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Capítulo 4- Legislação Tributária 501

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Alternativa "c": incorreta. O equívoco está na República. Além disso, o artigo 172, inciso li, afinea ·c·
segunda parte da alternativa. Como a equidade pode do Regimento Interno do Senado Federal também faz
ser entendida como a atenuação do rigor da norma expressa menção ao decreto legislativo referente a tra-
escrita aplicada ao caso concreto, de certa forma ela tado, convênio ou acordo internacional.
(equidade) tem o condão de "amortecer· a norma.
Alternativa •a": o artigo 96 do CTN inclui os trata-
Alternativa "d": o gabarito oficial tratou essa alter- dos internacionais entre as fontes primárias do direito
nativa como incorreta, porém, na verdade, a equidade tributário. Portanto, em matéria tributária, os tratados
aproxima-se sim da justiça real, uma vez que "o equita- são conceb idos no mesmo patamar das leis emanadas
tivo e o justo têm a mesma natureza. A diferença está do Poder Legislativo interno, o que guarda coerência
em que o equitativo, sendo justo, não é o justo legal. A com o posicionamento do Supremo Tribunal Federal
lei, pelo seu caráter de generalidade, não prevê todos os acerca dos tratados em geral, segundo o qual: 'Trata-
casos singulares a que se aplica; a falta não reside nem dos e convenções internacionais - tendo-se presente o
na lei nem no legislador que a dita, senão que decorre da sistema jurídico existente no Brasil (RTJ 83/809) - guar-
própria natureza das coisas. A equidade, ainda segundo dam estrita relação de paridade normativa com as leis
Aristóteles, autoriza a preencher a omissão com o que ordinárias editadas pelo Estado brasileiro. A normativi-
teria dito o legislador se ele tivesse conhecido o caso em dade emergente dos tratados internacionais, dentro do
questão." (Ricardo Lobo Torres, in Normas de Interpre- sistema jurídico brasileiro, permite situar esses atos de
tação e Integração do Direito Tributário, 4• ed., Editora direito internacional público, no que concerne à hierar-
Renovar, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, 2006, págs. quia das fontes, no mesmo plano e no mesmo grau de
115/116). Citado no julgamento do RESP 751368/SC eficácia em que se posicionam as leis internas do Brasil."
Alternativa "e": incorreta . A equidade é utilizada (STF - Ext 662 - Pleno - Rei. Min. Celso de Mello, julg.
para integrar a legislação tributária, dando ao caso con- 28/11/1996). No mesmo sentido a ADI 1.480 (STF, Plená-
creto um desfecho diante da ausência de disposição rio, ADIN 1.480, Min. Celso de Mello, set/97).
normativa expressa. Nesse sentido, o caráter abstrato e Alternativa ub": como já exaustivamente expli-
geral é da norma (lei) e não da equidade. cado nos comentários à alternativa "c", a ratificação dos
tratados é competência do Congresso Nacional, o que
33. (ESAF - Fiscal de Rendas - SMF-RJ/2010)No invalida a insinuação do examinador de que, para terem
tocante aos tratados internacionais em matéria tributá- aplicabilidade no âmbito federativo federal, estadual e
ria, pode-se afirmar que: municipal, necessitariam de ratificação pelas respecti-
vas Casas Legislativas.
a) uma vez internalizados, se sobrepõem às normas
internas, inclusive da Constituição Federal. Alternativa "d": está incorreta, porque contraria o
b) para terem aplicabilidade no âmbito federativo entendimento do Supremo Tribunal Federal favorável
federal, estadual e municipal, necessitam de ratifi- às isenções heterônomas concedidas por meio de tra-
cação pelas respectivas Casas Legislativas. tados internacionais, evidenciado na ementa a seguir:
"A cláusula de vedação inscrita no art. 151, inciso Ili, da
c) podem operar modificações na legislação tributária Constituição - que proíbe a concessão de isenções tri-
interna, desde que ratificados por meio de decreto butárias heterônomas - é inoponível ao Estado Federal
legislativo. brasileiro (vale dizer, à República Federativa do Brasil),
d) não podem dispor sobre isenções internas. incidindo, unicamente, no plano das relações institucio-
nais domésticas que se estabelecem entre as pessoas
e) somente podem alterar a legislação interna federal.
políticas de direito público interno (...). Nada impede,
portanto, que o Estado Federal brasileiro celebre trata-
COMENTARIOS
dos internacionais que veiculem cláusulas de exonera-
O Nota dos autores: os tratados internacionais ção tributária em matéria de tributos locais (como o ISS,
estão compreendidos na expressão "legislação tributá- p. ex.), pois a República Federativa do Brasil, ao exercer o
ria" (CTN, art. 96), constituindo, com isso, fontes formais seu treaty-makingpower, estará praticando ato legítimo
do direito tributário. que se inclui na esfera de suas prerrogativas como pes-
soa jurídica de direito internacional público, que detém
Alternativa correta: letra "c": os tratados e conven-
- em face das unidades meramente federadas- o mono-
ções internacionais, nos termos do artigo 96 do CTN, são
pólio da soberania e da personalidade internacional."
fontes formais primárias do Direito Tributário. A compe-
(RE 543.943-AgR, Rei. Min. Celso de Mello, julgamento
tência para resolver definitivamente sobre internalização
em 30-11-2010, Segunda Turma, DJE de 15-2-2011)
desses diplomas normativos é exclusiva do Congresso
Nacional (CF, art. 49, 1). Logo, o instrumento normativo Alternativa "e": nos termos do artigo 98 do CTN,
hábil é o decreto legislativo que, nos termos do artigo os tratados e as convenções internacionais revogam ou
109, inciso li do Regimento Interno da Câmara dos Depu- modificam a legislação tributária interna, independente
tados e do artigo 213, li do Regimento Interno do Senado da pessoa política de que seja emanada, o que já basta
Federal, é o veículo normativo destinado a matérias de para se demonstrar que não se sustenta a assertiva do
competência exclusiva do Congresso Nacional, isto é, examinador de que somente a legislação tributária
aquelas que independem de sanção do Presidente da federal seria atingida.
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empresas de pequeno porte também está reservada à


34. (ESAF - Fiscal de Rendas - SMF-RJ/2010)Em
lei complementar (CF, art. 146, Ili, "d").
matéria tributária, são privativas de lei complementar,
exceto: Alternativa "e": o exercício da competência tribu-
tária residual, privativamente pela União, também está
a) instituição de tributos e de suas espécies, bem reservado à lei complementar (CF, art. 154, 1).
como, em relação aos impostos discriminados na
Constituição Federal, dos respectivos fatos gerado-
res, bases de cálculo e contribuintes. 35. (ESAF - Fiscal de Rendas - 5MF-RJ/2010)Com-
pete à Uniáo, aos estados e ao Distrito Federal legislar
b) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo concorrentemente sobre direito tributário.
praticado pelas sociedades cooperativas.
Com base nessa afirmativa, julgue os itens a seguir:
c) dispor sobre conflitos de competência, em matéria
1. lei que institui incentivo fiscal para as empresas que
tributária, entre a União, os estados, o Distrito Fede-
contratarem apenados e egressos é de natureza tri-
ral e os municípios.
butária, sendo, portanto, constitucional lei estadual
d) definição de tratamento diferenciado e favore- com tal conteúdo;
cido para as microempresas e para as empresas de li. lei estadual pode estabelecer alíquotas diferen-
pequeno porte. ciadas em razão do tipo do veículo, já que os esta-
e) instituição, por parte da União, de novos impostos, dos-membros estão legitimados a editar normas
desde que sejam não-cumulativos e não tenham gerais referentes ao IPVA, no exercício da compe-
fato gerador ou base de cálculo próprios dos discri- tência concorrente prevista no art. 24, § 3º, da Cons-
minados na Constituição. tituição;
Ili. é possível ao estado conceder, mediante lei, isen-
COMENTA RIOS ção de tributo de sua competência, visto que está
atuando nos limites de sua autonomia.
O Nota dos autores: as leis complementares são
aprovadas por maioria absoluta, ou seja, por metade Estão corretos:
mais um dos membros da casa legislativa (CF, art. 69). a) apenas o item 1.
Em razão desse quórum de aprovação, parte da dou-
trina defende a superioridade hierárquica das leis b) apenas os itens 1e li.
complementares em relação às leis ordinárias (aprova- c) apenas os itens 1e Ili.
das por maioria simples). Outra corrente defende uma
hierarquia tão somente material, na medida em que a d) apenas os itens li e Ili.
Constituição Federal reserva algumas matérias a serem e) todos os itens estão corretos.
tratadas exclusivamente por lei complementar. De
todas as alternativas, o enunciado exige do candidato COMENTÁRIOS
que assinale uma exceção à reserva de lei complemen-
tar. O Nota dos autores: a CF, em seu artigo 24, inciso
1, apregoa a competência à União, aos Estados e ao Dis-
Alternativa correta: letra ua": segundo a CF trito Federal legislar concorrentemente sobre direito
(artigo 146, inciso Ili, alínea "a"), cabe à lei complementar tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urba-
estabelecer normas gerais em matéria de legislação nístico. Já o artigo 96 do CTN estipula que a expressão
tributária, especialmente sobre definição de tributos e "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e
de suas espécies, bem como, em relação aos impostos as convenções internacionais, os decretos e as normas
discriminados nesta Constituição, a dos respectivos complementares que versem, no todo ou em parte,
fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Não sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.
é papel da lei complementar, portanto, instituir os tri- Assim, os entes tributantes tem competência para legis-
butos, com seus respectivos fatos geradores, bases de lar sobre direito tributário e uma norma que verse no
cálculo e contribuintes, cuja atribuição cabe, em regra, todo ou em parte sobre tributos e relações tributárias é
à lei ordinária. considerada parte integrante da "legislação tributária".
Alternativa "b": o adequado tratamento tributário Alternativa correta: letra "e".
ao ato cooperativo praticado pelas sociedades coope-
Item 1: correto. O tema incentivo fiscal está contex-
rativas é matéria reservada à lei complementar (CF, art.
tualizado no âmbito de um determinado tributo, logo,
146, Ili, "c").
lei que verse sobre o tema é cons iderada "legislação tri-
Alternativa uc": é de fato matéria reservada à lei butária" nos termos do artigo 96 do CTN.
complementar a disposição sobre conflitos de compe-
Item li: correto. Numa interpretação sistemática dos
tência, em matéria tributária, entre a União, os Estados,
parágrafos do artigo 24 da CF, tem-se que (i) no âmbito
o Distrito Federal e os Municípios (CF, art. 146, 1).
da legislação concorrente, a competência da União limi-
Alternativa ud": a definição de tratamento dife- tar-se-á a estabelecer normas gerais; (ii) a competência
renciado e favorecido para as microempresas e para as da União para legislar sobre normas gerais não exclui a
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competência suplementar dos Estados; (iii) inexistindo histórico e finalístico ou teleológico, os quais inte-
lei federal sobre normas gerais (como é o caso do IPVA), gram a moderna metodologia de interpretação das
os Estados exercerão a competência legislativa plena, normas jurídicas.
para atender a suas peculiaridades e; (iv) a superveniên-
c) Apenas a concessão do parcelamento suspende a
cia de lei federal sobre normas gerais suspende a eficá-
exigibilidade do crédito tributário, e não o seu sim-
cia da lei estadual, no que lhe for contrário. No mesmo
ples requerimento.
sentido do item li encontra-se um julgado do STF (RE
414.259-AgR, Rei. Min. Eros Grau, julgamento em 24-6- d) A isenção tributária revela conveniência política,
2008, 2• Turma, DJE de 15-8-2008). insuscetível, neste aspecto, de controle do Poder
Judiciário, na concretização de interesses econó-
Item Ili: correto. Este item foi considerado correto micos e sociais, estimulando e beneficiando de-
pela Banca Examinadora. O item expressa a regra geral terminadas situações merecedoras de tratamento
(de que cada ente tributante é competente para insti- privilegiado.
tuir as isenções dos tributos que estão na sua alçada de
poder de tributar). Entretanto, em relação ao ICMS, as e) Do referido dispositivo resulta não somente uma
isenções dependem de prévio convênio aprovado una- proibição à analogia, como também uma impos-
nimemente pelos Estados e Distrito Federal no ãmbito sibilidade de interpretação mais ampla.
do CONFAZ - Conselho Nacional de Política Fazendária .
Logo, trata-se de uma exceção à regra geral. Noutras COMENTÁRIOS
palavras, agora com fundamentos jurídicos, de acordo O Nota dos autores: nessa questão sobre interpre-
com o artigo 150, § 6° da CF, qualquer subsídio ou isen- tação literal da legislação tributária, a ESAF, como é de
ção, redução de base de cálculo, concessão de crédito sua tradição, também empreendeu forte exigência em
presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, relação aos conhecimentos dos candidatos sobre a lite-
taxas ou contribuições, só poderá ser concedido ralidade da jurisprudência dos tribunais. E nesse caso,
mediante lei específica, federal, estadual ou muni- fugiu totalmente do padrão convencional da banca,
cipal, que regule exclusivamente essas matérias, sem cobrando, em determinadas alternativas, conhecimen-
prejuízo do disposto no artigo 155, § 2°, XII, g. Já o tos sobre a jurisprudência dos tribunais regionais fede-
art. 155, § 2°, XII, g, objeto da menção do artigo 150, § 6° rais, quando a norma é se restringir à jurisprudência dos
é aplicável ao ICMS e reserva à esfera de competência tribunais superiores. Atenção que o enunciado exige a
da lei complementar "regular a forma como, mediante exceção, isto é, a alternativa incorreta.
deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções,
incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revo- Alternativa correta: letra "e": em relação à proi-
gados". Com base nesses comandos normativos, a CF de bição de emprego da analogia na intepretação de isen-
1988 recepcionou a Lei complementar 24/75, segundo a ções, existe até jurisprudência do Tribunal Regional da
qual todos os benefícios fiscais de ICMS devem encon- 1• Região, qual seja: "Nos julgados que deram origem
trar fundamento em convênios celebrados pelos Esta- à Súmula 100 do STJ muito já se havia discutido sobre
dos no âmbito do CONFAZ - Conselho Nacional de a interpretação das normas concessivas de isenção,
Política Fazendária. Por fim, não obstante essa questão tendo restado consolidada posição no sentido de que
tenha sido objeto de recursos por conta da polêmica descabia raciocinar-se analogicamente para o efeito
envolvendo este item, a mesma não foi anulada nem de estender benefício de isenção a situação que não se
teve o seu gabarito alterado. enquadraria no texto expresso da lei." (STJ, 1ª T., REsp
36.366-7/SP, Min. Milton Pereira, ago/93). Entretanto,
no que tange à impossibilidade de interpretação mais
36. (ESAF - Fiscal de Rendas - SMF-RJ/2010)De ampla, a banca levou em conta a seguinte orientação
acordo com o disposto no art. 111, incisos 1 a Ili, do jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça: "O art.
Código Tributário Nacional, interpreta-se literalmente 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da
a legislação tributária que disponha sobre suspensão norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda
ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção e conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de
dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Tal apreciar e aplicar as normas de direito, de valer-se de
disposição leva a concluir, exceto, que: uma equilibrada ponderação dos elementos lógico-sis-
a) A isenção de que goza a parte, relativa aos ganhos temático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais
com a operacionalização da atividade empresarial, integram a moderna metodologia de interpretação das
não abrange o resultado das aplicações financeiras normas jurídicas."
por ela realizadas, uma vez que se interpreta literal- Alternativa "a": essa alternativa foi considerada
mente a legislação tributária que disponha sobre a correta por transcrever textualmente a jurisprudência
outorga de isenção. do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (AMS 42228
- BA - Rei. Juiz Leão Aparecido Alves - 2ª Turma Suple-
b) O disposto no art. 111, porém, não pode levar o apli-
mentar - julg. 04/06/2002).
cador do direito à absurda conclusão de que esteja
ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as Alternativa "b": está correta por transcrever textu-
normas de direito, de valer-se de uma equilibrada almente o entendimento do STJ constante da jurispru-
ponderação dos elementos lógico - sistemático, dência citada no comentário à alternativa correta (REsp
504 Alan Martins · Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

192.531/RS, Rei. Min. João Otávio de Noronha, julgado Item 1: está errado, porque subverte a ordem dos
em 17.2.2005, DJ 16.5.2005). critérios de integração da legislação estabelecida pelo
legislador no artigo 108, do CTN. Na verdade, em caso
Alternativa "c": causa de suspensão da exigibili-
de ausência de disposição expressa, a autoridade com-
dade é o parcelamento (CTN, art. 151, VI), de modo que
petente para aplicar a legislação tributária utilizará,
não basta o requerimento, devendo ser efetivado. Além
sucessivamente, os critérios citados pelo examinador,
disso, para considerá-la correta a banca levou em conta
mas a ordem indicada no referido dispositivo do CTN
a seguinte jurisprudência do TRF da 2ª. Região: "Apenas
é outra, qual seja: a analogia, os princípios gerais de
a concessão do parcelamento suspende a exigibilidade
direito tributário, os princípios gerais de direito público
do crédito tributário, e não o seu requerimento, nos ter-
e a equidade.
mos do art. 151, inciso VI, do CTN. O art. 111, inciso 1, do
CTN, determina a interpretação literal da lei, ou de seus Item li: correto. Como decorrência do princípio
dispositivos, quando versarem a respeito da suspensão constitucional da estrita legalidade (CF, art. 150, 1),
ou exclusão do crédito tributário." (AC 284053 - RJ - 3• interpreta-se literalmente a legislação tributária que
Turma - Rei. Des. Paulo Barata) disponha sobre: 1 - suspensão ou exclusão do crédito
tributário; li - outorga de isenção; Ili - dispensa do cum-
Alternativa "d": alternativa considerada correta
primento de obrigações tributárias acessórias (CTN, art.
por guardar consonância com o posicionamento do STF
111).
no sentido de que não se configura ofensa ao princípio
da isonomia o implemento de política fiscal e econô- Item Ili: também está correto. Excepcionalmente,
mica, pelo Estado, tendo em vista determinado inte- a norma tributária retroagirá para atingir atos ou fatos
resse social (STF- RE 202.981-5/SP- 2•. Turma - Rei. Min. geradores pretéritos quando se tratar, entre outras
Maurício Correa - jan./1997). hipóteses, de lei interpretativa (CTN, art. 106, 1), isto é,
aquela sem conteúdo imperativo, destinada a esclare-
37. (ESAF - Fiscal de Rendas - SMF-RJ/2010)No cer o conteúdo e alcance de outras normas preexisten-
tocante à interpretação da legislação tributária, julgue tes.
os itens a seguir: Item IV: outro item errado, na medida em que a lei
1. na ausência de disposição expressa, o aplicador da não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de
legislação tributária se valerá, sucessivamente, dos institutos, conceitos e formas de direito privado, ainda
princípios gerais de direito tributário, dos princípios que utilizados pela Constituição Federal para definir ou
gerais de direito constitucional, da analogia e da limitar competências tributárias (CTN, art. 109).
equidade;
li. a interpretação da legislação tributária se fará lite- 38. (ESAF - Analista-Tributário - RFB/2012) Res-
ralmente quando esta disponha sobre a dispensa ponda às perguntas abaixo e, em seguida, assinale a
do cumprimento de obrigações tributárias acessó- opção correta.
rias; Os decretos que apenas em parte versem sobre
Ili. a lei tributária aplica-se a ato ou fato pretérito tributos compreendem-se na expressão "legislação tri-
quando seja expressamente interpretativa; butária"?

IV. exclusivamente para efeitos tributários, a lei pode A cominação de penalidades para as ações ou omis-
alterar a definição, o conteúdo e o alcance de insti- sões contrária s a seus dispositivos, ou para outras infra-
tutos, conceitos e formas de direito privado, ainda ções nela definidas, relativa às obrigações principais ou
que utilizados pela Constituição Federal para defi- acessórias, somente se pode estabelecer mediante lei?
nir ou limitar competências tributárias.
Segundo o Código Tributário Nacional, a atuali-
Estão corretos apenas os itens: zação do valor monetário da base de cálculo, de que
resulte maior valor do tributo, pode ser feita por ato
a) llelll.
administrativo, em vez de lei?
b) lelll.
a) Não, não e não.
c) li e IV.
b) Sim, sim e sim.
d) lllelV.
c) Não, não e sim.
e) lelV.
d) Não, sim e não.

e) Sim, não e não.


O Nota dos autores: nessa questão, após julgar as
quatro afirmações, deveria o candidato assinalar a alter- COMENTÁRIOS
nativa que faz menção somente àquelas que julgou
O Nota dos autores: No âmbito tributário, alguns
corretas. assuntos devem necessariamente ser disciplinados por
Alternativa correta: letra "an, lei. Tais matérias reservadas à previsão em lei são aque-
Capítulo 4 - Legislação Tributária 505

las elencadas no artigo 97 do CTN (Princípio da Estrita Alternativa correta: letra "a": as leis comple-
Legalidade Tributária). mentares decaráter nacional são mais numerosas,
no que se destaca o artigo 146, da CF, segundo o qual
Alternativa correta: letra "b".
incumbe à lei complementar, entre outras competên-
Item 1: sim. A expressão "legislação tributária" com- cias: li - regular as limitações constitucionais ao poder
preende o conjunto de normas (leis, tratados, decretos, de tributar; Ili - estabelecer normas gerais em matéria
portarias, resoluções, entre outras) que verse, no todo de legislação tributária, especialmente sobre: obriga-
ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a ele ção, lançamento, crédito, prescrição e decadência tribu-
pertinentes (CTN, art. 96). tários (alínea "b").
Item li: sim. Segundo princípio da estrita legali- Alternativa "b": para atender despesas extraor-
dade, somente a lei pode estabelecer a cominação de dinárias, decorrentes de calamidade pública, a União
penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus pode instituir, mediante lei complementar, empréstimo
dispositivos, ou para outras infrações nela definidas compulsório (CF, art. 148, I), e não impostos extraordiná-
(CTN, art. 97, inciso V). rios. Os impostos extraordinários são instituídos em
caso de guerra externa ou sua iminência (CF, art. 1S4, li)
Item Ili: sim. A atualização do valor monetário da
e não dependem de lei complementar.
base de cálculo de um tributo não é considerada como
uma majoração (CTN, art. 97, inciso li e § 2°). Assim, por Alternativa "c": diametralmente inverso do que
não ser uma majoração de tributo, não está sujeita ao afirma o examinador, a União, mediante lei complemen-
princípio da estrita legalidade. Noutras palavras, a atua- tar, só pode instituir impostos não previstos na Consti-
lização monetária da base de cálculo pode ser veiculada tuição que não tenham fato gerador e base de cálculo
em norma complementar à legislação tributária (como, próprios dos impostos nela discriminados (CF, art. 154, 1).
por exemplo, atos normativos administrativos).
Alternativa "d": por meio da lei complementar, a
União pode estabelecer normas gerais em matéria tri-
39. (FCC/AFR/2013) A Lei Complementar tem grande butária sobre a definição dos tributos e suas espécies,
importância no Sistema Tributário Nacional. De acordo como também com relação aos impostos a definição
com a Constituição Federal de 1988, por meio desse ins- de seus respectivos fatos geradores, bases de cálculo e
trumento contribuintes (CF, art. 146, Ili, "a"). Portanto, essa compe-
tência da lei complementar, como regra, não compre-
a) são reguladas as limitações ao direito de tributar,
ende a atribuição de instituir os impostos.
previstas na Constituição Federal, bem como são
estabelecidas normas gerais em matéria tributária Alternativa "e": salvo em relação a aspectos espe-
sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e cíficos regidos pelo artigo 161, da CF, em matéria de
decadência. repartição das receitas tributárias, para definição das
percentagens da partilha da União, Estados, Distrito
b) a União, para atender despesas extraordinárias,
Federal e Municípios, basta a edição de lei ordinária.
decorrentes de calamidade pública, pode instituir
impostos extraordinários.
40. (FCC/AFR/2013) Durante o julgamento no tribunal
c) a União pode instituir impostos não previstos na administrativo de recurso interposto por contribuinte
Constituição, mesmo que, pela excepcionalidade, contra decisão de la Instância administrativa que rati-
tenham fato gerador e base de cálculo de impostos ficou as exigências constantes de auto de infração, os
iguais aos existentes na Constituição Federal. quatro julgadores administrativos, após debates, não
d) são estabelecidas normas gerais em matéria tri- chegaram a uma conclusão sobre as circunstâncias
butária, dentre elas a definição dos tributos e suas materiais do fato narrado na acusação, necessárias para
espécies, bem como, são instituídos os impostos a qualificação da penalidade cominada ao contribuinte.
discriminados na Constituição com os respectivos Em face de dúvida presente em situação hipotética,
fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. como a apresentada, deverá a lei tributária que define
infrações ser interpretada
e) são previstas as percentagens de repartição de
receita tributária entre a União, Estados, Distrito a) pelo método teleológico, pois é a técnica pela qual
Federal e Municípios. o intérprete procura o sentido da regra jurídica
verificando a posição em que esta se encarta no
diploma legal e as relações desta com as demais
regras no mesmo contidas.
O Nota dos autores: nessa questão, o examinador
b) da maneira mais favorável ao acusado, da mesma
explora as competências que foram reservadas à lei
forma que seria feito se houvesse dúvida quanto à
complementar na CF. De acordo com o contexto da pre-
capitulação legal do fato.
visão constitucional, a lei complementar aprovada pelo
Congresso Nacional poderá ter caráter federal (aplicá- c) da maneira menos favorável ao acusado, haja
vel apenas no âmbito da União) ou nacional (aplicável vista o interesse público se sobrepor ao privado,
a todos os entes da Federação, a todos os Estados ou a mormente quando se trata de tributos, espécie de
todos os Municípios). receita pública decorrente.
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d) sem que haja qualquer benefício ou prejuízo ao Alternativa "e": o conceito apresentado refere-se
acusado, dado que a responsabilidade por infra- à interpretação teleológica, que leva em conta a finali-
ções da legislação tributária independe da intenção dade da norma. Diferentemente, a interpretação siste-
do agente e da efetividade, natureza e extensão dos mática refere-se ao método que considera a posição em
efeitos do ato. que a norma se encarta no diploma legal e as relações
desta com as demais regras no mesmo contidas.
e) pelo método sistemático, pois é a técnica que
empresta maior relevância ao elemento finalístico,
buscando o sentido da regra jurídica tendo em vista 41. (FCC/AFR/2009) i: correto afirmar que a:
o fim para o qual ela foi elaborada . a) analogia é forma de interpretação da norma jurí-
dica e o seu emprego poderá resultar na exigência
COMENTÁRIOS de tributo não previsto em lei.
O Nota dos autores: o examinador apresenta b) equidade é forma de interpretação da norma jurí-
nessa questão um caso concreto em que há dúvida dica e o seu emprego poderá resultar na dispensa
quanto à aplicação da norma tributária, por parte de do pagamento de tributo devido.
órgão de julgamento administrativo. Nesses casos,
c) analogia é forma de integração da norma jurídica
aplica-se a norma que especifica no campo tributário
e o seu emprego poderá resultar na exigência do
a tradicional regra hermenêutica do in dubio pro reo,
tributo não previsto em lei.
tratada pela doutrina como in dubio pro contribuinte,
estabelecida no artigo 112 do CTN, segundo o qual a lei d) equidade é a forma de integração da norma jurídica
tributária que define infrações, ou lhe comina penalida- e o seu emprego poderá resultar na dispensa do
des, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao pagamento de tributo devido.
acusado, em caso de dúvida quanto: 1 - à capitulação e) analogia é a forma de integração da norma jurídica
legal do fato; li - à natureza ou às circunstâncias mate- e o seu emprego não poderá resultar na exigência
riais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; de tributo não previsto em lei.
Ili - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à
natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. COMENTÁRIOS
Alternativa correta: letra "b": realmente, havendo O Nota dos autores: a par das regras da Lei de
dúvidas sobreas circunstâncias materiais do fato nar- Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-
rado na acusação ou quanto à capitulação do fato, a lei -lei 4.657/42), o CTN estabelece disposições específicas
tributária que define infrações deve ser interpretada de a respeito de integração e interpretação da legislação
maneira mais favorável ao acusado (CTN, art. 112, 1e li). tributária. A integração consiste na tarefa de colmatar
Alternativa "a": além de não encontrar respaldo lacunas, mediante a qual a legislação é aplicada com o
no artigo 112 do CTN, a assertiva do examinador tam- auxílio de critérios para suprir situações sobre as quais
bém peca por caracterizar incorretamente o método a legislação deixou de dispor. No direito tributário, a
teológico, que leva em conta apenas finalidade da integração é tarefa de qualquer autoridade competente
norma. A posição no diploma legal e relações com as para aplicação da legislação tributária, seguindo crité-
suas demais regras diz respeito ao método de interpre- rios sucessivos estabelecidos no artigo 108 do CTN. Já a
tação sistemático. interpretação diz respeito ao raciocínio lógico-jurídico
desenvolvido para compreensão do conteúdo e alcance
Alternativa "c": a supremacia do interesse público de uma norma jurídica ou de um conjunto dessas nor-
sobre o interesse privado é um preceito mais afeto ao mas, visando à correta aplicação da legislação. Em
Direito Administrativo. No campo tributário, embora o matéria tributária, os artigos 109 a 112 do CTN estabele-
interesse público esteja presente, imperam princípios cem inúmeras regras de interpretação normativa.
próprios, como o do in dubio pro contribuinte na intepre-
tação das normas que versam sobre infrações e penali- Alternativa correta: letra "e": é a opção correta
dades. Dessa forma, não deve-se interpretar a norma de porque, nos termos do artigo 108, inciso 1, do CTN, a
maneira mais favorável ao acusado, e não "menos favo - analogia é o primeiro critério de integração das normas
rável, como afirmado pelo examinador. Outro equívoco jurídicas tributárias, porém, conforme o§ 1° do mesmo
da alternativa é tratar o tributo como "receita pública artigo, seu emprego não poderá resultar na exigência
decorrente", pois o tributo é sim uma receita pública de tributo não previsto em lei.
Indireta. Alternativa "a": está incorreta por dois motivos.
Primeiro, ignora totalmente a regra de que, na integra-
Alternativa "d": não é uma norma sobre intepre-
ção das normas tributárias, o emprego da analogia não
tação da legislação tributária a regra segundo a quala
poderá resultar na exigência de tributo não previsto em
responsabilidade por infrações independe da intenção
lei (CTN, art. 108, § 1°). E segundo, afirma que a analogia
do agente e da efetividade, natureza e extensão dos
seria uma forma de interpretação da norma tributária.
efeitos do ato. Essa regra, prevista no artigo 136 do CTN,
é de responsabilidade tributária por infrações e não de Alternativa "b": também está incorreta por dois
interpretação da norma tributária em caso de dúvida, motivos. Primeiro, ignora totalmente a regra de que, na
situação regida pelo artigo 112 do CTN. integração das normas tributárias, o emprego da equi-
Capítulo 4- Legislação Tributária 507

dade não poderá resultar na dispensa do pagamento de belecida no artigo 49, inciso 1da CF. Alternativa incor-
tributo devido (CTN, art. 108, § 2°). E segundo, afirma reta.
que a equidade seria uma forma de interpretação da
Alternativa "d": emana de apenas uma das casas
norma tributária.
do Congresso Nacional, isto é, o Senado, o que não con-
Alternativa "c": embora agora enquadre correta- diz com a competência estabelecida no artigo 49, inciso
mente a analogia como forma de integração da norma 1da CF, que é do Congresso Nacional. Está incorreta.
tributária, ainda ignora totalmente a regra de que, na
Alternativa "e": alternativa incorreta, uma vez que,
integração das normas tributárias, o emprego da ana-
no âmbito de competência do Congresso Nacional, a
logia não poderá resultar na exigência de tributo não
exigência de lei complementar constitui matéria de
previsto em lei (CTN, art. 108, § 1°).
expressa reserva constitucional, o que não ocorre em
Alternativa "d": embora agora enquadre correta- relação à competência atribuída ao Congresso Nacional
mente a equidade como forma de integração da norma pelo artigo 49, inciso 1da CF.
tributária, ainda ignora totalmente a regra de que, na
integração das normas tributárias, o emprego da equi- 43. (FCC/AFR/2006) Ao se referir à interpretação e
dade não poderá resultar na dispensa do pagamento de integração da legislação tributária, o Código Tributário
tributo devido (CTN, art. 108, § 2°). Nacional determina expressamente:
a) O emprego da analogia poderá resultar na exigên-
42. (FCC/AFR/2006) Os tratados e convenções inter- cia de tributo não previsto em lei.
nacionais, relacionados com tributo, são Fontes formais
primárias do Direito Tributário e ingressam em nosso b) Os princípios gerais de direito privado utilizam-
ordenamento jurídico através de -se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
alcance de seus institutos, conceitos e formas, inclu-
a) decreto-lei. sive para a definição dos respectivos efeitos tributá-
rios.
b) lei delegada.
c) Na ausência de disposição expressa, a autoridade
c) decreto legislativo.
competente para aplicar a legislação tributária uti-
d) resolução do Senado. lizará, sucessivamente, na ordem indicada, a equi-
dade, os princípios gerais de direito tributário, os
e) lei complementar. princípios gerais de direito público e a analogia.

COMENTÁRIOS d) Interpreta-se literalmente a legislação tributária


que disponha sobre suspensão ou exclusão do cré-
Alternativa correta: letra "c": Os tratados e con- dito tributário e sobre a dispensa do cumprimento
venções internacionais, nos termos do artigo 96 do CTN, de obrigações acessórias.
são fontes formais primárias do Direito Tributário. A
e) O emprego da equidade poderá resultar na dis-
competência para resolver definitivamente sobre inter-
pensa do pagamento de tributo devido.
nalização desses diplomas normativos é exclusiva do
Congresso Nacional (CF, art. 49, 1). Logo, o instrumento
COMENTÁRIOS
normativo hábil é o decreto legislativo que, nos termos
do artigo 109, inciso li do Regimento Interno da Câmara O Nota dos autores: o CTN dedica os artigos 107
dos Deputados e do artigo 213, li do Regimento Interno a 112 ao tema da interpretação e integração da legis-
do Senado Federal, é o veículo normativo destinado lação tributária. Interpretar diz respeito ao raciocínio
a matérias de competência exclusiva do Congresso tendente a definir o sentido e o alcance de uma norma
Nacional, isto é, aquelas que independem de sanção do jurídica veiculada na legislação. E integrar refere-se à
Presidente da República. Além disso, o artigo 172, inciso tarefa de colmatar, isto é, preencher lacunas deixadas
li, alínea "c" do Regimento Interno do Senado Federal pelo legislador na ordem jurídica.
também faz expressa menção ao decreto legislativo
referente a tratado, convênio ou acordo internacional. Alternativa correta: letra "d": está correta porque
repete literalmente duas das hipóteses previstas no
Alternativa "a": está errada pois.além de emanar artigo 111, do CTN em que a interpretação da legislação
do Poder Executivo, contrariando o artigo 49, inciso 1da tributária deverá ser literal (incisos 1e Ili). A outra hipó-
CF, o decreto-lei constitui espécie normativa não con- tese é o inciso li do artigo 111 do CTN, segundo o qual
templada na ordem constitucional atual. também se interpreta literalmente a legislação tributá-
ria que disponha sobre outorga de isenção.
Alternativa "b": ainda que a lei delegada sejaela-
borada pelo Presidente da República por delegação do Alternativa "a": a analogia é o primeiro critério
Poder Legislativo (CF, art. 68), não constitui instrumento a que recorrerá a autoridade competente na tarefa
hábil a promover o ingresso de tratados e convenções de integração da legislação tributária (CTN, art. 108,
internacionais, pois a participação do Presidente da 1). Porém, ao contrário do que afirma o examinador, o
República em seu processo legislativo contraria a exclu- emprego da analogia não poderá nunca resultar na exi-
sividade de competência do Congresso Nacional esta- gência de tributo não previsto em lei (CTN, art. 108, § 1°).
508 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa "b•: incorreta por contrariar parcial- banca, é a sutil, mas indevida, inserção do tributo entre
mente o disposto no artigo 109 do CTN. t verdade que as exigências que se excluem pela observância das nor-
os princípios gerais de direito privado utilizam-se para mas complementares. Consoante artigo 100, parágrafo
pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de único do CTN, são as penalidades e os acessórios (juros
seus institutos, conceitos e formas, masnio para a defi- de mora e atualização monetária) que ficam excluídos
nição dos respectivos efeitos tributários. pela observância das normas complementares, mas
isso sempre sem prejuízo do cumprimento da obriga-
Alternativa "c": está errada porque subverte a
ção tributária principal, correspondente ao pagamento
ordem dos critérios de integração da legislaçâo esta-
do tributo.
belecida pelo legislador no artigo 108, do CTN. Na
verdade, em caso de ausência de disposição expressa, Alternativa "a": de fato, consoante, artigo 100,
a autoridade competente para aplicar a legislação tribu- inciso Ili do CTN, atos normativos expedidos pelas auto-
tária utilizará, sucessivamente, os critérios citados pelo ridades administrativas são normas complementares
examinador, mas a ordem indicada no referido dispo- das leis, dos tratados e das convenções internacionais
sitivo do CTN é outra, qual seja: a analogia, os princí- e dos decretos.
pios gerais de direito tributário, os prindpios gerais de
Alternativa "c": essa alternativa transcreve literal-
direito público e a equidade.
mente o que dispõe o artigo 96 do CTN sobre as fontes
Alternativa "e": embora a autoridade possa sim do direito tributário.
recorrer à equidade na tarefa de integração da legisla-
ção tributária (CTN, art. 108, IV), ao contrário do que afir- Alternativa "d": outra transcrição praticamente
literal do que dispõe o CTN, desta feita o artigo 99 do
mado, o emprego da equidade não poderá resultar na
dispensa do pagamento do tributo devido, consoante CTN, o dispositivo deixa claro que os decretos não
podem contrariar ou extrapolar os limites do que dis-
expressamente disposto no artigo 108, § 2°, do CTN.
põe a lei tributária.

44. (FCC/AFR/2006) Com base no Código Tributário Alternativa "e": similar às alternativas anteriores,
Nacional, é INCORRETO afirmar: também repete os mesmos termos utilizados pelo legis-
lador no artigo 98 do CTN para dispor sobre os tratados
a) Os atos normativos expedidos pelas autoridades
e convenções internacionais.
administrativas são normas complementares das
leis, dos tratados e das convenções internacionais e
dos decretos. 45. (CETRO - Auditor Fiscal Tributário Municipal -
Campinas/2011) A respeito da Legislação Tributária,
b) A observância das normas complementares {CTN, analise as assertivas abaixo.
art.100) exclui a imposição de penalidades, a
cobrança de tributo e de juros de mora e a atuali- 1. A Legislação Tributária dos Estados, do Distrito
zação do valor monetário da base de cálculo do tri- Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos
buto. respectivos territórios, nos limites em que lhe reco-
nheçam extraterritorialidade os convênios de que
c) A expressão "legislação tributária" compreende as participem, ou do que disponham o CTN ou outras
leis, os tratados e as convenções internacionais, os leis de normas gerais expedidas pela União.
decretos e as normas complementares que versem,
no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurí- li. A Lei aplica-se a ato ou fato pretérito em qualquer
dicas a eles pertinentes. caso, quando seja expressamente interpretativa,
excluída a aplicação de penalidade à infração dos
d) O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se dispositivos interpretados.
aos das leis em função das quais sejam expedidos,
Ili. Na interpretação da Legislação Tributária, o
determinados com observância das regras de inter-
emprego da analogia não poderá resultar na exi-
pretação estabelecidas no CTN.
gência de tributo não previsto em lei.
e) Os tratados e as convenções internacionais revo-
É correto o que se afirma em
gam ou modificam a legislação tributária interna, e
serão observados pela que lhes sobrevenha. a) 1, apenas.
b) 1e li, apenas.
c) li, apenas.
O Nota dos autores: entre os artigos 96 a 100, o
d) Ili, apena s.
CTN dispõe sobre os veículos normativos da legislação
tributária, isto é, as fontes formais do direito tributário e) l, 11 e Ili.
consoante classificação doutrinária. Ciente d isso, o can -
didato devia estar atento para exigência do examinador
nessa questão, que era de que se assinalasse a afirma-
O Nota dos autores: eis uma questão bastante
tiva incorreta à luz do CTN.
eclética sobre legislação tributária. Envolve interpreta-
Alternativa correta: letra "b": o que invalida essa ção, integração, vigência e aplicação da norma tributá-
afirmação e a torna a alternativa incorreta exigida pela ria.
Capítulo 4- Legislação Tributária 509

Alternativa correta: letra ue". aplicação da legislação. Em matéria tributária, os artigos


109 a 112 do CTN estabelecem inúmeras regras de inter-
Item 1. Correto. A afirmação repete literalmente o
pretação normativa.
que dispõe o artigo 102 do CTN. Tal artigo fundamenta a
hipótese excepcional de extraterritorialidade da norma Alternativa correta: letra "b": a lei tributária não
tributária. pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de ins-
titutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados,
Item li. Correto. Afirmação correta por contem-
expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal,
plarcom exatidãoa regra excepcional de retroatividade
pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas
normativa prevista no artigo 106, inciso I, do CTN.
do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou
Item Ili. Correto. A restrição ao uso da analogia limitar competências tributárias (CTN, art. 110). Logo, a
exposta pelo examinador, isto é, não resultar na exigên- lei que alterou o conteúdo e o alcance do instituto jurí-
cia de tributo não previsto em lei, está expressamente dico da doação não poderia ter sido criada pelo muni-
contemplado no artigo 108, § 1°, do CTN. cípio.
Alternativa "a": o ITBI é de competência Municipal
46. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal - e do Distrito Federal (e não Estadual), conforme previsto
SP/2012) Um município brasileiro, desconsiderando nos artigos 147 e 156, inciso li, da CF. Alternativa incor-
as regras de direito privado a respeito de transmissões reta.
onerosas e doações de bens e direitos, inseriu, na lei
Alternativa "c": embora o ITBI seja de competência
ordinária que instituiu o ITBI naquele município, uma
municipal, a lei não poderia ter sido criada, uma vez que
regra jurídica que equiparava as doações de imóveis,
alterou o conteúdo e o alcance do instituto jurídico da
feitas entre parentes em linha reta e entre parentes em
doação para equipará-lo a uma transmissão onerosa, o
linha colateral, até o terceiro grau, a transmissões one-
que é vedado pelo artigo 100 do CTN. Portanto, alterna-
rosas e, com base nessa norma legal, passou a cobrar o
tiva incorreta.
ITBI sobre essas transmissões.
Alternativa "d": saltam aos olhos duas vicissitudes
Nesse caso, a norma municipal acima referida
na alternativa, a primeira diz respeito à competência
a) não poderia ter sido criada pelo município, pois é para instituição do ITBI (que é municipal e do Distrito
competência dos Estados, e não dos municípios, Federal e não estadual, como o texto dá a entender) e
legislar sobre o ITBI. a segunda refere-se à possibilidade de delegação de
competência tributária (que na verdade é indelegável,
b) não poderia ter sido criada pelo município, pois ela
nos termos do artigo 7° do CTN).
fere norma geral de direito tributário que impede
que a pessoa jurídica de direito público edite norma Alternativa "e": mais uma vez a alternativa dá a
para alterar a definição, o conteúdo e o alcance de entender que o ITBI é de competência estadual, quando
institutos, conceitos e formas de direito privado, é municipal e do Distrito Federal (CF, arts. 147 e 156, li).
utilizados, expressa ou implicitamente, pela Consti-
tuição Federal, para definir ou limitar competências 47. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal -
tributárias. SP/2012) Uma lei hipotética do município de São Paulo
c) poderia ter sido criada pelo município, pois é com- reduziu de 50% para 30% o percentual da penalidade
petência dos municípios legislar sobre o ITBI. aplicável ao sujeito passivo que descumpriu uma deter-
minada obrigação tributária.
d) poderia ter sido criada pelo município, desde que o
município firmasse convênio com o Estado no qual Esse novo percentual de penalidade se aplica
ele está localizado, transferindo a competência tri- a) apenas às infrações cometidas após a data em que
butária do Estado para a competência tributária do essa lei entrou em vigor.
município. b) apenas às infrações cometidas antes da data em
e) poderia ter sido criada pelo município, desde que o que essa lei entrou em vigor.
município firmasse convênio com o Estado no qual c) em relação às infrações cometidas tanto antes,
está localizado, transferindo a competência tribu- como depois, da data em que essa lei entrou em
tária do Estado para a do município e promovendo vigor.
repartição de receita com o ente estadual, de modo d) em relação a todas as infrações cometidas depois
que este recebesse em repasse a mesma importân-
da entrada da lei em vigor e, em relação àquelas
cia que receberia se a operação tivesse sido tribu-
cometidas antes dessa data, somente em relação
tada pelo ITCMD.
aos processos não definitivamente julgados.
COMENTA RIOS e) em relação a todas as infrações cometidas depois da
entrada da lei em vigor e, em relação àquelas come-
O Nota dos autores: a interpretação diz respeito tidas antes dessa data, somente em relação aos pro-
ao raciocínio lógico-jurídico desenvolvido para com- cessos não definitivamente julgados e desde que a
preensão do conteúdo e alcance de uma norma jurídica nova lei mencione expressamente produzir efeitos
ou de um conjunto dessas normas, visando à correta retroativos.
510 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

COMENTARIOS pela lei, mas que seriam semelhantes a fatos gera-


dores legalmente previstos.
O Nota dos autores: pelo princípio da irretroativi-
b) não merece reparos, porém, neste caso, deve o con-
dade da norma tributária (CF, art. 150, Ili, "a" c/c CNT, art.
tribuinte pleitear a aplicação da equidade, tendo
105), em regra, a legislação tributária não se aplica a atos
em vista ser dispensado do pagamento do tributo
ou fatos pretéritos. Exceções à regra estão previstas no
devido.
artigo 106 do CTN e a maioria delas diz respeito a atos
ou fatos não julgados definitivamente, em matéria de c) está em desconformidade com a legislação, porém,
infrações e penalidades para beneficiar o infrator (CTN, nesse caso, deve o contribuinte se conformar com
art. 106, li). o lançamento efetuado, tendo em vista sua legali-
dade, somente restando a ele se socorrer dos prin-
Alternativa correta: letra "d": o artigo 106, inciso
cípios gerais de direito tributário, a fim de minorar
li, alínea "c" do CTN preconiza a retroatividade benigna
os efeitos da cobrança.
da norma tributária no que tange à redução de penali-
dades por infrações, desde que o ato não esteja defini- d) está em desconformidade com a legislação e, em
tivamente julgado. razão disso, o contribuinte tem a possibilidade de
se insurgir contra o lançamento efetuado, alegando
Alternativa "a": incorreta, pois o CTN admite a
que não se pode exigir imposto não previsto em lei,
retroatividade benigna da lei tributária que traga pena-
por meio de analogia.
lidade menor que a prevista na lei anterior, desde que
o processo ainda não esteja definitivamente julgado e) está em desconformidade com a legislação, porém,
(CTN, art. 106, li, "c"). neste caso, deve o contribuinte se conformar com
o lançamento efetuado, tendo em vista sua legali-
Alternativa "b": incorreta, pois a aplicação da
dade, somente restando a ele se socorrer dos prin-
nova lei dar-se-á retroativamente aos casos não defi-
cípios gerais de direito público, a fim de minorar os
nitivamente julgados e aos fatos ocorridos após a sua
efeitos da cobrança.
vigência, já que a legislação tributária aplica-se imedia-
tamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes
COMENTARIOS
(CTN, art. 105).
Alternativa "c": incorreta, no tocante às infrações O Nota dos autores: a analogia, os princip1os
cometidas antes da vigência da lei. Das infrações come- gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito
tidas antes da vigência da lei, a aplicação retroativa res- público e a equidade são meio de integração da norma
tringe-se aos processos não definitivamente julgados. tributária previstos no artigo 108 do CTN, dos quais a
autoridade competente para aplicação da legislação
Alternativa "e": incorreta, no ponto que exige que tributária deve dispor sucessivamente e nessa ordem. A
a lei nova mencione expressamente que produzirá efei- analogia é um raciocínio por meio de um exemplo, utili-
tos retroativos. Na verdade, não há exigência legal para zando-se em problemas semelhantes a mesma resposta
essa menção. prevista expressamente na norma para um deles.
Alternativa correta: letra "d": o CTN impõe restri-
48. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal -
ção ao uso da analogia, isto é, seu uso não pode resultar
SPl2012) Legislações municipais brasileiras estabele- na exigência de tributo não previsto em lei (CTN, art.
cem a incidência do 155 nas prestações de serviços de
108, § 1°).
"alfaiataria e costura, quando o material for fornecido
pelo usuário final, exceto aviamento". Alternativa "a": errada, haja vista que a cobrança
do tributo relatada no enunciado está fundamentada
Órgãos de fiscalização de alguns municípios, des-
na analogia, o que é vedado pelo sistema jurídico
considerando a própria restrição contida nesse dispo-
vigente (CTN, art. 108, § 1°).
sitivo da lei complementar federal e de sua própria lei
municipal, expediram notificação do lançamento do Alternativa "b": o CTN impõe restrição ao uso da
155, reclamando o tributo também sobre as prestações equidade, isto é, seuemprego não pode resultar na dis-
de serviços de alfaiataria e costura, inclusive nos casos pensa do pagamento devido (CTN, art. 108, § 2°).
em que o material utilizado nessa prestação não tenha
Alternativas "e" e "e": incorretas e incongruentes.
sido fornecido pelo usuário final. A justificativa legal
Se a premissa de ambas é a de que a exigência está em
para sua cobrança foi o uso da analogia prevista no CTN,
desacordo com a legislação, a consequência é que, em
pois, no entender daquelas autoridades municipais, as
regra, cabe ao contribuinte o direito de defesa (e não
prestações de serviços em que o material é fornecido
meramente se conformar com a exigência indevida).
pelo consumidor final são análogas àquela em que o
referido material não é fornecido.
49. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal -
Nesse caso, a ação dos órgãos de fiscalização muni-
SPl2012) A autoridade competente para aplicar a lei
cipal, tributária municipal, estando diante de norma legal a
a) não merece reparos, tendo em vista a possibilidade partir da qual se podem erigir diferentes interpretações,
de se cobrar tributos para fatos não contemplados deverá interpretá-la de maneira mais favorável ao
Capítulo 4- Legislação Tributária 511

a) acusado, quando essa lei tributária estiver defi- c) é matéria de lei ordinária, mas fixar a alíquota delas
nindo infrações ou cominando penalidades. é matéria tanto de lei complementar como de lei
ordinária.
b) contribuinte, no tocante à alíquota e à base de cál-
culo aplicáveis a um determinado tributo. d) é matéria tanto de lei complementar como de lei
ordinária, mas fixar a alíquota delas é matéria ape-
c) contribuinte acusado, no tocante à alíquota e à base nas de lei ordinária.
de cálculo aplicáveis a um determinado tributo,
bem como às penalidades passíveis de imposição a e) é matéria de lei complementar e fixar a alíquota
ele. delas é matéria de lei ordinária.

d) contribuinte, no tocante à alíquota aplicável a um COMENTÁRIOS


determinado tributo.
O Nota dos autores: nessa questão o examina-
e} sujeito passivo de obrigação acessória, quanto à dor apresenta um hipotético caso concreto em que um
extensão dos prazos para cumprimento de obriga- Município, não obstante tenha criado por lei uma taxa,
ção acessória. deixou para o decreto regulamentador a fixação de
sua alíquota e base de cálculo. O próprio examinador
COMENTÁRIOS admite que a lei não poderia ter atribuído ao decreto
essa competência, conduzindo o candidato a assinalar
O Nota dos autores: a lei tributária que define
a alternativa que justifica corretamente essa impossibi-
infrações, ou lhe comi na penalidades, deve ser interpre-
lidade.
tada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de
dúvida, quanto: 1-à capitulação legal do fato; li -à natu- Alternativa correta: letra "a": de fato, nos termos
reza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natu- do artigo 97, inciso IV do CTN e coerente com o artigo
reza ou extensão dos seus efeitos; Ili - à autoria, imputa- 150, inciso 1, da CF, somente a lei (ordinária) pode deter-
bilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade minar a base de cálculo e fixar a alíquota de um tributo.
aplicável, ou à sua graduação (CTN, art. 112). Portanto, a
Demais alternativas: estão todas incorretas, por
interpretação mais favorável ao sujeito passivo é aplicá-
conterem afirmações indevidas no sentido de que a
vel apenas em matéria de infrações e penalidades, não
fixação da alíquota, a definição da base de cálculo, ou
servindo, por exemplo, para definir se o contribuinte
ambas, seriam matérias de competência da lei com-
deve ser tributado ou se uma obrigação acessória deve
plementar, quando, na verdade, cabem apenas às leis
ser cumprida.
ordinárias essas atribuições. É certo que há tributos que,
Alternativa correta: letra ua": de fato, nos ter- segundo a Constituição Federal, devem ser instituídos
mos expostos sobre o artigo 112 do CTN, a autoridade por lei complementar, como é o caso do empréstimo
competente, ao aplicar a lei tributária municipal, deverá compulsório. Não é esse, contudo, o caso das taxas.
interpretá-la de maneira mais favorável ao acusado,
quando essa lei tributária estiver definindo infrações ou 51. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal -
cominando penalidades. SP/2012) Município localizado no Estado de São Paulo
Demais alternativas: estão todas incorretas, por- concedeu, por meio de lei ordinária, isenção do ITBI
que, à revelia do artigo 112 do CTN, fazem referência a para as transmissões imobiliárias, quando, cumulativa-
intepretação da norma de maneira mais favorável ao mente, o adquirente do imóvel fosse pessoa natural, o
sujeito passivo em relação a matérias que não se refe- valor venal do imóvel, no ano da transmissão, não exce-
rem a infrações e penalidades, tais como alíquota, base desse RS 50.000,00 e o referido imóvel tivesse mais de
de cálculo e obrigações acessórias. 20 anos de construção.
Para poder fruir dessa isenção, o interessado, isto
50. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal - é, o adquirente do imóvel, deveria formular, por meio
SP/2012) Um município brasileiro criou, hipotetica- de requerimento escrito, o pedido de isenção do ITBI,
mente, por meio de lei ordinária, uma nova taxa, de juntando a documentação comprobatória do direito de
conformidade com as normas gerais de direito tribu- usufruir o benefício legal.
tário que disciplinam essa matéria, mas deixou para o Um munícipe, interessado em usufruir do referido
decreto regulamentador a fixação de sua alíquota e de benefício, apresentou o referido requerimento, jun-
sua base de cálculo. tando:
A lei em questão não poderia, todavia, ter atribuído 1. cópia do carnet do IPTU, comprovando que o refe-
ao decreto a competência para fixar alíquota e determi- rido imóvel, no exercício anterior ao da transmissão,
nar a base de cálculo da referida taxa, porque determi- tinha valor venal equivalente a RS 49.000,00.
nar a base de cálculo das taxas
li. documentação comprobatória de que o imóvel
a) e fixar a alíquota delas é matéria de lei ordinária. tinha 19 anos de construção.
b) e fixar a alíquota delas é matéria de lei complemen- Ili. documentos comprovando que ele, pessoa natural,
tar. é o adquirente desse imóvel.
512 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Em seu requerimento, explicou que o fato de o os requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos
imóvel não ter mais de 20 anos não deveria impedir o a que se referem e, se for o caso, o seu prazo de duração.
deferimento do pedido de isenção, pois o imóvel estava lnobservadas essas condições e requisitos, como se deu
"tão arruinado", que parecia ter 50 anos de construção. no caso hipotético apresentado, não há mesmo como se
reconhecer o direito à fruição do benefício.
A autoridade municipal competente para apreciar o
referido requerimento e reconhecer ou não a presença Alternativa "a": está errada, pois, como exposto
dos requisitos necessários para o reconhecimento da nos comentários à alternativa correta, pelo narrado no
isenção deverá enunciado da questão, nem todos os requisitos legais
foram satisfeitos, tendo ficado ausentes as provas de
a) deferir o pedido formulado pelo munícipe, por con-
que o imóvel possui mais de vinte anos e também sobre
siderar satisfeitos todos os requisitos legais, pois o
o valor venal no exercício da transmissão do imóvel, já
adquirente é pessoa natural, o valor da transação
que foi juntado o carnet de IPTU do exercício anterior
é inferior a R$ 50.000,00, conforme demonstra o
ao da transmissão.
carnet do IPTU referente ao lançamento feito no
exercício anterior ao da transmissão do imóvel, e o Alternativa "b": errada. Para o deferimento de
estado de conservação do imóvel lhe dá a aparên- uma isenção devem estar satisfeitos todos os requisitos
cia de ter sido construído há mais de 20 anos. legais, não havendo qualquer substrato jurídico norma-
tivo que possa sustentar o reconhecimento de isenção
b) deferir parcialmente o pedido formulado pelo
parcial no caso de satisfação de parte dos requisitos
munícipe e considerar satisfeitos apenas dois dos
legais.
três requisitos legais, reconhecendo ao adquirente
o direito de usufruir apenas 2/3 (dois terços) do Alternativa "e": mais uma alternativa equi-
valor do benefício isencional. vocada, na medida em que propõe uma interpretação
teleológica ou finalística da norma de isenção, quando
c) deferir o pedido formulado, interpretando teleolo- qualquer outorga de isenção deve ser interpretada lite-
gicamente a legislação, para reconhecer que a fina- ralmente (CTN, art. 111, li).
lidade social da isenção deve nortear seu despacho,
não se devendo valorizar em demasia requisitos Alternativa "d": incorreta, porque propõe a utiliza-
formais, tais como a perfeita idade do imóvel ou a ção da analogia para intepretação da norma de isenção,
comprovação do seu valor venal do exercício em o que, além de contrariar a exigência de interpretação
que houve a transmissão do bem. literal do artigo 111, inciso li, do CTN, pretende utilizar
para interpretação da norma tributária o critério da
d) deferir o pedido formulado, aplicando a interpre- analogia que, na verdade, é um dos métodos sucessivos
tação analógica ao caso e reconhecendo que, se previstos para integração da norma tributárià em caso
o imóvel aparenta estar "arruinado", ele tem, por de lacunas (CTN, art. 108, 1), o que não ocorre no caso
analogia com imóveis no mesmo estado, mais de concreto apresentado.
vinte anos, sendo, ademais, irrelevante, que o docu-
mento comprobatório do valor venal do imóvel seja
do ano anterior ao da transmissão do bem. 52. (ESAF - Auditor do Tesouro Municipal -
Natal/2008) O Governador do Estado de Minas Gerais
e) indeferir o pedido formulado pelo munícipe, pois fez publicar, em 6 de novembro de 2007, em atenção
matéria relacionada com a outorga de isenção deve às Constituições Estadual e Federal, medida provisória
ser interpretada literalmente e, se o referido imó- visando à majoração de imposto estadual. A norma
vel, não tem mais de 20 anos de construção, nem entrou em vigor na data de sua publicação. O Poder
a prova de seu valor venal foi feita com carnet do Legislativo Estadual, porém, somente converteu a
IPTU do exercício em que se deu a transmissão do medida provisória em lei no dia 20 de fevereiro de 2008.
imóvel, não há como reconhecer que o interessado Em face da situação hipotética e considerando os parâ-
tenha satisfeito os requisitos legais para fruição do metros de vigência e aplicação da legislação tributária,
benefício isencional. aponte em que data o aumento poderá ser efetiva-
mente cobrado.
a) 10 de janeiro de 2008.
O Nota dos autores: questão típica das provas b) 4 de fevereiro de 2008.
organizadas pela FCC, na qual o candidato deve assina-
lar a alternativa correta relacionada a um caso prático c) 20 de maio de 2008.
apresentado no enunciado. d) 10 de janeiro de 2009.
Alternativa correta: letra ªe": estão corretos os e) 31 de março de 2009.
argumentos dessa alternativa para sustentar o indeferi-
mento do pedido. Primeiro, de fato, nos termos do artigo
111, inciso li, do CTN, deve ser interpretada literalmente
a legislação tributária que disponha sobre outorga de O Nota dos autores: para acertar essa questão,
isenção. E, segundo, à luz do artigo 176 do CTN, a lei da o candidato precisaria utilizar os seus conhecimentos
qual decorre a isenção deve especificar as condições e sobre vigência e aplicação da legislação tributária em
Capítulo 4 - Legislação Tributária 513

matéria de medida provisória. Além disso, tinha que (i) deixe de definir o ato ou fato como infração ou de
se valer do princípio da simetria, para aplicar à medida tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação
provisória estadual mineira do hipotético case, o que ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e
determina a Constituição Federal. não tenha implicado em falta de pagamento de tributo
(extinção da infração / alíneas •a• e "b"); (ii) quando
Alternativa correta: letra "d": nos termos do
passe a cominar penalidade menos severa que a pre-
artigo 62, § 2°, da CF,a medida provisória que implicar
vista na lei vigente ao tempo da sua prática (redução da
na instituição ou majoração de impostos, exceto os
penalidade/ alínea "e").
previstos nos artigos 153, incisos 1, li, IV, V e 154, inciso
li, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte Item li: incorreto. Na verdade, não é em qualquer
(anterioridade) se houver sido convertida em lei até o caso que se aplica retroatividade in bonam partem, mas
último dia daquele em que foi editada (legalidade). No somente quando se tratar de ato não definitivamente
caso concreto apresentado, a medida provisória não foi julgado.
convertida em lei até o final do exercício em que foi edi-
Item Ili: correto.~ a reprodução ipsis literis do artigo
tada, mas só no exercício seguinte, isto é, 2008. Dessa
106, inciso I, do CTN.
forma, deve-se considerar correta a produção de efeito
a partir de 1° de janeiro de 2009, que é o seguinte à data
da conversão em lei. 54. (FCC - Procurador Judicial - Prefeitura Reclfe-
-PE/2014) Considere as seguintes afirmações:
Demais alternativas: nenhuma está de acordo
com o artigo 62, § 2°, da CF. 1. O contribuinte recifense que observar as decisões
colegiadas de órgãos de jurisdição administrativa
municipal, com ou sem eficácia normativa, não
53. (FCC - Procurador Município - Prefeitura Cuia- deve ser penalizado por infração à legislação tribu-
bá-MT/2014) Considere os seguintes itens: tária do Município.
1. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, li. A obediência às práticas reiteradamente observa-
quando lhe comine penalidade menos severa que das pelas autoridades administrativas municipais
a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. recifenses serve de motivação para a exclusão dos
li. Em qualquer caso, quando deixe de tratá-lo como juros de mora em eventuais cobranças por atrasos
contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, no pagamento dos tributos municipais.
desde que não tenha sido fraudulento e não tenha Ili. Eventual convênio celebrado entre o Estado de
implicado em falta de pagamento de tributo. Pernambuco e o Município do Recife é considerado
Ili. Em qualquer caso, quando a lei seja expressamente norma complementar das leis municipais, sendo
interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à que sua observância obsta a eventual imposição de
infração dos dispositivos interpretados. penalidades.

De acordo com o Código Tributário Nacional, há Está correto o que consta APENAS em
possibilidade de retroatividade da aplicação da lei APE- a) li e Ili.
NAS em:
b) 1.
a) li e Ili.
e) li.
b) le Ili.
d) Ili.
e) Ili.
e) 1e Ili.
d) li.
e) 1.
O Nota dos autores: a expressão "legislação tri-
COMENTA RIOS butária" é definida no artigo 96 do CTN e "compreende
as leis, os tratados e as convenções internacionais, os
O Nota dos autores: pelo Princípio da Irretroativi-
decretos e as normas complementares que versem, no
dade da norma tributária (CF, art. 150, Ili, "a" ele CNT, art.
todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a
105), em regra, a legislação tributária não se aplica a atos
eles pertinentes". Já a expressão "normas complemen-
ou fatos pretéritos. Exceções à regra estão previstas no
tares" é definida no artigo 100 do CTN e compreende
artigo 106 do CTN.
"os atos normativos expedidos pelas autoridades admi-
Alternativa correta: letra "b". nistrativas, as decisões dos órgãos singulares ou coleti-
vos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua efi-
Item 1: correto. Exceções à regra da irretroativi-
cácia normativa, as práticas reiteradamente observadas
dade estão previstas no artigo 106 do CTN e a maioria
pelas autoridades administrativas e os convênios que
delas diz respeito a atos pretéritos não julgados defini-
entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal
tivamente, em matéria de infrações e penalidades para
e os Municípios".
beneficiar o infrator (CTN, art. 106, li). A retroatividade in
bonam partem verifica-se nos casos em que a lei nova: Alternativa correta: letra "a".
514 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

Item 1: incorreto. A observância pelo contribuinte COMENTÁRIOS


das decisões colegiadas de órgãos de jurisdição admi-
nistrativa municipal com eficácia normativa tem O Nota dos autores: a par das regras da Lei de
o condão de excluir a imposição de penalidades, a Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-
cobrança de juros de mora e a atualização do valor -lei 4.657/42), o CTN estabelece disposições específicas
monetário da base de cálculo do tributo (CTN, art. 100, a respeito de integração e interpretação da legislação
li e parágrafo único). tributária. A integração consiste na tarefa de colmatar
Item li: correto. A observância pelo contribuinte lacunas, mediante a qual a legislação é aplicada com o
das práticas reiteradamente observadas pelas autori- auxilio de critérios para suprir situações sobre as quais
dades administrativas municipais recifenses tem o con- a legislação deixou de dispor. No Direito Tributário, a
dão de excluir a imposição de penalidades, a cobrança integração é tarefa de qualquer autoridade competente
de juros de mora e a atualização do valor monetário da para aplicação da legislação tributária, seguindo crité-
base de cálculo do tributo (CTN, art. 100, Ili e parágrafo rios sucessivos estabelecidos no artigo 108 do CTN. Já
único). a interpretação diz respeito ao raciocínio lógico jurídico
desenvolvido para compreensão do conteúdo e alcance
Item Ili: correto. São normas complementares das de uma norma jurídica ou de um conjunto dessas nor-
leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos mas, visando à correta aplicação da legislação. Em
decretos os convênios que entre si celebrem a União, os matéria tributária, os artigos 109 a 112 do CTN estabele-
Estados, o Distrito Federal e os Municípios (CTN, art. 100, cem inúmeras regras de interpretação normativa.
IV). A observância das normas complementares exclui a
imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora Alternativa correta: letra "b".
e a atualização do valor monetário da base de cálculo
Item 1: incorreto. O emprego da analogia não
do tributo (CTN, art. 100, parágrafo único).
poderá resultar na exigência de tributo não previsto
em lei (CTN, art. 108, § 1°). Já o emprego da equidade
55. (FCC - Procurador Judicial - Prefeitura Recife- não poderá resultar na dispensa do pagamento de tri-
-PE/2014) Procurador Judicial do Município do Recife, buto devido (CTN, art. 108, § 2°).
recém-empossado no cargo, tem, como sua primeira
tarefa consultiva, efetuar a interpretação de texto legal Item li: incorreto. Segundo o artigo 111, inciso Ili, do
posto à sua apreciação pela Secretaria de Finanças do CTN, "interpreta-se literalmente a legislação tributária
Município. Baseando-se para os fins dessa tarefa apenas que disponha sobre dispensa do cumprimento de obri-
nas regras de interpretação e de integração contidas no gações tributárias acessórias".
Código Tributário Nacional, considere as seguintes afir-
Item Ili: correto. Segundo o artigo 112, inciso Ili, do
mações:
CTN, "a lei tributária que define infrações, ou lhe comina
1. No interesse da arrecadação dos tributos munici- penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao
pais, deve ser empregado pelo Procurador Judicial acusado, em caso de dúvida quanto à autoria, imputa-
o método analógico de integração tributária na exi- bilidade, ou punibilidade".
gência de taxas ainda não previstas em lei; porém,
deve-se evitar a aplicação da equidade na dispensa
56. (FCC - Procurador Judicial - Prefeitura Recife-
de pagamento de tributo devido.
·PE/2014) Procurador Judicial do Município do Recife,
li. Em respeito ao princípio da legalidade, deve-se a fim de não ser surpreendido em suas atividades por
aplicar o método literal de interpretação da legisla- eventuais equívocos quanto à data da entrada em
ção tributária nas outorgas de isenção e, em res- vigor de dispositivos normativos de seu interesse, deve
peito ao princípio da razoabilidade, o método literal ter conhecimento do que dispõe o Código Tributário
não deve ser utilizado na dispensa do cumprimento Nacional sobre a matéria. Partindo de premissa quanto
de obrigações tributárias acessórias consideradas à inexistência de legislação específica em âmbito muni-
de menor importância. cipal em sentido contrário ao ali disposto, em vigor, é
correto afirmar:
Ili. Em caso de dúvida quanto à autoria de infração
prevista em lei tributária, deve o Procurador Judicial a) Decisão de órgão singular de jurisdição administra-
interpretá-la da maneira mais favorável ao acusado. tiva que tenha, legalmente, eficácia normativa
entra em vigor 15 dias após a data de sua publica-
Está correto o que consta APENAS em
ção.
a) li e Ili.
b) Ato normativo expedido pelo Secretário de Finan-
b) Ili. ças do Município adquire vigência 30 dias após a
sua publicação.
c) li.
c) Decisão de órgão singular de jurisdição administra-
d) 1.
tiva que tenha, legalmente, eficácia normativa entra
e) lelll. em vigor 30 dias após a data de sua publicação.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 515

d) Decisão de órgão coletivo de jurisdição administra- ( 1 A natureza jurídica específica do tributo é determi-
tiva que tenha, legalmente, eficácia normativa entra nada pelo fato gerador da obrigação e, para qualifi-
em vigor 4S dias após a data de sua publicação. cá-la, relevante a denominação e demais caracterís-
ticas formais adotadas pela lei.
e) Ato normativo expedido pelo Secretário de
Administração do Município adquire vigência 45 (1 Para a suspensão ou exclusão de crédito tributário
dias após a sua publicação. é possível a interpretação analógica pelo princípio
legal da equidade.
COMENTA RIOS
( ) O emprego da interpretação por equidade não
pode resultar na dispensa do pagamento devido.
O Nota dos autores: especificamente em relação
às normas tributárias, a vigência no tempo submete-se Assinale a sequência correta.
também às disposições dos artigos 103 e 104 do CTN.
a) V,V,F,F,V
Enquanto o artigo 103 regula a vigência das normas
complementares da legislação tributária elencadas no b) V,F,V,F,F
artigo 100, o artigo 104 versa sobre a anterioridade da
e) F,V,F,F,V
norma tributária e deve ser aplicado em consonância
com os dispositivos constitucionais que regem o princí- d) F,V,F,V,V
pio (CF, art. 150, Ili, "b" e "e" e§ 1°).
e) V,V,V,F,F
Alternativa correta: letra ªc": por inteligência do
artigo 103, inciso li e/e artigo 100, inciso li, ambos do COMENTARIOS
CTN, as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de
jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia nor- O Nota dos autores: julgar os cinco itens com V ou
mativa, salvo disposição em contrário, entram em vigor F (verdadeiro ou falso) e assinalar a alternativa cor.tendo
30 (trinta) dias após a data da sua publicação. a sequência correta é uma modalidade de questão bem
frequente nos concursos públicos. Além de adotar essa
Alternativa "a": incorreta, haja vista que o prazo sistemática na questão ora comentada, o examinador
para entrada em vigor é de 30 (trinta) dias e não lS abrangeu diversos assuntos com predomínio do tema
(quinze), nos termos do artigo 103, inciso li ele artigo "legislação tributária".
100, inciso li, ambos do CTN.
Alternativa correta: letra "c".
Alternativa "b": incorreta, haja vista que os atos
Item 1: falso. Embora não possa alterar a definição,
normativos expedidos pelo Secretário de Finanças do
conteúdo e alcance dos institutos de direito privado, é
Município entram em vigor na data de sua publicação
a lei que atribui a eles os respectivos efeitos tributários
e não 30 (trinta) dias a contar da publicação, nos termos
(CTN, art. 110). Nada impede que diferentes institutos
do artigo 103, inciso 1ele artigo 100, inciso 1, ambos do
privados, de conteúdos econômicos distintos, possuam
CTN.
efeitos tributários idênticos. t assim que mercadorias e
Alternativa ªd": incorreta, haja vista que o prazo serviços são conceitos distintos de conteúdos econômi-
para entrada em vigor é de 30 (trinta) dias e não 4S cos diversos, mas pertencem ambos à base de incidên-
(quarenta e cinco), nos termos do artigo 103, inciso li ele cia do ICMS (CF, art. 1SS, li).
artigo 100, inciso li, ambos do CTN. Item 2: verdadeiro. Como a legislação tributária
Alternativa "e": incorreta, haja vista que os atos prevê que os princípios gerais de direito privado utili-
normativos expedidos pelo Secretário de Finanças do zam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
Município entram em vigor na data de sua publicação alcance de seus institutos, conceitos e formas (CTN, art.
e não 4S (quarenta e cinco) dias a contar da publicação, 109), é coerente afirmar que, para efeito da interpreta-
nos termos do artigo 103, inciso 1c/c artigo 100, inciso 1, ção da regra tributária pode, analogicamente, fazer-se
ambos do CTN . o "empréstimo" das definições de institutos jurídicos de
direito privado.

57. (Procurador do Município - Prefeitura Cuiabá- Item 3: falso. Embora seja verdade que a natureza
-MT/2007 - UFMT) A norma tributária deve ser inter- jurídica específica do tributo é determinada pelo fato
pretada por sua própria orientação e por princípios gerador da respectiva obrigação (CTN, 4º caput), deno-
gerais de Direito. Sobre a temática, marque V para as minação e demais características formais adotadas pela
afirmativas verdadeiras e F para as falsas. lei são irrelevantes para qualificar a obrigação tributária
(CTN, art. 4º, 1).
( ) A atribuição de mesmo efeito tributário a diferen-
tes institutos de direito privado depende de lei e de Item 4: falso. Como decorrência do princípio da
que contenham o mesmo conteúdo económico. legalidade (CF, art. 150, 1), apenas a lei pode dispor sobre
exclusão e suspensão do crédito tributário (CTN, art. 97,
( ) Para efeito da interpretação da regra tributária VI), o que afasta a possibilidade de intepretação analó-
pode, analogicamente, fazer-se o "empréstimo" das gica por equidade aventada na assertiva do examina-
definições de institutos jurídicos de direito privado. dor.
516 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

Item 5: verdadeiro. Consoante expressamente con- perfeitamente com o texto da norma do artigo 109 do
templa a norma de integração da legislação tributária CTN.
do artigo 108, § 2º do CTN, o emprego da interpretação
por equidade não pode resultar na dispensa do paga- 59. (Procurador do Município - Prefeitura Florianó-
mento devido. polis-Se /2011 - FEPESE) Assinale a alternativa correta.
a) Interpreta-se literalmente a legislação tributária
58. (Procurador do Município - Prefeitura Curltlba- que disponha sobre dispensa do cumprimento de
-PR/2007 - PUC) Analise as afirmativas abaixo e assi-
obrigações tributárias acessórias.
nale a alternativa correta:
b) Norma legal que altera o prazo de recolhimento da
A legislação tributária dos Estados, do Distrito obrigação tributária se sujeita ao princípio da ante-
Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos rioridade.
respectivos territórios, nos limites em que lhe reco-
nheçam extraterritorialidade os convênios de que c) Constitui majoração de tributo a atualização do
participem, ou do que disponham esta ou outras valor monetário da sua respectiva base de cálculo,
leis de normas gerais expedidas pela União. sujeitando-se ao princípio da estrita legalidade.

li A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se d) São normas complementares de direito tributário a
de ato não definitivamente julgado, quando lhe analogia, os princípios gerais de direito tributário,
comine penalidade menos severa que a prevista na os princípios gerais de direito público e a equidade.
lei vigente ao tempo da sua prática. e) Salvo disposição em contrário, entram em vigor na
Ili O emprego da analogia não poderá resultar na exi- data da sua publicação as decisões dos órgãos sin-
gência de tributo não previsto em lei. gulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a
que a lei atribua eficácia normativa.
IV Os princípios gerais de direito privado utilizam-
-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do COMENTÁRIOS
alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas
não para definição dos respectivos efeitos tributá- O Nota dos autores: eis uma questão bastante
rios. eclética sobre legislação tributária. Envolve interpreta-
ção, integração e aplicação da norma tributária.
Estão corretas as afirmativas:
Alternativa correta: letra "a": está correta por-
a) Apenas as duas primeiras. que repete literalmente uma das hipóteses previstas no
b) Apenas as três primeiras. artigo 111, do CTN em que a interpretação da legislação
tributária deverá ser literal (inciso Ili).
c) Todas.
Alternativa "b": tanto nos termos da CF, como de
d) Apenas as duas últimas. acordo com o CTN, o princípio da anterioridade apli-
e) Nenhuma. ca-se à instituição ou aumento de tributos, nenhuma
aplicabilidade tendo em relação à alteração de prazo de
COMENTA RIOS recolhimento.
Alternativa "c": incorreta, pois não constitui majo-
O Nota dos autores: agora, mais uma questão
ração de tributo, não ferindo o princípio da estrita lega-
em que o examinador apresenta algumas afirmativas
lidade a mera atualização monetária da respectiva base
a serem julgadas e depois solicita que seja assinalada a
de cálculo. A regra é do artigo 97, § 2º, do CTN, cujo sta-
alternativa correta.
tus material de lei complementar lhe permite regular
Alternativa correta: letra "c". Todos os itens limitação constitucional ao poder de tributar (CF, art.
estão corretos. 146,11).
Item 1. Certo. A afirmação repete literalmente o Alternativa "d": errado. Na verdade, a analogia,
que dispõe o artigo 102 do CTN . os princípios gerais de direito tributário, os princípios
gerais de direito público e a equidade são meios de inte-
Item li. Certo. Igualmente pela literalidade, essa
gração da norma tributária previstos no artigo 108 do
afirmação está correta, pois reprisa o texto do artigo
CTN. Lembrando que a integração consiste na tarefa
106, inciso li, alínea "c", do CTN, que preconiza a retro-
de colmatar lacunas, mediante a qual a legislação é
atividade benigna da norma tributária no que tange à
aplicada com o auxílio de critérios para suprir situações
redução de penalidades por infrações.
sobre as quais a legislação deixou de dispor.
Item Ili. Certo. A restrição ao uso da analogia
Alternativa "e": também errado. Por inteligência
exposta pelo examinador, isto é, não resultar na exigên-
do artigo 103, inciso li c/c artigo 100, inciso li, ambos do
cia de tributo não previsto em lei, está expressamente
CTN, as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de
contemplado no artigo 108, § 1º, do CTN.
jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia nor-
Item IV. Certo. Mais uma vez pela literalidade da mativa, salvo disposição em contrário, entram em vigor
lei, está correta a assertiva do examinador, pois coincide 30 (trinta) dias após a data da sua publicação.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 517

60. (Procurador do Município - Prefeitura Londri- 61. (Procurador do Município - Prefeitura Natal-
na-PR/2011 - CONSULPLAN) No que se refere à inter- ·RN/2008 - CESPE) No que concerne às normas gerais
pretação e integração da norma tributária, marque V de direito tributário, cada uma das opções abaixo apre-
para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas: senta uma situação hipotética, seguida de uma asser-
tiva a ser julgada. Assinale a opção que apresenta asser-
( ) Interpreta-se literalmente a legislação tributária
tiva correta.
que disponha sobre suspensão ou exclusão do
crédito tributário, outorga de isenção e dispensa a) Determinado município brasileiro estabeleceu,
do cumprimento de obrigações tributárias aces- por portaria expedida pela secretaria municipal de
sórias. fazenda, que a atualização monetária do IPTU seria
feita com base no índice oficial de correção, acres-
( ) Os princípios gerais de direito privado utilizam-
cido de 0,5% ao mês. Nessa situação, é lícita a alte-
-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
ração feita por portaria, tendo em vista que não se
alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas
trata de majoração de tributo.
não para definição dos respectivos efeitos tributá-
rios. b) Certo município, interpretando dispositivo de
norma federal, passou a não exigir o recolhimento
( ) A lei tributária deve alterar a definição, o conte-
de 155 sobre determinada atividade. Entretanto,
údo e o alcance de institutos, conceitos e formas
após alguns anos, a autoridade fazendária munici-
de direito privado, utilizados, expressa ou impli-
pal, revendo a interpretação originária, considerou
citamente, pela Constituição Federal, pelas Cons-
incidente a exação sobre a referida atividade. Nessa
tituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do
situação, a conduta do contribuinte embasada pela
Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou
interpretação anterior exclui a imposição de pena-
limitar competências tributárias.
lidade, cobrança de juros de mora e atualização
A sequência está correta em: monetária da base de cálculo do 155.

a) V, V, V c) O Brasil celebrou convenção internacional alte-


rando a alíquota dos impostos de importação e
b) F, F, F exportação de determinados produtos negociados
c) F, F, V entre os países signatários. Nessa situação, a altera-
ção da legislação tributária interna dependerá da
d) V, V, F edição de lei ratificando os termos da convenção.

e) F, V, F
" d) Certa norma municipal estabelecia a incidência
de multa moratória de 60% no caso de atraso no
COMENTÁRIOS pagamento após o vencimento da obrigação não
incluída em notificação fiscal de lançamento. João,
O Nota dos autores: mais uma questão em que o sendo cobrado por débito tributário, discutia admi-
candidato deveria julgar as assertivas como verdadeiras nistrativamente a incidência da referida multa, sob
ou falsas e depois assinalar a sequência correta, desta a alegação de violação ao princípio do não confisco.
feita versando sobre o tema intepretação da legislação Nessa situação, se, no curso do procedimento admi-
tributária. nistrativo fiscal, for editada nova norma reduzindo
o valor da multa moratória, sua eficácia não benefi-
Alternativa correta: letra ªd". ciará João.
Item 1: veicula uma assertiva verdadeira, pois
repete exatamente o que o artigo 111, incisos 1 a Ili, do
CTN dispõe a respeito da interpretação literal da legis-
O Nota dos autores: cada alternativa dessa ques-
lação tributária.
tão veicula um caso prático hipotético. A cobrança é que
Item li: outra afirmativa verdadeira por reprisar seja assinalada a alternativa correta à luz das normas
literalmente uma norma do CTN, no caso a veiculada no gerais de direito tributário. De maneira geral, o diploma
artigo 109. de normas gerais explorado nas alternativas é o CTN,
sobre o qual cabem alguns esclarecimentos. É que o
Item Ili: é a única afirmação falsa. De modo dia- CTN, embora seja formalmente uma lei ordinária ante-
metralmente oposto ao afirmado pelo examinador, a rior à Constituição de 1988 (Lei 5.172/66), porque com-
lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo patível com a mesma, com fundamento no artigo 34, §
e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito 5º do ADCT, foi recepcionado com status de lei comple-
privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela mentar pela ordem constitucional vigente (lei material-
Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, mente complementar), uma vez tratar de matérias que
ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Muni- a Constituição Federal reservou à lei complementar de
cípios, para definir ou limitar competências tributárias caráter nacional. Isso porque, além de versar sobre nor-
(CTN, art. 110). mas gerais de direito tributário (CF, art. 146, Ili), ainda
518 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

regula no plano infraconstitucional várias limitações ao a) menos favorável ao réu;


poder de tributar (CF, art. 146, li).
b) mais favorável ao réu;
Alternativa correta: letra ub": com base no
c) mais favorável aos Estados e Municípios;
disposto no artigo 146 do CTN, a conduta do contri-
buinte embasada pela interpretação anterior da auto- d) mais favorável à União, Estados Federados, Municí-
ridade administrativa exclui a imposição de penalidade, pios e Distrito Federal;
cobrança de juros de mora e atualização monetária da
e) menos favorável à União.
base de cálculo do 155. t que, de acordo com a norma
geral veiculada no citado dispositivo, a •modificação COMENTÁRIOS
introduzida, de ofício ou em consequência de decisão
administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adota- O Nota dos autores: à luz do preceito constitucio-
dos pela autoridade administrativa no exercício do lan- nal da presunção de inocência e com base no artigo 112
çamento somente pode ser efetivada, em relação a um do CTN, a legislação tributária, em matéria de infrações,
mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido consagra o princípio do in dubio pro reo (ou especifica-
posteriormente à sua introdução". Em outras palavras, mente in dubio pro contribuinte) segundo o qual a lei
a nova exação decorrente da mudança de posiciona- tributária que define infrações, ou lhe comina penali-
mento oficial da autoridade administrativa municipal dades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acu-
só pode ser exigida quanto a fatos geradores ocorridos sado.
após a veiculação oficial desse novo entendimento.
Alternativa correta: letra "b": é a alternativa cor-
Alternativa "a": Verdade que não se considera reta, pois reflete exatamente a norma do artigo 112 do
majoração de tributoa atualização do valor monetá- CTN.
rio da respectiva base de cálculo (CTN, art. 97, § 2º), de
Demais alternativas todas estão incorretas por
modo que, se fosse apenas uma atualização monetária
inverterem a parte favorecida pela intepretação bené-
com base no índice oficial de correção, não estaria pre-
fica. A letra "a" tira o favorecimento do réu (contribuinte
sente a exigência de lei do artigo 97, caput, do CTN e a
infrator) em caso de dúvida quanto à punibilidade. As
norma poderia ser veiculada por portaria. Entretanto,
letras "c" e "d" favorecem indevidamente os entes tribu-
ao índice oficial de correção, a secretaria municipal da
tantes.
fazenda ainda acrescentou 0,5%, o que importa em tor-
nar o tributo mais oneroso e, com base no§ 1º do artigo Alternativa "e": errada, pois não existe norma que
97 do CTN, constitui majoração de sua base de cálculo. determine o desfavorecimento de algum ente fede-
Daí porque incorreta essa alternativa. rativo, muito menos especificamente a União. O que
determina o artigo 112 é uma interpretação mais favo-
Alternativa uc": está incorreta sob vários pontos
rável ao contribuinte, procedimento hermenêutico que,
de vista. Para começar, os tratados e convenções inter-
por viés lógico de consequência, pode desfavorecer os
nacionais estão compreendidos na expressão "legisla-
entes federativos tributantes, inclusive a União.
ção tributária" (CTN, art. 96). Também, por disposição
expressa do artigo 98 do CTN, revogam ou modificam
a legislação tributária interna e serão observados pela 63. (Procurador do Munlcfplo - Prefeitura Reclfe-
que lhe sobrevenha. Ademais, trata-se de alteração de ·PE/2008 - FCCI A Constituição Federal dispõe que
alíquotas de impostos de importação e exportação, o compete à lei complementar disciplinar normas gerais
que prescinde de lei, consoante artigos 21 e 26 do CTN, em matéria tributária, especialmente sobre definição
exceções ao principio da legalidade coerentes com o § de fato gerador, base de cálculo e contribuintes dos
1ºdo artigo 153 da CF. impostos discriminados na Constituição. Considerando
esta regra, a definição de fato gerador, base de cálculo e
Alternativa "d": embora pela literalidade do texto contribuintes do IPTU está disciplinada:
do artigo 106, inciso li, alínea "c", do CTN, a retroativi-
dade benigna da norma tributária preconizada nessa a) em lei complementar municipal.
alternativa refira-se à redução de penalidades por infra- b) em decreto-lei federal recepcionado como lei com-
ções, as jurisprudências do STF e do STJ assentaram plementar.
interpretação hoje plenamente aceita no sentido de
que a norma mais benigna também retroage nos casos c) no Código Tributário Nacional.
em que houver redução de multas moratórias (por d) no Código Tributário Municipal.
exemplo: STF - RE 79.625, STJ REsp. 802405). Portanto, é
incorreto dizer que a eficácia da nova norma não bene- e) em lei complementar federal específica do IPTU.
ficiária João.

62. (Procurador do Município - Prefeitura Petrópo- O Nota dos autores: o CTN, além de versar sobre
lis-RJ/2012 - DOM CINTRA) O exame da lei tribu- normas gerais de direito tributário (CF, art. 146, Ili), ainda
tária que define infrações, ou prevê penalidades para regula no plano infraconstitucional várias limitações
o acusado, interpreta-se, em caso de dúvida quanto à ao poder de tributar (CF, art. 146, li). Nesse contexto,
punibilidade, da maneira: embora seja formalmente uma lei ordinária anterior à
Capítulo 4 - Legisl ação Tributária 519

Constituição de 1988 (Lei 5.172/66), porque compatível .COMENTÁRIOS


com a mesma, com fundamento no artigo 34, § 5º do
ADCT, foi recepcionado com status de lei complementar O Nota dos autores: a analogia, os princ1p1os
pela ordem constitucional vigente (lei materialmente gerais de direito tributá rio, os princípios gerais de direito
complementar), uma vez tratar de matérias que a Cons- público e a equidade são meio de integração da norma
tituição Federal reservou à lei complementar de caráter tributária previstos no artigo 108 do CTN, dos quais a
nacional. autoridade competente para aplicação da legislação
tributária deve dispor sucessivamente e nessa ordem.
Alternativa correta: letra "c": as normas gerais
em matéria de IPTU, especialmente sobre definição Alternativa correta: letra "d": corresponde exata-
de fato gerador, base de cálculo e contribuintes, estão mente aos meios de integração da legislação tributária,
disciplinados no entre os artigos 32 e 34 do CTN. Esse exatamente na ordem sucessiva disposta no artigo 108
código, como exposto na nota preliminar, constitui uma doCTN.
lei materialmente complementar e, portanto, está apto
Demais alternativas: além de não respeitarem
a veicular normas que a Constituição tenha reservado à
a ordem do artigo 108 do CTN, fazem menção a atos
competência do legislador complementar (CF, art. 146,
expedidos e práticas reiteradas das autoridades admi-
Ili).
nistrativas, que não são meios de integração da legisla-
Alternativas "a" e "d": normas gerais são veicula- ção tributária.
das em lei complementar nacional. Em matéria de tribu-
Alternativa "b": faz menção aos meios corretos de
tos municipais as normas gerais se aplicam a todos os
integração da norma tributária, mas subverte a ordem
Municípios da federação, razão pela qual disposições de
legal do artigo 108 do CTN.
leis municipais, ainda que sejam leis complementares
ou códigos tributários municipais, não podem ser con -
sideradas normas gerais de direito tributário. Flagrante, 65. (Procurador do Município - Prefeitura Rio Bran-
portanto, o equívoco dessas alternativas. co-AC/2007 - CESPE) Julgue os itens seguintes, relati-
vos ao direito tributário, financeiro e orçamentário.
Alternativa "b": não obstante o princípio da
recepção decorrente do artigo 34, § 5° do ADCT, a CF de 1. Suponha-se que a secretaria de fazenda de deter-
1988 não recepcionou nenhum decreto-lei federal que minado município da Federação tenha editado ins-
tivesse caráter nacional e versasse sobre normas gerais trução normativa que trata de aspectos formais do
de direito tributário em matéria de IPTU. Outra alterna- recolhimento do 155. Nessa situação, não havendo
tiva incorreta. disposição em contrário, considera-se que o refe-
rido ato tenha entrado em vigor na data de sua
Alternativa "e": não existe nenhuma lei comple-
publicação.
mentar federal específica sobre IPTU. Ainda que exis-
tisse, deveria veicular normas gerais, isto é, de caráter
COMENTARIOS
nacional e aplicáveis a todos os municípios da federa-
ção. Portanto, essa alternativa também está incorreta. O Nota dos autores: essa questão era composta
por vários itens. Como tradição nos concursos organi-
64. (Procurador do Município - Prefeitura Ribeirio zados pela CESPE, o candidato deveria julgar cada item
Preto-SP/2007 - VUNESP) De acordo com as disposi- como Certo ou Errado. O item ora destacado era o único
ções do Código Tributário Nacional, na ausência de dis- que versava sobre Legislação Tributária. Os demais,
posição expressa, a autoridade competente para aplicar referentes a outros temas, serão analisados nos tópicos
a legislação tributária utilizará, sucessivamente e pela a eles pertinentes.
ordem, Certo. O caso concreto apresentado diz respeito à
a) a analogia; os princípios gerais de direito público; os vigência dos atos normativos expedidos pelas autori -
princípios gerais de direito tributário; os atos expe- dades administrativas (CTN, art. 100, 1) dos quais a ins-
didos pelas autoridades administrativas. trução normativa constitui uma espécie. Dessa forma, a
afirmação está certa na medida em que, nos termos exa -
b) os princípios gerais de direito tributário; os princí- tos do artigo 103, inciso 1, do CTN, realmente esses atos
pios gerais de direito público; a analogia; a equi- normativos entram em vigor na data de sua publicação.
dade.

c) as práticas reiteradas observadas pelas autoridades 66. (Procurador do Município - Prefeitura Salvador-
administrativas; os atos expedidos pelas autorida- -BA/2006 - FCC) Considere as seguintes afirmações:
des administrativas; a analogia; a equidade.
1. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, em qualquer
d) a analogia, os princípios gerais de direito tributário, caso, quando seja expressamente interpretativa,
os princípios gerais de direito público, a equidade. excluída a aplicação de penalidade à infração dos
dispositivos interpretados.
e) os princípios de direito tributário; os princípios
gerais de direito público; os atos expedidos pelas li. A lei tributária retroage quando deixe de definir
autoridades administrativas; a analogia. como infração ato não definitivamente julgado.
520 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite • Thiana Cairo

Ili. A lei tributária é aplicada a ato pretérito, quando COMENTA RIOS


deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigên-
cia de ação ou omissão, inclusive quando houver O Nota dos autores: cumpre lembrar, mais uma
fraude e falta de pagamento de tributo. vez, que o CTN, além de versar sobre normas gerais
de direito tributário (CF, art. 146, Ili), ainda regula, no
No que tange à retroatividade da lei tributária,
plano infraconstitucional, várias limitações ao poder
SOMENTE
de tributar (CF, art. 146, li), vez que recepcionado como
a) 1está correta. lei materialmente complementar pela Constituição de
1988 (ADCT, art. 34, § 5º). Também é importante realçar
b) li está correta.
o conceito de normas gerais de direito tributário como
c) 1e li estão corretas. sendo normas sobre matérias constitucionalmente defi-
nidas, aplicáveis a todos os entes federativos competen-
d) 1e Ili estão corretas. tes para instituir determinado tributo.
e) li e Ili estão corretas. Alternativa correta: letra ue": nos termos da com-
petência estabelecida pelo artigo 146, inciso Ili, alínea
COMENTARIOS "a" da CF, é o CTN, artigos 32 a 34, que define o fato gera-
dor, a base de cálculo e o contribuinte do imposto sobre
O Nota dos autores: mais uma questão para o can-
propriedade territorial urbana.
didato julgar quais assertivas estão corretas e depois
assinalar a alternativa condizente com o julgamento Alternativa ua": à lei complementar cabe estabe-
feito. lecer normas gerais sobre tributos (CF, art. 146, Ili). Para
instituição de tributos quaisquer, como é o caso dos
Alternativa correta: letra ucu. Estão corretos os impostos, a regra é a lei ordinária, como se depreende
itenslell.
das normas que consagram o princípio da legalidade
Item 1. Certo. Afirmação correta por contemplar tributária (CF, art. 150, 1e CTN, art. 97).
com exatidão a regra excepcional de retroatividade nor-
Alternativa "b": não está correto, pois a Lei com-
mativa prevista no artigo 106, inciso I, do CTN.
plementar 116/2003 estabelece normas gerais sobre
Item li. Certo. Outra afirmação correta, pois agora ISSQN, de acordo com a competência estabelecida no
é fielmente enunciada a regra de retroatividade norma- artigo 146, inciso Ili, da CF, bem como define a lista dos
tiva benéfica ao contribuinte em matéria de infrações, serviços de qualquer natureza sujeitos à incidência do
contemplada no artigo 106, inciso li, alínea "a" do CTN. imposto, conforme previsto no artigo 156, inciso Ili, da
CF. Essas normas gerais são aplicáveis a todos os Municí-
Item Ili. Errado. Essa afirmação está errada, uma pios e a instituição do ISSQN cabe à lei de cada Municí-
vez que contraria a ressalva da parte final do artigo 106, pio (CF, art. 150, 1c/c art. 156, Ili).
inciso li, alínea "b" do CTN ("desde que não tenha sido
fraudulento e não tenha implicado em falta de paga- Alternativa "c": a lei complementar de âmbito
mento de tributo"). nacional não fere o princípio federativo. Muito pelo
contrário, milita em seu favor ao estabelecer normas
gerais aplicáveis a todos os entes da federação. Deve-se
67. (Procurador do Município - Prefeitura Salva- distinguir a competência para instituir impostos, que é
dor-BA/2006 - FCC) O art. 146, Ili, •a•, da Constituição privativa de cada ente federativo mesmo, da competên-
Federal estabelece que caberá à lei complementar defi- cia da lei complementar para veicular normas gerais (CF,
nir fato gerador, base de cálculo e contribuintes dos art. 146, Ili).
impostos discriminados na Constituição. Diante disso,
Alternativa "d": como já afirmado, as normas
a) a lei complementar do ente competente deverá, gerais são aplicáveis a todos os entes federativos
por exigência constitucional, ser a fonte instituidora competentes para instituir determinado tributo. Por
de impostos. exemplo, lei complementar estabelece normas gerais
b) a Lei Complementar no 116/03 instituiu o Imposto a serem observadas por todos os Municípios quanto à
sobre Serviços de Qualquer Natureza. instituição do ISSQN (LC 116/2003) e do IPTU (CTN, art.
32 a 34).
c) a lei complementar de âmbito nacional fere o Prin-
cípio Federativo, eis que a competência para insti-
68. (Procurador do Município - Prefeitura Teresina-
tuição de impostos é privativa de cada ente.
·Pl/2010 - FCC) Ao instituir o imposto sobre serviços
d) os entes políticos, no exercício da capacidade tri- de qualquer natureza o Município elenca na lei o rol de
butária, não se sujeitam às regras impostas por lei serviços tributáveis por este imposto. Tratando-se de
complementar nacional, que fixa apenas normas serviço semelhante, mas não previsto expressamente
gerais. nesta lei, o Município
e) o Código Tributário Nacional define o fato gerador, a) não poderá sofrer a incidência deste imposto por-
a base de cálculo e o contribuinte do imposto sobre que é vedada a analogia que resulte na exigência de
propriedade territorial urbana. tributo não previsto em lei.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 521

b) poderá sofrer a incidência deste imposto em vir-


tude da interpretação analógica, aplicável em casos 69. (ESAF - ATRFB - 2009) Consoante o que dispõe
de equidade. o art. 111 do Código Tributário Nacional, interpreta-se
literalmente a legislação tributária que disponha, entre
c) deverá sofrer incidência deste imposto por equi- outros, sobre a outorga de isenção. Tal artigo, embora
dade.já que não se admite interpretação que resulte sofra algumas críticas de parte da doutrina, no sentido
na dispensa do pagamento de tributo devido. de que não se deva lançar mão isoladamente da técnica
d) está obrigado a tributar para evitar caracterização de interpretação literal, vem tendo acolhida em diver-
de renúncia de receita, desde que não altere o con- sos julgados oriundos de tribunais superiores. Como
teúdo e o alcance dos conteúdos legais. exemplos de aplicação de tal princípio, podemos apon-
tar as seguintes situações, com exceção de:
e) poderá sofrer a incidência deste imposto se o ser-
viço não for objeto de tributação por imposto de a) de modo geral, podemos afirmar que é vedada a
competência do Estado, pois neste caso caberá a analogia em legislação que verse sobre a outorga
aplicação da analogia. de isenções.

b) requisitos estabelecidos por ato normativo infrale-


COMENTARIOS
gal, como um Ato Declaratório Normativo expe-
O Nota dos autores: nessa questão, o examina- dido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,
dor cogita da possibilidade do município cobrar ISSQN por exemplo, podem impor restrições válidas, além
sobre serviço semelhante a um previsto na lei municipal daquelas contidas em textos legais, para a fruição
que institui o imposto. Nas alternativas, propõe solu- de benefícios fiscais .
ções com base em supostas normas de integração e
c) não é vedada a ponderação dos elementos sistemá-
interpretação da norma tributária, porém, apenas uma
ticos e finalísticos da norma por parte do aplicador
solução é correta à vista das normas sobre a matéria vei-
do direito.
culadas no CTN.
Alternativa correta: letra "a": de fato, cobrar d) embora o comando legal seja no sentido de que
imposto sobre um fato semelhante ao fato gerador seja dada interpretação literal à legislação que dis-
legalmente previsto configura, perfeitamente, a utiliza- ponha sobre a outorga de isenções, admite-se uma
ção da analogia para a exigência de tributo não previsto interpretação mais ampla da referida norma.
em lei, o que é vedado pelo artigo 108, § lº, do CTN. e) a isenção tributária revela-se instrumento de mate-
Alternativa "b": a analogiaque resulte na exigên- rialização de conveniência política, insuscetível,
cia de tributo não previsto em lei é vedada em qualquer neste aspecto, de controle do Poder Judiciário, na
caso. Não existe a possibilidade sugerida pelo examina- concretização de interesses econômicos e sociais,
dor de interpretação analógica em caso de equidade, estimulando e beneficiando determinadas situa-
sendo totalmente incorreta essa alternativa. ções merecedoras de tratamento privilegiado.

Alternativa "c": embora seja correto que equidade COMENTÁRIOS


não pode resultar na dispensa do pagamento de tributo
devido (CTN, art. 108, § 2º), isso não significa que seja O Nota dos autores: essa questão possui um grau
equânime exigir um tributo por analogia, até porque, de dificuldade muito grande, pois contrapõe posiciona-
repita-se, a analogia não pode resultar na exigência de mentos doutrinários (em regra críticos à interpretação
tributo não previsto em lei. literal da outorga de isenções) e jurisprudência (julga-
Alternativa "d": renúncia de receita é uma exone- dos dos tribunais superiores que prestigiam a referida
ração expressamente prevista em lei, o que se demons- literalidade em alguns casos, notadamente quanto à
trou nos comentários acima não ocorrer no caso ver- impossibilidade de uso da analogia para aplicação de
tente. Outra alternativa incorreta. isenções). Além disso, o candidato deve estar atento à
expressão ·com exceção de" do enunciado, segundo a
Alternativa "e": mais uma vez, o examinador insi- qual deverá assinalar como alternativa correta aquela
nua ser cabível a aplicação da analogia para exigência que estiver errada, isto é, não contiver um exemplo de
de tributo não previsto em lei e, assim, novamente con- aplicação do princípio abordado na questão.
traria o artigo 108, § 1º, do CTN. Além disso, embora os
serviços abrangidos na competência dos Estados para o Alternativa correta: letra "b": a exclusão do cré-
ICMS, que são comunicação e transporte interestadual dito tributário (isenção) é matéria cuja disciplina sujei-
e intermunicipal (CF, art. 155, 11), estejam bem definidos ta-se à estrita legalidade, ou seja, é imprescindível que
na Constituição Federal, aos Municípios não remanesce os seus requisitos para fruição constem no texto legal,
a competência para instituir o ISSQN sobre quaisquer conforme expressamente estipulado nos artigos 97,
outros serviços, mas apenas sobre aqueles definidos em inciso VI e 176 do CTN . Dessa forma, os atos administrati-
lei complementar (CF, art. 156, Ili). Portanto, é absoluta- vos normativos, que são infralegais, tidos como normas
mente errôneo afirmar que um serviço pode ser tribu- complementares à legislação tributária, não têm a prer-
tado pelo Município simplesmente por não ser objeto rogativa de disciplinar assuntos típicos de lei, motivo
de tributação do Estado. pelo qual a alternativa está errada.
522 Alan Martins• Dima s Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa "a": correta, o STJ em várias oportu - COMENTARIOS


nidades posicionou-se pela inaplicabilidade da analo-
gia para concessão de isenção (por exemplo, no RESP O Nota dos autores: atenção que a exigência do
1.089.952/ RJ). examinador nessa questão é que seja assinalada a alter-
nativa que contiver uma afirmação errônea. Quanto
Alternativa ªe": correta, o STJ já decidiu que o "art. ao mérito, o assunto "medida provisória" vez ou outra
111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da permeia as provas da ESAF. O artigo 62 da CF disciplina
norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda o tema. Possui doze parágrafos, todos incluídos pela
conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de Emenda Constitucional 32/2001 . A nova redação dada
apreciar e aplicar as normas de direito, de valer-se de ao citado artigo pela referida emenda extirpou uma das
uma equilibrada ponderação dos elementos lógico-sis- principais dúvidas que pairava sobre o tema, qual seja,
temático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais o cabimento ou não da medida provisória como norma
integram a moderna metodologia de interpretação das instituidora de tributos. Atualmente, o seu parágrafo
normas jurídicas" (RESP 192.531/RS). segundo especifica o cabimento da medida provisória
na função de instituir e majorar impostos. Maiores deta-
Alternativa ªd": correta, é uma mescla dos posi-
lhes nos comentários a seguir.
cionamentos do STJ retrocomentados (alternativas "a" e
"c"), ou seja, admite-se uma interpretação mais ampla Alternativa correta: letra "e": o equívoco está no
na outorga de isenções (tais como os elementos lógi- termo tributo (que é gênero) em vez de ter sido usado o
co-sistemático, histórico e teleológico), porém não se termo impostos (espécie do gênero tributo), conforme
aplica a analogia para estender a aplicação delas. artigo 62, § 2°, da CF. Tal dispositivo constitucional
excepciona dessa regra os impostos de importação (li),
Alternativa "e": correta, em diversos julgados, o de exportação (IE), sobre produtos industrializados (IPI),
STJ decidiu que ·a isenção tributária revela conveniên- sobre operações financeiras (IOF) e extraordinários de
cia política, insuscetível, neste aspecto, de controle pelo guerra.
Poder Judiciário, na concretização de interesses econô-
micos e sociais, estimulando e beneficiando determina- Alternativa "a": correta, vários são os julgados do
das situações merecedoras de tratamento privilegiado STF que apregoam que os requisitos de relevância e
(artigo 176, CTN). Os critérios ensejadores de sua con- urgência para edição de medida provisória são de apre-
cessão, em consequência, não alteram nem identificam, ciação discricionária do chefe do Poder Executivo, não
necessariamente, com os elementos caracterizadores cabendo, salvo os casos de excesso de poder, seu exame
do tributo" (RESP 44.495/RJ). pelo Poder Judiciário (ADI 2150).

Alternativa "b": correta, pois, caso as medidas


provisórias não sejam convertidas em lei no prazo de
70. (ESAF - ATRFB - 2005) Com relação às medidas
sessenta dias (prorrogáveis uma vez por igual período),
provisórias em matéria tributária é errôneo afirmar-se
cabe ao Congresso Nacional disciplinar, por decreto
que:
legislativo, também em sessenta dias, as relações jurídi-
a) o Supremo Tribunal Federal tem entendido que cas decorrentes de tais medidas provisórias.
cabe ao chefe do Poder Executivo e ao Poder Legis-
Alternativa "e": correta, praticamente reproduziu
lativo a avaliação subjetiva das hipóteses de urgên-
a lição de Michel Temer (Elementos de Direito Constitucio-
cia que possam ensejar a edição de medida provisó-
nal. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 1997, p. 153).
ria.
Alternativa "d": co rreta, uma vez que a medida
b) na hipótese de veto do projeto de lei de conversão
provisória não pode versar sobre matérias reservadas à
por parte do presidente da república, a medida lei complementar (CF, art. 62, § 1°, Ili).
provisória deverá ser tida por rejeitada, cabendo ao
Congresso Nacional, em sessenta dias, disciplinar,
por Decreto Legislativo, as relações jurídicas decor- 71. (ESAF - AFRFB - 2005) Leia cada um dos assertos
rentes. abaixo e assinale (V) ou (F), conforme seja verdadeiro
ou falso. Depois, marque a opção que contenha a exata
c) a medida provisória paralisa temporariamente a sequência.
eficácia da lei que versava sobre a matéria, eis que,
caso venha a ser rejeitada, restaura-se a eficácia da ( ) Os convênios reclamam o prévio abono da Assem-
norma anterior. bleia Legislativa, por assimilação deles aos tratados
internacionais que, pela Constituição, necessitam
d) somente poderão ser instituídos ou majorados por da aprovação prévia do Congresso Nacional.
medida provisória aqueles que não dependam de
lei complementar. ( ) A lei instituidora da isenção de mercadorias, mesmo
que nada diga a respeito, é extensiva às mercado-
e) caso instituam ou majorem tributo, só produzirão rias estrangeiras, quando haja previsão da lei mais
efeitos no exercício financeiro seguinte se forem favorecida, porque para não ofender o disposto no
convertidas em lei até o último dia daquele em que art. 98 do CTN ela tem de ser interpretada como
houver sido editada. aplicável a todos os casos que não os ressalvados,
Capítulo 4 - Legislação Tributária 523

em virtude de extensão de isenção pelos tratados a) VF FV


internacionais.
b) F FV F
( ) Os atos administrativos normativos entram em
c) F F VV
vigor, em regra, na data da sua publicação.
d) V FVV
a) F FV
e) V FV F
b) F FF

c) VVV COMENTÁRIOS

d) FVV O Nota dos autores: a ESAF alterou o gabarito


e) VFV dessa questão. Originalmente, constou a letra "b" e por
fim permaneceu a letra "c". Tal medida foi acertada, con-
COMENTARIOS forme detalhado nos seguintes comentários.

Alternativa correta: letra "c":


O Nota dos autores: a ESAF alterou o gabarito
dessa questão. Originalmente constou a letra "a" e por Item 1: falso, pois, nos casos em que se aplica o Prin-
fim permaneceu a letra "d". Tal medida foi acertada, cípio da Anterioridade (nas suas vertentes "do exercício"
conforme detalhado nos seguintes comentários. ou "nonagesimal") a lei tributária, embora vigente, não
possui eficácia, dada a necessidade de aguardar o lapso
Alternativa correta: letra "d":
temporal para produzir efeitos, visando à "não surpresa"
Item 1: falso, inexiste tal exigência seja na Constitui- do contribuinte com a instituição ou a majoração de tri-
ção Federal, seja no CTN, de maneira que os convênios butos. Assim, para a afirmação ser considerada verda-
relacionados ao Direito Tributário estão adstritos à com- deira, teria que ser invertida (é condição de eficácia da
petência do Poder Executivo. lei tributária a sua vigência).

Item li: o gabarito alternou de falso para verda - Item li: falso, uma vez, que no artigo 102, o CTN dis-
deiro, prevalecendo essa posição, ressaltando-se que põe que "a legislação tributária dos Estados, do Distrito
a questão não foi anulada. Ao que tudo indica, entre Federal e dos Municípios vigora, no País, fora dos res-
a lei e a jurisprudência, prevaleceu o entendimento pectivos territórios, nos limites em que lhe reconheçam
jurisprudencial. Noutras palavras, o artigo 111 do CTN extraterritorialidade os convênios de que participem,
determina que sejam interpretadas literalmente as ou do que disponham esta ou outras leis de normas
normas que outorguem isenção, enquanto o STF e o gerais expedidas pela União". Assim, há situação em que
STJ firmaram entendimento, sumulados, no sentido de o CTN permite expressamente a extraterritorialidade.
ampliar as isenções internas às mercadorias similares
Item Ili: verdadeiro. Os "atos expedidos pelas
de origem estrangeira. São os casos das Súmulas 575
autoridades administrativas tributárias" são conside-
do STF ("À mercadoria importada de país signatário do
rados normas complementares das leis, dos tratados e
GATI, ou membro da ALALC, estende-se a isenção do
convenções internacionais e dos decretos (artigo 100,
imposto sobre circulação de mercadorias concedida a
inciso 1, do CTN), o que permite a conclusão de que os
similar nacional") e 20 do STJ ("A mercadoria importada
decretos são hierarquicamente superiores às normas
de país signatário do GATT é isenta do ICM, quando con-
complementares. O artigo 103 do CTN estipula que,
templado com esse favor o similar nacional").
salvo disposição em contrário, os atos administrativos a
Item Ili: verdadeiro, conforme análise literal do que se refere o inciso 1do artigo 100 entram em vigor
artigo 103, Inciso 1, do CTN. na data da sua publicação. Ao fazer a ressalva, o refe-
rido artigo permite que os decretos (hierarquicamente
superiores) disponham sobre o termo inicial da vigência
72. (ESAF - AFRFB - 2005) Considerando os temas
dos atos expedidos pelas autoridades administrativas
"vigência" e "aplicação" da legislação tributária, julgue
tributárias.
os itens a seguir. Marque com (V) a assertiva verdadeira
e com (F) a falsa, assinalando ao final a opção correspon- Item IV: verdadeiro. Originalmente, o gabarito
dente. preliminar contemplou esse item como falso. De forma
acertada, o gabarito final entendeu a afirmação como
( 1 i: condição de vigência da lei tributária a sua eficá-
sendo verdadeira. A irretroatividade da lei tributária é a
cia.
regra adotada pelo CTN, conforme seu artigo 105, per-
( 1 O CTN veda a extraterritorialidade da legislação tri- mitindo, excepcionalmente, a aplicação retroativa em
butária. algumas hipóteses elencadas no artigo 106: (i) em qual-
quer caso, quando seja expressamente interpretativa,
( 1 Não é vedado aos decretos dispor sobre o termo
excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispo-
inicial da vigência dos atos expedidos pelas autori-
sitivos interpretados; (ii) tratando-se de ato não definiti-
dades administrativas tributárias.
vamente julgado, (ii.1) quando deixe de defini-lo como
( 1 O Código Tributário Nacional adota como regra a infração; (ii.2) quando deixe de tratá-lo como contrário a
irretroatividade da lei tributária. qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não
524 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de Item Ili: não, segundo o artigo 155, § 2°, inciso IV, da
pagamento de tributo e (ii.3) quando lhe comine pena- CF, é por resolução do Senado Federal, de iniciativa do
lidade menos severa que a prevista na lei vigente ao presidente da república ou de um terço dos senadores,
tempo da sua prática . aprovada pela maioria absoluta de seus membros, que
serão estabelecidas as alíquotas de ICMS aplicáveis às
73. (ESAF - AFRFB - 2003) Responda com base na operações e prestações, interestaduais e de exportação.
Constituição Federal.
74. (ESAF -AFRFB - 2003) Relativamente à interpreta-
(1 Medida Provisória publicada em 10 de dezembro de
ção e integração da legislação tributária, avalie o acerto
2002 que majorou, a partir de 1° de janeiro de 2003,
das afirmações adiante e marque com V as verdadeiras
o imposto sobre a renda e proventos de qualquer
e com F as falsas; em seguida, marque a opção correta.
natureza de pessoas físicas, mas não convertida em
lei até 31 de dezembro de 2002, continuou a produ - (1 Interpreta-se da maneira mais favorável ao sujeito
zir efeitos a partir de 1° de janeiro de 2003? passivo a legislação tributária que disponha sobre
dispensa do cumprimento de obrigações tributá -
( 1 É admitida a edição de medida provisória para esta-
rias acessórias.
belecer, em matéria de legislação tributária, nor-
mas gerais sobre a definição de base de cálculo do ( ) Os princípios gerais de direito privado utilizam-
imposto de competência da União sobre proprie- -se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
dade territorial rural? alcance de seus institutos, conceitos e formas, bem
assim para definição dos respectivos efeitos tribu-
(1 No tocante ao imposto sobre operações relati·
tários.
vas à clrculaçio de mercadorias e sobre presta·
ções de serviços de transporte interestadual e ( ) Na ausência de disposição expressa, a autoridade
Intermunicipal e de comunicação (ICMS), cabe à competente para aplicar a legislação tributária utili-
lei complementar estabelecer as alíquotas aplicá- zará sucessivamente, na rigorosa ordem, a analogia,
veis às operações e prestações, interestaduais e de os princípios gerais de direito público, os princípios
exportação? gerais de direito tributário e a equidade.
a) Não, não, não a) F-V-F
b) Não, sim, não b) F-F-F
c) Não, não, sim c) F-F - V
d) Sim, não, sim d) V-V-F
e) Sim, sim, não
e) V - F- V
COMENTÂRIOS
li , JI
COMENTÂRIOS
O Nota dos autores: essa questão mescla conhe-
cimentos em duas temáticas, quais sejam, medida pro- O Nota dos autores: a interpretação e a integração
da legislação tributária estão disciplinadas pelos artigos
visória e alíquotas do ICMS. Os dois primeiros itens refe-
rem-se aos contornos jurídicos da medida provisória 107 a 112 do CTN. Em específico quanto à integração,
no caso de lacunas, o aplicador da legislação tributária
(basicamente o artigo 62 da CF) e o último item trata da
deve utilizar, numa ordem sucessiva, os institutos jurídi-
norma apropriada para estabelecimento de alíquotas
cos elencados no comentário do item Ili a seguir. Exce-
do ICMS nas operações e prestações interestaduais e na
tuada a legislação tributária (que possui regras próprias
exportação (CF, art. 155, § 2°).
de integração, comentadas a seguir no item Ili), no caso
Alternativa correta: letra "a": de lacunas, a Lei de introdução às normas do Direito
Item 1: não, uma vez que o artigo 62, § 2°, da CF brasileiro, em seu artigo 4°, estipula o uso da analogia,
prevê que a med ida provisória que implique institui- dos costumes e dos prindpios gerais de direito, sem
ção ou majoração de impostos (exceto os impostos de estabelecer uma ordem entre eles.
importação, de exportação, sobre produtos industria- Alternativa correta: letra "b":
lizados, sobre operações financeiras e extraordinários
Item 1: falso, pois a legislação que disponha sobre
de guerra), só produzirá efeitos no exercício financeiro
dispensa do cumprimento de obrigações tributárias
seguinte se houver sido convertida em lei até o último
acessórias deve ser interpretada literalmente (e não
dia daquele em que foi editada.
"da maneira mais favorável ao sujeito passivo"). É o que
Item li: não, pois a CF veda a edição de medida pro- se depreende do artigo 111, inciso Ili, do CTN .
visória que verse sobre matéria reservada à lei comple-
Item li: falso, pois os princípios gerais de direito
mentar (artigo 62, § 1°, inciso Ili), e a hipótese elencada
privado não são utilizados para a definição dos efeitos
neste item (estabelecimento de normas gerais sobre
tributários de seus institutos jurídicos (CTN, art. 109).
definição de base de cálculo de imposto) é reservada à
lei complementar, segundo o artigo 146, inciso Ili, alínea Item Ili: falso, uma vez que a ordem correta é: 1°)
UªH· Analogia; 2°) Princípios Gerais de Direito Tributário; 3°)
Capítulo 4- Legislação Tributária 525

Princípios Gerais de Direito Público e 4°) Equidade (CTN, Alternativa "a": incorreta, pela sutileza de ter
art. 108). incluído, no rol de normas, as resoluções do Congresso
Nacional, quando, na verdade, são as resoluções do
Senado que estão expressamente previstas no citado
75. (ESAF - ATRFB - 2003) Assinale a opção correta.
artigo do CTN.
a) O sistema tributário nacional é regido pelo disposto
Alternativa •b": incorreta, pois menciona a expres-
na Constituição Federal de 1988, em leis comple-
são "sistema tributário federal", quando, segundo o
mentares, em resoluções do Congresso Nacional e, artigo 2° do CTN, o correto é "sistema tributário nacio-
nos limites das respectivas competências, em leis nal".
federais, nas Constituições e em leis estaduais, e em
leis municipais. Alternativa "d": incorreta, por suprimir as Consti-
tuições Estaduais do rol das normas que díscipllnam o
b) O sistema tributário federal é regido pelo disposto sistema tributário nacional segundo o artigo 2° do CTN.
na Constituição Federal de 1988, em leis comple-
mentares, em resoluções do Congresso Nacional e, Alternativa "e": incorreta, por incluir as resoluções
nos limites das respectivas competências, em leis do CONFAZ no rol exaustivo do artigo 2° do CTN.
federais, nas Constituições e em leis estaduais, e em
leis municipais. 76. (ESAF -ATRFB - 2003) Assinale a opção incorreta.

c) O sistema tributário nacional é regido pelo disposto a) Os atos normativos, as decisões dos órgãos de juris-
na Constituição Federal de 1988, em leis comple- dição administrativa com eficácia normativa, os
mentares, em resoluções do Senado e, nos limites convênios e os decretos são normas complemen-
das respectivas competências, em leis federais, nas tares das leis, tratados e convenções internacionais
Constituições e em leis estaduais, e em leis munici- que versem sobre tributos.
pais.
b) Os tributos não podem ser cobrados no mesmo
d) O sistema tributário federal é regido pelo disposto exercício financeiro em que foi publicado o ato
na Constituição Federal de 1988, em leis comple- legal que os criou ou majorou, com exceção de
mentares, em resoluções do Senado e, nos limites alguns impostos, entrando em vigor no primeiro
das respectivas competências, pela legislação tribu- dia do exercício seguinte ao de sua publicação os
tária federal, estadual, e pelas leis municipais. dispositivos de lei que criam ou majoram impostos
sobre o patrimônio ou a renda .
e) O sistema tributário nacional é regido pelo disposto
na Constituição Federal de 1988, em leis comple- c) As leis tributárias não podem alterar a definição, o
conteúdo e o alcance de conceitos, institutos e for-
mentares, e, nos limites das respectivas competên-
mas de direito privado, utilizados para definir ou
cias, em leis federais, em resoluções do Senado, nas
limitar competências tributárias, expressa ou impli-
Constituições, em leis estaduais e em resoluções do
citamente.
CONFAZ e em leis municipais.
d) Cada uma das pessoas que tenham interesse
COMENTA RIOS comum na situação que constitua o fato gerador
da obrigação principal responde por todo o débito
O Nota dos autores: trata-se de uma questão cuja tributário, aproveitando aos demais o pagamento
alternativa correta reproduz o teor de um artigo do CTN que for feito.
pouco abordado em concursos e mesmo nos manuais
(art. 2°), pois, em linhas gerais, apenas enumera as nor- e) O Código Tributário Nacional diz o que se considera
mas que disciplinam o sistema tributário nacional. Uma domicílio tributário, podendo a autoridade admi-
alternativa é correta e as demais incorretas por sutis nistrativa recusar o domicílio tributário escolhido
diferenças dos itens normativos elencados. pelo contribuinte quando dificulte ou impossibilite
a arrecadação ou fiscalização.
Alternativa correta: letra uc": trata-se da inter-
pretação evolutiva do artigo 2° do CTN, segundo o qual COMENTÃRIOS
"o sistema tributário nacional é regido pelo disposto
na Emenda Constitucional n° 18, de 1° de dezembro O Nota dos autores: nessa questão, mais uma vez,
de 1965, em leis complementares, em resoluções do deverá ser assinalada como alternativa correta a afir-
Senado Federal e, nos limites das respectivas compe- mativa que consistir em uma opção incorreta.No mais,
a dificuldade da questão está na abordagem de temá -
tências, em leis federais, nas Constituições e em leis
ticas diferentes em cada uma das afirmativas (respecti-
estaduais, e em leis municipais". A diferença entre o
vamente, alternativa a - legislação tributária; alternativa
texto legal e o texto da alternativa em comento é ape-
b - princípio da anterioridade; alternativa c - interpre-
nas a substituição de "Emenda Constitucional 18, de
tação e integração da legislação tributária; alternativa
1° de dezembro de 1965" por "Constituição Federal de
d - solidariedade e alternativa e - domicílio tributário).
1988". Tal substituição não invalida a assertiva, haja vista
a recepção do CTN pela CF, que revogou a ordem cons- Alternativa correta: letra "a": o erro da afirmação
titucional anterior. consiste em incluir os decretos como "normas comple-
526 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo
···· ·· ····· ·· ···· ·· ··································· ··· ······ ···· ··· ·· ···································· ········ ··· ···········
mentares". Segundo o artigo 100 do CTN, são normas COMENTÃRIOS
complementares das leis, dos tratados e das conven-
ções internacionais e dos decretos: (i) os atos normati- O Nota dos Autores: A questão em análise trata da
vos expedidos pelas autoridades administrativas; (ii) as aplicação na lei tributária no tempo. Registra-se que o
decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdi- Código Tributário Nacional disciplinou, em seus arts. 101
ção administrativa, a que a lei atribua eficácia norma- a 104, a vigência da legislação tributária e, nos arts. 105
tiva; (iii) as práticas reiteradamente observadas pelas e 106, sua aplicação. A análise desses dispositivos é de
autoridades administrativas e (iv) os convênios que suma importância, uma vez que a lei vigente nem sem-
entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal pre é aplicável aos fatos a ela contemporâneos, o que
e os Municípios. explica o distinto disciplinamento, no Código, da vigên-
cia e da aplicação da legislação tributária. De regra, uma
Alternativa "b": correta, uma vez que contempla lei só se aplica aos fatos que ocorrerão após sua vigên-
o entendimento do Princípio da Anterioridade (CF, art. cia, em abono ao Princípio da Irretroatividade (Art. 150,
150, Ili, "b") em conjunto com a norma de vigência da Ili, "a", da CF). No entanto, essa regra não é absoluta, por-
legislação tributária prevista no artigo 104, inciso 1, do que há leis que se aplicam a fatos pretéritos, portanto,
CTN. leis de efeito retroativo. Conforme exposto, a lei não se
aplica ao passado, senão ao presente. Em regra, a legis-
Alternativa "c": correta, já que traduz a norma de lação serve para regular fatos ocorridos a partir do início
integração da legislação tributária apregoada no artigo de sua vigência e, excepcionalmente, para regular fatos
110doCTN. ocorridos antes de sua edição. Existem, no entanto, duas
exceções à regra geral de irretroatividade da aplicação
Alternativa "d": correta, baseada nas normas de
da legislação tributária, previstas no art. 106 do CTN: a)
responsabilidade solidária previstas nos artigos 124 e
para a lei interpretativa e; b) para a lei mais benéfica.
125 doCTN.
Alternativa correta: letra "a": A assertiva amolda-
Alternativa "e": correta, conforme entendimento -se ao previsto no art. 106, li do CTN. Registra-se que a
do artigo 127, § 2°, do CTN. retroatividade da lei tributária tem o propósito de bene-
ficiar o contribuinte, mesmo porque a retroação preju-
dicial (lex gravior) é constitucionalmente proibida (art.
77. (CESPE - Promotor de Justiça/RR 2008) Julgue os
5°, XXXVI, CF).
itens seguintes, que tratam do poder de tributar e de
estabelecer normas em matéria tributária. Alternativa "b": A aplicação "retroativa" da lei tri-
butária limita-se às penalidades e atende aos mesmos
• Uma medida provisória que estabeleça nova hipó-
princípios prevalecentes no Direito Penal, lembrando
tese de fato gerador de um imposto contraria a CF.
que, para todas as alíneas do inciso li do art. 106 do CTN,
há que se tratar de ato não definitivamente julgado,
conforme expressamente dispõe o referido inciso.
Alternativa Certa: A única hipótese de se criar Alternativa "c": O fenômeno da retroação bené-
novo imposto permitido pela CF é pelo uso da compe- fica da multa ou o Princípio da benignidade, autoriza
tência residual da União. No entanto, essa matéria é res- apenas aplicar retroativamente uma lei a um fato gera-
trita a Lei Complementar (art. 154, 1da CF). Como medida dor anterior, se a multa prevista na lei nova for inferior
provisória não pode versar sobre matéria objeto de Lei àquela prevista na lei do momento do fato gerador.
Complementar (art. 62, § 1°, Ili da CF), conclui-se que Assim a retroatividade abarca apenas as hipótese de lei
medida provisória não pode estabelecer nova hipótese interpretativa e aplicação de sanção mais benéfica ao
de fato gerador de um imposto. contribuinte. Não há previsão legal que contemple as
hipóteses de suspensão do crédito tributário.
78. (MPE - RJ - Promotor de Justiça - RJ/2011) Tem Alternativa "d": A retroatividade da lei é aplicá-
efeito retroativo, aplicando-se a ato ou fato pretérito, a vel apenas a hipótese de redução do elemento sanção.
lei tributária que: Qualquer alteração dos demais elementos tais como
fato gerador, base de cálculo, contribuintes e alíquota
a) estabeleça penalidade menos severa do que a pre-
tem apenas efeitos prospectivos.
vista na lei vigente ao tempo da prática do ato;
Alternativa "e": O comando contigo no art. 106 do
b) beneficie o contribuinte tanto em relação à penali-
CTN refere-se apenas às infrações e às penalidades, e
dade quanto aos juros de mora, nos casos definiti-
não às obrigações tributárias em si. O não pagamento
vamente julgados;
do tributo ou o descumprimento de uma obrigação
c) disponha sobre suspensão do crédito tributário; acessória não avoca a aplicação retroativa do art. 106
doCTN.
d) estabeleça hipóteses de redução de alíquota ou de
base de cálculo;
79. (MPE - MS- Promotor de Justiça - MS/2011) Assi-
e) defina as obrigações acessórias do contribuinte. nale a alternativa correta:
Capítulo 4- Legislação Tributária 527
·· ··· ··· ·········· ··· ·· ······ ······ ·· ··········· ············ ·················· ·· ···· ······ ·········· ··· ····· ····· ·· ··· ·· ··········
a) a legislação tributária pode ser aplicada a fatos
80. (MPE - MS - Promotor de Justiça - MS/2011) Em
geradores pendentes;
relação à legislação tributária, a autoridade compe-
b) a lei que reduz isenção de impostos que gravam o tente, na falta de disposição expressa, poderá utilizar
patrimônio e a renda entra em vigor na data de sua sucessivamente:
publicação;
a) a equidade, os princípios gerais de direito e a analo-
c) não é possível a revisão de ofício do lançamento, gia;
em nenhuma circunstância, por ser ato administra- b) os princípios gerais de direito, a analogia e a equi-
tivo vinculado; dade;
d) a subordinação do recebimento de certo tributo ao c) a analogia, os princípios gerais de direito tributário,
cumprimento de exigências administrativas previs- os princípios gerais de direito público e a equidade;
tas em lei, autoriza a consignação judicial;
d) a analogia, os princípios gerais de direito público, os
e) o prazo prescricional para anular decisão admi- princípios gerais de direito tributário e a equidade;
nistrativa que denega a restituição é de 05 (cinco)
e) a analogia, os princípios gerais de direito público, a
anos.
equidade e os princípios gerais de direito tributário.

COMENTARIOS
COMENTA RIOS
Alternativa correta: letra "a": Embora haja muita O Nota dos Autores: Aplicação clara do art. 108 do
discussão doutrinária sobre o alcance da expressão CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a
"fato gerador pendente", a assertiva não suscita dúvida autoridade competente para aplicar a legislação tribu-
pois apenas repete artigos literalmente do Código Tri- tária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: 1- a
butário Nacional. Conforme redação do art. 105 do CTN, analogia; li - os princípios gerais de direito tributário; Ili
"A legislação tributária aplica-se imediatamente aos - os princípios gerais de direito público; IV - a equidade"
fatos geradores futuros e aos pendentes, assim enten-
didos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não Alternativa correta "c". Conforme disposto no art.
esteja completa nos termos do artigo 116''. 108 acima, a ordem sucessiva da integração tributária é
a disposta nessa assertiva.
Alternativa "b": A resolução da questão depende
Demais alternativas. Verifique os comentários
da interpretação do art. 104 do CTN: "Entram em vigor
anteriores.
no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que
ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referen-
tes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: 1- que 81. (FGV - Notário-AM /2005) Assinale a alternativa
instituem ou majoram tais impostos; li - que definem correta.
novas hipóteses de incidência; Ili - que extinguem ou a) De acordo com a definição do Código Tributário
reduzem isençôes, salvo se a lei dispuser de maneira Nacional, os tributos são taxas, impostos, contribui-
mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto çôes sociais e contribuições de melhoria.
no artigo 178". Assim, lei que reduzi isenção entra em
vigor no primeiro dia do exercício seguinte e não na b) Os tratados e as convenções internacionais revo-
data de sua publicação. gam ou modificam a legislação tributária interna, e
serão observados pela que lhes sobrevenha, salvo
Alternativa "c": Pela redação do art. 149 e seus em caso de guerra.
incisos, percebe-se clara possibilidade de revisão de ofí-
cio de lançamento tributário: "Art. 149. O lançamento é e) O emprego da analogia poderá resultar na exigên-
efetuado e revisto de ofício pela autoridade administra- cia de tributo não previsto em lei.
tiva nos seguintes casos: (...)" d) O emprego da eq,....,idade não poderá resultar na
dispensa do pagamento do tributo devido.
Alternativa ªd": Diferentemente do afirmado, para
cabimento da consignatória, as exigências não devem e) A doutrina é fonte formal primária do Direito Tribu-
ter fundamentação legal: "Art. 164. A importância de tário.
crédito tributário pode ser consignada judicialmente
pelo sujeito passivo, nos casos: 1- de recusa de recebi- COMENTÁRIOS
mento, ou subordinação deste ao pagamento de outro
Alternativa correta: letra "d": t cediço que a equi-
tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obri-
dade consiste numa técnica de aplicação do Direito em
gação acessória; li - de subordinação do recebimento
que "se aplica a justiça ao caso concreto", abrandando o
ao cumprimento de exigências administrativas sem fun-
rigor da lei, tendo em conta as características pessoais
damento legal;"
ou materiais do caso. Dentro da interpretação da legis-
Alternativa "e": Nesse caso específico, o prazo é de lação tributária, entretanto, é cediço que o emprego da
dois anos e não de cinco: "Art. 169. Prescreve em dois equidade jamais poderá resultar na dispensa do paga-
anos a ação anulatória da decisão administrativa que mento do tributo devido, a teor da proibição estatuída
denegar a restituição". no art. 108, § 2° do CTN.
528 Alan Martins· Dima s Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa Ha": o CTN adota a teoria tripartite tário Nacional. Logo, importante sempre a leitura atenta
tributária, ou seja, apenas considera como espécies do concursando do texto de lei.
de tributos os impostos, as taxas e as contribuições de
Alternativa incorreta: letra "d": Pelo contrário. O
melhorias, conforme dicção do seu art. 5°. Atualmente,
emprego da equidade não poderá resultarna dispensa
entretanto, o STF firmou entendimento de que, após a
do pagamento de tributo devido. Confira o teor do art.
promulgação da CF/88, há de se considerar como preva-
108, § 2° do CTN .
lente a teoria pentapartite, ou pentapartida, das espé-
cies tributárias, que, além dos impostos, taxas e contri- Alternativa "a": Traz a literalidade do art. 106, inciso
buições de melhoria, considera como tributos também li, alínea "e" do Código Tributário Nacional. Importante
as contribuições sociais e o empréstimo compulsório lembrar que o referido dispositivo legal contempla uma
(Vide RE 146.733/ SP). exceção ao princípio da irretroatividade tributária.

Alternativa "b": não há previsão no art. 98 do CTN Alternativa Hb": A assertiva diz respeito ao teor
de que a ocorrência de guerra transmuda a natureza e a do art. 112, inciso li do CTN, a saber: "A lei tributária que
hierarquia dos tratados e convenções em matéria tribu - define infrações, ou lhe comina penalidades, interpre-
tária no que tange à legislação interna. ta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de
dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais
Alternativa Hc": É cediço que a analogia desponta
do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
como principal instrumento de integração do direito tri-
butário, tendo em vista que, na ausência de disposição Alternativa "e": Refere-se ao art. 111, inciso li do
expressa, a autoridade competente para aplicar a legis- CTN.
lação tributária utilizará sucessivamente a analogia, os
principios gerais de direito público, os princípios gerais 83. (Vunesp - Notárlo-SP/2012) Considerado o art.
de direito tributário e a equidade, a teor do art. 108 do 111 do Código Tributário Nacional (CTN), assinale a alter-
CTN. Entretanto, o próprio CTN dá alguns norteadores nativa correta.
acerca da utilização da analogia. Entre eles, prescreve
que o emprego da analogia não poderá resultar na exi- a) Deve ser interpretada literalmente a legislação tri-
gência de tributo não previsto em lei, ou mesmo na cria- butária que disponha sobre compensação e extin-
ção de hipóteses de suspensão, extinção ou exclusão do ção de tributos.
crédito tributário (art. 108, § 1° do CTN).
b) Deve ser interpretada literalmente a legislação tri-
Alternativa "e": diante do princípio da legalidade butária que disponha sobre suspensão ou exclusão
estrita, ou tipicidade cerrada como preferem alguns, a de crédito tributário e outorga de isenção.
que está submetido o direito tributário, a doutrina não c) Deve ser interpretada literalmente a legislação tri-
pode ser considerada fonte formal primária deste ramo butária que disponha sobre consignação em paga-
jurídico, visto que tal lugar de destaque pertence tão mento e conversão em renda.
somente à lei.
d) Deve ser interpretada literalmente a legislação
tributária que disponha sobre prescrição e sobre
82. (EJEF - Notárlo-MG/2011) Em relação à aplicação,
decadência.
interpretação e integração da legislação tributária, con-
forme previsto no Código Tributário Nacional, assinale a
COMENTÃRIOS
alternativa INCORRETA.
Alternativa correta: letra "b": Transcreve o art.
a) Aplica -se a lei a ato ou fato pretérito quando, tra-
111, incisos 1e li do CTN.
tando-se de ato não definitivamente julgado, haja
cominação de penalidade menos severa que a pre- Alternativa "a": Nenhuma das hipóteses ventila-
vista na lei vigente ao tempo de sua prática. das é caso de interpretação literal. Confira teor do artigo
111 do CTN: "Art. 111 . Interpreta-se literalmente a legis-
b) Interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado
lação tributária que disponha sobre: 1 - suspensão ou
a lei tributária que define infrações, ou lhe comina
exclusão do crédito tributário; li - outorga de isenção;
penalidades, em caso de dúvida quanto à natureza
Ili- dispensa do cumprimento de obrigações tributárias
ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza
acessórias."
ou extensão dos seus efeitos.
Alternativa "e": Inaplicável o art. 111 em tais hipó-
e) Interpreta-se literalmente a legislação tributária
teses.
que disponha sobre a outorga de isenção.
Alternativa "d": Nenhuma das hipóteses ventila-
d) Poderá resultar o emprego da equidade na dis-
das é caso de interpretação literal. Confira art. 111 do
pensa do pagamento de tributo devido.
CTN.

"·1Mfü1i!H• 84. (Instituto cidades - Defensor Público -AM/2011)


O Nota dos autores: A questão aborda em sua A respeito da vigência, aplicação e interpretação das
inteireza a literalidade de dispositivos do Código Tribu- normas tributárias indique a alternativa CORRETA:
Capítulo 4 - Legislação Tributária 529

a) Regra geral, a lei tributária começa a vigorar em penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao
todo o país quarenta e cinco dias depois de oficial- acusado, em caso de dúvida quanto: 1 - à capitulação
mente publicada. No entanto, salvo disposição em legal do fato; li - à natureza ou às circunstâncias mate-
contrário, os atos normativos expedidos pelas auto- riais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;
ridades administrativas entram em vigor 30 (trinta) Ili - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à
dias após a data da sua publicação; natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.
b) Na ausência de disposição expressa, a autoridade
competente para aplicar a legislação tributária uti- 85. (FCC - Defensor Público - SP/2009) Assinale a
lizará sucessivamente e em ordem preferencial a alternativa INCORRETA.
analogia, os princípios gerais do direito tributário, a) As práticas reiteradamente observadas pelas autori-
os princípios gerais do direito privado e a equidade. dades administrativas são normas complementares
A utilização dos princípios gerais de direito privado das leis, dos tratados e das convenções interna-
restringe-se à pesquisa da definição, do conteúdo cionais e dos decretos e a observância dessas práti-
e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, cas exclui a imposição de penalidades, a cobrança
inclusive para definição dos respectivos efeitos tri- de juros de mora e a atualização do valor monetário
butários. da base de cálculo do tributo.
c) Excepciona o princípio da irretroatividade, aplican- b) Cabe à lei complementar regular as limitações cons-
do-se a fato pretérito, a lei expressamente interpre- titucionais ao poder de tributar.
tativa, e, nas hipóteses de atos não submetidos à
coisa julgada, a lei que mitigue determinada penali- c) Interpreta-se literalmente a norma legal tributária
dade pecuniária aplicável para as situações de des- que disponha sobre dispensa do cumprimento de
cumprimento da obrigação tributária principal. obrigações tributárias acessórias.

d) Interpreta-se literalmente a legislação tributária d) Para aplicação da legislação tributária a autoridade


que disponha sobre suspensão, extinção ou exclu- competente poderá se valer da equidade, na ausên-
são do crédito tributário, outorga de isenção e dis- cia de disposição legal expressa, inclusive para dis-
pensa do cumprimento de obrigações tributárias pensa do pagamento do tributo devido.
acessórias. e) A lei tributária que define infrações interpreta-se
e) O Código Tributário Nacional admite a interpreta- da maneira mais favorável ao acusado, havendo
ção benigna exclusivamente para a lei que dispo- dúvida quanto à natureza da penalidade ou gradu-
nha sobre infrações, anistia e comine penalidades, ação aplicável.
sendo necessária a existência de dúvida sobre a
tipicidade do fato, a autoria, imputabilidade ou COMENTÁRIOS
punibilidade.
Alternativa Incorreta: letra "d": A autoridade
competente poderá, sim, valer-se da equidade na
COMENTÁRIOS
ausência de disposição legal expressa, porém o seu
Alternativa correta: letra uc": As hipóteses a que emprego não poderá resultar na dispensa do paga-
alude a questão são exceções ao princípio da irretroati- mento de tributo devido (art. 108, § 2° do CTN).
vidade, conforme redação do art. 106 do CTN. Alternativa "a": Refere-se à literalidade do art. 100,
Alternativa "a": os atos normativos expedidos inciso Ili do CTN e seu parágrafo único.
pelas autoridades administrativas entram em vigor na Alternativa "b": A questão diz respeito ao art. 146,
data da sua publicação (art. 103, 1, do CTN). inciso li da CF.
Alternativa "b": Na ausência de disposição Alternativa "c": Trata da literalidade do art. 111,
expressa, a autoridade competente para aplicar a legis- inciso Ili do CTN.
lação tributária utilizará sucessivamente e em ordem
preferencial a analogia, os princípios gerais do direito Alternativa "e": Refere-se ao teor do art. 112, inciso
tributário, os princípios gerais do direito público e a IVdoCTN.
equidade (confira o art. 108 do CTN). Há outro equívoco
ao final da assertiva, em contradição ao art. 109 do CTN. 86. (TJ-PR - Juiz Substituto - PR/ 2008) Assinale a
alternativa correta:
Alternativa "d": Nos termos do art. 111 do CTN,
interpreta-se literalmente a legislação tributária que a) não se inclui entre os tópicos reservados à lei com-
disponha sobre: 1) suspensão ou exclusão do crédito tri- plementar o estabelecimento de normas gerais em
butário; li) outorga de isenção; e Ili) dispensa do cumpri- matéria de legislação tributária que tratem tanto de
mento de obrigações tributárias acessórias.O artigo não lançamento quanto de prescrição e decadência tri-
trata da extinção do crédito tributário. butários.
Alternativa "e": O erro da questão está na palavra b) cabe à lei complementar a definição de tratamento
"exclusivamente". Isso porque, o art. 112 do CTN dispõe diferenciado e favorecido para as microempresas e
que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina para as empresas de pequeno porte, inclusive regi-
530 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

mes especiais ou simplificados no caso do Imposto pio, transferindo da União para os municípios a
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. fiscalização e a cobrança do ITR, inclusive compe-
tência para reduzir sua alíquota segundo as pecu-
c) a lei complementar poderá estabelecer critérios
liaridades locais.
especiais de tributação, com o objetivo de prevenir
desequilíbrios da concorrência, restando vedado à d) preocupou-se com a desigualdade social, insti-
União, por via de lei, o estabelecimento de normas tuindo o Fundo de Combate à Pobreza no âmbito
de igual objetivo. Federal a ser mantido com recursos oriundos de
adicionais percentuais às alíquotas do IPI e ICMS.
d) não se inclui entre as matérias reservadas à lei com-
plementar, a regulação das limitações ao poder de
tributar.
Alternativa correta: letra "b": De fato, a propa-
coMeNrAíuõs'"- lada reforma tributária ainda não saiu, e sequer a EC
nº 42/03 foi um protótipo dessa reforma. O sistema tri-
O Nota dos autores: A questão exige basicamente
butário continuou o mesmo, com a criação de algumas
conhecimento da matéria reservada à lei complementar
garantias (anterioridade nonagesimal), bem como de
em direito tributário. Daí a importãncia de se aprender o
formas diferentes de tributação, mormente em relação
conteúdo do art. 146 da CF.
às contribuições sociais, mas não houve qualquer redu-
Alternativa correta: letra" b": A questão refere-se ção do número de impostos.
ao teor do art. 146, Ili, "d" da CF a saber: cabe à lei com-
Alternativa "a": Não houve a criação de qualquer
plementar estabelecer normas gerais em matéria de
norma no sentido de alterar a classificação dos tributos.
legislação tributária, especialmente sobre definição de
tratamento diferenciado e favorecido para as microem- Alternativa "c": De fato, os Municípios passaram a
presas e para as empresas de pequeno porte, inclusive ter a possibilidade de ficarem com 100% da receita do
regimes especiais ou simplificados no caso do imposto ITR, através de convênio, com o exercício da capacidade
previsto no art. 155, li (ICMS). tributária ativa, mas não da sua competência, por esta
razão, não podendo reduzir a alíquota do tributo. O
Alternativa "a": Nos termos do art.146, Ili, b, da CF,
poder continua com a União.
caberá à lei complementar estabelecer normas gerais
em matéria de legislação tributária, especialmente Alternativa "d": O Fundo mencionado não foi
sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e criado por essa emenda constitucional, mas sim pela EC
decadência tributários. nº 31/2000.

Alternativa "c": Trata-se de redação truncada do


art. 146-A da CF. Por esta redação, "Lei complementar 88. (Vunesp - Juiz Substituto - SP/ 2009) Um tema
poderá estabelecer critérios especiais de tributação, recorrente no Brasil, diga-se, não só no Brasil, é o da
com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concor- carga tributária em sentido geral. Entre nós, parte con -
rência, sem prejufzo da competência de a União, por siderável dos tributaristas considera-a excessiva e por
lei, estabelecer normas de igual objetivo". isso inibitória da atividade econômica. No plano essen-
cialmente jurídico - tributário, ou seja, de jure consti-
Alternativa "d": O art. 146, inciso li da CF dispõe tuto, essa consideração crítica
que cabe à Lei Complementar regular as limitações
constitucionais ao poder de tributar. a) tem relevilncia apenas no que se refere ao exame
casuístico do processo judicial, cuja lide se compo-
nha em torno da capacidade tributária ativa.
87. (Vunesp - Juiz Substituto - SP/ 2009) A Emenda
Constitucional n° 42, de 19.12.03. (DOU-31.12.03), veio, b) está intimamente ligada ao fato de o Direito Tribu-
segundo consta de sua denominação, para alterar o tário pátrio carecer, no caso de impostos, de uma
Sistema Tributário Nacional. Atentando-se para o con- norma específica sobre o princípio da capacidade
junto das normas nela contido e examinando-o no seu contributiva pessoal.
aspecto teleológico, pode ser dito que a EC nº 42/03 c) tem relevãncia apenas no que diz respeito ao
a) deu maiores garantias ao contribuinte, como exame casuístico, no âmbito do processo judicial,
a ampliação do princípio da anterioridade, de da lide que se componha em torno da aplicação do
maneira a impedir acréscimo na divisão pentapar- princípio da capacidade contributiva como corolá-
tida dos tributos, teoria esta adotada pelo Pretório rio de Justiça Fiscal.
Excelso. d) decorre do fato de o ordenamento jurídico tributá-
b) não alterou a estrutura do sistema tributário nacio- rio nacional não acolher a graduação de alíquotas
nal, não favorecendo uma melhor racionalização proporcional à essencialidade do produto.
dos meios de arrecadação tributária de maneira a
reduzir o número de impostos.
c) promoveu uma melhor repartição das receitas fis- Alternativa correta: letra "e": O tema é profundo
cais entre os entes da federação, como, por exem- e merece maior atenção, que não é o foco do trabalho.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 531

Deve-se apenas lembrar que o peso da carga tributária Alternativa "c": No caso em tela, o Estado exerceu
não pode ser considerado in abstracto, pois, partindo-se a sua competência legislativa plena, uma vez que inexis-
para a exemplificação, instituições bancárias no país, tia lei federal tratando de normas gerais(§ 3° do art. 24
muito embora o peso da tributação, não poderiam afir- da CF). Segundo o§ 4° do art. 24 da CF a superveniência
má-la ser excessiva se o plano de comparação fossem de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia
os seus lucros. O STF já decidiu que apenas no plano da lei estadual, no que lhe for contrário.
concreto é que se pode decidir pela confiscatoriedade
Alternativa "d": Terá eficácia suspensa e não
do tributo.
extinta. Vide o§ 4° do art. 24 da CF.
Alternativa "a": A questão confunde a capacidade
ativa com a capacidade passiva. Daí a falta de sentido.
90. (CESPE-Juiz Substituto- SE/ 2008) Suponha que
Alternativa "b": Ao contrário, para os impostos, a União tenha intervindo nos estados A, B e C, com os
há a norma do art. 145, § 1° da CF, que trata especifica- seguintes propósitos
mente da capacidade contributiva.
.reorganizar as finanças no estado A, visto que
Alternativa "d": Diferentemente do afirmado, o essa unidade da Federação deixou de entregar aos
ordenamento pátrio afirma que, para o IPI, as suas alí- municípios, dentro dos prazos estabelecidos em lei,
quotas devem ser seletivas de acordo com a essencia- receitas tributárias fixadas constitucionalmente.
lidade do produto e, para o ICMS, elas poderão ter o
mesmo tratamento. li. reorganizar as finanças no estado B para prover a
execução de ordem judicial.

89. (CESPE - Juiz Substituto - SE/ 2008) Suponha Ili. assegurar, no estado C, a aplicação do mínimo exi-
que, na falta de normas gerais federais sobre determi- gido da receita resultante de impostos estaduais,
nado tributo estadual, o estado de Sergipe tenha deci- compreendida a proveniente de transferências, na
dido criar, em 2007, por meio de uma lei, suas próprias manutenção e desenvolvimento do ensino e nas
normas específicas relativas àquela matéria. Suponha, ações e serviços públicos de saúde.
ainda, que, posteriormente à entrada em vigência da lei
A CF ampara expressamente a intervenção da União
criada, tenham advindo, em 2007, normas gerais fede-
no(s) caso(s) descrito(s)
rais contrárias, em parte, à citada lei estadual. Nessa
situação, a lei estadual a) no item li, apenas.
a) será de todo revogada, por contrariar a lei federal. b) no item Ili, apenas.
b) somente será revogada na parte que contraria a lei c) nos itens 1 e li, apenas.
federal.
d) nos itens li e Ili, apenas.
c) não sofre qualquer efeito da lei federal, porque ela
trata de normas específicas, enquanto a lei federal e) em todos os itens.
trata de normas gerais.
COMENTÁRIOS
d) terá a eficácia extinta no que contrariar a lei federal.
O Nota dos autores: A questão requer conheci-
e) terá eficácia suspensa no que contrariar a lei fede-
mento de Direito Constitucional, sobretudo o teor do
ral.
art. 34 que trata das hipóteses excepcionais de inter-
venção da União nos Estados e DF.

Alternativa correta: letra "e": Todas as assertivas


O Nota dos autores: A questão requer conheci-
estão corretas. Refere-se ao art. 34 da CF que enumera
mento de Direito Constitucional, em especial, o teor dos
as situações excepcionais de intervenção da União nos
parágrafos do art. 24.
Estados e DF. A questão transcreve os incisos V, alínea
Alternativa correta: letra "e": ln casu, o Estado "b", VI e VII, alínea "e".
exerceu a sua competência legislativa plena, uma vez
Demais alternativas: Conforme dito acima, os três
que inexistia lei federal tratando de normas gerais (§
enunciados têm amparo constitucional e transcreve os
3° do art. 24 da CF). Ademais, a superveniência de lei
incisos V, alínea "b", VI e VII, alínea "e" do art. 34 da Carta
federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei
Magna.
estadual, no que lhe for contrário.(§ 4° do art. 24 da CF).
Alternativa "a": Nos termos do § 4° do art. 24 da
91. (CESPE - Juiz Substituto - SE/ 2008) A lanchonete
CFa superveniência de lei federal sobre normas gerais
Comer Bem é uma empresa de pequeno porte enqua-
suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for con-
drada entre aquelas às quais a CF oferece tratamento
trário.
diferenciado, nos termos de legislação complementar.
Alternativa "b": Não será revogada. A parte que Essa empresa está sujeita, em razão de seu porte, a
contraria a lei federal superveniente suspenderá a eficá- norma constitucional aplicável especificamente a esse
cia da lei estadual no que lhe for contrária. grupo, que se refere a
532 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

a) tratamento diferenciado relativamente a impostos c) Em nenhuma hipótese os estados e o DF exercerão


mas não a respeito de contribuições federais. competência legislativa plena.

b) uniformidade geográfica. d) No âmbito dos estados e do DF, prevalecem as res-


pectivas leis sobre as leis federais.
c) regime único de arrecadação de impostos e contri-
buições federais. e) Pertencem à competência concorrente todas as
pessoas políticas.
d) recolhimento descentralizado de impostos e contri-
buições.

e) vedação ao compartilhamento da arrecadação.


O Nota dos autores: Questão sem qualquer dificul-
COMENTA RIOS dade para um conhecimento ainda que raso em direito
tributário. Trata das premissas da tributação, qual seja, a
Alternativa correta: letra uc": O art. 146, inciso Ili, competência tributária, sendo imprescindível in casu a
alínea "d" da CF dispõe que cabe à lei complementar leitura do art. 24 da CRFB. Presente mais direito consti-
estabelecer normas gerais em matéria de legislação tri- tucional que direito tributário.
butária, especialmente sobre: definição de tratamento
diferenciado e favorecido para as microempresas e Alternativa correta: letra "b": Os municípios
para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes estão autorizados a legislar sobre assuntos de inte-
especiais ou simplificados no caso do imposto previsto resse local nos termos do art. 30, i, da CRFB, não dis-
no art. 155, li, das contribuições previstas no art. 195, 1e pondo, portanto, de competência para legislar sobre
§§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. normas gerais na ausência de lei federal. Ademais, o
A norma em comento foi materializada pela Lei Com- art. 24 da CRFB, dispõe que a competência concorrente
plementar nº 123/2006, alterada pela LC nº 128/08. Na abrange apenas à União, Estados e DF. Por fim, lembre-
verdade, para facilitar a vida do pequeno empresário, -se que o § 1° do art. 24 preceitua que, no âmbito da
o constituinte previu essa tributação diferenciada, cha- legislação concorrente, a competência da União limi-
mada de SIMPLES NACIONAL, em substituição ao SIM- tar-se-á a estabelecer normas gerais e que inexistindo
PLES FEDERAL, que, de forma unificada, cobra os tribu- lei federal sobre normas gerais, os Estados (e não os
tos federais, estaduais e municipais. municípios) exercerão a competência legislativa plena,
para atender a suas peculiaridades (§ 3° do art. 24 da
Alternativa "a": O tratamento diferenciado CRFB). Portanto, em nenhum hipótese os Municípios
abrange não apenas a impostos, mas também a contri-
podem legislar sobre normas gerais nas matérias do
buições federais, conforme art. 146, Ili da CF.
art. 24 da CF.
Alternativa "b": A uniformidade geográfica em
Alternativa "a": A competência da União para
nada tem a ver com o tratamento diferenciado das
legislar sobre normas gerais não exclui a competência
micro e pequenas empresas. Trata-se, em verdade, de
suplementar dos Estados(§ 2° do art. 24 da CRFB). No§
princípio previsto no art. 151, Ida CF e se refere à impos-
4° consta que a superveniência de lei federal sobre nor-
sibilidade de a União instituir tributo não uniforme no
mas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que
território nacional ou que implique distinção ou prefe-
for contrário. Não há a exclusão mencionada.
rência em relação a Estado.
Alternativa "c": Inexistindo lei federal sobre nor-
Alternativa "d": O tratamento diferenciado a que
mas gerais, os Estados exercerão a competência legis-
alude o art. 146, Ili da CF, implica o recolhimento centra-
lativa plena, para atender a suas peculiaridades (§ 3° do
lizado dos impostos e também das contribuições.
art. 24 da CRFB).
Alternativa "e": O item vai de encontro ao art. 146,
parágrafo único, IV da CF, que prevê que "a arrecadação, Alternativa "d": Conforme sabido, a União irá legis-
a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhados lar sobre normas gerais e isso não exclui a competência
pelos entes federados, adotado cadastro nacional único suplementar dos Estados. Assim, inexistindo lei federal
de contribuintes". sobre normas gerais, os Estados exercerão a competên-
cia legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.
Contudo, a superveniência de lei federal sobre normas
92. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - BA/ 2012) gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for
Acerca da competência legislativa sobre normas gerais contrário. (§ 4° do art. 24 da CRFB). Não há hipótese de
de direito tributário, assinale a opção correta. uma lei federal valer para a União, num aspecto geográ-
a) A competência dos estados, ainda que suple- fico nacional, e ser sucumbida por lei estadual dentro
mentar, é excluída com o exercício, pela União, da da unidade federativa . Inexiste aludida hierarquia ou
competência para legislar sobre normas gerais de validade geográfica condicional.
direito tributário.
Alternativa "e": Nos termos do art. 24 da CRFB, a
b) Os municípios não dispõem de competência para competência concorrente pertence à União, Estados e
instituir normas gerais de direito tributário. DF. Logo, não contempla os municípios.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 533

de penalidade à infração dos dispositivos interpre-


93. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - MA/ 2013) tados.
Em relação a fato gerador de imposto, orçamento, res-
tos a pagar e limitações do poder de tributar, assinale a IV. Interpreta-se literalmente a legislação tributária
opção correta. que disponha sobre suspensão ou exclusão do cré-
dito tributário, outorga de isenção e dispensa do
a) O exercício financeiro não coincide com o ano civil.
cumprimento de obrigações tributárias acessórias.
b) Consideram-se restos a pagar não processados as
a) Somente as proposições 1e Ili estão incorretas.
despesas empenhadas e liquidadas, mas não pagas
até trinta e um de dezembro. b) Somente as proposições 1, li e Ili estão incorretas.
c) Segundo expressa determinação constitucional, c) Somente as proposições 1, Ili e IV estão incorretas.
é necessária lei complementar para implementar
d) Somente as proposições li, Ili e IV estão incorretas.
os seguintes tributos: empréstimo compulsório;
imposto sobre grandes fortunas; imposto residual e) Todas as proposições estão incorretas.
da União e novas contribuições sociais.
COMENTÁRIOS
d) Segundo entendimento do STF, a alienação de sal-
vados não integra a própria operação de seguro, Alternativa correta: letra "b": Item: 1 - O pará-
constituindo, por conseguinte, fato gerador autõ- grafo único do art. 100, dispõe de forma diametral-
nomo do ICMS. mente oposto à assertiva, uma vez que prescreve que
a observância da legislação fiscal "exclui a imposição de
COMENTÁRIOS penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualiza-
O Nota dos autores: A questão aborda temas afe- ção do valor monetário da base de cálculo do tributo";
tos ao direito financeiro e tributário. Item: li - Nos termos do art. 103, inciso 1do CTN, os atos
normativos expedidos pelas autoridades administrati-
Alternativa correta: letra ªc": Como é sabido, vas entram em vigor na data de sua publicação; Item:
regra geral, os tributos são veiculadas por lei ordinária. Ili - A assertiva iniciou corretamente, mas errou ao final.
Excepcionalmente, serão veiculadas por lei comple- De fato, a legislação fiscal expressamente interpretava
mentar: empréstimo compulsório; imposto sobre gran- não se aplica apenas aos fatos futuros e pendentes. Ela
des fortunas; imposto residual da União e novas contri- se constitui em exceção ao princípio da irretroatividade,
buições sociais. portanto é passível de aplicação a ato ou fato pretérito,
Alternativa "a": O exercício financeiro coincidirá nos termos do art. 106, 1do CTN.
com o ano civil. (art. 34 Lei 4320/64). Demais alternativas: As assertivas 1, li e Ili estão
Alternativa "b": Consideram-se Restos a Pagar as incorretas e já foram comentadas acima. Passemos à
despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de análise do item correto. Item IV - A assertiva contida
dezembro distinguindo-se as processadas das não pro- no item é a transcrição pura do art. 111 do CTN. A razão
cessadas (Art. 36 Lei 4320/64). As processadas são as de ser desse comando está no consagrado postulado
liquidadas e as não processadas são as não liquidadas. segundo o qual: "o que é regra se presume; o que é exce-
ção deve estar expresso em lei". Com efeito, a regra em
Alternativa "d": O ICMS não incide sobre alienação nosso sistema não é do descumprimento de obrigações
de salvados de sinistro pelas seguradoras. (STF Súmula
acessórias, nem a isenção concedida, tampouco a exclu-
Vinculante 32)
são ou suspensão do crédito tributário, mas, respectiva-
mente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do
94. (TJ/SC - Juiz de Direito Substituto - SC/2013) tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou
Sobre as normas gerais de Direito Tributário, avalie as outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcio-
proposições abaixo e assinale a alternativa correta: nal deve ser interpretado literalmente, razão pela qual
se impõe o artigo ora em estudo.
1. A observância das normas complementares das
leis, dos tratados e das convenções internacionais
e dos decretos não exclui a imposição de penalida- 95. (FGV - Juiz Substituto - MS/ 2008) Em relação às
des, a cobrança de juros de mora e a atualização do medidas provisórias em matéria tributária, assinale a
valor monetário da base de cálculo do tributo. afirmativa correta.
li. Salvo disposição em contrário, os atos normati- a) Segundo a Constituição Federal de 1988 é vedado o
vos expedidos pelas autoridades administrativas uso de medidas provisórias para instituir ou majorar
entram em vigor 30 (trinta) dias após a data da sua impostos por violar o princípio da legalidade tribu-
publicação. tária.
Ili. A legislação tributária aplica-se imediatamente b) Medida provisória que implique instituição ou
aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim majoração de impostos, como regra, só produzirá
entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido efeitos no exercício financeiro seguinte se houver
início mas não esteja completa e desde que seja sido convertida em lei até o último dia daquele em
expressamente interpretativa, excluída a aplicação que foi editada.
534 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

c) É vedado o uso de medida provisória para instituir


empréstimos compulsórios, imposto sobre grande 96. (TJ-RS - Juiz Substituto - RS 2009) Sobre medida
fortuna e imposto de importação, por serem tribu- provisória, assinale a assertiva correta.
tos reservados à lei complementar. a) Não pode aumentar impostos, por ser matéria
d) O STF pacificou o entendimento de que medida reservada à lei em sentido formal.
provisória tem força de lei; por isso, admite-se em b) Aquela que aumentar alíquota de imposto de renda
qualquer hipótese o seu uso em matéria tributária e proventos de qualquer natureza só produzirá efei-
para instituir ou majorar os tributos previstos na tos no exercício financeiro seguinte se houver sido
Constituição Federal. convertida em lei até o último dia daquele em que
e) Medida provisória não poderá instituir ou majorar foi editada.
o imposto de importação, exportação, IPI e IOF por c) Pode dispor sobre conflitos de competência, em
serem tributos extrafiscais.
matéria tributária, entre a União e os Municípios.

d) Cabe-lhe regular a forma e as condições como isen-


ções do imposto sobre serviços de qualquer natu-
Alternativa correta: letra "b": é possível a institui- reza serão concedidas ou revogadas.
ção ou majoração de impostos através de Medida Pro-
visória. Com o advento da EC 32/2001, a Carta Magna e) Pode, em face de relevância e urgência, ser utilizada
previu expressamente no art. 62, § 2° que nos casos de pela União para instituir empréstimo compulsório
relevância e urgência o Poder Executivo poderá adotar para atender a despesas extraordinárias decorren-
medidas provisórias para instituição ou majoração de tes de calamidade pública.
impostos, cujos efeitos serão produzidos no exercício
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até COMENTA RIOS
o último dia daquele em que foi editada.
O Nota dos autores: não cabe a edição de Medida
Alternativa "a": Medida Provisória poderá instituir Provisória em matéria reservada à lei complementar (CF,
e majorar impostos. Nos termos do § 2°do art. 62 da CF: art. 62, § 1°, 111).
"Medida provisória que implique instituição ou majora-
ção de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, 1, li, Alternativa correta: letra "b": O item se refere ao
IV, V, e 154, li, só produzirá efeitos no exercício financeiro teor do art. 62, § 2° da CF, que, excepcionando os tribu-
seguinte se houver sido convertida em lei até o último tos extrafiscais, prevê que a MP que implicar em institui-
dia daquele em que foi editada.· ção ou majoração de impostos só produzirá efeitos no
exercício financeiro seguinte se houver sido convertida
Alternativa "c": É correto afirmar que a medida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
provisória não poderá versar sobre matéria objeto de
Lei Complementar (art. 62, § 1°, Ili da CF). Empréstimos Alternativa "a": A Medida Provisória pode instituir
compulsórios e imposto sobre grande fortuna são vei- e majorar impostos, a teor do art. 62, § 2° da CF.
culados por lei complementar, mas o imposto de impor- Alternativa "c": Não cabe dispor sobre conflitos de
tação é por lei ordinária, podendo, assim, ser objeto de competência em matéria tributária, tendo em vista que
medida provisória. tal hipótese se enquadra no campo de incidência da lei
Alternativa "d": Não é admitida medida provisória complementar, forte no art. 146, 1da CF.
em qualquer hipótese para instituir ou majorar os tribu- Alternativa "d": Trata de hipótese reservada à lei
tos previstos na Constituição Federal. A MP não poderá
complementar, conforme art. 156, § 3°, Ili da CF.
versar, por exemplo, sobre matéria objeto de Lei Com-
plementar (art. 62, § 1°, Ili da CF). Vale lembrar que os Alternativa "e": O empréstimo compulsório não
empréstimos compulsórios, verbigratia, não poderão pode ser instituído por medida provisória, tendo em
ser objeto de MP em abono à vedação constitucional vista a previsão do art. 148 da CF.
que impossibilita tal instrumento normativo disciplinar
matéria adstrita a Lei Complementar - LC. Assim, como
97. (TJ-RS - Juiz Substituto - RS 2009) Com relação
os empréstimos compulsórios são instituídos por LC
à empresa A, foi, em 12.11 .1996, realizado lançamento
não será objeto de MP.
pelo não pagamento de ICMS (por fatos geradores
Alternativa "e": Os tributos extrafiscais poderão ocorridos nos meses de julho de 1994 a setembro de
ser instituídos ou majorados por medida provisória. 1996), acrescido de multa pela prática de infração tribu-
Porém, uma vez majorados, terão incidência imediata, tária material básica, no percentual de 100%, previsto
não devendo, portanto, aguardar o exercício financeiro naquela data (12.11.1996) na legislação aplicável. Em
seguinte da conversão em lei. São eles: Imposto de 14.05.1997, tornou-se definitiva a decisão administrativa
importação - li, imposto de exportação - IE, Imposto sobre a impugnação do contribuinte ao lançamento
sobre produtos industrializados - IPI, imposto sobre em questão. Em 14.10.1997, foi ajuizada a execução fis-
operações financeiras - IOF e imposto extraordinário de cal, tendo o executado sido citado em 31.10.1997, com
guerra - IEG. penhora realizada em 14.11 .1997, da qual o devedor
Capítulo 4- Legislação Tríbutária 535

foi intimado na mesma data (14.11.1997). Os embargos COMENTÁRIOS


do devedor foram opostos em 10.12.1997 e vieram a
julgamento em 14.09.1999. A Lei Estadual n° 1.0.932, O Nota dos autores: Embora a questão trate espe-
de 14.01 .1997, reduziu a multa por infração tributária cificamente sobre o tratado em matéria tributária, ela
material básica para 60%. Diante do exposto, assinale a pode ser resolvida com conhecimento de direito inter-
assertiva correta. nacional e constitucional aplicável à matéria.

a) A multa é devida, no percentual de 60%, pois ocorre Alternativa correta: letra "c": Para tornar execu-
a retroação da lei que reduz penalidades, por se tra- tável o tratado no plano interno, faz-se mister a promul-
tar de ato não definitivamente julgado. gação mediante decreto executivo. Logo, o tratado pas-
sará a ter obrigatoriedade e vigorará no ordenamento
b) A multa é devida, no percentual de 60%, pois a lei jurídico interno na data de início da vigência do decreto
que reduz penalidades sempre retroage, mesmo que o promulgar. De mais a mais, importante relem-
que se trate de ato definitivamente julgado. brar que, de modo geral, a incorporação dos tratados
c) A multa é devida, no percentual de 100%, por se tra- na ordem interna passa por algumas fases, a saber: i)
negociação; ii) assinatura; iii) mensagem ao Congresso;
tar de ato definitivamente julgado na esfera admi-
iv) aprovação parlamentar via decreto legislativo; v)
nistrativa.
ratificação; vi) promulgação do texto via decreto pre-
d) A multa é devida, no percentual de 100%, pois se sidencial (decreto executivo). Por fim, vale acrescentar
aplica a lei vigente quando da ocorrência do fato que, em caráter excepcional e, com fulcro nos § 1° e §
gerador. 2°do art. 5° da CRFB, ocorrerá a aplicação imediata de
tratados que versam sobre direitos e garantias funda-
e) O juiz poderá fixar a multa em 60% ou 100% de mentais.
acordo com as circunstâncias em que tiver sido
cometida a infração tributária material básica. Demais alternativas: Conforme dito alhures, o
tratado internacional sobre matéria tributária assinado
COMENTARtOS pelo Brasil passa a vigorar no ordenamento jurídico
interno na data de início da vigência do decreto que o
Alternativa correta: letra Han: Trata-se da aplica- promulgar. Logo, através de Decreto executivo o tra-
ção do quanto previsto no art. 106, li, c, do CTN. tado passará a vigorar no território nacional.

Alternativa "b": Tratando-se de ato definitiva-


mente julgado não há que se falar em retroação da lei, 99. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - PI/ 2012) A
visto que tal hipótese não se insere entre as abrangidas respeito da disciplina das fontes do direito tributário,
pela retroatividade, ante a existência da coisa julgada. assinale a opção correta.

Alternativa Hc": A coisa julgada a que faz referencia a) Qualquer alteração no CTN deve ser feita por lei
o art. 106, li do CTN é restrita ao âmbito judicial, e não complementar ou por normas superiores, dada a
ao administrativo. determinação constitucional acerca da fixação de
normas gerais de direito tributário.
Alternativa "d": Nesse caso, tendo em vista
expressa previsão do art. 106, li, c, do CTN, deve haver b) O CTN não considera normas complementares do
a retroatividade da lei mais nova em detrimento da lei direito tributário as práticas reiteradas das autorida-
vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador. des administrativas.

Alternativa "e": Não há discricionariedade judicial c) Os convênios fiscais entre a União, os estados, o DF
na estipulação do percentual da multa tributária, sob e os municípios não veiculam a prática de assistên -
pena de violação às disposições do CTN. cia mútua, pois a atuação desses entes não é inte-
grada.

98. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - BA/ 2012) d) Os tratados e as convenções internacionais não são
Tratado internacional sobre matéria tributária assinado aptos a revogar ou modificar a legislação tributária
pelo Brasil passa a vigorar no ordenamento jurídico interna, pois não fazem parte da chamada legisla-
interno na data ção tributária.

a) da assinatura do projeto de tratado internacional. e) Resolução do Senado Federal pode cominar penali-
dades para ações ou omissões contrárias aos dispo-
b) de início da vigência do decreto legislativo que sitivos legais.
aprovar o respectivo projeto de tratado internacio-
nal.

c) de início da vigência do decreto que o promulgar. O Nota dos autores: Não há questionamento na
d) estabelecida pelo próprio tratado. assertiva. De fato, nas premissas básicas do direito tri-
butário se aprende o status do CTN, a gerar facilidade
e) da troca dos instrumentos de ratificação. na resolução da questão.
536 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa correta: letra "a": O art. 146, inciso Ili Alternativa correta: letra ud": A questão pode
da CF dispõe que cabe à lei complementar estabelecer levar o estudante a erro pois o fato gerador da obriga-
normas gerais em matéria de legislação tributária. Refe- ção acessória é previsto em legislação tributária, con-
rida LC é o CTN que, embora tenha nascido como uma forme define o § 2° do art. 113 do CTN, ao afirmar que
1'ei ordinária, foi recepcionado pela CF/88 com status "a obrigação acessória decorre da legislação tributária".
de lei complementar. Assim, apenas por esse veículo No entanto, o enunciado discutido vai além. Ele informa
normativo, bem como por uma norma superior (leia-se que sem algum fato subjacente descrito em lei, a obri-
emenda constitucional) poderá o CTN ser alterado. gação tributária acessória não surge. Numa mesma
sentença a assertiva fez duas afirmações. É dizer, não
Alternativa "b": Está incorreto. O CTN considera pode surgir o fato gerador da obrigação acessória, por
sim como normas complementares do direito tributário exemplo, declaração de informação de movimentos
as práticas reiteradas das autoridades administrativas de vendas de mercadorias, sem algum fato gerador de
(vide art. 100, inciso Ili, do CTN) obrigação principal que esteja a ele vinculado, direta ou
Alternativa "c": Incorreto, a assistência será mútua diretamente, no caso, o do ICMS, que só lei poderá defi-
e integrada. Confira: Art. 199 do CTN: "A Fazenda Pública nir. É que obrigações acessórias não surgem do nada, do
da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos capricho do Estado ou algo do tipo. Estão sempre atre-
Municipios prestar-se-ão mutuamente assistência para ladas a algum fato gerador definido em lei, ainda que
a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de não haja pagamento do tributo. Assim, noutro exemplo,
informações, na forma estabelecida, em caráter geral as obrigações acessórias do IR têm a necessidade de
ou específico, por lei ou convênio". uma lei definir o IR e seus consectários, de modo que
a configuração da obrigação acessória demanda defini-
Alternativa "d": Tratados e as convenções interna- ção em lei de algum tributo que lhe consubstancia. Essa
cionais fazem parte sim da chamada legislação tributá- a única interpretação a gerar acerto na questão.
ria consoante dispõe o art. 96 do CTN. Para além disso,
Alternativa "a": Há sim possibilidade de escolha
os tratados e as convenções internacionais revogam ou
segundo dispõe o art. 127 do CTN: "Art. 127. Na falta de
modificam a legislação tributária interna, e serão obser-
eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio
vados pela que lhes sobrevenha (Art. 98 do CTN).
tributário, na forma da legislação aplicável( ...)"
Alternativa "e": Apenas a lei poderá versar sobre Alternativa "b": Está incorreta. Nos termos do
a matéria de penalidades tributárias. Cite-se o art. 97, artigo 96 do CTN: "A expressão legislação tributária
inciso V do CTN: "art. 97. Somente a lei pode estabele- compreende as leis, os tratados e as convenções inter-
cer:( ...) V - a comi nação de penalidades para as ações ou nacionais, os decretos e as normas complementares
omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e rela-
infrações nela definidas". ções jurídicas a eles pertinentes."
Alternativa "c": Incorreta, pois somente a lei pode
100. (Vunesp - Juiz de Direito Substituto - MG/ estabelecer tais hipóteses. Nesse sentido é o teor do
2012) Assinale a alternativa correta. artigo 97, inciso VI, do CTN: "art. 97: somente a LEI pode
estabelecer: (...) VI - as hipóteses de exclusão, suspen-
a) Não há possibilidade legal de escolha, pelo contri-
são e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou
buinte ou responsável pelo tributo, de domicílio
redução de penalidades.
tributário.

b) Jamais poderão ser consideradas "fontes" do Direito 101. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - ES/ 2011)
Tributário os Decretos, Tratados e as Convenções Considerando as fontes do direito tributário, assinale a
Internacionais, em virtude do princípio da reserva opção correta.
legal.
a) O princípio da anualidade confunde-se com o
c) A exclusão, a suspensão e a extinção de créditos princípio da anterioridade tributária, ambos com o
tributários, bem como a dispensa ou exclusão de mesmo fundamento jurídico.
penalidades, podem ser estabelecidas por decreto
b) De acordo com o princípio da anterioridade anual,
específico à respectiva finalidade.
previsto constitucionalmente, é vedado à União,
d) Para que se configure o fato gerador da obrigação sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
acessória, é imprescindível previsão ou definição contribuinte, cobrar tributos no mesmo exercício
em lei. financeiro em que haja sido publicada a lei que os
instituiu ou aumentou.
c) Não se aplicam as regras gerais da vacatio legis à
lei tributária, ainda que não haja disposição sobre a
O Nota dos autores: A questão é confli-
data de sua entrada em vigor.
tuosa pois, embora as assertivas "a", "b" e "c" são facil-
mente descartadas, a assertiva "d" dificulta o estudante d) A característica principal do imposto de renda é o
de chegar a uma solução acertada. Os comentários em fato de esse tributo não ser progressivo, sendo suas
seu torno explicam o porquê. alíquotas fixadas taxativamente em lei.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 537
··································································································································
e) De acordo com a sistemática traçada pela CF, cabe à função da elevação da base de cálculo, buscando a apli-
lei ordinária dispor sobre conflitos de competência cação da capacidade contributiva (como ocorre com o
entre a União, os estados, o DF e os municípios, em IR), seja em função de um caráter sancionatório (como
matéria tributária. ocorre, por exemplo, com o IPTU e ITR). No caso do IR,
as alíquotas progressivas irão variar em função do valor
COMENTARIOS da riqueza tributável. Aqui vale a máxima: "quem ganha
mais, paga mais e quem ganha menos, paga menos."
O Nota dos autores: A questão envolve normas
gerais da tributação, incluindo os princípios da ante- Alternativa "e": Caberá à lei complementar (e não
rioridade tributária em nítida confusão com o da anu- lei ordinária) dispor sobre conflitos de competência.
alidade financeira. Como se verá, não se fala mais em Essa é a dicção do art. 146, inciso 1, do Texto Constitu-
anualidade tributária, descabendo qualquer dúvida cional.
nesse sentido.
Alternativa correta: letra "b": A assertiva consa- 102. (FCC - Juiz de Direito Substituto - PE/2013)
gra o princípio da anterioridade tributária previsto no Sobre as fontes do Direito Tributário é correto afirmar
art. lSO, Ili, "b", da CRFB, segundo o qual a instituição que
ou a majoração de tributo não pode ser cobrada no
a) somente a lei em sentido estrito é fonte instituidora
mesmo exercício em que a lei foi publicada, salvo exce-
de tributos, especialmente impostos.
ções constitucionais. Embora a banca examinadora só
tenha citado a União, tal princípio é também aplicável b) a fixação das alíquotas máximas do Imposto sobre
aos demais entes políticos. Acrescente-se que, embora Transmissão causa mortis e Doação - ITCD e das alí-
não tenha sido objeto da assertiva, vale lembrar que quotas mínimas do Imposto sobre a Propriedade de
deve ser ainda observado o intervalo mínimo de 90 dias Veículo Automotor - IPVA se dá por Resolução do
entre a lei que cria ou aumenta o tributo e o tempo da Senado Federal.
sua cobrança (princípio da anterioridade nonagesimal
previsto no art. lS0, 111, "c", da CRFB). c) a lei complementar em matéria tributária é
hierarquicamente superior à lei ordinária em qual-
Alternativa "a": Não há similitude entre o princípio quer hipótese em que venha a ser exigida, quer
da anualidade com o princípio da anterioridade tribu- quando fixa normas gerais, quer quando seja fonte
tária. No passado, para se cobrar tributos, o orçamento instituidora de tributos.
deveria autorizar dita cobrança. Ou seja, não bastava a
lei instituir o tributo. Deveria, além disso, a lei orçamen- d) a Instrução Normativa derroga a lei instituidora do
tária autorizar a sua arrecadação. Desse modo, qualquer tributo naquilo que for do âmbito de competência
tributo criado ou majorado após a aprovação da lei da autoridade administrativa com atribuição para
orçamentária, não poderia ser cobrado pela ausência editá - la, já que norma especial derroga norma
de autorização. A premissa era a de que não se poderia geral.
cobrar um tributo se não se previu a sua necessidade
e) a Constituição Federal autoriza expressamente a
para tanto. Com a entrada em vigor da anterioridade
instituição ou majoração de todos os tributos por
tributária (art. lSO, Ili, "b" da CF/88) não se tornou mais
meio de medida provisória, desde que se trate de
necessário vincular a cobrança do tributo a uma autori-
tributo de competência da União.
zação orçamentária, não se podendo mais falar em anu-
alidade tributária, mas apenas em anualidade, quando
COMENTA RIOS
se refere ao direito financeiro, e anterioridade, quando
se refere ao direito tributário. O Nota dos autores: De forma sucinta, podemos
Alternativa "c": Aplicam-se sim as regras gerais definir fontes do direito tributário como os modos pelos
da vacatio legis à lei tributária. Nesse sentido é o teor quais este ramo do direito se expressa. A grande impor-
do art. 101 do CTN: "A vigência, no espaço e no tempo, tância do estudo das fontes do direito consiste em saber
da legislação tributária rege-se pelas disposições legais até onde vai o poder normativo e coercitivo das normas
aplicáveis às normas jurídicas em geral, ressalvado o jurídicas. É através da fonte que se observa o poder de
previsto neste Capítulo". As disposições gerais estão uma norma. No direito tributário saber a fonte é impor-
previstas na Lei de Introdução às normas do Direito tante, pois o princípio da legalidade estrita exige uma
Brasileiro - LINDB, de modo que, quanto à vigência no fonte específica, há normas específicas para a insti-
tempo, prevalecem as disposições das normas jurídicas tuição de determinados tributos, além de que outras
em geral (Vide arts. 1° e 2° da LINDB). Contudo, cumpre fontes formais primárias como as resoluções possuem
lembrar, os princípios constitucionais da anterioridade papel relevante.
anual e nonagésima devem ser aplicados em conjunto
Alternativa correta: letra "b": Esta assertiva
com aludidas normas.
decorre de expressa disposição dos art. lSS, § 1°, inciso
Alternativa "d": Pelo contrário. O imposto de IV da CF (ITCMD) e art. lSS, § 6°, inciso 1 da CF (IPVA). Os
renda é sim um imposto progressivo, por expressa dic- três impostos estaduais possuem interferência da casa
ção constitucional, e suas alíquotas são fixadas pela lei. do Senado, pela representatividade estadual igualitária
Com efeito, na progressividade, a alíquota varia, seja em ali presente.
538 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa "a": De fato esta é a regra geral exis- nado pelo Direito Tributário, que pode alterá-lo de
tente em nosso sistema, nos termos do Art. 150, 1, da acordo com seus interesses.
CF c/c art. 97 do CTN. Todavia, existem exceções igual-
mente previstas como é o caso do art. 62 da CF, que a) Apenas as assertivas 1, li e IV estão incorretas.
autoriza a instituição de impostos por meio de Medidas b) Apenas a assertiva Ili está incorreta.
Provisórias. De fato, Emenda Constitucional nº 32/2001
inseriu o comando do art. 62, § 2°, CF, permitindo a utili- c) Apenas a assertiva 1está correta.
zação de medida provisória {MP) em matéria tributária.
d) Apenas as assertivas li e IV estão corretas.
Alternativa "e": No passado, pensava-se haver hie-
rarquia entre lei complementar e lei ordinária. Esse foi o COMENTA RIOS
posicionamento de grande parte da doutrina e do STJ,
a exemplo da Súmula 276 do STJ. No entanto, o STF em O Nota dos autores: A questão demanda conheci-
julgamento posterior assinalou que não há hierarquia mento dos arts. 109 e 110 do CTN, basicamente em rela-
entre lei ordinária e lei complementar. O que há são ção à possibilidade de os conceitos privados poderem
campos de atuação diversos. ser ou não alterados pelo direito tributário, e, se sim, de
que forma. No ponto, basta lembrar que se o instituto
Alternativa "d": t sabido que a Instrução Nor-
de direito privado estiver previsto em lei infraconsti-
mativa está em um plano hierárquico inferior à Lei, de
tucional, ele poderá ser alterado pela lei tributária. No
forma que a primeira tem como fonte de validade a
entanto, se estiver previsto na CF, só emenda à Consti-
segunda. Sua previsão está no art. 100 do CTN que de
tuição poderá alterar o seu alcance.
forma cristalina afirma seu caráter infralegal. Assim,
não pode determinada Instrução Normativa dispor de
Alternativa correta: letra "a": As alternativas 1, li
forma contrária à lei, sob pena de ser ilegal.
e IV estão incorretas, pois vão de encontro ao quanto
Alternativa "e": A Constituição apenas autoriza a previsto do art. 110 do CTN in verbis: A lei tributária não
majoração e instituição de imposto por medida provi- pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de ins-
sória {art. 62, § 2). Porém, o próprio STF tem se mani- titutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados,
festado no sentido de conferir uma interpretação expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal,
ampliativa deste dispositivo permitindo instituir outras pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas
espécies tributos por meio de Medidas Provisórias, pois, do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou
segundo o Tribunal, a Constituição Federal não prevê limitar competências tributárias.
quaisquer restrições para obstaculizar essa veiculação.
No entanto, há vedação expressão ao manejo de MP No item 1, o problema maior reside no fato de que
para áreas adstritas às leis complementares. Sendo os institutos da prescrição e decadência estão previstos
assim, como há tributos dependentes desse veículo na CF. No item li, o erro está em privar a Constituição
para sua instituição {impostos sobre grandes fortunas, Estadual de modificar o instituto da capacidade tribu-
empréstimos compulsórios, dentre outros), fica clara tária. Nenhuma proibição há nesse sentido. Quanto à
que não são todos os tributos que podem ser instituídos impossibilidade de modificar a competência tributária,
por medida provisória. não resta qualquer dúvida, tendo em vista a rigidez das
competências constitucionais. Por fim, no item IV, o erro
está na possibilidade de o Direito Tributário alterar o
103. (PUC/PR - Juiz Substituto - PR/ 2010) Analise as
conceito de mercadoria, uma vez que esta palavra pos-
assertivas abaixo e, a seguir, assinale a alternativa COR-
sui sede constitucional e, por isso, está vinculada ao seu
RETA:
conceito pré-constitucional e infraconstitucional.
1. Os conceitos de direito privado utilizados pelo
direito tributário sempre podem ser modificados Alternativa "b": O item Ili está correto, conforme
e adaptados às peculiaridades do direito tributário, redação do art. 109 do CTN.
como aconteceu amiúde com a prescrição e a deca-
Alternativas "e" e "d": Vide respostas acima.
dência.
11. A Constituição Estadual, embora possa usar con-
104. {Vunesp-Juiz Substituto-SP/ 2009) O conceito
ceitos de direito tributário, não pode modificá-los
de mercadoria adotado pela Constituição Federal
quando tratam de capacidade tributária e compe-
tência tributária. a) é matéria sob reserva de lei tributária.
Ili . Os princípios de direito privado são essenciais para b) pode ser alterado para efeito de definir competên-
a compreensão dos institutos tributários, sobre- cia tributária.
tudo para determinação de seu alcance e efeitos
tributários. c) abrange todo e qualquer bem cuja propriedade
possa ser transferida mediante contrato de compra
IV. O conceito de "mercadoria", advindo do Direito e venda.
Privado, é utilizado pela Constituição Federal para
a tributação do ICMS, mas seu alcance será determi- d) é o que a lei comercial define como tal.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 539

COMENTA RIOS tação literal da legislação que autoriza a dispensa de


obrigações tributárias acessórias.
O Nota dos autores: A questão refere-se ao tema
Alternativa "b": Item incorreto. As decisões dos
"Interpretação e Integração da Legislação Tributária"
órgãos singulares, a que faz referência a alternativa,
previsto nos arts. 107 a 112 do CTN.
entram em vigor trinta dias após a data de sua publica-
Alternativa correta: letra "d": A lei tributária não ção, forte no art. 103, li, do CTN.
pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de ins-
Alternativa "c": A retroatividade da lei que deixa
titutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados,
de definir um ato como infração não atinge os jádefini-
expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal,
tivamente julgados, conforme art. 106, li, do CTN.
pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas
do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou Alternativa "d": A alternativa conflita com o
limitar competências tributárias (art. 110 do CTN). Dessa disposto no art. 108, § 2° do CTN, que prevê que "o
forma, o conceito de mercadoria adotado pela Consti- emprego da equidade não poderá resultar na dispensa
tuição Federal é o que a lei comercial define como tal. do pagamento de tributo devido".
Alternativa "a": A definição, o conteúdo e o Alternativa "e": Os princípios de direito privado
alcance de institutos, conceitos e formas de direito pri- não se prestam para a definição dos efeitos tributários
vado não pode ser alterado pela lei tributária. dos seus institutos, mas apenas para a pesquisa da sua
definição, conteúdo e alcance, conforme art. 109 do
Alternativa "b": Nos termos doart. 110 do CTN, a
CTN.
lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo
e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito
privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela 106. (PGE/PA - Procurador do Estado - PA/ 2009)
Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, No que se refere ao Sistema Constitucional Tributário, é
ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Muni- INCORRETO afirmar:
cípios, para definir ou limitar competências tributárias. a) As limitações ao poder de tributar são consideradas
Alternativa "c": O conceito de mercadoria dado cláusulas pétreas, por isso insuscetíveis de supres-
pelo Direito Privado é vinculante do Direito Tributário, são ou excepcionalização, mesmo que por Emenda
ex vi do art. 110 do CTN. Pela amplitude do conceito, Constitucional.
até mesmo um bem imóvel, objeto de compra e venda, b) A legalidade constitucional constitui garantia fun-
seria mercadoria, o que não é possível.
damental do contribuinte, contudo a própria Cons-
tituição permite exceções como a alterações de alí-
105. (Vunesp - Juiz Substituto - MT 2009) Assinale a quotas do ICMS pelo Poder Executivo.
assertiva que estiver em consonância com o que dispõe
c) As medidas provisórias, tendo força de lei, são aptas
o Código Tributário Nacional no que concerne à "legis-
a instituição ou majoração de tributos para as quais
lação tributária".
se faça necessária lei ordinária, devendo ser subme-
a) Interpreta-se literalmente a legislação tributária tidas, de imediato, ao Congresso Nacional.
que disponha sobre a dispensa de obrigações tribu-
d) Os tributos em geral submetem-se cumulativa-
tárias acessórias.
mente à anterioridade de exercício e à anteriori-
b) As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de dade mínima de 90 (noventa) dias, estabelecidas
jurisdição administrativa, a que a lei atribuir eficácia pela Constituição Federal, enquanto as contribui-
normativa, como normas complementares que são, ções da seguridade social submetem-se exclusiva-
entram em vigor na data de sua publicação. mente à anterioridade nonagesimal.
c) A lei aplica-se a ato pretérito, independentemente
COMENTÁRIOS
de estar ou não definitivamente julgado, quando
deixe de defini-lo como infração. Alternativa incorreta: letra "b": A questão está
d) Do emprego da equidade, diante de ausência de incorreta, pois a Constituição Federal não excepciona
disposição expressa na legislação tributária, poderá o Princípio da legalidade no que tange à alterações de
resultar dispensa do pagamento de tributo devido. alíquotas do ICMS pelo Poder Executivo. O Presidente
da República pode, mediante decreto, majorarou redu-
e) Os princípios gerais de direito privado utilizam- zir (e não instituir) as alíquotas dos seguintes tributos:
-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do Imposto de Importação - li; Imposto de exportação - IE;
alcance de seus institutos, conceitos e formas, inclu- Imposto sobre produtos industrializados - IPI; Imposto
sive, para definição dos respectivos efeitos tributá- sobre operações financeiras - IOF; ICMS - combustível e
rios. CIDE - Combustível.

COMENTARIOS Alternativa "a": Os princípios e as imunidades são


considerados como limitações constitucionais ao poder
Alternativa correta: letra "a": Trata-se da mera de tributar.Diversas limitações constitucionais foram
dicção do art. 111, Ili, do CTN, que determina a interpre- consideradas como cláusulas pétreas pelo STF, a exem-
540 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

pio do Princípio da anterioridade (art. 150, Ili, "b" e "e" comum a todos os entes políticos (art. 145, Ili da CF c/c
CF), que veda a cobrança de tributos no mesmo exer- art. 81 do CTN).
cício financeiro em que haja sido publicada a lei que os
Alternativa "c": Existem dois tipos de taxas: i) taxas
instituiu ou aumentou (ADIN 939-7 DF).
de fiscalização e ii) taxas de serviço público específico
Alternativa "c": A medida provisória pode fazer, e divisível. Segundo o artigo 77 do CTN, as taxas têm
em regra, o que lei ordinária pode fazer. Logo, se lei como fato gerador o exercício regular do poder de
ordinária pode instituir tributo, medida provisória tam- polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço
bém pode. E ela segue o trâmite normal previsto no art. público específico e divisível, prestado ao contribuinte
62 quanto institui ou majora tributo, não se limitando ou posto à sua disposição. O erro da assertiva foi men-
a apenas iniciar o processo legislativo. Lembre-se que cionar que a taxa de serviço é indivisível, quando na ver-
medida provisória não pode versar sobre matéria objeto dade é divisível. Serviços indivisíveis são custeados com
de Lei Complementar (art. 62, § 1°, Ili da CF). os recursos dos impostos.
Alternativa "d": Os tributos em geral, salvoexce- Alternativa "d": Os impostos extraordinários, pre-
ções descritas no art. 150, § 1° da CF, estão submetidos vistos no art. 154, inciso li da CRFB são de competência
simultaneamente aos princípios da anterioridade anual da União e serão veiculados por lei ordinária, não exi-
e nonagesimal. As contribuições da seguridade social, gindo, para tanto, lei complementar. Diferentemente,
por sua vez, submetem-se exclusivamente à anteriori- o empréstimo compulsório para guerra externa exige
dade nonagesimal nos termos do art. 195, § 6° da CF. sempre lei complementar.

107. (FMP - Procurador do Estado - AC/ 2012) Assi- 108. (UEPA - Procurador do Estado - PA/ 2012) Ana-
nale a alternativa correta. lise as proposições a seguir:
a) Mediante lei complementar, a União poderá ins- 1. O Supremo Tribunal Federal entende que, excep-
tituir empréstimos compulsórios para atender cionalmente. o legislador poderá instituir tributos
despesas extraordinárias decorrentes de guerra como sanção de ato ilícito.
externa ou sua iminência. li. As multas pelo descumprimento da legislação
b) Somente a União pode cobrar contribuição de tributária, embora não constituindo tributos, são
melhoria em razão de obras públicas. consideradas obrigação tributária principal ao lado
dos tributos, o que permite que ambos sejam sub-
c) Taxas, de acordo com o Código Tributário Nacional
metidos ao mesmo regime de constituição, decisão
(CTN), podem ser cobradas em razão da prestação
administrativa, inscrição em dívida ativa e execu-
serviços públicos específicos e indivisíveis.
ção.
d) De acordo com a Constituição Federal, a União Ili. Ao adotar o princípio da capacidade contributiva e
pode instituir, desde que por lei complementar, a vedação ao confisco, a Constituição de 1988 expli-
impostos extraordinários compreendidos ou não citamente deixou de receber o conceito de tributo
em sua competência tributária. do Art. 3° do Código Tributário nacional.

COMENTÃRIOS IV. O crédito tributário regularmente constituído


somente se modifica ou se extingue, ou tem sua
O Nota dos autores: Sobre o tema objeto da exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos pre-
assertiva correta, relembre-se que, em regra, os tribu- vistos no Código Tributário Nacional, fora dos quais
tos serão veiculados por lei ordinária, sendo, porém, não podem ser dispensadas a sua efetivação e as
instituídos por lei complementar em quatro hipóteses: respectivas garantias, sob pena de responsabili-
1) impostos sobre grandes fortunas; li) impostos residu- dade funcional.
ais da União; Ili) contribuições residuais da seguridade
De acordo com as proposições apresentadas, estão
social e IV) empréstimos compulsórios.
CORRETAS:
Alternativa correta: letra "a": Os empréstimos
a) 1e li
compulsórios, de competência da União, só poderão
ser instituídos por lei complementar, e em situações b) lelll
específicos, sendo a guerra externa ou sua iminência c) llelll
uma delas. Esse é o teor do art. 148 da Carta Maior,
d) 11, 111 e IV
nos seguintes termos: A União, mediante lei comple-
mentar, poderá instituir empréstimos compulsórios: 1 e) li e IV
- para atender a despesas extraordinárias, decorrentes
de calamidade pública, de guerra externa ou sua imi- COMENTÃRIOS
nência; li - no caso de investimento público de caráter O Nota dos autores: Seguindo a linha das provas
urgente e de relevante interesse nacional, observado o mais recentes da Procuradoria Geral do Estado do Pará,
disposto no art. 150, Ili, "b''. a questão aborda assuntos que exigem dos candidatos
Alternativa "b": Assertiva incorreta, pois a com- conhecimentos aprofundados da jurisprudência supe -
petência para instituição da contribuição de melhoria é rior e da "lei seca".
Capítulo 4 - Legislação Tributária 541

Alternativa correta: letra "e": Itens li e IV. d) Conquanto tenham natureza diversa de tributo, as
multas estão abarcadas, segundo forte entendi-
Item 1: Errado. Conforme é cediço, o tributo não
mento doutrinário e jurisprudencial, pelo princípio
deve se constituir em sanção de ato ilícito, a teor do
da vedação ao confisco.
quanto disposto no art. 3° do Código Tributário Nacio-
nal. Este entendimento é referendado pela jurisprudên- e) É de competência legiferante estadual o imposto
cia do Supremo Tribunal Federal, que tem sido firme no sobre a transmissão gratuita, onerosa e causa mor-
sentido de que o tributo, em nenhuma hipótese, pode tis, de quaisquer bens ou direitos.
se constituir como penalidade de uma situação ilícita,
conforme disposto no RE 94001/SP. Dúvida poderia COMENTARIOS
surgir com relação à multa, mas esta, ao contrário do
O Nota dos autores: A questão é ampla e envolve
tributo, tem por função precípua ser uma reprimenda
conhecimento geral do direito tributário. O estudante
a uma conduta irregular de um indivíduo e, cumpre
que conhece os institutos da disciplina e está atualizado
relembrar, multa não é tributo.
com jurisprudência, não se deixa levar pelos erros das
Item li: Alternativa correta. Apesar de ambas (multa assertivas.
e tributo) serem consideradas como receitas derivadas,
Alternativa correta: letra "d": As multas, segundo
a multa é, por definição, justamente o que o tributo,
forte entendimento doutrinário e jurisprudencial, estão
também por definição, está proibido de ser: uma san-
sim adstritas ao princípio da vedação ao confisco.
ção. Entretanto, a multa também pode ser considerada
Confira: "É cabível, em sede de controle normativo
obrigação principal, sendo submetida, consequente-
abstrato, a possibilidade de o Supremo Tribunal Fede-
mente, ao mesmo regime de formalização e cobrança
ral examinar se determinado tributo ofende, ou não, o
dos tributos. É que, como multa e tributo consistem em
princípio constitucional da não-confiscatoriedade con-
obrigação de "dar", ambas fazem parte do conceito de
sagrado no art. 150, IV, da Constituição da República.
obrigação tributária principal e, conforme se depreende
Hipótese que versa o exame de diploma legislativo (Lei
de autos de infração, a multa segue todo o trâmite de
8.846/94, art. 3° e seu parágrafo único) que instituiu
cobrança dos tributos.
multa fiscal de 300% (trezentos por cento). A proibição
Item Ili: A assertiva está equivocada. Apesar de constitucional do confisco em matéria tributária - ainda
eventuais críticas doutrinárias à sua redação deficiente, que se trate de multa fiscal resultante do inadimple-
pode-se afirmar que o art. 3° do Código Tributário mento, pelo contribuinte, de suas obrigações tribu-
Nacional foi devidamente recepcionado pela Consti- tárias - nada mais representa senão a interdição, pela
tuição Federal de 1988, não sendo correto o entendi- Carta Política, de qualquer pretensão governamental
mento de que o princípio da capacidade contributiva e que possa conduzir, no campo da fiscalidade, à injusta
a vedação do confisco tenham permitido a não recep- apropriação estatal, no todo ou em parte, do patrimô-
ção explícita do conceito de tributo previsto no citado nio ou dos rendimentos dos contribuintes, comprome-
diploma tributário. Antes, e ao contrário, referidos prin- tendo-lhes, pela insuportabilidade da carga tributária,
cípios servem de norte para a própria performação dos o exercício do direito a uma existência digna, ou a prá-
tributos. Em nenhum momento há qualquer referência tica de atividade profissional lícita ou, ainda, a regular
à capacidade contributiva e à vedação ao confisco no satisfação de suas necessidades vitais básicas. O Poder
conceito de tributo. Público, especialmente em sede de tributação (mesmo
tratando-se da definição do quantum pertinente ao
Item IV: Trata-se da redação literal do art. 141 do
valor das multas fiscais), não pode agir imoderada-
Código Tributário Nacional, que prevê a inalterabili-
mente, pois a atividade governamental acha-se essen-
dade do crédito tributário - ou seja, a rigor, não será
cialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade
suspenso, excluído, extinto ou modificado - salvo nas
que se qualifica como verdadeiro parâmetro de aferição
hipóteses previstas no próprio diploma, tais como par-
da constitucionalidade material dos atos estatais." (ADI
celamento, pagamento, remissão, moratória etc.
1.075-MC, Rei. Min. Celso de Mello, julgamento em 17-6-
98, DJ de 24-11-06).
109. (PGE-GO - Procurador do Estado - GOi 2013)
Sobre o Sistema Tributário Nacional, está CORRETA a Alternativa "a": As limitações ao poder de tributa-
seguinte proposição: ção não estão especificadas apenas na seção constitu-
cional "Das Limitações do Poder de Tributar" (Seção li
a) As limitações ao poder de tributação estão especifi- do Capítulo 1 do Título VI da CF). A CF está prenhe de
cadas única e exclusivamente na seção constitucio- artigos que tratam das limitações ao poder de tribu-
nal "Das Limitações do Poder de Tributar". tar, sobretudo no seu Título li, que trata "Dos direitos
e das garantias fundamentais". Para além disso, outras
b) As limitações ao poder de tributação do Estado não
normas tributárias fora da Seção li constituem-se em
sofrem qualquer tipo de restrição material quanto
verdadeiras limitações ao poder de tributar, tais como:
à reforma constitucional, desde que atendidos os
Princípio da Não-Cumulatividade (art. 155, § 2°, 1da CF;
pressupostos formais e circunstanciais pertinentes.
art. 153, § 3°, li, art. 154, 1da CF); Princípio da não afe-
c) A União pode, em regra, criar isenção heterônoma. tação dos impostos (art. 167, inciso IV da Carta Magna);
542 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Princípio da capacidade contributiva (§ 1° do art. 145), COMENTÁRIOS


dentre outros.
Alternativa correta letra "a": Redação clara do art.
Alternativa "b": As limitações ao poder de tribu-
146, Ili da CF.
tação do Estado sofrem sim restrições materiais quanto
à reforma constitucional. Diversos princípios tributários Alternativa "b": Se há lei complementar traçando
são cláusulas pétreas, e, por isso, imodificáveis. Exemplo norma geral sobre legislação tributária, não pode o
disso é o princípio da anterioridade que foi considerado Estado alterá-la através de lei específica (art. 24 e §§ da
cláusula pétrea segundo o STF (ADI 939). CF).

Alternativa "c": A isenção é forma de exclusão do Alternativa "c": O art. 146, Ili, "b" da CF reza que
crédito tributário. Apenas pode conceder isenção quem "obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadên-
cia tributários" são temas adstritos à lei complementar,
tem o poder de tributação (isenção autónoma ou auto-
não podendo, por isso, serem regulamentados pelos
nómica). Recorde-se que o principio da vedação às
Estados sem observância do quanto disposto na lei
isenções heterõnomas (art. 151, Ili da CF), corolário
complementar de regência.
do pacto federativo, apregoa ser o poder de isentar
ínsito ao poder de tributar. Assim, a criação de isen- Alternativa "d": Não há essa competência à lei
ção heterõnoma pela União é exceção e não a regra. complementar dada pela CF. O art. 146 contempla
Exemplo excepcional é quanto à possibilidade da outras hipóteses.
União conceder através de lei complementar isen-
Alternativa "e": Pelo art. 146, Ili, "a" da CF, cabe à lei
ção heterônoma do 155 nas exportações de serviços
complementar estabelecer normas gerais em matéria
para o exterior (art. 156, § 3°, inciso li da CRFB). No que
de legislação tributária, especialmente sobre definição
concerne à concessão de isenções de tributos estaduais de tributos e de suas espécies, bem como, em relação
e municipais pela União no bojo de tratados internacio- aos impostos discriminados na Constituição, a dos res-
nais, vale salientar que, de acordo com o STF, tal hipó- pectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuin-
tese, apesar de possível, não se caracteriza como uma tes.
isenção heterônoma (RE 229.096/RS).

Alternativa "e": É de competência legiferante esta- 111. (CE5PE - Procurador do Estado - PB/ 2008) De
dual o imposto sobre a transmissão gratuita (doação) e acordo com a CF, constitui exigência de lei complemen-
causa mortis, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD). A tar, no âmbito do direito tributário, a
transmissão onerosa de bens imóveis compete ao muni-
a) instituição de contribuição social sobre a remunera-
cípio através do ITBI ou ITIV (Imposto sobre transmissão
ção paga aos autônomos.
inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens
imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos b) concessão de isenção pela União no caso de
reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como imposto sobre circulação de mercadorias e servi-
cessão de direitos a sua aquisição). ços.

c) instituição de contribuição de melhoria quando a


110. (CE5PE - Procurador do Estado - CE/ 2008) obra pública que implique valorização imobiliária
Acerca das normas referentes ao Sistema Tributário referir-se a localidade que beneficie dois estados da
Nacional. assinale a opção correta. Federação.

a) Cabe a lei complementar estabelecer normas gerais d) instituição de empréstimo compulsório por estado
em matéria de legislação tributária. da Federação com o objetivo de atender despesas
extraordinárias decorrentes de calamidade pública.
b) A lei complementar estabelece normas gerais
e) instituição, pela União, de imposto sobre grandes
acerca do crédito tributário, fazendo que os esta-
fortunas.
dos, caso queiram alterá-las, aprovem lei específica
nesse sentido.
COMENTÁRIOS
c) O lançamento tributário, a prescrição e a decadên-
O Nota dos autores: Em regra, a lei ordinária é ins-
cia podem ser regulamentados pelos estados, sem
tituidora de tributo. Excepcionalmente será instituído
necessidade de se observarem as regras gerais dis-
por Lei Complementar: 1) imposto sobre grandes for-
postas na lei complementar federal.
tunas; li) impostos residuais da União, Ili) contribuições
d) A lei complementar estabelece normas gerais ares- previdenciárias residuais e IV) empréstimos compulsó-
peito do adequado tratamento tributário a ser dado rios.
à comercialização de produtos pelas sociedades de Alternativa correta letra "e": Conforme afirmado,
economia mista. confira-se com o art. 153, VII da CF.
e) Lei complementar deve dispor acerca da definição Alternativa "a": Como a sua materialidade está
de tributos, suas espécies e fatos geradores, mas descrita na CF (art. 195, li da CF), o tributo poderá ser
não, acerca da definição de bases de cálculo. instituído por lei ordinária.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 543

Alternativa ub": A União, do ponto de vista


113. (FCC - Procurador do Estado - MT/ 2011) Viger é
interno, não poderá conceder isenção de tributo esta-
dual. A hipótese prevista no art. 155, § 2°, XII, "e" da CF ter força para disciplinar, para reger, cumprindo a norma
foi suplantada pela prevista no inciso X, "a" do mesmo seus objetivos finais . A vigência é propriedade das
regras jurídicas que estão prontas para propagar efei-
parágrafo.
tos, tão logo aconteçam, no mundo fático, os eventos
Alternativa "c": Este tributo pode ser criado por lei que elas descrevem. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso
ordinária. de direito tributário. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p.
Alternativa ud": Estado da federação não tem 116-117)
competência para instituir empréstimo compulsório. Sobre vigência das normas complementares, de
acordo com o Código Tributário Nacional, é correto afir-
112. (COPS - Procurador do Estado - PR/ 2011) Den- mar que
tre as alternativas abaixo, aponte aquela que estiver a) os atos normativos expedidos pelas autoridades
correta: administrativas entram em vigor 45 dias a contar de
a) a expressão "legislação tributária" compreende as sua publicação.
leis, os tratados e as convenções internacionais, b) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de
exclusive decretos e normas complementares, que jurisdição administrativa, a que a lei atribuir eficácia
versem, no todo ou em parte, sobre tributos e rela- normativa, entram em vigor 30 dias após a data de
ções jurídicas a eles pertinentes; sua publicação, salvo disposição em contrário.
b) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de c) os convênios que entre si celebram a União, os Esta-
jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia dos, o Distrito Federal e os Municípios entram em
normativa, são consideradas normas complemen- vigor 30 dias após a data de sua publicação, salvo
tares das leis, dos tratados e convenções internacio-
disposição em contrário.
nais e dos decretos;
d) as práticas reiteradamente observadas pelas auto-
c) a legislação tributária interna revoga ou modifica
ridades administrativas entram em vigor na data de
os tratados e as convenções internacionais, e será
sua publicação, salvo disposição de lei em sentido
observada pelos que lhe sobrevenha;
contrário.
d) as práticas reiteradamente observadas pelas auto-
e) os atos normativos expedidos pelas autoridades
ridades administrativas, por sua vez, não são con-
administrativas e as decisões dos órgãos singulares
sideradas normas complementares da legislação
ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei
tributária;
atribuir eficácia normativa, entram em vigor na data
e) o conteúdo e o alcance dos decretos não se restrin- de sua publicação, salvo disposição de lei em sen-
gem aos das leis em função das quais sejam expe- tido contrário.
didos, podendo ser também determinados pelas
regras de interpretação da legislação tributária. COMENTARIOS

COMENTÁRIOS Alternativa correta letra "b": Trata-se de redação


do art. 103, li do CTN.
O Nota dos autores: Trata-se de conhecimento
Alternativa "a": A assertiva tenta confundir o estu-
puro e simples das disposições gerais acerca da legisla-
dante apresentando o período de vacância geral. dado
ção tributária (arts. 96 a 100 do CTN)
pela LINDB (45 dias). No caso, pela redação do art. 103,
Alternativa correta: letra "b": Trata-se de repetição I, do CTN, os atos administrativos, salvo disposição em
do art. 100, li do CTN, que elenca as normas comple- contrário, entram em vigor na data de sua publicação.
mentares das leis, dos tratados e das convenções inter-
Alternativa "c": Pela redação do art. 103, Ili, do
nacionais e dos decretos.
CTN, os convênios entram em vigor na data neles pre-
Alternativa "a": O erro está no "exclusive". Deveria vista.
ser "inclusive• (art. 96 do CTN).
Alternativa "d": O art. 103 do CTN não trata da
Alternativa uc": Há uma inversão da redação do vigência das práticas reiteradas, até porque, por óbvio,
art. 98 do CTN. Na verdade, são os tratados e as conven- não se pode precisar o momento de sua vigência.
ções internacionais que revogam ou modificam a legis-
Alternativa ue•: Pelo visto, os atos administrativos
lação tributária interna.
entram em vigor na data de sua publicação, ao passo
Alternativa "d": Diferentemente do que afirma que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos, 30
o enunciado, as práticas reiteradamente observadas dias após a data de sua publicação.
pelas autoridades administrativas são normas comple-
mentares (art. 100, Ili do CTN).
114. (CESPE - Procurador do Estado - PB/ 2008) Assi-
Alternativa "e": Comezinho afirmar que os decre- nale a opção correta quanto à aplicação da legislação
tos são adstritos às leis (art. 99 do CTN). tributária.
544 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

a) A lei tributária que extinguir ou reduzir isenção trário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde
entra em vigor no prazo de noventa dias, ressalvada que não tenha sido fraudulento e não tenha impli-
a hipótese de d ispor de maneira mais favorável ao cado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
contribuinte. comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática".
b) No regime hermenêutico tributário, interpretação e
integração evidenciam, para o intérprete, a mesma
dimensão jurídica quanto aos aspectos teleológicos 115. (CESPE- Procurador do Estado -AL/ 2008) Com
e axiológicos. relação ao direito tributário, considerando que seja
editada a lei ordinária Y, esclarecendo como deverá ser
c) A lei tributária pode alterar a definição, o conteúdo
aplicada a lei vigente X, que possui penalidades para as
e o alcance de institutos, conceitos e formas de
infrações a seus dispositivos, assinale a opção correta.
direito privado, utilizados, expressa ou implicita-
mente, pela CF, pelas constituições dos estados, ou a) A lei Y só poderá ser aplicada a ato e fato futuro ou
pelas leis orgânicas do DF ou dos municípios. pendente, como rege o CTN.
d) A concessão de isenções e a dispensa das obriga- b) A lei Y sempre terá aplicação a ato ou fato preté-
ções acessórias devem ser interpretadas literal- rito, quando houver a imposição de penalidades às
mente. infrações dos dispositivos interpretados.
e) A aplicação retroativa da legislação tributária
c) A lei X foi revogada, pois a lei Y regulamentou a
ocorre apenas nos casos em que a lei posterior seja
mesma matéria.
expressamente interpretativa, excluída a aplicação
de penalidade a infração dos dispositivos interpre- d) Em qualquer caso, quando for expressamente inter-
tados. pretativa, a lei Y aplicar-se-á a ato ou fato pretérito.

COMENTARIOS e) Fato gerador ocorrido antes da vigência da lei Y não


será por ela atingido, em virtude do princípio da
Alternativa correta letra "d": Redação do art. 111 irretroatividade.
do CTN. De fato, interpretam-se literalmente (i) a sus-
pensão ou exclusão do crédito tributário; (ii) a outorga COMENTARIOS
de isenção; e (iii) a dispensa do cumprimento de obriga-
ções tributárias acessórias. O Nota dos autores: Pelo que se pode perceber,
a lei ordinária Y é lei interpretativa, e, como tal, a ela é
Alternativa "a": pela redação do art. 104, Ili do CTN,
aplicado o art. 106, Ido CTN: •A lei aplica-se a ato ou fato
entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte
pretérito: 1 - em qualquer caso, quando seja expressa-
àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos
mente interpretativa, excluída a aplicação de penali-
de lei que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a
lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte. dade à infração dos dispositivos interpretados".
Em sentido contrário, é o posicionamento do STF pela Alternativa correta: letra "d": Pela redação do art.
desnecessidade de observância da anterioridade na 106 do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito em
revogação de isenção, tornando-se o tributo imediata-
qualquer caso, quando seja expressamente interpreta-
mente exigível (STF - RE 204062/ES - 2ª. Turma - Rei.
tiva, excluída a aplicação de penalidade à infração dos
Min. Carlos Velloso - julg. 27/09/96).
dispositivos interpretados.
Alternativa "b": Segundo a doutrina, e de modo
bem comezinho, afirma-se que quando há dispositivo Alternativa "a": Está incorreta, pois, como a lei é
legal a ser aplicado, a hipótese é de interpretação da expressamente interpretativa, ela se aplica a ato ou fato
legislação tributária. Na ausência de dispositivo legal, pretérito em qualquer caso.
deve-se valer da integração.
Alternativa "b": O art. 106 do CTN dispõe que a
Alternativa "e": O art. 11 O do CTN afirma o inverso; lei aplica-se a ato ou fato pretérito em qualquer caso,
"A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo quando seja expressamente interpretativa, exclufda
e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos
privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela interpretados.
Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados,
ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Muni- Alternativa "c": A lei ordinária Y (lei interpretativa)
cípios, para definir ou limitar competências tributárias". esclareceu como deverá ser aplicada a lei vigente X, não
a revogando.
Alternativa "e": O art. 106 do CTN vai além, ao dis-
por que •A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1 - em Alternativa "e": O caso em tela, traz uma exceção
qualquer caso, quando seja expressamente interpreta- ao princípio da irretroatividade.Com efeito, o art. 106 do
tiva, excluída a aplicação de penalidade à infração dos CTN dispõe que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito em
dispositivos interpretados; li - tratando-se de ato não qualquer caso, quando seja expressamente interpreta-
definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo tiva, excluída a aplicação de penalidade à infração dos
como infração; b) quando deixe de tratá-lo como con- dispositivos interpretados.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 545
··· ··· ······· ··· ········ ·· ·· ·· ······ ·· ·· ··· ···· ·············· ·· ·············· ·········· ·········· ··· ··· ·· ······················· ··
a) A legislação tributária estabelece hierarquia entre
116. (CESPE- Procurador do Estado -AL/ 2008) Caso as leis instituidoras de tributos federais, estaduais e
lei instítuindo o tributo de ISS em determínado municí- municipais.
pio tenha sido publicada em 20/12/2008, sem indicar a
data de sua vigência, b) Se, em procedimento administrativo fiscal houver,
discussão sobre o alcance de uma norma impo-
a) o tributo poderá ser cobrado a partir de J0/1/2009, sitiva, e, em face disso, tiver sido editada lei expli-
em função do princípio da anterioridade. citando o sentido da referida norma, essa lei terá
b) o tributo de ISS, por estar sendo instituído no muni- efeito retroativo.
cípio, poderá ser cobrado a partir da publicação da c) A lei que estabeleça redução de alíquota de tributo
lei. terá efeito retroativo, desde que o procedimento
administrativo não tenha sido definitivamente jul-
c) o ISS poderá ser cobrado somente após 40 dias,
gado, por ser mais benéfica ao contribuinte.
contados da publicação da lei que não determinou
a data de sua vigência. d) Uma nova lei que estabeleça redução de multa
punitiva retroagirá em benefício do contribuinte, o
d) a aplicação da lei ocorrerá na data de sua vigência,
que não ocorre quando se tratar de multa morató-
que se dará 30 dias após sua publicação.
ria.
e) a lei terá aplicação no exercício seguinte ao da sua
e) Na integração da norma tributária, poderá ser utili-
publicação, mas se terá de esperar 45 dias para sua
zada a analogia, a interpretação analógica e a inter-
entrada em vigor.
pretação extensiva.

Cº,!i1ENTARIOS COMENTÃRIOS
O Nota dos autores: A banca examinadora consi- Alternativa correta: letra "b": O caso em tela trata
derou a alternativa "e" como correta, desconsiderando de uma exceção ao princípio da irretroatividade.Com
o princípio da anterioridade nonagesimal. No ponto, efeito, o art. 106 do CTN dispõe que a lei aplica-se a ato
cumpre lembrar que, embora a lei entrará em vigor 45 ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expres-
após a sua publicação, para possuir eficácia, deverá samente interpretativa. Observe que o enunciado da
esperar os 90 dias (anterioridade nonagesimal). questão dispõe que foi editada lei explicitando o sen-
Alternativa correta: letra "e": Como a lei instituiu tido da referida norma. Portanto, tal lei retroagirá.
tributo, e o ISS não é exceção da anterioridade, ela Alternativa "a": Não há hierarquiaentre as leis ins-
terá de observar os princípios da anterioridade anual tituidoras de tributos federais, estaduais e municipais.
e nonagesimal (lapso de 90 dias da data em que a lei Lembre-se que, em regra, os tributos são instituídos por
foi publicada). Sendo assim, ela terá aplicação no ano lei ordinária e excepcionalmente por lei complementar
seguinte, entrando em vigor 45 dias após sua publica- em quatro hipóteses: Impostos residuais, contribuições
ção, mas possuindo eficácia apenas 90 dias após sua sociais residuais, impostos sobre grandes fortunas e
publicação. A assertiva é deficiente na completude des- empréstimos compulsórios. Enfim, segundo os Tribu-
ses elementos. nais Superiores não existe hierarquia entre lei ordinária
Alternativa "a": A alternativa está incorreta, já que e lei complementar.
o tributo terá que respeitar simultaneamente os princí- Alternativa "c": Não é verdade. Isso porque, não
pios da anterioridade anual (exercício seguinte, no caso, haverá efeito retroativo em virtude de redução de alí-
o ano de 2009) e nonagesimal (lapso de 90 dias da data quota, ainda que mais benéfica ao contribuinte. As situ-
da publicação da lei) ações que excepcionam o Princípio da irretroatividade
Alternativa "b": Não poderá ser cobrado a partir tributária estão previstas no art. 106 do CTN. Não con-
da publicação, pois iria de encontro aos princípios da funda a hipótese em tela, com a situação de retroativi-
anterioridade anual e nonagesimal. dade oriunda de lei posterior que comine penalidade
menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da
Alternativa "c": o tributo terá que respeitar os prin - sua prática.
cípios da anterioridade anual (exercício seguinte - 2009)
Alternativa "d": Seja multa punitiva, seja mora-
e nonagesimal (lapso de 90 dias). Logo, não poderá se
tória, se a nova lei estabelecer redução da penalidade,
cobrado após 40 dias como afirma a alternativa.
haverá retroação em benefício do contribuinte. Confira
Alternativa "d": A vigência da lei ocorrerá 45 dias o teor do art. 106, li, "c", do CTN.
após sua publicação e sua eficácia após 90 dias, em res-
Alternativa "e": Na integração da legislação tri-
peito aos princípios da anterioridade anual (exercício
butária utiliza-se os seguintes institutos, na forma hie-
seguinte) e nonagesimai (90 dias após publicada).
rarquizada a seguir disposta: (i) analogia; (ii) princípios
gerais de direito tributário; (iii) princípios gerais de
117. (CESPE- Procurador do Estado - PE/ 2009) Com direito público e (iv) equidade. Não há interpretação
relação aos fatos, atos e negócios jurídicos, assinale a analógica e a interpretação extensiva como mencionou
opção correta. a alternativa. Importante lembrar que a analogia não se
546 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

confunde com a interpretação extensiva. Enquanto a Alternativa "e": A LINDB é aplicada nas hipóteses
primeira se refere a uma hipótese não imaginada pelo em que não há regulamentação específica no CTN, o
legislador, que deverá ser resolvida através da aplica- que não é caso.
ção de uma norma jurídica que rege caso semelhante,
a segunda consiste apenas em ampliar o alcance de
119. (CESPE - Procurador do Estado - ES/ 2008)
uma norma para abarcar situações outrora não previs-
Acerca do direito tributário brasileiro, julgue os itens.
tas. O mesmo se diga quanto à interpretação analógica.
Nesta espécie, o significado que se busca é extraido No direito tributário brasileiro, há um desnivela-
do próprio dispositivo (existe norma a ser aplicada ao mento hierárquico entre os tratados internacionais e a
caso concreto). O intérprete leva em conta expressões legislação tributária interna, pois, quando em vigor, os
genéricas e abertas que permite encontrar outros casos tratados internacionais revogam ou modificam a legis-
que se assemelham. Memorize: Interpretação extensiva lação tributária interna e devem ser observados pela
e analógica: existe lei. Analogia: não existe lei. Só esta que lhes sobrevenha.
última é hipótese de integração da legislação tributária

118. (FCC- Procurador do Estado - R0/ 2011) Em 2010


Alternativa Errada: O CTN no art. 98 afirma que
foi editada lei estadual em relação ao IPVA para 2011,
os tratados e as convenções internacionais revogam
observando todos os princípios constitucionais, sendo
ou modificam a legislação tributária interna, e serão
constatado, entretanto, a ausência normativa com rela-
observados pela que lhes sobrevenha . Entretanto,
ção ao prazo de vencimento. Diante de tal cenário, a
houve uma imprecisão na redação da norma o que
Secretaria da Fazenda resolve encaminhar o carnê para
poderia ensejar o entendimento equivocado que no
pagamento do IPVA, com vencimento para 45 dias após
direito tributário brasileiro, há um desnivelamento
a data da efetiva notificação do lançamento. O procedi-
hierárquico entre os tratados internacionais e a legisla-
mento adotado pela Secretaria está
ção tributária interna. Na verdade, eventuais conflitos
a) incorreto, uma vez que deveria observar o princípio que surjam entre tratados internacionais e a legisla-
da anterioridade nonagesimal entre o lançamento e ção tributária interna serão resolvidos pelo Princípio
o vencimento do tributo. da Especialidade, aplicando-se a norma especial em
detrimento da norma geral. Logo, não há preferência
b) correto, considerando que o Código Tributário
do Tratado sobre a lei interna, devendo-se casuistica -
Nacional estabelece o prazo de vencimento de 30
mente verificar qual delas será aplicada (norma espe -
dias da notificação do lançamento, na ausência de
cífica). Lembrar que os tratados entram no status de lei
disposição legal.
ordinária no ordenamento brasileiro.
c) incorreto, na medida em que o prazo legal de venci-
mento deve estar previsto em lei complementar. 120. (FMP - Procurador do Estado - AC/ 2012) Dada
d) correto, por se tratar de poder discricionário do a situação hipotética abaixo descrita, assinale a alterna-
sujeito ativo de relação jurídico-tributário. tiva correta, de acordo com o Código Tributário Nacio-
nal.
e) correto, tendo corno fundamento o prazo de vigên-
cia das leis, prevista na Lei de Introdução ao Código A Secretaria da Fazenda de um dos Estados da Fede-
Civil, atual Lei de Introdução às normas do Direito ração editou instrução normativa orientando a todos os
Brasileiro. contribuintes do ICMS a recolherem referido imposto
pela alíquota de doze por cento nas saídas internas de
COMENTARIOS produtos alimentícios industrializados. Passados oito
meses, o mesmo órgão público constatou equívoco na
Alternativa correta: letra •b": Segundo o art. 160 orientação exarada por meio da referida instrução, visto
do CTN, "Quando a legislação tributária não fixar o que a lei estadual previa para tais operações a alíquota
tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre de treze por cento. Houve, assim, a revogação da instru-
trinta dias depois da data em que se considera o sujeito ção normativa. Nessas circunstâncias, os contribuintes
passivo notificado do lançamento". que observaram a instrução normativa revogada

Alternativa "a": Entre o lançamento e o venci- a) deverão recolher a diferença do ICMS, acrescida de
mento não se respeita a anterioridade. Esta é para a juros de mora, mas sem atualização monetária.
criação ou majoração de tributos.
b) deverão recolher a diferença do ICMS, acrescida
Alternativa "c": Pela redação do art. 160 acima de juros de mora e das penalidades cabíveis pelo
(alternativa "b"), o prazo para vencimento do tributo atraso.
pode ser previsto pela legislação tributária, nos termos
c) deverão recolher a diferença do ICMS, sem a impo-
do art. 96 do CTN.
sição de penalidades, sem a cobrança de juros de
Alternativa "d": Não há discricionariedade nas mora e sem qualquer atualização do valor monetá-
relações jurídico-tributários. Há observância à lei. rio da base de cálculo do tributo.
Capítulo 4- Legislação Tributária 547

d) deverão recolher a diferença do ICMS, acrescida das


121. (FCC - Procurador do Estado - MT/ 2011) Diante
penalidades cabíveis pelo atraso, mas sem juros de
da ausência de disposição expressa, a autoridade com-
mora.
petente poderá aplicar a legislação tributária e utilizar
métodos de integração previstos no Código Tributário
COMENTARIOS
Nacional. Sobre os métodos de integração é correto
afirmar:
O Nota dos autores: Para elucidar a questão, cabe
inicialmente a leitura do art. 100 do CTN e seu pará- a) A autoridade competente poderá aplicar, alterna-
grafo único: "Art. 100: São normas complementares tivamente, conforme a necessidade, a analogia,
das leis, dos tratados e das convenções internacionais os costumes, a equidade e os princípios gerais de
e dos decretos: 1- os atos normativos expedidos pelas direito.
autoridades administrativas; li - as decisões dos órgãos
b) O emprego da analogia só terá cabimento se for
singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a
impossível a aplicação dos princípios gerais de
que a lei atribua eficácia normativa; Ili - as práticas rei- direito.
teradamente observadas pelas autoridades administra-
tivas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, c) Não se admite o emprego da equidade, que é reser-
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo vado exclusivamente a membro do Poder Judiciário
único. A observância das normas referidas neste artigo no exercício da jurisdição.
exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros d) Os princípios gerais de direito privado são utiliza-
de mora e a atualização do valor monetário da base de dos sucessivamente após ter restado insuficiente
cálculo do tributo". o emprego da analogia e dos princípios gerais de
direito público.
Alternativa correta: letra "c": O art. 100, inciso
I, do CTN, estabelece que são normas complementa- e) Se com o emprego da analogia resultar exigência
res das leis, dos tratados e das convenções interna- de tributo não previsto em lei, deve a autoridade
cionais e dos decretos, os atos normativos expedidos aplicar, sucessivamente, os princípios gerais de
pelas autoridades administrativas. Dentre esses atos direito tributário.
normativos editados, pode-se citar as portarias, ins-
truções normativas, dentre outros, muito corriqueiros COMENTA RIOS
no âmbito da administração tributária. Observe que na
situação hipotética, o contribuinte, seguindo instru- O Nota dos autores: Questão capciosa. Para acer-
ção normativa expedida pela administração, pagou a tá-la, deve-se saber quais são os institutos da integração
exação com aplicação de alíquota menor. Como a Lei e que os mesmos devem ser utilizados de forma suces-
estadual previa para tais operações a alíquota maior, siva. Além disso, deve-se atentar à proibição do uso da
analogia para cobrar tributo não previsto.
esta deverá prevalecer, já que a instrução normativa,
veículo de hierarquia menor, entrou em choque com Alternativa correta letra "e": O art. 108, § 1° do
aquela (Princípio da hierarquia das normas). Assim, a CTN afirma que o emprego da analogia não poderá
administração, verificando o equívoco (repita-se: ins- resultar na exigência de tributo não previsto em lei.
trução normativa extrapolando a lei), pode rever e/ Sendo assim, já que a analogia não poderia ser utilizada,
ou anular seus próprios atos, revogando-os (poder porque se feriria esse parágrafo, a alternativa restante
de autotutela), cabendo ao contribuinte recolher a seria valer-se do instrumento de integração seguinte,
diferença do ICMS, sem a imposição de penalidades, qual seja, os princípios gerais de direito tributário, uma
sem a cobrança de juros de mora e sem qualquer atu- vez que o caput do art. 108 determina que esses institu-
alização do valor monetário da base de cálculo do tos devem ser utilizados de forma sucessiva.
tributo, já que in casu não deu causa a tal equívoco.
Alternativa "a": Pela redação do caput do art. 108,
O fundamento legal para exclusão das penalidades
a aplicação dos institutos da integração devem ser utili-
está previsto no parágrafo único do art. 100 do CTN:
zados de forma sucessiva.
"A observância das normas referidas neste artigo (leia-
-se, as instruções normativas no caso em tela) exclui Alternativa "b": Pela sequência, a analogia é o pri-
a imposição de penalidades, a cobrança de juros de meiro instituto a ser utilizado para a integração da legis-
mora e a atualização do valor monetário da base de lação tributária.
cálculo do tributo".
Alternativa "c": O caput do art. 108 do CTN afirma
Demais alternativas: os contribuintes que obser- que a equidade poderá ser utilizada pela autoridade
varam a instrução normativa revogada deverão recolher competente, que poderá ser tanto membro do Execu-
tivo (Auditores Fiscais, Conselheiros, dentre outros),
a diferença do ICMS, sem a imposição de penalidades,
quanto membros do Poder Judiciário.
sem a cobrança de juros de mora e sem qualquer atuali-
zação do valor monetário da base de cálculo do tributo Alternativa "d": Na lista dos institutos da integra-
com fulcro no art. 100, inciso 1 e seu parágrafo único. ção não estão presentes os princípios gerais do direito
Confira o comentário acima. privado.
548 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expres-


122. (FCC - Procure dor do Estado - MT/ 2011) A legis- samente interpretativa, excluída a aplicação de penali-
lação tributária que disponha sobre dispensa do cum-
dade à infração dos dispositivos interpretados".
primento de obrigações tributárias acessórias interpre-
ta-se Alternativa "d": O erro está em incluir a extinção
do crédito tributário como hipótese que demanda inter-
a) literalmente.
pretação literal (art. 111, 1do CTN).
b) sistematicamente.

c) teleologicamente. 124. (CESPE - Procurador do Estado - PB/ 2008) A


interpretação de qualquer regra jurídica deve seguir o
d) retroativamente.
caminho traçado pelos princípios que fornecem coe-
e) historicamente. são ao sistema jurídico. Nesse sentido, conclui-se que
a integração da norma tributária não deve ser feita por
COMENTARIOS meio

Alternativa correta letra "a": Trata-se de literali- a) dos princípios gerais de direito tributário.
dade do art. 111, Ili do CTN.
b) dos costumes.
Demais alternativas: Os métodos de interpreta-
ção dessas assertivas, à exceção da letra "d", não são c) da eq.-'idade.
descritos pelo legislador tributário.
d) da analogia.

123. (FEPESE- Procurador do Estado - SC/ 2010) De e) dos principios gerais de direito público.
acordo com o Código Tributário Nacional, assinale a
alternativa correta. COMENTARIOS

a) i: dispensada a exigência de lei para o estabeleci- Alternativa correta letra "b": Pela redação do art.
mento de modificação da base de cálculo do tri- 108 do CTN, a integração da legislação tributária com-
buto, ainda que importe em torná-lo mais oneroso. preende (i) a analogia, (ii) os princípios gerais de direito
b) Salvo disposição em contrário, as decisões dos tributário; (iii) os princípios gerais de direito público e
órgãos singulares ou coletivos de jurisdição admi- (iv) a equidade. Os costumes não fazem parte dos insti-
nistrativa, a que a lei atribua eficácia normativa, tutos da integração tributária.
entram em vigor, quanto a seus efeitos, na data da
Demais alternativas: Confira comentário acima.
sua publicação.

c) A lei tributária aplica-se a ato ou fato pretérito


quando seja expressamente interpretativa, sem 125. (PGE-GO - Procurador do Estado - G0/ 2013) A
prejuízo de aplicação da penalidade à infração dos propósito da interpretação e da aplicação das fontes do
dispositivos interpretados. direito tributário, é CORRETO afirmar que

d) Interpreta-se literalmente a legislação tributária a) o costume administrativo não tem aptidão para
que disponha sobre extinção, suspensão ou exclu- excluir a imposição de penalidades no direito tribu-
são do crédito tributário. tário considerando a imperatividade da observân-
cia do princípio da legalidade.
e) A lei tributária que define infrações, ou lhe comina
penalidades, interpreta-se da maneira mais favorá- b) os tratados internacionais em matéria tributária,
vel ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria, considerando seu caráter infraconstitucional, nâo
imputabilidade, ou punibilidade. revogam ou modificam a legislação interna

COMENTARIOS c) em respeito ao princípio da irretroatividade da


norma tributária, a lei não se aplica a ato ou fato
Alternativa correta letra "e": Trata-se da redação pretérito, ainda quando seja expressamente inter-
do art. 112 do CTN. pretativa.
Alternativa "a": A assertiva contraria o art. 97, IV do d) o direito tributário serve-se de institutos, conceitos
CTN. e formas do direito privado, podendo a lei tributá-
Alternativa "b": Pela redação do art. 103, li, do ria alterar a definição, o conteúdo e o alcance para
CTN, as decisões citadas na assertiva entram em vigor definir ou limitar competências tributárias.
30 (trinta) dias após a data da sua publicação.
e) interpreta-se literalmente a legislação tributária
Alternativa "c": A assertiva contraria o art. 106, I, que disponha sobre a suspensão do crédito tributá-
do CTN, quando afirma que a "A lei aplica-se a ato ou rio.
Capítulo 4 - Legislação Tributária 549

COMENTÁRIOS Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias
após suo publicação, observado, quanto ao art. 3°, o dis-
O Nota dos autores: A questão trata da interpreta- posto no art. 106, inciso/, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro
ção e aplicação das fontes do direito tributário, deman- de 1966 - Código Tributário Nacional.
dando leitura dos artigos 96 a 112 do CTN, já que o exami-
nador do concurso exigiu conhecimento do texto da lei. Com relação aos processos já ajuizados quando da
edição da Lei Complementar n9 118/2005, firmou-se a
Alternativa correta: letra ue": A assertiva trans- jurisprudência do Superior Tribunal da Justiça, quanto
creve o teor do art. 111, inciso 1do CTN: "Art. 111. Inter- à incidência das normas constantes dos artigos 39 e 49,
preta-se literalmente a legislação tributária que dispo- no sentido de que:
nha sobre: 1- suspensão ou exclusão do crédito tribu-
tário". a) tratando-se de lei interpretativa, aplica-se de ime-
diato aos fatos pretéritos, influenciando, portanto,
Alternativa "a": Está incorreta. O costume adminis- o julgamento dos processos pendentes, na forma
trativo tem aptidão para excluir a imposição de penali- do art. 106, 1, do CTN;
dades no direito tributário, além da cobrança de juros
de mora e a atualização do valor monetário da base de b) é inconstitucional a expressão "quanto ao art. 3", o
cálculo do tributo nos termos do parágrafo único do art. disposto no art. 106, inciso 1, da Lei n° 5.172, de 25
lOOdoCTN. de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional",
constante do art. 49, uma vez que a lei não pode
Alternativa "b": Nos termos do art. 98 do CTN, os retroagir para ferir direito adquirido;
tratados e as convenções internacionais revogam ou
modificam a legislação tributária interna, e serão obser- c) A referida lei, por ter inovado na ordem jurldica,
vados pela que lhes sobrevenha. não se, aplica às demandas ajuizadas antes da sua
entrada em vigor (120 dias após a sua publicação).
Alternativa "c": Consoante dispõe o art. 106, inciso
1do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, em qual- d) nenhuma das alternativas acima está correta.
quer caso, quando seja expressamente interpretativa.~
exceção ao princípio da irretroatividade da norma tribu-
COMENTÁRIOS
tária.

Alternativa "d": Segundo o art. 110 do CTN, a lei O Nota dos autores: A LC nº 118/05 foi tema de
tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e muita controvérsia no direito tributário. Uma delas é
o alcance de institutos, conceitos e formas de direito sobre o alcance da referida lei, se se tratou de lei mera-
privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela mente interpretativa ou se trouxe alguma inovação na
Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ordem jurídica. Para a doutrina e jurisprudência, refe-
ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Muni- rida lei acabou por afastar jurisprudência pacífica sobre
cípios, para definir ou limitar competências tributárias. a restituição de tributos, inovando no plano normativo,
pois retirou das disposições interpretadas um dos seus
sentidos possíveis. Daí não se lhe aplicar os efeitos retro-
126. (MPF - Procurador da República/2006) Assinale ativos de leis meramente interpretativas.
a resposta correta.
Alternativa correta: letra"c": A LC 118/2005não
Quando o legislador editou a Lei Complementar se aplica às demandas ajuizadas antes da sua entrada
n° 118, estava consolidada no STJ a "jurisprudência dos em vigor, pois inovou o ordenamento jurídico. Com
cinco mais cinco", no que se refere ao prazo prescricio- efeito, de acordo com o STJ, a prescrição para plei-
nal para restituição de tributo sujeito a lançamento por tear a repetição, nos tributos sujeitos ao lançamento
homologação recolhido indevidamente, mormente
por homologação, devesercontadadaseguinteforma:
quando a norma que instituiu a exação fora declarada
"relativamente aos pagamentos efetuados a partir
inconstitucional pelo STF. Assim, naquelas hipóteses
da sua vigência (que ocorreu em 9/6/2005), o prazo
em que não se dava a homologação expressa do paga-
para a ação de repetição de indébito é de cinco anos
mento do tributo, o termo a quo, para efeito da pres-
a contar da data do pagamento; relativamente aos
crição da pretensão à restituição do indébito, somente
pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao
iniciaria após o decurso do prazo decadencial para o
regime previsto no sistema anterior, limitada, porém,
lançamento (no caso de não ocorrer a homologação).
ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigên-
Estatui a Lei Complementar n9 118/2005: cia da lei nova". (Precedentes: EREsp 435.835-SC, DJ
4/6/2007; EREsp 644.736-PE, DJ 29/8/2005; AgRgnoAg
Art. 3° - Para efeito de interpretação do inciso /do art. 1.105.057-SP).
168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tri-
butário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, Alternatlva"a": A LC 118/2005 não é lei meramente
no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, interpretativa, uma vez que, segundo a jurisprudência,
no momento do pagamento antecipado de que trata o§ 1° inovou o ordenamento jurídico. Assim, não será aplicável
do ort. 150 da referida Lei. às demandas ajuizadas antes de sua entrada em vigor.
550 Alan Martins· Dima s Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

Alternativa"b": Não há inconstitucionalidade, pois


o art. 106 do CTN prevê hipóteses excepcionais de retro- 128. (CESPE - Advogado da União/2009) Com base
atividade da lei tributária . no Direito Tributário, julgue os itens que se seguem.

Alternativa"d": Assertiva "e" está correta . Confira Caso a União celebre com os estados-membros
comentário acima. convênio para a adoção de método eletrónico para
o lançamento de certos tributos, o referido convênio
entrará em vigor na data nele prevista.
127. (CESPE - Juiz Federal Substituto 2• região/
2011) De acordo com o que dispõe o CTN, há possibili-
COMENTARIOS
dade de lei nova retroagir em seus efeitos se o ato

a) tiver contrariado fraudulentamente uma obrigação O Nota dos autores: Questão de pura leitura do
acessória relativa a imposto que deveria ter sido CTN. Art. 103: "Salvo disposição em contrário, entram
cumprida antes da vigência da nova lei, indepen- em vigor: Ili - os convênios a que se refere o inciso IV
dentemente de ter sido ou não julgado. do art. 100 na data neles prevista". Art. 100: "São nor-
mas complementares das leis, dos tratados e das con-
b) tiver importado o não pagamento de tributo e
venções internacionais e dos decretos: IV- os convênios
não tiver sido definitivamente julgado quando da
que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito
vigência da nova lei, e esta deixar de considerá-lo
Federal e os Municípios".
contrário a uma exigência de ação.
Alternativa certa: Teor do inciso IV do art. 100 ele o
e) tiver importado o não pagamento de tributo e
inciso Ili do art. 103, ambos do CTN.
já tiver sido definitivamente julgado quando da
vigência da nova lei, e esta deixar de considerá-lo
como contrário a uma exigência de ação. 129. (CESPE - Procurador Federal/2007) Acerca da
legislação tributária, julgue os itens seguintes.
d) não tiver sido definitivamente julgado, indepen-
dentemente de se referir a imposto ou contribui- Salvo disposição em contrário, uma decisão do
ção, e a nova lei deixar de considerá-lo infração. delegado da Receita Federal, a que a lei atribua eficácia
normativa, entrará em vigor trinta dias após a data de
e) tiver contrariado fraudulentamente uma obrigação sua publicação.
acessória relativa a contribuição social com vigên-
cia já findada quando da vigência da nova lei, inde-
COMENTÁRIOS
pendentemente de ter sido ou não julgado.

O Nota dos autores: A questão requer apenas


conhecimento do texto de lei.
O Notas dos autores: Para responder correta-
Alternativa certa: A resposta da questão está
mente a questão, basta conhecer o art. 106 do CTN.
contida na combinação entre os arts. 100, li e 103, li do
Alternativa correta: letra "d": A questão diz res- Código Tributário Nacional, segundo os quais as deci-
peito ao teor do art. 106, inciso li, alínea "a" do CTN que sões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição
assim dispõe: "A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) administrativa a que a lei atribua eficácia normativa,
li - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) como o exemplo fornecido na assertiva, são normas
quando deixe de defini-lo como infração." complementares das leis, dos tratados e das conven-
ções internacionais e dos decretos, entrando em vigor,
Alternativa "a": A questão é incorreta, pois a quanto aos seus efeitos normativos, 30 dias após a data
expressão final menciona "independentemente de ter da sua publicação.
sido ou não julgado". As exceções à irretroatividade da
lei dispostas no art. 106 do CTN, no seu inciso li, deixam
claro que o ato não deve estar definitivamente julgado. 130. (CESPE - Advogado da Unlão/2009) Com base
no Direito Tributário, julgue os itens que se seguem.
Alternativa "b": Para que a haja a excepcional
retroatividade da lei, o ato não definitivamente julgado t lícita a interpretação restritiva de lei que conceda
não deve ter implicado em falta de pagamento de tri- isenção de impostos e contribuições federais a uma
buto (confira art. 106 do CTN). categoria de empresas localizadas em determinada
região brasileira.
Alternativa "c": Oart. 106 do CTN demonstra que
a alternativa está errada. Confira o inciso li e lembre-se
COMENTARIOS
que o ato não deve estar definitivamente julgado.

Alternativa "e": A questão está incorreta com ful- O Nota dos autores: Há diversos pontos a ressal-
cro no art. 106 do CTN. Também se mostrou equivocada tar. Primeiro, o princípio da uniformidade geográfica,
a expressão "independentemente de ter sido ou não previsto no art. 151 da CF: "t vedado à união: 1- insti-
julgado" (confira inciso li). tuir tributo que não seja uniforme em todo o território
~~~í~~-1~ ~ :-. ~~~~~1-~~~~ :~~?.~~~~i-~ .............. ......................................................................... -~~ ~-
nacional ou que implique distinção ou preferência em
relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, +DICAS (RESUMO)
em detrimento de outro, admitida a concessão de
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio ® LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA
do desenvolvimento socioeconômico entre as diferen-
tes regiões do País; (...)".Esse princípio não é absoluto, • Para estudar a vigência da legislação tributária,
conforme exceção admitida no texto constitucional antes, é preciso analisar o alcance da legislação
onde é possível existir uma lei concedendo isenção de tributária. Para tanto, a redação do artigo 96 do
impostos e contribuições a determinada categoria de CTN dispõe que "a expressão legislação tributária
empresas em certas áreas. Segundo, pela redação do compreende as leis, os tratados e as convenções
art. 176, parágrafo único do CTN: "A isenção pode ser internacionais, os decretos e as normas comple-
restrita a determinada região do território da entidade mentares que versem, no todo ou em parte, sobre
tributante, em função de condições a ela peculiares." tributos e relações jurídicas a eles pertinentes".
Terceiro, cumpre lembrar que a questão não citou Logo, todo ato normativo que verse sobre direito
qualquer peculiaridade que fundamentasse a isen- tributário faz parte da "legislação tributária". Os
dispositivos que tratam da legislação tributária
ção. Enfim, temos o tema da "intepretação restritiva"
pressupõem a ideia de hierarquia, segundo o qual
se esta é sinônima ou não de interpretação literal. ln
casu, a Banca Examinadora exigiu a literalidade da lei, as normas superiores ditam as regras de validade
ou seja, de que não há sinônimo entre interpretação das inferiores. São as fontes formais principais do
restritiva e literal. direito tributário.

Alternativa errada: A alternativa está incorreta, • Pela redação acima, nota-se que importante fonte
da legislação tributária é a lei. No sentido restrito,
pois a interpretação é literal (e não restritiva), como consiste num ato do Poder Legislativo que, dotado
é possível observar no art. 111, do CTN: "interpreta- de autoridade democrática, representa cada cida-
-se literalmente a legislação tributária que disponha dão na autorização da cobrança de tributos. O
sobre: 1 - suspensão ou exclusão do crédito tributário; princípio da legalidade, já explicitado nessa obra,
li - outorga de isenção; Ili - dispensa do cumprimento demonstra o alcance dessa fonte. Legislação tribu-
de obrigações tributárias acessórias". Ademais, a ques- tária, por sua vez, significa lei em sentido amplo,
tão também não mencionou o suporte que justificasse alcançando os tratados, as convenções internacio-
a aplicação do princípio da uniformidade geográfica nais, os decretos e as normas complementares. O
dentro de sua exceção. concursando deve ficar atento ao artigo 97 do CTN
que elenca o rol de matérias reservadas à lei em
131. (CESPE - Procurador Federal/2010) Acerca da sentido restrito.
legislação tributária, julgue o item a seguir. • Para o direito tributário, importante é a distinção
entre lei ordinária e lei complementar. Elas se
Um fiscal da Receita Federal do Brasil, ao aplicar
diferem na forma e na matéria. Quanto à forma,
a legislação tributária, na ausência de disposição legal
lei complementar exige maioria absoluta para
expressa, pode empregar a analogia, desde que isso
a sua aprovação, enquanto a lei ordinária exige
não resulte na dispensa do pagamento de tributo
maioria simples. Quanto à matéria, o conteúdo da
devido.
lei complementar é expressa ou implicitamente
delimitado na CF, enquanto a lei ordinária não tem
COMENTA RIOS
matéria reservada na Carta Maior, possuindo cará-
ter residual. Para o STF, não há hierarquia entre lei
O Nota dos autores: Mais uma questão contendo complementar e lei ordinária. Assim, toda vez que
uma "pegadinha". A assertiva tenta confundir analogia uma lei complementar for aprovada sobre matéria
com equidade invertendo as consequências do seu res- de lei ordinária, poderá ser modificada por lei ordi-
pectivo emprego por parte da autoridade competente nária. Quando a lei ordinária tratar de um assunto
para aplicar a legislação tributária. de lei complementar, ela será inconstitucional.
Alternativa errada: O art. 108 do CTN prevê que, • Quanto aos tratados e convenções internacio-
na ausência de disposição expressa, a autoridade com- nais (CTN, art. 98), após a sua incorporação ao
petente para aplicar a legislação tributária utilizará, sistema interno, através de decreto legislativo,
sucessivamente e na ordem indicada, a analogia, os eles têm força de lei. Pela redação do artigo 98
princípios gerais de direito tributário, os princípios do CTN, os tratados e as convenções internacio-
gerais de direito público e a equidade. Os§§ 1° e 2° do nais revogam ou modificam a legislação tribu-
referido artigo dispõem, por sua vez, que o emprego da tária interna e serão observados pela que lhes
analogia não poderá resultar na exigência de tributo sobrevenha. Houve imprecisão ao afirmar que
não previsto em lei, enquanto o emprego da equidade o tratado revoga ou modifica a legislação tribu-
não poderá resultar na dispensa de pagamento de tri- tária interna. Na verdade, os tratados prevale-
buto devido, ou seja, exatamente o contrário do quanto cem sobre a legislação tributária, suspendendo
disposto na assertiva. a eficácia da legislação naquilo que for confli-
552 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

tante. Quando incorporados ao direito interno, • Em relação aos decretos, o artigo 99 do CTN afirma
os tratados possuem status de lei ordinária, não que o seu conteúdo e alcance deve se adstringir
podendo, por isso, adentrar em matéria reser- aos das leis. Assim, duas conclusões são claras: (i)
vada à lei complementar. decretos não criam direitos, obrigações, deveres
ou restrições aos contribuintes e; (ii) decreto, que
• Os tratados e convenções internacionais, relacio-
nados com tributo, são fontes formais primárias
regulamenta a lei que versa sobre um tributo, deve
guardar estreita relação de compatibilidade com a
do Direito Tributário (CTN, art. 96) e ingressam em
referida lei. Em matéria tributária admite-se ape-
nosso ordenamento jurídico através de decreto
nas o decreto regulamentar e não o autônomo.
legislativo. A competência para resolver defini-
tivamente sobre internalização desses diplomas • Por fim, as normas complementares, que não se
normativos é exclusiva do Congresso Nacional (CF, confundem com leis complementares. Destinam-
art. 49, 1). Logo, o instrumento normativo hábil é -se a completar o texto das leis, dos tratados e
o decreto legislativo que, nos termos do artigo convenções internacionais e decretos. Não podem
109, inciso li do Regimento Interno da Câmara inovar o texto que complementam. Pela redação
dos Deputados e do artigo 213, li do Regimento do artigo 100 do CTN, são normas complementa-
Interno do Senado Federal, é o veículo normativo res: (i) os atos normativos expedidos pelas autori-
destinado a matérias de competência exclusiva dades administrativas; (ii) as decisões dos órgãos
do Congresso Nacional, isto é, aquelas que inde- singulares ou coletivos de jurisdição administra-
pendem de sanção do Presidente da República. tiva, a que a lei atribua eficácia normativa; (iii) as
Além disso, o artigo 172, inciso li, alínea "c" do práticas reiteradamente observadas pelas auto-
Regimento Interno do Senado Federal também faz ridades administrativas; e (iv) os convênios que
expressa menção ao decreto legislativo referente entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito
a tratado, convênio ou acordo internacional. Federal e os Municípios. Importante destacar que
a observância das normas complementares exclui
• O § 3º do artigo 5º da CF estipula que a equivalên-
cia dos tratados e convenções internacionais apro-
a imposição de penalidades, a cobrança de juros
de mora e a atualização do valor monetário da
vados pelo Congresso Nacional com as Emendas
base de cálculo do tributo.
Constitucionais está restrita àqueles que versem
sobre direitos humanos (e não sobre combate à • No intuito de facilitar a memorização, sugere-se a
sonegação). leitura do quadro a seguir:

Leis
(art. 97)

Tratados e
Convenções Atos normativos
Internacionais administrativos
(art. 98)
Legislação (Por exemplo:
Tributária Portarias, Instruções
(art. 96) e Resoluções)
Decretos
(art. 99)
Decisões
administrativas com
eficácia normativa
Normas
complementares
(art. 100)
Práticas Reiteradas
(costumes)

Convênios
Capítulo 4 - Legislação Tributária 553
..... ..... .. ... .......................................... ............ .. .... .. ....... ............................ ..................

® VIG!NCIA Ili. que extinguem ou reduzem isenções, sal vo se a lei


dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte,
• A vigência da legislação tributária é estudada em e observado o disposto no artigo 178.
relação ao espaço e ao tempo. Pela norma do Muito embora esse dispositivo colida com o princípio
artigo 101 do CTN, "a vigência, no espaço e no da anterioridade, cumpre lembrar que o mesmo é consi-
tempo, da legislação tributária rege-se pelas dis- derado válido em algumas provas. Importa saber, por-
posições legais aplicáveis às normas jurídicas em tanto, o enunciado da questão, a fim de separar a aplica-
geral, ressalvado o previsto neste Capítulo". As ção da vigência e da eficácia da legislação tributária. Em
disposições gerais estão previstas na Lei de Intro- todos os casos, quando o tema é criação ou majoração de
dução às normas do Direito Brasileiro - LINDB, de tributo, deve-se observar a regra constitucional da ante-
modo que, quanto à vigência no tempo, prevale- rioridade. Esse é o entendimento aplicável aos incisos 1 e
cem as disposições das normas jurídicas em geral li. O inciso Ili é estudado no tema das isenções. O que, por
(vide artigos 1º e 2º da LINDB). Em relação à eficácia ora, deve ser lembrado é que, como a isenção é benéfica
da norma, no entanto, se esta se referir à criação ou para o contribuinte, ela começa a viger desde o momento
majoração de tributos, deve-se observar o princí- descrito na lei, devendo esperar o exercício seguinte na
pio da anterioridade tributária. Quanto à vigência hipótese de sua extinção ou redução (segundo o CTN).
da legislação tributária no esp11ço, vigora, como Neste ponto, entretanto, é importante ressalvar um pre-
regra, o Princípio da territorialidade e excepcio- cedente do STF em sentido contrário. "Revogada a isen-
nalmente o Princípio da extraterritorialidade (vide ção, o tributo torna-se imediatamente exigível. Em caso
artigo 102 CTN). assim, não há que se observar o princípio da anteriori-
• Bom salientar que a legislação brasileira não dade, dado que o tributo já é existente" (RE 204.062, Rei.
admite a repristinação automática. Ela só ocorre se Minº Carlos Velloso, julgamento em 27-9-1996, Segunda
houver expressa previsão legal. Turma, DJ de 19-12-1996).

• O quadro a seguir resume a ideia da vigência da lei


tribut ária no tempo:
®APLICAÇÃO
• Está relacionada com a operacionalidade das nor-
mas tributárias em relação aos fatos geradores que
São normas complementa- Salvo disposição em contrá-
suscitam a sua incidência.
res das leis, dos tratados e rio, entram em vigor:
das convenções internacio- ® APLICAÇÃO AOS FATOS GERADORES
nais e dos decretos:
PENDENTES
1. os atos normativos expe- 1. os atos administrativos
didos pelas autoridades
administrativas; (DATA DA
a que se refere o inciso 1do
artigo 100, na data da sua
• Primeira dúvida que poderia haver é em relação à
redação ao artigo 105 do CTN que preconiza a apli-
PUBLICAÇÃO) publicação; cação da legislação tributária aos fatos geradores
li. as decisões dos órgãos li. as decisões a que se futuros e pendentes: "a legislação tributária apli -
singulares ou coletivos de refere o inciso li do artigo ca-se imediatamente aos fatos geradores futuros
jurisdição administrativa, a 100 quanto a seus efeitos e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja
que a lei atribua eficácia nor- normativos, 30 (trinta) dias ocorrência tenha tido início, mas não esteja com-
mativa; (30 DIAS) após a data da sua publica- pleta nos termos do artigo 116".
ção;

Ili. as práticas reiterada- • A norma guarda coerência com o artigo 150, inciso
mente observadas pelas Ili, alínea "a" da Constituição, dispositivo que vei-
autoridades administrativas; cula o princípio da irretroatividade da norma tribu-
(SEM DATA PARA A VIG~N­ tária (vedação à cobrança de tributos em relação
CIA) a fatos geradores ocorridos antes da vigência da
IV. os convênios que entre
lei que a houver instituído ou aumentado). Isso
Ili. os convênios a que se
si celebrem a União, os refere o inciso IV do artigo porque, enquanto o princípio da irretroatividade
Estados, o Distrito Federal 100 na data neles prevista . preconiza que a lei não deve retroagir para alcan-
e os Municípios. (NA DATA çar o fato gerador consumado, o artigo 105 do CTN
NELES PREVISTA). afirma que ela se aplica aos fatos geradores futu -
ros e pendentes.

Regra especial de vigência (CTN, art. 104): • A ideia foi alcançar aqueles fatos geradores que
se iniciam sob a vigência de determina lei e termi-
Art. 104. Entram em vigor no primeira dia do exercí-
cio seguinte àquele em que ocorra a sua publicação nam sob a vigência de lei nova. O caso clássico é
os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o o Imposto de Renda, pois, o seu aspecto temporal
patrimônio ou a renda: se inicia em 1° de janeiro e termina apenas em 31
de dezembro. Sendo assim, lei que aumente esse
1. que instituem ou majoram tais impostos;
tributo dentro de um exercício, por estar o fato
li. que definem novas hipóteses de incidência; gerador pendente, seria aplicada imediatamente.
554 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo
··· ················································ ··································· ············ ··· ············· ····· ··· ········
• O tema merece maior atenção por conta da ficar sem solução, a única alternativa é preencher
Súmula 584 do STF: "ao imposto de renda calcu- esses espaços através da integração, adiante estu-
lado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se dada.
a lei vigente no exercício financeiro em que deve
ser apresentada a declaração". De discutida cons- • Portanto, a integração consiste na tarefa de colma-
tar lacunas, mediante a qual a legislação é aplicada
titucionalidade, por ferir o princípio da irretroati-
vidade, a súmula 584 tem sido aplicada pelo STF, com o auxílio de critérios para suprir situações
o que reflete a vigência do 105 do CTN. O STJ em sobre as quais a leg islação deixou de dispor. No
diversos julgados afastou referida súmula, bem direito tributário, a integração é tarefa de qualquer
como a doutrina em peso, muito embora o tema autoridade competente para aplicação da legisla-
não tenha sido ainda fortemente debatido no STF. ção tributária, seguindo critérios sucessivos esta -
belecidos no artigo 108 do CTN. Já a interpretação
@ APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI TRIBU- diz respeito ao raciocínio lógico jurídico desenvol-
vido para compreensão do conteúdo e alcance
TÁRIA
de uma norma jurídica ou de um conjunto dessas
• A lei tributária é aplicada retroativamente em duas normas, visando à correta aplicação da legislação.
hipóteses: (i) quando for expressamente interpre- Em matéria tributária, os artigos 109 a 112 do CTN
tativa e (ii) quando for mais benéfica. A primeira estabelecem inúmeras regras de interpretação
hipótese é justificada pelo enorme número de normativa.
normas em matéria tributária, que pode induzir o
contribuinte a seguir interpretações equivocadas, • A "legislação tributária" apresenta critérios de inte-
de modo que lei com interpretação autêntica deve gração para suprimento de lacunas que são diver-
retroagir para dirimir as dúvidas e declarar direitos sos daqueles utilizados pelo restante da legislação
já assegurados. O ponto de destaque na doutrina é (demais normas que não as tributárias). O artigo
saber se realmente é possível haver lei puramente 108 do CTN determina que, na ausência de dispo-
interpretativa, uma vez que toda lei acaba ino- sição normativa expressa, o aplicador da norma
vando o direito, deixando de ser meramente inter- utilize, sucessivamente (nesta ordem), a analogia
pretativa para ser modificativa. E, sendo modifica- (que não pode resultar na exigência de um tributo
tiva, ela terá caráter normativo e não retroagirá. não previsto em lei), os princípios gerais de direito
Na segunda hipótese, em caso de lei benéfica, o tributário, os princípios gerais de direito público
artigo 106 do CTN elenca as hipóteses em que ela e a equidade (que não pode resultar na dispensa
retroage, desde que não alcance atos definitiva- de um tributo devido). Já a Lei de Introdução às
mentejulgados: a) quando deixe de defini-lo como Normas do Direito Brasileiro, em seu artigo 4º, esti-
infração; b) quando deixe de tratá -lo como con- pula que •quando a lei for omissa, o juiz decidirá o
trário a qualquer exigência de ação ou omissão, caso de acordo com a analogia, os costumes e os
desde que não tenha sido fraudulento e não tenha princípios gerais de direito". Perceba que, exceto
implicado em falta de pagamento de tributo; c) a analogia, os demais critérios de integração são
quando lhe comine penalidade menos severa que diferentes. Ainda, para a integração das demais
a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. normas (exceto a "legislação tributária"), não há
A expressão "definitivamente julgados" significa o ordem sucessiva de critérios a ser seguida. Adiante
trânsito em julgado. Assim, enquanto não extinto encontra-se o quadro comparativo:
o processo na sua plenitude (após a arrematação,
adjudicação ou remição) a lei nova mais benéfica
INTEGRAÇÃO DA INTEGRAÇÃO DAS DEMAIS
poderá retroagir. Cumpre lembrar que a retroação
LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA NORMAS
da lei ocorre apenas nas hipóteses de redução de
penalidades e não alcança diminuição do tributo. Art. 1OS do CTN Art. 4º da Lei de Introdução
às Normas do Direito Brasi-
leiro (Decreto-Lei 4.657/42)
@ INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA
Os quatro critérios abaixo Os três critérios não estão
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA obedecem a uma ordem sujeitos a uma ordem de
sucessiva. aplicação.
• Quando o CTN fala em interpretação da legislação
tributária, ele se refere à busca, dentro do con - 1º) Anal ogia
junto de textos tributários, de algum comando (O emprego da analogia
jurídico que, interpretado, produza uma norma não poderá resultar na Analogia
capaz de resolver o litígio em discussão. É a pos- exigência de tributo não
sibilidade de o intérprete construir a norma a previsto em lei)
partir de textos contidos no arcabouço legislativo 2º) Princípios Gerais de
tributário. No entanto, quando o tema é integra- Costumes
Direito Tributário
ção da legislação tributária, a doutrina, ainda que
3º) Princípios Gerais de
de modo simplista, afirma que houve lacuna no Princípios Gerais de Direito
Direito Público
direito tributário, e, como os litígios não podem
Capítulo 4 - Legislação Tributária 555

• Resta ainda analisar o papel dos princípios de


INTIGRAÇÃO Dll INTEGRAÇÃO DAS DEMAIS
LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA NORMAS direito privado e de direito público na interpreta-
ção dos institutos do direito tributário. Tal análise é
4º) Equidade devida porque o direito tributário, diferentemente
(0 emprego da equidade de alguns ramos mais tradicionais, é relativa -
não poderá resultar na - mente novo e inegavelmente se vale de diversos
dispensa do pagamento conceitos e institutos de outros ramos do direito,
de tributo devido)
mormente do direito privado. Como exemplo, a
instituição do IPTU demanda o conhecimento dos
institutos da propriedade, posse e domínio útil.
• A interpretação das normas tributárias não foge
das teorias gerais de interpretação, possuindo Por outro lado, a incidência do ITCMD exigirá o
algumas poucas especificidades. É que os critérios conhecimento de contratos, bem como do tema
de interpretação fazem parte da teoria geral do de sucessões. Enfim, não há como despregar o
direito e só apresentam alguma variação quando direito tributário de outros ramos igualmente
o próprio legislador demanda interpretação dife- importantes do direito.
renciada para algumas situações específicas. • Assim é que, ao estudar o direito tributário, o
operador do direito deve ter em mente o conhe-
• Assim, valendo-se da teoria geral do direito, pode-
-se dizer que a interpretação varia quanto à fonte
cimento desses institutos, estando certo que, na
seara tributária, a lei pode prever efeitos distintos
e quanto ao meio. No primeiro caso, ela pode ser
dos previstos na lei privada. É o que reza o artigo
(i) autêntica; (ii) jurisprudencial e (iii) doutrinária.
109 do CTN. No entanto, se os institutos de direito
Quanto ao meio, ela poderá ser (i) gramatical; (ii)
privado foram utilizados pelo legislador consti-
histórica; (iii) lógica; (iv) teleológica ou (v) finalís-
tuinte, sequer o legislador tributário infraconsti-
tica .
tucional poderá realizar qualquer alteração do seu
• Tratando-se das especificidades em matéria tribu-
tária, o legislador determinou dois tipos de inter-
alcance, visto que, se assim o fizesse, estaria alte-
rando a própria CF (artigo 11 O do CTN).
pretação: (i) literal e (ii) benigna. A interpretação
• No que tange à integração da legislação tributária,
literal, muito embora possua aparente reducio- é importante lembrar que a analogia não se con-
nismo interpretativo, é devida em hipóteses que funde com a interpretação extensiva. Enquanto a
visam a dar maior rigidez no alcance das normas, primeira se refere a uma hipótese não imaginada
com o fim de evitar interpretações extensivas ou pelo legislador, que deverá ser resolvida através
analogias que, em regra, fariam sucumbir o sistema da aplicação de uma norma jurídica que rege
tributário. Pelo artigo 111 do CTN, a interpretação caso semelhante, a segunda consiste apenas em
literal deve ocorrer nas hipóteses de (i) suspensão ampliar o alcance de uma norma para abarcar situ-
ou exclusão do crédito tributário; (ii) outorga de ações outrora não previstas.
isenção e (iii) dispensa do cumprimento de obriga-
ções tributárias acessórias. Não é que a teoria geral • Ainda no que tange à integração da legislação
da interpretação das normas jurídicas será afas- tributária, em específico quanto aos institutos da
tada nessas hipóteses. A finalidade é tão somente analogia e da equidade, importante lembrar que
evitar ampliações nos institutos cuja interpretação "o emprego da analogia não poderá resultar na
literal foi exigida. exigência de tributo não previsto em lei" e que "o
emprego da equidade não poderá resultar na dis-
• Quanto à interpretação benigna, trata-se de simi-
litude do direito tributário com o direito penal. Se
pensa do pagamento de tributo devido".

neste ramo é indubitável a aplicação da técnica ® OUTROS PONTOS DE INTERESSE


interpretativa in dubio pro reo, no direito tributá-
rio, quando o tema é penalidade e está-se diante • A fixação do prazo de recolhimento de tributo
de dúvida, aplica-se a técnica in dubio pro contri- não é matéria que deve, necessariamente, estar
buinte. O artigo 112 define as hipóteses em que prevista em lei. As matérias reservadas à previsão
este entendimento deve ser visto: em lei são aquelas elencadas no artigo 97 do CTN
(Princípio da Estrita Legalidade Tributária).
Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe
comina penalidades, interpreta-se da maneira mais • O STJ em várias oportunidades posicionou-se pela
favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: inaplicabilidade da analogia para concessão de
I. à capitulação legal do fato; isenção (por exemplo, no RESP 1.089.952/RJ).

li. à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, • O STJ já decidiu que o "art. 111 do CTN, que pres-
ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; creve a interpretação literal da norma, não pode
levar o aplicador do direito à absurda conclusão
Ili. à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;
de que esteja ele impedido, no seu mister de
IV. à natureza da penalidade aplicável, ou à sua gra- apreciar e aplicar as normas de direito, de valer-se
duaçã o. de uma equilibrada ponderação dos elementos
556 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

lógico-sistemático, histórico e finalístico ou tele- todos os entes da Federação, a todos os Estados ou


ológico, os quais integram a moderna metodolo- a todos os Municípios).
gia de interpretação das normas jurídicas" (RESP
192.531/RS). • São de caráter federal as leis complementares exi-
gidas para instituição de alguns tributos de com-
petência da União, quais sejam: imposto sobre
• Portanto, resumindo os posicionamentos do STJ
retrocitados tem-se que é admitida uma inter- grandes fortunas (CF, art. 153, VII), empréstimos
pretação mais ampla na outorga de isenções (tais compulsórios (CF, art. 148); impostos de compe-
como os elementos lógico-sistemático, histórico e tência residual da União (CF, art. 154, I) e contribui-
teleológico), porém não se aplica a analogia para ções sociais para custeio da seguridade social de
estender a aplicação delas. competência residual da União (CF, art. 195, § 4º ele
art. 154, I).
• O STJ decidiu que "a isenção tributária revela con-
veniência política, insuscetível, neste aspecto, de • Já as leis complementares de caráter nacional são
aplicáveis a todos os entes da federação (União,
controle pelo Poder Judiciário, na concretização
Estados, Distrito Federal e Municípios). O Código
de interesses econômicos e sociais, estimulando e
Tributário Nacional, por exemplo, além de versar
beneficiando determinadas situações merecedo-
sobre normas gerais de direito tributário (CF, art.
ras de tratamento privilegiado (artigo 176, CTN).
146, Ili), ainda regula no plano lnfraconstltucional
Os critérios enseja dores de sua concessão, em con-
várias limitações ao poder de tributar (CF, art. 146,
sequência, não alteram nem identificam, necessa-
li).
riamente, com os elementos caracterizadores do
tributo" (RESP 44.495/RJ). • Tipicamente, os decretos veiculam os regulamen-
tos das leis tributárias que instituem tributos,
• Vários são os julgados do STF que apregoam que
os requisitos de relevância e urgência para edição
como é o caso do Decreto federal 7.212/2010, que
aprova o Regulamento do IPI - RIPI, e do Decreto
de medida provisória são de apreciação discricio- estadual paulista 45.490/2000, que aprova o Regu-
nária do chefe do Poder Executivo, não cabendo, lamento do ICMS do Estado de São Paulo - RICMS/
salvo os casos de excesso de poder, seu exame SP.
pelo Poder Judiciário (ADI 2150).
• Em face do principio da legalidade tributária,
• O artigo 106, inciso li, alínea "e", do CTN apregoa
que a "lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratan-
somente as práticas administrativas que estiverem
de acordo com a legislação podem ser admitidas
do-se de ato não definitivamente julgado, quando no campo tributário. Dessa forma, as práticas rei-
lhe comine penalidade menos severa que a pre- teradamente observadas pelas autoridades admi-
vista na lei vigente ao tempo da sua prática". A lei- nistrativas (CTN, art. 100, Ili) são usos e costumes
tura não permite qualquer restrição da expressão administrativos observados na interpretação e
"ato não definitivamente julgado" aos processos aplicação da legislação tributária. Nessa linha, já
administrativos. Mesmo no caso de processos decidiu o STJ que, se em várias situações idênti-
judiciais em andamento (por exemplo, numa ação cas, a autoridade fazendária afastou os acrésci-
anulatória de lançamento de débito fiscal, cujo mos legais do tributo e cobrou apenas o imposto
objetivo é desconstituir o crédito tributário), uma de renda devido, o procedimento se caracteriza
lei nova que comine penalidade menos severa como prática reiterada na aplicação da legislação
deve ser aplicada retroativamente. i: a posição do tributária (STJ - REsp 142280 I SC - 2ª. Turma - Rei.
STJ (REsp 295.762/RS). Min. Hélio Mossimann - Julg. 23/03/2003).

• O CTN, embora seja formalmente uma lei ordiná-


ria anterior à Constituição de 1988 (Lei 5.172/66),
foi recepcionado com status de lei complementar
pela ordem constitucional vigente (lei material-
+ SÚMULAS APLICÃVEIS
mente complementar), porque compatível com • Súmula 112, do STF: "O imposto de transmissão
a mesma, com fundamento no artigo 34, § 5º do causa mortis é devido pela alíquota vigente ao
ADCT. O CTN trata de matérias que a Constituição tempo da abertura da sucessão".
Federal reservou à lei complementar de caráter • Súmula 669, do STF: "Norma legal que altera o
nacional. Isso porque, além de versar sobre nor- prazo de recolhimento da obrigação tributária não
mas gerais de direito tributário (CF, art. 146, Ili), se sujeita ao princípio da anterioridade".
ainda regula no plano infraconstitucional várias
limitações ao poder de tributar (CF, art. 146, li). • Súmula 06/2003, do TIT/SP: "A redução ou a rele-
vação da multa, em decisão proferida por qualquer
• De acordo com o contexto da previsão constitucio-
nal, a lei complementar aprovada pelo Congresso
das Câmaras do Tribunal de Impostos e Taxas, por
não caracterizar hipótese de divergência ou dissídio
Nacional poderá ter caráter federal (aplicável ape- de interpretação da legislação, não viabiliza a inter-
nas no âmbito da União) ou nacional (aplicável a posição de recurso especial".
Capítulo S - Obrigação
Tributária e Fato Gerador

Helena. Curso de Direito Tributário - Constituição e


+QUESTÕES Código Tributário Nacional. 2• ed. São Paulo: Saraiva,
2012, pág. 67).
>CF, art. 145, § 2°, 6 e 150.
Errado. Nos termos da nota dos autores, o item em
>CTN, arts. 33, 43, 96, 97, 106, 113 a 118, 123, 124, 135, 138, análise refere-se ao bis in idem e não à bitributação.
140, 142 e 201.
> Lei complementar 105/2001. 02. (Cespe - Analista Judiciário - Area Judiciária
>Lei das S.As (6.404/76), art. 228. - STF/2013) Acerca da obrigação tributária, julgue os
>Lei Paulista 6.374/89, art. 84-A. itens subsequentes.

02.1. A obrigação tributária acessória decorre da legis-


01. (Cespe - Analista Judiciário - Area Judiciária - lação tributária e pode ter como objeto a inscrição no
STJ/2012) Julgue os itens a seguir, acerca da competên- cadastro fiscal da atividade empresarial desenvolvida, a
cia tributária, dos impostos, da obrigação e dos créditos fim de atender aos interesses da fiscalização tributária.
tributários.
COMENTÁRIOS
Ocorre bitributação quando o mesmo ente tribu-
tante edita leis distintas que estabelecem múltiplas O Nota dos autores: a obrigação tributária é clas-
exigências tributárias em razão do mesmo fato gerador. sificada como principal e acessória. A obrigação tribu-
tária acessória decorre da legislação tributária e tem
por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela
previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização
O Nota do autor: "a bitributação significa a pos- dos tributos (CTN, art. 113, § 2°), ou seja, possui natureza
sibilidade de um mesmo fato jurídico ser tributado de fazer (prestações positivas) ou não fazer (prestações
por mais de uma pessoa. Diante de nosso sistema tri- negativas).
butário, tal prática é vedada, pois cada situação fática
somente pode ser tributada por uma única pessoa polí- Certo. O item coaduna-se com os ditames do artigo
tica, aquela apontada constitucionalmente, pois, como 113, § 2° do CTN, pois a inscrição no cadastro fiscal cons-
visto, a competência tributária é exclusiva ou privativa. titui prestação positiva (obrigação de fazer), estabele-
Inviável, portanto, que haja mais de uma pessoa política cida na legislação tributária no interesse da arrecadação
autorizada a exigir tributo sobre o mesmo fato jurídico. e da fiscalização de tributos.
Já o bis in idem é ideia distinta, traduzida na situação
de o mesmo fato jurídico ser tributado mais de uma 02.2. A obrigação tributária principal tem como objeto
vez pela mesma pessoa política, sendo permitido pelo o pagamento do tributo devido ou a penalidade pecu-
sistema pátrio desde que expressamente autorizado niária, que se extinguirá juntamente com o crédito dela
pela Constituição. Por exemplo, o fato de uma empresa decorrente.
auferir lucro dá margem à exigência de Imposto sobre
a Renda, como também da contribuição social sobre o
lucro - CSSL, ambos tributos de competência da União.
Pois bem. A competência tributária, assim compreen- O Nota dos autores: a obrigação tributária é clas-
dida, há de ser exercida segundo parâmetros consti- sificada como principal e acessória. A obrigação tribu-
tucionalmente estabelecidos, dentre os quais se des- tária principal surge com a ocorrência do fato gerador,
tacam os princípios e as imunidades" (COSTA, Regina tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade
558 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela Certo. O registro da venda de mercadorias nos
decorrente (CTN, art. 113, § 1°), ou seja, possui natureza livros fiscais e contábeis é uma obrigação tributária
de dar (pagar). acessória (de fazer, ou seja, prestações positivas decor-
rentes da legislação no interesse da arrecadação ou da
Certo. O item coaduna-se com os ditames do artigo
fiscalização de tributos), conforme teor do artigo 113, §
113, § 1° do CTN .
2°,do CTN .

02.3. Eventual multa cobrada pelo descumprimento


03.3. O pagamento do tributo extingue toda obriga-
de obrigação tributária acessória converte-se, imediata-
ção tributária existente, incluindo-se a necessidade de
mente, em obrigação principal.
registro contábil.

COMENTARIOS

O Nota dos autores: a obrigação acessória, pelo O Nota dos autores: a obrigação principal surge
simples fato da sua inobservância, converte-se em obri- com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o
gação principal relativamente à penalidade pecuniária pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e
(CTN, art. 113, § 3°). extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente
(CTN, art. 113, § 1°).
Certo. O item coaduna-se com os ditames do artigo
113, § 3° do CTN. Errado. O pagamento do tributo extingue a obriga-
ção tributária principal existente, entretanto, não afeta a
obrigação tributária acessória (dever de fazer o registro
03. (Cespe - Procurador do Estado - BA/2014) De
contábil). Isso porque, no Direito Tributário, as obriga-
acordo com determinada norma tributária, a venda de
ções tributárias principais e acessórias são independen-
mercadoria gera a necessidade de registro contábil e do
tes entre si, não se aplicando a máxima jurídica muito
pagamento do tributo devido. A respeito desse tema,
difundida no Direito Civil, segundo a qual "o acessório
julgue os itens seguintes.
segue a sorte do principal".

03.1. O tributo não pago converte-se imediatamente


04. (Cespe - Defensor Público - T0/2013) A respeito
em obrigação principal.
das obrigações e competências tributárias, assinale a
opção correta.

a) Compete aos municípios instituir impostos sobre a


O Nota dos autores: a obrigação tributária é classi- propriedade de veículos automotores.
ficada como principal e acessória. A principal surge com
a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o paga- b) A competência tributária é atribuída, constitucio-
mento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue- nalmente ou legalmente, a um ente estatal não
-se juntamente com o crédito dela decorrente (CTN, art. necessariamente dotado de poder legislativo, haja
113, § 1°), ou seja, possui natureza de dar (pagar). vista que é exercida mediante atos administrativos.

c) As obrigações tributárias acessórias são relevan-


Errado. O pagamento do tributo já é o objeto da
obrigação tributária principal (CTN, art. 113, § 1°). A ina- tes para a atividade de arrecadação e fiscalização,
dimplência (tributo não pago) enseja a cobrança judi- podendo ser estabelecidas em atos infralegais, sem
ofensa ao princípio da tipicidade.
cial do crédito tributário. De outro lado, uma obrigação
tributária acessória (fazer ou não fazer no interesse da d) A União, os estados, o DF e os municípios podem
arrecadação ou da fiscalização de tributos) pelo simples instituir contribuições sociais, de intervenção no
fato da sua inobservância, converte-se em obrigação domínio econômico e de interesse das categorias
principal relativamente à penalidade pecuniária (CTN, profissionais ou econômicas, como instrumento de
art. 113, § 3°). atuação nas respectivas áreas.

e) As competências tributárias foram rigidamente


03.2. O registro da referida venda é uma obrigação tri- traçadas pelo constituinte originário, portanto são
butária, mas não o fato gerador do tributo. insuscetíveis de alterações pelo poder constituinte
de reforma.

O Nota dos autores: a obrigação principal surge


com a ocorrência do fato gerador do tributo (previsto O Nota do autor: as obrigações são classificadas
em lei). Nesse sentido, sem se tratando do ICMS, um dos quanto à natureza em (i) obrigações de dar; (ii) de fazer
fatos geradores da obrigação tributária principal é a ou (iii) de não fazer. A obrigação tributária é classifi-
própria operação de circulação de mercadorias (venda), cada como principal e acessória. A principal surge com
nos termos do artigo 2°, inciso I, da LC 87/96. a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o paga-
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 559

mento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-


OS. (Cespe - Juiz Federal Substituto S• região/2013)
-se juntamente com o crédito dela decorrente (CTN, art.
Assinale a opção correta de acordo com a CF, as normas
113, § 1°), ou seja, possui natureza de dar (pagar tributo).
gerais de direito tributário e a jurisprudência do STJ e
Já a acessória decorre da legislação tributária e tem por
do STF.
objeto as prestações, positivas ou negativas, nela pre-
vistas no interesse da arrecadação ou da fiscalização a) Não é admissível o repasse, na fatura de energia elé-
dos tributos (CTN, art. 113, § 2°), ou seja, possui natureza trica, do encargo financeiro relativo à contribuição
de fazer (prestações positivas) ou não fazer (prestações de integração social e à contribuição para o finan-
negativas). Exemplo: recolher o IRPF é o objeto da obri- ciamento da seguridade social devidas pela conces-
gação tributária principal e apresentar a declaração de sionária.
ajuste anual de Imposto de Renda da pessoa física é b) O fato de a sociedade não ser localizada no ende-
uma obrigação tributária acessória. reço fornecido como domicílio fiscal não gera pre-
sunção de que ela tenha sido irregularmente dissol-
Alternativa correta: letra "cn: a definição do
vida.
fato gerador da obrigação tributária principal deve,
necessariamente, estar prevista em lei (CTN, art. 97, c) É constitucional a adoção, no cálculo do valor de
Ili), sujeitando-se, portanto, ao princípio da legalidade taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo
estrita ou tipicidade cerrada. Já a obrigação tributá- própria de determinado imposto, mesmo que haja
ria acessória decorre da legislação tributária (CTN, integral identidade entre uma base e outra.
art. 113, § 2°), expressão esta que compreende as leis, d) O CTN adota expressamente o princípio do non olet,
os tratados e as convenções internacionais, os decretos cuja aplicação implica tributação do produto da ati-
e as normas complementares que versem, no todo ou vidade ilícita, bastando, para tanto, que a hipótese
em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles perti- de incidência da obrigação tributária se realize no
nentes (CTN, art. 96). Em resumo, enquanto a obrigação mundo dos fatos.
tributária principal deve necessariamente ser prevista e) O IR será norteado pelos critérios da generalidade,
numa lei (estrita legalidade), a obrigação acessória da seletividade e da progressividade, na forma da
decorre da legislação tributária (ideia mais ampla que lei.
compreende não só leis, mas também decretos e outros
tipos normativos infralegais, tais como instruções nor- COMENTA RIOS
mativas e portarias).
O Nota dos autores: numa tradução simples, o
Alternatlva "a": incorreta, uma vez que não com- princípio do non olet significa que "o tributo não tem
pete aos Municípios a instituição do IPVA. Na verdade, cheiro", no sentido de ser tributada qualquer atividade
segundo o artigo 155, inciso Ili, da CF, compete aos Esta- que se enquadre na hipótese de incidência da exação,
dos e ao Distrito Federal instituir impostos sobre a pro- mesmo as ilícitas.
priedade de veículos automotores. Não obstante, por
Alternativa correta: letra "d": é possível a inci-
conta das normas constitucionais de repartição de recei-
dência de tributação sobre valores arrecadados em vir-
tas tributárias, pertencem aos Municípios cinquenta por
tude de atividade ilícita, consoante o art. 118 do CTN.
cento do produto da arrecadação do imposto do Estado
Seria contraditório o não pagamento do imposto pro-
sobre a propriedade de veículos automotores licencia-
veniente de ato ilegal, pois haveria locupletamento da
dos em seus territórios (CF, art. 158, lll).
própria torpeza em detrimento do interesse público da
Alternativa "b": incorreta, por dois motivos. Pri- satisfação das necessidades coletivas, a qual se daria
meiro, a competência tributária é atribuída pela Cons- por meio da exação tributária (HC 94240, Rei. Min. Dias
tituição Federal (e não por lei). Segundo, a competên- Toffoli, 23.8.2011. 1ª T., lnfo 637). O artigo 118, de certa
cia tributária é atribuída a entes estatais com poderes maneira, estipula expressamente essa interpretação
legislativos, uma vez que, pelo Princípio da Legalidade, objetiva do fato gerador, ao prever que "definição legal
os tributos são instituídos por lei. do fato gerador é interpretada abstraindo-se da vali-
dade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos
Alternativa "d": incorreta, uma vez que a com- contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da
petência para instituição das contribuições sociais, de natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, (bem como)
intervenção no domínio econômico e de interesse das dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos".
categorias profissionais ou econômicas é exclusiva da
União (CF, art. 149) e não concorrente, como erronea- Alternativa "a": incorreta. No sentido diametral-
mente constou no texto da alternativa. mente oposto ao texto da alternativa, a Primeira Seção
do STJ, no julgamento do Recurso Especial repetitivo
Alternativa "e": incorreta. Embora seja verdadeira 1.185.070/RS, julgado em 22.9.2010, previsto no art.
a afirmação de que as competências tributárias foram 543-C do CPC, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki,
rigidamente traçadas pelo poder constituinte originá- estipulou que "é legítimo o repasse às tarifas de ener-
rio, tem-se que, por meio de emendas constitucionais gia elétrica do valor correspondente ao pagamento da
elas podem ser alteradas, desde que, necessariamente, Contribuição de Integração Social - PIS e da Contribui-
sejam respeitadas as cláusulas pétreas, dentre elas o ção para financiamento da Seguridade Social - COFINS
pacto federativo (CF, art. 60, § 4°, 1). devido pela concessionária".
560 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa ub": incorreta. Ao contrário do que de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005):
constou, a Súmula 435 do STJ assevera que "presume- "A base de cálculo é a grandeza instituída na conse-
-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de q""ência da regra-matriz tributária, e que se destina,
funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos primordialmente, a dimensionar a intensidade do com-
órgãos competentes, legitimando o redirecionamento portamento inserto no núcleo do fato jurídico". "( ...) É
da execução fiscal para o sócio-gerente". quantificadora normativa do fáctico." Dúvida poderia
surgir quanto à sua necessidade para todas as espécíes
Alternativa "c": incorreta, por afrontar a parte final
tributárias. É que nem todos os tributos são apurados
do teor da Súmula Vinculante 29 do STF, segundo a qual
do binómio "base de cálculo x alíquota". Há os fixos,
"é constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa,
como o ISS dos profissionais regulamentados, a maioria
de um ou mais elementos da base de cálculo própria de
das taxas, dentre outros, que não possuem essa gran-
determinado imposto, desde que não haja integral
deza separada. O questionamento reside na análise da
identidade entre uma base e outra".
necessária existência ou não da base de cálculo através
Alternativa "e": incorreta, pois segundo o artigo de previsão normativa expressa. Há argumentos para
153, § 2°, da CF, o imposto de renda será informado ambos os lados. No entanto, a interpretação da asser-
pelos critérios da generalidade (qualquer pessoa física tiva no sentido de que a base de cálculo como medida
ou jurídica poderá ser sujeito passivo do imposto), da legal da grandeza do fato gerador não precisa estar pre-
universalidade (nenhuma renda ou provento ficará sente em todos os tributos possui peso argumentativo
fora do campo de incidência do imposto) e da progres- com maior suporte jurídico. É que não há uma "medida
sividade (com grande aderência ao princípio da capaci- legal da grandeza" do tributo quando o valor fixado não
dade contributiva, o imposto possui alíquotas diferen- guarda relação com qualquer cálculo feito a priori, nas
ciadas segundo for aumentando a base de cálculo), na taxas, por exemplo, a custear o serviço ou a fiscalização.
forma da lei. Perceba que no lugar da universalidade
Item Ili: Incorreto. Fato gerador periódico ou com-
constou no texto da alternativa o termo seletividade.
plexivo ocorre quando sua realização se dá ao longo de
um espaço de tempo. É o caso clássico do Imposto de
06. (PUC - PR - Juiz de Direito - PR/2014) Acerca das renda e não dos tributos sobre a propriedade (IPTU e
obrigações tributárias, assinale a alternativa CORRETA. IPVA). Nesse sentido: " (...) o fato gerador do imposto
1. As obrigações tributárias acessórias não dependem de renda de pessoa jurídica é complexivo - ocor-
da efetiva existência de uma obrigação principal. rendo nos diversos momentos em que acontecem os
fatos econômicos que afetam o patrimônio da pes-
li. A base de cálculo do tributo pode ser entendida soa jurídica(... )" (RE 183.130-PR, rei. Min. Carlos Velloso,
como a medida legal da grandeza do fato gerador, 20.5.98)
não constit1,1indo elemento necessário para todas
as espécies tributárias. Item IV: Correto. Vigora no direito tributário o Prin-
cípio da Interpretação Objetiva do Fato Gerador (art.
Ili. O fato gerador do tributo chama-se periódico ou 118 c/c 126 CTN). Vejamos o teor do art. 118: "Art. 118. A
complexivo quando é ele representando por situ- definição legal do fato gerador é interpretada abstrain-
ação que se mantem no tempo e que é mensurada do-se: 1-da validade jurídica dos atos efetivamente pra-
em cortes temporais, como ocorre nos tributos ticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros,
sobre a propriedade (IPTU e IPVA). bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efei-
IV. Segundo nosso Código Tributário Nacional para tos; li - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Tal
a incidência do tributo não se mostra relevante a dispositivo consagra a Cláusula non olet que pressupõe
regularidade jurídica dos atos praticados, nem tam- que o tributo "não fede e não cheira". Importa para o
pouco a licitude de seu objeto. Estado arrecadar, angariar fundos para cobrir suas des-
pesas (finalidade fiscal do tributo), não cabendo, nesse
a) Todas as alternativas estão corretas.
instante, aferir ilicitude do fato ocorrido. Em suma: o
b) Somente as alternativas li e Ili estão corretas. fato poderá ser ilícito, mas a hipótese de incidência (pre-
visão normativa) jamais o será.
c) Somente a alternativa IV está correta.
d) Somente as alternativas 1, li e IV estão corretas.
07. (Cespe - Procurador do Estado - Pl/2014) No que
diz respeito à obrigação principal e acessória, assinale a
opção correta com base na jurisprudência atual do STJ.
Alternativa correta: letra "d": Somente as alterna- a) A presunção de legitimidade assegurada à certidão
tivas 1, li e IV estão corretas. Vejamos cada item. da dívida ativa não afasta a possibilidade de discus-
Item 1: Correto. Em direito tributário, o acessório são judicial da condição de responsável tributário
não segue o principal como ocorre com o direito civil indicada no título executivo por meio da exceção
(teoria da gravitação jurídica). de pré-executividade, visto que não há, nessa hipó-
tese, a necessidade de dilação probatória.
Item li: Correto. A base de cálculo do tributo é a
medida legal da grandeza do fato gerador. Segundo a b) A administração tributária não interessa levar a
lição do Professor Paulo de Barros Carvalho (ln: Curso protesto a certidão da dívida ativa, título executivo
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 561

extrajudicial que já goza de presunção de certeza e e, de outro, modalidade alternativa para cobrança de
liquidez e confere publicidade à inscrição do débito dívida, foi ampliado, desvinculando-se dos títulos estri-
na dívida ativa. tamente cambiariformes para abranger todos e quais-
quer "títulos ou documentos de dívida". Ao contrário
c) A declaração do contribuinte exigida por lei consti-
do afirmado pelo Tribunal de origem, portanto, o atual
tui o próprio crédito tributário, sendo desnecessária
regime jurídico do protesto não é vinculado exclusiva-
qualquer atividade subsequente da administração
mente aos títulos cambiais. (...)13. A possibilidade do
tributária para a formalização do lançamento fiscal
protesto da COA não implica ofensa aos princípios do
ou a notificação do contribuinte para pagamento.
contraditório e do devido processo legal, pois subsiste,
d) A responsabilidade do sócio-administrador pelos para todo e qualquer efeito, o controle jurisdicional,
tributos devidos pela pessoa jurídica demanda mediante provocação da parte interessada, em relação
a comprovação da prática de atos ultra vires ou à higidez do título levado a protesto(...) (REsp 1126515/
com infração à lei, ou a dissolução irregular da PR, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
empresa, e, nessa última hipótese, a responsabiliza- julgado em 03/12/2013, DJe 16/12/2013).
ção alcança o sócio-administrador que tenha con-
Alternativa "d": A responsabilização não alcança
sentido com o ato de dissolução irregular e todos
todos os sócios-administradores, mas apenas aquele
os demais sócios-administradores que, durante o
que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao
exercício da administração, tenham inadimplido o
estatuto, ou no caso de dissolução irregular da empresa,
crédito tributário.
não se incluindo o simples inadimplemento de obriga-
e) Ao comerciante de boa-fé não é permitido o apro- ções tributárias. Nesse sentido, válido lembrar o teor da
veitamento dos créditos de ICMS decorrentes de Súmula nº 430 do STJ: "O inadimplemento da obrigação
nota fiscal posteriormente declarada inidônea, tributária pela sociedade não gera, por si só, a respon-
ainda que demonstrada a veracidade da compra e sabilidade solidária do sócio-gerente". Corroborando
venda. o exposto confira o julgado: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO
FISCAL. REDIRECIONAMENTO PARA OS SÓCIOS.SÓCIOS
COMENTÁRIOS QUE NÃO INTEGRAVAM A GERtNCIA DA SOCIEDADE
A ÉPOCA DO FATO GERADOR E DA OCORRtNCIA DA
O Nota dos autores: A questão demanda do candi-
DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA.IMPOSSIBILl-
dato o conhecimento da jurisprudência do STJ.
DADE.1. O redirecionamento da execução fiscal para
Alternativa correta: letra "e": A assertiva vai ao o sócio-gerente da empresa é cabível apenas quando
encontro do teor do enunciado nº 436 da Súmula do STJ: demonstrado que este agiu com excesso de poderes,
"A entrega de declaração pelo contribuinte reconhe- infração à lei ou ao estatuto, ou no caso de dissolução
cendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dis- irregular da empresa, não se incluindo o simples ina-
pensada qualquer outra providência por parte do fisco". dimplemento de obrigações tributárias.2. "O pedido
de redirecionamento da execução fiscal, quando fun-
Alternativa "a": A exceção de pré-executividade é
dado na dissolução irregular da sociedade executada,
admissível na execução fiscal relativamente às matérias
pressupõe a permanência de determinado sócio na
conhecíveis de ofício que não demandem dilação pro-
administração da empresa no momento da ocorrência
batória (Súmula 393 do STJ). São exemplos: os pressu-
dessa dissolução, que é, afinal, o fato que desencadeia
postos processuais, as condições da ação, a decadência,
a responsabilidade pessoal do administrador. Ainda,
a prescrição, dentre outras. Saber, a priori, se a condição
embora seja necessário demonstrar quem ocupava o
de responsável é matéria que demanda ou não dilação
posto de gerente no momento da dissolução, é necessá-
probatória é precipitado por conta das várias modalida-
rio, antes, que aquele responsável pela dissolução tenha
des de responsabilidade, o que não afasta, na maioria
sido também, simultaneamente, o detentor da gerência
dos casos, a necessidade de adentrar em temas não per-
na oportunidade do vencimento do tributo. É que só se
mitidos pela via da pré-executividade.
dirá responsável o sócio que, tendo poderes para tanto,
Alternativa "b": O STJ revisitando a matéria, pas- não pagou o tributo (daí exigir-se seja demonstrada a
sou a admitir que é possível o protesto da Certidão de detenção de gerência no momento do vencimento do
Dívida Ativa (COA). Confira alguns trechos do julgado: débito) e que, ademais, conscientemente, optou pela
"(...) 2. Merece destaque a publicação da Lei 12.767/2012, irregular dissolução da sociedade (por isso, também exi-
que promoveu a inclusão do parágrafo único no art. gível a prova da permanência no momento da dissolu-
1° da Lei 9.492/1997, para expressamente consignar ção irregular)" (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1009997/
que estão incluídas "entre os títulos sujeitos a protesto SC, Rei. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA,
as certidões de dívida ativa da União, dos Estados, do julgado em 2/4/2009, DJe 4/5/2009-grifo nosso).3. Hipó-
Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas autar- tese em que à época dos fatos geradores a agravada não
quias e fundações públicas". 3. Não bastasse isso, mos- integrava o quadro societário da sociedade executada
tra-se imperiosa a superação da orientação jurispruden- e não detinha poderes de gerência. Impossibilidade de
cial do STJ a respeito da questão. 4. No regime institu- redirecionamento da execução fiscal. Agravo regimen-
ído pelo art. 1° da Lei 9.492/1997, o protesto, instituto tal improvido.(AgRg no AREsp 527.515/SP, Rei. Ministro
bifronte que representa, de um lado, instrumento para HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em
constituir o devedor em mora e provar a inadimplência, 12/08/2014, DJe 19/08/2014)
562 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa "en: A questão vai de encontro ao teor Alternativa "d": ta previsão contida no art. 134, VI,
da Súmula nº 509 do STJ: "t lícito ao comerciante de do Código Tributário Nacional. Ressalte-se que tal hipó-
boa-fé aproveitar os créditos do ICMS decorrentes de tese legal é muito exigida nos concursos para Cartórios.
nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando Portanto, muito cuidado!
demonstrada a veracidade da compra e venda".
09. (Vunesp - Cartório - TJ - SP/2012) Com relação à
08. (IESES - Cartório - TJ - R0/2012) Considerando o Declaração Sobre Operações Imobiliárias - 001, é lícito
que estabelece a legislação tributária em vigor.assinale afirmar que
a afirmação INCORRETA: a) a multa por atraso no seu envio foi criada em instru-
a) A autoridade administrativa poderá desconsiderar ção normativa da Receita Federal do Brasil.
atos ou negócios jurídicos praticados com a finali- b) se trata de obrigação acessória, mas que pode se
dade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tornar tributo, pelo simples fato de sua inobservân-
tributo ou a natureza dos elementos constitutivos cia.
da obrigação tributária, observados os procedi-
c) seu sujeito passivo é o adquirente do bem imóvel
mentos a serem estabelecidos em lei complemen-
objeto da transação imobiliária.
tar.
d) não deve ser enviada em escritura de renúncia de
b) Segundo a regra geral, os créditos tributários rela-
usufruto.
tivos a impostos cujo fato gerador seja a proprie-
dade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis,
e bem assim os relativos a taxas pela prestação de
serviços referentes a tais bens, ou a contribuiçôes O Nota dos autores: Trata-se de questão especí-
de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respec- fica, que aborda a obrigação acessória que recai sobre
tivos adquirentes, salvo quando conste do título a os serventuários da Justiça que trabalham com as ope-
prova de sua quitação. rações imobiliárias. No ponto, atenção ao art. 8° da Lei
n° 10.426/02, abaixo citado.
c) Nos casos de impossibilidade de exigência do cum-
primento da obrigação principal pelo contribuinte, Alternativa correta: letra "dn: Pela lei, o dever de
respondem solidariamente com este nos atos em informar recai quando ocorre aquisição ou alienação de
que intervierem ou pelas omissôes de que forem imóveis, realizada por pessoa física ou jurídica, indepen-
responsáveis os administradores de bens de tercei- dente do seu valor. Logo, renúncia de usufruto, como
ros, pelos tributos devidos por estes. não consiste em alienação imobiliária, está dispensada
daDOI.
d) Nos casos de impossibilidade de exigência do cum-
primento da obrigação principal pelo contribuinte, Alternativa "a": A multa por atraso no seu envio foi
respondem solidariamente com este nos atos em criada pela Lei nº 10.426/02, que reza, no seu artigo 8°:
que intervierem ou pelas omissôes de que forem Art. 8° Os serventuários da Justiça deverão informar as
responsáveis os tabeliães, escrivães e demais ser- operaçôes imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas,
ventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou
atos praticados por eles, ou perante eles, em razão de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua
do seu ofício. responsabilidade, mediante a apresentação de Decla-
ração sobre Operaçôes Imobiliárias (DOI), em meio
magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria
COMENTARIOS
da Receita Federal.§ 1° A cada operação imobiliária cor-
O Nota dos autores: Atenção: O examinador exige responderá uma DOI, que deverá ser apresentada até
que o candidato marque a alternativa incorreta. o último dia útil do mês subseqv'ente ao da anotação,
averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva
Alternativa correta: letra "a": O erro da assertiva operação, sujeitando-se o responsável, no caso de falta
está na expressão "lei complementar". O art. 116, pará- de apresentação, ou apresentação da declaração após o
grafo único, do Código Tributário Nacional exige lei prazo fixado, à multa de 0,1%(zero vírgula um por cento)
ordinária e não lei complementar. Confira: "Art. 116 (...) ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação,
Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá limitada a 1%(um por cento), observado o disposto no
desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados inciso Ili do§ 2°."
com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato
gerador do tributo ou a natureza dos elementos consti- Alternativa "b": De fato, a DOI é uma obrigação
tutivos da obrigação tributária, observados os procedi- acessória, atribuída aos serventuários da Justiça. Seu
mentos a serem estabelecidos em lei ordinária". descumprimento, seguindo a regra do art. 113 do CTN,
implica a cobrança de multa, que é obrigação principal,
Alternativa "b": A alternativa aborda a norma pre- mas não é tributo.
vista no art. 130 do Código Tributário Nacional.
Alternativa "c": O sujeito passivo da DOI, conforme
Alternativa "cn: A assertiva traz o teor do art. 134, art. 8° acima transcrito, é o oficial de registro de imóveis
Ili, do Código Tributário Nacional. e o tabelião de notas, dentre outros. Os adquirentes e
Capítulo S - Obrigação Tributária e Fato Gerador 563

vendedores de imóveis não estão sujeitos a esse dever a) a obrigação que a lei faz de um fato tributário que,
instrumental. se ocorrer, dará ensejo à obrigação tributária.

b) é o mesmo que equidade.


10. (FCC-Cartório-TJ- PE/2013) A emissão de Decla-
ração sobre Operações Imobiliárias - DOI c) é a atribuição da lei de modo expresso para que ter-
ceira pessoa seja responsabilizada pelo pagamento
a) é obrigação acessória que tem como sujeito pas- do tributo.
sivo o Oficial do Registro de Imóveis e o Tabelião de
Notas, dentre outros. d) é a obrigação que decorre da lei e que diz respeito
a prestações, positivas ou negativas, nela previstas
b) é obrigação acessória que tem como sujeito passivo no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tri-
o alienante e o adquirente de imóvel rural, como butos.
forma de fiscalizar a incidência do Imposto Sobre
Propriedade Territorial Rural - ITR. e) é a obrigação que surge com a ocorrência do fato
gerador e tem por objeto o pagamento de tributo.
c) é obrigação principal conferida aos adquirentes de
bens imóveis, como forma de fiscalizar o recolhi- COMENTARIOS
mento do Imposto sobre a Renda incidente sobre o
ganho de capital. O Nota dos autores: A obrigação acessória ou
"deveres instrumentais do contribuinte", como prefe-
d) deve ser apresentada pelo adquirente conjunta- rem dizer alguns doutrinadores modernos está legal-
mente com a Declaração de Ajuste Anual para fins mente definida no art. 113, § 2° do CTN: "A obrigação
de Imposto sobre a Renda. tributária é principal ou acessória. (...) § 2° A obrigação
e) está dispensada de ser emitida quando a transmis- acessória decorre da legislação tributária e tem por
são imobiliária tiver caráter gratuito, pois, neste objeto as prestações, positivas ou negativas, nela pre-
caso, não haverá ganho de capital pelo alienante. vistas no interesse da arrecadação ou da fiscalização
dos tributos". Dentro desta perspectiva, esta obrigação
COMENTA RIOS consiste em uma prestação positiva ou negativa, que
denota atos "de fazer• ou "não fazer•, despidos de cará-
O Nota dos autores: De fato, como mais um ônus ter patrimonial. Ou seja, é o agir ou o não agir, dissocia-
levado aos cidadãos e contribuintes, o Governo Federal dos do ato de pagar.
criou a Declaração sobre Operações Imobiliárias - DOI,
Alternativa correta: letra "d": A assertiva consiste
através da Lei n° 10.426/02, com a finalidade de munir o
na repetição literal do, supratranscrito, art. 113, § 2° do
Fisco de informações sobre as operações imobiliárias, a
CTN.
fim de alcançar, com maior realidade, o patrimônio dos
contribuintes e cobrar o devido imposto. Alternativa ..a": Esta opção contém a definição de
fato gerador e não do que seja obrigação acessória.
Alternativa correta: letra "a": Pela redação do art.
8°, da Lei nº 10.462/02, nota-se que o sujeito passivo da Alternativa "b": A equidade prevista no art. 108
DOI não é o proprietário do imóvel: "Art. 8° Os serven- do CTN, consiste em uma das formas de integração da
tuários da Justiça deverão informar as operações imo- norma tributária, não guardando qualquer relação com
biliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas os deveres instrumentais do contribuinte.
ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro
de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabi- Alternativa "c": A assertiva contempla a definição
lidade, mediante a apresentação de Declaração sobre de responsabilidade tributária.
Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos Alternativa "e": Esta opção revela a definição de
termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Fede- obrigação tributária principal.
ral". Assim, trata-se de obrigação acessória do oficial de
registro de imóveis, dentre outros.
12. (IESES - Cartório - TJ - PBl2014) Sobre a obriga-
Alternativas "b", "c" e "d": Como visto, o dever se ção tributária é correto afirmar:
sua apresentação e entrega compete aos serventuários
da Justiça e não aos adquirentes ou vendedores dos 1. A obrigação principal surge com a ocorrência do
imóveis. Estes, por sua vez, devem declarar a venda e/ fato gerador, tem por objeto o pagamento de tri-
ou a compra na sua Declaração de Imposto de Renda. buto ou penalidade pecuniária e extingue-se junta-
mente com o crédito dela decorrente.
Alternativa "e": A lei não retirou a obrigação das
transmissões gratuitas, visto que a finalidade da norma li. A obrigação acessória, por sua natureza jurídica,
é alcançar todas as transações, incluindo as sem caráter não se converte em obrigação principal. /\
oneroso.
Ili. A obrigação acessória decorre da legislação tribu-
tária e tem por objeto as prestações, positivas ou
11. (FMP-Cartório -TJ- MTl2014l Obrigação tributá- negativas, nela previstas no interesse da arrecada-
ria acessória significa: ção ou da fiscalização dos tributos.
564 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

IV. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua são e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou
inobservância, converte-se em obrigação principal redução de penalidades.
relativamente à penalidade pecuniária.
Alternativa correta: letra "c".
A sequência correta é:
Primeira indagação: sim. Essa foi a resposta oficial
a) Apenas a assertiva li está correta. da ESAF. Entretanto, a questão poderia ter sido anulada
ou ter seu gabarito oficial alterado para a letra "d", o
b) As assertivas 1, li, Ili e IV estão corretas. que infelizmente não ocorreu. ~ uníssono que a defini-
c) Apenas as assertivas 1, Ili e IV estão corretas. ção do fato gerador da obrigação tributária principal
somente pode ser estabelecida por lei (CTN, art. 97, Ili}.
d) Apenas as assertivas 1e li estão corretas. Entretanto, o enunciado não restringiu a primeira inda-
gação à obrigação tributária principal, constando ape-
COMENTÀRIOS nas "obrigação tributária", permitindo a interpretação
de que também poderia estar se referindo à obrigação
Alternativa correta: letra "c": Está correto o item
tributária acessória (decorrente da legislação tributá-
l,llle IV.
ria, e, portanto, não necessariamente dependente de
Item 1: O item transcreve a literalidade do § 1° do uma lei).
art. 113 do CTN .
Segunda indagação: sim. O artigo 113, § 1° do CTN,
Item Ili: O item transcreve a literalidade do § 2° do prevê que "a obrigação principal surge com a ocorrência
art. 113 do CTN. do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo
oupenalidade pecuniária e extingue-se juntamente
Item IV: O item transcreve a literalidade do§ 3° do
com o crédito dela decorrente".
art. 113 do CTN.
Terceira indagação: sim. A obrigação tributária
Item errado "li": O item contradiz o referido no§ 3° acessória decorre da legislação tributária e tem por
do art. 113 do CTN. objeto as prestações, positivas ou negativas, nela
previstas no interesseda arrecadação ou da fiscalização
13. (ESAF - Procurador Fazenda Nacional /2007) dos tributos (CTN, art. 113, § 2°), ou seja, possui natureza
Responda às perguntas abaixo, com um Sim ou um Não de fazer (prestações positivas} ou não fazer (prestações
e em seguida selecione, entre as opções abaixo, a que negativas}.
contenha as respostas certas, na devida seq.fência. A
definição do fato gerador da obrigação tributária pode 14. (ESAF - Procurador Fazenda Nacional/ 2007)
ser estabelecida apenas por lei? A obrigação tributária Assinale a opção que completa, corretamente, o enun-
principal pode ter por objeto exclusivamente penali- ciado. A lei não previu expressamente como operações
dade pecuniária? Uma situação que, na forma da legisla- financeiras (como operação financeira}, para fins de
ção aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que informação periódica à Administração Tributária da
não configure pagamento de tributo é denominada, no União,
CTN, obrigação acessória?
a} os depósitos à vista e a prazo
a) Sim, Não, Não
b) os contratos de locação de cofres para guarda de
b) Sim, Não, Sim pecúnia e outros valores
c) Sim, Sim, Sim c} a emissão de ordens de crédito
d) Não, Sim, Sim d} os resgates em contas de depósitos à vista ou a
prazo, inclusive de poupança
e) Não, Sim, Não
e} os pagamentos em moeda corrente ou em cheques
COMENTÃRIOS
COMENTÁRIOS
O Nota dos autores: o princípio da estrita legali-
dade consiste nos assuntos que somente podem ser O Nota dos autores: essa questão está contextu-
estabelecidos por lei (CTN, art. 97). Somente a lei pode alizada na temática sigilo bancário, com previsão na LC
estabelecer (i} a instituição de tributos, ou a sua extin- 105/2001 . O seu artigo 6° não exige autorização judi-
ção; (ii} a majoração de tributos, ou sua redução, com cial para que os fazendários tenham acesso aos dados
algumas ressalvas constitucionais; (iii} a definição do bancários. Segundo tal dispositivo normativo, "as auto-
fato gerador da obrigação tributária principal; (iv} fixa- ridades e os agentes fiscais tributários da União, dos
ção de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, com Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente
algumas ressalvas constitucionais quanto à fixação de poderão examinar documentos, livros e registros de
alíquotas principalmente dos tributos extrafiscais; (v) a instituições financeiras, inclusive os referentes a contas
cominação de penalidades para as ações ou omissões de depósitos e aplicações financeiras, quando houver
contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações processo administrativo instaurado ou procedimento
nela definidas e (vi) as hipóteses de exclusão, suspen- fiscal em curso e tais exames sejam considerados indis-
Capítulo 5 - Obrigação Tributá ria e Fato Gerador 565

pensáveis pela autoridade administrativa competente". ilicitude de um negócio jurídico ao conceito de negó-
Importante destacar que, segundo tal norma, são dois cio jurídico normal e efeitos normais esperados de
os requisitos essenciais para que os agentes fiscais cada negócio. Portanto, não se poderia desconsiderar
tenham acesso aos dados bancários: (i) a existência de um negócio jurídico só porque convencionalmente ele
processo administrativo instaurado ou procedimento não é usado para aquele determinado fim . Felizmente,
fiscal em curso e (ii) que os exames dos dados bancários a teoria do abuso de forma não foi encampada pelo
sejam considerados imprescindíveis pela autoridade Direito Pátrio, conforme entendimento uníssono da
administrativa competente. Atenção para o fato de que doutrina"(http: //www.revistadoutrina.trf4.jus.br/index.
o enunciado exige que seja assinalada uma alternativa htm?http: //www.revistadoutrina.trf4.jus.br/artigos/
que não corresponda a uma operação financeira. edicao020/Renata_Gomes.htm, acesso em 15/05/2014,
Alternativa correta: letra "b": os contratos de que citou Sacha Calmon Navarro Coelho, Hugo de Brito
locação de cofres para guarda de pecúnia e outros valo- Machado e Ricardo Mariz de Oliveira).
res não estão na relação do parágrafo primeiro do artigo
Alternativas "b" e "d": o STJ em vários julgados
5° da LC 105/2001, que elenca as chamadas operações
posicionou-se pela importância da interpretação eco-
financeiras.
nômica nos debates acerca da incidência tributária.
Demais alternativas: todas são consideradas ope- Por exemplo, tem-se que o imposto sobre a renda tem
rações financeiras nos termos do parágrafo primeiro como fato gerador a aquisição da disponibilidade eco-
do artigo 5° da LC 105/2001 (alternativa "a" corresponde nômica ou jurídica da renda (produto do capital, do tra-
ao inciso I; alternativa "c" corresponde ao inciso Ili; alter- balho ou da combinação de ambos) e de proventos de
nativa "d" corresponde ao inciso IV e; alternativa "e" cor- qualquer natureza (art. 43, do CTN). As verbas recebidas
responde ao inciso li). pelo trabalhador a título de indenização não podem ser
tributadas como se renda fossem, porquanto não tra-
15. IESAF - Procurador Fazenda Naciona 1/2007) duzem a ideia de "acréscimo patrimonial" exigida pelo
Assinale a opção correta. Não constitui entendimento art. 43, do CTN. Em vários julgados apreciados pelo STJ,
do STJ: cujo objetivo foi apreciar qual a real natureza de deter-
minadas verbas recebidas pelo trabalhador (sua verda-
a) negócio abusivo é um negócio típico com um fim
deira essência), se indenizatória (que não tem incidência
atípico, ou seja, utiliza-se uma forma jurídica típica,
do IR), ou remuneratória (com incidência do IR por ser
para atingir resultado outro que aquela determi-
acréscimo patrimonial), independentemente de sua
nada forma juridica, normalmente, não atingiria ou
nomenclatura, ficou consignado nas ementas que "a
não permite.
interpretação econômica se impõe, uma vez que a reali-
b) a interpretação econômica é de suma importância dade econômica há de prevalecer sobre a simples forma
para a aferição das hipóteses de incidência tributá- jurídica• (REsp 696745, REsp 700338, entre outros).
ria.
Alternativa "c": há precedente do STJ no sentido
c) a Administração Pública pode desconsiderar a per- da alternativa. "A Administração Pública pode, em
sonalidade jurídica de sociedade constituída com observância ao princípio da moralidade administrativa
abuso de forma e fraude à lei, desde que facultado
e da indisponibilidade dos interesses públicos tutela-
ao administrado o contraditório e a ampla defesa
dos, desconsiderar a personalidade jurídica de socie-
em processo administrativo regular.
dade constituída com abuso de forma e fraude à lei,
d) a interpretação econômica se impõe, uma vez que a desde que facultado ao administrado o contraditório
realidade econômica há de prevalecer sobre a sim- e a ampla defesa em processo administrativo regular"
ples forma jurídica. (RMS 15166).
e) age em fraude à lei quem, exercendo uma seq,,..ên- Alternativa "•": também há precedente do STJ
cia de atos lícitos, obtém resultado contrário a pre- no sentido da alternativa. "Age em fraude à lei, quem
ceito jurídico. exercendo uma sequência de atos lícitos obtém resul-
tado contrário ao preceito jurídico. Frauda o art. 737 do
COMENTARIOS
CPC, o devedor que, sem ter qualquer bem penhorado,
O Nota dos autores: mais uma questão lastreada exerce ação declaratória de nulidade do título execu -
nos entendimentos jurisprudenciais, o que demonstra tivo, em paralelo à execução, pleiteando antecipação de
a necessidade de o candidato estar sintonizado com tutela. Merece reforma, por fraude ao art. 737 e ofensa
os informativos e súmulas. Observe a exigência de que direta ao art. 585 do CPC, a decisão que a título de ante-
seja assinalada uma alternativa que não representa um cipação de tutela em ação ordinária, suspende o curso
entendimento do STJ. de processo executivo" (REsp 207484).
Alternativa correta: letra "a": a alternativa trata
da situação que a doutrina convencionou chamar de 16. (ESAF - Procurador da Fazenda Nacional /2012)
abuso de forma. •entretanto, a teoria do abuso de Sobre o chamado "abuso de formas", tema relacionado
forma assenta-se em um fundamento muito subjetivo, à interpretação econômica do direito tributário, assinale
de difícil aplicação. Não se poderia ligar a licitude ou a opção incorreta.
566 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

a) A doutrina e a jurisprudência entendem que o pla- coibida, pois o uso de formas juridicas com a única
nejamento tributário feito antes da ocorrência do finalidade de fugir ao imposto ofende o sistema
fato gerador é lícito, enquanto aquele realizado criado sobre as bases constitucionais da capacidade
após a ocorrência do fato gerador é ilícito. contributiva e da Isonomia tributária( ...) uma relação
jurídica sem qualquer objetivo económico, cuja finali-
b) Para parte da doutrina de direito tributário, pode
dade seja de natureza tributária, não pode ser conside-
- se classificar a evasão, de forma genérica, como
rada como comportamento lícito. Seria fechar os olhos à
lícita ou ilícita.
realidade e desconsiderar a presença do fato econômico
c) Não é defeso ao contribuinte que, dentro dos limi- na racionalidade da norma tributária. Uma interpreta-
tes da lei, planeja adequadamente seus negócios, ção jurídica atenta à realidade econômica subjacente ao
orientando-os de forma a pagar menos impostos. fato ou negócio jurídico, para efeitos de tributação, é a
resposta justa, equitativa e pragmática (...) Países defi-
d) A fórmula de liberdade do contribuinte de planejar
nitivamente comprometidos com as liberdades indivi-
seus negócios não pode ser levada ao paroxismo,
duais, como os Estados Unidos e a França, não toleram
permitindo-se a simulação ou o abuso de direito.
a elisão abusiva, reprimindo-a severamente. Espanha e
e) O uso de formas jurídicas com a única finalidade de Alemanha editaram normas genéricas, que autorizam
fugir ao imposto ofende a um sistema criado sob as o Estado desconsiderar forma jurídica para ir buscar o
bases constitucionais da capacidade contributiva e objetivo económico do ato ou negócio, e, se for o caso,
da isonomia tributária. sujeitá-lo à tributação. Nem abuso de direito, pelo con-
tribuinte nem abuso de poder pelo Fisco é a resposta
moderna que oferece o direito comparado".

O Nota dos autores: talvez a questão mais polê-


mica do concurso. Foi objeto de diversos recursos e o 17. (ESAF - Auditor-Fiscal - RFB/2009)Sobre a obriga-
gabarito provisório (alternativa "e") foi alterado (para a ção tributária principal e acessória e sobre o fato gera-
alternativa "a"), sem implicação na anulação da questão. dor do tributo, assinale a opção correta.
Atenção para a exigência de que seja assinalada a alter- a) Segundo o Código Tributário Nacional, a obriga-
nativa incorreta. ção de pagar multas e juros tributários constitui-se
Alternativa correta: letra ua": nem sempre um como obrigação acessória.
planejamento tributário (estratégia para evitar, reduzir b) A obrigação acessória, quando não observada, con-
ou postergar o pagamento de tributos) realizado após verte-se em obrigação principal somente em rela-
a ocorrência do fato gerador é tido como ilícito. Por
ção à penalidade pecuniária.
exemplo, a escolha entre a declaração completa ou
simplificada de ajuste anual do imposto de renda da c) A existência de uma obrigação tributária acessória
pessoa física é feita até abril do ano subsequente ao do pressupõe a existência de uma obrigação tributária
fato gerador. Em geral, tal escolha pauta-se pelo menor principal.
valor a pagar ou o maior valor a restituir para o contri-
d) A instituição de obrigação acessória, com a fina-
buinte. A doutrina também é crítica quanto ao critério
lidade de dar cumprimento à obrigação principal,
temporal de ocorrência do fato gerador para a determi-
deve atenção ao princípio da estrita legalidade.
nação do planejamento tributário lícito ou ilícito. Nesse
sentido está a lição de Douglas Yamashita (Elisão e eva- e) No Sistema Tributário Nacional, admite-se que a
são de tributos: limites à luz do abuso de direito e da fraude obrigação de fazer, em situações específicas, seja
à lei. São Paulo: Lex, 2005, p. 30-32). considerada obrigação tributária principal.
Alternativa "b": de fato, alguns estudiosos de
escol colocam a expressão evasão fiscal como gênero. COMENTÁRIOS
~ o caso de Alfredo Augusto Becker (Teoria geral do
O Nota dos autores: as obrigações são classifica-
Direito Tributdrio. 3• ed. São Paulo: Lejus, 2002, p. 140)
das quanto à natureza em (i) obrigações de dar; (ii) de
que coloca como espécies do gênero evasão fiscal a elu-
fazer ou (iii) de não fazer. A obrigação tributária é classi-
são e a evasão legal.
ficada como principal e acessória. A principal surge com
Demais alternativas: são todos excertos doutriná- a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o paga-
rios da obra de Hermes Marcelo Huck (Evasão e elisão: mento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-
notas nacionais e internacionais. São Paulo: Saraiva, 1997, -se juntamente com o crédito dela decorrente (CTN, art.
p. 327), segundo o qual "nada deve impedir o indiví- 113, § 1°), ou seja, possui natureza de dar (pagar tributo).
duo de, dentro dos limites da lei, planejar adequa- Já a acessória decorre da legislação tributária e tem por
damente seus negócios, ordenando-os de forma a objeto as prestações, positivas ou negativas, nela pre-
pagar menos impostos. Não lhe proíbe a lei, nem tam- vistas no interesse da arrecadação ou da fiscalização
pouco se lhe opõem razões de ordem social ou patrió- dos tributos (CTN, art. 113, § 2°), ou seja, possui natureza
tica. Entretanto, essa fórmula de liberdade não pode de fazer (prestações positivas) ou não fazer (prestações
ser levada ao paroxismo, permitindo-se a simula- negativas). Exemplo: recolher o IRPF é o objeto da obri-
ção ou o abuso de direito. A elisão abusiva deve ser gação tributária principal e apresentar a declaração de
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 567

ajuste anual de Imposto de Renda da pessoa física é acessória, detêm caráter tributário e são incluídas
uma obrigação tributária acessória. nos programas de parcelamentos de débitos fiscais.
Altern1tlv1 correta: letra "b": segundo o artigo b) O gozo de imunidade ou de benefício fiscal não dis-
113, § 3° do CTN, a obrigação acessória, pelo simples pensa o seu titular de cumprir as obrigações tribu -
fato da sua inobservância, converte-se em obrigação tárias acessórias a que estão obrigados quaisquer
principal relativamente à penalidade pecuniária, ou contribuintes.
seja, uma obrigação tributária acessória (como a apre-
c) O sujeito passivo, na obrigação acessória, transfor-
sentação de uma declaração de Imposto de Renda pelo
ma-se em longa manus da Administração Pública,
contribuinte), caso não observada/adimplida (o contri-
no sentido que pratica atos que seriam próprios da
buinte deixou de apresentar no prazo), transforma-se
administração, com o intuito de auxiliá-la em sua
em principal (obrigação de dar), culminando na exigên-
função fiscalizatória e arrecadatória.
cia da penalidade pecuniária (pagar a multa).
c) Parte da doutrina entende faltar às obrigações
Alternatlva "a": levando-se em conta o comentá-
acessórias o conteúdo dimensível em valores patri-
rio anterior, o equívoco da assertiva consiste na classi-
moniais, pelo que as entende como deveres instru-
ficação indevida da obrigação de pagar multas e juros
mentais ou formais .
tributários como sendo uma obrigação acessória, uma
vez que, na verdade, trata-se de obrigação principal d) O cumprimento, por determinado sujeito, de obri-
(CTN, art. 113, §3°). gação acessória, não o condiciona à obrigação tri-
butária principal.
Altern1tlv1 "c": as obrigações tributárias princi-
pais e acessórias são independentes entre si, na medida e) A criação de obrigação acessória sem a específica
em que no Direito Tributário não se aplica a máxima jurí- e expressa autorização legal importa em usurpação
dica muito difundida no Direito Civil, segundo a qual "o da competência legislativa do Poder Legislativo.
acessório segue a sorte do principal". Pode ocorrer uma
situação em que um contribuinte possua obrigações
acessórias a adimplir (por exemplo, emitir documentos
O Nota dos autores: atenção para o fato de que,
fiscais aos seus clientes e escriturar seus livros fiscais e
nessa questão, a exigência do examinador é a única
contábeis) e, ao mesmo tempo, não possua obrigação
alternativa que contém uma afirmação incorreta. Uma
principal de pagar tributo, como no caso de ser um con-
particularidade interessante dessa questão é que apre-
tribuinte do ICMS que comercialize apenas mercadorias
sentou seis alternativas (sendo duas letras "c"), o que
isentas.
não a invalidou, tendo em vista que nenhuma das alter-
Alternatlva "d": uma sutil diferença entre obriga- nativas de letras repetidas ("c") contemplou a resposta
ção tributária principal e acessória diz respeito ao tipo de almejada.
norma instituidora. A obrigação tributária principal tem,
Alternativa correta: letra "e": o erro da alternativa
necessariamente, que estar prevista em lei (CTN, art. 97,
está exigência de lei para instituir a obrigação tributária
Ili), daí sujeitar-se ao princípio da estrita legalidade. Já a
acessória. Na verdade, a obrigação tributária acessória,
obrigação tributária acessória decorre da "legislação tri-
segundo o artigo 113, § 2°, do CTN, decorre da "legis-
butária" (CTN, art. 113, § 2°), expressão esta que compre-
lação tributária", que, por sua vez, compreende as leis,
ende as leis, os tratados e as convenções internacionais,
os tratados e as convenções internacionais, os decretos
os decretos e as normas complementares que versem,
e as normas complementares que versem, no todo ou
no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas
em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles per-
a eles pertinentes (CTN, art. 96). Concluindo, enquanto a
tinentes (CTN, art. 96). Portanto, a obrigação tributária
obrigação tributária principal deve necessariamente ser
acessória não está na competência legislativa privativa
prevista numa lei (estrita legalidade), a obrigação aces-
do Poder Legislativo.
sória decorre da legislação tributária (ideia mais ampla
que compreende não só leis, mas também decretos e Alternativa "a": está correta, pois a inobservância
outros tipos normativos). de uma obrigação tributária acessória enseja sua con-
versão em obrigação tributária principal no que tange à
Alternativa "e": está incorreta, pois a obrigação
penalidade pecuniária (CTN, art. 113, § 3°).
de fazer tem na sua essência uma prestação positiva
(fazer uma declaração de Imposto de Renda, escriturar Alternativa "b": está correta, pois as obrigações
um livro contábil, emitir um documento fiscal), que é tributárias principais e acessórias são independentes
tida como de natureza acessória (CTN, art. 113, § 2°). A entre si, na medida em que no Direito Tributário não
obrigação tributária principal tem sempre a natureza se aplica a máxima jurídica muito difundida no Direito
jurídica de dar (pagar tributo/penalidade pecuniária). Civil, segundo a qual "o acessório segue a sorte do
principal". Pode ocorrer uma situação em que um con-
tribuinte possua obrigações acessórias a adimplir (por
18. (ESAF -Auditor-Fiscal - RFB/2012) Sobre as obri-
exemplo, emitir documentos fiscais aos seus clientes e
gações tributárias acessórias, assinale a opção incorreta .
escriturar seus livros fiscais e contábeis) e, ao mesmo
a) As multas aplicadas pela Receita Federal do Bra- tempo, não possua obrigação principal de pagar tri-
sil, decorrentes do descumprimento de obrigação buto, como no caso de ser um contribuinte do ICMS que
568 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

comercialize apenas mercadorias isentas (CTN, art. 175, Ahernativa correta: letra "b": Por elisão fiscal
parágrafo único). entende-se o planejamento tributário lícito, ou seja,
a elaboração de estratégia com a finalidade de evitar,
Primeira alternativa uc": está correta, uma vez que
reduzir ou postergar o pagamento de tributos, estraté-
a obrigação tributária acessória tem por objeto as pres-
gia esta dentro dos limites normativos. Não é sinônimo
tações, positivas ou negativas, previstas na legislação
de simulação. Haverá simulação nos negócios jurídicos
tributária, no interesse da arrecadação ou da fiscaliza-
quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a
ção de tributos (CTN, art. 113, § 2°).
pessoas diversas daquelas às quais realmente se confe-
Segunda alternativa "c": está correta. Como rem, ou transmitem; contiverem declaração, confissão,
exemplo, tem-se que •a relação jurídica tributária refe- condição ou cláusula não verdadeira ou; os instrumen-
re-se não só à obrigação tributária stricto sensu, como tos particulares forem antedatados, ou pós-datados
ao plexo de deveres instrumentais, (positivos ou negati- (Código Civil, art. 167).
vos) que gravitam em torno do tributo, colimando faci-
Alternativa "a": está correta. A elusão fiscal não é
litar a aplicação exata da norma jurídica que o previu.
sinônimo de elisão fiscal. Naquela há a simulação por
(...) Todos estes deveres, repita-se, não possuem, em si
parte do contribuinte de um ato jurídico com o intuito
mesmos, cunho patrimonial. (Roque Antônio CARRA-
de dissimular a ocorrência de um fato gerador. Há um
ZZA. Curso de direito constitucional tributário. 23. ed.
abuso de forma jurídica. Já na elisão fiscal a ideia de pla-
São Paulo: Malheiros, 2007, p. 331-332).
nejamento tributário lícito está inerente.
Alternativa "d": está correta, pois, reitera-se, que
no Direito Tributário as obrigações principal e acessória Alternativa "c": também está correta. A elisão abu-
são independentes entre si. Por exemplo, o contribuinte siva, também chamada de elisão ineficaz ou elusão fis-
comerciante tem, por obrigação acessória, que emitir cal, propicia uma economia tributária que enseja uma
o cupom fiscal a cada venda que efetuar. Tal fato não concorrência desleal, afrontando a justiça fiscal, que se
o condiciona ao cumprimento da obrigação tributária escora na isonomia e na capacidade contributiva.
principal de pagar tributo, podendo ocorrer, inclusive, Alternativa "'d": está correta. O planejamento tri-
a hipótese de inexistência de tributo a pagar em virtude butário, para ser considerado lícito, tem que apresentar
de isenção. um propósito negocial. Esta análise (do propósito nego-
cial) tem sido apreciada nos julgamentos dos recursos
19. (ESAF - Auditor-Fiscal - RFB/20121 Sobre a elisão no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
fiscal, assinale a opção incorreta.
Alternativa "e": também está correta. Por dissimu-
a) Distingue-se da elusão fiscal por ser esta expressão lação entende-se o efeito de parecer real o que não é,
utilizada para designar a prática de atos ou negó- contemplando não só os atos ilícitos (dolo, fraude ou
cios como base em um planejamento tributário simulação), mas também aqueles formalmente lícitos
lícito. que na essência revelam abuso de direito, fraude a lei
ou negócio indireto. Já a elisão é o típico planejamento
b) Tem como sinônimo a simulação, que consiste em
tributário lícito.
uma discrepância entre a vontade real e a vontade
declarada pelas partes.
20. (ESAF-Audltor-Fiscal- RFB/2012) Sobre os diver-
c) A elisão abusiva deve ser coibida, por ofender a um sos aspectos da norma tributária impositiva, julgue os
sistema tributário criado sob as bases constitucio- itens a seguir, classificando-os como corretos ou incor-
nais da capacidade contributiva e da isonomia tri-
retos, para, a seguir, assinalar a assertiva que corres-
butária.
ponda à sua opção.
d) Para fins de sua configuração, tem grande utili-
1. Ainda que se trate de um ato jurídico, no sentido
dade a análise do business purposetest do direito
dessa expressão no Código Civil, o fato gerador da
tributário norte-americano, que aceita como lícita a
obrigação tributária há de ser sempre considerado
economia fiscal que, além da economia de imposto,
como um fato.
tenha um objetivo negocial explícito.
li. O aspecto temporal é a indicação das circunstân-
e) Não se confunde com a dissimulação.
cias de tempo importantes para a configuração dos
fatos imponíveis, que necessariamente será explí-
COMENTÃRIOS
cita.
O Nota dos autores: atentar para o fato de que o Ili. Aspecto espacial da hipótese de incidência cor-
examinador solicita que seja assinalada a única alterna- responde ao território no qual, ocorrida a situação
tiva incorreta. Porém, foi mal formulada, em razão do descrita no aspecto material, surge a obrigação tri-
caráter dúbio do termo "esta" na alternativa "a". O exa-
butária.
minador considerou esse pronome como se referindo
à elisão fiscal (do enunciado), mas a leitura permite a IV. Aspecto pessoal é aquele que diz respeito à defini-
interpretação de que se refere à elusão (da alternativa), ção dos sujeitos ativo e passivo da relação tributá-
o que tornaria esta alternativa também incorreta. ria.
Capítulo S - Obrigação Tributária e Fato Gerador 569

V. O montante da obrigação tributária é o aspecto


21. (ESAF - Fiscal de Rendas - SMF-RJ/2010)0 art.
quantitativo da norma tributária impositiva, que
pode ser um valor fixo, um percentual incidente 1SO, inciso I, da Constituição Federal, dispõe que, sem
prejuízo de outras garantias asseguradas aos con-
sobre determinada grandeza ou até mesmo a lei
tribuintes, é vedado aos entes tributantes exigir ou
pode utilizar - se do enquadramento em tabelas.
aumentar tributo sem lei que o estabeleça. Tal afirma-
Estão corretos apenas os itens: tiva permite-nos concluir que a lei que veicula a norma
a) 1, IV e V.
,, tributária impositiva deverá conter os aspectos indis-
pensáveis para que se possa determinar o surgimento e
b) 1, Ili, IV e V. o conteúdo da obrigação tributária. Sobre tais aspectos,
c) li, Ili e V. julgue os itens a seguir:

d) li, IV e V. 1. aspecto material: descrição da situação geradora da


obrigação tributária;
e) Todos os itens estão corretos.
li. aspecto espacial: onde a ocorrência da situação
COMENTARIOS geradora da obrigação tributária será relevante;
Ili. aspecto temporal: quando se deve considerar ocor-
O Nota dos autores: Segundo Geraldo Ataliba,
rida a situação geradora da obrigação tributária;
"são, pois, aspectos da hipótese de incidência as qua-
lidades que esta tem de determinar hipoteticamente IV. aspecto pessoal: quem está obrigado ao paga-
os sujeitos da obrigação tributária, bem como seu con- mento (sujeito passivo), e em favor de quem (sujeito
teúdo substancial, local e momento de nascimento (...) ativo);
daí designarmos os aspectos essenciais da hipótese de V. aspecto quantitativo: qual o montante devido da
incidência tributária por: a) aspecto pessoal; b) aspecto obrigação tributária.
material; c) aspecto temporal e d) aspecto espacial"
(Hipótese de incidência tributária. 6• ed. São Paulo: Estão corretos:
Malheiros, 2002, pág. 78). a) apenas os itens 1, IV e V.
Alternativa correta: letra ubn. b) apenas os itens 1, li e V.
Item 1: correto. De acordo com o artigo 114 do CTN, c) apenas os itens I, Ili, IV e V.
o fato gerador da obrigação principal é a situação defi-
d) apenas os itens Ili, IV e V.
nida em lei como necessária e suficiente à sua ocor-
rência. É importante frisar que, no Direito Tributário, a e) todos os itens estão corretos.
expressão "fato gerador" é ambígua, haja vista que con-
templa ora a descrição legal (significando a hipótese COMENTARIOS
de Incidência), ora o fato concreto (significando o fato
jurídico-tributário), cuja subsunção deste naquela dá O Nota dos autores: nessa questão, o examinador
origem à obrigação tributária. Assim , o fato jurídico- explora a relação entre o princípio da legalidade tribu-
-tributário (fato gerador concreto) é antes de tudo um tária (CF, art. lSO, I) e a teoria da regra-matriz de incidên-
fato jurídico, ou seja, do qual decorrem efeitos jurídicos, cia tributária, concebida pelo jurista Paulo de Barros
independentemente da vontade dos obrigados. Carvalho, de acordo com a qual a norma tributária de
incidência deve descrever a hipótese de incidência do
Item li: incorreto. Embora, de fato, o aspecto tem- tributo em seus aspectos material, temporal e espacial,
poral seja a propriedade que a hipótese de incidência bem como prescrever a consequente obrigação tributá-
tem de designar o momento de consumação do fato ria em seus aspectos pessoal e quantitativo.
gerador, na verdade essa designação pode ser explícita
e implícita. Aliás, quando implícita, o momento a ser Alternativa correta: letra u•"·
considerado é aquele em que o fato material descrito Item 1: correto, pois, de fato, o aspecto material da
acontece. norma tributária de incidência corresponde à descrição
Item Ili: correto. A indicação das circunstâncias de da situação que constitui o fato gerador da obrigação
tributária.
lugar contidas na descrição legal (hipótese de incidên-
cia), de forma explícita ou implícita, de maneira a cola- Item li: correto, uma vez que o aspecto espacial
borar para a configuração do fato gerador concreto, é refere-se mesmo ao local da ocorrência do fato gerador
chamada de aspecto espacial. (onde a ocorrência será relevante).
Item IV: correto. O aspecto pessoal também é Item Ili: correto, na medida em que o aspecto tem -
conhecido como aspecto subjetivo e indicam os sujei- poral diz respeito ao momento de ocorrência do fato
tos ativo (credor) e passivo (devedor) da obrigação tri- gerador (quando se deve considerar ocorrido).
butária.
Item IV: correto, porque, realmente, o aspecto pes-
Item V: correto. O aspecto quantitativo permite a soal aponta para a sujeição passiva (contribuinte ou
determinação do quantum debetur de cada obrigação responsável) e a sujeição ativa (ente tributante), ou seja,
tributária. quem está obrigado ao pagamento e em favor de quem .
570 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

Item V: correto, pelo fato do aspecto quantitativo belecidos em lei ordinária". Da simples leitura percebe-
se referir mesmo ao montante devido da obrigação tri- -se que não há exigência de prévia ordem judicial para
butária, obtido pela multiplicação da alíquota pela base amparar a desconsideração dos atos e negócios jurídi-
de cálculo. cos por parte da autoridade administrativa.

22. (ESAF - Analista-Tributário - RFB/2012) Avalie 23. (FCC/AFR/2013) Fato Gerador e Obrigação Tributá-
as três proposições abaixo, à luz do Código Tributário ria são dois institutos intrinsicamente relacionados no
Nacional, e responda à questão correspondente, assina- Direito Tributário, sendo um decorrência do outro. A
lando a opção correta. respeito desses institutos, é correto afirmar:
1. Em regra, a definição do fato gerador da obrigação
a) O fato gerador da obrigação principal é situação
tributária principal só pode ser estabelecida em lei,
definida na forma da lei como necessária e sufi-
mas a definição do sujeito passivo dessa obrigação
ciente à sua ocorrência, podendo ocorrer a sua
pode ser estabelecida em decretos e normas com-
definição, excepcionalmente, por tratados e con-
plementares.
venções internacionais, decretos e normas com-
li. A obrigação acessória tem por objeto a prestação plementares.
positiva de pagamento do tributo ou penalidade
b) A obrigação acessória tem por objeto obrigações
pecuniária e outras prestações previstas no inte-
de dar ou fazer, positivas ou negativas, que contri-
resse da arrecadação.
buem com a arrecadação e fiscalizaçc'io dos tribu-
Ili. Poderão ser desconsiderados pela autoridade os tos.
atos ou negócios jurídicos praticados com a finali-
dade de dissimular a ocorrência do fato gerador do c) A obrigação acessória não se converte em obriga-
tributo. ção principal, pois o seu fato gerador é qualquer
situação que imponha a prática ou abstenção de
Contém ou contêm erro: ato que não configure a obrigação principal, nos
a) apenas as duas primeiras proposições. termos do CTN.

b) apenas a primeira. d) A mesma situação fática pode ser fato gerador de


uma obrigação tributária principal e de uma obriga-
c) apenas a segunda. ção tributária acessória, ambas definidas na legisla-
d) apenas a terceira. ção tributária.

e) nenhuma, pois as três estão certas. e) A obrigação principal surge com o fato gerador e
tem por objeto o pagamento de tributo, enquanto
COMENTÁRIOS a obrigação acessória tem por objeto o pagamento
de penalidade pecuniária, sendo que ambas se
O Nota dos autores: o enunciado exige que a extinguem com o crédito delas decorrente.
alternativa a ser escolhida seja aquela que identifique
quais afirmações possuem erro. COMENTÁRIOS
Alternativa correta: letra "a":
O Nota dos autores: quando examinador dispõe
Item 1: errado somente na parte em que estipula que um é decorrência do outro, estabelece que a obri-
que a sujeição passiva pode ser estabelecida em decre- gação tributária é decorrência do fato gerador.
tos e normas complementares, quando, na verdade, tal
assunto (sujeito passivo) é reservado somente à lei (CTN, Alternativa correta: letra "d": realmente, o mesmo
art. 97, inciso Ili, in fine). fato pode ser fato gerador de uma obrigação principal e
de uma acessória, como é o caso da saída de uma mer-
Item li: errado ao estipular o pagamento de tributo
ou penalidade pecuniária como objeto da obrigação cadoria, que constitui fato gerador do ICMS (obrigação
tributária acessória. Na verdade, o citado pagamento é principal) e também do dever do contribuinte emitir
uma "obrigação de dar", ou seja, uma obrigação tributá- nota fiscal (obrigação acessória). Ambas estão definidas
ria principal segundo o artigo 113, § 1°, do CTN. As obri- na legislação tributária, com a diferença de que a obri-
gações tributMias acessórias são classificadas como "de gação principal deve estar especificamente definida em
fazer" ou de "não fazer". lei (CTN, artigo 97, Ili).

Item Ili: correto. É a chamada norma antielisão. A Alternativa "a": somente a lei pode estabelecer
norma antielisão, como é popularmente conhecido o a definição do fato gerador da obrigação tributária
parágrafo único do artigo 116 do CTN, estabelece que principal (CTN, art. 97, Ili). A única exceção que existia
a "autoridade administrativa poderá desconsiderar atos referia-se a dispositivo do CTN que já foi revogado (CTN,
ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de art. 52, § 3°, 1). Portanto, a definição do fato gerador não
dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou pode ser feita por outros veículos normativos, especial-
a natureza dos elementos constitutivos da obrigaçc'io mente secundários, como decretos e normas comple-
tributária, observados os procedimentos a serem esta- mentares da legislação tributária.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 571

Alternativa ub": a obrigação acessória tem por que versa sobre o momento da ocorrência do fato gera-
objeto prestações, positivas ou negativas, que se con- dor (caput e incisos 1 e li) e sobre a chamada norma
substanciam em obrigações de fazer ou não fazer, tais antielisão (parágrafo único).
como emissão de documentos fiscais, escrituração de
livros, entrega de declarações, arquivos magnéticos, Alternativa correta: letra ue": é a reprodução
não recebimento de mercadorias sem documentação ipsis litteris do inciso 1 do citado artigo. Como exem-
fiscal, não contratação com empresas desabilitadas em plos de fatos geradores que se tratam de situação de
cadastros fiscais. Encontram-se mesmo previstas na fato tem-se a saída da mercadoria no ICMS e a dispo-
legislação tributária no interesse da arrecadação e da nibilização do serviço público específico e divisível na
fiscalização (CTN, art. 113, § 2°) e não abrangem obriga- taxa.
ções de dar.
Alternativa "a": está incorreta, pois a norma antieli-
Alternativa "e": ao contrário do que afirma o exa- são, como é popularmente conhecido o parágrafo único
minador, a obrigação acessória, pelo simples fato de do artigo 116 do CTN, estabelece que a "autoridade
sua inobservância, se converte em obrigação principal administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios
relativamente à penalidade pecuniária (CTN, art. 113, jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a
§ 3º). ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos
elementos constitutivos da obrigação tributária, obser-
Alternativa "e": de fato a obrigação principal tem
vados os procedimentos a serem estabelecidos em lei
por objeto o pagamento do tributo, mas não é verdade
ordinária". Da simples leitura percebe-se que não há
que o pagamento de penalidade pecuniária constitui
exigência de prévia ordem judicial para amparar a des-
objeto da obrigação acessória. Como já observado,
consideração dos atos e negócios jurídicos por parte da
objeto da obrigação acessória são prestações positivas
autoridade administrativa.
ou negativas no interesse da arrecadação ou fiscaliza-
ção de tributos. Alternativa "b": está errada, uma vez que, tratan-
do-se de situação jurídica, considera-se ocorrido o fato
24. (FCC/AFR/2009) A respeito das regras definido- gerador e existentes os seus efeitos desde o momento
ras sobre o fato gerador, segundo o Código Tributário em que esteja definitivamente constituída, nos ter-
Nacional, é correto afirmar: mos de direito aplicável (CTN, art. 116, li). Por exemplo,
na transmissão onerosa de um bem imóvel (compra e
a) A autoridade administrativa não poderá desconsi- venda de um terreno), a legislação preconiza uma forma
derar atos ou negócios jurídicos praticados com a específica para tal, qual seja, a outorga de escritura
finalidade de dissimular a ocorrência do fato gera- pública.
dor do tributo ou a natureza dos elementos consti-
tutivos da obrigação tributária enquanto não hou- Alternativa "e": está incorreta, pois assevera que
ver decisão judicial transitada em julgado. o legislador ordinário não pode alterar as regras cons-
tantes no CTN relativas ao momento de ocorrência do
b) Tratando-se de situação jurídica, considera-se ocor- fato gerador. Ao contrário, essa faculdade existe e está
rido o fato gerador, e existentes os seus efeitos prevista no caput do artigo 116.
desde o momento em que se confirmem as circuns-
tâncias materiais necessárias a que produza os efei- Alternativa ud": o equívoco da alternativa está
tos que normalmente lhe são próprios. na afirmação de que o CTN não prevê regras sobre o
momento de ocorrência do fato gerador, quando, na
c) O Código Tributário Nacional estabelece as regras
verdade, tais regras encontram-seno artigo 116.
que definem o momento que se deve considerar
ocorrido o fato gerador do tributo, não podendo
o legislador ordinário, em qualquer circunstância, 25. (FCC/AFR/2009) O fisco paulista considerou como
dispor de modo diferente. operações dissimuladas o fato de uma grande rede de
supermercados criar sete estabelecimentos de pequeno
d) O Código Tributário Nacional não estabelece quais-
porte, pretendendo beneficiar-se do regime especial do
quer regras que definam o momento que deve
Simples Paulista, pagando ICMS com alíquota reduzida.
considerar ocorrido o fato gerador, deixando para
Neste caso, com base no Código Tributário Nacional, é
o legislador ordinário a definição de tais regras.
correto afirmar que:
e) Tratando-se de situação de fato, considera-se ocor-
a) há de se desconsiderar o fracionamento, eis que se
rido o fato gerador e existentes os seus efeitos
trata de fusão de empresas.
desde o momento que se verifiquem as circunstân-
cias materiais necessárias a que produza os efeitos b) a autoridade fazendária deverá responsabilizar os
que normalmente lhe são próprios. sócios de acordo com os procedimentos a serem
estabelecidos em Lei ordinária.
COMENTARIOS
c) a autoridade fazendária nada poderá fazer, devendo
O Nota dos autores: as alternativas da questão aguardar manifestação obrigatória do Poder Judici-
estão associadas à interpretação do artigo 116 do CTN, ário.
572 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

d) a autoridade fazendária poderá desconsiderar o dissimular a ocorrência do fato gerador, observados os


fracionamento da empresa, de acordo com os pro- procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária,
cedimentos a serem estabelecidos em Lei ordinária, ou seja, essa previsão normativa não permite a respon-
eis que praticado com a finalidade de dissimular a sabilização dos sócios.
ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza
Alternativa "e": o equívoco da alternativa está na
dos elementos constitutivos da obrigação tributá-
exigência de manifestação do Poder Judiciário para que
ria.
haja a desconsideração do negócio que visa dissimular
e) os estabelecimentos de pequeno porte devem res- a ocorrência do fato gerador, já que a norma antielisão
ponder pelo pagamento do ICMS de forma solidá- é explícita ao facultar essa prerrogativa à autoridade
ria. administrativa.

H·MfüQ;Hof• Alternativa "e": o CTN prevê, em seu artigo 124,


que há a responsabilidade solidária entre as pessoas
O Nota dos autores: embora a questão se refira que tenham interesse comum na situação que constitua
a um tema polêmico (norma antielisão), o enunciado é o fato gerador da obrigação principal, ou entre as pes-
claro ao estabelecer que a alternativa almejada é a cor- soas expressamente designadas por lei. A alternativa, a
reta segundo os dizeres do CTN. Assim, as alternativas princípio, pode ser interpretada em consonância com o
devem ser cotejadas com o teor do parágrafo único citado artigo, na medida em que os estabelecimentos
do artigo 116 do CTN, segundo o qual "a autoridade de pequeno porte teriam interesse comum na situação
administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios constitutiva do fato gerador do ICMS, o que ensejaria
jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a a interposição de recurso junto à banca examinadora.
ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza Entretanto, como o viés da questão é a norma antieli-
dos elementos constitutivos da obrigação tributária, são, não há dúvida de que a alternativa mais correta é
observados os procedimentos a serem estabelecidos a letra d.
em lei ordinária". É pertinente observar que o artigo
84-A da Lei Paulista 6.374/89 também contempla dire-
triz idêntica ("a autoridade fiscal pode desconsiderar 26. (FCC/AFR/2009) A relação jurídica tributária refe-
atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade re-se não só à obrigação tributária stricto sensu, como
de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ao plexo de deveres instrumentais, (positivos ou negati-
ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação vos) que gravitam em torno do tributo, colimando faci-
tributária"). litar a aplicação exata da norma jurídica que o previu.
(...) Todos estes deveres, repita-se, não possuem, em si
Alternativa correta: letra "d": a situação fática mesmos, cunho patrimonial. (Roque Antônio CARRA-
enquadra-se perfeitamente na hipótese normativa ZZA. Curso de direito constitucional tributário. 23. ed.
citada, ao permitir a desconsideração pela autoridade São Paulo: Malheiros, 2007, p. 331-332).
fazendária do fracionamento da empresa engendrado
pelo contribuinte, desde que seguindo os ditames pro- O texto refere-se à obrigação tributária
cedimentais constantes em lei ordinária, já que o intuito
a) acessória, que só existe quando presente a obriga-
do planejamento foi dissimular a ocorrência do fato
ção tributária principal, stricto sensu.
gerador do ICMS (alternando o regime de tributação, do
normal, também chamado de RPA - regime periódico b) principal, que se expressa por meio de pagamento
de apuração, para o simplificado, também chamado de de tributo atrelado à emissão de NF, manutenção de
Simples Nacional). escrituração contábil, preenchimento de guias de
recolhimento de tributos, por exemplo, com natu-
Alternativa "a": a alternativa está errada, pois a
reza jurídica de obrigação de dar.
criação de sete estabelecimentos de pequeno porte por
uma rede de supermercados não pode ser considerada c) acessória, que, diferentemente da obrigação tribu-
uma fusão, já que na fusão, por exemplo, dois estabe- tária principal, não se submete ao princípio da lega-
lecimentos se unem dando origem a um terceiro, não lidade estrita, podendo ser veiculada originaria-
remanescendo os dois originais (artigo 228 da Lei das mente por decreto, portaria ou instrução normativa
S.As.). sem prévia previsão legal.
Alternativa "b": a alternativa está errada, já que d) acessória, que, por sua vez, pode ser convertida
a responsabilização pessoal do sócio administrador em obrigação tributária principal, quando passível
por dívidas tributárias da pessoa jurídica contribuinte de expressão em moeda, com natureza jurídica de
pressupõe um abuso de poder, uma infração à lei, ao obrigação de dar, quando se referir a pagamento,
contrato social ou ao estatuto social, nos termos do ou de obrigação de fazer ou não fazer.
artigo 135 do CTN. Importante ressaltar que apenas
ser sócio de uma empresa (sem função de adminis- e) acessória, que pode existir sem que exista obriga-
trador) não enseja tal responsabilização. Por outro ção tributária principal, em virtude de isenção ou
prisma, segundo o parágrafo único do artigo 116 do imunidade, por exemplo, e que deve vir sempre
CTN (norma antielisão), cabe ao Fisco desconsiderar prevista em lei, com natureza jurídica de obrigação
os negócios jurídicos praticados com a finalidade de de fazer ou não fazer.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 573

COMENTA RIOS Alternativa "e": embora apresente uma afirmação


correta de que a obrigação tributária acessória não se
O Nota dos autores: as obrigações são classifica- submete ao princípio da legalidade estrita (não consta
das quanto à natureza de seu objeto em (i) obrigações no rol do artigo 97 do CTN, notadamente no inciso Ili,
de dar; (ii) de fazer ou (iii) de não fazer. A obrigação tri- que se refere apenas à obrigação principal), o que per-
butária é classificada como principal e acessória. A prin- mite que seja instituída por decretos ou normas com-
cipal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por plementares à legislação tributária (CTN, arts. 96 e 100),
objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniá- o gabarito oficial evidencia o entendimento da FCC de
ria e extingue-se juntamente com o crédito dela decor- que o texto da alternativa não é o que melhor se adequa
rente (CTN, art. 113, § 1°), ou seja, possui natureza de às características da obrigação tributária acessória cons-
dar (pagar tributo). Já a acessória decorre da legislação tante da citação doutrinária do enunciado.
tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou
Alternativa "d": padece de erro, pois segundo o
negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou
artigo 113, § 3°, do CTN, a obrigação acessória, pelo sim-
da fiscalização dos tributos (CTN, art. 113, § 2°), ou seja,
ples fato da sua inobservância, converte-se em obriga-
possui natureza de fazer (prestações positivas) ou não
ção principal relativamente à penalidade pecuniária, ou
fazer (prestações negativas). Exemplo: recolher o IRPF é
seja, uma obrigação tributária acessória (como a apre-
o objeto da obrigação tributária principal e apresentar a
sentação de uma declaração de Imposto de Renda pelo
declaração de ajuste anual de Imposto de Renda da pes-
contribuinte), caso não observada/adimplida (o contri-
soa física é uma obrigação tributária acessória. O texto
buinte deixou de apresentar no prazo), transforma-se
doutrinário citado no enunciado refere-se claramente à
em principal (obrigação de dar}, culminando na exigên-
obrigação tributária acessória, uma vez que menciona
cia da penalidade pecuniária (pagar a multa).
deveres instrumentais (positivos ou negativos) que não
possuem cunho patrimonial.
27. (FCC/AFR/2006) Em relação à obrigação tributária,
Alternativa correta: letra "e": é a alternativa que é correto afirmar:
melhor reflete o conteúdo do texto doutrinário repro-
duzido no enunciado e está fundamentada no conceito a) O fato gerador da obrigação principal tem natureza
de obrigação tributária acessória constante no artigo constitutiva, pois dá concretude à hipótese de inci-
113, § 2°, do CTN. Entretanto, essa alternativa apresenta dência e faz surgir a obrigação principal.
uma impropriedade, haja vista que estipulou que a b) A obrigação acessória necessita estar expressa em
obrigação tributária acessória "deve vir sempre prevista
Lei.
em lei". Ocorre que, de acordo com o dispositivo legal
mencionado, a obrigação tributária acessória "decorre c) A obrigação tributária principal decorre de lei,
da legislação tributária", e, por sua vez, o próprio CTN surge com a ocorrência do fato gerador e, como
estipula em seu artigo 96 que "a expressão legislação regra geral, torna-se exigível desde logo pelo
tributária compreende as leis, os tratados e as con- sujeito ativo, independentemente de qualquer for-
venções internacionais, os decretos e as normas com - malidade, pois se trata de dívida líquida e certa.
plementares que versem, no todo ou em parte, sobre d) As circunstâncias materiais ou jurídicas relativas ao
tributos e relações jurídicas a eles pertinentes". Assim, lançamento do crédito afetam inexoravelmente a
ao fazer uma interpretação sistemática dos disposi- obrigação tributária.
tivos normativos citados, uma afirmação possível e
sustentável segundo alguns doutrinadores é a de que, e) A validade jurídica dos atos efetivamente pratica-
por exemplo, uma obrigação tributária acessória pode dos pelos contribuintes, bem como a natureza do
ser veiculada por um decreto do Poder Executivo (não seu objeto ou dos seus efeitos é elemento essencial
necessariamente em uma lei). na definição legal do fato gerador e nascimento da
obrigação tributária.
Alternativa "a": está errada, pois as obrigações
tributárias principais e acessórias são independentes
entre si, na medida em que no Direito Tributário não se
aplica a má xima jurídica muito difundida no Direito Civil, O Nota dos autores: é importante frisar que, no
segundo a qual "o acessório segue a sorte do principal ". Direito Tributário, a expressão "fato gerador" é ambí-
Pode ocorrer uma situação em que um contribuinte gua, haja vista que contempla ora a descrição legal (sig-
possua obrigações acessórias a adimplir (por exemplo, nificando a hipótese de incidência), ora o fato concreto
emitir documentos fiscais aos seus clientes e escriturar (significando o fato jurídico-tributário}, cuja subsunção
seus livros fiscais e contábeis} e, ao mesmo tempo, não deste naquela dá origem à obrigação tributária.
possua obrigação principal de pagar tributo, como no
Alternativa correta: letra "a": de acordo com o
caso de ser um contribuinte do ICMS que comercialize
artigo 114 do CTN, "Fato gerador da obrigação principal
apenas mercadorias isentas.
é a situação definida em lei como necessária e suficiente
Alternativa "b": está equivocada, pois, como visto, à sua ocorrência", ou seja, a partir da subsunção do fato
a citação doutrinária do enunciado não se refere à obri- (fato gerador concreto ou fato jurídico-tributário} à
gação tributária principal, cuja natureza é de dar (pagar norma (fato gerador abstrato ou hipótese de incidên-
tributo}. cia), nasce a obrigação tributária ou, noutras palavras,
574 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

constitui-se a relação tributária (vínculo entre devedor cional. Sendo suspensiva a condição, reputa-se per-
e credor tributários). feito e acabado o negócio jurídico condicional desde
o momento do implemento da condição. Por sua vez,
Alternativa "b": está errada, pois a obrigação tri- sendo resolutória a condição, reputa-se perfeito e aca-
butária acessória decorre da legislação tributária, cuja bado o negócio jurídico condicional desde o momento
ideia é mais abrangente do que o termo "lei". Na ver- da celebração do negócio.
dade, a lei, ao lado das demais espécies normativas, está
contida no conceito de legislação tributária previsto no Alternativa correta: letra "e": como na situação
artigo 96 do CTN. hipotética do enunciado o negócio só será conside-
rado realizado se o cliente, após levar o televisor para
Alternativa "e": o seu equívoco está em revestir o casa, declarar-se satisfeito com o bem dentro de uma
atributo da exigibilidade tão logo ocorra o fato gerador semana, há uma nítida condição suspensiva (o negócio
da obrigação tributária principal. A exigibilidade (enten- fica suspenso até que ocorra a condição, qual seja, o
dida como a possibilidade de ser cobrada no Poder Judi- expresso aceite por parte do comprador).
ciário) advém da constituição definitiva do crédito tri-
butário pelo lançamento e requer ainda a sua inscrição Alternativa "a": não está correta, já que o fato
em dívida ativa. gerador do imposto hipotético refere-se a uma situação
jurídica (negócio jurídico, CTN, art. 116, li) e não a uma
Alternativa "d": ao contrário do que constou, situação de fato (saída da mercadoria, CTN, art. 116, 1).
segundo o artigo 140 do CTN, as circunstâncias que
modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus Alternativa "b": o equívoco está em considerar a
efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, condição presente no enunciado como resolutória (em
ou que excluem sua exigibilidade, "não afetam a obriga- que o negócio é desfeito ou se resolve com a condição).
ção tributária que lhe deu origem".
Alternativa "d": incorre no mesmo erro da alter-
Alternativa "e": está equivocada. O artigo 118 do nativa "b", qual seja, considerar a condição presente no
CTN estipula que "a definição legal do fato gerador é enunciado como resolutória.
interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos
Alternativa "e": está incorreta na parte que fixa o
efetivamente praticados pelos contribuintes, responsá-
momento de implementação da condição suspensiva
veis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto
"após exatamente uma semana·, já que pela leitura do
ou dos seus efeitos".
enunciado, o aceite do comprador pode ocorrer dentro
do prazo de uma semana.
28. (FCC/AFR/2006) Imposto hipotético tem como fato
gerador previsto em lei o negócio jurídico de venda de 29. (FCC/AFR/2006) D. Pereira, AFR, tendo verificado
mercadorias a consumidor final. O comerciante vare- que o contribuinte sob fiscalização dissimulou a prática
jista O. Paiva Ltda. oferece uma promoção da chamada de serviços de comunicação tributáveis pelo ICMS, por
"venda a contento" de televisores, na qual o cliente leva tê-los oferecido e contratado com seus clientes sob a
o aparelho para casa e ambos estabelecem que o negó- forma jurídica de "contrato de aluguel", deverá:
cio se realizará no momento em que o cliente se decla-
rar satisfeito com o aparelho, para o que O. Paiva lhe a) aguardar a decisão administrativa irreformável.
dá uma semana de prazo. Feita a declaração no prazo b) desconsiderar o negócio jurídico praticado com a
referido acima, o fato gerador do imposto reputar-se-á finalidade de dissimular a ocorrência do fato gera-
perfeito e acabado: dor do tributo e lançar o imposto de ofício com a
a) na saída do televisor do estabelecimento O. Paiva imposição da penalidade devida.
Ltda. para a residência do cliente. c) aguardar, por se tratar de situação jurídica, o
b) no implemento da condição resolutória da aceita- momento em que a responsabilidade esteja defini-
ção do cliente em até uma semana. tivamente constituída, nos termos de direito aplicá-
vel.
c) no implemento da condição suspensiva da aceita-
ção do cliente em até uma semana. d) notificar, constatada a simulação, à autoridade judi-
ciária para que ela possa cassar os direitos que o
d) no implemento da condição resolutória da aceita- contribuinte exerce nessa condição.
ção do cliente, após exatamente uma semana.
e) responsabilizar solidariamente o tomador dos ser-
e) no implemento da condição suspensiva da aceita- viços, ainda que não se tenha comprovado que ele
ção do cliente, após exatamente uma semana. tenha tido interesse comum na situação que deu
origem à obrigação principal ou que tenha efetiva-
mente concorrido para a sonegação do imposto.

O Nota dos autores: para solucionar a questão é


imprescindível conhecer o disposto no artigo 117 do
CTN, que disciplina o momento de ocorrência do fato O Nota dos autores: o enunciado da questão
gerador que se trata de uma situação jurídica cond i- valeu-se do termo dissimulou, o que, mais uma vez,
Capítulo 5 - Obrígação Tributária e Fato Gerador 575

enseja a análise das alternativas sob a ótica da aplica- c) A obrigação principal tem por objeto o pagamento
ção da norma antielisão, segundo a qual "a autoridade de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se
administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios juntamente com o crédito dela decorrente.
jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a
d) A obrigação acessória decorrente da legislação tri-
ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos
butária e tem por objeto as prestações, positivas ou
elementos constitutivos da obrigação tributária, obser-
negativas, nela previstas no interesse da arrecada-
vados os procedimentos a serem estabelecidos em lei
ção ou da fiscalização dos tributos.
ordinária" (CTN, art. 116, parágrafo único). Esse disposi-
tivo é replicado no artigo 84-A da Lei Paulista 6.374/89. e) A obrigação acessória converte-se em obrigação
principal relativamente à penalidade pecuniária,
Alternativa correta: letra "b": a conduta do AFR
desde que observados os requisitos legais.
retratada nessa alternativa foi correta, na medida em
que, além de desconsiderar o negócio jurídico prati-
cado com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato
gerador do ICMS (de acordo com a norma antielisão), O Nota dos autores: as obrigações são classifica-
constituiu o crédito tributário pelo lançamento, com a das quanto à natureza de seu objeto em (i) obrigações
imposição da penalidade (deve-se atentar que a ativi- de dar; (ii) de fazer ou (iii) de não fazer. A obrigação tri-
dade de lançar é vinculada e obrigatória, nos termos do butária é classificada como principal e acessória. A prin-
parágrafo único do artigo 142 do CTN). cipal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por
objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniá-
Alternativa "a": a norma antielisão não exige uma
ria e extingue-se juntamente com o crédito dela decor-
decisão administrativa irreformável para que ocorra a
rente (CTN, art. 113, § 1°), ou seja, possui natureza de
desconsideração do negócio praticado para dissimular
dar (pagar tributo). Já a acessória decorre da legislação
o fato gerador do ICMS, motivo que faz com que a alter-
tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou
nativa seja considerada errada.
negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou
Alternativa "c": a ocorrência do fato gerador do da fiscalização dos tributos (CTN, art. 113, § 2°), ou seja,
ICMS no caso concreto (prestação de serviços tributá- possui natureza de fazer (prestações positivas) ou não
veis) consiste numa situação de fato, e não numa situa- fazer (prestações negativas). Exemplo: recolher o IRPF é
ção jurídica, de forma que se considera ocorrido o fato o objeto da obrigação tributária principal e apresentar
gerador e existente os seus efeitos desde o momento a declaração de ajuste anual de Imposto de Renda da
em que se verifiquem as circunstãncias materiais neces- pessoa física é uma obrigação tributária acessória. Por
sárias a que se produza os efeitos que normalmente lhe fim, o candidato deveria ficar atento para a exigência do
são próprios (CTN, art. 116, 1). enunciado, qual seja, a escolha da alternativa incorreta
relativa à temática obrigação tributária.
Alternativa "d": segundo a norma antielisão, não
há a necessidade de prévia ordem judicial para que se Alternativa correta: letra "e": o erro da alternativa
opere a desconsideração do negócio praticado para dis- está na sua parte final, que colocou a necessidade de
simular o fato gerador do ICMS. Portanto, a alternativa observação de requisitos legais para que haja a conver-
está errada. são de uma obrigação tributária acessória inadimplida
em principal, quanto à multa pecuniária. Na verdade,
Alternativa "e": de acordo com o artigo 124 do basta o simples fato de sua inobservância para que uma
CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que obrigação acessória converta-se em obrigação princi-
tenham interesse comum na situação que constitua o pal, relativamente à penalidade pecuniária (CTN, art.
fato gerador da obrigação principal, bem como as pes- 113, § 3°).
soas expressamente designadas por lei. Nesse sentido,
a alternativa está equivocada na medida em que deixou Alternativa "a": correta, pois reproduz ipsis literis o
consignada a não comprovação de que o tomador de teor do artigo 115 do CTN.
serviço tenha tido interesse comum na situação que deu Alternativa "b": correta, pois a obrigação tributá-
origem à obrigação principal. ria principal "surge com a ocorrência do fato gerador,
tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade
30. (CETRO - Auditor Fiscal Tributário Municipal - pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
Campinas/2011) A respeito da obrigação tributária, decorrente" (CTN, art. 113, § 1°).
assinale a alternativa incorreta.
Alternativa "c": correta, pois a obrigação tributária
a) Fato gerador da obrigação acessória é qualquer principal "surge com a ocorrência do fato gerador, tem
situação que, na forma da legislação aplicável, por objeto o pagamento de tributo ou penalidade
impõe a prática ou a abstenção de ato que não con- pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito
figure obrigação principal. dela decorrente" (CTN, art. 113, § 1°).

b) A obrigação principal surge com a ocorrência do Alternativa "d": correta, pois reproduz ipsis literis o
fato gerador. teor do artigo 113, § 2° do CTN.
576 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

acessória deve ser amparada pela legislação tributária,


31. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal - cujo alcance abrange inclusive a lei. Logo, a obrigação
SP/2012) Um determinado município paulista, ao ins- tributária principal deve ser instituída por lei e a obriga-
tituir o ISS, imposto de competência municipal, criou,
ção tributária acessória pode ser instituída por lei.
na mesma lei ordinária, várias obrigações acessórias, no
interesse da arrecadação e fiscalização desse imposto. Alternativa "e": errada, pois a criação de obriga-
ções tributárias não é um assunto reservado à lei com-
Com relação à referida lei ordinária, é correto afir- plementar, segundo o artigo 146 da CF.
mar que
a) ela não poderia ter criado obrigações acessórias, 32. (FCC - Auditor Fiscal Tributário Municipal -
pois isso é atribuição de decreto. SP/2012) Empresa contribuinte do ISS firma contrato
b) ela não poderia ter criado obrigações acessórias, de natureza particular com pessoa jurídica sua cliente,
pois isso é atribuição de normas regulamentares e convencionando que a obrigação de pagar o referido
infra regulamentares. imposto, correspondente aos serviços que presta, deva
ser de responsabilidade de sua cliente. Tendo em vista
c) não há irregularidade alguma em ela ter criado obri-
que a referida cliente não cumpriu a convenção parti-
gações acessórias.
cular entre elas celebrada, pois não liquidou o crédito
d) lei ordinária só pode criar obrigação principal e nor- tributário lançado em nome da contribuinte presta-
mas infralegais só podem criar obrigações acessó- dora de serviços, a fiscalização municipal notificou a
rias. contribuinte a pagar o imposto devido. Em resposta à
e) cabe à lei complementar criar tanto obrigações notificação fiscal, a contribuinte apresentou cópia da
principais, como obrigações acessórias. convenção particular celebrada entre elas, alegando a
existência de erro na identificação do sujeito passivo
COMENTARIOS na notificação elaborada. Entende a contribuinte que
a cobrança do tributo não pago deveria ser feita à sua
O Nota dos autores: a obrigação tributária aces- cliente.
sória decorre da legislação tributária, cuja ideia é mais
abrangente do que o termo lei. Na verdade, a lei, ao Com base no descrito acima e nas normas gerais de
lado das demais espécies normativas, está contida no direito tributário que disciplinam essa matéria, a justifi-
conceito de legislação tributária previsto no artigo 96 cativa apresentada pela contribuinte
do CTN ("A expressão legislação tributária compreende a) não deve ser acatada, pois a convenção particular
as leis, os tratados e as convenções internacionais, os não se presta a alterar a sujeição passiva de obri-
decretos e as normas complementares que versem, no gação tributária, exceto quando firmada escritura
todo ou em parte, sobre tributos e relações juridicas a pública nesse sentido, situação em que a Fazenda
eles pertinentes"). Pública Municipal deve eximir a contribuinte pres-
Altematlva correta: letra "e•: a obrigação tribu - tadora de serviço de tal cobrança, mesmo na ausên-
tária acessória decorre da legislação tributária e tem cia de lei normatizando a questão.
por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela b) não deve ser acatada, na medida em que o orde-
previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização namento jurídico não contemple possibilidade
dos tributos (CTN, art. 113, § 2°). Segundo o enunciado alguma de modificação da definição legal do
da questão, as obrigações acessórias foram criadas sujeito passivo das obrigações tributárias, quer por
por lei ordinária e, como lei ordinária está contida na meio de convenção entre as partes, quer por meio
expressão legislação tributária (CTN, art. 96), não há de disposição de lei.
que se falar em qualquer irregularidade no que tange
c) deve ser acatada, pois a convenção particular,
a ser o veiculo normativo criador das obrigações aces-
desde que celebrada por escritura pública, deve
sórias.
ser aceita e respeitada pela Fazenda Pública Muni-
Alternativa "a": errada, pois como a obrigação cipal, para eximir a contribuinte do pagamento do
tributária acessória decorre da legislação tributária, imposto ainda não pago, pois a responsabilidade
sua instituição pode ocorrer tanto por lei, como por passou a ser da sua cliente.
decreto, ou tratados e convenções internacionais ou,
d) não deve ser acatada, pois nem a convenção parti-
ainda, pelas normas complementares (tais como instru-
cular, nem a escritura pública se prestam a alterar a
ções normativas e portarias dos órgãos de administra-
sujeição passiva de obrigação tributária, a não ser
ção tributária).
que haja lei normatizando a questão.
Alternatlva "b": errada, pois, reitera-se, a lei é veí-
e) deve ser acatada, pois a convenção particular deve
culo normativo hábil para instituir obrigações tributá-
ser aceita e respeitada pela Fazenda Pública Muni-
rias acessórias, conforme a interpretação sistemática
cipal para eximir a contribuinte do pagamento do
dos artigos 113, § 2° e 96 do CTN.
imposto ainda não pago, desde que haja decreto do
Alternativa "d": errada, pois embora uma obri - Poder Executivo municipal, permitindo a mod ifica-
gação tributária principal deva ser necessariamente ção da definição legal do sujeito passivo das obriga-
prevista em lei (CTN, art. 97, Ili), a obrigação tributária ções tributárias correspondentes.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 577

COMENTÁRIOS COMENTÁRIOS

O Nota dos autores: a questão versa sobre as con- O Nota dos autores: as alternativas da questão
venções particulares para pagamento de tributos, disci- estão associadas à interpretação dos artigos 116 e 117
plinada pelo CTN nas disposições gerais do tema sujeito do CTN, que versam principalmente sobre o momento
passivo, mais precisamente em seu artigo 123, cuja lei- da ocorrência do fato gerador.
tura é recomendada. Alternativa correta: letra "e": de acordo com o
artigo 117, inciso 1, do CTN, o negócio jurídico condi-
Alternativa correta, letra "d": salvo disposições
cional reputa-se perfeito e acabado, sendo suspensiva
de lei em contrário, as convenções particulares, relativas
a condição, desde o momento de seu implemento.
à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não
Assim, na hipótese do enunciado, é no momento da
podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a
implementação da condição suspensiva, qual seja, o
definição legal do sujeito passivo das obrigações tribu-
efetivo casamento, ocorrido em 2002, que se considera
tárias correspondentes (CTN, art. 123).
ocorrido o fato gerador (doação). Como a lei que insti-
Alternativa ªa": incorreta, pois, à revelia do pre- tuiu o imposto sobre doação foi promulgada em 2001, a
visto no artigo 123 do CTN, o texto da alternativa excep- doação ocorrida em 2002 estará sujeita à sua incidência,
cionou a convenção particular firmada por escritura observado, por óbvio, o princípio da anterioridade, nas
pública, mesmo na ausência de lei que normatizasse a suas vertentes nonagesimal e do exercício.
hipótese. Alternativa "a": errada, pois no momento da ocor-
Alternativa "b": incorreta, pois o caput do artigo rência do fato gerador (a doação condicional ocorreu
123 do CTN é categórico ao prever que "salvo disposi- na data do casamento) estava revogada a lei antiga e já
vigente a lei nova.
ções de lei em contrário, as convenções particulares,
relativas à responsabilidade pelo pagamento de tribu- Alternativa "b": errada, pois a lei estadual instituiu
tos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para um imposto que deverá incidir na doação condicional
modificar a definição legal do sujeito passivo das obri- explicitada no enunciado, não sendo, portanto, uma lei
gações tributárias correspondentes". Logo, em havendo meramente interpretativa.
previsão legal que albergue a possibilidade, podem os
Alternativa "c": errada, pois no momento da ocor-
contratos particulares alterar a sujeição passiva da obri-
rência do fato gerador (a doação condicional ocorreu
gação tributária. na data do casamento) estava revogada a lei antiga e já
Alternativa "c": incorreta, pois para que uma con- vigente a lei nova, logo, a nova alíquota deve prevalecer
venção particular firmada por escritura pública altere a sobre a antiga, revogada.
sujeição passiva da obrigação tributária é preciso que Alternativa "d": errada, pois o ITBI (imposto sobre
seja precedida de uma disposição legal que permita tal transmissão de bens imóveis inter vivos) pressupõe que
situação, o que não se consegue aferir pela leitura do a transmissão seja onerosa, o que não é o caso da doa-
enunciado. ção.
Alternativa "e": incorreta, pois de acordo com o
artigo 123 do CTN somente a lei (e não o decreto) pode 34. (Procurador do Município - Prefeitura Curitiba-
permitir a oposição à Fazenda Pública de convenções -PR/2007 - PUC) A expressão "fato gerador" é criticada
particulares, relativas à responsabilidade pelo paga- por vários segmentos da doutrina em razão de que:
mento de tributos. a) não importa, para a análise das obrigações tribu-
tárias, a investigação sobre os fatos que deram ori-
gem a elas.
33. (FDC - Auditor Fiscal de Tributos Municipais -
BH/2012) Em 2000, Caio celebra com Tício um contrato b) o fato concreto, legalmente descrito, quando ocor-
de doação, por meio do qual se comprometeu a entre- rido, nenhum efeito gera.
gar a Tício um apartamento, desde que este contraísse c) as situações concretas relevantes para o Direito
matrimônio, o que finalmente se dá em 2002. Ocorre Tributário não são os fatos jurídicos, e sim os atos
que, em 2001, sobreveio uma nova lei estadual que ins- jurídicos.
tituiu o imposto sobre doação, à alíquota de 4% sobre d) alude, ao mesmo tempo, à previsão abstrata da
o valor do imóvel doado. Sobre o negócio jurídico cele- norma e à situação concreta a que ela se refere.
brado incidirá o seguinte imposto:
e) a obrigação tributária principal não nasce, segundo
a) existente antes da entrada em vigor da nova lei o CTN, com a ocorrência do fato gerador.

b) referente à norma meramente interpretativa

c) com a alíquota anterior à sua vigência O Nota dos autores: a particularidade dessa ques-
d) relativo à transmissão inter vivos tão está na exigência de conhecimento de uma posição
doutrinária majoritária, que diz respeito à ambiguidade
e) instituído pela nova lei da expressão "fato gerador".
578 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa correta: letra "d": no Direito Tributá- tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou
rio, a expressão "fato gerador" é ambígua, haja vista que negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou
contempla ora a descrição legal (significando a hipó- da fiscalização dos tributos (CTN, art. 113, § 2º), ou seja,
tese de incidência), ora o fato concreto (significando possui natureza de fazer (prestações positivas) ou não
o fato jurídico-tributário), cuja subsunção deste fazer (prestações negativas). Exemplo: recolher o IRPF é
naquela dá origem à obrigação tributária. o objeto da obrigação tributária principal e apresentar
a declaração de ajuste anual de Imposto de Renda da
Alternativa ua": errada, pois tanto a obrigação tri-
pessoa física é uma obrigação tributária acessória. Por
butária principal como a acessória surge com a ocorrên-
fim, o candidato deveria ficar atento para a exigência do
cia do fato gerador. Assim, a vinculação entre o credor
enunciado, qual seja, a escolha da alternativa incorreta
e o devedor tributários decorre da incidência, ou seja, a
relativa à temática obrigação tributária.
relação tributária advém da subsunção do fato concreto
à norma. Dessa forma, é deveras importante conhecer Alternativa correta: letra "b": essa alternativa está
os fatos jurídico-tributários no intuito de confirmar (ou errada, já que afronta o disposto no artigo 118, inciso 1,
não) a incidência tributária. do CTN, segundo o qual "a definição legal do fato gera-
dor é interpretada abstraindo-se da validade jurídica
Alternativa "b": errada, pois o fato concreto, legal-
dos atos efetivamente praticados pelos contribuin-
mente descrito, quando ocorrido, faz nascer a obriga-
tes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza
ção tributária (CTN, art. 113, §§ 1º e 2º).
do seu objeto ou dos seus efeitos".
Alternativa "c": errada, uma vez que, segundo o Alternativa "a": correta, pois o§ 1º do artigo 113
CTN, a situação definida em lei como necessária e sufi- do CTN coloca, expressamente, o pagamento de pena-
ciente à ocorrência da obrigação tributária principal é
lidade pecuniária ao lado do pagamento do tributo
chamada de "fato gerador". como objetos da obrigação tributária principal ("a obri-
Alternativa "e": errada, por afrontar o artigo 113, gação principal surge com a ocorrência do fato gerador,
§ 1º do CTN, segundo o qual "a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade
surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e decorrente"). Atenção que isso só vale para as multas tri-
extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente". butárias, não se estendendo a outras multas sem caráter
tributário, como as de trânsito e as ambientais.
35. (Procurador do Município - Prefeitura Florianó- Alternativa "c": correta. A CF/88, em seu artigo
polis-Se 12011 - FEPESE) A respeito da obrigação tri- 145, § 2º, veda que as taxas tenham bases de cálculo
butária, assinale a alternativa incorreta. próprias de impostos. A base de cálculo da taxa não
pode ser idêntica a de qualquer imposto, admitida a
a) Embora a multa tributária não se constitua tributo, a
coincidência de um ou mais elementos que a compõe.
obrigação de pagá-la tem natureza tributária.
A alternativa é a reprodução ipsis literisda Súmula Vincu-
b) A definição legal do fato gerador é interpretada lante nº29 do STF.
levando-se em consideração a validade jurídica dos
Alternativa "d": correta, pois é a reprodução exata
atos praticados pelos contribuintes. do teor do§ 3º do artigo 113 do CTN. Uma obrigação tri-
c) ~ constitucional a adoção, no cálculo do valor de butária acessória (como a apresentação de uma decla-
taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo ração de Imposto de Renda pelo contribuinte), caso não
própria de determinado imposto, desde que não observada ou não adimplida (o contribuinte deixou de
haja integral identidade entre uma base e outra. apresentar no prazo), transforma-se em principal (obri-
gação de dar), culminando na exigência da penalidade
d) A obrigação acessória, pelo simples fato da sua
pecuniária (pagar a multa).
inobservância, converte-se em obrigação principal
relativamente à penalidade pecuniária. Alternativa "e": correta, pois é a reprodução do
teor do artigo 114 do CTN. Ressalte-se a ambiguidade
e) A hipótese de incidência da obrigação tributária da expressão "fato gerador", ora tida como a descrição
principal é a situação definida em lei como neces- legal (significando a hipótese de incidência), ora como
sária e suficiente à sua ocorrência.

. . . o fato concreto (significando o fato jurídico-tributá-


rio), cuja subsunção deste naquela dá origem à obriga-
ção tributária.
O Nota dos autores: as obrigações são classifica-
das quanto à natureza de seu objeto em (i) obrigações 36. (Procurador do Município - Prefeitura Recife-
de dar; (ii) de fazer ou (iii) de não fazer. A obrigação tri- ·PEl2008 - FCC) Os deveres de pagar multa por infra-
butária é classificada como principal e acessória. A prin- ção à legislação tributária e de fazer declaração de
cipal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por ajuste anual do imposto de renda classificam-se como
objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniá- obrigação
ria e extingue-se juntamente com o crédito dela decor-
a) principal e acessória, respectivamente.
rente (CTN, art. 113, § 1º), ou seja, possui natureza de
dar (pagar tributo). Já a acessória decorre da legislação b) acessória e principal, respectivamente.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 579

c) acessórias, ambas. b) as modalidades principal e acessória são indepen-


dentes entre si, na medida em que são distintos
d) principais, ambas, mas só a segunda é instrumental.
seus objetos.
e) instrumentais, ambas.
c) a obrigação principal tem por objeto o pagamento
do tributo e a acessória o pagamento da multa.
COMENTÁRIOS
d) o objeto da obrigação principal está consubstan-
O Nota dos autores: trata-se de uma questão em ciado em comportamentos de fazer ou não fazer,
que se exige a classificação de duas obrigações tribu- não estando necessariamente associados a paga-
tárias previstas no enunciado como sendo principal mento.
(natureza de dar: pagar tributo/penalidade pecuniária)
ou acessória (natureza de fazer e não fazer: prestações e) a obrigação principal consiste no pagamento do
positivas e/ou negativas no interesse da arrecadação tributo ou das multas pecuniárias, enquanto que a
e da fiscalização de tributos). Uma dificuldade está no acessória consiste no pagamento das multas puniti-
entendimento do significado da expressão "obrigação vas.
tributária instrumental" (citada em duas alternativas),
tipicamente doutrinária, esmiuçada nos comentários a COMENTA RIOS
seguir.
O Nota dos autores: várias são as questões que
Alternativa correta: letra "a": o pagamento de exigem do candidato a contraposição de uma obriga -
multa pecuniária é uma obrigação de dar, portanto, ção tributária principal a uma obrigação tributária aces-
principal (CTN, art. 113, § 1º).Apresentar a declaração de sória, de maneira que a atenta leitura do artigo 113 do
ajuste anual do imposto de renda é uma obrigação de CTN é sugerida.
fazer, portanto, acessória (CTN, art. 113, § 2º).
Alternativa coneta: letra "b": A obrigação tributá-
Alternativa "b": errada, por ter invertida a natu- ria é classificada como principal e acessória. A principal
reza jurídica das obrigações tributárias. surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto
o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária
Alternativa "c": errada, pois considerou o paga-
e extingue-se juntamente com o crédito dela decor-
mento de multa por infração à legislação tributária
rente (CTN, art. 113, § 1º),ou seja, possui natureza de dar
como uma obrigação acessória, quando, na verdade,
(pagar). Já a acessória decorre da legislação tributária
"a obrigação principal surge com a ocorrência do fato
e tem por objeto as prestações, positivas ou negati-
gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou
vas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da
penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com
fiscalização dos tributos (CTN, art. 113, § 2º), ou seja,
o crédito dela decorrente" (CTN, art. 113, § 1º).
possui natureza de fazer (prestações positivas) ou não
Alternativa "d": errada, por considerar a obrigação fazer (prestações negativas). Nesse sentido, por terem
de apresentar a declaração de ajuste anual do imposto objetos distintos, tais obrigações tributárias (principal e
de renda como sendo uma obrigação principal. Trata- acessória) são independentes entre si.
-se de uma obrigação de fazer (prestação positiva) no
Alternativa "a": está errada, pois as obrigações
interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos,
tributárias principais e acessórias são independentes
portanto, é uma obrigação tributária acessória.
entre si, na medida em que no Direito Tributário não se
Alternativa "e": errada, a obrigação tributária aplica a máxima jurídica muito difundida no Direito Civil,
acessória é tida como sinónima de obrigação tributária segundo a qual "o acessório segue a sorte do principal".
instrumental (fazer e/ou não fazer). "A relação jurídica Pode ocorrer uma situação em que um contribuinte
tributária refere -se não só à obrigação tributária stricto possua obrigações acessórias a adimplir (por exemplo,
sensu, como ao plexo de deveres instrumentais, (posi- emitir documentos fiscais aos seus clientes e escriturar
tivos ou negativos) que gravitam em torno do tributo, seus livros fiscais e contábeis) e, ao mesmo tempo, não
colimando facilitar a aplicação exata da norma jurídica possua obrigação principal de pagar tributo, como no
que o previu. (...) Todos estes deveres, repita-se, não caso de ser um contribuinte do ICMS que comercialize
possuem, em si mesmos, cunho patrimonial ". (Roque apenas mercadorias isentas.
Antônio CARRAZZA. Curso de direito constitucional tri-
Alternativa "c": o equívoco está em atribuir o
butário. 23• ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 331 -332).
pagamento de multa como objeto de uma obrigação
Como j á visto, não há que se considerar o pagamento
tributária acessória, pois o artigo 113, § 1º do CTN esti-
de penalidade pecuniária como sendo uma obrigação
pula, expressamente, que o pagamento de penalidade
acessória . É uma obrigação principal.
pecuniária (multa) é objeto da obrigação tributária prin -
cipal, assim como o é o pagamento de tributo.
37. (Procurador do Município - Prefeitura Ribeirão
Preto-SP/2007 - VUNESP) No tocante ao instituto da Alternativa "d": há dois equívocos no texto dessa
obrigação tributária, é correto afirmar que alternativa. O primeiro diz respeito à incorreta atribui -
ção da natureza de obrigação tributária principal àque-
a) a modalidade acessória exige a prévia existência da las cujo objeto seja fazer ou não fazer, quando, na ver-
principal, posto que dela é dependente. dade, as prestações positivas (fazer) ou negativas (não
580 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

fazer) são típicas obrigações tributárias acessórias. O c) objetiva dar meios à fiscalização tributária para a
segundo está em não associar a obrigação tributária investigação e o controle do recolhimento de tribu-
principal a um pagamento. t exatamente o contrário. tos.
O pagamento (de tributo e de penalidade pecuniária) é
d) sua inobservância converte-se em obrigação princi-
atributo da obrigação tributária principal (natureza de
pal, relativamente a penalidade pecuniária.
dar).
e) realizar matrícula no cadastro de contribuintes,
Alternativa "e": errada, pois afirma que a obriga-
emitir nota fiscal e apresentar declarações ao Fisco
ção tributária acessória consiste no pagamento de mul-
constituem, entre outros, alguns exemplos.
tas punitivas. De acordo com o artigo 113, § 2º do CTN,
"a obrigação acessória decorre da legislação tributária
COMENTÁRIOS
e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas,
nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscali- O Nota dos autores: de acordo com o enunciado
zação dos tributos". da questão, busca-se a alternativa que possui uma afir-
mação incorreta. Todas as alternativas, de certa forma,
38. (Procurador do Município - Prefeitura Vitórla- trazem afirmações corretas, entretanto o gabarito
-ES/2007 - CESPE) Joana adquiriu, em setembro de oficial contemplou uma afirmação incompleta como
2006, um imóvel no valor de RS 120.000,00. Em janeiro incorreta. A questão não foi anulada.
de 2007, recebeu, em sua residência, o carnê para paga- Alternativa correta: letra "a": na verdade, esta
mento do IPTU. alternativa está incompleta, na medida em que a obri-
a) Considerando a situação hipotética apresentada e gação acessória tem por objeto prestações positivas
com base nas normas do Código Tributário Nacio- ou negativas previstas na legislação. Ora, as prestações
nal, julgue os itens subseqv"entes. positivas (obrigações de fazer) são obrigações acessó-
rias, assim como o são as prestações negativas (obriga-
b) O imposto que Joana terá de pagar é classificado ções de não fazer), com bem se extrai do artigo 113, § 2°,
como um imposto real. do CTN ("a obrigação acessória decorrente da legislação
tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou
c) A base de cálculo do IPTU a ser pago por Joana será
negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou
de RS 120.000,00, valor venal do imóvel.
da fiscalização dos tributos"). Enfim, resumindo, o gaba-
d) A obrigação de Joana, consistente no dever de rito contemplou como incorreta uma afirmação correta,
pagar o IPTU, é uma obrigação tributária acessória. mas incompleta.

Alternativa "b": correta, tanto a obrigação tributá-


COMENTÁRIOS
ria principal como a acessória prescindem da ocorrên-
O Nota dos autores: a questão exige que o candi- cia do fato gerador, nos termos dos artigos 114 e 115 do
dato analise as afirmações (correta ou incorreta) à luz do CTN.
CTN. Entretanto, a primeira afirmação refere-se a uma Alternativa "c": correta, haja vista que a obrigação
classificação doutrinária do IPTU, fugindo, a princípio, acessória tem por fim último colaborar com a arrecada-
da exigência do enunciado. ção e a fiscalização de tributos (CTN, art. 113, § 2°).
Item 1. Certo. O IPTU incide sobre o imóvel urbano Alternativa "d": correta, pois com o inadimple-
(tido como uma coisa - "res• - no Direito Civil), classifi- mento de uma obrigação tributária acessória, esta se
cado, portanto, como um imposto real, propter remou converte em principal no que tange à penalidade pecu-
sobre o patrimônio. niária (multa). Em outras palavras, conforme estipulado
Item li. Certo. Segundo o artigo 33 do CTN, a base no artigo 113, § 3°, do CTN, o contribuinte, ao descum-
de cálculo do IPTU é o valor venal do imóvel. prir uma obrigação tributária acessória (de fazer ou não
fazer), sujeita-se ao pagamento de multa (obrigação de
Item Ili. Errado. A obrigação de pagar o tributo é dar, portanto, principal).
uma obrigação tributária principal, segundo o artigo
113, § 1º do CTN ("a obrigação principal surge com a Alternativa "e": correta, pois todos os exemplos
ocorrência do fato gerador, tem por objeto o paga- citados são prestações positivas que interessam à fisca-
mento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue- lização e à arrecadação tributária e estão previstas na
-se juntamente com o crédito dela decorrente"). legislação.

40. (ESAF - AFRFB - 2005) Leia cada um dos assertas


39. (ESAF -ATRFB- 2005) Sobre a obrigação tributária
abaixo e assinale (V) ou (F), conforme seja verdadeiro
acessória, é incorreto afirmar-se que:
ou falso. Depois, marque a opção que contenha a exata
a) tem por objeto prestações positivas previstas na sequência.
legislação tributária.
( ) A situação definida em lei, desde que necessária
b) tal como a obrigação principal, supõe, para o seu para o nascimento da obrigação tributária principal
surgimento, a ocorrência de fato gerador. é o seu fato gerador.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 581

( ) Qualquer situação que, na forma da legislação apli- o fato jurídico-tributário), cuja subsunção deste
cável, impõe a prática de um ato que não tenha por naquela dá origem à obrigação tributária.
objeto o pagamento de tributo ou multa, é obriga-
Item li: falso, uma vez que as obrigações tributárias
ção tributária acessória.
acessórias têm natureza jurídica de obrigação de fazer
( ) Atos ou negócios jurídicos praticados com a fina- ou não fazer, decorrem da legislação, sempre no intuito
lidade de encobrir a ocorrência do fato gerador de colaborar com a arrecadação e com a fiscalização de
do tributo ou a natureza dos elementos constitu- tributos. De acordo com o artigo 115 do CTN, fato gera-
tivos da obrigação tributária, desde que legítimos dor da obrigação acessória é qualquer situação que,
perante a legislação civil, não podem ser desconsi- na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a
derados pela autoridade tributária. abstenção de ato que não configure obrigação princi-
pal. Observe que o enunciado deixou de referenciar a
a) vvv abstenção de ato (prestações negativas). A obrigação
b) FVV de dar (pagar tributo ou multa) é tida como a obrigação
tributária principal e deve estar prevista em lei.
c) F FF
Item Ili: falso, pois contraria frontalmente o dis-
d) FFV posto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, cha-
mado pela doutrina de norma antielísão, que assim dis-
e) VFV
põe: "a autoridade administrativa poderá desconsiderar
atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade
COMENTARIOS
de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo
ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação
O Nota dos autores: em alguns casos, a ESAF con-
tributária, observados os procedimentos a serem esta-
sidera falsas ou incorretas algumas afirmações que, à
belecidos em lei ordinária".
luz da legislação, estão, na verdade, incompletas, mas,
analisadas isoladamente, permitem a interpretação de
que estão corretas. Observe estas três frases: (i) "obriga- 41. (ESAF-AFRFB-2005)
ção tributária acessória tem por objeto prestações posi-
1) No interregno que medeia a declaração e o venci-
tivas previstas na legislação tributária"; {ii) "obrigação mento, o valor declarado a título de tributo, corre o
tributáría acessória tem por objeto prestações negati- prazo prescricional da pretensão de cobrança?
vas previstas na legislação tributária" e {iii) "obrigação
tributária acessória tem por objeto prestações positivas 2) O inadimplemento de obrigações tributárias carac-
ou negativas previstas na legislação tributária". Agora, teriza infração legal que justifique redireciona-
compare as três frases com a redação do artigo 113, § 2° mento da responsabilidade para o sócio-gerente
do CTN, que assim dispõe "a obrigação acessória decor- da empresa?
rente da legislação tributária e tem por objeto as presta- 3) A expressão 'ato não definitivamente julgado' cons-
ções, positivas ou negativas, nela previstas no interesse tante do artigo 106, li, letra 'c'. do Código Tributário
da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". Perceba Nacional refere-se ao âmbito administrativo (já que
que a que melhor se aproxima do texto legal é a (iii), no âmbito judicial não se procede ao lançamento)?
porém, analisadas isoladamente, as alternativas (i) e (ii)
não estão erradas, na medida em que uma obrigação a) Sim, não, sim
tributária consistente numa prestação positiva é aces- b) Não, sim, não
sória, e outra consistente numa prestação negativa tam-
bém o é. Elas estão incompletas face à redação do CTN. c) Sim, sim, não
Fica então uma dica: entre alternativas aparentemente d) Não, não, não
corretas, a ESAF considera incorreta aquela que não se
coaduna com o exato conteúdo da legislação. Segundo e) Sim, sim, sim
a ESAF, as alternativas (i) e (ii) seriam incorretas como,
por exemplo, ocorreu com a assertiva (i) no concurso de
Técnico da Receita Federal (atual Analista Tributário) de O Nota dos autores: das três indagações, duas
2005 comentada anteriormente a esta, bem como ocor- delas (as últimas) demandam um indispensável conhe-
reu no item li a seguir comentado. cimento de posicionamentos jurisprudenciais, o que
Alternativa correta: letra "c": aumenta o grau de dificuldade da questão. Nesse sen-
tido, é essencial que o candidato acompanhe as notícias
Item 1: falsa, pois, de acordo com o artigo 114 do veiculadas diariamente nos sites dos tribunais superio-
CTN, o fato gerador da obrigação principal é a situação res, bem como estude as súmulas editadas pelos mes-
definida em lei como necessária e suficiente à sua mos.
ocorrência.Perceba que no enunciado faltou o termo
Alternativa correta: letra "d":
"suficiente". É importante frisar que, no Direito Tributá-
rio, a expressão "fato gerador" é ambígua, haja vista que 1• pergunta: não. Entre a declaração (obrigação
contempla ora a descrição legal (significando a hipó- acessória) e o vencimento do tributo, não há que se falar
tese de incidência), ora o fato concreto (significando em prescrição da pretensão de cobrança por dois moti-
582 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

vos. Primeiro, por não estar revestida da exigibilidade a) F-V-F


(um débito fiscal não vencido, também chamado de vin-
b) F-F-V
cendo, não é passível de ser exigido judicialmente pela
Fazenda Pública. Em resumo, para a Fazenda Pública c) F-F-F
executar um crédito tributário é preciso que este esteja
d) V-V-F
inscrito na dívida ativa e, para tal, segundo o artigo 201
do CTN, é preciso que tenha se esgotado o prazo fixado e) V-F-F
para pagamento). E segundo, pelo fato de que o dies a
quo da prescrição (data do início da contagem do prazo)
é a constituição definitiva do crédito (nunca antes de
O Nota dos autores: trata-se de uma questão inte-
seu vencimento).
ressante, pois apresenta três afirmações de três temá-
2• pergunta: não, o mero inadimplemento não ticas diferentes (respectivamente, momento de ocor-
permite o redirecionamento da obrigação tributária ao rência do fato gerador, norma antielisão e oposição à
sócio-administrador da empresa, uma vez que, segundo Fazenda Pública de convenção de particulares). Das três,
o artigo 135, inciso Ili, do CTN, para que haja responsa- duas delas (as últimas) costumam ser exaustivamente
bilização pessoal do sócio-administrador, é preciso que debatidas em aulas, livros e apostilas preparatórias. Em
ele tenha agido com "excesso de poderes ou infração geral os concursandos tendem a acertar o fato de que
de lei, contrato social ou estatuto". O mero inadimple- as convenções particulares (contratos ou acordos) não
mento, segundo o STJ, não é considerado excesso de podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar
poder, nem infração à lei, tampouco infração ao con- o devedor do tributo, bem como conhecem o teor da
trato social (AgRg no REsp 1273450 / SP). norma antielisão. Entretanto, mesmo conhecendo essas
duas respostas, o cand idato, para resolver essa questão,
3• pergunta: não. O artigo 106, inciso li, alínea "c'',
teria que saber ainda a terceira - item 1(não dá pra res-
do CTN apregoa que a "lei aplica-se a ato ou fato pre-
ponder por eliminação), o que pode ter culminado num
térito, tratando-se de ato não definitivamente julgado,
erro mesmo dominando dois terços da questão.
quando lhe comine penalidade menos severa que a
prevista na lei vigente ao tempo da sua prática ". A lei- Alternativa correta: letra "a":
tura não permite qualquer restrição da expressão "ato
Item 1: está incorreto, pois a ocorrência do fato gera-
não definitivamente julgado" aos processos administra-
dor que se refira a uma situação jurídica é o momento
tivos. Mesmo no caso de processos judiciais em anda-
em que esteja definitivamente constituída nos termos
mento (por exemplo, numa ação anulatória de lança-
da legislação que a discipline (CTN, art. 116, li). Por
mento de débito fiscal, cujo objetivo é desconstituir o
exemplo, na transmissão onerosa de um bem imóvel
crédito tributário), uma lei nova que comine penalidade
(compra e venda de um terreno), a legislação preconiza
menos severa deve ser aplicada retroativamente. É a
uma forma específica para tal, qual seja, a outorga de
posição do STJ (REsp 295.762/RS).
escritura pública. O momento estipulado no enunciado
desse item refere-se, na verdade, à ocorrência de um
42. (ESAF - AFRFB - 2003) Avalie o acerto das afirma - fato gerador relativo a uma situação de fato (CTN, art.
ções adiante e marque com V as verdadeiras e com F as 116, 1), e não a uma situação jurídica.
falsas; em seguida, marque a opção correta.
Item li: está correto, é a reprodução ipsis literis da
( ) Salvo disposição de lei em contrário, considera-se denominada norma antielisão (CTN, art. 116, parágrafo
ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, único).
tratando-se de situação jurídica, desde o momento Item Ili: está incorreto, as convenções entre parti-
em que se verifiquem as circunstâncias materiais culares (acordos ou contratos) relativas à responsabi-
necessárias a que produza os efeitos que normal- lização para pagamento de tributos, salvo disposição
mente lhe são próprios. de lei em contrário, "não podem ser opostas à Fazenda
( ) A autoridade administrativa poderá desconsiderar Pública, para modificar a definição legal do sujeito pas-
atos ou negócios jurídicos praticados com a finali- sivo das obrigações tributárias correspondentes" (artigo
dade de dissimular a ocorrência do fato gerador do 123 doCTN).
tributo ou a natureza dos elementos constitutivos
da obrigação tributária, observados os procedi- 43. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - PAI 2012)
mentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Considerando a majoração, para o patamar de 25%, da
contribuição previdenciária dos servidores públicos de
( ) Salvo disposição de lei em contrário, as conven -
determinado ente federado, associada à incidência do
ções particulares, relativas à responsabilidade
imposto de renda de 27,5%, assinale a opção correta a
pelo pagamento de tributos, podem ser opostas à
respeito do efeito confiscatório e da contribuição pre-
Fazenda Pública para modificar a sujeição passiva,
videnciária.
desde que o novo sujeito passivo comunique a exis-
tência do convencionado à repartição fazendária a) O aumento da referida contribuição previdenciária
competente antes de ocorrer o fato gerador da cor- pode ser exigido na data de publicação da respec-
respondente obrigação tributária. tiva norma.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 583
······ ·· ················································· ················ ·· ·· ·· ········ ········· ·· ············ ·· ··· ········ ·······
b) A referida majoração não caracteriza efeito confis- multas fiscais), não pode agir imoderadamente, pois a
catório, uma vez que, na verificação da onerosidade, atividade governamental acha-se essencialmente con-
o aumento não se soma à alíquota do imposto de dicionada pelo princípio da razoabilidade que se qua-
renda. lifica como verdadeiro parâmetro de aferição da consti-
tucionalidade material dos atos estatais." (ADI 1.075-MC,
c) A vedação do efeito confiscatório aplica-se tanto
Rei. Min. Celso de Mello, julgamento em 17-6-98, DJ de
aos tributos propriamente ditos quanto às multas
24-11-06).
pelo descumprimento da legislação tributária.
d) A finalidade extrafiscal justifica a tributação confis- Alternativa "a": O aumento da contribuição previ-
denciária só poderá ser exigida após decorridos noventa
catória.
dias da data da publicação da lei majoradora. Confira o
e) A referida contribuição previdenciária não incide Texto Constitucional: "Art. 197, § 6° - As contribuições
sobre o décimo terceiro salário dos servidores. sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas
após decorridos noventa dias da data da publicação da
COMENTA RIOS lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes
aplicando o disposto no art. 150, Ili, "b"."
O Nota dos autores: Sobre o princípio da veda-
ção ao confisco abordado na questão, recorde-se que, Alternativa "b": Há sim o efeito confiscatório. Em
segundo o STF, " (...) a norma inscrita no art. 150, IV, da um caso similar ao abordado na assertiva, o STF con-
Constituição encerra uma cláusula aberta, veiculadora cedeu liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade
de conceito jurídico indeterminado, reclamando, em nº 2.010 suspendendo dispositivo que aumentava em
consequência, que os Tribunais, na ausência de 'uma até 25%, dependendo da faixa de renda salarial, as alí-
diretriz objetiva e genérica, aplicável a todas as circuns- quotas de contribuição previdenciária dos servidores
tâncias' (ANTÔNIO ROBERTO SAMPAIO DÓRIA, Direito públicos federais ativos. ln casu, considerou-se que a
Constitucional Tributário e Due Process of Law, p. 196, majoração das alíquotas teria um efeito confiscatório,
item nº 62, 2 ed., 1986, Forense) - - e tendo em consi- além de constituir desvio de finalidade da contribuição.
deração as limitações que derivam do princípio da pro- O STF entendeu que o efeito confiscatório deve ser exa-
porcionalidade - - , procedam à avaliação dos excessos minado no conjunto de tributos incidentes sobre deter-
eventualmente praticados pelo Estado. (...) não há uma minada base de cálculo e não cada tributo analisado
definição constitucional de confisco em matéria tributá- separadamente (ADIN 2010-2-DF)
ria.Trata-se, na realidade, de um conceito aberto, a ser
utilizado pelo juiz, com apoio em seu prudente critério, Alternativa "d": Nada justifica a tributação confis-
quando chamado a resolver os conflitos entre o poder catória, até mesmo a finalidade extrafiscal. É que con-
público e os contribuintes." (ARE 712.285-AgR, voto fisco é injusta apropriação estatal, no todo ou em parte,
do rei. min. Celso de Mello, julgamento em 23-4-2013, do patrimônio ou dos rendimentos dos contribuintes.
Segunda Turma, DJE de 28-6-2013.) No caso da finalidade extrafiscal há aumento da carga
tributária em relação ao comportamento do contri-
Alternativa correta: letra "e": Tributos e multas buinte que se deseja desestimular, mas não há confisco,
devem respeito ao princípio da vedação ao confisco. pois não é uma penalidade. O fim a ser atingido na
As multas, segundo forte entendimento doutrinário e esfera extrafiscal não é o incremento da receita para o
jurisprudencial, estão adstritas ao princípio citado. Con- ente tributante, mas sim o alcance de outra finalidade
fira: "É cabível, em sede de controle normativo abstrato, igualmente suportada pela Constituição. Portanto, ine-
a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal exami- xiste confisco.
nar se determinado tributo ofende, ou não, o princípio
constitucional da não-confiscatoriedade consagrado Alternativa "e": A referida contribuição previden-
no art. 150, IV, da Constituição da República. Hipótese ciária incide sobre o décimo terceiro salário dos servi-
que versa o exame de diploma legislativo (Lei 8.846/94, dores. Nesse sentido, é o teor do Enunciado nº 688 da
art. 3° e seu parágrafo único) que instituiu multa fiscal Súmula do STF: "É legítima a incidência da contribuição
de 300% (trezentos por cento). A proibição constitu- previdenciária sobre o 13° salário".
cional do confisco em matéria tributária - ainda que
se trate de multa fiscal resultante do inadimplemento, 44. (CESPE - Promotor de Justiça - RN/ 2009) O fisco
pelo contribuinte, de suas obrigações tributárias - nada local constatou que determinada empresa estava frau-
mais representa senão a interdição, pela Carta Política, dando a fiscalização tributária e a autuou em valor cor-
de qualquer pretensão governamental que possa con- respondente ao tributo e a uma penalidade pecuniária.
duzir, no campo da fiscalidade, à injusta apropriação Após a revisão administrativa do referido auto de infra-
estatal, no todo ou em parte, do patrimônio ou dos ção, a penalidade pecuniária foi majorada.
rendimentos dos contribuintes, comprometendo-lhes,
pela insuportabilidade da carga tributária, o exercício Nessa situação,
do direito a uma existência digna, ou a prática de ati-
a) a obrigação acessória não pode ser revista adminis-
vidade profissional lícita ou, ainda, a regular satisfação
trativamente.
de suas necessidades vitais básicas. O Poder Público,
especialmente em sede de tributação (mesmo tratan- b) a obrigação tributária não se altera com a alteração
do-se da definição do quantum pertinente ao valor das do crédito tributário.
584 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

c) o auto de infração fiscal constituiu o crédito tributá- e) Inscrever-se no Cadastro Nacional de Pessoa Jurí-
rio e, por isso, a revisão não poderia alterar o valor dica (CNPJ) antes de iniciar a atividade econômica é
da penalidade para majorá-lo. uma obrigação acessória.
d) o valor do auto de infração acabou constituído pelo
COMENTÁRIOS
tributo e penalidade pecuniária, que se referem à
obrigação acessória. Alternativa correta: letra "e": A obrigação aces-
sóriatorna exigível ao sujeito passivo um fazer ou não
e) a obrigação acessória não pode ser convertida em
fazer.ou seja, deveres procedimentais que auxiliam o
obrigação principal.
sujeito ativo na fiscalização e arrecadação fiscal. Assim,
muito embora o contribuinte tem a liberdade de iniciar
COMENTÁRIOS
atividades econômicas, a obrigação de obter um CNPJ
Alternativa correta: letra "b": Segundo o art. 139 para o desempenho dessa atividade consiste numa
do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação tribu- obrigação que não envolve pagamento, logo, obriga-
tária. Esta, por sua vez, surge com a ocorrência do fato ção acessória.
gerador e extingue-se juntamente com o crédito dela Alternativa "a": A obrigação acessória surge com
decorrente. Pela redação percebe-se que a obrigação a ocorrência do fato gerador da obrigação acessória e
tributária nasce independentemente do crédito tribu- não de qualquer fato gerador. Segundo o CTN, a obri-
tário, muito embora a recíproca não seja verdadeira. gação acessória decorre da legislação tributária e tem
Havendo alguma alteração formal no crédito tributário, por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela
a obrigação tributária fica intocável, pois o seu nasci- previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização
mento decorreu apenas do fato gerador. dos tributos (art. 113, § 2° do CTN).
Alternativa "a": é possível a revisão da obrigação Alternativa "b": A obrigação principal surge com
acessória pela via administrativa, conforme garantia de a ocorrência do fato gerador e depende sempre de lei.
revisão de lançamento inserta no art. 145 do CTN. Não pode surgir da legislação tributária. Pela redação
Alternativa "e": i: certo que o lançamento tributá- do CTN, a obrigação principal tem por objeto o paga-
rio constitui o crédito tributário. O auto de infração, no mento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-
entanto, é um lançamento acrescido da multa, logo, ele -se juntamente com o crédito dela decorrente. (art. 113,
também constitui o crédito tributário. Ocorre que a revi- § 1°doCTN).
são do lançamento é um direito do contribuinte, com Alternativa "e": O nascimento da obrigação tribu-
observância do regular processo administrativo. Assim, tária para o contribuinte ocorre com o surgimento do
não é por ter havido o auto de infração que a revisão fato gerador e não da simples publicação da lei. Apenas
não poderá alterar o valor cobrado. A conclusão não o fato gerador é que pressupõe a realização concreta do
condiz com a premissa. evento previsto na norma, fazendo surgir a obrigação
Alternativa "d": a obrigação tributária principal diz tributária.
respeito ao pagamento do tributo ou penalidade pecu- Alternativa "d": A obrigação principal tem como
niária (multas) e a acessória tem por conteúdo um fazer objeto um dever de pagamento do tributo ou penali-
ou um não-fazer do contribuinte, relativo à arrecadação dade pecuniária (multa).
e à fiscalização dos tributos. Logo, in casu, o valor cons-
tante no auto de infração refere-se à obrigação princi-
46. (CESPE - Promotor de Justlça/RR 2008) Julgue
pal.
os itens a seguir, que tratam de obrigação, de respon-
Alternativa "e": O art. 113, § 3° do CTN dispõe que sabilidade e de crédito tributários, consoante o Código
a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inob- Tributário Nacional.
servância, converte-se em obrigação principal relativa-
• Caso uma lei crie para o contribuinte obrigação de
mente à penalidade pecuniária.
fazer, mensalmente, determinada declaração para
o fisco e imponha multa de RS 1.000,00 por seu
45. (CESPE - Promotor de Justiça - RO/ 2008) Assi- descumprimento, nesse caso, é correto afirmar que
nale a opção correta a respeito da obrigação tributária. aquela obrigação é considerada acessória.
a) A obrigação acessória surge com a ocorrência do
fato gerador.
b) A obrigação principal surge com a ocorrência do Alternativa Certa: A Obrigaçãoacessória tem por
fato gerador ou em decorrência da legislação tribu- conteúdo um fazer (declarar) ou um não-fazer do con-
tária. tribuinte, relativo à arrecadação e à fiscalização dos
tributos. Apenas o seu descumprimento converte-a em
e) A obrigação tributária nasce com a publicação da obrigação principal (vide§§ 2° e 3° do art. 113 do CTN).
lei instituidora do tributo.
d) A obrigação principal refere-se ao pagamento de 47. (CESPE - Promotor de Justiça - RR/2012) Acerca
tributo, mas não de uma penalidade pecuniária. das obrigações tributárias, assinale a opção correta.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 585

a) O descumprimento de obrigação acessória pode normativa exigindo a regularidade fiscal do sócio para
gerar penalidade pecuniária, que não se confunde deferir a inscrição de sociedade comercial no cadastro
com a obrigação principal, não podendo, por con- fiscal. Nesse sentido, já decidiu o STJ: "ADMINISTRATIVO.
seguinte, converter-se nessa obrigação. INSCRIÇÃO NO CNPJ CONDICIONADA A REGULARIZA-
ÇÃO DE PEND!:NCIAS FISCAIS. IN/SRF N° 27/98 E 54/98.
b) As obrigações acessórias não têm autonomia em
ILEGALIDADE. 1. Conforme orientação assentada na
relação à obrigação principal.
jurisprudência do STF (súmulas 70, 323 e 547) e do STJ,
c) Ainda que em gozo de imunidade tributária, a pes- é ilegítima a criação de empecilhos ou sanções de natu-
soa jurídica não está dispensada de cumprir obri- reza administrativa como meio coercitivo para paga-
gações acessórias e de se submeter à fiscalização mento de tributos, em substituição das vias próprias,
tributária. nomeadamente as da Lei 6.830/80 (Lei de Execução Fis-
cal)". (... ) (REsp 662.972/RS, Rei. Ministro TEORI ALBINO
d) Após a edição de lei que conceda benefício fiscal
ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/09/2006,
às empresas de pequeno porte, não poderá o fisco
DJ 05/10/2006, p. 241)
editar portaria que obrigue o contribuinte a conso-
lidar os resultados mensais para usufruir do benefí-
cio. 48. (MPE-SC - Promotor de Justiça - SC/2011)Assi-
nale a alternativa correta:
e) Pode o fisco baixar instrução normativa exigindo a
regularidade fiscal do sócio para deferir a inscrição 1. Tem-se por obrigação tributária o momento de
de sociedade comercial no cadastro fiscal. relação tributária posterior ao lançamento, desti-
nado a conferir o dever líquido, certo e exigível da
COMENTARIOS imposição.

Alternativa correta: letra "c": A obrigação aces- li. A obrigação acessória subsiste mesmo quando a
sória no direito tributário não segue a principal. Assim, obrigação principal à qual se liga é inexistente em
ainda que o contribuinte não pague o tributo (em razão face de imunidade, salvo nos casos de imunidade
da imunidade) não o dispensará de cumprir a obrigação subjetiva quando também inexistirá a obrigação
acessória. O direito tributário não segue a teoria da gra- acessória.
vitação jurídica do direito civil onde "o acessório segue Ili. Na imunidade tributária não ocorre o fato gerador
o principal". Assim, mesmo imune, poderá e deverá da obrigação tributária, porque a norma constitu-
tolerar a fiscalização pela administração tributária, bem cional proíbe que o legislador colha a situação de
como cumprir outras obrigações acessórias. fato nela definida para estabelecer qualquer hipó-
Alternativa "a": A obrigação acessória, pelo sim- tese de incidência.
ples fato da sua inobservância, converte-se em obriga- IV. A solidariedade tributária comporta o benefício de
ção principal relativamente à penalidade pecuniária (§ ordem.
3° do art. 113, do CTN).
V. A citação pessoal feita ao devedor interrompe a
Alternativa "b": As obrigações acessórias (de fazer, prescrição em relação aos responsáveis tributários
não fazer ou tolerar que se faça) têm sim autonomia com ele solidariamente obrigados, ainda que a exe-
em relação à obrigação principal (de dar/prestação). A cução não tenha sido também contra eles promo-
obrigação acessória torna exigível ao sujeito passivo vida.
deveres procedimentais que auxiliam o sujeito ativo
a) Apenas as assertivas I, li e Ili estão corretas.
na fiscalização e arrecadação fiscal (poder de polícia da
administração fiscal). Conforme dito no item "c", a obri- b) Apenas as assertivas li, Ili e V estão corretas.
gação acessória no direito tributário não segue a princi-
c) Apenas as assertivas li, Ili, IV e V estão corretas.
pal. Se, por exemplo, uma empresa for isenta do paga-
mento de determinado tributo, não haverá obrigação d) Apenas as assertivas I, Ili e V estão corretas.
principal (de dar), mas remanesce a obrigação acessória
e) Todas as assertivas estão corretas.
de manter livros fiscais, tolerar eventual fiscalização,
dentre outras. COMENTÁ.RIOS
Alternativa "d": A regra é que as obrigações aces-
O Nota dos autores: Questão com relativo grau de
sórias podem ser criadas pela legislação tributária.
dificuldade tendo em vista a dúvida suscitada pela juris-
Assim, pode uma portaria (legislação tributária) criar
prudência, agora pacificada pelo STF.
procedimento essencial para o gozo da isenção, visto
que o levantamento das informações constantes dos Alternativa correta: letra "B": Estão corretos os
documentos solicitados pode ser importante para as itens li, Ili e V
análises técnicos envoltas na isenção.
Item li: Assertiva com margem para dúvidas e na
Alternativa "e": É ilegítima a imposição de res- nossa concepção, errada, embora a banca examinadora
trições infralegais, que obstaculizem o exercício da tenha considerada correta. Como se sabe, nas imunida-
livre iniciativa e desenvolvimento pleno de atividades des, mesmo não havendo necessidade do pagamento
econômicas. Logo, não pode o fisco baixar instrução do valor principal, não se deixa de fazer as obrigações
586 Alan Martins· Dima s Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

acessórias. Nesse sentido, pacífica a doutrina e a juris- tributária "surge com a ocorrência do fato gerador", de
prudência. No entanto, por um momento o STF, no voto modo que esta ocorre sempre antes do lançamento.
do Min. Marco Aurélio no julgamento do RE 250.844-SP,
Item errado "IV": A solidariedade tributária não
entendeu ser indevida a necessidade de escrituração
possui o benefício da ordem, de acordo com o art. 124,
fiscal quando o ente é imune. Afirma o Ministro: "O que
parágrafo único do CTN: "Art. 124. São solidariamente
aconteceria, por exemplo, se não estivessem em dia -
obrigadas: (...) Parágrafo único. A solidariedade referida
se é que pessoa jurídica imune deva mantê-los em tal
neste artigo não comporta benefício de ordem".
estado? Caberia a imposição de multa, no que se apre-
senta como sanção de caráter acessório. Há possibili-
dade de, sem o principal - obrigatoriedade de recolhi- 49. (MPE/PR - Promotor de Justiça - PR/ 2011) Assi-
mento de tributo-, cogitar-se de escrituração voltada a nale a alternativa correta:
controlar esse recolhimento? A resposta é desenganada- a) Fato gerador é a previsão abstrata do nascimento
mente negativa, porquanto o acessório segue a sorte do da obrigação tributária.
principal. Aqueles que estão cobertos pela imunidade
tributária não podem ser compelidos a práticas próprias b) Imunidade tributária significa a não incidência do
aos contribuintes em geral. t como voto." No entanto, tributo em decorrência de norma legal específica.
logo após o voto do Min. Luiz Fux, o Min. Marco Aurélio c) As isenções tributárias devem sempre ser concedi-
mudou o seu voto da seguinte forma: "Cumpre ao juiz das sob contraprestação ou obrigação do contri-
evoluir, tão logo convencido de assistir maior razão à buinte, de acordo com o artigo 176 e seguintes do
tese contrária ao que sustentou inicialmente. Evoluem Código Tributário Nacional.
aqueles que realmente têm segurança para fazê-lo, sem
receio de o perfil ficar respingado. O que temos? Não d) No sistema tributário nacional previsto no artigo
há a menor dúvida, o Hotel Escola SENAC de Aguas de 145 e seguintes da Constituição Federal existem
São Pedro goza de imunidade tributária. Questiona- apenas três modalidades de tributos: impostos,
mento: está compelido a manter atualizados os livros, taxas e contribuições de melhoria.
a escrita fiscal? Eis o que revela o artigo 14 do Código e) Todas as alternativa5 anteriores são incorretas.
Tributário Nacional: Art. 14 - O disposto na alínea c do
inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos COMENTÁRIOS
seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: O
artigo 9º tem esta redação: Art. 9º - t vedado à União, Alternativa correta: letra "e": Todas estão incorre-
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: {...) IV tas. Ver comentários abaixo.
- cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda Alternativa "a": Embora tenha havido no passado
ou os serviços uns dos outros; Cuida da imunidade. E se confusão sobre o alcance da expressão "fato gerador",
tem no inciso Ili do artigo 14: "Ili - manterem" - aqueles se esta se referia ao fato abstrato, previsto em lei, ou
que detêm a imunidade - "escrituração de suas receitas ao fato concreto, ocorrido no mundo dos fenômenos,
e despesas em livros revestidos de formalidades capa - em decorrência da interpretação do art. 113 do CTN,
zes de assegurar sua exatidão." A exigência, portanto, a doutrina entende que, ao fato abstrato, utiliza-se a
mostra-se consentânea com o gozo da imunidade tribu- expressão "hipótese de incidência", e ao fato concreto,
tária, que é o afastamento de tributo, segundo a Cons- a expressão "fato gerador". O fato gerador é a reali-
tituição Federal. Evoluo para, no caso, portanto, negar zação concreta do evento previsto na norma. Outra
provimento ao recurso". Sendo assim, não concordamos posição doutrinária é que o fato gerador possui caráter
com a assertiva. ambíguo, significando hipótese de incidência quando
Item Ili: O item está correto, pois as imunidades são previsto abstratamente em norma tributária, e signifi-
limitações constitucionais ao poder de tributar, cons- cando fato jurídico tributário ou fato gerador em sen-
tantes nos artigos 150 a 152 da CF/88, dentre outros, e tido estrito quando da realização concreta do evento da
norma. Ainda sob esse prisma, a alternativa está incor-
que impedem o estabelecimento de hipóteses de inci-
dência em determinadas situações, não gerando obri- reta, pois restringe o fato gerador à acepção de hipótese
gação tributária. de incidência.
Alternativa "b": Imunidade tributária significa
Item V: Como a citação pessoal interrompe a pres-
a não incidência do tributo em decorrência de norma
crição para o devedor, essa interrupção deve ser esten-
constitucional.
dida aos demais obrigados como efeito do que dispõe
o art. 125, inc. Ili do CTN que trata da solidariedade tri- Alternativa "e": As isenções podem ser concedidas
butária: "Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, em caráter oneroso ou não-oneroso. O CTN não traça
são os seguintes os efeitos da solidariedade: {...) Ili - a regra sobre a obrigatoriedade de toda isenção ser one-
interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos rosa. No art. 178 traça a possibilidade de haver isenção
obrigados, favorece ou prejudica aos demais". onerosa. A lei que conceder a isenção é que trará os cri-
térios de sua fluência .
Item errado "1": O momento de relação tributária
posterior ao lançamento é a constituição de crédito Alternativa "d": Para o CTN, os tributos são três:
fiscal e não a obrigação tributária {Confira o art. 142 do impostos, taxas e contribuição de melhoria {art. 5°). No
CTN). Ademais, o art. 113 estabelece que a obrigação entanto, pela jurisprudência, a CF previu cinco espécies
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 587

{teoria pentapartida): impostos, taxas e contribuição de Alternativa "b": O conceito de renda é constitucio-
melhoria, empréstimos compulsórios e as contribuições nalmente pressuposto, ou seja, só é possível cogitar da
especiais. incidência da exação caso haja acréscimo patrimonial,
cotejando-se, portanto, receitas e despesas {ingressos e
50. (CESPE - Promotor de Justiça - Pl/2012) Com desembolsos, respectivamente), para o fim de obtenção
relação ao fato gerador dos impostos em espécie, assi- da receita líquida {produção de riqueza nova). Conso-
nale a opção correta com base na CF, na legislação espe- ante o art. 43, incisos 1e li do CTN, o fato gerador do IR é
cífica e na jurisprudência. a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: 1-
de renda, assim entendido o produto do capital, do tra-
a) O saque em caderneta de poupança não atrai a balho ou da combinação de ambos; e li - de proventos
incidência do imposto sobre operações de crédito, de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos
câmbio e seguro, nem sobre operações relativas patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.
a títulos e valores mobiliários, visto que a referida
operação não se enquadra em seu fato gerador. Alternativa "c": O imposto, de competência da
União, sobre a propriedade territorial rural tem como
b) O fato gerador do imposto sobre a renda e pro-
fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse
ventos de qualquer natureza ocorre, entre outras
de imóvel por natureza, como definido na lei civil, locali-
hipóteses, com a expectativa do direito a renda ou
zado fora da zona urbana do Município. {art. 29 do CTN;
proventos pela realização de trabalho ou negócio
vide ainda o art. 1° da Lei 9.393/96; art. 2° do Decreto
jurídico remunerado.
4.380/2002).
c) O fato gerador do imposto sobre a propriedade ter-
ritorial rural incide sobre a propriedade do imóvel, Alternativa "d": O art. 12, inciso IX, da LC 87/1996
não bastando a posse para a incidência do tributo. dispõe: "Art. 12. Considera-se ocorrido o fato gerador do
imposto no momento: {...) IX - do desembaraço adua-
d) Na operação de importação de mercadorias do neiro de mercadorias ou bens importados do exterior".
exterior, somente é devido o ICMS quando da
entrada do produto importado no estabelecimento Alternativa "e": O fato gerador do imposto de
comercial do importador. exportação é a saída do território nacional para o exte-
rior, de produtos nacionais ou nacionalizados {art. 23
e) Na operação de exportação de mercadorias, o fato
CTN e DL 1578/77, art. 1°). Importante perceber que o
gerador do imposto de exportação ocorre com a
fato gerador do tributo {critério material) não se con-
expedição da guia de exportação, ainda que esta
funde com o momento que se considera ocorrido este,
não seja consumada, sendo, nesse caso, indevida a
ou seja, o critério temporal. No caso do IE, por ficção
devolução do imposto pago.
jurídica, o seu critério temporal é o momento da expedi-
COMENTA RIOS
ção da guia de exportação {art. 1°, § 1°, do DL 1.578/77).
Vale observar que, para efeito de cálculo, considera-se a
Alternativa correta: letra "a": A assertiva citou data do registro da exportação no Sistema Integrado de
duas hipóteses de incidência do IOF, dentre as quatro Comércio Exterior - SISCOMEX, sendo que certos dou-
possíveis: {i) quanto às operações de créditol, a sua efe- trinadores denominam de "fato gerador temporal".
tivação se dá pela entrega total ou parcial do montante
ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua
51. {Vunesp - Notário - SP/2008) O nascimento da
colocação à disposição do interessado; {troca de bens
obrigação tributária dá-se com a ocorrência do {a)
presentes por bens futuros). Logo, o saque não pode
ser tributado. Tampouco o depósito para suspender a a) base de cálculo do tributo.
exigibilidade do crédito tributário. A fiança {é garantia)
também não; {ii) quanto às operações relativas a títulos b) fato gerador previsto em lei.
e valores mobiliários, a tributação se dá pela emissão, c) caracterização do sujeito passivo ou fixação do
transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da sujeito passivo.
lei aplicável. (papeis representativos dos títulos). Logo,
quer por um ou por outro, o saque não se afigura dentro d) quantificação do montante a ser pago.
das hipóteses do tributo. E mais, consoante o Enunciado
nº 664 do STF: "É inconstitucional o inciso V do art. 1° COMENTARIOS
da Lei 8.033/90, que instituiu a incidência do imposto
nas operações de crédito, câmbio e seguros - IOF sobre Alternativa correta: letra "b": Com efeito, a obri-
saques efetuados em caderneta de poupança". gação tributária nasce com a ocorrência do fato gera-
dor. O art. 113, § 1° do CTN dispõe que "A obrigação
principal surge com a ocorrência do fato gerador,
tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade
O Decreto nº 329/91 é o regulamento original do
pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
imposto. Para ele, operações de crédito significam:
decorrente".
a) operações de empréstimo; b) operações de aber-
tura de crédito e sua utilização; c) operações de des- Demais alternativas: A obrigação tributária nasce
conto de títulos de crédito. com a ocorrência do fato gerador previsto em lei.
588 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

COMENTÁRIOS
52. (Vunesp - Notário - SP/2008) Quanto aos elemen-
tos essenciais do tributo, assinale a alternativa incorreta. Alternativa correta: letra ua": OSujeito ativo da
a) O fato gerador in abstrato corresponde a situação obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular
que, constatada, impõe a alguém a obrigação de da competência para exigir o seu cumprimento (art. 119
pagar um tributo. do CTN). Geralmente, quem exige o tributo é quem tem
a competência para instituí-lo. A competência tributária
b) A base de cálculo é a medida, a expressão econô- é indelegável, salvo atribuição das funções de arre-
mica do fato que é tributado. cadar ou fiscalizar tributos (capacidade tributária), ou
c) A alíquota é o percentual que, multiplicado pela de executar leis, serviços, atos ou decisões administra-
base de cálculo, permite o cálculo do quantum tivas em matéria tributária, conferida por uma pessoa
devido. jurídica de direito público a outra (art. 7° do CTN). Quem
pode cobrar o tributo é o sujeito ativo do tributo e pode
d) O sujeito passivo é aquele que tem o dever de pres- tanto ser o detentor da capacidade ou da competência
tar o objeto da obrigação principal ou acessória. tributária.

COMENTA RIOS Alternativa ub": Não alteraa natureza da obrigação


tributária. A anistia abrange exclusivamente as infra-
Alternativa incorreta: letra uau: Ofato gerador ções cometidas anteriormente à vigência da lei que a
pressupõe a realização concreta do evento previsto na concede (art. 180 do CTN).
norma. Com a sua ocorrência, haverá o nascimento da
obrigação tributária para o contribuinte. Todavia, ape- Alternativa "c": A questão trata da situação jurí-
nas será constituído definitivamente o crédito tributá- dica e não da situação de fato. Isso porque, o art. 116,
rio com o advento do lançamento. Assim, o fato gera- incisos 1 e li do CTN assim preceitua: "Salvo disposição
dor não ocorrido, apenas abstratamente previsto, não de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gera-
é suficiente para impor a alguém a obrigação de pagar dor e existentes os seus efeitos: 1- tratando-se de situa-
tributo. ção de fato, desde o momento em que o se verifiquem
as circunstâncias materiais necessárias a que produza
Alternativa ub": Está correto, pois a base de cálculo os efeitos que normalmente lhe são próprios; li - tra-
faz parte do critério quantitativo da exação, correspon- tando-se de situação jurídica, desde o momento em
dendo sim a umaexpressão econômica do fato que é que esteja definitivamente constituída, nos termos de
tributado. direito aplicável".
Alternativa uc": A alíquota faz parte docritério Alternativa ud": O sujeito passivo da obrigação tri-
quantitativo da exação, correspondendo, sim, a um per- butária principal é o contribuinte ou responsável. Não
centual que, multiplicado pela base de cálculo (também há qualquer relação direta entre obrigação acessória e
considerado critério quantitativo), permite o cálculo do responsável.
montante devido.
Alternativa ud": Está correto nos termos dos arti- 54. (CESPE- Notário-AC/2006) Julgue os itens seguin-
gos 121 e 122 do CTN. Lembre-se queo sujeito passivo tes, tendo como contexto a relação jurídico-tributária e
da obrigação principal será o contribuinte (quando o Código Tributário Nacional.
tenha relação pessoal e direta com a situação que
constitua o respectivo fato gerador) ou o responsável
54.1. O sujeito passivo da obrigação principal é a pes-
(quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua
soa obrigada a pagamento de tributo ou penalidade
obrigação decorra de disposição expressa de lei).
pecuniária, podendo ser o contribuinte, quando sua
obrigação decorre de disposição legal, ou o responsá-
53. (Vunesp - Notário-SP/2012) Sobre obrigação tri- vel, quando tem relação pessoal e direta com a situação
butária, é correto afirmar que que constituiu o respectivo fato gerador.
a) o sujeito ativo é a pessoa que pode exigir o tributo;
não necessariamente coincide com aquela que COMENTÁRIOS
deve instituí-lo.
Assertiva errada: De fato, o enunciado está equi-
b) a posterior concessão de anistia altera a natureza da vocado. É que a questão inverte os conceitos de con-
obrigação tributária. tribuinte e responsável tributários, atribuindo a defi-
nição de um ao outro. Com efeito, o sujeito passivo é
c) fato gerador da obrigação tributária ocorre, em
o devedor da relação jurídico-tributária, sendo que o
situação de fato, desde quando esteja definitiva-
CTN prevê de forma expressa dois tipos desses sujeitos:
mente constituída, nos termos do direito aplicável.
a) contribuinte (art. 121, 1), sendo aquele que tem uma
d) o sujeito passivo da obrigação tributária principal relação pessoal e direta com o fato gerador; b) respon-
é sempre o contribuinte, não podendo ser opostos sável tributário (art. 121, li), sendo uma terceira pessoa
à Fazenda Pública acordos entre particulares para escolhida por lei para pagar o tributo, sem, entretanto,
modificá-lo. se revestir da condição de contribuinte.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 589

tória individual é concedida por despacho da autori-


54.2. Em relação à responsabilidade do sucessor imo- dade administrativa competente, após requerimento
biliário, é correto afirmar que os créditos tributários do contribuinte interessado. Enquanto a moratória
relativos às taxas decorrentes do poder de polícia e às geral é reconhecida diretamente pela lei. Por sua vez, a
contribuições de melhoria sub-rogam-se na pessoa dos moratória de caráter geral ainda pode ser dividida em
respectivos adquirentes. duas espécies: autônoma e heterônoma. A autônoma é
aquela concedida pela própria pessoa jurídica de direito
COMENTARIOS
público competente para instituir o tributo (art. 152, 1, a
Assertiva errada: Pela redação do art. 130 do CTN, do CTN). Por outro lado, a heterônoma é aquela conce-
os créditos tributários relativos a taxas pela prestação dida em caráter geral pela União quanto a tributos de
de serviços referentes a bens imóveis, bem como a con- competência dos Estados, DF ou Municípios, quando
tribuições de melhoria é que podem se sub-rogarem simultaneamente concedida quanto a tributos de com-
na pessoa dos respectivos adquirentes. O erro está no petência federal e às obrigações de direito privado (art.
alcance das "taxas de poder de polícia". 152, I, b do CTN). Este último tipo é de duvidosa consti-
tucionalidade, mas como ainda não há pronunciamento
do STF sobre o dispositivo em comento, permanece
54.3. Salvo disposição de lei em contrário, são efeitos
válida a permissão legal.
de solidariedade tributária a interrupção da prescrição,
em favor de um dos obrigados ou contra ele, que favo- Assertiva certa: a questão reproduz o art. 152, b,
rece ou prejudica os demais; o pagamento efetuado por do CTN. Como citado alhures, o dispositivo legal que
um dos obrigados que aproveita aos demais; e a isenção trata da moratória heterônoma tem constitucionali-
ou a remissão de crédito que exonera todos os obriga- dade duvidosa. Porém, como não há pronunciamento
dos, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, sub- expresso do STF sobre o tema, para efeitos de concur-
sistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais sos, sobretudo provas objetivas, ainda vale a dicção fria
pelo saldo. do artigo.

COMENTARIOS 54.5. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção


O Nota dos autores: A questão exige conhecimen- não é extensiva às taxas e às contribuições de melhoria,
tos acerca da solidariedade tributária. Como se sabe, em razão de as taxas estarem vinculadas a uma contra-
inexiste solidariedade ativa no direito tributário. Nesse prestação, e a contribuição de melhoria derivar de valo-
rumo, os arts. 124 e 125 do CTN tratam da solidariedade rização patrimonial decorrente de obra pública.
passiva, em que a Fazenda Pública pode exigir a totali-
COMENTARIOS
dade do crédito tributário de qualquer dos co-devedo-
res, independente de acordo entre eles para que apenas Assertiva certa: O enunciado está, de fato, correto.
um responda pelos débitos tributários. Em outras pala- A isenção não é extensiva às taxas e contribuições de
vras, a solidariedade passiva tributária ocorre sempre melhorias, salvo disposição em contrário, conforme art.
que um dos co-devedores solidários pode responder 178 do CTN.
por toda a obrigação tributária.
Assertiva certa: O enunciado reproduz a dicção in 55. (FGV - Notário-AM /2005) Assinale a alternativa
litteris do art. 125, incisos 1a Ili do CTN. que defina corretamente o fato gerador da obrigação
principal.
54.4. A lei permite que a União conceda moratória a) É a situação definida em atos administrativos como
quanto a tributos de competência dos estados, do Dis- necessária e suficiente à sua ocorrência.
trito Federal ou dos municípios, quando simultanea-
mente concedida quanto aos tributos de competência b) É a situação definida em convenções ou tratados
federal e às obrigações de direito privado. internacionais como necessária e suficiente à sua
ocorrência.
COMENTA RIOS c) É a situação definida em lei como necessária e sufi-
ciente à sua ocorrência.
O Nota dos autores: a questão exige conheci-
mentos acerca do instituto da moratória. Com efeito, d) É a situação definida em contrato como necessária
a moratória é a dilação ou prorrogação do prazo legal e suficiente à sua ocorrência.
para o pagamento do tributo, conforme previsão dos
e) É a situação decorrente de declaração unilateral de
arts. 152 a 155 do CTN. Trata-se, em verdade, de um
vontade como necessária e suficiente à sua ocor-
favor legal ou benefício fiscal de prorrogação do paga-
rência.
mento, com estabelecimento de um novo prazo para
pagamento do tributo. Desta forma, deve ser concedida COMENTARIOS
tão somente por intermédio de lei formal, mas que não
necessariamente precisa ser uma lei específica. Atente- Alternativa correta: letra "c" (responde a todas
-se, ainda, que a moratória pode ser dividida em duas as alternativas): O fato gerador da obrigação principal
classes: moratória individual e moratória geral. A mora- é a situação definida em lei como necessária e suficiente
590 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

à sua ocorrência, conforme dicção do art. 114 do CTN.


Por necessária entende-se a situação imprescindível 57. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - PI/ 2012)
para a configuração do vínculo tributário, tal qual um No que tange à obrigação tributária, assinale a opção
requisito. Já o termo suficiente é sinônimo de bastante, correta.
de modo que para surgir a relação tributária basta a a) É possível que sujeito passivo de obrigação princi-
ocorrência da situação prevista em lei. pal figure como responsável, ainda que a obrigação
não decorra de disposição expressa em lei.
56. (IESES - Notário-MA/2011) Assinale a única afir- b) A solidariedade mencionada no CTN importa bene-
mação correta: fício de ordem quando as pessoas solidárias são
expressamente designadas por lei.
a) A base de cálculo do Imposto sobre a Renda e Pro-
ventos de Qualquer Natureza é o montante, real ou c) Não é possível que uma obrigação acessória se con-
arbitrado da renda ou dos proventos tributáveis, verta em principal, pois esta é vinculada à ocorrên-
excluída a possibilidade de eleição do lucro presu- cia do fato gerador.
mido como base de cálculo do imposto.
d) A autoridade administrativa pode desconsiderar
b) O artigo 5º, CF, abarca um conjunto de princípios e atos ou negócios jurídicos praticados com a fina-
regras sem qualquer repercussão no direito tributá- lidade de dissimular a ocorrência de fato gerador
rio, visto tratar dos Direitos e Garantias Individuais de tributo; o procedimento a ser adotado deve ser
e Coletivos, matéria irrelevante no citado ramo jurí- estabelecido por lei ordinária.
dico. e) Na hipótese de constituição de pessoa jurídica de
c) Em relação ao Imposto sobre Serviços de Qualquer direito público pelo desmembramento territorial
Natureza (155), está correto afirmar que o mesmo de outra, não haverá sub-rogação em direitos.
está regulado nos artigos 71 a 73 do CTN, e regu-
lamentado pela Lei Complementar nº 116, de 31 de
julho de 2003. O Nota dos autores: A questão pode ser respon-
d) As obrigações acessórias são encargos administra- dida com o simples conhecimento da legislação tribu-
tivos, impostos por lei ao sujeito passivo da obriga- tária, com observação para a assertiva "a" que, lida com
ção tributária, mas podendo também serem fixadas rapidez, permite confusão no seu entendimento. Por
por normas complementares, tais como Instrução outro lado, como técnica utilizada, ainda que uma asser-
Normativa, Circulares ou Portarias, conforme dou- tiva se afigure como correta, à primeira vista, todas as
trina e jurisprudências dominantes. demais devem ser lidas atenciosamente, para se mino-
rar erros.
COMENTÁRIOS Alternativa correta: letra "d": É o teor do pará-
grafo único do art. 116 do CTN que trata da denomi-
Alternativa correta: letra "d": As obrigações nada norma antielisiva. "Parágrafo único. A autoridade
acessórias são situações em que, na forma da legisla- administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios
ção aplicável, impõem a prática ou abstenção de ato jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a
que não configure obrigação principal, conforme art. ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos
115 do CTN. De fato, não se exige que tais obrigações elementos constitutivos da obrigação tributária, obser-
estejam dispostas apenas na lei em sentido formal, mas vados os procedimentos a serem estabelecidos em lei
também em atos normativos secundários, tais como nas ordinária". É de ressaltar que essa lei ordinária ainda não
Instruções Normativas ou Portarias da Receita Federal existe, o que leva a RFB a atuar com base em critérios
do Brasil, por exemplo. Eis porque podem ser vertidas por ela definidos.
pela legislação tributária.
Alternativa "a": É sim possível que sujeito passivo
Alternativa "a": O item está equivocado. Com de obrigação principal figure como responsável, mas
efeito, a base de cálculo do IR é o montante, real, arbi- a sua obrigação deve decorrer de disposição expressa
trado ou presumido, da renda ou dos proventos tribu- em lei. Em outras palavras, o sujeito passivo da obriga-
táveis, conforme art. 44 do CTN. Ou seja, não se exclui ção principal pode ser o contribuinte ou o responsável.
a possibilidade de eleição do lucro presumido como Diz-se responsável, quando, sem revestir a condição
base de cálculo do imposto, visto que o próprio CTN já a de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição
prevê como ínsita na base de cálculo do tributo. expressa de lei (parágrafo único,inciso li, do art. 121 do
CTN).
Alternativa "b": A alternativa está totalmente
errada. Os direitos e garantias individuais são essenciais Alternativa "b": A solidariedade não comporta
na aplicação do direito tributário, mormente quando se benefício de ordem (sequência ou ordem para paga-
fala em limitações ao poder de tributar. mento do tributo) nos termos do parágrafo único do art.
124doCTN.
Alternativa "e": As disposições dos arts. 71 a 73 do
CTN relativas ao ISSQN foram revogadas pelo Decreto Alternativa "e": O§ 3° do art.113 do CTN preceitua
nº 406/1968. que "a obrigação acessória, pelo simples fato da sua ino-
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 591

bservância, converte-se em obrigação principal relati- que, na maioria das vezes, abre brechas ao contribuinte
vamente à penalidade pecuniária". para escolher o caminho menos oneroso.
Alternativa "e": Haverá sim sub-rogação. "Art. 120
do CTN: Salvo disposição de lei em contrário, a pes- 59. (TJ-PR - Juiz Substituto - PR/ 2008) Assinale a
soa jurídica de direito público, que se constituir pelo alternativa INCORRETA:
desmembramento territorial de outra, subroga-se nos a) se a lei define como fato gerador um negócio jurí-
direitos desta, cuja legislação tributária aplicará até que dico que, em um caso concreto, está sujeito à con-
entre em vigor a sua própria". dição resolutória, o Código Tributário Nacional con-
sidera consumado o negócio no momento da cele-
58. (FGV - Juiz de Direito Substituto - PA/ 2009) bração, sendo irrelevante, para fins tributários, que
Quanto à Elisão Fiscal é correto afirmar que: o implemento da condição resolva o ato jurídico.

a) constitui procedimento lícito de economia de tri- b) a obrigação tributária principal diz respeito ao
butos, geralmente realizado antes da ocorrência do pagamento do tributo e a acessória tem por con-
fato gerador. teúdo um fazer ou um não-fazer do contribuinte,
relativo à arrecadação e à fiscalização dos tributos.
b) constitui procedimento dúbio que pode ser des-
qualificado e requalificado pela autoridade admi- c) a capacidade tributária depende de a pessoa jurí-
nistrativa. dica estar regularmente constituída.
d) o fato gerador da obrigação principal corresponde
c) constitui uma sucessão de atos ou negócios jurídi-
ao fato gerador do tributo.
cos realizados para dissimular a ocorrência do fato
gerador.
COMENTÂRIOS
d) constitui prática atentatória ao princípio da solida-
Alternativa correta: letra "c": Está incorreta, pois
riedade social e, portanto, inconstitucional.
a capacidade tributária independe de a pessoa jurídica
e) constitui mecanismo de economia fiscal, só possí- estar regularmente constituída, bastando que confi-
vel quando a lei expressamente o permitir. gure uma unidade econômica ou profissional (art. 126,
llldoCTN).
COMENTÁRIOS
Alternativa "a": A questão refere-se ao teor do art.
O Nota dos autores: Importante o concursando 117, li do CTN. Os negócios jurídicos reputam-se perfei-
diferenciar os institutos da Elisão (comportamento lícito tos e acabados sendo resolutória a condição, desde o
e em regra anterior à ocorrência do fato gerador); Eva- momento da prática do ato ou da celebração do negó-
são (comportamento ilícito e em regra posterior à ocor- cio.
rência do fato gerador) e ainda a Elusão (negócio for- Alternativa "b": Segundo o CTN, a obrigação
malmente lícito, mas que ocorre com abuso das formas). poderá ser principal (de dar/prestação) e acessória (de
Ressalte-se que a regra antievasão fiscal está prevista no fazer, não fazer ou tolerar que se faça). À luz do art. 113
parágrafo único do art. 116 do CTN. do CTN a obrigação principal tem como objeto, um
Alternativa correta: letra "a": É exatamente o dever de pagamento do tributo ou penalidade pecuni-
ária (multas). A obrigação acessória, por sua vez, torna
alcance da elisão fiscal. Trata-se de comportamento
exigível ao sujeito passivo um fazer, não fazer (ou tolerar
lícito e em regra realizado antes da ocorrência do fato
que se faça), ou seja, deveres procedimentais que auxi-
gerador (planejamento tributário), contrariamente ao
liam o sujeito ativo na fiscalização e arrecadação fiscal.
que ocorre na evasão que pressupõe comportamento
ilícito (sonegação). Alternativa "d": Segundo o art. 114 do CTN, o "Fato
gerador da obrigação principal é a situação definida em
Alternativa "b": Procedimento desqualificado
lei como necessária e suficiente à sua ocorrência". Logo,
pela autoridade administrativa presume ilicitude, o que
o fato gerador da obrigação principal é o fato gerador
não ocorre na elisão. É medida de planejamento tributá-
do tributo.
rio e permitido no ordenamento pátrio.

Alternativa "c": O item trata da evasão, cujo com- 60. (CESPE - Juiz de Direito Substituto - ES/ 2011)
portamento é ilícito e busca sonegar tributos. No que concerne a capacidade tributária, fato gerador
Alternativa "d": A elisão fiscal constitui uma forma e irretroatividade da lei tributária, assinale a opção cor-
de planejamento tributário e é comportamento licito. A reta.
sonegação, por sua vez, é que atenta contra a solidarie- a) A nulidade ou a anulabilidade do ato jurídico, sob
dade social, o que não é o caso. o enfoque do direito civil, são irrelevantes para o
Alternativa "e": É mecanismo de economia fiscal. direito tributário, pois a definição do fato gerador é
No entanto, sua ocorrência não depende de previsão interpretada abstraindo-se tais fatos.
expressa da lei. Antes, e ao contrário, surge justamente b) A capacidade tributária passiva da pessoa jurídica
da falta de lei em exigir determinado comportamento, o depende de ela estar regularmente constituída.
592 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

c) Na análise da capacidade contributiva, o CTN con- proibida qualquer distinção em razão de ocupação
fere ao fisco o poder discricionário, na consideração profissional ou função por eles exercida, independen-
da pessoalidade, para graduar o tributo. temente da denominação jurídica dos rendimentos,
títulos ou direitos.
d) O CTN adota como regra a irretroatividade da lei
tributária. Nesse sentido, a lei aplica-se ao ato pre-
térito, salvo tratando-se de ato não definitivamente 61. (TJ/RS - Juiz de Direito Substituto - RS/2012)
julgado. Assinale a assertiva incorreta sobre fato gerador se-
gundo a legislação tributária.
e) Em decorrência do postulado da capacidade contri-
butiva, é possível que profissionais da mesma cate- a) A obrigação principal surge com a ocorrência do
goria ou função sejam tributados de modo diverso. fato gerador e tem por objeto o pagamento do tri-
buto ou penalidade pecuniária.
COMENTARIOS b) A lei tributária não pode alterar a definição, o con-
teúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas
O Nota dos autores: De fato, a questão aborda os
de direito privado utilizados, expressa ou implicita-
três institutos mencionados. O conhecimento dos arti -
mente, pela Constituição Federal.
gos envolvidos é suficiente para a sua resolução, sem
demandar maiores profundidades doutrinárias e juris- c) A lei tributária aplica-se imediatamente aos fatos
prudenciais. geradores futuros e pendentes, não retroagindo
para alcançar qualquer ato ou fato pretérito, mes
Alternativa correta: letra uau: Está em conformi-
mo que deixe de defini-los como infração.
dade com o disposto no art. 118 do CTN, in verbis: "Art.
118. A definição legal do fato gerador é interpretada d) Interpreta-se literalmente a legislação tributária
abstraindo-se: 1 - da validade jurídica dos atos efetiva- que disponha sobre a outorga de isenção.
mente praticados pelos contribuintes, responsáveis,
e) O fato gerador da obrigação principal é a situação
ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou
definida em lei como necessária e suficiente à sua
dos seus efeitos; li - dos efeitos dos fatos efetivamente
ocorrência.
ocorridos".
Alternativa ub": Independe da pessoa jurídica COMENTARIOS
estar regularmente constituída. t o teor do art.126,
O Nota dos autores: A questão demanda que o
inciso Ili, do CTN: Art. 126. A capacidade tributária pas-
candidato tenha conhecimento literal de dispositivos
siva independe: (...) Ili - de estar a pessoa jurídica regu-
doCTN.
larmente constituída, bastando que configure uma uni-
dade econômica ou profissional''. Alternativa incorreta: letra uc•: Consoante dis-
põe o art. 105 do CTN "A legislação tributária aplica-se
Alternativa "e": Não há juízo discricionário por
imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pen -
parte da administração. As normas atinentes à tribu-
dentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha
tação possui critérios que limitam o agir fiscal, evitan-
tido início mas não esteja completa nos termos do
do-se, com isso, a discricionariedade e a arbitrariedade.
artigo 116." No entanto, e mais adiante, o art. 106, inciso
Sobre o tema, importante a leitura do art. 145, § 1° da
li, alínea "a" desse mesmo diploma legal preceitua que
CRFB/88 que trata do Princípio da Capacidade Contri-
a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando deixe de
butiva: "Sempre que possível, os impostos terão caráter
defini-lo como infração. Portanto, a assertiva está incor-
pessoal e serão graduados segundo a capacidade eco-
reta.
nômica do contribuinte, facultado à administração tri-
butária, especialmente para conferir efetividade a esses Alternativa "a": A assertiva vai ao encontro do
objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais previsto no art. 113, § 1° do CTN: A obrigação principal
e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto
atividades econômicas do contribuinte". o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e
extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.
Alternativa "d": Com efeito, o CTN adota como
regra a irretroatividade da lei tributária (art. 150, Ili, "a", Alternativa "b": Consoante dispõe o art. 110 do
CF c/c art. 106 e 144 CTN). O erro da assertiva está na CTN: "A lei tributária não pode alterar a definição, o con-
ressalva feita na questão ("salvo" tratando-se ...). Isso teúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de
porque, a lei aplica-se ao ato pretérito tratando-se de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente,
ato não definitivamente julgado, nas três hipóteses pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Esta-
constantes do art. 106, inciso li, do CTN . dos, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos
Municípios, para definir ou limitar competências tribu-
Alternativa "e": Não é possível tratamento diferen-
tárias''.
ciado a pessoas iguais, pois haveria ofensa ao princípio
da Isonomia tributária (art. 150, li CF), segundo o qual é Alternativa "d": Assertiva transcreve o art. 111,
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos inciso li, do CTN, in verbis: "Art. 111. Interpreta-se literal-
Municípios instituir tratamento desigual entre contri- mente a legislação tributária que disponha sobre: (...)li
buintes que se encontrem em situação equivalente, - outorga de isenção.
Capítulo S - Obrigação Tributária e Fato Gerador 593

Alternativa ªe": Transcrição do art. 114 do CTN: inobservância, converte-se em obrigação principal rela-
Fato gerador da obrigação principal é a situação defi- tivamente a penalidade pecuniária.
nida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrên-
Alternativa "a": A isenção exclui o crédito tributá-
cia.
rio (art. 175, 1do CTN).
Alternativa "b": ~ principal quando decorre da lei
62. (COPS - Procurador do Estado - PR/ 2011) Dentre
as alternativas abaixo, aponte aquela que estiver cor- e não da legislação.
reta: Alternativa "c": A obrigação principal é que tem
por objeto o pagamento de penalidade pecuniária (art.
a) a obrigação tributária é principal ou acessória, em
113, § 1° do CTN).
ambos os casos surgindo com a ocorrência do fato
gerador e tendo por objeto o pagamento de tributo Alternativa "•": Tanto a obrigação acessória
ou penalidade pecuniária, extinguindo-se junta- quanto a principal possuem fatos geradores, embora
mente com o crédito dela decorrente; distintos (arts. 114 e 115 do CTN).
b) a obrigação tributária acessória, pelo simples fato
de sua inobservância, converte-se em obrigação 64. (CESPE - Procurador do Estado - PE/ 2009) A res·
principal relativamente à penalidade pecuniária; peito do ICMS e das obrigações tributárias a ele relati·
vas, assinale a opção correta.
c) além do contribuinte, o responsável também é qua-
lificado como sujeito passivo tributário, eis que tem a) Ao emitir nota fiscal, o responsável pelo recolhi·
relação pessoal e direta com a situação que de regra menta do ICMS pratica obrigação tributária princi-
constitui o respectivo fato gerador; pal.

d) na relação jurídica tributária, o sujeito ativo é titu- b) Reputa-se acessória a obrigação tributária imposta
lar do dever de recolher o tributo, ao passo que, o ao contribuinte, no sentido de tolerar atividades de
sujeito passivo corresponde ao titular do direito de fiscalização do recolhimento do ICMS.
receber o montante devido;
c) A obrigação tributária consistente no dever de
e) n. d.a. manter escrita contábil referente ao ICMS decorre
sempre da lei stricto sensu.
COMENTA RIOS
d) Os contribuintes isentos do recolhimento do ICMS
Alternativa correta letra "b": Redação do art. 113, são dispensados de manter documentos fiscais
§ 3°doCTN. relativos ao mencionado imposto.

Alternativa "a": A assertiva iguala o conceito de e) A abstenção de prestação de informações requeri-


obrigação principal com acessória. O conceito dado é o das pelo fisco converte-se em obrigação tribútárla
de obrigação principal. acessória, com relação à eventual penalidade pecu-
niária.
Alternativa "c": A primeira parte está correta. No
entanto, cumpre lembrar que apenas o contribuinte COMENTÃRIOS
tem relação pessoal e direta com o fato gerador.
Alternativa correta: letra "b": A obrigação acessó·
Alternativa "d": Houve inversão das funções dos ria tem por conteúdo um fazer ou um não-fazer (ou tole·
sujeitos ativo e passivo. O sujeito ativo tem a prerroga- rar) do contribuinte, ou seja, envolve prestações positi·
tiva de receber o montante devido e o passivo o dever vas ou negativas que auxiliam a administração tributária
de recolher o tributo.
na arrecadação e fiscalização dos tributos.
Alternativa "a": A emissão de nota fiscal consti·
63. (CESPE - Procurador do Estado - CE/ 2008)
tui uma obrigação acessória por parte do contribuinte,
Acerca da obrigação tributária, assinale a opção correta.
tendo por conteúdo "um fazer" que auxilia a administra-
a) ~excluída pela isenção. ção tributária na arrecadação e fiscalização dos tributos.

b) ~ principal quando decorre da legislação tributária. Alternativa "e": O dever de manter escrita con·
tábil é uma obrigação tributária acessória e, portanto,
c) As obrigações acessórias decorrem de penalidade decorre da legislação tributória e não de lei stricto sensu,
prevista no julgamento administrativo. esta exigível das obrigações principais.
d) A acessória converte-se em principal. Alternativa "d": Não se dispensa as obrigações
e) ~ acessória quando decorre do fato gerador. acessórias pelo contribuinte quando há isenção do tri·
buto. Em matéria tributária, advirta-se, não se aplica a
Teoria da Gravitação Jurídica na qual "o acessório segue
o principal " à semelhança do direito civil. Portanto,
Alternativa correta letra ªd": Pela redação do art. ainda que haja dispensa legal do pagamento do tributo
113, § 3°, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua (obrigação principal) o ente não se eximirá de manter
594 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

documentos fiscais relativos ao ICMS (obrigação aces- fazer, não fazer ou tolerar que se faça), lembrando que
sória). as palavras "principal" e "acessória" não guardam rela-
ção com o previsto no direito civil, não sendo possível
Alternativa "en: Haverá conversão em obrigação
afirmar que, em direito tributário, o acessório segue o
tributária principal e não acessória. Nos termos do art.
principal (teoria da gravitação jurídica). Os destinos de
113, § 3° do CTN: "A obrigação acessória, pelo simples
ambas são distintos: a principal visa a carrear recursos
fato da sua inobservância, converte-se em obrigação
aos cofres públicos enquanto a acessória visa a nortear
principal relativamente à penalidade pecuniária".
o Fisco na correta direção para o exercício de suas atri-
buições, mas que, por fim, sempre terá como objetivo a
65. (FCC - Procurador do Estado - SP/ 2012) No cobrança do tributo.
tocante à obrigação tributária,
Alternativa "c": Conforme mencionado no item
a) a criação de obrigação acessória independe da acima, a obrigação acessória no direito tributário não
competência tributária. segue a principal. Assim, ainda que o contribuinte não
b) a obrigação acessória tem o mesmo destino da pague o tributo (em razão de isenção e/ou imunidade)
obrigação principal. Somente pode existir em não o dispensará de cumprir a obrigação acessória. O
razão dela e, uma vez extinta a obrigação principal, direito tributário não segue a teoria da gravitação jurí-
extinta estará também a obrigação acessória. dica do direito civil onde "o acessório segue o principal''.

c) contribuinte desobrigado de cumprimento da obri- Alternativa "d": A não emissão de nota fiscal, por
gação principal, por imunidade ou isenção, não contribuinte a ela obrigado, configura descumprimento
pode ser compelido a cumprir a respectiva obriga- de obrigação acessória (obrigação de fazer) e não prin-
ção acessória. cipal.

d) a não emissão de nota fiscal, por contribuinte a ela


66. (CESPE - Procurador do Estado - PB/ 2008) No
obrigado, configura descumprimento de obrigação
que se refere à ocorrência do fato gerador e ao surgi-
principal, já que a emissão de referido documento é
mento da obrigação tributária, assinale a opção incor-
de suma importância para a fiscalização tributária.
reta.
e) o descumprimento da obrigação acessória pode
a) Quando um negócio jurídico é fato gerador de um
dar ensejo ao nascimento de uma obrigação princi-
tributo e é celebrado sob condição resolutiva, a
pal.
ocorrência deve ser considerada desde a celebra-
ç:io do negócio.
COMENTÁRIOS
b) O fato gerador da obrigação principal é a situação
O Nota dos autores: A obrigação tributária poderá definida em lei como necessária e suficiente para a
ser principal (de dar/prestação pecuniária) ou acessória sua ocorrência.
(de fazer, não fazer ou tolerar que se faça). A obrigação
acessória torna exigível ao sujeito passivo deveres pro- c) Quando o negócio jurídico expressa uma situação
cedimentais que auxiliam o sujeito ativo na fiscalização fática, a ocorrência somente deve ser caracterizada
e arrecadação fiscal (poder de polícia da administração quando presentes todos os elementos essenciais
fiscal) . Enquanto a obrigação principal decorre da lei, para que a situação produza os efeitos que lhes são
a obrigação acessória decorre da legislação tributária, peculiares.
podendo ser veiculada através de decretos, portarias d) Quando um negócio jurídico é fato gerador de um
etc. tributo e é celebrado sob condição suspensiva, a
Alternativa correta: letra "e": A questão contém ocorrência somente deve ser considerada quando
diversos enunciados, alguns com pequena complexi- se realiza a cond ição.
dade., mas traz como alternativa verdadeira tema bas- e) O fato gerador da obrigação acessória é a situação
tante simples. Confira o art. 113, § 3° do CTN "A obriga- definida em lei que obriga o sujeito passivo às pres-
ção acessória, pelo simples fato da sua inobservância, tações de fazer ou não-fazer que constituam objeto
converte-se em obrigação principal relativamente à da obrigação.
penalidade pecuniária ".
Alternativa "a": A criação da obrigação acessória
depende da competência tributária, pois quem não
Alternativa correta letra "e": Pela redação do art.
pode criar um tributo sequer pode criar obrigações rela-
115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é
tivas a algo que não se pode cobrar. Por outro lado, se
definido na forma da "legislação tributária" e não ape-
a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobser-
nas da "lei" tributária.
vância, converte-se em obrigação principal, não faz jus a
criação de obrigação tributária acessória sem a compe- Alternativa "a": Trata-se da redação do art. 117, li
tência para a criação da obrigação principal. doCTN.
Alternativa "b": A obrigação tributária poderá ser Alternativa "b": Definição clara do fato gerador da
principal (de dar/prestação pecuniária) ou acessória (de obrigação principal constante do art. 114 do CTN.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 595

Alternativa "c": Redação do art. 116, 1do CTN. Alternativa "e": O fato gerador de um imposto
só pode ser definido por lei complementar, à luz do
Alternativa "d": Redação do art. 117, 1do CTN.
que prevê o art. 146, inciso Ili, alínea •a• da CF, a saber:
Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em
67. (CESPE - Procurador do Estado - AL/ 2008) Assi- matéria de legislação tributária, especialmente sobre a
nale a opção correta a respeito de fato gerador. definição de tributos e de suas espécies, bem como, em
relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a
a) O fato gerador da obrigação acessória é qualquer dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e con-
situação que, na forma da legislação tributária,
tribuintes.
impõe a prática ou a abstenção de ato que não con-
figure obrigação principal.
68. (FCC - Procurador do Estado - RO/ 2011) Em
b) O fato gerador da obrigação principal é a situação 15/08/2008 a empresa "ASSEM TOS" realizou a venda
definida na legislação tributária que impõe uma de 300 cadeiras executivas, sendo que não declarou tal
sanção administrativa. operação à Fazenda Estadual e, tampouco promoveu
c) Considera-se, via de regra, caracterizado o fato o recolhimento do ICMS sobre a referida operação. Em
gerador quando da verificação, pelo fisco, da ocor- 23/10/2009 teve início fiscalização tributária estadual na
rência do mesmo. empresa, sendo que em 25/03/2010 foi lavrado o auto
de infração, promovendo o lançamento sobre a men-
d) Tratando-se de situação jurídica, considera-se ocor- cionada operação. Em análise à legislação tributária,
rido o fato gerador e existentes seus efeitos, após constata -se que a alíquota de ICMS incidente sobre tais
declarada pelo fisco a validade do ato. operações sofreu variações, sendo de 12% para o ano de
2008; 17% para o ano de 2009 e 7% para o ano de 2010.
e) O fato gerador de um imposto pode ser definido
Com base em tais informações, a imposição tributária
por meio de lei ordinária.
deve se dar com a aplicação da alíquota de

_COM~NTÂRIOS a) 12%, adotando-se por base a data do fato gerador.


b) 17%, considerando a data do início de fiscalização,
Alternativa correta: letra •a·: A obrigação aces-
após a qual não se admite a denúncia espontânea.
sóriatorna exigível ao sujeito passivo um fazer ou não
fazer (prática ou a abstenção de ato),ou seja, deveres c) 7%, uma vez que o efetivo lançamento tributário
procedimentais que auxiliam o sujeito ativo na fiscaliza- ocorreu em 2010, com o auto de infração.
ção e arrecadação fiscal. O art. 113, § 2° do CTN dispõe d) 17%, uma vez que a sonegação praticada pelo con -
in verbis: "A obrigação acessória decorre da legislação tribuinte impõe a adoção da alíquota mais elevada.
tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou
negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou e) 7% em função do princípio da retroatividade bené-
da fiscalização dos tributos". fica em matéria tributária.

Alternativa "b": A obrigação principal não tem COMENTARIOS


como fato gerador a situação definida na legislação tri-
butária que impõe uma sanção administrativa. Na ver- Alternativa correta: letra "a": A imposição tribu-
dade, a obrigação principal surge com a ocorrência do tária deve se dar com a aplicação da alíquota de 12%,
fato gerador e depende sempre de lei. Não pode surgir adotando-se por base a data do fato gerador. Lembre-
da legislação tributária. Enfim, tal obrigação tem como -se que a obrigação principal surge com a ocorrência do
objeto um dever de pagamento do tributo ou penali- fato gerador. O lançamento posterior realizado através
dade pecuniária (multa) e extingue-se juntamente com do auto de infração não modifica a obrigação tributá-
o crédito dela decorrente (art. 113, § 1° do CTN). ria ocorrida anteriormente. Isso porque, o lançamento
reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obri -
Alternativa "c": A alternativa está incorreta. Isso gação e rege-se pela lei então vigente, ainda que pos-
porque, nos termos do art. 116 do CTN, salvo disposi- teriormente modificada ou revogada (art. 144 do CTN).
ção de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato Em suma, a alíquota aplicável será a da ocasião do fato
gerador e existentes os seus efeitos: 1) tratando-se de gerador e por conseguinte, do nascimento da obrigação
situação de fato, desde o momento em que o se veri- tributária.
fiquem as circunstâncias materiais necessárias a que
produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Demais alternativas: Não será aplicável a alíquota
li) tratando-se de situação jurídica, desde o momento de 7%, mas sim a de 12% adotando-se por base a data
em que esteja definitivamente constituída, nos termos do fato gerador. Lembre-se que a obrigação principal
de direito aplicável. Não precisa a verificação do Fisco surge com a ocorrência do fato gerador. O lançamento,
para a ocorrência do fato gerador. por sua vez reporta-se à data da ocorrência do fato gera-
dor da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda
Alternativa "d": Tratando-se de situação jurídica que posteriormente modificada ou revogada . Em suma,
considera-se ocorrido o fato gerador desde o momento a alíquota aplicável será a da ocasião do fato gerador e
em que esteja definitivamente constituída, nos termos por conseguinte, do nascimento da obrigação tributá-
de direito aplicável (art. 116, inciso li do CTN) ria .
596 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

dos com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato


69. (CESPE - Procurador do Estado - ES/ 2008) gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da
Acerca do direito tributário brasileiro, julgue os itens. obrigação tributária, observados os procedimentos a
A doutrina designa fato gerador continuado aquele serem definidos em lei ordinária". Sobre o tema, opor-
cuja realização ocorre ao·longo de um espaço de tempo, tuno mencionar que há divergência doutrinária acerca
como no caso do imposto sobre a renda e proventos de da validade da referida norma. Alguns defendem sua
qualquer natureza. inconstitucionalidade, invocando os princípios da lega-
lidade e tipicidade. Outros, favoráveis à norma, recorre
COMENTA RIOS aos princípios da isonomia e da capacidade contribu-
tiva, respaldando-se na doutrina que permite a inter-
Alternativa Errada: Para a maioria da doutrina, o pretação econômica do fato gerador, "privilegiando a
fato gerador do IR não é continuado, o que daria ideia essência econômica dos fatos em detrimento das carac-
de algo que se repete ao longo do tempo, mas, sim, terísticas meramente formais" (ln: ALEXANDRE, Ricardo.
complexo ou complexivo, por compreender um fato Direito tributário esquematizado. 7 ed. rev. e atual, SP:
gerador (disponibilidade econômica) que vai se for- Método, 2013, p. 273).
mando ao longo de determinado espaço de tempo.
Demais alternativas: Confira os comentários
acima sobre as assertivas corretas, ou seja, os itens Ili e
70. (FMP - Procurador do Estado - AC/ 2012) Dadas
IV. Passemos à análise das demais questões considera-
as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta, de
das incorretas.
acordo com o Código Tributário Nacional:
Item 1: De fato, a obrigação tributária principal
1. A obrigação tributária principal surge com a ocor-
surge com a ocorrência do fato gerador(§ 1° do art. 113
rência do fato gerador, tendo por objeto prestações
do CTN). Porém, a assertiva embaralhou os conceitos
positivas ou negativas no Interesse da fiscalização
de obrigação tributária principal e acessória, razão pela
dos tributos.
qual tornou-se incorreta. Segundo o § 2° do art. 113 do
li. A definição legal do fato gerador deve ser interpre- CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tribu-
tada considerando-se a validade jurídica dos atos tária e tem por objeto as prestações, positivas ou nega-
praticados pelos contribuintes. tivas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da
Ili. Fato gerador da obrigação principal é a situação fiscalização dos tributos.
definida em lei como necessária e suficiente a sua Item li: Dispõe o art. 118, inciso 1do CTN: "art. 118: A
ocorrência. definição legal do fato gerador é interpretada abstrain-
IV. A autoridade administrativa poderá desconsiderar do-se: 1 - da validade jurídica dos atos efetivamente
negócios jurídicos praticados com a finalidade de praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou tercei-
dissimular a ocorrência do fato gerador, observados ros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus
os procedimentos a serem definidos em lei ordiná- efeitos (...)". A norma consagra o princípio do non olet
ria. (tributo não tem cheiro), pois a validade jurídica dos
atos praticados pelos contribuintes é irrelevante. Por
a) Estão corretas apenas as assertivas 1e li. exemplo, se um traficante "aufere renda" da atividade
b) Estão corretas apenas as assertivas 1e Ili. ilícita, deve pagar o imposto de renda; se um "bicheiro",
de igual forma, "aufere renda", também se sujeitará a
c) Estão corretas apenas as assertivas Ili e IV. exação.
d) Estão corretas apenas as assertivas li e IV.
71. (CESPE - Juiz Federal Substituto 2• região/ 2011)
Em consonância com as normas previstas no CTN relati-
O Nota dos autores: A questão aborda dispositi- vas à interpretação da definição legal do fato gerador da
vos do CTN, a saber: artigos 113, 114, 116 e 118, todos obrigação de pagar o tributo devido, assinale a opção
de fácil aplicação, sem demandar maiores digressões correta com relação à prática de crime de descaminho.
jurídicas. a) Somente se considera ocorrido o fato gerador se
Alternativa correta: letra "c": Estão corretas ape- o descaminho for praticado pelo próprio contri-
nas as assertivas Ili e IV. buinte.

Item Ili: A assertiva transcreve literalmente o art. b) Não ocorre o fato gerador se o agente não conse-
114 do CTN, a saber: "Fato gerador da obrigação princi- guir seus intuitos.
pal é a situação definida em lei como necessária e sufi - c) O fato gerador somente se considera ocorrido se o
ciente à sua ocorrência". Relembre-se que a obrigação descaminho for praticado por terceiros.
principal consiste em um "dar" à Administração.
d) Não ocorre o fato gerador, dada a inadmissibilidade
Item IV: A assertiva traz a denominada norma
de se tributar o crime de descaminho.
geral de antielisão fiscal prevista no parágrafo único
do art. 116 do CTN. Confira: "A autoridade administra- e) O fato gerador considera-se ocorrido, independen-
tiva poderá desconsiderar negócios jurídicos pratica- temente da validade jurídica do ato praticado.
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 597

COMENTÃRIOS c) é expressão criticada por parte da doutrina espe-


cializada, por ser utilizada pelo legislador quer para
O Notas dos autores: Sobre a questão em tela se referir à norma tributária, quer para se referir aos
relembre-se o teor do art. 118 do CTN: Art. 118. A defini- fatos ocorridos no mundo fenoménico, o que pode
ção legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: dificultar sua compreensão. Nesses termos, pode
1 - da validade jurídica dos atos efetivamente pratica- ser substituída por hipótese de incidência tributária
dos pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem e fato imponível;
como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos;
d) fato gerador, como norma tributária, refere-se aos
li - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Ade- acontecimentos econômicos, escolhidos pelo legis-
mais, o sistema tributário consagra como subprincípio
lador, que poderão fazer surgir a obrigação tributá-
da isonomia o princípio do non o/et ou interpretação
ria;
objetiva do fato gerador que pressupõe que o tributo
é devido independente de o fato ocorrido no mundo e) como norma geral, a legislação que definir juridica-
fenoménico ser ou não lícito. Enfim, sobre o crime de mente fato gerador pode ser veiculada por medida
descaminho previsto no art. 334 do CP, leciona Nélson provisória que, acolhida pelo Congresso Nacional,
Hungria citado por Rogério Sanches Cunha (ln: Código vinculará todos os entes tributantes.
Penal para concursos, Salvador: juspodivm, 2009, p.
510) que tal crime "é a fraude tendente a frustrar, total COMENTARIOS
ou parcialmente, o pagamento de direitos de importa-
O Nota dos autores: Atenção! A questão exige que
ção ou exportação ou do imposto de consumo (a ser
o candidato marque a alternativa incorreta. Ademais,
cobrado na própria aduana) sobre mercadorias.'' Em
as assertivas veiculam posicionamentos doutrinários
outras palavras, o agente busca de maneira fraudulenta
acerca do fato gerador, demandando que o candidato
se eximir do recolhimento do tributo.
tenha conhecimento dos debates e críticas que circun-
Ahernativa correta: letra "e": Com fulcro no art. dam o instituto. No entanto, seu acerto é facilitado pela
118, inciso 1 do CTN,o fato gerador considera-se ocor- última assertiva, que baralha a competência atribuída
rido, independentemente da validade jurídica do ato pelo constituinte às leis ordinárias e complementares.
praticado
Alternativa correta: letra "e": Está incorreta. O
Alternativa "a": O fato gerador será considerado art. 146, inciso Ili, alínea "a" da CF dispõe que cabe a lei
ocorrido não apenas se praticado pelo contribuinte, complementar a "definição de tributos e de suas espé-
mas também por terceiros. cies, bem como, em relação aos impostos discriminados
nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores,
Alternativa ub": ~ irrelevante o agente conseguir bases de cálculo e contribuintes". Dessa forma, os fatos
ou não seu intuito para a consumação do crime de des- geradores não podem ser veiculados por medida pro-
caminho. visória, visto que, nos termos do art. 62, § 1°, inciso Ili
Alternativa "c": O fato gerador será considerado da Carta Magna, veda-se que medida provisória veicule
ocorrido não apenas se praticado pelo terceiro, mas matéria reservada à lei complementar. Portanto, a legis-
também pelo contribuinte. lação que definir juridicamente fato gerador não pode
ser veiculada por medida provisória.
Alternativa "d": O fato gerador ocorre, pois inde-
Demais alternativas: A expressão "fato gerador"
pende da validade jurídica do ato praticado. Ou seja,
com fulcro no princípio do non olet, (o tributo não fede comporta dois momentos distintos da fenomenologia
da incidência tributária. Em um primeiro momento a
e não cheira), ainda que o fato seja de origem ilícita o tri-
expressão diz respeito à descrição de uma determinada
buto será devido. Assim, no crime de descaminho onde
conduta que materializada fará irromper o nascimento
o agente busca fraudulentamente não recolher o tri-
buto, com maior razão, descoberta tal manobra, deverá de uma relação jurídico-tributária. Em um segundo
efetuar o pagamento. momento, a expressão refere-se à própria concreção
(materialização no mundo físico, fenoménico) da con-
duta descrita anteriormente. Assim, a expressão fato
72. (TRF 3 - Juiz Federal Substituto 3• região/2013) gerador é equívoca, porque com ela o legislador quis
Sobre a expressão fato gerador, marque a única res- regular duas coisas diferentes, a previsão hipotética
posta incorreta: necessária ao surgimento da obrigação e a concretiza-
ção dela no mundo jurídico (hipótese tributária e fato
a) fato gerador foi conceito eleito pelo constituinte
jurídico-tributário). Dessa forma, a expressão "fato
originário para distribuir as materialidades dos
gerador", ao unificar estas duas realidades distintas
impostos entre a União, Estados, Distrito Federal e
Municípios; da fenomenologia da incidência da norma tributária,
ganhou pesadas críticas dos Professores Geraldo Ata-
b) No Brasil, é expressão consagrada, largamente uti- liba, que escreveu livro tratando da temática (Hipótese
lizada pelo legislador, e remonta à publicação da de incidência Tributária), Paulo de Barros Carvalho,
tradução de artigo do jurista Gaston Jeze, em 1945, Geraldo Ataliba, Souto Maior Borges, Alfredo Becker,
significando a legislação que cria tributos e os fatos Hugo de Brito Machado, Amílcar Falcão, dentre outros.
econômicos que farão surgir a obrigação tributária; Há, porém, doutrinadores que defendem a expressão,
598 Alan Martins• Dímas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

a exemplo de Luciano Amaro e Kiyoshi Harada. Afirma com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato
Geraldo Ataliba: "Deve-se esta terminologia, entre nós gerador do tributo ou a natureza dos elementos
empregada, de fato gerador, ao extraordinário pres- constitutivos da obrigação tributária, a autoridade
tígio de um dos maiores publicistas franceses, Gaston administrativa poderá desconsiderá-los, instauran-
Jeze, cujas lições tiveram notável divulgação entre nós, do-se procedimento administrativo específico, no
tendo, aliás, contribuído para o incremento dos estu- curso do procedimento de fiscalização, em que se
dos científicos de direito tributário, no Brasil. Um seu garantirá ao sujeito passivo amplo direito de defesa;
artigo, publicado na RDA denominado "O fato gerador
e) na hipótese de a fiscalização tributária identificar a
do imposto", marcou época e determinou imediata e
ocorrência de atos ou negócios jurídicos praticados
total adesão a esta terminologia (RDA 2/50)"2. De igual
com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato
modo, Luís Cesar Souza de Queiroz3 menciona que a
gerador do tributo ou a natureza dos elementos
expressão fato gerador é ambígua (ambig,/'idade por
constitutivos da obrigação tributária, a autoridade
polissemia) e que a doutrina, o legislador e a jurispru-
administrativa poderá desconsiderá-los, obser-
dência a utiliza em diferentes acepções a citar: sinônimo
vando os procedimentos estabelecidos em lei ordi-
de antecedente da norma tributária, sinônimo de crité-
nária.
rio material; sinônimo de critério temporal e espacial do
antecedente da norma tributária; e como sinônimo de
COMENTÃRIOS
fato jurídico tributário. Vejamos alguns exemplos: No
art. 16 do CTN, a expressão fato gerador foi utilizada O Nota dos autores: A questão traz a denominada
como sinônimo de critério material; no art. 105 foi uti- norma geral de antielísão fiscal prevista no parágrafo
lizado como sinônimo de fato jurídico tributário; no único do art. 116 do CTN. Confira: "A autoridade admi-
art. 114 foi utilizado como sinônimo de antecedente da nistrativa poderá desconsiderar negócios jurídicos pra-
norma tributária, etc. ticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do
fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos
73. (TRF 3 - Juiz Federal Substituto 3• região/2013) da obrigação tributária, observados os procedimentos
Aponte a única resposta que representa a legislação em a serem definidos em lei ordinária". Sobre o tema, opor-
vigor: tuno mencionar que há divergência doutrinária acerca
da validade da referida norma. Alguns defendem sua
a) são passíveis de desconsideração os atos ou negó- inconstitucionalidade, invocando os princípios da lega-
cios jurídicos que visem a reduzir o valor de tributo, lidade e tipicidade. Outros, favoráveis à norma, recorre
a evitar ou a postergar o seu pagamento ou a ocul- aos princípios da isonomia e da capacidade contribu-
tar os verdadeiros aspectos do fato gerador ou a tiva, respaldando-se na doutrina que permite a inter-
real natureza dos elementos constitutivos da obri- pretação econômica do fato gerador, "privilegiando a
gação tributária, ainda que lícitos; essência econômica dos fatos em detrimento das carac-
b) os atos ou negócios jurídicos praticados com a fina - terísticas meramente formais" (ln: ALEXANDRE, Ricardo.
lidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de Direito tributário esquematizado. 7 ed. rev. e atual, SP:
tributo ou a natureza dos elementos constitutivos Método, 2013, p. 273).
de obrigação tributária serão desconsiderados, Alternativa correta: letra "e": Consoante dispõe
para fins tributários, pela autoridade administrativa o parágrafo único do art. 116 do CTN,"a autoridade
competente, observados os procedimentos estabe- administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios
lecidos nas normas gerais de direito tributário; não jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a
se incluem na mesma sistemática os atos e negócios ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos
jurídicos em que se verificar a ocorrência de dolo, elementos constitutivos da obrigação tributária, obser-
fraude ou simulação; vados os procedimentos a serem estabelecidos em lei
c) para a desconsideração de ato ou negócio jurídico ordinária".
que vise dissimular a ocorrência do fato gerador do Demais alternativas: A letra "e" está correta, pois
tributo ou a natureza dos elementos constitutivos se compatibiliza com o disposto no parágrafo único do
da obrigação tributária, a autoridade administrativa art. 116 do CTN, in verbis: "a autoridade administrativa
deverá levar em conta, entre outras, a ocorrência de poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos pra-
falta de propósito negociai ou abuso de forma; ticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do
d) na hipótese de a fiscalização tributária identificar a fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos
constitutivos da obrigação tributária, observados os
ocorrência de atos ou negócios jurídicos praticados
procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária".
As demais assertivas, de um modo ou de outro, foge
dessa conceituação. Na assertiva "a", o erro está ao final,
2 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. quando afirma que atos lícitos são passíveis de descon-
6ª edição. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 55. sideração. Na assertiva "b" afastam-se justamente os
3 ln: Curso de especialização em direito tributário: atos praticados com dolo, fraude ou simulação, atos
estudos analíticos em homenagem a Paulo de Bar- esses que são os primeiros a serem desconsiderados. A
ros Carvalho. RJ: Forense, 2005, p. 249. assertiva "c" traz o que parte da doutrina entende como
Capítulo 5 - Obrigação Tributária e Fato Gerador 599

essencial para a desconsideração dos atos jurídicos, • À luz do artigo 113 do CTN, verifica-se que a rela-
o que não foi autorizado pela lei. A assertiva "d" traz ção jurídica obrigacional surge com a ocorrência
procedimento específico para a matéria, o que não foi do fato gerador (fato jurídico tributário). O fato
previsto em lei. Por fim, apenas a letra "e" traz a litera- gerador, por sua vez, é a realização concreta
lidade do art. 116, considerada, por isso, correta, muito do evento previsto na norma. Logo, há de exis-
embora ainda não haja a esperada lei ordinária tratando tir uma norma jurídica (hipótese de incidência) e
da matéria. a ocorrência de um evento semelhante à norma
(fato gerador), para que esta incida sobre o fato
e surja a obrigação tributária. Nessa linha, o fato
+ DICAS (RESUMO} gerador é a gênese da obrigação tributária.

• A obrigação tributária consiste num vínculo jurídico • A obrigação tributária, sob um ponto de vista
dinâmico, nasce com a ocorrência do fato gerador
(relação jurídica) que une, de um lado, o sujeito
passivo (contribuinte ou responsável) e, de outro, o (CTN, art. 114) e extingue-se com eventos defini-
sujeito ativo, em torno de uma prestação tributária, dos como extintivos do crédito tributário (CTN, art.
cabendo ao último exigir alguma prestação do pri- 156). Entre o nascimento e a extinção, a obrigação
meiro. A obrigação tributária poderá ser principal pode, ainda, sofrer vicissitudes, com destaque
(de dar) ou acessória (de fazer, não fazer ou tolerar para as causas suspensivas de exigibilidade (CTN,
que se faça), lembrando que as palavras "principal" art. 151) e também para algumas exonerações,
e "acessória" não guardam relação com o previsto como é o caso da anistia (CTN, art. 175, li).
no direito civil, não sendo possível afirmar que, em
direito tributário, o acessório segue o principal (teo- Fato Gerador
ria da gravitação jurídica). (nascimento da OT) (extinção da OT)

• A obrigação principal tem como objeto um dever


de pagamento do tributo ou penalidade pecuniá-
ria (multas). t, portanto, intuitopecunia, uma presta- • Já sob um ponto de vista estático, como toda obri-
gação, constitui uma relação jurídica entre sujeito
ção na modalidade de obrigação de dar.
ativo e sujeito passivo, com referência a um objeto,
• A obrigação acessória, por sua vez, torna exigível
ao sujeito passivo um fazer, não fazer (ou tolerar
que é a prestação tributária (o pagamento do tri-
buto).
que se faça), ou seja, deveres procedimentais que
auxiliam o sujeito ativo na fiscalização e arrecada-
ção fiscal (poder de polícia da administração fiscal).
(SuJlfto Atlwot SA...:JP
,..........,
Fisco ou Fazenda pagamento do Contribuinte ou
• Embora haja algumas semelhanças, como, por
exemplo, o fato de procederem da ocorrência do
Pública tributo Responsável

fato gerador, várias são as diferenças, que podem


ser sintetizadas no quadro a seguir: • No Direito Tributário, a expressão "fato gerador" é
ambígua, haja vista que contempla ora a descrição
OBRIGAÇÃO TRllUTAIUA OIRICUÇÃOTlllUTÃRIA
legal (significando a hipótese de incidência), ora o
PRINCIPAL ACISSORIA fato concreto (significando o fato jurídico-tribu-
Natureza: de dar Natureza: de fazer ou não
tário), cuja subsunção deste naquela dá origem
fazer à obrigação tributária. De acordo com o artigo
Objeto: pagar tributo ou Objetos: prestações positi- 114 do CTN, "fato gerador da obrigação princi-
penalidade pecuniária vas ou negativas por parte do pal é a situação definida em lei como necessária
contribuinte que interessem à e suficiente à sua ocorrência", ou seja, a partir da
arrecadação e à fiscalização de subsunção do fato (fato gerador concreto ou fato
tributos (exemplos: declaração jurídico-tributário) à norma (fato gerador abstrato
de ajuste anual de Imposto de ou hipótese de incidência), nasce a obrigação tri-
Renda, emissão de notas fis-
butária ou, noutras palavras, constitui-se a relação
cais, escrituração fiscal)
tributária (vínculo entre devedor e credor tributá-
Prevista na lei (estrita legali- Prevista na legislação tribu-
rios).
dade) tá ria
. ............ lnobservãncia pelo con-
············-... ..........
........
trlbuinte: converte-se em
• Uma sutil diferença entre obrigação tributária
principal e acessória diz respeito ao tipo de norma
obrigação principal relativa-
........->·<........... mente à penalidade pecuni-
instituidora . A obrigação tributária principal tem,
necessariamente, que estar prevista em lei (CTN,
............. ''.,.~, ária
art. 97, Ili), daí sujeitar-se ao princípio da estrita
legalidade. Já a obrigação tributária acessória
• Enquanto a obrigação principal decorre da lei, a decorre da "legislação tributária" (CTN, art. 113,
obrigação acessória decorre da legislação tribu- § 2'), expressão esta que compreende as leis, os
tária, podendo ser veiculada através de decretos, tratados e as convenções internacionais, os decre-
portarias etc. tos e as normas complementares que versem,
600 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

no todo ou em parte, sobre tributos e relações dos atos e negócios jurídicos por parte da auto-
jurídicas a eles pertinentes (CTN, art. 96). Con- ridade administrativa.
cluindo, enquanto a obrigação tributária princi-
• A relação jurídica tributária refere-se não só à
pal deve necessariamente ser prevista numa lei
(estrita legalidade), a obrigação acessória decorre obrigação tributária stricto sensu, como ao plexo
de deveres instrumentais, (positivos ou negati-
da legislação tributária (ideia mais ampla que
vos) que gravitam em torno do tributo, colimando
compreende não só leis, mas também decretos e
outros tipos normativos). facilitar a aplicação exata da norma jurídica que o
previu . (...) Todos estes deveres, repita-se, não pos-
• As obrigações tributárias principais e acessórias
são independentes entre si, na medida em que no
suem, em si mesmos, cunho patrimonial (CARRA-
ZZA, Roque Antônio. Curso de direito constitucional
Direito Tributário não se aplica a máxima jurídica tributário. 23• ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p.
muito difundida no Direito Civil, segundo a qual "o 331-332).
acessório segue a sorte do principal". Pode ocor-
• O artigo 116 do CTN dispõe sobre o momento da
rer uma situação em que um contribuinte possua
ocorrência do fato jurídico tributário. Nos termos
obrigações acessórias a adimplir (por exemplo,
do inciso 1, tratando-se de situação de fato, consi-
emitir documentos fiscais aos seus clientes e escri-
dera ocorrido o fato gerador desde o momento
turar seus livros fiscais e contábeis) e, ao mesmo
em que se verifiquem as circunstâncias materiais
tempo, não possua obrigação principal de pagar
necessárias a que produza os efeitos que normal-
tributo, como no caso de ser um contribuinte do
mente lhe são próprios, como, por exemplo, a
ICMS que comercialize apenas mercadorias isen-
saída da mercadoria no ICMS. Mas se o fato gera-
tas.
dor for uma situação jurídica, como ocorre nos
• Muito embora haja a distinção, para a doutrina,
entre hipótese de incidência e fato gerador, sendo
impostos sobre a propriedade (IPTU, IPVA e ITR),
considera-se ocorrido desde o momento em que
a primeira a previsão abstrata do fato imponível, a situação jurídica estiver definitivamente consti-
e a segunda a ocorrência in concreto do quanto tuída (inciso li).
previsto na norma, cabe ressaltar que em alguns
• O artigo 117 do CTN considera que os atos e
concursos continua a valer a definição do artigo
negócios submetidos a condições suspensivas
114 do CTN, que conjuga os dois momentos, res-
ou resolutórias que constituam fatos geradores
tringindo-os ao conceito simplista de fato gerador:
de tributos reputam-se perfeitos e acabados: i) na
"fato gerador da obrigação principal é a situação
condição suspensiva, desde o momento de sua
prevista em lei como necessária e suficiente à sua
implementação, como, por exemplo, na doação
ocorrência".
condicionada à formatura do donatário, hipótese
• "O ente federado competente pode autuar o
contribuinte pelo descumprimento de obrigação
na qual somente se considera ocorrido o fato gera-
dor quando da efetiva colação de grau (inciso I);
acessória consistente na exigência de nota fiscal ii) na condição resolutória, desde o momento da
para deslocamento de bens do ativo imobilizado prática do ato ou da celebração do negócio, como
e de bens de uso e consumo entre estabelecimen- seria o caso da compra e venda de um imóvel com
tos da mesma instituição financeira, operação que, cláusula de rescisão condicionada a evento futuro
em tese, não caracteriza hipótese de incidência do e incerto consubstanciado, por exemplo, na hipó-
ICMS (Súmula 166/STJ). Ressaltou-se que a obri- tese de uma brusca desvalorização do bem no
gação acessória é autônoma e pode ser instituída mercado imobiliário no período de três anos pos-
pelo ente legiferante no interesse da arrecadação teriores ao negócio.
ou da fiscalização tributária nos termos do § 2º
do art. 113 do CTN, ainda que a obrigação princi-
pal não exista, obedecendo-se aos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade" (STJ - REsp + INFORMATIVOS APLICÁVEIS
1.116.792 - 1• Seção - Rei. Min. Luiz Fux - julg.
24.11.10). ~ Non olet e atividade ilícita
~possível a incidência de tributação sobre valores arrecadados
• A norma antielisão, como é popularmente conhe-
cido o parágrafo único do artigo 116 do CTN, em virtude de atividade ilícita, consoante o art. 118 do CTN.
Seria contraditório o não pagamento do imposto proveniente
estabelece que a "autoridade administrativa
de ato ilegal, pois haveria locupletamento da própria torpeza
poderá desconsiderar atos ou negócios jurídi- em detrimento do interesse público da satisfação das necessi-
cos praticados com a finalidade de dissimular a dades coletivas, a qual se daria por meio da exação tributária.
ocorrência do fato gerador do tributo ou a natu- HC 94240, Rei. Min. Dias Taffoli, 23.8.2011. 1° T. (lnfa 637)
reza dos elementos constitutivos da obrigação
tributária, observados os procedimentos a serem ~ Imunidade tributária e obrigação acessória
estabelecidos em lei ordinária". Da simples lei- Exigir de entidade imune a manutenção de livros fiscais é con-
tura percebe-se que não há exigência de prévia sentâneo com o gozo da imunidade tributária. RE 250844, rei.
ordem judicial para amparar a desconsideração Min. Marco Aurélia, 29.5.12. 1° T. {lnfo 668)
Capítulo 6 - Sujeitos
(Ativo e Passivo), Responsabilidade,
Capacidade e Domicílio Tributário

COMENTA RIOS
+QUESTÕES
O Nota dos autores: "os créditos tributários relati-
• CF, arts. 5°, XI e 150. vos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o
• CTN, arts. 7°, 34, 97, 106, 110, 113, 119 a 138, 155-A,156, domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os
166, 174, 175, 180 e 191-A. relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a
• CC,arts. 70a78el.177. tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se
na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando
•Lei 11.101/2005 (Lei de Falências).
conste do título a prova de sua quitação" (CTN, art. 130,
• Lei 9.393/96. caput).
• Lei Paulista 13.296/2008, art. 6°.
Errado. As taxas têm como fato gerador o exercício
regular do poder de polícia ou a utilização, efetiva ou
potencial, de serviços públicos especlficos e divisíveis,
01. (Cespe - Advogado da União/2012) Em relação à prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição
responsabilidade tributária, julgue os itens. (CTN, art. 77). Observe que o artigo 130 do CTN, ao
estipular a responsabilidade tributária por sucessão na
transmissão de bens imóveis, apregoa que a subroga-
01.1. A responsabilidade tributária de terceiros é soli- ção na pessoa do adquirente refere-se somente às taxas
dária. de prestação de serviços relativos a tais bens imóveis
(não abrangendo as taxas cobradas em razão do poder
COMENTA RIOS de polícia).

O Nota dos autores: o artigo 134 do CTN estipula


que "nos casos de impossibilidade de exigência do 01.3. O sócio de sociedade comercial de responsabili-
cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, dade limitada, ainda que passados mais de três anos de
respondem solidariamente com este nos atos em que sua liquidação, responderá, na proporção da sua partici-
intervierem ou pelas omissões de que forem responsá- pação no capital social, pelas obrigações tributárias não
veis" os terceiros. honradas pela sociedade.

Errado. Embora o artigo 134 (que prevê a respon- COMENTA RIOS


sabilidade tributária de terceiros nos casos de ausência
de atividade irregular) tenha em sua redação o termo O Nota dos autores: "nos casos de impossibilidade
solidariamente, o real sentido desse dispositivo refe- de exigência do cumprimento da obrigação principal
re-se à responsabilização subsidiária, uma vez que os pelo contribuinte, respondem solidariamente com este
terceiros respondem "nos casos de impossibilidade de nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que
exigência do cumprimento da obrigação principal,pelo forem responsáveis os sócios, no caso de liquidação de
contribuinte". sociedade de pessoas" (CTN, art. 134, VII).

Certo. O enunciado evidencia que a sociedade é


01.2. As taxas de prestação de serviços, tais como as empresarial de responsabilidade limitada. Nesse sen-
cobradas em razão do poder de polícia, devidas pelo tido, é classificada como sociedade de pessoas em que
alienante até a data da aquisição do imóvel, são de res- prevalece o affectio societatis (vontade livre e expressa
ponsabilidade do adquirente do imóvel. dos sócios de constituírem e manterem-se em socie-
602 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

dade). O enunciado também deixa claro que as obri-


ResponHblliude por substituiçio
gações tributárias não foram honradas pela empresa, (SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA)
o que permite a aplicação da responsabilização subsi-
Substituição Substituição
diária dos sócios (terceiros), conforme o teor do artigo Substituição
Tributária Tributária para
134, inciso VII, do CTN. Por se tratar de uma sociedade Tributária de
para trás (das frente (das
de responsabilidade limitada, tem-se que a responsabi- operações
operações operações
concomitantes
lidade dos sócios é restrita ao valor de suas quotas (mas antecedentes) subsequentes)
todos os sócios respondem solidariamente pela integra- Diferimento Antecipação do Em geral, serviços
lização do capital social), nos termos do artigo 1.052 do (postergação do recolhimento de transporte que
Código Civil. recolhimento do de toda cadeia acontecem em
tributo de toda produtiva que concomitância
cadeia produtiva está para ocorrer com a circulação de
01.4. O adquirente de um fundo de comércio é subsi- para o último elo) (retenção na fonte) mercadorias (art. 6°,
diariamente responsável, juntamente com o alienante § 1°, da LC 87/96)
que continue a exercer a atividade comercial em outro
estado, pelos tributos devidos até a data da venda desse Errado. O item analisado refere-se, na verdade, à
fundo. substituição tributária para frente (das operações sub-
seq,/'entes), também chamada de progressiva (e não
regressiva, como constou).
COMENTÁRIOS

O Nota dos autores: entre os artigos 128 e 138 do 03. (Cespe - Procurador do Ministério Público junto
ao TCDF/2013) No que tange à legislação tributária, à
CTN, além da disposição geral, o diploma normativo
obrigação tributária, ao crédito tributário e à adminis-
apresenta a responsabilidade dos sucessores (artigos
tração tributária, julgue os itens seguintes.
129 a 133), a responsabilidade de terceiros (artigos 134
e 135) e a responsabilidade por infrações (artigos 136 a
03.1. Consoante a jurisprudência assentada, é lícita a
138).
aplicação do benefício da denúncia espontânea aos tri-
Certo. O adquirente de um fundo de comércio é butos sujeitos a lançamento por homologação regular-
integralmente responsável pelos tributos devidos até mente declarados, mesmo quando estes forem pagos
extemporaneamente.
a data do ato (venda desse fundo) se o vendedor ces-
sar a exploração do objeto social sucedido (CTN, art.
COMENTA RIOS
133, 1). Mas, se o vendedor prosseguir na exploração
do objeto social sucedido ou reiniciá-la dentro de seis O Nota dos autores: "a responsabilidade é exclu-
meses, a responsabilidade do adquirente será subsidi- ída pela denúncia espontânea da infração, acompa-
ária (CTN, art. 133, li). nhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e
dos juros de mora, ou do depósito da importância arbi-
trada pela autoridade administrativa, quando o mon-
02. (Cespe - Analista Judiciário - Area Judiciária - tante do tributo dependa de apuração" (CTN, art. 138).
STJ/2012) Julgue os itens a seguir, acerca da competên-
cia tributária, dos impostos, da obrigação e dos créditos Errado. O item afronta o teor da Súmula 360 do STJ,
tributários. segundo a qual "o benefício da denúncia espontânea
não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por
Ocorre a substituição tributária regressiva nos casos homologação regularmente declarados, mas pagos a
em que pessoas ocupantes de posições posteriores nas destempo".
cadeias de produção são substituídas, quanto à obriga-
ção de pagar o tributo devido, por aqueles que ocupam 03.2. Como, segundo a lei e a jurisprudência, o espólio
as posições anteriores. sucede o de cujus nas suas relações fiscais e nos pro-
cessos que contemplem essas relações como objeto
mediato do pedido, o espólio responde pelos débitos
COMENTÁRIOS até a abertura da sucessão, segundo a regra intra vires
hereditatis.
O Nota dos autores: do teor do artigo 128 do CTN,
analisado em conjunto com o artigo 150, § 7° da Carta COMENTA RIOS
Constitucional ("a lei poderá atribuir a sujeito passivo
de obrigação tributária a condição de responsável pelo O Nota dos autores: a expressão latina intra vires
pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gera- hereditatis tem como tradução livre "obrigação do her-
dor deva ocorrer posteriormente, assegurada a ime- deiro dentro e nos limites da herança".
diata e preferencial restituição da quantia paga, caso Certo. O CTN é categórico ao prever que o espólio é
não se realize o fato gerador presumido"), extrai-se as pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo
nuances da responsabilidade por substituição ou subs- de cujus até a data da abertura da sucessão (CTN, art.
tituição tributária: 131, Ili).
Capítulo 6- Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 603

Certo. Paulo e Jorge tem interesse comum na situa-


04. (Cespe - Procurador do DF/ 2013) Paulo e Jorge, ção que constituiu o fato gerador da obrigação tributá-
residentes em Goiânia - GO e sem endereço fixo no ria. Por isso, são solidariamente responsáveis (CTN. art.
DF, iniciaram um negócio de vendas de veículos em 124, 1). Entre eles não há benefício de ordem, podendo
uma sala no DF para moradores tanto do DF quanto de cada qual ser responsabilizado pela totalidade da dívida
outros estados, sendo as operações comerciais todas tributária sem uma sequência de cobrança pré-definida.
feitas a pedido de clientes que deixavam seus veículos
para venda. Após denúncia, o fisco do DF constatou que 04.3. Paulo e Jorge são responsáveis tributários em
as operações de venda dos veículos estavam sendo fei- razão da infração, visto que eles não podem ser consi-
tas sem o pagamento do respectivo tributo e que não derados contribuintes ou sujeitos passivos diretos.
havia inscrição no cadastro fiscal de qualquer sociedade
empresária para a realização de tais operações. COMENTÁRIOS
Considerando a situação hipotética acima apresen-
O Nota dos autores: o contribuinte e o responsá-
tada, julgue os seguintes itens.
vel são sujeitos passivos (gênero) da relação tributária.
Numa classificação doutrinária entre sujeito passivo
04.1. O domicílio tributário de Paulo e Jorge será em direto e indireto, o primeiro seria o contribuinte (que
Goiânia - GO, uma vez que eles não possuem residência tem relação pessoal e direta com o fato gerador) e o
no DF. segundo seria o responsável (com obrigação decor-
rente de lei).
COMENTARIOS
Errado. Por terem relação pessoal e direta com o
O Nota dos autores: o fato da sociedade entre fato gerador, Paulo e Jorge são contribuintes (e não res-
Paulo e Jorge não estar regularmente constituída não ponsáveis), nos termos do artigo 121, parágrafo único,
significa que a mesma não detém capacidade tributária inciso 1, do CTN.
passiva, nos termos do artigo 126, inciso Ili, do CTN.
Errado. Na falta de eleição do domicílio tributário OS. (Cespe - Defensor Público - DF/ 2013) No que se
pelo sujeito passivo, considerar-se-á como tal, quanto refere à obrigação tributária e ao processo judicial tribu-
às pessoas jurídicas de direito privado, o lugar da tário, julgue os seguintes itens.
sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem
origem à obrigação, o de cada estabelecimento. Na 05.1. De acordo com o STJ, a não localização de deter-
impossibilidade de aplicação desta regra, considerar- minada sociedade no domicílio fiscal fornecido gera
-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou res- presunção iuris tantum de dissolução irregular, sendo
ponsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência possível, nesse caso, o redirecionamento da execução
dos atos ou fatos que deram origem à obrigação (CTN, fiscal ao sócio-gerente da sociedade.
art. 127, li, § 1°). Portanto, deve ser considerado como
domicílio tributário o DF (local em que ocorreram as COMENTARIOS
vendas que deram origem à obrigação tributária), o que
O Nota dos autores: a presunção iuris tantum é
ocorreria, pelo mesmo fundamento, ainda em se consi-
chamada de relativa por admitir prova em contrário.
derando duas pessoas físicas (e não uma pessoa jurídica
Em contraposição, tem-se a presunção iuris et de iure
não constituída regularmente).
(de direito e por direito), chamada de absoluta por não
admitir prova em contrário.
04.2. Entre Paulo e Jorge haverá solidariedade que não
comporta o benefício de ordem, podendo qualquer Certo. O item coaduna-se com o teor da Súmula
deles ser cobrado pelo valor integral do tributo, em 435 do STJ, segundo a qual "presume-se dissolvida irre-
função de se tratar de interesse comum na situação que gularmente a empresa que deixar de funcionar no seu
constitua o fato gerador. domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos compe-
tentes, legitimando o redirecionamento da execução
COMENTÀRIOS fiscal para o sócio-gerente".

O Nota dos autores: o artigo 124 do CTN disci-


05.2. A responsabilidade dos pais pelos tributos devi-
plina a responsabilidade tributária solidária, prevendo
dos pelos filhos é, de acordo com o CTN, solidária e pes-
duas espécies, a natural e a legal. Segundo a responsa-
soal.
bilidade tributária solidária natural, são pessoalmente
responsáveis as pessoas que tenham interesse comum COMENTARIOS
na situação que constitua o fato gerador da obrigação
principal. Já segundo a responsabilidade tributária soli- O Nota do autor: o caput do artigo 134 do CTN
dária legal, são pessoalmente responsáveis as pessoas (responsabilidade por transferência - "de terceiros")
expressamente designadas por lei. Tanto a solidarie- traz o termo solidariamente, devendo, todavia, ser lido
dade natural, como a legal, não comportam benefício e interpretado como subsidiariamente, uma vez que se
de ordem, ou seja, não preveem uma sequência para a verifica nas hipóteses ali previstas um nítido benefício
cobrança do tributo. de ordem.
604 Alan Martins • Dimas Yamada • Harrison Leite • Thiana Cairo

Errado. O CTN prevê, em seu artigo 134, inciso 1, no cionamento da Execução Fiscal para o sócio-gerente
contexto da responsabilidade de terceiros, que os pais não constitui causa de exclusão da responsabilidade
são responsáveis pelos tributos devidos pelos filhos tributária da pessoa jurídica" (REsp 1.455.490-PR, Rei.
menores no caso de impossibilidade de exigência do Min. Herman Benjamin, j. 26.8.2014. 2• Turma - lnfo
cumprimento da obrigação principal por estes, nos atos 550). Com essa decisão, o Superior Tribunal de Justiça
em que intervierem ou pelas omissões de que forem demonstrou posicionar-se no sentido de que, no caso
responsáveis. Nesse sentido, a responsabilidade é sub- de atuação irregular, a responsabilidade pessoal de
sidiária e de terceiros (e não solidária e pessoal, como terceiros que o artigo 135, inciso Ili, do CTN confere aos
constou). diretores de empresas possui natureza pessoal, nos
termos literais da norma geral, mas, é também solidá-
06. (Cespe - Procurador Federal/2013) Julgue os ria com a sociedade empresária, uma vez não ser esta
itens que se seguem de acordo com as normas do última excluída da relação jurídica relativa ao crédito
Código Tributário Nacional relativas a domicílio e res- tributário.
ponsabilidade tributários. Considere a seguinte situação hipotética.

06.1. Caso uma criança com seis anos de idade receba 06.3. A empresa QT entrou em processo de falência e,
por doação de seu avô a propriedade de um imóvel, a por determinação judicial, uma de suas lojas foi ven-
responsabilidade do pai ao omitir-se de pagar o IPTU dida. Entretanto, a empresa QT mantinha débito com
referente a esse imóvel será solidária com a criança. o fisco estadual relativamente a fatos ocorridos na loja
vendida. Nessa situação, a responsabilidade tributária
COMENTARIOS
do comprador da loja será subsidiária à da massa falida.
O Nota dos autores: o caput do artigo 134 do
CTN, ao tratar da responsabilidade de terceiros, utiliza COMENTARIOS
expressamente o termo solidariamente. Entretanto, a
O Nota dos autores: o item refere-se à empresa
leitura do dispositivo normativo permite a interpreta-
em processo de falência. O processo de falência é disci-
ção de que na verdade a responsabilidade é subsidiária,
plinado pela Lei 11.101/2005, cuja leitura é ora sugerida.
já que estabelece um benefício de ordem (a responsabi-
lidade será do pai no caso de impossibilidade de exigên- Errado. Segundo o § 1° do artigo 133 do CTN, em
cia do cumprimento da obrigação principal pelo filho, regra, o adquirente de um estabelecimento comercial
tido como contribuinte). (loja) em uma alienação judicial ocorrida no processo
Certo. A banca examinadora levou em considera- de falência não tem responsabilidade subsidiária com
ção a interpretação literal do artigo 134 do CTN, em que o alienante (massa falida). Isso só ocorreria (respon-
na impossibilidade de exigência do IPTU da criança, o sabilidade subsidiária) caso o adquirente fosse sócio
pai será responsável solidário do tributo juntamente da sociedade falida ou da sociedade controlada pelo
com o filho. Cumpre ressaltar que em outras ocasiões, a devedor falido, parente, em linha reta ou colateral até
mesma banca examinadora posicionou-se pela respon- o 4° (quarto) grau, consang.ríneo ou afim, do devedor
sabilidade subsidiária em questões análogas. falido ou de qualquer de seus sócios, ou, por fim, identi-
ficado como agente do falido com o objetivo de fraudar
a sucessão tributária (CTN, art. 133, § 2°, 1, li e Ili).
06.2. O fato de determinado diretor de uma empresa,
mediante infração ao respectivo contrato social, prati-
car atos que configurem fato gerador de certo imposto 06A. Se a indústria hipotética SL tiver quatro unida-
torna esse diretor devedor solidário relativamente ao des produtivas localizadas em quatro diferentes uni-
tributo originalmente imputado à empresa. dades da Federação e sua sede localizar-se no DF, será

' .. considerada como seu domicílio tributário, pelos fatos


geradores de impostos que nela ocorram, cada uma das
referidas unidades fabris, a não ser que a empresa SL
O Nota dos autores: o artigo 135 do CTN estabe- tenha eleito como tal o DF.
lece em seu inciso Ili a responsabilidade pessoal do dire-
tor da empresa pelos créditos correspondentes a obri- COMENTÁRIOS
gações tributárias resultantes de atos praticados com
excesso de poderes ou infração de lei, contrato social O Nota dos autores: o artigo 127 do CTN disciplina
ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária o domicílio tributário. Em regra, é o contribuinte quem
por transferência - de terceiros - decorrente de atuação elege seu domicílio tributário, o lugar para cumpri-
irregular. mento das obrigações e onde são exigíveis.

Errado. A responsabilidade do diretor da empresa Certo. Na hipótese da indústria SL não eleger a sua
é pessoal e não solidária, nos termos literais do artigo sede (localizada no DF) como seu domicílio tributário,
135, inciso Ili, do CTN. Porém, cumpre anotar que, mais considerar-se-á como tal em relação aos atos ou fatos
recentemente, decidiu o STJ que: "Nos casos de dis- que derem origem à obrigação, o de cada estabeleci-
solução irregular da sociedade empresária, o redire- mento fabril (CTN, art. 127, li).
Capítulo 6 - Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 605

geralmente o principal e depois do outro, geralmente o


06.5. João, com mais de dezoito anos de idade, e seu garantidor da dívida).
irmão Pedro, com dezessete anos de idade, ambos resi-
dentes no Distrito Federal, em endereço conhecido, Certo. De acordo com o artigo 124 do CTN, são
constituíram, neste local, um negócio informal e passa- solidariamente obrigadas as pessoas que tenham inte-
ram a vender roupas, sem informar esse fato ao fisco, resse comum na situação que constitua o fato gerador
deixando de constar no cadastro fiscal. Após fiscaliza- da obrigação principal (no caso João e Pedro). O pará-
ção, a administração tributária descobriu que a prática grafo único do mesmo artigo estipula que a responsa-
da atividade comercial durava mais de dois anos, sem bilidade solidária em questão nio comporta beneficio
nunca ter sido recolhido nenhum tributo. O fisco lavrou de ordem.
o correspondente auto de infração contra João e Pedro,
para cobrar o tributo suprimido. 07.4. Pedro não tem capacidade tributária passiva por
ter menos de dezoito anos de idade.
07. (Cespe - Analista Judiciário - Area Judiciária -
STF/2013) A respeito da situação hipotética apresen- COMENTÁRIOS
tada, julgue os itens seguintes.
O Nota dos autores: a capacidade de direito do
sujeito passivo da obrigação tributária, chamada de
07.1. O fisco deve considerar a residência habitual
capacidade tributária passiva, é regida pelo artigo 126
como domicílio tributário, pois nem João nem Pedro,
doCTN.
pessoas físicas, têm cadastro fiscal no Distrito Federal.
Errado. A capacidade tributária passiva independe
COMENTÁRIOS da capacidade civil das pessoas naturais (CTN, art. 126,
1). Logo, o fato de Pedro ter menos de dezoito anos de
O Nota dos autores: em regra, o domicílio tributá- idade, e, portanto, não ter plena capacidade civil, não
rio é eleito pelo contribuinte. Entretanto, a autoridade
lhe retira a capacidade tributária passiva.
administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando
impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização
do tributo (CTN, art. 127, § 2°). 08. (Cespe - Procurador do Estado - BA/2014) De
acordo com determinada norma tributária, a venda de
Certo. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou mercadoria gera a necessidade de registro contábil e do
responsável, de domicílio tributário, na forma da legis- pagamento do tributo devido. A respeito desse tema,
lação aplicável, considera-se como tal quanto às pes- julgue os itens seguintes.
soas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta
incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua ativi- O sujeito passivo diretamente ligado com o fato
dade (CTN, art. 127, 1). gerador é denominado responsável tributário.

COMENTÁRIOS
07.2. João e Pedro são contribuintes, e não responsá-
veis tributários. O Nota dos autores: o sujeito passivo da obriga-
ção tributária principal, contribuinte ou responsável,
COMENTARIOS tem o dever de pagar o tributo e a penalidade pecu-
niária (CTN, art. 121). Por sua vez, o sujeito passivo da
O Nota dos autores: o sujeito passivo da obriga-
obrigação tributária acessória é a pessoa obrigada às
çao tributária principal, contribuinte ou responsável,
prestações que constituam o seu objeto (CTN, art. 122).
tem o dever de pagar o tributo e a penalidade pecu -
niária (CTN, art. 121). Por sua vez, o sujeito passivo da Errado. O sujeito passivo da obrigação tributária
obrigação tributária acessória é a pessoa obrigada às principal que tem relação pessoal e direta com a situa-
prestações que constituam o seu objeto (CTN, art. 122). ção que constitua o seu respectivo fato gerador é cha-
mado de contribuinte (CTN, art. 121 , parágrafo único, 1).
Certo. De acordo com o artigo 121, parágrafo único,
O responsável é, na verdade, o sujeito passivo que, sem
inciso I, do CTN o sujeito passivo da obrigação tributária
se revestir da condição de contribuinte, tem sua obriga-
principal diz-se contribuinte quando tenha relação pes-
ção decorrente de disposição expressa de lei (CTN, art.
soal e direta com a situação que constitua o respectivo
fato gerador. IÔ o caso de ambos (João e Pedro).
121, parágrafo único, li).

07.3. Não cabe o benefício de ordem em relação à res- 09. (Cespe - Procurador do Estado - BA/2014) Supo-
nha que determinado empresário tenha adquirido o
ponsabilidade de João e de Pedro.
imóvel de um estabelecimento comercial completa -
COMENTA RIOS mente vazio e tenha dado continuidade à exploração,
sob outra razão social, do mesmo ramo do comércio, e
O Nota dos autores: a expressão "benefício de que os alienantes tenham prosseguido na exploração
ordem " refere-se à seq"'ência de exigência da obri- da atividade a partir do quinto mês após a alienação.
gação perante seus devedores, seja em virtude de lei, Considerando essa situação hipotética e aspectos gerais
seja em virtude de contrato (primeiro exige-se de um, da sucessão empresarial, julgue os itens que se seguem.
606 Alan Martins • Dimas Yamada • Harrison Leite • Thiana Cairo

a exploração do comércio. Como o alienante iniciou a


09.1. Os créditos ainda não constituídos até a data do exploração da atividade comercial em menos de seis
ato da sucessão empresarial, ainda que se refiram a obri-
meses contados da alienação, tem-se que o adquirente
gações tributárias surgidas até aquela data, não podem
tem responsabilidade subsidiária com o alienante (e
ser imputados aos adquirentes.
não solidária, como constou).

COMENTÁRIOS
09.4. O alienante continua responsável pelos tribu-
O Nota dos autores: o disposto na seção de res- tos devidos até a data do ato de sucessão empresarial,
ponsabilidade dos sucessores do CTN aplica-se por podendo a dívida integral ser cobrada do adquirente,
igual aos créditos tributários definitivamente constitu- observando-se o benefício de ordem.
ídos ou em curso de constituição à data dos atos nela
referidos, e aos constituídos posteriormente aos mes- COMENTÁRIOS
mos atos, desde que relativos a obrigações tributárias
surgidas até a referida data (CTN, art. 129). O Nota dos autores: a pessoa natural ou jurídica
de direito privado que adquirir de outra, por qualquer
Errado. Assim, pelo fato de que os créditos tribu-
título, fundo de comércio ou estabelecimento comer-
tários mencionados no item ora analisado se referem
cial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva
a obrigações surgidas até a data da alienação empre-
exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob
sarial, tem-se que os adquirentes são responsáveis por
firma ou nome individual, responde pelos tributos, rela-
sucessão, nos termos do artigo mencionado na nota dos
tivos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos
autores.
até à data do ato subsidiariamente com o alienante, se
este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis
09.2. O alienante deixa de ser responsável pelos tribu- meses a contar da data da alienação, nova atividade no
tos devidos até a data do ato de sucessão empresarial, mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou
passando a responsabilidade a ser integral do adqui- profissão (CTN, art. 133, li).
rente.
Certo. Tendo em vista que a responsabilidade do
COMENTÁRIOS adquirente é subsidiária com o alienante, é correto
afirmar que este alienante continua responsável pelos
O Nota dos autores: em linhas gerais, nos termos tributos devidos até a data do ato de sucessão empresa-
do artigo 133 do CTN, o adquirente de estabelecimento rial. A dívida integral poderá ser cobrada do adquirente,
comercial que continue a exploração da atividade do depois de esgotadas as tentativas de recebimento junto
alienante é responsável pelos tributos inerentes ao ao alienante. Portanto, há benefício de ordem.
estabelecimento adquirido, devidos até a data da aqui-
sição, integralmente (se o alienante cessar a exploração
09.5. A sucessão empresarial é uma forma de respon-
do comércio) ou subsidiariamente com o alienante (se
sabilidade tributária por transferência, haja vista que a
este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis
obrigação tributária nasce com o contribuinte, mas é
meses a contar da data da alienação, nova atividade no
transferida ao responsável.
mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou
profissão).
COMENTARIOS
Errado. Nos termos do artigo 133, inciso li, do CTN,
como o alienante prosseguiu na exploração da ativi- O Nota dos autores: na responsabilidade tributá-
dade comercial a partir do quinto mês contados da alie- ria por transferência, a obrigação tributária nasce com
nação, tem-se que o adquirente tem responsabilidade o contribuinte ou o responsável em seu polo passivo e,
subsidiária com o alienante. Portanto, nessa hipótese em decorrência de um evento posterior com previsão
o alienante não deixa de ser responsável pelos tributos legal, a sujeição passiva transfere-se para outra pessoa,
devidos até a data do ato de sucessão empresarial, res- tida como responsável, resultando na modificação do
pondendo subsidiariamente pelos tributos. sujeito passivo da obrigação tributária.
Certo. A responsabilidade por sucessão (como é o
09.3. O adquirente responde solidariamente pelos tri- caso do item analisado que trata da sucessão empresa-
butos devidos até a data do ato de sucessão empresa- rial) é um típico exemplo de responsabilidade por trans-
rial. ferência.

COMENTÁRIOS
09.6. No caso do tributo de ICMS, a substituição tribu-
O Nota dos autores: a resolução encontra res- tária para trás corresponde a uma espécie de responsa-
paldo no teor do artigo 133, incisos 1e li do CTN, cuja bilidade de terceiros por transferência.
leitura é recomendada.
COMENTÁRIOS
Errado. O adquirente seria responsável integral (e
não solidário) pelos tributos devidos até a data do ato de O Nota dos autores: na classificação doutrinária
sucessão empresarial caso o alienante tivesse cessado entre responsabilidade tributária de terceiros por trans-
Capítulo 6- Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 607

ferência e por substituição, tem-se que nessa última a lei tigia a autonomia dos estabelecimentos, com funda -
atribui o dever de pagar o tributo a uma pessoa diversa mento no artigo 127, inciso li, do CTN.
daquela que dá origem ao fato gerador, mas que com
ela possui relação (assume o lugar do contribuinte ab Alternativa "a": incorreta. A capacidade tributá-
initio), enquanto que na primeira a lei estipula que a ria passiva independe (i) da capacidade civil das pes-
obrigação constitui-se inicialmente em relação ao con- soas naturais; (ii) de achar-se a pessoa natural sujeita a
tribuinte, comunicando-se, a posteriori, para o respon- medidas que importem privação ou limitação do exer-
sável. cício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou
da administração direta de seus bens ou negócios; ou
Errado. A substituição tributária para trás (das ope- (iii) de estar a pessoa jurídica regularmente constitu-
rações antecedentes) é chamada de diferimento. Na ída, bastando que configure uma unidade económica
prática ocorre a postergação do recolhimento do ICMS ou profissional (CTN, art. 126). Logo, tanto o depósito
de toda a cadeia produtiva para o seu último elo. Trata - clandestino (se considerado uma pessoa jurídica irre-
-se de uma responsabilidade por substituição (e não por gularmente constituída), como o João, tem capacidade
transferência). tributária passiva.

Alternativa "c": incorreta. O Fisco efetuou o lan-


10. (Cespe - Promotor de Justiça - AC/2014) Depó-
çamento de ofício, também chamado pela doutrina
sito clandestino de bebidas encontrado pelo fisco
de lançamento direto, que tem lugar sempre que a lei
com grande quantidade de mercadorias e sem relação
determinar à autoridade administrativa tributária
com qualquer outra sociedade comercial, foi lacrado,
promova o lançamento sem nenhuma participação
tendo sido lavrado auto de infração em nome de João,
do sujeito passivo (CTN, art. 149, 1).
que, responsável pelo depósito e com residência fixa
em outro estado, aparecia no depósito uma vez por Alternativa "d": incorreta. Por possuir relação pes-
semana. A partir dessa situação hipotética, assinale a soal e direta com a situação que constitui o fato gerador
opção correta. do ICMS, tem-se que João é contribuinte do imposto
a) Por ser clandestino, o depósito não possui capaci- (CTN, art. 121, parágrafo único, I).
dade tributária passiva, o que se estende a João.
Alternativa "e": incorreta. Na falta de eleição, pelo
b) O princípio da autonomia do estabelecimento deve contribuinte ou responsável, de domicílio tributário,
ser aplicado quando há várias filiais de uma mesma na forma da legislação aplicável, considera-se como tal
empresa, o que ocorre, via de regra, na cobrança de quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às fir-
ICMS, cujos domicílios tributários devem ser consi- mas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos
derados individualmente, ou seja, cada estabeleci- atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de
mento será considerado unidade autônoma para os cada estabelecimento.
fins fiscais.

c) A modalidade de lançamento realizada pelo fisco 11. (Cespe - Juiz Federal Substituto 2• região/ 2013)
foi a de lançamento por homologação, visto que se Pode ser objeto de delegação
trata de ICMS.
a) a capacidade tributária ativa.
d) Do ponto de vista do direito tributário, João é consi-
derado responsável tributário, e não contribuinte. b) o poder tributário.

e) O domicílio tributário do sujeito passivo é o da resi- c) a competência tributária.


dência fixa de João, ou seja, fora do local da enti- d) a soberania tributária.
dade tributante.
e) a autonomia tributária.
COMENTA RIOS
COMENTÃRIOS
O Nota dos autores: em regra, é o contribuinte
quem elege seu domicílio tributário, o lugar para cum- O Nota dos autores: "a competência tributária
primento das obrigações tributárias e onde são exigí- é indelegável, salvo atribuição das funções de arreca-
veis (CTN, art. 127). dar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços,
atos ou decisões administrativas em matéria tributária,
Alternativa correta: letra "b": "ainda que se conferida por uma pessoa jurídica de direito público a
afirme que o conjunto de filiais e a matriz façam parte outra" (CTN, art. 7°).
de um todo indissolúvel denominado pessoa jurldlca,
a existência de registros de CNPJ diferentes caracte- Alternativa correta: letra "a": embora a com-
riza a autonomia patrimonial, administrativa e jurídica petência tributária seja absolutamente indelegável, a
de cada um dos estabelecimentos, fato que justifica a capacidade tributária ativa, entendida como as prerro-
expedição do documento de modo individual" (STJ, gativas de arrecadar ou fiscalizar tributos, é delegável,
AgRg no AResp 192.658). A alternativa "b" coaduna-se ou seja, pode ser conferida por uma pessoa jurídica de
com o posicionamento jurisprudencial do STJ que pres- direito público a outra (CTN, art. 7°).
608 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite • Thiana Cairo

Alternativa uc": incorreta. A competência tribu- constituem fatos geradores dos tributos, é indubitavel-
tária é conferida pela Constituição Federal em caráter mente tido como sujeito passivo contribuinte (CTN, art.
indelegável e pleno à União, aos Estados, ao Distrito 121, parágrafo único, 1).
Federal e aos Municípios (CTN, art. 7°).
Alternativa "a" e "e": incorretas. Nos termos do
Demais alternativas: incorretas. O poder tribu- comentário à alternativa "d", João é sujeito passivo do
tário, a soberania tributária e a autonomia tributá- tipo contribuinte por ter relação pessoal e direta com
ria são termos afetos ao poder de tributar, tido como as situações que constituem fatos geradores dos tribu-
sinônimo de competência tributária, que por sua vez tos (CTN, art. 121, parágrafo único, 1).
é indelegável, intransferível e irrenunciável.
Alternativa "b": incorreta. O terceiro em questão
também possui relação pessoal e direta com as situa-
12. (Cespe- Procurador BACEN/2013) João constituiu ções que constituem fatos geradores dos tributos, o que
e administrou, por meio de procuração, empresa indivi- faz dele também um sujeito passivo contribuinte (CTN,
dual, por intermédio de terceiro que não tinha qualquer art. 121, parágrafo único, 1).
ingerência ou interesse nos atos praticados e, em fun-
ção disso, deixou de pagar os tributos devidos. Alternativa "c": incorreta. Salvo disposições de lei
em contrário, as convenções particulares, relativas à res-
Nessa situação hipotética, ponsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem
a) o fato gerador não tem relação direta com João, por ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a defini-
isso ele não pode ser considerado sujeito passivo. ção legal do sujeito passivo das obrigações tributárias
correspondentes (CTN, art. 123).
b) o terceiro será considerado responsável tributário,
dada a sua condição de constar como proprietário
da empresa individual. 13. (Cespe - Juiz de Direito Substituto - DFT/2014)
Foi realizado lançamento de ISS referente a serviço
e) João não será o responsável pelo pagamento dos de revitalização predial prestado em conjunto pelos
tributos caso tenha estabelecido em contrato com senhores A, B e C, pelo qual os três receberam RS
o terceiro que este ficaria obrigado a pagar todos os 10.000,00, pagos pela empresa D Ltda., que não efetuou
tributos. retenção de tributos. O recibo pelo pagamento do total
d) João será considerado contribuinte, e não respon- do serviço foi assinado apenas por A, que, no entanto,
sável. repassou a parte correspondente a B e a C. Somente B
pagou o imposto devido sobre a sua parte, não tendo
e) João não poderá ser considerado sujeito passivo sido recolhido o tributo incidente sobre as parcelas de
da obrigação tributária, por não estar formalmente AeC.
incluído na empresa.
Nessa situação hipotética,

a) A, B e C são responsáveis subsidiariamente pelos


O Nota dos autores: a sujeição passiva tributária tributos incidentes sobre as parcelas que os outros
apresenta o contribuinte e o responsável, cujas prin- receberam.
cipais diferenças podem ser visualizadas no quadro a b) por ter assinado o recibo e recebido o pagamento
seguir: da empresa D Ltda., somente A será responsável
pelos tributos incidentes sobre as respectivas par-
SUJEIÇÃO PASSIVA tes de B e C.
CONTRIBUINTE RESPONSÃVEL c) B, que pagou o imposto referente à sua parte, não
Tem relação pessoal e direta Não se reveste da condição poderá ser responsabilizado pelos tributos referen-
com a situação que consti- de contribuinte e tem sua tes às parcelas que cabiam a A e C.
tua o respectivo fato gera- obrigação decorrente de
dor disposição legal expressa d) A, B e C, por serem contribuintes individuais, são
responsáveis apenas pelos tributos incidentes
Sujeito passivo direto Sujeito passivo indireto
sobre as parcelas que lhes cabem.
Realiza a materialidade des- Deve ter uma vinculação,
crita na regra-matriz tributá- mJnima que seja, com o fato
e) A, B e C são responsáveis solidariamente pelos tri-
ria (de natureza econômica) gerador butos incidentes sobre as suas próprias parcelas e
sobre as dos outros.

Alternativa correta: letra "d": o enunciado não COMENTÃRJOS


deixa claro se a empresa individual é aquela por respon-
sabilidade limitada prevista no artigo 980-A do Código O Nota dos autores: o CTN prevê, em seu artigo
Civil (EIRELI), ou se João é um empresário individual ou 124, que há a responsabilidade solidária entre as pes-
um microempreendedor individual. Partindo do pres- soas que tenham interesse comum na situação que
suposto que João é o titular da empresa individual, por constitua o fato gerador da obrigação principal, ou
possuir relação pessoal e direta com as situações que entre as pessoas expressamente designadas por lei.
Capítulo 6- Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 609

Alternativa correta: letra ue": como a prestação dos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão
de serviços deu-se em conjunto pelos senhores A, B e (CTN, art. 131, Ili).
C. tem-se que todos tem interesse comum na referida
Alternativa "e": incorreta. Ao contrário do que
situação que constituiu o fato gerador do ISS (prestação
constou, como regra, a responsabilidade tributária por
de serviços). Por isso, todos são solidariamente respon-
infrações da legislação tributária é objetiva, ou seja,
sáveis pelo total do ISS devido (CTN, art. 124, 1), sem
independe da intenção do agente ou do responsável
benefício de ordem (CTN, art. 124, parágrafo único). O
e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato
pagamento parcial efetuado por B aproveita a A e a C
(CTN, art. 136).
(CTN, art. 125, 1).
Alternativa "a": incorreta. A responsabilidade de Alternativa "d": incorreta. A pessoa jurídica de
A, B e C é solidária e não subsidiária (CTN, art. 124, I), haja direito privado que resultar de fusão de outra é respon-
vista que todos esses tem interesse comum na presta- sável pelos tributos devidos até à data do ato pelas
ção de serviço de revitalização predial. pessoas jurídicas de direito privado fusionadas (CTN,
art. 132). Perceba que a alternativa estipulou erronea-
Alternativas "b•, "c• e "d•: incorretas. Diante da mente que tal responsabilidade abrangeria os tributos
responsabilidade solidária, A, B e C são responsáveis devidos pelo prazo de seis meses a contar da data do
pelo total da dívida de ISS, sem benefício de ordem. O ato.
pagamento parcial feito por B, aproveita a A e a C (CTN,
art. 125, 1). Alternativa ue": incorreta. Ao contrário do que
constou, a sub-rogação é de rigor. Os créditos tribu-
tários relativos a impostos cujo fato gerador seja a
14. (Cespe- Cartório - TJ - DF/2014) Assinale a opção propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imó-
correta acerca de responsabilidade tributária. veis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação
a) A massa falida é pessoalmente responsável pelos de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições
tributos devidos pelo de cujus até a data da aber- de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos
tura da sucessão. adquirentes, salvo quando conste do título a prova de
sua quitação. No caso de arrematação em hasta pública,
b) O produto da alienação judicial de empresa em pro- a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço (CTN,
cesso da falência permanecerá em conta de depó- art. 130, parágrafo único).
sito à disposição do juízo competente, pelo prazo
um ano, contado da data de alienação.
15. (Cespe - Procurador do MP junto ao TCE-
c) Como regra geral, a responsabilidade por infrações -PB/2014) Mauro, pessoa física com residência fixa e
da legislação tributária depende do dolo do agente conhecida em determinado endereço, abriu um negó-
ou do responsável. cio em outro endereço, no mesmo estado da Fede-
d) A pessoa jurídica que resultar de fusão de outra é ração onde, por mais de um ano, sem se inscrever no
responsável pelas pessoas jurídicas fusionadas e cadastro fiscal, exerceu atividades comerciais sujeitas
pelos tributos devidos pelo prazo de seis meses, ao pagamento do ICMS, mas sem efetuar o pagamento
contado da data do ato. de nenhum tributo. O fisco, em fiscalização ordinária,
descobriu as atividades comerciais de Mauro e lavrou
e) No caso de arrematação em hasta pública, é vedada contra ele auto de infração, tendo-lhe cobrado os tri-
a sub - rogação de impostos cujo fato gerador seja butos e imposto as penalidades cabíveis. Quando foi
a propriedade de bens imóveis. notificar Mauro, o agente do fisco tomou conhecimento
de que este se encontrava preso por condenação transi-
COMENTARIOS
tada em julgado para cumprir sanção penal que lhe fora
O Nota dos autores: em virtude da promulgação imposta, de oito anos de reclusão em regime fechado.
da Lei de Falências em 2005 (lei 11.101), a Lei Comple- Considerando a situação hipotética acima, assinale
mentar 118/2005 alterou e acrescentou uma série de a opção correta.
dispositivos normativos no CTN, com vistas à compati -
bilização dos diplomas legais. a) Mauro, na condição de pessoa física, é considerado
responsável tributário, uma vez que não se encon-
Alternativa correta: letra "b": encontra funda- tra inscrito no cadastro de contribuintes.
mento no § 3° do artigo 133 do CTN, segundo o qual
"em processo da falência, o produto da alienação judi- b) Na hipótese considerada, a obrigação tributária
cial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada per- principal nasceu com a lavratura do auto de infra-
manecerá em conta de depósito à disposição do juízo ção devidamente notificado ao contribuinte Mauro,
de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de pois, somente depois disso, é que ficaram conheci-
alienação, somente podendo ser utilizado para o paga- dos os fatos geradores do tributo devido por parte
mento de créditos extraconcursais ou de créditos que da pessoa física.
preferem ao tributário".
c) O domicílio tributário a ser utilizado pelo fisco
Alternativa "an: incorreta. O espólio (e não a massa deverá ser o do endereço do local onde Mauro pos-
falida) é pessoalmente responsável pelos tributos devi- suía o negócio.
610 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

d) Nesse caso, como Mauro não tinha cadastro da pes- b) A isenção ou a remissão de crédito exonera todos
soa física, o fisco poderia escolher qualquer ende- os obrigados, mesmo que outorgada pessoalmente
reço para utilizá-lo na autuação. a um deles.

e) A pessoa física, mesmo presa em regime fechado, a c) A interrupção da prescrição em favor ou contra um
exemplo de Mauro, não perde a capacidade tributá- dos obrigados, não favorece e nem prejudica aos
ria passiva. demais.
d) A interrupção da prescrição em favor ou contra um
COMENTA RIOS dos obrigados, favorece ou prejudica os demais.

O Nota dos autores: o domicílio tributário é disci- COMENTÁRIOS


plinado pelo artigo 127 do CTN, cuja leitura é recomen-
dada. O Nota dos autores: Na solidariedade estarão
obrigadas, na qualidade de responsável tributário, as
Alternativa correta: letra "e": o CTN, em seu
pessoas que tenham interesse comum na situação que
artigo 126, inciso li, estipula que a capacidade tributária
constitua o fato gerador da obrigação principal (solida-
passiva independe "de achar-se a pessoa natural sujeita
riedade natural ou de fato), bem como àquelas expres-
a medidas que importem privação ou limitação do exer-
samente designadas por lei (solidariedade legal). A
cício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou
solidariedade pressupõe que cada devedor responderá
da administração direta de seus bens ou negócios". Por- pelo montante total da obrigação perante o fisco. Cum -
tanto, o fato de Mauro estar preso em regime fechado, pre ressaltar, de pronto, que é incabível invocar bene-
de fato, não interfere na sua capacidade tributária pas- fício de ordem (sequência para pagamento do tributo)
siva. nos termos do parágrafo único do art. 124 do CTN.
Alternativa "a": incorreta. Mauro, mesmo Alternativa correta: letra "d": A assertiva traz a
enquanto pessoa física, teve relação pessoal e direta redação do art. 125, inciso Ili, do CTN, a saber: "art. 125.
com a situação que constituiu o fato gerador do ICMS, Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os
motivo pelo qual é considerado contribuinte (CTN, art. efeitos da solidariedade: (...) Ili - a interrupção da pres-
121, parágrafo único, 1) e não responsável. O fato de não crição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece
estar inscrito no cadastro de contribuintes não lhe retira ou prejudica aos demais''.
a capacidade tributária passiva, nos termos do artigo
Alternativa "a": Está incorreto. O pagamento efe-
126doCTN.
tuado por um dos obrigados aproveita aos demais. É o
Alternativa "b": incorreta. O auto de infração teor do art. 125, inciso 1, do CTN: Art. 125. Salvo disposi-
lavrado é um lançamento tributário de ofício, que cons- ção de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da
tituiu o crédito tributário. Em outras palavras, a obri- solidariedade: 1 - o pagamento efetuado por um dos
gação tributária principal surge com a ocorrência do obrigados aproveita aos demais.
fato gerador (CTN, art. 113, § 1°). O crédito tributário é Alternativa "b": Alternativa errada. Confira: uart.
constitufdo pelo lançamento. Embora de cunho cons- 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguin-
titutivo (do crédito tributário), o lançamento possui um tes os efeitos da solidariedade" (... ) li - a isenção ou
viés declaratório da obrigação tributária (que nasce com remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo
a ocorrência do fato gerador). se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo,
Alternativas "e" e "d": incorretas. Na falta de elei- nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo
ção, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tri- saldo".
butário, na forma da legislação aplicável, considera-se Alternativa "e": Incorreto. A interrupção da pres-
como tal quanto às pessoas naturais, a sua residência crição em favor ou contra um dos obrigados, favorece
habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o ou prejudica os demais. Confira o teor do art. 125, inciso
centro habitual de sua atividade. Ili, citado no item "d".

16. (TJ - MG - Juiz de Direito - MG/2014) No que con- 17. (FCC - Juiz de Direito - CE/2014) Em setembro de
cerne à responsabilidade tributária, sabe-se que são 2013, Gustavo, com 10 anos de idade, domiciliado em
solidariamente obrigadas: Fortaleza/CE, recebeu em doação, de sua avó, Mariân-
gela, viúva, domiciliada em Natal/RN, um terreno loca-
1. As pessoas que tenham interesses comuns na situa- lizado à beira-mar, em Aquiraz/CE, do qual ela era pro-
ção que constitua o fato gerador da obrigação. prietária, fazia 30 anos.
li. As pessoas expressamente designadas por lei. Como Gustavo é menor de idade, a aceitação da
doação foi feita apenas por sua mãe, que o representa
Assinale a alternativa que RETRATA a veracidade do
na prática de atos da vida civil, pois seu pai foi destituído
princípio da solidariedade.
do poder familiar, por decisão judicial, e há muito tempo
a) O pagamento efetuado por um dos obrigados não "anda desaparecido". No momento em que foi lavrada a
aproveita aos demais. escritura de doação, Mariângela, que era contribuinte
Capítulo 6 - Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 611

do IPTU, encontrava-se em débito com a Prefeitura do este não se enquadra mais na hipótese do art. 134,
Município de Aquiraz, relativamente a esse imposto, no inciso 1 do CTN: "Art. 134. Nos casos de impossibilidade
exercício de 2013. de exigência do cumprimento da obrigação principal
pelo contribuinte, respondem solidariamente com este
Considerando que o contribuinte do ITCD, nas
nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que
doações, é o donatário e tomando como base o que
forem responsáveis: 1- os pais, pelos tributos devidos
dispõem a Constituição Federal e o Código Tributário
Nacional, é correto afirmar: por seus filhos menores".

a) Mariângela, ao formalizar a doação do imóvel a Alternativa "d": O sujeito ativo da exação é o


seu neto, deixará de revestir a condição de contri- estado de Ceará, tendo em vista que o art. 151, § 1°,
buinte do IPTU/2013, passando Gustavo a revestir a inciso 1, da CF/88 prescreve que o ITCMD compete ao
condição de contribuinte em relação ao IPTU/2013, Estado onde se situa o imóvel.
mesmo que da escritura de doação conste certidão
negativa relativamente a esse exercício. Alternativa "e": A assertiva estaria completamente
correta, se o pai de Gustavo não constasse como res-
b) O pai de Gustavo pode ser considerado responsável ponsável pelo tributo. Afinal, devido a perda do poder
tributário pelo ITCD devido por essa transmissão familiar, por decisão judicial, este não se enquadra mais
por doação, pelo simples fato de ser pai, mesmo na hipótese do art. 134, inciso 1do CTN.
não tendo intervindo no ato de transmissão por
doação, nem tendo sido responsável por qualquer
omissão. 18. (Vunesp - Juiz de Direito - SP/2014) No que diz
respeito ao chamado domicílio tributário, é correto afir-
c) Gustavo, embora tenha apenas 10 anos de idade e
mar que
seja, por causa disso, civilmente incapaz, tem, toda-
via, capacidade tributária para ser contribuinte do a) é coincidente, em qualquer hipótese, com o domicí-
ITCD, pois sua capacidade tributária não é afetada lio civil, previsto no Código Civil brasileiro de 2002.
por sua incapacidade civil.
b) em casos específicos, pode o domicílio tributário
d) O sujeito ativo do ITCD incidente sobre essa trans- ser aquele da situação dos bens ou da ocorrência
missão é o Estado do Rio Grande do Norte, pois a dos atos ou fatos que deram origem à obrigação.
doadora, Mariângela, está domiciliada em Natal.
c) no caso do contribuinte pessoa física, é sempre
e) O pai e a mãe de Gustavo revestirão a condição de
coincidente com a sua residência.
responsáveis tributários pelo IPTU em atraso e pelo
ITCD devido por Gustavo, se, da escritura de doa- d) não apresenta qualquer distinção na sua fixação no
ção, não constar certidão negativa relativamente a que diz respeito ao caso dos contribuintes pessoas
débitos do IPTU e do ITCD e se não for possível exi- jurídicas, sejam estas de direito privado de direito
gir de Gustavo o cumprimento da obrigação princi- público.
pal.
COMENTÃRIOS
COMENTARIOS
O Nota dos autores: Sobre a disciplina do domi-
Alternativa correta: letra ªe": o item está em
cílio tributário em matéria tributária, vejamos o teor do
concordância direta com o art. 126, inciso 1 do CTN
art. 127 do CTN: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contri-
que afirma que a capacidade tributária não depende
da capacidade civil: "Art. 126. A capacidade tributária buinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma
passiva independe: 1- da capacidade civil das pessoas da legislação aplicável, considera-se como tal: 1- quanto
naturais". às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo
esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua
Alternativa ªa": O erro da assertiva esta em sua atividade; li - quanto às pessoas jurídicas de direito
parte final, pois o art. 130 do CTN dispõe de modo privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede,
diverso: "Art. 130. Os créditos tributários relativos a ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à
impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domí- obrigação, o de cada estabelecimento; Ili - quanto às
nio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas
relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a repartições no território da entidade tributante. § 1°
tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se Quando não couber a aplicação das regras fixadas em
na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando
qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como
conste do título a prova de sua quitação". Registra-se
domicílio tributário do contribuinte ou responsável o
que nos termos do preceptivo em comento, a certidão
lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou
negativa de débito constitui prova que sua quitação,
fatos que deram origem à obrigação. § 2° A autoridade
fato que evita a transferência da dívida fiscal.
administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando
Alternativa "b": O pai de Gustavo não pode ser impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscaliza-
considerado responsável pelo crédito, haja vista que ção do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo
devido a perda do poder familiar, por decisão judicial, anterior.
612 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

Alternativa correta: letra "b": Refere ao teor COMENTARIOS


do§ 1° do art. 127 do CTN: • § 1° Quando não couber
a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos Alternativa correta: letra "e": A assertiva traz em
deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário sua parte inicial o teor do art. 138 do CTN, in verbis: "Art.
do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia
bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram ori- espontânea da infração, acompanhada, se for o
gem à obrigação". caso, do pagamento do tributo devido e dos juros
de mora, ou do depósito da importância arbitrada
Alternativa "a": A disciplina do domicílio no direito pela autoridade administrativa, quando o montante do
civil distingue-se do direito tributário. Neste, a regra, é o tributo dependa de apuração". Por derradeiro, na sua
domicílio da eleição. Para além disso, há diversas regras parte final é contemplado entendimento jurispruden-
específicas para se alcançar o contribuinte. No direito cial que veda a aplicabilidade do instituto da denun-
privado tem-se maior amplitude do tema, delineado cia espontânea nos casos de parcelamento do débito
nos artigos 70 a 78 do CC/02. O erro está na expressão tributário. Confira: (...) o instituto da denúncia espon-
"é coincidente, em qualquer hipótese". Nesse sentido, tânea (art. 138 do CTN) não se aplica aos casos de par-
confira o teor do art. 127 do CTN transcrito na nota dos celamento do débito tributário (REsp 1102577/DF, Rei.
autores acima. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado
em 22/04/2009, DJe 18/05/2009).
Alternativa "e": O erro está na palavra "sempre".
Confira o art. 127, inciso 1, transcrito na nota dos autores. Alternativa "a": Está incorreto. As multas estão
~im adstritas à legalidade estrita. Confira o art. 97 do
Alternativa "d": Está incorreto. Apresentam sim CTN: "art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) V - a
distinções. Confira o teor do art. 127, inciso li e Ili na nota cominação de penalidades para as ações ou omissões
dos autores. contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações
nela definidas".

19. (FMP - Juiz de Direito - MT/2014) O descumpri- Alternativa "b": Regra geral vigora em matéria
mento de obrigações tributárias, principais ou acessó- tributária, o princípio da irretroatividade da lei. Entre-
rias, pode implicar, quando a lei prevê, a imposição de tanto, existem exceções, a exemplo da hipótese venti-
multas. Relativamente à legislação relativa a infrações, a lada na assertiva. Confira o teor do art. 106 do CTN: "Art.
sua aplicação e à responsabilidade por infrações, é cor- 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qual-
reto afirmar que: quer caso, quando seja expressamente interpretativa,
excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispo-
a) as multas podem ser estabelecidas pela legislação sitivos interpretados; li-tratando-se de ato não definiti-
tributária em sentido amplo, incluindo os decretos vamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como
e as instruções normativas, porquanto a elas não infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a
se aplica a legalidade tributária estrita ou absoluta qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não
relativa à instituição de tributos tão-somente. tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta
de pagamento de tributo; c) quando lhe comine pena-
b) a lei que deixe de definir como infração determi-
lidade menos severa que a prevista na lei vigente ao
nado ato só é aplicável prospectivamente, não
tempo da sua prática".
tendo aplicação a ato ou fato pretérito, salvo
quando tiver caráter interpretativo. Alternativa "c": O erro está na parte final da asser-
tiva quando menciona que "jamais será relevante per-
c) a responsabilidade por infrações à legislação tri-
quirir da culpa ou da boa-fé do contribuinte, mesmo
butária independe da intenção do agente ou do quando induzido em erro por normas complementa-
responsável, de modo que, em matéria tributária, res". A jurisprudência recente começa a abrandar a total
jamais será relevante perquirir da culpa ou da boa- irrelevância da atuação do contribuinte, de modo que
-fé do contribuinte, mesmo quando induzido em a boa ou a má-fé tendem a interferir na aplicação das
erro por normas complementares. penalidades. Hoje, além do fato gerador e da infração,
d) a conversão da obrigação acessória, pelo simples acrescenta-se a postura do contribuinte. Assim, é fun-
fato da sua inobservância, em obrigação principal damental interpretar o rigor dos textos jurídicos com
independe de lei que estabeleça multa pela infra- a postura do sujeito passivo da tributação. Nesse sen-
ção, porquanto o CTN, ao estabelecer a conversão, tido, o Supremo Tribunal Federal entendeu que embora
traz norma autoaplicável. houvesse proibição jurídica para as sanções políticas,
num caso extremo, em que o contribuinte deixou "sis-
e) a responsabilidade por infrações à legislação tribu- temática e reiteradamente" de recolher tributo, a ele
tária é excluída pela denúncia espontânea, acom- não deveria aplicar-se aludida interpretação (AC 1.657
panhada do pagamento do tributo devido e dos - Plenário), visto que a intenção contumaz do contri-
juros de mora, exclusão de responsabilidade essa buinte de sonegar demandaria interpretação diversa.
que não alcança os casos em que o contribuinte, De outra banda, e adstrito à parte final da assertiva, o
em vez de pagar o tributo, simplesmente requer seu parágrafo único do art. 100 do CTN ao tratar das normas
parcelamento. complementares, dispõe que "a observância das nor-
Capítulo 6 - Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 613

mas referidas neste artigo exclui a imposição de pena- COMENTA RIOS


lidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do
valor monetário da base de cálculo do tributo". Daí que Alternativa correta: letra ªc": A sociedade em
é relevante a indução a erro originada da observância comum (sociedade de fato ou irregular) possui pre-
das normas complementares. A primeira parte da alter- visão no art. 986 e seguintes do Código Civil. Trata-se
nativa, por sua vez, guarda compatibilidade com o art. de sociedade não personificada, em razão da ausência
136 do CTN, a saber: "Art. 136. Salvo disposição de lei de constituição regular, ou seja, é a sociedade que não
em contrário, a responsabilidade por infrações da legis- foi registrada no órgão competente (Junta Comercial).
lação tributária independe da intenção do agente ou do Não se trata de tipo societário, mas de uma situação de
responsável e da efetividade, natureza e extensão dos irregularidade. Para o direito tributário a capacidade
efeitos do ato". tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica
regularmente constituída, bastando que configure uma
Alternativa "d": Nos termos do art. 113, § 3°, do unidade econõmica ou profissional (art. 126, inciso Ili,
CTN: "A obrigação acessória, pelo simples fato da sua do CTN). Logo, a sociedade em comum possui capaci-
inobservância, converte-se em obrigação principal dade tributária passiva.
relativamente à penalidade pecuniária". No entanto, o
estabelecimento da penalidade, por força do art. 97, V Alternativa "a": Enquanto a obrigação principal
do CTN, depende de lei. Logo, sem lei estabelecendo a decorre da lei, a obrigação acessória decorre da legisla-
multa não há se falar em aplicação automática da norma ção tributária, podendo ser veiculada através de decre-
impositiva da multa. tos, portarias etc. Essa última (obrigação acessória),
registre-se, torna exigível ao sujeito passivo um fazer
ou não fazer, ou seja, deveres procedimentais que auxi-
20. (Cespe - Procurador do Estado - Pl/2014) Assi-
liam o sujeito ativo na fiscalização e arrecadação fiscal.
nale a opção correta com base nas disposições do
O erro da assertiva foi afirmar que ambas (obrigação
Código Tributário Nacional (CTN).
principal e acessória) submetem-se à reserva de lei em
a) A definição do fato gerador da obrigação principal sentido formal.
e da obrigação acessória submete-se à reserva de Alternativa "b": Em qualquer das hipóteses (soli-
lei em sentido formal: na primeira espécie obriga-
dariedade natural ou legal) não se admite benefício
cional, a sua ocorrência dá ensejo a uma obrigação de ordem. Confira o dispositivo do CTN: "Art. 124. São
de dar; na segunda, há o surgimento de uma obri-
solidariamente obrigadas: 1 - as pessoas que tenham
gação de fazer e não fazer. interesse comum na situação que constitua o fato
b) A responsabilidade solidária em direito tributário gerador da obrigação principal; li - as pessoas expres-
pode ser classificada em natural - quando deter- samente designadas por lei. Parágrafo único. A solida-
minadas pessoas têm interesse comum na situação riedade referida neste artigo não comporta benefício
retratada no fato gerador da obrigação tributária de ordem".
- ou legal - quando expressamente determinada Alternativa "d": O pagamento deve ser total e
por lei-, sendo o benefício de ordem admitido para contemplar, inclusive, os juros de mora. Confira o art.
ambas as hipóteses. 138 do CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída
c) A sociedade em comum detém capacidade tribu- pela denúncia espontânea da infração, acompanhada,
tária passiva, pois essa condição independe de se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos
estar a pessoa jurídica regularmente constituída, juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada
tornando-se sujeito passivo da obrigação tributária pela autoridade administrativa, quando o montante do
principal, ainda que, por convenção particular, seja tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se
prevista a responsabilidade pessoal dos sócios pelo considera espontânea a denúncia apresentada após
pagamento de tributos. o início de qualquer procedimento administrativo ou
medida de fiscalização, relacionados com a infração".
d) A responsabilidade por infrações é elidida pela
denúncia espontânea do contribuinte acompa- Alternativa "e": De fato, capacidade tributária ativa
nhada do pagamento, ainda que parcial, do crédito e competência tributária não se confundem. A compe-
tributário devido, não se considerando espontânea tência tributária refere-se ao poder dos entes políticos
a denúncia da prática infracional ocorrida após o na instituição de tributos. Por sua vez, na capacidade
início de qualquer procedimento administrativo ou tributária ativa há apenas a atribuição da atividade de
medida de fiscalização. arrecadar e fiscalizar tributos. A questão pode ser resol-
vida com texto da lei. Confira o art. 7° do CTN: "Art. 7°
e) A capacidade tributária ativa não se confunde A competência tributária é indelegável, salvo atribuição
com a competência tributária, pois aquela pode das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de
ser delegada a qualquer pessoa jurídica de direito executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas
público ou privado, o que implica a transferência em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica
das prerrogativas de cobrança, fiscalização e arre- de direito público a outra, nos termos do § 3° do artigo
cadação do crédito·tributário. 18 da Constituição".
614 Alan Martins• Dimas Yamada • Harrison Leite• Thiana Cairo

Alternativa correta: letra "e": As obrigações


21. (Cespe - Procurador do Estado - Pl/2014) A
acessórias e a alteração da data de vencimento da
Assembléia Legislativa do estado X aprovou modali-
obrigação principal não estão adstritas ao princípio da
dade de substituição tributária para o setor supermer-
legalidade estrita. Ambos os casos, poderão ser veicu-
cadista, atribuindo a responsabilidade tributária aos
lados mediante decreto, já que não estão abrangidos
fornecedores de produtos e mercadorias. Em decorrên-
no art. 97 do CTN. A jurisprudência caminha em igual
cia da norma recém-publicada, o governador do estado
sentido: EMENTA: ICMS. DECRETO N° 33.707/91-SP:
editou decreto específico para a fixação de obrigações
ANTECIPAÇÃO DO PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALE-
acessórias aplicáveis aos substitutos tributários e para
GADA OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
alteração da data de vencimento da obrigação principal
DA LEGALIDADE, ANTERIORIDADE E DA VEDAÇÃO DE
de recolhimento do ICMS, suprindo lacuna verificada
PODERES LEGISLATIVOS. Não se compreendendo no
na lei reguladora em relação à operacionalização do
campo reservado à lei a definição de vencimento das
regime de substituição tributária.Considerando essa
obrigações tributárias, legítimo o Decreto nº 33.707/91,
situação hipotética, assinale a opção correta.
que modificou a data de vencimento do ICMS. Impro-
a) A modalidade de responsabilidade por substituição cedência da alegação no sentido de infringência ao
atende ao princípio da praticidade e independe de princípio da anterioridade e da vedação de delega-
qualquer vínculo jurídico ou fático entre o substi- ção legislativa. Recurso extraordinário não conhecido
tuto tributário e o substituído, assegurando à admi- (RE 203684, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Primeira
nistração tributária um método menos oneroso de Turma, julgado em 20/05/1997, DJ 12-09-1997 PP-43740
fiscalização do cumprimento das obrigações do EMENT VOL-01882-08 PP-01470).
sujeito passivo.
Alternativa "a": O erro da questão está na expres-
b) O substituto tributário deve realizar o recolhimento são "independe de qualquer vínculo jurídico ou fático
do crédito tributário com base na presunção de entre o substituto tributário e o substituído''. Corrobo-
ocorrência do fato gerador, e, caso esse fato ou situ- rando o exposto, confira o teor do art. 128 do CTN: "Art.
ação fática não se concretize, o próprio responsável 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode
tributário deverá solicitar a imediata e preferencial atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo
restituição do valor pago indevidamente, obser- crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato
vado o prazo decadencial de cinco anos. gerador da respectiva obrigação, excluindo a respon-
c) A previsão de obrigações acessórias para essa hipó- sabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em
tese de responsabilidade por substituição aplicável caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da
ao ICMS demanda prévio convênio entre os esta- referida obrigação''.
dos, consoante expressa previsão na CF. Alternativa "b": O inicio da assertiva está correta,
d) O referido decreto é qualificado como norma com- pois vai ao encontro do teor do art. 150, § 7° da CRFB/88,
plementar e, diante da ausência de determinação in verbis: "(... ) § 7°. A lei poderá atribuir a sujeito passivo
específica, entra em vigor trinta dias após a sua de obrigação tributária a condição de responsável pelo
publicação. pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gera-
dor deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata
e) A definição de obrigações acessórias e a alteração e preferencial restituição da quantia paga, caso não se
da data de vencimento da obrigação principal por realize o fato gerador presumido''. No entanto, quem
meio de decreto executivo não configuram viola- tem o direito de exigir a imediata e preferencial restitui-
ção ao princípio da reserva de lei em matéria tribu- ção do valor pago indevidamente é o contribuinte e não
tária. o responsável. Até porque o responsável não sabe se o
fato gerador ocorrerá posteriormente ou não.
COMENTÁRIOS
Alternativa "c": A necessidade de convênios pelos
O Nota dos autores: Para melhor compreensão da Estados quanto ao ICMS diz respeito a isenções, incen-
assertiva correta, confira o teor do art. 97 do CTN: "Art. tivos e benefícios fiscais nos termos do art. 155, § 2°,
97. Somente a lei pode estabelecer: 1- a instituição de inciso VII, alínea "g" da CRFB/88. Não contempla, por-
tributos, ou a sua extinção; li - a majoração de tributos, tanto, as obrigações acessórias.
ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26,
39, 57 e 65; Ili - a definição do fato gerador da obriga- Alternativa "d": Da análise conjunta do art. 100,
ção tributária principal, ressalvado o disposto no inciso inciso 1e art. 103, 1, do CTN, conclui-se que no caso em
1 do § 3° do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV - a tela o decreto entraria em vigor na data de sua publi-
fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, cação e não em trinta dias. Confira: "CTN Art. 100. São
ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V - a normas complementares das leis, dos tratados e das
cominação de penalidades para as ações ou omissões convenções internacionais e dos decretos: 1 - os atos
contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações normativos expedidos pelas autoridades administrati-
nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão vas"; e "Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram
e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou em vigor: 1- os atos administrativos a que se refere o
redução de penalidades. inciso 1do artigo 100, na data da sua publicação".
Capítulo 6- Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 615

Este último caso é chamado diferimento (postergação


22. (FCC - Promotor de Justiça - PA/2014) Sobre a ou adiamento do pagamento).
substituição tributária, é correto afirmar:
Alternativa "a": A substituição tributária deve ser
a) Por estar autorizada expressamente pela Constitui-
prevista em lei. Nesse sentido é a dicção do art. 128 do
ção Federal, pode ser aplicada de ofício pelo Fisco
CTN que trata do instituto da responsabilidade tributá-
a terceira pessoa estranha a fato gerador que deva
ria. Confira: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste
ocorrer posteriormente, para que seja considerado
capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a respon-
o sujeito passivo da obrigação tributária.
sabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa (...)".
b) Deve ser prevista em lei e importa em fixar obriga- No mesmo sentido, ao tratar da substituição regressiva
ção tributária principal a terceira pessoa, estranha para trás ou regressiva o art. 150, § 7°, da Constituição
ao fato gerador, mas que é considerada sujeito pas- Federal dispõe que "A lei poderá atribuir a sujeito pas-
sivo da obrigação, na qualidade de responsável tri - sivo de obrigação tributária a condição de responsá-
butário. vel pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo
c) Pode ser fixada por lei ou ato do Poder Executivo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada
e alcança a obrigação acessória de pagar o crédito a imediata e preferencial restituição da quantia paga,
tributário caso o contribuinte, aquele que efetiva- caso não se realize o fato gerador presumido".
mente pratica o fato gerador, não cumpra com sua Alternativa "e": Consoante os comentários ante-
obrigação. riores, a substituição tributária deve ser prevista em lei.
d) Deve ser fixada por ato do Poder Executivo e Para além disso, a substituição importa em fixar obriga-
importa em transferir a obrigação tributária prin- ção tributária principal a terceira pessoa e não obriga-
cipal ao diretor, gerente ou representante legal de ção acessória como mencionou a alternativa.
pessoa jurídica, por fato gerador praticado por esta, Alternativa "d": Não será fixada por ato do poder
em caso de insolvência. executivo, mas apenas por lei.
e) Deve ser fixada pelo juiz quando determina a
Alternativa "e": O instituto da despersonalização
despersonalização da personalidade jurídica,
da personalidade jurídica não se confunde com a substi-
transferindo para os sócios da pessoa jurídica a
tuição tributária. Nesta, através de previsão legal, fixa-se
responsabilidade tributária pelos tributos, tendo
a obrigação tributária principal a terceira pessoa que é
em vista a prática de atos em infração de lei, con-
considerada responsável tributário.
trato ou estatuto.

23. (FEPESE - Promotor de Justiça - SC/2014) Analise


o enunciado da questão abaixo e assinale se ele é falso
O Nota dos autores: Nos termos do art. 128 do ou verdadeiro:
CTN é possível verificar duas espécies de Responsabili-
dade: por substituição (ou originária) e por transferência ( ) No que se refere à responsabilidade tributária, a lei
(ou derivada ou por sucessão). A responsabilidade por pode atribuir de modo expresso a responsabilidade
transferência ocorrerá por: solidariedade, sucessão e pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada
por terceiros. A responsabilidade por substituição, por ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo
sua vez, poderá ser regressiva (diferimento) ou progres- até mesmo a responsabilidade do contribuinte ou
siva. atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumpri-
mento total ou parcial da referida obrigação; sendo
Alternativa correta: letra "b": Na responsabili- ainda, que ela tanto pode advir da prática de atos
dade por substituição, o legislador já afasta o praticante ilícitos como também da realização de atos lícitos,
do fato gerador e coloca o terceiro no pólo passivo da nos termos da lei tributária.
relação jurídico tributária, ou seja, de forma prévia, a
lei afasta o contribuinte e o substitui pelo responsável
(terceiro). A substituição tributária, portanto, deve ser
prevista em lei e importa em fixar obrigação tributária Assertiva Verdadeira: a assertiva versa sobre a
principal a terceira pessoa, estranha ao fato gerador, responsabilidade tributária e está de acordo com o
mas que é considerada sujeito passivo da obrigação, disposto no art. 128 do CTN: "Art. 128. Sem prejuízo do
na qualidade de responsável tributário. Lembre-se que disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo
uma das razões do legislador estabelecer as hipóteses expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a
de substituição tributária tem como intuito facilitar a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respec-
fiscalização e arrecadação dos tributos. Vale destacar tiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contri-
duas espécies: i) A Substituição tributária para frente buinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do
ou progressiva ou subseq..fente que ocorre através da cumprimento total ou parcial da referida obrigação".
escolha de uma terceira pessoa para recolher o tributo Ademais, a responsabilidade tributária tanto pode advir
antes da ocorrência do fato jurídico tributário; ii) Substi- da prática de atos ilícitos (responsabilidade por infra-
tuição tributária para trás ou regressiva ou antecedente, ções) como também da realização de atos lícitos, nos
caracterizada pela ocorrência do fato jurídico tributário termos da lei tributária (a exemplo da responsabilidade
em um momento anterior ao pagamento do tributo. de terceiros etc).
616 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

tas à fazenda pública com o intuito de modificar a


24. (Cespe - Cartório - RR/2013) Pedro, condenado definição legal do sujeito passivo das obrigações
pela prática de crime tributário, ingressou com ação tributárias.
pleiteando a anulação de lançamentos tributários rela-
tivos ao IPTU de imóvel de sua propriedade, sob a alega- e) É considerada sujeito passivo da obrigação princi-
ção de que, por estar preso e, em razão disso, não poder pal a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou
usufruir do imóvel, não detém capacidade tributária. penalidade tributária .
Por sua vez, Jorge, interditado judicialmente por apre-
sentar problemas mentais, ingressou com ação pleite- COMENTARIOS
ando a anulação de lançamentos tributários relativos ao Alternativa correta: letra "'e": A assertiva trans-
IPTU de imóvel de sua propriedade, sob a alegação de creve a literalidade do art. 121 do CTN: "Sujeito passivo
que não possui capacidade tributária por ser absoluta- da obrigação principal é a pessoa obrigada ao paga-
mente incapaz. mento de tributo ou penalidade pecuniária".
Com base na situação hipotética acima, assinale a Alternativa "a": Está incorreta, pois a definição
opção correta à luz do CTN. nela contida não é do responsável tributário, mas sim
a) Nenhum dos dois tem direito à anulação do crédito. do contribuinte, conforme o art. 121, parágrafo único,
inciso I, do CTN: "O sujeito passivo da obrigação prin-
b) Ambos têm direito à anulação.
cipal diz-se: 1- contribuinte, quando tenha relação pes-
c) Por ter sido condenado pela prática de crime tribu- soal e direta com a situação que constitua o respectivo
tário, Pedro não tem direito à anulação pleiteada. fato gerador".
d) Jorge tem direito à anulação, mas Pedro não,inde- Alternativa "'b": Nos precisos termos do art. 122, do
pendentemente da razão de sua prisão. CTN: "Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa
obrigada às prestações que constituam o seu objeto",
e) Pedro tem direito à anulação, mas o juiz deve julgar
e não quem está obrigado a pagar o tributo ou pena-
improcedente a ação de Jorge.
lidade.
Alternativa "c": A assertiva apresenta, outrossim,
equívocos conceituais, pois conforme prescreve o art.
Alternativa correta: letra "a": Nenhum dos dois
122, quem está sujeito às prestações que constituam o
tem direito à anulação do crédito. Isso porque a capa-
seu objeto é o sujeito passivo da obrigação acessória.
cidade tributária passiva independe da capacidade civil.
O fundamento legal é o art. 126, incisos 1e li do CTN: "A Alternativa "d": Sendo o tributo uma obrigação ex
capacidade tributária passiva independe: 1- da capaci- legis, nos termos do art. 123 do CTN: "as convenções par-
dade civil das pessoas naturais; li - de achar-se a pessoa ticulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento
natural sujeita a medidas que importem privação ou de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública,
limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou para modificar a definição legal do sujeito passivo das
profissionais, ou da administração direta de seus bens obrigações tributárias correspondentes". Assim, a von-
ou negócios. tade das partes não se sobrepõe à lei.

Demais alternativas: Consoante exposto no item


anterior, nenhum dos dois tem direito à anulação do 26. (IESES - Cartório - TJ - R0/2012) Assinale a alter-
crédito. Isso porque a capacidade tributária passiva nativa correta:
independe da capacidade civil (art. 126, incisos 1e li do a) Como regra, o adquirente de bem imóvel é respon-
CTN). sável tributário pelos impostos cujo fato gerador
seja a propriedade relativamente a periodos ante-
25. (Cespe - Cartório - TJ - BA/2014) Com referência riores a data da aquisição.
à sujeição passiva na relação jurídica tributária, assinale b) Tributo é toda prestação pecuniária voluntária.
a opção correta.
c) A instituição de empréstimo compulsório deve
a) Na obrigação principal, denomina-se responsável o ocorrer por intermédio de lei ordinária.
sujeito passivo que tenha relação pessoal e direta
com a situação que constitua o respectivo fato d) A imunidade recíproca é aquela direcionada aos
gerador. livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua
impressão
b) O sujeito passivo, na obrigação acessória, é a pessoa
obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade COMENTARIOS
tributária.
Alternativa correta: letra "a": É a regra da respon-
c) É sujeito passivo da obrigação principal a pes-
sabilidade tributária dos sucessores, prevista no art. 130
soa obrigada às prestações que constituam o seu
do CTN, in verbis: "Art. 130. Os créditos tributários relati-
objeto. vos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o
d) As convenções particulares relativas à responsabili- domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os
dade pelo pagamento de tributos podem ser opos- relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a
Capítulo 6 - Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 617
··········· ··· ···· ···· ······· ·· ········· ····· ··············· ··· ········· ······· ··········· ········ ··· ····· ·· ····· ··· ··········· ···
tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e
na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos
conste do título a prova de sua quitação". sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em
razão do seu oficio; VII - os sócios, no caso de liquidação
Alternativa "b": A alternativa versa sobre o con-
de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto
ceito de tributo. O tributo é toda prestação pecuniária
neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às
compulsória e não voluntária. Vale mencionar o art. 3°
de caráter moratório".
de CTN: "tributo é toda prestação pecuniária compul-
sória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, Alternativa correta: letra "c": ~ a hipótese pre-
que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em vista no art. 134, inciso IV, acima transcrito.
lei e cobrada mediante atividade administrativa plena-
Alternativa "a": A hipótese é inversa. Consoante o
mente vinculada".
art. 134, inciso 1, do CTN, nos casos de impossibilidade
Alternativa "c": Está incorreta. O art. 148 da de exigência do cumprimento da obrigação principal
CRFB/88 aduz que "A união, mediante lei complemen- pelo contribuinte, respondem solidariamente com este
tar, poderá instituir empréstimos compulsórios( ...)". nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que
forem responsáveis os pais, pelos tributos devidos por
Alternativa "d": A questão trata da imunidade
seus filhos menores.
dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado à
sua impressão prevista no art. 150, VI, d, da CRFB/88. Alternativa "b": A assertiva trouxe hipótese
Ao revés, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, inversa. Consoante o art. 134, inciso VII, do CTN, nos
VI, a da Constituição Federal, impede que a União, os casos de impossibilidade de exigência do cumprimento
Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituam da obrigação principal pelo contribuinte, respondem
impostos sobre o património, a renda e os serviços uns solidariamente com este nos atos em que intervierem
dos outros. Nesse último caso, advirta-se, a tributação ou pelas omissões de que forem responsáveis os sócios,
mútua entre as pessoas políticas comprometeria o equi- no caso de liquidação de sociedade de pessoas.
líbrio federativo.
Alternativa "d": Não é o usuário do serviço notarial
e de registro, mas sim os tabeliães, escrivães e demais
27. (FCC - Cartório -TJ- PE/2013) ~legalmente consi- serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os
derado responsável solidário pelos tributos gerados por atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do
atos em que intervém seu ofício (confira o art. 134, inciso VI, do CTN).
a) o filho menor, em relação aos tributos devidos por Alternativa "e": A assertiva está incorreta. O admi-
seus pais. nistrador é que será responsável pelos tributos devidos
b) a sociedade de pessoa, em relação aos tributos pelo proprietário. Confira o teor do art. 134, inciso Ili,
devidos por seus sócios. do CTN: "Nos casos de impossibilidade de exigência do
cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte,
c) o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio. respondem solidariamente com este nos atos em que
d) o usuário do serviço notarial e de registro, pelos tri- intervierem ou pelas omissões de que forem respon-
butos decorrentes da prática de atos na serventia. sáveis (... ) Ili. os administradores de bens de terceiros,
pelos tributos devidos por estes".
e) o proprietário mandante, pelos tributos devidos
por atos do administrador.
28. (FCC - Cartório - TJ - PE/2013) Quando da reali-
zação do negócio jurídico de compra e venda de bem
imóvel o alienante declarou ao tabelião que não possuía
O Nota dos autores: Preliminarmente cabe adver- débitos para com as Fazendas Públicas municipal, esta-
tir que a Banca Examinadora segue o texto literal do dual e federal. Esta declaração foi consignada na Escri-
CTN considerando as hipóteses do art. 134 como de tura Pública que ainda constou a assunção pelo alie-
responsabilidade solidária. Isso porque, para a doutrina nante de qualquer obrigação tributária por fato gerador
majoritária, as hipóteses ventiladas no referido dispo- anterior à lavratura da Escritura. A responsabilidade
sitivo são casos de responsabilidade subsidiária e não tributária neste caso,
solidária. Entretanto, o candidato deve seguir a litera-
lidade do dispositivo. Confira: "Art. 134. Nos casos de a) é do alienante, pelos tributos cujos fatos geradores
impossibilidade de exigência do cumprimento da obri- sejam anteriores ao negócio.
gação principal pelo contribuinte, respondem solidaria- b) é do adquirente, ainda que tenham sido apresen-
mente com este nos atos em que intervierem ou pelas tadas as certidões negativas de débito pelo alie-
omissões de que forem responsáveis: 1 - os pais, pelos nante.
tributos devidos por seus filhos menores; li - os tutores
c) é solidária do alienante e do adquirente.
e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados
ou curatelados; Ili - os administradores de bens de ter- d) pode ser solidária do tabelião ou do oficial do
ceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventa- registro de imóveis com o adquirente quando não
riante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico efetivamente fiscalizado o recolhimento do tributo
e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida devido na operação.
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······ ··· ·········· ·· ··· ·· ·· ·· ·············· ············· ················· ····· ··· ···· ··· ············· ····· ····· ··· ····· ·· ······ ··
e) somente será atribuída ao tabelião ou ao oficial do a) Os proprietários que não possuem o benefício fis-
registro de imóveis em caráter exclusivo, pela omis- cal continuarão devedores solidários no valor de RS
são na fiscalização desta obrigação tributária por 400,00.
parte do alienante.
b) A isenção concedida a um dos proprietários apro-
COMENTA RIOS veita aos demais e, portanto, a dívida integral será
isenta do pagamento.
O Nota dos autores: O estudante deve ter bas-
tante atenção com a hipótese de responsabilidade soli- c) O valor total do imposto continuará sendo devido,
dária prevista no art. 134, VI, do CTN, bem recorrente mas, agora, somente por aqueles que não têm o
nos concursos para Cartórios. benefício.

Alternativa correta: letra "d": A assertiva contem- d) O tratamento dado à isenção, prevista na hipótese,
pla hipótese de responsabilidade solidária prevista no deve ser idêntico ao aplicado no caso de haver o
art. 134, inciso VI do CTN: "Nos casos de impossibilidade pagamento integral do tributo por parte de um dos
de exigência do cumprimento da obrigação principal proprietários.
pelo contribuinte, respondem solidariamente com este
e) A isenção, em caráter pessoal, não se aplica no caso
nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que
de imóvel em copropriedade, não se podendo afas-
forem responsáveis: (...) VI - os tabeliães, escrivães e
tar o débito integral de RS 600,00, que continuará a
demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos
ser devido.
sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em
razão do seu ofício". Portanto, combinando o disposi-
COMENTARIOS
tivo citado com o art. 130 do CTN, conclui-se que a res-
ponsabilidade poderá ser solidária do tabelião ou ofi-
Alternativa correta: letra "a": A questão é solu-
cial do registro de imóveis com o adquirente. No âmbito
cionada com o teor do art. 125, inciso li do CTN: "Salvo
doutrinário vigora o entendimento que as hipóteses de
disposição em contrário, são os seguintes os efeitos da
responsabilidade do art. 134 do CTN são subsidiárias.
solidariedade: li. a isenção ou a remissão de crédito exo-
Porém, a Banca Examinadora do Concurso costuma
nera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoal-
seguir a literalidade do Código Tributário Nacional.
mente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solida-
Alternativa "a": A responsabilidade será do adqui- riedade quanto aos demais pelo saldo.
rente e não do alienante. Vale observar ainda que a
assertiva correta considerou a hipótese de responsa- Demais alternativas: Todos os itens estão incor-
bilidade solidária entre o tabelião ou oficial do registro retos. Com efeito, nos termos do art. 125, inciso li do
com o adquirente. Confira o teor do art. 130 do CTN CTN, "salvo disposição em contrário, são os seguintes os
que trata da responsabilidade do adquirente: "Os cré- efeitos da solidariedade: li. a isenção ou a remissão de
ditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada
seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a
imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação solidariedade quanto aos demais pelo saldo". Portanto,
de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições os proprietários que não possuem o benefício fiscal da
de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos isenção, uma vez que foi concedida em caráter pessoal
adquirentes, salvo quando conste do título a prova de a apenas um dos co-proprietários, continuarão devedo-
sua quitação". res solidários no valor de RS 400,00, ou seja, pelo saldo.

Alternativa "b": A responsabilidade será do adqui-


rente, salvo quando conste do título a prova da quitação 30. (IESES - Cartório - TJ - RS/2013) Assinale a alter-
dos tributos. Confira o art. 130 do CTN citado no item nativa correta.
acima.
a) Os tabeliães, escrivães e demais serventuários
Alternativa "c": A responsabilidade será solidá- de ofício são responsáveis solidários pelos tribu-
ria do tabelião ou oficial do registro de imóveis com o tos devidos sobre os atos praticados por eles, ou
adquirente. Inteligência dos artigos 130 e 134, inciso VI perante eles, em razão do seu ofício ou por suas
doCTN. omissões, caso não seja possível exigir o cumpri-
mento da obrigação principal do contribuinte.
Alternativa "e": Conforme explicado nos itens
anteriores a responsabilidade será solidária do tabelião b) O espólio não é responsável pelos tributos devidos
ou oficial do registro de imóveis com o adquirente com pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.
respaldo nos artigos 130 e 134, inciso VI do CTN.
c) A responsabilidade tributária por infrações não se
exclui, mesmo em caso de denúncia espontânea
29. (Cespe - Cartório-Pl/2013) Supondo que três pes-
realizada com os recolhimentos devidos.
soas sejam proprietárias de um imóvel em partes iguais;
que uma delas tenha direito a isenção, em caráter pes- d) Salvo disposição legal em contrário, a responsabili-
soal, do IPTU; e que o valor total desse IPTU é de RS dade tributária por infrações depende da demons-
600,00, assinale a opção correta. tração da intenção do sujeito passivo.
Capítulo 6 - Sujeitos (Ativo e Passivo), Responsabilidade, Capacidade e Domicílio Tributário 619

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O Nota dos autores: A questão exige do estudante O Nota dos autores: Atenção para a hipótese de
conhecimento literal dos dispositivos do CTN que tra- responsabilidade solidária prevista no art. 134, VI, do
CTN de grande incidência nos concursos para Cartórios.
tam da responsabilidade tributária.
Alternativa correta: letra "b": A assertiva con-
Alternativa Correta: "a": A alternativa está em templa a hipótese de responsabilidade solidária pre-
conformidade com o art. 134, inciso VI, do CTN que vista no art. 134, inciso VI do CTN, in verbis: "Nos casos
trata da responsabilidade de terceiros. Registre-se que de impossibilidade de exigência do cumprimento da
é grande a incidência desse dispositivo nas provas para obrigação principal pelo contribuinte, respondem soli-
cartórios. dariamente com este nos atos em que intervierem ou
pelas omissões de que forem responsáveis: (...) VI - os
Alternativa ub": A alternativa está errada. Conso-
tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício,
ante o art.131, inciso Ili, do CTN, "são pessoalmente res-
pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles,
ponsáveis:(...) Ili - o espólio, pelos tributos devidos pelo ou perante eles, em razão do seu ofício." Assim, como
de cujus até a data da abertura da sucessão". se trata de responsabilidade solidária, o parágrafo único
do art. 124 do CTN não comporta o benefício de ordem.
Alternativa uc": Está incorreta, uma vez que, de
No âmbito doutrinário vigora o entendimento de que as
acordo com o art. 138 do CTN, "a responsabilidade é
hipóteses de responsabilidade do art. 134 do CTN são
excluída pela denúncia espontânea da infração, acom-
subsidiárias, tendo em vista o enunciado afirmar "nos
panhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido
casos de impossibilidade ...". Observe que, caso fosse
e dos juros de mora, ou do depósito da importância
considerada a hipótese de subsidiariedade, haveria o
arbitrada pela autoridade administrativa, quando o
benefício de ordem. Daí, em casos que tais, a literali-
montante dependa de apuração". dade da assertiva deve prevalecer.
Alternativa "d": Incorreta. Segundo o disposto no Demais alternativas: A responsabilidade do
art. 136 do CTN "salvo disposição de lei em contrário, a notário é solidária. Conforme exposto no item acima,
responsabilidade por infrações da legislação tributária o art. 134 do CTN contempla hipótese de responsabi-
independe da intenção do agente ou do responsável lidade por transferência - "de terceiros", consagrando
e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do a responsabilidade solidária dos tabeliães, escrivães e
ato". demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos
sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em
razão do seu ofício.
31. (Cespe - Cartórlo-Pl/2013) Suponha que determi-
nado notário tenha deixado de exigir o pagamento do
32. (Cespe - Cartório - TJ - BA/2014) Acerca da res-
ITBI no ato da lavratura de escritura de compra e venda,
ponsabilidade tributária, assinale a opção correta.
conforme prevê a legislação local, para garantir a celeri-
dade do negócio jurídico. Nesse caso, a) O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro
serão responsáveis pelos tributos devidos pelo de
a) o notário enquadra-se na responsabilidade de ter- cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitan-
ceiros, que é do tipo exclusiva ou integral, sem o do-se essa responsabilidade ao montante do qui-
benefício de ordem. nhão do legado ou da meação.
b) o notário será solidariamente responsável, sem o b) São pessoalmente responsáveis os tutores e cura-
benefício de ordem, após a tentativa frustrada do dores pelos tributos devidos por seus tutelados ou
fisco em fazer que o adquirente do imóvel cum- curatelados.
prisse a sua obrigação principal.
c) Os tabeliães, escrivães e demais serventuários de
c) o notário, nesse caso, estará isento de responsabi- ofício não são solidariamente responsáveis pelos
lidade, pois somente poderia responder por omis- tributos devidos sobre os atos praticados por eles,
sões, e nunca por tentar dar celeridade ao negócio ou perante eles em razão de seu ofício.
jurídico. d) São pessoalmente responsáveis os pais pelos tribu-
d) a responsabilidade do notário é pessoal, devendo tos devidos por seus filhos menores.
dele ser exigido o pagamento do tributo em pri- e) É solidariamente responsável o adquirente ou remi-
meiro plano, já que ele, tendo de cobrar o paga- tente pelos tributos relativos aos bens adquiridos
mento, deixou de fazê-lo. ou remidos .
e) o notário responderá pelo pagamento do tributo
juntamente com o devedor principal, desde o
começo da exigência do cumprimento da obriga- O Nota dos autores: O responsável fiscal, segundo
ção principal, por tratar-se de caso de responsabi- as palavras do art. 121, parágrafo único, li, do CTN, é a
lidade de terceiros. terceira pessoa escolhida por lei para pagar o tributo,
620 Alan Martins· Dimas Yamada • Harrison Leite· Thiana Cairo

sem que tenha realizado o fato gerador. Convém, nesta COMENTA RIOS
oportunidade, transcrever o art. 128 do CTN, que pre-
coniza que: "a lei pode atribuir de modo expresso a O Nota dos autores: A solidariedade no direito tri-
responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pes- butário alberga algumas diferenças quando comparado
soa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, com a regulamentação civil. Prevista nos artigos 124 e
excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atri- 125 do CTN, determina que cada um dos devedores soli-
buindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento dários responde in solidum (pelo todo) quanto à obriga-
total ou parcial da referida obrigação". ção tributária. Quanto a sua classificação, o CTN a divide
em natural (art. 124, inciso 1do CTN) ou legai (art. 124,
Alternativa correta: letra "a": A assertiva é a trans- inciso li do CTN): "São solidariamente obrigadas: 1- as
crição literal do art. 131, inciso li do CTN. pessoas que tenham interesse comum na situação que
Alternativa "b": A responsabilidade imposta aos constitua o fato gerador da obrigação principal; li - as
tutores e curadores pelo art. 134 do CTN é solidária e pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo
não pessoal. Embora haja atecnia, afirma o art. 134 que único. A solidariedade referida neste artigo não com-
sua responsabilidade só é deflagrada após a impossibi- porta benefício de ordem". Quando aos efeitos, estão
lidade de exigência do cumprimento da obrigação prin- enumerados no art. 125 do CTN que estabelece: a) o
cipal pelo contribuinte. pagamento de um estende-se aos demais; b) a isenção
ou remissão, se não outorgadas pessoalmente, esten-
Alternativa •e": Nos exatos termos do art. 134, dem-se aos coobrigados; c) a interrupção da prescrição
inciso VI do CTN a responsabilidade dos tabeliãs, escri- também se estende a todos.
vães e demais serventuários de ofício é solidária, veja-
-se: "respondem solidariamente com este nos atos em Alternativa correta: letra "C": Está correto o item
que intervierem ou pelas omissões de que forem res- Ili.
ponsáveis: (...)VI - os tabeliães, escrivães e demais ser- Item Ili: Este é o efeito da solidariedade fiscal que
ventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os está previsto no art. 125, inciso 1do CTN: "Salvo dispo-
atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do sição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da
seu ofício". solidariedade: 1 - o pagamento efetuado por um dos
Alternativa "d": A responsabilidade imposta aos obrigados aproveita aos demais".
pais pelo art. 134 do CTN é solidária e não pessoal. De Item errado "1": Este efeito da prescrição é contrá-
outro lado, quadra advertir que sua responsabilidade rio ao que dispõe o art. 125, inciso Ili do CTN.
só é deflagrada após a impossibilidade de exigência
do cumprimento da obrigação principal pelo contri- Item errado "li": Este efeito da prescrição é contrá-
buinte. rio ao que dispõe o art. 125, inciso li do CTN.

Alternativa "e": Nos termos do art. 131, inciso 1do


CTN, a responsabilidade do adquirente ou remitente, 34. (IESES - Cartório - TJ - PB/2014) Com relação
pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos, aos atos notariais e de registro, regimento de custas,
é pessoal e não solidária. emolumentos, custas e contribuições relativos aos atos
praticados pelos serviços de tabelionato e de registro, é
correto afirmar que:
33. (FMP - Cartório - TJ - MT/2014) Analise as afirma-
tivas abaixo. a) Sendo impossível exigir o pagamento do tributo
diretamente do contribuinte, o tabelião responde
A solidariedade, em matéria fisca