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B.6.

3) Concepção de som:

Em cena, música e dança formam um todo único. Ambas se


alimentam e se contrapõe mutuamente durante todo o espetáculo. A
dançarina e o músico (usando apenas o seu instrumento, o contrabaixo),
improvisam a partir de pequenos fragmentos de movimentos e motivos
musicais encontrados durante o processo criativo. O que um propõe o
outro responde, seja acentuando as intenções ou entrando em conflito.
Assim, por meio do dialogo e da escuta vão tecendo a trama toda do
espetáculo, vão tentando se aproximar, se descobrir, paulatinamente, o
outro, no outro, possibilidades inventivas estéticas.
O músico utilizará apenas seu instrumento ligado no amplificador,
buscando tirar diferentes tipos de sonoridades, seja usando o arco,
tocando as cordas com os dedos, ou percutindo no instrumento.
É importante ressaltar que a dançarina produz sons, com o corpo e
com a voz, criando também a dramaturgia sonora do espetáculo,
interferindo diretamente no som, assim como, de certa forma, o músico
ao tocar seu instrumento em cena também dança, sua presença física
influi nas improvisações da dançarina.

Fresta é, antes de tudo,


uma estratégia de sobrevivência.

Fresta
é tudo o que move.

Uma viagem para o desconhecido.

E não importa o que está ali


ali
do outro
lado.

À espera
À vista de todos.

Fresta é tudo que respira,


Tudo o que brota

É tudo aquilo que contem


a intangível semente da vida.

Fresta é preciso para respirar

Fresta
É o que inspira
de possibilidades

de reinvenção
de transformação
de altruísmo
de ponte
de casa
de desejo

De ser mais do que a solidão dá

Fresta

Presença intensa perturbadora

Desestabiliza
Expõe

Fresta é o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres.

Qualquer coisa pode ser


fresta
Qualquer coisa
Desde que aponte para além da realidade plausível

qualquer coisa que possibilite maneiras de se relacionar com o


outro
Uma troca
entre si e a fresta
Ao mesmo tempo
Um reconhecimento
Um reconhecer fugidio
Obliquo
Dissimulado
de esguelha

Um corpo estirado na esquina


Um estilhaço de vidro
O líquido espesso encarnado
Um ato falho
Um prédio aos pedaços

O que acalma o que molesta

Pode ser fresta

Em tempos que o sonho é dano


Que a fantasia é inutil
Mais do que nunca

Fresta é preciso