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TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.

(Unesp) Chão de Estrelas

(Sílvio Caldas e Orestes Barbosa)

Minha vida era um palco iluminado


Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões...
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações.

Meu barracão no morro do Salgueiro


Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou...
E, hoje, quando do sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher - pomba-rola que voou.

Nossas roupas comuns dependuradas


Na corda, qual bandeiras agitadas,
Pareciam um estranho festival:
Festa dos nossos trapos coloridos,
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional!

A porta do barraco era sem trinco


Mas a lua, furando o nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso chão...
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão...
(in SÍLVIO CALDAS - Disco Sinter 78 rpm, 1951.)

Horas de Saudade

(Castro Alves)

Tudo vem me lembrar que tu fugiste,


Tudo, que me rodeia, de ti fala.
Inda a almofada, em que pousaste a fronte,
O teu perfume predileto exala.

No piano saudoso, à tua espera,


Dormem sono de morte as harmonias:
E a valsa entreaberta mostra a frase,
A doce frase qu'inda há pouco lias.

...........................................................................

No ramo curvo o ninho abandonado


Relembra o pipilar do passarinho.
Foi-se a festa de amores e de afagos...
Eras - ave do céu... minh'alma - o ninho!

Por onde trilhas - um perfume expande-se


Há ritmo e cadência no teu passo!
És como a estrela, que transpondo as sombras,
Deixa um rastro de luz no azul do espaço...

E teu rastro de amor guarda minh'alma,


Estrela, que fugiste a meus anelos,
Que levaste-me a vida entrelaçada
Na sombra sideral de teus cabelos!...

(in HINO DO EQUADOR. POESIAS COMPLETAS, 2 ed. São Paulo: Saraiva 1960, pp. 298-9.)
Vou Retratar a Marília.

(Tomás Antônio Gonzaga.)

Vou retratar a Marília,


a Marília, meus amores;
porém como? se eu não vejo
quem me empreste as finas cores:
dar-mas a terra não pode;
não, que a sua cor mimosa
vence o lírio, vence a rosa,
o jasmim e as outras flores.
Ah! socorre, Amor, socorre
ao mais grato empenho meu!
Voa sempre os astros, voa,
traze-me as tintas do céu.

.....................................................................

Só no céu acha-se podem


tais belezas como aquelas,
que Marília tem nos olhos,
e que tem nas faces belas;
mas às faces graciosas,
aos negros olhos, que matam,
não imitam, não retratam
nem auroras nem estrelas.
Ah! socorre, Amor, socorre
ao mais grato empenho meu!
Voa sobre os astros, voa,
traze-me as tintas do céu

(in MARÍLIA DE DIRCEU E MAIS POESIAS. Lisboa: Sá de Costa, 1982, pp. 17-8.)

1. Comparando o texto do jornalista e poeta seresteiro Orestes Barbosa (musicado por Sílvio Caldas) com o fragmento
do poema de Castro Alves, verificamos que ambos, embora focalizem ambientes sociais diferentes, tratam basicamente
do mesmo tema. Releia os textos em questão e, a seguir, indique:
a) o tema comum a ambos os poemas;
b) um verso ou seqüência de versos de cada poema que façam referência ao tema.

2. A comparação da mulher amada com imagens celestes é tradicional na literatura. A mulher, no romantismo de Castro
Alves, é comparada com uma estrela, ("és como a estrela, que transpondo as sombras, / deixa um rastro de luz no azul
do espaço"); na idealização arcádica de Tomás Antônio Gonzaga, o poeta afirma que, para descrever a beleza de
Marília, são necessárias "as tintas do céu" e nem as auroras nem as estrelas são capazes de imitar ou retratar os olhos
dela. Tomando por base este comentário:
a) explique o caráter inovador de Orestes Barbosa em seu poema;
b) comprove sua explicação com exemplos tomados de "Chão de Estrelas".

3. Já vimos que os poemas de Orestes Barbosa e de Castro Alves apresentam algumas semelhanças genéricas em
níveis temático e métrico. Lendo atentamente ambos os textos, poderemos perceber a ocorrência de outras
semelhanças mais específicas. Compare a segunda estrofe de "Chão de Estrelas" com a terceira estrofe do poema de
Castro Alves e, a seguir, aponte:
a) uma semelhança na caracterização dos ambientes;
b) uma semelhança na caracterização de amadas.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Unesp) Esparsa - Ao desconcerto do Mundo.

(Luís de Camões)

Os bons vi sempre passar


No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado,
Assim que só para mim
Anda o Mundo concertado.

(in REDONDILHAS - OBRAS COMPLETAS. Rio de Janeiro: Aguilar, 1963, pp. 475-6.)

Nós

(Cesário Verde)

Ai daqueles que nascem neste caos,


E, sendo fracos, sejam generosos!
As doenças assaltam os bondosos
E - custa a crer - deixam viver os maus!

(in O LIVRO DE CESÁRIO VERDE. 9 ed. Lisboa: Editorial Minerva, 1952, p. 122.)

4. Nesta redondilha de Camões e na estrofe do poema "Nós", do realista português Cesário Verde, os poetas exploram
um tema literário bastante comum, presente em obras de poetas de todos os tempos. Trata-se de "o desconcerto do
mundo", quer dizer, a verificação de que os fatos do mundo acontecem às avessas, em desajuste com as exigências
íntimas da vida pessoal. Com base neste comentário, releia os textos e, a seguir, explique que tipo de "desconcerto" é
apontado:
a) por Camões, em seu poema;
b) por Cesário Verde, em sua estrofe.

5. Nos primeiros versos de "Esparsa", Camões demonstra sua consciência sobre o "desconcerto do mundo". Em
decorrência disto, confessa uma mudança de atitude. Releia o poema e, em seguida:
a) explique como se dá essa mudança de atitude;
b) comente o resultado de sua tentativa.

6. (Unesp) Embora seja bastante frutífera a consulta ao dicionário, em muitos casos não temos necessidade de buscar
os significados de certas palavras ou expressões, pois é possível entendê-los no contexto. Com base nesta observação,
releia o trecho de Camilo e, a seguir:
a) Escreva os significados de "bosquejo" e "alvedrio".
b) Cite a frase do segundo parágrafo em que o narrador admite que, por não ter dado o bosquejo de Calisto Elói,
ofereceu ao leitor o ensejo de um entendimento errado do personagem.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Unesp) Capítulo VII

Figura, Vestido, E Outras Coisas Do Homem.

Assim que os personagens dos romances começam a ganhar a estima ou aversão de quem lê, vem logo ao
leitor a vontade de compor a fisionomia do personagem plasticamente. Se o narrador lhe dá o bosquejo, a imaginativa do
leitor aperfeiçoa o que sai muito em sombra e confuso no informe debuxo do romancista. Porém, se o descuido ou
propósito deixa ao alvedrio de quem lê imaginar as qualidades corporais de um sujeito importante como Calisto Elói, bem
pode ser que a intuição engenhosa do leitor adivinhe mais depressa e ao certo a figura do homem, que se lhe a
descrevessem com abundância de relevos e rara habilidade no estampá-los na fantasia estranha.
Não devo ater-me à imaginação do leitor neste grave caso. Calisto Elói não é a figura que pensam. Estou a
adivinhar que o enquadraram já em molde grotesco, e lhe deram a idade que costuma autorizar, mormente no congresso
dos legisladores, os desconcertos do espírito, exemplificados pelo deputado por Miranda. Dei azo à falsa apreciação, por
não antecipar o esboço do personagem.
(Castelo Branco, Camilo. A QUEDA DUM ANJO in Obra Seleta - I. Rio de Janeiro: Aguillar, 1960, p.807.)

7. Não são poucos os casos em que, no interior do próprio romance, os autores revelam preocupação quanto à recepção
de seus textos. Há aqueles que explicitam esta preocupação como pretexto literário, irônico, como é o caso de Camilo
Castelo Branco. No trecho em pauta, o narrador revela ter opinião definida sobre as reações do leitor frente a Calisto
Elói, o protagonista de "A queda dum Anjo". Releia o fragmento que lhe apresentamos e, a seguir, responda:
a) De acordo com o narrador, o leitor é um ser ativo ou passivo na recepção de um romance? Cite um trecho que
justifique sua resposta.
b) De acordo com o narrador, que imagem o leitor fizera de Calisto Elói, positiva ou negativa? Cite um trecho que
justifique sua resposta.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Unesp) SEDIA LA FREMOSA SEU SIRGO TORCENDO
Estêvão Coelho

Sedia la fremosa seu sirgo torcendo,


Sa voz manselinha fremoso dizendo
Cantigas d'amigo.

Sedia la fremosa seu sirgo lavrando,


Sa voz manselinha fremoso cantando
Cantigas d'amigo.

- Par Deus de Cruz, dona, sey que avedes


Amor muy coytado que tan ben dizedes
Cantigas d'amigo.

Par Deus de Cruz, dona, sey que andades


D'amor muy coytada que tan ben cantades
Cantigas d'amigo.

- Avuytor comestes, que adevinhades,

(Cantiga n°321 - CANC. DA VATICANA.)

ESTAVA A FORMOSA SEU FIO TORCENDO


(paráfrase de Cleonice Berardinelli)

Estava a formosa seu fio torcendo,


Sua voz harmoniosa, suave dizendo
Cantigas de amigo.

Estava a formosa sentada, bordando,


Sua voz harmoniosa, suave cantando
Cantigas de amigo.

- Por Jesus, senhora, vejo que sofreis


De amor infeliz, pois tão bem dizeis
Cantigas de amigo.

Por Jesus, senhora, eu vejo que andais


Com penas de amor, pois tão bem cantais
Cantigas de amigo.

- Abutre comeste, pois que adivinhais.

(in BERARDINELLI, Cleonice. CANTIGAS DE TROVADORES MEDIEVAIS EM POTUGUÊS MODERNO. Rio de


Janeiro: Organ. Simões, 1953, pp. 58-59.)

8. Considerando-se que o último verso da cantiga caracteriza um diálogo entre personagens; considerando-se que a
palavra "abutre" grafava-se "avuytor", em português arcaico; e considerando-se que, de acordo com a tradição popular
da época, era possível fazer previsões e descobrir o que está oculto, comendo carne de abutre, mediante estas três
considerações:
a) Identifique o personagem que se expressa em discurso direto, no último verso do poema;
b) Interprete o significado do último verso, no contexto do poema.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Unesp) Jorge foi heróico durante toda essa tarde. Não podia estar muito tempo na alcova de Luísa, a
desesperação trazia-o num movimento contraditório; mas ia lá a cada momento, sorria-lhe, conchegava-lhe a roupa com
as mãos trêmulas; e como ela dormitava, ficava imóvel a olhá-la feição por feição, com uma curiosidade dolorosa e
imoral, como para lhe surpreender no rosto os vestígios de beijos alheios, esperando ouvir-lhe nalgum sonho da febre
murmurar um nome ou uma data; e amava-a mais desde que a supunha infiel, mas dum outro amor, carnal e perverso.
Depois ia-se fechar no escritório, e movia-se ali entre as paredes estreitas, como um animal numa jaula. Releu a carta
infinitas vezes, e a mesma curiosidade roedora, baixa, vil, torturava-o sem cessar: Como tinha sido? Onde era o
Paraíso? Havia uma cama? Que vestido levava ela? O que lhe dizia? Que beijos lhe dava?

(in O PRIMA BASÍLIO - OBRAS COMPLETAS - I. Porto: Lello & Irmãos, s/d, p.1150.)

9. Embora faça referência a três personagens, o narrador menciona nominalmente apenas Jorge e Luísa. Releia o texto
e, a seguir:
a) aponte duas palavras por meio das quais, de modo explícito ou velado, o narrador se refere ao personagem Basílio;
b) explique o que representa, do ponto de vista de Jorge, a omissão do nome de Basílio.

10. (Fuvest) Reduit é leite puro e saboroso.


Reduit é saudável, pois nele quase toda gordura é retirada, permanecendo todas as outras qualidades nutricionais.
Reduit é bom para jovens, adultos e dietas de baixas calorias.
(Texto em uma embalagem de leite em pó)

a) No texto acima, a gordura pode ser entendida também como uma qualidade nutricional? Justifique sua resposta,
transcrevendo do texto a expressão mais pertinente.
b) As qualidades nutricionais de um produto, segundo o texto, sempre fazem bem à saúde? Justifique sua resposta.

11. (Unesp) Auto da Compadecida.

CHICÓ: - Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.

JOÃO GRILO: - No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu?

PADRE: - Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar.

CHICÓ: - Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.

PADRE: - É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso,
mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO: - É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major
Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: - (mão em concha no ouvido) Como?

JOÃO GRILO: - Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: - E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais?

JOÃO GRILO: - É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu
trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse o Chicó: o padre vai se
zangar.

PADRE: - (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direitos de se zangar?
Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro!

JOÃO GRILO: - (cortante) Quer dizer que benze, não é?

PADRE: - (a Chicó) Você o que é que acha?

CHICÓ: - Eu não acho nada de mais.

PADRE: - Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus.

(in Suassuna, Ariano - TEATRO MODERNO - AUTO DA COMPADECIDA. 8 ed., Rio: Agir-Instituto Nacional do
Livro, 1971, pp. 32-34.)

A espontaneidade dos diálogos, a força poética de seu texto e a capacidade de exprimir o espírito popular de
nossa gente fazem com que o escritor Ariano Suassuna (1927) seja reconhecido como um dos principais autores
brasileiros contemporâneos. Diz o crítico Sábato Magaldi que a religiosidade de Ariano "pode espantar aos cultores de
um catolicismo acomodatício, mas responde às exigências daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira".

Com base nesta observação, responda:


a) por que, segundo aquele padre, é fácil benzer um motor?
b) em que sentido o fragmento apresentado encerra uma crítica ácida ao modo como o padre comanda a sua paróquia?

12. (Unicamp) A história transcrita a seguir contrasta dois mundos, dois estados de coisas: o dia-a-dia cansativo do
carregador e a situação imaginária em que ele se torna presidente da República:
Dois carregadores estão conversando e um diz:

"Se eu fosse presidente da República, eu só acordava lá pelo meio-dia, depois ia almoçar lá pelas três, quatro
horas. Só então é que eu ia fazer o primeiro carreto"

O carregador não consegue passar para o mundo imaginário, e acaba misturando-o de maneira surpreendente com o
mundo real.
a) Qual é a construção gramatical usada nessa história para dar acesso ao mundo das fantasias do carregador?
b) Que situação do mundo real ele transfere para o mundo irreal de suas fantasias?
c) Por que isso é engraçado?

13. (Unicamp) A coluna "Painel" do jornal "Folha de S. Paulo" publicou a seguinte nota:

LITERALMENTE
Desde a divulgação da pesquisa Data-Folha mostrando que 79% não sabem que Fernando Henrique é o novo ministro
da Fazenda, seus adversários no Congresso criaram um novo apelido para ele: "Ilustre desconhecido."
("Folha de S. Paulo", 31.05.93 )

a) Quais os sentidos da expressão "Ilustre desconhecido" quando usada habitualmente em relação a alguém, e como
apelido de Fernando Henrique Cardoso?
b) Uma dessas duas interpretações de "Ilustre desconhecido", resulta num paradoxo*. Diga qual é essa interpretação e
justifique.
c) O título "Literalmente" é adequado à nota? Por quê?
(*paradoxo = contra-senso, contradição )

14. (Unicamp) O "Jornal do Automóvel", um dos cadernos do Diário do Povo, de Campinas, em sua edição de 8/8/93,
trazia a seguinte notícia:

"Que flagra! O J.A. descobriu os primeiros veículos importados da Ford em Campinas. São eles três mini-van
Explorer, que deverão ser lançados no Brasil até o final deste mês."

O Jornal do Automóvel flagrou nesta semana a chegada dos primeiros veículos importados da Ford para o Brasil e que
serão vendidos em Campinas pela Forbrasa.
Foram três mini-van Explorer que deverão ser lançados oficialmente pela Ford do Brasil até o final deste mês. A data
ainda não foi divulgada mas o lançamento será simultâneo em todo o país em 16 concessionárias autorizadas. A
Explorer é apenas o primeiro modelo de passeio que a Ford traz para o Brasil depois da liberação da importação de
veículos (...)
Como a Ford ainda não promoveu o lançamento nacional dos veículos, os que vieram para Campinas estão sendo
guardados na loja da Forbrasa (...) Quem passa pelo lado de fora não enxerga os automóveis, mas é visível a mudança
que a loja está sofrendo para abrigar a nova loja e assistência técnica especializada.

O primeiro parágrafo da notícia presta-se à seguinte interpretação:

"os primeiros três carros importados pela Ford - três mini-vans Explorer - vieram para Campinas: com eles a Ford fará
em Campinas o lançamento nacional dos importados Ford".

O restante do artigo fornece informações parcialmente diferentes.

a) Transcreva as passagens que desmentem aquela primeira interpretação.


b) A leitura da segunda parte do texto leva o leitor a mudar sua primeira interpretação. Em que consiste essa mudança?
c) Mostre que as duas interpretações possíveis para o primeiro parágrafo se distinguem pela maneira como se relaciona
a expressão "em Campinas" ao restante da frase.

15. (Unicamp) Em uma de suas colunas, o ombudsman do jornal "Folha de S. Paulo" reproduziu um trecho de uma
notícia do "Jornal do Brasil" e fez uma crítica ao título da mesma notícia. O título da notícia do "Jornal do Brasil" era:

MULHERES CARDÍACAS TÊM MAIS CHANCE DE MORRER.

A crítica dizia, simplesmente: "O 'JB' de quarta-feira publicou título óbvio".


Observe agora o começo da notícia publicada pelo "JB":
"WASHINGTON - As mulheres que se submetem à angioplastia têm dez vezes mais probabilidade de morrer no hospital
do que os homens. A conclusão foi obtida num estudo..."
("Folha de S.Paulo", 14.03.93 )

a) Como o ombudsman da "Folha" leu a manchete do "JB", para achar que ela diz o óbvio?
b) Qual a leitura da manchete que deve ser feita, com base no texto que a segue?
c) Porque a manchete do "JB" permite essas duas leituras?

16. (Unicamp) Em duas passagens do texto a seguir, o articulista transmitiu informações objetivamente diferentes das
que pretende transmitir.

O que incomoda a população (...) é o piolho da cabeça, que se hospeda geralmente em crianças em idade pré-
escolar. Não se sabe ao certo o porquê da maior incidência em crianças, mas se acredita que seja provavelmente pelo
contato mais íntimo entre elas. Afinal, só podem ocorrer infestações se a criança entrar em contato com outra,
desmitificando assim que o piolho voa ou que o uso comum de pentes e escovas pode ser transmitido.
Outro mito (...) é a transmissão do piolho animal para o ser humano. "Isto não existe porque cada espécie tem
seu piolho e se o parasita picar outra espécie que não seja a sua, morre"(...).
("Gazeta de Barão", Campinas, agosto de 1993).

a) Transcreva as duas passagens.


b) Redija-as de forma a evitar as interpretações não desejadas.
c) Justifique uma das "correções" feitas por você em resposta ao item b.

17. (Unicamp) Leia com atenção o trecho a seguir:

Desinformar, ensina o dicionário, "é informar mal; fornecer informações inverídicas".


Empregada como arma de guerra, a desinformação significa trabalhar a opinião pública de modo que esta, chamada a
decidir sobre idéia, pessoa ou evento, ajuíze conforme o querer do desinformador.
Não se trata de novidade. É recurso tão antigo quanto os conflitos. Porém, no Brasil, raramente foi tão hábil e
eficientemente engendrada e utilizada como em 1932 em favor do Governo Provisório. Contribuiu para circunscrever o
âmbito da Revolução Constitucionalista, inamistá-la em várias áreas do país e para favorecer a mobilização destinada a
enfrentá-la.
Gente simples, recrutada ao norte e ao sul, entrou na luta acreditando combater estrangeiros que tendo se
apoderado do controle econômico de S. Paulo, buscavam empalmar o mando político. Isso fariam ajudados por alguns
paulistas antigos, egoístas, rancorosos, vingativos, intencionando fazer do Estado um país independente, hostil às áreas
e às classes empobrecidas do Brasil. Os intrusos e os separatistas DISFARÇARIAM seus propósitos com o reclamar
convocação de assembléia constituinte. Uns e outros deveriam ser combatidos sem piedade.
(Hernâni Donato. "Desinformação, arma de guerra em 1932", DO Leitura, São Paulo, 11(33), junho de 1933").

a) Quem são, segundo o Governo Provisório, os dois inimigos a serem combatidos?


b) O que significa, e a quem se refere, no contexto, a expressão ISSO FARIAM?
c) Dada a tese do autor de que o Governo Provisório desinformava, como devem ser interpretadas as ocorrências do
futuro do pretérito, especialmente FARIAM e DISFARÇARIAM?

18. (Unicamp) Leia atentamente o seguinte poema de Ângelo de Lima:

1 Pára-me de repente o pensamento


2 Como que de repente refreado
3 Na doida correria em que levado
4 Ia em busca da paz do esquecimento

5 Pára surpreso, escrutador, atento


6 Como pára um cavalo alucinado
7 Ante um abismo súbito rasgado.
8 Pára e fica, e demora-se um momento.
9 Pára e fica, na doida correria
10 Pára à beira do abismo, e se demora.
11 E mergulha na noite escura e fria
12 Um olhar de aço, que essa noite explora.
13 Mas a espora da dor seu flanco estria,
14 E ele galga e prossegue sob a espora...
("Revista Sudoeste", Lisboa N.3, 1935, p.4)

a) Nesse poema, opõem-se o movimento desenfreado para a frente e o refreamento. Identifique um verso em que esses
dois temas se encontrem reunidos.
b) Identifique dois recursos formais que expressam, reforçando-a, a idéia de refreamento, parada.
c) Explique por que o pensamento nesse poema, é comparado a um "cavalo alucinado". Com base nisso, identifique o
"abismo" à beira do qual o pensamento pára e se demora.

19. (Unicamp) Leia o poema a seguir e responda:

Maria Diamba
1 Para não apanhar mais
2 falou que sabia fazer bolos:
3 virou cozinha.
4 Foi outras coisas para que tinha jeito.
5 Não falou mais:
6 Viram que sabia fazer tudo,
7 até molecas para a Casa-Grande.
8 Depois falou só,
9 só diante da ventania
10 que vinha do Sudão;
11 falou que queria fugir
12 dos senhores e das judiarias deste mundo
13 para o sumidouro.
(Jorge de Lima, "Poemas Negros")

a) Descreva a personagem a que se refere o poema. Cite algumas passagens do poema que justifiquem sua resposta.
b) O poema narra a história desta personagem. Que palavra(s) marca(m) no poema a evolução desta história?
c) Os versos 8 e 10 apresentam duas novas atitudes da personagem diante de si e da história. Identifique-as.

20. (Unicamp) Leia o seguinte trecho, extraído do prólogo do livro A CONFISSÃO DE LÚCIO:

"Cumpridos dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi, (...) eu
venho fazer enfim minha confissão: isto é, demonstrar a minha inocência."

a) A afirmação de Lúcio, segundo a qual fará a confissão que comprova a sua inocência no assassinato de Ricardo de
Loureiro, aproxima a sua narrativa de um tipo de novela, ou romance, bastante popular já no começo do século e que
conserva ainda hoje a popularidade. Que tipo de narrativa é essa?
b) O que o leitor espera saber, ao terminar de ler um romance desse tipo?
c) A confissão feita por Lúcio corresponde a essa expectativa do leitor? Justifique a sua resposta.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES.


(Fuvest) "Vivemos mais uma grave crise, repetitiva dentro do ciclo de graves crises que ocupa a energia desta
nação. A frustração cresce e a desesperança não cede. Empresários empurrados à condição de liderança oficial se
reúnem em eventos como este, para lamentar o estado de coisas. O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica
pungente ou a auto-absolvição?
É da história do mundo que as elites nunca introduziram mudanças que favorecessem a sociedade como um
todo. Estaríamos nos enganando se achássemos que estas lideranças empresariais aqui reunidas teriam a motivação
para fazer a distribuição de poderes e rendas que uma nação equilibrada precisa ter. Aliás, é ingenuidade imaginar que a
vontade de distribuir renda passe pelo empobrecimento da elite. É também ocioso pensar que nós, da tal elite, temos
riqueza suficiente para distribuir. Faço sempre, para meu desânimo, a soma do faturamento das nossas mil maiores e
melhores empresas, e chego a um número menor do que o faturamento de apenas duas empresas japonesas. Digamos,
a Mitsubishi e mais um pouquinho. Sejamos francos. Em termos mundiais somos irrelevantes como potência econômica,
mas ao mesmo tempo extremamente representativos como população. "
("Discurso de Semler aos Empresários", FOLHA DE S. PAULO, 11/09/91)

21. Segundo se depreende do texto, é possível afirmar que:


a) toda mudança social provém do esforço conjunto das elites do país;
b) nenhum povo é capaz de alterar suas estruturas sem o apoio das elites;
c) as elites empresariais, produzindo riquezas, aceleram as mudanças sociais;
d) em qualquer tempo, as elites sempre se dispõem a participar do processo de distribuição de renda;
e) não é próprio das elites lançar projetos que estimulem mudanças na sociedade como um todo.

22. Segundo o espírito do texto, pode-se dizer também que, no Brasil, só não há melhor distribuição de renda:
a) por falta de uma política econômica melhor dirigida;
b) porque não é do interesse das elites, nem têm elas possibilidades de favorecer essa distribuição;
c) porque as elites estão sempre com um pé atrás, desconfiadas do poder público;
d) porque os recursos acumulados, embora suficientes, são manipulados pelas elites;
e) porque, se assim fosse feito, as elites reagiriam ao processo de seu empobrecimento.

23. O texto permite afirmar que:


a) potência mundial de peso, o Brasil está entre as maiores economias do primeiro mundo;
b) economicamente, o Brasil não tem relevo como potência de primeira ordem;
c) as dificuldades do Brasil são conjunturais e se devem especialmente às pressões internacionais;
d) as indústrias de ponta no Brasil estão entre as que têm mais alto faturamento universal;
e) só o idealismo do empresariado brasileiro pode reerguer nosso potencial econômico.

24. O ciclo de crises vivido pelo Brasil, segundo o texto, constitui:


a) um componente instigante para vencer nossas dificuldades;
b) fator conhecido e repetitivo, desimportante de nossa história;
c) algo que não passa de invenção de pessimistas desocupados;
d) recurso eficaz para chamar a atenção para a nossa realidade;
e) outra forma de desgaste e de consumo de nossas energias.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.


(Ita) As questões a seguir referem-se ao texto adiante. Analise-as e assinale, para cada uma, a alternativa incorreta.

Hino Nacional
Carlos Drummond de Andrade

Precisamos descobrir o Brasil!


Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
05 Precisamos colonizar o Brasil.

Precisamos educar o Brasil.


Compraremos professôres e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos 'dancings' e
[subconvencionaremos as elites.
10 O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia
alemãs gordas, russas nostálgicas para
'garçonettes' dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
15 Não convém desprezar as japonêsas...

Cada brasileiro terá sua casa


com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.

20 Precisamos louvar o Brasil.


Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros
[também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes
[paixões...
25 os Amazonas inenarráveis... os incríveis
[João-Pessoas...

Precisamos adorar o Brasil!


Se bem que seja difícil caber tanto oceano
[e tanta solidão
no pobre coração já cheio de
[compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que
[querem êsses homens,
30 por que motivo êles se ajuntaram e qual a
[razão de seus sofrimentos.

Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!


Tão majestoso, tão sem limites, tão
[despropositado,
êle quer repousar de nossos terríveis
[carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
35 Nosso Brasil é o outro mundo. Êste não é o
[Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os
[brasileiros?

25. a) Geograficamente se denomina uma região com a água dos rios no meio (v.3) de 'mesopotâmica'.
b) 'E nossas virtudes?' (v.24) não tem sentido de indagação apenas.
c) Quando o Autor afirma 'Precisamos adorar' (v.26), ele não quer dizer que não o fazemos, só que o fazemos
erradamente; isto se comprova com a afirmação 'terríveis carinhos'.
d) A proposta de educação para o Brasil (segunda estrofe) traz desnacionalização.
e) A Nação rejeita seus componentes (última estrofe).

26. a) Não são propriamente as japonesas (v.15) que são reticentes e sim o julgamento que sobre elas se faz.
b) O poema não parece confirmar a lenda das amazonas (v.25).
c) A carência brasileira não é só de bem-estar físico.
d) Nesse Hino os versos são brancos.
e) Através de 'Precisamos' (no início de quase todas as estrofes) são introduzidos verbos que, no decorrer do poema,
vão num crescendo cujo clímax está na estrofe final.

27. a) Esse hino não tem o tom épico do Hino Nacional brasileiro.
b) Nesse hino predomina a função conativa (ou imperativa), ele é normativo.
c) O hino de Drummond é tão ufanista quanto o Hino Nacional brasileiro.
d) Diferentemente do Hino Nacional brasileiro, este não tem estribilho.
e) O ritmo também marca distância entre o Hino Nacional do Brasil e o de Drummond.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Pucsp) (...) Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
Carlos Drummond de Andrade

28. No fragmento anterior, Carlos Drummond de Andrade constrói, poeticamente, a aurora. O que permite visualizar este
momento do dia corresponde:
a) a objetos confusos e mal redimidos da noite.
b) à garrafa estilhaçada e ao ladrilho sereno.
c) à aproximação suave de dois corpos.
d) ao enlace amoroso de duas cores.
e) ao fluir espesso do sangue sobre o ladrilho.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Ufpe) "Antes bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão. Aliás, casada. Sorriram-se e viram-se. Era infinitamente
maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim entenderam-se, voando o mais em ímpeto de nau tangida pelo vento. Mas, tudo
tendo que ser secreto, claro, coberto de sete capas."
(Guimarães Rosa)

29. O que não se pode deduzir ao Texto?


a) Há uma relação de amor proibido.
b) Narra uma cena entre dois personagens.
c) A narração é feita em 3 pessoa, com narrador onisciente.
d) ALIÁS introduz uma interdição para o relacionamento.
e) Porque se entenderam bem, viajaram sem destino, tangidos pelo vento.

30. Quanto às relações de sentido, sobre o Texto, assinale a alternativa incorreta.


a) SECRETO pode ser substituído por OCULTO.
b) PEGOU O AMOR é uma expressão conotativa, dando ao sentimento um caráter epidêmico.
c) O termo ÍMPETO pode ser substituído por FORÇA.
d) OLHOS DE VIVA MOSCA significa olhar inquieto e inconstante.
e) SETE CAPAS é uma expressão denotativa e significa AO ABRIGO DAS INTEMPÉRIES.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Fuvest) Além de parecer não ter rotação, a Terra parece também estar imóvel no meio dos céus. Ptolomeu dá
argumentos astronômicos para tentar mostrar isso. Para entender esses argumentos, é necessário lembrar que, na
antigüidade, imaginava-se que todas as estrelas (mas não os planetas) estavam distribuídas sobre uma superfície
esférica, cujo raio não parecia ser muito superior à distância da Terra aos planetas. Suponhamos agora que a Terra
esteja no centro da esfera das estrelas. Neste caso, o céu visível à noite deve abranger, de cada vez, exatamente a
metade da esfera das estrelas. E assim parece realmente ocorrer: em qualquer noite, de horizonte a horizonte, é
possível contemplar, a cada instante, a metade do zodíaco. Se, no entanto, a Terra estivesse longe do centro da esfera
estrelar, então o campo de visão à noite não seria, em geral, a metade da esfera: algumas vezes poderíamos ver mais
da metade, outras vêzes poderíamos ver menos da metade do zodíaco, de horizonte a horizonte. Portanto, a evidência
astronômica parece indicar que a Terra está no centro da esfera de estrelas. E se ela está sempre nesse centro, ela não
se move em relação às estrelas.
(Roberto de A. Martins, Introdução geral ao "Commentariolus" de Nicolau Copérnico)

31. O terceiro período ("Para entender esses... da Terra aos planetas.") representa, no texto,
a) o principal argumento de Ptolomeu.
b) o pressuposto da teoria de Ptolomeu.
c) a base para as teorias posteriores à de Ptolomeu.
d) a hipótese suficiente para Ptolomeu retomar as teorias anteriores.
e) o fundamento para o desmentido da teoria de Ptolomeu.

32. Expressões que, no texto, denunciam subjetividade na apresentação dos fatos são:
a) parece também estar imóvel - dá argumentos - é necessário lembrar.
b) é necessário lembrar - imaginava-se - suponhamos.
c) imaginava-se - esteja - deve abranger.
d) tentar mostrar - suponhamos - parece realmente ocorrer.
e) parece realmente ocorrer - é possível contemplar - não se move.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Fuvest) - Haveis de entender, começou ele, que a virtude e o saber têm duas existências paralelas, uma no
sujeito que as possui, outra no espírito dos que O ouvem ou contemplam. Se puserdes as mais sublimes virtudes e os
mais profundos conhecimentos em um sujeito solitário, remoto de todo contato com outros homens, é como se ELES
não existissem. Os frutos de uma laranjeira, se ninguém os gostar, valem tanto como as urzes e plantas bravias, e, se
ninguém OS vir, não valem nada; ou, por outras palavras mais enérgicas, não há espetáculo sem espectador. Um dia,
estando a cuidar nestas coisas, considerei que, para o fim de alumiar um pouco o entendimento, tinha consumido os
meus longos anos, e, aliás, nada chegaria a valer sem a existência de outros homens que me vissem e honrassem;
então cogitei se não haveria um modo de obter o mesmo efeito, poupando tais trabalhos, e esse dia posso agora dizer
que foi o da regeneração dos homens, pois me deu a doutrina salvadora.
(Machado de Assis, "O segredo do bonzo")

33. De acordo com o texto,


a) os homens que sabem ouvir e contemplar tornam-se sábios e virtuosos.
b) a virtude e o saber adquirem existência quando compartilhados pelos homens.
c) a virtude e o saber existem no espírito do homem que consegue perceber a dualidade da existência.
d) a virtude e o saber, por terem realidades paralelas, devem ser conquistados individualmente.
e) o homem sábio e virtuoso, para iluminar-se, deve buscar uma vida isolada e contemplativa.

34. No texto, ao afirmar "então cogitei se não haveria um modo de obter o mesmo efeito, poupando tais trabalhos", a
personagem:
a) expressa a intenção de divulgar seus conhecimentos, aproximando-se dos outros homens.
b) procura convencer o leitor a poupar esforços na busca do conhecimento.
c) demonstra que a virtude e o saber exigem muito trabalho dos homens.
d) resume o conceito da doutrina salvadora, desenvolvida no parágrafo.
e) exprime a idéia de que a admiração dos outros é mais importante do que o conhecimento em si.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Cesgranrio) Noite em João Pessoa

1 A noite de ontem, ostentando uma cenografia muito lúgubre, nos deu a impressão de que a Justiça, na Paraíba
do Norte, havia aberto falência.
2 Afigurou-se-nos, então, que nosso aerópago forense, tornar-se-ia d'ora em diante um núcleo tristíssimo de
bacharéis escaveirados com a faculdade prosódica obstruída por uma alalia incurável, arrastando desconsoladamente
pela sala das audiências as fósseis togas hipotecadas.
3 O largo da Catedral de N. S. das Neves, oferecia sem nenhum exagero, uma perspectiva inteiramente
desalentadora.
4 A iluminação elétrica, de um efeito intensivo péssimo, iluminava com reflexos mortiços toda aquela decadência
sintomática que bem equivalia à justiça mundial agonizante, festejando com alguns círios e com o Cinema Halley a
véspera de sua desintegração absoluta.
5 Pouquíssimos circunstantes.
6 Alguns, exibindo hiatos de desilusão mal contida, regressavam aos lares, com o atabalhoamento nervoso e a
diminuição concomitante da verticalidade dorsal de quem está sendo vaiado publicamente (...)
7 Ah! Certamente, a noite da Justiça, com sua treva e os "films" magríssimos de seu cinema plebeu, foi apenas o
prelúdio incoerente e mal definido dos deslumbramentos futuros que as outras noites hão de trazer, como uma
compensação muito carinhosa, ao nosso espírito decepcionado.

Trecho da crônica inédita de Augusto dos Anjos. Jornal O GLOBO, 04/09/94.

35. Em relação ao texto, só NÃO foi intenção do autor mostrar:


a) a decadência da justiça no panorama mundial.
b) a inoperância da iluminação elétrica.
c) a esperança no futuro, apesar das decepções.
d) o desinteresse pelas sessões de justiça, através do número reduzido de assistentes.
e) a identificação entre o aspecto soturno da noite e a prostração dos bacharéis.

36. No 6¡. parágrafo do texto, percebe-se a degradação física e moral dos bacharéis, que é motivada por:
a) problemas físicos que atacam os nervos.
b) desilusão amorosa contida.
c) decepção profissional sofrida.
d) sacrifício da volta ao lar.
e) arqueamento da coluna pelo excesso de trabalho.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Fuvest) Os principais problemas da agricultura brasileira referem-se muito mais à diversidade dos impactos
causados pelo caráter truncado da modernização, do que à persistência de segmentos que dela teriam ficado imunes.
Se hoje existem milhões de estabelecimentos agrícolas marginalizados, isso se deve muito mais à natureza do próprio
processo de modernização, do que à sua suposta falta de abrangência.
("Folha de S. Paulo", 13/09/94, 2-2)

37. Segundo o texto,


a) o processo de modernização deve tornar-se mais abrangente para implementar a agricultura.
b) os problemas da agricultura resultam do impacto causado pela modernização progressiva do setor.
c) os problemas da agricultura resultam da inadequação do processo de modernização do setor.
d) segmentos do setor agrícola recusam-se a adotar processos de modernização.
e) os problemas da agricultura decorrem da não-modernização de estabelecimentos agrícolas marginalizados.

38. No trecho "à persistência de segmentos que dela teriam ficado imunes.", a expressão "teriam ficado" exprime:
a) o desejo de que esse fato não tenha ocorrido.
b) a certeza de que a imunidade à modernização é própria de estabelecimentos agrícolas marginalizados.
c) a hipótese de que esse fato tenha ocorrido.
d) a certeza de que esse fato realmente não ocorreu.
e) a possibilidade de a imunidade à modernização ser decorrente da persistência de certos segmentos.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.


(Cesgranrio) 1 A fisionomia da sociedade brasileira neste final de século está irreconhecível. A violência e a crueldade
viraram fenômenos de massa. Antes, e até há não muito tempo, elas apareciam como sintoma de patologias individuais.
Os "monstros" - um estuprador e assassino de crianças, uma mulher que esquartejou o amante - eram motivo de pasmo
e horror para uma comunidade onde a violência ficava confinada a um escaninho de modestas proporções. Hoje, é uma
guerrilha e faz parte do nosso cotidiano.
2 Em pouco tempo a imagem do Brasil, para uso externo e sobretudo para si mesmo, ficou marcada pela
reiteração rotineira da crueldade. A onda não é o simples homicídio, é o massacre. E, para não ficarmos no saudosismo
dos anos dourados, ressurge uma forma de massacre que tem raízes históricas profundas: o genocídio, essa mancha na
formação de uma nacionalidade argamassada pelo sangue de índios e negros.
3 Os episódios brutais estão aí. (...)
4 A violência costuma ser associada à urbanização maciça, que gera miséria, desordem e conflitos.
5 Não vamos procurar desculpa invocando símiles de outros países - no Peru, na Bósnia ou onde quer que seja.
Estamos dizendo "adeus" ao mito da cordialidade brasileira, da "índole pacífica do nosso povo". Estamos transformados
- irreconhecíveis. Convertida em face do monstro, desfigurou-se a nossa fisionomia de povo folgazão, inzoneiro, que tem
como símbolos o carnaval, o samba e o futebol. (...)
6 A miséria e a fome do povo são um caldo de cultura a favorecer a disseminação da violência, que se torna
balcão de comércio nas mãos de empresários inescrupulosos.
(Moacir Werneck de Castro. "Jornal do Brasil", 28/08/93, p. 11.)

39. O texto veicula uma perplexidade diante da constatação de que a descaracterização da sociedade brasileira se deve,
principalmente, a:
a) crimes individuais.
b) urbanização maciça.
c) morticínio cruel.
d) medo generalizado.
e) empresários gananciosos.

40. Assinale o item que CONTRARIA as idéias do texto.


a) A disseminação da violência tem favorecido oportunistas inescrupulosos.
b) O brasileiro, apesar de estar sofrendo, não perdeu seu ar de folgazão.
c) A urbanização maciça está associada à miséria, à desordem e aos conflitos.
d) O que estamos vivendo é uma reprise do que se vivência em outros países.
e) A violência não está restrita a pequenos grupos; ela impera em toda a sociedade.

41. "A onda não é o simples homicídio, é o massacre". (2¡. parágrafo) Depreende-se, do período anterior, uma idéia de:
a) explicação.
b) conclusão.
c) conseqüência.
d) adição.
e) oposição.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Fei) "A frase 'Leve-me para cima, Scotty' pode ter ajudado a fixar a série 'Jornada nas Estrelas' na cabeça de toda
uma geração, mas o teletransporte do qual o seriado serviu como arauto nunca foi levado a sério. Aquilo que era uma
brincadeira, porém, já deixou de ser simples fantasia. Seis físicos descobriram como teletransportar matéria à
velocidade da luz.
Num trabalho que será publicado no periódico 'Physical Review Letters', intitulado 'Teletransportando um estado
quântico desconhecido por canais dual clássico e de Einstein-Podolsky-Rosen', Charles Bennett, da IBM em Nova York,
e seus colegas descrevem um método de teletransporte de partículas de um lugar para outro. Bennett afirma que a
teoria é válida, que parte dos equipamentos para realizar o teletransporte já existe e é provável que o resto possa ser
desenvolvido.
O grande problema do teletransporte sempre foi o princípio da incerteza de Heisenberg, que afirma ser
impossível medir exatamente todas as propriedades de uma partícula subatômica. Por isso sempre pareceu impossível
recriar uma cópia exata de uma partícula em outro lugar."
(William Bown, OESP, 23.05.93)

42. Tendo em vista o texto, podemos afirmar:

I. O transporte de matéria no espaço já é uma realidade.


II. Teoricamente, o teletransporte de matéria no espaço é viável.
III. O teletransporte de matéria apresentado na série "Jornada nas Estrelas" é ficção e nunca tinha sido levado a sério.
IV. Jamais o homem conseguirá desenvolver equipamentos capazes de tornar realizável o teletransporte.

Verificamos que estão corretas:


a) apenas I e II
b) apenas III e IV
c) apenas I e IV
d) apenas II e III
e) todas as afirmações

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Ufpe) ERRO DE PORTUGUÊS

Quando o português chegou


Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
o português.
(Oswald de Andrade)

43. Sobre o Texto é incorreto afirmar:


a) O vocabulário usado é rebuscado, estabelecendo um traço de união com a poética parnasiana.
b) Este é um exemplo de poema-piada, próprio do Modernismo (1 fase), que desdenha das tradições e opressões.
c) O nacionalismo exacerbado desta fase está presente no tratamento do tema da descoberta do Brasil, menosprezando
a ação civilizatória do elemento europeu.
d) O tom coloquial e irreverente do texto endossa uma crítica ao formalismo vigente na sociedade brasileira, até então.
e) A ruptura com a poesia tradicional e com a estética acadêmica evidencia-se na ausência de métrica e de rima, e na
adoção do verso livre.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fuvest) - Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Mo diga.
Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes.
Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem. Está bem. Desculpe. Fale como quiser.
(L.F. Veríssimo, "Jornal do Brasil", 30/12/94)

44. O texto tem por finalidade


a) satirizar a preocupação com o uso e a colocação das formas pronominais átonas.
b) ilustrar ludicamente várias possibilidades de combinação de formas pronominais.
c) esclarecer pelo exemplo certos fatos da concordância de pessoa gramatical.
d) exemplificar a diversidade de tratamentos que é comum na fala corrente.
e) valorizar a criatividade na aplicação das regras de uso das formas pronominais.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Fatec) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em
reter aquilo que a outros levavam apenas trinta ou cinqüenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo
com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava
alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.

45. De acordo com o texto, podemos afirmar sobre a personagem Raimundo:


a) era um aluno brilhante; tinha muita facilidade nos estudos.
b) era um aluno medíocre, com grandes chances de ser reprovado.
c) usava o cérebro para vencer suas dificuldades no estudo, causadas pelo grande medo que tinha ao pai.
d) tinha dificuldades para aprender e precisava estudar muito mais do que seus colegas para obter o mesmo resultado.
e) unia o tempo à inteligência e nem assim obtinha sucesso nos estudos.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Pucsp) Iria morrer, quem sabe naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da
miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade.
Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava,
como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. E o que não deixara de ver, de gozar, de fruir, na sua vida?
Tudo. Não brincara, não pandegara, não amara - todo esse lado da existência que parece fugir um pouco à sua tristeza
necessária, ele não vira, ele não provara, ele não experimentara.
Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe
importavam os rios? Eram grandes? Pois se fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis
do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas causas de tupi, do
folklore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!

Lima Barreto

46. O trecho acima pertence ao romance O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA, de Lima Barreto. Da
personagem que dá título ao romance, podemos afirmar que:
a) foi um nacionalista extremado, mas nunca estudou com afinco as coisas brasileiras.
b) perpetrou seu suicídio, porque se sentia decepcionado com a realidade brasileira.
c) defendeu os valores nacionais, brigou por eles a vida toda e foi condenado à morte justamente pelos valores que
defendia.
d) foi considerado traidor da pátria, porque participou da conspiração contra Floriano Peixoto.
e) era um louco e, por isso, não foi levado a sério pelas pessoas que o cercavam.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.


(Fatec) "Nasci numa tarde de julho, na pequena cidade onde havia uma cadeia, uma igreja e uma escola bem próximas
umas das outras, e que se chamava Turmalinas. A cadeia era velha, descascada na parede dos fundos, Deus sabe
como os presos lá dentro viviam e comiam, mas exercia sobre nós uma fascinação inelutável (era o lugar onde se
fabricavam gaiolas, vassouras, flores de papel, bonecos de pau). A igreja também era velha, porém não tinha o mesmo
prestígio. E a escola, nova de quatro ou cinco anos, era o lugar menos estimado de todos. Foi aí que nasci: Nasci na
sala do terceiro ano, sendo professora D. Emerenciana Barbosa, que Deus tenha. Até então era analfabeto e
despretensioso. Lembro-me: nesse dia de julho, o sol que descia da terra era bravo e parado. A aula era de geografia, e
a professora traçava no quadro-negro nomes de países distantes. As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes, e
Paris era uma torre ao lado de uma ponte e de um rio, a Inglaterra não se enxergava bem no nevoeiro, um esquimó, um
condor surgiam misteriosamente, trazendo países inteiros. Então nasci. De repente nasci, isto é, senti necessidade de
escrever. Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não ser bonecos sem pescoço, com cinco riscos
representando as mãos. Nesse momento, porém, minha mão avançou para a carteira à procura de um objeto, achou-o,
apertou-o irresistivelmente, escreveu alguma coisa parecida com a narração de uma viagem de Turmalinas ao Pólo
Norte.
É talvez a mais curta narração no gênero. Dez linhas, inclusive o naufrágio e a visita ao vulcão. Eu escrevia com o rosto
ardendo e a mão veloz tropeçando sobre complicações ortográficas, mas passava adiante. Isso durou talvez um quarto
de hora, e valeu-me a interpelação de D. Emerenciana:

- Juquita, quê que você está fazendo?

O rosto ficou mais quente, não respondi. Ela insistiu:

- Me dá esse papel aí... Me dá aqui.

Eu relutava, mas seus óculos eram imperiosos."


(de "Contos de aprendiz")

47. De acordo com o texto é correto afirmar:


a) segundo recorda o narrador, as aulas de geografia eram tão estimulantes que lhe permitiram ingressar na profissão
de escritor.
b) na pequena cidade, a escola não atraía os meninos que, mesmo na terceira série, continuavam com sérios problemas
de alfabetização.
c) como a instituição escolar era recente na pequena cidade, os meninos ainda não gostavam dela tanto quanto
gostavam da cadeia.
d) para o narrador, a aula de geografia foi a ponte para unir conhecimentos escolares, experiências pessoais e
imaginação.
e) a experiência escolar tornou possível a Juquita superar seu sentimento de inferioridade, quando aprendeu a escrever.

48. Com relação ao uso do verbo "nascer", é correto afirmar que:


a) Juquita nasceu em uma sala da escola, pois na cidadezinha não havia maternidade.
b) até o terceiro ano Juquita não tinha o menor interesse pela realidade que o cercava.
c) a frase "Então nasci" indica a importância daquele momento na vida do narrador.
d) no momento em que diz: "Então nasci", o narrador começa a compreender que o mundo ia além de sua cidadezinha.
e) ao dizer "Então nasci", o menino conseguiu libertar-se de uma fascinação inelutável.

49. Com relação ao surgimento do escritor no menino é correto afirmar que:


a) narrar possibilitou que Juquita ultrapassasse os limites das vivências possíveis na pequena cidade.
b) narrar permitiu a Juquita satisfazer sua necessidade de descrever o meio em que vivia.
c) a escrita imaginativa substituiu em Juquita uma vocação frustrada para o desenho.
d) a escrita despertou a imaginação de Juquita, tolhida pelo autoritarismo da escola, cadeia e igreja.
e) narrar permitiu que o menino, fascinado pela cadeia, desenvolvesse seu interesse pelo lado proibido da vida.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Cesgranrio) Texto I

Por amor à Pátria

1 O que é mesmo a Pátria?


2 Houve, com certeza, uma considerável quantidade de brasileiros(as) que, na linha da própria formação,
evocaram a Pátria com critérios puramente geográficos: uma vastíssima porção de terra, delimitada, porém, por tratados
e convenções. Ainda bem quando acrescentaram: a Pátria é também o Povo, milhões de homens e mulheres que
nasceram, moram, vivem, dentro desse território.
3 Outros, numerosos, aprimoraram essa noção de Pátria e pensaram nas riquezas e belezas naturais encerradas
na vastidão da terra. Então, a partir das cores da bandeira, decantaram o verde das florestas, o azul do firmamento
espelhado no oceano, o amarelo dos metais escondidos no subsolo. Ufanaram-se legitimamente do seu país ou
declararam, convictos, aos filhos jovens, que jamais hão-de ver país como este.
4 Foi o que fizeram todos quantos procuraram a Pátria no quase meio milênio da História do Brasil, complexa e
fascinante História de conquistas e reveses, de "sangue, suor e lágrimas", mas também de esperanças e de realizações.
Evocaram gestos heróicos, comovedoras lendas e sugestivas tradições.
5 Tudo isso e o formidável universo humano e sacrossanto que se oculta debaixo de tudo isso constituem a Pátria.
Ela é história, é política e é religião. Por isso é mais do que o mero território. É algo de telúrico. É mais do que a
justaposição de indivíduos, mas reflete a pulsação da inenarrável história de cada um.
6 A Pátria é mais do que a Nação e o Estado e vem antes deles. A Nação mais elaborada e o Estado mais forte e
poderoso, se não partem da noção de Pátria e não servem para dar à Pátria sua fisionomia e sua substância interior,
não têm todo o seu valor.
7 Por último, quero exprimir, com os olhos fixos na Pátria, o seu paradoxo mais estimulante. De um lado, ela é algo
de acabado, que se recebe em herança.
8 Por outro lado, ela nunca está definitivamente pronta. Está em construção e só é digno dela quem colabora, em
mutirão, para ir aperfeiçoando o seu ser. Independente, ela precisa de quem complete a sua independência.
Democrática, ela pertence a quem tutela e aprimora a democracia. Livre, ela conta com quem salvaguarda a sua
liberdade. E sobretudo, hospitaleira, fraterna, aconchegante, cordial, ela reclama cidadãos e filhos que a façam crescer
mais e mais nestes atributos essenciais de concórdia, equilíbrio, harmonia, que a fazem inacreditavelmente Pátria - e me
dá vontade de dizer, se me permitem criar um neologismo, inacreditavelmente Mátria.
9 Pensando bem, cada brasileiro, quem quer que seja, tem o direito de esperar que os outros 140 milhões de
brasileiros sejam, para ele, Pátria.
Dom Lucas Moreira Neves
(adaptação) JORNAL DO BRASIL - 08/09/93

Texto lI

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima


Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei (...)
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria


De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido
[(auriverde!) tão feias

De minha pátria, de minha pátria sem sapatos


E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho


Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo (...)

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa


Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Teu nome é pátria amada, é patriazinha


Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Vinicius de Moraes - Trechos

50. No texto I, o autor fala da Pátria como se fosse a nossa mãe; daí, Mátria. No texto II, o poeta tem uma visão distinta
dessa.
Assinale a opção que NÃO evidencia a forma pela qual a Pátria é enfocada no texto II.
a) "uma criança dormindo / É minha pátria". (v. 2-3)
b) "Vontade de beijar os olhos de minha pátria / De niná-la". (v. 11-12)
c) "Que vontade me vem de adormecer-me / Entre teus doces montes". (v. 24-25)
d) "Teu nome é Pátria amada, é patriazinha". (v. 28)
e) "Vives em mim como uma filha, que és". (v. 30)

51. Tendo em vista os textos I e lI, numere os parênteses a seguir de acordo com a seguinte convenção.

(1) para o que se referir ao texto I.


(2) para o que se referir ao texto II.

( ) O texto apresenta, com freqüência, um tom eloqüente e rico em metáforas.


( ) Enfatiza-se, através da visão intimista da realidade, a função emotiva ou expressiva.
( ) Há o predomínio da linguagem conotativa.
( ) A linguagem objetiva prioriza a função referencial.
( ) O autor coloca a pátria em um plano superior.

A seqüência correta é:
a) 1 - 2 - 1 - 2 - 1
b) 1 - 2 - 2 - 1- 1
c) 1 - 1 - 1 - 2 - 2
d) 2 - 2 - 1 - 1 - 1
e) 2 - 1 - 2 - 1 - 2

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Fuvest) GOLS DE COCURUTO

O melhor momento do futebol para um tático é o minuto de silêncio. É quando os times ficam perfilados, cada
jogador com as mãos nas costas e mais ou menos no lugar que lhes foi designado no esquema - e parados. Então o
tático pode olhar o campo como se fosse um quadro negro e pensar no futebol como alguma coisa lógica e diagramável.
Mas aí começa o jogo e tudo desanda. Os jogadores se movimentam e o futebol passa a ser regido pelo imponderável,
esse inimigo mortal de qualquer estrategista. O futebol brasileiro já teve grandes estrategistas cruelmente traídos pela
dinâmica do jogo. O Tim, por exemplo. Tático exemplar, planejava todo o jogo numa mesa de botão. Da entrada em
campo até a troca de camisetas, incluindo o minuto de silêncio. Foi um técnico de sucesso mas nunca conseguiu uma
reputação no campo à altura de sua reputação no vestiário. Falava um jogo e o time jogava outro. O problema do Tim,
diziam todos, era que seus botões eram mais inteligentes do que seus jogadores.
(L. F. Veríssimo, "O Estado de São Paulo", 23/08/93)

52. A tese que o autor defende é a de que, em futebol,


a) o planejamento tático está sujeito à interferência do acaso.
b) a lógica rege as jogadas.
c) a inteligência dos jogadores é que decide o jogo.
d) os momentos iniciais decidem como será o jogo.
e) a dinâmica do jogo depende do planejamento que o técnico faz.

53. No texto, a comparação do campo com um quadro negro aponta:


a) o pessimismo do tático em relação ao futuro do jogo.
b) um recurso utilizado no vestiário.
c) a visão de jogo como movimento contínuo.
d) o recurso didático preferido pelo técnico Tim.
e) um meio de pensar o jogo como algo previsível.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.


(Cesgranrio) Por amor à Pátria

1 O que é mesmo a Pátria?


2 Houve, com certeza, uma considerável quantidade de brasileiros(as) que, na linha da própria formação,
evocaram a Pátria com critérios puramente geográficos: uma vastíssima porção de terra, delimitada, porém, por tratados
e convenções. Ainda bem quando acrescentaram: a Pátria é também o Povo, milhões de homens e mulheres que
nasceram, moram, vivem, dentro desse território.
3 Outros, numerosos, aprimoraram essa noção de Pátria e pensaram nas riquezas e belezas naturais encerradas
na vastidão da terra. Então, a partir das cores da bandeira, decantaram o verde das florestas, o azul do firmamento
espelhado no oceano, o amarelo dos metais escondidos no subsolo. Ufanaram-se legitimamente do seu país ou
declararam, convictos, aos filhos jovens, que jamais hão-de ver país como este.
4 Foi o que fizeram todos quantos procuraram a Pátria no quase meio milênio da História do Brasil, complexa e
fascinante História de conquistas e reveses, de "sangue, suor e lágrimas", mas também de esperanças e de realizações.
Evocaram gestos heróicos, comovedoras lendas e sugestivas tradições.
5 Tudo isso e o formidável universo humano e sacrossanto que se oculta debaixo de tudo isso constituem a Pátria.
Ela é história, é política e é religião. Por isso é mais do que o mero território. É algo de telúrico. É mais do que a
justaposição de indivíduos, mas reflete a pulsação da inenarrável história de cada um.
6 A Pátria é mais do que a Nação e o Estado e vem antes deles. A Nação mais elaborada e o Estado mais forte e
poderoso, se não partem da noção de Pátria e não servem para dar à Pátria sua fisionomia e sua substância interior,
não têm todo o seu valor.
7 Por último, quero exprimir, com os olhos fixos na Pátria, o seu paradoxo mais estimulante. De um lado, ela é algo
de acabado, que se recebe em herança.
8 Por outro lado, ela nunca está definitivamente pronta. Está em construção e só é digno dela quem colabora, em
mutirão, para ir aperfeiçoando o seu ser. Independente, ela precisa de quem complete a sua independência.
Democrática, ela pertence a quem tutela e aprimora a democracia. Livre, ela conta com quem salvaguarda a sua
liberdade. E sobretudo, hospitaleira, fraterna, aconchegante, cordial, ela reclama cidadãos e filhos que a façam crescer
mais e mais nestes atributos essenciais de concórdia, equilíbrio, harmonia, que a fazem inacreditavelmente Pátria - e me
dá vontade de dizer, se me permitem criar um neologismo, inacreditavelmente Mátria.
9 Pensando bem, cada brasileiro, quem quer que seja, tem o direito de esperar que os outros 140 milhões de
brasileiros sejam, para ele, Pátria.
Dom Lucas Moreira Neves
(adaptação) JORNAL DO BRASIL - 08/09/93

54. Assinale a opção que classifica corretamente cada uma das afirmações acerca do texto I como VERDADEIRA (V) ou
FALSA (F).

( ) Através de critérios cromáticos, exaltam-se as belezas e as riquezas da nação.


( ) A pátria apresenta uma dicotomia entre o porvir e o passado.
( ) Por ser independente, a Pátria prescinde de quem garante sua liberdade.
( ) Por estar em constante processo dinâmico, a Pátria se adapta às reivindicações de ordens distintas.

A seqüência correta é:
a) V - V - V - F
b) V - V - F - F
c) V - V - F - V
d) F - V - V - F
e) F - F - F - V

55. Assinale a idéia que NÃO está contida no conceito de Pátria no texto I:
a) Delimitação de terras geográficas limítrofes.
b) Todo o contingente humano que vive em seu solo.
c) A cultura e a história representadas por costumes, hábitos e tradições.
d) É o povo com sua história política, ideológica e religiosa.
e) É o Estado com suas instituições que correspondem fielmente à noção de Pátria.

56. Da última frase do texto, depreende-se que, para um brasileiro, "ser Pátria" só NÃO implica um sentimento de:
a) solidariedade.
b) amparo.
c) subserviência.
d) doação.
e) acolhimento.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 7 QUESTÕES.


(Puccamp) MEU CARO DEPUTADO

O senhor nem pode imaginar o quanto eu e a minha família ficamos agradecidos. A gente imaginava que o
senhor nem ia se lembrar de nós, quando saiu a nomeação do Otavinho meu filho. Ele agora está se sentindo outro. Só
fala no senhor, diz que na próxima campanha vai trabalhar ainda mais para o senhor. No primeiro dia de serviço ele
queria ir na repartição com a camiseta da campanha mas eu não deixei, não ia ficar bem, apesar que eu acho que o
Otavinho tem muita capacidade e merecia o emprego. Pode mandar puxar por ele que ele dá conta, é trabalhador,
responsável, dedicado, a educação que ele recebeu de mim e da mãe foi sempre no caminho do bem.
Faço questão que na próxima eleição o senhor mande mais material que eu procuro todos os amigos e os
conhecidos. O Brasil precisa de gente como o senhor, homens de reputação despojada, com quem a gente pode contar.
Meu vizinho Otacílio, a mulher, os parentes todos também votaram no senhor. Ele tem vergonha, mas eu peço por ele,
que ele merece: ele tem uma sobrinha, Maria Lúcia Capistrano do Amara, que é professora em Capão da Serra e é
muito adoentada, mas o serviço de saúde não quer dar aposentadoria. Posso lhe garantir que a moça está mesmo sem
condições, passa a maior parte do tempo com dores no peito e na coluna que nenhum médico sabe o que é. Eu disse
que ia falar com o senhor, meu caro deputado, não prometi nada, mas o Otavinho e a mulher tem esperanças que o
senhor vai dar um jeitinho. É gente muito boa e amiga, o senhor não vai se arrepender.
Mais uma vez obrigado por tudo, Deus lhe pague. O Otavinho manda um abraço para o senhor. Aqui vai o nosso
abraço também. O senhor pode contar sempre com a gente.
Miroel Ferreira (Miré)

57. O autor dessa carta tem como principais objetivos


a) informar sobre a família, parabenizar pela vitória política e dar testemunho de afetividade.
b) agradecer uma nomeação, cobrar realização de antiga promessa e condicionar seu empenho futuro ao cumprimento
desta.
c) reforçar um vinculo de favores, fazer novo pedido e garantir seus préstimos.
d) demonstrar gratidão, hipotecar solidariedade e manifestar confiança na imparcialidade do destinatário.
e) reforçar um vinculo afetivo, interpretar a aspiração de sua classe profissional e lembrar os bons serviços prestados.

58. O argumento de ordem prática de que se vale o autor da carta para obter do destinatário o favor solicitado está na
frase:
a) "nenhum médico sabe o que é".
b) "a gente imaginava que o senhor nem ia se lembrar de nós".
c) "o Brasil precisa de gente como o senhor".
d) "é gente muito boa e amiga".
e) "meu vizinho Otacílio, a mulher, os parentes todos também votaram no senhor".

59. A convicção manifestada pelo autor da carta na frase "o Brasil precisa de gente como o senhor", na qual é valorizada
a defesa das causas coletivas, vem desmentida por esta outra frase:
a) "O senhor vai dar um jeitinho".
b) "O senhor pode contar sempre com a gente".
c) "A educação que ele recebeu de mim e da mãe foi sempre no caminho do bem".
d) "É trabalhador, responsável, dedicado".
e) "Homens de reputação despojada, com quem a gente pode contar".

60. Em relação à frase "O Brasil precisa de gente como o senhor, homens de reputação despojada, com quem a gente
pode contar", a única afirmação correta é:
a) A expressão "homens de reputação despojada" funciona como aposto de um sujeito.
b) As duas ocorrências de GENTE referem-se ao mesmo segmento humano.
c) O termo BRASIL é equivalente a TERRITÓRIO NACIONAL.
d) A regência do verbo CONTAR não foi respeitada.
e) O adjetivo DESPOJADA está empregado inadequadamente.

61. Considere as seguintes frases:

I. "O Brasil precisa de gente como o senhor (...) com quem a gente pode contar".
II. "Meu vizinho Otacílio, a mulher, os parentes, todos também votaram no senhor".
III. "Ele tem vergonha, mas eu peço por ele".

As relações lógicas que o autor da carta pretendeu estabelecer entre as frases anteriores estão explicitadas em:
a) I decorre de II, tendo ambas como pressuposto o que está em III.
b) I tem como conseqüência III, já que é verdade o que se diz em II.
c) II é efeito de III, já que é verdade o que se diz em I.
d) III é efeito de II, independentemente de I.
e) III é causa de II, independentemente de I.

62. Considerando-se expressões como "no caminho do bem", "trabalhador, responsável, dedicado" e "o Brasil precisa de
gente como o senhor", pode-se afirmar que o remetente empregou na carta
a) figuras de linguagem com alguma originalidade.
b) termos concretizantes e precisos.
c) linguagem enraizada em vivências muito pessoais.
d) lugares-comuns pouco definidores.
e) fórmulas retóricas da linguagem afetiva.

63. Expressões como "eu não deixei, não ia ficar bem", "ele tem vergonha, mas eu peço por ele", revelam
a) a consciência do autor da carta de que a todo direito corresponde uma obrigação.
b) certa consciência do caráter antiético do clientelismo.
c) convicções de um eleitor que cumpriu seu dever.
d) respeito à norma liberal da igualdade de direitos.
e) humildade de conduta e observância das normas éticas.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES.


(Fuvest) Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a
pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma
alma agreste.
E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher,
para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.
Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as
idéias não vêm, ou vêm muito numerosas - e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas
linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel.
Emoções indefiníveis me agitam - inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com
Madalena, como fazíamos todos os dias, e esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no
coração.
Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita
de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes,
deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.
Lá fora os sapos arengavam, o vento gemia, as árvores do pomar tornavam-se massas negras.
- Casimiro!
Casimiro Lopes estava no jardim, acocorado ao pé da janela, vigiando.
- Casimiro!
A figura de Casimiro Lopes aparece à janela, os sapos gritam, o vento sacode as árvores, apenas visíveis na
treva. Maria das Dores entra e vai abrir o comutador. Detenho-a: não quero luz.
O tique-taque do relógio diminui, os grilos começam a cantar. E Madalena surge no lado de lá da mesa. Digo
baixinho:
- Madalena!
A voz dela me chega aos ouvidos. Não, não é aos ouvidos. Também já não a vejo com os olhos.
Estou encostado na mesa, as mãos cruzadas. Os objetos fundiram-se, e não enxergo sequer a toalha branca.
- Madalena...
A voz de Madalena continua a acariciar-me. Que diz ela? Pede-me naturalmente que mande algum dinheiro a
mestre Caetano. Isto me irrita, mas a irritação é diferente das outras, é uma irritação antiga, que me deixa inteiramente
calmo. Loucura estar uma pessoa ao mesmo tempo zangada e tranqüila. Mas estou assim. Irritado contra quem? Contra
mestre Caetano. Não obstante ele ter morrido, acho bom que vá trabalhar. Mandrião!
A toalha reaparece, mas não sei se é esta toalha que tenho sobre as mãos cruzadas ou a que estava aqui há
cinco anos.
Rumor do vento, dos sapos, dos grilos. A porta do escritório abre-se de manso, os passos de seu Ribeiro
afastam-se. Uma coruja pia na torre da igreja. Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que piava há dois anos?
Talvez seja até o mesmo pio daquele tempo.
Agora seu Ribeiro esta conversando com D. Glória no salão. Esqueço que eles me deixaram e que esta casa
está quase deserta.
- Casimiro!
Penso que chamei Casimiro Lopes. A cabeça dele, com o chapéu de couro de sertanejo, assoma de quando em
quando à janela, mas ignoro se a visão que me dá é atual ou remota.
Agitam-se em mim sentimentos inconciliáveis: encolerizo-me e enterneço-me; bato na mesa e tenho vontade de
chorar.
Aparentemente estou sossegado: as mãos continuam cruzadas sobre a toalha e os dedos parecem de pedra.
Entretanto ameaço Madalena com o punho. Esquisito.
Distingo no ramerrão da fazenda as mais insignificantes minudências. Maria das Dores, na cozinha, dá lição ao
papagaio. Tubarão rosna acolá no jardim. O gado muge no estábulo.
O salão fica longe: para irmos lá temos de atravessar um corredor comprido. Apesar disso a palestra de seu
Ribeiro e D. Glória é bastante clara. A dificuldade seria reproduzir o que eles dizem. É preciso admitir que estão
conversando sem palavras.
Padilha assobia no alpendre. Onde andará Padilha?
Se eu convencesse Madalena de que ela não tem razão... Se lhe explicasse que é necessário vivermos em
paz... Não me entende. Não nos entendemos. O que vai acontecer será muito diferente do que esperamos. Absurdo.
Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas,
Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.
Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.
O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras.
Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao
relógio, mas não consigo mexer-me.

(Ramos, Graciliano, SÃO BERNARDO, Rio de Janeiro, Record, 1989)

64. Escolha a alternativa que explica melhor o que se está passando com a personagem-narrador, Paulo Honório.
a) Abandonado há pouco pela amada, encontra-se numa fase transitória de solidão.
b) Preocupado em compreender o que se passou, busca recompor a imagem difusa da amada.
c) Trata-se simplesmente de um sadomasoquista a escarafunchar sentimentos idos e vividos.
d) Percebe-se a existência de um homem de extrema sensibilidade, esmagado por um golpe da fatalidade.
e) Entre ele e a amada havia tal quantidade de problemas que a convivência se tornou impossível.

65. A leitura do texto mostra uma interpenetração de pessoas, fatos objetos e atos que se misturam, enquanto revelam
uma escrita dificultosa na apreensão de uma realidade difusa. Dentre as respostas a seguir, qual seria a mais adequada
para dar conta dessa aparência de caos?
a) Visando ao refinamento da escrita, o romancista embaralha intencionalmente os acontecimentos.
b) Trata-se de técnica modernista, empregada para traduzir confusão e embaralhamento.
c) A dificuldade decorre da natureza do assunto e do estado psicológico do narrador.
d) A interpretação é provocada pela complexidade do assunto e distanciamento dos fatos.
e) Homem rude e agreste, afeito ao trabalho bruto, o narrador não é capaz de ordenar acontecimentos.

66. Escolha a alternativa que retrata melhor, à luz do texto e do próprio romance, o sentido da expressão "sou forçado",
presente no 2¡. parágrafo.
a) É uma obrigação moral de reparar erro cometido no passado.
b) Há uma imposição externa que obriga o narrador a revelar seu drama.
c) Existe uma vontade de autopunir-se para livrar se do remorso pelo mal cometido.
d) O narrador tem necessidade de escrever para provar sua capacidade.
e) Trata-se de um impulso interior, que leva o narrador a escrever para autoconhecer-se.

67. "Agitam-se em mim sentimentos inconciliáveis: encolerizo-me e enterneço-me: bato na mesa e tenho vontade de
chorar."

Momento central do texto em questão, ajuda a compreender a personalidade e Paulo Honório, personagem-narrador do
romance. Podemos dizer que se trata de:
a) personagem fraca, abatida pelas circunstâncias.
b) personalidade rica de humanidade, que se perturba diante da adversidade.
c) personalidade complexa, perturbada diante dos acontecimentos.
d) homem forte, revoltado contra tudo e contra todos.
e) homem sentimental e lírico, incapaz de conciliar os próprios sentimentos.

68. "A voz dela me chega aos ouvidos. Não, não é aos ouvidos. Também já não a vejo com os olhos."

A leitura atenta do texto permite dizer que:


a) em virtude de sua perturbação psicológica, o narrador não consegue recordar com nitidez os acontecimentos.
b) é puro jogo de palavras sem outra intenção que a de confundir aos acontecimentos.
c) a confusão provocada pelo estado de choque do narrador possibilita a recuperação da consciência.
d) fragilizada, a personagem não consegue operar a distinção entre real e imaginário.
e) tudo é possível no estado de convulsão em que se encontra o mundo do narrador.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.
(Fuvest) "O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se, ou restituir-se, por sua própria força, contanto
que o faça logo." Ao trazer a discussão para o campo jurídico, o antigo magistrado tentou amenizar o que dissera; a
rigor, no entanto, suscitou dúvidas cruéis; que quer dizer "por sua própria força?" Será a força física do posseiro, ou essa
mais aquela que a ela se soma pelo emprego das armas? O parágrafo único do Código Civil admite dúvidas: "Os atos de
defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção ou restituição da posse". Se o invasor vem
armado, o posseiro pode usar armas? Se o invasor é plural, vem em bandos, o posseiro pode contar com a ajuda de
amigos ou contratar seguranças (ou até jagunços) para defender o que é seu?
("O Estado de S. Paulo", 04/06/94, A 3)

69. A formulação de uma série de perguntas:


a) intenta destacar as contradições do texto legal.
b) visa a pôr o leitor em dúvida sobre a exatidão da citação.
c) pretende representar as inquietações infundadas do editorialista.
d) procura chamar a atenção para a injustiça do texto legal.
e) busca desacreditar o argumento representado pela citação da lei.

70. A frase "O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se, ou restituir-se, por sua própria força, contanto que o
faça logo". poderá ser corretamente substituída, SEM que haja alteração das relações lógicas, por:
a) Assim que o fez, o possuidor turbado, ou esbulhado, pode manter-se, ou restituir-se, por sua própria força.
b) Podendo manter-se, ou restituir-se, por sua própria força, o possuidor turbado, ou esbulhado, fá-lo-á logo.
c) Fazendo-o logo, o possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se, ou restituir-se, por sua própria força.
d) O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se, ou restituir-se, por sua própria força, mesmo que o faça logo.
e) O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá, manter-se, ou restituir-se, por sua própria força, antes que o façam.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES.


(Fuvest) - Primo Argemiro!
E, com imenso trabalho, ele gira no assento, conseguindo pôr-se de-banda, meio assim.
Primo Argemiro pode mais: transporta uma perna e se escancha no cocho.
- Que é, Primo Ribeiro?
- Lhe pedir uma coisa... Você faz?
- Vai dizendo, Primo.
- Pois então, olha: quando for a minha hora você não deixe me levarem p'ra o arraial... Quero ir mais é p'ra o
cemitério do povoado... Está desdeixado, mas ainda é chão de Deus... Você chama o padre, bem em-antes... E aquelas
coisinhas que estão numa capanga bordada, enroladas em papel-de-venda e tudo passado com cadarço, no fundo da
canastra... se rato não roeu... você enterra junto comigo... Agora eu não quero mexer lá... Depois tem tempo... Você
promete?...
- Deus me livre e guarde, Primo Ribeiro... O senhor ainda vai durar mais do que eu.
- Eu só quero saber é se você promete...
- Pois então, se tiver de ser desse jeito de que Deus não há-de querer, eu prometo.
- Deus lhe ajude, Primo Argemiro.
E Primo Ribeiro desvira o corpo e curva ainda mais a cara.
Quem sabe se ele não vai morrer mesmo? Primo Argemiro tem medo do silêncio.
- Primo Ribeiro, o senhor gosta d'aqui?...
- Que pergunta! Tanto faz... É bom p'ra se acabar mais ligeiro... O doutor deu prazo de um ano... Você lembra?
- Lembro! Doutor apessoado, engraçado... Vivia atrás dos mosquitos, conhecia as raças lá deles, de olhos
fechados, só pela toada da cantiga... Disse que não era das frutas e nem da água... Que era o mosquito que punha um
bichinho amaldiçoado no sangue da gente... Ninguém não acreditou... Nem o arraial. Eu estive 1á com ele...
- Primo Argemiro o que adianta...
- ... E então ele ficou bravo, pois não foi? Comeu goiaba, comeu melancia da beira do rio, bebeu água do Pará e
não teve nada...
- Primo Argemiro...
- ... Depois dormiu sem cortinado, com janela aberta... Apanhou a intermitente; mas o povo ficou acreditando...
- Escuta! Primo Argemiro... Você está falando de-carreira, só para não me deixar falar!
- Mas, então, não fala em morte Primo Ribeiro!... Eu, por nada que não queria ver o senhor se ir primeiro do que
eu...
- P'ra ver!... Esta carcaça bem que está agüentando... Mas, agora, já estou vendo o meu descanso, que está
chega-não-chega, na horinha de chegar...
- Não fala isso Primo!... Olha aqui: não foi pena ele ter ido s'embora? Eu tinha fé em que acabava com a
doença...
- Melhor ter ido mesmo... Tudo tem de chegar e de ir s'embora outra vez... Agora é a minha cova que está me
chamando... Aí é que eu quero ver! Nenhumas ruindades deste mundo não têm poder de segurar a gente p'ra sempre,
Primo Argemiro...
- Escuta Primo Ribeiro: se alembra de quando o doutor deu a despedida p'ra o povo do povoado? Foi de manhã
cedo, assim como agora... O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo queixo. Ele ajuntou a gente...
Estava muito triste... Falou: - 'Não adianta tomar remédio, porque o mosquito torna a picar... Todos têm de se, mudar
daqui... Mas andem depressa pelo amor de Deus!' -... -Foi no tempo da eleição de seu Major Vilhena... Tiroteio com três
mortes...
- Foi seis meses em-antes-de ela ir s'embora...
De branco a mais branco, olhando espantado para o outro, Primo Argemiro se perturbou. Agora está vermelho,
muito.
Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome. Nem uma vez. Era como se não tivesse existido. E,
agora...

João Guimarães Rosa, "Sarapalha",


do livro SAGARANA.

71. "Disse que não era das frutas e nem da água...


Que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente..."
"O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo o queixo".
Estas duas passagens apresentam a causa e os sintomas da doença nomeada: "Apanhou a intermitente''.

Qual das alternativas identifica a doença?


a) febre amarela
b) maleita
c) tifo
d) esquistossomose
e) doença de Chagas

72. "Foi seis meses em-antes-de ela ir-s'embora..."


"Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome. Nem uma vez. Era como se não tivesse existido."

Estas duas passagens fazem referência explícita ao motivo central da narrativa:


a) Primo Ribeiro é casado com Luísa por quem Argemiro se apaixona, a ponto de matar o primo.
b) Primo Argemiro é casado com Luísa por quem Ribeiro se apaixona, a ponto de provocar a morte do primo.
c) Luísa é casada com Ribeiro, mas apaixona-se por um boiadeiro que Argemiro mata, em consideração ao primo.
d) Luísa é casada com Ribeiro; o Primo Argemiro é apaixonado por ela, mas ela foge com um boiadeiro.
e) Um boiadeiro, que passa duas vezes pela casa dos primos Ribeiro e Argemiro, casa-se com Luísa, que morava com
eles.

73. "Canta, canta, canarinho, ai, ai, ai...


Não cantes fora de hora ai, ai, ai...
A barra do dia aí vem, ai, ai, ai...
Coitado de quem namora!..."

Esta quadrinha é a epígrafe do conto Sarapalha. Ela aponta para o clímax da estória que se dá por ocasião:
a) da eleição de seu Major Vilhena: tiroteio com três mortes.
b) da confissão de Argemiro e sua expulsão da casa de Ribeiro.
c) do casamento de Luísa com o boiadeiro e despedida dos primos.
d) da morte do boiadeiro, que Argemiro mata em respeito ao primo.
e) da declaração de Ribeiro e ruptura deste com o boiadeiro.

74. João Guimarães Rosa, em Sagarana, permite ao leitor observar que:


a) explora o folclórico do sertão.
b) em episódios muitas vezes palpitantes surpreende a realidade nos mais leves pormenores e trabalha a linguagem
com esmero.
c) limita-se ao quadro do regionalismo brasileiro.
d) é muito sutil na apresentação do cotidiano banal do jagunço.
e) é intimista hermético.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fuvest) Em nossa última conversa, dizia-me o grande amigo que não esperava viver muito tempo, por ser um
"cardisplicente"
- O quê?
- Cardisplicente. Aquele que desdenha do próprio coração.
Entre um copo e outro de cerveja, fui ao dicionário.
- "Cardisplicente" não existe, você inventou - triunfei.
- Mas se eu inventei, como é que não existe? - espantou-se o meu amigo.
Semanas depois deixou em saudades fundas companheiros, parentes e bem-amadas. Homens de bom coração
não deveriam ser cardisplicentes.

75. "- Mas se eu inventei, como é que não existe?"

Segundo se deduz da fala espantada do amigo do narrador, a língua, para ele, era um código aberto,
a) ao qual se incorporariam palavras fixadas no uso popular.
b) a ser enriquecido pela criação de gírias.
c) pronto para incorporar estrangeirismos.
d) que se amplia graças à tradução de termos científicos.
e) a ser enriquecido com contribuições pessoais.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES.


(Unitau) "Vivemos numa época de tamanha insegurança externa e interna, e de tamanha carência de objetivos
firmes, que a simples confissão de nossas convicções pode ser importante, mesmo que essas convicções, como todo
julgamento de valor, não possam ser provadas por deduções lógicas.
Surge imediatamente a pergunta: podemos considerar a busca da verdade - ou, para dizer mais modestamente,
nossos esforços para compreender o universo cognoscível através do pensamento lógico construtivo - como um objeto
autônomo de nosso trabalho? Ou nossa busca da verdade deve ser subordinada a algum outro objetivo, de caráter
prático, por exemplo? Essa questão não pode ser resolvida em bases lógicas. A decisão, contudo, terá considerável
influência sobre nosso pensamento e nosso julgamento moral, desde que se origine numa convicção profunda e
inabalável Permitam-me fazer uma confissão: para mim, o esforço no sentido de obter maior percepção e compreensão
é um dos objetivos independentes sem os quais nenhum ser pensante é capaz de adotar uma atitude consciente e
positiva ante a vida.
Na própria essência de nosso esforço para compreender o fato de, por um lado, tentar englobar a grande e
complexa variedade das experiências humanas, e de, por outro lado, procurar a simplicidade e a economia nas
hipóteses básicas. A crença de que esses dois objetivos podem existir paralelamente é, devido ao estágio primitivo de
nosso conhecimento científico, uma questão de fé. Sem essa fé eu não poderia ter uma convicção firme e inabalável
acerca do valor independente do conhecimento.
Essa atitude de certo modo religiosa de um homem engajado no trabalho científico tem influência sobre toda sua
personalidade. Além do conhecimento proveniente da experiência acumulada, e além das regras do pensamento lógico,
não existe, em princípio, nenhuma autoridade cujas confissões e declarações possam ser consideradas "Verdade " pelo
cientista. Isso leva a uma situação paradoxal: uma pessoa que devota todo seu esforço a objetivos materiais se tornará,
do ponto de vista social, alguém extremamente individualista, que, a princípio, só tem fé em seu próprio julgamento, e
em nada mais. É possível afirmar que o individualismo intelectual e a sede de conhecimento científico apareceram
simultaneamente na história e permaneceram inseparáveis desde então. "
(Einstein, in: "O Pensamento Vivo de Einstein", p. 13 e 14, 5a. edição, Martin Claret Editores)

76. Leia as frases a seguir:

I. A lógica tem base no pensamento e no julgamento moral.


II. As pessoas que pensam podem adotar uma atitude consciente e positiva ante a vida.
III. Os seres humanos tentam ou englobar as experiências ou buscar a simplicidade para entender a vida.
IV. O cientista não acredita que a "verdade" exista.
V. Apesar de ser um contra-senso, o cientista é ao mesmo tempo individualista intelectualmente e sedento por
conhecimento.

Para o autor são falsas as afirmações:


a) I, II, III, IV
b) I, II, V
c) III e V.
d) II e IV
e) I, II, III, IV e V.

77. No último parágrafo, o autor quer transmitir essencialmente a idéia de que


a) a personalidade e o trabalho científico são coisas distintas.
b) a verdade provém da autoridade.
c) o conhecimento científico é exclusivamente individualista.
d) o conhecimento é extremamente materialista.
e) o conhecimento científico e o individualismo material são inseparáveis.

78. Em "A crença de que ESSES dois objetivos podem existir paralelamente é, devido ao estágio primitivo de nosso
conhecimento científico, uma questão de fé", o autor empregou a palavra em destaque porque
a) é uma indicação da distância espacial entre o escritor e o leitor.
b) é uma indicação da proximidade temporal entre o escritor e o leitor.
c) é uma indicação da distância temporal entre o escritor e o leitor.
d) é uma referência coesiva a elementos da frase posterior.
e) é uma referência coesiva a elementos da frase anterior.

79. Na primeira frase do segundo parágrafo, há dois travessões que indicam


a) mudança de interlocutor.
b) explicação complementar de dados.
c) diálogo.
d) explicação da opinião de outra pessoa que não a do autor.
e) explicação absolutamente desnecessária.
80. No primeiro parágrafo, o autor repete as palavras "tamanha" e "convicções" para dar ao leitor a idéia de
a) dúvida.
b) ênfase.
c) condição.
d) proporção.
e) efeito.

81. (Ita) As três afirmações a seguir podem estar corretas ou incorretas. Após ler atentamente o texto e as afirmações
propostas, assinale a alternativa certa.

I- O texto é uma reflexão sobre o homem, a vida e o mundo, vistos com sentimento de comiseração e prazer.
II- Não obstante banal, o episódio no texto encerra alto valor simbólico: simboliza o jogo de interesses, a luta pela vida e
a naturalidade com que é encarada a vitória do mais forte.
III- Segundo as personagens, a luta do homem pela sobrevivência, comparada com a briga dos cães, complica-se
principalmente por razões de ordem natural.

a) Todas estão corretas.


b) Apenas a I está correta.
c) Apenas a II está correta.
d) Apenas a III está correta.
e) Todas são incorretas.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Ita) OS CÃES

- Lutar. Podes escachá-los ou não; o essencial¢ é que lutes. Vida é luta. Vida SEM LUTA£ é um mar morto no
centro do organismo universal.
DAÍ A POUCO demos COM UMA BRIGA de cães¤; fato que AOS OLHOS DE UM HOMEM VULGAR não teria
valor. Quincas Borba fez-me parar e observar os cães. Eram dois. Notou que ao pé deles¥ estava um osso, MOTIVO DA
GUERRA, e não deixou de chamar a minha atenção para a circunstância de que o osso não tinha carne. Um simples
osso nu. Os cães mordiam-se¢, rosnavam, COM O FUROR NOS OLHOS... Quincas Borba meteu a bengala DEBAIXO
DO¦ BRAÇO, e parecia EM ÊXTASE.
- Que belo que isto é! dizia ele de quando em quando.
Quis arrancá-lo dali, mas não pude; ele estava arraigado AO CHÃO, e só continuou A ANDAR, quando a briga
cessou£ INTEIRAMENTE, e um dos cães, MORDIDO e vencido, foi levar a sua fome A OUTRA PARTE. Notei que ficara
sinceramente ALEGRE, posto§ contivesse a ALEGRIA, segundo convinha a um grande filósofo. Fez-me observar a
beleza do espetáculo, relembrou o objeto da luta, concluiu que os cães tinham fome; mas a privação do alimento era
nada para os efeitos gerais da filosofia. Nem deixou de recordar que em algumas partes do globo o espetáculo é mais
grandioso: as criaturas humanas é que disputam¤ aos cães os ossos e outros manjares menos APETECÍVEIS; luta que
se complica muito, porque entra em ação a inteligência do homem, com todo o acúmulo de sagacidade que lhe deram os
séculos etc.

82. As três afirmações a seguir podem estar corretas ou incorretas. Após ler atentamente o texto e as afirmações
propostas, assinale a alternativa certa.

I- Evidencia-se no texto que qualquer fato, por mais insignificante que seja, possibilita prazer estético ao homem dotado
de alguma sensibilidade e percepção.
II- Dado o tipo de reação que a cena desperta na personagem principal, predomina no texto o sentimentalismo e o
otimismo.
III- Segundo Quincas Borba, o mais importante de uma cena, mesmo que banal, são as reações de prazer, alegria e
arrebatamento que ela pode provocar nas pessoas.

a) Todas estão corretas.


b) Apenas a I está correta.
c) Apenas a II está correta.
d) Apenas a III está correta.
e) Todas são incorretas.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fuvest) Ora, aí está justamente e epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra.
Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as idéias que deixarem, mas ainda um par de
lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro.
Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor, por uma
lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trebelhos(*).
Se aceitas a comparação, distinguirás o rei e a dama, o bispo e o cavalo, sem que o cavalo possa fazer de torre,
nem a torre de peão. Há ainda a diferença da cor, branca e preta, mas esta não tira o poder da marcha de cada peça, e
afinal umas e outras podem ganhar a partida, e assim vai o mundo.
(Machado de Assis, "Esaú e Jacó")
(*) Trebelhos: peças do jogo de xadrez.

83. A intervenção direta do narrador no texto cumpre a função de


a) distanciar o leitor da articulação da história, evitando identificação emocional com as personagens.
b) despertar a atenção do leitor para a estrutura da obra, convidando-o a participar da organização da narrativa.
c) levar o leitor a refletir sobre as narrativas tradicionais, cuja seqüência lógico-temporal é complexa.
d) sintetizar a seqüência dos episódios, para explicar a trama da narração.
e) confundir o leitor, provocando incompreensão da seqüência narrativa.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Ufpe) "Alguns anos vivi em Itabira
Principalmente nasci em Itabira
POR ISSO sou triste, sou orgulhoso: de ferro."
(Carlos Drummond de Andrade).

84. Observe que o verso final do fragmento expressa uma conclusão. Em quais dos itens a oração em maiúsculo
apresenta a mesma idéia conclusiva?

1. "Penso, LOGO EXISTO"


(Descartes)

2. "Eu possa me dizer do amor (que tive):


Que seja imortal, POSTO QUE É CHAMA..."
(Vinícius de Moraes)

3. " Lutar com palavras


é a luta mais vã.
ENTANTO LUTAMOS
mal rompe a manhã."
(Carlos Drummond de Andrade)

4. "Eu canto PORQUE O INSTANTE EXISTE


E a minha vida está completa."
(Cecília Meireles)

5. "... DEVO PEDIR, POIS, À CIÊNCIA, que me explique o que é a vida ..."
(Émile Zola)

Estão corretos apenas os itens:


a) 1, 2 e 3;
b) 4 e 5;
c) 1 e 5;
d) 2, 3 e 4;
e) 1, 3 e 4.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Ufpe) A LINGUAGEM DE BABEL
O idioma usado pelos que circulam nos corredores do FMI e BIRD parece grego para a maioria dos mortais,
embora os gregos jurem que também não entendem aquela língua. Os economistas dizem que são fluentes mas é
possível ouvi-los embaralhando a pronúncia. Os jornalistas que cobrem a área fingem domínio, mas denunciam sua
ignorância quando disputam, aos tapas, as edições do livro Glossário do FMI. A obra é um dicionário de termos com
versões em inglês, francês e espanhol.
(ISTO É, 18.10.95)

85. O Texto está resumido no(s) seguinte(s) item(ns):

1. A língua usada nas instituições econômicas internacionais é muito complicada. Nem os economistas entendem e os
jornalistas consultam dicionários para poder entendê-la.
2. O grego é a língua falada nas instituições econômicas como o FMI e o BIRD. Os economistas entendem porque falam
bem o grego, mas os jornalistas necessitam de dicionários para entender.
3. A linguagem dos economistas do FMI e do BIRD é tão rebuscada, que parece grego. Os termos não são entendidos
nem pelos jornalistas especializados.
4. Os economistas do FMI e do BIRD fingem ser fluentes no jargão utilizado nas instituições, mas freqüentemente não
sabem pronunciar os termos utilizados. Além disso, um dicionário com versões em inglês, francês e espanhol é sempre
consultado por jornalistas que, no entanto, fingem dominar o texto.
5. Nem os jornalistas especializados entendem o jargão econômico usado no FMI e no BIRD, necessitando do auxílio de
dicionários. Os economistas pronunciam mal os termos e, embora se diga com ironia que este jargão parece grego para
o usuário comum, os próprios gregos não conseguem entendê-lo.

Está(ão) correto(s) apenas o(s) item(ns):


a) 1, 2 e 3;
b) 2, 4 e 5;
c) 4;
d) 1, 3, 4 e 5;
e) 1, 2, 3 e 4.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Cesgranrio) MEU POVO, MEU POEMA

Meu povo e meu poema crescem juntos


como cresce no fruto
a árvore nova

No povo meu poema vai nascendo


como no canavial
nasce verde o açúcar

No povo meu poema está maduro


como o sol
na garganta do futuro

Meu povo em meu poema


se reflete
como a espiga se funde em terra fértil

Ao povo seu poema aqui devolvo


menos como quem canta
do que planta
(Ferreira Gullar)

86. Assinale a estrofe do texto onde se evidencia a comunhão do coletivo com o individual:
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.


(Fuvest-gv) "Busque Amor novas artes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!


vede que perigosas seguranças:
que não temo contrastes nem mudanças
andando em bravo mar perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto


onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

que dias há que na alma me tem posto


um não sei quê, que nasce não sei onde
vem não sei como e dói não sei porquê."

87. Neste poema é possível reconhecer que uma dialética amorosa trabalha a oposição entre:
a) o bem e o mal;
b) a proximidade e a distância;
c) o desejo e a idealização;
d) a razão e o sentimento;
e) o mistério e a realidade.

88. Uma imagem de forte expressividade deixa implícita uma comparação com o arriscado jogo do amor. Assinalar a
alternativa que contém essa imagem:
a) o engenho do amor;
b) o perigo da segurança;
c) naufrágio em bravo mar;
d) mar tempestuoso;
e) um não sei quê.

89. Assinalar a alternativa que melhor expressa o entendimento do poema:


a) Novas artes e novo engenho do amor fazem o poeta perder as esperanças.
b) O poeta está, em relação ao amor, como um náufrago que morreu em alto mar.
c) Novas artes e novo engenho do amor alimentam as esperanças outrora perdidas.
d) O poeta está, em relação ao amor, desesperado como um náufrago em bravo mar.
e) O amor destruiu as esperanças do poeta porque inoculou nele um mal desconhecido.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Fuvest) Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada
para vender, o sertanejo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma
ninharia.
Ora, daquela vez, como das outras, Fabiano ajustou o gado, arrependeu-se, enfim deixou a transação meio
apalavrada e foi consultar a mulher. Sinhá Vitória mandou os meninos para o banheiro, sentou-se na cozinha,
concentrou-se, distribuiu no chão sementes de várias espécies, realizou somas e diminuições. No dia seguinte Fabiano
voltou à cidade, mas ao fechar o negócio notou que as operações de Sinhá Vitória, como de costume, diferiam das do
patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a diferença era proveniente de juros.
Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que era bruto, mas a
mulher tinha miolo. Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os
estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar
como negro e nunca arranjar carta de alforria!
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o vaqueiro fosse procurar serviço noutra fazenda.
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se havia dito palavra à-toa
pedia desculpa. Era bruto, não fora ensinado. Atrevimento não tinha, conhecia o seu lugar. Um cabra ia lá puxar questão
com gente rica? Bruto, sim senhor, mas sabia respeitar os homens. Devia ser ignorância da mulher, provavelmente devia
ser ignorância da mulher. Até estranhara as contas dela. Enfim, como não sabia ler (um bruto, sim senhor), acreditara na
sua velha. Mas pedia desculpa e jurava não cair noutra.
O amo abrandou, e Fabiano saiu de costas, o chapéu varrendo o tijolo. Na porta, virando-se, enganchou as
rosetas das esporas, afastou-se tropeçando, os sapatões de couro cru batendo no chão como cascos.
Foi até a esquina, parou, tomou fôlego. Não deviam tratá-lo assim. Dirigiu-se ao quadro lentamente. Diante da
bodega de seu Inácio virou o rosto e fez uma curva larga. Depois que acontecera aquela miséria, temia passar ali.
Sentou-se numa calçada, tirou do bolso o dinheiro, examinou-o, procurando adivinhar quanto lhe tinham furtado. Não
podia dizer em voz alta que aquilo era um furto, mas era. Tomavam-lhe o gado quase de graça e ainda inventavam juro.
Que juro! O que havia era safadeza.
(Graciliano Ramos, "Vidas Secas")

90. O texto, no seu conjunto, revela que Fabiano:


a) ousou enfrentar o branco provando-lhe que as contas dele estavam erradas.
b) ao perceber que era lesado, defendeu com êxito seus direitos.
c) conscientizou-se de que era vítima de safadeza, e conseguiu justiça.
d) concluiu que era explorado na venda do gado e nas contas.
e) indignou-se com sua situação mas voltou às boas com o patrão.

91. A respeito de Sinhá Vitória, a mulher de Fabiano, é possível afirmar que:


a) tinha miolo, não errava nas operações e tentava atenuar os conflitos do marido com o patrão.
b) era mesmo ignorante; quando Fabiano percebeu seu erro, foi pedir desculpas ao patrão.
c) além de errar nas contas, irritava-se com a diferença dos juros.
d) suas contas sempre diferiam das do patrão, mas ela pedia a Fabiano que se conformasse.
e) era o único apoio do vaqueiro, mas infelizmente sua ação não tinha efeito.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fuvest) "A triste verdade é que passei as férias no calçadão do Leblon, nos intervalos do novo livro que venho
penosamente perpetrando. Estou ficando cobra em calçadão, embora deva confessar que o meu momento calçadônico
mais alegre é quando, já no caminho de volta, vislumbro o letreiro do hotel que marca a esquina da rua onde finalmente
terminarei o programa-saúde do dia. Sou, digamos, um caminhante resignado. Depois dos 50, a gente fica igual a carro
usado, todo o dia tem uma coisa dando errado, é a suspensão, é a embreagem, é o radiador, é o contraplano do
rolabrequim, é o contrafarto do mesocárdio epidítico, a falta de serotorpina folimolecular, é o que mecânicos e médicos
disseram. Aí, para conseguir ir segurando a barra, vou acatando os conselhos. Andar é bom para mim, digo sem muita
convicção a meus entediados botões, é bom para todos."
(João Ubaldo Ribeiro, "O Estado de S. Paulo", 06/08/95)

92. No período que se inicia em "Depois dos 50...", o uso de termos (já existentes ou inventados) referentes a áreas
diversas tem como resultado:
a) um tom de melancolia, pela aproximação entre um carro usado e um homem doente.
b) um efeito de ironia, pelo uso paralelo de termos da medicina e da mecânica.
c) uma certa confusão no espírito do leitor, devido à apresentação de termos novos e desconhecidos.
d) a invenção de uma metalinguagem, pelo uso de termos médicos em lugar de expressões corriqueiras.
e) a criação de uma metáfora existencial, pela oposição entre o ser humano e objetos.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Puccamp) A questão da descriminalização das drogas se presta a freqüentes simplificações de caráter
maniqueísta, que acabam por estreitar um problema extremamente complexo, permanecendo a discussão quase sempre
em torno da droga que está mais em evidência.
Vários aspectos relacionados ao problema (abuso das chamadas drogas lícitas, como medicamentos, inalação
de solventes, etc.) ou não são discutidos, ou não merecem a devida atenção. A sociedade parece ser pouco sensível,
por exemplo, aos problemas do alcoolismo, que representa a primeira causa de internação da população adulta
masculina em hospitais psiquiátricos. Recente estudo epidemiológico realizado em São Paulo apontou que 8% a 10% da
população adulta apresentavam problemas de abuso ou dependência de álcool. Por outro lado, a comunidade mostra-se
extremamente sensível ao uso e abuso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína, heroína, etc.
Dois grupos mantêm acalorada discussão. O primeiro acredita que somente penalizando traficantes e usuários
pode-se controlar o problema, atitude essa centrada, evidentemente, em aspectos repressivos.
Essa corrente atingiu o seu maior momento logo após o movimento militar de 1964. Seus representantes
acreditam, por exemplo, que "no fim da linha" usuários fazem sempre um pequeno comércio, o que, no fundo, os
igualaria aos traficantes, dificultando o papel da Justiça. Como solução, apontam, com freqüência, para os
reconhecidamente muito dependentes, programas extensos a serem desenvolvidos em fazendas de recuperação,
transformando o tratamento em um programa agrário.
Na outra ponta, um grupo "neoliberal" busca uma solução nas regras do mercado. Seus integrantes acreditam
que, liberando e taxando essas drogas através de impostos, poderiam neutralizar seu comércio, seu uso e seu abuso. As
experiências dessa natureza em curso em outros países não apresentam resultados animadores.
Como uma terceira opção, pode-se olhar a questão considerando diversos ângulos. O usuário eventual não
necessita de tratamento, deve ser apenas alertado para os riscos. O dependente deve ser tratado, e, para isso, a
descriminalização do usuário é fundamental, pois facilitaria muito seu pedido de ajuda. O traficante e o produtor devem
ser penalizados. Quanto ao argumento de que usuários vendem parte do produto: é fruto de desconhecimento de como
se dão as relações e as trocas entre eles.
Duplamente penalizados, pela doença (dependência) e pela lei, os usuários aguardam melhores projetos, que
cuidem não só dos aspectos legais, mas também dos aspectos de saúde que são inerentes ao problema.
(Adaptado de Marcos P. T. Ferraz, "Folha de São Paulo")

93. Duplamente penalizados, pela doença (dependência) e pela lei, os usuários "aguardam" melhores projetos, que
"cuidem" não só dos aspectos legais, mas também dos aspectos de saúde que são inerentes ao problema.
As formas verbais entre aspas foram empregadas, no texto, respectivamente para:
a) enunciar um fato momentâneo, no presente; para exprimir a dúvida que se tem quanto à realidade do fato enunciado.
b) indicar uma ação durativa no momento presente; para designar algo que se pretende ver realizado.
c) dar ênfase a fato ocorrido recentemente; para indicar um fato futuro, mas próximo.
d) designar um fato concebido como contínuo no pretérito; para denotar uma hipótese.
e) exprimir a repetição de um ato até o momento presente; para indicar a finalidade da ação referida na frase anterior.

94. A questão da descriminalização das drogas se presta a freqüentes simplificações de caráter maniqueísta, "que"
acabam por estreitar um problema extremamente complexo, permanecendo a discussão quase sempre em torno da
droga "que" está mais em evidência.
Os elementos referidos pelos pronomes "que" e "que", entre aspas no texto, são, respectivamente:
a) caráter maniqueísta - droga
b) as drogas - a discussão
c) a questão da descriminalização das drogas - problema extremamente complexo
d) freqüentes simplificações de caráter maniqueísta - a droga
e) a descriminalização - caráter maniqueísta

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Ufpe) "Além do horizonte, deve ter
Algum lugar bonito para viver em paz
Onde eu possa encontrar a natureza
Alegria e felicidade com certeza.
Lá nesse lugar o amanhecer é lindo
com flores festejando mais um dia que vem vindo
Onde a gente possa se deitar no campo
Se amar na selva, escutando o canto dos pássaros."

Roberto e Erasmo Carlos estão falando de um lugar ideal, de um ambiente campestre, calmo.

95. " A natureza representou a afirmação do nacionalismo brasileiro, nos períodos romântico e modernista."
Partindo deste pressuposto, assinale a alternativa incorreta.
a) "O exotismo e a exuberância da natureza brasileira tanto inspiraram os autores românticos quanto os modernistas."
b) "O ufanismo nacionalista foi explorado no Romantismo, enquanto no Modernismo havia, para o nacionalismo, uma
perspectiva crítica."
c) "Para os românticos, a natureza exerceu profundo fascínio; nela eles viam a antítese da civilização que os oprimia."
d) "No Modernismo, os princípios nacionalistas defendidos por seus representantes incluíam o culto à natureza,
comprometido com a visão européia de mundo."
e) "Nas várias tendências do movimento modernista, a natureza não se apresenta transfigurada, mas real. Os
modernistas não se consideravam nacionalistas exaltados só pelo simples fato de serem brasileiros. Antes de mais
nada, não tinham medo de falar dos males do Brasil."

96. Nos poemas, contos e romances cuja temática é nordestina, a literatura moderna apresenta a NATUREZA quase
sempre inóspita, agressiva. Qual dos fragmentos não justifica esta afirmação?

a) "Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para
lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos como Fabiano, sinhá Vitória e os dois meninos."
(Graciliano Ramos, em "VIDAS SECAS").

b) "Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto: é não ter o que comer na terra de Canaã."
(José Américo de Almeida, em "A BAGACEIRA")

c) "Tirei mandioca de chãs


que o vento vive a esfolar
e de outras escalavradas
pela seca faca solar"
(João Cabral de Melo Neto, em "MORTE E VIDA SEVERINA")

d) "Debaixo de um juazeiro grande, todo um bando de retirantes se arranchara (...) Em toda a extensão da vista, nem
uma outra árvore surgia. Só aquele velho juazeiro, devastado e espinhento, verdejaria a copa hospitaleira na desolação
cor de cinza da paisagem "
(Rachel de Queiroz, em "O QUINZE")

e) "Este açúcar veio


de uma usina de açúcar em Pernambuco (...)
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale."
(Ferreira Gullar em "O AÇÚCAR")

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.


(Fuvest) Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei
lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são
minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com um mínimo de elementos. De
água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e
delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz do teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
[Rubem Braga, "200 Crônicas Escolhidas"]

97. Nas três 'considerações' do texto, o cronista preserva, como elemento comum, a idéia de que a sensação de
esplendor
a) ocorre de maneira súbita, acidental e efêmera.
b) é uma reação mecânica dos nossos sentidos estimulados.
c) decorre da predisposição de quem está apaixonado.
d) projeta-se além dos limites físicos do que a motivou.
e) resulta da imaginação com que alguém se vê a si mesmo.

98. Atente para as seguintes afirmações:

I. O esplendor do pavão e o da obra de arte implicam algum grau de ilusão.


II. O ser que ama sente refletir-se em si mesmo um atributo do ser amado.
III. O aparente despojamento da obra de arte oculta os recursos complexos de sua elaboração.

De acordo com o que o texto permite deduzir, apenas:


a) as afirmações I e III estão corretas.
b) as afirmações I e II estão corretas.
c) as afirmações II e III estão corretas.
d) a afirmação I está correta.
e) a afirmação II está correta.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fatec) TEXTO I

1. ...encontro-me aqui em São Bernardo, escrevendo.


As janelas estão fechadas. Meia noite. Nenhum rumor na casa deserta.
Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se. Não tenho sono. Deitar-me, rolar no colchão até a
madrugada, é uma tortura. Prefiro ficar sentado, concluindo isto. Amanhã não terei com que me entreter.
Ponho a vela no castiçal, risco um fósforo e acendo-a. Sinto um arrepio. A lembrança de Madalena persegue-
me. Diligencio afastá-la e caminho em redor da mesa. Aperto as mãos de tal forma que me firo com as unhas, e quando
caio em mim estou mordendo os beiços a ponto de tirar sangue.
De longe em longe sento-me fatigado e escrevo uma linha. Digo em voz baixa:
- Estraguei a minha vida, estraguei-a estupidamente.
A agitação diminui.
- Estraguei a minha vida estupidamente.

TEXTO II

2. "...vou deitar ao papel as reminiscências que me vierem vindo. Deste modo, viverei o que vivi."

99. Com relação à linguagem, observamos no texto de Graciliano Ramos que


a) há alternância de períodos breves e longos com predominância da subordinação entre as orações; esse é um recurso
de que se vale o autor para expressar as relações de causa e conseqüência entre os fatos.
b) a linguagem próxima da oralidade (e por isso mesmo permeada de incorreções gramaticais) é responsável por um
estilo descuidado, característica da obra desse autor.
c) o emprego freqüente do ponto final tem como resultado a quebra da seqüência lógica; fraciona a linguagem da mesma
forma que é fracionada a realidade que o autor quer retratar.
d) o autor utiliza períodos breves, obtendo o máximo de efeito com o mínimo de recursos; prefere usar substantivos a
adjetivos.
e) na descrição do espaço e do tempo, o escritor seleciona o máximo de detalhes a fim de retratar fielmente a realidade,
aumentando, com esse recurso, a sensação de veracidade.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.


(Unitau) "Certas instituições encontram sua autoridade na palavra divina. Acreditemos ou não nos dogmas, é
preciso reconhecer que seus dirigentes são obedecidos porque um Deus fala através de sua boca. Suas qualidades
pessoais importam pouco. Quando prevaricam, eles são punidos no inferno, como aconteceu, na opinião de muita gente
boa, com o Papa Bonifácio VIII, simoníaco reconhecido. Mas o carisma é da própria Igreja, não de seus ministros. A
prova de que ela é divina, dizia um erudito, é que os homens ainda não a destruíram.
Outras associações humanas, como a universidade, retiram do saber o respeito pelos seus atos e palavras. Sem
a ciência rigorosa e objetiva, ela pode atingir situações privilegiadas de mando, como ocorreu com a Sorbonne. Nesse
caso, ela é mais temida do que estimada pelos cientistas, filósofos, pesquisadores. Jaques Le Goff mostra o quanto a
universidade se degradou quando se tornou uma polícia do intelecto a serviço do Estado e da Igreja.
As instituições políticas não possuem nem Deus nem a ciência como fonte de autoridade. Sua justificativa é
impedir que os homens se destruam mutuamente e vivam em segurança anímica e corporal. Se um Estado não garante
esses itens, ele não pode aspirar à legítima obediência civil ou armada. Sem a confiança pública, desmorona a
soberania justa. Só resta a força bruta ou a propaganda mentirosa para amparar uma potência política falida.
O Estado deve ser visto com respeito pelos cidadãos. Há uma espécie de aura a ser mantida, através do
essencial decoro. Em todas as suas falas e atos, os poderosos precisam apresentar-se ao povo como pessoas
confiáveis e sérias. No Executivo, no Parlamento e, sobretudo, no Judiciário, esta é a raiz do poder legítimo.
Com a fé pública, os dirigentes podem governar em sentido estrito, administrando as atividades sociais,
econômicas, religiosas, etc. Sem ela, os governantes são reféns das oligarquias instaladas no próprio âmbito do Estado.
Essas últimas, sugando para si o excedente econômico, enfraquecem o Estado, tornando-o uma instituição inane."

(Roberto Romano, excerto do texto "Salários de Senadores e legitimidade do Estado", publicado na "Folha de
São Paulo", 17/10/1994, 1¡. caderno, página 3)

100. O Estado torna-se sem força quando


a) as instituições políticas não possuem nem Deus, nem a ciência.
b) os governantes são subjugados pelos poderosos que estão instalados no seio do Estado.
c) o poder é simoníaco.
d) o povo confia cegamente no Executivo, no Parlamento e sobretudo no Judiciário.
e) a ciência, rigorosa e objetiva, deixa de ser o eixo protetor da Universidade, da sociedade civil e da sociedade como
um todo.

101. Observe as seguintes frases:


I - Com a fé pública os dirigentes podem dirigir em sentido estrito.
II - Em todas as suas falas e atos, os poderosos precisam apresentar-se ao povo como pessoas confiáveis e sérias.
III - O Estado deve ser visto com respeito pelos cidadãos.
IV - Sem a confiança pública, desmorona a soberania justa.
V - Outras associações humanas, como a Universidade, retiram do saber o respeito pelos seus atos e palavras.
VI - Certas instituições encontram sua autoridade na palavra divina.

Segundo o texto, o autor combate as idéias contidas em:


a) I, II, III, V
b) IV e VI
c) I e II
d) III e II
e) V e VI

102. Em:
"Acreditemos ou não nos dogmas, é preciso reconhecer que seus dirigentes são obedecidos porque um Deus fala
através de sua boca", o verbo que encabeça a frase está no subjuntivo presente por expressar idéia de
a) sucessão de dois fatos reciprocamente exclusivos.
b) sucessão de dois fatos reciprocamente inclusivos.
c) sucessão de dois ou mais fatos com idéia de dúvida.
d) sucessão de vários fatos que são causas.
e) sucessão de dois fatos que são efeitos.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fuvest) Por onde passava, ficava um fermento de desassossego, os homens não reconheciam as suas
mulheres, que subitamente se punham a olhar para eles, com pena de que não tivessem desaparecido, para enfim
poderem procurá-los. Mas esses mesmos homens perguntavam, Já se foi, com uma inexplicável tristeza no coração, e
se lhes respondiam, Ainda anda por aí, tornavam a sair com a esperança de a encontrar naquele bosque, na seara alta,
banhando os pés no rio ou despindo-se atrás dum canavial, tanto fazia, que do vulto só os olhos gozavam, entre a mão e
o fruto há um espigão de ferro, felizmente ninguém mais teve de morrer.
(José Saramago, "Memorial do Convento")

103. Aos outros dons extraordinários de Blimunda vem somar-se, no trecho citado, a capacidade de despertar
inquietação, encantamento e atração erótica. No âmbito do livro, esse magnetismo da personagem representa
simbolicamente
a) sua natureza pagã, infensa a considerações de ordem moral e social.
b) sua sexualidade híbrida, capaz de perturbar igualmente a homens e mulheres.
c) sua fidelidade apaixonada e sua clareza quanto aos valores essenciais.
d) sua oposição radical à Natureza e seus vínculos com a Espiritualidade, de onde lhe vêm os poderes mágico-
religiosos.
e) seu caráter misterioso de mulher sem origem nem destino - o poder do Eterno Feminino.

104. (Fatec) "(...) e tudo ficou sob a guarda de Dona Plácida,


suposta, e, a certos respeitos, verdadeira dona da casa.
Custou-lhe muito a aceitar a casa: farejara a intenção e doía-lhe o ofício: mas afinal cedeu (...)
Eu queria angariá-la (...). Quando obtive a confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília, um
caso anterior ao casamento, a resistência do pai, a dureza do marido, e não sei que outros toques de novela. Dona
Plácida não rejeitou uma só página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis
meses quem nos visse a todos três juntos diria que Dona Plácida era minha sogra.
Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos."

Considerando o trecho de MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, de Machado de Assis, assinale a alternativa
correta quanto ao procedimento do narrador.
a) Denuncia o comportamento de Plácida, que coloca o dinheiro acima de qualquer outro valor.
b) Ironiza a atitude de Plácida, que aceita como verdadeira uma história inventada.
c) Fica comovido com a dor de Plácida e passa a tratá-la como sogra.
d) Identifica-se com Plácida, para quem o ideal amoroso está acima das convenções sociais.
e) Critica a atitude de Plácida, que valoriza a instituição familiar falida.

105. (Fuvest) A leitura de "Mensagem", de Fernando Pessoa, permite a identificação de certas linhas de força que guiam
e, até certo ponto, singularizam o espírito do homem português, dando-lhe marca muito especial.
Dentre as alternativas a seguir, em qual se enquadraria melhor essa idéia?
a) Preocupação com os destinos de Portugal do século vinte.
b) Preocupação com a história político-social de Portugal.
c) Recorrência de certas constantes culturais portuguesas, como o messianismo.
d) Reordenação da história portuguesa desde Dom Sebastião.
e) A marca da religião católica na alma portuguesa como força determinante.
106. (Fuvest) Empenhado em diagnosticar problemas da sociedade, o romance realista-naturalista os toma como peças
de demonstração de tese. Com o "Primo Basílio", Eça de Queirós trata o adultério na sociedade lisboeta, buscando as
causas que teriam levado Luísa, a personagem principal, a cometê-lo.
Escolha dentre as alternativas seguintes a que mais se aproxima das causas que abriram a Luísa o caminho do
adultério.
a) Personalidade forte, Luísa conduz a ação de acordo com suas ambições pessoais.
b) Frívola e em disponibilidade, ela fica a mercê de circunstâncias propícias.
c) Doentiamente apaixonada pelo primo, deixa-se conduzir sem opor resistência.
d) Insatisfeita com o marido, burguês insensível, busca na aventura sua satisfação.
e) Conhecedora dos casos extra-conjugais do marido, procura uma forma de vingança.

107. (Fuvest) O Ministério da Fazenda descobriu uma nova esperteza no Instituto de Resseguros do Brasil. O Instituto
alardeou um lucro no primeiro semestre de 3,1 bilhões de cruzeiros, que esconde na verdade um prejuízo de 2bi. Brasil,
Cuba e Costa Rica são os três únicos países cujas empresas de resseguro são estatais.
("Veja", 1/9/93, pág. 31)

Conclui-se do texto que seu autor:


a) acredita que a esperteza do Instituto de Resseguros gerou lucro e não prejuízo.
b) dá como certo que o prejuízo do Instituto é maior do que o lucro alardeado.
c) julga que o Instituto de Resseguros agiu de boa fé.
d) dá a entender que é contrário ao fato de o Instituto de Resseguros ser estatal.
e) tem informação de que em Cuba e na Costa Rica os institutos de resseguros camuflam seus prejuízos.

108. (Fuvest) De acordo com o ditado popular "invejoso nunca medrou, nem quem perto dele morou":
a) o invejoso nunca teve medo, nem amedronta seus vizinhos.
b) enquanto o invejoso prospera, seus vizinhos empobrecem.
c) o invejoso não cresce e não permite o crescimento dos vizinhos.
d) o temor atinge o invejoso e também seus vizinhos.
e) o invejoso não provoca medo nos seus vizinhos.

109. (Fuvest) Folha - De todos os ditados envolvendo o seu nome, qual o que mais lhe agrada?
Satã - O diabo ri por último.
Folha - Riu por último.
Satã - Se é por último, o verbo não pode vir no passado.
["O Inimigo Cósmico", Folha de S. Paulo, 03/09/95]

Rejeitando a correção ao ditado, Satã mostra ter usado o presente do indicativo com o mesmo valor que tem em:

a) Romário recebe a bola e chuta. Gooool!


b) D. Pedro, indignado, ergue a espada e dá o brado de independência.
c) Todo dia ela faz tudo sempre igual...
d) O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.
e) Uma manhã destas, Jacinto, apareço no 202 para almoçar contigo.

110. (Fuvest) "Era este um homem todo em proporções infinitesimais, baixinho, magrinho, de carinha estreita e chupada,
e excessivamente calvo; usava de óculos, tinha pretensões de latinista, e dava bolos nos discípulos por dá cá aquela
palha. Por isso era um dos mais acreditados na cidade. O barbeiro entrou acompanhado pelo afilhado, que ficou um
pouco escabriado à vista do aspecto da escola que nunca tinha imaginado."
[Manuel Antônio de Almeida, "Memórias de um Sargento de Milícias"]

Observando-se, neste trecho, os elementos descritivos, o vocabulário e, especialmente, a lógica da exposição, verifica-
se que a posição do narrador frente aos fatos narrados caracteriza-se pela atitude
a) crítica, em que os costumes são analisados e submetidos a julgamento.
b) lírico-satírica, apontando para um juízo moral pressuposto.
c) cômico-irônica, com abstenção de juízo moral definitivo.
d) analítica, em que o narrador onisciente prioriza seu afastamento do narrado.
e) imitativa ou de identificação, que suprime a distância entre o narrador e o narrado.

111. (Puccamp) Leia atentamente o texto a seguir.

A "Divisão da Fauna da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo" mantém um serviço para tratar de
animais silvestres que estejam doentes ou machucados.
Deseja-se cuidar dos animais para que fiquem bons e possam ser devolvidos ao seu ambiente. A diretora diz
que, muitas vezes, as pessoas confundem passarinhos que estão aprendendo a voar com aqueles que foram
abandonados ou caíram do ninho. Sabe-se que quando o passarinho estiver no chão, mas com os olhos abertos e
penagem completa, na maioria das vezes está sadio, apenas aprendendo a voar.
Um biólogo explica às pessoas que gostam de acordar ouvindo um bem-te-vi, um sabiá, ou mesmo um alma-de-
gato, que não é nada difícil atraí-los para sua casa, sem precisar aprisioná-los: basta deixar água, restos de frutas e
também sementes, como o alpiste, em locais suspensos e ao ar livre.
O departamento pode ser contactado pelos telefones 885-6669 e 574-5177, ramal 217.

A única frase do texto que mantém como referente o segmento "A Divisão da Fauna da Secretaria do Verde e Meio
Ambiente de São Paulo" é:
a) Deseja-se cuidar dos animais para que fiquem bons e possam ser devolvidos ao seu ambiente.
b) A diretora diz, que, muitas vezes, as pessoas confundem passarinhos que estão aprendendo a voar, com aqueles que
foram abandonados ou caíram do ninho.
c) Sabe-se que, quando o passarinho estiver no chão, mas com os olhos abertos e com a penagem completa, na maioria
das vezes está sadio, apenas aprendendo a voar.
d) Um biólogo explica às pessoas que gostam de acordar ouvindo um bem-te-vi, um sabiá, ou mesmo um alma-de-gato,
que não é nada difícil atraí-los para a sua casa, sem precisar aprisioná-los: basta deixar água, restos de frutas e também
sementes, como o alpiste, em locais suspensos e ao ar livre.
e) O departamento pode ser contactado pelos telefones 885-6669 e 574-5177, ramal 217.

112. (Puccamp) - Há de ser difícil que se encontre em todo o Rio de Janeiro outra moça que tenha sua educação.
Lá mesmo, por Paris, de que tanto se fala, duvido que haja.
- Obrigada! É esta a sua franqueza, D. Firmina?
- Sim, senhora; a minha franqueza está em dizer a verdade, e não em escondê-la. Demais, isso é o que todos
vêem e repetem. Você toca piano como o Arnaud, canta como uma primadona, e conversa na sala com os deputados e
os diplomatas, que eles ficam todos enfeitiçados. E como não há de ser assim? Quando você quer, Aurélia, fala que
parece uma novela.
- Já vejo que a senhora não é nada lisonjeira. Está desmerecendo nos meus DOTES; acudiu a menina
sublinhando a última palavra com um fino sorriso de ironia. Então não sabe, D. Firmina, que eu tenho um ESTILO DE
OURO, o mais sublime de todos os estilos, a cuja eloqüência arrebatadora não se resiste? As que falam como uma
novela, em vil prosa, são essas moças românticas e pálidas que se andam evaporando em suspiros; eu falo como um
poema: sou a poesia que brilha e deslumbra!

O diálogo anterior, nas paginas iniciais do romance SENHORA, de José de Alencar, é expressivo e bastante funcional
para o desenvolvimento da narrativa, já que, nesse diálogo,
a) surpreende-se a ingenuidade de Aurélia, estando ela a imaginar que o amor se compatibiliza com o interesse -
compatibilidade que se revelará impossível a partir de seu casamento com Fernando Seixas.
b) vê-se o quanto está o autor interessado em demonstrar a consciência irônica de Aurélia, consciência que ela manterá
até o momento em que se sente sucumbir na paixão maior por Fernando Seixas, que a desposa sem amar.
c) revela-se a oposição entre o lúcido realismo da protagonista e o romantismo frágil que ela despreza nas donzelas da
época - oposição que perdura por quase todo o romance, vencida apenas na conciliação final entre o amor e dignidade.
d) nota-se a ambigüidade maliciosa da fala de Aurélia, sempre a explorar o duplo sentido das palavras, afetando uma
ironia que não é a sua, já que a protagonista em nada se distingue do modelo das heroínas da ficção da época.
e) delineia-se o caráter ambicioso de Aurélia, sempre disposta a exigir de seus pretendentes as condições de classe que
viessem a lhe assegurar ainda mais vantajosa posição econômica e social.

113. (Puccamp) D. Sancha, peço-lhe que não leia este livro; ou, se o houver lido até aqui, abandone o resto. Basta
fechá-lo; melhor será queimá-lo, para lhe não dar tentação e abri-lo outra vez. Se, apesar do aviso, quiser ir até o fim, a
culpa é sua; não respondo pelo mal que receber. O que já lhe tiver feito, contando os gestos daquele sábado, esse
acabou, uma vez que os acontecimentos, e eu com eles, desmentimos a minha ilusão; mas o que agora a alcançar, esse
é indelével. Vá envelhecendo, sem marido nem filha, que eu faço a mesma coisa, e é ainda o melhor que se pode fazer
depois da mocidade.
As afirmações que seguem referem-se ao excerto acima, do romance DOM CASMURRO, de Machado de Assis.

I. Esse trecho praticamente constitui um capítulo inteiro do livro; é que o autor por vezes se preocupa mais com reflexões
do escritor no presente do que com o ritmo de romance convencional.
II. A invocação de Sancha é, aqui, uma variante das falas do autor a seu público, dirigindo-se agora a uma personagem
de sua vida, suposta na mesma condição de viuvez e melancolia em que se acha o escritor.
III. Bentinho envia carta a Sancha, apresentando-lhe seu livro, baseado num triângulo amoroso constituído por ele
mesmo, por Sancha e por Capitu.

Pode-se afirmar que


a) apenas I está correta.
b) apenas I e II estão corretas.
c) apenas I e III estão corretas.
d) apenas II e III estão corretas.
e) I, II e III estão corretas.

114. (Ufes) NÃO atende adequadamente ao sentido do texto da figura a seguir e às exigências da língua padrão:

a) Para quem ama mergulhar na cachoeira, comer pão de queijo, cochilar de tarde na praia, comer pipoca no cinema,
participar de happy-hour, admirar noites estreladas, comprar lingerie preta, assistir a comédia italiana, tomar champagne,
vestir jeans, brincar carnaval e banhar-se em banheira de hidromassagem, nada mais natural do que também ter um
Peugeot 106.
b) Se eu amo pão de queijo, happy-hour, noites estreladas, lingerie preta, comédia italiana, champagne, banhos de
cachoeira, cochilo de tarde na praia, jeans, carnaval e banheira de hidromassagem, é lógico que eu também tenha um
Peugeot 106.
c) Embora eu tenha um Peugeot 106, eu amo mergulhar na cachoeira, pão de queijo, cochilar de tarde na praia, comer
pipoca no cinema, happy-hour, noites estreladas, lingerie preta, comédia italiana, champagne, jeans, carnaval e banheira
de hidromassagem.
d) Além de ter um Peugeot 106, eu também amo praticar ações tais quais mergulhar na cachoeira, comer pão de queijo,
cochilar de tarde na praia, comer pipoca no cinema, participar de happy-hour, admirar noites estreladas, acariciar lingerie
preta, assistir a comédia italiana, tomar champagne, usar jeans, dançar no carnaval e banhar-me em banheira de
hidromassagem.
e) Se eu tenho um Peugeot 106, é óbvio que eu também ame mergulhar na cachoeira, comer pão de queijo, cochilar de
tarde na praia, comer pipoca no cinema, participar de happy-hour, observar noites estreladas, admirar lingerie preta,
assistir a comédia italiana, tomar champagne, vestir jeans, dançar durante o carnaval e banhar-me em banheira de
hidromassagem.

115. (Ufes) LEIA o texto a seguir para responder à questão:

BOM CONSELHO
Chico Buarque 1972

Ouça um bom conselho


Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha meu amigo


Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo


Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Considerando a linha 6, "Está provado, quem espera nunca alcança", pode-se afirmar que

a) o autor comete um equívoco no emprego do provérbio "quem espera sempre alcança".


b) o autor reescreve o provérbio para valorizar o texto poético.
c) o autor diz que, na verdade, o provérbio "quem espera sempre alcança" não se fundamenta cientificamente.
d) o emprego não tem relação alguma com o provérbio "quem espera sempre alcança".
e) o autor refuta a idéia de passividade e conformismo expresso no provérbio "quem espera sempre alcança."

116. (Ufes) Às vezes há uma distância entre O QUE SE QUER DIZER (1) e O QUE REALMENTE SE DIZ (2). Essa
correspondência está IMPRÓPRIA em

a) "Quando Dennis Crosby se suicidou, um jornal publicou: Pela segunda vez um filho de Bing Crosby se mata." (1)
Dennis é o segundo filho do ator Bing Crosby a se matar. (2) Dennis teria estado próximo da morte pela segunda vez.
b) "... o carro que vitimou o piloto tinha má colocada uma peça." (1) A peça estava mal colocada. (2) A peça que estava
no carro era de má qualidade.
c) "... minhas idéias e meus ideais vão de encontro aos meus legítimos anseios populares." (1) As idéias estão de acordo
com os anseios populares. (2) As idéias se opõem aos anseios populares.
d) "... o publicitário Luís Salles, libertado pelos seqüestradores, pousou para fotos depois do banho." (1) O publicitário se
deixou fotografar depois do banho. (2) O publicitário aterrisou, depois do banho.
e) "O escalonamento (do Corsa) é do tipo longo para privilegiar o consumo e o nível de ruído interno." (1) O
escalonamento longo propicia a diminuição do consumo e do nível de ruído interno. (2) O escalonamento longo faz
aumentar o consumo e o nível de ruído interno.

117. (Unitau) "Brás, Bexiga e Barra Funda"... tenta fixar tão-somente alguns aspectos da vida trabalhadeira, íntima e
cotidiana desses novos mestiços nacionais e nacionalistas".

É dessa forma que Antonio de Alcântara Machado explica sua obra. Indique a alternativa que responde corretamente à
nacionalidade referida pelo autor
a) aos ingleses.
b) aos italianos.
c) aos alemães.
d) aos portugueses.
e) aos índios.

118. (Fuvest) "CLESSI (choramingando) - O olhar daquele homem despe a gente!

MÃE (com absoluta falta de compostura) - Você exagera, Scarlett!

CLESSI - Rett é indigno de entrar numa casa de família!

MÃE (cruzando as pernas; incrível falta de modos) - Em compensação, Ashley é espiritual demais. Demais! Assim
também não gosto.

CLESSI (chorando despeitada) - Ashley pediu a mão de Melânie! Vai-se casar com Melânie!

MÃE (saliente) - Se eu fosse você, preferia RETT (Noutro tom). Cem vezes melhor que o outro!

CLESSI (chorosa) - Eu não acho!

MÃE (sensual e descritiva) - Mas é, minha filha! Você viu como ele é forte? Assim! Forte mesmo!"

No trecho acima, as personagens de 'Vestido de noiva' subitamente se põem a recitar os diálogos do filme 'E o
Vento levou'. No contexto dessa obra de Nelson Rodrigues, esse recurso de composição configura-se como:
a) crítica à internacionalização da cultura, reivindicando o privilégio dos temas nacionais.
b) sátira do melodrama, o que dá dimensão autocrítica à peça.
c) sátira do cinema, indicando a superioridade estética do teatro.
d) intertextualidade, visando a indicar o caráter universal das paixões humanas.
e) metalinguagem, visando a revelar o caráter ficcional da construção dramática.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Fatec) Quando hoje acordei ainda fazia escuro
(embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia,
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei.
Bebi o café que eu mesmo preparei.
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e
[fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
(Manuel Bandeira)

119. Nesse poema o poeta nos revela


a) que dificilmente acorda tarde.
b) que a chuva sempre traz resignação.
c) sua solidão.
d) sua habilidade em fazer café.
e) que ama a vida e as mulheres.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


(Unitau) "A questão central da pedagogia é o problema das formas, dos processos dos métodos; certamente, não
considerados em si mesmos, pois as formas só fazem sentido na medida em que viabilizam o domínio de determinados
conteúdos.
O método é essencial ao processo pedagógico. Pedagogia, como é sabido, significa literalmente a condução da
criança, e a sua origem está no escravo que levava a criança até o local dos jogos, ou o local em que ela recebia
instrução do preceptor. Depois, esse escravo passou a ser o próprio educador. Os romanos, percebendo o nível de
cultura dos escravos gregos, confiavam a eles a educação dos filhos. Essa é a etimologia da palavra. Do ponto de vista
semântico, o sentido se alterou. No entanto, a paidéia não significava apenas infância, paidéia significava cultura, os
ideais da cultura grega. Assim, a palavra pedagogia, partindo de sua própria etimologia, significa não apenas a condução
da criança, mas a introdução da criança na cultura.
A pedagogia é o processo através do qual o homem se torna plenamente humano. No meu discurso distingui
entre a pedagogia geral, que envolve essa noção de cultura como tudo o que o homem constrói, e a pedagogia escolar,
ligada à questão do saber sistematizado, do saber elaborado, do saber metódico. A escola tem o papel de possibilitar o
acesso das novas gerações ao mundo do saber sistematizado, do saber metódico, científico. Ela necessita organizar
processos, descobrir formas adequadas a essa finalidade. Esta é a questão central da pedagogia escolar. Os conteúdos
não apresentam a questão central da pedagogia, porque se produzem a partir das relações sociais e se sistematizam
com autonomia em relação à escola. A sistematização dos conteúdos pressupõe determinadas habilidades que a escola
geralmente garante, mas não ocorre no interior das escolas de primeiro e segundo graus. A existência do saber
sistematizado coloca à pedagogia o seguinte problema: como torná-lo assimilável pelas novas gerações, ou seja, por
aqueles que participam de algum modo de sua produção enquanto agentes sociais, mas participam num estágio
determinado, estágio esse que é decorrente de toda uma trajetória histórica?"
(SAVIANI, D. "A pedagogia histórico-crítica no quadro das tendências críticas da Educação Brasileira", adap. da fala
em Seminário, Niterói, 1985).

120. Leia as frases a seguir:

I. O saber sistematizado, elaborado e metódico está ligado à pedagogia escolar.


II. O saber sistematizado, metódico e científico é transmitido às novas gerações através da escola.
III. Os conteúdos se sistematizam nas relações sociais, por isso não estão no cerne da pedagogia.
IV. Os conteúdos sistematizados são geralmente garantidos pela escola.
V. O saber sistematizado deve ser assimilável pelos que tomam parte de sua produção.

Indique a alternativa cujos itens fazem parte da indagação do autor do texto:


a) I, II, III, IV e V
b) I, II e III
c) IV e V
d) V
e) III
GABARITO

1. a) A ausência da mulher amada.


b) "... sinto saudade/ Da mulher-pomba-rola que voou". "Tudo vem me lembrar que tu fugiste".

2. a) Ao invés da elevação aos céus, o poeta faz as estrelas baixarem.


b) "Mas a lua (...) / Salpicava de estrelas nosso chão".

3. a) Em ambos os poemas há o ambiente alegre de aves vicejantes.


b) As amadas aparecem na metáfora das aves.

4. a) A justiça diferenciada em relação aos atos próprios e alheios.

b) As doenças penalizam os bons e não os maus.

5. a) Passa a ser mau para alcançar o bem.

b) Ele se dá mal e é castigado.

6. a) Bosquejo: esboço
Alvedrio: vontade, arbítrio.

b) "Dei ato à falsa apreciação, por não antecipar o esboço do personagem."

7. a) Ativo: "... a imaginativa do leitor aperfeiçoa o que sai muito em sombra ..."
b) Negativa: "Estou a adivinhar que o enquadraram já em molde grotesco ..."

8. a) A mulher.
b) Ela considerou o poeta uma espécie de vidente, pois descobriu o seu sofrimento amoroso.

9. a) "beijos ALHEIOS", "O que LHE dizia?"


b) A tentativa de atenuar a situação ignominia em que se encontrava.

10. a) Sim, pois o pronome outras inclui a gordura entre as qualidades nutricionais.

b) Não, já que há casos em que uma qualidade nutricional é contra-indicada.

11. a) Porque, segundo o padre, todo mundo faz isso (e o motor é do major)

b) Os assuntos eclesiásticos ficam subordinados ao poder político e social do major.

12. a) O uso do pretérito imperfeito com o valor de futuro do pretérito.

b) A sua situação de carregador.

c) Porque ele não consegue livrar-se da sua condição de trabalhador mesmo na fantasia.

13. a) Geralmente é uma expressão crônica aplicada a pessoas realmente desconhecidas. No caso de FHC, a ironia é
uma pessoa famosa não ter a sua função pública conhecida.

b) A aplicada a FHC: a "conhecido desconhecido".

c) Sim, pois se trata de uma figura ilustre que é momentaneamente desconhecida.

14. a) "... o lançamento será simultâneo em todo o país em 16 concessionárias..."

b) O lançamento nacional não será só em Campinas.

c) Na 1 interpretação "em Campinas" liga-se à toda a oração e na 2, ao verbo descobrir.

15. a) Ele entendeu que as mulheres cardíacas têm mais chance de morrer do que as que não são cardíacas.

b) Que as mulheres cardíacas têm mais chance de morrer do que os homens cardíacos.

c) Porque ela não completa a comparação.

16. a) "... o uso comum de pentes e escovas pode ser transmitido."


"... e se o parasita picar outra espécie que não seja a sua, morre(...)"
b) "... o uso comum de pentes e escovas pode transmiti-lo".
"... e se o parasita picar outra espécie que não seja o seu hospedeiro habitual, morre".

c) Não é o uso de pentes que se transmite, e sim o piolho.

17. a) Estrangeiros e paulistas.

b) Os estrangeiros tomariam o controle econômico do país.

c) Devem ser interpretados como inverdades, pois são hipóteses do discurso das informações inverídicas.

18. a) "Pára, e fica, na doida correria"

b) A anáfora de "pára" e a estrofação.

c) O pensamento viaja rápido e desgovernado, parando apenas diante de experiências dolorosas e sombrias.

19. a) É uma escrava negra africana ("que vinha do Sudão;/ falou que queria fugir/ dos senhores e das judiarias deste
mundo")

b) falou, não falou.

c) A reflexão sobre a sua condição e a disposição de abandoná-la.

20. a) Policial.

b) O desvendamento do mistério de um crime.

c) Sim, pois é desvendado o processo que culminou a morte de Ricardo de Loureiro.

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