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INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO

GUIA DE APOIO ÀS
ESCOLAS EM
MATÉRIA DISCIPLINAR

FICHA TÉCNICA

Título
Guia de Apoio às Escolas em Matéria Disciplinar
Autoria
Inspecção-Geral da Educação
Alexandre Pereira (Direcção de Serviços Jurídicos)
Edição
© Inspecção-Geral da Educação (IGE)
Av. 24 de Julho, 136
1350–346 LISBOA
Tel.: 213 924 800 / 213 924 801
Fax: 213 924 950 / 213 924 960
e-mail: ige@ige.min-edu.pt
URL: http://www.ige.min-edu.pt
Coordenação editorial, copidesque, design gráfico, revisão tipográfica e divulgação
IGE — Divisão de Comunicação e Documentação (DCD)
Impressão e acabamento
Reprografia da Secretaria-Geral do Ministério da Educação
Av. 24 de Julho, 136 – 1.º
1350-346 LISBOA
Dezembro 2007
Tiragem
500 exemplares
Depósito Legal 268541/07
ISBN 978-972-8429-79-9
Catalogação na publicação
Portugal. Inspecção-Geral da Educação
Guia de apoio às escolas em matéria disciplinar. - Lisboa : IGE, 2007
ISBN 978-972-8429-79-9
CDU 371.12(469)(094.5)
351.83(469)
349.2(469)

GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR
2007

Índice
Introdução

5

Objectivos

7

Princípios gerais

9

Âmbito de aplicação

13

Deveres gerais

15

Prescrição do procedimento disciplinar

17

Poder disciplinar

23

Penas disciplinares

25

Circunstâncias atenuantes, agravantes e dirimentes

29

Suspensão e prescrição das penas

33

Formas, natureza e instauração

35

Instrução

39

Acusação

45

Defesa

49

Relatório final

53

Decisão

57

Impugnação

63

Minutas

69

Identificação do processo
Autuação
Auto de notícia
Despacho de instauração
Ofício de comunicação à IGE para pessoal docente
Ofício de comunicação à IGE para pessoal não docente
Despacho de nomeação do instrutor
Comunicação ao arguido, ao participante e à entidade que nomeou o instrutor
do início da instrução
Termo de compromisso de honra
Termo de apensação
Despachos
Auto de inquirição do participante
Auto de declarações do arguido
Notificação de testemunha para depor
Auto de não comparência
Auto de inquirição de testemunhas
Auto de acareação

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INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO

Auto de exame
Auto de diligências
Nota de culpa para pessoal docente
Nota de culpa para pessoal não docente
Notificação pessoal da acusação
Ofício de notificação da acusação
Aviso para citação em Diário da República
Termo de consulta
Modelo de relatório final
Certidão de notificação pessoal de decisão para pessoal docente
Certidão de notificação pessoal de decisão para pessoal não docente
Ofício com notificação de decisão disciplinar para pessoal docente
Ofício com notificação de decisão disciplinar para pessoal não docente
Termo de conclusão e remessa
Siglas e Abreviaturas

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Saliente-se. que as escolas já tinham. a Inspecção-Geral da Educação (IGE) edita agora em suporte papel o Guia de Apoio às Escolas em Matéria Disciplinar. desde a entrada em vigor do Decreto-Lei n. onde se incluem minutas de documentos e ligações aos diplomas legais e normativos necessários nas diversas fases do processo.º 184/2004. a competência da nomeação de instrutor dos processos disciplinares ao pessoal não docente.º 15/2007. com a redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n. de 29 de Julho. que atribuiu aos dirigentes das escolas a responsabilidade da nomeação de instrutor dos processos disciplinares ao pessoal docente por si instaurados. de 19 de Janeiro. 5 .GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Introdução Complementarmente à disponibilização na sua página. Este guia. surge na sequência da entrada em vigor do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD). ainda. tarefa que antes cabia à IGE.

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que homologa o Regulamento Interno do Pessoal não Docente com Contrato de Trabalho. Com esta finalidade. aprovado pelo Decreto-Lei n. 7 1 Caso do Despacho n.º 24/84. apresenta-se aqui um conjunto de informações que visa servir de apoio às escolas em matéria disciplinar. tarefa que estava cometida. embora devam ser adaptados ao novo regime disciplinar. de 19 de Janeiro. com uma aproximação ao regime laboral comum do Código do Trabalho. de que quem instaura o processo nomeia o respectivo instrutor.º 316/2007. devidamente adaptada. com a redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n. contudo.º 15/2007. no ECD revogado. desde a instauração do processo até à sua decisão final. que. do actual ED (com a consequente revisão da legislação disciplinar existente para trabalhadores da Administração Pública com contrato de trabalho)1. já em curso. Porém. para sua oportuna avaliação. desde já. de se dotarem. da competência das escolas). através de uma análise sequencial do actual ED (ainda o processo comum na Administração Pública).º 184/2004. a instrução dos processos disciplinares é igualmente. de 29 de Julho. de 26 de Janeiro. aplicáveis. tudo aconselha a que se aguarde a publicação desta nova legislação disciplinar. que será aplicável a todos os trabalhadores da Administração Pública. onde se fixam as regras relativas à disciplina. numa altura em que o Governo se prepara – por força da reforma dos regimes de vinculação. de 7 de Agosto. seguida das competentes minutas de toda a tramitação processual. Regional e Local (ED).º 17 460/2006. onde se retorna à regra contida no art. . de acordo com o Decreto-Lei n. de carreiras e de remunerações dos trabalhadores da Administração Pública – para proceder à revisão. procede-se nesta obra a uma explanação das principais fases e dos principais institutos do processo disciplinar. à IGE (para o pessoal não docente. no essencial. as escolas de todos os elementos necessários à boa instrução dos processos disciplinares. Sem prejuízo.º do Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central.º 51. de 12 de Junho) –. com um elenco de deveres comuns e as especificidades que pontualmente se justifiquem quanto aos procedimentos disciplinares e quanto às sanções aplicáveis em cada tipo de vínculo – nomeação e contrato de trabalho (Proposta de Lei n. se mantêm.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Objectivos Na sequência da entrada em vigor do novo Estatuto da Carreira Docente.

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É claro que este interesse público deve ser sempre prosseguido no respeito dos direitos e interesses dos particulares. aquilo que ela tem de mais intrinsecamente seu e que não pode ser usurpado por ninguém. Ou seja. por violar. que pode ser considerado como a impressão digital de toda a função administrativa. Princípio da legalidade Começando pelo princípio da legalidade (art.. dentro dos limites dos poderes que lhes estejam atribuídos e em conformidade com os fins para que os mesmos poderes lhes forem conferidos». no sentido de que não viola norma legal.º 3. etc. mesmo assim. ele é bem claro: interesse público como vector orientador da acção da Administração e sempre no respeito dos direitos e interesses de todos quantos estabelecem uma relação com ela. No fundo a juridicidade. engloba igualmente estes princípios. a propósito dos deveres dos funcionários e agentes da Administração. salvo no caso limite de erro grosseiro nessa avaliação. portarias. O que se pretende dizer é que uma decisão administrativa pode ser legal. 3 CPA.º)2. no exercício da acção disciplinar. art. da sua actuação será aferida ao Direito em sentido amplo. princípios gerais. Será a solução mais conveniente à luz dos critérios de política administrativa para o caso concreto e nos limites impostos por lei.º)3. deve o procedimento disciplinar igualmente obediência aos princípios gerais – a que deve estar sujeita qualquer actuação da Administração – contidos no Código do Procedimento Administrativo (CPA) e portanto também aplicáveis ao processo disciplinar. Poderá dizer-se. à Lei e ao Direito. bem como aos princípios gerais do Direito. e não já a mera legalidade.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR Princípios gerais 2007 Príncipios gerais do Código do Procedimento Administrativo aplicados ao processo disciplinar Como procedimento administrativo. aos quais deve ser sobreposto só nos casos e pelas formas previstas na lei.º 3: «Os órgãos da Administração Pública devem actuar em obediência à lei e ao direito.º 4. art. pois estes têm o dever de fazer cumprir a lei que a Administração incumpriu. É mais uma vez a conformidade dos actos da Administração ao Direito em sentido amplo. além do direito positivo. 9 . leis. Princípio da prossecução do interesse público e da protecção dos direitos e interesses dos cidadãos Quanto ao princípio da prossecução do interesse público e da protecção dos direitos e interesses dos cidadãos (art. no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos». a um bloco de legalidade que.º: «Compete aos órgãos administrativos prosseguir o interesse público. que este interesse público é o resultado da ponderação dos prós e contras de uma medida administrativa concreta. talvez de forma simples. abrindo assim caminho à intervenção dos tribunais. com uma concreta tramitação. que toda a sua actuação deve estar exclusivamente ao serviço do interesse público. decretos-lei. 2 CPA. e por isso previsto em lei especial. inválida. Ver-se-á. se bem que especial porque sancionatório. despachos. e ser.º 4. isso sim. tal significa que a Administração está subordinada.

pois. 2. a Administração Pública deve tratar de forma justa e imparcial todos os que com ela entrem em relação».º)6. privar de qualquer direito ou isentar de qualquer dever nenhum administrado em razão de ascendência. ser apta ou idónea aos fins a atingir e mostrar-se como a menos gravosa para o arguido.º 6. de que falaremos adiante. religião. Princípio da boa-fé Relativamente ao princípio da boa-fé (art. deixando ao aplicador do direito a tarefa de densificação deste comando normativo.º 6.º 3. aquela que se revela menos lesiva da esfera jurídica do arguido. sendo iguais.º: «No exercício da sua actividade.º: «1. Daí este reparo: parte-se de uma referência abstracta a este princípio. também conhecida pelo princípio da proibição do excesso. o que pretende afinal é que as decisões administrativas. sendo desiguais. de entre as penas disciplinares que se mostrem adequadas à satisfação ou prossecução do interesse público. art. território de origem. sexo. forem tratadas desigualmente ou se. sejam elas quais forem. que é um dever geral de qualquer agente administrativo. nomeadamente no que respeita à confiança que deve existir inter partes.º 6-A: «1. a Administração Pública deve reger-se pelo princípio da igualdade. como veremos adiante ao falarmos dos deveres do art.º 5. Reclama a proporcionalidade que a actividade da Administração seja proporcional aos fins que prossegue. raça. No exercício da actividade administrativa e em todas as suas formas e fases.º 52. 5 Em sede das penas disciplinares o princípio da proporcionalidade reclama a adequação da pena aplicada à gravidade dos factos objecto da acusação. objectivado na acção disciplinar. art. devem ponderar-se os valores fundamentais do direito. quando nos debruçarmos sobre esta matéria (art. forem tratadas igualmente. a Administração Pública e os particulares devem agir e relacionar-se segundo as regras da boa-fé. não vislumbramos na lei qualquer conceito de justiça. o que se pretende é proibir favoritismos ou perseguições e vedar a intervenção de certos agentes públicos em decisões em que se sejam parte interessada (a sua violação pode ser causa de um pedido de suspeição de instrutor. Portanto. 6 CPA. que impõe à administração que escolha. No que concerne à imparcialidade. Parece até que.º do ED). quando estabelecem uma relação. relevantes em face das situações consideradas. quando sabemos que a justiça só se alcança quando referida ao caso concreto. Trata-se de uma referência aos valores fundamentais do direito relevantes face ao caso concreto. exige-se um tratamento igual de situações de facto iguais e um tratamento diverso de situações de facto diferentes. A medida disciplinar aplicada deve.º do Estatuto Disciplinar. há então violação deste princípio. não podendo privilegiar. Nas suas relações com os particulares.º 5. prejudicar. . É o princípio da intervenção mínima.º 6. e. Esta proporcionalidade. convicções políticas ou ideológicas. esta disposição legal quer dizer tudo sem dizer nada. não apresentem inconvenientes excessivos relativamente às vantagens que delas se espera5. 2. língua. Princípio da justiça e da imparcialidade Passando agora ao princípio da justiça e da imparcialidade (art.º)4. No cumprimento do disposto no número anterior. beneficiar.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Princípio da igualdade e da proporcionalidade No que respeita ao princípio da igualdade e da proporcionalidade (art. 10 4 CPA. art.º-A)7. situação económica ou condição social. 7 CPA. As decisões da Administração que colidam com direitos subjectivos ou interesses legalmente protegidos dos particulares só podem afectar essas posições em termos adequados e proporcionais aos objectivos a realizar». b) O objectivo a alcançar com a actuação empreendida». o que se quer dizer é que a Administração e o particular. se as situações. em especial: a) A confiança suscitada na contraparte pela actuação em causa. instrução. devem pautar o seu comportamento segundo as regras da boa-fé. neste segmento.

GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Princípio da colaboração da Administração com os particulares Quanto ao princípio da colaboração da Administração com os particulares (art. foi com o CPA que o legislador ordinário consagrou pela primeira vez este princípio. na formação das decisões que lhes disserem respeito. Sem prejuízo de se chamar a atenção para a necessidade de que o processo disciplinar seja célere. anterior ao CPA. e nomeadamente: a) Sobre os assuntos que lhes disserem directamente respeito. procurando assegurar a sua adequada participação no desempenho da função administrativa.º 100.º 7. A defesa do arguido em processo disciplinar no ED. e que se traduzam.os 10. que relevem em desfavor do arguido no juízo de censura efectuado. A defesa da posição do arguido não exige uma sistemática nova audição entre o relatório final e a decisão punitiva. pois não colocam problemas especiais em matéria disciplinar. o art. não é mais do que a consagração deste direito de audiência antes da tomada de decisão neste foro específico. remete-se para a sua simples leitura. o órgão competente tenha praticado um acto administrativo sobre o mesmo pedido formulado pelo mesmo particular com os mesmos fundamentos». Princípio da participação No tocante ao princípio da participação (art.º 100. como sendo a audiência dos interessados. Não existe o dever de decisão quando.º 8. da gratuitidade e do acesso à justiça. pois este dever de decidir cessa se a Administração já se tiver pronunciado sobre o mesmo pedido sem alteração da sua fundamentação de facto e de direito nos últimos dois anos. b) Apoiar e estimular as iniciativas dos particulares e receber as suas sugestões e informações. representações. 9 CPA.º 8. pois neste processo a audiência dos interessados está organizada de forma especial. previstos nos art. A Administração Pública é responsável pelas informações prestadas por escrito aos particulares. nos termos regulados neste Código. que é o disciplinar10. de o informar e esclarecer.º: «1. ainda que não obrigatórias». art. contido fundamentalmente no seu art.º do CPA. instrução e decisão). quando se trate de diligências complementares ordenadas oficiosamente pelo instrutor. cumprindo-lhes. este constitui um dever geral de decidir e exige que a Administração se pronuncie sempre que seja solicitada. Princípio da decisão No que respeita ao princípio da decisão (art. quando este solicite a informação ou quando a Administração pratique ou assuma. na junção de documentos.º. Os órgãos administrativos têm. designadamente: a) Prestar aos particulares as informações e os esclarecimentos de que careçam. art. há menos de dois anos contados da data da apresentação do requerimento.º 7: «Os órgãos da Administração Pública devem actuar em estreita colaboração com os particulares. por exemplo. Os órgãos da Administração Pública devem assegurar a participação dos particulares. 11 CPA. algum acto ou conduta que possa lesar a esfera jurídica do particular. designadamente através da respectiva audiência nos termos deste Código». bem como das associações que tenham por objecto a defesa dos seus interesses. satisfazendo-se com a audição posterior à acusação e com a obrigatoriedade de ser notificado das novas diligências probatórias realizadas em fase posterior à defesa.º)8. da gratuitidade e do acesso à justiça Quanto aos restantes princípios: da desburocratização e da eficiência. reclamações ou queixas formuladas em defesa da Constituição.º 9. no decurso de qualquer procedimento.º: «1. 11 . Princípios da desburocratização e da eficiência.º)9.º)11. informações dos serviços e depoimentos de testemunhas.º a 12. O que se pretende com este princípio é garantir um mecanismo de controlo da Administração na fase da preparação das decisões. art. 8 CPA. 10 Segundo a jurisprudência dominante do STA.º 9.º 2. 2. A excepção está no n.º do CPA não é aplicável no caso de processo disciplinar. pode dizer-se que ele é recente na prática administrativa. 2. para que assim se possa emprestar eficiência às decisões em sede disciplinar. das leis ou do interesse geral. o dever de se pronunciar sobre todos os assuntos da sua competência que lhes sejam apresentados pelos particulares. Consagra-se aqui o dever da Administração de cooperar com o particular. b) Sobre quaisquer petições. com cumprimento dos prazos previstos pela lei para as suas diferentes fases (início.

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a título temporário.º 2. Enquanto que o agente é nomeado para o exercício de certo cargo por tempo determinado ou a título precário: substituição de funcionários. E por pessoal não docente entende-se o conjunto de funcionários e agentes que.º do ED. Infracção Disciplinar Nos termos do art. etc.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Âmbito de aplicação Decorre do art.º 1 do art.º do EPND). com carácter permanente. um professor que se apresenta embriagado ao serviço (facere) ou um funcionário que deixa de passar dentro dos prazos legais. ou. sem justificação. ocupando normalmente um lugar no respectivo quadro.º 1 do art. etc. 13 . as certidões que lhes sejam requeridas (non facere). necessárias à realização dos fins que lhes estão cometidos. prestação de certas tarefas temporárias. a não ser que a lei assim o exija. Tem que se tratar.º do ED resulta que o funcionário ou agente deve obediência a uma série de regras que regem as relações hierárquicas e a que podemos chamar disciplina. A excepção reporta-se a todos os que possuam estatuto especial (ex: juízes. A conduta do agente pode ser uma acção ou omissão (um facere ou um non facere). militares. A sua verificação não depende da produção de resultados prejudiciais ao serviço. Infringir disciplinarmente é desrespeitar um dever geral ou especial decorrente da função exercida. ainda que meramente culposo.º 2. pois.º do Estatuto da Carreira Docente). visando a eficiência e a organização dos serviços públicos. O fim desta disciplina é assim conseguir a ordem e a justiça nos serviços. Responsabilidade Disciplinar Do n. onde se inclui o pessoal docente e não docente12. 12 No que agora nos interessa. sequencial e sistemático. Como exemplos. Elementos essenciais São assim elementos essenciais da infracção disciplinar: • O funcionário ou agente: sujeitos activos da infracção disciplinar só podem ser funcionários ou agentes. sendo que o Estado é o sujeito passivo e o titular do interesse ofendido. para exercerem funções correspondentes a necessidades permanentes da Administração. de um funcionário ou agente.º 3. no âmbito das respectivas funções.º 2. a infracção disciplinar é o facto. por pessoal docente entende-se aquele que é portador de habilitação profissional para o desempenho de funções docentes de educação e de ensino. bem como a actividade socioeducativa (n. um professor que assiste sem nada fazer à agressão entre dois alunos na sua sala de aula (non facere).).º 1º do Estatuto Disciplinar que a regra é a de que ficam abrangidos pelos seus normativos todos os funcionários e agentes da Administração Central e Regional e das Autarquias Locais. após aprovação em prova de conhecimentos e de competências (art. • Uma conduta do funcionário ou agente: a infracção disciplinar é meramente formal ou de simples conduta. temos a tesoureira de uma escola que furta dinheiro à sua guarda (facere). contribuem para apoiar a organização e a gestão. praticado pelo funcionário ou agente com violação de algum dos deveres gerais ou especiais (específicos) da função que exerce. proporcionando aos trabalhadores a segurança contra os abusos das chefias e a estas os meios de se defenderem contra as faltas dos trabalhadores. considerando-se como funcionários os indivíduos que se encontram vinculados à Administração por uma relação de serviço.

º). deveres para com a escola e os outros docentes. a contrariedade do facto à lei.º. No exercício das suas funções. do ED.º. específicos ou especiais) decorrentes. com o projecto educativo das escolas.os 2 a 12 do ED e demais deveres (profissionais.os 5. Mas esta vida privada. em particular.º-A.º 2.º 4.º. cuja violação é susceptível de gerar responsabilidade disciplinar por parte deste pessoal da Administração Pública.º 10.º 10.º. Mas não já a vida íntima deste.º . deveres para com os pais e encarregados de educação) e da aplicação do Estatuto do Aluno do Ensino Não Superior13 e do Estatuto do Pessoal Não Docente (EPND) (art. art. art. n. ou a inobservância de deveres gerais ou especiais inerentes à função exercida. o pessoal docente e o pessoal não docente estão obrigados ao cumprimento dos deveres gerais estabelecidos nos n.º-C. nº 3. com alcance genérico ou transversal perante as diferentes vertentes da sua ligação funcional com a Administração Educativa e. para efeitos disciplinares.º 1 e 26. Mais adiante veremos a este respeito os art. respectivamente. 14 13 Em especial os art. como é evidente. por se revestirem de publicidade. deveres para com os alunos. Podem também existir os chamados deveres da vida privada. 13. da aplicação do ECD (art. que só ao mesmo importa. n. possam originar escândalo e pôr em causa a dignidade e o prestígio do funcionário ou da função exercida.º 10. disposições conotadas com tais deveres extra funcionais.º e 38.º 10. e art.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO • A ilicitude – ou seja.º-B.os 25. deve ser entendida apenas como as manifestações da sua vida particular que.

º 3. da CRP).os 1 e 2. a acção da Administração deve sempre nortear-se pelo bem da comunidade (art. não sendo responsabilizado disciplinarmente por esse facto (exemplos.º. Ou depois de ter exigido a transmissão a escrito da ordem à qual imputa essa ilegalidade.os 23.º. alínea b).º.º 3.º 3.º 266. com uma breve referência aos n.º 2. n.os 23.º 6). A esta reclamação se chamava anteriormente o direito de respeitosa representação. alínea h)).º.º da CRP). alínea b) e n. Dever de lealdade O dever de lealdade (art.º.º 1.º.º 271. 1. n. d) e f). a sua definição legal parece.º.º 271. E superior hierárquico é aquele a quem a lei atribui todos ou alguns dos poderes de direcção.º onde se consagram dois princípios constitucionais: a) subordinação ao interesse público.º. ou seja. Caso não venha a ter resposta. n. englobar no mesmo dever o zelo e a competência.º 4. É um dever que está relacionado com o valor da honestidade e está intimamente ligado ao princípio constitucional da subordinação ao interesse público (exemplos. tratar igualmente todos os cidadãos (art. alínea c) e n. do princípio constitucional da subordinação ao interesse público (exemplo. Aqui o funcionário simplesmente não deve cumprir. alíneas b) e d)).º 4. Se a ordem for para cumprir imediatamente.º.º 5]. Portanto. Fora da hierarquia não é devida obediência. mas de seguida adoptar o procedimento atrás referido. n.º 1. Dever de obediência Da violação do dever de obediência (art. isto é. alíneas d) e e)). n. E não há dever de obediência quando o cumprimento da ordem ou instrução implique a prática de qualquer crime (n. apenas há exclusão da responsabilidade disciplinar do inferior quando este cumpra uma ordem que considere ilegal somente após ter da mesma reclamado.º 2.º 2. Há funcionários sabedores mas não zelosos e vice-versa (exemplos. da Constituição da República Portuguesa – CRP). art. 15 . não sendo responsável disciplinarmente pelo cumprimento da ordem recebida. alíneas a) e e).os 2 e 3 do art. de inspecção. art. n. alínea f).os 24.º. n. n. conforme disposto no n.º 7) nasce a desobediência. de superintendência e de disciplina. n.º 3.º 3 do art. Dever de zelo Quanto ao dever de zelo (art.º 4.º.º 2 do art. n.º.º da CRP.º 1.º 1.º 4. n. mas que devem ser diferenciados. art. art. Dever de isenção O primeiro dos deveres gerais elencados no Estatuto Disciplinar é o dever de isenção [art. 25º. alínea d). e 24. alíneas b). o subalterno deve cumprir.º.º 8) deriva. então o funcionário deve cumprir. de certo modo. e 26. n. n. n.º 3. alínea a) e n.ª parte). alínea b) e 24. A ordem ou instrução apenas obriga quando vem de legítimo superior hierárquico. b) imparcialidade. e n.º 2.º 26.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Deveres gerais Vejamos agora cada um destes deveres gerais.º 4.º 269. quando se refere ao possuir e aperfeiçoar conhecimentos técnicos.

punida de forma mais grave. alínea a)).º 4.º 1. n. para além do facto e da sua ilicitude. n. inconsideração. por isso. falta de conhecimento das normas aplicáveis. etc.º 3. boa educação. A intenção pressupõe uma conduta adoptada no sentido de produzir determinado resultado. alínea e). que se possa demonstrar que o facto (acto ou omissão) pode ser imputado ao arguido a título de dolo (intenção) ou mera culpa (negligência)14.º 2. estando consciente e possuindo liberdade para se conduzir. O juízo valorativo da conduta do arguido em processo disciplinar não pode.º 10) aparece aqui como cortesia. n.º. um funcionário pode ser assíduo mas não pontual. que. alínea g). A culpa ou negligência verifica-se quando o funcionário ou agente. Enquanto a inconfidência pode ser punida com suspensão ou demissão.º. . Deveres de assiduidade e de pontualidade Quanto aos deveres de assiduidade e de pontualidade. com demissão. n. em si mesmo ilegal.º. não bastando a mera demonstração da efectiva existência de um comportamento contrário à lei». em princípio. leviandade. assim. e 26. alínea a)). art. do Supremo Tribunal Administrativo. n.º 4.º 2. que incide sobre matéria reservada ou classificada é. polidez e urbanidade (exemplos.ºs 23. e n.º. e n. se apresenta como um pressuposto subjectivo da infracção disciplinar.º 041951: «No processo disciplinar vigora o princípio da culpa.º 4. de 02-10-97.º. A violação do segredo profissional.º.ºs 24. e 26. a título de dolo ou culpa. 16 14 Ac. n. Dever de correcção O dever de correcção (art. n. Na verdade. pois dizem ambos respeito à comparência ao serviço. mas em todo o caso distintos. Para que haja infracção disciplinar é ainda preciso. Proc. art. alínea f).º 4. n.º 2. E vice-versa. passar sem a imputação subjectiva da responsabilidade. eles estão previstos no art. O dever de sigilo em sentido amplo abrange assim o segredo profissional e a confidência.º 3. Trata-se da distinção clássica entre a intenção e a culpa.º 3. São deveres complementares. e n. 25º.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Dever de sigilo A lei fala de dever de sigilo (art. consoante se verifiquem ou não prejuízos materiais ou morais para o Estado ou para terceiro. haja deixado de cumprir um dever. O nexo de imputação traduz-se na censurabilidade da conduta. alínea d). alínea a).º 9) a respeito do dever de segredo profissional e inconfidência (exemplos.º.ºs 11 e 12. ainda que por simples distracção. alíneas g) e h).

Deve tratar-se.º 4. de que é qualificável como infracção disciplinar. se inicie a contagem do prazo prescricional do procedimento disciplinar ou das respectivas faltas. nos termos do n. 17 . a partir do qual se deve contar o prazo de três meses (prescrição de curto prazo). E compreende-se que assim deva ser. neste caso. A prescrição de longo prazo (três anos) Decorridos três anos sobre a data em que a falta houver sido cometida (n. Aqui o que importa dizer é que o procedimento disciplinar prescreve passados três anos sobre a data em que a falta houver sido cometida. o termo falta usado pelo legislador encerra já um juízo de censura. o facto em si e as circunstâncias que rodearam a sua prática. É ainda necessário o conhecimento das circunstâncias concretas em que ocorreram esses factos. é o facto que faça suspeitar.º alude a falta e não a factos.º 1). Nesta matéria a jurisprudência do STA vem afirmando que o mero conhecimento dos factos na sua materialidade não é suficiente para se poder iniciar o decurso do prazo de prescrição do procedimento disciplinar.º 2 deste artigo. uma vez que a entidade competente renunciou ao seu direito de punir. a partir dele. passamos para o n. para um novo e curto prazo de prescrição. Nos termos da lei. que não o disciplinar. do STA. A prescrição de curto prazo (três meses) Decorridos três meses sobre a data em que o dirigente máximo do serviço teve conhecimento da falta. Note-se que o n. Compreende-se que neste domínio a Administração seja prudente na instauração de processos disciplinares contra os seus funcionários ou agentes pois os mesmos têm graves reflexos na sua esfera pessoal». O simples conhecimento dos factos é por vezes inconclusivo quanto à sua relevância disciplinar. susceptíveis de lhe conferir relevância jurídico-disciplinar (a citada falta).º 2). de 20-01-98.º do Estatuto Disciplinar refere-se à prescrição em processo disciplinar. pois importa o conhecimento destas e do condicionalismo que as rodearam por forma a tornar possível um juízo fundado de que integrem infracção disciplinar. se é conhecida a falta. Querendo com isto significar que só o conhecimento dos factos e circunstâncias de que se rodeiam. se deve actuar no prazo de três meses. se assim for. não basta o simples conhecimento dos factos na sua materialidade para que. quer no que se refere à sua materialidade. de um conhecimento real. tal direito prescreve nas seguintes situações. 15 Ac. Merecem aqui referência os prazos de prescrição do direito de instaurar o procedimento disciplinar. E é por isso que. Mas é de salientar que.º 2 do art. ou seja. E.º 029372: «Para efeitos de prescrição de curto prazo.º n. de 03-11-92. que só é possível quando se refere a factos cujos contornos disciplinares se apresentam já bem definidos. que é de três meses. para efeitos do conhecimento referido no nº 2 do artº 4º do ED. Proc.º 4. do STA. 16 Ac.º do Estatuto Disciplinar. ou seja. não há conhecimento por parte do dirigente máximo do serviço em momento anterior a este prazo de três anos. Proc. com risco de prescrição se assim não se proceder16. certo e não presumido. que deixou de ter actualidade.º 4.º n. seriamente.º 2 do art. releva para efeitos da prescrição referida. Normalmente – não quer dizer que tenha que ser sempre assim – este conhecimento é alcançado através de outros procedimentos. ou seja. que lhe são prévios (exemplo do inquérito e das averiguações)15. quer no que respeita à sua autoria.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Prescrição do procedimento disciplinar O art.º 031105: «Falta. portanto. Porque. não tendo sido instaurado o competente processo disciplinar (n. para que seja possível formular um juízo de probabilidade de configurarem uma infracção disciplinar. na verdade. quando existe uma razoável suspeita que certo funcionário ou agente praticou determinada infracção disciplinar». O decurso de determinado lapso de tempo faz desaparecer as exigências de efectivação da pena.

º 1 do art. Feita a participação destes factos ao Ministério Público (MP). em abstracto. aplicar-se-á ao processo disciplinar o prazo estabelecido na lei penal (n. já que aquele é autónomo deste. do STA. Proc. 18 Ac. conhecida a falta pelo dirigente máximo do serviço.º 4. susceptíveis de subsunção19.º do ED. igualmente. Proc. não for instaurado procedimento disciplinar durante tal prazo. não sendo necessária como se disse.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Este prazo de prescrição de três meses é autónomo em relação ao prazo de três anos. seja um juízo meramente abstracto.º 118. a prescrição operar-se-á no prazo de 3 meses se. .º n. podendo comprometer.º do Código Penal (CP).º 3 do art.º 030877: «Para que seja aplicável ao procedimento disciplinar o prazo prescricional mais longo correspondente ao procedimento judicial-penal.º n. impropriedade) jurídica que representa um funcionário poder ser criminalmente punido por facto 18 17 Ac. o instrutor não fica vinculado na sua instrução.º 042460: «Sendo imputado ao arguido na nota de culpa faltas que constam total ou parcialmente de participação remetida a tribunal ou de acusação deduzida em processo crime. não está a autoridade com competência disciplinar vinculada a suspender o processo disciplinar até que. Mas assim sendo.º do ED. sejam aplicáveis ao processo disciplinar. nos termos do disposto no n. E isto com especial acuidade nos casos em que já se encontrava esgotado o prazo de três anos do n. A prorrogação penal da prescrição em processo disciplinar No caso das infracções disciplinares que constituem simultaneamente infracções penais. 20 Ac. que mantêm todos os seus poderes em relação ao apuramento e enquadramento jurídicocriminal dos mesmos factos». desde que superior a três anos e correspondente ao tipo legal de crime preenchido também por tal infracção disciplinar».º 026230: «Este prazo de prescrição de 3 meses é autónomo em relação ao prazo de 3 ou mais anos. torna-se necessário que o instrutor use da necessária cautela nesta sua emissão de um juízo jurídico-penal dos factos (para poder beneficiar da prorrogação penal) que virão eventualmente a constituir a sua acusação em processo disciplinar. serviria para o instrutor saber se podia ou não continuar com a instrução do processo. Ainda a propósito desta comunicação ao Ministério Público. Isto é: seja ou não a infracção disciplinar também considerada penal. do STA.º 4. susceptíveis de subsunção». do STA.º n.º do ED. seja proferida decisão final. conhecida a falta pelo dirigente máximo do serviço. em via de recurso. a legalidade do acto decisório do procedimento disciplinar (por prescrição).º 8. apenas importa indagar da pena máxima abstractamente cominada na lei penal para o tipo legal de crime em cuja previsão os factos disciplinarmente relevantes sejam. em cuja previsão os factos disciplinarmente relevantes sejam. que constam do art.º 3)18. Assim. em termos de questão prejudicial. insere-se no âmbito das suas competências próprias não constituindo usurpação dos poderes dos tribunais. tal prorrogação é indevida. sendo esta a jurisprudência relevante na matéria20. e em matéria da referida prorrogação penal. no processo crime. sendo o prazo prescricional da lei penal superior a três anos. apenas importa indagar da pena máxima abstractamente cominada na lei para o tipo legal de crime (parte especial do Código Penal).º 036573: «Não se verifica a prescrição do procedimento disciplinar se tal procedimento for instaurado antes do termo do prazo de prescrição do procedimento criminal. E para que estes prazos de prescrição do penal. de pura lógica jurídica e sem qualquer necessidade de avaliação criminal por parte dos tribunais. igualmente em abstracto. de 31-01-89. a prescrição de prazo longo – 3 ou mais anos – só ocorrerá na ausência de conhecimento da falta pelo dirigente máximo do serviço». Significa isto que a prescrição de curto prazo ocorrerá sempre no prazo de três meses se. nomeadamente para apreciar a respectiva prescrição nos termos do artº 4º do ED. O propósito da prorrogação penal é evitar a incongruência (incompatibilidade. 19 Ac. Questão prejudicial que. não for instaurado procedimento disciplinar neste prazo. pode colocar-se a seguinte questão: é duvidoso que o juízo administrativo do instrutor. de 21-02-96. do STA.º n. Proc. de 19-10-99. inexactidão. de 20-04-93. exigível por lei para aplicar um prazo criminal à prescrição do processo disciplinar. a existir erro nesta matéria. nos termos do art. Proc. A qualificação como crime dos factos disciplinarmente relevantes feita pela Administração. a aguardar a decisão judicial que irá caracterizar em termos definitivos e penais os factos participados. pois que. O mesmo é dizer que a prescrição chamada de longo prazo (três ou mais anos) só pode verificar-se na ausência do conhecimento da falta pelo dirigente máximo do serviço17.

que continua a correr e que tem as suas próprias regras no Código Penal (exemplo de factos que são infracção disciplinar e penal e que são descobertos pela Administração ao fim de quatro anos. pois a Administração estaria assim a substituir-se aos tribunais para sancionar alguém pela prática de um crime. Neste caso. ou que haja pelo menos um acto destinado a averiguar criminalmente essa conduta. Tem que se alcançar um qualquer acto que suspenda a prescrição criminal para que se possa continuar com o processo disciplinar e punir o agente antes ou após decisão do tribunal. Pelo que se deve admitir que esta participação criminal seja feita em sede de processos prévios ao processo disciplinar. 19 . Caso contrário. instaura-se processo disciplinar com participação ao MP. se assim deve ser. num primeiro momento. da actualidade ou operatividade da responsabilidade criminal quando os factos forem simultaneamente infracção disciplinar e penal. tratando-se de faltas disciplinares graves que são também crimes. quanto tal se mostre necessário para acautelar uma provável prescrição do procedimento disciplinar. então não haverá lugar a esta confirmação e haverá usurpação administrativa de poderes judiciais. estaria o instrutor arvorado em juiz criminal. que são os tribunais criminais. ou melhor. É que este juízo criminal do instrutor só pode ser fundamento deste alargamento se e enquanto for possível que os factos possam ser objecto ainda de uma avaliação criminal. Mas. Portanto.º 8. Quem verifica ou controla a exactidão do juízo criminal do instrutor para saber se o prazo prescricional seguido é o certo e até se os factos são ou não crime é. interrompem (art. que diga que o facto é crime.º e 121. que pode ser. o prazo de prescrição do crime será sempre o do processo disciplinar. sendo que a prescrição penal é de cinco anos). que impede estas situações absurdas. seguidas eventualmente de inquérito. a referida actualidade ou operatividade alargada da responsabilidade disciplinar depende. Ou seja. o MP e depois o Tribunal. que se mantém assim necessária e actual. então a Administração já não pode beneficiar da prorrogação penal. Ou seja. então para que esta avaliação criminal opere é preciso que haja uma sentença judicial incriminatória do arguido. Se a sanção criminal já não é possível por prescrição. não pode haver prorrogação criminal da prescrição disciplinar. não faria sentido aplicar-se uma sanção penal e já não poder aplicar-se a sanção disciplinar. Mas. a abertura de um inquérito pelo Ministério Público na sequência da participação ou queixa prevista no art.os 120.º do ED.º do Código Penal) o prazo de prescrição disciplinar. Esta matéria tem uma importância decisiva nas averiguações e inquéritos que suspendem.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 relacionado com os seus deveres profissionais (por exemplo. E é precisamente para obviar a esta incongruência jurídica que há uma correspondência no prazo das duas prescrições.º 8. mas já após os cinco anos da prescrição penal.º do ED. se a participação da Administração não for atempada. ao abrigo do art. Mas não têm esse efeito na prescrição do crime. já não pode haver processo disciplinar. para apuramento da responsabilidade disciplinar. Para obviar à prescrição disciplinar e porque é necessário averiguar os factos participados. peculato) e já não estar sob a alçada do poder disciplinar por esses mesmos factos. pois já não é possível uma reacção criminal. terminado o inquérito. em nada tendo aproveitado a suspensão operada pelas averiguações a um mês da prescrição penal – aos 4 anos e 11 meses. bem vistas as coisas. Dito de outra forma: se houver prescrição do crime. instauram-se averiguações. E finalmente. que não foi avaliado na sede competente. por exemplo.

importa também falar da infracção continuada.º 4. nomeadamente do seu enquadramento jurídico-disciplinar.º 9. do STA. ou seja. o que se passa é que só quando esta infracção termina é que se inicia a prescrição.ºs 1 e 3 do citado art. antes de decorrido o prazo de três anos. Estes casos de suspensão do prazo hão-de revelar uma inequívoca vontade de exercitar o procedimento disciplinar.º 2 do art. só que dilatórios e desnecessários.º».º do ED».º 027611: «Iniciado o procedimento disciplinar [. que não é o mesmo que infracção continuada.º 3 deste normativo. Na infracção permanente. a instauração de processo de averiguações ou de inquérito suspende o decurso do prazo de prescrição.º n. estão excluídos os crimes praticados contra bens eminentemente pessoais. Proc. que é direito supletivamente aplicável (art. executada por forma essencialmente homogénea e no quadro da solicitação de uma mesma situação exterior que diminua consideravelmente a culpa do agente». subsumível a certa previsão jurídicodisciplinar e as circunstâncias em que ela se verificou. Só que aqui o agente não 21 Ac. E portanto não suspenderá o prazo prescricional a instauração de processo de averiguações ou de inquéritos que não sejam necessários (e é esta a tónica). Os efeitos da infracção continuada/permanente na prescrição A propósito.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO A prescrição por inexistência de actos de instrução Se alguns actos instrutórios com efectiva incidência na marcha do processo tiverem lugar.º 4. da prescrição. instaurado o processo disciplinar. ainda que encapotada pelo uso de expedientes legais. afirmar-se já que determinado comportamento.º 5 do art. de acordo com o n. a respeito da infracção.º 032164: «O simples conhecimento dos factos e respectivo circuns-tancialismo é por vezes inconclusivo quanto à sua relevância jurídico-disciplinar. face ao que se dispõe nos n. por imperativo do n. no momento da sua instauração. contado a partir do momento em que o facto houver sido cometido ou da prática do último acto instrutório com efectiva incidência na marcha do processo.º 421. a prescrição conta-se desde o dia em que tiver sido praticado o último acto. de 22-05-90. Porém. 20 Transposto este conceito para o direito disciplinar.º n. da prática do último acto da actividade caracterizada como continuada. o que é que o instrutor tem de fazer? Terá que averiguar. em face deste tipo de infracção – é claro. reconduzido os factos a este conceito – qual a data da prática do último acto que integra essa conduta. Proc. pois é só a partir desse momento. integra falta disciplinar. do STA. se não prescreve nos termos deste n. imputável a certo funcionário ou agente. que se iniciam os prazos da prescrição do procedimento disciplinar. Nessa hipótese. ainda. depois de ter subsumido. Quer isto dizer que.º do CP «constitui um só crime continuado a realização plúrima do mesmo tipo de crime ou de vários tipos de crime que fundamentalmente protejam o mesmo bem jurídico. salvo tratando-se da mesma vítima.] toda a demora posterior na conclusão do processo apenas releva no âmbito do prazo geral da prescrição (3 anos). 22 Ac. que o instrutor já caracterizou como continuada por aplicação deste normativo legal do CP. A suspensão da prescrição Suspendem o prazo de prescrição: a instauração do processo de sindicância aos serviços e do mero processo de averiguações e ainda a instauração dos processos de inquérito e disciplinar. E por isso o STA tem entendido que se aplica aqui o conceito do Direito Penal. não podendo contemplar situações de encobrimento de pura inércia. Diz assim o n. Justifica-se nesse caso que se proceda a averiguações ou se instaure inquérito no intuito de apurar da relevância da conduta. . Caso em que deverá instaurar-se antes processo disciplinar. pela necessidade de melhor averiguação dos factos participados...º 30. este não pode estar parado por mais de três anos.º do ED). não existindo no ED qualquer indicação sobre esta matéria. por ser possível. de 28-05-99. sob pena de se não verificar a suspensão do prazo prescricional22.

Enquanto não o devolver está permanentemente em falta)23. do direito penal. Na infracção continuada temos uma pluralidade de actos singulares unificados pela mesma disposição exterior das circunstâncias que determina a diminuição da culpa do agente. a título subsidiário. Ele realiza uma conduta ilícita inicial e. do STA.º n. Proc. tais noções devem retirar-se. enquanto não agir de forma a acabar com essa desconformidade com o direito.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 procede à realização plúrima de um facto ilícito. como sucede na infracção continuada. Tanto o carácter continuado como o carácter permanente da conduta do infractor.º 039835: «Na ausência de definição de infracção continuada e de infracção permanente no direito disciplinar. . mantém-se permanentemente em infracção (exemplo do funcionário que leva para sua casa um computador portátil do serviço sem qualquer autorização. 21 23 Ac. implica que só com a cessação da mesma tenha lugar o início do cômputo do prazo de prescrição do procedimento disciplinar». A infracção permanente ou duradoura é a omissão duradoura do cumprimento do dever de restaurar a situação de legalidade perturbada por um acto ilícito inicial do mesmo agente. de 30-06-98.

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regra geral o processo disciplinar. por exemplo. desde a data do início do exercício das suas funções. de a Administração proceder em termos disciplinares quanto a factos ocorridos antes do início das funções ou depois do seu termo. onde não exista tal relação hierárquica ou subordinação. A exoneração ou mudança de situação do funcionário Do n. não é lícito pensar-se que o termo punição referido no n.º 2 deste art. A regra é a de que os funcionários e agentes ficam sujeitos ao poder disciplinar desde a data da posse. Ora. A resposta deve ser positiva. poderá sempre vir a ser punido pelas infracções cometidas durante o exercício de funções. mas já não ao processo conducente ao apuramento dessa responsabilidade. mas por factos praticados no exercício das suas funções..º 6.º 5. Quando essa apreciação conduzir à conclusão de ter havido infracção punível. por exoneração ou aposentação do funcionário. A este propósito. se no momento da prática da infracção o arguido detinha ainda a qualidade de funcionário ou agente da Administração. quando se sabe que a competência disciplinar é uma consequência lógica da existência de uma relação hierárquica entre aquele que o instaura e o respectivo subordinado. sendo que esta pode ocorrer só depois de estes deixarem de estar em actividade ou mesmo já depois de terem perdido essa qualidade. Nos termos do n.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Poder disciplinar Sujeição ao poder disciplinar. ou.º 5. se a posse não for exigida. a propósito de uma infracção disciplinar cometida no exercício de funções públicas mas só descoberta após a cessação desse mesmo vínculo. prevê-se uma dupla suspensão (de funções e de vencimento) que pode ser muito gravosa para o arguido. se o funcionário vier a ser exonerado ou mudar de situação.] a data do início do exercício de funções».º 5. deve considerar-se extinta a possibilidade dessa instauração. Do ED em vigor desapareceu a possibilidade. a função pública e unicamente por factos consumados durante o respectivo exercício. Na verdade. com salvaguarda da existência de eventual prescrição.º 2 apenas se refere ao momento da própria aplicação da pena disciplinar. pelo que.. se assim deve ser. embora só conhecidos algum tempo depois. relativo aos efeitos da pronúncia do arguido em processocrime e aos seus efeitos no processo disciplinar. e enquanto serve. Ou seja.º do ED «os funcionários e agentes ficam sujeitos ao poder disciplinar desde [. acontece com frequência que só algum tempo depois de ocorridos os factos eles são conhecidos e podem ser apreciados.º 1 do art. constitutivos de crimes que gerem incapacidade para o exercício de funções públicas. E a questão que a este respeito se pode colocar é saber se. Efeitos da pronúncia do arguido em processo penal No n.º do Estatuto Disciplinar trata da sujeição ao poder disciplinar. o facto de o responsável já não estar ao serviço ou já não ser funcionário ou agente não impede a aplicação de sanções justas. A efectividade de funções O art. que pode já não ser funcionário ou agente.º do ED resulta que. pois esta suspensão estende-se até à decisão final absolutória ou à 23 . exceptuando todos os casos ocorridos antes da posse ou início de funções. nessa data era ainda responsável disciplinarmente pelo cumprimento dos seus deveres. mesmo que venha a ser absolvido no crime. ainda é possível a instauração de processo disciplinar. temos de admitir a instauração de processo disciplinar para apurar a responsabilidade do infractor. é disciplinarmente responsável quem serve. anteriormente existente.º do ED. O termo punição abrange tudo aquilo que seja necessário à efectivação da responsabilidade disciplinar do funcionário ou agente. Mas.º 1 do art.

Nos termos do n. a secretaria entrega ao Ministério Público certidão da sentença que será remetida ao organismo de que depende o funcionário. Assim.º 1. Não havendo. violação do princípio non bis in idem. tem de considerar-se revogado o n. Para maiores aprofundamentos quanto à actual competência do tribunal que anteriormente julgava os processos de querela. . de 1997). que agora nunca será a demissão. que tem o exercício da acção penal.º 9. Tendo o novo Código Penal eliminado a pena de demissão como censura de carácter penal.º. que este fará seguir para o superior hierárquico do arguido. cabendo à Administração dar execução imediata à condenação penal que imponha ou produza efeitos disciplinares. É o princípio da dupla responsabilidade disciplinar e penal.º 10.º 3 deste artigo. Exclusão da responsabilidade disciplinar no cumprimento de ordens ou instruções superiores 24 O art. se o arguido vier a ser absolvido da infracção criminal ou beneficiar de alguma amnistia. derivada da independência destes ramos do direito. Efeitos da condenação em processo penal O art.º 66. havendo assim que adaptar o ED ao novo Código de Processo Penal. o que não está feito (veja-se Leal Henriques. sem prejuízo de lhe ser instaurado processo disciplinar. 24 Art.º do ED trata da comunicação obrigatória que o instrutor deve fazer ao Ministério Público. verificados os requisitos do art.º do Código Penal Português24. no caso de condenação do funcionário. Comunicação do instrutor ao Ministério Público O art.º 3. para onde se remete. matéria já explanada a propósito do dever de obediência.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO decisão final condenatória. ou seja. remetendo-a para o domínio do direito disciplinar. atenta a independência já falada entre o processo disciplinar e o criminal. Portanto. 67. 79 da sua 3. para execução por parte da Administração daqueles efeitos.º do ED dispõe que em tudo o que não estiver regulado no presente Estatuto quanto à suspensão ou demissão por efeito de pena imposta nos tribunais competentes são aplicáveis as disposições do CP.º do ED determina que.º 9.º.º 7. de que ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo facto. mas a proibição do exercício de funções.º do CP. esta norma tem que ser hoje conjugada com os art.os 65.ª edição do Procedimento Disciplinar. tem 24 horas para enviar ao Ministério Público cópia do despacho de pronúncia.º do ED: «Em tudo o que não estiver regulado no presente Estatuto quanto à suspensão ou demissão por efeito de pena imposta nos tribunais competentes são aplicáveis as disposições do Código Penal».º do ED trata da exclusão da responsabilidade disciplinar. 66. os n. com a cautela já anteriormente referida a propósito da prescrição. pois.ºs 1 e 2 funcionam relativamente a funcionário condenado em crime.º e 68.º 8. E. será reparado do vencimento de exercício. de todos os factos de que tome conhecimento na instrução dos processos e que indiciem a prática de infracção criminal. a fls. n. Aplicação supletiva do Código Penal O art. a secretaria do tribunal por onde corre o processo.

º do ED.º. O que quer dizer ainda que a entidade com competência para punir não pode criar outras penas para além das legalmente fixadas. nomeadamente as mais gravosas que implicam a demissão ou a passagem à situação de aposentado. Este art. dada a sua condição de dispensado do exercício de funções.º 48.º do Estatuto Disciplinar: repreensão escrita. Os efeitos das penas estão no art. ao respeito de certos deveres de conduta na sua vida privada.º). segundo as regras do art. E que o assim disposto vale igualmente para infracções apreciadas em processos apensados.º para o pessoal dirigente. Regula.º 1 e n.º 1 do art. 114 e seguintes de Leal Henriques.º 27.ª situação). segundo as regras do art. como podem ser os exemplos do funcionário que.º do ED.º 2 do art.º 11.º 14. sem prejuízo da excepção à regra da unidade da sanção do n. em primeiro lugar. de acordo com a gravidade dos factos.º 14. O que significa que a enumeração da lei é taxativa e.º prevê três situações distintas.ª situação).º 13. quando apensados (3.º do ED. multa. Dizerse que a pena ou sanção disciplinar é típica quer significar que quem goza do direito de punir tem à sua disposição um rol de penas que está fixado na lei. agride um aluno e não lecciona a matéria reservada para aquela aula.º. que se refere a penas disciplinares aplicadas a aposentados (que não perdem pela aposentação a qualidade de funcionário. ou de um professor que. ou mesmo por terem praticado a infracção 25 . sendo disto exemplo o caso do funcionário a quem foi instaurado processo disciplinar por falta de assiduidade e que.º do ED. estando embriagado.º 11. feita por ordem crescente de gravidade (as penas do n. suspensão. aposentação compulsiva.º 15. na 3. A aplicação de algumas destas penas levanta problemas delicados. a aplicação da sanção disciplinar ao funcionário arguido de uma só infracção (1. Diz-nos este normativo que. Unidade e acumulação de infracções Relativamente ao art. que serão abordados na devida altura. inactividade. demissão e cessação da comissão de serviço.º 12. para aplicação de pena única (unidade). quando este for sancionado com pena igual ou superior a multa. tendo o princípio da unidade que estar presente em todas elas. cabendo-lhe escolher em cada caso. Verifica-se que nele se não estabelece qualquer efeito para a repreensão escrita e para a multa. uma dessas penas. de 1997. qualidade que os obriga.º do ED. pois.ª edição do Procedimento Disciplinar. embora reduzidos. Ou a aplicação de uma só pena disciplinar em caso de infracções acumuladas que sejam apreciadas num só processo (2. também.º 48. que versa sobre a unidade e acumulação de infracções. mas apenas para as demais penas (para um maior aprofundamento ver fls. lhe vem a ser instaurado um novo processo por se ter dirigido à sua escola e agredido um seu colega de trabalho. Caracterização e efeitos das penas A caracterização destas penas consta do art. ao mesmo tempo. que veremos adiante. Penas aplicáveis a aposentados O art. diga-se. processo que agora vai ser apensado. agride um colega de trabalho e furta dinheiro da secretaria de uma escola. não pode aplicar-se ao arguido – e é esta a regra geral – mais de uma pena por cada infracção ou pelas infracções acumuladas. onde se contêm doutrina e Parecer da ProcuradoriaGeral da República sobre a matéria).GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Penas disciplinares As penas aplicáveis aos funcionários e agentes são as mencionadas nas alíneas a) a f) do n.ª situação).º 2 do art. que é a da cessação da comissão de serviço. que sejam apreciadas num só processo. Ou então a aplicação de uma só pena no caso de infracções apreciadas em mais de um processo. onde se admite uma pena a mais no elenco das penas do art.º 11. durante essa sua ausência injustificada mas ainda não punida em processo disciplinar. há várias questões que se podem colocar.

º 23.º 39. tipificando apenas algumas dessas infracções. alíneas a) a h) do art.º 17. no modelo piramidal. inactividade.º 11. E é por isso que as penas mais graves – as expulsivas – até só podem ser aplicadas pelo Governo. Já para instaurar um processo.º do ED. onde no topo. são competentes os secretários regionais nas regiões Autónomas e o Governo (Governo da República.º a 25.º 2 do art. deve estar a última palavra da Administração.º. refere-se que a competência disciplinar dos superiores envolve sempre a dos seus inferiores hierárquicos dentro do serviço. suspensão e inactividade são competentes os secretários-gerais e os directores-gerais e equiparados ou responsáveis por serviços directamente dependentes do Governo. pessoal das assembleias distritais e funcionários dos governos civis.ºs 1 e 3 do art.º.º do ED. Na verdade. alíneas a) a g) do n.º 16.os 23. Do que se trata aqui é apenas da competência para aplicar sanções e não já da competência para a instauração dos processos disciplinares. acrescidas de uma outra aplicável só ao pessoal dirigente (cessação da comissão de serviço).º 2 do art.º do ED (repreensão escrita. atentas as características deste ramo do direito.º constam os factos a que são aplicáveis as várias penas já elencadas no art.º a 21. Esta competência (para punir) é mais restrita.º e n. Para as penas de aposentação compulsiva e demissão (expulsivas). n. pois esta está prevista no art. sendo a pena aplicada a de aposentação compulsiva ou de demissão.º do ED. três ou quatro anos de pensão. por ser a punição um dos momentos mais importantes e de maior responsabilidade do domínio disciplinar.º do ED estabelece a competência para a aplicação de cada uma das penas disciplinares do art. A repartição desta competência/escala das penas O art. Mas antes. E que.º 11.º 2 e alíneas a) a f) do n. ambos do art. É uma visão hierarquizada da Administração Pública.ºs 1 dos art. procede à definição das infracções através da indicação de cláusulas gerais punitivas (art.º 25. então o aposentado perderá. tendo em consideração toda a riqueza de relações que se podem estabelecer entre os funcionários e agentes e a Administração. Factos a que são aplicáveis as penas disciplinares Nos art.º.º 26. importa que previamente vejamos como é que o legislador do ED de 1984 pensou a infracção disciplinar e como a traduziu em lei. .º. mas apenas virem a ser punidos já como aposentados). Competência para aplicação das penas No art. o legislador do ED. ao nível do Governo. Para a multa. e para uma melhor compreensão desta matéria. sobre o pessoal dos serviços municipalizados. essa competência pertence a qualquer superior hierárquico do arguido. onde vigora o princípio da tipicidade. com o objectivo de servirem de padrão ao intérprete – como é o caso das alíneas a) a e) do n.º. Governo Central). nem o poderia fazer. todos do ED. com delegação deste. no sentido de que a lei não contém a descrição de todas as condutas consideradas ilícitas. alíneas a) a h) do n. aposentação compulsiva e demissão). que são meras emanações de natureza exemplificativa das previsões dessas cláusulas gerais.ºs 18. Quanto aos art.º 26.º 24. Para a repreensão escrita.º).º 22. É a partir daqui que o funcionário ou agente ficará efectivamente lesado na sua esfera jurídica. multa.º a 27.º 4.º. qualquer funcionário ou agente em relação ao seu subordinado. determina que as penas de suspensão e de inactividade serão substituídas pela perda da pensão por igual tempo e a de multa por perda da pensão que não excederá 20 dias de pensão. a infracção disciplinar é atípica. suspensão. não merecem aqui qualquer referência por se reportarem à competência disciplinar sobre funcionários ou agentes das autarquias locais ou das associações e federações de municípios.os 22.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO ainda no activo. respectivamente. 26 Atipicidade (ou tipicidade aberta) da infracção disciplinar Ao invés do direito penal.

GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Dito de outra forma: existe uma atipicidade ou. provada que esteja a incompetência profissional ou a falta de idoneidade moral para o exercício das funções.º 23.º 1 do artigo e as exemplificações.º 26. e 121 a 240 dias para os restantes casos. para se aplicar a pena expulsiva. com peso especial para a salvaguarda do prestígio e dignidade dos serviços. não basta que os factos se encaixem numa dessas exemplificações.º do ED.º 25. Nos termos do n. também com a sua cláusula geral no n. é aplicável a casos de negligência e má compreensão dos deveres funcionais.º a 26. as expressões designadamente e nomeadamente). É também necessário. constituindo as diversas alíneas do n. melhor dizendo. acarretar a impossibilidade de este se manter ao serviço.º do ED temos a inactividade. Estas penas só devem ter lugar em caso de comprovada inviabilização da manutenção da relação funcional. No caso do artigo em análise. ajustam-se as condutas respectivas (as mencionadas exemplificações) através destas cláusulas gerais punitivas. pois só assim se justifica a sua expulsão. A aposentação compulsiva e a demissão As penas expulsivas estão no art.º do ED. definindo a lei nexos entre infracções e sanção aplicável.º 4. pois a recondução dos factos a estas cláusulas não é alheia a critérios.º 2.º 2. traduzir. relativamente a cada pena (dos art. porque se assim não for pode o tribunal vir a anular o acto punitivo. desta vez no seu n. A repreensão escrita Segundo o art.º do ED: primeiro. com definição dos deveres gerais e especiais dos funcionários cuja violação acarreta infracção. Essa demonstração tem que estar bem-feita nos autos. mas que não são exaustivas (neste sentido. que esse comportamento não seja visto divorciado da cláusula geral.º 22. estabelecida em nome da enorme diversidade de situações infraccionais que podem surgir no direito disciplinar. A multa A multa.º 1 e exemplificações nas alíneas seguintes. A inactividade No art. Mas aqui como em todos os artigos anteriores. para os casos das alíneas a) a e).º do ED. E depois. Na suspensão estão indicados dois escalões. mas só as penas que estejam em correlação com os vários tipos de faltas que a lei enumera). tipicidade aberta que é a da cláusula genérica. O legislador opta por tipos de infracção não rígidos ou fechados.º a 26. Existe no ED (art. no n. prevista no art. será o arguido aposentado compulsivamente.º) um processo simplificado para a aplicação desta pena disciplinar. pelo que não se pode arbitrariamente aplicar qualquer das penas a qualquer infracção.º).º 24. Temos de novo a cláusula geral no n. depois a exemplificação. que são abertas. No corpo do artigo temos a cláusula genérica onde tudo o que pode consubstanciar um caso de negligência e má compreensão dos deveres funcionais pode ser subsumido. É esta a sistemática dos art. 27 . uma vez mais com a mesma situação: cláusula geral no corpo do artigo e exemplificações nas diversas alíneas do n.º 38. se assim podemos dizer: 20 a 120 dias.º 2 as tais exemplificações que muito auxiliam o instrutor a compreender correctamente estes conceitos.os 23.º do ED a repreensão escrita é aplicável a faltas leves de serviço. a cláusula geral punitiva (tipicidade nuclear ou aberta. A suspensão A pena de suspensão está prevista no art. ou infracções típicas. como em todos os outros casos.º 3 deste artigo. tal significa que o comportamento assumido pelo arguido deve reflectir. A mesma doutrina tem pleno cabimento para a outra numeração exemplificativa contida neste artigo.os 22.

deve ter sempre em conta. pois não é igual punir um infractor ocasional mas normalmente respeitador dos seus deveres e aquele que. que não é. b) a sua categoria profissional.º do Estatuto da Aposentação.º 5 pode traduzir uma negação das garantias de defesa do arguido.os 22. lhe fosse aplicada uma pena não expulsiva? Se tal fosse possível. o máximo que se podia admitir.º 4. E a questão controversa é esta: para uns. Referem o caso do n. como não é o mesmo ser o arguido detentor ou não de uma categoria superior no seu local de trabalho. A razão está do lado desta segunda posição. É que na cláusula geral do n. onde claramente se diz que a pena aplicável em caso de incompetência profissional e de falta de idoneidade para o exercício das funções é a aposentação compulsiva.º 5 só poderia ser aplicada aos casos das alíneas do n. por incompetência profissional. como não é indiferente a forma como se praticou a infracção. aplicável a todo o artigo.º 2.º 11.º do ED. que no caso de não ser possível aplicar ao arguido. se com intenção (dolo).º do ED trata da matéria da medida e graduação das penas. por sistema. Pretenderiam aqueles outros. A cessação da comissão de serviço para o pessoal dirigente Dito isto. pois aí está em causa a aplicação de qualquer uma destas penas. o art. portanto. e) e todas as circunstâncias que rodearam o cometimento da infracção e que sejam contra ou a seu favor. O que aqui se quer afirmar é que o instrutor.º 37. Para outros. é relevante saber: 28 a) qual a natureza do seu serviço. sendo que é destes que se espera que venha algum exemplo de conduta relativamente aos seus subordinados.º 1.º 3 deste artigo. se fala destas duas penas. E. perguntam estes. é que a possibilidade prevista no final do n. mas também. a pena de aposentação compulsiva.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO A propósito do n. o arguido deve sempre defender-se em todos os casos das duas hipóteses: aposentação compulsiva e demissão. não reunir para tal os requisitos mínimos exigidos no Estatuto da Aposentação.º do ED. como a personalidade do infractor deve também condicionar a determinação da pena. diz que a aposentação ordinária é possível por aplicação de pena disciplinar quando o arguido tem pelo menos 5 anos de serviço como subscritor da Caixa Geral de Aposentações. devendo ser aposentado compulsivamente. Ela é aplicada em todos os casos em que o dirigente seja punido com pena igual ou superior à de multa. na sua proposta de punição.º 28. Medida e graduação das penas O art. se com mera negligência. d) a sua personalidade. Pois não é a mesma coisa termos perante nós funcionário ou agente que exerce funções em serviço público de alta responsabilidade e no qual a sua actuação pode ter graves consequências e um outro em funções num serviço de diminuta responsabilidade. no seu n. que não consta do elenco das penas mencionadas no art. estavam afectados os princípios da culpa e da proporcionalidade. como são os casos do n. que é a cessação da comissão de serviço. . não só os critérios apontados nos art. por exemplo. Na verdade. resta referir a pena acrescida para o pessoal dirigente. pode colocar-se a questão seguinte: diz o normativo que se o arguido.º a 27. então será demitido.º 27. referida no art.º 5 deste mesmo artigo. para aqueles que isto defendem. a aplicação deste n.º 2. que se defendeu de uma acusação em que os factos apontavam para a aposentação compulsiva e não de uma acusação que obrigava à demissão. em relação ao arguido. que entendem que assim não deve ser.º do ED. c) o seu grau de culpa. manifesta uma constante tendência para a violação dos seus deveres.

pois o bom comportamento e o zelo só relevam quando exemplares.º do ED. ser reconduzidas às circunstâncias do art. não bastando que o funcionário tenha obtido a classificação de Muito Bom num ano.º n. o tempo de serviço relativamente ao qual o cadastro do arguido não contém qualquer elemento favorável ou desfavorável». que são todas as circunstâncias que se apresentem em favor do arguido. de 14-03-01.º 28. Acontece. nos termos do art. Ac. de 19-10-95. constante da alínea b).GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Circunstâncias atenuantes. por exemplo. à data da elaboração da nota de culpa. 26 Ac. nestas condições. circunstâncias atenuantes gerais. sem contrapartida. não pode. é referida com frequência pelo arguido na defesa apresentada em processo disciplinar..º 028205: «A confissão é tida como relevante e espontânea quando for feita de maneira a contribuir decisivamente para a descoberta da verdade». prova que deve resultar nos autos quer pelo registo biográfico quer por meio de quaisquer outros elementos trazidos para o processo. Não é assim. Parece ser de aceitar. mesmo para além do seu horário. isto é. que esta circunstância tem que ser ponderada à data da prática do acto delituoso e não em data posterior. por 25 Ac.º do ED. podendo. e a classificação de Bom em dois anos imediatos». a confissão só será espontânea se não estiver já provada a infracção disciplinar. agravantes e dirimentes As circunstâncias atenuantes especiais As circunstância atenuantes especiais da infracção estão previstas no art. porém. prevista na alínea a). Proc. por exemplo. de 07-05-98. a falta de cadastro disciplinar e um bom desempenho profissional. ou seja.] o tempo de serviço por mais de 10 anos. até. tem de consistir em tempo de serviço com exemplar comportamento e zelo. como.º 038664: «Para que exista a atenuante especial derivada de exemplar comportamento e zelo [. também. 29 . a referência a esta circunstância atenuante.] é necessário não só que esse comportamento e zelo se prolonguem por mais de 10 anos. como. apenas releva para efeitos disciplinares se contribuir decisivamente para a descoberta da verdade. a regularidade com que determinado funcionário ou agente exerce as suas funções.º do Estatuto Disciplinar.º 29. a título de exemplo. em sede disciplinar. que constitui a previsão legal. tendo em vista desagravar o seu comportamento. Proc. o que supõe que sejam qualitativamente superiores aos deveres gerais destes. mas também que possam ser considerados um modelo para os restantes funcionários. o registo de louvores. Não satisfaz esta condição. A confissão espontânea da infracção A confissão espontânea da infracção26. Mas existem.º 037312: «[. portanto. o bom exercício das funções em condições precárias. Note-se. relevar. também. não resultar dos autos que tenha sido feita prova da citada exemplaridade. Proc. igualmente. que não as previstas neste artigo. apenas lhe interessando a eficácia do seu serviço e elevadas notações profissionais. se tiverem sido melhores do que o comum dos funcionários ou agentes da categoria do arguido. que com alguma frequência se verifica. do STA. em alguns casos.º n. para poder funcionar como atenuante especial. A prestação de mais de 10 anos de serviço com exemplar comportamento e zelo A prestação de mais de 10 anos de serviço com exemplar comportamento e zelo25.º 29. do STA. do STA.. E.. que pode ocorrer muito para além da ocorrência do ilícito disciplinar..

predispondo-o para a prática desta infracção. de um significado notável no plano nacional e não de actos meramente louváveis ou meritórios. O acatamento bem-intencionado de ordem superior Quanto ao acatamento bem-intencionado de ordem de superior a que não fosse devida obediência.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO exemplo. referidas na alínea c).º do ED: O dolo directo O dolo. só deve relevar disciplinarmente quando se verifique uma certa proporção (adequação) entre o facto provocador e a infracção cometida. sem sucesso. A provocação A provocação. num funcionário ou agente responsável por dinheiros públicos que. A prestação de serviços relevantes ao povo português/actuação com mérito na defesa da liberdade e da democracia A prestação de serviços relevantes ao povo português e a actuação com mérito na defesa da liberdade e da democracia. circunstâncias fortemente mitigadoras da culpa e não qualquer circunstância. para onde se remete. para estar calada no seu lugar sem perturbar os seus colegas. Pense-se. por prova documental. que se traduz na aplicação de pena disciplinar de escalão inferior à prevista para os factos acusatórios. têm que ser apreciadas caso a caso. vigora aqui tudo o que se disse atrás sobre o art. relativo à exclusão da responsabilidade disciplinar. E pode ser obtida em qualquer fase do processo. deve constar da acusação. só é possível em presença de circunstâncias que diminuam substancialmente a culpa do agente. como vontade determinada de produzir prejuízo com a sua conduta (alínea a)). a reacção contrária aos deveres funcionais a que se encontra vinculado o provocado (o arguido) tem de ser consequência adequada do facto injusto de terceiro. vir alegar provocação por ter assumido esta conduta (agressão física) sob o domínio de influência externa que lhe alterou o ânimo. pois. para fazer face a assistência médica inadiável de um seu familiar vítima de doença terminal. Atenuação extraordinária da pena disciplinar 30 A atenuação extraordinária da pena (art.º do ED. por exemplo. furta determinada quantia. referida na alínea d). nomeadamente através do mapa de faltas. . Se for na instrução. Ou seja.º do ED). etc. não pode um professor que agrediu à palmada uma aluna. O mesmo é dizer que não há um catálogo onde nos possamos socorrer para efeitos da subsunção destas condutas. na falta de assiduidade quando esta fica provada. que veio a repor a tempo de prestar contas. Porém. como se verá mais adiante. depois de lhe ter pedido a aula inteira. no exercício das suas funções. que lhe diminuiu a liberdade de avaliação e determinação – a título de exemplo.º 10. As circunstâncias agravantes especiais As circunstâncias agravantes especiais da responsabilidade disciplinar do arguido estão mencionadas no art. Têm que ser. livro de ponto.º 30. desde logo. Só perante o caso concreto é que se pode proceder a essa avaliação.º 31. da jurisprudência do STA existente nesta matéria resulta a verificação desta atenuante em casos de prestações que se revistam de uma importância invulgar.

dá-se quando duas ou mais infracções são cometidas na mesma ocasião (1. reflectir sobre a prática de determinado facto e a forma de o consumar – o mesmo é dizer «identificar os meios a empregar» –.ª parte) ou quando uma é cometida antes de ter sido punida a anterior (2. no dia seguinte ao da notificação ao arguido ou no 15. 31 . ou seja. De realçar que as infracções em causa não têm que ser da mesma natureza (ex: agressão física com posterior desobediência). A premeditação A premeditação. nesse período de ausência. traduzido na vontade do arguido de. do arguido que. Na segunda situação. multa. temos o funcionário ou agente que em certo período de tempo faltou injustificadamente ao serviço. A acumulação de infracções A acumulação de infracções. da alínea c) (definida no n. As penas de repreensão escrita.º dia após publicação da decisão no Diário da República.ª parte). para efeitos da reincidência. pois o resultado prejudicial era previsível pelo arguido (alínea b)) Trata-se de um grau de dolo menos intenso que o directo. como em a). praticar a infracção disciplinar (alínea d)). não com dolo directo. por exemplo. comete uma nova infracção disciplinar. enquanto que as penas de suspensão e de inactividade consideram-se cumpridas no último dia do prazo considerado. O conluio O conluio. ao seu local de trabalho para aí agredir fisicamente um terceiro. estando há seis meses a cumprir uma pena de um ano de inactividade ou encontrando-se a seis meses de terminar o período de um ano de suspensão da execução desta pena de inactividade. tendo-se deslocado. aposentação compulsiva e demissão consideram-se cumpridas. mas com dolo necessário. da alínea g). No primeiro caso. no mínimo 24 horas antes da sua ocorrência). com terceiros. A infracção praticada em período de cumprimento ou suspensão de pena A prática de nova infracção disciplinar quando o arguido ainda estava a cumprir pena anterior ou se encontrava em período de suspensão da pena (alínea e)). É o caso.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 A produção efectiva de prejuízos com dolo necessário A produção efectiva de prejuízos. A reincidência A reincidência dá-se quando a infracção é cometida antes de decorrido um ano sobre o dia em que tiver findado o cumprimento da pena imposta por virtude de infracção anterior (alínea f)). pelo menos. da prática da infracção. temos o mesmo funcionário ou agente a quem foi instaurado processo disciplinar por falta de assiduidade e que no decurso da instrução desse processo se apresentou ao serviço completamente embriagado.º 2 como sendo o desígnio formado 24 horas antes.

ou que afastam a culpa (caso da coacção física. 32 A legítima defesa.º do ED. não sendo mais do que um instrumento nas mãos do verdadeiro autor que o coage à prática da infracção (por exemplo. ou seja. podemos dar o caso da obediência de um inferior para com o superior relativamente a ordem dada sob forma legal e em matéria de serviço.º 10.º do ED. com falta de discernimento relativamente aos factos praticados e sua avaliação. agora.. são circunstâncias dirimentes da responsabilidade disciplinar: a) A coacção física. o agente está incapaz de avaliar a sua conduta e de se determinar de acordo com essa avaliação (situações de desequilíbrios psíquicos graves. Desta forma. o exercício de um direito ou o cumprimento de um dever e a actuação no cumprimento de ordens ou instruções como causas de exclusão da ilicitude A legítima defesa pode ser própria ou alheia. da privação acidental e involuntária do exercício das faculdades intelectuais no momento da prática do facto e da não exigibilidade de conduta diversa). Na privação acidental e involuntária do exercício das faculdades intelectuais no momento da prática do acto ilícito. d) A não exigibilidade de conduta diversa. com a falta de entrega de atestado médico justificativo da situação de doença).INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO As circunstâncias dirimentes da responsabilidade disciplinar Nos termos do art. o agente não dispõe. e que por isso mesmo se recusa a exercer as suas funções). Quanto ao exercício de um direito ou o cumprimento de um dever. ocorrida uma destas circunstâncias dirimentes. do exercício de um direito ou cumprimento de um dever e da actuação no cumprimento de ordens ou instruções prevista no n. mas que se contém na anterior).º 1 do art. de liberdade para se comportar de modo diverso (exemplo do diplomata que é colocado em consulado no exterior sem quaisquer condições. e) O exercício de um direito ou o cumprimento de um dever. as faculdades intelectuais do arguido à data da prática dos factos e a não exigibilidade de conduta diversa como causas da exclusão da culpa Na coacção física. com o funcionário ou agente que no seu horário de trabalho tem que trabalhar ao domingo mas que. Na não exigibilidade de conduta diversa. não vai trabalhar e vai votar. etc. para repelir agressão actual e ilícita de interesses do arguido ou de terceiros. em defesa de um terceiro. o agente é compelido fisicamente à prática do facto (que é ilícito) não o conseguindo evitar. c) A legítima defesa. própria ou alheia. nestas condições. no primeiro caso. por exemplo. A coação física.º 32. infracção praticada com ameaça de arma de fogo). e na segunda situação. como sucede. . As circunstâncias dirimentes são aquelas que afastam a responsabilidade disciplinar pela existência de causas que excluem a ilicitude (caso da legítima defesa. não há lugar à responsabilidade disciplinar por não se verificar a prática de uma infracção disciplinar. praticando assim um acto lícito (caso de uma agressão física praticada pelo arguido a um colega de trabalho para repelir uma outra agressão de que está a ser vítima). por ser dia de eleições. podemos exemplificar. b) A privação acidental e involuntária do exercício das faculdades intelectuais no momento da prática do acto ilícito. pois o hotel em que tem que residir não tem água nem luz.

O próprio princípio da proporcionalidade (a infracção passível de repreensão é.º 1 do art. sendo certo que é da própria essência da suspensão que não possa vigorar ilimitadamente. por maior razão terá de haver um prazo. prazo e. se pode suspender o respectivo registo. As dúvidas levantam-se quando. assim.º 33. se o tem. No caso da suspensão do registo. sendo este o problema a que urge dar resposta.º 1 do art. tem-se colocado a questão de saber como se articula o disposto no art. E que está acautelado que tal suspensão não levará os demais funcionários e agentes a concluírem que a infracção compensa (prevenção geral). A suspensão caduca se o arguido vier a ser.º 2 deste preceito. desde logo. na prática. bem como as circunstâncias da infracção». é possível a suspensão por três ou dois anos.º 3 do art. a repreensão transmuta-se. numa verdadeira repreensão oral. há sempre um facto. A suspensão do registo da repreensão escrita e da multa versus a reabilitação Nesta matéria. pois.º. por definição. suspensa que seja por três anos.º do Estatuto Disciplinar. se o prazo da suspensão do registo da repreensão escrita é o indicado no n. ainda que de verificação incerta. Uma solução admissível para esta questão seria a de não conceder suspensão da pena por período superior àquele após 33 . tendo havido suspensão (da pena ou do registo). referese directamente à suspensão a que alude o n. de questionar se a suspensão do registo da repreensão tem. suspendendo-se o registo e se a suspensão não caducar. ou não. A regra sobre a duração da suspensão.º 3).º deste Estatuto. «as penas disciplinares das alíneas b) a d) do n.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Suspensão e prescrição das penas A suspensão das penas e seus requisitos legais Nos termos do n. Mas.º 84.º 1. no seu decurso. que a única interpretação que pressupõe que o legislador escolheu a solução mais acertada (n. Afigura-se evidente que a razão por que a pena de repreensão escrita não pode ser suspensa é a de que a sua aplicação esgota a sua execução e não se pode suspender o que já está por natureza executado. relativamente à pena de repreensão escrita. Verifica-se.º 33. A pena de repreensão escrita é excluída da possibilidade de suspensão. ponderados o grau de culpabilidade e o comportamento do arguido. Parece. A suspensão não será inferior a um ano nem superior a três (n.º do ED com o que consta do art. apenas diferindo no seu objecto (trata-se do registo e não da pena).º 33. suspensão e inactividade podem ser suspensas sempre que. a menos grave) faz repudiar essa solução.os 1 e 2. constante do n. Ora. Mesmo quando vigore por tempo indeterminado. atentos os critérios apontados em 1 (n.º 3 do art. seja possível extrair do processo disciplinar que o aviso que constitui para o arguido o procedimento disciplinar é suficiente para o levar de futuro a actuar de acordo com o direito (prevenção especial). Aliás. pelo n. E situação paralela se pode verificar com a pena de multa. sendo que.º do ED. O funcionário ou agente punido não pode ficar toda a vida sob o risco de ver registada uma repreensão aplicada cinco. qual é ou pode ser esse prazo.º do Código Civil) é a que conduz a que se entenda que o regime da suspensão referida no n. podendo tal acontecer quanto à pena de repreensão e de multa. que a fará cessar.º tem o regime da referida nos n.º 10. passado que seja um ano sobre a aplicação (ou seja. nos termos da alínea a) do n.º 33. o prazo para que se possa pedir a reabilitação termine antes do período de suspensão.º 2).º 11. em matéria de reabilitação. ponderados os requisitos de que fala a lei. Mas não tem qualquer sentido conceder uma reabilitação em relação a uma infracção sancionada com uma pena que ainda pode vir a ser cumprida.º do Estatuto Disciplinar. dez ou trinta anos antes.º 4).º 33. Por isso é.º 84. novamente condenado em processo disciplinar (n.º 2 do art. que as penas de multa.º podem ser suspensas.º 3 do art.º 1 do art. ainda dentro do prazo da suspensão) é possível pedir e ser concedida a reabilitação.

34 . portanto.º do ED.º serão executadas desde que os funcionários ou agentes voltem à actividade ou passem à situação de aposentados).º 5. É matéria que não coloca problemas de difícil interpretação. Mas apenas em relação à repreensão registada. A prescrição das penas O art. se deverá entender que a suspensão do registo integra a própria sanção. as penas disciplinares prescrevem nos prazos seguintes. para as penas de aposentação compulsiva e de demissão. sendo apenas de salientar que a prescrição das penas se deve contar a partir do momento em que a decisão disciplinar se torna firme. já não relevará a aplicação mas o cumprimento.º 1 e no n. contados da data em que a decisão se tornou irrecorrível: a) 6 meses.º do ED refere que. Aqui há uma pena aplicada mas cujo cumprimento por qualquer razão não ocorreu. Assim. para as penas de suspensão. Entende-se igualmente que a referência a aplicação ou cumprimento no n. que só terá lugar com o decurso. para as penas de repreensão escrita e de multa. irrecorrível por não impugnação administrativa ou contenciosa nos prazos legalmente previstos ou por decisão judicial transitada em julgado. cuja aplicação envolve a execução. Ali não se chegou sequer a apurar a existência dos factos que vinham indiciados como infracção disciplinar e o seu autor. como se disse.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO o qual pode ser pedida a reabilitação. c) 5 anos.º 3 do art. bem-sucedido. não exprime qualquer alternativa de livre opção.º 11. suspensão do registo da repreensão escrita por apenas um ano e suspensão da pena de multa só por um ou dois anos. Também aqui.º 34. do prazo de suspensão. O que se pode concluir é que a aplicação se refere unicamente à pena de repreensão.º 2 do art. sem prejuízo do disposto no n. de inactividade e de cessação da comissão de serviço.º 84. no caso dessa suspensão. Só num destes momentos começará então a correr o prazo de um ano para que a reabilitação possa ser pedida. se a suspensão caducar. ou seja. ou com o efectivo registo. pois. isto é. Não se deve confundir esta prescrição com a prescrição do procedimento disciplinar a que atrás se fez referência.º (as penas previstas nas alíneas b) a f) do n. É que só após o decurso do prazo da suspensão a pena pode-se considerar cumprida e só a partir daí conta o prazo para a reabilitação. só o registo confere o efeito prático diverso duma mera repreensão oral. pois isso seria incompreensível.º 3 do art. b) 3 anos.

em especial. natureza e instauração As formas de processo (comum e especial) As formas de processo disciplinar estão contidas no art. como uma regra válida em matéria probatória (princípio in dubio pro reo). não exclui que o instrutor se socorra de peritos. designadamente. que o auxiliem na investigação. Do exposto. nesta fase. consultar o processo mas não o pode divulgar. por a punição ter que assentar em factos que permitam um juízo de certeza sobre a prática da infracção pelo arguido. Como também tal decisão terá de ser favorável ao arguido. nesta fase.º 32. a tendência que se tem verificado para a progressiva autonomização do direito disciplinar relativamente ao direito penal é contrabalançada pelo progressivo alargamento das garantias do direito penal ao direito disciplinar. Temos. Pode. Na verdade. O carácter secreto do processo disciplinar até à notificação da acusação destina-se a proteger o êxito das investigações. Mas só em casos em que haja o receio comprovado de o arguido poder vir perturbar a instrução do processo ou sonegar ou dificultar a obtenção da prova das infracções que lhe são imputadas. que o princípio da presunção de inocência do arguido se assume. assim. Para o processo comum regem as disposições dos art. em ordem a permitir o apuramento total dos factos susceptíveis de constituírem infracção disciplinar. então faz sentido não lhe facultar o processo para consulta. o que faz todo o sentido. Mas diz a lei que o instrutor pode indeferir este pedido de consulta do processo feito pelo arguido. na verdade. o que passa.º do Estatuto Disciplinar.º da CRP.º 37. O mencionado princípio tem como um dos seus principais corolários a proibição da inversão do ónus da prova em detrimento do arguido. Isto é.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Formas. referida no n. pela aplicação de algumas das regras e princípios de defesa constitucionalmente estabelecidos para o processo penal. E em caso omisso deve recorrer aos princípios do direito penal. Para a descoberta da verdade. desde que fundamente esta sua decisão. o que acarreta. é que sobre estas pessoas passa a recair também o dever de sigilo que está referido neste normativo. como é o caso do citado princípio acolhido no n. fazer sentido indeferir. pode o instrutor lançar mão de todas as providências. pois são estes que constitucionalmente melhores garantias oferecem ao arguido.º do ED. não sendo os indícios recolhidos no processo disciplinar suficientes para formar uma convicção segura da materialidade dos factos. sendo certo que a existência de dúvidas (non liquet) em matéria probatória se resolve a favor do arguido por aplicação deste princípio. Mas este carácter secreto do processo. A natureza secreta do processo Nos termos do art.º e seguintes. também. não lhe pode ser imputada a conduta disciplinarmente reprovada.os 45. A título de exemplo refere-se o princípio do in dubio pro reo. O que se passa nestes casos.º 35. em sede da comprovação dos factos que lhe são imputados (ónus esse que recai sobre a Administração). o processo disciplinar tem natureza secreta até à acusação. Para os especiais rege a regulamentação própria de cada um deles. decorre não só não impender sobre o arguido em processo disciplinar o ónus de reunir as provas indispensáveis para a decisão a proferir. pois se o fizer pode incorrer em novo processo disciplinar. O arguido em processo disciplinar tem direito a um processo justo.º 4. ou de outros funcionários. 35 . Quando o arguido pode pôr em risco esta finalidade.º 2 do art. designadamente. numa das suas vertentes. O arguido pode. sempre que se não puder formular um juízo de certeza sobre a prática dos referidos factos por parte do arguido. a ilegalidade de qualquer tipo de presunção de culpa em desfavor do arguido. No que não esteja previsto aplica-se a tramitação comum.

Mas. de uma mera faculdade e não de uma obrigação.º 3 deste artigo. então esta pena será aplicada nesse processo disciplinar. solicitar a sua defesa por escrito. pois deve considerar-se que tal presença constitui uma das faculdades integradas no seu direito de defesa.º do Decreto Regulamentar n. mas sempre com audiência e defesa do arguido. Trata-se. então consente-se que essa pena seja aplicada sem dependência de processo.os 1 a 3 do art. estando em causa apenas a aplicação da pena de repreensão escrita. nos termos do n. que aprova a orgânica da IGE. é que a aplicação de uma pena disciplinar seja precedida obrigatoriamente de um processo disciplinar. tendo o arguido constituído advogado. querendo. Obrigatoriedade de processo disciplinar para aplicação da pena. estar presente ao seu interrogatório. este fica impedido de optar por estar ou não presente na referida diligência.º 115. A competência para a instauração do processo. este decida logo exercer o direito de punir com a pena de repreensão escrita. tratando-se de faltas leves ao serviço. Só neste caso. a pedido do visado é lavrado auto na presença de duas testemunhas por si indicadas das diligências relativas à sua audiência e defesa. quando comunicada uma infracção ao superior hierárquico do funcionário infractor. onde se apurará a responsabilidade disciplinar do arguido.º 81-B/2007.º do ED.º 38. quer a assistência ao interrogatório do seu cliente. Sua repartição O art.º 4.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO A constituição de advogado O arguido pode (n. o que impossibilita o arguido de exercer o seu direito de defesa pela forma que entender mais conveniente. isto é. portanto. é que tem lugar o n.º 6) constituir advogado em qualquer fase do processo. com possibilidade de delegação nos termos gerais.º do ED trata da competência para instauração do processo. b) Sendo o arguido membro do órgão de administração e gestão do estabelecimento de educação ou de ensino. por força do disposto no art.º 39. Pode ainda o arguido. isto é. de 31 de Julho. alínea e) do art. É claro que se já está instaurado processo disciplinar e nesse se venha a enquadrar os factos na repreensão escrita. o qual pode assistir. c) A instauração de processo disciplinar em consequência de acções inspectivas da Inspecção-Geral da Educação é da competência do inspector-geral da educação27. pelo que se lhe deve proporcionar a possibilidade de a exercer. se assim desejar. Mas. ao seu interrogatório. Este normativo funciona apenas para os casos em que.º do Estatuto da Carreira Docente: 36 a) A instauração de processo disciplinar é da competência do órgão de administração e gestão do estabelecimento de educação ou de ensino. quer a constituição de advogado pelo arguido. resulta daí nulidade do procedimento disciplinar por ofensa do conteúdo essencial do direito fundamental de defesa. O caso especial da repreensão escrita A regra geral. Se o instrutor não notificar o advogado do arguido. para o que terá um prazo máximo de 48 horas. a competência cabe ao director regional de educação. deve o instrutor proceder à sua notificação para. 5. . Constituindo tal facto uma omissão de uma formalidade essencial a uma defesa adequada. querendo. 27 Cf. em que não haverá lugar a processo disciplinar. de acordo com a estratégia defensiva que tenha delineado. Pessoal docente Esta matéria está tratada nos n.

º 1 do art.ºs 3 e 4). que sempre podem ocorrer. no momento da instauração do processo.º 37 e n.º 1 do art.º do EPND. exclusivamente.º 37. através da respectiva Delegação Regional e a pedido do órgão de direcção executiva ou do director regional (n.os 2 e 4) e do inspector-geral da educação.º.º 1 do art. de procedimentos que atentem gravemente contra a dignidade e prestígio do funcionário ou agente ou da função e de infracções que inviabilizem a manutenção da relação funcional (excluída a falta de assiduidade dos art. acolhida no n. Ou seja.º 1 do art.º) e do inspector-geral da educação (n. a competência para nomeação do instrutor compete ao director regional de educação respectivo.os 37.º do ED.º do ED (a entidade que instaurar o processo disciplinar nomeia o instrutor). deve seguir-se a regra geral do n.º 51.º 51. quando o que ainda existe (exceptuadas as situações.º 38.ºs 1 e 4). é necessário nomear um instrutor que proceda à sua instrução. respectivamente. salvo o disposto nos números seguintes. de instauração de processos prévios ao disciplinar e dos quais pode resultar uma melhor qualificação da matéria disciplinar) são meros indícios da prática de factos com contornos disciplinares.º 51. 37 . quanto à recondução dos factos a um dos art.º do ED. com as especialidades previstas nos art. quer nos processos disciplinares por si instaurados em consequência de acções inspectivas da IGE (n.os 115.os 1 dos art.º e 38.º e n.º e seguintes do ED).os 1. Contudo.º 2 do art. A nomeação do instrutor Uma vez proferido o despacho de instauração do processo disciplinar.º 38. do ECD e do Estatuto do Pessoal Não Docente: Nos processos disciplinares instaurados a pessoal docente A nomeação do instrutor do pessoal docente é da competência do órgão de administração e de gestão do estabelecimento de educação ou de ensino (n. b) Sendo o arguido membro de órgão de administração do estabelecimento de educação ou de ensino. ou seja.os 22.os 1 a 3 do art. Pelo que. do director regional de Educação (n.º).º a 26.os 71. com possibilidade de delegação nos termos gerais.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Pessoal não docente Esta matéria está tratada nos n.º do EPND: a) A instauração de processo disciplinar é da competência do órgão executivo da escola ou do agrupamento de escolas. sendo em função da instrução a realizar que se fará mais tarde (na acusação) o seu enquadramento jurídico-disciplinar.º). em face da norma do art. do director regional de educação (n. ou porque se trata de matéria de tecnicidade específica ou porque não existe no serviço quem possa ser nomeado instrutor). Mas nos casos de processos disciplinares instaurados pelo órgão executivo da escola ou do agrupamento de escolas. 37. nos termos do art.º do ED. A nomeação do instrutor (regra geral) é da competência da entidade que mandou instaurar o processo disciplinar. Nos processos disciplinares instaurados a pessoal não docente A nomeação do instrutor do pessoal não docente é da competência do órgão executivo da escola ou do agrupamento de escolas (n. segue-se a regra geral do art. quer a título excepcional e com fundamento na manifesta impossibilidade da nomeação do instrutor (que deve ser aferida. em caso de fundadas dúvidas. a competência referida no número anterior cabe ao director regional de educação respectivo.º 51. impressiona o facto de o legislador ter utilizado para a repartição desta competência a caracterização (apriorística) das faltas (desde a falta leve ao serviço até à inviabilização da manutenção da relação funcional) no momento da instauração do processo por parte das escolas.º 38. respeitantes a casos de negligência grave ou de grave desinteresse pelo cumprimento de deveres profissionais.º e 38. 2 e 6). c) A instauração de processo disciplinar em consequência de acções inspectivas da Inspecção-Geral da Educação é da competência do inspector-geral da educação.º do ED.º 3 do art.

não há poder disciplinar onde inexista hierarquia administrativa. no segundo caso.º 115. é mais uma vez a afirmação de que o exercício do poder disciplinar – agora na vertente da aplicação das penas – depende da existência de hierarquia administrativa entre o arguido e a entidade que à data da prática do acto punitivo é o seu superior hierárquico. ser imediatamente comunicado à respectiva delegação regional da IGE.º. Poder-se-á a este respeito colocar a seguinte questão: se a instrução do processo não está completa – ou nem sequer se iniciou. arquivando o processo ou punindo o infractor. o princípio terá que ser este: a competência instrutória disciplinar fixa-se no momento da prática da infracção na hierarquia a que.º e 41. se um funcionário ou agente em acumulação de funções em vários serviços sofrer num deles um processo disciplinar. à qual pode ser solicitado o apoio técnico-jurídico considerado necessário.º e no n. respectivamente. nos termos do n. no primeiro caso. o seu autor se encontre subordinado. pelo que deve a instrução do processo disciplinar ser iniciada ou concluída no âmbito dos serviços em que o arguido exercia funções à data da infracção 38 . serão todos apensados ao primeiro.º 4 do art. Seus efeitos na instrução No que respeita aos art. bem como da decisão final. é ao seu actual superior hierárquico que compete decidir o processo disciplinar.º do ED. Portanto e apesar de o processo ter sido instruído em serviço diferente daquele onde actualmente o arguido exerce funções. sendo que se na pendência deste primeiro processo lhe vier a ser instaurado um segundo ou mais processos. do ECD e do EPND. Relativamente a tudo o mais.º 1. que é outra possibilidade – à data da mudança de situação do funcionário. para instrução por um único instrutor escolhido por consenso entre todos os serviços lesados. importa referir que. nesse momento. o despacho de instauração do procedimento disciplinar. deve. disso serão informados os restantes serviços. a quem compete iniciar ou completar essa instrução? Ao serviço onde ocorreram os factos ou ao novo serviço onde o arguido vai prestar funções? É de considerar que este normativo se preocupa apenas com a entidade competente para a aplicação da pena.º 5 do art.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Comunicação da instauração do processo à IGE De acordo com o previsto no n.º 37.os 40. Arguido em exercício acumulativo de funções e mudança de situação na pendência do processo. Ou seja. sendo o julgamento final também realizado em conjunto.

º 3 do art. ao participante e a quem o nomeou de que vai iniciar a sua instrução (n. Proc. perfeitamente inócuos em termos de consequências processuais. Estes prazos são contados nos termos do art. do STA.º (24 horas.º do ED). ao afirmar que estes prazos — relativos a toda a instrução do processo. e 66. nos termos do n.º do Código do Procedimento Administrativo. queixa ou auto e manda imediatamente juntar aos autos o registo biográfico do arguido. antes e após a defesa do arguido.os 45. mesmo os relativos a procedimentos prévios ao próprio processo disciplinar. A inobservância desses prazos não significa que a Administração tenha reconhecido a inoportunidade do processo disciplinar ou a existência de uma situação em que não se justificava a aplicação da pena. enquadramento e à identificação do seu autor e verificar a exigência de se lhe pedir responsabilidade disciplinar. Prazos. imperativos. em dias úteis28. n. 59-61). 65. É nesta fase de instrução que se vão investigar os factos. prazo que só pode ser excedido com autorização da entidade que o nomeou e em casos de excepcional complexidade.º 01053/03: «Os prazos previstos nos art. pelo que a sua inobservância não extingue a possibilidade da prática do acto nem constitui vício procedimental susceptível de se repercutir no acto final do processo disciplinar.º do ED.º (10 e 30 dias) do ED têm natureza ordenadora e disciplinadora do procedimento e o seu excesso não determina a caducidade do procedimento ou a extinção do direito de punir».º 1 do art. Comunicações do início da instrução E a instrução deve ultimar-se no prazo de 45 dias após as comunicações que o instrutor tem de fazer ao arguido. Ac. p. e não já peremptórios. 5 e 20 dias) e 66. os actos de nomeação do instrutor e do secretário e demais documentação atinente ao caso.º 45. não invalidando os actos que sejam praticados no procedimento fora destes prazos. 28 Conforme síntese em matéria de aplicação do CPA ao procedimento disciplinar (v. 64.ºs 1 e 3. pelo que esta aplicação não viola o princípio da boa-fé. designadamente a participação.º (20 e 40 dias).º (10 e 45 dias).º 1 do art.º 45. 2. Este prazo de 45 dias pode ser prorrogado pela entidade que tenha instaurado o processo sob proposta fundamentada do instrutor (n.º. que se vai proceder à sua valoração. a instrução inicia-se no prazo de 10 dias a contar da notificação ao instrutor do despacho que o nomeou e deve estar concluída em 45 dias a partir da data em que dê início a essa instrução.º 55. A autuação como primeiro acto de instrução O início da instrução deve ter lugar no prazo de 10 dias a contar da notificação ao instrutor do despacho que o tenha nomeado. Prazos meramente ordenadores Aqui são os prazos de instrução que são meramente ordenadores.º do ED). 39 . são ordenadores ou disciplinadores. sendo a autuação o primeiro acto de instrução. porque preocupados apenas com o andamento do processo. A jurisprudência dos tribunais administrativos é unânime nesta matéria.º n.º.º n.º 2 do ED.º 72. 65. Contagem De acordo com o art. 57.º 0604/02: «Os prazos referidos nos art. 29 Ac.º 1.º do Estatuto Disciplinar. n. de 05-11-03. Proc.os 45. do STA.º (5 e 10 dias). E o que é que se autua? O despacho de instauração. como sejam as averiguações — são meramente ordenadores no sentido que já ficou exposto29.º. ou seja.º 45.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Instrução Início e termo da instrução. n. de 16-01-03. Ou seja.

mas que não seja o do arguido no processo. Nada obsta a que se sigam as regras próprias do processo penal (art. o depoimento produzido não pode.º do ED).INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Recolha da prova. 34 CPP.os 128. É claro que o instrutor pode recusar. não podendo intervir na inquirição34.º 125.) ser claramente desnecessária ou impertinente. Durante a fase de instrução do processo poderá o arguido requerer do instrutor que promova as diligências para que tenha competência e consideradas por aquele essenciais para apuramento da verdade. incluindo o contacto telefónico. servir como meio de prova.º 129.º 127. E é livre a sua apreciação por parte do instrutor (art.º: «são admissíveis as provas que não forem proibidas por lei». o instrutor poderá ordenar oficiosamente as diligências e actos necessários à descoberta da verdade material (art.º do CPP32.º: «3. art. A testemunha é inquirida sobre factos de que possua conhecimento directo e que constituam objecto da prova. 32 CPP.º do CPP)31.º do ED). art. sendo admissíveis todas as provas que não forem proibidas por lei. Prova testemunhal. quando entender necessário. pois em caso de dúvida. nos termos do n.º 1 do art. junção de documentação.º 128. . Formas de convocação das testemunhas As testemunhas podem ser convocadas por qualquer meio que lhes dê conhecimento desse facto.º do Código de Processo Penal (CPP)30 designa legalidade da prova.º 55.º 55. Não pode acompanhar testemunha.º: «salvo quando a lei dispuser diferentemente. Sempre que deva prestar depoimento. etc.º 127. 40 30 CPP. o juiz pode chamar estas a depor. Se o não fizer. dos direitos que lhe assistem. 31 CPP. que a informa.º 125. Recusa da inquirição de testemunhas indicadas pelo arguido com fundamento no carácter desnecessário e impertinente da diligência Nesta fase da instrução o número de testemunhas é ilimitado. É isto que o art.º e 113. Mas existe também o depoimento indirecto em que a testemunha refere o que ouviu dizer a pessoas determinadas.º 56. Ou podem ser notificadas por contacto pessoal ou via postal com aviso de recepção (art.º do CPP33. Para o efeito. conforme o art. salvo se a inquirição das pessoas indicadas não for possível por morte.º: «a testemunha é inquirida sobre factos de que possua conhecimento directo e que constituam objecto da prova». segue-se a fase da recolha da prova para apuramento da responsabilidade disciplinar do arguido. as testemunhas ser acompanhadas de advogado. n. 35 ED. fundamentando. também.os 112. Podem. Se o depoimento resultar do que se ouviu dizer a pessoas determinadas. Seu valor Em matéria de recolha de prova testemunhal nada nos diz o ED.º 129. anomalia psíquica superveniente ou impossibilidade de serem encontradas.º 132: «4. art. o melhor é fazer a diligência.º do CPP). poderá indeferir o requerimento referido no número anterior». aplicável ao processo disciplinar. Se não é falta de audiência do arguido.º do ED35.º: «1. art. 5. Contudo. a prova é apreciada segundo as regras da experiência e a livre convicção da entidade competente». Mas adaptadas. por aligeiramento.º 4 do art. É isto que diz o art. Quando o instrutor julgue suficiente a prova produzida. 4. ao processo disciplinar.º 128. chama-se a atenção para o facto de a diligência (inquirição de testemunhas. Este tipo de depoimento indirecto só releva se forem também ouvidas estas pessoas.º anterior. sem intervir na inquirição. O disposto no número anterior aplica-se ao caso em que o depoimento resultar da leitura de documento da autoria de pessoa diversa da testemunha». o advogado que seja defensor de arguido no processo». dado o carácter informal e sumário que o legislador quis imprimir à tramitação do processo disciplinar.º 55. São as necessárias para se apurar devidamente a responsabilidade disciplinar do arguido (art. 2. O depoimento indirecto. 33 CPP. a testemunha pode fazer-se acompanhar de advogado.º e seguintes do CPP). a inquirição de testemunhas indicadas pelo arguido. naquela parte. O princípio da livre apreciação da prova Após a autuação e as comunicações referidas. quando entender que os factos estão provados. É o que resulta do n. ainda que no decurso de acto vedado ao público. art.

Nestes termos. quando o arguido é acusado de incompetência profissional (n.º: «Autoridade judiciária: o juiz. tenha capacidade para ser testemunha qualquer pessoa que não se encontre interdita por anomalia psíquica. sendo certo que não existem especialidades dignas de relevo. como tal definida no art. Segundo dispõe o art.º do Código do Processo Civil. Nos termos do n.º 2 do art.º do ED). o juiz de instrução e o Ministério Público e.º 1. irmãos. etc. Há certas pessoas que se podem recusar a depor. Não sendo.. Prova documental A prova documental consta dos art.º 91..º 1 n. o juiz de instrução e o Ministério Público. Quando a convicção do instrutor for divergente da prova pericial tem de fundamentar.º: «2. As testemunhas prestam a seguinte juramento: Juro. Estas relações de parentesco e afinidade serão adiante mais bem esclarecidas em matéria de suspeição do instrutor. através da execução pelo arguido de trabalhos preparados por dois peritos. os ascendentes. do arguido.º 55. o que não retira tutela penal a eventual falso testemunho. as testemunhas não deverão prestar juramento.º 91.º 134. Se bem que.º 11/IGE/98: «1. 39 CPP..º 131. conforme o n. os adoptados. Deve a testemunha ser perguntada aos costumes: se é amigo.. afins até ao 2. pois nos termos da alínea b) do n. São situações em que são exigidos conhecimentos técnicos e científicos ou artísticos.. 38 OS n.º 1 do art. recomenda-se aos senhores instrutores que passem a alertar as testemunhas dos procedimentos disciplinares de que as mesmas têm o dever de contribuir para a descoberta da verdade. parente.º 1. por minha honra. alínea a)) e quem tiver sido cônjuge do arguido ou quem sendo de outro ou do mesmo sexo com ele conviver ou tiver convivido em condições análogas às dos cônjuges.os 6 e 7 do art. inimigo.º do CPP36 as testemunhas.º do CPP e art. 3..º do ED [.º 2 do art.] nos casos omissos pode o instrutor adoptar as providências que se afigurarem convenientes para a descoberta da verdade. alínea b) do n. Deve apenas dizer que a testemunha está obrigada a contribuir para a descoberta da verdade e deve abster-se de mentir ou omitir factos relevantes de que tenha conhecimento.º 1.º do CPP39. face ao art. o cônjuge do arguido (n. Contudo.º 3 do Código de Processo Penal vigente. para os quais se remete tendo em vista um maior aprofundamento.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Não ajuramentação das testemunhas. atento o disposto no n. dizer toda a verdade e só a verdade».º do Código Penal").98.02.º 616. nem levanta problemas que sejam de assinalar. n.º 1 do art. abstendo-se de mentir ou de omitir factos relevantes de que têm conhecimento directo e pessoal. É importante para se avaliar correctamente o depoimento. Por força do despacho de "Homologo".º: «1.º 360.º 1 do art. alínea b)). deve aquele fundamentar a divergência» 41 .. não pode ajuramentar as testemunhas38.. o instrutor não é esta autoridade judiciária. seguindo-se as demais formalidades da inquirição». O juramento [. o juramento das testemunhas só deve ser prestado perante autoridade judiciária. exarado em 18.]. perante autoridade judiciária. que decorrem em primeira linha das normas do processo penal. Quem pode recusar prestar depoimento. Prova pericial. em conformidade com os princípios gerais de direito processual penal. 3. tal como se prevê no art.º 163.º 91. O caso da incompetência profissional Na instrução cabem também testes de natureza profissional.os 164 e seguintes do CPP.º 163. em processo disciplinar. 2.]».º do CPP: os descendentes. 37 CPP.. autoridade judiciária é o juiz. 2. relativamente a factos ocorridos durante o casamento ou a coabitação (n. Sempre que a convicção do julgador divergir do juízo contido no parecer dos peritos.] é prestado perante a autoridade judiciária competente [. Relações de parentesco e de afinidade Nos termos do art. sobre o parecer n.º 4 do art. dizer toda a verdade e só a verdade.º 35.º grau. pelo Senhor Secretário de Estado da Administração Educativa.º 16/98 da Auditoria Jurídica do Ministério da Educação.º 1 alínea b) do mesmo Código. portanto. [. por minha honra. os depoimentos prestados perante autoridade judiciária. Os costumes. 36 CPP.º 1. os adoptantes. cada um relativamente aos actos processuais que cabem na sua competência».º n. devem prestar juramento «juro. art. devem os senhores instrutores de procedimentos disciplinares dar cumprimento ao seguinte: 1.º do CPP37.

não basta alegar. o disposto no n. de modo tabular. por maioria de razão.º do ED e do n.º do CPP. com as especialidades constantes dos n.º 2 do art. a acareação pode ser realizada oficiosamente ou a pedido do arguido. 40 A decisão de suspender preventivamente o arguido necessita de ser bem fundamentada. Competência para a sua solicitação e decisão Durante a instrução. Será o membro do Governo se o arguido for membro do órgão executivo.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO A acareação Nos termos do n.º 2 do art.º 3 do art. Consiste na possibilidade de suspender o arguido. conforme o arguido seja docente ou membro do órgão de administração e gestão do estabelecimento de educação ou de ensino. Nesta conformidade. É necessário alegar factos que possam suportar tais juízos conclusivos . o disposto no n.os 1 e 2 do art. A acareação justificase sempre que exista contradição nas declarações prestadas pelas pessoas a acarear e a diligência se afigure importante para a descoberta da verdade.º 54.º do ECD estipula: Para o pessoal docente: a suspensão preventiva é proposta pelo órgão de administração e gestão da escola ou pelo instrutor do processo e decidida pelo director regional de educação ou pelo Ministro da Educação.º do EPND estipula: Para o pessoal não docente: 42 a suspensão preventiva é proposta pelo órgão executivo da escola ou do agrupamento de escolas ou pelo instrutor do processo e decidida pelo membro do Governo competente ou pelo director regional de educação. Por sua vez.º do ECD e n.º 55. Assim. pode vir a ser colocada a questão da suspensão preventiva do arguido. Portanto. Será o director regional de educação nos restantes casos. quando a sua presença é inconveniente para o serviço ou para o apuramento da verdade40.º do ED).º 39. na proposta de suspensão. Pode ser pedida pela entidade que instaurou o processo e pelo instrutor e é decidida pelo membro do Governo competente ou membro do órgão executivo. Neste sentido.º 115. também não pode ser ajuramentado. conforme o arguido seja ou não membro de um órgão de administração e gestão do estabelecimento de educação ou de ensino.os 7 e 8 do art. Requisitos legais. este deve ser ouvido se o requerer e sempre que o instrutor assim entender (n.º do Estatuto do Pessoal Não Docente.º 39. A suspensão preventiva do arguido.º 7 do art. O arguido. ainda antes da decisão final. a inconveniência para o serviço ou a inconveniência para a descoberta da verdade.º do ED.º 55. A irrelevância disciplinar das falsas declarações Em matéria de audição do arguido antes da acusação. Está prevista no art. Audição do arguido. pode haver acareação do arguido com testemunhas e/ou participante e só entre testemunhas.º 1 do art. Mas aqui o fundamental é saber que as suas falsas declarações nunca são passíveis de responsabilidade disciplinar. deverá levar-se ao conhecimento da entidade com competência para a decretar a matéria de facto necessária para se poder formar um correcto juízo sobre a verificação dos pressupostos.º 115.º 146. Este não está obrigado a dizer a verdade.

sob proposta da entidade competente para instaurar o processo disciplinar – para o pessoal docente (n.º 44. Resulta daqui que se tiverem sido instaurados vários processos ao arguido estes devem ser apensados. caso dos bisavós.º grau (para este efeito. neste caso. A apensação faz-se ao processo que contenha a infracção mais grave praticada pelo arguido. a lei prevê certos fundamentos para se pedir a suspeição: a) interesse – o instrutor ser directa ou indirectamente atingido pela infracção. No caso de decisão condenatória.º 115. b) parentesco – o instrutor ser parente na linha recta em qualquer grau (diz-se na linha recta quando as pessoas descendem umas das outras. netos.º 2 do art.º do ED.º grau na linha colateral. ou então ser parente na linha colateral ou transversal (aqui as pessoas não descendem umas das outras mas provêm de um progenitor comum) até ao 3.º 8 do art. participante ou do ofendido ou parente de alguém que viva em economia comum com estas pessoas. A suspensão preventiva só pode ter lugar se o enquadramento abstracto da infracção for igual ou superior a suspensão. se. avós. c) ligação processual – estar pendente em tribunal civil ou criminal processo em que o instrutor e o arguido ou o participante sejam parte.º do EPND) – e com os fundamentos da inconveniência para o serviço (requisito funcional) ou para a descoberta da verdade (requisito processual). Seus fundamentos O art. exigindo-se. a apensação será feita ao processo que primeiro tiver sido instaurado. são parentes na linha colateral no 3.º 52. pais. descontando-se um). Para que isto seja respeitado. etc.º do Estatuto da Carreira Docente) e para o pessoal não docente (n.º 48. contam-se todos os parentes na linha recta das pessoas cujo grau se quer determinar até ao progenitor comum. O arguido suspenso preventivamente não perde o direito de ser admitido a concurso (art. O fim da lei é que o instrutor deve actuar com isenção e imparcialidade no apuramento dos factos.) do arguido. bem como o desconto no vencimento de exercício (um sexto).º 39. o arguido for sobrinho do instrutor. aplicando-se a mesma doutrina a todas as mudanças funcionais. Sua prorrogação até ao termo do ano lectivo O prazo é de 90 dias com possibilidade de ser prorrogado até final do ano lectivo. temos tio – pai (progenitor comum) – irmão – sobrinho. o instrutor e o arguido. A suspeição do instrutor.º grau. São quatro pessoas. Assim. ou entre este e o participante ou ofendido. um certo grau de gravidade da conduta. Efeitos da suspensão preventiva A suspensão preventiva implica a proibição da presença do arguido no serviço. 43 . e) relações pessoais – haver grave inimizade ou grande intimidade entre o arguido e o instrutor. Este desconto será reparado (recuperado/reembolsado) no caso de decisão absolutória.º do ED). filhos. será levado em conta nessa ocasião.º trata da suspeição do instrutor. d) dependência económica – se o instrutor for credor ou devedor do arguido ou do participante ou de algum seu parente na linha recta ou até ao 3. Ou se as infracções dos vários processos tiveram todas a mesma gravidade. Portanto. num juízo de prognose.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Prazo da suspensão preventiva. As regras da apensação de processos A apensação de processos está regulada no art. por exemplo. desconta-se uma e ficam três.

deve o mesmo comunicar desde logo o facto ao respectivo superior hierárquico ou ao presidente do órgão colegial dirigente [. o dia. com referência aos correspondentes preceitos legais e às penas aplicáveis. não beneficiando desta amnistia os reincidentes.º 2 do mesmo preceito (até ser proferida a decisão definitiva ou praticado o acto. Caso contrário.º 47.º 4 do art. especificando as circunstâncias de facto que constituem a causa). se este o quiser assinar. à entidade que o tiver mandado instaurar.º 3 do art.º 3 do art.º 46.º do ED. com o respectivo processo.º 1 do art. os elementos de identificação do funcionário ou agente visado e os elementos de identificação da entidade que a presenciou. Recurso hierárquico da sua não admissão. deverá ser deduzida acusação ao arguido no prazo de 48 horas contadas desde a data do início da instrução (art. onde se refere que são amnistiadas as infracções disciplinares que não constituam simultaneamente ilícitos penais não amnistiados por esta lei e cuja sanção aplicável não seja superior a suspensão.º do ED e nenhumas diligências tiverem sido ordenadas ou requeridas nos termos do art. entender: a) que os factos não constituem infracção disciplinar.º 75. se possível. nos termos do disposto no art. 41 O titular do órgão ou agente deve suspender a sua actividade no procedimento logo que faça a comunicação a que se refere o n. O auto de notícia como base da acusação 44 Se o processo disciplinar tiver por base um auto de notícia levantado nos termos do art. salvo ordem em contrário do respectivo superior hierárquico.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Decisão do pedido de suspeição do instrutor. Do despacho que não admita a suspeição ou os seus fundamentos cabe recurso hierárquico em 10 dias (n.º 49.º 58.] ou tenha conhecimento do requerimento a que se refere o n. que sobe imediatamente e nos próprios autos (n..º do ED.º 47.º do ED). O auto é levantado sempre que um dirigente presenciar ou verificar uma infracção praticada no serviço sob a sua direcção (n..º do ED).º 1 do art. Dele devem constar os factos que integram a infracção.º do ED). propondo que se arquive. até à decisão do incidente. nos termos do art. O auto deve ser remetido imediatamente à entidade com competência para instaurar o processo disciplinar (n.º 49. deduzirá no prazo de 10 dias a acusação. pelas testemunhas e pelo funcionário ou agente visado. relativamente aos factos presenciados pela entidade que o levantou ou mandou levantar. devem ser mencionadas as provas testemunhal e documental (n. com a necessária discriminação. O auto deve ser assinado pela entidade que o levantou ou mandou levantar e. desde que contenha a indicação de duas testemunhas faz fé. articulando. Este auto.º 47. de 12 de Maio). o local e as circunstâncias em que foi cometida. Arquivamento dos autos ou acusação (nota de culpa) Finda a instrução preparatória.º 57. o instrutor pode.º 1 do artigo anterior (quando se verifique causa de impedimento em relação a qualquer titular de órgão ou agente administrativo. até prova em contrário. elaborará no prazo de cinco dias o seu relatório e remetê-lo-á imediatamente. qualquer interessado pode requerer a declaração do impedimento.º do ED) para o membro do Governo competente. b) que não foi o arguido o agente da infracção.º 47. as faltas que reputar averiguadas.º do ED. a hora. Suspensão do processo Arguida a suspeição do instrutor.º 29/99. Se existirem.º 77. sendo que a amnistia não extingue a responsabilidade civil emergente dos factos amnistiados.º 2 do art. sendo que até sua decisão o processo fica suspenso (art.º do ED). .º do ED). Nestas condições.º 52. deve este enviar imediatamente o requerimento à entidade que tiver mandado instaurar o processo que decide em 48 horas (n. c) ou que não é de exigir responsabilidade disciplinar por virtude de prescrição ou outro motivo -especial referência à última amnistia de infracção disciplinar (Lei n.º do ED).º do CPA)41.

. do STA. do STA.º n.) se limite a referências vagas e genéricas. Ac. de 02-07-91. mesmo que esta fosse contrária à dos restantes colegas. imputação essa que o instrutor no seu relatório final esclarece nos seguintes termos: "Tem que ter sido uma destas três coisas. o seu direito de defesa. sem se especificar a que título se lhe imputa essa falta»). Em processo disciplinar a articulação da nota de culpa de forma vaga e genérica sem a indicação das circunstâncias de tempo em que os factos se terão verificado. sem restrições. nos termos do disposto no n. de modo eficaz e organizado.º 3 («em processo disciplinar são garantidas ao arguido a sua audiência e defesa»).º 59.. espaço e modo de realização dos factos. Proc. Proc.º 269. de 28-09-93. por violação do direito de audiência e defesa. a compreensão do âmbito da acusação.º n. 2. assuntos da vida particular dos seus colegas Victor e Fernando (desta forma. sem se explicitarem as específicas razões conclusivas da infracção disciplinar»).º 3 do art. Proc.) 2. modo e lugar A individualização ou discriminação dos factos (actos ou omissões) que se tenham por averiguados e disciplinarmente puníveis.º 025623 («1.º do ED. a juízos de valor e afirmações conclusivas. Ac. sem explicitar os motivos de tal "ilegalidade" ou anti-juridicidade.º da CRP42 – exigese no n. de 14-07-92. tempo e lugar). não se concretiza 45 . identificar as infracções imputadas não podia exercer. concreta e seguramente. É meramente conclusiva a imputação a uma professora de ter dirigido a alguns alunos de uma turma expressões de "cobardes" "mentirosos" e "ignorantes". pois exige-se que a mesma seja adequada e eficaz e esta só o será se a acusação obedecer ao disposto no n.º 4 do art. permitindo que o mesmo viesse a ser usado sem a sua presença" e o facto de que "apesar de ter conhecimento do horário (. Enferma desse vício a acusação em que apenas se afirma ser o arguido responsável pela falta de determinada quantia. por parte do arguido.º 269.º 42. com referência ao modo da prática destes factos. o seguinte: uma hipotética "falta de respeito". a utilização abusiva e quais os documentos em falta). a acusação que imputa ao arguido em termos vagos. não podendo. genéricos e imprecisos. 3.º do ED»).º 42. Ac. E durante a última reunião do 2. referências desprestigiantes a elementos do Conselho Executivo.º n. além do mais. genéricas ou abstractas geram nulidade insuprível. do STA. Nesta matéria. importa a nulidade insuprível da limitação das garantias processuais de audiência e defesa. do STA. Afirmações conclusivas. ter abordado. não se indica circunstância de lugar. mas uma identificação dos factos suficientemente completa para que o arguido não possa 42 Constituição da República Portuguesa.º 1 do art. 2 – O arguido é acusado de ter procurado em reuniões do Conselho de Turma impor a sua vontade com comportamentos autoritários.º 040624 («Não basta o arguido apresentar qualquer defesa para se haver por afastada a nulidade insuprível do n. art. Integra nulidade insuprível por falta de audiência do arguido a dedução de acusação que (.º do Estatuto Disciplinar que a acusação contenha: As circunstâncias de tempo. 2.. as seguintes infracções disciplinares: falta de educação e de boas maneiras no atendimento aos utentes do serviço.º 042030 [«(. bem como ao tempo e lugar em que ocorreram (as chamadas circunstâncias de modo. sem a necessária discriminação e indicação concreta dos factos referenciados ao tempo e circunstancialismo em que foram proferidas. de 16-05-91.º 4 do art. por falta de audiência e defesa. designadamente a identificação dos alunos visados. o que a jurisprudência do STA43 evidencia e exige não é uma perfeita exactidão quanto ao tempo. em tom acusatório e agressivo. do STA. É impossível ter sido de outro modo"!»). do STA.º 59. impossibilitando. Ac. Proc. uma eventual violação do "dever de correcção" com mera remissão de carácter genérico para o conteúdo de uma "exposição" igualmente subscrita pelo arguido e de uma "informação jurídica" por si adrede recolhida. Padecem dessa imprecisão os artigos de acusação que atribuem ao arguido ter deixado "por várias vezes o carimbo sem ter fechado com a chave que possuía o respectivo aloquete. não concretiza quais os factos que integram a falta de educação e de boas maneiras.º período escolar. se se concluir que o arguido. Proc.) não o praticava causando assim perturbação no serviço"»].º 029988 («Enferma dessa nulidade o processo disciplinar no qual o cerne da acusação consiste numa imputação com o seguinte conteúdo..º do ED. uma alegada "ilegalidade" de subscrição de um "despacho interno" por parte do arguido. o seu direito de audiência e defesa – que tem dignidade constitucional (n.. Ac. Proc. de 04-03-99.º n. desde Novembro até Dezembro de 2006. ter "mandado efectuar" ou voluntariamente "ter permitido que alguém efectuasse"rubricas imitativas da rubrica do responsável pelo respectivo serviço público em documentos de natureza registral. 43 Ac. Exemplos de acusação vaga e genérica: 1 – O arguido é acusado de ter praticado.º n.º 1 do art. ainda por cima com "premeditação" e uma suposta "provocação de mau ambiente" no serviço sem concretizar os comportamentos ou actuações em que as mesmas se hajam traduzido. utilização abusiva da isenção de horário de trabalho e ter feito desaparecer documentação que estava ao seu cuidado (desta forma.º 031448 («Enferma de nulidade insuprível. as referências desprestigiantes.»].º 0242785 [«1. de 20-05-99..GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Acusação Elaboração da acusação (nota de culpa) Para que o arguido possa executar. Ter "efectuado".

apesar do carácter genérico da acusação. modo e lugar. a Chefe de Serviços de Administração Escolar (desta forma. algumas vezes. nem os factos que integram os comportamentos autoritários. Só assim não acontece quando.º do ED. ordens e instruções não acatadas. Ora. e em que pena incorre. É claro que na apreciação a fazer pelo instrutor do que se acaba de referir se deve usar da máxima prudência. discordâncias e incorrecções para terceiros). atentos os efeitos cominatórios previstos na lei para a não audiência e defesa do arguido. que pressupõe a plena consciência dos factos que lhe são imputados e da sua ilicitude decorrente da inobservância de determinadas regras jurídicas. respectivamente. 3 – À arguida por várias vezes lhe foi chamada a atenção pelos superiores hierárquicos para as incorrecções e atrasos do serviço e não acatou as ordens e instruções recebidas. pois não indica o tempo e o local e não concretiza o tipo de incorrecções. sentido e alcance daquela. que funciona contra o arguido a premeditação sem que se refira a que artigo(os) da acusação se refere pode ser falta de audiência do arguido. Necessidade de uma acusação complementar 46 A qualificação feita na acusação é sempre provisória. tem que estar claro a que artigo ou artigos se referem. sendo esta a melhor técnica jurídica. impossibilitando a sua defesa ou tornando-a particularmente difícil. que provoca a anulação do processo disciplinar apenas a partir da altura em que esta omissão se produza. As circunstâncias atenuantes e agravantes referidas na acusação Quando as agravantes se referem só no fim da acusação e não estão referidas em cada um dos artigos acusatórios. Falta de audiência do arguido. mesmo sendo a sua conduta infracção disciplinar. no sentido de que pode ser alterada posteriormente. Nulidade insuprível do processo disciplinar Quando isto é violado pelo instrutor. não se dando a conhecer ao arguido nos artigos de acusação a norma ou normas que com a sua conduta infringiu. Não concretiza o tom acusatório e agressivo. Enquadramento jurídico-disciplinar mais gravoso dos factos após defesa do arguido e antes do relatório final. verifica-se a ausência das circunstâncias de tempo. Que afirmações foram produzidas pelo arguido que podem ser reconduzidas a este modo acusatório e agressivo de relacionamento com os colegas de trabalho). discordâncias. dos art. o arguido pode vir a apresentar argumentação no sentido de não ter sido o autor dos factos. tendo manifestado. Referência aos preceitos legais violados e penas aplicáveis (enquadramento jurídico-disciplinar) A referência aos preceitos legais violados e penas aplicáveis constitui o enquadramento jurídico-disciplinar da matéria acusatória. considera-se o processo disciplinar ferido de nulidade insuprível. de forma incorrecta quer para o público quer para os seus colegas de trabalho e muito especialmente para sua chefia directa. a que se reporta o n.º e 59. por exemplo. De notar que a expressão nulidade insuprível não significa nulidade absoluta mas apenas omissão de uma formalidade essencial (falta de audiência e defesa do arguido). a responsabilidade disciplinar não é exigível (ex: prescrição. . o arguido mostrar pela defesa apresentada – que não pode ser qualquer defesa como adiante se demonstrará – que compreendeu perfeitamente o âmbito.º 42. obrigando a refazê-lo daí em diante.º 1 do art. Na verdade. O que é que a lei pretende com esta exigência? O fim da lei é mais uma vez possibilitar ao arguido uma defesa eficaz. Dizer-se.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO representá-los erradamente. desrespeitar-se-ão os n.º do ED.os 42. quer em consequência da defesa quer em função do critério do instrutor. quando ocorreram os Conselhos de Turma.os 1 e 4. publicamente. que esses factos não constituem infracção disciplinar ou que. Acusação vaga e genérica.

cabendo à Administração fazer prova da impossibilidade da notificação pessoal.º n.º 031584 («O vício de usurpação de poder não se verifica quando em consequência de processo disciplinar é proferido acto a impor à arguida na qualidade de tesoureira de um estabelecimento de ensino a reposição das quantias que se apurou faltarem referentes à gerência do ano lectivo e o montante da comparticipação dos alunos para uma viagem de estudo que não foi depositada nem lançada nos livros de contabilidade»).º 1 do ED. face aos elementos colhidos na fase da defesa.º 1 e 91.º 1 do ED.º n.º n. e desde que não altere os factos. Proc. se mais gravoso.º n. a reposição das quantias por ele devidas»]. A cópia da acusação deve ser entregue ao arguido: a) Por notificação pessoal (certidão de notificação lavrada pelo agente que a ela deve proceder. e se for caso disso. para que seja possível ocorrer o contraditório no que respeita à obrigação de repor essas quantias em falta nos cofres do Estado.. se se verificar a existência de infracção. usualmente através da denominada acusação complementar (não nos esqueçamos que o arguido não só se defende dos factos como igualmente do seu enquadramento jurídico-disciplinar). o processo disciplinar destina-se não somente à aplicação de uma sanção disciplinar ao arguido. do STA. entender propor um enquadramento mais ou menos gravoso do que o constante da nota de culpa.º n. Referência expressa à obrigação de reposição de dinheiros públicos na acusação Se houver quantias a repor44 pelo arguido. do STA.º n.º 65. prazo para defesa e local de consulta do processo). estejam confiados ao funcionário punido ou tenham de passar pelas suas mãos») Ac. c) Por aviso de citação publicado no Diário da República. cuja determinação cabe aos Tribunais»].os 1 e 2 do art. deve ser oferecido em contraditório ao arguido antes do relatório final.º 3 do art. mas.º do ED. de 15-03-90.º n.ºs 65. postal e por aviso em Diário da República) A nota de culpa – pessoal docente e pessoal não docente – deve ser notificada ao arguido nos termos dos n. Notificação da acusação. Ou pode o instrutor. de 11-07-89.º 027715 [«A reposição de quantias a que se referem os art. pelos seus próprios meios. 44 Ac.º 59. Isto quer dizer que a preferência do legislador do ED vai para a notificação pessoal. na impossibilidade da notificação pessoal ou por via postal. do STA. por virtude do exercício das suas funções. objecto de alcance ou desvio) e não as consistentes em indemnização por outros danos. de 11-01-94. tem apenas em vista aqueles casos de violação dos deveres funcionais em que esteja em causa a obrigação de dar contas de fundos. devendo o aviso conter o previsto no n.ºs 65. condições de maior certeza possível.º 027381 («Os art.. que se destinam a garantir o direito de defesa.º do ED (estar pendente processo contra o arguido. nas condições que iremos referir quando abordarmos o relatório final. Ac. Hierarquia legal das formas de notificação (pessoal. de 06-03-90. b) Só podendo fazer-se por carta registada com aviso de recepção (solução subsidiária e não alternativa da primeira forma de notificação) se a notificação pessoal não for possível. assinada pelo arguido e por esse próprio agente). respeita apenas a quantias que à Administração.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 amnistia). cabe averiguar (nomeadamente. igualmente. Ac. Proc. só optando por outras soluções na impossibilidade da primeira. Proc.º do ED (.). de dinheiros que. Proc. do STA. prova que tem de resultar clara do processo. e não já o arguido.º 59. tal facto deve igualmente constar da nota de culpa. Este novo enquadramento. para conferir a estas notificações. referindo-se a "quantias que porventura haja a repor" e a condenação "na reposição de qualquer quantia". 47 .º 026189 [«Face ao que se dispõe no art.º 1 e 91.

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o impedia de avaliar o carácter ilícito dos seus actos e de se determinar de acordo com essa avaliação. sendo certo que no decurso do processo disciplinar não surgiram quaisquer indícios de alienação mental do recorrente». de 04-11-2003. o instrutor nomear-lhe-á um curador ad litem (ou seja. nos termos dos art. deve ser sujeito a junta médica tendo em vista a sua aposentação. para elaboração da resposta à nota de culpa. se ocorreu preterição dessa formalidade essencial para a descoberta da verdade.º n. pois. não é se o instrutor viu ou não motivos para ter suscitado o incidente de sanidade mental. 2. ter atravessado uma fase de consumo exagerado de álcool o que lhe terá retirado a capacidade de avaliar a ilicitude da sua conduta e de se determinar de acordo com essa avaliação.] se o arguido na defesa não juntou qualquer documento que atestasse sofrer de doença mental. o recorrente fundamentou o pedido de realização da perícia psiquiátrica no facto de. A regra é de que compete ao arguido organizar a sua defesa.º e seguintes do Código Civil). E tal não sucede [.º do ED.º 048169: «1. o processo fica suspenso até recepção do relatório médico da avaliação psíquica do arguido. o que também não fez em qualquer momento do processo até decisão final. Proc.. se nem isto conseguir fazer devido ao seu estado. 49 . Mas esta regra deve ser afastada em casos de doença ou incapacidade física devidamente comprovada. normalmente realizada pelos institutos de medicina legal. Iniciativa do arguido (seu familiar) ou do instrutor.os 143.º n. onde se procederá a uma avaliação psiquiátrica do arguido.º 42. Se esta perícia médica resultar na inimputabilidade do arguido. Não invoca. consequentemente. E igualmente se afastará a regra geral em caso de anomalia mental devidamente comprovada.º do Estatuto Disciplinar trata da incapacidade física ou mental do arguido45. do STA.º 60. mas não só. geradora de nulidade. apenas para esse processo). que. casos em que o arguido pode nomear um representante mandatado para o defender ou então.º 1 do art. E se for declarado absoluta e permanentemente incapaz para o serviço. em primeiro lugar. se o mesmo padece de qualquer anomalia psíquica que. no momento da prática dos factos. vem tratada no art. e não só porque o instrutor pressente. O exame às faculdades mentais destina-se a determinar a imputabilidade do arguido. Suscitado oficiosamente este incidente. 45 Ac. 3. ou sequer alegado ser detentor de qualquer patologia que o impossibilitasse de organizar cabalmente a sua defesa.. representante. pode o arguido.. qualquer doença do foro mental. O incidente de alienação mental. que pode haver qualquer anomalia.º e seguintes do Código do Processo Penal. mas se o processo evidencia esses motivos de modo a impor uma tal decisão. é que se deve oficiosamente proceder à nomeação de um curador ou solicitar o devido exame às faculdades mentais do arguido. que pode vir assinada por qualquer um destes representantes e apresentada no local onde tiver sido indicado pelo instrutor. Imputabilidade ou inimputabilidade do arguido A iniciativa deve ser do arguido e só em casos muito evidentes. sem mais. que será a pessoa a quem competiria a tutela do arguido em caso de interdição civil (cf. 2.os 159. decorrente de elementos constantes dos autos. mas sim uma situação localizada no tempo e ocasional e não impeditiva do exercício das suas funções.º do ED. Ac. prevista no n.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Defesa Incapacidade física ou mental do arguido para a organização da sua defesa. curador ou advogado consultar o processo. No caso concreto. Exame do processo e apresentação da defesa A matéria relativa ao exame do processo e apresentação da defesa. Proc.º 02019/02: «1. Suspensão do processo.º 61. aquando da prática dos factos de que é acusado. de 04-03-04. no prazo dado para a defesa. do STA. nem ninguém por si». art. este não pode ser responsabilizado disciplinarmente. O que releva para apurar se havia lugar à nomeação de curador e. arquivando-se os autos. Verifica-se. isto é. Representação legal O art.

INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Rol de testemunhas. as testemunhas que apenas manifestem o seu desconhecimento deles. Pode ainda requerer diligências. negar a materialidade dos factos acusatórios nem invocar causas de exclusão da ilicitude ou da culpa. Se a sua defesa for feita nestes moldes. pelo que não se devem contar.º 77. no número legal (máximo de três por cada facto). constitui omissão de diligência essencial para a descoberta da verdade e violação do princípio da audiência e defesa do arguido. se de acordo com as circunstâncias concretas os depoimentos delas se revelarem. que podem ser recusadas em despacho fundamentado.º do ED.º 4 do mesmo art. todo o sentido. . tem como pressuposto que elas deponham sobre os factos para que vêm arroladas.º do ED. aliás. Sua recusa. Diligências complementares de prova.º 3 do art. o que faz.ºs 4 e 5 do art. essenciais para demonstração da realidade dos factos afirmados. ao proibir a audição de mais de três testemunhas sobre cada facto. mas constitui uma diligência complementar de prova. Portanto. podendo o instrutor recusar a inquirição de testemunhas quando considere suficientemente provados os factos alegados pelo arguido. quando manifestamente impertinentes e desnecessárias. a falta de inquirição das testemunhas arroladas pela defesa. mais bem concretizada adiante. tal inquirição é ainda possível.º 42. nos termos do n. Tem de ter-se. para este efeito.º 61. pois se ficasse retido até ao recurso da decisão final perdia o seu efeito útil.º do ED. como seria a inquirição de mais testemunhas aos factos já dados como provados. ou qualquer circunstancialismo atenuativo da sua responsabilidade que dependa de prova testemunhal. em abstracto. indicando os factos sobre os quais cada uma deve ser ouvida.º do ED) e tem de ser decidido num prazo de 10 dias úteis a contar da sua interposição. Ou pode ainda o instrutor recusar a inquirição de testemunhas de defesa arroladas pelo arguido se a sua resposta à nota de culpa se limita a considerações de natureza jurídica. contudo. Testemunhas arroladas na defesa (três por cada facto) Nos termos dos n. no prazo de cinco dias úteis a contar da notificação do despacho que indeferiu o requerimento.º 61. A lei estipula um número máximo de testemunhas a inquirir por cada facto. contudo. e juntar documentos. Consentimento/conhecimento do arguido Ou pode ainda o instrutor inquirir por sua iniciativa testemunha não arrolada.º 2 do art. nos termos do disposto no n. Recusa de inquirição de testemunhas de defesa arroladas pelo arguido (em que situações) Mas pode o instrutor recusar a inquirição de testemunhas de defesa quando der por provados os factos alegados pelo arguido. mas tem que obter prévio consentimento do arguido. Se assim não proceder. que não compareceu.º 4 do art. pois estando assegurada já a defesa do arguido com a prova testemunhal produzida.º 42. que sentido faria ouvir as suas testemunhas? 50 Inquirição de testemunhas após acusação da iniciativa do instrutor. já abordadas. deve evitar-se a prática de actos inúteis. tal como está regulado em matéria dos recursos (n. sem. Este recurso tem subida imediata e nos próprios autos. em substituição de outra indicada pela defesa. pois se assim não for ele considera-se tacitamente deferido. Recurso hierárquico Com a defesa deve o arguido apresentar o rol das testemunhas. Este despacho do instrutor que recusar diligências requeridas pela defesa pode ser objecto de recurso hierárquico a interpor pelo arguido. com efeito suspensivo. em atenção que o n.º do ED. Junção de documentos. não podem ser ouvidas mais de três testemunhas por cada facto. que deverá ser notificada ao arguido antes da elaboração do relatório final.

º 7 do art.º 169. extraindo o instrutor certidões da resposta incorrectamente formulada.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Inquirição de testemunhas residentes fora do local de instrução do processo.º 61. podem ser a apresentar pelo arguido. O arguido não tem de demonstrar a sua inocência. às diligências requeridas pela defesa. devidamente fundamentada e visando a acusação que lhe vem formulada. aplicável. Tal não significa que o arguido confessa os factos articulados na acusação. Esta presume-se. Verifica-se. se este assim se comprometer. que o instrutor no seu relatório final vem dizer que «o arguido não conseguiu destruir com a defesa a acusação que contra si está formulada». deve ser processado disciplinarmente por esse facto. deverá ser notificado pelo instrutor para. a pedido do advogado.º do CPC. que. sendo de adoptar uma outra mais conforme à presunção de inocência do arguido.º 63.º 170. querendo. Presunção de inocência do arguido. Proibição da inversão do ónus da prova (que pertence exclusivamente à Administração) Em processo disciplinar não há inversão do ónus da prova. Resposta à acusação Em matéria de resposta do arguido (art. o que importa reter é que a sua defesa deve ser clara.º 61. na fase do contraditório. por carta precatória46. tendo o arguido constituído advogado no processo é sempre obrigatória a notificação deste para. que remeterá à entidade que seja competente para a instauração do processo disciplinar. Se o processo não for entregue pelo advogado nesse prazo. A confiança do processo Quanto ao art. elaborando-se um auto de entrega no qual se fixa um prazo para a devolução do processo. A carta precatória As testemunhas a inquirir. dando-se disso conhecimento ao arguido (n. Aliás.º do ED). produzindo afirmações que possam constituir infracções estranhas à acusação. esta é facultada ao advogado e nunca ao arguido. art. que trata da confiança do processo. no sentido de que é ao arguido que compete provar a sua inocência. é de cinco dias. em casos de elevada complexidade e se tal prorrogação não acarretar qualquer inconveniente para a instrução do processo. residentes fora do local onde corre o processo. ou essa inquirição pode ser realizada pelo instrutor por solicitação a autoridade administrativa competente. em dois dias. apresentar as razões de tal procedimento.º 9 do art.º 3 do art. nos termos do n. e que pode ser prorrogado pelo instrutor. É por isso que se o arguido extravasar a defesa. Efectiva audiência do arguido A falta de resposta à nota de culpa dentro do prazo marcado vale como efectiva audiência do arguido para todos os efeitos legais (n. que se não forem atendíveis poderá fazer incorrer o mandatário nas sanções previstas no CPC47. segundo o princípio de que «quem alega um facto tem de o provar». O ónus da prova dos factos acusatórios pertence exclusivamente à Administração. com alguma regularidade. 47 Cf.º do ED). É afirmação a não seguir.º do ED). A falta de resposta à acusação. mas apenas que renuncia ao direito que a lei lhe confere de se defender das acusações que lhe vêm imputadas.º do Código de Processo Civil (CPC). até prova em contrário. 51 .º 62 do ED. participar e assistir. concisa. pois permite alguma confusão em matéria de ónus da prova. 46 Este pedido de expedição por deprecada para inquirição de testemunha deve indicar os pontos de facto sobre que há-de recair o depoimento de cada uma das testemunhas.

prorrogação feita pela entidade competente.º 029270: «[. a que é ordenada pelo próprio instrutor. aquela que é oferecida pelo arguido na sua defesa (testemunhas e recolha de outros elementos de prova). prescrição. acusação vaga e genérica. ouvindo novas testemunhas ou juntando nova documentação. E o princípio aqui é o de que a falta de inquirição de testemunhas indicadas pelo arguido sobre matéria pertinente à sua defesa. caso se deva proceder à inquirição de testemunhas que residam fora do local onde corre o processo. Proc.º n. deve ser fundamentado o despacho que em processo disciplinar ordena a produção complementar de prova. rectificação ou repetição da elaboração da nota de culpa. pode ser rectificada oficiosamente. 5.. se se aperceber que a peça acusatória se encontra deduzida em termos vagos e genéricos.º 034713: «[. em abstracto. proceder à reformulação. por exemplo. em ordem a prevenir a ofensa do direito de audiência e defesa e dos princípios gerais da celeridade e economia processuais». o que se fará com a apresentação de nova peça acusatória.. Princípio da legalidade da actuação administrativa O instrutor pode vir a reformular a sua peça acusatória por aceitação da argumentação da defesa deixando cair alguns factos.] 4. pelo facto de ter sido determinada pela sua defesa. Efectuadas diligências complementares de prova [. por solicitação a autoridade administrativa. incluída nesta a acusação em processo disciplinar. aquela testemunha ou aquele outro meio de prova requerido pelo arguido naquele processo concreto. os depoimentos ou os outros elementos de prova se revelarem.. 3..º 2. Proc. Constitui nulidade insuprível do processo disciplinar a falta de audiência do arguido sobre o resultado de diligências complementares de prova ordenadas oficiosamente pelo instrutor posteriormente à notificação da acusação. podia ou não ser essencial à sua defesa. sob pena de violação do princípio do contraditório e consequente nulidade insuprível» Ac.] deve ser dada ao arguido a oportunidade de sobre elas se pronunciar. em abstracto. ou a não recolha de qualquer outro elemento de prova por si requerido. de 22-03-94. de 17-01-95. Em caso de contencioso. Sob pena de nulidade insuprível. designadamente junção de documentos. oferecendo sempre em contraditório estes novos elementos ao arguido. . se.. de 20-03-97.º do ED sobre a produção da prova oferecida pelo arguido na sua defesa.º 1. o que aqui se afirma é que pode o instrutor. desde que se respeite sempre o direito de audiência do arguido. que assim foi aproveitada em seu desfavor. depois de produzida a prova indicada pelo arguido.º 64. Em primeiro lugar. o tribunal aprecia a acusação e avalia se. ordenar novas diligências que considere necessárias ao apuramento dos factos.º n. finda que esteja a produção da prova oferecida pelo arguido (instrução complementar)48. 49 Ac. informação dos serviços e depoimento de uma testemunha. E de nada vale vir o arguido dizer que tal reformulação do processo a partir da acusação é ilegal. o mesmo é dizer se com eles podia ou não o arguido fazer a demonstração dos factos que alegou na resposta à nota de culpa. 52 48 Ac. etc. Reformulação da acusação após a defesa do arguido. Qualquer irregularidade da instrução. por amnistia.] 2.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Produção da prova oferecida pelo arguido (prazos) ou ordenada pelo instrutor (sua fundamentação e contraditório) Vejamos o art.º n. essenciais para demonstração da realidade dos factos afirmados. constitui falta de audiência e defesa do arguido. Pode assim o instrutor. Relativamente à primeira (oferecida pelo arguido): ela deve realizar-se em 20 dias. finda a prova oferecida pelo arguido. no n. do STA. de acordo com as circunstâncias concretas. Quando à segunda. ou em prazo superior até 40 dias. do STA. A isto deve-se responder que toda a actuação da Administração está sujeita ao princípio da legalidade e que é dever do instrutor sanear o processo das ilegalidades que ele contenha.. podemos verificar que neste artigo se contemplam nos seus dois números duas espécies de prova: no n. agora elaborada nos termos da lei49. Proc. sendo necessário que fundamente nos autos esta sua decisão para a recolha destes meios complementares de prova (instrução complementar). que relevaram em desfavor do arguido no juízo probatório».] 2. deficiente enquadramento jurídico-disciplinar. do STA..º 037907: «[..

nesta peça processual. passar de uma pena de multa para suspensão – então deverá mandar apresentar ao arguido nova nota de culpa ou proceder ao aditamento da anteriormente formulada. Portanto. e a quiser agravar – por exemplo. se o instrutor enquadrou erradamente os factos na acusação.º do Estatuto Disciplinar. não já pelo instrutor. então deve acusar de novo corrigindo essa qualificação jurídico-disciplinar. constante da acusação e mantida no relatório final. Será que a sua estratégia de defesa seria necessariamente diferente no exemplo apontado? A resposta só pode ser negativa. pois ele deve ter sempre em atenção para este efeito a possibilidade de em concreto lhe vir a ser aplicada a pena graduada no seu máximo (multa. mas pela entidade competente para decidir o processo. o arguido à elaboração de uma defesa correcta e cuidadosa. o enquadramento jurídico-disciplinar constante da acusação ou se este enquadramento pode ser agravado. de multa para suspensão ou desta para inactividade). tem-se colocado a questão de saber se o instrutor pode agravar. Mas já não se vê como necessária a elaboração de nova acusação a ser presente ao arguido nos casos em que. confrontado. possa violar o seu direito de audiência e defesa. há. E se é certo que se pode argumentar. passar de uma multa para suspensão? Não constitui tal facto uma falta de audiência do arguido? Se o arguido se defendeu de uma multa pode estar. contudo. na graduação da pena proposta pelo instrutor no relatório final (por exemplo. neste aspecto concreto. e se disso se apercebeu no contraditório. por exemplo. agora. se não for levada ao conhecimento do arguido antes da decisão final. não se vê em que é que esta alteração em matéria da graduação da pena. sem contraditório. sendo certo que o arguido por referência na nota de culpa aos preceitos violados e pena abstractamente aplicável – a referência na nota de culpa à pena abstractamente aplicável habilita. isto é. Agravamento pela entidade com competência para aplicação da pena do enquadramento jurídico-disciplinar da matéria acusatória contida no relatório final Se a entidade com competência para decidir o processo não concordar com a proposta punitiva apresentada pelo instrutor. suspensão e inactividade).º 65. para mais. juízo que só é possível fazer após o contraditório e nunca em momento anterior. quem decide quer aplicar não 20 mas 30 dias de suspensão). estarmos perante uma decisão que se afastou do projecto de decisão do instrutor. Agravamento pelo instrutor no relatório final do enquadramento jurídico-disciplinar da matéria acusatória Será lícito ao instrutor propor no relatório final um enquadramento mais gravoso do que o contido na acusação. 53 . Nesta matéria. não havendo alteração do tipo de pena a aplicar (por exemplo. variação. pois o projecto de decisão consubstanciado na primitiva acusação não é agora coincidente com aquele que resulta deste agravamento. com uma suspensão? Não será este relatório final um projecto de decisão a ser presente à entidade que decide o processo diferente do projecto apresentado ao arguido na acusação? Não colide tal facto com o seu direito de defesa? Pensamos que sim. neste caso. na acusação – está de posse de todos os elementos necessários a uma defesa eficaz. na verdade.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Relatório final O relatório final está previsto no art.

indicando-se quais os factos que se consideram provados e as circunstâncias que possam ter atenuado ou agravado a responsabilidade disciplinar. Dos factos provados e circunstâncias atenuantes e agravantes: fixação da matéria delituosa após o contraditório.). 4. etc. prorrogável até 20 dias. nalguns casos. fazer sentido que o comportamento do arguido posterior aos factos. Introdução: origem do processo (auto.º 65. da boa administração e dos próprios fins visados pela acção disciplinar). sendo de evitar a descrição de pormenores inúteis. Do direito aplicável: enquadramento jurídico-disciplinar dos factos provados.º do ED.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Objectivos. evitando-se o método do resumo de depoimentos. prazos e conteúdo do relatório final Da leitura do art. pode. com indicação das circunstâncias atenuantes e agravantes e entidade competente para aplicação da pena.os 28. mas sempre de forma fundamentada. que essencialmente são relativos ao rápido restabelecimento da normalidade e eficiência dos serviços públicos perturbados com a prática da infracção disciplinar. seu enquadramento jurídicodisciplinar. indicar as folhas do processo onde vêm os factos descritos. atenta a sua complexidade. O relatório final é enviado. finalmente.°. gravidade dos factos (análise das circunstâncias previstas nos art.°. ou proposta de arquivamento do processo. indicação dos factos delituosos dados como provados. inquérito. E. queixa. Proposta: identificação do(a) arguido(a) – nome. ou seja. 5. claramente indiciador de uma vontade de correcção dos aspectos negativos da sua conduta anterior. no prazo de 24 horas. à entidade que instaurou o processo. deva pesar na proposta final. qualificação dos factos provados (qual o dever ou deveres violados. para tanto. por decisão da entidade competente para decidir o processo. necessárias para suporte da decisão que vier a ser produzida. interrupções e justificações. averiguações. resulta o seguinte: a) Objectivos – Habilitar a entidade que vai decidir a fazê-lo nas melhores condições. diligências de prova e outras indicações que se entenderem pertinentes. ou seja. da oportunidade e conveniência. 3. a quase transcrição dos depoimentos prestados pelas testemunhas. 29. . Da acusação e resposta: reprodução da nota de culpa na parte pertinente. determinação das importâncias que haja a repor (de referência obrigatória na acusação). Relevância disciplinar do comportamento do arguido posterior aos factos acusatórios No que respeita à pena a aplicar. Proposta de estrutura de organização do relatório final Segue-se a proposta de uma estrutura de organização do relatório: 1. que se não for competente para a aplicação da pena proposta. 6. ou seja. ordenação lógica da matéria relatada evitando descrições pormenorizadas e inúteis de diligências. proposta de pena adequada.° e 32. 54 Mas tudo isto deve ser feito com clareza na exposição. tipo de infracção e seu enquadramento jurídico-disciplinar nas normas do ED). c) Conteúdo – Completo e conciso. em nome de princípios (como o da justiça. devendo o instrutor pronunciar-se obrigatoriamente sobre a existência material das faltas (as diligências efectuadas que levaram à prova dos factos). remeterá os autos a quem detenha essa competência disciplinar.° do ED). local de trabalho e categoria – pena a aplicar e entidade competente para o efeito. Indicação dos argumentos da defesa. b) Prazos – 5 dias finda a instrução contraditória. a preocupação constante deve ser evidenciar os factos apurados e a prova deles. 31. 2. despachos de instauração e nomeação. Análise da defesa: resposta aos argumentos da defesa. aceitando-os ou refutando-os.

já após a decisão final. o instrutor alhear-se na sua instrução quer da necessidade de se irem fechando todas as portas por onde possam ser carreados para o processo. 55 . de antevisão. em virtude da sua existência. de uma relação jurídico-administrativa que se estabelece. entre a Administração e o particular. uma fotografia instantânea. Relação jurídico-administrativa que tem um passado e um futuro. já não cristalizados no tempo. do que poderá vir a ser a defesa hierárquica/contenciosa do arguido. imunes na sua apreciação a qualquer alteração. no sentido de que deve o instrutor olhar os factos acusatórios. pois. ou se quisermos. não podendo. elementos perturbadores da instrução realizada.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 A instrução deve ser muito rigorosa. quase num juízo de prognose. mas consubstanciando estes uma fase. quer de condutas posteriores aos factos que devam ser ponderadas no seu juízo final.

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a emissão de parecer. a decisão punitiva que se limite a concordar com a proposta formulada pelo instrutor. mas também a fundamentação de facto e de direito em que se apoiou (normalmente todo o relatório final do processo disciplinar. Dito de outro modo: no despacho de «concordo» estão integradas as razões de facto e de direito. no sentido proposto pelo instrutor. pelas quais a Administração deve decidir. por parte do superior hierárquico do arguido ou de serviços vocacionados para esta matéria. que deve decidir o processo no prazo máximo de 30 dias a contar da sua recepção. por falta de fundamentação. Nesta matéria. constantes do relatório final. 57 . deve decidir o processo nos 30 dias seguintes ao termo do prazo (livre) que tiver marcado para a realização destas diligências. Concluído o processo. É que este despacho expresso de concordância da autoridade competente com a proposta formulada no relatório final do instrutor. Conteúdo da notificação A decisão disciplinar deve ser notificada ao arguido nos termos do art. e que pode ser protelada a notificação desta decisão ao arguido.º 4 deste artigo. por decisão da entidade competente. É por isso que é inatacável. b) A data da prática do acto. Se tiver ordenado a realização de novas diligências. pode ou não concordar com a proposta formulada pelo instrutor. contém implícita a perfilhação dos pressupostos dessa proposta e dos motivos de que ela é consequência. por despacho que deve ser proferido dentro do prazo máximo de 30 dias a contar da recepção do processo. por carta registada com aviso de recepção – pessoal docente e pessoal não docente e por anúncio publicado em Diário da República) – e que deve esta decisão ser também do conhecimento do instrutor e do participante.º do ED. Fundamentação da decisão do processo quando não concordante com a proposta do instrutor Na base da regra do n. E se tiver solicitado ou determinado.º do Código do Procedimento Administrativo): a) O texto integral do acto administrativo: não só o despacho punitivo em si. este será remetido à entidade competente para punir o arguido.º 4 deste art. que depois de o analisar. quando este assim o requeira. diz a lei. é também importante saber o que deve conter tal notificação (art.º 66.º do ED («a decisão do processo será sempre fundamentada quando não concordante com a proposta formulada no relatório do instrutor»). no caso concreto. Notificação da decisão do processo disciplinar. nomeadamente assessores jurídicos. deve decidir o processo nos 30 dias seguintes ao termo deste prazo fixado para a emissão do parecer. os termos previstos para a notificação ao arguido da nota de culpa [o que quer dizer que deve seguir a preferência aí estabelecida pelo legislador (pessoal – pessoal docente e pessoal não docente. Prazos O art.º 66. na alínea a) do n. igualmente por despacho que deve ser emitido no prazo de 30 dias a contar da recepção do processo.º 68.º do ED – ou seja. em 10 dias. por um máximo de 30 dias. Se concordar.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Decisão Decisão do processo disciplinar. para além de se dizer que a notificação desta decisão disciplinar ao arguido segue os moldes do disposto no art. a indicação do seu autor e a identificação do procedimento administrativo em que foi produzido.º 69. por vezes acompanhado de parecer jurídico que procedeu à sua apreciação e onde por normal está exarada a decisão final).º 59. que aplica a pena.º do Estatuto Disciplinar refere-se à decisão do processo. se para tal houver conveniência do serviço. está a presunção legal de que a adopção de uma decisão punitiva concordante com a pena proposta no relatório final do instrutor assume a respectiva fundamentação.

] se tiver sido levantado auto por falta de assiduidade nos termos do n. o do art.º 26. será logo o processo remetido. conforme n. e se o paradeiro do arguido for desconhecido [. para garantia dos direitos de audiência e defesa do arguido.ºs 2 e seguintes do art.º em matéria de falta de assiduidade. É esta a regra geral. Se assim não fizer. esta demissão tem sempre como pressuposto o paradeiro desconhecido do arguido.º 4). se se mostrar constituída infracção disciplinar. de 20-11-86.º do ED).º 26.º 2 e.º do ED.º 71.º do ED e outro. em que é que ele se afasta da falta de assiduidade prevista no art. Então qual é a especialidade deste art. a pena a aplicar será a de demissão.º do ED: que o auto por falta de assiduidade serve de base ao processo disciplinar que segue a tramitação do processo comum estabelecido no ED. Paradeiro desconhecido do arguido Diz-se no n. A este respeito a Procuradoria-Geral da República (PGR).º do ED.º 72. será pelo imediato superior hierárquico levantado auto por falta de assiduidade».º 72. Se assim não fizer a decisão é intocável e será executada.º do ED.º 3 50 Parecer n.º 2 do art.º 1 do art. ou os n. ou seja. abrindo-se aqui um prazo máximo de 60 dias para o arguido impugnar tal decisão ou requerer a reabertura do processo (n. especial. A questão é esta: em face de uma falta de assiduidade – 5 dias seguidos ou 10 dias interpolados.º 26.ª notificação) da demissão. Nos casos em que o arguido venha a requerer a reabertura do processo. em face da prova produzida.os 2 e seguintes do art. por exemplo. para que dela possa recorrer ou requerer a abertura do processo no prazo de 30 dias.]». que «sempre que um funcionário ou agente deixe de comparecer ao serviço durante 5 dias seguidos ou 10 dias interpolados sem justificação. com processo disciplinar especial? Vejamos o que é que diz o n. Devendo. nos n. não sendo esta possível. parece ser de notificar o interessado da nota de culpa. em matéria de reincidência.º 59. pois.º do ED.º 3). O processo (especial) por falta de assiduidade.º 72.º 1 do art. trata-se de matéria já abordada.º 71.º 143/8550. a tramitação a seguir será a do processo disciplinar comum. Sendo desconhecido o paradeiro do arguido.º do ED.. conforme n. consolida-se igualmente na ordem jurídica. não acontecendo essa hipótese.º 143/85. para defesa (entre 30 a 60 dias. em aviso no Diário da República. entender-se o n.. Prevendo-se no art. punível com a pena de aposentação compulsiva ou demissão? 58 Essa especialidade consta dos n.º 72. Início de produção de efeitos das penas No que respeita ao art. um processo para a tramitação desta falta de assiduidade. Sendo a pena aplicável a de demissão. relativo à infracção falta de assiduidade. sendo de reter que as penas produzem os seus efeitos no dia seguinte ao da notificação do arguido.º 2 do art. não devendo este n.º 72.º do ED. assim. para decisão da entidade competente. com processo disciplinar comum. veio esclarecer que o processo por falta de assiduidade só é efectivamente um processo especial quando for desconhecido o paradeiro do arguido. portanto.º 70.º do ED. seguindo-se toda a tramitação ulterior até final. Mas se nesse prazo máximo de 60 dias vier a ser conhecido o paradeiro do arguido. 15 dias após a publicação do aviso em Diário da República.º do ED. no mesmo ano civil – qual o normativo aplicável: a norma da alínea h) do n.ºs 2 e seguintes.º 2 do art. no termo do prazo da notificação.º 3 como referenciado ao n. caso a prova mostre que a falta de assiduidade constitui infracção disciplinar (n. relativo ao início da produção de efeitos das penas.º do ED. parecendo existir neste Estatuto dois tipos de processos distintos para esta matéria: um processo comum para a falta de assiduidade da alínea h) do n. no seu parecer n. . [.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO c) O órgão competente para apreciar a impugnação administrativa do acto e o prazo para o efeito. ou. Demissão que é notificada por aviso ao arguido.º 72. sem outra tramitação..º 1 do art.. caso o seu paradeiro continue a ser desconhecido. da PGR: «4. então será este de novo notificado (2.º 1 do preceito.

2 – Na contagem dos prazos legalmente fixados em mais de seis meses incluem-se os sábados. Aplicação do Código do Procedimento Administrativo ao ED em matéria de prazos. que pode ser eventualmente prorrogado atenta a complexidade do processo. se fosse tomado autonomamente.os 57.º do Estatuto Disciplinar) A contar da data da notificação ao Instrutor do despacho que mandou instaurar o processo disciplinar: 10 dias – Prazo máximo para o início da instrução.º do Estatuto Disciplinar) 5 dias a contar da última diligência instrutória. Pois sabemos que. 48 horas no caso de infracção directamente constatada e sem diligências de instrução. com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei 6/96 de 31 de Janeiro) Art.º 442/91 de 15 de Novembro. 59 .º 45. II – DO ARQUIVAMENTO (art. Entre 30 a 60 dias – no caso de impossibilidade de notificação pessoal. 45 dias – Prazo para a ultimação da instrução. às notificações e aos requisitos e dever de fundamentação das decisões disciplinares.º Contagem de prazos 1 – À contagem dos prazos são aplicáveis as seguintes regras: a) Não se inclui na contagem o dia em que ocorrer o evento a partir do qual o prazo começa a correr. violaríamos a previsão do art. domingos e feriados.º 59.º do Estatuto Disciplinar) Entre 10 e 20 dias – no caso de notificação pessoal ao arguido ou por carta registada com aviso de recepção. notificações e fundamentação da decisão disciplinar Segue-se uma síntese em matéria de aplicação do CPA ao ED no que respeita à contagem dos prazos.º 57. IV – DA DEFESA (art.º 72.º do Estatuto Disciplinar) 10 dias a contar do termo da instrução. ou não funcione durante o período normal.º do ED. III – DA ACUSAÇÃO (art. com publicação de aviso no Diário da República.º e 58. domingos e feriados.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 ser tomado autonomamente. PRAZOS APLICÁVEIS AO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR I – DA INSTRUÇÃO (art. c) O termo do prazo que caia em dia em que o serviço perante o qual deva ser praticado o acto não esteja aberto ao público.º 26. transfere-se para o primeiro dia útil seguinte. que manda aplicar à falta de assiduidade quer a pena de aposentação compulsiva quer a demissão. CONTAGEM DE PRAZOS REGRA GERAL CÓDIGO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO (Aprovado pelo Decreto-Lei n. b) O prazo começa a correr independentemente de quaisquer formalidades e suspende-se nos sábados.

30 dias para proferir a decisão a contar da data da recepção do processo. 2 – O texto integral do acto pode ser substituído pela indicação resumida do seu conteúdo e objecto. 48 horas no caso de infracção directamente constatada e sem diligências de instrução.º do Estatuto Disciplinar) Concordância com o relatório do instrutor . NOTIFICAÇÕES REGRA GERAL Art.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO III – DA ACUSAÇÃO (art. ou imponham ou agravem deveres. devem ser fundamentados os actos administrativos que. ou de parecer. c) Decidam em contrário de pretensão ou oposição formulada por interessado.º 59. total ou parcialmente: a) Neguem. Não concordância com o relatório do instrutor. no caso de o acto não ser susceptível de recurso contencioso. informação ou proposta oficial.º 65.º 68. d) Decidam de modo diferente da prática habitualmente seguida na resolução de casos semelhantes.DO RELATÓRIO FINAL (art.os 57. restrinjam ou afectem por qualquer modo direitos ou interesses legalmente protegidos.30 dias para proferir o despacho que ordena as novas diligências e 30 dias para proferir a decisão final a contar do termo fixado para as novas diligências. IV – DA DEFESA (art. b) Decidam reclamação ou recurso.º Conteúdo da notificação 1 – Da notificação devem constar: a) O texto integral do acto administrativo. encargos ou sanções. c) O órgão competente para apreciar a impugnação do acto e o prazo para este efeito. V . b) A identificação do procedimento administrativo. ou na interpretação e aplicação dos mesmos princípios ou preceitos legais. com necessidade de realização prévia de novas diligências . extingam.no caso de complexidade do processo e depois de autorização da entidade que o mandou instaurar.º do Estatuto Disciplinar) 5 dias a contar do termo da instrução do processo VI .º do Estatuto Disciplinar) Entre 10 e 20 dias – no caso de notificação pessoal ao arguido ou por carta registada com aviso de recepção. com publicação de aviso no Dário da República. DEVER DE FUNDAMENTAÇÃO 60 REGRA GERAL Art.º e 58. Entre 30 a 60 dias – no caso de impossibilidade de notificação pessoal.º 124.º 66. quando o acto tiver deferido inteiramente a pretensão formulada pelo interessado ou respeite à prática de diligências processuais.º do Estatuto Disciplinar) 10 dias a contar do termo da instrução. . Até 60 dias .º Dever de fundamentação 1 – Para além dos casos em que a lei especialmente o exija.DA DECISÃO (art. incluindo a indicação do autor do acto e a data deste.

GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 e) Impliquem revogação. desde que tal não envolva diminuição das garantias dos interessados.º 125. não esclareçam concretamente a motivação do acto. 2 – Salvo disposição da lei em contrário. que constituirão neste caso parte integrante do respectivo acto. Art. 2 – Equivale à falta de fundamentação a adopção de fundamentos que. através de sucinta exposição dos fundamentos de facto e de direito da decisão. 61 . por obscuridade. informações ou propostas. modificação ou suspensão de acto administrativo anterior. não carecem de ser fundamentados os actos de homologação de deliberações tomadas por júris.º Requisitos da fundamentação 1 – A fundamentação deve ser expressa. 3 – Na resolução de assuntos da mesma natureza. podendo consistir em mera declaração de concordância com os fundamentos de anteriores pareceres. bem como as ordens dadas pelos superiores hierárquicos aos seus subalternos em matéria de serviço e com a forma legal. contradição ou insuficiência. pode utilizar-se qualquer meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões.

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º do Código do Procedimento Administrativo51 ou perante a autoridade a quem seja dirigido – art.º: «[. Contudo. Legitimidade para o recurso Decidido o processo disciplinar.º do ED).º e 74.º do ED).º do ED.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Impugnação Impugnação hierárquica e contenciosa da decisão disciplinar. com a indicação da data em que este se verificou».º do ED. Os prazos para interposição do recurso hierárquico são os seguintes: Pelo arguido: a) 10 dias se for notificado pessoalmente ou por via postal e 20 dias se a notificação for efectuada por aviso publicado no Diário da República. Têm legitimidade para interpor recurso hierárquico o arguido e o participante. como se refere neste mesmo n.º 2 do artigo 69.º 3 do art. sendo que. nos termos do n.º 42.º: «[.º 2 do art. 52 CPA.º 77.º do Estatuto Disciplinar. É a chamada reformatio in pejus. que terá de ser requerida. nos termos do artigo 16.º 3 do art.º 75.º do ED. art.º do ED.º 169. A agravação da pena só pode verificar-se no caso de o recurso ser interposto pelo participante (n. O recurso é interposto perante o membro do Governo competente (n. Efeito suspensivo do recurso hierárquico. no caso deste último..º 2 do art.. diminuir ou anular a pena. Prazos. Pelo participante: 10 dias após a notificação da decisão. este possa ver a sua responsabilidade disciplinar agravada.º 75.º 75. Despacho que indefira o requerimento de quaisquer diligências probatórias – n.º do ED.º 1 do art. nos termos do n. art.º do ED.. deverá requerer a sua notificação da decisão.os 73.] 4. o acto punitivo final pode ser objecto de impugnação quer hierárquica quer contenciosa.º 77. podendo manter.º do ED. Proibição da reformatio in pejus A interposição de recurso suspende a execução da decisão condenatória e devolve ao membro do Governo a competência para decidir definitivamente. nos termos do n. 51 CPA.º 75.] 3. Os actos passíveis de recurso hierárquico são: Despachos que não sejam de mero expediente proferidos pelos superiores hierárquicos. Os requerimentos apresentados nos termos previstos nos números anteriores são remetidos aos órgãos competentes pelo registo do correio e no prazo de três dias após o seu recebimento.º 169. Despacho que não admita a dedução da suspeição do instrutor ou não aceite os fundamentos invocados – n. É isto que nos dizem os art..º 1 do art. o requerimento de interposição do recurso pode ser apresentado perante o autor do acto (que neste caso deverá proceder nos termos do art. b) 5 dias após a notificação do despacho que indefira o requerimento de quaisquer diligências probatórias. Actos passíveis de recurso hierárquico.º 52. c) 10 dias após a notificação do despacho que não admita a dedução da suspeição do instrutor ou não aceite os fundamentos invocados.º 69.º do CPA52. que impede que em recurso interposto pelo próprio arguido. O requerimento de interposição do recurso pode ser apresentado ao autor do acto ou à autoridade a quem seja dirigido» 63 .os 6 e 7 do art.

passados por vezes alguns meses ou anos. vir.º do ED). A legitimidade para o pedido de revisão. devia ter sido considerado inocente. que à data dos factos. podendo tê-lo feito. requisitos essenciais à concessão da revisão. Pelo que a revisão se apresenta como um expediente diferente do recurso. O pedido deve ser decidido em 30 dias. continuando o arguido em cumprimento de pena até nova decisão do processo disciplinar a rever. sobem imediatamente e nos próprios autos. sendo certo que a concessão da revisão não vai suspender a execução da pena. geralmente.º do ED). permitindo que. ora requerente.º do ED). O que normalmente acontece é que o arguido. é pessoalmente notificado da nota de culpa e apresenta tempestivamente a sua defesa. atestado médico. através de requerimento dirigido a quem aplicou a pena.º do ED). quando se verifiquem circunstâncias ou meios de prova susceptíveis de demonstrar a inexistência dos factos que determinaram a condenação e que não pudessem ter sido utilizados pelo arguido no processo disciplinar (n. A revisão de um processo disciplinar tem de se fundamentar em circunstâncias ou meios de prova que o arguido não tenha podido utilizar no processo disciplinar e que possam demonstrar a inexistência dos factos determinantes da condenação.º do ED). só agora.º 1 do art. ou extraordinário.º do ED. Tramitação do processo de revisão Se for concedida.º 2 do art. Bem como os recursos de despacho que não admita a dedução da suspeição do instrutor ou não aceitem os fundamentos invocados (n. o que se verifica é que. Prazo para decisão. que se apresenta como um meio excepcional. com prazo de defesa da acusação anteriormente formulada entre 10 a 20 dias. sem que venha referir ou juntar. mas nunca à sua agravação.º 1 do art.º 77. e que se traduz num desvio à regra da estabilidade das decisões administrativas de que não pode já recorrer-se. seguindo-se a restante tramitação até ao final.º do ED). o interessado provoque a revogação ou alteração da decisão proferida com base na injustiça da condenação. Na verdade. pretender entregar. de modo geral. desta forma. quando tudo lhe estava acessível no decurso do processo.º 80. em qualquer altura.º 77. E do despacho que indefira o requerimento de quaisquer diligências probatórias (n. Como não colocam os mesmos.º 78. se o arguido. tem que estar sujeita a um apertado condicionalismo que se encontra previsto no já citado art. os recursos que.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Regime de subida dos recursos (com a decisão final ou imediatamente nos próprios autos) As decisões que não ponham termo ao processo só subirão com a decisão final. já após ter sido punido. Requisitos. em causa a existência dos próprios factos que determinaram a condenação. o processo de revisão é apenso ao processo disciplinar. e na devida oportunidade.º 77. estes meios de prova. A revisão do processo disciplinar. facto da sua exclusiva responsabilidade. como meio de defesa. . no processo disciplinar. ficando retidos.º 4 do art. relativamente aos diversos pontos da acusação. normalmente. Não é este o caso. se dela se recorrer (n. Mas esta forma de questionar a sanção aplicada. admitindo impugnação contenciosa (art.º do ED).º 79. O que não pode é. percam por esse facto o seu efeito útil (n. devendo-se indicar todas as circunstâncias ou meios de prova novos que justifiquem a sua alegação de inocência (art.º 78. para este efeito. É a proibição da reformatio in pejus. 64 A revisão pode conduzir à revogação ou alteração da decisão.º 3 do art. não é feita qualquer demonstração de que estes meios de prova não pudessem ter sido por ele oferecidos. dando a sua versão dos factos. Legitimidade para o pedido A revisão dos processos disciplinares é admitida a todo o tempo. arrolar testemunha de defesa ou juntar documentos. tentar demonstrar. Contudo. pertence ao arguido ou ao seu representante legal. com nomeação de novo instrutor.º 42.

Legitimidade para o pedido.º. em caso de pena expulsiva. 4) garantia de provimento. para a concessão da reabilitação a prova do normal cumprimento. caso em que há: 1) substituição da pena aplicada. 65 .º 84. 4) contagem de antiguidade. 3) reconstituição da carreira. 6) direito a uma indemnização por danos. em função de critérios de avaliação do homem médio. uma inflexão segura no seu comportamento anterior que permita concluir. 2) com anulação dos seus efeitos. Prazos para requerer a reabilitação A reabilitação só pode ser requerida decorridos os seguintes prazos. 5) indemnização por danos. É necessário provar-se. caso em que há: 1) cancelamento da pena aplicada. após a aplicação ou cumprimento da pena: Repreensão escrita – 1 ano Multa – 2 anos Suspensão – 3 anos Comissão de serviço – 3 anos Inactividade – 5 anos Aposentação compulsiva – 6 anos Demissão – 6 anos A boa conduta como fundamento da concessão da reabilitação A reabilitação só será concedida a quem a tenha merecido pela sua boa conduta. em caso de pena expulsiva. 5) com reconstituição da carreira. b) alterada. A reabilitação. É ao requerente que cabe o ónus da prova desta boa conduta. Competência para a sua decisão No que respeita à reabilitação do art. 2) garantia de provimento. por parte do funcionário ou agente.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Efeitos da revisão procedente Se a revisão vier a ser julgada procedente. 3) contagem da antiguidade. que o sancionado retomou uma situação de cumprimento normal dos seus deveres profissionais. sem margem para dúvidas. em lugar de categoria igual ou equivalente ou à primeira vaga que ocorrer na categoria correspondente. das suas obrigações funcionais. em razão do comportamento entretanto demonstrado pelo infractor. Quem tem legitimidade para a requerer é o próprio interessado ou o seu representante. nomeadamente promoções que não dependam de avaliação. A entidade competente para conceder a reabilitação é a entidade com poderes para aplicação da pena. pode a decisão disciplinar ser: a) revogada. Não basta. consiste na declaração de cessação de certas incapacidades e efeitos resultantes da condenação.

de 10 dias previsto no n. tratando-se da conversão de um inquérito na instrução de processo disciplinar. Mas sem razão.º 2 do art. deduzindo o instrutor a acusação ao arguido e seguindo os demais termos do processo dis- . autoriza que a peça acusatória seja elaborada só após o termo destas diligências e no prazo. O inquérito visa apurar factos determinados relativamente ao procedimento de funcionários. de acordo com o disposto no art. a investigação de factos eventualmente irregulares e quais as pessoas que os praticaram. a fase de instrução do processo disciplinar.º 58. tendo dos factos um total controlo e conhecimento. neste caso.os 85. o art. Dispõe o n.. entender que só está vinculado a elaborar a peça acusatória no prazo de 48 horas se porventura não quiser desenvolver previamente à acusação outras diligências instrutórias. deve ser instaurado processo de averiguações (e nomeado instrutor para o efeito) o qual segue a tramitação deste tipo de processo. conforme parte final do art. fará o instrutor um relatório no prazo de 10 dias que remeterá à entidade que o mandou instaurar. Os processos de inquérito e sindicância Os processos de inquérito e sindicância são abordados nos art. pois se a lei confere ao instrutor. mal se entenderia que. um prazo de 10 dias para deduzir a acusação nos processos em que é sua a instrução (n. O que se passa é que. É usado nos casos em que se apontam certas irregularidades que surgem com uma aparência disciplinar..INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Os efeitos da concessão da reabilitação Os efeitos para o arguido condenado em processo disciplinar da concessão da reabilitação são a cessação das incapacidades resultantes da condenação e dos demais efeitos ainda subsistentes e o registo da reabilitação no processo individual do arguido. nestes casos de convolação.º a 87. Não deixa de ser verdade. pode esta entidade convolar o inquérito na fase instrutória do processo disciplinar. porém.º 2 do art.º do ED.º 85.º 57. permitindo a realização de novas diligências («[. após esta data. tivesse apenas um prazo de 48 horas após a recepção do inquérito que passou a constituir a sua fase instrutória. tendo as averiguações uma tramitação muito rápida e simplificada. poderse-á dizer que esse é também o objecto das averiguações. Relatório final dos processos de inquérito e sindicância.º do ED). como seja o inquérito.º do ED.] e nenhumas diligências tiverem sido ordenadas ou requeridas [. ou seja.. já tem por objecto a averiguação geral do funcionamento de um serviço. para todos os efeitos legais. É que. 66 Porém.º do ED que o processo de inquérito pode constituir.. por não ter sido o inquiridor. a boa conduta dos interessados. Nesta linha. E se for instaurado processo disciplinar.º 4 do art. por qualquer dos meios legais permitidos. nem pode ser de outro modo. Sua convolação na fase de instrução do processo disciplinar. a complexidade da matéria a investigar exige muitas vezes um processo que tenha uma instrução mais adequada. na situação em que pode desconhecer em absoluto a instrução dos processos. com o que não estamos de acordo pelas razões a seguir enunciadas. já se tem afirmado.]»). Tenha-se. Prazos. devendo. Para este efeito. como não vinculado à função pública. é necessário comprovar.º 58. Dito desta forma. por sua vez. Vai apurar se houve ou não infracção disciplinar.º do ED. A sindicância. finda a investigação. qual a sua dimensão e autoria. em atenção que a concessão da reabilitação não atribui ao indivíduo a quem tenha sido aplicada a pena de aposentação compulsiva ou demissão o direito de reocupar um lugar ou cargo na Administração sendo considerado. mediante decisão da entidade competente.º 57.º do ED. que pode o instrutor. Prazo para a acusação Concluídos estes processos. E é por isso que muitos dos inquéritos instaurados têm na base relatórios de prévios processos de averiguações.º 58. o instrutor deduzir a sua peça acusatória no prazo de 48 horas. sendo precisamente esse o objecto do inquérito.º do ED. Requerida pelo interessado a reabilitação.

É que o despacho de conversão do inquérito na instrução do processo disciplinar..] deduzindo o instrutor. na remissão que faz para o n. ou. não pode..º do mesmo Estatuto. que não foi o inquiridor. pois.º 4 do art.º 4 do art. logo no início da sua instrução. e não para a realização de mais investigação no âmbito de uma fase processual já ultrapassada e encerrada por despacho da entidade competente.º do ED não serve para autorizar o instrutor a ordenar novas diligências instrutórias no âmbito destes processos.º 87.º do ED) não é de natureza facultativa.. a acusação [. julgados pelo (novo) instrutor necessários. decidir pela suficiência do auto 67 . em face de um prévio despacho de autorização superior.º 58. pois tal remissão é feita apenas por razões de elaboração (e prazos) da acusação («[. pois.. não há necessidade de nomeação de um novo instrutor.. fica este investido do poder de realizar actos de instrução posteriores à conclusão da instrução (nota de culpa e tramitação até final).º 4 do art. passando o inquiridor a assumir essa competência. como pretendem alguns. de dever-ser. a fase da instrução. e não em matéria de instrução. Tal não significa. podem encontrar fundamento legal. expressão esta idêntica à utilizada no art. É claro que assim deve ser. pois se bem que nomeado instrutor dos processos disciplinares após despacho superior de encerramento (ou dispensa) da fase de instrução. sem despacho superior de autorização. ter sobre esta uma posição acrítica. por remissão do n. Tal significa que a remissão do n. É certo que esta expressão «[. mas sim de causaefeito. Pelo que a efectivação de mais actos instrutórios anteriores à elaboração da nota de culpa. de uma opção do instrutor.. por efeito da convolação.. porém. Mas só ganha sentido ou utilidade quando referida a um processo disciplinar com base em auto de notícia. Quer isto dizer. não deve ocorrer apenas por sua iniciativa e sem qualquer prévia autorização superior que lhe venha reconhecer ou conferir esta competência instrutória inicial. claramente referida.º 58. mesmo nas situações de dispensa de mais instrução. deva ser reconhecida ao instrutor competência para poder. ajuizar sobre a suficiência ou correcção da matéria probatória recolhida no inquérito.º 4 do art. e apenas. e a quem deve competir a elaboração da nota de culpa.º 87.º 87. que se não reconheça pertinência à argumentação de quantos referem que sendo o fim último de qualquer processo disciplinar a descoberta da verdade material. Está o preceito a pressupor que. no disposto no art. Mas caso o instrutor destes processos disciplinares seja pessoa diferente do inquiridor – se bem que não deva ser esta a regra geral – o que é incontornável é que à data da sua nomeação já se encontra encerrada. O mesmo é dizer que inexiste nestes casos uma discricionariedade de acção ou de decisão por parte do instrutor. à peça acusatória. nos termos e dentro do prazo referido na parte final do artigo 58.]»). sem despacho posterior da mesma entidade que o venha alterar.º do ED.. conforme sua epígrafe.º do ED.º 2 do art.º 87. o que se aceita. afinal a base da acusação que este novo instrutor agora deve formular.º do ED. também..º do ED («[.]»).] deduzindo [. pois é a autoridade disciplinar e não o instrutor quem determina o âmbito da competência ou do poder disciplinar que aí se exerce. de carácter vincadamente imperativo. O instrutor pode e deve formular sobre a instrução os juízos que entender necessários para respeito do alegado princípio da verdade material.] e nenhumas diligências tiverem sido ordenadas [. ainda. está o instrutor desobrigado a dar imediata execução ao comando normativo inserto no n.. É que em processos disciplinares instaurados com base em auto de notícia. proferida tal decisão. Aliás. Só. que com o despacho de nomeação do novo instrutor. pois com a conversão do inquérito na instrução de processo disciplinar tudo se passa como se este tivesse sido efectivamente instaurado à data do inquérito.º. que a conexão estabelecida entre a hipótese e a estatuição desta norma (n. e não de mera autorização.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 ciplinar até final.]» está contida no art.. um juízo prévio sobre a suficiência e correcção da instrução realizada no inquérito para efeitos disciplinares. podendo daqui resultar a necessidade de realização de mais instrução prévia à acusação. não dependente.º 58. mesmo numa fase posterior à conclusão da instrução. é a única decisão juridicamente relevante sobre aquilo que constitui o objecto destes processos disciplinares..º do ED. o novo instrutor. compete ao instrutor. Mas o que não pode esquecer-se é que o instrutor foi nomeado para instruir um processo disciplinar no âmbito do qual já foi formulado pela entidade com competência disciplinar. ainda. Nem estas novas diligências.º 57. que ele aí quer exercido.

julgada suficiente. directores-gerais ou equiparados e chegando até ao Governo. O processo de averiguações.º 85. com dispensa de mais instrução. Prazo para elaboração do relatório final O processo de averiguações está previsto no art. quando tal não for exequível. pela entidade competente. como no processo disciplinar). Início e termo da instrução. podendo ordenar novas diligências prévias à elaboração da nota de culpa.º do ED são todas elas competentes para mandar instaurar processo de averiguações: desde funcionários investidos em funções de chefia ou direcção. c) instauração imediata de processo disciplinar. 91. É um processo de investigação sumário. que terá por base a certidão do despacho condenatório. pagamento voluntário e execução fiscal) As disposições finais que mais nos interessam são os art. Qualquer alteração a este juízo disciplinar da entidade competente. passando pelos órgãos executivos. e deve concluir-se no prazo improrrogável de 10 dias a contar da data em que se tiver iniciado. b) instauração de processo de inquérito (se constatar a existência de infracção mas não estiver determinado o seu autor).º 5 do ED). De referir. 68 .º (execução). através do seu pagamento coercivo que segue os termos da execução fiscal.º do ED): a) arquivamento do processo (se considerar que não há lugar a procedimento disciplinar).os 89. findo o qual serão essas importâncias descontadas nos vencimentos. finda e resultou da conversão do inquérito na fase de instrução dos processos.º (destino das multas). No caso da convolação do inquérito é tudo diferente.º 51. tendo sido.º 88.º 85.º 88.º do ED. onde o instrutor pode propor (art. Disposições finais (multas. As averiguações iniciam-se no prazo de 24 horas a contar da notificação ao instrutor (o qual é nomeado nos termos do art. A instrução está completa. em prestações mensais não superiores à sua quinta parte.º (não pagamento voluntário) e 92.º 5 do art. só ganha relevância instrutória disciplinar desde que submetida previamente à sua apreciação e decisão ou ratificada a final. Trata-se de um processo mais expedito e menos solene para situações ainda não definidas nem suficientemente demarcadas. englobando as diligências efectuadas após a convolação pelo instrutor. desenrola-se e conclui-se em prazos muito curtos. ou. todos do ED. Pretendese recolher dados para uma qualificação de eventuais faltas ou irregularidades verificadas no funcionamento dos serviços (art. isto é. As entidades previstas no n. O relatório final deve ser elaborado no prazo de três dias a contar do termo daquele prazo. pois.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO como base instrutória do processo.º. que estas receitas do Estado – condenação em multa ou em qualquer outra importância que importe repor nos cofres do Estado – devem ser pagas voluntariamente pelos obrigados no prazo de 30 dias.º n. inicia-se.

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assim como todos os documentos entregues ao instrutor na data da sua nomeação) documentos que constituem fls. dos autos. levantei este auto nos termos do artigo 47. que vai ser assinado por mim e pelo (nome das testemunhas e do funcionário visado se este quiser assinar). tomei conhecimento de que e (nome e categoria do funcionário visado). (identificar o nome da escola). presidente do conselho executivo. instaurado um processo disciplinar ao funcionário (nome e categoria).º do Estatuto Disciplinar aprovado pelo decreto-lei n. Escola: Concelho: Distrito: O Instrutor Instrutor: Auto de notícia Aos sete. autuei (identificar o despacho que ordenou a instauração do processo disciplinar. de 16/1. a participação ou a queixa sobre o qual foi proferido aquele despacho.º 24/84. (nome da entidade que levanta ou manda levantar o auto de notícia). no exer-cício das funções do meu cargo. o despacho de nomeação do instrutor. O Presidente do Conselho Executivo 71 . na do ano de dois mil e (nome da escola). (nome e cargo). na (nome da escola) é por mim. O Presidente do Conselho Executivo A Testemunha A Testemunha O Funcionário visado Aos dias do mês de de dois mil e sete. o auto. Despacho de instauração dias do mês de Porque a conduta descrita constitui infracção disciplinar. a fls. no exercício das suas funções ( d e sc r e v e r os factos imputados).GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Identificação do processo Autuação PROCESSO DISCIPLINAR Aos na Arguido(a): dias do mês de de dois mil e sete.

instaurei um processo disciplinar ao funcionário (nome e categoria). nesta data. . presidente do conselho executivo da escola/director regional de educação . Comunicação ao arguido. comunico a V. datado de .º do Estatuto da Carreira Docente.º 5 do art. Despacho de nomeação do instrutor * Nesta comunicação pode ser solicitado o apoio técnicojurídico considerado necessário à IGE.º Senhor Delegado Regional d da Inspecção-Geral da Educação Exemplo 2 (pessoal não docente)* Exm. O Presidente do Conselho Executivo O Presidente do Conselho Executivo * Nesta comunicação pode ser solicitado o apoio técnicojurídico considerado necessário à IGE.º 45. (nome e categoria do instrutor). O Presidente do Conselho Executivo 72 Assunto: Início de processo disciplinar Nos termos do n.ª que. de 29-07. do participante ou da entidade que nomeou o instrutor) Aos dias do mês de de dois mil e sete na (nome da escola).º Senhor (nome do arguido. (nome e cargo).º 3 do art.º 4 do art. Ex. Nos termos do n.º do Decreto-Lei n. comunico a V. comunico a V.º 184/2004. nesta data. dei início ao processo disciplinar que lhe foi instaurado (ou que foi instaurado ao arguido F) por despacho do Sr. nesta data. O Instrutor * A comunicação ao arguido deverá ser feita em correio registado com aviso de recepção.º 115.º do Estatuto Disciplinar. nomeia instrutor do processo disciplinar instaurado ao funcionário (nome e categoria). ao participante e à entidade que nomeou o instrutor do início da instrução* Exm.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Ofício(s) de comunicação à IGE Exemplo 1 (pessoal docente)* Exm. Ex.ª Ex.º Senhor Delegado Regional d da Inspecção-Geral da Educação Assunto: Instauração de processo disciplinar (pessoal docente) Assunto: Instauração de processo disciplinar (pessoal não docente) Nos termos do n.ª que. instaurei um processo disciplinar ao funcionário (nome e categoria).ª que.º 37.

designadamente guardar absoluto sigilo sobre tudo o que me for dado ver e ouvir no decurso das diligências deste processo disciplinar. nomeado secretário neste processo.D.º 48.º de ED. de harmonia com o despacho retro. O Instrutor (ou Secretário) Data ___ / ___ / _______ O Instrutor O Secretário * Na capa do processo de inquérito (ou de averiguações) deve anotar-se «Apenso ao Processo disciplinar n.º . solicite-se a (indicar a entidade) o “certificado do registo biográfico e disciplinar”. do E. apenso a estes autos o processo de inquérito (ou averiguações) n.º 1 do art. perante ele prestei o competente compromisso de honra de bem e fielmente desempenhar as funções do meu cargo.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Termo de compromisso de honra Termo de apensação* Aos dias do mês de de dois mil e sete. encontrando-se presente o instrutor (nome). F (categoria). Aos do mês de . Nos termos n.º . de 2007.º. Se a apensação for feita nos termos da art. então a mesma deve ser feita nessa base. Despachos – Exemplo 1 Despachos – Exemplo 2 Escolho secretário do presente processo disciplinar.. O Instrutor O Instrutor 73 . E por ser verdade e para constar lavrei este termo que vai ser assinado. do arguido F . constituído por volumes e folhas. comigo (nome).º 55.

disse: . que aos costumes disse (por exemplo: nada ou que é amigo/inimigo mas isso não o impede de dizer a verdade). se for caso disso. compareceu (nome. O Instrutor como . Notificação de testemunha para depor Exm. comigo (nome). Para depor indica as seguintes testemunhas: (nomes. compareceu o arguido (o qual. as falsas declarações do arguido (a respeito dos factos que lhe são imputados). estando presente o instrutor (nome). profissões e moradas). Perguntado à matéria da participação de fls. na escola a fim de depor testemunha no processo disciplinar instaurado a (nome do arguido). E mais não disse.º 635. Auto de declarações do arguido* Aos dias do mês de de dois mil e sete. comigo . secretário deste processo. Tem direito ao silêncio o qual não pode ser valorado como indício ou presunção de culpa.º do Código do Processo Civil. vai este auto ser assinado. foi assistido pelo seu advogado). não são sancionáveis mesmo no foro disciplinar. na escola (nome). secretário neste processo. Perguntado à matéria dos autos (ou sobre os factos que lhe são imputados) respondeu: E mais não disse pelo que lido e achado com-forme vai o presente auto ser assinado. profissão e morada).º Senhor Assunto: Notificação de testemunha Solicito a sua comparência no dia pelas horas. Assim. O Instrutor Auto de inquirição do participante* Aos dias do mês de de dois mil e sete. na escola estando presente o instrutor . pelo que lido e achado conforme. 74 O Arguido O Instrutor O Secretário O Advogado (se for o caso) * O arguido goza do direito de não responder às perguntas feitas sobre os factos que lhe forem imputados e acerca do conteúdo de declarações que acerca deles prestar. O Participante O Instrutor O Secretário * A propósito dos costumes consultar o art. prestadas em sua defesa.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Despachos – Exemplo 3 Encerre-se o presente volume e abra-se um novo que se (aos processos disciplinares ou a dar continuidade ao inquérito).

etc. da forma seguinte: 1.ª TESTEMUNHA (nome. compareceram as testemunhas a seguir indicadas que vão depor neste processo. (nome) secretário.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Auto de não comparência Auto de inquirição de testemunhas* Aos escola Aos sala dias do mês de (escola. lavrei este auto para consignar que . numa . estando presente o instrutor (nome). de 2007. na . Perguntado à matéria dos autos disse: O Instrutor O Secretário Auto de inquirição de testemunhas* 2. Deste facto são testemunhas: O(s) Funcionário(s) que testemunhou: dias do mês de de dois mil e sete. Foram ouvidas. A testemunha E não havendo mais testemunhas a ouvir no dia de hoje. E mais não disse. não compareceu para depor neste processo como testemunha.º . Lido o seu depoimento em voz alta. eu. comigo.º do Código do Processo Penal. secretário. devidamente notificado pelo ofício n. ambos mantiveram as suas anteriores declarações. etc. deve ficar consignado no auto essa ocorrência e os motivos da mesma. . separadamente. que aos costumes disse (por exemplo: nada ou que é amigo/inimigo mas isso não o impede de dizer a verdade). a fim de serem acareados visto serem contraditórios os seus depoimentos Procedendo-se à acareação entre o primeiro e o segundo. já identificados nos autos. secretário deste processo disciplinar. A testemunha Auto de acareação Aos do mês de de 2007. No caso de algum dos intervenientes não poder ou se recusar a assinar. numa sala da (escola. pelo instrutor e por mim. instrutor deste processo. Para constar se lavrou este auto. ratifica e vai assinar. encontrando-se presente o Instrutor. depois de lido e achado conforme. vai ser devidamente assinado. profissão e morada). Qualquer pessoa que se não encontrar interdita por anomalia psíquica tem capacidade para ser testemunha e só pode recusar-se nos casos previstos na lei.) encontrando-se presente . comigo. compareceram e . secretário O Instrutor A Testemunha O Secretário A Testemunha/arguido O Instrutor * A capacidade para depor como testemunha encontra-se estabelecida no art. que depois de lido e achado conforme vai ser assinado pelos acareados. etc. na data. rectificaram-nas.ª TESTEMUNHA (nome. ratifica e vai assinar. O Secretário 75 . encerra-se este auto que.). As folhas que não contiverem assinaturas devem ser rubricadas pelos que tiverem assinado. que aos costumes disse nada/ou .º 131. (por exemplo). profissão e morada). hora e local que lhe foram comunicados . Perguntada à matéria dos autos disse: E mais não disse. Lido o seu depoimento em voz alta. Do auto de inquirição deve constar a identificação e assinatura das pessoas que intervêm no acto.

Auto de diligências Auto de exame Foi declarado pelos peritos não poderem desde logo pronunciar-se. Os Peritos irão ainda proceder à análise de cadernos diários de alunos de cada uma das turmas observadas. os Peritos assistiram à comunicação ao Arguido pelo Instrutor do programa traçado. tem o prazo de 48 horas (ou) – Não querer produzir defesa escrita – Nem fazer quaisquer alegações sobre o (s) facto(s) imputado(s) .º 24/84. numa sala da (Escola. encontrando-se presente . com o com o Bilhete de Identidade n. teste esse que será aplicado nas turmas e do ano. compareceu a pessoa para este acto devidamente notificada e adiante identificada. Para constar se lavrou este auto que. passado pelo Arquivo de . declarou: – Querer produzir a sua defesa escrita e estar ciente de que.º. nas turmas e do ano . em . passado pelo Arquivo de .). de 16 de Janeiro.º do Estatuto Disciplinar aprovado pelo Decreto-Lei n. . com vista a eventual aplicação da pena de repreensão escrita. o qual foi aceite pelo mesmo. estado civil). etc. Apresentar no dia de . Declarou chamar-se . Os Peritos O Arguido O Instrutor 76 do Aos dias do mês de de 2007. Depois de prestarem o compromisso de honra de bem desempenharem as funções para que foram indicados por .º do Estatuto Disciplinar.º 55. . etc. que prestou declarações pela forma seguinte: . de os planos das aulas a assistir.º 6 do art. com o Bilhete de Identidade n.º . (escola. (categoria. Foi traçado o seguinte programa a executar pelo arguido. entre e mês de de . para na qualidade de Peritos traçarem o programa e procederem ao exame nos termos do n. Professor do Grupo do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola . residente e ter tomado conhecimento da decisão de audição ao abrigo do artigo 38. tendo por base a (s) seguinte (s) falta (s) que lhe é (são) imputada (s): “ ” O Secretário Lidos os direitos de defesa que lhe são conferidos pelo referido artigo 38. pelas horas. a exercer funções na Escola . rubricados e assinados. em . sobre as provas prestadas e a competência do Arguido.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Auto de exame Auto de exame (Seguem-se exemplos de programas a executar) Aos na dias do mês de de . para apresentarem os seus relatórios escritos. compareceram . Instrutor deste processo. em . comigo. comigo. para o efeito. de de . secretário. depois de lido vai ser assinado. em . Proceder à elaboração de um teste sumativo e respectiva matriz na presença dos Peritos e do Instrutor do processo no dia de de . no dia de de .e .º . Secretário. Professor . Instrutor deste processo. do Grupo. pelo que lhes foi marcado o dia .) onde se encontrava . Professor do Grupo do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola.

os 10.º.º-A. na redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n. datado de . do ED.º.o(s) .º-B e 10. 10. querendo. integram a previsão do art.º do Estatuto Disciplinar. onde pode ser consultado em qualquer dia útil e dentro das horas normais de expediente. de 16 de Janeiro. n. alínea(s) * específico(s) (ou especiais) estabelecido(s) no(s) art. alínea do ED.º. na qualidade de instrutor do processo disciplinar mandado instaurar por despacho do senhor e para o qual fui nomeado por despacho do senhor . alínea(s) do Estatuto da Carreira Docente (ECD). com o que praticou a infracção prevista no art. a confissão espontânea) prevista na alínea do art. oferecendo a prova testemunhal e documental que julgar necessária.º e 63. Data ____ / ____ / ________ O Instrutor 77 . de 19 de Janeiro. A favor do arguido milita a circunstância atenuante especial (por exemplo. do disposto no art.º 24/84. n. e ainda o(s) dever(es) específico(s) estabelecido(s) no(s) art.º do ED.º (art. por si ou por advogado constituído. depois de lido e achado conforme. Contra o arguido militam ainda as circunstâncias agravantes da reincidência e de acumulação de infracções (se for caso disso).º “ ” Os factos descritos.º .º. 62. contra a seguinte acusação: Artigo 1.º 29. como é o caso. 10. A competência para aplicação da pena é do Senhor nos termos do art.os 57. alínea(s) do Estatuto da Carreira Docente (ECD).º do ED.º 22.º.o(s) 10. deduzo.º 3. 10.º O Declarante “ ” Com este procedimento o arguido violou o(s) dever(es) geral(ais) de estabelecido (s) no art. Fixo ao arguido o prazo de dias úteis a contar do dia útil seguinte àquele em que receber cópia desta acusação para.º 30/2002. na redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n.os. prevista na alínea do art. vai ser assinado.os 22.º/2 e 59. e ainda o(s) dever(es) n.º 31.º a 26.º da Lei n.º do ED) e punida nos termos do mesmo artigo com a pena de .º 47/2006. O processo encontra-se à guarda de . estabelecido(s) no art. 10. de 20-12. de 28-08 ou na Lei n.º-C.º 116.º do Estatuto Disciplinar (ED). por violação dos dever(es) geral(ais) de . alínea(s) do ED.º 3. por exemplo.º .º 15/2007.º 15/2007. tudo nos termos dos art.º-A.o(s) . consultar o processo e deduzir a defesa que entender. dá-se como encerrado o presente Auto que. O Instrutor O Secretário Contra o arguido milita a circunstância agravante (premeditação.º do Estatuto da Carreira Docente.º-B e 10. * Outros deveres especiais dos docentes podem ser encon-trados em instrumentos legais avulsos.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Nota de culpa (pessoal docente) Auto de diligências – Mas sobre o(s) facto(s) imputado(s) alega (ou esclarece) o seguinte: “ ” E nada mais havendo a tratar. a que corresponde a pena de . de 19 de Janeiro. 61. nos termos e ao abrigo dos art. por exemplo).º-C. Nota de culpa (pessoal docente) Nota de culpa (pessoal docente) Artigo 2. aprovado pelo Decreto-Lei n.

F . prevista na alínea do art. de 29 de Julho. A favor do arguido milita a circunstância atenuante especial (por exemplo.º/2 e 59.º e 63. 61. Fixo ao arguido o prazo de dias úteis a contar do dia útil seguinte àquele em que receber cópia desta acusação para. A competência para aplicação da pena é do Senhor nos termos do art.º . nos termos e ao abrigo dos art. alínea(s) do ED. a minuta acima referida deverá ser adaptada nesse sentido e ser assinada por duas testemunhas que atestam a recusa por parte do arguido. . tudo nos termos dos art.º (art.º 24/84.º.º 3. alínea do ED.º do ED) e punida nos termos do mesmo artigo com a pena de Contra o arguido milita a circunstância agravante (o conluio. Data ____ / ____ / ______ Aos dias do mês de de nesta (local de entrega) fiz entrega ao arguido. (ais) de .º do Estatuto do Pessoal Não Docente. a provocação) prevista na alínea do art.º do ED.º. Nota de culpa (pessoal não docente) Artigo 2.º do ED. querendo.os 57. de 16 de Janeiro. onde pode ser consultado em qualquer dia útil e dentro das horas normais de expediente.º 3. datado de . O Instrutor O Arguido O Instrutor (ou Secretário) 78 * Na eventualidade de o arguido se recusar a ser notificado da cópia da acusação. 62. pelo que vai assinar comigo.º 31.º 184/2004.º.o(s) alínea(s) do ED e ainda o(s) dever(es) específico (s) estabelecido(s) no art. contra a seguinte acusação: Artigo 1. alínea(s) do Estatuto do Pessoal Não Docente.os.º. por violação do(s) dever(es) geral .º 4. Contra o arguido militam ainda as circunstâncias agravantes da reincidência e de acumulação de infracções (se for caso disso). a que corresponde a pena de . com o que praticou a infracção prevista no art. aprovado pelo Decreto-Lei n. por exemplo). Notificação pessoal da acusação* O processo encontra-se à guarda de . consultar o processo e deduzir a defesa que entender.º “ ” Os factos descritos. por si ou por advogado constituído.os 22. n.º 40. aprovado pelo Decreto-Lei n. estabelecido(s) no art. e ainda o(s) dever(es) específico(s) (ou especiais) estabelecido(s) no art.º a 26.º .º. o(s) .º 29.º/Escola/Ano.º do ED. integram a previsão do art. n. oferecendo a prova testemunhal e documental que julgar necessária. “ ” Com este procedimento o arguido violou o(s) dever(es) geral(ais) de estabelecido(s) no art.º do Estatuto Disciplinar (ED). da cópia dos artigos de acusação contra ele deduzidos no processo disciplinar n. deduzo.º. alínea(s) do Estatuto do Pessoal Não Docente. n.º 4.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Nota de culpa (pessoal não docente) Nota de culpa (pessoal não docente) na qualidade de instrutor do processo disciplinar mandado instaurar por despacho do senhor e para o qual fui nomeado por despacho do senhor .

º constituído por volumes. para todos os efeitos legais. seu representante. Assunto: Processo Acusação Disciplinar Carta registada com aviso de recepção / Notificação de Junto envio a V.ª o duplicado da acusação extraída do processo disciplinar em que é arguido.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Carta registada com aviso de recepção A resposta pode ser assinada pelo próprio ou por qualquer dos representantes acima referidos e deverá ser apresentada a . datado de .º 2 do art. As testemunhas residentes no local onde corre o processo serão notificadas directamente pelo instrutor do processo. nesse mesmo prazo. ausente em parte incerta. A falta de apresentação da resposta dentro do prazo marcada equivale. fica o arguido citado para no prazo de (30 a 60) dias apresentar resposta escrita à nota de culpa que se encontra à sua disposição nesta Escola.º Sr. . Durante o prazo para apresentar a sua defesa pode o arguido. examinar o processo que se encontra na Escola à guarda de .) . Não podem ser ouvidas mais de três testemunhas por cada facto. Com a resposta pode o arguido apresentar o rol de testemunhas com indicação dos artigos ou factos da defesa a que deve responder cada uma.º 59.). devidamente numeradas e rubricadas. Caso o secretário não preste funções no local onde se encontra o processo. a efectiva audiência disciplinar..º do Código do Processo Civil. Aviso para citação em Diário da República Pela Escola corre termos um processo disciplinar mandado instaurar por em que é arguido (nome. entreguei a para consulta nesta (escola. consultar o processo durante as horas normais de expediente. nos termos e sob cominação do disposto nos artigos 169. categoria. Se o arguido não se comprometer a apresentar as testemunhas residentes fora do local onde corre o processo. Exm. Com os melhores cumprimentos O processo poderá ser confiado ao advogado do arguido. mandado instaurar por despacho do Sr. poderá o instrutor ouvi-las por solicitação a entidade competente. O Instrutor Termo de consulta* Aos dias do mês de 2007 pelas horas. deverá ser nomeado para esta diligência um secretário ad hoc 79 . expondo os factos e as razões da sua defesa. de 16 de Janeiro. num total de folhas. etc. para apresentar defesa escrita no prazo de dias úteis a contar da sua recepção. notificando o arguido das diligências que realizar.º a 171. Nos termos do n.ª Ex. curador ou advogado legalmente constituído. etc.º do Estatuto Disciplinar.º 24/84. O Arguido O Secretário O Instrutor O I n * Pelo arguido ou advogado com procuração nos autos. aprovado pelo Decreto-Lei n. podendo. devendo ter em consideração a informação seguinte: A resposta deve ser clara e precisa. o processo disciplinar n.

º 40. todos do ED. lhe fora aplicada. e suspensa por um período de anos. da competência do membro do Governo competente.º 15/2007. graduada em . Regional e Local. face às circunstâncias atenuantes referidas e ao grau de culpa do arguido.º 11. na redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n. por despacho de do Exm.º do ED.º 15/2007. por despacho de do Exm.º do Estatuto da Carreira Docente.º 11. prevista na alínea __ do art. cabe logo impugnação contenciosa (três meses). Informa-se ainda V. nos termos dos artigos n.º e art.º 33. . de 16 de Janeiro. 80 Aos dias do mês de . uma vez que destas.º 11. (identificação do notificante) no (local) F (identificação do notificado). Proposta Exemplo: Em face das conclusões e do enquadramento das infracções proponho que ao arguido seja aplicada a pena de __. graduada .ª Ex. lhe aplicou a pena de prevista na alínea do n. Regional e Local. nos termos do art. de 16 de Janeiro. lhe fora aplicada. da competência do membro do Governo competente.º do Estatuto Disciplinar. ** Só para penas não expulsivas. a sua qualificação e enquadramento jurídico-disciplinar. Data:____ / ____ / ______ Certidão de notificação pessoal de Decisão (pessoal docente) Aos dias do mês de compareceu perante mim. . (identificação do notificante) no de . aprovado pelo Decreto-Lei n. a pena de .º).º do art. prevista na alínea do n. tendo sido notificado de que. nos termos dos artigos n. compareceu perante mim. nos termos dos artigos do mesmo Estatuto.º do Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central. fazendo-lhe entrega de cópia integral da decisão e seus fundamentos. e suspensa por um período de anos. Acusação – reprodução da acusação efectuada no Processo. Com os melhores cumprimentos O Arguido O Notificante O Notificante * Só para penas não expulsivas. a sua gravidade (face às circunstâncias previstas no art. .ª de que da decisão cabe recurso hierárquico** a interpor no prazo de 10 dias úteis.os do mesmo Estatuto. de 19 de Janeiro. ao grau de culpa e à existência ou não de atenuantes e/ou agravantes).º do mesmo Estatuto. com a redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n. prevista na alínea do n. graduada em .º do Estatuto da Carreira Docente.º 184/2004.º 11. O Arguido O Notificante O Instrutor * Só para penas não expulsivas. Foi ainda o arguido informado de que da decisão cabia recurso hierárquico* a interpor nos termos do art. da competência do membro do Governo competente. Certidão de notificação pessoal de Decisão (pessoal não docente) Carta registada com aviso de recepção (pessoal docente)* Exm. constituída pelas conclusões do relatório final.º 1 do art. (local) F (i de ntifi cação do notificado). aprovado pelo Decreto-Lei n. de 16 de Janeiro. em sede do processo disciplinar em que era arguido.º ___ (22. tendo sido notificado de que. Conclusões – Infracções consideradas provadas. Diligências Efectuadas e Factos Apurados.º do art.ª Ex. fazendo-lhe entrega de cópia integral da decisão e seus fundamentos. o Exm.º 116.º 24/84.º 24/84. cabe logo impugnação contenciosa (três meses).º 24/84.º do Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central. Análise da Defesa – Analisar os argumentos da Defesa. aprovado pelo Decreto-Lei n. regra geral.º 116. mas a que pode acrescer parecer jurídico emitido sobre a regularidade do processo. por despacho exarado em .º do Estatuto Disciplinar.º do Estatuto do Pessoal Não Docente.º 28.º Sr. Foi ainda o arguido informado de que da decisão cabia recurso hierárquico* a interpor nos termos do art. cabe logo impugnação contenciosa (três meses). de 19 de Janeiro. Defesa – Indicação dos argumentos apresentados pela defesa. aprovado pelo Decreto-Lei n. suspensa de execução pelo período de ___ anos.ª de que em sede do processo disciplinar em que é arguido. Assunto: Notificação de decisão disciplinar através de carta registada Informo V. a pena de . . uma vez que destas.º do art. * Segue em anexo cópia integral da decisão e dos seus fundamentos.º 1 do art.º do Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central Regional e Local. uma vez que destas. no uso da competência que lhe é conferida pelo n.º 1 do art. de 29 de Julho. no uso da competência que lhe é conferida pelo n. no uso da competência que lhe é conferida pelo n. contado a partir da data da recepção desta notificação.º Sr.º a 26. os do mesmo Estatuto.INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO Modelo de relatório final Introdução – Relatar de forma sumária a origem e sequência do processo. de . e suspensa por um período de anos.º Sr.º Sr. em sede do processo disciplinar em que era arguido.

no uso da competência que lhe é conferida pelo n.GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR 2007 Carta registada com aviso de recepção (pessoal não docente)* Termo de conclusão e remessa Exm. Assunto – Notificação de decisão disciplinar através de carta registada Informo V. o Exm.º Sr. mas a que pode acrescer parecer jurídico emitido sobre a regularidade do processo.º 11. graduada em . a (entidade que instaurou o processo). lhe aplicou a pena de prevista na alínea do n.º Sr. constituído por folhas devidamente ordenadas. nesta data. 81 . Aos do mês de .º 184/2004. numeradas e rubricadas.º do Estatuto do Pessoal Não Docente. por despacho exarado em . nos termos dos artigos do mesmo Estatuto. e suspensa por um período de anos.ª Ex. de dei por concluso o processo disciplinar.º do Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central Regional e Local.ª de que da decisão cabe recurso hierárquico** a interpor no prazo de 10 dias úteis.ª Ex.º 40. O Instrutor Informa-se ainda V. aprovado pelo Decreto-Lei n. de 16 de Janeiro. uma vez que destas. ** Só para penas não expulsivas. aprovado pelo Decreto-Lei n. de 29 de Julho. contado a partir da data da recepção desta notificação. da competência do membro do Governo competente. constituída pelas conclusões do relatório final. cabe logo impugnação contenciosa (três meses).º 1 do art.ª de que em sede do processo disciplinar em que é arguido. regra geral.º 24/84. que remeto. Com os melhores cumprimentos O Notificante * Segue em anexo cópia integral da decisão e dos seus fundamentos. .º do art.

GUIA DE APOIO ÀS ESCOLAS EM MATÉRIA DISCIPLINAR
2007

Ac. – Acórdão
CC – Código Civil
CP – Código Penal Português
CPA – Código do Procedimento Administrativo
CPC – Código do Processo Civil
CPP – Código do Processo Penal
CRP – Constituição da República Portuguesa
ECD – Estatuto da Carreira Docente
ED – Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central, Regional e
Local
EPND – Estatuto do Pessoal Não Docente
EA – Estatuto do Aluno do Ensino Não Superior
OS – Ordem de Serviço
Proc.º – Processo
STA – Supremo Tribunal Administrativo

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de 19 de Janeiro.A entrada em vigor do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD). Papel reciclado . complementarmente à disponibilização online na página da IGE. pois. Julga-se útil. onde se incluem minutas dos documentos necessários nas diversas fases do processo disciplinar. tarefa que antes cabia à IGE.º 184/2004. de 29 de Julho). tal como já acontecia com o pessoal não docente (Decreto-Lei n. atribuiu às escolas a responsabilidade da instrução dos processos disciplinares ao pessoal docente.º 15/2007. aprovado pelo Decreto-Lei n. editar este Guia de Apoio às Escolas em Matéria Disciplinar.