You are on page 1of 2

Noção de malabarismo:

Samba conciliação de tendências opostas: de um lado, a


complexidade da vivencia pessoal e seu relato impreciso e
aperiódico, de outro, a pulsação regular e os apelos reiterativos das
melodias visando à memória do ouvinte e à ginga do corpo.

Não se sentia fundador e muito menos inovador. Sentia-se


“bacharel”.
Letrista sem contato com as correntes literárias da época (pelo
menos nada manifesto), desenvolveu com perícia impar o processo
de recortar melodias e cobrir textos com a máxima eficácia da
comunicação.

Nunca se pautou por fontes eruditas ou por idioletos populares


estereotipadas.

À melodia cabia fisgar a emoção ou o humor específicos da


experiência e não ao texto. A este cabia circunscrever o conteúdo
tratado sem ultrapassar os limites entoativos que dão naturalidade
ao traçado melódico. O equilíbrio malabarístico disso tudo era o
samba.

Noel chegou a um texto ideal para a canção porque se preocupava


com o samba e não com a poesia.

Noel nunca se preocupou com temas perenes ou que tivessem,


porventura, interesse para a comunidade. Sua visão de mundo e
seus conteúdos retratados eram de cunho eminentemente pessoal.

Estilo Semi-Erudito

Artistas semi-eruditos são aqueles que desejosos de serem


reconhecidos como talentos que ultrapassam a simples esfera
popular, carregam suas obras com indícios de um registro
supostamente elevado para causar impressão de maior
sofisticação. Entretanto, não convivem realmente com as questões
e as preocupações que movem a atividade erudita da época,
pautam seu trabalho por produções obsoletas, como se a arte culta
fosse uma arte à maneira dos clássicos consagrados.

Exemplos de artistas semi-eruditos: Cartola, Nelson Cavaquinho,


Guilherme de Brito, Carlos Cachaça, Lupicínio Rodrigues, Catulo da
Paixão Cearense

Sinhô

O semi-eruditismo não é um traço característico da obra de Sinhô.


Sua especialidade era preparar canções para o sucesso.
Sinhô chegou a um modelo de melodia simples e direto que caia no
gosto do publico com a eficácia de um jingle.
Embora seus maxixes evocassem ritmicamente o samba, sua forma
de composição estava mais afinada com o espírito funcional da
marchinha: concisão de letra, apenas o suficiente para um recado
pessoal, uma sátira social, uma palavra de ordem ou mesmo para
preencher a totalidade das frases melódicas já criadas; concepção
musical de consenso, andamento dinâmico e melodia facilmente
memorizável.

Noel, além da habilidade e naturalidade conquistadas por Sinhô,


buscava um terceiro traço para formar o tripé daquilo que entendia
por samba: a profundidade.

Naturalidade: Jamais cantou o que não se pudesse falar utilizando


uma curva equivalente.
A profundidade chegou à canção brasileira pelos estratos narrativos
da composição de Noel Rosa. O compositor sentiu a possibilidade
de propor textos densos, singularizados por um tratamento
subjetivo.

Ele percebeu que uma pequena extensão da linha melódica é


suficiente para içar conteúdos complexos, desde que o texto dê
margem a tal exploração.

Related Interests