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Processo Nº 071.01.2011.009822-8

Texto integral da Sentença

Vistos. CARLOS MELRO JUNIOR, qualificado nos autos, impetrou


mandado de segurança contra ato da DIRIGENTE REGIONAL DE ENSINO
BAURU, alegando, em resumo, que, embora afastado da sala de aula,
em licença saúde, desde 1982 por motivo de enfermidades mentais, se
inscreveu para participar no processo de atribuição de aulas no ano de
2011, tendo-lhe sido atribuídas 30 horas/aulas. Todavia, houve redução
para 12 horas/aulas sob a alegação de não ter sido aprovado no
concurso instituído no Estado de São Paulo, para lecionar no ano de
2010 e seguintes. Pediu a concessão de liminar garantindo-lhe carga
horária de 30 horas/aulas atribuídas, tornando-a definitiva a final. (fls.
02/10). Mandato fls. 11. Juntou documentos (fls.12/29). A autoridade
impetrada manifestou sobre o pedido de liminar (fls. 40/46). A liminar
foi deferida (fls. 47). A impetrada prestou informações (fls. 56/61),
sustentando que o indeferimento se deu em observância ao previsto na
legislação vigente. Pediu a revogação da liminar e denegação da
segurança. Em seu parecer, o representante do Ministério Público
deixou de se manifestar quanto ao mérito, alegando ausência de
interesse público (fls. 63/64). É a síntese necessária. FUNDAMENTO E
DECIDO. Assiste razão ao impetrante, porque ele teve um direito líquido
e certo obstruído e, portanto, suscetível de mandado de segurança. O
impetrante deduz em Juízo pretensão com fundamento na Carta Magna
em seu artigo 227. Amplamente conhecido por “remédio heróico”, o
mandado de segurança se presta para tutela de direito liquido e certo
não amparado por hábeas corpus, sempre que, ilegalmente ou com
abuso do poder, alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-
la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais
forem as funções que exerça (art. 1º, da Lei 12.016/09). Mister, para
concessão da ordem, a presença de todos esses requisitos; a ausência
de apenas um é o suficiente para a sua denegação. No caso “sub
judice”, verifica-se que o impetrante é professor de educação básica II,
estável (fls. 23), e teve reduzida sua carga horária atribuída para 12
horas/aulas sob a alegação de não ter sido aprovado no Processo de
Avaliação Anual, nos termos da Lei Complementar 1.093/2009. A
Constituição Federal de 1988, nos Atos das disposições Constitucionais
Transitórias, concedeu estabilidade aos funcionários não concursados,
nos seguintes termos: “Art. 19. Os servidores públicos civis da União,
dos Estados, do distrito Federal e dos Municípios, da administração
direta, autarquia e das fundações públicas, em exercício na data da
promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e
que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37 da
Constituição, são considerados estáveis no serviço público.” Assim,
verifica-se que a estabilidade é atributo pessoal do ocupante do cargo,
garantindo a este a permanência no serviço público. A Lei
Complementar 1.093/2009, não se aplica aos estáveis, porque envolve
contratação por tempo determinado, e os estáveis são funcionários que
só podem ser demitidos após regular processo administrativo, sentença
judicial transitada em julgado ou procedimento de avaliação periódica
de desempenho (art. 41 da Constituição Federal). Ademais, verifica-se
ainda, na documentação constante dos autos que o impetrante
encontra-se afastado para tratamento de saúde há muitos anos (fls.
13/15). Por derradeiro, conforme reiterado entendimento
jurisprudencial a carga horária de professor em licença saúde não pode
ser reduzida. Nesse sentido: “Apelação – Mandado de Segurança –
Professora de Educação Básica II – Lei 500/74 – Licença Saúde –
Vencimentos com base na carga horária reduzida – Pretensão ao
restabelecimento o da remuneração referente a 200 horas-aulas, as
quais detinha anteriormente à concessão da licença-saúde – Ordem
denegadas – apelo consistente – Manutenção da remuneração
legalmente garantida – Resolução SE 95/05 em desacordo com a Lei
Complementar nº 444/85; Lei 500/74 e Lei 10.261/68 – Apelo provido”.
(Apel. Cível 994.08.174447-9, 9ª Câmara de Direito Público –TJESP,
Dês. Rel. Sergio Gomes, j. 24.03.2010).” “Magistério – Lei 500/74 –
Redução da carga horária quando a autora estava em gozo de licença-
saúde – ilegalidade caracterizada – Artigo 191 do Estatuto dos
Funcionários Públicos do Estado e artigo 91 da Lei Complementar nº
444/85 – Recurso provido para julgar procedente a ação. (Apel. Cível
994.06.081109-6, 5ª Câmara de Direito Público – TJESP, Dês. Rel.
Reinaldo Miluzzi, j. 12.04.2010).” “Professor – Lei 500/74 – Aplicação da
Resolução 134/03, impedindo a impetrante a participar do processo de
atribuição de aulas durante licença-saúde – Redução de vencimentos –
Inadmissibilidade. Hierarquia da Lei 444/85. Recurso não provido. (Apel.
Cível. 994.05.033233-1, 3ª Câmara de Direito Público – TJESP, Dês.
Rel. Marrey Uint, j. 13.04.2010).” Ante o exposto, ratifico a liminar e
CONCEDO A SEGURANÇA, pleiteada por CARLOS MELRO JUNIOR contra
ato da DIRIGENTE REGIONAL DE ENSINO BAURU, determinando que a
impetrada tome as medidas administrativas necessárias, garantindo-lhe
a manutenção da carga horária de 30 horas/aulas que, inicialmente, lhe
foram atribuídas e, julgo extinto o processo, com julgamento do mérito,
nos termos do artigo 269,I do CPC. Oficie-se para o cumprimento da
ordem. Não há condenação ao pagamento de honorários advocatícios,
nos termos do artigo 25 da Lei 12.016/2009. Deixo de submeter estes
autos ao reexame necessário, nos termos do entendimento do
Presidente da Seção de Direito Público: “Nos termos do artigo 475,
parágrafo 2º e/ou 3º do Código de Processo Civil, criados pelo artigo 1º
da Lei Federal 10.352/2001 (norma processual aplicável aos feitos em
curso), tornou-se inexigível o reexame obrigatório de sentença nas
quais o valor do direito controvertido e/ou da condenação na ultrapasse
60 (sessenta) salário mínimos, devendo assim, os autos serem
devolvidos ao juízo de origem, após o trânsito em julgado, sem prejuízo
da apuração dos assessórios. Adote-se este entendimento para os
demais casos análogos. (Apel. Cível 990.10.096495-0, Des. Luis
Ganzerla – Presidente da Seção de Direito Público- TJESP).” P. R. I.
Bauru, 20 de abril de 2011. Elaine Cristina Storino Leoni Juíza de Direito

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