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MEMÓRIA E FUNÇÕES PERCEPTOGNÓSICAS E PRÁXICAS

A memória é a capacidade de registrar, manter e evocar fatos e informações na mente (DALGALORRONDO, 2000). Trata-se de
uma função complexa, que envolve diferentes processos e divide-se em tipos e subtipos variados.
Em relação aos processos (também chamados de etapas) envolvidos na memória, estes acontecem em uma sequência:

1º) A primeira etapa é a AQUISIÇÃO, que consiste na entrada da informação ou evento qualquer, no sistema mnemônico. Por
“evento qualquer”, podemos entender algo como, uma música, um objeto, um lugar, um acontecimento, uma coreografia, um
pensamento ou qualquer outra coisa possível de ser memorizada (LENT, 2002). Como a todo momento estamos vivenciando
coisas, tanto no mundo externo, quanto interno (pensamentos, sentimentos e emoções), o processo de aquisição precisa ser
seletivo ou a nossa memória ficaria muito sobrecarregada. Portanto, terão mais chances de serem selecionados, aqueles
eventos ou informações que foram focalizados pela nossa atenção e que possuem alguma relevância para nós, como por
exemplo: algo emocionalmente marcante, sensorialmente forte ou, simplesmente, algo ao qual atribuímos importância por um
motivo qualquer (LENT, 2002).

2º) Após a etapa da aquisição, entra a da RETENÇÃO, que é o processo de armazenamento da nossa memória. Este
armazenamento poderá ser permanente, ou durar apenas alguns segundos (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005). Quando os
eventos ou informações memorizadas não ficam mais disponíveis para serem lembrados, é porque aconteceu o que chamamos
de esquecimento, que é um mecanismo normal da memória. Supõe-se que seja uma forma do cérebro prevenir uma sobrecarga
nos sistemas de memorização (LENT, 2002).
Quando você vai ao cinema, logo ao sair é capaz de lembrar de muitas cenas e diálogos do filme (não todos...). No entanto, já no
dia seguinte só se lembra de alguns, e após 1 ano talvez nem mesmo se lembre do tema do filme! O tempo de retenção, portanto,
é limitado pelo esquecimento, e ambos são definidos, entre outros aspectos, pelo tipo de utilização que faremos de cada evento
memorizado. Assim, não é importante guardar a fisionomia da moça da bilheteria do cinema, e talvez tampouco dos personagens
secundários do filme. Mas geralmente guardamos o rosto da atriz principal, seja porque é bonita, seja porque o seu papel é
importante no contexto do filme (LENT, 2002, p. 647).

Um dado importante a respeito da retenção é que, para alguns tipos de memória, como é o caso da memória operacional (que
vimos no capítulo de Funções Executivas), a sua capacidade é finita e parece não ultrapassar um pequeno número de
informações por vez. Já para outros tipos de memória, os quais veremos a seguir, a retenção pode ser até infinita (LENT, 2002).
Outro dado importante, é que há casos em que ocorre uma manifestação exacerbada da retenção, a chamada hipermnésia. Este
é um caso patológico, em que a etapa da aquisição não filtra os aspectos relevantes e irrelevantes dos eventos e tudo o que é
vivido fica retido. (DALGALORRONDO, 2000).

“A mulher que não consegue esquecer é um dos quatro casos de hiper memória estudados no mundo, acesse e veja que
interessante as razões dela ser portadora de uma memória gigantesca”.
Acesse: <http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI150496-17773,00-
MULHER+NAO+CONSEGUE+ESQUECER+ENTENDA.html>

3º) Após a etapa da retenção, vem a da CONSOLIDAÇÃO. Como já vimos, nem tudo o que vai para a retenção fica mantido
por tempo indeterminado, algumas coisas são esquecidas imediatamente. A consolidação acontece quando os dados que
foram retidos conseguem se manter por um tempo prolongado ou de forma permanente (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005).
“Lembramos de algumas coisas durante muito tempo, embora possamos em algum momento esquecê-Ias. Mas lembramos de
outras durante toda a vida, como o nosso próprio nome e a data do nosso aniversário” (LENT, 2002, p. 647).

4º) Por último, vem a etapa da EVOCAÇÃO ou lembrança, que acontece quando recuperamos um dado armazenado na memória
para fazer algum uso dele (LENT, 2002).

TIPOS E SUBTIPOS DE MEMÓRIA:

Embora a memória pareça ser um sistema único, ela atende a demandas muito diversas. Tão diversas que ela é operada por
mecanismos e regiões cerebrais diferentes, à depender das suas características (BUENO; BATISTELA, 2015). Isso fez com que
os psicólogos a classificassem em tipos e subtipos diferentes.

1º) A primeira divisão é baseada no período de tempo durante o qual os dados ficam armazenados . Esta envolve as:
 Memória de Curtíssimo Prazo ou Sensorial: armazena os dados por milésimos de segundo ou por alguns segundos. É
chamada de sensorial, porque é muito relacionada aos órgãos sensoriais e às percepções registradas através deles (visão e
audição, principalmente) (Corrêa, 2008). Essa memória tão rápida, é usada quando vamos narrar um fato, por exemplo. Para
formular cada frase, você precisa reter a última palavra que disse para, em seguida, emendar a próxima com coerência, de
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modo que a frase faça sentido (LENT, 2002). Outro uso que fazemos dessa memória é quando: (...) vamos ao cinema e
percebemos o que parece ser uma imagem em movimento. De fato, estamos vendo uma série de fotos, mas que são mantidas
em breve armazenamento sensorial e então, são interpretadas como figuras em movimento (WILSON, 2011, pp. 22-23).
 Memória de Curto Prazo ou Primária: armazena os dados por minutos ou horas. (LENT, 2002). Esta memória, nos permite
reter um dado e mantê-lo durante um período curto para que o recuperemos neste intervalo. (CORRÊA, 2008). Nós a usamos,
por exemplo, quando decoramos um número de telefone para discá-lo logo em seguida. Mas, neste caso, se a ligação der
ocupada ou se alguém falar conosco enquanto estivermos discando, essa memória é esquecida de imediato e temos que
perguntar o número novamente.
(WILSON, 2011). Este é um daqueles
tipos de memória (conforme citamos
anteriormente), que possui uma
limitação de quantidade de dados para
retenção. No caso dela, a retenção fica
limitada a um número médio de 7
elementos, tamanho suficiente para
caber um número de telefone. A esse
espaço limitado em tamanho e duração
para retenção de informações, damos o
nome de “span mnésico” ou “span de
memória”. (CORRÊA, 2008).

 Memória de Longo Prazo ou Secundária: é a memória que armazena dados por períodos maiores de tempo (de algumas
horas a muitas décadas). Está ligada a registros sobre experiências pessoais, a própria história de vida (autobiografia) e a
conhecimentos gerais. (LENT, 2002). Esta memória possui uma capacidade praticamente ilimitada (WILSON, 2011). Para
chegar a ela, as informações precisam passar pela etapa da consolidação.

2º) A segunda divisão é feita quanto à natureza da informação a ser lembrada , estas possuem tipos e subtipos e podem
ser consideradas dentro das categorias de memória de longo ou curto prazo, a depender do tempo de armazenamento dos
conteúdos. São elas:
 Memória Explícita ou Declarativa: se refere àquelas memórias que precisam ser representadas por palavras ou símbolos
para serem evocadas (daí o nome “declarativa”). (LENT, 2002). Pode estar relacionada a eventos ou fatos, por este motivo, é
dividida em dois subtipos. São eles:
» Memória Episódica: refere-se à memória para experiências pessoais (registros autobiográficos) e para eventos que
você presenciou. Essa memória possui uma ligação com o tempo, pois junto com ela vem a recordação de quando o
evento ocorreu. Exemplos deste tipo de memória são: lembrar onde você passou a virada do ano, com quem você
comemorou seu último aniversário, para onde você foi com seu amigo no sábado, em que data foi o seu casamento, quando
foi a ultima vez que você ficou doente etc. Para essa memória o mais importante é a ocasião e o tempo específico em que o
evento ocorreu. (WILSON, 2011).
» Memória Semântica: representa a nossa cultura geral, o que a gente sabe sobre o mundo. Envolve conceitos abstratos,
fatos, aprendizados, aparência dos objetos, cor das coisas, conhecimentos acadêmicos (geografia, história, português...),
signiicados das palavras e conceitos atemporais, em geral. (CORRÊA, 2008). Geralmente são conhecimentos
compartilhados com muitas pessoas. Ela é considerada atemporal, porque não é necessário lembrar QUANDO foram
adquiridas. Essas memórias não estão relacionadas com o tempo. Nós não precisamos de associação com o tempo para
saber o significado da palavra “harmonia”, nem pra saber qual a capital da Alemanha, ou qual a cor da girafa.
(WILSON, 2011). Esta é uma das principais características que a distinguem da memória episódica. O neuropsicólogo
Robert Lent exemplifica muito bem a diferenciação entre esses dois subtipos:
Ao lembrar que foi ao teatro no domingo passado assistir Romeu e Julieta, você empregou a sua memória episódica. Mas saber
que o teatro é uma forma de arte cênica e que Romeu e Julieta é uma peça do escritor inglês William Shakespeare, é um exemplo
de memória semântica (LENT, 2002, p. 649).

 Memória Implícita ou Não Declarativa: esta é a memória que não precisa ser descrita por meio de palavras, por isso o
nome “Não Declarativa”. Ela não demanda um esforço consciente para ser lembrada (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005).
É a memória dos hábitos, procedimentos e regras já internalizados ou automatizados. Ela requer mais tempo e treinamento
para se formar, mas, uma vez que se forma, se mantém com mais “força” do que a memória Declarativa (LENT, 2002). Dentro
da memória implícita, podemos destacar o seguinte subtipo:
› Memória de Procedimentos: é a memória para habilidades, hábitos e regras em geral. (LENT, 2002). São aqueles
comportamentos que já ficaram automatizados de tanto serem repetidos rotineiramente. Exemplos desta memória são:
saber andar de bicicleta, saber digitar no computador sem olhar o teclado, saber os movimentos das peças do xadrez, etc. A
principal característica deste tipo de memória é que ela não depende de evocação consciente. Você não precisa ficar
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lembrando o passo a passo de como pedalar antes de andar de bicicleta. Este comportamento é ativado de maneira
inconsciente, assim que se dá início à pedalada. (WILSON, 2011). Outro exemplo de uso desta memória é na aplicação das
regras do português. Você não precisa, por exemplo, ficar lembrando a todo momento que o sujeito vem antes do verbo na
hora de construir uma frase. (LENT, 2002).

 Memória Operacional ou de Trabalho: esta já foi descrita no capítulo anterior, de funções executivas. Por também ser
considerada um tipo de memória, não podíamos deixar de mencioná-la aqui.

MEMÓRIA E ASPECTOS NEUROANATÔMICOS:

A neuroanatomia da memória ainda não é completamente conhecida. O que se sabe é que as lembranças são armazenadas em
áreas corticais variadas, de acordo com a sua função. As memórias motoras estão atreladas ao córtex motor; as memórias
visuais, ao córtex visual; a memória operacional pode partir dessas regiões para o córtex pré-frontal e fazer ligação com outras
áreas corticais, de acordo com o conteúdo processado. Outras estruturas importantes para a memória são o hipocampo, áreas do
lobo temporal medial, tálamo e hipotálamo (LENT, 2002).

A memória, assim como todas as funções


cognitivas, funciona de forma integrada com
outras atividades cerebrais. Apesar de alguns
dos seus processamentos serem localizados em
determinadas estruturas do cérebro, ela também
trabalha de forma conjunta e interconectada
com outras funções cognitivas.
Um exemplo disso é que não podemos
memorizar certas coisas sem antes lhes ter
direcionado a atenção e que conseguimos
memorizar um evento mais facilmente quando
ele nos desperta alguma emoção.

Bom, agora que conhecemos a versão científica do conceito de


memória, fica mais fácil compreender alguns mistérios da nossa
mente, como, por exemplo, por que temos facilidade para memorizar
certas coisas e outras não; por que certas cenas vividas simplesmente
desaparecem da nossa cabeça; por que, uma vez que aprendemos a
andar de bicicleta, nunca mais esquecemos, etc. Assim fechamos o
nosso capítulo sobre a memória e torcemos para que tudo o que foi
dito tenha sido lido com atenção e considerado, de alguma forma,
relevante para você. Só assim haverá maiores chances de você reter
e consolidar o conteúdo dado.
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FUNÇÕES PERCEPTO-GNÓSICAS E PRÁXICAS


Neste capítulo iremos aprender sobre a parte do nosso sistema sensório-motor que mais interessa à Neuropsicologia: as funções
percepto-gnósicas e práxicas, pois se tratam de capacidades comumente acometidas por distúrbios cognitivos.

FUNÇÕES PERCEPTO-GNÓSICAS
Quando falamos em funções percepto-gnósicas, estamos falando de 3 processos: sensação, percepção e reconhecimento ou
“significação”. Este conjunto de processos ao qual demos o nome de funções percepto-gnósicas ocorrem na seguinte sequência:

1. Detectamos estímulos sensoriais que podem ser do meio externo (luz, movimento, textura, temperatura, etc.) ou
interno (sensações viscerais, por exemplo), que são transformados em impulsos nervosos (transdução) e transmitidos para o
nosso sistema nervoso central. A este processo que envolve a transformação de estímulos quaisquer em modalidades
sensoriais específicas (visual, tátil, auditiva, cinestésica, etc.), damos o nome de sensação (MUSZKAT; MELLO, 2008).
2. Os processos sensoriais vivenciados são integrados e interpretados em nossa mente, através do processo que
chamamos de percepção. A percepção é a integração dos estímulos sensoriais em um todo coerente, do qual se extrai um
significado (LENT, 2002). Ela envolve a tomada de consciência do evento, a discriminação dos estímulos e a sua interpretação
com base nas experiências prévias do indivíduo (GAZZANIGA; HEATHERTON, 2005).
3. Os estímulos percebidos podem ser integrados num todo maior, dando origem à gnosia . A palavra gnosia vem do
grego “gnose”, que significa conhecimento, mas a tradução que melhor se aplica a ela, neste contexto em que a estamos
utilizando é a de reconhecimento. A gnosia diz respeito à tradução dos estímulos percebidos em um padrão (representação
mental) conhecido. É o que faz com que tenhamos a tendência de completar figuras inacabadas, com base na
representação mental que temos do objeto completo. Ou
seja, é quando nós, com base nos atributos de um
determinado estímulo, formamos um todo com significado.
Isso envolve uma das habilidades das Funções Executivas
que aprendemos anteriormente: a categorização. Vale
ressaltar, que a gnosia pode ser originada de diversos
processos sensoriais, não só da visão (MUSZKAT; MELLO,
2008). A figura 28 mostras exemplos de imagens nas quais
um conjunto de estímulos visuais percebidos dá origem a
um processo gnósico:

PRAXIAS
Damos o nome de praxias às funções cognitivas relacionadas com a programação, organização e execução de atos motores,
como aqueles ligados à gesticulação e ao uso de objetos e ferramentas. Em outras palavras, pode-se dizer que são as funções
responsáveis pela produção harmônica da sequência de movimentos necessários para a execução de determinados atos
motores, de maneira precisa, intencional, coordenada e organizada com o objetivo de atingir determinado fim ou resultado
específico (MALLOY-DINIZ et al, 2009).
Enquanto a função motora envolve movimentos físicos de todas as naturezas, como: respostas reflexas (por exemplo, deglutir,
retirar a mão de um objeto quente e reflexo patelar), padrões motores rítmicos (combinação de respostas reflexas com
movimentos voluntários, como: caminhar, correr e mastigar) e movimentos voluntários em geral; as praxias dizem respeito
somente a estes últimos. Os atos motores envolvidos nas praxias são voluntários e não inatos e têm sempre uma intenção e um
objetivo determinado (Malloy-Diniz et al, 2009).
As praxias estabelecem uma relação direta com as funções percepto-gnósicas, com o conhecimento do esquema corporal e com
o afeto, já que a sua realização depende, muitas vezes, de motivação (Muszkat & Mello, 2008).
Para desenvolver as habilidades práxicas, faz-se necessário a experimentação e a repetição dos movimentos e gestos. Quanto
mais praticadas elas são, mais se tornam automatizadas e rápidas (Malloy-Diniz et al, 2009).
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Podemos distinguir as praxias em 3 tipos, de


acordo com a sua finalidade. São eles:
 Praxia Ideomotora: envolve os gestos que não
incluem manipulação de objetos reais. Estes
gestos podem ser com ou sem significação ou
funcionalidade.
- Gestos com significação podemos considerar
aqueles que têm uma intencionalidade
comunicativa ou funcional.
- Gestos que possuem uma intencionalidade
comunicativa são aqueles simbólicos, como o
de enviar um beijo, dar adeus, ameaçar alguém
mostrando o punho, bater continência, juntar as mãos para rezar, etc. Como vocês podem ver na figura 30.
- Gestos com intencionalidade funcional, são aqueles “cuja realização deve imitar a utilização de objetos como nos jogos
de mímica ou de pantomina”, por exemplo, fazer mímica de beber água, discar no telefone, girar a chave na fechadura etc.
- Gestos sem significação, podemos entender aqueles que não possuem o intuito de transmitir uma mensagem, como os
que vocês podem ver na figura 31 (GIL, 2012).

 Praxia ideatória: diz respeito à


capacidade de manipular objetos, cujo
uso nós já conhecemos bem e não
objetos que são novos para nós, pois isso
envolveria outros processos
neuropsicológicos. Alguns exemplos de
manipulações relacionadas, são: encher o
copo de água, pentear o cabelo, abotoar a
blusa etc. Pode envolver, também,
manipulações que incluam várias
sequencias de gestos, como colocar uma
carta num envelope e fechá-lo, acender
uma vela com fósforo, calçar o sapato e
amarrar etc.
Como se pode observar, é uma habilidade
práxica que exige não apenas coordenação,
mas sobretudo, a capacidade de obedecer a
uma sequência de gestos, na ordem
correta, com harmonia, precisão e eficácia
(GIL,
2012).

 Praxia construtiva ou visoconstrução: está


relacionada à capacidade de construir. Depende do
manejo de dados visoperceptivos e visoespaciais
(discriminação visual, diferenciação figura e fundo,
percepção de profundidade e de distância etc.) com o
fim de utilizá-los na construção de algo por meio da
atividade motora. Também necessita da capacidade de
monitorar o próprio desempenho. Alguns exemplos de
uso desta habilidade são: escrever, costurar, copiar ou
construir figuras (seja desenhando ou montando),
construir desde maquetes até casas e todas as outras
formas de construir algo (MALLOY-DINIZ et al, 2009). Nas figuras 33, 34 e 35 vocês podem ver exemplos de tarefas da
neuropsicologia, que avaliam a praxia construtiva:
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Agora que foram

descritas as funções percepto-gnósicas e práxicas, você deve estar se


perguntando: “Mas qual a utilidade que o conhecimento sobre essas
funções terá para a minha prática clínica, como neuropsicólogo? ” ou
“Por que estas funções devem fazer parte do exame
neuropsicológico?”.

A resposta para estas perguntas está na história da descoberta destas funções. O estudo dos processos cerebrais envolvidos nas
praxias e gnosia começou a partir do momento em que foram constatadas disfunções específicas nestas capacidades, em
indivíduos que tinham sofrido lesões cerebrais focais (MALLOY-DINIZ et al, 2009). Foi graças à descoberta destas
disfunções, posteriormente chamadas de apraxias e agnosias, que se se pôde constatar a existência das funções citadas e,
assim, lançar um olhar investigativo sobre elas.
A avaliação neuropsicológica das funções percepto-gnósicas e práxicas é importante porque, além de poder revelar lesões
em regiões específicas do cérebro, pode identificar dificuldades sutis que provavelmente prejudicam a qualidade de vida dos
pacientes que as apresentam. Sendo constatadas estas dificuldades, o neuropsicólogo poderá propor um plano de tratamento
personalizado, que contemple as suas necessidades específicas (MALLOY-DINIZ et al, 2009).
As dificuldades causadas por distúrbios da gnosia e praxia são diversas. Nós aprenderemos melhor sobre elas na disciplina
de “Patologias do SNC”.

ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO PRÁXICO


Na tabela a seguir, estão os estágios do desenvolvimento das praxias:

Idade
Segura um chocalho;
Junta as mãos;
3 – 6 meses
Olha para um pequeno objeto;
Tenta alcançar um objeto pequeno.
Pega objeto pequeno;
Transfere um cubo de uma mão para outra;pega 2 cubos;
7 – 11 meses
Faz movimento de “pinça” (polegar -dedo);
Bate 2 cubos seguros na mão.
Coloca bloco na caneca;
1 ano – 1
Rabisca espontâneamente;
ano e 8
Retira objeto de recipiente com alguem demonstrando como faz;
meses
Faz torre de 4 cubos
2 – 3 anos Com 2 anos faz torre de 6 cubos;
Com 3 anos, imita linha vertical, faz torre de 8 cubos e move o polega com a mão fechada.
Copia um círculo;
Copia um desenho simples;
Desenha uma pessoa com 3 partes (cebeça, tronco e membros);
4 – 6 anos Aponta a linha mais comprida;
Copia quadrado com demonstração;
Desenha pessoa com 6 partes;
Copia quadrado.
Fonte: adaptado de instituto aBCD, 2013.
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