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FACULDADE DE CIÊNCIAS E EMPREENDEDORISMO

CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

HÉLIO SOUZA LIMA

A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS APÓS A


PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

SANTO ANTÔNIO DE JESUS-BA


2017
HÉLIO SOUZA LIMA

A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS APÓS A


PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Trabalho apresentado a Faculdade de


Ciências e Empreendedorismo – FACEMP,
como requisito para obtenção do título em
bacharel em direito.
Orientador ː Professor Antonio Luis Almeida
Contreiras.

SANTO ANTÔNIO DE JESUS-BA


2017
FACULDADE DE CIÊNCIAS E EMPREENDEDORISMO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

FOLHA DE APROVAÇÃO

HÉLIO SOUZA LIMA

A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS APÓS A


PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial para obtenção de título
bacharel em direito, pela Faculdade de
Ciências e Empreendedorismo.

Aprovado em 14 de dezembro de 2017.

Banca Examinadora

Professor Antonio Luis Almeida Contreiras - FACEMP.


Especialista em Direito e Magistratura

Professora Rosy Machado


Membro da Banca Examinadora.

Professor Bruno Nunes


Membro da Banca Examinadora.
RESUMO

Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o Estado Brasileiro consagrou


de forma ampla as competências constitucionais para a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios. O presente artigo tem por objetivo, fazer algumas
exposições sobre a relevância da partilha de competências constitucionais,
procurando compreender o Estado Federal brasileiro, as relações entre Indivíduos
da Federação após a Constituição Federal de 1988, as novas relações e autonomias
de poder, a descentralização estatal tendo como parâmetros o novo Pacto
Federativo, as possibilidades relações institucionais e a supremacia entre os
indivíduos federativos, as suas competências e atribuições, bem como a
descentralização estatal e os interesses locais.

PALAVRAS-CHAVE: Competências Constitucionais. Indivíduos Federados. Direito


Constitucional. Federalismo. Competência legal.
ABSTRACT

With the promulgation of the Federal Constitution of 1988, the Brazilian State broadly
enshrined the constitutional competencies for the Union, the States, the Federal
District and the Municipalities. The purpose of this article is to make some
presentations on the relevance of the sharing of constitutional competencies, seeking
to understand the Brazilian Federal State, the relations between the Federal
Authorities after the Federal Constitution of 1988, the new relations and autonomies
of power, the state decentralization having as parameters the new Federative Pact,
the possibilities institutional relations and the supremacy between federative
individuals, their competences and attributions, as well as the state decentralization
and the local interests..

KEY WORDS: Constitutional Competencies. Loved Federated. Constitutional right.


Federalism. Legal competence.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 06

2 ENTENDENDO O FEDERALISMO 06

3 A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 09

4 AS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS NO BRASIL 11

5 A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS NO 12


FEDERALISMO BRASILEIRO

6 A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS DOS ESTADOS 19

7 A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988 E A FEDERAÇÃO 20


BRASILEIRA NA ATUALIDADE

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 21

REFERÊNCIAS 23
6

1 INTRODUÇÃO

A promulgação da Constituição Federal em 1988 possibilitou uma nova forma


de se pensar, qualificar e definir o debate sobre as atribuições específicas a cada
indivíduo da federação. A Carta Magna estabeleceu um direcionamento bastante
claro para a autonomia ente os indivíduos federados, favorecendo a execução das
políticas públicas e sociais, descentralizando a capacidade de governar entre os
indivíduos da Federação.
O Texto Constitucional foi promulgado contendo várias inovações legislativas,
estabelecendo princípios fundamentais, dando muito mais autonomia aos Municípios
brasileiros.
O Pacto Federativo, estabelecido no Estatuto Constitucional e a constante
discussão, atualização e ampliação de competências desencadeou a redistribuição
de poder, permitindo ampliar a atuação/autonomia dos municípios para tratar várias
questões de interesses locais.
A Carta Constituinte estabeleceu as formas de divisão, cooperação,
hierarquia e obrigações entre os entes federados, concedeu maior autonomia
política para os municípios, deliberou sobre as competências dos Estados e da
União.

2 ENTENDENDO O FEDERALISMO

A Federação é composta pela união de dois ou mais Estados, na qual cada


ente mantém a sua autonomia interna e sustenta a soberania conjunta exterior em
um governo central, que tem uma regência por uma lei maior que é a Constituição.
É um aparelho estatal formado sob a base de uma divisão de poderes entre o
Estado Federal e os Estados da Federação, com regimento jurídico autônomo que
assegura uma divisão territorial do Poder, ou seja, dentro do mesmo território há
mais de uma entidade Federal. Daí decorre a idéia de que a descentralização não é
meramente administrativa, mas também política.
Na Federação, excluindo a União, os Estados renunciam sua soberania. Isto
porque, apenas o Estado Federal, órgão central que representa a União dos
Estados autônomos sob a tutela do estatuto constitucional, é soberano – poder de
7

autodeterminação plena não acondicionada a nenhum outro domínio interno ou


externo.
Os indivíduos federativos exercem autonomia político-administrativa, uma
vez que o Estado Federal assegura-lhes poderes a fim de que possam se auto-
determinar dentro de seus respectivos domínios de competências, desempenhando
internamente funções legislativas, executivas e judiciárias.
Segundo Hoffe1 na Federação, os Estados repassam para a União algumas
atribuições para tratar alguns assuntos como a política exterior, defesa do país, à
impressão de moeda, a exploração dos serviços de correios e telecomunicações,
bem como a capacidade de legislar nas esferas do Direito Penal, Eleitoral,
Trabalhista, Previdenciário, Civil e outros. Os componentes da Federação passam a
se aglutinar em torno de um regulamento constitucional único, majoritário, instituído,
principalmente, um regime Legislativo comum, um ordenamento Judiciário e
Executivo federais, únicos.
Para Ferreira Filho2, o modelo do Federalismo clássico foi consagrado pela
Constituição dos Estados Unidos da América e cometido em outros países, nos
séculos XVIII e XIX.
O Estado Federalista tem sua genealogia nos Estados Unidos da América
quando as Treze Colônias Britânicas na América do Norte recusaram o comando
Britânico e juntas fizeram a Declaração de Independência. Os Estados soberanos
deliberaram então compor, através de um acordo internacional, titulado Artigos de
Confederação, a Confederação dos Estados Americanos, um contrato de
cooperação a fim de se resguardarem das constantes intimidações, ameaças e
embargos da antiga metrópole inglesa.
Na análise de Schwartz3, a inquietação dos legisladores norte-americanos
sobre a Constituição Federal era apenas para garantir que o governo federal
exercesse o poder de forma plena e delimitasse o domínio dos Estados da
Federação. Limitar os poderes do governo central enumerando as suas
competências na Constituição era tão importante quanto que reservassem o restante
de competência e autoridade aos estados federados.
1
HÖFFE, Otfried. A democracia no mundo de hoje. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
2
FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Comentários à Constituição brasileira de 1988. 2. ed. São
Paulo: Saraiva, 1997. v. 1
3
SCHWARTZ, Bernard. O federalismo norte-americano atual. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
1993.
8

Lenza4, explica que no federalismo dual, o afastamento de obrigações


entre os indivíduos federados é muito austera, não se tratando em
colaboração ou intromissão entre eles. O exemplo seriam os Estados Unidos,
em sua origem. No federalismo cooperativo as prerrogativas são
desempenhadas de maneira comum ou concorrente, estabelecendo-se uma
aproximação entre os indivíduos federativos, que precisarão agir em conjunto.
O padrão do federalismo brasileiro pode ser classificado como federalismo
cooperativo.
Outros atributos essenciais da forma federativa de Estado, segundo o padrão
norte-americano, merecem ser lembrada, como forma de aprofundar o
conhecimento sobre o Federalismo, a saber: A existência de um Estatuto
Constitucional – a Constituição Federal que representa a base jurídica da
Federação, garantindo autonomias, competências e unidade jurídica própria para
todos os indivíduos Federados. A limitação das Constituições dos Estados
Federados, pois estas devem ser ajustadas, reguladas e harmonizadas com a
Constituição Federal. A Indissolubilidade, onde os Indivíduos Federados não
possuem direito de separação, sobe pena de sofrerem interferência federal. A
Interferência federal é o mecanismo garantidor da moderação federativa; A união de
Estados para formar um novo Estado: Os Estados federados se vinculam para
formar o Estado Federal. Cabe ao Estado Federal – a União a supremacia interna e
externa, cabendo aos Estados a autonomia interna e entre outros estados da
Federação.
Pedro Lenza5, explica de forma didática as outras definições e tipologias de
Federalismo, conforme ensinamento a seguir:

O Federalismo por Desagregação - A Federação é formada de um


determinado Estado unitário que resolve descentralizar-se. Deriva de um
movimento centrífugo (de fora para dentro). O Brasil é um exemplo de
federalismo por desagregação.

O Federalismo por agregação - os Estados autônomos ou soberanos


decidem abrir mão de parte de sua soberania, agregando-se entre si e
formando um novo Estado, agora Federativo. Provém de um movimento
centrípeto (de dentro para fora). Como exemplo pode ser citado a formação

4
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 18. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva,
2014. p. 469 - 472.
5
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 18. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva,
2014. p. 469 - 472.
9

dos EUA com as 13 colônias independentes. .


O Federalismo simétrico – Tem uma característica na semelhança de
costume e desenvolvimento, assim como de língua, como é o caso dos
Estados Unidos.
Já o Federalismo Assimétrico pode derivar da distinção de línguas e culturas,
como se verifica, por exemplo, no caso do Canadá, país bilíngüe e
multicultural.
No Federalismo orgânico o Estado necessita ser analisado um “organismo”
procura, dessa forma, amparar a sustentação do “todo” em estrago da “parte”.
O Federalismo de integração busca verificar a superioridade do Governo
central sobre os outros indivíduos federados, diminuindo, assim, as peculiares
do padrão federativo.
O Federalismo equilíbrio revela o conceito de que os Indivíduos Federados
precisam conservar-se em concordância, equilíbrio e robustecendo as
instituições.
Federalismo de segundo grau é a modalidade do federalismo brasileiro, que
reconhece a vivência de três camadas: União (ordem central), Estados
(ordens regionais) e Municípios (ordens locais), motivo pela qual é
qualificado como federalismo de 2º grau.

3 A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

A Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988 elencou para os seus


individuos federativos, atribuições e poderes distintos. O novo texto constitucional
estabelece formas de repartição de poderes, competências e autonomias. Segundo
Horta6, “a decisão a respeito da repartição de competências condiciona a fisionomia
do Estado federal, para determinar os graus de centralização e de descentralização
do poder federal”.
Para Oliveira7, Federalismo é uma configuração de estrutura de Estado em
que os indivíduos federados possuem soberanias administrativas, política, tributária
e financeira indispensáveis para sustentar o balanceamento que se institui entre eles
para a composição do Estado Federal.
A Constituição Federal permite entre os indivíduos federados, um pacto
federativo há a conseqüência de reciprocidade e cooperação entre os indivíduos
abarcados, governo federal e governos dos estados e governos locais.
Segundo M. M Soares8 o federalismo pode ser entendido como:

6
HORTA, Raul Machado. Direito constitucional, 3. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2002.
7
OLIVEIRA, Fabrício Augusto de (Org.). Descentralização e federalismo fiscal no Brasil: desafios da
reforma tributária. Rio de Janeiro: Fundação Konrad-Adenauer, 2003. p. 41-109.
8
SOARES, M. M. Federalismo e recursos públicos no Brasil: as transferências voluntárias da União
aos Estados e Municípios. 2008.
10

O pacto federal constitui o acordo entre as distintas comunidades territoriais


para a constituição de uma comunidade política mais ampla. Tal pacto só é
possível se existir o interesse comum integrar a uma comunidade mais
ampla. O pacto significa: 1) que as comunidades transferem parte dos seus
poderes para um centro político nacional, 2) que há conformidade das
partes abarcadas em torno das políticas que estabelecerão a comunidade
política - o que significa demarcar o campo de ação de cada esfera de
governo e (4) que há garantia constitucional e institucional de autonomia
para cada ente federativo, o que significa autonomia para constituir seus
governos

Segundo Araújo9, o Federalismo no Brasil surgiu como alternativa para a


centralização administrativa e política ainda no período colonial. No Brasil
Republicano, o federalismo foi modificado pela abertura para os estados brasileiros
na agenda política descentralizada, permitindo aos municípios o exercício de
autonomia subordinada.
Para Souza10, antes da promulgação Carta Magna, o sistema federativo
brasileiro estava aparelhado de configuração dual e hierárquica – em um plano, a
União e os estados e, no plano sub-estatal, os municípios. O Estatuto
Constitucional de 1988 mudou essa composição, erguendo o município a condição
de individuo federado, em uma posição igual aos estados e da União, formando um
contrato federativo tipicamente brasileiro, com novas afinidades entre os indivíduos
federados, baseados nos princípios da repartição de responsabilidades e pela
cooperação recíproca.
Para Baltazar11 a Constituição de 1988, não adotou com rigidez nenhum dos
dois modelos de repartição de competências entre os indivíduos federados, o
horizontal e o vertical. Para o autor...

Houve a adoção de um modelo misto, a saber, do modelo horizontal, onde


cada ente federado autônomo recebe uma competência específica, sem
afinidade de hierarquia entre eles, conforme os arts. 21, 22, 25 e 30 da
Constituição Federal, mas também se misturou o sistema vertical de
distribuição de competências, padrão que institui que acerca de uma mesma

9
ARAÚJO, Gilda Cardoso de. (2010). A relação entre federalismo e municipalização: desafios
para a construção do sistema nacional e articulado de educação no Brasil. Revista Educação e
Pesquisa.
São Paulo, 36 (1), 389-402.
10
SOUZA, Donaldo Bello de; FARIA, Lia C. Macedo. Reforma do Estado, descentralização e
municipalização do ensino no Brasil: a gestão política dos sistemas públicos de ensino pós-
LDB 9394/96. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n.45, p.
925-944. out./dez. 2004.
11
BALTAZAR. Antônio H. Lindemberg. Repartição constitucional de competências no Estado
federal. Disponível em:
<http://www.editoraferreira.com.br/publique/media/toq18_antonio_henrique.pdf>. Acesso outubro de
2017.
11

disciplina possa ser instituído o desempenho de diferentes indivíduos


políticos, de forma verticalizada.

Na República Federativa Brasileira, as entidades federadas têm autonomia e


integram a composição e no desempenho do Poder Federal. A autonomia expressa
certo nível de poder competente, restrito por fundamentos básicos da Federação,
assentados na Constituição Federal, que delegou as competências entre os
indivíduos do Estado Federal, através de cláusulas específicas, regras de
representação obrigatória e regras de circunscrição legal, relacionadas nos seus
artigos relativos à aparelho político-administrativa.
A Constituição Federal é a lei maior do Brasil, institui o princípio do
predomínio dos interesses, em que as disciplinas de interesse pátrio são de
jurisdição da União; disciplinas de interesse regional, de competência dos Estados
da Federação e disciplinas de interesse da localidade, de jurisdição do Município.
A Carta Magna de 1988 estabelece a base legal do ordenamento jurídico e
administrativo do Estado Brasileiro já no artigo primeiro legislando sobre:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel


dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania; 12

O aparelho jurídico do Estado Federal é produzido, em marcos de uma


descentralização territorial, imprescindível em conseqüência de acertadas
conjunturas, mas sempre virtualmente beneficente, e regularmente usada
juntamente com a descentralização funcional.

4 AS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS NO BRASIL

A Constituição Federal de 1988 é o estatuto formal, o fundamento jurídico


legal do pacto federativo definindo e delimitando as competências cabíveis para a
União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal. Dessa forma, a repartição de
competências dentre os indivíduos da Federação está fundamentada no princípio da
supremacia do interesse, segundo o qual caberá a União as matérias de dominante

12
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil –Art. 01 - de 1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em 20 de
novembro de 2015.
12

interesse geral, nacional, aos Estados, os de interesse regional, e aos Municípios,


os de interesse local, delimita a autonomia e competência de cada ente federado,
para atuar sobre diversos assuntos administrativos e de interesses locais, permitindo
uma maior descentralização dos Municípios para com os Estados e da União.
Conforme leciona SILVA13:

As entidades políticas são todas autônomas e essa espécie de poder,


constitui o núcleo do conceito do Estado federal, poderes aí, significando a
porção de matérias que a Constituição distribui entre as entidades e que
passam a compor seu campo de atuação governamental, suas áreas de
competência, definidas essas como as distintas singularidades desse poder
que se convêm os órgãos ou entidades estatais para realizar as suas
funções.

A principal particularidade da federação é a descentralização política, que


consiste na divisão de competências entre os indivíduos federativos.
Descentralização política é repartição, divisão, separação dos poderes de decisão.
Exemplificando, os problemas da degradação ambiental no Rio São
Francisco, ou o estado de péssima conservação da Rodovia Transamazônica, não
afetam a União como um todo, entretanto atingem mais de um Estado, a
competência é da União. O problema de degradação ambiental do Rio da Dona,
que percorre seis municípios na região do Recôncavo é uma competência regional,
do Estado da Bahia. Assim de igual forma, a conservação de uma estrada vicinal
no interior de um município é de competência local.
O Estatuto Constitucional de 1988 inovou em permitir uma ampla, maior e
moderna divisão de competências que busca segundo SILVA 14:

Realizar o equilíbrio federativo, por meio de uma repartição de


competências que se fundamenta na técnica de enumeração dos poderes
da União (arts. 21 e 22), com poderes remanescentes para os Estados (art.
25, § 1º) e poderes definidos indicativamente para os Municípios art. 30),
combinando com essa reserva de poderes de campos específicos,
possibilidades de delegação (art. 22, § único), áreas comuns em que se
prevêem atuações paralelas da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios (art. 23) e concorrentes entre a União e os Estados em que a
competência para estabelecer políticas, diretrizes ou normas gerais, cabe à
União, enquanto se defere aos Estados e até aos Municípios a competência
suplementar.

13
SILVA, José Afonso, Direito Constitucional Positivo, pag. 447 - 25ª edição, revista e atualizada,
São Paulo, Malheiros Ed., 2005
14
SILVA, José Afonso, Direito Constitucional Positivo, pag. 448 - 25ª edição, revista e atualizada,
São Paulo, Malheiros Ed., 2005
13

5 A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS NO FEDERALISMO


BRASILEIRO

O Texto Constitucional de 1988 assegura repartição de competências dentre


os seus indivíduos federados, como forma de alcançar os objetivos e as garantias
sociais da República Federativa do Brasil.
Desse modo, a Carta Magna assegura os fundamentos legais e jurídicos para
a consecução dos direitos e deveres do Estado e da sua população conforme
exposição a seguir:
a) A Repartição de competências: Ao difundir as competências constitucionais
entre os diferentes Indivíduos Federados, a Constituição Federal concede-lhes
soberania para a desempenho no domínio das relativas áreas, assim assegurar a
estabilidade federativa;
b) A Austeridade da Constituição: A Constituição Federal tem poderes de
sobre todos os demais indivíduos federados. Tem na sua natureza, a essência
austera de Carta Magna, impondo regimentalmente as forma de reforma ou proposta
de emenda constitucional para mudanças nas relações entre os Indivíduos
Federados;
c) O Controle de constitucionalidade: É uma atribuição do Poder Legalístico, a
fiscalização e deliberação sobre a constitucionalidade permitindo que ele atente o
exercício pelos indivíduos federados das competências esquematizadas no texto
constitucional, visto que a atuação de algum um dos indivíduos federados fora de
suas competências próprias previstas na Constituição Federal, compõe desempenho
inconstitucional, possível de revogação pelo Poder Judiciário, por meio dos
mecanismos de controle de constitucionalidade;
d) O Procedimento de intervenção: Em algumas situações e hipóteses, a
intervenção de um ente federado sobre o outro tem por finalidade especifica
assegurar a sustentação e a moderação da Federação;
e) A Dispensa recíproca de impostos: Confere a proibição constitucional de
cobrança de impostos entre os indivíduos federados, evitando que a autonomia para
cobrança de um imposto ou tributo de um Ente Federativo seja danificada por outro.
(art. 150, inciso VI, “a”, da CF/8815);

15
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Art. 150. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov. 2017.
14

f) A Divisão de dos rendimentos tributários: Tem previsão nos arts.157 a159


da Constituição Federal 1988 – institui a obrigatoriedade da repartição das
rendimentos de alguns tributos entre os indivíduos federados. A Constituição
assegura uma coerente relação econômico-financeira entre os indivíduos federados,
fator essencial para a moderação federativa;
Para que realizasse seus desígnios, a Constituição Federal de 1988 difundiu
as competências entre os indivíduos da federação, por meio de disposições
exclusivas, regras de representação obrigatória e regras de restrição legal,
relacionadas nos seus artigos relativos à organização política - administrativa.
A Constituição Federal assegura ainda aos Estados, Municípios e ao Distrito
Federal dotação de autonomia política, financeira, administrativa e legislativa com a
delegação de competências.
As Competências Administrativas – são capacidades para atuação efetiva,
para executar afazeres, para a efetivação de atividades relativas as matérias nela
consignada. O Art. 21 da CF outorga a União como única competente para a
emissão de moeda. Já o Art. 23, VII atribui a todos os indivíduos federados – União,
Estados, Distrito Federal e aos Municípios a proteção do meio ambiente, da fauna,
da flora e das florestas.
Sobre Competência Legislativa, a Constituição de 1988 estabelece o poder
para normatizar, estabelecer normas sobre respectivas matérias. Um caso prático e
que é privativo da União legislar sobre o trânsito e Transporte – Conforme
estabelece o Art. 22, IX. Mas faculta aos Estados, ao Distrito Federal e Municípios
atuarem nesse serviço, sem poder legislar.
Na Competência Tributária – A Constituição Federal regulamenta o poder de
instituir e arrecadar tributos, que é outorgado os Indivíduos Federados, como uma
das formas de assegurar sua autonomia.
Dessa forma, o art. 21 atende da competência privativa da união e o art.22 da
competência privativa para legiferar da união, em um padrão de distribuição
horizontal, que é um método no qual há uma repartição fechada, característico de
competência entre os indivíduos federados, numa configuração de federalismo dual
ou clássico, de onde as competências da União são relacionadas, particulares da
união. E o art. 22, em sua autoridade privativa que em seu parágrafo único antevê
através de lei complementar, determinadas autoridades restantes para os Estados
15

da Federação, autorizando-lhes sobre pontos específicos dos tópicos relacionados


neste artigo.
Quanto à natureza, as competências constitucionais podem ser de natureza
legislativa ou natureza administrativa ou material. A União tem previsão de
competência legislativa na Constituição Federal nos arts. 22 e 24 16. Já as
competências administrativas têm previsão nos arts. 21 e 2317 do Texto
Constitucional.
A Constituição de 1988 no seu artigo 21 e incisos subseqüentes trata das
competências privativas da União. A competência disposta no mencionado artigo
leciona sobre a chamada competência material, que seria a competência para atos
não-legislativos (atos de execução).
No Art. 22 e incisos do Estatuto Constitucional apronta de princípios
constitucionais declaratórios, autorizativos da jurisdição total na legislação federal
evidenciando nitidamente a soberania da União perante os demais indivíduos
federativos. Ainda que a jurisdição seja privativa, existe a probabilidade de
incumbência de capacidade, mas cabe particularmente a União, sem perda de
outras prerrogativas constitucionais.
O Texto Constitucional no seu Art. 23 estabelece a Competência Comum, que
é cumulativa ou paralela e é extensiva para a União, aos Estados, o Distrito Federal
e Municípios. Nessa modalidade de Competência, os indivíduos federados têm entre
si uma obrigação comum como o zelo pela guarda da Constituição Federal, das leis
e das instituições democráticas; a conservação do patrimônio público, cuidar da
saúde, da assistência social, do meio ambiente por exemplo.
As Competências comuns / concorrentes entre a União, Estados e Distrito
Federal no quão estão constituídos os assuntos que necessitam ser regulamentados
de forma total ou particular nos campos de atuação legislativa concorrente tem
abrigo no Art. 24 da Carta Magna18, permitindo aos indivíduos federados citados
legislarem concorrentemente sobre o direito financeiro, tributário, econômico,

16
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 22 e 24.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15
nov. 2017.
17
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 21 e 23.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15
nov. 2017.
18
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Art. 24. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov.
2017DEM.
16

penitenciário e urbanístico, custas de serviços forenses, organização e


funcionamento de juntas comerciais, etc.
Aos Estados as Competências Legislativas estão previstas nos arts. 24 e 25,
§ 1º19. As Competências Administrativas dos Estados têm amparo na Carta Magna
nos arts. 23 e 25, §§ 2º e 3º20
Para os municípios as Competências Legislativas têm previsão legal nos arts.
30, I e II. As Competências Administrativas Municipais estão amparadas nos arts. 23
e 30, III a IX da Constituição Federal21.
A Constituição Federal ordena assuntos que a União e os Estados têm
capacidade particular para legiferar, em harmonia com seus particulares interesses.
São capacidades repartidas, para as quais não existe cooperação, exercitando a
repartição horizontal da competência.
De outro modo, também na Constituição Federal vigente, encontra-se
semelhante matéria legislativa combinada pela União e pelos Estados, onde a União
abaliza parâmetros de atuação e limitadores do domínio dos Estados, que não
poderão distorcer as regras federais. A União é soberana e direciona a divisão de
competência de forma hierárquica ou vertical
A Distribuição de Competências Constitucionais é alcançada através da
soberania de interesse, ou seja, ele é o início que determina a divisão dos poderes,
onde a União predomina no Interesse Nacional, exerce o poder de forma soberana;
os Estados que integram a Federação têm soberania em nível Regional, os
Municípios a nível local e o Distrito Federal atua como regional e local com leciona o
Art. 22, XCII22, da Constituição Federal.
No ordenamento da Federação Brasileira, a União é a entidade majoritária,
com circunscrição territorial máxima, que rege assuntos que pela índole da matéria,
mais diretamente comprometem o todo ou, então, que, por um determinado intuito

19
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 24 e 25.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15
nov. 2017.
20
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 23 e 25.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15
nov. 2017.
21
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 23 e 30.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15
nov. 2017
22
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 22, XCII.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15
nov. 2017
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político, aspire submeter a uma disciplina uniformizada, constante, para evitar o


aparecimento de diversidades tidas como indesejáveis.
Já os Estados, são as entidades federativas de nível intermediário: Que
disciplina, em alguns casos legisla, executa e delega as questões de interesses
regionais.
Os Municípios são os indivíduos federativos de menor âmbito. Tem autonomia
para legislar, instituir e arrecadar impostos, executar atividades deliberadas,
delegadas ou municipalizadas pelos Estados ou pela União, tem a sua normativa
para tratar de assuntos de interesse restrito à comunidade local.
A Constituição Federal de 1988 que atribuiu ao município o status de ente
federado, também teve a fixação das normas para distribuição de receitas tributárias
e melhor demarcada à competência de tributação competente dos indivíduos
federativos, com os municípios sendo os grandes beneficiados.
Com a Constituição Federal 1988, a Federação teve uma nova fisionomia
fiscal e administrativa, por força da melhor definição das competências
constitucionais reservadas em favor dos Estados e Municípios. A Carta Magna
restaurou as qualidades políticas e mesmo econômicas de soberania dos indivíduos
Federados. As percentualidades de impostos federais que estão na composição do
FPE (Fundo de Participação dos Estados) e o FPM (Fundo de Participação dos
Municípios) acresceram admiravelmente.
O Estatuto Constitucional patenteou as competências constitucionais entre os
Indivíduos federativos, assegurando-lhes direitos, deveres e prerrogativas distintas
conforme detalhamento a seguir.
A Competência Exclusiva trata-se de poderes enumerados, protegidos e
indelegáveis. É exercida em exclusão das demais, devendo ser exercida pelo ente
federativo a quem for atribuída a competência. Tratam apenas de questões
materiais, assuntos administrativos, econômicos, financeiros e políticos. Não trata de
questões legislativas. É exclusiva da União, tendo abrigo no Art. 21 da Carta Magna.
Os poderes relacionados são os de competência da União, descritos no art.
21, e os dos Municípios relacionados no art. 30. Os poderes reservados aos Estados
estão descritos no art. 25, § 1º23.

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BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Art. 25. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov. 2017.
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Sobre as competências exclusivas da União (Art. 21) podem ser
mencionadas a manutenção de:

Relações com Estados estrangeiros e participar de organizações


internacionais; declarar a guerra e celebrar a paz; Permitir, nos casos
previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo
território nacional ou nele permaneça temporariamente; Assegurar a defesa
nacional; Decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção
federal.

Os incisos antevistos no artigo 22 da Constituição Federal dispõem de


princípios declaratórios e autorizativos da competência geral na legislação federal
evidenciando nitidamente soberania diante dos demais indivíduos federativos. Ainda
que a competência seja privativa, existe a probabilidade de delegação de poder,
mas compete privativamente a união, sem perda de outras previsões constitucionais.
A Competência Privativa - Essa probabilidade de delegação trata-se da
autorização outorgada aos dos Estados de legislar sobre questões específicas de
Competência Privativa. É uma competência especifica de um Ente Federal, mas
admite a delegação para outro Ente, por força de Lei Complementar. É atribuída
exclusivamente à União e é legislativa. Segundo o Art. 22 da Carta Constitucional, é
competência da União legislar sobre:

Direito civil, processual, eleitoral, comercial, penal, agrário, aeronáutico,


marítimo, espacial e do trabalho; Desapropriação; Requisições civis e
militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;

A Competência Concorrente envolve a União, Estados e Distrito Federal no


qual estão constituídas as matérias que devem ser regulamentadas de forma geral
ou específica nas áreas de atuação legislativa concorrente.
Art. 2425. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre: O direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e
urbanístico; Orçamento; Juntas comerciais; Custas dos serviços forenses; (.)
A Competência Comum que se exerce simultaneamente sobre a mesma
matéria por mais de uma autoridade ou órgão, é cumulativa ou paralela, refere-se à
União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nominadas no Art. 23 da Carta Magna
como descrita a seguir:

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BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Art.21. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov. 2017.
25
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 24. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov. 2017
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Art. 2326. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e


dos Municípios: Zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições
democráticas e conservar o patrimônio público; Cuidar da saúde e assistência
pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;
Proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e
cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios
arqueológicos;

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que


adotarem, observados os princípios desta Constituição. Os Estados têm autonomia
para organizar a sua Constituição Estadual, segundo princípios estabelecidos pela
Constituição Federal.
Entre as competências que cabem aos Estados, podemos citar a de explorar
diretamente, ou mediante concessão, a empresa estatal, com exclusividade de
distribuição, os serviços locais de gás canalizado;
Os Estados poderão, por meio de lei complementar, organizar regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, formadas por agrupamentos
de municípios limítrofes, para agregar a organização, o projeto e a desempenho de
desempenhos público de interesse comum.

6 A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS DOS ESTADOS

A Competência dos Estados tem previsão constitucional, no Art. 25 27 a


redação é sobre a Competência Exclusiva dos Estados, podendo ter a sua própria
Constituição estadual, respeitando os princípios fundamentais da Constituição
Federal; compete aos Estados explorar diretamente, ou mediante permissão, a
companhia estatal, com exclusividade de repartição, os serviços locais de gás
canalizado, na forma da lei, vetada a edição de medida transitória para a sua
regulamentação.
Através de lei complementar os Estados poderão instituir regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por
agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento
e a execução de funções públicas de interesse comum.

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BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 23. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov. 2017
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BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil – Arts. 25. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 15 nov. 2017
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A jurisdição administrativa dos Estados são todas as que não forem da União
(CF, art. 21), dos municípios (CF, art. 30) e comuns 1 (CF, art. 23). Os Estados
possuem ainda a competência remanescente, onde a Constituição Federal garante a
autonomia dos Estados em relação à União.
A competência para editar as regras gerais é da União, competindo ao
estado-membro adicionar a legislação da União, tendo em vista as particularidades
regionais. Aos Estados membros da Federação é atribuída também a Competência
suplementar complementar – que ocorre quando a edição da norma, destes
indivíduos, é específica e posterior à legislação geral da União e;
Os Estados Membros poderão exercer ainda a Competência Suplementar
Supletiva – sendo possível a edição da norma estadual é geral e específica, tendo
em vista a falha da União.

7 A COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL DOS MUNICÍPIOS

As competências privativas dos Municípios estão dominadas no Art.30 da


Constituição Federal.
Os Municípios têm assegurada a Competência Legislativa Exclusiva,
amparada no Texto Constitucional (art. 30, I, CRFB), referentes aos assuntos de
instância local, coligados pelo princípio da predominância do interesse.
Aos Municípios, versa a Carta Magna sobre a Competência Legislativa
Suplementar conforme, (art. 30, II, CRFB), da legislação federal ou estadual, no que
couber, para suprir lacunas da legislação federal e estadual, regulamentando as
respectivas matérias para ajustar a sua execução às peculiaridades locais.
A Constituição Federal assegura aos Municípios a Competência
Administrativa Comum (Art. 23 da CRFB). A Competência Comum envolve União,
Estados, DF e Municípios todos os indivíduos federados que, como tais, são dotados
de autonomia.
Assegura aos Municípios o Texto Constitucional a Competência Tributária
Expressa (art. 145; 149, §1º, 149-A; 156 da CRFB).
Sobre tal temática leciona AMARO28, que:

28
AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12ª ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva: 2006.
21

(…) o poder de criar tributos é repartido entre os vários indivíduos políticos,


de modo que cada um tem competência para impor prestações tributárias,
dentro da esfera que lhe é assinalada pela Constituição.

A competência tributária é prevista para todos os indivíduos federados -


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Todos têm, dentro de
certos ditames, o poder de criar determinados tributos e deliberar o seu alcance,
correspondidos os critérios de partilha de competência estabelecidos pela
Constituição.
Os municípios possuem autonomia para reger seus bens e serviços, instituir
Políticas Públicas municipais para tratar diversos assuntos como a Política de
educação, saúde, renda e emprego, cultura, meio ambiente etc.29
Os municípios também são competentes para legislar sobre interesses locais
e complementares a legislação federal e estadual no que couber;
A autonomia do Município afiançada pela Constituição Federal lhe dá a
competência de criar tributos para arrecadar recursos para a receita pública
municipal, capacidade esta conferida pela própria Constituição Federal. Segundo
MEIRELLES30, leciona que “o poder impositivo do município acontece de sua
autonomia financeira, estabelecida na Constituição Federal, que lhe garante a
competência para instituir e arrecadar os tributos de sua capacidade e o bom
emprego das rendas locais, conforme versa o art. 30, III da Carta Constitucional.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após muitas leituras, a principal dificuldade encontrada foi delimitar o tema,


pela forma instigante e atrativa que a temática sugere. O Direito Constitucional é o
ponto de derivação, a fonte e o começo de outros ramos do Direito. A escolha do
tema foi motivada pela vivência que tenho no ambiente de trabalho. A Competência
Constitucional exige uma ampla visão para uma melhor compreensão e domínio do
tema.
Analisar, compreender as prerrogativas da União, como ente Federal
supremo, que exerce poderes sobre os outros indivíduos, com amplas competências

29
BRASIL – Constituição Federal –Art. 30 e incisos – Pelo site:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm - em novembro de 2017
30
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Municipal Brasileiro. 17ª ed. – São Paulo: Malheiros.
22

internas e externas no espaço jurídico, político, geográfico, econômico, social e


dinâmico onde a Federação atua se relaciona ou exerce sua supremacia.
Entender as Competências dos Estados, sua articulação complementar com a
União, a sua influência com os Municípios, os casos omissos ou as capacidades
quem são privativas ou concessionárias para os municípios.
O Distrito Federal com competências hibridas em uma mistura de Estado e
Município, que cria um emaranhado na compreensão quanto as aptidões desse ente
federado.
E por fim, o Município reconhecido pela Constituição Federal de 1988 como
ente da Federação, dotado de autonomias, capacidades e competências próprias,
certamente o ente da federação que está mais próximo do cidadão, das suas
necessidades, dificuldades e aspirações. Onde os impostos, tributos e receitas
fiscais são gerados para os outros indivíduos federados. Onde os problemas
acontecem e a hierarquia e a burocracia estatal dificultem a solução de problemas
locais.
Após o término do presente artigo, muito mais preciso ler, estudar e
compreender como forma de ampliar os conhecimentos retratados no presente
artigo.
23

REFERÊNCIAS

AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12ª ed. rev. e atual. São Paulo:
Saraiva: 2006;

ARAÚJO, Gilda Cardoso de. (2010). A relação entre federalismo e


municipalização: desafios para a construção do sistema nacional e articulado
de educação no Brasil. Revista Educação e Pesquisa. São Paulo, 36 (1), 389-402.

BALTAZAR. Antônio H. Lindemberg. Repartição constitucional de competências


no Estado federal. Disponível em:
<http://www.editoraferreira.com.br/publique/media/toq18_antonio_henrique.pdf>.
Acesso outubro de 2017.

BIONDINI, Isabella Virgínia Freire. O arranjo federativo e o processo de


descentralização: o desafio da equidade horizontal entre governos municipais.
2007. Dissertação (Mestrado em Administração Pública) - Escola de Governo
Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>.
Acesso em: 15 /11/2017.

FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Comentários à Constituição brasileira de


1988. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1997. v. 1.

HÖFFE, Otfried. A democracia no mundo de hoje. São Paulo: Martins Fontes,


2005.

HORTA, Raul Machado. Direito constitucional, 3. ed. Belo Horizonte: Del Rey,
2002.

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 18. ed. rev., atual. e ampl.
São Paulo: Saraiva, 2014. p. 469 - 472.

OLIVEIRA, Fabrício Augusto de (Org.). Descentralização e federalismo fiscal no


Brasil: desafios da reforma tributária. Rio de Janeiro: Fundação Konrad-
Adenauer, 2003. p. 41-109.

SCHWARTZ, Bernard. O federalismo norte-americano atual. Rio de Janeiro:


Forense Universitária, 1993.

SILVA, José Afonso, Direito Constitucional Positivo, pag. 447 - 25ª edição, revista
e atualizada, São Paulo, Malheiros Ed., 2005.

SOARES, M. M. Federalismo e recursos públicos no Brasil: as transferências


voluntárias da União aos Estados e Municípios. 2008. Projeto de Pesquisa
apresentado e aprovado.
24

SOUZA, Donaldo Bello de; FARIA, Lia C. Macedo. Reforma do Estado,


descentralização e municipalização do ensino no Brasil: a gestão política dos
sistemas públicos de ensino pós- LDB 9394/96. Ensaio: Avaliação e Políticas
Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n.45, p. 925-944. out./dez. 2004.

NOTA

A produção do presente artigo buscou seguir as normas sugeridas pela


FACEMP / ABNT. As citações de letra de lei não configuram plagio,
por se tratar de legislação vigente, com redação própria e que não é
possível fazer outras edições.