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Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies


Arbóreas Nativas

Book · January 2013

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3 authors, including:

Irene Garay
Federal University of Rio de Janeiro
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Manual de
Técnicas de Viveiro para
Espécies Arbóreas Nativas

Irene Garay
Juliana Folz
Nivaldo del Piero

Fundação Bionativa
Sooretama, ES
2013
Laboratório de Gestão da Biodiversidade
Departamento de Botânica
Instituto de Biologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Fundação Bionativa
• Presidente Eng. Wanderlei Fornasier Morgan
• Presidente Honorária Maria Baldi Leite de Oliveira
• Diretora Científica Profa Dra. Irene Garay
• Secretário Executivo Nivaldo del Piero

Projeto Gráfico e Diagramação Paulo César Castro


Fotos Fundação Bionativa

Garay, Irene
Manual de técnicas de viveiro para espécies arbóreas nativas /
Irene Garay, Juliana Folz, Nivaldo del Piero. — Sooretama :
Fundação Bionativa, 2013.
80p.
Inclui bibliografia

ISBN 978-85-903234-2-6

1. Árvores nativas. 2. Técnicas de viveiro. 3. Restauração


florestal. 4. Tecnologia de produção de mudas. I. Juliana Folz. II.
Nivaldo del Piero. III. Título.

Reprodução autorizada desde que citada a fonte.


Manual de Técnicas de Viveiro
para Espécies Arbóreas Nativas

Irene Garay1,2
Juliana Folz1
Nivaldo del Piero3

Com a colaboração de:


Meri Cristina Toledo Sant’Anna Fraga3
Ricardo Finotti Leite1
Jair Retz2
Kênia Carolina2

1
Laboratório GESBIO, Dep. Botânica, IB, UFRJ
2
Fundação Bionativa, Sooretama, ES
3
Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), UFRJ
Sumário

PREFÁCIO 7

1 INTRODUÇÃO 9
2 LOCALIZAÇÃO 11
3 CUIDADOS NA IMPLANTAÇÃO 18

4 ESTRUTURA DE SUPORTE 22

5 PREPARAÇÃO DO SUBSTRATO 25

6 OBTENÇÃO DE SEMENTES 29

7 BENEFICIAMENTO DE SEMENTES 33

8 CANTEIROS E SEMENTEIRAS 42

9 SEMEADURA 48

10 REPICAGEM 56

11 ORGANIZAÇÃO E MANUTENÇÃO DO VIVEIRO 59

12 CONTROLE DE DOENÇAS E PRAGAS 62


13 IRRIGAÇÃO 65

14 DESENVOLVIMENTO DAS MUDAS 68

15 CONCLUSÃO 74

16 BIBLIOGRAFIA 76
PREFÁCIO

• Marcelo Macedo Corrêa e Castro


Decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

E
ste Manual tem por objetivo apresentar de forma ampliada e prá-
tica orientações para a montagem de viveiros de mudas. Comple-
mentando a obra Espécies Arbóreas para Reflorestamento, busca asso-
ciar conhecimentos de naturezas diversas. Neste sentido, para que se
confeccionasse o Manual teve importância decisiva a experiência dos
autores com o desenvolvimento dos viveiros da Fundação Bionativa, que
participa do projeto Corredores Ecológicos, com o subprojeto Restauração
Solidária de Floresta Atlântica, ajudando pequenos produtores rurais no re-
florestamento de áreas degradadas e incluindo a participação da popu-
lação local em programas de educação ambiental.
Na referida experiência, procurou-se evitar ações exclusivamente vol-
tadas para conseguir que pequenos produtores dessem conta do que
determina a legislação de proteção ambiental, uma vez que isto signifi-
caria desconsiderar a complexidade do contexto maior em que o projeto
se desenvolvia. Não se tratava, portanto, somente de descobrir meios
para ensinar os produtores a enfrentar uma demanda das leis, mas sim
de pensar todo o conjunto de efeitos que se articulam e modificam a cul-
tura local. Assim, o projeto procurou se pautar em algumas premissas.
Em primeiro lugar, prevaleceu a ideia de trabalhar com a perspectiva
de aproximar saberes, e não de transmitir conhecimentos hierarquiza-
dos, em virtude da compreensão de que não há saberes nem sujeitos
mais importantes, mas sim um diálogo que se organiza em prol da con-
vergência entre os conhecimentos, de forma que os saberes se asso-
ciem e harmonizem, e não se substituam.
Além disso, adotou-se o pressuposto de que nenhuma aprendizagem
ou apropriação significativa de conhecimento ocorre sem o real interes-
se dos envolvidos, não havendo, pois, como levar os produtores rurais
a uma mudança de cultura de trabalho sem que eles próprios estejam
convencidos dos benefícios que a mudança proporcionará.
Por fim, considerou-se que a dimensão maior das ações se relaciona
com a própria vida do município e com seus destinos, dentro do con-
texto das transformações do país e até mesmo do planeta. Desta for-
ma, o projeto se desenvolveu sempre de maneira articulada com esta
percepção mais complexa da realidade, prevendo uma integração com
outras ações de formação, especialmente nas escolas e junto a crianças
e jovens.
Um dos mais significativos resultados desse esforço está materializa-
do neste Manual, fruto de trabalho coletivo dos diversos atores envolvi-
dos com as ações do projeto, integrado às demais ações desenvolvidas
e acessível aos diversos leitores que dele poderão se servir.
1
INTRODUÇÃO

Resultado de um reflorestamento feito com mudas da Fundação Bionativa depois de 10 anos


Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

V
iveiros florestais são os locais destinados à produção, à manu-
tenção e ao crescimento de mudas arbóreas até o seu transpor-
te para plantio definitivo. Nesses locais são reunidos instalações
e utensílios próprios e são empregadas técnicas que visam aprimorar a
produção e a manutenção das plântulas. Em geral, eles são instalados
próximos aos sítios onde as mudas serão plantadas em caráter definiti-
vo, bem que o transporte entre diferentes regiões e estados não possa
ser excluído.
Os viveiros podem ter como objetivo a produção constante de mudas
(viveiros fixos) ou uma produção pontual para fins diversos tais como re-
florestamento ou reposição de mudas de uma área específica (viveiros
temporários).
Outro aspecto a ser considerado na construção de um viveiro fixo é
a sua rentabilidade. Viveiros com fins econômicos possuem estruturas
e instalações maiores e mais complexas que viveiros comunitários ou
educativos. Eles são, em geral, menores e mais simples de serem im-
plantados e podem produzir, além de mudas comerciais, mudas nativas
ou de reposição para restauração florestal ou recuperação de áreas de-
gradadas. Neste caso, a demanda social ou educativa irá direcionar o
planejamento da produção.
Para se construir um viveiro, o produtor deve saber que tipos de plan-
ta ele deseja produzir. Cada espécie tem sua particularidade e muitas
das técnicas usadas podem ser adaptadas para um maior aproveita-
mento da infra-estrutura e organização do trabalho. Assim, por exem-
plo, a produção de mudas de café se faz em viveiros sombreados; entre-
tanto, as mudas de espécies arbóreas nativas exigem espaços abertos
e, amiúde, exposição direta ao sol.
O viveiro comunitário da Fundação Bionativa, tomado como exem-
plo no presente trabalho, tem como objetivo produzir, sobretudo, mudas
de espécies arbóreas nativas para reflorestamento em áreas de Mata
Atlântica no município de Sooretama, Espírito Santo, e nos municípios
vizinhos.

10
2
LOCALIZAÇÃO
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

2.1 LOCAL

O local escolhido para a implan- todo o dia.


tação de um viveiro deve ser o mais Se possível, o viveiro deve estar
plano possível, porém, com uma leve próximo às áreas que serão reflo-
inclinação para evitar poças de água. restadas, pois isso permitirá redu-
Se a área apresentar uma grande zir custos de transporte e diminuir
inclinação, essa deve ser dividida possíveis danos às mudas durante os
em degraus para que os canteiros trajetos. Inclusive, condições climá-
fiquem em superfície plana. O viveiro ticas semelhantes entre o viveiro e o
deve ser instalado em lugar onde destino final favorecem, sem dúvida,
receba luz do sol e calor durante o desenvolvimento das plântulas.

Transporte de mudas selecionadas para o seu destino final

12
• Localização

Local para fixação dos canteiros. Observe que o solo foi terraplanado, após a retirada da camada orgânica
superficial e de pequenas pedras. Ao fundo, cerca viva que funciona como quebra vento

2.2 SOLO
nosos ou areno-argilosos), profundos.
As camadas orgânicas superficiais Eles possuem boa drenagem e evitam
do solo devem ser retiradas da área a formação de poças de água. Pelo
na qual será montado o viveiro com contrário, solos argilosos costumam
o intuito de evitar a formação de lodo acumular água e por isso precisam de
e facilitar a circulação. Após a elimi- um bom sistema de escoamento que
nação dessas camadas, é necessário conte com valas. A acumulação de
proceder à compactação e homoge- água facilita a proliferação de plan-
neização do terreno, seja manual- tas invasoras e de ervas daninhas e
mente, seja por terraplanagem. pragas, como nematóides e fungos, e
Dê preferência a solos leves (are- convém, portanto, ser evitada.

13
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

2.3 ÁGUA

A água é um dos principais recur-


sos a ser considerado em um viveiro.
O importante é que o abastecimento
de água não seja interrompido por
longos períodos de tempo colocando
em risco todo o trabalho de produção
de mudas. Um cuidado especial deve
ser tomado em regiões que apresen-
Represa da Fundação Bionativa
tam períodos de forte seca ou anos
extremamente secos.
No caso de pequenos viveiros, um artesianos, rios, córregos, lagos, re-
tanque ou caixa de água será sufi- servatórios artificiais ou cisternas. Para
ciente para irrigar, o que é feito, em produções em larga escala ou viveiros
geral, de forma manual. Eles podem permanentes, é conveniente instalar
estar ligados a água encanada, poços um sistema de irrigação próprio, com

Tanque de 500 mil


litros na Fundação
Bionativa para
armazenamento
de água

14
• Localização

Cisterna de água usada


para irrigação e limpeza

tubulações e aspersores, o qual deve- qualidade, livre de poluentes ou subs-


rá estar ligado seja a um poço artesia- tancias que possam causar doenças
no, seja a um reservatório ou córrego em animais e pessoas, e em quan-
e ser acionado por uma bomba tidade suficiente para irrigação em
A água utilizada deve ser de boa qualquer época do ano.

Sistema de irrigação
simples usando
mangueiras e aspersores
em estaca. À direita,
observe a cisterna de água

15
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Viveiro com mudas prontas para o replantio. Observe ao fundo a cerca viva funcionando como quebra vento

2.4 PROTEÇÃO

Em viveiros grandes podem assim, que os ventos derrubem ou


ocorrer ventos fortes, sobretudo quebrem as mudas, além de resse-
quando muito afastados dos centros car o ambiente, o que aumenta a
urbanos; para formar quebra ventos necessidade de uma irrigação mais
naturais, árvores ou arbustos são intensa. Tem que se tomar cuidado
plantados em duas ou três fileiras para que essas árvores não som-
paralelas em volta da área. Evita-se, breiem o viveiro.

16
• Localização

2.5 CIRCULAÇÃO
veículos e, sobretudo, a aproximação
O local deve ser cercado para à área de produção e manutenção
dificultar ou até mesmo impedir a das mudas permite facilitar a carga
entrada de pessoas não autorizadas das mudas a serem transportadas.
e a entrada e circulação
de animais.
O viveiro deve contar
também com espaços
para circulação de
veículos e pessoas. Con-
siderar a circulação de

Transportando sacolas
para os canteiros

Espaço para passagem de veículos e para transporte de mudas e insumos

17
3
CUIDADOS NA IMPLANTAÇÃO
• Cuidados na Implantação

3.1 PREPARO DO LOCAL E DRENAGEM

Devem-se efetuar a limpeza do delimitar e tornar confortáveis as


local e a remoção da vegetação vias de acesso, assim como prever a
existente, de tocos, raízes, pedras e construção de um local para guardar
outros materiais. É importante realizar materiais. Não se pode esquecer de
o acerto do terreno e a terraplana- providenciar a instalação de rede de
gem, como já visto, além de planejar, água e energia elétrica.

Terraplanagem
realizada com
ajuda de veículos
(trator e
cavadeira) para
construção de
um viveiro. Pode-
se observar
que a camada
superficial do
solo é retirada

3.2 DRENAGEM

Se o local for sujeito a enchar- lar sobre elas. Recomenda-se cobrir


camento ou o terreno apresentar todo o terreno do viveiro com uma
umidade, devem ser construídas camada de pedra britada ou casca-
valas de drenagem. As valas po- lho, sobretudo quando os solos são
dem ser cobertas com vegetação ou pouco argilosos e a terraplanagem
preenchidas com pedras irregulares, não é suficiente para compactar a
para que as pessoas possam circu- superfície.

19
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

3.3 CONSTRUÇÃO DOS CANTEIROS

Os canteiros devem ter ao redor de forma a permitir o trânsito de


de 1m de largura, com comprimen- veículos. É recomendável que toda a
to variável (em geral entre 10m e área seja circundada por estrada de
30m), sempre alocados para cortar 6m de largura. Todas estas medi-
o escoamento das águas (perpendi- das correspondem a uma situação
cular à linha do declive). A distância específica e representam, portanto,
entre os canteiros deve ser da ordem uma indicação frente às diversas
de 0,70m. Caminhos internos de 4m situações e tamanhos das áreas
de largura devem cruzar o viveiro, produtivas.

Viveiro da Bionativa. Cada canteiro possui forma retangular, com espaçamento entre eles
para a movimentação de pessoas. Ao centro, corredor central para circulação de veículos

20
• Cuidados na Implantação

3.4 BENFEITORIAS

Em viveiros grandes, onde esteja


previsto um trânsito considerável
de pessoas e movimentação cons-
tante de materiais, é recomendável
a construção de um galpão para
armazenagem e manipulação de
materiais, o qual deve estar locali-
Escritório da Bionativa
zado de preferência na entrada do
viveiro ou na sua proximidade. Em e conservar informações sobre as
viveiros com muitos funcionários e espécies produzidas, a origem das
onde seja necessário controlar a sementes, a rede de distribuição
saída de materiais e os estoques, é das mudas etc., devendo, portanto,
aconselhável construir um escritório. possuir um mínimo de infra-estru-
Porém, a gestão de qualquer viveiro tura tipo escritório e material de
médio exige, na atualidade, elaborar informática.

Construção de uma
base de dados para
identificação das
mudas, organização,
transmissão
e controle da
informação

21
4
ESTRUTURA DE SUPORTE
• Estrutura de Suporte

ARMAZENAMENTO DE SEMENTES E INSUMOS

Os viveiros maiores necessitam das para o seu armazenamento, e


de instalações de suporte fixas: os para guardar ferramentas e insu-
galpões e pátios. mos de forma segura. O importante
Os galpões são utilizados para é ser bem ventilado e seco, a fim
proteger as sementes coletadas da de evitar a acumulação de umida-
ação do vento, do sol e da chuva, de e as altas temperaturas em seu
proporcionando condições adequa- interior.

Galpão da Bionativa. Duas das paredes são abertas para ter circulação de ar e evitar
que o local fique empoeirado ao se trabalhar com o substrato para produção de mudas

23
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

O pátio, ligado ou próximo ao gal- da Bionativa o denominado galpão é


pão, deve ser uma área coberta, po- utilizado tanto para guardar insumos
rém aberta, com o intuito de realizar e ferramentas, em dois cômodos
as operações de preparo do substrato fechados, como para realizar preparo
(mistura de terra, areia e adubo orgâ- do substrato ou beneficiamento de
nico) de forma mais confortável e pro- sementes, numa área semi-aberta.
dutiva, bem como o enchimento dos Viveiros pequenos instalados em
recipientes (saquinhos ou tubetes). escolas, pequenas propriedades ou
A organização destes espaços centros de educação ambiental po-
varia segundo as possibilidades e os dem adaptar pátios, salas ou o quintal
costumes locais ou regionais. No caso para a realização dessas atividades.

Área semi-aberta do galpão da Bionativa. Ao fundo encontram-se dois pequenos depósitos fechados

24
5
PREPARAÇÃO DO SUBSTRATO
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

O substrato está constituído, em matéria orgânica e de nutrientes.


geral, por uma mistura formada A utilização de resíduos orgâ-
por terra (barro) ou areia e alguma nicos da região é interessante;
fonte de matéria orgânica, tal como porém, cuidados especiais são
palha de café. Sua função é dar necessários para evitar contami-
sustentação e fornecer os nutrientes nação tanto por poluentes (inseti-
necessários para o desenvolvimento cidas, fertilizantes e outros) como
da planta. Um substrato de qua- por agentes biológicos que possam
lidade deve ter boa drenagem e causar doenças (fungos e nematói-
apresentar quantidade suficiente de des, entre outros).

Peneirando o
substrato (barro).
Observe que a peneira
é feita de materiais
facilmente acessíveis
como ripas de
madeira

Monte de palha de café utilizado para


misturar com o barro e, mais tarde, recobrir
as sacolas já semeadas

26
• Preparação do Substrato

No caso da Fundação Bionativa, as O esterco, usado como fertilizante,


proporções dos insumos utilizados para representa uma fonte de nitrogênio e
o preparo do substrato para 8.000 saco- matéria orgânica. Neste caso, a adição
las plásticas são: 10 kg de super fosfato de sulfato de amônia na preparação do
(super simples), 2,4 kg de sulfato de substrato não é necessária. A desvan-
amônia, 1,2 kg de cloreto de potássio. tagem deste tipo de matéria orgânica
Em seguida, 1 kg desses insumos é a presença de um grande número de
deve ser misturado a 5 carrinhos de mão sementes de espécies herbáceas ou
de barro (0,2 m³*), 1 carrinho de mão de ruderais que podem estar presentes e
palha de café (0,04 m³*) e 5 kg de areia. germinar nas sacolas.
Estas quantidades permitem o enchi- [* 1 carrinho de mão = 40 L = 0,04 m³]
mento de 600 sacolinhas de 11 x 20 cm. Fonte: www.sitengenharia.com.br/tabelaconsumo2.htm

Misturando sulfato de
amônia, super fosfato e
cloreto de potássio

Enchendo as sacolas
com o substrato

27
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Em primeiro lugar, a terra é penei- a capacidade de absorver água e ar,


rada para que se faça a retirada dos prejudicando a germinação. Nesse
grandes agregados que dificultam a sentido, a mistura com palha de café
colocação do substrato nas sacolas contribui para a formação de uma
plásticas. O peneiramento deve ser estrutura mais arejada. Posteriormen-
feito com malha não muito fina para te, agrega-se o superfosfato, sulfato
que só os grandes agregados pos- de amônia e cloreto de potássio ao
sam ficar retidos. É importante que barro. A peneira utilizada pode ser fei-
o substrato não fique parecendo um ta de materiais simples com restos de
pó muito fino, pois assim ele perderá ripas de recuperação e uma tela.

Alunos do curso de
Biologia da UFRJ
examinam a peneira
utilizada para
homogeneizar o
substrato

28
6
OBTENÇÃO DE SEMENTES
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

A semente é o fator principal no sas sementes é muito comum o uso


processo de produção de mudas. de umas poucas árvores de arboriza-
Apesar de representar um pequeno ção urbana, às vezes uma só, cujas
custo no valor final da muda, a sua origens são, em geral, desconhecidas.
qualidade e origem têm uma im- Esse procedimento leva à eliminação
portância fundamental no valor das da diversidade genética das espécies
futuras plantações. e, muitas vezes, das diferenças que
É essencial o cuidado com a produ- uma mesma espécie apresenta entre
ção e aquisição das sementes, pois, regiões.
sendo a restauração uma ação de Os frutos devem ser coletados
médio e longo prazo, o ponto inicial somente quando estiverem quase
da produção de mudas deve oferecer maduros e preferencialmente no
certa segurança quanto ao sucesso pé. Não se aconselha coletar frutos
das futuras plantações. verdes e, consequentemente, semen-
A coleta das sementes é o primeiro tes imaturas, que podem estar não
passo no processo produtivo de um totalmente desenvolvidos. É impor-
viveiro. As espécies nativas apre- tante igualmente não coletar todos
sentam problemas específicos: há os frutos, e sementes, de uma única
dificuldade de se colher sementes no árvore a fim de evitar a diminuição
interior da floresta e de um número significativa da oferta de alimentos
significativo de árvores, como seria o para a fauna local e aumentar a
ideal. Por isso, para a obtenção des- variabilidade genética.

2 3

Exemplos de sementes de espécies nativas:


4 5 [1] Schinus terebinthifolius Raddi (AROEIRA)
[2] Anadenanthera peregrina (L.) Speg (ANGICO CURTIDOR)
[3] Bowdichia virgilioides Kunth (SUCUPIRA PRETA)
[4] Paratecoma peroba (Record & Mell) Kuhlm (PEROBA AMARELA)
[5] Amburana cearensis (Fr. All.) A.C. Smith (CEREJEIRA)

30
• Obtenção de Sementes

Coletando frutos de boleira


(Joannesia princeps Vell.)
no chão

Resultado da coleta de
frutos de boleira

A coleta com podões, que é feita pode ser feito no caso de frutos
para ramos com frutos ainda no pé, grandes que caem próximos à copa.
permite atingir a parte superior das Quando possível, recomenda-se colo-
árvores, sobretudo quando são de car uma lona embaixo da árvore para
altura intermédia. Para árvores altas, facilitar a recuperação e a limpeza do
subir pelo tronco é outra forma muito material. A pessoa pode coletar os
usada e com bons resultados, o que frutos que caem espontaneamente ou
exige equipamento de segurança sacudir energicamente os galhos para
para escalada; porém, árvores dema- provocar a queda de frutos e semen-
siado altas ou de difícil acesso podem tes. Entretanto, deve-se tomar sempre
dificultar ou impedir este procedimen- o cuidado de não coletar aqueles
to de coleta. comidos por animais ou atacados por
Outra estratégia é coletar os frutos doenças, pois frutos e sementes sau-
ou sementes caídas no chão, o que dáveis podem ser contaminados.

31
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Coletando grãos de café


(frutos) no pé

Após a coleta dos frutos, estes facilitar posteriormente a identificação


devem ser transportados o mais breve das sementes e das mudas.
possível até o local de beneficiamento. A identificação inicial dos frutos é a
Antes do transporte, é importante iden- primeira etapa para o registro das se-
tificar as embalagens nas quais forem mentes das espécies cujas mudas se-
colocados. Recomenda-se o preenchi- rão produzidas. A origem do material,
mento de duas etiquetas, colocando isto é, a localidade e o lugar específico
uma no interior da embalagem e outra da coleta, constitui uma informação
por fora. Nessas etiquetas deve ser de extrema importância para o êxito
anotado o nome popular da planta e, da implantação definitiva da muda no
se possível, o nome científico dela para campo.

32
7
BENEFICIAMENTO
DE SEMENTES
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Para a maioria das espécies arbó- 7.1 EXTRAÇÃO


reas, é necessário extrair as sementes
dos frutos. Uma vez extraídas, elas As formas de extração, secagem
podem conter impurezas as quais são e beneficiamento variam de acor-
separadas e eliminadas durante o do com a espécie e com o tipo de
processo de beneficiamento. Nessas fruto.
etapas, deve-se tomar cuidado para O método mais simples é a
não danificá-las, pois os esforços dis- extração manual, que consiste
pensados serão desperdiçados se as simplesmente em abrir os frutos e
sementes perderem a viabilidade. retirar as sementes com as mãos.

Extração manual de sementes


de vagens secas. Observe que
as sementes variam de tamanho
dependendo da espécie

34
• Beneficiamento de Sementes

Sistema de bandejas suspensas para secagem e abertura de frutos. Note-se a simplicidade dos materiais

Para frutos carnosos, a extração d’água por um período de 12 a


de sementes pode ser feita com o 24 horas, sendo despolpados em
uso de água corrente. Em alguns seguida.
casos, com o auxílio de uma peneira, Os frutos secos que se abrem
os frutos são amassados e suas pol- naturalmente e liberam as semen-
pas são retiradas (despolpamento) tes devem ser colhidos antes que
e separadas das sementes que são isto aconteça; portanto, a mudança
logo postas a secar. Esta prática é de coloração e o início da abertura
fundamental para se evitar o ataque dos frutos devem ser acompanha-
de insetos e o desenvolvimento de dos. Quando ocorrer a mudança de
fungos e bactérias, que podem cau- coloração, os frutos são retirados da
sar o apodrecimento das sementes. árvore e colocados em pátio de seca-
Quando a polpa é muito resis- gem ou lonas para que completem a
tente, os frutos podem ficar dentro sua abertura, liberando as sementes.

35
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Despolpar por batida permite a Para os frutos secos que não se


quebra e, portanto, a abertura de abrem naturalmente são utilizados
frutos que se abrem só parcialmente, facas, tesouras, facões, até mesmo o
como certas vagens. Um simples pe- machado ou o pilão caseiro. É preciso
neiramento acompanha em seguida ter bastante cuidado com esse mé-
a separação manual dos restos de todo, pois as sementes poderão ser
frutos e das sementes. danificadas ao se fazer muita força.

Despolpamento manual
por batidas

Após o despolpamento,
a limpeza das
sementes consiste na
separação e retirada
dos restos de frutos,
com ajuda de uma
peneira. Na foto,
trata-se de jacarandá

36
• Beneficiamento de Sementes

Secagem e arejamento das vagens para abertura dos frutos e beneficiamento das sementes

7.2 SECAGEM

Antes do armazenamento, as com restos de madeira, tomando


sementes devem passar por um nestes casos o cuidado de arejar
processo de secagem, de preferên- regularmente frutos e sementes. O
cia à meia sombra e em peneiras processo de secagem permite que as
suspensas para facilitar a circulação sementes fiquem armazenadas por
de ar. Outra possibilidade é a utiliza- mais tempo e diminui a ocorrência
ção de lonas estendidas no chão ou de doenças causadas por fungos ou
de recipientes suspensos construídos outros microorganismos.

37
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Frutos ou sementes com excesso secagem é com a utilização de estufa,


de umidade devem ser submetidos processo artificial no qual é possível
a uma pré-secagem denominada de controlar a temperatura e a umidade.
cura. Ou seja, depois de colhidos, são Apesar de não depender das condi-
colocados para secagem à sombra, ções climáticas, podendo ser realiza-
por 2 a 5 dias, para que percam o do em todo momento, esse método
excesso de umidade. Outra forma de aumenta os custos de produção.

38
• Beneficiamento de Sementes

7.3 ARMAZENAMENTO

Quanto à capacidade de arma- possível.


zenamento, as sementes podem ser A dormência é a propriedade
divididas em dois grupos: das sementes de algumas espécies
1) ortodoxas: são aquelas que vegetais de retardar a germinação,
podem ser secadas e armazenadas mesmo em condições favoráveis
por um longo período de tempo, a de umidade, temperatura, luz, oxi-
baixas temperaturas, sem perder sua gênio etc. Existem muitas maneiras
capacidade de germinar; de quebrar ou superar a dormência
2) recalcitrantes: trata-se de das sementes, isto é, fazer com que
sementes que perdem a sua viabili- possam germinar mais rapidamente
dade rapidamente, não suportando e de maneira mais uniforme. Essas
secagem e armazenamento. Portanto, técnicas são específicas para cada
devem ser semeadas o mais rápido espécie.

Sementes de
jacarandá caviuna
(Dalbergia nigra
(Vell.) Allemao
ex Benth.) após
beneficiamento e
prontas para ser
semeadas

39
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Depois de secas, as sementes trantes, ou seja, que não conser-


devem ser armazenadas adequa- vam a viabilidade. Na Fundação
damente para que a sua viabilida- Bionativa, as sementes que não
de ou capacidade de germinação são imediatamente utilizadas ficam
se mantenha. Porém, grande parte estocadas em câmara fria (geladei-
das espécies da floresta, se não a ra ou freezer) aproximadamente a
maioria, possui sementes recalci- 6 ºC.

Sementes de ipê secas, identificadas e prontas para serem armazenadas

40
• Beneficiamento de Sementes

Extração e quebra de dormência com


água quente de sementes de boleira.
A boleira é uma espécie pioneira cujas
sementes se conservam no solo, porém,
em estado de dormência

As técnicas que permitem quebrar são específicas para cada espécie


ou superar a dormência das semen- vegetal e, por isto, devem ser testadas
tes, para que possam germinar mais até se encontrar aquela que produz o
rapidamente e de maneira mais uni- melhor resultado na germinação das
forme, são variadas, dependendo das sementes. Entretanto, existe a respeito
espécies. Algumas delas são: raspa- uma abundante bibliografia.
gem da casca (escarificação mecâni- As técnicas mais comuns utilizadas
ca), uso de água quente e fria e uso na produção de mudas da Funda-
de ácidos (escarificação química). A ção Bionativa são: imersão em água
técnica mais simples e mais usada é a quente com posterior secagem em
de colocar as sementes em água fria uma tela ou areia e lixamento da cas-
de 12 a 24 horas ou, ainda, a imersão ca através do atrito até torná-la fina o
em água quente. Distintas técnicas suficiente (escarificação mecânica).

41
8
CANTEIROS E SEMENTEIRAS
• Canteiros e Sementeiras

Os canteiros devem ter, preferen- delimitado em função do número de


cialmente, forma retangular, com fileiras e do comprimento desejado.
o comprimento muito maior que a Em cada ponta do canteiro, mar-
largura. Isto permite que as mudas cações são feitas com pedaços de
da parte de dentro do canteiro não madeira, canos de PVC ou bambu,
sejam sombreadas pelas que estão com aproximadamente 10 cm de
na parte externa quando crescerem. altura. Para ligar uma ponta à outra
Os canteiros podem ser formados é utilizado tanto arame ou corda
pelas próprias sacolas destinadas como ripas de madeira ou bambu.
à produção de mudas organizadas Em seguida, as sacolas vão sendo
em fileiras. Nesse caso, o espaço a progressivamente colocadas confor-
ser ocupado deve ser previamente mando os canteiros.

Transportando as sacolas para o local


onde serão construídos os canteiros

Detalhe da montagem dos canteiros.


Observe a corda servindo de guia
para a marcação das laterais

43
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Canteiros organizados, com


sistema de irrigação, prontos
para receber as sementes

Canteiros com mudas de espera.


Observe que a organização dos
canteiros permite a passagem dos
visitantes

O espaço deixado entre os canteiros sivos e futuros tombamentos de mudas.


para a movimentação das pessoas é As dimensões sugeridas acima
de ao redor de um metro, largura sufi- permitem que a pessoa que fizer o
ciente para a passagem de um carrinho manuseio das mudas fique conforta-
de mão. Eles devem estar dispostos de velmente sentada ao lado do canteiro
forma perpendicular à inclinação do e tenha acesso a todas as mudas sem
terreno para impedir que nas vias de fazer movimentos que possam gerar
passagem se produzam processos ero- desconforto ou lesões.

44
• Canteiros e Sementeiras

A sementeira é um canteiro que teral para o canteiro, com o intuito de


recebe diretamente as sementes, evitar que no processo de irrigação a
principalmente aquelas com baixa terra escorra lateralmente, e se perca
taxa de germinação, evitando assim um grande número de sementes. O
a perda de recipientes e substrato. tamanho da sementeira deve variar
As mudas, quando estiverem com o de acordo com a produção deseja-
porte necessário, devem ser trans- da e a disponibilidade de espaço.
plantadas para recipientes individuais Todavia, a largura não deve passar de
até que sejam levadas a campo. É 1m, visando facilitar as operações de
importante que haja uma proteção la- semeadura e retirada de mudas.

Sementeira da Bionativa. Ela segue as mesmas dimensões dos canteiros e


possui ripas de madeira em sua lateral para melhor organização

45
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Em muitos casos, o canteiro deve Quando houver excesso de chuvas e


ser protegido do sol direto, chuva, de calor, as laterais da cobertura de
ventos, ataque de pássaros e animais plástico são deixadas abertas para
etc. Os materiais mais utilizados são o ventilação.
plástico e o sombrite; alguns pro- O sombrite reduz a luminosidade
dutores costumam substituí-los por e a temperatura e é utilizado quando
taquara ou sapê. Esses materiais são se torna necessário um viveiro semi-
manejados de forma a atender as exi- sombreado tanto para a germinação
gências de luz e calor de cada espé- de determinadas espécies, como
cie: o plástico transparente protege do para o crescimento de certas mudas
excesso de chuva e eleva a tempera- ou, ainda, para a formação de novas
tura, sendo adequado para local frio. raízes após repicagem.

Algumas sementes só germinam


à meia sombra, por isso deve-se
cobri-las com sombrite

Para que o sombrite não se


encoste aos canteiros, são usados
arcos de madeira para sustentá-lo

46
• Canteiros e Sementeiras

Detalhe do sombrite
cobrindo o canteiro

Irrigando um canteiro antes de


colocar as sementes. Observe
os canteiros sombreados com
sombrite e não sombreados

Caso as espécies tenham re- é feita, em geral, a pleno sol, sem


querimentos variáveis de calor ou o uso de sombrite ou outra cober-
luminosidade durante o seu desen- tura, já que elas são adaptadas a
volvimento, estruturas móveis cons- ambientes abertos na natureza.
tituídas por arcos de madeira com Pelo contrario, no caso de algumas
sombrite podem ser construídas. espécies não pioneiras, o uso de
Com efeito, algumas espécies sombrite com 30% a 50% de som-
precisam incidência direta da luz breamento é necessário, sobretudo,
para germinar, outras exigem me- para a germinação.
nor luminosidade e temperaturas As peças movíveis de sombrite
mais amenas, o que se obtém com facilitam o ajuste de temperatura
a utilização de sombrite. Para as e luminosidade às necessidades
espécies pioneiras, a semeadura transitórias das plântulas.

47
9
SEMEADURA
• Semeadura

É o processo de plantio da se- recipientes possam ser usados (saco


mente, quando é colocada em con- de leite, garrafas PET, caixas do tipo
tato com o solo ou com o substrato TETRA PACK).
utilizado para a germinação. As O plantio pode ser feito também
sementes devem ser suficientemen- em sementeira. Esse método é
te enterradas para que a cobertura ideal para sementes de espécies
não fique fina demais, deixando-as que apresentem um baixo índice
expostas à temperatura ambiente de germinação, ou então, um nível
e ao ar o que diminui a quantida- de germinação desconhecido ou,
de de umidade retida e impede a ainda, quando as sementes apre-
germinação. Mas, elas não devem sentam tamanho muito grande ou
tão pouco estar recobertas de uma demasiado pequeno.
camada muito espessa e ficar em Utilizando a sementeira evita-se
profundidade, pois a germinação o possível desperdício de recipiente
e o crescimento da muda ficam caso as sementes não germinem,
dificultados. além de possibilitar ao viveirista a
A semeadura pode ser feita em oportunidade de fazer uma seleção
diversos tipos de recipientes indivi- das melhores plantas, escolhendo
duais. Para uma produção em larga quais delas serão passadas para
escala é recomendado o uso de o saquinho, quando relativamente
sacos de polietileno, embora outros desenvolvidas.

Processo de semeadura realizado por


estagiários do programa de Formação de
Viveiristas liderado pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro

49
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Um procedimento muito acessível abundantemente molhadas para em


é utilizado na Bionativa. As sacolas seguida serem recobertas de uma
já organizadas nos canteiros são chuva de areia branca.

Polvilhar com areia as sacolas nos canteiros. A areia


ajuda na hora de abrir as pequenas covas para colocar
a semente e mantém a areação do solo, importante
para o crescimento da muda

50
• Semeadura

Pedaço de madeira sendo


cortado para fazer um cabo
utilizado como perfurador

Perfuração das sacolas com o cabo de madeira

Para perfurar o substrato contido pela camada de areia que impede que
na sacola, utiliza-se como ferramenta o substrato cole ao toco de madeira
um toco de madeira de extremos ar- possibilitando modelar uma pequena
redondados. A perfuração é facilitada “cova” e proceder à semeadura.

51
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Normalmente, são colocadas duas a menor das mudas deve ser trans-
ou mais sementes por recipiente, para ferida para outro saquinho. Algumas
garantir que a germinação ocorra e vezes nenhuma germina, inutilizando
não se perca a semeadura. Por fim, a transitoriamente o recipiente utilizado.
semente é recoberta por uma cama- Nestes casos, a reorganização do
da relativamente fina de substrato. canteiro com a consequente elimi-
Caso duas ou mais sementes nação das sacolas vazias torna-se
germinem em um mesmo recipiente, necessária.

Colocar as sementes em cada


um dos buracos feitos. Para
sementes grandes uma por
sacola é suficiente

Para sementes pequenas


colocam-se duas ou até
três por buraco

52
• Semeadura

Semeadura de
sementes de boleira

As sementes são
recobertas com uma
fina camada de areia

Nas sementeiras, a semeadura evitar sobreposição entre elas.


é feita normalmente a lanço e as Deve-se ficar atento para que as
sementes são cobertas com uma fina sementes não sejam descobertas
camada de areia média peneirada, durante a irrigação. Após a germina-
ou uma mistura de areia com material ção, as plântulas devem ser mantidas
orgânico. Quando as sementes são na sementeira até atingirem de cinco
de tamanho importante, como as de a sete cm de altura. Após atingir esse
boleira, é mais adequado dispô-las tamanho, devem ser repicadas para
cuidadosamente em camada para os saquinhos.

53
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Na Fundação Bionativa, uma vez fi- semeadas, seja a sementeira, de for-


nalizada a semeadura utiliza-se palha ma a manter a umidade e a assegu-
de café para recobrir seja as sacolas rar um aporte orgânico progressivo.

Finalizada a semeadura,
as sacolas são recobertas
com palha de café

54
• Semeadura

Canteiros com placas


de identificação

As informações referentes
a sementes, plântulas etc.
são registradas

Finalizado o trabalho de instalação como o tipo de solo ou o grau de en-


dos canteiros, é necessário colocar charcamento de bordas de córregos.
placas de identificação, geralmente É também interessante re-agrupar
com o nome local da espécie e a data informações sobre as diferentes es-
da semeadura. O destino posterior das pécies que são produzidas no viveiro.
mudas será facilitado, sobretudo quan- Em particular, aqueles dados relativos
do estão destinadas a plantios mistos, ao uso direto da biodiversidade que
podendo se adequar as espécies podem, mais tarde, propiciar ações de
escolhidas a situações específicas tais manejo.

55
10
REPICAGEM
• Repicagem

Ao se colocar várias sementes em teira recém-molhada e colocadas em


um saquinho pretende-se garantir recipiente com água.
que ao menos uma germine. Quan- O substrato das sacolas que
do mais de uma semente germina, receberão as plântulas de repicagem
é necessário fazer a remoção das deve estar úmido; as covas, peque-
plântulas em excesso para outros nos furos no substrato com profun-
saquinhos. Isso é o que se chama didade de cerca de 20 cm, evitam
repicagem. danificar as raízes a fim de facilitar
As espécies que foram semeadas a rápida recuperação das mudas.
na sementeira também devem pas- Se estiverem com tamanho excessi-
sar pela repicagem a fim de serem vo, as raízes das mudas devem ser
levadas para recipientes individuais. podadas antes das plântulas serem
É uma operação delicada que deve colocadas nas novas covas. A terra
ser feita com todo cuidado. As mu- ao redor da cova deve ser levemente
das devem ser retiradas da semen- pressionada.

Mudas sendo replantadas (repicagem). Note-se a fragilidade da muda e a delicadeza do gesto necessário ao plantio

57
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Após essas operações, a muda efetuar a repicagem vai depender da


deverá ficar em local abrigado da luz espécie vegetal. Em geral, as mudas
direta, sob sombrite, com regas sua- devem ser retiradas quando atingirem
ves e frequentes. É a etapa de viveiro altura de três a sete cm, apresentan-
semi-sombreado. A época para se do dois a quatro pares de folhas.

Repicagem de mudas quando


mais de uma semente germinou
nos saquinhos. São retiradas
cuidadosamente as mudas
menores e antes de serem
replantadas são colocadas em
uma bacia com água

Replantio das mudas


repicadas

58
11
ORGANIZAÇÃO E
MANUTENÇÃO DO VIVEIRO
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

É importante que as pessoas dinamiza bastante as atividades. Em


possam circular entre os canteiros do outros casos, sacolas com substrato
viveiro com conforto e segurança. ou já com mudas são transportadas
Nos canteiros, as mudas devem em caixas e com um carrinho maior.
ser organizadas de forma a separá- Atenção e cuidado são essenciais
-las por espécie e idade. Como norma em todas as operações de manuseio
geral, estas informações devem estar das mudas para evitar que danos
orientadas a fornecer o levantamento sejam causados às plantas. Mudas
continuo das mudas disponíveis no pequenas devem ser manuseadas
viveiro e dados sobre a evolução dos com todo cuidado, procurando segu-
estoques. rá-las pelo saquinho e não pela plan-
Para o transporte de poucas ta. Mudas que estejam mais crescidas
mudas dentro do viveiro é indicada a podem ser manuseadas, segurando-
utilização do carrinho de mão, o que -as pela base da planta.

Estagiários
participam da
construção de
um mini-viveiro.
Para o transporte
de sacolas com
substrato são
utilizados um
carrinho e caixas
plásticas

60
• Organização e Manutenção do Viveiro

A capina manual e a limpeza entre Para evitar que o desenvolvimento


os canteiros devem ser realizadas das mudas seja comprometido é
frequentemente para que sejam importante monitorá-las fazendo a
evitados o surgimento e o crescimento retirada dessas plantas de forma
de plantas indesejáveis ou invasoras, manual e cuidadosa, tão logo sejam
sobretudo em períodos de chuva. identificadas.

Limpeza dos corredores entre os canteiros

61
12
CONTROLE DE DOENÇAS
E PRAGAS
• Controle de Doenças e Pragas

Uma das atividades de manuten- de formigas é outro problema possí-


ção diária do viveiro é detectar as vel. A primeira medida a ser tomada
mudas doentes nos canteiros. Caso é de caráter preventivo: lugares onde
haja mudas atacadas por fungos haja grande concentração de formi-
ou outras doenças, elas devem ser gueiros são forçosamente evitados
isoladas do restante e colocadas em para construção e instalação de
quarentena para se evitar que outras viveiros. Caso ocorra o ataque direto
mudas sejam infectadas. Assim, em de formigas, a melhor estratégia é
função do tipo de ataque, do número uma ação integrada, com a utilização
de mudas infectadas e da importân- de diferentes métodos de combate
cia da espécie será decidido o trata- ao mesmo tempo. Alguns métodos
mento ou a simples eliminação das tradicionais exigem maior investimen-
mudas doentes. to em horas de trabalho, mas evitam
A presença de grandes populações a utilização maciça de agrotóxicos.

O cuidado contínuo
dos canteiros
e a remoção de
sacolas vazias ou
mudas defeituosas
permitem evitar
doenças e pragas

63
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Retirada de erva daninha manualmente com as mudas após germinação

A doença que mais afeta os vivei- ao mínimo e fazer pulverização com


ros florestais é o “tombamento”, cau- fungicidas, no início da ocorrência de
sado por fungos do solo. Pode ocorrer doenças e sob orientação profissio-
na fase de pré-emergência das se- nal.
mentes, quando os fungos atacam a Quando se trata de viveiros comu-
radícula, destruindo as sementes, ou nitários e com alguma função educa-
depois da emergência das sementes, tiva é importante eliminar ao máximo
atacando as raízes e o colo. Quan- a utilização de agrotóxicos e insetici-
do ocorrer doença é recomendável das, mesmo quando seja necessário
reduzir o sombreamento e a irrigação eliminar rapidamente mudas doentes.

64
13
IRRIGAÇÃO
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

A irrigação do viveiro merece uma utilizado, deve ter crivo fino para evitar
atenção especial, devido ao alto erosão dos canteiros. O sistema por
consumo de água, que precisa ser de micro-aspersão é, em geral, o mais
boa qualidade. Um viveiro de porte indicado, em função da economia
médio, que chega a produzir 100.000 da mão-de-obra e do maior controle
mudas por ano, necessitará, em algu- sobre a distribuição da água.
mas épocas, ao redor de 10.000 litros As regas, em geral, não devem
de água por dia. ultrapassar duas vezes ao dia, pre-
A irrigação pode ser manual, ferencialmente de manhã e à tarde,
com regadores ou mangueiras, ou de forma a evitar o aparecimento
automática, por aspersão ou por de doenças e o encharcamento dos
micro-aspersão. O regador, quando canteiros.

66
• Irrigação

Especial atenção deve ser dada à dificulta a circulação de ar no solo,


irrigação em canteiros de semeadu- impedindo o crescimento das raízes,
ra recente e com mudas em estágio lixivia os nutrientes e propicia o apare-
inicial de desenvolvimento, nos quais cimento de doenças. É interessante
as regas devem ser mais frequentes ressaltar que a rega eficiente é obtida
em comparação com os de mudas já quando o terreno fica suficientemente
desenvolvidas. umidificado, sem apresentar sinais de
O excesso de rega costuma ser encharcamento, i.e., poças ou água
mais prejudicial do que a falta: escorrendo.

Viveiro sendo irrigado com a ajuda de aspersores e regadores

67
14
DESENVOLVIMENTO
DAS MUDAS
• Desenvolvimento das Mudas

Existem algumas operações que destacamos as fundamentais para


devem ser feitas para melhorar a ajudar as mudinhas a crescerem com
qualidade das mudas, entre as quais vigor.

14.1 PODA DA COPA

Para algumas espécies utiliza-se do tamanho das mudas pode ser


a poda, com o objetivo de corrigir necessária quando há atraso na
diferenças na copa, reduzir o tama- operação de plantio, ou quando
nho da muda ou eliminar brotos la- há desequilíbrio entre a copa bem
terais que se formam eventualmente expandida e raízes pouco desenvol-
junto ao colo da muda. A redução vidas.

69
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

14.2 PODA DE RAÍZES 14.3 CONTROLE DO


CRESCIMENTO
A poda das raízes é utilizada para
retardar o desenvolvimento das mu- Quando as mudas atingem o
das até a época do plantio. Ela pode tamanho adequado, é reduzida a
ser realizada também para facilitar a irrigação, de forma a “rustificar” a
repicagem quando as mudas “pas- muda, evitar o crescimento exces-
sam”, isto é, quando ultrapassam por sivo e a penetração das raízes no
algum motivo o tamanho indicado chão. Desta maneira, prepara-se
para replantar separadamente cada a muda para ser implantada no
muda da espécie. campo.

Poda de raízes de mudas de Joannesia princeps Vell. (boleira) para diminuir a velocidade de crescimento

70
• Desenvolvimento das Mudas

14.4 DANÇAS OU REMOÇÃO

Consiste na movimentação das competição, principalmente por luz. A


mudas de um local para outro, dentro remoção também é feita para evitar a
do próprio canteiro ou entre cantei- fixação no solo das raízes que trans-
ros. Este procedimento tem como puseram o recipiente. A mudança de
objetivo agrupar mudas de mesmo sacola e, inclusive, o aumento de seu
tamanho, evitando desequilíbrios na tamanho podem ser necessários.

Mudas sendo organizadas pelo seu tamanho. Mantêm-se juntas as mudas da mesma espécie

71
Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

14.5 SELEÇÃO

A seleção das mudas antes da danos, sintomas de deficiências ou


expedição é uma operação indis- incidência de pragas e doenças,
pensável. Implica em que aque- além das plantas raquíticas, sejam
las que apresentarem quaisquer descartadas.

Mudas sendo selecionadas para seu destino final

72
• Desenvolvimento das Mudas

O tempo necessário para a produ- para expedição.


ção de mudas depende da espécie Quando a data da expedição esti-
e das condições de clima. É possível ver próxima, as mudas devem adquirir
afirmar que o tempo médio para os certa rusticidade, isto é, serem grada-
eucaliptos e as pioneiras nativas é tivamente mais resistentes às condi-
de 60 a 90 dias e para os pinos é de ções de campo. Assim, são reduzidas
150 a 180 dias, mas estes períodos as irrigações e são colocadas a pleno
servem apenas como indicadores. As sol, só podendo permanecer na som-
espécies de crescimento muito lento bra aquelas mudas que serão planta-
podem necessitar de até 200 ou mais das no campo à sombra. No caso de
dias de viveiro. Em todos os casos, se usar sacos plásticos, deverão ser
o tempo de desenvolvimento está expedidas com o substrato mais seco,
igualmente associado ao clima da de forma a evitar o esboroamento,
região, notadamente à temperatura e mas devem ser pulverizadas com
umidade. Findo esse prazo, inicia-se o água para manter a turgescência, ou
processo de preparação das mudas seja, evitar o murchamento.

Mudas prontas
para ser
transportadas e
realizar o plantio

73
15
CONCLUSÃO
• Conclusão

Em síntese, os viveiros florestais rurais no reflorestamento de áreas


são os locais destinados ao cresci- degradadas ou no cumprimento da
mento de mudas até o seu plantio de- legislação ambiental.
finitivo. A aparição das mudas, isto é, Em todas as situações, a criação
o tempo de germinação das semen- e manutenção de um viveiro exigem
tes depende da espécie, do local de uma adaptação às condições locais.
germinação, das condições do meio É importante refletir ao fato de que a
ambiente e dos cuidados. O período produção de mudas não é mais que
de manutenção das mudas no viveiro uma etapa que precisa ser pensada
é igualmente variável e depende tanto em função da implantação no campo
da velocidade de desenvolvimento e das necessidades e potencial de
de cada espécie como do tamanho utilização em cada lugar ou região.
desejado para o plantio. Quando Para o pequeno e médio produtor
adultas essas mudas devem adqui- rural, o viveiro pode se constituir
rir certa rusticidade antes de serem numa ferramenta para facilitar tanto
transportadas para o local onde serão a sustentabilidade ambiental como a
plantadas em definitivo. econômica.
Os viveiros devem ser planejados Neste sentido viveiros florestais
de acordo com seu objetivo. Eles e viveiros para mudas de produção
podem ser grandes viveiros voltados agrícola podem ser vistos como ativi-
para geração de renda, ou peque- dades complementares numa gestão
nos viveiros que auxiliam produtores sustentável das propriedades rurais.

75
16
BIBLIOGRAFIA
• Bibliografia

Cartilha - Capacitação de Agentes Ambientais e Viveiristas - Módulo I. Maquiné,


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Manual de Técnicas de Viveiro para Espécies Arbóreas Nativas •

Rio de Janeiro, Secretaria do Meio Ambiente.


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•  http://municipioecunha.net/_files/manualviveirosflorestais.pdf

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2003 19p.
•  http://www.mma.gov.br/estruturas/pnf/_arquivos/uap-viveirosflorestais.pdf

78
Este livro foi composto nas tipologias Serifa BT e
Vagabond e impresso em papel couchê 115 g/m2 em
agosto de 2013.
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