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16/05/2016

Enrique Pichon Rivière - Biografia


• É suíço (Genebra, 25 de junho de 1907).

O Grupo Operativo • Imigra para a Argentina com sua família em 1910 – não se
conhecem as causas da imigração de sua família (pais e
mais 5 irmãos). A imigração coincide com um momento
Pichon Rivière histórico do governo argentino (fomentava a imigração de
europeus para o país, dando-lhes facilidades, inclusive
terras – o Estado lhes outorgou terras no Chaco, zona de
Psicologia Social III – PUC Goiás bosques e tropical, apta para o desenvolvimento do
Profa. Rosana Carneiro Tavares algodão.
• Características de sua família – culta, de racionalidade
francesa (burguesia do sul da França). Seus pais eram
progressistas, promulgavam ideias socialistas e eram
admiradores de Rimbaud e Baudelaire (poetas malditos da
época ).

Enrique Pichon Rivière - Biografia Percurso profissional de Pichon Rivière


• Aos 19 anos, em 1926, chega a Buenos Aires – proveniente de Corrientes • Pioneiro na introdução da psicanálise na
(província onde vivia). psiquiatria dinâmica.
• Buenos Aires o fascina – viveu no centro da cidade, conviveu e participou • Fundador da APA ( associação psicanalítica
ativamente do movimento dos intelectuais de vanguarda de sua época. argentina) – possibilita a psicanálise de
crianças, da psicose, a investigação de
• Como estudante de medicina – problematizou seu saber a partir das modernas enfermidades psicossomáticas, a psicanálise de
concepções sobre o psicossomático. grupo, a análise institucional, o trabalho
• Estudou psiquiatria (psiquiatria dinâmica) – nela articulou todos os comunitário.
desenvolvimentos da psicanálise. • Poucos dias antes de sua morte (1977) - os
• Como psicanalista – influenciou seus colegas a trabalhar no hospício, com a intelectuais argentinos reuniram-se para festejar
psicose. seu aniversário em um ato que se chamou Ao
Pichon Rivière é um pensador moderno que pertenceu ao grupo de intelectuais Mestre com Carinho..
vanguardistas da Argentina no início do século XX. • Falece em 16 de julho de 1977 (70 anos).

Teoria de Pichon Rivière - ECRO A Constituição do Sujeito


• ECRO – Esquema Conceitual Referencial Operativo • Contradição interna: predominantemente social (precisa vincular-se
ao outro para satisfazer suas necessidade) e seu psiquismo é
• Sua teoria está constituída por 3 grandes campos disciplinares: constituído dos vínculos e relações sociais internalizados (Pichon
Ciências Sociais, Psicanálise e Psicologia Social. Rivière).
• Pichón-Rivière define ECRO como um conjunto organizado de • É por meio da interação que se dá a construção do Eu.
conceitos gerais, teóricos, referidos a um setor do real, a um
determinado universo de discurso, que permite uma aproximação • É nas interações sociais que o sujeito: se reconhece (identifica), se
instrumental ao objeto particular. individualiza (diferencia-se), transforma o mundo (os outros e a
relação) e é transformado (se refaz como sujeito).
• Interação = Ação Recíproca
ECRO é o conjunto de experiências, conhecimentos e afetos com os
quais o sujeito pensa/sente/age. • Sujeito age e sofre a ação (reciprocidade) – partilha de significados,
de conhecimentos, de valores (Henri Wallon)

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A Técnica do Grupo Operativo O Grupo para Pichon-Rivière


• Sistematizada a partir das experiências de Pichon-Rivière no Hospital
Psiquiátrico Las Mercedes: a partir de uma greve dos trabalhadores, Pichon • Instrumento de Transformação da realidade: partilha de objetivos
propõe uma nova forma de cuidado entre os pacientes (os menos comuns, participação criativa e crítica, interação e vínculo.
comprometidos cuidariam dos mais comprometidos). • Teoria do Vínculo: há uma estrutura triangular (EU – Outro(s) –
Figuras internalizadas) – vínculo é bicorporal e tripessoal (presença
sensorial corpórea + personagens internalizados).
• Maior identificação, parceria de trabalho, troca de posições e melhor
integração. • Mútua representação interna: quando somos internalizados pelo
outro e quando internalizamos o outro.
• Começou a trabalhar com grupos: influência do Grupo familiar nos
pacientes (comunicação e interação Aprendizagem / mudança.
• Técnica Grupo Operativo: trabalho em grupo com o objetivo de promover
No Grupo ocorre: vínculo, mutualidade, constituição de sujeitos e
transformação da realidade.
a aprendizagem / mudança.

A Técnica do Grupo Operativo Grupo Operativo


• É criado artificialmente com indivíduos em situação semelhante: sobre a base de
• Pressupõe : Tarefa Explícita (objetivo do grupo: aprendizagem, diagnóstico vínculos internalizados a partir da internalização de outros vínculos (grupo familiar
e tratamento) + Tarefa Implícita (como cada sujeito vivencia o grupo) + e subsequentes grupos com os quais o sujeito se relaciona).
Enquadre (tempo, duração e frequência do encontro; função do • Objetivo Primordial: mudança (ocorre gradativamente)
coordenador e do observador).
• Processo Grupal é dialético: permeado por contradições (tarefa principal
do grupo é analisar essas contradições). • Membros assumem diversos papeis frente à tarefa grupal
• A análise do Processo Grupal ocorre em seis vetores que possibilitam • Pré-Tarefa (resistência dos membros do grupo ao contato com o outro ou consigo
verificar efeitos de mudança: Pertença (sentir-se parte); Cooperação (ação mesmo / medo das incertezas, de perda de referencial próprio, medo do contato).
com o outro); Pertinência (eficácia das ações); Comunicação (intercâmbio
de informações); Aprendizagem (apropriação da realidade); Telé (distância • Tarefa (quando o grupo elabora as ansiedades, rompe estereotipias e se abre para
afetiva positiva ou negativa). o desconhecido / Encontro)

A Tarefa no Grupo Operativo A Técnica do Grupo Operativo


• “É o modo como cada integrante interage a partir de suas próprias Papel do Papel do
necessidades” Coordenador
Desvelamento Observador

• Compartilhamento das necessidades (flexibilidade, descentramento Indaga e Registra o que


e abertura para o novo). problema-
tiza
Tarefa acontece
• Problematização das dificuldades que emergem no grupo no grupo
(aprendizagem, projeto de mudança).
Resgata a
• Explicitação do Implícito (Resistências, ansiedades e medos devem
ser desvelados rumo à tarefa do grupo).
Mudança História

Analisa com o
coordenador

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Os Papeis no Grupo Operativo As internalizações de papeis nos grupos


• Alguns são Fixos: Coordenador e Observador • Pichón-Rivière parte da seguinte hipótese: no grupo familiar um membro
• Outros são mais flexíveis: emergem no processo do grupo (necessidades, assume o papel de Porta-Voz (o que o torna depositário de todas as
expectativas). angústias, ansiedades e patologias que circulam no espaço em que vive). O
• Porta-Voz: aquele que leva o grupo para a reflexão, proporciona a tarefa do porta-voz passa a funcionar como paradigma para o comportamento do
grupo (explicita o que está implícito) / figura que passa a ser de muita grupo familiar como um todo. Um membro pode assumir o papel de Bode-
confiança para o grupo. Expiatório (passa a ser o depositário de todos os fracassos da família).
• Bode-Expiatório: é aquele que explicita o que o grupo não quer ver • Coisa semelhante acontece no grupo operativo: surge um porta-voz
(explicita o não aceitável) / figura depositária de raivas e discriminações. (simboliza os ideais do grupo e passa a servir como modelo aproximado
• Líder de Mudança: surge no momento em que o porta-voz explicita algo para a conduta dos seus membros em cada nova experiência com que se
aceito pelo grupo / figura responsável pelo movimento dialético do grupo. defrontam). Pode também surgir o Bode-Expiatório (passa a ser a ameaça
do grupo)

Como se processo o Grupo Operativo? Sobre o Texto...


• Ocorre o estabelecimento de interações (pessoas falam livremente, • Objetivo: esclarecer sobre a técnica de grupos operativos e a sua
partilham experiências comuns). conexão com a atuação do psicólogo e do psicopedagogo na
• Formam-se vínculos (estrutura triangular) – identificação, promoção de saúde e nas possibilidades de intervenção em
diferenciações / Estabelece-se a mutualidade: internalização do diferentes processos de aprendizagem.
outro.
• Torna-se um espaço de escuta: onde o coordenador indaga, pontua e Como provocar o desvelamento do implícito?
problematiza. • Buscar espaços para fazer emergir falas dos sujeitos.
• Procurar desestabilizar o que está consolidado e rígido.
Grupos Operativos têm o caráter terapêutico: principalmente porque • Psicólogo (auxiliar da produção do grupo) / Psicopedagogo (olhar
gera mudança. para o sujeito da aprendizagem)

Ainda sobre o texto...


• “Pensar no sujeito da aprendizagem não é olhar isoladamente para o
modo como ele aprende, mas também considerar sua história com
esses adultos, o deslocamento de suas posições diante do saber”.
• “Para Pichon-Rivière, saúde mental e aprendizagem são sinônimos na
medida em que há uma apropriação ativa da realidade que integra
uma experiência nova e um estilo próprio de aprender”.

O psicólogo e o psicopedagogo podem (re)pensar o papel da


aprendizagem numa nova ótica, a importância da coordenação e da
atuação em grupos em direção à promoção de saúde e,
consequentemente, às possibilidades de mudança de seus integrantes
diante das respectivas dificuldades e conflitos.