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ESTRUTURA DA SEMENTE
O conhecimento da estrutura da semente é importante, para que, ao manuseá-la, tenha-se o cuidado
necessário, com a finalidade de evitar ou minimizar as injúrias mecânicas que podem levar à perda da qualidade
das sementes. Também, o conhecimento da estrutura da semente e da plântula é necessário em alguns testes
utilizados para a avaliação da qualidade fisiológica das sementes, como os testes de tetrazólio e o de
germinação.
A semente é o órgão responsável pela dispersão e perpetuação das espermatófitas (plantas que
produzem sementes). Esse termo (semente) é utilizado para designar um óvulo maduro, possuindo um embrião
em algum estágio de desenvolvimento, material de reserva alimentar (raramente ausente) e um envoltório
protetor, o tegumento.
Entretanto, algumas unidades de dispersão, tais como as cariopses (milho), os aquênios (girassol), as
drupas (palmeiras) são incorretamente denominadas de “sementes”. Portanto, o correto é referir-se a tais
unidades como diásporo, que consiste de unidade orgânica destinada à propagação das plantas superiores, e
que é essencialmente o embrião, acompanhado de estruturas acessórias (semente, fruto, etc).
Sementes de espécies diferentes variam muito quanto a tamanho, forma, cor, características externas e
internas, quantidade e natureza dos tecidos de reserva alimentar, devido às maneiras de dispersão e germinação
de cada espécie. De forma geral, pode-se considerar a seguinte estrutura básica: tecido protetor (cobertura
protetora), embrião e tecido de reserva.

1 Cobertura Protetora
É a estrutura externa que delimita a semente, denominada de tegumento e/ou pericarpo. O tegumento é
constituído por camadas celulares originárias dos integumentos ovulares. O pericarpo é originado da parede do
ovário e em algumas espécies, como milho, fica intimamente unida ao tegumento sendo impossível identificar o
ponto delimitante.
Nas sementes bitegumentadas, o tegumento consiste da testa, que é o resultado do desenvolvimento do
integumento externo, e do tégmen, resultado do desenvolvimento interno do óvulo.
Os envoltórios da semente (tegumento, pericarpo), além da função protetora, também apresentam função
reguladora e delimitante. Essas funções mais detalhadas são:
a) Manter unidas as partes internas da semente;
b) Proteger as partes internas contra choques e abrasões;
c) Servir como barreira à entrada de microorganismos na semente;
d) Regular a velocidade de reidratação da semente;
e) Regular a velocidade das trocas gasosas (oxigênio e gás carbônico);
f) Regular a germinação, causando dormência (em alguns casos).
Na face externa da semente, de acordo com a espécie, encontram-se algumas cicatrizes na testa:
micrópila, hilo, rafe, calaza. Essas cicatrizes podem ser usadas para identificação da espécie:
a) Micrópila – pequena abertura, deixada pela cicatriz da micrópila do óvulo, que pode ou não ser perceptível,
estando muitas vezes fechada (feijão).
b) Hilo – cicatriz deixada pela separação do óvulo e do ovário (do fruto e da semente), no local onde o mesmo se
unia à placenta (soja).
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c) Rafe – saliência típica de óvulos anátropos ou campilótropos, resultado de uma cicatriz do feixe vascular que
atravessa o funículo e chega à calaza (feijão).
d) Calaza – base da nucela do óvulo, até onde chega o feixe vascular. Em certas sementes, a calaza subsiste na
forma de uma saliência ou mancha escura no tegumento, que se encontra a curta distância do hilo, unida a ela
pela rafe, do lado oposto à micrópila (urucum).
A consistência e a coloração dos tegumentos também variam de acordo com a espécie. Quando a
semente está encerrada em um fruto indeiscente, o tegumento é pouco consistente, como nos aquênios. Em
frutos deiscentes, ele pode ser lignificado, como em sementes de leguminosas.
A coloração marrom é de maior ocorrência e mais da metade de todos os tipos de sementes tem
coloração marrom a negra. Também ocorrem sementes bicolores, como em olho-de-cabra, que possui tegumento
vermelho coral com mancha negra.
Facilitando a função de dispersão por animais, algumas espécies apresentam sementes com a testa ou
sua parte mais externa carnosa (sementes de romã e de mamão), sendo esta denominada de sarcotesta. Outras
espécies apresentam sementes ou frutos (mucilagem na parede do fruto) com as células epidérmicas
mucilaginosas, que incham após a absorção de água e que se aderem a animais e locais úmidos de regiões
áridas.
Outras estruturas desenvolvem-se no tegumento e estão relacionadas também com a dispersão das
sementes: asas, pêlos ou tricomas, arilos, pleurograma.
a) Asas – expansão da testa, que pode ser totalmente periférica ou ser restrita a determinados pontos da
semente. A expansão alada da semente difere da expansão alada do fruto (sâmara) pelo fato de a primeira não
possuir nervuras (Ipês).
b) Pêlos ou tricomas – a presença de pêlos na superfície da semente está ligada à dispersão pelo vento ou por
animais e pode, ainda, servir como aumento de superfície para a dispersão pela água (algodão).
c) Arilos – os arilos constituem qualquer excrescência carnosa no tegumento das sementes que os possuem.
Como exemplos podem ser citados maracujazeiro, mucuna e noz-moscada. Alguns arilos recebem denominação
especial, como a carúncula - pequena excrescência na extremidade micropilar (mamona) e estrofíolo (uma crista
de tecido carnoso ao longo da rafe – Chelidonium majus).
d) Pleurograma – é uma linha bem definida localizada lateralmente em algumas sementes. Como exemplo
podem ser citadas as espécies abóbora, melancia, moranga e melão.

2 Embrião
Suas partes básicas são o eixo embrionário e um ou mais cotilédones, que constituem o rudimento da
futura planta. O eixo embrionário é a parte vital da semente, o tecido meristemático, tem função reprodutiva
sendo capaz de iniciar divisões celulares, e de crescer. É denominado de eixo porque inicia o crescimento em
duas “direções”: para as raízes e para o caule. O eixo embrionário geralmente é pequeno em relação às outras
partes da semente, sendo constituído nas dicotiledôneas de plúmula, radícula e hipocótilo. Nas monocotiledôneas
apresenta as seguintes partes: coleóptilo, plúmula, raízes adventícias seminais, radícula e coleorriza.
Os cotilédones não têm capacidade de crescimento, tendo a função de reservar e ou sintetizar alimentos.
Nas gramíneas, o único cotilédone é denominado de escutelo e tem a função de haustório, permitindo a
translocação de alimentos do endosperma para o eixo embrionário.
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O embrião de dicotiledôneas apresenta (sementes de feijão):


a) Radícula - raiz rudimentar; originará a raiz primária da nova planta.
b) Hipocótilo - região do embrião localizada abaixo do ponto de inserção dos cotilédones e acima da radícula; na
maioria das dicotiledôneas e em algumas monocotiledôneas é a parte bem diferenciada do embrião. Como nem
todas as espécies apresentam essa região de forma muito nítida, o eixo do embrião abaixo do nó cotiledonar é
denominado de eixo hipocótilo – raiz.
c) Epicótilo - porção do eixo embrionário acima do nó cotiledonar. A extremidade do epicótilo possui uma gema
apical, que originará a futura parte aérea da planta. Às vezes são encontradas folhas diferenciadas em um nó
abaixo da gema apical, sendo chamadas de folhas primárias.
d) Plúmula – o conjunto da gema apical e das folhas primárias.
c) Cotilédones - primeiras folhas embrionárias e não são folhas verdadeiras; podem surgir em número de um
(monocotiledôneas) ou dois (dicotiledôneas) nas Angiospermas; na maioria das dicotiledôneas tem função
temporária de armazenar substâncias nutritivas. Podem ser grossos, com função específica de reserva e
freqüentemente torcidos, ou foliáceos, que apenas temporariamente funcionam como órgãos de reserva, como
em mamoneira.
O embrião das monocotiledôneas (sementes de milho) apresenta um cotilédone, também chamado de
escutelo. Em sementes de monocotiledôneas como o milho, o eixo embrionário prende-se lateralmente ao único
cotilédone por uma região mais ou menos extensa denominada de mesotótilo (porção caulinar situada entre o
hipocótilo e o epicótilo). Abaixo do mesocótilo, distingue-se a radícula, coberta por uma bainha protetora, a
coleorriza. Acima do mesocótilo,observa-se a plúmula, bem diferenciada e protegida também por uma bainha, o
coleóptilo.

3 Tecido de Reserva
Atua como reservatório e como fornecedor de compostos orgânicos em formas simples, que podem ser
utilizadas pelo eixo embrionário desde o início da germinação até que a plântula se torne autotrófica. Os tecidos
de reserva podem estar localizados no endosperma (monocotiledôneas), cotildédones (dicotiledôneas) ou no
perisperma, como em sementes de beterraba.
a) Endosperma – originado do desenvolvimento do núcleo do endosperma primário. O endosperma nutre o
embrião durante o desenvolvimento deste, e pode ser ou não completamente absorvido. As sementes maduras
desprovidas de endosperma são denominadas “exalbuminosas” (exemplos: feijão, soja), e aquelas com
endosperma são chamadas de “albuminosas” (exemplos: arroz, mamona, trigo). Na Figura 14 encontra-se a
estrutura de sementes de milho onde se distingue a área do endosperma.
b) Cotilédones - originam-se do próprio zigoto e fazem parte do embrião. Em muitas espécies, o embrião
desenvolve-se bastante, absorvendo todo o endosperma, e acumulando substâncias nos cotilédones. Nestes
casos, os cotilédones apresentam-se volumosos. Como não apresentam endosperma, as sementes destas
espécies são chamadas “exalbuminosas”. Exemplo: feijão (Figura 15).
b) Perisperma - o perisperma desenvolve-se de partes da nucela, quando esta não é completamente absorvida
durante a formação do embrião. O perisperma é comumente encontrado como tecido de reserva nas sementes
das chenopodiáceas. Exemplo: beterraba.
Figura 16. Estrutura de sementes de
beterraba.
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Figura 15.Estrutura de sementes de feijão. (1) cotilédone, (2)


radícula,
(3) hipocótilo, (4) nó cotiledonar, (5) epicótilo e (6) plúmula .

Figura 14. Estrutura de


sementes de milho.