You are on page 1of 35

M

M
A
A
N
N
U
U
A
A
L
L
D
D
E
E
C
C
O
O
N
N
T
T
R
R
A
A
T
T
A
A
Ç
Ç
Ã
Ã
O
O
D
D
E
E

S
S
E
E
R
R
V
V
I
I
Ç
Ç
O
O
S
S
T
T
É
É
C
C
N
N
I
I
C
C
O
O
S
S
D
D
E
E
E
E
N
N
G
G
E
E
N
N
H
H
A
A
R
R
I
I
A
A

D
D
E
E
A
A
V
V
A
A
L
L
I
I
A
A
Ç
Ç
Õ
Õ
E
E
S
S
E
E
P
P
E
E
R
R
Í
Í
C
C
I
I
A
A
S
S








ENTIDADE FEDERATIVA NACIONAL








M MA AN NU UA AL L D DE E C CO ON NT TR RA AT TA AÇ ÇÃ ÃO O D DE E S SE ER RV VI IÇ ÇO OS S
T TÉ ÉC CN NI IC CO OS S D DE E E EN NG GE EN NH HA AR RI IA A D DE E A AV VA AL LI IA AÇ ÇÕ ÕE ES S
E E P PE ER RÍ ÍC CI IA AS S
Sumário

I) Fundamentos da atividade profissional ........................ 03

II) Regulamento Nacional de Honorários

1) Normas gerais ....................................................................... 05
2) Honorário mínimo regional (Ho) ............................................... 05
3) Laudos de avaliação e perícias ................................................. 06
4) Assistência técnica pericial ou consultoria .................................. 07
5) Cálculo das despesas.............................................................. 08
6) Considerações gerais .............................................................. 08

III) Principais formas de contratação ............................... 10

1) Modalidades de contratação..................................................... 10
2) Partes contratantes ................................................................ 13
3) A escolha do fornecedor .......................................................... 14

IV) Formas de apresentação das propostas e contatos .. 18

1) Perito Judicial ........................................................................ 18
2) Assistente técnico .................................................................. 19
3) Contrato epistolar .................................................................. 20
4) Contrato formal ..................................................................... 21
5) ART...................................................................................... 22

V) Responsabilidade civil e criminal do perito

1) Teoria da Culpa...................................................................... 24
2) Casos de Responsabilidade do perito......................................... 24
3) Crime de falsa perícia ............................................................. 24

VI) Ética profissional

1) Conceituação......................................................................... 25
2) Deveres do profissional para com a sociedade............................ 25
3) A ética do perito .................................................................... 26
4) A ética do assistente técnico.................................................... 27
Página - 2
5) Código de Ética Profissional ..................................................... 27
Página - 3

I I) ) F FU UN ND DA AM ME EN NT TO OS S D DA A A AT TI IV VI ID DA AD DE E P PR RO OF FI IS SS SI IO ON NA AL L
A Engenharia de Avaliações e Perícias se tornou ao longo
dos tempos uma atividade bastante restrita, exigindo do profissional
atualização constante, acompanhamento da tecnologia e dedicação
exclusiva, visando aprimorar e melhorar sempre o nível técnico e a
qualidade dos serviços que são prestados à coletividade.
As principais atividades exercidas são: avaliações de
imóveis, de indústrias, de glebas, de imóveis rurais, de máquinas e
instalações, perícias em ações de desapropriações, revisionais e renovatórias
de aluguel, vistorias, inventários, partilhas e outras pendências.
A realização deste tipo de serviço, de suma importância
para toda a comunidade, não pode de maneira alguma ser delegada a leigos
e profissionais que se dedicam a outros setores, atuando esporadicamente
na área das Avaliações e Perícias.
A Engenharia de Avaliações e Perícias, pela sua própria
finalidade, apresenta um caráter de descontinuidade do serviço e traz como
conseqüência a necessidade de atendimentos simultâneos para que o
profissional tenha um volume de serviços que justifique o exercício de suas
funções, merecendo destaque alguns aspectos relativos às obrigações e
custos inerentes ao desempenho da atividade:
os elementos necessários à confecção de um parecer
ou integrantes de uma perícia não são coletados de uma única vez, exigindo
sempre novas pesquisas e diligências;
a atividade contínua do profissional, objetivando uma
remuneração compatível com o trabalho que exerce, de forma a que possa
levar uma vida de padrão médio, lhe oferece poucas oportunidades de férias
integrais, não lhe dá direito a 13º salário, FGTS nem tão pouco a uma
aposentadoria condizente com a atividade em seus anos mais produtivos;
exige a participação em cursos de extensão, pós-
graduação, mestrado, reciclagem e aperfeiçoamento, aquisição freqüente de
livros e assinatura de revistas especializadas, visando uma constante
atualização para que o profissional esteja sempre na vanguarda da
tecnologia e possa corresponder aos anseios da sociedade.
requer a manutenção permanente de um escritório de
fácil acesso, com uma completa infra-estrutura básica, compreendendo
secretária e auxiliares técnicos, computadores, calculadoras, telefone,
máquinas fotográficas e aparelhos que possibilitem o bom desempenho de
seu trabalho.
Página - 4
Nos trabalhos judiciais, além da elaboração do laudo
pericial propriamente dito, o profissional deve ainda realizar outras tarefas
que nem sempre lhe são creditadas quando do arbitramento de seus
honorários, talvez até por serem de difícil mensuração. São elas:
ida e volta ao Fórum, localização do processo;
análise do trabalho a ser desenvolvido;
leitura do processo, estudo dos quesitos, elaboração da
proposta de honorários;
esclarecimentos solicitados pelas partes, por escrito
e/ou em audiência.
Assim, torna-se importante que a sociedade em geral
tenha conhecimento das atividades que compõem este ramo da Engenharia
e saiba dos custos e das obrigações que acompanham o profissional desta
área.
Página - 5
I II I) ) R RE EG GU UL LA AM ME EN NT TO O N NA AC CI IO ON NA AL L D DE E H HO ON NO OR RÁ ÁR RI IO OS S
1) Normas Gerais
Artº 1º: O presente Regulamento Nacional de Honorários
objetiva estabelecer parâmetros para compatibilizar interesses entre
contratante e contratado, entre Juízes e Perito, garantindo ao profissional
uma remuneração condigna e compatível com o trabalho que executa.
Artº 2º: Os valores constantes deste Regulamento deverão
ser observados pelos profissionais que realizarem trabalhos de ENGENHARIA
DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS. Somente poderão utilizá-lo as pessoas físicas e
jurídicas registradas nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia, nos termos da Lei Federal 5.194/66 e Resolução 345 do
CONFEA.
Artº 3º: Este Regulamento deve ser considerado em todas
as formas de contratação, abordadas no Capítulo III deste Manual de
Contratação de Serviços Técnicos de Engenharia de Avaliações e Perícias,
especialmente em relação aos valores mínimos estabelecidos.
Art 4º: Qualquer que seja a forma de contratação, o
profissional pode requerer um adiantamento de, no mínimo, 25% (vinte e
cinco por cento) dos honorários acordados, visando custear as despesas
iniciais inerentes à realização dos serviços necessários.
Artº 5º: Em todas as propostas para elaboração de
trabalhos técnicos, o profissional deve apresentar um orçamento prévio
detalhado que justifique o valor de seus honorários, levando em
consideração os itens constantes deste Regulamento.
Artº 6º: Nos casos de grande complexidade, onde não seja
possível uma aferição exata da extensão dos trabalhos, o profissional poderá
apresentar uma estimativa provisória a ser complementada com o
andamento ou término dos serviços.
2) Honorário mínimo regional (Ho)
Artº 7º: Visando uma padronização dos honorários e
considerando as diversas realidades econômicas existentes dentro do
território nacional, os valores constantes das tabelas e fórmulas do presente
Regulamento estão expressos em função de um valor mínimo, denominado
“Ho”, variável, a ser estipulado para cada Estado, levando-se em
consideração suas condições econômicas e sociais.
Página - 6

Honorário Mínimo Regional
(a ser indicado pela entidade estadual)
Ho = 2,5 salário mínimo*
ou
Ho = 1,0 CUB (H8/2Q/N)*
ou
Ho = US$ 200,00*
ou
Ho = R$ 400,00*
*Todos os valores são meramente referenciais,
servindo tão somente como exemplo de
aplicação

Parágrafo Único: o respectivo valor do Honorário Mínimo
Regional (Ho) deverá ser fixado anualmente em moeda nacional, devendo
conter eventual indexador, caso as condições assim obriguem, podendo
ainda servir de parâmetro para a cobrança da anuidade da respectiva
entidade estadual
3) Avaliações de Bens e Perícias
Artº 8º: Os honorários profissionais em trabalhos que
envolvam realização de laudos de avaliação de bens e perícias judiciais ou
extra-judiciais, serão calculados em função do valor estimado previamente
relativo ao bem objeto do trabalho ou importância em discussão, aplicando-
se para remuneração do trabalho profissional a seguinte tabela, de forma
escalonada:
Grupo Valor estimado dos bens(Ho) % Honorário mínimo
I Até 150,00 2,50 1,50 Ho
II Entre 150,00 e 500,00 2,00 2,50 Ho a 4,00 Ho
III Entre 500,00 e 1.000,00 1,50 3,50 Ho a 7,50 Ho
IV Entre 1.000,00 e 2.500,00 1,25 5,50 Ho a 12,00 Ho
V Entre 2.500,00 e 5.000,00 1,00 9,00 Ho a 20,00 Ho
VI Entre 5.000,00 e 10.000,00 0,75 15,00 Ho a 30,00 Ho
VII Entre 10.000,00 e 20.000,00 0,50 25,00 Ho a 50,00 Ho
VIII Acima de 20.000,00 0,25 x a y

Para valores acima de 20.000,00 Ho aplicar as fórmulas:
x = (12,5 x V
Ho
x 0,0001)Ho
y = (25 x V
Ho
x 0,0001)Ho

Página - 7
Parágrafo 1º – Os valores dos honorários foram fixados em
função do intervalo de cada grupo, sendo os valores percentuais excedentes
aplicados nos grupos subseqüentes e assim sucessivamente até o grupo
VIII. O valor total dos honorários será a somatória do valor calculado para
cada grupo.
Onde V = Valor estimado do bem em Ho
Parágrafo 2º - A fixação do valor mínimo dentro do
intervalo indicado é prerrogativa do profissional, analisando o vulto e
responsabilidade do trabalho, condições econômicas do contratante, bom
como renome e experiência do executor do serviço.
Artigo 9º – A aplicação dos valores apresentados no artigo
anterior deverá ser feita pelo critério percentual quando do trabalho resultar
um proveito efetivo, como, por exemplo, a venda do bem ou recebimento
pelo contratante da quantia obtida.
Parágrafo 1º - Os honorários mínimos poderão ser
aplicados nos demais casos não abrangidos no critério apontado, sendo
somente referencial de valores mínimos para realização de laudos de
avaliação e perícias, judiciais ou extrajudiciais.
Parágrafo 2º - Nas ações que envolvam locação, para
efeitos unicamente de utilização deste Regulamento de Honorários, o valor
do bem será considerado como 100 (cem) vezes o valor do aluguel.
Parágrafo 3º - Nos casos que envolvam vistorias de
imóveis, urbanos, o valor dos honorários mínimos corresponderá, para as
unidades padronizadas, a 0,30 Ho por unidade; para as áreas comuns de
edifícios e para unidades não padronizadas, a 0,03 Ho/m².
Parágrafo 4º - Em casos envolvendo vistorias de imóveis
rurais, o valor do honorário mínimo deverá ser de 0,20 Ho por construção e
0,10 Ho por hectare vistoriado.
4) Assistência técnica pericial ou consultoria
Artigo 10 – Os trabalhos de assistência técnica pericial ou
consultoria relativos a trabalhos de Engenharia de Avaliações e Perícias
deverão envolver, necessariamente, um recebimento na contratação a título
de pró-labore, a ser definido pelo profissional e cliente, não devendo ser
inferior a 1,5 Ho.
Página - 8
Parágrafo 1º - No cálculo do valor dos honorários, quando o
valor envolvido puder ser mensurado, os honorários corresponderão a até
100% do valor apurado utilizando-se a coluna percentual constante da
tabela do Artigo 7º.
Parágrafo 2º - Nos casos em que as condições econômicas
do contratante não permitirem a utilização da coluna % (percentual)
constante da tabela do artigo 8º, o profissional poderá adotar a coluna de
valores mínimos da supra mencionada tabela.
Artigo 11 – Quando da conclusão do processo judicial ou
deslinde do caso extrajudicial, será lícito o recebimento de um valor
percentual em função de êxito obtido, estabelecido entre 2,0% e 10% do
proveito auferido pelo cliente, conforme a probabilidade de sucesso e do
valor envolvido.
5) Cálculo das despesas
Art. 12 - Algumas despesas efetuadas ao longo do trabalho
avaliatório ou pericial não estão incluídas nos honorários constantes desta
tabela, e devem ser a eles somadas quando do cálculo dos respectivos
valores.
Art. 13 - Caso haja acerto prévio, as despesas referidas no
artigo 12º poderão ser reembolsadas pelo cliente, por ocasião do pagamento
da parcela final dos honorários, mediante apresentação dos comprovantes,
sempre que possível.
Art. 14 - Para cobrir despesas com alimentação e estadia, a
diária será fixada em 0,2 Ho
Art. 15 - Quando houver deslocamento em carro próprio, o
quilômetro rodado deve ser cobrado à razão de 0,5 (valor médio do livro de
gasolina) para cada Km rodados.
Art. 16 - As despesas de prestação de serviços técnicos por
terceiros que envolvam análises, ensaios, levantamentos, confecção de
desenhos técnicos, etc., serão cobradas com base na tabela de honorários
da respectiva modalidade profissional.
6) Disposições finais
Art. 17 - Caso o total de honorários e o reembolso de
despesas venham a ser pagos em mora, serão acrescidos de juros de 2%
(dois por cento) ao mês e da atualização monetária legal.
Página - 9
Art. 18 - Nos trabalhos realizados em locais onde haja risco
pessoal aos profissionais os honorários serão regulados por ajuste prévio,
em valores superiores aos estabelecidos por este Regulamento.
Art. 19 - Havendo acréscimo ou modificação no trabalho
contratado, os honorários deverão ser suplementados na medida
correspondente, não havendo, em hipótese alguma, diminuição nos
honorários.
Art. 20 - Caso haja supressão total ou parcial do trabalho
contratado, haverá direito a uma indenização correspondente a 25% (vinte e
cinco por cento) do valor respectivo dos honorários ainda não pagos.
Art. 21 - Todas as dúvidas emergentes do presente
Regulamento deverão ser dirimidas pelo Instituto do respectivo estado, que
estabelecer o valor para o Ho.
Art. 22 - Este Regulamento de Honorários Profissionais
entra em vigor na data de sua aprovação, devendo ser registrado no CREA
de jurisdição do instituto e podendo ser modificado sempre que as
circunstâncias assim o exigirem.
E EX XE EM MP PL LO O D DE E A AP PL LI IC CA AÇ ÇÃ ÃO O

Valor de Ho = R$ 400,00
Valor do bem = R$ 2.600.000,00 (6.500,00 Ho)
Cálculo dos honorários (Percentual):
Grupo I - 150,00 x 2,5 % = 3,75 Ho
Grupo II - 350,00 x 2,0 % = 7,00 Ho
Grupo III - 500,00 x 1,5 % = 7,50 Ho
Grupo IV - 1.500,00 x 1,25 % = 18,75 Ho
Grupo V - 2.500,00 x 1,00 % = 25,00 Ho
Grupo VI - 1.500,00 x 0,75 % = 11,75 Ho
TOTAL = 73,25 Ho (R$ 29.300,00)
Cálculo dos honorários (Mínimo):

15,00 Ho a 30,00 Ho = R$ 6.000,00 a R$ 12.000,00
Página - 10
I II II I) ) P PR RI IN NC CI IP PA AI IS S F FO OR RM MA AS S D DE E C CO ON NT TR RA AT TA AÇ ÇÃ ÃO O
O objetivo deste texto é oferecer uma síntese orientativa
sobre a contratação de serviços de avaliações e perícias de engenharia.
Não é demais ressaltar de início que legalmente os
contratos podem ser efetivados por escrito ou verbalmente, embora esta
segunda forma seja pouco recomendável, por razões óbvias.
Trataremos aqui basicamente dos contratos escritos.
Neste sentido, cabe assinalar que os contratos escritos
podem ser firmados entre pessoas físicas e jurídicas de direito público ou
privado.
Abordada com profundidade, a contratação não deixa de
ser um tema complexo, principalmente se examinado do ponto de vista das
relações jurídicas. Para confirmar essa afirmação, basta verificar a extensa e
volumosa literatura disponível no mercado sobre esse tema.
Procuramos ser aqui práticos, objetivos e sucintos, não
adentrando na complexidade do tema.
1) Modalidades da contratação
Dentro do mérito deste trabalho, estamos arrolando como
principais formas de contratação:
judicial;
administração;
empreitada;
risco;

a) Contratação judicial
Considera-se contratação judicial aquela realizada no
âmbito do Poder Judiciário, onde o profissional pode ser nomeado perito pelo
Juiz ou indicado assistente técnico pelas partes em litígio.
Página - 11
* Perito
Origina-se de ato discricionário do Juiz, que tem a
faculdade legal exclusiva de escolher o profissional para desempenhar a
função, pois se trata de escolha pontada na confiança pessoal do
Magistrado.
A remuneração deve ser calculada em função do vulto do
serviço, interesse econômico em litígio e na capacidade financeira das
partes, cujo critério deverá ser norteado no valor do bem, tipo de perícia e
quantidade de horas técnicas.
Deve ser solicitado o depósito prévio do valor proposto,
em conta judicial, sendo possível o requerimento de uma adiantamento,
evitando-se o recebimento do valor diretamente das partes, salvo na
hipótese de autorização expressa do juiz.
Nesta modalidade é inadmissível a fixação de honorários
percentuais, sendo que a proposta deverá conter na forma de correção, caso
o depósito não seja efetuado em determinado período de tempo, admitindo-
se ainda pedido de complementação ao final, desde que devidamente
fundamentado.
* Assistente técnico
A princípio, seguem os mesmos parâmetros de cálculo dos
honorários do perito, cuja grande diferença reside no fato de serem tratados
diretamente com o contratante, não possuindo, obrigatoriamente, vínculo
com os honorários de perito, embora seja uma prática corrente, não
devendo o percentual ser inferior a 2/3.
Sugere-se a cobrança de um pró-labore inicial, no ato da
contratação, para fazer frente ao trabalho de estudos e assessoria inicial a
perícia, cujo valor é de ordem de 30% a 50% do valor total do trabalho.
A parcela restante pode estar vinculada aos honorários do
perito, ser um valor fixo previamente acordado, ou ainda um percentual
sobre o montante envolvido o ou sobre o eventual êxito do contratante.
b) Contrato por administração
Pode-se dizer que a essência do contrato por administração
está no fato de não caber ao contratado o fornecimento de materiais, nem
riscos, salvo reembolso de fornecimentos previstos.
A contratação por administração é usualmente conhecida
por “cost plus”. A remuneração consiste numa taxa (“fee”) sobre o custo do
serviço ou até mesmo numa determinada verba.
Página - 12
Embora esse princípio esteja de certa forma presente na
elaboração das chamadas “tabelas de honorários profissionais”, na realidade
tal modalidade contratual não é usual para execução de serviços de
avaliações e perícias.
Cabe observar ainda que esta modalidade contratual
oferece um baixo risco para o contratado, mas, em contra partida, a
remuneração não chega a ser atrativa.
c) Contrato de empreitada
Esta modalidade contratual caracteriza-se pela oferta de
um preço global ou a execução com base em uma planilha de preços
unitários.
Na empreitada por preços unitários, o contratado assume
um determinado nível de risco; na empreitada por preço global assume
todos os riscos, salvo ressalvas introduzidas na relação contratual.
A empreitada global é preferida nas contratações. O maior
inconveniente que ela oferece é o risco de falhas no detalhamento do
escopo, além de tornar difícil eventuais modificações que venham interessar
ao contratante, ou que surjam independentemente de sua vontade, no
decorrer da execução da empreitada. É comum ocorrer as chamadas
reivindicações de preço por parte do contratado, objetivando indenizar
custos adicionais em função dos aspectos acima comentados.
Numa empreitada por preço global de obra ou de
determinado tipo de serviço, cabe ao contratante exercer rigorosa
fiscalização quanto à qualidade e avanço físico do cronograma.
Em resumo, não convém firmar um contrato por
empreitada global, se há dúvida quanto ao nível de detalhamento de
projetos, quantitativos, recursos necessários, condições de execução, entre
outros aspectos.
d) Contrato de risco
O contrato de risco pode ser entendido como uma variação
da empreitada global, na qual o contratado admite que sua remuneração
decorra do resultado obtido no cumprimento do escopo estabelecido.
Um exemplo bastante conhecido do contrato de risco está
na prospeção de petróleo, no qual o contratado assume todo o investimento,
na expectativa de obter resultado com a venda do produto por ele extraído.
É de risco, pois nem sempre a busca do petróleo obtém êxito.
Página - 13
Tal forma de contratação pode ser adotada na área de
avaliações e perícias, onde o contrato embute no preço um risco bem maior
do que o usual e banca todos os custos. Se o resultado for positivo, mesmo
que demorado, a remuneração é compensatória.
2) Partes contratantes
Cabe aqui uma referência específica sobre as partes
contratantes, que podem ser pessoa física, pessoa jurídica de direito privado
e pessoa jurídica de direito público.
a) Pessoa física x pessoa física
Pode-se afirmar que o contrato de prestação de serviço
entre duas pessoas físicas contem menor complexidade e menos
formalismo, sendo comum sua realização de forma verbal.
As partes acertam preço e outros detalhes e as
necessidades de modificação ao longo de sua execução são mais facilmente
solucionadas.
b) Pessoa física x pessoa jurídica de direito privado
A celebração de contrato com uma pessoa jurídica para
prestação de serviço requer maior cuidado e formalismo.
Deve ser em geral na forma escrita, com cláusulas
objetivas, principalmente quanto a escopo, preço, prazo e condições de
pagamento, além da qualificação das partes e da indicação do fórum para
dirimir eventuais pendências que possam surgir na execução do mesmo.
c) Pessoa jurídica de direito privado x pessoa jurídica
de direito público
Não é difícil compreender a necessidade dos cuidados a
serem adotados na celebração de um contrato desta natureza.
Todo o rigor deve ser introduzido no formalismo e na
redação das cláusulas, como escopo (objeto), preço, prazo, condições de
pagamento, condições de reajustamento, penalidades, condições gerais de
trabalho, entre outras.
No aspecto formal, cabe qualificar as partes, colher
assinaturas mediante identidade e procuração quando for o caso (inclusive
de duas testemunhas), além de datar o documento. Neste caso, cabe
inclusive o visto de um advogado da parte contratante.

Página - 14
d) Pessoa física x pessoa jurídica de direito público
Neste caso, os cuidados ficam por conta da parte
contratante. Na prática, esses contratos são de adesão, com as condições
impostos pela parte contratante, que é de direito público.
A maior responsabilidade do contratado é externar o preço
e condições de pagamento.

3) A escolha do fornecedor
Um aspecto importante na contração de obras e serviços
diz respeito à seleção da melhor proposta ou escolha do fornecedor ou
prestador de serviço a ser contratado.
Quando as partes são de direito privado, não há
formalismos legais a serem observados. Evidentemente, que o comprador de
serviço está interessado pelo menos em preço, qualidade e confiabilidade do
fornecedor. Eventualmente, aspectos como prazo e condições de pagamento
são também elementos de escolha da melhor proposta.
Para os prestadores de serviço, é importante manter uma
boa reputação no mercado, além de esmero para, cada vez mais, atingir os
objetivos colimados pelo mercado.
Quando o comprador é pessoa jurídica de direito público, a
situação é bem mais complexa, revestindo-se de rigor legal.
Pessoa jurídica de direito público é toda aquela que lida
com recursos públicos, como a administração pública direta e indireta
municipal, estadual e federal; autarquias municipais, estaduais e federais;
empresas de economia mista; empresas estatuais. Nesse caso, há
necessidade de obedecer às normas de licitação, hoje reguladas pela Lei
8666/93.
Para os serviços previstos neste Manual torna-se
temerável, senão inadmissível, a contratação com base exclusivamente no
critério do menor preço, devendo ser adotado o critério misto, técnico e
preço, ou mesmo a dispensa de licitação.
a) Modalidades de licitação – Lei 8666/93 (Lei das
licitações)
Toda compra realizada pelas organizações enquadradas na
lei das licitações deve obedecer , à princípio, a um convite, uma tomada de
preço ou uma concorrência, dependendo do valor envolvido, ressalvados os
casos de inexegibilidade e de dispensa de licitação.
Página - 15
Os limites de valores para enquadramento em cada caso
são periodicamente publicados no DOU (Diário Oficial da União).
* Carta-convite
A situação mais simples é a da carta-convite ou
simplesmente convite. Para valores de pequena monta, o licitante convida
pelo menos três fornecedores de seu cadastro e escolhe, mediante critérios
internos, aquele com o qual firmará o contrato.
Neste caso, o licitante tem de organizar previamente o
cadastro de fornecedores. Logo, do ponto de vista dos interessados em
prestar serviços para essas organizações, é importante manter cadastro
atualizado junto a elas.
* Tomada de preços
O estágio logo acima do convite é a tomada de preços.
Neste caso, o licitante necessita convidar todos os fornecedores de seu
cadastro, com aptidão para executar o serviço licitado.
* Concorrência pública
O mais elevado estágio de contratação é a concorrência
pública. Neste caso, o edital de licitação é de domínio público, podendo
participar qualquer organização legalmente instalada no País, que atenda às
exigências especificadas no edital.
b) Casos de inexegibilidade e de dispensa de licitação
A Lei 8666/93 previu situações de dispensa de licitação e
situações em que ela não é exigível. São evidentemente situações especiais,
onde o rigor da lei dificilmente seria atendido.
Página - 16
As organizações sujeitas à Lei 8666/93 estão dispensadas
de proceder ao processo licitatório em várias situações. Em sínteses, tais
condições são: quando o valor não ultrapassar a 5% dos limites
estabelecidos para cada modalidade; guerra, emergência ou calamidade
pública; não aparecendo interessado na 2
a
licitação e mais uma repetição
trouxer prejuízo; intervenção da União para regularizar preços ou normalizar
abastecimento; propostas com preços superiores aos praticados no mercado
ou incompatíveis com aqueles fixados pelos órgãos oficiais competentes;
entre pessoas jurídicas de direito público, possibilidade de comprometimento
da segurança nacional (decreto presidencial); compra ou locação de imóveis
destinados ao serviço público (desde que o preço seja compatível com o
mercado segundo avaliação prévia, além da necessidade justificada do
citado imóvel); contratação de remanescentes de obras, serviços ou
suprimentos; compra eventuais de gêneros alimentícios perecíveis;
contratação da instituição nacional, sem fins lucrativos, para pesquisa,
ensino e desenvolvimento científico e tecnológico; aquisição de bens e
serviços por intermédio de organização internacional, da qual o Brasil seja
membro e as condições ofertadas sejam vantajosas; e aquisição ou
restauração de obras de artes e objetos históricos.
É inexigível a licitação, quando houver inviabilidade de
licitação. Em síntese, os casos especiais onde a licitação não é exigida são:
quando houver um fornecedor exclusivo do material, do equipamento ou do
gênero pretendido; serviço técnico especializado, de natureza singular, por
profissional ou empresa de notória especialização; profissional de qualquer
setor artístico, consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública,
diretamente ou através de empresário exclusivo.
Serviços técnicos especializados: estudos técnicos,
planejamentos e produtos; pareceres, perícias e avaliações; assessorias ou
consultorias técnicas; auditorias financeiras; fiscalização, supervisão ou
gerenciamento de obras ou serviços; patrocínio ou defesa de causas judiciais
ou administrativas; treinamento ou aperfeiçoamento de pessoal; restauração
de obras de arte e bens de valores históricos.
Notória especialização – profissional ou empresa cujo
conceito no campo de sua especialização seja decorrente de: desempenho
anterior; estudos; experiências; publicações; organização; aparelhamento;
equipe técnica; e outros requisitos relacionados com as atividades. Ainda: o
currículo permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o
mais adequado à plena satisfação do objeto contratado.
A lei das licitações e o acervo técnico profissional
O Art. 30 da Lei 8666/93 estabelece normas interessantes,
que privilegiam o chamado acervo técnico profissional.
Página - 17
Conforme é do conhecimento dos profissionais da
engenharia, o acervo técnico é a experiência profissional materializada nos
CREAs através das ARTs, os quais podem fornecer certidões de acervo
técnico (CATs).
A lei das licitações estabelece como um dos pré-requisitos
indispensáveis à capacitação técnica de uma empresa interessada em
participar de uma licitação pública ter ela responsável técnico com CAT, ou
seja, atestado de execução compatível com o objeto licitado, fornecido por
pessoa jurídica e devidamente certificado por um CREA.
Página - 18
I IV V) ) F FO OR RM MA AS S D DE E A AP PR RE ES SE EN NT TA AÇ ÇÃ ÃO O D DA AS S P PR RO OP PO OS ST TA AS S E E
P PR RO OP PO OS ST TA AS S
1) Perito judicial
Conforme determinações expressas no CPC, o Juiz
nomeará o perito, cabendo as partes indicarem os assistentes técnicos e
apresentarem os quesitos no prazo legal.
Após a intimação pela secretaria, o perito deverá
apresentar a proposta de honorários, protocolizando o documento na seção
específica do Fórum.
Esta proposta deve conter, de forma sucinta, todas as
informações relativas ao processo (Vara, tipo de ação, número do processo,
partes envolvidas, etc.) visando um encaminhando correto da petição, bem
como um breve detalhamento do escopo do trabalho que justifique a quantia
ofertada.
Exemplo de petição de proposta de honorários:
“Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 50ª Vara Cível do Fórum
de Belo Horizonte:
Reinaldo da Silva, Engº Civil, tendo sido honrado com a
nomeação para Perito Oficial nos Autos da Ação Demolitória número
02405.001.597-2 proposta pelo Sr. Marcelo de Souza em desfavor da Sra.
Maria de Lourdes, atendendo o despacho de fls. 78, vem apresentar sua
proposta de honorários, no valor de R$3.500,00 (três mil e quinhentos
reais).
A quantia ofertada foi estimada em função do tamanho da
área a ser analisada, aproximadamente 100.000,00 (cem mil) metros
quadrados, envolvendo a contratação de serviços de terceiros, mormente
uma equipe de topografia, estando de acordo com os preceitos do Manual de
Contratação de Serviços Técnicos de Engenharia de Avaliações e Perícias do
IBAPE.
Agradecendo a oportunidade, solicita o depósito em conta
judicial remunerada, ficando a importância à disposição de V. Exa. para
levantamento após a entrega do laudo.
Nesses termos,
P. Deferimento.
Belo Horizonte, 03 de junho de 2001.
REINALDO DA SILVA”
Página - 19
2) Assistente Técnico
Contrato, derivado do latim contractus, expressa a idéia de
ajuste, convenção firmada entre duas ou mais pessoas, na conformidade da
ordem jurídica, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir direitos de
natureza patrimonial.
O contrato é formado por uma série de momentos ou
fases, que às vezes se interpenetram, mas que em detida análise,
perfeitamente se destacam: negociações preliminares, proposta e aceitação.
Um contrato para a prestação de serviços como assistente
técnico deve conter necessariamente os dados do contratante e contratado,
as informações relativas ao processo (Vara, tipo de ação, número do
processo, partes envolvidas, etc.), o valor acordado e as condições para
execução dos trabalhos (fornecimento de documentação, prazo, encargos
decorrentes, etc.).
Exemplo de contrato para prestação de serviços como
assistente técnico:
“CONTRATADA: XYZ Engenharia Ltda., estabelecida à
Rua Atlético Mineiro, nº 200, Bairro São Clemente, em Belo Horizonte-MG,
inscrita no CNPJ sob o nº 00.000.000/0000-00.
CONTRATANTE: Maria do Socorro, domiciliada à Rua
Brasil, nº 150, Bairro Santa Rita, em Belo Horizonte-MG, inscrita no CPF sob
o nº 000.000.000-00.
Contrato que entre si fazem CONTRATADA e
CONTRATANTE, acima qualificados, mediante as cláusulas e condições
seguintes:
PRIMEIRA - Constitui objeto do presente contrato a
prestação dos serviços de assistência técnica pericial, através de seu
responsável técnico, no processo 0001/2000, em curso na Comarca de Belo
Horizonte, constando de um relatório prévio e acompanhamento do perito
nomeado pelo juiz.
SEGUNDA - O prazo para conclusão do relatório prévio
será de 30 dias úteis, a contar da efetivação da assinatura do contrato,
enquanto os prazos periciais serão aqueles constantes da legislação
processual em vigor.
TERCEIRA - O valor do presente contrato será
R$ 3.000,00 (três mil reais), no ato da contratação, e 10,00 % (dez por
cento) do valor efetivamente recebido pelo CONTRANTANTE, quando do
crédito a seu favor.
Página - 20
PARÁGRAFO ÚNICO: Caso a CONTRATANTE não efetue a
transferência à CONTRATADA no prazo de 30 (trinta) dias, à contar do
recebimento, fica sujeito à multa contratual de 20% (vinte por cento) além
de juros de mora de 1,00% (um por cento) ao mês, atualização monetária,
custas, honorários advocatícios, e todas as despesas resultantes de
eventuais cobranças amigáveis ou judiciais.
QUARTA - A CONTRATANTE deverá fornecer toda a
documentação e demais informações solicitadas pela CONTRATADA
necessárias à elaboração do relatório prévio, bem como aquelas necessárias
para satisfazer as exigências do perito.
Parágrafo único: A CONTRATADA ficará isenta de
qualquer responsabilidade decorrente do descumprimento das exigências
acima, inclusive quando efetuadas fora do prazo estipulado ou estabelecido
por lei.
QUINTA - Os encargos sociais que incidirem ou vierem a
incidir no cumprimento do presente contrato, as despesas de transporte,
hospedagem e alimentação, bem como qualquer outra exigência de natureza
fiscal ou trabalhista correrão por conta da CONTRATADA.
SEXTA - Caso haja supressão total ou parcial do trabalho
contratado, a CONTRATADA fará jus ao valor respectivo dos honorários ainda
devidos, não havendo obrigatoriedade de qualquer tipo de reembolso no
caso das parcelas já recebidas, inclusive caso fortuito ou força maior, ou,
ainda, em caso de substituição do assistente técnico.
SÉTIMA - Fica eleito o foro desta Capital, com renúncia a
qualquer outro, para dirimir dúvidas e controvérsias oriundas da
interpretação e execução deste instrumento.
E, por estarem justos e contratados, firmam o presente em
2 (duas) vias, de igual teor e forma, perante 2 (duas) testemunhas.
Belo Horizonte, 16 de agosto de 2004.
CONTRATANTE CONTRATADA
TESTEMUNHAS:
Página - 21
3) Contrato epistolar
O acordo celebrado entre pessoas presentes considera-se
perfeito e acabado no momento da aceitação. Entretanto, torna-se mais
complexa a questão na hipótese de contrato entre pessoas ausentes, como
naquele que se perfaz por meio de correspondência epistolar ou telegrama.
A peculiaridade que o destaca é a ausência do aceitante (oblato), razão
porque o consentimento não se dá em um só instante, mas, ao revés, a
adesão do aceitante justapõe-se à oferta com a intermediação de um lapso
temporal mais ou menos longo. Nesse tipo de contrato, desperta interesse a
fixação do momento em que se deve considerar perfeito.
O Código Civil brasileiro (art. 1.086), seguindo orientação
adotada pelo nosso Código Comercial (art. 127), acolheu o sistema de
aperfeiçoamento do contrato pela expedição da carta ou telegrama pelo
aceitante, porém, admitindo-se exceções, tais como cláusula contratual em
sentido contrário, ou , ainda, se antes da aceitação ou com ela chegar ao
proponente a retratação do aceitante.
Exemplo de contrato epistolar:
“Belo Horizonte, 29 de junho de 2001.
Ilmº Sr.
Dr. Marciano Terráqueo
Em atendimento à solicitação de V. Sa., vimos informar
que os honorários periciais objetivando prestação de serviços como
assistente técnico nos autos do processo 001.514.123/4, foram estimados
em R$ 2.000,00 (dois mil reais).
Caso V. Sa. concorde com o valor ofertado, solicitamos a
especial gentileza de firmar o “de acordo” abaixo.
Atenciosamente,
___________________
Perito Brasileiro da Silva
De acordo:
__________”
4) Contrato formal
Levando-se em conta a maneira como se aperfeiçoam,
podem os contratos ser classificados em consensuais e solenes ou formais.
Página - 22
Diz-se consensual o contrato para cuja celebração a lei
não exige senão o acordo das partes. Para sua formação é necessário,
exclusivamente, o acordo de vontades; assim, por exemplo, a compra e
venda de bens móveis ou o contrato de transporte.
Contrapondo-se aos consensuais, existem os formais.
Denomina-se solene o contrato para cuja formação não basta o acordo das
partes. Exige-se a observância de certas formalidades, em razão das quais o
contrato se diz, também, FORMAL. As exigências legais mais freqüentes são:
a forma escrita (pública ou privada), a intervenção de notário e a inscrição
no registro público.
Segundo o sistema adotado pelo Código Civil brasileiro,
em regra a forma é livre, prescindindo de maiores formalidades. Deverão ser
observadas tão somente quando previstas em lei, sob pena de ineficácia da
declaração de vontades.
Como exemplo, nos reportamos ao modelo apresentado
no item IV-2 anterior, às páginas 19 e 20.
5) ART
A Anotação de Responsabilidade Técnica, procedimento
obrigatório em qualquer atividade, projeto, obra ou serviço executado na
área da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, mais do que uma
instituição legal é um instrumento de defesa do profissional, formadora de
seu acervo técnico.
Criada pela Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977, e
regulamentada pela Resolução nº 425 do CONFEA, de 18 de dezembro de
1999, a ART é a maneira pela qual são registrados os contratos, escritos ou
verbais, bem como os desempenhos de cargos ou funções técnicas.
Ao preencher o formulário padrão, fornecido pelo CREA, o
profissional declara ali os dados principais do serviço a ser executado e do
contrato firmado entre o profissional e o cliente.
Através destes dados, lançados em computador, o CREA
tem condição de esboçar a dinâmica profissional dentro do Estado,
permitindo uma constante adequação de suas atividades. Paralelamente,
forma-se um precioso banco de dados, contendo um cadastro atualizado dos
profissionais e das empresas.
Dessa forma, toda obra ou serviço passa a fazer parte do
Registro de Acervo Técnico (RAT), conforme dispõe a Resolução nº 317 do
CONFEA, de 31 de outubro de 1986, estando o CREA apto a expedir, quando
requerida, a Certidão de Acervo Técnico (CAT).
Página - 23
Vale acrescentar que o acervo técnico de uma pessoa
jurídica é representado pelo acervo Técnico.
O registro das ARTs junto ao CREA é feito mediante uma
taxa, cuja destinação divide-se entre o CREA, a Mútua de Assistência dos
Profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e a entidade de classe
indicada pelo profissional, correspondendo a uma parte significativa das
respectivas arrecadações, garantindo a continuidade dos serviços que
prestam aos profissionais.
No campo dos direitos de autoria, a ART é uma forma de
defesa dos autores de planos ou projetos, ficando anotado o que a lei
assegura ao profissional em termos de Direito Autoral.
Como a ART é uma súmula do contrato firmado entre os
profissionais e o cliente, nela estão anotados a extensão de seus serviços e o
nível de responsabilidade, servindo de documento hábil para garantia de
remuneração dos serviços ou obras prestados, mesmo que contratados
verbalmente.
Finalmente a ART é o mais importante instrumento de
fiscalização profissional do CREA, pois é através dela que se torna possível o
acompanhamento dos profissionais em suas atividades técnicas, pois a sua
inexistência em qualquer atividade técnica exclusiva de profissionais
habilitados caracteriza o exercício ilegal da profissão.
Assim, o zelo do profissional em providenciar a devida ART
em todo serviço, desde uma simples consulta até uma grande obra, além de
contribuir na arrecadação do CREA, MÚTUA e entidade de classe, amplia o
acervo profissional e colabora para coibir o exercício ilegal da profissão, que
é uma garantia do privilégio profissional, constituindo-se também num
instrumento de defesa da coletividade.
Página - 24
V V) ) R RE ES SP PO ON NS SA AB BI IL LI ID DA AD DE E C CI IV VI IL L E E C CR RI IM MI IN NA AL L D DO O P PE ER RI IT TO O
1) Teoria da culpa
De acordo com o Art. 186 do C.C. de 2002 “Aquele que,
por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.
Denota imperícia a falta de conhecimentos necessários do
profissional, em função de nunca ter aprendido sobre a matéria; negligência
é a falta de aplicação dos conhecimentos aprendidos pelo profissional, até
mesmo por esquecimento; a imprudência é caracterizada quando o
profissional possui os conhecimentos, não esqueceu, mas assumiu, talvez
motivado por não ter acontecido nada até o momento.
Quando torna-se necessário provar a culpa do agente
causador do dano, trata-se de uma responsabilidade subjetiva; no caso de
intenção deliberada, fica caracterizado o dolo.
2) Casos de responsabilidade do profissional
O profissional poderá ser responsabilizado quando não
entregar o laudo (perito), ou parecer (assistente), no prazo legal, elaborar o
laudo de forma negligente, trazendo informações inverídicas e realizar erros
flagrantes na elaboração dos cálculos ou na escolha da metodologia.
Também imputa irresponsabilidade a demonstração da
falta de conhecimento técnico ou científico, corrupção ou venalidade.
Em se tratando de assistente técnico, não há como falar
em dolo, salvo nos casos de comprovada má-fé.
3) Crime de falsa perícia
O crime de falsa perícia encontra-se previsto no artigo 342
do Código Penal, sendo aplicável ao perito se fizer afirmação falsa, negar ou
calar a verdade. Ele deixa de ser punível nos casos de retratação ou
declaração da verdade.
Página - 25
V VI I) ) É ÉT TI IC CA A P PR RO OF FI IS SS SI IO ON NA AL L
1) Conceituação
Historicamente, as normas éticas visam ensinar um
caminho à conduta humana, dentro do desenvolvimento social dos povos.
Nas sociedades modernas o ser humano convive com regras
comportamentais, através de estatutos, regimentos, normas, mandamentos,
etc.
Essa convivência social conduz a uma valorização
diferenciada das coisas, que pode conduzir aos extremos do comportamento,
o egoísmo e o alturismo, referindo-se a pessoas que só pensam em si
mesmas (ego) ou pessoas que só pensam nos outros (altro)
A conceituação de Ética encontra definições variadas, cujo
entendimento, algumas das vezes diferencia Ética de Moral, em outros as
têm como sinônimos.
Segundo o Novo Dicionário Aurélio, Ética é o “Estudo dos
juízos de apreciação que se referem à conduta humana, suscetível de
qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à
determinada sociedade, seja de modo absoluto”, enquanto a Moral refere-se
a um “Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de
modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa
determinada”
2) Deveres do profissional para com a
sociedade
Em função da confiança que nos é depositada, a primeira
virtude que o profissional deve apresentar para o exercício de suas
atividades é a Honestidade, não admitindo tolerância ou interpretações
subjetivas.
Todos os trabalhos devem ser realizados com o máximo de
Responsabilidade possível, garantindo uma maior probabilidade de não
prejudicar os interesses coletivos.
O profissional deve agir com a convicção de que suas
atitudes são em prol dos interesses gerais, não significando obediência
restrita, mas denotando Lealdade.
A Competência exige uma busca constante do
conhecimento da ciência, da tecnologia e das práticas profissionais,
acarretando uma prestação de melhor serviço.
Página - 26
Todos os trabalhos devem ser realizados com Prudência,
obrigando a uma minuciosa análise das situações complexas e difíceis, e
contribuindo para maior segurança nas decisões a serem tomadas.
Com Coragem o profissional deve defender a verdade e a
justiça, reagindo às críticas e tomando decisões sem levar em conta atos de
desagrado de terceiros; perante as inúmeras barreiras, incompreensões,
insucessos e fracassos que vai enfrentar ao longo de sua vida, deve
demonstrar sempre a Perseverança.
E finalmente, objetivando se contrapor aos preconceitos, a
reagir contra os mitos e defender os verdadeiros valores na busca do justo,
o profissional deve caminhar de braços dados com a Imparcialidade.
3) A ética do perito
O perito judicial deve exercer a profissão com honestidade,
dignidade, diligência e independência, guardando sigilo profissional e
zelando pela competência na condução do trabalho.
O profissional deve inteirar-se de todos os fatos relativos à
perícia, manifestando eventuais impedimentos ou suspeições ao exercício da
função, e recusando a indicação quando não se achar capacitado para o
mister.
Sempre deve abster-se de expressar sua convicção pessoal
sobre direitos das partes, considerando os fatos submetidos à análise com
imparcialidade e assimilando eventuais enganos ou divergências surgidas.
O vistor oficial não deve anunciar ou sugerir publicidade
abusiva e/ou auferir outro provento do exercício profissional, senão aquele
decorrente do trabalho correto e honesto.
Deve abster-se de assinar documentos elaborados por
terceiros, de estabelecer entendimentos com uma das partes, à revelia do
juiz ou da parte contrária, de reter abusivamente processo ou documento e
de receber honorários fora do processo.
Não deve oferecer ou disputar serviço mediante
aviltamento de honorários ou concorrência desleal, se valer de agenciador
de serviços, ou concorrer para a realização de ato contrário à lei.
A conduta em relação ao assistente técnico deve ser
pautada nos princípios da consideração, apreço e solidariedade,
comunicando aos assistentes a sua indicação para a função.
Página - 27
O Jurisperito deve convidar os assistentes para os exames
e vistorias, trocando informações, recebendo documentos e ouvindo as
ponderações dos assistentes; ao apresentar suas conclusões, deve aceitar
eventuais sugestões que permitam o aprimoramento ou o esclarecimento do
laudo pericial.
Deve evitar referências prejudiciais ou desabonadoras em
relação aos colegas, analisando com cautela a aceitação de nomeação
decorrente de substituição de outro profissional; não deve se pronunciar
sobre serviço profissional entregue a outro colega e respeitar o direito
autoral, não se apropriando de trabalhos de terceiros.
O perito deve sempre compartilhar o conhecimento de
novas orientações de caráter técnico.
4) A ética do assistente técnico
Ao assistente técnico cabe cumprir os mesmos deveres do
perito, lembrando o principal dever ético com o cliente que o contratou, sem
comprometer a sua credibilidade.
Deve obedecer as vedações impostas ao perito, analisando
algumas com as peculiaridades de sua função, evitando interromper a
prestação de serviço sem justa causa e comunicação prévia ao cliente, não
revelando negociação confidenciada pela parte que o contratou nem iludindo
a boa fé na elaboração do trabalho, desvirtuando as informações que levar
ao perito.
Em relação ao perito oficial, deve informá-lo da nomeação
e facilitar seu trabalho no que for possível, fornecendo informações e
documentos.
Deve respeitar eventuais conclusões divergentes do
interesse de seu cliente, atendo-se às questões técnicas, jamais fazendo
considerações de cunho pessoal.
5) Código de Ética Profissional
De acordo com o dispositivo normativo (Resolução 1002 do
CONFEA), o profissional deve:
“1. PREÂMBULO
Art. 1º - O Código de Ética Profissional enuncia os
fundamentos éticos e as condutas necessárias à boa e honesta prática das
profissões da Engenharia, da Arquitetura, da Agronomia, da Geologia, da
Geografia e da Meteorologia e relaciona direitos e deveres correlatos de seus
profissionais.
Página - 28
Art. 2º - Os preceitos deste Código de Ética Profissional têm alcance sobre os
profissionais em geral, quaisquer que sejam seus níveis de formação,
modalidades ou especializações.
Art. 3º - As modalidades e especializações profissionais
poderão estabelecer, em consonância com este Código de Ética Profissional,
preceitos próprios de conduta atinentes às suas peculiaridades e
especificidades.
2. DA IDENTIDADE DAS PROFISSÕES E DOS
PROFISSIONAIS
Art. 4º - As profissões são caracterizadas por seus perfis
próprios, pelo saber científico e tecnológico que incorporam, pelas
expressões artísticas que utilizam e pelos resultados sociais, econômicos e
ambientais do trabalho que realizam.
Art. 5º Os profissionais são os detentores do saber especializado de
suas profissões e os sujeitos pró-ativos do desenvolvimento.
Art. 6º - O objetivo das profissões e a ação dos
profissionais voltasse para o bem-estar e o desenvolvimento do homem, em
seu ambiente e em suas diversas dimensões: como indivíduo, família,
comunidade, sociedade, nação e humanidade; nas suas raízes históricas,
nas gerações atual e futura.
Art. 7o - As entidades, instituições e conselhos
integrantes da organização profissional são igualmente permeados pelos
preceitos éticos das profissões e participantes solidários em sua permanente
construção, adoção, divulgação, preservação e aplicação.
3. DOS PRINCÍPIOS ÉTICOS
Art. 8º - A prática da profissão é fundada nos seguintes
princípios éticos aos quais o profissional deve pautar sua conduta:
Do objetivo da profissão
I - A profissão é bem social da humanidade e o
profissional é o agente capaz de exercê-la, tendo como objetivos maiores a
preservação e o desenvolvimento harmônico do ser humano, de seu
ambiente e de seus valores;
Da natureza da profissão
II – A profissão é bem cultural da humanidade construído permanentemente
pelos conhecimentos técnicos e científicos e pela criação artística,
Página - 29
manifestando-se pela prática tecnológica, colocado a serviço da melhoria da
qualidade de vida do homem;
Da honradez da profissão
III - A profissão é alto título de honra e sua prática exige
conduta honesta, digna e cidadã;
Da eficácia profissional
IV - A profissão realiza-se pelo cumprimento responsável
e competente dos compromissos profissionais, munindo-se de técnicas
adequadas, assegurando os resultados propostos e a qualidade satisfatória
nos serviços e produtos e observando a segurança nos seus procedimentos;
Do relacionamento profissional
V - A profissão é praticada através do relacionamento
honesto, justo e com espírito progressista dos profissionais para com os
gestores, ordenadores, destinatários, beneficiários e colaboradores de seus
serviços, com igualdade de tratamento entre os profissionais e com lealdade
na competição;
Da intervenção profissional sobre o meio
VI - A profissão é exercida com base nos preceitos do
desenvolvimento sustentável na intervenção sobre os ambientes natural e
construído e da incolumidade das pessoas, de seus bens e de seus valores;
Da liberdade e segurança profissionais
VII - A profissão é de livre exercício aos qualificados,
sendo a segurança de sua prática de interesse coletivo.
4. DOS DEVERES
Art. 9º - No exercício da profissão são deveres do
profissional:
I – ante ao ser humano e a seus valores:
a) oferecer seu saber para o bem da humanidade;
b) harmonizar os interesses pessoais aos coletivos;
Página - 30
c) contribuir para a preservação da incolumidade pública;
d) divulgar os conhecimentos científicos, artísticos e
tecnológicos inerentes à profissão;
II – ante à profissão:
a) identificar-se e dedicar-se com zelo à profissão;
b) conservar e desenvolver a cultura da profissão;
c) preservar o bom conceito e o apreço social da
profissão;
d) desempenhar sua profissão ou função nos limites de
suas atribuições e de sua capacidade pessoal de realização;
e) empenhar-se junto aos organismos profissionais no
sentido da consolidação da cidadania e da solidariedade
profissional e da coibição das transgressões éticas;
III - nas relações com os clientes, empregadores
e colaboradores:
a) dispensar tratamento justo a terceiros, observando o
princípio da eqüidade;
b) resguardar o sigilo profissional quando do interesse de
seu cliente ou empregador, salvo em havendo a obrigação legal da
divulgação ou da informação;
c) fornecer informação certa, precisa e objetiva em
publicidade e propaganda pessoal;
d) atuar com imparcialidade e impessoalidade em atos
arbitrais e periciais;
e) considerar o direito de escolha do destinatário dos
serviços, ofertando-lhe, sempre que possível,
Página - 31
serviços, ofertando-lhe, sempre que possível, alternativas
viáveis e adequadas às demandas em suas propostas;
f) alertar sobre os riscos e responsabilidades relativos às
prescrições técnicas e às conseqüências presumíveis de sua inobservância;
g) adequar sua forma de expressão técnica às
necessidades do cliente e às normas vigentes aplicáveis;
IV - nas relações com os demais profissionais:
a) atuar com lealdade no mercado de trabalho,
observando o princípio da igualdade de condições;
b) manter-se informado sobre as normas que
regulamentam o exercício da profissão;
c) preservar e defender os direitos profissionais;
V – ante ao meio:
a) orientar o exercício das atividades profissionais pelos
preceitos do desenvolvimento sustentável;
b) atender, quando da elaboração de projetos, execução
de obras ou criação de novos produtos, aos princípios e recomendações de
conservação de energia e de minimização dos impactos ambientais;
c) considerar em todos os planos, projetos e serviços as
diretrizes e disposições concernentes à preservação e ao desenvolvimento
dos patrimônios sócio-cultural e ambiental.
5. DAS CONDUTAS VEDADAS
Art. 10 - No exercício da profissão são condutas vedadas
ao profissional:
I - ante ao ser humano e a seus valores:
a) descumprir voluntária e injustificadamente com os
deveres do ofício;
Página - 32
b) usar de privilégio profissional ou faculdade decorrente
de função de forma abusiva, para fins discriminatórios ou para auferir
vantagens pessoais;
c) prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição
técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano às pessoas
ou a seus bens patrimoniais;
II – ante à profissão:
a) aceitar trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa
para os quais não tenha efetiva qualificação;
b) utilizar indevida ou abusivamente do privilégio de
exclusividade de direito profissional;
c) omitir ou ocultar fato de seu conhecimento que
transgrida à ética profissional;
III - nas relações com os clientes, empregadores e
colaboradores:
a) formular proposta de salários inferiores ao mínimo
profissional legal;
b) apresentar proposta de honorários com valores vis ou
extorsivos ou desrespeitando tabelas de honorários mínimos aplicáveis;
c) usar de artifícios ou expedientes enganosos para a
obtenção de vantagens indevidas, ganhos marginais ou conquista de
contratos;
d) usar de artifícios ou expedientes enganosos que
impeçam o legítimo acesso dos colaboradores às devidas promoções ou ao
desenvolvimento profissional;
e) descuidar com as medidas de segurança e saúde do
trabalho sob sua coordenação;
f) suspender serviços contratados, de forma injustificada e
sem prévia comunicação;
g) impor ritmo de trabalho excessivo ou exercer pressão
psicológica ou assédio moral sobre os colaboradores;
Página - 33
IV - nas relações com os demais profissionais:
a) intervir em trabalho de outro profissional sem a devida
autorização de seu titular, salvo no exercício do dever legal;
b) referir-se preconceituosamente a outro profissional ou
profissão;
c) agir discriminatoriamente em detrimento de outro
profissional ou profissão;
d) atentar contra a liberdade do exercício da profissão ou
contra os direitos de outro profissional;
V – ante ao meio:
a) prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição
técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano ao ambiente
natural, à saúde humana ou ao patrimônio cultural.
6. DOS DIREITOS
Art.º 11 - São reconhecidos os direitos coletivos
universais inerentes às profissões, suas modalidades e especializações,
destacadamente:
a) à livre associação e organização em corporações
profissionais;
b) ao gozo da exclusividade do exercício profissional;
c) ao reconhecimento legal;
d) à representação institucional.
Art.º 12 – São reconhecidos os direitos individuais
universais inerentes aos profissionais, facultados para o pleno exercício de
sua profissão, destacadamente:
a) à liberdade de escolha de especialização;
b) à liberdade de escolha de métodos, procedimentos e
formas de expressão;
Página - 34
Página - 35
c) ao uso do título profissional;
d) à exclusividade do ato de ofício a que se dedicar;
e) à justa remuneração proporcional à sua capacidade e
dedicação e aos graus de complexidade, risco, experiência e especialização
requeridos por sua tarefa;
f) ao provimento de meios e condições de trabalho dignos,
eficazes e seguros;
g) à recusa ou interrupção de trabalho, contrato,
emprego, função ou tarefa quando julgar incompatível com sua titulação,
capacidade ou dignidade pessoais;
h) à proteção do seu título, de seus contratos e de seu
trabalho;
i) à proteção da propriedade intelectual sobre sua criação;
j) à competição honesta no mercado de trabalho;
k) à liberdade de associar-se a corporações profissionais;
l) à propriedade de seu acervo técnico profissional.
7. DA INFRAÇÃO ÉTICA
Art. 13 – Constitui-se infração ética todo ato cometido
pelo profissional que atente contra os princípios éticos, descumpra os
deveres do ofício, pratique condutas expressamente vedadas ou lese direitos
reconhecidos de outrem.
Art.14 – A tipificação da infração ética para efeito de
processo disciplinar será estabelecida, a partir das disposições deste Código
de Ética Profissional, na forma que a lei determinar.”