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Dimensionamento

de Estruturas em Aço
Parte 1
Prof. Yopanan C. P. Rebello

Coordenação Geral:
Sidnei Palatnik
www.cursoscbca.com.br
Sobre o autor:
Yopanan Conrado Pereira Rebello
é engenheiro civil pela Universidade Mackenzie (1971),
é mestre e doutor pela FAU-USP (1992).
Diretor Pedagógico da Ycon Formação Continuada
Diretor Técnico da Ycon Engenharia Ltda.
E autor de diversos livros, entre eles:
“A Concepção Estrutural e a Arquitetura”*
“Bases para Projeto Estrutural”*
“Estruturas de Aço, Concreto e Madeira”*
“Fundações”*
*títulos publicados pela Zigurate Editora – São Paulo

Colaboradores:
Sidnei Palatnik e Arquimedes da Silva Costa Filho

Ficha técnica:
Produção: CBCA – Centro Brasileiro da Construção em Aço
Coordenação Geral: Sidnei Palatnik
Projeto Gráfico: Caetano Sevilla (Hous Mídia Interativa) e Sidnei Palatnik
Editoração Eletrônica: Caetano Sevilla (Hous Mídia Interativa)
Ilustrações: Sidnei Palatnik e Arquimedes da Silva Costa Filho

Fotos: Conforme indicado

© 2010 INSTITUTO AÇO BRASIL/CENTRO BRASILEIRO DA CONSTRUÇÃO EM AÇO


Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização desta
Entidade.

Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Informações do IABr/CBCA

Rebello, Yopanan Conrado Pereira


R291s
Dimensionamento de estruturas em aço / Yopanan Conrado Pereira Rebello;
Coordenação de Sidnei Palatnik - Rio de Janeiro: Instituto Aço Brasil/CBCA, 2010.

Curso a distância – via Internet


Modo de acesso: www.cursoscbca.com.br

ISBN 978-85-89819-23-7

1.Perfis de aço 2. Dimensionamento de estruturas de aço 3. Mezaninos estruturados em


aço 4. Galpões estruturados em aço 5. Edifícios estruturados em aço 6. Curso a
distância I. Palatnik, S.

Instituto Aço Brasil / Centro Brasileiro da Construção em Aço


Capa: Av. Rio Branco, 181 / 28º Andar
Shopping Flamboyant Goiânia 20040-007 - Rio de Janeiro - RJ
Foto: Sidnei Palatnik e-mail: cbca@iabr.org.br
site: www.cbca-iabr.org.br
Sobre esta Apostila

O conteúdo desta apostila é parte integrante do curso a distância inti-


tulado: “Dimensionamento de Estruturas em Aço”, desenvolvido pelo
Professor Doutor Engenheiro Yopanan Conrado Pereira Rebello e pelo
Arquiteto Sidnei Palatnik, para o CBCA – Centro Brasileiro da Construção
em Aço - e oferecido no link www.cursoscbca.com.br.

Ao prepararmos esta apostila tivemos como único fim oferecer a possibi-


lidade de imprimir o conteúdo escrito do curso, de forma a facilitar
sua leitura.

Ressaltamos que inúmeros recursos multimídia disponíveis na internet


não se aplicam a esta versão. Ela também não incluiu todo o conteúdo
disponibilizado no curso, como fóruns de discussão, exercícios, testes
e vídeos, bem como o conteúdo desenvolvido pelos alunos durante
o curso.

Eventuais links para sites, ou outros, apresentados ao longo do texto,


só funcionarão se utilizados a partir dos links correspondentes das web
pages, no ambiente de estudo na internet. Da mesma forma, os vídeos
assinalados ao longo da apostila somente são disponibilizados através
do ambiente de internet do curso. Dependendo do tipo de conexão à
internet, banda larga ou não, recomendamos que seja feito o download
dos vídeos oferecidos durante o curso para que possam ser visualizados
a partir do computador do leitor.
Dimensionamento de estruturas em Aço
Parte 1
Sumário do Curso

Apresentação

Introdução O material Aço

Módulo 1 1ª Parte - Perfis de Aço - Tipos e Usos


2ª Parte - Dimensionamento de Estruturas de Aço

Módulo 2 1ª Parte - Mezaninos estruturados em Aço


2ª Parte - Dimensionamento de um Mezanino estruturado em Aço

Módulo 3 1ª Parte - Galpões Estruturados em Aço


2ª Parte - Dimensionamento de um Galpão estruturado em aço

Módulo 4 1ª Parte - Edifícios estruturados em Aço


2ª Parte - Dimensionamento de um Prédio com cinco pavimentos

Módulo 5 Considerações sobre o Dimensionamento de Estruturas de Aço


Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Apresentação

Vídeo 1 – Apresentação assista on-line

Seja bem vindo ao curso de Cálculo de Estruturas em Aço, do CBCA.

Neste curso optamos por estabelecer três tipologias que utilizaremos


como base para o nosso estudo.

São elas:

1. Mezaninos
2. Galpões
3. Edifícios de até cinco pavimentos

Ao definirmos estas tipologias acreditamos que estaremos abrangendo grande


parte das estruturas de aço exe cutadas em nosso país.

Este curso não pretende esgotar o assunto, que é por demais vasto. Nosso
intuito é abrir um caminho inicial para que cada participante possa continuar
avançando por si mesmo, através de bibliografia, ou em outros cursos que
pretendemos desenvolver no futuro.

Nosso principal objetivo é que o conteúdo proposto seja, efetivamente, de or-


dem prática.

É importante esclarecer que não pretendemos tratar de noções básicas


para cálculo de esforços e reações de cargas, cálculos de momentos fletores
e forças cortantes, ou esforços axiais em pilares e em estruturas compostas
de barras.

Recomendamos que, se você estiver esquecido destas questões, estude um


pouco antes de começar o curso, para por em dia estes assuntos.
Retome os procedimentos de cálculo para esses esforços.
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Introdução

Vídeo 2 - O material Aço assista on-line

O aço é uma liga metálica constituída basicamente Cada um destes elementos altera as propriedades
de ferro e carbono. Dependendo do tipo de aço que físicas da liga, como sua resistência mecânica, re-
queremos obter, são adicionados outros elemen- sistência a corrosão, ductilidade e muitas outras.
tos, tais como: manganês, silício, fósforo, enxofre,
alumínio, cobre, níquel, nióbio, cromo e outros.

Figura 0 - Tabela de elementos de liga

A quantidade de carbono

A quantidade de carbono é de suma importância nas A ductilidade é um aspecto importante, pois permite
características mais relevantes do aço. que sejam visualizadas as deformações em peças
submetidas a grandes tensões, servindo como aviso
Aços com maior quantidade de carbono são mais antes da ruptura, ou permitindo a redistribuição dos
resistentes, porém pouco dúcteis e muito que- esforços.
bradiços. Com menos carbono são mais dúcteis,
mas com menor resistência. Esta propriedade também é importante para a
confecção de perfis de chapas dobradas, evitando
trincas ou quebra nas linhas de dobra.
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Em relação ao cálculo de dimensionamento, não se considera o limite de rup-


tura como limite de trabalho do aço e sim o limite de escoamento, pois a partir
deste ponto as deformações são permanentes e indesejáveis, podendo, inclu-
sive ocorrer a ruptura inesperadamente.

O capítulo referente às características de fabricação


do aço faz parte do curso Introdução ao uso do Aço Curso Introdução ao uso do Aço
na Construção Civil e aqui será oferecido apenas Módulo 1 - 2ª parte
como leitura complementar, não sendo nossa inten- (Material adicional disponível no curso on-line)

ção nos aprofundarmos nestas questões.


Leitura Complementar recomendada:
Caso tenha interesse em conhecer este material, “O Uso do Aço na Arquitetura”
faça o download da 2ª parte do módulo 1 daquele Prof. Aluizio Fontana Margarido - CBCA - 2008
curso. Aos que tiverem interesse em conhecer mais (Material adicional disponível no curso on-line)

sobre o uso do aço na arquitetura e construção, re-


comendamos fazer os dois outros cursos a distância
oferecidos pelo CBCA:

a. Introdução ao uso do Aço


b. Sistemas Estruturais em Aço
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 11 ª parte
Sumário Módulo 1 : 1ª Parte
Perfis Metálicos Tipos e Usos

1. Perfis Estruturais de Aço


página 10

1.1. Perfil Laminado


página 10

1.2. Perfil de Chapa Dobrada


página 11

1.3. Perfil de Chapas Soldadas


página 11

1.4. Principais aplicações dos perfis


página 12

1.4.1. Cantoneiras
página 12

1.4.2. Perfil “U”


página 15

1.4.3. Perfil “I”


página 17

1.4.4. Perfil “H”


página 20

1.4.5. Perfil “T”


página 20

1.4.6. Perfil Tubular


página 21

1.4.6.1. Usos estruturais de tubos de Aço


página 22

1.4.7. Chapas
página 23

1.4.7.1. A utilização das Chapas de aço


página 23

1.4.8. Barras redondas


página 24

1.5. Tabelas de Perfis de Aço


página 24
Modulo 1 : 1ª parte

Módulo 1 : 1ª Parte
Perfis Metálicos - Tipos e Usos

É importante esclarecer um aspecto fundamental nos perfis metálicos podemos ter uma gama mais
quando se pretende trabalhar com estruturas de variada de tipos de perfis, cada qual com caracter-
aço: os elementos com que trabalhamos, os perfis ísticas próprias, sejam elas de geometria, espes-
de aço utilizados como vigas e pilares, diferem bas- sura, tipo de fabricação e com indicação de uso
tante dos elementos da construção convencional. dife-renciado, além das próprias características
Em concreto armado, estes elementos estruturais do aço, de maior ou menor resistência mecânica, e
variam, principalmente, nas dimensões (Base e composição química.
Altura) e na quantidade de armadura utilizada. Já

1. Perfis Estruturais de Aço


Denomina-se perfil estrutural à barra de aço obtida Como resultado desta operação são obtidas placas
por diversos processos e que apresenta a forma ou tarugos de seção quadrada ou retangular. As
da sua seção com determinadas características placas são destinadas à fabricação de chapas
para absorver determinados esforços. e os tarugos à fabricação de perfis estruturais.

Os perfis estruturais de aço são obtidos a par- Os tarugos são processados, sob pressão, em má-
tir dos lingotes reaquecidos, que passam pelos quinas denominadas laminadores, em três fases:
laminadores-desbastadores, onde têm sua seção bruta, intermediária e de acabamento. Ao final
transversal alterada e a estrutura molecular do desse processo são obtidos os perfis com seções
aço trabalhada para atingir características físicas adequadas às solicitações estruturais.
apropriadas. (Ver figura 01)

Figura 01 – Laminador Universal Foto 01: Laminador de tiras a quente. Fonte: Usiminas

As chapas laminadas, por sua vez, podem resultar Os perfis estruturais podem ser de três tipos:
em outros perfis através de seu dobramento ou sol-
dagem com outras chapas, além de diversos outros • Perfis Laminados
produtos de aço, como telhas, fechamentos laterais • Perfis de chapas soldadas
e pisos. • e Perfis de chapa dobrada

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Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.1. Perfil Laminado

É aquele obtido a partir da laminação dos tarugos.


Suas dimensões são padronizadas e limitadas. Nor-
malmente é utilizado em obras de médio porte. Tem
como vantagem a redução do trabalho de transfor-
mação da chapa, pois já vem pronto. Os principais
perfis laminados fabricados no Brasil são:

• Perfil U
• Perfil I e H
• Cantoneira
Foto 02. Laminador de perfis visto da cabine de controle.
Fonte: Gerdau Açominas

1.2. Perfil de Chapa Dobrada


O perfil de chapa dobrada é obtido pelo dobramento Os perfis de chapa dobrada permitem variação
de chapas a frio. de forma e dimensões das seções, mas podem,
também, ser encontrados prontos e padronizados.
Quando as chapas são finas, entre 1,5 mm e 5 mm,
os perfis recebem a denominação de perfis leves. Os perfis de chapa dobrada mais comuns são:
Por serem muito esbeltos exigem cuidados especi-
ais na sua aplicação, tanto quanto à solicitação aos • Perfil U, simples e enrijecido
esforços como pela possibilidade de fácil • Cantoneira
deterioração.

Existe ainda, a modalidade de perfis muito leves,


como é o caso dos perfis utilizados na construção
em Light Steel Framing, cujas espessuras dos per-
fis de aço galvanizado variam de 0,8 a 1,5 mm.

Os perfis conformados a frio são atendidos pelas


normas NBR 14762:2001 Dimensionamento de es-
truturas de aço constituídas por perfis formados
a frio – Procedimento, e NBR 6355:2003 Perfis
estruturais de aço formados a frio – Padronização.

Os perfis mais pesados podem ser executados com


chapas que podem chegar à espessura de 25 mm.
Neste caso são exigidos raios de curvaturas míni-
mos na dobragem para evitar fissuração ou alte-
ração nas características do aço.

Os perfis leves são mais comuns e utilizados em ob-


ras de pequeno porte ou em elementos estrutu-rais
secundários. Em coberturas, o uso de perfil Foto 03 – Estrutura em light Steel Framing.
de chapa dobrada costuma ser o mais econômico. Fonte: Sidnei Palatnik

11
Modulo 1 : 1ª parte

1.3. Perfil de Chapas Soldadas

Perfil de chapas soldadas é o perfil obtido pela sol- Devido ao custo de fabricação mais elevado esse
dagem de chapas entre si. Permite grande varie- tipo de perfil é utilizado em obras de médio a grande
dade na forma e dimensões das seções; As chapas, porte. No entanto, quando o projeto exigir seções
com as mais diversas espessuras, variando entre com formas especiais, essa solução também pode
5 e 50 mm, e que podem, ainda, estar previamente ser usada em obras de menor porte.
dobradas, quando soldadas entre si originam as
mais diversas possibilidades de seções.

1.4. Principais aplicações dos perfis


Para escolher o perfil mais adequado para cada • O esforço de flexão exige formas de seção em
aplicação, é de fundamental importância lembrar que o material encontre-se longe do centro de
o princípio da distribuição das massas nas seções. gravidade, mas apenas em relação ao eixo em
Este princípio relaciona as formas das seções das torno do qual ocorre o momento fletor.
peças estruturais com os esforços a que são sub-
metidas. Nota: Para informações mais detalhadas sobre
este assunto recomendamos consultar o livro “A
Resumidamente esse princípio pode ser assim concepção estrutural e a arquitetura”, do Prof.
exposto: Yopanan C.P. Rebello, São Paulo, Zigurate Editora,
2003, p.61.
• O esforço de tração simples convive bem com
qualquer forma de seção. Se a intenção for trabal- A seguir serão apresentados os perfis estruturais
har com peças esbeltas é recomendado o uso de mais comuns, mostrando como são obtidos, e suas
seções em que o material esteja concentrado junto aplicações mais adequadas.
ao centro de gravidade da seção.

• O esforço de compressão simples pode provocar


flambagem, daí peças comprimidas exigirem seções
mais rígidas, ou seja, aquelas em que o material
esteja mais afastado do centro de gravidade, de
preferência em todas as direções.

1.4.1 Cantoneiras

As cantoneiras (ver figura 02) podem ser obtidas


por dobramento de chapa, ou laminadas (produto
de siderúrgica). São especificadas em projeto pela
letra L, seguidas das dimensões da seção, especifi-
cando primeiro as larguras das abas, seguidas da
sua espessura. As dimensões das cantoneiras lami-
nadas são expressas em polegadas e as de chapa
dobrada, em mm.

Figura 02

12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Exemplo: L 4” x 4” x ½” ou L 100 x 100 x 12,5 mm.

Os usos mais comuns para as cantoneiras são apresentados a seguir:

a) Elemento de ligação entre peças (Ver figura 03)

Figura 03 Foto 04 - Cantoneira soldada em uma viga e parafusada


em outra. Fonte: Sidnei Palatnik

b) Barras de treliças, principalmente em tesouras de telhado (Ver figura 04)

Figura 04

É recomendável que as barras das treliças sejam A ligação entre as cantoneiras é feita através
formadas por cantoneiras duplas, para que o cen- de chapas nas quais estas são soldadas ou para-
tro de gravidade da força passe pelo c.g. da seção, fusadas.
evitando-se assim excentricidades que resultem
em esforços indesejáveis.

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Modulo 1 : 1ª parte

c) Composição de pilares (Ver figura 05)

Foto 05
Figura 05 – Pilar composto de cantoneiras e chapa Fonte: Sidnei Palatnik

Neste caso, com pequena quantidade de material É de capital importância que, para garantir que as 4
pode ser obtida uma coluna, bastante rígida e com cantoneiras não trabalhem independentes, mas sim
uma seção com grande momento de inércia. como uma única seção formada por 4 cantoneiras,
se evite o escorregamento relativo entre elas. Para
isso é necessário ligar as cantoneiras com trava-
mentos adequados, sendo o mais eficiente aquele
que forma triângulos, como aparece na Foto 05.

d) Reforços de chapas de piso ou vedação (Ver figura 06)

figura 06

As cantoneiras se comportam como nervuras


aumentando a rigidez da chapa. Caso a chapa não
fosse enrijecida pelas cantoneiras, sua espessura
teria que ser maior, resultando em peso e custos
mais elevados.

14
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.2 Perfil “U”

Figura 07

O perfil U (ver figura 07) pode ser obtido por dobra-


mento de chapa ou por laminação em siderúrgica.
Foto 06 – Perfil U laminado
Sua especificação é feita pelo uso do símbolo
“ [ “, seguido das dimensões da seção e do peso
por metro linear.

No caso de perfis laminados é fornecida a altura A denominação 1a alma significa que foi escolhido,
da alma em polegadas seguida do peso por metro dentre os perfis de 8” de altura que aparecem no
linear; catálogo, aquele que apresenta espessura de alma
No caso dos perfis de chapa dobrada, são forneci- mais fina e que, portanto, aparece em primeiro
das todas as dimensões da seção em milímetros, na lugar no catálogo.
seguinte seqüência: altura, largura e espessura.
Os perfis “U” são comumente usados nas seguintes
Os perfis U de chapa dobrada podem ser enrijeci- situações:
dos para aumentar sua inércia em relação ao seu
eixo vertical (de menor inércia). Esse enrijecimento a) Barras de Treliças de grande porte (Ver figura 08)
é dado pelo dobramento de seus extremos. Este
dobramento recebe o nome de lábio. Neste caso o
perfil é especificado na seguinte seqüência: altura,
largura, espessura e lábio.

Exemplos:

[ 8” x 17,11 para perfil laminado


[ 100x50x3 para perfil de chapa dobrada
[ 100x50x3x 20 para perfil de chapa dobrada
enrijecido

Nos perfis laminados, para cada altura de alma são


fabricados diversos perfis com várias espessuras
de alma e mesa. Em vista disso pode-se, mais popu-
larmente, substituir a especificação através do peso
pela posição do perfil no catálogo de fabricação.
Figura 08
Exemplo: [ 8” x 17,11 ou [ 8” 1a alma

15
Modulo 1 : 1ª parte

b) Composição de pilares através da soldagem dos Recomenda-se que as abas do perfil estejam volta-
perfis entre si ou com chapas ou cantoneiras. (Ver das para baixo, a fim de que não haja acúmulo de
figura 09) poeira ou água oriunda da condensação da umidade
do ar, o que pode provocar corrosão
Observe-se a intenção de jogar material longe do
centro de gravidade da seção com o intuito de di-
minuir o efeito da flambagem. d) Vigas para pequenas cargas e vãos (Ver figura 11)

Figura 09 Figura 11

c) Terças para apoio de telhas de cobertura O uso de um único perfil deve ser restrito a cargas
(Ver figura 10a e 10b) e vãos pequenos, pois devido a assimetria da seção
existe a tendência de ocorrer torção. Para melhor
As terças são vigas que apóiam as telhas e que desempenho, da viga, recomenda-se a composição
por sua vez apóiam-se nas tesouras. de dois perfis “U”, de forma a tornar a seção simé-
trica e não sujeita à torção. Esta solução permite o
seu uso em vigas com cargas e vãos maiores, mas
tem contra si um razoável aumento de custo, uma
vez que a alma passa a ser dupla.

Outro fator que torna a composição de perfis U


menos eficiente para uso em vigas é embasado no
princípio da distribuição de massa nas seções. As
vigas são submetidas predominantemente a mo-
mento fletor e, como foi visto, a melhor seção para
esse esforço é aquela que concentra material longe
do centro de gravidade na direção normal ao eixo
em torno do qual ocorre a flexão. Quando dois perfis
U são compostos, a concentração de material se dá
Figura 10a na alma, quando o melhor seria nas mesas.

e) Viga para apoio de degraus de escada


(Ver figura 12)

Figura 10b
Figura 11

16
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.3 Perfil “I”

O perfil “I” (ver figura 13) pode ser obtido por lami-
nação na usina siderúrgica ou pela soldagem
de três chapas.

Os perfis “I” laminados, são especificados em


projeto, pela letra I acompanhada da dimensão da
sua altura em polegada ou milímetro, seja padrão
americano ou europeu, seguida do seu peso por
metro linear. No padrão americano, pode-se infor-
malmente substituir a especificação do peso pela
posição do perfil na tabela do catálogo
do fabricante (1ª alma, 2ª alma,...).

Os perfis de chapa soldada, quando não obtidos in-


dustrialmente, são especificados pela sigla VS (viga
Figura 13 soldada), seguida da sua altura em milímetro
e do seu peso por metro linear.

Alguns fabricantes têm suas próprias siglas. Os


perfis laminados produzidos pela Açominas são
especificados pela letra W. Os perfis soldados da
Usiminas pela sigla VE, onde a letra E indica que
são executados por eletrosoldagem. A Usiminas ai-
nda usa a sigla VEE para perfis I eletrosoldados que
têm as mesmas seções dos perfis laminados padrão
americano.

Exemplo:

I 12” x 60,6 x 60,6 kgf/m ou


I 12” - 1ª alma
VS 300 x 62
Foto 07 – Perfil I laminado
W 310 x 28,3
Fonte: Sidnei Palatnik
VE 250 x 19

Os perfis “I” podem ser usados como:

a) Viga

O uso como viga é a principal e mais importante


aplicação desse perfil. Sua forma de seção é ex-
tremamente adequada para absorver os esforços
de flexão, já que suas mesas constituem elementos
de grande quantidade de massa, afastados
do centro de gravidade da seção.

17
Modulo 1 : 1ª parte

Todos os perfis I, sejam laminados ou soldados, têm


a espessura da mesa maior que a da alma, e com-
patível com o princípio de distribuição de massa
na seção. (Ver figura 14)

Muito interessante é, também, o uso do perfil “I”


associado ao concreto, compondo vigas mistas
de seção “T”. Nesse caso o concreto absorve a
Figura 14 compressão e o aço a tração, devidas ao momento
fletor, resultando em vigas muito resistentes e com
pouca altura, pois os dois materiais são solicitados
dentro de suas melhores características mecânicas.
(Ver figura 15)

Figura 15

b) Viga vierendeel alveolar

Essa viga é obtida pelo corte da alma de um perfil


“I”, na altura conveniente, e posterior soldagem das
partes cortadas, resultando em uma viga de maior
resistência com a mesma quantidade de material.

Este tipo de viga permite a passagem de tubulações


através de sua alma. O uso deste tipo de viga deve
ser bem avaliado, pois o seu processo de obtenção
gera custos mais elevados. (Ver figura 16)

Figura 16

Figura 16b

18
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 7a - Corte do perfil para fabricação de viga alveolar. Foto 7b - Montagem de viga alveolar.
Fonte: Gerdau Açominas Fonte: Gerdau Açominas

Nota: Para mais informações sobre o comportamento da


viga vierendeel recomendamos consultar o livro “Bases
para Projeto Estrutural”, do Prof. Yopanan C.P. Rebello,
São Paulo, Zigurate Editora, 2007, p. 80.

c) Pilar isolado para pequenas cargas. d) Composição de pilares.

A seção em I não é a melhor para forças de com- Pilares podem ser compostos através da soldagem
pressão, portanto para pilares, pois a forma da direta de dois perfis ou pela ligação de dois perfis
seção resulta em uma maior rigidez na direção por meio de chapas ou cantoneiras, de uma maneira
paralela à alma do que na direção normal a ela. semelhante à utilizada para perfis U. (Ver figura 17)

Essa característica impede o uso de perfis I para


pilares mais solicitados e mais longos.

Figura 17

19
Modulo 1 : 1ª parte

1.4.4 Perfil “H”

O perfil H (ver figura 18) pode ser obtido pela sol-


dagem de 3 chapas ou por laminação. Se diferen-
cia geometricamente do perfil “I” por apresentar
largura de aba igual à altura da alma.

As indicações em desenho são semelhantes às do


perfil “I”, exceto que os perfis não industrializados
de chapa soldada recebem a sigla CS, iniciais de
Coluna Soldada.

Os perfis laminados produzidos pela Gerdau Açomi-


nas recebem a sigla W ou HP. Os perfis eletrosolda-
dos, produzidos pela Usiminas, recebem a sigla CE,
de Coluna Eletrosoldada. Figura 18

Exemplos: CS 300 x 26 - W 310 x 93 - CE 300 x 76 O perfil “H”, pelas suas características geométri-
cas, é quase que unicamente utilizado como pilar,
Os perfis soldados, quando não são produzidos pois apresenta boa rigidez em ambas as direções,
industrialmente, podem ser especificados generi- respondendo bem ao esforço de compressão axial.
camente, seja perfil I ou H, pela sigla PS de Perfil
Soldado. Como estas seções não são tabeladas elas A inércia de sua seção faz com que o perfil “H” seja
deverão ser identificadas na prancha de desenho indicado, também, para pilares submetidos a flexo-
em tabela própria, onde todas as dimensões sejam compressão (flexão + compressão axial).
especificadas. Normalmente a ordem de identifica-
ção é: altura do perfil, largura da mesa, espessura
da mesa e espessura da alma.

1.4.5 Perfil “T”


O Perfil T pode ser obtido pelo corte de um perfil “I” ou de perfil “H”. Quando obtido por laminação apre-
senta dimensões bastante reduzidas. Por não ser muito econômico, o perfil “T” tem pouca utilização estru-
tural, sendo principalmente usado na composição de caixilhos. Sua indicação em desenho é semelhante à
da cantoneira, substituindo-se a espessura da alma pelo peso por metro linear.

Exemplo: T 4” X 4” X 20 kgf/m.

20
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.6 Perfil Tubular


Os perfis tubulares podem ser obtidos pelo proces- No Brasil, os tubos sem costura são fabricados com
so de extrusão, quando não apresentam costura, ou dimensões que não ultrapassam 355 mm de diâ-
pela calandragem (processo para curvar chapas ou metro externo.
perfis) de chapas e posterior costura. Os primeiro
são chamados “tubos sem costura” e os últimos Nota:
“tubos com costura”. Para conhecer mais sobre o uso de tubos estrutur-
ais, recomendamos o livro eletrônico “Imagination
Não há diferença quanto às propriedades físicas de & Inspiração” publicado pela V&M e disponível em
um ou outro, mas apenas no processo de fabricação http://www.vmtubes.com.br/vmb/livro_vem/index.html
onde os tubos de maiores dimensões são obtidos
com costura e os de menores sem costura.

Os tipos de seções tubulares

As seções dos tubos podem ser circulares, quadradas ou retangulares.

Foto 08 Foto 09a

Os tubos são especificados em projeto pela dimen-


são externa seguida da espessura em milímetros.

Exemplos:
200 x 3 (tubo circular)
150 x 80 x 2 (tubo retangular)

Um sério problema dos perfis tubulares é a


possibilidade de sofrerem deterioração de dentro
para fora e que não pode ser detectada visualmente.
Por isso recomenda-se o uso de tubos em aços
de maior resistência à corrosão.
Fotos 09a e 09b – Calandragem de perfil tubular de seção
circular em seção retangular. Fonte: V&M

21
Modulo 1 : 1ª parte

1.4.6.1. Usos estruturais de tubos de Aço


Os Tubos de aço podem ser usados em: Além disso, sistemas computadorizados de corte
a plasma executam o recorte da seção dos tubos
a) Barras de treliças planas e espaciais. circulares de tal forma que os encontros de dois
tubos sejam exatos, permitindo ligações soldadas
Os perfis tubulares, por possuírem massas de grande qualidade.
igualmente distanciadas do centro de gravidade,
prestam-se bem à utilização em barras submetidas
tanto a tração como compressão, como ocorre nas
treliças.

Apresentam certas dificuldades em relação às


ligações entre as barras, embora já existam siste-
mas bastante eficientes para execução de nós em
treliças com tubos cilíndricos (ex.: Sistema Mero
para treliças espaciais).

Foto 10 – Treliça espacial. Fonte: Sidnei Palatnik

b) Barras submetidas à torção c) Pilares

Os perfis tubulares, principalmente os cilíndricos, Talvez seja essa a mais interessante aplicação dos
são os que melhor absorvem esforços de torção por perfis tubulares, pois apresentam maior eficiên-
possuírem massas igualmente distanciadas do cen- cia contra a flambagem com menor consumo de
tro de gravidade. Os perfis I, por exemplo, tem um material. São executados vazados ou preenchidos
desempenho fraco sob a ação de torção, pois a alma com concreto, quando então se obtém uma grande
concentra material próximo ao centro de gravidade. resistência com seções bastante esbeltas.

d) Vigas

Os perfis tubulares retangulares podem ser usados


como vigas. Do ponto de vista econômico os perfis
tubulares são menos eficientes que os perfis I, pois
ao contrário destes apresentam maior concentra-
ção de massa na alma, o que contraria o princípio já
bastante comentado.

Foto 11 – Centro Empresarial do Aço – CEA.


Fonte: Sidnei Palatnik

22
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1.4.7 Chapas
As chapas de aço são obtidas através da laminação As chapas grossas possuem espessuras que variam
dos lingotes ou placas. Classificam-se em finas e de 13/64” (5,2 mm) a 2 1/2” (63,5 mm) e são normal-
grossas, conforme suas espessuras. mente especificadas em polegada. São fornecidas
em peças de até 1,22 m de largura por até 10.67m de
As chapas finas variam de 0,31mm a 4, 76 mm de comprimento.
espessura e são fornecidas em peças de até 6.0m
de comprimento ou em bobinas.

Tipo de chapa de aço Espessuras Tamanhos

Chapa fina 0,31 a 4,76 mm 6,0m ou em bobinas

Chapa grossa 5,20 a 63,5 mm 1,22 m de largura por até 10.67m


de comprimento

1.4.7.1. A utilização das Chapas de aço

As chapas são utilizadas em:

a) Conformação de perfis estruturais (perfis de b) Elementos de ligação de perfis em nós de treliças


chapas dobradas). Para esta finalidade são usadas ou outros sistemas. A forma da chapa é função do
apenas chapas finas. tipo de ligação a ser executada.

c) Reforço de estruturas existentes.

A soldagem de chapas em perfis que necessitam de


reforço propicia um aumento bastante sensível na
sua resistência. (Ver figura 19)

Figura 19

No exemplo acima, foi obtido um aumento de 21%


na resistência da peça com apenas 10% a mais de
Foto 12 – Estrutura em perfis de chapa dobrada. peso.
Fonte: Sidnei Palatnik

23
Modulo 1 : 1ª parte

1.4.8. Barras redondas.


As barras redondas são obtidas por laminação. Seu diâmetro varia de ½” (12,5
mm) a 4” (102,0 mm). As barras redondas são, basicamente, usadas para con-
fecção de chumbadores, parafusos e tirantes.

1.5 Tabelas de Perfis de Aço


Além desta fonte, o site Metálica (www.metalica.
Leitura Recomendada : com.br) inclui, entre suas páginas, uma seção dedi-
cada a publicação de tabelas dimensionais forneci-
O uso do Aço na Arquitetura das pelos fabricantes de diversos tipos de perfis e
Cap. 3 : Perfis Metálicos: Métodos de Obtenção e produtos de aço.
Padronização, do Prof. Aluízio Fontana Margarido
Estão disponíveis para consulta e download no link:
Este capítulo contém as principais tabelas
http://www.metalica.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinami-
de perfis de aço utilizados.
ca.php?id_pag=1729
(Material adicional disponível no curso on-line)

Nota: Recomendamos sempre consultar os catálo-


gos dos fabricantes de perfis para verificação dos
dados técnicos.

24
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 2 1ª parte
Sumário Módulo 2: 1ª Parte
Mezaninos estruturados em Aço

2.1 Definição
página 3

2.2 Estrutura de Piso dos Mezaninos


página 3

2.3. Os vigamentos da estrutura de mezaninos


página 7

2.4. Análise da estrutura de Mezaninos


página 8

2.4.1. Uso de lajes


página 9

2.4.2. Discussão das soluções


página 12

2.5 Mezaninos com formas irregulares


página 13
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Vídeo 16 – Mezaninos assista on-line

2.1. Definição
A palavra Mezanino é uma corruptela da palavra Podem, ainda, ser determinados independen-
italiana mezzanino, que é diminutivo de mezzano, temente da estrutura principal, sendo neste último
e que em português significa mediano (dic. Aurélio). caso composto de pilares adequadamente locados
Além de poder também significar uma espécie de sobre vigas da estrutura principal. Este é o caso
janela, o significado que nos interessa é aquele de mais comum nos mezaninos de Shopping Center,
um pavimento colocado entre dois outros. nos quais os vigamentos da estrutura principal são
previamente dimensionados para suportarem car-
Apesar de existirem mezaninos de concreto armado gas concentradas de valores limitados. Neste caso
ou madeira, sua estruturação mais freqüente é em devem ser sempre consultados os regulamentos
estrutura de aço. Isso acontece por duas razões: do Shopping, quanto à instalação de mezaninos.
leveza e facilidade de execução, principalmente se
eles forem inseridos posteriormente à execução Normalmente, neste caso, as cargas admitidas vão
da estrutura principal. de 1,0 Tf a 3,0 Tf. Esses valores vão orientar a quan-
tidade e posicionamento dos pilares, resultando nos
A arquitetura dos mezaninos pode ser das mais vãos das vigas do mezanino.
variadas, desde um simples retângulo a formas
mais complexas, como as amebóides.
Os apoios do mezanino podem ser previamente
determinados pelos apoios da estrutura principal,
com pilares metálicos ou de concreto.

2.2. Estrutura de Piso dos Mezaninos

Vídeo 17 – Os tipos de piso assista on-line

A estrutura de piso dos mezaninos pode ser de concreto lançada “in-loco”.


dos mais diversos materiais:

a. lajes pré moldadas de concreto;


b. painéis pré moldados de concreto protendido;
c. painéis de concreto celular;
d. painéis leves mistos de chapas cimentícias
e madeira.

a. lajes pré moldadas de concreto

O uso de laje pré-moldada de concreto armado,


painéis protendidos e de concreto celular, ocorre
em mezaninos permanentes internos ou externos,
sujeitos às intempéries.

As lajes pré-moldadas são as de menor custo,


porém são mais pesadas e exige mais tempo
de obra devido à necessidade de cura da capa

3
Módulo 2 : 1ª parte

Figura 20a

b. painéis pré moldados de concreto protendido

Os painéis protendidos são mais caros, porém sua


instalação é muito rápida, cerca de 250 m² por dia.
Necessitam de gruas para levantamento e lança-
mento sobre a estrutura.

Figura 20c

d. painéis mistos de chapas cimentícias e madeira

No caso do uso deste tipo de painel é interessante


que se estude seu melhor aproveitamento já que
suas dimensões são padronizadas e não permitem
adaptações a dimensões variadas, a não ser pelo
corte dos painéis.

Figura 20b

c. painéis de concreto celular

Os painéis de concreto celular são os mais leves


entre essas três opções, podendo ser alçados e
lançados sobre a estrutura metálica manualmente.
Entretanto, estes painéis apresentam limitação de
vão de 3 m.

As lajes pré-moldadas exigem alguns cimbramen-


tos durante a cura de sua capa, o que não ocorre
com os painéis de concreto protendido e celular.

Figura 20d

4
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Nas figuras a seguir são apresentadas, como exemplo, duas soluções em


que a direção adotada para os painéis pode representar maior ou menor
perda de material.

Análise da melhor direção de disposição dos painéis

Solução1

Figura 27a

Solução 2

Figura 27b

5
Módulo 2 : 1ª parte

Exemplos de chapas:

Painéis cimentícios e de madeira

Painel Masterboard - Brasilit

Produto Largura (mm) Comprimento (mm) Espessura (mm) Peso Kg/m²

Masterboard Slim 1200 2400 14 18


Masterboard Medium 1200 2400 23 23
Masterboard Extra 1200 2400 40 32

Tabela de Carga máxima distribuída por painel (Kg/m²)

Distância entre Espessura dos painéis (mm)


apoios (mm) 14 23 40
400 1400 4200 14000
600 400 1200 4000
800 - 500 1700
1000 - 250 850
1200 - - 500

O Painel WALL MADEIRIT® resiste até 700 Kgf/m², com módulo de elasticidade
na direção paralela de 5.218 MPa (média).

Cargas Admissíveis (Flecha Admissível L/350)

Figura 27c

Referências nos links:

www.brasilit.com.br
www.eternit.com.br

Tabela de cargas lajes alveolares protendidas Painéis de concreto celular autoclavado


Lajes Alveolares protendidas http://www.siporex.com.br
http://www.tatu.com.br/download.asp

Obs.: Os links apresentados acima tem caráter exclusivo de exemplificar o assunto do item 2.2., não havendo
qualquer responsabilidade sobre o eventual uso destes produtos.

6
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

2.3. Os vigamentos da estrutura de mezanino

Vídeo 18 – Os vigamentos assista on-line

Os vigamentos que compõem uma estrutura


de mezanino são normalmente de duas espécies:

a. vigamento principal
b. Vigamento secundário ou nervuras.

No caso de lajes, normalmente dispensa-se as


vigas secundárias, apoiando-se a laje no vigamento
principal.

Figura23

Os perfis U são usados para vigas secundárias; os


Figura22 perfis I para vigas secundárias de maior vão e vigas
principais. Os demais tipos, treliça, vierendeel e
No caso dos painéis mistos, há necessidade de um vagão são usados para vigas principais de grande
vigamento secundário espaçados a cada 1.250 mm. vão (acima de 7 m), ou quando a solução em perfil
Neste caso deve-se estudar a melhor direção de I tornar-se muito pesada.
distribuição desse vigamento para que se evitem
recortes e perdas de material dos painéis. Quanto aos pilares, os perfis mais utilizados são:
(Ver Figura 27ª/27b) a. perfil tubular de chapa dobrada ou estrudado;
b. perfil tubular formado por dois perfis de chapa
Quanto às vigas de suporte da laje, elas podem ser dobrada;
as mais variadas: c. perfil I e o H, sendo estes dois últimos para
a. perfis U de chapa dobrada; cargas mais elevadas.
b. perfis U laminados
c. perfis I laminados;
d. perfis I de chapa soldada;
2.4. Analise da estrutura de
e. treliças compostas de perfis U de chapa dobrada Mezaninos
e cantoneiras de chapa dobrada ou laminadas;
f. viga vierendeel;
Este exercício visa mostrar diversas possibilidades
g. viga vagão.
estruturais de mezanino e seus resultados quanto a
custos. Parte-se de uma mesma área de mezanino
(12,0 m por 9,0 m), estruturada de diversas formas e
com diversos tipos de lajes e verificam-se os custos
obtidos. Os resultados dessa análise são mostrados
após os desenhos a seguir:

7
Módulo 2 : 1ª parte

2.4.1. Uso de lajes

Vídeo 19 – O Custo final assista on-line

Vamos iniciar pelo lançamento da estrutura. Por se


tratar de lajes serão usadas apenas vigas principais.

As possibilidades estruturais são as seguintes:

a) Laje pré

Vídeo 20 – A laje pré assista on-line

a)

Figura 24 a

b)

Figura 24 b

8
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

c)

Figura 24 c

d)

Figura 24 d

b) Laje protendida

Vídeo 21 – A laje alveolar assista on-line

a)

Figura 25 a

9
Módulo 2 : 1ª parte

b)

c)

d)

Figura 25 b c d

10
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

c) Laje de painéis de concreto celular

Vídeo 22 – Os painéis de concreto celular assista on-line

a)

b)

c)

Figura 26 a b c

11
Módulo 2 : 1ª parte

d)

e)

f)

Figura 26 d e f

12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

d) Painel Misto (Wall ou similar)

Vídeo 23 – Os painéis mistos assista on-line

Figura 28 a b c d e f

13
Módulo 2 : 1ª parte

3. Lajes de concreto celular No caso dos painéis mistos de madeira e chapa ci-
mentícia, cujas dimensões encontradas no mercado
As soluções menos econômicas ficam com as lajes têm normalmente 1200 mm por 2500 mm, estes
de concreto celular. O resultado mais econômico, são muito leves, da ordem de 45 kgf/m², sendo, no
para essas lajes, se dá quando as lajes vencem o mínimo, metade do peso das lajes mais leves (con-
seu vão máximo de 3,00m e são apoiadas sobre creto celular).
cinco linhas de vigas com vãos de 4,50 m.
Suportam cargas de até 700 kgf/m². Em compen-
4. Painéis Mistos sação, esses painéis exigem uma maior quantidade
de vigamento que os anteriores já que precisam
Apesar de muito usados em mezaninos, os painéis ser apoiados a cada 1250 mm. Apesar disso são os
mistos (wall ou similar) não resultam em soluções elementos de piso mais usados, por serem os mais
muito econômicas. No entanto, é uma solução seca leves, de fácil manuseio e aplicação.
e rápida de ser executada e, portanto, muitas vezes
vantajosa sobre as demais. Por isso seu uso é tão
freqüente.

Para esses painéis a solução mais econômica


ocorre com lajes apoiadas com seu vão máximo de
1,25 m, sobre nervuras que vencem vãos de 4,50
m, e que, por sua vez, apóiam-se em três linhas de
vigas principais com vãos de 4,00 m.

2.5. Mezaninos com formas irregulares

Vídeo 25 - Mezaninos com formas irregulares assista on-line

Apesar de não ser muito freqüente a utilização A primeira, criando uma malha regular interna com
de formas irregulares em mezaninos, é possível pilares e as vigas principais, deixando que as vigas
a ocorrência de formas diferenciadas. secundárias, em balanço, se ocupem da resolução
da forma irregular do mezanino.
Podemos resolver esta situação de duas maneiras:

Figura 29b

14
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

A segunda, é utilizando pilares que acompanhem os limites do mezanino e vigas que tenham a mesma
forma do perímetro do mezanino. Ocorre que esta solução implica em aplicar esforços de torção nas vigas
periféricas, além da necessidade de que estas sejam calandradas, o que aumenta consideravelmente
o custo desta solução.

Figura 29c

Figura 29c

Analisar como se fossem uniformes, de acordo com o item 2.4.

15
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 22 ª parte
Sumário Módulo 2 : 2ª Parte
Dimensionamento de um Mezanino
Estruturado em Aço

1º Estudo de Caso – Mezanino


página 3

1. Cálculo da Viga V2 = V3
página 5

1.1. Elementos Fletidos


página 5

1.2. Deslocamento Limite


página 6

1.3. Determinação da Força Cortante Resistente


de Cálculo
página 7

1.4. Verificação da Flambagem Local – Flm e Fla


página 8

1.5. Determinação do Momento Fletor Resistente


de Dimensionamento
página 8

2. Cálculo do Pilar P1
página 9

2.1. Elementos Comprimidos


página 9

2.2. Cálculo da Força Resistente de Cálculo


página 9

2.3. Cálculo da Força Resistente de Cálculo


página 11

3. Contraventamento
página 12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1º Estudo de Caso - Mezanino


Dimensionar os elementos estruturais do mezanino da figura de acordo com a NBR 8800 : 2008

Figura 1a

Figura 1b

3
Modulo 2 : 2ª parte

Perspectiva 1

Perspectiva 2

Perspectiva3

4
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Dados de projeto:

• Usar perfis laminados ASTM A572 G50 O mezanino suportará as cargas indicadas:

• Laje pré-moldada B =12 cm 2,0 kN/m2


• Revestimento 1,0 kN/m2
• Lajes em concreto pré-moldado
• Peso próprio da estrutura (estimado) 0,45 kN/m2
• Uso: Escritório comercial
• Carga acidental (NBR 6120) 2,0 kN/m2
• Não será dada contra-flecha na viga

Obs: Considerar todas as vigas como simplesmente apoiadas e contidas lateralmente pela lajeatravés do
uso de conectores. Como esta situação ocorrerá na maioria dos casos, podemos desconsiderar a verifica-
ção do estado limite de flambagem lateral com torção (FLT).
Nos casos em que não há uma laje de travamento, a Norma considera que uma viga é contida lateralmente
quando a distância entre os pontos de contenção lateral (Lb) atenda o limite:
Lb <= Lp = 1,76.ry. √ E/fy.

1. Cálculo da viga V2 = V3
1.1. Cáculo dos Esforços Atuantes
Cálculo dos esforços atuantes

Coeficientes de ponderação das ações:

(peso próprio da estrutura)


(estrutura moldada no local e elementos industrializados)
(ações variáveis, incluindo as decorrentes do uso e ocupação)

Portanto a carga distribuída em KN/m na viga é:

- Combinação Última Normal

Figura 1c

5
Modulo 2 : 2ª parte

1.2. Deslocamento Limite


Para que não se utilize contra-flecha, atenderemos
a seguinte condição:

Onde:

Q é a carga distribuída da peça (kN/cm), resultado da combinação de serviço mais adequada;


L é o comprimento do vão (cm)
E é o módulo de elasticidade do aço (kN/cm2)
I é o momento de inércia da seção em cm4

A verificação do deslocamento máximo é feita de acordo com a COMBINAÇÃO DE SERVIÇO considerada:

- Combinação quase permanente, onde não há equipamentos nem elevada concentração de pessoas – TA-
BELA 2, Ítem 4.7.6.2.2 da Norma.

Isolando I na expressão, obtemos o momento de inércia mínimo para atender as solicitações dentro do
limite de deformação:

Supondo seção compacta (a seção ainda não foi escolhida, portanto não foi verificada) e utilizando a ex-
pressão que define o momento resistente de cálculo:

Onde:

Z x é o módulo de resistência plástico (mínimo) da seção em relação a x-x


fy é a resistência ao escoamento do aço

E isolando Zx na expressão, encontramos:

6
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Conhecendo-se o momento de inércia e o módulo de resistência, valores mínimos, podemos selecionar na


tabela de perfis a seção que já estará verificada quanto ao deslocamento máximo e resistência a flexão ad-
equados, restando as verificações do cisalhamento e instabilidade local de mesa e de alma (FLM e FLA).
Importante:

Ver Apostila do Prof. MARGARIDO CAP.3 PÁG.4

Critério para a escolha do perfil:

O critério sempre será: segurança estrutural x economia.


Na tabela encontramos os perfis possíveis: W 250x38,5 kg/m, W 310x32,7 kg/m e o W 360x32,9 kg/m. Note
que os três atendem às propriedades geométricas mínimas, mas o último, com o mesmo peso por metro,
tem melhor desempenho pois possui o maior momento de inércia.

Perfil escolhido W 360x32,9 kg/m (1ª alma)

Importante: Perfis de alma não esbelta – todos os perfis laminados de abas paralelas produzidos hoje no
Brasil são classificados como de alma não esbelta. Caso sejam usados perfis soldados, devem ser verificados
segundo a relação:

Propriedades geométricas da seção:

d = 34,9 cm Ix = 8358 cm4 A = 42,1 cm2


bf = 12,7 cm Wx = 479 cm 3
Aw = 20,24 cm2
tw = 0,58 cm Zx = 547,6 cm3 ry= 2,63 cm
tf = 0,85 cm h = d-2.tf = 33,2 cm

Para que a viga seja considerada contida lateralmente, a distância máxima entre os pontos de travamento
lateral (Lb) deve atender a relação:

Prever conectores soldados na viga e embutidos na laje a cada 100cm<112cm.

1.3. Determinação da Força Cortante Resistente de Cálculo

Onde: kv =5 para vigas sem enrijecedores

7
Modulo 2 : 2ª parte

h obedece ao limite, a expressão que define a força cortante resistente de cálculo é dada
Se a relação ___
por: t w

= d.tw é a área da seção transversal

(OK!)

1.4. Verificação da Flambagem Local – FLM e FLA


Para as mesas (FLM ):

(OK!)

- Garante que não há instabilidade nas mesas da seção

Para a alma (FLA)

(OK!)

Garante que não há instabilidade nas mesas da seção.

1.5. Determinação do Momento Fletor Resistente de Dimension-


amento
Como λ ≤ λp (confirmado, seção compacta) e λ ≤ λr (alma não esbelta) →

(OK!)

OK, o perfil W 360x32,9 atende!

Obs: O dimensionamento das outras vigas componentes do mezanino deve seguir o mesmo roteiro de
cálculo utilizado para as vigas V2 e V3.

8
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

2. Cálculo do Pilar P1=P2=P3=P4


2.1. Elementos Comprimidos Ver item 5 do módulo 1 : 2ª parte

As cargas atuantes no pilar P1 podem ser calculadas através das reações das
vigas V1 e V5 ou por área de influência.

- Combinação Última Normal

Normalmente, nos caso das peças comprimidas,


escolhe-se uma seção e verifica-se a sua estabilidade

Seja, então, o perfil W 150x18,0 kg/m (2ª alma)

Propriedades geométricas da seção:

Ag = 23,4 cm2
d = 15,3cm
bf = 10,2cm
tw = 0,58cm
tf = 0,71cm
rx = 6,34cm
ry = 2,32cm
h = d - 2 tf = 13,9 cm

Figura 1d

2.2. Determinação da Força Resistente de Cálculo


Verificação da flambagem local da Alma

Elementos AA – Possuem duas bordas longitudinais vinculadas (Caso 2, tabela F.1, Anexo F da Norma)

9
Modulo 2 : 2ª parte

(OK!)

Já que alma e mesa tem relação largura/espessura dentro dos limites, o fator de redução associado à
flambagem local Q = 1

Condições dos vínculos

O fator de redução associado a resistência à compressão x é dado por:

Para

Para

Onde (índice de esbeltez reduzido)

é a força axial de flambagem elástica, obtida conforme o Anexo E da


Norma.

O valor de a ser usado será aquele em relação ao eixo central de menor


inércia, portanto a pior situação (mais instável):

Então

Já que < 1,5, o valor de

também pode ser obtido na Tabela 4 ou na curva da Figura 11, pág.45 da


Figura 1e
Norma

onde ry é o raio de giração da peça em relação o eixo de menor inércia

Finalmente:

CONCLUSÃO:

O perfil, mesmo sendo considerado leve (2ª alma), tem resistência bem su-
perior às solicitações atuantes.

10
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Substituir o perfil I, por exemplo, por um perfil tubular de menor peso.

Seja agora o perfil tubular quadrado 100 x 100 x 3 mm (9,14 kg/m).


Veja que este perfil tem metade do peso do W150 x 18,0

Aço ASTM A36

Propriedades geométricas da seção:

Ag = 11,64 cm2
d=h = 10,0 cm
t = 0,3 cm
rx = ry = 3,96cm
b= d - 2 t = 13,9 cm
I=182,7cm4

2.3. Determinação da Força Resistente de Cálculo


Verificação da flambagem local da Alma

Elementos AA – Possuem duas bordas longitudinais vinculadas (Caso 1, tabela F.1, Anexo F da Norma)

(OK!)

Neste caso a verificação da flambagem local da mesa é desnecessária, pois ao longo do seu eixo longitudi-
nal esta é totalmente contida.

Já que a relação largura/espessura se encontra dentro do limite.

Valor do índice de esbeltez reduzido em relação aos dois eixos centrais de inércia (duplamente simétrico):

Como , o valor de pode ser determinado na Tabela 4.

=0,86 redução para instabilidade em relação a ambos os eixos.

Verificação quanto à flambagem global

11
Modulo 2 : 2ª parte

(OK!)

Finalmente:

Ok, o perfil 100 x 100 x 3,0 mm atende!

Obs: Apesar de o perfil atender a solicitação com certa folga, não recomendamos a redução de seção por
questões construtivas, nem da espessura de chapa, já mínima para execução de solda.

3. Contraventamentos
Recomenda-se contraventamento em pelo menos 3 lados da estrutura (não concorrentes) para que se
considere o mezanino indeslocável. Como neste caso não há cargas horizontais relevantes, basta que as
barras componentes dos contraventamentos tenham o índice de esbeltez máximo igual a 300.

Usaremos a solução em “X” nos lados menores e em “V” (da base do pilar até a mesa inferior da viga V5,
permitindo assim a circulação sob a estrutura) obtendo-se, assim, o comprimento de flambagem máximo =
671cm, nas peças em “X”.

= L/r = 300

r = 671/300=2,24cm

Na tabela de cantoneiras de abas iguais, o perfil L 5" x 3/8 tem raio de giração rmin = 2,51cm e, portanto
atende.

12
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 31 ª parte
Sumário Módulo 3 : 1ª Parte
Galpões estruturados em Aço

3.1 Definição
página 3

3.2 Estrutura Principal


página 3

3.2.1 Estrutura Horizontal


página 4

3.3 O Efeito do Vento na Estrutura Principal


página 12

3.4 Estrutura secundária de apoio das telhas


página 14

3.5 Fechamentos Laterais


página 21

3.6 Contraventamentos
página 26

3.6.1 O contraventamento horizontal


página 26

3.6.2 O contraventamento vertical


página 28

3.6.3 Contraventamentos em Coberturas em arco


página 30

3.7 Sistemas em Shed


página 32

3.8 Comparação entre as soluções mais comuns


de galpão (vão = 15,0 m)
página 35

3.9 Galpões com ponte rolante


página 37
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

3.1. Definição
Vídeo 26 – Galpões assista on-line

A ligação mais imediata que se faz da palavra requisito da existência desse tipo de edifício: espa-
galpão é com o uso industrial. No entanto galpões ços sem obstrução.
podem ser usados para as mais diversas atividades,
tais como, hangares, espaços de eventos A estrutura de um galpão, para fins de análise, pode
e depósitos, entre outras; no limite, até rodoviárias, ser decomposta em três partes:
aeroportos e igrejas podem, também, ser incluídas
nesta tipologia. a. estrutura principal;
b. estrutura secundária de apoio da cobertura
Os galpões, do ponto de vista arquitetônico e estru- e fechamentos laterais;
tural, caracterizam-se por serem edifícios com vãos c. contraventamentos horizontais e verticais.
mais generosos que os demais, pois esse é um pré

3.2. Estrutura Principal


Vídeo 27 – Estrutura Principal assista on-line

A estrutura principal é aquela que vence o maior es, onde os vãos podem atingir 140 m ou mais,
vão, o que significa que na maioria das soluções a questão econômica fica colocada em segundo
encontra-se no plano transversal do edifício. plano, prevalecendo à necessidade de espaço
Do ponto de vista prático, considera-se que é desobstruído.
econômico um vão de até 30 m, podendo-se no
limite chegar a 40 m. Isso significa que se o galpão Para uma melhor análise da estrutura principal
tiver 50 m de largura é mais econômico projetar-se do galpão vamos dividi-la em estrutura horizontal
dois vão de 25 m. e vertical. A primeira corresponde à estrutura que
vence o vão entre pilares e a segunda aos próprios
Vão Econômico 30m > L > 40m pilares.

Vãos maiores L= 50m = 25m + 25m


estrutura horizontal = vão entre pilares
estrutura vertical = os próprios pilare
É claro que nas situações em que o uso do galpão
exigir maiores vãos livres, como no caso de hangar-

Figura 30 a Figura 30 b

3
Modulo 3 : 1ª parte

3.2.1. Estrutura horizontal

Vídeo 28 – Estrutura Principal : Horizontal e vertical assista on-line

Vídeo 29 – Estruturas Horizontais em treliças assista on-line

Vídeo 30 – Estrutura Horizontal em Arco assista on-line

Vídeo 31 – Barras em perfil tubular assista on-line

Por causa do grande vão a ser vencido pela estru- No entanto, em vista de apelo arquitetônico, outras
tura principal, os sistemas estruturais mais utiliza- soluções mais sofisticadas podem ser usadas, tais
dos para a estrutura horizontal são os arcos e as como coberturas atirantadas, estruturas espaciais,
tesouras treliçadas. abóbadas, cúpulas e parabolóides, entre outras.

Isto, porque o sistema treliçado, por trabalhar com A seguir apresentamos diversas soluções utilizadas
esforços mais favoráveis, como a tração e a com- em obras de importantes arquitetos.
pressão simples, torna-se mais leve e econômico.

Exemplo 1

Fleet Guard Manufacturing and Distribution Center, Quimper – França – Arqtº Richard Rogers, 1981

Figura Exemplo 1a

4
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura Exemplo 1b
Fonte: DAVIES, Colin, High Tech Architecture, Rizzoli Int. Publications, 1998

Exemplo 2

Inmos Microprocessor Factory, Newport, South Wales – Arqtº Richard Rogers, 1982

Figura exemplo 2a Figura exemplo 2b

Fonte: DAVIES, Colin, High Tech Architecture, Rizzoli Int. Publications, 1998

5
Modulo 3 : 1ª parte

Exemplo 3

Laboratories and Corporate Facility for PA Technology, Princeton, New Jersey, – Richard Rogers
Partnership, 1984

Figura exemplo 3a Figura exemplo 3b


Fonte: DAVIES, Colin, High Tech Architecture, Rizzoli Int. Publications, 1998

Exemplo 4

Sainsbury Center for the Visual Arts, University of New Anglia, Norwich –Foster Associates, 1977

Figura exemplo 4a
Fonte: DAVIES, Colin, High Tech Architecture, Rizzoli Int. Publications, 1998

6
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Exemplo 5

Warehouse and Distribution Center Renault, Swindon, Wiltshire – Foster Associates, 1983

Figura exemplo 5a Figura exemplo 5b Figura exemplo 5c


Fonte: DAVIES, Colin, High Tech Architecture, Rizzoli Int. Publications, 1998

Exemplo 6

Aeroporto de Hamburgo – Gerkan, Marg und Partner Architects

Figura exemplo 6a

7
Modulo 3 : 1ª parte

Figura exemplo 6b
Fonte: GMP Architects

Exemplo 7

Aeroporto de Stuttgart – Gerkan, Marg und Partner Architects

Figura exemplo 7a

8
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura exemplo 7b Figura exemplo 7c Figura exemplo 7d


Fonte: GMP Architects

Exemplo 8

Estudo para Aeroporto de Colonia, Alemanha – Murphy / Jahn Architects

Figura exemplo 8
Fonte: CERVER, Francisco Asensio, La Arquitectura de Aeropuertos e Estaciones, Espanha, Edição do Autor, 1977

9
Modulo 3 : 1ª parte

Exemplo 9

Módulo de transferência do Aeroporto Charles De Gaulle, Paul Andreu e Jean Marie Duthilleul

Figura exemplo 9a Figura exemplo 9b


Fonte: CERVER, Francisco Asensio, La Arquitectura de Aeropuertos e Estaciones, Espanha, Edição do Autor, 1977

Exemplo 10

Estação do Metro de Venissieux Parilly – Jourda e Ferradin

Figura exemplo 10
Fonte: CERVER, Francisco Asensio, La Arquitectura de Aeropuertos e Estaciones, Espanha, Edição do Autor, 1977

10
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Tipos de perfis utilizados em treliças

As treliças que compõem a estrutura horizontal brada, e cantoneiras de chapas dobradas ou lamina-
podem ser compostas dos mais diversos perfis. das para as barras dos montantes e diagonais. Para
vão maiores, ou quando a arquitetura exigir podem
Para vãos até 20 m, de forma a torná-la mais leve, ser usados tubos de seção quadrada ou retangular,
são utilizados, nos banzos, perfis U de chapa do- para os banzos, montantes e diagonais.

Treliças Banzos Montantes e Diagonais

cantoneiras de chapas dobradas


Vãos até 20m perfis U de chapa dobrada
ou laminadas

tubos de seção quadrada tubos de seção quadrada


Vãos > 20m
ou retangular ou retangular

Algumas soluções arquitetônicas solicitam, tam- Do ponto de vista do comportamento estrutural os


bém, tubos de seção circular. arcos podem ser bi-articulados ou tri-articulados.
Apesar de ser mais fácil de dimensioná-los, pois
Entretanto, esta solução dificulta muito a confecção são isostáticos, os tri-articulados são menos usados
dos nós. Em casos extremos podem ser usados que os bi-articulados. Isso se deve a maior dificul-
para essas barras perfis I ou H laminados ou solda- dade de se executar a articulação central.
dos.
As barras que compõem os arcos treliçados são U
No caso de estrutura horizontal composta por arco, de chapa dobrada, calandrados, para os banzos,
a solução mais indicada é a de arcos treliçados ap- e cantoneiras de chapas dobradas ou laminadas
enas com diagonais e sem montantes. para as diagonais. Ainda podem ser usados, inde-
pendentemente do vão, perfis tubulares de seção
quadrada, retangular ou circular.

Arcos treliçados Banzos Diagonais

cantoneiras de chapas dobradas ou


Para qualquer vão U de chapa dobrada, calandrados
laminadas

Perfis tubulares calandrados Perfis tubulares

Figura 31a

11
Modulo 3 : 1ª parte

Figura 31b

3.2.2. Estrutura Vertical


Vídeo 32 – Elemento Vertical : o Pilar assista on-line

A estrutura vertical, representada pelos pilares, é, Apesar de ser uma solução mais pesada que
normalmente, composta de treliça de banzos para- o sistema treliçado, o menor consumo de mão
lelos. Nela, como no caso da estrutura horizontal, de obra, no caso de pequenas alturas, torna a
são usados perfil U de chapa dobrada nos banzos solução de perfil de alma cheia mais interessante,
e cantoneiras de chapa dobrada ou laminadas nas tanto do ponto de vista de execução, como
diagonais e montantes. também econômico.

Para pequenas alturas, que não ultrapassem a 6 m, Atenção!


os pilares podem ser constituídos apenas por um
perfil I ou H, laminados ou soldados, ou mesmo um Não se deve esquecer que, apesar de estrutural-
perfil tubular. mente os perfis tubulares serem muito interes-
santes, deve-se estar atento às questões de dete-
Estrutura vertical Pilares rioração, que nestes perfis ocorre de dentro para
perfil I ou H, laminados ou fora, não permitindo visualizá-la com facilidade.
Alturas até 6,0 m
soldados, ou perfil tubular

Alturas > 6,0m Perfis compostos

3.3. O Efeito do Vento na Estrutura Principal


Vídeo 33 – Os esforços devidos ao Vento assista on-line

Vídeo 34 – Ligação da cobertura com os pilares assista on-line

Além das cargas verticais de peso próprio e dos estrutura vertical, os pilares, como forças vertic-
elementos de vedação e equipamentos, a estrutura ais e horizontais. Os pilares, além dessas forças
principal do galpão tem como carga significativa o recebem, também, e em maior intensidade, as for-
efeito do vento. ças horizontais dos ventos, que incidem nos fecha-
mentos laterais.
Na porção horizontal da estrutura principal, o vento
pode provocar pressões e sucções, dependendo
de sua forma. Esses esforços são transmitidos à

12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Vãos até 15 m

Em galpões com vãos pequenos, de até 15 m e pés zontal simplesmente apoiada nos pilares, tornando-
direitos baixos de até 4 m, os esforços devidos ao se o sistema um composto de vigas articuladas
vento são, normalmente, absorvidos apenas pelos sobre pilares engastados na base.
pilares. Neste caso, considera-se a estrutura hori-

Figura 34 Figura 35

Vãos e pés direitos maiores Pórticos com apoios articulados

Para vãos e pés direitos maiores tornam-se mais Quando se opta por pórticos com apoios articulados,
interessante, do ponto de vista econômico, criar a forma do pórtico deve corresponder a essa inten-
uma rigidez na ligação entre vigas e pilares, tornan- ção, ou seja, as bases devem ser mais finas que
do o conjunto um pórtico, que pode ser bi-engasta- o restante, para que se consiga se aproximar
do ou bi-articulado na sua base. de uma articulação.

A opção por uma ou outra solução depende das in-


tenções de projeto, seja do ponto de vista estrutural
como do arquitetônico.

Figura 36 Figura 37

13
Modulo 3 : 1ª parte

Do ponto de vista estrutural, a opção por pórtico bi- a) Esforços na fundação de pórticos bi engastados
engastado, bi-articulado e tri-articulado têm impli-
cação nas suas dimensões e consumo de material.

Partindo-se da premissa de que quanto mais hiper-


estática for a estrutura, menores serão os esforços
máximos desenvolvidos, e também mais segura
ela será, conclui-se que os pórticos bi-engastados
serão mais leves, mais seguros e mais econômicos.
Figura 38a
No entanto não se deve esquecer que ao engastar
o pórtico na base, estar-se-á transmitindo maiores
esforços na fundação, ou seja, criando momento fle- O pórtico tri-articulado pode ser escolhido como fa-
tor, além das cargas verticais e horizontais. Portan- cilitador do processo construtivo, pois ele pode ser
to a questão da fundação deve ser levada em conta fabricado em duas partes e facilmente montado no
no momento da escolha do sistema estrutural. canteiro.

b) Pórtico Triarticulado

Figura 38b

3.4. Estrutura secundária de apoio das telhas


Vídeo 35 – As estruturas secundárias assista on-line

Vídeo 36 – Terças assista on-line

Atualmente, as telhas mais usadas para galpões


são metálicas, por sua praticidade e leveza. Quando
se necessita de isolação acústica e térmica, as tel-
has metálicas usadas são as denominadas “telhas
sanduiche”. Estas telhas são duplas, com uma ca-
mada de material isolante entre elas (normalmente
poliestireno ou poliuretano).

A seguir apresentamos diversos exemplos de cobe-


rturas
Foto 13 – Cobertura em telha de aço isotérmica para
aviário. Fonte: Isoeste

14
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 14 – Detalhe da telha isotérmica Foto 15 – Colocação de telha pré-pintada isotérmica


Fonte: Isoeste Fonte: Isoeste

Foto 16 – Colocação de telha de aço zipada – vista da Foto 17 - Colocação de telha de aço zipada (2) – detalhe
estrutura. Fonte: Isoeste da manta de lã de rocha. Fonte: Isoeste

Foto 18 – Maquina de zipar telha Foto 19 – Vista de telhado com telhas zipadas
Fonte: Isoeste Fonte: Isoeste

15
Modulo 3 : 1ª parte

Foto 20 – Cobertura do Shopping Center Uberlandia em Foto 21 - Cobertura curva em telha sanduiche
telhas zipada. Fonte: Isoeste Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 22 – Marquise em telha multidobra Foto 23 – Detalhe de telha multidobra


Fonte: Isoeste Fonte: Isoeste

Foto 24 – Vista do interior de cobertura metálica com Foto 25 – Interior de cobertura curva
acabamento interno. Fonte: Isoeste Fonte: Sidnei Palatnik

16
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 26 – Vista geral da Arena do Pan Foto 27 - Vista geral do Velodromo do Pan
Fonte: Dagnese Fonte: Dagnese

Foto 28 – Pavilhão do Oktoberfest Foto 29 – Shopping Flamboyant – Goiânia


Fonte: Dagnese Fonte: Isoeste

Foto 30 – Shopping Cuiabá Foto 31 – Centro de distribuição da Ambev


Fonte: Isoeste Fonte: Isoeste

17
Modulo 3 : 1ª parte

As telhas são apoiadas em vigas, adequadamente pórticos da estrutura principal. Também, na grande
espaçadas, denominadas terças. maioria das vezes, esses vãos não ultrapassam a
6,00 m, o que permite uma solução econômica para
O espaçamento entre terças depende das carac- as terças, e podem ser usados perfis U de chapa do-
terísticas de resistência da telha. Para determinar brada ou laminados, sendo os primeiros mais leves.
esse espaçamento deve ser consultado, juntamente
com o arquiteto, os catálogos das telhas. Para vãos maiores, entre 7 e 10 m, podem ser usa-
dos perfis I laminados ou soldados, que são sempre
De qualquer forma, quando não houver restrições mais pesados que os de chapa dobrada, porém po-
arquitetônicas, esses espaçamentos ficam, na dem ser mais econômicos, pois evitam dobramen-
grande maioria das vezes, entre 1,50 m e 2,00 m. tos especiais de chapas mais grossas. Para esses
O perfil usado para as terças depende do vão a mesmos vãos podem ainda ser usadas treliças de
ser vencido, que corresponde à distância entre os banzos paralelos ou vigas vagonadas.

Estrutura secundária de apoio das telhas metálicas

Vãos até 6,0 m perfis U de chapa dobrada ou laminados


perfis I laminados ou soldados, treliças de banzos paralelos
Vãos > 7m e <10 m ou vigas vagonadas

Lembrar que o peso das terças pode ser estimado O que é bastante grande em relação ao peso da es-
por uma fórmula empírica: trutura principal, e que para um vão de 15,0 m pode
0,6 x L (vão) em kgf/m2 de cobertura. ser estimada em 2 a 3 kgf/m2.

Assim, uma terça de 6,0 m de vão deve pesar em Disso resulta que o vão escolhido para a terça pode
torno de 0,6 x 6,0 = 3,6 kgf/m². influenciar, em muito, o peso total da estrutura,
podendo tornar-se menos econômica.

Figuras 39 a : 39d

a) Terça em perfil U

18
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

b) Terça em perfil I

c) Terça em treliça

19
Modulo 3 : 1ª parte

b) Terça em viga vagonada

No módulo 4 apresentamos uma tabela de pesos de Os perfis utilizados para as terças possuem boa re-
terças e estruturas principais, que pode servir de sistência à flexão em relação ao seu eixo x-x, tendo
guia para a escolha dos vão das estruturas principal uma resistência bem menor em relação eixo y-y.
e secundária, principalmente na fase do projeto de
arquitetura. Como as coberturas são inclinadas, as terças
também o serão, resultando disso que elas ficam
submetidas à flexão em duas direções.

Figura 40

Como em relação ao eixo y-y as terças apresentam No caso da última terça, a que fica na cumeeira da
baixa resistência, é necessário diminuir o vão a ser cobertura, não há como ligá-la através do tirante
vencido nessa direção; é nesse instante que surgem formado pela “corrente”. Neste caso usa-se uma
as “correntes”. Estas “correntes” são uma espé- barra rígida, chamada de “corrente rígida”, com-
cie de tirantes que apóiam as terças na direção de posta por um perfil cantoneira, que apóia a terça na
menor resistência. direção de sua menor resistência, transmitindo os
esforços para a corrente normal. (figura 41)
As correntes devem ser fixadas em pontos rígidos
da estrutura principal para poderem transmitir a
estas os esforços naquela direção. Usa-se, para
as correntes, um elemento bastante leve feito com
uma barra circular rígida de ½”.

20
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 41

3.5. Fechamentos Laterais

Vídeo 37 – Vedações assista on-line

São diversas as possibilidades de fechamentos laterais, desde as alvenarias


convencionais aos fechamentos com painéis pré-moldados de argamassa ar-
mada, dos painéis metálicos simples, aos painéis isotérmicos.

Foto 32 – Painél Isotérmico de fachada Foto 33 – Fachada com composição de telha e painel de
Fonte: Isoeste aço
Fonte: Isoeste

21
Modulo 3 : 1ª parte

Foto 34 – Vista interna do fechamento de aço de galpão Foto 35 – Vista parcial da estrutura e do fechamento em
Fonte: Sidnei Palatnik telha de aço pré-pintada. Fonte: Isoeste

Foto 36 – Vista da edificação pronta Foto 37 – Galpão com fechamento em telha de aço
Fonte: Isoeste Fonte: Isoeste

Foto 38 - Galpão com fechamento em painel isotérmico e Foto 39 – Fechamento de fachada curva em telha de aço
telha de aço. Fonte: Isoeste Fonte: Sidnei Palatnik

22
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 40 – Fachada em painel isotérmico Foto 41 – Fechamento em telha galvanizada


Fonte: Isoeste Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 42 – Fechamento em curva Foto 43 - Fechamento em chapa perfurada de aço


Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 44 – Fechamento em painel arquitetônico pré- Foto 45 – Fechamento em painel arquitetônico pré-
moldado moldado
Fonte: Sidonio Porto Fonte: Sidonio Porto

23
Modulo 3 : 1ª parte

As soluções mais usadas, principalmente devido ao


domínio da maioria dos construtores, são:

- alvenaria de blocos de concreto


- telhas metálicas trapezoidais
- ou ainda, um misto dessas duas soluções.

O principal carregamento que incide sobre as veda-


ções é o do vento, principalmente nos fechamentos
leves.
Essas forças, dependendo da solução de fechamen-
to, podem ou não ser transferidas para a estrutura
do galpão.
Foto 46 - Fechamento em painel arquitetônico pré-
No caso do uso de alvenaria de bloco, especial moldado
atenção deve ser dada as interfaces com a es- Fonte: Codeme
trutura metálica, principalmente com os pilares.
Uma solução muito interessante, quando possível, trutura autoportante dos blocos estruturais. Quando
é simplesmente isolar as vedações da estrutura. as alvenarias são travadas nos pilares metálicos,
Neste caso, as forças devidas deve ser dada especial atenção quando esses pila-
ao vento sobre a alvenaria são absorvidas pela es- res forem treliçados; neste caso deve ser criado um

Figura 50

No caso de fechamento com telhas metálicas ou de de perfis I. Como nesta solução de fechamento o
fibrocimento, deverá ser criada uma estrutura de esforço preponderante é dado pelo vento, as lon-
apoio semelhante àquela da cobertura. Em lugar garinas devem ser posicionadas na direção que
das terças, são usadas as longarinas. melhor absorva essas forças horizontais. Por isso
os perfis das longarinas são dispostos com seu eixo
Essas peças são, de maneira geral, compostas por y-y na horizontal. Nesta posição os perfis apresen-
perfis U e em casos extremos de grandes vãos, tam pouca resistência a cargas verticais, devidas ao
peso do fechamento. Para diminuir os esforços de

24
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

flexão nessa direção são usadas correntes, semel- das de ½”.


hantemente as das coberturas. Para minimizar o Entre as duas últimas longarinas superiores, as
peso, as correntes são compostas de barras redon- correntes devem ser rígidas pois sofrerão com-
pressão.

Figura 51

O dimensionamento das longarinas é feito considerando a flexão em duas di-


reções:

- verticais
- e horizontais

Atenção!

É importante lembrar que na direção vertical o car- Na direção horizontal o carregamento é aquele dado
regamento é devido ao peso do fechamento e o vão pelo vento, sendo o vão da longarina a distância
a ser considerado é aquele entre as correntes. entre os pilares.

25
Modulo 3 : 1ª parte

3.6. Contraventamentos

Vídeo 38 – Contraventamentos assista on-line

O travamento da estrutura principal

A estrutura principal necessita ser travada em


alguns pontos, tendo em vista sua estabilidade fora
do seu plano, seja devido ao carregamento do vento,
seja por flambagem lateral das peças. No caso de
coberturas com treliças, para cargas permanentes,
ocorre compressão simples no seu banzo superior,
o que pode provocar flambagem. Sabe-se que um
dos fatores preponderantes no fenômeno da flam-
bagem é o comprimento da peça (a capacidade da
barra varia com o quadrado do seu comprimento),
por isso as barras do banzo superior devem ser
travadas fora do plano da treliça.
Parte desse travamento é naturalmente dado pelas
terças. No entanto, apenas elas não são suficientes,
pois se o banzo superior se deslocar lateralmente
ele empurrará as terças que, por sua vez, empur-
Figura 42

3.6.1. O contraventamento horizontal

Vídeo 39 – Contraventamento Horizontal assista on-line

Vídeo 40 – Contraventamento Horizontal – 2ª Parte assista on-line

Essa força lateral oriunda do deslocamento lateral alhem a compressão, estas são dispostas em X.
devido à flambagem deve ser encaminhada, por Assim para qualquer lado que tenda a ocorrer a
algum dispositivo para os apoios. Esse dispositivo flambagem, essas barras trabalharão, sempre, com
é denominado contraventamento horizontal apesar forças de tração, o que diminui o peso das barras, e
de, na maioria das vezes, não estar no plano hori- diminuindo o peso total da estrutura , tornando-a,
zontal. O contraventamento horizontal é constituído portanto, mais econômica.
das terças e barras em diagonais, formando uma
espécie de treliça nos planos superiores da cobe- Recomenda-se que o índice de esbeltez das diago-
rtura. Essa treliça se encarrega de levar as forças nais do contraventamento seja no máximo igual a
devidas à flambagem para os apoios. Como nunca 300. Do ponto de vista prático, para comprimentos
se sabe se o deslocamento será para um lado ou até 5m pode-se usar uma barra redonda de 16 mm
para o outro, e para evitar que as diagonais trab- de diâme-tro. Para comprimentos maiores essas

26
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 43a Figura 43b

A posição dos contraventamentos deve ser pen- ventamentos não ultrapasse a 20 m. Pois, como as
sada de forma que garanta o adequado travamento forças são transmitidas aos contraventamento pelas
das barras comprimidas e, também, a adequada terças, se o comprimento da terça for muito longo,
transmissão das cargas horizontais do vento para essa transmissão se torna ineficiente, pois a terça
os apoios da estrutura. Por isso, recomenda-se, tende a se deformar muito, antes de transmitir o
empiricamente, que a distância entre esses contra- esforço ao contraventamento.

Figura 44

27
Modulo 3 : 1ª parte

Figura 44

Para absorção das forças de vento devem ser pre-


vistos contraventamentos horizontais nas bordas
da cobertura.

Figura 45

3.6.2. O contraventamento Vertical

Vídeo 41 – Contraventamento Vertical assista on-line

Recomenda-se, ainda, para maior estabilidade


global da estrutura que se preveja contraventamen-
tos verticais entre treliças, a cada 10 m. Esses con-
traventamentos são formados pelas terças e barras
em diagonais.

Especial atenção deve ser dada no caso do vento


provocar forças de sucção na estrutura maiores que
as das cargas permanentes, pois isso pode inverter
os esforços nos banzos inferiores, provocando
nestes, compressão simples. Neste caso deve ser
pensada uma forma de travamento dessas barras.
Isso é feito, normalmente, com mãos francesas que
transmitem os esforços para as terças e que, por
sua vez, os transmitem para os contraventamentos
horizontais. Figura 46

28
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

As forças devidas à tendência de flambagem na


estrutura principal e as devidas ao vento são trans-
feridas, através dos contraventamentos horizontais
para o topo dos pilares. Essas forças não devem ser
absorvidas pelos pilares para não aumentar seus
esforços.
Para transferi-las para as fundações são criados os
contraventamentos verticais entre pilares.

O mais econômico desses contraventamentos é o X,


pois qualquer que seja o sentido das forças trans-
mitidas pelo contraventamento horizontal, as barras
do contraventamento vertical trabalharão a tração,
diminuindo seu peso.
Figura 47
Os perfis usados para o contraventamento vertical
são do mesmo tipo do contraventamento horizontal. toneiras simples, ou ainda compostas. Quando as
Ou seja, dependendo do seu comprimento podem diagonais do contraventamento vertical interferirem
ser compostos de barras redondas de 5/8” ou can- na circulação, pode ser usada outra alternativa que

Figura 49

29
Modulo 3 : 1ª parte

3.6.3. Contraventamentos em Coberturas em Arco

Vídeo Contraventamento de coberturas em Arco assista on-line

No caso de coberturas em arco, nas quais as barras dos banzos sofrem, concomitantemente, compressão
axial, ambas devem ser travadas para efeito da flambagem. Isso leva à necessidade de se usar mãos fran-
cesas no banzo inferior para que as forças horizontais, devido à flambagem, possam ser encaminhadas
para os contraventamentos horizontais.

Foto 47 – Detalhe de travamento treliças em arco


Figura 46
Fonte: Sidnei Palatnik

Exemplos Fotográficos de contraventamentos

Foto 48 – Detalhe de contraventamento horizontal Foto 49 – Contraventamento Horizontal


Fonte: Yopanan Rebello Fonte: Dagnese

30
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 50 – Contraventamento horizontal


Fonte: Isoeste

Foto 51 – Contraventamento horizontal e viga vagão Foto 52 – Detalhe de contraventamento vertical


Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 53 – Detalhe de contraventamento vertical Foto 54 – Detalhe de contraventamento vertical


Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: Sidnei Palatnik

31
Modulo 3 : 1ª parte

Foto 55 – Detalhe de contraventamento vertical Foto 56 – Detalhe de contraventamento vertical


Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: Isoeste

Foto 57 – Detalhe de contraventamento horizontal e verti-


cal
Fonte: Isoeste

3.7. Sistemas em Shed

Vídeo 43 – Estruturas de cobertura em Shed assista on-line

Em grandes espaços onde a questão da ventilação O sistema secundário, em função do seu vão, pode
e iluminação são fatores importantes, pode-se usar ser composto de tesouras treliçadas, vigas de alma
uma composição estrutural especial denominada cheia ou vigas vagonadas. Para vãos até 10 m, por
shed, palavra inglesa derivada de “shade” (sombra), maior facilidade de execução, pode-se usar vigas de
que significa galpão, cobertura, telheiro, etc. alma cheia, para vão maiores recomenda-se o uso
de vigas vagonadas ou tesouras treliçadas.
O shed tem a característica de apresentar como es-
trutura principal portante dois sistemas estruturais:

a) um secundário, em uma água, e


b) um principal, que vence o vão entre pilares.

32
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Sistema em Shed Recomendação de uso

Vãos até 10 m vigas de alma cheia

Vãos > 10 m vigas vagonadas ou tesouras treliçadas

O sistema principal, denominado Viga Mestra, Atenção!


por vencer grandes vãos é, normalmente, composto
por vigas treliçadas de banzos paralelos. Apesar de ser matéria conhecida, é bom lembrar
que as aberturas do shed, no nosso hemisfério,
É na Viga Mestra que são fixados os elementos devem ser voltadas para o sul, evitando-se com isso
de iluminação e ventilação do ambiente do galpão. a incidência direta de raios solares, diminuindo o
ofuscamento e excesso de temperatura.

Figura 32

33
Modulo 3 : 1ª parte

Figura 33a

Figura 33b

34
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

3.8. Comparação entre as soluções de galpão mais comuns


(vão = 15,0 m)

Vídeo 44 – Comparação entre soluções assista on-line

Foram analisadas as seguintes situações:

1. Galpão de 2 águas com distância entre pilares de 5,0 m.


2. Galpão de 2 águas com distância entre pilares de 7,5 m.
3. Galpão de 2 águas com distância entre pilares de 10,0 m.
4. Galpão de cobertura em arco com distância entre pilares de 5,0 m.
5. Galpão de cobertura em arco com distância entre pilares de 7,5 m.
6.Galpão de cobertura em arco com distância entre pilares de 10,0 m.

Para ajudar na escolha mais adequada da solução


estrutural para um determinado galpão, vamos
fazer uma comparação em termos de peso resul-
tante de uma estrutura de um galpão cujo vão é de
15 m, e a estrutura principal que pode ser em treliça
de duas águas
ou em arco.

Vamos ainda fazer a variação da distância entre a


estrutura principal de 5m, 7,5m e 10m, para que
possamos avaliar a influência de soluções de terças
no peso da estrutura.

Para as terças podemos usar três tipos de solução:

Para vão de 5 m usamos a terça convencional


de perfil U.

Para vão de 7,5m e 10m usamos o perfil U, treliças e

Figura 52

35
Modulo 3 : 1ª parte

3.8.1. Tabelas Comparativas


3.8.1.1. Terças

TIPO ESTRUTURAL VÃO (M) PESO (KGF/M2)


ALMA CHEIA 5,0 3,6
ALMA CHEIA 7,5 7,0
ALMA CHEIA 10,0 9,7
TRELIÇA DE BANZOS // 5,0 -
TRELIÇA DE BANZOS // 7,5 3,8
TRELIÇA DE BANZOS // 10,0 3,9
VIGA VAGÃO 5,0 -
VIGA VAGÃO 7,5 4,8
VIGA VAGÃO 10,0 5,5

3.8.1.2. Estrutura Principal em Arco

DISTÂNCIA ENTRE ESTRUTURA PRINCIPAL PESO (KGF/M2)


5,0 2,7
7,5 2,5
10,0 2,2

3.8.1.3. Estrutura Principal em Treliças de duas Águas

DISTÂNCIA ENTRE ESTRUTURA PRINCIPAL PESO (KGF/M2)


5,0 3,6
7,5 3,3
10,0 3,7

3.8.1.3. Tabela Resumo

DISTÂNCIA ENTRE ESTRUTURA


ASSOCIAÇÃO PESO (KGF/M2)
PRINCIPAL
ARCO + TERÇA DE ALMA CHEIA 5,0 6,3
TRELIÇA + TERÇA DE ALMA
5,0 7,2
CHEIA
ARCO + TERÇA DE ALMA CHEIA 7,5 9,5
ARCO + TERÇA VAGONADA 7,5 7,3
ARCO + TERÇA TRELIÇADA 7,5 6,3
ARCO + TERÇA TRELIÇADA 7,5 10,3
TRELIÇA + TERÇA VAGONADA 7,5 8,1
TRELIÇA + TERÇA TRELIÇADA 7,5 7,1
ARCO + TERÇA VAGONADA 10,0 11,9
ARCO + TERÇA VAGONADA 10,0 7,7
ARCO + TERÇA TRELIÇADA 10,0 6,1
ARCO + TERÇA TRELIÇADA 10,0 13,4
TRELIÇA + TERÇA VAGONADA 10,0 9,2
TRELIÇA + TERÇA TRELIÇADA 10,0 7,3

36
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

3.8.1.4. Conclusões

Os resultados do dimensionamento dessas situações nos levam a algumas


conclusões:

- O uso do arco resulta em soluções mais econômicas

- O vão mais econômico para as terças é de 5,0 m

- Para distância entre estrutura principal de 5,0 m, a solução mais econômica


é o arco com terças de alma cheia em perfil U. A partir de 6m as terças em
treliça são as mais indicadas.

- Para distância entre estrutura principal de 7,5 m, a solução mais leve é a do


arco com terças em treliça. Para essa distância a solução em terça treliçada
resulta melhor.
Em segundo lugar vem a solução de viga principal em treliça de duas águas e
as terças também em treliças. Assim sendo, o uso de terças treliçadas para o
vão de 7,5m
é a solução mais leve.

- Para distância entre estrutura principal de 10,0 m, a solução mais leve é, tam-
bém,
a do arco com terças em treliça

3.9. Galpões com Ponte Rolante

Vídeo 5 – Galpão com Ponte Rolante assista on-line

Galpões com ponte rolante

As chamadas pontes rolantes são equipamentos


que servem para movimentação de cargas dentro
do galpão. As pontes são constituídas por uma viga
que vence o vão do galpão e sobre a qual se des-
loca um carro que sustenta o gancho que erguerá
a carga a ser movimentada. As pontes rolantes são
industrializadas por empresas especializadas e são
fornecidas para diversos vãos e carregamentos. A
ponte rolante se desloca longitudinalmente sobre
uma viga metálica denominada viga de rolamento,
a qual se apóia sobre os mesmos pilares do pórtico

Figura 53

37
Modulo 3 : 1ª parte

A ponte rolante aplica sobre a viga de rolamento


tanto forças verticais como horizontais transversais
e longitudinais. As forças horizontais transversais
sobre a viga de rolamento são absorvidas por uma
treliça horizontal locada ao nível da mesa superior
da viga de rolamento, o que faz com que essa carga
seja transmitida por essa treliça diretamente aos
pilares do pórtico.

As forças verticais são as reações da carga sus-


tentada pela ponte rolante. Neste caso as cargas
devem ser acrescidas do efeito dinâmico devido
ao movimento da ponte. As cargas horizontais são
devidas às frenagens, as transversais devidas à
L= largura variável de acordo com o vão de carga
frenagem do carro e a longitudinal devida à frena- RHT = absorvido pelo pilar
gem da própria ponte. Essas cargas são estabeleci- RHL = absorvido pelo contraventamento vertical
das por norma e não recebem acréscimo de efeitos
Figura 54

Todas as cargas devidas à ponte rolantes são trans-


mitidas ao pilares, aumentando a solicitação. Nor-
malmente as cargas horizontais longitudinais são
absorvidas por contraventamentos verticais. A frena-
gem transversal é absorvida pelo pilar o que faz com
que suas dimensões sejam aumentadas em relação
aos carregamentos normais de um galpão. Com isso
os pilares dos pórticos passam a apresentar dimen-
sões variáveis, com seção mais robusta até o nível da
ponte rolante e menor daí até a cobertura.

Figura 55 Figura 56

Devido às grandes cargas que suportam e ao vão de chapas soldadas.


que vencem, as vigas de rolamento apresentam Dependendo do tipo e capacidade das pontes rolan-
grande altura e são normalmente executadas em tes, são exigidas medidas especiais, necessárias
perfil para o bom desempenho do equipamento e que
deverão ser rigorosamente seguidas pelo projeto
de arquitetura. Em vista disso, recomenda-se que
sejam cuidadosamente consultados os catálogos

38
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 32 ª parte
Sumário Módulo 3 : 2ª Parte
Dimensionamento de um Galpão
estruturado em Aço

Dados de projeto
página 3

1. Definição
página 5

2. Combinações a serem verificadas


página 5

2.1. Combinação Última Normal


página 5

2.1.1. Combinação 1
página 5

2.1.2. Combinação 2
página 5

3. Cálculo da Barra 23 (Banzo Inferior)


página 6

3.1 Determinação da Força de Tração Resistente


de Cálculo
página 6

4 Cálculo da Barra 08 (Banzo Superior)


página 8

4.1 Determinação da Força de Compressão


Resistente de Cálculo
página 8

5 Conclusão
página 12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Dados do Projeto
Dimensionar os elementos estruturais do galpão
abaixo de acordo com a NBR 8800 : 2008

Figura 2a

Perspectiva Galpão 1

3
Módulo 3 : 2ª parte

Perspectiva Galpão 2

Perspectiva Galpão 3

Dados do Projeto:

• Usar perfis metálicos laminados ou em chapa O galpão suportará as cargas indicadas:


dobrada ASTM A36
Telhas metálicas 0,1 kN/m2
Instalações 0,2 kN/m2
Carga de vento* 0,3 kN/m2
• Sistema estrutural adotado: treliça, sendo os Peso próprio da estrutura 0,15 kN/m2
banzos inferior e superior estruturados com perfis
“U” simples e as diagonais estruturadas com dois * Para vãos até 15m, para facilitar os cálculos, podemos
perfis “L”, paralelos, afastamento igual a largura considerar a carga de vento como vertical, distribuída
dos banzos. pela área da cobertura. Na realidade, o vento produz car-
• Pé direito = 4,0m gas de pressão e sucção e seu comportamento real pode
ser estudado na NBR 6123.

4
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

1. Definição

O professor Yopanan Rebello define a treliça como “um sistema estrutural formado por barras que se li-
gam em nós articulados e sujeitas apenas a esforços de tração e compressão simples. Para isto as cargas
devem ser sempre aplicadas nos nós.”

2. Combinações a serem verificadas

Por área de influência, determinamos


as cargas concentradas nos nós. Neste
caso, devido a ação do vento, duas
combinações devem ser verificadas.

Figura 2b

- Combinação Última Normal

2.1. Combinação 1

Obs: Neste caso, a carga com instalações foi considerada como carga acidental principal.

2.2 Combinação 2

(Prevalece o maior resultado)

Obs: Neste caso, a ação do vento foi considerada como carga acidental principal.

5
Módulo 3 : 2ª parte

Figura 2c

Resolvendo a treliça encontramos a força axial de tração máxima


na BARRA 23 e compressão máxima na BARRA 8.

CÁLCULO DA BARRA 23 (banzo inferior)

Elementos tracionados
Ver item 4 do módulo 1 : 2ª parte

Figura 2d

DETERMINAÇÃO DA FORÇA DE TRAÇÃO RESISTENTE DE CÁLCULO

Seja o perfil “U” 102x7,9 kg/m - laminado Propriedades Geométricas


(Ver Uso do Aço na Arquitetura – Prof. Margarido,
Cap.3 P.11) A g = 10,10 cm2
d = 10,16 cm
bf = 4,01 cm
t w = 0,46 cm
Ix = 159,5 cm4
Iy = 13,1 cm4
rx = 3,97 cm
ry = 1,14 cm

6
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

- Para escoamento da seção bruta

(OK!)

- Para ruptura da seção líquida

Determinação de Ae:

Onde:

- Perfil sem furos

- Força transmitida diretamente por solda ou parafuso

Então:

(OK!)

- Verificação da esbeltez máxima

Sendo que ry=1,14 prevalece na verificação por ser o menor raio de gira-
(OK!) ção da peça, portanto situação mais propícia à vibração ou efeito da ação
do vento.

(O PERFIL “U” 102x7,9 kg/m ATENDE!)

7
Módulo 3 : 2ª parte

CÁLCULO DA BARRA 08 (banzo superior)

Elementos comprimidos
Ver item 5 do módulo 1 : 2ª parte

Figura 2e

DETERMINAÇÃO DA FORÇA DE COMPRESSÃO RESISTENTE DE CÁLCULO

Seja o perfil “U” 102x7,9 kg/m


Propriedades Geométricas

Ag = 10,10 cm2
d = 10,16 cm
bf = 4,01 cm
tw = 0,46 cm
tf = 0,75 cm
Ix = 159,5 cm4
Iy = 13,1 cm4
rx = 3,97 cm
ry = 1,14 cm
h=d-2.tf = 10,16-2.0,75= 8,66 cm

Verificação da flambagem local da Alma

Elementos AA – Possuem duas bordas longitudinais vinculadas (Caso 2, tabela


F.1, Anexo F da Norma)

(OK!)

Verificação da flambagem local das mesas

8
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Elementos AL – Possui uma borda longitudinal vinculada (Caso 4, tabela F.1,


Anexo F da Norma)

(OK!)

Já que alma e mesa têm relação largura/espessura dentro


dos limites, Q = 1.

Condições dos vínculos

Valor do índice de esbeltez reduzido em relação aos dois eixos


centrais de inércia

O valor de usado é em relação ao eixo central de menor inércia,


portanto situação de maior instabilidade:

O valor do índice de esbeltez reduzido mais desfavorável ficou den-


tro do limite , indicando que o valor de pode ser determi-
nado na tabela 4 - Pag. 45 da NBR 8800 : 2008.

= 0,664

Verificação quanto à flambagem global Figura 2f

- eixo de maior inércia, mais rígido

- menos rígido portanto prevalece na verificação (OK!)

9
Módulo 3 : 2ª parte

Finalmente,

(PERFIL NÃO ATENDE!)

Obs: Na prática, o perfil poderia ser utilizado a critério do proje-


tista, visto que o valor da força resistente é quase o valor da força
solicitante e temos coeficientes de ponderação que afastam as
solicitações dos limites de ruptura. Porém, didaticamente iremos
testar uma nova seção:

Seja agora o perfil “U” 102x9,3 kg/m

Propriedades Geométricas

Ag = 11,90 cm2
d = 10,16 cm
bf = 4,18 cm
tw = 0,63 cm
tf = 0,75 cm
Ix = 174,4 cm4
Iy = 15,5 cm4
rx = 3,83 cm
ry = 1,14 cm
h=d-2.tf = 10,16-2.0,75= 8,66 cm

Verificação da flambagem local da Alma

Elementos AA

Já que alma e mesa têm relação largura/espessura dentro dos limites, Q = 1

Verificação da flambagem local das mesas

Elementos AL

10
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Já que alma e mesa têm relação largura/espessura dentro dos limites,

Condições dos vínculos


Valor do índice de esbeltez reduzido em relação aos dois eixos
centrais de inércia

pode ser determinado na tabela 4 - Pag. 45

= 0,664

Verificação quanto à flambagem global

- eixo de maior inércia, mais rígido

(PREVALECE) (OK!)
Figura 2f

(OK, O PERFIL ATENDE!)

CONTRAVENTAMENTOS HORIZONTAIS

Como o galpão tem dimensões em planta = 15x30m, podemos fazer o seguinte:

- Contraventaremos os módulos formados entre as treliças TR-1/TR2 e entre a TR-5 e TR-6, garantindo o
espaçamento máximo recomendado de 20 metros entre os travamentos.

- Contraventaremos também todas as bordas para garantir a correta absorção da força do vento.

- O contraventamento será feito em “X”, definindo retângulos em planta de 5,0x6,0m e portanto formando
peças com 7,8m de comprimento (diagonais do retângulo):

11
Módulo 3 : 2ª parte

= L/r < = 300

r > = 780/300=2,6cm

Na tabela de cantoneiras de abas iguais, o perfil L 90 x 8,32 kg/m tem raio de giração r = 2,76cm e portanto
atende.

CONTRAVENTAMENTOS VERTICAIS

Prever contraventamentos entre os pilares também entre TR-1/TR2 e entre TR-5/TR-6, garantindo o espa-
çamento máximo recomendado de 20 metros.
Como o pé direito é de 4,0m e o espaçamento entre as treliças de 6,0m teremos peças de 7,2m de com-
primento.

O menor comprimento das peças, se comparadas às de cobertura levaria a um perfil ligeiramente mais
leve, porém podemos utilizar a mesma cantoneira L 90 x 8,32 kg/m simplificando-se assim a lista de mate-
riais do projeto e diminuindo a possibilidade de engano na montagem da estrutura, sem custos relevantes.

Obs:
1. O dimensionamento das diagonais e montantes das treliças é feito seguindo-se o mesmo roteiro usado
para os cálculos dos banzos.

2. 2. Os pilares do galpão são formados pelo mesmo arranjo estrutural das treliças da cobertura. Como
os cálculos demonstram menores solicitações nos pilares, pode-se repetir as seções calculadas para a
formação destes elementos. No caso de o galpão possuir fechamentos laterais, para se obter as cargas
nos pilares, além das reações normais das treliças de cobertura, consideram-se elementos estruturais
horizontais (treliças ou terças com a maior inércia na direção horizontal) de fechamento transmitindo as
cargas laterais de vento para os nós do arranjo estrutural do pilar.

3. As terças, responsáveis por transmitir as cargas da cobertura para os nós das treliças, podem ser con-
sideradas como vigas biapoiadas e o procedimento de cálculo é o mesmo já visto no estudo do mezanino.

12
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 4 1ª parte
Sumário Módulo 4 : 1ª Parte
Edifícios estruturados em Aço

4.1. Edifícios residenciais


página 3

4.1.1. Plano horizontal


página 3

4.1.2. Plano vertical


página 8

4.1.3. As Coberturas
página 12

4.1.4. Vedações
página 14

4.2. Edifícios comerciais


página 17

4.3. Edifícios altos


página 18

4.3.1. Os sistemas de Contraventamento


página 19

4.4. Critérios para lançamento da estrutura


página 24

4.4.1. Critérios para lançamento de estrutura no plano horizontal


página 24

4.4.2. Critérios para locação de lajes e vigas


página 24

4.4.3. Plano vertical


página 28

4.4.4. Critérios para lançamento de estrutura no plano vertical


página 28
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Vídeo 46 – Estruturas de Aço em Edifícios assista on-line

4.1. Edifícios residenciais


O estudo das estruturas deste tipo de edificação será dividido em dois planos:

• Plano horizontal
• Plano vertical e Vedações.

No plano horizontal são consideradas as lajes, vigas e contraventamentos


horizontais. No plano vertical os pilares e os contraventamentos verticais.

4.1.1. Plano horizontal


Vídeo 47 – Os elementos de piso assista on-line

Quanto ao tipo de laje podem ser usadas: Os painéis protendidos são muito rápidos de serem
executados, mas tem um custo mais elevado, em
• lajes pré moldadas tipo treliça se tratando dos vãos e custos envolvidos em obras
• lajes maciças residenciais.
• painéis alveolares protendidos
• painéis de concreto celular O steel deck é uma possibilidade que permite o uso
• e steel deck de vigas mistas, com diminuição de madeira para
cimbramentos, não sendo competitivo para peque-
Todas essas soluções apresentam seus prós nos vãos em função de seus custos.
e contras.
Como exemplo incluímos o catálogo técnico do Steel
No caso de residências são mais usadas as lajes Deck Metform.
treliçadas, por seu baixo custo em relação às de-
(Material adicional disponível no curso on-line)
mais.

As lajes maciças, por exigirem maior consumo de


madeira para fôrmas, são usadas por questões es-
téticas, ou ainda no caso do uso de vigas mistas.
O painel de concreto celular tem como grande
vantagem o baixo peso, mas é muito limitados em
termos de vão, de no máximo 3 m.

3
Módulo 4 : 1ª parte

Foto 59a – Laje steel deck Foto 59b – Laje steel deck
Fonte: CBCA Fonte: CBCA

Foto 59c – Laje steel deck – instalação e distribuição Foto 59d – Laje steel deck – bombeamento do concreto
dos elementos. Fonte: Usiminas. sobre a laje, após a colocação das armaduras e da tela
eletrosoldada. Fonte: Usiminas.

Foto 60 – Laje steel deck após a aplicação do concreto. Foto 61 – Montagem da Laje Pré-moldada
Fonte: CBCA Fonte: Sidnei Palatnik

4
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 62 – Laje Pré-moldada – com conectores de cisalha- Foto 63 – Laje Pré-moldada – vista geral antes da aplica-
mento soldados nas vigas de aço. Fonte: Sidnei Palatnik ção da capa de concreto. Fonte: Sidnei Palatnik.

Foto 64 – Laje Pré-moldada – vista desde o piso inferior Foto 65 – Detalhe de balanço em Laje Pré-moldada
Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 66 – Laje alveolar com estrutura tipo light steel Foto 67 – Laje alveolar com estrutura tipo light steel
framing. Fonte: TSN – The Steel Network, Inc. framing. Fonte: TSN – The Steel Network, Inc.

5
Módulo 4 : 1ª parte

O Vigamento de Piso

Vídeo 48 – Os Vigamentos assista on-line

Devido à maior freqüência de vedações, se compa- • perfis I laminados


radas com os edifícios comerciais como escritórios • ou perfis I de chapas soldadas
e lojas, nas estruturas de residências os vãos
podem ser menores, dentro de padrões econômi- Em recintos com vãos maiores pode-se pensar em
cos. Isso significa a possibilidade de espaçar pilares outras soluções como vigas vagonadas ou alveo-
entre 4 e 6 m. lares. Esta última tem sua aplicação quando se visa
um resultado formal, ou quando se pretende vazios
Um bom projeto de arquitetura residencial para es- na alma da viga para passagem de tubulação ou
trutura de aço, deve prever a possibilidade de vãos iluminação.
que permitam o melhor aproveitamento dos perfis,
que são fornecidos em barras de 6 e 12 m. Portanto São soluções, normalmente usadas para edificações
seria mais adequado vãos entre pilares e mesmo de padrões mais altos, onde se permitem algumas
vigas como submúltiplos destes comprimentos. ousadias.

O vigamento de piso, em obras residenciais, é nor-


malmente feito com vigas de alma cheia:

O Contraventamento Horizontal

Vídeo 49 – Os contraventamentos assista on-line

O contraventamento horizontal pode ser feito pela própria laje de piso, quando
esta for adequadamente ligada ao vigamento.

Figura 57a, 57b

6
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 57c, 57d

Caso se opte por um piso que apresente impossibilidade de uma boa ligação
com o vigamento, deve ser previsto um contraventamento em X entre vigas, de
maneira que eventuais esforços horizontais possam ser transmitidos aos pila-
res e daí às fundações.

Figura 58

7
Módulo 4 : 1ª parte

4.1.2. Plano vertical


Vídeo 50 – Os Pilares assista on-line

Vídeo 51 – Contraventamentos verticais e horizontais assista on-line

Como comentado anteriormente, em obras residen- O contraventamento em X é o mais eficiente, tanto


ciais um espaçamento econômico entre pilares é de do ponto de vista físico como econômico. Este tipo
4 a 6 m. Isso permite economia não só no peso do de contraventamento torna a estrutura mais rígida,
vigamento como na solução de lajes. podendo-se considerá-la indeslocável, o que resulta
em economia no dimensionamento de pilares. Em
Os perfis utilizados para os pilares são normal- edificações desse tipo, o uso do contraventamento
mente perfis H. Em algumas situações arquitetôni- deve ser adotado já no início do projeto de arquite-
cas podem ser usados perfis tubulares de seção tura, podendo-se tirar proveito formal dele. Quando
retangular ou circular. Neste último caso deve-se esse contraventamento é pensado depois do projeto
estar atento às questões de deterioração interna de arquitetura já estabelecido, fica difícil sua absor-
dos perfis tubulares. ção pelo projeto arquitetônico, pois pode resultar
em interferências indesejáveis nos espaços.
Uma questão importante, e que muitas vezes não
é prevista pela arquitetura, é a interface entre os O contraventamento menos eficiente é o feito por
pilares e a fundação. Lembrar que é importante afa- pórticos, pois a estrutura mantém-se deslocável, o
star da base dos pilares a umidade e a sujeira que que exigem um maior dimensionamento dos pilares,
possam provocar deterioração. Para isso devem ser aumentando o peso da estrutura e, conseqüente-
previstas algumas soluções tais como: mente, seu custo.

• apoio do pilar sobre base de concreto com face Em princípio as vedações em alvenarias poderiam
superior acima do piso acabado fazer o papel de contraventamento vertical. Mas
• apoio do pilar diretamente sobre a fundação. isso deve ser evitado por duas razões:

No caso do apoio direto sobre a fundação, para evi- a) Dependendo dos vãos a tendência de desloca-
tar o contato direto do pilar com o solo, usando-se mentos na estrutura são maiores, aplicando maio-
uma capa de proteção em concreto impermeabili- res esforços nas paredes, podendo
zado em volta do pilar. Além da capa deve causar-lhes danos.
ser previsto, ao nível do piso acabado, um rodapé
de pelo menos 5 cm em volta do pilar. b) As alvenarias podem ser removidas durante
reformas, ocorrendo, neste caso, a eliminação do
Sendo a estrutura metálica razoavelmente defor- contraventamento, podendo trazer prejuízos para
mável é sempre necessário o uso de contraventa- o comportamento global da estrutura. Quando se
mentos verticais, mesmo que a edificação seja usar contraventamento com paredes deve-se dar
térrea. Com isso evitam-se possíveis patologias preferência a paredes mais definitivas, como as de
nas interfaces entre estrutura e vedações. concreto de caixas de escada ou outras previstas
pela arquitetura.
Para contraventamentos verticais podem
ser usadas: As paredes de concreto, quando fizerem parte da
proposta arquitetônica, são uma solução de contra-
• barras em X ventamento bastante eficiente.
• aporticamento entre vigas
• e pilares e paredes permanentes, como as Importante!
de concreto. Para que se obtenha um travamento adequado da
estrutura é necessário que os contraventamentos
verticais estejam localizados em no mínimo três
planos não concorrentes.

8
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 60

9
Módulo 4 : 1ª parte

Foto 68 – Contraventamento Vertical em perfil tubular Foto 69 – Contraventamento Vertical


Conjunto Habitacional do CDHU – Butantã – São Paulo Fonte: Sidnei Palatnik
Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 70 – Contraventamento Vertical Foto 71 – Contraventamento Vertical


Fonte: Yopanan Rebello Fonte: Yopanan Rebello

10
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 72 – Contraventamento Vertical Foto 73 – Contraventamento Vertical


Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 75 – Contraventamento Vertical utilizado como par-


tido estético. Fonte: Usiminas

Foto 74 – Contraventamento Vertical


Fonte: Yopanan Rebello

Foto 76 – Contraventamento Horizontal


Fonte: Sidnei Palatnik

11
Módulo 4 : 1ª parte

4.1.3. As Coberturas
As coberturas de obras residenciais podem ser Para telhas de barro, existe a necessidade de mais
feitas com diversas soluções estruturais tais como: peças de apoio além das terças, são:
lajes impermeabilizadas, treliças de duas águas,
com telhas metálicas ou cerâmicas. • os caibros
• e as ripas
No caso de lajes impermeabilizadas valem todas as
observações feitas para as lajes de piso. Normalmente, por economia e facilidade de apoio
das telhas, usa-se nessas soluções os caibros
No caso de cobertura com treliças, se as telhas e as ripas em madeira. Em outras situações, mui-
forem metálicas, valem também as observações fei- tas, vezes por questões arquitetônicas são usados
tas para as coberturas de galpão, quanto as terças e caibros e ripas metálicas. Nesse caso são usados
contraventamentos horizontais. tubos com perfis para essas peças. O perfil tipo
cartola ou o perfil Z também podem ser usados
como ripa.

Figura 59 a

12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 59 b

Figura 59 c

13
Módulo 4 : 1ª parte

4.1.4. Vedações
A maioria das vedações usadas nos edifícios resi- vezes, aos vãos maiores utilizados em estruturas
denciais ainda são as tradicionais, em alvenarias de aço e que provocam deformações proporcionais,
de tijolos maciços ou de blocos cerâmicos e de porém maiores. Desta forma, na medida em que os
concreto, o que, em princípio, é uma incoerência vãos aumentam, as vedações devem se desvincular
construtiva, devido às diferenças de velocidades de em maior grau da estrutura, para que não ocorram
construção entre a estrutura e a vedação. fissuras.

Uma solução que vem ganhando espaço, nesse tipo Para isso devem ser previstas ligações adequadas
de edificação, são as vedações leves do tipo drywall entre elas. Usa-se para isso a soldagem de barras
e steel framing. Esta última, podendo ser usada finas no perfil metálico, com um espaçamento con-
como estrutura portante, uma vez que os perfis são dizente com as fiadas dos elementos de alvenaria.
estruturais. Essas barras são denominadas de “cabelos”, tam-
bém conhecidas como “ferro cabelos” ou estribos.
Especial atenção deve ser dada às interfaces entre Podem também ser usadas telas eletrosoldadas,
estrutura e vedações, devido as deformações da que servem para o mesmo propósito, a ligação en-
estruturas de aço. Isto se deve, na maior parte das tre estrutura e a alvenaria de vedação.

Quadro de vãos x vinculação de vedações:

Tamanho do Vão Ligação com Tipo de ligação Tipo de sistema

Atrito lateral (rugosidade),


Vãos até 4,5m Tipo vinculada Sistema rígido
chapisco

Fixação lateral e superior


Vãos de 4,5 a 6,5m com tela soldada ou ferro Tipo vinculada Sistema semi-rígido
dobrado de amarração

Fixação lateral e superior


com folha de EPS (can-
Vãos acima de 6,5m Tipo desvinculada Sistema deformável
toneira) ou argamassa
expansiva

Tabela 2 - Fonte: Manual da Construção em Aço - Alvenarias


Otavio Luiz do Nascimento - Ed. CBCA – 3ª edição, 2004

As figuras a seguir mostram algumas medidas a serem tomadas para um bom desempenho das vedações.
Figuras 61 a-b-c

14
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 61a - Alvenaria vinculada e aço - paredes


de vedação vinculada
Fonte: Coletânea do uso do Aço

Interface entre perfis estruturais laminados e sistemas


complementares.
2ª edição - 2002 - Roberto de Araújo Coelho

Figura 61b - Alvenaria vinculada e aço 2 - paredes de


vedação vinculada
Fonte: Coletânea do uso do Aço

Interface entre perfis estruturais laminados e sistemas


complementares
2ª edição - 2002 - Roberto de Araújo Coelho

Figura 61c - Alvenaria desvinculada e aço - paredes de


vedação desvinculada
Fonte: Coletânea do uso do Aço

Interface entre perfis estruturais laminados e sistemas


complementares
2ª edição - 2002 - Roberto de Araújo Coelho

15
Módulo 4 : 1ª parte

Nota:

Para mais informações sobre vedações de estruturas de aço em alvenaria,


recomendamos:

NASCIMENTO, Otavio Luiz do. Manual da Construção em Aço – Alvenarias,


Rio de Janeiro, IBS/CBCA, 2004

COELHO, Roberto de Araújo. Coletânea do uso do Aço – Interface entre perfis


estruturais laminados e sistemas complementares - 2ª edição - 2002

(Estes documentos estão disponíveis como leitura complementar deste módulo)

Exemplos Fotográficos de vedações

Foto 77 – Vedação com painel arquitetônico Foto 78 – Vedação com painel arquitetônico – içamento
Fonte: Sidnei Palatnik do painel para sua colocação. Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 79 – Estrutura onde será conectado o painel Foto 80 – Vista geral após colocação do painel
arquitetônico. Fonte: Sidnei Palatnik arquitetônico. Fonte: Sidnei Palatnik

16
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 81 – Vedação com blocos cimentícios


Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 83 – Vedação com tijolo maciço


Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 82 – Vedação com blocos cerâmicos vazados


Fonte: Sidnei Palatnik

4.2. Edifícios comerciais


Do ponto de vista de concepção não há diferenças pilares num edifício deve ser dosado de forma que a
entre edifícios residenciais e comerciais. A única estrutura seja fácil de ser executada e viável eco-
questão que se ressalta é a dos vãos. Nos edifícios nomicamente.
comerciais os espaços desejados são bem maiores,
o que resulta na necessidade de vãos maiores. Com Em algumas situações o uso de poucos pilares,
isso outros tipos de soluções de vigamentos podem em lugar de ser vantajoso, pode gerar sensações
ser utilizados além dos perfis de alma cheia. desagradáveis do ponto de vista psicológico. Estu-
dos realizados em saguões de espera mostram a
Em princípio, em qualquer edificação, seria sufici- tendência das pessoas se agruparem em torno de
ente o uso de apenas um pilar. Não é difícil imagi- pilares. A ausência de um número maior de pilares
nar que uma solução como esta tornaria a estrutura pode causar angústia e insegurança. A proposta de
mais complexa, e muito mais cara. O número de se usar o mínimo possível de pilares deve ser muito

17
Módulo 4 : 1ª parte

bem justificada para que se evitem transtornos Nos edifícios comerciais são relativamente comuns
econômicos, técnicos e até mesmo psicológicos. soluções mais criativas para a sustentação dos
pisos e coberturas, podendo ser usadas:
Nos edifícios comerciais os vãos podem ser aqueles
impostos pela arquitetura, no entanto, convém res- • Nervuras metálicas
saltar que vãos acima de 8 m tornam-se bastante • Grelhas
onerosos. Portanto quando não houver impossibili- • Vigas vagonadas
dades arquitetônicas é conveniente restringir • Treliças de banzos paralelos
“os grandes vãos” a esses limites. • Vigas vierendeel
• Estruturas recíprocas
• Parabolóides hiperbólicos
• Abóbadas
• e Cúpulas, entre outras.

4.3. Edifícios altos


Vídeo 52 – Estruturas dos Edifícios Altos assista on-line

Apesar de não pertencer ao escopo do presente


curso, achamos conveniente comentar alguns tópi-
cos a respeito dos edifícios altos.

Quanto ao projeto dos pisos e coberturas não há


qualquer diferença de concepção em relação aos
edifícios não considerados altos. O problema dos
edifícios altos está nos efeitos provocados pelos
ventos.

A primeira, e difícil questão, é definir o que seja um


edifício alto. Algumas normas simplificam a questão
denominando edifícios altos aqueles que têm mais
de cinco pavimentos. Essa definição não é adequada
tendo em vista que se pode projetar edifícios com
mais de cinco pavimentos com uma grande área
de projeção, o que pode representar pouca ou quase
nenhuma influência nos esforços resultantes da
aplicação da carga de vento.

O efeito do vento torna-se gradativamente maior


quanto menos rígida for a edificação. Nesse sen-
tido, a relação entre altura e projeção do edifício Figura 62
parece ser o parâmetro mais conveniente para
definir quando um edifício pode ser considerado alto
Tipo Relação Base X Altura
para efeitos estruturais. Uma boa relação pode ser
aquela que diz que um edifício pode ser considerado Edifício Alto h > = 6 b menor
alto quando a relação entre sua altura e a menor
Edifício Baixo h > 6 b menor
dimensão da sua projeção ultrapassar 6.

18
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

4.3.1. Os sistemas de Contraventamento


Vídeo 53 – Contraventamentos assista on-line

Para absorver as forças de vento são usados diver- mas menos comuns, como o “pseudo tubo”. Este
sos sistemas de contraventamento. Além dos mais sistema é usado para edifícios muito altos, acima
comuns, em X, pórticos e paredes, sendo que com de 100 andares.
o uso de paredes isoladas são denominadas pare-
des de cisalhamento (“shear wall”) e quando asso- No caso de contraventamentos em X, ou em V, é im-
ciadas se constituem em núcleos rígidos e, geral- portante lembrar o que já foi dito sobre a absorção
mente formadas pelas paredes de escadas deles pela arquitetura. Muitas vezes esses contra-
e elevadores. Podem ainda ser usados outros siste- ventamentos são apropriados pela arquitetura, que
deles tira partido formal.

Foto 84 - John Hancock Center – SOM Foto 85 – Contraventamento vertical utilizado como par-
Fonte: http://www.planetware.com/i/photo/john-han- tido estético. Fonte: Arqtº João Diniz
cock-center-chicago-ilch131.jpg (acesso em 10/12/2009)

Quando são usados pórticos para contraventamentos, alguns cuidados devem ser observados: para que
os pórticos se tornem rígidos os pilares devem ter sua direção de maior rigidez na direção dos eixos
dos vigamentos.

Figura 63

19
Módulo 4 : 1ª parte

Quando são usadas paredes para contraventa- Em todas as situações de contraventamento devem
mento aproveitam-se aquelas que, originalmente, ser observadas as condições de no mínimo três pla-
encontram-se na arquitetura, como as caixas de nos de contraventamentos não concorrentes.
escada e elevadores. Paredes adicionais podem ser
criadas, mas só quando elas forem estritamente Além disso, para os edifícios altos, é sempre de-
necessárias. sejável que os contraventamentos dêem um trava-
mento simétrico à estrutura, evitando torções que
possam originar acréscimos de esforços
na estrutura.

Figura 64

Figura 65a Figura 65b

a) Contraventamento Assimétrico b) Contraventamento Simétrico


Ocorre torção no edifício. Distribuição não simétrica Distribuição simétrica de carga nos pilares.
e carga nos pilares.

20
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Ainda é importante salientar que a própria forma do edifício em planta pode


favorecer sua rigidez. Ou seja, quanto mais elementos longe do centro
de gravidade da seção do edifício maior será a sua rigidez.

Figura 66

Exemplos fotográficos de Edificios Altos

Foto 86 – Edificio Alfacon – pórticos em aço Foto 87 – Edificio Alfacon – Vista da estrutura
Fonte: CBCA Fonte: CBCA

21
Módulo 4 : 1ª parte

Foto 88 – Edificio Alfacon – Vista geral Foto 89 – Hotel Cesar Park Guarulhos – Estrutura
Fonte: CBCA em pórticos rígidos e dois núcleos de estabilização
em concreto. Fonte: Sidnei Palatnik

Foto 90 – Detalhe de contraventamento entre pilares. Foto 91 – Edificio Capri - BH – Vista Geral
Fonte: Sidnei Palatnik Fonte: João Diniz

Foto 92 – Edificio CRQ – Vista geral Foto 93 – Edificio Itau Cultural – Vista da estrutura
Fonte: Ernesto Tarnocsy Fonte: Sidnei Palatnik

22
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Foto 94 – Edificio Itau Cultural – Vista Geral Foto 95 – Petronas Towers – Kuala Lumpur – Núcleo
Fonte: Sidnei Palatnik rígido em concreto e estrutura metálica

Foto 96 – Sears Tower – sistema estrutural de aço Foto 97 – Bank of China – Hong Kong – Estrutura com
em pseudo-tubos. contraventamento integral

23
Módulo 4 : 1ª parte

4.4. Critérios para lançamento da estrutura


Vídeo 54 – O Lançamento da Estrutura assista on-line

4.4.1. Critérios para lançamento de estrutura


no plano horizontal
Dá-se o nome de lançamento da estrutura ao pro- é a melhor. É recomendável que se estudem outras,
cedimento de locar lajes, vigas e pilares de forma a no mínimo três, para que se possa escolher, dentre
se criar uma estrutura capaz de suportar as cargas elas, aquela que melhor atenda à interação entre
do projeto arquitetônico, buscando uma estrutura arquitetura e estrutura, do ponto de vista estético,
que se adapte bem a ele, sem prejudicá-lo estetica- e/ou técnico e econômico.
mente.
O lançamento pode ser iniciado por qualquer nível.
Seria sempre desejável que o arquiteto, ao projetar Entretanto a experiência mostra que ao se começar
a arquitetura, já estivesse preocupado com a es- pelo pavimento intermediário pode-se chegar mais
trutura resultante da sua concepção, de modo que rapidamente à solução mais adequada. Usando o
estrutura e arquitetura se integrem sem que uma pavimento intermediário tem-se mais domínio so-
prejudique a outra. Infelizmente isso nem sempre bre como a solução proposta interfere no pavimento
ocorre, fazendo com que muitas vezes a estrutura inferior e superior.
tenha que se adaptar de maneira forçada ao projeto
arquitetônico, ou ainda, que este tenha que ceder às No lançamento da estrutura deve-se evitar a angús-
necessidades da estrutura prejudicando sua esté- tia de ter de encontrar a melhor solução. Deve ser
tica, ou funcionalidade, e sofrendo, em situações lembrado que a melhor solução não existe; existe
extremas, modificações profundas. sim, uma solução muito boa que atende determi-
nados parâmetros, pré-estabelecidos, de ordem
Não existem regras definitivas e precisas para estética, construtiva e econômica. Essa boa solução
o lançamento da estrutura. O que será feito aqui acabará por surgir das várias tentativas que se fizer.
é propor alguns critérios que sirvam de ponto de
partida. Nem sempre a primeira solução proposta

4.4.2. Critérios para locação de lajes e vigas


Para orientar a experimentação de alternativas muito grandes junto a outros muito pequenos. Lajes
serão apresentados nos próximos itens alguns cri- com vãos muito diferentes apresentam dois incon-
térios para locação de lajes e vigas. venientes:

Os primeiros critérios apresentados tratam de loca- a1. O primeiro é que lajes com vãos muito diferen-
ção de vigas, já que a locação da laje está intimam- tes têm, para efeito de resistência, necessidade de
ente ligada à locação das vigas. espessuras muito diferentes; como é interessante,
do ponto de vista construtivo, que as lajes de um
a. É interessante que as vigas sejam locadas de mesmo pavimento tenham a mesma espessura,
forma que os panos de lajes resultem de tamanhos adota-se como espessura única a da laje de maior
próximos. Não é conveniente ter panos de lajes vão, com isso, superdimensionado-se em muito,
as lajes de vãos menores.

24
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

a2. O segundo inconveniente é que lajes de vãos muito diferentes podem


provocar comportamento inadequado da estrutura, como mostrado na figura
a seguir.

Figura 67

Como se pode observar, quando carregadas, a laje Do ponto de vista construtivo, a eliminação da viga
de menor vão tende, por influência da laje de maior facilita a execução das formas.
vão, a ser submetida apenas a momentos negativos
(tração em cima), provocando, na viga que apóia a b. Sempre que possível, a viga deve ser locada sob
menor laje, um carregamento de baixo para cima. uma alvenaria. Como a viga é mais rígida que a laje,
Esta viga torna-se mais um elemento de ancoragem devido sua maior espessura, ela sofre menos defor-
que de apoio. Neste caso a eliminação dessa viga é mações quando solicitada pela carga da alvenaria,
mais interessante, fazendo com que a laje menor evitando, nesta, trincas indesejáveis. Ver figura.
esteja em balanço em relação à maior.

25
Módulo 4 : 1ª parte

Figura 68

Sendo impossível atender este critério, recomenda- c. Sempre que possível as vigas devem ser locadas
se que a parede, e também seu revestimento, sejam sobre alvenarias. Pretende-se com isso evitar que
executados mais tarde, quando a laje já tiver sofrido as lajes se apóiem sobre as alvenarias, introduzindo
as maiores deformações. esforços não previstos no cálculo. Ver figura.

Pode-se prescindir da viga quando a alvenaria esti-


ver locada a menos de 1/4 do vão. Nesta posição as
lajes são mais rígidas e os efeitos das deformações
sobre a alvenaria podem ser desprezados.

Figura 69a

26
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Figura 69b

Pode-se ver, pela figura anterior, que usando a viga Quando a alvenaria estiver locada a menos de 1/4 do
sobre a alvenaria define-se, ainda na fase de proje- vão da laje pode-se prescindir do uso da viga. Nesta
to, seu apoio, armando-se a laje de forma adequada. situação as deformações da laje junto à alvenaria
são pequenas e o efeito de apoio é desprezível.
Caso torne-se impossível o uso da viga sobre a
alvenaria, recomenda-se que a mesma só seja ex- d. Sempre que o uso de uma viga interferir esteti-
ecutada depois da laje ter sofrido as maiores defor- camente no pavimento inferior, e quando possível,
mações. pode-se inverter a viga, isto é, colocar a laje na face
inferior da viga. Neste caso, deve-se prever reforços
na mesa inferior, usando nervuras verticais.

Figura 70

27
Módulo 4 : 1ª parte

Quando a laje apoiar-se a meia altura da alma da viga, deverá ser prevista uma
cantoneira soldada na alma da viga, para apoio da laje.

Figura 71

É óbvio, nessas duas últimas situações, que as lajes não podem colaborar como
vigas mistas.

4.4.3. Critérios para lançamento da estrutura


Pertencem ao plano vertical da estrutura os pilares e contraventamentos ver-
ticais. É importante insistir que um bom projeto arquitetônico e, conseqüente-
mente, estrutural de aço, deve levar em consideração na determinação do pé
direito dos pavimentos a questão de perdas. Por isso é interessante que essas
dimensões sejam múltiplos ou submúltiplos dos comprimentos padrões dos
perfis, ou seja, de 6 e 12 m.

4.4.4. Critérios para lançamento de estrutura


no plano vertical
a. Como já comentado em obras residenciais, o es- Quando a viga é carregada, seu vão maior tende
paçamento econômico entre pilares é de 4 a 6 m. a fazer com que o menor seja solicitado exclusiva-
mente por momentos negativos, provocando reação
b. Os pilares devem ser locados de forma que as negativa no apoio extremo do vão menor. O pilar
vigas resultem com vãos da mesma ordem de gran- deste apoio acaba atuando mais como tirante que
deza. Diferenças de até 20% de um vão para o outro, pilar. Numa situação como esta é preferível elimi-
são aceitáveis. Deve-se evitar situação semelhante nar o apoio extremo, transformando o vão menor
a que aparece na figura. em balanço e tornando, com isso, a execução mais
simples e a estrutura mais econômica.

28
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

c. Sempre que possível, os pilares devem ser loca-


dos de forma que se crie balanços que aliviem vãos
centrais. A figura mostra as relações mais interes-
santes entre balanços e vãos centrais.
Figura 72

Figura 73

d. Os pilares devem ser locados de forma que se- desejável, mas não obrigatório, já que vigas podem,
jam contínuos da fundação à cobertura. Evitam-se, sem problema algum, ser apoiadas em outras vigas.
com isso, vigas de transição, que encarecem O único inconveniente é que, ao se apoiarem em
a estrutura. outras, as vigas depositam, nestas, cargas con-
centradas que tendem a aumentar seus esforços,
e. Sempre que possível os pilares devem ser tornando-as mais caras.
locados no encontro das vigas. Este é um critério

29
Módulo 4 : 1ª parte

f. Sempre que possível os pilares devem ser locados de forma que se encon-
trem numa mesma linha, para facilitar a locação em obra.

Análise da estrutura em edifícios comerciais e residenciais

Apesar de se ter em mente que a direção de apoio


dos elementos de piso deve ser sempre na direção
de menor vão, nem sempre essa distribuição corre-
sponde a estrutura mais econômica. Nessa dis-
tribuição temos sempre o menor custo para a laje,
mas em compensação não o menor peso ou custo
para a estrutura metálica.

Devemos lembrar que o custo final deve levar em


conta o custo da laje e da estrutura metálica. De
nada adianta o custo da laje ser baixo e o da estru-
tura de aço ser alto; o que nos interessa é que o
custo final da soma dos custos da laje e da estrutu-
ra metálica seja o menor. Um estudo por nós real-
izado mostra que os vãos mais econômicos para um
piso em estrutura metálica é em torno de 4 m por 6
m, com a laje vencendo o maior vão.

Nesta análise, de forma semelhante ao que fizemos


com os pisos de mezaninos, compa- ramos os
custos totais (estrutura de aço e laje) para diversos
vãos e tipos de pisos. Figura 74

TABELA I

Menor peso (kgf/m²) e menor custo de referência


usando laje pré-moldada tipo treliçada

Vão (m) 3 4 6 8 10 12 14

25,3 21,2 18,7 28,0 35,7 43,5 47,6


3
125,40 110,30 105,60 134,90 162,20 192,50 204,70

20,7 17,0 22,8 31,9 38,0 45,3


4
108,40 100,00 116,00 149,00 170,70 196,20

19,0 28,1 25,8 33,0 41,1


6
102,80 134,90 126,40 157,50 186,70

30
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

TABELA II
Menor pêso (kgf/m² ) e menor custo de referência usando painéis de concreto
celular ou laje protendida alveolar.

Vão (mm) 3 4 6 8 10 12 14

29,7 27,2 23,2 16,2 15,6 17,1 15,9


3
171,60 162,20 166,90 146,20 166,00 198,10 217,90

20,7 25,6 15,1 15,5 14,8 14,4


4
157,50 156,60 142,40 165,00 192,50 188,60

21,4 15,7 15,8 14,9 14,5


6
141,50 146,20 166,90 190,50 213,20

20,4 18,1 18,7 17,9


8
161,30 175,40 203,70 225,40

22,7 20,8 37,9


10
192,40 211,30 246,20

29,2 28,5
12
241,50 263,20

31,8
14
274,50

CONCLUSÕES
• Nem sempre a solução que apresenta o menor consumo de aço é a mais econômica. Tome-se, por
exemplo, o piso com vão de 6 m x 10 m. No caso do uso da laje pré-moldada treliçada o peso da es-
trutura metálica é de 25,8 kgf/m2 e o custo de referência de 126,40. No caso de laje alveolar proten-
dida, apesar do peso da estrutura ser bem menor, 15,8 kgf/m², seu custo total de referência
é bem maior, 166,90, ou seja 32 % mais caro.

• Para a laje pré moldada treliçada, os vãos entre pilares mais econômicos são 6 m x 4 m, devendo
a laje ser armada na direção do vão maior.

• O uso de laje treliçada resulta nas soluções mais econômicas, mas nem sempre as de menor con-
sumo de aço.

• Os vãos entre pilares de 6 m x 4 m são os que apresentam menor consumo de aço.

• Para vãos entre pilares acima de 8 m x 3 m, o uso de lajes do tipo painel de concreto celular
ou alveolar protendida apresenta menor consumo de aço.

• A solução mais econômica para lajes com painéis de concreto celular ocorre com vãos entre pila-
res de 6 m x 6 m. Neste caso usando nervuras a cada 2 m e com os painéis apoiados nas nervuras.

• A solução mais econômica para lajes alveolares protendidas ocorre para vãos entre pilares
de 4 m x 8 m. Neste caso com a laje distribuída na direção do vão maior.

31
Dimensionamento
de Estruturas em Aço
Parte 1

Módulo 42 ª parte
Sumário Módulo 4: 2ª Parte
Edifícios estruturados em Aço

Dimensionamento de um edificio
de 5 pavimentos estruturado em Aço

Dados do projeto
página 3

1. Cáculo das Vigas V1


página 6

1.1. Elementos Fletidos


página 6

2. Cáculo das Vigas V1


página 9

2.1. Elementos Fletidos


página 9

2.2. Deslocamento Limite


página 10

2.3. Determinação da Força Cortante Resistente


de Dimensionamento
página 12

2.4. Verificação Flambagem Local - FLM e FLA


página 12

2.5. Determinação do Momento Fletor Resistente


de Dimensionamento
página 13

3. Cálculo dos Pilares


página 13

3.1.. Elementos Comprimidos


página 13

3.2. Cálculo da Força Resistente de Cálculo


página 15
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

3º Estudo de Caso
Edifício de 5 Pavimentos estruturado em Aço

Dimensionar os elementos estruturais do edifício de acordo com a NBR 8800 : 2008.

Dados do Projeto

Fig 3_a – Planta Baixa

3
Módulo 4 : 2ª parte

Fig 3_b - Corte

Perspectiva 1

4
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Perspectiva 2

Perspectiva 2

5
Módulo 4 : 2ª parte

Dados do Projeto: Comentários

• Usar perfis laminados ASTM A572 G50 Em edifícios ou em qualquer outra construção com
grande volume de estrutura recomendamos que se
agrupe o maior número de peças que estão sub-
metidas a solicitações da mesma ordem de gran-
• Lajes em concreto pré-moldado deza. Fazendo isto, conseguiremos um adequado
• Uso: Edifício residencial aproveitamento das seções e uma maior economia
• Não será dada contra-flecha nas vigas final.

No nosso caso, podemos dividir todas as vigas do


O edifício suportará as cargas indicadas: pavimento tipo em dois grandes grupos: V1 e V2. O
grupo V1 será formado por perfis mais leves, pois
• Laje pré-moldada B=12cm 2,0 kN/m2 estas vigas estão submetidas às menores solicita-
• Revestimento 1,0 kN/m2 ções. Isso é fácil de ser percebido apenas observan-
• Peso próprio da estrutura (estimado) 0,45 kN/m2 do que se trata de vigas que apóiam uma só área da
• Carga acidental (NBR 6120) 1,5 kN/m2 laje. No grupo V2 temos vigas que além de apoiarem
• Paredes com blocos cerâmicos 11,2kN/ m3 determinadas áreas de laje, também apóiam outras
vigas. Perfis mais pesados, portanto, farão parte
deste grupo.
Obs: 1.Considerar todas as vigas contidas lateral-
mente pelas lajes.
2. Para edifícios de até 5 pavimentos, podem ser
desprezadas as cargas horizontais de vento.

1. Cáculo das Vigas V1


1.1. Elementos Fletidos
Para rever estes conceitos veja o item 6, página 40 do roteiro

Cálculo dos esforços atuantes

Coeficientes de ponderação das ações:

= 1,25 (peso próprio da estrutura)


= 1,35 (estrutura moldada no local e elementos industrializados)
= 1,5 (ações variáveis, incluindo as decorrentes do uso e ocupação)

Portanto a carga distribuída em KN/m na viga é:

- Combinação Última Normal

6
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Dica

Uma maneira prática de determinar os esforços


máximos da viga é utilizar os gráficos dos esforços.
Calculando-se as reações pelas equações da estáti-
ca determina-se o gráfico da força cortante. A soma
das áreas do gráfico da força cortante à esquerda
ou à direita de um ponto da viga é, numericamente,
o momento fletor naquele ponto.
Fig 3_c

Fig 3_d Fig 3_e

O Momento máximo positivo da viga V1, por exemplo, ocorre no ponto onde o cortante é igual a zero e seu
valor pode ser calculado através da área do triângulo 1.

Deslocamento Limite

Para que não se utilize contra-flecha, atenderemos a seguinte condição:

Q é a carga distribuída da peça (kN/cm), valor característico


L é o comprimento do vão (cm)
E é o módulo de elasticidade do aço (kN/cm2)
I é o momento de inércia da seção em cm4

Combinação quase permanente, onde não há equipamentos nem elevada concentração de pessoas.
TABELA 2, Ítem 4.7.6.2.2 da Norma.

Isolando I na expressão, obtemos o momento de inércia mínimo:

7
Módulo 4 : 2ª parte

Supondo uma seção compacta e utilizando a expressão que define o momento resistente de cálculo:

Onde:
= 1,10
é o módulo de resistência plástico (mínimo) da seção em relação a x-x

é a resistência ao escoamento do aço

E isolando Zx na expressão, encontramos:

Observe que conhecendo-se o momento de inércia e o módulo de resistência, valores mínimos, podemos
selecionar na tabela de perfis a seção que já estará verificada quanto ao deslocamento máximo e
resistência a flexão adequada, restando à verificação ao cisalhamento.
Para acessar as tabelas de perfis clique aqui

O critério para a escolha do perfil sempre será: segurança estrutural x economia. Na tabela encontramos
os perfis possíveis: W 410x60,0 kg/m e o W 460x52,0 kg/m. Note que os dois atendem às propriedades
geométricas mínimas, mas o último com MENOR peso por metro tem praticamente o mesmo desempenho,
pois possui momento de inércia com valor próximo ao primeiro.

Perfil escolhido W 460x52,0 kg/m (1ª alma)

Propriedades geométricas da seção


d = 45,0 cm Ix = 21.370 cm4 A = 66,6 cm2
bf = 15,2 cm Wx = 949,8 cm3 Aw = d.tw = 34,2 cm2
tw = 0,76 cm Zx = 1.095,9 cm3 rx = 17,91 cm
tf = 1,08 cm h = d-2.tf = 42,8 cm ry = 3,09 cm

Determinação da Força Cortante Resistente de Dimensionamento

Onde: para vigas sem enrijecidores

Então, a expressão que define a força cortante resistente de dimensionamento é dada por:

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Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Verificação da Flambagem Local – FLM E FLA

Para as mesas (FLM)

( OK! )

Garante que não há instabilidade nas mesas da seção

Para a alma (FLA)

( OK! )

Garante que não há instabilidade na alma da seção

Determinação do Momento Fletor de Dimensionamento

Como (confirmado, seção compacta)

( OK! )

OK, o perfil W 460x52,0 kg/m atende!

2. Cálculo das Vigas V2

2.1. Elementos Fletidos


Para rever estes conceitos veja o item 6 do módulo 1 : 2ª parte

Cálculo dos esforços atuantes

Coeficientes de ponderação das ações:

= 1,25 (peso próprio da estrutura)


= 1,35 (estrutura moldada no local e elementos industrializados)
= 1,5 (ações variáveis, incluindo as decorrentes do uso e ocupação)

Portanto a carga distribuída em KN/m na viga é:

- Combinação Última Normal

9
Módulo 4 : 2ª parte

Obs: Para se determinar o valor em KN/m das alvenarias sobre as vigas, multiplica-se:

Largura da Alvenaria x Altura Útil x Peso Específico da Parede

= 0,15m x 2,54m (3,0m-0,46m) x 11,2kN/ m3 = 4,27 kN/m

Fig 3_f Fig 3_g

O Momento máximo positivo da viga V2 ocorre no


ponto onde o cortante é igual a zero e seu valor
pode ser calculado através da área da figura 1.

Fig 3_h

2.2 Deslocamento Limite


Para que não se utilize contra-flecha atenderemos a seguinte condição:

(PARA AS CARGAS DISTRIBUÍDAS)

10
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

(PARA AS CARGAS CONCENTRADAS)

Onde:

Q é a carga distribuída da peça (kN/cm), valor característico


L é o comprimento do vão (cm)
E é o módulo de elasticidade do aço (kN/cm2)
I é o momento de inércia da seção em cm4
P são as cargas concentradas em kN, valor característico
a são as distâncias das cargas concentradas aos apoios

Combinação quase permanente, onde não há equipamentos nem elevada concentração de pessoas
TABELA 2, Ítem 4.7.6.2.2 da Norma.

Lembrando que a reação da V1 neste caso deve ser calculada com a carga resultante da combinação de
serviço já encontrada:

Que resulta em:

Isolando I nas duas expressões, obtemos os momentos de inércia mínimos que devem ser somados para
atender as solicitações dentro do limite de deformação:

Supondo seção compacta e utilizando a expressão que define o momento resistente de cálculo:

Onde:

= 1,10
é o módulo de resistência plástico (mínimo) da seção em relação a x-x

é a resistência ao escoamento do aço

E isolando Zx na expressão, encontramos:

11
Módulo 4 : 2ª parte

Perfil escolhido W 530x82,0 kg/m

Propriedades geométricas da seção

d = 52,8 cm Ix = 47.569 cm4 A = 104,5 cm2


bf = 20,9 cm Wx = 1.801,8 cm3 Aw = 50,2 cm2
tw = 0,95 cm Zx = 2.058,5 cm3 rx = 21,34 cm
tf = 1,33 cm h = d-2.tf = 50,1 cm ry = 4,41 cm

2.3. Determinação da Força Cortante Resistente


de Dimensionamento

(OK!)

Onde: para vigas sem enrijecedores


Então, a expressão que define a força cortante resistente de cálculo é dada por:

(OK!)

2.4. Verificação Flambagem Local - FLM e FLA

Para as mesas (FLM )

(OK!)

Garante que não há instabilidade nas mesas da seção

12
Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Para a alma (FLA)

(OK!)

Garante que não há instabilidade na alma da seção

2.5. Determinação do Momento Fletor Resistente


de Cálculo

Como (confirmado, seção compacta)

(OK!)

OK, o perfil 530x82,0 atende!

Atenção!

Obs: Repare que a resistência da seção é 63% maior que a necessária. Quem comandou o dimension-
amento, neste caso, foi a deformação. Foi necessária uma peça com inércia elevada para combater as
deformações previstas. Estruturas com vãos de até 6m são as mais econômicas para edifícios.

3. Cálculo dos Pilares


Para os pilares vale a mesma recomendação que fizemos para as vigas, agrupá-los e dimensionar para
os esforços máximos de cada grupo. No nosso estudo, porém, dimensionaremos apenas o pilar de maior
carga.

13
Módulo 4 : 2ª parte

3.1. Elementos Comprimidos


.
As cargas atuantes no pilar P1 podem ser calculadas através das reações
das vigas V1 e V2 ou por área de influência.

- Combinação Última Normal

Obs: a cobertura, na maioria dos casos, contribui com menos carga que os pavimentos tipo. Em nosso
exemplo, consideramos a cobertura igual ao pavimento tipo para simplificar os cálculos.

Fig 3_i

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Dimensionamento de Estruturas em Aço – parte 1

Normalmente, nos caso das peças comprimidas, escolhe-se uma seção e


verifica-se a sua estabilidade

Seja, então, o perfil W 250x89,0 kg/m

Propriedades geométricas da seção:

Ag = 113,9cm2
d = 26,0cm
bf = 25,6cm
tw = 1,07cm
tf = 1,73cm
rx = 11,18cm
ry = 6,52cm
h = d - 2 tf = 22,5cm

3.2. Determinação da Força Resistente de Cálculo


Verificação da flambagem local da Alma
Elementos AA – Possuem duas bordas longitudinais vinculadas (Caso 2, tabela
F.1, Anexo F da Norma)

(OK!)

Verificação da flambagem local das mesas

Elementos AL – Possui uma borda longitudinal vinculada (Caso 4, tabela F.1,


Anexo F da Norma)

(OK!)

Já que alma e mesa estão dentro dos limites, Q = 1 .

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Módulo 4 : 2ª parte

Condições dos vínculos

Valor do índice de esbeltez reduzido em relação aos dois eixos centrais de


inércia

Para

O valor de Ne usado é em relação ao eixo central de menor inércia, portanto


situação de maior instabilidade:

Fig_3_j

O valor do índice de esbeltez reduzido mais desfavorável ficou dentro do limite , indicando que o
valor de pode ser determinado na tabela 4 - Pag. 45

= 0,947

Verificação quanto à flambagem global

eixo de maior inércia, mais rígido

(PREVALECE) (OK!)

FINALMENTE

(O PERFIL ATENDE!)

CONTRAVENTAMENTOS

Uma maneira eficiente de contraventar um edifício é com a utilização de um núcleo rígido de concreto ar-
mado que servirá como “caixa” para elevador e/ou escada. Estes núcleos geralmente possuem pelo me-
nos três lados sem grandes aberturas, formando estruturas bastante rígidas, indeslocáveis, e capazes de
impedir movimentações laterais e absorver esforços horizontais.

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