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Estudo comparativo entre estruturas em concreto armado de múltiplos pavimentos

dimensionados com a velocidade do vento estabelecida pela NBR 6123:1988 e a


obtida em estações meteorológicas em Sinop/MT

Comparison study of reinforced concrete structures of multiple floors dimensioned


with the speed of the wind established by NBR 6123:1988 and obtained at
meteorological stations in Sinop/MT

Mizael Rodrigo Picinini1, Julio Cesar Loss Junior2

Resumo: Para o correto dimensionamento de estruturas de concreto armado, o vento é um fator muito importante,
e a Norma que estabelece a velocidade diretriz é a NBR 6123:1988. A partir de estudos feitos por Giacomelli e
Ribeiro (2015), observou que a velocidade básica do vento estabelecida na norma para a região está subestimada
em cerca de 15%. Então, esse estudo, utilizou os dados das análises feitas por Lanini e Pinheiro (2016) com
edificios de 3 a 21 pavimentos, com variação de resistência característica a compressão, e relação em planta de
1:4, substituindo a velocidade básica do vento de 30 para 35 m/s, comparando o quantitativo e, gerando o aumento
no consumo dos materiais. A obtenção dos dados foi feita pelo AltoQi Eberick V8 Gold, e a organização dos
resultados pelo Microsoft Excel 2013. A partir das comparações realizadas, conclui-se que: (I) Ocorreu aumento
no consumo de aço devido ao acréscimo de cargas horizontais; (II) quanto maior a altura da edificação, maior foi
o aumento no consumo de materiais; (III) Para a estrutura de 21 Pavimentos, o consumo médio de aço
(kgaço/m3concreto) aumentou em 5,53% e 8,94% nos pilares e nas vigas, respectivamente.

Palavras-chave: Vento; velocidade básica; consumo de materiais.

Abstract: For the correct sizing of reinforced concrete structures, the wind is a very important factor, and the norm
laying down the guideline is the NBR 6123:1988. From studies made by Giacomelli and Ribeiro (2015), was noted
that the basic speed of the wind established in the norm for the region is underestimated by about 15%. So, this
study used the data of the analyses made by Lanini and Pinheiro (2016) with buildings of 3 to 21 floors, with variation
of characteristic compression resistance, and ratio in plant of 1:4, replacing the basic wind velocity of 30 to 35 m/s,
compared to the quantitative and, generating the increase in the consumption of the materials. Obtaining the data
was made by the AltoQi Eberick V8 Gold, and the organization of the results by Microsoft Excel 2013. From the
compartments, it is concluded that: (i) Increased steel consumption occurred due to the addition of horizontal loads;
(ii) The greater the height of the building, the greater the increase in the consumption of materials;(iii) for the 21
floor structure has occurred excessive horizontal offset, and the average steel consumption (kgSteel/m³Concrete)
increased by 5.53% and 8.94% on the pillars and Beams, respectively.

Keywords: Wind; Basic speed; Consumption of materials.

1 Introdução causar esforços e deformações, ou seja, identificar as


ações permanentes, variáveis e as excepcionais.
Nas grandes cidades torna-se viável a construção de
prédios em virtude do próprio mercado imobiliário, isto Dentre as ações variáveis encontra-se o vento, que
é, a escassez da oferta de terrenos mais centralizados, segundo Vanin (2011), refere-se a um movimento livre
acaba por elevar seu preço, sendo assim, procura-se o do ar, causado por diferenças na pressão atmosférica,
máximo de aproveitamento da área adquirida ou em virtude das variações de temperatura, atingindo
disponível. A maioria desses edifícios são construídos qualquer obstáculo por onde passa, impactando,
em concreto armado. inclusive, nas obras de engenharia.
Conforme Araújo (2014), por concreto armado Além da transmissão das cargas das vigas para as
entende-se a combinação entre o concreto simples e fundações, são os pilares que resistem as ações do
barras de aço, onde o aço garante a resistência aos vento, formando pórticos com as vigas ou pela
esforços de tração, compensando o baixo desempenho utilização de pilares com grande rigidez (ALVA, 2007).
do concreto nessa característica.
O correto dimensionamento dos pilares transforma-se
Bastos (2006) também reforça acerca da combinação em fator de sucesso na execução da obra, logo,
presente no concreto armado, enfatizando que a necessita-se de acuracidade nos dados utilizados,
eficiência da composição atrela-se a capacidade de como o parâmetro da velocidade do vento. Acerca
aderência entre os dois elementos. desses parâmetros, a NBR 6123 é a Norma que
determina a força do vento, sendo publicada em 1988,
Para um correto dimensionamento de estruturas em e como existia poucas estações meteorológicas na
concreto armado, atenta-se para atos que possam época, não se pode garantir uma exatidão necessária.
Estudo feito por Giacomelli e Ribeiro (2015)
1
estabeleceu uma velocidade básica do vento de
Graduando, Universidade do Estado de Mato Grosso, Sinop-
MT, Brasil, mizael.sinop@gmail.com
aproximadamente 35 m/s para Sinop-MT, sinalizando
2
Engenheiro Civil, Orientador, Universidade do Estado de defasagem na NBR 6123:1988 que considera para a
Mato Grosso, Sinop–MT, Brasil, julioloss.eng@gmail.com região uma velocidade de 30m/s. Pode parecer
pequena a diferença de menos de 5m/s, todavia,
quando considerada como carga dinâmica ocorre um 2.3 Vantagens e desvantagens no uso do concreto
aumento estimado de 36%.
Segundo Giongo (2007), as estruturas em concreto
Diante da desatualização da Norma, foram utilizados apresentam grandes vantagens quanto comparado a
os projetos de Lanini e Pinheiro (2016) que elaboraram outros materiais disponíveis, como: boa resistência a
estruturas com múltiplos pavimentos dimensionadas compressão, economia na construção, mão-de-obra
com velocidade básica do vento da NBR 6123:1988; e, fácil, pouco permeável, adaptável, segurança ao fogo
alterado e calculado com a velocidade encontrada por (desde que seja executado o cobrimento da armadura
Giacomelli e Ribeiro (2015), posteriormente foi criado corretamente), gastos com manutenção reduzidos,
comparações determinando o aumento no consumo de entre outros. Já as desvantagens são: peso próprio
aço, concreto e fôrmas. considerado elevado (massa específica aparente de 25
kN/m³), dificuldades em reformas, abertura de fissura
2 Revisão Teórica devido à baixa resistência a tração que precisa ser
controlada, baixo conforto térmico e acústico, entre
2.1 Normatização outros.
Após pesquisa sobre a normativa existente que trata 2.4 Estabilidade global
sobre construções em concreto armado, encontrou-se
as principais regras que servem como embasamento, De acordo com a NBR 6118:2014, as verificações
a saber: (a) NBR 6118:2014 - Projeto de Estruturas de quanto à estabilidade das estruturas devem ser
Concreto; (b) NBR 6120:1980 - Cargas para o cálculo realizadas para efeitos de 1ª ordem, sendo analisada
de estruturas de edificações; (c) NBR 14931:2004 – com configuração geométrica inicial, e para efeitos de
Execução de Estruturas de Concreto; (d) NBR 2ª ordem, considerando a estrutura deformada na
7480:2007 - Barras e Fios de Aço Destinados a análise do equilíbrio estrutural.
Armaduras para Concreto; (e) NBR 6123:1988 - Forças Essa estabilidade é controlado através de parâmetros
devido ao vento em edificações; (f) NBR 8681 – de instabilidade (“α” e “γz”) e, os cálculos de
03/2003 - Ações e segurança nas estruturas. deslocamento no topo da edificação.
2.2 Propriedades dos materiais 2.4.1 Parâmetro de Instabilidade “α”
2.2.1 Concreto Este parâmetro foi proposto por Beck e Konig em 1966,
O concreto é um composto formado por agregados e tem o objetivo de ajudar o engenheiro de estruturas
graúdos (pedra ou brita), agregados miúdos (areia na avaliação do deslocamento dos edifícios. Se o
natural ou artificial), aglomerante hidráulico (cimento) e coeficiente for menor que certo valor limite, os efeitos
água. Dependendo a ocasião pode ser feito o uso de globais de segunda ordem podem ser ignorados,
adições que visam a melhoria de resistência à devendo ser verificados os pilares isoladamente, senão
compressão, à tração, à abrasão, entre outros. devem ser considerados, fazendo uma análise na
Também pode ser usado aditivos químicos que estrutura (OLIVEIRA, 2009).
aceleram ou retardam pega, e melhora de manuseio 2.4.2 Coeficiente “γz”
quanto a relação água/cimento for baixo. (GIONGO,
2007). Ainda de acordo com Oliveira (2009) o uso do
coeficiente “γz”, foi um grande avanço para
Segundo Bastos (2006), os agregados são determinação da estabilidade global, sua importância é
encontrados na natureza, como areia de rios e devido ao fato de prever os efeitos de segunda ordem
pedregulhos; e os artificiais que são originários de na estrutura, funcionando como coeficiente de
rochas trituradas como as britas. Eles são classificados majoração aos esforços globais. O coeficiente “γz” é
quanto a seu tamanho, os de diâmetro máximo igual ou muito usado para edifícios altos. De acordo com a NBR
inferior a 4,8 mm chama-se agregados miúdos e 6118:2014, o limite do coeficiente “𝛾𝑧” é 1,30, valores
diâmetro máximo maior que 4,8 mm chama-se de
acima disso revelam que a estrutura possui grau de
agregados graúdos.
instabilidade alto, ou seja, é uma estrutura instável e
A água é muito importante para a garantia das impraticável. Valores inferiores a 1,0, ou mesmo
propriedades de resistência e durabilidade do concreto, negativos, são incoerentes e indicam que a estrutura é
pois possibilita as reações químicas do cimento, totalmente instável.
chamadas de reações de hidratação, e ainda lubrifica
2.4.3 Cálculo de deslocamento no topo da edificação
o restante das partículas facilitando o manuseio do
concreto. (BASTOS, 2006). E deslocamento horizontal no topo da edificação
provocado pela ação do vento, não deve ser maior que
2.2.2 Aço para concreto armado
H/1700; sendo H a altura total da edificação (NBR
O concreto é muito resistente a compressão, mas 6118:2014).
resiste somente a aproximadamente 10% a tração, 2.5 Ações nas estruturas de concreto armado
torna-se então obrigatório o uso de algum material,
como o aço, que ofereça grande resistência mecânica; Segundo Araújo (2014), as ações são as geradoras de
com essa união o aço absorve os esforços de tração, e esforços ou deformações nas estruturas, sendo
o concreto aos esforços de compressão, porém, para classificadas em permanentes, variáveis e
obtenção de um bom resultado necessita de aderência excepcionais.
entre os dois elementos (BASTOS, 2006).
Segundo a ABNT (2003), ações permanentes são as
A norma NBR 7480 (2007) é responsável por ações que irão fazer parte de uma estrutura durante
determinar as condições exigíveis na encomenda, todo o seu tempo de utilização.
fabricação e fornecimento de barras e fios de aço
destinados a armaduras para concreto armado. As ações variáveis, segundo Araujo (2014), são as que
acontecem com valores que sofrem grandes variações
durante a vida útil da estrutura; e, as ações Onde, 0,613 é um fator de correção em função da
excepcionais são as que tem duração curta e baixa massa específica do ar, válido para as condições
probabilidade de ocorrer, porém devem ser normais de temperatura e pressão (VANIN, 2011).
consideradas em projeto.
2.5 Estado da Arte
2.6 Ação do vento na estrutura
Nos últimos anos, diversos estudos foram elaborados
2.6.1 O vento na UNEMAT, Campus de Sinop, sobre avaliação
técnico-econômica de edifícios em concreto armado,
O vento se forma devido a diferenças de massas de ar que levam em consideração: número de pavimentos,
na atmosfera, facilmente observado quando uma frente variação de resistência a compressão, relação em
fria chega no local e se choca com ar quente. A região planta, entre outros.
que sopra o vento, em relação a edificação recebe o
nome de barlavento, e a oposta é denominada Lanini (2016) elaborou projetos estruturais de edifícios
sotavento (OLIVEIRA JUNIOR, 2014). em concreto armado com variação de 3 a 21
pavimentos tipo, relação geométrica em planta de 1:4
Para Barboza (2008), o vento pode causar muitos e resistência característica a compressão de 25, 30, 35
danos a estruturas mal projetadas, pois em edifícios e 40 MPa, concluindo que edifícios dimensionados de
altos e esbeltos a sua ação causa deslocamentos 35 MPa são mais viáveis economicamente.
horizontais significativos, devido a momentos fletores
de segunda ordem, tal efeito se torna mais significativo Em relação a velocidade básica do vento, devido a
em edificações com lajes lisas e cogumelo por não incertezas na precisão na NBR 6123:1988, alguns
haver contraventamento das vigas. estudos foram elaborados. Giacomelli e Ribeiro (2015)
coletaram dados de estações do INMET localizadas em
2.6.2 NBR 6123:1988: “Forças devidas ao vento em Sinop e Sorriso, e após aplicados métodos de Fréchet
edificações” e de Gumbel constataram que a velocidade básica do
A velocidade característica do vento utilizada para vento para a região estava subestimada em 15%.
dimensionamento de estruturas, é obtida a partir da Já Ferreira (2015) após estudos, determinou uma
Equação 1: velocidade básica do vento na Paraíba de 40% menor
do que especifica a norma, e, posteriormente
𝑉𝑘 = 𝑉0 𝑆1 𝑆2 𝑆3 (Equação 1) dimensionou estruturas em concreto armado com as
duas velocidades, concluindo que se dimensionado
Sendo: edifícios com a nova velocidade pode-se reduzir o
consumo de concreto e aço em 1,53% e 7,14%,
Velocidade básica do vento Vo: De acordo com a ABNT
respectivamente (13 pavimentos), e, redução de
(1998, p.5), “a velocidade básica do vento, Vo é a
concreto e aço de 21,24% e 26,8%, respectivamente,
velocidade de uma rajada de 3 s, excedida em média
(33 pavimentos).
uma vez em 50 anos, a 10 m acima do terreno, em
campo aberto e plano”. A norma admite uma Os trabalhos citados acima foram os que motivaram na
velocidade básica de 30 m/s para a região de Sinop. elaboração desse estudo.
Entretanto, o estudo conduzido por Giacomelli e 3 Metodologia
Ribeiro (2015) coletou dados relacionados ao vento em
estações do INMET localizadas na região de Sinop-MT, 3.1 Materiais
e aplicando métodos de Fréchet e de Gumbel, Este projeto, possui natureza teórica, então os
determinou que a velocidade básica do vento para materiais foram basicamente os seguintes softwares:
Sinop é de aproximadamente 35 m/s.
AltoQiEberick V8 Gold: Foi utilizado esse programa
Fator topográfico S1: Segundo a ABNT (1988), Esse para as análises estruturais globais e locais,
fator está relacionado a topografia do terreno, sendo dimensionamento, verificação, obtenção dos
determinado na seguinte forma: a) terreno plano ou resultados e quantitativo de insumos.
francamente acidentado, S1= 1,0; b) para taludes e
morros deve-se observar a Figura 8; c) vales Microsoft Excel 2013: Usado para organização dos
profundos, protegidos de vento de qualquer direção: resultados e geração de gráficos.
S1=0,9. 3.2 Métodos
Fator de rugosidade S𝟐: O fator S2 é definido a partir da Este projeto atendeu as normas da ABNT referentes a
escolha de uma categoria que relaciona a rugosidade estruturas de concreto armado, assim como, teses de
do terreno e uma classe em relação as dimensões da mestrado, doutorado e artigos já mencionados.
edificação. Subdividindo em etapas:
Fator estatístico S3: Este fator se baseia em conceitos 3.2.1 Projeto Arquitetônico
estatísticos e é considerado o grau de segurança e a
vida útil que a edificação requer (ABNT, 1988). Como a finalidade foi de criar comparações de
estruturas, foi usado o mesmo projeto arquitetônico do
Pressão dinâmica: Com a Velocidade característica do estudo de Lanini e Pinheiro (2016), com dimensões em
vento obtida pela Equação 1, pode-se determinar a torno de 15 m por 60 m, totalizando uma área de
pressão dinâmica pela Equação 2, sendo q em N/m² e 900m², e a relação em planta, é de aproximadamente
Vk em m/s (ABNT, 1988). 1:4. A Figura 1 apresenta o projeto arquitetônico
utilizado.
𝑞 = 0,613𝑉𝑘2 (Equação 2)
Giacomelli e Ribeiro (2015), a saber: velocidade básica
do vento segundo NBR 6123 (V0=30m/s), e para
Giacomelli (V0=35 m/s); fator topográfico S1=1,0 (Item
5.2), considerando terreno plano ou ainda fracamente
acidentado; fator S2 refere-se a rugosidade do terreno,
Figura 1 – Planta do projeto arquitetônico do pavimento tipo. dimensões e a altura da estrutura, e foi obtido
Fonte: Lanini e Pinheiro, 2016. automaticamente pelo software de acordo com o item
5.3 da ABNT (NBR 6123:1988).
3.2.2 Concepção estrutural Fator estatístico S3=1,0, edificação residencial com alto
fator de ocupação. Os Coeficientes de Arrasto (Ca)
Assim como o projeto arquitetônico, a concepção foi a foram calculados para cada pavimento conforme
mesma proposta por Lanini e Pinheiro (2016), para estabelece a NBR 6123:1988, considerando-se as
estruturas com múltiplos pavimentos, variando de 3 á alturas relativas a cada pavimento, bem como as
21, conforme ilustrado na Figura 2. dimensões em planta da edificação.

Também foi definido por Lanini e Pinheiro (2016) de


acordo com a NBR 6118:2014 os itens: agressividade
ambiental – Classe II; cobrimento das armaduras
(ambientes externos) de 2,5 cm e 3,0 cm para lajes e
pilares/vigas respectivamente; diâmetro máximo do
Figura 2 – Planta de formas do pavimento tipo. Fonte: Lanini agregado – 19mm; fck (25, 30, 35 e 40 MPa); fyk (CA50
e Pinheiro, 2016. para vigas e lajes, e CA50 e CA60 para pilares).
A Tabela abaixo, apresenta a nomeação dos edifícios. 3.2.3 Análise estrutural
Ressaltando que para ambas as propostas foram
utilizados fck de 25, 30, 35 e 40 MPa. Através do software Eberick, foram lançados valores de
velocidade básica do vento de 35 m/s para os Casos
Tabela 1 – Casos propostos
de “A” até “F”, substituindo o valor de 30 m/s do projeto
Número de inicial. Após esse procedimento, foi verificado as
Nível (m) Proposta
pavimentos tensões do concreto, dimensionamento de armaduras,
deslocamentos verticais, deslocamentos horizontais e
3 9 A
também a instabilidade (coeficiente “α”).
5 15 B
7 21 C No caso do coeficiente “γz”, as variações decorrentes
da alteração da velocidade básica do vento não foram
10 30 D
significativas – mesmo o programa considerando como
15 45 E limite o valor 1.10 – em virtude da manutenção dos
21 63 F valores de carga vertical previstos no projeto utilizado
por Lanini e Pinheiro (2016). Para todos os casos o
Fonte: O autor, 2017 coeficiente “γz” ficou abaixo de 1,3, conforme
estabelece a NBR 6118:2014.
As ações verticais, tanto permanentes quanto
variáveis, foram definidas por Lanini e Pinheiro (2016) Nos Casos apresentadas por Lanini e Pinheiro (2016)
em conformidade com as indicações propostas na às seções transversais dos elementos estruturais,
ABNT NBR 6120:1980. foram: vigas variando entre 15x40 a 15x60cm para os
Quanto às ações permanentes, conforme estabelecido Casos “A”, “B” e “C”, e 20x40 a 20x60 para os casos
na NBR 6120:1980, têm-se: peso próprio da estrutura “D”, “E” e “F”; pilares variando entre 15x30cm a 15X80
em concreto armado, peso específico de 25 kN/m³; para os Casos “A”, “B” e “C”, e 20x30 a 25x120 para os
paredes com espessura de 15 cm de tijolos furados Casos “D”, “E” e “F”; as lajes limitaram-se a variação
com peso específico de 13 kN/m³; peso próprio do entre 8 e 10cm para todos os Casos.
acabamento do piso e forro (incluindo revestimento Foi necessário alterar as dimensões de alguns pilares
cerâmico, argamassa de assentamento e e vigas, devido ao aumento dos esforços de 2ª ordem,
regularização), 0,93 kN/m² (LANINI e PINHEIRO, porém as dimensões após mudanças mantiveram
2016). dentro do intervalo dos casos iniciais.
As ações variáveis, em conformidade com a NBR 3.3 Mapeamento dos quantitativos
6120:1980, foram compostas por sobrecargas de
utilização, divididas em: 0,5 kN/m² para forros sem Após analisados todos os casos no Eberick, foi extraido
acesso a pessoas e terraços inacessíveis a pessoas; a quantificação de insumos: aço (kg), concreto (m³) e
1,5 kN/m² para dormitórios, salas, cozinhas, banheiros fôrmas (m²); esses valores foram organizados no Excel
e copa; 2 kN/m² para área de serviço, despensa, e comparados com o projeto de Lanini e Pinheiro
lavanderia; 3 kN/m² para escadas e corredores com (2016), identificando (quando houver) o aumento no
acesso ao público. (LANINI e PINHEIRO, 2016). consumo de materiais.

O que definiu as ações variáveis horizontais, em virtude 4 Apresentação e Análise dos Resultados
das forças dos ventos, foi o determinado na NBR Com intuito de facilitar a compreensão dos resultados
6123:1988 e o trabalho acadêmico de Giacomelli e obtidos, as referências ao trabalho de Lanini e Pinheiro
Ribeiro (2015). (2016) será denominada como Projeto 1.
Destarte, estabeleceu-se os parâmetros do projeto 4.1 Casos “A, B e C”
conforme dados de Lanini e Pinheiro (2016) e
4.1.1 Consumo de Aço – Elemento Laje
Em relação ao consumo de aço, para as lajes, Figura 3 – Consumo de aço dos pilares Casos “A”, “B” e “C”.
manteve-se constante aos valores obtidos no Projeto Fonte: O autor, 2017.
1. Com a alteração na velocidade básica do vento,
O Caso “A” permaneceu com consumo médio de aço ocorreu aumento no consumo de aço, pois a estrutura
equivalente a 97,1 kgaço/m3concreto, com coeficiente de passou a ser mais solicitada devido ao aumento das
variação de 2,3%. O Caso “B” manteve o consumo cargas horizontais. Ainda, observa-se que, quanto
médio de aço de 94,9 kgaço/m3concreto, com coeficiente maior o número de pavimentos, maior foi o aumento no
de variação de 0,8%. O Caso “C” manteve o consumo consumo deste material.
médio de aço igual a de 95,7 kgaço/m3concreto, com Para os três casos, a relação que mais aumentou o
coeficiente de variação de 2,8%. consumo de aço foi a resistência característica a
Assim, os Casos “A”, “B” e “C” apresentaram consumo compressão de 25 MPa. Para o Caso “A” o aumento foi
médio de aço equivalente a 95,9 kgaço/m3concreto, com de 1,5%, para o caso “B” foi de 2,56% e no caso “C” foi
coeficiente de variação de 2,0%. de 7,55%.

4.1.2 Consumo de Aço – Elemento Viga Nos casos “A” e “B” as estrutura que menos aumentou
o consumo de aço foi a de fck de 40 MPa, sendo de
Considerando o aço para as vigas, houve um leve somente 0,50% e 1,02%, respectivamente. Para o caso
aumento no consumo em relação aos valores obtidos “C” a relação de resistencia característica a
no Projeto 1, já o consumo de concreto permaneceu compressão com menor aumento foi de 35 MPa, sendo
constante. 4,12%.
Para o Caso “A”, o consumo médio de aço passou de Importante ressaltar que para esses casos não ocorreu
89,0 kgaço/m3concreto para 89,4 kgaço/m3concreto, e aumento no consumo de concreto.
coeficiente de variação de 2,9%, para 3,1 %.
4.1.4 Consumo de Fôrmas
Para o Caso “B”, o consumo médio de aço foi de 93,0
kgaço/m3concreto, para 94,1 kgaço/m3concreto, mantendo o Em relação ao consumo de fôrmas, manteve-se
coeficiente de variação em 3,4%. constante aos valores obtidos no Projeto 1. O consumo
médio foi de 13,20 m²fôrmas/m³concreto, com coeficiente de
Já no Caso “C”, ocorreu aumento no consumo médio variação equivalente a 0,14%.
de aço de 96,3 kgaço/m3concreto, para 98,1 kgaço/m3concreto,
mantendo o coeficiente de variação em 3,7%. 4.1.5 Espessura média do pavimento

Em conclusão, os Casos “A”, “B” e “C”, passaram de A espessura média do pavimento é obtida pelo volume
um consumo médio de aço de 92,8 kgaço/m3concreto, para total de concreto, dividido pela área do pavimento tipo
93,8 kgaço/m3concreto, e com coeficiente de variação de e pelo número de pavimentos.
4,5% para 5,0%. Para os três casos apresentados acima, a espessura
4.1.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar média dos pavimentos tipo manteve-se praticamente
constante ao Projeto 1, caracterizando coeficiente de
Considerando o aço para os pilares, houve um leve variação de 0,40%. Podendo considerar então que, a
aumento no consumo em relação aos valores obtidos espessura média do pavimento tipo equivale a 13,6 cm.
no Projeto 1. O gráfico apresentado na Figura 3 mostra
o consumo de aço (kgaço/m³concreto) para a velocidade 4.2 Casos “D e E”
básica do vento de 30 m/s e 35 m/s. 4.2.1 Consumo de Aço – Elemento Laje
Em relação ao consumo de aço, para as lajes,
PILARES - Consumo de aço (kgaço/m³concreto)
manteve-se constante aos valores obtidos no Projeto
40 Mpa 146,64 1. O Caso “D” apresentou consumo médio de aço
140,38
147,89 equivalente a 97,8 kgaço/m3concreto, com coeficiente de
Caso "C"

35 Mpa 142,04 variação de 1,8%. O caso “E” apontou consumo médio


30 Mpa 170,77 de aço de 95,5 kgaço/m3concreto, com coeficiente de
162,72 variação de 1,6%.
25 Mpa 192,65
179,13 Por fim, os casos propostos apresentaram consumo
médio de aço equivalente a 96,6 kgaço/m3concreto, com
coeficiente de variação de 1,7%.
40 Mpa 130,44
129,13
4.2.2 Consumo de Aço – Elemento Viga
Caso "B"

35 Mpa 145,09
142,60 Considerando o aço para as vigas, houve um leve
30 Mpa 166,62 aumento no consumo em relação aos valores obtidos
163,43
178,27 no Projeto 1. Para o Caso “D”, o consumo médio de
25 Mpa 173,83 aço passou de 87,0 kgaço/m3concreto, para 90
kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação mantendo
em 3,5%. Para o Caso “E”, o consumo médio de aço
40 Mpa 155,97 passou de 92,2 kgaço/m3concreto para 100,1
155,20
Caso "A"

166,18 kgaço/m3concreto, e o coeficiente de variação passou de


35 Mpa 164,89 2,6% para 3,3%.
30 Mpa 176,87
174,63 Ao final, os Casos “D e E”, tiveram consumo médio de
25 Mpa 191,76 aço de 89,6 kgaço/m3concreto, para 95,0 kgaço/m3concreto, e
188,92 com coeficiente de variação de 4,2% para 6,4%.
Vo=35m/s Vo=30m/s
Fica constatado que, a alteração da velocidade básica 4.3 Caso “F”
do vento influenciou no aumento do consumo de aço
nas vigas, devido a mudança dos esforços horizontais 4.3.1 Consumo de Aço – Elemento Laje
atuantes, porém, o consumo de concreto permaneceu Em relação ao consumo de aço, para as lajes,
constante. manteve-se constante aos valores obtidos no Projeto
4.2.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar 1. O consumo médio de aço se manteve a 92,7
kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de 2,5%.
O gráfico exposto na Figura 4 mostra o consumo de
aço dos pilares para os casos propostos: 4.3.2 Consumo de Aço – Elemento Viga
Após a alteração da velocidade do vento, o Caso “F”
PILARES - Consumo de aço (kgaço/m³concreto) teve o consumo médio de aço aumentado em relação
ao Projeto 1, passando de 102,4 kgaço/m3concreto, para
174,55 113,5 kgaço/m3concreto com coeficiente de variação de
40 Mpa 156,81 2,8% para 2,3%.
179,37
Caso "E"

35 Mpa 163,91 Nota-se comparado aos demais casos propostos, o


173,06 Caso “F” apresentou o maior aumento no valor de
30 Mpa 158,75 consumo de aço em kgaço/m3concreto. Tal resultado
25 Mpa 182,62 justifica-se pela altura do edifício, que o torna mais
167,47 suscetível aos efeitos de 2a ordem e, também, devido
a necessidade de aumentar seções de vigas, afim de
enrijecer a estrutura, diminuindo o deslocamento. Com
40 Mpa 168,79
152,20 tais modificações, ocorreu aumento no consumo de
Caso "D"

157,70 concreto, porém com valores inferiores a 1%.


35 Mpa 144,57
4.3.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar
30 Mpa 182,76
168,69 Em relação ao Projeto 1, o consumo de aço no
25 Mpa 206,98 elemento pilar, apresentou aumento nos valores,
189,82
conforme o gráfico exposto na Figura 5.

Vo=35m/s Vo=30m/s PILARES - Consumo de aço (kgaço/m³concreto)

40 Mpa 108,68
Figura 4 – Consumo de aço dos pilares Casos “D e E”.
102,09
Fonte: O autor, 2017.
89,69
Caso "F"

35 Mpa
Com a alteração na velocidade básica do vento de 30 83,44
m/s para 35 m/s, ocorreu aumento no consumo de aço, 30 Mpa 105,72
pois a estrutura passou a ser mais solicitada devida aos 100,08
esforços de 2ª ordem. Ainda, observa-se que, quanto 128,89
25 Mpa
maior o número de pavimentos, maior foi o aumento no 124,70
consumo de aço. Vo=35m/s Vo=30m/s
Para os dois casos, a relação com maior aumento no
consumo de aço foi a de resistência característica a Figura 5 – Consumo de aço dos pilares Caso “F”. Fonte: O
autor, 2017.
compressão de 40 MPa. Para o Caso “D” o aumento foi
de 10,9%, e para o caso “E” foi de 11,31%.
Para o Caso “F”, houve a necessidade de aumentar as
Nos casos “D” e “E” as estruturas com menos aumento seções de alguns pilares, logo, ocorreu um aumento no
no consumo de aço foi a de fck de 30 MPa, sendo de consumo de concreto, fazendo com que a relação
8,34% e 9,01%, respectivamente. kgaço/m3concreto não fosse tão grande, quando
comparado aos Casos “D” e “E”, por exemplo.
Importante ressaltar que ocorreu um pequeno aumento
no consumo de concreto, porém, sendo inferiores a 1% Dos Casos “F”, o que teve um maior consumo de aço
para ambos os casos. foi o de fck 35 MPa, esse aumento no consumo de aço
foi de 7,48%.
4.2.4 Consumo de Fôrmas
Para o caso “F", o menor aumento no consumo de aço,
Para esses casos, ocorreu um pequeno acréscimo no sendo esse de 3,37%, ocorreu para o modelo de fck de
consumo de fôrmas (m²), em relação ao Projeto 1, 25 Mpa.
devido ao aumento de algumas seções dos elementos
(pilares), porém como está sendo analisado a relação 4.3.4 Consumo de Fôrmas
m²fôrmas/m³concreto, esse aumento torna-se praticamente
Para esse caso, ocorreu um pequeno acréscimo no
constante, apresentando consumo médio de fôrmas de
consumo de fôrmas (m²) em relação ao projeto 1,
11,90m²fôrmas/m³concreto, e coeficiente de variação
devido ao aumento de algumas seções dos elementos,
equivalente a 0,26%.
porém como está sendo analisado a relação
4.2.5 Espessura média do pavimento m²fôrmas/m³concreto, esse aumento torna-se praticamente
constante, o coeficiente de variação manteve em
Para os casos “D” e “E” apresentados, a espessura 1,65%. Assim, o consumo médio de fôrmas manteve a
média dos pavimentos tipo manteve-se constante ao 11,30 m²fôrmas/m³concreto.
Projeto 1, a espessura média do pavimento tipo foi de
15,5cm, e coeficiente de variação de 1,3%. Se considerar para análise somente o consumo de
fôrmas (m²), o consumo médio passou de 31.067,50
m² para para 31.165,52 m², com coeficiente de exceto no caso “F”, justificado pelo aumento das
variação de 2,22% para 2,4%. seções transversais das vigas, que consequentemente
aumenta a rigidez do pórtico – e posterior aumento do
4.3.5 Espessura média do pavimento volume de concreto das seções dos pilares, que
A espessura média dos pavimentos tipo sofreu um leve implicam na redução da relação kg/m³.
acréscimo em relação ao Projeto 1, pois foi necessário O gráfico da figura 7, apresenta o consumo de aço em
o aumento de algumas seções, alterando o coeficiente kg.
de variação de 0,5% para 2,1%. A espessura média do
pavimento tipo passou de 17,96cm para 18,03cm.
Consumo de aço (kg)
4.4 Relações entre casos propostos
100 .000,0 0

9,99 10,51 6,86 12, 00

4.4.1 Consumo de Aço – Elemento Laje 90. 000,00

10, 00

80. 000,00

Em relação ao consumo de aço, para as lajes, 70. 000,00

manteve-se constante aos valores obtidos no Projeto


8,0 0

60. 000,00

5,45
1, com coeficiente de variação dos Casos “A até F” 50. 000,00 6,0 0

equivalente a 2,5%. Desse modo, pode-se fixar o 40. 000,00

consumo médio de aço equivalente a 95,6


4,0 0

30. 000,00

1,89
kgaço/m3concreto. 20. 000,00 1,05 2,0 0

10. 000,00

4.4.2 Consumo de Aço – Elemento Viga 0,0 0 0,0 0

3 5 7 10 15 21
Conforme a concepção estrutural do Projeto 1, para as
Pavimentos
vigas, os Casos “A a F” englobam duas composições
distintas: vigas com espessura de 15cm para os Casos
“A, B e C”, e vigas com 20cm de espessura para os Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento (%)
Casos “D, E e F”.
Assim sendo, com base nas composições realizadas e Figura 7 – Consumo de aço médio “kg”. Fonte: O autor,
2017.
na análise estatística elaborada a partir dos dados
obtidos, têm-se que de 3 a 7 pavimentos (“A até C”), o
Para o caso “A”, o consumo médio de aço aumentou
consumo médio de aço passou de 92,8 kgaço/m3concreto,
1,05%, ou seja, 56,05 kg. Para o Caso “B”, o aumento
para 93,8 kgaço/m3concreto com coeficiente de variação
foi de 1,89%, ou seja, 191,10 kg. Para o caso “C”,
de 4,5% para 5,0%.
aumentou 5,45%, representando consumo de 881,85
Para os casos “D” e “E”, o consumo médio de aço kg a mais.
aumentou de 89,6 kgaço/m3concreto, para 95,0
Para o caso “D” o aumento foi de 10%, ou seja,
kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de 4,2%
2.568,43 kg. Para o caso “E” foi de 10,51%, ou seja,
para 6,4%.
5664,23 kg.
Por fim, edifícios com 21 pavimentos passaram de
No caso “F” o aumento foi de 6,86%, equivalente á
consumo médio de aço de 102,4 kgaço/m3concreto, para
6.060,30 kg. Conforme justificado anteriormente, essa
113,5 kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de
redução no aumento se comparado aos casos “D” e “E”
2,8%, para 2,5%.
foi decorrente do acréscimo nas dimensões das seções
4.4.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar de pilares e vigas, aumentando o consumo de
concreto.
O gráfico exposto na Figura 6 apresenta o consumo
médio de aço dos pilares para os casos propostos 4.4.5 Consumo de concreto – Elemento viga
relacionados ao número de pavimentos existentes:
Para os casos “A” até “E”, o consumo de concreto nas
PILARES - Consumo médio de aço vigas não apresentaram aumentos (Projeto 1), visto
(kgaço/m³concreto) que as seções mantiveram se inalteradas. Já no Caso
“F”, foi necessário o aumento nas seções de algumas
108,24
21 vigas na direção “y”, afim de enrijecer a estrutura e
102,58
diminuir o deslocamento horizontal, passando de um
177,40 consumo médio de concreto de 1.045,25 m³ para
15
161,73 1.048,95 m³, representando um aumento de 0,35%. A
estrutura que mais aumentou o consumo de concreto
Pavimentos

179,06
10 foi a de 30 MPa, equivalente a 0,60%. A de 35 MPa o
163,82
consumo permaneceu inalterado, pois não precisou
164,49
7 alterar seções das vigas.
156,07
155,11 4.4.6. Consumo de concreto – Elemento Pilar
5
152,25 Para os casos “A” até “D”, o consumo de concreto se
3
172,69 manteve os mesmos do Projeto 1. Para os casos “E” e
170,91 “F”, houve um pequeno aumento decorrente do
Vo=35m/s Vo=30m/s incremento nas dimensões de alguns pilares tanto para
corrigir erros de dimensionamento (15 e 21
Figura 6 – Consumo de aço dos pilares Casos “A até F”. Pavimentos), tanto para deslocamentos excessivos (21
Fonte: O autor, 2017. Pavimentos). No Caso “E” o maior aumento no
consumo de concreto foi na estrutura de 35 MPa, com
Nota-se que conforme cresce o número de pavimentos, acréscimo de 0,29%. Já o caso “F” ocorreu o maior
ocorre aumento na relação kgaço/m3concreto nos pilares,
aumento na estrutura de 25 MPa, com 3,24%, ou seja Referências
28,5 m³ a mais. Para 35 MPa não ocorreu aumento,
visto que as seções não foram alteradas. ALVA, G. M. S. Concepção Estrutural de Edifícios Em
4.4.7 Consumo de Fôrmas Concreto Armado. Santa Maria, Maio 2007.

Em relação ao consumo de fôrmas, a relação ALVA, G. M. S.; MALITE, M. Comportamento Estrutural


m²fôrmas/m³concreto manteve-se constante aos valores E Dimensionamento de Elementos Mistos Aço
obtidos no Projeto 1. Concreto. São Carlos, 2005.
Para composições com até oito (8) pavimentos, tem-se
consumo médio de fôrmas equivalente a 13,5 ALVA, G. M. S. Ações horizontais em edifícios.
m²fôrmas/m³concreto, com coeficiente de variação Disponível
equivalente a 1,0%. Composições com nove (9) a 21 em:<http://coral.ufsm.br/decc/ECC1008/Downloads/A
pavimentos possuem consumo médio de fôrmas ula_Vento_Desaprumo_2sem14.pdf> Acesso em: 18
equivalente a 12,0 m²fôrmas/m³concreto, com coeficiente de de Abril de 2016.
variação equivalente a 2,3%, que são os resultados
encontrados por Lanini e Pinheiro (2016). ARAÚJO, J. M. D. Curso de Concreto Armado. 4ª. ed.
Rio grande: Dunas, v. 1, 2014.
Porém quando analisado somente o consumo de
fôrmas (m²), ocorreu aumentos, mas, para todos os
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
casos, ficou abaixo de 1%, exceto no caso “F” com fck
TÉCNICAS. NBR 6120: Cargas para o cálculo de
de 25 MPa, que passou de 10.061,70 m² para
estruturas de edificações, Rio de Janeiro, 1980.
10.346,70 m², ou seja, 2,83% de aumento.
4.4.8 Espessura média do pavimento ___. NBR 6123: Forças devidas ao vento em
edificações, Rio de Janeiro, 1988.
Para os casos “A” até “F”, a espessura média dos
pavimentos tipo manteve-se constante ao Projeto 1,
assim, pode-se fixar a espessura média de edifícios até ___. NBR 7480: Barras e fios de aço destinados a
três (3) pavimentos equivalente a 13cm; de quatro (4) armaduras para concreto armado, Rio de janeiro, 2007.
a sete (7) pavimentos igual a 14cm; de oito (8) a 10
pavimentos, 15 cm; de 11 a 15 pavimentos, 16cm; de ___. NBR 8681: Ações e segurança nas estruturas -
16 a 20 pavimentos, 17cm; e ainda, com 21 Procedimento, Rio de Janeiro, 2003.
pavimentos, 18cm.
___. NBR 14931: Execução de estruturas de concreto
5 Conclusões - Procedimento, 2004.

Conforme exposto até aqui, este estudo foi baseado ___. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto -
nos apontamentos de Giacomelli e Ribeiro (2015) em Procedimento, Rio de Janeiro, 2007.
relação a velocidade básica do vento para Sinop-MT,
propondo valor 15% maior ao pressuposto
ALTOQI. O que é o Eberick V8. Site da AltoQi.
estabelecido na NBR 6123:1988.
Disponivel em:
<http://www.altoqi.com.br/software/projeto-
Diante dos resultados apresentados, observou – se estrutural/eberick-v8#overview-tab>. Acesso em: 15
que as estruturas de 21 pavimentos foram as que Abril 2016.
tiveram o maior aumento no consumo, constatando que
quanto maior a altura da edificação, maior será o
BARBOSA, F. F. Análise técnico-econômica na
aumento. Então, esse trabalho sugere estudos com
superestrutura de edifícios de 10-21 pavimentos, em
edíficios mais altos, e também, variação da relação
concreto armado, com diferentes valores de resistência
geométrica em planta, afim de se verificar a influência
a compressão. Trabalho de Conclusão de Curso
do aumento da velocidade básica do vento.
(Graduação em Engenharia Civil). Faculdade de
Ciências Exatas e Tecnológicas. Universidade do
Assim como em Giacomelli e Ribeiro (2015), este Estado de Mato Grosso. Campus Universitário de
estudo reforça o apontamento de processo de revisão Sinop, 2014.
para a NBR 6123:1988.
BARBOZA. M. R. Concepção e análise de estruturas
Agradecimentos de edifícios em concreto armado. Relatório Final de
Iniciação Científica. Universidade Estadual Paulista.
Agradeço primeiramente a Deus, por nunca ter me Bauru/SP, Agosto 2008.
deixado desistir e me dado força nas piores horas. A
minha família: meus pais, Pedro e Antônia; as minhas BASTOS, P. S. D. S. Fundamentos do concreto
irmãs Menessa (in memoria), Marcieli e Milquia, pelo armado. Bauru, Agosto 2006.
carinho, apoio e amor. Ao meu cunhado Fernando e ao
grande amigo Gilmar, por sempre me ajudarem. Aos
BLESSMANN, J. Acidentes causados pelo vento. 4ª
meus amigos que conviveram e me ajudaram durante
ed. Porto Alegre: Editora da Universidade / UFRGS,
esses anos. Ao meu orientador Julio Cesar Loss Junior,
2001.
por ter colaborado sempre que precisei, aos
professores Roberto Vasconcelos Pinheiro e Maicon
José Hillesheim pela disponibilidade e colaboração. E CARVALHO, R. C.; PINHEIRO, L. M. Cálculo e
finalmente, a Universidade do Estado de Mato Grosso detalhamento de estruturas usuais de concreto
pela oportunidade acadêmica. armado. 1ª. ed. São Paulo: PINI, v. II, 2009.
COAN, W. Análise técnico-econômica na OLIVEIRA, J. C. A. Avaliação da rigidez de pórticos
superestrutura de edifícios de múltiplos pavimentos tridimensionais de concreto armado. 2009. xiv, 121 f.,
(três, cinco, sete e nove) em concreto armado e laje il. Tese (Doutorado em Estruturas e Construção Civil)
nervurada com cubeta quadrada e diferentes valores Universidade de Brasília, Brasília, 2009.
de resistência à compressão. Projeto de Pesquisa.
Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas. OLIVEIRA JUNIOR. M. A. Análise da influência do
Universidade do Estado de Mato Grosso. Sinop-MT, vento em galpões industriais. Trabalho de Conclusão
2015. de Curso (Graduação em Engenharia Civil).
Universidade Federal de Pernambuco. Caruaru, 2014.
FERREIRA, E. T. Estudo comparativo entre a
velocidade básica do vento estabelecida na NBR 6123 PAGNO, K. J. Análise técnica de edifícios em concreto
e a obtida de estações meteorológicas na Paraíba – armado (10 a 21 pavimentos), com diferentes valores
iMPactos nos âmbitos do projeto estrutural, do meio de resistência a compressão, considerando a relação
ambiente e dos custos. 2005. 131 f. Dissertação geométrica, em planta, de 1:1). Projeto de Pesquisa.
(Mestrado em Urbanismo) - Universidade Federal da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas.
Paraíba. João Pessoa. 2005. Universidade do Estado de Mato Grosso. Sinop-MT,
2015.
GIACOMELLI, Y. P.; RIBEIRO, J. G. Estudo
comparativo entre a velocidade básica do vento PFEIL, W. Concreto armado, v. 1, 2 e 3, 5a ed., Rio de
estabelecida pela NBR 6123:1988 e a obtida à partir de Janeiro, Ed. Livros Técnicos e Científicos, 1989.
estações meteorológicas do INMET na região de Sinop
e Sorriso/MT. Trabalho de Conclusão de Curso PINHEIRO, L. M.; MUZARDO, C. D.; SANTOS, S. P.
(Graduação em Engenharia Civil). Faculdade de Estruturas de concreto – capítulo 4. São Carlos, Abril
Ciências Exatas e Tecnológicas. Universidade do 2013.
Estado de Mato Grosso. Campus Universitário de
Sinop, 2015.
PINHEIRO, L. M. Fundamentos do concreto e projeto
de edifícios. São Carlos, Maio 2007.
GIONGO, J. S. Concreto Armado: Introdução e
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SÁ, R. T. Análise técnica de estruturas de edifícios em
concreto armado, de 10 a 21 pavimentos, com variação
GIONGO, J. S. Concreto Armado: Projeto Estrutural de de resistência a compressão, numa relação
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HERMES, L. C. Análise técnica de edifícios em Universidade do Estado de Mato Grosso. Sinop-MT,
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geométrica, em planta, 1:3). Projeto de Pesquisa. SILVA, R. L. D. Projeto Estrutural de Edifícios Com
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VANIM, D. D. Resposta Dinâmica de edifícios altos
LANINI, T. L. S; PINHEIRO, R. V. Análise técnica de frente à ação do vento: coMParação de técnicas
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Pesquisa. Faculdade de Ciências Exatas e
Tecnológicas. Universidade do Estado de Mato
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LOSS JUNIOR, J. C. Análise técnico-econômica na


superestrutura de edifícios de múltiplos pavimentos em
concreto armado com diferentes valores de resistência
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Ciências Exatas e Tecnológicas. Universidade do
Estado de Mato Grosso. Sinop-MT, 2014.

MONCAYO, W. J. Z. Análise de segunda ordem global


em edifícios com estrutura de concreto armado. EESC-
USP. São Carlos, p. 221. 2011.

MORAES, E. F. S. Análise técnico-econômica na


superestrutura de edifícios de múltiplos pavimentos
(três, cinco, sete e nove) em concreto armado e laje
nervurada com moldes retangulares e com diferentes
valores de resistência à compressão. Projeto de
Pesquisa. Faculdade de Ciências Exatas e
Tecnológicas. Universidade do Estado de Mato
Grosso. Sinop-MT, 2015.
Apêndice

Vigas - Consumo de aço (kg)


140.000,00 14,00
10,87 12,01 11,94
10,17
120.000,00 12,00

Aumento consumo (%)


Consumo de aço (kg)

100.000,00 10,00
8,50 8,39
7,54 8,00
80.000,00 8,00

60.000,00 3,20
6,00
3,51 3,42 3,42
40.000,00 2,17 4,00
1,66 1,80 1,57
1,30 1,14 1,43
20.000,00 1,10 2,00
0,36 0,35 0,36
0,00 0,00
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
Pavimentos Pavimentos Pavimentos Pavimentos
25 Mpa 30 Mpa 35 Mpa 40 Mpa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento (%)

Figura 1 – Consumo de aço (kg) para as vigas. Fonte: O Autor, 2017

VIGAS - Consumo de concreto (m³)


1.200,00 0,44 0,59 0,38 0,70

Aumento no consumo (%)


Consumo de concreto (m³

1.000,00 0,60
0,50
800,00 0,40
600,00 0,30
400,00 0,20
0,10
200,00 0,00
0,00 -0,10
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
25 MPa 30 MPa 35 MPa 40 MPa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento(%)

Figura 2 – Consumo de concreto (m³) para as vigas. Fonte: O Autor, 2017

VIGAS - Consumo fôrmas (m²) 0,03


14.000,00 0,31 0,48 0,60
Consumo de fôrmas (m²)

Aumento no consumo (%)

12.000,00 0,50
10.000,00 0,40
8.000,00 0,30
6.000,00 0,20
4.000,00 0,10
2.000,00 0,00
0,00 -0,10
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
25 MPa 30 MPa 35 MPa 40 MPa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento(%)

Figura 3 – Consumo de fôrmas (m²) para as vigas. Fonte: O Autor, 2017


VIGAS - Consumo de de aço (kg/m³)

140,00 14,00
10,38 12,01
9,52
120,00 11,52 12,00

Aumento no consumo (%)


Consumo de aço (kg/m³)
1,66 8,50 8,39
1,30 1,14 2,17 1,80 7,54 8,00
3,51 1,57
100,00 0,68 0,36 3,20 0,35
1,43
3,42
1,10 10,00
0,36 3,42

80,00 8,00

60,00 6,00

40,00 4,00

20,00 2,00

0,00 0,00
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
25 MPa 30 MPa 35 MPa 40 MPa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento(%)

Figura 4 – Consumo de aço (kg/m³) para as vigas. Fonte: O Autor, 2017

PILARES - Consumo de concreto (m³)


3,24 0,66 0,58
1.000,00 3,50

Aumento no consumo (%)


Consumo de concreto (m³

3,00
800,00
2,50
600,00 0,24 2,00
0,11
0,29 0,31 1,50
400,00
0,12 0,06 1,00
200,00 0,28
0,50
0,00 0,00
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
25 MPa 30 MPa 35 MPa 40 MPa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento(%)

Figura 5 – Consumo de aço (kg) para os pilares. Fonte: O Autor, 2017

PILARES - Consumo de fôrmas (m²)


12.000,00 0,52 3,00
2,83
Aumento no consumo (%)
Consumo de fôrmas (m²

10.000,00 0,50 2,50


8.000,00 2,00
6.000,00 0,19 0,03 1,50
0,21 0,20
4.000,00 1,00
2.000,00 0,50
0,00 0,00
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
25 MPa 30 MPa 35 MPa 40 MPa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento(%)

Figura 6 – Consumo de fôrmas (m²) para os pilares. Fonte: O Autor, 2017


PILARES - Consumo de de aço (kg/m³)

250,00 12,00

Aumento no consumo (%)


Consumo de aço (kg/m³) 9,04
200,00 1,50 7,55 9,43 11,31
10,00
9,05 8,34
2,56 1,28 4,95 10,90
1,95 9,01 0,78 9,08
4,12 0,50
4,46
8,00
1,75
150,00 3,37 1,02
5,63
6,46 6,00
7,48
100,00
4,00
50,00 2,00

0,00 0,00
3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21 3 5 7 10 15 21
25 MPa 30 MPa 35 MPa 40 MPa
Pavimentos/fck

Vo=30m/s Vo=35m/s Aumento(%)

Figura 7 – Consumo de aço (kg/m³) para os pilares. Fonte: O Autor, 2017