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PORTUGAL: O ESTADO NOVO

O TRIUNFO DAS FORÇAS CONSERVADORAS

Durante os primeiros anos do regime de ditadura, a crise política acentuou-se. Perante as


dificuldades, em 1928, os militares fazem um segundo convite a um distinto professor,
António Oliveira Salazar, para superintender à pasta das Finanças.

Pela primeira vez, num período de 15 anos, Salazar conseguiu tornar o saldo do orçamento
positivo, progredindo a chefe de governo. Salazar, com o propósito de instaurar uma nova
ordem política, lançou ainda em 1930 as bases orgânicas da União Nacional e se
promulgou o Acto Colonial. Em 1933 foi a vez da publicação do Estatuto do Trabalho
Nacional e da Constituição de 1933, submetida a plebiscito nacional. Ficou, então,
consagrado um sistema governativo conhecido por Estado Novo.

Com Salazar no Governo, inicia-se a edificação do Estado Novo, isto é, a imagem do


Estado totalitário português inspirado na ideologia fascista – o Salazarismo.

Salazar concebeu um regime:

• Autoritário

- Salazar rejeitou os princípios liberais que constituíam os fundamentos do regime


democrático e repudiou o sistema parlamentar pluripartidário.

- O poder executivo era detido pelo Presidente da Republica, mas a verdadeira


autoridade era exercida pelo Governo, nomeadamente pelo Presidente do
Conselho de Ministros. Com amplos poderes de legislar, apenas tinha o dever
de submeter as propostas de lei a uma Assembleia Nacional que era constituída
por deputados identificados com o Governo, provenientes de um único partido – a
União Nacional. De uma forma geral, o poder executivo era detido pelo
Presidente do Governo que se sobrepunha ao Presidente da Republica.

• Personalizado no chefe – o culto da personalidade/chefe

- A consolidação do Estado Novo passou pelo culto do chefe, onde o chefe era o
intérprete do supremo interesse nacional.

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- Salazar era apresentado pela propaganda do regime como o “Salvador da
Pátria”, a sua imagem estava presente em todos os lugares públicos, era venerado
pelas multidões e só não era aclamado porque era avesso às multidões.

• Conservador – a consagração da tradição e da ruralidade

 Salazar empenhou-se na recuperação dos valores que considerava


fundamentais, como Deus, Pátria, Família, Paz Social, Moralidade, Autoridade, que
não podiam ser postos em causa. A base da nação era a família, o homem era o
trabalhador e o papel da mulher foi reduzido. Empenhou-se também na defesa de
tudo o que fosse tradicional e genuinamente português, revestindo de importância a
ruralidade e rebaixando a sociedade industrializada. Deu protecção especial à
Igreja, baseado no lema "Deus, Pátria, Família".

• Nacionalista – a exaltação dos valores nacionais

O carácter nacionalista destacou-se, pois louvou e comemorou os heróis e o


passado glorioso da Pátria, valorizou as produções culturais portuguesas e
incutiu os valores nacionalistas através das milícias de enquadramento das
massas. Além disso, o regime salazarista utilizava as colónias em proveito
dos interesses da nação, seguindo os parâmetros definidos pelo Acto
Colonial de 1930.

• Corporativo

 O Estado Novo mostrou-se empenhado na unidade da nação e no fortalecimento da


Nação. Defendia, assim, que os indivíduos apenas tinham existência para o Estado se
integrados em organismos ou corporações pelas funções que desempenham e os seus
interesses harmonizam-se para a execução do bem comum.

• Repressivo – a liberdade amordaçada

- O exercício da autoridade implicou que o regime se rodeasse de um poderoso


aparelho repressivo através do qual se subordinavam aos interesses do Estado
os direitos e liberdades dos cidadãos.

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- Através da instituição da Censura Prévia, era exercida uma rigorosa vigilância sobre
todas as produções intelectuais que passava pela eliminação de tudo o que fosse
considerado contra a ideologia do regime.

- A polícia política, a PVDE (Policia de Vigilância e Defesa do Estado, mais tarde a


tenebrosa PIDE), perseguia, prendia, torturava e matava quem manifestasse
o mínimo sinal de oposição ao poder instituído.

CARÁCTER INTERVENCIONISTA

A estabilidade financeira tornou-se numa prioridade. O Estado Novo apostou num modelo
económico fortemente intervencionista e autárquico, que se fez sentir nos vários sectores
da economia:

 Agricultura

 Indústria

 Obras Públicas (tinha como principal objectivo o combate ao desemprego e a


modernização das infra-estruturas do país.

A intervenção activa do Estado fez-se sentir através da edificação de pontes, expansão das
redes telegráfica e telefónica, construção de barragens, construção de edifícios públicos. A
política de construção de obras públicas foi aproveitada para incutir no povo português a ideia
de que Salazar era imprescindível à modernização material do País.

• Assente em estruturas de enquadramento das massas – a inculcação de


valores

- (1933) Secretário da Propaganda Nacional, dirigido por António Ferro,


desempenhou um papel muito activo na divulgação do ideário do regime e na
padronização da cultura e das artes.

- Foi criada uma milícia armada para defesa do regime e combate ao comunismo – a
Legião Portuguesa.

- Também foi criada a Mocidade Portuguesa, de inscrição obrigatória para os estudantes


onde lhes era incutidos os valores nacionalistas e patrióticos do Estado Novo.

- Em 1935 fundou-se a FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho) que


tinha como intenção, controlar os tempos livres dos trabalhadores, providenciando
actividades recreativas e “educativas”

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- Em 1936 surgiu a Obra das Mães para a Educação Nacional, destinada à formação das
“futuras mulheres e mães”

UMA ECONOMIA SUBMETIDA AOS IMPERATIVOS POLÍTICOS

O carácter totalitário do Estado também se fez sentir na actividade económica e financeira.


Sujeitar toda a produção e gestão da riqueza nacional aos interesses do Estado era um
objecto constitucionalmente definido. Para o efeito, Salazar adoptou um modelo fortemente
dirigista. Proteccionismo e intervencionismo, tendo em vista a auto-suficiência do
país e consequentemente afirmação do nacionalismo económico, foram as principais
características da economia do Estado Novo.

A PRIORIDADE À ESTABILIDADE FINANCEIRA

Salazar foi convidado com o objectivo de resolver as dificuldades financeiras e a sua


afirmação política se ficou a dever ao sucesso das suas politicas na consecução do muito
ambicionado equilíbrio orçamental.

Salazar impunha aos diversos ministérios uma rigorosa política de limitação de despesas, ao
mesmo tempo que lançava sobre a população um conjunto de impostos tendo em vista o
aumento da receita.

O “milagre” financeiro também se ficou a dever em muito à rejeição de Portugal entrar


na Segunda Guerra Mundial, que conseguiu assim evitar as inúmeras consequências
negativas da participação na Guerra, assim como aproveitar as necessidades
económicas dos países envolvidos para dinamizar alguns sectores ligados à exportação.

A IMPORTÂNCIA DA AGRICULTURA

Salazar via nas actividades agrícolas, um dos meios mais poderosos para atingir a
pretendida auto-suficiência económica. Empreendeu um conjunto de medidas de
fomento das actividades agrícolas:

• construção de numerosas infra-estruturas adopção de políticas de fixação


de populações no interior rural;

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• amplas campanhas de florestação;

• dinamização da produção dos bens mais tradicionais na alimentação


portuguesa como a batata, o arroz, o vinho, o azeite e as frutas.

De todas as medidas agrícolas, a que mais impacto teve foi a dinamização da produção
de trigo

O CONDICIONAMENTO INDUSTRIAL

No âmbito da indústria, os primeiros anos do regime foram marcados pela persistência dos
constrangimentos tradicionais do desenvolvimento do país:

• deficiente rede de comunicações;

• processos tecnológicos arcaicos;

• baixos níveis de produtividade;

• dependência das importações;

• falta de iniciativa por parte dos investigadores portugueses;

• manutenção de baixos salários.

A partir da década de 50 assistiu-se a algum desenvolvimento dos sectores tradicionais e ao


arranque de sectores tecnologicamente mais avançados como a indústria cimenteira,
refinação de petróleos, construção naval, adubos químicos e energia eléctrica.

Não podemos, todavia, falar de um forte arranque da indústria portuguesa. Efectivamente, o


incipiente desenvolvimento industrial do país explica-se pelo carácter ruralista do regime
e pela excessiva presença do Estado no controlo da indústria nacional e na regulação da
actividade produtiva em prejuízo da liberdade dos agentes económicos.

AS GRANDES OBRAS PÚBLICAS

A implementação de programas de obras públicas foi a manifestação mais visível do


desenvolvimento do país. Pretendia-se também dar uma imagem nacional e
internacional de modernização de Portugal, e ao mesmo tempo, resolver o problema do
desemprego.

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Em consequência, melhorou-se a rede de estradas, os portos marítimos, a rede telefónica
nacional; edificaram-se grandes complexos desportivos, complexos hidroeléctricos, edifícios
de serviço público; deu-se particular atenção aos monumentos históricos.

A POLÍTICA COLONIAL

As colónias desempenharam uma dupla função no Estado Novo. Foram um elemento


fundamental na política de nacionalismo económico e um meio de fomento do
orgulho nacionalista.

No primeiro caso, porque realizavam a tradicional vocação colonial de mercado para o


escoamento de produtos agrícolas e industriais metropolitanos e de abastecimento de
matérias-primas a baixo custo.

No segundo caso, porque constituíam um dos principais temas da propaganda nacionalista,


ao integrar os espaços ultramarinos na missão histórica civilizadora de Portugal e no espaço
geopolítico nacional.

A vocação colonial do Estado Novo motivou, logo em 1930, a publicação do Acto Colonial,
onde eram clarificadas as relações de dependência das colónias e se limitava a
intervenção que nelas podiam ter as potências estrangeiras.

Para a consecução do segundo objectivo, o regime levou a cabo diversas campanhas


tendentes a propagandear, interna e externamente, a mística imperial.

O PROJECTO CULTURAL DO REGIME

No contexto de um regime de tipo totalitário, a cultura portuguesa encontrava-


se subordinada ao Estado e servia de instrumento de propaganda política. O
Estado Novo compreendeu a necessidade de uma produção cultural submetida
ao regime, por isso, pela via da persuasão, o Estado Novo concebeu um projecto
que vai instrumentalizar os artistas para a propaganda do seu ideal. A este projecto
cultural chamou-se de “Política de Espírito”. Foi o meio encontrado para
mediatizar o regime, em que era proporcionado uma “atmosfera saudável” à
imposição dos valores nacionalistas e patrióticos. Tudo servia para divulgar as
tradições nacionais e engrandecer a civilização portuguesa (restauro de
monumentos, festas populares, peças de teatro, cinema, etc.) Salazar defendia que
as artes e as letras deveriam inculcar no povo, o amor da pátria, o culto dos

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heróis, as virtudes familiares, a confiança no progresso, ou seja, o ideário do Estado
Novo.

PORTUGAL DO AUTORITARISMO À DEMOCRACIA

IMOBILISMO POLÍTICO E CRESCIMENTO


ECONÓMICO DO PÓS-GUERRA

A posição de neutralidade que Portugal assumiu na Segunda Guerra Mundial permitiu a


sobrevivência do regime salazarista. Apesar de uma dura guerra nas colónias, a vida política
do país manteve uma feição autoritária.

Este nosso país não soube também acompanhar o ritmo económico das nações mais
desenvolvidas. Mesmo com algumas realizações, o atraso português persistiu e, em certos
sectores, como a agricultura, agravou-se.

O Estado Novo estava, no inicio dos anos 70, à beira do fim.

A ESTAGNAÇÃO DO MUNDO RURAL E SURTO INDUSTRIAL

Apesar da agricultura ser o sector dominante, era pouco desenvolvida,


caracterizada por baixos índices de produtividade, que fazia de Portugal dos
países mais atrasados da Europa. O principal problema consistia na dimensão das
estruturas fundiárias, no Norte predominava o minifúndio, que não possibilitava
mecanização; no Sul estendiam-se propriedades imensas (latifúndios), que se
encontravam subaproveitadas. O défice agrícola foi aumentando, e ao longo dos
anos 60 e 70 e assistiu-se a um elevado êxodo rural e emigração, pois as
populações procuravam melhores condições de vida, condenando a agricultura a
um quase desaparecimento.

Face a esta situação, a partir de 1953, foram elaborados Planos de Fomento para
o desenvolvimento industrial. O I Plano (1953-1958) e o II Plano (1959-1964)
davam continuidade ao modelo de autarcia e à substituição de importações, mas
não contavam com o apoio dos proprietários. O I Plano de Fomento (1953-58)
Reconheceu a industrialização para um melhor nível de vida. O plano baseou-se ainda num
conjunto de investimentos públicos que se distribuía por vários sectores, com prioridade
para a criação de infra-estruturas.

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No II Plano de Fomento (1959-64) alarga-se o montante investido e elege-se a
indústria transformadora de base como sector a privilegiar.

É só a partir de meados dos anos 60, com o Plano Intercalar de Fomento


(1965-1967) e o III Plano (1968-1973), que o Estado Novo delineia uma nova
política económica: - Defende-se a produção industrial orientada para a
exportação; - Dá-se prioridade à industrialização em relação à agricultura; -
Estimula-se a concentração industrial; - Admite-se a necessidade de rever a lei
do condicionamento industrial (que colocava entraves à livre concorrência. O
grande ciclo salazarista aproximava-se do fim). No decurso do II Plano, o nosso país
viria a integrar-se na economia europeia e mundial, integrando a EFTA, a BIRD e
a GATT. A adesão a estas organizações marca a inversão na política da autarcia do
Estado Novo. Esta política confirmou a consolidação de grandes grupos
económicos e financeiros em Portugal e o acelerar do processo industrial.

A EMIGRAÇÃO

Enquanto que nas décadas de 30 e 40 a emigração foi bastante reduzida, a década


de 60 tornou-se no período de emigração mais intenso da nossa história,
pelos seguintes motivos: - a política industrial provocou o esquecimento do mundo
rural, logo, sair da aldeia era uma forma de fugir à miséria; - os países europeus
que necessitavam de mão-de-obra, pagavam com salários superiores; - a partir
de 61, a emigração foi, para muitos jovens, a única maneira de não participar
na guerra entre Portugal e as colónias africanas. Por essa razão, a maior parte da
emigração fez-se clandestinamente. O Estado procurou salvaguardar os
interesses dos nossos emigrantes, celebrando acordos com os principais países de
acolhimento. O País passou, por esta via, a receber um montante muito
considerável de divisas: as remessas dos emigrantes. Tal facto, que muito
contribuiu para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos e para o
aumento do consumo interno, induziu o Governo a despenalizar a emigração
clandestina e a suprimir alguns entraves.

A URBANIZAÇÃO

O surto industrial traduziu-se no crescimento do sector terciário e na


progressiva urbanização do país. Dá-se o crescimento das cidades e a
concentração populacional. Em Lisboa e Porto, as maiores cidades portuguesas,
propagam-se subúrbios. No entanto, esta expansão urbana não foi
acompanhada da construção das infra-estruturas necessárias, aumentando
as construções clandestinas, proliferam os bairros de lata, degradam-se as
condições de vida (incremento da criminalidade, da prostituição…). Mesmo assim, o
crescimento urbano teve também efeitos positivos, contribuindo para a

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expansão do sector dos serviços e para um maior acesso ao ensino e aos
meios de comunicação.

O FOMENTO ECONÓMICO NAS COLÓNIAS

Após a guerra mundial, o fomento económico das colónias também passou a


constituir uma preocupação ao governo. Angola e Moçambique receberam uma
atenção privilegiada. Os investimentos do Estado nas colónias, a partir de 1953,
foram incluídos nos Planos de Fomento. O objectivo desta preocupação
reforçada, era mostrar à comunidade internacional que a presença portuguesa
era essencial ao desenvolvimento desses territórios, através de medidas como a
criação de infra-estruturas, incentivos ao investimento nacional, estrangeiro
e privado, criação do EPP (Espaço Económico Português, com vista à abolição de
entraves comerciais entre Portugal e as suas colónias), reforço da colonização
branca e desenvolvimento dos sectores agrícola, extractivo e industrial.

A RADICALIZAÇÃO DAS OPOSIÇOES E O SBRESSALTO POLÍTICO DE 1958

Em 1945, a grande maioria dos países europeus festejavam a vitória da


democracia sobre os fascismos. Parecia, assim, que estavam reunidas todas as
condições para Salazar também optar pela democratização do país. Salazar
encenou, então, uma viragem política, aparentando uma maior abertura, a fim
de preservar o poder:

antecipou a revisão constitucional, dissolveu a Assembleia Nacional e convocou


eleições antecipadas, que Salazar anunciou “tão livres como na livre Inglaterra”. Em
1945, os portugueses foram convidados a apresentar listas de candidatura às
eleições legislativas (para eleger os deputados da Assembleia Nacional). A
oposição democrática (conjunto dos opositores ao regime no segundo pós-
guerra) concentrou-se em torno do MUD (Movimento de Unidade
Democrática), criado no mesmo ano. O impacto deste movimento, que dá início à
chamada oposição democrática, ultrapassou todas as previsões.

Para garantir a legitimidade no acto eleitoral, o MUD formula algumas exigências,


que considera fundamentais, como o adiamento das eleições por 6 meses (a
fim de se instituírem partidos políticos), a reformulação dos cadernos eleitorais
e a liberdade de opinião, reunião e de informação. As esperanças
fracassaram. Nenhuma das reivindicações do Movimento foi satisfeita e este

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desistiu por considerar que o acto eleitoral não passaria de uma farsa. A apreensão
das listas pela PIDE permitiu perseguir a oposição democrática.

Em 1949, aquando das eleições presidenciais, a oposição democrática apoiou o


candidato Norton de Matos, que concorria contra o candidato do regime, Óscar
Carmona. Era a primeira vez que um candidato da oposição concorria à Presidência
da República e a campanha voltou a entusiasmar o País mas, no entanto, face a
uma severa repressão, Norton de Matos apresentou também a sua desistência
pouco antes das eleições.

1958 – Ano de novas eleições presidenciais. O Governo pensou ter controlado a


situação até que, em 1958, a candidatura de Humberto Delgado a novas eleições
presidenciais desencadeou um terramoto político. A sua coragem em criticar a
ditadura, apelidou-o de “general sem medo”. O anúncio do seu propósito de não
desistir das eleições e a forma destemida como anunciou a sua intenção de demitir
Salazar caso viesse a ser eleito, fizeram da sua campanha um acontecimento único
no que respeita à mobilização popular. De tal forma que o governo procurou limitar-
lhe os movimentos, acusando-o de provocar “agitação social, desordem e
intranquilidade pública”. O resultado revelou mais uma vitória esmagadora do
candidato do regime (Américo Tomás), mas desta vez, a credibilidade do
Governo ficou profundamente abalada. Salazar começou a tomar consciência
de que se estava a tornar difícil continuar a enganar a opinião pública. A
campanha de Humberto Delgado desfez qualquer ilusão sobre a pretensa abertura
do regime salazarista. Humberto Delgado foi assassinado pela PIDE em 1965.

A QUESTÃO COLONIAL

A Partir de 1945, a questão colonial passa a constituir mais um serio problema para Portugal.
A nova ordem internacional instituída pela Carta das Nações e a primeira vaga de
descolonizações tiveram importantes repercussões na política colonial do Estado
Novo.

Com efeito, a partir do momento em que a ONU reconhece o direito à


autodeterminação dos povos e em que as grandes potências coloniais começam a
negociar a independência das suas possessões ultramarinas, torna-se difícil para o
Governo português manter a politica colonial instituída com a publicação do Acto Colonial,
em 1930.

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A simples mística imperial começava a revelar-se ultrapassada para explicar as posições
coloniais do Estado Novo. Salazar teve de procurar soluções para afirmar a vocação colonial
de Portugal e para recusar qualquer cedência às crescentes pressões internacionais.

SOLUÇÕES PRECONIZADAS

A adaptação aos novos tempos processou-se, numa primeira fase, em duas


vertentes complementares: uma ideológica e outra jurídica.

Tornava-se necessário, por conseguinte, clarificar juridicamente as relações da


metrópole com os seus espaços ultramarinos.

Neste sentido, na revisão constitucional de 1951, Salazar revoga o Acto Colonial e


insere o estatuto de colónias por ele abrangido na Constituição. Todo o território
português ficava abrangido pela mesma lei fundamental.

Para melhor concretizar esta integração, desaparece o conceito de colónia que é


substituído pelo de província, desaparecendo o conceito de Império Português,
que é substituído pelo conceito de Ultramar Português.

Embora externamente a manutenção do colonialismo português cedo fosse posta em causa,


a nível interno, a presença portuguesa em África não sofreu praticamente
contestação até ao inicio da guerra colonial. Excepção feita ao Partido Comunista
Português, que reconheceu o direito à independência dos povos colonizados. No entanto, as
forças da oposição mantiveram-se concordantes com o Governo, como por exemplo, Norton
de Matos e Humberto Delgado, que foram empenhados defensores da integridade do
território português.

Esta quase unanimidade de opiniões veio a quebrar-se com o inicio da luta armada em
Angola, em 1961. Confrontam-se, então, duas teses divergentes: a integracionista e a
federalista.

Integracionista Federalista

Defendia a política até aí seguida, Considerava não ser possível, face à


pugnando por um Ultramar plenamente pressão internacional e aos custos de
integrado no Estado português. uma guerra em África, persistir na
mesma via. Advogava, por isso, a
progressiva autonomia das colónias e a
11 constituição de uma federação de
Estados que salvaguardasse os
interesses dos portugueses.
A aposta no federalismo, que será partilhada por muitos elementos da oposição, deu lugar,
em Abril de 1961, na sequência dos primeiros distúrbios em Angola, ao chamado «golpe de
Botelho Moniz». Caso insólito em que altas patentes das Forças Armadas, com o apoio do
ex-presidente da Republica (Craveiro Lopes) resolveram actuar pela via legal, exigindo a
Américo Tomás a destituição de Salazar. Porém, destituídos acabaram por ser eles,
e anulada a oposição governamental, Salazar agiu com determinação que lhe era
peculiar, enviando para Angola, os primeiros contingentes militares. Começava,
assim, a mais longa das guerras coloniais que se travaram a sul do Sara.

A LUTA ARMADA

O negar da possibilidade de autonomia das colónias africanas, fez extremar as


posições dos movimentos de libertação que, nos anos 50 e 60, se foram formando
na África portuguesa. Em Angola, em 1955, surge a UPA (União das Populações de
Angola) que, 7 anos mais tarde, se transforma na FNLA (Frente de Libertação de
Angola); o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) forma-se em 1956;
e a UNITA (União para a Independência Total de Angola) surge em 1966. A guerra
inicia-se em Angola a 1961. Em Moçambique, a luta é dirigida pela FRELIMO
(Frente de Libertação de Moçambique) fundada em 1962. A guerra estende-se a
Moçambique em 1964. Na Guiné, distingue-se o PAIGC (Partido para a
Independência da Guiné e Cabo Verde) em 1956 e a guerra alastrou-se à Guiné em
1963.

Portugal viu-se envolvido em duras frentes de batalha que, à custa de


elevadíssimos custos materiais e humanos, chegou a surpreender a comunidade
internacional.

O ISOLAMENTO INTERNACIONAL

O Governo não democrático de Oliveira Salazar continuava a defender uma politica


de reforço da autoridade portuguesa sobre os espaços ultramarinos e de
indiscutível recusa de qualquer negociação que pudesse pôr em causa essa
autoridade. Estava fora de causa qualquer cedência às crescentes pressões internacionais.

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Tal postura conduziu, inevitavelmente, ao desprestígio do nosso país, que foi
excluído de vários organismos das Nações Unidas e alvo de sanções económicas
por parte de diversas nações africanas. A recusa de todas as ofertas e planos (como
a ajuda americana por exemplo), remeteu Portugal para um isolamento,
evidenciado na expressão de Salazar, “orgulhosamente sós”.

Mesmo tendo tentado quebrar esse isolamento, Salazar não conseguiu impedir,
internamente as duvidas sobre a legitimidade do conflito e o descontentamento
crescente na sociedade portuguesa.

A PRIMAVERA MARCELISTA:
REFORMISMO POLÍTICO NÃO SUSTENTADO

Em, 1968, perante a intensificação da oposição interna e das denuncias internacionais do


colonialismo português, o afastamento de Salazar por doença, parecia finalmente abrir as
portas do regime à liberalização democrática.

Em 1968, Salazar foi substituído Marcelo Caetano, no cargo de presidente do Conselho de Ministros,
que fez reformas mais liberais para a democratização do regime. Nos primeiros meses o novo
governo até deu sinais de abertura, período este conhecido por “Primavera Marcelista” (alargou o
sufrágio feminino, permitiu regresso de alguns exilados, abrandou a repressão policial e a censura,
reforma democrática do ensino por ex.). Contudo, o oscilar entre indícios de renovação e seguir as linhas
do salazarismo, resultou no fracasso da tentativa reformista. A PIDE mudou o seu nome para DGS e
diminuiu, ao início, a virulência das suas perseguições. No entanto, face ao movimento estudantil e
operário, prendeu, sem hesitações, os opositores ao regime; A Censura passou a chamar-se Exame
Prévio; se este, inicialmente, tolerou algumas criticas ao regime, cedo se verificou que actuava nos
mesmos moldes da Censura; A oposição não tinha liberdade de concorrer às eleições e a política
Marcelista era criticada como sendo incapaz de evoluir para um sistema mais democrático. Tudo isto
levou á revolução de 25 de Abril de 1974.

O IMPACTO DA GUERRA COLONIAL

A política de renovação tentada por Marcelo Caetano também teve reflexos na questão
colonial:

- a presença colonial nos territórios africanos passa a ser reconhecida como defesa
dos interesses das populações brancas que há muito aí residiam;

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- no seguimento deste novo carácter da colonização portuguesa, já se admite o
principio da “autonomia progressiva” e concede-se o titulo honorifico de Estado,
às províncias de Angola e Moçambique

A guerra prosseguia à medida que se acentua o isolamento internacional de


Portugal evidenciado:

- pela recepção dos principais dirigentes dos movimentos de libertação pelo Papa
Paulo VI traduzida numa humilhação sem paralelo da administração colonial
portuguesa;

- pelas manifestações de protesto que envolveram a visita de Marcelo Caetano a


Londres, em consequência dos massacres cometidos pelo exercito português em
Moçambique;

- pela declaração unilateral da independência da Guiné-Bissau, e seu reconhecimento


pela Assembleia Geral da ONU.

Entretanto, também internamente, são conhecidas as denúncias da injustiça da Guerra


Colonial e os apelos à solução do conflito:

- os deputados liberais começam, em sinal de protesto, a abandonar a


Assembleia Nacional, proliferando os grupos oposicionistas de extrema-esquerda

- o general António de Spínola publica a obra Portugal e o Futuro, onde


relata, Marcelo Caetano proclamou que a guerra estava perdida

DA REVOLUÇÃO À ESTABILIZAÇÃO DA
DEMOCRACIA

O MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS E A ECLOSÃO DA REVOLUÇÃO

O problema da guerra colonial continuava por resolver. Perante a recusa de uma


solução política pelo Governo Marcelista, os militares entenderam que se tornava
urgente pôr fim à ditadura e abrir o caminho para a democratização do país. A
Revolução de 25 de Abril de 1974 partiu da iniciativa de um grupo de oficiais do

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exército português – O Movimento dos Capitães (1973), liderado por Costa
Gomes e Spínola, que tinha em vista o derrube do regime ditatorial e a criação de
condições favoráveis à resolução política da questão colonial. Estes
acontecimentos deram força àqueles que, dentro do Movimento (agora passava-se
a designar por MFA – Movimento das Forças Armadas), acreditavam na
urgência de um golpe militar que, restaurando as liberdades cívicas, permitisse
a tão desejada solução para o problema colonial. Depois de uma tentativa
precipitada, em Março, o MFA preparou minuciosamente a operação militar que,
na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 pôs fim ao Estado Novo.

DO “MOVIMENTO DOS CAPITÃES” AO “MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS”

A partir de 1973, começa a organizar-se um movimento clandestino de militares, onde


predominavam oficiais de baixa patente, a maioria capitães, que arranca com a
preparação de um golpe de Estado tendo em vista o derrube do regime ditatorial e a
criação de condições favoráveis à resolução política da questão colonial.

O Movimento dos Capitães depositou a sua confiança nos generais Costa Gomes e
Spínola, respectivamente chefe e vice-versa do Estado-Maior General das Forças
Armadas.

Face à obstinação do regime em persistir na manutenção da guerra, o alto-comando do


Estado-Maior das Forças Armadas (Costa Gomes, chefe, e António Spínola, vice-
chefe) recusou-se a participar numa manifestação de apoio ao Governo e à sua
política. Foram exonerados dos cargos, ficando disponíveis para congregar a confiança do
movimento de contestação que crescia no meio militar.

Liderado então pelos generais Spínola e Costa Gomes, o original movimento corporativo
dos capitães cresce. O Movimento dos Capitães evoluiu para um movimento das Forças
Armadas. Nascia o Movimento das Forças Armadas – MFA.

O “25 DE ABRIL”

São as Forças Armadas, assim organizadas, que vêm para a rua na madrugada de 25 de Abril
de 1974 e conseguem levar a cabo uma acção revolucionária que pôs fim ao regime de
ditadura que vigorava desde 1926.

A operação militar teve início com a transmissão, pela rádio, que permitia às unidades militares saírem
dos quartéis para cumprirem as missões que lhes estavam destinadas. A resistência terminou cerca
das 18h, quando Marcelo Caetano se rendeu pacificamente ao general Spínola. Entretanto, já o golpe
militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e da ditadura,
transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão social por todo o país, uma autêntica

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revolução nacional que, pelo seu carácter pacífico, ficou conhecido como a “Revolução dos
Cravos”. A PIDE foi a última a render-se na manhã seguinte.

DESMANTELAMENTO DAS ESTRUTURAS DE SUPORTE DO ESTADO NOVO

O acto revolucionário permitiu que se desse início ao processo de


desmantelamento do Estado Novo. No próprio dia da revolução, Portugal viu-se
sob a autoridade de uma Junta de Salvação Nacional, que tomou de imediato
medidas:

O presidente da República e o presidente do Conselho foram destituídos, bem


como todos os governadores civis e outros quadros administrativos; A PIDE-DGS, a
Legião Portuguesa e as Organizações da Juventude foram extintas, bem como a
Censura (Exame Prévio) e a Acção Nacional Popular; Os presos políticos foram
perdoados e libertados e as personalidades no exílio puderam regressar a
Portugal; Iniciou-se o processo da independência das colónias e organização
de eleições para formar a assembleia constituinte que iria aprovar a nova
constituição da República. A Junta de Salvação Nacional nomeou para Presidente da
República o António de Spínola, que escolheu Adelino para chefiar o governo
provisório.

TENSÕES POLÍTICO-IDEOLÓGICAS NA SOCIEDADE E NO INTERIOR DO MOVIMENTO


REVOLUCIONÁRIO

Os tempos não foram fáceis para as novas instituições democráticas. Passados os


primeiros momentos de entusiasmo popular na aclamação da liberdade conseguida,
seguiram-se dois anos politicamente muito conturbados. Com efeito, vieram ao de
cima profundas divergências ideológicas que conduziram a graves confrontações
sociais e politicas e chegaram a provocar situações de iminente conflito militar.

O «PERÍODO SPÍNOLA»

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Os tempos não foram fáceis para as novas instituições democráticas. Passados os
primeiros momentos de entusiasmo, seguiram-se dois anos politicamente muito
conturbados, originando graves confrontações sociais e políticas.
Rapidamente começaram as reivindicações, as greves e as manifestações
influenciadas pelos partidos da esquerda. O governo provisório mostrou-se incapaz
de governar o país e demitiu-se, o que fez com que o poder político se dividisse
em dois pólos opostos. De um lado o grupo apoiante do general Spínola
(procurava controlar o movimento popular que podia originar outra ditadura, desta
vez de extrema-esquerda)
Do outro lado a comissão coordenadora do MFA e os seus apoiantes
(defendia a orientação do regime para um socialismo revolucionário.

O desfecho destas tensões culminou com a demissão do próprio general


Spínola, após o falhanço da convocação de uma manifestação nacional em seu
apoio, e a nomeação de outro militar, o general Costa Gomes, como Presidente da
República.

A RADICALIZAÇÃO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO

A partir deste momento a Revolução tende a radicalizar-se.

No período entre a demissão de Spínola (Setembro 1974) e a aprovação da


nova Constituição da República (1976), Portugal viveu uma situação política
revolucionária repleta de antagonismos sociais. Durante estes dois anos, o poder
esteve entregue ao MFA, a Vasco Gonçalves, que assumiu uma posição de
extrema-esquerda e uma forte ligação ao Partido Comunista. A data-chave é 11
de Março de 1975: tentando contrariar a orientação esquerdista da revolução,
António de Spínola tentou um golpe militar (fracassado). Em resposta, a MFA cria o
Conselho da Revolução, ligado ao PCP, que passa a funcionar como órgão
executivo do MFA e tornou-se o verdadeiro centro do poder (concentra os
poderes da Junta de Salvação Nacional e do Conselho de Estado), e propõe-se
orientar o Processo Revolucionário em Curso - PREC que conduziria o País
rumo ao socialismo.

Este ambiente anárquico gerou um clima de opressão e medo nas classes


média e alta que impediu milhares de Portugueses a abandonarem o País.
Tudo parecia, nesta altura, encaminhar Portugal para a adopção de um modelo
colectivista, sob a égide das Forças Armadas.

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AS ELEIÇÕES DE 1975 E A INVERSÃO DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO

A inversão do processo deveu-se, em grande parte, ao forte impulso dado pelo


Presidente Socialista à efectiva realização, no prazo marcado, das eleições
constituintes prometidas pelo programa do MFA.

Das eleições de 1975, sai vitorioso o Partido Socialista, que passa a reclamar
maior intervenção na actividade governativa. Vivem-se os tempos do Verão
Quente de 1975, em que esteve iminente o confronto entre os partidos
conservadores e os partidos de esquerda. É em pleno “Verão Quente” que um
grupo de 9 oficiais do próprio Conselho da Revolução, encabeçados pelo major Melo
Antunes, crítica abertamente os sectores mais radicais do MFA: contestava o clima
de anarquia instalado, a desagregação económica e social e a decomposição das
estruturas do Estado. Em consequência, Vasco Gonçalves foi demitido. Era o fim
da fase extremista do processo revolucionário. A revolução regressava aos
princípios democráticos e pluralistas de 25 de Abril, que serão confirmados com a
Constituição de 1976.

Estas alterações são o rastilho para um último golpe militar, desferido em 25 de


Novembro em defesa de Otelo e do processo revolucionário. Este golpe que por
pouco não colocou o País numa guerra civil, acabou por se malograr e, com
ele, as tentativas da esquerda revolucionária para tomar o poder. Ficava
aberto o caminho para a implantação de uma democracia liberal.

Politica Económica anti-monopolista e intervenção do Estado a nível


económico-financeiro

Os tempos da PREC tinham em vista a conquista do poder e o reforço da


transição ao socialismo. Assim, nessa altura, tomaram-se um conjunto de
medidas que assinalaram a viragem ideológica no sentido do marxismo-
leninismo:

o intervencionismo estatal (em todos os sectores da economia), as


nacionalizações (o Estado apropriou-se dos bancos, dos seguros, das empresas,
etc., passando a ter mais controlo da economia), a reforma agrária (procedeu-se
à colectivização dos latifúndios do Sul e à expropriação e nacionalização pelo
Estado e a constituição de Unidades Colectivas de Produção (UCP). Graças ao
partido comunista foi aprovada a legislação para a reforma agrária com protecção
dos trabalhadores e dos grupos económicos mais desfavorecidos através das novas
leis laborais, salário mínimo nacional, aumento de pensões e reformas.)

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A OPÇÃO CONSTITUCIONAL DE 1976

A 2 de Junho de 1975 abriu, a Assembleia Constituinte. Era a primeira que se reunia desde a
elaboração da Constituição de 1911 e os seus trabalhos decorreram num ambiente pós-
revolucionário.

Depois de um ano de trabalho, a Assembleia Constituinte terminou a Constituição, aprovada em 25 de


Abril de 1976. A constituição consagrou um regime democrático e pluralista, garantindo as
liberdades individuais e a participação dos cidadãos na vida política através da votação em eleições
para os diferentes órgãos. Além disso, confirmou a transição para o socialismo como opção da
sociedade portuguesa. Mantém, igualmente, como órgão de soberania, o Conselho da Revolução
considerado o garante do processo revolucionário. Este órgão continuará a funcionar em estreita ligação
com o presidente da República, que o encabeça. A nova constituição entrou em vigor no dia 25 de Abril
de 1976, exactamente dois anos após a “Revolta dos Cravos”.

A nova constituição entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976. O seu texto resultou
do compromisso das diferentes concepções ideológicas defendidas pelos partidos da
Assembleia e congregou ainda medidas de excepção revolucionária. No entanto a
Constituição de 1976 foi, sem dúvida, o documento fundador da democracia
portuguesa.

O reconhecimento dos movimentos nacionalistas e o processo da


descolonização O processo descolonizador

A nível interno, a “independência pura e simples” das colónias colhia o apoio da


maioria dos partidos que se legalizaram depois do 25 de Abril e também nesse
sentido se orientavam os apelos das manifestações que enchiam as ruas do país.
É nesta conjuntura que o Conselho de Estado reconhece às colónias o direito à
independência. Intensificam-se, então, as negociações com os movimentos aos
quais Portugal reconhece legitimidade para representarem o povo dos respectivos
territórios. No entanto, Portugal encontrava-se num a posição muito frágil, quer
para impor condições quer para fazer respeitar os acordos. Desta forma, não foi
possível assegurar, como previsto, os interesses dos Portugueses residentes no
Ultramar. Fruto de uma descolonização tardia e apressada e vítimas dos interesses
de potências estrangeiras, os territórios africanos não tiveram um destino feliz.

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