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Afora da Moda :: CCSP

Quem faz a moda?

“[...] se quero comunicar alguma coisa esta noite é justamente a ideia de que há lucros científicos ao
se estudar cientificamente objetos indignos” (BORDIEU, 2014)

A questão da moda não faz furor no mundo intelectual. [...] A moda é celebrada no museu; está por
toda parte na rua, na indústria e na mídia, e quase não aparece no questionamento teórico das
cabeças pensantes (LIPOVETSKY, 2002 [1987])

“Dispositivo social definido por uma temporalidade muito breve e por mudanças rápidas, que
envolvem diferentes setores da vida coletiva” (CALANCA, 2008​)

“A moda é também a busca de uma nova linguagem para derrubar a antiga, uma maneira de cada
geração renegar a precedente e distinguir-se dela [...]” (BRAUDEL, 2005 [1967])

“São exatamente essas diferenciações que mantêm a coesão das frações de grupos interessados na
separação; o andar, o tempo, o ritmo dos gestos são sem dúvida determinados essencialmente pelas
roupas, pois pessoas vestidas igualmente se comportam relativamente da mesma maneira.
(SIMMEL, 1911)

“Escreveremos Moda como maiúscula no sentido de fashion, para podermos manter a oposição entre
a Moda e uma moda.” (BARTHES, 2009 [1967])

“e fez o Senhor Deus a Adão e sua mulher túnicas de pele e os vestiu” (Gênesis 3:7)

“A história da moda é menos anedótica do que parece. Ela coloca todos os problemas: o das
matérias-primas, dos procedimentos de produção, dos custos, das imobilidades culturais, das modas,
das hierarquias sociais. Variado, o traje por toda a parte se obstina em denunciar as oposições
sociais” (BRAUDEL, 1995)

Portanto, a moda não é nada além de uma forma de vida entre outras, através da qual se conjuga,
em um mesmo agir unitário, a tendência à uniformização social à tendência à distinção individual, à
variação. Se interrogarmos a história da moda, que até agora só foi pesquisada naquilo que diz
respeito ao desenvolvimento de seus conteúdos, sobre seu significado para a forma do processo
social, veremos que ela é a história das tentativas de acomodar ao estado de cada cultura individual
e social a satisfação dessas duas tendências opostas. (SIMMEL, 1911)

A moda situa-se no cruzamento do fato de vestir, que um indivíduo pode lançar e generalizar no
sistema indumentário, em que ela se torna propriedade comum, com o fato de vestimenta,
generalizada numa maneira de vestir e reproduzida em escala coletiva, na alta-costura, por exemplo.
As mudanças podem ser compreendidas nessa relação, com o significado da roupa crescendo à
medida que se passa do ato pessoal ao gesto comum. A relação entre o indivíduo vestido e a
sociedade que propõe o código do vestir pode ser medida nas grandes mudanças, que afetam o
sistema indumentário, e, por comparação, nas possibilidades de difusão e recepção (ROCHE, 2007
[1989])

“Bastará que se multipliquem os centros de criação da moda para perturbar-se a hegemonia do gosto
nobre. Quando Paris, no século XVIII, desaloja Versalhes da posição de ditadora da opinião, quando
a cidade suplanta a Corte, está aberto o caminho para as modas divergirem, deixando de haver um
critério consensual sobre o que merece prestígio.” (RIBEIRO, 1983)