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INDECISÃO PROFISSIONAL

GATI, KRAUSZ E OSIPOW (1996)

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INDECISÃO PROFISSIONAL
(GATI, KRAUSZ E OSIPOW, 1996)
• Pessoas fazem várias transições de carreira ao longo do
tempo

• Orientador atuará como facilitador do processo de tomada


de decisão, auxiliando o mesmo a lidar com suas dificuldades

• Indecisão de carreira como um dos construtos mais


pesquisados na década de 1990

• Autores reconheciam o papel da incerteza (de si, do mundo


do trabalho e das profissões) como influenciando os
processos de tomada de decisão

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IDDP- INVENTÁRIO DE DIFICULDADES
DE DECISÃO PROFISSIONAL

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IDDP- INVENTÁRIO DE DIFICULDADES
DE DECISÃO PROFISSIONAL

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MODELO DE INDECISÃO CONSIDERANDO
FATORES DE PERSONALIDADE (SAKA, GATI
& KELLY, 2008)

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PLANNED HAPPENSTANCE THEORY
(KRUMBOLTZ,MITCHELL & LEVIN)
PROFA. DRA. MAIANA NUNES

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BACKGROUND

• Planejamento de carreira tradicional geralmente


considera uma OPC como um processo lógico e linear

• Descrever habilidades

• Explorar interesses

• Comparar hab. e interesses com certas carreiras

• Fazer a trajetória de educação necessária

• Conseguir o emprego desejado

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TEORIA DO ACONTECIMENTO CASUAL
PLANEJADO (HAPPENSTANCE CAREER
THEORY)

• Aborda a sorte/
casualidade e como
ativamente incorporá-la
no planejamento de
carreira

• Ninguém consegue prever


o futuro com exatidão

• Precisamos estar prontos


para oportunidades
inesperadas

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TEORIA DO ACONTECIMENTO
CASUAL PLANEJADO

• Comportamento humano como o produto de toda


a aprendizagem planejada e não planejada
disponível

• Resultados de aprendizagem em habilidades,


interesses, conhecimento, crenças, preferências,
emoções, etc.

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POR QUE AS PESSOAS SE COMPORTAM
DO MODO COMO O FAZEM?

• Influências genéticas

• Experiências de aprendizagem instrumentais

• Experiências de aprendizagem por observação do ambiente ou do


compto de outras pessoas

• Condições e eventos ambientais

• Pais e cuidadores

• Grupos de pares

• Ambientes educacionais estruturados- cultivar o amor pela aprendizagem

• O mundo imperfeito- questões relacionadas à injustiça social

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PROPOSIÇÕES

• O objetivo da OPC é ajudar os clientes a


aprenderem a realizar ações para alcançar
carreiras e vidas pessoais mais satisfatórias - não é
ajudar a tomar uma única decisão de carreira

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PROPOSIÇÕES

• As avaliações de carreira são usadas para


estimular a aprendizagem, e não para comparar
características pessoais com as ocupacionais

• Avaliação dos interesses

• Personalidade

• Crenças de carreira

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PROPOSIÇÕES

• Os clientes aprendem a se engajar em ações de exploração


como uma forma de gerar eventos benéficos não planejados

• Para “controlar” os eventos não planejados:

• Antes do evento, tenha ações que permitam vivenciar a


experiência (“colocar-se na posição certa”)

• Durante o evento, mantenha-se alerta e sensível para


reconhecer potenciais oportunidades

• Depois do evento, inicie ações que permitam se beneficiar


do que ocorreu

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PROPOSIÇÕES

• O sucesso da OPC é avaliado pelo que o cliente


alcança no mundo real, fora das sessões de intervenção

• Ajudar o cliente a planejar atividades de


aprendizagem para realizarem fora do consultório

• Cada sessão deve ter uma tarefa abordando uma


ação relevante para o cliente: a mesma deve ser
elaborada de maneira colaborativa entre orientador e
cliente

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HABILIDADES CRÍTICAS A SEREM
DESENVOLVIDAS NOS CLIENTES

Persistência

Curiosidade
Otimismo

Flexibilidade Assumir
riscos

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IMPLICAÇÕES PARA
ORIENTADORES
• Orientar as expectativas do cliente: abordar as
crenças relacionadas à carreira tradicional X
momento atual; vários papéis/áreas da vida;
carreira como processo de desenvolvimento, etc

• Identificar as preocupações do cliente como uma


forma de iniciar o trabalho

• Ajudar o cliente a identificar o que traria mais


satisfação para sua vida

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IMPLICAÇÕES PARA
ORIENTADORES
• Usar as experiências não planejadas do passado do
cliente como uma base para as ações atuais

• Avaliar os eventos passados ajuda a aprender para


o momento atual

• Auxiliar na sensibilização para reconhecer


oportunidades em potencial

• Reformular eventos não planejados em


oportunidades de carreira

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IMPLICAÇÕES PARA
ORIENTADORES

• Auxiliar os clientes a superarem crenças


disfuncionais que bloqueiam ações de construção

• Para avaliar a utilidade da intervenção, deve-se


descobrir em que extensão (na vida real, não
dentro do consultório) os pensamentos,
sentimentos e comportamentos do cliente foram
alterados

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A PROPOSTA INICIAL: TEORIA DE
APRENDIZAGEM SOCIAL- KRUMBOLTZ
(1994)

• Orientador deve usar estratégias comportamentais e cognitivas:

• reforçamento positivo, role models, role playing e simulações

• esclarecimento do objetivo (reformular, ter clareza…);


reformular crenças irracionais; ensaio cognitivo (ajudar a
substituir pensamentos negativos por outros)

• Ênfase nos processos de aprendizagem de habilidades,


interesses, crenças, etc que possam ajudar o cliente a ter
uma vida que os satisfaça

• Aprendizagem social como o principal elemento

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A PROPOSTA INICIAL: TEORIA DE
APRENDIZAGEM SOCIAL- KRUMBOLTZ
(1994)

• Objetivo de ajudar o cliente a avaliar a “validade" das suas crenças


relacionadas à carreira

• As crenças disfuncionais mais comuns relacionadas à carreira:

• Dificuldade de reconhecer que as mudanças podem ocorrer

• Eliminar alternativas por motivos inapropriados

• Olhar para a vida de forma negativa/pessimista

• Culpar os outros pelo que ocorre

• Dizer repetidamente “eu não posso” acompanhado por sentimentos


negativos de depressão e/ou ansiedade

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ABORDAGEM SÓCIO-COGNITIVA

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ABORDAGEM SÓCIO-
COGNITIVA
• Responsabilidade pessoal para agir e mudar

• “O sujeito é reflexivo, intencional e avaliador


de si próprio, e a percepção do mundo
pessoal e do mundo social está enraizada
em crenças, construídas e cristalizadas a
partir das experiências, das emoções, da
aprendizagem por modelagem e da
persuasão verbal (Bandura, 1977).”

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Variáveis
pessoais: Influências contextuais
Predisposições Auto- proximais do comportamento
Gênero eficácia

a
de escolha

der
Raça/etnicidade

Modera
Mo
Deficiências/
status de saúde
Interesses Objetivos Escolha de Domínios
Experiências de escolha ações específicos de
de performance
aprendizagem Conquistas

Expectativas
de resultado
Background
Oportunidades
contextuais providas

Modelo de Lent, Brown e Hackett, 1994


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ABORDAGEM SÓCIO-
COGNITIVA

• Ênfase no papel da escola e da família como


fatores que influenciam as aprendizagens e a
formação de crenças ao longo da vida

• Intervenções vocacionais devem ser


introduzidas desde os primeiros anos da
escolaridade, já que as crenças sobre as
capacidades pessoais tendem a estabelecer-se
desde muito cedo

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FOCOS DE TRABALHO

• Construção do auto-conhecimento e de
estratégias adaptativas para lidar com o
mundo real

• Destaque para experiências de aprendizagem


e processos de auto-regulação

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FOCOS DE TRABALHO

• Identificar os principais objetivos de vida da pessoa, em relação com


seus valores pessoais e culturais;

• Promover a autoeficácia para o alcance das objetivos;

• Estabelecer expectativas de resultado positivas e realistas;

• Fortalecer os sistemas de suporte;

• Ajudar as pessoas a cultivar recursos consistentes com seus


objetivos ou selecionar objetivos compatíveis com os recursos já
existentes

• Expandir os repertórios de coping para lidar com barreiras (Lent & Brown,
2006; Lent, 2004).

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ANÁLISE DOS OBJETIVOS

• Estabelecer e priorizar os objetivos centrais para a vida;

• Identificar caminhos para a busca deles, especialmente


quando as opções anteriores não são mais viáveis ou
realizáveis;

• Concretizar planos para busca das objetivos, incluindo


a triagem ou o desenvolvimento de suportes, recursos e
habilidades pessoais relevantes para o alcance destes;
antecipar e aprender a lidar com possíveis obstáculos e
barreiras para o alcance dos objetivos.

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AUTOEFICÁCIA

• Crença na capacidade para organizar e executar certos cursos de ação


(Bandura, 1986, 1997)

• Autoeficácia deve ser sempre pensada em contextos específicos para ser


mais útil

• Influência:

• nos cursos de ação que as pessoas escolhem traçar

• quanto de esforço é gasto

• por quanto tempo irão perseverar em face a obstáculos e fracassos

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FONTES DE AUTOEFICÁCIA

Experiência pessoal: indicadores diretos de competência por meio do


sucesso na realização das ações

Aprendizagem vicária: percepção de que, se outros semelhantes são capazes


de realizar certas atividades, a pessoa em questão também poderá executá-la

Persuasão verbal: feedbacks que ajudam a reforçar a crença na capacidade


pessoal

Indicadores fisiológicos: sinais físicos usados como meio para avaliar a


capacidade em uma dada atividade

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INTERVENÇÃO SOBRE AS
CRENÇAS DE AUTOEFICÁCIA
• Obter sucesso em atividades progressivamente mais
desafiadoras

• Revisar as experiências de sucesso do passado

• Interpretar os sucessos anteriores e atuais de maneira que


promova a autoeficácia

• As vezes é preciso rever quais os padrões de análise estão


sendo usados e tentar fazer com que não se foque apenas no
sucesso “final” de uma ação, mas que também considere as
pequenas conquistas progressivas que a levam a concretizar
um objetivo maior.

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PROCESSOS DE AUTO-
AVALIAÇÃO
• Ajudar as pessoas a refletir sobre

• como o seu progresso nos objetivos é auto-avaliado,

• que padrões de desempenho são utilizados como referência


para o auto-monitoramento,

• que ações corretivas podem ser feitas quando o progresso


não atingir os padrões imaginados.

• Lembrar as pessoas dos ganhos durante a busca por certas


conquistas

• Foco no processo e não só no resultado final

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ANÁLISE DE BARREIRAS E
SUPORTES
• Refletir sobre:

• ganhos e perdas para si e para outros significativos,


como resultado de seguir um certo curso de ação

• a probabilidade das barreiras percebidas efetivamente


ocorrerem e, caso ocorram, que estratégias podem ser
usadas para lidar com elas.

• No caso da falta de suporte para atingir certos


objetivos, é possível pensar em como criar o suporte
necessário (Brown & Lent, 1996).

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QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

1. Considerando o modelo sócio-cognitivo de Lent, Brown e Hackett (1994),


discuta de que maneira as influências contextuais (apoios e obstáculos do meio)
podem influenciar a formulação de metas e a implementação de ações.
2. Faça uma síntese da proposta de intervenção de carreira de Krumboltz
(Happenstance Learning Theory).
3. Quais as possíveis aplicações da teoria de indecisão de carreira de Gati e
Osipow (1996)? Indique aplicações específicas que você consegue vislumbrar.
4. Que relações podemos estabelecer entre os modelos voltados para a análise da
maturidade para a escolha (Suger, Ginsenberg e outros) e indecisão profissional?
5. Quais as semelhanças e diferenças entre o modelo de Krumboltz e Gati?

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REFERÊNCIAS

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doi:10.1037/0022-0167.43.4.510
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