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Documentos

ISSN 1516-781X
Abril, 2014 256

Manual de identificação
de doenças de soja
5ª edição
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ISSN 1516-781X
Embrapa Soja Abril, 2014
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Documentos 256
Manual de identificação de doenças de soja
5ª edição

Ademir Assis Henning, Álvaro Manuel Rodrigues Almeida,


Cláudia Vieira Godoy, Claudine Dinali Santos Seixas,
José Tadashi Yorinori, Leila Maria Costamilan, Léo Pires Ferreira,
Maurício Conrado Meyer, Rafael Moreira Soares e Waldir Pereira Dias.
Autores

Embrapa Soja
Londrina, PR
2014
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: 4ª edição
1ª impressão (2010): 3.000 exemplares
Embrapa Soja 2ª impressão (2012): 3.000 exemplares
Rodovia Carlos João Strass - Acesso Orlando Amaral
Caixa Postal 231, Distrito de Warta 5ª edição
CEP 86001-970, Londrina/PR 1ª impressão (2014): 5.000 exemplares
Fone: (43) 3371 6000 - Fax: (43) 3371 6100
www.embrapa.br/soja
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Membros: Adeney de Freitas Bueno, Adônis Moreira, Alvadi Antonio Embrapa Soja
Balbinot Junior, Claudio Guilherme Portela de Carvalho, Fernando Augusto
Henning, Eliseu Binneck, Liliane Márcia Mertz Henning e Norman Neumaier. Manual de identificação de doenças de soja /
Ademir Assis Henning ... [et al.] – 5.ed. Londrina: Embrapa Soja,
Supervisora editorial: Vanessa Fuzinatto Dall’Agnol 2014.
Normatização bibliográfica: Ademir Benedito Alves de Lima 76 p. : il. color. ; 18cm. - (Documentos / Embrapa Soja, ISSN
1516-781X; n. 256)
Editoração eletrônica: Marisa Yuri Horikawa
1ª edição
1ª impressão (2005): 7.000 exemplares 1.Soja-Doença. 2.Doença de planta. I.Henning, Ademir Assis.
2ª impressão (2007): 3.000 exemplares II.Título. III.Série.
2ª edição
1ª impressão (2008): 4.000 exemplares
CDD 633.3493 (21.ed.)
3ª edição
1ª impressão (2009): 2.000 exemplares 
Embrapa 2014
Autores
Ademir Assis Henning José Tadashi Yorinori Rafael Moreira Soares
Engenheiro agrônomo, Ph.D. Engenheiro-agrônomo, Ph.D. Engenheiro agrônomo, Dr.
Pesquisador, Embrapa Soja, Londrina/PR Pesquisador, Embrapa Soja (até 03/2007) Pesquisador, Embrapa Soja, Londrina/PR
ademir.henning@embrapa.br rafael.soares@embrapa.br
Leila Maria Costamilan
Álvaro Manuel Rodrigues Almeida Engenheira agrônoma, M.Sc. Waldir Pereira Dias
Engenheiro agrônomo, Ph.D. Pesquisadora Embrapa Trigo Engenheiro agrônomo, Dr.
Pesquisador, Embrapa Soja, Londrina/PR Passo Fundo/RS Pesquisador, Embrapa Soja, Londrina/PR
alvaro.almeida@embrapa.br leila.costamilan@embrapa.br waldir.dias@embrapa.br

Cláudia Vieira Godoy Léo Pires Ferreira


Engenheiro agrônomo, Dra. Engenheiro agrônomo, Dr.
Pesquisadora, Embrapa Soja, Londrina/PR Pesquisador, Embrapa Soja (até 03/2007)
claudia.godoy@embrapa.br
Maurício Conrado Meyer
Claudine Dinali Santos Seixas Engenheiro agrônomo, Dr.
Engenheira agrônoma, Dra. Pesquisador, Embrapa Soja
Pesquisadora, Embrapa Soja, Londrina/PR Santo Antônio de Goiás/GO
claudine.seixas@embrapa.br mauricio.meyer@embrapa.br
Apresentação

O primeiro passo para se realizar um adequado programa de controle de doenças em plantas é a correta identificação
das mesmas. Esta publicação é resultado do esforço da equipe de fitopatologia da Embrapa Soja, da Embrapa Trigo
e de antigos colaboradores que agruparam aqui as principais doenças da cultura da soja, já constatadas no Brasil,
descrevendo os sintomas, as condições propícias de desenvolvimento e as medidas de controle para cada uma.

Tanto a apresentação de fotografias, quanto o formato da publicação, visam auxiliar a identificação das doenças a
campo, sendo uma ferramenta de trabalho muito útil a agricultores, estudantes e profissionais da área agronômica.

Nesta quinta edição foi acrescentada a doença mancha bacteriana marrom, causada pela bactéria Curtobacterium
flaccumfaciens pv. flaccumfaciens, que apareceu em lavouras do Paraná na safra 2011/2012.

José Renato Bouças Farias


Chefe-Geral da Embrapa Soja
Sumário
Doenças causadas por fungos ........................................................................................................................................ 7
Antracnose (Colletotrichum truncatum)................................................................................................................................................................................ 8
Cancro da haste (Diaporthe aspalathi e Diaporthe caulivora) .......................................................................................................................................... 10
Crestamento foliar de Cercospora e mancha púrpura (Cercospora kikuchii)................................................................................................................... 12
Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi e P. meibomiae)............................................................................................................................................................ 14
Mancha alvo e podridão radicular de Corynespora (Corynespora cassiicola)................................................................................................................. 16
Mancha foliar de Ascochyta (Ascochyta sojae)................................................................................................................................................................... 18
Mancha foliar de Myrothecium (Myrothecium roridum)................................................................................................................................................... 19
Mancha olho-de-rã (Cercospora sojina)............................................................................................................................................................................... 20
Mancha parda (Septoria glycines)........................................................................................................................................................................................ 22
Mela ou requeima (Rhizoctonia solani AG1)....................................................................................................................................................................... 24
Míldio (Peronospora manshurica)........................................................................................................................................................................................ 26
Tombamento e morte em reboleira de Rhizoctonia (Rhizoctonia solani)......................................................................................................................... 28
Tombamento e murcha de Sclerotium (Sclerotium rolfsii)................................................................................................................................................ 30
Oídio (Microsphaera diffusa)................................................................................................................................................................................................ 32
Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum)............................................................................................................................................................................... 34
Podridão de carvão da raiz (Macrophomina phaseolina)................................................................................................................................................... 36
Podridão parda da haste (Cadophora gregata)................................................................................................................................................................... 38
Podridão radicular de Rosellinia (Rosellinia necatrix)........................................................................................................................................................ 40
Seca da haste e da vagem (Phomopsis spp.)...................................................................................................................................................................... 41
Podridão radicular de Phytophthora (Phytophthora sojae)................................................................................................................................................ 42
Podridão vermelha da raiz (Fusarium brasiliense, F. tucumaniae, F. crassistipitatum).................................................................................................... 44
Doenças causadas por bactérias ................................................................................................................................... 47
Crestamento bacteriano (Pseudomonas savastanoi pv. glycinea).................................................................................................................................... 48
Fogo selvagem (Pseudomonas syringae pv. tabaci).......................................................................................................................................................... 50
Pústula bacteriana (Xanthomonas axonopodis pv. glycines)............................................................................................................................................ 52
Mancha bacteriana marrom (Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens)......................................................................................................... 54

Doenças causadas por vírus ......................................................................................................................................... 57


Mosaico cálico (Alfalfa Mosaic Virus - AMV)....................................................................................................................................................................... 58
Mosqueado do feijão (Bean Pod Mottle Virus - BPMV)...................................................................................................................................................... 59
Mosaico comum da soja (Soybean Mosaic Virus - SMV)................................................................................................................................................... 60
Necrose da haste (Cowpea Mild Mottle Virus - CPMMV)................................................................................................................................................... 62
Queima do broto (Tobacco Streak Virus - TSV).................................................................................................................................................................... 64

Doenças causadas por nematoides ............................................................................................................................... 67


Nematoide de cisto (Heterodera glycines).......................................................................................................................................................................... 68
Nematoides de galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica)......................................................................................................................................... 70
Nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus).............................................................................................................................................................. 72
Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis).............................................................................................................................................................. 74

Estádios de desenvolvimento da soja ............................................................................................................................ 76


Doenças causadas por fungos
Antracnose (Colletotrichum truncatum)
Sintomas Condições de desenvolvimento
Pode causar morte de plântulas e A antracnose é uma doença que afeta sofreram atraso de colheita, por causa
manchas negras nas nervuras das a fase inicial de formação das vagens de chuvas, podem apresentar índices
folhas, hastes e vagens. Pode haver e ocorre com maior frequência na mais elevados de infecção.
queda total das vagens ou deteriora- região dos Cerrados, por causa da
ção das sementes quando há atraso elevada precipitação e das altas tem- Controle
na colheita. As vagens infectadas nos peraturas. Em anos chuvosos, pode Recomenda-se o uso de semente
estádios R3-R4 adquirem coloração causar perda total da produção, mas, sadia, tratamento de semente, rota-
castanho-escura a negra e ficam re- com maior frequência, causa redução ção de culturas, espaçamento entre
torcidas; nas vagens em granação, do número de vagens, induzindo a fileiras e estande que permitam bom
as lesões iniciam-se por estrias de planta à retenção foliar e à haste ver- arejamento da lavoura e manejo ade-
anasarca e evoluem para manchas de. Uso de sementes infectadas e de- quado do solo, principalmente com
negras. As partes infectadas geral- ficiências nutricionais, principalmente relação à adubação potássica.
mente apresentam várias pontuações de potássio, também contribuem
negras que são as frutificações do para maior ocorrência da doença.
fungo (acérvulos). Sementes oriundas de lavouras que

8
Fotos: J.T. Yorinori

9
Cancro da haste [Diaporthe aspalathi (sin. Diaporthe phaseolorum var.
meridionalis) e Diaporthe caulivora (sin. D. phaseolorum var. caulivora)]
Sintomas é a presença de folhas amareladas e Controle
com necrose entre as nervuras (folha A forma mais econômica e eficiente
Os sintomas iniciais, visíveis aos 15-20
“carijó”), no caso de D. aspalathi. de controle da doença é pelo uso de
dias após a infecção, são pequenos cultivares resistentes. As seguintes
pontos negros que evoluem para man- medidas de controle também podem
chas alongadas a elípticas e mudam da Condições de desenvolvimento
ser utilizadas: tratamento de semen-
coloração negra para a castanho-aver- Dependendo das condições climáticas te, rotação da cultura com algodão,
melhada. No estádio final, as manchas da região, os restos culturais podem arroz, girassol, milho, pastagem ou
adquirem coloração castanho-clara, com manter o fungo viável. Sob condições
sorgo e sucessão com aveia branca,
bordas castanho-avermelhadas, geral- prolongadas de alta umidade, perité-
cios podem ser produzidos nos cancros aveia preta, milheto; semeadura com
mente de um lado da haste. Infecções maior espaçamento entre as linhas
de plantas ainda verdes. A evolução
severas causam quebra da haste e e entre as plantas, de modo a evitar
da doença é lenta, pois as infecções
acamamento. As lesões são profundas ocorridas logo após a emergência estiolamento e acamamento; adubação
e a coloração da medula necrosada varia formam os cancros entre a floração e e calagem equilibradas. O tratamento
de castanho-avermelhada, em planta ain- o enchimento das vagens. As plantas de semente com fungicidas sistêmicos
da verde, a castanho-clara a arroxeada, adultas adquirem resistência à doença. (benzimidazóis) + fungicida de contato
em haste seca. Uma das indicações de Normalmente, o nível de infecção na é a maneira mais segura de se prevenir
planta em fase adiantada de infecção semente é baixo. a reintrodução do fungo.
10
R. M. Soares L.M. Costamilan

11

J. T. Yorinori P.F. Bertagnolli


Crestamento foliar de Cercospora e mancha púrpura (Cercospora kikuchii)
Sintomas Controle
O fungo ataca todas as partes da penetrar na haste e causar necrose O controle deve ser feito utilizando
planta. Nas folhas, os sintomas são de coloração avermelhada na medula. semente livre do patógeno, tratamen-
caracterizados por pontuações es- to de semente e aplicações na parte
curas, castanho-avermelhadas, com Condições de desenvolvimento aérea, utilizando fungicidas.
bordas difusas, as quais coalescem O fungo está disseminado por todas
e formam grandes manchas escuras as regiões produtoras de soja do País,
que resultam em severo crestamento porém, é mais severo nas regiões
e desfolha prematura. Nas vagens, mais quentes e chuvosas. É o fungo
aparecem pontuações vermelhas que mais frequentemente encontrado em
evoluem para manchas castanho- lotes de semente, porém o mesmo
-avermelhadas. Através da vagem, não afeta a germinação. O fungo pode
o fungo atinge a semente e causa ser introduzido na lavoura por meio
a mancha púrpura no tegumento. de semente infectada se não for trata-
Nas hastes, o fungo causa manchas da com fungicida, porém o mesmo so-
vermelhas, geralmente superficiais, brevive nos restos culturais. A doença
limitadas ao córtex. Quando a infec- é favorecida por temperaturas entre
ção ocorre nos nós, o fungo pode 23 °C e 27 °C e alta umidade.
12
C.V. Godoy

M.C. Meyer

13

A.A. Henning
Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi e P. meibomiae) Controle
O controle químico com fungicidas
Sintomas Condições de desenvolvimento formulados em mistura de diferentes
Podem aparecer em qualquer estádio O processo de infecção depende grupos químicos tem-se mostrado efi-
de desenvolvimento da planta. Os pri- da disponibilidade de água livre na ciente. O fungicida deve ser aplicado
meiros sintomas são caracterizados superfície da folha, sendo necessá- preventivamente ou nos primeiros
por minúsculos pontos (no máximo rias no mínimo seis horas, com um sintomas da doença. Deve-se realizar
1 mm de diâmetro) mais escuros do máximo de infecção ocorrendo com a semeadura no início da época reco-
que o tecido sadio da folha, de colo- 10 a 12 horas de molhamento foliar. mendada, utilizar preferencialmente
ração esverdeada a cinza-esverdeada, Temperaturas entre 18 °C e 26,5 °C são cultivares precoces e cumprir o vazio
com correspondente protuberância favoráveis para a infecção. Quanto sanitário [eliminando plantas volun-
(urédia), na página inferior da folha. mais cedo ocorrer a desfolha, menor tárias de soja (guaxa ou tiguera) na
As urédias adquirem cor castanho- será o tamanho dos grãos e, conse- entressafra], para diminuir o inóculo
-clara a castanho-escura, abrem-se quentemente, maior a perda do rendi- na safra seguinte; evitar a semeadura
em um minúsculo poro, expelindo mento e da qualidade (grão verde). A em safrinha. Cultivares resistentes es-
os esporos hialinos que se acumulam ferrugem americana (P. meibomiae) é tão disponíveis para algumas regiões
ao redor dos poros e são carregados reconhecida como de pouco impacto do Brasil, no entanto, não dispensam
pelo vento. sobre o rendimento; P. pachyrhizi é a utilização de fungicidas, uma vez
mais agressivo e pode causar perdas que populações virulentas podem
significativas. ser selecionadas em decorrência da
variabilidade do patógeno.
14
C.V. Godoy

J.T. Yorinori J.T. Yorinori

15

W.M. Paiva J.T. Yorinori


Mancha alvo e podridão radicular de Corynespora (Corynespora cassiicola)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
As lesões se iniciam por pontuações O fungo é encontrado em praticamen- Recomenda-se o uso de cultivares
pardas, com halo amarelado, evo- te todas as regiões de cultivo de soja resistentes, o tratamento de semente,
luindo para grandes manchas circu- do Brasil. Aparentemente, é nativo e a rotação/sucessão de culturas com
lares, de coloração castanho-clara a infecta um grande número de plantas milho e espécies de gramíneas e o
castanho-escura, atingindo até 2 cm nativas e cultivadas. Pode sobreviver controle com fungicidas.
de diâmetro. Geralmente, as manchas em restos de cultura e semente infec-
apresentam uma pontuação escura tada. Umidade relativa é favorável à
no centro, semelhante a um alvo. infecção na folha.
Cultivares suscetíveis podem sofrer
severa desfolha, com manchas pardo-
-avermelhadas na haste e nas vagens.
O fungo também infecta raízes.

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J.T. Yorinori

C. D. S. Seixas

17

J.T. Yorinori

J.T. Yorinori
Mancha foliar de Ascochyta (Ascochyta sojae)

A.M.R. Almeida
Sintomas Condições de desenvolvimento
As manchas foliares iniciam-se como Essa mancha foliar ocorre nos Cerra-
pequenos pontos castanho-averme- dos. Os esporos (conídios) são expeli-
lhados; expandem-se para lesões dos dos picnídios em forma de massa
circulares, atingindo até 1,5 cm. À me- de esporos (cirros) e são dispersos
dida que as manchas se expandem, a pela ação da água.
parte central torna-se castanho-clara,
diferenciando-se das bordas casta-
nho-avermelhadas. A parte central Controle
rompe-se com facilidade, deixando Em razão dos baixos níveis de ocor-
a folha furada ou rasgada. Na parte rência, não se recomendam medidas
mais clara do centro, observam-se de controle.
pequenos pontos castanho-escuros
que constituem os picnídios do fun-
go. A doença normalmente inicia em
reboleiras.

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Mancha foliar de Myrothecium (Myrothecium roridum)

M.C. Meyer
Sintomas
Pode ser confundida com as manchas formam-se pequenas massas negras
de Ascochyta e olho-de-rã. O fungo de esporos no centro das lesões.
pode infectar toda a parte aérea da
planta, porém é mais comum na folha. Condições de desenvolvimento
A lesão inicia-se por uma mancha A doença tem início em reboleiras. É
circular, verde-clara e evolui para mais comum nos Cerrados. Os espo-
manchas arredondadas, atingindo 3-5 ros são disseminados pela ação da

M.C. Meyer
mm de diâmetro. Na página superior chuva e do vento.
da folha, as manchas apresentam
centro castanho-claro e margem
castanho-escura. Na página inferior, a
Controle
coloração é uniformemente castanho- Em razão dos baixos níveis de ocor-
-escura e, sob condição de alta umida- rência, não se recomendam medidas
de, apresenta pontos brancos, como de controle.
pequenos tufos de algodão, os quais
constituem o micélio do fungo, onde

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Mancha olho-de-rã (Cercospora sojina)
Sintomas
A doença pode ocorrer em qual- castanho-avermelhados, na haste. Na introduzidos que não possuem resis-
quer estádio da planta, mas é mais semente, causa rachaduras e manchas tência a esse patógeno.
comum a partir do florescimento. de coloração parda a cinza.
Atinge folha, haste, vagem e semen-
te, iniciando como pequenos pontos
de encharcamento (anasarca), que Condições de desenvolvimento Controle
evoluem para manchas com centros O fungo é disseminado por meio da O uso de cultivares resistentes e o tra-
castanho-claro na página superior da semente infectada e dos esporos tamento de semente com fungicidas
folha, e cinza, na inferior, e bordos levados pelo vento e sobrevive em benzimidazóis em mistura com fungi-
castanho-avermelhados, em ambas restos de cultura. A doença é favore- cidas de contato, de forma sistemáti-
as páginas. Em haste e vagem, as cida por condições de altas umidade ca, são fundamentais para o controle
lesões têm aspecto de encharcamento e temperatura. O patógeno possui da doença e para evitar a introdução
na fase inicial, evoluindo para man- a capacidade de desenvolver novas do fungo ou de uma nova raça.
chas circulares, castanho-escuras, raças. A ocorrência em lavouras é
na vagem, e manchas elípticas ou esporádica podendo ser encontrada
alongadas com centro cinza e bordos em áreas cultivadas com materiais

20
Fotos: R.M. Soares

21
Mancha parda (Septoria glycines)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Os primeiros sintomas aparecem O fungo sobrevive em restos de cultu- Em razão da sobrevivência do fungo
cerca de duas semanas após a emer- ra. A infecção e o desenvolvimento da nos restos culturais, o controle mais
gência, como pequenas pontuações doença são favorecidos por condições eficiente é obtido pela rotação de
ou manchas de contornos angulares, quentes e úmidas. A dispersão dos culturas, acompanhado da melhoria
castanho-avermelhadas, nas folhas esporos ocorre pela ação da água e das condições físico-químicas do solo,
unifolioladas. Em situações favorá- do vento. O fungo necessita de um com ênfase na adubação potássica.
veis, a doença pode atingir os primei- período mínimo de molhamento de Em anos chuvosos, o controle pode
ros trifólios e causar severa desfolha. 6 horas e temperaturas entre 15 °C e ser feito com aplicação de fungicida.
Nas folhas, surgem pontuações par- 30 °C para desenvolver sintomas, com
das, menores que 1 mm de diâmetro, um ótimo de 25 °C.
as quais evoluem e formam manchas
com halos amarelados e centro de
contorno angular, de coloração cas-
tanha em ambas as faces, medindo
até 4 mm de diâmetro. Em infecções
severas, causa desfolha e maturação
precoce.
22
M. C. Meyer

23 J.T. Yorinori

R.M. Soares
Mela ou requeima (Rhizoctonia solani AG1)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
O fungo pode infectar a soja em qual- A doença é favorecida por tempe- Deve-se adotar medidas integradas,
quer estádio de desenvolvimento, afe- raturas entre 25 °C e 30 °C e longos envolvendo práticas como utilização
tando toda a parte aérea da planta. As períodos de umidade. A frequência e de cobertura morta do solo, por meio
partes infectadas secam rapidamente, a distribuição das chuvas, durante o do sistema de semeadura direta,
adquirem coloração castanho-clara ciclo da cultura, são fatores determi- nutrição equilibrada (principalmente
a castanho-escura. Folha e pecíolo nantes para a ocorrência da doença. K, S, Zn, Cu e Mn), rotação/sucessão
infectados ficam pendentes ao longo O fungo sobrevive no solo por meio com culturas não hospedeiras, ade-
da haste ou caem sobre as plantas de microesclerócios, em restos de quação de população de plantas e es-
vizinhas, propagando a doença. Nos cultura e em hospedeiros alternati- paçamento, tratamento de semente,
tecidos mortos, o fungo forma finas vos. A disseminação ocorre, princi- uso de semente com boa qualidade
teias de micélio com abundante pro- palmente, por meio de respingos de sanitária e fisiológica, eliminação de
dução de microesclerócios, de cor chuva e por contato entre plantas. O plantas daninhas e resteva de soja e
bege a castanho-escura. Infecções nas patógeno apresenta ampla gama de controle químico com fungicidas. A
hastes e vagens resultam em lesões hospedeiros. maior eficiência do controle químico
castanho-avermelhadas. A doença é conseguida quando adotado antes
ocorre em reboleiras. da severidade atingir o nível de 10%
da área foliar atacada.
24
Fotos: M.C. Meyer

25
Míldio (Peronospora manshurica)
Sintomas
A doença tem início nas folhas unifo- coloração bege a castanho-clara ao por semente, na forma de oosporos
lioladas e progride, podendo atingir tegumento. aderidos ao tegumento, embora pos-
toda a parte aérea. Os sintomas sa ocorrer, é rara.
iniciais são manchas de 3 a 5 mm,
verde-claras, que evoluem para cor Condições de desenvolvimento
amarela na página superior da folha, O patógeno é introduzido na lavoura Controle
e mais tarde para tecido necrosado. por meio de sementes infectadas e Não há medidas de controle recomen-
No verso da mancha amarelada, por esporos disseminados pelo vento. dadas em razão da pouca importância
aparecem estruturas de frutificação Ocorre em praticamente todas as re- econômica da doença.
do patógeno, de aspecto cotonoso giões produtoras de soja do Brasil. As
e de coloração levemente rosada a condições climáticas de temperaturas
cinza. As infecções na vagem podem amenas (20 °C a 22 °C) e umidade
resultar em deterioração da semente elevada, principalmente na fase ve-
ou infecção parcial, com formação de getativa, são favoráveis à doença. À
uma crosta pulverulenta, constituída medida que as folhas envelhecem,
de micélio e esporos, dando uma tornam-se resistentes. A transmissão

26
C.V. Godoy

A.C.B. Oliveira A.A. Henning

27

R.M. Soares
Tombamento e morte em reboleira de Rhizoctonia (Rhizoctonia solani)
Sintomas em grupos no campo (reboleiras) com questionável, pois o mesmo ocorre
Na fase de plântula ocorre o estran- as folhas presas voltadas para baixo. naturalmente nos solos.
gulamento da haste ao nível do solo,
resultando em murcha e tombamento Condições de desenvolvimento Controle
ou sobrevivência temporária, com O tombamento ocorre entre a pré- A ocorrência do tombamento por
emissão de raízes adventícias acima -emergência e 30-35 dias após a R. solani pode ser reduzida por tra-
da região afetada. Essas plantas nor- emergência, sob condições de tem- tamento da semente com fungicida,
malmente tombam antes da floração. peratura e umidade elevadas. A morte para proteger contra o fungo presente
No florescimento ocorre podridão em reboleira é observada geralmente no solo durante a emergência, rotação
aquosa de coloração castanha na has- após a floração, em áreas recém-aber- da cultura com gramíneas e elimina-
te próximo ao nível do solo. O sistema tas, sendo raramente detectada em ção da compactação do solo, para
radicular adquire coloração castanho- campos cultivados por mais tempo. evitar o encharcamento.
-escura, o tecido cortical fica mole e A doença é favorecida por tempera-
se solta com facilidade, expondo um turas amenas em anos chuvosos. A
lenho firme e de coloração branca a taxa de transmissão do fungo por
castanho-clara. Essas plantas morrem semente é baixa e sua importância é

28
Fotos: A.M.R. Almeida

29
Tombamento e murcha de Sclerotium (Sclerotium rolfsii)
Sintomas
Pode infectar plântulas causando tom- Condições de desenvolvimento fungo pode ser disseminado por meio
bamento ou murcha. O tombamento O fungo é comum em todas as regiões de solo aderido a equipamentos.
resulta de uma podridão mole, aquosa do Brasil, porém, a incidência da do-
que, geralmente, inicia logo abaixo do ença é variável. A presença de restos Controle
nível do solo. Normalmente, ocorre culturais em decomposição pode O fungo é capaz de infectar mais de
ao longo das fileiras, dando aparên- favorecer a ocorrência da doença. 200 espécies vegetais o que torna
cia de morte em reboleira. Plântulas Condições de alta umidade e calor (30 difícil seu controle. O enterrio de
mortas, quando pressionadas com os °
C - 35 °C) são favoráveis ao desenvol- restos de cultura contribui para a de-
dedos, parecem chochas. Em plantas vimento do fungo, a partir da germi- composição de esclerócios por outros
mais velhas, a infecção causa amare- nação de esclerócios ou de micélio microrganismos do solo.
lecimento das folhas que murcham desenvolvido em matéria orgânica no
e caem. O fungo desenvolve-se ao solo. As infecções também são comu-
longo da haste da planta, desde a re- mente observadas após um período
gião do colo, formando uma cobertura de seca. Esclerócios desidratados
branca de micélio, podendo produzir são estimulados a germinar quando
esclerócios de cor creme, que se tor- a umidade retorna e exsudatos de
nam marrom-escuro. plantas estão presentes no solo. O
30
M.C. Meyer

A.M.R. Almeida

31
Oídio (Microsphaera diffusa)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Microsphaera diffusa é um parasita A infecção pode ocorrer em qualquer O método mais eficiente de controle
obrigatório que se desenvolve em estádio de desenvolvimento da plan- é o uso de cultivares resistentes. O
toda a parte aérea da planta. Apresen- ta, porém, é mais comum por ocasião controle químico pode ser utilizado
ta uma fina cobertura esbranquiçada, do início da floração. Condições de por meio da aplicação de fungicidas.
constituída de micélio e esporos pul- baixa umidade relativa do ar e tem-
verulentos. Nas folhas, com o passar peraturas amenas (18 °C a 24 °C) são
do tempo, a coloração branca do fun- favoráveis ao desenvolvimento do
go muda para castanho-acinzentada fungo.
e, em condições de infecção severa,
pode causar seca e queda prematura
das folhas.

32
C.V. Godoy

A.M.R. Almeida
33
Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Manchas aquosas que evoluem para A fase mais vulnerável da planta Evitar a introdução do fungo na área
coloração castanho-clara e logo de- vai do estádio da floração plena ao utilizando semente certificada livre
senvolvem abundante formação de início da formação das vagens. Alta do patógeno. Efetuar tratamento de
micélio branco e denso. O fungo é umidade relativa do ar e temperaturas semente com mistura de fungicidas
capaz de infectar qualquer parte da amenas favorecem o desenvolvimen- de contato e benzimidazóis. Em áreas
planta, porém as infecções iniciam-se to da doença. Esclerócios caídos ao de ocorrência da doença, é necessário
com frequência a partir das pétalas ca- solo, sob alta umidade e temperatu- associar várias estratégias: semeadu-
ídas nas axilas das folhas e dos ramos ras entre 10 °C e 21 °C, germinam e ra direta sobre palhada de gramínea,
laterais. Ocasionalmente, nas folhas, desenvolvem apotécios na superfície fazer a rotação/sucessão de soja com
podem ser observados sintomas de do solo. Estes produzem ascosporos espécies resistentes como milho,
murcha e seca. Em poucos dias, o mi- que são liberados ao ar e são res- sorgo, milheto, aveia branca ou tri-
célio transforma-se em massa negra e ponsáveis pela infecção das plantas. go; eliminar as plantas hospedeiras
rígida, o esclerócio, que é a forma de A transmissão por semente pode do fungo; fazer adubação adequada;
resistência do fungo. Os esclerócios ocorrer tanto por meio do micélio aumentar o espaçamento entre linhas,
variam em tamanho, e podem ser dormente (interno) quanto de escle- reduzindo a população ao mínimo
formados tanto na superfície quanto rócios misturados às sementes. Uma recomendado. Aplicações de fungi-
no interior da haste e das vagens vez introduzido na área, o patógeno cidas podem ser realizadas no início
infectadas. é de difícil erradicação. do florescimento e durante a floração.
34
A.A. Henning

M.C. Meyer

35

A.A. Henning A.A. Henning


Podridão de carvão da raiz (Macrophomina phaseolina)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
A infecção das raízes pode ocorrer Áreas onde o preparo do solo não é Adequada cobertura do solo com res-
desde o início da germinação, visto adequado, permitindo a formação de tos de cultura, acompanhada de bons
que o fungo é um habitante natural pé de grade resultam em plantas com manejos físico e químico do solo, mos-
dos solos. Lesões no colo da planta sistemas radiculares superficiais, com trou-se eficaz, por reduzir o estresse
são de coloração marrom-aver- pouca tolerância à seca. Essas plantas hídrico, diminuindo a predisposição das
melhada e superficiais. Radículas são mais vulneráveis ao ataque de plantas ao ataque de M. phaseolina. Em
infectadas apresentam tecidos com Macrophomina, principalmente em solos compactados fazer escarificação
escurecimento. Após o florescimento condições de déficit hídrico. para facilitar a penetração das raízes.
e ocorrendo deficit hídrico, as folhas
tornam-se inicialmente cloróticas,
secam e adquirem coloração marrom,
permanecendo aderidas aos pecíolos.
Nessa fase, as plantas apresentam
raízes de cor cinza, cuja epiderme
é facilmente destacada, mostrando
microesclerócios negros nos tecidos
imediatamente abaixo.
36
C.V. Godoy

A.A. Henning A.A. Henning

37

M.C. Meyer A.A. Henning


Podridão parda da haste [Cadophora gregata (sin. Phialophora gregata)]
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
A partir do estádio de enchimento de O fungo sobrevive em restos culturais Usar cultivares resistentes. Cultiva-
grãos, pode ser observado escureci- de soja e no solo e não é disseminado res suscetíveis podem ser semeadas
mento marrom-escuro da medula da por semente. A infecção ocorre atra- após cultivares resistentes, mas não
haste e da raiz. Esses sintomas podem vés do sistema radicular, aproximada- por duas safras seguidas, na mesma
ser acompanhados de súbita clorose mente 30 dias após a germinação. O área. A rotação de culturas só é efetiva
e necrose internerval de folhas (folha aumento da intensidade de sintomas, após o terceiro ano sem soja, na área
“carijó”), seguida de queda precoce. tanto foliares quanto internos na has- afetada.
A doença não apresenta sintoma ex- te, é favorecido por temperatura do ar
terno na haste e nas raízes. Em casos entre 15 °C e 27 °C e alta umidade do
severos, quando a morte de plantas solo após o florescimento.
ocorre antes do completo enchimento
de vagens, há intensa queda de va-
gens e as plantas podem apresentar
rápido murchamento das folhas, que
ficam pendentes ao longo das hastes.

38
Fotos: L.M. Costamilan

39
Podridão radicular de Rosellinia (Rosellinia necatrix)
Sintomas Condições de desenvolvimento

J.T. Yorinori
Plantas isoladas ou agrupadas apre- O fungo infecta diversas espécies de
sentam folhas em amarelo intenso, plantas perenes e é um importante
frequentemente mais acentuado em agente de degradação de madeira.
uma metade do folíolo, podendo Pode ocorrer em qualquer região de
também apresentar necrose entre as cultivo, sem grande influência do
nervuras (folha “carijó”). A raiz apre- clima.
senta podridão seca que decompõe
o tecido lenhoso, de forma que a raiz
rompe-se com facilidade ao se arran- Controle
car a planta. Sob condições de solo Em geral, a doença não requer a
úmido, o fungo produz uma camada adoção de medidas de controle, entre-
de micélio branco e estruturas como tanto a rotação com gramíneas pode
esporões, visíveis ao nível do solo. amenizar o problema.

40
Seca da haste e da vagem (Phomopsis spp.)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Os sintomas da doença na planta O fungo sobrevive como micélio Recomenda-se o uso de sementes
aparecem durante a fase final do ciclo, dormente e/ou na forma de picinídios sadias, tratamento de semente, ro-
sendo caracterizados por pontuações em restos de cultura ou semente in- tação de cultura e manejo adequado
pretas (picnídios), que são formados fectada. A disseminação dos esporos do solo, principalmente com relação
linearmente na haste e nos pecíolos dentro da cultura é feita por respingos à adubação potássica. Durante a ar-
e, ao acaso, sobre as vagens. de chuva. Períodos prolongados de mazenagem da semente em condição
umidade, associados a altas tempe- ambiente, Phomopsis spp. perde via-
J.T. Yorinori

raturas na maturação, favorecem a bilidade rapidamente. O tratamento


disseminação do fungo das vagens de semente com fungicidas sistêmi-
para as sementes. Seu maior dano cos, especialmente os benzimidazóis,
é observado em anos chuvosos, nos é eficaz para a erradicação do fungo.
estádios iniciais de formação das va-
gens e na maturação, quando ocorre
o atraso da colheita por excesso de
umidade.

41
Podridão radicular de Phytophthora (Phytophthora sojae)
Sintomas para cima na planta, a partir da linha cultura e no solo por muitos anos. Em
Os sintomas podem ser encontrados do solo, podendo atingir vários nós. estádios mais avançados, os sintomas
em plantas de soja em qualquer fase Internamente, o córtex e os tecidos variam com o nível de resistência/
de desenvolvimento. vasculares tornam-se escuros. tolerância da cultivar.

Sementes infectadas podem apodre- Condições de desenvolvimento Controle


cer ou germinar lentamente, resul-
As condições climáticas ideais para Para evitar falhas na emergência, são
tando em morte de plântulas, que
ocorrência de falhas na emergência indicados uso de cultivares resisten-
ficam com os hipocótilos com aspecto
e do tombamento em plântulas são tes e melhoria das condições de dre-
encharcado e de coloração marrom.
temperaturas em torno de 25 °C e nagem do solo. Não há medidas de
Em plantas adultas, os sintomas têm elevada umidade no solo durante a controle recomendadas para plantas
início com a clorose de folhas e murcha semeadura e a emergência. Solos adultas.
de plantas. As folhas secam e man- compactados e semeadura direta
têm-se presas à haste. A haste e os também aumentam a intensidade da
ramos laterais exibem apodrecimento podridão. O patógeno desenvolve
de coloração marrom-escura, que estruturas de resistência (oosporos),
circunda a haste e progride de baixo que permanecem viáveis em restos de

42
R.M. Soares

43

L.M. Costamilan L.M. Costamilan


Podridão vermelha da raiz (Fusarium brasiliense, F. tucumaniae, F. crassistipitatum)
Sintomas Controle
No Brasil foram relatadas três es- e necrose entre as nervuras, resultando Evitar semeadura em solos compac-
pécies de Fusarium (citadas acima) no sintoma conhecido como folha “cari- tados e/ou mal drenados. A rotação
associadas à podridão vermelha da jó”. Em plantas severamente afetadas, de cultura com milho ou a cobertura
raiz. Pode ocorrer em reboleiras ou pode ocorrer desfolha prematura e com milheto não são eficientes no
de forma generalizada na lavoura. abortamento de vagens. controle.
A infecção na raiz inicia com uma
mancha avermelhada, mais visível na Condições de desenvolvimento
raiz principal, geralmente localizada A doença costuma aparecer próximo
um a dois centímetros abaixo do nível ao florescimento. Cultivares preco-
do solo. Essa mancha expande-se, ces tendem a sofrer menos danos.
circunda a raiz e passa da coloração A podridão vermelha da raiz é mais
vermelho-arroxeada para castanho- severa em solos mal drenados e
-avermelhada a quase negra. O tecido com problemas de compactação. A
lenhoso da haste, acima do nível do temperatura ótima para o seu desen-
solo, adquire coloração castanho- volvimento varia de 22 °C a 24 °C.
-clara. Na parte aérea, observa-se o Temperaturas superiores a 30°C limi-
amarelecimento prematuro das folhas tam a expressão da doença.
44
R.M. Soares

A.M.R. Almeida

45
Doenças causadas por bactérias
Crestamento bacteriano (Pseudomonas savastanoi pv. glycinea)
Sintomas severos causam rasgamento dos es- Controle
É comum na folha, mas pode atacar paços internervais da folha e queda. Não há medidas de controle recomen-
haste, pecíolo e vagem. Inicia com dadas para essa doença.
manchas aquosas, semitransparentes Condições de desenvolvimento
quando observadas contra a luz, que Semente infectada e restos do cultivo
necrosam e aglutinam, formando anterior de soja são as fontes iniciais
áreas grandes de tecido morto. Pode de inóculo. A semente infectada não
haver ou não halo amarelado largo ao mostra sintoma. A doença é favoreci-
redor das manchas sob temperatura da por alta umidade, principalmente
amena, e estreito ou ausente sob tem- chuva com vento e sob temperaturas
peratura superiores a 27 °C. Observa- amenas (20 °C a 26 °C). Em dias secos,
ção das manchas de cor negra com finas escamas do exsudato da bacté-
bordas irregulares na página inferior ria são disseminados na lavoura, mas
da folha permite diagnose da doença para haver infecção há necessidade
nas horas úmidas da manhã, pela de filme de água na superfície da fo-
presença de uma película brilhante, lha. A bactéria penetra na folha pelos
que é o exsudato da bactéria. Ataques estômatos ou por ferimentos.

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L.P. Ferreira

49

A.M.R. Almeida
Fogo selvagem (Pseudomonas syringae pv. tabaci)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Aparecem nas folhas, onde a bactéria Essa bactéria pode ser transmitida Uso de cultivares resistentes.
produz uma toxina que se dissemina pela semente e restos de cultura,
nos tecidos causando lesões necró- que servem como fonte de inóculo. É
ticas com halo amarelado. As lesões disseminada por respingos de água.
variam no tamanho e na forma, e Pode aproveitar lesões causadas por
podem coalescer, formando extensas outros agentes patogênicos, como a
áreas de tecido morto. Em ataques se- bactéria causadora da pústula bac-
veros pode ocorrer desfolha precoce teriana, para penetrar no tecido das
nas cultivares suscetíveis. plantas.

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Fotos: R. M. Soares

51
Pústula bacteriana (Xanthomonas axonopodis pv. glycines)
Sintomas Controle
Típica de folha, mas também infecta com o crestamento bacteriano e com Uso de cultivares resistentes.
haste, pecíolo e vagem. As manchas a ferrugem.
são arredondadas, nunca angulares, e
de coloração parda. Na página inferior
da folha, no centro da lesão, ocorre Condições de desenvolvimento
pequena elevação de cor esbranquiça- O patógeno é transmissível pela se-
da, parecendo um vulcão. Além dessa mente que não mostra sintoma típico.
elevação, essa doença se diferencia Os restos de cultura são, também, fon-
do crestamento bacteriano pela ine- te de inóculo. Infecções secundárias
xistência do brilho na página inferior. são favorecidas por chuva e vento,
Em cultivares suscetíveis, o grande aliados às condições de umidade
número de pústulas na superfície da elevada e temperatura alta (acima de
folha dá a aparência áspera, à vista e 28 °C). A bactéria pode sobreviver na
ao tato. Em estádios mais avançados rizosfera da cultura do trigo, manten-
da cultura, com base apenas nos sin- do assim o inóculo para a lavoura de
tomas, a pústula pode ser confundida soja seguinte.

52
Fotos: R. M. Soares

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Mancha bacteriana marrom (Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Começa com pequenas lesões cloró- A bactéria pode ser transmitida pela Uso de sementes certificadas, rotação
ticas, que aumentam e podem tomar semente. Nas lavouras a dissemina- de culturas com espécies não hospe-
todo o folíolo. Não ocorre anasarca. ção ocorre por ferimentos causados deiras e uso de cultivares resistentes.
A clorose começa de forma oval ou pelo contato entre folhas. Sobre- Os sintomas nas folhas são reduzidos
alongada frequentemente na margem vive no solo e em restos culturais, após o florescimento.
das folhas e progride para o centro. infectando as plântulas durante a
As lesões podem coalescer, forman- germinação. Temperaturas entre
do áreas necrosadas de coloração 25 ºC e 30 ºC são favoráveis à infecção.
marrom que, com ação do vento e
da chuva, podem rasgar a folha. As
sementes podem ser descoloridas
em decorrência do crescimento da
bactéria, e as plântulas resultantes de
sementes infectadas podem apresen-
tar enfezamento. O sintoma de mur-
cha da planta que ocorre no feijoeiro,
raramente ocorre na soja.
54
R. M. Soares

G. E. S. Carneiro

55

G. E. S. Carneiro
56
Doenças causadas por vírus
Mosaico cálico (Alfalfa Mosaic Virus - AMV)
Sintomas Controle
As folhas de plantas infectadas tor- Cultivares resistentes são disponíveis.
nam-se cloróticas e enrugadas. Nor- No entanto, a virose nunca chegou a
malmente, as plantas não são afeta- ser um problema no Brasil.
das em seu desenvolvimento. No en-

A.M.R. Almeida
tanto, quando as plantas originam-se
de sementes infectadas, o desenvolvi-
mento é reduzido. A transmissão por
semente é facilmente observável, a
partir de clorose das folhas primárias.

Condições de desenvolvimento
O vírus depende de pulgões para sua
transmissão e da presença de plantas
hospedeiras. No Brasil, sua presença
é reduzida.

58
Mosqueado do feijão (Bean Pod Mottle Virus - BPMV)
Sintomas Condições de desenvolvimento
São mais evidentes durante períodos O vírus transmite-se por coleópteros

A.M.R. Almeida
de rápido crescimento das plantas e das espécies Cerotoma trifuncata e
de temperaturas amenas. Sintomas Epicauta vitata. O BPMV infecta pou-
típicos são caracterizados por mos- cas espécies de plantas, sendo todas
queado clorótico e bolhas em folhas da família Fabaceae (leguminosas).
jovens, que tendem a diminuir de Feijoeiro, lespedeza, Stizolobium
intensidade à medida que as folhas deeringianum,Trifolium incarnatum e
ficam mais velhas. Em associação Desmodium paniculatum são alguns
com o vírus do mosaico comum da exemplos.
soja causa severa distorção foliar, na-
nismo e necrose do topo das plantas. Controle
Não há descrição de genótipos resis-
tentes ao BPMV.

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Mosaico comum da soja (Soybean Mosaic Virus - SMV)
Sintomas Controle
Plantas infectadas apresentam fo- manchadas originam plântulas in- À semelhança de outras viroses ve-
lhas trifolioladas encarquilhadas, fectadas. getais, a maneira mais eficiente de se
com algumas bolhas e com mosaico controlar essa doença é por meio de
distribuído irregularmente sobre o Condições de desenvolvimento cultivares resistentes.
limbo foliar. A maturação é atrasada
O vírus do mosaico comum da soja
e é comum encontrar plantas verdes
foi introduzido no Brasil por meio de
no meio de plantas já amadurecidas.
semente infectada e está distribuído
Genótipos suscetíveis produzem se-
em todas as regiões onde a soja é
mentes com manchas (mancha café).
cultivada. É transmitido por pulgões,
Essas manchas são marrons ou pre-
a partir de plantas hospedeiras. Con-
tas, de acordo com a cor do hilo. Há,
dições climáticas que favorecem a po-
entretanto, genótipos suscetíveis que
pulação de pulgões contribuem para
não produzem sementes manchadas.
maior incidência do vírus no campo.
Semente sem mancha pode transmitir
o vírus e originar plântula infectada.
No entanto, nem todas as sementes

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Fotos: A.M.R. Almeida

61
Necrose da haste (Cowpea Mild Mottle Virus - CPMMV)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Na floração e no início de formação O vírus é transmitido pela mosca Utilizar cultivares resistentes. O con-
de vagens, os sintomas tornam-se branca (Bemisia tabaci). Toda condi- trole da mosca branca não é efetivo.
evidentes com o aparecimento da ção que favoreça o desenvolvimen- Além das dificuldades de se controlar
queima do broto e da necrose das to da população de mosca branca esse inseto, a transmissão de forma
hastes, quando as plantas acabam também favorece o aparecimento não persistente favorece a dissemi-
morrendo. Hastes cortadas longitu- da doença, desde que haja planta nação do vírus nos campos de soja.
dinalmente mostram escurecimento hospedeira infectada disponível. Des-
da medula. Plantas que não morrem modium tortuosum e Arachys pintoi
apresentam severo nanismo e folhas são plantas hospedeiras desse vírus
deformadas. Plantas infectadas po- no Brasil.
dem produzir vagens deformadas e
grãos pequenos.

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Fotos: A.M.R. Almeida

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Queima do broto (Tobacco Streak Virus - TSV)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Plantas infectadas pelo vírus da O vírus é transmitido por tripes e in- Não existem cultivares resisten-
queima do broto apresentam o broto fecta diversas espécies vegetais como tes. Como a população de tripes
apical curvado, necrosado e facil- girassol e amendoim. No campo, a é reduzida pela ação das chuvas,
mente quebrável. Normalmente, principal fonte de inóculo é a planta recomendam-se semeaduras tardias,
apresentam escurecimento da medula denominada cravorana (Ambrosia época em que a incidência da virose
da haste principal, o que se constitui polystachya). permanece inferior a 15% de plantas
no principal sintoma para diagnose infectadas, com prejuízos desprezí-
dessa doença. Após a morte do broto veis. O uso de inseticidas, por pulveri-
apical, as plantas produzem excessiva zação ou granulados, aplicados junto
brotação axilar, com folhas afiladas e com a semente não propicia controle,
de tamanho reduzido. O crescimento visto que os tripes virulíferos mantêm
é paralisado, conferindo aspecto a migração durante longo período,
de planta anã. A semente formada de fora para dentro das lavouras, e
pode apresentar mancha associada à conseguem infectar as plantas antes
ruptura do tegumento, que fica com de morrer pelo efeito dos inseticidas.
menos brilho.

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Fotos: A.M.R. Almeida

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Doenças causadas por nematoides
Nematoide de cisto (Heterodera glycines)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
O nematoide penetra nas raízes da O cisto pode permanecer no solo A prevenção da infestação deve ser
planta e dificulta a absorção de água por mais de oito anos, mesmo feita por meio da limpeza de má-
e nutrientes, causando a redução de na ausência do hospedeiro. Em quinas, implementos, ferramentas
porte e número de vagens, clorose solo úmido, com temperaturas de e calçados e utilização de semente
e baixa produtividade. Os sintomas 20 °C a 30 °C, os juvenis eclodem e, se beneficiada, sem partículas de solo.
aparecem em reboleiras e, em muitos encontrarem a raiz de uma planta hos- As estratégias de controle incluem a
casos, as plantas morrem. O sistema pedeira, penetram e o ciclo se com- rotação de culturas com espécies não
radicular fica reduzido, apresentando pleta em cerca de quatro semanas. O hospedeiras, o manejo do solo (nível
minúsculas fêmeas com formato de trânsito de máquinas, equipamentos adequado de matéria orgânica, adu-
limão ligeiramente alongado, de colo- e veículos, levando partículas de solo bação equilibrada, ausência de com-
ração branca a amarelada. Quando a contaminado, tem sido o principal pactação, dentre outras) e a utilização
fêmea morre, seu corpo se transforma agente de dispersão do nematoide. de cultivares resistentes. Existem, no
numa estrutura resistente, de coloração Também pode ser disseminado por Brasil, cultivares resistentes adapta-
marrom-escura, cheia de ovos, deno- enxurrada, animais e semente con- das às diferentes regiões de cultivo.
minada cisto, que se desprende da raiz tendo partículas de solo.
permanecendo no solo. A diagnose re-
quer análise de amostras de solo e/ou
raízes, em laboratório de nematologia.
68
R.M. Soares

W.P. Dias

R.M. Soares
Cultivar resistente

Fêmeas

Cistos Cultivar suscetível

69
Nematoides de galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Em áreas infestadas, ocorre em re- Os nematoides causadores de galhas Os métodos de controle mais efi-
boleiras, onde as folhas das plantas parasitam um grande número de cientes são a rotação de culturas e a
afetadas, normalmente, apresentam espécies de plantas. Graças a essa utilização de cultivares resistentes.
manchas cloróticas ou necroses entre característica, esses organismos A rotação de culturas deve ser bem
as nervuras (folha “carijó”). Às vezes, sobrevivem na maioria das plantas planejada, uma vez que a maioria das
pode não ocorrer redução no tama- daninhas, dificultando o controle. O espécies cultivadas multiplicam os
nho das plantas, mas, por ocasião do ciclo de vida é muito influenciado nematoides de galhas. Por isso, deve-
florescimento, nota-se intenso aborta- pela temperatura. A 25 °C, o ciclo se -se fazer uma correta identificação da
mento de vagens e amadurecimento completa em três a quatro semanas. espécie de Meloidogyne e, se possí-
prematuro. Nas raízes atacadas, vel, da raça ocorrente. Na rotação, é
observam-se galhas em número e importante incluir espécies de adubos
tamanho variados, dependendo da verdes, visando recuperar a matéria
suscetibilidade da cultivar de soja e orgânica e a atividade microbiana do
da densidade populacional do ne- solo. A semeadura direta contribui
matoide. A diagnose requer análise para reduzir a disseminação.
de amostras de solo e/ou raízes, em
laboratório de nematologia.
70
A. A. Henning

W.P. Dias
71
Nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Além da sintomatologia geral, descri- O nematoide pode parasitar, além Como P. brachyurus é um nematoi-
ta para outros nematoides, observam- da soja, o milho, a cana-de-açúcar, o de polífago, parasitando a maioria
-se áreas necrosadas nas raízes da algodão e o amendoim, entre outros. das culturas com valor econômico,
soja. Isso se deve ao ataque às células Os maiores danos ocorrem em solos e ainda não existe cultivar de soja
do parênquima cortical, onde o para- com teores elevados de areia, espe- resistente, o controle tem sido feito
sita injeta toxinas durante o processo cialmente se a soja é implantada após pela semeadura das áreas infesta-
de alimentação. Sua movimentação pastagem degradada. das, na entressafra, com espécies de
na raiz também desorganiza e destrói crotalária resistentes ou com algum
células. As raízes parasitadas podem genótipo de milheto que multiplica
ser, posteriormente, invadidas por menos o parasita. Contudo, como as
fungos e bactérias. Não há formação populações do nematoide voltam a
de galhas e o sistema radicular fica crescer rapidamente após um novo
reduzido e escurecido. A diagnose re- cultivo de soja, essas medidas têm
quer análise de amostras de solo e/ou que ser repetidas todos os anos.
raízes, em laboratório de nematologia.

72
Agropecuária Veiga

73
W.P. Dias
Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis)
Sintomas Condições de desenvolvimento Controle
Lavouras de soja infestadas caracteri- O algodão é a cultura mais afetada por Fazer rotação/sucessão com culturas
zam-se pela expressiva desuniformi- esse nematoide. Entretanto, depen- não hospedeiras e utilizar cultivares
dade, com extensas áreas de plantas dendo da cultivar e da população do resistentes. O milho, o arroz, o amen-
subdesenvolvidas que, em muito, nematoide no solo, também podem doim e a braquiária são resistentes e
assemelham-se a problemas de defi- ocorrer danos na soja. Diferentemente podem ser utilizados em rotação com
ciência mineral ou de compactação do das demais espécies que ocorrem na a soja ou o algodão. Das plantas utili-
solo. Não há ocorrência de reboleiras soja, o nematoide reniforme não pa- zadas como coberturas em sistemas
típicas. Não há formação de galhas, rece ter sua ocorrência limitada pela de semeadura direta, são resistentes a
e o sistema radicular fica reduzido. textura do solo, ocorrendo tanto em braquiária, o nabo forrageiro, o sorgo
Em alguns pontos da raiz, é possível solos arenosos quanto em argilosos. forrageiro, a aveia-preta, o milheto
observar uma camada de terra aderi- e o capim pé-de-galinha. Pelo fato
da às massas de ovos do nematoide, de o nematoide reniforme ser muito
que são produzidas externamente. persistente no solo, dependendo da
Fêmeas maduras têm conformação densidade populacional, pode haver
semelhante à de um rim. necessidade de, pelo menos, dois
anos de cultivo com espécie não
hospedeira.
74
G. Asmus

75
Estádios de desenvolvimento da soja
Período Estádio Descrição
VE Cotilédones acima da superfície do solo
VC Cotilédones completamente abertos
Vegetativo

V1 Folhas unifolioladas completamente desenvolvidas 1


V2 Primeira folha trifoliolada completamente desenvolvida
V3 Segunda folha trifoliolada completamente desenvolvida
Vn Ante-enésima folha trifoliolada completamente desenvolvida
R1 Início do florescimento - Uma flor aberta em qualquer nó do caule 2
R2 Florescimento pleno - Uma flor aberta num dos 2 últimos nós 3 do caule com folha completamente desenvolvida

R3 Início da formação da vagem - Vagem com 5 mm de comprimento num dos 4 últimos nós do caule com folha completamente desenvolvida

R4 Vagem completamente desenvolvida - Vagem com 2 cm de comprimento num dos 4 últimos nós do caule com folha completamente desenvolvida

Início do enchimento do grão - Grão com 3 mm de comprimento em vagem num dos 4 últimos nós do caule, com folha completamente
R5
desenvolvida
Reprodutivo

R5.1 - grãos perceptíveis ao tato (o equivalente a 10% da granação);


Subdivisões R5.2 – 11% a 25% da granação;
do estádio R5.3 – 26% a 50% da granação; Fonte: Escala de Fehr; Caviness
R5 R5.4 – 51% a 75% da granação; (1977), associada ao detalhamento do estádio R5
proposto por Ritchie et al. (1977).
R5.5 – 76% a 100% da granação.
Grão cheio ou completo - vagem contendo grãos verdes preenchendo as cavidades da vagem de um dos 4 últimos nós do caule, com folha 1
Uma folha é considerada completamente
R6
completamente desenvolvida desenvolvida quando as bordas dos trifólios
R7 Início da maturação - Uma vagem normal no caule com coloração de madura da folha seguinte (acima) não mais se tocam.
2
Caule significa a haste principal da planta. 3Últi-
R8 Maturação plena - 95% das vagens com coloração de madura mos nós referem-se aos últimos nós superiores.

76
Soja

CGPE 11255