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Acórdãos TRG

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Acórdão do Tribunal da Relação de Guimarães
132/10.7TBFLG-C.G1
HEITOR GONÇALVES
APOIO JUDICIÁRIO
CERTIDÃO
ISENÇÃO
RG
17-12-2013
UNANIMIDADE
S
1
APELAÇÃO
PROCEDENTE
1ª SECÇÃO CÍVEL

I - Tendo sido atribuído à requerente a dispensa de
pagamento de taxa de justiça e encargos nos termos do
artigo 16º, nº 1, al. a), da Lei 34/2004, de 29.07, onde se
devem incluir todas as despesas e custos com o processo,
designadamente as que são previstas para a prática de
actos necessários à prossecução da demanda judicial, não
é exigível aquela o adiantamento do pagamento dos custos
da certidão que solicitou para instruir os autos de incidente
de habilitação de herdeiros.
II - Um entendimento contrário, além de não encontrar apoio
literal na lei, esvazia o conteúdo do benefício de apoio
judiciário concedido e comprime de forma flagrante os
normativos constitucionais de acesso ao direito e à tutela
jurisdicional efectiva (artigo 20º da CRP).
ACORDAM NO TRIBUNAL DA RELAÇÃO:
I. M…, nestes autos/incidente de habilitação de herdeiros
deduzidos por apenso à acção sumária 132/10.7tb,
requereu que lhe fosse certificado que “para a acção
principal foi concedido apoio judiciário á requerente e com
base nessa mesma concessão e no âmbito destes autos de
habilitação de herdeiros, onde foi ordenada aquela junção
de certificação de nascimento de C…, a requerente continua
a beneficiar de apoio judiciário na modalidade de dispensa
de taxa de justiça e demais encargos com o processo”, com
vista a poder obter junto da Conservatória de Registo Civil
certidão do assento de nascimento do habilitando J…,
conforme notificação recebida do tribunal.
II. Relativamente a esse requerimento, a Sr.ª Juíza do
processo proferiu o seguinte despacho: “Informe a
requerente que lhe será passada a certidão que pretende
para apresentação na Conservatória do Registo Civil,
todavia, terá de pagar a certidão nos termos do artigo 9º do
Regulamento das Custas Judiciais”.

07 –“Estão isentos de impostos. e a interpretação que faz ao aplicar neste caso artigo 9º do Regulamento das Custas Processuais. O mesmo Despacho viola o supra invocado artigo 9 º da Lei n º 34/2004. O preceito inserese unicamente no segmento da regulação da instrução do . O tribunal recorrido entendeu que não. que na anotação ao artigo 9º do Regulamento das Custas Judiciais. a mesma certidão é destinada à obtenção da certidão do assento de nascimento da ré/habilitanda. da Lei 34/2004. 2.2012 exarado a propósito do cumprimento do disposto no artigo 691º-B.10. 200/203). de 29 de Julho.sendo que assim o destino da acção principal será naturalmente a extinção. colide com o nº1 do artigo 20 º da Constituição da República Portuguesa. por beneficiar de apoio judiciário na modalidade de dispensa de taxa de justiça e demais encargos com o processo (cfr. nos termos do citado do artigo 9º da Lei 34/2004. e como se pode depreender do despacho de 17. 4. cuja junção está por despacho ordenada nestes autos e sem a qual os autos não podem prosseguir . Pág. Importa desde logo deixar a nossa discordância sobre a interpretação a contrário do artigo 9º. além da passagem transcrita no despacho. porque para fim de protecção jurídica a Conservatória do Registo Civil exige a apresentação da requerida certidão. A questão a decidir passa por saber se a recorrente. segue a posição de Salvador da Costa . 3.Regulamento das Custas Judiciais. 2ª ed. do CPC. concluindo: 1. para a emissão daquela outra certidão de nascimento. emolumentos e taxas os requerimentos. III. certidões e quaisquer outros documentos pedidos para fins de protecção jurídica”. 224-. está isenta do pagamento de custas da requerida certidão. A recorrente não tem meios económicos. C…. de 29 de Julho. ainda. goza de protecção jurídica nos autos e o despacho recorrido vedalhe a continuação do acesso ao Direito.A requerente interpôs recurso desse despacho. está isenta do pagamento do custo da aludida certidão solicitada ao tribunal. refere a título de argumento complementar que “ademais. só as certidões para fins de protecção jurídica são isentas de pagamento do respectivo emolumento”. de 29. documento junto a fls. Por outro lado. que se destina a protecção jurídica. Beneficiando a requerente de protecção jurídica ou apoio judiciário na modalidade de dispensa de taxa de justiça e demais encargos com o processo.

2013 Heitor Gonçalves . a). 17. Um entendimento contrário. de sentido contrário para todos os casos restantes”.02. consequentemente. que se deve aferir se há ou não isenção do pagamento do custo da certidão. de 29.Pires de Lima e A. acordam os Juízes desta Relação em julgar procedente o recurso e. Ora.12. da Lei 34/2004. acto avulso previsto no artigo 9º do Regulamento das Custas Judiciais aprovado pelo DL 34/2008. e não nos termos dos preceitos que orientam a fase prévia de instrução do pedido. esvazia o conteúdo do benefício de apoio judiciário concedido e comprime de forma flagrante os normativos constitucionais de acesso ao direito e à tutela jurisdicional efectiva (artigo 20º da CRP). Será mediante a extensão do benefício de apoio judiciário concedido à requerente. pág.pedido de apoio judiciário. tendo sido atribuído à requerente a dispensa de pagamento de taxa de justiça e encargos nos termos do artigo 16º. nº1. de 26. e a situação em apreço respeita a uma questão suscitada no processo onde esse benefício já se encontra concedido. além de não encontrar sequer apoio literal na lei. Varela. revogam a decisão recorrida que deve ser substituída por outra que ordene a passagem da certidão solicitada pela recorrente.07. Sem custas.S. parece-nos inequívoco que não lhe é exigível o adiantamento do pagamento dos custos da certidão solicitada.) não faria qualquer sentido que “o legislador se preocupasse em estabelecer a isenção quando estão em causa certidões para instruir o pedido de apoio e retirasse essa isenção quando estão em causa certidões indispensáveis à instrução das acções propostas com apoio judiciário”.G. designadamente as que são previstas para a prática de actos necessários à prossecução da demanda judicial. 175). Como se aduz no acórdão do TRL. TRG.I. de 1 de Fevereiro de 2010 (de fácil consulta em D. com isenção de pagamento de taxa. IV. Noções Fundamentais de Direito Civil. Pelos fundamentos expostos. onde se devem incluir todas as despesas e custos com o processo. pelo que não há que recorrer à interpretação enunciativa a contrario senso daquela norma (princípio segundo o qual “a lei que estabelece uma disciplina para certo caso excepcional afirma implicitamente um princípio-regra.

Amílcar Andrade José Rainho .