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A História do Violão

Por Roberto Lázaro

Sem sombra de dúvidas uma longa história que começou a ser descoberta há quase dois mil anos antes
de cristo. Na antiga Babilônia arqueologistas encontraram placas de barro com figuras seminuas
tocando instrumentos musicais, muitos deles similares ao violão atual (1900-1800 a.C). Um exame mais
detalhado nos mostra que há diferenças significativas no corpo e no braço.

O fundo é chato, portanto sem relação com o


alaúde, de fundo côncavo. As cordas são
pulsadas pela mão direita, mas o número de
cordas não é preciso mas em algumas placas
pelo menos duas cordas são visíveis. Indícios
de instrumentos similares ao violão foram
encontrados em cidades como Assíria, Susa e
Luristan.

EGITO: O único instrumento de cordas


pulsadas era a HARPA de formato côncavo
que depois foi acrescentada de um braço com
trastes cuidadosamente marcados e cordas
feitas de tripa animal. Pouco tempo depois
estas características se combinariam e
evoluíram para um instrumento ainda mais
próximo do violão.

ROMA: Instrumento totalmente de madeira surge (30 a.C-400 d.C) . O tampo que antes era de couro
cru (semelhante ao banjo) agora é de madeira e possui cinco buracos. É importante frisar que nas
catacumbas egípcias foram encontradas instrumentos com leves curvas características do violão.

O primeiro instrumento de cordas europeu, de origem medieval data de 300 anos depois de cristo, e
possuía um corpo arredondado que se interligava com um braço de comprimento considerável. Este tipo
de instrumento foi utilizado por muitos anos e foi o antepassado provavelmente da teorba.

Há também a descrição de outro instrumento datado da Dinastia Carolingian que pode ser de origem
tanto alemã como francesa.Este instrumento possuía formato retangular e seu corpo era equivalente ao
seu braço.

Em ilustrações pode se observar que na “mão ” do instrumento ( de formato arredondado) se


encontravam de quatro e as vezes cinco tarraxas de afinação, com um número de cordas equivalente.
Este instrumento manteve seu formato e suas definições até o século quatorze.

Paralelamente á este instrumento, outro começou a se desenvolver. Possuía leves curvas nas laterais do
corpo tornando-o mais anatômico e confortável. Descrições deste instrumento foram encontradas em
catedrais inglesas, espanholas e francesas datadas do fim do século quatorze. Surgia então a guitarra.

É importante frisar que haviam distinções, como a guitarra Latina e a guitarra Morisca. A guitarra
Morisca , como o nome indica, tinha origem Moura, devido a colonização da Espanha e da África do
Norte.

Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía vários furos ornamentados chamados de
Rosetas. Era totalmente remanescente do Alaúde, e dentro deste conceito uma série de outros modelos,
com diferentes números de cordas também existiam .
Já a guitarra Latina , tinha as curvas nas laterais do corpo que marcariam o desenho já quase definitivo
do instrumento. A guitarra latina ( assim como a Morisca ) gozavam de grande popularidade e gosto na
Europa Medieval.

Essa popularidade se devia principalmente a presença dos “Trovadores”, músicos de natureza nômade
que com suas performances e constantes viagens enriqueceram a cultura européia e impulsionaram a
popularidade e reconhecimento do instrumento.

Até a Idade Média as informações sobre a guitarra eram obtidas de maneira indireta na sua maioria,
através de afrescos, pinturas e pequenas anotações da época. A partir do período Barroco, as
informações sobre instrumentos em geral e sobre música são muito mais claras e precisas.

Embora não seja bem definida, pois existem segundo musicólogos várias teorias para o sua criação,
odiernamente apresentam-se duas, citadas por Emílio Pujol na sua conferência de nome “La guitarra y
su História” que ocorreu em Paris no dia 9 de Novembro de 1928, onde resolveu que:

A primeira hipótese é de que o Violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio
do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.

Teria chegado á península Ibérica por volta do século I d.C. com os romanos; este instrumento se
assemelhava á “Lira” e, posteriormente foram acontecendo as seguintes transformações: os seus braços
dispostos da forma da lira foram se unindo, formando uma caixa de ressonância, a qual foi acrescentado
um braço de três cravelhas e três cordas, e a esse braço foram feitas divisões transversais (trastes) para
que se pudesse obter de uma mesma corda a ser tocado na posição horizontal, com o que ficam
estabelecidas as principais características do Violão.

A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a
península Ibérica através das invasões muçulmanas, sob o comando de Tariz.

Os mouros islamizados do Maghreb penetraram na Espanha cerca de ( 711 ) e conseguiram vencer o rei
visigodo Rodrigo, na batalha de Guadalete. A conquista da península ( 711-718 ), formou um emirado
subordinado ao califado de Bagdá.

O Alaúde Árabe que penetrou na península na época das invasões, foi um instrumento que se adaptou
perfeitamente á s atividades culturais da época e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da côrte.
Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe
viveram mutuamente na Espanha.

Isso pode-se comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e
Leão ( 1221-1284 ), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas
nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois
instrumentos distintos convivendo juntos.

O primeiro era chamado de “Guitarra Moura” e era derivado do Alaúde Árabe. Este instrumento possuía
três pares de cordas e era tocado com um plectro (espécie de palheta ); possuía um som ruidoso. O outro
era chamado de “Guitarra Latina”, derivado da Khetara Grega.

Ele tinha o formato de oito com incrustações laterais, o fundo era plano e possuía quatro pares de
cordas. Era tocado com os dedos e seu som era suave, sendo que o primeiro estava nas mãos de um
instrumentista árabe e o segundo, de um instrumentista romano.

Isso mostra claramente as origens bem distintas dos instrumentos, uma árabe e a outra grega; que
coexistiram nessa época na Espanha. Observa-se, portanto, como a origem e a evolução do Violão
estiveram intimamente ligadas á Espanha e a sua história.
Como este instrumento passou a chamar-se “Violão”? Em outros países de língua não portuguesa o
nome do Violão é guitarra, como pode se ver em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre),
italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra).

Aqui no Brasil especificamente quando se fala em guitarra quer se denominar o instrumento elétrico
chamado Guitarra Elétrica. Isso ocorre porque os portugueses possuem um instrumento que se
assemelha muito ao Violão e que seria atualmente equivalente á nossa “Viola Caipira”.

A Viola portuguesa possui as mesmas formas e características do Violão, sendo apenas pouco menor,
portanto, quando os portugueses se depararam com a guitarra (Espanhol), que era igual a sua viola
sendo apenas maior, colocaram o nome do instrumento no aumentativo, ou seja, Viola para Violão.

O VIOLÃO NO BRASIL

A VIOLA, instrumento de dez cordas ou 5 cordas duplas, precursor do violão e popularíssima em


Portugal, foi introduzida no Brasil pelos jesuítas portugueses, que a utilizavam na catequese. Já no
século XVII, referências são feitas á viola em São Paulo, uma delas colhida por Mário de Andrade: “Em
1688 surge uma certa viola avaliada em dois mil réis, preço enorme para o tempo.

E, caso curioso, esta guitarra pertenceu a um dos mais notáveis bandeirantes do século XVII: Sebastião
Paes de Barros.”

Ainda na mesma obra, Mário de Andrade cita Cornélio Pires, para quem a viola é um dos instrumentos
que acompanha as danças populares de São Paulo. A confusão entre a viola e violão começa em meados
do século XIX, quando a viola é usada com uma afinação própria do violão, isto é, lá, ré, sol, si, mi.

A confusão no uso do termo viola/violão, continua nessa época como atesta Manuel Antônio de
Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com
terminologia da época do final da colônia, á viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de
designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as modinhas.

A viola, hoje, tornou-se a viola-caipira, instrumento típico do interior do país, e o violão, depois de ter
sua forma atual estabelecida no final do século XIX, tornou-se um instrumento essencialmente urbano
no Brasil. O violão também tornou-se o instrumento favorito para o acompanhamento da voz, como no
caso das modinhas, e, na música instrumental, juntamente com a flauta e o cavaquinho, formou a base
do conjunto do choro.

Por ser usado basicamente na música popular e pelo povo, o violão adquiriu má fama, instrumento de
boêmios, presente entre seresteiros, chorões, tornandos-se sinônimo de vagabundagem. Assim o violão
foi considerado durante anos.

Os primeiros a cultivar o instrumento de uma maneira séria foram considerados verdadeiros heróis.

O engenheiro Clementino Lisboa foi o primeiro a se apresentar em público tocando violão,


especialmente no Clube Mozart, o centro musical da elite carioca fin-de-siècle. Ainda algumas figuras
proeminentes da sociedade carioca dedicaram-se ao instrumento na tentativa de reerguê-lo, tal é o caso
do desembargador Itabaiana, do escritor Melo Morais e dos professores Ernani Figueiredo e Alfredo
Imenes.

Um dos precursores do violão moderno no Brasil foi Joaquim Santos (1873-1935) ou Quincas
Laranjeiras, fundador da revista O Violão em 1928, e que nos últimos anos de vida dedicou-se a ensinar
o violão pelo método de Tárrega.
Uns anos antes, 1917, Augustin Barrios se apresenta em uma série de recitais no Rio de Janeiro, tocando
o instrumento de uma forma nunca vista/ouvida antes. Segue-se a tournée de Josefina Robledo, que
tendo permanecido aqui por algum tempo, estabelece os fundamentos da escola de Tárrega.

Dessa época destaca-se a agora reconhecida obra de João Teixeira Guimarães (1883-1947) ou João
Pernambuco, sobre quem Villa-Lobos dizia, a respeito de suas obras: “Bach não teria vergonha de
assiná-las como suas.”

Atualmente a obra de João Pernambuco é bem conhecida graças ao trabalho de Turíbio Santos e
Henrique Pinto.

Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), o Garoto, foi um dos precursores da bossa-nova. Atualmente as
excelentes obras de Garoto ganharam vida nova, graças a Paulo Bellinati, que recuperou, editou e
gravou boa parte de sua obra.

Mencionamos o samba-exaltação Lamentos do Morro, os choros Tristezas de um violão, Sinal dos


Tempos, Jorge do Fusa e Enigma, e a Debussyana, entre tantas outras. Ainda na linha da música popular
destacam-se Américo Jacomino (1916-1977), Nicanor Teixeira, e mais recentemente a figura de Egberto
Gismonti com suas obras Central Guitare e Variations pour Guitare (1970), ambas de caráter
experimental.

Também Paulo Bellinati realiza excelente trabalho como compositor, obras como Jongo, Um Amor de
Valsa e Valsa Brilhante já ganharam notoriedade.

O violão no Brasil passou a se desenvolver, principalmente, em dois grandes centros, Rio e São Paulo,
de onde vem a maioria dos grandes violonistas brasileiros, que tiveram ou têm sua formação
instrumental com os professores destas cidades.

Em São Paulo, o excepcional trabalho desenvolvido pelo violonista uruguaio Isaías Savio (1900-1977),
que teve sua formação violonística com Miguel Llobet, resultou em uma das melhores escolas de
violonistas da América do Sul.

Depois de residir na Argentina, Savio radicou-se definitivamente no Brasil, primeiro no Rio, depois em
São Paulo. Nesta cidade, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho, fundou a Associação Cultural
Violonística Brasileira, e em 1947 tornou-se professor de violão do Conservatório Dramático e Musical
de São Paulo, como fundador da cadeira de violão, a primeira do país.

Ainda em 1951, participou da fundação da Associação Cultural de Violão de São Paulo. Além desta
intensa atividade, Savio se distinguiu pela composição de mais de 100 obras para o instrumento e cerca
de 300 transcrições e revisões.

Hoje em dia suas compilações de estudos ainda são usadas em muitas escolas por todo o país.

Entre os discípulos de Savio que mais se destacaram está Antonio Carlos Barbosa-Lima (1944), que aos
13 anos estreou como concertista e aos 14 gravou seu primeiro LP.

Barbosa-Lima é na atualidade um dos mais conceituados violonistas, tanto em concertos, como na


edição, transcrição e comissão de novas obras para o instrumento. Basta dizer que a Sonata op. 47 de
Alberto Ginastera foi por ele comissionada e a ele dedicada.

Henrique Pinto, também aluno de Savio, é reconhecidamente um dos mais importantes pedagogos do
instrumento na atualidade. Além de desenvolver uma grande atividade como editor e revisor de obras
para violão, Henrique é o responsável por uma geração dos melhores violonistas brasileiros. Entre estes
estão: Angela Muner, Jácomo Bartoloni, Edelton Gloeden, Ewerton Gloeden e Paulo Porto Alegre.
Ainda de São Paulo devemos citar a Manoel São Marcos e sua filha Maria Lívia São Marcos, radicada
na Europa, e Pedro Cameron, também compositor de excelentes obras como Repentes, vencedora do 1º
Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para piano ou violão - 1978.

No Rio, destaca-se a figura de Antonio Rebelo (1902-1965), que também foi aluno de Savio quando da
residência deste no Rio. Rebelo desenvolveu atividades como docente, impulsionando o violão na cena
musical.

Entre seus discípulos estão Jodacil Damasceno, Turíbio Santos, Sérgio e Eduardo Abreu.

Jodacil Damasceno (1929), além dos estudos com Rebelo, estudou com Oscar Cáceres.

Turíbio Santos (1943), também estudou com estes dois mestres e com Julian Bream e Andrés Segóvia.
Santos foi o primeiro brasileiro a vencer, em 1965, o Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F., em
Paris.

Fez a primeira gravação integral dos doze Estudos de Villa-Lobos e participou da estréia mundial do
Sexteto Místico, também de Villa-Lobos.

Turíbio é um dos maiores divulgadores da obra do grande compositor brasileiro e hoje dirije o Museu
Villa-Lobos no Rio.

Os irmãos Abreu, Sérgio (1948) e Eduardo (1949), desenvolveram uma das mais brilhantes carreiras de
concertistas internacionais. Ambos estudaram com seu avô Antonio Rebelo e com Adolfina Raitzin de
Távora.

Foram premiados, em 1967, no Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F.. Realizaram inúmeras


gravações na Inglaterra, e se destacaram como um dos melhores duos de violão de todos os tempos.

Atualmente, Sérgio dedica-se á construção de violões. Ainda devemos mencionar outros violonistas
cariocas como Léo Soares, Nicolas Barros, Marcelo Kayath, também premiado em Paris, e o brilhante
Duo Assad, formado pelos irmãos Sérgio e Odair.

A música brasileira para violão tem se desenvolvido, praticamente, á sombra da excepcional, embora
pequena, obra de Villa-Lobos, que continua sendo a mais conhecida nos meios violonísticos nacionais e
internacionais. Alguns compositores tentaram reprisar o sucesso dos 12 estudos.

Este é o caso de Francisco Mignone (1897-1986), que com sua série de 12 Estudos (1970), dedicados e
gravados por Barbosa-Lima, não obteve o sucesso musical almejado.

Já o mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca (1943), compôs Seven Brazilian Etudes (1972), também
dedicados a Barbosa-Lima, nos quais demonstra um nacionalismo e lirismo da mais pura escola
nacionalista.

O compositor paulista Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), uma das figuras mais proeminentes da
música brasileira escreveu pouco, mas bem, para violão. O Ponteio (1944), dedicada e estreada por Abel
Carlevaro, a Valsa-Choro e os três pequenos Estudos, apresentam-se com uma linguagem mais livre da
influência da obra violonística de Villa-Lobos.

Mais original quanto a sua linguagem musical é a obra de Radamés Gnatalli (1906-1988).

A forte ligação de Gnatalli á música popular brasileira é claramente visível em várias de suas obras que
misturam a música urbana carioca a uma refinada técnica e musicalidade.
Das suas obras para violão, destacam-se os vários concertos para violão e suíte Retratos para dois
violões, Sonata para violoncelo e violão e a Sonatina para violão e cravo, além da inclusão do violão em
várias obras para grupo instrumental de caráter regionalista.

Edino Krieger (1928) compôs uma das mais importantes obras para o repertório dos últimos tempos. A
Ritmata (1975), dedicada a Turíbio Santos, explora novos efeitos instrumentais e associa uma
linguagem atonal a procedimentos técnicos utilizados por Villa-Lobos.

A obra de Almeida Prado (1943) Livro para seis cordas (1974) apresenta uma concepção musical
originalíssima livre de qualquer influência violonística tradicional e que delineia bem o estilo deste
compositor; esta obra ainda apresenta certas semelhanças com as Cartas Celestes (1974) para piano
quanto á sua concepção sonora.

Marlos Nobre (1939) tem na série Momentos a sua obra mais importante para violão. Escrita a pedido
de Turíbio Santos e projetada para 12 números, os primeiros quatro foram escritos entre 1974 e 1982.

Ainda de Nobre destaca-se a Homenagem a Villa-Lobos e Prólogo e Toccata op. 65. Para dois violões,
Marlos Nobre recriou 3 Ciclos Nordestinos dos originais para piano, ótimas obras miniaturas que
utilizam motivos do folclore nordestino.

Ricardo Tacuchian (1939) escreveu Lúdica I (1981), dedicada a Turíbio Santos, em que apresenta uma
linguagem contemporânea com toques de nacionalismo e efeitos sonoros os mais diversos.

A sua Lúdica II (1984), escrita em homenagem a Hans J. Koellreutter, é uma obra mais tradicional
quanto á sua concepção sonora. Jorge Antunes (1942) escreveu Sighs (1976), na qual o autos requer
uma afinação especial para o segundo movimento, uma invenção em torno da nota si.

Lina Pires de Campos escreveu o excelente Ponteio e Toccatina (1978), obra premiada no 1º Concurso
Brasileiro de Composição de Música Erudita para Piano ou Violão - 1978.

Deste mesmo evento surgiram novas obras, como o já mencionado repentes de Pedro Cameron, a Suíte
Quadrada de Nestor de Holanda Cavalcanti e o ótima Verdades de Márcio Cortes.

Ainda cabe aqui mecionar a obra do boliviano, radicado e ligado a Curitiba e ao Brasil durante anos,
Jaime Zenamon (1953), dono de uma excelente e prolífica produção para o instrumento que tem sido
extremamente bem aceita nos meios violonísticos internacionais.

Entre suas obras destacam-se Reflexões 7, Demian, The Black Widow, Iguaçu para violão e orquestra,
Reflexões 6 para violoncelo e violão, e a Sonatina Andina para dois violões.

Referências Bibliográficas: A Evolução do Violão na História da Múscica / autor : Eduardo Fleury


Nogueira / 1991 / São Paulo. História do Violão / autor: Norton Dudeque / 1958 / Curitiba.

Bibliografia
1. COSTA, Clarissa L. da. Uma Breve História da Música Ocidental. São Paulo: Ars Poética,
1992.
2. DUDEQUE, Norton. História do Violão. Curitiba: UFPR, 1994.
3. GRUNFELD, Frederic V. The Art and The Times Of The Guitar.
4. MAGNANI, Sérgio. Expressão e Comunicação na Linguagem da Música. Belo Horizonte:
Editora UFMG, 1989.
5. OLIVEIRA, C. Bellezi de. Arte Literária Portugal - Brasil. São Paulo: Moderna.
6. RAGOSSNIG, Konrad. Handbuch Der Guitarre Und Laute. Mainz: Schott, 1978.
7. VIGLIETTI, Cedar. Origen e Historia de La Guitarra. Buenos Aires: Editorial Albatros, 1976.
8. AZPIAZU, José de. La guitarra e los guitarristas. Buenos Aires: Ricordi, 1961.

Origem do Violão
Os instrumentos de cordas pulsadas originaram-se da Lira dos antigos Gregos e Egípcios.
Universalmente conhecido como guitarra, o violão, pertence ao grupo de instrumentos de cordas
pulsadas que se dividem em:
o Providos de haste ou braço (Guitarra, Alaúde, Vihuela).
o Sem haste ou braço (Harpa, Lira).

A origem da guitarra (violão) propriamente dita é muito confusa, provavelmente tenha a mesma
origem dos outros instrumentos de corda pulsada: Alaúde, Vihuela, etc. Durante o renascimento,
em toda a Europa, o instrumento que predominava era o Alaúde, com exceção da Espanha, onde
o instrumento predominante era a Vihuela.
Os musicólogos que se dedicam ao estudo da guitarra (violão) dividem-se entre duas hipóteses
sobre a sua verdadeira origem:
o A de que o instrumento teria derivado do alaúde Caldeu-Assírio que os Egípcios, Persas
e Árabes levaram para a Espanha;
o A de que o instrumento seria resultado de sucessivas transformações a partir da Kethara
Grega ou Assíria, precursora da Cítara ou Fidícula romana, da Rotta ou Crotta medieval
inglesa e, finalmente, da Vihuela espanhola do Século XVI.

É quase certo que ao chegarem à Espanha com seus Alaúdes, os Árabes já tenham encontrado lá
a vihuela. Nas Cantigas de Santa Maria, do rei Alfonso X, El Sábio (1221 – 1284), rei de Castela
de 1221 a1284, apareciam ilustrações de dois tipos distintos de guitarra, uma oval, com
incrustações e desenhos Árabes, mas nas mãos de um músico Mouro, que seria a guitarra
mourisca; outra em forma de oito, com incrustações laterais, tocada por um músico de feições
romanas, que seria a guitarra latina.
Cem anos mais tarde, no século XIV, Guillaume de Machault cita em suas obras a guitarra
mourisca e a guitarra latina. No século XVI na Espanha, a guitarra mourisca com quatro coros
de cordas, era usada para acompanhar cantos e danças populares, enquanto que a guitarra latina
– a vihuela, pertencia ao músico culto da corte. A Vihuela tinha três denominações distintas:
vihuela de mano (em nada diferente do violão atual), vihuela de arco e vihuela de plectro.
A vihuela de mano constava de cinco cordas duplas mais a primeira que era simples. Os
vihuelistas além de precursores dos guitarristas do século XVII, foram também criadores de
métodos e formas musicais que serviriam de base para toda a música instrumental que viria
depois.
A vihuela vai desaparecer devido a busca de novos recursos e maior intensidade sonora. O povo
porém fiel à guitarra, continua descobrindo novos caminhos para ela, utilizando-a inicialmente
para os rasgueados e acompanhamento do canto. Devido ao seu grande uso na Espanha, a
guitarra passa a ser conhecida nos demais países como Guitarra Espanhola, sendo que o seu
período de triunfo ocorrerá no século XVII.

Renascimento
O Renascimento foi o período das grandes descobertas e explorações de Vasco da gama,
Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral. É um período de um novo florescimento das artes,
onde a valorização do homem passa a ser o mais importante, propiciando assim o surgimento do
Humanismo. Basicamente o Renascimento poderia ser descrito como o reviver da Antigüidade
Clássica greco-romana, nas artes e na Música. As músicas deste período são compostas
utilizando-se dos modos Gregos. As formas musicais mais utilizadas neste período para a música
vocal são o Moteto, a Missa e o Madrigal, e para a música instrumental a Canzona, o Ricercare,
a Tocata, a Fantasia e o Tema com Variações.
Vicente Espinel divulgou a guitarra por toda a Europa, acrescentando-a, uma nova corda à
guitarra (até então possuía somente 4), a atual prima. No final do século XVI, muitos vihuelistas
passaram a suprimir a 6ª corda da vihuela, tornando assim Vihuela e Guitarra, instrumentos
praticamente iguais. Juan Carlos Amat ampliou os recursos da guitarra popular, ensinando a
maneira de formar e aplicar todos os tons maiores e menores sobre as 5 cordas duplas. Foi o 1º a
organizar um método de guitarra entitulado Guitarra Española y Vandola en dos maneras:
Guitarra catalana y castellana de 5 Ordenes (5 cordas duplas). Foscarini acrescentou ao
rasgueado da guitarra o ponteado dos vihuelistas. Girolamo Montezardo inventou algo parecido
com o atual sistema de cifras, usando letras maiúsculas e minúsculas para determinar os acordes.
A letra por cima ou por baixo significava o rasgueado ascendente ou descendente.

Luiz Milán (c. 1500 - 1561)

Vihuelista, compositor e poeta, nasceu provavelmente em Valência, Espanha. Esteve na corte de


Valência até 1538, pelo menos. Seu livro El Maestro (1536) dedicado ao Rei Juan III de
Portugal, contém diversas composições originais par a guitarra (violão) solo e guitarra e canto.
Constitui a mais antiga coleção de música para vihuela e a mais antiga publicação a incluir
indicações de andamento. A obra contém villancicos, fantasias, pavanas, tientos (estilo de
composição de caráter livre e contrapontístico, semelhante ao ricercare) e diferencias (tema com
variações), e é um marco histórico na evolução da música instrumental.

Luys de Narváez (1500 - 1555)

Compositor, Vihuelista e poeta Espanhol, seus contemporâneos o tinham como o melhor


Vihuelista da época. É considerado o primeiro vihuelista e talvez o primeiro compositor a
compor variações instrumentais (diferencias). Publicou Los seys libros del delphin, dedicados a
Dom Francisco de los Cobos , onde estão duas de suas músicas mais conhecidas: o tema com
variações Guárdame las vacas, e a Canção do Imperador. Seus livros não estão organizados de
forma didática, não havendo nenhuma seqüência de dificuldade entre as obras presentes nos
livros.

Miguel Fuenllana ( ? – 1579)

Vihuelista, natural de Madrid, cego de nascimento, é autor de uma obra em seis volume com o
nome Orphenica Lyra (1553). Em seus volumes se encontram várias transcrições dos principais
compositores de seu tempo. Seu sexto livro possui composições para guitarra de 4 cordas e para
vihuela de 5 e 6 ordens (cordas duplas). Escreveu também diversas músicas para guitarra de 5 e
6 cordas. Seu livro é encontrado nas bibliotecas de Madri, Barcelona, bem como em várias
outras bibliotecas européias. Foi um dos primeiros compositores a usar a barra de compasso,
bem como explicar o seu funcionamento. Suas composições mais conhecidas são Fantasias e
Tientos.
Diego Pisador (c. 1509 - 1557)

Compositor e vihuelista espanhol. Seguiu a carreira religiosa, mas nunca foi ordenado padre.
Publicou em 1552 seu livro Música de vihuela. No prólogo de seu livro esta escrito "...
entender el arte de la cifra sin outro maestro alguno, que a comezar a tañer y ser músico
acabado.... Seu livro era composto de villancicos, castellanos, villanescas, romances viejos,
canciones e motetos de outros autores.

Alonso Mudarra (c. 1510 - 1570)

Compositor e vihuelista espanhol, tornou-se cônego em Servilha no ano de 1546. Escreveu Tres
libros de Música en cifras para vihuela, editados em Sevilha em 1546 e dedicados a D. Luys
Zapata. Seus livros tratam da adaptação de obras vocais para o instrumento, porém atualmente
só se conhece dois destes livros, sendo que um está completo, porém não se encontra em
perfeito estado e outro, faltam várias folhas.
Em seus livros se encontram no total 77 músicas: 27 Fantasias, 9 Tientos, 1 Diferencia, 4 Aires
de danza, 3 partes de Missa, 4 Glosas, 3 Motetes, 3 Romances, 3 Canciones, 7 Sonetos, 4
Versos, 5 Villancicos, 2 Salmos e 2 Romanescas. No primeiro livro estão algumas Fantasias
fáceis com finalidade didática. No segundo livro estão alguns Tientos e Fantasias. O terceiro
livro foi dedicado para canto e vihuela, sendo que o 9º Tiento foi escrito para harpa e órgão.
Suas obras para vihuela incluem fantasias, tientos, romanescas, gallardas, canções, danças e
variações; também escreveu música para a guitarra de quatro cordas duplas. Foi um compositor
adiantado para o seu tempo no que se refere a modulações e dissonâncias.

Juan Bermudo (1510 - ?)

Foi um padre franciscano, andaluz, estudou na universidade de Alcalá de Henares. Foi um


teórico conhecido sobre órgão e vihuela. Fez uma classificação bastante detalhada de todo tipo
de guitarras e vihuelas até o momento, no que se refere a tamanho, quantidade de cordas,
afinações, etc.
Juan Bermudo é considerado como sendo a primeira pessoa a fixar a proporção matemática
exata de cada traste. Em 1548 publica a primeira edição de seu livro Libro llamado de la
declaración de instrumentos Neste livro, Bermudo freqüentemente faz referências a uma
guitarra de cinco ordens onde explica que para fazer uma guitarra deste tipo, basta acrescentar
uma corda uma 4ª justa acima da primeira ordem a uma guitarra de 4 ordens. Em 1550 publica o
tratado Arte Tripharia.

Vicente Espinel (1550 – 1624)

Por ser o maior divulgador da guitarra de cinco ordens, levando muitos personagens ilustres
acreditarem que ele havia introduzido uma corda na guitarra, a atual prima (1ª corda). No final
do século XVI muitos vihuelistas passaram a suprimir a 6ª corda da vihuela, tornando assim dois
instrumentos iguais. Vicente Espinel é famoso pelo seu método, porém não se tem conhecimento
de nenhuma obra.

John Dowland (1563 - 1626)

Compositor, cantor e alaudista inglês. Serviu nas cortes de Brunswick e Hessen, visitou Veneza e
Florença, e foi alaudista do rei da Dinamarca (l598-l606). Regressou à Inglaterra em l606,
tornando-se músico de Jaime I (l6l2-26). A importância de Dowland reside em suas canções,
publicadas em quatro Livros de Ayres (l597, l600, l603 e l6l2). Neles, condensou a
dramaticidade e a paixão que fazem dele o maior dos autores de canções deste período.
É considerado como um dos criadores do Madrigal Inglês. Sua famosa Flow my Teares
(Lachrimae), tipicamente melancólica, foi adaptada com freqüência como pavana instrumental.
Deixou três volumes de canções para Alaúde, 1 para Alaúde, e outro com Pavanas entituladas
"Lachrymae", Suites, etc. Suas canções a várias vozes se destacam pelo excelente
acompanhamento. Suas músicas são muito divulgadas no repertorio violonístico, tais como:
Gallarda del Rey de Dinamarca, The Master's Pipe, My Lady Hunsdon, Lachrimae Pavan, e
várias outras.

Juan Carlos Amat (1566 – 1640)

Guitarrista, nasceu em Barcelona na Espanha. Ampliou os recursos da guitarra popular,


ensinando a maneira de formar e aplicar todos os sons maiores sobre as 5 ordens (cordas
duplas). Foi o primeiro a organizar um método de guitarra, editado pela primeira vez em
Barcelona, em 1586. Guitarra Española y Vandola en dos maneras: Guitarra Española y
castellana de 5 Ordenes (cordas duplas). Foi tão grande o seu êxito que três edições sucessivas
se esgotaram em pouco tempo.

Barroco
É o período onde ocorre o desaparecimento dos Modos Gregos e o desenvolvimento do sistema
maior e menor sobre o qual a harmonia se basearia nos séculos seguintes. Surgem novas formas
de composição como por exemplo a Ópera, o Oratório, a Fuga, a Suite, a Sonata e o Concerto.
Durante o período Barroco a música instrumental passa a ter a mesma importância que a vocal.
É neste período que a Orquestra começou a tomar a forma como é conhecida hoje. O baixo
contínuo ou baixo cifrado torna-se a base da música Barroca.
Ocorrem neste período a decadência da Vihuela e do Alaúde, devido ao desenvolvimento dos
instrumentos de teclado e de arco. O Alaúde se mantém em alguns países como a Alemanha,
Áustria, Holanda e Inglaterra e a Guitarra passa a ser o instrumento preferido dos Espanhóis,
passando a ser conhecida nos demais países como Guitarra Espanhola.

Girolamo Montezardo (? - ?)

Inventou algo parecido com o atual sistema de cifras, usando letras maiúsculas e minúsculas
para determinar os acordes. A letra por cima ou por baixo significava o rasgueado ascendente ou
descendente. Este tipo de Tablatura era foi denominado de Sistema Alfabeto e apareceu pela
primeira vez em sue livro Nuova inventione d'intavolatura per sonare li balletti sopra la
chitarra spagnuola, publicado em 1606.

Francisco Guerau (? - ?)

Sua música foi escrita originalmente para uma guitarra que utilizava Bourdons na 5ª e 4ª órdem,
ou seja, as cordas duplas estavam afinadas em oitavas. Seu Poema Harmônico de 1694, foi a
última obra publicada para a guitarra na Espanha no século XVII.

Francisco Corbeta (1615 – 1681)


Nasceu em Pavia, Espanha. Foi considerado um dos melhores músicos da corte espanhola,
começou sua carreira como professor de guitarra na Universidade de Bolonha, onde publicou
sua primeira obra para guitarra em 1639, De gli scherzi armonici. Viveu na Alemanha e na
França, onde o Duque de Mântua o fez “instrumentista de câmara” de Luis XVI, a quem
dedicaria mais tarde o trabalho La guitarra Royale publicado em 1674. O entusiasmo
despertado por Corbeta na Inglaterra foi tão grande que tocar guitarra passou a ser “de bom
gosto”. Sua música nada tinha a perder para os compositores da época, era considerada como
uma das mais bem escrita e a mais rica do repertório da guitarra barroca. Resume em suas obras
o espírito da música profana de sua época. Publicou também Vari capricci per la chitarra
spagnuola, Milão em 1648, Vari Scherzi adi sonate per la chitarra spagnuola, em 1648.
Morreu em París no mês de março, porém não se tem certeza do dia.

Gaspar Sans (1640 – 1710)

Nasceu em Calanda, Espanha. Foi organista da capela real de Nápoles e iniciou seus estudos de
guitarra em Roma com Lelio Colista. Publicou em 1674 o primeiro tratado completo para
guitarra de cinco ordens, intitulado: Instrucción de música sobre la guitarra española. Neste
tratado Gaspar Sans diz o seguinte: “Em Madri, o maestro Espinel, espanhol, acrescentou a
Quinta (corda),... os franceses, italianos e demais nações, imitando-nos, acrescentaram também
a suas guitarras a Quinta, e por isso, a chamam de guitarra espanhola.”
Seu método contém músicas folclóricas espanholas, algumas Pasacalles, Zarabandas y Canarios
em notação moderna. É o melhor até aquele momento. Trata da forma de produzir o som, uso do
polegar e dos demais dedos, técnica de mão esquerda, ligados, síncopas etc. É um tratado de
música que até hoje constitui fonte de inesgotáveis riquezas para pesquisas. De suas músicas
uma das mais conhecidas é sua Suite Espanhola, compôs também Pavanas, Gallardas e
Canários. Morreu em Madri.

Robert De Viseé (1650 – 1725)

Seu país de origem é uma incógnita, sendo considerado Português para o historiador Mitjana e
Francês para Chilesotti. Músico notável, em geral escrevia para guitarra de cinco cordas usando
notas médias de fácil execução. Tocou também Oboé, Alaúde, e Tiorba. Foi discípulo de
Francisco Corbetta, sucedendo-o na posição de guitarrista da corte de Luís XIV. Foi um músico
muito conhecido e admirado pela delicadeza e seriedade de suas composições. Dedicou ao rei
Libro de oro del guitarrista, onde aparecem 9 músicas, posteriormente recopiadas por
Napoleón Coste. Compôs também várias suites para guitarra.
Em 1682 publica seu primeiro livro, Livre de Guitarre dédié au Roy, contendo oito suites e
uma chaconne. Em 1686 publicou o Livre de pièces pour la guitarre, com quatro suites e cinco
peças avulsas. Dedica a seu professor F. Corbetta uma Alemanda, Tombeau de M. Francisco
Corbeta, onde ocorre uma curiosa coincidência pois inicia com a Marcha fúnebre da sinfonia
Heróica de Beethoven.
Suas obras foram escritas para guitarra de cincor cordas: lá, ré, sol, si, mi, sendo que as duas
graves eram duplicadas e às vezes afinadas em oitavas.

J. S. Bach (1685 – 1750)

Nasceu em Eisenach, Alemanha. É considerado juntamente com Händel os principais


compositores do período Barroco. Foi um fiel continuador da polifonia, elevando a fuga ao seu
ponto culminante. Emprega também o gênero suite, que praticamente já não se usava,
aperfeiçoando-o. A principal contribuição histórica de Bach foi a aceitação do Sistema de
Temperamento Igual, fundamentado com o seu “Cravo bem Temperado”. Entre seus 20 filhos,
teve quatro que seguiram a profissão de músicos profissionais.
O grande valor musical de Bach passou despercebido dos seus contemporâneos, sendo realmente
valorizado somente um século depois quando Mendelssohn executou em Leipzig sua paixão
segundo São Mateus. Desde então seu nome foi colocado no seu devido lugar de merecimento e
respeito junto aos grandes compositores da história da música.
Escreveu 4 suites para alaúde, 1 prelúdio, prelúdio – fuga – allegro, fuga em sol menor, incluiu o
alaúde em obras sacras (cantatas e paixões). Todas estas obras hoje pertencem ao repertório
violonístico, visto ser o violão o instrumento que mais se aproxima do alaúde. Depois de um
breve período de cegueira, morre de paralisia no dia 28 de julho.

Silvio Leopoldo Weiss (1686 - 1750)

Nasceu na Alemanha, membro de uma família de alaudistas, foi considerado o alaudista mais
importante deste período. Foi amigo de J. S. Bach, G. F. Haendel, Alessandro e Domenico
Scarlatti. Seu alaúde possuía 13 coros de cordas. Escreveu várias suítes, fantasias, prelúdios e
fugas e toda esta literatura hoje pertence ao violão.

Ludivico Roncalli (nasceu na 2ª metade de 1600)

Publicou em 1692 seu livro Capricci armonici sopra la chitarra spagnuola.

Santiago De Murcia (1700 – ? )

Guitarrista Espanhol, escreveu em 1714 Resumen de acompañar la parte con la guitarra. As


músicas contidas neste livro estão em forma de suites que consistem de prelúdio, allemande,
courante, sarabande, gigue, gavotte e outras danças, mostrando uma grande influencia da
“Escola Francesa”. É considerado como o último tratado para guitarra de cinco ordens bem
como para escrita em tablatura. Segundo Rafael Mitjana Gordón, historiador e escritor musical,
o livro de Murcia foi o primeiro tratado didático que apareceu na época.

Clássico
Este período é relativamente curto, considera-se que iniciou a partir de 1750, e em 1790 já se
falava em pré-romantismo. As formas musicais deste período se caracterizam expor dois temas
(bitemalismo) de caráter conflitantes já no início da música, desenvolvendo-o posteriormente.
Pode-se dizer que este foi o período da melodia acompanhada, a trio-sonata barroca vai
gradualmente sendo substituída pela sonata clássica e a abertura italiana pela sinfonia clássica. O
centro cultural irá se alterar gradativamente da Itália para a Áustria, mais especificamente Viena.
Com o passar do anos a Guitarra perde as cordas duplas e sua música passa a ser escrita na clave
de sol e se transporta a uma oitava superior, tornado-se assim um instrumento transpositor de
oitava. Durante o período clássico ocorre a decadência da guitarra e do alaúde, devido ao
aparecimento do piano e do desenvolvimento da música orquestral. No entanto neste período
foram publicados um grande número de métodos para guitarra.

Fernando Ferandière (? - ?)
Espanhol de nascimento, Ferandière tem um papel importante na história guitarrística pois seu
método Arte de tocar la guitarra española por música, publicado em 1799, foi o primeiro
tratado a ensinar os guitarristas a lerem música através da pauta ao invés de ensinar-lhes por
tablatura. Sua guitarra possuia 17 trastes e seis ordens, sendo 5 cordas duplas e a 1ª simples.

L. Boccherini (1743 - 1805)

Compositor e violoncelista italiano. Trabalhou em Lucca e Paris, antes de se tornar organista e


compositor da corte espanhola (1769). Suas composições mais importantes foram seus quartetos
(que influenciaram Haydn), quintetos para Violoncelo (de que escreveu quase uma centena) e
outras obras de câmara. Também escreveu sinfonias e música sacra. É um dos mais importantes
contemporâneos de Mozart e Haydn. O minueto de um de seus quintetos tornou-se famoso em
um filme com Alec Guinness. Escreveu cerca de doze quintetos para dois violinos, guitarra,
viola e violoncelo. É considerado como um dos maiores representantes do estilo rococó.
Segundo Frederic Grunfeld, o seu Quinteto Op. 40, nº 20, foi a primeira obra camerística
importante que utilizou a guitarra e composta por um compositor não renomado e não
guitarrista.

Federico Moretti (1765 - 1838)

Italiano de nascimento mas naturalizado Espanhol. Publica Principios para tocar na guitarra
de seis ordenes em Italiano no ano de 1792, Elementos generales de la música em 1799 e uma
reedição de Principios para tocar na guitarra de seis ordenes em Espanhol no ano de 1799.
Os métodos de Moretti foram de uma importância indiscutível tanto para Fernando Sor quanto
para Dionisio Aguado, pois tomariam seus métodos como base quando da elaboração dos
trabalhos de ambos.

Leonhard Von Call (1767 - 1815)

Nasceu na Áustria, destacando-se com um dos grandes compositores da época. Foi um prolífico
compositor, deixou uma obra musical bastante expressiva, principalmente para a música de
câmara com guitarra. Suas músicas são na maioria das vezes de fácil execução, caracterizando-
se pela sensibilidade que os temas são apresentados. Morreu 19 de fevereiro na cidade de Viena.

Fernando Carulli (1770 - 1841)

Nasceu em Nápoles e morreu em Paris. Quando criança inicia seu estudo de música com o
violoncelo, porém depois se dedica à guitarra. Foi autodidata, e como executante do
instrumento, era um virtuoso.
Publicou a primeira edição de seu método em 1810, sendo reeditado posteriormente várias
vezes. Apesar das críticas que lhe fazem hoje, seu trabalho alcançou grande sucesso e serviu de
caminho para os métodos de Carcassi e Giuliani. Seu método por sua sensibilidade e clareza,
possibilitou que pessoas que tivessem noção suficiente de música, estuda-lo sozinhas. Carulli
tornou-se um professor disputadíssimo em Paris.
Compôs cerca de 400 obras para guitarra, sendo que é considerado importante por sua finalidade
didática. Além de sue método escreveu: Estudos, Duos, Sonatas, 1 Concerto, que se conhece
apenas o 1º movimento, publicou também um tratado de Harmonia aplicado ao violão.

Giovanni Francesco Molino (1775 - 1847)


Nasceu em Florença, descendente de uma família musical da burguesia italiana, tocou violino e
violão. Como outros membros de sua família, ele esteve a serviço da Real Capela de Turim. Por
volta de 1820, deixa Turim e transfere-se para Paris onde foi aclamado como um violonista
virtuoso e um grande compositor.
Publicou dois métodos: um dos métodos continham Boleros, Seguidillas e fandangos variados.
O outro método entitulado Pour s’habiteur a chanter avec les paroles et s’accompagner soi
méme avec la guitare, compos para violão em conjunto com outros instrumentos, flauta, violino
e piano. Além de um método para violão compôs estudos, sonatas, duos e trios, e um Concerto
em mi menor opus 56 para violão e orquestra em 3 movimentos, que foi publicado pela primeira
vez em 1830.

José Kuffner (1776 - 1856)

Compositor e guitarrista, nasceu em Würzburg Alemanha em 31 de março. Sua obra é bastante


numerosa, chegando a mais de 300. Compôs algumas sinfonias e música de câmara diversa,
duos e trios em geral de fácil execução, obras breves e cômodas. Compunha para flauta, violino,
viola e violão. Suas músicas também se caracterizavam pelo caráter didático. Sua coleção
Amusements du Guitarrist, contém 12 cadernos com transcrições de óperas para guitarra solo.
Morreu em sua cidade natal em 9 de setembro.

Fernando Macário Sor (1778 - 1839)

É considerado o melhor expoente da literatura guitarrística de todos os tempos. Nasceu em


Barcelona, filho de comerciante, ingressa menino na escola Monserat onde aprende com o padre
Anselmo Viola, canto gregoriano, harmonia, composição e contraponto. Compõe aos 17 anos a
ópera Telemaco, que estreia no mesmo ano com sucesso em Barcelona e Veneza. Estudando a
obra de Federico Moretti, aperfeiçoa-se na guitarra.
Em 1813 vai para Paris, onde conheceu músicos como Dionísio Aguado, Hector Berlioz e Luigi
Cherubini. Morou também por um período na Rússia, país onde ficou muito famoso.
Seu melhor balé é Hércules e Onfalia, composto para o coroamento do Czar Nicolás. Antes
porém lhe foi encomendado uma Marcha Fúnebre, que a banda imperial tocou no funeral de
Alexandre I em 1825. Isto dá idéia de sua reputação na Rússia, porém logo volta para França
devido o grande frio daquele país.
Sua obra possui um duplo caráter clássico e romântico. Por sua estrutura e forma é considerado
clássico, pelos sentimentos expressados em muitas obras é considerado como romântico. Sua
obra para guitarra alcança o opus 63, que corresponde a sua obra para dois violões Souvenirs de
Russie, dedicada ao seu amigo e também guitarrista Napoleon Coste. Ainda para dois violões
compôs também Les Deux Amis, L’Encouregements, Le Premier pas, Fantasia op. 54 (Bis).
Para violão solo: 12 Estudos op. 6, Introdução e variações sobre um tema de Mozart op. 9,
Grand Solo op. 14, 12 Minuetos op. 11, Sonata em dó maior op. 15b, Grand Sonata op. 22,
Segunda Grand Sonata op. 25, 24 Estudos op. 31, 24 Estudos op. 35, Marceau de Concert op.
54, 12 Fantasias op. 4, 7, 12, 16, 21, 30, 40, 46, 52, 56, 58 e 59. Além de escrever músicas para
violão, escreveu também para: Canto e violão: 12 Seguidillas. Piano solo: Valsas, Minuetos e
Mazurkas. Duo de Pianos: Valsas. Conjuntos instrumentais: Quartetos e quintetos, sendo um
com violão. Óperas, Ballet, Música para Banda Militar e Música sacra vocal.
Em 1838 uma doença o deixa mudo, morrendo em 1839 de câncer na língua.

Mauro Giuliani (1780 - 1840)

Nasceu em Bolônia, Itália, foi um grande virtuoso e aos 20 anos assombra aos públicos de vários
países da Europa. Viveu principalmente em Viena, onde tornou-se professor da aristocracia
Vienense a partir de sua chegada em 1806. Teve contato com os maiores compositores e
instrumentistas da época, como Beethoven, Shubert, Hümmel e Moscheles, Haydn e Carulli.
Segundo Beethoven, o violão nas mãos de Giuliani se transformava em uma orquestra em
miniatura. Algumas revistas especializadas da época chamaram Giuliani de o Paganini da
guitarra.
Possui cerca de 300 obras, sendo muito conhecido sua Sonata op. 15, Sonata op. 150 (Heróica),
Gran Overture op. 61, Seis Rossinianas op. 121 (variações sobre temas de ópera de Rossini),
Gran Sonata para Flauta e Violão op. 85, Variações Concertantes op. 130 para 2 violões,
Concertos para Violão e Orquestra op. 30, 36, 70. Compôs também Duos, Trios, Temas variados,
Valsas, Polonesas, Estudos.

Anton Diabelli (1781 - 1858)

Guitarrista, pianista e compositor. Nasceu em Mattsee, Áustria em 6 de setembro. Estudou piano


com Haydn e foi amigo e editor de Beethoven, Giuliani e Schubert através de sua firma Cappi &
Diabelli. É muito conhecido pelos estudantes de piano, sendo que em 1803 lecionava piano e
violão em Viena. Escreveu grande quantidade de peças para estes dois instrumentos, sendo
solos, duos, trios de violão com flauta e violino. Suas três sonatas para violão são consideradas
entre as melhores obras do gênero no repertório violonístico atual. Pode-se dizer que em geral
suas obras não oferecem grandes dificuldades. Foi considerado uma figura importante na vida
musical Vienense durante o período clássico, sendo um dos mais importantes editores de
musicais da época.. Diabelli morreu em Viena no dia 7 de abril.

Nicolo Paganini (1782 - 1840)

Nasceu no dia 18 de fevereiro em Gênova, Itália. Muito conhecido como o grande virtuoso do
violino, mas que durante aproximadamente 4 anos dedicou-se exclusivamente ao violão.
Provavelmente influenciado por seu pai e por seu professor de violino Alexandre Rolla, um
grande violinista e violonista.
O violão não foi para Paganini uma moda passageira, pois escreveu um grande número de
músicas para violão solo ou em conjunto de câmara. Entre estas estão 12 sonatas Op. 2 e Op. 3
para violão e violino. 6 Quarteos Op. 4 e Op. 5 para violão, violino, viola e violoncelo. Estudo
com variações Op. 14 para violão e violino. Compôs ainda Gran sonata, Minueto e Sinfonia
Ludovisia para violão solo; Sonata Concertante, Duetto amoroso e Canzonetta para violão e
violino; Tercetto para violão, violino e violoncelo; Serenata para violão, violino, viola e
violoncelo e ainda 9 quartetos para estes instrumentos.
O violão que pertenceu a Paganini, foi presenteado por ele ao seu grande amigo Héctor Berlioz e
hoje se encontra no Museu da Ópera de Paris. Paganini morreu no dia 27 de maio na cidade de
Niza.

Dionísio Aguado ( 1784 - 1849)

Nasceu no dia 8 de abril em Madri, Espanha. Durante o seu descanso dos estudos, começou a
estudar guitarra com D. Miguel Garcia, conhecido também por Pe. Basílio. É o autor de um dos
melhores e mais completos métodos para guitarra do período Clássico, publicando a primeira
edição em Paris em 1826, reeditando-o em Madri em 1843. Juntamente com Fernando Sor,
encerra um período, o principal na história da guitarra moderna: Sor com suas composições e
Aguado com seu método e estudos.
Fernando Sor dedica a Aguado o seu duo Lês Deux Amis Op. 41 e a 7ª Fantasie et variations
Brillants Op. 30. O som brilhante e claro que Aguado extraia do violão deve-se ao uso da
técnica de atacar as cordas com a unha, ao contrário de Fernando Sor que usava o toque nas
cordas com a polpa dos dedos. Devido a sua preocupação com a sonoridade, teve a idéia de
inventar um aparelho para apoiar o violão: Trípode. Seu objetivo era afastar a guitarra da pressão
que o guitarrista exerce sobre o fundo da caixa harmônica.
Os métodos de sor e Aguado são as melhores obras de estudo escrito para o violão durante o
período Clássico. O método de Sor destaca-se pelo seu sentimento musica e artístico, enquanto
que o método de Aguado destaca-se principalmente pelo aspecto técnico instrumental. Além de
seu método pode-se mencionar: 3 Rondós brilhantes Op. 2, Minueto e Fandango Op. 15,
Fandango variado Op. 16, Adagio e Polonaise Op. 2, Introdución e Rondó Op. 2, 25 Estudos
superiores. Aguado morreu no dia 20 de dezembro em sua cidade natal.

Mateo Carcassi (1792 - 1853)

Nasceu em Florença e morreu em Paris. Desde muito jovem se dedicou ao estudo da guitarra,
tendo chegado a executa-la com grande habilidade. Carcassi aperfeiçoou o mecanismo da
digitação, sendo ela uma das principais causas de seu domínio absoluto do instrumento. Depois
de grandes atuações em seu país, viaja em tournées na França, Alemanha e Inglaterra. Radicou-
se em Paris, tornando-se um dos nomes mais conhecidos entre os guitarristas.
Seu método é superior ao de Carulli, mas foi inspirado nele. Entre suas composições, seus 25
Estudos Melódicos e Progressivos Op 60 merecem destaque, sendo de grande valor didático.
Compôs ainda Sonatinas, Rondós, Estudos, Caprichos, Fantasias e muitas outras obras. Sua obra
para violão somam cerca de 300. Carcassi também arranjou temas de Óperas Italianas e
Francesas para violão, muito comum na época.

Romântico
Não é fácil determinar quando termina o Classicismo e inicia o Romantismo. O Romantismo
pode ser considerado como um abandono ou evolução das estruturas formais do classicismo, ou
ainda um período de inovação e de rebelião das artes em geral. O movimento romântico teve
origem na Alemanha espalhando-se posteriormente pelos demais países, dominando
praticamente todo o século XIX.
Este período é marcado por uma quantidade expressiva de grandes compositores: Schubert,
Mendelssohn, Chopin, Schumann, Berlioz, Lizt, Wagner e é claro Beethoven. Segundo Hans
Renner, o Romantismo não produziu nenhum estilo mas numerosos estilos individuais e
nacionais isolados.
Segue-se uma nova e longa fase de decadência da guitarra, onde a música de câmara toma novos
rumos, e instrumentos de pouca sonoridade como o violão perdem seu espaço, sobretudo para o
piano, que foi o principal instrumento de expressão dos compositores dete período.
Costuma-se dividir o período em três fases: Pré-Romantismo, Apogeu e Pós-Romantismo. O
Pré-Romantismo, 1810 - 1828, marca o fim do classicismo e o início do Romantismo. O seu
Apogeu dá-se de 1828 a 1850, onde as músicas são compostas de uma forma livre de
denominações variadas como por exemplo: estudos, improvisos, rapsódias, intermezzos,
noturnos, danças, baladas, fantasias, caprichos, onde são compostas para valorizar a
expressividade e o caráter psicológico. O Pós-Romantismo, a partir de 1850, marca o
surgimento da Nova Escola Alemã, ligada à música programática.
Johann Kaspar Mertz (1805 - 1856)

Guitarrista Húngaro, muda-se para Viena em 1840, cidade onde obteve enorme sucesso. De suas
composições para violão, descam-se:Caprice Op. 50, Harmonie du Soir, Tarantelle e
Morceaux Op. 65.

Napoleon Coste (1806 - 1883)

Nasceu em Doubs, França, começou seu estudo de guitarra com sua mãe. Em 1825 realiza o seu
primeiro concerto em Valenciennes, passando também a lecionar neste período. Foi amigo de
Carulli, Carcassi, Aguado, Sor. Sor dedica-lhe o duo para guitarra Le Souvenir de Russie.
Coste dedica-se a um incessante estudo de seu instrumento, e ao mesmo tempo em que compõe,
atua em recitais e ministra aulas. Grande parte de suas composições foi para um violão de sete
cordas, cuja invenção lhe é atribuída. Coste possui uma obra com 53 opus, com composições
para guitarra solo e música de câmara com guitarra. De sua produção destaca-se uma série de 25
Estudos Op. 38, o mais conhecido é o Estudo em Lá maior n.º22, La Chasse des Sylphes Op.
29, La Source du Lyson Op. 47 e Feuilles d’Automne Op. 41. Escreveu também Le Livre d’or
du guitariste Op. 52, onde se encontram vários arranjos de músicas de Haydn, Haendel,
Mozart, Couperin e Robert de Viseé. Coste também revisou e reeditou o método de Sor Aos 57
anos acaba sua carreira de concertista, pois quebra um braço.

Antônio Cano (1811 - 1897)

Médico Espanhol que se dedicou com afinco ao estudo da guitarra através do método de
Aguado. Visitou países da Europa aconselhado por Aguado. Publicou estudos, lições e uma série
de peças fáceis para guitarra. Em 1852 lançou um método, que foi ampliado em 1868 contendo
um Tratado de Harmonia. Em 1874 foi nomeado professor de violão no colégio nacional de
cegos, surdos e mudos, onde lecionou até à sua morte.

Giulio Regondi (1822 - 1872)

Nasceu em Gênova, Itália, foi considerado um menino prodígio, realizando grandes concertos
guitarrísticos a partir dos 7 anos de idade. Foi considerado um concertista de renome
internacional, tendo excursionado pela Inglaterra, Itália, Áustria e Alemanha. De suas
composições destacam-se Rêverie Op. 19, Air varié Op. 21 e Introduction et Caprice Op. 23.

Julian Arcas (1832 - 1882)

Grande guitarrista Aragonês, excurionou por toda a Europa mostrando suas transcrições de
óperas famosas, bem como composições suas de caracter regional e flamenco. Foi amigo do
grande Luthier Antônio Torres, com quem colaborou com certos detalhes referentes ao tampo do
violão.
Arcas teve uma certa importância na formação musical de Francisco Tárrega, porém a ligação
entre os dois é considerada por muitos como incerta. Tárrega encontrou com Arcas por várias
vezes, não caracterizando contudo que tivesse tido lições regularmente. O que é mais provável é
que ele tenha assimilado alguns aspectos técnicos e musicais diversos com arcas, contribuindo
assim na sua formação musical.
Francisco Tárrega (1852 - 1909)

Nasceu em Villareal, Espanha e faleceu em Barcelona. Criador da escola moderna da guitarra,


elevando-a ao nível técnico atual. Quando criança inicia seus estudos de piano e guitarra com
dois cegos. Como era de família pobre, dava aulas para sua subsistência. Muda-se para Valença
para continuar seus estudos de música. Ingressa-se no conservatório de Madri. Estuda mais o
Piano, ficando as horas disponíveis para o estudo da guitarra, que era um instrumento
desprestigiado, porém era o que mais lhe agradava.
Ele foi o guitarrista mais admirado de todos os tempos, foi admirado por Vitor Hugo, Pasteur, e
por Albenis, que dizia que algumas obras suas ficavam melhor para guitarra do que para o piano
para o qual tinham sido escritas. Seu profundo conhecimento da guitarra, lhe permitiu mostrar
ao mundo novos recursos técnicos, timbres e outros efeitos que chamaram a atenção para o
instrumento.
O sentido didático de sua escola consiste em resolver com antecedência os possíveis problemas
técnicos que possam surgir no decorrer da execução da música. Tendo em conta a natureza e a
disposição das cordas e dos dedos, analisa, resolve e sintetiza de maneira progressiva todos os
problemas que possa apresentar a música aplicada ao instrumento. Todas as combinações de
escalas, arpejos, ligados e efeitos instrumentais, estão previstos e tratados de maneira que os
dedos adquiram com o trabalho metódico, maior independência, força e segurança possível.
Tárrega teve vários alunos, onde os mais importantes são: Miguel Llobet (1878 - 1938), Emílio
Pujol (1886 - 1980), Josefina Robledo, Daniel Fortea (1878 - 1953), Maria Rita Brondi
(1889 - 1941), Severino Garcia Fortes e Pascual Roch.
Compôs vários Prelúdios, Mazurkas, Gavotas, Serenatas, Estudos, destacando-se o Pequeno
Prelúdio. Seus prelúdios constituem-se pequenas joias da literatura romântica do violão,
juntamente com seu Recuerdos de la Allambra e Recuerdos de Allambra. Através de seu
trabalho, seja criando uma nova escola e um novo repertório, compondo e transcrevendo obras
de Bach, Hydn, Mozart, Schubert, Mendelssohn, Beethoven, assim como de seus
contemporâneos Albenis e Granados, ele foi, pode-se dizer, o grande precursor de um
movimento que chegaria ao apogeu no século XX com o grande guitarrista Andre’s Segovia.

Contemporâneo
O século XX foi o mais importante para a história do violão. O desenvolvimento do violão no
final do século XIX conseguido por Antônio Torres Jurado (1817 - 1892), transformando-o em
um instrumento com maior volume e uma maior gama de timbres foi de fundamental
importância. Seus instrumentos tornaram-se referência para quase todos os luthiers do século
XX. Na verdade este grande desenvolvimento teve início com Francisco Tárrega ao recuperar o
repertório violonístico dos grandes mestres, bem como fazendo transcrições de músicas dos
grandes compositores. Emílio Pujol redescobriu a obra dos vihuelistas e de alaudistas do período
barroco, mas foi graças a Miguel Llobet que os grandes compositores começaram a compor para
o violão. Por sua insistência o compositor Manuel da Falla, escreve em 1918 sua Homenage
Pour le Tombeau de Claude Debussy, criando assim uma obra original para violão moderno,
estimulando outros compositores a seguirem seus passos e escreverem para o instrumento.

Alunos de Francisco Tárrega


Tárrega influenciou direta e indiretamente toda uma geração de violonistas, no entanto, de seus
alunos, os que mais se destaram foram: Miguel Llobet, Emílio Pujol, e Josefina Robledo.
Miguel Llobet (1878 - 1938)

Espanhol, foi o mais famoso dos discípulos de Tárrega, sendo considerado de grande importante
na divulgação de sua escola. Iniciou seu estudos de violão com Magín Alegre e ao 16 anos
passou a freqüentar o Conservatório Municipal de Música de Barcelona, onde tornou-se aluno
de Tárrega. Aos 20 anos inicia suas atividades como concertista em recitais para o círculo de
amigos de Tárrega, não parando mais os seus concertos. Era um grande músico, que dominava
muito bem a técnica do seu instrumento. No final da primeira guerra, muda-se para a América
Latina, contribuindo bastante para o desenvolvimento do violão neste continente. Maria Luisa
Anido tornou-se sua protegida, passando a executar com ele em 1925 um duo. Llobet teve uma
carreira brilhante, onde além de ser reconhecido como concertista, fez harmonizações de obras
folclóricas Catalãs: El Mestre, El Testament d’Amélia, La filla del Marxant, utilizando-se de
harmonias influenciadas pelos compositores impressionistas.

Emílio Pujol (1886 - 1984)

Considerado como sendo o principal herdeiro de Tárrega. A partir de 1918, visita por várias
vezes à América Latina, realizando concertos de grande qualidade. Possuidor de uma grande
didática do instrumento, foi também musicólogo, investigador da era Vihuelista e Alaudista.
Realiza transcrições de antigas tablaturas que vão de Milan a Weiss. Escreveu artigos, livros e
realizou conferências sobre o violão e sua história. Em seu livro Escuela Razonada de la
Guitarra, publicado em (1956) com 4 volumes, sistematizou os progressos técnicos iniciados
por Tárrega. Compôs também boas obras para o violão, onde as mais conhecidas são: Trois
Morceaux Espagnols, Improptu, Deuxième Triquilandia.

Josefina Robledo (1887 - 1931)

Discípula de Tárrega, chegou em Montevidéu, Uruguai, em 1916. Grande concertista, muito


culta musicalmente, realizou várias transcrições. Segundo Emílio Pujol ela foi a primeira
expoente em Montevidéu da escola de Tárrega. Josefina Robledo é responsável pela divulgação
e implantação das escola de Francisco Tárrega no Brasil. Ela chega ao Brasil através de uma
excursão iniciada na América do Sul. Sua estréia se dá no Rio de Janeiro em 1917. Fascinada
com a cidade do Rio de Janeiro, permanece no país por dois anos, exercendo aqui a função de
professora.

O Século XX
A figura de maior importância no panorama violonístico da primeira metade do século XX foi
sem dúvida o Espanhol Andre's Segovia. Foi graças ao seu grande trabalho de ampliação e
divulgação do repertório violonístico que os compositores modernos realmente passaram a
escrever para o violão.
A arte dos grandes intérpretes, aliada ao interesse cada vez maior dos compositores, tem
assegurado ao violão um lugar importante na música do século XX. O caminho aberto por
Manuel de Falla com sua "Homenaje", foi seguido por vários compositores como Manuel Ponce,
Mario Castelnuovo Tedesco, Joaquim Rodrigo, Federico Moreno Tórroba, Villa-Lobos, Joaquim
Turina, Manuel de Falla, Alexandre Tansman e muitos outros, ajudaram no engrandecimento do
violão no século XX.

Andre’s Segovia (1893 - 1987)

Nasceu em Jaén no dia 21 de fevereiro de 1893 e faleceu no dia 03 de junho de 1987 em Madri.
Teve sua formação musical iniciada em Granada, porém sempre se considerou um autodidata.
Aos 15 anos, percorre cidades da Espanha atuando também em Buenos Aires, Montevidéu,
México e Cuba. Após seu êxito em Paris em 1924, percorre todos os continentes dando
concertos, mas retornando sempre para descansar em Madri.
Foi considerado um dos maiores guitarrista de todos os tempos. Seguiu de certa forma a escola
de Tárrega, porém com muita independência, podendo-se dizer que ele criou sua própria escola.
Sua técnica violonística, tornou-se a base para o desenvolvimento de inúmeros outros
violonistas. Segóvia foi o responsável por elevar a guitarra a um nível artístico jamais alcançado
antes, o que fez com que muitos compositores eminentes escrevessem para ela. Segovia
desenvolveu uma dupla função: ampliar o repertório violonístico através de obras escritas e
dedicadas a ele, bem como o de divulgador destas obras. Dentre estes compositores, os mais
ilustres são o brasileiro Heitor Villa-Lobos, Mario Castelnuovo Tedesco, Federico Moreno
Torroba, Manuel Ponce, Joaquín Rodrigo, Manuel de Falla e Alexandre Tansman e muitos
outros.
Durante a Revolução Espanhola, viveu em Montevidéu, deixando lá muitos alunos. Ao terminar
a guerra, retorna suas atividades na Europa, apresentando-se em extensas tournées, realizando
também muitas masterclasses em Santiago da Compostela e na Academia Musicale Chigiana di
Siena. Exerceu suas atividades artísticas até uma idade bastante avançada. Aos 92 anos de idade
ainda realizava masterclasses nas famosas Julliard School e Manhattan School of Music, em
Nova York. Ele é responsável, direta ou indiretamente, não só pela literatura violonística atual,
mas também pelo aparecimento de inúmeros instrumentistas consagrados, tais como o
venezuelano Alírio Diaz, o australiano naturalziado inglês, John Willians, o espanhol Narciso
Yepes, a argentina Adolfina de Távora, o italiano Oscar Goglia e o inglês Julian Bream.
Foi nos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial, que Segovia deu sua contribuição para um
desenvolvimento técnico fundamental: o fabricação das cordas de náilon. Devido a guerra,
Segovia encontrava-se afastado de fornecedor de cordas, que até então eram de tripa, com pouca
rexistência e ainda de fabricação alemã. Em um jantar em Nova York, Segovia conheceu um
Oficial americano que tinha ligações com a firma Dupont, fabricante de fios de náilon. Este
ofereceu-se para levar amostras de suas cordas de tripa, e pedir na Dupont para que tentassem
reproduzi-las em náilon. Após algum período, o oficial reapareceu trazendo algumas cordas de
náilon, ainda longe da perfeição que atingiram hoje, mas notava-se que havia aparecido
finalmente o substituto definitivo da tripa para cordas de violão. A pedido de Segovia, o luthier
Albert Augustine, conseguiu produzir excelentes cordas para o violão, com o material fornecido
pela Dupont. As cordas foram feitas de monofilamento de náilon (as três primeiras) e de
multifilamento de náilon revestido com fio prateado (os bordões).
Segovia se apresentou no Brasil durante a década de 50, revezando-se entre São Paulo e Rio de
Janeiro.
Durante sua vida Segóvia usou violões de vários luthiers, sendo que mais importantes foram o
de, Manuel Ramirez (1869 - 1920), o primeiro violão de alta qualidade tocado por Segovia, e o
de Hermann Hauser (1862 - 1952), criado especialmente para ele em 1936 e que o próprio
Segóvia declarou ser o melhor violão de nossa época.
Entre outros títulos, tem o de presidente honorário da Society of the Classic Guitar, de Nova
York; doutor honoris causa pela Universidade de Santiago de Compostela, Espanha; presidente
do conselho diretor da revista Guitar Review.

Manuel De Falla (1876 - 1946)

Nasceu em Cadiz, Espanha. Mudou-se para Paris, onde estudou com Pedrell. Compôs músicas
sobre a vida Espanhola, seus ritmos e sua alma, sem no entanto recorrer a melodias folclóricas.
Ao compor Noites nos Jardins de Espanha, foi considerado o maior compositor da Espanha de
seu tempo. Em Madri compôs a ópera La vida breve que ganhou o prêmio da Academia de
Bellas Artes, porém a ópera não chegou a estrear. Em Paris estreou o ballet El amo brujo, que
inclui a Danza ritual del fuego, compôs também Noches en los jardines de España. Graças a
estas músicas, Falla foi considerado o melhor compositor de seu tempo. Graças a insistência de
Miguel Llobet, Manuel de Falla compôs uma das obras mais expressivas do repertório
violonístico : Homenaje Pour Le Tombeau de Claude Debussy. Foi a primeira obra composta
para o violão por um compositor não violonista. Sua estreia foi com Emilio Pujol, em 2 de
dezembro de 1922. Morreu na Argentina em 1946.

Joaquim Turina (1882 - 1949)

Nasceu em Sevilla no dia 19 de Dezembro de 1882. Estudou em Sevilla e Madri Porém alcançou
seu amadurecimento musical em Paris. Foi aluno de D’Indy e amigo de compositores famosos
como Debussy, Ravel e Albéniz. Juntamente com Manuel de Falla, foi considerado um dos
maiores compositores Espanhóis da geração que se seguiu a Albenis e Granados. Escreveu para
vários instrumentos solistas, música de câmara, orquestras e também para violão. Suas obras
para violão foram todas dedicadas a Segovia, sendo consideradas de importância relevante
dentro da literatura violonística, como por exemplo: Sevillana, Fandanguilho (1926), Ráfaga
(1930), uma Sonata (1932), Homenage à Tárrega composta de dois movimentos Garrotin y
Soleares (1935). Sua Homenage à Tárrega tornou-se sua obra mais conhecida e executada. Além
de compositor foi também professor, escritor e musicólogo sendo autor da Enciclopédia
Abreviada de la Música.

Federico Moreno Torroba (1891 - 1982)

Nasceu em Madri Espanha em 1891. Foi aluno de Conrado del Campo, se destacando em
composições de zarzuelas. compôs uma grande variedade de músicas para o violão e que foram
em sua grande maioria dedicadas a Andrés Segovia. Sua primeira música considerada
importante composta para o violão foi a Suite Castellana de 1926. Compôs também o Nocturno
em 1927 e a Burgalesa em 1928. Porém a sua obra mais importante é a sua Sonatina, composta
em 1953. Tórroba possui uma grande produção para o violão sendo que ainda fazem parte de
suas obras Madroños composta em 1954, Aires de La Mancha de 1966 e o concerto para violão
e orquestra Homenaje a La Seguidilla. Até sua morte em 1982, foi presidente da Sociedade
Geral de Autores da Espanha e da Academia de Belas Artes de São Fernando.

Mario Castelnuovo Tedesco (1895 - 1968)

Compositor Italiano, nasceu em Florença no dia 3 de abril de 1895. Estudou piano e composição
com Del Valle e Pizzetti no instituto Cherubini de Florença. E logo se destacou como um dos
compositores vanguardistas da Itália. Como tantos outros compositores, admiradores de Andrés
Segovia, dedicou-lhe uma obra entitulada Variazioni attraverso i secoli op. 71 em 1932, que
consta de uma Chaconne e cinco variações. Compôs também a sonata Omaggio a Boccherini,
op. 77 em 1934; Tarantella op. 87 em 1936; o Capricho Diabolico e Ommaggio a Paganini, op.
85 em 1939. Atendendo a insistentes pedidos de Segovia, ele compôs o Concerto in D op. 99 em
1939. Compôs ainda a Suite op. 133 em 1947; Serenade op. 118 em 1943 e Second Concerto in
C op. 160 em 1953, ambas para violão e orquestra; o Guitar Quintet op. 143 para violão e
quarteto de cordas em 1950; Platero y Yo op. 190 em 1960; 28 poemas de Juan Ramon Jiménez
para violão e narrador; 24 Caprichos de Goya op. 195 em 1961; Sonatina for Flute and Guitar
op. 205 em 1965. Para o duo de violões composto por Ida Presti e Alexandre Lagoya ele compôs
a seguintes músicas: Sonatina Canonica op. 196 em 1961; Les Guitares bien temperées op. 199
em 1962, 24 Prelúdios e Fugas e o Concerto for two Guitars and Orchestra op. 201 em 1962.

Manoel Maria Ponce (1886 - 1948)

Mexicano, nasceu em Fresnill, estado de Zacatecas em 08 de dezembro de 1886. Autor de


numerosas obras para distintos instrumentos de câmara e sinfônica. Foi um dos mais importantes
da literatura romântico moderno do violão. De sua amizade com Andrés Segovia, resultou uma
grande produção de obras para o violão, tais como: Sonata Mexicana (1923) em que o
compositor utiliza temas folclóricos, Théme Varié et Finale (1926), 20 variações e Fuga sobre
Folia de Espanha em 1929, obra esta considerada por muitos como uma das maiores obras
escrita para o violão do século XX (DUDEQUE, Norton. História do violão. Editora UFPR. Pag.
88), Concerto del Sur (estreado por Andrés Segovia em 1941 em Montevidéu coincidindo com
uma excursão de Ponce pela América do Sul), Sonata para violão e cravo, Sonatas para violão
solo: Sonatina Meridional (1932), Sonata Clássica (1930) em homenagem a Sor, Sonata
Romântica (1928) em homenagem a Schubert, Sonata Terceira, Sonata primeira, Sonata
Mexicana. Obras diversas como: 24 Prelúdios (1929) de grande importância didática, alem de
diversas obras no estilo antigo, destacando-se a Suite em La maior (homenagem a S. L. Weiss),
Suite em Re menor (homenagem a Alessandro Scarlatti), 3 canções populares mexicanas. Aos 44
anos foi para Paris estudar com Paul Dukas, fato este que influenciou bastante suas composições
como por exemplo a mistura da música popular e impressionismo presente em seu Concerto del
Sur.

Alexandre Tansman (1897 -1986)

Compositor, nasceu em Lodz no dia 12 de junho de 1897. Começou a compor muito jovem,
chamando a atenção de alguns compositores da época. Compôs uma grande variedade de
músicas para o violão, como por exemplo Mazurka de 1928 em homenagem a Andrés Segovia;
Cavatina, composta em 1951 e obtendo o 1º lugar no Concorso Internazionali da Accademia
Chigiana Di Siena, ela é composta de 4 movimentos originalmente sendo que por sugestão de
André’s Segovia ele incluiu sua Danza Pompoza como um 5º movimento; Suite in Modo
Polonico em 1964; Homenage à Chopin em 1972; Variations sur un thème de Scriabin em 1972;
Musique de Cour em 1971 que é um concertino para violão e orquestra de câmara com um tema
baseado nas músicas de Robert de Visée.

Regino Sains de la Maza (1897 - 1981)

Notável concertista e compositor Espanhol, nasceu em Burgos em 17 de Setembro de 1897.


Estudou piano quando criança, porém apaixona-se pelo violão começando a estuda-lo em 1910.
Muda-se em 1913 para Argentina porém já havia alcançado grandes progressos como
instrumentista muda-se então para Madri para estudar com Daniel Fortea, que por sua vez foi
aluno de Tárrega. Regino Sainz de la Maza mantém uma relação mais sólida com Daniel Fortea,
pois além de seu aluno foi também seu hóspede. Era possuidor de uma grande cultura musical,
foi também um grande concertista em sua época porém não alcançou fama, não por falta de
talento, mas sim por um acaso do destino. Joaquin Rodrigo, o grande compositor espanhol
dedico-lhe o seu concerto mais famoso o Concierto de Aranjuez, composto em 1939 e estreado
por ele em 1940 em Barcelona. Ele faz uma tournée pelo Brasil no ano de 1929, apresentando-se
primeiramente em São Paulo e logo em seguida no Rio de Janeiro. Durante sua estada no Rio de
Jeniro, concede uma entrevista à Revista O Violão.

Joaquim Rodrigo (1902 - 1999)

Nasceu em 22 de novembro de 1902 em Sagunto, na província de Valência, Espanha. Cego


desde os 3 anos de idade e mesmo assim começou a estudar música muito cedo com o professor
e compositor Lopez Chavarri. No conservatório de Valência estudou harmonia e composição
com o professor Francisco Anlich. Em 1927 mudou-se para Paris, onde estudou composição
com Paul Dukas, e tornou-se amigo de Manuel de Falla. Compôs o Concierto de Aranjues em
1939 dedicando-o a Regino Sainz de la Maza, que o estreou em 1940 em Barcelona. É a sua
obra mais famosa. Para Andrés Segovia dedicou a Fantasia para un Gentilhombre composta em
1955 e estrada por Segovia em março de 1958 em São Francisco da Califórnia, Estados Unidos.
Como tema da Fantasia, Rodrigo se inspirou no guitarrista espanhol Gaspar Sanz. Ainda para
violão e orquestra compôs o Concierto Andaluz em 1967 para 4 violões e orquestra; o Concierto
Madrigal em 1968 para 2 violões e orquestra e também o Concierto para una Fiesta dedicado a
Pepe Romero. Para violão solo escreveu Tres Pieza Españolas em 1963 dedicada a Segovia; Por
los Campos de España em 1958; Trois Petites Pieces em 1963 e Elogio de la Guitarra em 1971.
Rodrigo morreu em 06 de outubro de 1999 aos 97 anos.

América

Augustim Barrios Mangore (1885 - 1944)

Paraguaio, boêmio, cuja vida esteve entre altos e baixos tanto nas execuções em público como
nas gravações. Era feio, tanto que chegou a fazer uma cirurgia estética, por outro lado era
considerado um homem bom e querido. Artista excepcional com dupla qualidade de intérprete e
compositor, foi um dos mais brilhantes violonistas de sua época, e um dos mais importantes e
férteis compositores da literatura romântica do violão depois de Tárrega. Foi elogiado após um
concerto em Buenos Aires por Segovia, Regino Sainz de la Maza e Domingo Rapat. Fez uma
grande tournée, visitando vários paíse, entre eles a Alemanha, Bélgica, Espanha, Brasil,
Argentina, Chile, Venezuela, México, Cuba e alguns outros países do Caribe. Na Venezuela e no
México atuou com roupas e nome de índio. Sua vinda ao Brasil se deu em 1917, Casou-se com
uma brasileira chamada Glória. Junto a uma obra de qualidade excepcional, encontra-se outra
com trivialidades ou com marcada influência européia, principalmente Espanhola. Faleceu em
El Salvador. Escreveu um grande número de obras da maior importância na literatura romântica
do violão, como por exemplo: Un Sueño en la Floresta composta em 1918, La Catedral e Las
Abejas em 1921, Danças Paraguaias em 1924, Choro da Saudade, Allegro Sinfónico, Confeción,
algumas valsas, trêmulos, Gavota, o Estudo em Lá e Una Lismonada por el Amor de Dios foram
uma de suas últimas obras. Suas músicas são de um alto grau de dificuldade técnica, porém
muito harmônica e expressiva.

Brasil

Intérpretes

André Campos Machado

Professor do Departamento de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Uberlândia, onde


ministra as disciplinas Violão e Música Computacional, além de coordenar o Núcleo Avançado de
Computação Sônica e Multimídia.
Nascido em 21 de março de 1965 na cidade de Ituiutaba - MG. Começou seus estudos musicais aos 5
anos com a Flauta Doce, sob a orientação do professor Calimério Soares. Aos 7 anos iniciou o estudo de
Piano no Conservatório Estadual de Música Dr. José Zoccoli de Andrade, onde paralelamente aos
estudos de Piano, também freqüentou as aulas de trompete e acordeon. Aos 11 anos abandona o curso de
Piano para se dedicar ao estudo do Violão, instrumento com o qual formou-se como aluno do professor
Abadio da Costa Filho. No último ano do Curso Técnico estudou também Flauta Transversal como
instrumento complementar.

Em 1987 graduou-se em Educação Artística - Música, na Universidade Federal de Uberlândia,


estudando Violão com os professores Eustaquio Alves Grilo e Jodacil Caetano Damaceno. Em 1993
especializou-se em Métodos e Técnicas de Pesquisa em Música, no Departamento de Música e Artes
Cênicas - UFU. Como projeto de pesquisa, abordou o seguinte tema: Garoto e sua influência no
surgimento da Bossa Nova, sob a orientação do Dr. Estércio Marques Cunha. Concluiu 2001 o Mestrado
em Ciências, no Departamento de Engenharia Elétrica – UFU, Na área de Inteligência Artificial, sendo
que na dissertação abordou o tema: Tradutor de Arquivos Midi para texto utilizando linguagem
funcional CLEAN, sob orientação do Dr. Luciano Vieira Lima.

Trabalhou no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli, Uberlândia – MG, como
professor de Violão de 1983 a 2004, onde ministrou a disciplina Computação Musical de 1996 a 2004.
Foi ainda regente da Orquestra de Violões e, ministrou também a disciplina Leitura à 1ª Vista,
Transposição e Acompanhamento e durante o período de fevereiro de 1992 a janeiro de 1993 exerceu
paralelamente às atividades de professor, a função de Vice-Diretor.

Durante os anos de 2000 e 2001 foi professor do Curso de Especialização em Música do Século XX
promovido pelo Departamento de Música e Artes Cênicas da UFU, onde ministrou as disciplinas:
Educação Musical e Tecnologia e Editoração Musical. Publicou pela Editora Érica de São Paulo, 11
livros sobre Computação Musical (link Livros na página inicial) e pela EDUFU, Editora da
Universidade Federal de Uberlândia, 4 cadernos de partituras (link Partituras na página inicial). É
colaborador da revista Playmusic, onde publicou mais de 80 textos relacionados à Computação Musical.

De janeiro à agosto de 2005 trabalhou como Assessor Administrativo da Secretaria Municipal de


Cultura de Uberlândia.