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OU É O EVANGELHO OU É DOENÇA!

Como podemos conhecer Jesus nos evangelhos e, por tal via, confessarmos que O conhecemos pela fé,
e, ainda assim, nos deixarmos levar por tantas outras coisas chamadas espirituais que nada têm a ver
com Jesus ou com o espírito do Evangelho?

Paulo falou de conhecer Jesus no espírito e conhecer Jesus segundo a carne.

Ora, conhecer Jesus segundo a carne é conhecer apenas o Jesus-Informação-Histórico-Religiosa. Nos


dias de Paulo, essa denúncia também incidia sobre aqueles que se diziam discípulos de Jesus, mas
viviam na Lei, e não na Graça.

Conquanto Jesus seja também uma informação histórica — afinal Ele existiu, e nós não estávamos lá
quando isso aconteceu, razão pela qual dependemos completamente das descrições que os evangelhos
fazem de Jesus a fim de melhor discernir Seu espírito —, no entanto, o discernimento de Quem Ele era
só acontece como revelação de Deus no coração. Do contrário, a pessoa pode até confessar a Jesus
como Senhor, mas fazer isso como crença religiosa, e não como o fruto de uma relação de
Conhecimento de Jesus.

A História do Cristianismo está marcada por aqueles que conheceram Jesus segundo a carne (a maioria
quase absoluta) e aqueles que O conheceram segundo o espírito. Aliás, se fôssemos medir quais dos
inimigos do Evangelho mais demandaram energia de Jesus e de Paulo, veríamos que o diabo, o mundo,
o império romano e todas as Potestades não estiveram na “pauta dos incômodos” de suas vidas tanto
quanto os que conheciam Jesus apenas segundo a carne.

Jesus “gastou mais energia” nos encontros com escribas, fariseus, saduceus e autoridades do Templo do
que com qualquer outra forma de oposição. Seus suspiros de angústia sempre foram provocados por
estes.

Já Paulo teve nos “falsos irmãos” e nos “judeus zelosos da lei” seus maiores inimigos. É como
combater as heresias que pretendiam relativizar a Graça de Deus que o tema central de suas cartas
acontece, ora combatendo o ascetismo religioso de influência grega, que buscava purificação pela
abstinência de quase tudo ou pelo conhecimento de supostos mistérios, ora enfrentando as mesmas
relativizações da Graça que eram feitas pelo outro polo, o polo da Lei, que, se fosse crida como estando
ainda vigente, desconstruiria o significado da Cruz de Cristo. A respeito disso Paulo diz que a Lei
morreu com Ele na Cruz para que, agora, libertos de nosso antigo e penoso casamento com a Lei,
pudéssemos ficar livres para nos casar de novo, agora com a Graça de Deus em Cristo.

Desse modo, conhecer Jesus apenas segundo a carne faz de muita gente vampiros sugadores da energia
de almas boas. Sim, porque os que mais sugaram o sangue de Paulo foram estes.

É esse conhecimento de Jesus segundo a carne, apenas como informação histórica e dogmática, o que
mais drena a energia espiritual de quem deveria estar pregando o Reino de Deus, e não sendo sugado
pelas sanguessugas da religião. Eu ousaria dizer que talvez 95 por cento do que suga a nossa energia na
“causa cristã” nada tem a ver com Jesus segundo o espírito, mas apenas com o Jesus segundo a carne.

Ora, isso vai das formalidades e das politicagens dos concílios e das convenções denominacionais e
ministeriais até as mais cretinas formas de perversidade praticadas em nome de Jesus, feitas de fofocas,
intrigas, intervenções, tiranias, perseguições neuróticas e invenções mirabolantes que tiram a
simplicidade do Evangelho, fazendo dele um feioso produto da religião.
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Conhecer Jesus apenas segundo a carne faz mais mal do que não conhecer Jesus de modo algum. Isso
porque nenhuma perversidade é mais chocante do que aquela que se faz em nome de Jesus ou que se
torna farisaísmo legalista feito em nome dEle, pois isso introjeta o oposto na alma: o ser-diabo, como
Judas, que O conheceu segundo a carne apenas.

Paulo um dia conheceu Jesus como informação histórica apenas, e dedicou-se a acabar com Ele na
Terra. Resfolegava ódio. Ficou perverso. Torturou. Fez muitos sentirem tanto medo e dor que negaram
a própria fé.

Paulo foi membro do “DOI CODI” dos que apenas conhecem Jesus “de fora”. É que qualquer
associação com Jesus que não seja no espírito, como conhecimento relacional, mediante apenas a fé,
não tem o poder de fazer bem, embora tenha o poder de fazer o pior mal, que é o Mal de Lúcifer:
aquele que vira diabo na presença-não-amada-de-Deus.

Sim, eu lhes digo, amigos, sem medo de errar: é melhor que uma pessoa não conheça nada de Jesus e
viva solitária e ignorante na beira de um barranco de um rio da África ou do Amazonas do que dizer
que conhece Jesus quando apenas conhece a Sua suposta representação: a igreja e seus muitos e muitos
ídolos, lugar onde muitas vezes reina a soberba, que foi a condenação do diabo.

Sim! É melhor nada saber do que pensar que se sabe e, naquele Dia, ouvir o Senhor dizer: “Eu nunca
vos conheci”.

Conhecer Jesus segundo o espírito é conhecer o espírito do Evangelho, e, no poder e na liberdade no


Espírito Santo, experimentar o Evangelho como supremo benefício para a vida.

Conhecer Jesus segundo a carne é como olhar para um Objeto do lado de fora, observando-o. Já
conhecer Jesus segundo o espírito é como ver “de dentro” da Pessoa dEle.

Sim, você passa a ver tudo “de dentro”, não mais “de fora”. E isso só acontece como iluminação dos
olhos do coração, os quais só são abertos pela manifestação da Graça, abrindo o entendimento. Do
contrário, nem todos os seminários de teologia podem abrir espiritualmente o entendimento de
ninguém.

Enquanto Deus é visto “de fora” e não “de dentro” dEle, saiba: a pessoa não conheceu ainda o que é
"estar em Cristo”.

Ora, “estar em Cristo” é de fato estar em Cristo. Daí em diante se vive e se vê “de dentro”, pois, pela
mesma razão, se pode também dizer: “Cristo vive em mim!”

Caminho da Graça

Estações do Caminho: Texto de orientação