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SOCIOLOGIA DA

EDUCAÇÃO
Prof. Msc. Cláudio Guida
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A Disciplina de Sociologia da Educação possui três
momentos. No primeiro momento, iremos falar sobre os
fundamentos sociológicos, no qual o objetivo é fazer com
que o discente perceba com mais profundidade o conceito
de Sociologia, os principais pensadores e o direcionamento
para a Sociologia da Educação. O discente vai perceber que
as mudanças sociais são profundamente condicionadas às
mudanças políticas e econômicas.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
No Segundo momento, discorreremos sobre a relação do
Estado com a Sociologia da Educação. Para isso, será realizado
um diálogo com os três pensadores mais proeminentes da
Sociologia: Durkheim, Weber e Marx. Finalmente, no último
momento, vamos compreender algumas teorias sociológicas
contemporâneas. Estaremos dialogando com dois autores,
Antônio Gramsci e Paulo Freire, uma vez que entendemos que
traremos aos alunos uma discussão mais atuante, contextual e
praxiológica.
Unidade I - FUNDAMENTOS SOCIOLÓGICOS

Objetivos da Unidade

• Entender o conceito e os fundamentos da sociologia.

• Perceber a importância do Positivismo comtiano nas construções


sociológicas.

• Analisar a relação dos pensadores da Sociologia Tradicional com a Sociologia


da Educação.
CONCEITO DE SOCIOLOGIA
Estudo científico das relações sociais, das formas de associação, destacando-se os
caracteres gerais comuns a todas as classes de fenômenos sociais, fenômenos que se
produzem nas relações de grupos entre seres humanos. Estuda o homem e o meio
humano em suas interações recíprocas. A Sociologia não é normativa, nem emite juízos
de valor sobre os tipos de associação e relações estudadas, pois se baseia em estudos
objetivos que melhor podem revelar a verdadeira natureza dos fenômenos sociais. A
Sociologia, desta forma, é o estudo e o conhecimento objetivo da realidade social.
(LAKATOS, 2010, p. 22)
CONCEITO SOCIOLOGIA
A Sociologia abrange várias áreas, existindo sociologia comunitária, sociologia
econômica, sociologia financeira, sociologia política, sociologia jurídica, sociologia do
trabalho, sociologia familiar, entre outras. A Sociologia da Educação é uma espécie do
gênero da sociologia, segundo Lakatos:
Sociologia da Educação, Sociologia Educacional ou Sociologia Aplicada a Educação.
Examina o campo, a estrutura e o funcionamento da escola como instituição social, e
analisa os processos sociológicos envolvidos na instituição educacional. Exemplo:
problemas da educação rural e urbana; necessidade social do MOBRAL; a escola como
agente de socialização e de controle social. (LAKATOS, 2010, p. 27)
UM POUCO DA HISTÓRIA DA
SOCIOLOGIA
O termo Sociologia foi utilizado primeiramente com o
filósofo francês August Comte no seu Curso de
Filosofia Positiva, em 1838, na tentativa de unificar os
estudos relativos ao Homem, como a História, a
Psicologia e a Economia. A corrente sociológica
positivo-funcionalista, fundada por Comte, foi mais
tarde desenvolvida por Emile Durkheim.
AINDA FALANDO SOBRE OS
PRIMEIROS PASSOS DA SOCIOLOGIA...
Outras importantes correntes sociológicas foram
iniciadas por Karl Marx e Max Weber. As
transformações econômicas, políticas e culturais
ocorridas no século XVIII, como as Revoluções
Industrial e Francesa, colocaram em destaque
mudanças significativas da vida em sociedade com
relação a suas formas passadas, baseadas
principalmente nas tradições.
IMPORTANTE SABER QUE...
A Sociologia surge no século XIX como forma de
entender essas mudanças e explicá-las. No entanto, é
necessário frisar, de forma muito clara, que a
Sociologia é datada historicamente e que o seu
surgimento está vinculado à consolidação do
capitalismo moderno.
FUNDAMENTO DA SOCIOLOGIA
A Sociologia enquanto ciência procura compreender as mais
diversas formas de mobilidades sociais, advindas de
processos históricos. Podemos citar como exemplo:
Revolução Industrial, Independência Norte Americana,
Revolução Francesa, entre outros. O seu fundamento está
exatamente em perceber os processos transformacionais ou
não dos mais diversos grupos sociais, vale dizer, a
investigação dos sujeitos sociais enquanto sujeitos ativos ou
passivos.
SOBRE O POSITIVISMO E SUA RELAÇÃO
COM A SOCIOLOGIA
O Positivismo comtiano teve um importante papel para a
sistematização da Sociologia enquanto ciência. O
pensamento positivista é uma corrente filosófica que surgiu
na França no início do século XIX. Os principais idealizadores
do positivismo foram os pensadores August Comte e John
Stuart Mill. Esta escola filosófica ganhou força na Europa na
segunda metade do século XIX e começo do XX, período em
que chegou ao Brasil.
INTERESSANTE SABER QUE...
Os Positivistas não consideram os conhecimentos ligados às
crenças, superstição ou qualquer outro que não possa ser
comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da
humanidade depende exclusivamente dos avanços
científicos.
O Positivismo teve muita influência na literatura. No Brasil,
por exemplo, influenciou escritores naturalistas como
Aluísio de Azevedo e Raul Pompéia.
A frase “Ordem e Progresso” que encontramos na bandeira
brasileira é de inspiração positivista.
OS PRINCIPAIS PENSADORES DA
SOCIOLOGIA – AUGUST COMTE
Auguste Comte (1798-1857): Isidore Auguste Marie François Xavier
Comte, filósofo e matemático francês, foi o fundador do Positivismo
e pai da Sociologia. Criou uma nova ciência para estudar a
humanidade e chamou-a de Física Social, em 1828. Em 1839, mudou
o termo para Sociologia.
Para Comte, a Sociologia procura estudar e compreender a
sociedade para organizá-la e reformá-la depois. Os estudos da
sociedade deveriam ser feitos com espírito científico e objetividade.
KARL MARX
Karl Marx (1818-1883): Filósofo e economista alemão, estudou na
Universidade de Berlim, interessando-se pelas ideias do filósofo
Hegel. Em 1842, assumiu o cargo de redator-chefe do jornal alemão
Gazeta Renana, onde tinha uma postura política de um liberal
radical. Em Paris, conheceu Friedrich Engels, com quem escreveu
vários ensaios e livros.
Marx é o principal idealizador do socialismo e do comunismo
revolucionário. O marxismo, conjunto de ideias político-filosóficas,
propunha a derrubada da classe dominante através de uma
revolução do proletariado, e criticava o capitalismo e seu sistema de
livre empresa. Propunha, além disso, uma sociedade na qual os
meios de produção fossem de toda a coletividade.
EMILE DURKHEIM
Emile Durkheim (1858-1917): Sociólogo francês, lecionou Sociologia
e Pedagogia na Sorbonne de Paris. É considerado o fundador da
Sociologia Moderna e foi um dos primeiros a estudar mais
profundamente o suicídio, que, segundo ele, é praticado na maioria
das vezes em virtude de desilusão do indivíduo com relação ao seu
meio social.
Para Durkheim, o objeto da Sociologia são os fatos sociais, os quais
devem ser estudados como coisas. Os fatos sociais consistem em
maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo.
DURKHEIM DIZIA QUE...
A sociedade não é uma simples soma de indivíduos, e sim
um sistema formado pela associação que representa uma
realidade específica com seus caracteres próprios. Nada se
pode conduzir de coletivo se consciências particulares não
existirem, é necessário que as consciências estejam
associadas, combinadas de determinada maneira.
Afirmava que: “ o homem é um animal que só se humaniza
pela socialização”.
O SISTEMA SOCIOLÓGICO DE DURKHEIM
BASEIA-SE EM QUATRO PRINCÍPIOS:

• A Sociologia é uma ciência independente das demais


Ciências Sociais e da Filosofia.
• A realidade social é formada pelos fenômenos coletivos.
• A causa de cada fato social deve ser procurada entre os
fenômenos sociais que o antecedem.
• Todos os fatos sociais são exteriores ao indivíduo, formando
uma realidade específica.
MAX WEBER
Max Weber (1864-1920): Sociólogo alemão, foi professor
de Economia e participou da comissão que redigiu a
Constituição da República de Weimar. Weber é considerado
um dos mais importantes pensadores modernos e foi o
fundador da disciplina chamada Sociologia da Religião.
Para Weber, o objeto da Sociologia é o sentido da ação
humana individual que deve ser buscado pelo método de
compreensão, baseado no estudo da mente humana.
PARA WEBER..
A sociedade constitui um sistema de poder, pois as relações
cotidianas, de classes e empresarial, por exemplo, se deparam
com o fato de que o indivíduo tem condição de impor sua
vontade a outros. Weber elabora os fundamentos de uma
sociologia compreensiva ou interpretativa.
Ao contrário de Durkheim, Weber não pensa que a ordem
social tenha que se opor e se distinguir dos indivíduos como
uma realidade exterior a eles, mas que as normas sociais se
concretizam exatamente quando se manifestam em cada
indivíduo sob a forma de motivação.
Unidade II - EDUCAÇÃO E ESTADO SOB A ÓTICA
SOCIOLÓGICA
• Objetivos da Unidade

• Conhecer as interações institucionais entre Estado e Educação.

• Refletir sobre as análises e inferências sociológicas de Durkheim, Weber e Marx na


relação entre Estado e Indivíduo nos processos educacionais.

• Reconhecer as abordagens teóricas de Durkheim, Weber e Marx e qual das três


abordagens se enquadraria no atual contexto educacional brasileiro.
SOBRE SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
Pensar Sociologia da Educação é perceber com
profundidade todas as nuances relacionais do sistema
educacional, vale dizer, alunos, professores, família,
técnicos, governo e sociedade em geral. A Sociologia da
Educação é vista como uma área da Sociologia que tem
como finalidade estudar a interação entre a escola (que é
vista como um elemento de socialização) e a sociedade
onde está inserida. Além disso, também contempla a escola
como uma organização e instituição social.
SOBRE SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
Os três pensadores da Sociologia supracitados tinham concepções
diferenciadas acerca das interações sociais, aliás, o conflito social é
um dos aspectos mais debatidos no estudo da Sociologia, em
particular o da educação.
A Sociologia da Educação evoca diretamente a figura da escola. Isto
implica, necessariamente, em uma reflexão sobre sua dinamicidade,
gestão, formação de professores, relação do corpo docente e
discente, processos de interações sociais do ensino e aprendizagem,
entre outras questões.
A VISÃO DE DURKHEIM, WEBER E MARX
SOBRE SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
Dos três autores clássicos apresentados, Durkheim foi o que mais
teve proeminência nas discussões e análises sociológicas da
educação. O pensamento central de Durkheim era o de harmonizar
os interesses das instituições estatais com as necessidades do sujeito
social. Os sistemas de valores, como os religiosos, as leis, a
economia, a moral e educação, embasam as instituições sociais. O
Estado deve compatibilizar as necessidades do sujeito social com
suas regras estatais.

Vejamos como está estruturado o pensamento de Durkheim.


DURKHEIM, CITADO POR RODRIGUES, FEZ A
SEGUINTE AFIRMAÇÃO SOBRE EDUCAÇÃO...
A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre
as gerações que ainda não se encontram preparadas para a
vida social; tem por objetivo suscitar e desenvolver, na
criança, certo número de estados físicos, intelectuais e
morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto,
e pelo meio moral a que a criança, particularmente, se
destine. (DURKHEIM. Educação e Sociologia. 1922. In:
RODRIGUES, 2001: 34).
IMPORTANTE REFLETIR QUE...
A Educação é extremamente vital para a construção de
valores e padrões sociais.

Durkheim, em suas teorias sociológicas, enfatiza o meio


como um fator determinante para essa construção.
Considerado o “pai fundador da Sociologia da Educação”,
ele defende o argumento de que é por meio da educação
que se mantêm certos laços sociais nas sociedades
modernas.
AS TRÊS FUNÇÕES SOCIAIS DA
EDUCAÇÃO SEGUNDO DURKHIEM
• Desenvolver o senso de disciplina e, com ela, o respeito às
hierarquias;
• Desenvolver o sentimento de pertencimento a um grupo;
• Desenvolver a autonomia individual dos sujeitos.

Assim, a educação se organiza enquanto instituição, de


acordo com a concepção de Durkheim, para realizar esta
função moralizadora da sociedade.
SOCIEDADE ORGÂNICA E MECÂNICA
O sujeito social deve aprender a conviver nos sistemas sociais, que
ele chamou de solidariedade orgânica ou solidariedade mecânica,
dependendo do contexto social à aplicação de uma ou de outra. Nas
sociedades em que vigora a solidariedade mecânica, a consciência
coletiva predomina, fazendo com que a coletividade se mantenha
coesa e em conformidade. Já nas sociedades em que predomina a
solidariedade orgânica, o senso de coletividade enfraquece e a
consciência individual ganha força, permitindo aos indivíduos uma
liberdade de ação maior.
AINDA SOBRE DURKHEIM
Na visão de Durkheim, por exemplo, a sociedade impõe ao
indivíduo maneiras de agir e pensar que são consagradas pela
sua condição de ser social, isto é, exterior, coercitiva e geral, e
que atuam sobre todos nós, independente das manifestações
que possam ter do ponto de vista individual. Ele acreditava
... que todo o progresso desencadeado pelo capitalismo traria
um aumento generalizado da divisão do trabalho social e, por
conseguinte, da solidariedade orgânica, a ponto de fazer com
que a sociedade [capitalista] chegasse a um estágio sem
conflitos e problemas sociais. (DURKHEIM, p. 2004).
SOCIEDADE, DOMINAÇÃO E EDUCAÇÃO
EM MAX WEBER
Diferentemente de Durkheim, que fez estudos
teóricos mais aprofundados e extensos na temática
da Sociologia da Educação, estabelecendo seu foco
de estudo em grupos sociais, Weber centrou suas
pesquisas sociológicas no indivíduo. Entretanto,
Weber tem dois textos nos quais aborda a educação:
“Os Letrados Chineses” e “A ciência como vocação”,
conforme tradução para edições brasileiras (VILELA,
2001).
SABE–SE QUE...
As reflexões de Weber sobre a educação podem ser
compreendidas a partir dos tipos de dominação que
descreveu e de seu enfoque da mudança social ocasionada
pelo processo de racionalização da sociedade, ocorrido ao
longo da História, que interferiu na conduta de vida prática
dos indivíduos e, portanto, na sua maneira de educar.
OS TRÊS TIPOS DE DOMINAÇÃO: RACIONAL,
TRADICIONAL E CARISMÁTICA NO PENSAMENTO
WEBERIANO

Legitimação de Caráter Racional: baseada na crença da legitimidade das


ordens estatuídas e do direito de mando daqueles que, em virtude dessas
ordens, estão nomeados para exercer a dominação (dominação legal);
Legitimação de Caráter Tradicional: baseada na crença cotidiana na
santidade das tradições vigentes desde sempre e na legitimidade daqueles
que, em virtude dessas tradições, representam a autoridade (dominação
tradicional);
Legitimação de Caráter Carismático: baseada na veneração extra-
cotidiana da santidade, do poder heroico ou do caráter exemplar de uma
pessoa e das ordens por esta reveladas ou criadas (dominação
carismática).(WEBER, p. 139, 1921).
PARA REFLETIR...
As reflexões sociológicas de Weber têm sua proposta
baseada em conhecer, perscrutar e identificar as reais
intenções do indivíduo. Neste sentido, se torna uma análise
social eminentemente subjetiva e relativa, uma vez que o
comportamento do ser humano em sua regra não alcança a
homogeneização de ideais.
O PENSAMENTO DE KARL MARX SOBRE
EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

Enquanto Durkheim afirmava que o fato social nasce dos


grupos sociais para o sujeito social e Weber do sujeito social
para os grupos sociais, Marx afirma que o fato social nascia
das relações e interesses econômicos.
Marx foi um dos maiores críticos da sociedade capitalista. A
sua base teórica tem sua âncora nas relações de poder a
partir das desigualdades provocadas pelas grandes
corporações capitalistas.
SEGUNDO MARX...
Existe uma educação opressora dos grandes capitalistas sobre
os trabalhadores. Estes são explorados por aqueles a partir de
padrões educacionais de interesse da camada social
dominadora. Tais constatações são vistas como normais,
dificultando a tomada de consciência dos trabalhadores. O
explorado foi privado pelo capitalismo do domínio sobre o seu
trabalho, o que Marx chamou de Alienação. Essa relação é
identificada como natural, pois é inculcada a partir da
ideologia – visões de mundo, ideias, concepções – da classe
dominante que deseja que esta situação se perpetue.
PARA MARX...
O trabalhador possui uma espécie de utopia cognitiva sobre a sua
posição nas relações de produção.
O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza
produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão.
O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto
mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas,
aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos
homens. (MARX, 2004, p.176)
NA PERSPECTIVA DE MARX A EDUCAÇÃO ...
Produzida na sociedade capitalista é manipuladora e despótica, não produzindo
nenhum tipo de transformação.
KONDER, fazendo uma leitura sobre Marx, diz que:
A educação existente na sociedade capitalista não seria responsável por
nenhuma transformação. Para o autor, ela assegura a situação de dominação da
classe dominante sobre a classe dominada, em razão de que sua ideologia está
presente no discurso escolar, legitimando a dominação. Ainda questionando a
educação dentro desse sistema econômico, Marx contesta o papel do educador,
pois seria ele também educado a partir deste modelo de produção (KONDER,
2001).
CONCLUINDO...
As contribuições de Marx foram importantes para as
análises que relacionam desigualdade, escolarização
e reprodução social. Suas ideologias têm o seu valor
para as perspectivas de emancipação e de formação
integral que orientam as pedagogias críticas.
Faça Você Mesmo!
• Olá, caros estudantes!

Para reforçar seus estudos, sugerimos que você possa fazer um quadro conceitual
abordando os principais pontos discutidos nesta unidade a respeito da visão de
Durkheim, Weber e Marx sobre a Sociologia da Educação.
Lembre-se: esta atividade não é obrigatória, mas servirá para reforçar os seus estudos.
Unidade III - EDUCAÇÃO E AS TEORIAS
SOCIOLÓGICAS
Objetivos da Unidade

• Perceber o processo educacional brasileiro e a gradativa inserção do positivismo nos


currículos escolares.

• Dialogar com as teorias de Gramsci sobre Educação Transformadora.

• Discutir os movimentos sociais no Brasil a partir do pensamento de Paulo Freire.


A EDUCAÇÃO E AS TEORIAS SOCIOLÓGICAS
CONTEMPORÂNEAS
Neste último momento, o estudo sobre Sociologia da Educação terá
seu foco voltado para as reflexões e análises das teorias educacionais
da contemporaneidade.
Existe uma lista enorme de pensadores, tais como Pierre Bourdieu,
Phillipe Perrenoud, Gilberto Freire, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro,
entre outros, mas dialogaremos apenas com dois autores, quais
sejam: Antônio Gramsci e Paulo Freire, uma vez que entendemos
que traremos aos docentes uma discussão mais atuante, contextual
e praxiológica.
ANTÔNIO GRAMSCI: SOCIEDADE E EDUCAÇÃO
TRANSFORMADORA

Antônio Gramsci, nasceu em Ales, Sardenha - Itália, no dia 22 de janeiro


de 1891. Foi um filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político
italiano. Escreveu sobre Teoria Política, Sociologia, Antropologia e
Linguística. Foi um dos pensadores mais polêmicos e frutíferos da
contemporaneidade.

Perseguido e preso pelo fascismo, estava comprometido com a instalação


de um projeto político que deveria culminar com a chamada Revolução
Cultural ou Revolução Proletária, mas que deveria ser precedida de
mudanças na cultura, entendida aqui como um conjunto de valores
morais e regras de comportamento cujo domínio se caracteriza pelo
consenso.
ENTENDENDO O PENSAMENTO DE
GRAMSCI
A proposta de Gramsci é transformar o marxismo a partir da
transformação dos sujeitos sociais. Para ele, os indivíduos
devem ser educados dentro das instituições legalizadas pelo
Estado, mas, no entanto, essa educação deve ter como égide
as ideias marxistas para que haja de fato uma mudança de
comportamento. Só a partir daí pode-se ter uma revolução
legal e aceitável.
Mudando as pessoas, mudam-se as estruturas estatais.
ENTENDENDO O PENSAMENTO DE
GRAMSCI...
A ideia revolucionária de Gramsci foi absorvida por muitos
intelectuais marxistas e é bem latente até hoje no mundo e
no Brasil, principalmente nos movimentos de esquerda.
Segundo Gramsci, todos os homens possuem, mesmo de
maneira fragmentada, alguma cosmovisão, sobre a qual
baseiam o seu comportamento moral, e que contribui para
manter ou mudar uma determinada forma de pensar.
SOBRE A EDUCAÇÃO
Gramsci via a educação de forma bem holística, vale dizer, a técnica,
humanista:

Com referência à educação, no sentido estrito da palavra, Gramsci


considera que “no mundo moderno a educação técnica, intimamente
ligada ao trabalho industrial, mesmo o mais primitivo e menos
qualificado, deve constituir a base do novo tipo de intelectual”. Isso
significa, portanto, uma educação para todos e um vínculo estreito
entre a escola e o trabalho, assim como entre a educação técnica e a
educação humanista”. (MONASTA, p. 22. 2010).
UMA NOVA MORAL GRAMSCIANA
Para Gramsci, a escola, por se constituir num aparelho
privado de hegemonia, poderia se direcionar para a
construção de uma nova moral e uma nova cultura da classe
subalterna. Neste sentido, fez uma crítica contundente da
escola profissionalizante por si só, cuja preocupação era
preparar mão-de-obra para o mercado e consistia, então, na
nova proposta para o ensino italiano.
PARA DISCUTIR...
Podemos dizer que Gramsci tinha no seu corolário
ideológico uma educação integral e transformadora, visando
um fim ideológico. Importante dizer que a Revolução
Cultural de Gramsci tem estado de forma latente e presente
nas escolas e universidades do Brasil. A pergunta que se faz
é: a Revolução Marxista propagada e defendida por Gramsci
é realmente necessária hoje em tempos de pós-
modernidade?
PAULO FREIRE E OS PROCESSOS
SOCIOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
Paulo Reglus Neves Freire nasceu na capital de Pernambuco, em 19 de
setembro de 1921 e faleceu em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997.
Diplomou-se em 1946 pela Faculdade de Direito do Recife, tradicional
escola instituída por Lei de 11 de agosto de 1827, juntamente com a de
São Paulo (SAVIANI, 2010, p.319).
Certamente foi um dos pensadores educacionais mais instigantes do
século XX, não só pelo seu método de alfabetização que ficou
conhecido em diversos países nas décadas de 1960 e 1970, mas
também por suas ideias críticas a respeito da educação vertical, que
não levam em consideração a prática e a experiência dos educandos no
processo de aprendizagem imposto pela escola contemporânea.
SOBRE SUA IDENTIDADE IDEOLÓGICA
Foi um dos pensadores que mais conheceu de perto todo o
contexto da educação brasileira. A identidade ideológica de
Paulo Freire não é tão simples de conhecer, não se sabe ao
certo se ele era marxista, comunista ou cristão devoto. A
melhor maneira de identificar talvez seja a partir do seu
jeito eclético e humanista de ser.
Sua preocupação ofereceu uma educação de qualidade e
socializadora para o povo.
SUA TESE VERSAVA SOBRE EDUCAÇÃO
Em sua tese de doutorado, desenvolveu um tema que versava sobre educação:
Conforme Saviani (apud FREIRE, 1959, p.321): “A tese apresentada no concurso
realizado em 1959 teve por título Educação e Atualidade brasileira”. O texto foi
organizado com uma pequena introdução de 16 páginas e três capítulos não nomeados
e dois pequenos anexos. Com menos de 100 páginas, a tese de Freire versou sobre a
transição da sociedade brasileira no capítulo I, a inexperiência democrática da
sociedade brasileira no capítulo II e sobre a base da antinomia “inexperiência
democrática” versus “emersão do povo na vida pública nacional”.
SUA INQUIETAÇÃO PRINCIPAL
Paulo Freire começou a perceber que a educação dada ao rico não
era a mesma dada ao pobre. Apesar de ter se formado em direito,
nunca exerceu a profissão, preferiu exercer a função de educador.
Em suas experiências e análises educacionais, entendeu as
desigualdades educacionais de classes sociais.
É na “Pedagogia do Oprimido” que Freire consegue transpor tais
características, compondo talvez nesse livro um manual de como
empreender uma revolução com o povo, uma revolução que consiga
alcançar seus objetivos, sem antes sucumbir por não ter dialogado
em constância com esse.
SOBRES SEUS LIVROS
Nos três livros escritos por Freire, quais sejam a Pedagogia do
Oprimido, Pedagogia da Esperança e Pedagogia da Autonomia,
podemos perceber as ideias sobre a Escola Nova.
No livro Pedagogia do Oprimido, é possível perceber um profundo
envolvimento do autor com o trabalho de alfabetização que estava
realizando no Brasil antes do Golpe Militar de 1964. O livro faz uma
denúncia não somente da pedagogia escolar, mas, em sentido
amplo, das mais diferentes formas pedagógicas que estão presentes
em nosso cotidiano, nas relações familiares, trabalhistas, étnicas,
sociais, entre outras questões.
SOBRES SEUS LIVROS
Em Pedagogia da Esperança, Freire faz um relato sobre os bastidores
do processo de construção da Pedagogia do Oprimido, descrevendo
os principais acontecimentos que fizeram com que optasse por ser
um educador, sobre as dificuldades de estar longe de casa, no caso o
Brasil, visto o momento político que forçou seu exílio e também
sobre as viagens que proporcionaram conhecer o mundo e vivenciar
as diversas facetas da discriminação e da experiência de se encontrar
com os oprimidos. O livro também relata o antes e o depois da
publicação da primeira edição da Pedagogia do Oprimido, as críticas,
o sucesso e o alcance de suas ideias e a identificação das pessoas
com o livro.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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01. edições outubro/janeiro 2010: Acesso em: 10 de Janeiro DE 2018.