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Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 23

Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 231

Deus é soberano sobre as trapaças humanas.


(Texto: Gn 25:19~34)

1. Introdução.

Deus é soberano! Essa é uma frase curta, porém absoluta. Nada e ninguém podem
frustrar aquilo que Deus planejou em fazer. Como disse Deus a Isaías, "Desde toda
eternidade, eu o SOU; e não há ninguém que possa fazer escapar das minhas mãos;
agindo eu, quem impedirá?" (Is 43:13).

Entramos em uma nova etapa na nossa viagem em Gênesis. E a história de hoje, de


Esaú e Jacó, nos mostram que Deus é soberano, mesmo quando nós vacilamos e
parecemos que estragamos tudo por causa do nosso pecado. Não precisamos ficar
preocupados. Deus tem tudo sob controle! Essa é a verdadeira segurança do crente!

Deus é tão soberanos quem nem mesmo os nosso pecados podem ofuscar a sua Glória.
Quando pensamos que nossos erros podem prejudicar em alguma coisa Deus, estamos
enganados. O pecado sim tem um poder mortal em nós, mas Deus se mantém o mesmo,
mesmo quando pecamos. Esse é o segredo do por que podemos confiar em Deus: Ele é
imutável e soberanos sobre tudo!

Hoje as únicas palavras que quero dizer é que DEUS É SOBERANO!

2. Exposição do texto. (Gn 25:19~34)


19
Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou Isaque, 20
o qual aos quarenta anos se casou com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã2,
e irmã de Labão, também arameu.
21
Isaque orou ao SENHOR em favor de sua mulher, porque era estéril. O
SENHOR respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou. 22 Os meninos se
empurravam dentro dela, pelo que disse: “Por que está me acontecendo isso?” Foi então
consultar o SENHOR.
23
Disse-lhe o SENHOR:
“Duas nações estão em seu ventre,
já desde as suas entranhas
dois povos se separarão;
um deles será mais forte que o outro,
mas o mais velho servirá ao mais novo”.
24
Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.
25
O primeiro a sair era ruivo3, e todo o seu corpo era como um manto de pêlos; por isso
lhe deram o nome de Esaú4. 26 Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar
de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó5. Tinha Isaque sessenta anos de idade
quando Rebeca os deu à luz.

1
Pregado no MEP dia 22 de agosto de 2010.
2
25.20 Provavelmente na região noroeste da Mesopotâmia; também em 28:2,5,6 e 7.
3
25.25 Ou moreno
4
25.25 Esaú pode significar peludo, cabeludo
5
25.26 Jacó significa ele agarra o calcanhar ou ele age traiçoeiramente; também em 27:36.

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27
Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo
os campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho6 e vivia nas tendas. 28 Isaque preferia
Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.
29
Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto,
voltando do campo, 30 e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí.
Estou faminto!” Por isso também foi chamado Edom7.
31
Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.
32
Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”
33
Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Ele fez um juramento, vendendo o seu
direito de filho mais velho a Jacó.
34
Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu,
levantou-se e se foi.
Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.

1. Inicia-se uma outra história.

"Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou Isaque, o qual
aos quarenta anos se casou com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã
de Labão, também arameu." (vss. 19,20)

Abraão morreu e inicia-se a história de mais um herói da fé, Isaque. Isaque ocupa muito
pouco espaço em Gênesis, se comparado com Abraão e com Jacó, se filho. Esses dois
versículos são curtos em descrever a situação da família de Isaque: Isaque era filho de
Abraão, casou-se com quarenta anos com Rebeca, irmã de Labão, ambos de Padã-Arã,
ou seja, Mesopotâmia.

Pelo que tudo indica, depois do casamento de Isaque, Abraão viveu ainda trinta e cinco
anos. Porém, o interessante é que rapidamente, a narrativa focaliza a vida de Jacó e de
Esaú. Isaque, como veremos vai a frente, se mostra sempre uma pessoa pacata, e
algumas vezes passiva.

2. A providência divina para além da esterilidade.

"Isaque orou ao SENHOR em favor de sua mulher, porque era estéril. O SENHOR
respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou." (vr. 21).

Assim como Sara, Rebeca também era estéril, ou seja, não podia ter filhos. Por causa
disso, Isaque orou ao Senhor pedindo que ela pudesse engravidar. O termo "orar" vem
da raiz hebraica rt[, que envolve um sentido de pedir pela remoção de uma grave
enfermidade8. Isso nos revela que a esterilidade era uma questão séria naquela época.
Não ter filhos era visto como uma maldição de Deus.

A oração de Isaque foi atendida de uma maneira surpreendente: não bastando um,
Rebeca ficou grávida de gêmeos. Porém, nem Rebeca desconfiava do que estava
acontecendo. Lembre-se que naquela época não tínhamos como saber com certeza se
havia uma ou duas crianças na barriga da mãe. "Os meninos se empurravam dentro dela,

6
25.27 Hebraico: era homem pacato.
7
25.30 Edom significa vermelho.
8
Cf. WBC, pag 175.

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pelo que disse: “Por que está me acontecendo isso?” Foi então consultar o SENHOR."
(vr. 22). Ainda dentro da barriga de sua mãe, as duas crianças se "empurravam" como
se um estivesse brigando com o outro. A resposta que Deus deu a essa duvida deixa
bem claro qual era o propósito de Deus para a vida daquelas duas crianças que estavam
para nascer.

"Disse-lhe o SENHOR:
“Duas nações estão em seu ventre,
já desde as suas entranhas
dois povos se separarão;
um deles será mais forte que o outro,
mas o mais velho servirá ao mais novo”." (vr. 23)

Talvez para Isaque e Rebeca, aquela profecia de Deus parecesse algo muito estranho e
fora do normal. Naquela época, era o primeiro filho, o primogênito, que assumia a
função de continuar com o nome da família e herdar quase toda herança de seu pai.
Porém, Deus quebra todos os paradigmas da época dizendo que o mais novo dominaria
sobre o mais velho.

A revelação era clara: Rebeca teria gêmeos e esses dois filhos constituiriam duas
grandes nações, sendo que o mais novo formaria uma nação muito mais poderosa do
que o mais velho.

Deus age de maneira soberana. Isso quer dizer que Ele não está preso a métodos ou a
jeitos. Por mais que, pelos costumes, o mais velho dominasse sobre o mais novo, Deus
queria que ocorresse justamente o contrario. Em muitos momentos de nossa vida, é
justamente isso que acontece: Deus age de maneira totalmente inusitada e diferente. Isso
realça ainda mais o poder de Deus e seu absoluto controle de todas as coisas.

Não fique surpreso com aquilo que Deus pode fazer: Rebeca pedira só um filho, para
que pudesse se livrar do apelido de "amaldiçoada", porém, Deus lhe deu dois filhos de
uma vez. Embora fosse costume o mais velho dominar, Deus fez justamente o contrário.
Nosso Deus é muito criativo.

3. A diferença entre Esaú e Jacó.

"O primeiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pêlos; por isso
lhe deram o nome de Esaú. Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar
de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque sessenta anos de idade
quando Rebeca os deu à luz." (vss 25,26)

Pesquisas recentes mostram que gêmeos possuem uma ligação muito forte um com o
outro. Mesmo depois que nascidos, muitos ainda nutrem um pelo outro um vinculo tão
estreito que podem sentir mutuamente a mesma coisa no mesmo momento mas em
lugares diferentes. Mas, como nossa história vem mostrando, mais um paradigma cai
por terra. Embora fossem gêmeos, o mais velho, Esaú, e o mais novo, Jacó, eram
pessoas totalmente diferentes. Essa diferença fez com que esses dois irmãos
disputassem terreno e atenção até mesmo na hora do nascimento.

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A narrativa perece dar a impressão de que os dois irmãos estavam apostando uma
corrida: quem sairia primeiro? Esaú "venceu" essa mini corrida, é verdade, mas logo na
cola, segurando o calcanhar de seu irmão, Jacó nasceu. Um foi chamado de acordo com
a sua aparência física, outro foi chamado de acordo com o seu caráter: Esaú, o ruivo, e
Jacó, o trapaceiro.

Se Abraão demorou décadas para ter um filho, Isaque também demorou cerca de vinte e
cinco anos. Deus não tinha pressa em cumprir sua palavra.

"Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os


campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho e vivia nas tendas. Isaque preferia
Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó." (vss 27,28)

As diferenças entre os dois irmãos só vieram a se confirmar com o decorrer do tempo.


Esaú, tornou-se um caçador habilidoso, dependia, e muito da sua agilidade e vigor
físico. Por causa das finas iguarias que ele preparava ao seu pai, Isaque acabou gostando
mais de Esaú. Em contrapartida, Jacó era um pessoa pacata, gostava de ficar em casa
ajudando a sua mãe, por exemplo. É por isso que Rebeca se ligou mais intimamente a
Jacó.

A família de Isaque era literalmente formada por dois times: o time dos supostamente
mais fortes, com Isaque e Esaú, e o outro time, dos supostamente mais fracos,
integrados por Rebeca e Jacó. É lógico que uma família dividida nesses termos traria
confusão.

4. A trapaça.

"Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do
campo, e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!”
Por isso também foi chamado Edom." (vss. 29,30)

Cuidado com as pessoas quietas e pacatas. Elas podem ser assim à vista, mas você não
saberá o que elas pensam.

Certo dia, Esaú voltou faminto de uma caçada. Talvez ele não conseguiu pegar nenhum
animal. De qualquer maneira, Esaú, morto de fome, veio até Jacó, que parece ter sido
um cozinheiro de mão cheia: estava preparando um ensopado vermelho que atiçou mais
ainda o apetite de seu irmão mais velho, por isso que Esaú é chamado também de Edom,
que sinigica vermelho.

"Dá um pouco desse ensopado", disse Esaú. Porém, nesse intervalo, Jacó começou a
planejar um plano totalmente rasteiro. Aproveitando-se do momento de extrema
vulnerabilidade de seu irmão, Jacó pensou em negociar um prato de guisado com aquilo
que ele mais cobiçava na vida: o direito da primogenitura, ou melhor, a bênção que
cabia somente ao primogênito.

O filho mais velho gozava de muito privilégios dentro da família, dentro da sociedade e
até com Deus. Mais tarde, os primogênitos foram dedicados a Deus (Êx 22:28,29), de
tão importante que eram. Eram eles que tinham a missão de continuar a linhagem e
levar o nome da família adiante. Isso quer dizer que ser primogênito era considerado

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uma grande bênção de Deus9. Tanto é verdade isso que quando o patriarca estava para
morrer, ele abençoava o primogênito rogando a Deus todas as bênçãos para ele, e
quando ele morria, ele passava a ter "porção dobrada" da herança em relação aos seus
demais irmãos. Era isso que Jacó sempre quis, até mesmo quando, subconscientemente,
era bebê.

Se por um lado vemos a mente extremamente calculista e oportunista de Jacó, vemos


um Esaú que está completamente alheio à benção de ser o primeiro filho. Esaú não
estava nenhum pouco preocupado com a posição na família e com a responsabilidade
que ele tinha perante toda a sua sociedade.

"Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.


Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”
Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Ele fez um juramento, vendendo o seu
direito de filho mais velho a Jacó.
Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu,
levantou-se e se foi." (vss 31~34)

Duas pessoas com atitudes distintas: um estava ligado na benção, queria a benção; outro
queria o ensopado de lentilhas. Um estava interessado em uma benção vinda
diretamente de Deus, o outro no ensopado de lentilhas. Vemos uma pessoa aproveitando
da situação para ter em mãos aquilo que ele mais desejou, e do outro lado uma pessoa
que queria somente encher a pança com um ensopado de lentilhas. Qual era o preço da
benção para Esaú? Certamente menos que um ensopado de lentilhas.

A venda se concretizou, negócio fechado. Com um juramento expresso de Esaú, a partir


daquele momento Jacó era o primogênito diante deles mesmos, e o mais importante,
isso se tornou realidade concreta diante de Deus.

Feliz da vida, Esaú se fartou com aquele banquete e foi-se. "Assim Esaú desprezou o seu
direito de filho mais velho." (vr. 34b)

Conclusão: Deus é soberano sobre as trapaças humanas.

Até aqui mergulhamos na história. Agora vejamos alguns pontos importante para
entendermos as atitudes dos nossos personagens e o plano de Deus.

Se tivéssemos que dizer quem erro aqui, teríamos duas respostas: Esaú e Jacó. Ambos,
cada um com seu motivo e maneira, pecaram. Esaú pecou porque considerou um "nada"
a benção que Deus havia lhe dado desde o nascimento de ser o primogênito. Quando a
Jacó, ele pecou por ter enganado e "sacaneado" seu irmão mais velho. E Deus, onde
está Deus nessa história toda?

A maior lição que temos a aprender aqui é que Deus é soberano sobre as trapaças,
pecados, erros humanos. Mesmo que nós pequemos, nada foge do controle de Deus,
isso é ser soberano: ter o controle e o domínio sobre todas as coisas. Apesar do pecado
humano, mesmo através do pecado dos seus filhos, Deus traça tudo para a Sua glória10.

9
A palavra que significa "direito de primogenitura" hrkb e a palavra bênção hkrb formam um anagrama, o que leva a
pensar que o próprio direito consistia em uma benção divina. Cf. WBC pag 178.
10
Cf. PIPER, John. A sweet and bitter providence, 2010, Crossway, pag 23.

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Deus é tão bom e tão soberano, que mesmo Jacó tendo trapaceado seu irmão mais velho,
o justamente o meio pela qual Deus se utilizou para ser glorificado, ou seja, para ter a
sua palavra cumprida: você se lembra?

"Disse-lhe o SENHOR:
“Duas nações estão em seu ventre,
já desde as suas entranhas
dois povos se separarão;
um deles será mais forte que o outro,
mas o mais velho servirá ao mais novo”." (vr. 23)

Isso não quer dizer que Jacó estava livre das conseqüências desse pecado. A história de
Gênesis vai mostrar mais adiante que da mesma maneira que ele trapaceou, foi
trapaceado também. Isso também não quer dizer que seja plano de Deus que as pessoas
pequem, para que com isso Deus seja glorificado. Muito contrário! Deus está sobre o
controle tão pleno de todas as coisas que não será o meu pecado que impedirá que Deus
seja glorificado. Mesmo a despeito das nossas falhas, Deus sempre será glorificado.
Como dizia o apóstolo Paulo, Deus é "aquele que faz todas as coisas segundo o
propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo,
sejamos para o louvor da sua glória." (Ef 1:11)

Por que Deus é soberano sobre todas as coisas? Porque em ultima instancia, a despeito
de tudo e de todos, Deus sempre será glorificado.

Quando nós entendemos isso, poderemos adorar um Deus, que mesmo até a despeito
dos meus pecados, sempre agirá para o bem de seu povo e para a glória de seu nome!

"Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão


insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos? Pois, quem
conheceu a mente do Senhor? Quem se tornou seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu
alguma coisa, para que lhe seja recompensado? Porque todas as coisas são dele, por
ele e para ele. A ele seja a glória eternamente! Amém." (Rm 11:33~36).

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