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FACULDADE DE SAÚDE, CIÊNCIAS HUMANAS E TECNOLÓGICAS DO

PIAUÍ – NOVAFAPI
CURSO: BIOMEDICINA
DISCIPLINA: ÉTICA
PROF.ª AMANDA
24 MAR.2011
PATRÍCIA VIRNA SALES LEÃO

FILME 01: “QUASE DEUSES”

1 - Ficha Técnica / Referências (Normas da ABNT, para filmes)

Título Original: Something the Lord Made


Gênero: Drama
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Direção: Joseph Sargent
Roteiro: Peter Silverman e Robert Caswell

Elenco

Alan Rickman ( Dr. Alfred Blalock)


Mos Def (Vivien Thomas)
Mary Stuart Masterson (Dra. Helen Taussig)
Kyra Sedgwick (Mary Blalock)
Merritt Wever (Sra. Saxon)
Doug Olear (Michael Saxon)
David Bailey (General)
Nat Benchley (Karsh)
Gabrielle Union (Clara Thomas)
Dave Trovato (Dr. Harmel)
Jonathan Watkins (Dr. Kelvin)
Douglas Watson (Dean Hamilton)

2- Resumo
O filme retrata a historia de um rapaz chamado Thomas Vivien, de cor
negra e de família pobre, cuja profissão era um hábil marceneiro, mas que
tinha um sonho de um dia ser médico, apesar de alguns fatos negativos como
a perda de seus 7 anos de economia quando o banco faliu e o próprio racismo
que era muito predominante nessa época de 1930.
Apresenta um enredo emocionante baseado em fatos reais, ocorrido em
Nashville, onde retrata de forma clara o racismo em várias cenas, onde os
banheiros, as barbearias, os assentos de ônibus, dentre outros, eram
específicos, de forma que existiam lugares para negros e lugares para brancos.
Apesar de tanto contratempo, Tomas Vivien com sua determinação de
um dia ser médico, ajudado pelo Dr. Alfred Blalock que descobriu que ele tinha
uma inteligência privilegiada e que poderia ser mais bem aproveitado de
faxineiro para técnico de laboratório com as habilidades que apresentava, pois
se destacou de muitos outros ajudantes que já tinham trabalhado nesse
laboratorio experimental de Vandervile, deixando o doutor Blalock mais
fascinado e juntos formaram assim uma bela parceria, entre doutor e
assistente.
Após trabalhar anos como classe 3 (aux de manutenção) onde se sente
humilhado, finalmente fora reconhecido mudando de nível e piso salarial pelo
trabalho que desempenhava nas pequenas cirurgias de pesquisa em cães,
como também fabricação de equipamentos que ajudaram de forma significante
nas pesquisas o que traz o primeiro reconhecimento do Dr. Blalock no
tratamento de traumas hipovolêmicos em oito meses o que ele com outros
auxiliares já tinha levado 15 anos, com esse grande feito, Tomas Vivien acaba
se tornando o cirurgião-chefe na Universidade Johns Hopkins para pesquisas
de doenças do coração “ Síndrome do bebê azul” depois de 12 anos de
parceria.
Em 1964, depois que o doutor Blalock morreu, Thomas Vivien foi
reconhecido mesmo sem ter cursado a faculdade: foi homenageado pelo
Conselho de Medicina do Hospital de John Hopkins recebendo o título de Dr.
Thomas Vivien, cujo quadro de pessoas importantes que nem ele, Dr. Blalock
dentre outros ficavam expostos neste mesmo hospital conhecido como o
primeiro de toda medicina.
3- Análise do Filme

O filme foi feito baseado em fatos reais onde se conflitam vários tipos de
situações e problemas que poderiam ter sido resolvidas, tais como:
preconceito, racismo, falta de ética em plena década de 30, após a grande
depressão americana, onde brancos dominavam e podiam fazer tudo. Vivien é
negro, sonha em cursar uma faculdade, casar e se tornar médico. Dr. Alfred é
um médico ambicioso, com certo reconhecimento na profissão, que testa em
animais, técnicas para poder fazer a diferença e se sobressair perante os
outros pesquisadores da área médica. O primeiro é um jovem marceneiro e
negro que vai trabalhar como ajudante no laboratório do segundo.
Observamos assim que o conflito racial está implícito, não foi
escancarado pelo roteiro, embora seja está a razão primordial do filme, mostrar
que a ignorância e o preconceito racial, pode ter castrado bons profissionais
que fariam diferença, caso tivessem tido uma chance e que embora Vivien
tenha tido a sorte e inteligência para se destacar numa época tão cheia de
conflitos, poderia ter ocasionado atos negativos, pois estava praticando uma
profissão da qual não tinha estudado, sendo portanto considerada ilícita.
No filme também é mostrado algumas cenas em que as mulheres dos
artistas principais como Mary Blalock e Clara Thomas mostraram-se
compreensivas e perserverantes dando apoio na ascessão profissional dos
maridos mesmo que isso lhes custassem uma grande ausência por parte deles
por se dedicarem por muito tempo a habilidade crescentes de salvar vidas.
A doutora Taussig, também tivera um papel muito importante, pois foi ela
que lhes apresenta uma pesquisa jamais vista entre os médicos, “a doença do
bebe azul”. Era uma doença que comprometia o coração, com os seguintes
sintomas: respiração fatigante e todo seu corpo progressivamente ficando azul
até chegar o dia da sua morte. Sendo o bebe Saxon, o primeiro a ser cobaia
dessa possível tentativa, pois só teria seis meses de vida.

Contudo, após a análise de várias cenas que nos demostram com


clareza a ficção de uma vida real, podemos interpretar de várias maneiras as
situações impostas pelos fatos apresentados, pois notamos que não houve
socialização e que apesar de não existir leis éticas, no pronto de vista hoje
foram infrigidos alguns princípios, que só surgiram na década de 70, seis anos
após o reconhecimento de Vivien como médico por atuar numa profissão sem
ter passado por uma universidade.
Conduta essa adotada forçadamente por Vivien que de certa forma fora
negado um dos princípios importantes da bioética que é o da Autonomia que
relata a consciência do direito da pessoa possuir um projeto de vida próprio, de
ter seus pontos de vista e opiniões, de fazer escolhas autônomas, de agir
segundo seus valores e convicções. Tal desrespeito por esse principio ficou
bem delineado pelas ações demonstradas pelo o Dr. Blalock, médico de
renome que poderia ter ajudado Vivien, utilizando-se de sua influencia para que
o mesmo cursasse o tal almejado curso de medicina, preservando seus
direitos, aceitando o pluralismo ético-social e ter dado a ele a chance de ter
alcançado seu sonho muito antes dos 40 anos de sofrimento e humilhação que
ele tanto passou apesar de cumprir as atividades impostas com dignidade e
respeito a qual se dedicava essa profissão, tornando-se através dos preceitos
morais da lei, reconhecimento após sua primeira façanha no auxilio da primeira
cirurgia feita no coração, órgão esse que era visto como algo intocável pela
medicina e santificado pela igreja, que acreditava na sua purificação.
Quanto aos pais do bebê, foram-lhe dado esperança, uma luz,
considerado assim na época como quase um milagre. Usando de bom senso
eles atenderam ao principio da autonomia ao serem questionados a
autorizarem a cirurgia no seu filho, autorizando assim a chance de um incapaz
a sobreviver. Os médicos respeitaram os princípios da “ beneficência e não
maleficência”, onde estes profissionais de saúde tinham o dever de causar o
bem e evitar o mal e/ou danos a seu paciente.
No entanto, esse filme nos causas vários questionamentos, um de
relevância é o principio da “Justiça”, que com toda certeza se fosse um bebê
negro não teria a chance de se hospitalizar num hospital de renome daqueles e
muito menos ser o primeiro cobaia de uma cirurgia tão delicada e significativa
na qual foi o primeiro passo de muitas cirurgias do coração realizadas em todo
o mundo. Este principio nos fala que a justiça está associada preferencialmente
a grupos sociais, preocupando-se com a eqüidade na distribuição de bens e
recursos considerados comuns, numa tentativa de igualar as oportunidades de
acesso a estes bens, levando a ética, em seu nível público, além de proteger a
vida e a integridade das pessoas, objetiva também a evitar a discriminação,
marginalização e a segregação social, ou seja, justiça, fundamentar-se na
premissa que as pessoas tem direito a um mínimo decente de cuidados com a
saúde.