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MODELO DE CONTROLO DE CUSTOS DE UMA OBRA

PÚBLICA, DO PONTO DE VISTA DO DONO DA OBRA

Ana Emília Vieira Botelho

Dissertação para obtenção do grau de mestre em


Engenharia Civil

Júri
Presidente: Prof. Augusto Martins Gomes
Orientador: Prof. Pedro Gameiro Henriques
Vogais: Eng. Pedro Chichorro Rodrigues

Novembro de 2009
Agradecimentos

Ao Professor Pedro Gameiro Henriques, do Instituto Superior Técnico, pela orientação e


disponibilidade que contribuíram de uma forma determinante para a realização deste trabalho,
os meus sinceros agradecimentos.

Ao Engenheiro Pedro Rodrigues, pelo interesse e disponibilidade demonstrado ao longo da


elaboração da dissertação e pelos seus valiosos ensinamentos a mim prestados.

A todos os que colaboraram na elaboração deste trabalho, seja directa ou indirectamente, tais
como, a minha irmã Mafalda Botelho, pela revisão do trabalho e do inglês, a empresa João
Vieira & Filhos, Lda., pelo interesse, apoio e material fornecido para o caso de estudo e a todos
os que nunca se recusaram a responder a uma pergunta ou ajudar quando necessário.

Aos meus pais e namorado pelo apoio inequívoco prestado desde o início ao fim da realização
deste mestrado.

I
II
Resumo

A presente dissertação tem como objectivo contribuir para o estudo do controlo de custos de
uma obra pública, do ponto de vista do Dono da Obra.

Deste modo, o trabalho desenvolvido propõe uma metodologia, de acordo com a legislação em
vigor, que fiscalize o controlo de custos na fase de execução da obra, facilitando ao Dono da
Obra o acompanhamento desta.

São descritos todos os procedimentos necessários para a gestão orçamental de uma obra,
desde a concepção do projecto, o lançamento da empreitada a concurso, a adjudicação, até à
elaboração de mapas para autos de medição e controlo contabilístico dos trabalhos efectuados
e a efectuar.

Esta metodologia foi produzida para satisfazer as necessidades de uma empreitada de obras
públicas com procedimento de concurso público, de acordo com o novo Código de Contratos
Públicos. De acordo com esta metodologia foi construído um modelo em Microsoft Excel,
validado com a aplicação de um caso de estudo.

Palavras-chave

Dono da Obra;

Gestão de projectos;

Rotinas;

Gestão de custo;

Controlo do custo;

Folha de cálculo.

III
Abstract

The present dissertation has the aim to contribute for the study of the costs control of a public
construction, from the point of view of a Construction site Owner.

In this way, this dissertation suggests a methodology, according to the actual legislation, that
supervises the costs control at the execution phase of a construction and, at the same time, to
facilitate the Owner’s supervision.

The necessary proceedings are even described for the budgetary management of a
construction, from the conception of the project to the launch of the commission to contest; the
grant; to the preparation of maps for the acts of measurement and the control of the
construction that were built and those that are still going to be built.

This methodology was produced to satisfy the needs of a contract of public works with public
procurement procedure, according to the new Code of Public Contracts. In accordance with this
methodology a model was built in Microsoft Excel using a case of study to confirm such model.

Keywords

Construction Owner;

Project management;

Routines;

Cost management;

Cost control;

Spreadsheet.

IV
Índice
1. Introdução .............................................................................................................................. 1
1.1. Campo de Aplicação do Trabalho ................................................................................. 1
1.2. Objectivos ...................................................................................................................... 1
1.3. Metodologia de Investigação......................................................................................... 2
1.4. Organização da Dissertação ......................................................................................... 2
2. Enquadramento Geral ........................................................................................................... 3
2.1. Introdução ...................................................................................................................... 3
2.2. Projectos e Obras .......................................................................................................... 3
2.3. Fases da Vida de um Projecto ...................................................................................... 4
2.4. Gestão de Projectos ...................................................................................................... 6
2.4.1. Intervenientes na Gestão de Projectos ................................................................. 6
2.4.2. Processos de Gestão de Projectos ....................................................................... 7
2.4.3. Funções de Gestão de Projectos .......................................................................... 8
2.4.4. Integração da Gestão do Tempo e do Custo ...................................................... 10
2.5. Intervenientes na Realização de uma Obra ................................................................ 11
2.5.1. Dono da Obra ...................................................................................................... 12
2.5.2. Fiscalização ......................................................................................................... 13
2.5.3. Autores do projecto ............................................................................................. 14
2.5.4. Empreiteiros ........................................................................................................ 17
2.6. Fases de Realização de uma Obra ............................................................................. 17
2.6.1. Concurso / Convite .............................................................................................. 18
2.6.1.1. Organização do Processo a Apresentar a Concurso .................................. 18
2.6.1.2. Organização da Proposta a Apresentar ...................................................... 20
2.6.1.3. Apresentação da Proposta .......................................................................... 22
2.6.1.4. Análise das Propostas ................................................................................. 23
2.6.2. Adjudicação ......................................................................................................... 23
2.6.2.1. Contrato ....................................................................................................... 25
2.6.3. Consignação ........................................................................................................ 26
2.6.4. Execução Física dos Trabalhos .......................................................................... 27
2.6.5. Recepção ............................................................................................................ 29
3. Princípios e Metodologia Propostos para o Modelo............................................................ 31
3.1. Introdução .................................................................................................................... 31
3.2. Princípios Propostos para o Modelo ........................................................................... 31
3.2.1. Caracterização da Obra para o Caso de Estudo ................................................ 32
3.2.2. Escolha do Instrumento Informático de Construção do Modelo ......................... 33
3.3. Metodologia proposta para o modelo .......................................................................... 34
3.3.1. Rotinas de Gestão de Custo ............................................................................... 34

V
3.3.1.1. Rotina de Gestão de Trabalhos Contratuais ............................................... 34
3.3.1.2. Rotina de Gestão de Trabalhos a Mais e a Menos ..................................... 35
3.3.1.3. Rotina de Gestão de Trabalhos de Correcção ou Suprimento de Erros e
Omissões . .................................................................................................................... 38
3.3.1.4. Rotina de Gestão de Revisão de Preços .................................................... 42
3.3.2. Rotina de Facturação e Pagamentos .................................................................. 45
3.3.2.1. Auto de Vistoria e Medição de Trabalhos e Auto de Revisão de Preços ... 45
3.3.2.2. Factura, Garantia Bancária e Operação de Tesouraria .............................. 49
3.3.2.3. Cabimentação, Pagamento e Recolha do Recibo ...................................... 49
3.3.3. Rotina de Gestão e Acompanhamento do Progresso da Obra .......................... 52
3.3.3.1. Plano de Base ............................................................................................. 54
3.3.3.2. Elementos Base .......................................................................................... 54
3.3.3.3. Indicadores de Estado ................................................................................. 55
3.3.3.4. Indicadores de Desempenho....................................................................... 55
3.3.3.5. Indicadores de Previsão .............................................................................. 56
4. Aplicação dos Princípios e da Metodologia Proposta para o Modelo ................................. 59
4.1. Introdução .................................................................................................................... 59
4.2. Estrutura do Modelo Proposto..................................................................................... 59
4.3. Apresentação do Modelo Proposto ............................................................................. 60
4.3.1. Folhas de Cálculo do Tipo I: Mapa de Medições ................................................ 61
4.3.2. Folhas de Cálculo do Tipo II: Mapa de Situação de Trabalhos .......................... 63
4.3.3. Folhas de Cálculo do Tipo III: Mapa de Controlo dos Trabalhos a Mais ............ 66
4.3.4. Folhas de cálculo do tipo IV: Mapa Resumo de Controlo dos Trabalhos a Mais e
a Menos . ............................................................................................................................ 68
4.3.5. Folhas de Cálculo do Tipo V: Mapa de Controlo dos Trabalhos Correcção ou
Suprimento de Erros e Omissões ....................................................................................... 68
4.3.6. Folhas de Cálculo do Tipo VI: Cálculo do Valor da Revisão de Preços ............. 73
4.3.7. Folhas de Cálculo do Tipo VII: Conta Corrente .................................................. 75
4.3.8. Folhas de Cálculo do Tipo VIII: Auto de Vistoria e Medição de Trabalhos ......... 77
4.3.9. Folhas de Cálculo do tipo IX: Auto de Revisão de Preços.................................. 77
4.3.10. Folhas de Cálculo do Tipo X: Mapa de Controlo de Facturação e Descontos ... 80
4.3.11. Folha de Cálculo do Tipo XI: Mapa de Gestão de Tesouraria e Despesas ........ 84
4.3.12. Folhas de Cálculo do Tipo XII: Medição do Progresso da Obra ......................... 87
5. Conclusões .......................................................................................................................... 89
5.1. Introdução .................................................................................................................... 89
5.2. Avaliação da Realização dos Objectivos da Dissertação ........................................... 89
5.3. Limitações da Investigação ......................................................................................... 90
5.4. Contribuições e Aspectos Inovadores ......................................................................... 90
5.5. Trabalhos Futuros ....................................................................................................... 90

VI
6. Referências Bibliográficas ................................................................................................... 91
ANEXOS ...................................................................................................................................... 93
ANEXO 1 – Resumo da Proposta Adjudicada ............................................................................ 95
ANEXO 2 – Proposta de Preço dos Trabalhos a Mais Correspondentes ao Primeiro Adicional 96
ANEXO 3 – Plano de Pagamentos e Cronograma Financeiro Entregue com a Proposta ......... 96
ANEXO 4 – Cálculo dos Coeficientes de Actualização Globais ................................................. 97
ANEXO 5 – Conta Corrente Correspondente à Revisão de Preços nº 1 ................................... 98
ANEXO 6- Conta Corrente Correspondente à Primeira Medição dos Trabalhos a Mais ........... 99
ANEXO 7 – Macro 1 .................................................................................................................. 100
ANEXO 8 – Auto de Vistoria e Medições de Trabalhos a Mais ................................................ 101
ANEXO 9 – Macro 2 .................................................................................................................. 102

VII
Índice de Figuras

Figura 2. 1 – Fases da vida de um Projecto ................................................................................. 4


Figura 2. 2 – Evolução do custo e aumento de recursos em função do tempo do projecto ......... 5
Figura 2. 3- Funções de Gestão segundo o PMBOK.................................................................... 8
Figura 2. 4 - Intervenientes na realização de uma obra ............................................................. 11
Figura 2. 5 – Organigrama de contratações do dono da Obra ................................................... 12
Figura 2. 6 – Organigrama da estrutura organizacional do dono da Obra. ................................ 13
Figura 2. 7 – Fases da elaboração de um projecto..................................................................... 15
Figura 2. 8 – Fases de realização de uma obra.......................................................................... 17
Figura 2. 9 – Valor do preço base ............................................................................................... 19

Figura 3. 1 – Vista parcial do alçado tardoz ................................................................................ 32


Figura 3. 2– Rotina de gestão de trabalhos contratuais ............................................................. 34
Figura 3. 3 – Rotina de Gestão de trabalhos a mais e a menos................................................. 35
Figura 3. 4– Rotina de gestão de trabalhos de correcção ou suprimento de erros e omissões 38
Figura 3. 5 – Rotina de gestão de revisão de preços ................................................................. 42
Figura 3. 6 – Rotina de facturação e pagamentos ...................................................................... 45
Figura 3. 7 – Rotina de gestão e acompanhamento do progresso da obra ............................... 53

VIII
Índice de Tabelas

Tabela 3. 1– Relação entre o estado do projecto e os indicadores CPI e SPI ........................... 56

Tabela 4. 1 – Folha de cálculo do tipo I correspondente ao Mapa de Medições nº 2. ............... 61


Tabela 4. 2– Folha de cálculo do tipo II correspondente ao mapa de situação de trabalhos nº 2.
..................................................................................................................................................... 65
Tabela 4. 3 – Folha de cálculo do tipo III correspondente ao mapa de controlo dos trabalhos a
mais. ............................................................................................................................................ 67
Tabela 4. 4 – Folha de cálculo do tipo IV correspondente ao mapa resumo de controlo de
trabalhos a mais e a menos. ....................................................................................................... 70
Tabela 4. 5 - Folha de cálculo do tipo V correspondente ao mapa resumo de controlo dos
trabalhos de correcção ou suprimento de erros e omissões. ..................................................... 72
Tabela 4. 6 – Folha de cálculo do tipo VI correspondente ao cálculo do valor da 1ª revisão de
preços. ......................................................................................................................................... 74
Tabela 4. 7– Folha de cálculo do tipo VII correspondente à conta corrente da segunda medição
dos trabalhos. .............................................................................................................................. 76
Tabela 4. 8 – Folha de cálculo do tipo VIII correspondente ao auto de vistoria e medição de
trabalhos nº 2. ............................................................................................................................. 78
Tabela 4. 9 - Folha de cálculo do tipo IX correspondente ao auto de revisão de preços nº1. ... 79
Tabela 4. 10 – Folha de cálculo do tipo X correspondente ao mapa de controlo de facturação e
descontos. ................................................................................................................................... 83
Tabela 4. 11 – Folha de cálculo do tipo XI correspondente ao mapa de gestão de tesouraria e
despesa ....................................................................................................................................... 86
Tabela 4. 12 – Cronogramas financeiros previsto e acumulado................................................. 87

Índice de Gráficos
Gráfico 3. 1– Elementos base e indicadores do estado de um projecto..................................... 57

Gráfico 4. 1 – Evolução dos cronogramas financeiros previsto e acumulado antes da primeira


prorrogação. ................................................................................................................................ 88

IX
Lista de Abreviações

CCP – Código dos Contratos Públicos;

PMI – Project Management Institute;

PMBOK – Project Management Body Knowledge;

CPM – Critical Path Method;

PERT – Program Evaluation and Review Technique;

P.C. – Preço Contratual;

T.M. – Trabalhos a Mais;

T.E.O. – Trabalhos de Erros e Omissões;

Ct - é o coeficiente de actualização mensal a aplicar ao montante sujeito a revisão;

EVM – Earned Value Management;

PV – Planed Value;

BCWS – Budget Cost of Work Schedule;

EV – Earned Value;

BCWP – Budget Cost of Worked Performed;

AC – Actual cost;

ACWP – Actual Cost of Work Performed;

CV – Cost Variance;

SV – Schedule Variance;

CPI - Cost Performance Index;

SPI – Schedule Performance Index;

EAC – Estimate At Completion;

ETC – Estimate To Completion;

BAC – Budget At Completion.

X
1. Introdução

1.1. Campo de Aplicação do Trabalho

A presente dissertação procura fornecer aos Donos da Obra uma ferramenta que lhes permita
responder, a qualquer momento, a questões relacionadas com o controlo e acompanhamento
dos custos da obra que estão a gerir.

Este acompanhamento é feito com base em rotinas e num modelo de controlo e previsão de
custos, integrando módulos de controlo de trabalhos a mais, de trabalhos a menos e de
trabalhos de erros e omissões, de revisão de preços, de facturação e descontos e de gestão de
tesouraria.

Todo o modelo proposto assenta numa ferramenta informática que se considera ao alcance de
qualquer Dono da Obra, o Microsoft Excel, sendo este um dos requisitos base para a
realização do modelo proposto.

1.2. Objectivos

Com o presente trabalho pretende-se promover e implementar um modelo de controlo de


custos de uma obra pública do ponto de vista do Dono da Obra, com base no estudo de um
caso prático de uma empreitada de obras públicas com procedimento de concurso público.

Pretende-se também elaborar uma pesquisa e um estudo bibliográfico dos conceitos gerais, da
metodologia e da legislação seguida nas empreitadas de obras públicas. Recorrendo a esta
pesquisa será elaborada a metodologia que se irá propor para o modelo.

Deste modo, pretende-se criar uma contribuição para o aprofundar dos conhecimentos sobre
as matérias relacionadas com o exercício do controlo de custos de uma obra pública do ponto
de vista do Dono da Obra.

1
1.3. Metodologia de Investigação

A investigação realizada foi dividida em três fases distintas:

• Pesquisa bibliográfica;
• Definição dos princípios e metodologia a aplicar no modelo;
• Construção e validação do modelo;

1.4. Organização da Dissertação

No que se refere à estruturação da dissertação, esta está organizada de modo a seguir a


metodologia de investigação apresentada no ponto anterior, permitindo ao leitor passar pelas
três fases de desenvolvimento do trabalho.

Para além da introdução, este trabalho é iniciado com uma descrição, a título de
enquadramento geral, das matérias relacionadas com projectos e obras, sendo fornecidas
todas as definições e bases jurídicas que se consideram relevantes para o controlo de custos,
desde o momento que o Dono da Obra define os objectivos do projecto. Deste modo, neste
capítulo pretende dar-se a conhecer as fases de vida de um projecto, a gestão de projectos
proposta pelo Project Management Institute, os intervenientes directos e as fases de realização
de uma obra pública.

No capítulo 3 faz-se a exposição dos princípios e metodologia admitidos para a construção do


modelo proposto no presente trabalho, que assenta apenas na fase de execução de uma obra
pública. Assim, é feita uma breve caracterização da obra escolhida para o caso de estudo e é
definida a ferramenta informática para a realização do modelo. O passo seguinte passa pela
representação das rotinas de gestão de custo associadas aos vários tipos de trabalhos e à
revisão de preços, da rotina de facturação e pagamentos e da rotina de gestão e
acompanhamento do progresso da obra.

A última e quarta fase (o capítulo 4) compreende a construção e validação do modelo,


aplicando os princípios e metodologia desenvolvidos no capítulo 3. Deste modo, passou-se do
modelo teórico para a sua aplicação prática, o que demonstra que, aplicando a metodologia
proposta, é possível elaborar de uma forma simples e directa o acompanhamento e controlo de
custos de uma obra pública do ponto de vista do Dono da Obra. No capítulo 5 verifica-se a
realização dos objectivos, bem como os aspectos inovadores deste trabalho.

2
2. Enquadramento Geral

2.1. Introdução

Nos dias de hoje, em que o nível de competição dos mercados é elevado, as condições
económicas são difíceis e o tempo para solucionar os problemas e fazer circular a informação é
cada vez mais reduzido, a implementação de um sistema de gestão de projectos é fundamental
para alcançar os objectivos do Dono da Obra, ou seja, o empreendimento ser concluído a
tempo, dentro do custo autorizado e de acordo com as normas de qualidade, segurança e
ambiente exigidas.

No presente capítulo será feito o enquadramento geral das matérias relacionadas com
projectos e obras, no âmbito em que esta dissertação se insere, sendo fornecidas todas as
definições e bases jurídicas que se considerem relevantes para o controlo de custos de uma
obra pública do ponto de vista do Dono da Obra.

Deste modo e visto que o controlo de custos de um projecto começa desde a fase de
concepção deste, serão descritas as fases de vida de um projecto, a gestão de projectos
proposta pelo Project Management Institute (PMI), os intervenientes directos e as fases de
realização de uma obra pública.

2.2. Projectos e Obras

Segundo Alves Dias (2008), um empreendimento ou projecto é “um programa de investimento


que tem por objectivo a realização de uma ou mais obras de qualquer tipo, abordando todos os
aspectos sociais, económicos, tecnológicos e administrativos das diversas fases da sua vida.”

Por outro lado, Pedro Rodrigues (2009) caracteriza um projecto como “um esforço temporário
realizado para criar um produto ou serviço único e diferenciado. Temporário porque cada
projecto tem uma data de início e uma data de fim e único porque o produto ou serviço criado é
diferente em muitos aspectos de quaisquer outros produtos ou serviços.”

Em relação às obras, estas podem ser classificadas quanto à entidade empreendedora como:

• Obras Públicas: quaisquer obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração,


reparação, conservação, limpeza, restauro, adaptação, beneficiação e demolição de
bens imóveis, executadas por conta de uma entidade pública.

• Obras Particulares: obras a realizar por conta de entidades particulares.

3
As obras públicas são regidas por diversos diplomas legais, de que se destaca o Código dos
Contratos Públicos (CCP) aprovado pelo Decreto-Lei nº 18/2008 de 29 de Janeiro. O objectivo
deste novo código de contratação pública é o de criar numa linha de continuidade, a matriz dos
principais regimes jurídicos em vigor à data da sua publicação e que o CCP revogou, entre os
quais se destaca, no que se refere às obras públicas, o Decreto-Lei nº59/99 de 2 de Março e
todos os seus restantes diplomas antecessores desde o Decreto-Lei nº 48 871 de 19 de
Fevereiro de 1969, que promulgou o regime do contrato de empreitadas de obras públicas.

Nas obras particulares aplicam-se principalmente as disposições do Código Civil que confere
ampla liberdade de contratação entre as partes, resultando, por isso, a introdução, muitas
vezes, de cláusulas que remetem a resolução dos casos omissos nos contratos estabelecidos
para a legislação de obras públicas.

No âmbito desta dissertação, apenas será feito o estudo das obras públicas.

2.3. Fases da Vida de um Projecto

Na vida de um Empreendimento podem distinguir-se as seguintes principais fases:

Fases da Vida de
um Projecto

Exploração/
Concepção Realização
Utilização

Figura 2. 1 – Fases da vida de um Projecto.

Fonte: (Alves Dias, 2008)

• Concepção: é nesta fase que se definem os objectivos, se fazem os estudos de


viabilidade, o planeamento preliminar e a elaboração dos projectos e concursos/
convites a empresas;
• Realização: nesta fase procede-se à execução física das obras previstas no
empreendimento empregando meios essencialmente físicos e mecânicos e com base
nos estudos e planos estabelecidos na fase anterior;
• Exploração/ Utilização: esta fase considera a gestão das obras pós-construção
compreendendo entre outras, as acções de conservação, manutenção e renovação
das estruturas físicas existentes.

4
Estas fases sucedem-se no tempo, embora com largas zonas de sobreposição. Assim, a fase
de concepção estende-se, normalmente, até ao fim da fase de realização e a fase de
exploração começa a ser preparada muito antes do seu arranque.

Para que Dono da Obra reduza os riscos de uma deficiente concepção do empreendimento,
deve possuir um conhecimento profundo da própria metodologia dessa concepção e saber
escolher, em devido tempo, as equipas adequadas.

Todo o processo desenvolve-se, assim, pela consideração simultânea dos aspectos


económicos e técnicos, em etapas progressivamente mais detalhadas, até ao estabelecimento
dos parâmetros básicos do empreendimento (A.P.P.C., 1978).

Pedro Rodrigues (2009) revela que as principais decisões relativamente à obra devem ser
tomadas durante a fase inicial, face aos custos que as alterações em fases mais avançadas do
processo poderão implicar.

Figura 2. 2 – Evolução do custo e aumento de recursos em função do tempo do projecto.

Fonte: (Pedro Rodrigues, 2009)

Segundo a figura 2.2, o custo e quantidade de recursos de um projecto são baixos na fase
inicial (concepção), aumentando até ao começo da fase final e caindo novamente até ao fim do
projecto. Tal facto remete para as fases intermédias uma maior responsabilidade sobre o
controlo dos custos, mais precisamente para a fase de execução do projecto.

Por vezes, em alguns empreendimentos os custos da fase final são superiores aos da fase
inicial e fase intermédia.

5
2.4. Gestão de Projectos

A gestão de projectos, segundo Pedro Rodrigues (2009), é definida como uma aplicação de
conhecimentos, competências, ferramentas e técnicas de modo a que as actividades do
projecto alcancem os objectivos do projecto, desde a fase de concepção até à fase de
exploração.

Como cada projecto é único, tanto no tipo de tarefas a executar, como no processo construtivo
implementado, nos materiais aplicados e na sequência das suas actividades, a gestão de
projectos na construção distingue-se da gestão da maioria das restantes indústrias, pois estas
últimas produzem objectos bastante homogéneos com processos de fabrico padronizados e
determinísticos.

Deste modo, a gestão de projectos constitui uma das várias opções à disposição do Dono da
Obra para a aquisição de projectos e obras. Este dispõe normalmente de serviços técnicos e
administrativos vocacionados para o lançamento e acompanhamento de projectos ou, no caso
de projectos de grandes dimensões, são criados gabinetes e comissões, onde se aplicam os
princípios de gestão de projectos.

No sentido de dar resposta às crescentes necessidades de gestão de projectos e com o


objectivo, entre outros, de uniformizar metodologias, foi criado em 1969 o Project Management
Institute (PMI). Posteriormente, em 1981, foi criado pela PMI “A Guide to the Project
Management Body of Knowledge” (PMBOK), que contém as regras de boas práticas de gestão
de projectos.

2.4.1. Intervenientes na Gestão de Projectos

Segundo Pedro Rodrigues (2009), os intervenientes na gestão de projectos podem ser:

• Gestor do Projecto: Indivíduo responsável pela gestão do projecto;

• Cliente: O indivíduo ou organização que utilizará os produtos do projecto. A


caracterização dos clientes poderá estar a diferentes níveis. Por exemplo, no caso da
construção, poderá ser o Dono da Obra ou um utilizador da infra-estrutura;

• Entidade Executante: empresa que executa os trabalhos do projecto;

• Financiador: indivíduo ou grupo interno ou externo à organização, que providencia os


recursos financeiros para o projecto;

6
• Colaboradores: Internos ou externos, proprietários ou fundadores, vendedores ou
construtores, membros da equipa e as suas famílias, agências governamentais,
cidadãos individuais, organizações sindicais temporárias ou permanentes, e a
sociedade em geral.

O gestor do projecto é a figura central no sucesso de um projecto e o elemento mais importante


numa organização de gestão de projectos. Este seu papel central implica que seja dotado de
uma larga variedade de capacidades relacionadas com os objectivos de realização do projecto,
dentro de funções de gestão específicos como tempo, custo e qualidade.

2.4.2. Processos de Gestão de Projectos

O PMI no PMBOK define cinco grupos de processos de gestão de projectos:

a) Processos de iniciação: decisão e aprovação do projecto, ou partes dos resultados;

b) Processos de planeamento: definição dos objectivos e selecção de alternativas de


acção para alcançar os objectivos que o projecto estiver comprometido a atingir;

c) Processos de execução: construção do projecto, direcção e coordenação dos


recursos humanos, materiais e financeiros para a realização do plano e alcance dos
objectivos predeterminados;

d) Processos de controlo: assegurar que os objectivos do projecto estão a ser atingidos,


através da monitorização regular do seu progresso para identificar variações do plano
e, portanto, poder implementar acções correctivas, quando necessárias;

e) Processos de encerramento: formaliza a aceitação do projecto e procede ao seu


encerramento de forma organizada.

7
2.4.3. Funções de Gestão de Projectos

O PMBOK (2004) define também nove áreas de conhecimento de gestão que, na óptica da
gestão de projectos se consideram as mais importantes:

Figura 2. 3- Funções de Gestão segundo o PMBOK.

Fonte: (www.cin.ufpe.br/~hermano/download/tutoriais/o-modelo-pmbok.pdf)

• Gestão da integração: reúne e inter-relaciona as diversas organizações, grupos ou


partes, de forma a constituir um todo coeso que permita alcançar, com sucesso, os
objectivos do empreendimento. É composto pelo desenvolvimento do plano do
empreendimento, execução do plano do empreendimento e controle geral de
alterações;

• Gestão do âmbito: descreve os processos necessários para assegurar que o


empreendimento contemple todo o trabalho requerido, e nada mais que o trabalho
requerido, para completar o empreendimento com sucesso. É composta pela iniciação,
planeamento do âmbito, detalhe do âmbito, verificação do âmbito e controle de
alterações do âmbito;

• Gestão do tempo: descreve os processos necessários para assegurar que o


empreendimento termine dentro do prazo previsto. É composta pela definição das
actividades, sequência das actividades, estimativa da duração das actividades,
desenvolvimento do cronograma e controle do planeamento e calendarização;

• Gestão do custo: descreve os processos necessários para assegurar que o


empreendimento seja completado dentro do orçamento previsto. É composta pelo
planeamento dos recursos, estimativa dos custos, orçamentação e controle dos custos;

8
• Gestão da qualidade: descreve os processos necessários para assegurar que as
necessidades que originaram o desenvolvimento do empreendimento serão satisfeitas.
É composta pelo planeamento da qualidade, garantia da qualidade e controle da
qualidade;

• Gestão dos recursos humanos: descreve os processos necessários para


proporcionar a melhor utilização das pessoas envolvidas no empreendimento. É
composta pelo planeamento organizacional, montagem da equipa e desenvolvimento
da equipa;

• Gestão da informação e das comunicações: descreve os processos necessários


para assegurar que a formação, apreensão, distribuição, armazenamento e pronta
apresentação das informações do empreendimento sejam feitas de forma adequada e
no tempo certo. É composta pelo planeamento das comunicações, distribuição das
informações, relatório de desempenho e encerramento administrativo;

• Gestão do risco: descreve os processos que dizem respeito à identificação, análise e


resposta a riscos do empreendimento. É composta pela identificação dos riscos,
quantificação e qualificação dos riscos, desenvolvimento das respostas aos riscos e
controle das respostas aos riscos;

• Gestão de contratos e aquisições: descreve os processos necessários para a


aquisição de mercadorias e serviços fora da organização que desenvolve o
empreendimento. É composta pelo planeamento e preparação de fornecimentos e
contratos, obtenção de propostas, selecção de fornecedores, administração dos
contratos e encerramento do contrato.

No caso particular da construção, o PMI considera importante para este tipo de projectos
adicionar às áreas já existentes no PMBOK a gestão da segurança, do ambiente, financeira e
de reclamações.

Em tempos em que o valor do trabalho e do dinheiro eram bem distintos dos que se lhes atribui
hoje, grandes empreendimentos foram bem sucedidos sem grandes cuidados de gestão.
Porém, hoje, num tempo e num meio em que os recursos financeiros são limitados e as
margens de lucro cada vez mais reduzidas, a gestão de empreendimentos tem de ser
encarada de modo integrado, conjugando todas estas vertentes.

9
2.4.4. Integração da Gestão do Tempo e do Custo

No âmbito desta dissertação, as principais preocupações são essencialmente conseguir para


um determinado projecto a integração dos prazos e custos do projecto. Segundo o PMBOK
(2004), a gestão do tempo e do custo de um projecto deve incluir um plano de base (Project
Baseline) com os seguintes processos:

a) Definição completa do âmbito de trabalho do projecto: definição de todos os


resultados e de todo o trabalho que deve ser executado (trabalhos contratuais) ou seja
a WBS (work breakdown structure) incluindo a definição das responsabilidades pela
concretização dos resultados;

b) Definição das actividades: determinação das actividades a realizar para a


concretização de todos os resultados do projecto e determinação das tecnologias e
métodos de construção a utilizar na execução dessas mesmas actividades;

c) Definição das interdependências entre actividades: as diferentes actividades


apresentam relações temporais entre si, fruto de condicionantes construtivas, físicas,
económicas ou contratuais. Nesta fase, deverão ser estabelecidas as relações de
precedência entre actividades com base na lista de actividades que foi preparada no
processo anterior;

d) Estimativa da duração das actividades: determinação de estimativas das durações


das actividades a executar com base em durações determinísticas (CPM) e durações
probabilísticas (PERT);

e) Estimativa e afectação de recursos das actividades: determinação de estimativas


dos recursos (humanos, materias e equipamento) necessários à execução das
actividades;

f) Desenvolvimento da calendarização: determinação da calendarização das


actividades, duração total do projecto e do calendário de utilização de recursos;

g) Desenvolvimento do orçamento objectivo ou orçamento aprovado (custo


industrial do projecto: determinação dos custos directos (seco) e custos indirectos do
projecto – reorçamento;

No final deste processo obtém-se o plano de base. Para se poder controlar um projecto, é
necessário comparar e analisar os dados reais da execução do projecto com os dados
planeados e que fazem parte do plano de base.

10
h) Execução e actualização do planeamento: depois de terminadas as fases de
planeamento e de calendarização o projecto pode passar à execução, sendo
necessário garantir a correspondência, sempre que possível, entre o previsto e o
executado em obra;

i) Monitorização e controlo do planeamento: Nesta fase importa prevenir possíveis


desvios face ao planeamento de base motivados por factores de incerteza inerentes ao
projecto. Devem ser efectuadas revisões ao projecto de forma a garantir a sua
actualidade, ajustando o planeamento à realidade da obra e aos objectivos definidos
para a realização do projecto e deve ser feita a gestão das alterações ao âmbito do
projecto.

Embora estes nove processos sejam aqui apresentados de forma individual, na prática eles
podem-se sobrepor, sendo esta situação mesmo desejável em algumas fases do planeamento
integrado de prazos/custos.

No capítulo seguinte serão abordados em pormenor o processo de execução e actualização do


planeamento e o processo de monitorização e controlo do planeamento.

2.5. Intervenientes na Realização de uma Obra

Os intervenientes na realização de uma obra são as entidades que intervêm directa ou


indirectamente nesta fase. Segundo Alves Dias (2008), destacam-se os seguintes principais
intervenientes:

Obra

Dono da Autores do
Empreiteiros
Obra Projecto

Director da Director Técnico


Assistente
Fiscalização da da Empreitada/
Técnico
Obra Obra

Assistência
Fiscalização Execução
Técnica

Figura 2. 4 - Intervenientes na realização de uma obra.


Fonte: (Alves Dias, 2008)

11
Estes intervenientes, em geral, delegam parte das suas competências a técnicos que os
representam nos principais actos que se relacionam com a execução da obra. Segundo Alves
Dias (2008), o Dono da Obra é representado pelo director da fiscalização da obra e outros
técnicos que constituem a fiscalização da obra, os autores do projecto por um assistente
técnico e o empreiteiro por um director técnico da obra, salvo nas matérias em que em virtude
da lei ou de estipulação contratual se estabeleça diferente mecanismo de representação.

Poderão ainda intervir outras entidades com funções de fiscalização conferidas pela legislação
vigente como por exemplo, o Coordenador de segurança em obra, as Câmaras Municipais e a
Inspecção Geral do Trabalho. (Alves Dias, 2008)

2.5.1. Dono da Obra

Segundo Alves Dias (2008), o Dono da Obra é “a entidade colectiva ou singular que tem a
função principal de idealizar e financiar o que pretende construir e reunidas as condições
necessárias, adjudicar a obra segundo um tipo de procedimento.” Este desejo de concretização
é traduzido pelo “programa preliminar”.

Dono da Obra

Contrata

Empreiteiros ou
Projectista Fiscalização Empreiteiro
Geral
Figura 2. 5 – Organigrama de contratações do dono da Obra.

O dono da Obra é o motor de toda a obra, dependendo dele o sucesso desta. É ele quem
contrata o autor do projecto e a fiscalização e selecciona os empreiteiros ou o empreiteiro geral
detentor de alvará ou título de registo, contendo as habilitações correspondentes à natureza e
valor dos trabalhos a realizar.

O Dono da Obra também nomeia o coordenador de segurança em obra através de uma


declaração escrita que o identifica perante todos os intervenientes no estaleiro, de acordo com
o art. 9.º do Decreto-Lei nº 273/2003 de 29 de Outubro.

12
Gestão do Gestão Gestão
Projecto Administrativa Operacional

S.
Projectista Fiscalização Empreiteiro Tesouraria Contabilidade Qualidade Segurança Ambiente Contratos
Administrativos

Figura 2. 6 – Organigrama da estrutura organizacional do dono da Obra.

Fonte: (Pedro Rodrigues, 2009)

Na estrutura organizacional do Dono da Obra, podemos encontrar, com maior ou menor


desenvolvimento e variações, dependendo do tipo e da dimensão das obras:

• Órgãos de gestão e controlo administrativo, com serviços administrativos das obras,


tesouraria e contabilidade com as funções para planificar, mobilizar e gerir os capitais;
• Órgãos de gestão e controlo operacional, com serviços de controlo da qualidade,
segurança, ambiente e gestão de contrato;
• Órgãos de Gestão e controlo do projecto e construção, com serviços prestados por
projectistas, fiscalização e empreiteiros, que em seguida iremos especificar.

2.5.2. Fiscalização

Segundo António Flôr (2008), a fiscalização é “uma entidade individual ou colectiva que, em
obra, acompanha a evolução dos trabalhos de execução com o principal intuito de defender os
interesses do Dono da Obra.

O Dono da Obra pode dispor nos seus quadros de serviços técnicos próprios para efectuar
esse tipo de trabalho ou, dado que o grau de especificidade das obras pode ser muito elevado
e como a fiscalização é uma actividade que pode requerer bastantes recursos humanos, este
pode recorrer a serviços técnicos exteriores tais como pessoas individuais, gabinetes de
projecto ou consultores, delegando parte das suas atribuições, nomeadamente no que respeita
á fiscalização da execução dos trabalhos.

Quando se trata de uma fiscalização externa, António Flôr (2008) anuncia que a fiscalização
deverá indicar, até dez dias úteis após a assinatura do contrato entre este e o Dono da Obra, o
seu representante sob reserva de aprovação pelo Dono da Obra e que será o interlocutor deste
em todos os aspectos relacionados com a prestação de serviços.

13
A fiscalização também designará, mediante aprovação por parte do Dono da Obra o
coordenador da qualidade que integrará a equipa residente da fiscalização.

Segundo António Flôr (2008), numa empreitada ou num conjunto de empreitadas, a


fiscalização deve:

• Prestar apoio nas actividades prévias ao início da execução da empreitada;


• Controlar o planeamento da obra;
• Controlar os custos da obra;
• Controlar a qualidade da obra;

Para assegurar uma boa gestão das actividades dos empreiteiros, fornecedores e outros
intervenientes, António Flôr (2008) anuncia ainda que a fiscalização deve:

• Manter actualizado e operacional o banco de dados das actividades a seu cargo;


• Assegurar a existência do livro de obra e respectivo preenchimento, pelos técnicos
responsáveis;
• Proceder á realização de reuniões periódicas com o Dono da Obra, com periodicidade
a indicar por este, visando a coordenação das empreitadas e fornecimentos em curso;
• Propor reuniões com os empreiteiros ou com os autores de projectos ou com outras
entidades ligadas à obra, a fim de esclarecer dúvidas.
• Salvaguardar o Dono da Obra de eventuais infracções cometidas por fornecedores ou
empreiteiros.

2.5.3. Autores do projecto

Os autores do projecto ou projectistas são empresas, técnicos ou grupos de técnicos


contratados pelo Dono da Obra para a elaboração e assistência técnica do projecto. Os
projectistas materializam o desejo do Dono da Obra, realizando o “programa base”, “estudo
prévio”, “anteprojecto” e o “projecto de execução”.

O termo projecto, neste caso, tem um sentido mais restrito abrangendo apenas a fase da sua
concepção. Neste caso, projecto é o conjunto de documentos que definem as características
técnicas das estruturas físicas de um empreendimento, subdividido em partes escritas e partes
desenhadas. (A.P.P.C., 1978).

14
Na elaboração de um projecto, segundo Alves Dias (2008), distinguem-se as seguintes
principais fases:

Programa Programa Anteprojecto Projecto de


Estudo Prévio
Preliminar Base Licenciamento Execução

Figura 2. 7 – Fases da elaboração de um projecto.

O programa preliminar é estabelecido pelo Dono da Obra o qual define os objectivos da obra
que pretende realizar, os condicionamentos de natureza financeira e o nível de qualidade da
obra, podendo ainda estabelecer limitações de custos e prazos de execução.

Na posse desse programa preliminar, o autor do projecto elabora o programa base verificando
a viabilidade de execução da obra e estudando soluções alternativas que respondam aos
requisitos definidos pelo Dono da Obra.

O programa base é submetido à apreciação do Dono da Obra que se pronuncia sobre a


solução que melhor se enquadre à sua intenção, após o que o autor do projecto elabora o
estudo prévio que assenta no desenvolvimento da solução aprovada pelo dono da obra. Nesta
altura, o Dono da Obra necessita avaliar os financiamentos e opções para a sua obra.

Com a aprovação do estudo prévio pelo Dono da Obra, o autor do projecto elabora o
anteprojecto ou projecto de licenciamento, pois é o projecto entregue à entidade licenciadora
para aprovação. Este projecto apresenta um maior grau de pormenor e assenta em definitivo
as bases para a continuação do estudo.

Por último, com a aprovação do anteprojecto pelo Dono da Obra, o autor do projecto elabora o
projecto de execução onde se definem todos os elementos necessários à boa execução dos
trabalhos.

15
Segundo Pedro Rodrigues (2009), fazem parte dos elementos do projecto de execução:

• Peças desenhadas;
• Peças escritas;
• Memória descritiva e justificativa;
• Notas de cálculo;
• Condições técnicas gerais e especiais;
• Medições;
• Orçamento;
• Plano de segurança e saúde e compilação técnica;
• Plano de prevenção e gestão de resíduos de construção e demolição.

A assistência técnica fornecida pelo autor do projecto pode definir-se, segundo Alves Dias
(2008), como sendo “os serviços complementares da elaboração do projecto, a prestar pelo
seu autor ao Dono da Obra em todas as fases da obra.” Porém, esta não pode ser confundida
com as funções inerentes a um empreiteiro ou a uma fiscalização.

O autor do projecto presta assistência técnica ao longo de todas as fases da obra,


compreendendo, de acordo com o art. 9.º nº 2 e 3 da Portaria 701-H/2008 de 29 de Julho, as
seguintes acções:

• Esclarecimento de dúvidas relativas ao projecto durante a preparação do processo do


concurso;
• Prestação de informações e esclarecimentos solicitados por candidatos a concorrentes,
sob a forma escrita e exclusivamente por intermédio do Dono da Obra, sobre
problemas relativos à interpretação das peças escritas e desenhadas do projecto;
• Prestação de apoio ao Dono da Obra na apreciação e comparação das condições da
qualidade das soluções técnicas das propostas de modo a permitir a sua correcta
ponderação por aquele, incluindo a apreciação de compatibilidade com o projecto de
execução, constante do caderno de encargos, de variantes ou alterações que sejam
apresentadas;
• Esclarecimento de dúvidas de interpretação de informações complementares relativas
a ambiguidades ou omissões do projecto, bem como elaboração das peças de
alteração do projecto necessárias à respectiva correcção e à integral e correcta
caracterização dos trabalhos a executar no âmbito da referida correcção;
• Apreciação de documentos de ordem técnica apresentados pelo empreiteiro ou Dono
da Obra, incluindo, quando apropriado, a sua compatibilidade com o projecto.

16
2.5.4. Empreiteiros

O Empreiteiro é, segundo Alves Dias (2008), “a entidade que se compromete a realizar a obra
perante o Dono da Obra, em regime de contrato de empreitada.”

Após ter recebido a adjudicação de uma obra, o empreiteiro selecciona um dos seus técnicos
para desempenhar as funções de director técnico de obra que são, segundo António Flôr
(2008):

• Desenvolver a preparação da obra;


• Gerir e controlar a obra em todos os aspectos administrativos, técnicos e económicos,
sendo responsável por todas as cláusulas do contrato, caderno de encargos e
restantes peças do projecto, de modo a atingir ou melhorar os resultados da sua
reorçamentação;
• Gerir a segurança da obra.

2.6. Fases de Realização de uma Obra

Na realização de uma obra podem distinguir-se as seguintes principais fases:

Execução Fisica dos Recepção


Concurso/ Convite
Trabalhos Provisória

Apresentação das
Consignação Recepção Definitiva
Propostas

Adjudicação e
Análise das
Assinatura do
Propostas
Contrato

Figura 2. 8 – Fases de realização de uma obra.

Fonte: (Alves Dias, 2008)

17
2.6.1. Concurso / Convite

É nesta fase que se definem as tarefas necessárias para a escolha dos empreiteiros que irão
executar a obra. Estas tarefas vão desde a organização do processo a apresentar a concurso
até à avaliação das propostas apresentadas pelos concorrentes.

2.6.1.1. Organização do Processo a Apresentar a Concurso

O CCP sistematiza, uniformiza e consolida num só texto legal todas as matérias relativas à
formação e execução dos contratos públicos, designadamente os relativos a:

• Empreitada de obras públicas;


• Concessão de obras públicas;
• Concessão de serviços públicos;
• Locação ou aquisição de bens móveis;
• Aquisição de serviços, incluindo os celebrados no âmbito dos sectores da água,
energia, transportes e serviços postais (sectores especiais);
• Contrato de sociedade;
• Outros contratos submetidos à concorrência.

No âmbito desta dissertação, apenas será feita a análise do contrato de empreitada de obras
públicas que, de acordo com o art. 343.º nº1 do CCP, representa “o contrato oneroso que tenha
como objectivo a execução ou a concepção e a execução de uma obra pública que se
enquadre nas subcategorias previstas no regime de ingresso e permanência na actividade de
construção.” Segundo o art. 344.º nº1 do mesmo código, as partes envolvidas no contrato de
empreitada de obras públicas são o Dono da Obra e o empreiteiro.

Segundo o art. 16.º nº1 do CCP, os procedimentos para a formação de contratos, cujo âmbito
inclua prestações que estão ou sejam passíveis de serem submetidas à concorrência do
mercado, são:

• Ajuste directo;
• Concurso público;
• Concurso limitado por prévia qualificação;
• Procedimento de Negociação;
• Diálogo Concorrencial.

No âmbito desta dissertação, apenas será feito o estudo do procedimento de concurso público.

18
O concurso público é um procedimento em que qualquer empresa que se encontre nas
condições gerais estabelecidas no programa de concurso pode apresentar proposta.

A escolha deste procedimento permite a celebração de contratos até 5.150.000€, excepto se


os anúncios forem publicados no Jornal Oficial da União Europeia, caso em que pode ser
qualquer valor.

Segundo o art. 130.º nº1 do CCP, o anúncio do concurso público é publicado no Diário da
República e de acordo com o art. 133.º nº 2, as peças do concurso público são obtidas por
download efectuado a partir da plataforma electrónica utilizada pela entidade adjudicante ou no
portal da internet dedicado aos contratos públicos.

Nos termos do art. 40.º nº1 alínea b) do mesmo código, as peças do concurso público são o
programa do procedimento e o caderno de encargos. Segundo o art. 41.º, o programa do
procedimento é “um regulamento que define os termos a que obedece a fase de formação de
contrato até à sua celebração.” O caderno de encargos é, de acordo com o art. 42.º nº1, “a
peça do procedimento que contém as cláusulas gerais, especiais, técnicas e jurídicas a incluir
no contrato a celebrar.”

O caderno de encargos deve fixar um preço base, ou seja, o preço máximo que a entidade
adjudicante se dispõe a pagar pela execução de todas as prestações que constituem o seu
objecto, correspondendo, segundo o art. 47.º nº1 do CCP, ao mais baixo dos seguintes valores:

Valor fixado no caderno de encargos

O M AIS B AIXO D ES TE S
VA LO RES

Valor m áxim o do contrato a Valor máxim o até ao qual o


celebrar permitido pela órgão com petente pode
escolha do procedimento autorizar a despesa inerente ao
(quan do e ste for ad opta do ao ab rigo contrato a celebrar (com petê ncia
da re gra g eral de es colh a d o atribuída por lei o u po r delegaç ão)
proc edim ento: art. 1 9.º a 2 1.º)

Figura 2. 9 – Valor do preço base.

Fonte: (www.inci.pt/SiteCollectionDocuments/Apresentacao_Roadshow_Total_20080318.ppt)

O CCP prevalece sobre as peças do procedimento e o programa do procedimento prevalece


sobre o anúncio.

19
2.6.1.2. Organização da Proposta a Apresentar

Com a entrada em vigor do CCP, a identificação de erros e omissões tem lugar tanto na fase
procedimental de concurso, como na fase de execução do contrato.

O art. 61.º nº1 do CCP estipula que, “para que o valor contratual reflicta o custo da obra desde
o início, os erros e omissões devem ser apresentados pelos diversos concorrentes, até ao
termo do quinto sexto do prazo fixado para a apresentação das propostas e são alvo deste
procedimento os erros e omissões que digam respeito a:

• Aspectos ou dados que se revelem desconformes com a realidade;


• Espécie ou a quantidade de prestações estritamente necessárias à integral execução
do objecto do contrato a celebrar;
• Condições técnicas que o concorrente não considere exequíveis.”

Segundo o nº 2 do mesmo artigo, exceptuam-se desta disposição os erros e omissões que são
detectáveis em fase de execução do contrato.

O CCP introduz mais uma alteração em relação aos erros e omissões pois estes não se limitam
à tradicional noção de erros e omissões de projecto, mas a todo o conteúdo do caderno de
encargos e às condições físicas dos locais de realização das obras.

José Antunes (2009) explica que este alargamento de âmbito obriga ao recurso dos conceitos
gerais do direito para a determinação do que deve ser entendido por erros e/ou omissões
constantes dos documentos do procedimento e de todas as informações prestadas pelas
entidades adjudicantes e já não só das peças escritas e desenhadas de projecto, como até
aqui acontecia.

De acordo com o nº 3 do mesmo artigo, “a apresentação por qualquer interessado, da lista dos
trabalhos de erros e omissões suspende o prazo para a apresentação das propostas desde o
termo do quinto sexto daquele prazo”. Segundo José Antunes (2009), encontrando-se
suspenso o prazo para apresentação das propostas, a entidade adjudicante tem pelo menos
três opções:

• Pronunciar-se sobre as listas recebidas dentro do período correspondente ao sexto


final do prazo para a apresentação das propostas. Neste caso, o prazo para a
apresentação das propostas recomeça a correr desde a data da publicação da decisão
e pelo número de dias correspondente ao último sexto do prazo para apresentação da
proposta;

20
• Não se pronunciar e, neste caso, entende-se que todos os erros e omissões constantes
das listas foram recusados. O prazo recomeça a correr desde o dia em que a proposta
deveria ter sido apresentada, acrescido de um sexto do prazo, correspondendo ao
período em que esteve suspenso;

• Socorrer-se da faculdade que o legislador lhe confere no art. 64.º nº2 do CCP, ou seja,
quando a aceitação de erros e omissões do caderno de encargos implicarem
alterações de aspectos fundamentais das peças do procedimento, o prazo fixado para
a apresentação das propostas deve ser prorrogado no mínimo, por período equivalente
ao tempo decorrido desde o inicio daquele prazo até à comunicação das rectificações
ou à publicitação da decisão de aceitação de erros ou de omissões.

Se nenhum dos interessados apresentar a lista de erros e omissões, a proposta é apresentada


no prazo fixado no procedimento. Porém, a própria entidade adjudicante poderá detectar erros
e omissões durante o procedimento e integrar nas peças do mesmo. Neste caso, pode haver a
necessidade de apresentação de preços e condições de suprimento de erros e omissões pelos
concorrentes, dentro do prazo de apresentação da proposta, sem qualquer prorrogação, pois
não foram identificados pelos interessados, mas pela própria entidade adjudicante.

Posto isso, os erros e omissões reclamados pelos concorrentes e aceites pelo Dono da Obra
durante o concurso são incluídos no valor do contrato.

Uma das questões que é levantada a propósito de alterações às peças do procedimento é a de


saber se o preço base pode ser alterado depois da abertura do procedimento, ou seja, quando
analisados os erros e omissões e as alterações de projecto, eles ponham em causa a
estimativa de custos do projectista que poderá ter dado origem ao preço base publicado.

Segundo José Antunes (2009), o preço base pode ser alterado, desde que a escolha do
procedimento não seja alterado e que o novo preço base esteja dentro dos limites de despesa
do órgão competente para contratar. Para isso, a entidade adjudicante deverá publicar um
anúncio rectificativo nos termos e nas condições prescritas no art. 6.º da Portaria 701-A/2008
de 29 de Julho.

Esta interpretação pode não ser pacífica pois, na fase de apresentação pública do código,
vários intervenientes entenderam esta alteração do preço base como impossível. Nesta
situação, José Antunes (2009) afirma que se algum, alguns ou todos os presuntivos
concorrentes entenderem que o preço base inicialmente previsto pela entidade adjudicante
para a obra sem erros e omissões se tornou incomportável, uma vez detectados e aceites os
erros e omissões do caderno de encargos, só têm uma alternativa: não concorrer.

21
2.6.1.3. Apresentação da Proposta

Segundo o art. 56.º do CCP, a proposta é “a declaração pela qual o concorrente manifesta ao
Dono da Obra a sua vontade de contratar e o modo pelo qual se dispõe a faze-lo.” A proposta
dos concorrentes tem de ser constituída, nos termos do art. 57.º nº 1 e 2 do mesmo código,
pelos seguintes documentos:

• Declaração do concorrente de aceitação do conteúdo do caderno de encargos


elaborada em conformidade com o modelo constante do anexo I Código de
Contratação Pública, do qual faz parte integrante;
• Documentos que, em função do objecto do contrato a celebrar e dos aspectos da sua
execução submetidos à concorrência pelo caderno de encargos, contenham os
atributos da proposta, de acordo com os quais o concorrente se dispõe a contratar;
• Documentos exigidos pelo programa de procedimento que contenham os termos ou
condições, relativos a aspectos de execução do contrato não submetidos à
concorrência pelo caderno de encargos, aos quais a entidade adjudicante pretende que
o concorrente se vincule;
• Documentos que contenham os esclarecimentos justificativos da apresentação de um
preço anormalmente baixo, quando esse preço resulte, directa ou indirectamente, das
peças do procedimento;
• Lista de preços unitários de todas as espécies de trabalho previstas no projecto de
execução;
• Plano de trabalhos quando o caderno de encargos inclua o projecto de execução;
• O projecto de execução quando este tiver sido submetido á concorrência pelo caderno
de encargos.

O art. 361.º nº 1 do CCP define o plano de trabalhos como “o documento que se destina, com
respeito pelo prazo de execução da obra, á fixação da sequência e dos prazos parciais de
execução de cada uma das espécies de trabalhos previstas e à especificação dos meios com
que o empreiteiro se dispõe a executa-los, bem como a correspondente definição do plano de
pagamentos previsto.”

22
2.6.1.4. Análise das Propostas

De acordo com o art. 70.º nº 1 do CCP, “as propostas são analisadas em todos os seus
atributos representados pelos factores e subfactores que densificam o critério de adjudicação.”
Segundo o nº 2 do mesmo artigo, são excluídas as propostas cuja análise revele:

• Que não apresentam algum dos atributos da proposta, nos termos do disposto no art.
57º nº1 alínea b);
• Que apresentam atributos que violem os parâmetros base fixados no caderno de
encargos ou que apresentem quaisquer termos ou condições que violem aspectos da
execução do contrato a celebrar por aquele, não submetidos à concorrência, sem
os
prejuízo do disposto no art. 49.º n. 4 a 6 e 8 a 11;
• A impossibilidade de avaliação das mesmas em virtude da forma de apresentação de
algum dos respectivos atributos;
• Que o preço contratual seria superior ao preço base;
• Um preço total anormalmente baixo, cujos esclarecimentos justificativos não tenham
sido apresentados ou, não tenham sido considerados;
• Que o contrato a celebrar implicaria a violação de quaisquer vinculações legais ou
regulamentares aplicáveis;
• A existência de fortes indícios de actos, acordos, práticas ou informações susceptíveis
de falsear as regras de concorrência.

Segundo o art. 71.º nº 1 do mesmo código, quando o preço base é fixado no caderno de
encargos, considera-se que o preço total resultante de uma proposta é anormalmente baixo
quando for 40 % ou mais inferior àquele.

2.6.2. Adjudicação

Nesta fase, o Dono da Obra expressa a vontade de contratar o empreiteiro que apresentou a
proposta mais vantajosa, notificando a decisão de adjudicação, em simultâneo, a todos os
concorrentes. Nos termos do art. 74.º nº1 do CCP, a adjudicação é feita segundo um dos
seguintes critérios:

• O da proposta economicamente mais vantajosa para a entidade adjudicante;


• O do mais baixo preço.

23
Segundo o nº 2 do mesmo artigo, só pode ser adoptado o critério de adjudicação do mais baixo
preço quando o caderno de encargos defina todos os restantes aspectos da execução do
contrato a celebrar, submetendo apenas à concorrência o preço a pagar pela entidade
adjudicante, pela execução de todas as prestações que constituem o objecto daquele.

De acordo com o art. 77.º nº2 do CCP, juntamente com a notificação da decisão de
adjudicação o órgão competente para a decisão de contratar deve notificar o adjudicatário
para:

• Entregar os documentos de habilitação exigidos nos termos do disposto no artigo 81.º;


• Prestar a caução, se esta for devida, nos termos do disposto nos artigos 88.º a 91.º,
indicando expressamente o seu valor;
• Confirmar no prazo para o efeito fixado, se for o caso, os compromissos assumidos por
terceiras entidades relativos a atributos ou a termos ou condições da proposta
adjudicada.

Nos termos do nº3 do mesmo artigo, as notificações devem ser acompanhadas do relatório
final de análise das propostas.

Segundo o art. 88.º nº1 do CCP, “a caução é destinada a garantir o exacto e pontual
cumprimento de todas as obrigações legais e contratuais que o adjudicatário assume com a
celebração do contrato”. Após a prestação da caução, o concorrente será notificado da minuta
do contrato e, segundo o art. 101.º do CCP, este deverá pronunciar-se sobre a mesma no
prazo de 5 dias após a sua recepção, findo o qual, se o não fizer, considerar-se-á aprovada a
mesma minuta.

Nos termos dos artigos 86.º nº 1 e 91.º nº 1, a adjudicação caduca se o adjudicatário não
apresentar os documentos de habilitação no prazo fixado no programa do procedimento ou no
prazo fixado pelo órgão competente para a decisão de contratar ou se o adjudicatário não
prestar a caução que lhe foi exigida. Nestes casos, ganha a proposta classificada e o
concorrente que tenha a documentação de habilitação em ordem.

24
2.6.2.1. Contrato

O art. 104.º nº 1 do CCP estipula que a celebração do contrato deve ter lugar no prazo de 30
dias contados da data da aceitação da minuta do contrato ou da decisão sobre a reclamação,
mas nunca antes de decorridos 10 dias contados da data da notificação da decisão de
adjudicação, apresentados todos os documentos de habilitação exigidos e confirmados os
compromissos referidos na alínea c) do nº2 do artigo 77.º.

Faz parte integrante do contrato, quando este for reduzido a escrito, e nos termos do art. 96.º
nº 1 do CCP os seguintes elementos:

• A identificação das partes e dos respectivos representantes, assim como do título a


que intervêm, com indicação dos actos que os habilitem para esse efeito;
• A indicação do acto de adjudicação e do acto de aprovação da minuta do contrato;
• A descrição do objecto do contrato;
• O preço contratual ou o preço a receber pela entidade adjudicante ou, na
impossibilidade do seu cálculo, os elementos necessários à sua determinação;
• O prazo de execução das principais prestações objecto do contrato;
• Os ajustamentos aceites pelo adjudicatário;
• A referência à caução prestada pelo adjudicatário.

Nos termos do art. 94.º nº 1 do CCP o contrato é reduzido a escrito através da elaboração de
um clausulado em suporte papel ou em suporte informático com a aposição de assinaturas
electrónicas.

De acordo com o nº 2 do mesmo artigo, fazem sempre parte integrante do contrato,


independentemente da sua redução a escrito:

• Os suprimentos dos erros e das omissões do caderno de encargos expressamente


aceites pelo órgão competente para a decisão de contratar;
• Os esclarecimentos e as rectificações relativas ao caderno de encargos;
• O caderno de encargos;
• A proposta adjudicada;
• Os esclarecimentos sobre a proposta adjudicada prestados pelo adjudicatário.

Segundo o art. 97.º nº1 do CCP, o preço contratual é “o preço a pagar, pela entidade
adjudicante, em resultado da proposta adjudicada, pela execução de todas as prestações que
constituem o objecto do contrato.” Assim:

  ç 

25
O art. 95.º no 1 do CCP define que salvo previsão expressa no programa de procedimento, não
é exigível a redução do contrato a escrito quando o contrato não necessita de ser sujeito a
fiscalização prévia do tribunal de contas ou quando se trate de contrato de empreitadas de
obras públicas de complexidade técnica muito reduzida e cujo preço contratual não exceda 15
000€.

O Tribunal de Contas é de acordo com o art. 214.º nº1 da Constituição da República


Portuguesa, o órgão de soberania que exerce o controlo externo supremo da actividade
financeira do Estado português. O controlo financeiro exercido pode ser, quanto ao momento
do seu exercício, prévio, concomitante ou sucessivo.

O controlo prévio consiste no exame da legalidade e do cabimento orçamental dos actos,


contratos ou outros instrumentos geradores de despesa ou representativos de
responsabilidades financeiras directas ou indirectas para as entidades de Administração
Pública Central, Regional e Local.

Se o contrato for de valor contratual igual ou superior ao fixado nas leis do Orçamento para
cada ano orçamental, este terá de ser objecto de pronúncia do Tribunal de Contas.

2.6.3. Consignação

Segundo Alves Dias (2008), é nesta fase que o Dono da Obra faculta ao empreiteiro
adjudicatário os locais e os elementos complementares do projecto para a execução da obra e
procede-se à assinatura do auto de consignação.

A data da assinatura do auto de consignação marca o início da contagem do prazo acordado


para a execução da obra, entre outras obrigações do empreiteiro, o que mostra a importância
desta data durante a execução da obra;

De acordo com o art. 358.º nº 1 do CCP, “na falta de estipulação contratual a consignação deve
estar concluída em prazo não superior a 30 dias após a data da celebração do contrato, no
caso de consignação total ou da primeira consignação parcial, ou logo que o Dono da Obra
tenha acesso aos prédios e autoridade para os entregar a terceiros, no caso das demais
consignações parciais.”

O art. 357.º nº 1 do CCP anuncia que o Dono da Obra, caso o contrato preveja essa situação,
pode realizar um plano final de consignação que densifique e concretiza o plano inicialmente
apresentado para efeitos de elaboração da proposta.

26
Este plano final de consignação revela bastante importância pois segundo José Antunes
(2009), o plano de trabalhos constante do contrato pode ser ajustado pelo empreiteiro ao plano
final de consignação apresentado pelo Dono da Obra e somente nessa situação existe a
possibilidade desta alteração.

Nos termos do art. 361.º nº 4 do CCP “os ajustamentos não podem implicar a alteração do
preço contratual, nem a alteração do prazo de execução da obra, nem ainda alterações aos
prazos parciais definidos no plano de trabalhos constante do contrato, para além do que seja
estritamente necessário à adaptação do plano de trabalhos ao plano final de consignação.”

O nº 6 do mesmo artigo define ainda que o procedimento de ajustamento do plano de trabalhos


deve ser concluído antes da data da conclusão da consignação total ou da primeira
consignação parcial.

A suspensão do auto de consignação só se pode verificar, segundo José Antunes (2009), se as


modificações dos locais tiverem uma amplitude que obrigue à elaboração de um projecto de
alteração.

2.6.4. Execução Física dos Trabalhos

Esta fase caracteriza-se pela realização física dos trabalhos segundo os planos concebidos. O
empreiteiro começa a execução dos trabalhos na data em que começa a correr o prazo de
execução da obra. Segundo o art. 362.º nº 1 do CCP, o prazo de execução da obra começa a
contar-se a partir:

• Da data da conclusão da consignação total;


• Da data da primeira consignação parcial;
• Da data em que o Dono da Obra comunique ao empreiteiro a aprovação do plano de
segurança e saúde, nos termos previstos na lei, caso esta data seja posterior.

Os trabalhos a mais, os trabalhos a menos, bem como os trabalhos de erros e omissões


detectados na fase de execução são considerados uma modificação objectiva do contrato.

27
Os trabalhos de suprimento de erros e omissões que têm lugar à identificação, durante a fase
de execução da obra, são os seguintes:

• Erros e omissão que era exigível, que actuando com a diligência necessária, os
concorrentes tivessem identificado na fase de formação do contrato, porém não o
fizeram;
• Erros e omissões identificados pelos concorrentes na fase de formação do contrato, e
rejeitados pelo Dono da Obra, mas que efectivamente se verificam;
• Erros e omissões já existentes no caderno de encargos, na fase de formação do
contrato, mas que, mesmo actuando com a diligência necessária, o adjudicatário não
conseguiria identificá-los nessa fase;
• Erros e omissões apenas detectáveis durante a fase de execução da obra e que
identificados pelo empreiteiro, hajam sido por ele oportunamente comunicados ao
Dono de Obra, no prazo de 30 dias a contar da data da sua detecção.

O art. 370.º nº 1 do CCP define os trabalhos a mais como “ os trabalhos cuja espécie ou
quantidade não esteja prevista no contrato e que se tornaram, necessários à execução da obra
na sequência de uma circunstância imprevista e não possam ser técnica ou economicamente
separados do objecto do contrato sem inconvenientes graves para o Dono da Obra ou, embora
separáveis, sejam estritamente necessários á conclusão da obra.” Este tipo de trabalhos
divide-se em:

• Trabalhos a mais da mesma espécie dos previstos a executar em condições


semelhantes;
• Trabalhos a mais de espécie diferente dos previstos ou da mesma espécie dos
previstos mas a executar em condições diferentes.

O nº 2 alíneas c) e d) do mesmo artigo definem ainda que o preço atribuído aos trabalhos a
mais, somado ao preço de anteriores trabalhos a mais e deduzido do preço de quaisquer
trabalhos a menos, não deve exceder 5% do preço contratual e que o somatório do preço
atribuído aos trabalhos a mais com o preço de anteriores trabalhos a mais e de anteriores
trabalhos de suprimento de erros e omissões não deve exceder 50% do preço contratual.

De acordo com o nº 3 do mesmo artigo, “o limite de 5% pode ser elevado para 25% quando
estejam em causa obras cuja execução seja afectada por condicionalismos naturais com
especiais características de imprevisibilidade, nomeadamente as obras marítimo-portuárias e
as obras complexas do ponto de vista geotécnico em especial a construção de túneis.”

28
Segundo o art. 20.º nº 1 alínea b) do Decreto Legislativo Regional nº34/2008/A que estabelece
as regras especiais de contratação pública na Região Autónoma dos Açores, só pode ser
ordenada a execução de trabalhos a mais quando o preço atribuído aos trabalhos a mais,
somado ao preço de anteriores trabalhos a mais e deduzido do preço de quaisquer trabalhos a
menos, não exceder 25 % do preço contratual.

No capítulo seguinte serão aprofundados os aspectos relativos à realização, na fase de


execução, dos trabalhos a mais e trabalhos de correcção e suprimento de erros e omissões,
bem como as temáticas da revisão de preços, facturação e pagamentos.

2.6.5. Recepção

Logo que a obra esteja concluída no todo ou em parte e tendo em conta o termo final do prazo
total ou dos prazos parciais de execução da obra, o art. 394.º nº1 do CCP informa que o
empreiteiro ou o Dono da Obra podem solicitar a recepção provisória da obra mediante a
realização de uma vistoria.

O art. 395.º nº 1 do mesmo código define que se não forem encontradas deficiências, elabora-
se um auto de recepção provisória que deve ser assinado pelos intervenientes. O art. 397.º nº1
revela que a partir da data de assinatura do auto inicia-se o prazo de garantia, durante o qual o
empreiteiro está obrigado a corrigir todos os defeitos da obra.

De acordo com o art. 398.º nº1 do CCP, decorrido o prazo de garantia será feita nova vistoria
em relação à totalidade ou a cada uma das partes da obra, para efeitos de recepção definitiva.
Se não forem encontradas anomalias, a recepção definitiva é formalizada em auto.

29
30
3. Princípios e Metodologia Propostos para o Modelo

3.1. Introdução

Uma das questões que mais preocupa um Dono da Obra, é saber se a obra que está a gerir tem
ou poderá ter derrapagens de custo e de prazo para além de saber se está a pagar os trabalhos
realmente efectuados ou se está a pagar trabalhos não realizados.

Para que o Dono da Obra obtenha resposta a estas questões, é necessário que tenha um
modelo de acompanhamento e controlo de custos da obra na fase de execução. Actualmente,
existem no mercado diversos programas sofisticados, desenvolvidos para apoiar o Dono da Obra
nesta situação.

O modelo aqui desenvolvido não tem o objectivo de fazer frente a esses programas, mas sim o
de reunir e sistematizar a informação que o Dono da Obra necessita, num modelo simples e com
resultados práticos, fiáveis e rápidos, com a inerente vantagem de o poder modelar e alterar em
qualquer altura.

No presente capítulo faz-se a apresentação dos princípios e metodologia propostos para a


construção do modelo de controlo de custos, na fase de execução de uma obra pública, do ponto
de vista do Dono da Obra.

Esta experiência reflecte o modo de funcionamento de um Dono da Obra num ambiente


específico (empreitada de obras públicas com procedimento de concurso público), porém as
funções e objectivos principais mantêm-se válidos nos aspectos essenciais, independentemente
do ambiente considerado.

3.2. Princípios Propostos para o Modelo

A primeira acção para a construção do modelo correspondeu à definição dos princípios que este
deveria seguir, ou seja, os seus fundamentos de base. Neste sentido, identificou-se uma obra
para o caso de estudo e escolheu-se o instrumento informático para a construção do modelo.

31
3.2.1. Caracterização da Obra para o Caso de Estudo

Uma vez que a temática do CCP ainda é recente e que a maioria dos contratos geridos por este
regime, aquando da selecção do caso de estudo, ainda se encontrava na fase de processo de
contratação, optou-se por utilizar como caso de estudo para a construção do modelo, uma obra
regida pelo Decreto-Lei nº 59/99 de 2 de Março e compará-la com as novas directivas do CCP.

Os valores utilizados para o caso de estudo são os reais e a metodologia proposta é um


resultado do estado do conhecimento actual (Decreto-Lei nº 18/2008) e da experiência das
entidades envolvidas no processo de controlo de custos da obra.

A obra em questão diz respeito à construção de um Centro Cultural em Santo António


Nordestinho, freguesia pertencente ao concelho do Nordeste em São Miguel, Açores. Esta
empreitada foi posta a concurso público, por preço global, pela câmara municipal do Nordeste
com a finalidade de criar um espaço recreativo e cultural para servir toda a localidade.

Figura 3. 1 – Vista parcial do alçado tardoz.

A adjudicação da empreitada deu-se a 30 de Dezembro de 2005 e o prazo de execução definido


foi de 12 meses com data prevista de conclusão a 30 de Dezembro de 2006 e o valor global total
da adjudicação de 755.281,89 € mais I.V.A.

A empreitada sofreu duas prorrogações de prazo e uma suspensão parcial dos trabalhos, todas
elas por facto não imputável ao empreiteiro. As duas prorrogações do prazo foram de 5 meses
cada uma e a suspensão parcial dos trabalhos foi de 2 meses, tendo a empreitada sido concluída
somente a 31 de Dezembro de 2007.

Uma das causas destas prorrogações de prazo foi as alterações ao projecto inicial, o que
provocou atrasos significativos nas actividades delas dependentes. De notar que as alterações
não ocorreram em simultâneo, conseguindo-se manter a obra em andamento embora em ritmo
mais lento. Outra das causas foi as indefinições ao projecto, ou seja, a falta de desenhos de
pormenores, o que provocou atrasos significativos nas actividades delas dependentes.

32
A portaria 701-H/2008 que aprova ao abrigo do art. 43.º n.º 7 do CCP, o conteúdo obrigatório do
programa e do projecto de execução bem como os procedimentos e normas a adoptar na
elaboração e faseamento de projectos de obras públicas, faz com que estas situações deixem de
ser possíveis.

Porém, estas suspensões e prorrogações de prazo podem ser fundamentadas pelo CCP nos
termos dos art. 297.º e 298.º nº 2 que anunciam, respectivamente, que a suspensão da execução
das prestações que constituem o objecto do contrato pode ser total ou parcialmente suspensa
caso se verifique o atraso do Dono da Obra na entrega ou na disponibilização de meios ou bens
necessários à respectiva execução e que esta suspensão causa a prorrogação do prazo por
período igual ao prazo inicialmente fixado no contrato, acrescido do prazo estritamente
necessário à organização de meios e execução de trabalhos preparatórios ou acessórios com
vista ao recomeço da execução.

O art. 365.º do CCP acrescenta ainda que, para as empreitadas de obras públicas, o Dono da
Obra pode ordenar a suspensão da execução dos trabalhos na falta de condições de segurança,
necessidade de estudar alterações a introduzir ao projecto ou recomendação relevante das
autoridades administrativas competentes.

3.2.2. Escolha do Instrumento Informático de Construção do Modelo

Para a construção do modelo, pretendia-se um instrumento informático que se adequasse ao


problema em análise, que obtivesse resultados práticos com bastante rapidez e que pudessem
ser melhorados e aperfeiçoados posteriormente, com acesso à informação de forma directa, não
sendo necessário programar o acesso a essa informação.

Tendo em conta estes parâmetros, o instrumento informático escolhido para esse fim foi o
Microsoft Excel 2007. Este programa é uma ferramenta vocacionada para aplicações numéricas,
tais como cálculos, estatísticas, gráficos, formulários, orçamentos, modelos financeiros entre
outros requisitos das rotinas empresariais e administrativas, que se adapta com bastante
facilidade às necessidades do utilizador, permitindo-lhe obter resultados desde logo.

Como este programa pertence ao Microsoft Office System, este software funciona integrado com
todos os outros produtos da família Office, facilitando assim a interligação dos diversos tipos de
trabalho.

33
3.3. Metodologia proposta para o modelo

Definidos os princípios do modelo, resta determinar a metodologia para a implementação deste,


ou seja, fixar e descrever detalhadamente as rotinas de gestão de custos, a rotina de facturação
e pagamento e a rotina de gestão e acompanhamento do progresso da obra.

3.3.1. Rotinas de Gestão de Custo

Aos vários tipos de trabalhos e às revisões de preços estão associadas rotinas de gestão de
custo. De seguida, apresentam-se estas rotinas, atribuindo as acções e responsabilidades de
cada interveniente.

3.3.1.1. Rotina de Gestão de Trabalhos Contratuais

Vistoria e
Medições dos Mapa de Medições
trabalhos
contratuais

Figura 3. 2– Rotina de gestão de trabalhos contratuais.

Acção realizada pelos representantes do Dono da Obra e do empreiteiro;

Acção realizada pelo representante do Dono da Obra.

Os trabalhos contratuais são trabalhos cuja natureza e quantidades tenham sido previstas no
mapa de quantidades que serviu de base à contratação.

Nos termos dos art. 387.º e 388.º nº 1, 2 e 3 do CCP, o Dono da Obra deve medir todos os
trabalhos executados, incluindo os trabalhos não previstos no projecto ou não devidamente
ordenados por este. As medições são feitas no local da obra pelo Dono da Obra, com a
colaboração do empreiteiro. Na falta de estipulação contratual, a medição é feita mensalmente,
devendo estar concluída até ao 8º dia do mês imediatamente seguinte aquele a que respeita.

Nesta rotina, apenas se contabilizam as medições dos trabalhos contratuais para os quais não
existam divergências.

34
3.3.1.2. Rotina de Gestão de Trabalhos a Mais e a Menos

Estimar se Valor Estimar se valor


de Anteriores T.M de Anteriores Proposta de
+ Novos (T.M. e T.E.O.) + Preço e
T.M.dentro dos Novos T.M. dentro Prazo dos
25% do P.C. dos 15% T.M.

Verificar se
Ordem de Verificar se Valor
Valor dos T.M. e
Execução dos de T. M. dentro
T.E.O. dentro
T.M. dos 25% do P.C.
dos 15%

Formalização por Vistoria e


Escrito (Processo Medição dos Mapa de
de trabalhos Trabalhos a Medições
Adicionais) Mais e a
Menos

Se Valor dos
Abertura de
trabalhos a Mais
Novo
superior a 25% do
Procedimento
P.C.

Figura 3. 3 – Rotina de Gestão de trabalhos a mais e a menos.

Acção realizada pelos representantes do Dono da Obra e do empreiteiro;

Acção realizada pelo representante do empreiteiro;

Acção realizada pelos serviços técnicos ou jurídicos do Dono da Obra;


e
P.C. – Preço Contratual;
T.M. – Trabalhos a Mais;
T.E.O. – Trabalhos de Erros e Omissões.

Antes de se dar ordem de execução dos trabalhos a mais, o Dono da Obra deve estimar se o
valor desses trabalhos somado ao preço de anteriores trabalhos a mais e deduzido do preço de
quaisquer trabalhos a menos está dentro dos 25% do preço contratual, de acordo com o art. 20.º
nº1 alínea b) do Decreto Legislativo Regional nº 34/2008/A.

35
Importa ainda averiguar, segundo o art. 315.º nº 1 do CCP, se a ordem de execução desses
trabalhos a mais coloca a despesa da obra, ainda dentro do limite dos 15%, para trabalhos a
mais e erros e omissões em conjunto, para a efectivação do controlo da variação do volume total
de despesa da obra.

Segundo José Antunes (2009), se este limite de 15% já tiver sido ultrapassado, o Dono da Obra
terá de o comunicar no portal dos contratos públicos antes ou durante o inicio dos trabalhos,
devendo a publicidade ser mantida até seis meses após a extinção do contrato.

O prazo de execução da obra nestas circunstâncias, segundo o art. 374.º nº 1 do CCP, pode ser
prorrogado excepto se estes trabalhos não prejudicarem o normal desenvolvimento do plano de
trabalhos.

Na falta de estipulação contratual, o preço a pagar pelos trabalhos a mais e o respectivo prazo de
execução são fixados, de acordo com o art. 373.º nº 1, 2, 3 e 4 do CCP, nos seguintes termos:

• Para os trabalhos da mesma espécie de outros previstos no contrato e a executar em


condições semelhantes, aplicam-se os preços contratuais e os prazos parciais de
execução previstos no plano de trabalhos para essa espécie de trabalhos;

• Para os trabalhos de espécie diferente ou da mesma espécie de outros previstos no


contrato, mas a executar em condições diferentes, o empreiteiro deve apresentar uma
proposta de preço e de prazo de execução no prazo de 10 dias a contar da data da
notificação da ordem de execução dos mesmos, ou declarar que não se encontra em
condições para os executar.

Posto isso, o Dono da Obra dispõe de 10 dias para se pronunciar sobre a proposta do
empreiteiro, podendo, em caso de não-aceitação da mesma, apresentar uma contra-proposta. Se
o Dono da Obra não efectuar nenhuma comunicação ao empreiteiro dentro do prazo previsto,
considera-se que a proposta deste foi aceite.

Para que o empreiteiro possa realizar os trabalhos a mais, o Dono da Obra tem de ordenar por
escrito, a este, a realização destes trabalhos e deverá entregar-lhe também as alterações dos
elementos de solução da obra, necessárias à sua execução. (art. 371.º nº1 do CCP)

O art. 371.º nº 2 do CCP, define ainda que o empreiteiro pode optar pelo direito de resolução do
contrato ou alegar impossibilidade de realizar estes trabalhos, sejam eles trabalhos da mesma
espécie de outros do caderno de encargos ou de espécie diferente, desde que comprove não
possuir meios humanos e técnicos indispensáveis à sua execução.

36
Assim, o empreiteiro deve, de acordo com o art. 372.º nº 1, 2 e 3 do CCP, reclamar em 10 dias
contados do recebimento da ordem de execução, contra esta e o Dono da Obra tem igualmente
10 dias para se pronunciar sobre a reclamação e aqui tem duas hipóteses:

• Aceita a reclamação e se esta possuir como fundamento a falta de elementos de solução


da obra, procede à reparação da situação e entrega os ditos elementos ao empreiteiro;

• Considera injustificada a reclamação do empreiteiro e notifica o empreiteiro com, pelo


menos 5 dias de antecedência para a execução dos trabalhos a mais ou opta pela
execução dos trabalhos a mais, directamente ou por intermédio de terceiro, quando o
empreiteiro tenha manifestado de forma decisiva a intenção de não os executar.

De acordo com o art. 375.º do CCP, definidos todos os termos e condições a que deve obedecer
a execução dos trabalhos a mais, o Dono da Obra e o empreiteiro devem proceder à respectiva
formalização por escrito. Se existirem trabalhos a menos, o preço correspondente aos trabalhos
a menos é deduzido ao preço contratual.

O CCP nada refere relativamente à obrigatoriedade de assinatura de um contrato adicional e


sujeição ao visto do tribunal de contas, no entanto, é obrigatório a compilação de toda a
informação dos trabalhos a mais e a sua posterior publicitação na plataforma electrónica de
contratação, sendo este procedimento obrigatório para efeitos de pagamento. Assim, sugere-se
que todas as informações escritas relativas aos trabalhos a mais sejam compiladas num
processo, que se poderia designar de processo de trabalhos adicionais, correspondendo a cada
ordem escrita de execução de trabalhos a mais, um adicional.

Se o valor dos trabalhos a mais for superior a 25% do preço contratual, de acordo com o art. 20.º
nº 2 do Decreto Legislativo Regional nº 34/2008/A, a obra só prossegue com a abertura de novo
procedimento, que tem de respeitar a modalidade adequada ao limiar do preço em que
previsivelmente vai ocorrer, com todos os passos necessários.

Para se proceder à valorização dos trabalhos a mais e a menos realizados, o Dono da Obra deve
em conjunto com o empreiteiro realizar a vistoria e medição dos trabalhos a mais e a menos e
posto isso, o empreiteiro deve entregar ao Dono da Obra o mapa de medições dos trabalhos
indicados para efeitos de pagamento.

37
3.3.1.3. Rotina de Gestão de Trabalhos de Correcção ou Suprimento de
Erros e Omissões

Estimar se Valor de
Estimar se Valor de
Anteriores( T.M.+
(Anteriores T.E.O. +
Detecção de T.E.O. T.E.O.) + Novos
T.M.+ Novos
T.E.O. dentro dos
T.E.O.) < 50% P.C.
15%

Verificar se Valor de
Ordem de Proposta de
(T.E.O + T.M) <
Execução dos Preço e Prazo
50% P.C. e Dentro
T.E.O. dos T.E.O.
dos 15%

Formalização por
Escrito (Processo Vistoria e
Medição dos Mapa de medições
de Trabalhos
Adicionais) T.E.O.

Se ∑ (T.E.O. + T.M.) Abertura de novo


> 50% P.C. procedimento

Figura 3. 4– Rotina de gestão de trabalhos de correcção ou suprimento de erros e omissões.

Acção realizada pelos representantes do Dono da Obra e do empreiteiro;

Acção realizada pelo representante do empreiteiro;

Acção realizada pelos serviços técnicos ou jurídicos do Dono da Obra.

38
A detecção dos trabalhos de correcção ou suprimento de erros e omissões, na fase de execução
da obra, deve ser da iniciativa do empreiteiro. Porém, antes de se dar início à realização dos
trabalhos de erros e omissões, o Dono da Obra deve estimar se o valor desses trabalhos está
dentro dos limites fixados pelo art. 20.º nº1 alínea b) do Decreto Legislativo Regional nº
34/2008/A e se a ordem de execução desses trabalhos de erros e omissões coloca a despesa da
obra, de acordo com o art. 315.º nº1 do CCP ainda dentro do limite dos 15% para trabalhos a
mais e erros e omissões em conjunto.

Para os trabalhos de erros e omissões, o CCP fixa vários regimes que afectam o preço, o prazo,
a responsabilidade das partes e de terceiros. Deste modo, houve a necessidade de avaliar em
separado cada tipo de erros e omissões:

a. Erros e omissão que era exigível que, actuando com a diligência necessária, os
concorrentes tivessem identificado na fase de formação do contrato, porém não o
fizeram:

Para que o Dono da Obra possa classificar este tipo de erros e omissões, independentemente de
quem o tenha identificado na fase de execução, terá de reclamar junto do empreiteiro que
considera que a detecção de tal erro era exigível na fase de formação de contrato.

Segundo José Antunes (2009), o trabalho nestas condições remete para o empreiteiro a
obrigação de suportar 50% da sua responsabilidade sendo que nestas situações, o CCP não
prevê a concessão de prorrogação de prazo ou ajustamentos ao plano de trabalhos.

b. Erros e omissões identificados pelos concorrentes na fase de formação do contrato, e


rejeitados pelo Dono da Obra, mas que efectivamente se verificam:

O dono da Obra depois de ser notificado pelo empreiteiro da existência do erro ou omissão, deve
consultar as peças do procedimento e a plataforma electrónica e apurar se este erro ou omissão
já tinha sido detectado anteriormente, independentemente de ter sido o adjudicatário ou qualquer
outro interessado, tenha este concorrido ou não e as razões para ter sido rejeitado. (José
Antunes, 2009)

No caso de já ter sido detectado na fase de formação do contrato, cabe ao Dono da Obra
verificar e decidir se aceita ou não que se trata efectivamente dum erro ou omissão, ou seja, se
ordena ou não a execução dos trabalhos conforme projectado ou se suspende os trabalhos e
pede a elaboração de outro projecto.

39
Quando os trabalhos de erros e omissões prejudicam o normal desenvolvimento do plano de
trabalhos, o CCP estipula, nos termos do art. 376.º nº 6, que o empreiteiro pode propor ao Dono
da Obra as modificações que se destinam a conciliar o plano em vigor com os trabalhos de erros
e omissões ordenados.

Ainda segundo o nº 6 do mesmo artigo, o Dono da Obra deve pronunciar-se sobre o plano de
trabalhos modificado e comunicar a sua posição ao empreiteiro até 15 dias após a participação
da proposta do empreiteiro, equivalendo o silêncio a aceitação.

De acordo com o nº 5 do mesmo artigo, o Dono da Obra deve justificar a razão pela qual agora
considera essencial à conclusão da obra os trabalhos que, apesar de terem sido detectados na
fase de formação do contrato, este não tenha aceite nesta fase e deve fazer constar esse facto
no relatório final da obra.

Segundo o art. 377.º nº 2 do CCP, a execução deste tipo de trabalho pode dar lugar a
prorrogação do prazo de execução da obra e nos termos do art. 378.º nº 1 do mesmo código, o
preço atribuído a estes trabalhos corre inteiramente por conta do Dono da Obra, bem como todos
os custos indirectos associados.

c. Erros e omissões já existentes no caderno de encargos, na fase de formação do


contrato, mas que, mesmo actuando com a diligência necessária, o adjudicatário não
conseguiria identificá-los nessa fase:

Se estes erros e omissões forem aceites pela entidade adjudicante, como não detectáveis na
fase de formação do contrato, serão pagos na totalidade pelo Dono da Obra, com direito a
prorrogação de prazo e alteração do plano de trabalhos.

No caso destes erros e omissões serem tidos como detectáveis, mas não tenham sido
detectados na fase de formação de contrato, estamos perante a situação a.

Segundo José Antunes (2009), o prazo para identificar estes erros e omissões junto do Dono de
Obra é de 30 dias a contar da data em que seria exigível tal detecção, sob pena desta
responsabilidade pelo custo ser transferida para o empreiteiro.

d. Erros e omissões apenas detectáveis durante a fase de execução da obra e que


identificados pelo empreiteiro, hajam sido por ele oportunamente comunicados ao Dono
da Obra, no prazo de 30 dias a contar da data da sua detecção:

Este tipo de erros e omissões não deriva duma deficiência do caderno de encargos ou do
projecto (pelo menos detectável), mas de condições específicas encontradas durante o

40
desenvolvimento dos trabalhos, que se vêem a revelar convenientes, necessários ou
imprescindíveis.

Segundo José Antunes (2009), se for o empreiteiro a identificar o erro ou omissão, este terá de,
no prazo de 30 dias a contar da data em que era exigível a sua detecção, comunicá-lo ao Dono
da Obra sob pena de responsabilidade pelo seu custo vir a ser da sua conta.

Este prazo justifica-se pelo facto de, se este erro ou omissão, detectado pelo empreiteiro,
implicar alteração de projecto, o Dono da Obra poderá reformular o projecto a tempo de não ter
de alterar o plano de trabalhos, não sendo necessário suspender os trabalhos.

De acordo com o art. 373.º do CCP, as regras de atribuição de preço e prazo dos trabalhos de
suprimento de erros e omissões são as mesmas regras impostas para os trabalhos a mais.

Nos termos do art. 376.º nº 1 e 2 do CCP, o empreiteiro tem a obrigação de executar todos os
trabalhos de erros e omissões que lhe sejam ordenados por escrito pelo Dono da Obra. Para tal,
o Dono da Obra deve entregar ao empreiteiro todos os elementos necessários para esse efeito,
excepto quando o empreiteiro tenha a obrigação pré-contratual ou contratual de elaborar o
programa ou o projecto de execução.

Tal como acontece para os trabalhos a mais, é obrigatório a compilação de toda a informação
dos trabalhos de erros e omissões e a sua posterior publicitação na plataforma electrónica de
contratação, sendo este procedimento obrigatório para efeitos de pagamentos. De igual modo,
sugere-se que todas as informações escritas relativas aos trabalhos de erros e omissões sejam
compiladas num processo designado de processo de trabalhos adicionais, correspondendo a
cada ordem escrita de execução de trabalhos de erros e omissões, um adicional.

Nos termos do art. 376.º nº 8 do CCP caso o somatório do preço atribuído aos trabalhos de erros
e omissões com o preço de anteriores trabalhos de erros e omissões e de anteriores trabalhos a
mais exceda 50 % do preço contratual, estes trabalhos devem ser objecto de contrato celebrado
na sequência de novo procedimento.

Para se proceder à valorização dos trabalhos de erros e omissões realizados, o Dono da Obra,
em conjunto com o empreiteiro, realiza a vistoria e medição dos trabalhos de suprimento de erros
e omissões e posto isso, o Dono da Obra procede ao preenchimento do mapa de medições dos
trabalhos indicados para efeitos de pagamento.

41
3.3.1.4. Rotina de Gestão de Revisão de Preços

Cálculo da Revisão
Publicação de Preços
dos Índices

Figura 3. 5 – Rotina de gestão de revisão de preços.

Acção realizada pelo estado;

Acção realizada pelo representante do Dono da Obra ou do empreiteiro.

Ao longo das últimas décadas, a revisão de preços das empreitadas de obras públicas tem
constituído uma garantia essencial de confiança entre as partes do contrato, permitindo-lhes
formular e analisar propostas baseadas nas condições existentes à data do concurso, remetendo
para a figura da revisão a compensação a que houver lugar em função da variação dos custos de
mão-de-obra, dos materiais e dos equipamentos de apoio de acordo com as regras definidas na
regulamentação específica. Deste modo, a revisão de preços foi considerada para que o
empreiteiro no fim da obra, não obtenha prejuízo ou lucro excessivo por considerar estimativas
de custo diferentes das reais.

O art. 382.º nº 1 e 2 do CCP prevê que o preço das empreitadas de obras seja revisto quando tal
seja previsto no contrato, nomeadamente o método de cálculo e a periodicidade. O Decreto-Lei
nº6/2004 de 6 de Janeiro estabelece o regime de revisão de preços das empreitadas de obras
públicas e de obras particulares e de aquisição de bens e serviços.

Tal regime considera os seguintes três métodos de revisão de preços:

• Fórmula polinomial;
• Garantia de custos;
• Fórmula e garantia de custos.

O método da fórmula polinomial é o mais usual e consiste na aplicação de uma fórmula


polinomial ao valor dos trabalhos revisíveis em cada período previsto no plano de pagamentos a
entregar conjuntamente com o plano de trabalhos e devidamente correlacionado.

42
Nos termos do art. 6.º nº 1 e 2 do Decreto-Lei nº 6/2004, as cláusulas de revisão de preços
poderão estabelecer que esta se efectue mediante a adaptação da seguinte fórmula geral à
estrutura de custos e à natureza e volume dos trabalhos:

  
t  a  ∑ bi  c  d
   (1)

a  ∑ bi  c  d  1 (2)

Na qual:

• d é o coeficiente que representa, na estrutura de custos, a parte não revisível da


adjudicação, com aproximação ás centésimas. O seu valor é 0,10 quando a revisão de
preços dos trabalhos seja apenas feita por fórmula;
• a, b, c, d são coeficientes que correspondem ao peso dos custos de mão de obra,
materiais e dos equipamentos de apoio na estrutura de custos da adjudicação, ou da
parte correspondente, no caso de existirem várias fórmulas, com uma aproximação ás
centésimas;
• Ct é o coeficiente de actualização mensal a aplicar ao montante sujeito a revisão;
• St é o índice dos custos de mão-de-obra relativo ao mês a que respeita a revisão;
• S0 é o mesmo índice, mas relativo ao mês anterior ao da data limite fixada para a entrega
das propostas;
• ∑Mit são os índices dos custos dos materiais mais significativos incorporados ou não, em
função do tipo de obra, relativos ao mês a que respeita a revisão, considerando-se como
mais significativos os materiais que representem, pelo menos, 1% do valor total do
contrato, com uma aproximação às centésimas;
• ∑Mi0 são os mesmos índices, mas relativos ao mês anterior ao da data limite fixada para
a entrega das propostas;
• Et é o índice dos custos dos equipamentos de apoio, em função do tipo de obra, relativo
ao mês a que respeita a revisão;
• E0 é o mesmo índice, mas relativo ao mês anterior ao da data limite fixada para a entrega
das propostas;

Os índices de mão-de-obra, dos materiais e dos equipamentos de apoio, são estabelecidos com
base em elementos estatísticos recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística e tratados pela
Comissão de Índices e Fórmulas de Empreitadas, uma comissão especializada do Conselho de
Instituto da Construção e do Imobiliário dependente do Ministério das Obras Públicas,
Transportes e Habitação.

Estes índices são determinados mensalmente e publicados em Diário da República. Para as


regiões autónomas da Madeira e Açores são determinados outros índices pelos respectivos
governos regionais.

43
Segundo o art. 15.º nº 1 e 2 do regime de revisão de preços de empreitadas de obras públicas, e
sem prejuízo do que estiver contratualmente estabelecido, o valor da revisão de preços é
calculado pelo Dono da Obra ou pelo empreiteiro com base no plano de pagamentos.

O empreiteiro ou o Dono da Obra tem direito a revisão de preços, nos termos do art. 9.º deste
regime, quando |ct-1|> 1%, isto é, 1,01≤ ct-1 ≤ 0.99.

Nos contratos em que se prevêem situações de trabalhos mensais e a revisão é feita por fórmula,
aplicam-se os indicadores económicos de cada mês à parcela dos trabalhos realizada em cada
mês respectivo, de acordo com o plano de pagamentos em vigor.

De acordo com o art. 13º nº 1, 2 e 3 e o art. 14º nº 1 deste regime, se for concedido prorrogação
do prazo por facto não imputável ao empreiteiro, este deverá submeter à aprovação do Dono da
Obra novo plano de trabalhos e correspondente plano de pagamentos ajustado à situação que
servirá de base ao cálculo da revisão de preços dos trabalhos por executar.

Neste caso, nos termos do art. 14º nº 2 deste regime, o coeficiente de actualização global a
considerar no cálculo do valor da revisão de preços será:

• O correspondente ao período em que os trabalhos deveriam ter sido executados, caso


este coeficiente seja inferior ao do mês em que, efectivamente, se realizaram os
trabalhos;
• O correspondente ao mês em que os trabalhos foram efectivamente executados, caso
se verifique a situação contrária.

Segundo o nº 3 do mesmo artigo, quando se verifique avanço no cumprimento do plano de


trabalhos, o coeficiente de actualização global a considerar na revisão será o correspondente ao
período em que os trabalhos foram executados.

No que diz respeito à revisão de preços de trabalhos a mais e a menos, o art. 11.º nº 1 e 2 e o
art. 12.º nº 1 do regime de revisão de preços de empreitadas de obras públicas estabelecem que:

• Para os trabalhos a mais com preços unitários já estabelecidos no contrato ou nos


elementos que o integram, aplica-se o esquema de revisão contratual;
• Para os trabalhos a mais que não tenham preços unitários estabelecidos no contrato ou
nos elementos que o integram, aplica-se o sistema de revisão por fórmula ou garantia de
custos consoante a natureza, o volume e a duração dos trabalhos e, em qualquer caso,
esta é feita relativa ao mês anterior ao da data em que foram propostos os novos preços.
• Quando a obra tiver trabalhos a menos, a revisão de preços dos trabalhos contratuais
realizados far-se-á pelo plano de pagamentos resultante da dedução do valor dos
trabalhos a menos nos períodos em que, contratualmente, se previa que viessem a ser
realizados.

44
3.3.2. Rotina de Facturação e Pagamentos

Auto de Vistoria e
Factura e
Medição de
Assinaturas Garantia
Trabalhos /
Bancária
Revisão de Preços

Cabimentação, Lançamento e
Verificação da
Pagamento e Operações de
Factura
Recolha do Recibo Tesouraria

Figura 3. 6 – Rotina de facturação e pagamentos.

Acção realizada pelo empreiteiro;

Acção realizada pelos representantes do Dono da Obra, Fiscalização e


empreiteiro;

Acção realizada pelo Dono da Obra.

3.3.2.1. Auto de Vistoria e Medição de Trabalhos e Auto de Revisão de


Preços

Das rotinas de gestão de trabalhos anteriores obtém-se o mapa de medições mensais de todos
os trabalhos executados. De acordo com o art. 389.º nº 1 do CCP, o Dono da Obra deve
elaborar, no prazo de 10 dias após a medição dos trabalhos realizados, uma conta corrente
especificando as quantidades de trabalho apuradas e respectivos preços unitários, o valor dos
trabalhos realizados, os descontos a efectuar, o reembolso de adiantamentos concedidos ao
empreiteiro e o saldo a pagar ao empreiteiro.

Cabe também ao Dono da Obra elaborar os autos de vistoria e medição dos trabalhos
acompanhados pelos mapas de situação de trabalhos.

45
Quando o auto de vistoria e medição está fechado, este é produzido em triplicado e deverá ser
assinado pelos representantes do empreiteiro, fiscalização e eventualmente pelo representante
do Dono da Obra, ficando uma cópia com cada um dos intervenientes.

Da rotina de gestão de revisão de preços obtém-se o cálculo da revisão de preços de todos os


trabalhos executados. Caso seja o empreiteiro a realizar a revisão de preços, o Dono da Obra
deve verificar o cálculo e realizar o auto de revisão de preços que deverá ser assinado pelos
representantes das partes, ficando igualmente uma cópia com cada um dos intervenientes se o
empreiteiro não contestar o conteúdo deste.

Valor dos Trabalhos realizados:

O valor dos trabalhos realizados é obtido, segundo Alves Dias (2008), de acordo com a seguinte
expressão:

(3)
Vtr  % Qri ' Pui

Onde:

Vtr – valor dos trabalhos realizados;

Qri – quantidade de trabalho da operação de construção i realizada no mês;

Pui – preço unitário contratual da operação de construção i.

Valor da revisão de preços:

O valor da revisão de preços representa o aumento ou redução verificado no valor dos trabalhos
realizados, quando há lugar a alteração das circunstâncias em que a obra foi contratada. Este
valor é obtido, segundo Alves Dias (2008), de acordo com a seguinte expressão:

Vr  Vt ' *Ct , 1-
(4)
Onde:

Vr – valor da revisão de preços;

Vt – valor sujeito a revisão de preços;

Ct – coeficiente de actualização.

Descontos:

Reforço da Caução:

46
Segundo o art. 353.º nº 1 do CCP, o reforço da caução existe para garantir o exacto e pontual
cumprimento das obrigações contratuais. Deste modo, às importâncias que o empreiteiro tiver a
receber em cada um dos pagamentos parciais previstos, é deduzido o montante correspondente
a 5% desse pagamento sobre os trabalhos previstos e 10% sobre os trabalhos a mais e revisão
de preços, excepto se o contrato fixar percentagem inferior ou dispensar tal dedução.

O nº 2 do mesmo artigo define que essa dedução pode ser substituída por títulos emitidos ou
garantidos pelo estado, por garantia bancária ou por seguro-caução nos mesmos termos
estabelecidos para a caução.

Caixa Geral de Aposentações:

O artigo 138º do Estatuto da Aposentação (Decreto-Lei nº 498/72 de 9 de Dezembro) esclarece


que nas folhas de pagamento relativas a contratos de empreitadas, tarefas e fornecimentos de
obras públicas, adjudicadas por quaisquer entidades com pessoal inscrito na Caixa Geral de
Aposentações, é exigida a dedução de 0,5% a favor desta, depositando-se o respectivo produto
na Caixa Geral de Depósitos.

Segundo o CCP esta situação deixou de ser obrigatória, porém, como a obra do caso de estudo
foi regida pelo Decreto-Lei nº 59/99 de 2 de Março, achou-se por bem continuar a fazer
referência visto que este desconto foi aplicado a esta obra e como tal surge nas folhas de cálculo
do modelo.

Segurança Social:

Nos termos do art. 55.º alínea d) do CCP, não podem ser candidatos, concorrentes ou integrar
qualquer agrupamento, as entidades que não tenham a sua situação regularizada relativamente
a contribuições para a segurança social em Portugal ou, se for o caso, no Estado de que sejam
nacionais ou no qual se situe o seu estabelecimento principal.

Adiantamentos e reembolso dos adiantamentos:

O artigo 292.º nº 1 alínea a) do CCP informa que, o Dono da Obra pode efectuar adiantamentos
de preço por conta de prestações a realizar ou de actos preparatórios ou acessórios das mesmas
se o valor dos adiantamentos não for superior a 30% do preço contratual e o empreiteiro entregar
caução de valor igual ou superior aos adiantamentos efectuados.

47
O reembolso do adiantamento é feito á medida que forem prestados ou entregues os bens ou
serviços correspondentes ao pagamento adiantado que tenha sido efectuado pelo Dono da Obra.
Segundo Alves Dias (2008), para determinar o reembolso do adiantamento, poder-se-á utilizar a
seguinte expressão, seja qual for a situação dos trabalhos da obra em relação ao plano de
trabalhos aprovado:

Va
Vri  ' Vpi (5)
Vt

Onde:

Vri – Valor de cada reembolso;

Va – valor do adiantamento;

Vt – valor dos trabalhos por realizar à data de recebimento do adiantamento;

Vpi – valor previsto no plano de pagamentos aprovado, ou o valor dos trabalhos


executados se este for superior.

O total de descontos (Vd) é a soma relativa a todos os descontos efectuados, nomeadamente o


desconto para a caixa geral de aposentações (CGA), o desconto do reembolso de cada
adiantamento (Vri) e o reforço da caução (RC), se o empreiteiro optar por esta forma de
prestação de caução.

/0  123  /4  51 (6)

Valor do IVA:

O Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) é um imposto aplicado em Portugal que incide sobre
a despesa ou consumo e tributa o “valor acrescentado” das transacções efectuadas pelo
contribuinte. Numa obra, o valor correspondente ao IVA resulta da aplicação da taxa legal em
vigor ao valor total dos trabalhos a executar. Esta taxa é actualmente de 20%, havendo no
entanto casos em que se aplica a taxa reduzida de 5%, como, por exemplo, nas empreitadas
executadas pelas autarquias locais e cooperativas de habitação. Para as Regiões autónomas a
taxa normal de imposto é de 14%, existindo também taxas reduzidas de imposto de 4%.

Para determinar o valor do IVA que o Dono da Obra deverá pagar ao Estado sobre os trabalhos
realizados e revisão de preços, poder-se-á utilizar as seguintes expressões respectivamente:

48
V678  T678 ' *Vtr , Vri-
(7)

V678  T678 ' Vr (8)

Valor líquido do auto:

O valor líquido do auto (Vl) é o valor que o Dono da Obra terá de pagar ao empreiteiro e é obtido
através da seguinte expressão:

V:  Vt , Vd  IVA (9)

3.3.2.2. Factura, Garantia Bancária e Operação de Tesouraria

Depois da aprovação do auto e respectiva conta corrente, o empreiteiro deve emitir a respectiva
factura, normalmente em triplicado, com a descrição em função das rubricas do auto e entregá-la
ao Dono da Obra. Se o reforço da caução for feito por garantia bancária, esta deve acompanhar
a factura para que seja efectuado o pagamento.

O Dono da Obra deve conferir os valores da factura face ao auto respectivo e os valores da
garantia bancária e arquivar a cópia dos processos correspondentes.

Posto isso, o Dono da Obra deve despachar a factura e a cópia da garantia bancária para os
seus serviços de contabilidade, para que esta possa fazer o lançamento da factura na folha de
caixa da obra respectiva.

A partir daqui o processo passa a ser administrativo-financeiro, dependendo da forma interna de


processamento do Dono da Obra.

Neste sentido, a contabilidade após lançar a factura deve arquivar o original do auto na pasta dos
autos e uma cópia deste na pasta da obra e encaminhar uma outra cópia, a factura e cópia da
garantia bancária à tesouraria para se proceder ao pagamento.

3.3.2.3. Cabimentação, Pagamento e Recolha do Recibo

49
O processo de cabimentação da obra deve ser feito logo no acto de lançamento de concurso,
garantindo assim a totalidade do valor da obra e por conseguinte a cabimentação de cada
situação de trabalhos. Posto isso, a tesouraria deve emitir o cheque e providenciar a assinatura
deste pelas pessoas com poderes para o acto, ou efectuar a transferência bancária mediante a
autorização das pessoas competentes para o efeito.

Segundo o art. 299.º nº 1 e 2 do CCP, o pagamento deve ser efectuado no prazo de 30 dias após
a entrega da respectiva factura ou no prazo estipulado pelo contrato, não devendo este exceder
em qualquer caso, 60 dias. O pagamento das revisões de preços, nos termos do art. 17.º do
Decreto-Lei n.º 6/2004, de 6 de Janeiro de 2004, deverá ser efectuado no prazo máximo de 44
dias contados, consoante os casos:

• Das datas dos autos de medição ou das de apresentação dos mapas a que se refere o
art.º391.º nº 1 do CCP, tratando-se de revisões provisórias;
• Das datas da publicação no Diário da República dos indicadores económicos em que se
baseiam, tratando-se de acertos;
• Das datas de apresentação dos cálculos pelo empreiteiro, quando tal esteja previsto no
contrato.

No caso de ainda não serem conhecidos os valores finais dos indicadores económicos a utilizar
na revisão de preços dos trabalhos executados, o Dono da Obra, de acordo com o art. 16.º nº 1
do regime de revisão de preços, deve proceder ao pagamento provisório com base no respectivo
preço previsto no contrato, revisto em função dos últimos indicadores conhecidos.

Nos termos do nº 2 do mesmo artigo, assim que forem publicados os indicadores económicos
respeitantes ao mês de execução dos trabalhos ou do período para tal previsto no plano de
trabalhos, o Dono da Obra deve proceder de imediato ao cálculo definitivo da revisão, pagando
ao empreiteiro ou deduzindo, na situação de trabalhos que se seguir, a diferença apurada.

Segundo o art. 392.º nº 2 e 3 do CCP, quando não forem liquidados todos os trabalhos medidos,
menciona-se o facto mediante nota explicativa inserida na respectiva conta corrente e logo que
sejam resolvidas as reclamações apresentadas pelo empreiteiro, o Dono da Obra deve proceder
à rectificação da conta corrente, liquidando e efectuando o pagamento ao empreiteiro da
importância apurada.

50
Se o pagamento exceder o prazo estipulado no contrato, de acordo com o art. 326.º nº 1 do CCP
e o art. 18.º nº 1 do Regime de Revisão de Preços, o empreiteiro tem direito a juros de mora
sobre o montante em dívida, calculado pela seguinte expressão:

/> '  *  1- (10)


/=  
365 100

Onde:

Vj – valor dos juros de mora

Vp – valor do pagamento em atraso

N – número de dias decorrido desde o dia seguinte ao da expiração do prazo de


pagamento (Max. 44 dias) até ao dia fixado na notificação do pagamento.

t – taxa fixada pela Direcção Geral do Tesouro e Finanças - durante o primeiro semestre
de 2009, esta taxa é de 9,5%, nos termos do aviso nº1261/2009, de 14 de Janeiro
publicado no Diário da República.

Segundo o art. 366.º nº 3 alínea b) do CCP, a falta de pagamento de qualquer quantia devida nos
termos do contrato, desde que tenha ocorrido um mês sobre a data do respectivo vencimento,
permite ao empreiteiro a suspensão do todo ou parte da execução dos trabalhos e, nos termos
do art. 332.º nº 1 alínea c) do mesmo código, caso o atraso seja superior a 6 meses ou quando o
montante em dívida excede 25% do preço contratual, excluindo juros, o empreiteiro tem direito a
rescindir o contrato.

Depois de efectuado o pagamento ao empreiteiro, este deve enviar o recibo à tesouraria para
que esta o verifique e confirme se o valor do recibo corresponde ao valor do pagamento e se a
data do mesmo não é posterior à actual.

Posto isso, a tesouraria tira cópia da factura, do recibo e da cópia da garantia bancária para
arquivo e guarda o original da factura e do recibo e cópia da garantia bancária até que estes
documentos sejam recolhidos pela contabilidade para lançamento do pagamento na folha de
caixa. A contabilidade deve ainda organizar o arquivo de documentos originais de forma a
garantir o acesso imediato aos documentos de suporte dos lançamentos.

51
3.3.3. Rotina de Gestão e Acompanhamento do Progresso da Obra

O Dono da Obra, no que diz respeito ao controlo do planeamento e dos custos de uma
empreitada, deve analisar toda a informação relevante necessária à boa análise do andamento
dos trabalhos e elaborar relatórios mensais ou documentações de ponto de situação sempre que
solicitado.

Segundo António Flôr (2008), o relatório de avaliação mensal deve conter:

• O orçamento inicial da empreitada;


• A evolução económica de acordo com o contrato em curso, assinalando os trabalhos
contratuais, trabalhos a mais, trabalhos a menos e de suprimento de erros e omissões
verificados;
• Um diagrama de Gantt actualizado, com indicação de precedências englobando todas
as frentes de obra, explicitando o estado de progresso da empreitada reportado ao
ultimo dia do período a que se refere o relatório;
• A exposição dos desvios orçamentais e de prazo e as suas causas e a proposta de
medidas correctivas dos desvios;
• A informação sobre custos fornecido em suporte informático, utilizando o programa
Microsoft Excel ou semelhante.

Deste modo, o Dono da Obra deve promover a implementação de metodologias que permitam,
quer a verificação dos custos, quer o assegurar da detecção atempada de desvios orçamentais e
de prazo, assegurando, a todo o tempo, informação correcta e actualizada da situação financeira
de cada empreitada.

A técnica do EVM - Earned Value Management - Gestão do Valor Acrescentado é uma


técnica de medição do progresso, que faz a monitorização e o controlo integrado do tempo e do
custo de um projecto em relação a um Plano de Base, tendo em conta os riscos associados ao
projecto de construção. Esta técnica compara o plano de base com o trabalho real executado e
os custos associados, ou seja, os resultados desta análise darão informações do quanto já foi
gasto no projecto, comparando com os valores previstos inicialmente. (Márcio Silva, 2007)

O Dono da Obra poderá recorrer a esta técnica para medir e controlar o progresso da obra que
está a gerir. Para tal, terá de com o auxílio de uma ferramenta de planeamento e gestão de
projectos:

• Acompanhar o desenvolvimento da obra e proceder à verificação e registo do avanço


dos trabalhos;

52
• Implementar as medidas aprovadas pelo Dono da Obra com o objectivo de evitar e/ou
recuperar eventuais atrasos;
• Actualizar as estimativas de duração dos trabalhos ainda a realizar, tendo em conta as
durações efectivas já verificadas nos trabalhos realizados;
• Apresentar sistematicamente e periodicamente diagramas PERT/CPM actualizados;
• Controlar os custos da obra;
• Analisar e emitir parecer relativamente a custos decorrentes das alterações de pormenor
apresentadas pelos executores das acções em curso.

De seguida apresenta-se em detalhe a rotina de gestão e acompanhamento do progresso da


obra utilizando a técnica do EVM:

Elementos Base Indicadores de


Plano de Base
(PV, EV, AC) Estado (CV, SV)

Desvios
Indicadores de Indicadores de
Orçamentais e de
Previsão (BAC, desempenho
Prazo e as Suas
EAC, ETC) (SPI, CPI)
Causas

Proposta de
Medidas
Correctivas dos
Desvios

Figura 3. 7 – Rotina de gestão e acompanhamento do progresso da obra.

PV – Planed Value; CPI - Cost Performance Index;

EV – Earned Value; SPI – Schedule Performance Index;

AC – Actual cost; EAC – Estimate At Completion;

CV – Cost Variance; ETC – Estimate To Completion;

SV – Schedule Variance; BAC – Budget At Completion.

53
3.3.3.1. Plano de Base

Segundo o PMBOK (2004), o Baseline - Plano de Base - é o plano do projecto que contém os
dados originais estimados para as actividades, recursos, afectações e custos. Este plano base é
a ferramenta para se poder controlar o projecto, pois, comparando os dados planeados com os
dados reais da execução do projecto, poder-se-ão identificar potenciais problemas. Assim, após a
conclusão do planeamento e antes da introdução dos dados reais de execução do projecto, é
essencial gravar um plano de base.

Na gestão integrada de prazos e custos há que ter em conta, primeiro que tudo, o planeamento
dos trabalhos em ferramenta de planeamento adequada, fazendo a estimativa de durações e
respectiva alocação de recursos e custos associados. Deverão ser estabelecidos os critérios de
medição, avaliação e indicadores de desvios e em seguida, com o desenvolvimento e execução
da obra, deve-se fazer uma actualização periódica dos custos incorridos, dos proveitos e das
durações de cada actividade, que têm reflexos directos nos indicadores de progresso.

Com base nesses indicadores de estado, de desempenho e de previsão dos custos e prazos
calculados e analisados até ao final da obra podem-se verificar os desvios e propor as
correspondentes medidas e acções correctivas ao projecto e medir consequentes impactos
nesses mesmos indicadores.

3.3.3.2. Elementos Base

O PMBOK (2004) define que a análise do EVM deve medir continuamente o progresso do
projecto em relação a três elementos base:

• PV (Planed Value) ou BCWS (Budget Cost of Work Schedule) - Custo Orçamentado


do Trabalho Planeado: representa o valor base orçamentado de todas as actividades
calendarizadas até à data de referência;

• EV (Earned Value) ou BCWP (Budget Cost of Worked Performed) - Custo


Orçamentado do Trabalho Realizado: representa o custo que deveria ter ocorrido
desde o início da actividade até à data de referência, baseado nas alocações reais de
recursos. É obtido a partir da percentagem de trabalhos realizados multiplicada pelo
custo orçamentado do projecto;

• AC (Actual Cost) ou ACWP (Actual Cost of Work Performed) - Custo Real do


Trabalho Realizado: representa o valor que foi efectivamente gasto para o trabalho
realizado nas actividades no período em análise. É obtido a partir dos custos reais de
trabalho executado até à data actual.

54
3.3.3.3. Indicadores de Estado

A relação entre PV, EV e AC irá permitir definir indicadores de controlo do projecto que, de
acordo com o PMBOK são os seguintes:

• CV (Cost Variance) – Desvio de Custo: representa a diferença entre o valor criado de


uma actividade e o seu custo actual.

CV= EV – AC ou CV =BCWP-ACWP (11)

• SV (Schedule Variance) – Desvio do Planeamento: representa a diferença entre o


valor criado e o valor previsto para a actividade, em termos de custos.

SV = EV – PV ou SV = BCWP-BCWS (12)

Os indicadores de estado permitem analisar o progresso do projecto e o trabalho realizado em


relação ao Plano de Base, ou seja, se estes indicadores forem positivos indicam que a
calendarização está avançada e dentro do orçamento e se forem negativos indicam que os
custos estão a ser superiores ao previsto e que está a acontecer um atraso no trabalho a
efectuar.

Estes indicadores também podem ser expressos em %, permitindo a comparação do


desempenho entre diferentes projectos duma organização.

SV%=SV/PV e CV%=CV/EV (13)

3.3.3.4. Indicadores de Desempenho

Estes indicadores dão uma informação mais directa do estado do projecto e segundo o PMBOK
podem ser os seguintes:

• CPI – Cost Performance Index - Índice de Desempenho Orçamentado: representa a


razão entre o valor ganho e os custos actuais.
CPI= EV/AC ou BCWP/ACWP
(14)

55
• SPI – Schedule Performance Index - Índice de Desempenho Agendado: representa a
razão entre o valor ganho e o valor planeado.

SPI =EV/PV ou SPI=BCWP/BCWS (15)

A tabela seguinte demonstra as quatro situações que podem ocorrer:

SPI > 1 Projecto adiantado;


CPI > 1 Custo dos trabalhos executados inferior ao orçamentado;
SPI < 1 Projecto atrasado;
CPI > 1 Custo dos trabalhos executados inferior ao orçamentado:
SPI < 1 Projecto atrasado;
CPI < 1 Custo dos trabalhos executados superior ao orçamentado;
SPI > 1 Projecto adiantado;
CPI < 1 Custo dos trabalhos executados superior ao orçamentado;

Tabela 3. 1– Relação entre o estado do projecto e os indicadores CPI e SPI.

3.3.3.5. Indicadores de Previsão

Segundo o PMBOK estes indicadores permitem tomar as necessárias medidas correctivas, para
as situações em que os custos do projecto estejam a exceder o custo orçamentado para o
trabalho realizado.

• Estimativa Na Conclusão - Estimate At Completion (EAC) - representa o custo total


esperado para as actividades, se o projecto continuar com o mesmo ritmo. No início do
projecto corresponde ao plano base de custo e à medida que o projecto progride o valor
de EAC é calculado através da seguinte expressão:

* 31 , C/- (16)
C31  31 
1D

O Orçamento Para a Conclusão - Budget At Completion (BAC) é o plano base de custos e é


calculado como a soma do custo previsto/planeado de todos os recursos e custos fixos
associados às actividades a executar. Este valor poderá ser comparado com o custo total
previsto para cada actividade, de modo a se verificar que se está dentro do orçamentado.

56
• Estimativa Para Concluir - Estimate To Completion (ETC) – representa a estimativa
dos fundos necessários para concluir o que resta do projecto. É um cálculo bastante útil
porque informa o gestor do projecto de quanto dinheiro vai precisar para concluir o
projecto.

31 , C/ (17)
CE1  C31 , 31 
1D

A figura seguinte esquematiza o BAC, os elementos base, os indicadores do estado, o prazo de


conclusão planeado e o atraso previsto de um projecto:

Gráfico 3. 1– Elementos base e indicadores do estado de um projecto.

Fonte: (Francisco Ribeiro, 2008)

Feita a análise do valor acrescentado, elabora-se o relatório e com base neste analisa-se o
estado do projecto e implementam-se as acções preventivas e correctivas ao plano base para
que o progresso do projecto fique em linha com o plano do projecto.

Aquando da realização do modelo, observou-se que não era possível fazer uma análise do valor
acrescentado à obra caso de estudo, pois esta já estava concluída e durante a sua realização
esta técnica não foi implementada, não havendo portanto informação suficiente para a sua
aplicação.

Deste modo, no modelo apenas foi feito o acompanhamento do progresso da obra com base nos
cronogramas financeiros previstos e reais e com base na percentagem de trabalho previsto e real
concluído da obra do caso de estudo. Contudo, achou-se importante manter esta rotina com o
recurso à análise do valor acrescentado, para que futuramente pudesse ser implementada em
outras obras.

57
58
4. Aplicação dos Princípios e da Metodologia Proposta para o Modelo

4.1. Introdução

O modelo proposto procura, dentro das limitações que o emprego de uma folha de cálculo
determina, reduzir ao mínimo a duplicação da informação, sobretudo ao nível da entrada de
dados, contribuindo assim para facilitar a tarefa do utilizador e aumentar a fiabilidade e rapidez
de todo o processo, através da redução da ocorrência de erros.

A construção deste modelo tira, portanto, partido das potencialidades de permuta automática de
dados entre os diferentes ficheiros, sendo possível importar automaticamente a informação
contida num dado ficheiro para um, ou mais, ficheiros.

Deste modo, este funcionamento permite conceber o modelo de uma forma modular,
representando cada tipo diferente de folha de cálculo utilizada, um módulo distinto.

4.2. Estrutura do Modelo Proposto

Para definir a estrutura do modelo proposto, houve necessidade de reunir todas as fontes
relevantes de informação documental, ou seja, as entradas de informação a incluir no modelo.

Estas entradas foram retiradas das fases de preparação do procedimento de contratação e do


processo de contratação. Deste modo, criou-se um arquivo constituído pela lista de fontes
relevantes de informação documental, como se pode verificar em seguida:

• Programa do procedimento;
• Caderno de encargos;
• Proposta adjudicada;
• As correcções ou os suprimentos dos erros e das omissões do caderno de encargos
expressamente não aceites pelo órgão competente para a decisão de contratar;
• Auto de consignação;
• Plano de Trabalhos.

A esta lista foi-se acrescentando gradualmente as fontes relevantes de informação documental


provenientes das rotinas de gestão de custo e rotina de facturação e pagamentos.

59
Deste modo, as saídas de informação obtidas, ou seja, a estrutura do modelo proposto, foi a
seguinte:

Das rotinas de gestão de custo obteve-se:

• Folha de cálculo do tipo I denominada mapa de medições;


• Folha de cálculo do tipo II denominada mapa de situação de trabalhos;
• Folha de cálculo do tipo III denominada mapa de controlo de trabalhos a mais;
• Folha de cálculo do tipo IV denominada mapa resumo de controlo de trabalhos a mais e
a menos;
• Folha de cálculo do tipo V denominada mapa resumo de controlo dos trabalhos de
correcção ou suprimento de erros e omissões;
• Folha de cálculo do tipo VI denominada cálculo do valor da revisão de preços.

Da rotina de facturação e pagamentos obteve-se:

• Folha de cálculo do tipo VII denominada conta corrente;


• Folha de cálculo do tipo VIII denominada auto de vistoria e medição dos trabalhos;
• Folha de cálculo do tipo IX denominada auto de revisão de preços;
• Folha de cálculo do tipo X denominada mapa de controlo de facturação e descontos;
• Folha de cálculo do tipo XI denominada mapa de gestão de tesouraria.

Da rotina de gestão e medição do progresso obteve-se:

• Folha de cálculo do tipo XII denominada medição do progresso da obra.

Uma vez introduzidos todos os valores necessários à construção do modelo, importa salientar
que a análise dos dados fornecidos pelo modelo deve ser feita de uma forma cuidada e com
espírito crítico.

4.3. Apresentação do Modelo Proposto

Neste subcapítulo pretende-se fazer a apresentação do modelo proposto, definindo com rigor
todas as folhas de cálculo que o constituem.

60
4.3.1. Folhas de Cálculo do Tipo I: Mapa de Medições

MAPA DE MEDIÇÕES Nº 2
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho Data: 27. 02.06
Elaborada por:
Verificada por:
Folha nº 1 de 1
Parte: Sapatas de fundação

Partes Comp. Largura Altura Quantidades


Art.º Descrição Unid.
Iguais (m) (m) (m) Parciais Totais
A
2 ESTRUTURA DE BETÃO ARMADO

2.1.2
Escavação para abertura de sapatas de
fundação em terreno de qualquer natureza,
incluindo implantação, entivação,
escoramento, bombagem e esgoto de
eventuais águas afluentes, carga,
transporte e espalhamento em vazadouro
dos produtos sobrantes e eventual
indemnização por depósito.

S m3 25 3,00 2,00 0,80 120,00


S1 m3 16 1,65 1,65 0,80 34,85
S2 m3 10 1,50 1,50 0,80 18,00
SM m3 1 151,65 1,05 0,80 127,38

m3 300,24

2.2.1 Aplicação de betão de limpeza C12/15 com


0,05m de espessura sob sapatas de
fundação, incluindo todos os trabalhos.
m3
S 15 3,00 2,00 0,05 4,50
m3
S1 8 1,65 1,65 0,05 1,09
m3
S2 4 1,50 1,50 0,05 0,45
m3
SM 1 69,74 1,05 0,05 3,66

m3 9,70

2.2.2 Aplicação de betão C20/25 2a em sapatas


de fundação, incluindo aço A400 NR e
cofragem.

S m3 8 3,00 2,00 0,50 24,00


S1 m3 6 1,65 1,65 0,50 8,17
SM m3 1 13,01 1,05 0,50 6,83

m3 39,00

Tabela 4. 1 – Folha de cálculo do tipo I correspondente ao Mapa de Medições nº 2.

A folha de cálculo do tipo I resulta da informação obtida através de todas as rotinas de gestão de
trabalhos, uma vez que todas elas determinavam a vistoria e medição dos trabalhos realizados e
consequente preenchimento, pelo Dono da Obra, do mapa de medições.

Esta folha de cálculo contém as medições de cada artigo, efectuadas com bastante detalhe, para
permitir a detecção de eventuais erros e omissões.

61
O processo de medição pode demorar vários dias, pelo que, deve ser registado nesta folha de
cálculo:

• A empreitada a que diz respeito a medição;


• O elemento do projecto que vai ser medido e o desenho do projecto e especificações
utilizadas;
• A data da medição e quem elaborou e quem verificou a medição;
• Os artigos da lista de preços unitários a que corresponde a medição (no caso de um
novo trabalho deverá ser atribuído um novo número) e a designação dos trabalhos;
• A quantificação exacta de acordo com as dimensões previstas no projecto (no caso de
não existir um projecto detalhado que permita dimensionar com exactidão o elemento,
deverá ser executado um esquema de obra que define as dimensões do elemento
medido).

Depois de preenchida, esta folha de cálculo vai ser fundamental para a importação da informação
para as outras folhas de cálculo do modelo. Deste modo, deverá ter-se especial cuidado na
introdução dos seus dados.

A tabela 4.1 apresenta o aspecto de uma folha de cálculo tipo I preenchida e representa parte do
Mapa de Medições da segunda medição de trabalhos contratuais do caso de estudo, no qual se
procedeu à quantificação do volume de escavação e do volume de betão de limpeza e betão
armado em sapatas de fundação.

As zonas sombreadas ilustram quais os campos que se destinam à entrada de dados pelo
utilizador. Esta convenção será utilizada em todas as folhas de cálculo do modelo proposto. Os
restantes campos não sombreados são calculados a partir dos primeiros ou importam valores
introduzidos em folhas de cálculo de tipo diferente ou constituem títulos que pertencem à própria
configuração da folha de cálculo em questão.

62
4.3.2. Folhas de Cálculo do Tipo II: Mapa de Situação de Trabalhos

As folhas do tipo II destinam-se a registar as medições provenientes da folha de cálculo do tipo I


e os custos unitários associados a estas, descriminando-as em:

• “Acumulado anterior”: trabalhos realizados e medidos em meses anteriores;


• “Executado mensal”: trabalhos realizados e medidos no mês em questão;
• “Executado acumulado”: é a soma do “acumulado anterior” com o “executado
mensal”, ou seja, os trabalhos realizados e medidos até ao mês em questão;
• “Por realizar”: trabalhos que ainda não foram realizados e medidos.

Para o controlo rigoroso dos trabalhos realizados deve ser registada a data em que foi efectuada
a alteração ao mapa de situação de trabalhos.

A figura 4.2 apresenta o aspecto do Mapa de Situação de Trabalhos nº 2 do caso de estudo,


realizado pelo Dono da Obra.

63
MAPA DE SITUAÇÃO DE TRABALHOS Nº 2
Empreitada: Centro Cultural em Santo. António Nordestinho Data: __/__/__
Data do mapa de medições: 27 de Fevereiro de 2006
Auto de medição e vistoria nº 2 referente ao mês de Fevereiro de 2006

Acumulado Anterior Executado Mensal Executado Acumulado Por Realizar


Preços Preços
Art. Designação dos Trabalhos Unid. Quant. Quant. Valor Total % Quant. Valor Total % Quant. Valor Total % Quant. Valor Total %
Unit. Totais

A CONSTRUÇÃO CÍVIL
1 ESTALEIRO

1.1
Montagem e desmontagem de estaleiro,
conforme o nº3 do Artº 24º do D.L.

nº 59/99, incluindo placa identificadora

da obra, conforme caderno de encargos. vg 1,00 2.000,00 € 2.000,00 € 0,70 1.400,00 € 70% 0,00 -€ 0% 0,07 1.400,00 € 70% 0,03 600,00 € 30%

2 ESTRUTURA DE BETÃO ARMADO

2.1
Movimento de Terras

2.1.1
Escavação geral em terreno de qualquer
natureza, incluindo implantação, entivação,
escoramento, bombagem e esgoto de
eventuais águas afluentes, carga, transporte m3 138,45 10,00 € 1.384,50 € 0,00 0,00 € 0% 138,45 1.384,50 € 100% 138,45 1.384,50 € 100% 0,00 0,00 € 0%
e espalhamento em vazadouro dos produtos
sobrantes e eventual indemnização por
depósito.

64
Acumulado Anterior Executado Mensal Executado Acumulado Por Realizar
Preços Preços Valor Valor Valor
Art. Designação dos Trabalhos Unid. Quant. Quant. % Quant. % Quant. % Quant. Valor Total %
Unit. Totais Total Total Total

2.1.2
Escavação para abertura de sapatas de
fundação em terreno de qualquer natureza,
incluindo implantação, entivação,
escoramento, bombagem e esgoto de
eventuais águas afluentes, carga, transporte m3 300,24 4,00 € 1.200,96 € 0,00 0,00 € 0% 300,24 1.200,96 € 100% 300,24 1.200,96 € 100% 0,00 0,00 € 0%
e espalhamento em vazadouro dos produtos
sobrantes e eventual indemnização por
depósito.

2.1.4
Carga e transporte de terras a vazadouro,
m3 138,31 10,00 € 1.383,10 € 0,00 0,00 € 0% 138,31 1.383,10 € 100% 138,31 1.383,10 € 100% 0,00 0,00 € 0%
incluindo todos os trabalhos.

2.2
Betão Armado

2.2.1
Aplicação de betão de limpeza C12/15 com
0,05m de espessura sob sapatas de
m3 13,70 90,00 € 1.233,00 € 0,00 0,00 € 0% 9,70 873,00 € 71% 9,70 873,00 € 71% 4,00 360,00 € 29%
fundação, incluindo todos os trabalhos.

2.2.2
Aplicação de betão C20/25 2a em sapatas
de fundação, incluindo aço A400 NR e m3 173,02 200,00 € 34.604,00 € 0,00 0,00 € 0% 39,00 7.800,00 € 23% 39,00 7.800,00 € 23% 134,02 26.804,00 € 77%
cofragem.

1.400,00 € 12.641,56 € 14.041,56 € 27.764,00 €


TOTAL

Tabela 4. 2– Folha de cálculo do tipo II correspondente ao mapa de situação de trabalhos nº 2.

65
4.3.3. Folhas de Cálculo do Tipo III: Mapa de Controlo dos Trabalhos a Mais

Este tipo de folha de cálculo representa o Mapa de Controlo dos Trabalhos a Mais e foi criado
para reunir toda a informação proveniente da Rotina de Gestão de Trabalhos a Mais e a
Menos, desde o momento que estes trabalhos surgem, até à aprovação do Dono da Obra do
valor destes trabalhos.

Para o controlo rigoroso do valor acumulado dos trabalhos a mais, o Dono da Obra deve
registar nesta folha:

• A data em que foi efectuada a alteração ao mapa de controlo dos trabalhos a mais;
• A empreitada a que se refere;
• O empreiteiro adjudicatário;
• O Dono da Obra e em particular a fiscalização;
• O número de identificação atribuído ao trabalho a mais;
• A proposta inicial e final do empreiteiro, fazendo referência ao número do documento
em que foi apresentada a sua proposta, a data e o respectivo valor;
• A referência, a data e o valor dos trabalhos do documento, enviado pela fiscalização ao
Dono da Obra, para a apreciação e aprovação do valor dos trabalhos a mais;
• A aprovação pelo representante do Dono da Obra com poderes para o efeito, indicando
a referência do documento, data, valor aprovado, correspondente percentagem do
valor do contrato;
• Valores acumulados e percentagem acumulada dos trabalhos aprovados em relação
ao valor inicial do contrato;
• O valor do contrato da empreitada.

A tabela 4.3 representa o mapa de controlo de trabalhos a mais, que deu origem ao processo
nº 1 de trabalhos adicionais.

No anexo 2, apresenta-se a proposta dos trabalhos a mais do processo nº 1 de trabalhos


adicionais apresentada pelo empreiteiro e aprovada pela fiscalização e Dono da Obra.

66
MAPA DE CONTROLO DOS TRABALHOS A MAIS
Empreitada: Equipamento cultural de Santo António Data: __/__/__
Adjudicatário:.
Fiscalização:.
Dono de obra:
Valor da empreitada: 755.281,89€

Parecer da Fiscalização/ Trabalho


Proposta da Entidade Executante Aprovação do
Doc. de Envio Para o Dono Aprovado
Dono da Obra
da Obra
Inicial Final
Art. Trabalho Valor %
Ref. do Ref. do Ref. Do
Ref. do Doc. Data Valor Data Valor Data Valor Data
Doc. Doc. Doc
1 ENCAMINHAMENTO DAS ÁGUAS PLUVIAIS PARA A LINHA DE ÁGUA EXISTENTE
1.1
Execução de tubagem em tubo
corrogado, de polipropileno SN8,
acessórios e ligações, com 200 mm
de diâmetro incluindo abertura e
tapamento de vala e espalhamento
Informação Informação Informação
de terras sobrantes no terreno a
Informação do do da do dono de
intervir. Execução de tubagem em 15.12.06 8.421,60 € 15.12.06 8.421,60 € 18.12.06 8.421,60 € 15.01.07 8.421,60 € 1,12
empreiteiro nº 2 empreiteiro Fiscalização obra nº
tubo corrogado, de polipropileno
nº2 nº 2 222
SN8, acessórios e ligações, com
200 mm de diâmetro incluindo
abertura e tapamento de vala e
espalhamento de terras sobrantes
no terreno a intervir.

1.2
Execução de caixa de queda/visita,
Informação Informação Informação
em blocos de betão, assentes com
Informação do do da do dono de
argamassa de cimento e areia, 15.12.06 2.000,00 € 2.000,00 € 18.12.06 2.000,00 € 15.01.07 2.000,00 € 0,26
empreiteiro nº2 empreiteiro 15.12.06 fiscalização obra nº
incluindo tampa em betão
nº2 nº 2 222
ligeiramente armado.

VALORES ACUMULADOS 10.421,60 € 10.421,60 € 10.421,60€ 10.421,60 €


% ACUMULADA RELATIVAMENTE AO VALOR DA
EMPREITADA 1,38% 1,38% 1,38% 1,38%
Tabela 4. 3 – Folha de cálculo do tipo III correspondente ao mapa de controlo dos trabalhos a mais.

67
4.3.4. Folhas de cálculo do tipo IV: Mapa Resumo de Controlo dos
Trabalhos a Mais e a Menos

As folhas de cálculo do tipo IV reúnem a informação proveniente das folhas do tipo III e
resumem-na de forma a integrar todas as situações de trabalhos a mais e a menos na mesma
folha. Além das entradas definidas na folha de cálculo anterior, a folha de cálculo do tipo IV
compreende a coluna “Adicional” que representa o número do processo de trabalhos adicionais
em que cada trabalho a mais foi incluído.

Nesta folha, estão ainda definidos os valores dos vários trabalhos a mais e a menos e as
percentagens. No final da folha de cálculo do tipo IV, é deduzido do valor dos trabalhos a mais
o valor dos trabalhos a menos e adiciona-se a este diferencial o valor contratual para se obter o
novo custo da obra.

A tabela 4.4 representa o mapa resumo de controlo dos trabalhos a mais e a menos de toda a
obra, realizado pelo Dono da Obra. Os trabalhos a mais deveram-se ao terreno pouco
permeável encontrado na execução do poço de infiltração, tendo sido necessário encaminhar
as águas pluviais para a linha de água existente a 290,4 metros. Mais tarde, foi ainda
necessário prolongá-lo. Deste modo, o poço de infiltração não foi executado, tornando-se
assim, num trabalho a menos.

4.3.5. Folhas de Cálculo do Tipo V: Mapa de Controlo dos Trabalhos


Correcção ou Suprimento de Erros e Omissões

Esta folha de cálculo é, em quase tudo semelhante à folha de cálculo do tipo IV, porém, na
definição do valor atribuído aos trabalhos de erros e omissões, esta distingue os diferentes
tipos de erros e omissões existentes no código de contratação pública, uma vez que este exige
tal distinção devido à atribuição da responsabilidade sobre estes trabalhos.

No caso de estudo do modelo proposto, não se verificaram trabalhos de erros e omissões, pelo
que, a tabela 4.5, que representa o aspecto de uma folha de cálculo do tipo V, não se encontra
preenchida.

68
MAPA RESUMO DE CONTROLO DOS TRABALHOS A MAIS E A MENOS
Empreitada: Equipamento cultural de Santo António Data: __/__/__
Adjudicatário:
Fiscalização:
Dono de obra:

Trabalho a Mais Trabalho a Menos


Documentação Aprovação
Art. Trabalho Adicional
Justificativa Dono de Obra
Valor % Valor %

1 ENCAMINHAMENTO DAS ÁGUAS PLUVIAIS PARA A LINHA DE ÁGUA EXISTENTE:

1.1
Execução de tubagem em tubo corrogado, de polipropileno SN8,
Informação da
acessórios e ligações, com 200 mm de diâmetro incluindo abertura e
8.421,60 € 1,12% Fiscalização nº 2 de X 1
tapamento de vala e espalhamento de terras sobrantes no terreno a
18.12.06
intervir.

1.2 Informação da
Execução de caixa de queda/visita, em blocos de betão, assentes com 2.000,00 € 0,26% Fiscalização nº 2 de X 1
argamassa de cimento e areia, incluindo tampa em betão ligeiramente 18.12.06
armado.

18.2.2 REDE DE ESGOTOS PLUVIAIS:

Execução de poço de Infiltração com diâmetro 1,55m, altura maior ou Informação da


18.2.2.9 igual 2,10 m em betão armado, alvenaria de pedra com argamassa, -2.000,00 € -0,26% Fiscalização nº 2 de X 1
brita, palha, movimento de terras e tampa em ferro fundido, conforme 18.12.06
desenhos e CE.

69
Trabalho a Mais Trabalho a Menos
Documentação Aprovação
Art. Trabalho Adicional
Justificativa Dono de Obra
Valor % Valor %

2 PROLONGAMENTO DO ENCAMINHAMENTO DAS ÁGUAS PLUVIAIS PARA A LINHA DE ÁGUA EXISTENTE:

2.1
Execução de tubagem em tubo corrogado, de polipropileno
SN8, acessórios e ligações, com 200 mm de diâmetro
incluindo abertura e tapamento de vala e espalhamento de
Informação da
terras sobrantes no terreno a intervirExecução de tubagem
5.643,40 € 0,75% Fiscalização nº 3 de X 2
em tubo corrogado, de polipropileno SN8, acessórios e
09.05.07
ligações, com 200 mm de diâmetro incluindo abertura e
tapamento de vala e espalhamento de terras sobrantes no
terreno a intervir

2.2
Execução de caixa de queda/vizita, em blocos de betão, Informação da
assentes com argamassa de cimento e areia, incluindo 3.200,00 € 0,4% Fiscalização nº 3 de X 2
tampa em betão ligeiramente armado. 09.05.07

TOTAL (s/ IVA) 19.265,00 € 2,55% 2.000,00 € 0,26%


DIFERENCIAL 17.265,00 € 2,29%
VALOR CONTRATUAL (s/IVA) 755.281,89 €
VALOR CONTRATUAL + TM (s/IVA) 772.546,89 €

Tabela 4. 4 – Folha de cálculo do tipo IV correspondente ao mapa resumo de controlo de trabalhos a mais e a menos.

70
MAPA RESUMO DE CONTROLO DOS TRABALHOS DE CORRECÇÃO OU SUPRIMENTO DE ERROS E
OMISSÕES
Empreitada: Equipamento cultural de Santo António Data: __/__/__
Adjudicatário:
Fiscalização:
Dono de obra:

a. b. c. d.
Documentação Aprovação
Art. Trabalho Adicional
Valor % Valor % Valor % Valor % Justificativa Dono de Obra

71
a. b. c. d.
Documentação Aprovação Dono
Art. Trabalho Adicional
Valor % Valor % Valor % Valor % Justificativa de Obra

TOTAL (s/ IVA)


DIFERENCIAL
VALOR CONTRATUAL (s/IVA)
VALOR CONTRATUAL + EO (s/IVA)

Tabela 4. 5 - Folha de cálculo do tipo V correspondente ao mapa resumo de controlo dos trabalhos de correcção ou suprimento de erros e omissões.

Onde:

a) Erros e omissão que era exigível, que actuando com a diligência necessária, os concorrentes tivessem identificado na fase de formação do contrato,
porém não o fizeram;
b) Erros e omissões identificados pelos concorrentes na fase de formação do contrato, e rejeitados pelo Dono da Obra, mas que efectivamente se
verificam;
c) Erros e omissões já existentes no caderno de encargos, na fase de formação do contrato, mas que, mesmo actuando com a diligência necessária, o
adjudicatário não conseguiria identificá-los nessa fase;
d) Erros e omissões apenas detectáveis durante a fase de execução da obra e que identificados pelo empreiteiro, hajam sido por ele oportunamente
comunicados ao Dono de Obra, no prazo de 30 dias a contar da data da sua detecção.

72
4.3.6. Folhas de Cálculo do Tipo VI: Cálculo do Valor da Revisão de Preços

A folha de cálculo do tipo VI resulta da informação obtida na Rotina de Gestão de Revisão de


Preços e destina-se a calcular os valores mensais da revisão de preços de acordo com o plano
de pagamentos aprovado e os autos de vistoria e medição dos trabalhos de cada mês.

O plano de pagamentos entregue com a proposta e utilizado para o cálculo do valor da revisão
de preços encontra-se no anexo 3.

O cálculo do valor da revisão de preços é obtido pela multiplicação entre o valor do trabalho
efectuado em cada mês e a respectiva variação do coeficiente de actualização do mês, em
relação à unidade, ou seja, |Ct-1|.

O pagamento é feito de modo a que seja feita a compensação em função da variação dos
custos de mão-de-obra, materiais e equipamentos entre o mês de referência e o mês em que
os trabalhos são executados segundo o plano de pagamentos aprovado e os autos de vistoria
e medição de cada mês.

Assim, perante um aumento do coeficiente de actualização, o trabalho atrasado de um mês


para outro vai ser pago pelo Dono da Obra tendo em conta o menor coeficiente de actualização
e quando se verifica um avanço no cumprimento do plano de trabalhos, o trabalho vai ser pago
tendo em conta o coeficiente de actualização do mês em que os trabalhos foram executados.

A tabela 4.6 apresenta o cálculo do valor da revisão de preços dos primeiros sete meses da
obra do caso de estudo. Os valores do plano de pagamentos aprovado foram retirados do
Anexo 3 e os coeficientes de actualização globais dos meses de Janeiro, Fevereiro e Março
foram obtidos através do anexo 4. Para os restantes meses, foi adoptado o coeficiente de
actualização global do mês de Março, o qual foi corrigido quando se conheceram os índices
para estes meses.

Pela observação desta tabela, verifica-se que no final do sétimo mês existe um valor bastante
considerável de trabalhos por realizar, o que pode levar a um prolongamento do prazo de
execução, se o atraso não for compensado.

73
CÁLCULO DO VALOR DA REVISÃO DE PREÇOS
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho Data: 15 / 09/ 06
Adjudicatário:
Fiscalização:
Dono da obra:

Autos de Medição (Valores Valores Previstos de acordo com o Plano de Pagamentos (€)
Valor da Revisão de Preços
realizados, em €) Jan-06 Fev-06 Mar-06 Abr-06 Mai-06 Jun-06 Jul-06

Valores No Mês → 41.767,09 57.476,95 75.905,83 52.265,51 41.087,33 84.742,63 99.017,46


Mês
Mês Mês (Cálculo)
No Mês Acum. 41.767,09 99.244,04 175.149,87 227.415,38 268.502,71 353.245,34 452.262,80
(Valor)

Jan-06 1.400,00 1.400,00 1.400,00 € 1.400,00 * (1,013210-1) 18,49 €

Fev-06 12.641,56 14.041,56 40.367,09 € - 27.725,53 € (40.367,09 - 27.725,53) * (1,01321-1) 167,00 €

27.725,53 * (1,01321-1) + (85.202,48-


Mar-06 33.456,00 € 47.497,56 -€ 85.202,48 € - 51.746,48 €
51.746,48 -27.725,53) * (1,014914-1)
451,72 €

51746,48*(1,014914-1) + (127652,31 -
Abr-06 68.919,64 116.417,20 -€ - € 127.652,31 € - 58.732,67 €
58732,67 -51746,48) * (1,019543-1)
1.107,36 € (*)

Mai-06 40.111,75 156.528,95 -€ - € - € 110.998,18 € - 70.886,43 € (110.998,18 - 70.886,43) * (1,019543-1) 783,90 € (*)

Jun-06 14.466,20 170.995,15 -€ - € - € - € 111.973,76 € - 97.507,56 € (111.973,76 - 97.507,56) * (1,019543-1) 282,71 € (*)

Jul-06 11.340,00 182.335,15 -€ - € - € - € - € 182.250,19 € - 170.910,19 € (182.250,19 - 170.910,19) * (1,019543-1) 221,62 € (*)

Total 3.033,01 €
Coeficiente de actualização em 1,013210 1,014914 1,019543 1,019543 1,019543 1,019543 1,019543 (*) Revisão Provisória, devido ao facto de não serem
cada um dos meses (Ct) conhecidos os Índices do Mês do Auto

Tabela 4. 6 – Folha de cálculo do tipo VI correspondente ao cálculo do valor da 1ª revisão de preços.

74
4.3.7. Folhas de Cálculo do Tipo VII: Conta Corrente

Este tipo de folha de cálculo importa a informação da Rotina de Facturação e Pagamentos e


destina-se ao registo das quantidades, preços unitários e valor dos trabalhos apurados naquele
mês. Além disso, esta folha de cálculo determina o saldo a pagar ao empreiteiro, deduzindo do
valor dos trabalhos realizados os descontos a efectuar e acrescentando o valor do IVA.

As quantidades e preços dos trabalhos realizados foram importados da folha de cálculo do tipo
II, pelo que esta folha apenas determina os descontos sobre o valor dos trabalhos realizados
para a Caixa Geral de Aposentações, o reforço da caução e o reembolso do adiantamento,
caso haja, e o valor do IVA a deduzir ao valor dos trabalhos realizados.

A tabela 4.7 apresenta o aspecto de uma folha de cálculo do tipo VII, preenchida pelo Dono da
Obra e representa a conta corrente correspondente à segunda medição dos trabalhos
contratuais. Segundo o art. 389.º nº 2 do CCP, o empreiteiro deverá verificar e assinar esta
conta corrente, ficando um duplicado na posse deste.

Relativamente à revisão de preços e aos trabalhos adicionais, estes também são alvo de
elaboração de conta corrente. No anexo 5 e 6 respectivamente, encontram-se representados
um exemplo de cada uma destas folhas de cálculo, e a informação para a realização destas
folhas foi importada das folhas do tipo VI e IV, respectivamente.

75
CONTA CORRENTE
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho Data: __/__/__
Data de medição dos trabalhos: 27 de Fevereiro de 2006
Auto de medição e vistoria nº 2 referente ao mês de Fevereiro de 2006

Preço Valor dos


Art. Designação Unid. Quant.
Unitário Trabalhos

a) Trabalhos Realizados
2 Estrutura de Betão Armado

2.1 Movimento de Terras


2.1.1 Escavação geral em terreno de qualquer
natureza, incluindo implantação, entivação,
escoramento, bombagem e esgoto de
eventuais águas afluentes, carga, transporte
e espalhamento em vazadouro dos produtos 3
m 138,45 10,00 € 1.384,50 €
sobrantes e eventual indemnização por
depósito.

2.1.2 Escavação para abertura de sapatas de


fundação em terreno de qualquer natureza,
incluindo implantação, entivação,
escoramento, bombagem e esgoto de
eventuais águas afluentes, carga, transporte 3
m 300,24 4,00 € 1.200,96 €
e espalhamento em vazadouro dos produtos
sobrantes e eventual indemnização por
depósito.

2.1.4 Carga e transporte de terras a vazadouro,


incluindo todos os trabalhos. m
3
138,31 10,00 € 1.383,10 €

2.2 Betão Armado


2.2.1 Aplicação de betão de limpeza C12/15 com
0,05m de espessura sob sapatas de
3
fundação, incluindo todos os trabalhos. m 9,70 90,00 € 873,00 €

2.2.2 Aplicação de betão C20/25 2a em sapatas


de fundação, incluindo aço A400 NR e m
3
39,00 200,00 € 7.800,00 €
cofragem.

b) Total de trabalhos realizados (Vtr) 12.641,56 €


c) Descontos Vd= RC + CGA+ Vri
5% Reforço da caução (RC) *
0,5% C.G.A (CGA) 63,21 €
Reembolso do Adiantamento (Vri) - €
d) Valor do IVA Viva= Tiva x (Vtr - Vri) 505,66 €
e) Saldo a Pagar ao Empreiteiro (c/ IVA) Vl= Vtr - Vd + IVA 13.084,01 €
* Empreiteiro entregou garantia bancária para reforço da caução

Tabela 4. 7– Folha de cálculo do tipo VII correspondente à conta corrente da segunda medição
dos trabalhos.

76
4.3.8. Folhas de Cálculo do Tipo VIII: Auto de Vistoria e Medição de
Trabalhos

A folha de cálculo do tipo VIII representa o Auto de Vistoria e Medição dos Trabalhos, e a
metodologia aplicada para a realização desta folha advém da Rotina de Facturação e
Pagamentos.

A elaboração automática dos autos de vistoria e medição de trabalhos é efectuada com recurso
a uma Macro. Este programa, denominado “Macro 1”, que se apresenta no anexo 7, opera
sobre as folhas de cálculo do tipo VII, anteriormente descritas, fazendo a importação da
informação necessária para este novo tipo de folha de cálculo.

Deste modo, a figura 4.8, apresenta a configuração do auto de vistoria e medição de trabalhos
contratuais nº 2 do contrato inicial correspondente aos trabalhos efectuados no mês de
Fevereiro. Esta folha de cálculo é produzida em triplicado e deve ser sempre acompanhada
pela folha de cálculo do tipo II.

Relativamente aos trabalhos adicionais, estes também são alvo de elaboração de auto de
vistoria e medição de trabalhos. No anexo 8, encontra-se representado um exemplo desta folha
de cálculo.

4.3.9. Folhas de Cálculo do tipo IX: Auto de Revisão de Preços

Este tipo de folha de cálculo é bastante semelhante à folha de cálculo do tipo VIII, porém a
elaboração desta é efectuada com recurso à “Macro 2”, que se apresenta no anexo 9. Esta
Macro opera, de igual modo, sobre as folhas de cálculo do tipo VII, correspondentes à revisão
de preços, anteriormente descritas, fazendo a importação da informação necessária para este
novo tipo de folha de cálculo.

A folha de cálculo do tipo IX, representada na figura 4.9, apresenta a configuração do auto de
revisão de preços nº 1, correspondente ao valor da revisão de preços dos trabalhos contratuais
efectuados nos meses de Janeiro a Julho.

O valor da revisão de preços correspondente às quantidades de trabalhos executadas nestes


meses foi obtido através da folha de cálculo do tipo VI.

77
AUTO DE VISTORIA E MEDIÇÃO Nº _2_
Situação de trabalhos nº 2 do contrato inicial
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho
Descrição da despesa:
Cap._____ Div. _____ Subdiv _____ Classif. Económica: _____

Aos __31__ dias do mês de __Março__ de __2006__ compareceram no local onde estão a ser
executados os trabalhos que constituem a empreitada em epígrafe, adjudicada a __________, Lda. por
contrato de 30 de Dezembro de 2005, na importância de 755.281,89 € mais I.V.A, visado pelo Tribunal de
Contas em __/__/__, o Eng.º ___________, responsável pela fiscalização, e o Eng.º ____________pelo
adjudicatário, a fim de em harmonia com o contrato e o caderno de encargos, procederem ao exame e
medição dos trabalhos, tendo verificado que se encontram executadas as quantidades de trabalhos que
constam nas folhas de medição anexas rubricadas pelos intervenientes.

Valor do Trabalhos Realizados (Vtr) : 12.641,56 €


Descontos:
Caixa Geral de Aposentações (0,5%): 63,21 €
Reforço da Caução (5%) (*): 632,08 €
Reembolso adiantamento (Ra): - €
Segurança Social (**):
Total de Descontos (Vd): 63,21€
505,66
IVA (Vtr - Ra) x % €

Valor iliquido do auto (Vtr - Ra) + IVA 13.147,22 €

Valor liquido do auto a pagar (Vtr - Vd + IVA) 13.084,01 €

Importa na quantia de: Treze mil e oitenta e quatro euros e um cêntimo.

E nada mais havendo a tratar se lavrou o presente auto que depois de lido e julgado vai ser assinado pelo
representante do adjudicatário e responsável pela fiscalização.

VISTO
O representante do O representante do dono da
adjudicatário obra O responsável pela fiscalização
_______________________ ________________________ ________________________
( ) ( ) ( )
Data: __/__/__ Data: __/__/__ Data: __/__/__

(*) REFORÇO DA CAUÇÃO: Garantia/ Seguro-caução nº _____ Saldo da caução: ________


(**) SEGURANÇA SOCIAL: Regularizada
VALOR ACTUAL DO ADIANTAMENTO:

Tabela 4. 8 – Folha de cálculo do tipo VIII correspondente ao auto de vistoria e medição de


trabalhos nº 2.

78
AUTO DE REVISÃO DE PREÇOS Nº _1_
(Revisão Provisória)
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho
Descrição da despesa:
Cap._____ Div. _____ Subdiv _____ Classif. Económica: _____

Aos __30__ dias do mês de __Setembro__ de __2006__ compareceram no local onde estão a ser
executados os trabalhos que constituem a empreitada em epígrafe, adjudicada a __________, Lda. por
contrato de 30 de Dezembro de 2005, na importância de 755.281,89 € mais I.V.A, visado pelo Tribunal de
Contas em __/__/__, o Eng.º __________, responsável pela fiscalização, e o Eng.º __________ pelo
adjudicatário, a fim de em harmonia com o contrato e o caderno de encargos, procederem à determinação
s
do valor da revisão de preços relativo aos autos de medição e vistoria nº _1 a 7_ referentes aos trabalhos
realizados nos meses de _Janeiro a Julho_, tendo verificado que se encontram correctos os cálculos
que constam nos mapas anexos rubricados pelos intervenientes.

Valor da revisão de preços (Vr) : 3.033,01 €


Descontos:
Caixa Geral de Aposentações (0,5%): 15,17 €
Reforço da Caução (10%) (*): 632,08 €
Segurança Social (**):
Total de Descontos (Vd): 318,47 €

IVA (Vr x %) 121,32 €

Valor iliquido do auto (Vr+ IVA) 3.154,33 €

Valor liquido do auto a pagar (Vr - Vd + IVA) 3.139,17 €

Importa na quantia de: Três mil cento e trinta e nove euros e dezassete cêntimos.

E nada mais havendo a tratar se lavrou o presente auto que depois de lido e julgado vai ser assinado pelo
representante do adjudicatário e responsável pela fiscalização.

VISTO
O representante do O representante do dono da
adjudicatário obra O responsável pela fiscalização
_______________________ _________________________ ________________________
( ) ( ) ( )
Data: __/__/__ Data: __/__/__ Data: __/__/__

(*) REFORÇO DA CAUÇÃO: Garantia/ Seguro-caução nº _____ Saldo da caução: ________


(**) SEGURANÇA SOCIAL: Regularizada
VALOR ACTUAL DO ADIANTAMENTO:

Tabela 4. 9 - Folha de cálculo do tipo IX correspondente ao auto de revisão de preços nº1.

79
4.3.10. Folhas de Cálculo do Tipo X: Mapa de Controlo de Facturação e
Descontos

A folha de cálculo do tipo X é uma fonte de informação bastante útil ao nível do controlo da
facturação, dos descontos e do saldo a pagar ao empreiteiro, na medida em que sintetiza todos
os valores e documentos globais do processo.

A figura 4.10 apresenta o Mapa de Controlo de Facturação e Descontos de toda a obra do caso
de estudo. Nela pode-se encontrar:

• “Auto nº”: esta coluna regista o número e a classificação do auto, ou seja, se se trata
de um auto de vistoria e medição de trabalhos previstos ou a mais ou então de um auto
de revisão de preços;
• “Auto mês”: nesta coluna é lançado o mês e o ano em que os trabalhos foram
realizados;
• “Factura nº”: destina-se ao lançamento do número da factura apresentada pelo
empreiteiro;
• “Factura data”: nesta coluna efectua-se o lançamento da data de emissão da factura;
• “Data da entrega da factura”: esta coluna regista a data que o Dono da Obra recebeu
a factura;
• “Valor da factura”: os valores desta coluna correspondem aos valores líquidos dos
autos, ou seja, às importâncias efectivamente recebidas pelo empreiteiro;

Está ainda definido, sobre esta folha, a descriminação dos valores dos trabalhos realizados em
cada mês (sem I.V.A), bem como dos valores da revisão de preços destes trabalhos (sem
I.V.A) os descontos a efectuar e por fim o saldo a pagar ao empreiteiro.

Toda a informação desta folha de cálculo deriva das folhas de cálculo do tipo VII, VIII, IX e da
Rotina de Facturação e Pagamentos.

80
MAPA DE CONTROLO DE FACTURAÇÃO E DESCONTOS
Empreitada: Equipamento cultural de Santo António Data: __/__/__
Adjudicatário:
Fiscalização:.
Dono da obra:

TRABALHOS REALIZADOS DESCONTOS


DATA DA
VALOR DA SALDO A
AUTO FACTURAS ENTREGA 5% 10%
FACTURA REVISÃO 0,5% PAGAR AO
DA A MAIS REFORÇO REFORÇO
(C/IVA) PREVISTOS DE PREÇOS C.G.A EMPREITEIRO
Nº Mês Nº Data FACTURA CAUÇÃO * CAUÇÃO*

1 TP Jan-06 13 31.01.06 17.02.06 1.449,00 € 1.400,00 € 7,00 € 70,00 € 1.449,00 €


2 TP Fev-06 66 31.03.06 13.04.06 13.084,01 € 12.641,56 € 63,21 € 632,08 € 13.084,01 €
3 TP Mar-06 67 31.03.06 13.04.06 34.626,96 € 33.456,00 € 167,28 € 1.672,80 € 34.626,96 €
4 TP Abr-06 122 30.04.06 17.05.06 71.331,83 € 68.919,64 € 344,60 € 3.445,98 € 71.331,83 €
5 TP Mai-06 132 31.05.06 14.06.06 41.515,66 € 40.111,75 € 200,56 € 2.005,59 € 41.515,66 €
6 TP Jun-06 185 30.06.06 11.07.06 14.972,52 € 14.466,20 € 72,33 € 723,31 € 14.972,52 €
7 TP Jul-06 225 31.07.06 23.08.06 11.736,90 € 11.340,00 € 56,70 € 567,00 € 11.736,90 €
8 TP Ago-06 332 30.09.06 11.10.06 2.639,25 € 2.550,00 € 12,75 € 127,50 € 2.639,25 €
9 TP Set-06 333 30.09.06 11.10.06 2.615,65 € 2.527,20 € 12,64 € 126,36 € 2.615,65 €
1 RP Set-06 334 30.09.06 11.10.06 3.139,17 € 3.033,01 € 15,17 € 303,30 € 3.139,17 €
10 TP Out-06 388 31.10.06 10.11.06 2.587,50 € 2.500,00 € 12,50 € 125,00 € 2.587,50 €
11 TP Nov-06 457 30.11.06 14.12.06 2.608,20 € 2.520,00 € 12,60 € 126,00 € 2.608,20 €
2 RP Dez-06 18 31.01.07 08.02.07 2.163,11 € 2.089,96 € 10,45 € 209,00 € 2.163,11 €
12 TP Dez-06 17 31.01.07 08.02.07 44.538,38 € 43.032,25 € 215,16 € 2.151,61 € 44.538,38 €

81
TRABALHOS REALIZADOS DESCONTOS
DATA DA
VALOR DA SALDO A
AUTO FACTURAS ENTREGA REVISÃO 5% 10%
FACTURA 0,5% PAGAR AO
DA PREVISTOS A MAIS DE REFORÇO REFORÇO
(C/IVA) C.G.A EMPREITEIRO
Nº Mês Nº Data FACTURA PREÇOS CAUÇÃO * CAUÇÃO*

13 TP Jan-07 53 28.02.07 21.03.07 22.046,75 € 21.301,21 € 106,51 € 1.065,06 € 22.046,75 €

14 TP Fev-07 54 28.02.07 21.03.07 18.391,23 € 17.769,30 € 88,85 € 888,47 € 18.391,23 €


3 RP Fev-07 49 23.02.07 23.03.07 2.741,14 € 2.648,44 € 13,24 € 264,84 € 2.741,14 €
4 RP Fev-07 79 22.03.07 24.03.07 2.276,21 € 2.199,24 € 11,00 € 219,92 € 2.276,21 €

15 TP Mar-07 98 31.03.07 20.04.07 43.158,20 € 41.698,74 € 208,49 € 2.084,94 € 43.158,20 €

16 TP Abr-07 123 30.04.07 15.05.07 33.493,86 € 32.361,22 € 161,81 € 1.618,06 € 33.493,86 €


5 RP Abr-07 156 31.05.07 16.06.07 3.060,26 € 2.956,77 € 14,78 € 295,68 € 3.060,26 €

17 TP Mai-07 163 31.05.07 16.06.07 31.716,44 € 30.643,90 € 153,22 € 1.532,20 € 31.716,44 €

18 TP Jun-07 182 30.06.07 13.07.07 31.464,62 € 30.400,60 € 152,00 € 1.520,03 € 31.464,62 €


6 RP Jul-07 218 31.07.07 21.09.07 3.435,59 € 3.319,41 € 16,60 € 331,94 € 3.435,59 €

19 TP Jul-07 236 31.08.07 21.09.07 40.519,72 € 39.149,49 € 195,75 € 1.957,47 € 40.519,72 €

20 TP Ago-07 236 31.08.07 21.09.07 25.779,26 € 24.907,50 € 124,54 € 1.245,38 € 25.779,26 €


7 RP Ago-07 283 21.09.07 26.09.07 4.720,92 € 4.561,28 € 22,81 € 456,13 € 4.720,92 €

21 TP Set-07 288 30.09.07 24.10.07 19.239,36 € 18.588,75 € 92,94 € 929,44 € 19.239,36 €

22 TP Out-07 293 31.10.07 19.11.07 73.459,31 € 70.975,18 € 354,88 € 3.548,76 € 73.459,31 €


1 TM Out-07 312 31.10.07 19.11.07 8.716,36 € 8.421,60 € 42,11 € 842,16 € 8.716,36 €
23 TP Nov-07 332 30.11.07 19.12.07 123.358,03 € 119.186,50 € 595,93 € 5.959,33 € 123.358,03 €
24 TP Dez-07 1 02.01.08 10.01.08 75.384,12 € 72.834,90 € 364,17 € 3.641,75 € 75.384,12 €
2 TM Dez-07 2 02.01.08 10.01.08 9.152,92 € 8.843,40 € 44,22 € 884,34 € 9.152,92 €
8 RP Dez-07 13 09.01.08 10.01.08 28.646,43 € 27.677,71 € 138,39 € 2.767,77 € 28.646,43 €

TOTAIS 853.874,02 € 755.281,89 € 17.265,00 € 48.485,82 € 849.768,85 € 37.764,09 € 6.575,08 € 849.768,85 €

82
VALOR FACTURADO DOS TRABALHOS PREVISTOS (a): 755.281,89 €
VALOR DA ADJUDICAÇÃO (b): 755.281,89 €
SALDO DE TRABALHOS PREVISTOS (a-b): - €
VALOR DE TRABALHOS A MAIS (c): 17.265,00 €
VALOR DE REVISÃO DE PREÇOS (d): 48.485,82 €
VALOR TOTAL DA OBRA (a+c+d): 821.032,71 €
VALOR PAGO AO EMPREITEIRO (a+c+d+IVA-CGA) 849.768,85 €

Tabela 4. 10 – Folha de cálculo do tipo X correspondente ao mapa de controlo de facturação e descontos.

83
4.3.11. Folha de Cálculo do Tipo XI: Mapa de Gestão de Tesouraria e
Despesas

Conforme se pode verificar na tabela 4.11, esta folha é constituída por dois blocos. No bloco
designado “Despesa”, os valores constantes das colunas designadas “Descrição”, “Factura nº”,
“Data factura” e “Valor da factura”, são importados da folha de cálculo do tipo IX.

No bloco designado “Controlo” consideram-se as seguintes colunas:

• “Data da entrega da factura”: os valores desta coluna são importados da coluna, com
o mesmo nome, da folha de cálculo do tipo IX;
• “Data limite de pagamento”: nesta coluna é calculada a data limite de pagamento em
função das condições contratuais estabelecidas e da data da entrega da factura;
• “Recibo nº”: esta coluna destina-se ao lançamento do número do recibo que o
empreiteiro apresentou;
• Data de pagamento”: nesta coluna é registada a data que consta no recibo,
correspondente a uma dada factura, enviada pelo empreiteiro. Esta data encerra a
rotina de gestão de facturação e pagamentos.

84
MAPA DE GESTÃO DE TESOURARIA E DESPESAS
Empreitada: Equipamento Cultural de Santo António Data: __/__/__
Adjudicatário:
Fiscalização:
Dono da Obra:

DESPESA CONTROLO

Factura Data da entrega Data limite Data


Descrição Data Factura Valor da Factura Recibo nº
nº da factura Pagam. Pagam.

Adiant. - - - - - - -
1 TP 13 31.01.06 1.449,00 € 17.02.06 02.04.06 106 31.08.06
2 TP 66 31.03.06 13.084,01 € 13.04.06 27.05.06 104 31.08.06
3 TP 67 31.03.06 34.626,96 € 13.04.06 27.05.06 105 31.08.06
4 TP 122 30.04.06 71.331,83 € 17.05.06 30.06.06 107 31.08.06
5 TP 132 31.05.06 41.515,66 € 14.06.06 28.07.06 13 31.01.07
6 TP 185 30.06.06 14.972,52 € 11.07.06 24.08.06 13 31.01.07
7 TP 225 31.07.06 11.736,90 € 23.08.06 06.10.06 14 31.01.07
8 TP 332 30.09.06 2.639,25 € 11.10.06 24.11.06 14 31.01.07
9 TP 333 30.09.06 2.615,65 € 11.10.06 24.11.06 14 31.01.07
1 RP 334 30.09.06 3.139,17 € 11.10.06 * 22 31.01.08
10 TP 388 31.10.06 2.587,50 € 10.11.06 24.12.06 64 20.03.07
11 TP 457 30.11.06 2.608,20 € 14.12.06 27.01.07 127 31.07.07
2 RP 18 31.01.07 2.163,11 € 08.02.07 * 25 31.01.08

85
DESPESA CONTROLO

Factura Valor da Factura Data da entrega Data limite Data


Descrição Data Factura Recibo nº
nº da factura Pagam. Pagam.

12 TP 17 31.01.07 44.538,38 € 08.02.07 24.03.07 127 31.07.07


13 TP 53 28.02.07 22.046,75 € 21.03.07 04.05.07 127 31.07.07
14 TP 54 28.02.07 18.391,23 € 21.03.07 04.05.07 127 31.07.07
3 RP 49 23.02.07 2.741,14 € 23.03.07 * 26 31.01.08
4 RP 79 22.03.07 2.276,21 € 24.03.07 * 27 31.01.08
15 TP 98 31.03.07 43.158,20 € 20.04.07 03.06.07 127 31.07.07
16 TP 123 30.04.07 33.493,86 € 15.05.07 28.06.07 29 31.01.08
5 RP 156 31.05.07 3.060,26 € 16.06.07 * 28 31.01.08
17 TP 163 31.05.07 31.716,44 € 16.06.07 30.07.07 30 31.01.08
18 TP 182 30.06.07 31.464,62 € 13.07.07 26.08.07 31 31.01.08
6 RP 218 31.07.07 3.435,59 € 21.09.07 * 34 31.01.08
19 TP 236 31.08.07 40.519,72 € 21.09.07 04.11.07 33 31.01.08
20 TP 236 31.08.07 25.779,26 € 21.09.07 04.11.07 33 31.01.08
7 RP 283 21.09.07 4.720,92 € 26.09.07 * 32 31.08.08
21 TP 288 30.09.07 19.239,36 € 24.10.07 07.12.07 217 29.11.08
22 TP 293 31.10.07 73.459,31 € 19.11.07 02.01.08 155 19.08.08
1 TM 312 31.10.07 8.716,36 € 19.11.07 02.01.08
23 TP 332 30.11.07 123.358,03 € 19.12.07 02.01.08 156 19.08.08
24 TP 1 02.01.08 75.384,12 € 10.01.08 23.02.08 157 19.08.08
2 TM 2 02.01.08 9.152,92 € 10.01.08 23.02.08
8 RP 13 09.01.08 28.646,43 € 10.01.08 23.02.08 243 31.12.08
*Cálculo definitivo da revisão de preços só foi determinado aquando da publicação dos indicadores económicos

Tabela 4. 11 – Folha de cálculo do tipo XI correspondente ao mapa de gestão de tesouraria e despesa.

86
4.3.12. Folhas de Cálculo do Tipo XII: Medição do Progresso da Obra

O Dono da Obra tem como objectivo principal ver cumprido o seu programa financeiro no prazo
previsto de conclusão da obra. Contudo, o mais comum é verificarem-se atrasos que se
reflectem sempre sob a forma de custos financeiros directamente associados à obra ou por
perda de ganhos espectáveis.

Os desvios de custo podem ocorrer a nível do planeamento, com todas as consequências que
daí advém ou a nível estritamente financeiro. Em qualquer dos casos, os potenciais desvios
devem ser identificados e analisados de maneira a que possam ser eliminados os factores que
possam estar na sua origem.

Deste modo, a fiscalização deve informar o Dono da Obra, mensalmente, do ritmo dos
trabalhos, dos atrasos verificados no decorrer destes e das causas destes atrasos. Neste
sentido, esta folha de cálculo apresenta o cronograma financeiro previsto e real da obra, em
tabela e gráfico.

A tabela 4.12 e o gráfico 4.1 representam o cronograma financeiro previsto e real dos primeiros
dez meses da obra caso de estudo.

CRONOGRAMAS FINCANCEIROS
Previsto Real
Mês Acum. Previsto % Acumulado Acum. Real % Acumulado
Jan.- 06 41.767,09 € 5,53% 1.400,00 € 0,19%
Fev.- 06 99.244,04 € 13,14% 14.041,56 € 1,86%
Mar.- 06 175.149,87 € 23,19% 47.497,56 € 6,29%
Abr.- 06 227.415,38 € 30,11% 116.417,20 € 15,41%
Mai.- 06 268.512,71 € 35,55% 156.528,95 € 20,72%
Jun.- 06 353.255,34 € 46,77% 170.995,15 € 22,64%
Jul.- 06 452.272,80 € 59,88% 182.335,15 € 24,14%
Ago.- 06 462.626,68 € 61,25% 184.885,15 € 24,48%
Set.- 06 578.214,81 € 76,56% 187.412,35 € 24,81%
Out.- 06 690.978,40 € 91,49% 189.912,35 € 25,14%
Nov.- 06 729.442,25 € 96,58%
Dez.- 06 755.281,89 € 100,00%

Tabela 4. 12 – Cronogramas financeiros previsto e acumulado.

87
Evolução do Cronograma Financeiro
antes da 1ª Prorrogação
800.000,00 €
Valores Acumulados

700.000,00 €
600.000,00 €
500.000,00 €
400.000,00 €
300.000,00 €
200.000,00 € Acum. Previsto
100.000,00 €
- € Acum. Real

Meses

Gráfico 4. 1 – Evolução dos cronogramas financeiros previsto e acumulado antes da primeira


prorrogação.

Através da análise do gráfico 4.1 pode-se concluir que a empreitada encontra-se com um
atraso bastante significativo.

Tal situação resultou, em grande parte, da falta de esclarecimentos a prestar pelo projectista,
causando os assuntos pendentes que se enumeram em seguida:

• Nova solução para o revestimento da laje da cobertura;


• Revisão da caixilharia de alumínio;
• Revisão do revestimento de parede do alçado Nascente – substituição da pedra
aparelhada à mão por pedra serrada;
• Revisão do vão VE8.

Posto isso, a fiscalização informou ao Dono da Obra que não era possível assegurar um bom
ritmo de trabalhos, uma vez que grande parte dos trabalhos estava dependente dos elementos
em falta.

Neste contexto e afim da situação não se agravar, a fiscalização solicitou ao Dono da Obra que
tomasse as diligências que entendesse por bem para a solução do problema, visto que o prazo
de execução da obra terminava dentro de dois meses. Um mês depois foi pedida a primeira
prorrogação do prazo.

88
5. Conclusões

5.1. Introdução

No presente capítulo serão apresentadas as conclusões retiradas do trabalho desenvolvido.


Deste modo, será feita uma avaliação dos objectivos propostos, bem com das limitações
encontradas no processo da investigação. Além disso, serão apresentados os aspectos
inovadores deste trabalho e algumas sugestões para futuros desenvolvimentos do trabalho.

A obra escolhida para o desenvolvimento e implementação do modelo proposto foi regida pelo
Decreto-Lei nº 59/99, porém, este facto teve pouca relevância pois grande parte das situações
relativas ao controlo de custos desta obra não apresentaram diferenças significativas
comparativamente com as novas regras do Decreto-Lei nº 18/2008 e do Decreto Legislativo
Regional nº 34/2008/A.

Às situações que se verificaram diferenças comparativamente com as novas regras, adoptou-


se a metodologia proposta de acordo os novos Decretos-Lei, excepto no que diz respeito ao
desconto para a caixa geral de aposentações, que hoje já não é aplicado nas obras públicas,
mas que optou-se por fazer referência visto a obra ter decorrido ainda com a aplicação deste
desconto.

5.2. Avaliação da Realização dos Objectivos da Dissertação

O que se prendia com a presente tese de mestrado era fazer o levantamento das técnicas e
leis mais recentes relacionadas com o tema do controlo de custos de uma obra pública, do
ponto de vista do Dono da Obra. Era também objectivo deste estudo servir a maioria dos
Donos da Obra no controlo de custos na fase de realização de uma obra, com um modelo de
simples aplicação, válido e eficiente.

Através da bibliografia existente sobre o tema em estudo, foi possível analisar e aprofundar
temas de elevada importância para a formação da metodologia proposta para o modelo.

Conjuntamente com a bibliografia, o apoio dado por alguns dos intervenientes na obra, na
partilha e acesso à informação desta, permitiu que os objectivos da dissertação fossem
alcançados.

89
5.3. Limitações da Investigação

Num trabalho desta natureza e apesar de os resultados terem sido bastante positivos, existem
sempre algumas limitações.

O facto de a obra já ter terminado aquando da sua análise não permitiu fazer o seu
acompanhamento real de forma contínua. Por este motivo, também não foi possível
implementar no modelo proposto a metodologia relativa á análise do valor acrescentado, uma
vez que durante a execução da obra esta técnica não foi implementada, não havendo portanto
informação suficiente para a inserir no modelo.

Além disso, convém realçar que este modelo é aplicado a uma obra realizada por concurso
público nos Açores, sendo necessário fazer alguns ajustamentos à metodologia proposta, caso
o procedimento e o local tivessem sido outros.

5.4. Contribuições e Aspectos Inovadores

O que se fornece com o presente trabalho é, não só a explicação de todo o modelo, como
também a informação necessária ao Dono da Obra para um eficaz controlo de custos de uma
empreitada posta a concurso público pelo novo regime de contratação pública.

Deste modo, o modelo apresentado apoia a maioria dos Donos da Obra actuais e apesar de
existirem diversos programas, desenvolvidos para esse efeito, este modelo reúne e sistematiza
a informação que estes necessitam.

5.5. Trabalhos Futuros

Os desenvolvimentos futuros, que se propõem, assentam sobretudo na proposta de expansão


e melhoramento do modelo informático, ou seja:

• Criar um programa informático mais sofisticado e automático;


• Implementar no modelo metodologias que compreendam todos os procedimentos para
a formação de contratos;
• Implementar no modelo a técnica de gestão do valor acrescentado.

90
6. Referências Bibliográficas

ANTUNES, JOSÉ M.O., “Código dos contratos públicos – regime de erros e omissões”, 1ª
edição, Almedina, Coimbra, 2009;

A.P.P.C., “A realização de empreendimentos – conceitos fundamentais”, A.P.P.C, Lisboa,


1978;

DIAS, L.M. ALVES, “Organização e gestão de obras”, documento de apoio às aulas da


disciplina de organização e gestão de obras do mestrado integrado em engenharia civil, I.S.T.,
Fevereiro, 2008;

FLÔR, ANTÓNIO et al., “Manual prático de gestão da construção”, 21ª edição, Verlag dashofer,
Lisboa, 2008;

SILVA, MÁRCIO, “Microsoft Office Project 2007”- depressa e bem, FCA – editora de
informática, Lisboa, 2007;

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, “A guide to the project management body of


rd
knowledge: PMBOK guide”, 3 edition, project management institute, c2004, EUA;

RIBEIRO, L. FRANCISCO, “Gestão de projectos”, folhas de apoio às aulas da disciplina de


economia e planeamento na construção do mestrado integrado em engenharia civil, I.S.T.,
2008

RODRIGUES, PEDRO C., “Curso prático de gestão e direcção de obras”, Verlag dashofer,
Lisboa, Março 2009;

Sites da Internet

www.cin.ufpe.br/~hermano/download/tutoriais/o-modelo -pmbok.pdf acedido a 10/11/2008;

www.inci.pt/SiteCollectionDocuments/Apresentação_Roadshow_total_20080318.ppt acedido a
20/01/2009;

91
Legislação

Decreto-Lei nº 18/2008 de 29 de Janeiro, “estabelece o regime jurídico dos contratos públicos”;

Decreto-Lei nº 59/99 de 2 de Março, “estabelece o regime jurídico das empreitadas de obras


públicas”, regime este que foi revogado pelo Decreto-Lei nº 18/2008 de 29 de Janeiro;

Decreto-Lei nº 6/2004 de 6 de Janeiro “estabelece o regime de revisão de preços de


empreitadas de obras públicas e de obras particulares e de aquisição de bens e serviços”;

Decreto Legislativo regional nº 34/2008/A “estabelece as regras especiais de contratação


pública na Região Autónoma dos Açores”;

Decreto-Lei nº 498/72, de 9 de Dezembro “ estabelece as regras do estatuto da aposentação”;

Lei 98/97 de 26 de Agosto, com as alterações introduzidas pelas leis nº 35/2007 de 13 de


Agosto e 48/2006 de 29 de Agosto “estabelece a lei de organização e processo do tribunal de
contas;

Portaria 701-A/2008 de 29 de Julho “estabelece os modelos de anúncio de procedimentos pré-


contratuais previstos no Código dos Contratos Públicos a publicitar no Diário da República”;

Portaria 701-H/2008 de 29 de Julho “estabelece o conteúdo obrigatório do programa e do


projecto de execução, bem como os procedimentos e normas a adoptar na elaboração e
faseamento de projectos de obras públicas.”

Decreto-Lei nº 273/2003 de 29 de Outubro “Procede à revisão da regulamentação das


condições de segurança e de saúde no trabalho em estaleiros temporários ou móveis,
constante no Decreto-Lei n.º 155/95, de 1 de Julho, mantendo as prescrições mínimas de
segurança e saúde no trabalho estabelecidas pela Directiva n.º 92/57/CEE, do Conselho, de 24
de Junho.

Constituição da República Portuguesa VII revisão constitucional de 2005 “estabelece a


constituição da república portuguesa”.

92
ANEXOS

93
94
ANEXO 1 – Resumo da Proposta Adjudicada

GRUPO
DESIGNAÇÃO PREÇOS TOTAIS

CAP 1 – ESTALEIRO 2.000,00 €

CAP 2 - ESTRUTURA DE BETÃO ARMADO 180.177,50 €

CAP 3 - ALVENARIAS 33.685,35 €

CAP 4 - COBERTURA 12.278,40 €

CAP 5 - IMPERMEABILIZAÇÕES 19.705,65 €

CAP 6 - CANTARIAS 2.279,00 €

CAP 7 - CARPINTARIAS 21.939,35 €


A - CONSTRUÇÃO CIVIL

CAP 8 - SERRALHARIAS 111.997,40 €

CAP 9 - PAVIMENTOS E RODAPÉS 38.950,39 €

CAP 10 - PAREDES 43.990,60 €

CAP 11 - TECTOS 13.384,00 €

CAP 12 - PINTURAS 30.189,18 €

CAP 13 - ESPELHOS 495,00 €

CAP 14 - EQUIPAMENTO FIXO 6.530,00 €

CAP 15 - EQUIPAMENTO SANITÁRIO 6.919,00 €

CAP 16 - DIVERSOS 843,91 €

CAP 17 - ARRANJOS EXTERIORES 77.596,82 €

CAP 18 - REDE DE ÁGUAS E ESGOTOS 23.913,75 €

CAP 19 - REDE DE GÁS 572,00 €

CAP 1 - QUADROS E ALIMENTAÇÕES 7.449,34 €


B - INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS

CAP 2 - ILUMINAÇÃO EXTERIOR E PORTÃO 14.699,98 €

CAP 3 - ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA 2.312,70 €

CAP 4 - ILUMINAÇÃO 27.914,36 €

CAP 5 - TOMADAS E ALIMENTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS 1.666,32 €

CAP 6 - SIST. AUTOMÁTICO DETECÇÃO DE INCÊNDIOS 3.799,95 €

CAP 7 - INFRA-ESTRUTURAS TELEFÓNICAS 2.394,85 €

CAP 8 - INFRA-ESTRUTURAS TELEFÓNICAS 862,36 €

CAP 9 - TRABALHOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL 1.000,00 €

C - AVAC CAP 1 - INSTALAÇÕES AVAC 65.734,73 €


TOTAL 755.281,89 €

95
ANEXO 2 – Proposta de Preço dos Trabalhos a Mais Correspondentes ao
Primeiro Adicional

Preço
Art. Designação dos Trabalhos Unid. Quantidade Total
Unitário

1.1
Execução de tubagem em tubo corrogado, de
polipropileno SN8, acessórios e ligações, com ml 29,00 € 290,40 8.421,60 €
200 mm de diâmetro incluindo abertura e
tapamento de vala e espalhamento de terras
sobrantes no terreno a intervir

1.2
Execução de caixa de queda/visita, em blocos de
betão, assentes com argamassa de cimento e un 400,00 € 5,00 2.000,00 €
areia, incluindo tampa em betão ligeiramente
armado.

Total da Proposta 10.421,60 €

ANEXO 3 – Plano de Pagamentos e Cronograma Financeiro Entregue


com a Proposta

PLANO DE PAGAMENTOS E CRONOGRAMA


FINANCEIRO PREVISTO

Mês Mensal Acumulado


1 41.767,09 € 41.767,09 €
2 57.476,95 € 99.244,04 €
3 75.905,83 € 175.149,87 €
4 52.265,51 € 227.415,38 €
5 41.097,33 € 268.512,71 €
6 84.742,63 € 353.255,34 €
7 99.017,46 € 452.272,80 €
8 10.353,88 € 462.626,68 €
9 115.588,13 € 578.214,81 €
10 112.763,59 € 690.978,40 €
11 38.463,85 € 729.442,25 €
12 25.839,64 € 755.281,89 €

96
ANEXO 4 – Cálculo dos Coeficientes de Actualização Globais

Mês de Ref. (Set) Janeiro Fevereiro Março


Índices Fórmula Índices Ct Índices Ct Índices Ct
Geral 107,10 0,360000 108,30 0,364034 108,30 0,364034 108,30 0,364034
M03 104,10 0,020000 104,10 0,020000 104,60 0,020096 104,20 0,020019
M06 95,70 0,060000 97,70 0,061254 97,70 0,061254 97,70 0,061254
M09 95,40 0,030000 94,60 0,029748 95,70 0,030094 95,30 0,029969
M10 106,50 0,020000 106,80 0,020056 109,20 0,020507 109,50 0,020563
M18 309,60 0,010000 316,90 0,010236 316,90 0,010236 316,90 0,010236
M20 128,80 0,060000 130,90 0,060978 131,10 0,061071 128,80 0,060000
M23 91,00 0,020000 93,80 0,020615 100,20 0,022022 100,20 0,022022
M24 133,20 0,020000 134,60 0,020210 134,60 0,020210 134,60 0,020210
M25 131,30 0,010000 132,40 0,010084 132,40 0,010084 132,40 0,010084
M26 122,80 0,020000 122,00 0,019870 121,80 0,019837 121,70 0,019821
M29 213,60 0,020000 213,60 0,020000 213,60 0,020000 216,40 0,020262
M31 166,40 0,010000 177,70 0,010679 177,70 0,010679 177,70 0,010679
M32 106,90 0,020000 119,00 0,022264 115,00 0,021515 110,90 0,020748
M40 123,30 0,040000 127,90 0,041492 129,30 0,041946 139,50 0,045255
M42 98,30 0,030000 98,40 0,030031 98,30 0,030000 98,30 0,030000
M43 141,20 0,040000 135,80 0,038470 132,80 0,037620 135,80 0,038470
M45 132,60 0,010000 134,00 0,010106 135,20 0,010196 136,10 0,010264
M46 114,50 0,050000 121,40 0,053013 122,50 0,053493 127,40 0,055633
M47 99,50 0,010000 100,20 0,010070 99,70 0,010020 99,70 0,010020
Custo não
0,140000 0,140000 0,140000 0,140000
revisível

Ct 1,0000 1,013210 1,014916 1,019543

97
ANEXO 5 – Conta Corrente Correspondente à Revisão de Preços nº 1

CONTA CORRENTE
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho Data: __/__/__
Data do cálculo da revisão de preços: 15 de Setembro de 2006
Auto de revisão de preços nº 1 referente aos meses de Janeiro a Julho

b) Total da revisão de preços (Vr) 3.033,01 €

c) Descontos Vd= RC* + CGA


10% Reforço da caução (RC) *
0,5% C.G.A (CGA) 15,17 €

d) Valor do IVA Viva= Tiva x Vr 121,32 €

e) Saldo a Pagar ao Empreiteiro (c/ IVA) Vl= Vr - Vd + IVA 3.139,17 €


* Empreiteiro entregou garantia bancária para reforço da caução

98
ANEXO 6- Conta Corrente Correspondente à Primeira Medição dos
Trabalhos a Mais

CONTA CORRENTE
Empreitada: Centro Cultural em Santo António Nordestinho
Data do mapa de medições: 31 de Outubro de 2007
Auto de medição e vistoria de trabalhos a mais nº 1 referente ao mês de Outubro de 2007

Valor dos
Art. Designação Quant. Unid. Preço Unitário Trab.
Realizados
a) Trabalhos Realizados

1.1 Execução de tubagem em tubo


corrugado de polipropileno SN8,
acessórios, com Ø 200 mm,
incluindo abertura e tapamento m 290,40 29,00 € 8.421,60 €
de vala e espalhamento de terras
sobrantes no terreno a intervir.

1.2 Execução de caixa de queda


(visita em blocos de betão
assentes com argamassa de
cimento e areia, incluindo tampa un 5,00 400,00 € 2.000,00 €
em betão ligeiramente armado

b) Trabalhos a Menos

Execução de poço de Infiltração


com diâmetro 1,55m, altura maior
ou igual 2,10 m em betão
armado, alvenaria de pedra com
18.2.2.9 argamassa, brita, palha, un -1,00 2.000,00 € -2.000,00 €
movimento de terras e tampa em
ferro fundido, conforme desenhos
e CE.

c) Diferença entre os trabalhos realizados e os trabalhos a menos (Vtr) 8.421,60 €

d) Descontos Vd= RC + CGA+ Vri


10% Reforço da caução (RC) *
0,5% C.G.A (CGA) 42,11 €
Reembolso do Adiantamento (Vri) - €

e) Valor do IVA Viva= Tiva x (Vtr - Vri) 336,86€

f) Saldo a Pagar ao Empreiteiro (c/ IVA) Vl= Vtr - Vd + IVA 8.716,36 €


* Empreiteiro entregou garantia bancária para reforço da caução

99
ANEXO 7 – Macro 1

Macro1
'
' Atalho por teclado: Ctrl+d
'
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Selection.Copy
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Range("I27").Select
ActiveCell.FormulaR1C1 = "='Conta RP'!R[-12]C[-3]"
Range("I28").Select
End Sub

100
ANEXO 8 – Auto de Vistoria e Medições de Trabalhos a Mais
AUTO DE VISTORIA E MEDIÇÃO Nº _1_
Situação de trabalhos do 1º termo adicional do contrato
Empreitada: Centro Cultural de Santo António Nordestinho
Descrição da despesa:
Cap._____ Div. _____ Subdiv _____ Classif. Económica: _____

Aos __31__ dias do mês de __Outubro__ de __2007__ compareceram no local onde estão a ser executados
os trabalhos que constituem a empreitada em epígrafe, adjudicada a __________, Lda. por contrato de 30 de
Dezembro de 2005, na importância de 755.281,89 € mais I.V.A, visado pelo Tribunal de Contas em __/__/__,
o Eng.º __________, responsável pela fiscalização, e o Eng.º __________ pelo adjudicatário, a fim de em
harmonia com o contrato e o caderno de encargos, procederem ao exame e medição dos trabalhos, tendo
verificado que se encontram executadas as quantidades de trabalhos que constam nas folhas de medição
anexas rubricadas pelos intervenientes.

Valor do Trabalhos Realizados (Vtr) : 8.421,60 €


Descontos:

Caixa Geral de Aposentações (0,5%): 42,11 €

Reforço da Caução (10%) (*): 842,16 €

Reembolso adiantamento (Ra): - €


Segurança Social (**):

Total de Descontos (Vd): 42,11€

IVA (Vtr - Ra) x % 336,86 €

Valor iliquido do auto (Vtr - Ra) + IVA 8.758,46 €

Valor liquido do auto a pagar (Vtr - Vd + IVA) 8.716,36 €

Importa na quantia de: Oito mil setecentos e dezasseis euros e trinta e seis cêntimos

E nada mais havendo a tratar se lavrou o presente auto que depois de lido e julgado vai ser assinado pelo representante do
adjudicatário e responsável pela fiscalização.

VISTO
O representante do adjudicatário O representante do dono da obra O responsável pela fiscalização
_________________________ ___________________________ ________________________
( ) ( ) ( )
Data: __/__/__ Data: __/__/__ Data: __/__/__

(*) REFORÇO DA CAUÇÃO: Garantia/ Seguro-caução nº _____ Saldo da caução: ________


(**) SEGURANÇA SOCIAL: Regularizada
VALOR ACTUAL DO ADIANTAMENTO:

101
ANEXO 9 – Macro 2

Macro2
'
' Atalho por teclado: Ctrl+d
'
Range("F18:I18").Select
Sheets("Conta RP").Select
Range("C7:F7").Select
Selection.Copy
Sheets("RP 1").Select
ActiveSheet.Paste
Range("G20:I20").Select
Application.CutCopyMode = False
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End Sub

102