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Curso de Arquitetura e Urbanismo

ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL

1- As Lâmpadas e Sua Evolução

A constante necessidade econômica de expansão sempre levou o homem a buscar e


estender o seu período produtivo, libertando-se assim do estabelecido pela natureza de luz
diurna e noturna.
Da iluminação residência à publica, constantes evoluções tecnológicas são verificadas,
buscando sempre uma luz mais duradoura, mais econômica e mais facilmente utilizável.
Constantes desenvolvimentos tecnológicos estão sendo verificados, afim de tornar estes
fenômenos comercialmente utilizável e cada vez mais eficientes.
Em 1875, Paul Jablochkov apresentou sua lâmpada a “arco-voltaico”, que tinha a
característica da produção de grande quantidade de luz, utilizada na iluminação pública.

Lâmpada a arco voltaico, tipo arco fechado utilizada em


São Paulo entre 1905 e 1920 - Museu da Energia
Em 1879, Thomas Edison apresenta a sua lâmpada incandecente, pequena e simples, que
tinha a vantagem de levar na dosagem certa – para utilização de ambientes pequenos com por ex.:
residências e escritórios – o que não era possível com a lâmpada arco voltaica.

Thomas Edison

Apostila de Iluminação Artificial – Prof ª Daniela Ramos


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O advento dessa lâmpada mudou consideravelmente os costumes, pois levara a energia


elétrica aos lares, além de ser uma fonte de luz mais segura, substituindo assim a lâmpada de
arco-voltaico.
A Iluminação de um ambiente de trabalho deve procurar atender às necessidades humanas,
em função do tipo de trabalho a ser realizado e das dificuldades em realiza-lo. Quando a
iluminação é excessiva ou inadequada, além de prejudicial, torna-se mais cara. Um bom projeto de
iluminação reduz o consumo de energia elétrica e traz aumentos significativos na produtividade.
O projeto de iluminação deve utilizar um sistema integrado de iluminação natural e
artificial, buscando diminuir os gastos com a iluminação artificial e aproveitar a iluminação
natural existente em abundancia, principalmente em regiões de clima tropical e em baixas
latitudes. De acordo com estudos realizados, um projeto integrado de iluminação permite reduzir
o consumo de energia de um edifício em mais de 30%, desde que leve em consideração a
disponibilidade de luz diurna, própria do clima do local.

1.1- Os Tipos de Lâmpadas

As lâmpadas são fontes de luz artificial que emitem luz. O conhecimento da quantidade e da
qualidade da luz emitida pelas lâmpadas é importante tanto para o desempenho visual como na
influência que ela exerce no estado emocional dos seres humanos.
As lâmpadas se dividem em três grandes grupos, em função do seu princípio de
funcionamento, que são:

1) Lâmpadas incandescentes
2) Lâmpadas de descarga
3) LES´S – Ligth Emission by Diod (diodo emissor de luz)

Na escolha de uma lâmpada a ser utilizada em qualquer ambiente, é necessário se conhecer


as principais características das lâmpadas, para que se possa escolher a que é mais adequada ao
ambiente em questão. Apresentamos a seguir a principais características das lâmpadas:

a) Espectro visível
É uma faixa de radiação eletromagnética que causa sensação visual nos seres humanos e
ocorre em um intervalo de comprimento de onda entre 380 e 760 nm (nanômetros), situado entre
as radiações infravermelhas e as ultravioletas. Cada tipo de lâmpada tem um espectro de
radiação próprio que lhe confere características e qualidades específicas.
O espectro de radiação pode ser contínuo ou descontínuo, dependendo da fonte de luz, que
pode emitir luz em todos os comprimentos de onda, na faixa do espectro visível, ou apenas com
determinados comprimentos de onda. A radiação solar, as lâmpadas incandescentes e as
halógenas tem espectro contínuo e as lâmpadas vapor de mercúrio e vapor de sódio tem espectro
descontínuo, por exemplo. As lâmpadas de espectro descontínuo se caracterizam por remitirem
luz somente em determinadas cores, não sendo possível serem utilizadas em qualquer tipo de
ambientes.

b) Índice de reprodução de cores (IRC ou RA)

Apostila de Iluminação Artificial – Prof ª Daniela Ramos


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É a medida de correspondência entre a cor real de um objeto ou superfície e a usa


aparência diante de uma fonte de luz artificial. As lâmpadas devem emitir luz que se aproximem
ao Maximo da luz natural do dia, especialmente as utilizadas em ambientes onde a cor dos
objetos é um elemento importante para a tarefa visual.
As lâmpadas com IRC de 100% apresentam cores com total fidelidade e precisão. Quando
mais baixo o índice, mais deficiente é a reprodução das cores. Os índices variam conforme a
natureza da luz (o espectro visível) e são indicados de acordo com o uso de cada ambiente.

c) Temperatura de cor ou aparência de cor da luz


É a grandeza que expressa a aparência de cor da luz, quanto mais alta a temperatura de
cor, mais branca é a cor da luz. A unidade de medida é o Kelvin.
A luz quente é a que tem a aparência amarelada e temperatura de cor baixa (em torno de
3000 k). A luz fria tem aparência de azul-violeta e temperatura de cor elevada (6000 k ou mais).
A luz branca natural é aquela emitida pelo sol em céu aberto ao meio dia, cuja a temperatura de
cor é de 5800 k. Não se deve confundir a temperatura de cor de uma lâmpada com a temperatura
de funcionamento da lâmpada.

d) Eficiência energética ou rendimento luminoso


É a relação entre o fluxo luminoso emitido pela lâmpada e a potencia consumida. É medido
em lumens por watt. A lâmpada incandescente e as halógenas são as que tem menor rendimento e
as de vapor de sódio as que apresentam maior rendimento.

e) Vida útil
A durabilidade de uma lâmpada é dada em horas e é definida por critérios
preestabelecidos, considerando sempre um grande lote testado sob condições controladas e de
acordo com as normas pertinentes.

f) Fluxo luminoso
É a quantidade de luz emitida por uma lâmpada, medido em lumens, na tensão normal de
funcionamento.

1.2- Os Tipos de Lâmpadas

As lâmpadas são classificadas em função do princípio de seu funcionamento. Podendo ser


incandescentes, de descarga, mistas ou possuindo seu funcionamento através de componentes
eletrônicos (Led´s). Para escolhermos o tipo de lâmpada adequado ao ambiente de trabalho,
devemos levar em conta uma serie de fatores que influenciam no escolha, como o tipo de
ambiente a ser iluminado, a altura da instalação, a necessidade de um alto fluxo luminoso ou não, a
reprodução de cores, o ofuscamento, o custo, a vida útil, a estética e outros.

1.2.1- Lâmpadas Incandescentes

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As lâmpadas incandescentes são classificadas baseadas na característica de emissão de luz


através da incandescência de um filamento. São compostas por um filamento, um bulbo, o meio
interno e a base.
O filamento utilizado nas lâmpadas atualmente é o de tungstênio, por apresentar elevado
ponto de fusão (3655 K), baixa evaporação, boa resistência mecânica e ductilidade. As primeiras
lâmpada incandescentes tinham filamento de carbono, com alta evaporação. Os filamentos podem
ser reto, espiralado ou duplo espiralado, sendo que este ultimo é o que apresenta maior eficiência
energética, pois as perdas de calor são menores.
Os bulbos tem como finalidade separar o meio interno do meio externo, diminuir a
luminância da lâmpada, modificar a composição espectral do fluxo luminoso emitido, alterar a
distribuição fotométrica do fluxo luminoso produzido e finalidade decorativa. É constituído
normalmente de vidro-cal, tipo de vidro macio e com baixa temperatura de amolecimento, de
vidro boro-silicado, tipo duro que resiste a altas temperaturas ou de vidro pirex que resiste a
choques térmicos.
O meio interno das lâmpadas atuais é composto de uma mistura de argônio e nitrogênio e
em alguns casos criptônio. Estes gases são inertes e criam certa pressão interna no bulbo (no
vácuo a pressão é praticamente zero), diminuindo a evaporação do filamento com a temperatura
e, portanto aumentando a vida útil e a eficiência luminosa das lâmpadas.
A base tem como função fixar a lâmpada mecanicamente ao seu suporte e fazer a ligação
elétrica desta com o seu circuito de alimentação. As bases são normalmente construídas de latão,
alumínio ou níquel e podem ser do tipo Edison (rosqueadas) ou baionetas (de encaixe).
Encontramos estas lâmpadas, no Brasil, normalmente nos soquetes tipo E14, E27 e E-40.

Alguns tipos de bases para lâmpadas incandescentes

Existem inúmeros tipos de lâmpadas incandescentes, desde lâmpadas para aplicação gerais,
ate lâmpadas para aplicações especiais, tais como processos industriais, processos fotoquímicos,
etc.
As lâmpadas incandescentes tem temperatura de cor agradável, na faixa de 2700k
(amarelada) e reprodução de cor igual a 100%. A vida útil é em média 1000 horas, considerando a
mesma trabalhando em condições normais, ou seja, na tensão nominal, temperatura ambiente,
número de acendimento normal e ambiente adequado ao tipo de lâmpada. A sua eficiência
energética é de aproximadamente 15 lm/W. São utilizadas quase que exclusivamente em
iluminação residencial e de pequenas áreas, devido a sua baixa eficiência.

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Parte componente de uma lâmpada incandescente para


iluminação geral.
Fonte: MOREIRA, pág. 52.

1.2.1.1- Lâmpadas Incandescetes de Iluminação Especifica e Decorativa

Estas lâmpadas apresentam características que limitam sua utilização, como por exemplo as
lâmpadas velas, as lâmpadas utilizadas em geladeiras e fogão, lâmpadas que não atraem insetos ou
lâmpadas de baixa tensão, para aplicações especiais.

Lâmpada vela Lâmpada bolinha Lâmpada antinseto

1.2.1.2- Lâmpadas Incandescentes Refletoras

Apresentam um bulbo com acabamento refletor, normalmente em alumínio vaporizado,


dirigindo, assim, a luz para uma determinada direção.
São feitas também com “vidro mole” ou “soprado”, não resistindo a choques térmicos, mas
existem as feitas em “vidro duro” ou “prensado”, também conhecida como lâmpada PAR.
As lâmpadas PAR, podem ser utilizadas ao tempo, sendo encontradas em várias tensões,
potencias e aberturas de facho diferentes.

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1.2.1.3- Lâmpadas de Halogênio

Aa lâmpadas halógenas são lâmpadas incandescentes de construção especial, pois contém


halógeno (iodo, flúor, bromo) dentro do bulbo, adicionado ao gás criptônio e funcionam sob o
principio de um ciclo regenerativo para evitar o escurecimento do bulbo, aumentar a vida útil e a
eficiência luminosa da lâmpada. A incandescência do filamento de uma lâmpada incadescente
comum produz a evaporação do tungstênio (material com que é feito o filamento da lâmpada), e
este se adere às paredes do bulbo, causando, além do escurecimento da lâmpada, o desgaste do
filamento.
Um ciclo conhecido como ciclo halógeno, evita este problema, pois o vapor de tungstênio
associado ao gás de halogênio, formando um componente tungstênio-halogênio, na forma de gás.
Este gás, exposto a altas temperaturas, é decomposto, voltando assim o tungstênio para o
filamento, reiniciando o ciclo.
As lâmpadas halógenas refletoras (tipo PAR) tem o bulbo interno transparente à luz e
refletora ao calor; desta forma, parte do calor que seria irradiado é refletido de volta para o
filamento, sendo necessária menos energia para operar a lâmpada (a eficiência energética foi
aumentada em 25%).
Porem, as temperaturas necessárias para tal ciclo ocorrer não é suportada pelos bulbos de
vidro das lâmpadas incandescentes, motivo pelo qual é utilizado o quartzo.
Estas lâmpadas possuem uma vida útil (entre 2000 e 4000 horas) e uma eficiência
energética maior que as incandescentes comuns. Emitem luz mais branca, brilhante e uniforme ao
longo de toda a vida. Apresentam um fluxo luminoso maior e uma melhor reprodução de cores,
sendo utilizadas na iluminação de fachadas, áreas de lazer, artes gráficas, teatros e estúdios de
TV, maquinas fotocopiadoras, filmadoras e outras aplicações.
Por emitirem maior percentual de radiação ultravioleta, é necessário o uso de lentes frontal
às luminárias, para que se reduza o desbotamento e o ataque ás tintas, vernizes e materiais
plásticos mais próximos.

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1.2.1.4- A Lâmpada Dicróica

A lâmpada dicróica é uma lâmpada halógena que trabalha em baixa tensão (12V) e possui um
refletor multi-facetado que, depende do tipo de lâmpada, dirige os raios de luz, abrangendo um
ângulo precisamente determinado.
Originalmente, esta lâmpada foi criada para a iluminação de destaque, ou seja, a iluminação
de objetos, quadros, etc. O refletor é chamado dicróico pelo fato deste ser tratado com
inúmeras camadas de filtros chamados dicróicos, com o objetivo de refletir todas a luz visível e
evitar assim que a porção de radiação infra-vermelha atinja o elemento iluminado.
Porém, como a beleza da luz desta lâmpada, aliado ao pequeno tamanho e nas possibilidades
desenvolvimento de luminárias diminutas e os diferentes fachos disponíveis, esta lâmpada tornou-
se, contrário ao principio para a qual foi desenvolvida, uma lâmpada de iluminação de ambientes.
Em alguns casos, este produto é aplicado incorretamente, como por exemplo, lojas que
apresentam seu teto completamente tomado por spots com lâmpadas dicróicas.
Lembramos que esta lâmpada apresenta características importantes para a iluminação de
destaques, e que outras lâmpadas podem ser utilizadas na iluminação geral, como as lâmpadas PAR
e outras.

1.2.2- Lâmpadas de Descarga

As lâmpadas de descarga são caracterizadas pela emissão de luz, não por incandescência de
um filamento, mas por uma continua descarga elétrica em um tubo com um determinado gás ou
vapor ionizado.
A luz nas lâmpadas de descarga é produzida por uma descarga elétrica contínua em um gás
ou vapor ionizado, as vezes combinado com fósforo depositado no bulbo que, excitada essa
radiação de descarga, provocam uma luminescência.
De acordo com GARCIA (1996, pág. 17), “ uma lâmpada de descarga funciona com
equipamento auxiliar (reator e em alguns casos ignitor) ligado ao seu circuito elétrico. O reator
tem como função limitar a corrente da lâmpada e o ignitor ajuda a produzir a tensão necessária
para o inicio da descarga elétrica”. Após a ignição, acontece a estabilidade do gás que,
dependendo do tipo de lâmpada pode demorar mais ou menos tempo. Durante este tempo o fluxo
luminoso aumenta até atingir o seu valor nominal.
Encontramos dois tipos de lâmpadas de descarga;
1) Descarga em baixa pressão
2) Descarga em alta pressão

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As lâmpadas de descarga são constituídas pelo meio interno, o tubo de descarga, os


eletrodos e o bulbo externo.
O meio interno destas lâmpadas é composto de gases ou vapores que variam como o tipo de
lâmpada. Os gases utilizados com maior freqüência são o argônio, o neônio, o xenônio, o Helio ou o
criptônio e os vapores de mercúrio e sódio.
O tubo de descarga e onde é feita a composição dos gases e vapores e onde ocorre a
descarga elétrica. Apresenta normalmente a forma tubular e é constituída por materiais
deferentes, conforme o tipo de lâmpada.
Os eletrodos são feitos normalmente de tungstênio espiralado ou em forma de colméia,
contendo um material emissivo que facilita a emissão do elétrons. É fixado a base da lâmpada por
uma ligação hermética.
O bulbo externo tem por função proteger o tubo de descarga, que é colocado em seu
interior, contra as influencias externas. O bulbo é cheio com um gás inerte (nitrogênio) ou a
vácuo e pode ser internamente coberto por uma camada difusora ou de fósforo para melhorar a
reprodução de cores, além de absorver a radiação ultravioleta emitida pelas lâmpadas. A lâmpada
fluorescente não possui bulbo externo, sendo que o próprio tubo de descarga tem esta função.
A seguir apresentaremos os tipos de lâmpadas de descarga mais comuns, com
características e aplicações.

1.2.2.1- Descarga de Baixa Pressão (Lâmpadas Fluorescentes Tubulares)

As lâmpadas de baixa pressão mais conhecidas são as lâmpadas fluorescentes, ou também


denominadas lâmpadas de mercúrio em baixa pressão.
A principal característica das lâmpadas fluorescentes é o fato da luz emitida não são
produzidas na descarga do gás de mercúrio, mas sim na fluorescência do pó de cobertura das
lâmpadas pela radiação ultra-violeta produzida pela descarga. O seu bulbo tubular contém um
eletrodo em cada extremidade e vapor de mercúrio com uma pequena quantidade de gás inerte
para facilitar a partida. O pó fluorescente que existe na superfície interna do bulbo determina a
qualidade e a quantidade de luz emitida.

Portanto, uma lâmpada fluorescente não apresenta características comuns para uma mesma
potencia, pois para cada tipo de pó de cobertura fluorescente, todos os valores podem variar.
Existem vários tipos de lâmpadas fluorescentes, desde as utilizadas na iluminação geral, ate
lâmpadas para aplicação especial, como a emissão de raios ultra-violeta.
Existem hoje em dia duas versões de lâmpadas:
• Fluorescentes Standart – que apresenta eficiência energética de até 70 lm/W,
temperatura de cor variando entre 4100 e 6100 k e índice de reprodução de cor de
48 a 78%.

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• Fluorescente Trifósforos – com eficiência energética de até 100 lm/W,


temperatura de cor variam entre 4000 e 6000 k e índice de reprodução de cores
de 85%.

1.2.2.2- Lâmpadas Fluorescentes Compactas

São lâmpadas fluorescentes de tamanho compacto, criadas para substituir com vantagens
as lâmpadas incandescentes em várias aplicações. Estão disponíveis em varias formas e tamanhos
e podem ter bases tipo Edison ou de pino.
Um avanço na utilização de lâmpadas fluorescentes em substituição às lâmpadas
incandescentes é o desenvolvimento da lâmpada fluorescente compacta, nos modelos
convencionais, que utilizam reator especifico, também com a possibilidade de utilização com
reatores eletrônicos, muito menores e mais leves que os reatores eletromagnéticos tradicionais.
Várias alternativas estão hoje em dia disponíveis, tanto em potencia quanto em formas,
aparentes ou seladas em bulbos de vidro ou acrílico, com espelhos refletores, enfim, em muitas
opções para cada tipo de necessidade.
O formato das lâmpadas FLC variam de um fabricante para outro, sendo o principio de
funcionamento similar aos diversos tipos, modelos e fabricantes.

Devemos observar que a qualidade destes produtos variam muito entre as várias marcas
existentes hoje no País, principalmente, quando encontramos fabricantes não estabelecidos no
Brasil, com pouca preocupação com a qualidade, apresentando preços muito sedutores, porem
com resultados, tanto de vida útil quanto de quantidade de fluxo luminoso, péssimos.
Quando comparadas as incandescentes comuns, apresentam as seguintes vantagens:
• Consumo de energia 80% menor;

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• Durabilidade 10 vezes maior, implicando uma enorme redução nos custos de manutenção e
de reposição das lâmpadas;
• Aquecem menos o ambiente, representando uma redução na carga térmica do ambiente;
• O índice de reprodução de cor é igual a 85%;
• É encontrado com duas temperaturas de cor: 2700 k, semelhante às incandescentes e
indicadas para locais onde se deseja uma atmosfera aconchegante e 4000 K, com aparência de cor
mais branca e indicada para ambientes onde se deseja estimular a produtividade ou o consumo.
Cada fabricante de lâmpada possui suas definições de temperatura de cor. Portanto, o
conhecimento da exata temperatura de cor da lâmpada a ser utilizada auxilia muito o
especificador e o fabricante.
Normalmente, as lâmpadas fluorescentes utilizam um equipamento auxiliar chamado
“reator”, que controla a corrente elétrica que circula na descarga, pois, sendo a descarga uma
reação em cadeia de choques de elétrons com a partículas de gás, esta tende a um curto-circuito
se não controlada.
Portanto, é muito importante o cuidado na instalação das lâmpadas de descarga, pois se
utilizadas de forma inadequada, podem causar grandes danos.

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1.2.2.3- Lâmpadas de Vapor de Mercúrio de Alta Pressão (HQL)

As lâmpadas de mercúrio foram, durante muito tempo, as lâmpadas mais utilizadas nas
áreas de industriais e de iluminação publica, pois apresentam uma luz branco azulada, uma
eficiência razoavelmente boa (porém abaixo da lâmpada de sódio em alta pressão) e uma
capacidade de reprodução de cores superior às lâmpadas de sódio.
Possuem um bulbo de vidro duro que contem em seu interior um tubo de descarga feito de
quartzo para suportar altas temperaturas. Possui em seu interior argônio e mercúrio que quando
vaporizado produzirá efeito luminoso. Em cada uma das extremidades possui um eletrodo
principal de tungstênio. Junto a um dos eletrodos principais existe um eletrodo auxiliar ligado em
série com um resistor de partida que se localiza na parte externa do tubo de descarga. Esta
lâmpada necessita de um reator para que este forneça tensão necessária para a partida e limite a
corrente normal de operação.
A distribuição das cores na composição do espectro luminoso é pobre (luz branca azulada no
comprimentos de onda amarelo, verde e azul) e emite uma quantidade considerável de energia
ultravioleta, que pode ser utilizada para fazer a correção de luz desta lâmpada. Adicionando uma
camada de fósforo no bulbo a radiação ultravioleta é transformada em luz vermelha, melhorando
o aspecto da luz emitida.
A vida útil desta lâmpada é alta, de aproximadamente 15.000 horas, e a eficiência
energética é de ate 55 lm/W. O índice de reprodução de cor é baixo, de 40%, quando não tem luz
corrigida. São utilizadas em iluminação pública, industrial interna e externa, em iluminação de
fachadas de prédios, monumentos e jardins.

1.2.2.4- Lâmpadas de Vapor de Sódio de Baixa Pressão

É constituída por um tubo de descarga em forma de U com um eletrodo em cada


extremidade e cheios de gás argônio e neônio em baixa pressão para facilitar a partida contendo
também sódio metálico que irá se vaporizar durante o funcionamento.
A vida útil deste tipo de lâmpada é acima de 15.000 horas com depreciação de 30% do fluxo
luminoso no período e sua eficiência luminosa é de ordem de 130 lm/W, a maioria das lâmpadas.

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Como a sua luz é monocromática – luz amarela – sua aplicação fica limitada a locais onde a
reprodução das cores não é necessária, como por exemplo as ruas, estradas, portos,
estacionamentos e pátios de manobras.

1.2.2.5- Lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta Pressão

Seu formato é similar ao da lâmpada a vapor de mercúrio de alta pressão, diferenciando-se


apenas pelo formato do tubo de descarga que é comprido, estreito e feito de oxido de alumínio
sintetizado translúcido onde é colocado xenônio para iniciar a partida, mercúrio para corrigir a
cor e sódio a alta pressão.
A vida útil de uma lâmpada de vapor de sódio de alta pressão é acima de 15.000 horas com
25% de depreciação do fluxo luminoso, e sua eficiência energética é de 120 lm/W, menor que a
de baixa pressão.
Por possuírem uma propriedade de reprodução de cor mais agradável que a de baixa
pressão, encontra um maior número de aplicações, sendo utilizada em vias publicas, ferrovias,
estacionamentos e todo tipo de iluminação externa e interna de indústrias.
Um exemplo destas lâmpadas são as lâmpadas de vapor de sódio branca, que emitem luz
branca, decorrente da combinação do vapores de sódio e gás xênon. Tem índice de reprodução de
cor de 85%, via útil de 7.500 horas e temperatura de cor mutante, através de um chaveamento,
que pode alterar a temperatura de 2.600 K para 3.000 K. Pode ser utilizada em áreas comerciais,
hotéis, stands, exposições, etc.

1.2.2.6- Lâmpadas de Multivapores Metálicos (HQI)

É muito similar a lâmpada de mercúrio de alta pressão, contendo em seu interior aditivos de
iodeto como índio, tálio e sódio para melhorar a eficiência e a reprodução de cores. São
encontradas nas formas oval com camada difusora nas paredes internas do bulbo ou tubular de
cor clara.
Sua vida útil é superior a 8.000 horas com depreciação de 30% do fluxo luminoso no
período e sua eficiência luminosa é de 80 lm/W.
Sua luz é brilhante e branca, realça e valoriza os espaços e ilumina com intensidade além de
apresentar longa durabilidade e baixa carga térmica. Apresentam temperatura de cor de 4.000 K
a 6.000 K e índice de reprodução de cor de até 90%. São encontradas com baixa e alta potência:
• As lâmpadas de alta potência são utilizadas para iluminação de grandes áreas, com
níveis de iluminância elevados e em locais onde a reprodução de cores é importante.
São indicadas para iluminação de estádios de futebol, ginásios poliesportivos,
indústrias, supermercados, salas de exposição, fachadas, praças e monumentos e
em locais onde ocorrem televisionamentos e filmagens externas.
• As lâmpadas de baixa potência, em versões compactas, apresentam ótima
reprodução de cor, vida útil longa e baixa carga térmica. São utilizadas tanto para
uso interno como externo, na iluminação geral ou localizada, em shopping, lojas,
• vitrines, museus, jardins, fachadas e monumentos.

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1.2.2.7- Lâmpadas Mistas

É uma lâmpada de mercúrio que utiliza como equipamento de controle de corrente uma
resistência, mais especificamente um filamento incandescente, como os utilizados nas lâmpadas
incandescentes comuns. Por esta razão, não precisam de reator para funcionar, pois o filamento
além de emitir energia luminosa, funciona também como elemento de estabilização da lâmpada.
Este filamento faz as vezes o reator, simplificando e barateando muito o sistema, porém
com as seguintes características.
• Vida útil curta – a vida útil da lâmpada mista é limitada pela vida do filamento;
• Baixa eficiência – as perdas envolvidas no processo de incandescência, faz co que
muita energia seja desperdiçada na produção de calor, não aproveitando como luz
visível.
• Facilidade de substituir lâmpadas incandescentes – como não utiliza reator,
simplesmente troca-se uma lâmpada incandescente por uma lâmpada mista,
obviamente obedecendo às dimensões de soquete (E27 ou E40).
A sua vida útil é superior a 6.000 horas com 30% de depreciação do fluxo luminoso no
período e sua eficiência luminosa pode ser de até 28 lm/W. A temperatura de cor varia de 3.600
a 4.100 K e o índice de reprodução de cor é de 40%.
Podem ser utilizadas em vias públicas, praças, jardins, comércio em geral e na
modernização de instalações feitas com lâmpadas incandescentes.

1.2.3 – O Efeito Estroboscópio

O efeito estroboscópio, de acordo com a ABNT, é a modificação aparente dos movimento


ou imobilização aparente de um objeto, quando iluminado por uma luz que varia periodicamente
numa freqüência apropriada.
Isso ocorre por exemplo com objetos iluminados por uma lâmpada de descarga que se
caracteriza pela interrupção repetida da radiação de luz, o que acontece duas vezes no período
de um ciclo, em função do efeito da corrente da lâmpada.
Considerando-se uma roda de raios rodando a uma certa velocidade, iluminada por uma
lâmpada de descarga, é como se o movimento da roda fosse modificado para uma rotação mais
lenta e de sentido contrario. O efeito estroboscópio pode tornar-se perturbador, embora sua

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constatação dificilmente aconteça. Para que o citado efeito seja eliminado, torna-se necessário a
instalação de reatores duplos, que provoquem radiação de luz nas três fases da rede.
Nas lâmpadas incandescentes, instaladas em redes de 60 Hz, o efeito estroboscópio é
praticamente desprezível, embora a corrente do filamento, nos circuitos de corrente alternada
passem por zero em cada semi-período, causando flutuação da temperatura e da emissão de luz
pelo filamento.

2- Os Led´s (Light Emiting Diodes)

Led´s são diodos emissores de luz, dispositivos semicondutores, portanto com uma
tecnologia similar a dos transitores dos famosos chips.
Os diodos são dispositivo que transmite corrente elétrica somente em um sentido,
funcionando como uma chave unidirecional. Sua utilização mais comum é a de converter corrente
alternada (CA), típica de tomadas elétricas, em corrente contínua (CC), como das pilhas e
baterias.
Os primeiros leds comercialmente disponíveis surgiram em 1960 e se tornaram conhecidos
como indicadores (ligado/desligado). Hoje são aplicados com back lighting, painéis indicadores,
iluminação decorativa, luzes de emergência, lanternas de carro, etc.
A escolha de leds como uma alternativa viável em relação a lâmpada incandescente pode ser
atribuída a novas tecnologias de fabricação, novos formatos e, é claro, a maior disponibilidade de
cores.
Os maiores avanços nesta tecnologia ocorreram devido ao desenvolvimento que elevou em
até 20 vezes o desempenho das primeiras gerações. As cores são escolhidas em função de seu
comprimento de onda, com variações de tonalidade para o vermelho, amarelo, âmbar, verde e azul.
Até o led branco, que durante muito tempo fui considerado uma impossibilidade, já é uma
realidade, inclusive com variações de temperatura de cor.

Por não haver partes móveis ou mecânicas, os led´s não se desgastam no decorrer do
tempo. Existem diodos em todos os circuitos eletrônicos de aparelhos como calculadoras, relógios
digitais, equipamentos de teste e aparelhos de som, e não são raros os casos em que estes
componentes estão funcionando a mais de 50 anos.
São muitas as vantagens na utilização dos led´s para iluminação, entre elas, destacamos:
vida útil de 100.000 horas contínuas, ou aproximadamente 10 anos. Resistente a choques
mecânicos, vibrações, liga/desliga freqüente. Produzem cores vibrantes. Não emitem radiações
como infravermelho (calor) ou Ultra-violeta. Eficiência entre 15 a30 lm/W consumido dependendo
da cor. Ausência de efeito “flicker” (piscar em alta freqüência), muito comum em fluorescentes.
Dimensões reduzidas, possibilitando novos formatos e design.

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Academia Sumaré SP Hospital Paulistano SP


Ed Administrativo SP

3- Iluminação através do Uso de Fibra Óptica

A tecnologia da Fibra Óptica representa hoje um dos mais modernos sistemas de iluminação
do mundo. A Fibra Óptica Plástica é uma excelente condutora de luz, capturando-a e levando-a a
outros pontos. Neste processo, não há condução de energia elétrica ou térmica e, desta forma,
milhares de cabos de Fibra Óptica podem ser iluminados através de fontes de baixo consumo
elétrico. Através de um dispositivo de colorização, é possível gerar movimentos e efeitos
especiais, seja qual for o uso. Como resultado obtém-se uma iluminação de impacto, dinâmica, que
realmente captura a atenção do observador.

• Movimentação: Efeitos especiais incríveis podem ser realizados tais como troca de
cores, faíscas, intermitência, ondulações, fogos de artifício, etc.
• Durabilidade: São extremamente duráveis e praticamente não requerem
manutenção, o que resulta em uma economia ainda maior.
• Impacto: O alto brilho, os movimentos, os efeitos, tudo isto faz com que o
observador sinta-se mais atraído. Um estudo realizado nos pontos de venda dos
EUA revelou que os luminosos de Fibra Óptica são 42 % mais absorvidos na memória
que luminosos convencionais.

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• Flexibilidade: Os resultados positivos são igualmente atingidos em diversas


aplicações. A Infinidade de usos faz com que sempre possa ser criado algo novo,
seja para sinalização, promoção, decoração, etc.
• Economia Elétrica: Consome até 75 % menos energia elétrica que outros sistemas

Esquema de uma fibra ótica

Fibra ótica

Uso de fibra ótica na piscina

Uso de fibra ótica no teto

3- Luminárias e Sistemas de Iluminação

Existem mais luminárias no mercado que qualquer outro equipamento de iluminação, sendo
muitas de tipos diferentes, feitos por vários fabricantes.
As luminárias “são os equipamentos que recebem a fonte de luz e modificam a distribuição
do fluxo luminoso emitido pelas mesmas” (MOREIRA: 1999, pág. 97).
Escolher uma luminária que resolva todas as nossas exigências de luminâncias e controle
ópticos, uniformidade e eficiência é uma parte importantíssima do projeto de iluminação.
A função da luminária é dirigir eficientemente a luz produzida pela lâmpada, para direções
apropriadas, não causando desconforto visual, tal como o ofuscamento.
Suas principais partes são:

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• O receptáculo pra a fonte luminosa – é o elemento de fixação, que funciona como


contato entre o circuito de alimentação externo e a lâmpada.
• Os dispositivos para modificação espacial do fluxo luminoso emitido pela lâmpada –
são os sistemas que se destinam a orientar o fluxo luminoso na direção desejada;
podem ser utilizados refletores, refratores, difusores, prismas lentes e colméias.
• A carcaça, órgão de fixação e de complementação – os materiais utilizados com
estas finalidades devem ser compatíveis como o modo de utilização das luminárias,
como por exemplo as expostas ao tempo, à umidade ou vapores ou ambientes
agressivos ao marítimos.

3.1- Classificação das Luminárias

As luminárias são classificadas de acordo com o CIE (Comission Internacionale de


L´Eclairage) em função da quantidade do fluxo luminoso que emitem para cima e/ou para baixo.
Desta forma, podem ser desenhadas e construídas de maneira a fornecerem:
1) Iluminação Direta – é aquela que direciona de 90 a 100 % do fluxo luminoso para baixo;
é utilizada na iluminação de áreas externas, naves fabris e ambientes com cobertura
dotada de elementos para iluminação natural.

2) Iluminação semi-direta – dirige a maior parte do fluxo luminoso para baixo, de 60 a


90%; ilumina tanto o teto quanto as paredes, fazendo-os contribuir por reflexão no
cômputo geral da iluminação.

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3) Iluminação Geral difusa - semelhante à anterior, distribui o fluxo luminoso de 40 a 60


% para cima e para baixo, só que de maneira difusa, utilizando dispositivos que fazem a
difusão de luz.

4) Iluminação semi-indireta – direciona quase todo o fluxo luminoso para cima, de 60 a 90


%, é recomendada quando as paredes e o teto são de materiais bons refletores e de
cores claras.

5) Iluminação indireta – direciona todo o fluxo luminoso para cima, de 90 a 100 %,


possibilitando que o mesmo seja refletido para baixo, da ao ambiente uma iluminação
sem contrastes.

3.2- Sistemas de Iluminação

Os tipos de sistemas de iluminação mais comuns são a iluminação geral, a localizada e a


local. É necessária uma análise correta do ambiente a ser iluminado e da tarefa a ser executada
para a escolha do sistema de iluminação a ser dotado. A escolha de um dos sistemas de iluminação
depende do:

a) Nível de iluminação necessário para a realização da tarefa;


b) Forma e função do ambiente, cor dos materiais de acabamento;
c) Disposição de pilares, vigas, dutos que possam causar obstruções e as aberturas de
iluminação natural;
d) Disposição espacial dos equipamentos, suas características e postura do operário em
relação à maquina e a tarefa visual;

A iluminação geral proporciona a iluminância sobre a área total com um certo grau de
uniformidade. A iluminação média deve ser igual à iluminância requerida para a tarefa visual a ser
realizada. Este sistema é de alto consumo de energia quando a tarefa visual requer altos níveis de

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iluminância, a área tem um fator de utilização pequeno ou em grandes parcelas são realizadas
tarefas visuais menos críticas.

A iluminação localizada concentra as luminárias mas onde ser realiza a tarefa visual de
maior exigência., para produzir um iluminamento suficientemente elevado. Neste caso o consumo
de energia é menor do que na iluminação geral. Este tipo de iluminação é produzido colocando-se
as luminárias próximas da tarefa visual, de maneira a iluminar somente uma pequena área.

No caso de iluminação local, as luminárias são colocadas perto da tarefa visual de forma a
iluminar unicamente uma pequena área de trabalho. Nestes casos a iluminação local deve ser
complementada por um sistema de iluminação geral.

De acordo com Moreira (1999; 356) a iluminação local é indicada nos seguintes casos:

• Quando o trabalho a ser executado envolve tarefas visuais muito criteriosas;


• Quando as condições de forma ou textura exigem que a luz incida em uma direção
particular
• Quando a iluminação geral, devido a eventuais obstruções, não alcança determinadas
áreas de trabalho;
• Quando forem necessárias maiores iluminâncias para benefícios de operários mais
idosos ou operadores que apresentarem problemas visuais.

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• Quando seja necessário obter uma iluminação confortável em interiores


normalmente, não utilizados para trabalho.

4- Cálculo de Iluminação Artificial – O Método dos Lumens

O projeto luminotécnico de determinado ambiente define qual o tipo de lâmpada e de


luminária a ser utilizado e calcula a quantidade de luminárias necessárias para se atingir a
iluminância média requerida pela norma para o ambiente em questão.
O método dos lumens é um dos métodos utilizados para se determinar o numero de
lâmpadas e de luminárias, levando em conta as dimensões e o tipo do ambiente a ser iluminado.
Apresentamos a seguir um roteiro a ser seguido para se fazer os cálculos necessários, de acordo
com Garcia Jr (1996, pág. 42).
• Escolha do nível de iluminamento (E)
• Determinação do índice do local (K)
• Escolha das lâmpadas e luminárias
• Determinação do fator de manutenção (d)
• Determinação do fluxo total (φT)
• Cálculo do número de luminárias
• Distribuição das luminárias

a) A escolha do nível de iluminamento (E)


É feito de acordo com a norma NBR5413 que estabelece os valores de iluminâncias médias
mínimas em serviço para iluminação artificial em interiores, onde se realizem atividades de
comercio, industrias ensino esporte e outras. Essa norma indica para cada tipo de local ou
atividade, três iluminâncias, a máxima, a média e a mínima, a serem escolhidas de acordo com o
estabelecimento em seu texto.

b) Determinação do índice do local (K)


Este índice depende das dimensões do local e pode ser calculado pela seguinte formula:

K= C.L
(C+L).hu

onde:
C= comprimento do local
L= largura do local
Hu= altura útil – altura da luminária ao plano de trabalho

c) Escolha das lâmpadas e das luminárias


Para esta escolha ser levada em consideração, fatores tais como a adequada iluminação do
plano de trabalho, custo, manutenção, estética, reprodução das cores, aparência visual e
funcionalidade.

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d) Determinação do fator de utilização (η)


O fator de utilização representa a razão do fluxo útil, ou seja, aquele que realmente incide
sobre um plano de trabalho, para o fluxo total emitido. Depende da distribuição da luz e do
redirecionamento da luminária, do índice do local (K) e da reflexão das paredes, do teto e do
piso. O fator de utilização geralmente é retirado de tabelas que acompanham os catálogos de
luminárias.

CORES (%) MATERIAIS (%)


Branco 75-85 Espelho de vidro 80-90
Creme-claro 70-75 Plástico metalizado 75-85
Amarelo-claro 65-75 Alumínio polido 65-85
Cinza claro 55-75 Alumínio Alzao 80-85
Verde-claro 50-65 Alumínio reflectal 93-98
Azul claro 50-60 Branco sintético 70-85
Cinza médio 40-55 Concreto novo 40-50
Verde médio 40-50 Estuque novo 70-80
Azul médio 35-50 Ferro esmaltado 60-80
Vermelho 10-20 Asfalto 4-10

e) Determinação do fator de depreciação ou manutenção (d)


Representa a depreciação do fluxo luminoso devido ao acumulo de sujeira nas luminárias e
nas lâmpadas, entre duas limpezas consecutivas. Pode-se considerar para ambientes limpos, d=
0,9; ambientes médios, d= 0,8; ambientes sujos, d= 0,6.

f) Determinação do Fluxo total (φ T)


Para se determinar o fluxo total utiliza-se a seguinte expressão, que determina o valor da
iluminância média.

Em = φ T . η . d/S φ T = Em . S/η . d

Onde:
Em = iluminância média
S= área do ambiente
η= fator de utilização
D= fator de depreciação
φT= fluxo total

g) Calculo do numero de luminárias


Cada lâmpada emite uma quantidade de fluxo luminoso, expresso em lumens, conforme
pode-se encontrar nos catálogos dos fabricantes. Em função do numero de lâmpadas que cada
luminária recebe, calcula-se o numero de luminárias necessárias.

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N° de luminárias = φ T/φ I

onde:
φ T= fluxo total
φ I = total de lumens emitidos por uma luminária

h) Distribuição das luminárias


O espaçamento entre as luminárias depende da sua altura ao plano de trabalho (altura útil)
e da sua distribuição de luz. Esse valor situa-se normalmente, entre 1 a 1,5 vezes o valor da altura
útil nas duas dimensões. O espaçamento até as paredes deverá ser a metade deste valor.
Caso o numero de luminárias calculado resulte em valores incompatíveis com esses limites,
os mesmos deverão ser ajustados para não se correr o risco de o ambiente ficar com sombras. O
ajuste é feito sempre elevando-se o numero de luminárias ou mudando-se a sua distribuição.

5- Avaliação do Sistemas de Iluminação

O sistema de iluminação de um ambiente qualquer de trabalho deve atender não somente


aos níveis de iluminância estabelecidos pela Norma Brasileira, mas também a outros parâmetros
quer garantam a segura e a o bom desempenho visual do operário. A posição das luminárias em
relação ao homem e as maquinas, o espectro da luz emitida (as cores), as sombras produzidas e
outros fatores são também importantes para se prevenir acidentes de trabalho e garantir a
saúde do operário.

5.1- Verificação da Eficiência de Sistemas de Iluminação

De acordo com SILVA (1992, pág. 83), o sistema de iluminação instalado deve ser
periodicamente verificado, considerando-se a sua finalidade original e o seu projeto,
considerado-se ao seguinte fator que influenciam ao atingir os níveis de iluminância requeridos
pela tarefa visual.

a) Quanto ao ambiente:
• Forma, função, características luminotécnicas dos materiais de acabamento
aplicados às superfícies internas e o estado de conservação dos mesmos;
• Disposição de vigas, pilares, ,pontes rolantes e outros elementos que possam causar
obstruções no fluxo luminoso que pode chega ao plano de trabalho;
• Orientação geográfica do ambiente em análise e de seus respectivos vãos para
iluminação natural;
• Fontes de ofuscamento
• Adaptação existente

b) Quanto à máquina

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• Disposição espacial, características construtivas e de operação e estado de


conservação;
• Disposição dos equipamentos envolvidos na tarefa, com respeito aos ângulos de
visão e ao contraste de iluminância entre os pontos de interesse e o ambiente em
sua totalidade
• Adaptações no sistema de iluminação local que possam comprometer a postura do
operário e as condições térmicas do posto de trabalho.

c) Quanto ao operário
• Postura deste frente à máquina a operar, relacionada à incidência de luz no plano de
trabalho;
• Utilização correta da fonte de luz diretamente envolvida na tarefa visual; possíveis
incrementos no nível de iluminância devido à faixa etária do operário ou ao seu
desempenho visual reduzido;

d) Quanto ao sistema de iluminação


• Tipo de sistema, das luminárias, lâmpadas e dos seus acessórios
• Estado de conservação das lâmpadas e das luminárias
• Plano de manutenção
• Fontes de ofuscamento
• Possíveis adaptações no sistema

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