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ESTUDO DE CASO O estudo de caso tem por objetivo analisar uma situação-problema e resolvê-la, ou

ESTUDO DE CASO

O estudo de caso tem por objetivo analisar uma situação-problema e resolvê-la, ou seja, quando escrevemos um estudo de caso, demonstramos que sabemos não só entender situações de nosso dia-a-dia de trabalho, como demonstramos saber analisar e resolver dificuldades do dia-a-dia. Devido à importância desse tipo de estudo para a execução de um trabalho, muitas empresas e muitos concursos públicos têm exigido o estudo de caso durante o processo de seleção.

O estudo de caso é um gênero que pertence à tipologia textual dissertativa- objetiva, também chamada de dissertativa-expositiva. Por isso, é importante analisarmos as técnicas básicas da dissertação e da exposição, para, posteriormente, conseguirmos entender, detalhadamente, o estudo de caso. Assim, na presente apostila, vamos trabalhar alguns resumos dos tipos dissertativos e expositivos para, posteriormente, vocês conhecerem detalhadamente o gênero estudo de caso.

Tipologia textual - Dissertação

Dissertar significa fazer a exposição escrita, por meio de argumentos, de um ponto de vista que se deseja defender. O principal objetivo desse texto é a discussão ou defesa de uma opinião sobre um determinado tema que será apresentado. Assim, é um texto que tem o objetivo de desenvolver um raciocínio e provar uma tese. Para isso, pode apresentar outros tipos de textos como fundamentos argumentativos.

Dissertação Objetiva

Texto que possui a finalidade de instruir e convencer, isto é, um texto em que informações são transmitidas ao leitor. Normalmente, no texto informativo, são organizadas idéias gerais que se particularizam nos argumentos de forma dedutiva. A dissertação objetiva é, portanto, científica; facilmente encontrada em revistas e em textos técnicos, filosóficos e universitários, há nela o predomínio da 3 a . pessoa, para priorizar o assunto e tentar camuflar a presença do autor, o que de fato não ocorre. O texto expositivo é muito comum na argumentação, mas as descrições também podem aparecer.

Dissertação Subjetiva

Texto em que o autor manifesta uma visão pessoal, uma opinião sobre um tema. Surgem elementos da vivência do autor. Possui a finalidade de conquistar a participação do leitor. A exposição é pessoal, o autor, portanto, pode empregar a 1 ª pessoa na escrita, a dissertação subjetiva, muitas vezes, torna- se bastante literária. Textos narrativos e injuntivos podem ser usados na argumentação.

Pessoas do discurso

A primeira pessoa é expressa pelos pronomes eu e nós. Refere-se, sempre, ao narrador do texto.

O pronome eu identifica uma crença individual. Ex.: (Eu) Acredito que a plataforma política do PT é excelente.

O pronome nós identifica a crença de um grupo. Ex.: (Nós) Acreditamos que a plataforma política do PT é excelente.

A segunda

pessoa

é expressa pelos

pronomes tu e

vós,

no

Brasil, os

pronomes de tratamento você e vocês também representam a segunda pessoa.

Na escrita, refere-se ao leitor.

Quando utiliza pronomes de segunda pessoa, o narrador comunica-se com o leitor. Ex.: Você, que votou, deve acreditar que a plataforma política do PT é excelente.

A terceira pessoa é expressa pelos pronomes ele(a) e eles(as). Refere-se, sempre, ao assunto.

Os pronomes de terceira pessoa identificam

crenças

gerais.

São,

definitivamente, mais convincentes. Ex.: Acredita-se que a plataforma política do PT é excelente. Ex.: A plataforma política do PT é excelente.

Quando se escreve uma dissertação objetiva (texto exigido na maioria dos concursos atuais), o assunto é sempre principal. Para que se dê uma opinião,

não se faz necessário o uso da primeira pessoa, afinal, tudo o que se escreve é

parte de um ponto de vista. Deve-se, portanto, preferir o uso da 3 ª

pessoa

quando se faz uma redação em um concurso, já que convence melhor ao leitor, além de transmitir informações de forma mais ágil e menos pessoal. Contudo, sempre vale a pena verificar os critérios da instituição escolhida, na FUNDEP, por exemplo, o uso de primeira pessoa nunca foi motivo para a perda de

pontos.

Tema

Tema é o assunto escolhido pela banca e que será discutido no texto. Normalmente vem na forma de uma proposição que trará ao candidato a base para o que será trabalhado no texto. Atualmente, aparece também na forma de parágrafos ou de textos. Procure não se apavorar quando ler o tema proposto, mesmo que você não seja um profundo conhecedor do assunto, pense sobre ele, procure definir sua opinião a respeito do que será abordado. Com certeza, você sempre terá algo diferente a dizer. Antes iniciar o texto, faça um esboço das idéias que possui, selecione as melhores para só então escrever a redação.

Paragrafação

A redação deve ser dividida em introdução (parte inicial), desenvolvimento (argumentação) e conclusão (final).

Introdução

Formada pela apresentação geral do

assunto (tema)

e

por uma

tese.

Preferencialmente, possui um único parágrafo.

1.1 Tese

A partir do tema, o escritor deverá criar uma tese. A tese é o ponto de vista que será defendido no texto, posiciona-se, normalmente, na introdução, pode vir na forma de um tópico frasal (frase essencial ao parágrafo) ou em meio às abordagens gerais sobre o assunto.

A

tese

pode

ser

uma

afirmação,

uma

frase

surpreendente, um

questionamento, uma oração interjeitiva, ou até mesmo uma oração nominal, como um adjetivo. Para criar a tese basta pensar sobre qual é o seu

posicionamento em relação ao tema proposto e dele criar a sentença que aparecerá na introdução.

Desenvolvimento

Parte da argumentação do texto. Nela, o autor utiliza tópicos específicos que provarão a tese. Cada argumento deverá ser escrito em um parágrafo. Para produzir a argumentação crie perguntas sobre a tese que você elaborou, pense no porquê você defende aquele ponto de vista, as respostas serão os argumentos.

Conectivos Os conectivos são elementos de ligação entre as orações, o autor do texto poderá utilizar conectivos entre os parágrafos. O primeiro parágrafo argumentativo, por exemplo, poderá ser iniciado com conectivos como:

Um primeiro fator; Um primeiro aspecto a ser analisado; Inicialmente; Em primeiro lugar; Em princípio.

No segundo parágrafo dissertativo, podem-se utilizar os seguintes conectivos:

Um outro aspecto a ser analisado; Em segundo lugar; Posteriormente; Deve-se levar em conta; Entende-se ainda.

Observação: conectivos como: entretanto, mas, porém, contudo e todavia expressam idéias contrárias, por isso, não os utilize entre argumentos favoráveis à tese, nem na conclusão. Esse só devem ser utilizados na anti-tese ou em teses de contraste.

Conclusão

Finalização do texto. Parte em que após toda a argumentação chega-se à conclusão de que a tese foi provada, isto é, ao final do texto deve-se retomar a idéia inicial. A conclusão, assim, terá aspectos gerais e será circular à tese. Pode, ainda, apresentar uma solução. Na conclusão podem-se utilizar conectivos como:

Portanto, assim, enfim, conclui-se que, diante dos fatos expostos entende- se que, etc.

Esquema - enumeração

TEXTO

Nossas cidades não são uma selva de asfalto e concreto; são enormes zoológicos humanos, onde vivemos em condições que não são naturais para a nossa espécie e onde corremos perigo também de enlouquecer de tensão, de adoecermos de civilização, pelo nariz, pela boca, pelos ouvidos. Você, por exemplo, respira de 20 mil a 30 mil vezes por dia, inspirando de cada vez, mais ou menos meio litro de ar. Cerca de 30 por cento desse ar enche 350 milhões de minúsculos compartimentos no pulmão, onde o sangue troca o venenoso dióxido de carbono por oxigênio, sem o qual a vida é impossível. Nas grandes cidades, o ar contém centenas de toxinas que prejudicam o desenvolvimento normal das células. Os gases que escapam dos veículos a gasolina, por exemplo, impedem a perfeita oxigenação do sangue e provocam alergias, doenças do coração, câncer. O monóxido de carbono é assimilado pelos glóbulos vermelhos 200 vezes mais depressa que o oxigênio. E o chumbo, derivado do tetraetileno de chumbo, é prejudicial acima de 100 milionésimos de grama por metro cúbico de ar, concentração que já existe em qualquer cidade de tamanho médio no Brasil.

E a água que bebemos? Os rios, principal fonte de água potável, são usados como canais de esgoto e de despejo. A vida animal, na maior parte dos rios que abastecem as grandes cidades, já não existe, porque a vida é impossível, não está para peixe. Esse líquido clorado, recuperado, da nossa era higiênica, tem muito pouca coisa a ver com a água potável, de nascente, digna de peixe e de homem. Estações de tratamento, filtros, toda química disponível não consegue esconder que estamos bebendo um líquido que supre as nossas necessidades vitais, mas que é chamado água apenas por hábito. Além de tudo, estamos ficando surdos. Em cada cem cariocas (ou paulistas, ou gaúchos) dez têm problemas de audição e cinco foram vítimas da poluição sonora. Hoje em dia há duas vezes mais pessoas surdas que há dez anos atrás e a gente da cidade só ouve sons a partir de 30 decibéis, 10 na melhor hipótese, enquanto o homem do campo ouve ruídos até- de um decibel. Dor de cabeça, fadiga excessiva, nervosismo, distúrbios de equilíbrio, afecções cardíacas e vasculares, anemias, úlcera de estômago, distúrbios gastrintestinais, neuroses, distúrbios glandulares, curtos-circuitos nervosos, tudo isso pode ser provocado pelo barulho das grandes cidades. E nem é preciso que seja barulho excessivo, porque, na maior parte das vezes, ele já é incômodo e contínuo. Enjaulados, enquanto não fizermos desse zoológico um jardim mais verde, mais limpo, mais saudável, menos neurótico, a única solução é sair de vez em quando para respirar ar puro, beber água de verdade, ouvir o silêncio, sentir os cheiros da vida e reconquistar a tranqüilidade perdida.

LOBO, Luiz. Turismo em Foco. Ano IV, nº 19, p. 19.

Esquema inicial de um texto dissertativo

Agora que você já aprendeu as modalidades básicas de textos, retorne ao exemplo de texto dissertativo e observe como seria possível fazer um esquema dele.

Esquema inicial do texto dissertativo

Apresentação

do

Nossas

cidades

são

tema

enormes

zoológicos

Apresentação

da

humanos

tese

Análise

de

um

Adoecemos pelo nariz

argumento

favorável

à

tese

Análise

outro

de

Adoecemos pela boca

argumento

favorável

à

tese

Introdução

1º parágrafo

Análise

de

um

Adoecemos

pelo

último

argumento

ouvido

favorável à tese

 

Reafirmação

da

Enquanto não fizermos

tese + apresentação de uma solução (se houver)

desse zoológico um lugar melhor, a solução é sair de vez em quando.

Esquema - Dialética

As condições em que vivem presos, em nossos cárceres superlotados, deveriam assustar a todos os que planejam se tornar delinqüentes. Mas a criminalidade só vem aumentando, causando medo e perplexidade na população. Muitas vozes têm se levantado em favor do endurecimento das penas, da manutenção ou ampliação da Lei dos Crimes Hediondos, da defesa da sociedade contra o crime, enfim, do que se convencionou chamar doutrina da lei e da ordem apostando em tais caminhos como forma de dissuadir novas práticas criminosas. Geralmente, valem-se de argumentos retóricos e emocionais, raramente escorados em dados de realidade ou em estudos que apontem ser esse o melhor caminho a seguir. Embora sedutora e aparentemente sintonizada com o sentimento geral de indignação, tal corrente aponta para o caminho errado, para o retorno ao direito penal vingativo e irracional, tão combatido

pelo

iluminismo

jurídico.

O coro dessas vozes aumenta exatamente quando o governo acaba de encaminhar ao Congresso o anteprojeto do Código Penal, elaborado por renomados juristas, com participação da sociedade organizada, com objetivo de racionalizar as penas, reservando a privação da liberdade somente aos que cometerem crimes mais graves e, mesmo para esses, tendo sempre em vista mecanismos de reintegração social. Destaca-se o emprego das penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade, a compensação por danos causados, a restrição de direitos etc. Contra a idéia de que o bandido é um facínora que optou por atacar a sociedade, prevalece a noção de que são as vergonhosas condições sociais e

econômicas do Brasil que geram a criminalidade; enquanto essas não mudarem, não há mágica: os crimes vão continuar aumentando, a despeito do maior rigor nas penas ou da multiplicação de presídios.

(Adaptado

de Carlos Weis. Dos

delitos e

das

penas.

Tendências e debates, 11/11/2000)

Folha

de

São

Paulo,

Apresentação

Introdução

do

tema

+

apresentação da tese

Geral

Análise de um argumento contrário à tese. O argumento deverá ser refutado no mesmo parágrafo.

1º Parágrafo

Análise de um argumento favorável à tese

Análise

de

outro

argumento

favorável à tese (opcional, depende do espaço para a argumentação)

Reafirmação de tese + apresentação de uma solução (se houver)

3- Parágrafo Padrão

O parágrafo padrão é uma unidade de composição que desenvolve uma idéia central a que se agregam outras decorrentes dela. Pode haver diferentes tipos de estruturação de parágrafos, mas o que priorizaremos nessa apostila é o parágrafo padrão. O parágrafo, de forma geral, facilita ao escritor isolar e ajustar idéias principais de sua composição, permitindo ao leitor o acompanhamento do raciocínio de forma rápida e eficaz. Em geral o parágrafo padrão é elaborado na dissertação e na descrição e possui introdução, representada por um ou dois períodos curtos iniciais, em que se expressa de maneira sumária e sucinta a idéia-núcleo; o desenvolvimento, explanação da idéia núcleo e conclusão, mais rara, mormente nos parágrafos pouco extensos ou pouco complexos.

O Brasil é a primeira grande experiência que faz na história moderna a

espécie humana para criar um grande país independente, dirigindo-se por si mesmo, debaixo dos tópicos. Somos os iniciadores, os ensaiadores, os experimentadores de uma das mais amplas, profundas e graves empresas que ainda se acharam em mãos da humanidade. Os navegadores das descobertas que chegaram até nós impelidos pela vibração matinal da Renascença, cumpriram um feito que terminava com o triunfo na luz da própria glória; belo era o país que descobriram, opulenta a terra que pisavam, maravilhoso o mundo que em redor se desdobrava; podiam voltar, contentes, que tudo para eles se cumprira. (Três Livros, p. 332)

O primeiro

período

constitui

o

tópico

frasal,

o

rumo

das idéias

desenvolvidas já está aí traçado, seria estranho se no desenvolvimento o autor não justificasse o que enunciou no tópico. O tópico frasal controla o texto limitando e impedindo o autor de ultrapassar certos limites; forçando-o a voltar no tópico antes do fim do texto.

Propomos a construção do parágrafo com base em um plano ou esquema que nos possibilite exprimir um raciocínio lógico textual.

Ex: Nos parágrafos abaixo

divida a

introdução, o desenvolvimento e a

conclusão (se houver), não se esqueça de marcar a tese de cada parágrafo.

1- As normas jurídicas embasadas nos valores éticos e que traduzem os procedimentos e as vivências mais fortes e consolidados da coletividade tendem

a ter a adesão espontânea da maioria das pessoas que nelas se sentem representadas. É o sentimento de identidade nacional, de pátria, sem o qual a coesão social se esgarça e abre as portas para o caminho do individualismo, do salve-se quem puder, da corrupção, da violência. A consolidação desse sentimento pressupõe, além das leis, uma ação constante, coordenada pelo Estado, com a participação da sociedade, dos organismos intermediários e das famílias, num processo de educação cívica, nacional, patriótica. (Adaptado de Patrus Ananias, Civilização pelo Estado, Correio Braziliense, 9 de janeiro de 2005)

2- O combate à fome e à pobreza foi adotado pelo governo federal, a partir de 2003, como política de governo. Dentro dessa política, por exemplo, foi criado o Programa Bolsa-Família que beneficia mais da metade das famílias pobres do país. O programa é de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que tem hoje o maior orçamento já investido no Brasil para combater a fome e promover o desenvolvimento Social - R$ 17 bilhões.

Vamos trabalhar agora alguns tópicos frasais iniciais. Podemos, segundo Othon Garcia, começar um texto com uma declaração inicial, uma definição ou uma divisão. Trabalharemos, aqui com declaração e definição.

Declaração inicial

O

aborto

é um

terrível. Segundo

ato

dados

do

IBGE, uma

a

cada

150

mulheres brasileiras já cometeu um aborto. [

...

]

Vivemos

numa época

ímpetos. A vontade, divinizada, afirma sua

de

preponderância, para desencadear ou encadear; o delírio fascista ou o torpor marxista são expressões pouco diferentes do mesmo império de vontades. [ ] ...

Definição

Estilo é a expressão literária

de idéias ou sentimentos.

Resulta de

um

conjunto de dotes externos ou internos, que se fundem num todo harmônico e se manifestam por modalidades de expressão a que se dá o nome de figuras.

O aborto é o ato de retirado do embrião ou feto do útero da gestante antes do prazo previsto e necessário para o nascimento.

Tópico frasal diluído

O

tópico frasal também pode

estar diluído no parágrafo, implícito. No

entanto, mesmo nesses casos, sempre será possível deduzir a idéia principal.

A grande São Paulo isto é, a capital paulista e as cidades que a circundam já anda em torno da décima parte da população brasileira. Apesar da alta

arrecadação do município e das obras custosas, que se multiplicam a olhos vistos, apenas um terço da cidade tem esgotos. Metade da água da capital paulista serve-se de água proveniente de poços domiciliares. A rede de hospitais é notoriamente deficiente para a população, ameaçada por uma taxa de poluição que técnicos internacionais consideram superior à de Chicago. O trânsito é um tormento, pois o acréscimo de novos veículos supera a capacidade de dar solução de urbanismo ao problema. Em média o paulista perde três horas do seu dia para ir e voltar, entre a casa e o trabalho. (Ed. Jornal do Brasil)

Para escrever o texto dissertativo

A elaboração de um texto dissertativo escrito deve ser produto de um plano de trabalho, do qual fazem parte as informações e conceitos que vamos manipular, a posição crítica que queremos manifestar, o perfil da pessoa ou grupo a que nos dirigimos e o tipo de reação que nosso texto deve despertar. Em outras palavras: nosso texto dissertativo deve ser produzido de forma a satisfazer os objetivos que nos propusemos alcançar. Existe uma forma já consagrada para a organização desse tipo de texto. Consiste em estruturarmos o material de que dispomos em três momentos principais: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.

Introdução: E o ponto de partida do texto. Por isso, deve apresentar de maneira clara o assunto a ser tratado e também delimitar as questões referentes a esse assunto que serão abordadas. Dessa forma, a introdução encaminha o leitor, colocando-lhe a orientação adotada para o desenvolvimento do texto. Atua, assim, como uma espécie de "roteiro". Ao confeccionar a introdução do seu texto, você pode utilizar recursos que despertem o interesse do leitor: formular uma tese, que deverá ser discutida e provada pelo texto; lançar uma afirmação surpreendente, que o corpo do texto tratará de justificar ou refutar; propor uma pergunta, cuja resposta será dada no desenvolvimento e explicitada na conclusão.

Desenvolvimento: É a parte do texto em que ideias, conceitos, informações, argumentos de que você dispõe serão desenvolvidos, de forma organizada e cri- teriosa. O desenvolvimento deve nascer da introdução: nesta, apontam-se as ques- tões relativas ao assunto que será abordado; naquele, essas questões devem ser desenroladas, avaliadas sempre por partes, de forma gradual e progressiva. A introdução já anuncia o desenvolvimento, que retoma, ampliando e desdobrando, o que lá foi colocado de forma sucinta. O conteúdo do desenvolvimento pode ser organizado de diferentes ma- neiras, de acordo com as propostas do texto e as informações disponíveis. Vamos ter a oportunidade de tomar contato e trabalhar com essas diferentes formas de organização na seção de leitura e criação deste capítulo.

Conclusão: É a parte final do texto, um resumo forte e sucinto de tudo aquilo que já foi dito. Além desse resumo, que retoma e condensa o conteúdo anterior do texto, a conclusão deve expor claramente uma avaliação final do assunto

discutido. Nessa parte, também se podem fazer propostas de ação (que não devem adquirir ares de profecia).

Tipologia Textual - Exposição

Esquema em causa e consequência ou efeito cascata

COMO SE FORMOU O TSUNAMI QUE JÁ MATOU MAIS DE 150 MIL

As ondas gigantes que atingiram a Ásia e a África formaram-se devido ao choque de duas placas tectônicas a cerca de 5 mil metros de profundidade. A colisão gerou um terremoto de 9 graus na escala Ritcher, liberando no mar uma energia equivalente à explosão de 32 mil bombas como a de Hiroshima ou 4,5 vezes a produção anual da usina de Itaipu. O impacto causou um rebaixamento de 20 m na zona de choque das placas, como um buraco no fundo do mar. Para preenchê-lo, uma massa de 1,3 trilhão de m 3 do oceano foi deslocada, entrando mais água do que foi necessário. A muralha excedente de água foi expelida para a superfície e se propagou como ondas. O efeito é parecido com o que acontece quando se joga uma pedra numa piscina. A velocidade Inicial das ondas foi de 800 km/h. Quanto mais fundo e menos obstáculos pelo caminho, mais rápido elas se movimentaram. À medida que se aproximaram do continente, perderam velocidade e ganharam altura. É por isso que no alto mar elas não foram percebidas. Ao chegarem na costa, destruíram quilômetros adentro.

Apresentação da causa inicial

 

Análise

de

elemento

um

de

conseqüência (da causa inicial) e de causa (do próximo elemento).

Análise

de

um

elemento

outro

de

consequência e causa.

 

Análise de

um

elemento

último

de

conseqüência e causa.

 

Apresentação da conseqüência

final

 

Introdução

Geral

ISTOÉ /1839-12/01/2005

1º Parágrafo

Esse esquema é ideal para temas muito teóricos ou mesmo para textos expositivos.

Lead ou Lide

Engavetamento tumultua BR-356

Um acidente envolvendo três veículos tumultuou, na manhã de ontem, o trânsito no Km 7 da BR-356, altura do Bairro Olhos d’Água, região do Barreiro, em Belo Horizonte. Por volta das 8:30h, quando o motorista José Carlos Magalhães, de 27 anos, se assustou com um Corsa, parado na faixa da esquerda, e bateu na mureta central. José Victor Porcaro Ribeiro, de 20 anos, que vinho logo atrás, num Golf, perdeu o controle e também se chocou contra a murada. Em seguida, o Palio Weekend conduzido por Luciana Soares Navarro, de 18, trombou no Golf, arremessando-o contra os demais carros. Todos sofreram pequenas escoriações e ferimentos leves.

Elementos técnicos de elaboração do lead

Estado de Minas 21/01/2007

O que - Definição literária e pessoal do tema central que será abordado no texto. Quem - Referência à pessoa, ao objeto, ao animal ou ao fato envolvido no texto. Quando - Em que momento, ocasião ou época ocorre o assunto estudado. Onde - Em que lugar se desenvolve o tema em questão. Como - De que maneira ocorrem os processos abordados no texto. Por que - A justificativa, razão ou motivo pelo qual o assunto ocorre. Conclusão ou conseqüência (se houver) A que abordagem o assunto leva ao final.

1. O autor do texto não é obrigado a utilizar todos os tópicos, somente

2. Novos tópicos podem ser inseridos como: aspecto, tamanho, forma ou cor.

aqueles que se aplicam ao assunto abordado.

3. A ordem dos fatores não altera o produto.

OBSERVAÇÕES:

Gênero Peças Técnicas

Normalmente, o que chamam peça técnica, nada mais é que a um caso concreto que o candidato tem de avalia em relação a uma lei, doutrina, jurisprudência, estudo de nossa área ou teoria. Vejam abaixo o texto do Othon Garcia a respeito de Redação Técnica

O que é redação técnica

Por essa introdução, pode

o

leitor

pensar que redação técnica

é

algum

bicho-de-sete-cabeças. Não é. Na verdade, os princípios básicos em que se assenta são os mesmos de qualquer tipo de composição (clareza, correção,

coerência, ênfase, objetividade, ordenação lógica, etc.), embora sua estrutura e seu estilo apresentem algumas características próprias. Na definição sumária de Margaret Norgaard, redação técnica é qualquer espécie de linguagem escrita que trate de fatos ou assuntos técnicos ou científicos, e cujo estilo não deve ser diferente de outros tipos de composição. Ressalte-se, entretanto, como faz a própria Autora, a relevância da clareza, da lógica e da precisão, qualidades que não excluem a imaginação. A redação técnica - acrescenta a Autora - é necessariamente objetiva quanto ao ponto de vista, mas uma objetividade completamente desapaixonada torna o trabalho de leitura penoso e enfadonho por levar o autor a apresentar os fatos em linguagem descolorida, sem a marca da sua personalidade. Opiniões pessoais, experiência pessoal, crenças, filosofia de vida e deduções são necessariamente subjetivas, não obstante constituem parte integrante de qualquer redação técnica meritória.A bem dizer, toda composição que deixe em segundo plano o feitio artístico da frase, preocupando-se de preferência com a objetividade, a eficácia e a exatidão da comunicação, pode ser considerada como redação técnica. Nesse caso, a redação oficial, a correspondência comercial e bancária, os papéis e documentos notariais e forenses constituem redação técnica. Entretanto, parece conceito pacifico o de que tal expressão designa apenas aquelas formas de comunicação escrita de incontestável caráter científico, e especialmente da área das ciências experimentais. É nesse sentido restrito que passamos a empregar as expressões equivalentes redação técnica ou redação científica.

Tipos de redação técnica ou científica

Há diversos tipos de redação técnica: as descrições e narrações técnicas propriamente ditas, os manuais de instrução, os pareceres, os relatórios, as teses e dissertações científicas (monografias em geral) e outros. Alguns não chegam a ter individualidade própria, já que são sempre parte de outros, como as duas primeiras citadas e mais o sumário científico. O mais importante de todos, entretanto, é o relatório, não só porque há dele várias espécies mas também porque, dada a sua estrutura, nele se pode incluir um grande número de trabalhos de pesquisas usualmente publicados em revistas científicas sob a denominação genérica de artigos. O estudo da estrutura e das características formais dos diferentes tipos de redação técnica exigiria um desenvolvimento que esta obra já não pode comportar, pois além das prescrições de ordem geral, seria indispensável apresentar certo número de modelos comentados. Em virtude disso, vamos limitar-nos à descrição técnica, que está presente em todos os tipos de redação científica, e ao relatório.GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Rio, FGV, 1978

Estudo de caso

O estudo de caso, em sua essência, tenta esclarecer ou elucidar uma decisão a ser tomada, como ela foi implementada, resultados alcançados. Há vários estudos de caso, mas podemos destacar o estudo de caso explanatório, que trabalha com relações de causa e consequência, e o estudo de caso exploratório, que trabalha com relação descritiva.

O estudo de caso investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, múltiplas fontes e evidências são utilizadas. Normalmente, há proposições orientadoras do estudo, enunciadas a partir de questões secundárias, nesses casos, deve-se estabelecer a lógica que ligará as proposições ao estudo, além de critérios para interpretar os achados. Esses critérios são principalmente o referencial teórico e categorias.

Para que se tenha mais credibilidade devemos estabelecer:

  • a) Validade de constructo

Devemos estabelecer definições conceituais e operacionais dos principais termos e variáveis do estudo;

  • b) Validade interna

Estabelecer relacionamentos de causa e consequência. Devemos testar a coerência interna entre as proposições

  • c) Validade externa

Devemos estabelecer o domínio de generalização das descobertas. Analisar investigações assemelhadas

  • d) Confiabilidade

Mostrar que o estudo pode ser repetido com resultados assemelhados.

Problemas comuns:

-Falta de rigor -Visões pessoais de quem elabora -Uso de estrutura em item - Usar título

Exemplo de Execução de Relatório Técnico

(CESPE / TCU / 2008) A segregação de funções faz parte de um conjunto de atividades de controle consideradas relevantes para uma auditoria das demonstrações contábeis. Significa dizer que se deve fazer com que os indivíduos não realizem funções incompatíveis. Do ponto de vista de controle, funções são consideradas incompatíveis quando é possível que um indivíduo cometa um erro ou fraude e esteja em posição que lhe permita esconder o erro ou a fraude no curso normal de suas atribuições.

Considerando que o texto anterior tem caráter unicamente motivador, redija um relatório de controle interno sobre os aspectos relacionados à segregação de funções em uma organização auditada, considerando, ainda, que tenham sido feitas as seguintes verificações relevantes a respeito da mencionada organização:

um dos responsáveis por recebimentos de caixa está também autorizado a aprovar abatimentos em contas de clientes e a registrar devoluções de vendas; um dos responsáveis por pagamentos recebe os extratos bancários e efetua as respectivas conciliações;

somente alguns funcionários do Departamento de Compras estão autorizados a aprovar as encomendas e efetuar as aquisições, e, mesmo assim, até determinado limite de valor; o Departamento de Vendas aprova os créditos de clientes que já efetuaram pelo menos uma operação com a organização; o almoxarife controla o recebimento dos materiais adquiridos e faz a comunicação à Contabilidade, que confere essa informação com a cópia do pedido de compra, que já lhe fora encaminhado; ao Departamento de Tecnologia da Informação cabe, entre outras atribuições, a correção dos dados submetidos por departamentos usuários.

Ao elaborar seu texto, analise cada uma das situações descritas acima, apontando eventuais

falhas ou pontos fracos e sugerindo possíveis modificações nos procedimentos adotados, relativos aos diferentes setores e responsáveis pelas operações da organização em apreço.

Resolução

1. Trata-se de Relatório acerca dos sistemas de controles internos da organização X, com ênfase nos aspectos relacionados à segregação de funções dos indivíduos que atuam nas áreas operacionais. Verificar-se-á a adequação dos procedimentos estabelecidos com vistas ao aprimoramento e aumento da efetividade do controle interno. 2. Detectou-se que o responsável pelos recebimentos de caixa está, também, autorizado a aprovar abatimentos em contas de clientes e a registrar devoluções de vendas realizadas. O mecanismo é falho na medida em que favorece a ocorrência de fraudes. Há possibilidade de concessão de descontos fictícios pelo indivíduo como forma de esconder desvios de caixa. Para uma adequada segregação de funções, aquele que concede descontos não deve ser o responsável pelo caixa. Ao contrário, para a preservação do ativo, o desconto concedido deve ser alvo de verificação no ato do recebimento do numerário, de maneira que haja controles mútuos entre os agentes. 3. Na área de pagamentos, percebeu-se que o funcionário que os efetua está, ao mesmo tempo, a cargo de receber os extratos e efetivar as conciliações. O controle instituído é inadequado, pois gera oportunidade de desvio de numerário no ato dos pagamentos o agente é capaz de pagar a menor ou a maior e, posteriormente, confirmar as transações inidôneas na conciliação. Recomenda-se a segregação de funções entre o indivíduo que faz os pagamentos e o que realiza as conciliações, para que o ultimo controle os atos do primeiro. 4. No departamento de compras, somente alguns funcionários são autorizados a aprovar as encomendas e efetuar as aquisições, até determinado limite de valor. Ressalte-se que a sistemática é correta. O estabelecimento de limites de alçada, acima dos quais apenas determinados funcionários de maior hierarquia podem aprovar as compras, reduz a probabilidade de fraudes nas aquisições de grande vulto e diminui o risco inerente e de controle no departamento. 5. Quanto ao setor de vendas, verificou-se que esse é capaz de aprovar os créditos de clientes que já efetivaram ao menos uma operação com a organização. As funções são incompatíveis e a regra vigente é falha. Os vendedores estão em posição de aprovar créditos sem a segurança quanto ao

recebimento com o objetivo de maximizar as vendas. Ocorre, na situação, conflito de interesses entre os vendedores e a organização, que não desejaria conceder crédito com elevado risco. Sugere-se segregar as funções mediante criação de departamento de crédito, que analisará as propostas de modo a manter o risco de crédito em nível tolerável, sem prejuízo das vendas. 6. No almoxarifado, o encarregado recebe os materiais e comunica à Contabilidade, que confere a informação com o pedido de compra. O controle interno, na espécie, é adequado, pois permite que a Contabilidade fiscalize as entradas de materiais e coteje os recebimentos com os pedidos de compra. É necessário, porém, uma verificação periódica (inspeção) dos elementos do almoxarifado, para conferir as quantidades declaradas pelo setor com as constantes dos registros contábeis. 7. Observou-se, por fim, que o departamento que cuida da Tecnologia da Informação (TI) está autorizado a alterar dados submetidos por outros usuários. Essa competência não deve ser conferida ao setor, pois viabiliza fraudes por meio de conluio com os setores responsáveis. A área de TI deve ser restringir à operacionalização dos sistemas, sem prejuízo da possibilidade de monitorar as ações dos usuários em desconformidade com as regras. Nesses casos, o departamento deve comunicar à administração.

8. Pelo exposto, apenas os procedimentos relatados nos itens 4 e 6 estão adequados. Os demais apresentam falhas que devem ser objeto de correção por parte da alta administração. A

Auditoria coloca-se à disposição para sugerir outras mudanças nos sistemas de controle interno.

Dúvidas frequentes

O conteúdo do texto deve ser adequado ao tema proposto. Não use título. Os parágrafos devem ficar 2,5 centímetros de distância da margem e sempre alinhados. Não se pode pular linhas entre os parágrafos. Essa marcação deverá ser dada pelo espaço de centímetros. Não ultrapasse as margens (direita e esquerda) e não deixe de atingi-las. Apresente letra legível. A letra de forma não será aceita. Evite rasuras, caso erre, anule o erro com um leve traço. Parênteses devem ser usados para indicar observações pessoais, não para anular erros. Escreva com caneta azul ou preta (verifique o edital) e não mude de caneta durante o texto. Não exceda o número de linhas pautadas. Faça o texto com aproximadamente cinco linhas aquém ou até o número de linhas que foram pedidas. Não grife nenhuma informação do seu texto. Se quiser dar ênfase a algo, utilize inversões sintáticas. Porém, não faça inversões o tempo todo. Faça um bom rascunho antes de passar o texto a limpo. Se precisar alterar alguma coisa, faça-o no rascunho. Verifique o tema antes de escolher qual pessoa do discurso utilizar.

Evite a 2 ª pessoa, pois você estará se comunicando com a banca. Tenha uma boa diversidade vocabular, em casa consulte sempre um dicionário para retirar palavras repetidas ao longo do texto. Evite frases feitas. Procure ser claro e conciso. Números até dez devem vir por extenso, os demais poderão ser escritos em algarismos. Evite siglas desconhecidas. Ao usar siglas, escreva por extenso a primeira vez e coloque a sigla entre parênteses. Depois, caso haja uma segunda citação, utilize apenas a sigla. A linguagem deve refletir o padrão culto da língua, portanto, não utilize gírias ou palavras de baixo calão. Use conectivos (palavras de ligação) entre os parágrafos. As ideias devem ser articuladas. Não utilize palavras de sentido vago. Procure não generalizar. Os argumentos devem ser analisados de forma crítica. Não utilize sua vida pessoal como argumento. A conclusão deve ser coerente com a tese e a argumentação. Leia bastante sobre o assunto antes de escrever sobre ele.

Entenda a Pergunta; Conheça o assunto; Responda rapidamente (resumo / esquema guia); Escolha a Estrutura; Escreve as ideias;

Faça lapidação do texto; Versão Final.

Orientações Gerais

Ao responder:

Importância da coesão

1) O brasileiro pode ser extraditado? Justifique. (XII CICMP/SP - Nova fase - 1988)

O brasileiro nato nunca pode ser extraditado. O naturalizado pode, desde

que:

- se o crime foi posterior à naturalização, seja de tráfico de drogas; - se o crime foi anterior à naturalização, qualquer crime, desde que não seja político ou de opinião.

Paráfrase com coesão

1) O brasileiro pode ser extraditado? Justifique. (XII CICMP/SP - Nova fase - 1988)

O brasileiro nato nunca pode ser extraditado. Já o naturalizado pode, desde que tenha cometido crime de tráfico de drogas, posterior ou não à naturalização ou caso tenha cometido qualquer crime crime anterior à naturalização, desde que não sejam crimes políticos ou de opinião. Alexandre Henry Estudos para o concurso de Juiz Federal

2) Identifique o conteúdo dos seguintes princípios administrativos:

a) razoabilidade; b) eficiência; c) publicidade; d) moralidade ou probidade. (TRF da 4ª Região IX Concurso para Juiz Federal)

a)Razoabilidade: o conteúdo de tal princípio está ligado, basicamente, aos atos da Administração, em especial àqueles discricionários. O princípio visa a estabelecer limites de ação para o administrador, para que ele, em sua liberdade, não ultrapasse os limites do razoável. Celso Antônio Bandeira de Mello: Enuncia-se com este princípio que a Administração, ao atuar no exercício de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. b) Eficiência: o conteúdo de tal princípio é a prática dos atos administrativos com o maior e melhor resultado possível para a consecução do bem comum, utilizando o mínimo de recursos possível. Alexandre de Moraes:

"Assim, princípio da eficiência é o que impõe à administração pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade, rimando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização possível dos recursos públicos, de maneira a evitarem-se desperdícios e garantir-se maior rentabilidade social.c) Publicidade: tem-se aqui o direito ao conhecimento e à fiscalização dos atos públicos que cabe a todos os cidadãos. José Afonso da Silva: "A publicidade sempre foi tida como um princípio administrativo, porque se entende que o Poder Público, por ser público, deve agir com a maior transparência possível, a fim de que os administrados tenham, a toda hora, conhecimento do que os administradores estão fazendo.

d) Moralidade ou probidade: o conteúdo de tal princípio é a lisura no trato

com a coisa decência, a

pública, é a atuação

do

agente estatal de

acordo com a

lei,

a

busca

do

bem

comum. Hely Lopes

Meirelles: A moralidade

administrativa constitui hoje em dia, pressuposto da validade de todo ato da Administração Pública (Const. Rep., art. 37, caput). Não se trata diz Hauriou,

o sistematizador de tal conceito da moral comum, mas sim de uma moral jurídica, entendida como o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração. Desenvolvendo a sua doutrina, explica o mesmo autor que o agente administrativo, como ser humano dotado da capacidade de atuar, deve, necessariamente, distinguir o Bem do Mal, o honesto do desonesto. E, ao atuar, não poderá desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas também entre o honesto e o desonesto. Por considerações de direito e de moral, o ato administrativo não terá que obedecer somente à lei jurídica, mas também à lei ética da própria instituição, porque nem tudo que é legal é honesto, conforme já proclamavam os romanos non omne quod licet honestum est. A moral comum, remata Hauriou, é imposta ao homem para sua conduta externa; a moral administrativa é imposta ao agente público para a sua conduta interna, segundo as exigências da instituição a que serve, e a finalidade de sua ação: o bem comum.

Alexandre Henry Estudos para o concurso de Juiz Federal

Paráfrase com coesão

Identifique o conteúdo dos seguintes princípios administrativos: a) razoabilidade; b) eficiência; c) publicidade; d) moralidade ou probidade. (TRF da 4ª Região IX Concurso para Juiz Federal)

Os princípios administrativos são essenciais para a manutenção da organização administrativa do país. O princípio de razoabilidade está relacionado, basicamente, aos atos da Administração, em especial àqueles discricionários, é um princípio que visa a estabelecer limites de ação para o administrador, para que ele, em sua liberdade, não ultrapasse os limites do aceitável. Celso Antônio Bandeira de Mello explica que com este princípio a Administração, quando atua no exercício de discrição, tem de obedecer a critérios aceitáveis em relação a um ponto de vista racional, vinculado ao senso normal de pessoas equilibradas e que respeitam as finalidades criadas pela estrutura competente. Já o conteúdo do princípio da eficiência está vinculado à prática dos atos administrativos com o objetivo de atingir os melhores resultados possíveis para a consecução do bem comum, utilizando o mínimo de recursos possível. Segundo Alexandre de Moraes o princípio da eficiência faz impor à administração pública direta e indireta e a seus agentes o bem comum devido ao fato de usar suas competências de uma forma imparcial, e transparente, o que a torna participativa e eficaz. Isso diminui a burocracia e melhora a qualidade, por meio de critérios legais e morais necessários para utilização dos recursos públicos, assim, evitam-se desperdícios e garante-se maior rentabilidade social.

Há, ainda, a publicidade, esse princípio está vinculado ao conhecimento e à fiscalização dos atos públicos que cabe a todos os cidadãos. José Afonso da Silva se refere a esse conceito como um princípio administrativo porque, para ele, se entende que o Poder Público, por ser público, tem de agir com transparência para que os administrados tenham, a todo momento, conhecimento do que os administradores estão fazendo. Por fim tem-se a moralidade ou probidade que é um princípio relacionado à lisura no trato com a coisa pública, é a atuação do agente estatal de acordo com a lei, a decência, a busca do bem comum. O teórico Hely Lopes Meirelles diz que a moralidade administrativa constitui pressuposto da validade do da Administração Pública, por isso, não se trata da moral comum, mas de uma moral jurídica, Desenvolvendo a sua doutrina, explica o mesmo autor que o agente administrativo, como ser humano dotado da capacidade de atuar, deve, necessariamente, distinguir o Bem do Mal, o honesto do desonesto. E, ao atuar, não poderá desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim o ato administrativo não terá que obedecer somente à lei jurídica, mas também à lei ética da própria instituição, pois nem tudo que é legal é honesto. O autor ainda explica que a moral comum é imposta ao homem para sua conduta externa; já a moral administrativa é imposta ao agente público para a sua conduta interna e a finalidade de sua ação é sempre o bem comum. Diante do exposto, tem-se a relevância dos princípios administrativos supracitados.

3) TRE SP Discorra, com clareza e coesão, sobre os Partidos Políticos, abordando os seguintes aspectos:

Natureza jurídica. Autonomia. Esfera de ação. Relevância do registro dos estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. Vedações.

EXEMPLOS DE ESTUDO DE CASO:

ADAPTADO - FCC\2014\ TRF 3.ª REGIÃO\ ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA ESTUDO DE CASO

Será atribuída nota Respostas Definitivo:

ZERO

à Prova

de Estudo

de Caso

que,

  • a) for assinada fora do local apropriado;

no

Caderno de

  • b) apresentar qualquer sinal que, de alguma forma, possibilite a identificação

do candidato;

  • c) for escrita à lápis, em parte ou em sua totalidade;

  • d) estiver em branco;

  • e) apresentar letra ilegível e/ou incompreensível.

A Prova de Estudo de Caso terá caráter eliminatório e classificatório. Cada uma das questões será avaliada na escala de 0 (zero) a 100 (cem) pontos, considerando-se habilitado o candidato que tiver obtido, no conjunto das duas questões, média igual ou superior a 60 (sessenta). Deverão ser rigorosamente observados os limites de linhas do Caderno de Respostas Definitivo. Em hipótese alguma será considerada pela Banca Examinadora a redação escrita neste rascunho. Redija seu texto final no Caderno de Respostas Definitivo do Estudo de Caso.

QUESTÃO 1

Empresa contribuinte ingressou com Ação Declaratória de Inexistência de Obrigação Tributária cumulada com Ação para Repetição do Indébito em face do INSS Instituto Nacional de Seguridade Social, alegando, em síntese, que não incide contribuição social sobre as verbas salariais de natureza indenizatória, tais como adicional noturno, insalubridade, hora-extra, salário- maternidade, terço constitucional de férias e férias indenizadas, adicional de periculosidade, salário família, aviso prévio, salário educação, auxílio-doença e auxílio-creche. Requer, em sede de tutela antecipada, a imediata suspensão de recolhimento de contribuição social sobre estas verbas e, após a declaração de inexistência de obrigação tributária de pagar contribuição social sobre verbas indenizatórias, que lhe sejam restituídos os valores pagos a este título nos últimos dez anos.

Considerando que a Constituição Federal dispõe no art. 195, inciso I, que a contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, incide sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, analise, fundamentadamente, a constitucionalidade da incidência deste tributo sobre as verbas indenizatórias, bem assim a pretensão da empresa quanto à restituição de valores já recolhidos.

QUESTÃO 2

Ricardo, servidor público ocupante de cargo efetivo em Tribunal Federal, utilizou veículo pertencente ao Tribunal para fins estranhos ao serviço, retirando-o, sem a devida autorização da garagem do edifício no qual funciona o Tribunal, para realizar, no final de semana, viagem ao litoral. Carlos, amigo de Ricardo, conduziu o veículo e transportou, além de Ricardo, mais quatro passageiros, cobrando dos mesmos R$ 50,00 (cinquenta reais) pelo traslado. Carlos conhecia a procedência do veículo. Saulo, chefe imediato de Ricardo, sabia do ocorrido e não adotou qualquer medida para impedir que Ricardo utilizasse o veículo oficial em proveito próprio e tampouco comunicou ao Diretor da repartição.

Considerando as disposições da Lei no 8.112/90, que trata do regime jurídico dos servidores públicos civis da União, bem como a Lei no 8.429/92, que estabelece as sanções aplicáveis aos atos de improbidade administrativa, responda, fundamentadamente, às seguintes indagações:

a. A que penalidade Ricardo está sujeito? Quem é a autoridade competente para aplicação da pena e quais são as fases do correspondente processo disciplinar? Qual o prazo prescricional da correspondente ação disciplinar? Esse prazo é passível de interrupção? Em caso positivo, em que hipótese(s)? b. Ricardo se sujeita, mesmo na hipótese de condenação na esfera administrativa, às sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa? Quais seriam essas sanções? Carlos, que não é servidor público, também está sujeito às referidas sanções? É determinante, para fins de configuração da(s) conduta(s) como ato de improbidade, a comprovação do dano ao patrimônio público? c. Saulo também pode responder por ato de improbidade? Admite-se que conduta omissiva seja configurada como ato de improbidade?

FCC\2008\

TRT

18ª

ADMINISTRATIVA

QUESTÃO

REGIÃO\

ANALISTA

JUDICIÁRIO

-

ÁREA

ESTUDO DE CASO

Em razão de fortes chuvas que caíram sobre a cidade, o prédio do TRT ficou totalmente destelhado, colocando em risco a segurança dos funcionários e equipamentos. Diante desse quadro, há necessidade de conserto urgente do telhado, cujo custo estimado ultrapassa o de dispensa de licitação pelo valor. O Presidente do Tribunal pretende incluir nessa obra a reforma do anexo do Tribunal, que não foi atingido pelas chuvas.

Elabore parecer sucinto com proposta de contratação de obras e serviços, abordando os seguintes aspectos legais:

a) se deve ser realizada licitação e, nesse caso, de que tipo; b) não sendo o caso de realizar licitação, se a hipótese é de dispensa ou de inexigibilidade; c) se, além da reconstrução do telhado, pode ser incluída a reforma do anexo; d) se há necessidade de publicação do despacho do Presidente autorizando a contratação na forma proposta no parecer, ou se a urgência da situação justifica a dispensa da publicação.