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O DÍZIMO NOS DIAS ATUAIS

"Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor;
santos são ao Senhor" Levítico 27: 30.

Não há dúvidas de que o legítimo proprietário do dízimo é o Senhor. Mas como Deus não recebe diretamente os
dízimos, Ele nomeou sacerdotes para que fossem os legítimos receptores do dinheiro sagrado. O dízimo está
vinculado ao sacerdócio e não ao templo como alguns imaginam. Antes mesmo de existir um templo, Abraão
pagou o dízimo “dos despojos” (Hebreus 7: 4) ao sacerdote Melquisedeque, que era também rei de Salém (Gênesis
14: 18, 20). Após a libertação do povo de Israel do domínio egípcio Deus instituiu a ordem sacerdotal "araônica". Os
descendentes de Arão pertencentes à tribo de Levi não receberam herança na nova terra, pois sua herança seria o
Senhor. Os sacerdotes da tribo de Levi deveriam sobreviver com o mantimento proveniente dos dízimos e das
ofertas do povo. "Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam,
serviço da tenda da congregação" Números 18: 21. Note que o dízimo era dado pelo serviço que prestavam.
Cristo, através de sua morte, pôs fim ao sistema sacerdotal levítico ou araônico (Hebreus 6: 20; 7: 11). Uma
nova ordem foi estabelecida: o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. Cristo é o sumo sacerdote
desta ordem, mas quem são os sacerdotes? Seriam os pastores administradores? Seriam os pastores locais os
verdadeiros sacerdotes? Seriam os pastores administradores mais os locais mais os anciãos ou presbíteros?

"Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de
oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo… Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio
real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a
sua maravilhosa luz". I Pedro 2: 5 e 9.

Graças à ignorância do povo, os conceitos sobre o dízimo no meio cristão se desvirtuaram de tal modo que
quando se pergunta quem são os sacerdotes modernos, todos respondem: "São os pastores" e quando se
pergunta quem é o legítimo proprietário do dízimo, todos respondem: "É a administração pastoral". Hoje
todos nós somos sacerdotes (I Pedro 2: 5 e 9; Apocalipse 1: 6; 5: 9, 10), somos representantes de Cristo num
mundo escuro. A lei do dízimo mudou, pois o sacerdócio mudou. "Pois, mudando-se o sacerdócio,
necessariamente se faz também mudança da lei". Hebreus 7: 12. Note como Paulo descreve o método antigo
com relação aos direitos sobre a propriedade do dízimo: "E os que dentre os filhos de Levi recebem o
sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos". Hebreus 7: 5.
Paulo, em Hebreus 7, discorrendo sobre a mudança de ordem sacerdotal não poderia deixar o assunto "dízimo" de
fora. Note o que ele diz sobre a lei do dízimo: “Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também
mudança da lei” Hebreus 7: 12.

O que mudou na lei do dízimo? Será que o dízimo foi abolido?

Para entendermos a questão da “obrigatoriedade” do dízimo devemos entender muito bem o ensino bíblico sobre os
dois modelos sacerdotais: o sistema levítico e o sistema de Melquisedeque. O sistema sacerdotal levítico e suas leis
duraram enquanto os levitas exerciam o sacerdócio no santuário terrestre. Quando Cristo veio a esta terra, morreu
por nós e subiu aos céus, um novo modelo de sacerdócio foi inaugurado – um sacerdócio segundo a ordem de
Melquisedeque. A carta aos Hebreus explica como Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de Deus, representava
a obra de Jesus Cristo como nosso Sumo Sacerdote. A Palavra de Deus nos mostra que o dízimo é uma prática
válida em ambos os sistemas. Os levitas recebiam os dízimos e Melquisedeque também recebeu os dízimos de
Abraão. Embora a prática de dizimar seja válida nos dois modelos sacerdotais, o dízimo só é (ou só foi) obrigatório
durante a vigência do modelo levítico. Fora do modelo levítico não há lei que obrigue a devolução do dízimo.
Veja o exemplo de Jacó que se deu antes da vigência do modelo levítico (Gênesis 28: 20-22). Ele fez um voto sob
uma condição para dar ao Senhor o dízimo. Se o dízimo fosse algo obrigatório certamente Jacó o daria
incondicionalmente, não caberia um voto diante de algo que já é lei. A experiência de Jacó nos mostra que o dízimo
não era obrigatório em sua época, mas era algo que poderia ser oferecido voluntariamente. Falando sobre a lei do
dízimo, Hebreus 7: 12 afirma que havendo mudança de sacerdócio houve mudança de lei. E a lei no contexto de
Hebreus 7: 5-12 é a lei do dízimo. Isso significa que quando o sacerdócio levítico foi extinto, a lei que obrigava a
devolução dos dízimos também foi extinta. Entendemos que o modelo sacerdotal vigente é o de Melquisedeque e,
portanto todos estamos sujeitos apenas às leis relacionadas a este modelo sacerdotal. Entendemos que o modelo
levítico e as leis relacionadas ao sacerdócio levítico não estão mais em vigor. É por esta razão que não adotamos o
sistema de dízimo na Igreja de Deus. Cabe ao doador decidir se vai doar 1%, 10%, 20% ou qualquer outro
percentual do seu salário para a obra de Deus (Atos 2: 45; 4: 32, 34-37; 5: 1-10). “Cada um contribua segundo
propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2ª
Coríntios 9: 7).

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