uma avaliação neurológica para observar rigor os sintomas de dores de cabeça e tonturas. as demais letras estão sendo apresentadas através de recursos pedagógicos e psicopedagógicos. o que é natural na sua idade. Na EOCA apresentou pouca iniciativa para criar e lentidão para executar uma tarefa. aliados aos sintomas de ordem uncional solicito um encaminhamento ao neuropediatra para to um encaminhamento ao neuropediatra para avaliação e parecer quanto aos sintomas (dores tomas (dores de cabeça e tonturas). Recomenda-se uma avaliação da fonoaudióloga do dificuldades na pronúncia e posicionamento da língua e dos dentes para expressar sons e fonemas.

mal consegue soletrar. documentando as técnicas e métodos desenvolvidos a partir das necessidades levantadas no decorrer das vivências nas sessões. que já o adulto está pensando em quando ela vai conseguir escrever. junto a ela. as leituras discorridas neste trabalho tem por finalidade. mal começa a andar improvisando os primeiros passos. O trabalho clínico com queixa escolar de uma criança portadora de necessidades especiais estimulou a oferecer a abordagem convergente conforme os estudos de VISCA. além de informar o perfil da criança atendida. Segundo Fasce (apud VISCA. para se encontrar na fase e no verso do espelho. Para ilustrar do que consiste o exposto trabalho.html 09-12-2012 . Nesta busca desenfreada ao conhecimento. que se transborde o incipiente labirinto que ela irá construindo à medida que se desenvolve na cena do cenário infantil”. angústias e incertezas sobre sua inclusão no mercado de trabalho e na vida social ao se tornar adulto? Aprender a lidar com o tempo desta criança é o desafio da sociedade. nesse excesso. Durante as vivências nas sessões. mas deixando por vezes. sociais e na leitura/escrita podendo também observar avanços na decodificação de palavras para escrever e ler.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 9 de 155 intervenção e participação. porque a singularidade da diferença humana estende a cada sujeito independente de seu estilo de adquirir e expressar conhecimento e sentimentos.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. pelo qual. como intervir e para que encaminhar a outros especialistas. isto é. está inclusa. melhor condição terá para adequar-se às novas regras e competências do mercado. é necessário que o terapeuta envolva-se plenamente no labirinto com a criança. 1. tornase necessário que profissionais especialistas possam acompanhar e orientarcom técnicas específicas o desenvolvimento de competências e habilidades. Trata-se de explicitar as técnicas e clínicas e psicopedagógicas nas intervenções realizadas durante três anos consecutivos. sobre a clínica “quando propõe que para o diagnóstico. piagetianas e da psicologia social são pertinentes http://psicodaniinglith. comprovar a eficiência e veracidade da intervenção psicopedagógica baseada na Epistemologia Convergente e no Tateamento Experimental para a construção da leitura/escrita. é colocada para ler direito.O registro desta experiência clínica revela a objetividade e abrangência possível nas investigações e intervenções psicopedagógicas nos casos especiais. especialistas e educadores. Para compreender a metodologia adotada busca-se apresentar a definição desta abordagem e relato das primeiras sessões. contribuirão para uma prática clínica e educativa na atuação de profissionais. onde situa a criança que apresenta deficiência mental?Quantas expectativas. se transforma em parâmetro e critério de avaliação.A criança da modernidade está atravessada pela urgência temporal. É imprescindível que os profissionais envolvidos tenham perspectivas claras e concretas sobre o que buscar nas intervenções. Bibliografia AS CONVERGÊNCIAS E SUAS APLICAÇÕES NA CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA: ESTUDO DE CASO CLÍNICO COM Marta Carolina dos Santos RESUMO O objetivo do trabalho é apresentar documentação do processo de intervenção psicopedagógica. Busca através de pesquisa abordar a experiência clínica na abordagem a partir da Epistemologia Convergente e os métodos de procedimento para a alfabetização! de criança portadora de Síndrome de Down. e assim por diante. pode-se concluir que a relação vincular estabelecida entre paciente e terapeuta fundamentada na Epistemologia Convergente e na superaprendizagem de conceitos da leitura e escrita. Diante do desafio de adequara sociedade para a inclusãosocial. A metodologia adotada para realizar a documentação das intervenções realizadas entre os anos de 2003 a 2004. é preciso desenvolver um olhar especial naqueles que lidam diretamente com as especialidades das síndromes. das limitações físicas e sensoriais. Portanto. buscou-se a afirmação do psicanalista LEVIN (2001). sendo comunicada aos educadores da escola. comparando situações de competências e habilidades antes e durante as intervenções/avaliações e posteriormente as novas intervenções e apropriações adquiridas pelo sujeito.Quanto mais conhecimento ela acumular e mais rapidamente. Os resultados mais evidentes estão relacionados com as relações interpessoais. conforme seu ritmo de aprendizagem é a base fundamental para a inclusão social e o sucesso do atendimento psicopedagógico. 1987) a Epistemologia Convergente é definida como sendo uma conceituação da aprendizagem e suas dificuldades numa relação integrada. buscando uma abordagem coletiva. dos déficits.blogspot. a começar na educação. tempo. além da lógica para narrar fatos de seu cotidiano. Segundo LEVIN (2001) o discurso científico da modernidade apresenta-nos uma nova variável que. por sua vez. mas sem se confundir com sua imagem. sem pausa. da família. é observacional em situação de intervenção e sendo os delineamentos da pesquisa pré-experimentais. valorizando os avanços de cada aluno. já o adulto está pensando em quando ela vai poder falar e basta-a articular e formar os fonemas iniciais. das debilidades. marcando seu contorno. INTRODUÇÃO Neste trabalho apresentar-se-á um estudo de caso clínico a partir de convergências baseadas na Epistemologia Convergente de Jorge Visca. permitindo a socialização e contribuição das constatações científicas frente às sessões realizadas durante dois anos consecutivos e sua aplicabilidade para crianças portadoras de deficiência mental. onde as contribuições das abordagens psicanalíticas.

as observações do terapeuta e relatos dos envolvidos configuram os aspectos inter e intrapessoais. g) Telé: Com o clima grupal organizado neste cenário. f) Aprendizagem: a criança ao idealizar-se num personagem sem dificuldades para escrever ou ler. a terapeuta avalia e interfere. além de extrair a problemática enfrentada péla escola. c) Cooperação: a criança estabelece regras e condutas a serem cumpridas pelos participantes a fim de que cada um contribua para a realização da tarefa. através do grupo operativo imaginário. que influenciam no aprender do sujeito. eram simuladas as relações com os membros da família. ora da escola.Esta técnica foi muito utilizada nos momentos de resistência da criança frente aos desafios das atividades de estimulação sensorial e principalmente visomotor. a forma com que relaciona com os adultos e com as demais crianças. o brincar e as projeções e brincar para obter prazer. Nestas sessões. o que realmente consegue realizar as tarefas propostas. No caso da abordagem neste campo de estudo se utiliza a técnica de trabalho de grupos operativos compondo o ECRO (Esquema Referencial e Operativo) que tem fundamento no método dialético do psicólogo social Pichón Riviére. mas ao personagem a criança toma para si o papel de dominador.Mediante esta forma de conceituação pode-se compreender a participação dos aspectos afetivos. driblando a deficiência mental para obter conhecimento. com o objetivo de motivá-la a se tornar “ parte da família fictícia”. http://psicodaniinglith. a criança reage manifestando suas ansiedades. Mas. de acordo com a necessidade da criança de reconstruir o real do social.As relações sociais que são estabelecidas ao longo da história pessoal de cada indivíduo determinam algumas formas de compreensão.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. adapta com maior facilidade as informações e habilidades que serão estimuladas durante o momento da tarefa. A criança ao ser encaminhada para o atendimento psicopedagógico é avaliada junto a família e a escola. se sentindo incapaz para realizar as tarefas comparando suas produções com as dos colegas. seu índice de realização e rendimento que dependem de fatores sociais e situacionais.A parir desta conceituação discorreremos a relação entre avaliação.blogspot. Conforme SANTOS (1999) é nesta busca de adequação ao grupo.Através desta técnica se permitiu observar e interagir com a criança percebendo o seu conteúdo consciente e inconsciente nas fantasias surgidas nas brincadeiras. narrando assim os momentos de que se sente limitado. afinal. quando a criança resistia os tempos e espaços estabelecidos pela instituição. busca memorizar solicitando a repetição da leitura ou escrita pela terapeuta. emerge os conflitos da criança através da projeção nos demais personagens. o indivíduo auto-afirma valores. ora da família. de líder entre os demais. identificando cada um com seus aspectos emocionais e de personalidade.Com a finalidade de avaliar e identificar os aspectos sócio-afetivos e cognitivos da criança utilizou-se o formulário de avaliação/intervenção denominado: “ Entrevista Operativa Centrada no Brinquedo” – EOCB. ora com os colegas da escola. pelo qual. através de seus vetores: a) Filiação: o terapeuta buscou junto á criança criar um elo de identidade a partir de conversas e criação de cenário comum a vida familiar da criança. o que não ocorre no real. os papéis e a tarefa. quando “ o grupo” está envolvido com a tarefa. Além das contribuições da psicologia social. como foi apresentado anteriormente a simulação do cenário. e) Comunicação: a criança e o terapeuta dão vida aos personagens e numa dinâmica dialética constroem uma situação. com o objetivo de extrair da criança um universo de idéias criativas e coerentes. Pertence ao grupo. as representações lúdicas do real permitiram compreender a dinâmica das relações sociais da criança avaliando e intervindo.Na clínica.html 09-12-2012 .Nesta abordagem buscou-se para melhor compreensão do trabalho o cone invertido abrangendo os elementos da teoria do grupo operativo. utilizou-se a abordagem kleiniana por ser baseada no brincar. para o analisando tais sentimentos e condutas não pertence a ele. porque na escola resiste às propostas coletivas na sala de aula. d) Pertinência: neste momento. cognitivos e sociais. b) Pertença: o terapeuta permite que a criança crie os nomes e funções dos personagens na cena. diferente e incapaz. foi reproduzida através de cenário e personagens (fantoches) situação de operatividade.Nos momentos das brincadeiras conforme Klein (1926) as crianças possuem uma compreensão inconsciente muito maior que seus próprios problemas e é capaz de conscientizarse de seus conflitos internos com a ajuda do terapeuta. o papel que exerce nos diferentes cenários da vida cotidiana e sua relação com o aprender. visto que o “ eu” tende a ter intimamente um sentimento de pertença a um determinado grupo. bem como sua relação com a professora e seus colegas. ação e reação frente à construção do real. adquire um nível de aspiração.Nestes momentos a terapeuta observou o estilo de aprendizagem e o tipo de aprendizagem estabelecido pela criança. a terapeuta pode analisar os elementos do brincar como expulsão. mas para obter este sentimento necessita sobressair-se. diagnóstico e intervenção a partir das convergências.Neste momento há presença da verbalização das ações e relatos de situações do real moldurando a cultura e informações que a criança vivencia em seu grupo social. nos momentos que brincou livremente com outros brinquedos. a criança e o terapeuta delegam papéis e organizam uma situação constituindo as três dimensões básicas do grupo operativo: a mútua representação interna. nas avaliações e intervenções realizadas com a criança. a psicanálise infantil contribuiu para o trabalho com a afetividade da criança.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 10 de 155 às sessões. mas estes sentimentos são relatados com clareza.

inanimismo. os estudos piagetianos contribuíram para que o eixo da intervenção psicopedagógica fosse aplicado para emergir o sujeito escondido nas metodologias de ensino. apresenta noções de conservação. estas apresentaram num ritmo lento para aprimoramento. número. o tateamento experimental estava presente nas técnicas projetivas. reprodução cultural. tentar grafar. De acordo com as pesquisas sobre a Educação FREINET e a Psicologia Experimental a veracidade e aplicabilidade do tateamento experimental na intervenção psicopedagógica são eficazes e evidentes. para adquirir conhecimento.No caso da criança em tratamento na clínica.blogspot. palavras e frases construídas a partir de experiências vividas em seu universo familiar e escolar. desenhar. auto-estima. imagem mental.. ela se apóia do soletramento seriando verbalmente cada letra. onde define o tateamento experimental como sendo a aptidão para manipular. relação com o objeto/objetos e aspectos transferenciais. seriação. É uma atitude particular que deve ser desenvolvida pouco a pouco. atualmente para ler. o reconhecimento. Para que o trabalho de avaliação/diagnóstico e intervenção psicopedagógicas tenha informações objetivas sobre a inteligência da criança e como funciona sua estrutura cognitiva. o acolhimento. evocando os fonemas para depois pronunciar a palavra ou frase. disgrafia acentuada e lentidão para a escrita. desenho e linguagem) foram superestimuladas. competências e habilidades que se apresenta no Programa de desenvolvimento de Competências e habilidades discorridas a posteriori. tentando fazer traçados mais aprimorados ou lendo e relendo novas e http://psicodaniinglith. presa aos aspectos figurativos do pensamento representativo característico das crianças de dois a sete anos de idade. a afetividade. experimentar diferentes movimentos e materiais de produção gráfica são vivências fundamentais para a aquisição da auto-afirmação. sobre si mesmo em relação aos outros e como os outros o vêem e o percebem no cotidiano familiar. compreender informações cada vez mais complexas. A técnica utilizada no desenvolvimento da leitura e escrita foi de vital importância para dar continuidade ao trabalho: Tateamento Experimental na aquisição da leitura/escrita na deficiência mental e as estratégias a partir das convergências psicopedagógicas. Esta afirmação evidencia a valorização de cada tentativa realizada pela criança em manipular objetos da escrita. quanto ao desenho ao desenho e a linguagem. Durante as sessões que se seguiram a escrita e a leitura estiveram sempre presentes ora manipulando jogos. planejamento para o brincar. o pertencimento para adaptar os novos conhecimentos nesta área do saber. verificá-las. aplicar leis e códigos. jogo simbólico. atenção. utilizando variáveis em relação à construção da escrita. A cada momento que reproduzia uma mesma situação compreendia e aliviava seus conflitos internos. O termo “tateamento experimental” foi utilizado nas abordagens de Sampaio 1989 em sua obra: FREINET: Evolução Histórica e Atualidades. esta criança está em fase de transição entre o pré-operatório e operatório concreto. Segundo FREINET (1978) uma experiência feliz no decorrer da tentativa cria como que uma camada de força e tende a reproduzir-se mecanicamente para se transformar em regra de vida. através das investidas do próprio sujeito para apropriar de um novo objeto do conhecimento. Observou-se também que a tentativa experimental. buscando auxiliar a criança na apropriação de conceitos. Nas sessões que se seguiram. verbalização da ação. expressando suas emoções na escrita e na leitura com intuito de adquirir a aceitação. quando aparecem novos fatos ou quando são feitos novas experiências. classificação. a criança que se apropria da linguagem escrita. Observou-se nas tentativas experimentais para o desenvolvimento desta habilidade. iniciativa e autonomia nos contatos com a linguagem escrita. emitir hipóteses. fator importante para o desenvolvimento do pensamento lógico podendo a partir dos recursos do brinquedo projetar suas hipóteses sobre o mundo. além de buscar recursos do universo do sujeito. No caso da criança analisada. De acordo com as provas piagetianas aplicas ao longo das sessões. O tateamento experimental foi utilizada pela criança para compreender a dinâmica de regras sociais. a pedagoga RANGEL (1992) quando descreve o período pré-operatório como sendo o aspecto figurativo do pensamento representativo tendo domínio sobre o aspecto operativo. Assim. aperfeiçoar suas habilidades e competências é imprescindível uma abordagem específica nestes aspectos..Para melhor entendimento desta afirmação buscou-se os estudos da doutora em Educação.Com especial relevância neste caso que se configura o quadro de deficiência mental. assim os conhecimentos vão sendo adquiridos pela criança e se enraízam profundamente nela. sílabas.Porém. É importante destacar conforme SANTOS (1999) que no período de transição entre a fase préoperatório a e operatório-concreto. reproduzindo na EOCB as relações familiares e reprodução cultural do contexto em que vive.) Piaget caracteriza como raciocínio transdutivo esta forma de raciocinar. aproximadamente. projeção de atitudes e sentimentos.(. entretanto.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 11 de 155 pelo qual se analisa o tempo que a criança interage com determinado brinquedo ou brincadeira. o que favoreceu suas possibilidades de avanços. o que implicou na disgrafia acentuada e as resistências à priori para desenhar. revisáveis e relativos. permanecendo. fazendo-o apoiar-se em sua própria construção para buscar novas apreensões. possibilitou as manifestações afetivas. garatujar. de modo que convergiam dimensões do processo de aprendizagem: metacognitivo e psicanalítico.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. a busca da criança pelo domínio da leitura procurando memorizar visual e auditivamente as letras. relacionar.html 09-12-2012 . observar. as intervenções puderam ser realizadas a partir dos conceitos da teoria piagetiana. quando a terapeuta pode desenvolver técnicas a partir das condutas do pensamento representativo. durante a fase da vida em que vivenciou a função semiótica seu desenvolvimento nas condutas representativas (imitação diferida. fonemas.

2°Tentativa da escrita do nome a partir de pontos verticais. 17°Digitação e gravação do que a criança relatou no computador. 8°Pronúncia espontânea de palavras com mesmo som inicial da palavra estudada. 4°Leitura digital do nome e de outras letras. cenário e personagens. P. Cada personagem é estudado em muitas algumas sessões. Tentativa de escrita. 6°Escrita de palavra com maior significado a partir de pontos verticais e horizontais. Segue abaixo os passos para uma abordagem da linguagem escrita através da tentativa experimental: 1°Leitura do nome da criança e soletramento. perguntas e relatos verbais feitos pela criança. Através de entrevistas informais organizadas sob forma de temas: causa/conseqüência. expressando com coerência e organização suas idéias verbalmente (apesar da gagueira). escrita da palavra. 13°Resistência à escrita: tentativas para a criança escrever através da EOCB. reconhecimento das novas palavras e identificação da mesma paródia com a palavra nova. 3°Paródia com as letras e sílabas do nome. tempo.C. seqüência lógica dos fonemas que organizam a pronúncia. 14°Análise e sintaxe de palavra do cotidiano escolhida pela criança.blogspot. firmando as convergências dos aspectos epistemológicos. afirmação. a criança expressa sentimentos e emoções. 16°Releitura de palavras já estudadas. D. soletrando sem modelo.H. depois nova tentativa de escrita. 11°Tentativas com a escrita de palavras de músicas repetitivas e curtas através de pontos verticais/horizontais e circulares.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 12 de 155 antigas palavras estudadas. leitura da demais palavras com modelo. estudando e recriando situações a criança escolhe o nome que irá escrever. cria elo de afeto e cumplicidade com os bonecos a partir dos objetos afetivos cria-se nomes e escreve seus nomes. se angustiam de não alcançarem respostas aos trabalhos de intervenção e reeducação em curto prazo. durante algumas sessões seguidas. 12°Nome dos personagens das cenas criadas pela terapeuta na abordagem com fantoches. ações repetidas muitas vezes. 9°Reconstrução da situação que originou a palavra estudada. pode-se intervir em questões ligadas à lógica do pensamento. horizontais e circulares. PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES CONVERGENTES Bases Multidisciplinares do Processo de Inclusão e Educação Observa-se nos aspectos relevantes da deficiência mental no processo de intervenção/inclusão que educadores e terapeutas que iniciam a primeira experiência com crianças deficientes mentais. memorização auditiva e visual da palavra através de técnicas lúdicas. 10°Leitura de novas palavras construídas a partir da primeira estudada. Criou-se também uma tabela de procedimentos para as sessões a fim de buscar-se metas e ações bem definidas para as intervenções. 7°Construção e desconstrução da palavra de maior significado. nome escrito na palma da mão. construção da palavra com fonemas na ordem lógica. 19°Escrita espontânea e observação de desenhos. Ao manipular jogos e brinquedos. seriação.html 09-12-2012 . Diante dos conflitos pertinentes a esta abordagem deve-se considerar que cada progresso adquirido pela criança pode acontecer lentamente. algumas sessões com a escrita da data e frase que ele memorizou. 5°Sons da música. classificação. quantidade. construção de novas palavras. enfocando a tentativa experimental na aquisição da leitura e escrita organizou-se durante as pesquisas e aplicação da técnica uma programação de atividades nas sessões que foram fundamentais para que a experiência maciça de conceitos na estruturação da leitura e escrita pudesse apresentar resultados positivos. Contudo. puderam ser experimentadas em diferentes situações e sendo realizadas muitas tentativas que contribuíram para um melhor desempenho na comunicação. 15°Tentativa de escrita de palavras com fonemas iniciais iguais. EOCB e entrevista informal registrando a fala da criança. criação de histórias e rimas espontâneas. Visualização do nome escrita em diferentes tamanhos e tipos de papel.C. identificação de palavras com sons finais ou iniciais iguais. identificação de palavra com significado central e análise-sintaxe da palavra. identificação da primeira letra do nome de cada um. leitura dos nomes do personagem. Memorização dos fonemas que constroem as palavras/memorização das palavras estudadas conforme a escolha da criança. soletrando e lendo letra por letra simultaneamente. escrita espontânea. expressão verbal da experiência com a palavra. 18°Escrita de cartas para os membros da família. Recurso positivo escreve e projeta suas resistências para os bonecos. o PDCHC – Programa de desenvolvimento de Competências e Habilidades Convergentes.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. argumentação. negação. 20°Iniciativa espontânea ao desenho. o que significa para os profissionais envolvidos e a família uma postura emocional de paciência e persistência em insistir durante muito tempo em alguns conceitos e competências através do que será discorrido mais http://psicodaniinglith.

da cultura e do bem estar social.E. métodos.html 09-12-2012 . poderá Ter melhor desempenho em competências sociais e pessoais. Isto produz conseqüências surpreendentes: o mesmo passa a se ver de outra forma. o que a estimulará a socialização e autonomia (mesmo que necessite de monitoramento de apoio). sendo que a maior vantagem está na exposição precoce à linguagem de crianças mais avançadas”. Acredito que a pesquisa realizada neste estudo de caso possa contribuir com trabalhos de demais colegas e possa servir de novas bases para investigações e aperfeiçoamento.”Além de permitir que as crianças praticassem mais prontamente o desenvolvimento da competência social”. o deficiente mental. Posteriormente. o estilo da aprendizagem. os aspectos emocionais e de personalidade. é necessário que estes estejam discutindo entre si suas investigações sobre a criança em tratamento. É importante que a sociedade possa buscar oferecer espaços e oportunidades de inclusão do deficiente mental até sua vida adulta inserindo-a no universo do trabalho. O educador diretamente envolvido com a criança deve conhecer. autonomia/independência e a aquisição da linguagem escrita. De acordo com COSTA (1997) a criança ao dominar a linguagem escrita. para atender às suas necessidades. 2003). lanchar com independência. A criança D. É importante que se reflita nas informações coletadas na busca de adquirir uma visão do todo que constitui a criança analisada A inclusão de P. Portanto é de fundamental importância o ingresso da criança a educação infantil. contribuindo ao mesmo tempo para que melhore sua auto-estima e para que o mesmo também tenha acesso ao conhecimento. além de ter acesso ao conhecimento também pode participar mais ativamente do meio em que vive. obviamente conforme suas possibilidades. Mas. técnicas. será possível utilizar suas criações para a realização de um novo projeto de vida: a conclusão e edição de seu primeiro livro.M..pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. essa experiência pode não ser concentrada o suficiente para a criança adquirir a habilidade tão rapidamente como seria o caso se fosse utilizada uma combinação de prática intensiva e reforço no ambiente natural. o nível da deficiência. (Ibidem.59 inciso I currículos. p174. porém o ensino oferecido unicamente no ambiente natural não assegura a ocorrência da superaprendizagem. conforme Pueschel 2003 afirma que a prática intensa produz um fenômeno resultante do princípio da teoria da aprendizagem denominado “superaprendizagem” ou “domínio do conceito”. respeitar horários e regras sociais para atividades recreativas e as tarefas sem classe. os anos de freqüência na escola de ensino fundamental visam. com conseqüente melhora da sua auto-estima. Muitas de suas produções poderão ser vistas com dignidade. tais como: ir ao banheiro. Para que estes ambientes possam oferecer uma inclusão de qualidade.N. diferentes conhecimentos e técnicas envolvem profissionais de diferentes áreas do saber. as relações parentais e o ritmo de aprendizagem. a inclusão requer valorização daquele que muitas vezes é posto à prova no cenário da vida. p172. brincar e conversar com outras crianças e adultos. mas um meio de possibilitar modificações mais amplas no seu repertório comportamental. do lazer. (DUESCHEL. é necessário que profissionais especializados possam orientar educadores adequadamente dando-lhes suporte teórico e técnico para atuarem no trabalho pedagógico. ler. ao ingressar na escola de ensino fundamental. conforme Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N°9. CONCLUSÃO A experiência com a criança especial é um processo incessante de aperfeiçoamento que abrange desde a afetividade na relação com o ser que aprende. Mesmo se uma criança tiver uma habilidade.. conforme pesquisadora COSTA (1997) afirma que o ensino da linguagem escrita para o deficiente mental treinável não é um fim em si mesmo. nestes espaços e tempos institucionalizados encontrará oportunidades de interações fora da família. recursos educativos e organização específicos. deve ser fato a ser discutido não apenas no momento do ingresso a escola regular. ampliando alternativas de observação no processo de aprendizagem. vestir-se. Art. professores envolvidos diretamente com o aluno deverão ter acesso a todas as informações sobre o caso específico por profissionais que o atendem individualmente.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 13 de 155 adiante “A superaprendizagem”.blogspot. a inclusão se inicia ao nascer quando a família é orientada pelo médico sobre a deficiência. A partir das vivências realizadas na clínica e o conhecimento das potencialidades da criança analisada. por apresentar limites na linguagem escrita e aritmética. “A creche ou berçário é o contexto ideal para a integração da criança na rede comum de ensino. através dos profissionais da saúde e educação especializada o tipo de deficiência mental. informada e acompanhada por profissionais que lhes darão condições sócioemocionais para se adaptarem à nova realidade. levando-nos a aprender que o http://psicodaniinglith. A escola a partir dessas informações poderá estabelecer um currículo transversal de modo que a criança poderá ter condições de atingir objetivos da educação possíveis de serem alcançados por ela. pelo qual. identificar nomes.94/96 sobre a Educação Especial. criar critérios para classificação e seriação. poderíamos utilizar seus desenhos que sem contaminação dos estereótipos da educação sistemática. bem como com o que se conhece e se busca durante as intervenções. 2003). Com o objetivo de contribuir para um entendimento e ações qualitativas e coerentes na abordagem de casos dessa ordem. podem valorizar o ambiente e a arte infantil. além do envolvimento social (regras/interações culturais). Para o deficiente mental. Esse tempo e ritmo para os casos de deficiência mental poderão durar de meses a anos.

em especial a análise de desenho infantil e a vivência corporal por meio de jogos. aparentemente. não questiona nem tão pouco transgride os mandatos institucionais. pois é exatamente esta “aceitação” exacerbada ao que lhe é oferecido. Decido então. é preciso encontrar o ponto de partida para conhecê-las e repensá-las. . ditos inadequados.UM ESTUDO DE CASO Erica Gomes Pontes Um estudo de caso Meu primeiro contato com Maria.secretariaestadualdaeducação. que culminava sempre com “risinhos” tendenciosos. 2001. se permitia me olhar nos olhos. recursos essencialmente ludoterápicos. 1987. Cleussi de Fátima. São Paulo: EDICAN. poderia dizer de si mesma e através deste dito. Porto Alegre. um pai que desde o início do ano permanece desempregado. não hostiliza os colegas. Publicado em 11/04/2005 16:58:00 ERA UMA VEZ MARIA.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Jorge. Maria apresenta grande dificuldade em verbalizar. No que concerne ao início do tratamento psicoterápico infantil. naquilo em que se concebe de extrema importância o lugar ocupado pelos pais na análise infantil. Eu então.Itajaí. contudo. Não apresenta nenhum complicador no que tange as queixas constantes das instituições aos comportamentos manifestos. não consigo focalizar nenhum tipo de demanda que acarretasse atendimento psicoterápico em Maria. utilizo como fio condutor em todo o processo psicoterápico (que se fez nos parâmetros da terapia breve de orientação psicanalítica.Papirus Editora. por compreender que a ausência dos pais implicaria em seu consentimento à proposta terapêutica. Clínica Psicopedagógica: epistemologia convergente. me disponho a ouvir aquilo que ela deseja falar. Estudo de Caso: análise clínica a partir da Epistemologia Convergente. demonstra boa capacidade de socialização com as crianças e com os adultos que ali tem contato direto. Logo de início. Que situações da vida íntima e familiar dessa criança a levaram a se posicionar tão passivamente frente à realidade? Que conflitos internos estão subjacentes a esta pretensa adequação e subordinação de seus desejos em prol da convivência social pacífica nos grupos dos quais faz parte? No intuito em esboçar caminhos que pudessem me aproximar e ainda. repressões e angústias. que desde o primeiro momento em que debruça sobre mim seu olhar. Pesquisa em Educação Especial: o desafio da qualificação – EDUSC. vivenciados no período infantil. Jan-1999. onde a criança poderia dar voz a toda uma gama de sensações..Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 14 de 155 impossível pode ser infinitamente cheio de possibilidades.Monografia – UNIVALI VISCA.html 09-12-2012 . A Função do Filho: espelhos e labirintos da infância. se deu no início dos ventos de Abril de 2002. ideais. e uma mãe que trabalha como diarista em casa de família. No decorrer dos atendimentos. 1998). brincadeiras e dramatizações. Maria não encarna o estereótipo de criança “problema” tão depreciado pela instituição. em um dos 7 núcleos destinados à assistência à criança a ao adolescente no município de Divinópolis/MG. o mesmo não se efetivou devido as constantes ausências durante o transcorrer de todo o processo analítico.Campinas. SANTOS. DE MAMANN. 1997. A criança permanece durante o período da manhã sob os cuidados no núcleo assistencial e. dar andamento aos encontros com a criança. Síndrome de Down: guia para pais e educadores. Esteban.. LEVIN. Francisco de Paulo. Porto Alegre: Artes Médicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COSTA. que por infindáveis e imemoráveis anos manteve guardadas para si. Marta Carolina dos Santos.2001. encontrar estratégias que a permitissem melhor lidar com suas dificuldades. NUNES SOBRINHO.br: Legislação: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. mostrando-se. em congruência com o aporte teórico oferecido pela psicologia social). PUESCHEL. Aparentemente. no período em que localiza-se abrigada pelos muros da instituição.sc.Petrópolis. somente após o almoço. Editora Vozes. me procura e me interpela constantemente em sua vontade de “conversar e brincar” comigo. minhas iniciativas incidiam na tentativa de se transcender o espaço destinado ao guardar – pois o setting terapêutico se fazia no almoxarifado – a um lugar por excelência do revelar. é preciso ressaltar a característica central na qual o encaminhamento da criança é feito: “necessidade de terapia familiar”. Bauru. Maria Piedade Resende da. 8ªedição.gov. me permitir uma maior compreensão da realidade experenciada por Maria. Siegfried. 3ª edição revista e ampliada.blogspot. iniciando uma brincadeira silenciosa de imitação de gestos. e NAUJARKS. é encaminhada a escola. A criança vem de uma família composta por 5 filhos. Alfabetização para Deficientes Mentais. permanecendo durante todo o dia. Enfim. sendo que. Não é uma criança agressiva. e vez por outra. Avaliação e Diagnóstico Psicopedagógico (apostila. No início de nossos trabalhos. ausente do contato com os filhos. Prioriza a expressão fácil e corporal. www. Maria é uma criança de 8 anos de idade e cursava a 2ª série do ensino fundamental em uma escola municipal. Maria Inês. plenamente adequada e adaptada à realidade institucional na qual está inserida. A princípio. sentimentos. Quando se volta para os materiais que disponibilizo para uso na sessão (lápis de http://psicodaniinglith. que entendo como sendo um ponto merecedor de atenção e escuta. porém exterioriza um olhar e um semblante denunciadores de um viver sofrido e angustiante. 2003. nos moldes de uma entrevista clínica. culpas. é importante buscar estabelecer contato com as figuras parentais. um investimento em instrumentais lúdicos.

normas. em especial os jogos de competição.html 09-12-2012 . ou seja. O que subtraio da conduta de Maria é exatamente uma tentativa de salvaguardar sua família do desenlace total. “sempre briga com meu pai quando ele chega mais tarde e xinga muito” (sic). que acaba por chamar para si. cola.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 15 de 155 cor. de dá a partir da afirmação: não querer nada com a sua família. e ressalto o núcleo familiar. o que esclarece a recusa da criança em dizer qualquer fato que faça menção a sua vida familiar. alguém que precisa ser socorrido. tem por finalidade. da mesma forma: inicia um processo de ordenamento dos materiais. onde a criança munida do recurso lúdico me convida a travar com ela uma “batalha naval”. Sabe-se que a família é o primeiro grande grupo no qual somos introduzidos. assumindo uma posição repressora e autoritária. Sendo questionada acerca de situações corriqueiras do cotidiano familiar. Maria me confirma esta hipótese. Maria chega a não conseguir se recordar de nenhuma situação. Em nossa sociedade eminentemente capitalista. irá se sobrepor a um outro. afirma que o analista infantil necessariamente tem que lidar com os pais. A mãe é caracterizada pela criança como “ muito nervosa” (sic). pois entende-se como o lugar dos pais não apenas o seu papel ou sua importância no tratamento. ou seja. vivenciando fortes e avassaladores sentimentos de culpa. recursos como a interpretação. em especial à sua família e ao núcleo assistencial no qual está inserida. este modelo idealizado permanece ausente da real situação vivida por milhares de lares que não conhecem outra. é entregue a responsabilidade de aprender por si só. denunciando a forma na qual a família se gerencia. convenções. a responsabilidade do fracasso conjugal de seus pais. tanto no aspecto objetivo quanto no subjetivo. a pontuação de frases e a marcação de determinados pontos do discurso trazido. a sobreviver no mundo. Contudo. no momento em que a criança se põe a utilizar o recurso lúdico como modo metafórico de dizer daquilo que a incomoda. procuro induzir a possibilidade da fala nas pequenas brechas que ocorrem quando Maria realiza sua produção. a posição subjetiva que ela ocupa em relação aos outros. Assim. partir para o processo de criação propriamente dito. responde com parâmetros de ordem física e objetiva. Várias são as sessões onde o tema das “brigas” se faz presente de forma camuflada. no exercício da fala acerca do que se criou. A resposta da criança vem sem demora afirmando não querer nada na família. giz de cera. eu transporto e abro seu discurso para a dimensão das coisas que ela quer em cada situação de sua vida. mãe e filhos vivem miraculosamente sem conflitos. inevitavelmente. foram facilitadores do processo que. jornal. onde os papéis não são suficientemente desempenhados nem tão pouco os cuidados são exercidos da forma na qual as crianças necessitam. Nesse sentido. ali representadas pelos navios maiores. avalista deste pai que se apresenta insuficiente enquanto tal. Como Maria referenda sua fala a partir do querer (querer jogar comigo). este investimento retorna em conseqüências perigosas e danosas à saúde da psíquica da criança. as figuras parentais. onde entendeu-se por bem que a estratégia mais eficaz. de nenhum momento em que estavam juntos todos os membros de sua família. a forma como os pais se posicionam é determinante no processo terapêutico do paciente infantil. interferindo nas configurações que assume a prática clínica e modificando-a.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. papeias e representações. o que vigora é o modelo de família nuclear burguesa. No instante em que Maria consegue verbalizar sua fantasia de morte aos pais. que nos permitem perceber o mundo e a nos situarmos nele. sua atuação se dá quase sempre. a criança o revela enquanto um fraco. procurando lhe oferecer ferramentas que. fazer emergir à consciência da criança. tesoura. mas a forma com que se posicionam. e demonstra extrema satisfação quando executa. acabou desenvolvendo um mecanismo de defesa. após ter-se estabelecido o vínculo transferencial. fantasias entre outros). para só depois. ausentes de impregnação afetiva: Pai = alto Mãe = usa óculos A impressão que me fica é a de uma família extremamente fragmentada. aonde um. a questão do lugar dos pais sempre esteve presente nos tratamentos psicanalíticos de crianças. A família de Maria compactua desta realidade. eu adentro a fantasia da criança. tangran. e quando indagada e provocada a verbalizar alguma característica sobre os pais. imediatamente é http://psicodaniinglith. na completa extensão da palavra. senão a realidade da miséria econômica e afetiva. permita o estabelecimento de conexões e relações com os mais diversos campos de inserção social da criança. O pedido pelas brincadeiras. em sua prática. Detectada a dificuldade de expressão verbal. e a cada um. numa tentativa de afastar aquilo que lhe causa tamanho sofrimento. é no seio familiar que são internalizados os primeiros valores. e é ela a responsável por o que se convencionou nomear socialização primária. separando-os e classificando-os numa lógica própria. Teve um dia que minha mãe mandou meu pai embora e aí eu comecei a chorar e a pedir pro meu pai não ir embora e a minha mãe deixou ele ficar”. (sic) De acordo com Frida Atè (1999). se tornam constantes na medida em que interpelo a criança no sentido de que fale sobre sua família. tinta guaxe. numa expressão contínua de amor eterno. já que a criança é totalmente dependente deles. Em relatos posteriores. a criança não mede esforços e se coloca enquanto fiadora. no entanto. Nesse momento interpreto à criança que diante do que ela tem vivido. onde pai. do desemprego e da marginalização.blogspot. que precisa de ajuda para exercer sua função e é exatamente neste buraco que a criança se localiza: “é ruim eles brigarem na frente da gente. a criança responde com extrema evasão e um certo teor de indiferença para aqueles que também o foram e são indiferentes para com ela. para tanto. fita crepe. brinco e viajo imaginativamente com ela. Já no que tange ao pai. papel.

liberto de toda espécie de conflito.blogspot. que Maria. interagem verdadeiramente. onde cada um lê o que é de seu interesse. pontuação.É de suma importância para lidar com esta situação. dependente tanto psíquica como concretamente dos pais e das instituições nas quais está inserida. se chocam e se fundem. destacando-se a figura do analista.. Desta brincadeira.. A interpretação vai de encontro às tentativas da criança em ajuntar os opostos – pai e mãe – e edificar a seu modo. enquanto educadores.” De acordo com Melanie Klein. É somente quando a criança se permite acolher e aceitar as diferenças que circundam sua vida. a criança passa a trabalhar como tema central nos atendimentos. e se apropria do tangran. nem por ela. que é capaz de ser. inclusive o sentimento de solidão. No que concerne ao papel da brincadeira na análise infantil.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Ser menina. ao olhar-se no espelho. isto é. mas quando proposto em palavras (faca ou vaca) já permitem um maior entendimento. faz-se a evolução para um jogo mais elaborado e requisita minha presença para “auxiliá-la” a formar uma “partida de futebol”. Melanie Klein afirma que todo ato de brincar da criança poderia ser visto como uma projeção de sua realidade psíquica. nem tão pouco por mim. sua casa. Segundo Duke e Pearson (2002) existem seis tipos de estratégias de leitura consideradas relevantes. com os pais. se depare com um lar harmonioso. pois essa capacidade referenda a chegada da criança à posição depressiva. assim com a aceitação da responsabilidade por toda a destrutividade que está ligada ao viver. que é capaz de lutar. exteriorizado nos vários desenhos de árvores isoladas e abandonadas no branco da folha de papel. a criança mais do que o adulto estabelece vínculos móveis e dinâmicos. que vem validar a própria relação conjugal de seus pais.. representa um avanço. é importante levar em conta a todo momento o contexto pessoal e a realidade externa que circunda a criança. para arcar com este lugar.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 16 de 155 tomada por um sentimento de culpabilização: “Eu fiz errado” (sic). a criança acabava sofrendo duras conseqüências. bem como todos os elementos necessários para a composição do texto.. as escolas estaduais apresentam maior índice em relação à dificuldade com a leitura. f e v são vagos quando isolados. por exemplo. mas com as demais figuras que podem representá-la. talvez não possa ser escrito. Por fim. Com uma subjetividade ainda em formação. com a instituição e com a própria criança. organização de parágrafos. sendo que durante a aula metade do tempo seja dedicado à leitura prazerosa. entre elas. não apenas com a sua família. e a outra parte seja voltada para a prática da leitura voltada para o desenvolvimento de conteúdos. Mas acredito que verdadeiramente. como também responde. Por exemplo: gibis como forma de leitura e entretenimento. vale ressaltar que acontece em todas as instituições de ensino independente do segmento (público ou particular). a vivência deste processo de culpabilização. estimulando os alunos a lerem.• Trabalhar na análise e decomposição de frases escolhendo palavras segmentando-as em sílabas e fonemas.. diferente sim. se esbarram e caem no chão. porém. ter a consciência de que as dificuldades apresentadas na leitura estão intensamente ligadas ao desenvolvimento das habilidades na escrita provenientes de alterações ou erros de sintaxe. São as seguintes: • Predição: trata-se de antecipar. Este final. seremos capazes de visualizar seu mundo interior. porém valorizando o ajuntamento de pares diferentes. que lhe é possível de fato exercer uma interação com as demais pessoas. após o regresso de suas aventuras à casa. Você fez diferente. prever fatos ou conteúdos do texto.html 09-12-2012 . passando de memorização à memória de longo prazo. A partir desta colocação. segue algumas sugestões de estratégias a serem aplicadas de forma que venha facilitar o desempenho no processo de leitura que os alunos apresentam em sala de aula:• Procure fazer um momento de divisão para leitura. Segundo a autora. à interpretação. assim como a personagem da estória infantil. afirma acerca de sua produção pictórica. É interessante notar que. a criança não só diz de si ao utilizar recursos lúdicos. a posição depressiva está diretamente ligada a mudanças fundamentais na organização libidinal infantil.Segundo pesquisas. o que facilita a aprendizagem. Maria já é tomada por um movimento diferente. se descubra enquanto força crescente de vida. vários educadores estão em busca de o melhor caminho a seguir. utilizando o conhecimento existente para facilitar a compreensão. que implica num grau de integração pessoal. feliz.Partindo desse pressuposto. Cabe a ele trabalhar esses vínculos. intervindo na memória. Ser Maria. Vale ressaltar que não deve ser realizada de forma mecânica ou descontextualizada. Portanto se olharmos uma criança brincando. onde todas as peças se misturam. Na sessão seguinte. Minha proposição é justamente elucidar para a criança que seus sentimentos são legítimos e pontuo acerca do desenho: “Errado não. Preocupados com essa questão. a questão dos diferentes. contribuindo para um melhor desenvolvimento da leitura. é verdade. dos opostos. manter de pé sua família. Maria então passa a utilizar o “tangran” (quebra cabeça de origem chinesa praticado há muitos séculos em todo o Oriente cujo nome significa “tábua de sete sabedorias”). isto é. separando as figuras em partes iguais (cores e formas). por via da brincadeira.• A escola pode promover campanhas de incentivo à leitura. Não espero. • Pensar em voz alta: o leitor verbaliza seu pensamento enquanto lê. estruturação. isto é. A dificuldade em realizar a leitura é tida como um dos maiores obstáculos enfrentados pelos alunos. http://psicodaniinglith. baseadas em pesquisas tidas como auxiliares no processo de leitura. é possível à Maria transformar seu pequeno mundo interno num lugar de maior leveza para que. Porém.. As diversas dificuldades na prática da leitura.

No caso de suspeita.• As ordens. • Resumo: tal atividade facilita a compreensão global do texto. uma vez que permite ao leitor refletir sobre o mesmo.• Busque sempre manter próxima a você na sala de aula. é preciso ter raça É preciso ter gana sempre http://psicodaniinglith. tanto no desenvolvimento da leitura quanto da escrita.• Dialogue em particular com a criança. as instruções e os pedidos devem ser feitos individualmente. orienta-se encaminhar a criança/adolescente para uma avaliação feita por especialistas (neurologista infantil. Observe com atenção:Aos pais• Procurar agir da mesma forma em relação aos demais filhos. tendo a maior cautela possível.• Incentivar os progressos e evitar críticas constantes. contribuindo para uma melhor qualidade de vida. até a atual nomenclatura que é utilizada em determinados manuais de doenças. apesar do TDAH não apresentar uma definição universal. evitando diagnosticar crianças normais ativas como portadoras do TDAH.A parceria familiar. bem como o desenvolvimento da criança.• Encoraje-a com freqüência. Pesquisas indicam também que a compreensão global da leitura é melhor quando alunos aprendem a elaborar questões sobre o texto.js::google_render_ad". jamais deixe de elogiar evitando o regresso do desenvolvimento.A criança hiperativa apresenta alteração no comportamento. resolução e tema. a criança hiperativa apresenta alteração extremamente significativa no que se refere ao comportamento. é a cor.Algumas práticas são sugeridas aos professores e pais que convivem com crianças que apresentam o TDAH. fonoaudiólogo. como um procedimento auxiliar para compreensão e recordação do conteúdo lido.• Oferecer atividades físicas regularmente. é fundamental que ocorra um trabalho mútuo do educador em conjunto com a família e.É importante enfatizar que a criança hiperativa não apresenta obrigatoriamente todos esses comportamentos e conforme as circunstâncias variam a intensidade em que ocorrem. informando-a sobre seu desempenho de forma que venha estimular sua evolução.• Dar preferência por atividades que tenham regras e limites. google_render_ad). social e escolar. cabeça.O TDAH é considerado um distúrbio crônico que geralmente surge na primeira infância. bem como na qualidade de vida desse indivíduo. como cenário. O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) tem recebido diferentes denominações. problema.• Não tomar atitudes de forma precipitada.Aos professores• Dê prioridade ao diálogo de forma que venha adquirir a confiança da criança bem como conhecer suas preferências. é o suor é a dose mais forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar e não vive.• Busque criar estratégias e recursos diferentes de forma que venha a favorecer a aprendizagem do aluno.html 09-12-2012 . pais e professores são mediadores indispensáveis no processo de aprendizagem.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 17 de 155 • Estrutura do texto: analisar a estrutura do texto..blogspot. google_handleError. apresenta impaciência em se manter em uma atividade.• Trabalhe inicialmente a maior dificuldade da criança. antes dos 7 anos.No intuito de propiciar aos portadores do TDAH um desenvolvimento constante.• Comunicar com clareza e eficiência isto. prevenindo e intermediando através da correção quando necessária e com cautela. movimentar de forma exagerada pernas. sendo que a observação do possível portador deve ser feita por um período mínimo de seis meses. Maria é o som. ação. • Questionamento: auxilia no entendimento do conteúdo da leitura. não tem noção de perigo e principalmente não tem limites. dando preferência àquelas que disponibilizam trabalhos específicos para crianças com TDAH. médica e escolar é considerada como fator principal para diagnosticar.• Refletir bem antes de tomar qualquer decisão. o profissional da saúde. entre outras. acompanhando a criança de forma que através de depoimentos. braços.• Ter consciência da importância do trabalho em equipe (pais/família/profissionais). Reação Hipercinética da Infância.O ideal é que o educador se informe sobre tal distúrbio.Segundo pesquisadores. Distúrbio de Déficit de Atenção. relacionamento e adaptação familiar.• Por mais simples que sejam as evoluções.Tal distúrbio tem sido motivo de grande preocupação de pais e professores nos últimos tempos. visto que tem sido diagnosticado com maior freqüência atualmente em conseqüência da ênfase que vem ganhando na sociedade. resultados.• Utilizar a linha de recompensa antes e preferencialmente à punição.• Selecionar a escola de forma bem criteriosa. praticar esportes. meta. de forma que venha auxiliar a família no diagnóstico bem como no seu desenvolvimento em relação às dificuldades que são apresentadas pelo portador do TDAH. Hiperatividade na escola google_protectAndRun("render_ads.Vale ressaltar que.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. As diferentes denominações do TDAH. é conhecido como Disfunção Cerebral Mínima. principalmente.• Inicie sempre com atividades simples e conforme a evolução vá aumentando os níveis. organizarem e lembrarem algumas das muitas palavras lidas quando formam uma imagem mental do conteúdo. apenas agüenta Mas é preciso ter força. diminui a persistência e consistência ao realizar as atividades de rotina como as atividades escolares. “ Maria. psicólogo e psicopedagogo). pois implica na seleção e destaque das informações mais relevantes contidas no texto. experiências e sugestões possam somar na evolução do processo de aprendizagem. auxiliando os alunos a aprenderem a usar as características dos textos. mesmo que mínimo e dentro das limitações. etc. • Representação visual do texto: auxilia leitores a entenderem.

organização de parágrafos.É importante enfatizar que a criança hiperativa não apresenta obrigatoriamente todos esses comportamentos e conforme as circunstâncias variam a intensidade em que ocorrem. • Estrutura do texto: analisar a estrutura do texto. e a outra parte seja voltada para a prática da leitura voltada para o desenvolvimento de conteúdos. pois implica na seleção e destaque das informações mais relevantes contidas no texto. a criança hiperativa apresenta alteração extremamente significativa no que se refere ao comportamento.A criança hiperativa apresenta alteração no comportamento. ter a consciência de que as dificuldades apresentadas na leitura estão intensamente ligadas ao desenvolvimento das habilidades na escrita provenientes de alterações ou erros de sintaxe. Vale ressaltar que não deve ser realizada de forma mecânica ou descontextualizada. movimentar de forma exagerada pernas. • Pensar em voz alta: o leitor verbaliza seu pensamento enquanto lê. tanto no desenvolvimento da leitura quanto da escrita. bem como todos os elementos necessários para a composição do texto. mistura a dor e a alegria” Milton Nascimento As diversas dificuldades na prática da leitura. sendo que a observação do possível portador deve ser feita por um período mínimo de seis meses. de forma que venha auxiliar a família no diagnóstico bem como no seu desenvolvimento em relação às dificuldades que são apresentadas pelo portador do TDAH. psicólogo e http://psicodaniinglith. resolução e tema. segue algumas sugestões de estratégias a serem aplicadas de forma que venha facilitar o desempenho no processo de leitura que os alunos apresentam em sala de aula:• Procure fazer um momento de divisão para leitura. etc. estimulando os alunos a lerem. Reação Hipercinética da Infância. diminui a persistência e consistência ao realizar as atividades de rotina como as atividades escolares.O TDAH é considerado um distúrbio crônico que geralmente surge na primeira infância.No caso de suspeita. google_handleError.• Trabalhar na análise e decomposição de frases escolhendo palavras segmentando-as em sílabas e fonemas. Pesquisas indicam também que a compreensão global da leitura é melhor quando alunos aprendem a elaborar questões sobre o texto. meta. uma vez que permite ao leitor refletir sobre o mesmo. o que facilita a aprendizagem. • Questionamento: auxilia no entendimento do conteúdo da leitura. auxiliando os alunos a aprenderem a usar as características dos textos. antes dos 7 anos.A parceria familiar. as escolas estaduais apresentam maior índice em relação à dificuldade com a leitura. passando de memorização à memória de longo prazo. por exemplo.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. apesar do TDAH não apresentar uma definição universal. visto que tem sido diagnosticado com maior freqüência atualmente em conseqüência da ênfase que vem ganhando na sociedade. Preocupados com essa questão. ação. pontuação. problema. Distúrbio de Déficit de Atenção. São as seguintes: • Predição: trata-se de antecipar. O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) tem recebido diferentes denominações.É de suma importância para lidar com esta situação. relacionamento e adaptação familiar. Segundo Duke e Pearson (2002) existem seis tipos de estratégias de leitura consideradas relevantes. enquanto educadores. fonoaudiólogo.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 18 de 155 Quem traz no corpo a marca Maria..O ideal é que o educador se informe sobre tal distúrbio. como um procedimento auxiliar para compreensão e recordação do conteúdo lido. prevenindo e intermediando através da correção quando necessária e com cautela. As diferentes denominações do TDAH.Partindo desse pressuposto.js::google_render_ad". como cenário. contribuindo para um melhor desenvolvimento da leitura. é conhecido como Disfunção Cerebral Mínima. Maria. médica e escolar é considerada como fator principal para diagnosticar. utilizando o conhecimento existente para facilitar a compreensão.Tal distúrbio tem sido motivo de grande preocupação de pais e professores nos últimos tempos.html 09-12-2012 . • Resumo: tal atividade facilita a compreensão global do texto. prever fatos ou conteúdos do texto. orienta-se encaminhar a criança/adolescente para uma avaliação feita por especialistas (neurologista infantil. cabeça.Segundo pesquisas. mas quando proposto em palavras (faca ou vaca) já permitem um maior entendimento. até a atual nomenclatura que é utilizada em determinados manuais de doenças.• A escola pode promover campanhas de incentivo à leitura. vale ressaltar que acontece em todas as instituições de ensino independente do segmento (público ou particular). braços. pais e professores são mediadores indispensáveis no processo de aprendizagem. organizarem e lembrarem algumas das muitas palavras lidas quando formam uma imagem mental do conteúdo. sendo que durante a aula metade do tempo seja dedicado à leitura prazerosa.Vale ressaltar que. • Representação visual do texto: auxilia leitores a entenderem. f e v são vagos quando isolados. Por exemplo: gibis como forma de leitura e entretenimento. evitando diagnosticar crianças normais ativas como portadoras do TDAH. onde cada um lê o que é de seu interesse. apresenta impaciência em se manter em uma atividade. Hiperatividade na escola google_protectAndRun("render_ads. intervindo na memória. tendo a maior cautela possível. google_render_ad). praticar esportes. não tem noção de perigo e principalmente não tem limites. vários educadores estão em busca de o melhor caminho a seguir. estruturação. resultados. porém.Segundo pesquisadores. social e escolar. baseadas em pesquisas tidas como auxiliares no processo de leitura. A dificuldade em realizar a leitura é tida como um dos maiores obstáculos enfrentados pelos alunos.blogspot.

comprometido com a pauta de políticas afirmativas do governo federal. mulheres e homens de todas as idades.com Capa Sobre Cadastre-se para publicar artigos Ver escritores Criar perfil e publicar artigos! Login / Área do escritor Publicar artigo! Editar perfil Meus Artigos Sair () Pesquisa de artigos: Dificuldades de aprendizagem em crianças consideradas normais Por Maria Vaz Publicado 18/07/2009 Educação Avaliação: Sem avaliações google_protectAndRun("render_ads. Palavras-chave: dificuldades. que. google_render_ad). bem como o desenvolvimento da criança.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 19 de 155 psicopedagogo).Algumas práticas são sugeridas aos professores e pais que convivem com crianças que apresentam o TDAH. É possível que agindo com critérios a aprendizagem aconteça de forma significativa e eficiente pautada no conhecimento. Com o objetivo de corrigir injustiças.• Não tomar atitudes de forma precipitada. questões físicas e ambientais ao próprio sistema de ensino. http://psicodaniinglith. Observe com atenção:Aos pais• Procurar agir da mesma forma em relação aos demais filhos. as instruções e os pedidos devem ser feitos individualmente.• Inicie sempre com atividades simples e conforme a evolução vá aumentando os níveis. Entretanto essa atividade exige novas habilidades. Por isso.js::google_render_ad". experiências e sugestões possam somar na evolução do processo de aprendizagem.• Comunicar com clareza e eficiência isto. bem como na qualidade de vida desse indivíduo. informando-a sobre seu desempenho de forma que venha estimular sua evolução.• Busque sempre manter próxima a você na sala de aula. o profissional da saúde.• As ordens.• Busque criar estratégias e recursos diferentes de forma que venha a favorecer a aprendizagem do aluno. E várias são as questões que podem causar dificuldades na aprendizagem.• Selecionar a escola de forma bem criteriosa. o compromisso de erradicar o analfabetismo e universalizar o ensino fundamental no país. Os fatores vão desde diferenças individuais. no mundo inteiro. aluno. A alfabetização é o centro das expectativas de pais e professores. contribuindo para uma melhor qualidade de vida. jovens e adultos com necessidades educacionais especiais no sistema regular de ensino. na busca de se tornar uma sociedade que reconhece e respeita a diversidade que a constitui.• Trabalhe inicialmente a maior dificuldade da criança. é preciso garantir o acesso e a permanência de todas as crianças.• Dialogue em particular com a criança. impedindo que milhões de brasileiros tivessem acesso à escola ou nela permanecessem. o MEC (Ministério da Educação e Cultura). a aquisição da leitura e escrita é quase sempre uma tarefa complexa e difícil para a maioria dos pequenos. mesmo que mínimo e dentro das limitações.• Refletir bem antes de tomar qualquer decisão." Ao assinar esta declaração o Brasil assumiu.• Utilizar a linha de recompensa antes e preferencialmente à punição. ao longo de sua história. jamais deixe de elogiar evitando o regresso do desenvolvimento. com o objetivo de tentar descobrir o que está causando dificuldade para a aprendizagem do mesmo. muitas vezes não faziam parte do cotidiano da criança. No entanto. acompanhando a criança de forma que através de depoimentos. Com isso.• Ter consciência da importância do trabalho em equipe (pais/família/profissionais). Qualquer problema observado implicará em amplo trabalho do professor junto à família do aprendiz. estabeleceu um modelo de desenvolvimento excludente. webartigos. vem fortalecendo as políticas e criação de instrumentos legais de gestão para a afirmação cidadã. é fundamental que ocorra um trabalho mútuo do educador em conjunto com a família e.• Oferecer atividades físicas regularmente. aprendizagem. eliminar discriminações e promover a inclusão social e a cidadania para todos no sistema educacional brasileiro. Dificuldade de Aprendizagem em crianças consideradas normais Maria Zilda Vaz¹ Resumo: Quando uma criança ingressa na escola. google_handleError. alguns têm mais dificuldades do que outros na questão do aprender. compreensão e respeito ao educando. É fundamental que a individualidade da criança seja respeitada e que seus interesses e preferências sejam levadas em conta pelo professor e pela escola.html 09-12-2012 . entre outras.blogspot.• Encoraje-a com freqüência.No intuito de propiciar aos portadores do TDAH um desenvolvimento constante. perante a comunidade internacional. inclusão.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. dando preferência àquelas que disponibilizam trabalhos específicos para crianças com TDAH.• Dar preferência por atividades que tenham regras e limites. professor. valorizando a riqueza de nossa diversidade.• Por mais simples que sejam as evoluções.• Incentivar os progressos e evitar críticas constantes. sua primeira tarefa explícita é o aprender a ler e escrever. INTRODUÇÃO O Brasil. principalmente. "A educação é um direito fundamental de todos.Aos professores• Dê prioridade ao diálogo de forma que venha adquirir a confiança da criança bem como conhecer suas preferências.

aliás. retratamos a importância da inclusão pedagógica no processo ensinar e aprender. no intuito de observar ou até mesmo apontar solução a problemas que interferem diretamente no fim maior da educação que é a aprendizagem do aluno. http://psicodaniinglith. disortografia. Porém. Nesse sentido vale ressaltar que o professor e a escola como um todo podem ser um elo muito importante entre educando. submetendo-se a classes especiais "que muito contribuíram para acentuar o estigma da insuficiência mental. lembrandoque. especialmente na capacidade para aprender. Outro fator que merece ser mencionado é que praticamente todas as atividades sugeridas neste trabalho já foram desenvolvidas e analisadas durante a nossa pesquisa. A medida que todos forem envolvidos na reflexão sobre a escola. Tais dificuldades eram decorrentes de uma lesão cerebral. COMO DIAGNOSTICAR DIFICULDADES DE APRENDIZAGENS EM ALUNOS "NORMAIS"? Cada indivíduo é único. a metodologia e a avaliação são fatores fundamentais para obter êxito em turmas heterogêneas. E uma tentativa de esclarecer que alguns fatores são inatos.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 20 de 155 É importante construir critérios para a organização das salas de aula inclusivas. mas também para saber quais as providências a tomar para minimizar a questão da não aprendizagem. encontros e discussões com educadores e co-relação das idéias dos autores com nossas experiências e vivências em sala de aula. onde todos os alunos aprendem da mesma forma. p. família e sociedade. Inicialmente apresentaremos estudos e reflexões com algumas maneiras de diagnosticar dificuldades de aprendizagem em alunos normais. Para realização deste trabalho foram feitas análises bibliográficas. Apresenta diferenças nas aptidões mentais. Com a evolução das pesquisas.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Segundo Auredite. quando as diferenças individuais do educando não são reconhecidas pelo professor. nas reações emotivas. apresentavam um resultado incoerente com a realidade da criança testada. dando lugar ao estudo de vários outros fatores que interferem na aprendizagem da criança independente de lesão cerebral. eram denominadas como portadoras de distúrbios psicomotores e de aprendizagem. uma demonstração de que toda e qualquer atividade que o professor desenvolva em sua sala de aula poderá ser um fio condutor para a aprendizagem de todos se for bem planejado. Estes testes. Isso reforça a idéia de que o professor precisa ser bem preparado não apenas pra reconhecer a origem dos possíveis problemas do educando. escrita e cálculos a uma bateria de testes padronizados criados no inicio do século xx. a maior mudança para a transformação do ensino e conseqüentemente da aprendizagem é sem dúvida a mudança de atitude do professor. Porém nem todos os alunos conseguem assimilar da mesma forma e ao mesmo tempo os ensinamentos que a escola oferece. discalculia. nas preferências por certas atividades. a relação dificuldade de aprendizagem com deficiência neurológica. sonho de quase todo professor! Mas o que fazer com as crianças que não se desenvolvem no mesmo nível dos colegas de classe? A dificuldade de aprendizagem vem sendo objeto de estudo há muito tempo. disgrafia. a escola passa a ser sentido como ela realmente é: de todos e para todos. Partindo deste pressuposto. O respeito à diversidade.html 09-12-2012 . observando normas especificas que visa à realidade social que cada instituição vai atender." (20001. a escola pouco ou nada podia fazer. habilidades e conseqüentemente com diferentes formas de aprender. Repensar o currículo. geralmente diagnosticados como portadores de Cerebral mínima (DCM). A persistência deve partir do professor. considerando que em cada escola existem pessoas com diferentes desejos. sobre as necessidades dessa comunidade e sobre os objetivos a ser alcançados por meio da ação educacional. A criançada gosta e o resultado é maravilhoso. Essa idéia também está estruturada neste estudo. Lembrando que nem sempre na primeira tentativa tudo dá certo. dislexia. As crianças que ficassem aquém do esperado nesta faixa eram consideradas como débeis rotuladas como incapazes intelectualmente. expressão substituída posteriormente por Distúrbio do Déficit da atenção (DDA) especificamente como. necessidades. não se pode idealizar um ensino homogêneo. afasia como ou sem hiperatividade. uma vez que a origem destes distúrbios era puramente orgânica. sobre a comunidade a qual se origina seu aluno. Em seguida serão abordados os principais fatores que contribuem para o fracasso escolar. Propostas simples e inovadoras podem direcionar o trabalho pedagógico tradicional para uma maneira diversificada e dinâmica capaz de atender a turma como um todo e a cada aluno em especial. As dificuldades de aprendizagem não devem ser confundidas com incapacidade de aprender. Um ponto que merece destaque são as brincadeiras e jogos cooperativos. ou quando o mesmo faz um diagnóstico errado e rotula o aluno como "problema" este passa a ser um forte candidato à repetência ou evasão escolar. A proposta primordial deste trabalho é refletir sobre as possíveis causas de crianças consideradas normais terem dificuldades de aquisição do conhecimento veiculado pela escola. As crianças portadoras de dificuldades para aprender. Por isso. É sabido que a sala de aula é o espaço onde o ensino é a aprendizagem escolar se efetiva. Este fato contribuiu para uma crescente demanda de crianças tidas como incapazes e privadas de uma escolaridade regular. embora não encontrassem argumentos científicos que justificassem todas as causas dos distúrbios de aprendizagem. foi-se modificando. 32). com a finalidade de determinar o potencial de inteligência em crianças da mesma idade. porém são ambientais e psicológicos. outros. era rotina submeter à criança que apresentasse um comportamento diferente no domínio de operações escolares como leitura. esse processo de re-inventar as aulas merece atenção especial do docente. muitas vezes mal interpretados ou desacatados à realidade.blogspot. Assim.

linguagem e valores específicos." (PILETTI. observando seus comportamentos. certamente irá criar obstáculos frente à nova situação. 1. Possui maior ou menor capacidade de memória. questões físicas e ambientais do próprio sistema de ensino. porém em quantidade diversa.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Tentar retardar ou apressar o seu processo natural de desabrochamento resultaria no murchamento da rosa. O aluno pode-se tornar apático. 1997 p. não realizar as tarefas previstas. Um comportamento é maduro na medida em que for adequado à idade do individuo. 182). é o nível de desenvolvimento em que a pessoa se encontra em comparação com as outras pessoas da mesma idade. Dessa forma: "Distúrbios de aprendizagem estão mais ligados a fatores orgânicos. na questão do não-aprender. não respeitar professor e colegas. que freqüentemente. investigando as causas de forma ampla. Pois "é o modo de agir do professor em sala de aula.2 Condições de aprendizagem A aprendizagem se acha na dependência de inúmeras condições. tornar-se agressivo. é preciso descobrir em qual área a criança se encontra mais afetada.35). Em qualquer fase da vida pode-se falar em maturidade. (GRAPPA. ou a uma relação mal estabelecida com a escola ou professor" (AUREDITE. não se interessar pelas atividades. Só precisa satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza.147). conversando com o grupo. num ambiente de ensino seguro. (AUREDITE. cognitivo e motor. inclusive o próprio método de ensino. Embora independente de qualquer um dos conceitos apresentados pela autora. Assim o interesse do educando por determinada atividade depende de sua idade. etc. briguento ou uma criança retraída. Para isso é necessário que esteja mais atento e mais consciente de sua responsabilidade como educador. o que envolve vários aspectos. Os alunos considerados normais possuem a mesma espécie de aptidões e capacidades. nem para encontrar caminhos específicos para cada indivíduo. op. com novos papéis e funções. O professor deve contar com seus próprios conhecimentos para detectar as dificuldades de aprendizagem que surgem dentro da sala de aula. (Martins 1984.1 Maturidade "Maturidade em termos psicológicos. Assim acontece com a criança. Os problemas de aprendizagem estão mais ligados às questões emocionais. 1. atuam interelacionadas. O que não quer http://psicodaniinglith. As dificuldades de aprendizagem estão mais ligadas ao processo de aprendizagem normal e podem ser decorrentes de oscilações que marcam a diferentes etapas do desenvolvimento. cada criança tem sua própria hora para aprender a andar. para que possa descobrir o que está comprometendo a aprendizagem e criar meios que possam auxiliar o desenvolvimento forma significativa. p. evitar rótulos traumatizantes e buscar maneiras de intervenção que não poupem esforços. estão presentes os fatores biológicos. não se pode atribuir a nenhuma delas isoladamente a responsabilidade pela inadaptação da criança na escola. do ambiente sócio-cultural. sociais e familiares. p. porque não disporá de condições para sua realização. 1. Levando em consideração os diversos fatores que desencadeiam um problema ou distúrbio de aprendizagem. é preciso considerar a criança como um ser social dotada de cultura. Elas nascem com a capacidade de aprender e aprendem em ritmos diferentes. cit. 2001.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 21 de 155 O esquema de desenvolvimento é comum a todas as crianças. p. Dessa forma.html 09-12-2012 . das necessidades imediatas."O negar-se a aprender é um sintoma que pode ser uma defesa e tem um efeito positivo sobre o sujeito". Uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. que favoreçam seu desenvolvimento total. equilíbrio emocional etc. Diferem mais no grau do que na espécie". nem para buscar novos jeitos de ensinar e de fazer escola. paciente e sem ameaças. Oferecer-lhes a motivação de que necessitam para se sentirem seres humanos competentes e bem sucedidos. que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos".2. Desde que hes proporcione situações adequadas. A criança ingressada em uma nova pauta de relações. As causa das dificuldades de aprendizagem não são claramente identificadas. bem como suas condições de vida familiar e não se preocupar apenas com uma anomalia. mas vários fatores contribuem para que crianças com a mesma faixa etárias perfeitamente normais comportem-se de maneira diferente e criem obstáculos no aprender. não importa quando. se o aprendiz não está maduro para executar uma atividade. enfim da motivação que orienta seus comportamentos. Deve-se ver cada criança como um caso único. p. É interessante a analogia feita por Jan Hunt em seu artigo "Distúrbios de aprendizagem": Uma rosa com outro nome. Não adianta querer ensinar alguma coisa à criança antes da hora. emocional. Desenvolvem uma série de estratégias de resistência aos esquemas normativa impostos pelos professores. e em tempo diferente. uma vez que vários fatores contribuem para isso e. Os fatores vão desde diferenças de caráter. em outro ambiente. a falar. O bebê que anda com onze meses apresenta maturidade na habilidade de andar enquanto que outro bebê pode não apresenta esta mesma habilidade aos quatorze meses. a ler. mas podem ter como causa uma inadaptação a uma metodologia. as aquisições e realizações na vida escolar vão variar. 115) E necessário que o professor observe cada aluno cuidadosamente durante as atividades realizadas em classe. atenção. bem como na relação entre os colegas. de modos diferentes. mais do que suas características de personalidade. em que compara a criança a uma rosa. No entanto.35). nada perguntar.1 Diferenças individuais e aprendizagem As diferenças entre os indivíduos "são mais de natureza quantitativa do que qualitativa. evidentemente não poderá aprendê-la. A maturidade ocorre no momento em que o organismo está pronto para a execução de determinada atividade. estimulante.blogspot. raciocínio.

Também não se aprende escrever sem a maturidade social necessária para ser capaz de aceitar o outro. Caso contrário. O aluno só aprenderá se estiver convencido de que essas aprendizagens satisfarão suas necessidades. Em ambos os casos. é preciso ver quais as motivações do aluno e procurar adequar a aprendizagem a tais motivações. no sentido da superação do egocentrismo infantil. são importantes as atividades de educação física. Não se aprende a escrever sem a maturidade física do organismo. ·Motivação intrínseca: refere-se a algo que as pessoas fazem por razões próprias e para satisfação interna. Está ligada ao desenvolvimento dos sentidos básicos de amor. práticas esportivas. O gosto também vai sendo aprendido. pois não satisfarão suas necessidades. Assim ocorre o processo de aprendizagem. ódio. deixa de brincar só para brincar também com os outros. 1. Sem motivação não há aprendizagem. ·Maturidade intelectual: refere-se ao desenvolvimento da inteligência. As pessoas não nascem gostando de tudo. Dessa forma pode-se dizer que existem dois tipos de motivação: a intrínseca e a extrínseca. da maturidade e de experiências anteriores bem sucedidas. que permite segurar e movimentar o lápis ao desenho das letras. a criança passa a abranger um numero crescente de pessoas em suas relações. de desenvolvimento físico.2. a pessoa vai aprendendo a reconhecer suas emoções. A motivação ideal é a intrínseca. afeição e outros.2. Recompensas e punições também não resolvem se o aluno não quiser aprender. As pessoas podem também agir levadas por um impulso interno. do desejo de sucesso e de auto-realização. ·Maturidade social: compreende a evolução da sociabilidade. e melhores serão seus resultados. O ensino e o treinamento antes da maturação adequada podem ser inúteis e até prejudiciais. É importante que os objetivos propostos pela escola e pelo professor coincidam com os objetivos do aluno. os fatores que a levam a caminhar naquela direção podem-lhe ser intrínsecos ou extrínsecos.. Se a escola reservar um tempo para tais atividades. ele aprende melhor. medo. quanto mais cresce.html 09-12-2012 . neste caso. Para que o educando aprenda é preciso que esteja maduro para isso. Na medida em que se desenvolve. Estímulo. (PILETTI. Com o desenvolvimento. para a formação da pessoa adulta. a não deixar que elas prejudiquem outras pessoas. ·Maturidade física: engloba o desenvolvimento das características físicas. 1997 p. social. Ela decorre dos interesses naturais do aluno. mas de um terceiro que a estimulou de alguma forma para que ela se movimentasse em direção ao objetivo pretendido. o aluno não se preocupará em atingi-los. incentivos. ·Maturidade emocional: diz respeito à expressão e ao controle das emoções nas diversas idades. mais aceita os outros e se torna aceita. psicológico e social. existe vontade própria para alcançar o objetivo. raiva. Tais aspectos da maturidade são interdependentes. emocional e física. se o aluno não estiver motivado ele não vai aprender. a iniciativa para a realização da tarefa não partiu da própria pessoa. Muitas vezes uma pessoa sente-se levada a fazer algo para evitar uma punição ou para conquistar uma recompensa. Toda criança precisa aprender muita http://psicodaniinglith. pois isto lhe facilitaria enfrentar adequadamente as situações de aprendizagem. a criança amplia seu conhecimento tanto no sentido espacial quanto no sentido temporal. ou seja do conhecimento do conhecimento que a pessoa tem de si mesma e do mundo que a cerca. Quando o aluno aprende algo que tem interesse para sua vida quotidiana.182). da curiosidade que o professor conseguiu despertar nele. Uma parte importante dessa motivação reside no interesse do aluno naquilo que ele está aprendendo.blogspot. Todos são igualmente importantes para o desenvolvimento do ser humano. ·Motivação extrínseca: refere-se a uma valorização que vem do meio externo. Nenhum aspecto da maturidade pode ser esquecido pela escola.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 22 de 155 dizer que o primeiro está mais perto do normal que o segundo. por mais que o professor se esforce para ensinar de mil maneiras diferentes e interessantes. mais disposição terá para aprender.3 Motivação A motivação é a base para a aprendizagem. Para ajudar a criança a alcançar sua maturidade física. por uma necessidade interior. reforços. Quanto mais motivado o aluno. É nisso que consiste a motivação extrínseca. Muitas dificuldades escolares surgem exatamente porque o aluno não está preparado para as aprendizagens que lhes são propostas. 1. isso adquire maior significado para ele e torna-se imediatamente identificado como formação útil. a expressão corporal. estará contribuindo para um desenvolvimento integral da criança. Um não se desenvolve sem o desenvolvimento simultâneo dos outros.2 Tipos de Maturidade O processo de maturação constitui um dos fatores que determina a prontidão para a aprendizagem e compreende quatro tipos principais: intelectual. o teatro. A pessoa não teria caminhado em direção ao objetivo coso não houvesse a punição ou recompensa.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Quando uma pessoa se põe a caminho de um objetivo. Antes do inicio de qualquer processo de aprendizagem. no caso o professor que ensina. a criança precisa apresentar um nível de maturidade. Nessas circunstâncias. No momento de sua entrada no sistema escolar. elogios. Não adianta o aluno estar amadurecido ou ter experiências anteriores favoráveis. pois é preciso ser capaz de concentrar-se nas tarefas repetitivas que compõem o aprendizado da escrita. que suas habilidades psicomotoras estejam desenvolvidas – o que pode variar de criança para criança. preocupada apenas consigo mesma. De egocêntrica. prêmios. mas nem sempre esta ocorre ou está presente. E não se aprende a escrever sem maturidade emocional. a dança. prazer. tudo isso são fatores que surgem de fora da pessoa para movê-la rumo à realização de certas ações que ela normalmente não colocaria em prática.. a aceitálas. em função de necessidades.

dessa forma. da sua não vinculação com os fatores e acontecimentos do meio natural e social: das formas de organização da rotina escolar ( por exemplo. problemas emocionais. imaturidade. fantasia. angústia.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Para que isso aconteça. o rendimento é bem melhor ao comparar com os alunos que não tenham os requisitos citados. Se o meio social da criança não pode dar boas condições para o desenvolvimento intelectual. a oportunidade de aprender tanto quanto sua capacidade permitir. Principais fatores que contribuem para o fracasso escolar. Daí a necessidade da motivação externa.1 O fracasso escolar nas escolas brasileiras. não importa a sua deficiência.html 09-12-2012 . ansiedade. da inadequação à idade e ao nível de preparo dos alunos para a sua assimilação. alunos com diferente aproveitamento recebem tratamento desigual. 2.2 Fatores que interferem na aprendizagem Existem inúmeros fatores que podem provocar um problema ou distúrbio de aprendizagem. pois o professor prefere os que melhor correspondem as suas expectativas do bom aluno".41) Muitas vezes. 276). Manifesta-se pelo grande número de reprovações nas séries iniciais do ensino fundamental. A motivação real vem de cada individuo.o tipo de educação familiar. É comum os professores justificarem as dificuldades apresentadas pelos alunos como pouca inteligência. O objetivo é fazer o aluno passar da motivação externa para a motivação interna.se que o aluno que tem maior contato com os livros e realizam tarefas educacionais. o ensino deve proporcionar um ambiente estimulante. tais como: sobressair no mercado de trabalho. c)Fatores ambientais . intelectuais vistos como modelos de aluno ótimo. e inicialmente muitas dessas coisas não lhe oferecem qualquer interesse. Um dos mais graves problemas da educação brasileira é o fracasso escolar. pensante e formador de opinião. (ARAUJO E CHADWICK. pode facilitar ou dificultar o desenvolvimento intelectual. ter uma vida digna. Libâneo admite que: "o aluno na maioria das vezes é discriminado pelo professor no início do ano. Cit. exclusão da escola ao longo dos anos. pois a motivação que decorre de um genuíno interesse em aprender é muito mais duradoura e valiosa do que a que provém do interesse de aprender apenas para ganhar uma recompensa. (1994 p. A proposta do sistema educacional brasileiro é dar. b)Fatores psicológicos – Inibição. econômico e cultural. a influência dos meios de comunicação e outros. o grau de estimulação que a criança recebe desde os primeiros dias de vida. níveis de desempenho escolar tendo como referência o aluno considerado "normal".' ( Libâneo op. dificuldades escolares não superadas que comprometem o prosseguimento dos estudos. mas nem por isso é coerente colocar a culpa do fracasso na família. quando o professor olha na face dos alunos e diz: quais terão sucesso no final do ano. sócio – culturais e psicológicas da clientela atendida. pode-se dizer que a assimilação de conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos estão ligados às condições econômicas e culturais dos mesmos. Além disso.blogspot. Geralmente. insuficiente alfabetização. 2. A influência do meio. Eles podem apenas encorajar por palavras e ações. principalmente nas classes sociais menos favorecidas. Deve-se refletir em todos e não colocar toda a culpa nas crianças ou nos responsáveis e repensar na prática pedagógica. O que percebe. o professor necessita estar preparado emocional e intelectualmente "há também. para cada criança. Recompensas e estímulos são úteis para começar e para encaminhar os interesses e formar hábitos nas crianças para apreciar as coisas pelo que são e não para ganhar recompensas. podendo causar vários transtornos na vida do indivíduo. psicológicos e ambientais.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 23 de 155 coisa. Uma das principais tarefas para professores é provocar interesse e envolvimento no assunto até quando os estudantes não estiverem inicialmente interessados nele. São considerados fundamentais: a)Fatores orgânicos – Saúde física deficiente. Percebe-se que as escolas brasileiras não estão preparadas para trabalhar com crianças de vários níveis. A qualidade de ensino não se separa das características econômicas. substituição de professores etc. tanto social. em boa parte das escolas públicas há uma redução do período de permanência das crianças na escola. essa previsão acaba-se concretizando. suspensão de aulas por qualquer motivo. P. Nem todos têm objetivos definidos. desde que os objetivos e os conteúdos sejam atraentes e adequados. Percebe . Esses problemas existem. inadequação à realidade. a sua vida escolar. sentimento generalizado de rejeição etc. é que todos são capazes. pois os reprovados no final do ano são aqueles já marcados pelo professor. Esses fatores dividem em orgânicos. estudantes com poder aquisitivo alto. por falta de cautela. Essa é uma maneira de discriminar as crianças menos favorecidas. ser um indivíduo ativo. deficiências na organização do ensino que decorrem dos objetivos e programas ( muito extensos ou muito resumido. 2001 p. falta de acompanhamento dos responsáveis e outros. Contudo os professores não são responsáveis pela motivação de seus alunos. devido a necessidades especificas. calmo e harmonioso com a finalidade de resgatar o aluno. alimentação inadequada etc.42) Todos os fatores supracitados interferem no ensino e na aprendizagem. Crianças que não se enquadram nesse aspecto são consideradas fortes candidatos à reprovação escolar. O ensino pode contribuir para a superação do fracasso escolar. prejudicando assim. os professores estabelecem padrões. especialmente do ensino. http://psicodaniinglith. falta de integridade neurológica (sistema nervoso doentio). Vários alunos são retirados da escola para ajudar os pais no campo. Nota – se que há vários fatores que exercem influência na aprendizagem dos alunos.

(1975 p. Os pais e os professores estão sempre ensinando simultaneamente em diferentes níveis de consciência.a partir dos treze anos de idade. diferente do pensamento adulto. com objetivo de orientá-la. d) Operatório formal. "As coisas ensinadas ou aprendidas conscientemente podem ou não ser importantes e podem ou não fixar-se".motor. ao ridículo ou à rejeição. escola e aprendizagem. Os problemas de personalidades não são facilmente identificados pelo fato de que.2) Qualquer problema de aprendizagem requer grande trabalho do professor junto à família da criança.3 Família. se ansiosa. Este tipo de aprendizagem e ensino em diferentes níveis de consciência dá-se durante todo o tempo. Mediante os estudos de José e Coelho: "Os problemas de personalidade são de caráter neurótico e podem ser chamados de "comportamentos esquivo". não precisa ser especialista. sociedade. visto que são inimigos. o pensamento se torna livre das limitações da realidade concreta. a espécie de pessoa que se tornará".determinaram o que ele vai aprender e.20) 2. tais como: falta de interação. surdo-mudez. crianças com problemas de personalidade são submissas e obedientes. http://psicodaniinglith. destrutivos. não só com a realidade concreta. ela estende os braços e se adapta ao nosso corpo. psicológicos e sociais. mesmo enquanto o tratamento está-se realizando. Nessa fase. a criança é capaz de interiorizar ações. isto significa que os acontecimentos vividos pelo indivíduo em desenvolvimento em sua casa. mas precisa ter conhecimentos básicos sobre o que é uma criança. Segundo José e Coelho. dificultando a observação. facilitando a aprendizagem. a criança é de aparência normal". Seus aspectos biológicos. nessa fase. timidez. 170) É freqüente o diagnóstico incorreto do autista. O autista já não estende os braços e não se ajeita se o pegarmos.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 24 de 155 Quem trabalha com crianças deve conhecê-las.operatório. evita situações que possam expô-la à crítica. pois cada etapa necessita de uma atenção especial. (2004. O sintoma pode aparecer desde os primeiros anos de vida. Dentre as principais aquisições do período sensório-motor.operatório. é a fase da liberação do pensamento. porém.4 Alguns comportamentos que influenciam na vida escolar e social dos alunos 2. agressivos. embora muitos casos exijam assistência especializada. p.marcado pelo aparecimento da linguagem oral. por volta dos dois anos. através da qual a criança diferencia o mundo externo do seu próprio corpo. algumas vezes.1 O autismo infantil A criança não interage com outras pessoas. agitação. mas também com a realidade possível. atribuindo confiança e afeto ao aprendiz. p. em grande parte. A partir do momento que o professor perceber qualquer comportamento estranho no aluno. acarretando danos ou benefícios para a aprendizagem. em geral. influência no comportamento. que. Lindgren (1997. Os esquemas sensório-motor são construídos a partir de reflexos inatos (o de sucção. também. Quando chamamos uma criança normal de oito meses para vir ao colo. b) Pré. destaca-se a construção da noção "eu". na escola e em seus vários ambientes sociais . acontece sem que os pais tenham consciência de que estão tentando influir sobre a conduta dos filhos. para diagnosticar situações e levantar características. porque nesta fase a criança é muito egocêntrica. O meio onde a criança convive. mas que. fobia.. afazia e outras síndromes.blogspot. p.168) Os problemas de conduta geralmente chamam mais atenção do que os problemas de personalidade. é realizado no nível consciente. na maior parte das vezes.. seu desenvolvimento escolar estará prejudicado." (COELHO. inquietação. Só aos oito meses é que se observa a ausência dos movimentos antecipadores habituais.vai do nascimento até aproximadamente os dois anos de idade.html 09-12-2012 . Permitirá ao adolescente pensar e trabalhar. o professor deve estar sempre atento às etapas do desenvolvimento do aluno. Os problemas de conduta relacionam-se a comportamentos que perturbam totalmente as outras pessoas e podem ser dirigidos contra elas. isto é. a criança tem medo dos outros. das amarras do mundo concreto. Tais experiências resumem-se num treino. Período sensório motor. às vezes envolvendo delito e psicopatologia. são quatro as etapas de desenvolvimento: a)Sensório. em seu meio geográfico. por exemplo). Segundo Piaget. a "criança problema" geralmente permanece em sala. (1997.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. p.concreto. De acordo com alguns estudos feitos compreende-se que a criança depende do meio em que vive. Os distúrbios de comportamento constituem um assunto de grande preocupação para os professores porque. com a finalidade de descobrir o que está representando dificuldade ou empecilho para que o aluno aprenda.por volta dos sete anos de idade é a etapa do pensamento lógico e das atividades concretas. É a família que primeiro proporciona experiências educacionais à criança. No estabelecimento de ensino. c)Período operatório formal . dentro ou fora da escola. 2004. 86) Para Gagné "A experiência é o maior dos mestres. c) Operatório-concreta. a)Período pré. "No momento do nascimento. retardamento mental. b)Período operatório. especialistas e outros. e as crianças estão sempre aprendendo em diferentes níveis. usados pelo bebê para lidar como o ambiente. tentar resolver ou encaminhá-la para os canais competentes tais como: gestores da escola.4. família. A criança vive num mundo particular e não socializa. 2. confundindo-o com casos de retardamento mental. sente. Se for criada no ambiente conturbado. Muitos psicólogos classificam os distúrbios de comportamento em duas categorias: problemas de conduta e de personalidade.

175) 2. tratamento inadequado (superproteção e / ou punição). Os alunos com fobia escolar necessitam de atenção especial tanto fora como dentro do estabelecimento de ensino. uso de punições físicas dolorosas. prejudicando suas relações futuras. euforia e distração freqüentes podem significar mais do que uma fase na vida de uma criança: os exageros de conduta diferenciam quem vive um momento atípico daqueles que sofrem de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDHA).cit. mostrando que nenhum indivíduo vive sozinho.4 Timidez A criança já nasce com uma série de características mais ou menos pronunciadas. 2. ·Trabalhar sempre com atividades relevantes. subestimem ou ofendam.180). ·Selecionar os alunos e atribuir tarefas. ·Sugar as energias dos alunos. à incapacidade total ou parcial de freqüentar a escola dá-se o nome de fobia escolar. Vários fatores contribuem: rejeição dos pais ou parentes. Segundo José e Coelho. devido à influência do seu meio social. professores e demais funcionários. é importante que o professor tenha conhecimento dos sintomas característicos desse distúrbio. outros adultos e colegas através de frases que depreciem. precisa do apoio da família e professores. 2. no sentido de fazer com que o filho permaneça sozinho na escola. A criança é mais fácil para se tratar e contornar o problema. dores de cabeça e de barriga.). p. (op. p. A criança até vai à escola. que com este comportamento encoraja o filho a ficar em casa. Não se deve confundir a criança tímida com a parada ou desinteressada. http://psicodaniinglith. afeto dos pais. Provém em geral de um complexo de inferioridade cultivado por pais. Exemplo: supervisionar a sala. Adolescentes e adultos só conseguem algum resultado através da psicoterapia intensa.178) Para combater a fobia escolar. excessiva tolerância da agressividade. O comportamento de uma criança fóbica é gerado através de uma superproteção dos pais. psicologia. É importante o trabalho multidisciplinar (psiquiatria. apoio. São frases que impedem a criança de confiar em sim mesma e geram a timidez que pode acompanhá-la durante toda a vida. ameaças de punição física. O tratamento indicado é a psicoterapia prolongada. falta de apetite. encenações teatrais. mas firme e determinada.4.html 09-12-2012 .2 Agressividade Encontram-se crianças agressivas. que em certos casos devem-se atender também os pais. mas quando chega começa a sentir esses sintomas ou chora. doença precoce e crônica que provoca falhas nas funções do cérebro responsáveis pela atenção e memória. mais rápido será o tratamento e. diarréia. sobretudo na pré-escola. susto.3 Fobia escolar De acordo com os estudos feitos de José e Coelho.4.. (op.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Se persistir a reação por várias semanas. montagem. ·Acentuada hiperatividade física.cit.5 Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade – TDAH Ansiedade. (op. Não se deve confundir a fobia escolar com o medo natural dos primeiros dias de aula. A família pode ficar com o filho na escola até que o mesmo se acostume e se adapte. Outro caso é quando o aluno teve experiências infelizes. deve-se suspeitar de fobia escolar. não consegue sobressair devido a sua timidez. aceitando sugestões e argumentando com seriedade sobre as conseqüências dos atos violentos.4.blogspot. paz.cit.4. neurologia etc. Manifesta-se através de ansiedade. inventando desculpas ou até mesmo doenças. Quando é superprotegida e lesada. carinhosa. atribuindo tarefas de acordo com os seus talentos. Ocorre com alunos de todos os níveis sociais.: pintura. Características da criança autistas mais evidentes: ·Não se mistura com outras crianças. ·Usam pessoas como ferramentas. Todas precisam de amor. evitando agressividade no recinto escolar tais como: ·Estabelecer contrato didático. febre etc. ·Resiste ao contato físico. 2. ·Incentivar os alunos com símbolos comportamentais. Algumas são inibidas e outras extrovertidas. em alguns casos é possível a recuperação.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 25 de 155 Quanto mais cedo se identificar o autismo. irmãos. várias atitudes podem ser feitas. vômitos. a timidez excessiva de uma criança deve ser encarda com seriedade. ·Não demonstra medo de perigos reais. juntamente com a classe. pois as crianças que conseguem se recuperar parcialmente podem vir a freqüentar classes normais. com intuito de não deixarem os alunos ociosos. ·Risos e movimentos não apropriados. Para amenizar agressividade no estabelecimento escolar é necessário orientar os alunos quanto à importância da harmonia. Professores no sentido de orientar as mães para ser mais calma..p. ex. palidez. tranqüila. Embora a presença de uma criança totalmente autista seja rara na escola do ensino fundamental. náuseas. desvios sociais dos pais e parentes: desavenças em família. qualquer grau de escolaridade e diferentes níveis de inteligência. ·Modo e comportamento indiferente e arredio. A falta de independência limita o meio escolar e social. Para José e Coelho. São catorze os sintomas característicos e a presença de sete já é o bastante para definir o autista. falta de supervisão dos pais ou responsáveis. inquietação.

antes de ouvir a pergunta inteira. no equilíbrio. ·É facilmente distraído por estímulos externos." (Rohde. No entanto antes de classificar estas crianças com rótulos depreciativos é importante que os educadores procurem estar informados sobre o assunto para tomar as devidas providências. 2. a desatenção. um ser humano considerado disléxico pode ter inteligência acima da media. soletração e ortografia. Tudo isso sendo possível com a ajuda de uma equipe multidisciplinar. agitação e impulsividade. e ou psicológica.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. (1992. Como afirma NUNES. linguagem e o pensamento. datas e fatos históricos. p. e não necessariamente simultâneos. infecções. psicopedagogo. o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade tem como fatores predominantes. Segundo. Não se deve dizer que uma criança é disléxica em decorrência dos fatores como gestação fragilizada ou mesmo uma alimentação inadequada ou nascimento prematuro.. No entanto. indisciplinados. De origem genética. na noção do espaço temporal. Mesmo sendo um distúrbio da aprendizagem.Revista Pátio.4. localização de conceito. que por meio de estimulação permitirá certa organização das estruturas psiconeurológicas. 26). É nesta fase que o indivíduo adquire todas as suas capacidades humanas. 2003. p.html 09-12-2012 . Por isso é importante que a escola capacite seus profissionais e também contrate profissionais especializados que possa encaminhar essas crianças à especialista para que se realizem diagnóstico preciso. apresentando quadro de ordem neurológica.. muito pelo contrário. ·Dá respostas precipitadas. embaixo e em cima. É um termo abrangente onde descreve grandes dificuldades em assimilar sons e letras resultantes de discretas anomalias na organização dos circuitos cerebrais responsáveis pela coordenação visual-auditivo-motoraverbal e que sustentam o complexo da percepção e compreensão da linguagem escrita.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 26 de 155 O transtorno de déficit de atenção / hiperatividade é um problema que atinge uma parte do cérebro do ser humano causando algumas variações de comportamento como: desatenção. como é o caso dos cientistas Albert Einstein e Thomas Edison. ·É impulsiva. Assim sendo a criança começará a perceber seu universo orientado. irá desenvolver seus sentidos. A dislexia não é uma doença e sim um distúrbio de aprendizagem inato que de alguma forma interfere de maneira significativa na integração dos símbolos lingüísticos e perceptivos. uma vez que. "Não se trata de rotular essas crianças. 2. fonoaudiólogo e se necessário. obrigações escolares. inquietos.48. como traumas inclusiva cerebrais. viagens. para direcionar a aprendizagem. o disléxico é capaz de evidenciar sua inteligência. a impulsividade e a hiperatividade. "É possível que as crianças disléxicas levem desvantagem. casa. Como também em decorrência de algum tipo de lesão cerebral ou acidentes ou mesmo de remoção de http://psicodaniinglith. Sintomas mais conhecidos da hiperatividade 1. tais como brinquedos.) Muitas crianças hiperativas são classificadas pelos pais e profissionais da educação como preguiçosos. Esse comprometimento vem sempre associado a dificuldades na coordenação motora geral ou fina. desnutrição ou dependência química dos pais. na identificação e localização do esquema corporal. ·Intromete-se na conversa dos outros ou a interrompe. Para que se considere um indivíduo com TDAH. isto é. estabelecendo assim condições corticais necessárias para esta aprendizagem. mais lentas do que outras crianças no reconhecimento de formas em geral. ·Tem dificuldades de manter a atenção em tarefas ou jogos. Esses distúrbios são percebidos nas crianças que se distraem com facilidade e em muitos casos são prejudicados na aprendizagem escolar e no seu dia a dia social. um neurologista e um geneticista. antes e depois.Hiperatividade/impulsividade ·Agita mãos ou pés ou se remexe na cadeira.. E sim pode ser um portador de conduta típica com alguma síndrome. a locomoção. o pintor Pablo Picasso entre outros. muitas pessoas podem reconhecer algumas palavras. ·Tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.). desconhecidas e congênitas. lápis. psicólogo. os sintomas devem se manifestar em vários ambientes (Escola. livros ou ferramentas.blogspot. As causas da dislexia e outras patologias podem ser genéticas. mas de reconhecer que apresentam um conjunto de sintomas que as colocam em risco. A dislexia não implica no comprometimento do nível intelectual. a razão de sua percepção. ·É esquecido em atividades diárias. Uma diferença dessa natureza provavelmente constituiria uma deficiência.6 Dislexia Dislexia é uma disfunção neurológica que tem como conseqüência dificuldades acentuada que ocorrem no processo da leitura. escrita. mal educados. é preciso perceber a importância a aprendizagem sensorial desde zero até seis anos. como um todo. podendo assim comprometer sua aprendizagem da leitura e escrita. como sendo. ritmo. Estes transtornos levam as crianças a desenvolverem grandes dificuldades em relacionamentos bem como apresentarem comportamentos variados. ·Perde coisas necessárias para as tarefas e atividades.. além de influências externas relevantes. incapazes. ou seja.Desatenção ·Tem dificuldades em organizar tarefas e atividades. ·Fala demais. O sistema funcional da linguagem precisa de certa estrutura bem vivenciada para que determine a maturação do sistema nervoso para facilitar a aprendizagem da criança. com base em sua forma global". o ator Tom Cruise. ao ler.

jovens e adultos portadores de deficiência fossem admitidos em classes comuns. verificar se o problema é eventual ou persistente e encaminhar.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 27 de 155 um tumor cerebral pode ocasionar a dislexia adquirida. Características mais evidentes da criança disléxica ·Incapaz de falar ou de ler com a mesma facilidade das outras crianças ditas normais. capacidade e de interesses. com base nos quais o Estado é obrigado a adotar as medidas necessárias para proteger a criança contra todas as formas de discriminação contra todas as formas de discriminação. não é apenas a simples colocação em sala de aula. 1994. recomendando que os processos pedagógicos levem em conta as diferenças sociais.Reunião de Ministros da Educação na América Latina e Caribe (Kingstom): uma das recomendações estabelece o fortalecimento das condições e estratégias para que as escolas atendam a crianças com necessidades educacionais especiais ou que apresentem dificuldades de aprendizagem em virtude de diferentes razões. é possível contornar o problema. apresenta lateralidade indefinida. Portanto é preciso que os professores estejam preparados. um quando se fala em possibilitar às pessoas com deficiência. 1994. 1996. treinamento e desenvolvimento de atividades educacionais que estimulem as aptidões culturais. nas atitudes e nas práticas dos docentes. iguais oportunidades de aprendizado e outro quando se refere ao conceito de educação inclusiva. uma vez que visa oferecer escolaridade. independentemente de suas condições pessoais. o sistema escolar tem que ajustar-se para satisfazer as necessidades de todos os discentes. significa a criação de uma escola onde pessoas com e sem deficiência possam conviver e estudar em ambientes onde os indivíduos aprendem a lidar com a diversidade com a diferença. bem como nos níveis de relacionamentos entre os diversos atores. na organização e no funcionamento das escolas. encontra-se normas e acordos internacionais elaborados sobre educação de qualidade para todos: "1989 . em contato com alunos sem deficiências. Cabe ao professor conhecer os modos de identificar a dificuldade. ensino ou escolaridade inadequada e ambiente social precária. 1990. e sim um acentuado distúrbio de aprimoramento. Nesse caso o aspecto segrega dor da educação especial dá espaço a um novo conceito de escola. é.blogspot. artísticas e laborais das pessoas com deficiência. A educação especial atende o primeiro conceito. De acordo com os estudos feitos. jovens e adultos sem qualquer exceção. com intuito de aprender e situar a deficiência no meio dos outros (Mota. BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A palavra Inclusão na Educação tem dois significados distintos. 2001. implica promover transformações nos sistemas educacionais. Mesmo com todas as dificuldades que a dislexia pode trazer para a vida escolar de uma criança. aos grupos mais excluídos. com vistas a uma melhor http://psicodaniinglith. a maioria é canhota e possui vocabulário limitado. E nem toda a demora no aprendizado é sintoma de dislexia. ·Não consegue acompanhar os colegas de classe e tem grande dificuldade no aprendizado e na fixação da linguagem escrita ·Tem letra ilegível. culturais. Não importa se tem alguma anomalia.Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade (Salamanca): dispõe sobre a obrigatoriedade das escolas de acolher todas as crianças. pois o grau do distúrbio varia e os sinais costumam ser inconstantes. O mais importante é que os pais e eventualmente os professores estejam sempre atentos. A dislexia não tem cura porque não é uma enfermidade. Essas dificuldades são amenizadas com terapia adequada e com estratégias de compensação que moderam seus efeitos. depois de constatar a permanência da situação. pois função de escola e dos pais ajudar a criança a persistir nos estudos.Conferência Mundial sobre Educação para todos (Jontien. No material elaborado pelo MEC-Ministério da Educação e Cultura – "Educar na Diversidade". ·Para ler e escrever deita na mesa ou posicionam a cabeça de lado ou seguram-na. O primeiro significado diz respeito ao acesso físico à escola. apesar de segregar os indivíduos com necessidades educativos especiais. Criar as condições para o desenvolvimento de escolas para todos e que garantam educação de qualidade com equidade. Seu aprendizado será de acordo com o seu potencial.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. de gênero. em cada país.Convenção sobre os Direitos da Criança (Nações Unidas): dispõe sobre os direitos que devem ser aplicados a todas as crianças. Nem sempre a dislexia é a causa das dificuldades no ambiente escolar. chamada escola Inclusiva. Já a Educação Inclusiva. 2000-Reunião Regional das Américas. tais como. Eles são os primeiros a perceberem os sinais.Normas Padrão das Nações Unidas sobre Igualdade de Oportunidades para pessoas com Deficiência: garantem que os membros deste grupo social possam ter os mesmos direitos e responsabilidades que qualquer outro indivíduo na sociedade.html 09-12-2012 . Nesse sentido. percebe-se que todas as crianças têm capacidades de aprender. preparatória do Fórum Mundial de Educação para Todos (São Domingos): estabelece o compromisso de formulação de políticas de educação inclusiva dando prioridade. 1999 pg. cujas crianças.34). Tailândia): recomenda especial atenção às necessidades básicas de aprendizagem das pessoas com deficiência e a adoção de medidas para assegurar igualdade de acesso a educação como parte integrante do sistema educacional. estabelece marcos legal e institucional para tornar obrigatória a inclusão como responsabilidade coletiva.VII Reunião Regional de Ministros da Educação (Cochabamba): reafirma a necessidade de valorizar a diversidade e a interculturalidade como elementos de enriquecimento da aprendizagem. deficiências.

c)As aulas devem ser organizadas de modo a estimular a participação e o esforço do aluno. como e quando devem ser realizadas. vários Decretos foram criados com intuito de garantir o acesso.58). em 1998 o MEC . 1988).1 A inclusão pedagógica no processo ensino aprendizagem No decorrer da história. um dos maiores desafios que os países. as dificuldades de aprendizagem podem ser encaradas em termos curriculares. Com base neste artigo da Constituição. Por essa razão. inadequadamente. Em linhas gerais. Nesse sentido. Assim. Freqüentemente os professores se queixam que seus alunos não possuem estimulação necessária à alfabetização e que isto interfere no ensino. independentemente das dificuldades das diferenças que apresentem para garantir um bom nível de educação. a experiência não tem nenhum sentido. o que devem fortalecer a idéia de Educação Inclusiva. deve estabelecer a ponte entre a política educacional do município e a população acadêmica. o Projeto Político Pedagógico da escola que é Poe excelência o instrumento teórico metodológico que define as relações da escola com a comunidade a quem vai atender. "(Duk. já a partir do momento em que se adota. suas capacidades. Constituição Federal. os sistemas de ensino devem construir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial. o princípio de que é o aluno que deve ajustar-se ao processo educacional e não o processo a ele. materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva. o Brasil tem gradativamente se movimentado na busca de se tomar uma sociedade que reconhece e respeita a diversidade que a constitui.blogspot. a atividade é inútil para os alunos. o professor precisa encontrar uma forma de ajudar os alunos a compreenderem para que serve as diferentes tarefas. Se lhes perguntar. o sistema de ensino brasileiro tem procurado encontrar novas formas de responderás necessidades de criança com dificuldade de aprendizagem. Preocupado com a formação do educador para adequar às atuais exigências da educação.119). e esse impacto ocorre de forma negativa.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 28 de 155 aprendizagem. os alunos que não assimilam bem a aula ignoram a finalidade do que lhes foi proposto para fazer. no artigo 3°. porque estão fazendo aquilo. 1997. á compreensão mútua e à convivência. parágrafo único.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. A organização de um sistema educacional inclusivo exige a transformação dos saberes e das práticas de todos os participantes da comunidade educacional e. a integração escolar com base na Constituição preconiza o atendimento ao portador de deficiência preferencialmente na rede regular de ensino (art. O relacionamento professor-aluno também é um fator que pode influenciar o processo ensino-aprendizagem. com o objetivo de ajudá-los a agir de forma positiva às necessidades especiais de seus alunos em sala de aula. o envolvimento de todos. limitações e suas experiências anteriores. pode-se dizer que é necessário uma política educacional cujo objetivo estabeleça que a escola se comprometa com a igualdade de oportunidades e condições para todos os estudantes a fim de garantir que todos possam ser bem sucedidos educacionalmente. três critérios são essenciais para o sucesso da aprendizagem: a)Os professores precisam conhecer bem os alunos. Com relação a essa situação. Em vez de culpar seus alunos. jovens e adultos com necessidades educacionais especiais ou não no sistema regular de ensino. os docentes devem procurar desenvolver as capacidades dos mesmos levando-os a sentirem a necessidade de valorizarem os instrumentos da cultura e as atividades que se relacionam com ela. Partindo do principio que toda criança é especial e por isso aprende de maneira diferente. dotado de recursos humanos. Nesse caso. A escola deve ser um ambiente que reflita a sociedade como ela é. No Brasil. devem basear-se nos seguintes conceitos: 1. as razões porque foram propostas. Finalidade: geralmente. E sabido que a atuação dos professores. as decisões que tomam as experiências que proporcionam e as relações que estabelecem com os alunos têm uma grande influência no desenvolvimento cognitivo dos mesmos. que ensine e eduque todos os alunos simultaneamente.Ministério da Educação e Cultura em consonância com as ações da UNESCO. isso se o professor estiver atento e consciente de sua responsabilidade como educador e dedique seus esforços para aumentar o potencial do aluno em todos os aspectos. Ao educador compete compreender a força e o impacto das causas que o processo pedagógico exerce sobre o aluno. anseios. De acordo com as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial Básica.208. 3. o objetivo da educação deve ser responder individualmente a todos os alunos e reconhecer que se deve respeitar a individualidade e o ritmo de aprendizagem cada um. O principio fundamental das escolas Inclusivas consiste em que todos os alunos aprendam juntos. É preciso garantir o acesso e a permanência de todas as crianças. na educação e o sucesso de todos na educação escolar. (Fonseca. os alunos serão capazes de http://psicodaniinglith. p. Partindo dessa idéia. Os professores conseguem por em prática esse aspectos de maneira criativa que pode ser realizada de diversas formas. porém. estados e municípios enfrentam diz respeito a como avançar na direção de um modelo de educação Inclusiva. O professor tem que ser aberto às perguntas e indagações dos alunos e trata-los com respeito (Oliveira. organizou um manual de capacitação de professores. De acordo com esse manual.html 09-12-2012 . portanto. reconheça as diferenças individuais como um valor a ser levado em consideração no desenvolvimento e na materialização dos processos de ensino e de aprendizagem. os alunos inclusos deverão ter garantido seu espaço e oportunidade. 1989). 2005 pg. Frente a essa reflexão constata-se que muitas das dificuldades apresentadas pelos alunos podem ser facilmente sanadas no contexto da sala de aula. Nesse sentido. podem responder que é porque o professor mandou. favorecendo seu sucesso ou fracasso na escola. b)Os alunos precisam ser orientados a atribuir um sentido às atividades de que participam.

Ao falar em variedade referimo-nos tanto ao que se az. Um fator essencial para conquistar o publico no contexto da sala de aula é a variedade. respeitando as diferenças individuais do mesmo. despertar e aguçar a curiosidade e desejo do educando. é necessário reconhecer que nesse caso. E certo que muitas crianças gostam e interessam em aprender. Essa experiência faz com que as crianças (mesmo as menores). um público garantido que é obrigado a estar ali. Outro aspecto que pode contribuir para o sucesso dos alunos é proporcionar a eles a oportunidade de escolher o que querem fazer. Outros. Muitas vezes. Mas. idéias e perspectivas que podem ser utilizadas para esclarecer a compreensão e o respeito à diversidade. o que se sabe é que muitos professores utilizam metodologias diferenciadas que na maioria das vezes são positivas. Vale ressaltar que qualquer método ou metodologia que o professor utilizar em sala de aula pode não promover a aprendizagem geral do grupo. O professor aprende a conhecer melhor seus alunos por meio de observações cuidadosas e de controle sistemático dos seus progressos. assinalando as atividades realizadas com sucesso e identificando as que precisam ser melhoradas. utilizando a palavra para ajudar os alunos a compreender o que lhes é pedido. avaliar e conversar com os alunos conjuntamente e/ou individualmente se necessário for. E viável que o professor priorize as atividades que condicionam os alunos a assumirem a responsabilidade de verificar seus progressos. porem. não só para ter claro o sentido que dão às atividades. corrigir os erros o mais rapidamente possível para evitar que os alunos voltem a comete-los. nas aulas menos organizadas. as aulas devem ser preparadas de modo a proporcionar aos alunos assuntos diversificados. E dar-lhe a oportunidade de relacionar as atividades da aula com suas experiências anteriores e com os conhecimentos já adquiridos. como e quando realizar as atividades propostas. Outra maneira de facilitar a aprendizagem é a apresentação do conteúdo de maneira clara apoiada por uma demonstração que inspire e estimule o pensamento e a participação de todos os alunos. para acompanhar. também estão interessadas em agradar ao professor e aos pais. procurando assim atender às diferenças individuais entre os alunos. Ou seja. conhecimentos. são vistas como "problemas". Existem vários métodos que podem ser utilizados para verificar o nível de compreensão dos alunos. aspectos de sua cultura pessoal. Observando que os alunos aprendem por meio de seus sucessos e dos seus fracassos. porém. Pó exemplo. suas capacidades. evidentemente. que podem ser registros ou outros que o professor achar conveniente. preferem um estilo menos diretivo. Desse modo. 3. Alguns profissionais preferem recorrer a uma abordagem direta. Utilização flexível de recursos no ensino é fundamental a gestão do tempo: turmas bem organizadas são geridas de modo a facilitar uma utilização eficaz do tempo. Essa maneira de atuar oferece oportunidade de adaptar as explicações em nível adequado a cada aluno e verificar a sua compreensão. sobre como realizar seus estudos com sucesso. se sensibilizem e assumem na maioria das vezes responsabilidade e controle de seu progresso. pedir para as crianças registrarem o que fazem. Em geral. Para tanto. E assegurar que as crianças tragam para a aula. no final de uma atividade levar as crianças a refletir e relatar em dupla ou em pequenos grupos sobre o que estiveram fazendo. alunos oriundos de famílias que adotam estilos de vida pouco habituais. variedade de contexto de aprendizagem bem como materiais didáticos apropriados.html 09-12-2012 . procurando favorecer a compreensão por meio de um processo de discussão e negociação com os alunos. 4. através de métodos de acompanhamento. o que foi mais importante e o que sentiram ao fazer a tarefa. querem descobrir algo diferente e novo no mundo em que vivem. crianças com estas características trazem consigo conhecimentos. com à maneira como se faz. o professor deve encontrar maneiras de manter toda a turma ocupada para poder estabelecer diálogo com um ou com um pequeno grupo a respeito do que estão fazendo e o porquê da atividade. interesses atitudes e suas experiências anteriores. Por outro lado. Variedade e escolha: o professor tem de certa forma.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. o que conseguiram. O professor menos diretivo pode privilegiar a discussão individual ou em pequenos grupos enquanto se movimenta pela sala observando o trabalho dos alunos e intervindo quando necessário. de que forma o professor pode ajudar os alunos a compreender melhor a natureza e a finalidade das atividades que lhes são dadas? Não se tem uma receita pronta para essa questão. tomando assim os alunos relativamente independentes do professor. isto porque alguns alunos necessitam de acompanhamento individualizado. Outro método importante é. Assim sendo. a organização do tempo e dos recursos são aspectos de fundamental importância: 2. Ao contrário de outras que só vão para a escola porque são obrigadas a obedecer à imposição da família e do próprio sistema organizacional do Brasil.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 29 de 155 responsabilizarem-se por sua própria aprendizagem e de trabalhar por um objetivo real. É fundamental reconhecer a importância de feedback. mas também como fonte de enriquecimento. Desse modo. Variam. o feedback dado pelo professor e pelos colegas pode oferecer orientação e estimulo para ajudar a obter melhores resultados Convém especialmente. Os materiais e equipamentos a serem utilizados na sala de aula devem estar guardados de modo a serem encontrados quando necessários.blogspot. com a natureza da atividade. o tempo http://psicodaniinglith. Pode acontecer de alguns alunos terem dificuldades em seguir as explicações. os alunos dependem do professor para dispor dos materiais para correções e para decisões sobre a orientação do trabalho. Reflexão e análise: foi evidenciada a importância do professor conhecer bem seus alunos. É tarefa do professor.

Também ressalta a importância da atividade e da atividade e da atuação do aluno como protagonista em seu processo de aprendizagem. quando se pede para os alunos trabalharem de forma independente. pela qualidade dos processos educacionais que acontecem na classe e pela capacidade do professor de analisar sobre sua prática a fim de tomar decisões que promovam a aprendizagem e a participação de todos. por alguma razão. cooperação e tomada de decisões. tem seguramente a indicação de que as explicações iniciais e os períodos de pratica orientado foram insuficientes.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 30 de 155 do professor é desperdiçado em questão de organização e de administração de rotina. partir de seus conhecimentos prévios. partilhar idéias e apoiar-se mutuamente. ATIVIDADES QUE ESTIMULAM A APRENDIZAGEM A sala de aula é um dos contextos educacionais de maior importância no desenvolvimento do aluno. os alunos tendem a se sobressair melhor quando são encorajados e elogiados em seus trabalhos. embora uma explicação possível seja que muitos professores não recebem formação a respeito das formas de organizar trabalho de grupo na sala de aula embora trabalhar sozinho em tarefas individualizadas seja uma forma importante para todas as crianças. b)Ajudar os alunos a perceber o seu sucesso depende em boa parte do sucesso do grupo. percebem que precisam adequar-se às reais necessidades dos alunos. essa tarefa não é fácil porque requer planejamento. E habitual ver alunos trabalharem sozinhos na sala de aula.html 09-12-2012 . com efeito. Dessa forma. Ou seja. pelo menos em parte. o professor deve organizar as suas aulas de forma a promover a cooperação. é difícil saber por que é assim. mesmo em sala uni seriada é uma forma dinâmica e proveitosa de organizar os trabalhos. e as crianças têm que resolver as possíveis dificuldades que encontrarem quando trabalharem com menos indicação e supervisão. A introdução de formas cooperativas de trabalho deve ser planejada e implementada de forma sistemática. O construtivismo enfatiza a necessidade de promover aprendizagens significativas em lugar de aprendizagens mecânicas. O professor tem de assegurar que todos trabalhem adequadamente. a aprendizagem cooperativa na sala de aula é facilitada por uma planificação cooperativa realizada por todos os educadores. com novos objetivos relativos a sua capacidade de colaboração. Muitos professores se sentem pouco preparados para atuarem de forma diferenciada. c)Determinar a dimensão e a composição dos grupos de forma adequada ás capacidades e experiências dos alunos como também à natureza das tarefas atribuídas. sua utilização em excesso é uma modalidade limitada de aprendizagem. em grande parte. principalmente no campo da comunicação. Muitas vezes estão sentados em grupos. prestar uma atenção cuidados a: a)Organizar atividades em que a colaboração seja necessária. sendo interessante então. Experiências e estudos comprovam que promover estudos em grupos diversificados de alunos.blogspot. das idéias trabalhadas ou. Exige. reorganização de grupos de acordo com as habilidades e objetivos da aula alem de acompanhamento especifico direcionados aos grupos. repetitivas e não relevantes para o desenvolvimento do educando. Também frequentemente. é fundamental saber quando a criança adquiriu um nível de aprendizagem que lhe permite prosseguir na realização da tarefa com menos supervisão. São.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Em outras palavras. falta de orientações suficientemente claras sobre como realizar o trabalho. Cooperação: partindo do principio que as salas de aula são locais em que as pessoas são capazes de trabalhar em conjunto. Essa situação acentua. As dificuldades surgem geralmente. E conveniente ressaltar que quando um professor gasta muito tempo voltando a explicar as coisas a muitos alunos. mas é ainda raro vê-los realizar tarefas em colaboração com os colegas. mais uma vez. Vale acrescentar que é mais fácil para os professores fomentar a utilização de métodos cooperativos de aprendizagem quando estes se inserem no contexto geral de toda a escola. a incidência da aprendizagem cooperativa e a autonomia e auto- http://psicodaniinglith. porém. ao mesmo tempo. prosseguir. Contudo. de pouco proveito. As deslocações e inferências do professor durante o período de atividades independentes do aluno podem também contribuir consideravelmente para mantê-lo ativo nas tarefas proporcionadas. A qualidade da aprendizagem do educando é influenciada. sua falta de sucesso é. Os dois recursos mais importantes da aprendizagem em qualquer sala de aula são o professor e os alunos. como qualquer outra nova experiência de aprendizagem. se a criança não adquiriu previamente as habilidades e os conhecimentos necessários para realizar a tarefa com um mínimo de sucesso. É importante reconhecer que a aprendizagem cooperativa pressupõe uma abordagem planejada que vai muito alem de uma simples intenção de encorajar os alunos a trabalharem em conjunto. 5. os alunos sentem dificuldades no trabalho por não terem compreendido bem o que estão fazendo. alem do trabalho relativo aos objetivos curriculares. a introdução de um conjunto adicional de exigências que requer dos alunos. As atividades independentes permitem em geral que os alunos pratiquem e apliquem habilidades e conhecimentos anteriormente adquiridos. d)Desenvolver a capacidade dos alunos no domínio do trabalho em grupo. resultado da não apresentação adequada por parte do professor. Em determinadas circunstâncias a oportunidade de praticar consideravelmente para ajudar as crianças a conseguir aprender o que não tinha aprendido anteriormente. por exemplo. a necessidade de se verificar cuidadosamente a compreensão das crianças durante as fases iniciais da aprendizagem ou do desenvolvimento de novas habilidades. A utilização de seu tempo é importante e decisiva para um ensino e uma aprendizagem eficazes. Implica.

ir todos na mesma direção. Isso não significa. ainda. porém. como " saber o que fazer" e. È possível observar que quase todos os jogos e brincadeiras convencionais podem ser adaptados para a modalidade cooperativa. como planejar atividades que tenham sentido para os alunos. mesmo depois de sentarem todos em uma única cadeira. da mesma forma que na brincadeira tradicional. a aprendizagem não é um processo linear de acumulação de conhecimentos. quer dizer. As atividades cooperativas têm efeitos positivos no rendimento escolar. passam a movimentar-se livremente uma vez que não há competição. existem estratégias de ensino que podem ser muito úteis para aprender conceitos. O mesmo critério deve ser observado pelo professor ao preparar as aulas. A seguir apresentaremos algumas estratégias apontadas por Duk (2005) que poderão ajudar o http://psicodaniinglith. ter pressa para sentar com medo de "sobrar" e sair da brincadeira. em seguida eliminam-se algumas cadeiras. é preciso dar oportunidade para que o aluno decida sobre o planejamento de seu trabalho e se responsabilizar pela aprendizagem. ou seja. o jogo continua com uma cadeira imaginaria. Nesta perspectiva. A utilização deste tipo de técnica pressupõe uma grande ajuda para o professor. de mais ajuda e/ou ajudas diferenciadas dos demais. a motivação é tão intensa que. estabelecendo relações substantivas entre o novo conteúdo de aprendizagem e o que já se sabe. A titulo de exemplo ilustraremos a brincadeira "dança das cadeiras cooperativa". no lugar de competitividade. sim. mas. mas não procedimentos. Em geral. tem que se pensar em variadas metodologias pedagógicas para que o ensino seja eficaz e aprendizagem se efetive realmente. a fim de que compreendam o propósito do que esta fazendo. não se trata de adotar uma postura eclética fácil. significa que o ensino deve situar-se na" zona de desenvolvimento proximal". nos colos uns dos outros. não existe um método único ou uma estratégia ideal para que todos aprendam. apenas um dos participantes pode sair vitorioso.. mas ninguém sai do jogo e a dança continua. "Estes conceitos prévios ou alternativos podem ser reconstruídos em sala de aula. É fundamental estimar o respeito e a valorização mútua entre os alunos e promover atividades que fomentem cooperação e solidariedade. o professor precisa contar com grande repertório de estratégias instrucionais que dêem respostas às variadas necessidades e situações de aprendizagem. ainda. Assim. Para conseguir maior autonomia. Um aspecto do ensino que merece atenção é sem duvida. por facilitar o trabalho autônomo dos alunos. portanto consiste no momento em que se dá a pausa na musica.blogspot.html 09-12-2012 . ainda que necessitem. que diz respeito tanto ao "saber sobre algo"( esquemas conceituais). que vale tudo. O jogo prossegue ate onde o grupo desejar. Os alunos devem reconhecer o potencial de seus colegas e valorizá-los como pessoas únicas. a diferença. ao passo que todos os outros terminaram como perdedores. aprimorados e direcionados aos "conceitos científicos". mas uma nova organização do conhecimento. dançar travado. O aluno chega à aula trazendo uma série de conceitos sobre o mundo físico e social que lhes serve de base na apropriação dos novos conhecimentos estabelecidos no currículo escolar. todos deverão sentar utilizando os recursos que estiverem no jogo – cadeiras e pessoas. Assim. a qual se encontra entre o que o aluno pode fazer por si só e o que é capaz de fazer e aprender com ajuda de outros mais capazes.2005 pg. 4. É possível observar que dessa forma os participantes vão se libertando dos padrões competitivos e passam a resgatar e fortalecer a expressão do "potencial cooperativo" para brincar e viver: ao invés de ficarem colado às cadeiras. Como Já foi mencionado. Neste processo de construção modifica-se conhecimento esquemas prévios e cria-se uma nova representação ou conceituação. Outro aspecto importante para favorecer a autonomia e atender as diferenças é oferecer aos alunos a possibilidade de escolher entre diversas atividades e decidir como realiza-las.173). como " com o que se sabe"(esquema de procedimentos) e o " saber quando utilizá-lo"( conhecimentos sobre em que situações usar o que se sabe). mas também obtêm maior aproveitamento no processo de aprendizagem. competência e interesses distintos. na autoestima. Para tanto é necessário que o professor tenha objetivos definidos.1 Metodologias de aprendizagem cooperativa Já se sabe que as crianças não aprendem apenas com o professor.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 31 de 155 regulamentação do processo de aprendizagem. No jogo convencional o objetivo é mutuamente exclusivo. porque cada aluno tem forma de aprendizagem. criatividade e disposição para fazer as alterações necessárias levando em consideração a turma como um todo e cada aluno em especial. de selecionar um conjunto de estratégias no contexto de alguns princípios pedagógicos essenciais que sejam coerentes com a forma em que deseja que os alunos aprendam. permitindo-lhe dedicar mais atenção àqueles que mais necessitarem. em muitos casos. Por outro lado. ficarem ligado na interrupção da musica. Convém lembrar que as crianças com necessidades educacionais especiais não aprendem de forma muito diferente. mas também com as outras crianças. nas relações sociais e no desenvolvimento pessoal. sendo assim ao terminar o jogo todos os participantes deverão estar sentados. uma metodologia que pode ser muito eficaz para um aluno pode não dar resultado com outro. Poderão sentar nas cadeiras. A aprendizagem significativa implica proceder a uma representação interna e pessoal dos conteúdos escolares.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.. Procedimento: coloca-se um numero de cadeiras menor que o número de participantes envolvidos. os alunos não só ficam mais motivados para aprender. Na dança das cadeiras cooperativa o objetivo comum é a participação de todos. como o " saber o que fazer" e. postulado por Vigostsky (in Duk. A escolha de atividade permite ao aluno se adaptar às diferenças individuais e que se reconheça na condição de aprendiz.

sobre classificação dos animais. trabalhando as distintas matérias como se fossem completamente independentes umas das outras. para cada disciplina a trabalhar existem muitas historias ou episódios oriundos de diversas fontes que o professor poderá consultar. podem-se dizer o que se sabe sobre os animais.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 32 de 155 professor a preparar atividades significativas para os alunos: a) Incentivar os alunos a expressar espontaneamente suas idéias e opiniões sobre determinado tema. como a que a descoberta da força de expansão do vapor exerceu na Revolução Industrial. o docente pode pedir que juntos recorram a tudo o que já aprenderam individualmente para resolver a tal situação colaborativamente. para comparar seus diferentes volumes.. Quando todos os alunos tiverem encontrado a solução. os alunos poderão ser agrupados. o relacionamento existente entre os diferentes âmbitos de aprendizagem. Assim como as formas geométricas podem ser aplicadas na arte para fazer decorações e desenhar. o valor nutritivo dos ingredientes e as calorias dos alimentos. Por exemplo: * na disciplina de ciências – conteúdo curricular: condutividade – para explicar a noção de capacidade. o professor apresenta a operação de divisão como uma maneira mais pratica e eficiente de resolver o problema. certamente o conhecimento prévio dos educandos será enriquecido. Em seguida. Após obter as respostas. se devidamente organizadas. Compartilhe com um colega que ouve com atenção. Existem inúmeras atividades que podem ser adaptadas pelos educadores para melhor atender seus alunos. * O estudo das descobertas cientificas pode tornar-se mais interessante se mostrada sua fluência na evolução histórica. * Algumas noções de matemática e ciências podem ser facilmente ilustradas. São atividades que. isto pode ser feito com facilidade na grande maioria das aulas de leitura. os na sala de aula. na área de artes.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. mas também em ciências. pode ser relacionado com o estudo das cores. em qualquer idade. pede-se ao aluno que escreva seus conhecimentos. Sem dúvida. Para cada um dos temas propostos aos alunos existem muitas historias. o professor pode solicitar aos alunos que dividam equitativamente quinze livros entre três crianças. * na disciplina de ciências – conteúdo curricular: meio ambiente – em uma aula sobre meio ambiente. f) Inter-relacionar as diferentes disciplinas. a sala de aula e os processos educacionais que envolvem docentes e estudantes constituem o contexto que explica em grande parte o êxito ou o fracasso acadêmico dos educandos. o professor por vez. o professor deve procurar ilustra-lo com exemplos extraídos das vivencias dos alunos. em ciências. do mesmo modo que em geografia se utilizam as altitudes e as longitudes para localizar determinado lugar nos mapas. Por exemplo: * na disciplina de matemática – conteúdo curricular: divisão – para explicar a operação de divisão. CONSIDERAÇÕES FINAIS A Educação Inclusiva não constitui uma nova expressão para designar a integração de alunos com necessidades educacionais especiais. Para que os alunos não tenham uma idéia compartimentada dos conhecimentos. ou algum aluno anota os nomes citados no quadro. o professor poderá indagar os alunos que medidas podem ser adotadas para reduzir os lixos tóxicos procedentes das indústrias localizadas em suas respectivas cidades ou no país. sempre que seja possível. geografia. e) Historias par despertar o interesse. * O estudo da luz. O mesmo pode ser aplicado a inúmeros temas científicos ou sociais. h) Excursões e trabalhos "in loco" – as excursões e atividades "in loco" podem ser realizadas constantemente ao longo do ano escolar. alem de ser divertida para os alunos.blogspot. As propostas mencionadas neste trabalho poderão ser adequadas a qualquer disciplina e quanto maior for a experiência do professor mais capacidade terá de adaptar e idealizar seus trabalhos pedagógicos com intuito final de servir todos os alunos. os alunos poderão deduzir de suas experiências em casa que materiais deixam ou não transmitir calor.. Por exemplo: numa aula de ciências. geralmente. Esse procedimento poderá tornar a aprendizagem mais agradável para o aluno e para o professor. historias de todo tipo despertam o interesse das crianças. A inclusão constitui um enfoque inovador para identificar e abordar as dificuldades educacionais que emergem durante o processo ensino- http://psicodaniinglith. c) Compartilhar o conhecimento com um colega – antes de abordar um novo tema. b) Resolução de problemas – ao apresentar aos alunos um "problema". o professor explicará uma nova maneira ou habilidade. Essas atividades permitem que apliquem o que foi aprendido e consolidem a sua aprendizagem no contexto real da vida. é conveniente que o professor mostre. Em seguida. fazendo com que os alunos participem de algum tipo de receita culinária: medem-se as quantidades nos recipientes. Após o envolvimento ativo dos alunos e o levantamento das diversas formas que os estudantes encontrarem para resolver o problema. Os gráficos por sua vez. historia e em muitos aspectos da vida. antes que os alunos leiam o texto. incorpora outras contribuições à dos alunos e. deixando que compartilhem o que sabem. podem servir para aplicar às situações da vida real os conteúdos já aprendidos. não são utilizados somente em matemática. Em uma aula sobre a condutividade. o professor poderá pedir aos alunos que tragam para a sala garrafas de bebidas vazias. Por exemplo: * Em matemática utiliza-se as coordenadas para localização de determinado ponto em um mapa. d) Utilizar as experiências cotidianas dos alunos ao ensinar um novo conteúdo. quais suas características comuns. Isto esclarecerá a pertinência do que lhes está sendo ensinado. os alunos poderão relacionar todos os animais que conheçam enquanto o professor. quando na realidade os conteúdos curriculares costumam estar inter-relacionados e ser interdependentes. idéias ou opiniões sobre o assunto. o professor devera acrescentar outras medidas possíveis.html 09-12-2012 ..

2 copos contendo líquidos de cores diferentes Igualdade inicial: Primeira modificação: Segunda modificação Terceira modificação : 1. São Paulo: Vozes. 2005.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. conjunto de materiais para capacitação de professores. Conservação de quantidade de líquidos Materiais: . 1. A maioria das crianças que enfrentam barreiras para aprender a participar na vida escolar é capaz de superá-las rapidamente. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. a sala de aula e os processos educacionais que envolvem docentes e estudantes constituem o contexto que explica em grande parte o êxito ou o fracasso acadêmico dos educandos. Portanto. A origem das dificuldades do educando pode estar situada no âmbito das diferenças pessoais. flexível e. Educação especial. PROVAS DE CONSERVAÇÃO: 1. Conservação da quantidade de matéria Materiais: .2 vasos iguais A1 e A2 . 16. o resultado educacional é o que definitivamente expressa a qualidade da educação e a capacidade que a escola tem (ou não) de potencializar ao máximo a aprendizagem de todos e de cada um dos alunos. Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos Materiais: http://psicodaniinglith. Provas operatórias: A intenção desta sessão é mostrar as provas e suas modificações para aqueles que estão iniciando na psicopedagogia.3.1.html 09-12-2012 . 1984. ed. 1975. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AQUINO.blogspot. devendo o estudante buscar em livros como os de Jorge Visca ou Piaget o procedimento para aplicação das mesmas. Secretaria de Educação Especial. MEC / SEESP. Robert M.2 massas de modelar de cores diferentes cada uma. Julio Croppa. CAMPOS. cujo tamanho possa fazer 2 bolas de aproximadamente 4 cm de diâmetro. sempre que suas necessidades são levadas em conta e ajuda compatível é oferecida. DUK.Psicologia da Aprendizagem. mas é imprescindível que o processo de melhoria da escola se traduza em mudanças concretas na maneira de conduzir o processo de ensino e aprendizagem na sala de aula. Lisboa: Edição Notícias.4 vasinhos iguais D1. GAGNÉ. D2.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 33 de 155 aprendizagem. ou ainda no fato da escola não considera-las. Obs. D3.2. Uma nova abordagem educacional pressupõe pensar o ensino a partir de uma atitude aberta. sobretudo reflexiva em relações à prática educacional inclusiva. V. D4 . Não nos cabe aqui detalhar como a prova é aplicada. São Paulo: Summus. 1998. culturais ou lingüísticas. Relação professor-aluno. 42 BRASIL. Cynthia. a atitude e o estilo do ensino do docente representam fatores primordiais para assegurar o êxito de todos.: É interessante que escolha cores correspondentes a substâncias comestíveis. Nesse sentido. Educar na diversidade: material de formação docente / org. Dinah Martins de Souza.1 vaso mais fino e alto B . 1999. Igualdade inicial: Modificação do elemento experimental (achatamento) Modificação do elemento experimental (alargamento) Modificação do elemento experimental (partição) 1. Como se realiza a aprendizagem. 1. Secretária de Educação Especial. ed. Sem dúvida. 1996. Brasília: Ministério da Educação. FONSECA. Oferecer uma educação que assegure participação e aprendizagem de qualidade para todos os alunos não apenas exige o desenvolvimento da escola como um todo. V.1 vaso mais largo e baixo C .

2 folhas de cartolina verde ou papel E.1 balança com dois pratos cuja leitura seja pela posição dos braços.1 corrente ou barbante de aproximadamente 10 cm . na cor vermelha com cerca de 4 cm de lado . Igualdade inicial: Modificação do elemento experimental (alargamento) Modificação do elemento experimental (achatamento) Modificação do elemento experimental (partição) 1. (20x25) .7 Conservação de comprimento Materiais: .1 corrente ou barbante de aproximadamente 15 cm Apresentação das correntes. Conservação de peso Materiais: .6.10 fichas azuis cada um com 2 cm de diâmetro Igualdade inicial: Correspondência termo a termo: Primeira modificação espacial: Segunda modificação espacial: Terceira modificação espacial: 1.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.4.V.1 vaquinha Igualdade inicial: Perguntas iniciais Perguntas iniciais Retorno empírico Primeira modificação espacial: Segunda modificação espacial Outra modificação espacial sugerida Terceira modificação espacial 1.12 quadrados de cartolina ou E. Conservação de superfície Materiais: .5.A. cujo tamanho possa fazer 2 bolas de aproximadamente 4 cm de diâmetro. Perguntas iniciais http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .2 copos contendo líquidos de cores diferentes Igualdade inicial: Modificação do elemento experimental (achatamento) Modificação do elemento experimental (alargamento) Modificação do elemento experimental (partição) 1.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 34 de 155 .2 massas de modelar de cores diferentes cada uma.2 vasos iguais . .A.10 fichas vermelhas . Conservação de volume Materiais: .blogspot.2 massas de modelar de cores diferentes .V.

10 carros .3 camelos ou outra espécie Pode-se fazer também com: . .5 cm de diâmetro. Quantificação de Inclusão de classes Materiais: Com flores: .5 cm de diâmetro.10 coelhos ou outra espécie .3. Material Classificação por cores sem caixa Classificação por cores usando a caixa Classificação por formas usando a caixa Classificação por tamanho usando a caixa 2.5 cm de lado.5 círculos vermelhos de 5 cm de diâmetro.10 margaridas . Intersecção de classes Materiais: . 3. Obs. com dois círculos em intersecção.1.5 quadrados vermelhos de 2. Seriação de palitos Materiais: http://psicodaniinglith.5 círculos vermelhos de 2. . SERIAÇÃO 3.1.2.5 círculos vermelhos também de 2.5 cm de diâmetro . .1 folha de cartolina ou papel E.Dicotomia Materiais: .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.5 quadrados azuis de 5 cm de lado. PROVAS DE CLASSIFICAÇÃO: 2.A.blogspot.3 rosas vermelhas Com animais .5 quadrados vermelhos de 5 cm de lado.2 caixas planas de mais ou menos 4 a 5 cm de altura e uns 12 cm de lado.5 cm de diâmetro .5 círculos azuis de 2. . .html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 35 de 155 Primeira situação Segunda situação 2. Mudança de critério .V.3 ônibus 2.5 cm de lado.5 círculos azuis de 5 cm de diâmetro.5 quadrados azuis de 2. . . sendo que um preto e outro amarelo.5 quadrados vermelhos de 2.: os 5 círculos devem poder entrar na intersecção.5 cm de lado .5 círculos azuis de 2. .

10 fichas amarelas .6 fichas lilases . Permutação de fichas Materiais: .10 palitos com aproximadamente 1 cm de largura com uma diferença de 0. de avaliação da produção escolar e dos vínculos comobjetos de aprendizagem escolar. 4. Reprodução apenas na Internet.5 cm de diâmetro cada uma.2.1.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. PROVAS OPERATÓRIAS PARA O PENSAMENTO FORMAL 4.1 ficha branca . de pesquisa sobre os processos de construçãoe desempenho das estruturas cognitivas (diagnóstico operatório).17 fichas verdes . Desta forma. 1» Envie este artigo para seus amigos!» Quer publicar artigos? Crie seu perfil de escritor!1 A fonte do artigo e informações do autor devem ser mantidas.blogspot. Predição Materiais: . conteúdo livre para reprodução.6 fichas de diferentes cores com 2.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 36 de 155 .html 09-12-2012 . 4. 4. Etapas do Diagnóstico Psicopedagógico HOME Etapas para o Diagnóstico Psicopedagógico O diagnóstico psicopedagógico é composto de várias etapas que se distinguem pelo objetivo da investigação em um dos eixos e dimensões apresentadas.5 cm de diâmetro cada uma. Combinação de fichas Materiais: .1.1 saco de pano Webartigos.com Textos e artigos gratuitos. de avaliação de desempenho http://psicodaniinglith. sendo que o primeiro tem aproximadamente 11.5 cm.6 mm de altura entre um e outro. temos momentos de anamnese só com os pais ou com toda a família paraa compreensão das relações familiares e sua relação com o Modelo de aprendizagem do sujeito.4 fichas de diferentes cores com 2.

. incorporando-se conhecimentos sobre como se aprende e sobre o organismo. Entrevista de Devolução e Encaminhamento. a expectativa em relação à atuaçãodo terapeuta. que é o utilizado pela autora deste trabalho na sua prática no consultório. descobrir o esquema de ação subjacente.Entrevista de Anamnese Como a E. A seguir apresentamos as etapas que compõem o modelo e ocaracterizam: -----------------------------------------------------------------------------. Fernandez (1990. testes para averiguar a estrutura cognitiva e emocional.Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E.E. p. e interpretar a operação. p. Fernandez (op. diferindo-o do Modelo de Inteligência.F.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 37 de 155 em teste de inteligência e viso-motores. Síntese diagnóstica – Prognóstico 6. posicionando-se em um lugar analítico. testagem e provas pedagógicas. A atitude clínica pode ser resumida em escutar e traduzir. Por isso. p. teoria e saber.primeira sessão com o sujeito.E. (op. sessões lúdicas com membros da família convocados. duas anamneses. a aceitação e o engajamento do paciente e de seus pais no processo diagnóstico. deter-se nas fraturas do discurso. de análise dos aspectos emocionais por meio de testes e sessões lúdicas. p. observar e relacionar com que aconteceu previamente à fratura. inteligência e desejo. à qual será necessário incorporar conhecimentos. etc. buscar a repetição dos esquemas de ação. mais do que os conteúdos.S) 2. como os que trouxerampara a psicopedagogia a herança da clínica psicológica tradicional.. Complementação com provas e testes (quando necessário) 5. laudo (relatório) e devolução ao paciente ou família. ou como a proposta da Epistemologia Convergente de Jorge Visca (1987). A aprendizagem é um processo que implica a Modalidade de Inteligência. visando colher dados significativos sobre a história do sujeito nafamília. como.S. -------------------------------------------------------------------------------.F.S. ------------------------------------------------------------------------------. quando há necessidade de maior investigação junto à família.E. a dinâmica imposta ao encontro e o produto de uma atividade que venha a ser realizada por qual membro do grupo.S Sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para criança) As sessões lúdicas centradas na aprendizagem são fundamentais para a compreensão dos processos cognitivos. por exemplo. cit. acerca do aprender. integrando passado. definição de dias. cujo diagnóstico é composto de anamnese (entrevista com a família buscando conhecer a história do sujeito). posicionando-se em um lugar analítico permite ao paciente organizar-se e dar sentido ao discurso a partir de um outro que escuta e não desqualifica.50)Nesta entrevista pode-se reunir os pais e a criança ou até a família. Existem diferentes modelos de seqüência diagnóstica.F.F. em que a seqüência diagnóstica é composta de uma Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA). O pré-requisito para análise deste tipo de sessão é o mesmo apresentado anteriormente na E. a anamnese também é uma entrevista. definição do local.Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E. história da família nuclear.Sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças) 4.E. o objetivo é tornar claro o significado da adoção de um Modelo de Aprendizagem. é importante que sejam colhidos dados relevantes para a organização de um sistema consistentede hipóteses que servirá de guia para a investigação na próxima sessão. uma no início e outra antes da devolução. Vamos apresentar mais detalhadamente cada etapa da seqüência diagnósticacom o objetivo de clarificar o processo diagnóstico.horários e duração da sessão. o desejo. e sua relação com o Modelo de Aprendizagem do sujeito. articulados em um determinado equilíbrio. entrevistas separadas para casais separados que não se relacionam amigavelmente. história clínica.S.F. Neste tipo de entrevista. Segundo Fernandez (idem. 131) também desenvolveu um guia de atitudes a serem observadas pelo psicopedagogo neste tipo de sessão: escutar e olhar. atividades e atitudes. afetivos e sociais. Esses momentos podem ser estruturados dentro de uma seqüência diagnóstica estabelecida a cada casoapós os contatos iniciais. Essas regras devem ser claras e definidas em conjunto com o sujeito e sua família. e maneira deaplicá-las. como primeira entrevista.F.entrevista de anamnese e elaboração do informe psicopedagógico para o sujeito e para a família. a captação das relações e expectativas familiares centradas na aprendizagem escolar.41) durante este tipo de sessão..S) A E. Para Weiss. presente e projeções para o futuro. A estrutura intelectual busca um equilíbrio para estruturar a realidade e sistematizá-la através de dois movimentos que Piaget definiu como assimilação e acomodação. No diagnóstico é importante que todas as regras de relacionamento. Adotaremos como modelo para a prática clínica psicopedagógica o desenvolvidopor Weiss (idem). de entrevistas com a escola ou outras instituições em que o nosso sujeito faça parte. evolução geral do sujeito. São aspectos importantes do contrato e do enquadramento: estabelecimento de funções. previsãodo número de sessões do diagnóstico e forma de encerramento. um organismo.E. Analisando a Modalidade de Inteligência em http://psicodaniinglith. visa a compreensão da queixa nas dimensões da escola e da família. história das famílias materna e paterna e história escolar. são levantados dados das primeiras aprendizagens. com foco mais específico. necessariamente nesta ordem. 107). dependendo da disponibilidade.Entrevista de Anamnese 3. no caso de adolescentes. é necessárioo estabelecimento de um contrato com os pais e a construção de um enquadramento com estes e com o sujeito. honorários contratados e formade pagamento. idem. Na anamnese. uma teoria psicopedagógica e saber sobre o aprender e o não aprender. permitindo perceber a inserção deste na sua família e a influências das gerações passadas neste núcleo e no próprio. cit. quando há necessidade de analisar a relaçãoentre estes sujeitos e suas implicâncias no processo de aprendizagem. sejam bem definidos desde o primeiro contato.E. no diagnóstico. Ressalta ainda que o terapeuta. corpo. a realização do contrato e do enquadramento e o esclarecimento do que é um diagnóstico psicopedagógico (Weiss. assumindo uma atitude clínica. Estas etapas podem ser modificadas quanto a sua seqüência. é importante observar a relação entre a temática abordada. nem qualifica.blogspot. p.126) acredita que devemos ler“psicopedagogicamente” a produção ou dramatização de um grupo numa E.1.

S. Os conteúdos manifestos vão ser analisados para a obtenção do motivo subjacente à resposta. 108).T. p. observa-se a conduta do sujeito como um todo. contudo deve-se ter como postuladoque sempre estarão implicados o seu funcionamento cognitivo e suas emoçõesligadas ao significado dos conteúdos e ações. comunicação e controle de esfíncteres (Fernandez. observando-se nas brincadeiras como o sujeito faz uso dos conhecimentos adquiridos em diferentes situações escolares e sociais e como os usa no processo de assimilação de novos conhecimentos.47).: ==> Se a criança dá uma estrutura ao relato. seguindo a intrusão do teste. Ao mesmo tempo em que tem a liberdade da escolha. RAVEN10 por serem de fácil aplicação e avaliação. como organizam e integram o conhecimento em um nível representativo.I. segundo Montagna (1989.80) expressa assim sua opinião entre o brincar e aautodescoberta: “É no brincar.cit. Provas operatórias. Vejamos no quadro abaixo a caracterização de cada uma delas para entender osparâmetros que delineiam as provas operatórias. devendo ser escolhido de acordo com cada caso.A. Os testes psicométricos são atividades propostas ao sujeito com o objetivo de medir e avaliar o seu Q.possibilidade de análise operatória. isto é. 113) destaca que o mais importante para a clínica psicopedagógica não são os resultados numéricosdo Q. o que leva à constituição de símbolos e imagens. p. mas ao mesmo tempo vai ser revelado na interpretação do clínico. torna-se tão importante no trabalho psicopedagógico. pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu”. As provas operatórias.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. é no processo lúdico que a criança constrói seu espaço de experimentação. os testes mais usados na clínica psicopedagógica são o CIA8. testes psicométricos e técnicas projetivas poderão ser selecionados de acordo com a necessidade de confirmação de aspectos levantados nas hipóteses construídas ao longo das sessões anteriores (E. Se sabe dar-lhe umdesfecho. representa um recurso a mais a ser utilizado quando avaliado necessário.hiperassimilação. com implicações posteriores dessas atividades no jogo e na imitação.. o nível da estrutura cognoscitiva com que opera.) A seguir. testar e tirar conclusões sobre a Modalidade de Aprendizagem do sujeito. etc. Neste espaço transacional dá-se a aprendizagem. cada uma. p. Os testes psicométricos são avaliados por uma medida objetiva. segundo Oliveira (1986. p. Para Sara Pain (1985. WISC9. de uso parcial das provas. p. se necessário. coeficiente de atenção e memória.O que nos interessa chegar a compreender neste ponto é a oportunidade que a criança teve para investigar (aplicar seus esquemas precoces) e para modificar-se (por transformação dos seus esquemas). têm por objetivo: Investigar a um estímulo (material de teste) suficientemente ambíguo e indefinido para que o sujeito. p. Podemos lançar mão de provas e testagens específicas que irão fornecer um parâmetro bem evidente a partir das respostas. Neste tipo de sessão. é obrigado a mostrar-se. O uso de provas e testes não é indispensável em um diagnóstico psicopedagógico.72). destacando-se o nível de operatório do pensamento da criança. um dos testes projetivos mais utilizados nas sessões destinadas a provas e testes.F. colocandotambém um foco sobre o nível pedagógico. anamnese. do conteúdo latente11. A atividade lúdica fornece informações sobre os esquemas do sujeito. p. cit. Uma intrusão que proporciona ao sujeito liberdade de elaborar sua resposta da maneira que escolher. de transição entre o mundo interno e externo. no qual o testando está livre para dar a resposta escolhida. cit. de possibilidade.71): Estágios do desenvolvimento cognitivo piagetiano As provas consistem em apresentar um material previamente organizado para o sujeito e propor atividades em que pode ser observada sua estrutura cognitiva em ação. sessões lúdicas centradas na aprendizagem. Os resultados são obtidos através da análise das respostas que podem ser agrupadas da seguinte forma:==> nível http://psicodaniinglith. e somente no brincar. Por este motivo. 223).I.T. Provas e Testes As provas e testes podem ser usadas. cuja finalidade é analisar os resultados encontrados em comparação com escalas de padrões.12.Winnicott (1975. p. através de sua conduta. 6). projete seus conteúdos internos.blogspot. podemos levantar hipóteses. e assim enquadrar em percentis.Segundo Weiss (op. 102).A. Essa análise irá apresentar o nível operatório do sujeito e sua correlação com uma faixa etária (figura [2. boa observação do processo de realização. hipoacomodação. As lâminas relacionam temáticas que põemem jogo significações universais de aprendizagem: alimentação. A observação desses esquemas pode levar à percepção de desequilíbrios entre as atividades assimiliativas e acomodativas. que o indivíduo. para especificar o nível pedagógico. com situações diferentes para que conte o que está acontecendo. têm como objetivo principal determinar o grau de aquisição de algumas noções chaves do desenvolvimento cognitivo. mas verificar como e quando o sujeito está podendo usar sua inteligência.. Sua caracterização se dá por: Como exemplo poderemos citar o C.3]). análise qualitativa. o desequilíbrio das atividades assimiliativas e acomodativas dão lugar nos processos representativos a extremos que podem ser caracterizados como hipoassimilação. O C. Pode-se observar através dos relatos das lâminas do C.==> Se pode analisar o tipo de tema escolhido em relação com assignificações do aprender. hiperacomodação.==> Se pode designar um herói e fazê-lo passar por uma prova.T.dinâmica e a estrutura da personalidade. criança ou adulto.==> Se pode elaborar um argumento e como o faz.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 38 de 155 operação.. Uma relação com o examinador.A.Segundo Weiss (idem.de realização de inquéritos após as respostas. o que aconteceu antes e o que pode acontecer depois. que permita a aplicação do teste. Weiss (op. ao dar sua resposta. ou seja. (coeficiente de inteligência). Os testes projetivos. Os níveis operatórios foram caracterizados por Piaget. A avaliação pedagógica pode ocorrer em situações criadas nas sessões lúdicas. 1990. estrutura cognitiva e/ou emocional do sujeito. serão apresentados alguns desses testes e uma discussão acerca de sua aplicação no diagnóstico psicopedagógico visando clarificar aspectos necessários ao entendimento dos capítulos posteriores. apontando para obstáculos no processo de aprendizagem.html 09-12-2012 . consiste em apresentar à criança uma série de dez lâminas com figuras. segundo Weiss (op. p.E.

Começo a vê-lo como um grande e inseparável instrumento de pesquisa e terapia junto a crianças e adolescentes (Oliveira... indica que as respostas expressam instabilidade em relação ao tipode operação apresentado. 60) defende que as provas projetivas tratam de desvendar quais são as partes do sujeito depositadas nos objetos que aparecem como suporte daidentificação e que mecanismos atuam diante de uma instrução que obriga o sujeito a representar em situações estereotipadas e carregadas emotivamente. Através de relatos apresentados em congressos e encontros de psicopedagogia. apenas. As observações sobre o funcionamento cognitivo do paciente não são restritas as provas operatórias. superfície e volume nas construções com sucata. considera que as provas psicométricas provêem um variado espectro de material de utilidade na clínica. como simples página de livro didático ou mesmo “caneta eletrônica”. observar o tipo de leitura da realidade. desvencilhando-se progressivamente da minha tutela [. Em um diagnóstico. desconhecimento de seu desejo. na avaliação dos testes analisamse aspectos de caráter cognitivo. Além disso.149) Nesta direção. analisando todos os aspectos da situação apresentados. são entrelaçados. os novos instrumentos oferecidos pelo progresso constante da tecnologia da informação. o ato falho. seguindo de uma síntese integradora e um encaminhamento. pode-se registrar o modo que ainteligência aborda o objeto.blogspot. torna-se fundamental a compreensão da informática no desenvolvimento e enriquecimento do pensamento de crianças e adolescentes. Recentemente o computador começou a fazer parte deste conjunto de recursos utilizados. são testes destinados à utilização de psicólogos. Citando Manoni. p. Ainda segundo Pain. nas diferentes sessões de caráter lúdico. p. O computador ainda é um recurso muito pouco aplicado na clínica psicopedagógica. sujeito epistêmico. 193). cognitivos.. que são adotados na clínica psicopedagógica a partir de uma nova leitura adaptada do seu processo de aplicação e dos seusresultados. cit. p. indica a aquisição do nível operatório no domínio testado. Afirma que o pensamento é só um. daquilo de que o esquecimento. podemos constatar que o computador é aplicado nas mesmas etapas por diferentes profissionais. que por sua vez aponta um prognóstico e uma indicação. op.html 09-12-2012 . op. Toda simbolização.Em relação às provas projetivas. cit. http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Fernandez (op. A descrição destas provas pode ser encontrada em diversas obras sobre a teoria piagetiana e originalmente nas obras de Piaget em que versa sobre Epistemologia Genética. Esta é uma etapa do diagnóstico muito esperada pela família epelo sujeito e que deve ser bem conduzida de forma que haja a participação de todos. terapeuta e família visando relatar os resultados do diagnóstico. demandam e falam. ou dados cognitivos em testes projetivos. muitas vezes não expressando uma situação real do seu sintoma. É um encontro entre sujeito. cit.==> nível 2. podemos colher dados de origem emocional em uma prova operatória. não há um pensamento inteligente e outro simbólico. p. segundo Weiss (op. elas devem ser feitas ao longo de todo o processo diagnóstico. até o próprio sonho. no que estavam fazendo. desta forma. incluindo-se uma visão genética. ou seja. A aplicação deste tipo de teste segue uma metodologia que consiste na aplicação de um interrogatório (método clínico) com a finalidade de conhecer como o sujeito pensa. Fernandez (op. avaliam aspectos. p. quando falta um deles a trama não se constrói. a expressão dramática do sujeito e a comunicação de suas angústias. Torna-se fundamental que o terapeuta possa usar. como por exemplo: conservação do comprimento.. cit. assim como o entendimento do funcionamento afetivo que está articulado neste processo. por assim dizer. procurando eliminar as dúvidas ou pelo menos discuti-las exaustivamente afastando rótulos e fantasmas que geralmente estão presentes em processo diagnóstico. O computador como instrumento para diagnóstico A psicopedagogia utiliza-se de diversos recursos para a realização do diagnóstico em cada uma de suas etapas. (Weiss. o discrimina e o utiliza favoravelmente com sua necessidade. WISC e CIA. Os testes apresentados. devemos nos deter em: analisar como os recursos cognitivos possibilitam a organização da projeção. com segurança eeficiência. Entrevista de devolução A Entrevista de Devolução e encaminhamento é o momento que marca o encerramento do processo diagnóstico. não atingiu o níveloperatório neste domínio. Na anamnese verifica-se com os pais como se deu esta construção e as distorções havidas no percurso. na maioria das vezes. mantendo um nível de atenção mais intenso eprolongado. outros dados da construção espacial no Bender. Também são poucas as pesquisas acerca de sua aplicação neste campo. acreditamos que todos os momentos da prática diagnóstica devam ser vivenciados em seus aspectos afetivos.. 219) considera que a significação simbólica ocorre ao mesmo tempo em que é demonstrada a capacidade de organização lógica. Assim. corporais e pedagógicos. fala de duas vertentes de grande valor para a clínica que podem ser observadas: o indivíduo como sujeito do conhecimento. Dentre as quais as preferidas são as que se assemelham as sessões lúdicas centradas naaprendizagem (para crianças) e as que seriam dedicadas à complementação com provas e testes. Síntese diagnóstica A síntese diagnóstica é o momento em que é preciso formular uma única hipótesea partir da análise de todos os dados colhidos no diagnóstico e suas relações de implicância. Esta etapa é muito importante para que a entrevista de devolução seja consistente e eficaz.==> nível 3. em geral. Como exemplo. Para o diagnóstico psicopedagógico interessa concentrar a atenção na eficácia e limitações dos recursos cognitivos empregados para organizar sua descarga emotiva. descontextualizados da realidade imediata do sujeito.. indica ausência total da noção. quais os juízos que faz e como argumenta para justificar suas respostas.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 39 de 155 1. Pain (1985. aspectos de inclusão de classe na prova de semelhança do WISC (Weiss. op.]. 102). Assim estamos preconizando ouso mais amplo do computador e não o restrito. 100). p. necessita de inteligência.Autores como Weiss (1992) e Oliveira (1996) têm sido referência no uso do computador no diagnóstico e já apresentam algumas conclusões: Crianças e adolescentes realmente mergulhavam. p. e como sujeito dodesconhecimento. o reconhece e o associa à sua experiência. RAVEN. o sintoma.cit. cit.127).

E.html 09-12-2012 . uma adolescente de 18 anos cursando a 7ª série de escola especial.(VISCA. escolaridades dos irmãos.blogspot.Prognóstico6º .. Visca nos informa que o diagnóstico começa com a consulta inicial (dos pais ou do próprio paciente) e encerra com a devolução (1987. deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista. Testes 3. (2003.Anamnese3º .§ Esclarecimento sobre o trabalho psicopedagógico.)2º . torna-se fundamental o estudo mais aprofundado desta matéria e o desenvolvimento de material adequado e específico. portanto. alguns profissionais iniciam o diagnóstico com a anamnese.". 44). irmãos. o que lhe ensinaram a fazer e o que aprendeu a fazer. no quadro acima. p. consciente ou inconscientemente.. Ibid. Isto impede que o agente corretor se aproxime 'ingenuamente' do paciente para vê-lo tal como ele é. chegam a acreditar que o sujeito teve uma melhora ou tornou-se agressivo e agitado no decorrer do trabalho diagnóstico.. citaremos um exemplo de Weiss: uma paciente. 1991) Observamos. nome da professora. que ele propõe iniciar o diagnóstico com a EOCA e não com a anamnese argumentando que ". nos postulados da psicanálise e método clínico da Escola de Genebra (BOSSA. (p. a EOCA deverá ser um instrumento simples. para descobri-lo.§ Expectativa da família e da criança. Concordou com a terapeuta em interromper o diagnóstico (2003.Encaminhamento(WEISS. 32 ) O diagnóstico possui uma grande relevância tanto quanto o tratamento.Síntese Diagnóstica . porém é preciso que o profissional acredite na linha em que escolheu para seu trabalho psicopedagógico.Complementação com provas e testes (quando for necessário)5º . 1987.Porém. data de nascimento. queixou-se à mãe que ela (Weiss) estava forçando-a a crescer. É um processo que permite ao profissional investigar. p. Por isso devemos fazer o diagnóstico com muito cuidado observando o comportamento e mudanças que isto pode acarretar no sujeito.§ Definição de local.Para Visca. durante a anamnese tentam impor sua opinião. para isso. Fernández (1990) afirma que o diagnóstico. p.Na Epistemologia Convergente todo o processo diagnóstico é estruturado para que se possa observar a dinâmica de interação entre o cognitivo e o afetivo de onde resulta o funcionamento do sujeito (BOSSE. 33 ). 1995.. os pais.Antes de se iniciar as sessões com o sujeito faz-se uma entrevista contratual com a mãe e/ou o pai e/ou responsável. p. A família percebeu que isto realmente poderia acontecer e era isto também que sustentava seu casamento "já acabado".Devolução . (Id. porém rico em seus resultados. Visca propôs o seguinte Esquema Seqüencial Proposto pela Epistemologia Convergente: Ações do entrevistador 1. série. 69). p. escola que freqüenta.Na linha da Epistemologia Convergente. nome da pessoa que cuida da criança. data e horário para a realização das sessões e honorários. turma.. por muitas vezes. EOCA 2.se possa decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção". 2000. 2000). filiação. para o terapeuta.A realização da EOCA tem a intenção de investigar o modelo de aprendizagem do sujeito sendo sua prática baseada na psicologia social de Pichón Rivière. a-históricos e históricos que a condicionam. objetivando colher informações como: § Identificação da criança: nome. 2000.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Consiste em solicitar ao sujeito que mostre ao entrevistador o que ele sabe fazer. 96. endereço. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da ". 1994)Esta diferença não altera o resultado do diagnóstico. O objetivo básico do diagnóstico psicopedagógico é identificar os desvios e os obstáculos básicos no Modelo de Aprendizagem do sujeito que o impedem de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social. o que acabaria distorcendo o olhar sobre aquela criança e influenciando no resultado do diagnóstico.. levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo.escuta psicopedagógica.Bossa nos lembra que a forma de se operar na clínica para se fazer um diagnóstico varia entre os profissionais dependendo da postura teórica adotada.Formulação do 3º sistema de hipóteses Elaboração de uma imagem do sujeito (irrepetível) que articula a aprendizagem com os aspectos energéticos e estruturais.. p. 24). a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário. a conhecimentos práticos e teóricos. após a seguinte observação do http://psicodaniinglith.Para ilustrar como o diagnóstico interfere na vida do sujeito e sua família.Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E.Como o presente trabalho está baseado na Epistemologia Convergente abordaremos a anamnese ao final e iniciaremos falando sobre a EOCA.§ Atendimento anterior. p. Elaboração do Informe Procedimentos Internos do Entrevistador 1º sistema de hipótesesLinhas de investigação Escolha de instrumentos2º sistema de hipótesesLinhas de investigação Verificação e decantação do 2º sistema de hipótese. Ela conseguiu fazer a elaboração deste pensamento porque tinha medo de perder o papel na família da doente que necessitava de atenção exclusiva para ela. (BOSSA. invariavelmente ainda que com intensidades diferentes. Anamnese 4..§ Procura do Psicopedagogo: indicação. É o caso de Weiss. horário. É ele.F. sua ótica.§ Motivo da consulta. para que ". Ele mexe de tal forma com o paciente e sua família que. idade dos irmãos.Os profissionais que optam pela linha da Epistemologia Convergente realizam a anamnese após as provas para que não haja "contaminação" pelo bombardeio de informações trazidas pela família. 80)Conforme Weiss.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 40 de 155 Por isso.Sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças)4º . 70). utilizando-se de materiais dispostos sobre a mesa.S. Compare abaixo o quadro da seqüência diagnóstica proposta por ela:1º ..

ou seja. outros pedem que lhe digam o que fazer. Ibid.Para a avaliação as respostas são divididas em três níveis:· Nível 1: Não há conservação. quebra-cabeça ou ainda outros materiais que julgar necessários. p. Outros começam a falar. coloca que: O indivíduo não atua senão quando experimenta a necessidade. na qual o sujeito se dobra às vezes sobre seu próprio corpo e outras vezes permanece numa atividade quase catatônica.. escrever. livros ou revistas.Segundo Weiss:As provas operatórias têm como objetivo principal determinar o grau de aquisição de algumas noções-chave do desenvolvimento cognitivo. que só não obtinham êxito na prova de intersecção de classes. p. barbantes.O autor nos alerta que as provas ".pode ocorrer que o paciente não obtenha êxito em apenas uma prova... 53). filhos de pais separados e com novos casamentos dos pais. no qual expõe sucintamente os passos em que usou com grupos de estudo e cursos para o ensino do diagnóstico psicopedagógico. p. pegam o material e começam a desenhar ou escrever etc. Às vezes se trata de uma evitação fóbica que pode ceder ao estímulo. destrezas. as provas operatórias aplicadas no método clínico da Escola de Genebra por Piaget. atitude. Observa que o psicopedagogo deverá fazer registros detalhados dos procedimentos da criança. p. níveis de operatividade. Piaget. Alguns imediatamente. p. 73)..· A dinâmica .O entrevistado tende a comportar-se de diferentes maneiras após ouvir a consigna. (1992.Visca reuniu em seu livro: El diagnostico operatório em la practica psicopedagogica. massa de modelar. detectando o nível de pensamento alcançado pela criança. como arruma o material... p. 74)Visca (1987) observa que o que obtemos nesta primeira entrevista é um conjunto de observações que deverão ser submetidas a uma verificação mais rigorosa. Isto será fundamental para a interpretação das condutas.. Inhelder (1944) em El diagnóstico del razonamiento en los débiles mentales mostram que os oligofrênicos (QI 0-50) não chegam a nenhuma noção de http://psicodaniinglith. De acordo com Visca. (PIAGET apud VISCA. constituindo o próximo passo para o processo diagnóstico.. lápis. Isto se deve. Muito interessante o que Weiss nos diz sobre as diferentes condutas em provas distintas:. as provas projetivas psicopedagógicas e outros instrumentos de pesquisa complementares. instabilidade ou não são completas..A aplicação das provas operatórias tem como objetivo determinar o nível de pensamento do sujeito realizando uma análise quantitativa. ansiedades. (Id.é tudo aquilo que o sujeito deixa no papel. Pode-se ver se há um significado particular para a ação dessa prova que sofra uma interferência emocional: encontramos várias vezes crianças. e reconhecer a diferenças funcionais realizando um estudo predominantemente qualitativo.É da EOCA que o psicopedagogo extrairá o 1º Sistema de hipóteses e definirá sua linha de pesquisa. gestos. seus argumentos e juízos. talvez. a uma certa dificuldade de sua correta aplicação. p. postura corporal. 111). porém é interessante citar para percebermos a relação do sujeito com o objeto): No outro extremo encontramos a criança que não toma qualquer contato com os objetos. 73). deixando de lado a operação que já são capazes de fazer (2003. cuja intenção é desencadear respostas por parte do sujeito. Outras vezes se trata de um desligamento da realidade. o sujeito não atinge o nível operatório nesse domínio. comentando o porque de cada passo. evolução e extração das conclusões úteis para entender a aprendizagem. A forma de pegar os materiais. Em um momento conservam. ou seja." (1987.· Nível 3: As respostas demonstram aquisição da noção sem vacilação. Visca nos propõe empregar o que ele chamou de modelo de alternativa múltipla (1987. p. tesoura.é tudo aquilo que o sujeito faz. o que nos interessa observar na EOCA são ".(Id. Em relação a crianças com alguma deficiência mental ela nos diz que:No caso de suspeita de deficiência mental. 73). tendo sempre um aspecto manifesto e outro latente. fazer alguma coisa de matemática ou qualquer coisa que lhe venha à cabeça. 41). precisamente.no siempre han sido adecuadamente entendidas y utilizadas de acuerdo com todas las posibilidades que las mismas poseen" (1995. cola. observando e anotando suas falas.seus conhecimentos.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 41 de 155 entrevistador: "este material é para que você o use se precisar para mostrar-me o que te F@lei que queria saber de você" (VISCA. ou seja. quer dizer. 11).html 09-12-2012 . 106).· Nível 2 ou intermediário: As respostas apresentam oscilações. Ela ainda nos alerta que não se deve aplicar várias provas de conservação em uma mesma sessão. o nível de estrutura cognoscitiva com que opera (2003. Neste último caso.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. etc). 1987. régua.· O produto . 72). caneta. e outros simplesmente ficam paralisados. Visca nos dá um exemplo de como devemos conduzir esta situação: "você pode desenhar. Ibid. mobilidade horizontal e vertical etc (1987. em outro não. áreas de expressão da conduta. quando o equilíbrio se acha momentaneamente quebrado entre o meio e o organismo. p. em Psicología de la Inteligência. a readaptar o organismo. 1995). p.Vejamos o que Sara Paín nos fala sobre esta falta de ação na atividade "A hora do jogo" (atividade trabalhada por alguns psicólogos ou Psicopedagogos que não se aplica à Epistemologia Convergente.é tudo aquilo que o sujeito diz. a ação tende a reestabelecer este equilíbrio. lápis de cor. quando todo o conjunto sugere a sua possibilidade de êxito. 1987.. uma indiferença sem ansiedade. para se evitar a contaminação da forma de resposta. 1991. soluções que dá às questões.O entrevistador poderá apresentar vários materiais tais como: folhas de ofício tamanho A4. Podemos ainda citar crianças muito dependentes dos adultos que ficam intimidadas com a contra-argumentação do terapeuta. borracha. tons de voz. lápis de cera.. Logo após são selecionadas as provas piagetianas para o diagnóstico operatório. os estudos de B.blogspot.É importante também observar três aspectos que fornecerão um sistema de hipóteses a serem verificados em outros momentos do diagnóstico:· A temática . e passam a concordar com o que ele fala.. de sentar-se são tão ou mais reveladores do que os comentários e o produto. 11. p. atitudes. mecanismos de defesa.

2003. em si..É importante iniciar a entrevista falando sobre a gravidez. desse modo. omitir. p.facilitando a construção de esquemas e deixando desenvolver o equilíbrio entre assimilação e acomodação. sono etc. toda anamnese já é. aquisição da fala. elas devem ser feitas ao longo do processo diagnóstico. expectativas. alimentação. comer sozinha para não se http://psicodaniinglith. 2003. Ibid. extrair o máximo de informações possíveis sobre o sujeito. cuja aplicação tem como objetivo investigar os vínculos que o sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: o escolar. (2003.detectar o grau de individualização que a criança tem com relação à mãe e a conservação de sua história nela" (1992. o objetivo da anamnese é "colher dados significativos sobre a história de vida do paciente" (2003. a depender das características da família. para que todos se sintam com liberdade de expor seus pensamentos e sentimentos sobre a criança para que possam compreender os pontos nevrálgicos ligados à aprendizagem". 61). as provas projetivas. Weiss nos informa que. No mínimo se processa uma reflexão dos pais. circular de cordão. faz-se necessário recorrer a perguntas sempre que necessário. 2003. tais como: como aprendeu a usar a mamadeira. p. Observaremos a visão da família sobre a história da criança.". Estes pontos poderão determinar aspectos afetivos dos pais em relação ao filho... É possível. p.html 09-12-2012 . "A história do paciente tem início no momento da concepção. Podem-se detectar. 62). nos aspectos inconscientes de aprendizagem" (2003.. a andar de velocípede. concepção. p.. 43). terá lugar no final do processo diagnóstico. p. o que oferece a oportunidade de saber como o sujeito ignora (1992. p. Para isto é preciso que seja muito bem conduzida e registrada. Esta autora ainda nos diz que o pensamento fala através do desenho onde se diz mal ou não se diz nada. a colher.. os chamados de inteligência normal "obtusa" ou "baixa".Consiste em entrevistar o pai e/ou a mãe. a andar. de modo a não contaminar previamente a percepção do avaliador. (WEISS.Deixá-los falar espontaneamente permite ao psicopedagogo avaliar o que eles recordam para falar. afetos. Algumas circunstâncias do parto como falta de dilatação.De acordo com Paín.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 42 de 155 conservação. esquecer algo que lhe é apresentado. p. uma intervenção na dinâmica familiar em relação à "aprendizagem de vida". podem obter êxito em provas de conservação de volume. Os estudos de Verny (1989) sobre a Psicologia pré-natal e perinatal vêm reforçar a importância desses momentos na vida do indivíduo e. quando bem trabalhados.. especialmente no nível de adequação perceptivo-motriz" (PAÍN. Alguns pais retardam este desenvolvimento privando a criança de. 1992. "costumam ser causa da destruição de células nervosas que não se reproduzem e também de posteriores transtornos. seus preconceitos.. e a entrevista deverá ter um caráter semidiretivo (2003.. O psicopedagogo deverá complementar ou aprofundar. o que podemos avaliar através do desenho ou relato é a capacidade do pensamento para construir uma organização coerente e harmoniosa e elaborar a emoção. através dos quais é possível reconhecer três níveis em relação ao grau de consciência dos distintos aspectos que constituem o vínculo de aprendizagem. de algum modo.. Através dela nos serão reveladas informações do passado e presente do sujeito juntamente com as variáveis existentes em seu meio.106). Em outros. por exemplo. Os objetivos deverão estar bem definidos. após a aplicação das provas operatórias e das técnicas projetivas o psicopedagogo levantará o 2º Sistema de hipóteses e organizará sua linha de pesquisa para a anamnese que. a história vital nos permitirá ". distorcer. um mergulho no passado. Ibid. . p. a partir disso. como ocorreram seus controles.Posteriormente é importante saber sobre as primeiras aprendizagens não escolares ou informais. assim. se foi aceito pela família ou rejeitado. obstáculos afetivos existentes nesse processo de aprendizagem de nível geral e especificamente escolar (2003. Na anamnese verifica-se com os pais como se deu essa construção e as distorções havidas no percurso.blogspot. 63). 42). etc. buscando o início da vida do paciente. podem atingir o início do pensamento formal (2003. adiamento de intervenção de cesárea.. a controlar os esfíncteres. p. realizando uma posterior análise e levantamento do 3º sistema de hipóteses.. 117) Para Sara Paín. Também permitirá avaliar a deteriorização que se produz no próprio pensamento. evitar.De acordo com a Epistemologia Convergente. pré-natal.O psicopedagogo deverá deixá-los à vontade "..66). qual a seqüência e a importância dos fatos.Se a mãe não permite que a criança faça as coisas por si só. os fronteiriços (QI 70-80) podem chegar a ter sucesso na prova de conservação de peso. e às vezes.É interessante saber sobre a evolução geral da criança. A anamnese é uma das peças fundamentais deste quebra-cabeça que é o diagnóstico. p. o copo. p. se ocorreram na faixa normal de desenvolvimento ou se houve defasagens. os débeis mentais (QI 50-70) chegam a ter êxito na prova de conservação de substância. buscar relações com a apreensão do conhecimento como procurar. (Id. 61). como já vimos. A intenção é descobrir "em que medida a família possibilita o desenvolvimento cognitivo da criança . 64). Visca também reuniu em um outro livro: Técnicas proyetivas psicopedagogicas. o familiar e consigo mesmo. como e quando aprendeu a engatinhar. não permite também que haja o equilíbrio entre assimilação e acomodação..Conforme Weiss. interpretar e estruturar o material ou situação reflete os aspectos fundamentais do seu psiquismo. conhecimentos e tudo aquilo que é depositado sobre o sujeito. o que inclui espontaneamente uma volta à própria vida da família como um todo (Id. ou responsável para. aquisição de hábitos.Weiss nos diz que: As observações sobre o funcionamento cognitivo do paciente não são restritas às provas do diagnóstico operatório.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. É interessante perguntar se foi uma gravidez desejada ou não. emprego de fórceps. em alguns casos deixa-se a família falar livremente. 64).Sobre as provas projetivas Weiss observa que: O princípio básico é de que a maneira do sujeito perceber. p. Segundo Weiss.111-112).

72). no caso da criança. é claro)" (PAÍN. nas modalidades para a educação do controle dos esfíncteres quando apareçam perturbações na acomodação.A história escolar é muito importante. neuroses graves ou outras patologias..Posterior a esta conduta deverá ser mencionada as recomendações como troca de escola ou de turma.Weiss nos orienta também saber sobre a história clínica. outros profissionais etc. neste momento. de dar de volta (ROCHA.A mesma autora aconselha insistirmos ". que se comparará com o atual. como foram tratadas. assim. para determinar o deterioramento ou incremento no processo de evolução" (1992. Análise dos resultados nas diferentes áreas: pedagógica. Isto evita que o problema levantado pelo diagnóstico não fique sem uma posterior solução. p. pois seu organismo ainda está imaturo. 1992. fonoaudiólogo.III. 2003. 42). p.É perfeitamente normal que. p. Os pais. Síntese dos resultados . psicólogo. tirar as fraldas para não se sujar e não urinar na casa. feita aos pais e ao paciente. é preciso fazer a devolução utilizando-se de uma linguagem adequada e compreensível para sua idade para que não fique parecendo que há segredos entre o terapeuta e os pais.Alguns pais chegam à devolução sem terem consciência ou camuflam o que sabem sobre seu filho. Observações: acréscimo de dados conforme casos específicos. Dados pessoais.IV. Motivo da avaliação encaminhamento.. "Isto nos permite estabelecer um quociente aproximado de desenvolvimento. 136). 130). 138). p. ou seja.V. No sentido da clínica psicopedagógica a devolução é uma comunicação verbal. é preciso que se instale nele o desejo de aprender (Weiss. sua adaptação. Período da avaliação e número de sessões. p... dos resultados obtidos através de uma investigação que se utilizou do diagnóstico para obter resultados. ou seja. "ficam evidentes nestas falas as fantasias que chegam ao momento da devolução. A anamnese deverá ser confrontada com todo o trabalho do diagnóstico para se fazer a devolução e o encaminhamento. e posteriormente rearrumar a seqüência dos assuntos a serem abordados. " (1992.Todas estas as informações essenciais da anamnese devem ser registradas para que se possa fazer um bom diagnóstico. Instrumentos usados. Quaisquer que sejam os solicitantes é importante não redigir o mesmo laudo. entusiasmo. quando começou a freqüentar a escola. p. passando segurança.Encerrada a anamnese.Por outro lado há casos de internalização prematura dos esquemas. É importante que no momento da devolução o psicopedagogo tenha algumas indicações de instituições particulares e públicas que ofereçam serviços gratuitos ou com diferentes formas pagamento. talvez o momento mais importante desta aprendizagem seja a entrevista dedicada à devolução do diagnóstico.html 09-12-2012 .hipótese diagnóstica.VII. e as indicações que são os atendimentos que se julgue necessário como psicopedagogo. enfim. possíveis rejeições. o que acaba por inviabilizar a possibilidade para novas conquistas. Muitas vezes faz-se necessário o encaminhamento para mais de um profissional. neurologista etc. seja o psicopedagogo.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 43 de 155 lambuzar. Em casos de quadros psicóticos. pois existem informações que devem ser resguardadas. Muitas vezes algumas suspeitas observadas ao longo do diagnóstico tendem a se revelar no momento da devolução. porque escolheram aquela escola.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. não será possível realizar um contrato de tratamento. suas conseqüências.blogspot.VIII. a que ponto dará mais ênfase. estimular a leitura em casa etc. pais que forçam a criança a fazer determinadas coisas das quais ela ainda não está preparada para assimilar.Weiss orienta organizar os dados sobre o paciente em três áreas: pedagógica. é o chamado de hipoassimilação (PAÍN. 45). 2003. amenizar a super-proteção dos pais. caso contrário. cognitiva. para cada solicitante deve-se redigir informações convenientes.Depois deverão ser mencionados os pontos causadores dos problemas de aprendizagem. diferentes laudos. trocas de escola. É necessário haver um roteiro para que o psicopedagogo não se perca e os pais não fiquem confusos. os esquemas de objeto permanecem empobrecidos. o paciente e os pais. Ele é solicitado muitas vezes pela escola. Ibid. o psicopedagogo levantará o 3º sistema de hipóteses.. cognitiva e afetivo-social. é necessário um tratamento psicoterápico inicial. entrevista que se realiza primeiramente com o sujeito e depois com os pais (quando se trata de uma criança. 1992).II. Ibid. afetivo-social. ". até que o paciente atinja um ponto tal que tenha condições de perceber a sua própria necessidade de aprender e crescer no que respeita à escolaridade. Bibliografia: http://psicodaniinglith. 130). Muitas vezes a criança já se encontra com sua auto-estima tão baixa que a revelação apenas dos aspectos negativos acabam perturbando-o ainda mais. os aspectos positivos e negativos e as conseqüências na aprendizagem. o que acaba desrealizando negativamente o pensamento da criança. corporal. É preciso tomar consciência da situação e providenciar suas transformações. Prognóstico. Sua finalidade é "resumir as conclusões a que se chegou na busca de respostas às perguntas que motivaram o diagnóstico" (Id. 208). e que estiveram presentes durante todo o processo diagnóstico" (Id. Recomendações e indicações. ou que o terapeuta os traiu (1992. seqüelas..O informe é um laudo do que foi diagnosticado. muitas vezes acabam revelando algo neste momento que surpreende e acaba complementando o diagnóstico.VI.Sobre o que acabamos de mencionar Sara Paín nos diz que é interessante saber se as aquisições foram feitas pela criança no momento esperado ou se foram retardadas ou precoces. 1996.Devolução no dicionário é o ato de devolver. Tudo deve ser feito com muito afeto e seriedade. bem como a capacidade de coordená-los. p. 2003. é o chamado de hiperassimilação (PAÍN.É importante que se toque inicialmente nos aspectos mais positivos do paciente para que o mesmo se sinta valorizado. exista muita ansiedade para todos os envolvidos no processo. primeiro dia de aula. quais doenças..IX. Segundo Weiss. E isto complica quando a família pertence a um baixo nível socioeconômico. p.A mesma autora sugere o seguinte roteiro para o informe:I. 1992)..

Agradeço ainda ao Fabian Domingues. pelos significados dos nossos encontros. Impossível não lembrar de agradecer a torcida amorosa e silenciosa para que eu concluísse este http://psicodaniinglith. Espero que tenham percebido o quanto foi valioso para mim este gesto acolhedor e fraterno.1. por anos seguidos. com menos custos. de tanto me ver desenhar no chão do quintal com um graveto. Agradeço ao Milton. que nas raras visistas que me fez na infância.1 AGRADECIMENTOS A elaboração deste trabalho teve um início longínquo. Estávamos muito felizes.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 44 de 155 O MÉTODO CLÍNICO EXPERIMENTAL DE JEAN PIAGET COMO REFERÊNCIA PARA O CONHECIMENTO DO PENSAMENTO INFANTIL NA AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA MARIA ALICE MOREIRA BAMPI Dissertação de Mestrado apresentada como pré-requisito para conclusão do Curso de Mestrado em Psicopedagogia do Programa de Pós-Graduação da Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL. Meus mais carinhosos agradecimentos às amigas e colegas do curso. comprou meu primeiro livro. agradeço ao meu pai. Agradeço a Gilberto Bampi. Ricardo. Ivony Lysakovsky Bampi. pela paciência comigo e pelo amor que me dedica. nossas alegrias por participarmos daquele grupo. por tudo.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. apesar dos sacrifícios de estudar e. Tom e Luciana. Braz Francisco de Assis Moreira que. Salete Anderle e Dorotéia Múrcia Sousa por não permitirem que eu desistisse de concluir este mestrado. Celso Leal da Veiga Júnior. caderno e lápis… e mais tarde. desafiou-me a contar todas as folhas do abacateiro… Agradeço a curiosidade que plantou em mim. E a Yasmin e Tayná. o meu curso de Psicopedagogia e vários congressos. meu amor. E à minha querida mãe. olhares e as suas lógicas. amigo e companheiro.blogspot. fizeram toda a diferença na minha decisão de continuar.1. Sua competência. que não permitiu que eu abandonasse a faculdade. fornecendo-me as orientações iniciais a este trabalho. Agradeço aos meus amados filhos. Braz Francisco de Assis Moreira. contou-me como era ser professora em 1920 e. À minha avó paterna. Aos meus amados irmãos. Alexandre e Rafael. nossas descobertas. 1. minha mãe. Sérgio Bampi e Mery Bavia pelo carinho e desprendimento com que sempre me acolheram em suas residências. falou-me de poesia e teatro. Brazinho. ao mesmo tempo. Paulo Hentz Florianópolis 2006 Dedico este trabalho a: Dr. criar dois bebês. Orientador: Dr. por darem-me força e a razão para viver e ser feliz. por todo apoio e incentivo que recebi nos momentos mais críticos da conciliação entre minha vida profissional e acadêmica. Por isto. agradeço pela fidelidade ao amor e alegrias das nossas infâncias. que me lembrou de datas e direitos. um dicionário. nossos debates. Léa Lacerda Moreira.html 09-12-2012 . Léa Lacerda Moreira. pela doçura e esperanças que colocam na vida com os seus sorrisos. Agradeço ao Caio. Maria José Carvalho de Sousa Mattos. para que eu pudesse realizar em Porto Alegre. nossos estudos. Márcia. uma grande artesã. ética e discernimento. um grande Professor. depois do meu afastamento compulsório por questões de saúde. Agradeço aos meus colegas e amigos da turma de mestrado. minhas estrelinhas. meu pai. Registro também meus agradecimentos ao Dr.

Paulo Hentz pelo apoio que recebi neste processo artesanal de tentar construir conhecimentos para contribuir com uma pequena parcela à psicopedagogia. Ana Maria Cordeiro. André Zunino. A todos o meu reconhecimento e gratidão. Ensinar ao homem. MSc. agradeço a Deus. “A sociedade é a unidade suprema. por tudo o que aprendi com eles ao longo da minha vida profissional. Gláucia Machado. por ter dedicado sua vida à pesquisa possibilitando. Flávia Tronca. compondo o meu universo emocional e cognitivo. assim. http://psicodaniinglith. Cláudia Zanela e Luciano Giacomassa. Basta ter como ideal uma melhor educação para o as crianças e adolescentes do Brasil. Agradeço ao Rafael Moreira Domingues. e o indivíduo só chega às suas invenções ou construções intelectuais na medida em que é sede de interações coletivas. na pessoa do sr. Helena Maurício.blogspot. Homem que precisa ser humanizado. Este poderia ser incluído aos elementos que garantem o equilíbrio do nosso ecossistema. de bom senso para preservar o ar. Airton Negrine.html 09-12-2012 . Agradeço o grande incentivo que recebi do professor Msc. Dra Carmen Andaló. de Mariana Moreira de Abreu Silva e Luciana Moreira de Abreu Silva com a tradução de textos em inglês e a gentileza da secretária do mestrado da UNISUL. neste universo que ele explica está contido o homem. ao fotógrafo Ricardo Bampi pelas maravilhosas imagens captadas em momentos tão especiais das crianças. as águas. Para elaborar este trabalho precisei também de muitos apoios especiais. Suas orientações revelaram-se como um alimento cognitivo para que eu buscasse em mim todas as possibilidades de escrever este estudo. para que eu as utilizasse na apresentação deste estudo. Maricélia de Morais. A todos o meu eterno respeito e gratidão. Álvaro de Oliveira. priorizar a ética e a estética nos seus comportamentos. Certamente. cujo nível e valor dependem naturalmente da sociedade em conjunto. Deusa Cristina Guedes Bampi. José Luiz de Paiva Bello. por ter mantido em ordem o meu universo particular. Roberto Rodrigues. à UNETVALE. que a educação se apropriasse dela. Para a sobrevivência deste ameaçado Planeta precisamos. Dr.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. na opinião coletiva assim como na consciência individual”. pelo contínuo e perfeito apoio na área de informática. Impregnado de intencionalidade. feita por Caroline Vallin Bampi. clareando a nossa compreensão sobre o pensamento infantil. Agradeço de forma especial à esta banca constituída por estes doutores que já trilharam este meu caminho e conhecem bem a importância deste momento para que eu possa prosseguir. para que eu pudesse dedicar-me às pesquisas e escritas com tranqüilidade. as plantas… e os professores. Agradeço à UNISUL e a todos os ótimos professores que colocou à minha disposição e que me ajudaram a construir esta inesquecível etapa da minha vida acadêmica: Dr. que. no mínimo. Dr. Marcelo Letti. Dr. A questão importante é distinguir a lógica. pela tranqüilidade e seriedade com que respondeu a todas as minhas dezenas de angustiadas indagações. E finalizando. que me aproximou de todas estas maravilhosas pessoas. Elizete Wolff da Costa. Agradeço a todos os meus alunos e crianças. E de forma especialíssima ao Orientador desta dissertação Professor Dr. que sem conhecer-me pessoalmente. O meu reconhecimento e agradecimento a Jean Piaget. Dr. a terra. Humanizado pela Educação. por me serviram de sujeito e objeto de pesquisas e aprendizagens. tarefa principal do professor. Muito especiais foram também os apoios de Cleunisse Rauen De Luca Canto com a revisão final deste trabalho. Também agradeço à Cristiane Alves de Sousa Broering.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 45 de 155 trabalho. Dr. na reflexão solitária assim como na cooperação. Paulo Hentz. que poderá optar por valores. O grande homem que parece lançar novas correntes é apenas um ponto de intersecção ou de síntese de idéias elaboradas por cooperação contínua (…) é por isto que a questão importante não consiste em pesar os méritos do indivíduo ou do grupo (problema análogo ao das relações de filiação entre o ovo e a galinha). Amadas noras e queridíssimos amigos. que gentilmente colocou à minha disposição os materiais tecnológicos de sua empresa. Viver melhor com todos ainda é uma ciência inexplorada. e os erros ou insanidades. tudo teria ficado mais difícil. Sou imensamente agradecida a estas dedicadas e competentes profissionais. está presente o Homem. obrigada pelo apoio afetivo de vocês. Porque ali. Jean Piaget Mensagem Investir esforços na formação e no desenvolvimento dos professores é compreender a dimensão social da sua tarefa. Luis Gonzaga Monteiro. o fazer do professor é capaz de também fazer brotar o sujeito epistêmico. sem o auxílio destes profissionais. provou que grandes seres humanos não precisam de muitos motivos para se tornarem amigos. MSc. alterar rumos na vida. que pouco se entende.

1. Método Clínico. with reflections. em seu clássico: “Grande sertão. Pensamento. 104f. Florianópolis. provoking. you get to the Clinical Method that permits to the psycho pedagogy. When reflecting about the psychogenetic theory. provocando com reflexões as desacomodações necessárias para avançar aos níveis subsequentes de pensamento. partindo do Método Clínico Experimental de Jean Piaget. porém.1 PROBLEMA 1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO 2 PERFIL ACADÊMICO E PROFISSIONAL DE JEAN PIAGET 3 ABORDAGEM SOBRE o REFERENCIAL FILOSÓFICO NA CONSTRUÇÃO DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA 4 A ABRANGÊNCIA DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA http://psicodaniinglith. Ao refletir sobre a teoria Psicogenética.1. is this study’s proposal. Clinical Method. which are considered necessary to understand the Psychogenetic Clinical Method without.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot. Dissertação (Mestrado em Psicopedagogia) – Programa de Pós-Graduação da Universidade do Sul de Santa Catarina. Veredas”. Development.2 OBJETIVO 1. concluo que realizar este curso de mestrado teve o seu valor: Renovar em mim a certeza de que aprender e ensinar. Este estudo deixa em aberto possibilidades de contínuas investigações sobre a gênese do conhecimento humano.1. que possibilita à Psicopedagogia recursos para avaliação do potencial criativo e cognitivo da criança. Conhecer o nível de pensamento de um criança. aterse à minúcias da aplicação do método.2 RESUMO O Método Clínico Experimental de Jean Piaget apresenta-se aqui neste estudo. como possibilidade investigativa do nível de pensamento da criança. chega-se ao Método Clínico Experimental.3 ABSTRACT Jean Piaget’s Experimental Clinical Method is presented here as an investigative possibility of the child’s thought level in the psycho pedagogical task. Ação.1. This study does not reach a summary of this author’s great work. This study allows the possibility of continuous investigations about the human knowledge’s origin. Aprendizagem. pelas palavras de sua figura literária Riobaldo. justifica-se visando a possibilidade de interferências criativas. João Guimarães Rosa. starting from Jean Piaget’s Experimental Clinical Method. que desesperada diante do nada em que reduziram a sua auto-estima e a da sua comunidade. é uma forma de ser feliz… BAMPI. the necessary changes to advance to the thought’s immediate levels. mas pretende selecionar os enfoques considerados necessários para compreender o Método Clínico Psicogenético sem.4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 1. but intends to select the approaches. pela visão construtivista-interacionista. Com esta reflexão. na tarefa psicopedagógica. Key words: Knowledge Theory.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 46 de 155 Pensar nisto. Action. um descanso na loucura…”. Thought. permite lembrar da afirmação uma sofrida mulher africana. Knowing the child’s thought level is justified by viewing the possibility about creative interferences. getting caught up in details of the method’s application. Learning. Maria Alice Moreira. resources to evaluate the child’s creative and cognitive potential.1. Desenvolvimento. Knowing the theoretical approach that justifies its use. O método clínico experimental de Jean Piaget como referência para o conhecimento do pensamento infantil na avaliação psicopedagógica. corrobora com esta mulher africana.3 JUSTIFICATIVA 1. Intelligence. 1. through constructivist and interactive views. Este estudo não abrange um resumo da vastíssima obra deste autor. 2006. Palavras-chave: Epistemologia. propôs-se a alfabetizar e ensinar crianças e jovens: “A educação ensinou-me a amar novamente o ser humano”. 1. escrevendo: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde. 1.SC.html 09-12-2012 .1.

estudos.3. o conhecimento de que já dispomos nos moldes da ciência. porém. com todas as suas implicações. deve ser o centro dos mais sérios objetivos educacionais. em seu tempo.1 Período sensório–motor 8. demandas.3 O REALISMO NOMINAL 10.3.4 O PENSAMENTO DA CRIANÇA COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM 11 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS ANEXOS Glossário de termos piagetianos 2 INTRODUÇÃO A educação escolar nos é apresentada como o ancoradouro das possibilidades de desenvolvimento pessoal e equilíbrio social.1. Autonomia na aprendizagem é um ideal utópico.1. que se concretizará na emancipação do pensamento do indivíduo. nos espaços escolares. o que acontece com ele quando a escola diz que ele não está aprendendo? A Epistemologia.3 Período hipotético-dedutivo ou operatório formal 9 METODOLOGIA 9. Acredita-se que o desenvolvimento intelectual e social das crianças seja favorecido com o desenvolvimento da ciência como forma de racionalidade.3 OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA 8. As razões destas dificuldades são muitas: são históricas.1. nem difundir a cultura e o conhecimento como realmente poderia fazê-los. seu espaço e seu contexto. adequando a escola ao seu desenvolvimento cognitivo.1 O MÉTODO CLÍNICO EXPERIMENTAL 9. que provocar o saber pensar para fomentar o desenvolvimento intelectual e a capacidade de iniciativa de todas as crianças e adolescentes. psicológico e social. aprende.2 A NOÇÃO DE PENSAMENTO 10.blogspot. neste estudo. culturais e algumas vezes. acolhedora e ao mesmo tempo emancipadora do seu potencial intelectual e de busca contínua de aprendizagem. Conhecer o mundo e suas relações é atributo do pensamento hipotético–dedutivo. acaba por não conseguir neutralizar estas diferenças. constrói.2 Período operatório 8. É preciso retomar.1 A gênese do método clínico 9. Reconhece-se. característica necessária à ciência. cria. O seu fazer pedagógico é uma proposta relacionada ao conhecimento. em sua organização didática. investiga. Sabemos também que lutamos para ver as crianças garantidas no espaço da escola afetiva. enquanto compreensão da origem do conhecimento humano deveria ser o interesse mais presente na práxis do professor. as utopias educacionais buscadas insistentemente como forma de melhorar a nossa organização social. destrói e reconstrói os objetos. poderia neutralizar as diferenças sociais. reprodutiva e excludente. econômicas. Espera-se que a escola. Constituída assim. Como esta criança aprende? Esta pergunta deveria permear a http://psicodaniinglith. Sendo assim.1 EQUILÍBRIO . humana. Este estudo direcionará o olhar sobre a questão individual da criança como sujeito de aprendizagem e de necessário desenvolvimento. valorize o desenvolvimento das suas crianças. conduzindo-as à reflexão em torno do conhecimento científico. AÇÃO E INTELIGÊNCIA 8 OS CONCEITOS DE JEAN PIAGET 8.1 O REALISMO INFANTIL 10.2 Os primeiros registros 9. O que podemos contribuir com estudo apresentado aqui? Sabemos que nas organizações educacionais temos idéias.2 ABSTRAÇÃO EMPÍRICA E ABSTRAÇÃO REFLEXIONANTE 8.1 A origem dos nomes 10. sobre o desenvolvimento da inteligência dos indivíduos. individuais.html 09-12-2012 . O ser humano é um ser que pensa.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 47 de 155 5 O REFERENCIAL FILOSÓFICO NA CONSTRUÇÃO DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA 6 EPISTEMOLOGIA GENÉTICA E INTERDISCIPLINARIDADE 7 CONSTRUTIVISMO.O PROCESSO DE EQUILIBRAÇÃO 8. então. se ficar livre da escola ‘tarefeira’. bem como berço da prática de socialização dos saberes legítimos acumulados pela cultura. pesquisas e resultados que podem ser utilizados a favor do bem estar social.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.3 As características do método clínico 10 EXEMPLOS DE PROTOCOLOS DE OBSERVAÇÃO 10. implementando novas possibilidades de realizar.3.3.

Neste universo de teórico. Nesta época. conscientemente ou não. mas o objetivo investigativo do experimentador e da sua interação com o sujeito. Este estudo pretende analisar o Método Clínico Experimental. com possibilidades de permanecer em debates. Este estudo não tratará de todos os aspectos da teoria psicogenética. que encontrava nas entrevistas com as crianças e adolescentes. mudou a psicologia e a educação com suas pesquisas e idéias sobre a gênese do conhecimento humano. E admite-se. criativo.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 48 de 155 sua prática. mais respostas deixou. por que Jean Piaget? A teoria de Jean Piaget foi-me apresentada pela professora Dra.blogspot. o acesso restrito à bibliografia e nenhuma experiência com crianças. o que há com ele quando não aprende? Com um suporte teórico abrangente.html 09-12-2012 . No campo de estudos da Psicopedagogia. Alguns anos depois. 2. reflexivo. Léa da Cruz Fagundes. A partir daí.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Durante a aula. o Psicopedagogo terá referências teóricas científicas para inferir sobre o potencial cognitivo da criança ou adolescente. seus termos de difícil compreensão para os meus padrões acadêmicos da época.2 OBJETIVO Conhecer e analisar o enfoque teórico que sustenta e justifica a aplicação do Método Clínico Experimental na avaliação das crianças com problemas de aprendizagem e as possibilidades de interferência nos seus processos de pensamento. que temos a disposição. na análise do pensamento da criança com dificuldades de aprendizagem?”. como possibilidade de referência teórica. estudando o indivíduo ativo. ao longo de 109 anos. estudos e pesquisas também no Século XXI. na avaliação psicopedagógica. Tem como essência não apenas uma entrevista.1 PROBLEMA Com estas reflexões. sem no entanto concordar ou discordar delas. por inferência. em 1975. agem e sentem a natureza e o universo. Com seu gênio criativo. Léa da Cruz Fagundes. Mas ainda assim. garantidos pela maravilhosa invenção de Gutemberg.3 JUSTIFICATIVA Repensando o motivo da escolha deste tema e ao realizar este estudo. o seu potencial de aprendizagem. Neste trabalho pretendo. a resposta: Brota? http://psicodaniinglith. coloco como problema deste estudo: “É o Método Clínico Experimental referência útil à Psicopedagogia. surpreendia-me com aquelas partículas de respostas semelhantes. percebem. fiz continuamente uma pergunta antes de iniciar este estudo: Entre tantos. da professora Dra. Porém outros aprendem menos ou muito devagar. sem a mínima pretensão ou possibilidade de esgotá-los em forma de discussão teórica. refletir sobre a contribuição de Jean Piaget que. e que. uma pergunta desta professora ecoava pelo silêncio da sala: Como nasce a inteligência no ser humano? Alguns arriscavam: Ensina-se? Explica-se? Já nasce inteligente? É o ambiente? Professora Léa acolhia as respostas. Serão feitas algumas reflexões sobre a possibilidade do Método Clínico ser considerado como instrumento útil de análise e investigação do pensamento da criança na avaliação psicopedagógica dos problemas de aprendizagem. como alternativa útil de investigação e pesquisas contínuas. 2. situa-se como o mais importante teórico sobre a cognição presente no Século XX. A questão que anima a investigação sobre estudos de Jean Piaget é justificada pela extensa obra legada à humanidade sobre a gênese do conhecimento humano. Afinal. partindo de investigações científicas amplamente testadas e corroboradas em variados laboratórios de pesquisas epistemológicas da Europa e das Américas. que muitos indivíduos aprendem. com pesquisas e estudos contínuos. o professor sempre agirá de acordo com alguma epistemologia. de psicólogos e educadores. desconhecendo ainda o vasto campo teórico em que estava pisando. a Epistemologia Genética firma-se como ponto de partida para compreender a complexidade da aprendência humana. coloca-se em destaque entre os teóricos que mais se inquietaram diante da origem da inteligência humana. então. o Método Clínico apresentar-se-ia. reencontro esta teoria no curso de especialização em Psicopedagogia. Mas que muitas vezes não aprende o que lhe é ensinado na escola. Refleti um pouco e joguei. não assimilava a teoria de Jean Piaget. nas salas de aulas do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. sem muita certeza. A complexidade da sua teoria. apenas sobre alguns pontos básicos da sua teoria. Lá conheci e apliquei em crianças o Método Clínico Experimental e. se a criança é um ser que aprende. obriguei-me a rever os motivos que me levaram a Jean Piaget. contribuíram para eu desistir de estudar esta teoria. Sabemos que. sobre o processo do desenvolvimento do pensamento da criança e do adolescente e. sim. então. novamente pelas palavras e paixão pelo tema. 2. o universo infantil já me interessava. Com uma teoria para ser avançada. na investigação e conhecimento do pensamento da criança com dificuldades de aprendizagem. O Método Clínico Experimental é um procedimento para investigar como as crianças pensam.

Um menino que pensa… num tempo que se perde.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. filhos. sobre as respostas das crianças. Preferi a teoria que fundou a minha prática de 22 anos de psicopedagogia clínica e institucional. acomodação e equilíbrio sejam conquistados pela abstração reflexionante. crianças vizinhas. “Como avança nesta reflexão sobre este universo?”. No capítulo VI. Este fato é interessante por ser a teoria psicogenética a que maior impacto teve nos meios educacionais apesar de Jean Piaget não ter desenvolvido sua teoria pensando nas questões pedagógicas ou educacionais. O que significa pertencer ao período sensório-motor? Pré-operatório? Operatório concreto? Operatório formal? O que isto auxilia na compreensão do nível de raciocínio de uma criança? No capítulo seguinte descreve-se a metodologia do presente trabalho. encantava-me: a gênese da inteligência humana presente ali. Isto causa surpresa e envolvimento com a sua teoria. nas questões sobre a origem do conhecimento. a ação e a inteligência são explicitados como conceitos obrigatoriamente presentes nas referências sobre a teoria psicogenética. Jean Piaget ressalta como necessário. interesse pela aprendizagem proveniente da pesquisa. Por último. interesse no que poderia ser o construtivismo e interacionismo. o construtivismo. mas. A estrutura deste trabalho consta. gerando acomodação e equilíbrio. religação ao professor não mais tarefeiro e repetidor. As explicações e abordagens diretivas para a seqüência de estudo estão aqui determinadas. provocador da reflexão na sala de aula. Situa-se como um novo capítulo e abrange as características que norteiam o desenvolvimento desta pesquisa. como o foco de interesse contínuo de Jean Piaget. do perfil acadêmico e profissional de Jean Piaget. No Capítulo IV abordam-se os pontos de apoio da epistemologia psicogenética. reflexiva. atitude investigativa diante do significado do erro na resposta infantil. respeito à criança que pensa.blogspot. Estas constatações trouxeram-me a esta dissertação de mestrado. mudanças de expectativas sobre a inteligência infantil.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 49 de 155 Nascia ali a minha curiosidade e o meu interesse pela teoria de Jean Piaget. onde Jean Piaget busca saber como nasce a inteligência no ser humano e como se passa de um estado de menor conhecimento para outro de maior conhecimento. Todo o seu interesse foi epistemológico. abandono da ênfase no comportamentalismo em sala de aula. Método Clínico Experimental aplicado com sobrinhos. selecionei alguns aspectos que considerei necessários para construir o meu entendimento sobre esta teoria.4 ESTRUTURA DO TRABALHO Para este estudo. fez toda a minha atitude investigativa. mudanças de paradigmas pessoais na relação ensino-aprendizagem. avanço de qualidade na educação como proposta de fazê-la ciência da construção intelectual humana. Até que um novo desequilíbrio aconteça para que novos níveis de assimilação. como resultado da contínua ação sobre o meio. pretende enfocar as influências filosóficas recebidas por Jean Piaget. precisei optar. o garotinho ao meu lado no banco do ônibus…. mais precisamente a filosofia de Bergson e Kant. No capítulo seguinte. “Minhas conversas com as crianças não serão mais as mesmas” eram as conclusões das alunas-professoras. por puro deleite de conversar e ouvir o pensamento desta criança. Isto contribuiu para inovar o pensamento pedagógico sobre a educação até então reprodutivista. a investigação acontecia. com o Método Clínico Experimental. as possibilidades de redefinir novas perguntas a fenômenos menos conhecidos ou pouco percebidos. No capítulo II. o Método Clínico é apresentado. a abordagem sobre o referencial filosófico na construção da Epistemologia Psicogenética. prática e teórica sobre as possibilidades do aprendiz humano. Diante de um universo teórico estimulante. de forma reflexiva. ou seja. 2. Muitas leituras e pesquisas. a abordagem sobre os conceitos que formam o núcleo da teoria psicogenética. A observação e a análise do desenvolvimento do pensamento infantil conduziram a este conceito. no menino que vendia picolés. Os estágios do desenvolvimento da inteligência conduzem ao ponto central como referencia na avaliação do Método Clínico. como professora na universidade nos cursos de Pedagogia sugeria que aplicassem o Método Clínico Experimental. A constatação das previsões de Jean Piaget. Escutar as crianças para conhecer o seu nível de pensamento. O universo físico já presente na reflexão e curiosidade infantil. a ação do indivíduo sobre o meio. Para alcançar níveis superiores de raciocínio. surpreendia-me. facilitam a compreensão do processo construtivo da inteligência. Esta riqueza possibilita a procura constante de novos problemas e. pesquisas e sua atuação profissional. revelando a precocidade do seu interesse científico e a diversidade e interdisciplinaridade dos seus estudos.html 09-12-2012 . enfocando além do aspecto biológico como condição inicial do indivíduo na necessidade de ação para o funcionamento do organismo. No capitulo III a Epistemologia Genética é abordada como o estudo dos mecanismos do aumento do conhecimento. mas salientando necessidade das trocas com o meio pela necessidade biológica de adaptação. O construtivismo foi cunhado e fortalecido pelas idéias de Jean Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência humana. Conhecer o pensamento da criança pela teoria psicogenética de Jean Piaget. que por ele construiu toda a sua teoria e suas mais de 20 mil páginas sobre a gênese da http://psicodaniinglith. A interdisciplinaridade enfocada no capítulo V aponta para a característica abrangente de ciências presentes na teoria de Jean Piaget. Avançará? Posteriormente. onde encontrasse uma criança. conquistando a assimilação. natural aos organismos vivos. inicialmente. Como resultado. “Como a criança explica o mundo?”.

com o auxílio financeiro da Fundação Rockfeller. Por outro lado. continuou trabalhando no laboratório e escreveu vários trabalhos. http://psicodaniinglith. em 09 de agosto de 1886.htm. da qual recebeu profunda influência. Esteve no Rio de Janeiro em 1949. Bleuler. sua formação lógica deveu-se a Arnold Reymond. onde lecionou. alguns publicados pelo Museu de História Natural de Genebra.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 50 de 155 inteligência humana. 4 ABORDAGEM SOBRE o REFERENCIAL FILOSÓFICO NA CONSTRUÇÃO DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA Habrá que mejorar las formas de acercamiento y adquisición del conocimiento. como professor-conferencista. onde estudou nos laboratórios de psicologia de G. Licenciou-se em 1915. sistematicamente. Auguste Comte e.com. recebendo ali o título de doutor honoris causa. fósseis e zoologia. além de proferir conferências nos USA. De forma resumida transcrevo o seu “curriculun” disponível em todas as bibliografias específicas e especialmente na Internet.br/jeanpiaget. Simultaneamente. dela recebeu o título de Doutor em Ciências (1918). Desde criança interessou-se por mecânica. pasar del discurso abstracto a oferecer el camino para llegar a él. formal.dél manejo de conceptos y símbolos a proporcionar la capacidad para alcanzarlos. especialmente com L'Evolution créatrice (1905). Através de seu padrinho. Em 1955. Desde 1921. onde pesquisou a formação do número na criança. capaz de elaborar la representación contínua del universo que se quiere organizar y disfrutar (BELTRÁN. Em 1923. Suíça. a viabilidade de auxiliar a criança com dificuldades de aprendizagem a avançar para níveis seguintes de pensamento. como recurso teórico científico na avaliação dos níveis de pensamento da criança. fez pesquisas com o teste de Burt em crianças parisienses e crianças deficientes mentais no hospital da Salpatriere. conciliando sua formação científica com suas disposições especulativas. e morreu em Genebra a 16 de setembro de 1980. a inteligência. A diversidade e interdisciplinaridade da sua atuação profissional e acadêmica decorrente dos seus interesses e pesquisas ajudam-nos a compreender a extensão e profundidade da sua obra. filósofo e educador. Por mucho que evolucionem los contenidos y las formas de tratamiento de la información. escreveu “Esboço de um neopragmatismo” (1916) e.jeanpiaget. em colaboração com A. Estudar a viabilidade de utilizá-lo na prática psicopedagógica foi o objeto deste estudo.html 09-12-2012 . por meio do site: http://www. fundou em Genebra o Centro Internacional de Epistemologia Genética. estagiou no hospital psiquiátrico de Saint'Anne e estudou lógica com André Lalande e Lén Brunschvicg. 1996). de Genebra. dedicando-se depois à leitura de Immanuel Kant. apoiado em bases científicas. corroboradas por pesquisas contínuas. sentiu-se igualmente atraído pelo que chamou de “demônio da filosofia”. Foi nesse período que tomou contato com as obras de S. justificando a ação psicopedagógica institucional enquanto apoio técnico. no campo pedagógico e na explicação da evolução da conduta cognitiva. F. Especialista em psicologia evolutiva e epistemologia genética. Jung. O Método Clínico Experimental de Jean Piaget apresenta-se. trabalhou como assistente voluntário do Laboratório do Museu de História Natural. Szeminska. como possibilidade investigativa sobre o nível de pensamento da criança. Registrando-se na divisão de ciência da Universidade de Neuchâtel. Recomendado por Theodore Simon para trabalhar no laboratório de psicologia experimental de Alfred Binet. Ao lado da formação científica em biologia. As aplicações de sua teoria do desenvolvimento encontram-se muito difundidas. Com a morte de Godet. tema central em sua psicologia evolutiva. A filosofia bergsoniana permitiu-lhe imprimir nova direção em sua formação teórica. onde estudou psicopatologia com Henri Piéron e Henri Delacroix. que muito serviu a Jean Piaget na elaboração da sua epistemologia. lecionou em várias universidades da Europa. de William James. passando a estudar. na Lamarck Collection e na Revue Suisse de Zoologie. Também recebeu esse título da Universidade de Paris. aqui. Theodore Ribot e Pierre Janet. e a que se desenvolve em torno da epistemologia genética. Nessa época. Enquanto terminava seus estudos secundários. 3 PERFIL ACADÊMICO E PROFISSIONAL DE JEAN PIAGET [1][1] É especial conhecer Jean Piaget. Lipps e estagiou na clínica psiquiátrica de E. Samuel Cornut. na área específica do comportamento cognitivo.blogspot. e sua utilização na psicopedagogia. Sua teoria pode ser classificada em duas áreas principais: a que procura explicar a formação da estrutura cognitiva. Herbert Spencer. Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. recebendo da Universidade do Brasil (hoje UFRJ) o título de doutor honoris causa. na área de psicologia. da escola gestaltista de Berlin. tomou conhecimento da obra de Henri Bergson. no se puede renunciar a elevar las mentes a la categoria de penasamiento abstracto. de Neuchâtel. Em 1919 ingressou na Sorbonne. seguindo depois para Zurique. Freud e C. A intenção é procurar neste estudo. sob a direção de Paul Godet. especialista em malacologia. em 1911. Jean Piaget foi o responsável por uma das maiores contribuições no campo da psicologia científica contemporânea. assumiu a direção do Instituto Jean Jacques Rousseau.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Porém investigar por investigar não justificaria a sua prática. entre 1913 e 1915 tomou contato com os trabalhos de Max Wertheimer e Wolfang Kohler.

Léa da Cruz Fagundes. feita a si mesmo no início dos seus estudos. Estudar o desenvolvimento cognitivo da criança conduziria então. Entusiasmou-se tanto com os resultados e com as possibilidades de continuação das pesquisas que dedicou a elas toda a sua vida. 5 A ABRANGÊNCIA DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA O problema do conhecimento. Por isto.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 51 de 155 Define-se Epistemologia Genética como o estudo da origem do conhecimento. estudado ao longo da história da vida da criança.blogspot. David Elkind.html 09-12-2012 . biologicamente atribuída na concepção. No sentido restrito. desde o nascimento até a maturidade. em muitos aspectos. A equilibração permite reorganizar o conhecimento por razões puramente internas. Descartes. Cinco anos não lhe bastaram. Shopenhauer. biólogo. Todos os autores respeitados como Bärbel Inhelder. que a visão genética é fundamental na epistemologia em sua teoria. Jean Piaget construiu a sua teoria sobre a Epistemologia Genética. entre eles. Rolando Garcia. as experiências sociais e a equilibração constituiriam os fatores que interagindo. a epistemologia ou a questão do conhecimento foi alvo de reflexões já na Antiguidade e Idade Média. bem como estudar as ciências em sua última fase de elaboração. ao mesmo tempo em que eles mesmos se modificam (acomodação). Constance Kamii. Jean-Marie Dolle. Epistemologia Genética tornou-se uma designação do sistema teórico de Jean Piaget por duas grandes razões: Pela preocupação constante com a gênese do conhecimento e por ser um sistema teórico que utiliza um método investigativo experimental sistemático: o Método Clínico Experimental. logia que é estudo e gênese que vem de origem. Objetivamente interessava-lhe então saber como nasce à inteligência no ser humano e como se passa de um estado de menor conhecimento para um de maior conhecimento. Bergson. Lauro de Oliveira Lima. conhecimento e atividade. César Coll. Esther Grossi. Com a criação do Método Clínico. estudando a gênese do conhecimento na criança. 96): Os organismos tentam se adaptar ao meio e por isto o modificam e incorporam (assimilação). Kant. Assim em sentido amplo. provocariam as mudanças de pensamento. tentam nos explicar como se desenvolve a inteligência nos seres humanos. e outros que pesquisam e escrevem sobre a obra de Jean Piaget são unânimes na manifestação de que as questões epistemológicas fundam e dão sentido a todas as suas pesquisas e. Ser conhecido unicamente como psicólogo. 1997. A maturação biológica. portanto. embora tenha um http://psicodaniinglith. A observação deste pássaro gerou seu primeiro trabalho científico. a atividade. Zelia Ramozzi-Chiarotino. onde a epistemologia recebe diferentes denominações. Karl Popper. com as nossas intenções de dar um significado ao mundo. Magali Bovet. Fernando Becker. José Antonio Castorina. Emília Ferreiro. como gnosiologia. Jacques Vonéche. origina-se de episteme que significa conhecimento. que será desdobrada conferindo possibilidade de vida ao ser humano. mudam lentamente. Lino de Macedo. Bärbel Inhelder. Formado em Biologia interessou-se por pesquisar sobre o desenvolvimento do conhecimento nos seres humanos. constituindo o ponto de partida do seu programa de estudos. Nicolai Hartmann e outros. aos 11 anos percebeu um melro albino em uma praça de sua cidade. O organismo está dotado de capacidades internas que lhe permitem dar sentido ao seu conhecimento e modificá-lo (organização e equilibração). O Método Clínico Experimental foi o seu instrumento de diagnóstico e o que lhe proporcionou todas as descobertas para a questão da Epistemologia Genética. que manteve Jean Piaget longe da promessa. As teorias de Jean Piaget. sem necessidade de que exista uma pressão externa. Eduardo Martí. Daí o nome dado a sua ciência de Epistemologia Genética. é não fazer jus a sua gigantesca obra de mais de vinte mil páginas escrita sobre a gênese da cognição humana. sua recusa em estudar exclusivamente as formas naturais e finais do conhecimento encontradas já no adulto. que é entendida como o estudo dos mecanismos do aumento dos conhecimentos. A idéia de maturação está bem presente no eixo teórico de Jean Piaget. Jean Piaget para a criação de uma teoria com métodos próprios. concluindo que os processos de pensamento do ser humano. Suas reflexões e observações possibilitaram lhe a idéia de que poderia buscar e explicar a gênese do conhecimento por outros caminhos que não fossem os já conhecidos pela filosofia ou por outras ciências. conhecimento e consciência já estavam nos discursos reflexivos de Aristóteles. de dedicarse apenas cinco anos às pesquisas da construção das noções fundantes do conhecimento da criança sobre a natureza ou sobre o universo. do nascimento até a adolescência. ocupou toda a vida de Jean Piaget. epistemologia é compreendida como o estudo da origem e evolução dos mecanismos e processos cognitivos. pedagogo. Yves de La Tayle. Jean Piaget designa-se então um Epistemólogo.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. A relação entre conhecimento. Victor Brochard. uma construção teórica e experimental rica e fecunda. p. Nos espaços de reflexões filosóficas. A questão do desenvolvimento da inteligência sendo regida pelos mesmos processos biológicos no indivíduo é claramente explicada pelas palavras de Delval (apud SUBSTRATUM. Juan Delval. Hermine Sinclair. como uma programação genética. sujeito e objeto. A Epistemologia Genética concebida com objetivo de examinar o sistema cognitivo desde a sua origem na mais tenra infância é à base da construção teórica Jean Piaget. Desde muito cedo Jean Piaget demonstrou sua capacidade de observação. Bárbara Freitag. Vários colaboradores uniram-se aos seus estudos e pesquisas.

1997. afinal de contas. http://psicodaniinglith.] a inteligência não começa nem pelo conhecimento do self nem pelos das coisas como tais. […] trabalha para conservar a sua estrutura definida e.. não o produzem sem a atividade do sujeito. engendram-se mutuamente […] o funcionamento do organismo não destrói. As condições externas podem facilitar ou dificultar a formação de determinados conhecimentos.p. por ser ela alvo de tantas polêmicas: O organismo é um ciclo de processos físico-químicos e cinéticos que. não permanecerá como mudança construtiva do seu nível de entendimento da realidade. 1997. o indivíduo constrói as suas representações e vai tornando-se independente delas: O que Jean Piaget postula é que a independência da realidade é um ponto de chegada e não de partida: interagindo com ela o sujeito constrói as suas representações e vai as tornando independentes dele. O ponto inicial do raciocínio de Jean Piaget são as construções a partir das atividades reflexas..97) Nas palavras de Piaget (1937. aborda-se a questão desta realidade na qual é inserido este organismo. sem considerar as influências simultâneas das condições externas nas quais o sujeito se encontra. 1981. a dialética da assimilação e da acomodação nos processos de equilibração que asseguram ao mesmo tempo o progresso e a estabilidade do conhecimento” (DOLLE.blogspot. mas sempre a acolherá a partir de seus instrumentos cognitivos e não em si mesma ¨(Delval apud SubstratuM. incorpora-lhe os alimentos químicos e energéticos necessários.99). por conseqüência reage sempre às ações do meio em função desta estrutura particular e tende. 99). Para chegar a este núcleo teórico Jean Piaget fez muitas pesquisas e reflexões. de modo a incorporá-los nesse ciclo […] o corpo vivo apresenta uma estrutura organizada.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 52 de 155 papel central na gênese dos conhecimentos (atividade do sujeito).. p. pela sua interação e é orientando-se simultaneamente em direção aos dois pólos dessa interação que ela organiza o mundo. 1997. de alguma forma. mas. formam o núcleo da teoria psicogenética. Cuida-se aqui para não interpretar como sendo o aspecto biológico condição única para o conhecimento.] ação como fonte de conhecimento. A abstração reflexionante produz a partir das ações do sujeito.. 1997. Delval (apud SUBSTRATUM. a equilibração. até que um novo desequilíbrio aconteça. sim. p. Tais formas se tornarão.. mas conserva o ciclo de organização e coordena os dados do meio. e se assim não acontecer.] é constante nos seres vivos em seus diferentes níveis de organização e. 98). Para o construtivismo. Não ter isto em mente pode levar a muitos mal–entendidos e a interpretar de forma incorreta a posição de Jean Piaget.69). assimilação e acomodação e a partir daí. a impor ao universo inteiro uma forma de equilíbrio dependente desta organização (Piaget apud Seber. p. em relação constante com o meio. um sistema de relações interdependentes. É oportuno ainda transcrever algumas palavras de Jean Piaget. ao longo do desenvolvimento. Saindo do aspecto biológico. p. Além disso. Piaget sustenta que existem duas formas de construção a partir da atividade do sujeito: pela abstração reflexionante e pela abstração simples.html 09-12-2012 . e não em si mesma” (Delval. necessárias. 1997. portanto é compartilhado com o restante dos seres vivos. enquanto que a simples ou física permite construir as propriedades dos objetos (Delval apud substratum. [. Ao interagir com a realidade. 51). organizando-se a si mesma”. o que se constrói é no interior do indivíduo. p. mas. Essa forma de funcionamento constate põe em movimento a dotação inicial do recém–nascido. Afirma claramente que é inato o modo de funcionamento do organismo nas suas trocas com o meio. Ao tentar explicar a gênese do conhecimento não adotou nem o empirismo nem o inatismo. o relativismo genético e. 311 apud SUBSTRATUM. Percebe-se que há muita coerência nas posturas epistemológicas de Jean Piaget. Jean Piaget insiste nesta constatação por admitir que embora haja condições externas que favoreçam o desenvolvimento. Esta epistemologia concentrada na “[. p. p. 1997. sujeito e objeto associam-se numa unidade “pois o sujeito faz-se a si próprio por meio da sua ação sobre a realidade e esta somente é conhecida pelas ações do sujeito. para que aconteça a adaptação. para clarear a sua posição sobre a questão biológica. como defendem os empiristas que colocam o peso da formação do conhecimento nas condições externas. É por uma questão tão simples é óbvia que Jean Piaget é muitas vezes mal interpretado. Estes aspectos da teoria psicogenética de Jean Piaget precisam ficar muito claros neste trabalho. Devemos repetir que para ele o importante é como o sujeito constrói as suas estruturas de conhecimento e o seu conhecimento sobre diferentes parcelas da realidade. retirados do meio ambiente.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. 97) deixa bem clara esta questão: Piaget interessa-se muito menos pelas condições externas nas quais o conhecimento se produz porque seu ponto de vista sustenta que o conhecimento é produto da atividade do sujeito e não da pressão da realidade.. para fazê-lo. As estruturas e formas permitirão que o sujeito adquira o conhecimento e o moldarão. Esta proposta epistemológica é bem mais completa do que uma que considere somente o sujeito biológico ou outra que considere somente o sujeito social. levando-o a construir formas ou estruturas variáveis que tem por objetivo facilitar a adaptação do organismo ao meio. sobretudo. “[.

Os interesses também com ciência. p. 11). a paz e a guerra. o tempo. social. por postular uma interação constante entre sujeito e objeto. além da lógica. Ribot. Isso é possível pela ação do sujeito sobre o meio no qual produz transformações. ou seja. descoberta ao precisar aproximar a biologia com a psicologia: Piaget enraizou a sua teoria nas principais correntes de pensamento da época (Bergson. Porém para Kant o primado do conhecimento seria atribuído à reflexão e para Piaget o primado do conhecimento seria atribuído à experimentação. Jean Piaget era de natureza emotiva. p. sendo exemplo disto os seus estudos sobre a gênese do número. p. o conhecimento possa ser organizado e também o caráter de necessidade dessas estruturas. Daqui resulta que uma epistemologia conforme com os dados da psicogênese não poderia ser nem empirista nem pré-formista. compreender como se efetuam estas criações e por que razão. de curiosidade e criatividade. o cristianismo e o socialismo.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Darwin. Mesmo assim há uma diferença muito grande nesta conceituação de relação e entre um sujeito dotado de estruturas apriorísticas que ao relacionar-se com uma realidade numeno produz uma realidade fenomênica efetivamente cognoscível e um sujeito que através da ação se relaciona com seu mundo. Le Dantec. 6 O REFERENCIAL FILOSÓFICO NA CONSTRUÇÃO DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA Jean Piaget recebeu ainda muito jovem influência de vários filósofos. produto do funcionamento constante do organismo. volta-se para a teoria de Kant. transformando-o e transformando-se (OLIVEIRA. 94). 95) coloca que: Piaget compartilha com Kant a crença na existência de estrutura para que. pondo em movimento o entendimento. Spencer. a física e a metafísica revelavam a precocidade com que Jean Piaget envolvia-se com os problemas do conhecimento revelando seu espírito de observação. 1999. Para Jean Piaget. o espaço. p. Kant. novas formas que vão muito além das estruturas hereditárias e que não estão contidas nem pré-formadas nas anteriores. 7 EPISTEMOLOGIA GENÉTICA E INTERDISCIPLINARIDADE A abrangência do conhecimento humano direcionou o pensamento de Jean Piaget para a interdisciplinaridade. Para ambos. durante o desenvolvimento. pelo menos no caso das estruturas lógico-matemáticas. geram. que produziriam representações. Wartofsky (1983. biológica. à ação. E suas idéias se apaziguam também na questão das estruturas. por meio delas. química. se podem tomar logicamente necessárias. Para Jean Piaget não existem idéias inatas.blogspot. visto resultarem de construções não pré-determinadas. Delval lembra-nos isto. a casualidade. Lamarck ou Durkheim) elaborando. 51) reafirma o resultado do seu trabalho baseado em pesquisas: Cinqüenta anos de experiências fizeram-nos saber que não existem conhecimentos resultantes de um registro simples de observações. um ponto de vista totalmente novo. Primeiramente entre 15 e 20 anos descobriu Bergson que transformou sua vida com as questões sobre o conhecimento. Durkheim. com a elaboração contínua de operações e de estruturas novas. mas consiste apenas num construtivismo. sem uma estruturação devida às atividades do sujeito. A diferença mais acentuada entre os dois autores estaria na questão da gênese do conhecimento: Kant considera o apriorismo e Piaget o construtivismo. o que lhe permite descobrir as suas propriedades. 1997. Nesta questão sobre o conhecimento. o conteúdo que se conhece sobre o mundo. no entanto. pode então ser considerada a maior afinidade entre Kant e Piaget. deixou claro que não é inatista. Piaget dedicou uma grande parte de seus esforços para mostrar como são geradas essas estruturas. Suas leituras contínuas foram também: Kant. A percepção humana dos objetos só é possível com a experiência. Assim a relação entre sujeito e objeto está presente na filosofia kantiana. e suas preocupações e publicações de muitos artigos refletiam as preocupações com o que vivia na época. Embora com muitos encontros. Mas também não existem (no homem) estruturas cognitivas a priori ou inatas: só o funcionamento da inteligência é hereditário e só engendra estruturas por uma organização de ações sucessivas exercidas sobre objetos.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 53 de 155 denominando construtivista e interacionista. a partir das mesmas. o acaso e a probabilidade. então. Essas estruturas. que vai construindo sua inteligência ao mesmo tempo em que estabelece representações da realidade” (Delval apud Substratum. p. Preocupações com a ciência e a fé. e o outro seria o de como estes conhecimentos são organizados. psicológica…). destacando o caráter diverso e interdisciplinar http://psicodaniinglith. A questão da relação entre sujeito e objeto. Piaget (1985. a experiência seria a pedra de toque do conhecimento.html 09-12-2012 . é necessário deixar claro que há dois tipos: um refere-se ao conhecimento sobre a realidade em si (física. o sujeito constrói a sua inteligência e seus próprios conhecimentos de uma maneira ativa: “A imagem que Jean Piaget nos oferece do ser humano é a de um homo faber de si mesmo. Todo o conhecimento deve ser construído. 0 problema central é. Comte. 1997. 3) citado por Delval (apud SUBSTRATUM. Kant refere-se à experiência como o ponto de partida para o conhecimento. Interessado na origem das formas que organizam o conhecimento.

nos anos 60. A característica abrangente de ciências presente na teoria de Jean Piaget conduz a uma procura constante de novos problemas e as possibilidades de redefinirem novas perguntas a fenômenos menos conhecidos ou pouco percebidos. Sua extensa produção intelectual dedica apenas dois livros à questão da educação. especialmente. Como a criança explica o mundo? Como avança nesta reflexão sobre este universo que não pergunta por nós. no meu entender. se mantém quanto ao conhecimento psicológico. […] Em 1951. ou a um grupo de estudantes da turma. 87) é que: Didaticamente.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. mesmo sem preocupações pedagógicas Jean Piaget construiu uma teoria dinâmica que segue. p.blogspot. nesse momento histórico. Isto. apenas um ano depois de “A Introdução à Epistemologia Genética” ter vindo à luz. Enquanto Piaget complementa que seria a criatividade o instrumento capaz de proporcionar a compreensão deste universo. quando a teoria genética começa a ser conhecida nos países ocidentais e. Garcia (apud SUBSTRATUM. dá-se exatamente por que a aprendizagem é estimulada através das situações problemas e não através de unidades de programa. Abriu-lhe o caminho rumo às questões epistemológicas (MARTÍ. e de forma um tanto paradoxal. p. sociologia. mas ajuda o estudante. a aprender. e todo descobrimento é uma recriação de uma realidade interpretada”.. qual o tipo de plantas os navegadores viram boiando na água? (ciências). a aprendizagem é feita através de provocações de situações problemas para que o estudante encontre a sua resposta. Para tanto. 1989). quando os portugueses chegaram aqui os habitantes falavam tupi: quais as palavras da nossa língua portuguesa tem origem no tupi? (português). DVDs ou outros materiais para que os estudantes descubram por si só. Aebli publica Didactique psychologique (Aebli. avança. dá-se da seguinte maneira: um professor de História. ou a um só: quem pode me responder como foi descoberto o Brasil? O professor deveria ter levado para a sala de aula livros. […] Assim. as idéias essenciais já estão prestes a serem utilizadas para melhorar a educação escolar. Isto causa surpresa e envolvimento com a sua teoria. A interdisciplinaridade. Sobre isto Einstein deixa uma mensagem: O mais maravilhoso do mundo e também o mais assombroso é que o mundo seja compreensível. Assim. contribui de forma decisiva o interesse social pelas questões educativas no contexto da batalha pelo desenvolvimento científico e tecnológico que preside. O aspecto que liga a teoria epistemológica com a interdisciplinaridade. e a estrutura deste edifício já está praticamente concluída nos anos 50. quanto tempo durou a viagem? (matemática).14). 1997. nas palavras de Bello (2006. […] A leitura de Bergson significou uma verdadeira revelação para o jovem Piaget interessado na ciência dos moluscos.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 54 de 155 (filosofia. as referências a Piaget e à teoria genética nos trabalhos sobre educação e na formulação de propostas pedagógicas aumentam espetacularmente. 8 CONSTRUTIVISMO. biologia. numa aula em que seja adotada uma didática baseada nas teorias psicogenéticas. 1951). com a observação e análise do desenvolvimento do pensamento infantil. em 1500 etc. Em poucas palavras: ‘Criar para compreender’. o professor não ensina. o confronto entre os blocos ideológicos surgidos após a Segunda Guerra Mundial (Coll. a primeira tentativa sistemática de aplicar a teoria genética ao campo da educação escolar. No entanto. o professor proporia à turma. Isto contribuiu para inovar o pensamento pedagógico sobre a educação até então reprodutivista. Este fato é interessante por ser a teoria psicogenética a que maior impacto teve nos meios educacionais apesar de Jean Piaget não ter desenvolvido sua teoria pensando nas questões pedagógicas ou Educacionais. p. a partir do ponto de vista da teoria e da prática educativa. gravuras. Ou seja. nos Estados Unidos da América. pelo fim dos anos 60. […] Obviamente a teoria não está terminada e continuará se ampliando e completando-se nos anos e décadas seguintes. Piaget inicia os primeiros trabalhos dedicados a construir o edifício explicativo da teoria nos anos 20. social e econômico em que se elabora a teoria genética. no modelo tradicional. 1997. na pesquisa dos estudantes sobre a descoberta do Brasil podem surgir questões do tipo: qual a distância entre Brasil e Portugal? (matemática). entra em sala e diz que quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral. os interesses educativos têm primazia sobre quaisquer outros. Sendo assim. de acordo com as elevadas expectativas que. Coll (apud SUBSTRATUM. AÇÃO E INTELIGÊNCIA O construtivismo foi cunhado e fortalecido pelas idéias de Jean Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência humana. além da psicologia) dessas influências. 1997) atribui a três fatores a contradição presente neste fato de Piaget não ter se voltado para a educação e educadores ter recebido e se utilizado tanto das suas descobertas: É preciso levar em conta o momento histórico e o contexto político. uma teoria que em princípio não se propõe em abordar questões educativas acaba sendo conhecida fundamentalmente por meio das aplicações pedagógicas que nela se inspiram ou se fundamentam (p. http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 . Assim. A partir deste momento. na prática. deixando o caminho livre para novas pesquisas e geração de novos conhecimentos sobre a gênese do conhecimento humano. mas nós continuamos a perguntar por ele? Este caráter interdisciplinar favorece a compreensão do universo e a criatividade. lógica. 54) escreve sobre isto dizendo: “Toda verdadeira aprendizagem (não a simples aquisição de informação) é um descobrimento. 149).

somaram-se a outros enfoques. que numerosas propostas pedagógicas permanecem em muitos setores educacionais. de ação na proposta pedagógica de uso. mas sim pela diferenciação do enfoque prático. 1997). Compreendese então que os esforços de Jean Piaget para elaborar a explicação genética da aprendizagem e os resultados encontrados animaram as aplicações pedagógicas das idéias de Jean Piaget. A terceira justificativa para a atração dos educadores para a teoria psicogenética. compreende este citado autor que estas questões por si só não justificariam tanta popularidade da teoria psicogenética nos meios educacionais europeus e americanos. Há pontos visivelmente distintos nos enfoques construtivistas na questão da “educação. a classificação. mediante o estudo de uma série de noções e conceitos – a inclusão. inicialmente com uma formulação epistemológica e posteriormente numa perspectiva psicológica.. embora sejam quase sempre dificilmente justificáveis desde a própria teoria. a seriação. 1997). especialmente no que concerne à educação escolar (Coll apud Substratun. Assim: A teoria genética cria […] uma teoria de desenvolvimento intelectual. p. […] a adequação dos conteúdos curriculares no âmbito do desenvolvimento intelectual e de competência cognitiva dos alunos e alunas . a conservação. acabou sendo objeto de uma confusão considerável como conseqüência da polissemia adquirida pelo termo construtivismo no transcurso das duas últimas décadas. o número. Seu impacto sobre a teoria e a prática educativa durante este período não tem comparação com o alcançado por nenhuma outra teoria do desenvolvimento ou da aprendizagem. da aplicação dos pressupostos teóricos para compreensão e práxis pedagógica. […] Tenta-se compensar as limitações e carências óbvias que apresenta a teoria psicogenética para analisar. “[…] das inspiradas na psicologia cognitiva […] nas teorias dos esquemas surgidos ao amparo dos enfoques do processamento humano da informação ou […] da teoria histórico-cultural de Vygotsky” (COLL apud SUBSTRATUM. Estas utilizações da teoria de Jean Piaget são nomeadas de construtivismo. atraiu a expectativa de muitos educadores sobre o processo de aprendizagem escolar. Esta diferenciação dos aspectos não se vale tanto pela referência das teorias psicológicas ou pelas referências filosóficas das quais partem ou se inspiram às diversas teorias construtivistas. para a riqueza de sua trama conceitual e para sua potencialidade explicativa.foram plenamente assumidos pela maioria das reformas educativas empreendidas a partir dos anos 60 e contribuíram de forma nada desdenhável para transformar e melhorar a educação.html 09-12-2012 .principalmente em algumas áreas tradicionais do currículo.148). 1997. mediante extensões ou extrapolações de natureza intuitiva que. Esta referência ao construtivismo é pertinente aos postulados teóricos primordial da teoria psicogenética. É o caso da teoria da aprendizagem verbal significativa de Ausubel ou. a causalidade. redirecionando a idéia da “teoria genética como expressão máxima do construtivismo em educação” para uma proposta que considere a natureza e as funções da educação escolar com as suas características próprias das relações no ensino e aprendizagem. que sendo a teoria genética uma teoria epistemológica com uma explicação ampla sobre a gênese do conhecimento. p. compreender e explicar a aprendizagem escolar. Explica que hierarquicamente teríamos de um lado o conhecimento http://psicodaniinglith. a um tipo de utilização. desviar a relação direta que é feita entre a teoria psicogenética e a teoria e prática educativa construtiva como proposta linear. Os direcionamentos pedagógicos acolhidos dos enfoques teóricos. gerando novos conhecimentos sobre a psicogênese de vários aspectos do conhecimento humano sobre o mundo. o tempo. p. presentes na epistemologia genética. no entanto. que por partilharem de concepções “construtivas” do psiquismo humano. É necessário lembrar. também são denominadas construtivistas. o espaço.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. como as matemáticas ou as ciências . O autor propõe. seria que a teoria deixou muito clara a sua atenção à problemática da aprendizagem. O início do pensamento racional é resultante de um processo de construção que tem sua origem na lógica das ações do indivíduo sobre os objetos.152) salienta que: [. aqui. sua natureza e suas funções” como diz Coll (apud Substratun. embora de teorias distintas do desenvolvimento e da aprendizagem. 1997.] as razões aludidas permitem compreender por que a teoria genética tem sido […] uma das teorias do desenvolvimento mais freqüentemente utilizadas para analisar.1997. para o volume e variedade do apoio empírico sobre o qual se sustenta. compreender e explicar os processos escolares de ensino e aprendizagem. Justificase como segundo aspecto.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 55 de 155 Porém.blogspot.. 1997.149): […] as propostas e colocações construtivistas inspiradas na teoria genética respondem em sua imensa maioria a um “modo de uso”. – cuja proximidade com o conteúdo escolar . mas. que reflete uma forma característica de abordar as relações entre o conhecimento psicológico e a teoria e prática educativa. incentivando pesquisas. então. etc. […] Este tipo de utilização se caracteriza por escolher uma teoria do desenvolvimento ou da aprendizagem como ponto de partida único e exclusivo para fundamentar a teoria e a prática educativa. a qual construtivismo se refere? É sem dúvida um foco importantíssimo da teoria de Piaget. 148). Mas. Coll (apud Substratum. “elaborada e empiricamente fundamentada sobre o processo de construção do conhecimento” como diz Coll (apud SUBSTRATUM.é evidente (Coll apud SUBSTRATUM. p. A proposta de pesquisa de Jean Piaget para abstrair como o ser humano passa de um estágio de inteligência para outro. costumam ser sustentadas apelando-se para sua coerência interna. que descreve explica a evolução das competências intelectuais desde o nascimento até a adolescência.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 56 de 155

psicológico considerado como científico e de outro o conjunto de saberes teóricos e práticos que instrumentalizam o profissional da educação que por sua vez ampara-se nas teorias psicológicas para justificar a sua práxis. Estes aspectos citados, Coll considera como um princípio epistemológico que precisa ser considerado. O princípio seguinte é de supor que a psicologia poderia dar uma explicação global para os processos educativos e de aprendizagem, ignorando a natureza multidisciplinar destes processos prevalecendo um “reducionismo psicológico obsoleto sob qualquer ângulo”, completa Coll (apud SUBSTRATUM, 1997, p. 151): O enfoque construtivista em educação inspirado na epistemologia genética de Jean Piaget poderá considerar um novo elemento que surgirá entre a teoria genética e a prática educativa de forma linear.é a questão da natureza e funções da educação escolar e as características próprias e específicas das situações escolares de ensino e aprendizagem. Considerando este enfoque, o ponto de partida não mais seria a questão da teoria genética nem outra teoria sobre a aprendizagem, mas considerar […] a natureza e as funções da educação escolar e as características próprias e específicas das atividades escolares de ensino e aprendizagem. Nessa proposição, a teoria genética é interpelada, é interrogada - junto com outras teorias e explicações construtivistas – do desenvolvimento e/ou da aprendizagem - desde a problemática própria e específica da educação escolar, exatamente da mesma maneira como são interpeladas e interrogadas outras disciplinas educativas e a própria prática. Assim, mediante um processo de ida e volta incessantemente repetido, se abre a possibilidade de ir-se formando de modo progressivo um esquema de conjunto orientado para a análise, a compreensão e a explicação dos processos escolares de ensino e aprendizagem. Quer dizer, abre-se a possibilidade de avançar para uma explicação construtivista genuína dos processos escolares de ensino e aprendizagem que não seja uma pura e simples transposição para o âmbito educativo da teoria genética, tampouco um catálogo mais ou menos amplo de princípios explicativos extraídos de um conjunto de teorias construtivistas do desenvolvimento ou da aprendizagem (Coll apud SUBSTRATUM, 1997, p.152). A contribuição da teoria genética para a concepção construtivista do ensino e da aprendizagem apóia-se em três princípios explicativos do psiquismo humano, buscando uma concepção construtivista de análise, explicação e compreensão dos processos educativos. O primeiro princípio é de que as trocas que fazemos com o ambiente não são diretas, mas mediatizadas pelos “esquemas de ação” e pelos esquemas de representação que possibilitam estas trocas. Coll (apud SUBSTRATUM, 1997, p.153) diz que: “Não existe nunca uma leitura direta da experiência. A realidade só nos é acessível por meio dos esquemas, verdadeiros instrumentos de interpretação, que utilizamos para apreendê-la”. Compreende-se do ponto de vista da aprendizagem que as experiências dos seres humanos só se reverterão em aprendizagem conforme os esquemas que tiverem para interpretar esta realidade e atribuir-lhe significado. Enquanto que do ponto de vista dos processos de ensino e aprendizagem, o indivíduo vai aprender tanto da qualidade do ensino que recebe quanto das estruturas de pensamento subjacentes, ou seja, os esquemas de ação e os esquemas representativos de que dispõe juntamente com “a possibilidade de combiná-los de acordo com determinadas regras ou operações – que utiliza para assimilar o dito ensino”. (COLL apud SUBSTRATUM, 1997, p. 154). Estes esquemas são criteriosamente detalhados na extensa teoria psicogenética de Jean Piaget passando por todas as etapas de evolução do pensamento desde o nascimento até a idade adulta. Porém, estes constructos que explicam o desenvolvimento cognitivo estão nas últimas duas décadas deixados “nas entrelinhas”. Nas palavras de Coll (apud SUBSTRATUM, 1997, p.156): Este fato junto com uma série de considerações que tem sua origem nas características próprias da educação escolar desaconselha utilizá-la para o estudo dos processos de ensino e aprendizagem que tem lugar na escola. No entanto, independentemente destas reservas, o consenso é praticamente total no que concerne ao princípio que estamos comentando… a capacidade de aprendizagem dos seres humanos – e, portanto, dos alunos e alunas - em determinado momento do seu desenvolvimento está estreitamente relacionado com seu nível de competência cognitiva. Este autor, no entanto, questiona se o que a teoria genética oferece é suficiente para dar conta do entendimento sobre a aprendizagem escolar. O segundo princípio explicativo do psiquismo humano na teoria psicogenética é a importância da atividade mental na construção do funcionamento psíquico. Para Jean Piaget é fundamental agir sobre a realidade para conhecêla. Assimila-se a realidade pelos esquemas de ação, complementando com a acomodação. O construtivismo de Jean Piaget baseia-se então na ação: “Na ação está o primado da inteligência”, é uma das muitas frases célebres de Jean Piaget. Agir sobre o ambiente passa a ser a ordem para desencadear o processo de desenvolvimento. Agir sobre o mundo, explorando, testando, observando e organizando as informações, alterando aos poucos os processos de pensamento, resultará em inteligência. Na posição construtivista, o sujeito é ativo na produção do conhecimento. É o que de maior se depreende dos postulados da teoria psicogenética. “O mundo é um lugar para se ser ativo” afirma Piaget. O conhecimento é fabricado pelo sujeito. Isto é o que faz acontecer todas as mudanças que percebemos no conhecimento, nos indivíduo, no mundo. Delval (apud SUBSTRATUM, 1997, p. 159) em suas análises explica que: “O sujeito constrói o

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 57 de 155

conhecimento apoiando-se na realidade sobre a qual atua, produzindo transformações na mesma, mas não se limitando a copiá-la. Mas, além disto, o sujeito constrói a si mesmo, se faz por meio da sua ação”. O avanço no estágio cognitivo incrementará a convivência com os outros, na troca de experiências e conhecimentos. Estas atividades referidas por Piaget referem-se a todas as ações, visíveis ou não, reflexivas, comparativas, contemplativas, como explica Coll (apud SUBSTRATUM, 1997, p. 159): Em todos os casos podemos dizer que estas atividades são construtivas - física ou material […] mental ou simbólica […] posto que permite interpretar a realidade, construir significados sobre ela, enquanto constrói novos esquemas abrindo outras possibilidades de ação e de conhecimento. Visto da perspectiva da aprendizagem escolar, este princípio complementa e enriquece o anterior num duplo sentido. De um lado supõe uma chamada de atenção sobre o caráter essencialmente individual do processo de construção do conhecimento. Como se disse tantas vezes, na aprendizagem escolar – como em qualquer outro tipo de aprendizagem – o papel do protagonista corresponde ao aluno. É ele ou ela que detém a responsabilidade última do processo de construção do conhecimento implicado na aquisição e na assimilação dos conteúdos escolares. O professor, os companheiros, os materiais e os recursos didáticos podem e devem ajudar nesta tarefa, mas de modo algum podem substituir a responsabilidade de construir significados sobre os conteúdos da aprendizagem e muito menos a responsabilidade de ir modificando, enriquecendo, em suma, construindo novos e mais potentes instrumentos de ação e conhecimento. Percebe-se assim neste princípio da atividade mental construtiva, o caráter essencialmente interno do processo de aprendizagem, fazendo o caminho “intrapsicológico” (termo utilizado por Vygotsky) que significa a verdadeira aprendizagem. O terceiro princípio básico da teoria genética refere-se à possibilidade de avançar no processo de construção da estrutura de pensamento, as mudanças que ocorrem no intelecto: o processo de equilibração. Coll (apud SBSTRATUM, 1997, p.160) salienta que: A equilibração não é um fator a mais do desenvolvimento, mas o fator por excelência que explica e torna possível que os outros fatores implicados – maturação,a experiência física e a experiência social só são fontes de progresso e de desenvolvimento na medida em que se inscrevem nessa tendência intrínseca do psiquismo humano (portanto de clara raiz biológica) para restabelecer o equilíbrio perdido mediante a construção de organizações e estruturas de esquemas mais potentes ou seja menos expostas que as precedentes a desajustes e desequilíbrios potenciais. No âmbito escolar, o modelo de equilibração leva a relacionar os processos de aprendizagem com a revisão, modificação, reorganização e construção dos esquemas, porém seria o conceito de equilibração majorante que sedimentaria a novas aprendizagens e a mudança efetiva de patamar cognitivo. Em síntese, seria o processo de equilibração, como resultado da atuação sobre o mundo, que explicaria o progresso cognitivo em termos de: Sucessivos estados de equilíbrio, desequilíbrio/reequilibração como uma das principais contribuições da teoria genética para a elaboração de um esquema integrador orientado para analisar, explicar e compreender os processos escolares de ensino e aprendizagem (COLL apud SUBSTRATUM, 1997, p. 160). E, em conclusão as palavras de Becker (2001, p. 79): “Construtivismo, segundo pensamos, é esta forma de conceber o conhecimento: suo gênese e seu desenvolvimento – e, por conseqüência, um novo modo de ver o universo, a vida e o mundo das relações sociais”. Compreendendo assim, Becker (2001, p.10) afirma pelos seus estudos e conclusões sobre a teoria psicogenética, que construtivismo não é prática, nem um método, nem um projeto escolar. Construtivismo seria: “A idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado em nenhuma instância, como algo determinado. Ele se constitui pela ação e interação do indivíduo com o meio físico e social”.

9 OS CONCEITOS DE JEAN PIAGET Jean Piaget define a inteligência como uma das formas de adaptação. Ao estruturar a sua teoria, organizou suas observações, experimentações e conclusões sobre o desenvolvimento da inteligência humana colocando-a como a capacidade individual de sobrevivência ao meio, tendo início nos reflexos do recém nascido. “Com efeito, a vida é uma criação contínua de formas cada vez mais complexas e o estabelecimento de um equilíbrio progressivo entre estas formas e o meio” (PIAGET, 1978, p. 46). Para Piaget, a inteligência é a forma que assumiu a adaptação biológica ao nível da espécie. Dolle (1981, p. 36) explica que: No homem, além desta continuidade biológica, observa-se um alargamento da adaptação pelas formas cada vez mais hierarquizadas e cada vez mais complexas que ela assume. Se inteligência é adaptação, há uma grande distância entre a adaptação da inteligência infantil e a do adulto. Mas esta última é herdeira daquela. Era preciso ver como se constitui a primeira forma que assume a inteligência na criança fazendo o inventário dia a dia de suas aquisições. Está claro

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 58 de 155

que a inteligência sensório-motora é sempre a forma mais humilde – ainda que fundamental no sentido de que [...] as outras dependem dela e não existiriam sem ela – que assume a inteligência humana. Ela é essencialmente uma inteligência sem pensamento, sem representação, sem linguagem. Para isto, criou conceitos pelo qual o indivíduo passaria ao longo de sua vida sedimentando este processo de desenvolvimento cognitivo. Os primeiros seriam de adaptação, assimilação e acomodação. Delval (1998, p. 63), aborda de forma muito clara este conceito importante da teoria psicogenética: No momento do nascimento, a criança dispõe de uma série de condutas reflexas como sugar, chorar, espirrar, agarrar [...]. A partir deste momento irão se produzindo, por diferenciação, outras condutas mais complexas que são chamadas de esquemas, que seriam unidades básicas da atividade mental. Este processo de diferenciação é o resultado da adaptação do organismo ao meio, adaptação que lhe permite sobreviver quando há mudanças nas condições ambientais. Esta adaptação, enquanto processo biológico possui dois aspectos indissociáveis: a acomodação e a assimilação. Na questão de entender o processo de formação da inteligência humana sob os conceitos de estruturação e da organização, Piaget, justifica a sua abordagem sobre a inteligência como adaptação dizendo: A inteligência humana é uma das formas de adaptação que assumiu a vida em sua evolução. [...] com efeito, a vida é uma criação contínua de formas cada vez mais complexas e um equilíbrio progressivo entre essas formas e o meio. A inteligência [...] é essencialmente uma organização com a função de estruturar o universo como o organismo estrutura o meio imediato (PIAGET apud DOLLE, 1981, p. 49). Em termos gerais, pode-se dizer que o conceito de Jean Piaget sobre adaptação é um equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. Assim, inteligência é também acomodação ao meio e suas variações. Mas, não de forma simples e linear, Becker (2001, p. 78) amplia a nossa compreensão sobre estes focos dizendo: Há uma riquíssima bagagem hereditária, produto de milhões de anos de evolução, interagindo com uma cultura, produto de milhares de anos de civilização. Segundo Piaget [...] podemos perceber o aluno como um sujeito cultural ativo cuja ação tem dupla dimensão: assimiladora e acomodadora. Pela dimensão assimiladora, ele produz transformações no mundo objetivo, enquanto que pela dimensão acomodadora produz transformações em si mesmo, no mundo subjetivo. Assimilação e acomodação constituem as duas faces, complementares entre si, de todas as suas ações. Para Piaget não haveria pessoas mais inteligentes ou menos inteligentes. O que ele pergunta é se há pessoas mais adaptadas ou pessoas menos adaptadas por este processo de assimilação e acomodação. Becker (2001, p. 79) contribui para este entendimento sobre estes enfoques fundamentais de Jean Piaget, citando Piaget: Nesta verdadeira obra-prima que é o Nascimento da inteligência da criança (p. 386), as relações entre o sujeito e o meio consistem numa interação radical, de modo tal que a consciência não começa pelo conhecimento dos objetos nem pelo da atividade do sujeito, mas por um estado indiferenciado; e é deste estado que derivam dois movimentos complementares, um de incorporação das coisas ao sujeito, o outro de acomodação às próprias coisas. A organização de uma atividade assimiladora é testemunha, é essencialmente, construção e, assim, é de fato invenção, desde o princípio (p. 389). Isto é, a novidade emerge da própria natureza do processo de desenvolvimento do conhecimento humano. Adaptação Define-se aqui como a conservação, pela sobrevivência, isto é equilíbrio entre o organismo e o meio. Assimilação Pode ser compreendida objetivamente como a incorporação pela modificação do meio, que pode ser de forma física ou psíquica. Acomodação Seria objetivamente, a modificação do organismo em decorrência da assimilação. Esquemas Podem ser compreendidas como pré-formas de ação, já bem sucedidas, que o organismo tende a repeti-las nas diversas situações, enquanto não encontre uma situação em que seja necessário adquir novos esquemas de ação, por aqueles não darem mais resultado. 9.1 EQUILÍBRIO - O PROCESSO DE EQUILIBRAÇÃO Este conceito fundamental, criado por Piaget, é que proporcionará a concretização do novo

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

trata-se sempre de novo equilíbrio. […] Cada patamar de equilíbrio ou estádio de acabamento constitui um estádio de preparação para o estádio ou patamar de equilíbrio seguinte.. mesmo se for mais ou menos durável pleno de novas aberturas (Piaget. p. mas um processo que precisa ser orientado... 1995. 1995). gerar o seu conhecimento real sobre o universo. 68). à abstração empírica. observações. este processo compreende o desenvolvimento continuado de novas competências em níveis mais avançados. Não estamos então definindo graus de competência. compreende-se aqui. porque isso não mostra se ele desenvolveu um talento ou se construiu um conhecimento que não possuía”. Porém para abstrair qualquer atributo deste objeto. encontrar certezas e reconstruí-las em novas certezas. Dolle (1981. a estrutura é integrada num novo equilíbrio em formação. Este é o proveito ou o entendimento pedagógico utilizado pela educação. [. interpretando o processo de equilibração da teoria psicogenética. visa a um conteúdo em que os esquemas se limitam a enquadrar formas que possibilitarão captar tal conteúdo” (Piaget. criar e solucionar problemas. de seus sistemas lógicos. Fagundes (1999. ou para que o conhecimento anterior seja melhorado. pois emergem de sua história de vida. construídos anteriormente por este sujeito. ao explicar o processo de aprendizagem num aluno. sempre apoiando suas reflexões na teoria de Jean Piaget.2 ABSTRAÇÃO EMPÍRICA E ABSTRAÇÃO REFLEXIONANTE Reflete-se aqui se a ação pela ação levaria a uma mudança para níveis superiores da inteligência. pois o conhecimento melhora e aumenta (FAGUNDES. mas extremamente clara: Destacamos anteriormente que a competência do aluno para formular e equacionar problemas se desenvolve quando ele se perturba e necessita pensar para expressar suas dúvidas e quando lhe é permitido formular questões que lhe sejam significativas. além de apoiar-se sobre o resultado da exploração do http://psicodaniinglith. criar o novo. Pois. até um novo equilíbrio sempre mais estável e de campo sempre mais extenso. isto é. A partir desta análise podemos inferir sobre os processos de ensino e aprendizagem nos espaços educativos e a premência de proporcionar situações nestes contextos que gerem os desequilíbrios necessários como forma de instigar o raciocínio na criança. quanto atrapalhar o processo de desenvolvimento intelectual de uma criança.html 09-12-2012 . não obstruam com seus sistemas de ensino. a título experimental. Fagundes (2005. p. Em 1950. p. por meio de procedimentos que desenvolvam a própria capacidade de continuar aprendendo. mas não o anterior. apropriados deste saber. sobre as idéias com os seus colegas. por exemplo. Fagundes (1999). de seus interesses. Houve desequilíbrio. seus valores e condições pessoais. 56) afirma que: Os estádios constituem um processo de equilibrações sucessivas ou degraus em direção ao equilíbrio.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Jean Piaget fazia uma distinção entre “abstração empírica” e a “abstração reflexionante”. como peso. E cita exatamente o enfoque de Jean Piaget que orienta sobre o processo de busca de novos conhecimentos: buscar o equilíbrio até então estabelecido: Para que um novo conhecimento possa ser construído. inventar. movimentos ao objeto. a partir de uma teoria construída para compreender como nasce a inteligência humana e. ou ainda com de experimentações. que o meio tanto pode auxiliar. descobrir. sobre os objetos. Entretanto. seja do quadro conceitual do sujeito. os espaços educativos. […] O equilíbrio define-se justamente pela reversibilidade. 1976 apud Fagundes. 1999. Desde que o equilíbrio seja atingido num ponto. seria necessário pela assimilação. p.] um sistema não constitui jamais um acabamento absoluto dos processos de equilibração e novos objetivos derivam sempre de um equilíbrio atingido. permanecendo cada resultado. O indivíduo buscará com seus esquemas cognitivos uma estabilidade nas informações advindas da sua exploração na realidade. ou as insuficiências do sistema assimilador. 66). p. aprofunda a reflexão sobre a questão do processo de equilibração: A proposta é aprender conteúdos. Ora. 65).] por mais necessários que sejam estes esquemas. Ao mesmo tempo. aplicando um teste ou uma “prova” objetiva. O processo de regulação se destina a restaurar o equilíbrio. as possibilidades de avanço da inteligência dos seus sujeitos. provenientes dos esquemas sensório-motores.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 59 de 155 conhecimento. é preciso que um processo de regulação comece a compensar as diferenças. A abstração empírica seria o resultado da exploração do objeto físico ou os resultados da própria ação como empurrões. “[. Isto quer dizer: formular problemas. como ela passa de um estágio cognitivo para outro. 81). 9. Na verdade. facilitando a sua ação sobre o meio. afirma que: “Não há interesse em registrar se o aluno retém ou não uma informação. manuseio. para. estabelecer relações conceituais. num processo construtivo e simultâneo de questionar-se. ousar. refere-se ao processo de equilibração desta forma longa. expandido. testagens e pesquisas.. seja de seus sistemas de valores e de suas condições de tomada de consciência. aprofundado. encontrar soluções que suportem a formulação de novos e mais complexos problemas. produzir. Enquanto a abstração reflexionante. instável ou mesmo estável. será na verdade o processo de mudança que ocorrerá no pensamento. ela não se refere a eles mais busca atingir um dado que lhes é exterior. tamanho. se o sistema assimilador está perturbado é porque a certeza “balançou”. não apenas pelo que ouviu o professor falar. Sair do caminho trilhado.

Atribui uma grande importância ao estágio inicial da vida humana. Estes estágios do desenvolvimento da inteligência classificam-se em: 1) período sensóriomotor. Nesta seqüência necessária de comportamentos. apoiando-se nas aquisições anteriores do período sensório–motor. por este motivo é fantasiosa. p. operações. Não tem o sentido da necessidade. é garantir evolução aos seus níveis de inteligência.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. relacionados à idade cronológica como referência para estudos e pesquisas. de forma clara e interelacionada[2][2].blogspot. 9. mas sem ser por ela determinada. é mais observadora. desta criança que só observa. A denominação de intuitivo deve-se ao fato da criança afirmar sem provas ou justificativas para as suas crenças. cada nível de pensamento. Esta é explicada como a possibilidade de realizar as operações inversas à que foram inicialmente colocadas em ação. visualiza-se o processo de adaptação. matemáticos e até de ordem moral. assimilação. estruturas. pesquisas e estudos. O pensamento da criança se reconstrói. por sua vez. Estes estágios estarão subordinados à ação do sujeito sobre o meio e as experiências do sujeito no meio físico e social.html 09-12-2012 . Os critérios para definição e delimitação destes estágios referem-se primeiramente à ordem de sucessão em que eles ocorrem. 9. que garantirão sua adaptação à ele e consequentemente seu desenvolvimento intelectual. Aqui. A distinção entre um estágio e outro poderia ser explicada pela conquista crescente da reversibilidade. compreendido entre zero (0) e dois (2) anos de idade estará então sendo organizada a base da inteligência do ser humano. No mapa mental a seguir (FIG. construindo a noção de objeto. auxiliará na escolha de padrões de condutas. porém ser estarem fixados a estas idades. RamozziChiarottino (2005. Estes estágios referem-se ao processo de compreensão sobre o universo. a linguagem terá a sua predominância. para definição e delimitação do um estágio. A estrutura sensório motora pode ser. 1). Um terceiro critério. Sobre a linguagem. e 3) período hipotético-dedutivo ou formal. em parte. Sendo a inteligência passível de desenvolver-se por estágios definidos. de tempo e de espaço. que nos estágios as idades variam. enfim. suas observações. atividades cognitivas do sujeito. característica extremamente importante neste estágio. certos caracteres para utilizá-los em novas situações cognitivas. 19) destaca que: http://psicodaniinglith. Isto dependerá das trocas que estabelecer com o ambiente social e físico. elimina a fantasia. movimenta-se e busca o êxito nas suas explorações. idades médias. a aquisição da responsabilidade sobre o que se torna impossível reverter . auxiliará a compreensão de vários fenômenos físicos. Observa-se então. Jean Piaget definiu assim os períodos de desenvolvimento cognitivo passíveis de serem encontrados em todos os seres humanos.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 60 de 155 objeto físico. porém. Pela abstração reflexionante. percebe. Perceber que o que é feito pode também ser desfeito. baseia-se sempre no nível anterior para avançar.3.2 Período operatório O período operatório é o estágio seguinte e subdivide-se em: . sente.1 Período sensório–motor O período sensório-motor é a base.3. a gênese das estruturas que garantem a seqüência de avanços para os estágios seguintes. linguagem.este estágio caracteriza-se pela capacidade de representação simbólica pelo desenho. sem fixar-se no critério “cronologia”. jogo. Figura 1 – Mapa mental. é considerar que cada um pode comportar um nível de preparação no início do período e. pela característica egocêntrica do pensamento intuitivo infantil. Não são todas as crianças que passam de um estágio para outro. levaram ao entendimento da organização da inteligência humana como sendo uma estrutura construída ao longo do processo evolutivo. 9. ou ainda estágio das operações proposicionais. estará sempre a base da estrutura mental do estágio seguinte e. grande parte não resultará em interesse por diálogo coerente. podem ser parte integrante da operatório formal. extraindo dali. Estes devem ser constantes. É muito ligada à percepção. apóia-se sobre esquemas. relacionada à idade. Pela representação ela age e representa a realidade. Uma inteligência prática. são na verdade. experimentações.Período pré-operatório ou intuitivo-simbólico . dividido em pré-operatório (ou intuitivo-simbólico) e operatório concreto. Outros critérios para estes estágios é a possibilidade de integração de um nível com o outro imediatamente seguinte. 2) período operatório. A linguagem é aos poucos inserida para apoiar a ação. onde a criança construirá uma pequena idéia do universo. acomodação e equilibração.3 OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA As investigações de Jean Piaget sobre a ontogênese do conhecimento. A palavra estágio será compreendida aqui como uma seqüência necessária de comportamentos reflexivos ou não. um nível de acabamento ao final do período. integrante da estrutura operatório concreta e estas. Quando a lógica aparece. Neste período sensório-motor.

reconhecer indícios. É uma forma de pensar. . Piaget constatou em suas pesquisas que não é a linguagem que explica esta transformação. reflexiva e social das crianças. p. O pensamento formal amplia significativamente as capacidades da criança. 9..blogspot. antecipações. Não é possível prová-la de forma cabal e definitiva. o que nos auxilia uma teoria científica? Uma teoria científica descreve com exatidão uma grande classe de observações simples e faz previsões definidas sobre os possíveis resultados futuros destas observações. previsões. E é esta unidade que permite a verdadeira quantificação da experiência em todos os seus muitos domínios. reflexo da presença da função semiótica. lidam com hipóteses. o pensar é anterior ao falar. Nas explicações de Delval (1998. nas palavras de Elkind (1978. são todas capacidades anteriores à linguagem. Este período. Ramozzi–Chiarottino (2005.Período operatório concreto – a partir dos 7 anos até 12 anos é possível encontrar este estágio raciocínio na criança.. Mesmo que os resultados experimentais estejam de acordo. Porém. 95).Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 61 de 155 Observando uma criança antes e depois da aquisição da linguagem. ela passa a referir-se a fatos que já passaram e àqueles que ainda não aconteceram. É capaz de quantificar a suas experiências na realidade (ELKIND.. A linguagem aparece depois da brincadeira simbólica e a imitação na ausência do modelo correspondente. p.html 09-12-2012 . Depois. pensam em termos de lógica e abstrações. estimuladas pelo meio físico e social. para proporcionar à escola a geração de novos conceitos sobre a aprendizagem. pensamento flexível. fenômenos reversíveis e irreversíveis”. Regras para brincadeiras. entre fenômenos mecânicos e históricos. nós a vemos libertar-se do presente e inserir os objetos e os fatos no tempo.3 Período hipotético-dedutivo ou operatório formal Ao atingir este estágio de pensamento. “[. 123). é o período em que os indivíduos começam a ser capazes de manejar o pensamento hipotético-dedutivo. investigativa. Esta característica pode ser explicada como: O pensamento operatório concreto permite à criança apreender que um objeto pode ser ao mesmo tempo semelhante e diferente de outros objetos. complementa-se: O período formal constitui a última etapa de desenvolvimento e caracteriza-se por dois traços aparentemente independentes. 10 METODOLOGIA Pensa-se. ela possui flexibilidade de raciocínio para construir a noção de unidade. Prever é anterior ao falar. para dias de chuva. A sobrevivência da teoria estaria então vinculada à manutenção dos resultados previstos. Portanto.] entende o pensamento científico e raciocine sobre problemas complexos. não teremos certeza se na próxima vez o resultado será confirmado. feitas pelo sujeito. mas que guardam uma profunda relação: por um lado é o momento em que ocorre a inserção no mundo dos adultos com todos os problemas que isto representa. dias de sol.. compreender e valorizar a criança que aprende. é também um comportamento implícito neste estágio cognitivo refletindo a quantificação e ampliação da sua capacidade de raciocínio. se uma criança aprecia que um dado elemento pode ser igual e diferente dos outros. e não indutivo (do particular para o geral) ou dedutivo (do geral para o particular). p. Porém. Outra característica significativa do estágio operatório concreto é a propensão para fazer regras capaz de guiarem o comportamento da criança em convívio com outras crianças e quando está só. apontar para o conhecimento científico de que dispomos sobre o desenvolvimento intelectual dos indivíduos. 1978. característico da ciência. 19) interpretando as palavras de Piaget esclarece que: “Este estágio caracteriza-se pela conquista da reversibilidade completa do pensamento e a distinção entre fenômenos atemporais e temporais. ou seja. ou seja. Dedicar-se à coleções. a criança estava limitada por seu campo perceptivo.. servindo-se prioritariamente da linguagem. seriações e classificações. mas sim a função semiótica. as quais implicam a existência de uma imagem mental. construções de ideais. neste estudo. Este estágio possibilita à criança ou adolescente a pensar sobre o pensamento (abstração reflexionante). sinais e antecipar. Mas. com um progresso visível na organização e compreensão do mundo. aqui já se percebe alguma reversibilidade no pensamento da criança. compreendem metáforas e analogias. a capacidade de distinguir o significado do significante –– sem a qual a própria linguagem não seria adquirida. etc..] se caracteriza pela possibilidade da criança fazer com cabeça o que antes tinha que fazer com as mãos”. [. p.3. A criança revela o seu pensamento com características de raciocínio com passagens do particular para o particular.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. [. temos a impressão de que a origem do pensamento inteligente é devido ao saber falar. agregando com isto. incógnitas.. Necessário ressaltar que todos os estágios do desenvolvimento são formas de organização diferentes. Uma outra característica importante deste estágio pré-operatório é o raciocínio transdutivo.. 96). adaptando-a à natureza curiosa. é uma hipótese. para jogos. Antes disto. qualquer teoria é sempre provisória.] pode raciocinar sobre o possível.] assim. ou seja. por outro. [. http://psicodaniinglith.

Assim. Para Jean Piaget. de acordo com o que ela vai respondendo ou fazendo. que denominou “Método Clínico Experimental”. igualmente as dos períodos operatório concreto e formal ou hipotético-dedutivo. considerando que ao longo dos anos várias entrevistas foram realizadas. não poderia prescindir dos estudos e reflexões de uma teoria capaz de apontar com clareza o potencial cognitivo das crianças sugeridos nas suas respostas às perguntas sobre a natureza e os fenômenos físicos. ao novo método introduzido por ele. avaliando a qualidade e abrangência destas respostas. Sobre este princípio até o momento acordado da teoria científica. diante das contraargumentações. Quase todos os exemplos selecionados e registrados neste estudo são de crianças que hoje são adultos e com nível superior de ensino. iniciando assim o seu método clínico. uma mina de ouro. com muita aproximação e quase precisão. com seu Método Clínico Experimental.blogspot. quanto às http://psicodaniinglith. foram realizadas com crianças de várias idades.1 O MÉTODO CLÍNICO EXPERIMENTAL Segundo Vygotsky (1934. Jean Piaget foi muito simples e claro em sua proposta de pesquisa: O estudo da gênese e das estruturas do conhecimento. Destacados estes aspectos. tanto com desempenho adequado nas atividades educativas. com duas crianças aqui registradas. para tentar aprender a seqüência dos seus pensamentos. A indagação: “Como o ser humano torna-se inteligente e. A criança que responde é uma criança que pensa. ao conhecer. passíveis de serem incorporados à lógica do entendimento da teoria da cognição humana. que. Também se avalia a segurança que a criança tem sobre as suas respostas diante das contra-argumentações. na sua essência. a Psicopedagogia. p. as respostas esperadas para cada nível de pensamento. Este método consiste num diálogo com a criança. compreendida aqui como uma área de conhecimentos e pesquisas sobre a aprendizagem humana. Esta lógica.html 09-12-2012 . Uma criança que pensa é um ser humano avançando para novos estágios cognitivos. avaliado de forma subjetiva. não justificando no momento relacioná-las aqui uma vez que os resultados foram abstraídos. então. um procedimento de entrevistas com crianças. Estas indagações. notadamente. elaborando sempre novas perguntas a partir das respostas da criança e. movimentou no século XX o pensamento sobre a gênese da inteligência humana. contidas no Método Clínico Experimental. o método clínico. com coleta e análise de dados. ao longo do tempo. O método clínico é. As pesquisas que aparecem como exemplos. e a sua segurança. em outras explica algum fenômeno físico ou biológico. de acordo com os estágios cognitivos. poderão servir de referência para a prática psicopedagógica na avaliação do potencial cognitivo da criança para. Jean Piaget descreve. desmistifica o erro nas respostas infantis. transformando-o num cientista capaz de fazer avançar os conhecimentos sobre a cognição humana. indicadoras de uma mente estruturada e reflexiva. sistema comum dos testes já existentes. As conclusões deste estudo. para avaliar o estágio cognitivo das crianças. O estágio cognitivo. é bibliográfico e conseqüentemente de análise qualitativa.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 62 de 155 confiança a ela. Os exemplos aqui citados são ilustrativos. Ao invés de contabilizar o número de respostas pré-determinadas como corretas. Em certas situações cumpre uma tarefa. Outras. trago à luz da reflexão a Epistemologia Genética de Jean Piaget. de forma sistemática. que passou por várias etapas até chegar a sua forma final. movimentou o seu interesse de pesquisas e reflexões contínuas. faz do método clínico um instrumento confiável. culminando na estruturação da sua teoria denominada Epistemologia Genética”. devidamente analisada no Método Clínico. e pela curiosidade sobre as semelhanças das suas respostas ao Método Clínico. O estudo aqui realizado sobre o Método Clínico Experimental. Piaget iniciou um método de conversar com as crianças. favorecer os seus processos de aprendizagem. Longe de valorizar respostas pré-fixadas dos testes comuns à psicologia. onde se acompanha o pensamento da criança. foram realizadas com crianças filhas de um dos entrevistados anteriormente citado. ou não. Respostas estas. previu a similaridade e criatividade das respostas e atribuiu estágios ao potencial cognitivo universal da criança. Piaget fixou-se na análise das justificativas que as crianças davam ao responder suas indagações. Estabelece as possíveis respostas que as crianças do estágio pré-operatório darão. mas outras duas crianças foram selecionadas por serem gêmeas univitelinas. mas. possibilitado pela riqueza contida nas possibilidades das respostas da criança. Jean Piaget. valendo-se de um sistema teórico metodológico experimental. 31): Piaget deve a descoberta de novos dados. como ele sai de um estágio de inteligência inferior para outro superior. em 1981. lógicos-matemáticos e até morais. há uma lógica infantil de critério universal na estruturação da cognição humana. auxiliado por colaboradores nas pesquisas e reflexões de Piaget geraram fontes de pesquisas contínuas. com intervenção sistemática. em vários níveis sócio-econômicos e em várias etapas de escolaridade. As entrevistas foram realizadas. permitindo atribuir a estas respostas a categoria de estágios cognitivos. trazemos agora à reflexão. ao mesmo tempo em que criava uma nova forma de refletir sobre o potencial infantil para a aprendizagem. 10. cuja força e originalidade situam-se entre os melhores métodos de pesquisa psicológica e convertem-no em um elemento insubstituível para o estudo da mudança evolutiva das complexas formações do pensamento infantil. se favoráveis.

em consideração aos seus objetivos epistemológicos. preconizando com esta classificação os seus desempenhos escolares. c) a idéia sobre sonhos. p. Jean Piaget vai para Paris para continuar seus estudos. encontra-se nas crianças no início do período operatório concreto. entre elas crianças com dificuldades escolares normais […]. Descobri com espanto que os raciocínios mais simples que implicavam a inclusão de uma parte no todo ou o encadeamento de relações ou ainda a “multiplicação” de classes (encontrar a parte comum de suas entidades) apresentavam para as crianças normais até de 11 anos dificuldades insuspeitadas para o adulto (Piaget apud Delval. Não há resposta certa nem errada. A atitude do entrevistador é flexível. Quanto a origem desta expressão. classificação. feita anteriormente. Witmer. Jean Piaget elaborou seu método clínico de entrevistas com crianças e adolescentes abordando muitos conceitos sobre física. as crianças concebem a sua percepção do mundo. k) seriação.1 A gênese do método clínico Quando Alfred Binet e Theodore Simon criaram seus testes de inteligência. h) a meteorologia e a origem das águas. 10. e) a consciência atribuída às coisas. Nas pesquisas para realizar este trabalho. Nestes diálogos com as crianças. conheceu e familiarizou-se com o trabalho clínico e os métodos de diagnósticos. f) o conceito de vida. já que se fundamentavam sobre o número de êxitos e fracassos. O método clínico servia para prevenir e tratar anomalias mentais de indivíduos. popularizaram pela Europa um sistema rígido de avaliar e comparar crianças.blogspot. 2002. mas com curiosidade sobre os problemas epistemológicos. Jean Piaget percebeu a originalidade do pensamento infantil e que a maneira sistemática como vêem o mundo não coincide com a maneira de ver dos adultos. Formado em biologia. onde há uma hipótese prévia e um núcleo referencial que se problematiza e apresenta-se ao sujeito. b) o realismo nominal. Ali. psicólogo norte-americano. Muito antes do que se pensa. Entre eles. então. Decidiu então. até então dominantes.54) explica: A expressão método clínico foi usada pela primeira vez em 1896. de forma espontânea. na média e abaixo da média. A lógica infantil muitas vezes surpreende os adultos. no início do Século XX.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 63 de 155 crianças com problemas de aprendizagem. montanhas e da Terra. que foi aluno de Wilhem Wundt. desde minhas primeiras entrevistas. peso e volume. foram encontradas intenções de pesquisas sobre a origem do pensamento sobre ecologia. m) noção de todos e alguns. pode-se perceber se a criança já recebeu influências do ambiente reveladas no seu padrão de respostas. empreendi com meus sujeitos conversas do tipo das entrevistas clínicas com a finalidade de descobrir algo sobre os processos de raciocínio que estavam por trás de suas respostas correlatas. Teodore Simon. A intenção é avaliar o nível de pensamento da criança. para as crianças de Paris. uma maneira de interrogar sobre a realidade. em contato com Dr. como método experimental. tendo ele próprio uma publicação científica na pré-adolescência sobre um pardal albino. p. formulam suas respostas. e muitos outros conhecimentos sobre o nosso universo imediato. E o Método Clínico Experimental é um estudo. matemática. dedicar um tempo de sua vida a pesquisar a gênese do pensamento científico na criança. natureza. dando-lhe um significado muito distinto que só guarda uma semelhança distante com suas origens. As perguntas e enfoques então são ampliados seguindo o curso de respostas ou explicações dadas por ele. i) a origem das àrvores. g) a origem dos astros. quando Jean Piaget começou a investigar o pensamento infantil. Dois anos depois em 1919. Esta característica. aspecto não presente nos obra documentada de Jean Piaget. com interesse particular pelo que ocultavam as respostas falsas. de Método Clinico Psicogenético ou Método Clínico Experimental. Estes eram os métodos de testes sobre a inteligência. foi Piaget quem introduziu o método clínico. moral. Desse modo. Piaget que explica o que aconteceu ao realizar este trabalho: Assim. j) noção de conservação de massa. com a finalidade prática para estudar um organismo doente e poder devolvê-lo ao seu estado normal. com uma interação adequada com a criança. d) realismo e consciência. criam suas teorias. era muito mais interessante tentar descobrir as razões do fracasso. Na medicina. transferiuse para Zurique onde. em contato com um respeitado psicólogo clínico Eugen Bleuler.1. recebeu a proposta de padronizar os testes de raciocínio criados por Burt.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. intrigou-lhe o fato de não haver trabalhos sobre a aquisição das noções científicas nas crianças. 55). Delval (2002. e mais uma série de conceitos que compõe o nosso conhecimento universal. pode-se citar: a) a noção de pensamento. Mas no caso da psicologia normal e do estudo do pensamento das crianças. A combinação destes dois métodos é utilizada por Jean Piaget e denominada.html 09-12-2012 . observei que. Conversar com as crianças utilizando o Método Clínico de Jean Piaget nos ensina. Com a conclusão do seu doutorado em Neuchâtel. embora os testes de Burt tivessem méritos indubitáveis quanto ao diagnóstico. Considera-se. Esta observação resultou num problema novo para Jean Piaget: Por que os erros eram os mesmos e tão sistemáticos? O que estava imbricado nestas respostas aparentemente erradas? O http://psicodaniinglith. Nestas pesquisas. a descobrir como elas pensam. por exemplo. por L. classificando seus níveis de inteligência em: acima da média. aqui. com doutorado em tipos de moluscos. l) permanência do objeto. a clínica constituiu-se em ramo das ciências médicas que compreende outras disciplinas.

invariantes físicas http://psicodaniinglith. Ao invés de contabilizar o número de respostas pré-determinadas como corretas. obra seguinte de Piaget recebeu considerações de “estudo da ontologia infantil” (Delval. dedica-se durante dez anos consecutivos ao estudo da história dos principais conceitos matemáticos. Piaget fixou-se na análise das justificativas que as crianças davam ao responder suas indagações. como também um dos mais difíceis da psicologia da criança: quais as representações do mundo que surgem espontaneamente nas crianças ao longo dos diferentes estágios de seu desenvolvimento intelectual? […] Quais são os planos de realidade sobre os quais se coloca este pensamento? A criança teria como nós a crença em um mundo real e distinguiria esta crença das várias ficções do seu jogo e da sua imaginação? Em que medida a criança distingue o mundo exterior de um mundo interno ou subjetivo. ele questionava as crianças para detectar os seus pontos de dificuldades. Escreveu muito. Em todos estes trabalhos. Egocentrismo é explicado por Piaget como. de forma sistemática.1. velocidade. Piaget provocava situações que revelassem a forma de seu pensamento. p. sem intenções diretas de comunicação. por não utilizarem a linguagem transformaram-se em foco de interesse para Piaget. aprofundou seus estudos sobre a noção de família. ainda analisando os problemas colocados no testes de Burt sobre os enunciados verbais concluindo sobre a dificuldade das crianças raciocinarem sobre a forma dos enunciados. Seu segundo livro aborda um estudo sobre a lógica da criança. Piaget publica o primeiro livro pretendendo estudar as funções da linguagem na criança e sua relação com o pensamento. Piaget.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 64 de 155 que isto poderia estar relacionado com a forma de pensamento da criança? Piaget iniciou então um método de conversar com as crianças para tentar aprender a seqüência dos seus pensamentos. pela complexidade dos problemas abordados. iniciando assim o seu método clínico. retoma em maior escala suas investigações: com a ajuda de muitos colaboradores. Jean Piaget percebeu a originalidade do pensamento infantil e que a maneira sistemática como vêem o mundo não coincide com a maneira de ver dos adultos. Piaget utilizou-se da entrevista clínica. tempo. Os primeiros trabalhos publicados em 1921 foram os realizados a partir dos testes de Burt. “[. p. possibilitando assim que sua pesquisa experimental figurasse como completa. passou a se interessar pelas crianças antes da aquisição da linguagem. A partir de 1941. 2002). a partir das primeiras obras. percebe-se um esboço do que será utilizado a partir daí em todas as suas obras posteriores. 1921 apud Delval.html 09-12-2012 .2 Os primeiros registros Jean Piaget costuma dizer que só pensava com uma caneta na mão. movimento.. direcionalidade e outras características do raciocínio da criança. e quais os cortes que realiza entre o eu e a realidade objetiva? Todas estas questões constituem o problema da realidade na criança (Piaget. sua linguagem era egocêntrica. Como conseqüência. Seu interesse pelo método não verbal e seus objetos de pesquisa passam a ser então as origens da inteligência antes do aparecimento da linguagem. Em certas situações cumpre uma tarefa. A lógica infantil muitas vezes surpreende os adultos. concluindo que em torno dos 6-7 anos. 2002). mas não concluiu. então. Piaget trás claramente à reflexão e observação os problemas que ele investiga: O problema que nos propomos estudar é um dos mais importantes. Porém. publica uma série de trinta trabalhos sobre o tema. Segue-se a isto uma publicação sobre a multiplicação lógica e as origens do pensamento formal. espaço. A representação do mundo pela criança.. Nestes diálogos com as crianças. em outras explica algum fenômeno. Conversar com as crianças utilizando o Método Clínico de Jean Piaget nos ensina.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. 2002. onde. Muito antes do que se pensa. de acordo com o que ela vai respondendo ou fazendo. modificando as perguntas. dois anos depois. Embora não apareçam detalhes deste método. Simultaneamente. as crianças concebem a sua percepção do mundo. a descobrir como elas pensam. p. Diante da impossibilidade do uso da linguagem para questionar a criança. 6). no designado período sensório–motor.blogspot. levantando hipóteses com as duas primeiras crianças e colocandoas à prova com a terceira. a aprofundar os seus métodos e a refletir sobre eles. 1926. Como resultado. “O Nascimento da Inteligência na Criança” (1936). da física e da biologia. formulam suas respostas. […] Nesta obra ele explica: número. Este método consiste num diálogo com a criança. 44) reforça que: Em 1940 inicia seus trabalhos sobre percepção e. nação. 10. “A Construção do Real na Criança” (1937) e “A Formação do Símbolo na Criança” (1945) são as três obras seguintes de Jean Piaget. Em 1923. descobre que as crianças têm dificuldades para entender quantificadores de partes como “todos” e “alguns” (Piaget. Na preocupação de abranger a gênese do conhecimento. Registrou todas as suas observações e pesquisas. irmãos. prestou-lhes uma observação minuciosa. criam suas teorias. sistema comum dos testes já existentes. Seber (1997. O Método Clínico foi continuadamente registrado.] a incapacidade para a explicação causal e para a estrita justificativa lógica” (Delval. Esta investigação foi-lhe facilitada pelo nascimento de seus três filhos. que o obriga. Crianças de 0 a 2 anos.68). que passou por várias etapas até chegar a sua forma final. Dedica-se depois a investigar como as crianças explicam a relação de causalidade implicadas no funcionamento das bicicletas. analisa o desenvolvimento de noções que tem uma significação geral no pensamento científico. aos quais.

ou explicação sobre uma situação com transformações de materiais e ainda o método não verbal. Coincidentemente. Delval (2002. apesar disto.blogspot. porque estas idéias não são ensinadas pelos adultos) que Piaget chegou a sua revolucionária teoria do conhecimento (Elkind. constroem representações da realidade à sua volta e revelam isto nas respostas às entrevistas ou em suas ações se for esta a proposta do método no momento”. Por isto. pois as crianças abandonam-nas quando crescem. sem afastar-se do sujeito epistêmico.. p. harmoniza-se com as nossas intuições.. que o nome do Sol está no Sol. Quando Piaget diz que as crianças acreditam que a lua as segue quando: [. duas outras entrevistas pertencem às filhas de uma das crianças (hoje um adulto) entrevistadas no ano citado. criativo e reflexivo tanto para o entrevistador. se percebe as contradições. mas. com curso superior. relações das partes com o todo. séries. mas. que o faz convencer-se cada vez mais da legitimidade de ter consagrado toda a sua existência à explicação biológica do conhecimento e de ter buscado este entendimento pesquisando a criança em desenvolvimento.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. era acompanhado de incredulidade. em sua obra Pensamento e linguagem. interessante. percebem e agem. Um trabalho sério e árduo. causalidade.1. sem uso de material. encontrava-se Lean Semionovich Vygotsky. indica que reconheciam seu valor. De fato. faz deste método um instrumento de avaliação dinâmico. Porém. p. que em muitos de seus primeiros trabalhos apoiou-se nos estudos de Piaget. é que o entrevistador tem diante de si um sujeito único. de forma mais peculiar. 2002. sem uso da linguagem. Battro (1969. na maioria dos casos apenas o confirmam. e também. em vez de meditar entre quatro paredes. acaso. A riqueza de situações que podem ser incluídas nas entrevistas. nem adquiridas. tudo isto tem uma ressonância estranha. Esse método proporciona uma unidade coerente à totalidade das pesquisas empíricas tão diversificadas de Piaget. e nem todos estavam de acordo com os resultados de Piaget. 67). o fato de importantes psicólogos e pesquisadores dedicarem-se a esta tarefa. foi ao tentar explicar essas estranhas idéias (que não são inatas. p. considerando o tempo da sua realização (1983).46) 10. uma mina de ouro.74). hoje são profissionais liberais. a essência do método não está na entrevista. ao novo método que introduziu. 75) afirma: A fecundidade do método clínico de Jean Piaget se mede pelo alcance das idéias postas em marcha. mas sim “No tipo de atividade do experimentador e de interação com o sujeito” (Del val. p. como Claparéde. Mas. como para o entrevistado. 1934. p. no entanto. 11 Exemplos de PROTOCOLOS DE OBSERVAÇÃO Os modelos do Método Clínico apresentados aqui foram selecionadas por critérios especiais. 70) esclarece que Piaget com o método clínico. O interesse. percepção. Um aspecto que deve ser ressaltado como intrigante e motivador na aplicação do método clínico.html 09-12-2012 . que dirigia o Instituto Rousseau. grande colaboradora de Jean Piaget e seus próprios colaboradores Sinclair e Bovet. Entre os mais favoráveis.15 apud DELVAL. 1978.] vão passear de noite. como chega às suas explicações. p. Quando outros pesquisadores acolhem seus trabalhos com a disposição de pô-los à prova. revelador. com toda a singularidade e especificidades da condição humana. que tem uma coerência interna. Considerando que é um método para investigar como elas pensam. porém. cuja força e originalidade situam-se entre os melhores métodos de pesquisa psicológica e fazem dele um elemento insubstituível para o estudo da mudança evolutiva das complexas formações do pensamento infantil. com ações sobre a realidade. p. e que os sonhos entram pela janela de noite. os mais significativos trabalhos são os dos pesquisadores Barbel Inhelder. 73) surpreende ao relatar a grande acolhida que teve o método clínico por vários psicólogos contemporâneos: Muitos avaliaram como obra muito importante. perceber se busca coerência. memória. 2002. 2002. http://psicodaniinglith. As características gerais das explicações. ainda assim. o método clínico vai procurar o que há de universal neste sujeito epistêmico. parte do pressuposto de que: “Os sujeitos tem uma estrutura de pensamento coerente. Delval (2002.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 65 de 155 elementares. o que há de criatividade nas suas respostas. p. na qual Piaget foi convidado a trabalhar. ele escreve: Piaget deve a descoberta de novos dados. embora seja usado a entrevista verbal. reunindo-as em descrições cheias de vida do pensamento da criança (VYGOTSKY. o método clínico. Atualmente. Todas as crianças entrevistadas neste ano de 1983. correspondência um a um. As situações apresentadas caracterizam-se por entrevistas livres.3 As características do método clínico O Método Clínico não está resumido em conversas com as crianças. empregando os métodos mais estritos de mensuração. a maneira como o indivíduo resolve os problemas apresentados. 31 apud DELVAL.

Pensa em alguma coisa. ventos. lembra da casa da avó ou da tia. O que é pensamento? Não sei. O realismo é.. ou (1º tipo) a criança continua simplesmente a acreditar que é uma voz. permanece material.. A idade média das crianças neste estágio é 6 anos. E como é o cérebro? É assim. E qual é a palavra forte? Ferro.2): Pergunta Resposta Você sabe pensar? Ainda não sei pensar direito.. O pensamento é confundido com as próprias coisas no sentido em que as palavras fazem parte das coisas.. sonho. http://psicodaniinglith. agora em arroz com ovo. “inteligência”. Já pensou? Já. ou um sopro.. 11... Não se pode detectar como as crianças teriam descoberto sozinhas que se pensa com a cabeça.1 O REALISMO INFANTIL O realismo consiste. Minhocas? Não.. vou pensar em outra coisa. Na medida em que o pensamento não tomou consciência do eu. Com que parte do corpo você está pensando? Não sei. são todas as ilusões onde a história das ciências. então. com o cérebro. ele enquadra todo o conteúdo da consciência sobre um único plano sobre o qual as relações reais e as emanações inconscientes do eu estão irremediavelmente confundidas.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 66 de 155 Antes da apresentação de cada exemplo de entrevista apresenta-se o enfoque teórico de Jean Piaget.. pensamento.. todos e alguns..html 09-12-2012 . não de verdade. etc. em que você está pensando? Estou pensando em arroz. dente mole é fraco. é uma coisa que a gente pensa e se lembra. e faz a figuração de bolas.. Com o que a gente pensa? Com a cabeça.. efetivamente. Contudo é interessante constatar que apenas após 7-8 anos (em alguns casos com 6 anos) é que a criança questiona e que assimila aquilo que lhe afirmavam. 2º Estágio As crenças que caracterizam o 2º estágio parecem ter sido impostas pelo grupo. ele se expõe. em oposição ao 3º.2 A NOÇÃO DE PENSAMENTO 1º Estágio O pensamento é idêntico à voz.. a ilusão antropocêntrica. caninhos que passam sangue. etc.. 11.. Com o que você pensou? Penso falando. vida.. em ignorar a existência do eu e a partir.4): Pergunta Resposta Você sabe o que é pensamento? Sei. (faz pequenos círculos no ar com o dedo). com o objeto de investigação. ainda que situado na cabeça. pensa ela vem. é que o pensamento. Nos modelos que seguem investiga-se a noção de nome. entre o verdadeiro e o imediato. parece . às eternas confusões entre o objetivo e o subjetivo.blogspot. Você está pensando com o pé. Exemplos de entrevistas do 2º estágio Alexandre (8.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. acho que não... ou (2º tipo) procura compreender as palavras “cérebro”. com a mão? Vou pensar de novo. E o que é cérebro? É uma coisa que a gente não lembra. O que caracteriza o 2º estágio. daí assumir a própria perspectiva como imediatamente objetiva e como absoluta. é palavra fraca. A palavra tem força? Não sei. Está bem. Não. a gente pensa e lembra.. Exemplo de entrevista do 1º estágio Paulo Henrique (6.. ao contrário da objetividade. Todo cheio de minhoquinhas. Não ocorre nada na cabeça nem no corpo.. tubos... De onde vem as palavras? Quando a gente pensa. é o finalismo. com a garganta.

. Quando a gente “berra” tem mais força ainda. Os olhos vêem alguma coisa? Sim..5): Pergunta Resposta O que é o pensamento? É uma coisa que quase todos têm: Com o que você pensa? Imaginando.. E onde se fala o latim? O latim?. Onde estão as palavras? Na boca. ele é invisível. pensa mas não em lição.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.. De onde elas vêm? Não sei. é o miolo. (ri).. Às vezes encontramos http://psicodaniinglith.. Que parte da cabeça? A cabeça toda. no pensamento. Os animais pensam? Acho que sim. o sonho.. uma imagem que não aconteceu.. O que é sonho? É uma fantasia.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 67 de 155 Você pode pensar de olhos fechados? Claro. lá dentro. Não sei. Não (ri). Onde acontece o sonho? No cérebro. no sonho a gente lembra um pedaço do dia.. um pedaço. Luiz Felipe (9.. Onde acontecem os sonhos? Acontece nos olhos. Arrisco perguntar:) Você sabe o que é cérebro? Sei..... O que é latim? É um jeito de falar. Acontece alguma coisa na frente da pessoa? Não.. Por que? Por causa das cordas vocais. O que é inconsciente? É um lugar em que se guarda as palavras esquecidas..html 09-12-2012 . vê o sonho. Mas como acontece esta fantasia? É quando a gente dorme e vem isto. só nos cachorros. Não. mas não como a gente.. Onde estão as palavras? Na boca. Os animais pensam? Não sei. pensando nas coisas. é uma parte do corpo humano. não vê nada. para o inconsciente. As palavras têm força? Sim. para sair. Como ele é? É a cabeça se movimentando muito (maneio a cabeça e pergunto: “assim?”). é tudo só na cabeça. (pensa) Ah! Do latim.. Você sonha Alexandre? Sim. 3º Estágio Por aproximação podemos situar o início do 3º estágio pelos 11 anos. Você sonha? Sim.... poderíamos ver o pensamento? Não dá. Como é o cérebro? Não tem forma.... Que parte do corpo você usa para pensar? A cabeça.. O que é o sonho? É o pensamento.. As palavras têm força? Tem.... vem do cérebro.. Você pode tocar o pensamento? Não.blogspot. é só na cabeça.. (Não faz referência ao cérebro.. penso com o cérebro.. E se abríssemos a tua cabeça sem machucar. Para onde vai o sonho quando você acorda? Para a cabeça. O que é fantasia? É o sonho (ri com o trocadilho)..

não tem inteligência. esta criança seja capaz de localizar o pensamento na cabeça e de declará-lo invisível. Para isso é necessário que simultaneamente: 1. Todas as pessoas sabem que chamamos isto de mesa? Quase todas... Onde estão os nomes das coisas? Como assim? Os nomes. é apenas nos 11 anos que se deve situar estas descobertas essenciais: O pensamento não é matéria e é distinto dos fenômenos que representa. (pensa... ele é invisível. em inglês é “table”. Mas. no tempo da pedra. O emprego simultâneo destes três critérios é suficiente para caracterizar a chegada do 3º estágio. crescem. Mas fora.. em resumo. que a criança seja capaz de distinguir entre a palavra e o nome das próprias coisas.. imaterial e mesmo diferente do “ai” ou “vento” ou “voz”. os sonhos. é escuro. O cão sabe o nome dele? Sim. descansando.. que a criança seja capaz de localizar os sonhos na cabeça e dizer que. só com o nome de Lua. acontece alguma coisa? Não. O teu nome poderia ser “Alexandre”? Poderia se tivessem escolhido. fecha os olhos) Não. (pensa e conclui) Elas são vivas mas não tem inteligência. não sei. Por que as árvores têm vida? Elas respiram. Podemos tocar o pensamento? Não. dão frutos. acho. Como serias com este nome? Como sou.. não vê nada... depende da língua que falam. (fica em dúvida) No tempo da pedra eles foram vendo as coisas e foram inventando os nomes. 2. Acontece alguma coisa enquanto você sonha? Acontece o sonho.. os sonhos não seriam vistos.blogspot.. ele é invisível.html 09-12-2012 . O nome do Sol como começou? (pensa) Deus... acho. a gente chama e eles nem dão bola. Os teus olhos vêem alguma coisa enquanto sonhas? Sim. 3. Exemplos de entrevistas do 3º estágio Ricardo (10.2): Pergunta Resposta Você pensa. Os nomes estão no sujeito ou no objeto? São signos ou coisas? Foram descobertos por observação ou escolhidos sem razão objetiva? http://psicodaniinglith. cadeira. O Sol poderia chamar-se Lua? Sim. impalpável. é o cérebro que sente o sonho. Em todos os lugares do mundo? (pensa) O mundo todo não. Para que servem os nomes? Para a gente se comunicar com as pessoas. os bebês não. Onde está o pensamento? Na cabeça. E como ele seria se fosse chamado de Lua? Seria a mesma coisa. onde estão estes nomes? Na cabeça das pessoas que sabem que os nomes são esses.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Podemos senti-lo ou vê-lo? Já disse. em média. no cérebro. começa com a cabeça relaxando.. no quarto.. se abríssemos a cabeça.. não dá para ver nem para pegar. O que é o sonho? É o que passa na cabeça da gente quando a gente dorme. Ricardo? Penso. E as árvores sabem que se chamam assim? Não.. O que existiu primeiro. E os peixes? (ri) Acho que não. 11. mesa.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 68 de 155 representantes com 10 ou mesmo 9 anos.3 O REALISMO NOMINAL O problema dos nomes contém todas as dificuldades que o estudo do dualismo do interno e do externo provoca na criança. o nome ou as coisas? As coisas. Você sonha? Sim. por dentro do crânio. finalmente.

pensar é falar. pois para a criança.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.1 A origem dos nomes 1º Estágio (5-6 anos) A criança considera os nomes como uma propriedade das coisas. Para que serve o nome da gente? Para quando tiver mais gente e não souber o nome dele. (a lareira estava acessa) E quem deu nome para o Sol? O fogo.” O que existiu primeiro: o nome ou as coisas? Os nomes (pensa). senão todo mundo ia falar assim: “ei ô. E o Felipe poderia chamar-se de Ricardo? Não. ô você ai. daí pensou: João ou Paulo? Daí escolheu Paulo Henrique. isto é chão.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 69 de 155 Efetivamente. o problema dos nomes mergulha no próprio âmago do problema do pensamento.. O nome parece fazer parte da essência das coisas até condicionar a sua própria fabricação.html 09-12-2012 . os nomes ou as coisas? As coisas. que emana diretamente das coisas. a gente fala.blogspot.3. eles montaram tudo e disseram: isto é mesa. Para que serve o nome? Senão (ri).3): Pergunta Resposta Quem deu este nome para você? Minha mãe. ele já se chama Felipe e não poderia ter dois nomes. Quem deu nome para todas as outras coisas? Não sei.. Paulo Henrique (6. Todas as pessoas têm nome? http://psicodaniinglith. Quem te deu este nome? Meu avô. Mas se o teu nome fosse Tereza como seria o teu rosto? Eu teria “cara” de Tereza e teria um rosto feio. O que existiu primeiro. quando a gente nasceu.2): Pergunta Resposta Como é o teu nome? Paulo Henrique. Como é o nome disto? “Mesa”. (ri) Ana Maria (8.. Exemplos de entrevistas do 1º estágio Taisane (5 anos): Pergunta Resposta Como é o teu nome? Taisane. 11. O que é o nome? É o nome mesmo. isto é cadeira.. Quem deu nome para o fogo? A lenha. ô. eu não gosto. O teu nome poderia ser Tereza? Não.

ele tem vida agora? Agora sim… A árvore tem vida? Não. disse que ela não mudaria nada. Se você não tivesse este nome.Irmã gêmea de Ana Maria): Pergunta Resposta Quem deu o seu nome para você? O meu pai. como seria o seu rosto? Seria feio. qual outro nome você gostaria de ter? Camila. Você estuda na mesma sala que sua irmã? Estudo. como seria o seu rosto? Seria bonito que nem o dela. Mas uma outra menina para quem eu fiz esta pergunta. disse que teria o mesmo rosto que tem.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 70 de 155 Sim. Por que? Porque não caminha. E se o seu pai tivesse colocado o seu nome de Eloisa. Por que você não ia gostar? Seria feia. A árvore tem vida? Não. que não mudaria o rosto dela. E se o prefeito da cidade passasse uma ordem dizendo que daqui para frente o Sol se chamaria Lua e a Lua se chamaria Sol. ela não caminha… E se este lápis rodar assim na mesa. como seria o seu rosto? Assim… igual a Rubia… Você é amiga de todas as suas colegas na escola? Só não sou da Shaine. como seria o seu rosto? Eu não ia gostar. O que iria acontecer? Não sei… Ia ser a mesma coisa ou mudaria tudo? Ia ser a mesma coisa (fica em dúvida). os nomes ou as coisas? Surgiu primeiro os nomes… E quem deu os nomes para todas as coisas? Deus. O lápis tem vida? Não. teria o rosto cheio de bolinha… Eu perguntei isto para outra menina e ela respondeu que seria a mesma coisa que ela é.3 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 . O que você acha? Ela estava certa ou errada? Não sei… Se seu nome fosse Shaine mudaria o seu rosto ou seria igual ao que você tem? Eu seria feia igual a Shaine. foi ele que criou o mundo e foi dando nome para cada coisa. a minha amiguinha é Rubia. Ana Luiza (8. Ela estava certa ou errada? Estava errada. E o nome da tua melhor amiga na escola como é? Eloísa. O cachorro tem vida? Sim ele caminha. O que é ter vida? É ser gente. E se o seu nome fosse Shaine. E se o prefeito da cidade passasse uma ordem dizendo que daqui para frente o Sol se chamaria Lua e a Lua se chamaria Sol. E se o seu nome fosse Rubia.4): http://psicodaniinglith. O que surgiu primeiro.blogspot. ela não caminha… 2º Estágio O nome vem do criador da coisa e se encontra ligado às origens da própria coisa. só o nome. Exemplos de entrevistas do 2º estágio Alexandre (8. E se o teu nome fosse Shaine. O que iria acontecer? Daí não sei…Ia ficar tudo escuro… Mas aquela menina disse que iria ficar igual… Ia ficar tudo igual… O que surgiu primeiro o nome ou as coisas? O nome… E como surgiram todas as coisas? Foi Deus. é o nome da minha boneca.

O cão sabe o nome dele? Acho que sim. O Sol tem este nome no mundo todo? Não. disse-me que ficaria tudo igual… ela está certa ou não? As pessoas iam ter que fazer tudo de noite… cortar grama….. Se teu nome fosse Laira. Se você tivesse outro nome você seria diferente? Não.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. e o nariz igual ao da mãe… Por que serias diferente do que és hoje? Eu acho que talvez seja a mesma coisa… que tanto faz… (tem duas Bárbaras na minha sala e elas são diferentes… então eu seria igualzinha também…). Bob. ele é o dono da natureza e o Sol é natureza. isto é verão… E de onde as pessoas tiraram os nomes? Da imaginação Diz um nome que gostas. O que existiu primeiro.7): Pergunta Resposta Como surgiu este teu nome? Foi por causa do meu avô que gostava muito da flor de Jasmim e aí o meu pai quis.. cheio de rugas.html 09-12-2012 . Onde estão os nomes? Na nossa cabeça. As pessoas iriam notar alguma diferença? Não. Laira. vento. bem liso. Deus deu o nome de Sol e os outros foram modificando ou então ele deu em outra língua e os homens foram modificando para “cá” na nossa língua.. mas a bola de fogo sim. como seria o teu rosto? A boca parece que está usando batom. Na Itália deve ser outro nome. como serias? Seria de dúvidas… por que me deram este nome? Mas e o teu rosto seria o mesmo ou seria diferente? Eu teria só três fios de cabelo porque os nenês não têm cabelo… Mas hoje.. Como é o cérebro? Dizem que é cor de rosa.. chuva. depende da língua. O que é ter vida? É poder viver.. Como começou o nome das coisas? Com Adão e Eva. eu chamo Bob. será?! Com Jesus. risquinhos… Eu consigo ver teu pensamento? Não. iam achar que estava certo.. acho. De onde surgiram todos os nomes? De onde eles vieram? As pessoas é que disseram: isto é pedra. Quem deu este nome para elas? Deus. então Deus deu um nome para ele em cada parte do mundo? Não. senão ia chamar assim: “coisa. seria a mesma coisa? O nome não seria. o nome ou as coisas? As coisas.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 71 de 155 Pergunta Resposta O que é um nome? É uma coisa que a gente escolhe para chamar. Como se sabe que as coisas estão vivas? Quando estão de pé… http://psicodaniinglith. cabelo amarelo. eu seria o mesmo. Se aparecesse uma lei dizendo que de amanhã em diante o nome do Sol seria Lua e o nome da Lua seria Sol… o que aconteceria? Seria muito louco isto né? Todo mundo iria falar que o dia seria noite e a noite seria dia… e iam dormir de dia e ficar acordado de noite… ia ser uma bagunça… ia ficar tudo contrário… Mas uma menina para quem eu perguntei isto também. Por que? Porque é um poder. Se o nome do Sol é diferente em cada língua. nuvem.. só que seria de dia… O que é pensar? É o pensamento… Com que parte do corpo a gente pensa? Com a cabeça… Qual parte da cabeça? Dentro… no cérebro… aprendi isto na primeira série. e ele vem..blogspot.. Se o Sol se chamasse Lua. As nuvens sabem que se chamam nuvens? Não. Yasmin (7. ô coisa”.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. senão ela ficaria resmungando… Resmungando? É… por causa do peso das pessoas nela… O que tem mais no mundo. você ou o seu nome? Eu… aí disseram como é que vai ser? Aí a mãe disse: Tayna. http://psicodaniinglith.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 72 de 155 Esta cadeira está de pé? Sim. que teria cara de Filomena. Então esta cadeira tem vida? Não. 10): Pergunta Resposta Meu nome não tem acento… O que existiu primeiro. fofinha. ela recebe àgua para não morrer… E o cachorro tem vida? Claro. me disse que de noite iria ficar claro e que de dia ia ficar escuro. ele fala ( au au) ele respira. ela é madeira. E de onde vem a madeira? Da árvore… E a árvore tem vida? A árvore sim.Ela estava certa ou errada? Estava errada porque era só para ser chamado. A cadeira tem vida? Não. Ela certa ou esta enganada? Estava enganada… E se aparecesse uma lei dizendo que de amanhã em diante o nome do Sol seria Lua e o nome da Lua seria Sol… o que aconteceria? Nada… só que eles aprenderiam na escola que Sol é Lua e Lua é Sol… Mas como é que uma menina para quem em fiz esta pergunta.blogspot. vai para cá vai para lá… E um carro tem vida? Ele também vai para lá e para cá… Só porque se mexe não quer dizer que tem vida… O que tem mais no mundo animais ou passarinhos? Animais… Se um caçador malvado matasse todos os animais sobraria passarinho? Não porque passarinho também é animal… A palavra tem força? Sim VOVÖO tem força… E uma palavra fraca? Vovó… 3º Estágio O nome é considerado como devido ao sujeito que reflete sobre a coisa. ela disse que seria diferente. como é que você seria? Seria bonitinha. fofinha… Uma menina para quem em fiz esta pergunta. lindinha… E seu teu nome fosse Filomena? Eu seria igual… bonitinha. porque com luz do Sol não se consegue dormir né? E não existe Sol que não brilhe né? É como se eu me chamasse Yasmin… eu teria o mesmo rosto só o meu nome trocava … eu seria a mesma coisa… Você pensa Tayná? Claro to pensando agora… Com qual parte do corpo pensas? Com a cabeça… E o que faz a tua cabeça pensar? O cérebro… E como é o cérebro? Não sei… não sei como te explicar… Só dá para explicar como é TV a cabo… Por que podes explicar como é TV a cabo? Por que a TV a cabo eu posso ver e cérebro está fechado… O que é ter vida? É a pessoa vivendo. E se a sua mãe tivesse colocado o seu nome de Terezinha. animais ou passarinhos? Passarinhos… E o que se tem mais animais ou cachorrinhos? Deve ser cachorrinhos porque se trata bem eles… Se morressem todos os animais iria sobrar cachorrinhos? Sim iria… Mas se um caçador malvado matasse todas os animais iria sobrar aves? Não vai sobrar nada… mas é impossível matar todos os animais… Tayna (5.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 73 de 155

Exemplos de entrevistas do 3º estágio Marcos (10;10): Pergunta Resposta

Por que as coisas precisam ter nome? Para distinguir uma coisa da outra.

O que existiu primeiro, o nome ou as coisas? Aqueles que viram aquela coisa e quiseram dar um nome para ela.

Quem deu o nome para o Sol? Aquele que enxergou o Sol e pensou: “como vou chamar aquilo?”... e deu o nome para o Sol e para todas as outras coisas. 11.4 O PENSAMENTO DA CRIANÇA COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM O que se faz para avaliar, sob o ponto de vista do método clínico, uma criança com problemas de aprendizagem? Uma criança com dificuldades de aprendizagens, poderia ser avaliada seguindo este processo relatado com objetividade por Ramozzi-Chiarottino (1994, p. 92): Temos feito o diagnóstico através da observação lúdica e do método clínico experimental. Interrogamos a criança a respeito do que está realizando. A observação é feita com auxílio de brinquedos numa sala ou também num jardim. Se a criança fala, interrogamo-la sobre o que está fazendo, do como e por quê. Se não fala, nos restringimos à observação. Se percebemos que pode expressar-se através de qualquer som ou através de mímica, então conversamos naturalmente, procurando entender suas respostas. Damos a ela uma série de brinquedos para ver como estrutura a brincadeira, ocasião em que se observa ou não seus esquemas de ação e a coordenação deles. Observamos como distribui os objetos no espaço e se obedece a uma seqüência no tempo. No jardim, lhe damos oportunidades de brincar com água, terra, flores e observamos como se desloca no espaço, notando a presença ou não de ‘relações causais’. Se a criança fala, fazemos o diagnóstico do pensamento operatório com provas clássicas de Piaget: conservação, classificação e seriação. Se a criança não fala, observamos, na organização do seu brinquedo, a presença de maior ou menor estruturação, no sentido das classificações e ordenações por cor, forma e tamanho. Verificamos a presença ou não de coleções figurais e a evolução ou não destas estruturações no decorrer do brinquedo. Do outro lado, verificamos se a criança é capaz de formar conjuntos cujos elementos são definidos pela função e não pelos atributos. Aplicar o método clínico com estas crianças nos possibilitaria um diagnóstico que resultaria numa análise mais abrangente da capacidade desta criança de operar na realidade. Passar do nível da ação para o da reflexão e daí voltar ao real, mas com outro olhar, com a capacidade de reinterpretá-lo, passando do mundo real ao mundo do possível, da poesia, da música, do mito e do conhecimento científico, abrindo o universo de possibilidades para esta criança descobrir. Pensar sobre a sua realidade não é exatamente viver nesta realidade. A questão que se pode abordar aqui vai mais além desta constatação ou mesmo suposição. Ramozzi-Chiarottino (1994, p. 102) acredita que: [...] a causa dos déficits de quaisquer de nossas crianças se encontra numa falta de estimulação do meio no momento adequado da sua evolução. Isto implica numa ‘falha’ nas trocas do organismo com o meio que, por hipótese, deixaria uma ‘falha’ no aspecto endógeno, algo que deixaria de ser construído em nível cerebral. [...] estimulando esta criança em nível da ação (no sentido de percorrer o caminho que percorre a criança normal) ela se organizará. Por quê? Como ? Porque acreditamos que, em nível endógeno, de acordo com o proposto por Piaget, haverá também, construção em nível cerebral. Esta possibilidade de construção endógena pela solicitação do meio, implícita na teoria de Piaget, na medida em que é a teoria da epigênese que orienta toda a sua obra. Assim, não há mutação, nem herança das caracteres adquiridos. Há um terceiro caminho entre Darwin e Lamarck, segundo o qual, trazemos no genoma um conjunto de possibilidades que se atualizarão (ou não) conforme as solicitações do meio. [...] Assim, as estruturas cognitivas se constituirão ou não em vários patamares de acordo com a solicitação do meio. Concluindo, esta autora ainda leva a pensar que se estas crianças não aprendem, foi a falta de solicitação do meio que determinou a não atualização das suas potencialidades contidas no genoma, então, o que o meio pode fazer é provocar a atualização destas capacidades. Se a intenção de Jean Piaget foi chegar a uma teoria do conhecimento, através de todas as análises pode-se afirmar que este conhecimento origina-se na ação. Nas palavras de Ramozzi-Chiarottino (1994, p.104): “Piaget pretende ter descoberto e não inventado que as estruturas mentais funcionam classificando e ordenando as experiências”. Quanto às reflexões de Ramozzi-Chiarottino (1994) fez acima, pode-se pesquisar mais a fundo, mas isto seria uma proposta para doutorado.

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 74 de 155

12 CONCLUSÃO A capacidade de aprendizagem humana é uma evidência. Compreender os estágios cognitivos da criança torna-se um imperativo no fazer psicopedagógico. Esta criança que integra os sistemas regulares de ensino e que compõe a grande massa promissora dos tempos futuros da nossa sociedade. Sociedade esta que, por sua vez, urge ser competente, aprendente, ativa, solucionadora das questões contínuas que se perpetuam no viver humano. Saber questionar e ouvir a criança, perceber qual entendimento e leitura ela faz do mundo físico, da lógica e das questões morais, em conformidade ao Método Clínico de Jean Piaget, figura-se como uma habilidade de avaliação rica, capaz de encaminhar o psicopedagogo para uma conclusão lógica sobre o potencial de aprendizagem da criança entrevistada. A criança que apresentar uma defasagem na sua aprendizagem em relação ao seu grupo pretenso de iguais precisará ser compreendida no seu processo de pensamento. Aplicar com ela o Método Cínico Psicogenético possibilitará investigar o seu nível operatório, para que sejam ajustadas as propostas de ensino às suas condições reais de aprendizagem, sem, contudo, perpetuar estas condições, pois a intenção é provocar a reflexão conduzindo à abstração reflexiva. Assim, instigar a criança e provocar os necessários desequilíbrios, lhe possibilitará a reflexão sobre novas formas de pensar a realidade e, em decorrência, a possibilidade de avançar seu nível operatório ou de abstração. Isto ocorre porque as diferentes formas de pensar e compreender a realidade, às quais Piaget relacionou aos estágios cognitivos, pode tanto ser antecipados como ser retardados, sem, no entanto, modificar a ordem de sucessão em que ocorrem estes estágios. Ou seja, é possível uma criança apresentar o nível de pensamento de uma fase imediatamente superior à esperada. Assim, uma criança de cinco anos, para a qual é esperado pensar no nível pré-operatório, mostra-se com nível de pensamento próprio da criança do período operatório seguinte, que seria o operatório concreto. Esta afirmação corrobora com o que se constatou nas respostas encontradas acima, na entrevista com a menina Tayna, que, apesar de ter a idade de cinco anos e meio, apresentou raciocínio sobre a origem dos nomes, conceito de vida e noção de pensamento, em nível operatório seguinte ao regularmente encontrado nas respostas das crianças desta faixa etária. Da mesma forma é possível uma criança apresentar nível de pensamento anterior ao esperado para a sua faixa etária. Ou seja, esperar respostas ao Método Clínico compatíveis com o nível operatório concreto, e esta criança demonstrar que funciona em termos de pensamento, em níveis de raciocínio pré-operatório. Isto apontaria para uma superficialidade nos seus esquemas de entendimento sobre a realidade, com reflexos na sua performance escolar. Ao mesmo tempo em que o Método Clínico auxilia a compreensão do Psicopedagogo sobre o nível cognitivo da criança na escola, este também poderá servir de análise sobre o pensamento da criança com déficit no desempenho escolar. Identificar o nível de pensamento da criança estigmatizada pelos fracassos escolares, ou dificuldades de aprendizagem possibilitaria ao psicopedagogo atuar no foco da dificuldade da criança, que seria o seu nível de pensamento incompatível com o nível de exigência escolar. A criança que enfrenta relações tão complexas como esta, da ampliação do seu eixo social, precisará ser identificada nos seus estilos de pensamentos, sustentada por uma teoria rica e ampla, justificando a relação de ajuda do psicopedagogo na instituição escolar. Quanto à variação dos estágios cognitivos, Jean Piaget explica que todos os seres humanos deveriam avançar em direção aos níveis mais abstratos de pensamento, que é o operatório formal, conseguido entre 11 e 15 anos. Porém, atingir esta abstração requer muita ação sobre o meio, reflexões, experimentações, pensar sobre o seu próprio pensamento (abstração reflexionante) e um contexto social (no caso, aqui, a escola) que lhe proporcione as oportunidades adequadas para que possam progredir no processo de construção das suas estruturas de pensamento. Assim, ao tornarem-se conhecidos os níveis de pensamento das crianças, e, ao relacioná-los com a sua idade cronológica, e se estes estiverem defasados, pode-se, na atuação psicopedagógica, interferir de forma específica, criando situações não propriamente de ensino, mas de busca de coerência e desequilibração, para que, ao reorganizar-se internamente, a criança avance no processo de pensamento e reflexão sobre a realidade, favorecendo o seu desenvolvimento cognitivo para níveis operatórios subseqüentes. Percebe-se, ao analisar a teoria de Jean Piaget, que, para muitos problemas de aprendizagem, tentar resolvê-los no âmbito dos métodos ou mesmo da relação entre professor e aluno, pode resultar em processo longo e nem sempre eficaz. Propõe-se então atuar no potencial do próprio aprendente, favorecendo o avanço para níveis maiores de pensamento onde, pela ação e reflexão, possa a criança avançar para níveis operatórios sempre mais avançados, chegando ao necessário pensamento abstrato. É por estas razões que se atribui utilidade ao Método Clínico Psicogenético, como recurso investigativo do psicopedagogo sobre o nível de pensamento da criança, para que possa, com este conhecimento, reconhecer uma necessidade e, com experiências e provocações dos seus equilíbrios, desequilibrá-los, saindo daquele nível de conhecimento acomodado, fixo, possibilitando-lhe o avanço para níveis superiores de pensamento. O Método Clínico Experimental de Jean Piaget apresenta-se, então, como possibilidade

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 75 de 155

investigativa sobre o nível de pensamento da criança. Estudar a viabilidade de utilizá-lo na prática psicopedagógica foi o objeto deste estudo. Porém investigar por investigar não justificaria a sua prática, que muito serviu a Jean Piaget, mas por razões epistemológicas. Com as buscas bibliográficas sobre a extensa obra do autor, muitos outros pesquisadores foram se revelando com os seus profundos interesses científicos no Método Clínico Experimental. Se a idéia inicial foi estudar para fechar um assunto, outros caminhos de pesquisas se revelaram impedindo encerrar, aqui, os interesses de pesquisas sobre este tema. Durantes as pesquisas, para realizar este estudo, muitos autores nacionais e internacionais foram encontrados pesquisando, a partir do Método Clinico de Piaget, não só o sujeito epistêmico, mas o sujeito psicológico. Um estudo inovador, em Portugal, revela interesse de pesquisas utilizando o Método Clínico em crianças com deficiência mental. Outras constatações aparecem referenciadas nos anexos (ANEXOS) deste trabalho, nos diálogos mantidos com escritores, via on-line, considerando inclusive que precisamos perceber nesta mudança de cultura da era industrial para a informacional, a concepção integradora, interativa e construtora de aspectos antes desconhecidos da inteligência humana. Todas estas novas pesquisas estão sendo realizadas em nível de doutorado e pós-doutorado, indicando que a teoria psicogenética avança em pesquisas. Isto indica que há possibilidades deste trabalho ter continuidade com pesquisas mais específicas e delimitadas. Assim, o estudo aqui realizado, ao invés de revelar uma possível inconsistência ou superficialidade do Método Clínico Experimental, muito ao contrário, apontou para a riqueza de descobertas sobre a criatividade do pensamento infantil, reveladores do potencial humano para a aprendizagem. Em conclusão a este estudo, sugere-se que a Psicopedagogia não deixe de considerar como práticas reflexivas, as contribuições de Jean Piaget. Diante de tantas “dificuldades de aprendizagem”, reais ou míticas, das crianças das nossas escolas, dificuldades estas atribuídas à vários fatores, investigar a criança que pensa, à luz de uma teoria criada para avançar, é agregar cientificidade à Psicopedagogia, buscando no cotidiano prático a corroboração com as idéias de um epistemólogo que dedicou sua vida a investigar a gênese da cognição humana. "… e minha avó, apontou-me o abacateiro, desafiando-me a contar todas as suas folhas. Não me ensinou, mas fiquei muito curiosa. Passava as tardes a olhar para ele, e a contar as folhas que caíam… Um dia caiu um grande galho. Chamei meu irmão. Eu e ele contamos todas as folhas. Anotei num papel de enrolar pão. Passei outras tardes tentando contar os galhos. Na escola, tinha problemas de aprendizagem em matemática e ninguém conhecia Jean Piaget …. (M. Alice, Florianópolis, 1958).

12.1.1.1 REFERÊNCIAS[3][3] BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed. 2001. 125 p. BELLO, José Luiz de Paiva. Lauro de Oliveira Lima: um educador brasileiro. 1995-1996. 219 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória. ––––––. Re: meus retalhos. [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <malice@unetvale.com.br> em 28 fev. 2006. BELTRAN, José Maria Martinez. Enseño a pensar. Madrid: Bruño, 1995. 204 p. RAMOZZI-CHIAROTTINO, Zélia. Em busca do sentido da obra de Jean Piaget. São Paulo: Ática, 1994. 118p DELVAL, Juan. Introdução à prática do Método Clínico: descobrindo o pensamento das crianças. Porto Alegre: Artmed, 2002. 267 p. ______. Crescer e pensar: a construção do conhecimento na escola. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 245 p. DOLLE, Jean-Marie. Para compreender Jean Piaget: uma iniciação à psicologia genética piagetiana. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1974. FAGUNDES, Léa. C. et al. Aprendizes do futuro: as inovações começaram. Cadernos Informática para a Mudança em Educação. Brasília: Ministério da Educação/SEED,1999. Disponível em: http://www.proinfo.gov.br/ftp/pdf/livro06.zip. Acesso em 3 fev. 2006. LIMA, Adriana Flávia de Oliveira. Pré-escola e alfabetização: uma proposta baseada em Paulo Freire e Jean Piaget. Petropólis: Vozes, 1986. 228 p. LIMA, Lauro de Oliveira. A construção do homem segundo Piaget: uma teoria da educação. 2. ed. São Paulo: Summus, 1984. 140 p. ______. Conceitos fundamentais de Piaget: vocabulário. Rio de Janeiro: MOBRAL, 1980a. 179 p. ______. Piaget: sugestões aos educadores. Rio de Janeiro: Vozes, 1998. 253 p. ______. Por que Piaget?: a educação pela inteligência. São Paulo: SENAC, 1980. 46p. ______. Temas piagetianos. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984. 118 p. LIMA, Lauro de Oliveira; LIMA, Ana Elizabeth Santos de Oliveira. A juventude como motor da história: abertura para todos os possíveis. Rio de Janeiro: Paideia, 1980e. 120 p.

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

79 p. 1995. 1999. buscando assimilações. PIAGET. Maria Luiza Leão.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 76 de 155 PALANGANA. ed.Animismo: a criança atribui vida ou intencionalidade aos objetos inanimados.Centração: fixação da atenção em um só ponto da totalidade. Até que. Jean. algumas das muitas correspondências on-line trocadas com escritores reconhecidos no cenário brasileiro que se dedicam a continuar as pesquisas de Jean Piaget. Piaget: o diálogo com a criança e o desenvolvimento do raciocínio. 318 p.. Professor Dr. O indivíduo modifica o meio e é também modificado por ele. Direção Ana Teberosk e Liliana Tolchinsky. Isilda Campaner. São Paulo: Martins Fontes.Causalidade: interação entre objetos.2 ANEXOS CONSIDERAÇÕES Para chegar a esta dissertação de mestrado. Helena Marchand (Portugal) entre outros aqui não relacionados. que precisou de tempo para ser estruturado.html 09-12-2012 . É destas informações que ela vai organizar-se de maneira superior sob o ponto de vista do conhecimento. acomodações. resultado do pensamento estruturado e abstrato. ______. 1997. Só há aprendizagem quando os esquemas de assimilação sofrem acomodação.blogspot. ed. que demonstraram ao dedicar um pouco do seu escasso tempo para responder as dúvidas desta curiosa desconhecida em ação no seu processo de construção de conhecimento. Abstração reflexionante: relações lógico-aritméticas e ordem das relações espaciais. 1998. foi necessário passar por um processo de reflexão e construção intelectual. 6. elaborados de forma objetiva. 16. . 12. Porto Alegre: Artes Médicas. . baseado em José Luiz de Paiva Bello (1995. bem como o caráter interdisciplinar de suas pesquisas. sugere-se aqui um pequeno glossário dos termos mais freqüentemente encontrados nos estudos e pesquisas de Jean Piaget. SUBSTRATUM: Temas fundamentais em Psicologia e Educação. 292 p. Rio de Janeiro: Record. A linguagem e o pensamento da criança.o que faz. . ações.Assimilação: incorporação da realidade aos esquemas de ação do indivíduo ou o processo em que o indivíduo transforma o meio para satisfação de suas necessidades. 1997. onde um estágio (nível) é resultante de outro anterior. Professora Dra.Construtivismo seqüencial: o desenvolvimento da inteligência faz-se por complexidade crescente. Epistemologia genética. Rio de Janeiro: Zahar. A linguagem. como resultado destes contatos. 1978.se está frio.Adaptação: ajustamento ao ambiente num movimento de equilíbrio contínuo entre a assimilação e a acomodação. Rio de Janeiro: Paideia. .Abstração reflexionante: Referem-se às informações advindas da sua própria ação sobre o objeto. Professora Dra. Professor Mestre José Luiz de Paiva Bello. 12. http://psicodaniinglith. 2000. 245 p. PIAGET. Dra. aliados às provocações dos contextos físicos e sociais. se é leve… . ______. 1. . abstrações. Anita E. avança com comando lingüístico também abstrato. Porto Alegre: Artes Médicas. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky. ______. Zélia RamozziChiarottino. Léa da Cruz Fagundes. Jean. Compreendido e respeitado este tempo de assimilação e acomodação.1.. O novo conhecimento representa a acomodação. São Paulo: Martins Fontes. ______. ______. 568 p. WOOLFOLK. Fernando Becker. Maria da Glória. novas desequilíbrios surgiram a partir de observações e reflexões. 188-192): . . como faz. Psicologia da educação. Abaixo em anexo.Acomodação: re-estruturação dos esquemas de assimilação. operações. Biologia e conhecimento. operando a tecnologia e com ela.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. 1973. e novos equilíbrios. Jean. 1990. surja um novo desequilíbrio. se é pesado. São Paulo: Vozes. A representação do mundo na criança. sobre a sua organização motora na ação com este objeto. 1 (Cem Anos de Jean Piaget).1. Barbel.Construtivismo: o desenvolvimento da inteligência é como se fosse uma construção realizada pelo indivíduo. avança em novas reflexões. O nascimento da inteligência na criança. São Paulo: Scipione.3 Glossário de termos piagetianos Considerando a complexidade dos problemas da epistemologia genética. . São Paulo: Plexus. PIAGET. INHELDER. .Conservação: uma conduta interiorizada relativa a um objeto ausente. A eles a minha admiração pela humildade repleta de sabedoria. A psicologia da criança.1. p. . v. a saber: Professora Dra. reflexões. 1983. SEBER. nova necessidade de acomodação e novos conhecimentos passando a ocupar a mente reflexiva e inquieta: o conhecimento do outro passou também a ser objeto de investigação e exploração. ao alçar outros pesquisadores. Uma escola piagetiana. 1993. n.1.Abstração empírica: referem-se às informações que se obtém dos objetos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 144 p. 170 p. Porto Alegre: Artmed.

Operação: aquilo que transforma um estado específico em outro. . . deixando pelo menos uma propriedade invariante e com retorno possível.Funcionamento: capacidade que o organismo tem de adquirir determinada ordem na maneira de agir. . . .Liderança: permissão dada pelo grupo para que cada um de seus componentes utilize suas aptidões para comandar este grupo.Revolução copernicana do eu: no desenvolvimento mental da criança o eu deixa de ser o centro referencial da ação e do pensamento para colocar-se como um indivíduo entre os demais.Imagem mental: cópia do objeto realizada através do sensório-motor. Esta teoria valoriza igualmente o organismo e o meio. . http://psicodaniinglith. É a evolução do indivíduo. .Função semiótica: capacidade que o indivíduo tem de gerar imagens mentais ou símbolos como linguagem. representando os objetos ou ações.Interesse: sintoma da necessidade. .Epistemologia genética: estudo de como se passa de um conhecimento para outro conhecimento superior.Psicologia genética: estudo dos problemas psicológicos do ponto de vista do conhecimento. anulando a transformação.Intuição: atividade sensório-motora representada por uma forma pré-operatória de pensamento. É a forma de manifestar-se a ação (motora.Permanência do objeto: quando o indivíduo pode conceber o objeto mesmo estando fora de seu alcance de visão.Diretivismo: a função do educador de provocar desequilíbrios estimuladores artificiais. .Nominalismo: convicção de que os nomes estão ligados as coisas. . desenvolvimento de um indivíduo desde a concepção até a idade adulta .Desequilíbrio: instabilidade no pensamento do indivíduo quando percebe que o seu modo de pensar (ou o seu conhecimento) não está solucionando um problema que o ambiente lhe apresenta.Desenvolvimento: construção de estruturas ou estratégias de comportamento e gira em torno da atividade do organismo que pode ser motora. . . . . .Estágios: patamares de desenvolvimento que se dá por sucessão.Liberdade: estado de pleno funcionamento do organismo. . .Jogo simbólico: reprodução de situações já vividas pelo indivíduo através de imagens mentais. .Equilibração: Processo onde o indivíduo busca estabilizar mentalmente os seus esquemas cognitivos com as novas informações do ambiente. 2002).html 09-12-2012 . A estas estruturas Piaget chamou de esquemas. .Evolução: processo de organização em níveis progressivamente superiores.Interacionismo: teoria psicológica que sustenta que o desenvolvimento comportamento humano é uma construção resultante da relação do organismo com o meio em que está inserido. .Equilíbrio: patamar de um estágio antes de se atingir o subseqüente.blogspot.Equilibração majorante: mecanismo de evolução ou desenvolvimento do organismo. verbal e mental). . figuras. .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Operações mentais: são as ferramentas do pensamento. como se o organismo já trouxesse dentro dele as possibilidades de seu desenvolvimento. . (Delval. Não havendo desequilíbrio o organismo permanece indefinidamente no estado em que se encontra. verbal e mental. de um indivíduo com os outros. Esta teoria valoriza o organismo.Esquema: são sistemas mentais organizados de percepção e experiência utilizados como modelo de atividade que o indivíduo utiliza para incorporar-se ao meio.Epistemologia: estudo do conhecimento. .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 77 de 155 . então.Logicização: processo de transformar o pensamento simbólico e intuitivo em pensamento operatório.Microssociologia: área de estudo das relações de interação.Ontogênese.Estrutura cognitiva: refere-se às organizações ou aptidões mentais que a criança possui. Para quem sabe apenas ir a reversibilidade seria a capacidade de voltar. Educar.Inteligência: mecanismo de adaptação do organismo à uma situação nova. .Organização: é o processo de sistematizar as informações e experiências em estruturas lógicas. . . .Motivação: sentimento de uma necessidade.Realismo: explicação que afirma a relação necessária entre o pensamento e a realidade.Estrutura: um conjunto de elementos que se relacionam entre si e a modificação de um gera a modificação do outro. .Pensamento: interiorização da ação. . .Método Clínico: Estudo realizado com um núcleo inicial de problemas que vão se abrindo e ampliando para seguir o curso das condutas ou explicações do sujeito. . são estruturas de pensamento em ação. . . . Patamar de um estágio antes de se atingir o subseqüente. . e ele seja o mais indicado para tal situação. Por exemplo: uma criança de três anos que aprende inglês na escola diz em casa que "'chair' é uma cadeira que tem lá na escola". desenhos. É o aumento do conhecimento. quando a situação exigir. gestos. .Necessidade: desequilíbrio na organização interna do organismo.Experiência: contato do organismo com a realidade ou a interação do sujeito com o objeto.Reversibilidade: quando a operação deixa de ter um sentido unidirecional. .Inatismo: teoria psicológica que sustenta que o desenvolvimento do comportamento humano dá-se a partir de condições internas do próprio organismo. psicológicas ou de ação. é desequilibrar o organismo (indivíduo). É necessária na medida em que reestrutura o organismo para sobreviver. .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico. Post a Comment http://psicodaniinglith. 0 Comments: 1. que dá ao indivíduo o domínio sobre a ação.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 78 de 155 .Tomada de consciência: é um ato de conhecimento sobre um objeto. .Socialização: a combinação de indivíduos para formarem estruturas sociais ou um fenômeno de combinação de novas formas de relações individuais.Transformação: processo pelo qual as estruturas se constroem a partir dos elementos que as constituem.blogspot. .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 . Tecnologia do Blogger.blogspot. http://psicodaniinglith.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 79 de 155 Postagem mais recente Início Postagem mais antiga Professora Daniela Inglith.

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 80 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 81 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 82 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 83 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.

blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 84 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 85 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 86 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 87 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 88 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 89 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 90 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 91 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 92 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 93 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 94 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 95 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 96 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 97 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 98 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.

blogspot.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 99 de 155 http://psicodaniinglith.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 100 de 155

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 101 de 155

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 102 de 155

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 103 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 104 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 105 de 155 http://psicodaniinglith.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 106 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .blogspot.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 107 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 108 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 109 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 110 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 111 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 112 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 113 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 114 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 115 de 155 http://psicodaniinglith.

html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 116 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 117 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 118 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 119 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 120 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 121 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 122 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 123 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 124 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 125 de 155

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 126 de 155

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico

Página 127 de 155

http://psicodaniinglith.blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html

09-12-2012

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 128 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 129 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 130 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 131 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .blogspot.

html 09-12-2012 .blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 132 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 133 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 134 de 155 http://psicodaniinglith.

html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 135 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 136 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 137 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.

blogspot.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 138 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 139 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 140 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

blogspot.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 141 de 155 http://psicodaniinglith.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 142 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 143 de 155 http://psicodaniinglith.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 144 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .blogspot.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 145 de 155 http://psicodaniinglith.

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 146 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 147 de 155 http://psicodaniinglith.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 148 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .blogspot.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 149 de 155 http://psicodaniinglith.blogspot.html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.

Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 150 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 151 de 155 http://psicodaniinglith.

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 152 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

blogspot.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 153 de 155 http://psicodaniinglith.html 09-12-2012 .

blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 154 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.html 09-12-2012 .

html 09-12-2012 .blogspot.Cantinho do Saber: Manual prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico Página 155 de 155 http://psicodaniinglith.pt/2011/07/manual-pratico-do-diagnostico.