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Medicamento

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Medicamentos sendo produzidos na FURP de Guarulhos, no Brasil.

Medicamento é um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade


profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico.

Índice

 1Definição
 2Novos medicamentos
 3Medicamento genérico
 4Uso indiscriminado de medicamentos
 5Plantas medicinais
 6Referências
 7Ligações externas

Definição[editar | editar código-fonte]


Ao conceito de Medicamento têm sido atribuídas diferente definições consoante o contexto em que é
utilizado, levando por vezes a uma sobreposição de significado com o termo fármaco.[1]
Contudo, uma definição clara é dada pela legislação portuguesa, que define medicamento como
"toda a substância ou associação de substâncias apresentada como possuindo propriedades
curativas ou preventivas de doenças em seres humanos ou dos seus sintomas ou que possa ser
utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou,
exercendo uma acção farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar
funções fisiológicas".[2]
Já a Farmacopéia brasileira dá a seguinte definição: "produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou
elaborado com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. É uma forma
farmacêutica terminada que contém o fármaco, geralmente em associação com adjuvantes
farmacotécnicos." (Resolução RDC, nº84/02).[3]
A definição legal brasileira pode ser vista na Lei n° 5991, de 17 de dezembro de 1973, conforme
transcrita a seguir: Art. 4º - Para efeitos desta Lei, são adotados os seguintes conceitos: (...) II -
Medicamento - produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática,
curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico;
O conceito de medicamento como agente de cura já era utilizado pelas civilizações arcaicas da
Mesopotâmia e Egito. O termo shêrtu, que aparece nos manuscritos da época, tem significado
simultâneo de doença, pecado ou castigo divino. Somente através de uma operação de catarse, em
que era atribuído um conteúdo mágico ao medicamento, o indivíduo alcançaria a purificação de seus
pecados e o restabelecimento da saúde por intervenção dos deuses. Estes conceitos influenciaram o
entendimento sobre a patologia e a terapêutica durante muitos séculos e persistem, em alguns
aspectos, até nossos dias. A própria palavra fármaco teve origem a partir do termo grego pharmak,
que significa “aquilo que tem o poder de transladar as impurezas”. Entre os gregos, vítimas dos
sacrifícios oferecidos aos deuses eram chamadas de pharmakó, e o alimento utilizado durante as
cerimônias de comunhão, phármakon. Essa última palavra passou a integrar a terminologia médica
grega e chegou até nossos dias com o nome de fármaco. Para os gregos, phármakon era aquilo que
poderia trazer tanto o bem quanto o mal, manter a vida ou causar a morte.[4]

Novos medicamentos[editar | editar código-fonte]


A colocação de um novo medicamento no mercado de consumo pode ser desmembrada em quatro
estágios diferentes:[5]

1. Pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos: pode ser


considerada a etapa mais complexa, do ponto de vista da
complexidade tecnológica, incluindo uma série de testes
necessários para identificar a potencialidade de ação
terapêutica da substância, estudo de suas propriedades,
verificação de toxicidade aguda e crônica, potencial
teratogênico e a determinação de sua dose ativa.
Posteriormente, o fármaco passa por testes farmacológicos e
estudos farmacotécnicos e, finalmente, ensaios clínicos.
2. Produção industrial dos fármacos: consiste em estudos para
a obtenção de processos de produção em escala industrial.
Nesta etapa, passa-se da bancada laboratorial para a
utilização de planta-piloto até se conseguir elevar os níveis
de produção para a escala industrial.
3. Produção de especialidades farmacêuticas: consiste na
elaboração de produtos nas suas diversas formas
farmacêuticas (comprimidos, comprimidos revestidos,
cápsulas, suspensões, injeções, soluções parenterais,
supositórios etc.). Trata-se de atividade tipicamente de
transformação.
4. Marketing e comercialização: pelas características especiais
que adquire a propaganda das especialidades farmacêuticas
e por necessitar de recursos de linguagem técnica
diferenciados, é considerado um importante estágio
tecnológico. Também não pode deixar de ser reconhecido
como importante fator de competição da indústria
farmacêutica.
Nos países desenvolvidos, estão presentes todos os estágios do processo produtivo. A situação nos
países em desenvolvimento é diferenciada, pois as empresas operam apenas nas últimas etapas do
processo, como a indústria farmacêutica brasileira, que registra desempenho apenas nos 3º e 4º
estágios.

Medicamento genérico[editar | editar código-fonte]


Um medicamento genérico é um produto farmacêutico desenvolvido e fabricado a partir de
uma substância activa, forma farmacêutica e dosagem idênticas a de um medicamento considerado
de referência já existente no mercado farmacêutico. Tem o mesmo efeito terapêutico, dosagem e a
mesma indicação que o medicamento considerado de referência para aquele princípio ativo. A
compatibilidade entre dosagens é comprovada por rígidos testes laboratoriais e clínicos para obter o
registro de genérico. Para mais informações ver artigo principal : Medicamento genérico.
Uso indiscriminado de medicamentos[editar | editar código-fonte]
O uso indiscriminado de remédios, sintoma típico da hipocondria, uma compulsividade no
pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, pode acarretar uma série de
problemas de saúde e também ambientais. De acordo com uma reportagem publicada na
revista CartaCapital (Edição 333), cerca de um terço a 90% de todas as doses administradas de
alguns remédios, como os antibióticos, são excretados na urina, citando ainda que pesquisadores
ligados ao governo suíço iniciaram um estudo sistemático de poluentes em águas de várias regiões
daquele país no ano de 2005. Enquanto esses cientista procuravam por pesticidas, acabaram
detectarando por acaso na água de um lago traços de um remédio utilizado para diminuir
o colesterol, o clofibrato. Passaram a investigar então, surpresos, as águas dos rios e dos lagos na
região rural da Suíça, além da águas de grandes centros urbanos. O resultado da pesquisa foi de que
havia altas concentrações de clofibrato na maior parte das amostras. Outros pesquisadores, desta vez
da Alemanha, encontraram traços desse mesmo medicamento na água de torneira dos moradores
de Berlim. Ainda na mesma referida reportagem, na Dinamarca as autoridades de saneamento teriam
notado que 70% a 80% das drogas administradas nas fazendas de peixes acabam automaticamente
no meio ambiente. Ao redor dessas fazendas, pesquisadores como L. Wollenberger e B. Halling-
Sorensen, da Real Faculdade de Farmácia da Dinamarca, têm isolado bactérias resistentes a
antibióticos. Como solução, algumas medidas seriam fundamentais;

1. mudanças nos sistemas de monitoramento desses produtos


no meio ambiente,
2. melhor depuração de substâncias nocivas nas estações de
tratamento,
3. conscientização da população contra o descarte de remédios
não utilizados ou vencidos em lixo comum ou diretamente
no meio ambiente.
Atualmente a doença é vista como um estado de sofrimento experimentado e que deve ser eliminado,
utilizando-se para isto bens, havendo a crença na solução de seus problemas através do consumo de
medicamentos, esquecendo-se das verdadeiras causas do adoecer.[6]

Plantas medicinais[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Planta medicinal

Referências
1. Ir para cima↑ L. Nogueira Prista e col., Tecnologia Farmacêutica,
vol. I, 6ª edição, 2003, Fundação Calouste Gulbenkian
2. Ir para cima↑ Decreto-Lei n.o 176/2006 de 30 de Agosto; Artigo
3º; alínea ee)
3. Ir para cima↑ Farmacopéia Brasileira - Denominações Comuns
Brasileiras
4. Ir para cima↑ Kawano, Daniel Fábio; Leonardo Régis
Leira. «Acidentes com os medicamentos: como minimizá-
los?». Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas. 42 (4): 487–
495. ISSN 1516-9332. doi:10.1590/S1516-93322006000400003
5. Ir para cima↑ BERMUDEZ, Jorge Antônio Zepeda. Hucitec-
Sobravime, ed. Indústria Farmacêutica, Estado e Sociedade:
Critica da Política de Medicamentos do Brasil. 1995. São Paulo:
[s.n.] 69 páginas
6. Ir para cima↑ BARROS, José Augusto Cabral de. Hucitec-
Sobravime, ed. Propaganda de medicamentos: Atentado à
Saúde?. 1995. São Paulo: [s.n.] 84 páginas

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


O Wikiquote possui citações de ou sobre: Remédio

O Wikcionário tem o verbete medicamento.

 Índice Nacional Terapêutico: Fonte de Informação sobre


Medicamentos, CFT, ATC, Substâncias, Interações, Preços,
Laboratórios e Notícias da Saúde
 Reportagem da CartaCapital Edição 333
 Simposium Terapêutico: informação de Medicamentos,
Substâncias, Princípios activos, Interacções e Laboratórios

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