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XV ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS


GT 37 - Relaçoes Sociais de Gênero
Caxambu - MG
15 a 18 de outubro de 1991

VITIMAS OU CUMPLICES?
Dos diferentes caminhos da produçao acadêmica
sobre violência contra a mulher no Brasil

Miriam Pillar Grossi


Pós-Graduaçao em Antropologia Social
Universidade Federal de Santa Catarina
Cx. Postal 476
Campus Trindade
88.049 Florianópolis SC
Fone: (0482) 31-9714
?

Introduçao

Este artigo faz parte de um pesqu isa ma is amp 1a que venho


desenvolvendo sobre a problematica da "violência contra a mulher no
Brasil" (GROSSI: 1988 e 1991). Priorizei como recorte temporal a
decada de 80, período no qual a tematica "violência contra a mulher"
surge como bandeira de luta do movimento feminista, é reapropriada
pelo Estado com a criação das Delegacias de Defesa da Mulher e
suscita uma serie de inquietações teoricas no campo das Ciências
Sociais. Me proponho aqui a analisar especificamente a pr-oduçao
"acad;mica" sobre a quest~o: livros, teses, artigos e relatórios de
pesquisa nas áreas de Ciências Sociais, Psicologia e História.
Deixei propositalmente de lado as pub l t cacôe s que considerei
como marcadamente "militantes"(1): cartilhas, panfletos de
divulgaçao de servicos de apoio à mulheres ví'timas de agressão,
artigos publicados na imprensa, cuja principal característica tem
sido a denúncia da violência e a instrumentalizaçâo das mulheres
para se defenderem dela (mesmo que parte significativa destas
publicações, muitas vezes sem autór;a, tenham sido escritas por
pesquisadoras da área de Ciências Sociais ligadas ao movimento
feminista). A colocaçao de ARDAILLON(1989) de que a problemática da
"violência", entre as inúmeras lutas feministas dos anos 70/80,
tenha sido a questão melhor recuperada pelo Estado (na figura das
Delegacias de Defesa da Mulher), parece ser uma constatação de
unanimidade entre as (os) pesquisadoras (es) da área. Prova velmente
por causa desta "visibilidade da violência contra a mulher" houveram
inúmeros projetos de invest igação envo 1vendo de 1egaci as e outros
servicos de assistência á mulheres vítimas de violência. Optei
tambem pe 1a exc 1usâo de parte destes trabalhos tanto pe 1a

(1) Estou considerando "militante" a produçâo ligada ao que GOLDBERG


(1989) denomina de "ideário feminista" escrita tanto por grupos
feministas como por Conselhos da Condicao Feminina, Delegacias da
Mulher, Nucleos de Estudos sobre a Mulher, etc.

1
di fi cu 1dade dé acesso aos re 1atôr ios f ina is de pesqu isa quanto por
considerá-los de alguma forma uma produção "engajada"(2)
Uma primeira análise do conjunto dos estudos sobre a
violência contra a mulher me leva a sinalizar diferentes abordagens
teóricas da questão: uma, mais generalizante, que opera com o
conceito de violência utilizado como sinônimo de opressão masculina
(3); uma outra, majoritária nos trabalhos analisados, que escolhe a
violência conjugal ou doméstica como locus privilegiado de análise
da situação estrutural da mulher na sociedade brasileira; uma
terceira, mais recente, parece apontar ora para uma redefinição da
problemática da violência a luz dos estudos de gênero, ora retorna a
uma abordagem feminista da violência, com a recuperaç~o do
si gn ificado ma is amp lodo conce ito ,li gado a id~ ia de op ressão da
mu 1her. Estas tr~s abordagens estâo, no meu entender, re 1aci onadas
com a propria transformação teórica ocorrida no seio do campo de
estudos sobre mulher no Brasil(4).

1. Feminismo, SOSs e Violência

A grande maiôria dos estudos sobre a violência contra a


mulher no Brasil faz referência ao feminismo, seja enquanto
movimento politico que "dá visibilidade a violência", seja porque se
utilizam do discurso de denúncia construido pelo movimento. Mas
estas referências ao feminismo raramente s~o problematizadas como

2.Entre estas pesquisas tenho conhecimento do Projeto da SEADE em


Sao Paulo, de um trabalho feito em Natal pelo Conselho da Condição
Feminina e Núcleo de Estudos da Mulher, de uma pesquisa sobre crimes
contra a mulher no Acre desenvolvida pela Rede Acreana de Homens e
Mulheres com apoio institucional da Fundaçao Ford, de uma pesquisa
financiada pelo CONCIET/SC sobre a delegacia de Blumenau feita por
estagiárias do Servico Social. Na proxima etapa de minha pesquisa
pretendo fazer um mapeamento da questão da violência em diferentes
Estados do país assim como fazer uma analise comparativa deste
material.
3. A este respeito o recente artigo de BOURDIEU (1990) sobre a
"dominaçâo masculina" tem servido como interessante cristalizaçâo
de alguns pressupostos que ligariam dominaçao com violência, em
particular os exemplos da sociedade Kabile.
(4) Para maior precisão sobre o que compreendo como transformação no
campo de estudos de "da mulher" a "relaçÕes de genero" ver Grupo
EnCanto: 1989.

2
tal. Parte-se do pressuposto militante de que o"fato de ser mulher
basta para a pesquisadora assumir uma postura de "subjetividade" que
a permita entender as outras mulheres, pois todas são potencialmente
"vítimas de violência". Ora, nâo basta ser mulher para entender a
violência, pois se assim o fosse, estaríamos não só excluindo os
homens da produ~âo te6rica deste campo de saber, como
desconsiderando as diferen~as entre as pr6prlas mulheres,
acreditando numa "ess~ncia feminina" desvinculada de toda e qualquer
historicidade e pertinência social. Heloisa PONTES expl icita este.
"armadilha positivista" na introdu~ão de sua tese: "...Percebi que a
identi"fica'iao subjetiva e polftica com as integrantes do movimento
conduzia-me nâo à elaboração de uma análise antropológica sobre o
"feminismo, mas antes a ree "fi rmaçào , travestida de cienti"ficidade,
das categorias e exp 1icaçôes "net: ivas", isto é, "femin istas"
(11:1986). Sem desconsiderar que a subjetividade do pesquisador é um
, , .
elemento importante na esco 1ha do objeto, creio que e necessan o
também relativizar o discurso feminista impli'cito em grande parte
dos trabalhos sobre este tema, relativização sugerida em três teses
escritas sobre os SOS Mulher de são Paulo e de Porto Alegre
(GREGORI:1988, GROSSI:1988 e PONTES:1986).
vâr ios sâo os pontos em comum destas teses (ainda pouco
citadas nos trabalhos posteriores talvez pela própria dificuldade de
acesso a este tipo de publicaç§o). Os três trabalhos foram feitos na
área de Antropologia, com a postura metodológica de "observação
participante" , os três se propoem a entender a violência a partir
da experiência militante alternativa dos SOS, todos tem a
preocupaçao de relativizar o discurso "nativo" feminista e
comprender que discurso é esse. No entanto, cada uma destas teses
aborda a problematica sob um ângulo diferente que resumo a seguir.
Heloisa Pontes nâo se propõe a estudar a violência, mas
sim utilizar-se da experiência "sintética" do SOS Mulher de sâo
Paulo para comprender como o feminismo brasileiro constrée um
discurso sobre a condiç~o feminina e indiretamente tambem a
masculina, pois trabalha com oposiçÕes binárias. Ela argumenta que o
feminismo opera com uma categória total izante: a mul her, pois se
propõe a criar um novo la~o entre as mulheres fundado numa

3
identidade comum de igualdade. O conceito de opressão servirá para
tornar as mu 1he res isua is : "A opressão ganha nessa conce itua 1ização
um carater 'universalista', pois supõe que, por trás das diferen~as
sociais, exista uma identidade feminina que se afirma pela
interdição" (1986:26).
Pontes sustenta que o femi nismo cri a uma forma de ver e
v ive r o mundo baseada numa "pedagog ia do fem in ismo": Pedagog ia que
se baseia no prazer de viver entre mulheres. Seria mais f!cil assim
nomear o inimigo, o homem espancado r , carrasco, cruel. Acredito que
esse sentimento de irmandade, que as feministas do primeiro mundo
chamaram de sororidade, pouco existiu no feminismo brasileiro. O
,
caso do SOS de Sao Pau 10 t mu ito ma is pontua 1 do que parad igmàt ico
nesse sentido.
PONTES E GREGORI (1983) descontróem a crise do SOS de são
Paulo a partir do conflito que chegou a agressâo ffsica entre duas
mulheres albergadas. Elas mostram como a realidade da relação entre
duas mulheres nâo feministas acolhidas na sede do SOS, é bem
diferente do "mar de rosas" em que viviam as militantes, acreditando
que a solidariedade entre as mulheres era a soluçao para a superaçâo
da opressão das mulheres.
Em minha tese analisei a crise e a autodissoluçao do SOS
de Porto Alegre à partir da cri se interna provocada pe 10 brutal
suicidio de uma das militantes fundadoras do grupo. Este suicidio
também abalou as estruturas militantes, pois remeteu á incapacidade
do grupo gaàcho de viver a sol idariedade tao propagada entre as
feministas no atendimento dos plantões.
Segundo Pontes, predominavam dois principios no projeto do SOS:
além da solidariedade, a conscientizaçao das mulheres. A cultura
feminista apontava para a idéia de que a soluçao para a violência,
principalmente a conjugal, era de que as mulheres poderiam
"prescindir dos homens". Todo o projeto de consc i errt t zaçâo passava
por ai, mas a grande contradição era de que as mulheres que iam lá,
espancadas, nao prescindiam de seus maridos. O objetivo da
conscientização das mulheres vitimas de violência seria, por um lado
"despertá-7as para o fato de que s~o oprimidas; e de outro estimular
a solidariedade entre elas" (PONTES:1986). Gregori vai mais além ao

4

constatar que o processo de conscientizaçao supoem a


despersona 7 i zecêo dos conf7 itos e imo 7 ica desconsiderar as
articulações particulares que unem cada casa 7 ou cada faml7ia,
buscando o fundamento de cada ato de violência no poder genérico dos
homens para oprimir as mu7heres." Aqui jà se observa um deslocamento
da idéia de mulher-vitima para a idéia de mulher-cómplice. Gregori
relata algo similar ao que estudei em Porto Alegre, ou seja, as
mulheres que procuravam o SOS nâo queriam igualdade e sim autoridade
por parte das feministas para obter proteção. A queixa (no SOS e
posteriormente nas Delegacias) aparece aqui como a resolução de uma
"cena" familiar (abordagem que desenvolverei adiante).
Ex iste a inda um outro pressuposto no tratamento da v i01 ênc ia
que predominou em todos os SOSs e tem marcado também a pràtica das
Delegacias desde o seu inicio: é a idéia de violência como sinÔnimo
de v i01 ênc ia conj uga 1. No SOS de Porto Alegre, essa v incu 1ação
desenvo 1veu-se de manei ra parti cul ar, a partir da manei ra
diferenciada com que a presença dos homens era vista. Diferentemente
de S~o Paulo nao havia entre as feministas gaóchas nenhum projeto de
exclusão do mundo dos homens pela prática militante. Mesmo que
muitas mulheres vivessem sozinhas, separadas, e houvessem
homossexuais nâo assumidas no grupo, o discurso privi legiava um
modelo ideal de relaçâo conjugal (havia uma disputa velada em quem
teria o companheiro "mais feminista". No SOS de sâo Paulo, segundo
Pontes, o projeto de convivência homossexual predominava sobre um
modelo conjugal heterossexual). Mas porque o grupo vai construir um
discurso que privilegia a violência conjugal? Porque é o ànico
discurso do qual as feministas se sentiam excluidas, pois se
pressupunha que elas não apanhavam .
.' Este discurso feminista que reduzia a violência contra a
mulher à violência doméstica, vai ser reapropriado ipsis 1iteris
pela delegacia de defesa da mulher (5).

(5)A partir de 1990, por exemplo, na sala de espera da delegacia de


Florianópolis, por exemplo, há um cartaz explicando que ali sao
apenas atendidos casos de agressão de marido, amante, companheiro,
namorado, etc. Outros tipos de agressao devem se dirigir a outras
de 1egac ia~)

5

2. O Jogo da Violência - De Vitima á Càmplice

Em grande parte dos textos acadêmi cos brasi lei ros as


mulheres são vistas como vitimas da violência masculina. Nos
primeiros textos escritos sobre a questão, não puramente acadêmicos,
mas a inda 1igados á mi 1itânc ia, as autoras estão preocupadas em
entender "mulheres espancadas, mulheres estupradas, mulheres
assass inadas. Mu 1he res que anos a f io vêem chegar com ans iedade o
fim da tarde sem saber se naquele dia se sentarao á mesa com maridos
gentis ou com um homem violento e torpe. Porque vivem essas mulheres
tantos longos e si 1enc iosos anos nesse sup 11c io? Porque se ca 1am?"
(ALBANO e MONTERO, 1982:109). E para responder esse tipo de questao
que alguns estudos (OLIVEIRA et ali i, 1984; AZEVEDO, 1985; MONTERO
et alli, entre outros) se utilizam largamente de categorias
recorrentes nos textos e cartilhas do movimento feminista: educaçao
diferenciada, virilidade X passividade, a prisao casamento
monogâmico, vergonha e culpa femininas, etc. Mas estes textos nao se
limitam a buscar os motivos da permanência das mulheres nessa
situaçao, como també apontam soluçoes concretas. Estas soluçoes sao
baseadas em doi s p i1ares. Um é a necess idade de um novo tipo de
educaçao que trei ne as mu 1heres para romperem com as amarras da
opressao e outro pilar é o recurso ao Direito, através da conquista
da cidadania pelas mulheres e da luta contra a impunidade dos crimes
cometidos contra a mulher. OLIVEIRA et alli sintetizam bem esta
visao: a violência doméstica precisa perder o titulo de doméstica e
ser chamada pelo nome que tem, como crime". E fundamentalmente
Gregori, já citada, quem vai redefinir esse papel desempenhado pelas
mulheres no jogo da violência. De vitimas de um crime, elas sao
ago ra v istas como cúmp 1ices de um jogo re 1ac iona 1, onde homem e
mulher desempenham papéis nem sempre fixos, mas complementares.
Como bem definiu Gregori, a violência faz parte de um jogo
relacional onde haverá sempre uma cena que preparará a guerra. Ela
base ia-se em Barthes, para quem a cena "é uma troca ordenada de
rép 1icas que vi sa obter a ó 1tima palavra ... ". A cena serve para
confirmar um casamento, através de uma linguagem e de um diálogo da
qual ambos sao co-proprietários. A violência aparece como uma das

,-

I

sa i das da cena, da qual a mulher deixa de ser "a parceira de um


di logo e passa a ser v itima de uma cena onde se dá "um perverso
à

jogo de feminilidade e masculinidade, ou melhor de imagens que


desenham papé is de mu 1he r e de homem em "re1acoes conj uga is . De um
certo modo ser vitima significa aderir a uma imagem de mulher".
Mas a cena s6 ganha existência na queixa, ou seja quando a mulher
relata a um terceiro os seus infortonios.
E na descriçao e na análise do significado da queixa que
Gregori vai desconstruir todo o discurso contra a violência. Esse
relato oral das mulheres foi tomado tanto pelas feministas quando
para a outra parte da produçao acadêmica sobre a violência como um
relato do real e como a pr6pria possibilidade de conscientizaçao e
libertaçao. Para Gregori, falar sobre a violência de que se foi
vitima faz parte do pr6prio jogo da violência. Além disso, através
da queixa, relatando seu sofrimento, é que elas podiam mostrar suas
virtudes (contrapostas a um outro sem caráter ou doente) e existir
enquanto mulheres.
E curioso observar que as queixas das mulheres da década de 80
por incrivel que pareça nao diferem muito das queixas proferidas por
mulheres no Brasil Colônia entre 1700 e 1822 junto á Coria
Metropolitana de Sao Paulo, analizadas por Maria Beatriz Nizza da
Silva (1980). Dentro das duas possibilidades de div6rcio autorizadas
pela Igreja, apareciam as mais diversas acusaçoes: adultério,
ameaça, abandono, falta de sustento, vadiagem, intimidaçao, palavras
indecentes. Nada parece ter mudado em dois séculos.
A queixa, feita sob o olhar e as opinioes do outro, vai em
muitos momentos recriar a cena, como nos relatos feitos na Delegacia
diante das psic6logas e da delegada. A atuaçao da instituiçao pode
ás vezes oficializar a cena, como no caso do "Atestado de
Desinteligência" fornecido pela Delegacia de Mulheres de Sao Paulo,
que dá ás mulheres um instrumento para ser usado como lt i ma

palavra" diante do marido agressor.


3. Crimes e julgamentos

A preocupa~ão com a impunidade dos crimes conjugais, foi


como já assinalei um dos primeiros motivos para a organiza~ão das
feministas no final dos anos 70. O argumento da morte como ultima
etapa de uma relaçâo conjugal onde houvesse violência estava
presente na ma ior parte dos panf 1etos de denunc ia e das cart ilhas
dos SOS, assim como foi o argumento central de alguns trabalhos como
o de Rosiska OLIVEIRA, Leila BARSTED & Miguel PAIVA (1984). Assim
argumentam: "...Mas homicídio de amor mata e esse é o ponto de
chegada de um caminho que comeca nos berros, palavrôes e pontapés.
Que, por sua vez, comecam numa relação desigual em que um manda e o
outro obedece, em que um ameaia e o outro tem medo."
Apesar desta preocupa~âo militante, poucos foram os
traba 1hos que se detiveram em ana 1isar a prática dos ju 1gamentos
destes crimes. Além da obra pioneira de Mariza CORREA (1981 e 1983)
sobre a os Tribunais de Juri em Campinas na decadas de 60/70,
encontramos poucas referências: a tese de Iara INGELFRITZ DA SILVA
(1985) sobre as representações de juizes e de julgamentos de estupro
no Rio Grande do Sul, e o trabalho de Daniel1e ARDAILLON & Guita
DEBERT (1987) que compara julgamentos de homicídio, espancamento e
estupro em seis Estados do Brasil. Alguns estudos recentes na area
da Historia. Social também tem buscado anal isar a problemática da
violência contra a mulher no Brasil em outros períodos históricos.
No numero 18 da Revista Brasileira de Historia intitu1ado "A mulher
e o Espaço pablico", destacam-se alguns artigos: um de Susan BESSE
sobre a rea~ão negativa de juristas aos crimes passionais do perfodo
de 1910/40, um de G1adys RIBEIRO e Martha ESTEVES que analisa casos
de sedu~âo no Rio de Janeiro no final do século XIX/início do século
XX envolvendo imigrantes de diferentes etnias e um de Raquel SOIHET
sobre o período 1890/1930 onde ela analisa 394 julgamentos de crimes
passionais cometidos por mulheres. Vejamos agora mais
detalhadamente estes trabalhos.
O trabalho pioneiro de CORREA (1983), defendido como tese
de Antropologia na década de 70, compara os processos de homicídios
conjugais de homens e mulheres sob dois ângulos: o discurso dos
atores jur ídi cos (de 1egado, advogado, promotor, j u; zes e jurados) e
o das vítimas e acusados. A autora analisa detalhadamente todas as
fa 1as envo 1v idas nos processos, mostrando como ex iste uma 1óg ica
anterior aos fatos, que é a forma como :a Justi<ja (na voz de seus
representantes) constrói um modelo ideal de homem e de mulher,
modelo que corresponde ao "bom pai de fami 1ia" provedor e a "boa
esposa" fiel dona de casa. Muito mais que o crime, está em jogo a
forma como os assassinos e ~vítimas sâo acusados ou defendidos pela
Justi~a: se advogados e promotores provarem, por exemplo que o
marido assassino ~ um "bom pai de familia", cumpridor de suas
obriga~oes de provedor e que a mulher assassinada lhe era infiel e
nâo cuidava bem do lar , certamente o assassino é absolvido. No caso
das mulheres assassinas, todo o argumento da defesa estava baseado
no mesmo pri nc Ip i o, apenas que no sentido inverso: se uma "boa
esposa" mata um "mau" marido para se defender das agressões de que
ela (ou os fi lhos) eram vítimas (seja físicas ou morais), ela
certamente será absolvida. Mostrando como a Justi'ia trabalha com
representações sociais de desigualdade entre homens e mulheres,
CORREA sustenta que as mulheres, alem de se beneficiam da posiçao de
passividade que se espera delas, sendo raramente condenadas,
aprendem a se comportar socialmente ora como vítimas ora como
dominadoras:
"Mas a pesqui sa nos sugere tambem que a propri a construcao de um
mode 10 de comportamento mascu 1ino ou femi n ino 'norma l' não está
isenta de ambiguidades e contradi coes. Podemos perceber, atraves do
exemplo das mulheres aqui apresentadas, que sua situacao extrapola,
vai alem do senso comum ("a mulher é fraca") e da subordinacQ.o
instituída, estrutural ("o homem e o chefe da familia"). Isto é, que
se é certo que a mulher sofre um aprendizado que a transforma numa
vítima em potencial em qualquer relasâo, este aprendizado nao produz
apenas os sinônimos de fraqueza, mas também os seus antônimos: ela
deve ser forte em relaçao aos filhos, ela pode até ser autoritária
em relaq;o as empregadas domesticas, ela deve ter uma 'for~a moral'
para resitir as tenta~ões do mundo fora do lar. A mulher é passiva
numa re 1a~ã'o, em suma, nâo em todas ...Mas a ma io ria das acusadas
••

pode escudar-se no papel de vítima potencial para legitimar seu ato


agressivo." (1983:298)
No entanto, nem sempre a passividade da mulher a
beneficiou de um julgamento mais severo na história dos julgamentos
passionais no Brasil. A pesquisa de SOIHET (1989) sobre o periodo
1890/1940, mostra como a "não-passividade" destas mulheres
assassinas era o principal argumento para suas condenacoes, num
periodo onde via de regra os homens eram absolvidos para crimes
similares. É interessante observar como a Justica vai se modificando
no decorrer do Seculo XX com o'processo de modernizacao da sociedade
brasileria. O argumento de BESSE (1989), que analisa a campanha
contra os crimes passionais (1910/1940) é de que neste per{odo vai
se consolidar uma sociedade moderna burguesa, baseada em dois
pressupostos fundamentais para o novo controle social centrado no
Estado. O primeiro era que a familia deveria ser seu pilar
principal, "com uma aparência de igualdade e reciprocidade". O
segundo era o de que nesta nova fami 1 ia as mu 1 heres dever iam ter
outro lugar: o de individuos não mais sob controle do marido mas sob
controle do Estado, na figura da Justica. Nos "Crimes da Paixão"
(1981) Mari za Correa faz uma rapida retrospectiva desta mudanca
ocor rida nos tr ibuna is, apontando seme 1 hans:as e di fe ren<ias entre
esta campanha do in ic io do secu 1o e a 1 uta das mu 1 heres contra a
"legítima defesa da honra" no final dos anos 70, no Brasil.
Seguindo um caminho similar, o trabalho de ARDAILLON &

DEBERT, rea 1 izado uma decada ma is tarde sob encomenda do Conse 1 ho


Nacional dos Direitos da Mulher, amplia as hipóteses de CORREA para
crimes de espancamento e de estupro. Se a lei pune este ~ltimo, ela
raramente dá seguimento aos processos no caso dos primeiros porque
segundo as autoras hi uma l5gica diferente operando: "Hi, por parte
da Justica, um empenho em punir os acusados de estupro, desde que
comprovada a ocorrência do crime. Nos casos de espancamento, pelo
contrário, a puniçâo se faz com uma dificuldade maior e, quando há
condena~âo, a tendência é a de aplicar a pena mínima estipulada na
. ..•.
lei, apesar das diferen~as de s1tuaçoes descritas nas pe~as
processuais estudadas" (1987: 54). Pela leitura dos processos de
homicídio, que elas analisam a seguir é possivel inferir que apesar

10
da mob i lt zaçâo feminista e da criação das Delegacias da Mulher, a
Justiça parece continuar seguindo a mesma lógica dos processos
estudados por CORREA (1983).
O estupro, como crime contra a mulher, parece ter
despertado pouco interesse entre as pesquisadoras da área, seguindo
talvez a mesma lógica oculta de esquecimento da questão seguida pelo
movimento feminista brasileiro. INGELFRITZ DA SILVA (1985) em sua
tese defendida na área do Direito analisa tanto o discurso jurídico
sobre o estupro, à partir de processos, quanto o discurso dos
próprios juizes sobre a violência contra a mulher. Partindo da
hipótese de que "o direito penal é um dos principais mecanismos
institucionais, sobre o qual se funda a reprodu~âo
assimétrica dos sexos na sociedade, permanecendo refratário às
mudan~as em profundidade que possam alterar o quadro tra~ado por
essa desigualdade" (1985:109), ela conclui que n~o é apenas o
discurso da lei (norma, doutrina, jurisprudência) que discrimina a
mulher mas sobretudo o discurso do juiz, que como aplicador destas
regras, pode dar o parecer que quizer baseado em seus próprios
preconceitos camuflados sob a capa do regras jurídicas. Neste
sentido DA SILVA (1985) e ARDAILLON & DEBERT (1987) concordam que a
Justica se mostra impermeável às mudancas ocorridas no comportamento
de homens e mulheres em nossa sociedade. Tese contestada por CORREA
(1986) que vê a Justica mudando sob pressão dos movimentos sociais e
se pergunta se as mulheres estariam realmente dispostas a mudarem
esta situa~âo estrutural na qual se encontram presas, uma vez que
sendo tratadas como iguais elas perderiam as prerogativas que a
Justica sempre lhes deu ao absolverem-na dos crimes que cometiam.

4. Cidadania, Estado e Delegacias

A questão da luta pela cidadania das mulheres como luta


politica indispensavel para a transformayao da situayão estrutural
de violência as quais as mulheres est~o submetidas na sociedade
brasileira, é uma das questoes recorrentes na bibliografia estudada.
Os textos de referência sao praticamente os mesmos: "Participando do

14
debate sobre mulher e violência" de Marileria CHAUI (1984) e
"Mulheres: lugar, imagem, movimento" de Maria Celia PAOLI (1984).
Em "A De 1egac ia de Costumes e os costumes da De 1egac ia"
ALVES. MEDEIROS e VON SMIGAY (1985) dão' exemplos grotescos de como
as mulheres eram tratadas nas Delegacias tradicionais, fazendo-as se
sentirem culpadas pela violência sofrida.
discussão da cidadania muda de eixo por volta de 1985
A
com a criaT~o dos Conselhos de Direitos da Mulher e das Delegacias
~
de Defesa da Mulher. Neste momento as preocupaçoes ficam mais
voltadas para as rela~ôes das mulheres com o Estado. Os grandes
impasses do momento sâo em torno do desejo de ver algumas solu~ôes
propostas pelo movimento serem assumidas pelo Estado mas ao mesmo
tempo os receios das lutas serem esvaziadas neste processo
(CORREA:1986). Algumas como ARDAILLON (1989) sao mais otimistas
sobre este processo, acreditando que os problemas surgidos nas
Delegacias são similares aos surgidos nos SOS Mulher e que face aos
impasses do "vitimismo" podem ser buscadas solu~ôes no feminismo.
Esta análise reflete um momento aureo das relaç~es Estado/Feminismo,
entre 1985 e 1988, quando o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
dispoe de verbas e executa inúmeros projetos militantes. No entanto
com o final do Governo Sarney e "Era Collor", a tendência ainda
inc ip iente nos estudos é a red iscussâo do conce ito de C idadan ia a
luz da avalia~~o da experiência, para algumas vitoriosa, para outras
fracassada, da relarao movimento social/Estado.
Num artigo recente, Alba ZALUAR (1990) retoma a
problemática da violência e da cidadania sob um outro Sngulo: o das
percep~~es de mulheres do Rio de Janeiro sobre a violência social da
qual são vítimas. O texto, que no furor do feminismo dos anos 80 nâo
seria considerado como um texto de violência contra a mulher pois
nâo trata da violência conjugal, traz dados muito significativos
sobre a s i t.uaçâo de vitimizacao da mulher. Por exemplo: 60% das
mulheres que responderam a pesquisa foram assaltadas pelo menos uma
vez na vida; 88% delas tiveram alguém da familia assaltado. Estes
dados, pensados a luz das teorias sobre relacoes de genero, ajudam a
~
pensar nas razoes que levam as mulheres a serem mais numerosas nas
propostas de extermínio de assaltantes, o que em princípio feriria

12.
~
tanto o projeto feminista, de cidadania, quanto concep~oes mais
gerais de direito a cidadania ligadas a defesa dos Direitos Humanos
(e por conseQuencia contra a Pena de Morte). Zaluar explica: "Entre
as mulheres, parece Que a experiencia de alguém da
f am f l t a importa mais para acionar esse espírito, o Que ê coerente
com o conhec ido fato de •••
Que sao e 1as as ma is 1igadas ao espa~o
doméstico, seus interesses e sua lógica, enquanto os homens,
re 1at ivamente ma is afastados dessa 1óg ica, se gu iam ma is pe 1a do
mundo viril da rua e pelas injunções do mercado de trabalho."
(1990:14)
É interessante observar que esse tipo de abordagem coincide com
uma reorgan izaçao da soc iedade c iv i1 e dos mov imentos soc ia is em
torno da Questão da violência. Podem ser citados aqui como exemplos
o movimento contra o ex~rminio de menores, o movimento contra a pena
de morte, os foruns contra a violência, etc. Também no interior
desses movimentos é vivenciado o impasse em torno do significado e
da amplitude do conceito de violência em rela~~o à idéia de opressao
em geral.
.,.
CONSIDERAÇOES FINAIS

A partir das pesquisas analisadas e tendo em visto o


levantamento preliminar sobre novas pesquisas em andamento mas que
. d Çortl'" b 'l i d
aln a nao pu lca as, e pOSSlve ' . 1 t 1
apon ar para a guns camln. h os

disciplinares que os estudos sobre violência contra a mulher parecem


apontar para os anos 90:

1. Há um retorno a preocupação da re 1acâo entre a vi01 ênci a e a


Justica, tal como a pesquisa de Denise Dora sobre a influência do
feminismo em julgamentos de estupro no Rio Grande do Sul nos
últimos 15 anos e a pesquisa sobre crimes contra a mulher
desenvolvida pela Rede Acreana de Homens e Mulheres.
2. Várias tem sido as teses no campo da História Social que tem
,
buscado recuperar o "cotidiano da violência" em outros perlodos
historicos.
3. O campo da Psicologia Social se mostra bastante propício à
estudos que invest iguem os mecan ismos inconsc ientes que mantêm a
mulher em uma relaçâo de violência prolongada. No momento este campo
parece amarrado a dois tipos de abordagem: uma mais quantitativa que
apenas tem ve rificado h ipóteses já conf irmadas em out ros campos e
outra mais qualitativa que, na falta de uma filiaçao teórica mais
explícita, se perde em "subjetivismos" ligados muitas vezes a
. ...
experiência da pesqulsa-açao.
4. Quanto as Ciências Sociais, creio que esta sessáo da ANPOCS é um
indicador da diversidade de caminhos que o campo parece apontar. Os
estudos da de cada de 90 tendem a abordar outras "violências" e n;o
mais exclusivamente a violência conjugal. No que tange
particularmente a Antropologia, me pergunto se nâo há um certo
esgotamento da abordagem ma is re 1at iv ista (6) que mostrou,
brilhantemente aliás, que a violência é fruto de uma relaçâo de
complementariedade (desigual sem duvida)? Acabamos por nos perguntar

-
(6)Concordo em parte com as criticas que Otavio Velho (1991) faz ao
uso indiscriminado do Relativismo dentro da Antropologia,
descaracterizando o engajamento do Antropologo face aos cruciais
problemas brasileiros.
se afinal a violência contra a mulher existe? E face aos inúmeros
exemp 1os que todos os estudos expôe cont inuamos observando que no
cotidiano de um casal em crise quem apanha é a mulher; que nos lares
e nas ruas sâo as mulheres que sâo violentadas. Como conciliar nosso
relativismo com a situaç~o concreta de desigualdade e de desrespeito
a cidadania da mulher?

*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*

Neste levantamento preliminar foi possivel constatar por


um lado a grande riqueza deste material, mas por outro que há uma
certa repetiçao de hipóteses e constatações a respeito da
problemática que apontam para um relativo desconhecimento por parte
das (os) autoras (es) dos outros trabalhos produzidos sobre a
questão (e aqui sublinho a falta de referência a significativa
produção estrangeira e particularmente a americana no campo da
psicologia social). Apesar da variedade de estudos, em campos
disciplinares diferentes e abrangendo diversas situações históricas
e geográficas, raros sâo os estudos que adotam uma perspectiva
comparativa de análise.
Algumas destas pesquisas trazem importantes dados
V\
quant itat ivos que infe 1izmente nao tem s ido ana 1isados ma is
detalhadamente. As pesquisas de CAMARGO:1991 , assim como a de
MOREIRA et ali i :1989 e os anexos da tese de GREGORI: 1988 sâo uma
excelente fonte para este tipo de análise. Talvez um certo
preconceito com a análise quantitativa, uma profunda valorizaçao da
compreensao mais global do fenomeno da violência (nem sempre
contemp 1ada sat isfatóri amente pe 1a ma ior parte dos trabalhos) ou
talvez o desconhecimento de instrumentos estatísticos mais
sofisticados para fazer correlações entre diferentes variaveis,
expliquem esta lacuna.
Apesar de haver um significativo reconhecimento social da
violência contra a mulher, como o próprio espa~o da m Id ía atesta
(mini-serie Delegacia da Mulher, e seguidas reportagens sobre a
questâo) é bastante surpreendente que hajam tâo poucos livros
publicados sobre a problemática, sobretudo que a maior parte destes

rr
tenha sido pub1icada no lnlClO dos anos 80 e n;6 mais recentemente
quando a violência contra a mulher já foi analisada com maior
profundidade.
Dentro da academia, a discussâo· atual sobre a amplitude do
conceito de violência retoma, num certo sentido, o impasse em torno
do significado do conceito de cultura. Esse impasse é descrito por
Geertz (1978) quando discute o conceito antropologico de cultura a
partir da infinidade de definiçôes em torno dele, o que ele chama de
"pantanal conceitual". Ele propoe, em contrapartida, o limite, a
especificaçao, a reduçao do conceito de cultura a uma dimensao
justa, que realmente assegure a sua importancia" (p.14). Talvez essa
mesma necessidade teórica esteja colocada hoje para quem tem como
objeto a violência contra a mulher, categória dentro da qual tem
entrado todas as situaçôes mais genéricamente descritas como
situaçôes de opressao ou dominação. Por outro lado, o próprio campo
teórico dos estudos das relaçôes de gênero acaba apontando para uma
abordagem bem mais relativizadora do conceito de violência, na
medida em que propôe um enfoque relacional da construçâo do gênero.
Esta sessao da ANPOCS sobre violência contra a mulher
abrange temas como prostituiçâo, controle do corpo da mulher,
estupro familiar, discriminaçao da mulher negra. Coloca-se novamente
a questao sobre o significado dessa ampliaçao do conceito de
violência: seria uma nova abordagem ou o retorno a visao de
Y\
violência como sinonimo de opressao?

"

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