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Índice

✎ I. O IMPACTO ECONÓMICO DO TURISMO E O


SEU POTENCIAL DE MAIS CRESCIMENTO 8

✎ II. CONDIÇÕES E MEIOS PARA INCENTIVAR


O CRESCIMENTO E O EMPREGO 10

1 Activar as empresas turísticas de forma a


responderem às necessidades dos clientes 10

2 Melhorar o funcionamento do mercado


turístico através do aperfeiçoamento do
enquadramento empresarial 12

3 Modernizar e melhorar a eficácia das


infra-estruturas ligadas ao turismo 14

4 Elevar o nível dos recursos humanos no


turismo 16

5 Incentivar o desenvolvimento sustentado


do turismo 20

✎ III. OBTENÇÃO DO RECONHECIMENTO


POLÍTICO QUE O TURISMO EUROPEU
MERECE COMO SECTOR IMPORTANTE 22

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 1


2 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego
Prefácio
O relatório do Grupo de Alto Nível sobre o Turismo e o Emprego
confirma, mais uma vez, o importante papel que o turismo
desempenha na realização dos objectivos da União Europeia.
O turismo gera crescimento através de uma vasta gama de
serviços e sectores económicos, apoia o desenvolvimento regional
e cria emprego.
Para explorar integralmente o potencial que o turismo oferece,
precisamos de desenvolver parcerias e a cooperação a todos os
níveis: europeu, nacional, regional e local e entre todos os
parceiros privados e públicos.
As conclusões e recomendações do Grupo de Alto Nível serão um
valioso instrumento para o nosso trabalho futuro.
A Comissão Europeia analisará em que medida estas recomen-
dações podem ser implementadas a nível comunitário ao abrigo
dos programas existentes e quais dessas recomendações exigem
medidas suplementares para serem adoptadas pelo Conselho e
pelos Estados-membros. A Comissão informará o Parlamento
Europeu e o Conselho de Ministros, enviando-lhes uma avaliação
global do relatório e orientações para acções de seguimento.
Agradeço ao Presidente do Grupo de Alto Nível, Dr. Corsten, e a
todos os seus membros o importante contributo que deram para
a identificação dos principais desafios a vencer pela indústria
turística europeia com vista a melhorar a sua competitividade e
o facto de terem mostrado com clareza as oportunidades que o
turismo pode fornecer em termos do crescimento do emprego.
O empenhamento directo neste processo dos principais decisores
na área do turismo de todos os Estados-membros incentiva-nos
a continuar o trabalho em conjunto com vista a um mais amplo
reconhecimento político do contributo do turismo para o cresci-
mento do emprego e com vista ao desenvolvimento de uma
política que reflicta a importância desta indústria.

Christos PAPOUTSIS
Membro da Comissão Europeia

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 3


4 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego
Letter from the Chairman

October, 15th 1998

Dear Mr. Papoutsis,

I am pleased to submit to you the report of the High Level Group on Tourism
and Employment.

The mandate given to us, namely to examine the conditions in which tourism
could make a greater contribution to growth and stability in employment in
Europe, has been at the same time a challenge and an important opportunity.
The huge scope of the task has meant that our report could not be exhaustive
in its analysis of all aspects and that a pragmatic approach has had to be taken
to the issues investigated and to the choice of recommendations made. The
Group’s work has been enriched by the wide range of experience and the
variety of cultural and professional backgrounds of its members, reflecting also
the complexity of tourism in Europe and the different situation in the Member
States. And, despite some differences of emphasis on the importance to be
given to particular issues, the report is a balanced reflection of the discussions
within the Group and the written contributions made by individual members.

The in-depth investigation carried out by eight working teams and the
outcome of research and debate on guidelines for action by businesses and
public authorities at various levels, are presented in more detail in a comple-
mentary report attached to the conclusions and recommendations.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 5


Many valuable suggestions were made in the course of the Group’s work. The
choice of issues to bring to the attention of policy-makers and other decision-
makers at European, national and regional levels has been determined by the
need to give priority to common problems seen as fundamental to encourage
better and more qualified jobs through tourism.
The Group is firmly convinced that:
• the contribution of tourism to growth and employment requires greater
political recognition at all levels, and that this should lead to positive action
which will reinforce the potential of the tourism industry to bring further
and sustainable growth;
• the greater integration of tourism preoccupations and priorities into the
development and implementation of Community programmes and policies
presents a unique opportunity for the Community to contribute to greater
competitiveness of the European industry;
• the development of effective consultation and cooperation among the
parties concerned at local, regional, national and European levels is an
essential pre-requisite to maximising the contribution of tourism to growth.
The early publication and dissemination of the Group’s conclusions and recom-
mendations would be helpful, and we look forward with interest to the
reactions of Community institutions, the Member States, the industry and
other organisations concerned, in the context of establishing a consensus on
the follow-up needed to ensure that the recommendations will be put into
practice.
On behalf of all of the members of the group, I would like to thank you for
the confidence placed in us, and to say that we are at the Commission’s
disposal for further advice.
Yours sincerely,

Dr. Ralf Corsten


Chairman of the High Level Group

6 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


MEMBERS OF THE HIGH LEVEL GROUP
PRESIDENT:
Dr. Ralf Corsten President of Board of Directors TUI GmbH

MEMBERS:
Mr. Andreas Andreadis Vice-President of Sani Beach Holiday Resort, Vice-President of
the Greek federation of Hotel owners
Mr. Paul Brett Chief Executive Officer Thomson Group
Mr. Juan Careaga Member of the Tourism Committee of Confederacion Espanola de
Organizaciones Empresariales (CEOE) & of Mesa del Turismo
Mr. C. Charpentier President Havas Group
Mr. J.A.T. Cornelissen Director of Nederlands Bureau voor Toerisme
Prof. G. De Brabander Professor of Economics, University of Antwerp
Prof. Elio Fontana Former Member of the Italian Parliament – Industry and Tourism
Committee
Mr. Peter Forssman Consultant Gullers Group in Sweden
Dr. Heinz J. Handler Director of the Economic Policy Section - Austrian Federal
Ministry of Economic Affairs
Mrs. Anne-Mette Hjalager Associate Research Professor at the Aarhus School of Business
Mr. Jean Jacques Knaff Director of Luxembourg Congrès S.A.
Mr. Brendan Leahy Chief Executive of the Irish Tourist Industry Confederation
(ITIC)
Mr. Geoffrey H. Lipman President World Travel and Tourism Council
Mr. A. Potamianos President of Greek Shipowners Association
Mrs. Carmen Riu Güell Financial Director RIU Hotels s.a.
Mr. Franco Rosso President of Francorosso International Spa
Mr. Juha Rydman Chief Executive of the Finnish Hotel and Restaurant Association
Mrs. Ursula Schörcher Président of Deutsche Zentrale für Tourismus (DZT)
Mr. Joao Albino Silva Professor of Economy, University of Algarve
Mr. Jean Viard President of Groupe de Prospective de la demande touristique -
Commissariat du Plan à la Direction du Tourisme en France
Mrs. Anne Walker Director Springboard UK
Mr. Harald Wiedenhofer General Secretary of the European Committee of food, catering
and allied workers union and member of the ETUC Executive
Committee
OBSERVER:
Mr. Knut Sevaldsen Managing Director Reiselivsutvikling sa.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 7


I. O IMPACTO ECONÓMICO DO TURISMO E O
SEU POTENCIAL DE MAIS CRESCIMENTO

OEuropaturismo é uma das principais indús-


trias, em termos de crescimento, na
e no mundo em geral.Tem vindo
que o turismo interno e prevê-se que as
chegadas internacionais à Europa
cresçam 57%, passando de 335 milhões
a dar um importante contributo para o para 527 milhões entre 1995 e 2010. A
crescimento do sector dos serviços, o introdução do euro e o processo de
qual, na União Europeia, tem uma contri- alargamento da União a países candi-
buição dupla da agricultura e da indústria datos da Europa Central e Oriental e a
transformadora no seu conjunto, no que Chipre criarão novas oportunidades de
respeita ao emprego (65%) e ao PIB expandir o mercado turístico na Europa.
(50%).
Com base na sua experiência colectiva e
O turismo, na sua definição mais restrita, no seguimento de uma análise qualitativa
contribui directamente para 5,5% do PIB, e quantitativa dos dados disponíveis, o
para 6% do emprego total e para mais de GAN prevê taxas de crescimento anual
30 % do comércio externo de serviços significativas do turismo na UE, ao longo
na União. Os fluxos turísticos internacio- dos próximos dez anos, acima da média
nais estão a crescer mais rapidamente do do total da economia, com uma faixa

Avaliação de futuras áreas de crescimento no


turismo europeu até 2010
Alojamento: Instalações de tempos livres e desporto: Distribuição das viagens: Parques:
- hotéis de 5 estrelas e de luxo - áreas para novos tipos de desportos - sistemas de distribuição e - parques de aventuras
Transporte: Termas, instalações de saúde e fitness sistemas de reserva de lugares - parques temáticos
- companhias de aviação Institutos de formação e outros tipos de - novos media Distribuidores de computadores e software
- companhias de aeroportos educação Operadores de redes de comunicações
Alojamento: Serviços de alimentação e bebidas: Serviços de receptivo: Transportes:
- hotéis de 4 estrelas - restaurantes de 3 estrelas - agências de receptivo - caminho-de-ferro
- hotéis de 3 estrelas - restaurantes de 2 estrelas - serviços de informação turística - empresas de autocarros
- alojamento e pequeno almoço - restaurantes de 1 estrela - serviços de guias turísticos - serviços de cruzeiro e ferries
- quintas - restaurantes com cozinha regional - serviços de transferes - empresas de aluguer de automóveis
- caravanas, campismo - restaurantes com cozinha internacional - excursões - táxis e outros serviços de transfer
- casas e apartamentos de férias - estabelecimento de self-service Indústria de espectáculos: - empresas portuárias
Instalações de tempos livres - cozinha “pelo próprio” - ópera Centros de conferências, locais de
e desporto: - operetas, esp. de música feiras profissionais
- piscinas com características de -- bares
cafés, cafetarias - teatro Parques:
passatempos/aventuras - serviços de refeições para empresas de - cabaré - parques de lazer
Operadores turísticos Seguros de viagens - parques aquáticos
Instalações culturais transportes Fabricantes de transportes: Comércio grossista e retalhista
- museus Monumentos: - indústria aeronáutica - caravana, roulotes
- locais de exposição - monumentos culturais - fabricantes de autocarros - artigos de campismo
Editores e distribuidores de - monumentos naturais - fabricantes de automóveis - artigos de couro e acessórios de
literatura de viagens e mapas - monumentos industriais Manutenção paisagística/agricul-viagem
Agências/media de publici- Fabricantes de máquinas fotográ- tura - recordações
dade ficas e filmes Indústria de vestuário de temposArquitectos/desenvolvimento
Centros comerciais Artes e ofícios livres Empresas de construção
Alojamento: Distribuição das viagens: Instalações culturais: Fabricantes de transportes:
- hotéis de 2 estrelas - agências de viagens - bibliotecas, arquivos - estaleiros navais
- hotéis de 1 estrela Serviços de alimentação e - fabricantes de locomotivas e
- motéis bebidas: carruagens
- pousadas da juventude - restaurantes não classificados
Alojamento: BBancos/serviços de câmbios
- hotéis não classificados

Nenhum segmento identificado

Avaliação pelos membros do Grupo de Alto Nível

8 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


provável de variação anual de: viagens dentro e fora do país. Está ampla-
• 2,5 - 4% em termos de volume de mente descentralizado e interligado com
negócios; a economia devido à mobilidade e à
variedade das necessidades dos turistas e
• 1,0 - 1,5 % em termos de emprego.
devido ao facto de os produtos e
Isto significa que, no final da próxima serviços relacionados com o turismo
década, haverá oportunidades de criar serem comprados antes, durante e até
entre 2,2 e 3,3 milhões de novos após a viagem.
empregos em actividades do turismo na
União Europeia. Será gerado mais Uma análise recente e novos modelos de
emprego em resultado do impacto do impacto dão, seguidamente, uma
turismo em outras actividades econó- indicação da taxa do volume de negócios
micas. O potencial de crescimento do gerada em média pelo consumo dos
turismo europeu só poderá ser plena- turistas em ramos conexos.
mente explorado se forem proporcio-
nadas pelas entidades públicas A criação de contas satélites para o
condições-quadro adequadas a todos os turismo, com base numa metodologia
níveis. Além disso, é essencial que as rigorosa e amplamente reconhecida,
empresas e os decisores políticos conju- seguindo as normas da UE e da OCDE e
guem esforços para eliminar barreiras reflectindo as necessidades tanto do
estruturais ao crescimento. sector público como do sector privado,
O turismo é um complexo de serviços e garantiria a disponibilidade de infor-
produtos fornecidos para satisfazer a mação exaustiva e fiável sobre o impacto
procura dos consumidores, das empresas das actividades turísticas, incluindo
e do sector público no que respeita a projecções e previsões.

% de emprego gerado pelo consumo turístico em ramos relevantes

Ramos turísticos centrais 100%-50%


agencias de viagens, operadores turísticos, alojamento em hotéis e
otros establecimentos, restaurantes e outros serviços de alimentação e
bebidas, empresas de transportes, agências de receptivo, empresas de saúde
e de aventuras, instalações de desporto, associações da indústria turística,
indústria de recordações, fornecedores de equipamento de viagens, indústrias de
reuniões/incentivos/convenções e outros acontecimentos, aeroportos, seguros
de viagem, artesãos, empresas de cultura e espectáculos, sistemas de
distribução e sistemas de reserva globais, editores e distribuidores
de literatura de viagens e mapas, serviços de câmbios

Serviços complementares e auxiliares 50-25%


estações de caminhos-de-fero, indústria de artigos de desporto, passatempos electrónicos, indústria fotográfica, fabri-
cantes de transportes (aviões, automóveis, navios, etc.), fornecedores de consultas e outros serviços
médicos, jornalistas, escritores, artistas, conjuntos musicais, empresas grossistas e retalhistas,
profissões liberais e trabalhadores independentes (consultoria fiscal, jurídica e empresarial),
agências de publicidade, fabricantes de papel, tipografias, agências de planeamento,
tecnologia da informação/comunicação, manutenção
paisagistica/agricultura

Serviços complementares e auxiliares abaixo de 25%


empresas portuárias, indústria farmacêutica e de cosmética, indústria de vestuário,
mecânica de automóveis, universidades, institutos técnicos e institutos de
formação privados, arquitectos/desenvolvimento, engenharia eléctrica
e indústria da música, bancos, indústria da construção

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 9


II. CONDIÇÕES E MEIOS PARA INCENTIVAR
O CRESCIMENTO E O EMPREGO

ACTIVAR AS EMPRESAS TURÍSTICAS DE FORMA A RESPONDEREM


ÀS NECESSIDADES DOS CLIENTES

o lado da procura, a expansão e a Na sua maioria, os países europeus estão


Ddirectamente
evolução do mercado turístico estão
ligadas a alterações
altamente desenvolvidos em termos de
empresas ligadas ao turismo e deverão
demográficas da população, à melhoria ser capazes de responder aos desafios
do poder de compra dos consumidores, futuros. No entanto, pode-se ainda
à maior disponibilidade e reconheci- melhorar, no sentido de ultrapassar as
mento dos tempos livres e à crescente restrições que actualmente impedem as
variedade de desejos e preferências do empresas europeias ligadas ao turismo,
público. especialmente PME, de beneficiarem
destas perspectivas de mercado favorá-
A tendência para a mobilidade, a necessi- veis. Entre essas restrições contam-se:
dade de segurança, o desejo de serviços
turísticos personalizados, confortáveis, ✔ a falta de conhecimento estratégico
autênticos e a bom preço são alguns dos da procura turística e do uso desta
principais aspectos das expectativas dos informação em termos operacionais;
turistas. Estas expectativas realizar-se-ão,
✔ uma limitada aplicação das técnicas
sobretudo, através do alargamento da
de controlo de qualidade e de gestão
gama de produtos e serviços existentes,
da qualidade na produção, comercia-
da melhoria da sua qualidade e da divul-
lização e fornecimento de serviços
gação da sua existência no mercado.
turísticos;
O turismo, sendo em grande medida ✔ uma apreciação insuficiente da
uma “actividade fornecida por pessoas”, riqueza e da diversidade das
é um sector onde os ganhos de produti- atracções existentes em toda a
vidade tendem a ser limitados e onde os Europa e que poderiam tornar-se na
aumentos do nível de actividade turística base de novos e originais produtos e
levam à criação de novos empregos. destinos turísticos.
Apesar da racionalização do processo de
produção nos serviços turísticos, acele- A crescente procura pelos turistas de
rada pela aplicação de novas tecnologias, serviços turísticos personalizados e de
podem esperar-se oportunidades de alta qualidade é frequentemente difícil de
novos empregos e de profissões satisfazer, pois alguns sectores do
melhores e mais variadas. turismo não têm pessoal qualificado

10 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


suficiente e sofrem de uma elevada devido a condições de trabalho pouco
rotação do pessoal, frequentemente atraentes no turismo.

O GAN considera que, com vista a garantir uma informação em tempo oportuno,
fiável e comparável, é necessário explorar instrumentos comunitários já existentes,
como o Eurobarómetro, para adaptá-los, no que respeita às necessidades das
empresas, e garantir maiores sinergias em acções complementares, através da coope-
ração entre os sectores público e privado.

O GAN

insta a Comunidade Europeia a:

✘ criar uma “rede de observação” em linha que ligue entre si fontes comprovadas
de informação sobre o mercado e o emprego relativamente ao turismo e que
permita um acesso e utilização fáceis para as empresas;

✘ incentivar o desenvolvimento, numa base voluntária, de padrões de qualidade,


compreensíveis a nível europeu, que melhorem a transparência e atractividade
dos produtos e serviços;

✘ promover a recolha e divulgação de boas práticas e de ideias imaginativas de


produtos e serviços turísticos, prevendo novas necessidades dos mercados turís-
ticos através da criação de um sítio na Internet de acesso gratuito;

recomenda às entidades públicas e aos serviços de turismo:

✘ a promoção da cooperação entre os sectores público e privado, nomeadamente


ao nível transnacional, para o desenvolvimento de produtos e serviços turísticos
reserváveis que aumentem a riqueza das atracções naturais e culturais europeias;

incentiva as empresas turísticas a:

✘ desenvolver formas de parcerias e cooperação que possam melhorar a


integração dos serviços envolvidos na “cadeia turística” e incentivem um relacio-
namento leal entre os intermediários e os fornecedores de serviços turísticos.

incentiva os parceiros sociais a:

✘ criar condições de trabalho e de emprego que melhorem a atractividade dos


empregos e carreiras no turismo e a rentabilidade das empresas.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 11


2
MELHORAR O FUNCIONAMENTO DO MERCADO TURÍSTICO
ATRAVÉS DO APERFEIÇOAMENTO DO ENQUADRAMENTO
EMPRESARIAL

m última análise, é o sector ✔ a fragmentação na gama de


Eatravés
privado que criará empregos,
das suas decisões de investi-
instrumentos financeiros
públicos e as dificuldades de
mento e do desenvolvimento das obter informação sobre os
suas actividades de turismo. As procedimentos relacionados
entidades públicas têm também um com iniciativas de desenvolvi-
papel essencial, agindo a vários mento local e nacional;
níveis de autoridade, na criação das ✔ no que respeita à fiscalidade e
condições-quadro legais, financeiras aos encargos administrativos,
e administrativas que permitam aos uma falta de coerência global e,
empresários lançar e desenvolver as por vezes, a intersecção de
suas empresas. Estes princípios, medidas regulamentares que
aplicáveis às empresas em geral, têm dão tratamentos diferentes a
uma importância particular para o produtos e serviços turísticos
turismo: similares/complementares.
✔ a importância de alguns factor- ✔ os elevados encargos sobre a
chave de produção, como os mão-de-obra, afectando em
recursos e infra-estruturas particular as empresas turísticas
naturais e culturais, que estão com grande peso do factor
sob a responsabilidade do sector trabalho, envolvendo custos de
público e que representam um mão-de-obra adicionais, são
património vital em termos de considerados como uma das
atractividade dos destinos turís- razões que podem levar a
ticos e de competitividade das trabalho não declarado em
empresas turísticas; algumas actividades turísticas.
✔ o elevado número, e, por vezes, Atingiu-se um progresso notável,
a incoerência, de entidades recentemente, a nível europeu,
administrativas envolvidas e o quanto à simplificação da regula-
extenso rol de formalidades mentação das empresas. As
administrativas que regem as recomendações já avançadas, no
actividades turísticas; corrente ano, pela task force
✔ a maior complexidade do BEST (Business Environment
enquadramento regulamentar Simplification Task Force) estão a
para os profissionais do turismo ser bem acolhidas e a sua imple-
que pretendem beneficiar da mentação a nível comunitário,
crescente “europeização” dos nacional e regional seria altamente
fluxos turísticos e querem benéfica para o desenvolvimento
desenvolver as suas empresas das empresas no turismo. Há, no
que operam num contexto entanto, condições específicas para
internacional; as empresas turísticas, especial-

12 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


mente no que respeita à harmonização elaborada no seguimento da conferência
fiscal e ao funcionamento eficaz do europeia realizada em Llandudno (País
mercado único europeu, que têm de ser de Gales) em Maio de 1998, contém
reforçadas. directrizes valiosas no que respeita às
A melhoria da posição concorrencial das acções prioritárias no domínio, por
PME, que representam a grande maioria exemplo, da formação, tecnologia da
do total das empresas de turismo, é de informação e cooperação da indústria no
importância central para o desenvolvi- que respeita às PME. Essas directrizes
mento de todo este ramo de actividade. devem ser levadas em conta para uma
A prevista “Agenda 2010 – Quadro de melhor integração das PME do turismo
acções a favor das PME no turismo”, na política empresarial em geral.

O GAN
recomenda à Comunidade Europeia e aos Estados-membros:
✘ o desenvolvimento de uma maior convergência e, tanto quanto possível, a
harmonização dos sistemas fiscais e a redução dos encargos sobre a mão-de-
obra, no sentido da aplicação de taxas que suportem a expansão da actividade
turística e o crescimento do emprego;
✘ a promoção de empresas turísticas em redes já existentes apoiadas pela
Comunidade Europeia;
✘ a promoção de “Centros de Consultoria Turística” e de instrumentos de base
voltados para as empresas, de forma a fornecer-lhes informação actualizada
sobre aspectos da regulamentação e sobre o financiamento ao turismo;
✘ o lançamento de uma iniciativa comunitária que promova o desenvolvimento de
empresas turísticas inovadoras por jovens empresários, nomeadamente para a
promoção de novas atracções turísticas;
✘ o desenvolvimento de uma consulta e cooperação mais eficazes com represen-
tantes da indústria turística, incluindo os parceiros sociais, e os principais
decisores, em relação a medidas susceptíveis de afectar o desenvolvimento turís-
tico;
✘ a preparação e divulgação de um relatório sobre a estrutura, o desempenho e a
competitividade do turismo europeu, relatório a ser regularmente actualizado e
que servirá como base para uma análise anual, pelo Conselho de Ministros, das
iniciativas necessárias a nível da Comunidade e dos Estados-membros;

insta as entidades nacionais e regionais a:


✘ limitar os impostos e taxas aplicáveis aos serviços turísticos e, onde tal for
aplicável, a utilizar as receitas conexas de forma transparente para melhorar o
investimento no turismo;

recomenda às empresas turísticas e às associações profissionais:


✘ que revejam as suas actividades a todos os níveis, de forma a assegurarem o seu
contributo integral para os processos de consulta e cooperação instituídos aos
vários níveis de decisão, especialmente a nível da Comunidade Europeia.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 13


3
MODERNIZAR E MELHORAR A EFICÁCIA DAS INFRA-ESTRUTURAS
LIGADAS AO TURISMO

Oumaturismo a nível mundial, baseado na


mobilidade e nas comunicações, é
função do desenvolvimento da infra-
automóveis e de autocarros para
destinos turísticos europeus, juntamente
com o aparecimento de um crescente
estrutura e da tecnologia dos trans- interesse dos turistas por cruzeiros,
portes. estão a exercer uma crescente pressão
Nos últimos anos, alcançaram-se sobre a capacidade das infra-estruturas
progressos significativos na Europa existentes e sobre o ambiente, gerando
através de iniciativas estratégicas frequentemente custos adicionais.
tomadas a nível comunitário e nacional A insuficiente interconexão e interope-
para expandir sistemas e meios de trans- racionalidade da rede de transportes
porte e de comunicação e para libera- europeia e dos sistemas de tecnologias
lizar o seu acesso e utilização. Isto levou da informação exacerba as dificuldades
a substanciais investimentos em toda a para os turistas e para as empresas. O
Europa, apoiados, nas regiões desfavore- caso do controlo do tráfego aéreo na
cidas, por fundos comunitários, e a um Europa é um exemplo típico: 49 centros
rápido progresso na liberalização dos de controlo, com 22 sistemas operativos
transportes, com mais evidência nos diferentes, 31 sistemas nacionais, 30
transportes aéreos.A contínua expansão programas informáticos e 18 produtores
da procura exige novos instrumentos e de instrumentos. As consequências, em
melhorias para garantir uma base tecno- termos de custos adicionais para as
lógica e de infra-estruturas global companhias aéreas em virtude dos
eficiente e fiável para a mobilidade. atrasos no tráfego aéreo, são estimadas
O rápido crescimento do tráfego aéreo, em cerca de 2.500 milhões de ecus, em
o contínuo crescimento do tráfego de 1997.

14 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


Os limites, em termos de interoperacio- rápida expansão do comércio electró-
nalidade, dos actuais sistemas de infor- nico e das reservas directas nos serviços
mação e reservas, que cobrem diferentes turísticos pode ajudar as PME a tirar
serviços turísticos, incluindo o trans- partido de novos instrumentos de
porte, tendem a ser um importante comercialização e gestão, mas, em certos
obstáculo a que as PME turísticas tenham casos, pode também ameaçar a sua
acesso, apliquem e utilizem tecnologias existência.
da informação no trabalho diário. A

O GAN
insta a Comunidade Europeia e os Estados-membros:

✘ a promover a criação de um sistema coordenado de controlo do tráfego aéreo


a nível europeu e a garantir a completa liberalização dos serviços ligados ao
transporte aéreo;
✘ a incentivar uma eficaz ligação em rede e uma maior interoperacionalidade das
infra-estruturas e recursos das tecnologias da informaçãode e dos transportes;
✘ a promover o desenvolvimento de infra-estruturas de transporte, como priori-
dade em áreas em atraso, para completar o sistema de comunicações europeu;
✘ a apoiar iniciativas europeias e nacionais que integrem preocupações ambientais
na mobilidde turística;
✘ a tomar a iniciativa de promover as tecnologias da informação no turismo e a
incentivar parcerias entre as empresas turísticas e os fornecedores de tecno-
logia;
✘ a promover o intercâmbio das melhores práticas sobre novas aplicações
tecnológicas, abrangendo PME, empresas de maior dimensão e entidades locais.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 15


4

ELEVAR O NÍVEL DOS RECURSOS HUMANOS NO TURISMO

consumo turístico e as actividades Estão a verificar-se ajustamentos sensí-


O conexas criam emprego não só em
sectores centrais, como o alojamento,
veis no turismo europeu que são
cruciais para melhorar a sua competiti-
os operadores turísticos, as agências de vidade e que levam a importantes
viagens, a restauração, os transportes e alterações no mercado de trabalho do
as atracções, mas também, de forma turismo. Entre esses ajustamentos
indirecta, através de actividades comple- contam-se:
mentares, como as indústrias alimen- ✔ a recentragem das competências de
tares e a construção. Do mesmo modo, base,
verifica-se criação de empregos no
sector público, como, por exemplo, em ✔ a redução do nível técnico de tarefas
serviços de aconselhamento, segurança operacionais em alguns sub-ramos,
pública e protecção ambiental. O ✔ a elevação do nível técnico e da
impacto mais amplo do turismo deve especialização, em particular em
ser tido em conta em requisitos especí- grandes empresas e organizações
ficos de formação e qualificação e, de turísticas e em serviços complemen-
forma mais geral, nas políticas e práticas tares,
relativas aos recursos humanos.
✔ a criação de novos perfis profissio-
nais para responder às necessidades
As rápidas mudanças que se verificam
e preferências dos turistas.
nas preferências e perfis dos turistas, na
estrutura e na organização das A transferência de algumas operações
empresas turísticas e na aplicação das dos sectores de base tradicionais para
tecnologias da informação têm um indústrias e fornecedores de serviços
impacto significativo na natureza, quanti- auxiliares pode significar que os
dade e qualidade do emprego no dirigentes do sector estão a realizar
turismo europeu. investimentos e a explorar alianças

16 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


estratégicas essenciais para a renovação turismo que são oferecidas.
dos produtos turísticos europeus. Essa Na perspectiva da procura, o principal
transferência demonstra também que as impacto sobre as práticas de emprego é
empresas de turismo inovadoras estão a o nível de sazonalidade e outras formas
adoptar cada vez mais instrumentos de de variação da procura, que, com poucas
gestão estratégica modernos, como a excepções, se aplicam a todo o sector.
externalização e as alianças no capítulo O turismo tem problemas em garantir
das compras/ produção/comerciali- um emprego duradouro e sustentado
zação. ao longo de todo o ano para o conjunto
A adopção destas estratégias pode ser da sua força de trabalho da época alta.
vista como uma resposta do sector aos Isto tem um impacto importante na
grandes problemas, que são europeus, qualidade do emprego oferecido e no
da manutenção de pessoal qualificado investimento que tanto os emprega-
no sector turístico, problemas ligados à dores como os empregados estão
sazonalidade, baixos salários e reduzido dispostos a fazer para elevar o seu nível
prestígio dos empregos. No entanto, na técnico e qualificações. O trabalho
ausência de acções comuns que sazonal pode abrir oportunidades
envolvam os vários níveis de responsa- específicas para a obtenção de habili-
bilidade (no sector público) e maiores tações, oferecendo, por exemplo,
conhecimentos técnicos (em empresas formação na época baixa, possibilidade
de maior dimensão ou inovadoras), as que não tem sido suficientemente
PME turísticas e os destinos turísticos explorada. As perspectivas de retenção
tradicionais (sujeitos a variação sazonal) do pessoal qualificado podiam ser
poderiam correr o risco de uma “fuga melhoradas pela garantia de re-emprego
de cérebros”, “fuga de competências” e em épocas seguintes.
“fuga de capitais”. O investimento e a inovação nos
A diversidade de requisitos técnicos recursos humanos do turismo é pelo
para aqueles que querem e podem menos tão importante como outras
trabalhar no turismo tem importantes formas de investimento. Exemplos
implicações para a natureza, âmbito e destacados de investimento com êxito
organização das qualificações para o em empresas ligadas ao turismo

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 17


mostram que o aumento mensurável ✔ do facto de as oportunidades
nos lucros devidos a um serviço de existentes no turismo para pessoas
melhor qualidade e à redução dos com uma base multicultural, junta-
custos pode atingir o triplo do investi- mente com a gama de empregos
mento na formação. pouco técnicos envolvidos, poderem
ajudar a integrar aqueles que
A necessidade de flexibilidade numérica tendem a ser marginalizados em
no turismo deve ligar-se à abertura de virtude de diferenças linguísticas ou
segmentos do mercado do trabalho culturais, como os imigrantes.
para oferecer práticas de trabalho flexí-
veis em troca de benefícios não-tradi- É essencial dar um salto qualitativo em
cionais.As ópticas tradicionais com vista toda a Europa na concepção e imple-
a incentivar uma utilização positiva da mentação de políticas de recursos
flexibilidade numérica concentraram-se, romanos renovadas no turismo que
por um lado, em garantir a protecção levem devidamente em conta a diversi-
dos empregados e evitar a exploração, dade do mercado. Tem de ser incenti-
incentivando simultaneamente o desen- vada a disponibilidade dos empresários
volvimento de capacidades flexíveis e e empregados do turismo para desem-
transferíveis (“polivalência”) de forma a penharem o seu papel numa “ofensiva
várias tarefas poderem ser consolidadas de habilitações na Europa” para as
num único posto de trabalho real. profissões turísticas. São necessárias
medidas mais eficazes adaptadas às
É provável que agora sejam necessárias características do turismo em mudança
estratégias alternativas que incentivem e que levem em conta as diferentes
os empregadores a aprender com inicia- situações e destinos. Esta perspectiva
tivas bem sucedidas de melhoria da deve envolver parcerias mais estrutu-
imagem por algumas empresas e a radas e responsáveis entre as empresas,
identificar também os benefícios a que os institutos de ensino e formação e as
os empregados potenciais dão mais entidades públicas ligadas ao desenvolvi-
valor em troca de práticas de trabalho mento do turismo. O diálogo eficaz
flexíveis. entre os parceiros sociais nos vários
sectores seria um elemento essencial
Há também oportunidades válidas, neste processo. Todas as experiências
através do quadro de trabalho flexível mostram que os problemas sociais
do turismo, de integrar os jovens e existentes e os novos desafios se
segmentos desfavorecidos do mercado podem enfrentar melhor se todas as
de trabalho nas actividades económicas partes envolvidas tentarem encontrar
e sociais. Isto resulta: em conjunto uma solução equilibrada
através de consulta mútua. Este diálogo
✔ do elevado nível de ambição empre- deve tentar ultrapassar o debate regula-
sarial de jovens que começam as mentação/ desregulamentação, levando
suas carreiras no turismo: muitos à implementação de medidas inova-
vêem os seus objectivos de carreira doras que possam ser testadas ao nível
em termos de serem donos das suas da empresa e depois adaptadas e
próprias empresas e os seus alargadas a um nível mais geral com o
primeiros trabalhos, especialmente o acordo dos parceiros sociais.
primeiro emprego no turismo, como
um “estágio” para o futuro;

18 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


O GAN
recomenda à Comunidade Europeia e aos Estados-membros que, em
cooperação com as associações profissionais representativas dos interesses dos
empregadores e dos empregados, com as empresas, universidades e institutos de
formação:
✘ dêem ao turismo, em todos os seus aspectos, um lugar de destaque na imple-
mentação da estratégia de emprego europeia e nas acções prioritárias para
combater a exclusão social e o emprego;
✘ garantam que as políticas de educação e formação e as iniciativas de apoio
através da UE reflictam as necessidades do turismo nos currículos escolares e
nos programas de desenvolvimento de carreiras;
✘ estabeleçam um sistema para acompanhar o impacto e a eficácia das iniciativas
de formação, os melhores programas de criação de empregos e a evolução do
mercado de trabalho e divulguem as melhores práticas, através, por exemplo,
de um sistema de prémios anuais nesta área;
✘ apoiem a criação ou o desenvolvimento, em cooperação com as associações
profissionais, de unidades de formação e de consultoria de emprego, forne-
cendo orientação e assistência às pequenas e micro-empresas turísticas em
questões relacionadas com os recursos humanos;
✘ incentivem programas de parceria entre empresas turísticas internacionais e
instituições de educação/formação, para desenvolver novos perfis profissionais
e criar oportunidades de carreira atraentes;
✘ melhorem o acesso aos mecanismos de informação existentes que possam dar
uma maior transparência ao mercado de trabalho do turismo, permitindo um
paralelismo eficaz e em tempo oportuno entre a oferta e a procura de
empregos;
✘ continuem o trabalho em curso sobre a melhoria do reconhecimento trans-
nacional das habilitações e a mobilidade no turismo;
✘ apoiem o desenvolvimento de uma iniciativa conjunta dos sectores privado e
público a favor dos jovens, nomeadamente dos que têm uma formação cultural
e linguística múltipla, de forma a facilitar uma primeira experiência de emprego
no turismo;
recomenda aos parceiros sociais, a nível empresarial, regional, nacional e
europeu, que:
✘ desenvolvam o diálogo social e consultas sobre os aspectos económicos e
sociais no turismo, particularmente sobre o emprego, as habilitações e as
condições de trabalho;
✘ melhorem a empregabilidade dos trabalhadores, facilitando a mobilidade entre
diferentes carreiras profissionais e a aquisição de conhecimentos polivalentes.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 19


5

INCENTIVAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO DO TURISMO

O enquadramento natural e cultural


influencia o emprego a três níveis:
economicamente vantajosa
recursos naturais. Simultaneamente,
ajuda a salvaguardar a posição conco-
dos

✔ salvaguardando os empregos
existentes através da garantia de rrencial das regiões turísticas europeias
qualidade de um meio ambiente tradicionais face a concorrentes de
ecologicamente intacto nas zonas de destinos muito afastados, cujos esforços
férias; de promoção se centram, frequente-
mente, na natureza intocada.
✔ criando novos empregos através do
investimento na modernização Há uma grande sensibilização para a
ecológica e programas de qualidade, poluição ambiental por parte dos
especialmente em centros de férias; turistas europeus, que lhe atribuem alta
prioridade na sua escolha de férias. A
✔ desenvolvendo a base para revita- realidade mostra também que o
lizar ou lançar novas profissões em ambiente é uma das preocupações
serviços complementares, incluindo principais, quando os turistas classificam
as artes tradicionais. o seu nível de satisfação com as férias.
A expansão da procura e da oferta Os benefícios económicos do turismo
turística não é ilimitada no caso de para as regiões estruturalmente desfa-
qualquer destino considerado. Se se vorecidas têm de ser pesados em
ignorarem os limites, a actividade turís- relação às consequências ecológicas
tica estará comprometida e os destinos cada vez mais complexas do desenvolvi-
ficarão seriamente desvalorizados. mento do turismo. No entanto, compa-
A implementação de princípios de rado com outras indústrias, o turismo
desenvolvimento sustentado, estabele- tem um potencial único para a conser-
cidos a nível da UE e a nível mais amplo vação da natureza e para a melhoria do
através da “Agenda 21”, nos destinos e património cultural, permitindo simulta-
nos vários ramos do turismo, acrescenta neamente um maior rendimento e
valor à atractividade dos destinos, contribuindo para o emprego.
melhora as possibilidades de comerciali- No sector privado, as considerações
zação, considerando a maior sensibili- ecológicas têm feito grandes avanços
dade dos turistas para os problemas nos últimos anos. No entanto, há ainda
ambientais, contribui para reduzir demasiados destinos turísticos onde os
custos (no fornecimento de energia e problemas ambientais estão a crescer
água) e cria mais oportunidades de (abastecimento de água, qualidade da
novos produtos, novos serviços e novos água potável e de banho, erosão do solo,
empregos. desertificação, incêndios florestais,
Uma área rural não degradada, junta- desenvolvimento urbanístico incontro-
mente com a diversidade cultural e lado, congestão do tráfego, etc.).
biológica, é um recurso insubstituível Foram testadas várias abordagens
para as actividades turísticas. Uma acção prometedoras para fazer face a estes
positiva nesta área contribui para uma problemas, mas os esforços feitos são
utilização de longo prazo, sustentada e ainda demasiado isolados e não têm um

20 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


reconhecimento muito amplo. adequados, para se preparar a expansão
A Europa tem de se estabelecer como e diversificação da gama de ofertas
líder neste processo, que é um turísticas.
elemento essencial na competitividade. O princípio orientador é que quanto
maior for a preocupação e a resposta
Foram desenvolvidas várias caracterís-
ticas de produtos e perspectivas de dada às questões da sustentabilidade,
comercialização que são adequados à maiores serão as oportunidades de
promoção e ao desenvolvimento turís- emprego de longo prazo e os benefícios
tico, com ênfase na herança cultural, na para a posição concorrencial dos
natureza e no ambiente. Esta tendência destinos europeus.
exige programas de educação

O GAN

recomenda à Comunidade Europeia e aos Estados-membros que:

✘ utilizem os fundos comunitários disponíveis para garantir a completa integração


dos princípios de desenvolvimento sustentado nos planos e estratégias de
desenvolvimento turístico e para garantir que é feita uma avaliação do impacto
ambiental, no caso de projectos apoiados por fundos públicos na Europa e
noutros países;

✘ lancem um programa de revitalização que envolva vários tipos diferentes de


destinos turísticos em declínio afectados pelo turismo de massas, para servirem
como modelo para outras áreas;

✘ apoiem a educação e formação em turismo sustentado e incentivos para as


empresas incluírem esses critérios nos seus programas de recrutamento e
desenvolvimento do pessoal;

✘ desenvolvam incentivos económicos adequados para encorajar práticas e


técnicas ecológicas nas empresas turísticas;

✘ promovam o intercâmbio de experiências e melhores práticas quanto à gestão


do tráfego e dos visitantes nos destinos turísticos;

✘ forneçam informações fiáveis e comparáveis sobre padrões ambientais nos


destinos turísticos europeus;

às empresas turísticas e serviços de turismo:


✘ a promoção de pacotes de férias e serviços turísticos na baixa estação dirigidos
a segmentos específicos do mercado, incentivando o escalonamento das férias;

✘ a preparação e divulgação de informações-chave sobre atitudes ecológicas que


pudessem ser adoptadas pelos turistas para reduzir o impacto das suas activi-
dades nos destinos turísticos.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 21


III. OBTENÇÃO DO RECONHECIMENTO POLÍTICO
QUE O TURISMO EUROPEU MERECE COMO
SECTOR IMPORTANTE
desenvolvimento do turismo na acordo com o seu contributo e o seu
O Europa contribui para a progres-
siva consolidação da União Europeia,
potencial. Esta situação verifica-se a
nível comunitário e reflecte, em grande
ligando as regiões e os países, com a sua medida, uma experiência similar nos
variedade de culturas, línguas, tradições Estados-membros.
e sistemas.
A convergência das preocupações de É necessário um esforço concertado, a
vários Estados-membros no sentido de vários níveis, para corrigir esta situação
grandes iniciativas comunitárias, como o e para demonstrar aos decisores
mercado único europeu e a moeda políticos que o turismo pode fornecer
única europeia, e da promoção do novas oportunidades para satisfazer
crescimento económico e emprego objectivos políticos importantes, como
sustentados, cria, por seu turno, o emprego.
condições-quadro favoráveis para o
Os contactos e as investigações reali-
turismo prosperar e se desenvolver.
zados durante o trabalho do Grupo de
Apesar da clara evidência da Alto Nível mostraram que há uma
importância do turismo em termos ampla disponibilidade, por parte da
económicos e sociais e das suas indiscu- indústria, para contribuir para o
tíveis perspectivas de maior cresci- processo de desenvolvimento da
mento ao longo da próxima década, o cooperação entre empresas e da
turismo tem tido sérias dificuldades em parceria entre o sector privado e o
obter um reconhecimento político de sector público.

22 - Turismo Europeu - novas parcerias para o emprego


A criação de quadros coerentes de O impacto socio-económico, incluindo
acções a nível local, regional, nacional e os efeitos sobre o emprego, deve ser
comunitário é uma condição essencial levado em consideração nas medidas
para um esforço combinado que planeadas pela Comunidade Europeia e
permita vencer o desafio da qualidade e pelos Estados-membros.
da competitividade. Isto garantirá a Os membros do GAN chamarão a
integração das preocupações do atenção dos decisores, nos seus países e
turismo nas estratégias e planos de nas suas áreas de actividade, para as
desenvolvimento económico e a conclusões e recomendações do grupo,
definição de um novo lugar para o com vista a garantir um seguimento
turismo no processo de decisão. eficaz.

O GAN
convida a Comissão Europeia

✘ a garantir uma coordenação e consulta eficientes, coerentes e sistemáticas,


entre os seus serviços e os Estados-Membros relativamente a todas as medidas
que afectem o turismo, com vista à integração do desenvolvimento turístico
como factor-chave da Agenda 2000 e da estratégia europeia para o emprego;

✘ a organizar, com vista a garantir um vasto intercâmbio de pontos de vista sobre


as questões levantadas, uma Cimeira Turística Anual, com a participação de
empresários, representantes dos empregados, decisores políticos e entidades
públicas, investigadores e profissionais da educação e formação;

✘ a fazer uma avaliação do seguimento dado a este relatório até finais de


1999.

Grupo de Alto Nível sobre Turismo e Emprego - 1998 - 23


http://europe.eu.int/en/comm/dg23/index.htm
TURISMO EUROPEU
NOVAS PARCERIAS PARA O
EMPREGO

Conclusões e recomendações
do Grupo de Alto Nível
sobre Turismo e Emprego

Outubro de 1998
Muita informação sobre a União Europeia está disponível na Internet. O acesso a essa
informação é possível através do servidor Europa (http://europa.eu.int).
Publicado pela Comissão Europeia, Direcção-Geral XXIII – Direcção D – Coordenação
de medidas comunitárias e de acções concertadas relacionadas com o turismo – Rue
de la Loi 200 – B 1049 Bruxelles
Outubro de 1998
Reprodução autorizada, desde que seja indicada a fonte.