You are on page 1of 11

QUESTÕES DISCURSIVAS – MAGISTRATURA – FCC

Elaborado por: Aislan Oliveira



Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Ambiental - No exercício de atividade regulamente
licenciada pelo órgão ambiental competente, e sem violar os limites e
condições impostos no ato de licenciamento, determinada empresa despeja
substância tóxica em um rio, causando mortandade de peixes. Está essa
empresa obrigada a reparar o dano ambiental resultante de sua atividade ?
Justifique, tendo por base o regime constitucional e legal relativo à matéria.

Resposta: A responsabilidade civil por dano ambiental é prevista pelo art.
14, p. 1º, da Lei 6.938/81, com fundamento no art. 225, p. 3º, da CF, e
é essencialmente objetiva, implicando a desnecessidade da prova da culpa do
agente para a sua caracterização. Para tanto, bastaria a comprovação do
nexo de causalidade, que é dado do problema, e do dano ambiental, que
é definido como tal pelo art. 54 da Lei 9.605/98. – Exposição do conceito de
responsabilidade civil por dano ambiental, caráter objetivo e requisitos de sua
configuração, - Explicação de seu fundamento constitucional, - Explicação
de seu fundamento legal. A circunstância de a atividade gozar de licença
ambiental não é excludente de responsabilidade, por causa da irrelevância
de o agente ter ou não agido com culpa, para que responda pelos danos
causados. Assim, caracterizados o dano e o nexo de causalidade, surge a
obrigação de reparar o dano ambiental. - Discussão acerca da relevância
do licenciamento ambiental e da licitude da atividade.

Magistratura Estadual - Concurso: TJPE - Ano: 2013 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Ambiental - Suponha a existência de uma determinada
Área de Proteção Ambiental (APA), cujas regras exigem licenciamento
ambiental em caráter prévio à licença para edificar. De acordo com tal
regulamentação, o Município apenas pode aprovar edificação se já houver
sido demonstrada a outorga da licença ambiental. A Prefeitura, ignorando
dolosamente as regras decorrentes do regime da APA e agindo em
comprovado conluio com proprietário de lote urbano, aprova projeto de
construção em favor deste, sem que houvesse licença ambiental. A obra,
porem, não é executada. Posteriormente, o lote é alienado a terceiro de boa-
fé que, presumindo estar amparado por todas as licenças cabíveis, aproveita
o projeto de edificação já aprovado e executa a obra, causando danos
ambientais irreparáveis. Dada esta situação, o MP move Ação Civil Pública
contra o Município e contra o proprietário executor da obra, exigindo sua
responsabilização civil solidária pelos danos ambientais. A. Discuta a
responsabilidade civil do Município e do proprietário executor da obra, sob
os pontos de vistas (i) do caráter subjetivo de sua conduta (dolosa ou culposa);
e (ii) do nexo de causalidade (mediato ou imediato) entre sua conduta e o
dano causado. Em ambos casos, indique o fundamento de direito positivo
aplicável. B. A ação não foi proposta contra o ex-proprietário que agiu em
conluio com o Município. Poderia, contudo, ser ele responsabilizado
solidariamente com os outros dois réus ? Em caso positivo, deveria ser
formado litisconsórcio necessário ?

Resposta: A. O candidato deverá discorrer sobre a responsabilidade civil
por dano ambiental, indicando o seu caráter objetivo (Lei 6938/81, art. 14, p. 1º,
CF/88, art. 225, p. 3º). Qualquer dos três envolvidos poderia ser, em
tese, responsabilizado pelo dano, mesmo que esteja de boa-fé. O
Município é responsável porque aprovou o projeto de edificação sem levar
em conta a existência de licença ambiental. Já o executor de obra é
responsável porque determinou, concretamente, a prática do ato que gerou o
dano ambiental. Ainda que o Município não tenha tido participação direta
no dano, poderá ser responsabilizado porque o dano não aconteceria se
houvesse tomado as cautelas cabíveis. Nesse sentido, o art. 3º, IV, da
Lei 6.938/81, define poluidor como aquela “responsável direta ou
indiretamente, pelo dano ambiental”. B. O particular que concorre dolosamente
para a ação poderá também ser responsabilizado, nos mesmos termos dos
demais réus. Sua responsabilidade é solidária. Contudo, a escolha das
pessoas que comporão o pólo passivo da ação cabe ao autor, pois não
existe litisconsórcio necessário nessa hipótese (STJ, REsp,843.978-SP).

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Ambiental - Dentre as diretrizes fixadas pelo Sistema
Nacional de Unidades de Conservação, destaca-se “a busca do apoio e da
cooperação de ONG’s, de organizações privadas e pessoas físicas, para o
desenvolvimento de pesquisas científicas”. Pergunta: Essa diretriz harmoniza-
se com as disposições do art. 225 da Constituição Federal?

Magistratura Estadual - Concurso: TJPE - Ano: 2013 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Civil - Mas, as leis tratam a astúcia de uma certa
maneira, enquanto os filósofos, de outra –as leis, porque podem garantir um
forte controlo, os filósofos, na medida em que recorrem à razão e à
inteligência. Na verdade, a razão requer que nada se faça com espírito
de insídia, falsidade ou intento malicioso. Não é verdade que seja
insidioso armar armadilhas, mesmo não sejas tu aquele que começou o jogo
nem tão pouco aquele que causou perturbação ? É próprio dos animais
selvagens caírem nesse estado, muitas vezes de uma maneira
inconseqüente. Da mesma maneira, poderia alguém pôr uma casa para
venda e colocar um anúncio, qual armadilha, e vendê-la por causa dos
defeitos, fazendo assim com que alguém corra o risco de nisso cair
imprudentemente ? Porque a degradação dos costumes é tão grande,
encaro tal maneira de proceder como não constituindo propriamente um
costume maléovolo, nem como sendo algo que deve ser proibido tanto pela
lei como pelo direito civil, no entanto, tal é proibido pela própria lei
natural (Dos Deveres. De officis. Tradução de Carlos Humberto Gomes. P.
139, Ed. 70, Lisboa, 2000). Miguel Reale, após discorrer sobre a teoria do
“mínimo ético”, que pode ser reproduzida atráves da imagem dos círculos
concêntricos, sendo o círculo maior o da Moral, e o círculo menor o do Direito,
sustenta que “fora da Moral existe ‘imoral’, mas existe também o que é apenas
‘amoral’, como, por exemplo, as regras que estabelecem os prazos processuais
e conclui: “Há, pois, que distinguir um campo de Direito que, se não é
imoral, é pelo menos amoral, o que induz a representar o Direito e a
Moral como dois círculos secantes. Podemos dizer que dessas duas
representações, de dois círculos concêntricos e de dois círculos secantes, a
primeira corresponde à concepção ideal, e a segunda, à concepção real,
ou pragmática, das relações entre o Direito e a Moral (Lições Preliminares
de Direito, 27 ed, PP. 42-43, 11ª tiragem, Saraiva, 2012). Situe as
armadilhas condenadas por Cícero, e responda em que círculos se
encontram, segundo o entendimento de Miguel Reale.

Resposta: 1. Proibição de armadilhas encontra-se no círculo da moral. 2. As
armadilhas não são simplesmente amorais nem ilegais, enquanto não
proibidas por lei. 3. As armadilhas, porém, se condenadas pela lei
encontram-se no campo do Direito. O Código Civil vigente condena as
armadilhas em alguns dispositivos, ainda que implicitamente, por exemplo:
agasalhando a regra da boa-fé objetiva (art. 422), determinando indenização
se o alienante conhecia o vicio ou defeito da coisa alienada com vício
redibitório (art. 443).

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Civil - Determinada pessoa jurídica adquire de outra
bens móveis duráveis destinados à utilização, como maquinário, em seu
processo industrial. A) este contrato será considerado de consumo ou
contrato empresarial ? Responda, justificando e expondo as posições
doutrinárias aplicáveis. B) explique as consequências da qualificação
jurídica desse contrato em termos de responsabilidade civil por vícios
redibitórios dos bens adquiridos.

Resposta: a) a definição da natureza jurídica docontrato, no caso
proposto, depende da qualificaçãojurídica do adquirente. Se este se
enquadra no conceito legal de consumidor, o contrato será de consumo. Na
hipótese em questão, o adquirente é sociedade empresária e o bem é
utilizado em seu processo produtivo. As duas partes são empresárias e o
bem éutilizado para atividade lucrativa. Vale dizer, o comprador não
adquiriu na qualidade de consumidor final para satisfação de suas
necessidades pessoais.Por outro lado, a questão não aponta a
hipossuficiência de uma parte em relação à outra. Logo, considerando os
contornos do caso apresentadoe também a jurisprudência sobre o assunto, é
possível afirmar que o contrato em questão não pode ser considerado
como contrato de consumo. De todo o modo, considerando as
divergências doutrinárias, e mesmo jurisprudências sobre o conceito de
destinatário final do bem, desde que bem fundamentada, poderá ser
considerada também aresposta que defendeu a natureza consumerista da
avença. Com efeito, consumidor, na dicção do código, é o destinatário final da
mercadoria ou serviço. No caso em exame, interessa a delimitação do
conceito de destinatário final. Há doutrina que chega a defender que a
pessoa jurídica com fins lucrativos não se enquadra no conceito de
consumidor. De outra parte,há a corrente que procura ampliar o conceito
de consumidor, entendendo como tal todo aquele que adquire um bem
produzido em escala industrial, sejaele pessoa física ou jurídica, empresária
ou não. Entre os dois extremos, identificam-se principalmente, asseguintes
correntes (1) se o produto é adquirido com finalidade de revenda, o
adquirente não é o destinatário final e, portanto, não é consumidor; (2) se o
produto é matéria prima, insumo ou bem de capital, o adquirente não é
consumidor, porque a aquisição foi feita com finalidade empresarial, em
relação a estahipótese, há também aqueles que defendem uma ampliação
do conceito de consumidor, entendem que se trata de consumo porque
aquele bem especificamente terminou o seu ciclo econômico, embora
integrando um processo de industrialização (3) se o adquirente é econômica
ou tecnicamente mais fraco (hipossuficiente) em relação ao fornecedor,
poderá invocar o CDC, mesmo que se trate de pessoa jurídica e mesmo que o
bem seja utilizado em atividade lucrativa, tal peculiaridade deve ser investigada
caso a caso. b) aos contratos empresariais aplica-se o a disciplina do
Código Civil. Aos contratos de consumoaplica-se a disciplina do CDC. No
que tange à disciplina dos vícios redibitórios, as principais diferenças entre os
dois sistemas: (1) o prazo pra reclamação, em se tratando de contrato
empresarial, é de 30 dias para bens não-duráveis e 90 dias para bens
duráveis; (2) de acordo com o CDC, além do abatimento proporcional do
preço ou desfazimento do negócio, o consumidor pode pleitear a
substituição da coisa, concedendo ao fornecedor o prazo de 30 dias para
tentar sanar o defeito. Ainda pode-se destacar que, nas relações de
consumo, o juiz pode inverter o ônus da prova, há solidariedade entre os
fabricantes; e a responsabilidade por perdas e danos independe de culpa.

Magistratura Estadual - Concurso: TJPE - Ano: 2013 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Civil - Tendo celebrado contrato de seguro de veiculo,
envolveu-se o segurado em colisão, aparentemente embriagado, negando-
se porém a realizar teste com etilômetro ou exame químico toxicológico.
A seguradora nega-se à cobertura securitária, afirmando que o mero
fato de o segurado encontrar-se embriagado agravou o risco, ainda que não
tenham sido definidas com precisão as causas do acidente. Afirmou ainda
que o segurado havia se mudado, sem ter avisado a seguradora da
alteração residencial, o que caracterizou infração contratual, justificando a
ausência de pagamento do seguro também por esse aspecto. O
segurado insiste em sua pretensão, executando judicialmente o valor da
indenização que reputa devido, em função dos danos verificados no
veiculo e segundo o contrato não honrado, pleiteando juros moratórios e
correção monetária a partir do evento, bem como indenização por danos
morais, em razão dos transtornos decorrentes do inadimplemento
contratual. Analise os fatos narrados, tanto no tocante à negativa de
cobertura do seguro, como no que diz respeito à via judicial escolhida e
verbas pecuniárias pleiteadas, concluindo sobre a possibilidade ou não de
acolhimento dos pedidos.

Resposta: O candidato deverá argumentar sobre a ausência de nexo
causal entre o acidente e a embriaguez, bem como a relação à mudança
de endereço residencial. Quanto à via judicial escolhida, deverá
argumentar sobre a executividade ou não do contrato, uma vez que o art.
585, III, do CPC, refere-se somente ao seguro de vida. Admitir-se-ão a
propositura pelo rito sumário (art. 275, II, “e”, CPC) ou pela via monitória (CPC,
art. 1.102, “a”). Deverá o candidato posicionar-se quanto ao termo inicial
dos juros moratórios e correção monetária, bem como sobre o cabimento
ou não dos danos morais, admitidos excepcionalmente, apenas no tocante
ao inadimplemento obrigacional. Quanto aos juros, são cabíveis da
citação, por se tratar de inadimplemento contratual e não aquiliano (art. 405
do CC); a correção monetária é admitida a partir da negativa de cobertura
securitária, que caracteriza o vencimento da dívida (Lei 6.899, art. 1º, p. 1º).

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Civil - Estabeleça a distinção entre prescrição nuclear ou
de fundo de direito e a prescriçãoparcelar e explique o que é a prescrição
intercorrente.

Resposta: A) prescrição nuclear é aquela que atinge toda a pretensão. B)
prescrição parcelar é a que atinge as cotas ou parcelas em que a obrigação se
divide. C) prescrição intercorrente é a que se dá no curso do processo
por inércia da parte que não lhe dá o andamento devido, por prazo igual
ou superior ao daprescrição, ou em razão de disposição legal que
estabelece prazo máximo da suspensão do processo.

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Civil - O que significa preclusão temporal, lógica e
consumativa, e em que difere da coisa julgada formal ?

Resposta: A) a preclusão significa o impedimento da prática de um ato no
processo. B) a preclusão será temporal quando decorrido o prazo e o ato
que deveria ser praticado não o foi. C) a preclusão será lógica quando
houver a prática de um ato incompatível com outro que se pretenda praticar.
D) a preclusão seráconsumativa quando o ato já tiver sido praticado e, por
isto, não pode ser renovado do mesmo ou de outro modo. E) Há coisa
julgada formal quando, no mesmo processo, estiver esgotada a possibilidade
de interposição de todos os recursos.

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Constitucional - Em maio de 2006, foi requerida em
juízo a proibição da exibição, no país, do filme O Código da Vinci, inspirado no
Best seller homônimo de autoria de Dan Brown. Consoante registros
jornalísticos da época, o autor da ação alegou que os efeitos da exibição do
filme seriam perniciosos, a despeito de se tratar de obra de ficção, uma vez
que a obra em questão afrontaria a fé cristã, colocando em xeque as
histórias oficiais de Jesus Cristo e de toda a Igreja Católica, ao
concentrar-se na tese de que Jesus Cristo casou com Maria Madalena, com
quem teve um filho, e cuja descendência continuou até a atualidade,
protegida por uma ordem secreta, razão pela qual um determinado grupo
religioso estaria assassinando seus integrantes e descendentes para manter
tal segredo. A ação em questão, movida em face da distribuidora do filme,
Sony Pictures, foi julgada improcedente pelo juiz competente. Considerada a
disciplina constitucional das liberdades, quais os fundamentos jurídicos
existentes para a decisão pela improcedência da ação ? Justifique sua
resposta.

Resposta: a) A Constituição assegura, em seu art. 5º, VI, a liberdade de
crença e culto religiosos, e estabelece, em seu art. 19, I, a vedação de
o Estado estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, ou
impedir-lhes o funcionamento, ou ainda manter com eles ou seus
representantes relações de dependência ou aliança, excetuada a
colaboração de interesse público. Eventual decisão de membro do Poder
Judiciário, como órgão do Estado, que visasse à tutela dos fundamentos de
uma crença religiosa específica representaria uma afronta à laicidade do
Estado, consagrada na Constituição. B) A CRFB assegura, em seu art.
5º, IV e IX, a liberdade de expressão do pensamento, em especial da
atividade artística, intelectual, cientifica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença. Determinação judicial que
impedisse a veiculação de obra cinematográfica de ficção representaria
ato de censura, que não é admitido pela disciplina constitucional da
matéria. C) a todos é assegurada aliberdade de consciência (art. 5º, IV e
VIII), no sentido de que dispõem os indivíduos de liberdade para formar suas
próprias convicções – inclusive em matéria de educação formal, prevê a
Constituição que o ensino se pauta pela liberdade de aprender e pelo
pluralismo de concepções pedagógicas (art. 206, II e III). Não cabe ao Estado-
juiz decidir de antemão o que pode ou não ser visto pelos indivíduos, para
que esses forjem seus pensamentos. O candidato poderá ainda firmar
que, em matéria de diversões e espetáculos públicos, compete ao poder
público tão somente informar sua natureza, as faixas etárias a que não se
recomendem, locais e horários em que sua apresentação se
mostreinadequada (art. 220, p. 3º, I). A manifestação do pensamento, a
criação, expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo,
não sofrerão qualquer restrição, sendo expressamente vedada qualquer
censura de natureza política, ideológica e artística (art. 220, caput, e p. 2º).

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Constitucional - Responda, fundamentadamente, se os
menores de 18 e maiores de 16 anos, bem como os menores de 16 anos
podem alistar-se no ano em que se realizam eleições, esclarecendo, em
caso afirmativo, quais as condições e requisitos de tais alistamentos.

Resposta: O alistamento eleitoral dos menores de 18 anos é facultativo, na
forma do disposto no art. 14, p. 1º, II, c, da CRFB. Em vista disso, os menores
de 18 emaiores de 16 anos podem alistar-se no ano em que se realizarem as
eleições. O menor de 16 anos também pode alistar-se se completar 16
anos até a data do pleito, inclusive (Resolução TSE 21.2538/2003, Art. 14).
O título emitido nessas condições somente surtirá efeito com o
implemento da idade de 16 anos (Resolução TSE 21.538 de 2003, Art.
14, p. 2º e Resolução 19.465 de 1996). O alistamento em tais condições
deverá ser solicitado até o encerramento do prazo fixado para requerimento
de inscrição eleitoral ou de transferência, sendo que nenhum requerimento de
inscrição eleitoral ou de transferência será recebido dentro dos 150 dias
anteriores à data da eleição (Lei 9.502/1997, art. 91). O alistamento
dependerá, ainda, da apresentação de um dos documentos previstos na
Lei 7.444/1985, através dos quais se infira a nacionalidade, idade e demais
elementos necessários à qualificação do interessado.
Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Constitucional - O Estado pode planificar a economia?
Justifique apontando preceitos constitucionais e princípios correlatos.

Magistratura Estadual - Concurso: TJPE - Ano: 2013 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Constitucional - Pretendendo obter certidão para
esclarecimento de situação de interesse pessoal em repartição pública
municipal, foi exigido do cidadão interessado o prévio pagamento de uma taxa
de expediente. Inconformado com esta exigência, o cidadão impetrou
habeas data, com base no art. 5º, XXLII, da CF/88, ao argumento de que
tal remédio constitucional tem cabimento para assegurar o conhecimento de
informações relativas à sua pessoa e que estejam em banco de dados de ente
público, sendo certo que a exigência de taxa cerceia seu direito a estas
informações, além de ser inconstitucional, já que a CF/88 assegura
isenção ao pagamento de taxas para obtenção de certidões com esta
finalidade. Considerando este caso hipotético, analise a correção da
medida e dos fundamentos apresentados pelo cidadão.

Resposta: A. Diante da situação que se apresentou, o remédio constitucional
cabível não seria o habeas data, mas o Mandado de Segurança, eis que o
cidadão tem direito liquido e certo de obter certidão para esclarecimento
de situação de interesse pessoal independentemente do pagamento de
taxa. Neste caso, a exigência da taxa de expediente é inconstitucional por
força do art. 5º , XXXIV, “b” da CF. B. O Habeas Data é remédio
constitucional que tem cabimento quando existe recusa por parte de
entidades governamentais ou de caráter público em divulgar para o cidadão
os registros ou banco de dados sobre ele. No caso apresentado, não houve
recusa em fornecimento de dados, mas apenas condicionamento à emissão
da certidão ao pagamento de taxa. C. É equivocado o argumento de que
para obtenção da certidão pretendida existe isenção assegurada
constitucionalmente, pois trata-se, no caso de IMUNIDADE, visto que a
CF/88, enquanto carta de competências, fica as competências
constitucionais tributárias e, por outro lado, as imunidades, que são
situações onde não há competência, como no caso do art. 5º , XXXIV, “b” da
CF.

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito do Consumidor - Segundo o art. 2º da Lei 8.078.
“Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final”. Quanto ao âmbito de aplicação do CDC,
identifique as correntes “Finalista”, “Maximalista” e “Finalismo Aprofundado”.

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Empresarial - A assembleia-geral de Credores é
soberana em suas decisões quanto aos planos de recuperação. Tais
deliberações estão sujeitas ao controle judicial?

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Penal - Tipifique a conduta do agente que subtrai folha de
cheque pertencente a outrem e, após falsificar a assinatura do correntista,
utiliza o título na compra de determinado bem, obtendo assim, vantagem
ilícita em prejuízo alheio. Indique o princípio aplicável para a solução da
questão.

Resposta: a) em tese, estariam tipificados três crimes: furto (subtração da
folha de cheque), falsificação de documento público (falsificação da
assinatura do correntista) e estelionato (utilização do título na compra do
bem). B) o princípio aplicável para resolução do conflito aparente de
normas é o da consunção, respondendo o agente apenas pelo delito de
estelionato.

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Penal - Nos crimes contra o patrimônio, a exemplo do
furto, art. 155, do Código Penal Brasileiro, a pouca expressividade
econômica do objeto do delito, por si só, descaracteriza a tipicidade
material da conduta, tornando-a um indiferente penal, pelo princípio da
insignificância, ou, para tanto, são reclamados outros vetores? Quais?

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Previdenciário - A aposentadoria do servidor público, por
ser ato administrativo complexo, somente se aperfeiçoa com a sua
confirmação pelo respectivo Tribunal de Contas, a respeito dos pressupostos
do ato administrativo. Assim, o processo administrativo de registro de
aposentadoria e pensões está jungido ao prazo decadencial prescrito pela
Lei n. 9.784/99? Incidem as garantias de ampla defesa e do contraditório?

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Processual Civil - A ação prevista no art. 461 do
Código de Processo Civil é a condenatória com caráter inibitório, e,
portanto, de conhecimento, possuindo eficácia executivo-mandamental,
abrindo a possibilidade para a concessão de tutela antecipada. Pergunta:
considerando que o citado artigo não contem nenhuma ressalva, é correto
afirmar que poderá ocorrer a concessão de tutela antecipada contra a
Fazenda Pública? Justifique.

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Processual Civil - A partir da Lei 11.232/05 a
sentença não é mais definida apenas pela finalidade. De acordo com a nova
redação, sentença é o ato do juiz que contém uma das hipóteses
previstas pelos artigos 267 e 269 do CPC. Especificamente o inciso IV, do art.
269, do CPC, estipula que haverá resolução do mérito quando o juiz
pronunciar a decadência ou a prescrição. Pergunta: o ato judicial que
pronuncia a decadência somente em relação a um dos pedidos
constantes da inicial é sentença? Justifique.

Magistratura Estadual - Concurso: TJPE - Ano: 2013 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Processual Penal - Discorra sobre as seguintes
questões relacionadas à execução das penas privativas de liberdade: a.
Em substituição às condições gerais, pode o juiz estabelecer outra de
natureza especial para a concessão de regime aberto ? b. A condição especial
ao regime aberto, se cabível, pode equivaler a pena restritiva de direitos ?
c. Se condenado em outubro de 2007 por homicídio qualificado cometido em
dezembro de 2006, o sentenciado que se encontra em regime fechado
poderá pleitear a progressão após o resgate de qual fração da pena? d. No
caso anterior, supondo que superados os lapsos necessários, possível
promoção direta ao regime aberto ?

Resposta: A. Nos termos do art. 115 da Lei de Execução Penal, o juiz
pode estabelecer condições especiais para concessão de regime aberto,
MAS sem prejuízo das gerais e obrigatórias (incisos I a IV). B. Para que
não ocorra indevido bis in idem, “ é admissível a fixação de pena substitutiva
(art. 44 do CP) como condição especial ao regime aberto (súmula 493 do STJ).
C. Por corresponder a fato anterior a Lei 11.464/07, que alterou a Lei
8072/90, o sentenciadodeverá resgatar 1/6 da pena, nos termos do art. 112
da Lei de Execução Penal. Norma mais gravosa, não retroage. Nesse
sentido, a Súmula 471 do STJ que “os condenados por crimes hediondos ou
assemelhados cometidos antes da vigência da Lei 11.464/07 sujeitam-se
ao disposto no art. 112 da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal) para a
progressão de regime prisional”. D. Incabível a progressão direta ao
regime aberto, sem passagem pelo intermediário. Segundo a súmula 491 do
STJ, “ é inadmissivel a chamada progressão per saltum de regime prisional.”

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Processual Penal - No que tange à prisão domiciliar e
ao preso provisório em regime domiciliar, pontue o reflexo ocorrido, em comum,
na seara da Lei de Execução Penal (LEP) e na seara da persecutio criminis
– Código de Processo Penal (CPP), após as inovações trazidas pela Lei n.
12.258/2010 e 12.403/2011, respectivamente.

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Processual Penal - Explique o que é “reformatio in pejus
indireta”. Esclareça se ela pode repercutir na declaração da prescrição
punitiva e se ela se aplica a processos de júri.

Magistratura Estadual - Concurso: TJGO - Ano: 2012 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Tributário - A notificação do sujeito passivo, de
qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento do tributo,
posteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado, interrompe o prazo decadencial?
Explique.

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Direito Tributário - Por não ter recebido a restituição de ICMS
mercadoria pago antecipadamente a maior em 20 de maio de 2000, por
saída de mercadoria de seu estabelecimento em 10 de abril de 2000, a
empresa ABC Ltda. Ingressou com ação para repetição do indébito em
novembro de 2007. A empresa acostou decisões do STJ no sentido de
que o prazo para exercer o direito a repetição do indébito, em situações
semelhantes, é de cinco anos a contar da homologação do crédito
tributário. Devidamente citada, a Fazenda Pública Estadual contestou o
pedido da empresa ABC Ltda., alegando, em síntese, que houve
decadência, já que o prazo para exercer o direito a repetição caducou
em 21 de maio de 2005, ou seja, cinco anos a contar da extinção do
crédito tributário, que se dá com o pagamento antecipado, conforme arts. 150,
p. 1º e 156, inciso VII, c.c. art 168, inciso I, todos do Código Tributário
Nacional. Quanto ao pagamento a maior alegado pela empresam autora, o
Fisco Estadual deixou de se pronunciar. Em réplica, a empresa autora sustenta
que o prazo caducará apenas em 12 de abril de 2010, já que a homologação
tácita aconteceu em 11 de abril de 2005, conforme art. 150, p. 4º do CTN,
hipótese em que acontece a extinção definitiva do crédito tributário, dies a
quo para a propositura da ação para repetição do indébito, conforme inciso
I do art. 168, do mesmo diploma legal. Como Juiz de Direito, posicione-se
diante das teses apresentadas pela empresa e pelo Fisco, fundamentando
a posição adotada.

Resposta: A Lei Complementar 118/2005 trouxe no art. 3º nova regra para
fins de início de contagem do prazo para repetição de indébito nos tributos
com lançamento por homologação. Agora, por disposição expressa em lei, o
dies a quo, neste caso, será a data do pagamento antecipado. Deve ser frisado
ainda que esta norma seria interpretativa e teria, por conseguinte, eficácia
retroativa, nos termos do art. 4º, da LC 118/05 c.c art. 106, I, do Código
Tributário Nacional. Todavia, o STJ vem entendendo em reiteradas
decisões, inclusive na Corte Superior, em sede de controle difuso de
constitucionalidade no AI no Eresp 644.736/PE, que a retroatividade é
inconstitucional. Assim, do ponto de vista prático, o prazo para repetição
do indébito deve ser contado daseguinte forma: relativamente aos
pagamentos indevidos de tributos feitos a partir de 9 de junho de 2005,
data da entrada em vigor da lei, o prazo para o contribuinte pedir a restituição é
de cinco anos a contar do pagamento antecipado. Relativamente aos
pagamentos anteriores, o prazo obedece à tese dos cinco + cinco, limitada
ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Ou seja, a
dies a quo, neste último caso, será a data da homologação, expressa ou
tácita. Portanto, o pedido deve ser julgado procedente, afastando-se a tese da
Fazenda Pública de decadência em razão do disposto no art. 3º, da LC
118/05, norma que determina como dies a quo para a propositura da ação
para repetição de indébito, nostributos com lançamento por homologação,
o momento do pagamento antecipado, na medida em que não se admite
a retroatividade desta regra paraalcançar tributos cujos pagamentos
antecipados tenham acontecido antes da vigência da LC 118/05, como no
caso apresentado.

Magistratura Estadual - Concurso: TJRR - Ano: 2008 - Banca: FCC -
Disciplina: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – “Eu o amava
porque o que eu queria fazer, ele consentia, e brincava comigo no chão como
um menino deminha idade. Depois é que vim a saber muita coisa a seu
respeito: que era um temperamento excitado, um nervoso, para quem a vida
só tivera a seu lado amargo. A sua história, que mais tarde conheci, era
a de um arrebatado pelas paixões, a de um coração sensível demais às suas
mágoas. Coitado de meu pai! Parece que o vejo quando saía de casa com os
soldados no dia de seu crime (assassinato de minha mãe). Que ar de
desespero ele levava, no rosto de moço! E o abraço doloroso que me deu
nessa ocasião! Vim a compreender, com o tempo, que se deixara levar ao
desespero. O amor que tinha pela esposa era o de um louco. O seu lugar
não era no presídio para onde o levaram. O meu pobre pai, dez anos
depois, morria na casa de saúde, liquidado por uma paralisia geral (...).
três dias depois da tragédia (assassinato) levaram-me para o engenho do
meu avô materno. Eu ia ficar morando com ele”. José Lins do Rego,
Menino do Engenho). Com base no excerto, e considerando as
disposições do ECA (Lei 8.069/90), comente o exercício do direito de liberdade
e do poder familiar antes e após o evento descrito, bem como as medidas
pertinentes ao pai que poderiam ter sido adotadas com antecedência, a fim de
se evitar a mencionada tragédia, especificando a competência para a adoção
de tais medidas.

Resposta: Em sua resposta o candidato deverá: A)relatar os aspectos
ligados ao direito de liberdade(ECA, art. 16); B) relatar o bom exercício
do poder familiar por parte do pai; C) mencionar a prática de atos
atentatórios à moral e os bons costumes (crime de homicídio) como causa para
a perda do poder familiar. D) mencionar, explicando, as medidas pertinentes
aos pais ou responsáveis (art. 129, incisos I, III, IV, VII e X, ECA); E) considerar
os incisos I, III, IV e VII do art. 129, competência do Conselho Tutelar e
inciso X: competência judicial.