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Universidade Zambeze

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Avaliação e Controle de Qualidade dos Materiais de Construção no


Laboratório de Engenharia de Moçambique - Delegação da Beira

Ângelo Daniel Soares

Beira
2015
Universidade Zambeze

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Avaliação e Controle de Qualidade dos Materiais de Construção no


Laboratório de Engenharia de Moçambique - Delegação da Beira

Ângelo Daniel Soares

Trabalho de Conclusão de Curso, em forma de Relatório de Estágio,


Submetido à Faculdade de Ciências e Tecnologia,
da Universidade Zambeze-Beira, como requisito parcial
à obtenção do título de licenciado em engenharia Civil.

Supervisor

M.Sc. Michael Mendes

Beira
2015
DECLARAÇÃO

Eu, Ângelo Daniel Soares declaro que este Trabalho de Conclusão de Curso, em forma de
Relatório de Estágio é resultado do meu próprio trabalho e está a ser submetido para a
obtenção do grau de licenciado na Universidade Zambeze-Beira. Ele não foi submetido antes
para obtenção de nenhum grau ou para avaliação em nenhuma outra universidade.

Beira, aos ___de de2015

(Ângelo Daniel Soares)


"Nem todos podem tirar um curso superior.
Mas todos podem ter respeito, alta escala de valores
e as qualidades de espírito
que são a verdadeira riqueza de qualquer pessoa. "
AlfredMontapert

I
AGRADECIMENTOS

À Deus pela força, inspiração e perseverança nesta árdua trajectória;

À meu irmão Feliciano, por servir de exemplo de conduta e pelo apoio irrestrito em toda a minha
caminhada académica;

Ao meu tio Eugénio Mário, que serviu de inspiração para a realização deste curso;

Aos meus pais amados Daniel e Idalina, por servirem de inspiração na luta contra os desafios da
vida;

Á Eugenia Sunde, uma amiga carinhosa e conselheira;

Aos meus irmãos e a todos os familiares pela confiança e pelas nobres palavras de incentivo;

Ao orientador M.Sc. Michael Mendes, por compartilhar seu vasto conhecimento e sabedoria,
além de apoiar e compreender em todas as fases deste trabalho;
Ao Ailon Ambasse, Hélio Caetano, Rogério do Rosário e Teófilo Orlando, meus grandes amigos
e incentivadores;

Aos colegas do curso.

Aos estimados docentes desta instituição, os nobres profissionais, amigos do registo académico
da FCT e todos outros que contribuíram para a minha formação.

À UNIZAMBEZE, instituição séria, renomada e de excelente ensino, a qual me acolheu,


elevando os rumos da minha vida.

O meu Muito Obrigado.

II
RESUMO

O presente relatório de estágio descreve a experiencia técnica e profissional efectuada na


empresa Laboratório de Engenharia de Moçambique Delegação da Beira, uma instituição estatal
pertencente ao Ministério das Obras Publicas, Habitações e Recursos Hídricos (OPHRH) que
trabalha á nível da região centro prestando serviços ao estado e a instituições ou organizações
não-governamentais. Ele retrata os ensaios efectuado á diferentes materiais de construção para
diferentes empresas construtoras. As actividades decorreram num intervalo de seis meses em
horário laboral de 8 (oito) horas por dia. Basicamente são realizados por essa empresa estudos e
ensaios de solos e de betão, cuja realização destes é “ in situ” ou por expedição de amostras
colectadas na obra. Quando realizado no local da obra contrata-se um técnico especializado desta
instituição para deslocar-se ao local de efeito com o objectivo de realizar o referido ensaio mas
quando realizado em forma de expedição, a empresa construtora colecta e prepara a amostra a
ensaiar e submete ao laboratório somente para o efeito.

Palavras-chave: Ensaio, avaliacao, resistência e materiais de construção.

III
ABSTRACT
This report describes the technical and professional experience made the company Mozambique
Engineering Laboratory delegation of Beira (LEM-DB), a state institution belonging to the
Ministry of Public Works, Housing and Water Resources (OPHRH) working will level the
central region providing services to the state and non-governmental institutions or organizations.
He portrays on testing performed to different materials of construction for different construction
companies. The activities took place in a six month intervals during working hours of eight (8)
hours per day. Basically are carried out by that company studies and soil testing and concrete, the
realization of these is "in situ" or expedition. When performed in the work of local hires is a
specialist of this company to move to the effect of site and conduct such testing, when performed
in the form of hours, the construction company collects and prepares the test sample and submit
to the lab only for this purpose.

Keyword: Test, Valuation, Resistance, Construction Materials.

IV
ÍNDICE
AGRADECIMENTOS ...............................................................................................................................................II

RESUMO................................................................................................................................................................... III

ABSTRACT .............................................................................................................................................................. IV

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................................1
1.1. Apresentação ................................................................................................................................................1
1.2. Caracterização da Empresa .........................................................................................................................3
1.3. Organograma do LEM .................................................................................................................................5
1.4. Actividades Realizadas no LEM ...................................................................................................................6
1.5. Actividades realizadas no período de estágio ..............................................................................................8

2. ÁREA DE ESTUDOS GEOTÉCNICOS E DE SOLOS ..................................................................................9


2.1. Estudo das propriedades básicas dos Solos .................................................................................................9
2.2. Caracterização granulométrica dos Solos ................................................................................................. 10
2.3. Índices de consistência ............................................................................................................................... 15
2.3.1 Limite Liquido ........................................................................................................................................... 15
2.3.2 Limite de Plasticidade ................................................................................................................................ 16
2.4. Ensaio de Compactação ............................................................................................................................. 17
2.5. Ensaio CBR (“California Bearing Ratio”) ................................................................................................ 21
2.6. Controlo de compactação .......................................................................................................................... 24
2.7. Considerações gerais da área de solo ....................................................................................................... 27

3. ÁREA DE ESTUDO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E BETÃO .................................................. 27


3.1. Ensaios realizados aos agregados do betão .............................................................................................. 27
3.1.1 Massa Volúmica......................................................................................................................................... 28
3.1.2 Capacidade de Absorção ............................................................................................................................ 29
3.1.3 Baridade e volume de vazios ..................................................................................................................... 30
3.1.4 Análise do Ciclo de Vida do material (ACV) pelo método de esmagamento; ........................................... 30
3.1.4 Ensaio de Los Angeles ............................................................................................................................... 33
3.2. Estudo de betão .......................................................................................................................................... 37

4. CONCLUSÃO ................................................................................................................................................... 46

5. RECOMENDAÇÕES ....................................................................................................................................... 47

6. REFERENCIAS ................................................................................................................................................ 48

7. ANEXOS ............................................................................................................................................................ 49

V
ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1Organograma do LEM .................................................................................................................. 5


Figura 2.2: Peneiros de crivagem de solos para a análise granulométrica (LEM-DB 09.2015) ................. 11
Figura 2.3: Crivagem de Solos( LEM-DB 09.2015) ................................................................................... 11
Figura 2.4: Material Crivado (LEM-DB 09.2015) ...................................................................................... 13
Figura 2.5: Curva granulométrica cumulativa (Adaptado) ......................................................................... 14
Figura 2.6:Equipamentos utilizados na realização do ensaio de determinação do Limite Liquido dos Solos
(LEM-DB 08.2015)..................................................................................................................................... 15
Figura 2.7: Determinação do limite de liquidez (Adaptado)....................................................................... 16
Figura 2.8:Curva de Compactação (Adaptado)........................................................................................... 17
Figura 2.9: Equipamentos utilizados no ensaio de compactação (moldes, pilão e rasoira) (SANTOS, 2008)
.................................................................................................................................................................... 19
Figura 2.10: Realização de ensaio de compactação pelo método de Proctor (LEM-DB 10.2015) ............. 20
Figura 2. 11: Máquina de prensagem de corpos de prova no ensaio de CBR (LEM-DB 10.2015) ............ 22
Figura 2.12: Curva da relação (pressão x deformação) de solos na máquina de CBR (SANTANA 1995) 23
Figura 2.13: Gráfico de fixação do CBR do projecto (SANTANA 1995) .................................................. 24
Figura 2.14: Ensaio Garrafa de Areia. (www.materialstestingequip.com, Setembro de 2015) .................. 25
Figura 2.15: Fixação da base metálica para a realização de ensaio da garrafa de areia .............................. 26
Figura 2.16: Abertura de poço para a realização de ensaio de garrafa de areia (Aterro de armazém,
Pioneiros. Beira 08.2015) ........................................................................................................................... 26
Figura 3.17: Corte transversal do recipiente e esmagador (Coutinho 1999unpd NP-1039, 1974) ............. 31
Figura 3.18: Equipamento utilizado no ensaio de esmagamento: C- êmbolo, A- manga de aço, B- chapa
de aço (LEM-DB 09.2015). ........................................................................................................................ 32
Figura 3.19: Ensaio de esmagamento do agregado (Coutinho, 1988). ....................................................... 32
Figura 3.20: Característica granular dos inertes e a curva de referência de Faury...................................... 39
Figura 3.21:Percentagem dos agregados ..................................................................................................... 41
Figura 3.22: Curva da Mistura .................................................................................................................... 45

VI
ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 2.1: -Indicativo das características dos Ensaios Proctor (E197 - LNEC 1966). .............................. 18
Tabela 2.2: Graduação para ensaio (DNER-ME 035/98) ........................................................................... 34
Tabela 2.3: Carga abrasiva (DNER-ME 035/98) ........................................................................................ 35
Tabela 3.4: Analise Granulométrica do material de estudo de betão .......................................................... 37
Tabela 3.5: Análise física dos agregados .................................................................................................... 38
Tabela 3.6: Dados para o traçado da curva de Faury .................................................................................. 40
Tabela 3.7: Percentagem dos agregados ..................................................................................................... 41
Tabela 3.8:cálculo de volume absoluto dos inertes para os diferentes casos de dosagem de cimento
considerados................................................................................................................................................ 42
Tabela 3.9: Percentagens de volumes absolutos dos inertes e das massas volúmicas da composição ....... 42
Tabela 3.10: Resultados da baridade determinadas no laboratório ............................................................. 43
Tabela 3.11: Resultados da tensão de rotura de provetes cubicas moldados laboratorialmente e respectiva
correção da água da mistura ........................................................................................................................ 44
Tabela 3.12: Percentagem dos agregados na Composição final da mistura corrigida ................................ 44
Tabela 3.13: Elementos para o traçado da curva real do betão ................................................................... 44

VII
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

LEM-DB – Laboratório de Engenharia de Moçambique – Delegação da Beira

ASTM - American Society for Testing and Materials

LINEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil

DNER-ME – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – Método de Ensaio

NP – Norma Portuguesa

ISC – Índice de Suporte Californiano

USA – Unit Stat of America

m – Metros

mm – Milímetros

kg– Quilogramas

g – Gramas

N0/n0– Numero

N – Newton

Mf – Modulo de Finura

D – Diâmetro

R – Raio

Pc – Percentagem do Cimento

Va – Volume de Amassadora

Vi – Volume do Inerte

Vv – Volume de Vazios

Vc – Volume de Cimento

T – Total

MPa – Mega Pascais

ACV – Avaliação de Ciclo de Vida

VIII
DCP – Density of Cone penetration

CBR – Califórnia Bearing Ratio

C – Graus Célsius
o

# - Número de Abertura de Peneiro

Cm – Centímetros

% - Percentagem

max – Máximo

opt.– Óptimo

gf – Grama-força

tf – Tonelada-força

pol – Polegadas

min – Minutos

CP – Corpo de Prova

l – Litro

d – Distancia

h – altura

l–largura

e – Espessura

Eq. – Equação

IX
1. INTRODUÇÃO

1.1. Apresentação

Para a conclusão de um determinado curso na Universidade Zambeze, o plano curricular abre a


possibilidade de realização de dois diferentes tipos de trabalhos finais do curso, sendo um deles a
realização de um estágio e a elaboração do seu respectivo relatório. Entretanto este trabalho
retrata aspectos técnicos, científicos e profissionais adquiridos em um estágio efectuado no
laboratório de Engenharia de Moçambique delegação da Beira.

O estágio teve como objectivo conciliar aspectos científicos estudados e abordados no decorrer
do curso com a realidade prática, com maior enfoque ao que concerne a avaliação e controle de
qualidade dos materiais de construção efectuados na cidade da Beira, pós isto constitui a área de
realização deste estágio.

Laboratório é tido como um local destinado ao estudo experimental de qualquer ramo da ciência, ou à
aplicação dos conhecimentos científicos com objectivo prático. Na construção civil, o laboratório
tem como objectivo efectuar estudos de materiais e técnicas de construção que serão empregues
em suas obras. Nos materiais tem-se como objectivo conhecer as suas propriedades físicas,
químicas e mecânicas para o seu melhor emprego, explorando as suas vantagens e nas técnicas
tem-se como foco a escolha de um modelo construtivo eficiente.

Para a realização do estágio nesta empresa baseou-se em pedido formal efectuado a mesma, com
a comprovação documentada pela direcção da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade Zambeze para a conclusão da formação em engenharia civil.

Este estágio teve o seu início no dia 19 de Agosto de 2015, com duração de 3 (três) meses, com
carga horária diária de 8 (oito) horas de tempo com seu início as 7 horas e 30 minutos da manha
(07:30 PM).

Por se tratar de uma empresa de prestação de serviços e pela repetibilidade das actividades nela
efectuada, este documento vai debruçar de forma resumida as actividades que foram realizadas
nesse intervalo de tempo, destacando-se as primordiais e descrevendo-se os mecanismos e
procedimentos de execução de cada uma delas. Na sequência é apresentado o desenvolvimento

1
do tema, contendo a descrição e documentação de todas as actividades desenvolvidas. Nas
considerações finais descrevo minhas avaliações e conclusões quanto à experiência vivida e, por
último, são apresentados os anexos.

2
1.2. Caracterização da Empresa
O LEM é uma instituição estatal ligada a ramo de construção civil, que realiza ensaios e estudos
de matérias de construção civil a diversas empresas e organizações, dentre elas privadas e
estatais. O seu surgimento baseou-se na necessidade de melhor controlar as qualidades das
construções em Moçambique.
Consta nos arquivos desta instituição que no ano de 1947 foi criado um laboratório de
engenharia para prestar serviços de apoio para as obras públicas. O Diploma Legislativo
Ministerial Nº87 (de 26 de Outubro de 1961) publicado no Boletim Oficial de Angola foi
adoptado em Moçambique a 5 de Março de 1963, através da publicação da Portaria Nº 19757.
Esta conferia ao Laboratório de Engenharia de Moçambique uma organização e função oficiais
iguais às do Laboratório de Engenharia de Angola.

A 11 de Janeiro de 1964, o Laboratório de Engenharia de Moçambique foi reconhecido


oficialmente como Laboratório de Ensaios de Materiais e Mecânica do Solo através da
publicação em Boletim Oficial do Diploma Legislativo Nº 2442. Este Diploma definiu a
organização e as funções do laboratório.

A 4 de Julho de 1970 foi criado o Laboratório de Engenharia de Moçambique (LEM) através da


publicação oficial do Decreto Nº 287/70 no Boletim Oficial de Moçambique (Apêndice D). Esse
Decreto dotou o laboratório de um quadro organizacional completo e conferiu-lhe uma maior
autonomia administrativa e financeira. O Decreto 287/70 ainda estabelece os termos de
referência oficiais do LEM. Os objectivos primários da LEM baseavam-se no seguinte:

 Realizar, promover e coordenar a pesquisas e os estudos experimentais no campo da


engenharia civil, tanto por iniciativa própria como por solicitação de entidades públicas ou
privadas;
 Colaborar com instituições de ensino na preparação de pessoal técnico em diferentes níveis
de especialização.

A 9 de Junho de 1998 foi alterado o Estatuto Orgânico do LEM através da publicação oficial, no
Boletim da República (I Série, Número 22, 5º Suplemento), do Decreto nº 28/98 de 9 de Junho.
Este documento determinou que:

3
 A finalidade do LEM é garantir a investigação, homologação e controlo de qualidade no
domínio da engenharia civil e dos materiais de construção, especialmente em relação as obras
públicas;
 O LEM tem por atribuições empreender, coordenar, homologar os resultados da investigação
e os estudos experimentais no campo de engenharia civil e dos materiais de construção e
colaborar com estabelecimentos de ensino na preparação do pessoal técnico dos vários graus
de especialização e revisão dos curricula respectivos.

No principio do ano 1994 devido a demanda das construções e pela necessidade de responder a
demanda dos seus serviços a nível nacional, cria-se na cidade da Beira uma delegação desta
instituição, que passou a realizar suas actividades em estabelecimentos provisórios no instituto
industrial e comercial da Beira, situado no Matacuane, passando para estabelecimentos próprios
no primeiro semestre do ano 2012.

Os aspectos sociais, éticos e políticos que regulam e caracterizam está instituição são resumidos
nos seguintes contextos:

Ramo: Construção Civil.

Visão: Ser um modelo de excelência empresarial na realização de ensaios laboratoriais.

Missão: Crescer e bem se posicionar no ramo da engenharia, garantindo segurança nas construções em
toda vida útil.

Missão: Prestação de serviços a diversas empresas do mesmo ramo, realizando estudos e ensaios de
materiais de construção.

Valores: Actuação ética e transparente, comprometida com a satisfação dos clientes, dos colaboradores e
da sociedade de um modo geral na apresentação de estudos eficientes e eficazes.

Os princípios que regem esta instituição são:

 Apresentar resultados fiéis dos ensaios;


 Velar pelas regras laboratoriais fundamentais na realização de qualquer ensaio;
 Aplicar princípios e regulamentos actualizados de materiais de construção em vigor no país
para realização dos ensaios;
 Assegurar a qualidade dos serviço, criando confiança nos clientes e duração das mais
variadas construções do país.

4
1.3. Organograma do LEM
O LEM contando apenas com uma delegação na região centro ao qual é o ponto da realização do
estágio, trabalha de forma conjunta com a central em Maputo. Deste modo ele conta com a
seguinte distribuição hierárquica dos efectivos. Nota-se que alguns sectores representados neste
esquema ainda não foram estruturados.

C.A

Direccção

CT

DMCE DGVC D.BEL DARH DJ

R.AB.M D.MCE R.CMP D.G D.VC D.H D.AF R.RH

D.Q R.SEL R.PT R.MGP

R.M.Q SEC R.C.O

R.DTI

Figura 1.1Organograma do LEM

Legenda:
CA – Conselho de Administração (Extra estrutura presente no organograma é a regulamentada).

CT – Conselho Técnico (neste momento ainda não está em funcionamento).

Em seguida apresentam-se os sectores técnicos existentes actualmente:

DMCE – Direcção de Materiais de Construção e estruturas

DMCE – Departamento de Materiais de Construção e estruturas

DGVC – Direcção de Geotécnica e vias de comunicação

DVC – Departamento de vias de comunicação

DARH – Direcção de Administração e Recursos Humanos

DG – Departamento de Geotecnia

5
DJ – Departamento Jurídico

DQ – Departamento de química

O Conselho de Administração é o Órgão colegial de gestão administrativo-financeira da


instituição;

O Conselho de Administração do LEM é constituído por 5 membros, nomeados pelo Ministro


das Obras Públicas e Habitação:

 Um técnico do LEM com formação superior na área de Engenharia Civil;


 Um técnico com formação superior em representação do Ministério das Obras Públicas e
Habitação;
 Um técnico com formação superior em representação do Instituto Nacional de Normalização
e Qualidade;
 Um docente em representação de instituições de ensino superior e investigação no âmbito da
engenharia Civil;
 Um representante dos consultores nacionais cuja actividade se desenvolve na área de
engenharia civil;

O Presidente do Conselho de Administração é nomeado pelo Ministro das Obras Públicas,


Habitação e Recursos Hídricos (OPHRH), dentre os membros do Conselho de Administração.

A LEM-DB conta com dois sectores (técnico e administrativo) com um total de 7 funcionários,
dentre os quais o sector administrativo conta com a área das finanças e recursos humanos e o
sector técnico conta com a área de estudos geotécnicos e solos e a área de estudo dos materiais
de construção (Betão).

O sector técnico e composto por 4 efectivos, dentre eles distribuídos dois técnicos para cada área.

1.4. Actividades Realizadas no LEM

O Laboratório de Engenharia de Moçambique desenvolve actividades ligadas ao controlo da


qualidade dos materiais de construção empregues em algumas obras públicas e privadas e de pré-
fabricados, nomeadamente, estudos e reconhecimentos geotécnicos, ensaios à compressão de
cubos de betão, ensaios mecânicos sobre metais, caracterização física e mecânica de inertes,

6
caracterização física e mecânica de cimentos, estudo da composição de betões, ensaios à flexão
de vigotas de betão, verificação da conformidade de betões através do esclerómetro e carotes de
betão, ensaios a compressão de blocos de argamassas, calibração de equipamentos de ensaios,
inspecção de bombas manuais Afridev, identificação e caracterização de solos, identificação e
caracterização de betume asfáltico, identificação e caracterização de inertes, controlo de
compactação método de sondas nucleares e de garrafa de areia, prospecção geotécnica de solos
no âmbito da reabilitação de ruas e projecto de ampliação da rede de abastecimento de água,
ensaios de penetração estática, estudo geotécnico, ensaios químicos e reconhecimento
geotécnico.

Alguns serviços expedidos a delegação da Beira são encaminhados a central em Maputo devido a
falta de certos equipamentos neste, criando deste modo um intercâmbio directo na realização de
certas actividades.

As principais actividades que são realizadas no LEM-DB divididas em suas duas principais
áreas, resumem-se no seguinte:

Na área de estudos geotécnicos e de solos são efectuadas as seguintes actividades:

 Reconhecimentos geotécnicos;
 Identificação e caracterização de solos;
 Caracterização granulométrica;
 Estudos de solos para compactação (Proctor e DCP);
 Estudos de capacidades e índices de consistência de solos;
 Controlo de compactação método de sondas nucleares (Trox) e de garrafa de areia;
 Prospecção geotécnica de solos no âmbito da reabilitação de ruas;

Na área de estudo dos materiais de construção e Betão são realizadas as seguintes:

 Ensaios à compressão de cubos de betão;


 Caracterização física e mecânica de inertes (ACV e Los Angels);
 Estudo da composição de betões;
 Ensaios a compressão de blocos de argamassas;
 Identificação e caracterização de inertes;

7
1.5. Actividades realizadas no período de estágio
A primeira semana foi marcada como sema de ambientalização, onde fui apresentado pelo
delegado da empresa o Sr. Manuel Sábado António os demais funcionários do laboratório e as
áreas existentes. Neste mesmo período foram citadas as regras de trabalho e os aspectos do
regulamento interno.

Apos a primeira semana, seguiu-se a fase da realização do estágio propriamente dita, com a
realização das atividades que eram diariamente expedidas por várias entidades empresariais e
individuais. Estas actividades foram realizadas no interior do LEM-DB, assim como nos o locais
de realização da obra da referida empresa expedidora.

Em função aos objectivos do estágio, a disponibilidade dos técnicos e a forma de realização das
actividades, adoptou-se a metodologia de realização conjunta das actividades em função das
requisições, sendo assim as actividades eram aleatórias corelação as duas áreas la existentes,
porem frequentemente os ensaios expedidos ao laboratório são recebidos pelo técnico
administrador das actividades, Sr. Manuel, que faz o registo dos mesmos e encaminha a área
responsável. Em seguida são realizados em prol da sequência de recepção, finalmente
encaminhado os resultados ao mesmo para a sua posterior organização e entrega ao respetivo
expedidor.

Nos dias em que se registam maior fluxo de expedição em um ensaio em uma área, os técnicos
de outras áreas apos a conclusão das suas actividades diárias auxiliam o outro sector para fazer
face a redução da quantidade das actividades de outras áreas e tornando eficiente o cumprimento
dos prazos.

Durante a realização deste estágio foram realizados com maior frequência ensaios de
compressão de cubos de betão na área de betão e controlo de compactação através do método da
garrafa de areia na área de solos.

Como diariamente são realizados pelo LEM-DB diariamente vários ensaio segundo a expedição
de seus clientes e várias vezes repetitivos diariamente, para melhor organização deste relatório,
serão apresentado e organizados em áreas os ensaios realizados na fase da realização deste
ensaio.

8
Baseando no modelo de realização de relatórios de estágios desta instituição e a regulamentação
em uso neste pais e pelo LEM-DB, a explicação de cada actividade ou ensaio realizado, se iram
citar as normativas aplicadas e auxiliar com bibliografias inerentes a estas actividades.

2. ÁREA DE ESTUDOS GEOTÉCNICOS E DE SOLOS

2.1. Estudo das propriedades básicas dos Solos


2.1.1 Identificação de solos

A identificação de uma amostra de solos engloba a análise granulométrica, conduzida segundo a


Especificação E 196 – 1966 do LNEC (LNEC 1966), e a determinação dos limites de
consistência, ensaio realizado segundo a NP – 143 (NP 1969) (norma portuguesa definitiva).
Sendo que o ramo de construção civil em Moçambique aplica maioritariamente regulamentos de
Portugal, deste modo o LEM-DB aplica também essas normas para identificação de solos.

2.1.2 Amostragem

A recolha de amostras de solo está descrita na Especificação E 218 do LNEC (LNEC 1968),
“Prospecção Geotécnica de Terrenos. Colheita de amostras”. A recolha de amostras remexidas
de solo para ensaios de identificação é feita com pás, picaretas, enxadas, etc. e, mais em
profundidade, com trados, manuais ou mecânicos. Na especificação referida são indicadas as
quantidades de solo a recolher para a realização dos ensaios de laboratório, sendo essa
quantidade função do tipo de solo e do ensaio a que se destina. As amostras recolhidas devem ser
devidamente identificadas, de acordo com a sua natureza e respectivo local de colheita, e
transportadas evitando perder qualquer material, especialmente finos (CORREIA 1980). Para
garantir a representatividade das amostras, deve usar-se um repartidor, ou seja, as amostras, nas
quantidades estritamente necessárias para os ensaios a realizar, devem manter as características
do conjunto de onde foram retiradas. A técnica de preparação das amostras para os ensaios de
identificação, tal como são recebidas do campo, é descrita na Especificação E 195 do LNEC
(LNEC 1966).

A colecta de solos para estudos ou ensaios no LEM-DB é efectuada por dois processos
independentes. O primeiro consiste em contratação de um técnico dessa empresa para o efeito e o

9
outro consiste na extracção da amostra pela empresa expeditória, esta segunda leva uma nota no
relatório e a maior parte das responsabilidades passam a pertencer a tal empresa visto que são
obedecidas certas regras para este processo.

2.1.3 Teor em água

Em Mecânica dos Solos, o teor em água dos solos (anteriormente referido) é definido como a
relação, expressa em percentagem, entre o peso de água que se evapora do provete por secagem à
temperatura de 105±3oC, e o peso do provete, depois de seco. Este ensaio é conduzido segundo a
NP-84 (NP 1965) e aplica-se a todos os tipos de solos. Sendo este ensaio, um ensaio de
reconhecimento de uma das propriedades de solos, para o seu resisto é acoplado a outros ensaios
que fazem num todo um certo estudo. Deve, no entanto, ter-se em atenção que no caso de solos
contendo matéria orgânica não se deve exceder uma temperatura de 60oC, visto que aquela pode
ser calcinada, diminuindo assim o peso real de solo seco. Por outro lado, nos solos contendo
gesso, as temperaturas elevadas podem contribuir para evaporar água de constituição deste
material (CORREIA1980).

2.1.4 Peso volúmico das partículas sólidas

O peso volúmico das partículas sólidas de um solo é o peso das partículas que ocupariam a
unidade de volume, depois de excluídos os vazios. Este ensaio é realizado segundo a NP-83 (NP
1965). A técnica de ensaio implica a utilização de um picnómetro e aplica-se apenas à
determinação do peso volúmico das partículas sólidas de um solo com dimensões inferiores a
4,76 mm. Para o efeito, a norma contempla 2 métodos: com secagem prévia do provete e sem
secagem prévia do provete, sendo este último o mais utilizado e utilizado também no LEM-DB.
Em geral todos os ensaios que compõem cada estudo são conjuntamente numa ficha em forma de
relatório final, contendo todos aspectos que ajudem a avaliar este solo.

2.2. Caracterização granulométrica dos Solos


A análise granulométrica serve para definir a composição granulométrica de um solo, ou seja,
determinar a distribuição, em percentagem, do peso total das partículas de uma amostra de um
solo, de acordo com as suas dimensões.

10
Figura 2.2: Peneiros de crivagem de solos para a análise granulométrica (LEM-DB 09.2015)

Em solos arenosos a peneiração é geralmente efectuada com o solo seco, enquanto que em solos
com maior fracção argilosa é realizada por via húmida.

Figura 2.3: Crivagem de Solos (LEM-DB 09.2015)

11
A sequência de realização deste ensaio, compreende os seguintes procedimentos:

1) Colecta-se pelo menos 20kgs do solo de forma cuidadosa e esquartejada, transporta-se ao


laboratório;
2) Em caso de solos com maior quantidade de finos e partículas orgânicas, submete-se a uma
preparação antecipada, lavando o solo para libertar as argilas (material que passa do #200) e
proporções orgânicas.
3) Submete-se na estufa num período de 24horas para libertar a humidade (em caso de solos
arenosos ou com partículas granulares maiores);
4) Submete-se no processo de preparação que consiste no esmagamento dos terrões;
5) Após a preparação da amostra, faz-se passar uma porção de solo, de peso conhecido, por
uma série normalizada de peneiros de malha (quadrada) de dimensões crescentes.
O material retido num determinado peneiro representa a fracção do solo com dimensão superior
à da malha desse peneiro, mas inferior à do peneiro precedente.
6) Esse material é pesado para averiguar que percentagem representa do peso total da amostra,
ou seja, as fracções retidas nos diversos peneiros são referidas ao peso total inicial (com
esses valores percentuais, preenche-se na ficha do Anexo Ie automaticamente tem-se a curva
granulométrica).
As análises granulométricas da fracção retida no peneiro de 2,00 mm (nº 10) e da fracção
passada no mesmo peneiro, são efectuadas separadamente: para as partículas de maiores
dimensões, maiores que 0,06 mm e menores que 2,00 mm, o método que se usa para a
determinação da composição granulométrica é ainda o da peneiração; para as partículas de
dimensões muito reduzidas, passadas no peneiro de 0,074 mm (nº 200), a análise granulométrica
é, em regra, realizada por sedimentação.

12
Figura 2.4: Material Crivado (LEM-DB 09.2015)

Processo de sedimentação

O processo de sedimentação consiste em misturar o solo com água destilada e, segundo a


especificação LNEC E 196-1966, o ensaio é feito medindo a densidade do líquido em certos
intervalos de tempo, segundo a lei de Stokes. A diferença de densidades medirá a quantidade de
partículas que sedimentaram ao fim de um certo tempo t. Este método implica uma calibração
prévia do densímetro com a proveta que irá ser utilizada. É ainda necessário que o solo esteja
convenientemente desfloculado, isto é, que as partículas estejam separadas umas das outras, para
que possam cair livremente e individualmente. Caso tal não aconteça, os flocos sedimentarão
muito mais depressa, falseando a distribuição granulométrica. A desfloculação ou dispersão
consiste em remover os materiais de agregação (cimentos), o que é conseguido adicionando à
mistura solo-água determinados produtos químicos designados por anti floculantes (solução de
hexametafosfato de sódio). O principal cimento a remover nos solos das regiões temperadas é a
matéria orgânica. Quando haja carbonatos nos solos, estes actuam também como cimentos.

Por outro lado, a lei de Stokes aplica-se a partículas esféricas. No entanto, muitas das partículas
mais pequenas - precisamente aquelas cujas dimensões são determinadas usando o processo de
sedimentação - têm uma forma muito diferente da esférica. Assim, o que acaba por ser
determinado pelo processo da sedimentação não é verdadeiramente o diâmetro da partícula mas
o diâmetro equivalente, ou seja, o diâmetro de uma esfera do mesmo material que a partícula e
que sedimenta com a mesma velocidade desta.

13
A análise granulométrica da fracção fina do solo pelo método de sedimentação, além de ser
susceptível de erros mais ou menos apreciáveis, é muito pouco cómoda e extremamente morosa.
É pois de saudar a divulgação recente de aparelhos (granulómetros) que por meio de técnicas
usando raios laser, fornecem a composição granulométrica da fracção fina de forma muitíssimo
mais rápida.

É de realçar que o ensaio dos finos não foi efectuado durante o estágio, pós muitas empresas
construtoras geralmente requisitam estudos para solos granulares, mas o mecanismo usado para
determinar a quantidade de finos nesses solos é efectuado pela lavagem do mesmo e pelo cálculo
do percentual através da diferença dos pesos antes e depois da lavagem pelo peso inicial. E após
a representação da curva granulométrica, também determina-se o módulo de finura que dá uma
noção da quantidade de finos na mistura.

Abaixo segue-se um exemplo de curva granulométrica cumulativa, em que as dimensões das


partículas (em mm) são representadas em abcissas, em escala logarítmica, enquanto as
percentagens (em peso) de material com partículas inferiores a uma determinada dimensão
surgem em ordenadas. Assim, um determinado valor da curva obtém-se da soma de todos os
outros valores que lhe são inferiores.

Figura 2.5: Curva granulométrica cumulativa (Adaptado)

14
2.3. Índices de consistência
A determinação destes limites é somente aplicável a solos com cerca de 30% ou mais, em peso,
de partículas inferiores a 0,05 mm, excluindo-se portanto os solos predominantemente arenosos.
Para a execução dos ensaios empregam-se pastas constituídas unicamente com a fracção que
passa no peneiro nº 40 (0,42 mm). O resumo deste estudo para cada amostra de solo é
apresentado em forma de relatório numa certa ficha como no exemplo do anexo II.

2.3.1 Limite Liquido

Figura 2.6:Equipamentos utilizados na realização do ensaio de determinação do Limite Liquido dos


Solos (LEM-DB 08.2015)

A realização deste ensaio compreende os seguintes procedimentos:

1) Uma porção de pasta de solo húmida é colocada na concha de Casa-grande e é traçado um


sulco com o riscador normalizado.
2) Por meio de uma manivela, a concha sobe a uma altura de 1 cm e cai depois livremente sobre
um bloco rígido.

O solo encontra-se no limite de liquidez, quando são necessárias vinte e cinco pancadas para
fechar o sulco. É porém difícil ajustar a quantidade de água de amassadura, para que o sulco do
riscador feche na extensão de 1 cm, precisamente ao fim de 25 pancadas. Por isso amassam-se
quatro porções de solo com diferentes quantidades de água e determina-se na concha de

15
Casagrande, o número de pancadas para as quais, em cada ensaio, os bordos se unem na extensão
de 1 cm.

3) De cada ensaio retira-se uma porção de solo, da região em que os bordos se uniram,
determinando-se os respectivos teores em água.

Dispondo-se destes resultados são unidos os pontos correspondentes aos ensaios efectuados,
segundo uma recta, numa representação semi-logarítmica.

Figura 2.7: Determinação do limite de liquidez (Adaptado)

(Em ordenada os teores em água e em abcissas os logaritmos dos números de pancadas. A


ordenada correspondente a 25 pancadas indica o teor em água que define o limite de liquidez.)

2.3.2 Limite de Plasticidade


O limite de plasticidade é o menor teor em água com que ainda é possível moldar um cilindro de
solo de 3 mm de diâmetro e pelo menos 6cm de comprimento, por rolagem entre a palma da mão
e uma placa de vidro. Este processo obedece a seguinte sequência:

1) Com uma pasta de solo húmido procura-se obter um filamento que rompa ao atingir 3 mm de
diâmetro rolando entre a palma da mão e uma placa de vidro.
2) Se não parte, faz-se uma pequena bola e repete-se o ensaio (a pasta vai entretanto secando)
tantas vezes quantas as necessárias para que a rotura se verifique ao atingir-se o diâmetro
especificado.

16
3) Realiza-se o ensaio em mais três provetes, sendo o limite de plasticidade a média dos quatro
teores em água assim determinados.

2.4. Ensaio de Compactação


Em meados dos anos 30, PROCTOR procurou-se aprimorar a técnica da compactação, com os
primeiros trabalhos sobre a compactação de aterros. Estes trabalhos permitiram uma grande
evolução nas técnicas de compactação, que antes eram realizados de forma empírica sem
qualquer fundamento técnico. Proctor desenvolveu um ensaio dinâmico para a determinação
experimental da curva de compactação, representada pela relação peso volúmico seco e teor de
humidade.

Observou que o peso volúmico, resultante da aplicação de uma determinada energia de


compactação, é função do teor de humidade do solo. Para cada teor de humidade, obtêm-se uma
maior ou menor eficiência do efeito de compactação na densidade do solo. Isto deve-se
essencialmente ao efeito de atrito entre a água e as partículas. A adição de água no solo reduz as
forças capilares, a resistência ao atrito e resistência ao corte do solo. Para humidades muito
baixas, o atrito é alto o que prejudica a redução de vazios. Á medida que aumenta o teor de
humidade, verifica-se que há um efeito de lubrificação entre os grãos, o que facilita a saída do ar
que se encontra no solo, em forma de canículas intercomunicados. Segundo Proctor, a partir de
um determinado teor de humidade, a água impede a expulsão do ar, não reduz o atrito nem
influencia o rearranjo de partículas do solo, não sendo obtido qualquer acréscimo de densidade
(RIBEIRO 2008). Há, portanto, para uma dada energia, uma densidade máxima que é obtida para
um certo teor de humidade, designado como o teor de humidade óptimo, representativo da
relação ideal entre solo, água e ar conforme a Figura 2.8.

Figura 2.8:Curva de Compactação (Adaptado)


[Peso Volúmico máximo (γdmax). Teor de Humidade Óptimo (Wop)]

17
Este ensaio é conduzido segundo a especificação do E197 (LNEC 1966). Consoante a energia de
compactação, assim se definem dois tipos de ensaio: Proctor normal e Proctor modificado. O
tamanho do molde é função da granulometria do material a ensaiar: o molde pequeno é utilizado
quando a percentagem de material retido no peneiro nº 4 não é superior a 20%. O molde grande
aplica-se em todos os casos, excepto se a percentagem retida no peneiro de 19 mm for superior a
20%. Neste caso, a especificação considera que o ensaio de compactação não tem significado.

O ensaio consiste basicamente em compactar uma amostra de solo, num molde cilíndrico, em 3
ou 5 camadas, consoante o tamanho do molde. Cada camada é compactada com 25 ou 55
pancadas, com o pilão de compactação, de peso normalizado, leve (2,5 kg) ou pesado (4,5 kg),
consoante o tipo de compactação utilizada. A amostra de solo é assim compactada utilizando
uma energia de compactação normalizada. O peso do solo contido no molde é calculado,
determinando-se o seu teor em água, podendo então deduzir-se o seu peso volúmico seco. O
ensaio é repetido várias vezes (normalmente cinco), aumentando-se gradualmente o teor em água
da amostra até se obter uma gama de teores em água que inclua o óptimo. É traçada a curva de
compactação, colocando em abcissas os teores em água e em ordenadas os correspondentes
pesos volúmicos secos.

Tabela 2.1: -Indicativo das características dos Ensaios Proctor (E197 - LNEC 1966).

18
Figura 2.9: Equipamentos utilizados no ensaio de compactação (moldes, pilão e rasoira) (SANTOS, 2008)

Não é frequente a realização deste ensaio porque muitas empresas realizam individualmente,
procurando os serviços do LEM para o controlo da compactação. E este fato também deve-se a
menor realização de obras de estradas e terraplenagem, onde basicamente este ensaio é aplicado.

No LEM-DB geralmente é aplicado o ensaio de Proctor modificado, sendo este geralmente


realizado no laboratório, sendo o DCP o Proctor realizado no campo.

Exemplo de procedimentos de um Ensaio modificado de compactação.


Os materiais que são utilizados nesse tipo de ensaio são os seguintes:
 Molde. Volume = 1,814litros
 Pilão. Massa = 4,54kg; altura de queda = 47.5 cm
 Balanças com sensibilidade e que permitam pesar nominalmente 20Kgf, 1500gf e 200gf com
resolução de 1gf, 0,1gf e 0,01gf respectivamente;
 Estufa capaz de manter a temperatura entre 105 e 110ºC;
 Cápsulas metálicas para determinação da humidade;
 Bandejas metálicas de 75 x 50 x 5 cm;
 Régua biselada com comprimento de 30 cm / rasoira;
 Recipiente plástico ou metálico com capacidade de 2litros para armazenamento de água.

19
Figura 2.10: Realização de ensaio de compactação pelo método de Proctor (LEM-DB 10.2015)

Os procedimentos desse ensaio são resumidos no seguinte:


1) Colecta-se a amostra no campo em pontos separados para criar precisão nos resultados,
pelo menos 30kgs (trabalho efectuado por técnico especializado);
2) Pesa-se o molde e uma tara;
3) Transportado o solo para o laboratório, humedece-se com 5% da humidade óptima
estimada em torno de limite de plasticidade, coloca-se no molde uma camada equivalente a 1/5
da atura do molde;
4) Com o pilão e a altura de queda, efectuam-se 55golpes ate concluir-se as 5 camadas;
5) Com o material compactado desmonta-se o molde, aplaina-se as bases e pesa-se;
6) Retira-se uma parte da amostra e submete-se em uma tara para determinação da
humidade;
7) Pesa-se a tara com a amostra no interior e submete-se na estufa;
8) Retira-se a amostra após 24horas e pesa-se;
9) Repete-se este processo 5 vezes preenchendo a ficha do Anexo III com os valores;

Com os valores preenchidos na tabela e com as fórmulas deste ensaio traça-se a curva de
compactação.

20
As fichas de preenchimentos destes resultados são formuladas num formato automático com o
programa Microsoft Excel para dinamizar o processo e facilitar o traçado do gráfico da curva de
compactação e a determinação da humidade óptima, como no exemplo demostrado na ficha do
anexo III.

2.5. Ensaio CBR (“California Bearing Ratio”)

Também designado ensaio de suporte californiano, ou ensaio Californiana, foi introduzido pela
primeira vez por Porter no ano 1929. Tem como objectivos fornecer o índice de resistência do
solo compactado. (Índice de Suporte Califórnia – ISC) LNEC E198 -1967. Este ensaio é
considerado específico no dimensionamento nos projectos viários.

Esse ensaio foi concebido pelo Departamento de Estradas de Rodagem da Califórnia (USA) para
avaliar a resistência dos solos.

No ensaio de CBR, é medida a resistência à penetração de uma amostra saturada compactada


segundo o método Proctor. Para essa finalidade, um pistão com secção transversal de 3 pol2
penetra na amostra à uma velocidade de 0,05 pol/min. O valor da resistência à penetração é
computado em percentagem, sendo que 100% é o valor correspondente à penetração em uma
amostra de brita graduada de elevada qualidade que foi adoptada como padrão de referência.

21
Figura 2. 11: Máquina de prensagem de corpos de prova no ensaio de CBR (LEM-DB 10.2015)

A realização deste ensaio parte de uma sequência de três procedimentos importantes:

1º. Ensaio de Compactação;


2º. Ensaio de expansão;
3º. Determinação do índice de suporte (CBR)

Ensaio de compactação

O ensaio de compactação é realizado em função das regras antes expostas, mas neste ensaio é
realizado para três corpos de provas, mantendo-os com os moldes e intactos após a compactação.

Ensaio de expansão

O ensaio de expansão é dado como a medida da expansão do material devido a absorção da agua,
colocado em imersão os corpos de prova CPs (moldados com a humidade óptima).

1) Sobre os três corpos de prova (ainda no molde) são adicionados anéis de sobrecarga (≥4,5kg,
em geral 5kg) para simular o peso do pavimento;
2) É submetido em imersão total por 4 dias;

22
3) Em extensómetros isolados é media a expansão do solo ao longo de período de extensão (a
cada 24h). o resultado é expresso em percentagem da atura inicial do corpo de prova (CP).

O limite de expansão aceites em aterros rodoviários é de 1 a 3% (dependendo da função da


camada).

Determinação do CBR

1) Os três corpos de prova imersos são sujeitos a puncionamento na prensa do CBR – pistão
cilíndrico de 5cm de diâmetro a uma velocidade de 1,25mm por minuto.
2) Mede-se a pressão aplicada (manómetro ou anel dinamómetro) e as respectivas deformações.
3) Com esses dois resultados proporcionais traça-se a curva CBR.

Figura 2.12: Curva da relação (pressão x deformação) de solos na máquina de CBR (SANTANA 1995)

CBR – relação entre a carga necessária para deformação de 0,1” ou 0,2” do material ensaiado e
acarga obtida para pedra britada: 70 e 105kgf/cm2 respectivamente. Adopta-se o maior valor.

P0,1" P0,2"
CBR = . 100% 𝑜𝑢 CBR = . 100% (Eq. 1;2)
70 105

CBR para projecto – é aplicado o valor para 95% doγ𝑑max do gráfico γ𝑑 x CBRpara os 3 corpos de
prova.

23
Figura 2.13: Gráfico de fixação do CBR do projecto (SANTANA 1995)

É realizado este ensaio com menor frequência no LEM-DB, podendo somente aparecer
requisições uma vez a cada 2 meses.

2.6. Controlo de compactação


Os ensaios para controlo de compactação in situ, dividem-se em dois grandes grupos, os
destrutivos e não destrutivos.

O não destrutivo temos como o mais vulgar o ensaio radioactivo (Trox).

Dentro dos ensaios destrutivos, temos:

 Método da garrafa de areia;


 Método do balão ou densímetro de membrana;
 Método do volume de água deslocado;
 Extractor ou anel volumétrico;

O método garrafa de areia é o método destrutivo mais utilizado no nosso país. Este método
descrito pela especificação LNEC E-204, consiste em determinar o volume de cavidades abertas
no terreno. Pela relação do peso de solo retirado e do teor de humidade determinado, é possível
determinar o peso volúmico seco.

O método do balão, é outro dos métodos destrutivos também utilizados que requer a abertura de
uma cavidade no solo. Não existe especificação própria nacional para este ensaio. Deve-se seguir
a norma ASTM D-1556. Não deve ser aplicado em solos poucos consistentes, porque a pressão
exercida pelo balão pode alterar o volume da cavidade.

24
O método do volume de água deslocado encontra-se descrito na especificação LNEC E-205. É
aplicável em solos com alguma coesão. Este método consiste em determinar o volume de uma
amostra colhida no terreno revestido em parafina, e a sua pesagem. A determinação do teor de
humidade do solo colhido permite a determinação do peso volúmico seco.

O Trox tem maiores vantagens ao ponto de vista de nível de precisão, mas o custo de aquisição
do equipamento e a manutenção acarretam custos elevados comparativamente aos ensaios
destrutíveis. Alem destes factores, também o seu uso constitui um risco a saúde do utilizador.

No LEM-DB aplica-se com maior frequência o ensaio da garrafa de areia, pelas vantagens do
antes exposto.

Ensaio de Garrafa de Areia

Figura 2.14: Ensaio Garrafa de Areia. (www.materialstestingequip.com, Setembro de 2015)

Os materiais para a realização deste ensaio são:

 Cone com 15cm de diâmetro de base;


 Garrafa de areia (características regulamentadas);
 Colher escavadora com dimensões regulares para abrir um poço de 15cm de diâmetro;
 Base com abertura de 15cm para assentar o cone;
 Colher de pedreiro;
 Escopo para solo duro;
 Martelo;

25
 Saco de areia seca, fina (que passa no #40), em suma laboratorialmente calibrada;
 Plástico para conservar material a extrair;
 Pincel;
 Tara para levar parte da amostra para estudo de teor de humidade;
 Fixadores de base (geralmente varões com comprimento de 10cm);

Figura 2.15: Fixação da base metálica para a realização de ensaio da garrafa de areia

(Aterro de armazém, Pioneiros. Beira 08.2015)

Figura 2.16: Abertura de poço para a realização de ensaio de garrafa de areia (Aterro de armazém,
Pioneiros. Beira 08.2015)

26
Segue-se como procedimentos para a realização deste ensaio os seguintes passos:

1º. Fixa-se a base em conformidade com o esquema de ensaio traçado. Os perfis são
esquematizados num plano com vista a abranger toda a área compactada;
2º. Escava-se á partir da base metálica, uma profundidade de 15cm sem se perder parte do
material escavado nem a humidade do solo escavado e pesa-se;
3º. Enche-se a garrafa com a areia calibrada e pesa-se;
4º. Fecha-se a válvula do cone e conecta-se a parte superior do cone com a garrafa;
5º. Assenta-se o conjunto na base metálica sobre o poço e abre-se a válvula deixando jorrar
gravitacionalmente a areia no buraco;
6º. Quando o poço fica completamente cheio e o cone também, fecha-se a válvula, retira-se a
garrafa e pesa-se a sobra;
7º. Esquarteja-se o solo escavado neste poço e retira-se em partes submetendo-se na tara para
estudos de teor de humidade;
8º. Finalmente recolhe-se o material e segue-se o mesmo processo para todos os poços do
esquema e durante este processo anota-se estes dados numa ficha como a do anexo IV.

2.7. Considerações gerais da área de solo


Nesta área o ensaio mais frequente é o de controlo de compactação, podendo várias empresas
expedindo estes serviços para obras de estradas, terraplenagem em áreas de construção de
edificações, vias férreas, entre outras.

3. ÁREA DE ESTUDO DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E BETÃO

No que concerne a actividades desta área, é de referir que são efectuados somente estudos de
betão e ensaios particularizados das demais fases do fabrico deste. Geralmente para esta área o
ensaio que é efectuado no local da execução da obra é o de controlo de trabalhabilidade pelo
abaixamento do cone de Abrams.

3.1. Ensaios realizados aos agregados do betão


Para os agregados de betão são efectuados geralmente os seguintes ensaios:

27
Análise granulométrica das partículas;

Massa volúmica;

Capacidade de absorção;

Análise do Ciclo de Vida do material (ACV);

Analise ao esmagamento na máquina de Los Angeles;

3.1.1 Massa Volúmica


É a relação entre a massa de um corpo e o seu volume.
Aplicada ao inerte refere-se à massa volúmica das partículas individuais, e não a massa agregada
em conjunto.
O inerte para composição do betão não deve estar seco, pois nesta condição os poros em contacto
com o exterior, por meio dos capilares, absorverão água da pasta de cimento, não contribuindo
para suas reacções de hidratação, alterando ao mesmo tempo a trabalhabilidade.
Para que o inerte não aumente nem absorva a água da amassadura, deve estar saturado de água
com a sua superfície seca (sem água na sua superfície).

Método de determinação:

1º. A amostra do inerte é mergulhada na água por 24 horas, saturada;


2º. Retiram-se da água e secam-se as superfícies, uma a uma, enxugando-se com pano seco.
Determina-se a sua massa, p1;
3º. Colocam-se, logo em seguida, num recipiente cilíndrico de rede de arame de malha inferior a
5 mm com cerca de 20 cm de altura, determinando-se a massa da amostra do inerte saturado
dentro da água, p2;
4º. O inerte é depois seco em estufa, a 105 oC, até a massa constante, p3.
p1
A massa volúmica das partículas saturadas com superfície seca é: (Eq. 3)
p1  p2

p3
A massa volúmica das partículas secas é: (Eq. 4)
p1  p2
p3
A massa volúmica do material impermeável das partículas é: (Eq. 5)
p3  p2

28
O método anterior não é aplicável para areia, recorre-se então a outro:

1º) A amostra da areia é saturada por imersão em água, em camada delgada e agitação
frequente para desprender as bolhas;
2º) Seca-se a superfície das partículas dispondo-as em camada pouco espessa sujeitas a
aquecimento lento até notar-se uma mudança de cor dessas partículas, determinando-se a
massa, p1;
Sendo: p1 — massa da amostra saturada com superfície seca;
P3 — massa da amostra seca a 105 oC até massa constante;
m1 – massa do frasco cheio de água;
m2 – massa do frasco com amostra saturada e cheio de água,

p1
A massa volúmica das partículas saturadas com superfície seca é: (Eq. 6)
p1  m1  m2
p3
A massa volúmica das partículas secas é: (Eq. 7)
p1  m1  m2
p3
A massa volúmica do material impermeável das partículas é: (Eq. 8)
p3  m1  m2
Em resumo, o volume do inerte que há necessidade de usar na tecnologia do betão é:
Pi
Vi  , (Eq. 9)
i
Onde: δi é a massa do inerte saturado com superfície seca (em Kg/l) e Pi é a sua massa.

3.1.2 Capacidade de Absorção


A absorção de água do inerte é determinada a partir da diminuição da massa duma amostra de
inerte saturado de água (superfície seca), seca em estufa a 105 oC, a massa constante, p1-p3.
A relação entre a perda de massa determinada nestas condições e a massa da amostra seca, p3,
em %, é chamada absorção, A,
p1  p3
A  100 (Eq. 10)
p3
A absorção em algumas rochas pode atingir cerca de 40%.

29
3.1.3 Baridade e volume de vazios
A massa volúmica refere-se ao volume de uma partícula individual ou, no conjunto do inerte, a
soma dos volumes das partículas.
Como, fisicamente, não é possível arranjar as partículas de modo que não haja vazios entre elas,
este número não serve para determinar o volume do inerte para uma amassadura.
Quando se mede um volume de uma classe de inerte é necessário conhecer a do volume de inerte
que enche uma medida (ou molde) com um volume unitário.
A massa por unidade de volume aparente duma classe de inerte, chama-se baridade e serve para
converter massas de inerte em volumes de inerte e reciprocamente.

M
B , (Eq. 11)
V
Onde:
M - massa do inerte contida no molde (g)
V – o volume do molde;
B
O volume de material sólido na unidade de volume do inerte é: S  [Kg/m3], o volume de
i
vazios será: VV  1  S , em m3. (Eq. 12;13)
A baridade depende, evidentemente, do modo como as partículas estão arranjadas no molde, da
percentagem que ocorrem as diversas dimensões das partículas e da forma dessas partículas.

3.1.4 Análise do Ciclo de Vida do material (ACV) pelo método de esmagamento;


Para a análise do ciclo de vida dos agregados que compõem o betão, tantas vezes não se tem a
rocha originária, dispondo-se apenas de partículas que compõem a rocha. Deste modo determina-
se a resistência a compressão do conjunto dessas partículas, como por exemplo no ensaio de
compressão confinada designado por ensaio de esmagamento e normalizado pela norma
portuguesa NP 1039 (1974).

Embora não haja relação bem determinada entre o seu resultado e o de compressão da rocha, os
valores obtidos pelos dois critérios são sensivelmente concordantes.

O ensaio é realizado sobre as partículas que passaram através do peneiro de malha com 12,7 mm
de abertura (# 1/2 polegada, designação 12,5 segundo a NP 1379) e ficaram retidas no de 9,51

30
mm (# 3/8 polegada, designação 9,50 segundo a NP 1379). A amostra deve ser seca a peso
constante, numa estufa, a 105±3ºC, e em seguida definida a quantidade a utilizar no ensaio, pelo
volume de agregado que enche um recipiente metálico cilíndrico de 115 mm de diâmetro e 180
mm de altura em determinadas condições de compactação e depois colocada num molde
cilíndrico – Figuras 21 e 22, com 154 mm de diâmetro interior, 140mm de altura e paredes com
16 mm de espessura, onde é convenientemente compactada. Coloca-se um êmbolo com 152 mm
de diâmetro na parte superior da amostra.

Figura 3.17: Corte transversal do recipiente e esmagador (Coutinho 1999unpd NP-1039, 1974)

31
Figura 3.18: Equipamento utilizado no ensaio de esmagamento: C- êmbolo, A- manga de aço, B- chapa
de aço (LEM-DB 09.2015).

O conjunto molde cilíndrico e êmbolo é disposto entre os pratos de uma máquina de compressão
aplicando-se forças gradualmente crescentes a velocidade tanto quanto possível constante, com
um ritmo tal que se atinja 40x104N (~40tf) em 10 minutos, após o que se descarrega (Figura 19).

Figura 3.19: Ensaio de esmagamento do agregado (Coutinho, 1988).

Finalmente, determina-se a percentagem de agregado que passa através do peneiro de malha com
2,38 mm de abertura (# nº8, designação 2,36 segundo a NP 1379). A relação, multiplicada por
100, entre a massa do material que passou neste peneiro e a massa inicial da amostra é a
resistência do agregado ao esmagamento, isto é:

m3
R esmagamento = m x100 (Eq. 14)
2 −m1

32
Sendo:
m1 - a massa do recipiente
m2 - a massa do recipiente cheio com o provete
m3 - a massa de material que passou no peneiro 2,38 mm de abertura.

A resistência ao esmagamento deve ser determinado com dois provetes. Quando não há
partículas com dimensões entre as designadas por 12,7 e 9,51 mm (respectivamente 1/2 e 3/8
polegadas) poderão usar-se outras citadas especificamente na norma NP 1039.

Em termos de regulamentação e segundo a NP ENV 206 que remete para a “E 373- Inertes para
argamassas e betões. Características e verificação da conformidade”, o resultado do ensaio de
esmagamento para agregados grossos terá de ser inferior a 45%.

Em relação à resistência de agregados finos - as areias, dever-se-á ensaiá-la em argamassa,


comparando a sua resistência com outra argamassa idêntica, obtida a partir de uma areia cujo
comportamento é já bem conhecido (areia padrão), composta por grãos com granulometria
rigorosamente igual à da areia em estudo. As tensões de rocha da argamassa com a areia em
estudo não devem ser inferiores em mais de 10% às da argamassa com a areia padrão (Coutinho,
1988).

3.1.4 Ensaio de Los Angeles

O ensaio consiste em introduzir o agregado com uma granulometria especificada num tambor
cilíndrico, com movimento de rotação em torno do seu eixo colocado na posição horizontal.
Coloca-se juntamente um certo número de esferas com cerca de 47 mm de diâmetro e peso entre
390 e 445g cada. O número de esferas é função da granulometria do agregado. O conjunto dá
1000 rotações (no caso do agregado entre 76,1 e 25,4 mm) e 500 rotações (no caso do agregado
entre 38,1 e 2,38 mm) à velocidade de 30 a 33 rotações por minuto medindo-se depois a perda de
peso através de um peneiro, com malha de 1,68 mm de abertura (nº12 da série ASTM).
A realização deste ensaio compreende o seguinte processo:

33
1. Graduação da amostra

A amostra seleccionada para ensaio, dentre as graduações A, B, C, D, E, F e G, deve ter a massa


indicada na Tabela 2. A representatividade deste ensaio será intimamente ligada à granulometria
do material ensaiado, portanto a graduação escolhida deverá ser aquela de granulometria mais
próxima possível da que deverá ser usada na obra. O ensaio poderá, entretanto, ser executado em
outra graduação, a critério dos interessados.

Tabela 2.2: Graduação para ensaio (DNER-ME 035/98)

2. Preparação da amostra

Fixada a graduação a ser adoptada no ensaio, a amostra deve ser preparada de acordo com as
indicações seguintes:

a) o material recebido é lavado e seco em estufa, à temperatura entre 105ºC e 110ºC, até se
verificar constância de peso;

b) Depois de seco, peneira-se o agregado e esquarteja-se as diferentes porções retiradas nas


diferentes peneiras, para fornecer a amostra da graduação escolhida;

34
c) Determinam-se as massas das porções de graduação escolhida, com aproximação de 1 g, e
tendo em vista a obtenção das massas especificadas na Tabela 1, obedecendo-se às respectivas
tolerâncias. Reúnem-se, a seguir, as diversas porções da mesma graduação, misturam-se bem e
somam-se as massas parciais correspondentes, obtendo-se, assim, a massa da amostra seca, antes
do ensaio (mn).

3. Carga abrasiva

A carga abrasiva, a ser usada para cada graduação, deve ser a da Tabela 2.3.

Tabela 2.3: Carga abrasiva (DNER-ME 035/98)

Deve-se verificar periodicamente se as esferas satisfazem às condições fixadas quanto a massa,


dimensões e uniformidade de superfície.

A execução deste ensaio exige as operações seguintes:

a) Verificada a limpeza interna do tambor, colocam-se no mesmo a amostra e a respectiva carga


abrasiva; a seguir é cuidadosamente fechado para evitar perda de material;

b) Faz-se girar o tambor com velocidade de 30 a 33 rpm até completar 500 rotações, para as
graduações A, B, C e D e 1000 rotações para as graduações E, F e G, conforme Tabela 2.2.

c) Retira-se todo o material do tambor, separam-se as esferas, limpam-se as mesmas com a


escova, e faz-se passar a amostra na peneira 1,7 mm, rejeitando-se o material passante;

35
d) Lava-se o material retido na própria peneira (1,7 mm); reúne-se o mesmo, e em seguida é
seco em estufa à temperatura entre 105ºC e 110ºC, durante, no mínimo, 3 horas;

e) Retira-se o material da estufa, deixa-se esfriar, e determina-se sua massa com aproximação de
1 g, obtendo-se a massa da amostra lavada e seca (m’n).

Após o ensaio de abrasão “Los Angeles” do agregado, para determinação do seu resultado, é
calculado pela fórmula seguinte expressão:

mn −m′n
An = x100 (Eq. 15)
mn

Em que:

An = abrasão “Los Angeles” da graduação n, com aproximação de 1%;


n = graduação (A, B, C, D, E, F ou G) escolhida para o ensaio;
mn = massa total da amostra seca, colocada na máquina;
m’n = massa da amostra lavada e seca, após o ensaio (retida na peneira de 1,7 mm).
O ensaio será expresso com aproximação de 1%.

Nota: Se o agregado estiver essencialmente livre de materiais aderentes e de pó, as exigências de


lavagem do agregado, antes e na fase final do ensaio, podem ser tornadas sem efeito, mediante
cuidadosa avaliação. O material eliminado com a lavagem raramente atinge o valor de 0,2% do
peso da amostra original.

Quando este método é aplicado, as amostras constituídas de fragmentos escolhidos entre os de


forma mais aproximada da cúbica, provenientes do britamento manual, a partir de blocos de
pedra, os resultados da abrasão, em geral são numericamente menores que os obtidos em
agregados da mesma rocha, provenientes de britamento mecânico.

A interpretação do resultado deverá levar em conta a composição mineralógica, estrutura da


rocha e a respectiva aplicação do agregado.

Todos os resultados referentes ao estudo dos agregados de betão são resumidos no anexo V.

36
3.2. Estudo de betão
O estudo de betão compreende procedimentos de cálculos aplicando ensaios antes apresentados
aos seus agregados. Para melhor compressão segue-se um exemplo do estudo de uma certa classe
de betão expedida por uma certa empresa ao LEM-DB.

Estudo da Composição Betão


A pedido certa empresa o Laboratório de Engenharia de Moçambique Delegação da Beira (LEM
– DB), realizou um estudo de betão da classe B25 usando material Colectado na pedreira do
Zembe pela mesma empresa.

Deste modo tem-se como dado a brita do Zembe, a areia do rio e o cimento Portland normal da
classe 32,5

Após a determinação das características físicas e geométricas mais importantes dos inertes,
efectuou-se o estudo da composição do betão pelo método de Faury.

Com as composições estudadas teoricamente, realizaram-se amassaduras experimentais com


dosagens de cimento de 350kg por metro cúbico de betão.

As fases do estudo que permitiram elaborar o presente relatório são apresentadas de seguida.

2. Características dos Constituintes


2.1 Análise Granulométrica dos Inertes
Apresentam-se no quadro seguinte os resultados das análises granulométricas efectuadas, a que
correspondem as curvas granulométricas traçadas na figura em anexo.

Tabela 3.4: Analise Granulométrica do material de estudo de betão


Abertura da % total passadas
Designação do
Malha em - Areia do
Peneiro Brita de Zembe
mm rio
6” 152,400
4” 101,600
3” 76,100
(2”) 50,800
1 ½” 38,100
(1”) 25,400 100
¾” 19,100 98
(½”) 12,700 66
3/8” 9,510 29 100

37
Nº 4 4,760 9 99
Nº 8 2,380 0 93
Nº 16 1,190 73
Nº 30 0,595 40
Nº 50 0,297 9
Nº 100 0,149 1
Nº 200 0,074 0

Total 9863.82 557.12
Módulo de Finura Mf=6.65 Mf=2.85

2.2 Massas Volúmicas, Absorção de Água e Baridade

Tabela 3.5: Análise física dos agregados


Elementos Massa Volúmica em (g / cm3) Absorção Baridade desgast
em em e
Constituintes (%) ( g / cm3)
Material Partículas Partículas Classe
Imperme Saturadas Secas (B)
ável
Brita 2784.01 27630.8 2752.49 0.410515 1.50
Areia 2.62 1.61

3. Determinação aa Máxima Dimensão do Inerte


A máxima dimensão do inerte é a da brita (19.1 /2.38) mm, e o seu valor, determinado segundo o
critério de Faury, é dado pela expressão:

D = d1 + ( d1 – d2 ) x / y (Eq. 16)
d1 Abertura do peneiro da malha mais larga que não deixa passar o material todo
(19.1mm)
d2 Abertura do peneiro que, em sentido decrescente, se segue a d1 (12.7mm)
X Percentagem do inerte retido em d1(2 %)
Y Percentagem do inerte compreendido em d2 (34%)
Substituindo os valores obtém – se:
D = 19.5 mm Adopta-se 19.1 mm

4. Traçado da Curva De Referência e das Características dos Agregados


A curva de referência de Faury, representada num gráfico em que as abcissas são proporcionais à
raiz quinta e a dimensão das partículas, é constituída por dois seguimentos de recta, que se
intersectam no ponto de abcissa D/2 =9.51mm, e da ordenada dada:

38
Y = A + 17 5√D + B / ( R/D – 0,75 ) (Eq. 17)
Adoptaremos os seguintes parâmetros, admitindo que o betão vai ser fabricado com uma
trabalhabilidade plástica.

A = 24.................................Betão de Consistência plástica


B = 1.5.....................................Parâmetro de Compacidade
R/D = 1...................................Para valor mais desfavorável
Obtém – se :
Y = 60.6 (Eq. 18)

Figura 3.20: Característica granular dos inertes e a curva de referência de Faury

5. Traçado da Curva de Referência sem Cimento


Para simplificar o cálculo da percentagem dos inertes que compõe o betão, é mais cómodo traçar
a Curva de Referência sem Cimento. Como não se conhece ainda a dosagem do cimento, que
será imposta por razões de resistência, arbitrar-se-á o valor de 350 kg/ m3 de betão.

39
Admite-se que a dosagem de água de amassadura é de 175litros, valor posteriormente
confirmado numa amassadura experimental que conduziu a um betão com uma trabalhabilidade
adequada. Para volume de vazios considera-se o valor de 20 litros/ m3 de betão estimado em
função da máxima dimensão do inerte.

Nessas condições, a unidade de volume aparente de betão (1 m3), é constituída da seguinte


forma:

* Volume de 350kg de cimento...........................113 litros/m3


* Volume de água de amassadura.......................175 litros/m3
* Volume de vazios..............................................20 litros/m3
Total..........................308 litros
* Volume de inertes:...........................................692 litros/m3
A totalidade dos elementos sólidos do betão é portanto:

* Volume de cimento=.............................................113 litros


* Volume de inerte=.................................................692 litros

Total=......805litros
A percentagem do cimento na totalidade do volume dos sólidos será:

Pc=....14.0 % (Eq. 19)

Ter-se-á pois que subtrair 14.0 % as ordenadas da curva de referência para se obter a mesma sem
cimento, bastando três pontos para definir a nova curva, conforme vai calculado no quadro 6.

Tabela 3.6: Dados para o traçado da curva de Faury

ABCISSAS ORDENADA DA CURVA RETIRADOS RESTABELECIDA A


COM CIMENTO (%) 14.0 % PERCENTAGEM (%)
D =19.1 100 86.0 100
D/2=9.51 60.6 46.6 54.2
0,0065mm=0 0 -14.0 - 16.3

O traçado desta curva apresenta-se na figura 3.20, o seu módulo de finura é:

Mf = 5.22 (Eq. 20)

40
6. Cálculo da Composição de Betão
Traçado de diagrama que contém a curva de referência sem cimento, as curvas granulométricas
dos inertes, determinam-se através de uma conhecida construção gráfica, as percentagens dos
inertes que, combinadas, conduzem a uma granulometria que se adapta, tanto quanto os inertes
utilizados o permitem, à curva de referência.

Figura 3.21:Percentagem dos agregados

Efectuada a correcção das percentagens obtidas, de modo a ajustar o módulo de finura da mistura
dos inertes ao da curva de referência: Obtém-se finalmente, a composição indicada no quadro
3.7.

Tabela 3.7: Percentagem dos agregados


DESIGNAÇÃO DO CLASSE (mm) PERCENTAGEM
INERTE
Brita Grossa 19.1 /2.38 62.3
Areia 2.38 / 0.149 37.7

O módulo de finura correspondente a esta composição é o seguinte:

41
Mf = 5.22 (Eq. 21)

Calculadas as percentagens dos inertes em volume absoluto facilmente se pode traçar a curva
granulométrica da mistura.

No quadro 8, resume-se o cálculo de volume absoluto dos inertes para os diferentes casos de
dosagem de cimento considerados.

Cálculo de Volume Absoluto dos Inertes

Tabela 3.8:cálculo de volume absoluto dos inertes para os diferentes casos de dosagem de
cimento considerados.
Volumes Absolutos Dosagem de Cimento (Kg / m3)
(Litros / m3 de betão) C = 325 C= 350 C= 375
Cimento:Vc = C / 3.10 ----- 113 -----
Água de Amassadura: Va ------ 175 -----
Volume de Vazios:Vv ------ 20 ----
Total: T = Vc + Va + Vv ------- 308 -----
Inertes:Vi = 1000 - T ------- 692 ------

Adoptando nos três casos da dosagem de cimento, as percentagens dos inertes determinadas para
C = 350kg / m3, o produto destas percentagens pelos volumes absolutos dos inertes e pelas
massas volúmicas, dão a composição ponderal do betão em cada caso, conforme se apresenta no
quadro 3.9.

Composição de Betão, em Peso

Tabela 3.9: Percentagens de volumes absolutos dos inertes e das massas volúmicas da composição
Componentes Percentagem Massa Peso dos Componentes em kg
(%) Volúmica C = 325 C = 350 C = 375
(g/cm3)
Brita Grossa 62.3 2.75 ------ 1186 ------
Areia 37.7 2.62 ------ 684 -----
Água -- 0.999 ------ 175 ------
Para se definir a composição de Betão em volume, basta dividir as proporções ponderais dos
inertes pelas Baridades respectivas, já que o cimento é sempre medido em peso.

42
Deve notar-se porém que a baridade determinada no laboratório se refere a inertes compactados
em condições normalizadas, não coincidindo, em geral, com a dos inertes manipulados no
estaleiro.

A título informativo apresentam-se no quadro 3.10, os resultados obtidos a partir das baridades
determinadas no laboratório.

Composição de Betão, em Volume

Tabela 3.10: Resultados da baridade determinadas no laboratório


Componentes Baridade Volume dos Componentes, em litros
em g / cm3 C= C = 350 C=
Brita 1.61 736
Areia 1.54 444
Água 0.999 175
Cimento 3.10 113

7. Escolha da Dosagem do Cimento


Pretende-se que o Betão a fabricar no estaleiro seja do tipo III e classe B. O Regulamento dos
Betões e Ligantes Hidráulicos, impõe, para os betões deste tipo e classe, que no mínimo, sejam
fabricados com a Qualidade II.

Admitindo que o betão poderá ser fabricado no estaleiro com um desvio padrão máximo na
ordem de 5.5 Mpa, a tensão média de rotura à compressão aos 28 dias de idade será:

Tensão média de Rotura =27Mpa


Com o fim de determinar a dosagem de cimento, mais conveniente à obtenção da tensão de
rotura média capaz de garantir, nas condições pressupostas de fabrico, a tensão de rotura
característica desejada, realizaram – se amassaduras experimentais, numa betoneira de eixo
horizontal com as composições estudadas teoricamente, tendo se moldado cubos normalizados,
para ensaios, aos três, sete e vinte e oito dias de idade.

No quadro a seguir apresentam-se as tensões de rotura obtidas nos ensaios feitos, bem como a
correcção de água de amassadura em relação a arbritrada anteriormente.

43
Tabela 3.11: Resultados da tensão de rotura de provetes cubicas moldados laboratorialmente e respectiva
correção da água da mistura
Dosagem de Água de Abaixamento do Tensão de Rotura a Compressão(Kgf/
Cimento em Amassadura Cone cm2 )
kg/m3 em litros/m3 de Ábrams em (cm)
Aos 3 dias Aos 7 dias Aos 28 dias
350 195 6.5 14.7 20.2 ----

Assim atendendo as exigências regulamentares e os valores obtidos nos ensaios e pressupondo


que no estaleiro o betão será feito com uma trabalhabilidade correspondente a um abaixamento
do Cone de Abramsde 5 a 9 cm, recomenda-se a seguinte composição:

Tabela 3.12: Percentagem dos agregados na Composição final da mistura corrigida


Composição Por metro Cúbico Por Saco de
Cimento (50kg)
Componentes
Percentagem Ponderal Em Volume Em Volume
(%) ( kg ) Aparente Aparente (litros)
(litros)
Cimento 14.0 350 113 50

Brita Grossa 62.3 1185 736 169


Areia 37.7 684 444 63
Água 195 195 28

Elementos Para o Traçado da Curva Real do Betão

Tabela 3.13: Elementos para o traçado da curva real do betão


DESIGNAÇÃO ABERTURA MATERIAL QUE PASSA ATRAVÉZ DO PENEIRO ( % )
DA BRITA AREIA CURVA
DO PENEIRO TOTAL TOTAL REAL
MALHA 62.3 % 37.7 %
(mm) no betão no betao
6” 152,400
4” 101,600
3” 76,100
(2”) 50,800
1 ½” 38,100
(1”) 25,400 100 62.3 100
¾” 19,100 98 61.1 99
(½”) 12,700 66 41.1 79
3/8” 9,510 29 18.1 100 37.7 56
Nº 4 4,760 9 5.6 99 37.3 43
Nº 8 2,380 0 0 93 35.1 35
Nº 16 1,190 73 27.5 28

44
Nº 30 0,595 40 15.1 15
Nº 50 0,297 9 3.4 3
Nº 100 0,149 1 0.4 0
Nº 200 0,074 0 0
PÓ 0,074

Figura 3.22: Curva da Mistura

Com o traço da quantidades de materiais representadas neste estudo, faz-se um calculo


proporcional destes materiais fabrica-se uma certa amassadura, molda-se provetas cubicas com
dimensões geralmente 15x15cm e testa-se estes elementos para comprovar sua resistência com o
pretendido. A comprovação destes elementos é efectuado comprimindo-os numa prensa ate a
rotura. Com estes resultados comprova-se e preenche-se a ficha do anexo VI.

45
4. CONCLUSÃO
Em considerações finais concluo que o estagio efectuado foi positivo, pós serviu como base de
consolidação de aspectos teóricos aprendidos no decorrer do curso com a realidade prática ao
nível laboratorial.

A rigorosidade de realização dos ensaios e de estudos é o factor primordial que dita a veracidade
dos resultados mas também as condições ambientais e dos matérias auxiliares também
contribuem para esta finalidade.

Ao que concerne as actividades de execução pratica em construção de obras de construção civil,


não se devem aplicar materiais e procedimentos que não foram laboratorialmente testados ou
avaliados, porque o cumprimento disto garante segurança na vida útil da estrutura erguida.

Apesar do LEM-DB ser uma instituição que trabalha á nível regional, ele recebe com maior
frequência requisições das províncias de Sofala e Manica e menor para as províncias da
Zambézia e Tete. Isso deve-se a numerosidade das obras existentes e a distância destas ao LEM-
DB.

Maioritariamente as empresas que expedem a realização de ensaios e estudos de materiais de


construção no LEM-DB, são as que realizam obras para o estado moçambicano, isto significa
que não se regista com maior frequência expedientes de entidades privadas.

46
5. RECOMENDAÇÕES
A realização dos ensaios devem sempre ser realizados em conformidade com o regulamento em
vigor e sempre que possível actualizado.

É sempre necessário que a realização de ensaios de controlo de qualidade dos materiais de


construção a ser efectuado por uma empresa construtora seja acompanhada pela equipe
responsável pela fiscalização da mesma, para melhor confiabilidade da execução e assinaturas de
termos de responsabilidades.

Em casos de ensaio que se apliquem a água como um dos componentes, há que se ter maior
atenção com esse componente e se possível analisa-lo antes de aplica-lo. Por exemplo o estudo
de betão feito no LEM-DB aplicando a água da cidade da Beira e pretendendo ser aplicado este
material na cidade de Chimoio, ira deferir as resistências porque os teores salinos e o PH destes
locais diferem.

47
6. REFERENCIAS
SANTANA, Teresa (1995): “Mecânica dos Solos - Aulas de laboratório”, Dep. Engenharia Civil,
FCT/UNL, Lisboa.

LNEC (1966): “Especificação E 196-1966, Solos - Análise granulométrica”, Laboratório Nacional de


Engenharia Civil, Lisboa.

NP (1969): “Norma portuguesa NP – 143, Solos – Determinação dos limites de consistência”, Lisboa.

LNEC (1968): “Especificação E 218-1968, Prospecção geotécnica de terrenos - Colheita de amostras”,


Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa.

CORREIA, António (1980): “Ensaios para Controlo de Terraplenagens”, LNEC, Lisboa.

LNEC (1966): “Especificação E 195-1966, Solos - Preparação por via seca de amostras para ensaios de
identificação”, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa.

NP (1965): “Norma portuguesa NP – 84, Solos - Determinação do teor em água”, Lisboa.

NP (1965): “Norma portuguesa NP – 83, Solos - Determinação do peso específico das partículas sólidas”,
Lisboa.

LNEC (1966): “Especificação E 197-1966, Solos – Ensaio de compactação”, Laboratório Nacional de


Engenharia Civil, Lisboa.

ASTM (2000): “ASTM D 2166-00 - Standard Test Method for Unconfined Compressive Strength of
Cohesive Soil”, ASTM Standards, American Society for Testing and Materials, Volume 04.08,
Philadelphia.

RIBEIRO, Simão Pedro Tavares: Terraplenagem. Metodologia e Técnicas De Compactação - Dissertação


submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de Mestre em Engenharia Civil — Especialização
em Vias de Comunicação. Junho 2008.

SANTOS, Jaime A. Obras Geotécnicas. Instituto Técnico Superior de Lisboa, Departamento de


Engenharia Civil. Junho de 2008.

48
7. ANEXOS

49
Anexo I. Crivagem Areia

i
Anexo II. Índices de Consistência

ii
Anexo III. Resultados de Compactação pelo método de Proctor

iii
ANEXO IV: Controlo de Compactação pelo ensaio de Garrafa de Areia

iv
ANEXO V: Estudo de propriedades de Inertes

v
ANEXO VI: Compressão de Provetes Cúbicos de Betão

vi