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UMA HISTÓRIA PRESENTE

René Remond
R É MOND, RE NÉ . UMA HI ST ÓR I A P RE SE NTE . IN:
R É MOND, R E NÉ ( DI R) . POR U MA HI STÓR IA PO LÍ TI C A .
T R ADUÇÃO : DOR A ROCH A. RI O DE J ANE IRO :
E DI TOR A FG V, 2 0 0 3. P. 1 3 - 3 5.

• O texto de René Remond aparece como uma abertura da coletânea


Por uma história política, realizando uma defesa da retomada desse
campo de estudos, diante da sua negação com a história dos Annales.

• A Escola dos Annales, ao tentar afastar de si todas as referências da


Escola Metódica francesa, afastou também a história política,
apontando-a como histoire événementielle, ou seja, centrada em eventos,
e distante das estruturas sociais.
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R É MOND, R E NÉ ( DI R) . POR U MA HI STÓR IA PO LÍ TI C A .
T R ADUÇÃO : DOR A ROCH A. RI O DE J ANE IRO :
E DI TOR A FG V, 2 0 0 3. P. 1 3 - 3 5.

• “Durante séculos, a chamada história política – a do Estado, do poder e


das disputas por sua conquista ou conservação, das instituições em que
ele se concentrava, das revoluções que o transformavam – desfrutou
junto aos historiadores de um prestígio inigualado devido a uma
convergência de fatores. [...]” (p. 15)

• “Foi contra esse estado de coisas, contra a hegemonia do político,


herança de um longo passado, que, em nome de uma história total, uma
geração se insurgiu,, e fez-se uma revolução na distribuição do
interesse. [...]” (p. 15)
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R É MOND, R E NÉ ( DI R) . POR U MA HI STÓR IA PO LÍ TI C A .
T R ADUÇÃO : DOR A ROCH A. RI O DE J ANE IRO :
E DI TOR A FG V, 2 0 0 3. P. 1 3 - 3 5.

• “Desejosa de ir ao fundo das coisas, de captar o âmago da realidade, a


nova história considerava as estruturas duráveis mais reais e
determinantes que os acidentes de conjuntura. [...]” (p. 16)

• “Ora, a história política apresentava uma configuração que era


exatamente contrária a essa história ideal. Estudo das estruturas? Ela
só tinha olhos para os acidentes e as circunstâncias mais superficiais:
esgotando-se na análise das crises ministeriais e privilegiando as
rupturas de continuidade, era a própria imagem e o exemplo perfeito
da história dita factual, ou événementielle [...]” (p. 16)
R É MOND, RE NÉ . UMA HI ST ÓR I A P RE SE NTE . IN:
R É MOND, R E NÉ ( DI R) . POR U MA HI STÓR IA PO LÍ TI C A .
T R ADUÇÃO : DOR A ROCH A. RI O DE J ANE IRO :
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• “[...] Ao persistir em atribuir aos protagonistas, tão bem chamados de


figuras de proa, um papel que acreditavam determinante, os paladinos
da história política tardaram em fazer sua revolução: perpetuaram os
reflexos adquiridos no Antigo Regime. Uma história elitista,
aristocrática, condenada pelo ímpeto das massas e o advento da
democracia.” (p. 18)

• “Factual, subjetivista, psicologizante, idealista, a história política reunia


assim todos os defeitos do gênero de história do qual uma geração
almejava encerrar o reinado e precipitar a decadência. [...]” (p. 18)
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• A renovação do ofício do historiador e a necessidade de pensar a


política como uma das dimensões da vida em sociedade, de forma que
elementos como a economia e a sociedade não são capazes de dar
conta de questões como guerras e relações internacionais.

• A história política pode ser pensada, agora, também vinculada ao que


chamamos de cultura política, às ideologias, aos intelectuais, à mídia,
aos movimentos sociais e às diversas dimensões que a configuram.
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T R ADUÇÃO : DOR A ROCH A. RI O DE J ANE IRO :
E DI TOR A FG V, 2 0 0 3. P. 1 3 - 3 5.

• “Assim como a história religiosa se beneficiou muito das contribuições


da sociologia religiosa, a história política deve bastante às trocas com
outras disciplinas: sociologia, direito público, psicologia social, e mesmo
psicanálise, lingüística, matemática, informática, cartografia e outras de
que esqueço. [...]” (p. 29)

• “A outras ciências do homem em sociedade, a história política tomou


de empréstimo noções e interrogações. [...]” (p. 29)
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E DI TOR A FG V, 2 0 0 3. P. 1 3 - 3 5.

• “Durante muito tempo censurou-se a história política por só se


interessar pelas minorias privilegiadas e esquecer o povo, as multidões,
as massas, o grande número. Talvez fosse uma censura justificada na
época em que os historiadores políticos se acantonavam na biografia
dos notáveis – mas será que eles o fizeram algum dia? Não se aplica
mais, certamente, contra uma história que pretende integrar todos os
atores mesmo os mais modestos – do jogo político, e que se atribui
como objeto a sociedade global. [...]” (p.33)

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