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A atuação da enfermeira na consulta do prénatal Michele Dias Santoro Araújo Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem. Egle de Lourdes Fontes Jardim Okasaki Docente do Curso de Graduação em Enfermagem. Orientadora. RESUMO Esse estudo diz respeito à consulta de enfermagem no pré-natal e a atuação do Enfermeiro nessa consulta buscando-se elucidar os seguintes questionamentos: Quais são as condutas do Enfermeiro ao realizar as consultas de pré-natal? As consultas de Enfermagem de pré-natal trazem benefícios para as gestantes? Quais são as terapêuticas prescritas para gestantes na consulta de Enfermagem de baixo risco? É uma pesquisa descritiva de revisão bibliográfica, contemplando os últimos 10 anos (1997-2007), Podemos concluir que a consulta de enfermagem traz grandes benefícios para as gestantes e para as instituições de saúde. As ações desenvolvidas pelo enfermeiro nessas consultas são entre outras utilizar componentes do método científico para identificar situações de saúde/doença, prescrever e implementar medidas de enfermagem que contribuam para a promoção, prevenção, proteção da saúde, recuperação e reabilitação do indivíduo, família e comunidade. Descritores: Enfermagem obstétrica; Pré-Natal; Gravidez. Araújo MDS, Okasaki ELFJ. A atuação da enfermeira na consulta do pré-natal. Rev Enferm UNISA 2007; 8: 47-9. INTRODUÇÃO O pré-natal inclui a prevenção, a promoção da saúde e o tratamento dos problemas que possam ocorrer durante o período gestacional e após o parto. A adesão das mulheres ao pré-natal está relacionada com a qualidade da assistência prestada pelo serviço e pelos profissionais de saúde, fator essencial para redução dos elevados índices de mortalidade materna e perinatal(1). É competência do Ministério da Saúde estabelecer políticas e normas para oferta do pré-natal com boa qualidade. Além dos equipamentos e instrumental para realização de consultas e exames, deve se levar em conta a capacitação adequada de todas as pessoas que atendem a mulher no seu percurso pela unidade de saúde. Na consulta de enfermagem o enfermeiro utiliza componentes do método científico para identificar situações de saúde/doença, prescrever e implementar medidas de enfermagem que contribuam para a promoção, prevenção, proteção da saúde, recuperação e reabilitação do indivíduo, família e comunidade2 . A consulta de enfermagem deve conter(1): a) Entrevista da gestante: - Preenchimento dos dados da ficha e do cartão da gestante. - Histórico social: antecedentes familiares, pessoais, ginecológicos, obstétricos, história da gestação atual. - Investigação e registro das alterações. b) Exame físico: - Avaliação do peso e do estado nutricional da gestante. - Determinação de sinais vitais. - Avaliação das mamas direcionada ao aleitamento materno. - Medida da altura uterina. - Ausculta do BCF. - Toque vaginal quando necessário para diagnosticar trabalho de parto. c) Solicitação dos exames laboratoriais de rotina padronizados (teste de gravidez, exame de urina rotina e urocultura com antibiograma, eritrograma se necessário, glicemia de jejum e pós dextrosol (se suspeita de diabetes), grupo sanguíneo e fator RH, IgM e IgG para toxoplasmose, VDRL, pesquisa de HbsAg, anti HIV). d) Diagnóstico (análise e interpretação das informações): - Cálculo da idade gestacional. - Avaliação do estado nutricional materno. - Acompanhamento do ganho de peso e crescimento uterino. Rev Enferm UNISA 2007; 8: 47-9. 47 - Avaliação de situações de risco materno-fetais. e) Ações complementares: - Orientações. - Prescrição de Sulfato Ferroso profilático. - Referenciamento para atendimento de maior complexidade (nível secundário ou terciário para pré-natal de alto risco). - Referenciamento para imunizações. - Referenciamento para práticas educativas coletivas. - Referenciamento para programa de suplementação alimentar. - Referenciamento para atendimento odontológico. Portanto, o profissional deve ser um instrumento para que a cliente adquira autonomia no agir, aumentando a capacidade de enfrentar situações de estresse, de crise e decida sobre a vida e a saúde. E um dos momentos na vida dessa mulher, em que ela vivencia uma gama de sentimentos, é durante a gravidez que, se desejada, traz alegria, se não esperada pode gerar surpresa, tristeza e, até mesmo, negação. Ansiedade e dúvidas com relação às modificações pelas quais vai passar, sobre como está se desenvolvendo a criança, medo do parto, de não poder amamentar, entre outros, são também sentimentos comuns presentes na gestante(3). Esse estudo se deu por necessidade da autora de conhecer e se aprofundar mais no que se diz respeito à consulta de enfermagem no pré-natal e a atuação do Enfermeiro nessa consulta buscando-se elucidar os seguintes questionamentos: Quais são as condutas do Enfermeiro ao realizar as consultas de pré-natal? As consultas de Enfermagem de prénatal trazem benefícios para as gestantes? Quais são as terapêuticas prescritas para gestantes na consulta de Enfermagem de baixo risco? OBJETIVOS - Demonstrar o quanto a consulta de Enfermagem traz benefícios para a população em geral; - Identificar as ações desenvolvidas pelo enfermeiro durante a consulta de pré-natal e, evidenciar o significado da ação do enfermeiro ao assistir a mulher na consulta de enfermagem pré-natal. METODOLOGIA Tratou-se de um estudo Exploratório e descritivo de revisão bibliográfica, contemplando os últimos 10 anos (1997-2007), estudando-se as produções científicas da Enfermagem brasileira, encontradas nas bases de dados LILACS, SciELO, ADOLEC e BDENF. A coleta de dados foi realizada empregando-se as palavras-chave, Consulta de Enfermagem e Pré-Natal. Como resultados foram encontradas 77 referências, das quais, 10 apresentaram grande relevância e pertinência ao estudo, excluindo-se as demais. Os critérios de exclusão foram baseados na repetição da referência, referências internacionais (já que se delineou a “Enfermagem brasileira”) e, temáticas que se desviavam do objeto de estudo. Além dessas referências utilizou-se livros, Anais e 48 Rev Enferm UNISA 2007; 8: 47-9. publicações oficiais de órgãos de saúde. Foi feito fichamento e agrupamento dos dados por pertinência e similaridade temática, do que emergiram as categorias de resultados, relacionadas à prática profissional da Enfermagem na consulta pré-natal, como se verá a seguir. RESULTADOS E DISCUSSÃO Como descrito na Lei n. º 7.498 de 25 de julho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício de Enfermagem, diz que cabe à enfermeira realizar consulta de enfermagem e prescrição da assistência de enfermagem; como integrante da equipe de saúde: prescrever medicamentos, desde que estabelecidos em Programas de Saúde Pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde; oferecer assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera e realizar atividades de educação em saúde(4). Atualmente, a Consulta de Enfermagem na rede básica de saúde é realizada de acordo com o roteiro estabelecido pelo Ministério de Saúde (2000)1, garantida pela Lei do Exercício Profissional e o Decreto no 94.406/87, o pré-natal de baixo risco pode ser inteiramente acompanhado pelo enfermeiro. De acordo com dados do Ministério da Saúde, é esperado que 80% das gestações evoluam normalmente, sem intercorrências, podendo ter o acompanhamento da enfermeira especializada, habilitada ou capacitada nessa área(4). O foco central da enfermagem é o cuidado do cliente. Os aspectos humanísticos e científicos do cuidado de enfermagem são executados através do processo de enfermagem. Portanto, o processo de enfermagem é o método científico de identificar e resolver problemas de enfermagem sendo composto pelas seguintes etapas: levantamento de dados, diagnósticos de enfermagem, planejamento de intervenções e avaliação(2). Nas atividades relacionadas à assistência pré-natal, estudos demonstrados por pesquisadoras relatam que a Consulta de Enfermagem tem sofrido transformações em sua concepção, metodologia e, principalmente, a inserção nos serviços de saúde, transitando para o prestígio e aceitação do profissional enfermeiro no seu fazer e assistir(5). Dessa forma, a consulta de enfermagem proporciona orientação de medidas favoráveis que visam à abordagem apropriada às necessidades peculiares das mulheres com quem interagimos em consultas no pré-natal, nas unidades básicas de saúde. É pertinente lembrar que os contatos freqüentes nas consultas entre enfermeiros e gestantes possibilitam melhor monitoramento do bem-estar da gestante, o desenvolvimento do feto e a detecção precoce de quaisquer problemas. A Consulta de Enfermagem já constava como proposta governamental desde 1978; porém na prática, observam-se limitações para ampliação e cobertura da clientela. Essas dificuldades decorrem principalmente pela falta de recursos humanos e materiais, dentre outros, acarretando sérios obstáculos à implementação de ações de enfermagem embasadas por princípios de qualidade, nos diversos serviços de atenção à mulher, ocasionando sobrecarga de atividades refletidos em uma assistência à mulher que não correspondem às suas expectativas e necessidades(5). A despeito de sua reconhecida importância, persistem fatores que impedem ou dificultam significativamente a realização da Consulta de Enfermagem(6). A realização de ações educativas no decorrer de todas as etapas do ciclo grávido-puerperal é muito importante, mas é no pré-natal que a mulher deverá ser melhor orientada para que possa viver o parto de forma positiva, ter menos riscos de complicações no puerpério e mais sucesso na amamentação(5). Considerando o pré-natal e nascimento como momentos únicos para cada mulher e uma experiência especial no universo feminino, os profissionais de saúde devem assumir a postura de educadores que compartilham saberes, buscando devolver à mulher sua autoconfiança para viver a gestação, o parto e o puerpério(7). O período pré-natal é uma época de preparação física e psicológica para o parto e para a maternidade e, como tal, é um momento de intenso aprendizado e uma oportunidade para os profissionais da equipe de saúde desenvolverem a educação como dimensão do processo de cuidar(6). Entre outros, merecem relevo às precárias condições de ambiente da unidade básica de saúde; infra-estrutura e outros recursos; além do acúmulo de funções (administrativa e assistencial) pela enfermeira; falta de conhecimento dos aspectos legais, que resultam em omissão e descuido quanto à prioridade da Consulta de Enfermagem como atividade específica da enfermeira e atenção básica de saúde da mulher na fase reprodutiva ou ginecológica(6). Num esforço de síntese de justificativa da investigação, lembramos que as tentativas de dar voz à mulher-gestante como foco precípuo de atenção dos serviços de saúde em unidades básicas são muito relevantes e atuais, uma vez que ampliam oportunidades de reflexão quanto à qualidade da atuação do profissional enfermeiro. Sob esse ângulo, tornase fundamental que as gestantes manifestem expectativas e necessidades quanto à Consulta de Enfermagem, e contribuam para uma assistência de enfermagem sempre mais eficaz trazendo aos serviços a qualidade no atendimento(6). Câmara (7) expõem que: “parece ser a consulta de enfermagem e as outras atividades educativas deste profissional preenchedoras das lacunas deixadas pela consulta médica, tornando-se um espaço de discussão e orientação. Observa-se nestes locais, que possuem a consulta de enfermagem, a dicotomia entre a consulta médica que enfatiza unicamente os aspectos biológicos, e a consulta de enfermagem associada a atividades educativas, nas quais aspectos psíquicos e as experiências são levadas em consideração”. E aponta a tarefa de ensinar como “uma das atividades que a enfermagem desempenha afim de concretizar o objetivo fundamental da enfermagem: a promoção da saúde” Quanto à satisfação da cliente, o significado de satisfação encontra-se na dependência da valorização de suas emoções e carências, da atenção dispensada e da intenção de atender seu estado de saúde e de amenizar suas angústias, estabelecendo uma relação carinhosa e de ações terapêuticas. Partimos do pressuposto que a satisfação da cliente deve ser o objetivo e a razão de qualquer serviço de saúde, conduzindo as diretrizes no sentido de atender às necessidades e expectativas da clientela. Assim, entendido o processo de assistência, ressaltamos a responsabilidade dos serviços de saúde, tendo em vista agir prontamente para eliminar ou minimizar os pontos estranguladores que, via de regra, obstruem a qualidade do trabalho e, conseqüentemente, da atenção à saúde da mulher na rede básica de saúde(5). CONCLUSÃO Com essa pesquisa concluímos que: a consulta de enfermagem traz grandes benefícios para a população em geral e também para as instituições de saúde já que as gestantes de baixo risco podem ser atendidas por enfermeiras e deixar as consultas médicas somente para as gestantes de alto risco. Ficou claro aqui que as ações desenvolvidas pelo enfermeiro na consulta de pré-natal são entre outras utilizar componentes do método científico para identificar situações de saúde/doença, prescrever e implementar medidas de enfermagem que contribuam para a promoção, prevenção, proteção da saúde, recuperação e reabilitação do indivíduo, família e comunidade. Os benefícios para a gestante também são inúmeros. O período do pré-natal é fundamental para preparação física, psicológica, para o parto e é também um momento de grande aprendizagem para as gestantes além de uma oportunidade para os enfermeiros desenvolverem a educação em saúde. REFERÊNCIAS 1. Ministério da Saúde. Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher: bases de ação programática. Brasília: Ministério da Saúde; 2000. 2. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Documentos básicos de Enfermagem. São Paulo: Coren, 1997. 3. Rios CTF, Vieira NFC. Ações educativas no pré-natal: reflexão sobre a consulta de enfermagem como um espaço para educação em saúde. Rio de Janeiro: CT F. & Vieira, 1999. 4. Barros SMO, Costa CAR. Consulta de enfermagem a gestantes com anemia ferropriva. Rev Latino-am Enfermagem 1999; 7(4): 105-11. 5. Lima YMS, Moura MAV. Consulta de Enfermagem prénatal: a qualidade centrada na satisfação da cliente. Cuidado Fund 2005; 9(1/2): 93-9. 6. Santos EF. Legislação em enfermagem: atos normativos do exercício e do ensino de enfermagem. São Paulo: Atheneu; 2000 7. Camara MFB, Medeiros M, Barbosa MA. Fatores sócioculturais que influenciam a alta incidência de cesáreas e os vazios da assistência de enfermagem. Rev Eletrônica Enfermagem 2000; 2(2). Rev Enferm UNISA 2007; 8: 47-9. 49