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REVISTA DE CIÊNCIAS EXATAS E GESTÃO SOCIOECONÔMICA E AMBIENTAL NO

TECNOLOGIA TRATAMENTO SUSTENTÁVEL DOS RESÍDUOS


Vol. 1, Nº. 1, Ano 2015 ELETROELETRÔNICOS

André Luís Branco França RESUMO


tb0049a@gmail.com
Numa tendência natural, quem adquire uma coisa nova, normalmente se
desfaz da velha descartando-a no lixo. No próximo ano, milhões de
equipamentos eletroeletrônicos deixarão de ser usados e provavelmente terão
José Carlos Alves Frazão esse destino, se transformando o resíduo que mais cresce no planeta: o lixo
Orientador da Pós-Graduação da eletrônico. Atraído pelo instinto consumista e tecnologia envolvente dos
Faculdade de Negócios e Tecnologias - FNT produtos eletrônicos, o consumidor se envolve, na mesma proporção que a
carlosalvesdf@gmail.com indústria produz novas máquinas, num ciclo interminável de oferta e procura,
gerando mais e mais resíduos. A proposta do gerenciamento integrado e
logística reversa de resíduos sólidos é a atual solução para o problema do lixo,
mas ainda está pouco disseminada no país. Este artigo mostra um balanço do
lixo eletrônico no mundo e especialmente no Brasil, suas consequências, o que
Lívia Carolina de Medeiros Porto se tem feito e o que ainda se deve fazer para dar o destino ecologicamente
livia.medeiros@aedu.com sustentável aos resíduos eletroeletrônicos e minimizar os prejuízos ambientais
do planeta.

Palavras-Chave: sustentabilidade; lixo eletrônico; reciclagem; e-lixo; resíduo


eletroeletrônico; logística reversa; resíduo sólido;

ABSTRACT

In a natural tendency, who purchases a new thing, usually discards the old
thing in the trash. Next year, millions of electronic equipment no longer will be
used and they will probably have a destination becoming the waste fastest
growing on this planet: the electronic waste. Attracted by the consumerist
instincts and the surrounding technology of electronic products, the consumer
engages in the same proportion that the industry produces new machines in
an endless cycle of supply and demand, producing more and more waste. The
purpose of integrated management and reverse logistics of solid waste is
actual solution to the waste problem, but is still not widespread in the country.
This article shows a balance of the e-waste in the world and especially in
Brazil, its consequences, what have been done and what still needs to make to
give the ecologically sustainable destination for electronic waste and minimize
environmental damage on the planet.

Anhanguera Educacional S.A. Keywords: Sustainability; electronic waste; recycling; e-waste; reverse
logistics; solid waste;
Correspondência/Contato
Alameda Maria Tereza, 2000
Valinhos, São Paulo
CEP 13.278-181
rc.ipade@unianhanguera.edu.br
Coordenação
Instituto de Pesquisas Aplicadas e
Desenvolvimento Educacional - IPADE
Artigo Original / Informe Técnico / Resenha
Recebido em: 29/04/2015
Avaliado em: 06/05/2015

Publicação: xx/xx/xxxx

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2 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

1. INTRODUÇÃO

Impulsionadas pela corrida do domínio de mercado na globalização tecnológica, as


indústrias de equipamentos eletroeletrônicos (IEEE) avançam nas inovações
tecnológicas para aumentar a competitividade e redução de custos. Força motriz da
sociedade contemporânea, as novidades tecnológicas aqueceram o consumo de
produtos eletroeletrônicos nas últimas décadas. Estratégias de marketing, como a
obsolescência programada, prática pouco usual mas intencional de fabricantes para
reduzir em até 40% a vida útil dos produtos eletrônicos, fomentam o consumo da
tecnologia. Tudo que é produzido acaba se tornando obsoleto na mesma velocidade que
a indústria cria novos e melhores produtos. Estudos mostraram que, em 1997, a vida útil
de um computador nos países desenvolvidos era de seis anos, em 2005 caiu para dois
anos e mais recentemente para 18 meses, ou seja, hoje um aparelho de última geração
perde seu status em poucos meses, intervalo de tempo necessário até o lançamento de
uma nova geração (KHETRIWAL, 2009).

Achim Steiner, diretor-executivo do UNEP, apresentou na conferência da ONU


sobre meio ambiente, em Baly, entre outros dados, que em 2007 foi vendido mais de um
bilhão de telefones celulares no planeta, sendo 896 milhões a mais do que no ano
anterior (UNEP, 2010). Em 2008, só nos EUA, foi vendido 67% a mais do que nos
últimos cinco anos. Em 1991, a produção de CDs em todo o mundo era 400 milhões de
unidades e em 2003, superou 11 bilhões (UFSC, 2011).

Quando as lâmpadas fluorescentes se incorporaram à vida brasileira, após o


apagão de 2001, o consumo desse produto manteve-se em escala ascendente com média
de crescimento na ordem de 20% ao ano. Em 1998, no Brasil, foram descartadas 48,5
milhões de unidades de lâmpadas de mercúrio. Atualmente, a comercialização anual
brasileira de lâmpadas fluorescentes, é cerca de 200 milhões de unidades (ZANICHELI;
PERUCHI; MONTEIRO; SILVA; CUNHA, 2004).

Os computadores, laptops, celulares, smartphones, tablets e os novos


televisores são os grandes protagonistas da explosão na produção mundial de
eletrônicos da década. Em 2008, por exemplo, no Brasil produziu-se 30 milhões de
aparelhos celulares e no ano seguinte aumentou em mais 53%. Computadores e TVs
foram 12 milhões de unidades com sobressalto dos notebooks em 5,15 milhões (VEIT,
2010).

Do mesmo modo que a tecnologia melhora a qualidade de vida do ser humano,


proporcionando mais economia de trabalho e energia, proporcionalmente aumenta a

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preocupação da sociedade científica com a redução das fontes naturais de matéria prima
para manufatura de produtos eletroeletrônicos e o destino de resíduos que são gerados.

Segundo estudos da United Nations University, 2004, para produzir um


computador novo e seu monitor nos EUA, são necessários cerca de duas toneladas de
insumos (combustíveis, matéria-prima e, principalmente, água) e que na produção de
um simples chip eletrônico, gastam-se 72 g de elementos químicos e 32 L de água. Na
produção de telefones celulares e computadores pessoais são consumidos anualmente
3% de ouro e prata, 13% de paládio e 15% do cobalto extraídos em todo o mundo
(ARTONI, 2007). Segundo a ABILUX, no Brasil são extraídas dez toneladas de mercúrio
por ano para a fabricação de lâmpadas fluorescentes, sendo usado em média 0,1 g de
mercúrio por unidade.

Dentre os inúmeros problemas ambientais hoje existentes no planeta, o descarte


dos resíduos eletrônicos no lixo (e-lixo ou Resíduo de Equipamento Eletroeletrônico -
REEE) é mais um desafio que se soma aos outros. Representando mais de 5% de todo o
lixo urbano produzido no mundo, a tendência progressiva de crescimento é bastante
preocupante. No relatório “Reciclando - Do E-lixo a recursos”, a UNEP declarou que a
produção mundial de lixo eletrônico cresce cerca de 40 milhões de toneladas a cada ano
e na medida em que os eletrônicos vão se modernizando aumenta-se a concentração de
substâncias químicas na sua composição. Segundo ainda o relatório, a União Europeia
responde por um quarto da produção mundial de REEE, a China por 2,3 milhões de
toneladas anuais e os EUA com mais de 3 milhões de toneladas. Embora não houvesse
informação detalhada sobre a situação do lixo eletrônico no Brasil, na época, o PNUMA
presumiu a partir de uma expectativa de durabilidade dos produtos no mercado e da
quantidade de eletrônicos produzidos no Brasil em 2005, que tenha sido descartado 97
mil toneladas de computadores, 2,2 mil toneladas de celulares e 17,2 mil toneladas de
impressoras, representando 0,5 Kg de REEE per capta ao ano (UNEP, 2010).

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos


Especiais-ABRELPE, em 2013 o Brasil produziu 76,4 milhões de toneladas de resíduo
sólido a mais que no ano anterior, sendo 5,23% o aumento correspondente ao lixo
eletrônico.

O Resíduo Eletroeletrônico-REEE é constituído basicamente por polímeros de


substâncias bromadas retardadoras de chama, óxidos, vidros e compostos metálicos.
Amostras de caracterização química mostram que podem ser encontrados até 60 tipos
diferentes de elementos químicos nos computadores atuais. Grande parte do e-lixo, é
abandonado nos lixões, mas com o crescimento dos aterros e a falta de espaço para seu

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destino, parte é destinado aos recicladores informais, para extração dos metais preciosos
como ouro, prata, cobre e platina, onde o REEE é submetido à trituração e incineração
incorretas, sem a devida segregação dos diferentes elementos. Os polímeros quando
incinerados, provocam a liberação de gases altamente tóxicos e essas moléculas quando
liberadas no ambiente e absorvidas pelo corpo humano são desreguladoras endócrinas.
A outra parte do REEE descartada, mistura-se ao chorume do lixo que, pela absorção do
solo, irá contaminar os lençóis freáticos do subsolo e rios, e por consequência, os
vegetais e seus consumidores. Os metais pesados (mercúrio, chumbo, cádmio e arsênio),
ao se misturarem nas águas, contaminando os pastos e vegetações na irrigação,
acumulam-se nos organismos vivos, e quando ingeridos pelo ser humano podem causar
danos permanentes à saúde. O cádmio e arsênio, por exemplo, podem provocar câncer,
e o mercúrio e o chumbo, danos irreparáveis no sistema nervoso (GERBASE; OLIVEIRA,
2012).

Várias medidas vêm sendo tomadas pela ONU, para tentar, pelo menos,
controlar parcialmente o problema. Países desenvolvidos têm apresentado programas
específicos aplicados ao tema da reutilização e reciclagem do REEE, o que faz com que
indústrias multinacionais apresentem projetos individuais para tratamento pontual dos
resíduos com uso de cooperativa de empresas (KHETRIWAL; KRAEUCH; WIDMER,
2009). Uma pequena parte desse resíduo é reciclado e a outra, cerca de 80% é exportada
ilegalmente para países em crescimento tecnológico (África, Ásia e América do Sul) para
reutilização. No entanto, apenas 13% é efetivamente reaproveitado. O restante é
sucateado e segue para os lixões ou é incinerado (ARTONI, 2007).

Sob o ponto de vista econômico, a produção progressiva de novos EEE, embora


que, na intenção de girar a economia, traz outro problema: o elevado custo de consumo
dos recursos econômicos empregados na manufatura destes produtos. Sob o ponto de
vista macroeconômico a partir de uma abordagem teórica de formulação matemática, o
Prof. Sabetai Calderoni, demonstrou que, no Brasil, utilizando-se somente o material
reciclável retirado do lixo, o país poderia economizar, anualmente, com gastos de
energia, matéria prima, recursos naturais e econômicos, cerca de R$ 5,8 bilhões,
simplesmente destinando corretamente o lixo sólido. Mostra ainda que, só com a
reciclagem na produção anual de latas de alumínio, pode-se reduzir em 95% o consumo
de energia, 97% a poluição das águas e economizar anualmente R$ 2,7 milhões na sua
manufatura (CALDERONI, 1998).

O lixo sempre esteve presente na população e a maneira que a sociedade adota


para livrar-se dele já passou por diversos métodos, tendo a atual preocupação com o

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meio ambiente pressionado muitas dessas mudanças. Com esta evolução, a reciclagem
passou a ser considerada uma das abordagens para o problema do lixo (SHRUM;
LOWREY; McCARTY, 1994).

A principal questão para consolidação da integração dos programas de logística


reversa nas empresas que buscam a recuperação do REEE, é o equacionamento dos
caminhos percorridos pelos materiais que os constituem, sem interromper o ciclo de
dependência com a sociedade de catadores de resíduos sólidos.

Neste sentido, este artigo objetiva apresentar propostas de logística reversa


para tratamento ecológico e sustentável dos resíduos eletroeletrônicos, com gestão
integrada de processos ambientalmente adequados no manejo e destinação final dos
resíduos sólidos e compartilhamento de responsabilidades entre o poder público, as
indústrias, comércio, estabelecimentos de ensino, a sociedade, os consumidores e os
agentes de serviço público de limpeza urbana.

Tendo como objetivo específico, a educação ambiental para incentivo da


população no compartilhamento do tratamento sustentável dos resíduos sólidos, através
de campanhas socioeducativas e a criação de programas de recompensa ao consumidor
para o descarte corretamente sustentável do produto velho na troca por um novo.
Objetiva ainda, especificamente, a orientação básica na criação de cooperativas de
centros de tratamento de resíduos eletroeletrônicos com os catadores de resíduos sólidos
e moradores de extintos lixões bem como a polinização do conhecimento de processos
de manejo de reutilização e reciclagem dos resíduos eletroeletrônicos.

A justificativa deste artigo está expressa na legislação brasileira pela


necessidade de um plano integrado para contenção e tratamento sustentável dos
resíduos sólidos com responsabilidade compartilhada no ciclo de vida dos produtos
entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e em especial, os
consumidores e os agentes de serviços de limpeza.

Steiner, Subsecretário-geral da ONU e Diretor Executivo da UNEP, alertou que


o Brasil, assim como a Índia, México e outros países em desenvolvimento poderão
enfrentar aumento dos danos ambientais e sérios problemas de saúde da população se a
reciclagem de lixo eletrônico for deixada aos caprichos do setor informal (UNEP, 2010).

Após este alerta da ONU, neste mesmo ano, a PNRS-Política Nacional de


Resíduos Sólidos, dezenove anos tramitando no Congresso Nacional, finalmente foi
instituída pela Lei 12.305 e regulamentada pelo Decreto 7.404 de 23/12/2010.
Entretanto, mesmo após a regulamentação da Lei, a PNRS ainda hoje tem se mostrado
desafiadora para os municípios, Estados e o setor privado.

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2. FUNDAMENTAÇÃO

2.1. Definições

A Logística reversa é caracterizada por um conjunto de ações, processos e


procedimentos destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos dos
produtos ao setor empresarial para reaproveitamento no ciclo de vida deste ou de outros
produtos, ou ainda para destinação final ambientalmente adequada (LEI 12.305, Art. 3º,
Inc. XII). Os Rejeitos são resíduos que, após esgotadas todas as possibilidades de
tratamento e recuperação por processos conhecidos e economicamente viáveis, não
apresentem outra possibilidade senão a disposição final ambientalmente adequada (LEI
12.305, Art. 3º, Inc. XV).

A Gestão integrada é um conjunto de ações, sob premissa do desenvolvimento


ecologicamente sustentável, com finalidade de reduzir a produção de resíduos na
origem e gerir a produção dos mesmos para atingir o equilíbrio entre a necessidade de
produção de resíduos e o impacto ambiental (LEI 12.305, Art. 3º, Inc. XI). A
Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto é um conjunto de
atribuições individualizadas e encadeadas entre fabricantes, importadores,
distribuidores, comerciantes, consumidores e agentes do serviço público de limpeza
urbana e manejo de resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos e rejeitos
gerados nas cidades (LEI 12.305, Art. 3º, Inc. XVII).

Reciclagem é o processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração


das propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, para transformação em insumos
de novos produtos nas condições e padrões estabelecidos pelos órgãos competentes (LEI
12.305, Art. 3º, Inc. XIV). A Reutilização é definida pelo aproveitamento dos resíduos
sólidos sem alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas nas
condições e padrões estabelecidos pelos órgãos competentes (LEI 12.305, Art. 3º, Inc.
XVIII).

2.2. Educação ambiental e incentivo ao tratamento sustentável dos resí-


duos sólidos

Os municípios, principais responsáveis por colocar em prática a PNRS, teriam até agosto
de 2014, para concluir a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos nos
aterros sanitários e extinguir os “lixões” em todo o território nacional. Ainda resta muito
a fazer, pois, segundo o Instituto CEMPRE, 2014, apenas 2% do REEE produzido no

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Brasil, segue para tratamento adequado e apenas 13% das cidades brasileiras fazem
coleta seletiva, sendo feita pela própria Prefeitura em 43% das cidades pesquisadas.
Deste total, 81% está situado nas regiões Sudeste e Sul do País (Ciclosolf-CEMPRE,
2014). Isso significa que apenas uma pequena parte da população teve acesso a um
programa de tratamento de resíduos sólidos.

A educação ambiental deve ser incentivada com atividades de caráter


educativo pelo Poder Público em colaboração com as entidades do setor
empresarial e da sociedade civil visando o cumprimento do objetivo
sustentável do REEE com os sistemas de coleta seletiva, logística reversa e
responsabilidades compartilhadas (DECRETO 7404, 2010).

O Artigo 6º da regulamentação da PNRS determina que o consumidor é obrigado, a


acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados e a
disponibilizar adequadamente os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis para coleta
ou devolução (DL 7404, 2010, Art. 6º), no entanto a divulgação desta lei chegou a uma
minoria da população, que envolveria a necessidade de uma campanha pública para
informação à população de seus deveres como cidadão.

Uma campanha socioeducativa para mobilização da sociedade no


conhecimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos envolveria várias etapas. A
sensibilização, para chamar a atenção da população e despertar o interesse para
discussão do problema; a reflexão onde surgem os questionamentos e conexão de vários
pensamentos e práticas; e finalmente, a compreensão, onde ele torna-se ciente da
situação, capaz de reconhecer e relacionar a causa aos efeitos e consequências no
entendimento do atual sistema de produção de resíduos e do ciclo de vida do produto,
desde a extração da matéria prima, produção, comercialização, descarte, reutilização,
reciclagem, destinação final e retorno ao ciclo produtivo. Após o reconhecimento do
consumidor como ator coadjuvante e corresponsável pela produção dos resíduos, a
próxima etapa é alcançar o objetivo da mobilização aguçando a sensibilidade da
comunidade para a solidariedade ao meio ambiente e os desafios da gestão sustentável
dos resíduos na coleta seletiva. O indivíduo deve entender que o simples descarte
seletivo não implica na mobilização, e que ela acontece a partir do momento que ele
atribui um sentido a sua ação compreendendo sua atitude de respeito ao ambiente e
apoio às iniciativas propostas colocando em prática as lições aprendidas. Neste
processo, a mobilização tende a incentivar no indivíduo o compromisso com as questões
ambientais e despertar estratégias de marketing social de publicidade na divulgação das
campanhas informativas (ARAUJO, 2011).

A seleção dos meios de comunicação a serem utilizados na campanha de


mobilização depende do alvo que se pretende atingir, do tipo de mensagem e do custo

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operacional. A Televisão e o Rádio, por exemplo, permitem elevado grau de penetração


com resultados rápidos, mas o primeiro, implica em orçamentos elevados e um
planejamento de longo prazo e o outro exige elevados índices de repetição com
orçamento menos oneroso, mas a ausência de imagem dificulta a atenção do ouvinte
que pode ser contornada com a criação de jingles criativos. Os outdoors e banners em
estações de ônibus e metrôs permite mais exposição, atraindo facilmente a atenção,
sendo um meio relativamente flexível. Deve ser usada mensagens curtas e imagens que
captem o foco do consumidor. Jornais e Revistas permite boa segmentação em função do
local escolhido, implica também num maior tempo de exposição, mas a vida útil é curta
e tem um baixo nível de cobertura. Mídias na Internet permite a possibilidade de
interatividade e de comunicação one-to-one. O custo é relativamente moderado e seu
grau de penetração é, bom, entretanto, ainda reduzido nas classes menos favorecidas.
Palestras em escolas e universidades por agentes especializados tem menor nível de
cobertura, mas permitem uma divulgação personalizada e diálogo direto com o
interlocutor permitindo a disseminação nas famílias (ARAUJO, 2011).

Os resultados da campanha podem ser avaliados por pesquisas pelo número de


indivíduos que se recorda de ter visto ou ouvido a campanha e quais imagens ou
mensagens se recordam e quantas a identificam corretamente. A eficácia da campanha,
pode ser avaliada por pesquisas do tipo "antes e depois" que permitem medir as atitudes
e comportamentos antes do início da campanha e após o seu término.

Há uma resistência natural das pessoas, em sua maioria, de desapegar-se das


coisas velhas, mesmo após substituídas, seja pelo hábito de guardar ou pela intenção de
obter alguma vantagem comercial futura. O indivíduo deve ser consciente que manter o
REEE guardado e sem uso, também compromete o processo, pois mesmo que não esteja
poluindo diretamente o ambiente, menos recursos reciclados serão usados e
consequentemente mais naturais serão necessários para suprir a matéria prima do
produto final.

Através de uma campanha bem estruturada e de grande divulgação, espera-se


obtenção de números mais significativos da participação compartilhada da população
nas ações de destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos
eletroeletrônicos e sustentabilidade do meio ambiente.

Em 2007 iniciou no Estado de São Paulo o Programa Nota Fiscal Paulista -


PNFP, cujo principal objetivo era aumentar a arrecadação dos tributos sobre os setores
varejistas, com a participação compartilhada dos consumidores. A ideia central do
programa era estimular o consumidor para a cidadania fiscal, compartilhando a

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responsabilidade da fiscalização tributária pelo estímulo do benefício econômico de até


30% da receita tributária como recompensa ao exercer seu direito e dever de cidadão
exigindo o cupom fiscal na compra de qualquer produto. O impacto do programa teve
um efeito altamente positivo, tendo atraído em três anos, cerca de oito milhões de
consumidores no estado de São Paulo e anos após foi introduzido em outros estados
brasileiros.

Seguindo essa analogia, neste artigo propõe-se incentivar o descarte


sustentável, com recompensa para o indivíduo na entrega de REEE nos postos de coleta
do comercio varejista. Assim como nos programas de nota fiscal, o indivíduo receberá
créditos do setor comercial para a compra de novos produtos e em continuidade ao
processo, o comerciante também receberá créditos fiscais após a devolução do produto
aos centros de reciclagem que por sua vez, repassa o insumo processado às indústrias.
Vale ressaltar que a legislação da PNRS contribui no incentivo desta pratica.

...promover estudos e propor medidas de desoneração tributária das cadeias


produtivas sujeitas à logística reversa e a simplificação dos procedimentos para
o cumprimento de obrigações acessórias relativas à movimentação de produtos
e embalagens sujeitos à logística reversa (DECRETO 7404 Art. 34 Inc. IX, 2010).

2.3. Incentivo a criação de cooperativas de centros de tratamento de resí-


duos eletroeletrônicos

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, na publicação de um diagnóstico


dos catadores de resíduos no Brasil, apresentou os desafios do desenvolvimento para
inclusão social desse grupo de trabalhadores. São cerca de 400 mil famílias de catadores
de resíduos sólidos em todo o Brasil, que somados entre os membros das famílias,
chegam a uma população de 1,4 milhão de brasileiros sobreviventes do lixo. A maioria
vive na periferia das cidades com uma renda familiar inferior a um salário mínimo.
Apenas 10% desse contingente estão organizados em cooperativas (IPEA, 2013).

As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a pessoas desejando


utilizar seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem
discriminações. Uma cooperativa se diferencia de outros tipos de associações de pessoas
por seu caráter essencialmente econômico. A cooperativa pode ser entendida como uma
“empresa” que presta serviços aos seus cooperados. A sua finalidade é colocar produtos
e serviços de seus cooperados no mercado, em condições mais vantajosas do que eles
teriam isoladamente. Embora uma cooperativa seja similar a outros tipos de empresas e
associações sobre vários aspectos, ela se diferencia daquelas na sua finalidade, na forma
de propriedade e de controle, e na distribuição dos benefícios por ela gerados. Todos
contribuem igualmente para a formação do capital da cooperativa, o qual é controlado

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democraticamente. Se, ao final do exercício, a cooperativa apura “sobras” (receitas


maiores que as despesas), serão divididas entre os sócios até o limite do valor da
movimentação de cada um, ou destinadas ao fortalecimento da cooperativa (cotas de
capital e/ou reservas), sempre por decisão tomadas em assembleia (SEBRAE-SP, 2009).

As cooperativas dos catadores, apesar da relevância para os municípios, pelos


benefícios sociais, econômicos e ambientais gerados, ainda são pouco valorizadas e
exploradas, tendo em vista que o ônus na prestação do serviço atrai poucos investidores.
As indústrias procuram comprar preferencialmente produtos de empresas que possuem
infraestrutura e equipamentos adequados para fornecer grandes quantidades e melhor
qualidade do produto reciclado e custo-benefício mais acessíveis.

As autoridades públicas pretendem promover a inclusão social com melhores


condições de trabalho e o acesso dessas famílias (sendo 700 mil crianças) aos serviços
públicos regulamentando a atividade de catador de resíduos como profissão.

“A União deve criar, por meio de regulamento específico, programa com a


finalidade de melhorar as condições de trabalho e oportunidades de inclusão social e
econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis” (DL 7404/2010-Art. 43).

Os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos definirão


programas e ações para a participação dos grupos interessados, em especial
das cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais
reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda (DL
7404/2010- Art. 41).

A PNRS abre espaço para a sociedade civil e de catadores, pois a gestão do lixo
não será mais tratada como uma atividade essencialmente pública. Em vários
municípios, a coleta de lixo é um contrato licitado com empresas privadas (LISBOA,
2013).

O Decreto 7404, regulamenta também a participação dos catadores de resíduos


sólidos na gestão sustentável dos materiais recicláveis:

O sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos e a logística reversa priorizarão


a participação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores
de materiais reutilizáveis e recicláveis constituídas por pessoas físicas de baixa
renda (DECRETO 7404 Art. 40, 2010).

O mercado de produtos recicláveis tem apresentado boas opções para novos


investidores, no entanto o custo operacional desse negócio fica relativamente expressivo
caso o empreendedor queira executar todas as etapas de reciclagem do lixo eletrônico.

As políticas públicas voltadas aos catadores de materiais reutilizáveis e


recicláveis deverão observar: I. a possibilidade de dispensa de licitação, nos
termos do inciso XXVII do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, para
a contratação de cooperativas ou associações de catadores de materiais
reutilizáveis e recicláveis; II o estímulo à capacitação, à incubação e ao
fortalecimento institucional de cooperativas, bem como à pesquisa voltada para
sua integração nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo

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ciclo de vida dos produtos; e III a melhoria das condições de trabalho dos
catadores (DL 7404/2010- Art. 44).

O resultado médio de uma pequena empresa de reciclagem de lixo eletrônico gira em


torno de R$ 500 mil por ano, o que para pequenos empreendedores, como as
cooperativas, é um negócio interessante, desde que adequadamente segmentados e
estruturados, inclusive com parcerias que assumam a reciclagem das partes que são
altamente tóxicas e que exigem maquinário específico e caro (NAMOUR, 2013).

De modo geral, o risco de abrir as portas de qualquer empresa sem


conhecimento do negócio é grande mas pode ser mitigada pela pesquisa de mercado,
que não precisa ser sofisticada nem dispendiosa. Pode ser simplificada e objetiva,
aplicada pela própria cooperativa, para avaliar as características gerais de consumo do
público que pretende atingir e os preços praticados pela concorrência já instalada
(SOUZA, 2012). A concorrência informal, que atua sem nenhuma preocupação
ambiental ou de segurança do trabalho, chega a pagar o dobro ou triplo do valor que as
empresas formais podem oferecer pelo lixo, porém não requer grande preocupação pois
com a regulamentação da Lei 12.305, essas empresas tenderão a ser igualmente
competitivas.

“As oportunidades de negócios são definidas pelas possibilidades de bons


resultados que o empreendedor vislumbra ao implantar um novo empreendimento.”
(SOUZA, 2012). Especialmente neste ramo de negócio as oportunidades têm estado em
alta com os bancos oferecendo linhas de crédito financeiro com taxas bastante
satisfatórias, devido as organizações estarem sob forte pressão mundial pela
sustentabilidade e solução dos problemas de destinação do lixo gerado nos centros
urbanos.

2.4. Definição e instalação do centro de tratamento do e-lixo

A localização do centro de reciclagem de lixo eletrônico deverá ser preferencialmente


em áreas industriais, distante das residenciais devido aos altos níveis de ruído e
vibrações na operação dos diversos equipamentos. A empresa deverá atender as
orientações técnicas estabelecidas na norma NBR 10.151 da ABNT, instituída como
obrigação legal na Resolução Conama n.º 1, de 08 de março de 1990.

As técnicas aplicadas na instalação do centro de reciclagem podem variar desde


ações simples e de baixo custo, como a disposição física dos equipamentos usados no
processo de tratamento do e-lixo à instalação de bases dotadas de abafadores de ruído,
que podem ser mais onerosas, tais como construção com isolamento acústico completo e

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 11-26


12 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

sistemas de amortecimento das vibrações. O projeto deve ser feito com muito critério e
contar com apoio técnico profissional, visando não incorrer em falhas que inviabilize o
empreendimento (SOUSA, 2012).

A infraestrutura do local deve ser adequada para o recebimento e


movimentação das matérias-primas utilizadas no processo produtivo e para a expedição
dos produtos tratados. A estrutura deve prover local para armazenagem dos resíduos
que não serão reciclados nesta etapa do processo integrado e estar alinhado com os
demais centros de tratamento para coleta desses resíduos.

Definido o formato da empresa e a localização, o empreendedor deve procurar


o órgão específico da Prefeitura Municipal visando levantar se o local de instalação da
empresa escolhido está de acordo com o Plano Diretor Urbano do município, obter o
alvará de funcionamento e fazer a emissão das certidões de Uso do Solo e Número
Oficial. A cooperativa deverá observar as exigências iniciais de instalação e somente
poderá se estabelecer depois de cumpridos os registros da empresa nos órgãos
competentes da Administração e principalmente nos órgãos de controle ambiental
(SOUSA, 2012).

2.5. Centro de tratamento para CDs e DVDs

Os CDs e DVDs são artefatos feitos a partir do termoplástico policarbonato (PC)


metalizado, constituídos de multicamadas: o policarbonato e três camadas de menor
espessura (alumínio, verniz e a impressão). O policarbonato é o mais usado devido às
suas propriedades de transparência e transmitância, baixa absorção de umidade,
rigidez, resistência térmica e alta resistência ao impacto. Desde o processo de
manufatura até o uso pelo consumidor final, estima-se que aproximadamente 10% de
todos os CDs e DVDs produzidos sejam descartados (GIOVANELLA,2008).

O processo de produção de CDs e DVDs não permite que os mesmos sejam


reutilizados facilmente, pois para a reciclagem do policarbonato de CDs e DVDs, é
necessário a remoção das camadas extras. Existem vários métodos para a remoção das
camadas extras do policarbonato de CDs e DVDs, desde procedimentos totalmente
químicos até físico mecânicos. O processo mecânico tem sido considerado a melhor
opção para recuperar o policarbonato, uma vez que é um método simples, seguro e não
envolve produtos que agridem o meio ambiente (LAIDENS; SANTANA, 2012).

Com facilidade de adaptação ao ambiente de manufatura, o equipamento é de


simples operação e custo relativamente baixo. O equipamento possui uma escova de alta

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André França, Carlos Frazão 13

rotação, que remove as camadas metálicas que estão sobre o policarbonato, cujas
partículas são conduzidas para um filtro onde ocorre a recuperação dos metais e uma
esteira transportadora move os discos continuamente. Ar comprimido, gás inerte ou
água pulverizada podem ser aplicados na interface do disco com a escova para garantir
resfriamento e evitar a fusão prematura do policarbonato. Os discos com o
policarbonato separado são granulados em extrusora e o termoplástico pode então ser
reutilizado. Em cada tonelada de CD reciclado podem ser recuperados 984 Kg de
plástico de policarbonato, 113 gramas de tintura, 1,316 Kg de ouro e 15 Kg de
revestimento e material impresso (CCB, 2012).

2.6. Centro de tratamento para lâmpadas

Existe no mercado uma grande diversidade de lâmpadas com várias


tecnologias de iluminação, tonalidades, tamanhos e podem ser classificadas de acordo
com o seu modo de funcionamento: as fluorescentes, as de descarga e as incandescentes.

A lâmpada incandescente, consiste de um filamento de tungstênio, gás


(halogéno) no interior do bulbo de vidro. De acordo com dados da Secretaria de
Planejamento Energético do MME, no Brasil, as lâmpadas incandescentes ainda são
muito populares no uso residencial por seu baixo custo. Cerca de 300 milhões dessas
lâmpadas são vendidas no país anualmente. Porém, a baixa eficiência energética da
lâmpada incandescente, têm feito com que seja extinta em muitos países integrantes da
União Europeia e, no Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou, no início
de janeiro de 2010, as Portarias nº 1007 e 1008, onde estabelece o fim da sua
comercialização no país até 2016 banindo-as definitivamente do mercado nacional.

Por sua vez, as lâmpadas fluorescentes têm ganhado espaço pelo seu alto
rendimento e elevada vida útil. As lâmpadas fluorescentes ou de descarga a vapor sob
baixa pressão utilizam um processo de descarga da corrente elétrica, conduzida por uma
substância volátil, geralmente argônio e vapor de mercúrio rarefeitos. Em cada
extremidade do tubo há um eletrodo sob a forma de filamento, revestido com óxido. Os
átomos do vapor quando excitados e acelerados pela diferença de potencial entre os
terminais do tubo chocam-se com o revestimento fluorescente do tubo (sais de fósforo)
produz a luz visível.

As lâmpadas de descarga a vapor sob alta pressão são constituídas de um tubo


de descarga transparente, de dimensões reduzidas inserido em um bulbo de vidro,
revestido internamente pela camada de fósforo. O tubo de descarga contém vapor de
mercúrio e argônio que atua como gás de partida. Há eletrodos nas extremidades do

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 13-26


14 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

tubo envoltos por argônio e mercúrio que, ao receber a partida pelo reator, libera
elétrons para emissão de raios ultravioletas. Como na fluorescente, ao passar pelo bulbo
revestido com tinta fluorescente, a radiação se transforma em luz visível (GOEKING,
2009)

Há várias alternativas existentes para tratamento das lâmpadas como a


Moagem simples (com ou sem separação de componentes); a Moagem com tratamento
térmico; a Moagem com tratamento químico; o Tratamento por sopro e a Solidificação
ou Encapsulamento com cimento e ligantes orgânicos.

Neste artigo adotou-se o processo de Moagem com tratamento térmico por ser a
mais usual devido seu baixo custo benefício e pela eficiência na separação do mercúrio.
Este processo foi desenvolvido pela Mercury Recovery Technology – MRT, Karlskrona,
Suécia. Constitui basicamente de duas fases: esmagamento e destilação do mercúrio.

Figura 1. – Fluxograma do sistema MRT para recuperação de mercúrio.

Na fase de esmagamento as lâmpadas usadas são introduzidas em


processadores especiais para esmagamento por implosão em pequenos fragmentos, por
meio de um processador (britador ou moinho), quando então os materiais constituintes
são separados em 5 partes: terminais de alumínio, pinos de latão e componentes ferro-
metálicos, vidro, poeira fosforosa rica em mercúrio e o isolamento de baquelita. As
partículas esmagadas restantes são, posteriormente, conduzidas a um ciclone por um
sistema de exaustão, onde as partículas maiores, tais como vidro quebrado, terminais de
alumínio e pinos de latão são então separados e ejetados para fora do ciclone, onde
então são separados por diferença gravimétrica e por separação eletrostática. A poeira

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia  Vol.1, Nº. 1, Ano 2015  p. 14-26


André França, Carlos Frazão 15

fosforosa e particulados são coletados num filtro no interior do ciclone. Posteriormente,


por um mecanismo de pulso reverso a poeira é retirada deste filtro e transferida para
uma unidade de destilação para recuperação do mercúrio contido na poeira de fósforo.
Na fase de destilação a recuperação do mercúrio é obtida pelo processo de retortagem,
onde o material é aquecido até a vaporização do mercúrio (357º C). O material
vaporizado é condensado e coletado em decantadores. O principal impacto ambiental
deste processo provém do processo a seco que devem ser tomados cuidados para não
haver emissões fugitivas do mercúrio que podem ser evitadas com um sistema de
operação sob pressão negativa. O mercúrio obtido pode requerer tratamento adicional,
como aborbulhamento em ácido nítrico para remover impurezas e ser, então reutilizado
como insumo na fabricação de novas lâmpadas e termômetros. A poeira fosforosa
resultante pode ser tratada e acondicionada para ser reciclada e usada na indústria de
tintas. O alumínio e pinos de latão, após tratados em soluções liquidas e limpos, podem
ser enviados para reciclagem em fundidoras. A concentração média de mercúrio nestes
materiais não deve exceder 20 mg.kg-1. O vidro moído, após lavado, tratado e
acondicionado, é enviado para reciclagem na fabricação de novos produtos. A
concentração média de mercúrio no vidro não deve exceder 1,3 mg/kg (FRIAS, 2009).

O isolamento baquelítico existente nas extremidades da lâmpada pode ser


triturado para reciclagem na fabricação de material de construção (ZANICHELI;
PERUCHI; MONTEIRO; SILVA; CUNHA, 2004).

No caso específico das lâmpadas de bulbo contendo mercúrio, a


descontaminação ocorre basicamente com a separação do bulbo interno (cápsula
contendo mercúrio), dos demais componentes deste tipo de lâmpada. Após a quebra do
vidro externo, o bulbo interno é separado manualmente das estruturas e submetido ao
processo descrito anteriormente.

2.7. Centro de tratamento para eletrônicos

Os Resíduos de Equipamentos Eletrônicos (REE) (celulares, computadores,


monitores e TVs, e afins) são compostos basicamente por materiais poliméricos e
metálicos. Apresentam em sua constituição metais pesados, metais nobres e outros
componentes, como os retardadores de chama bromados. Na tabela seguinte são
apresentados os principais materiais que proporcionalmente, compõem a sucata de
equipamentos eletrônico.

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 15-26


16 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

Figura 2. – Composição média da sucata de equipamento eletrônico.

Um computador basicamente compõe-se do gabinete, monitor e periféricos


(mouse, teclado, impressora, etc.). Dentro do gabinete existe fonte, cabos de interligação,
e placas, como a placa mãe, placa de vídeo, placa de rede, placa de modem, todas
constituídas por placas de circuito impresso. Os celulares e TVs LCD e LEDs são
basicamente constituídas pela caixa de revestimento do circuito e a placa de circuito
impresso e o display.

O material que compõe a base das placas de circuito impresso, chamada


laminado, pode ter diferentes composições, como fenolite (papelão impregnado com
uma resina fenólica), fibra de vidro, ou composite (mistura de resina fenólica com a fibra
de vidro) e cerâmicos. O laminado é recoberto por uma fina camada de cobre, sobre a
qual são montados os componentes eletrônicos. As conexões entre os componentes
ocorrem do lado recoberto com cobre através de caminhos condutores e pequenas
frações de metais nobres de alto valor agregado (GERBASE; OLIVEIRA, 2012).

Figura 3. – Composição média de uma placa de circuito impresso.

Os monitores e televisores de tubos de raios catódicos (CRT) contêm metais ou


compostos de chumbo, cádmio, estrôncio, bário, arsênio, antimônio e fósforo. Cada CRT

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia  Vol.1, Nº. 1, Ano 2015  p. 16-26


André França, Carlos Frazão 17

possui cerca de 14 kg de chumbo, utilizado como proteção contra radiações e para


estabilizar o vidro.

As telas de LCD e celulares possuem compostos de arsênio no vidro e de


mercúrio nas lâmpadas fluorescentes que iluminam a tela. As telas com tecnologia LED,
não possui lâmpadas com mercúrio, e portanto tornam-se ecologicamente mais corretas.

A patente de Jason e Doherty, “Disposal of electrical waste”, apresenta uma


metodologia para eliminação de resíduos constituído pelas seguintes etapas:
desmantelamento manual (placas de circuito, metais, plásticos e componentes de vidro),
tratamento dos materiais plásticos em produtos utilizáveis, separação mecânica dos
componentes eletrônicos das placas de circuito impresso, trituração e separação de
contaminantes do vidro para reutilização na indústria.

Usualmente, o processo de reciclagem inicia-se com a triagem que irá definir se


o equipamento está funcionando. Aqueles em condições de reuso, podem ser
encaminhados para projetos de inclusão nas comunidades e escolas. Os demais são
desmantelados e segregados em partes que são testadas separadamente. Aquelas em
condições de reuso, podem ser encaminhados para reutilização no mercado. Os demais
são separados e descaracterizados.

O material plástico que compõe as caixas, os teclados, mouses, monitores e


CPUs são resinas termoplásticas, principalmente ABS (polímero derivado de três
monômeros: acrilonitrila, butadieno e estireno), poliestireno de alto impacto (HIPS) e
PVC (policloreto de vinila) sendo este usado em aproximadamente 26% do plástico
utilizado devido suas características de isolante térmico e elétrico, resistente a choques e
não propaga chamas. O ABS é uma resina que apresenta resistência química, alto brilho
e boa relação custo benefício, porém tem como desvantagens a inflamabilidade e a
suscetibilidade à degradação termo e fotooxidativa (GERBASE; OLIVEIRA, 2012).

O reaproveitamento dos termoplásticos pode ser feito através de reciclagem


energética, química ou mecânica. Na reciclagem energética, os resíduos plásticos são
utilizados como combustível na geração de energia elétrica. Entretanto, o PVC contém
poluentes volatilizáveis como metais pesados ou halogênios que são liberados na
atmosfera, tornando inviável este processo. Na reciclagem química, o plástico é
reprocessado por aquecimento, sendo obtidos monômeros ou hidrocarbonetos que após
processados, serão utilizados novamente na indústria petroquímica para a produção de
novos plásticos. O custo na realização deste processo é muito elevado, devido a
necessidade de filtragem dos resíduos, não sendo atrativo para pequenas empresas.

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 17-26


18 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

A reciclagem mecânica é a mais utilizada, principalmente por ter um baixo


custo e gerar produtos com boa qualidade sem prejudicar o meio ambiente. O processo
consiste em transformar o plástico em grânulos que poderão ser reutilizados para a
produção de outros produtos. A estrutura básica do processo de reciclagem passa pelas
etapas de separação, moagem, lavagem, secagem, aglutinação e extrusão. Na separação
é feita a triagem por tipo de plástico; no moinho ocorrerá a etapa de trituração até obter-
se o tamanho desejado; na lavagem o material moído é lavado com água para a retirada
de impurezas; na secagem é eliminado o excesso de água, pois alguns polímeros podem
sofrer hidrólise na etapa de reprocessamento caso a água não seja retirada. A seguir, na
etapa de aglutinação, o material é compactado e são adicionados aditivos, como cargas e
pigmentos. Nesta etapa, o material compactado pode ser encaminhado para fabricas e
reprocessado em novos produtos. Com um pouco mais de investimento, é possível
reprocessar o material compactado, encaminhado o plástico para a extrusora,
adquirindo assim uma forma pré-determinada (GERBASE; OLIVEIRA, 2012).

Os processos para reciclagem da PCI são mais complexos e podem ser


mecânicos, químicos ou térmicos. O processo mais usado é o mecânico, por gerar menos
resíduos contaminantes e ser menos agressivo ao meio ambiente e aos seres humanos.

O processamento mecânico pode ser considerado um tratamento inicial, com o


objetivo de separar previamente metais, materiais poliméricos e cerâmicos. Consiste na
combinação de um ou mais processos operacionais para o reaproveitamento do material
descartado. Após esta etapa, os metais são encaminhados para processos metalúrgicos
de refinação: cominuição, classificação e separação. A cominuição é uma técnica
mecânica de redução do tamanho das partículas. É quase sempre dividida em várias
etapas visando obter o tamanho de partícula desejado. A fragmentação ocorre com o
objetivo de formar partículas com tamanho e forma determinadas e liberar metais para
futura concentração. O processo de fragmentação consiste na britagem e moagem. A
britagem produz uma granulometria superior a um milímetro com britadores giratórios
ou de mandíbula. A moagem é utilizada para granulometria inferior a um milímetro
através dos moinhos de martelos (moinho Shredder) e de facas (GERBASE; OLIVEIRA,
2012).

A etapa de classificação opera juntamente com o processo de fragmentação. As


partículas de material, obtidas pelo processo de cominuição, devem ser separadas ou
classificadas de acordo com o seu tamanho. A classificação tem como principal objetivo
o conhecimento da distribuição granulométrica das partículas. Os equipamentos
empregados para a classificação do material fragmentado são peneiras, classificadores

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia  Vol.1, Nº. 1, Ano 2015  p. 18-26


André França, Carlos Frazão 19

mecânicos e ciclones. As peneiras podem ser vibratórias, rotativas ou estáticas operando


a seco ou a úmido e são utilizadas para a classificação das partículas resultantes da
britagem. Os classificadores mecânicos operam com partículas menores que a das
peneiras, mas são ineficientes para a separação de partículas muito finas. Trabalham
quase sempre a úmido. Os ciclones são muito eficientes para separar partículas muito
finas e operam a seco ou a úmido com tamanho de partículas inferiores a um milímetro.
Após as etapas de cominuição e de classificação granulométrica, o enriquecimento do
material acontece por meio de técnicas de separação: separam-se as partes que
interessam para o processo de refino do metal, descartando-se eventuais impurezas. As
operações de separação podem ser gravimétricas, magnéticas e eletrostáticas
(GERBASE; OLIVEIRA, 2012).

A separação gravimétrica baseia-se na diferença de densidade, utilizando-se de


um meio fluido, água ou ar, para realizar a separação. A técnica apresenta bons
resultados com baixo custo. Os processos de separação por meio gravimétrico podem
ser, por exemplo, por líquidos densos. A separação por líquidos densos é o processo
mais simples e envolve o uso de líquidos com alta densidade relativa, onde o material a
ser separado tende a flutuar na superfície e os componentes pesados (alta densidade)
tendem a afundar. A separação magnética baseia-se nos diferentes graus de atração
exercidos por um campo magnético sobre os vários compostos metálicos. Os metais
podem ser divididos em 3 grupos: ferromagnéticos (forte atração), paramagnéticos
(média e fraca atração) e diamagnéticos (nenhuma atração). Com a técnica é possível
separar uma fração magnética (por exemplo, ferro e níquel) e uma fração não magnética.
A fração não magnética é encaminhada para um separador eletrostático (GERBASE;
OLIVEIRA, 2012).

No método de separação eletrostática os materiais são classificados segundo a


propriedade de condutividade elétrica. O funcionamento de um separador eletrostático
que atua através da indução de condutividade pode ser explicado considerando a
colocação de partículas sólidas em um rotor na presença de campo elétrico. Uma carga
induzida irá se desenvolver na superfície das partículas. As partículas condutoras irão
assumir o potencial do rotor, oposto ao do eletrodo de descarga. As partículas não
condutoras não adquirem a carga do rotor e, portanto, não são atraídas pelo eletrodo,
podendo ser separadas das condutoras (GERBASE; OLIVEIRA, 2012). Da decomposição
das PCIs, cerca de 70% são materiais não metálicos que para o devido tratamento, são
adicionados aditivos ao material e, em seguida prensado a quente. As placas formadas
por aproximadamente 80% em massa de materiais não metálicos podem ser destinadas

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 19-26


20 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

como material para construção civil (telhas, divisórias, placas de isolamento térmico,
etc.)

No caso dos metais, estes seguem nos processos metalúrgicos de separação:


Pirometalurgia, Hidrometalurgia, Eletrometalurgia e Biometalurgia. A biometalurgia
utiliza as interações entre microrganismos e minerais para recuperar metais valiosos.
Com base nos processos biológicos tem sido possível recuperar, por exemplo, cobre,
ouro e cobalto. A principal aplicação da biometalurgia tem sido a biolixiviação de
sulfetos metálicos. As principais vantagens da técnica são os baixos custos, quando
comparados aos de uma fundição, e a simplicidade. Como desvantagem possível pode-
se citar o tempo requerido para a ocorrência da bio lixiviação e a necessidade do metal
estar em uma forma que fique exposto para o possível ataque microbiano. A
Pirometalurgia é um processo que utiliza altas temperaturas, podendo produzir metais
puros, ligas ou compostos intermediários. Um processo piro metalúrgico é constituído
de uma série de etapas que vão desde a secagem da matéria-prima até o refino do
produto final. Requer elevado consumo de energia para atingir as temperaturas
adequadas para cada etapa do processo. O processo hidrometalúrgico consiste na
separação de metais, sendo que a etapa principal envolve reações de dissolução do
material em soluções lixiviantes, ácidas ou alcalinas, seguida de etapas de separação
como filtração, destilação e precipitação dos metais dissolvidos. Algumas das vantagens
deste método, em relação à piro metalurgia, é a economia de energia e a menor poluição
do meio ambiente. Estanho e cobre das placas de circuito impresso podem ser
recuperado através de precipitação por neutralização do licor de lixiviação em soluções
aquosas 3NHCl+NHNO3 e neutralizada a uma temperatura de 60 ºC com agitação
intensa. O resultado, um resíduo sólido, precipitado por centrifugação e seco em estufa a
60 ºC por 24 h, rico em 98% de Cu e 93% de Sn é obtido através da neutralização dos
licores de lixiviação com NaOH (GERBASE, A.; OLIVEIRA, 2012).

Em processo análogo, pode-se ter a recuperação hidrometalúrgica de ouro e


prata nos chips de processadores e terminais de PCI, com teor de prata inferior a 10%.
Inicialmente as amostras são lixiviadas com HNO3 para extrair a prata e, depois, o ouro
presente no material, numa lixiviação com água régia solubiliza. Com a calcinação do
AgCl, obtido pela adição de NaCl ao licor de HNO3, pode ser extraído um teor de 94%
de Prata, sendo que os principais contaminantes foram o Au e o Sn com teores de 2%,
aproximadamente. A precipitação do ouro com FeSO4 possibilitou a recuperação de
98,7% de Au, sendo que a prata foi a impureza de maior teor (0,72%). Quando o material
apresenta um teor de prata superior a 10%, pode ocorrer a formação de uma camada de

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André França, Carlos Frazão 21

AgCl sobre o resíduo, dificultando a dissolução do ouro com a água régia (GERBASE,
A.; OLIVEIRA, 2012).

2.8. Centro para tratamento de fios e cabos metálicos

Anualmente, são descartados milhares de toneladas de resíduos resultantes de fios


elétricos de produtos eletrônicos, eletrodomésticos, construção civil e todo equipamento
que precisa de eletricidade ou transmissão de informação.

A reciclagem de fios elétricos consiste em dois processos mecânicos para a


separação PVC - metal condutor. Trata-se da moagem automatizada e do corte
longitudinal dos fios e cabos. O processo de moagem automatizada é aplicado em fios e
cabos com diâmetros menores, onde o corte longitudinal não seria adequado. A sucata,
depois de moída, é jogada em uma cama vibratória ligeiramente inclinada, onde corre
água. A vibração da cama empurra o metal para a extremidade mais alta, caindo em um
reservatório. A água, por sua vez, escorre para a extremidade mais baixa carregando o
PVC e completando a separação. Caso a sucata contenha outro polímero, além do PVC,
como o Polietileno - PE, ambos serão carregados pela água, separando-os do metal, mas
será necessária outra etapa para separação do PVC - PE através de diferença de
densidade. Após o banho, a etapa seguinte é a secagem do PVC para que seja reciclado
mecanicamente. O processo de moagem, caso não seja bem feito, pode gerar um PVC
com algum teor de metal, sendo necessário seu reprocessamento (PORTAL RESIDUOS
SOLIDOS, 2014).

O processo de corte longitudinal exige fios e cabos mais grossos e consiste na


passagem de um sistema de facas longitudinalmente, fazendo um corte no plástico,
separando o metal do PVC. Após separado, o PVC pode ser reprocessado sozinho ou
misturado a diferentes quantidades de resina virgem ou mesmo a outras resinas, para
produzir vários produtos de “segunda geração”. O resíduo de PVC também pode sofrer
a incorporação de aditivos como plastificantes, estabilizantes e outros. Após essas
etapas, o material está pronto para ser levado para a extrusora, onde será processado. O
produto obtido chamado de “espaguete” de PVC reciclado, que tem o mesmo aspecto
físico dos fios e cabos mas não possui o condutor metálico no seu interior. Ao sair da
extrusora, esse espaguete entra em uma banheira com água fria para resfriá-lo. Após o
banho ele é picotado em um granulador, originando o composto de PVC reciclado. Esses
grãos (que devem ter diâmetro padronizado para facilitar o processo de transformação a
que serão submetidos posteriormente) são ensacados, estocados e comercializados como
PVC flexível reciclado (PORTAL RESIDUOS SOLIDOS, 2014).

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 21-26


22 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

O metal moído é prensado, estocado e comercializado com fundições na


fabricação de novos cabos e outros produtos.

3. METODOLOGIA E TÉCNICAS DE PESQUISA

No desenvolvimento deste artigo, utilizou-se a metodologia de Pesquisa Científica


Qualitativa sobre dados secundários analisados indutivamente. No estágio introdutório
foi adotada a modalidade exploratória evoluindo para o levantamento bibliográfico
sobre o problema de acúmulo de resíduos sólidos nos centros urbanos caracterizando as
diretrizes de gestão integrada e gerenciamento dos resíduos sólidos.

“A Metodologia Científica é um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados


pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento,
de uma maneira sistemática.” (RODRIGUES, 2007)

4. PERCEPÇÕES DO AUTOR

Desde a instituição da PNRS em 2010, o número de cidades no Brasil que fazem a coleta
seletiva mais que dobrou. Embora pareça expressiva essa quantidade dos municípios
com iniciativas de reciclar o e-lixo, apenas 13% dos cidadãos brasileiros têm acesso à
política de logística reversa de tratamento dos resíduos sólidos. Isso ocorre porque
muitas vezes as atividades resumem-se apenas à disposição de pontos para coleta
voluntária dos resíduos. O Brasil é um dos países em desenvolvimento com maior taxa
de produção de e-lixo no mundo, e apesar de transcorrido meia década desde a
regulamentação de uma política especifica para tratamento dos resíduos sólidos, as
ações para colocá-la em prática pouco evoluíram. Falta mais ação do poder público para
disseminar a lei e conscientizar a população que a logística reversa é o elo no ciclo entre
consumo, descarte e produção. Para que esse elo seja sólido e funcional a logística
reversa deve ser bem estruturada e divulgada. Nessa etapa de estruturação o país ainda
enfrenta muitos desafios a serem vencidos como a necessidade de expandir o
conhecimento e técnicas de reciclagem na sua imensa extensão de terras e efetivamente
implantar o que está regulamentado em lei.

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia  Vol.1, Nº. 1, Ano 2015  p. 22-26


André França, Carlos Frazão 23

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De modo geral, há uma inércia do poder público no gerenciamento de projetos para


sustentabilidade, no sentido de executar o que está escrito. A reciclagem de resíduos
sólidos no Brasil ainda há de caminhar por uma longa estrada para vencer os desafios
da comunicação e da infraestrutura de transporte e atender as longas distâncias entre os
centros de processamento de resíduos sólidos e as indústrias, e nas muitas licenças
normativas de segurança e controle ambiental que variam entre os estados brasileiros,
necessárias para o transporte de resíduos perigosos, dificultando ainda mais uma
padronização para integração da logística reversa dos resíduos sólidos. De qualquer
forma a realidade dos fatos atuais tem mostrado à sociedade a importância da logística
reversa. A legislação ambiental está cada vez mais rígida na produção sustentável de
resíduos da indústria de eletroeletrônicos, que consequentemente exerce pressão sobre o
setor público para viabilizar a aplicação da logística reversa nos seus produtos. Reflexo
disso são as iniciativas de acordos setoriais para implantação da responsabilidade
compartilhada no ciclo de vida do produto, da obrigatoriedade das empresas pela
restituição dos resíduos sólidos à indústria, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em
outros ciclos produtivos, e o incentivo fiscal e financeiro para cooperativas de
reciclagem no tratamento de resíduos sólidos. Neste sentido, o planejamento, a
elaboração e execução de projetos baseado em técnicas de gestão eficiente visando as
melhores práticas do gerenciamento de projetos, permitirão nortear o empreendedor a
conquistar seu objetivo com menores riscos e melhor gestão econômica na construção
dos centros de reciclagem de resíduos sólidos.

AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente a Deus, que me deu a graça de viver, me suporta nos


momentos difíceis e de fraqueza, me encoraja e me ajuda na trilha da vida. Aos meus
queridos pais pelo amor incondicional que me fortalece e revigora todos os dias com
coragem para superação dos desafios com ética e moral. À minha esposa Marina e aos
meus filhos Verônica, Mateus e Jordana pela cumplicidade nos momentos de
adversidade e amor sem limites que me alimenta e estimula o prazer de viver todos os
dias e nunca desistir dos meus objetivos. Agradeço, também, aos professores, à
coordenação e ao meu orientador, pelo estímulo, acompanhamento e desenvolvimento
com sucesso deste trabalho. E, finalmente, aos meus colegas de turma do MBA em

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia • Vol.1, Nº. 1, Ano 2015 • p. 23-26


24 Gestão socioeconômica e ambiental no tratamento sustentável dos Resíduos Eletroeletrônicos

Gerência de Projetos pela calorosa acolhida na equipe para conquistar mais este objetivo
profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KHETRIWAL, D. S., KRAEUCH, P. e WIDMER, R. Producer responsibility for e-waste
management: Key issues for consideration – Learning from the Swiss experience, Journal of
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2012

André Luís Branco França.


Graduado em Engenharia Elétrica com ênfase em
Telecomunicações pelo Instituo Nacional de
Telecomunicações – INATEL – 1986.

José Carlos Alves Frazão


Graduado em Administração pela Faculdade de
Tecnologia (AD1) – 2008; Graduando em
Pedagogia pelo Instituto Cenecista de Ensino
Superior de Santo Ângelo (IESA) – 2013;
Graduando Gestão Pública Faculdade
Annhanguera FACNET - 2015 Mestrando em
Sociologia Econômica (UNB) – 2013; Pós-
Graduado em Gestão de Pessoas pela Faculdade
de Tecnologia Equipe Darwin (FTED) – 2010;
Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior
pela Faculdade de Tecnologia Equipe Darwin
(FTED) - 2011; Professor de Graduação e Pós-
Graduação da Faculdade Anhanguera FACNET;
Professor de Graduação curso Administração
Faculdade JK; Coordenador Pedagógico da
Universidade de Uberaba - UNIUBE.

Lívia Carolina de Medeiros Porto


Graduada em Direito pelo Centro Universitário
de João Pessoa (UNIPÊ) – 2007; Pós-Graduada
em Direito e Processo do Trabalho pela
Faculdade Processus – 2009; Pós-Graduada em
Português Jurídico pela Faculdade Processus –
2010; Pós-Graduada em Metodologia e Gestão
em Educação a Distância (EAD) pela
Anhanguera (2013); Coordenadora de Pós-
Graduação e Extensão da Faculdade Anhanguera
FACNET.

Revista de Ciências Exatas e Tecnologia  Vol.1, Nº. 1, Ano 2015  p. 26-26