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MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE

Uma edição do
Instituto para o Desenvolvimento Social

Colecção Estudos
Crianças e Jovens
Data de edição
Maio 2000

Projecto Criativo
Caracterização
marcaD’água, designers

Impressão
e Dinâmicas
Scarpa Impressores, Lda

Tiragem
de Funcionamento
2000 exemplares

Depósito Legal Nº

ISBN Nº 972-8553-07-02
E E S S T T U U D DO OS S
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Pág. 11
Í n d i c e
PREÂMBULO
14 I - Metodologia Adoptada
15 II - Lares de Crianças e Jovens: uma resposta social
15 1. Rede nacional de lares para acolhimento de crianças e jovens
em situação de risco
20 2. Objectivos e princípios de funcionamento dos Lares de Crianças
e Jovens
25 III - Caracterização e dinâmicas de funcionamento
dos Lares de Crianças e Jovens
25 1. Instalações e equipamentos dos lares
33 2. Recursos humanos no acolhimento de crianças e jovens
40 3. Aspectos jurídico-financeiros dos lares de crianças e jovens
40 3.1. Estatutos jurídicos, acordos de cooperação e regulamento interno
42 3.1.1. Apoios financeiros
45 3.1.2. Valências das instituições
47 3.1.2.1. Área geográfica de influência do lar de crianças e jovens
48 4. O processo de admissão das crianças e jovens
48 4.1. Critérios e normas no acolhimento das crianças e jovens
55 4.2. Como é efectuado o acolhimento das crianças e dos jovens nos lares?
57 4.3. Constituição dos processos individuais
61 5. Normas e dinâmicas de funcionamento: a organização e o
acompanhamento
61 5.1. Normas de funcionamento
61 5.1.1. Telefone, correspondência, dinheiro de bolso
64 5.1.2. Vigilância nocturna e aos fins-de-semana
66 5.2. Dinâmicas de organização interna
66 5.2.1. Organização das crianças e jovens em grupos
68 5.2.2. Actividades de ocupação de tempos livres desenvolvidas
pelo lar
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Pág. 74 5.2.3. Encaminhamento e acompanhamento dos projectos


de vida das crianças e jovens acolhidos
76 5.3. Relações com o exterior
76 5.3.1. Relação das crianças e jovens acolhidos com a comunidade Índice de Quadros
85 5.3.2. Relação do lar com a instituição escolar
Pág. 17 Quadro 1- Sistema Nacional de Acolhimento para crianças e jovens: equipamentos
87 5.3.3. Relação do lar com os serviços da Segurança Social e ocupação
89 5.4. Outros serviços prestados pelo lar 18 Quadro 2- Lares de crianças e jovens por região
18 Quadro 3- Crianças e jovens em lar por região
92 6. Saída do Lar: o processo de preparação
19 Quadro 4- Relação entre capacidade e ocupação dos lares de crianças e jovens
96 7. Fluxos de Entradas e Saídas de crianças e jovens dos lares no 25 Quadro 5- Tipo de edifício onde se encontram instalados os lares de crianças e jovens
ano de 1997 26 Quadro 6- Aspecto exterior do edifício onde se encontram instalados os lares de
crianças e jovens
100 Notas conclusivas: agir, conhecendo
27 Quadro 7- Aspecto exterior do edifício em função do tipo de edifício onde se encon-
105 IV- Anexos tra instalado
106 Anexo 1- Guião do questionário de caracterização dos lares de crianças 28 Quadro 8- Aspecto interior do edifício onde se encontram instalados os lares de
crianças e jovens
e jovens
29 Quadro 9- Aspecto interior do edifício em função do tipo de edifício onde se encon-
125 Anexo 2- Quadros regionais de caracterização dos lares de crianças e tra instalado
jovens 30 Quadro 10- Escalões de crianças em coabitação nos quartos partilhados dos lares
33 Quadro 11- Formação académica do director do lar
149 Anexo 3- Distribuição nacional dos lares e das crianças e jovens neles
35 Quadro 12- Relação entre o tipo de dedicação do director ao lar e a dimensão do lar
acolhidos por região, sub-região e concelho 35 Quadro 13- Relação entre o tipo de dedicação do director ao lar e a sua formação
154 V- Bibliografia temática académica
37 Quadro 14- Promoção pelo lar de formação da equipa técnica
156 VI- Legislação de enquadramento
40 Quadro 15- Estatuto jurídico da instituição
157 Ficha Técnica do Projecto 41 Quadro 16- Registo dos estatutos na DGAS
42 Quadro 17- Escalões de percentagem de receitas próprias
43 Quadro 18- Escalões de percentagem dos acordos de cooperação
44 Quadro 19- Modalidade dos acordos de cooperação
44 Quadro 20- Escalões de percentagem de outras fontes de financiamento
45 Quadro 21- Crianças a frequentar os lares gratuitamente
46 Quadro 22- Valências das instituições e respectivos acordos de cooperação
47 Quadro 23- Área geográfica de influência do lar
50 Quadro 24- Critérios de admissão registados nos estatutos da instituição
50 Quadro 25- Critérios de admissão registados no regulamento do lar
51 Quadro 26- Número de crianças em lista de espera nos lares
52 Quadro 27- Número de crianças em lista de espera nos lares em função da lotação
dos mesmos
54 Quadro 28- Comunicação à Segurança Social do acolhimento de crianças e jovens
em lar por iniciativa da família ou da comunidade
54 Quadro 29- Comunicação ao Tribunal do acolhimento de crianças e jovens em lar
por iniciativa da família ou da comunidade

6 7
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Pág. 56 Quadro 30- Tipologia dos procedimentos de acolhimento adoptados pelos lares
de crianças e jovens
59 Quadro 31- Local de arquivo dos processos individuais
59 Quadro 32- Responsabilidade de utilização dos processos individuais
62
63
Quadro 33- Possibilidade de utilização do telefone em condições de privacidade
Quadro 34- Regras de uso da correspondência pelas crianças e jovens em lar
Índice de Figuras
63 Quadro 35- Existência de regras em relação ao dinheiro de bolso Pág. 15 Figura 1- Sistema Nacional de Acolhimento e Acompanhamento de crianças e
66 Quadro 36- Organização por grupos jovens em situações de perigo
67 Quadro 37- Dimensão dos grupos de crianças e jovens nos lares 21 Figura 2- Triângulo relacional no acolhimento institucional de crianças e jovens
70 Quadro 38- Celebração de aniversários nos lares de crianças e jovens 22 Figura 3- Eixo de relacionamento entre o lar e as famílias das crianças acolhidas em lar
73 Quadro 39- Saídas ao fim de semana 22 Figura 4- Eixo de relacionamento entre o lar e a comunidade envolvente
73 Quadro 40- Responsável pela organização de saídas ao fim de semana 22 Figura 5- Tipologia dos lares de crianças e jovens em função dos eixos de relacionamento
75 Quadro 41- Encaminhamento das crianças e jovens é feito com a anuência de 23 Figura 6- Triângulo de relacionamento dos lares de Incorporação
quem? 23 Figura 7- Triângulo de relacionamento dos lares de Institucionalização
80 Quadro 42- Acesso a estabelecimentos públicos de educação/ensino
24 Figura 8- Triângulo de relacionamento dos lares de Acolhimento
80 Quadro 43- Participação em iniciativas de estabelecimentos públicos de
24 Figura 9- Triângulo de relacionamento dos lares de Acompanhamento
educação/ensino
80 Quadro 44- Acesso a Centros de Formação Profissional
30 Figura 10- Equipamentos e divisões existentes nos lares de crianças e jovens
80 Quadro 45- Participação em Centros de Formação Profissional 32 Figura 11- Proximidades com o lar
81 Quadro 46- Acesso a ginásios 34 Figura 12- Tipo de dedicação do director do lar
81 Quadro 47- Participação em actividades nos ginásios 36 Figura 13- Constituição da equipa técnica do lar
81 Quadro 48- Acesso a colectividades 38 Figura 14- Outros membros da equipa do lar
82 Quadro 49- Participação em actividades de colectividades 39 Figura 15- Observação médica do pessoal do lar pelo menos 1 vez por ano
84 Quadro 50- Abertura dos lares às famílias e à comunidade 39 Figura 16- Obrigatoriedade de apresentação de atestado sanitário
86 Quadro 51- Responsável pela articulação entre o lar e a escola 41 Figura 17- Adopção de regulamento interno
87 Quadro 52- Motivo da última visita da Segurança Social ao lar 45 Figura 18- Valências das instituições
87 Quadro 53- Há quanto tempo se efectuou a última visita da Segurança Social ao lar 48 Figura 19- Primeiro critério de admissão das crianças e jovens no lar
89 Quadro 54- Conhecimento da Segurança Social do encaminhamento dado às 51 Figura 20- Existência de lista de espera no lar
crianças e jovens 53 Figura 21- Envolvimento da família nas três fases do acolhimento
90 Quadro 55- Cuidados médicos prestados pelo lar às crianças e jovens acolhidos 53 Figura 22- Envolvimento da comunidade nas três fases do acolhimento
91 Quadro 56- Apoio educativo prestado pelo lar
56 Figura 23- Tipos de acolhimento efectuados pelos lares de crianças e jovens
91 Quadro 57- Serviço de psicologia prestado pelo lar
58 Figura 24- Existência de processos individuais
91 Quadro 58- Apoio educativo prestado pela escola
60 Figura 25- Documentos apensos ao processo individual das crianças e jovens aco-
92 Quadro 59- Serviço de psicologia prestado pela escola
93 Quadro 60- Apoio e preparação para a saída ajustada às necessidades lhidos
96 Quadro 61- Nº de crianças/jovens acolhidas em lar em 1997 64 Figura 26- Vigilância nocturna assegurada nos dias úteis nos lares de crianças e
97 Quadro 62- Tempo médio de espera para admissão no lar jovens
98 Quadro 63- Nº crianças/jovens saídos do lar em 1997 65 Figura 27- Vigilância aos fins-de-semana assegurada nos dias úteis nos lares de
99 Quadro 64- Nº de crianças/jovens regressados às famílias em 1997 crianças e jovens
99 Quadro 65- Nº de crianças/jovens que saíram inseridos profissionalmente em 65 Figura 28- Responsáveis pelo atendimento/vigilância nocturna e fins-de-semana
1997 67 Figura 29- Critérios para a formação de grupos
68 Figura 30- Organização de festas comemorativas
69 Figura 31- Festas organizadas pelo lar

8 9
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Pág. 71 Figura 32- Eventos de comemoração dos aniversários nos lares de crianças e
jovens
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72
74
Figura 33- Abertura de festas à restante comunidade
Figura 34- Como são passados os fins-de-semana no lar
Figura 35- Participação nas tarefas diárias
P r e â m b u l o
Uma das principais preocupações da Comissão Nacional de Protecção de
75 Figura 36- Encaminhamento das crianças e jovens orientado por uma equipa
técnica Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR)1, desde o início da sua existência,
77 Figura 37- Estímulo do reatar de relações com familiares terá sido a de reorganizar o sistema de resposta social de acolhimento para
78 Figura 38- Promoção da participação da família no quotidiano da criança/jovem crianças e jovens2 . Assumindo o princípio de que uma intervenção social
78 Figura 39- Promoção da participação da família no percurso escolar/profissio-
sustentada implica o conhecimento prévio das características da realidade
nal
79 Figura 40- Possibilidade de entrada de amigos e colegas no lar sobre a qual se pretende intervir, e tomando como ponto de partida a
82 Figura 41- Promoção de encontros com outros jovens da comunidade reorganização da estrutura nacional de lares de crianças e jovens para
83 Figura 42- Abertura da instituição à comunidade local acolhimento com carácter definitivo, iniciou-se o processo de
84 Figura 43- Quantificação da tipologia dos lares de crianças e jovens
caracterização desta realidade. O documento que agora apresentamos –
85 Figura 44- Encontros regulares com estabelecimentos de ensino
86 Figura 45- Promoção de acções de orientação escolar/profissional “Lares de Crianças e Jovens: Caracterização e Dinâmicas de
88 Figura 46- Avaliação do apoio prestado pela Segurança Social funcionamento”- constitui a primeira fase deste processo3.
89 Figura 47- Refeições fornecidas nos lares
92 Figura 48- Preparação prévia para a saída do lar
Conscientes do facto de os resultados de qualquer processo de
93 Figura 49- Forma de apoio à saída do lar
95 Figura 50- Manutenção de contactos com o lar após saída investigação se encontrarem condicionados pela metodologia adoptada e
95 Figura 51- Natureza dos contactos com o lar após saída da instituição pelos objectivos que lhes subjazem, consideramos que o mérito deste
98 Figura 52- Motivos para a saída do lar em 1997 estudo não será tanto a exaustão e a profundidade dos resultados obtidos
(pretensioso seria querermos tais resultados apenas com uma primeira
abordagem à realidade…) como o levantamento de pistas de investigação
decorrentes dos primeiros aspectos de caracterização que o estudo
permitiu obter acerca dos lares de crianças e jovens a nível nacional.
Levado a cabo este processo de investigação, obteve-se, na verdade, uma
perspectiva de conhecimento que não esgota todos os ângulos que desta
realidade é possível captar, parecendo-nos, contudo, um importante
primeiro passo no sentido da percepção das características dos lares de
crianças e jovens.
1
A CNPCJR foi criada com a atribuição de planificar a intervenção do Estado e coordenar, acompanhar e avaliar as
acções, estatais ou da comunidade, no âmbito da protecção de crianças e jovens em risco (artº 1º DL nº. 98/98).
2
Cf. Relatório de Actividades da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, IDS,
Lisboa, Maio 1999, pp. 27, onde se inclui o Plano de Acção previsto para 1999.
3
Em simultâneo com o estudo de caracterização dos 257 lares de crianças e jovens existentes no país, foram inquiri-
das também as crianças e os jovens que neles vivem, num total de 9561. Os resultados desta pesquisa estão paten-
tes em Crianças e Jovens em Lar- Caracterização Sociográfica e Percursos de Vida, Lisboa, CNPCJR/IDS,
Junho de 2000.

10 11
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

O sucesso de um processo de investigação como este, à totalidade O documento de registo dos resultados deste estudo contém uma primeira
nacional de lares de crianças e jovens, uma realidade que permanecia no parte onde se procede a uma descrição sumária da metodologia adoptada
quase total desconhecimento, só foi possível através de uma estreita na sua realização (Capítulo I- Metodologia Adoptada), seguida de uma
cooperação interinstitucional, que envolveu a Inspecção Geral do breve anotação acerca da perspectiva teórica que enquadrou o processo de
Ministério do Trabalho e da Solidariedade (IGMTS), os Serviços Regionais investigação, situando a realidade dos lares de acolhimento de crianças e
de Segurança Social (SRSS) e o Instituto para o Desenvolvimento Social jovens, por um lado, no conjunto do sistema nacional de acolhimento e,
(IDS). Aos técnicos da IGMTS coube a tarefa de inquirir os directores dos por outro, numa tipologia que permite estabelecer a posição de cada uma
lares de crianças e jovens com o guião de questionário de caracterização destas instituições em função das suas características (Capítulo II- Lares
da instituição por que são responsáveis; é o resultado deste inquérito que de Crianças e Jovens: uma resposta social).
apresentamos neste documento. Os técnicos de acção social dos Serviços
de Segurança Social encarregaram-se de preencher os guiões de Exposto o enquadramento metodológico e teórico do processo de
caracterização das crianças e jovens que vivem nos lares, em função dos investigação, procederemos à caracterização dos lares de crianças e jovens
seus processos individuais, estudo que decorreu em paralelo com este4. A ao nível dos seus recursos materiais, humanos e jurídicos, que
colaboração entre os técnicos destas instituições foi estreita no que condicionam (ao mesmo tempo que são condicionados) as filosofias de
concerne a esta fase de recolha da informação. O IDS, enquanto órgão funcionamento, assim como as dinâmicas de organização interna, no que
operativo da CNPCJR, teve a seu cargo a elaboração dos guiões que diz respeito às regras de acolhimento, às normas estabelecidas, ao tipo de
presidiram ao inquérito (aprovados em sede de Comissão Nacional), a relacionamento estabelecido com a comunidade exterior e com as famílias
informatização dos dados estatísticos, assim como o seu tratamento e de origem das crianças e jovens acolhidos, analisando, por último, o
interpretação. Resta-nos, neste capítulo preambular, agradecer a todos os processo de preparação para a sua autonomização (Capítulo III-
intervenientes no processo de levantamento dos dados (incluindo neste Caracterização e dinâmicas de funcionamento dos Lares de Crianças e
reconhecimento as equipas que, nas instituições, acompanham as crianças Jovens).
e os jovens acolhidos) o esforço e o empenho com que tornaram possível a
divulgação do conhecimento que consideramos deter acerca dos lares de Finalmente, e tendo em conta as constatações obtidas no decurso da
crianças e jovens. Este conhecimento é o ponto de partida para posteriores investigação no que diz respeito às características dos lares de crianças e
intervenções que, apenas porque assentam na informação acerca das jovens e às dinâmicas do seu funcionamento, é possível retirar algumas
características dos lares, se poderão considerar sustentadas e ilações que permitem delinear a actuação das várias entidades implicadas
sustentáveis5. no funcionamento dos lares de crianças e jovens, no sentido de se
estruturarem estratégias para um projecto conjunto e participado que
permita, cada vez mais, aproximar o acolhimento de crianças e jovens em
4
Registe-se que a postura adoptada por estes inquiridores foi a de conhecer, de forma objectiva e neutra, a realidade lar a um acolhimento familiar, minimizando eventuais efeitos negativos da
dos lares de crianças e jovens. Abandonaram a procura pelo dever ser do funcionamento deste tipo de instituição, de
acordo com a legislação, para se centrarem no conhecimento da realidade como ela, de facto, é, sem eventuais preo- institucionalização (Notas Conclusivas: Agir, conhecendo).
cupações correctivas, neste primeiro momento do levantamento dos dados.
5
Este estudo situa-se ao nível de uma metodologia que designamos de investigação-acção, e que se traduz numa cara-
cterização objectiva da realidade para, em função desta, se porem em prática medidas de intervenção na realidade
estudada, regidas por princípios teóricos que se vão definindo à medida que decorre o processo de investigação.

12 13
I-Metodologia Adoptada II-Lares de Crianças
«É hoje comummente partilhada a ideia de que os saberes só fazem sentido desde que possam ser e Jovens: Uma resposta
colocados à disposição de intervenções práticas (…)»
(CAPUCHA: 1992)
Social
1. Rede nacional de lares para acolhimento de crianças e jovens em situação de risco
O levantamento das características dos lares de acolhimento de crianças e jovens em termos dos seus recur-
sos (materiais e humanos), bem como das suas filosofias e dinâmicas de funcionamento, foi conseguido atra- «Os lares são equipamentos sociais que têm por finalidade o acolhimento de crianças e jovens,
vés da aplicação de um inquérito por questionário às 257 instituições existentes no país6. proporcionando-lhes estruturas de vida tão aproximadas quanto possível às das famílias, com vista ao
seu desenvolvimento físico, intelectual e moral e à sua inserção na sociedade.»
O processo de aplicação do questionário teve lugar entre o início do mês de Dezembro de 1998 e o final de (Artº. 2º. Decreto-Lei n.º 2/86, de 2 de Janeiro)
Janeiro de 1999. A informação obtida foi posteriormente sujeita a tratamento informático em SPSS7 e inter-
pretação estatística por técnicos do Instituto para o Desenvolvimento Social. Os lares de acolhimento de carácter definitivo para crianças e jovens encontram-se situados no con-
texto do sistema nacional de acolhimento e acompanhamento infantil e juvenil em situações de risco.
A informação acerca destas instituições de acolhimento de crianças e jovens resultou de contactos com os Este sistema nacional, concebido para funcionar em rede, encontra-se esquematizado na Figura 1.
directores dos lares, interlocutores privilegiados no que diz respeito ao conhecimento das instituições de
que são responsáveis. Esta metodologia tem, deste modo, a vantagem potencial de fornecer dados que Figura 1 - Sistema Nacional de Acolhimento e Acompanhamento de crianças e jovens em
decorrem de um conhecimento profundo e próximo da realidade que se pretende caracterizar. situações de perigo8
Função: Acolhimento de Emergência
Tempo de Permanência: 24 a 48 horas Unidades
O trabalho de investigação acerca dos lares de crianças e jovens inscreve-se numa metodologia que desi- de Emergência

gnamos de investigação-acção, cujo processo é composto por duas fases: a primeira corresponde ao levan-
tamento, tratamento e interpretação da informação que caracteriza a realidade que se pretende investigar; Função: Acolhimento temporário
e diagnóstico de situação Casa
em função do conhecimento desta realidade, passamos da fase de investigação pelo conhecimento para uma Tempo de Permanência: 6 a 12 meses de Acolhimento
Temporário
segunda fase do processo da investigação acção, que designamos de intervenção pelo conhecimento. No
âmbito desta segunda fase, tentámos delinear sugestões de actuação por parte de todos os intervenientes Função: Acolhimento temporário após
diagnóstico de situação
implicados no funcionamento destas instituições de acolhimento de crianças e jovens. Tempo de Permanência: 6 a 12 meses Acolhimento
Familiar

Função: Acolhimento
«O rigor e o controlo dos conhecimentos é maior em função dos resultados de devolução dos conhecimentos prolongado

adquiridos aos próprios agentes objectos de pesquisa, que podem afinar as informações factuais, ajudar a
Lar para Regresso
reequacionar as interpretações, sugerir ideias.» (Capucha: 1992) Crianças Adopção à Família
e Jovens de Origem
6
O design do guião do questionário aplicado foi concebido, discutido e aprovado pela Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco,
entidade promotora deste estudo acerca dos lares de crianças e jovens e dos menores acolhidos.
7
Trata-se de um programa informático de tratamento estatístico de informação. 8
Reportamo-nos ao sistema de acompanhamento de crianças afecto ao Sistema Nacional de Solidariedade Social.

14 15
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Assim, e numa perspectiva teórica, no sistema nacional de acolhimento e acompanhamento de crianças Quadro 1 - Sistema nacional de acolhimento para crianças e jovens:
e jovens em situação de perigo distinguem-se três níveis distintos, em função das necessidades técnicas equipamentos e ocupação
decorrentes da análise das problemáticas com que se lida: o acolhimento de emergência, que se
Acolhimento Nº Nº
destina a acolher crianças e jovens em situação de perigo iminente por um período de tempo que não Equipamentos Acolhidos
Resposta de
ultrapasse as 48 horas, intuito para o qual as instituições de acolhimento permanente congelaram Emergência Unidades de Emergência (U.E.)* 31 58
Resposta de
vagas, constituíndo aquilo que designamos por Unidades de Emergência9; o acolhimento temporá-
Acolhimento Casas de Acolhimento Temporário 56 804
rio, que visa o acolhimento, por períodos que não excedam os 6 meses, de situações de crianças e Temporário (CAT)*
Acolhimento Familiar** 3399 4887
jovens para o qual tecnicamente se diagnosticou a necessidade de afastamento temporário das famílias Acolhimento
de longa
de origem, objectivo cumprido pelas Casas de Acolhimento Temporário10 ou pelas Famílias de Acolhi-
duração Lar para Crianças e Jovens* 257 9561
mento e, finalmente, o acolhimento de longa duração, para as situações de crianças e jovens des-
11 Total 3743 15310

providas de meio familiar ou cujas problemáticas justificam o afastamento definitivo em relação às Fontes: *CNPCJR/IDS-DED, 1999; ** IGMTS, 1997

famílias de origem. É neste nível das respostas sociais para crianças e jovens de carácter definitivo que
situamos os lares12, a par da adopção13. Refira-se, também, que, após um período de afastamento tem- O sistema nacional de acolhimento de crianças e jovens conta com 31 instituições a funcionar como
porário, a criança ou o jovem pode regressar ao seio da sua família de origem, se o diagnóstico técnico Unidades de Emergência, para o acolhimento de situações de perigo ou risco eminente de crianças
da situação considerar ser esta a solução mais adequada. e jovens. Em Maio de 1999, o número de acolhidos em UE era de 58 crianças e jovens.

O sistema de acolhimento e acompanhamento de crianças e jovens em situações de perigo possui por- Ao nível das respostas de acolhimento temporário de crianças e jovens, existem 56 Casas de Acolhi-
tas de entrada em todos os níveis de acolhimento, de acordo com as necessidades específicas ineren- mento Temporário, que albergam 804 crianças e jovens. A este nível, existiam, em Dezembro de 1997,
tes às diversas situações de risco. As respostas de carácter definitivo, particularmente os lares para 3399 Famílias de Acolhimento, no seio das quais se encontram acolhidos 4887 crianças e jovens.
crianças e jovens, espera-se que sejam respostas de fim de linha, ou seja, que constituam um recurso
a deitar mão quando esgotadas todas as possibilidades de trabalho social com a família de origem e com Finalmente, e no que diz respeito a estruturas de acolhimento de longa duração, o sistema nacional de
a própria criança ou jovem (em simultâneo com o seu acolhimento temporário), no sentido de evitar cor- acolhimento dispõe de 257 lares, onde vivem um total de 9561 crianças e jovens.
tes afectivos cujos efeitos perversos serão dificilmente mensuráveis a curto prazo.
Atentemos na distribuição regional dos lares de crianças e jovens.
Debruçar-nos-emos agora no número de instituições de acolhimento de situações de risco ou perigo
infantil e juvenil existentes em cada um deste níveis, bem como sobre a respectiva ocupação.

9
Designação oficialmente assumida pelo Sr. Ministro do Trabalho e da Solidariedade a 1 de Junho de 1998. Refira-se a existência de uma Equipa de Aco-
lhimento de Emergência na cidade de Lisboa, cuja função passa pela gestão das situações de emergência infantil nesta área geográfica.
10
Vide Resolução do Conselho de Ministros 193/97, de 6 de Novembro.
11
Vide Decreto-Lei n.º 190/92, de 3 de Setembro.
12
Vidé Decreto-Lei n.º 2/98, de 2 de Janeiro. O lar, a par de situações de adopção ou de regresso à família de origem, é uma resposta de carácter (à par-
tida) definitiva para a criança ou jovem que é acolhida, o que não significa que não seja possível «em qualquer momento, encaminhá-la para a situação
que se mostre mais adequada ao seu desenvolvimento harmonioso, nomeadamente o retorno à família natural, à adopção ou colocação familiar» (D.L.
2/98, de 2 de Janeiro).
13
Vidé Decreto-Lei n.º 120/98, de 8 de Maio e Lei n.º 9/98, de 18 de Fevereiro.

16 17
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 2 - Lares de crianças e jovens por região Proporcionalmente, é também nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo que se encontram mais crian-
ças acolhidas em lar (37% e 23% do total de crianças que vivem em lar, respectivamente), verifican-
Valores %
Norte 84 32.7
do-se, no entanto uma maior tendência para a institucionalização de crianças e jovens na região Norte.
Centro 42 16.3 Segue-se a região Centro, onde existem 20% das crianças que vivem em lar. Nos lares das restantes
LVT 80 31.1
Alentejo 17 6.6 regiões do país encontram-se acolhidos os restantes 19% crianças e jovens que vivem em lar.
Algarve 9 3.5
Açores 17 6.6
Madeira 8 3.1 O Quadro 4 mostra-nos que em apenas 25.7% dos lares de crianças e jovens a sua capacidade coin-
Total 257 100.0
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 cide com o número efectivo de acolhidos.

Quadro 4 - Relação entre a capacidade e ocupação dos lares de crianças e jovens


São as regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo aquelas onde existe maior número de lares de crianças e Nº %
sobrelotação entre 10 a 21 crianças/jovens 5 1.9
jovens (33% e 31% do total nacional, respectivamente). Segue-se a Região Centro, onde se situam 16%
sobrelotação entre 5 a 9 crianças/jovens 7 2.7
do conjunto de lares a nível nacional. Nas regiões dos Açores e do Alentejo existem cerca de 7% e 6% sobrelotação entre 1 a 4 crianças/jovens 28 10.9
ocupação total do lar 66 25.7
destas instituições e os restantes 6% de lares de crianças e jovens distribuem-se equitativamente pelas entre 1 a 5 vagas no lar 88 34.2
entre 6 a 10 vagas no lar 30 11.7
regiões da Madeira e do Algarve14 .
entre 11 a 20 vagas no lar 24 9.3
entre 21 a 46 vagas no lar 8 3.1
mais de 50 vagas no lar 1 0.4
A distribuição regional das 9561 crianças e jovens que vivem em lar por região está patente no Qua- Total 257 100.0
dro 3. Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 3 - Crianças e jovens em lar por região De facto, cerca de 60% dos lares de acolhimento de crianças e jovens portugueses tinham, à data da
realização do inquérito, disponíveis vagas, sendo que 34% não dispunham de mais do que 5 camas para
Valores %
Norte 3530 36.9 acolhimento de situações de risco infantil ou juvenil. Cerca de 21% destas instituições tinham entre 6
Centro 1922 20.1
e 20 lugares vagos nas suas instalações para acolher crianças e jovens, representando os lares que dis-
LVT 2243 23.5
Alentejo 570 6.0 punham de mais do que 20 lugares vagos apenas 3.5% do total.
Algarve 429 4.5
Açores 488 5.1
Madeira 379 4.0
No universo português dos lares de crianças e jovens encontrámos também instituições sobrelotadas,
Total 9561 100.0
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 nas quais o número de acolhidos superava a sua capacidade real de acolhimento. Os lares nestas con-
dições eram 38, o que corresponde a 15.6% do total de lares existentes.
Esta constatação de que quase 75% dos lares de crianças e jovens se encontravam com a sua capa-
cidade excedida ou sub-aproveitada exige alguma reflexão acerca do funcionamento e da eficácia
do sistema nacional de acolhimento de crianças e jovens. Nas situações de sobrelotação, exigiriam
todas as situações de risco acolhidas a permanência numa estrutura que está vocacionada para
14
Note-se a existência de um déficit de informação relativamente à distribuição regional dos lares de crianças e jovens de cerca de 3%.

18 19
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

substituir, de forma permanente, a família de origem destas crianças e jovens, por impossibilida- genérico do funcionamento destas instituições, que as define como estruturas sociais que têm como
de ou incapacidade desta de assumir as suas funções parentais? Não poderiam algumas destas objectivo o acolhimento de crianças e jovens, tendo como princípio genérico o propor-
situações ser encaminhadas para os outros níveis do sistema (adopção ou famílias de acolhimen- cionar de estruturas de vida tão aproximadas quanto possível às das famílias, com vista ao
to)? Ou, por outro lado, reflectirá esta sobrelotação necessidades de instalação de novos equipa- seu desenvolvimento físico, intelectual e moral e à sua inserção na sociedade15. Esta tarefa
mentos? Por outro lado, ainda, que significado terá a existência de cerca de 151 lares (60% do passa pelo (re)estabelecimento de laços afectivos e emocionais, quer com os técnicos e pares que cons-
total) que dispunham de vagas nas suas instalações que não se encontravam preenchidas no tituem a nova família da crianças e/ou jovem acolhido, quer com as famílias de origem (quando tal não
momento da inquirição? Estas são, parece-nos, as primeiras questões que podemos levantar rela- se revela desaconselhável, do ponto de vista do interesse da própria criança), quer ainda com a comu-
tivamente aos lares de acolhimento permanente de crianças e jovens em resultado deste trabalho nidade envolvente, nas actividades da qual as crianças e jovens acolhidos devem ser estimulados a par-
de investigação. ticipar.

Detectamos, nesta definição dos objectivos e princípios genéricos dos lares de crianças e jovens, um
triângulo de relações que se estabelece a partir do lar, no contexto do acolhimento institucional infan-
2. Objectivos e princípios de funcionamento dos Lares de Crianças e Jovens til e juvenil, entre a instituição, a família e a comunidade. No seu dever ser, os três vértices inter-
relacionam-se entre si.
«(…) deve ser estimulado o fortalecimento ou o restabelecimento das relações
familiares como condição para o equilíbrio afectivo e emocional das crianças/jovens(…). Figura 2 - Triângulo relacional ideal no acolhimento institucional de crianças e jovens
As crianças/jovens devem ter acesso a todos os recursos da comunidade e participar nas iniciativas que LAR
na mesma forem promovidas.»
(Lares para Crianças e Jovens,DGAS, s.d.)

A partir dos resultados no processo de investigação sobre as características dos lares de crianças e
jovens, e no sentido de lhes conferir um fio condutor, foi nossa intenção estabelecer uma tipologia de
lares de crianças e jovens, construída a partir das características do seu funcionamento.

COMUNIDADE FAMÍLIA
A filosofia de funcionamento de uma instituição define-se, em termos teóricos, a partir de dois indica-
dores: os princípios por que se rege a sua actuação e os objectivos para que esta se dirige. Este serão Em função deste triângulo de relações, é possível definir-se dois eixos, no cruzamento dos quais defi-
os dois focos que manteremos apontados para a realidade dos lares de crianças e jovens neste proces- niremos a tipologia de lares de crianças e jovens. O primeiro eixo diz respeito ao tipo de relação que
so de construção da sua tipologia. o lar de crianças e jovens estabelece com as famílias de origem das crianças e jovens que aco-
lhe, que vai da relação de proximidade à relação de afastamento.
Para definir os princípios e os objectivos dos diversos lares de acolhimento definitivo para crianças e
jovens em risco tomaremos como ponto de partida os princípios e os objectivos gerais legalmente defi-
nidos para este tipo de instituição. Ou seja, o quadro teórico referencial desta análise será o dever ser
15
Cf. Artº 2º do Decreto Lei nº2/86, de 2 de Janeiro.

20 21
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Figura 3 - Eixo de relacionamento entre o lar e as famílias das crianças acolhidas em lar De facto, os lares de crianças e jovens que são abertos à comunidade envolvente (i.e., que permitem a

PROXIMIDADE participação das crianças e dos jovens acolhidos nos eventos da comunidade, assim como promovem a

À FAMÍLIA participação desta nas suas próprias actividades) e que, em simultâneo, promovem, nos seus princípio,
um afastamento das crianças que acolhem face às suas famílias de origem, têm uma filosofia de fun-
cionamento que apelidamos de Incorporação. Este tipo de instituição parece, de facto, incorporar em
AFASTAMENTO si, enquanto instituição, a criança ou o jovem como “seu”, fazendo tábua rasa das suas origens fami-
DA FAMÍLIA liares, ainda que reconheça a importância das contactos estreitos com a comunidade envolvente. Estes
O segundo eixo que podemos delinear a partir do triângulo de relações que subjaz da definição normativa do lares apenas promovem o relacionamento entre dois vértices do triângulo de relações.
funcionamento dos lares de crianças e jovens concerne ao tipo de relação que a instituição estabelece
com a comunidade envolvente e que vai de uma relação de abertura a uma relação de isolamento. Figura 6 - Triângulo de relacionamento dos lares de Incorporação

LAR
Figura 4 - Eixo de relacionamento entre o lar e a comunidade envolvente
ABERTURA
À COMUNIDADE

COMUNIDADE FAMÍLIA
ISOLAMENTO
DA COMUNIDADE
Outros lares existem que não promovem, nem a proximidade de relações entre a criança ou o jovem
Do cruzamento destes dois eixos, que traduzem princípios e objectivos de funcionamento, obtemos uma acolhido e a sua família de origem, nem entre este e a comunidade envolvente do lar onde se encontra
tipologia de lares de crianças e jovens, construída em função das características do seu funcionamento. a residir. A filosofia é a da Institucionalização, i.e. do acolhimento em função da instituição, sem que
se tenham em conta necessidades afectivas e de relacionamento exterior, necessárias ao desenvolvi-
Figura 5 - Tipologia dos lares de crianças e jovens em função dos eixos de relacionamento mento e bem-estar das crianças e dos jovens acolhidos. O triângulo que representa este tipo de lar não
tem arestas.
ABERTURA
À COMUNIDADE
Figura 7 - Triângulo de relacionamento nos lares de Institucionalização

Acompanhamento Incorporação LAR


PROXIMIDADE AFASTAMENTO
À FAMÍLIA DA FAMÍLIA
Acolhimento Institucionalização

COMUNIDADE FAMÍLIA
ISOLAMENTO
DA COMUNIDADE

22 23
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Outros lares existem em que, por princípio, se privilegia a manutenção e preservação da proximidade
da criança à sua família de origem, em detrimento da abertura à comunidade. Nestes lares, parece III-Caracterização
fazer-se um Acolhimento “para preservar” a criança ou jovem do “exterior”, fortalecendo apenas uma
das arestas do triângulo de relações.
e Dinâmicas
Figura 8 - Triângulo de relacionamentos nos lares de Acolhimento
de Funcionamento
LAR dos Lares de Crianças
e Jovens
1. Instalações e equipamentos dos lares
COMUNIDADE FAMÍLIA

Iniciamos esta abordagem às instituições de acolhimento de crianças e jovens pela caracterização do


Contamos ainda com um último tipo de lar de crianças e jovens cuja filosofia de funcionamento é a de Acom-
indicador mais visível das condições de vida que proporcionam a quem acolhem: o tipo de edifício
panhamento das crianças e jovens que lá vivem, proporcionando-lhes e estimulando a proximidade com a
onde se encontram instalados e as suas condições de habitabilidade, quer do exterior quer no inte-
sua família de origem, ao mesmo tempo que se mantém abertos à comunidade envolvente, quer na participa-
rior do mesmo.
ção das crianças e jovens que acolhe nas actividades promovidas por esta, quer permitindo a participação
comunitária nos eventos por si realizados. Este triângulo de relações entre o lar, as famílias de origem e a
O Quadro 5 mostra-nos que os lares de crianças e jovens portugueses se encontram instalados, maio-
comunidade é o que mais coincidências apresenta com o modelo ideal para este tipo de instituição.
ritariamente, em prédios de habitação de utilização exclusiva (62%).

Figura 9 - Triângulo de relacionamentos nos lares de Acompanhamento


Quadro 5 - Tipo de edifício onde se encontram instalados os lares de crianças e jovens16
LAR Valores %
Prédio de habitação de
utilização exclusiva 156 62.4
Prédio de habitação
de utilização parcial 28 11.2
Edifício histórico 33 13.2
Pré-fabricado 4 1.6
COMUNIDADE FAMÍLIA
Outro 29 11.6
Total válido 250 100.0
Identificámos, assim, a partir desta tipologia construída em função de indicadores de funcionamento, Não respostas 7
Total 257
quatro tipos de lares: os lares de Incorporação, os lares de Institucionalização, os lares de Aco-
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
lhimento e os lares de Acompanhamento.

Adiante retomaremos esta tipologia, com o intuito de, em função dela, quantificar a realidade nacional
dos lares de crianças e jovens. 16
Não dispomos de informação acerca do tipo de edifício onde se encontram instalados 7 lares de crianças e jovens, o que corresponde a cerca de 3% do
total de lares existentes no país.

24 25
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Aos prédios de utilização pelo lar seguem-se, em termos de representatividade, os edifícios históricos dos degradados, 7 dos quais necessitam de obras estruturais. Os restantes edifícios degradados que
como albergue do acolhimento de crianças e jovens (13%). Registe-se ainda a relativa importância dos albergam instituições desta natureza necessitam de obras pontuais (5% da totalidade dos lares).
prédios de habitação de utilização parcial neste contexto (11% do total) e a existência de alguns lares
de crianças e jovens a funcionar em edifícios pré-fabricados (cerca de 2% do total) ou noutro tipo de As obras estruturais exteriores são, afinal, sentidas em que tipo de edifício? Isto é, que tipo de edifício
edifício (12%), como hospitais, quintas, conventos, palacetes, vivendas, entre outros. se encontra em pior estado de degradação?

A existência de lares a funcionarem em edifícios pré-fabricados, em hospitais ou em instalações provi- Quadro 7 - Aspecto exterior do lar em função do tipo de edifício
sórias, ainda que não tenham grande representatividade estatística, indiciam alguma desadequabilida- onde se encontra instalado
de entre a função educativa dos lares e os espaços onde se encontram instalados, apesar de este pare- Aspecto exterior do edifício
Degradado Degradado,
cer apenas ser confirmável com uma avaliação qualitativa e mais pormenorizada destas situações. necessitando necessitando Necessitando de obras
de obras de obras de Em bom
estruturais pontuais limpeza/manutenção estado Total
Tipo Prédio de habitação Valores 2 3 18 50 73
Que aspecto apresentam estes edifícios do seu exterior? de de utilização exclusiva % 50.0% 75.0% 51.4% 61.7% 58.9%
edifício Prédio de habitação Valores 4 9 13
de utilização parcial % 11.4% 11.1% 10.5%
Quadro 6 - Aspecto exterior do edifício onde se encontram instalados os lares Edifício histórico Valores 8 9 17
% 22.9% 11.1% 13.7%
de crianças e jovens Pré-fabricado Valores 1 1 2
% 25.0% 2.9% 1.6%
Valores % Outro Valores 1 1 4 13 19
Degradado, necessitando % 25.0% 25.0% 11.4% 16.0% 15.3%
de obras estruturais 7 2.8 Total Valores 4 4 35 81 124
Degradado, necessitando % 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
de obras pontuais 13 5.2
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99
Necessitado de obras de
limpeza/manutenção 59 23.7
Em bom estado 170 68.3
Total 249 100.0 No que diz respeito ao aspecto exterior, verifica-se que os edifícios onde se encontram instalados os
Não respostas 8
Total 257 lares de crianças e jovens que se encontram mais degradados são os prédios de habitação de utiliza-
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 ção exclusiva (metade dos 4 edifícios que precisam de obras estruturais), os edifícios pré-fabricados
(25%) ou outro tipo de edifício não especificado (25%). A necessidade de obras pontuais neste tipo
A grande maioria das instituições que efectuam um acolhimento de carácter permanente crianças e de edifício é sentida também nos lares que se situam em prédios de habitação de utilização exclusiva
jovens encontra-se instalada em edifícios que se considera estar em bom estado (68%), existindo 59 (75% do total de edifícios nestas condições). De igual modo, e porque é este o tipo de edifício mais
lares que se considerou apenas necessitarem de obras de limpeza ou manutenção (cerca de 24% representado, os lares que parecem encontrar-se instalados nos edifícios que, do seu exterior, se encon-
do total de lares caracterizados a este nível17). tram em melhor estado dizem também respeito a prédios de habitação de utilização exclusiva do lar
(50%) ou a outro tipo de edifício (13%). Cerca de metade dos edifícios que necessitam de obras de
Apesar deste panorama favorável no que diz respeito às condições de habitabilidade dos edifícios que aco- manutenção ou limpeza são prédios de habitação de uso exclusivo do lar, sendo que existem edifícios
lhem crianças e jovens, regista-se a existência de 20 destes lares que funcionam em edifícios considera- históricos que desempenham esta função de acolhimento de crianças e jovens a necessitar do mesmo
tipo de reparação (cerca de 23%).
17
Refira-se que 8 dos 257 lares de crianças e jovens existentes (3%) não foram caracterizados em função do seu aspecto exterior.

26 27
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Se o aspecto exterior do edifício onde se encontram instalados os lares de crianças e jovens é impor- Quadro 9 - Aspecto interior do lar em função do tipo de edifício
tante como indicador das condições de vida que estas instituições proporcionam aos jovens que aco- onde se encontra instalado
lhem, o seu aspecto interior revela-se ainda mais significativo no que diz respeito à natureza do aco- Aspecto exterior do edifício
Degradado Degradado,
lhimento que é efectuado por instituições que têm por objectivo a reprodução das condições de vida necessitando necessitando Necessitando de obras
de obras de obras de Em bom
vividas no seio de uma família. estruturais pontuais limpeza/manutenção estado Total
Tipo Prédio de habitação Valores 7 3 18 46 74
de de utilização exclusiva % 53.8% 50.0% 52.9% 63.9% 59,2%
edifício Prédio de habitação Valores 1 4 8 13
Quadro 8 - Aspecto interior do edifício onde se encontram instalados os lares
de utilização parcial % 16.7% 11.8% 11.1% 10,4%
de crianças e jovens Edifício histórico Valores 4 2 5 6 17
% 30,8% 33.3% 14.7% 8.3% 13,6%
Valores % Pré-fabricado Valores 1 1 2
Degradado, necessitando % 7.7% 2.9% 1.6%
de obras estruturais 27 10.7 Outro Valores 1 6 12 19
Degradado, necessitando % 7.7% 17.6% 16.7% 15,2%
de obras pontuais 17 6.7 Total Valores 13 6 34 72 125
Necessitado de obras de % 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
limpeza/manutenção 57 22.5
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99
Em bom estado 152 60.1
Total 253 100.0
Não respostas 4
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 No que concerne ao aspecto interior do edifício onde o lar se encontra instalado, a degradação
parece dizer respeito essencialmente a prédios de utilização exclusiva do lar (54% necessita de
A tendência registada no que diz respeito ao aspecto exterior dos edifícios onde se situam os lares de obras estruturais e 50% de obras pontuais) e a edifícios históricos (cerca de 31% e 33% respec-
crianças e jovens reproduz-se no que concerne ao seu aspecto interior: a grande maioria dos lares pro- tivamente). Os edifícios que se encontram em melhor estado no que diz respeito ao seu aspecto
porcionam boas condições de vida no interior das suas casas às crianças e jovens que acolhem (60%), interior dizem também respeito essencialmente a prédios de habitação de utilização exclusiva
ainda que cerca de 23% da totalidade destas instituições necessite de proceder a obras de manu- (64%).
tenção e limpeza no interior dos edifícios que ocupam.
Temos vindo a proceder à caracterização dos edifícios onde os lares de crianças e jovens se encontram
Em relação ao aspecto exterior dos edifícios, a grande alteração na avaliação da qualidade interior dos instalados, em termos do seu estado de degradação, externo e interno. Resta-nos caracterizar o tipo de
edifícios regista-se no que diz respeito à necessidade de obras estruturais: no interior dos edifícios divisões e equipamentos de que estas instituições dispõem. A Figura 10 apresenta-se-nos eluci-
esta necessidade é significativamente mais elevada do que em relação ao seu aspecto exterior (são 27 dativa.
os lares onde esta necessidade é sentida, mais 10 do que os lares onde se sente a necessidade de obras
exteriores estruturais).

28 29
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Figura 10 - Equipamentos e divisões existentes nos lares de crianças e jovens (em %) De facto, na maioria dos lares de crianças e jovens, os quartos são partilhados por entre 4 a 7 crianças
(45,7%), ainda que num número muito significativo de situações, nestes quartos não coabitem mais de
3 crianças e /ou jovens. De mencionar ainda a existência de lares a cujos quartos partilhados podemos
atribuir a designação de camaratas: em 11,8% destas instituições dormem mais de 8 crianças no
mesmo quarto, podendo este número ascender a 18, 19 ou até a 25 crianças.

Quanto aos espaços de ocupação de tempos livres das crianças e jovens acolhidos, refira-se a existência de
salas de convívio em 96% dos lares existentes, de salas de estudo em 90% destas instituições e de espa-
ços de recreio em cerca de 87%. Esta elevada representatividade dos espaços de ocupação de tempos
livres indicia a importância conferida pelas instituições a esta dimensão da vida das crianças e jovens.

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99 Os espaços relativos à alimentação são, nestes lares, a cozinha e a sala de jantar. A primeira existe
em 95% dos casos, constatação que conduz à ilação de que existirão alguns lares (5% do total) que não
confeccionam as refeições nas instalações do lar, assim como existem cerca de 5% destas instituições
Comecemos pelos alojamentos onde as crianças e jovens acolhidos pernoitam: apenas 36% dos lares que não dispõem de sala de jantar. Onde serão, nestes casos, tomadas as refeições?
de crianças e jovens dispõem de quartos individuais; por seu turno, os quartos partilhados são uma
realidade existente em todas as instituições, sem excepção. Se por um lado esta constatação poderia, à Nos lares de crianças e jovens existem também instalações para o pessoal auxiliar da instituição: 24% des-
partida, indiciar alguma negligência pelas questões da privacidade das crianças e jovens acolhidos, por tes lares não dispõem deste equipamento. Onde ficarão, nestes lares, alojadas as pessoas que deveriam acom-
outro lado, a partilha do espaço de dormir é uma realidade presente na maioria das famílias portugue- panhar em permanência as crianças e jovens no lar? Ou não serão estes acompanhados em permanência?
sas. No entanto, em média, nos quartos partilhados nos lares, coabitam 4,9 crianças e/ou jovens, o que
se nos afigura como um número superior ao número médio de crianças a dormirem no mesmo quarto Uma outra constatação interessante diz respeito à existência de quartos de apoio a familiares das
nas famílias portuguesas. crianças e jovens que se desloquem de longe para os visitarem. No sentido de que não sejam
as dificuldades de alojamento o impeditivo para a manutenção de contactos frequentes com as famílias
Quadro 10 - Escalões de crianças em coabitação nos quartos partilhados dos lares de origem, este tipo de equipamento está presente em 31% da totalidade dos lares de crianças e jovens.
Nº % Esta prática, ainda que não generalizada, reflecte linhas de actuação que valorizam a participação da
entre 1 a 3 crianças 79 42.5
entre 4 a 7 crianças 85 45.7 família no projecto de vida da criança ou jovem e a manutenção de laços afectivos.
entre 8 a 10 crianças 13 7.0
entre 11 a 13 crianças 3 1.6
entre 14 a 16 crianças 1 0.5 Apenas cerca de 18% da totalidade dos lares se encontra dotado de acessibilidades para deficien-
mais de 16 crianças 5 2.7
Total 186 100.0 tes, apesar de 134 das 257 instituições deste tipo acolherem, pelo menos, uma criança ou jovem por-
Não respostas 71
tador de deficiência18. No entanto, o derrube das barreiras arquitectónicas seria desejável também para
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99 o acesso a visitantes externos ao lar.

18
Note-se, no entanto, que estes números incluem todo o tipo de deficiência, mesmo aqueles que não exigem o derrube de barreiras arquitectónicas.

30 31
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

No que diz respeito ao número de cada uma destas instalações nos lares de crianças e jovens, refi- de saúde encontram-se próximos destas instituições em cerca de 89% das situações, assim como os
ra-se que, em média, existem cerca de 5 quartos individuais nestas instituições, 10 quartos partilhados; equipamentos desportivos. Restam os equipamentos culturais, próximos dos lares de crianças e
2 salas de convívio, 2 salas de estudo e 2 espaços de recreio em média, por instituição; e cerca de 9 casas jovens em 80% dos casos e os estabelecimento de formação profissional cuja proximidade aos
de banho, 2 cozinhas e 2 salas de jantar por lar. O número médio de gabinetes técnicos nos lares de lares se verifica em cerca de 64% das situações.
crianças e jovens é de 2, assim como a média de quartos de apoio a familiares das crianças e jovens aco-
lhidos. Nestes lares existem ainda, aproximadamente 4 quartos para o pessoal de acompanhamento, 3 2. Recursos humanos no acolhimento de crianças e jovens
espaços para apoio e 3 arrecadações.
A quantidade e características dos recursos humanos de que estas instituições dispõem condicionam o
Caracterizado o espaço físico onde o lar se encontra instalado, resta-nos proceder a uma breve carac- tipo de trabalho que efectuam. Assim, o conhecimento dos meios técnicos e humanos que existem nos
terização do espaço envolvente. Com que tipo de equipamento exterior estas instituições mantém lares de crianças e jovens são um bom indicador do seu funcionamento. Quanto mais elevado for o nível
uma relação de proximidade? técnico das equipas, mais elevado se poderá exigir que seja o projecto educativo da instituição para as
crianças acolhidas.
Figura 11: Proximidades com o lar (em %)
No Quadro 11 faz-se a análise da formação técnica do director do lar, a figura que, legalmente,
desempenha a função de substituição permanente ou temporária dos pais das crianças e jovens, pela sua
idoneidade, experiência e sensibilidade 20.

Que formação têm, então, os directores dos lares de crianças e jovens?

Quadro 11 - Formação académica superior do director do lar


Valores %
Não tem formação
académica superior 33 12.9
Psicologia 10 3.9
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99
Serviço Social 28 11.0
Sociologia 3 1.2
Educação Social 6 2.4
O aspecto que mais se destaca deste panorama de proximidades é que apenas cerca de 3% dos lares Educação de infância 30 11.8
Outra 145 56.9
existentes se encontrarem isolados, sem ter nas suas imediações uma zona habitacional19. A grande Total 255 100.0
maioria destas instituições está enquadrado em áreas residenciais (cerca de 97%), assim como em Não respostas 2
Total 257
zonas onde existem estabelecimentos de ensino (94%) e acessibilidade a transportes públicos Fonte: Inquérito às Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99

(cerca de 93% do total de lares de crianças e jovens dispõem desta facilidade). Os estabelecimentos
O aspecto mais relevante do panorama da formação que detém os directores dos lares de crianças e

19
«Para maior facilidade na inserção das crianças e jovens nas estruturas da comunidade devem os lares estar de preferência localizados na zona habita-
cional de aglomerados urbanos e próximos de estabelecimentos de ensino e de formação profissional.» (Artº. 7 do DL 2/86, de 2 de Janeiro) 20
Cf. Artº 3º do Decreto Lei nº2/86, de 2 de Janeiro.

32 33
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

jovens é o facto de uma percentagem significativa dos responsáveis por estas instituições não terem for- de exclusividade, sendo que os restantes 20% contam com uma dedicação do seu responsável em acu-
mação académica superior (13% do total). Aqueles cuja formação é superior distribuem-se essencial- mulação com outras actividades.
mente pelas áreas da Educação de Infância (12%) e pelo Serviço Social (11%); regista-se também
a existência de directores de lares para crianças e jovens cuja formação se situa na área da Psicolo- Quadro 12 - Relação entre o tipo de dedicação do director ao lar e a dimensão do lar
gia (cerca de 4% do total), da Educação Social (2%) e da Sociologia (apenas 1%). No entanto, o
Tipo de dedicação do Director (a) à Instituição
peso mais significativo no que diz respeito às áreas de formação dos responsáveis pelos lares de infân- Dedicação exclusiva Em acumulação Total
Nº % Nº % Nº %
cia e juventude dizem respeito a outras dimensões de conhecimento. Quais são, então, estas outras Capacidade até 10 crianças 9 4.5% 4 8.0% 13 5.2%
do lar entre 11 a 15 crianças 13 6.5% 10 20.0% 23 9.2%
áreas?
entre 16 e 25 crianças 47 23.6% 8 16.0% 55 22.1%
entre 26 e 35 crianças 28 14.1% 8 16.0% 36 14.5%
entre 36 e 45 crianças 31 15.6% 7 14.0% 38 15.3%
É possível distinguir 6 outras áreas de formação superior dos responsáveis por estas instituições, a entre 46 e 55 crianças 22 11.1% 3 6.0% 25 10.0%
entre 56 e 65 crianças 17 8.5% 17 6.8%
saber: Educação (onde se incluem formações diversas na área da educação infantil, especial e pedago-
entre 66 e 75 crianças 15 7.5% 15 6.0%
gia), Saúde (enfermagem, medicina, farmácia), Humanidades (letras, direito, história), Filosofia/Teolo- entre 76 e 85 crianças 6 3.0% 6 12.0% 12 4.8%
entre 86 e 99 crianças 4 2.0% 4 1.6%
gia, Matemáticas e Engenharia/Arquitectura. Alguns destes lares encontram-se, assim, sob a responsa- entre 100 e 150 crianças 7 3.5% 4 8.0% 11 4.4%
Total 199 100.0% 50 100.0% 249 100.0%
bilidade de indivíduos cuja formação pouco se enquadra no âmbito das ciências da educação ou sociais
e humanas. Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Um outro aspecto importante no que diz respeito ao papel do director destas instituições, para além da De destacar o facto de mais de metade dos lares cujo director exerce as suas funções em acumulação
sua formação, é a sua dedicação ao lar, no que diz respeito ao tempo a este consagrado, pela importân- com outras (56%) acolher mais do que 25 crianças, constatação que se revela indicador de alguma insu-
cia das funções educativas e de tutela que desempenham. ficiência no acompanhamento destas crianças e jovens por parte daquele que é, em termos legais, o res-
ponsável por elas.
Figura 12 - Tipo de dedicação do director do lar (em %)
Quadro 13 - Relação entre o tipo de dedicação do director ao lar e a sua
20
formação académica
Tipo de dedicação do Director (a) à Instituição
Dedicação exclusiva Em acumulação Total
Tipo de dedicação do(a) Director(a) Nº % Nº % Nº %
à instituição
Formação Não tem formação académica
Dedicação exclusiva académica superior 31 15.3% 2 4.0% 33 13.1%
Em acumulação do Psicologia 7 3.5% 3 6.0% 10 4.0%
Director Serviço Social 19 9.4% 9 18.0% 28 11.1%
80 do Lar Sociologia 3 1.5% 3 1.2%
Educação Social 6 3.0% 6 2.4%
Educação de infância 28 13.9% 2 4.0% 30 11.9%
Outra 108 53.5% 34 68.0% 142 56.3%
Fonte: Inquérito às Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Total 202 100.0% 50 100.0% 252 100.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Constatamos que em cerca de 80% destes lares a dedicação do seu director à instituição é em regime

34 35
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

De mencionar, ainda, que os directores de lar cuja dedicação se efectua em regime de acumulação têm com menor relevância estatística (cerca de 12% e 11%, respectivamente)22.
sobretudo outras formações académicas (68%) que, como vimos, se revelaram nem sempre adequadas
à função que desempenham, seguidos dos directores de lar que são técnicos de Serviço Social (18%). No total, encontramos 1124 indivíduos com formação técnica, o que representa um rácio de 4,1 técni-
Em regime de exclusividade exercem as suas funções directores de lar com outras formações académi- cos por lar e de 8,5 crianças por técnico.
cas, também em maioria (53,5%), seguidos dos directores de lar sem formação académica superior
(15,3%), dos educadores de infância ( (13,9%) e dos técnicos de serviço social (9,4%). Em 75% dos lares de crianças e jovens, estas equipas técnicas dos lares beneficiam de formação
promovida pelos lares onde desempenham a sua actividade. Em 63% das situações, esta formação
As tarefas de acolhimento e acompanhamento das crianças e dos jovens que vivem em lar dependem, é promovida em função das necessidades técnicas sentidas pela instituição e em 12% dos lares
não só do trabalho do director do lar como da restante equipa técnica de que a instituição se encon- a promoção e/ou participação em acções de formação depende da iniciativa dos próprios técnicos.
tra dotada. A própria legislação refere expressamente que o responsável pela instituição deve recorrer
ao auxílio de técnicos competentes para o desempenho das suas funções21. Quadro 14 - Promoção pelo lar de formação da equipa técnica
Valores %
Sim, mediante necessidade suscitada pelos próprios 30 12,0
A Figura 13 mostra-nos a composição das equipas dos lares de crianças e jovens por áreas técnicas. Sim, mediante necessidade sentida pelo Lar 158 63,2
Não promove formação 62 24,8
Total 250 100,0
Não resposta 7
Figura 13 - Constituição da equipa técnica do lar (em %)
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Existem, no entanto, cerca de 25% destas instituições que não promovem formação técnica à equipa
com que trabalham em nenhuma circunstância.

O funcionamento quotidiano dos lares de crianças e jovens, ao nível da sua manutenção, refeições, pro-
cedimentos administrativos e outras tarefas depende ainda de outras valências humanas sem formação
técnica específica. A este pessoal auxiliar compete a garantia do atendimento necessário às crianças e
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 jovens durante 24 horas, a garantia da manutenção da higiene, da limpeza do lar e do funcionamento
da cozinha e dos outros serviços de apoio.
As áreas técnicas melhor representadas nestas equipas são as de Psicologia e de Serviço Social:
cerca de 68% dos lares de crianças e jovens têm técnicos de cada uma (ou em ambas, em simultâneo)
destas áreas. Estas instituições contam também com um número significativo de Educadores de
Infância nas suas equipas (47% dos lares de crianças e jovens), bem como de Educadores Sociais
(41%). A Pediatria e a Sociologia são outras áreas técnicas representadas nestas equipas, ainda que

22
No total nacional dos lares de crianças e jovens, registam-se as seguintes médias de técnicos de cada uma das áreas: 0,5 psicólogos; 0,5 assistentes
sociais; 0,3 educadores de infância; 0,2 educadores sociais; 0,1 sociólogos e 0,1 pediatras. Os valores inferiores à unidade explicam-se pela inexistên-
cia de técnicos destas áreas em alguns lares e pela sua reduzida representação nas restantes instituições. Registe-se ainda que dispomos de um déficit
21
Ibidem de informação de cerca de 14%, o que corresponde à falta de informação de 35 lares no que à composição da equipa técnica diz respeito.

36 37
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Figura 14 - Outros membros da equipa do lar (em %) Figura 15 - Observação médica do pessoal do lar pelo menos 1 vez por ano (em %)

47,9 Observação médica do


pessoal do Lar

Sim

Não

52,1

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

A Figura 15 indica-nos que em pouco mais de metade da totalidade dos lares de crianças e jovens
Os elementos auxiliares ao funcionamento dos lares de crianças e jovens situam-se mais frequente- (52%) é exigido à sua equipa, no mínimo, uma observação médica anual. Nas restantes instituições esta
mente ao nível das questões da alimentação e da limpeza: cerca de 81% destas instituições tem cozi- exigência não parece existir.
nheiro(s) na composição da sua equipa e cerca de 77% dos lares contam com o trabalho de auxilia-
re(s) de limpeza para a manutenção das suas instalações. Cerca de 60% dos lares conta com Reforçando esta tendência, a apresentação de comprovativos médicos à sanidade física e psíquica dos
vigilante(s) para o trabalho de acompanhamento das crianças e dos jovens acolhidos, 54% com pes- membros das equipas dos lares de crianças e jovens é obrigatória em apenas cerca de 38% da totali-
soal administrativo e 42% com contabilista(s). Existem ainda lares que incluem na sua equipa pes- dade das instituições, como o demostram a Figura 16.
soal voluntário (36%), motoristas (34%) e ecónomos (19%)23.
Figura 16 - Obrigatoriedade de apresentação de atestado sanitário (em %)
Sendo esta equipa de pessoas, com ou sem formação técnica, quem directa e diariamente lida com as 38,3

crianças e jovens que vivem nos lares, é importante conhecermos que mecanismos são accionados no
Atestado sanitário (físico e psíquico)
sentido de garantir que a sua sanidade, física e psicológica, não ponha em causa o processo de desen-
Sim
volvimento saudável dos jovens acolhidos. Não
61,7

Fonte: Inquérito às Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Os restantes cerca de 62% de lares não exige a apresentação deste comprovativo, pelo que, desta fatia
de instituições, não existe qualquer garantia clínica de que o estado de saúde daqueles que mais dire-
23
As médias de elementos auxiliares existentes no total nacional de lares são ligeiramente superiores à médias referentes às áreas técnicas: 0,8 auxiliares ctamente trabalham com as crianças e jovens acolhidas se adequa às funções que desempenham.
de limpeza; 0,8 cozinheiros; 0,6 vigilantes (ou prefeitos, nos lares da Região Autónoma dos Açores); 0,5 administrativos, 0,4 contabilistas; 0,4 voluntá-
rios; 0,3 motoristas e 0,2 ecónomos.

38 39
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

3. Aspectos jurídico-financeiros dos lares de crianças e jovens Quadro 16 - Registo dos estatutos na DGAS
Nº %
Sim 188 80.7
3.1. Estatutos jurídicos, acordos de cooperação e regulamento interno Não 35 15.0
Foi já solicitada
a inscrição 10 4.3
O Quadro 15 ilustra o panorama nacional no que diz respeito aos estatutos jurídicos dos lares de aco- Total 233 100.0
Não respostas 24
lhimento de crianças e jovens. Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 15 - Estatuto jurídico da instituição


Valores % Apenas 35 destas instituições (15% do total) não registou os seus estatutos na DGAS e, destes, 10 lares
Associações de Solidariedade Social 79 31.2
Associações de Voluntariado de Acção Social 3 1.2 solicitaram já a sua inscrição (4% da totalidade de lares de crianças e jovens).
Fundações de Solidariedade Social 93 36.8
Associações de Socorros Mútuos 3 1.2
Irmandades das Misericórdias 30 11.9 Um aspecto organizativo importante é a adopção ou não de por parte destas instituições de regulamento
Outras entidades sem fins lucrativos 7 2.8
Entidades com fins lucrativos 2 0.8 interno. Por regulamento interno entende-se o conjunto de normas previamente estabelecidas e fixadas
Cooperativa 3 1.2
pelas quais a instituição se rege no seu funcionamento e que é do conhecimento partilhado de todos os que
Entidade pública 33 13.0
Total 253 100.0 convivem no espaço da instituição (crianças e/ou jovens, educadores, auxiliares, etc…)25 .
Não respostas 4
Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Constatamos que em mais de metade (64%) dos 257 lares para crianças e jovens existentes se produ-
ziu documentação que regulamenta o funcionamento da instituição. Os restantes 36% não dispõem de
A grande maioria dos lares de crianças e jovens são Instituições Particulares de Solidariedade regulamento interno.
Social (IPSS): são 208 as instituições acolhimento permanente de crianças e jovens que detém este
estatuto jurídico, o que corresponde a 82% do total. Destes, cerca de 37% são Fundações de Soli- Figura 17 - Adopção de regulamento interno (em %)
dariedade Social; 31% são Associações de Solidariedade Social; 2% são Associações de
35,8
Voluntariado de Acção Social ou Associações de Socorros Mútuos. Existem ainda lares para
crianças e jovens que são Entidades públicas (13%), Outras entidades sem fins lucrativos (cerca Regulamento interno
de 3% do total), Cooperativas (1%) ou ainda Entidades com fins lucrativos (cerca de 1% do total). Sim

Não

A grande maioria dos lares de crianças e jovens tem os seus estatutos registados na Direcção Geral de
Acção Social (DGAS) (81%), como demonstra o Quadro 16. 64,2

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

25
«Cada lar deve ter um regulamento interno onde constem, designadamente os elementos seguintes: a)regras de funcionamento; b) direitos e deveres das
crianças/jovens, nomeadamente no que se refere à sua participação na vida do lar; c) direitos e deveres do pessoal; d) direitos e deveres das crianças/jovens;
24
Estes são as cinco formas previstas de que se podem revestir as Instituições Privadas de Solidariedade Social (Decreto-Lei nº 119/83, de 25 de Janeiro, e) horário e períodos de funcionamento; f) fixação de ementas; g) garantir que os medicamentos e produtos tóxicos sejam manipulados apenas por pessoal
Artº. 2). responsabilizado para o efeito; h) sistema de comparticipação das famílias crianças/jovens.» (DGAS: s.d.)

40 41
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Os motivos apresentados por estas instituições para a não adopção de regulamento interno são diver- Se as receitas próprias dos lares não assumem pesos significativos no total dos orçamento financeiros
sos: existem lares que, apesar de não disporem deste dispositivo, consideram-no importante colocando dos lares de crianças e jovens, o mesmo não se verifica no que diz respeito ao financiamento pela via
a hipótese da sua elaboração; outros apresentam o recurso a outros documentos, que funcio- dos subsídios inerentes aos acordos de cooperação, como se pode ver pelo Quadro 18.
nam como “substitutos” do regulamento interno (os estatutos da instituição ou da congregação religio-
sa a que pertence- no caso das instituições canonicamente erectas, ou o “Projecto Educativo” do lar); Quadro 18 - Escalões de percentagem dos acordo de cooperação
outros lares existem cuja justificação apresentada para a não adopção de regulamento interno reside na Valores %
discordância acerca da sua pertinência, posição que decorre da filosofia de funcionamento destas entre 0% e 25% 20 9.3
entre 26% e 50% 20 9.3
instituições, que visam a reprodução do modelo familiar. entre 51% e 75% 65 30.2
entre 76% e 99% 91 42.3
100% 19 8.8
3.1.1. Apoios financeiros Total 215 100.0
Não respostas 42
Total 257

Outro aspecto organizacional importante neste contexto é a questão dos apoios financeiros à institui- Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

ção, que podem assumir a forma de receitas próprias, de financiamentos oriundos dos acordos de coo-
peração, ou podem ainda ser outras fontes de financiamento. De facto, cerca de 73% dos lares de crianças e jovens sustenta-se em mais de 75% do total nacional
por via dos acordos de cooperação, sendo irrelevante a percentagem de lares para quem esta fonte de
O Quadro 17 permite-nos concluir que para a maioria dos lares de crianças e jovens (82% do total) financiamento apenas representa menos de metade da totalidade dos recursos financeiros do lar (cerca
as receitas próprias assumem um peso de entre 0 e 25% do total do seu financiamento. de 17%). Registe-se ainda a existência de 19 destas instituições cuja sobrevivência em termos econó-
micos depende na totalidade dos respectivos acordos de cooperação.
Quadro 17 - Escalões de percentagem de receitas próprias
Valores % Os acordos de cooperação dos lares de crianças e jovens são maioritariamente acordos típicos (cerca de
entre 0% e 25% 152 82.2
82%), representando a atipicidade dos acordos apenas cerca de 7% da totalidade26. Há ainda que con-
entre 26% e 50% 20 10.8
entre 51% e 75% 5 2.7 siderar a existência de 3 lares de crianças e jovens cujo acordo se classifica de gestão27 e 10% da tota-
entre 76% e 99% 3 1.6
100% 5 2.7 lidade dos lares que detém outro tipo de acordo de cooperação.
Total 185 100.0
Não respostas 72
Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

As receitas próprias assumem uma importância de mais de 75% no bolo de financiamento para apenas
4% dos 257 lares existentes, o que corresponde a apenas 8 lares.

26
Acerca da natureza dos acordos de cooperação entre as Instituições Privadas de Segurança Social e a Direcção Geral de Segurança Social vide Despa-
cho Normativo n.º 75/92.
27
«Os acordos de gestão visam confiar às instituições a gestão de instalações, serviços e estabelecimentos que devam manter-se afectos ao exercício das acti-
vidades do âmbito da acção social (…).» (Despacho normativo n.º 75/92, Norma IV)

42 43
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 19 - Modalidade dos acordos de cooperação Quadro 21 - Crianças a frequentar o lar gratuitamente
Nº % Nº %
Acordo de gestão 3 1.4 nenhuma criança 6 2.8
Acordo típico 174 81.7 entre 1% a 25% das crianças acolhidas 21 9.7
Acordo atípico 14 6.6 entre 26 a 50% das crianças acolhidas 9 4.1
Outra 22 10.3 entre 51 a 75% das crianças acolhidas 30 13.8
Total 213 100.0 entre 76 a 99% das crianças acolhidas 102 47.0
Não respostas 44 todas as crianças acolhidas 49 22.6
Total 257 Total 217 100.0
Não respostas 40
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

No que diz respeito a outras fontes de financiamento não especificadas, na totalidade do orçamento des-
tas instituições, assumem um peso idêntico ao financiamento proveniente de receitas dos próprios lares: Mais de metade dos lares de crianças e jovens (69,6%) têm mais de três terços das suas crianças aco-
para cerca de 83% da totalidade dos lares de crianças e jovens estas fontes de financiamento indeter- lhidas de forma gratuita, sendo que 13,8% destas instituições acolhe gratuitamente entre 51% e 75%
minadas representam até metade do orçamento da instituição. das crianças que nela vivem. Existe ainda um número significativo de lares (16,6% do total) nos quais
menos de metade das crianças acolhidas vivem no lar sem qualquer contribuição da sua família28.
Quadro 20 - Escalões de percentagem de outras fontes de financiamento

Nº %
3.1.2. Valências das instituições
entre 0% e 25% 114 60.3
entre 26% e 50% 43 22.8
entre 51% e 75% 4 2.1 Atentemos agora nas valências que estas instituições têm em funcionamento29.
entre 76% e 99% 19 10.1
100% 9 4.8
Total 189 100.0 Figura 18 - Valências das instituições (em %)
Não respostas 68
50
Total 257 49,4

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 40


38,5 36,8
30 34,4
27,9
25,9
Uma das possíveis fontes de financiamento dos lares de crianças e jovens não especificadas (que não 20
17,4
13,4
resultam nem de fontes próprias nem dos acordos de cooperação) é a contribuição financeira por parte 10

4
das famílias de origem das crianças acolhidas. 0

Lar feminino Lar masculino


Lar misto Jardim de infância
Actividades Tempos Livres Centro de Dia
Lar de Idosos Centro de Actividades
Outras Ocupacionais
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

28
De referir que, no momento da recolha dos dados, os inquiridores consideraram o abono familiar enquanto prestação familiar, de acordo com o critério
que se trata de uma prestação dirigida à família no seio da qual reside uma.
29
«Sempre que possível, devem funcionar nos lares outras valências que sejam compatíveis com as suas finalidades e susceptíveis de beneficiar os seus
utentes e a comunidade em geral». (Artº 6 do DL 2/86, de 2 de Janeiro)

44 45
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

A valência mais representada em termos percentuais nestas instituições é o lar feminino: cerca de 50% de cooperação. Por outro lado, sem acordo de cooperação, os lares de crianças e jovens encontram-se
das instituições que têm a valência lar de crianças e jovens têm em funcionamento lares para rapari- a funcionar em situação de relativa autonomia o que, em situações extremas, pode implicar risco para
gas30. Segue-se a valência lar misto com representatividade de cerca de 39% no conjunto das institui- as crianças e jovens acolhidos, cujas condições de vida não são observadas por avaliadores externos.
ções, seguida dos jardins de infância (37%) e dos lares masculinos (34%). As Actividades de Tempos
Livres têm um peso de cerca de 26% e os lares de idosos existem em cerca de 17% das instituições. Os 3.1.2.1. Área geográfica de influência do lar de crianças e jovens
Centros de Dia e os Centros de Actividades Ocupacionais encontram-se também representados no con-
junto das instituições de acção social em 13% e 4% das situações, respectivamente. No que diz respeito aos critérios geográficos no acolhimento de crianças e jovens, a norma generaliza-
da parece ser a da diversidade concelhia, i.e. a grande maioria das instituições acolhe crianças e jovens
O Quadro 22 permite-nos aferir a percentagem de cada valência que não tem celebrado acordo de oriundos de outros concelhos ou de outras freguesias (cerca de 28% do total) que não aqueles onde o
cooperação com a Segurança Social. lar se situa (69%).

Quadro 22 - Valências das instituições e respectivos acordos de cooperação Quadro 23 - Área geográfica de influência do lar
Nº de valências Nº de valências c/ Ac. de Cooperação % Nº valências s/ Ac. Cooperação %
Valores %
Lar de crianças e jovens 302 225 74.5 77 25.5
Exclusivamente a freguesia onde está inserida 8 3.6
Jardim de infância 91 76 83.5 15 16.5
Totalidade do concelho 62 27.8
Actividades Tempos Livres (ATL) 64 49 76.6 15 23.4
Outros concelhos para além do concelho em que está inserido 153 68.6
Centro de dia 33 26 78.8 7 21.2
Total 223 100.0
Lar de Idosos 43 33 76.7 10 23.3
Não respostas 34
Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) 10 7 70.0 3 30.0
Total 257
Outras 69 55 79.7 14 20.3

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Assim, verificamos que as valências que menos celebram acordos de cooperação são os lares para Existem, no entanto, lares que apenas acolhem jovens residentes na freguesia onde o lar se encontra
crianças e jovens (25% destes lares funciona sem acordo de cooperação) e os Centros de Actividades instalado, ainda que não apresentem peso estatístico relevante (cerca de 4%).
Ocupacionais (30% funciona sem acordo de cooperação).
Descritos os aspectos que emolduram e condicionam o funcionamento de uma instituição (a saber: os
No que à problemática dos lares de crianças e jovens importa reter é que, apesar de os lares femininos espaços, ao nível das instalações e dos equipamentos disponíveis; os recursos técnicos e humanos para
serem a valência que mais funciona sob acordo (apenas para 16% destes lares não foi celebrado acor- o trabalho de acolhimento e acompanhamento dos projectos de vida das crianças e jovens acolhidas; os
do de cooperação), tanto os lares mistos como os lares masculinos apresentam um déficit de 33% e 31%, aspectos jurídico-financeiros das instituições, que enformam o seu funcionamento), iniciamos agora
respectivamente, no que diz respeito à celebração do acordo de cooperação para o seu funcionamento. uma digressão pela trajectória percorrida por uma criança ou por um jovem nos meandros do acolhi-
Esta constatação pode ser indicador da fragilidade de condições em que os lares de crianças e jovens mento institucional, desde a fase da sua admissão até à altura da autonomização e auto-suficiência
funcionam, sem os apoios financeiros regulares por parte da Segurança Social que derivam do acordo (que, por norma, coincide com a entrada na vida adulta), passando pela análise das características das
condições de vida que os lares proporcionam às crianças e jovens que acolhem.

30
Recorde-se que 54% das crianças e jovens acolhidas em lar são raparigas (5060, no total), sendo os restantes 45% do sexo masculino (4222 rapazes)
(vide Crianças e Jovens que vivem em lar: Caracterização Sociográfica e Percursos de Vida, p. 22.)

46 47
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

4. O processo de admissão das crianças e jovens ção ao acolhimento é o sexo, facto de decorrerá da facilidade de acomodamento das crianças e jovens
em camaratas (que, como vimos, é a forma mais frequente de acolhimento nestas instituições). Esta
De que forma são as crianças e jovens admitidos nestas instituições? Sob que critérios? Que metodo- constatação impõe-nos, no entanto, uma reflexão acerca dos modos de funcionamento dos lares de
logias de acolhimento são adoptadas? Que impacto terá a forma como as crianças e jovens são acolhi- crianças e jovens. É que, de facto, o objectivo deste tipo de instituição de reprodução dos ambientes
das nos lares, no que concerne ao seu bem-estar e à adaptação ao seu novo meio de vida? familiares fica, à partida, posto em causa com a adopção do critério género enquanto seleccionador das
admissões. Nas famílias, os dois géneros convivem dentro do mesmo espaço doméstico, entre irmãos
São estas algumas das questões que tentaremos discutir neste capítulo. e/ou os membros do casal. Admitindo os lares apenas crianças de um dos géneros, fica-lhes coartado o
convívio doméstico com crianças de género diferente, o que implica alguma limitação no favorecimen-
4.1. Critérios e normas no acolhimento das crianças e jovens to de referências afectivas diversificadas. Por outro lado, este critério indicia que as fratrias que
incluem os dois géneros tenham que ser separadas aquando do acolhimento em lar32. Refira-se, contu-
Pela limitação física dos espaços para o acolhimento, por um lado, e da capacidade técnica e humana do, que cerca de 39% das instituições de acolhimento para crianças e jovens acolhem ambos os géne-
de acompanhamento das situações e dos projectos de vida das crianças e jovens acolhidos, por outro, ros33.
parece ter-se tornado uma necessidade destas instituições a definição de critérios para a admissão que
permitam seleccionar os perfis dos jovens acolhidos. Em segundo plano, surge o tipo de problemática enquanto critério seleccionador do acolhimento das
crianças e jovens em lar: em 25% destas instituições este é o principal filtro para a selecção. Apesar
Atentemos, assim, nas prioridades definidas pelas instituições para a admissão das crianças e dos de encontrarmos a explicação para este facto no potenciar dos recursos técnicos disponíveis, de novo
jovens no seu seio. nos parece poder este critério fazer incorrer no perigo de limitar as referências das crianças e jovens
acolhidos em lar aos pares que vivenciaram o mesmo tipo de problemática que eles próprios.
Figura 19 - Primeiro critério de admissão das crianças e jovens no lar (em %)
Em seguida, ainda que com pouca representatividade estatística (apenas 7%), encontramos outros cri-
60

54,6 térios não especificados para a admissão das crianças e dos jovens no lar, que vão desde o grau de
50
emergência da situação, à inexistência de deficiências graves na crianças ou jovem a acolher34 ou ao facto
40
de se tratar de decisão judicial, até à simples existência de vaga que permita o acolhimento.
30

20 25,0
Em 5% dos lares de crianças e jovens, o principal critério de admissão é a existência prévia na insti-
10
6,7
tuição de outros familiares35 acolhidos, no sentido se manterem e favorecerem as relações afectivas
4,6 5,0 4,2
0
e laços com as trajectórias passadas; seguem-se-lhe o escalão etário36 e a residência na área onde
Sexo Escalão etário Outros familiares
Residência na área Tipo de problemática Outro critério
o lar se situa (com 5% e 4%, respectivamente do conjunto dos primeiros critérios de admissão). Rela-
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 32
Refira-se, no entanto, a existência de 32 lares que adoptam o sexo apenas como 5º critério de admissão e 2 instituições em que este surge em 6º lugar
no ranking de critérios de admissão.
33
«Os lares devem de preferência ser mistos e em qualquer caso propiciar convívio com crianças, jovens e adultos de ambos os sexos» (Artº 5 do DL nº2/86,
de 2 Janeiro)
Em mais de metade dos lares de crianças e jovens (cerca de 55% do total31), o primeiro critério de selec- 34
Note-se, no entanto, que a deficiência é critério de admissão noutros lares, particularmente vocacionados para estas problemáticas.
35
A existência de outros familiares acolhidos na instituição é o principal 3º critério de admissão em lar, com um peso de cerca de 38% do total de lares.
36
No que diz respeito à idade enquanto critério de admissão das crianças e jovens em lar, refira-se que, apesar de se encontrar em 4º lugar nos primeiros
critérios adoptados pelos lares de crianças e jovens para a sua admissão, enquanto segundo critério de admissão encontra-se em 1º lugar com 80% dos
31
Desconhecem-se os critérios de admissão de 17 lares de crianças e jovens. casos.

48 49
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

tivamente a estes dois últimos critérios, parecem-nos limitadores no que ao desenvolvimento das crian- Em virtude das limitações de acolhimento (de espaço e no que diz respeito a capacidade técnica) rela-
ças e jovens acolhidos diz respeito: o primeiro porque limita as suas referências afectivas; o último por- tivamente às necessidades sociais, em cerca de metade dos lares de crianças e jovens (i.e. em 128 lares)
que condiciona o funcionamento do sistema nacional de acolhimento, que se pretende que funcione à existem listas de espera39.
escala nacional. Refira-se, por outro lado, que a admissão de crianças e jovens apenas da área geográ-
fica onde o lar se situa nos parece poder favorecer o relacionamento e a proximidade entre os jovens e Figura 20 - Existência de lista de espera no lar (em %)
as suas famílias de origem.

Os critérios de admissão de crianças e jovens nos lares não se encontram, na maioria das situações (em 49,2 Existe lista de espera?
Sim
cerca de 69% das situações)37, registados nos estatutos da instituição, como demostra o Quadro 24.
Não

50,8
Quadro 24 - Critérios de admissão registados nos estatutos da instituição
Valores %
Sim 68 31.1
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Não 151 68.9
Total 219 100.0
Não respostas 38
Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Quantas crianças aguardam, afinal, entrada nos lares? Isto é, a quantas crianças dizem respeito estas
listas de espera?
No que diz respeito ao seu registo nos regulamento do lar, o panorama altera-se: metade dos lares de
crianças e jovens tem os critérios por que rege a admissão das crianças e jovens registados no seu regu- Quadro 26 - Número de crianças em lista de espera nos lares
lamento38. Valores %
entre 1 e 10 crianças 63 52.9
entre 11 e 20 crianças 20 16.8
Quadro 25 - Critérios de admissão registados no regulamento do lar entre 21 e 40 crianças 7 5.9
entre 41 e 60 crianças 4 3.4
Valores % entre 61 e 80 crianças 2 1.7
Sim 114 50.2 entre 81 e 100 crianças 3 2.5
Não 113 49.8 mais de 100 crianças 20 16.8
Total 227 100.0 Total 119 100.0
Não respostas 30 Não respostas 138
Total 257 Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

A leitura do Quadro 26 permite concluir que para cerca de 53% dos 119 lares dos quais obtivemos
resposta a lista de espera não excede as 10 crianças e/ou jovens. Em seguida, surgem, em termos de
37
Os lares da Região Norte são aqueles onde maioritariamente se encontra o registo dos critérios de admissão nos estatutos da instituição (49% do total
de lares desta região).
38
«A admissão das crianças e jovens em lares, bem como a implantação e o funcionamento destes equipamentos, qualquer que seja o seu suporte jurídi-
co-institucional, ficam sujeitos a regulamentos a aprovar por portaria do Ministro do Trabalho e da Segurança Social, ouvidas as uniões das instituições
particulares de solidadariedade social.» (Artº 8 do DL nº2/86, de 2 de Janeiro). 39
Refira-se que não temos resposta relativa à existência de lista de espera de 5 lares de crianças e jovens.

50 51
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

relevância estatística, as listas de 11 a 20 crianças e de mais de 100 crianças com 17% do total40. Os A Figura 21 mostra-nos que no acompanhamento efectuada pelos lares de crianças e jovens, em 90%
lares de crianças e jovens cujas listas de espera incluem entre 21 e 100 crianças e jovens representam das situações, a instituição envolve a família das crianças e jovens acolhidos durante o período de per-
cerca de 14% do total. manência na instituição. No momento da admissão no lar, em 72% das instituições existe também o
envolvimento da família das crianças ou jovens admitidos; no momento da saída do lar, o envolvimen-
Quadro 27 - Número de crianças em lista de espera nos lares to das famílias de origem verifica-se em cerca de 68% das situações.
em função da lotação dos mesmos
Lotação do lar Figura 21 - Envolvimento da família nas três fases do acolhimento (em %)
sobrelotação sobrelotação entre 1 a entre 6 a entre 11 a entre 21 a
entre 5 a 9 entre 1 a 4 ocupação 5 vagas 10 vagas 20 vagas 46 vagas 100
crianças/jovens crianças/jovens total do lar no lar no lar no lar no lar Total
90,4
71,8
Lista de espera

entre 1 e 10 crianças Nº 3 2 10 7 5 7 1 35
% 8.6% 5.7% 28.6% 20.0% 14.3% 20.0% 2.9% 100.0% 50 67,5
entre 11 e 20 crianças Nº 2 4 1 3 10
% 20.0% 40.0% 10.0% 30.0% 100.0%
entre 21 e 40 crianças Nº 1 2 1 2 6 0
% 16.7% 33.3% 16.7% 33.3% 100.0%
entre 41 e 60 crianças Nº 1 1 2
% 50.0% 50.0% 100.0% Envol. Família durante o acolhimento/admissão
entre 61 e 80 crianças Nº 2 2 Envol. Família durante a permanência
% 100.0% 100.0% Envol. Família após saída do lar
entre 81 e 100 crianças Nº 1 1 1 3
% 33.3% 33.3% 33.3% 100.0% Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
mais de 100 crianças Nº 9 8 2 19
% 47.4% 42.1% 10.5% 100.0%
Total Nº 3 5 23 23 10 9 4 77
% 3.9% 6.5% 29.9% 29.9% 13.0% 11.7% 5.2% 100.0% No que se refere, globalmente, ao envolvimento da comunidade nos três momentos do acolhimento de
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 crianças e jovens em lar, verifica-se que este ocorre em 96% das situações durante a permanência na
instituição. O envolvimento da comunidade durante o período de admissão assume peso estatístico
Se cruzarmos, porém, esta informação com a lotação dos lares verificamos que grande parte destas lis- idêntico ao seu envolvimento no que diz respeito ao momento após a saída do lar (47% da totalidade
tas de espera correspondem, como demonstra o Quadro 27, a lares nos quais existiam vagas para aco- dos lares).
lhimento, o que torna as mencionadas listas, de algum modo, inexplicáveis.
Figura 22 - Envolvimento da comunidade nas três fases do acolhimento (em %)
No que diz respeito às normas e princípios adoptadas pelas instituições no que diz respeito ao 100
acolhimento de crianças e jovens, há que considerar, como indicador do tipo de acompanhamento 96,3

que é efectuado, a articulação feita com as diversas entidades implicadas. Comecemos pela família e 50
47,8 47,9
pela comunidade envolvente ao lar, tendo em conta as três fases que é possível identificar no acolhi-
0
mento institucional de crianças e jovens: a admissão das crianças em lar, o período de permanência em
lar e a autonomização com a saída do lar. Em seguida debruçar-nos-emos sobre a articulação existente Envol. Comunidade durante o acolhimento/admissão
Envol. Comunidade durante a permanência
entre os lares de crianças e jovens e a Segurança Social e entre os primeiros e o Tribunal. Envol. Comunidade após saída do lar
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

40
Refira-se que a totalidade dos lares de crianças e jovens que têm listas de espera com mais de 100 crianças e jovens (19 lares no total) se situam na
Região de Lisboa e Vale do Tejo.

52 53
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Sendo central para a análise do processo de acolhimento das crianças e jovens em lar os níveis de No que diz respeito ao Tribunal, a tendência inverte-se: a maioria dos lares não participa o acolhimen-
envolvimento da família e da comunidade neste processo, é ainda importante compreender a articula- to de crianças e jovens por iniciativa particular (56%)42.
ção que os lares de crianças e jovens estabelecem, quer com a Segurança Social, quer com os Tribu-
nais. 4.2. Como é efectuado o acolhimento das crianças e jovens nos lares?

Nas situações em que o acolhimento institucional é solicitado pela família ou pela comunidade, à Segu- O conceito de “acolhimento” parece ter, na perspectiva dos responsáveis pelas instituições de acolhi-
rança Social é comunicada admissão da criança e/ou jovem no lar? mento de crianças e jovens, entrevistadas durante o processo de inquirição, percepções diversas, que
vão da confinação do acolhimento ao momento da admissão da criança ou jovem na instituição até uma
Quadro 28 - Comunicação à Segurança Social do acolhimento de crianças perspectiva continuada de permanência na instituição que se centra no acompanhamento que esta pres-
e jovens em lar por iniciativa da família ou da comunidade ta às crianças e jovens que acolhe43. É tendo em conta estas divergências conceptuais que analisare-
Valores % mos os procedimentos adoptados nas instituições no que diz respeito aos acolhimento das crianças e
Sim 149 66.5
dos jovens no seu seio.
Não 75 33.5
Total 224 100.0
Não respostas 33
Total 257 Outra dimensão na análise do modo como o acolhimento é feito nos lares de crianças e jovens é o
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 nível de definição e de estruturação dos procedimentos que devem ser tomados quando é acolhida
uma criança na instituição. É, de facto, possível distinguir, do discurso dos responsáveis pelas ins-
Quadro 29 - Comunicação ao Tribunal do acolhimento de crianças e jovens tituições, lares de crianças onde estes procedimentos se encontram definidos e estruturados em
em lar por iniciativa da família ou da comunidade documentação (capítulos do regulamento, manuais de acolhimento etc.) ou em estruturas de apoio
Valores % (equipas especificamente vocacionadas para o acolhimento, por exemplo), ainda que representem a
Sim 91 44.0
Não 116 56.0 minoria das situações.
Total 207 100.0
Não respostas 50
Total 257 Finalmente, é possível estabelecer uma tipologia dos procedimentos de acolhimento das crianças e dos
Fonte: Inquérito às Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 jovens no lar. Refira-se que esta tipologia de procedimento de acolhimento por nós definida é perpas-
sada pelas restantes dimensões referenciadas, quer no que diz respeito ao acolhimento tendo em conta
Em cerca de 67% dos lares de crianças e jovens, esta comunicação à Segurança Social é feita41. Nos a dimensão tempo, quer no que diz respeito ao grau de definição dos procedimentos a este nível.
restantes lares (cerca de 34%) esta participação é negligenciada, o que pode ser indício da falta de arti-
culação entre as duas entidades.

42
As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e dos Açores são aquelas onde a maioria das situações de solicitação de acolhimento por iniciativa particular são
comunicadas ao Tribunal (36% contra 23% e 10% contra 5%, respectivamente). Lisboa e Vale do Tejo é a região, por comparação nacional, onde os lares
mais frequentemente comunicam ao Tribunal estas admissões. Registe-se ainda que nos lares da Madeira e do Algarve esta participação não é efectua-
41
Os lares que não comunicam à Segurança Social o acolhimento de crianças e jovens por solicitação da família ou da comunidade situam-se, maiorita- da por nenhuma instituição.
riamente, nas regiões Norte (40% do total de lares que adoptam este tipo de procedimento), Lisboa e Vale do Tejo (27%) e Centro (18% do total dos lares 43
Recorde-se que, no questionário que serviu de suporte a este inquérito, a questão relativa à forma como o acolhimento é efectuado na instituição foi con-
que não efectuam esta participação). Apenas na região do Algarve esta ausência de participação não se verifica em nenhum lar de acolhimento de crian- cebida por forma a permitir respostas livres, resultantes dos discursos dos entrevistados os directores dos lares. É da análise dos seus discursos que agora
ças e jovens. damos conta.

54 55
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 30 - Tipologia dos procedimentos de acolhimento adoptados O terceiro tipo de acolhimento é aquele que se centra na integração pela normatividade45, i.e. cuja prin-
pelos lares de crianças e jovens cipal preocupação no acolhimento é a transmissão das regras de funcionamento da instituição aos
Tipologia de Acolhimento recém-chegados. Representa 13% neste universo.
Acolhimento Normativo
Acolhimento Técnico
Acolhimento Familiar
Com um peso de 10% , outros lares existem que não têm definidos os procedimentos a adoptar no aco-
Acolhimento ‘Individualizado’
Acolhimento com Acompanhamento da Família lhimento das crianças e jovens.
Acolhimento de Integração no Grupo

Alguns lares (cerca de 5%) definem os procedimentos que adoptam para acolher as crianças e jovens
No espectro dos lares portugueses, a descrição dos procedimentos de acolhimento adoptados parecem como flexíveis e “personalizados”, adaptados às necessidades de cada um. Esta definição suscita-nos a
centrar-se maioritariamente em questões técnicas (entrevistas técnicas, estudos e diagnósticos psicoló- dúvida: significará esta indefinição de procedimentos ausência de reflexão ou corresponderá a uma
gico, social, de saúde das situações) e na integração das crianças e jovens no grupo (entendido como o efectiva preocupação de adequar os procedimentos de acolhimento às características de cada criança
conjunto da comunidade acolhida e da equipa de acompanhamento). A Figura 23 mostra-nos que o ou jovem?
acolhimento no lar centrado em questões técnicas tem um peso de cerca de 36% no total e que o tipo
de acolhimento centrado na preocupação de integração no grupo representa 31%. Um outro tipo de acolhimento existente é o que é efectuado ao mesmo tempo que se acompanha a famí-
lia de origem da criança ou jovem que se está a acolher. Este acontece em apenas 3% dos lares, embo-
Figura 23 - Tipos de acolhimento efectuados pelos lares de crianças e jovens44 (em %) ra seja uma prática que visa aproximar a família à instituição que a vai substituir no que diz respeito
40 ao encaminhamento e à vida quotidiana.

35,8
30
31,1 Com um peso estatístico idêntico, regista-se a existência de um outro tipo de acolhimento, que nos
20 surge como uma variante ao acolhimento de integração no grupo, cujo objectivo é integrar a criança ou
jovem «como se de uma família se tratasse».
10 12,6
9,9
2,6 4,6 3,3
0 4.3. Constituição dos processos individuais

Ac. Normativo Ac. Técnico


Ac. Familiar Ac. “Personalizado” O acolhimento em lar, enquanto medida institucional, apresenta características específicas: por um
Ac. c/ Ac. Família Integ. Grupo
Sem procedimentos específicos lado, na generalidade das situações, acolhem-se crianças e jovens em número superior à média de
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 filhos por família, o que dificulta o conhecimento aprofundado das características de todas as crianças
e jovens acolhidas; por outro lado, poderá existir nestas instituições uma eventual rotatividade dos edu-
cadores e responsáveis por esta instituição. Por estes dois factores, quisemos conhecer a forma como o

44
De salientar que estes valores dizem respeito a respostas dadas por apenas 151 lares. As respostas das restantes 106 instituições ou são inexistentes ou 45
As regras e normas vigentes na instituição, assim como o processo de integração no grupo, pode ser da responsabilidade, tanto dos técnicos como de
revelaram-se inadequadas, em termos do seu conteúdo, à questão colocada. outras crianças, normalmente mais velhas.

56 57
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

registo das características dos jovens acolhidos é efectuado. Quadro 31 - Local de arquivo dos processos individuais
Valores %
Em local de acesso
Antes de mais, este registo é prática corrente nestas instituições? A resposta a esta questão encontra-
aos funcionários do lar 16 6.5
mo-la na Figura 24 46. Em local de acesso reservado
apenas a técnicos do lar 170 69.1
Em local de acesso reservado
apenas ao director do lar 56 22.8
Figura 24 - Existência de processos individuais (em %)
Não sabe/não se aplica 4 1.6
4,1 Total 246 100.0
Não respostas 11
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Existem processos Individuais?
Sim

Não Noutros lares, os processos individuais encontram-se arquivados em local de acesso reservado apenas
ao director do lar (cerca de 23% da totalidade dos lares); noutros lares, no entanto, os processos indi-
viduais encontram-se arquivados em locais de acesso a todos os funcionários do lar (cerca de 7% do
95,9 total de lares).
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

A responsabilidade de utilização e de manuseamento dos processos individuais surge-nos como outra


A expressiva maioria dos lares de crianças e jovens adopta a constituição da informação relativa às dimensão indicadora do grau de confidencialidade conferida às situações registadas nos processos indi-
características das crianças acolhidas em processos individuais (96% do total de lares). Existem, no viduais.
entanto, 10 lares que não o fazem, valor que, apesar da fraca representatividade estatística (apenas 4%)
merecerá alguma atenção no sentido de se compreender os motivos na origem da dispensa de tal medi- Quadro 32 - Responsabilidade de utilização dos processos individuais
da.
Valores %
Do director do lar 95 38.9
Dos técnicos que acompanham
Os processos individuais das crianças e jovens acolhidos nos lares encontram-se arquivados maiorita- individualmente cada processo 142 58.2
riamente em local de acesso reservado apenas aos técnicos que com eles lidam directamente (69%), sem Não existe uma responsabilidade
individualizada 4 1.6
que o director ou outro pessoal auxiliar da instituição a eles possam aceder. Esta metodologia de res- Não sabe/não se aplica 3 1.2
Total 244 100.0
trição do acesso à informação confidencial contida nos processos individuais visa assegurar a preser- Não respostas 13
vação da privacidade das crianças acolhidas. Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Sendo os técnicos do lar aqueles que de forma mais representativa têm acesso aos processos individuais
das crianças e jovens acolhidos, é também a estes que maioritariamente (58%) se encontra acometida
a responsabilidade de manuseamento e utilização dessa informação, segundo um critério de proximi-
46
Recorde-se que foi com base nos processos individuais das crianças e jovens acolhidos em lar que a sua caracterização foi feita.

58 59
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

dade. De seguida, encontramos o director do lar como entidade responsável pelo manuseamento dos certidões de nascimento, de baptismo, de óbito dos pais, certificados de habilitações e diplomas, cédu-
processos individuais (cerca de 40% do total dos lares). Refira-se ainda a existência de quatro lares las militares e de baptismo, etc… Finalmente, os relatórios de situação são documentos relativos a
que não atribuem responsabilidade individualizada no que a esta questão diz respeito47. decisões judiciais (confiança judicial, medidas tutelares, sentenças judiciais), às situações escolar,
pedagógica e psicológica do menor, a questões de saúde (análises e outras informações clínicas, recei-
Constata-se que os processos individuais das crianças e jovens acolhidos em lar, para além das fichas tas médicas).
de identificação que contém os seus elementos de caracterização sociográfica, contém ainda outros
documento apensos que dizem respeito à situação das crianças e jovens. 5. Normas e dinâmicas de funcionamento: a organização e o acom-
panhamento
Assim, em 96% dos lares de crianças e jovens encontra-se a cédula pessoal da criança apensa ao seu
processo; 89% das instituições anexa o boletim de saúde e 87% dos lares anexa o relatório social. Em 5.1. Normas de funcionamento
55% dos lares de crianças e jovens, os processos individuais contém fichas com dados de identificação
das crianças acolhidas. As normas de funcionamento de uma instituição reflectem os princípios e os objectivos do seu funcio-
namento, quer no que diz respeito aos seus níveis de abertura à comunidade e à família, quer no que
Figura 25 - Documentos apensos ao processo individual das crianças e jovens acolhidos (em %) concerne ao tipo de acompanhamento prestado às crianças e jovens acolhidos.
Ficha
identificação
da criança/jovem
Outros 55
76 Atentemos, assim, nas normas que definem o uso do telefone e da correspondência enquanto
garantias da manutenção do contacto das crianças e jovens acolhidos nestas instituições com a reali-
Cédula dade afectiva exterior.
pessoal
96
Relatório
social
87 Também as regras que balizam o uso e a distribuição de dinheiro de bolso pelas crianças e os jovens
acolhidos são bons indicadores da filosofia pedagógica adoptada por estas instituições.
Boletim
de saúde
89

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Analisaremos ainda a vigilância que é garantida às crianças e jovens acolhidas durante o período no-
cturno e aos fins-de-semana, em instituições cujo objectivo genérico é o acompanhamento de crianças
Os processos individuais das crianças e jovens que vivem em lar contém ainda outros documentos e jovens que, por se encontrarem desprovidos de meio familiar, necessitam de uma entidade que o subs-
apensos. É possível categorizá-los em documentos de natureza pessoal, documentos de identificação e titua.
relatórios de situação. Nos primeiros, incluem-se fotografias, dados de identificação dos pais, corres-
pondência e outros documentos que se reportam à história pessoal de cada criança e jovem acolhido. 5.1.1. Telefone, correspondência, dinheiro de bolso
Os documentos de identificação são, neste contexto, Bilhetes de Identidade, Cartões de Contribuinte,
de beneficiário da Segurança Social (do próprio e dos pais), de eleitor, de utente do sistema de saúde, O uso do telefone é a forma mais directa de contacto com a realidade externa ao lar de acolhimento,
seja esta realidade a família de origem ou os amigos.
47
«O processo individual da criança ou do jovem está sob a guarda da direcção e a ele só tem acesso quem detenha o exercício do poder paternal ou a
tutela ou que, no interesse da criança ou do jovem, seja autorizado pelo tribunal ou pela direcção.» (Artº 4º do DL 2/86, de 2 de Janeiro)

60 61
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Constatamos que na maioria dos lares de crianças e jovens é facultado aos seus utentes a utili- Quadro 34 - Regras de uso da correspondência pelas crianças e jovens em lar
zação do telefone em condições de privacidade48 (88% da totalidade das instituições). Destaque- Valores %
-se, no entanto, a existência de 30 lares onde o direito à privacidade das crianças ao nível do con- Livre, sem restrições 186 85.7
Supervisão prévia
tacto telefónico com o exterior não é garantido: não sendo a maioria das situações, representam à recepção 25 11.5
Permitida em situações
cerca de 12% no panorama geral dos lares de crianças e jovens49. Trata-se de uma constatação pontuais 6 2.8
digna de reflexão pela intolerabilidade que lhe subjaz, na medida em que as próprias disposições Total 217 100.0
Não respostas 40
legais que regulamentam o funcionamento destas instituições de acolhimento de carácter defini- Total 257

tivo para crianças e jovens prevêem o direito da criança em manter regularmente, em condições Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

de privacidade, contactos pessoais com a família e com as pessoas com quem tenham especial rela-
ção afectiva50, como forma de garantir o seu equilíbrio emocional, fundamental para um desen- Ainda que a panorâmica geral nos pareça favorecer a comunicação das crianças e jovens que vivem nos
volvimento saudável. lares com o exterior através da troca de correspondência, o facto de existirem alguns lares que impõem
restrições à sua utilização reveste-se de um significado que importaria aprofundar52.
Quadro 33 - Possibilidade de utilização do telefone em condições de privacidade
Valores % Quanto ao dinheiro de bolso das crianças e jovens acolhidos em lar53, a grande maioria destas insti-
Sim 220 88.0
Não 30 12.0
tuições faculta-o (cerca de 94%). No entanto, em apenas 27 destes lares esta faculdade se encontra
Total 250 100.0 liberta de restrição, o que corresponde a cerca de 11% da sua totalidade. A total liberdade no uso de
Não respostas 7
Total 257 dinheiro de bolso a menores é um aspecto que não deixa de suscitar algumas interrogações.
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

No que diz respeito à correspondência, na maioria dos lares de crianças e jovens, a regra parece ser Quadro 35 - Existência de regras em relação ao dinheiro de bolso
a da liberdade de utilização: em 85% destas instituições, as crianças e os jovens acolhidos podem fazer Valores %
Livre, sem restrições 24 10.5
uso da comunicação através de correspondência sem qualquer restrição. Refira-se, no entanto, que em Não é permitido 14 6.1
Permitido montante estipulado 55 24.0
cerca de 12% destes lares a recepção de correspondência por parte destas crianças é supervisionada Permitido sob supervisão 136 59.4
no momento da recepção e que em cerca de 3% dos lares esta só é permitida em situações pontuais51. Total 229 100.0
Não respostas 28
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Em 24% das situações é definido o montante que pode ser utilizado pelas crianças e jovens acolhidos

48
Por condições de privacidade no uso do telefone entende-se genericamente a possibilidade de isolamento durante as conversas.
49
Verifica-se um déficit de resposta de cerca de 3%.
50
Cf. Artº 58 da Lei nº 147/99, de 1 de Setembro.
51
Registe-se ainda a ausência de resposta em relação a 40 lares de crianças e jovens no que diz respeito às regras adoptadas para o uso da correspon- 52
A criança e o jovem acolhido em instituição têm o direito à inviolabilidade da correspondência. (Cf. Artº 58 da Lei 147/99, de 1 de Setembro)
dência. 53
A criança e o jovem acolhido em instituição têm o direito a receber dinheiro de bolso. (Cf. Artº 58 da Lei 147/99, de 1 de Setembro)

62 63
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

e em cerca de 59% dos lares o dinheiro de bolso está sujeito a supervisão por parte dos responsáveis é um dado a reter, na medida em que não se enquadra no contexto das funções pré-estabelecidas para
educativos. este tipo de instituição54.

Refira-se, no entanto, a existência de 15 lares de crianças e jovens onde o dinheiro de bolso não é per- Ao fim-de-semana, o atendimento é também assegurado em permanência na quase totalidade dos
mitido, o que nos parece poder limitar a participação social das crianças e dos jovens acolhidos em lar lares (cerca de 98%). Tal como durante o período nocturno, em cerca de 2% destas instituições, no
no que diz respeito ao grupo de pares da comunidade envolvente ao lar. entanto, a vigilância de um responsável é garantida apenas a determinadas horas55.

5.1.2. Vigilância nocturna e aos fins-de-semana Figura 27 - Vigilância aos fins-de-semana e feriados nos lares de crianças e jovens (em %)
2,4

Tratando-se de instituições cujo objectivo é o acolhimento de crianças e jovens, proporcionando-lhes


um ambiente similar ao de uma família, uma questão que se coloca é o modo como a vigilância fora dos
período úteis de trabalho da equipa técnica (noite e fins-de-semana) é assegurada e quem a assegura. Vigilância aos fins de semana/feriados

Em permanência

A determinadas horas
Centremo-nos, em primeiro lugar, no período nocturno.

Verifica-se, de facto, pela Figura 26, que na quase totalidade dos lares de crianças e jovens a ques- 97,6

tão da vigilância nocturna é assegurada em permanência (98%, ou seja 247 instituições). Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Figura 26 - Vigilância nocturna assegurada nos dias úteis nos lares de crianças Por quem são, então, vigiadas as crianças e os jovens que vivem nos lares, durante os períodos noctur-
e jovens (em %) nos e de fins-de-semana?
2,0

Figura 28 - Responsáveis pelo atendimento/vigilância nocturna e fins-de-semana (em %)


19,7

Vigilância nocturna em dias úteis Atendimento/vigilância nocturna

Em permanência Director do Lar


A determinadas horas 49,6 Um Técnico

Um Administrativo

Um Auxiliar

98,0
30,7

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

No entanto, existem 6 lares (2% do total) nos quais o acompanhamento das crianças e jovens durante 54
Os lares de crianças e jovens que não asseguram o atendimento nocturno em permanência das crianças e jovens que acolhem localizam-se nas regiões
a noite é feito apenas a determinadas horas. Apesar da fraca importância estatística desta constatação, do Alentejo (1lar), e dos Açores (1 lar). Da localização regional dos lares cuja vigilância nocturna e ao fim-de-semana apenas é assegurada a determi-
nadas horas, desconhece-se informação.
55
Note-se que se desconhece informação de 9 lares relativamente ao atendimento das crianças acolhidas durante o fim-de-semana.

64 65
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Em cerca de metade dos lares, o acompanhamento nocturno é assegurado por um auxiliar da institui- buição dos critérios de constituição dos grupos.
ção; existem ainda lares onde esta função de vigilância é desempenhada por técnicos do lar (31%) ou
ainda pelo director do mesmo (em 20% das situações). Figura 29 - Critérios para a formação dos grupos (em %)
18,6

5.2. Dinâmicas de organização interna


Critérios de formação dos grupos
1,0
Escalões etários
9,8 Sexo
5.2.1. Organização das crianças e jovens em grupos
Escalões etários e sexo
Outros

Funcionarão estes lares pela organização das crianças e jovens acolhidos em grupos? Este tipo de
organização favorceria a prossecução do objectivo definido para estas instituições de lhes proporciona- 70,6

rem condições de vida tão aproximadas quanto possível às de uma estrutura familiar, facultando às Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

crianças e jovens acolhidos condições de afectividade, saúde, equilíbrio emocional e educação. Atra-
vés da redução do racio entre o número de crianças e os seus responsáveis, a organização das crianças A grande maioria dos lares que organizam as crianças e os jovens por grupos fazem-no em função das
e jovens em grupos facilita os contactos directos e personalizados, ao mesmo tempo que fornece às suas idades (cerca de 71%); os restantes lares adoptam outros critérios não definidos para a organiza-
crianças a possibilidade de viverem enquadrados numa estrutura similar às das famílias com vários ção por grupos (19%) ou o sexo de pertença (cerca de 10%). Os restantes lares combinam o critério sexo
filhos, minimizando eventuais efeitos negativos decorrentes das situações de institucionalização. com a idade das crianças e dos jovens acolhidos para os organizarem por grupos (cerca de 1%).

Os grupos assim definidos assumem, em média, uma dimensão de 15,7 crianças. De facto, o Quadro
Quadro 36 - Organização por grupos 37 demonstra que cerca de 40% dos lares que organizam as suas crianças em grupos fazem-no em
Valores % agrupamentos de mais de 16 elementos. Em 32% das situações os grupos dimensionam-se entre 11 e
Sim 119 47.8
Não 130 52.2 15 elementos e apenas 27% dos lares constituem os seus grupos com menos de 10 crianças e jovens56.
Total 249 100.0
Não respostas 8
Total 257 Quadro 37 - Dimensão dos grupos de crianças e jovens nos lares
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Valores %
até 5 elementos 7 6,6
entre 6 e 10 elementos 22 20,8
Verifica-se que quase metade dos lares adoptam a organização das crianças e jovens acolhidos em grupos entre 11 e 15 elementos 34 32,1
entre 16 e 20 elementos 23 21,7
(cerca de 48%). As restantes instituições (52%), no entanto, parecem não adoptar esta forma de organização. entre 21 e 25 elementos 13 12,3
entre 26 e 30 elementos 6 5,7
entre 31 e 40 elementos 1 0,9
Nos 119 lares de que temos conhecimento que organizam as suas crianças por grupos, que critérios são Total 106 100,0
Não respostas 151
utilizados para este agrupamento das crianças e jovens acolhidos? A Figura 29 mostra-nos a distri- Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

56
«(…) deve a organização interna dos lares ser feita tendo por base grupos de dimensões reduzidas, com o máximo, em princípio, de 12 crianças e jovens,
que devem funcionar em moldes aproximados aos de uma estrutura familiar.» (Artº.5 do DL 2/86, de 2 de Janeiro)

66 67
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Na verdade, são apenas 29 os lares onde os grupos de crianças e jovens apresentam dimensões reduzi- Figura 31 - Festas organizadas pelo lar (em %)
das, i.e. inferiores a 10 crianças. Estes são aqueles cuja operacionalidade dos objectivos que subjazem
100
à constituição das crianças e jovens em grupos nos parece mais fácil de obter57. 97,2
80
79,0
77,2 75,2
5.2.2. Actividades de ocupação de tempos livres desenvolvidas pelo lar 60

40 52,0 48,8

Sendo um dos objectivos do lar a satisfação de todas as necessidades básicas das crianças e jovens que
20
acolhem no sentido de contribuir para a sua valorização integral, torna-se relevante analisar o modo
0
como os tempos livres destas crianças são ocupados pelas instituições. Que actividades promovem?
Natal Ano Novo Páscoa Carnaval Encerramento Ano Escolar Outras
Que objectivos subjazem a essas actividades? Favorecem elas o seu contacto com a comunidade exte-
rior, que, recordamos, é um dos atributos destas instituições? Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Em primeiro lugar, e no sentido de promover o bem-estar das crianças e dos jovens que acolhem, cons- As ocasiões mais frequentemente comemoradas por estas instituições de acolhimento têm origens reli-
tatamos que a quase totalidade destes lares organizam festas comemorativas (98%)58. giosas: o Natal é celebrado por cerca de 97% dos lares de crianças e jovens e a Páscoa por 79% des-
tas instituições. A esta constatação não será alheio o facto de uma fatia significativa dos lares de crian-
Figura 30 - Organização de festas comemorativas (em %) ças e jovens no contexto português serem instituições canonicamente erectas. Por outro lado, a forte
2% inclusão de tradições de origem religiosa nos rituais das festividades cíclicas do calendário civil por-
tuguês (ainda que paganizados e popularizados) explica a comemoração destas festas pelas restantes
Organização de festas
comemorativas instituições de acolhimento de crianças e jovens. O Carnaval (também de origem religiosa) surge como
Sim

Não
a terceira festividade mais comemorada: 77% destes lares promovem festas de Carnaval para as crian-
ças acolhidas. A entrada no Ano Novo e o encerramento do ano escolar são igualmente momen-
tos comemorados por grande parte destas instituições, o primeiro celebrado em 52% dos lares e o últi-
98% mo em 40%. Existem ainda outras festas comemoradas pelos lares de crianças e jovens que é possível
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 agrupar em Festas Religiosas Diversas (Dia da Sagrada Família, Dia da Imaculada Conceição, Festa
da Gratidão, Eucaristia, Dia de Reis, Dia do(a) Padroeiro(a)/Fundador(a) da Instituição), Festas da
Que ocasiões são, então, comemoradas pelos lares de crianças e jovens? Família (Dia da Criança, Dia da Mãe, Dia do Pai), Festas do Ciclo Anual (Festa da Primavera, do
Verão, do Outono, da Espiga, da Árvore, Dia das Bruxas, Dia de S. Martinho, Festas dos Santos Popu-
lares), Comemorações das Etapas de Vida das Crianças/Jovens (Baptizados, Comunhões, Pro-
fissões de Fé, Crismas, Casamentos, Festa do Caloiro, Fins de Curso, Maioridade59), Aniversário das
Instituições, Aniversário das Crianças e Jovens Acolhidos, entre outras.

57
«A linha tendencial para a organização e funcionamento dos lares deverá ser a constituição de grupos e núcleos de dimensão reduzida, com o máximo de
6/8 crianças por grupo, de idades variadas sempre que possível.» (in: Lar para Crianças e Jovens- Guiões Técnicos, DGAS)
58
No que diz respeito à organização de festas comemorativas por parte dos lares de crianças e jovens, não dispomos de informação relativa a 7 destas ins- 59
De novo se nota, através da análise dos momento comemorativos celebrados pelos lares, a influência religiosa de cariz católico nas estratégias pedagó-
tituições, o que corresponde a um déficit de resposta de 2,7%. gicas levadas a cabo por estas instituições.

68 69
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Os aniversários das crianças que vivem em lar serão, porventura, as comemorações que mais implica- Figura 32 - Eventos de comemoração dos aniversários nos lares de crianças
ção têm para cada um dos acolhidos (aqueles para quem, no dever ser da instituição, deve estar vota- e jovens (em%)
da a sua existência), na medida em que, tornando-os o motivo da comemoração, contribuirão para a 100

constituição, reforço e valorização positiva das suas identidades individuais. Vejamos como são cele- 92,0 87,2
80
brados os aniversários das crianças e dos jovens que vivem em lar.
60

40
Quadro 38 - Celebração de aniversários nos lares de crianças e jovens
32,8
20
Valores %
Individualmente 111 43.4 0
Em grupo 140 54.7
Não são celebrados 5 2.0 O lar organiza uma festa
Total 256 100.0 O lar oferece um presente
São as crianças/jovens que se mobilizam
Não respostas 1
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Fonte: Inquérito às Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Em 92% dos lares de crianças e jovens é organizada uma festa de aniversário por iniciativa do lar; em
A maioria dos lares celebra os aniversários das crianças acolhidas mensalmente e em grupo, ou seja, 87% destas instituições, em simultâneo ou não com a referida festa de aniversário, é oferecido um pre-
promove, todos os meses, uma festa para comemorar a data do nascimento de todas as crianças que, sente ao(s) aniversariante(s)61; em cerca de 33% dos lares de crianças e jovens a iniciativa de come-
naquele mês, registam o seu aniversário. Esta é a forma de celebração natalícia adoptada em cerca de moração dos aniversários parte das próprias crianças e jovens acolhidas.
55% das instituições, que decorrerá da tentativa de fazer rentabilizar os seus recursos.
Estas festas, quer de aniversário quer as restantes (ao menos nalgumas situações) são, num número si-
Outros lares existem que celebram os aniversários das crianças e jovens acolhidas individualmente, nas gnificativo de lares (78%), abertas à comunidade envolvente62, como o demonstra a Figura 33.
respectivas datas de nascimento: são 43% do total destas instituições. Possivelmente será esta a forma
de comemoração dos aniversários mais personalizada, na medida em que coloca em destaque, de forma Figura 33 - Abertura de festas à restante comunidade (em %)
singular, o aniversariante. 21,9

Festas abertas à restante


comunidade
Existem ainda 5 lares nos quais não se celebram os aniversários das crianças e jovens acolhidos . 60
Sim

Não

Que eventos são levados a cabo para a comemoração dos aniversários das crianças e jovens acolhidos?
Conta-se com a iniciativa da instituição ou das próprias crianças acolhidas? A Figura 32 dá-nos a res-
posta a estas questões. 78,1
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

61
De salientar que a totalidade dos lares das regiões do Alentejo e da Madeira oferecem um presente às crianças que neles vivem pelo seu aniversário.
Registe-se ainda que nesta última região é prática generalizada também a realização de festas de aniversários.
60
Não obtivemos resposta acerca da forma de comemoração dos aniversários das crianças e jovens acolhidos num lar. 62
Desconhece-se informação relativa a 6 lares, no que diz respeito à abertura das festas comemorativas ao exterior.

70 71
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Esta participação da comunidade nos momentos comemorativos da instituição indicia alguma abertura Para ocupar estes períodos de lazer que são o fim-de-semana, a maioria dos lares de crianças e jovens
dos lares de crianças e jovens ao exterior, facto que termos adiante oportunidade de aprofundar através organizam saídas durante os fins-de-semana (82%). Existem, no entanto, lares que não promovem estas
de outros indicadores. Os tempos livres semanais atingem o culminar ao fim-de-semana. Como são actividades (cerca de 18% do total de lares)65.
passados os fins-de-semana das crianças e jovens que vivem nos lares?
Quadro 39 - Saídas ao fim de semana
Figura 34 - Como são passados os fins-de-semana no lar (em %) Valores %
90 Sim 202 82.4
Não 43 17.6
80
82,4 Total 245 100.0
77,0
70 Não respostas 12
60 Total 257
50 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
40
40,2
30
20
28,9 A organização destas saídas ao fim-de-semana compete aos técnicos dos lares (em cerca de 48% das
10 17,2 situações) ou aos seus directores (36%).
0

No lar sem actividades No lar com actividades


Com a família Com a família de colegas do lar
Quadro 40 - Responsável pela organização de saídas ao fim de semana
Com outros Valores %
O Director 79 36.1
Fonte: Inquérito em lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Os técnicos 104 47.5
O Lar com apoio externo (animadores) 4 1.8
O Lar em conjunto com a comunidade 6 2.7
Na maior parte das situações, as crianças e jovens que vivem nos lares passam os fins-de-semana na O Lar com um grupo de crianças/jovens 21 9.6
Outras 5 2.3
instituição com actividades por esta proporcionadas (82% dos lares)63 ou com as suas famílias de ori- Total 219 100.0
Não respostas 38
gem (77%)64. Outras crianças acolhidas institucionalmente passam os fins-de-semana fora do lar, com Total 257
outras pessoas que não os seus familiares directos (em 40% das instituições). Outras instituições pro- Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

porcionam às suas crianças e jovens fins de semana passados com familiares de colegas que com eles
residem no lar (cerca de 29% dos lares). Existem ainda lares onde as crianças e jovens neles acolhidos Curiosamente, e como indicador do envolvimento das criança acolhidas nos processos pedagógicos e
passam os fins-de-semana no lar sem actividades organizadas (17%). Note-se que esta diversidade de nas decisões da vida da sua casa, contamos ainda com cerca de 10% de instituições que organizam as
formas de passar o fim-de-semana pelas crianças e jovens que vivem em lar podem coincidir e alternar saídas de fins-de-semana em colaboração com um grupo de crianças e/ou jovens que lá vivem. Existem
na mesma instituição. ainda instituições (cerca de 3% do total) que é em colaboração com a comunidade que elaboram as saí-
das das crianças aos fins-de-semana e outros que recorrem a animadores externos na organização das
saídas de fins-de-semana (cerca de 2% do total).

63
Refira-se que nas regiões do Algarve e da Madeira a organização de actividades no lar para ocupar os fins-de-semana das crianças e dos jovens que lá
vivem é uma realidade em todos os lares.
64
A prática do fim-de-semana das crianças e jovens que vivem em lar passado com as famílias de origem é mais frequente nas regiões de Lisboa e Vale
do Tejo e Norte. 65
Regista-se um déficit de 4,7% de informação relativamente à prática de organização de saídas aos fins de semana.

72 73
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Da ocupação dos tempos livres de crianças e jovens pode também fazer parte a participação nas tare- Em cerca de três terços dos lares de crianças e jovens existe uma equipa técnica que orienta o seu
fas domésticas diárias. E na larga maioria dos nossos lares (cerca de 97% do total de instituições), encaminhamento, como o demostra a Figura 36. Esta constatação funciona como indicador de avalia-
as crianças e os jovens acolhidos participam efectivamente nas tarefas diárias do lar onde vivem. ção do tipo de encaminhamento e acompanhamento que é feito pelos lares às crianças e jovens, na
medida em que implica, à partida, conhecimentos teóricos e metodológicos específicos e adequados.
Figura 35 - Participação nas tarefas diárias (em %)
3% Figura 36 - Encaminhamento das crianças e jovens orientado por uma equipa técnica (em %)

25,3

Participação nas tarefas diárias

Sim Encaminhamento orientado


por equipa técnica
Não Sim

Não

74,7
97%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens,CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

5.2.3. Encaminhamento e acompanhamento dos projectos de vida das crianças e jovens A constatação de que os restantes 25% do total de lares66 não dispõem de técnicos responsáveis pelo
acolhidos trabalho de encaminhamento das crianças e jovens acolhidos deixa, de certo modo, alguma incerteza
quanto à natureza do trabalho realizado pelas instituições a este nível. Sem orientações técnicas, o tra-
A questão do projecto de vida assume importância fulcral na caracterização do funcionamento dos lares balho pedagógico e educativo é deixado ao cuidado da intuição e da sensibilidade, elementos impor-
de crianças e jovens. Por projecto de vida entende-se o plano tecnicamente traçado que tem por pres- tantes no trabalho de acompanhamento, embora insuficientes.
suposto a projecção no futuro de determinado estilo de vida considerado desejável para a criança ou
jovem. O projecto de vida inclui, em termos conceptuais, as orientações para a prossecução do fim dese- Tratando-se de uma moldura importante das condições existenciais futuras das crianças e dos jovens,
jado e as actividades a levar a cabo pela criança para atingir esse objectivo. Porque o projecto de vida a definição dos seus projectos de vida e o encaminhamento que é feito nesse sentido conta com a anuên-
assim percepcionado deve ter em conta as necessidades escolares e de formação, as necessidades afec- cia das partes interessadas?
tivas e as necessidades relacionais, a sua definição e implementação torna-se o cerne do trabalho téc-
nico de acompanhamento das crianças e jovens que vivem em lar. Quadro 41 - O encaminhamento das crianças e jovens é feito com a anuência de quem?

Valores %
Na medida em que o projecto de vida tecnicamente definido como adequado à situação da criança ou Das próprias crianças/jovens 163 69.1
Da família 27 11.4
jovem acolhido em lar vai condicionar e enformar a sua vivência futura, importa conhecer a forma como De ambos 46 19.5
Total 236 100.0
é definido e posto em prática. Quem concebe os projectos de vida das crianças e jovens que vivem em
Não respostas 21
lar? De que forma é feito o encaminhamento da criança no sentido da prossecução do projecto de vida Total 257

para si definido? A criança ou jovem e a sua família participam na definição deste projecto de vida? Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

66
Registe-se o déficit de informação a este nível no que diz respeito a 20 instituições de acolhimento de longa duração de crianças e jovens.

74 75
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Em 69% dos lares as crianças e jovens são chamadas a participar na definição dos seus projectos de lares, e tomando, desde logo, como indício o estímulo imprimido pelas instituições no que diz respeito
vida, através da sua anuência. Em cerca de 20% destas instituições o seu acordo quanto ao encami- ao reatar do relacionamento das crianças com os seus familiares nas situações em que este havia sido
nhamento a dar às crianças e jovens é também solicitado, assim como às suas famílias. Outros lares cortado, concluímos que este relacionamento é facilitado pela maioria dos lares de crianças e jovens:
existem que apenas solicitam a anuência das famílias, mantendo as crianças e os jovens à margem 96% destas instituições estimula a (re)construção dos laços afectivos e relacionais com as famílias de
desta participação67. origem70, como o demonstra a Figura 37.

Constatamos, assim níveis de participação na definição do projecto de vida e no encaminhamento feito Figura 37 - Estímulo do reatar de relações com familiares (em %)
nesse sentido, quer pelas crianças e jovens acompanhados, quer pelas suas famílias. Podemos supor 3.9

que a situação ideal seria a participação no encaminhamento tanto das crianças como das suas famí-
lias, na medida em que indicia tanto o envolvimento das crianças nas suas trajectórias de vida como a Estímulo do reatar de relações
com familiares
proximidade entre os lares e as famílias de origem das crianças acolhidas. Devemos, no entanto, ter em Sim

Não
conta que, neste contexto de acolhimento institucional de crianças e jovens, existem situações em que
o envolvimento das crianças neste processo se revela desaconselhável, pela sua tenra idade, falta de
maturação psicológica ou por outras razões. Por outro lado, a não solicitação da participação da famí- 96.1

lia neste processo pode encontrar explicação na inexistência de familiares próximos das crianças aco- Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

lhidas ou no facto de o seu envolvimento na vida da criança ou jovem não ser benéfico para ela. Terão
sido estes os motivos (isolados ou combinados) que conduziram ao seu acolhimento em lar 68. Existem, no entanto, 10 lares (4% do total) que não fomentam este restabelecimento dos laços familia-
res das crianças e jovens que vivem em lar. Permanecemos no desconhecimento quanto ao motivo por
5.3. Relações com o exterior que tal acontece, que pode transparecer negligência face a esta questão, pode significar desadequação
no que diz respeito ao interesse da própria criança ou ainda decorrer dos próprios princípios de fun-
5.3.1. Relação das crianças e jovens acolhidos com a comunidade cionamento da instituição71.

É possível distinguirmos três dimensões da relação que as crianças e os jovens acolhidos estabelecem Mais do que o estímulo ao restabelecimento das relações familiares das crianças e jovens que vivem
com a comunidade que envolve o lar onde vivem: i) a relação com a sua família de origem; ii) a rela- em lar, algumas instituições promovem a participação das família de origem nos seus quotidia-
ção com a comunidade envolvente ao nível informal, ou seja, com os amigos; iii) finalmente, a relação nos. Não sendo a maioria das instituições, representam 34% do total, como o demonstra a Figura 38.
entre as crianças e jovens acolhidos e a comunidade institucional, isto é, com a escola, com colec-
tividades e com outras instituições que, com a sua actividade, possam contribuir para o seu desenvol-
vimento integral69.

No que diz respeito ao relacionamento com as famílias de origem das crianças e jovens que vivem nos
67
Desconhecem-se as idades das crianças acolhidas nestes últimos lares. Este procedimento faria sentido em situações em que as crianças têm idades
muito baixas. 70
Registe-se a existência de 10 lares que adoptam um modelo pedagógico que não tem por objectivo o reatar das relações familiares, o que corresponde a
68
São apenas questões de reflexão, estas que agora levantamos, sobre as quais, pensamos, seria importante desenvolver-se algum debate. 4% do total de instituições. Refira-se ainda a ausência de informação a este nível relativamente a 6 lares.
69
«Os lares devem proporcionar condições para uma correcta inserção das crianças e jovens na comunidade através da sua integração nas estruturas locais, 71
Na tipologia por nós definida, estes 10 lares seriam aquilo que designámos por Lares de Incorporação ou de Institucionalização, na medida em que,
nomeadamente no que se refere a educação, formação profissional, desporto e tempos livres.» (Artº 6, do DL nº 2/86, de 2 de Janeiro) segundo este indicador, não fomentam a aproximação à família de origem.

76 77
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Figura 38 - Promoção da participação da família no quotidiano da criança/jovem (em %) No que diz respeito ao tipo de relacionamento que as instituições permitem que as crianças e jovens
tenham com os seu amigos, vejamos a Figura 40. Constatamos que apenas 11 lares vedam a entra-
34,0
da aos amigos e colegas das crianças e dos jovens que lá vivem, o que corresponde a apenas 4% do
Promoção da participação da família
total de instituições.
no quotidiano da criança/jovem

Sim
Não Figura 40 - Possibilidade de entrada de amigos e colegas no lar (em %)
4,3
66,0

Fonte: Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99


O Lar permite a entrada de
amigos colegas?

Sim

Na verdade, a participação da família nos quotidianos das crianças e jovens que vivem em lar não é a Não

norma estabelecida por estas instituições. Uma vez acolhidos em lar, a maioria das crianças e jovens
não parece ter proximidade diária com as suas famílias de origem: 66% da totalidade dos lares não pro- 95,7

move esta participação. Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

A participação das famílias de origem parece assumir outras proporções no que diz respeito ao percur- A relação entre as crianças e os jovens que vivem em lar e a comunidade formal envolvente traduz-se,
so escolar e profissional das crianças e jovens que vivem em lar. De facto, em 55% destas instituições, por um lado, no acesso permitido às actividades das diversas instituições e por outro, na sua efectiva
esta participação é solicitada, como demostra a Figura 39. participação nestas actividades.

Figura 39 - Promoção da participação da família no percurso escolar/profissional (em %) Assim, e no que diz respeito aos estabelecimentos públicos de ensino, a acessibilidade é quase total:
apenas 1 lar veda às crianças e jovens acolhidas o acesso a escolas públicas. Esta situação, ainda que
44,9 única e isolada, merece toda a atenção, no sentido de se compreender os motivos que a este facto sub-
Promoção da participação
da família no percurso
escolar/profissional
jazem.
55,1 Sim
Não
A sua efectiva participação é igualmente elevada: em cerca de 98% destas instituições as crianças e os
jovens acolhidos frequentam os estabelecimentos de ensino72.
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens,CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99

Nos lares das Regiões Autónomas prevalece o procedimento de não accionamento desta participação
das famílias de origem no percurso escolar e profissional das crianças e jovens que vivem em lar.

72
Registe-se, no entanto, a inexistência de respostas relativamente ao acesso e à participação das crianças e jovens acolhidos nas escolas públicas de 9 e
8 lares, respectivamente. Saliente-se, ainda que, apesar de apenas existirem 6 lares onde não existe participação das crianças acolhidas nas escolas
públicas da comunidade, no estudo de caracterização das crianças registou-se a existência de crianças e jovens que vivem em lar em idade escolar que
não frequentam a escola.

78 79
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 42 - Acesso a estabelecimentos públicos de educação/ensino Sendo o desporto uma actividade considerada importante para o desenvolvimento integral e saudável
Valores % das crianças e dos jovens, vejamos os níveis de acesso e de participação dos que vivem em lar nesta
Sim 247 99.6
Não 1 0.4 actividade, tomando como indicador o seu contacto com ginásios (Quadros 46 e 47).
Total 248 100.0
Não respostas 9
Total 257 Quadro 46 - Acesso a ginásios
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Valores %
Sim 177 81.9
Não 39 18.1
Quadro 43 - Participação iniciativas de estabelecimentos públicos de educação/ensino Total 216 100.0
Não respostas 41
Valores % Total 257
Sim 243 97.6
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Não 6 2.4
Total 249 100.0
Não respostas 8
Total 257 Quadro 47 - Participação em actividades nos ginásios
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Valores %
Sim 158 74.5
Não 54 25.5
Em relação aos Centros de Formação Profissional, os níveis de acesso diminuem em relação à escola, Total 212 100.0
Não respostas 45
como o demonstram os Quadros 44 e 45, bem assim como a efectiva participação (74% do total de Total 257
lares). Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 44 - Acesso a Centros de Formação Profissional Em cerca de 82% dos lares é facultado o acesso a ginásios às crianças e jovens acolhidos. No entanto,
Valores % em apenas 75% do total de lares a participação nestes equipamentos é efectiva.
Sim 179 80.6
Não 43 19.4
Total 222 100.0 O acesso ao desporto por parte das crianças e jovens acolhidos em lar pode também ser analisada a par-
Não respostas 35
Total 257 tir do acesso a colectividades, ainda que este conceito inclua todo o tipo de colectividade recreativa,
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 abrangendo quer a área do desporto, da música, da dança, entre outras.

Quadro 45 - Participação em Centros de Formação Profissional Quadro 48 - Acesso a colectividades


Valores % Valores %
Sim 163 74.1 Sim 199 88.1
Não 57 25.9 Não 27 11.9
Total 220 100.0 Total 226 100.0
Não respostas 37 Não respostas 31
Total 257 Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

80 81
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 49 - Participação em actividades de colectividades por parte da instituição, para participar nas suas actividades. Esta é a avaliação feita pelos responsá-
Valores % veis de cerca de 87% das instituições, o que corresponde a 223 lares.
Sim 190 84.1
Não 36 15.9
Total 226 100.0 Figura 42 - Abertura da instituição à comunidade local (em %)
Não respostas 31
Total 257 13,1

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Abertura da Instituição à
Verifica-se, através dos Quadros 48 e 49 que uma expressiva maioria dos lares permite o acesso das comunidade local

Sim
crianças que neles vivem a colectividades (88%) e que se verifica uma participação efectiva em 84% Não

das instituições.
86,9

Como indício da proximidade entre os lares e a comunidade envolvente, resta-nos ainda analisar a exis- Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

tência da preocupação em promover encontros entre as crianças e os jovens que vivem em lar e outros
jovens da comunidade. A Figura 41 traduz a realidade dos factos. Os restantes 13% das instituições, de forma declarada, optaram pelo fechamento da instituição à comu-
nidade envolvente como estratégia educativa das crianças e dos jovens que acompanham.
Figura 41 - Promoção de encontros com outros jovens da comunidade (em %)
Estamos agora em condições de retomar a tipologia de lares de crianças e jovens que propusemos
14,8

no início. Recorde-se que esta foi construída em função de indicadores de abertura e relacionamento
entre o lar, a família das crianças e dos jovens acolhidos e a comunidade envolvente. Tentaremos, com
Encontros com outros jovens
da comunidade o cruzamento dos dados concretos relativos aos princípios de abertura e relacionamento entre o lar e os
Sim

Não
restantes vértices deste triângulo, quantificar, no panorama nacional destas instituições, os quatro tipos
diferentes de lares73. Para tal, recorreremos a duas variáveis que nos parecem servir, de forma mais
85,2 clara e mais próxima, de indicadores de proximidade da instituição, quer às famílias de origem das
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 crianças acolhidas, quer à comunidade envolvente: a promoção da participação da família no quoti-
diano da criança/jovem e a abertura da instituição à comunidade. Do seu cruzamento, obtemos a tipo-
Verifica-se que uma maioria expressiva dos lares (85%) promove contactos entre as crianças e jovens logia de lares de crianças e jovens.
que acolhe.
O Quadro 50 mostra-nos, no panorama português, o tipo de lares de crianças e jovens mais frequen-
Temo-nos vindo a referir à participação das crianças e jovens que vivem na instituição nas actividades te é o Lar de Incorporação, i.e. o lar que incorpora as crianças como “suas” e que tem por princípio a
e colectividades que a comunidade local disponibiliza, num fluxo de “dentro para fora” da instituição. não promoção da proximidade entre as crianças e jovens que acolhe e as suas famílias de origem (por
E no que concerne à abertura da instituição à participação por parte da comunidade exterior nas
actividades por esta dinamizadas? Tomada no seu conjunto, a comunidade local parece ter abertura, 73
Refira-se que, neste esforço de quantificação dos tipos de lares de crianças e jovens, contámos com um déficit de informação de cerca de 10%, no que
diz respeito ao cruzamento entre as variáveis “ promoção da participação da família no quotidiano da criança/jovem” e “abertura da instituição à comu-
nidade local”.

82 83
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

considerar ser essa a estratégia educativa mais adequada ao desenvolvimento das crianças e jovens privando-as do contacto com a realidade exterior representam cerca de 11% do total de lares.
afastados ou desprovidos de meio familiar), ao mesmo tempo que considera importante o relaciona-
mento com as estruturas da comunidade envolvente. Resta fazer menção àqueles lares que designámos de Lares de Acolhimento, que acolhem as crianças e
os jovens, em contacto estreito com as suas famílias de origem, mas sem permitirem a proximidade da
Seguem-se-lhes os Lares de Acompanhamento, aqueles que fomentam o relacionamento e a abertura comunidade envolvente. Este tipo de lar representa apenas 3% do total, o que corresponde a 7 lares.
entre os diversos vértices do triângulo de relacionamentos: lar/família de origem/comunidade. Apesar
de não ser este o tipo de lar mais significativo no panorama nacional, representam 30% do total. 5.3.2. Relação do lar com a instituição escolar

Quadro 50 - Abertura dos lares às famílias e à comunidade Pela importância que a escola assume nos quotidianos e no processo de aquisição de competências das
Abertura da Instituição crianças e jovens que vivem em lar, a relação entre o lar e a instituição escolar adquire estatuto de des-
à comunidade local
Sim Não Total
taque face às restantes entidades existentes na comunidade, com que o lar se relaciona. Constatámos
Promoção da participação da família Sim 70 7 77 já a promoção do acesso e da participação das crianças e dos jovens acolhidos nas escolas da comuni-
no quotidiano da criança/jovem Não 130 25 155
Total 200 32 232 dade como a regra dominante no funcionamento destas instituições. A forma mais directa de propor-
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 cionar o relacionamento entre o lar e a escola é, parece-nos, a manutenção de encontros regulares
entre o lar e a escola.
Figura 43 - Quantificação da tipologia dos lares de crianças e jovens
A Figura 44 mostra-nos que esta regularidade de encontros é uma regularidade em 74% destas instituições.
ABERTURA
À COMUNIDADE
Figura 44 - Encontros regulares com estabelecimentos de ensino (em %)

25,8
Acompanhamento Incorporação
70 lares (30%) 130 lares (56%)
PROXIMIDADE AFASTAMENTO
Encontros regulares com escolas
À FAMÍLIA DA FAMÍLIA Sim

Não
Acolhimento Institucionalização
7 lares (3%) 25 lares (11%)

ISOLAMENTO 74,2

DA COMUNIDADE Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Aos Lares de Incorporação e aos Lares de Acompanhamento seguem-se, em termos de represen- Nas restantes instituições permanece a questão acerca da forma como o contacto com a escola é feito.
tatividade estatística os Lares de Institucionalização, aqueles que se fecham em si próprios, não Serão estes contactos irregulares? Ou inexistentes? Adoptarão estes 62 lares outra forma de relaciona-
promovendo nem o contacto das crianças e jovens acolhidos com as suas famílias nem permitin- mento com a instituição escolar, que não os encontros directos?
do a entrada de outrém na instituição. Estes lares que institucionalizam as crianças que acolhem, O Quadro 51 mostra-nos que os principais responsáveis pela articulação entre o lar que acolhem

84 85
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

crianças e jovens e a instituição escolar são os técnicos que os acompanham (em cerca de 46% das ins- 5.3.3. Relação do lar com os serviços de Segurança Social
tituições) ou os directores dos lares (em 43% das situações).
Outra entidade que importa destacar, para além da família e da escola, do panorama de relacionamen-
Quadro 51 - Responsável pela articulação entre o lar e a escola to institucional mantido pelos lares de crianças e jovens são os serviços de Segurança Social.
Valores %
Director do Lar 107 43,1
Técnicos 113 45,6 Desde logo se salienta o facto de cerca de metade das instituições (49%) ter tido o seu último contacto com a
Não existe responsável definido 2 0,8
Segurança Social em resultado do contacto regular mantido entre as duas entidades, o que aponta para algu-
Outros 26 10,5
Total 248 100,0 ma proximidade (ainda que não possa ser generalizada, a partir deste indicador) entre as duas entidades.
Não respostas 9
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Quadro 52 - Motivo da última visita da Segurança Social ao lar
Valores %
Do contacto regular que mantêm com os serviços 109 49.3
Registe-se ainda a existência de 2 lares (0,8%) onde a responsabilidade de articulação com a escola Da solicitação expressa da Instituição 29 13.1
De uma acção de inspecção 26 11.8
não se encontra acometida a ninguém de forma vinculativa. Esta constatação, ainda que sem expressão
De outra situação 57 25.8
estatística, remete-nos para alguma ausência de preocupação por parte do lar no que ao relacionamen- Total 221 100.0
Não respostas 36
to com a instituição escolar diz respeito. Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Além da frequência e da responsabilidade entre o lar e a escola, outro indício da importância conferi-
da pelo lar ao percurso escolar das crianças e jovens acolhidos é, parece-nos, a promoção de acções de Para outros lares (13% do total), a última visita da Segurança Social teve na origem a solicitação expres-
orientação escolar e profissional. A Figura 45 mostram-nos a panorâmica global desta prática. sa da instituição ou uma acção de inspecção (cerca de 12%). Existem ainda lares visitados pela Segu-
rança Social por outros motivos não especificados (25%).
Figura 45 - Promoção de acções de orientação escolar/profissional (em %)
A proximidade dos serviços de Segurança Social aos lares de crianças e jovens pode ainda ser analisa-
23,8

do a partir da data do último contacto estabelecido.


Promoção de acções de
orientação escolar/profissional
Sim Quadro 53 - Há quanto tempo se efectuou a última visita da Segurança Social ao lar
Não
Valores %
há menos de 1 ano 27 13.6
há 1 ano 139 69,8
76,2 há 2 anos 19 9,5
há 3 anos 8 4,0
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 há mais de 3 anos 6 3,0
Total 199 100,0
Não respostas 58
Verificamos, assim, que em 76% dos lares de crianças e jovens se promovem acções de orientação esco- Total 257

lar e profissional. Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

86 87
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

À data da inquirição, a maioria destes lares tinham sido visitados pelos serviços de Segurança Social Quadro 54 - Conhecimento da Segurança Social do encaminhamento
fazia 1 ano (69,8%). A alguns destes lares, esta visita tinha ocorrido ainda não fazia 1 ano, quando dado às crianças e jovens
foram inquiridos (13,6%); no entanto, é de registar que 16,6% dos lares de crianças e jovens tenham Valores %
Sim 151 61.6
recebido a visita desta entidade há mais de 1 ano. Não 94 38.4
Total 245 100.0
Não respostas 12
Como avaliam, assim, os lares de crianças e jovens o apoio que lhes tem sido prestado pela Segurança Total 257

Social? Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Figura 46 - Avaliação positiva do apoio prestado pela Segurança Social (em %) Ainda que desconheçamos os motivos porque tal não acontece, adiantamos alguma apreensão que

12,1
advém da falta de informação que daqui decorre dos serviços de coordenação face às instituições de
acolhimento. Pode também indiciar distanciamento dos serviços de Segurança Social face aos lares de
crianças e jovens. Sem a reciprocidade de informação entre as diversas entidades responsáveis, o acom-
Apoio da Segurança Social
Sim panhamento adequado das crianças e jovens acolhidos em lar pode ficar comprometido.
Não

5.4. Outros serviços prestados pelo lar


87,9

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Há ainda a referir um outro aspecto relativo ao objectivo dos lares de crianças e jovens de acolherem
os menores proporcionando-lhes condições de vida idênticas às de uma família: as questões da ali-
O indicador de alguma proximidade entre os lares de crianças e jovens e os serviços de Segurança mentação e da elaboração de ementas.
Social que havíamos detectado pelo facto de uma parte significativa do último contacto entre as duas
entidades resultar do estreito contacto que mantém entre si, é, de algum modo, confirmado pela ava- Figura 47 - Refeições fornecidas nos lares (em %)
liação que as instituições de acolhimento fazem do acompanhamento que lhes é prestado por parte dos
serviços de segurança social: cerca de 88% dos lares considera que tem tido o apoio e acompanhamento
adequados74.

No sentido da colaboração e responsabilização institucional, cerca de 62% dos lares de crianças e


jovens participam também à Segurança Social o encaminhamento que lhes é dado. Existem, no entan-
to, 94 lares (o que corresponde a 38% do total) que não dão conhecimento a esta entidade do encami-
nhamento que ministram às crianças e jovens que acolhem. Atente-se no Quadro 54.
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

A Figura 47 demonstra que todos os lares fornecem às crianças e jovens acolhidas as refeições bási-
74
Contamos com um déficit de cerca de 7% de respostas no que a esta variável diz respeito.

88 89
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

cas: pequeno almoço, lanche, almoço e jantar. A refeição que é menos frequentemente servida nestas Quadro 56 - Apoio educativo prestado pelo lar
instituições é a ceia, apenas fornecida em cerca de 63% dos lares. Valores %
Sim 187 81.7
Não 42 18.3
No que concerne a outros serviços prestados pelo lar às crianças e jovens nele acolhidos, para além das Total 229 100.0
Não respostas 28
refeições, destacam-se os cuidados de saúde, o apoio educativo e o apoio de psicologia. Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Os cuidados de saúde prestados às crianças e jovens que vivem em lar são, na maioria das institui-
ções, ministrados através de consultas de rotina no Centro de Saúde da área de residência (59%). 29% Quadro 57 - Serviço de psicologia prestado pelo lar
destas instituições dispõem de médico próprio que presta os cuidados de saúde necessários às crian- Valores %
Sim 163 71.8
ças e jovens acolhidos. Não 64 28.2
Total 227 100.0
Não respostas 30
Quadro 55 - Cuidados médicos prestados pelo lar às crianças e jovens acolhidos Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99


Valores %
O lar tem médico próprio 73 29,1
O lar promove consultas
de rotina no Centro de Saúde local 148 59,0 Em cerca de 82% das instituições verifica-se a disponibilização pelo próprio lar do apoio educativo
Lar recorre a consultas
esporádicas em caso de necessidade 30 12,0 prestado às crianças e jovens acolhidos.
Total 251 100,0
Não respostas 6
Total 257 Os serviços de psicologia não se encontram disponíveis de forma tão frequente como os apoios educa-
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 tivos nos lares de crianças e jovens. Verifica-se, no entanto, a sua existência em 72% destas institui-
ções.
Outros lares, ainda que se encontrem em minoria (representam apenas 12% da totalidade), apenas
recorrem a consultas médicas em caso de necessidade, constatação que aponta para alguma indolência Também através da escola as crianças e jovens de 85% dos lares beneficiam de apoio educativo.
no que ao acompanhamento médico e às medidas profilácticas diz respeito.
Quanto ao serviço de psicologia prestado pela escola, o valor diminui em cerca de 15% face ao apoio
Lidando estes lares com crianças e jovens que têm nas suas trajectórias de vida registo de vivência de educativo, como o demonstram os Quadros 58 e 59.
situações problemáticas75, é possível que se deparem frequentemente com dificuldades de aprendiza-
gem e de desenvolvimento cognitivo e emocional por parte de alguns dos seus acolhidos. Daí a impor- Quadro 58 - Apoio educativo prestado pela escola
tância dos apoios educativos e de psicologia. Serão estes facultados pelo lar? Valores %
Sim 204 85.4
Não 35 14.6
Total 239 100.0
Não respostas 18
Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99


75
Vide Crianças e Jovens em Lar: Caracterização Sociográfica e percursos de vida, CNPCJR/IDS, Lisboa, Junho de 2000

90 91
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 59 - Serviço de psicologia prestado pela escola Na avaliação dos próprios responsáveis pelas instituições, o apoio e a preparação que se dá aos jovens
Valores % que se preparam para deixar o lar são adequados às necessidades?
Sim 126 60.9
Não 81 39.1
Total 207 100.0 Quadro 60 - Apoio e preparação para a saída ajustada às necessidades
Não respostas 50
Total 257 Valores %
Sim 213 89.1
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/9
Não 26 10.9
Total 239 100.0
Não respostas 18
6. Saída do Lar: o processo de preparação Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Descrito o processo de acolhimento das crianças e jovens em lar, assim como as dinâmicas de funcio-
namento destas instituições, resta-nos atentar no momento da saída do lar. Como são preparados os Em cerca de 11% dos lares, a resposta à questão colocada é negativa. No entanto, para a maioria das
jovens acolhidos para este momento que, mais cedo ou mais tarde, deve ocorrer? instituições de acolhimento de crianças e jovens (89%) esta adequação entre o apoio e preparação pres-
tados e as necessidades efectivas é tido como dado real.
A Figura 48 demonstra que em 90% dos lares de crianças e jovens é efectuada preparação prévia à
saída destas instituições dos jovens acolhidos. Mas de que forma é, afinal, efectuado o apoio e a preparação dos jovens para a saída do lar e conse-
quente autonomização?
Figura 48 - Preparação prévia para a saída do Lar (em %)
10,5 Figura 49 - Forma de apoio à saída do lar (em %)77
Acompanhamento
Integração da Família
É feita preparação prévia profissional 6
para a saída do Lar? 26 Acomp. Técnico/
Preparação/
Sim Avaliação
psicológica
Não 30

Apoio à habitação
5
Articulação com
Formação outros serviços e
profissional e entidades
89,5 escolar
Apoio material e 11
8
financeiro Passagem por lar
11 de Transição
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 3

Fonte: Inquérito às Crianças e Jovens que vivem em lares, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Existem, no entanto 25 lares onde esta preparação não é procedimento corrente. Apesar da fraca repre-
sentatividade estatística, suscita-nos a dúvida acerca da natureza e das dinâmicas utilizadas no pro- Para a maioria dos lares, a preocupação no que à preparação para a saída dos lares diz respeito centra-
cesso de desapego institucional76. -se sobretudo em questões técnicas, de apoio, orientação, aconselhamento, de preparação e avaliação
psicológica. Esta é a principal preocupação em 30% dos lares de crianças e jovens.

77
No questionário que presidiu a este estudo, a pergunta que permite obter estes resultados era de resposta livre. Os resultados que agora apresentamos
são o resultado da análise do conteúdo dos discursos dos responsáveis pelas instituições Registe-se que contamos com um déficit de cerca de 13% de
respostas relativamente ao modo como a preparação para a saída do lar é efectuada, nalguns casos por ausência de resposta, noutros por as respostas
76
Desconhece-se informação relativamente a esta questão em 18 lares de crianças e jovens. não se adequarem à questão colocada.

92 93
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Em 26% dos lares de crianças e jovens o modo como é feita a preparação para a saída do lar tem no apreciação que fazem deste trabalho. Analisemos, assim, em momentos posteriores à saída do lar, o tipo
seu cerne a questão da integração profissional, no sentido da autonomização dos jovens e da sua capa- de relação que os jovens mantém com a instituição.
cidade de auto-sustento78.
Figura 50 - Manutenção de contactos com o lar após saída (em %)
Outros lares existem que articulam com outros serviços e entidades (Segurança Social, Tribunais, IEFP, 3,4

Centros de Emprego, entidades empregadoras, comunidade em geral, etc…) no sentido de proporcio-


narem aos jovens que se encontram em processo de autonomização condições de vida favoráveis à sua Posteriores contactos com
o Lar após saída

subsistência. Estes lares representam cerca de 11% do total, tal como aquelas instituições que prestam Sim

Não
apoio monetário e financeiro aos jovens que se preparam para saír do lar de acolhimento, através de
subsídios, apoios ou na aquisição de bens pessoais e equipamentos.
96,6

8% dos lares de crianças e jovens adoptam a formação profissional e escolar como forma de prepara- Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

rem jovens para a saída do lar e a entrada na vida adulta. Existem ainda lares (6% do total) que levam
a cabo um trabalho com as famílias de origem dos jovens no sentido de funcionarem como apoio (ou Constata-se, deste modo, que na maioria dos lares (cerca de 97% do total), após a cessação do acolhi-
acolhimento, eventualmente) no seu processo de autonomização. mento de crianças e/ou jovens mantém-se os contactos destes com a instituição.

Uma outra dimensão importante no processo de autonomização e auto-subsistência é a habitação: 5% Qual é, então, a natureza destes contactos? Por que motivos são efectuados?
dos lares de crianças e jovens adoptam esta preocupação no apoio que prestam aos jovens que se pre-
param para sair do lar. Figura 51 - Natureza dos contactos com o lar após saída da instituição (em %)

Finalmente, resta referir a existência de lares (3% do total) que dispõem de equipamentos na institui-
ção que designam de “lar de transição”, para o qual os jovens transitam e permanecem durante um
período de adaptação.

Resta referir que, não raramente, as diversas estratégias e preocupações de preparação para a saída do
lar coexistem e combinam-se.

As crianças e jovens acolhidos são o termómetro mais fiel da realidade dos lares no que diz respeito à Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

natureza e qualidade do trabalho educativo e de acompanhamento efectuado. Na impossibilidade de


junto delas aprofundar esta questão, socorramo-nos dos seus comportamentos como indicadores da As visitas que os jovens fazem após a sua saída do lar têm como principal intuito a manutenção de
contactos afectivos com os amigos ou os familiares que permanecem acolhidos na instituição:
78
De referir o Despacho do Ministro do Trabalho e da Solidariedade nº 7264/99, de 13 de Abril, criado já em consequência do conhecimen-
to que este processo de investigação aos lares de crianças e jovens permitiu desta realidade e das necessidades que lhe estão inerentes. Visa o desen- em 79% dos lares este tipo de visita verifica-se. Esta constatação corrobora a ideia da frequente exis-
volvimento de acções de orientação profissional dos jovens com mais de 14 anos que vivem em lar, através da Rede de Centros de Emprego, do Institu-
to de Emprego e Formação Profissional.

94 95
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

tência de fratrias nestas instituições; por outro lado, demonstra que no contexto institucional juvenil, Os lares que durante este ano receberam mais de 20 crianças representam apenas 6% do total.
os pares e as relações afectivas que com eles se estabelecem são marcantes.
No que diz respeito ao tempo médio para a admissão de uma criança ou jovem no lar, verificamos uma
As visitas aos lares representam também manifestação de vínculos afectivos com os técnicos do lar variação significativa da realidade, que vai desde a entrada imediata da criança a partir do momento
que os acompanharam durante o seu acolhimento, sendo, contudo, que estas apresentam um carácter em que é feita a solicitação de admissão até a períodos espera que podem ultrapassar os três meses.
mais esporádico (54%) do que frequente (48%).
Quadro 62 - Tempo médio de espera para admissão no lar
Finalmente, estas visitas podem ainda dever-se à necessidade de contactos de natureza adminis-
Valores %
trativa ou burocrática (23%). Este tipo de visita, apesar de ser aquele que, a ocorrer, implicaria obri- Entrada imediata 67 29.0
Menos de uma semana 12 5.2
gatoriedade, é a que acontece com menos frequência.79
Duas semanas 37 16.0
Um mês 41 17.7
Um mês a três meses 25 10.8
7. Fluxos de entradas e saídas de crianças e jovens dos lares no ano de 1997 Mais de três meses 49 21.2
Total 231 100.0
Não respostas 26
No sentido de se tentar conhecer os movimentos de entrada de crianças e jovens em lar e os respectivos Total 257

fluxos de saída, tomou-se como indicador um conjunto de dados estatísticos relativos ao ano de 1997 80. Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99

Assim, durante este ano, deram entrada neste lares 1815 crianças e jovens, o que corresponde a uma De facto, em 29% dos lares a entrada das crianças e jovens é imediata, enquanto em 21% da totalida-
média de 7,1 crianças e/ou jovens por instituição. de destas instituições a espera ultrapassa os três meses; em 33% dos lares, uma criança ou jovem tem
que aguardar entre duas semanas a um mês até ser acolhido na instituição.
O Quadro 61 permite concluir que a grande maioria dos lares (57%) acolheu durante o ano de 1997
entre 1 a 5 crianças, sendo que 34% destas instituições terá recebido entre 6 e 20 crianças. No que concerne às saídas de crianças e jovens destas instituições, o número total de crianças e jovens
que deixaram estas instituições de acolhimento em 1997 foi de 1233, o que corresponde a um número
Quadro 61 - N.º de crianças e jovens acolhidos em lar em 1997 médio de médio de 4,8 crianças, valor inferior ao número médio de acolhimentos efectuados neste ano81.
Valores % Esta constatação funciona como indicador que aponta para a permanência duradoira das crianças e
nenhuma criança 16 6.8
entre 1 e 5 crianças 124 53.0 jovens acolhidos nos lares, sem que se verifique estagnação nos fluxos de acolhimento.
entre 6 e 20 crianças 80 34.2
entre 21 e 40 crianças 11 4.7
entre 41 e 60 crianças 2 0.9
mais de 60 crianças 1 0.4
Total 234 100.0
Não respostas 23
Total 257
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

79
Refira-se que tratando-se esta de uma pergunta de resposta múltipla, os quatro tipos de visitas à instituição podem coexistir.
80
Recorde-se que a aplicação do inquérito que permitiu a recolha destes dados teve início em Dezembro de 1998, pelo que os dados estatísticos relativos
à entrada e à saída de crianças e jovens das instituições de acolhimento durante um período de tempo significativo teria que reportar-se ao ano anterior
ao início deste trabalho no terreno. 81
Sete crianças/jovens, recorde-se.

96 97
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 63 - N.º de crianças e jovens saídos do lar em 1997 Os principais motivos para a saída das crianças e jovens dos lares parecem ter sido, em 1997, a cessa-
Nº % ção das causas que tinham conduzido à sua admissão (34%) e a aquisição de uma situação de subsis-
nenhuma criança 47 22.6 tência própria (32%). Seguem-se outros motivos não especificados na origem da saída das crianças e
entre 1 a 5 crianças 98 47.1
entre 6 a 20 crianças 56 26.9 jovens do lar. No final do ranking e com pouca expressividade estatística surgem as situações de ado-
entre 21 a 40 crianças 5 2.4
mais de 40 crianças 2 1.0 pção (6% do total de saídas do lar) como a causa para a finalização do acolhimento em lar.
Total 208 100.0
Não respostas 49
Total 257 No ano de 1997, o número de crianças e jovens acolhidos em lar que regressaram às suas famílias de
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99 origem não surgem com um peso significativo: na grande maioria dos lares (91%) não regressaram às
famílias mais do que 10 crianças82.
De facto, a fluxo de saída não se pode considerar de grande intensidade: cerca de 70% da totalidade
dos lares não regista a saída de mais do que 5 crianças e/ou jovens no período de um ano e em 27% Quadro 64 - N.º de crianças e jovens regressados às famílias em 1997
destas instituições saíram do lar entre 6 a 20 crianças durante o ano de 1997. Apenas 7 (o que cor- Nº %
nenhuma criança 5 4.5
responde a 3% do total) lares registam um fluxo de saída mais intenso, i.e. superior a 20 crianças para
entre 1 e 5 crianças 78 70.9
quem cessou o acolhimento. entre 6 e 10 crianças 17 15.5
entre 11 e 15 crianças 5 4.5
entre 16 e 20 crianças 2 1.8
entre 21 e 30 crianças 1 0.9
O fim do acolhimento de crianças e/ou jovens em 1997 pode dever-se a diversos factores, nomeada-
mais de 30 crianças 2 1.8
mente o regresso às famílias de origem por cessação dos motivos que estiveram na origem do Total 110 100.0
Não respostas 147
acolhimento ou por responsabilização e subsistência própria, por encaminhamento para adopção Total 257
ou ainda por outros motivos não especificados. Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Figura 52 - Motivos para a saída do lar em 1997 (em %) Em cerca de 94% dos lares de crianças e jovens, a saída de jovens pela via da inserção profissional não
ultrapassou os 10 jovens.

Quadro 65 - Nº crianças e jovens que saíram do lar inseridos profissionalmente em 1997

Nº %
entre 0 e 5 crianças 75 80.6
entre 6 e 10 crianças 12 12.9
entre 11 e 15 crianças 4 4.3
entre 16 e 20 crianças 1 1.1
entre 21 e 30 crianças 1 1.1
Total 93 100.0
Não respostas 164
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Total 257

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

82
De salientar a ausência de resposta de 147 lares quanto ao número de jovens que deixaram de viver em lar em 1997, o que corresponde a mais de meta-
de das instituições (57%).

98 99
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Notas conclusivas: agir, conhecendo Encaminhamento e acompanhamento das crianças e dos jovens acolhidos

Temos, até aqui, vindo a dar a conhecer as características das instituições que acolhem crianças e O encaminhamento, a definição do projecto de vida das crianças e dos jovens acolhidos e o seu acom-
jovens em permanência, assim como as estratégias educativas e relacionais por si adoptadas. panhamento são as funções centrais a desempenhar por estas estruturas de acolhimento.

Estas características são os pontos de referência que nos permitem agora traçar algumas linhas de O primeiro passo deste processo é o acolhimento das crianças e dos jovens nos lares. No que ao acolhi-
actuação das entidades, directa ou indirectamente intervenientes no processo educativo das crianças e mento diz respeito, verificou-se em alguns lares, a partir das descrições deste processo fornecidas pelos
jovens que vivem em lar. directores das instituições, alguma indefinição dos procedimentos a adoptar e dos princípios a seguir.
Sugere-se, assim, a criação de espaços de reflexão conjunta entre as equipas técnicas dos lares de
Por um lado, e em primeiro lugar, pretendemos devolver a panorâmica da realidade dos lares de crian- crianças e jovens, no sentido de uma maior definição neste sentido, para que não seja apenas a intui-
ças e jovens que nos foi dada a conhecer aos próprios lares sobre os quais o conhecimento foi produzi- ção a presidir ao momento em que a criança ou o jovem dá entrada na instituição, e que é vivido, por
do83, com a intenção de rectificar eventuais deturpações involuntárias da realidade, decorrentes quer ele, com uma pesada carga emocional.
das metodologias utilizadas quer de pré-conceitos que filtrem o olhar sobre ela (Capucha: 1992).
Aos serviços de Segurança Social compete o acompanhamento deste processo de definição dos pro-
De seguida, dirigimo-nos àquelas que identificámos como as três entidades envolvidas neste processo cedimentos e os princípios a adoptar durante o acolhimento. Comete-se-lhe ainda a responsabilidade
educativo com linhas orientadoras da sua acção: em primeiro lugar, os lares onde se encontram aco- de articular com os lares (facto que deve implicar reciprocidade de contactos) a respeito do acompa-
lhidas as crianças e os jovens (i.e. os seus responsáveis e equipas técnicas); os serviços de Seguran- nhamento ao projecto de vida definido para as crianças e os jovens acolhidos.
ça Social84, a quem se encontra cometida a responsabilidade de acompanhamento do trabalho da equi-
pa do lar e, finalmente, aquilo que designamos genericamente por sociedade civil, que deve cada vez No que concerne às normas vigentes no funcionamento dos lares de crianças, há que mencionar o direi-
mais ser implicada no processo de socialização e de integração social plena das crianças e dos jovens to legal e moralmente consagrado de as crianças acolhidas beneficiarem de condições de comunicabi-
que, por não viverem no seu meio familiar de origem, se encontram acolhidos em lar. lidade com o exterior, em privacidade e sem qualquer rigor ou controle.

As orientações que sugerimos situam-se, essencialmente, em dois níveis: o encaminhamento que é dado Refira-se ainda que, pela constatação de que 2% destas instituições não garantem a vigilância e o
às crianças e jovens que são acolhidos no lar, por um lado e o tipo e a abertura do relacionamento que o acompanhamento dos jovens a tempo inteiro, se deve adverter as instituições (com o acompanhamento
lar mantém com as famílias de origem das crianças e dos jovens acolhidos e com a comunidade envol- e colaboração dos serviços de Segurança Social, adoptando sempre uma atitude pedagógica) para
vente. que as crianças e os jovens que vivem em lar possam usufruir, de facto, de condições de vida idênticas
às de uma família, também no que diz respeito ao seu acompanhamento sistemático.

Relacionamento do lar com a família e a comunidade

83
Vide Cap. I- Metodologia Adoptada.
84
«(…) o nº. 3 do artigo 63º da lei fundamental reconhece como objectivos da Segurança Social os constantes do artigo 69.º e da alínea d) do n.º 1 do arti- Os níveis de abertura dos lares de crianças e jovens à comunidade envolvente e às famílias de origem,
go 70.º, o que determina a responsabilidade directa do sector da Segurança Social pela protecção e pelo atendimento devidos às crianças e aos jovens
que tansitória ou definitivamente não possam estar integrados nas suas famílias naturais. Deve, por isso, ser preocupação prioritária da Segurança Social
a criação de condições que garantam as formas de resposta mais adequadas às crianças e aos jovens naquela situação, tendo em vista o seu desenvolvi-
mento físico, intelectual e moral e a sua inserção na comunidade.» (Artº. Decreto Lei nº. 2/86, de 2 de Janeiro)

100 101
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

são factor condicionante dos estilos de vida que estas instituições proporcionam àqueles que acolhem. jovem um desenvolvimento equilibrado, na medida em que proporcionam referências afectivas e
Diagnosticou-se que apenas 30% do panorama nacional de lares de crianças e jovens adoptam como cognitivas diversificadas e plurais.
princípio de actuação o relacionamento e a abertura com a comunidade e as famílias de origem das
crianças e jovens que acompanham, em simultâneo. Sendo esta a postura desejada, por que motivos os Aos serviços de Segurança Social sugere-se, a este propósito contactos mais próximos com os lares
restantes 70% de instituições de acolhimento vedam a porta de relacionamento de uma ou, ainda mais de crianças e jovens, num esforço de sensibilização para os benefícios da abertura das instituições à
preocupante, de ambas as dimensões? Sendo a atribuição destas instituições o proporcionar de condi- realidade exterior, quer para as crianças e jovens acolhidos (o cerne do trabalho da instituição), quer
ções de vida, tão próximas quanto possível das estruturas familiares, a crianças e jovens desprovidos para a própria instituição, principalmente naqueles lares onde o fechamento sobre si mesmo é mais
ou afastados do seu meio familiar de origem, com vista à promoção do seu bem-estar e do seu saudável acentuado. À Segurança Social compete também o apoio e os pareceres necessários à mudança das cul-
desenvolvimento físico, intelectual e emocional, esta constatação afigura-se-nos essencial. turas institucionais no sentido da sua abertura.

Estas instituições, pelos objectivo que se propõem cumprir, devem votar a sua actividade às crianças e No que concerne ao relacionamento do lar com a família das crianças e dos jovens acolhidos e com a
aos jovens que acolhem; o funcionamento da instituição em função de si própria e das normas e regras comunidade, a sociedade civil tem a desempenhar um papel central, quer na participação activa de
por si impostas não permite cumprir os objectivos a que se propõe enquanto lar de acolhimento de actividades promovidas pelo lar, quer através da abertura à participação das crianças e dos jovens aco-
crianças e jovens. Assim sendo, a abertura da instituição, quer à comunidade envolvente, quer às famí- lhidos nas suas próprias iniciativas e estruturas, proporcionando-lhes espaços de lazer, convívio e for-
lias dos acolhidos, não deverá ser ponderada como uma “ameaça” à sua rotina ou ordem estabelecida. mação importantes.
Pelo contrário, se é o interesse das crianças e dos jovens que está em causa, quanto mais estreitos forem
os contactos com o mundo exterior, mais esbatidos serão os eventuais efeitos negativos da instituciona-
lização (que decorrerão de vazios afectivos e tratamentos massificados), na medida em que, tanto té-
cnicos como crianças terão oportunidade de experienciar e absorver referências e afectividades certa-
mente enriquecedoras.

Sugere-se, de facto, aos lares de crianças e jovens um esforço de manutenção da proximidade pos-
sível com as suas famílias de origem ou com outras pessoas com quem tenham mantido ou mantenham
relações de afectividade e proximidade. Esta proximidade revela-se importante para o seu desenvolvi-
mento emocionalmente saudável. De facto, todos temos um passado, que condiciona aquilo que somos;
ignorá-lo ou escamoteá-lo é levar estas crianças a crescerem interiorizando nas suas identidades a ideia
de que uma parte das suas vidas não é (ou não deve ser) aceite. O resultado: níveis baixos de auto-esti-
ma, socialmente limitadores e fonte de sofrimento psicológico. Ainda que sejam as próprias famílias os
agentes do afastamento, sempre que tal não se revele desaconselhável para a criança, a proximidade
deve ser estimulada. De modo idêntico se sugere que a comunidade envolvente ao lar deva ser fonte de
contactos próximos e sistemáticos, nas suas mais diversas vertentes. De facto, contactos diversos com
indivíduos de diferentes idades, origens, condições sociais, sensibilidades favorecem na criança e no

102 103
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

I V- A n e x o s
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Anexo I
5. Localidade do lar
Guião DO QUESTIONÁRIO de Caracterização
de Lares de Crianças e Jovens 6. Área geográfica de influência da valência (lar)
Exclusivamente a freguesia onde está inserida
Questionário Nº | | | | | | Outras freguesias do concelho Quais
Quais
Aplicação do questionário: Quais
Identificação do inquiridor: Totalidade do Concelho
Código do inquiridor: | | | Outros concelhos para além do que está inserido Quais
Data de aplicação questionário: / / Quais
Quais
Inserção dos dados:
Identificação do responsável: 7. Concelho do lar
Código do responsável: | | |
Data de inserção dos dados: / / 8. Freguesia do lar

Nr. Inquérito Nr. Entrevistador 9. Data da fundação da Instituição (aaaa/mm/dd)


I - Identificação da Instituição
1 . Denominação (do Lar) Código do Lar | | | | 10. Data da fundação do Lar (aaaa/mm/dd)

2 . Morada (do Lar) 11. Estatuto jurídico da Instituição


Código Postal IPSS
Telefone Fax Associações de Solidariedade Social
Associações de Voluntariado de Acção Social
3. Denominação da Instituição (se não coincidir com a do lar) Fundações de Solidariedade Social
A morada da Instituição coincide com a do Lar Sim Não Associações de Socorros Mútuos
Irmandades das Misericórdias
4. Morada (se não coincidir com a do lar) Outra entidade s/fins lucrativos
Entidade c/fins lucrativos
Código Postal Cooperativa
4a) Telefone Entidade pública
4b) Fax

106 107
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

12. Elementos adicionais de identificação 6. Data da entrada em vigor do acordo: (aaaa/mm/dd)


12.1 - Nº de Identificação Fiscal
12.2 - Nº Contribuinte SS 7. Comparticipação/mensalidades das famílias dos utentes:
12.3 - Registo na Direcção Geral de Acção Social 1 7.1 Comparticipação/mensalidade máxima praticada (esc)
7.2 Comparticipação/mensalidade mínima praticada (esc)
II - Estrutura organizativa da Instituição 7.3 Número de crianças que utilizam a valência gratuitamente (esc)

1. A instituição tem os seus Estatutos registados na DGAS? 8. Valências prosseguidas pela Instituição e acordos de Cooperação.
Sim Lotação Acordos de Número
Não da Valência Cooperação de Utentes
Foi já solicitada a inscrição Sim Não
Lar feminino
2. A Instituição adoptou Regulamento Interno? (Anexar Modelo do Regulamento) Lar masculino
Sim Lar misto
Não Jardim de infância
ATL
3. Se não adoptou quais os motivos? Centro de Dia
Lar de Idosos
Centro de Actividades Ocupacionais2
Outras (Apoio Domiciliário)
4. Origem do financiamento em termos percentuais:
Receitas próprias % 9. Qual a capacidade da valência objecto da presente acção?
Acordos de cooperação % a) Nº de utentes b) Nº real de utentes a frequentar
Outras fontes de financiamento %
10. O lar integra crianças/jovens com deficiência?
5. No caso de possuir acordo de cooperação, qual a modalidade do acordo? Sim Quantas?
(Anexar acordo de cooperação) Não
Acordo de gestão
Acordo típico
Acordo atípico
Outra

1
Institituto de Acção Social no caso da Região Autónoma dos Açores e Direcção Regional de Segurança Social no caso da Região Autónoma da Madeira. 2
Centro dirigido a pessoas portadoras de deficiência

108 109
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

III - Admissão das crianças/jovens no lar IV - Funcionamento do lar:


Acolhimento, acompanhamento e cuidados diários das crianças/jovens, projecto
1. As condições/critérios de admissão no lar estão estabelecidas nos Estatutos/Regulamento? educativo e preparação da saída
Condições/critérios Sim Não
Estatutos 1. Como é preparado e desenvolvido o acolhimento?
Regulamento (Anexar Manual de Acolhimento)

2. Quais as condições/critérios de admissão no lar, por ordem de prioridade?


(Preencha com 1,2,3,4,5 consoante a prioridade atribuída ao critério)
Sexo
Escalão etário 2. Verifica-se o envolvimento das famílias de origem da criança/jovem...
Serem utentes outros familiares próximos (irmãos, primos) Sim Não
Residência na área onde está implantada Durante o período de acolhimento
Tipo de problemáticas Durante a institucionalização
Outra. Qual? Após a saída do lar

3. As condições/critérios fixados no Regulamento /Estatutos são do conhecimento das 3. Verifica-se o envolvimento das famílias da comunidade ...
entidades que solicitam o acolhimento? Sim Não
Sim Durante o período de acolhimento
Não Durante a institucionalização
Após a saída do lar
4. Existe lista de espera de crianças/jovens inscritos que aguardam a sua admissão?
Sim Quantas aguardam? 4. Existem processos individuais dos utentes admitidos no lar?
Não Sim
Não
5. Nas situações em que as crianças/jovens são admitidas no Lar por iniciativa da família
ou da comunidade, os casos são de imediato comunicados a ... 5. Onde se encontram arquivados os processos individuais?
Sim Não Em local de acesso aos funcionários do lar
Serviços da Segurança Social Em local de acesso reservado apenas a técnicos do lar
Tribunal (CPM) Em local de acesso reservado apenas ao director do lar
Não sabe/não se aplica

110 111
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

6. De quem é a responsabilidade de utilização dos processos individuais? 12. Que refeições são diariamente servidas às crianças/jovens?
Do director do lar Pequeno-almoço
Dos técnicos que acompanham individualmente cada processo Almoço
Lanche
7. No processo individual de cada criança/jovem, que outros documentos lhe são Jantar
apensos? (proceda a uma pequena amostragem desses processos) Ceia
Cédula pessoal
Boletim de Saúde 13. Semanalmente ou mensalmente ...
Relatório social
Outros Quais? É elaborada ementa É afixada? Sim
Não é elaborada ementa Não
8. Como são prestados os cuidados de saúde às crianças/jovens do Lar?
O lar tem médico próprio 14. Quem é o responsável pela elaboração da ementa?
O lar promove consultas de rotina no Centro de Saúde local Director
Lar recorre a consultas esporádicas em caso de necessidade Os técnicos
Cozinheiro(a) - Responsável pela ementa
9. O atendimento e vigilância às crianças/jovens no período nocturno... Elementos do Lar com apoio de nutricionista
É assegurado Outros
Não é assegurado
15. O Lar permite a utilização do telefone das crianças/jovens em condições de
10. De que forma é assegurado o atendimento e vigilância às crianças/jovens no período privacidade?
nocturno? Sim
Em permanência A determinadas horas Não
Dias úteis
Fins semana/feriados 16. Existem regras definidas quanto à ...
Sim Não
11. O atendimento/vigilância às crianças/jovens no período nocturno é assegurado por: Correspondência
Director do lar Dinheiro de bolso
Um técnico
Um administrativo
Um auxiliar

112 113
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

17. Que regras estão definidas? 22. As crianças/jovens que frequentam estabelecimentos públicos de educação e ensino
beneficiam de algum apoio especial?
Correspondência Dinheiro de Bolso No Lar Na Escola
Livre, sem restrições Livre, sem restrições Sim Não Sim Não
Não é permitida recepção Não é permitido Apoio educativo
Não é permitida emissão Permitido montante estipulado Apoio de serviço de psicologia
Supervisão prévia à recepção Permitido sob supervisão
Permitida em situações pontuais 23. Quem é o responsável pela articulação com a escola ?
Director do lar
18. O Lar organiza-se em grupos de crianças/jovens? Técnicos
Sim Não existe responsável definido
Não Se NÃO passe à questão 21 Outros

19. A dimensão máxima dos grupos corresponde a (nº de elementos) 24. O Lar organiza festas comemorativas?
Sim
20. Os grupos constituem-se/organizam-se por... Não
Escalões etários 0-5 anos (nº)
Por sexo 6-9 anos (nº) 25. Que festas comemorativas o lar organiza?
10-13 anos (nº) Natal
14-18 anos (nº) Ano Novo
Páscoa
21. As crianças/jovens têm acesso a todos os recursos da comunidade e participam nas Carnaval
iniciativas? Encerramento ano escolar
Acesso Participação Outras Quais?
Sim Não Sim Não
Estabelecimentos públicos de educação/ensino 26. As festas são abertas à restante comunidade?
Centros Formação Profissional Sim
Ginásios Não
Colectividades/Instituições 3
27. O lar permite a entrada de amigos/colegas?
Sim
Não
3
Colectividades/Instituições onde possam praticar desportos e outras actividades (teatro, cinema, convívio, jogos, reuniões, etc).

114 115
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

28. Nas situações em que não se mostre desaconselhável ou não haja decisão judicial em 32. Como são celebrados os aniversários?
contrário, a Instituição estimula o fortalecimento/restabelecimento das relações O lar organiza uma festa
familiares como condição para o equilíbrio afectivo/emocional? O lar oferece um presente
Sim São as crianças/jovens que se mobilizam
Não
33. Como são passados os fins-de-semana?
29. Que iniciativas desenvolve a Instituição para proporcionar às crianças/jovens os No lar sem actividades
meios necessários ao seu desenvolvimento pessoal? No lar com actividades
Iniciativas Sim Não Com a família
Promoção de acções de orientação escolar/profissional Com a família de colegas do lar
Promoção de encontros regulares com o estabelecimento de ensino Com outros. Quem?
Abertura da Instituição à comunidade local
Promoção da participação da família no percurso escolar/profissional 34. O Lar promove a saída aos fins-de-semana?
Promoção da participação da família no quotidiano da criança/jovem Sim
Promoção de encontros com outros jovens da comunidade Não
Outras. Quais?
Outras. Quais? 35. Quem organiza as saídas?
O director
30. De que forma proporciona às crianças/jovens a satisfação das necessidades básicas? Os técnicos
Através de... Sim Não O lar com apoio externo (animadores)
Um tratamento personalizado O lar em conjunto com a comunidade
Satisfação das necessidades básicas de alimentação e higiene pessoal O lar com um grupo de crianças/jovens
Satisfação das necessidades lúdico-recreativas Outras
Acompanhamento escolar
Outras. Quais? 36. As crianças/jovens participam nas tarefas diárias?
Outras. Quais? Sim
Não
31. Os aniversários das crianças/jovens são celebrados...
Individualmente 37. A Instituição acompanha e avalia sistematicamente cada situação de modo a permitir
Em grupo encontrar as respostas adequadas, salvaguardando os interesses das crianças/jovens?
Não são celebrados Sim De que forma?
Não

116 117
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

38. O encaminhamento é orientado por uma equipa técnica? 44. De que forma garante a Instituição o apoio ajustado às necessidades de cada
Sim criança/jovem durante a preparação/período de adaptação para saída do lar?
Não

39. Qual a formação da equipa técnica e nº de elementos em cada área?


Psicologia nº
Serviço Social nº V - Pessoal afecto à Instituição
Sociologia nº
Educação Social nº 1. Direcção do lar (nome)
Pediatria nº
Educação de infância nº 2. Qual a formação académica do (a) director(a) do lar?
Outra. Qual? nº Não tem formação académica superior
Psicologia
40. O encaminhamento das crianças/jovens é feito com a anuência...? Serviço Social
Das próprias crianças/jovens Sociologia
Da família Educação Social
Pediatria
41. A Segurança Social tem conhecimento do encaminhamento dado às crianças/jovens? Educação de infância
Sim Outra. Qual?
Não
3. Qual a disponibilidade dedicada por este (a) à Instituição?
42. Quando ocorre a saída do lar4 é efectuada uma preparação prévia por parte da Dedicação exclusiva
Instituição? Em acumulação
Sim
Não

43. A preparação/período de adaptação para a saída do lar prevê o apoio ajustado às


necessidades de cada criança/jovem?
Sim
Não

4
Quando se verificam as condições de cessação das causas que levaram à admissão no Lar e/ou se verifiquem condições de responsabilização e subsis-
tências próprias.

118 119
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4. Para além da equipa técnica qual a constituição da restante equipa? VI - Articulação com os Serviços de Segurança Social
Administrativos nº
Contabilistas nº 1. A Instituição tem recebido todo o apoio solicitado aos serviços de Segurança Social?
Vigilantes/prefeitos nº Sim
Auxiliares de limpeza nº Não
Cozinheiros nº
Ecónoma nº 2. Qual a última data da visita/contacto feito pelos serviços da Segurança Social à
Voluntárias nº Instituição?
Outra nº Qual? (aaaa/mm/dd)

5. A Instituição promove a formação da equipa do lar? 3. A visita/contacto feito à Instituição resultou...


Sim, mediante necessidade suscitada pelos próprios Do contacto regular que mantêm com os serviços
Sim, mediante necessidade sentida pelo lar Da solicitação expressa da Instituição
Não promove formação De uma acção de inspecção
De outra situação. Qual?
6. A Instituição promove a observação médica do seu pessoal num mínimo uma vez por
ano? VII - Descrição detalhada das instalações e equipamentos
Sim
Não 1. Tipo de edifício
Prédio de habitação de utilização exclusiva
7. A observação médica efectuada é atestada por um documento comprovativo do Prédio de habitação de utilização parcial
estado sanitário (físico e psíquico)? Edifício histórico
Sim Pré-fabricado
Não Outro. Qual?

8. As normas de higiene e segurança no trabalho são asseguradas pela Instituição? 2. Aspecto geral do edifício
Sim a) Do Exterior
Não Degradado, necessitando de obras estruturais
Degradado, necessitando de obras pontuais
Necessitado de obras de limpeza/ manutenção
Em bom estado

120 121
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

a) Do Interior VIII - Dados estatísticos (reportados ao ano de 1997)


Degradado, necessitando de obras estruturais
Degradado, necessitando de obras pontuais 1. Qual o nº de crianças/jovens entrados no lar durante o ano de 1997?
Necessitado de obras de limpeza/ manutenção
Em bom estado Nº

3. As instalações do lar estão dotadas de...


2. Qual o tempo médio de espera entre a manifestação de interesse na admissão no lar e
Número
o ingresso efectivo?
Quartos individuais
Entrada imediata
Quartos partilhados
Menos de uma semana
Salas de convívio
Duas semanas
Salas de estudo
Um mês
Espaço de recreio
Um mês a três meses
Instalações sanitárias adequadas às diferentes idades
Mais de três meses
Cozinha
Sala de Jantar
3. Nº de crianças /jovens que saíram do lar após terem entrado durante o ano de 1997 e
Gabinetes técnicos
motivos que levaram à sua saída?
Instalações para o pessoal
a) Total de saídas
Quartos de apoio aos familiares das crianças residentes em regiões longínquas
b) Motivos saída
Espaços para apoio
Cessaram as causas que levaram à admissão
Arrecadação
Por responsabilização/ subsistência própria
Acessibilidades para deficientes (rampas, elevadores, etc)
Adopção
Outras. Quais?
Outros. Quais?

4. As instalações do Lar têm proximidade com os seguintes serviços/zonas?


4. Das crianças/jovens que saíram do lar quantas regressaram às suas famílias de origem
Zona habitacional
pelos motivos referidos?
Estabelecimentos de ensino
a) Por terem cessado as causas que levaram à admissão
Estabelecimentos de formação profissional
b) Por responsabilização/ subsistência própria
Estabelecimentos de saúde
Equipamentos desportivos
Equipamentos culturais
Transportes públicos
Outros. Quais? _________________________

122 123
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5. Na situação de saída do lar por se ter verificado a situação de responsabilização/subsis-


tência própria, qual o nº de crianças/jovens que estão efectivamente inseridos social e
profissionalmente?
Anexo 2
a) Inseridos socialmente
quadros regionais
a) Inseridos profissionalmente
de caracterização dOs LARES
DE crianças e jovens
6. As crianças/jovens mantêm após a sua saída contactos com o lar?
Sim Quadro 1 - Capacidade e ocupação dos lares de crianças e jovens por região1
Não
Lotação do lar
Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira Total

Capacidade / Ocupação dos lares


sobrelotação entre 10 a 21 Valores 1 1 1 1 4
7. Que tipo de contactos mantêm? crianças/jovens % 25.0% 25.0% 25.0% 25.0% 100.0%
sobrelotação entre 5 a 9 Valores 1 1 4 1 7
Administrativos/burocráticos crianças/jovens % 14.3% 14.3% 57.1% 14.3% 100.0%
sobrelotação entre 1 a 4 Valores 8 2 9 3 2 3 27
Visita frequente aos técnicos do lar crianças/jovens % 29.6% 7.4% 33.3% 11.1% 7.4% 11.1% 100.0%
ocupação total do lar Valores 22 9 23 2 2 1 2 61
Visita esporádica aos técnicos do lar % 36.1% 14.8% 37.7% 3.3% 3.3% 1.6% 3.3% 100.0%
entre 1 a 5 vagas do lar Valores 20 17 32 4 7 3 83
Visita aos amigos/familiares que lá ficaram % 24.1% 20.5% 38.6% 4.8% 8.4% 3.6% 100.0%
entre 6 a 10 vagas do lar Valores 11 4 6 4 1 2 1 29
% 37.9% 13.8% 20.7% 13.8% 3.4% 6.9% 3.4% 100.0%
entre 11 a 20 vagas do lar Valores 13 3 2 4 1 23
8. No lar vivem crianças/jovens ... % 56.5% 13.0% 8.7% 17.4% 4.3% 100.0%
entre 21 a 46 vagas do lar Valores 5 2 1 8
Há mais de 18 meses Nr. % 62.5% 25.0% 12.5% 100.0%
mais de 50 vagas do lar Valores 1 1
Há mais de 3 anos Nr. % 100.0% 100.0%
Total Valores 80 40 75 15 8 17 8 243
Há mais de 5 anos Nr. % 32.9% 16.5% 30.9% 6.2% 3.3% 7.0% 3.3% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

9. Exponha aqui questões que considere objecto de apreciação não contempladas neste questionário.

1
Os lares onde se registava a ocupação total das suas vagas situavam-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Norte (cerca de 38% e 36%, respectiva-
mente), regiões onde se situavam também os lares onde se registavam as mais significativas cargas de sobrelotação (entre 1 e 9 crianças a exceder a
capacidade do lar). De destacar ainda a existência de 4 lares que superavam a sua capacidade entre 10 a 21 crianças, situando-se cada um deles nas
regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Região Autónoma da Madeira. No que diz respeito à sub-lotação dos lares de crianças e jovens, salien-
ta-se em primeiro lugar, a região Centro onde existia o único lar que tinha disponível mais de 50 vagas. Destaquem-se também as regiões Norte, Centro
e Algarve onde as percentagens entre 11 a 46 vagas assumiam valores mais significativos. Os lares que tinham até 10 vagas sobressaiam nas regiões Norte,
Lisboa e Vale do Tejo e Centro.

124 125
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 2 - Tipo de edifício onde se encontram instalados os lares de crianças Quadro 3 - Aspecto exterior do edifício onde se encontram instalados os lares de
e jovens em função da região do lar2 crianças e jovens em função da região do lar3

Lotação do lar Aspecto exterior do edifício


Degradado Degradado
Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira Total
necessitando necessitando Necessitando de
Tipo de edifío

Prédio de habitação Valores 49 30 49 6 3 8 4 149 de obras de obras obras de Em bom


de utilização exclusiva % 61.3% 76.9% 65.3% 37.5% 37.5% 50.0% 50.0% 61.6% estruturais pontuais limpeza/manutenção estado
Prédio de habitação Valores 7 3 13 1 1 2 1 28

Região do lar
Norte Valores 1 3 26 49
de utilização parcial % 8.8% 7.7% 17.3% 6.3% 12.5% 12.5% 12.5% 11.6%
% 14.3% 23.1% 45.6% 29.9%
Edifício histórico Valores 12 1 9 4 1 3 3 33
Centro Valores 2 2 9 27
% 15.0% 2.6% 12.0% 25.0% 12.5% 18.8% 37.5% 13.6%
% 28.6% 15.4% 15.8% 16.5%
Pré-fabricado Valores 2 1 1 4
LVT Valores 1 5 12 57
% 2.5% 2.6% 12.5% 1.7%
% 14.3% 38.5% 21.1% 34.8%
outro Valores 10 4 4 5 2 3 28
Alentejo Valores 1 2 5 8
% 12.5% 10.3% 5.3% 31.3% 25.0% 18.8% 11.6%
% 14.3% 15.4% 8.8% 4.9%
Total Valores 80 39 75 16 8 16 8 242
Algarve Valores 2 1 5
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
% 28.6% 1.8% 3.0%
Açores Valores 1 14
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 % 1.8% 8.5%
Madeira Valores 1 3 4
% 7.7% 5.3% 2.4%
Total Valores 7 13 57 164
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

2
A caracterização por região do tipo de edifício onde se acolhem crianças e jovens apresenta um déficit de resposta de cerca de 6% face ao total de 257
lares existentes. É na Região Centro que se verifica a sobre-representatividade dos prédios de habitação exclusiva face aos restantes tipos de edifí-
cio (77% da totalidade dos lares existentes nesta região do país), seguida das Regiões de L.V.T. e do Norte, onde 65% e 61%, respectivamente, dos lares 3
Os edifícios em bom estado onde são acolhidos crianças e jovens encontram-se de forma preponderante nas Regiões de Lisboa e Vale do Tejo (cerca
que se situam nestas regiões estão instalados neste tipo de edifício. Destaca-se também a Região de Lisboa e Vale do Tejo, com características vincadas de 35%) e do Norte (30%). Cerca de 17% destes edifício em bom estado que acolhem crianças e jovens situam-se na Região Centro. É na Região Norte
de urbanidade, no que diz respeito a prédios de utilização parcial onde 17% dos lares de crianças e jovens se encontram instalados nesta região, que os edifícios onde se encontram os lares de crianças e jovens mais necessitam de obras de manutenção ou limpeza (cerca de 46% do total), seguindo-
assim como as Regiões do Algarve, dos Açores e da Madeira onde cerca de 13% dos seus lares de crianças e jovens coabitam no mesmo edifício com outro se as Regiões de L.V.T. e do Centro (21% e 16%, respectivamente). No que concerne às situações de degradação dos edifícios onde se encontram ins-
tipo de entidades. Quanto aos edifícios históricos onde funcionam lares de acolhimento de crianças e jovens, refira-se a importância da Região Autó- talados os lares de crianças e jovens, destaca-se também a Região de Lisboa e Vale do Tejo onde se situam 39% dos lares que se encontram em edifícios
noma da Madeira (cerca de 38% dos lares existentes nesta região encontram-se instalados em edifício históricos), do Alentejo (25% dos lares desta região que necessitam de obras pontuais; a necessidade deste tipo de obras é ainda sentida significativamente em lares da Região Norte (23%) e das Regiões
situam-se neste tipo de edifício) e na Região Autónoma dos Açores (cerca de 19% do total dos lares desta região do país). Os lares de crianças e jovens Centro e Alentejo (cada uma destas regiões conta com 15% dos lares cujos edifícios necessitam de obras pontuais). Os edifícios que acolhem lares de
que funcionam em edifícios pré-fabricados são 4, o que representa apenas cerca de 2% dos 257 existentes no país. Dois destes lares situam-se na crianças e jovens cujo grau de degradação exige obras estruturais situam-se maioritariamente nas Regiões Centro e Algarve (29%), seguindo-se-lhes,
Região Norte. em termos de importância estatística, as Regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo (14% em cada uma das Regiões mencionadas).

126 127
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 4 - Aspecto interior do edifício onde se encontram instalados os lares de Figura 1 - Distribuição regional das instalações e equipamentos existentes nos lares de
crianças e jovens em função da região do lar4 crianças e jovens (em %)5
Aspecto exterior do edifício
Degradado Degradado
necessitando necessitando Necessitando de
de obras de obras obras de Em bom
estruturais pontuais limpeza/manutenção estado
Região do lar

Norte Valores 8 6 22 47
% 29.6% 37.5% 40.0% 32.0%
Centro Valores 3 3 10 24
% 11.1% 18.8% 18.2% 16.3%
LVT Valores 8 2 13 51
% 29.6% 12.5% 23.6% 34.7%
Alentejo Valores 2 3 5 6
% 7.4% 18.8% 9.1% 4.1%
Algarve Valores 2 2 4
% 7.4% 3.6% 2.7%
Açores Valores 2 1 1 12
% 7.4% 6.3% 1.8% 8.2%
Madeira Valores 2 1 2 3
% 7.4% 6.3% 3.6% 2.0%
Total Valores 27 16 55 147
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMT, 1998/99

5
Em termos regionais, a primeira constatação que se destaca é o facto da única Região onde existem alguns lares que não dispoêm de quartos partilhados
(presumimos, portanto, que nestes lares as crianças e jovens acolhidos dormem em quartos individuais) situam-se na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Os
lares das Regiões do Algarve dos Açores são aqueles em que menos existem salas de estudo; as Regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo são as úni-
4
Os edifícios que albergam crianças e jovens que se encontram num estado mais avançado de degradação no que diz respeito ao seu aspecto interior cas do país onde existem alguns lares de crianças e jovens que não dispoêm de cozinhas e salas de jantar. As instalações para o pessoal escas-
encontram-se nas Regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo (cerca de 30% do total de lares cujos edifícios necessitam de obras estruturais); a necessidade de seiam de forma mais frequente nos lares das Regiões dos Açores, Alentejo e Algarve (apenas existem em 59%, 69% e 63% do total dos lares destas Regiões,
obras pontuais é sentida sobretudo para os edifícios dos lares da Região Norte (37,5%) e das Regiões Centro e Alentejo (cerca de 19%). Os lares de respectivamente). Em contrapartida, na Região Centro cerca de 44% dos lares de crianças e jovens dispoêm de quartos de apoio para familiares dos
crianças e jovens que apresentam um melhor aspecto exterior parecem ser os lares da Região de Lisboa e Vale do Tejo (cerca de 35% dos edifícios jovens acolhidos. No que diz respeito às acessibilidades para deficientes, é nos lares da Região Norte que estas se encontram com mais frequência,
que se encontram em bom estado) e da Região Norte (32%), seguidas dos lares do Centro do país (16%). ainda que apenas existam em cerca de 21% da totalidade destas instituições.

128 129
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 5 - Formação académica superior do director do lar Quadro 7 - Promoção pelo lar de formação da equipa técnica
em função da região6 por região8
Formação académica do(a) director(a) do lar A Instituição promove a formação
Não tem da equipe do Lar?
formação Sim,
académica Serviço Educação Educação mediante Sim,
superior Psicologia Social Sociologia Social de infância Outra necessidade mediante
Região

Norte Valores 15 3 2 10 53 suscitada necessidade Não


% 50.0% 10.7% 33.3% 33.3% 37.9% pelos sentida pelo promove
Centro Valores 1 2 7 9 21 próprios Lar formação Total
Norte Valores 9 52 20 81

Região
% 3.3% 20.0% 25.0% 30.0% 15.0%
LVT Valores 3 6 15 2 4 6 39 % 32.1% 34.2% 32.3% 33.5%
% 10.0% 60.0% 53.6% 66.7% 66.7% 20.0% 27.9% Centro Valores 3 23 13 39
Alentejo Valores 7 1 1 1 6 % 10.7% 15.1% 21.0% 16.1%
% 23.3% 3.6% 33.3% 3.3% 4.3%
LVT Valores 13 43 19 75
Algarve Valores 1 1 6
% 10.0% 3.6% 4.3% % 46.4% 28.3% 30.6% 31.0%
Açores Valores 4 1 2 10 Alentejo Valores 2 7 6 15
% 13.3% 3.6% 6.7% 7.1% % 7.1% 4.6% 9.7% 6.2%
Madeira Valores 1 2 5 Algarve Valores 8 8
% 10.0% 6.7% 3.6%
% 5.3% 3.3%
Total Valores 30 10 28 3 6 30 140
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% Açores Valores 1 12 3 16
% 3.6% 7.9% 4.8% 6.6%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Madeira Valores 7 1 8
% 4.6% 1.6% 3.3%
Total Valores 28 152 62 242
Quadro 6 - Tipo de dedicação do director do lar em função da região 7 % 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Tipo de dedicação do(a) Director (a) à Instituição Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Dedicação exclusiva Em acumulação


Valores % Valores %
Região Norte 61 74.4% 21 25.6%
do Lar Centro 30 76.9% 9 23.1%
LVT 64 86.5% 10 13.5%
Alentejo 14 87.5% 2 12.5%
Algarve 5 62.5% 3 37.5%
Açores 13 76.5% 4 23.5%
Madeira 8 100.0%
Total 195 79.9% 49 20.1%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99

6
Uma análise por Região da formação académica dos directores dos lares das crianças e jovens faz-nos destacar o facto de metade daqueles que não dis-
poêm de formação académica superior serem directores de lares que se encontram na Região Norte; a formação em psicologia é uma realidade
que tem expressão particular entre os directores dos lares de Lisboa e Vale do Tejo (60%); os directores de lar cuja formação é o serviço social existem
essencialmente nas Regiões de Lisboa e Vale do Tejo (53%), Centro (25%) e Norte (11%); a sociologia é a área de formação menos frequente no que diz
respeito aos directores destes lares, existindo apenas em lares da Região de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. No que diz respeito à formação dos directo- 8
Estes lares que não manifestam preocupação pela formação da sua equipa técnica se situam, sobretudo nas regiões Norte (32% do total de lares que não
res de lar na área da Educação, refira-se a existência de educadores sociais responsáveis por lares da Regiões Lisboa e Vale do Tejo (67%) e Norte (33%) promovem formação à sua equipa técnica) e Lisboa e Vale do Tejo (cerca de 31%). Também na Região Centro se verifica uma elevada percentagem de
e de educadores de infância em posição homóloga essencialmente nas Regiões Norte (38%), Lisboa e Vale do Tejo (28%) e Centro (15%). lares que não fomentam a formação técnica das suas equipas (21%). É também nos lares destas regiões (Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Centro) que a for-
7
Os lares cujo responsável dedica o seu tempo ao lar em acumulação com outras actividades existem, essencialmente, nas Regiões Algarve (38%), Norte mação técnica é mais frequentemente facultada às suas equipas (21%). É também nos lares destas regiões (Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Centro) que a
(26%), Açores (24%) e Centro (23%); a dedicação ao lar em exclusividade por parte dos seus directores é característica essencialmente dos lares da formação técnica é mais frequentemente facultada às suas equipas (34%, 28% e 15% respectivamente). A iniciativa das equipas técnicas dos lares no
Região Autónoma da Madeira (a totalidade dos lares), do Alentejo (88%) e de Lisboa e Vale do Tejo (87%). sentido da formação é mais frequente nos lares da Região de Lisboa e Vale do Tejo (46%).

130 131
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 8 - Observação médica do pessoal do lar 1 vez por ano Quadro 9 - Estatuto jurídico da instituição em função da região do lar10
em função da região9 Região do lar
Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira Total
A Instituição promove a

Estatuto juridico da instituição


Associações de Valores 29 14 13 4 5 12 2 79
observação médica do Solidariedade Social % 35.4% 35.0% 17.6% 25.0% 62.5% 70.6% 25.0% 32.3%
seu pessoal no Associações de Voluntariado Valores 1 1 1 3
mínimo uma vez de Acção Social % 2.5% 1.4% 5.9% 1.2%
por ano? Fundações de Solidariedade Valores 40 17 17 7 1 3 5 90
Sim Não Total Social % 48.8% 42.5% 23.0% 43.8% 12.5% 17.6% 62.5% 36.7%
Norte Valores 41 38 79 Associações de Socorros Valores 2 1 3
Mútuos % 2.4% 1.4% 1.2%
Região

% 33.1% 32.5% 32.8%


Irmandades das Valores 9 7 8 2 2 1 29
Centro Valores 16 23 39
Misericórdias % 11.0% 17.5% 10.8% 12.5% 25.0% 5.9% 11.8%
% 12.9% 19.7% 16.2% Outras entidades sem fins Valores 1 3 4
LVT Valores 43 32 75 lucrativos % 1.2% 4.1% 1.6%
% 34.7% 27.4% 31.1% Entidades com fins Valores 2 2
Alentejo Valores 6 9 15 lucrativos % 2.7% 0.8%
Cooperativa Valores 2 1 3
% 4.8% 7.7% 6.2%
% 2.7% 6.3% 1.2%
Algarve Valores 5 3 8 Entidade pública Valores 1 1 27 2 1 32
% 4.0% 2.6% 3.3% % 1.2% 2.5% 36.5% 12.5% 12.5% 13.1%
Açores Valores 12 5 17 Total Valores 82 40 74 16 8 17 8 245
% 9.7% 4.3% 7.1% % 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
Madeira Valores 1 7 8
% 0.8% 6.0% 3.3% Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Total Valores 124 117 241
% 100.0% 100.0% 100.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Quadro 10 - Registo dos estatutos em função da região do lar11

Estatutos registados na DGAS


Sim Não Foi já solicitada
a inscrição
Valores % Valores % Valores %
Região Norte 72 88.9% 3 3.7% 6 7.4%
do Lar Centro 35 92.1% 1 2.6% 2 5.3%
LVT 39 60.0% 26 40.0%
Alentejo 13 86.7% 2 13.3%
Algarve 8 100.0%
Açores 9 90.0% 1 10.0%
Madeira 7 87.5% 1 12.5%
Total 183 81.3% 33 14.7% 9 4.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS,1998/99

10
Uma análise por região dos estatutos jurídicos dos lares de acolhimento de crianças e jovens reforça a constatação da importância das IPSS neste con-
texto em todas as regiões do país. Nas Regiões Norte, Centro, Alentejo e Madeira o tipo de instituição mais representada são as Fundações de Solida-
riedade Social (49%, 43%, 44% e 63%, respectivamente), sendo que nas Regiões do Algarve e dos Açores predominam as Associações Particulares
de Solidariedade Social (65% e 71%). Na Região de Lisboa e Vale do Tejo o estatuto de Entidade Pública é aquele que assume maior peso no con-
9
Os lares das Regiões Centro, Alentejo e Madeira surgem como aqueles onde é mais frequente o não fomento de observação médica do pessoal do lar do texto das instituições de acolhimento definitivo de crianças e jovens (37% da totalidade).
que a promoção desta medida profiláctica (cerca de 25%, 8% e 6% de lares que não promovem observação médica contra 13%, 5% e 1%, respectiva- 11
Os lares para crianças e jovens que não solicitaram a inscrição dos seus estatutos na DGAS situam-se maioritariamente na Região de Lisboa e Vale do
mente). Tejo (40%), sendo residual a sua existência noutras Regiões do país.

132 133
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 11 - Adopção de regulamento interno em função da região do lar12 Quadro 13 - Existência de lista de espera no lar em função da região do lar14
Regulamento interno
Existe lista de espera?
Sim Não Sim Não Total
Valores % Valores % Norte Valores 40 42 82

Região
Norte 47 57.3% 35 42.7% % 32.0% 35.3% 33.6%
Centro 22 57.9% 16 42.1% Centro Valores 16 23 39
LVT 60 77.9% 17 22.1% % 12.8% 19.3% 16.0%
Alentejo 14 87.5% 2 12.5% LVT Valores 48 26 74
Algarve 4 50.0% 4 50.0% % 38.4% 21.8% 30.3%
Açores 5 29.4% 12 70.6% Alentejo Valores 8 8 16
Madeira 6 75.0% 2 25.0% % 6.4% 6.7% 6.6%
Total 158 64.2% 88 35.8% Algarve Valores 3 5 8
% 2.4% 4.2% 3.3%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Açores Valores 3 14 17
% 2.4% 11.8% 7.0%
Madeira Valores 7 1 8
Quadro 12 - Área geográfica da influência do lar em função da região 13 % 5.6% 0.8% 3.3%
Total Valores 125 119 244
Área geográfica de influência do Lar
% 100.0% 100.0% 100.0%
Outros
conselhos
para além Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
do
Exclusivamente conselho
a freguesia Totalidade em que
onde está do está
inserida Conselho inserido Figura 2 - Envolvimento da família nas três fases do acolhimento
Norte Valores 17 60
Região do lar

% 22.1% 77.9% por região (%)15


Centro Valores 8 27
% 22.9% 77.1%
LVT Valores 3 26 40
% 4.3% 37.7% 58.0%
Alentejo Valores 2 7
% 22.2% 77.8%
Algarve Valores 1 6
% 14.3% 85.7%
Açores Valores 5 2 6
% 38.5% 15.4% 46.2%
Madeira Valores 5 2
% 71.4% 28.6%
Total Valores 8 61 148
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
% 3.7% 28.1% 68.2%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

12
No que diz respeito à distribuição regional da adopção de regulamento interno por parte dos lares de crianças e jovens, destacam-se as Regiões do Alen- 14
As Regiões do país onde existem mais lares com listas de espera para admissão são Lisboa e Vale do Tejo, Norte e Centro, com 38%, 32% e 12%, res-
tejo, de Lisboa e Vale do Tejo e da Madeira, onde a percentagem de lares que adoptaram regulamento interno é significativamente superior às percenta- pectivamente. Refira-se que nas Regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Madeira são mais frequentes os lares de crianças e jovens que têm lista de espera
gens dos lares que não o fizeram (88%, 77% e 75%, respectivamente). Realce especial é também devido aos lares da Região Autónoma dos Açores onde (38% e 6%, respectivamente) do que os que não têm (22% e 0,8%).
se verifica a existência de mais lares que não adoptaram regulamento interno (71% do total de lares desta região do país) do que aqueles que o fizeram 15
No momento da admissão, os lares onde se verifica maior envolvimento familiar são os das Regiões da Madeira, do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo (86%,
(29%). 77% e 74%, respectivamente). Durante a permanência das crianças e jovens, os lares da Região do Alentejo são aqueles nos quais menos se verifica o
13
Os lares que restringem o acolhimento de crianças e jovens àqueles que residem na freguesia onde o lar se encontra instalado existem apenas nas Regiões envolvimento da família (apenas se verifica em 57% dos lares desta região); nas restantes regiões a permanência das crianças e jovens em lar é pauta-
de Lisboa e Vale do Tejo e dos Açores. À excepção dos lares da Região Autónoma da Madeira, as restantes regiões do país a maioria dos lares acolhe da, na maioria das situações, pela participação familiar. No que diz respeito à saída dos jovens dos lares, verifica-se que o envolvimento familiar é mais
crianças e/ou jovens residentes noutros concelhos que não apenas aquele onde o lar se situa. frequente nos lares da Região Autónoma da Madeira (nesta região este envolvimento é uma realidade da totalide do país) e do Centro (88%).

134 135
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Figura 3 - Envolvimento da comunidade nas três fases do acolhimento Quadro 15 - Local de arquivo dos processos em função da região do lar18
por região16 (%) Onde está o Arquivo dos processos
Em local Em local
de acesso de acesso
Em local de reservado reservado
acesso aos apenas a apenas ao Não
funcionários técnicos Director do sabe- não
do Lar do Lar Lar se aplica Total
Norte Valores 5 44 28 3 80

Região
% 33.3% 27.0% 50.0% 75.0% 33.6%
Centro Valores 5 25 9 39
% 33.3% 15.3% 16.1% 16.4%
LVT Valores 4 61 8 73
% 26.7% 37.4% 14.3% 30.7%
Alentejo Valores 1 9 6 16
% 6.7% 5.5% 10.7% 6.7%
Algarve Valores 7 1 8
% 4.3% 1.8% 3.4%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Açores Valores 12 2 1 15
% 7.4% 3.6% 25.0% 6.3%
Madeira Valores 5 2 7
Quadro 14 - Existência de processos individuais em função da região do lar16 % 3.1% 3.6% 2.9%
Existem processos Individuais? Total Valores 15 163 56 4 238
Sim Não % 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
Norte Valores 79 1
Região

% 34.6% 10.0% Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Centro Valores 34 2
2% 14.9% 20.0%
LVT Valores 71 3
% 31.1% 30.0%
Alentejo Valores 15
% 6.6%
Algarve Valores 8
% 3.5%
Açores Valores 14 3
% 6.1% 30.0%
Madeira Valores 7 1
% 3.1% 10.0%
Total Valores 228 10
% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

16
Nos lares das Regiões Autónomas, do Algarve e do Alentejo, o envolvimento da comunidade durante a permanência das crianças e jovens na instituição
é total; nas restante regiões, este envolvimento é superior a 90% do total de lares existentes. Quanto ao envolvimento da comunidade durante a admis-
são, é nas regiões Norte e Centro que esta se manifesta com maior peso (59% e 54%, respectivamente). O envolvimento da comunidade após a saída das
crianças e jovens dos lares é, na região do Algarve superior ao envolvimento que se verifica nos lares das restantes regiões. É no lares de Lisboa e Vale
do Tejo, Alentejo e Açores que o envolvimento comunitário no processo de saída dos jovens dos lares de acolhimento é mais reduzido (57%, 46% e 40%, 18
Os lares onde o acesso de toda a equipa aos processos individuais encontram-se maioritariamente no Norte (33%), Centro (33%) e Lisboa e Vale do Tejo
respectivamente). (cerca de 27%). Os lares que arquivam os processos individuais das crianças e jovens que acolhem com restrições de acesso a outra que não os técni-
17
No que diz respeito à distribuição regional dos lares, a não adopção da metodologia de constituição de processos individuais para as crianças e jovens cos do lar situam-se maioritariamente nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (37%) e do Norte (27%); a restrição de acesso aos processos individuais ao
apenas não ocorre nas Regiões do Alentejo e do Algarve. Em todas as outras regiões existem alguns lares onde tal acontece, ainda que o seu número nes- director do lar é característica das instituições nortenhas (metade dos lares que adoptam esta metodologia), na região Centro (16%) e de Lisboa e Vale
tas regiões não ultrapasse as 3 instituições. do Tejo (14%).

136 137
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 16 - Possibilidade de utilização do telefone em condições Quadro 18 - Existência de regras em relação ao dinheiro em função da região20
de privacidade em função da região do lar Regras Dinheiro
Permitido Permitido
Utilização do Telefone Livre, sem Não é montante sob
em condições de privacidade restrições permitido estipulado supervisão Total

Região
Sim Não Norte Valores 12 3 19 39 73
Norte Valores 72 9
Região

% 52.2% 21.4% 36.5% 29.5% 33.0%


% 33.8% 31.0%
Centro Valores 2 5 8 21 36
Centro Valores 32 4
% 8.7% 35.7% 15.4% 15.9% 16.3%
% 15.0% 13.8%
LVT Valores 7 2 18 41 68
LVT Valores 65 12
% 30.4% 14.3% 34.6% 31.1% 30.8%
% 30.5% 41.4%
Alentejo Valores 2 2 11 15
Alentejo Valores 14 1
% 8.7% 3.8% 8.3% 6.8%
% 6.6% 3.4%
Algarve Valores 3 5 8
Algarve Valores 7 1
% 5.8% 3.8% 3.6%
% 3.3% 3.4%
Açores Valores 4 1 9 14
Açores Valores 15 2
% 28.6% 1.9% 6.8% 6.3%
% 7.0% 6.9%
Madeira Valores 1 6 7
Madeira Valores 8
% 1.9% 4.5% 3.2%
% 3.8%
Total Valores 23 14 52 132 221
Total Valores 213 29
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
% 100.0% 100.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 17 - Regras de uso da correspondência pelas crianças e jovens em lar em função


da região19
Correspondência
Permitida
Supervisão em
Livre, sem prévia à situações
restrições recepção pontuais Total
Norte Valores 60 7 1 68
Região

% 33.3% 29.2% 16.7% 32.4%


Centro Valores 22 7 2 31
% 12.2% 29.2% 33.3% 14.8%
LVT Valores 60 4 64
% 33.3% 16.7% 30.5%
Alentejo Valores 15 1 16
% 8.3% 4.2% 7.6%
Algarve Valores 5 2 7
% 2.8% 8.3% 3.3%
Açores Valores 11 2 3 16
% 6.1% 8.3% 50.0% 7.6%
Madeira Valores 7 1 8
% 3.9% 4.6% 3.8%
Total Valores 180 24 6 210
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

20
Uma análise regional das regras estipuladas pelos lares relativamente ao dinheiro de bolso permite-nos verificar que são sobretudo os lares das regiões
Centro, Açores e Norte que não permitem às crianças e jovens que acolhem (cerca de 36%, 29% e 21%, respectivamente, do total de lares que adoptam
19
Verificamos que estes lares que supervisionam ou condicionam a troca de correspondência existem, maioritariamente nas Regiões Centro (9 lares) e Norte a proibição do dinheiro de bolso como regra). A ausência de restrições relativamente ao dinheiro de bolso das crianças e jovens que vivem em lar é mais
(7 lares). A Região Autónoma dos Açores conta com a existência desta supervisão em relação à correspondência em 5 dos seus lares. frequente nos lares das regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo (52% e 30%, respectivamente).

138 139
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 19 - Organização por grupos em função da região do lar21 Quadro 21 - Celebração de Aniversários em função da região do lar23
Organização por grupos?
Celebração de aniversários
Sim Não
Individualmente Em grupo Não são
Valores % Valores % celebrados
Região

Norte 42 52.5% 38 47.5% Valores % Valores % Valores %


Centro 17 47.2% 19 52.8% Região Norte 31 37.8% 49 59.8% 2 2.4%
LVT 35 46.1% 41 53.9% Centro 21 52.5% 17 42.5% 2 5.0%
Alentejo 4 25.0% 12 75.0% LVT 31 40.3% 46 59.7%
Algarve 6 75.0% 2 25.0% Alentejo 11 68.8% 5 31.3%
Açores 6 35.3% 11 64.7% Algarve 2 25.0% 6 75.0%
Madeira 6 75.0% 2 25.0% Açores 6 35.3% 10 58.8% 1 5.9%
Total 116 48.1% 125 51.9% Madeira 5 62.5% 3 37.5%
Total 107 43.1% 136 54.8% 5 2.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 20 - Dimensões dos grupos de crianças e jovens em função


da região do lar22 Quadro 22 - Abertura de festas à restantante comunidade em função
REGIÃO da região do lar24
Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira
As festas são abertas à restante comunidade?
dimensão dos grupos

até 5 elementos Valores 1 4 1


% 16.7% 66.7% 16.7% Sim Não
entre 6 e 10 Valores 7 4 9 1 1 Valores % Valores %
elementos % 31.8% 18.2% 40.9% 4.5% 4.5%

Região do lar
Norte 69 84.1% 13 15.9%
entre 11 e 15 Valores 13 6 8 1 2 4
Centro 31 77.5% 9 22.5%
elementos % 38.2% 17.6% 23.5% 2.9% 5.9% 11.8%
entre 16 e 20 Valores 6 4 9 2 LVT 51 68.0% 24 32.0%
elementos % 28.6% 19.0% 42.9% 9.5% Alentejo 13 81.3% 3 18.8%
entre 21 e 25 Valores 4 3 3 1 2 Algarve 8 100.0%
elementos % 30.8% 23.1% 23.1% 7.7% 15.4% Açores 11 73.3% 4 26.7%
entre 26 e 30 Valores 5 1
Madeira 6 85.7% 1 14.3%
elementos % 83.3% 16.7%
entre 31 e 40 Valores 1 Total 189 77.8% 54 22.2%
elementos % 100.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Total Valores 36 18 33 1 6 4 5
% 35.0% 17.5% 32.0% 1.0% 5.8% 3.9% 4.9%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

23
Pelo significado que podemos atribuir à ausência de promoção da comemoração dos aniversários das crianças e dos jovens acolhidos nestas instituições,
21
Os lares das regiões da Madeira e do Algarve são aqueles onde a organização das crianças e dos jovens em grupos surge como mais frequente: em cada opção que contraria a disposição que acomete a estes lares a responsabilidade de proporcionarem às crianças e jovens que acolhem condições de vida
uma destas regiões está instituída a organização das crianças e jovens por grupos em três terços (75%, portanto) da totalidade dos lares. Também na idênticas às de uma família, tentaremos identificar estes lares ao nível regional. Dois destes lares situam-se na Região Norte, outros dois na Região Cen-
Região Norte são mais frequentes os lares que organizam as crianças em grupos do que os lares onde este tipo de organização não existe (cerca de 53%, tro e o último lar que não promove as festas de aniversário dos seus acolhidos existe na Região Autónoma dos Açores. No que diz respeito às comemora-
contra cerca de 48%). Nos lares das restantes regiões do país, predomina outro tipo de organização das crianças e dos jovens, que não a formação em ções individuais dos aniversários destas crianças e jovens, constatamos que é nas Regiões do Alentejo (cerca de 69% dos lares desta região celebram os
grupos. aniversários das suas crianças individualmente), da Madeira (cerca de 63% dos lares desta região), e do Centro ( cerca de 53%). Nestas regiões são mais
22
Os lares que organizam as crianças e jovens que acolhem em grupos de dimensão reduzida situam-se maioritariamente na Região de Lisboa e Vale do os lares que celebram os aniversários desta forma do que os que adoptam as comemorações natalícias em grupo.
Tejo (cerca de 67% do total de lares cuja dimensão dos grupos é inferior a 5 elementos e 41% dos lares que se organizam internamente em grupos de 6 24
É principalmente na região de Lisboa e Vale do Tejo que esta abertura se verifica: 32% dos lares desta região não proporcionam a participação da comu-
a 10 crianças). Por oposição, os lares cujos grupos de crianças e jovens assumem maior dimensão situam-se nas regiões Norte (83% dos lares que têm nidade envolvente nas festas comemorativas que promovem. A esta região segue-se a dos Açores e a do Centro, nas quais existem, respectivamente cerca
grupos de crianças entre os 26 e os 30 elementos; é também nesta região que se situa o único lar que tem grupo(s) de crianças de mais de 30 elemen- de 27% e de 23% de lares que não alargam as suas festividades à comunidade envolvente. A única região do país em cujos lares se regista uma total
tos) e da Madeira (cerca de 17% dos lares cujos grupos têm entre 31 e 40 crianças). abertura à comunidade envolvente é a região do Algarve.

140 141
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 23 - Participação das crianças e jovens nas tarefas diárias em função da região Quadro 25 - O encaminhamento das crianças e jovens é feito com a anuência de quem?
do lar25 (em função da região do lar)27
Participação nas tarefas diárias O encaminhamento é feito com a anuência...
Sim Não Das próprias Da Família De ambos
Valores % Valores % crianças/jovens
Valores % Valores % Valores %
Região do lar

Norte 73 92.4% 6 7.6%

Região do Lar
Centro 39 97.5% 1 2.5% Norte 48 63.2% 10 13.2% 18 23.7%
LVT 75 100.0% Centro 30 83.3% 4 11.1% 2 5.6%
Alentejo 15 93.8% 1 6.3% LVT 55 77.5% 8 11.3% 8 11.3%
Algarve 8 100.0% Alentejo 14 93.3% 1 6.7%
Açores 17 100.0% Algarve 5 62.5% 2 25,0% 1 12.5%
Madeira 8 100.0% Açores 4 28.6% 10 71.4%
Total 235 96.7% 8 3.3% Madeira 1 12.5% 2 25.0% 5 62.5%
Total 157 68.9% 26 11.4% 45 19.7%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 24 - O encaminhamento orientado por uma equipa técnica em função da região Quadro 26 - Estímulo do reatar de relações com familiares em função da região do lar28
do lar26 A instituição estimula o reatar de relações com familiares?
Sim Não
O encaminhamento é orientado por uma equipa técnica?
Valores % Valores %
Sim Não

Região
Norte 79 98.8% 1 1.3%
Valores % Valores %
Centro 39 100.0%
Região do lar

Norte 57 75.0% 19 25.0%


LVT 72 94.7% 4 5.3%
Centro 26 74.3% 9 25.7%
Alentejo 15 93.8% 1 6.3%
LVT 60 82.2% 13 17.8%
Algarve 8 100.0%
Alentejo 9 56.3% 7 43.8%
Açores 13 76.5% 4 23.5%
Algarve 7 87.5% 1 12.5%
Madeira 8 100.0%
Açores 10 66.7% 5 33.3%
Total 234 95.9% 10 4.1%
Madeira 2 28.6% 5 71.4%
Total 171 74.3% 59 25.7% Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

27
A solicitação das anuências face aos projectos de vida das próprias crianças e jovens é mais frequente nos lares da região do Alentejo (93% dos lares
desta região solicitam às crianças o acordo face ao projecto de vida para si definido). Nos lares desta região, ou são envolvidas as crianças ou se pede a
anuência tanto destas como das suas famílias. Também nas regiões do Centro e de Lisboa e Vale do Tejo o encaminhamento às crianças e jovens acolhi-
dos é feito, em grande parte dos lares, com a anuência dos próprios (em 83% e 76% dos lares destas regiões, respectivamente). A anuência da família
face ao encaminhamento definido para as crianças e jovens acolhidos é mais frequentemente solicitada pelos lares das regiões do Algarve e da Madeira
25
Os únicos lares que não implicam as suas crianças no trabalho doméstico situam-se nas regiões Norte (cerca de 8% do total de lares desta região), Cen- (25% dos lares de cada uma destas regiões). Nos lares das Regiões Autónomas a regra predominante no que diz respeito ao encaminhamento efectuado
tro (cerca de 3%, ou seja 1 dos lares desta região) e Alentejo (1 lar desta região, o que corresponde a 6 %). parece ser a solicitação da concordância tanto das crianças e jovens como das suas famílias: 71% dos lares açoreanos solicitam a concordância de ambos
26
É nos lares da Região Autónoma da Madeira que se verifica a existência da maior percentagem de acompanhamentos não efectuados por técnicos (71%), assim como cerca de 63% dos lares da Madeira.
seguidos lares da região do Alentejo (cerca de 44%). Nas restantes regiões do país, nos lares de crianças e jovens existem maioritariamente equipas téc- 28
Os lares da Região Autónoma dos Açores são aqueles que menos impulsionam o reatar das relações familiares. Nas regiões Centro, Algarve e Madeira
nicas responsáveis pelo encaminhamento das crianças e jovens acolhidos. este estímulo verifica-se na totalidade dos lares.

142 143
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 27 - Promoção da participação da família no quotidiano da criança/jovem em Quadro 28 - Promoção da participação da família no percurso escolar/profissional em
função da região do lar29 função da região do lar30
Promoção da Promoção da
participação da família participação da família
no quotidiano da no percurso
criança/jovem escolar/profissional
Sim Não Total Sim Não Total
Norte Valores 28 48 76
Região

Norte Valores 40 35 75

Região
% 35.4% 31.6% 32.9% % 31.1% 34.3% 32.5%
Centro Valores 13 22 35 Centro Valores 21 13 34
% 16.5% 14.5% 15.2% % 16.5% 12.7% 14.7%
LVT Valores 27 48 75 LVT Valores 51 26 77
% 34.2% 31.6% 32.5% % 39.5% 25.5% 33.3%
Alentejo Valores 1 14 15 Alentejo Valores 2 13 15
% 1.3% 9.2% 6.5% % 1.6% 12.7% 6.5%
Algarve Valores 1 7 8 Algarve Valores 5 3 8
% 1.3% 4.6% 3.5% % 3.9% 2.9% 3.5%
Açores Valores 6 8 14 Açores Valores 7 7 14
% 7.6% 5.3% 6.1% % 5.4% 6.9% 6.1%
Madeira Valores 3 5 8 Madeira Valores 3 5 8
% 3.8% 3.3% 3.5% % 2.3% 4.9% 3.5%
Total Valores 79 152 231 Total Valores 129 102 231
% 100.0% 100.0% 100.0% % 100.0% 100.0% 100.0%
Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 29 - Entrada de amigos e colegas no Lar em função da região31


O Lar permite a entrada amigos colegas?
Sim Não
Valores % Valores %

Região
Norte 77 93.9% 5 6.1%
Centro 37 92.5% 3 7.5%
LVT 75 97.4% 2 2.6%
Alentejo 14 93.3% 1 6.7%
Algarve 8 100.0%
Açores 17 100.0%
Madeira 7 100.0%
Total 235 95.5% 11 4.5%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

30
No seu percurso escolar e profissional são mais convidadas a participar as crianças e jovens acolhidas nos lares das regiões Norte (31%) e Lisboa e Vale
29
Esta não participação das famílias no quotidiano das crianças e jovens acolhidos regista-se sobretudo nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo: 35% e do Tejo (40%).
34% do total dos lares destas regiões promove este relacionamento sistemático. Nos lares das regiões do Alentejo e do Algarve, é maioritariamente a não 31
Os lares, onde vivem crianças e jovens que não podem receber em sua casa os amigos, situam-se nas regiões Centro (cerca de 8%), Norte (6% dos lares
promoção desta proximidade das famílias nos quotidianos das crianças e dos jovens que neles vivem. desta região), Lisboa e Vale do Tejo (cerca de 3%) e Alentejo (onde existe um lar que adopta esta norma de funcionamento).

144 145
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 30 - Cuidados médicos prestados pelo lar em função da região do lar32 Figura 4 - Natureza dos contactos com o lar após saída da instituição
Cuidados de saúde por região (em %)34
O Lar promove consultas Lar recorre
O Lar de rotina a consultas esporá-
tem médico no Centro de Saúde dicas em caso
própria local de necessidade Total
Região

Norte Valores 31 39 11 81
% 44.3% 26.9% 39.3% 33.3%
Centro Valores 9 25 5 39
% 12.9% 17.2% 17.9% 16.0%
LVT Valores 21 50 4 75
% 30.0% 34.5% 14.3% 30.9%
Alentejo Valores 1 11 3 15
% 1.4% 7.6% 10.7% 6.2%
Algarve Valores 4 4 8
% 5.7% 2.8% 3.3%
Açores Valores 2 11 4 17
% 2.9% 7.6% 14.3% 7.0%
Madeira Valores 2 5 1 8
% 2.9% 3.4% 3.6% 3.3% Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99
Total Valores 70 145 28 243
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Quadro 32 - N.º de crianças e jovens acolhidos em lar em 1997 em função
da região do lar35
Quadro 31 - Preparação prévia para a saída do lar em função da região33
REGIÃO
É feita preparação prévia para a saída do Lar? Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira Total
Sim Não entre 1 a 5 Valores 35 18 45 7 3 10 3 121
crianças % 50.0% 50.0% 72.6% 63.6% 37.5% 58.8% 42.9% 57.3%
Valores % Valores %
entre 6 e 20 Valores 28 16 15 4 4 6 3 76
Região

Norte 67 89.3% 8 10.7% crianças % 40.0% 44.4% 24.2% 36.4% 50.0% 35.3% 42.9% 36.0%
Centro 33 84.6% 6 15.4% entre 21 e 40 Valores 4 2 2 1 1 1 11
LVT 67 90.5% 7 9.5% crianças % 5.7% 5.6% 3.2% 12.5% 5.9% 14.3% 5.2%
Alentejo 14 100.0% entre 41 e 60 Valores 2 2
crianças % 2.9% 0.9%
Algarve 8 100.0%
mais de 60 Valores 1 1
Açores 11 78.6% 3 21.4% crianças % 1.4% 0.5%
Madeira 7 100.0% Total Valores 70 36 62 11 8 17 7 211
Total 207 89.6% 24 10.4% % 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99 Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

34
É nos lares da Região de Lisboa e Vale do Tejo, do Algarve e dos Açores que se registam mais visitas dos jovens que já não vivem no lar por motivos admi-
nistrativos (32%, 25% e 24%, respectivamente). As visitas frequentes dos jovens aos técnicos do lar depois da sua saída são mais frequentes nos lares
da Região Autónoma da Madeira (cerca de 86%), Norte (52%) e Algarve (50%). Serão as equipas técnicas destes lares aquelas que manterão os jovens
que acompanham laços afectivos mais marcantes? Porquê? De facto, as visitas esporádicas aos técnicos dos lares são uma realidade em 71% dos lares
da Madeira (os lares desta região são aqueles onde as visitas aos técnicos, independentemente da regularidade das mesmas, parecem ser mais frequen-
tes), em cerca de 58% dos lares de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro e em 55% dos lares da Região Norte. As visitas aos amigos ou familiares que per-
manecem a viver no lar parecem ser, em todas as regiões, o principal motivo de retorno ao edifício que lhes serviu de lar de acolhimento. Na Região
Autónoma da Madeira estas visitas são uma realidade em todos os lares de crianças e jovens.
35
As regiões onde se verificou maior admissão de crianças e jovens em lar durante o ano de 1997 terá sido a Região Norte, onde existem 3 lares que aco-
lheram mais de 40 crianças e/ou jovens. Por contraste a região do país onde o fluxo de acolhimento foi menos intenso em 1997 foi o Alentejo, onde
nenhum lar recebeu mais de 20 crianças durante todo o ano. Na Região de Lisboa e Vale do Tejo o acolhimento esporádico de crianças nos lares (i.e. o
32
Verifica-se que a existência de médico próprio do lar é sobretudo uma realidade das regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo (44% e 30%, respectivamente). acolhimento de menos de 6 crianças por lar durante um ano) surge como a situação mais frequente (cerca de 73% das situações de acolhimento dos lares
33
É nas Regiões dos Açores e do Centro que este fenómeno de ausência de estratégia preparatória para a saída do lar é mais frequente (21% e 15%, res- desta região), não se registando nestes lares o acolhimento de mais de 40 crianças e/ou jovens. Nos lares das Regiões Norte, Centro, Açores e Madeira
pectivamente). Nas Regiões do Alentejo, do Algarve e da Madeira todos os lares preparam os seus jovens para o processo de autonomização que culmi- esta tendência mantém-se ainda que o valor representado pelo acolhimento até 20 crianças apresente peso superior (rondando os 40%). Na Região do
na com a saída da instituição. Algarve, no entanto, o número de crianças mais frequentemente acolhido situa-se entre as 6 e as 20 (50% do total nesta região).

146 147
Lares de Crianças e Jovens - Caracterização e Dinâmicas de Funcionamento

Quadro 33 - Tempo médio de espera em função da região do lar36

Região do lar
Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira Total
Entrada Valores 20 12 13 3 3 14 65
imediata % 25.6% 30.0% 21.0% 20.0% 42.9% 87.5% 28.9%
Menos de uma Valores 4 3 3 1 11
semana % 5.1% 7.5% 20.0% 6.3% 4.9%
Menos de duas Valores 19 10 5 2 36
semanas % 24.4% 25.0% 8.1% 28.6% 16.0%
Um mês Valores 17 8 10 2 2 1 1 41
% 21.8% 20.0% 16.1% 13.3% 28.6% 6.3% 14.3% 18.2%
Um mês a três Valores 7 3 11 1 1 23
meses % 9.0% 7.5% 17.7% 6.7% 14.3% 10.2%
Mais Valores 11 4 23 6 5 49
de três meses % 14.1% 10.0% 37.1% 40.0% 71.4% 21.8%
Total Valores 78 40 62 15 7 16 7 225
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

Quadro 34 - N.º de crianças e jovens saídos do lar em 1997 em função


da região do lar37

Região do lar
Norte Centro LVT Alentejo Algarve Açores Madeira Total
Entre 0 e 5 crianças Valores 52 19 44 13 3 6 3 140
% 75.4% 61.3% 71.0% 92.9% 37.5% 60.0% 42.9% 69.7%
Entre 6 e 20 crianças Valores 13 11 17 1 4 4 4 54
% 18.8% 35.5% 27.4% 7.1% 50.0% 40.0% 57.1% 26.9%
Entre 21 e 40 crianças Valores 2 1 1 1 5
% 2.9% 3.2% 1.6% 12.5% 2.5%
Mais de 41 crianças Valores 2 2
% 2.9% 1.0%
Total Valores 69 31 62 14 8 10 7 201
% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0% 100.0%

Fonte: Inquérito aos lares de Crianças e Jovens, CNPCJR/IDS/IGMTS, 1998/99

36
Nas Regiões Norte, Centro, Algarve e Madeira o tempo média de espera foi, no ano que estamos a considerar, nulo: a maioria dos lares (26%, 30%, 43%
e 88%, respectivamente) acolheu as crianças de forma imediata. Por contraste, nas Regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo constata-se que, na maio-
ria dos lares, o tempo de espera entre a solicitação de acolhimento e o acolhimento efectivo é de mais de 3 meses.
37
Em todas as regiões o número mais significativo de saídas não ultrapassa as 5 crianças, à excepção dos lares das Regiões dos lares das Regiões do Algar-
ve e da Madeira, onde os fluxos de saída se situam entre as 6 e as 20 crianças e/ou jovens. Uma análise regional dos critérios de admissão das crianças
e jovens no lar permite-nos constatar a manutenção da tendência de predominância do sexo enquanto principal varável de selecção em todas as regiões
do país.

148