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4734 Diário da República, 1.ª série — N.

º 158 — 17 de agosto de 2017

e das Florestas, I. P. (ICNF, I. P.) e das demais entidades n.os 15/2009, de 14 de janeiro, 17/2009, de 14 de janeiro,
públicas procedem oficiosamente às alterações de nomen- 114/2011, de 30 de novembro, e 83/2014, de 23 de maio,
clatura, junto dos respetivos registos, sem necessidade que estrutura o Sistema de Defesa da Floresta contra In-
de requerimento das comunidades locais para o efeito. cêndios (SDFCI).
2 — Os serviços do IRN, I. P., da AT e do ICNF, I. P.,
procedem à inscrição na plataforma referida no artigo 9.º Artigo 2.º
das informações de que disponham, comunicando às co- Alteração ao Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho
munidades locais esse facto, estando estas dispensadas da
sua comunicação à referida plataforma, sem prejuízo do Os artigos 1.º, 2.º, 3.º, 3.º-A, 3.º-B, 3.º-C, 3.º-D, 4.º, 5.º,
dever das referidas comunidades procederem à atualização 6.º, 7.º, 8.º, 10.º, 11.º, 12.º, 13.º, 14.º, 15.º, 16.º, 17.º, 20.º,
de informação, nomeadamente quanto à respetiva sede. 21.º, 22.º, 25.º, 26.º, 27.º, 28.º, 29.º, 30.º, 31.º, 32.º, 33.º,
3 — O membro do Governo que exerce o poder de dire- 34.º, 35.º, 36.º, 37.º, 38.º, 39.º, 40.º e 41.º do Decreto-Lei
ção ou tutela relativamente aos serviços públicos em causa n.º 124/2006, de 28 de junho, alterado pelos Decretos-Leis
pode, caso se afigure necessário, e mediante despacho, n.os 15/2009, de 14 de janeiro, 17/2009, de 14 de janeiro,
definir os termos da operacionalização do disposto nos 114/2011, de 30 de novembro, e 83/2014, de 23 de maio,
números anteriores, desde que tal não implique a oneração passam a ter a seguinte redação:
das comunidades locais com encargos administrativos
relativamente aos atos em causa.
«CAPÍTULO I
Artigo 57.º
Disposições gerais
Não aplicabilidade
O regime previsto na presente lei não é aplicável aos Artigo 1.º
terrenos que não tenham proprietário conhecido e que [...]
nunca tenham sido fruídos por universo de compartes, nos
termos dos seus usos e costumes. 1 — O presente decreto-lei estrutura o Sistema de
Defesa da Floresta contra Incêndios (SDFCI).
2— .....................................
Artigo 58.º
Norma revogatória Artigo 2.º
1 — É revogada a Lei n.º 68/93, de 4 de setembro, alte- [...]
rada pelas Leis n.os 89/97, de 30 de julho, e 72/2014, de 2
de setembro, bem como a regulamentação dela decorrente. 1— .....................................
2 — São ainda revogadas todas as normas da Lei 2— .....................................
n.º 72/2014, de 2 de setembro, aplicáveis a baldios. 3— .....................................
3 — São repristinados os Decretos-Leis n.os 39/76, de a) Ao Instituto da Conservação da Natureza e das
19 de janeiro, e 40/76, de 19 de janeiro, para efeito das Florestas, I. P. (ICNF, I. P.), a coordenação das ações
remissões previstas na presente lei. de prevenção estrutural, nas vertentes de sensibiliza-
ção, planeamento, organização do território florestal,
Aprovada em 23 de junho de 2017. silvicultura e infraestruturação de defesa da floresta
O Presidente da Assembleia da República, Eduardo contra incêndios;
Ferro Rodrigues. b) À Guarda Nacional Republicana (GNR) a coor-
denação das ações de prevenção relativas à vertente da
Promulgada em 8 de agosto de 2017. vigilância, deteção e fiscalização;
Publique-se. c) À Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC),
a coordenação das ações de combate, rescaldo e vigi-
O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA. lância pós-incêndio.
Referendada em 9 de agosto de 2017.
4 — Compete ao ICNF, I. P., a organização e coor-
O Primeiro-Ministro, António Luís Santos da Costa. denação do dispositivo de prevenção estrutural que,
durante o período crítico, se integra na estrutura ope-
Lei n.º 76/2017 racional prevista no dispositivo especial de combate a
incêndios florestais (DECIF).
de 17 de agosto 5 — Compete ainda ao ICNF, I. P., a manutenção, à
escala nacional, de um sistema de informação relativo
Altera o Sistema Nacional de Defesa da Floresta a incêndios florestais, através da adoção de um sistema
contra Incêndios, procedendo à quinta
alteração ao Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho de gestão de informação de incêndios florestais (SGIF)
e os registos das áreas ardidas.
A Assembleia da República decreta, nos termos da 6— .....................................
alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte: 7 — (Revogado.)
8 — Todas as entidades públicas que integram o
Artigo 1.º SDFCI ficam sujeitas ao dever de colaboração e têm
Objeto
acesso aos dados do SGIF necessários à definição das
políticas e ações de prevenção estrutural, vigilância,
A presente lei procede à quinta alteração ao Decreto-Lei deteção, combate, rescaldo, vigilância ativa pós-rescaldo
n.º 124/2006, de 28 de junho, alterado pelos Decretos-Leis e fiscalização.
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9 — As regras de criação e funcionamento do SGIF p) [Anterior alínea l).]


são aprovadas mediante proposta do ICNF, I. P., ouvidas q) [Anterior alínea m).]
a ANPC e a GNR. r) [Anterior alínea n).]
10 — É criada no âmbito do ICNF, I. P., uma equipa s) ‘Incêndio agrícola’, o incêndio rural em que a área
responsável por impulsionar, acompanhar e monitorizar ardida agrícola é superior à área ardida florestal e a área
a aplicação do Plano Nacional de Defesa da Floresta ardida florestal é inferior a 1 hectare;
contra Incêndios (PNDFCI), com um coordenador no- t) ‘Incêndio florestal’, o incêndio rural em que a área
meado nos termos da legislação aplicável. ardida florestal é superior à área agrícola e a área ardida
11 — Anualmente, até 30 de setembro, a equipa refe- total é inferior a 1 hectare ou sempre que a área ardida
rida no número anterior apresenta o plano e orçamento florestal seja superior a 1 hectare;
para aplicação do PNDFCI para o ano seguinte, a auto- u) ‘Incêndio rural’, o incêndio florestal ou agrícola
nomizar no Orçamento do ICNF, I. P., explicitando as que decorre nos espaços rurais;
verbas a afetar pelo Estado e, indicativamente, as verbas v) ‘Índice de risco de incêndio rural’, a expressão
a disponibilizar por outras entidades. numérica que, traduzindo o estado dos combustíveis
12 — Até 21 de março de cada ano a equipa referida por ação da meteorologia e os parâmetros meteoro-
no n.º 10 elabora o balanço e as contas relativamente à lógicos relevantes, auxilia à determinação dos locais
aplicação do PNDFCI no ano anterior, indicando o grau onde são mais favoráveis as condições para ignição ou
de cumprimento das metas definidas. propagação do fogo;
x) ‘Índice de perigosidade de incêndio rural’, a pro-
Artigo 3.º babilidade de ocorrência de incêndio rural, num deter-
[...] minado intervalo de tempo e numa dada área, em função
da suscetibilidade do território e cenários considerados;
1— ..................................... z) [Anterior alínea q).]
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . aa) ‘Mosaico de parcelas de gestão de combustível’,
b) ‘Áreas edificadas consolidadas’, as áreas de con- o conjunto de parcelas do território estrategicamente
centração de edificações, classificadas nos planos mu- localizadas, onde, através de ações de silvicultura, se
nicipais e intermunicipais de ordenamento do território procede à gestão dos vários estratos de combustível e à
como solo urbano ou como aglomerado rural; diversificação da estrutura e composição das formações
c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . vegetais, com o objetivo primordial de defesa da floresta
d) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . contra incêndios;
e) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . bb) «Período crítico» o período durante o qual vi-
f) ‘Edificação’, a atividade ou o resultado da cons- goram medidas e ações especiais de prevenção contra
trução, reconstrução, ampliação, alteração ou conserva- incêndios florestais, por força de circunstâncias meteo-
ção de um imóvel destinado a utilização humana, bem rológicas excecionais;
como de qualquer outra construção que se incorpore no cc) [Anterior alínea t).]
solo com carácter de permanência, excecionando-se as dd) ‘Povoamento florestal’, o terreno, com área
obras de escassa relevância urbanística para efeitos de maior ou igual a 0,5 hectares e largura maior ou igual
aplicação do presente decreto-lei; a 20 metros onde se verifica a presença de árvores flo-
g) ‘Edifício’, a construção permanente dotada de restais que tenham atingido, ou com capacidade para
acesso independente, coberta, limitada por paredes ex- atingir, uma altura superior a 5 metros e grau de coberto
teriores ou paredes meeiras que vão das fundações à maior ou igual a 10 %;
cobertura, destinada à utilização humana ou a outros ee) ‘Baldios’ os terrenos com as suas partes e equipa-
fins, com exceção dos edifícios que correspondam a mentos integrantes, possuídos e geridos por comunida-
obras de escassa relevância urbanística; des locais, conforme definição no Regime aplicável aos
h) [Anterior alínea f).] baldios e aos demais meios de produção comunitários
i) [Anterior alínea g).] (Lei n.º 75/2017, de 17 de agosto);
j) ‘Floresta’, o terreno com área maior ou igual a ff) [Anterior alínea v).]
0,5 hectares e largura maior ou igual a 20 metros, onde gg) [Anterior alínea x).]
se verifica a presença de árvores florestais que tenham hh) [Anterior alínea z).]
atingido, ou com capacidade para atingir, uma altura ii) [Anterior alínea aa).]
superior a 5 metros e grau de coberto maior ou igual jj) ‘Rede de faixas de gestão de combustível’, o con-
a 10 %; junto de parcelas lineares de território, estrategicamente
l) [Anterior alínea h).] localizadas, onde se garante a remoção total ou parcial
m) ‘Fogo de gestão de combustível’, o uso do fogo de biomassa florestal, através da afetação a usos não
que, em condições meteorológicas adequadas, e em florestais e do recurso a determinadas atividades ou
espaços rurais de reduzido valor, permite a evolução do a técnicas silvícolas com o objetivo principal de criar
incêndio rural dentro de um perímetro preestabelecido, oportunidades para o combate em caso de incêndio rural
com um menor empenhamento de meios de supressão e de reduzir a suscetibilidade ao fogo;
no interior do mesmo; ll) [Anterior alínea cc).]
n) ‘Fogo de supressão’, o uso técnico do fogo no mm) [Anterior alínea dd).]
âmbito da luta contra os incêndios rurais compreen- nn) [Anterior alínea ee).]
dendo o fogo tático e o contrafogo, quando executado oo) [Anterior alínea ff).]
sob a responsabilidade do Comandante das Operações pp) [Anterior alínea gg).]
de Socorro (COS); qq) ‘Risco de incêndio rural’, a probabilidade de
o) [Anterior alínea j).] que um incêndio rural ocorra num local específico, sob
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determinadas circunstâncias, e impactes nos elementos e que inclua a previsão e planeamento integrado das in-
afetados, sendo função da perigosidade e dos danos tervenções das diferentes entidades perante a ocorrência
potenciais aos elementos em risco; de incêndios, nomeadamente a localização de infraestru-
rr) [Anterior alínea hh).] turas florestais de combate a incêndios, em consonância
ss) ‘Suscetibilidade de incêndio rural’, a propensão com o PNDFCI e com o respetivo PROF;
de uma dada área ou unidade territorial para ser afetada c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
pelo fenómeno em apreço, avaliada a partir das proprie- d) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
dades que lhe são intrínsecas, sendo mais ou menos e) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
suscetível conforme melhor permita a deflagração e a
progressão de um incêndio; 2— .....................................
tt) [Anterior alínea ii).]
uu) ‘Turismo de habitação’, os estabelecimentos de a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
natureza familiar instalados em imóveis antigos particu- b) Avaliar e emitir parecer sobre o plano municipal
lares que, pelo seu valor arquitetónico, histórico ou artís- de defesa da floresta contra incêndios (PMDFCI);
tico, sejam representativos de uma determinada época, c) Propor projetos de investimento na prevenção e
nomeadamente palácios e solares, podendo localizar-se proteção da floresta contra incêndios, de acordo com
em espaços rurais ou urbanos; os planos aplicáveis;
vv) ‘Turismo no espaço rural’, os estabelecimentos d) Apreciar o relatório anual de execução do PMDFCI
que se destinam a prestar, em espaços rurais, serviços a apresentar pela câmara municipal;
de alojamento a turistas, preservando, recuperando e) Acompanhar o desenvolvimento dos programas
e valorizando o património arquitetónico, histórico, de controlo de agentes bióticos e promover ações de
natural e paisagístico dos respetivos locais e regiões proteção florestal;
onde se situam, através da reconstrução, reabilitação f) Acompanhar o desenvolvimento das ações de sen-
ou ampliação de construções existentes, de modo a ser sibilização da população, conforme plano nacional de
assegurada a sua integração na envolvente. sensibilização elaborado pelo ICNF, I. P.;
g) Promover, ao nível das unidades locais de proteção
2— ..................................... civil, a criação de equipas de voluntários de apoio à de-
fesa contra incêndios em aglomerados rurais e apoiar na
identificação e formação do pessoal afeto a esta missão,
CAPÍTULO II para que possa atuar em condições de segurança;
[...] h) [Anterior alínea g).]
i) [Anterior alínea h).]
j) [Anterior alínea i).]
SECÇÃO I l) [Anterior alínea j).]
[...] m) [Anterior alínea l).]
n) Aprovar a delimitação das áreas identificadas em
Artigo 3.º-A sede do planeamento municipal com potencial para a
prática de fogo de gestão de combustível.
[...]
1— ..................................... Artigo 3.º-C
2 — As comissões distritais de defesa da floresta, [...]
responsáveis pela coordenação distrital dos programas
e ações de prevenção estrutural, articulam-se com as 1— .....................................
comissões distritais de proteção civil, responsáveis pela a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
coordenação distrital enquanto estrutura de coordenação b) O responsável regional do ICNF, I. P., que preside;
política em matérias de proteção civil. c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
3 — As comissões municipais de defesa da floresta d) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(CMDF) podem agrupar-se em comissões intermunici- e) O comandante operacional distrital da ANPC;
pais, desde que correspondendo a uma área geográfica f) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
inserida no mesmo programa regional de ordenamento g) (Revogada.)
florestal (PROF), com vista à otimização dos recursos h) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
e ao planeamento integrado das ações. i) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4 — As comissões distritais funcionam sob a coor- j) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
denação do responsável regional do ICNF, I. P., e as l) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
comissões municipais sob a coordenação do presidente m) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
da câmara municipal. n) (Revogada.)
o) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Artigo 3.º-B p) Um representante da Infraestruturas de
[...] Portugal, S. A. (IP, S. A.), um representante do Insti-
tuto da Mobilidade e dos Transportes, I. P. (IMT, I. P.),
1— .....................................
e dois representantes dos concessionários da distribuição
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . e transporte de energia elétrica;
b) Elaborar um plano de defesa da floresta contra in- q) Outras entidades e personalidades a convite do
cêndios que defina as medidas necessárias para o efeito presidente da comissão.
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2 — Nos concelhos onde existam unidades de baldio d) Classe IV — Alta;


há um representante dos respetivos conselhos diretivos. e) Classe V — Muito alta.
3 — O apoio técnico às comissões distritais é as-
segurado pelo serviço do ICNF, I. P., territorialmente 2 — O modelo numérico de definição do índice de
competente. perigosidade de incêndio rural de escala nacional e
4 — (Anterior n.º 3.) municipal é publicado pelo ICNF, I. P.
5 — (Anterior n.º 4.) 3 — A classificação do território continental segundo
o índice de perigosidade de incêndio rural é, à escala na-
Artigo 3.º-D cional, anualmente divulgada na página do ICNF, I. P.,
[...]
depois de ouvida a ANPC.

1— ..................................... Artigo 6.º


a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . [...]
b) Até cinco representantes das freguesias do conce-
lho, a designar pela assembleia municipal; 1 — As manchas florestais onde se reconhece ser
c) Um representante do ICNF, I. P.; prioritária a aplicação de medidas mais rigorosas de
d) (Revogada.) defesa da floresta contra incêndios, quer face à elevada
e) O coordenador municipal de proteção civil; suscetibilidade ou à perigosidade que representam, quer
f) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . em função do seu valor patrimonial, social ou ecológico,
g) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . são designadas por zonas críticas, sendo estas identifi-
h) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . cadas, demarcadas e alvo de planeamento próprio nos
i) Um representante da IP, S. A., um representante PROF.
do IMT, I. P., e dois representantes dos concessionários 2 — As zonas críticas são definidas por portaria dos
da distribuição e transporte de energia elétrica, sempre membros do Governo responsáveis pelas áreas da flo-
que se justifique; resta e do ambiente.
j) Outras entidades e personalidades a convite do
presidente da comissão. SECÇÃO III
2— ..................................... [...]
3— .....................................
4— ..................................... Artigo 7.º
5— .....................................
[...]

1— .....................................
SECÇÃO II 2 — O planeamento nacional, através do PNDFCI,
[...] organiza o sistema, define a visão, a estratégia, eixos
estratégicos, metas, objetivos e ações prioritárias.
Artigo 4.º 3 — O planeamento distrital tem um enquadramento
tático e caracteriza-se pela seriação e organização das
Índice de risco de incêndio rural ações e dos objetivos definidos no PNDFCI à escala
1 — O índice de risco de incêndio estabelece o risco distrital, orientando, por níveis de prioridade, as ações
diário de ocorrência de incêndio rural, cujos níveis são identificadas a nível municipal.
reduzido (1), moderado (2), elevado (3), muito ele- 4— .....................................
vado (4) e máximo (5), conjugando a informação do
índice de perigo meteorológico de incêndio, produzido Artigo 8.º
pela entidade investida da função de autoridade nacional
[...]
de meteorologia, com o índice de risco conjuntural,
definido pelo ICNF, I. P. 1 — O PNDFCI define os objetivos gerais de pre-
2 — O índice de risco de incêndio rural é elaborado venção, pré-supressão, supressão e recuperação num
e divulgado diariamente pela autoridade nacional de enquadramento sistémico e transversal da defesa da
meteorologia. floresta contra incêndios.
Artigo 5.º 2 — O PNDFCI é um plano plurianual, de cariz in-
terministerial, submetido a avaliação anual, e onde estão
Classificação do continente segundo a perigosidade
de incêndio rural preconizadas a política e as medidas para a defesa da
floresta contra incêndios, englobando planos de pre-
1 — Para efeitos do presente decreto-lei e com base venção, sensibilização, vigilância, deteção, combate,
em critérios de avaliação do índice de perigosidade de supressão, recuperação de áreas ardidas, investigação e
incêndio rural em Portugal continental, é estabelecida a desenvolvimento, coordenação e formação dos meios e
classificação do território, de acordo com as seguintes agentes envolvidos, bem como uma definição clara de
classes qualitativas: objetivos e metas a atingir, calendarização das medidas
a) Classe I — Muito baixa; e ações, orçamento, plano financeiro e indicadores de
b) Classe II — Baixa; execução.
c) Classe III — Média; 3 — (Revogado.)
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4 — O PNDFCI deve conter orientações a concre- Artigo 11.º


tizar nos PROF, refletindo-se nos níveis subsequentes [...]
do planeamento.
5 — O PNDFCI é elaborado pelo ICNF, I. P., e apro- 1 — Todos os instrumentos de gestão florestal devem
vado por resolução do Conselho de Ministros, sendo a explicitar não só as ações de silvicultura para defesa da
sua monitorização objeto de relatório bianual elaborado floresta contra incêndios e de infraestruturação dos espa-
por entidade externa. ços rurais, mas também a sua integração e compatibili-
6— ..................................... zação com os instrumentos de planeamento florestal de
nível superior, designadamente os PMDFCI e os PROF.
Artigo 10.º 2 — A desconformidade dos planos municipais de
ordenamento do território com os PMDFCI superve-
[...] nientes não desvincula as entidades e particulares da
observância destes últimos e determina a sua confor-
1— .....................................
mação no procedimento imediato de alteração que tiver
2 — Os PMDFCI são elaborados pelas câmaras mu- lugar por iniciativa do município, sem prejuízo da even-
nicipais, sujeitos a parecer prévio das respetivas CMDF tual decisão de abertura do procedimento de alteração
e parecer vinculativo do ICNF, I. P., e aprovados pela por adaptação daqueles instrumentos de planeamento,
assembleia municipal, em consonância com o PNDFCI previsto no artigo 121.º do Decreto-Lei n.º 80/2015,
e com o respetivo planeamento distrital de defesa da de 14 de maio.
floresta contra incêndios, sendo as regras de elabora- 3 — Todas as iniciativas locais de prevenção, pré-
ção, consulta pública e aprovação e a sua estrutura tipo -supressão e recuperação de áreas ardidas ao nível sub-
estabelecidas por regulamento do ICNF, I. P., homolo- municipal devem ser articuladas e enquadradas pelos
gado pelo membro do Governo responsável pela área PMDFCI.
das florestas.
3— .....................................
4 — A elaboração, execução, avaliação anual da exe- CAPÍTULO III
cução e atualização dos PMDFCI têm carácter obrigató- [...]
rio, devendo a câmara municipal consagrar a execução
da componente que lhe compete no âmbito dos planos SECÇÃO I
e relatórios anuais de atividades.
[...]
5 — A cartografia da rede de defesa da floresta contra
incêndios constituída pela rede primária de faixas de Artigo 12.º
gestão de combustível, rede viária florestal fundamental, [...]
rede de pontos de água e rede nacional de postos de
vigia (RNPV), assim como a carta de perigosidade de 1— .....................................
incêndio florestal, constantes dos PMDFCI, devem ser 2— .....................................
incorporadas e regulamentadas nos respetivos planos 3 — A monitorização do desenvolvimento e da uti-
municipais de ordenamento do território. lização das RDFCI incumbe ao ICNF, I. P.
6 — As plantas dos PMDFCI são elaboradas à mesma 4 — O acompanhamento da componente prevista na
escala da planta de condicionantes do Plano Diretor alínea d) do n.º 2 é da responsabilidade do ICNF, I. P.,
Municipal. em articulação com a ANPC.
5 — No que se refere às componentes previstas na
7 — Os municípios podem criar e implementar pro-
alínea e) do n.º 2, a monitorização do desenvolvimento
gramas especiais de intervenção florestal no âmbito e da utilização incumbe à GNR em articulação com o
de planos de defesa da floresta para áreas florestais ICNF, I. P., e com a ANPC.
contíguas a infraestruturas de elevado valor estratégico 6 — Quanto à componente prevista na alínea f) do
nacional e para áreas florestais estratégicas e de elevado n.º 2, a monitorização do desenvolvimento e da utili-
valor, conforme apresentado na cartografia de perigo- zação é da responsabilidade da ANPC em articulação
sidade de incêndio rural, que constem dos PDDFCI. com o ICNF, I. P., e a GNR.
8— ..................................... 7 — A recolha, registo e atualização da base de dados
9— ..................................... das RDFCI deve ser efetuada pelas autarquias locais,
10 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . mediante protocolo e procedimento divulgado em norma
11 — No âmbito da defesa da floresta contra incên- técnica pelo ICNF, I. P.
dios e da gestão florestal, apenas têm direito a subsídio
ou beneficio outorgado pelo Estado os municípios que Artigo 13.º
possuam PMDFCI aprovado. [...]
12 — Os PMDFCI, de âmbito municipal ou inter-
municipal são tornados públicos, com o teor integral, 1— .....................................
por publicação em espaço próprio da 2.ª série do Diário 2— .....................................
da República e por inserção no sítio na Internet do 3— .....................................
respetivo município, das freguesias correspondentes e 4— .....................................
do ICNF, I. P. a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
13 — O ICNF, I. P., lista no seu sítio da Internet os b) As linhas de transporte e distribuição de energia
municípios que não disponham de PMDFCI aprovados elétrica e gás natural (gasodutos);
ou atualizados. c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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5— ..................................... abranja terrenos ocupados com floresta, matos ou pas-


6 — As especificações técnicas em matéria de defesa tagens naturais;
da floresta contra incêndios relativas a equipamentos b) Largura definida no PMDFCI, com o mínimo de
florestais de recreio são definidas em regulamento do 10 m e o máximo de 50 m, medida a partir da alvenaria
ICNF, I. P., homologado pelo membro do Governo exterior do edifício, quando a faixa abranja exclusiva-
responsável pela área das florestas, ouvida a ANPC. mente terrenos ocupados com outras ocupações.
7 — (Revogado.)
8 — Quando as faixas de gestão de combustíveis e 3 — Os trabalhos definidos no número anterior de-
os mosaicos de parcelas ocorram em áreas ocupadas vem decorrer entre o final do período crítico do ano
por sobreiros e azinheiras, o ICNF, I. P., pode autorizar anterior e 30 de abril de cada ano.
desbastes com o objetivo de reduzir a continuidade dos 4 — (Anterior n.º 3.)
combustíveis. 5 — (Anterior n.º 4.)
9 — O ICNF, I. P., tem a responsabilidade de de- 6 — Na ausência de intervenção até 31 de maio de
senvolver os instrumentos de perequação necessários cada ano, nos termos dos números anteriores, os pro-
à instalação da rede primária. prietários ou outras entidades que detenham a qualquer
10 — O Governo define os mecanismos de aplicação título a administração de edifícios inseridos na área
dos instrumentos previstos no número anterior e a ga- prevista no n.º 2, podem substituir-se aos proprietários
rantia de compensação dos proprietários afetados. e outros produtores florestais, procedendo à gestão de
combustível prevista no número anterior, mediante co-
Artigo 14.º municação aos proprietários e, na falta de resposta em
10 dias, por aviso a afixar no local dos trabalhos, num
[...] prazo não inferior a 5 dias, nos termos previstos no
1— ..................................... artigo 21.º
2 — As redes primárias de faixas de gestão de com- 7 — (Anterior n.º 6.)
bustível, definidas no âmbito do planeamento distrital de 8 — Sempre que os materiais resultantes da ação
defesa da floresta contra incêndios devem ser declaradas de gestão de combustível referida no número anterior
de utilidade pública, nos termos do número anterior, possuam valor comercial, o produto obtido dessa forma
ficando qualquer alteração ao uso do solo ou do coberto é pertença do proprietário ou produtor florestal respe-
vegetal sujeita a parecer vinculativo do ICNF, I. P., sem tivo, podendo contudo ser vendido pelo proprietário ou
prejuízo dos restantes condicionalismos legais. entidade que procedeu à gestão de combustível.
3— ..................................... 9 — Quem tiver procedido à gestão de combustível
4— ..................................... pode exercer o direito de compensação de créditos pelo
produto da venda, na respetiva proporção das despesas
incorridas, mediante notificação escrita ao proprietário
SECÇÃO II ou produtor florestal respetivo, nos termos previstos nos
[...] artigos 847.º e seguintes do Código Civil.
10 — Nos aglomerados populacionais inseridos ou
Artigo 15.º confinantes com espaços florestais, e previamente defi-
[...]
nidos nos PMDFCI, é obrigatória a gestão de combustí-
vel numa faixa exterior de proteção de largura mínima
1 — Nos espaços florestais previamente definidos não inferior a 100 m, podendo, face à perigosidade de
nos PMDFCI é obrigatório que a entidade responsável: incêndio rural de escala municipal, outra amplitude ser
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . definida nos respetivos planos municipais de defesa da
b) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . floresta contra incêndios.
c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 — (Anterior n.º 9.)
d) Pelas linhas de distribuição de energia elétrica 12 — Verificando-se, até ao dia 30 de abril de cada
em média tensão providencie a gestão de combustível ano, o incumprimento referido no número anterior, com-
numa faixa correspondente à projeção vertical dos cabos pete à câmara municipal, até 31 de maio de cada ano, a
condutores exteriores acrescidos de uma faixa de largura realização dos trabalhos de gestão de combustível, com
não inferior a 7 m para cada um dos lados; a faculdade de se ressarcir, desencadeando os mecanis-
e) Pela rede de transporte de gás natural (gasodutos) mos necessários ao ressarcimento da despesa efetuada,
providencie a gestão de combustível numa faixa lateral podendo, mediante protocolo, delegar esta competência
de terreno confinante numa largura não inferior a 7 m na junta de freguesia.
para cada um dos lados, contados a partir do eixo da 13 — Nos parques de campismo, nos parques e po-
conduta. lígonos industriais, nas plataformas de logística e nos
aterros sanitários inseridos ou confinantes com espaços
florestais previamente definidos no PMDFCI, é obriga-
2 — Os proprietários, arrendatários, usufrutuários
tória a gestão de combustível, e sua manutenção, de uma
ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos
faixa envolvente com uma largura mínima não inferior
confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais,
a 100 m, competindo à respetiva entidade gestora ou, na
são obrigados a proceder à gestão de combustível, de
sua inexistência ou não cumprimento da sua obrigação,
acordo com as normas constantes no anexo do presente
à câmara municipal realizar os respetivos trabalhos,
decreto-lei e que dele faz parte integrante, numa faixa
podendo esta, para o efeito, desencadear os mecanismos
com as seguintes dimensões:
necessários ao ressarcimento da despesa efetuada.
a) Largura não inferior a 50 m, medida a partir da 14 — (Anterior n.º 12.)
alvenaria exterior do edifício, sempre que esta faixa 15 — (Anterior n.º 13.)
4740 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

16 — (Anterior n.º 14.) b) Medidas excecionais de contenção de possíveis


17 — (Anterior n.º 15.) fontes de ignição de incêndios no edifício e nos respe-
18 — (Anterior n.º 16.) tivos acessos;
19 — (Anterior n.º 17.) c) Existência de parecer vinculativo do ICNF, I. P.,
20 — O disposto no número anterior não prejudica solicitado pela câmara municipal;
a realização de campanhas de sensibilização, nomea- d) Para o efeito do disposto nas alíneas anteriores, é
damente radiodifundidas. aprovado um normativo que enquadra as regras a que
21 — O Estado desenvolve uma plataforma que per- obedecem a análise de risco e as medidas excecionais,
mita aos cidadãos a participação de situações de perigo por portaria dos membros do Governo responsáveis
respeitantes ao cumprimento do presente artigo. pelas áreas da proteção civil e das florestas.
Artigo 16.º
6 — Aos proprietários de terrenos confinantes com os
[...] indicados no número anterior não é aplicável o disposto
1 — A classificação e qualificação do solo definidas no n.º 2 do artigo anterior.
no âmbito dos instrumentos de gestão territorial vincula- 7 — Os condicionamentos previstos neste artigo não
tivos dos particulares devem considerar a cartografia de se aplicam aos edifícios inseridos nas áreas previstas
perigosidade de incêndio rural definida em PMDFCI a nos n.os 9 e 12 do artigo anterior.
integrar, obrigatoriamente, na planta de condicionantes 8 — As ampliações dos aglomerados populacio-
dos planos municipais e intermunicipais de ordenamento nais, das infraestruturas, equipamentos e demais áreas
do território. mencionadas nos n.os 9, 10 e 11 do artigo anterior ou
2 — Fora das áreas edificadas consolidadas não é novas áreas destinadas às mesmas finalidades podem,
permitida a construção de novos edifícios nas áreas no âmbito dos planos municipais ou intermunicipais
classificadas na cartografia de perigosidade de incêndio de ordenamento do território, ser admitidas em áreas
rural definida no PMDFCI como de alta e muito alta classificadas na cartografia de perigosidade de in-
perigosidade. cêndio rural definida em PMDFCI como alta e muito
3 — A construção de novos edifícios ou a ampliação alta perigosidade se verificado cumulativamente o
de edifícios existentes apenas são permitidas fora das seguinte:
áreas edificadas consolidadas, nas áreas classificadas na
cartografia de perigosidade de incêndio rural definida a) Ser tecnicamente viável a minimização do perigo
em PMDFCI como de média, baixa e muito baixa pe- de incêndio;
rigosidade, desde que se cumpram, cumulativamente, b) Serem concretizadas através de unidades ope-
os seguintes condicionalismos: rativas de planeamento e gestão que identifiquem as
medidas de controlo do risco e o programa de instalação
a) Garantir, na sua implantação no terreno, a distân- e manutenção das faixas de gestão de combustíveis, de
cia à estrema da propriedade de uma faixa de proteção acordo com o estabelecido no referido artigo;
nunca inferior a 50 m, quando confinantes com terrenos c) Existência de parecer vinculativo do ICNF, I. P.,
ocupados com floresta, matos ou pastagens naturais, solicitado pela câmara municipal.
ou a dimensão definida no PMDFCI respetivo, quando
inseridas, ou confinantes com outras ocupações;
b) Adotar medidas relativas à contenção de possí- 9 — Os regulamentos municipais devem definir as
veis fontes de ignição de incêndios no edifício e nos regras decorrentes das medidas de defesa estabelecidas
respetivos acessos; nos PMDFCI para as áreas edificadas consolidadas.
c) Existência de parecer vinculativo do ICNF, I. P.,
solicitado pela câmara municipal.
SECÇÃO III
4 — Para efeitos do disposto no número anterior,
quando a faixa de proteção integre rede secundária ou [...]
primária estabelecida, infraestruturas viárias ou planos
de água, a área destas pode ser contabilizada na distância Artigo 17.º
mínima exigida para aquela faixa de proteção.
[...]
5 — A construção de novos edifícios ou o aumento da
área de implantação de edifícios existentes, destinados 1 — A silvicultura no âmbito da defesa da floresta
exclusivamente ao turismo de habitação, ao turismo no contra incêndios engloba o conjunto de medidas aplica-
espaço rural, à atividade agrícola, silvícola, pecuária, das aos povoamentos florestais, matos e outras forma-
aquícola ou atividades industriais conexas e exclusiva- ções espontâneas, ao nível da composição específica e
mente dedicadas ao aproveitamento e valorização dos do seu arranjo estrutural, com os objetivos de diminuir
produtos e subprodutos da respetiva exploração, pode, a perigosidade de incêndio rural e de garantir a máxima
em casos excecionais e a pedido do interessado, ser resistência da vegetação à passagem do fogo.
reduzida até 10 metros a distância à estrema da proprie- 2— .....................................
dade da faixa de proteção prevista na alínea a) do n.º 3, 3 — A dimensão das parcelas deverá variar entre
caso sejam verificadas as seguintes condições a aprovar 20 hectares e 50 hectares, nos casos gerais, e entre 1 hec-
pela câmara municipal, ouvida a CMDFCI, decorrente tare e 20 hectares nas situações de maior perigosidade
da análise de risco apresentada: de incêndio, definidas nos PMDFCI, e o seu desenho e
a) Medidas excecionais de proteção relativas à defesa localização devem ter em especial atenção o compor-
e resistência do edifício à passagem do fogo; tamento previsível do fogo.
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4— ..................................... CAPÍTULO IV
a) Pela rede de faixas de gestão de combustíveis [...]
ou por outros usos do solo com baixa perigosidade de
incêndio rural; Artigo 22.º
b) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
[...]
c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1— .....................................
5— ..................................... 2— .....................................
6 — Nas ações de arborização, de rearborização e
de reconversão florestal, sempre que se verifiquem no a) Quando se verifique o índice de risco de incêndio
terreno linhas de água deve dar-se prioridade à manu- de níveis muito elevado e máximo, não é permitido ace-
tenção ou recuperação de galerias ripícolas desde que der, circular e permanecer no interior das áreas referidas
as condições edafoclimáticas o permitam. no número anterior, bem como nos caminhos florestais,
caminhos rurais e outras vias que as atravessam;
b) Quando se verifique o índice de risco de incêndio
Artigo 20.º
de nível elevado, não é permitido, no interior das áreas
[...] referidas no número anterior, proceder à execução de
As normas técnicas e funcionais relativas à classifi- trabalhos que envolvam a utilização de maquinaria sem
cação, cadastro, construção, manutenção e sinalização os dispositivos previstos no artigo 30.º, desenvolver
de vias integrantes da rede viária florestal, pontos de quaisquer ações não relacionadas com as atividades
água e rede primária de faixas de gestão de combustível florestal e agrícola, bem como circular com veículos
constam de normas próprias, a aprovar por regulamento motorizados nos caminhos florestais, caminhos rurais
do ICNF, I. P., homologado pelo membro do Governo e outras vias que as atravessam;
responsável pela área das florestas. c) Quando se verifique o índice de risco de incên-
dio de níveis elevado e superior, todas as pessoas que
circulem no interior das áreas referidas no n.º 1 e nos
SECÇÃO IV caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que as
[...] atravessam ou delimitam estão obrigadas a identificar-se
perante as entidades com competência em matéria de
Artigo 21.º fiscalização no âmbito do presente decreto-lei.

[...] 3 — Fora do período crítico, e desde que se verifique


1 — Os proprietários, os produtores florestais e as o índice de risco de incêndio de níveis muito elevado e
entidades que a qualquer título detenham a administra- máximo, não é permitido aceder, circular e permanecer
ção dos terrenos, edifícios ou infraestruturas referidas no interior das áreas referidas no n.º 1, bem como nos
no presente decreto-lei são obrigados ao desenvolvi- caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que
mento e realização das ações e trabalhos de gestão de as atravessam.
combustível nos termos da lei. 4 — Fora do período crítico, e desde que se verifi-
2 — Sem prejuízo do disposto em matéria contraor- que o índice de risco de incêndio de níveis elevado e
denacional, em caso de incumprimento do disposto nos superior, a circulação de pessoas no interior das áreas
n.os 1, 2, 8, 11 e 13 do artigo 15.º, no artigo 17.º e no referidas no n.º 1 fica sujeita às medidas referidas na
artigo 18.º, as entidades fiscalizadoras devem, no prazo alínea c) do n.º 2.
máximo de seis dias, comunicar o facto às câmaras mu-
nicipais, no âmbito de incumprimento do artigo 15.º, e Artigo 25.º
ao ICNF, I. P., no âmbito dos artigos 17.º e 18.º
[...]
3 — A câmara municipal ou o ICNF, I. P., nos termos
do disposto no número anterior, notifica, no prazo má- 1 — A execução de campanhas de sensibilização
ximo de 10 dias, os proprietários ou as entidades respon- é, independentemente das entidades que as realizam,
sáveis pela realização dos trabalhos, fixando um prazo coordenada pelo ICNF, I. P.
adequado para o efeito, notifica ainda o proprietário ou 2 — Compete ao ICNF, I. P., às comissões distri-
as entidades responsáveis dos procedimentos seguintes, tais de defesa da floresta e às comissões municipais de
nos termos do Código do Procedimento Administrativo, defesa da floresta, a promoção de campanhas de sensi-
dando do facto conhecimento à GNR. bilização e informação pública, as quais devem consi-
4 — Decorrido o prazo referido no número anterior derar o valor e a importância dos espaços florestais, a
sem que se mostrem realizados os trabalhos, a câmara conduta a adotar pelo cidadão na utilização dos espaços
municipal ou o ICNF, I. P., procede à sua execução, florestais e uma componente preventiva que contemple
sem necessidade de qualquer formalidade, após o que as técnicas e práticas aconselháveis e obrigatórias do
notifica as entidades faltosas responsáveis para proce- correto uso do fogo.
derem, no prazo de 60 dias, ao pagamento dos custos 3 — Os apoios públicos a campanhas de sensibiliza-
correspondentes. ção para defesa da floresta contra incêndios devem estar
5 — Decorrido o prazo de 60 dias sem que se te- integrados no âmbito do PNDFCI, dos PDDFCI e dos
nha verificado o pagamento, a câmara municipal ou o PMDFCI, em função da escala geográfica da iniciativa
ICNF, I. P., extrai certidão de dívida. e devem observar uma identificação comum definida
6— ..................................... pelo ICNF, I. P.
4742 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

4 — Compete à autoridade nacional de meteorologia incêndio de níveis muito elevado e máximo, mantêm-se
promover a divulgação periódica do índice de risco de as restrições referidas no número anterior.
incêndio, podendo a divulgação ser diária quando este 3— .....................................
índice for de níveis elevado, muito elevado ou máximo, 4— .....................................
para efeitos de aplicação do disposto no artigo 22.º 5 — Excetuam-se do disposto nos n.os 1 e 2 as ati-
5 — Compete ao ICNF, I. P., a divulgação das medi- vidades desenvolvidas por membros das organizações
das preventivas aconselhadas ou obrigatórias, onde se definidas no n.º 3 do artigo 3.º da Lei n.º 23/2006, de
incluem as referidas nos artigos 22.º, 27.º, 28.º e 29.º, 23 de junho.
bem como a sua incidência territorial. 6 — É proibido o abandono de queima de sobrantes
em espaços rurais e dentro de aglomerados populacio-
nais em qualquer altura do ano.
CAPÍTULO V
[...]
Artigo 29.º
Artigo 26.º [...]
[...] 1— .....................................
1 — As ações de fogo técnico, nas modalidades de 2 — Durante o período crítico, a utilização de fogo-
fogo controlado e fogo de supressão, só podem ser -de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos, que não
realizadas de acordo com as normas técnicas e funcio- os indicados no número anterior, está sujeita a autori-
nais definidas em regulamento do ICNF, I. P., homolo- zação prévia do município ou da freguesia, nos termos
gado pelo membro do Governo responsável pela área da lei que estabelece o quadro de transferência de com-
das florestas, ouvidas a ANPC e a GNR. petências para as autarquias locais.
2 — As ações de fogo controlado são executadas sob 3— .....................................
orientação e responsabilidade de elemento credenciado 4— .....................................
para o efeito pelo ICNF, I. P. 5— .....................................
3 — As ações de fogo de supressão são executadas 6 — Fora do período crítico e desde que se verifi-
sob orientação e responsabilidade de elemento creden- que o índice de risco de incêndio rural de níveis muito
ciado em fogo de supressão pela ANPC. elevado e máximo mantêm-se as restrições referidas
4 — A realização de fogo controlado pode decor- nos n.os 1, 2 e 4.
rer durante o período crítico, desde que o índice de 7— .....................................
risco de incêndio rural seja inferior ao nível médio
de perigosidade e desde que a ação seja autorizada
pela ANPC. Artigo 30.º
5— .....................................
[...]
6— .....................................
1 — Durante o período crítico, nos trabalhos e outras
Artigo 27.º atividades que decorram em todos os espaços rurais,
as máquinas de combustão interna ou externa, onde se
[...] incluem todo o tipo de tratores, máquinas e veículos
1— ..................................... de transporte pesados, devem obrigatoriamente estar
2 — A realização de queimadas só é permitida após dotados dos seguintes equipamentos:
autorização do município ou da freguesia, nos termos da a) Um ou dois extintores de 6 kg cada, de acordo com
lei que estabelece o quadro de transferência de compe-
a sua massa máxima e consoante esta seja inferior ou
tências para as autarquias locais, na presença de técnico
superior a 10 000 kg, salvo motosserras, motorroçadoras
credenciado em fogo controlado ou, na sua ausência,
de equipa de bombeiros ou de equipa de sapadores e outras pequenas máquinas portáteis;
florestais. b) Dispositivos de retenção de faíscas ou faúlhas,
3 — O pedido de autorização é registado no SGIF, exceto no caso de motosserras, motorroçadoras e outras
pelo município ou pela freguesia. pequenas máquinas portáteis.
4 — (Anterior n.º 3.)
5 — A realização de queimadas só é permitida fora do 2 — O governo cria linhas de financiamento modu-
período crítico e desde que o índice de risco de incêndio ladas para o cumprimento do número anterior.
rural seja inferior ao nível elevado. 3 — Sem prejuízo do disposto no número seguinte,
6 — O disposto no presente artigo não se aplica aos quando se verifique o índice de risco de incêndio rural de
sobrantes de exploração amontoados. nível máximo, não é permitida a realização de trabalhos
nos espaços florestais com recurso a motorroçadoras,
Artigo 28.º corta-matos e destroçadores.
4 — Excetuam-se do número anterior o uso de motor-
[...] roçadoras que utilizam cabeças de corte de fio de nylon,
1— ..................................... bem como os trabalhos e outras atividades diretamente
2 — Em todos os espaços rurais, fora do período associados às situações de emergência, nomeadamente
crítico e desde que se verifique o índice de risco de de combate a incêndios nos espaços rurais.
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4743

CAPÍTULO VI 4 — No que diz respeito aos sistemas de vigilância


aérea das Forças Armadas, a coordenação prevista na
[...] alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º, concretiza-se mediante
comunicação prévia, por parte das Forças Armadas à
SECÇÃO I GNR, relativamente ao período de operação e às áreas
[...]
sobrevoadas.
5 — Os sistemas de vigilância móvel, de videovi-
Artigo 31.º gilância e aérea têm, designadamente, por objetivos:

[...] a) Aumentar o efeito de dissuasão;


b) Identificar agentes causadores ou suspeitos de
1— ..................................... incêndios ou situações e comportamentos anómalos;
2— ..................................... c) Detetar incêndios em zonas sombra dos postos
3— .....................................
de vigia;
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . d) Proporcionar ações de primeira intervenção em
b) Pela RNPV, que assegura em todo o território do fogos nascentes.
continente as funções de deteção fixa de ocorrências
de incêndios; 6 — Em cada um dos municípios, a gestão dos siste-
c) Por rede de videovigilância, que complementa e mas de vigilância móvel e de videovigilância é feita no
reforça em todo o território do continente, as funções âmbito municipal, de forma a garantir a maximização
de deteção fixa de ocorrências de incêndios; dos recursos na ocupação do território.
d) [Anterior alínea c).] 7 — É da competência da GNR a coordenação das
e) Por rede de vigilância aérea. ações de vigilância levadas a cabo pelas diversas en-
tidades, sem prejuízo da articulação prevista no n.º 3
do artigo 34.º
Artigo 32.º 8 — O disposto nos números anteriores não prejudica
[...] a aplicação do regime de proteção de dados pessoais.
9 — O Ministério da Agricultura estabelece o ca-
1 — A RNPV é constituída por postos de vigia pú-
lendário de criação de equipas de sapadores florestais,
blicos e privados instalados em locais previamente
com o objetivo de se alcançarem 500 equipas em 2019.
aprovados pelo Comandante-Geral da GNR, ouvida o
10 — O governo cria um corpo de guardas flores-
ICNF, I. P., e a ANPC e homologados pelo membro do
Governo responsável pela área da proteção civil. tais, com as competências e funções do antigo Corpo
2 — A cobertura de deteção da RNPV pode ser com- Nacional da Guarda Florestal extinto pelo Decreto-Lei
plementada por sistema de videovigilância, meios de n.º 22/2006, de 2 de fevereiro.
deteção móveis ou outros meios que venham a revelar-
-se tecnologicamente adequados, a regulamentar por
portaria dos membros do Governo responsáveis pelas Artigo 34.º
áreas da proteção civil e das florestas. [...]
3— .....................................
4— ..................................... 1 — As Forças Armadas, sem prejuízo do cumpri-
5— ..................................... mento da sua missão primária, podem participar, em
6— ..................................... situações excecionais e com o devido enquadramento,
7— ..................................... nas ações de patrulhamento, vigilância móvel e aérea,
8— ..................................... tendo para esse efeito as competências de fiscalização
previstas no artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 327/80, de
26 de agosto, com a redação que lhe é dada pela Lei
Artigo 33.º n.º 10/81, de 10 de julho.
2 — As Forças Armadas colaboram em ações nos
[...] domínios da prevenção, vigilância móvel e aérea, dete-
1 — Os sistemas de vigilância móvel compreendem ção, intervenção em fogo nascente, rescaldo e vigilância
as brigadas de vigilância móvel que o Estado constitua, pós-incêndio florestal, na abertura de aceiros, nas ações
os sapadores florestais, os Corpos de Bombeiros quando de gestão de combustível das matas nacionais ou admi-
pré-posicionados, os elementos do Serviço de Proteção nistradas pelo Estado e no patrulhamento das florestas,
da Natureza e do Ambiente e os militares do Grupo de em termos a definir por despacho conjunto dos membros
Intervenção de Proteção e Socorro da GNR, dos muni- do Governo responsáveis pelas áreas da proteção civil,
cípios e das freguesias e outros grupos que para o efeito da defesa e das florestas.
venham a ser reconhecidos pela GNR. 3— .....................................
2 — Os sistemas de videovigilância compreendem 4 — Compete ao ICNF, I. P., coordenar com as For-
os meios do Estado, os meios das Comunidades Inter- ças Armadas as ações que estas vierem a desenvolver
municipais, dos municípios e das freguesias. na abertura de faixas de gestão de combustível e nas
3 — Os sistemas de vigilância aérea compreendem as ações de gestão de combustível dos espaços florestais,
aeronaves tripuladas e não tripuladas certificadas pelas dando conhecimento à comissão municipal de defesa
entidades competentes. da floresta.
4744 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

SECÇÃO II € 140 a € 5000, no caso de pessoa singular, e de € 1500


a € 60 000, no caso de pessoas coletivas, nos termos
[...]
previstos nos números seguintes.
2— .....................................
Artigo 35.º
a) A infração ao disposto nos n.os 1, 2, 9, 10, 12, 13
Combate, rescaldo e vigilância ativa pós-rescaldo
e 14 do artigo 15.º;
1— ..................................... b) (Revogada.)
2 — As operações de combate aos incêndios rurais, c) (Revogada.)
bem como as respetivas operações de rescaldo neces- d) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
sárias para garantia das perfeitas condições de extinção e) A infração ao disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 16.º,
são asseguradas por entidades com responsabilidades no exceto no caso do n.º 4 nas situações previstas no n.º 7
combate a incêndios rurais e por profissionais creden- do mesmo artigo;
ciados para o efeito e sob orientação da ANPC. f) A infração ao disposto nos n.os 3, 4 e 6 do artigo 17.º;
3 — Podem ainda participar nas operações de res- g) (Revogada.)
caldo, nomeadamente em situação de várias ocorrências h) A infração ao disposto nos n.os 1 e 2 do artigo 19.º;
simultâneas, os corpos especiais de vigilantes de incên- i) A infração ao disposto na alínea a) e b) do n.º 2 e
dios, os sapadores florestais, os vigilantes da natureza e nos n.os 3 e 4 do artigo 22.º;
ainda outras entidades, brigadas ou grupos que para o j) (Revogada.)
efeito venham a ser reconhecidos pela ANPC. l) A infração ao disposto nos n.os 1, 2, 3, 4 e 5 do
4— ..................................... artigo 26.º;
5 — A ANPC e o ICNF, I. P., podem celebrar com m) (Revogada.)
entidades privadas, nomeadamente operadoras de te- n) (Revogada.)
lecomunicações, protocolos respeitantes a sistemas de o) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
avisos em situação de emergência, nomeadamente res- p) A infração ao disposto nos n.os 1, 2 e 6 do artigo 28.º
peitantes ao envio de mensagens radiodifundidas ou e no artigo 29.º;
envio de mensagens para dispositivos móveis ligados q) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
a determinada torre de comunicações. r) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Artigo 36.º 3— .....................................


4— .....................................
[...]
1— ..................................... Artigo 39.º
2— .....................................
3 — No pós-incêndio, antes da época das chuvas, [...]
devem ser tomadas medidas de mitigação de impactos 1 — Consoante a gravidade da contraordenação e a
ambientais, adequadas a cada caso em concreto, nomea- culpa do agente, pode o ICNF, I. P., determinar, cumu-
damente de combate à erosão, de correção torrencial lativamente com as coimas previstas nas alíneas l) e p)
e impedimento de contaminação das linhas de água do n.º 2 do artigo 38.º, a aplicação das seguintes sanções
por detritos, de acordo com despacho do membro do acessórias, no âmbito de atividades e projetos florestais:
Governo competente pela área das florestas.
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
b) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
CAPÍTULO VII
2— .....................................
[...] 3— .....................................

Artigo 37.º
Artigo 40.º
[...]
[...]
1— .....................................
2 — Compete aos membros do Governo responsáveis 1— .....................................
pelas áreas da proteção civil e das florestas, a definição 2— .....................................
das orientações no domínio da fiscalização do estabe- 3— .....................................
lecido no presente decreto-lei. a) À entidade autuante, de entre as referidas no ar-
tigo 37.º, nas situações previstas nas alíneas a), d), h),
o) e p) do n.º 2 do artigo 38.º;
CAPÍTULO VIII b) Ao ICNF, I. P., nos restantes casos.
[...]
4— .....................................
Artigo 38.º a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
b) Ao ICNF, I. P., nos casos a que se refere a alínea b)
[...]
do número anterior.
1 — As infrações ao disposto no presente decreto-lei
constituem contraordenações puníveis com coima, de 5— .....................................
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4745

Artigo 41.º Artigo 4.º


[...] Aditamento ao Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho
1 — A afetação do produto das coimas cobradas São aditados ao Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de
em resultado da aplicação do disposto nas alíneas a), junho, alterado pelos Decretos-Leis n.os 15/2009, de 14 de
d), o) e p) do n.º 2 do artigo 38.º é feita da seguinte janeiro, 17/2009, de 14 de janeiro, 114/2011, de 30 de
forma: novembro, e 83/2014, de 23 de maio, os artigos 2.º-A,
26.º-A, 26.º-B e 37.º-A, com a seguinte redação:
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
b) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . «Artigo 2.º-A
c) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
d) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Duração do período crítico
O período crítico no âmbito do SDFCI vigora de
2— ..................................... 1 de julho a 30 de setembro, podendo a sua duração
3 — (Revogado.) ser alterada, em situações excecionais, por despacho do
4 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .» membro do governo responsável pela área das florestas.

Artigo 3.º Artigo 26.º-A


Alteração ao anexo do Decreto-Lei Fogo de gestão de combustível
n.º 124/2006, de 28 de junho
1 — Nas áreas delineadas no Plano Operacional Mu-
O anexo ao Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho, nicipal com potencial de recurso, o fogo de gestão de
alterado pelos Decretos-Leis n.os 15/2009, de 14 de janeiro, combustível pode a opção por esta prática ser solicitada
17/2009, de 14 de janeiro, 114/2011, de 30 de novembro, pelo COS.
e 83/2014, de 23 de maio, passa a ter a seguinte redação: 2 — Nas situações previstas no número anterior a
autorização da aplicação desta prática carece de deci-
«ANEXO são favorável por parte do Comandante Operacional
Distrital da ANPC, ouvidos os oficiais de ligação do
[...] ICNF, I. P., da GNR e do Centro de Coordenação Ope-
racional Distrital desse distrito.
A) Critérios gerais — nas faixas de gestão de com- 3 — O fogo de gestão de combustível só é permitido
bustíveis envolventes aos edifícios, aglomerados po- quando as condições meteorológicas locais e previs-
pulacionais, equipamentos e infraestruturas devem ser tas se enquadrem nas condições de prescrição do fogo
cumpridos cumulativamente os seguintes critérios: controlado descritas no regulamento do fogo técnico,
1— ..................................... anexo ao Despacho n.º 7511/2014, publicado no Diário
2— ..................................... da República, 2.ª série, n.º 110, de 9 de junho.
a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 — Podem excecionar-se situações não previstas no
b) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . artigo anterior caso um técnico credenciado em fogo
controlado ou um técnico credenciado em fogo de su-
pressão avaliem que as condições meteorológicas pos-
QUADRO N.º 1
sibilitam a utilização do fogo de gestão de combustível.
[...] 5 — A avaliação das condições meteorológicas que
3— ..................................... possibilitam a utilização do fogo de gestão de combus-
4— ..................................... tível é registada na fita do tempo do incêndio assim
5 — No caso de faixas de gestão de combustível que como a identificação de técnico que realizou a avaliação.
abranjam arvoredo classificado de interesse público, 6 — O recurso ao fogo de gestão de combustível
zonas de proteção a edifícios e monumentos nacionais, deverá ser acompanhado pelo Comando Distrital de
manchas de arvoredo com especial valor patrimonial Operações de Socorro em estreita articulação com o
ou paisagístico ou manchas de arvoredo e outra vege- COS garantindo que se mantêm as condições inicial-
tação protegida no âmbito da conservação da natureza mente previstas para a sua realização.
e biodiversidade, tal como identificado em instrumento 7 — As áreas sujeitas a fogo de gestão de combustível
de gestão florestal, ou outros instrumentos de gestão são obrigatoriamente cartografadas, independentemente
territorial ou de gestão da Rede Natura 2000, pode a da sua dimensão, e inequivocamente assinaladas como
comissão municipal de defesa da floresta aprovar cri- tendo sido resultado desta prática.
térios específicos de gestão de combustíveis. 8 — As áreas ardidas resultantes de fogo de gestão de
B) Critérios suplementares para as faixas envolven- combustível devem registar-se como tal no Sistema de
tes a edifícios — nas faixas de gestão de combustí- Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF)
veis envolventes aos edifícios para além do disposto e contabilizadas autonomamente.
no ponto A) deste anexo, devem ainda ser cumpridos,
cumulativamente, os seguintes critérios: Artigo 26.º-B
1— .....................................
Levantamento cartográfico das áreas ardidas
2— .....................................
3— ..................................... 1 — Compete à GNR o levantamento cartográfico
4 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .» das áreas ardidas por incêndios rurais, incluindo as que
4746 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

resultem do recurso a fogo de gestão de combustível, Artigo 7.º


com o envolvimento das câmaras municipais.
Entrada em vigor
2 — O levantamento cartográfico das áreas ardidas
deverá incidir em áreas iguais ou superiores a 1 hectare. A presente lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua
3 — As áreas ardidas são atualizadas anualmente com publicação.
referência a 31 de dezembro de cada ano.
4 — A GNR deve proceder ao carregamento dos le- Aprovada em 19 de julho de 2017.
vantamentos cartográficos no SGIF, até 31 de janeiro O Presidente da Assembleia da República, Eduardo
do ano seguinte. Ferro Rodrigues.
5 — As especificações técnicas relativas ao levan-
tamento cartográfico das áreas ardidas por incêndios Promulgada em 8 de agosto de 2017.
rurais são elaboradas pelo ICNF, I. P., ouvida a GNR Publique-se.
e a ANPC.
6 — Compete ao ICNF, I. P., a divulgação da car- O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA.
tografia nacional de áreas ardidas anual, no seu sítio Referendada em 9 de agosto de 2017.
da Internet.
7 — A cartografia mencionada nos artigos anteriores O Primeiro-Ministro, António Luís Santos da Costa.
serve de base para os atos administrativos estabelecidos
no âmbito do Decreto-Lei n.º 327/90, de 22 de outu- ANEXO
bro, alterado pela Lei n.º 54/91, de 8 de agosto, e pelos
Decretos-Leis n.os 34/99, de 5 de fevereiro, e 55/2007, (a que se refere o artigo 6.º)
de 12 de março.
Republicação do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho
Artigo 37.º-A
Identificação de proprietários CAPÍTULO I
1 — Para efeitos de identificação e notificação dos Disposições gerais
proprietários ou detentores dos imóveis, as entidades
fiscalizadoras têm acesso aos dados fiscais relativos aos Artigo 1.º
prédios, incluindo a identificação dos proprietários e
respetivo domicílio fiscal, mediante protocolo a celebrar Objeto e âmbito de aplicação
com a Autoridade Tributária e Aduaneira. 1 — O presente decreto-lei estrutura o Sistema de De-
2 — Sem prejuízo do número anterior, as entidades fesa da Floresta contra Incêndios (SDFCI).
fiscalizadoras têm ainda acesso aos dados relativos aos 2 — O presente decreto-lei aplica-se a todo o território
prédios constantes da base de dados Balcão Único do continental português.
Prédio.
3 — Para efeitos de notificação dos proprietários Artigo 2.º
no âmbito da execução das infraestruturas de Defesa
da Floresta contra Incêndios é possível recorrer-se à Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios
notificação por via do edital nos casos em que se revele 1 — O SDFCI prevê o conjunto de medidas e ações de
impossível a notificação por outra via.» articulação institucional, de planeamento e de intervenção
relativas à prevenção e proteção das florestas contra incên-
Artigo 5.º dios, nas vertentes da compatibilização de instrumentos
Norma revogatória de ordenamento, de sensibilização, planeamento, conser-
São revogados: vação e ordenamento do território florestal, silvicultura,
infraestruturação, vigilância, deteção, combate, rescaldo,
a) O artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 327/90, de 22 de ou- vigilância pós-incêndio e fiscalização, a levar a cabo pelas
tubro, alterado pela Lei n.º 54/91, de 8 de agosto, e pelos entidades públicas com competências na defesa da floresta
Decretos-Leis n.os 34/99, de 5 de fevereiro, e 55/2007, de contra incêndios e entidades privadas com intervenção no
12 de março; setor florestal.
b) O n.º 7 do artigo 2.º, as alíneas g) e n) do n.º 1 do 2 — No âmbito do SDFCI, a prevenção estrutural as-
artigo 3.º-C, a alínea d) do n.º 1 do artigo 3.º-D, o n.º 3 do sume um papel predominante, assente na atuação de forma
artigo 8.º, o n.º 7 do artigo 13.º, o n.º 3 do artigo 23.º, as concertada de planeamento e na procura de estratégias
alíneas b), c), g), j), m) e n) do n.º 2 do artigo 38.º, o n.º 3 conjuntas, conferindo maior coerência regional e nacional
do artigo 41.º e o artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 124/2006, à defesa da floresta contra incêndios.
de 28 de junho, alterado pelos Decretos-Leis n.os 15/2009, 3 — No âmbito do SDFCI, cabe:
de 14 de janeiro, 17/2009, de 14 de janeiro, 114/2011, de
30 de novembro, e 83/2014, de 23 de maio. a) Ao Instituto da Conservação da Natureza e das Flo-
restas (ICNF, I. P.), a coordenação das ações de prevenção
Artigo 6.º estrutural, nas vertentes de sensibilização, planeamento,
organização do território florestal, silvicultura e infraes-
Republicação
truturação de defesa da floresta contra incêndios;
É republicado em anexo à presente lei, da qual faz parte b) À Guarda Nacional Republicana (GNR) a coorde-
integrante, o Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho, nação das ações de prevenção relativas à vertente da vigi-
com a redação atual. lância, deteção e fiscalização;
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4747

c) À Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) a b) «Áreas edificadas consolidadas», as áreas de concen-
coordenação das ações de combate, rescaldo e vigilância tração de edificações, classificadas nos planos municipais
pós-incêndio. e intermunicipais de ordenamento do território como solo
urbano ou como aglomerado rural;
4 — Compete ao ICNF, I. P., a organização e coordena- c) «Carregadouro», o local destinado à concentração
ção do dispositivo de prevenção estrutural, que durante o temporária de material lenhoso resultante da exploração
período crítico se integra na estrutura operacional prevista florestal, com o objetivo de facilitar as operações de carre-
no dispositivo especial de combate a incêndios florestais gamento, nomeadamente a colocação do material lenhoso
(DECIF). em veículos de transporte que o conduzirão às unidades
5 — Compete ainda ao ICNF, I. P., a manutenção, à de consumo e transporte para o utilizador final ou para
escala nacional, de um sistema de informação relativo a parques de madeira;
incêndios florestais através da adoção de um sistema de d) «Contrafogo», o uso do fogo no âmbito da luta con-
gestão de informação de incêndios florestais (SGIF), e os tra os incêndios florestais, consistindo na ignição de um
registos das áreas ardidas. fogo ao longo de uma zona de apoio, na dianteira de uma
6 — O sistema referido no número anterior recebe in- frente de incêndio de forma a provocar a interação das duas
formação dos sistemas de gestão de ocorrências, gestão frentes de fogo e a alterar a sua direção de propagação ou
de recursos humanos, materiais e financeiros de todos os a provocar a sua extinção;
agentes de defesa da floresta contra incêndios, assegurando- e) «Deteção de incêndios», a identificação e localização
-se por protocolos a confidencialidade, transparência e precisa das ocorrências de incêndio florestal com vista à
partilha de informação entre todas as entidades públicas sua comunicação rápida às entidades responsáveis pelo
e privadas. combate;
7 — (Revogado.) f) «Edificação», a atividade ou o resultado da constru-
8 — Todas as entidades públicas que integram o SDFCI ção, reconstrução, ampliação, alteração ou conservação
ficam sujeitas ao dever de colaboração e têm acesso aos de um imóvel destinado a utilização humana, bem como
dados do SGIF necessários à definição das políticas e ações de qualquer outra construção que se incorpore no solo
de prevenção estrutural, vigilância, deteção, combate, res- com carácter de permanência, excecionando-se as obras
caldo, vigilância ativa pós-rescaldo e fiscalização. de escassa relevância urbanística para efeitos de aplicação
9 — As regras de criação e funcionamento do SGIF do presente decreto-lei;
são aprovadas, mediante proposta do ICNF, I. P., ouvida g) «Edifício», construção permanente dotada de acesso
a ANPC e a GNR. independente, coberta, limitada por paredes exteriores
10 — É criada no âmbito do ICNF, I. P., uma equipa ou paredes meeiras que vão das fundações à cobertura,
responsável por impulsionar, acompanhar e monitorizar a destinada à utilização humana ou a outros fins, com ex-
aplicação do Plano Nacional de Defesa da Floresta contra ceção dos edifícios que correspondam a obras de escassa
Incêndios (PNDFCI), com um coordenador nomeado nos relevância urbanística;
termos da legislação aplicável. h) «Espaços florestais», os terrenos ocupados com flo-
11 — Anualmente, até 30 de setembro, a equipa referida resta, matos e pastagens ou outras formações vegetais
no número anterior apresenta o plano e orçamento para espontâneas, segundo os critérios definidos no Inventário
aplicação do PNDFCI para o ano seguinte, a autonomizar Florestal Nacional;
no Orçamento do ICNF, I. P., explicitando as verbas a i) «Espaços rurais», os espaços florestais e terrenos
afetar pelo Estado e, indicativamente, as verbas a dispo- agrícolas;
nibilizar por outras entidades. j) «Floresta», o terreno, com área maior ou igual a
12 — Até 21 de março de cada ano a equipa referida 0,5 hectares e largura maior ou igual a 20 metros, onde se
no n.º 10 elabora o balanço e as contas relativamente à verifica a presença de árvores florestais que tenham atin-
aplicação do PNDFCI no ano anterior, indicando o grau gido, ou com capacidade para atingir, uma altura superior
de cumprimento das metas definidas. a 5 metros e grau de coberto maior ou igual a 10 %;
l) «Fogo controlado», o uso do fogo na gestão de es-
Artigo 2.º-A paços florestais, sob condições, normas e procedimentos
Duração do período crítico conducentes à satisfação de objetivos específicos e quanti-
ficáveis e que é executada sob responsabilidade de técnico
O período crítico no âmbito do SDFCI vigora de 1 de credenciado;
julho a 30 de setembro, podendo a sua duração ser alterada, m) «Fogo de gestão de combustível», o uso do fogo que,
em situações excecionais, por despacho do membro do em condições meteorológicas adequadas, e em espaços
governo responsável pela área das florestas. rurais de reduzido valor, permite a evolução do incêndio
rural dentro de um perímetro preestabelecido, com um
Artigo 3.º menor empenhamento de meios de supressão no interior
Definições do mesmo;
n) «Fogo de supressão», o uso técnico do fogo no âmbito
1 — Para efeitos do disposto no presente decreto-lei, da luta contra os incêndios rurais compreendendo o fogo
entende-se por:
tático e o contrafogo, quando executado sob a responsabi-
a) «Aglomerado populacional», o conjunto de edifícios lidade do Comandante das Operações de Socorro (COS);
contíguos ou próximos, distanciados entre si no máximo o) «Fogo tático», o uso do fogo no âmbito da luta con-
50 m e com 10 ou mais fogos, constituindo o seu períme- tra os incêndios florestais, consistindo na ignição de um
tro a linha poligonal fechada que, englobando todos os fogo ao longo de uma zona de apoio com o objetivo de
edifícios, delimite a menor área possível; reduzir a disponibilidade de combustível, e desta forma
4748 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

diminuir a intensidade do incêndio, terminar ou corrigir a ee) «Baldios», os terrenos com as suas partes e equipa-
extinção de uma zona de rescaldo de maneira a diminuir mentos integrantes, possuídos e geridos por comunidades
as probabilidades de reacendimentos, ou criar uma zona locais, conforme definição no Regime aplicável aos bal-
de segurança para a proteção de pessoas e bens; dios e aos demais meios de produção comunitários (Lei
p) «Fogo técnico», o uso do fogo que comporta as com- n.º 75/2017, de 17 de agosto);
ponentes de fogo controlado e de fogo de supressão; ff) «Proprietários e outros produtores florestais», os
q) «Fogueira», a combustão com chama, confinada proprietários, usufrutuários, superficiários, arrendatários
no espaço e no tempo, para aquecimento, iluminação, ou quem, a qualquer título, for possuidor ou detenha a
confeção de alimentos, proteção e segurança, recreio ou administração dos terrenos que integram os espaços flo-
outros afins; restais do continente, independentemente da sua natureza
r) «Gestão de combustível», a criação e manutenção da jurídica;
descontinuidade horizontal e vertical da carga combustível gg) «Queima», o uso do fogo para eliminar sobrantes
nos espaços rurais, através da modificação ou da remoção de exploração, cortados e amontoados;
parcial ou total da biomassa vegetal, nomeadamente por hh) «Queimadas», o uso do fogo para renovação de
pastoreio, corte e ou remoção, empregando as técnicas mais pastagens e eliminação de restolho e ainda, para eliminar
recomendadas com a intensidade e frequência adequadas sobrantes de exploração cortados mas não amontoados;
à satisfação dos objetivos dos espaços intervencionados; ii) «Recuperação», o conjunto de atividades que têm
s) «Incêndio agrícola», o incêndio rural em que a área como objetivo a promoção de medidas e ações de recu-
ardida agrícola é superior à área ardida florestal e a área peração e reabilitação, como a mitigação de impactes e a
ardida florestal é inferior a 1 hectare; recuperação de ecossistemas;
t) «Incêndio florestal», o incêndio rural em que a área jj) «Rede de faixas de gestão de combustível», o con-
ardida florestal é superior à área agrícola e a área ardida junto de parcelas lineares de território, estrategicamente
total é inferior a 1 hectare ou sempre que a área ardida localizadas, onde se garante a remoção total ou parcial de
florestal seja superior a 1 hectare; biomassa florestal, através da afetação a usos não flores-
u) «Incêndio rural», o incêndio florestal ou agrícola que tais e do recurso a determinadas atividades ou a técnicas
decorre nos espaços rurais; silvícolas com o objetivo principal de criar oportunidades
v) «Índice de risco de incêndio rural», a expressão numé- para o combate em caso de incêndio rural e de reduzir a
rica que, traduzindo o estado dos combustíveis por ação da suscetibilidade ao fogo;
meteorologia e os parâmetros meteorológicos relevantes, ll) «Rede de infraestruturas de apoio ao combate», o
auxilia à determinação dos locais onde são mais favoráveis
conjunto de infraestruturas e equipamentos afetos às en-
as condições para ignição ou propagação do fogo;
tidades responsáveis pelo combate e apoio ao combate
x) «Índice de perigosidade de incêndio rural», a proba-
a incêndios florestais, relevantes para este fim, entre os
bilidade de ocorrência de incêndio rural, num determinado
quais os aquartelamentos e edifícios das corporações de
intervalo de tempo e numa dada área, em função da susce-
bombeiros, dos sapadores florestais, da GNR, das Forças
tibilidade do território e cenários considerados;
z) «Instrumentos de gestão florestal», os planos de Armadas e das autarquias, os terrenos destinados à instala-
gestão florestal, os elementos estruturantes das zonas de ção de postos de comando operacional e as infraestruturas
intervenção florestal, os projetos elaborados no âmbito dos de apoio ao funcionamento dos meios aéreos;
diversos programas públicos de apoio ao desenvolvimento mm) «Rede de pontos de água», o conjunto de estruturas
e proteção dos recursos florestais e, ainda, os projetos a de armazenamento de água, de planos de água acessíveis
submeter à apreciação de entidades públicas no âmbito da e de pontos de tomada de água, com funções de apoio ao
legislação florestal; reabastecimento dos equipamentos de luta contra incêndios;
aa) «Mosaico de parcelas de gestão de combustível», o nn) «Rede de vigilância e deteção de incêndios», o con-
conjunto de parcelas do território estrategicamente loca- junto de infraestruturas e equipamentos que visam permitir
lizadas, onde, através de ações de silvicultura, se procede a execução eficiente das ações de deteção de incêndios,
à gestão dos vários estratos de combustível e à diversifi- vigilância, fiscalização e dissuasão, integrando designa-
cação da estrutura e composição das formações vegetais, damente a rede nacional de postos de vigia (RNPV), os
com o objetivo primordial de defesa da floresta contra locais estratégicos de estacionamento, os troços especiais
incêndios; de vigilância móvel e os trilhos de vigilância, a videovigi-
bb) «Período crítico», o período durante o qual vigoram lância ou outros meios que se revelem tecnologicamente
medidas e ações especiais de prevenção contra incêndios adequados;
florestais, por força de circunstâncias meteorológicas ex- oo) «Rede viária florestal», o conjunto de vias de co-
cecionais; municação integradas nos espaços que servem de suporte
cc) «Plano», o estudo integrado dos elementos que re- à sua gestão, com funções que incluem a circulação para o
gulam as ações de intervenção no âmbito da defesa da aproveitamento dos recursos naturais, para a constituição,
floresta contra incêndios num dado território, identificando condução e exploração dos povoamentos florestais e das
os objetivos a alcançar, as catividades a realizar, as com- pastagens;
petências e atribuições dos agentes envolvidos e os meios pp) «Rescaldo», a operação técnica que visa a extinção
necessários à concretização das ações previstas; do incêndio;
dd) «Povoamento florestal», o terreno, com área maior qq) «Risco de incêndio rural», a probabilidade de que
ou igual a 0,5 hectares e largura maior ou igual a 20 metros um incêndio rural ocorra num local específico, sob deter-
onde se verifica a presença de árvores florestais que tenham minadas circunstâncias, e impactes nos elementos afetados,
atingido, ou com capacidade para atingir, uma altura supe- sendo função da perigosidade e dos danos potenciais aos
rior a 5 metros e grau de coberto maior ou igual a 10 %; elementos em risco;
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4749

rr) «Sobrantes de exploração», o material lenhoso e Artigo 3.º-B


outro material vegetal resultante de atividades agroflo- Atribuições
restais;
ss) «Suscetibilidade de incêndio rural», a propensão de 1 — São atribuições das comissões distritais:
uma dada área ou unidade territorial para ser afetada pelo a) Articular a atuação dos organismos com competências
fenómeno em apreço, avaliada a partir das propriedades em matéria de defesa da floresta, no âmbito da sua área
que lhe são intrínsecas, sendo mais ou menos suscetível geográfica;
conforme melhor permita a deflagração e a progressão de b) Elaborar um plano de defesa da floresta contra incên-
um incêndio; dios que defina as medidas necessárias para o efeito e que
tt) «Supressão», a ação concreta e objetiva destinada inclua a previsão e planeamento integrado das intervenções
a extinguir um incêndio, incluindo a garantia de que não das diferentes entidades perante a ocorrência de incêndios,
ocorrem reacendimentos, que apresenta três fases prin- nomeadamente a localização de infraestruturas florestais
cipais: a primeira intervenção, o combate e o rescaldo; de combate a incêndios, em consonância com o PNDFCI
uu) «Turismo de habitação», os estabelecimentos de e com o respetivo PROF;
natureza familiar instalados em imóveis antigos parti- c) Promover e acompanhar o desenvolvimento das ações
culares que, pelo seu valor arquitetónico, histórico ou de defesa da floresta ao nível distrital;
artístico, sejam representativos de uma determinada época, d) Colaborar na divulgação de avisos às populações;
nomeadamente palácios e solares, podendo localizar-se em e) Colaborar nos programas de sensibilização.
espaços rurais ou urbanos;
vv) «Turismo no espaço rural», os estabelecimentos que 2 — São atribuições das comissões municipais:
se destinam a prestar, em espaços rurais, serviços de aloja-
mento a turistas, preservando, recuperando e valorizando o a) Articular a atuação dos organismos com competências
património arquitetónico, histórico, natural e paisagístico em matéria de defesa da floresta, no âmbito da sua área
dos respetivos locais e regiões onde se situam, através da geográfica;
reconstrução, reabilitação ou ampliação de construções b) Avaliar e emitir parecer sobre o plano municipal de
existentes, de modo a ser assegurada a sua integração na defesa da floresta contra incêndios (PMDFCI);
envolvente. c) Propor projetos de investimento na prevenção e pro-
teção da floresta contra incêndios, de acordo com os planos
2 — Os critérios de gestão de combustível são defini- aplicáveis;
dos no anexo do presente decreto-lei, que dele faz parte d) Apreciar o relatório anual de execução do PMDFCI
integrante, e devem ser aplicados nas atividades de gestão a apresentar pela câmara municipal;
florestal e na defesa de pessoas e bens. e) Acompanhar o desenvolvimento dos programas de
controlo de agentes bióticos e promover ações de proteção
florestal;
f) Acompanhar o desenvolvimento das ações de sensi-
CAPÍTULO II bilização da população, conforme plano nacional de sen-
Planeamento de defesa da floresta contra incêndios sibilização elaborado pelo ICNF, I. P.;
g) Promover ao nível das unidades locais de proteção
civil, a criação de equipas de voluntários de apoio à defesa
SECÇÃO I contra incêndios em aglomerados rurais e apoiar na iden-
Comissões de defesa da floresta tificação e formação do pessoal afeto a esta missão, para
que possa atuar em condições de segurança;
Artigo 3.º-A h) Proceder à identificação e aconselhar a sinalização
das infraestruturas florestais de prevenção e proteção da
Âmbito, natureza e missão floresta contra incêndios, para uma utilização mais rápida
1 — As comissões de defesa da floresta, de âmbito e eficaz por parte dos meios de combate;
distrital ou municipal, são estruturas de articulação, pla- i) Identificar e propor as áreas florestais a sujeitar a
neamento e ação que têm como missão a coordenação de informação especial, com vista ao condicionamento do
programas de defesa da floresta. acesso, circulação e permanência;
2 — As comissões distritais de defesa da floresta, res- j) Colaborar na divulgação de avisos às populações;
ponsáveis pela coordenação distrital dos programas e ações l) Avaliar os planos de fogo controlado que lhe forem
de prevenção estrutural, articulam-se com as comissões apresentados pelas entidades proponentes, no âmbito do
distritais de proteção civil, responsáveis pela coordenação previsto no Regulamento do Fogo Controlado;
distrital enquanto estrutura de coordenação política em m) Emitir, quando solicitado, parecer sobre os progra-
matérias de proteção civil. mas nacionais de defesa da floresta;
3 — As comissões municipais de defesa da floresta n) Aprovar a delimitação das áreas identificadas em sede
do planeamento municipal com potencial para a prática de
(CMDF) podem agrupar-se em comissões intermunici-
fogo de gestão de combustível.
pais, desde que correspondendo a uma área geográfica
inserida no mesmo programa regional de ordenamento
florestal (PROF), com vista à otimização dos recursos e Artigo 3.º-C
ao planeamento integrado das ações. Composição das comissões distritais
4 — As comissões distritais funcionam sob a coordena-
1 — As comissões distritais têm a seguinte composição:
ção do responsável regional do ICNF, I. P., e as comissões
municipais sob a coordenação do presidente da câmara a) (Revogada.)
municipal. b) O responsável regional do ICNF, I. P., que preside;
4750 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

c) (Revogada.) 3 — O apoio técnico e administrativo às comissões é


d) Um representante de cada município, indicado pelo assegurado pelos serviços municipais.
respetivo presidente de câmara; 4 — As comissões podem ser apoiadas por um gabinete
e) O comandante operacional distrital da ANPC; técnico florestal da responsabilidade da câmara municipal.
f) O comandante do comando territorial respetivo da GNR; 5 — O desempenho de funções na comissão prevista
g) (Revogada.) no presente artigo não confere direito a qualquer remu-
h) Um representante das Forças Armadas; neração.
i) Um representante da Autoridade Marítima, nos dis-
tritos onde esta tem jurisdição;
SECÇÃO II
j) Um representante da Polícia de Segurança Pública
(PSP); Elementos de planeamento
l) Um representante da comissão de coordenação e de-
senvolvimento regional territorialmente competente; Artigo 4.º
m) Dois representantes das organizações de produtores
Índice de risco de incêndio rural
florestais;
n) (Revogada.) 1 — O índice de risco de incêndio estabelece o risco
o) Um representante da Liga dos Bombeiros Portu- diário de ocorrência de incêndio rural, cujos níveis são
gueses; reduzido (1), moderado (2), elevado (3), muito elevado
p) Um representante da Infraestruturas de Portugal, S. A. (4) e máximo (5), conjugando a informação do índice de
(IP, S. A.), um representante do Instituto da Mobilidade perigo meteorológico de incêndio, produzido pela entidade
e dos Transportes, I. P. (IMT, I. P.), e dois representantes investida da função de autoridade nacional de meteoro-
dos concessionários da distribuição e transporte de energia logia, com o índice de risco conjuntural, definido pelo
elétrica; ICNF, I. P.
q) Outras entidades e personalidades a convite do pre- 2 — O índice de risco de incêndio rural é elaborado e
sidente da comissão. divulgado diariamente pela autoridade nacional de meteo-
rologia.
2 — Nos concelhos onde existam unidades de baldio há
um representante dos respetivos conselhos diretivos. Artigo 5.º
3 — O apoio técnico às comissões distritais é assegurado Classificação do continente segundo
pelo serviço do ICNF, I. P., territorialmente competente. a perigosidade de incêndio rural
4 — Para acompanhamento da elaboração e imple- 1 — Para efeitos do presente decreto-lei e com base
mentação do Plano Distrital de Defesa da Floresta contra em critérios de avaliação do índice de perigosidade de
Incêndios (PDDFCI), pode a Comissão Distrital nomear, incêndio rural em Portugal continental, é estabelecida a
de entre os seus membros, uma comissão técnica especial.
classificação do território, de acordo com as seguintes
5 — O desempenho de funções na comissão prevista
classes qualitativas:
no presente artigo não confere direito a qualquer remu-
neração. a) Classe I — Muito baixa;
Artigo 3.º-D b) Classe II — Baixa;
c) Classe III — Média;
Composição das comissões municipais d) Classe IV — Alta;
1 — As comissões municipais têm a seguinte compo- e) Classe V — Muito alta.
sição:
2 — O modelo numérico de definição do índice de peri-
a) O presidente da câmara municipal ou seu represen- gosidade de incêndio rural de escala nacional e municipal
tante, que preside; é publicado pelo ICNF, I. P.
b) Até cinco representantes das freguesias do concelho, 3 — A classificação do território continental segundo o
a designar pela assembleia municipal; índice de perigosidade de incêndio rural é, à escala nacio-
c) Um representante do ICNF, I. P.; nal, anualmente divulgada na página do ICNF, I. P., depois
d) (Revogada.) de ouvida a ANPC.
e) O coordenador municipal de proteção civil;
f) Um representante da GNR;
g) Um representante da PSP, se esta estiver representada Artigo 6.º
no município; Zonas críticas
h) Um representante das organizações de produtores
florestais; 1 — As manchas florestais onde se reconhece ser prio-
i) Um representante da IP, S. A., um representante do ritária a aplicação de medidas mais rigorosas de defesa da
IMT, I. P., e dois representantes dos concessionários da floresta contra incêndios, quer face à elevada suscetibili-
distribuição e transporte de energia elétrica, sempre que dade ou à perigosidade que representam, quer em função do
se justifique; seu valor patrimonial, social ou ecológico, são designada
j) Outras entidades e personalidades a convite do pre- por zonas críticas, sendo essas identificadas, demarcadas
sidente da comissão. e alvo de planeamento próprio nos PROF.
2 — As zonas críticas são definidas por portaria dos
2 — Nos concelhos onde existam unidades de baldio há membros do Governo responsáveis pelas áreas da floresta
um representante dos respetivos conselhos diretivos. e do ambiente.
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4751

SECÇÃO III Artigo 10.º


Planeamento da defesa da floresta contra incêndios Planeamento municipal de defesa da floresta
contra incêndios
Artigo 7.º 1 — Os PMDFCI, de âmbito municipal ou intermunici-
Planeamento da defesa da floresta contra incêndios pal, contêm as ações necessárias à defesa da floresta contra
incêndios e, para além das ações de prevenção, incluem
1 — Assegurando a consistência territorial de políticas, a previsão e a programação integrada das intervenções
instrumentos, medidas e ações, o planeamento da defesa da das diferentes entidades envolvidas perante a eventual
floresta contra incêndios tem um nível nacional, distrital ocorrência de incêndios.
e municipal. 2 — Os PMDFCI são elaborados pelas câmaras mu-
2 — O planeamento nacional, através do PNDFCI, or- nicipais, sujeitos a parecer prévio da respetiva CMDF e
ganiza o sistema, define a visão, a estratégia, eixos estra- parecer vinculativo do ICNF, I. P., e aprovados pela as-
tégicos, metas, objetivos e ações prioritárias. sembleia municipal, em consonância com o PNDFCI e
3 — O planeamento distrital tem um enquadramento com o respetivo planeamento distrital de defesa da floresta
tático e caracteriza-se pela seriação e organização das ações contra incêndios, sendo as regras de elaboração, consulta
e dos objetivos definidos no PNDFCI à escala distrital, pública e aprovação e a sua estrutura tipo estabelecidas por
orientando por níveis de prioridade, as ações identificadas regulamento do ICNF, I. P., homologado pelo membro do
a nível municipal. Governo responsável pela área das florestas.
4 — O planeamento municipal tem um carácter exe- 3 — A coordenação e a gestão dos PMDFCI compete
cutivo e de programação operacional e deverá cumprir as ao presidente de câmara municipal.
orientações e prioridades distritais e locais, numa lógica 4 — A elaboração, execução, avaliação anual da execu-
de contribuição para o todo nacional. ção e atualização dos PMDFCI têm carácter obrigatório,
devendo a câmara municipal consagrar a execução da
Artigo 8.º componente que lhe compete no âmbito dos planos e re-
latórios anuais de atividades.
Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios 5 — A cartografia da rede de defesa da floresta con-
1 — O PNDFCI define os objetivos gerais de prevenção, tra incêndios constituída pela rede primária de faixas de
pré-supressão, supressão e recuperação num enquadra- gestão de combustível, rede viária florestal fundamental,
mento sistémico e transversal da defesa da floresta contra rede de pontos de água e rede nacional de postos de vigia
(RNPV), assim como a carta de perigosidade de incêndio
incêndios.
florestal, constantes dos PMDFCI, devem ser incorpora-
2 — O PNDFCI é um plano plurianual, de cariz inter- das e regulamentada nos respetivos planos municipais de
ministerial, submetido a avaliação bianual, e onde estão ordenamento do território.
preconizadas a política e as medidas para a defesa da flo- 6 — As plantas dos PMDFCI são elaboradas à mesma
resta contra incêndios, englobando planos de prevenção, escala da planta de condicionantes do Plano Diretor Mu-
sensibilização, vigilância, deteção, combate, supressão, nicipal.
recuperação de áreas ardidas, investigação e desenvolvi- 7 — Podem os municípios criar e implementar progra-
mento, coordenação e formação dos meios e agentes envol- mas especiais de intervenção florestal no âmbito de planos
vidos, bem como uma definição clara de objetivos e metas de defesa da floresta para áreas florestais contíguas a in-
a atingir, calendarização das medidas e ações, orçamento, fraestruturas de elevado valor estratégico nacional e para
plano financeiro e indicadores de execução. áreas florestais estratégicas e de elevado valor, conforme
3 — (Revogado.) apresentado na cartografia de perigosidade de incêndio
4 — O PNDFCI deve conter orientações a concretizar rural, que constem dos PDDFCI.
nos PROF, refletindo-se nos níveis subsequentes do pla- 8 — (Revogado.)
neamento. 9 — (Revogado.)
5 — O PNDFCI é elaborado pelo ICNF, I. P., e apro- 10 — (Revogado.)
vado por resolução do Conselho de Ministros, sendo a sua 11 — No âmbito da defesa da floresta contra incêndios
monitorização objeto de relatório bianual elaborado por e da gestão florestal, apenas têm direito a subsídio ou be-
entidade externa. nefício outorgado pelo Estado os municípios que possuam
6 — (Revogado.) PMDFCI aprovado.
12 — Os PMDFCI, de âmbito municipal ou intermu-
Artigo 9.º nicipal são tornados públicos, com o teor integral, por
publicação em espaço próprio da 2.ª série do Diário da
Planeamento distrital de defesa da floresta contra incêndios República e por inserção no sítio na Internet do respetivo
1 — O planeamento distrital de defesa da floresta contra município, das freguesias correspondentes e do ICNF.
incêndios desenvolve as orientações nacionais decorren- 13 — O ICNF, I. P., lista no seu sítio da Internet os
tes do planeamento nacional em matéria florestal e do municípios que não disponham de PMDFCI aprovados
PNDFCI, estabelecendo a estratégia distrital de defesa da ou atualizados.
floresta contra incêndios. Artigo 11.º
2 — A coordenação e atualização contínua do planea-
Relação entre instrumentos de planeamento
mento distrital cabe aos respetivos responsáveis regionais
pela área das florestas. 1 — Todos os instrumentos de gestão florestal devem
3 — (Revogado.) explicitar não só as ações de silvicultura para defesa da
4 — (Revogado.) floresta contra incêndios e de infraestruturação dos espaços
4752 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

rurais, mas também a sua integração e compatibilização funções, onde se procede à modificação e à remoção total
com os instrumentos de planeamento florestal de nível ou parcial da biomassa presente.
superior, designadamente os PMDFCI e os PROF. 2 — As faixas de gestão de combustível constituem
2 — A desconformidade dos planos municipais de or- redes primárias, secundárias e terciárias, tendo em con-
denamento do território com os PMDFCI supervenientes sideração as funções que podem desempenhar, designa-
não desvincula as entidades e particulares da observância damente:
destes últimos e determina a sua conformação no procedi-
mento imediato de alteração que tiver lugar por iniciativa a) Função de diminuição da superfície percorrida por
do município, sem prejuízo da eventual decisão de aber- grandes incêndios, permitindo e facilitando uma interven-
tura do procedimento de alteração por adaptação daqueles ção direta de combate ao fogo;
instrumentos de planeamento, previsto no artigo 121.º do b) Função de redução dos efeitos da passagem de incên-
Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio. dios, protegendo de forma passiva vias de comunicação,
3 — Todas as iniciativas locais de prevenção, pré- infraestruturas e equipamentos sociais, zonas edificadas
-supressão e recuperação de áreas ardidas ao nível submu- e povoamentos florestais de valor especial;
nicipal devem ser articuladas e enquadradas pelos PMDFCI. c) Função de isolamento de potenciais focos de ignição
de incêndios.

CAPÍTULO III 3 — As redes primárias de faixas de gestão de com-


bustível, de interesse distrital, cumprem todas as funções
Medidas de organização do território, referidas no número anterior e desenvolvem-se nos espaços
de silvicultura e de infraestruturação
rurais.
4 — As redes secundárias de faixas de gestão de com-
SECÇÃO I bustível, de interesse municipal ou local, e, no âmbito da
Organização do território
proteção civil de populações e infraestruturas, cumprem as
funções referidas nas alíneas b) e c) do n.º 2 deste artigo e
Artigo 12.º desenvolvem-se sobre:

Redes de defesa da floresta contra incêndios


a) As redes viárias e ferroviárias públicas;
b) As linhas de transporte e distribuição de energia elé-
1 — As redes de defesa da floresta contra incêndios trica e gás natural (gasodutos);
(RDFCI) concretizam territorialmente, de forma coorde- c) As envolventes aos aglomerados populacionais e
nada, a infraestruturação dos espaços rurais decorrente a todas as edificações, aos parques de campismo, às in-
da estratégia do planeamento de defesa da floresta contra fraestruturas e parques de lazer e de recreio, aos parques
incêndios. e polígonos industriais, às plataformas logísticas e aos
2 — As RDFCI integram as seguintes componentes: aterros sanitários.
a) Redes de faixas de gestão de combustível;
b) Mosaico de parcelas de gestão de combustível; 5 — As redes terciárias de faixas de gestão de com-
c) Rede viária florestal; bustível, de interesse local, cumprem a função referida
d) Rede de pontos de água; na alínea c) do n.º 2 deste artigo e apoiam-se nas redes
e) Rede de vigilância e deteção de incêndios; viária, elétrica e divisional das unidades locais de gestão
f) Rede de infraestruturas de apoio ao combate. florestal ou agroflorestal, sendo definidas no âmbito dos
instrumentos de gestão florestal.
3 — A monitorização do desenvolvimento e da utiliza- 6 — As especificações técnicas em matéria de defesa da
ção das RDFCI incumbe ao ICNF, I. P. floresta contra incêndios relativas a equipamentos florestais
4 — O acompanhamento da componente prevista na de recreio são definidas em regulamento do ICNF, I. P.,
alínea d) do n.º 2 é da responsabilidade do ICNF, I. P., em homologado pelo membro do Governo responsável pela
articulação com a ANPC. área das florestas, ouvida a ANPC.
5 — No que se refere às componentes previstas na 7 — (Revogado.)
alínea e) do n.º 2, a monitorização do desenvolvimento 8 — Quando as faixas de gestão de combustíveis e os
e da utilização incumbe à GNR em articulação com o mosaicos de parcelas ocorram em áreas ocupadas por so-
ICNF, I. P., e com a ANPC. breiros e azinheiras, o ICNF, I. P., pode autorizar desbastes
6 — Quanto à componente prevista na alínea f) do com o objetivo de reduzir a continuidade dos combustíveis.
n.º 2, a monitorização do desenvolvimento e da utiliza- 9 — O ICNF, I. P., tem a responsabilidade de desenvol-
ção é da responsabilidade da ANPC em articulação com ver os instrumentos de perequação necessários à instalação
o ICNF, I. P., e a GNR. da rede primária.
7 — A recolha, registo e atualização da base de da- 10 — O Governo define os mecanismos de aplicação
dos das RDFCI deve ser efetuada pelas autarquias locais, dos instrumentos previstos no número anterior e a garantia
mediante protocolo e procedimento divulgado em norma de compensação dos proprietários afetados.
técnica pelo ICNF, I. P.
Artigo 14.º
Artigo 13.º Servidões administrativas e expropriações
Redes de faixas de gestão de combustível
1 — As infraestruturas discriminadas no n.º 2 do ar-
1 — A gestão dos combustíveis existentes nos espaços tigo 12.º, e os terrenos necessários à sua execução, e ins-
rurais é realizada através de faixas e de parcelas, situadas critas nos PMDFCI podem, sob proposta das câmaras
em locais estratégicos para a prossecução de determinadas municipais, ser declaradas de utilidade pública, nos termos
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4753

e para os efeitos previstos no Código das Expropriações, 4 — Em caso de incumprimento do disposto nos núme-
mediante despacho do membro do Governo responsável ros anteriores, a câmara municipal notifica as entidades
pela área das florestas. responsáveis pelos trabalhos.
2 — As redes primárias de faixas de gestão de com- 5 — Verificado o incumprimento, a câmara municipal
bustível, definidas no âmbito do planeamento distrital de poderá realizar os trabalhos de gestão de combustível, com
defesa da floresta contra incêndios devem ser declaradas de a faculdade de se ressarcir, desencadeando os mecanismos
utilidade pública, nos termos do número anterior, ficando necessários ao ressarcimento da despesa efetuada.
qualquer alteração ao uso do solo ou do coberto vegetal 6 — Na ausência de intervenção até 31 de maio de cada
sujeita a parecer vinculativo do ICNF, I. P., sem prejuízo ano, nos termos dos números anteriores, os proprietários
dos restantes condicionalismos legais. ou outras entidades que detenham a qualquer título a ad-
3 — (Revogado.) ministração de edifícios inseridos na área prevista no n.º 2,
4 — (Revogado.) podem substituir-se aos proprietários e outros produtores
florestais, procedendo à gestão de combustível prevista no
SECÇÃO II número anterior, mediante comunicação aos proprietários
e, na falta de resposta em 10 dias, por aviso a afixar no
Defesa de pessoas e bens local dos trabalhos, num prazo não inferior a 5 dias, nos
termos previstos no artigo 21.º
Artigo 15.º 7 — Em caso de substituição, os proprietários e outros
Redes secundárias de faixas de gestão de combustível
produtores florestais são obrigados a permitir o acesso
dos proprietários ou gestores dos edifícios inseridos na
1 — Nos espaços florestais previamente definidos nos área prevista no n.º 2 aos seus terrenos e a ressarci-los das
PMDFCI é obrigatório que a entidade responsável: despesas efetuadas com a gestão de combustível.
a) Pela rede viária providencie a gestão do combustível 8 — Sempre que os materiais resultantes da ação de
numa faixa lateral de terreno confinante numa largura não gestão de combustível referida no número anterior possuam
inferior a 10 m; valor comercial, o produto obtido dessa forma é pertença
b) Pela rede ferroviária providencie a gestão do com- do proprietário ou produtor florestal respetivo, podendo
bustível numa faixa lateral de terreno confinante, contada contudo ser vendido pelo proprietário ou entidade que
a partir dos carris externos numa largura não inferior a procedeu à gestão de combustível.
10 m; 9 — Quem tiver procedido à gestão de combustível pode
c) Pelas linhas de transporte e distribuição de energia exercer o direito de compensação de créditos pelo produto
elétrica em muito alta tensão e em alta tensão providencie da venda, na respetiva proporção das despesas incorridas,
a gestão do combustível numa faixa correspondente à pro- mediante notificação escrita ao proprietário ou produtor
jeção vertical dos cabos condutores exteriores acrescidos florestal respetivo, nos termos previstos nos artigos 847.º
de uma faixa de largura não inferior a 10 m para cada um e seguintes do Código Civil.
dos lados; 10 — Nos aglomerados populacionais inseridos ou con-
d) Pelas linhas de distribuição de energia elétrica em finantes com espaços florestais, e previamente definidos
média tensão providencie a gestão de combustível numa nos PMDFCI, é obrigatória a gestão de combustível numa
faixa correspondente à projeção vertical dos cabos con- faixa exterior de proteção de largura mínima não inferior
dutores exteriores acrescidos de uma faixa de largura não a 100 m, podendo, face à perigosidade de incêndio ru-
inferior a 7 m para cada um dos lados; ral de escala municipal, outra amplitude ser definida nos
e) Pela rede de transporte de gás natural (gasodutos) respetivos planos municipais de defesa da floresta contra
providencie a gestão de combustível numa faixa lateral de incêndios.
terreno confinante numa largura não inferior a 5 m para 11 — Compete aos proprietários, arrendatários, usu-
cada um dos lados, contados a partir do eixo da conduta. frutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham
terrenos inseridos na faixa referida no número anterior a
2 — Os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou gestão de combustível nesses terrenos.
entidades que, a qualquer título, detenham terrenos con- 12 — Verificando-se, até ao dia 30 de abril de cada ano,
finantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obri- o incumprimento referido no número anterior, compete à
câmara municipal, até 31 de maio de cada ano, a realização
gados a proceder à gestão de combustível, de acordo com
dos trabalhos de gestão de combustível, com a faculdade
as normas constantes no anexo do presente decreto-lei e
de se ressarcir, desencadeando os mecanismos necessários
que dele faz parte integrante, numa faixa com as seguintes
ao ressarcimento da despesa efetuada, podendo, mediante
dimensões:
protocolo, delegar esta competência na junta de freguesia.
a) Largura não inferior a 50 m, medida a partir da alve- 13 — Nos parques de campismo, nos parques e polígo-
naria exterior do edifício, sempre que esta faixa abranja ter- nos industriais, nas plataformas de logística e nos aterros
renos ocupados com floresta, matos ou pastagens naturais; sanitários inseridos ou confinantes com espaços florestais
b) Largura definida no PMDFCI, com o mínimo de 10 m previamente definidos no PMDFCI é obrigatória a gestão
e o máximo de 50 m, medida a partir da alvenaria exterior de combustível, e sua manutenção, de uma faixa envolvente
do edifício, quando a faixa abranja exclusivamente terrenos com uma largura mínima não inferior a 100 m, competindo
ocupados com outras ocupações. à respetiva entidade gestora ou, na sua inexistência ou não
cumprimento da sua obrigação, à câmara municipal rea-
3 — Os trabalhos definidos no número anterior devem lizar os respetivos trabalhos, podendo esta, para o efeito,
decorrer entre o final do período crítico do ano anterior e desencadear os mecanismos necessários ao ressarcimento
30 de abril de cada ano. da despesa efetuada.
4754 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

14 — Sempre que, por força do disposto no número 5 — A construção de novos edifícios ou o aumento da
anterior, as superfícies a submeter a trabalhos de gestão área de implantação de edifícios existentes, destinados
de combustível se intersetem, são as entidades referidas exclusivamente ao turismo de habitação, ao turismo no
naquele número que têm a responsabilidade da gestão de espaço rural, à atividade agrícola, silvícola, pecuária, aquí-
combustível. cola ou atividades industriais conexas e exclusivamente
15 — Os proprietários e outros produtores florestais são dedicadas ao aproveitamento e valorização dos produtos
obrigados a facultar os necessários acessos às entidades e subprodutos da respetiva exploração, pode, em casos
responsáveis pelos trabalhos de gestão de combustível. excecionais e a pedido do interessado, ser reduzida até
16 — A intervenção prevista no número anterior é pre- 10 metros a distância à estrema da propriedade da faixa
cedida de aviso a afixar no local dos trabalhos, num prazo de proteção prevista na alínea a) do n.º 3, caso sejam ve-
não inferior a 10 dias. rificadas as seguintes condições a aprovar pela câmara
17 — As ações e projetos de arborização ou rearboriza- municipal, ouvida a CMDFCI, decorrente da análise de
ção deverão respeitar as faixas de gestão de combustível, risco apresentada:
previstas neste artigo. a) Medidas excecionais de proteção relativas à defesa
18 — O disposto nos números anteriores prevalece so- e resistência do edifício à passagem do fogo;
bre quaisquer disposições em contrário. b) Medidas excecionais de contenção de possíveis fon-
19 — Nas superfícies a submeter a gestão de combus- tes de ignição de incêndios no edifício e nos respetivos
tível são aplicados os critérios definidos no anexo do pre- acessos;
sente decreto-lei e que dele faz parte integrante. c) Existência de parecer vinculativo do ICNF, solicitado
20 — O disposto no número anterior não prejudica a pela câmara municipal;
realização de campanhas de sensibilização, nomeadamente d) Para o efeito do disposto nas alíneas anteriores, é
radiodifundidas. aprovado um normativo que enquadra as regras a que
21 — O Estado desenvolve uma plataforma que permita obedecem a análise de risco e as medidas excecionais,
aos cidadãos a participação de situações de perigo respei- por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas
tantes ao cumprimento do presente artigo. áreas da proteção civil e das florestas.
Artigo 16.º 6 — Aos proprietários de terrenos confinantes com os
Condicionalismos à edificação indicados no número anterior não é aplicável o disposto
no n.º 2 do artigo anterior.
1 — A classificação e qualificação do solo definidas 7 — Os condicionamentos previstos neste artigo não
no âmbito dos instrumentos de gestão territorial vincu- se aplicam aos edifícios inseridos nas áreas previstas nos
lativos dos particulares devem considerar a cartografia n.os 9 e 12 do artigo anterior.
de perigosidade de incêndio rural definida em PMDFCI 8 — As ampliações dos aglomerados populacionais,
a integrar, obrigatoriamente, na planta de condicionantes das infraestruturas, equipamentos e demais áreas mencio-
dos planos municipais e intermunicipais de ordenamento nadas nos n.os 9, 10 e 11 do artigo anterior ou novas áreas
do território. destinadas às mesmas finalidades podem, no âmbito dos
2 — Fora das áreas edificadas consolidadas não é permi- planos municipais ou intermunicipais de ordenamento
tida a construção de novos edifícios nas áreas classificadas do território, ser admitidas em áreas classificadas na car-
na cartografia de perigosidade de incêndio rural definida tografia de perigosidade de incêndio rural definida em
no PMDFCI como de alta e muito alta perigosidade. PMDFCI como alta e muito alta perigosidade se verificado
3 — A construção de novos edifícios ou a ampliação de cumulativamente o seguinte:
edifícios existentes apenas são permitidas fora das áreas
edificadas consolidadas, nas áreas classificadas na car- a) Ser tecnicamente viável a minimização do perigo
tografia de perigosidade de incêndio rural definida em de incêndio;
PMDFCI como de média, baixa e muito baixa perigosi- b) Serem concretizadas através de unidades operativas
dade, desde que se cumpram, cumulativamente, os seguin- de planeamento e gestão que identifiquem as medidas de
tes condicionalismos: controlo do risco e o programa de instalação e manutenção
das faixas de gestão de combustíveis, de acordo com o
a) Garantir, na sua implantação no terreno, a distância estabelecido no referido artigo;
à estrema da propriedade de uma faixa de proteção nunca c) Existência de parecer vinculativo do ICNF, solicitado
inferior a 50 m, quando confinantes com terrenos ocupados pela câmara municipal.
com floresta, matos ou pastagens naturais, ou a dimensão
definida no PMDFCI respetivo, quando inseridas, ou con- 9 — Os regulamentos municipais devem definir as re-
finantes com outras ocupações; gras decorrentes das medidas de defesa estabelecidas nos
b) Adotar medidas relativas à contenção de possíveis PMDFCI para as áreas edificadas consolidadas.
fontes de ignição de incêndios no edifício e nos respetivos
acessos;
SECÇÃO III
c) Existência de parecer vinculativo do ICNF, solicitado
pela câmara municipal. Defesa da floresta

4 — Para efeitos do disposto no número anterior, quando Artigo 17.º


a faixa de proteção integre rede secundária ou primária es-
Silvicultura, arborização e rearborização
tabelecida, infraestruturas viárias ou planos de água, a área
destas pode ser contabilizada na distância mínima exigida 1 — A silvicultura no âmbito da defesa da floresta contra
para aquela faixa de proteção. incêndios engloba o conjunto de medidas aplicadas aos
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4755

povoamentos florestais, matos e outras formações espon- f) As atividades que nelas se possam desenvolver e
tâneas, ao nível da composição específica e do seu arranjo contribuir para a sua sustentabilidade técnica e financeira.
estrutural, com os objetivos de diminuir a perigosidade
de incêndio rural e de garantir a máxima resistência da 4 — As redes primárias de faixas de gestão de com-
vegetação à passagem do fogo. bustível são definidas pelos PDDFCI e obrigatoriamente
2 — Os instrumentos de gestão florestal devem expli- integrados no planeamento municipal e local de defesa da
citar as medidas de silvicultura e de infraestruturação de floresta contra incêndios.
espaços rurais que garantam a descontinuidade horizontal
e vertical dos combustíveis florestais e a alternância de Artigo 19.º
parcelas com distinta inflamabilidade e combustibilidade, Depósito de madeiras e de outros produtos inflamáveis
no âmbito das orientações de planeamento regional de
defesa da floresta contra incêndios. 1 — É interdito o depósito de madeiras e outros pro-
3 — A dimensão das parcelas deverá variar entre 20 hec- dutos resultantes de exploração florestal ou agrícola, de
tares e 50 hectares, nos casos gerais, e entre 1 hectare e outros materiais de origem vegetal e de produtos alta-
20 hectares nas situações de maior perigosidade de incên- mente inflamáveis nas redes de faixas e nos mosaicos
dio, definidas nos PMDFCI, e o seu desenho e localização de parcelas de gestão de combustível, com exceção dos
devem ter em especial atenção o comportamento previsível aprovados pela comissão municipal de defesa da floresta
do fogo. contra incêndios.
4 — Nas ações de arborização, de rearborização e de 2 — Durante o período crítico só é permitido empilha-
reconversão florestal, os povoamentos monoespecíficos mento em carregadouro de produtos resultantes de corte
e equiénios não poderão ter uma superfície contínua su- ou extração (estilha, rolaria, madeira, cortiça e resina)
perior a 50 ha, devendo ser compartimentados, alternati- desde que seja salvaguardada uma área sem vegetação
vamente: com 10 m em redor e garantindo que nos restantes 40 m
a carga combustível é inferior ao estipulado no anexo do
a) Pela rede de faixas de gestão de combustíveis ou por presente decreto-lei e que dele faz parte integrante.
outros usos do solo com baixa perigosidade de incêndio rural;
b) Por linhas de água e respetivas faixas de proteção, Artigo 20.º
convenientemente geridas;
Normalização das redes regionais de defesa da floresta
c) Por faixas de arvoredo de alta densidade, com as
especificações técnicas definidas nos instrumentos de pla- As normas técnicas e funcionais relativas à classificação,
neamento florestal. cadastro, construção, manutenção e sinalização de vias
integrantes da rede viária florestal, pontos de água e rede
5 — Sempre que as condições edafoclimáticas o permi- primária de faixas de gestão de combustível constam de
tam, deverá ser favorecida a constituição de povoamentos normas próprias, a aprovar por regulamento do ICNF, I. P.,
de espécies arbóreas caducifólias ou de espécies com baixa homologado pelo membro do Governo responsável pela
inflamabilidade e combustibilidade. área das florestas.
6 — Nas ações de arborização, de rearborização e de
reconversão florestal, sempre que se verifiquem no terreno SECÇÃO IV
linhas de água deve dar-se prioridade à manutenção ou
recuperação de galerias ripícolas desde que as condições Incumprimento
edafoclimáticas o permitam.
Artigo 21.º
Artigo 18.º Incumprimento de medidas preventivas
Redes primárias de faixas de gestão de combustível 1 — Os proprietários, os produtores florestais e as enti-
1 — As faixas integrantes das redes primárias visam dades que a qualquer título detenham a administração dos
o estabelecimento, em locais estratégicos, de condições terrenos, edifícios ou infraestruturas referidas no presente
favoráveis ao combate a grandes incêndios florestais. decreto-lei são obrigados ao desenvolvimento e realização
2 — As faixas citadas no número anterior possuem uma das ações e trabalhos de gestão de combustível nos termos
largura não inferior a 125 m e definem compartimentos que, da lei.
preferencialmente, devem possuir entre 500 ha e 10 000 ha. 2 — Sem prejuízo do disposto em matéria contraorde-
3 — O planeamento, a instalação e a manutenção das nacional, em caso de incumprimento do disposto nos n.os 1,
redes primárias de faixas de gestão de combustível devem 2, 8, 11 e 13 do artigo 15.º, no artigo 17.º e no artigo 18.º,
ter em consideração, designadamente: as entidades fiscalizadoras devem, no prazo máximo de
seis dias, comunicar o facto às câmaras municipais, no
a) A sua eficiência no combate a incêndios de grande âmbito de incumprimento do artigo 15.º, e ao ICNF, I. P.,
dimensão; no âmbito dos artigos 17.º e 18.º
b) A segurança das forças responsáveis pelo combate; 3 — A câmara municipal ou o ICNF, I. P., nos termos
c) O valor socioeconómico, paisagístico e ecológico do disposto no número anterior, notifica, no prazo máximo
dos espaços rurais; de 10 dias, os proprietários ou as entidades responsáveis
d) As características fisiográficas e as particularidades pela realização dos trabalhos, fixando um prazo adequado
da paisagem local; para o efeito, notifica ainda o proprietário ou as entidades
e) O histórico dos grandes incêndios na região e o seu responsáveis dos procedimentos seguintes, nos termos do
comportamento previsível em situações de elevado risco Código do Procedimento Administrativo, dando do facto
meteorológico; conhecimento à GNR.
4756 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

4 — Decorrido o prazo referido no número anterior sem Artigo 23.º


que se mostrem realizados os trabalhos, a câmara municipal Exceções
ou o ICNF, I. P., procede à sua execução, sem necessidade
de qualquer formalidade, após o que notifica as entidades 1 — Constituem exceções às medidas referidas nas
faltosas responsáveis para procederem, no prazo de 60 dias, alíneas a) e b) do n.º 2 e no n.º 3 do artigo 22.º:
ao pagamento dos custos correspondentes. a) O acesso, a circulação e a permanência, no interior
5 — Decorrido o prazo de 60 dias sem que se tenha ve- das referidas áreas, de residentes e de proprietários e pro-
rificado o pagamento, a câmara municipal ou o ICNF, I. P., dutores florestais e pessoas que aí exerçam a sua atividade
extrai certidão de dívida. profissional;
6 — A cobrança da dívida decorre por processo de exe- b) A circulação de pessoas no interior das referidas
cução fiscal, nos termos do Código de Procedimento e de áreas sem outra alternativa de acesso às suas residências
Processo Tributário. e locais de trabalho;
c) O exercício de atividades, no interior das referidas
CAPÍTULO IV áreas, que careçam de reconhecido acompanhamento pe-
riódico;
Condicionamento de acesso, de circulação d) A utilização de parques de lazer e recreio quando
e de permanência devidamente infraestruturados e equipados para o efeito,
nos termos da legislação aplicável;
Artigo 22.º e) A circulação em autoestradas, itinerários principais,
Condicionamento itinerários complementares, estradas nacionais e em es-
tradas regionais;
1 — Durante o período crítico, definido no artigo 3.º, f) A circulação em estradas municipais para as quais
fica condicionado o acesso, a circulação e a permanência não exista outra alternativa de circulação com equivalente
de pessoas e bens no interior das seguintes zonas: percurso;
a) Nas zonas críticas referidas no artigo 6.º; g) O acesso, a circulação e a permanência, no interior
b) Nas áreas submetidas a regime florestal e nas áreas das referidas áreas, de meios e agentes de proteção civil;
florestais sob gestão do Estado; h) O acesso, a circulação e a permanência, no interior
c) Nas áreas onde exista sinalização correspondente a das referidas áreas, de meios militares decorrentes de mis-
limitação de atividades. são intrinsecamente militar.

2 — O acesso, a circulação e a permanência de pessoas 2 — O disposto no artigo 22.º não se aplica:


e bens ficam condicionados nos seguintes termos: a) Às áreas urbanas e às áreas industriais;
a) Quando se verifique o índice de risco de incêndio b) No acesso às praias fluviais e marítimas concessio-
de níveis muito elevado e máximo, não é permitido ace- nadas;
der, circular e permanecer no interior das áreas referidas c) Aos meios de prevenção, vigilância, deteção, primeira
no número anterior, bem como nos caminhos florestais, intervenção e combate aos incêndios florestais;
caminhos rurais e outras vias que as atravessam; d) Aos prédios rústicos submetidos a regime florestal
b) Quando se verifique o índice de risco de incêndio para efeitos de policiamento e fiscalização da caça, em
de nível elevado, não é permitido, no interior das áreas virtude e por força da sua submissão ao regime cinegético
referidas no número anterior, proceder à execução de tra- especial, quando não incluídos nas zonas críticas;
balhos que envolvam a utilização de maquinaria sem os e) À execução de obras de interesse público, como tal
dispositivos previstos no artigo 30.º, desenvolver quais- reconhecido;
quer ações não relacionadas com as atividades florestal f) À circulação de veículos prioritários quando em mar-
e agrícola, bem como circular com veículos motorizados cha de urgência;
nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que g) As áreas sob jurisdição militar;
as atravessam; h) Às atividades realizadas por membros das organi-
c) Quando se verifique o índice de risco de incêndio de zações definidas no n.º 3 do artigo 3.º da Lei n.º 23/2006,
níveis elevado e superior, todas as pessoas que circulem de 23 de junho.
no interior das áreas referidas no n.º 1 e nos caminhos
florestais, caminhos rurais e outras vias que as atravessam 3 — (Revogado.)
ou delimitam estão obrigadas a identificar-se perante as
entidades com competência em matéria de fiscalização no Artigo 24.º
âmbito do presente decreto-lei. Informação das zonas críticas
1 — A garantia da informação sobre os condiciona-
3 — Fora do período crítico, e desde que se verifique
mentos referidos no artigo 22.º é da responsabilidade da
o índice de risco de incêndio de níveis muito elevado e
autarquia nos seguintes termos:
máximo, não é permitido aceder, circular e permanecer
no interior das áreas referidas no n.º 1, bem como nos a) As áreas referidas no n.º 1 do artigo 22.º que se
caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que as encontrem sob a gestão do Estado são obrigatoriamente
atravessam. sinalizadas pelos respetivos organismos gestores relati-
4 — Fora do período crítico, e desde que se verifique vamente aos condicionamentos de acesso, de circulação
o índice de risco de incêndio de níveis elevado e superior, e de permanência;
a circulação de pessoas no interior das áreas referidas no b) As demais áreas referidas nos n.os 1 e 2 do artigo 22.º
n.º 1 fica sujeita às medidas referidas na alínea c) do n.º 2. bem como as vias de comunicação que as atravessam ou
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4757

delimitam devem ser sinalizadas relativamente aos con- 5 — Os COS podem, após autorização expressa da es-
dicionamentos de acesso, de circulação e de permanência trutura de comando da ANPC, registada na fita do tempo
pelos proprietários e outros produtores florestais; de cada ocorrência, utilizar fogo de supressão.
c) As respetivas câmaras municipais podem substituir- 6 — Compete ao gabinete técnico florestal de cada mu-
-se, com a faculdade de se ressarcir, aos proprietários e nicípio o registo cartográfico anual de todas as ações de
outros produtores florestais para cumprimento do disposto gestão de combustíveis, ao qual é associada a identificação
na alínea anterior sempre que no período crítico não exista da técnica utilizada e da entidade responsável pela sua
sinalização. execução, e que deve ser incluído no plano operacional
municipal.
2 — (Revogado.)
Artigo 26.º-A
Artigo 25.º Fogo de gestão de combustível
Sensibilização e divulgação 1 — Nas áreas delineadas no Plano Operacional Munici-
1 — A execução de campanhas de sensibilização é, pal com potencial de recurso o fogo de gestão de combus-
independentemente das entidades que as realizam, coor- tível pode a opção por esta prática ser solicitada pelo COS.
denada pelo ICNF, I. P. 2 — Nas situações previstas no número anterior a auto-
2 — Compete ao ICNF, I. P., às comissões distritais de rização da aplicação desta prática carece de decisão favo-
defesa da floresta e às comissões municipais de defesa rável por parte do Comandante Distrital da ANPC, ouvidos
da floresta, a promoção de campanhas de sensibilização os oficiais de ligação do ICNF, I. P., e da GNR do Centro
e informação pública, as quais devem considerar o valor de Coordenação Operacional Distrital desse distrito.
e a importância dos espaços florestais, a conduta a adotar 3 — O fogo de gestão de combustível só é permitido
pelo cidadão na utilização dos espaços florestais e uma quando as condições meteorológicas locais e previstas se
componente preventiva que contemple as técnicas e prá- enquadrem nas condições de prescrição do fogo controlado
ticas aconselháveis e obrigatórias do correto uso do fogo. descritas no regulamento do fogo técnico, anexo ao Des-
3 — Os apoios públicos a campanhas de sensibiliza- pacho n.º 7511/2014, publicado no Diário da República,
ção para defesa da floresta contra incêndios devem estar 2.ª série, n.º 110, de 9 de junho.
integrados no âmbito do PNDFCI, dos PDDFCI e dos 4 — Podem excecionar-se situações não previstas no
PMDFCI, em função da escala geográfica da iniciativa e artigo anterior caso um técnico credenciado em fogo con-
devem observar uma identificação comum definida pelo trolado ou um técnico credenciado em fogo de supressão
ICNF, I. P. avaliem que as condições meteorológicas possibilitam a
4 — Compete à autoridade nacional de meteorologia utilização do fogo de gestão de combustível.
promover a divulgação periódica do índice de risco de 5 — A avaliação das condições meteorológicas que
incêndio, podendo a divulgação ser diária quando este possibilitam a utilização do fogo de gestão de combustível
índice for de níveis elevado, muito elevado ou máximo, é registada na fita do tempo do incêndio assim como a
para efeitos de aplicação do disposto no artigo 22.º identificação de técnico que realizou a avaliação.
5 — Compete ao ICNF, I. P., a divulgação das medidas 6 — O recurso ao fogo de gestão de combustível deverá
preventivas aconselhadas ou obrigatórias, onde se incluem ser acompanhada pelo Comando Distrital de Operações
as referidas nos artigos 22.º, 27.º, 28.º e 29.º, bem como a de Socorro em estreita articulação com o COS garantindo
sua incidência territorial. que se mantêm as condições inicialmente previstas para
a sua realização.
7 — As áreas sujeitas a fogo de gestão de combustível
CAPÍTULO V são obrigatoriamente cartografadas, independentemente da
sua dimensão, e inequivocamente assinaladas como tendo
Uso do fogo sido resultado desta prática.
8 — As áreas ardidas resultantes de fogo de gestão de
Artigo 26.º combustível devem registar-se como tal no Sistema de
Fogo técnico Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF) e
contabilizadas autonomamente.
1 — As ações de fogo técnico, nas modalidades de fogo
controlado e fogo de supressão, só podem ser realizadas
de acordo com as normas técnicas e funcionais definidas Artigo 26.º-B
em regulamento do ICNF, I. P., homologado pelo membro Levantamento cartográfico das áreas ardidas
do Governo responsável pela área das florestas, ouvidas
a ANPC e a GNR. 1 — Compete à GNR o levantamento cartográfico das
2 — As ações de fogo controlado são executadas sob áreas ardidas por incêndios rurais, incluindo as que resul-
orientação e responsabilidade de elemento credenciado tem do recurso a fogo de gestão de combustível, com o
para o efeito pelo ICNF, I. P. envolvimento das câmaras municipais.
3 — As ações de fogo de supressão são executadas sob 2 — O levantamento cartográfico das áreas ardidas
orientação e responsabilidade de elemento credenciado em deverá incidir em áreas iguais ou superiores a 1 hectare.
fogo de supressão pela ANPC. 3 — As áreas ardidas são atualizadas anualmente com
4 — A realização de fogo controlado pode decorrer referência a 31 de dezembro de cada ano.
durante o período crítico, desde que o índice de risco de 4 — A GNR deve proceder ao carregamento dos le-
incêndio rural seja inferior ao nível médio e desde que a vantamentos cartográficos no SGIF, até 31 de janeiro do
ação seja autorizada pela ANPC. ano seguinte.
4758 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

5 — As especificações técnicas relativas ao levanta- 5 — Excetuam-se do disposto nos n.os 1 e 2 as atividades


mento cartográfico das áreas ardidas por incêndios ru- desenvolvidas por membros das organizações definidas no
rais são elaboradas pelo ICNF, I. P., ouvida a GNR e a n.º 3 do artigo 3.º da Lei n.º 23/2006, de 23 de junho.
ANPC. 6 — É proibido o abandono de queima de sobrantes em
6 — Compete ao ICNF, I. P., a divulgação da cartografia espaços rurais e dentro de aglomerados populacionais em
nacional de áreas ardidas anual, no seu sítio da Internet. qualquer altura do ano.
7 — A cartografia mencionada nos artigos anteriores
serve de base para os atos administrativos estabelecidos Artigo 29.º
no âmbito do Decreto-Lei n.º 327/90, de 22 de outubro, Foguetes e outras formas de fogo
alterado pela Lei n.º 54/91, de 8 de agosto, e pelos Decretos-
-Leis n.os 34/99, de 5 de fevereiro, e 55/2007 de 12 de março. 1 — Durante o período crítico não é permitido o lan-
çamento de balões com mecha acesa e de quaisquer tipos
Artigo 27.º de foguetes.
2 — Durante o período crítico, a utilização de fogo-de-
Queimadas -artifício ou outros artefactos pirotécnicos, que não os
1 — A realização de queimadas, definidas no artigo 3.º, indicados no número anterior, está sujeita a autorização
prévia do município ou da freguesia, nos termos da lei que
deve obedecer às orientações emanadas das comissões
estabelece o quadro de transferência de competências para
distritais de defesa da floresta. as autarquias locais.
2 — A realização de queimadas só é permitida após 3 — O pedido de autorização referido no número an-
autorização do município ou da freguesia, nos termos da lei terior deve ser solicitado com pelo menos 15 dias de an-
que estabelece o quadro de transferência de competências tecedência.
para as autarquias locais, na presença de técnico creden- 4 — Durante o período crítico, as ações de fumigação
ciado em fogo controlado ou, na sua ausência, de equipa ou desinfestação em apiários não são permitidas, exceto
de bombeiros ou de equipa de sapadores florestais. se os fumigadores estiverem equipados com dispositivos
3 — O pedido de autorização é registado no SGIF, pelo de retenção de faúlhas.
município ou pela freguesia. 5 — Nos espaços florestais, durante o período crítico,
4 — Sem acompanhamento técnico adequado, a queima não é permitido fumar ou fazer lume de qualquer tipo no
para realização de queimadas deve ser considerada uso de seu interior ou nas vias que os delimitam ou os atravessam.
fogo intencional. 6 — Fora do período crítico e desde que se verifique o
5 — A realização de queimadas só é permitida fora do índice de risco de incêndio rural de níveis muito elevado e
período crítico e desde que o índice de risco de incêndio máximo mantêm-se as restrições referidas nos n.os 1, 2 e 4.
rural seja inferior ao nível elevado. 7 — Excetuam-se do disposto nos números anteriores a
6 — O disposto no presente artigo não se aplica aos realização de contrafogos decorrentes das ações de com-
sobrantes de exploração amontoados. bate aos incêndios florestais.

Artigo 28.º Artigo 30.º


Queima de sobrantes e realização de fogueiras Maquinaria e equipamento

1 — Em todos os espaços rurais, durante o período 1 — Durante o período crítico, nos trabalhos e outras
crítico, não é permitido: atividades que decorram em todos os espaços rurais, as
máquinas de combustão interna ou externa, onde se in-
a) Realizar fogueiras para recreio ou lazer e para con- cluem todo o tipo de tratores, máquinas e veículos de
feção de alimentos, bem como utilizar equipamentos de transporte pesados, devem obrigatoriamente estar dotados
queima e de combustão destinados à iluminação ou à con- dos seguintes equipamentos:
feção de alimentos;
b) Queimar matos cortados e amontoados e qualquer a) Um ou dois extintores de 6 kg cada, de acordo com
tipo de sobrantes de exploração. a sua massa máxima e consoante esta seja inferior ou
superior a 10 000 kg, salvo motosserras, motorroçadoras
e outras pequenas máquinas portáteis;
2 — Em todos os espaços rurais, fora do período crítico
b) Dispositivos de retenção de faíscas ou faúlhas, exceto
e desde que se verifique o índice de risco de incêndio de no caso de motosserras, motorroçadoras e outras pequenas
níveis muito elevado e máximo, mantêm-se as restrições máquinas portáteis.
referidas no número anterior.
3 — Excetua-se do disposto na alínea a) do n.º 1 e no 2 — O Governo cria linhas de financiamento moduladas
número anterior, quando em espaços não inseridos em para o cumprimento do número anterior.
zonas críticas, a confeção de alimentos desde que rea- 3 — Sem prejuízo do disposto no número seguinte,
lizada nos locais expressamente previstos para o efeito, quando se verifique o índice de risco de incêndio rural de
nomeadamente nos parques de lazer e recreio e outros quando nível máximo, não é permitida a realização de trabalhos
devidamente infraestruturados e identificados como tal. nos espaços florestais com recurso a motorroçadoras, corta-
4 — Excetua-se do disposto na alínea b) do n.º 1 e no -matos e destroçadores.
n.º 2 a queima de sobrantes de exploração decorrente de 4 — Excetuam-se do número anterior o uso de motor-
exigências fitossanitárias de cumprimento obrigatório, a roçadoras que utilizam cabeças de corte de fio de nylon,
qual deverá ser realizada com a presença de uma unidade bem como os trabalhos e outras atividades diretamente
de um corpo de bombeiros ou uma equipa de sapadores associados às situações de emergência, nomeadamente de
florestais. combate a incêndios nos espaços rurais.
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4759

CAPÍTULO VI ano, a entidade gestora do posto de vigia pode substituir-se


ao proprietário, no corte e remoção, podendo dispor do
Vigilância, deteção e combate material resultante do corte.
7 — A obrigação prevista no n.º 5 pode ser regulada
SECÇÃO I por acordo, reduzido a escrito, a estabelecer entre a en-
tidade detentora do posto de vigia e os proprietários ou
Vigilância e deteção de incêndios
produtores florestais que graciosamente consintam a sua
Artigo 31.º instalação, utilização e manutenção ou proprietários de
área circundante.
Vigilância e deteção 8 — A instalação de qualquer equipamento que possa
interferir com a visibilidade e qualidade de comunicação
1 — A vigilância dos espaços rurais visa contribuir radioelétrica nos postos de vigia ou no espaço de 30 m em
para a redução do número de ocorrências de incêndios seu redor carece de parecer prévio da GNR.
florestais, identificando potenciais agentes causadores e
dissuadindo comportamentos que propiciem a ocorrência
de incêndios. Artigo 33.º
2 — A deteção tem por objetivo a identificação ime-
diata e localização precisa das ocorrências de incêndio e Sistemas de vigilância
a sua comunicação rápida às entidades responsáveis pelo 1 — Os sistemas de vigilância móvel compreendem
combate. as brigadas de vigilância móvel que o Estado constitua,
3 — A vigilância e deteção de incêndios pode ser as- os sapadores florestais, os Corpos de Bombeiros quando
segurada: pré-posicionados, os elementos do Serviço de Proteção da
a) Qualquer pessoa que detete um incêndio é obrigada Natureza e do Ambiente e os militares do Grupo de Inter-
a alertar de imediato as entidades competentes; venção de Proteção e Socorro da GNR, dos municípios e
b) Pela RNPV, que assegura em todo o território do das freguesias e outros grupos que para o efeito venham
continente as funções de deteção fixa de ocorrências de a ser reconhecidos pela GNR.
incêndios; 2 — Os sistemas de videovigilância compreendem os
c) Por rede de videovigilância, que complementa e re- meios do Estado, os meios das Comunidades Intermuni-
força em todo o território do continente, as funções de cipais, dos municípios e das freguesias.
deteção fixa de ocorrências de incêndios; 3 — Os sistemas de vigilância aérea compreendem as
d) Por rede de vigilância móvel que pode associar-se aeronaves tripuladas e não tripuladas, certificadas pelas
às funções de vigilância e deteção, de dissuasão e as in- entidades competentes.
tervenções em fogos nascentes; 4 — No que diz respeito aos sistemas de vigilância aérea
e) Por rede de vigilância aérea. das Forças Armadas, a coordenação prevista na alínea b)
do n.º 3 do artigo 2.º, concretiza-se mediante comunicação
prévia, por parte das Forças Armadas à GNR, relativamente
Artigo 32.º ao período de operação e às áreas sobrevoadas.
5 — Os sistemas de vigilância móvel, de videovigilância
Sistemas de deteção
e aérea têm, designadamente, por objetivos:
1 — A RNPV é constituída por postos de vigia públicos
a) Aumentar o efeito de dissuasão;
e privados instalados em locais previamente aprovados
b) Identificar agentes causadores ou suspeitos de incên-
pelo Comandante-Geral da GNR, ouvida o ICNF, I. P., e
dios ou situações e comportamentos anómalos;
a ANPC e homologados pelo membro do Governo respon-
c) Detetar incêndios em zonas sombra dos postos de
sável pela área da proteção civil.
vigia;
2 — A cobertura de deteção da RNPV pode ser comple-
mentada por sistema de videovigilância, meios de deteção d) Proporcionar ações de primeira intervenção em fogos
móveis ou outros meios que venham a revelar-se tecno- nascentes.
logicamente adequados, a regulamentar por portaria dos
membros do Governo responsáveis pelas áreas da proteção 6 — Em cada um dos municípios, a gestão dos sistemas
civil e das florestas. de vigilância móvel e de videovigilância é feita no âmbito
3 — A coordenação da RNPV é da competência da municipal, de forma a garantir a maximização dos recursos
GNR, que estabelece as orientações técnicas e funcionais na ocupação do território.
para a sua ampliação, redimensionamento e funcionamento. 7 — É da competência da GNR a coordenação das ações
4 — Os postos de vigia são instalados segundo crité- de vigilância levadas a cabo pelas diversas entidades, sem
rios de prioridade fundados no grau de risco de incêndio, prejuízo da articulação prevista no n.º 3 do artigo 34.º
na análise de visibilidade e intervisibilidade, no valor do 8 — O disposto nos números anteriores não prejudica a
património a defender e são dotados de equipamento com- aplicação do regime de proteção de dados pessoais.
plementar adequado ao fim em vista. 9 — O Ministério da Agricultura estabelece o calendá-
5 — Sempre que existam árvores que interfiram com a rio de criação de equipas de sapadores florestais, com o
visibilidade, as entidades que a qualquer título sejam de- objetivo de se alcançarem 500 equipas em 2019.
tentoras de postos de vigia devem notificar os proprietários 10 — O governo cria um corpo de guardas florestais,
das árvores para que estes procedam à sua remoção. com as competências e funções do antigo Corpo Nacional
6 — Quando se verifique que o proprietário não proce- da Guarda Florestal extinto pelo Decreto-Lei n.º 22/2006,
deu à remoção das árvores até ao dia 15 de abril de cada de 2 de fevereiro.
4760 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

Artigo 34.º Artigo 36.º


Forças Armadas e corpos especiais de vigilantes Recuperação de áreas ardidas

1 — As Forças Armadas, sem prejuízo do cumprimento 1 — Em áreas atingidas por incêndios florestais, e de
da sua missão primária, podem participar, em situações forma a criar condições de circulação rodoviária em se-
excecionais e com o devido enquadramento, nas ações gurança, os proprietários devem remover materiais quei-
de patrulhamento, vigilância móvel e aérea, tendo para mados nos incêndios.
esse efeito as competências de fiscalização previstas no 2 — Os materiais devem ser removidos numa faixa
artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 327/80, de 26 de agosto, com mínima de 25 m para cada lado das faixas de circulação
a redação que lhe é dada pela Lei n.º 10/81, de 10 de julho. rodoviária.
2 — As Forças Armadas colaboram em ações nos do- 3 — No pós-incêndio, antes da época das chuvas, devem
mínios da prevenção, vigilância móvel e aérea, deteção, ser tomadas medidas de mitigação de impactos ambientais,
intervenção em fogo nascente, rescaldo e vigilância pós- adequadas a cada caso em concreto, nomeadamente de
combate à erosão, de correção torrencial e impedimento
-incêndio florestal, na abertura de aceiros, nas ações de
de contaminação das linhas de água por detritos, de acordo
gestão de combustível das matas nacionais ou adminis- com despacho do membro do Governo competente pela
tradas pelo Estado e no patrulhamento das florestas, em área das florestas.
termos a definir por despacho conjunto dos membros do
Governo responsáveis pelas áreas da proteção civil, da
defesa e das florestas. CAPÍTULO VII
3 — A GNR, a ANPC e as Forças Armadas articulam as
Fiscalização
formas de participação das ações previstas no n.º 1, sem
prejuízo das respetivas cadeias de comando.
Artigo 37.º
4 — Compete ao ICNF, I. P., coordenar com as For-
ças Armadas as ações que estas vierem a desenvolver na Competência para fiscalização
abertura de faixas de gestão de combustível e nas ações de 1 — A fiscalização do estabelecido no presente
gestão de combustível dos espaços florestais, dando conhe- decreto-lei compete à GNR, à PSP, à Polícia Marítima,
cimento à comissão municipal de defesa da floresta. ao ICNF, I. P., à ANPC, às câmaras municipais, às polícias
municipais e aos vigilantes da natureza.
2 — Compete aos membros do Governo responsáveis
pelas áreas da proteção civil e das florestas, a definição
SECÇÃO II
das orientações no domínio da fiscalização do estabelecido
Combate de incêndios florestais no presente decreto-lei.

Artigo 35.º Artigo 37.º-A


Combate, rescaldo e vigilância ativa pós-rescaldo Identificação de proprietários

1 — A rede de infraestruturas de apoio ao combate é 1 — Para efeitos de identificação e notificação dos pro-
constituída por equipamentos e estruturas de combate, prietários ou detentores dos imóveis, as entidades fiscali-
existentes no âmbito das entidades a quem compete o zadoras têm acesso aos dados fiscais relativos aos prédios,
combate, dos organismos da Administração Pública e dos incluindo a identificação dos proprietários e respetivo
particulares, designadamente infraestruturas de combate domicílio fiscal, mediante protocolo a celebrar com a Au-
e infraestruturas de apoio aos meios aéreos. toridade Tributária e Aduaneira.
2 — As operações de combate aos incêndios rurais, bem 2 — Sem prejuízo do número anterior, as entidades
fiscalizadoras têm ainda acesso aos dados relativos aos
como as respetivas operações de rescaldo necessárias para
prédios constantes da base de dados Balcão Único do
garantia das perfeitas condições de extinção são assegu- Prédio.
radas por entidades com responsabilidades no combate a 3 — Para efeitos de notificação dos proprietários no
incêndios rurais e por profissionais credenciados para o âmbito da execução das infraestruturas de Defesa da Flo-
efeito e sob orientação da ANPC. resta contra Incêndios é possível recorrer-se à notificação
3 — Podem ainda participar nas operações de rescaldo, por via do edital nos casos em que se revele impossível a
nomeadamente em situação de várias ocorrências simul- notificação por outra via.
tâneas, os corpos especiais de vigilantes de incêndios,
os sapadores florestais, os vigilantes da natureza e ainda
outras entidades, brigadas ou grupos que para o efeito CAPÍTULO VIII
venham a ser reconhecidos pela ANPC. Contraordenações, coimas e sanções acessórias
4 — A participação dos meios referidos no número an-
terior é concretizada nos termos da lei. Artigo 38.º
5 — A ANPC e o ICNF, I. P., podem celebrar com en-
tidades privadas, nomeadamente operadoras de telecomu- Contraordenações e coimas
nicações, protocolos respeitantes a sistemas de avisos em 1 — As infrações ao disposto no presente decreto-lei
situação de emergência, nomeadamente respeitantes ao constituem contraordenações puníveis com coima, de € 140
envio de mensagens radiodifundidas ou envio de mensa- a € 5000, no caso de pessoa singular, e de € 800 a € 60 000,
gens para dispositivos móveis ligados a determinada torre no caso de pessoas coletivas, nos termos previstos nos
de comunicações. números seguintes.
Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017 4761

2 — Constituem contraordenações: 4 — A aplicação das coimas previstas no presente


os decreto-lei, bem como das sanções acessórias, das quais
a) A infração ao disposto nos n. 1, 2, 9, 10, 11, 12, 13
e 14 do artigo 15.º; deve ser dado conhecimento às autoridades autuantes,
b) (Revogada.) compete às seguintes entidades:
c) (Revogada.) a) Ao secretário-geral do Ministério da Administração
d) A violação dos critérios de gestão de combustível, Interna, nos casos a que se refere a alínea a) do número
definidos no anexo do presente decreto-lei e que dele faz anterior;
parte integrante; b) Ao ICNF, I. P., nos casos a que se refere a alínea b)
e) A infração ao disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 16.º, do número anterior.
exceto no caso do n.º 4 nas situações previstas no n.º 7 do
mesmo artigo; 5 — As competências previstas nos n.os 3 e 4 podem ser
f) A infração ao disposto nos n.os 3, 4 e 6 do artigo 17.º; delegadas, nos termos da lei.
g) (Revogada.)
h) A infração ao disposto no n.os 1 e 2 do artigo 19.º; Artigo 41.º
i) A infração ao disposto na alínea a) e b) do n.º 2 e nos
n.os 3 e 4 do artigo 22.º; Destino das coimas
j) (Revogada.)
l) A infração ao disposto nos n.os 1, 2, 3, 4 e 5 do artigo 26.º; 1 — A afetação do produto das coimas cobradas em
m) (Revogada.) resultado da aplicação do disposto nas alíneas a), d), o) e p)
n) (Revogada.) do n.º 2 do artigo 38.º é feita da seguinte forma:
o) A infração ao disposto nos n.os 2, 3 e 4 do artigo 27.º; a) 60 % para o Estado;
p) A infração ao disposto nos n.os 1, 2 e 6 do artigo 28.º b) 20 % para a entidade que instruiu o processo;
e no artigo 29.º; c) 10 % para a entidade autuante;
q) A infração ao disposto no artigo 30.º; d) 10 % para a entidade que aplicou a coima.
r) A infração ao disposto no artigo 36.º
2 — A afetação do produto das coimas cobradas em
3 — A determinação da medida da coima é feita nos aplicação das demais contraordenações é feita da seguinte
termos do disposto no regime geral das contraordenações. forma:
4 — A tentativa e a negligência são puníveis.
a) 60 % para o Estado;
Artigo 39.º b) 20 % para a entidade autuante;
c) 20 % para o ICNF, I. P.
Sanções acessórias
1 — Consoante a gravidade da contraordenação e a 3 — (Revogado.)
culpa do agente, pode o ICNF, I. P., determinar, cumulati- 4 — Nos casos em que é a câmara municipal a entidade
vamente com as coimas previstas nas alíneas l) e p) do n.º 2 autuante e a entidade instrutora do processo, o produto da
do artigo 38.º, a aplicação das seguintes sanções acessórias, coima previsto na alínea a) do n.º 1 constitui receita própria
no âmbito de atividades e projetos florestais: do respetivo município.
a) Privação do direito a subsídio ou benefício outorgado
por entidades ou serviços públicos; CAPÍTULO IX
b) Suspensão de autorizações, licenças e alvarás.
Disposições transitórias e finais
2 — As sanções referidas no número anterior têm a
duração máxima de dois anos contados a partir da decisão Artigo 42.º
condenatória definitiva. Elaboração e revisão dos planos de defesa
3 — Para efeito do disposto na alínea a) do n.º 1, o da floresta contra incêndios
ICNF, I. P., comunica, no prazo de cinco dias, a todas as
(Revogado.)
entidades públicas responsáveis pela concessão de subsí-
dios ou benefícios a aplicação da sanção.
Artigo 43.º
Artigo 40.º Sinalização
Levantamento, instrução e decisão das contraordenações 1 — A inexistência de sinalização das zonas críticas
referidas no artigo 6.º não afasta a aplicação das medidas
1 — O levantamento dos autos de contraordenação pre-
de condicionamento de acesso, de circulação e de perma-
vistos no artigo 38.º compete às autoridades policiais e
nência estabelecidas no artigo 22.º
fiscalizadoras, bem como às câmaras municipais.
2 — O ICNF, I. P., assegura, junto dos meios de co-
2 — Os autos de contraordenação são remetidos à auto-
municação social, a publicitação das zonas críticas, nos
ridade competente para a instrução do processo, no prazo
termos do artigo 25.º
máximo de cinco dias, após a ocorrência do facto ilícito.
3 — A instrução dos processos relativos às contraorde-
nações previstas no n.º 2 do artigo 38.º compete: Artigo 44.º
Definições e referências
a) À entidade autuante, de entre as referidas no ar-
tigo 37.º, nas situações previstas nas alíneas a), d), h), o) 1 — As definições constantes do presente decreto-lei
e p) do n.º 2 do artigo 38.º; prevalecem sobre quaisquer outras no âmbito da defesa
b) Ao ICNF, I. P., nos restantes casos. da floresta contra incêndios.
4762 Diário da República, 1.ª série — N.º 158 — 17 de agosto de 2017

2 — A referência feita a planos de defesa da floresta bito da conservação da natureza e biodiversidade, tal como
municipais entende-se feita a planos municipais de defesa identificado em instrumento de gestão florestal, ou outros
da floresta contra incêndios. instrumentos de gestão territorial ou de gestão da Rede Na-
tura 2000, pode a comissão municipal de defesa da floresta
Artigo 45.º aprovar critérios específicos de gestão de combustíveis.
B) Critérios suplementares para as faixas envolventes a
Regime transitório
edifícios — nas faixas de gestão de combustíveis envolven-
Exclui-se do âmbito de aplicação do presente decreto-lei tes aos edifícios para além do disposto no ponto A) deste
a elaboração, alteração e revisão dos planos municipais anexo, devem ainda ser cumpridos, cumulativamente, os
de ordenamento do território, em cujo procedimento já se seguintes critérios:
haja procedido à abertura do período de discussão pública. 1 — As copas das árvores e dos arbustos devem estar
distanciadas no mínimo 5 m da edificação, evitando-se
Artigo 46.º ainda a sua projeção sobre a cobertura do edifício.
Norma revogatória
2 — Excecionalmente, no caso de arvoredo de especial
valor patrimonial ou paisagístico pode admitir-se uma
É revogado o Decreto-Lei n.º 156/2004, de 30 de junho. distância inferior a 5 m, desde que seja reforçada a descon-
tinuidade horizontal e vertical de combustíveis e garantida
ANEXO a ausência de acumulação de combustíveis na cobertura
do edifício.
Critérios para a gestão de combustíveis no âmbito 3 — Sempre que possível, deverá ser criada uma faixa
das redes secundárias de gestão de combustíveis
pavimentada de 1 m a 2 m de largura, circundando todo
A) Critérios gerais — nas faixas de gestão de combus- o edifício.
tíveis envolventes aos edifícios, aglomerados populacio- 4 — Não poderão ocorrer quaisquer acumulações de
nais, equipamentos e infraestruturas devem ser cumpridos substâncias combustíveis, como lenha, madeira ou so-
cumulativamente os seguintes critérios: brantes de exploração florestal ou agrícola, bem como de
1 — No estrato arbóreo, a distância entre as copas das outras substâncias altamente inflamáveis.
árvores deve ser no mínimo de 4 m e a desramação deve
ser de 50 % da altura da árvore até que esta atinja os 8 m,
altura a partir da qual a desramação deve alcançar no mí- Lei n.º 77/2017
nimo 4 m acima do solo.
2 — No estrato arbustivo e subarbustivo, o fitovolume de 17 de agosto
total não pode exceder 2000 m3/ha, devendo simultanea-
mente ser cumpridas as seguintes condições: Primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de julho,
que estabelece o regime jurídico
a) Deve ser garantida a descontinuidade horizontal dos aplicável às ações de arborização e rearborização
combustíveis entre a infraestrutura e o limite externo da
faixa de gestão de combustíveis; A Assembleia da República decreta, nos termos da
b) A altura máxima da vegetação é a constante do quadro alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
n.º 1, variando em função da percentagem de cobertura
do solo. Artigo 1.º
Objeto
QUADRO N.º 1
A presente lei procede à primeira alteração ao Decreto-
Percentagem de coberto do solo
Altura máxima da vegetação
(em centímetros)
-Lei n.º 96/2013, de 19 de julho, que estabelece o regime
jurídico a que estão sujeitas, no território continental, as
ações de arborização e rearborização com recurso a espé-
Inferior a 20 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 cies florestais.
Entre 20 e 50 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Superior a 50 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Artigo 2.º
Alteração ao Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de julho
3 — Os estratos arbóreo, arbustivo e subarbustivo rema-
nescentes devem ser organizados espacialmente por forma Os artigos 2.º a 15.º, 19.º e 22.º do Decreto-Lei
a evitar a continuidade vertical dos diferentes estratos n.º 96/2013, de 19 de julho, passam a ter a seguinte re-
combustíveis. dação:
4 — No caso de infraestruturas da rede viária às quais «Artigo 2.º
se associem alinhamentos arbóreos com especial valor
patrimonial ou paisagístico, deve ser garantida a preser- […]
vação do arvoredo a aplicação do disposto nos números 1 — O presente decreto-lei aplica-se às ações de
anteriores numa faixa correspondente à projeção vertical arborização e rearborização, independentemente da
dos limites das suas copas acrescida de uma faixa de largura área intervencionada, das espécies envolvidas ou da
não inferior a 10 m para cada um lado. qualidade e natureza do interessado na intervenção,
5 — No caso de faixas de gestão de combustível que sem prejuízo do previsto no regime jurídico das autar-
abranjam arvoredo classificado de interesse público, zonas quias locais, aprovado em anexo à Lei n.º 75/2013, de
de proteção a edifícios e monumentos nacionais, manchas 12 de setembro, alterada pelas Leis n.os 25/2015, de 30
de arvoredo com especial valor patrimonial ou paisagístico de março, 69/2015, de 16 de julho, e 7-A/2016, de 30
ou manchas de arvoredo e outra vegetação protegida no âm- de março.