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PEDRO RIOS YOSHIMURA

A RELAÇÃO ENTRE SABERES MÉDICOS E TRADICIONAIS NO ATENDIMENTO


MÉDICO-HOSPITALAR DESTINADO À POPULAÇÃO INDÍGENA NO HOSPITAL
UNIVERSITÁRIO DA UFGD

Dourados
2016
PEDRO RIOS YOSHIMURA

A RELAÇÃO ENTRE SABERES MÉDICOS E TRADICIONAIS NO ATENDIMENTO


MÉDICO-HOSPITALAR DESTINADO À POPULAÇÃO INDÍGENA NO HOSPITAL
UNIVERSITÁRIO DA UFGD

Projeto apresentado ao Curso de Pós-graduação Lato


Sensu em Saúde Pública da Região de Saúde de
Dourados, pela Escola de Saúde de Mato Grosso do
Sul “Dr. Jorge David Nasser” e “Universidade
Federal da Grande Dourados - UFGD”, como
exigência parcial para obtenção do título de
especialista.

Orientadora: Professora Dra. Aline Castilho Crespe

Dourados
2016
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RESUMO

Introdução: os indígenas Guarani e Kaiowá que vivem no sul do Mato Grosso do Sul possuíam
(atualmente ainda possuem) sistemas próprios de tratamento para as doenças. O aparecimento de
doenças novas, as “doenças de brancos” geraram novas dificuldades para estes grupos, pois para as
novas doenças em seu sistema médico não haviam tratamentos testados que tenham se mostrado
eficazes. Para as novas doenças, populações indígenas não tinham resistência, nem tratamento,
ficando dependente do sistema médico da nossa sociedade. Isso se agrava devido questões mais
amplas, como a questão territorial. Dependentes do sistema médico ocidental, entram em choque
modos distintos de noções como saúde, doença, tratamento e cuidado. Na concepção indígena,
práticas de cura não estão voltadas, exclusivamente, à recuperação das condições de saúde dos
indivíduos, as doenças estão relacionadas a outros problemas, como desequilíbrio cosmológico e
social causados pelos contatos com brancos. Objetivos: Analisar a percepção dos profissionais de
saúde em relação aos saberes médicos e tradicionais entre os grupos indígenas localizados no
município de Dourados. Este conhecimento poderia favorecer, em grande medida, na eficácia dos
atendimentos especializados e na utilização de medicamentos ligados a cultura indígena para
preservar práticas de cura e saúde. Por conseguinte, melhor promoção da saúde e humanização que
poderia auxiliar na elaboração de políticas públicas de atenção à saúde indígena. Materiais e Métodos:
estudo exploratório realizado a partir de entrevistas semiestruturadas com profissionais não
indígenas do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados, divididos em
três etapas: 1. Pré-análise, 2. Exploração do material, 3. Tratamento dos resultados. Resultados: Os
dados foram divididos em categorias iniciais, intermediárias, finais e temas para inferência dos
resultados e discussão para chegar ao objetivo da pesquisa. Conclusão: A relação dos saberes
médicos e tradicionais nos atendimentos diferenciados, a eficácia dos medicamentos ligados a
cultura indígena e a eficácia dos atendimentos, promoção de saúde e atenção à saúde indígena
humanizada.

Os descritores: Cura Indígena, Saúde Indígena, Atendimentos Indígenas e Medicina Tradicional.


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ABSTRACT

Introduction: the Guarani and Kaiowá indigenous people living in the south of Mato Grosso do
Sul had (currently still have) own treatment systems for diseases. The emergence of new diseases,
the "white disease" generating new difficulties for these groups because of new diseases in their
medical system had not been tested treatments that have proven effective. For new diseases,
indigenous people had no resistance, or treatment, being dependent on the physician of our society
system. This exacerbated by broader issues, such as territorial issue. Dependents of the Western
medical system, clash distinct notions as health modes, illness, treatment and care. In indigenous
design, healing practices are not geared exclusively to the recovery of the health conditions of
individuals, the diseases are related to other problems such as cosmological and social imbalance
caused by contact with whites. Objectives: To analyze the perception of health professionals in
relation to doctors and traditional knowledge indigenous groups in the municipality of Dourados.
This knowledge could favor a large extent, the effectiveness of specialized care and the use of drugs
linked to indigenous culture to preserve health and healing practices. Therefore, better health
promotion and humanization that could assist in the development of public policy attention to
indigenous health. Materials and Methods: An exploratory study from semi-structured interviews
with non-indigenous professionals of the University Hospital of the Federal University of Grande
Dourados, divided into three stages: 1. Pre-analysis, 2. Exploration material, 3. Treatment of results.
Results: Data were divided into categories initial, intermediate, final and themes for inference of
the results and discussion to reach the objective of the research. Conclusion: The ratio of doctors
and traditional knowledge in different calls, the effectiveness of drugs linked to indigenous culture
and the effectiveness of care, health promotion and humanized attention to indigenous health.

The descriptors: Native cure, Native Health, Native Services and Traditional Medicine.
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1. INTRODUÇÃO

O estado do Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do Brasil
(Crespe, 2015). Os índios Guarani e Kaiowá que vivem no sul do MS passaram por um longo
processo de colonização e foram confinados em pequenas áreas indígenas pelo órgão indigenista
oficial, o SPI (Serviço de Proteção ao Índio). Entre os anos de 1915 a 1928 foram criadas oito
reservas indígenas para onde os índios foram, paulatinamente, transferidos. Pequenas (e cada vez
mais cheias), as reservas não correspondiam (e não correspondem) aos modos como os índios
viviam em seus territórios. Segundo pesquisas realizadas por antropólogos e historiadores, os povos
indígenas reconhecidos como ancestrais dos atuais Kaiowá eram exímios agricultores, viviam em
áreas marcadas pela diversidade de paisagens, próximos aos cursos dos rios, tendo acesso a
alimentos e plantas utilizadas nas práticas de saúde tradicionais (BRAND, 1997; PEREIRA, 2004;
CRESPE, 2015). Isto é, no passado eles possuíam independência econômica e política, o que deixa
de ocorrer com o advento das reservas.
Com as reservas muita coisa mudou, a começar pela paisagem. A reserva de Dourados,
por exemplo, foi demarcada com uma área de 3.600 hectares, tendo sofrido redução, sem que
nenhum rio passasse dentro dela. As terras indígenas também foram desmatadas antes de os índios
chegarem, e então foram colocados nela sem que pudessem continuar tendo a autonomia econômica
e política que tiveram no passado, quando viviam nos seus territórios. Com os passar do tempo mais
famílias indígenas foram levadas para as reservas, o que se intensificou na década de 1980. Em
pouco tempo as reservas indígenas ficaram superlotadas, os índios já não conseguiam produzir e
também passaram a enfrentar novas doenças, das quais, muitas vezes, não tinham como se defender.
Dentro deste contexto, instituições federais, estaduais e municipais passaram a atender
estas comunidades com programas de saúde que nem sempre se adequavam as necessidades e
expectativas da comunidade. Isso começa a mudar com a formação de profissionais indígenas e a
participação deles dentro dos programas, formando assim os agentes de saúde indígena, como vai
acontecer a partir da década de 1980 e se fortalecer nas décadas subsequentes.
Santos et al (2008) faz uma breve sistematização da trajetória das políticas públicas
voltadas para a saúde dos povos indígenas no Brasil e ressalta que foi somente em meados do
século XX que o governo brasileiro começou a oferecer um serviço regular de atenção à saúde aos
indígenas. Entretanto, estes serviços, na maior parte das vezes, desconsideravam os modos que a
própria sociedade tinha de praticar a saúde.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde é um estado de
completo bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Para os povos
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indígenas, a saúde está intimamente relacionada com a terra e o equilíbrio da natureza (EMILIA et
al 2013).
Mas as concepções indígenas sobre a saúde foram, na maior parte das vezes, ignoradas.
Os tratamentos de saúde oferecidos pelos programas de saúde estiveram, ao longo desse tempo,
muito mais atrelados às práticas de saúde da sociedade ocidental. Deste modo, neste contexto foi
preponderante a presença dos saberes e práticas da biomedicina ocidental, desconhecendo os
conhecimentos indígenas sobre saúde, doença e cura.
Isto gerou algumas dificuldades para os profissionais dos programas de saúde
destinados às populações indígenas. O não diálogo entre os conhecimentos sempre foi a barreira a
ser ultrapassada. De um lado, os índios recusam os saberes ocidentais sobre saúde, e quando
reconhecem fazem isso apenas em partes. O tratamento oferecido pelo sistema de saúde pública é
significado dentro das concepções de saúde, doença e tratamento dentro da sociedade indígena. Isso
faz com que os índios combinem, nos tratamentos, práticas da medicina ocidental (como o uso de
alopatias e outros cuidados) com práticas da medicina tradicional.
Essa bricolagem de tratamentos de saúde feita pelos coletivos indígenas incomoda boa
parte dos profissionais de saúde não indígenas que atuam nas áreas indígenas, ou com a população
indígena nas unidades de saúde do município. A incompreensão dos sistemas sociais da sociedade
indígena, incluindo aí seu sistema de saúde, acarreta em preconceitos sobre os modos de vida do
outro. Assim, muitos profissionais associam a ineficácia do tratamento como responsabilidade
exclusiva do paciente.
Mas não se trata apenas disso. Neste caso, o profissional de saúde precisa estar atento
para compreender a situação social e histórica vivida por aquele grupo específico, assim como
precisa estar disposto a ouvir e colocar os saberes em diálogo. Para isso é necessário estabelecer
condições efetivas para o diálogo entre os saberes médicos presentes nas diferentes sociedades para
que paciente e cuidador consigam estabelecer um plano de trabalho mediado pelo diálogo.
A motivação para escrever o artigo surgiu do compromisso social e ético, de forma que
os conhecimentos obtidos na pesquisa possam colaborar na produção de ações dos programas de
saúde e na elaboração de políticas públicas de atenção à saúde indígena. A publicação e valorização
podem também auxiliar na produção de novos saberes biomédicos, mais sensíveis a grande
diversidade de saberes presente.
Como apresentado, a discussão sobre saúde indígena vem ganhando espaço dentro da
área de saúde, bem como da antropologia. Assim, esta pesquisa tem como objetivo analisar a
percepção dos profissionais de saúde em relação aos saberes médicos e tradicionais que pode
favorecer em grande medida a eficácia dos atendimentos especializados e a utilização de
medicamentos ligados a cultura indígena para preservar as práticas de cura e saúde. Por
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conseguinte, uma melhor promoção da saúde e humanização que poderá auxiliar na elaboração de
políticas públicas de atenção à saúde indígena.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Pesquisa descritiva, exploratória e de análise de conteúdo sobre a percepção dos


profissionais de saúde em relação aos saberes médicos e tradicionais no atendimento e suas
especialidades médico-hospitalar destinadas à população indígena no hospital universitário da
Universidade Federal da Grande Dourados, no munícipio de Dourados. O trabalho seguiu as
seguintes etapas: observação nos procedimentos, realização de entrevistas semiestruturadas,
transcrição das entrevistas para análise do material, leitura bibliográfica, análise e escrita do artigo.
Segundo BARDIN (2011 pág. 47), o método de pesquisa de análise de conteúdo é um
conjunto de técnicas de análise das comunicações visando a obter, por procedimentos sistemáticos e
objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores que permitam a inferência e
interpretações dos conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens.
Esse referencial (BARDIN, 1977; MINAYO, 2004), permite descobrir os núcleos dos sentidos que
compõem as evidências comunicadas, cuja presença ou frequência apresentam significado para a
compreensão do discurso. Obtêm-se, então, temas que emergirá da análise das informações
referentes às dificuldades, opiniões, atitudes, valores, entre outros aspectos.
O método pressupõe-se três etapas: a pré-análise, primeiro contato na escolha dos
documentos previamente conferidos, favorecendo a organização do material; a seguir a exploração
do material, agrupando-se em categorias as respostas para identificar as congruências das falas, e a
partir daí, elaborar unidades temáticas para se chegar à terceira etapa, ou seja, ao tratamento dos
resultados.
O estudo realizou-se no período de agosto de 2015 a março de 2016. Os profissionais
incluídos na pesquisa foram médicos, biomédicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e
assistentes sociais não indígenas. Excluídos indígenas, pessoas vulneráveis e incapazes.
A coleta dos artigos para a investigação e referências no contexto da pesquisa são das
bases virtuais da Bireme, Google Acadêmico, Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em
Ciências da Saúde), Scielo (Scientific Electronic Library Online), Web Artigos e na Biblioteca da
Universidade federal da Grande Dourados – UFGD. Os descritores cura indígena, saúde indígena,
atendimentos indígenas e medicina tradicional, anos de 1977, 1997 e no período de 2002 a 2015.
A utilização dos referenciais bibliográficos foi observada para proteger os direitos
autorais dentro dos princípios éticos. O projeto foi submetido à Comissão de Ética da Universidade
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Federal da Grande Dourados e pela Comissão de Ética em Pesquisa para aprovação. Os


participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A coleta de dados foi realizada entre os dias 09 a 11 de março de 2016 através pesquisa
documental, observação e entrevistas semiestruturadas e individuais. Com os instrumentos para
coleta dos dados prosseguiu-se com as entrevistas, realizadas com 16 profissionais, integrantes do
quadro de funcionários do Hospital Universitário – Universidade Federal da Grande Dourados.
Cada entrevista teve uma média de 25 minutos de duração, foram gravadas e posteriormente
transcritas para análise. Para fazer parte das entrevistas buscou respeitar a disponibilidade do
profissional e o tempo disponível e a área de atuação.

Dados dos Profissionais


Dados Perfil Total Porcentagem
Idade. 25 a 33 anos 6 38%
33 a 41 anos 7 44%
41 a 49 anos 0 00%
49 a 57 anos 1 06%
57 a 65 anos 2 12%
Tempo de Formado. 01 a 07 anos 9 56%
07 a 13 anos 5 31%
13 a 19 anos 0 00%
19 a 25 anos 0 00%
25 a 31 anos 0 00%
31 a 37 anos 2 12%
Da Região de Dourados? Sim 03 18,75%
Não 13 81,25%
Trabalhou na Estratégia de Saúde da Família Sim 04 25,00%
Indígena. Não 12 75,00%
Tem algum Curso da Saúde Indígena. Sim 02 12,50%
Não 14 87,50%
Se preparou para Saúde Indígena. Sim 02 12,50%
Não 14 87,50%
Qual(is)? Pós-Graduação 01
Residente 01
Figura 01: Perfil dos Profissional Participantes da Pesquisa.
Fonte: Elaborado pelo autor.

A análise do material obtido via entrevista foi sistematizado seguindo as seguintes


etapas: 1) Categorias iniciais de análise: foram analisadas questões relativas ao tipo de relação
estabelecida entre os saberes médicos e tradicionais dos grupos indígenas no município de
Dourados; 2) Categorias intermediárias: foram analisados os conhecimento sobre os saberes
indígenas e biomédicos que podem ter eficácia nos tratamentos da população indígena; 3) Categoria
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finais: foram analisada a eficácia dos atendimentos, a promoção de saúde e a atenção à saúde
indígena humanizada.

Categorias Iniciais
Tema Subtemas
1.1. Relação e Convivência.

1.2. Identidade Cultural.

1 – A relação dos saberes médicos e tradicionais 1.3. Preconceito.


nos atendimentos diferenciados.
1.4. Ações de Saúde.

1.5. As atribuições no atendimento.

1.6. Identificação no hospital sobre os


conhecimentos do sistema médico tradicional
indígena.
Figura 02: Categoria inicial – A relação dos saberes médicos e tradicionais nos atendimentos
diferenciados.
Fonte: Elaborado pelo autor.

Categorias Intermediárias
Tema Subtema
2.1. Comunidade Indígena.
2 – Conhecimento sobre os saberes indígenas e
2.2. Cacique, Benzedeira, Pajé.
biomédicos que podem ter eficácia nos tratamentos
da população indígena. 2.3. Saúde Indígena.
2.4. Doenças Comuns.
2.5. Causas das Doenças.
Figura 03: Categoria Intermediária - Os saberes indígenas e biomédicos que tenham eficácia nos
medicamentos ligados a cultura indígena.
Fonte: Elaborado pelo autor.

Categorias Finais
Tema Subtema
3.1. Itinerários Terapêuticos.

3.2. A Importância na Atenção diferenciada.


3 – A eficácia dos atendimentos, a promoção de
saúde e atenção à saúde indígena humanizada.
3.3. Correlação entre as condições históricas,
sociais, culturais e as situações de saúde
vivenciadas.
3.4. Característica de atenção diferenciada na Saúde
Indígena.
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Figura 04: Categoria Final - A eficácia dos atendimentos, a promoção de saúde e atenção à saúde
indígena humanizado.
Fonte: Elaborado pelo autor.

1. Categoriais Iniciais
Nas categorias iniciais foram analisadas a relação entre os saberes médicos e
tradicionais nos atendimentos realizados dentro do Hospital Universitário da Universidade Federal
da Grande Dourados. O tema foi dividido nos seguintes subtemas:
1.1. Relação e Convivência
De acordo com o material obtido via entrevista, bem como a partir da observação
realizada, foi possível observar que, apesar da grande quantidade de indígena no município de
Dourados e da proximidade geográfica entre profissionais da saúde e pessoas indígenas, não há
relações de muita proximidade entre brancos e índios, bem como, existe dificuldade em relação a
língua, na comunicação, o que dificulta entender a cultura e os costumes indígenas. Na convivência
entre profissionais da saúde e indígenas este problema também aparece e existe um certo conflito na
condução dos tratamentos, resultado, as vezes, desse estranhamento entre cultura. A realidade dos
grupos indígenas no MS é agravada devido ao preconceito contra eles, muito grande no município
de Dourados. Mesmo as aldeias estando próximo a cidade, eles se comunicam pouco com a
população regional e muitos deles falam apenas o Guarani, agravando as dificuldades de
comunicação durante os tratamentos médico-hospitalares. Nestas situações, para que se produza
comunicação entre cuidador e paciente, é necessária a presença do intérprete. Devido as diferenças
culturais, as dificuldades linguísticas e o preconceito, ao longo do tratamento hospitalar, por
exemplo, permanecem retraídos e acabam ficando isolados.
1.2. Identidade Cultural
Quanto ao reconhecimento da identidade, parte dos profissionais de saúde entrevistados
demonstraram ser importante a valorização dos saberes indígenas e o reconhecimento de suas
diferenças, admitindo inclusive, a presença de rezadores indígenas para auxiliar pessoas em
tratamento, procurando assim valorizar seus costumes, cultura e saberes. Por outro lado, os
profissionais de saúde procuram, dentro dos limites colocados pelo espaço hospitalar, respeitar
todos e tratar com igualdade, independentes da etnia. Tenta-se trabalhar nessa linha, dar
atendimento tendo essa visão, mas as vezes esta contradição estabelecida entre reconhecimento da
diferença e equidade de tratamento gera conflitos.
1.3. Preconceito
O preconceito existe contra os grupos indígenas no Mato grosso do Sul, deixa os índios
às margens da sociedade. O preconceito traz consequências de excluir, diminui os saberes indígenas
em relação aos saberes ocidentais. Por conta do pré-conceito muitos profissionais de saúde não
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reconhecem ou não entendem a cultura indígena e isso acaba afastando os indígenas das relações
com os não índios, dificultando a convivência, inclusive nos espaços destinados a tratamento de
saúde. O preconceito também agrava o sentimento de inferioridade entre os grupos indígenas e, por
conta disso, acabam não participando ativamente do processo de construção de assistência,
dificultando o bem cuidar. As relações de tensão, somada as dificuldades linguística, acaba
prejudicando o tratamento.
1.4. Ações de Saúde
Os programas de saúde, assim como os profissionais e suas ações, tem o desafio de
humanizar as relações no atendimento dos grupos indígenas e descontruir os preconceitos existentes
e que dificultam no acompanhamento dos pacientes. No sentido de melhorar as relações o
tratamento da população indígena, no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande
Dourados, quando necessário, existe a possibilidade de um interprete acompanhar os procedimentos
médico-hospitalares. A presença do interprete é fundamental em muitas situações, bem como, a
presença de profissionais indígenas e/ou profissionais que passaram por algum tipo de preparo para
o atendimento das pessoas indígenas. O hospital universitário conta com enfermeiro e residentes em
saúde indígena que tem condições de oferecer um atendimento diferenciado, levando em
consideração a patologia, diferenças culturais e sociais. Apenas deste modo é possível pensar em
inclusão social das pessoas indígenas nas unidades de saúde, em saúde integral, nos aspectos
psicológicos e clínicos. Por serem amparados judicialmente e tendo direito a tratamento
diferenciado, a população indígena acaba tendo uma atenção especial, como a consulta com
multiprofissional, serviços de maternidade, uti, clinica, pediatria, uti neonatal, uti pediátrica, tendo
no Hospital Universitário a presença de um enfermeiro que trabalha com os indígenas e prioriza
determinados atendimentos.
1.5. As atribuições no Atendimento
O atendimento da população indígena, respeitando as diferenças culturais e sociais, é
difícil de realizar de forma efetiva, levando em consideração as dificuldades no estabelecimento da
comunicação entre cuidador e paciente. Entretanto, apesar das dificuldades, é possível fazer um
atendimento que tenha resultados positivos com a população indígena. Para isso é importante a
sensibilização dos profissionais da saúde para com as diferenças culturais envolvidas nas relações
de cuidado, passando desde o tratamento médico inicial, o transporte para facilitar o acesso para às
aldeias, os serviços médico-hospitalares, a comunicação com a saúde indígena local, a rede de
saúde de farmácia, a Secretaria de Saúde. Deste modo, existem mecanismo específicos para o
acolhimento, assistência à saúde, assistência de equipe de saúde destinada a cuidar da saúde
indígena, equipe médica, atendimento prioritário, assistência social, cuidados desde higiene pessoal,
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cuidados específicos na administração de medicação, cuidado integral, orientação sobre os


medicamentos, atendimento de crianças indígenas.
1.6. Identificação na comunidade pessoas conhecedoras do Sistema Médico Tradicional
Poucos dos profissionais de saúde entrevistados (re)conhecem que nos grupos indígenas
existem sistemas de cuidado e tratamento de saúde tradicionais. Entretanto, quando há por parte dos
indígenas a reivindicação de ações tradicionais dentro da unidade de saúde, o pedido é respeitado
dentro das condições do hospital, desde que não haja prejuízos ao tratamento biomédico. Dentro da
unidade de saúde os estudantes indígenas (principalmente de enfermagem) divulgam o sistema
tradicional e seus recursos, como chá de folhas, raízes, caule e suas indicações para diversas
doenças. No hospital tem enfermeiro, residentes da saúde indígena, grupos de estudantes de
psicologia fazem estágio no hospital e nas aldeias e dentro das áreas indígenas podem acompanhar
aspectos referentes as práticas tradicionais, bem como, aprender um pouco sobre noções de saúde,
doença e cuidado dentro da área indígena. As enfermeiras indígenas, que trabalham dentro das áreas
indígenas, por exemplo, conhecem as muitas plantas medicinais nas aldeias e estão mais próximo da
realidade destes grupos. Deste modo, pudemos perceber que apesar das dificuldades a instituição se
preocupa em respeitar as formas de ser transitar e oferece condições para que possa ser bem
atendido e respeitados em suas diferenças dentro da unidade hospitalar.

2 - Categorias Intermediárias
Nas categorias secundárias foram analisados os saberes indígenas tradicionais e os
saberes biomédico que possam auxiliar no tratamento das pessoas indígenas dentro da unidade de
saúde pesquisada.
2.1. Comunidade Indígena
Os grupos indígenas que vivem na reserva indígena de Dourados foram fortemente
impactados pelo processo de colonização no sul do MS, principalmente a partir do início do século
XX. A reserva indígena de Dourados foi criada em 1917, demarcada após 48 anos em 1965, e para
essas terras foram levadas partes de famílias de três etnias distintas, a saber, Guarani, Kaiowá e
Terena. Os Guarani e Kaiowá, apesar de grupos falantes da mesma língua, mantem entre si
diferenças significativas. A reserva indígena foi demarcada com uma área de 3.600 hectares, área
reduzida na demarcação. Na época de sua demarcação a terra já havia sido desmatada e o ambiente
do lugar não correspondia, de modo algum, aos territórios tradicionais dos quais foram expulsos. A
situação de reserva retirou-lhe condições de manter a produção econômica que tinham no território,
e isso tem implicação direta com a situação atual e com as questões relacionadas à saúde (Crespe,
2015). Além dos impactos na organização social, a reserva implicou problemas políticos sérios. A
organização social das comunidades guarani está organizada a partir da parentela (Pereira, 2004). A
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parentela está organizada a partir da figura do hi’u, chefe de parentela. O prestígio do hi’u depende
de várias condições, como a presença de filhos, genros, noras, netos e netas, além de outros
atributos que possam colaborar no sentido de manter a parentela junta. A reserva também impactou
a organização da parentela. Isso aconteceu na medida em que transferiam os índios para as reservas
e fragmentou as famílias indígenas. A reserva não respeitou as formas de organização tradicional e
o Serviço de Proteção aos Índios instaurou a figura do capitão. O problema do capitão é a natureza
de seu poder, exterior a sociedade indígena, vinda do estado e se contrapondo as lideranças
tradicionais, chefes de parentela. O rezador é uma autoridade administrativa e mediador dos
problemas internos que exigem solução externamente. Além do chefe de parentela, do capitão,
existe as figuras dos rezadores e rezadoras (Ñanderu e Ñandesy), eles detêm muitos conhecimentos
sobre rituais, rezas, cantos e plantas que são acionados e utilizados para o tratamento de doenças
dentro da área indígena. Além dos rezadores, eles contam também com a presença das parteiras, que
acompanham os partos, sabem rezar e também dominam os conhecimentos das plantas medicinais.
Nos territórios tradicionais, antes do contato com os não indígenas, as populações indígenas
possuíam sistemas próprios de tratamento para as doenças. Os agentes indígenas mencionados
anteriormente eram os principais agentes da produção e reprodução destes conhecimentos. Para
isso, incluía elaboradas formas de classificação de plantas e substâncias com efeito terapêutico.
Entretanto, o processo histórico e a remoção dos índios para as reservas implicaram na dificuldade
de reprodução das práticas tradicionais. A chegada de novas doenças, às quais as populações
indígenas não tinham resistência, nem tratamento também teve impacto para esses grupos. Com
isso, a necessidade de tratamentos realizados na sociedade não indígena vai se tornando cada vez
maior, assim como, o uso dos remédios tradicionais podem se tornar cada vez menores.
2.2. Cacique, Benzedeira, Pajé
Nos tratamentos das pessoas indígenas dentro do espaço hospitalar, muitas vezes é
solicitado pelas famílias os acompanhamentos dos rezadores dentro da unidade. O hospital abre esse
espaço e autoriza a entrada quando são procurados pelos familiares para que possam fazer os rituais
de cura, desde que não tenha implicações ou prejuízos no tratamento hospitalar. Em algumas
situações, o próprio hospital entra em contato com a família do paciente indígena, justamente
quando não consegue adequação do tratamento. Deste modo, o hospital colabora para que os
indígenas possam reproduzir algumas de suas tradições ligadas aos tratamentos de saúde. Na
pesquisa foi descrito um caso de rezadores entrarem no hospital e fazer um ritual, onde o pajé fez
uma dança usando roupas típicas. Depois da dança houve melhoras no tratamento do paciente. Foi
descrita outra situação em que uma criança que ia fazer um tipo de procedimento e a família pediu a
presença de um rezador para vir, a instituição autorizou e foi realizada a prática tradicional indígena
junto com a criança.
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2.3. Saúde Indígena


Apesar das dificuldades envolvendo o tratamento dos pacientes indígenas, com os
avanços da medicina tradicional e ocidental, o atendimento destinado à população indígena
melhorou muito nos últimos anos e tem melhorado a cada dia, diminuindo, por exemplo, os casos
de mortalidade infantil e materna. Mesmo assim, parte das pessoas que chegam ao hospital tem
certa resistência em receber o atendimento hospitalar pelo fato de precisar ficar internado. Algumas
vezes acontecem dos pais quererem tirar a criança do tratamento, de fugir, de não deixarem fazer
determinado tipo de procedimento, fala que a medicação mata, a medicação de plantas medicinais é
melhor que a nossa medicação.
2.4. Doenças Comuns
As doenças mais comuns na saúde da atenção básica que são encaminhados para o
hospital. Entretanto, a maior parte da procura é na maternidade Depois da maternidade há muita
procura para tratamento de doenças como a asma, diarreia, doenças pulmonares, vômitos,
desnutrição, desidratação, gastrenterite, gastrenterocolite, hipertensão, HIV, paralisia cerebral,
pneumonia extrativa, síndrome de fournier, tosse, tuberculose, vítimas de agressão, vômitos, na
pediatria doença do Jeca (amarelão ou ancilostomíase).
2.5. Causas das Doenças
A maior parte das doenças tem influência das dificuldades sociais que vivem os Guarani
e Kaiowá, como a carência alimentar resultado do confinamento na reserva indígena, infraestrutura,
saneamento básico dentro da área indígena, falta de água tratada, falta da terra, dificuldade de
assistência com a equipe de saúde e equipe social. A vulnerabilidade social resulta em outros
problemas, como alto consumo de álcool, aumento das situações de violência social, a presença de
drogas dentro da reserva, o que acaba gerando problemas de saúde.

3 - Categorias Finais
Nas categorias finais de análise foi analisada sobre a eficácia dos atendimentos, a
promoção de saúde e atenção à saúde indígena humanizada.
3.1. Itinerários Terapêuticos
O itinerário terapêutico vem da atenção básica, do Hospital da Vida, Unidade de Pronto
Atendimento (UPA), que atende Dourados e os municípios da região. O Hospital Universitário tem
também o Pronto Atendimento Pediátrico (PAP), onde se realiza a triagem. O hospital é acionado
pelos polos de atendimento indígena, que entram em contato com a CASAI (Casa de Apoio a Saúde
Indígena) ou a própria FUNASA (Fundação Nacional de Saúde). Quando a pessoa indígena é de
Dourados, ele é encaminhado pelo postinho da aldeia e do Hospital da Missão. Entretanto, em
grande parte dos casos, antes de procurar o sistema médico hospitalar, eles procuram pelos
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mecanismos internos e tradicionais de tratamento. Procuram os postos de atendimento, na maior


parte das vezes, quando estão na fase bem adiantada da doença. A equipe de saúde da família
indígena faz o primeiro atendimento, depois disso é encaminhado para o UPA (Unidade de Pronto
Atendimento), que pode encaminhar para o Hospital Universitário.
3.2. A Importância na Atenção diferenciada
Para ser possível proporcionar uma atenção diferenciada é preciso que os profissionais
de saúde conheçam, minimamente, o sistema tradicional indígena e reconheça que existam práticas
para a promoção da saúde eficazes para a promoção da saúde indígena. O conhecimento da história
dos grupos indígenas no MS e de sua cultura colabora para a melhora da comunicação e do
atendimento de qualidade. A sensibilização dos profissionais de saúde diminui o preconceito e
possibilita ações particularizadas, levando em consideração algumas diferenças importantes para
pensar o tratamento. Bem como, auxilia na escolha do melhor atendimento terapêutico para estes
indivíduos. É importante valorizar a terapêutica tradicional no modelo biomédico do hospital que
atende à demanda indígena. Os enfermeiros e residentes da saúde indígena já vem ajudando na
questão do tratamento. A rede de atendimento também tem auxiliado e tem condições de referenciar
o paciente de modo correto e dar-lhe melhor atenção. Com profissionais conhecedores da realidade
indígena é possível compreender atitudes que fica difícil entender e o processo de tratamento da
doença é facilitado quando feito em conjunto.
3.3. A Correlação entre condições históricas, sociais, culturais e as situações de saúde
vivenciadas
Existe uma relação de muita proximidade entre as condições históricas e culturais com
as situações de saúde vivenciadas pelos grupos indígenas que vivem no município de Dourados.
Como mencionado anteriormente, no último século os Guarani e Kaiowá foram retirados de seus
territórios tradicionais, onde tinham autonomia econômica e política, fartura de alimento e
mecanismos próprios para a promoção da saúde. A retirada dos índios de seus territórios e a criação
das reservas teve muito impacto para as famílias que não conseguiram, desde então, recuperar a
autonomia econômica. Além disso, o contato com os brancos implicou em novas doenças, que
agrava a situação dentro da reserva. O conhecimento das condições históricas e sociais é de
fundamental importância para sensibilizar os profissionais de saúde, melhorar as relações
estabelecidas entre cuidadores e pacientes e minimizar o preconceito dentro da unidade de saúde.
3.4. Característica de atenção diferenciada na Saúde Indígena
Na atenção dedicada à saúde indígena é preciso, em primeiro lugar, identificar as
dificuldades da pessoa para acessar e administrar os saberes e medicamentos do sistema biomédico.
É necessário ter cuidado na explicação dos procedimentos, para que seja possível compreender
atendimento e as ações. Para que isso seja possível, em muitas situações é necessária a presença de
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um intérprete. O conhecimento sobre a história e a cultura indígena é fundamental para a melhoria


da qualidade da relação entre cuidador e paciente. O médico, o enfermeiro, o auxiliar de saúde que
atua nas aldeias tem mais facilidade de acesso, conhece o contexto em que vivem os índios, tem
uma abordagem mais adequada a esta realidade. Entretanto, a maior parte dos profissionais que
atende no hospital, fazem isso sem conhecer a realidade indígena, sua vivência e expectativas.
Apesar disso, foi possível observar que a unidade de saúde tem se mostrado disposta a dialogar e
colaborar no sentido de produzir melhores relações entre profissionais da saúde e pacientes
indígena, com resultados mais positivos.

CONCLUSÃO
Como apontado, a efetivação de um programa de atendimento destinado à atenção da
saúde indígena enfrenta alguns desafios. O principal dele é a comunicação entre cuidadores e
pacientes, pelas dificuldades linguísticas, mas também, pelas diferenças culturais. Na convivência
dentro da unidade, muitas vezes, aparecem conflitos, resultado desta diferença, um choque de
cultura. A valorização da identidade cultural está parcialmente em expansão. O preconceito dificulta
a própria convivência e a sensação de inferioridade consequências negativas para os índios, tendo
prejuízos também no tratamento. Apesar das dificuldades, amparados judicialmente, os indígenas
têm recebido dentro do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados uma
atenção especial. A instituição tem se preocupado em respeitar a presença das diferenças culturais e
promover formas de acompanhamento diferenciada, que minimizem a distância entre cuidadores e
pacientes.
O conhecimento do sistema de vida tradicional e as transformações históricas
promovidas a partir da chegada dos brancos é fundamental aos profissionais de saúde da rede
pública de atendimento do município de Dourados, devido à grande população indígena presente na
cidade. O conhecimento sobre os modos de vida indígena contribui para proporcionar uma
comunicação melhor dentro e fora das unidades de saúde e assim, poder referenciar o paciente
corretamente. Este cuidado, de se aproximar para conhecer e entender melhor o outro pode gerar
resultados mais positivos nos tratamentos de saúde.

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